Ano 7 nº 1259 Alagoa Nova
da paixão para enriquecer a quantidade das sementes estocadas no Banco de São Tomé e também em outros Bancos do município de Alagoa Nova, para que essas continuem sempre na região, conta Zé Pequeno. Os sócios ainda aprendeream a fazer a seleção massal das variedades, essa iniciativa vem permitindo a melhoria na qualidade das sementes estocadas. Na época de sua estruturação, em 1974, só existiam dois tipos de feijão: o carioca e o híbrido. Em 2013, o Banco armazena uma grande quantidade de variedades: feijão carioca, preto, faveta, feijão macassa cariri, sempre verde, tochinha, fígado de galinha, fava orelha de vó, bacural, cancão, cara larga, coquinha, galo de campina, milho pontinha jabatão. Tem ainda o trabalho de colheita de sementes de outras espécies cultivadas como alface, pimentão, coentro, tomate, gliricídia, feijão de porco, guandu, mucunã e, atualmente, estão selecionando sementes de árvores frutíferas nativas e aquelas exóticas adaptadas à região do Brejo. Aqui na nossa agricultura familiar não temos só semente de milho e feijão, conta Zé Pequeno. Temos todos os tipos de sementes que a gente traz, planta e verifica se dá certo em nosso campo. Sem contar com as sementes de mamona, macaxeira, batata doce, sementes não existem no Banco, mas que fazem parte do sistema de troca comunitária. Dividimos as variedades um com o outro. Em São Tomé, no seu início, o Banco contava apenas com dois silos metálicos de 250 quilos. Com o trabalho de resgate e valorização das variedades locais, os agricultores sentiram a necessidade de aprimorar a forma de armazenar suas sementes. Depois de realizarem dois cursos de fabricação de silos, incentivados pela comissão de sementes do Polo da Borborema, o Banco possui um acervo diversificado de silos fabricados por seus sócios, com tamanhos diferenciados para guardarem com maior eficiência as sementes locais, as sementes da paixão. Quando indagados sobre a importância dos Bancos de Sementes Comunitários, a resposta é rápida e segura: garantir a quantidade, a qualidade, a diversidade e a disponibilidade de sementes como nossos pais já faziam. Naquela época não faltavam o feijão, a fava, o milho, o coentro na hora certa para plantar e atualmente passamos a viver um tempo que já não tínhamos mais isso, foi se perdendo. Zé Pequeno conta com orgulho que o trabalho desenvolvido pela comunidade de São Tomé está sendo reconhecido em toda a Paraíba. Com as experiências que possuem, já se criaram outros Bancos de Sementes Comunitários no município e também fora dele. Encerra colocando à disposição de todos as experiências por eles vivenciadas. Estamos prontos para levar nossa experiência para onde for necessário. Não quero que fique só em São Tomé, mas que se espalhe por toda a Paraíba e onde mais for necessário.
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Banco de Sementes Comunitário: a experiência de São Tomé em Alagoa Nova O Banco de Sementes Comunitário de São Tomé II, em Alagoa Nova, Paraíba é fruto do trabalho e da necessidade da comunidade, já que foi concebido em uma época em que a estiagem afligia seus moradores. Mas também, o Banco é fruto principalmente da iniciativa de uma de suas lideranças, de José Oliveira Luna, mais conhecido por Zé Pequeno. Zé Pequeno aprendeu desde cedo a importância de guardar as sementes. Seu pai, antigo tropeiro, andava do Brejo para o Cariri e de volta para o Brejo; ia e vinha infinitamente levando cachaça, rapadura, farinha e feijão para o Cariri e trazia de volta o queijo e a carne. Um dia cansou-se de suas andanças e resolveu se fixar na região do Brejo, terra de sua então recente esposa. Seu José Inácio e dona Elisia passaram a plantar no regime de meia para sustentar a família. Produziam farinha, batata doce, fava, milho e feijão para dar de comer às crianças que nasciam a cada ano. Com ajuda de seus filhos mais velhos, conseguiram comprar 10 quadras de terra; contudo, em virtude de a família ser muito grande, viam-se obrigados a continuar trabalhando no mesmo regime. Mas, conta Zé Pequeno, que seu pai nunca deixou de ter silos para a família; guardava os legumes e também suas sementes. Guardava suas sementes para plantar e também abastecia alguns vizinhos que sempre confiaram em seu feijão. A diversidade, a fartura de legumes e a solidariedade na partilha das sementes marcaram a infância do pequeno Zé. Zé Pequeno sempre foi um homem muito religioso e desde solteiro participava de grupos de jovens e dos movimentos ligados à Igreja Católica. Logo quando se casou, ainda moço, aos 24 anos, assumiu o Grupo de Senhores, foi responsável pela evangelização em sua comunidade por mais de 27 anos, foi ministro da eucaristia; junto com sua esposa, dona Biluza, trabalhou na preparação de pais e padrinhos, no crisma, na organização de roçados comunitários, de trabalhos em mutirão para melhorar casas e estradas, organizavam as festas da colheita, do dia do trabalhador, do agricultor, promoviam festas comunitárias de São João. A história da