

Ano 27 - Nº - 311
Abril de 2026
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Ano 27 - Nº - 311
Abril de 2026
O mercado de data centers na América Latina cresce em ritmo acelerado. O Brasil lidera com quase metade da capacidade instalada, concentrada no eixo São Paulo-Campinas, enquanto novos polos emergem. A expansão dos serviços de colocation e do hyperscale atrai investimentos e reforça o papel da região na infraestrutura digital global.
ESPECIAL 120
Os data centers se consolidam como protagonistas no mercado livre, puxando contratos de longo prazo e modelos como autoprodução. O setor já responde por 1,7% do consumo elétrico no país e pode atingir até 10% até 2040, pressionando a expansão da transmissão e estimulando novas soluções regulatórias e operacionais no sistema elétrico.
ESPECIAL 228
O guia traz a relação dos fornecedores de equipamentos capazes de garantir alta disponibilidade e eficiência para aplicações de alta densidade, com a inclusão de itens novos como sistemas de resfriamento com liquid cooling, cabos ribbon de alta formação e plataformas de AIOps para monitoramento.
Com a crescente demanda por serviços digitais, surge a necessidade crítica de medir e otimizar a eficiência operacional dessas instalações, não apenas por questões econômicas, mas também por responsabilidade ambiental. O artigo apresenta os oito indicadores de desempenho especificados na ISO/IEC 30134 e detalha seus conceitos, métodos de cálculo, valores de referência e estratégias de otimização.
DATA CENTERS38

Capa: Helio Bettega Foto: Shutterstock
As opiniões dos artigos assinados não são necessariamente as adotadas por RTI, podendo mesmo ser contrárias a estas.

Projetos bem executados elevam a qualidade das entregas e mostram como o país se prepara para acompanhar a expansão global
Olhar para o futuro é enxergar um cenário onde haverá um crescimento exponencial da demanda global por data centers, com exigência de capacidade cada vez maior. Na edição anterior da Revista RTI, foi possível entender a jornada de evolução histórica desses recursos.
Hoje, dados e análises partem dos mais diversos centros de pesquisa e convergem para um veredicto: expansão. Esse aumento é aplicado em todos os cenários desse ecossistema, no número de unidades construídas, na necessidade de maior processamento e armazenamento de dados; consequentemente, também de maior energia, refrigeração etc.
O panorama global ecoa, ainda, na América Latina, que opera fortemente na esteira de ampliação de players no segmento de DC. Para se ter uma ideia, o mercado no continente foi avaliado em US$ 7,16 bilhões no ano de 2024, com previsão de atingir até US$ 14,3 bilhões no ano de 2030, de acordo com dados de estudo realizado pela ResearchAndMarkets, em 2025.
Nesse caminho em aceleração, o Brasil não fica de fora – pelo contrário, reúne fatores que o colocam em uma posição estratégica para novas instalações, para ampliar a capacidade nacional e

fortalecimento da prestação desse serviço no contexto internacional.
E mais, dentro do campo das especificidades e do rigor técnico de implantação dos data centers, a construção nacional tem estabelecido marcos importantes e de destaque, gerando impacto nesse segmento em outras localidades.
Redefinindo padrões
Em 2022, ao assumir sua primeira obra de data center hyperscale, a Construcap iniciou uma jornada de especialização, imersão internacional e busca por altos padrões de excelência em uma operação altamente exigente.
“Foi possível redefinir padrões de entrega para DC no país e, também, internacionalmente”, comenta o superintendente de Obras da Construcap, Lucas Azevedo Capobianco.
A afirmação diz respeito à tendência de que os demais players – sejam nacionais, sejam da América Latina, por exemplo – não querem estar em um patamar inferior e, por isso, há uma busca natural pelo aprimoramento nas entregas como um todo.
Na prática, cabe aqui a aplicação do termo driving new standards que representa liderar ou impulsionar o estabelecimento de novos padrões de qua-
lidade, eficiência e segurança no setor de DC.
A Construcap tem focado toda sua expertise e jornada histórica de grandes realizações para levar aos data centers a introdução de soluções mais avançadas de engenharia, com atendimento nos prazos de pré-construção e construção.
Isso tudo sem deixar de seguir as melhores práticas existentes – no início da empreitada, um time técnico da Construcap passou uma temporada nos Estados Unidos, em um pólo de expansão de DC, para entender de perto cada uma das exigências.
Escolha estratégica
Vantagens nacionais que favorecem a construção de data centers estão alinhadas a pilares estratégicos que são o desenho do sistema, a transparência dos dados e, principalmente, a escolha do local de construção, ambos fatores relevantes.
Alguns dados solidificam esse caminho, como o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) que prevê, entre outras ações, apoio à criação de DC alimentados com fontes de energia renováveis, priorizando as regiões Norte e Nordeste, com recursos de R$ 2,3 bilhões para o período entre 2024 e 2028.


Vale citar, ainda, a proposta do Redata, dentro da Polícia Nacional de Data Centers (PNDC), que compreende iniciativas de fomento à cadeia produtiva, além de atrair e acelerar investimentos na instalação e na expansão, reduzindo a dependência de serviços digitais no exterior e fortalecimento da soberania nacional.
Os dados acima foram extraídos do completo estudo publicado pelo Panorama Setorial da Internet em novembro de 2025, intitulado Data centers no Brasil. O citado programa Redata perdeu validade em 26 de fevereiro de 2026, após o Senado não votar a medida provisória dentro do prazo. Até o
fechamento desta edição, o governo avaliava alternativas legais para restabelecer o incentivo.
Excelência operacional
O cenário atual de DC no país ainda está inserido em um contexto de grande dependência estrangeira. Atualmente, 60% dos dados gerados no Brasil têm seu processamento em data centers localizados nos Estados Unidos. Outro ponto de atenção é o fato de aproximadamente 90% dos serviços contratados pelos governos serem fornecidos pelas as chamadas Big Techs, localizadas em outros continentes.
A atuação da construtora une a valori-
zação de pilares como pessoas e segurança, alinhados ao comprometimento com a entrega de grandes obras de relevância em sua história de mais de 80 anos, com a utilização de tecnologia de ponta, recursos e metodologias que permitem mitigar riscos e garantir um resultado final eficiente.
“A Construcap busca gerar valor para o cliente, indo além do contrato, com o compromisso de entregar não apenas a obra, mas resultados concretos, elemento central do nosso sucesso”, reforça Capobianco.
Na próxima edição, um olhar técnico e aprofundado sobre os desafios na edificação de DC em território nacional.








O avanço do mercado de data centers no Brasil deixou de ser uma tendência para se consolidar como um dos vetores estruturantes da economia atual. Em um cenário global marcado pela expansão da computação em nuvem, da inteligência artificial e da conectividade, o país emerge não apenas como líder regional, mas como um candidato natural a hub estratégico de infraestrutura digital em escala global.
Como mostram as matérias da reportagem especial desta edição, o Brasil já concentra cerca de metade da capacidade instalada de data centers na América Latina e lidera o pipeline de expansão em construção, refletindo uma combinação rara de fatores: demanda robusta, disponibilidade energética e condições competitivas para investimentos de longo prazo.
Esse movimento ocorre em paralelo a uma mudança qualitativa no perfil da demanda. O crescimento acelerado de aplicações intensivas em processamento vem impulsionando projetos de maior densidade energética e escala, com destaque para o modelo de campus integrado e para a atuação de hyperscalers.
Do ponto de vista estrutural, o país reúne atributos que ampliam sua atratividade. A matriz elétrica predominantemente renovável se tornou diferencial competitivo relevante diante das metas globais de descarbonização, enquanto a expansão da conectividade, com redes de fibra e novos cabos submarinos, reforça a integração aos fluxos internacionais de dados, que sustentam níveis elevados de ocupação e pré-contratação dos novos empreendimentos.
Ao mesmo tempo, o avanço do setor já começa a produzir efeitos sistêmicos. Data centers se consolidam como grandes consumidores de energia e agentes relevantes no mercado livre, influenciando a contratação de longo prazo e estimulando modelos como a autoprodução. O impacto sobre a demanda elétrica é significativo e tende a se intensificar, colocando pressão adicional sobre a expansão da infraestrutura de transmissão e exigindo respostas regulatórias mais sofisticadas.
Nesse contexto, o ambiente institucional assume papel decisivo. Iniciativas como o Redata e a implementação da Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão indicam um esforço de adaptação das regras a uma nova realidade, na qual grandes cargas digitais disputam espaço na rede com projetos industriais e de transição energética. A previsibilidade regulatória e a capacidade de coordenação entre planejamento energético e desenvolvimento digital serão determinantes para sustentar o ciclo de crescimento.
Mais do que atender à expansão da demanda doméstica, o Brasil passa a se posicionar como plataforma de exportação de serviços digitais e processamento de dados. Em um mundo cada vez mais orientado por dados, a infraestrutura que os sustenta torna-se ativo estratégico. E, nesse cenário, o país reúne condições para ocupar um papel central, desde que consiga alinhar, com eficiência, aspectos como investimento, regulação e expansão de sua base energética.
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avanço acelerado dos data centers no Brasil começa a trazer à tona um desafio estrutural: o aumento do consumo de água para sistemas de resfriamento. Em um cenário de maior pressão ambiental e restrições hídricas, o reúso desponta como alternativa estratégica, com destaque para tecnologias de ultrafiltração baseadas em membranas cerâmicas de placas planas submersas de carbeto de silício (SiC), que a Endeavor Soluções Ambientais e a Hydro Solution, de São Paulo, estão apresentando no Brasil.
Segundo especialistas do setor, mesmo em sistemas mais eficientes, com circuito fechado, a operação de data centers exige reposição contínua de água devido à evaporação em torres de resfriamento e chillers. “Estamos falando de um consumo relevante de água potável, que tende a crescer de forma exponencial com a expansão dos data centers e o avanço da IA”, afirma Gilson Cassini Afonso, sócio da Endeavor Soluções Ambientais e vicepresidente da Sindesam - Sistema Nacional das Indústrias de Equipamentos para Saneamento Básico e Ambiental da ABIMAQ.
Estimativas indicam que o consumo pode variar entre 0,1 e 0,4 litro por kWh no Brasil, enquanto em sistemas menos eficientes pode superar 1,5 litro por kWh. Na prática, esse volume pode equivaler ao consumo diário de cidades de médio porte, elevando a preocupação com a disponibilidade hídrica, especialmente em regiões metropolitanas.
A questão ganhou relevância adicional com a criação do Redata, regime especial de tributação que condiciona incentivos fiscais a metas de sustentabilidade, cujo Projeto de Lei aguarda aprovação no Senado. Um dos principais indicadores é o WUE (Water Usage Effectiveness), que exige consumo máximo de 0,05 litro por kWh, o que muda completamente o cenário do consumo de água no setor.
“Isso praticamente inviabiliza o uso de água potável como fonte principal e empurra o setor para soluções de
reúso”, afirma José Alfredo Mattio, diretor da Hydro Solution.
O modelo também estimula a integração entre data centers e ETEs - Estações de Tratamento de Esgoto, criando o que especialistas chamam de “corredores de água de reúso”, nos quais o efluente tratado passa a ser insumo para operações de resfriamento.
Nesse contexto, ganha espaço a ultrafiltração com membranas cerâmicas de placas planas submersas de carbeto de silício (SiC), tecnologia já amplamente utilizada na Europa, Estados Unidos e Ásia. No Brasil, a solução começa a ser implementada em projetos-piloto, incluindo uma planta em fase de startup em um data center em São Paulo.

A tecnologia é fornecida pela dinamarquesa Cembrane, maior produtora mundial de membranas SiC, e distribuída com exclusividade pela Hydro Solution no país. As soluções já estão presentes em mais de 500 instalações em 65 países.
Segundo Mattio, as membranas cerâmicas planas submersas apresentam vantagens operacionais relevantes em relação às convencionais poliméricas. “A vazão pode ser de três a quatro vezes maior para a mesma área, o que reduz o espaço necessário e o consumo de energia. Além disso, a vida útil pode superar 20 anos, contra cerca de sete anos das membranas convencionais”, afirma.
Outro diferencial é a resistência química e mecânica, que permite operar em condições mais severas e com menor uso de produtos químicos. As membranas cerâmicas de placas planas
submersas também não utilizam compostos como o PVDF, associados à geração de PFAS, substâncias que vêm sendo restringidas em mercados internacionais.
A entrada dessa tecnologia no setor de data centers no Brasil tem sido impulsionada pela parceria técnica entre a Endeavor e a Hydro Solution, que atuam de forma complementar no desenvolvimento de projetos de tratamento e reúso de água. “Entramos com a solução de engenharia e empreendimento, enquanto a Hydro Solution traz a tecnologia de processo. Essa sinergia tem permitido avançar em projetos mais complexos, inclusive no segmento de data centers”, afirma Cassini.
Os projetos em desenvolvimento incluem tanto o tratamento de água cinza dentro dos próprios data centers quanto a qualificação de água proveniente de estações de tratamento municipais. Em alguns casos, a solução já utiliza membranas cerâmicas; em outros, a tecnologia deve ser incorporada em fases futuras, à medida que as plantas ganham escala.
A combinação entre restrições hídricas, exigências regulatórias e expansão da demanda computacional deve consolidar o reúso como componente central da infraestrutura de data centers no país. Para os especialistas, o tema deixa de ser apenas operacional e passa a influenciar diretamente o licenciamento, os custos e a competitividade dos empreendimentos. “O data center que não incorporar reúso de água dificilmente vai atender aos novos requisitos de eficiência e sustentabilidade”, afirma Mattio. Segundo ele, tecnologias mais robustas e de maior durabilidade, como as membranas cerâmicas de placas planas submersas de SiC, tendem a ganhar espaço como solução para viabilizar o crescimento do setor com menor impacto sobre os recursos hídricos, o que inclui a redução da pressão sobre os custos de Capex e Opex no médio e longo prazo e um retorno do investimento muito atrativo.
Endeavor – https://endeavor.ind.br/ Hydro Solution - www.hydrosolution.com.br
crescimento acelerado da infraestrutura digital, impulsionado principalmente por aplicações de IAInteligência Artificial e serviços em nuvem, tem levado fornecedores globais de infraestrutura elétrica a ampliar suas estratégias para o segmento de data centers. Entre essas empresas está a Eaton, companhia global de gerenciamento inteligente de energia, que vem reforçando sua atuação com novas tecnologias, aquisições e uma abordagem integrada para o fornecimento de soluções elétricas. O setor já responde por cerca de 21% da sua receita global e é atualmente o segmento de maior crescimento dentro do portfólio. “A Eaton tem 11 segmentos estratégicos e o primeiro deles hoje é data center. É onde enxergamos o maior crescimento para a companhia”, afirma Fernando Bevilacqua, Post Order Director –Global Data Center Segment da Eaton. Engenheiro eletricista com mais de 25 anos de experiência na indústria elétrica, Bevilacqua atua na empresa há 14 anos e recentemente assumiu a nova função global voltada ao segmento de data centers, após liderar a unidade de negócios do setor elétrico da Eaton no Brasil. Na nova posição, o executivo passa a atuar na coordenação global da execução de projetos de data centers após a venda, incluindo gerenciamento de projetos, engenharia e padronização de serviços em diferentes regiões do mundo.
“O objetivo é garantir que um cliente global tenha a mesma experiência de execução da Eaton em qualquer lugar do mundo. Esses clientes têm operações nos Estados Unidos, no Brasil, na Ásia e na Europa, então precisamos garantir um padrão global de qualidade e serviços”, afirma.
Uma das bases da estratégia da Eaton para o setor é o conceito “Grid to Chip”, que consiste em integrar toda a cadeia de infraestrutura elétrica de um data center, desde a subestação de alta tensão até os equipamentos de
processamento. A proposta envolve o fornecimento integrado de equipamentos, sistemas e serviços, incluindo painéis de média tensão, transformadores, sistemas de baixa tensão, UPS de alta potência, baterias, PDUs, sistemas de transferência automática, softwares de gerenciamento e soluções de engenharia.
“Basicamente é conectar a subestação de alta tensão até o nível do chip dentro do data center. A Eaton consegue prover uma solução completa com equipamentos, serviços, gerenciamento de projetos e softwares para operação da infraestrutura”, explica Bevilacqua. Segundo o executivo, essa abordagem integrada também facilita a expansão de clientes globais, uma vez que as soluções passam a ser padronizadas e replicáveis em diferentes regiões.

O aumento da densidade de processamento associado à inteligência artificial também tem pressionado os sistemas de refrigeração dos data centers. Para fortalecer sua atuação nessa área, a Eaton anunciou em março a conclusão da aquisição da Boyd Thermal, empresa americana especializada em componentes e sistemas térmicos. A operação amplia o portfólio para incluir tecnologias avançadas de resfriamento líquido para servidores de IA.
Segundo a Eaton, a aquisição permitirá oferecer soluções completas para infraestrutura de data centers, incluindo gerenciamento térmico para cargas computacionais de alta densidade. “A Boyd é muito focada em soluções de
liquid cooling . Isso complementa o nosso portfólio para data centers, principalmente diante do crescimento das cargas associadas à inteligência artificial”, afirma Bevilacqua.
Outra frente estratégica da Eaton envolve o desenvolvimento de arquiteturas de distribuição elétrica baseadas na tecnologia Medium Voltage Solid State Transformer (MVSST) , permitindo conversão direta de MV para 400/480 VAC, 400 VDC ou 800 VDC, inclusive com alimentação direta aos racks, projetadas para suportar o aumento da densidade de processamento em data centers voltados à IA. A empresa apresentou em 2025 um projeto de referência para essa arquitetura em parceria com a NVIDIA, voltado a aplicações de computação de alto desempenho e fábricas de IA. A proposta consiste em integrar sistemas de distribuição elétrica em corrente contínua diretamente aos racks de servidores, reduzindo perdas e aumentando a eficiência energética.
“Quando falamos de densidade de carga, os racks que antes tinham 10 a 50 kW hoje já superam 120 kW e projeções já apontam para racks até 1 MW. Para atender a essa demanda, a infraestrutura tradicional não é suficiente”, explica Bevilacqua. Segundo ele, o aumento da tensão permite reduzir correntes elétricas e melhorar a eficiência da distribuição de energia dentro do data center. “A solução de arquitetura de 400 ou 800 VDC é uma forma de aumentar a tensão para diminuir a corrente e permitir a entrega dessa potência com segurança. Sem esse tipo de infraestrutura, o avanço da inteligência artificial fica limitado.”
Além da evolução tecnológica, a Eaton observa uma mudança no perfil dos projetos de data centers, que passam a apresentar níveis de complexidade comparáveis aos de grandes projetos industriais. “Hoje a execução de um data center envolve engenharia, gerenciamento de projeto e integração de sistemas muito complexos. Antes, setores como mineração ou óleo e gás eram considerados os mais complexos, mas os data centers já estão nesse mesmo nível”, finaliza Bevilacqua.

or meio da tecnologia POL- Passive Optical LAN, a GSTN – Grupo de Soluções Tecnológicas, integradora sediada em Barueri, SP, e com escritório em Campinas, SP, tem acelerado sua expansão no mercado corporativo e público, com mais de 300 projetos implantados no conceito de fibra óptica até a mesa do usuário (FTTD – Fiber to the Desk). A estratégia reposiciona a fibra óptica, tradicionalmente usada em redes externas, como infraestrutura principal também dentro de escritórios, escolas, hospitais e prédios públicos.

Fundada em 2008, a GSTN surgiu inicialmente como provedora de hospedagem e serviços em nuvem, em um momento em que o mercado corporativo ainda enfrentava limitações de conectividade. Com a crescente demanda por acesso à Internet, a empresa rapidamente migrou seu foco para telecomunicações, fornecendo links via rádio e, posteriormente, fibra óptica. Ao longo dos anos, ampliou sua atuação com soluções como PABX em nuvem, locação de equipamentos e conectividade corporativa. Hoje, com cerca de 110 colaboradores e crescimento superior a 30% no último ano, a GSTN projeta manter expansão anual entre 20% e
30%, impulsionada principalmente pela oferta de POL.
A entrada da empresa no universo das redes ópticas internas foi influenciada pela experiência acumulada com o provedor Best Fibra, braço criado em 2018 e sediado em Salto, SP, voltado ao mercado residencial e com cerca de 8 mil assinantes em cidades do interior paulista. A operação permitiu à GSTN dominar tecnologias baseadas em GPON, inicialmente aplicadas em redes FTTH, e posteriormente adaptá-las para ambientes corporativos. “Como nós crescemos com rede de fibra óptica e com o provedor Best Fibra, já dominávamos o conceito de GPON. Isso facilitou levar o mesmo modelo para dentro das empresas, colocando a fibra diretamente na mesa do usuário”, afirma o sócio-fundador Ederson Vian.
O primeiro grande projeto no modelo FTTD foi implantado em uma prefeitura no interior paulista, com cerca de 400 pontos conectados. Desde então, a tecnologia passou a ser adotada em escolas, unidades de saúde, igrejas, empresas e hospitais. Atualmente, a empresa soma mais de 300 projetos implantados, incluindo mais de 80 escolas e diversas unidades públicas e privadas. Um dos maiores cases é o Hospital Municipal de Paulínia, SP, com cerca de 2400 pontos conectados por fibra óptica até os terminais, demonstrando a viabilidade da tecnologia em ambientes críticos que exigem alta disponibilidade e confiabilidade.
Diferentemente do cabeamento estruturado tradicional baseado em cobre e switches distribuídos, a arquitetura POL utiliza divisores ópticos passivos e equipamentos centrais, reduzindo significativamente a quantidade de componentes ativos na rede. Isso resulta em menor volume de cabeamento e infraestrutura física, redução do consumo de energia elétrica, simplificação da gestão e manutenção da rede, maior alcance sem perda de desempenho e aumento da confiabilidade e da vida útil da












infraestrutura. A fibra óptica também facilita expansões futuras e melhora a organização do ambiente físico. “A infraestrutura fica muito mais organizada e escalável. Para o cliente, isso significa menos custo operacional e maior estabilidade”, explica Vian.
A GSTN utiliza plataformas de fabricantes compatíveis com o ecossistema GPON já empregado em sua operação como provedora, o que facilita o suporte técnico e a gestão da rede. A tecnologia também se mostrou adequada para aplicações temporárias, como eventos e estruturas desmontáveis, permitindo rápida implantação e reaproveitamento da infraestrutura óptica.
Segundo Vian, o número de concorrentes ainda é limitado no país, o que abre espaço para crescimento acelerado. “Acredito que o POL tem grande potencial de ser o principal negócio da GSTN”, afirma.
A empresa já realizou projetos fora do estado de São Paulo, incluindo uma fábrica em Minas Gerais, e avalia expandir sua atuação para outras regiões do país, acompanhando clientes corporativos com operações distribuídas. Para a GSTN, a adoção de POL representa uma convergência entre telecomunicações e infraestrutura de TI, transformando a fibra óptica
em padrão também dentro das redes locais corporativas. A tendência acompanha a crescente demanda por conectividade de alta capacidade, impulsionada por aplicações como videoconferência, sistemas em nuvem e serviços digitais, reforçando o potencial da tecnologia como base das redes corporativas do futuro.
GSTN – Tel. (19) 3800-3400
Site: https://gstn.com.br/
e com baixo impacto operacional. Nesse contexto, a energia se destaca como uma das soluções que mais geram valor, apoiando a captação, retenção e o aumento do tíquete médio”, afirma.

Gedisa Energia, plataforma que conecta pequenos produtores de energia renovável a consumidores, pretende ampliar a sua presença no mercado de provedores de Internet, segmento que hoje responde por 10% de seu faturamento.
Para Miguel Segundo, CEO e cofundador da Gedisa Energia, os provedores atuam com margens cada vez mais restritas, sendo necessária a oferta de serviços além da conectividade para ampliar o faturamento. “As operadoras têm buscado parceiros capazes de entregar produtos confiáveis
A oferta foca no modelo de geração compartilhada, que permite que consumidores do chamado grupo de baixa tensão (grupo B) se conectem a pequenos provedores de energia renovável. Toda a operação é amparada na Lei no 14300/2022, que estabelece o marco legal da micro e minigeração distribuída.
O modelo comercial foi elaborado para adaptar-se ao contexto e à estratégia de cada contratante. Com ele, é possível compartilhar a energia com a marca da operadora via uma plataforma white label.

O provedor tem como atribuições gerar a demanda junto à sua base e utilizar a solução como ferramenta de retenção, upsell e captação de novos usuários.
Segundo prognósticos feitos pela Gedisa Energia, a proposta é capaz de aumentar em até 30% o tíquete médio do provedor e reduzir o churn
“A Gedisa Energia é responsável pela gestão das usinas, alocação de clientes, conformidade regulatória, rateio dos créditos de energia e processos financeiros. O provedor atua como canal de relacionamento e aquisição, sem assumir riscos ou complexidade operacional”, explica Miguel. “Na geração compartilhada, a operadora não comercializa energia excedente, mas permite que seus clientes acessem um modelo estruturado de compartilhamento de energia renovável por meio de usinas destinadas a esse fim”, acrescenta.
Com sede em Curitiba, PR, a Gedisa Energia faz parte do Grupo Ergon, holding fundada em 2004 com forte atuação na região Sul. O grupo iniciou
suas atividades na distribuição de GLP, sigla para gás de cozinha, atendendo pequenas e médias empresas. Ao longo dos anos, expandiu seus serviços para o setor de energia.
“Hoje, o Grupo Ergon também atua diretamente na geração de energia renovável, com mais de 42 MW em projetos hídricos no Paraná, e conta com a Maré Renováveis, plataforma de investimentos criada em 2020 para desenvolver e gerir novos programas do setor”, completa o CEO.
A Gedisa Energia afirma ter mais de 140 usinas em operação e uma potência instalada superior a 150 MW. Tendo atendido mais de 5000 municípios, a companhia estima ter gerado mais de 400 GWh de energia. Além dos provedores, a empresa atende residências, produtores rurais, restaurantes, escolas, postos de combustíveis, clínicas, farmácias e academias.
Gedisa Energia – Tel. (41) 3343-0013 n Site: https://gedisa.com.br/
JM:Network, empresa especializada em consultoria técnica e gestão estratégica de redes para provedores de Internet, deu início à construção de sua nova sede em Balneário Gaivota, SC, com inauguração prevista para o primeiro semestre de 2027.
Atualmente, a companhia opera em um espaço de 170 m2 na mesma cidade, de onde presta serviços que abrangem gestão de redes de backbone, distribuição e última milha, além da configuração, implantação e manutenção de equipamentos de rede.A atuação inclui roteadores, switches L2/L3 e equipamentos de acesso, com especialidade nas plataformas Nokia e Huawei, além de experiência com fabricantes como ZTE, Fiberhome, Datacom, Parks, Cisco, Juniper, Mikrotik e Intelbras.


O portfólio também contempla a implantação, operação e otimização de redes, incluindo soluções de CGNAT, IPv6 e protocolos avançados de roteamento, além da gestão de servidores, ambientes virtualizados e plataformas de monitoramento de rede. Entre as tecnologias utilizadas estão ferramentas como Zabbix, Grafana e LibreNMS, que permitem acompanhamento contínuo da performance e estabilidade das operações dos provedores atendidos.

Com a mudança para a nova estrutura, a JM:Network passará a contar com uma área de 500 m 2 , incluindo um data center próprio, que permitirá a oferta de serviços de colocation e infraestrutura para empresas da região. “Hoje, atuamos com consultoria e assessoria para provedores. A ideia é evoluir para um hub completo de soluções, capaz de apoiar o provedor em diferentes demandas estratégicas, desde infraestrutura tecnológica até áreas complementares, como suporte jurídico e contábil”, explica Junior Moraes, diretor técnico e de expansão da JM:Network.
A ampliação também impactará diretamente as equipes de NOC e CGR – Centro de Gerenciamento de Rede, que passarão a contar com 50 profissionais. Outro projeto, iniciado ainda em 2025, é o aumento na participação de eventos do setor de telecomunicações com o intuito de fortalecer a presença da marca no mercado e ampliar o relacionamento com
provedores. Desde 2018, ano de sua fundação, a JM:Network tem apresentado crescimento constante, chegando em alguns períodos a dobrar de tamanho. Com mais de 60 redes administradas e cerca de 1 milhão de assinantes atendidos, a JM:Network atua com uma metodologia de trabalho voltada à produtividade. Para Gustavo Ienerich, consultor comercial da empresa, esse modelo de gestão é um dos principais diferenciais da companhia. “Produtividade não significa apenas resolver problemas quando eles aparecem, mas entender as causas dentro da operação do provedor e implementar melhorias estruturais para evitar que eles se repitam. Também dedicamos muito tempo à otimização contínua da estabilidade e desempenho da rede, servidores e sistemas de monitoramento que sustentam a operação das operadoras. São ações que geram ganhos diretos tanto para o provedor quanto para o cliente final”, salienta.
JM:Network – Tel. (48) 3036-0478 n Site: https://jmnetwork.solutions
om mais de duas décadas de atuação em medição, análise e gestão de energia, a Metrum Equipamentos de Medição & Testes amplia sua presença em ambientes de missão crítica, com foco no mercado de data centers. Fundada em 2002, em Belo Horizonte, MG, a empresa consolidou-se como fornecedora de soluções para concessionárias e grandes consumidores, combinando fabricação própria, integração de sistemas e consultoria. Em 2021, abriu uma unidade dedicada em Jundiaí, SP, reforçando a atuação no principal polo de data centers do país.
A experiência em projetos para concessionárias como Cemig e Chesf, com implantação de plataformas de controle, qualidade e análise de energia, sustentou a expansão para setores industriais, hospitais e, mais




recentemente, data centers. Segundo Armando Morais, gerente de Vendas e Inteligência, ainda é comum que a energia só ganhe atenção após falhas. “Sem medição contínua e análise criteriosa, não há prevenção real”, afirma. O portfólio da empresa cobre toda a cadeia elétrica, da subestação ao rack, incluindo medidores multicircuitos, soluções de qualidade de energia, registradores de eventos, sistemas de supervisão e o SIGE - Sistema Integrado de Gestão de Energia. A Metrum também atua com automação de subestações, BMS, DCIM, consultorias, diagnósticos e projetos de eficiência, além de operar laboratório acreditado pelo Inmetro. Entre os destaques está o sequenciador de eventos (SER), que registra operações e distúrbios elétricos com precisão de milissegundos. Integrado a medidores de qualidade de energia, o equipamento permite identificar causas raiz de falhas e reduzir o tempo de diagnóstico, contribuindo para o aprimoramento dos projetos elétricos, sobretudo diante da crescente adoção de soluções de alta densidade e resfriamento líquido.
A empresa aposta na customização como diferencial. “Partimos de plataformas consolidadas e agregamos funcionalidades específicas. O foco é transformar dados em informação para a tomada de decisão”, diz Thiago Silva, gerente da filial de Jundiaí. A estrutura local também viabiliza suporte 24/7 e adaptação de projetos para diferentes perfis, de edge a hyperscale, incluindo demandas como gestão de baterias e integração com geração renovável.
A regulamentação do Redata e outras medidas provisórias podem destravar investimentos relevantes, especialmente
diante do impacto tributário nos servidores — cerca de 30% mais caros no Brasil. Para Morais, o timing será decisivo: “O mundo inteiro está disputando transformadores, geradores e equipamentos. Há uma janela de três a quatro anos para novos projetos. Se não avançarmos nas aprovações e na segurança regulatória, o Brasil pode perder oportunidades”.
Para a Metrum, a confiabilidade em data centers está diretamente ligada à qualidade da medição. “Só é possível garantir eficiência e disponibilidade com dados precisos desde a base”, conclui Morais.
Metrum – Tel. (31) 99856-5265
Site: https://memt.com.br/
Intersolar Brasil Nordeste - O avanço dos data centers no Nordeste será um dos temas em destaque do Congresso Intersolar Brasil Nordeste 2026, que ocorre nos dias 28 e 29 de abril, no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza. A programação inclui a palestra Data Centers na Região Nordeste , marcada para 29 de abril, das 10h30 às 12h, com Daniel Lima Costa, diretor da Agrosolar Investimentos Sustentáveis. O debate ocorre em um momento de rápida expansão desse tipo de infraestrutura na região, impulsionada pela combinação entre posição geográfica estratégica, disponibilidade de energia renovável e conexão internacional por cabos submarinos. Esses fatores vêm consolidando o Ceará como um dos principais polos de data centers do país. Organizado pela Aranda Eventos & Congressos, em parceria com a alemã Solar Promotion International, o Intersolar Brasil Nordeste integra a rede de eventos do The smarter E South America e funciona como plataforma de debate sobre temas estratégicos da transição energética e da economia digital. A programação completa do congresso está disponível em: https://www.intersolar-brasil.com/
Parceria - A Links Field, multinacional especializada em conectividade IoT – Internet das Coisas e M2M, anunciou uma parceria com a Virtueyes, operadora móvel virtual autorizada (MVNO). Essa colaboração permitirá à Links Field passar a oferecer ao mercado uma nova opção de serviço, agora com cobertura da Claro, ampliando a flexibilidade e o alcance das operações IoT, compondo seu portfólio que já contava com conectividade nacional utilizando cobertura da Vivo. Com mais de seis anos de atuação no Brasil, a Links Field une sua experiência local à expertise global de sua matriz, em Singapura, e dos escritórios de engenharia e desenvolvimento na China. A empresa é pioneira em tecnologias como o eSIM SGP.32, oferecendo soluções que aumentam a eficiência operacional e a segurança para empresas no Brasil e no mundo. Site: https://abrir.link/wsgCt.
Data centers - A Huge Networks, empresa brasileira especializada em proteção contra ataques DDoS - Distributed Denial of Service e soluções de cibersegurança, anunciou a ativação de sua presença nos data centers Ascenty SPO01, SPO02 e SPO03, localizados na Grande São Paulo. A iniciativa representa um investimento superior a R$ 2 milhões e estabelece três novos PoPs - Pontos de Presença com capacidade combinada de 2,4 Tbit/s, incluindo scrubbing center (estrutura de bloqueio de ataques DDoS) dedicado para mitigação local de ataques. Site: https://abrir.link/nstcP.
Premiação - A TOTVS está com as inscrições abertas para a 5ª edição do Prêmio TOTVS Brasil que faz. A iniciativa celebra o protagonismo das empresas que utilizam a tecnologia da TOTVS como alavanca estratégica para impulsionar os negócios, por meio da digitalização e inovação. A categoria de Manufatura reconhece projetos que elevam a eficiência do chão de fábrica e otimizam toda a cadeia produtiva, do recebimento de insumos à expedição do produto final. As empresas participantes podem concorrer em uma das 12 categorias do prêmio e também nas categorias especiais de RH, Marketing & Vendas e Inovação – Lei do Bem. Os projetos serão avaliados por comitês de especialistas com base em critérios de inovação, ganho operacional, impacto financeiro, entre outros, de acordo com as respectivas categorias. As inscrições são gratuitas e vão até o final de abril. Os vencedores serão anunciados no palco do Universo TOTVS 2026. Site: https://abrir.link/FYxtf.
O melhor do Bits traz um resumo das principais notícias sobre o mercado publicadas no RTI in Bits, boletim semanal enviado por email para os leitores de RTI. Mais notícias podem ser encontradas no site: https://www.arandanet.com.br/revista/rti/noticias.

Transformando a exposição em PTTs em enlaces criptografados de alta performance em redes core e edge
Os dados em trânsito não são mais apenas tráfego. São valor, confiança e, cada vez mais, risco.
À medida que as redes escalam e a interconexão se torna mais distribuída, as operadoras passam a depender cada vez mais dos Pontos de Troca de Tráfego — os PTTs. Eles entregam eficiência e alcance, mas também introduzem algo bem menos visível: incerteza.
Sempre que o tráfego passa por um PTT, ele entra em um ambiente de switching compartilhado. Nesse momento, as operadoras perdem visibilidade e controle sobre o caminho percorrido. O tráfego deixa o domínio privado, a transparência de rotas é reduzida e a confidencialidade não pode ser garantida. Isso abre espaço para riscos de interceptação, incluindo ataques man-in-the-middle.
É nesse ponto que a soberania se rompe. A verdadeira soberania dos dados em trânsito significa manter o controle sobre confidencialidade, integridade e desempenho, independentemente do caminho percorrido. Os PTTs desafiam esse pressuposto.
As respostas tradicionais tentam compensar essa exposição por meio de túneis, overlays e criptografia hop-by-hop. Na prática, essas abordagens raramente resolvem o problema. Em vez disso, introduzem latência, jitter, perda de pacotes sob carga e complexidade operacional — especialmente em condições de failover.
Mais importante: elas não endereçam o risco de longo prazo. Adversários já estão capturando tráfego criptografado hoje, na expectativa de decriptografá-lo no futuro. Com o avanço da computação quântica, muitos esquemas criptográficos clássicos se tornarão vulneráveis. O custo de uma segurança “boa o suficiente” está subindo rapidamente.
Uma resposta moderna: criptografia ágil em line rate
O caminho é claro. A criptografia precisa ser inline, aplicada por hardware e capaz de evoluir.
A Sitehop entrega criptografia inline reforçada por hardware operando em line rate, com latência abaixo de um microssegundo e zero perda de pacotes — mesmo a 100G. Isso permite que as operadoras protejam os fluxos de tráfego east-west e north-south sem comprometer os SLAs.
A arquitetura é criptoágil e alinhada ao roadmap pós-quântico do NIST. A programabilidade via FPGA viabiliza a adoção do ML-KEM para troca de chaves e do ML-DSA ou SLH-DSA para assinaturas por meio de atualizações de firmware, eliminando a necessidade de substituição de hardware. Em testes, a plataforma sustentou aproximadamente 90 Gbps com cerca de 75% menos consumo de energia, validada em ambientes exigentes de 5G e do mercado financeiro, com implantação ágil e configuração mínima.
Por que isso é urgente agora
A mensagem é consistente em todos os setores: comece agora e migre de forma pragmática.
Ao posicionar soluções Sitehop em cada extremidade de um segmento de PTT, as operadoras criam um enlace deterministicamente privado e totalmente criptografado em um ambiente compartilhado. Mesmo quando o tráfego atravessa infraestruturas de terceiros, a confidencialidade e a integridade permanecem sob controle da operadora.
Como a criptografia opera inline com latência ultrabaixa, o desempenho é preservado para casos de uso sensíveis ao tempo — como plataformas de negociação financeira, pagamentos instantâneos, replicação inter data center, conectividade em cloud e network slicing em redes 5G. Ao mesmo tempo, a eficiência energética contribui positivamente tanto para o OPEX quanto para os indicadores de ESG.
Do risco à receita: uma oportunidade clara de SECaaS
Essa transformação vai além da segurança. Ela abre um caminho concreto para novos serviços. Com a Sitehop como base, as operadoras podem lançar um portfólio de Segurança como Serviço (SECaaS) sob a proposta de “Sovereign Link”:
• PTTSovereign Transport: Criptografia gerenciada e pronta para PQC em enlaces de interconexão e peering, com precificação por porta, largurva de banda e nível de SLA.
• Cloud & Inter-DC Shield: Proteção em line rate para cloud on-ramps e backbones de data center (1G/10G/100G), com upgrades criptoágeis via firmware.
• 5G & Critical Low-Latency: Latência abaixo de 1 µs preserva o desempenho para network slicing, Multi-access Edge Computing (MEC) e negociação financeira de alta frequência.
A proposta de valor para a operadora é convincente e defensável: privacidade comprovável sobre PTT/IXP com zero perda de pacotes; paridade de desempenho com criptografia na velocidade da rede; redução de OPEX e consumo energético; e criptografia alinhada ao PQC, preparada para proteger dados de longa vida útil.
Restaurando o controle em um mundo compartilhado
Os PTTs continuarão sendo fundamentais para a escalabilidade das redes. Mas infraestrutura compartilhada não precisa mais significar controle reduzido.
Ao incorporar a criptografia ao próprio fabric da rede, as operadoras podem restaurar a soberania dos dados em trânsito — e transformar um risco histórico em uma capacidade diferenciada e geradora de receita.
A transição para a criptografia pós-quântica já está em curso. O NIST finalizou seus primeiros algoritmos PQC, as diretrizes da GSMA estão orientando a migração no setor de telecomunicações e o Brasil atualizou os padrões da ICP-Brasil para incorporar a criptografia pós-quântica. Reguladores do setor financeiro também estão incentivando ação antecipada para evitar riscos de interoperabilidade e atrasos na migração.

Email: krister.almstrom@sitehop.com Celular/Whatsapp: +55-11-95654 6759



OO mercado de data centers na América Latina cresce em ritmo acelerado, com alta demanda por nuvem, IA e conectividade. O Brasil lidera com quase metade da capacidade instalada, concentrada no eixo São Paulo-Campinas, enquanto novos polos emergem. O avanço do colocation e do hyperscale atrai investimentos e reforça o papel da região na infraestrutura digital global.
mercado de data centers na América Latina registrou um avanço expressivo em 2025, com a entrega recorde de 184 MW de nova capacidade em colocation, superando o pico anterior de 141 MW, registrado em 2022. Os dados são do relatório Latin America Data Center Report , da JLL, empresa
Sandra Mogami, da Redação da RTI
global de ser viços imobiliários e gestão de investimentos.
O estoque total de colocation na região cresceu 20% em um ano, atingindo 1105 MW. Em uma perspectiva de longo prazo, o avanço é ainda mais significativo: desde 2019, quando somava 384 MW, o mercado quase triplicou, com crescimento anual composto (CAGR) de 16%.

Fig. 1 - Distribuição da capacidade instalada de data centers de colocation na América Latina. No Brasil, o mapa evidencia forte concentração no eixo São Paulo-Campinas, responsável pela maior parte da infraestrutura digital do país, enquanto mercados como Rio de Janeiro, Fortaleza e Porto Alegre avançam como polos emergentes. Fonte: JLL Research
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Palestrantes: (BRT)
Eduardo Langrafe | COO da Netcon Americas
Brian Clines | Engenheiro da FNT Software

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O evento será transmitido em inglês, com legendas em português e espanhol.

A expansão deve continuar acelerada. Considerando os projetos em construção, a capacidade instalada pode crescer cerca de 60% nos próximos dois anos, com um pipeline já 42% pré-contratado, indicando forte demanda futura.
A procura por infraestrutura digital segue concentrada em quatro mercados principais, Brasil, México, Chile e Colômbia, mas começa a se expandir para novas localidades, acompanhando a necessidade de maior capilaridade e redução de latência.
Mesmo ainda menor que regiões como América do Norte, Europa e Ásia, a América Latina ganha relevância global, impulsionada pela demanda por computação em nuvem, IA - Inteligência Artificial, redes 5G e IoT - Internet das Coisas.
O Brasil lidera o mercado, concentrando 48% da capacidade instalada, com destaque para os polos de Campinas e São Paulo/Barueri, que se consolidam como o principal hub regional de colocation.
Expansão avança para mercados secundários
Ainda segundo o estudo da JLL, a forte concentração em grandes centros urbanos começa a gerar restrições, especialmente relacionadas à disponibilidade de energia e terrenos.
Esse cenário abre espaço para a expansão em mercados secundários.
Projetos como o Omnia, em Fortaleza, e o Scala AI City, em Porto Alegre, com potencial superior a 1 GW, ilustram essa tendência de interiorização e diversificação geográfica.
Além da disponibilidade energética, frequentemente com maior acesso a fontes renováveis, essas regiões se beneficiam da proximidade com cabos submarinos internacionais, reduzindo latência e ampliando a conectividade.
Brasil concentra expansão em construção
Apesar do forte crescimento mexicano nos últimos anos, o Brasil deve manter a liderança no segmento de colocation. O país responde por 71% dos 683 MW atualmente em construção, seguido por Colômbia (11%) e Chile (10%).
No eixo São Paulo-Campinas, a expansão permanece robusta. Em São Paulo e Barueri, 74% da capacidade em construção já está pré-locada, evidenciando demanda aquecida.
Tab. I - Estatísticas de colocation da América Latina no fim de 2025
Entregas em 2025 184 MW
Em construção683 MW % pré-locado em construção26%
Pipeline planejado 3889 MW
Ao mesmo tempo, o mercado se torna mais competitivo, com a expansão de players consolidados e entrada de novos operadores como CloudHQ, ADA, Omnia, 247 Data Centers e Terranova, estes dois últimos detalhados nas páginas segui ntes.



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Hyperscale impulsiona nova fase do mercado
De acordo com o relatório da JLL, o segmento de data centers hiperescaláveis também vive um ciclo de forte crescimento. A capacidade própria saltou de 35 MW em 2020 para 202 MW em 2025, com CAGR de 42%, impulsionada principalmente por grandes provedores de nuvem.
Santiago/Chile lidera o segmento, com 46% da capacidade instalada, seguido por Campinas (29%) e Querétaro no México (25%), que vêm ganhando relevância como novos polos.
Empresas como AWS e Microsoft já expandem operações nesses mercados, enquanto novas localidades, como Montevidéu, começam a entrar no radar. Campinas tende a concentrar parte relevante da expansão futura, ao oferecer alternativas mais competitivas frente às restrições de custo e disponibilidade de recursos na região metropolitana de São Paulo.
Os hyperscalers, principalmente AWS, Microsoft e Google, são, ao mesmo tempo, concorrentes e principais clientes dos operadores de colocation.
O modelo de locação permite expansão rápida e flexível da capacidade, sem necessidade de investimento imediato em infraestrutura própria. Esse movimento tem sido determinante para o crescimento de empresas regionais como Odata, Ascenty e Scala, que ampliam presença no Brasil e avançam para outros países da região.
A seguir, são apresentados três casos de operadoras de colocation que apostam no mercado brasileiro: a Ascenty, com 16 anos de atuação no país; e dois novos players: Terranova, que desenvolve dois grandes projetos no estado de São Paulo; e a 247 Data Centers.
A Ascenty, provedora de serviços de data center e conectividade na América Latina e joint venture entre a Digital Realty e a Brookfield Infrastructure, vem intensificando sua estratégia de expansão
regional com foco em infraestrutura para aplicações de nuvem, edge computing e inteligência artificial. A companhia encerrou 2025 com crescimento de 30% na receita enterprise e aumento de 26% na capacidade vendida em MW, em linha com a aceleração da demanda por serviços digitais na região.
Esse avanço operacional sustenta um plano mais ambicioso: dobrar o tamanho da empresa nos próximos dois anos. “É uma meta bem ‘pé no chão’. O crescimento pode ser até maior”, disse João Walter, diretor de Produtos, Soluções e Estratégias Edge da Ascenty, durante o Capacity Latam, evento realizado em março em São Paulo. Segundo ele, companhia já está estruturada para atender tanto a demanda atual quanto novas oportunidades, independentemente de mudanças regulatórias.

João Walter, da Ascenty: Brasil como provedor de infraestrutura de IA
A estratégia de crescimento está baseada na consolidação do modelo de campus integrado, que permite atender diferentes perfis de demanda — de hyperscalers a aplicações de edge e inteligência artificial — em um mesmo ambiente. “O que o mercado vem pedindo é justamente essa proximidade do hyperscale, com cloud, com IA. Com isso, conseguimos desenvolver campus totalmente integrados”, disse o executivo.
Atualmente, a empresa conta com 38 data centers, sendo 25 em operação e os demais em construção ou expansão, distribuídos principalmente entre Brasil, México e Chile, além de projetos em desenvolvimento na Colômbia.
Nesse contexto, a Ascenty busca posicionar o Brasil de forma estratégica na cadeia global de tecnologia. “Quando falamos de hub de conectividade, não queremos posicionar o Brasil como um consumidor de IA, mas sim como um provedor de infraestrutura de IA. Então podemos ir um pouco além daquilo que se espera”, afirmou João Walter.
A visão está associada a fatores como disponibilidade de energia, conectividade e escala de mercado. Segundo a empresa, o país reúne condições relevantes, incluindo matriz elétrica majoritariamente renovável e capacidade de expansão energética. A Ascenty, por exemplo, já conta com reservas significativas de energia em seus projetos e firmou iniciativas de autoprodução em parceria com geradores.
A infraestrutura de conectividade também é tratada como pilar central da estratégia. A companhia opera cerca de 4000 km de rede de fibra óptica própria e vem ampliando sua atuação em interconexão, segmento que registrou crescimento de 50% em receita no último ano.
Do ponto de vista tecnológico, a empresa vem antecipando tendências associadas à inteligência artificial, especialmente no que se refere à densidade de processamento e soluções de resfriamento.
Para sustentar a expansão, a Ascenty conta com um plano de investimentos de US$ 1 bilhão previsto para 2026, com projetos em andamento no Brasil, México e Chile.
A agenda regulatória também aparece como fator relevante para o avanço do setor. A empresa avalia que medidas como simplificação tributária e incentivos à infraestrutura digital podem acelerar investimentos e atrair novos players internacionais. “Quando você tem uma série de incentivos, as empresas de fora conseguem investir melhor no país”, afirmou João Walter, citando ainda a importância de iniciativas voltadas à expansão de cabos submarinos e à segurança da conectividade de longo prazo.
Site: https://ascenty.com/

A 247 Data Centers chega ao mercado brasileiro de colocation com uma proposta voltada ao atendimento de clientes hyperscale e enterprise plus, ancorada na formação de um time com ampla experiência na indústria e na capacidade de execução de projetos de missão crítica.
Criada em outubro de 2024 como plataforma da Arch Capital, gestora brasileira com atuação desde 2008 em infraestrutura urbana, com mais de R$ 6,3 bilhões de ativos sob gestão e 25 propriedades imobiliárias com mais de 2 milhões de metros quadrados, a empresa nasce a partir de uma leitura de lacunas estruturais no setor de data centers no país.
Segundo Rafael Garrido, CEO da 247 Data Centers, o principal diferencial competitivo está justamente no capital humano. “É um mercado que tem barreiras de entrada, e uma das maiores é gente que conheça a indústria, que já tenha projetado, construído e operado data centers para clientes hyperscale”, afirma.
colocation com atuação em todo o ciclo do ativo, do desenvolvimento do projeto ao investimento, construção e operação. “Somos uma empresa de colocation focada em hyperscale, com disciplina em eficiência operacional, prazos e qualidade de entrega”, destaca. Segundo o executivo, a solução é projetada para gigantes do mercado digital, oferecendo infraestrutura de alta densidade e capacidade ilimitada de expansão, voltada para grandes provedores de nuvem, plataformas de streaming, empresas de tecnologia e digitais de alto tráfego, como redes sociais, que precisam de performance extrema e escalabilidade instantânea.

Garrido traz na bagagem oito anos de atuação na operação latino-americana da Vertiv, multinacional de infraestrutura crítica para data centers e serviços de nuvem, onde esteve envolvido em projetos relevantes na região. Ao seu lado, a 247 estruturou uma equipe com histórico consolidado no setor: Bruno Pagliaricci, CTO, com passagens por Tivit e Odata; Josiel Shimoneck, diretor de projetos, ex-Scala; Carlos Alberto Zoppi, diretor de construção, também com experiência na Odata; e Tomás Botelho, responsável pela área financeira.
A estratégia da companhia começou justamente pela montagem desse time. “A construção deste negócio passa pelo capital humano especializado, com track record de execução. É isso que sustenta a nossa proposta de valor”, diz Garrido. Com sede em São Paulo, a empresa se posiciona como uma plataforma de
No plano de expansão, a 247 já estruturou três campus de data centers no eixo São Paulo-Campinas, atualmente em fase final de obtenção de acesso à rede elétrica. Cada um dos empreendimentos foi concebido para alcançar até centenas de MW de capacidade instalada ao longo do tempo, com projetos modulares e escaláveis. “Os terrenos já estão sob nosso controle e os projetos foram desenhados para crescer de forma flexível, acompanhando a demanda dos clientes”, afirma o executivo.
A estratégia prevê crescimento por fases, alinhado à evolução do mercado, especialmente diante do avanço das cargas associadas à computação em nuvem e à inteligência artificial. Nesse contexto, Garrido avalia que políticas públicas recentes podem acelerar esse movimento. “O Redata pode posicionar o Brasil como um hub global de data centers, permitindo inclusive a exportação de processamento e a internalização de cargas que hoje estão fora do país”, diz. Outro eixo relevante da operação é a agenda ESG. A empresa afirma adotar uma abordagem ampla de eficiência, que vai além do consumo energético. “Não é só PUE. Olhamos também para eficiência hídrica, carbono e impacto social. Os clientes hyperscale têm compromissos públicos claros nessas frentes, e isso precisa estar incorporado ao projeto desde o início”, afirma Garrido.
Com apoio de investidores institucionais e foco inicial no Brasil, a 247 planeja, no médio prazo, expandir sua atuação para outros mercados da América Latina. Para o executivo, no entanto, a chave do crescimento está na consistência da execução. “Esse é um negócio de longo prazo. Você precisa estruturar bem, construir bem e operar com excelência. E isso começa pelas pessoas”, conclui.
Site: https://247datacenters.com/
A Terranova, plataforma de data centers de hiperescala criada pelo grupo investidor global Actis, iniciou operações na América Latina com a proposta de capturar o crescimento acelerado da demanda por infraestrutura digital na região, impulsionada por aplicações de nuvem e inteligência artificial. A empresa planeja investir US$ 1,5 bilhão nos próximos três anos, com foco inicial em Brasil, México e Chile. O movimento ocorre em um contexto de expansão estrutural do setor. “A América Latina está entrando em um novo ciclo de crescimento da infraestrutura digital, impulsionado pela nuvem, IA e demanda empresarial”, afirmou o CEO da companhia, José Eduardo Quintella. Segundo ele, a estratégia da empresa é baseada em “crescimento disciplinado”, com projetos replicáveis e foco em eficiência operacional.
A Terranova já possui um data center em operação no México, na região de Querétaro, considerado um dos principais hubs digitais da América Latina. A unidade iniciou atividades com capacidade de 8 MW e está em expansão para até 20 MW, com um cliente já contratado, cujo nome não foi divulgado. No Brasil, a aposta está concentrada em dois grandes projetos no estado de São Paulo. O principal deles fica em Campinas, onde a empresa adquiriu um terreno de aproximadamente 1 milhão de metros quadrados, próximo à Unicamp, com acesso garantido à rede elétrica. O empreendimento terá capacidade inicial de 300 MW — equivalente a cerca de 200 a 220 MW de TI — com potencial de expansão para até 1 GW de energia no longo prazo. “O nosso principal projeto no Brasil é Campinas. Já temos o parecer da ONS para acesso ao grid de transmissão de energia”, afirmou Quintella. Segundo ele, a
companhia firmou parceria com a Siemens Energy para aquisição antecipada de subestações e transformadores, em resposta ao longo prazo de entrega desses equipamentos, que pode chegar a três anos.
Outro eixo relevante da estratégia é o projeto em Praia Grande, também em São Paulo, ainda em fase de desenvolvimento. A localização foi escolhida pela proximidade com cabos submarinos, um diferencial importante para conectividade internacional. O empreendimento está sendo desenvolvido em um terreno de área semelhante ao de Campinas, de cerca de 1 milhão de metros quadrados e terá, na primeira fase, 450 MW de capacidade, com possibilidade de expansão para níveis próximos a 1 GW. “O nosso projeto está a menos de 10 quilômetros de distância do cabo submarino”, disse o executivo.
Além da escala, a empresa aposta em engenharia modular e industrialização dos processos construtivos para acelerar a


engenharia modular implantação e reduzir riscos operacionais. A expansão dos campi será feita de forma gradual, acompanhando a demanda, com o objetivo de otimizar o uso de capital.
Com presença inicial em três países e possibilidade de expansão para novos mercados, a Terranova busca consolidar uma plataforma regional integrada. “Não estamos apenas adicionando capacidade, estamos moldando a próxima geração de data centers de hiperescala na América Latina”, afirmou o CEO.
A controladora Actis é uma investidora global em infraestrutura sustentável com histórico em energia renovável e ativos digitais em mercados emergentes, hoje integrada à General Atlantic. A Terranova mantém escritório em São Paulo e estrutura comercial internacional, com equipes de vendas nos Estados Unidos e na Ásia, voltadas ao relacionamento com clientes hyperscale.
A estratégia da Terranova prioriza projetos greenfield de grande escala voltados a clientes hyperscale, diferentemente de outras investidas da Actis na região, mais focadas em mercado corporativo. A empresa também oferecerá soluções completas para ambientes de nuvem pública, privada e híbrida, infraestrutura de alta performance para cargas intensivas de machine learning e deep learning e aplicações de edge computing.
Site: https://dcterranova.com/

Com o avanço acelerado da demanda digital, data centers se consolidam como protagonistas no mercado livre, puxando contratos de longo prazo e modelos como autoprodução. O setor já responde por 1,7% do consumo elétrico no país e pode atingir até 10% até 2040, pressionando a expansão da transmissão e estimulando novas soluções regulatórias e operacionais no sistema elétrico.
Ocrescimento acelerado da infraestrutura digital no Brasil tem colocado os data centers entre os principais motores de contratação de energia de longo prazo no mercado livre, ambiente em que grandes consumidores podem negociar diretamente a compra de eletricidade com geradores e comercializadoras.
O movimento se reflete já no alto consumo relativo das instalações. Segundo levantamento da Brasscom, baseado em dados oficiais, os data centers responderam por 1,7% do consumo de eletricidade no Brasil em 2024, cerca de 11,3 TWh, com perspectiva de chegar a 3,6% da demanda nacional até 2029. Esse avanço deve se intensificar ao longo da próxima década. Projeções de novo estudo da Schneider Electric indicam que a demanda de energia dos data centers no Brasil pode atingir cerca de 60 TWh até 2030 e entre 160 e 280 TWh até 2040, o equivalente a aproximadamente 10% de toda a eletricidade consumida no país.
Dentro do ambiente de contratação livre, além de se consolidar como carga relevante da matriz renovável do Brasil (de cerca de 88%), o setor tem se destacado como um dos principais
Marcelo Furtado
adeptos do modelo de negócio considerado mais competitivo para garantir suprimento de energia a suas operações: a autoprodução por equiparação.
Por esse modelo, o consumidor passa a ser considerado um autoprodutor de energia ao adquirir participação societária no empreendimento de geração, normalmente por meio de uma sociedade de propósito específico (SPE) que detém a usina.
Ao tornar-se sócio do projeto, o consumidor pode contabilizar a energia gerada como produção própria, mesmo que não opere diretamente a usina, com a compensação da energia no âmbito da CCEE - Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, por meio da alocação de lastro e energia no SIN - Sistema Interligado Nacional. Essa estrutura permite reduzir encargos aplicados ao consumo no mercado livre e tem sido amplamente utilizada por grandes cargas.
Segundo Camila Ramos, CEO da consultoria Clean Energy Latin America (CELA), os data centers foram o quarto segmento da economia com mais contratos de longo prazo em autoprodução do país em 2025, com 150 MW médios negociados. Mesmo

levantamento da consultoria aponta que a demanda de energia das centrais é estimada em cerca de 900 MW médios até 2028, sendo 472 MWm em construção e 488 MWm planejados. Em operação, há 777 MWm.
O formato da autoprodução tem sido preferido pelas empresas por razões econômicas. Como sócio do empreendimento gerador – parques eólicos e solares –, o data center passa a pagar menos encargos de consumo, o que reduz o custo final da energia em comparação aos contratos tradicionais de compra de energia (PPAs). “A autoprodução continua mais interessante do que o PPA. O desafio é ela ser mais complexa de estruturar, porque envolve diversos contratos e um processo de negociação mais longo”, explica Camila.
Pesa a favor da escolha pela autoprodução também o perfil de carga dos data centers, cada vez maiores para atender demandas da inteligência artificial. Isso principalmente porque, desde 2025, a regulamentação no Brasil passou a restringir esse modelo a consumidores com participação efetiva nos empreendimentos, coibindo o uso da autoprodução apenas para reduzir encargos por meio de participações societárias mínimas.
Pelas novas regras, válidas a partir de dezembro de 2025 pela Lei 15.269, o consumidor que pretende utilizar esse modelo deve deter participação societária mínima no empreendimento gerador, em geral de pelo menos 10%, além de aportar ao menos 30% do investimento do projeto e comprovar vínculo econômico efetivo com a usina. O enquadramento também passou a exigir demanda mínima de 30 MW, restringindo o modelo principalmente a grandes consumidores de energia, como os data centers e indústrias eletrointensivas.
A CELA participa atualmente de cinco projetos de autoprodução para atender data centers. Um deles já foi anunciado: a operação entre a geradora Casa dos Ventos e a Ascenty, considerada uma das
maiores transações de fornecimento de energia renovável para data centers na América Latina.
O acordo, anunciado em janeiro, prevê investimento superior a US$ 500 milhões e envolve a entrada da Ascenty como sócia em dois projetos de geração renovável — um eólico e outro solar — desenvolvidos pela Casa dos Ventos. Juntas, as usinas somam mais de 1,5 GW de capacidade instalada e devem fornecer cerca de 110 MW médios de energia renovável para os data centers da empresa no Brasil a partir de 2027. Outro exemplo recente de contrato que envolveu a autoprodução por equiparação foi firmado entre a Equinix e a Auren, geradora e comercializadora de energia. O projeto, divulgado em março, envolve dois parques eólicos no Rio Grande do Norte e deverá garantir energia para uma parcela significativa das operações da Equinix no país ao longo do período contratual, com início previsto para 2026.
Além da autoprodução por equiparação, outra vertente do modelo começa a ganhar espaço no país: a autoprodução in situ , pela qual há a instalação de data centers diretamente junto às usinas de geração. A Renova Energia tem avançado na estratégia ao integrar consumo e geração ao seu Complexo Eólico Alto Sertão III, na Bahia, de 432,6 MW, onde implantou o data center Satoshi 1 ao lado dos ativos de geração.
O empreendimento atualmente conta com cerca de 42 MW instalados, em operação desde o início do ano, e deve atingir aproximadamente 85 MW ainda no primeiro semestre. O projeto de data center Tier 1, nesta primeira fase voltado a um cliente de mineração de criptoativos, foi estruturado para consumir energia na própria origem, atuando como carga âncora capaz de absorver a geração que, em determinados momentos, seria limitada por restrições de transmissão
ou por critérios operativos do sistema, evitando o chamado curtailment — fenômeno recorrente na região Nordeste em que o ONS - Operador Nacional do Sistema Elétrico reduz a geração de usinas renováveis para preservar a segurança da operação quando a rede não consegue absorver toda a energia produzida.
Segundo Sandro Yamamoto, diretor de Novos Negócios, Regulação e Relações Institucionais da Renova Energia, trata-se do primeiro projeto no Brasil a atingir escala comercial nesse modelo. “Em vez de perder energia com cortes, passamos a usá-la no próprio sistema, gerando receita e eficiência”, disse.
A energia gerada pelos parques eólicos do complexo é direcionada à subestação da Renova, atuando como ponto central de distribuição. A partir daí, parte da energia é consumida diretamente pelo data center, conectado em média tensão, e o excedente segue para a subestação Igaporã 3, da Chesf, responsável pela integração ao SIN.
O projeto foi estruturado ao longo de 2024, com energização da primeira fase entre o fim de 2025 e início de 2026, e envolve conexão em média tensão e infraestrutura própria. Os módulos dos servidores são implantados em contêineres e utilizam sistemas de refrigeração em circuito fechado, com recirculação de fluido, reduzindo o consumo hídrico.
Na prática, ao consumir energia diretamente na fonte, os data centers contribuem para reduzir os cortes de geração, aumentando a eficiência do sistema elétrico e aliviando o carregamento das redes de transmissão. A expectativa da companhia é que, com a operação plena do projeto, seja possível reduzir em até 50% o curtailment na região, embora o resultado varie conforme condições operativas como regime de ventos e despacho do sistema.
O modelo também traz vantagens econômicas relevantes. Ao se enquadrar como autoprodução local, os consumidores passam a se beneficiar da isenção de encargos setoriais.

Tab. I – Acessos admitidos pelo PNAST
Número Número Número Número Interessado Interessado Interessado Interessado
Empreendimento Empreendimento Município/UF Município/UF Município/UF Município/UF Município/UF
1Datamax Ltda. Áurea Data Center 03
2Datatech Ltda.Áurea Data Center 04
3Datacore Ltda.Áurea Data Center 05
4Serena Desenv. de Energia 37 S.A.
5Serena Desenv. de Energia 38 S.A.
6Serena Desenv. de Energia 39 S.A.
SRNA C1
SRNA C2
SRNA C3
Sumaré/SP
Sumaré/SP
Sumaré/SP
Caucaia/CE
Caucaia/CE
Caucaia/CE
7Twenty Four Seven Data Centers S.A. Golgi Cajamar Franco da Rocha/SP
8Twenty Four Seven Data Centers S.A.Golgi RodoanelSão Paulo/SP
9Jaguary Empreendimentos Imobiliários SPE Ltda.Jaguary SPESantana de Parnaíba/SP
10Ventos de Santo Ulrico Energias Renováveis S.A. Data Center Itatiba Itatiba e Valinhos/SP
11Odata Sampa 08 Ltda.SP08 - Odata Osasco/SP
12Odata Sampa 08 Ltda.SP08 - Odata Osasco/SP
13Serena Chuí I Energia S.A.SNRA Carga 2Gentio do Ouro/BA
14Ascenty Data Centers e Telecomunicações S/AAscenty Cajamar Cajamar/SP
15Ascenty Data Centers e Telecomunicações S/AAscenty Porto do AçuSão João da Barra/RJ
16Serena Chuí I Energia S.A.SNRA Carga 4Gentio do Ouro/BA
17Serena Chuí I Energia S.A.SNRA Carga 5Gentio do Ouro/BA
18Ascenty Data Centers e Telecomunicações S/A Ascenty CampinasCampinas/SP
19Ascenty Data Centers e Telecomunicações S/A Ascenty VinhedoVinhedo/SP
20Ascenty Data Centers e Telecomunicações S/A Ascenty VinhedoVinhedo/SP
21Twenty Four Seven Data Centers S.A.247 Cabreúva 01Cabreúva/SP
22Digital DC Brasil Ltda.Nextstream - Campus TamboréSantana de Parnaíba/SP
23Serena Desenvolvimento de Energia 36 S.A.SRNA Parnaíba 1Parnaíba/PI
24Serena Desenvolvimento de Energia 36 S.A.SRNA Parnaíba 2 Parnaíba/PI
25Cosmic Fundo de Investimento Imobiliário Ltda. PULP 1 São Bernardo do Campo/SP
26Ascenty Data Centers e Telecomunicações S/A Ascenty Sumaré Sumaré/SP
27Terra Nova 1500 Ltda.Campus Data Center Praia GrandePraia Grande/SP
28Centrais Elétricas Brasileiras S.A. - EletrobrasDC Campinas Campinas/SP
29Serena Desenvolvimento de Energia 36 S.A.SRNA DC Jaguaruana 1Icapuí / Aracati/CE
30Atlas Brasil Comercializadora de Energia S.A.DC Atlas Açu 1São João da Barra/RJ
31Atlas Brasil Comercializadora de Energia S.A.DC Atlas Açu 2São João da Barra/RJ
32Atlas Brasil Comercializadora de Energia S.A.DC Atlas Açu 3São João da Barra/RJ
33Tivit Infraestrutura de Tecnologia S.A.Takoda SP03Sumaré/SP
34Delta 7 I Energia S.A.SNRA Carga D7 IGentio do Ouro/BA
35Delta 7 II Energia S.A.SNRA Carga D7 IIGentio do Ouro/BA
36Delta 8 I Energia S.A.SNRA Carga D8 IGentio do Ouro/BA
37Indaiá Grande Energia S.A.SNRA Carga INDGGentio do Ouro/BA
38Indaiazinho Energia S.A.SNRA Carga INDZGentio do Ouro/BA
A iniciativa sinaliza uma tendência mais ampla de colocalização entre geração renovável e cargas intensivas em energia, que pode ganhar escala nos próximos anos como alternativa estrutural para lidar com os desafios de escoamento e integração de fontes intermitentes no Brasil. A Renova projeta expandir esse modelo para até 700 MW de carga instalada em cinco anos, utilizando outras três subestações da empresa, podendo se aproximar de 1 GW no médio prazo. A expectativa é atrair clientes de data centers de maior porte nas próximas fases.
A existência da modelagem da autoprodução não é o único fator favorável do Brasil para viabilizar projetos de data centers com a energia renovável do país. O marco regulatório do setor em elaboração, apesar de no momento estar paralisado no Congresso Nacional depois de a MP 1205/2024 ter caducado em fevereiro e o PL 278/26 (que manteve as propostas da MP) ser adiado no Senado, prevê regime diferenciado que incentiva o uso das fontes limpas.
A proposta institui o Redata - Regime Especial de Incentivos para Data
Centers, que condiciona o acesso aos benefícios fiscais à comprovação de que o suprimento de eletricidade das instalações será feito com fontes renováveis. A exigência busca alinhar a expansão da infraestrutura digital ao perfil da matriz elétrica brasileira, reforçando o uso de energia eólica, solar ou hidrelétrica no atendimento dessas cargas eletrointensivas.
Mesmo não definindo um modelo específico de contratação de energia, ao condicionar os incentivos fiscais a critérios ambientais e ao uso de fontes limpas nas operações, o desenho do regime tende a estimular a contratação de energia por meio de contratos de longo prazo no mercado livre ou pela participação direta dos operadores em projetos de geração, no modelo da autoprodução.
Transmissão no centro dos debates
Se pelo lado da geração o cenário conta com iniciativas promissoras, o acesso à rede de transmissão ainda é considerado um obstáculo. Embora o ONS tenha recentemente aprovado pedidos de acesso que somam cerca de 7 GW de capacidade potencial para novos data centers, a fila para ter direito à conexão de projetos de grandes cargas continuará disputada, em razão da limitação de margem de escoamento na rede.
A discussão ganhou mais relevância com a entrada em vigor da PNASTPolítica Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão, instituída por decreto do governo federal em dezembro de 2025. A política alterou o modelo de obtenção de pareceres de acesso à rede elétrica, substituindo o rito anterior — baseado
principalmente em portarias emitidas pelo MME - Ministério de Minas e Energia para grandes cargas e na análise individual de pedidos pelo ONS — por um sistema estruturado de temporadas de acesso, que devem ocorrer no mínimo duas vezes por ano, e mecanismos competitivos de alocação da capacidade disponível na rede.
Na prática, o novo modelo estabelece critérios mais rigorosos para a formalização dos pedidos de acesso, exigindo que os empreendedores apresentem não apenas os estudos técnicos do projeto, mas também garantias financeiras e comprovação de viabilidade.
A Garantia Financeira para Solicitação de Acesso (GPA) funciona como sinal econômico do compromisso do agente com a implantação do empreendimento, reduzindo o risco de retenção especulativa de capacidade na rede. Os projetos também passam a ser submetidos a uma análise estruturada,
que pode incluir a avaliação da necessidade de estudos adicionais, como o Estudo de Mínimo Custo Global (EMCG), sob coordenação da EPEEmpresa de Pesquisa Energética.
Dados do próprio ONS ilustram o impacto dessa etapa de transição, criada para enquadrar projetos que já estavam em tramitação no MME antes da implementação do PNAST. Ao fim do prazo de 45 dias, apenas 39 dos 94 processos foram formalizados junto ao operador com garantia válida, resultando em 43 solicitações de acesso. Desse total, a maior parte corresponde a projetos de data centers, que somam cerca de 7040 MW distribuídos em 38 pedidos (tabela I), enquanto os demais 258,6 MW estão associados a projetos de hidrogênio verde e empreendimentos industriais.
Os projetos que não foram admitidos poderão se cadastrar na próxima temporada de acesso. Segundo o ONS, a primeira temporada terá publicação da sistemática e dos critérios em abril,
cadastro de projetos em junho e realização do processo competitivo entre o fim de setembro e início de outubro, sinalizando que novas rodadas devem ocorrer na sequência ainda dentro do mesmo ano.
No modelo anterior, projetos de grande porte, como data centers e outras cargas eletrointensivas, normalmente passavam por uma etapa inicial no MME, que emitia portarias relacionadas aos empreendimentos e estabelecia diretrizes para sua conexão ao sistema elétrico.
O novo método pode ajudar a disciplinar o acesso à rede, ainda insuficiente em pontos críticos do país, caso do Nordeste, embora no agregado a expectativa é de melhora com os mais de 10 mil km de linhas contratadas nos últimos leilões de transmissão, prometidos para entrar em operação nos próximos anos.

Veja a seguir quem fornece produtos para a infraestrutura de data centers, como sistemas de energia, climatização, cabeamento, racks, proteção contra incêndio, automação e segurança, garantindo a confiabilidade das operações de missão crítica.
Instalações Instalações Instalações Instalações elétricas elétricas
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Empresa e telefone
Adelco(11) 4199-7500 condenergia@adelco.com.br
Airsys (11) 2597-6685 airsys-brasil@air-sys.com.br
ALGcompany (54) 3201-1903 n vendas@algcom.com.br
Baterias Moura (11) 96301-0160 n bianca.santos@grupomoura.com
Binding (11) 99201-2416 n vendas@binding-energy.com.br
Black Box (11) 4134-4020 vendas.latam@blackbox.com
C3 Consulting (11) 5539-8036 n c3@c3consulting.com.br
Cook (21) 99387-1021 n cook@cookenergia.com

(11) 95605-2422 n ccsamericas@corning.com
D2W(11) 5522-2699 n vendas@d2w.ind.br
DCA (41) 3021-1728 n comercial@dca.com.br
Eaton0800 012 1303www.eaton.com/br/pt-br.html
Elite ACS (11) 95500-1657 n comercial2@eliteacs.com.br
Engetron (31) 3359-5890 n contato@engetron.com.br
Eurocab(11) 99497-8927 n comercial@eurocab.com.br
Facilitadores de Negócios nardini@facilitadoresdenegocios.com.br
(15) 98154-0250 n
Faritel (54) 3321-0955 n contato@faritel.com.br
Fibracem (41) 99946-0613 n relacionamento@fibracem.com
Geraforte (31) 99308-0018 n geraforte@geraforte.com
Gigaclima (19) 99474-5049 n comercial@gigaclima.com
Legrand0800 011 8008 sac@legrand.com.br
Leistung (11) 4196-8650 contato@leistung.ind.br
Lightera0800 041 200 lightera@latamlightera.com
MultiWay (11) 3437-5600 n contato@multiwayinfra.com.br
Multi Pro (11) 3198-0004 contatopro@grupomultilaser.com.br
PDUs gerenciáveis (1) Sistemas de energia CC Estático
Dinâmico Modular Filtro de harmônicos
Estabilizador de tensão Produtos para aterramento Grupo gerador
Retificador e inversor Barramento blindado Chave de transferência automática VRLA Equalização e monitoramento Chave estática (STS)
Autotransformador Filtro corretor de fator de potência Conversor CC/CC Barramento de distribuição
Lítio Proteção contra surtos Painel elétrico
Racks e cages Cabos de energia (BT/MT) Confinamento de corredor quente/frio
Racks de alta densidade (>30 kW, para IA) Infraestrutura para GPUs e aceleradores
Sala-cofre e sala segura
Data center contêiner Micro data center/data center in a box
Ar-condicionado de precisão
Vedações para piso
Difusor de piso –grelha
Tubulações para ar-condicionado
Direct-to-chip (D2C)
Resfriamento por imersão
CDUsCoolant Distribution Units
Manifolds e acessórios de conexão






Empresa e telefone
Munters (41) 98778-6361 n max.druciak@munters.com
Netcon Americas (81) 3117-0100 netcon@netconamericas.com
Nilko (41) 99874-0136 n rack@nilko.com.br
Novemp (11) 99408-7329 n vendas@novemp.com.br
OBO Bettermann (15) 3225-1789 n mkt.info@obo.com.br
Panduit(11) 98912-4661 n thiago.januario@groz.com.br
Phoenix(11) 3871-6400 vendas@phoenixcontact.com.br
Prysmian (15) 3235-9000 marketing.brasil@prysmian.com
Rittal(11) 3622-2350 n info@rittal.com.br
Seitec (19) 99802-7861 n vendas@seitec.ind.br
Stemac(51) 99290-9598 n comercial.geradores@stemac.com.br
Stulz(11) 94238-9244 n comercial@stulzbrasil.com.br
Sysmantec (11) 93293-3326 n sysmantec@sysmantec.com.br
Tellycom (85) 4042-1245 comercial@tellycom.com.br
Triunfo (41) 3347-1850 racks@triunfometalurgica.com.br
Vertiv (11) 3618-6600 sac.crc@vertiv.com
Volga (62) 98322-0405 pamela.pereira@volga.com.br
Instalações Instalações elétricas elétricas
PDUs gerenciáveis (1) Sistemas de energia CC Estático Estabilizador de tensão Produtos para aterramento Grupo gerador Autotransformador
Dinâmico Modular
Retificador e inversor Barramento blindado Chave de transferência automática VRLA Equalização e monitoramento Chave estática (STS)
Lítio
Filtro de harmônicos
Filtro corretor de fator de potência Conversor CC/CC Barramento de distribuição
Racks Racks e e estruturas estruturas
Resfriamento
Racks e cages Cabos de energia (BT/MT) Confinamento de corredor quente/frio
Racks de alta densidade (>30 kW, para IA) Infraestrutura para GPUs e aceleradores
Sala-cofre e sala segura
Data center contêiner Micro data center/data center in a box
Ar-condicionado de precisão
Vedações para piso
Difusor de piso –grelha
Tubulações para ar-condicionado Resfriamento por imersão Direct-to-chip (D2C) CDUsCoolant Distribution Units
Proteção contra surtos Painel elétrico Manifolds e acessórios de conexão

EmpresaTelefone
Cabo ribbon de alta formação
Solução para identificação/etiquetas Cabo óptico energizado
Solução monofibra (3) Solução pré-conectorizada (2) Piso elevado Caixas de superfície e tomada Abraçadeiras de fixadores de cabos Distribuidor óptico (DIO) Eletrocalha (chapa ou aramada) Leito para fibra óptica DCIM –monitoramento
Vedação para passagem de cabos Gaveta TFT (4) Caixa de emenda DIO modular com MPT/MPO Plataformas de AIOps Canaleta
Monitoramento preditivo (IA/ML) Controle de acesso Cabo óptico Cabo metálico
Gerenciador de cabos
Patch cord óptico BMSautomação predial EMSEnergy Management System CFTV
Proteção contra incêndio
Gerenciamento de cabeamento
Automação e software software software software Gases limpos
Patch panel gerenciável Firestop e bloqueios Detector de fumaça FK-5-1-12 (Novec 1230)
ALGcompany (54) 3201-1903 n vendas@algcom.com.br••••••••••••••••••
Black Box (11) 4134-4020 vendas.latam@blackbox.com••••••••••••••••••••••••••••••••••••
Brady (11) 4166-1500 sac@bradycorp.com
C3 Consulting (11) 5539-8036 n c3@c3consulting.com.br•••••••••••••••••••••••••••••••••••• Cook (21) 99387-1021 n cook@cookenergia.com••••••••••••••••••• (11) 95605-2422 n ccsamericas@corning.com••••••••••••••

DCA (41) 3021-1728 n comercial@dca.com.br••••••••••••••••••••••••
Eaton 0800 012 1303www.eaton.com/br/pt-br.html•••••
Elite ACS (11) 95500-1657 n comercial2@eliteacs.com.br •••• Eurocab(11) 99497-8927 n comercial@eurocab.com.br•••••
Facilitadores de Negócios (15) 98154-0250 n nardini@facilitadoresdenegocios.com.br•••••••••
Faritel (54) 3321-0955 n contato@faritel.com.br•••••••••••••••••••••••••
Fibracem (41) 99946-0613 n relacionamento@fibracem.com•••••••••••
Legrand 0800 011 8008 sac@legrand.com.br•••••••••••••••••
Lightera0800 041 200 lightera@latamlightera.com••••••••••••• MultiWay(11) 3437-5600 n contato@multiwayinfra.com.br••••••••
Multi Pro (11) 3198-0004 contatopro@grupomultilaser.com.br•••••••
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Nilko(41) 99874-0136 n rack@nilko.com.br••
OBO Bettermann (15) 3225-1789 n mkt.info@obo.com.br•••••• Panduit (11) 98912-4661 n thiago.januario@groz.com.br•••••••••••••••• Phoenix(11) 3871-6400 vendas@phoenixcontact.com.br••••
Prysmian (15) 3235-9000marketing.brasil@prysmian.com••••••••••••• Seitec (19) 99802-7861 n vendas@seitec.ind.br••••
SMH Sistemas (11) 5060-5777 smh@smh.com.br
Sysmantec (11) 93293-3326 n sysmantec@sysmantec.com.br•••••••••••••••••••••••••••••••••••• Tellycom (85) 4042-1245 comercial@tellycom.com.br••••••• Vertiv (11) 3618-6600 sac.crc@vertiv.com
Notas: (1) (1) (1) (1) Power Distribution Units; (2) (2) (2) (2) Com quadro automático e microprocessado; (3) (3) (3) (3) Pré-conectorizados em fábrica; (4) (4) (4) (4) Com monitor, teclado, mouse KVM; (5) (5) CFTV digital, câmera day-night CCD, câmera IP, speed dome; (6) (6) Fechadura eletrônica, biochave, fecho elétrico ou magnético, com leitor e cartão de proximidade, teclado numérico, leitor de cartão, etc.
Obs: Os dados constantes deste guia foram fornecidos pelas próprias empresas que dele participam, de um total de 295 empresas pesquisadas.
Fonte: Revista Redes, T Redes, Telecom e Instalações elecom e Instalações , abril de 2026.
Este e muitos outros Guias de RTI RTI estão disponíveis on-line, para consulta. Acesse www.arandanet.com.br/revista/rti e confira.
Também é possível incluir a sua empresa na versão on-line de todos estes guias.

A crescente demanda por serviços digitais tem levado a uma expansão sem precedentes da infraestrutura global de data centers. Com isso, surge a necessidade crítica de medir e otimizar a eficiência operacional dessas instalações, não apenas por questões econômicas, mas também por responsabilidade ambiental. Este artigo apresenta os oito indicadores de desempenho especificados na ISO/IEC 30134 e detalha seus conceitos, métodos de cálculo, valores de referência e estratégias de otimização.
Asérie de normas ISO/IEC 30134Information Technology — Data Centres — Key Performance Indicators representa um marco fundamental na padronização internacional de métricas para data centers. Desenvolvida para fornecer uma linguagem comum e metodologias consistentes, esta série permite que operadores, proprietários e stakeholders avaliem objetivamente o desempenho de suas instalações. No Brasil, a ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas formou uma comissão de estudos dedicada à nacionalização dessa importante série de normas, tendo já publicado a primeira parte como NBR ISO/IEC 30134-1Tecnologia da Informação - Data Centers - Indicadores-chave de Desempenho Parte 1: Visão e Requisitos Gerais, com as demais partes previstas para publicação em breve.
As oito métricas abordadas pela norma são: PUE – Power Usage Effectiveness, WUE – Water Usage Effectiveness, CUE – Carbon Usage Effectiveness, REF –Renewable Energy Factor, ERF –Energy Reuse Factor, CER –Cooling Efficiency Ratio, ITEEsvIT Equipment Energy Efficiency for Servers e ITEUsv - IT Equipment Utilization for Servers.
Barboza, da Clarity Treinamentos
Juntas, formam um conjunto abrangente de indicadores que cobrem desde a eficiência energética básica até aspectos complexos de sustentabilidade e utilização de recursos. Cada métrica oferece uma perspectiva única sobre o desempenho do data center, permitindo ter uma visão holística da operação.
Métricas de eficiência energética
PUE – Power Usage
Effectiveness
O PUE é a métrica mais conhecida e amplamente utilizada na indústria de data centers. Definida pela norma ISO/IEC 30134-2, representa a razão entre a energia total consumida pela instalação e a despendida especificamente pelos equipamentos de TI (ambos em kWh) em um dado período, de preferência nos últimos 12 meses.
O PUE pode ser calculado pela equação:
PUE = Energia total da instalação EnergiadosequipamentosdeTI
Um PUE de 2 significa que para cada watt consumido pelos equipamentos de TI, outro é dispendido pela infraestrutura de suporte (climatização, distribuição
elétrica, iluminação, etc.). O valor ideal é 1, embora seja praticamente inatingível. Data centers modernos e eficientes geralmente operam com PUE entre 1,2 e 1,5.
A medição do PUE deve ser realizada continuamente, considerando variações sazonais e de carga. A norma estabelece três categorias de medição da energia consumida pelo data center e pelos equipamentos de TI ali instalados, sempre em kWh:
• Categoria 1 – Entrada da concessionária e na saída dos UPS;
• Categoria 2 – Entrada da concessionária e na saída dos PDUs;

• Categoria 3 – Entrada da concessionária e no ponto de conexão dos equipamentos de TI.
O CER é uma métrica específica para avaliar a eficiência do sistema de climatização do data center. Ela é fundamental porque a climatização costuma representar de 30% a 40% do consumo energético total de um centro de dados. O CER representa a razão entre o calor total removido e a energia consumida pelo sistema de climatização (ambos em kWh) em um dado período, de preferência nos últimos 12 meses. O CER pode ser calculado da seguinte forma:
CER = Total de calor removido
Energia consumida prla climatização
Valores típicos de CER variam entre 0,3 e 0,5, sendo que valores menores indicam maior eficiência. A métrica permite identificar oportunidades de otimização no sistema de climatização, como implementação free cooling, otimização de setpoints de temperatura, melhoria no gerenciamento do fluxo de ar e uso de tecnologias mais eficientes de resfriamento.
A análise conjunta do PUE e CER fornece insights valiosos sobre onde concentrar esforços de melhoria energética.
Métricas de sustentabilidade ambiental
WUE – Water Usage Effectiveness
O WUE é uma métrica crucial definida pela norma ISO/IEC 30134-9 que mede a eficiência no uso da água em data centers. Com a crescente preocupação sobre recursos hídricos, especialmente em regiões com escassez de água, essa métrica tornou-se fundamental para a sustentabilidade operacional. Ela representa a razão entre o consumo de água pelo data center (em litros) e a energia consumida pelos seus equipamentos de TI (em kWh) em um dado período, de preferência nos últimos 12 meses.
O WUE pode ser calculado pela fórmula:
WUE = Consumo anual de água (litros)
Energia dos equipamentos de TI
O WUE é expresso em litros por kilowatt-hora (L/kWh). Data centers que utilizam apenas resfriamento a ar podem ter WUE próximo a zero, enquanto instalações com torres de resfriamento podem apresentar valores entre 1 e 2,5 L/kWh. Quanto menor o seu valor, melhor. A métrica considera toda a água utilizada na instalação, incluindo para torres de resfriamento e
sistemas evaporativos, umidificação, potável, e instalações sanitárias e irrigação (quando aplicável). Estratégias para reduzir o WUE incluem a implementação de sistemas de resfriamento a ar, uso de água de reúso, otimização dos ciclos de concentração em torres de resfriamento e captura de água da chuva.
O CUE mede a pegada de carbono do data center em relação à energia consumida pelos equipamentos de TI. Essa métrica é essencial para organizações comprometidas com metas de neutralidade de carbono e sustentabilidade ambiental. Ela representa a razão entre a emissão de carbono total do data center (em kg) e a energia consumida pelos seus equipamentos de TI (em kWh) em um dado período, de preferência nos últimos 12 meses.
O CUE pode ser calculado pela fórmula:
CUE = Emissões totais de CO2 (kg) EnergiadosequipamentosdeTI (kWh)
O CUE é expresso em quil ogramas de CO2 por kilowatt-hora (kgCO2/kWh). Seu valor varia significativamente dependendo da matriz energética local. Data centers alimentados por energia renovável podem alcançar CUE próximo a zero, enquanto aqueles dependentes de combustíveis fósseis podem ter valores superiores a 0,5 kgCO2/kWh. Entre os fatores que influenciam o CUE estão a fonte de energia (fóssil vs. renovável), eficiência energética geral (PUE), o uso de geradores a diesel e a utilização de créditos ou compensações de carbono.
A redução do CUE pode ser alcançada através da migração para fontes de energia renovável, melhoria da eficiência energética geral e implementação de tecnologias de captura de carbono.
O REF é uma métrica que quantifica a proporção de energia renovável utilizada pelo data center em relação ao consumo total. Ela é fundamental para avaliar o compromisso ambiental e a sustentabilidade energética da instalação. O REF representa a razão entre a energia renovável e a energia total consumida pelo data center (ambos em kWh) em um dado período, de preferência nos últimos 12 meses.
O REF pode ser calculado da seguinte forma:
REF = Energia renovável consumida
Energia total consumida
O REF é expresso como um valor decimal entre 0 e 1, onde:
• REF = 0 – Nenhuma energia renovável utilizada;
• REF = 1 – 100% de energia renovável.
As fontes de energia renovável consideradas incluem solar, eólica, hidrelétrica, biomassa e geotérmica. É importante distinguir entre:
• On-site – Gerada no próprio data center (painéis solares, turbinas eólicas);
• Off-site – Adquirida via PPAs –Power Purchase Agreements ou certificados de energia renovável;
• Mix energético da rede – Proporção renovável de energia fornecida pela concessionária.
Para aumentar o REF, data centers podem implementar geração própria de energia renovável, estabelecer contratos de compra de energia limpa ou migrar para regiões com maior disponibilidade de energia renovável.
ERF – Energy Reuse Factor
O ERF mede a eficiência na reutilização da energia residual (principalmente calor) gerada pelo data center. Essa métrica promove a economia circular e maximiza o aproveitamento energético. O ERF representa a razão entre as energias
reutilizadas e a total consumida pelo data center (ambas em kWh) em um dado período, de preferência nos últimos 12 meses.
O ERF pode ser calculado pela equação:
ERF = Energia reutilizada
Energia total consumida
O ERF também varia de 0 a 1, onde valores mais altos indicam maior aproveitamento da energia residual. Aplicações típicas de reutilização incluem aquecimento de escritórios adjacentes e de água para uso sanitário ou em piscinas, fornecimento de calor para processos industriais próximos, aquecimento urbano (district heating ) e aplicações agrícolas (estufas, secagem de grãos).
Data centers em climas frios têm maior potencial para alcançar valores de ERF elevados, pois há maior demanda por aquecimento. Projetos inovadores na Europa têm alcançado ERF superior a 0,3, contribuindo significativamente para a eficiência energética regional.
A implementação de sistemas de recuperação de calor requer investimento inicial, mas pode gerar receitas adicionais através da venda de energia térmica, além de melhorar a imagem sustentável da organização.
Métricas de eficiência de servidores
ITEEsv
O ITEEsv é uma métrica definida pela norma ISO/IEC 30134-4 que avalia especificamente a eficiência energética dos servidores. Essa métrica é crucial porque foca no desempenho computacional entregue por unidade de energia consumida. O ITEEsv representa a razão entre o desempenho máximo de computação dos servidores (em instruções por segundo ou equivalente) e a energia total consumida por esses servidores (kWh) em um dado período, de preferência nos últimos 12 meses.
O ITEEsv pode ser calculado pela fórmula:
ITEESV = Trabalhocomputacionalrealizado Energiaconsumidapeloservidor
O trabalho computacional é medido através de benchmarks padronizados como SPECpower_ssj ou outros aprovados pela norma. A métrica permite comparar eficiência entre diferentes modelos de servidores, identificar equipamentos obsoletos que consomem energia desproporcional, planejar renovação tecnológica baseada em eficiência e otimizar a distribuição de cargas de trabalho.
Fatores que influenciam o ITEEsv:
• Idade e geração do processador;
• Eficiência da fonte de alimentação;
• Configuração de memória e armazenamento;
• Tecnologias de gerenciamento de energia (DVFS, C-states);
• Temperatura de operação.
Servidores modernos podem apresentar ITEEsv até 10 vezes superior aos modelos de 5-7 anos atrás, justificando programas de atualização tecnológica mesmo quando os equipamentos antigos ainda funcionam.
ITEUsv
O ITEUsv é definido pela norma ISO/IEC 30134-5 e mede o quão efetivamente os servidores estão sendo utilizados em relação à sua capacidade máxima. Essa métrica complementa o ITEEsv ao focar na utilização real versus capacidade instalada. O ITEUsv representa a média das taxas de utilização de um grupo de servidores (em percentual) em um dado momento.
O ITEUsv pode ser calculado pela equação:
ITEUSV= Σ das taxas de utilização no momento Quantidadedeservidores
A utilização é tipicamente medida através de CPU, memória, throughput de E/S e utilização da rede. Valores típicos de ITEUsv em data centers tradicionais variam entre 10% e 20%, indicando enorme potencial de otimização. Data centers virtualizados e com nuvem privada podem alcançar 60% a 80%. Algumas estratégias para melhorar o ITEUsv incluem consolidação de


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servidores via virtualização, implementação de containers e microserviços, balanceamento dinâmico de carga, desligamento automático de servidores ociosos e rightsizing de máquinas virtuais.
A análise conjunta de ITEEsv e ITEUsv permite decisões mais informadas: um servidor com alto ITEEsv mas baixo ITEUsv pode estar desperdiçando seu potencial de eficiência.
Implementação e melhores práticas
A adoção das métricas da série ISO/IEC 30134 vai além do simples cálculo; ela exige um compromisso com a medição contínua, a análise de dados e a implementação de melhorias. Para que essas métricas sejam eficazes, é fundamental integrá-las à gestão operacional do data center (figura 1).
Como medir e aplicar cada métrica
A precisão na medição é a base para a confiabilidade das métricas. Para cada uma delas, a coleta de dados deve ser sistemática e contínua:
• PUE, CER, REF e ERFDemandam medidores de energia precisos em pontos estratégicos da infraestrutura elétrica como a entrada da concessionária, painéis de distribuição, saídas de UPS, PDUs e equipamentos de TI. Para o CER, medidores de energia específicos para sistemas de climatização são essenciais. Para REF e ERF, é preciso quantificar a energia renovável consumida e reutilizada, respectivamente.
• WUE - Exige medidores de vazão em todas as entradas de água do data center, bem como a quantificação da água consumida por diferentes sistemas (torres de resfriamento, umidificadores, etc.).
• CUE - Depende da medição do consumo total de energia e da aplicação de fatores de emissão de CO2 da matriz energética local, que podem ser obtidos de concessionárias de energia ou órgãos reguladores.
• ITEEsv e ITEUsv - Necessitam de ferramentas de monitoramento de desempenho e utilização de servidores (CPU, memória, E/S, rede) e, idealmente, a execução de benchmarks padronizados para avaliar o trabalho computacional.
A automação da coleta de dados através de sistemas de DCIMData Center Infrastructure Management é altamente recomendada, pois permite monitoramento em tempo real, análise de tendências e identificação rápida de anomalias.
Valores de referência e benchmarks
Embora os valores ideais para cada métrica possam variar dependendo do tipo de data center, localização e carga de trabalho, existem faixas de referência que indicam bom desempenho:
• PUE - Valores entre 1,2 e 1,5 são considerados eficientes para a maioria dos data centers modernos.
• CER - Abaixo de 0,4 é geralmente um bom indicativo de eficiência no resfriamento.
• WUE - Data centers com resfriamento a ar podem ter WUE próximo a zero. Aqueles com resfriamento líquido eficiente buscam valores abaixo de 1 L/kWh.
• CUE - Quanto mais próximo de zero, melhor, indicando menor pegada de carbono. Data centers com energia 100% renovável podem atingir CUE zero.
• REF - Quanto mais próximo de 1, melhor, indicando maior uso de energia renovável.
• ERF - Quanto mais próximo de 1, melhor, indicando maior reutilização de energia. Valores acima de 0,1 já representam um bom aproveitamento.
• ITEEsv - Não há um valor único, pois depende do benchmark e da tecnologia do servidor, mas a tendência é sempre buscar servidores com maior desempenho por watt.
• ITEUsv - Aumentar a utilização de servidores para 60% a 80% através de virtualização e consolidação é uma meta comum.
É importante comparar o desempenho do data center não apenas com benchmarks da indústria, mas também com o próprio histórico, buscando melhoria contínua.
A otimização das métricas é um processo contínuo que envolve diversas estratégias:
• Implementação de free cooling (ar ou água) sempre que as condições climáticas permitirem.
• Aumento dos setpoints de temperatura e umidade dentro das faixas recomendadas pela ASHRAE.
• Contenção de corredores quentes/ frios para evitar a mistura de ar.
• Vedação de gaps e furos no piso elevado e racks.
• Uso de sistemas de climatização de precisão com tecnologias de velocidade variável.
• Substituição de UPS e transformadores antigos por modelos de alta eficiência.
• Priorização de sistemas de resfriamento a ar ou resfriamento líquido direto ao chip.
• Uso de água de reúso ou proveniente da chuva.
• Otimização dos ciclos de concentração em torres de resfriamento.
• Aquisição de energia de fontes renováveis (PPAs, certificados de energia renovável).
• Instalação de geração de energia renovável no local (solar, eólica).
• Investimento em fontes de energia renovável próprias ou contratação de energia limpa.
• Implementação de sistemas de recuperação de calor para aquecimento de edifícios adjacentes, água ou processos industriais.
• Exploração de parcerias com comunidades locais para reutilização de calor.












• Consolidação de servidores através de virtualização e containerização.
• Desligamento de servidores ociosos ou subutilizados.
• Atualização para hardware de servidor mais eficiente (processadores, memória, fontes de alimentação).
• Implementação de gerenciamento de energia em nível de sistema operacional e firmware (por exemplo, C-states, P-states).
• Otimização de software e aplicações para consumir menos recursos computacionais.
A abordagem mais eficaz é holística, considerando a interdependência das métricas e buscando um equilíbrio entre eficiência energética, sustentabilidade ambiental e desempenho operacional.
A jornada em direção a data centers mais eficientes e sustentáveis é contínua e cada vez mais crucial. As métricas da série ISO/IEC 30134 fornecem um arcabouço robusto para medir, monitorar e gerenciar o desempenho dessas infraestruturas vitais. Ao adotar e otimizar essas métricas, as organizações não apenas reduzem custos operacionais, mas também minimizam seu impacto ambiental e fortalecem sua reputação corporativa.
O cenário dos data centers está em constante evolução, impulsionado por avanços tecnológicos e crescentes demandas por sustentabilidade. Algumas tendências que impactarão a aplicação e o desenvolvimento das métricas incluem:
• IA - Inteligência Artificial e machine learning - A IA pode ser utilizada para otimizar o consumo de energia em tempo real, prever falhas e ajustar dinamicamente os sistemas de climatização e energia, levando a melhorias contínuas nas métricas.
• Computação de borda (edge computing) - Com a proliferação de data centers menores e distribuídos, a aplicação das métricas precisará ser adaptada para esses ambientes, que podem ter características operacionais e de infraestrutura distintas.
• Refrigeração líquida - A adoção crescente de refrigeração líquida (direta ao chip, imersão) para lidar com densidades de potência mais altas impactará o WUE e o CER, exigindo novas abordagens para otimizar o uso da água e a eficiência do resfriamento.
• Economia circular - A ênfase na reutilização de componentes, reciclagem de equipamentos e aproveitamento máximo da energia residual (ERF) se tornará ainda mais proeminente, com o desenvolvimento de métricas adicionais para avaliar a circularidade.
• Transparência e relatórios - A pressão de stakeholders, reguladores e clientes por maior transparência no desempenho ambiental dos data centers levará a relatórios mais detalhados e padronizados baseados nessas métricas.
A eficiência em data centers transcende a mera otimização técnica; ela se tornou um pilar fundamental da sustentabilidade corporativa. Empresas que demonstram compromisso com a redução do consumo de energia, água e emissões de carbono em suas operações de TI colhem múltiplos benefícios:
• Redução de custos - A otimização das métricas resulta diretamente em menor consumo de energia e água, traduzindo-se em economias significativas nos custos operacionais.
• Conformidade regulatória - Em muitas regiões, há uma crescente regulamentação sobre o consumo de energia e emissões de carbono, e a adesão às normas ISO/IEC 30134 ajuda as empresas a cumprir esses requisitos.
• Vantagem competitiva - Data centers eficientes e sustentáveis podem ser um diferencial competitivo, atraindo clientes e parceiros que valorizam a responsabilidade ambiental.
• Reputação e marca - A demonstração de um forte compromisso com a sustentabilidade melhora a imagem da marca e a reputação corporativa, atraindo talentos e investidores.
• Resiliência operacional - Data centers mais eficientes são frequentemente mais resilientes, com sistemas otimizados que operam de forma mais estável e com menor risco de falhas.
Em suma, as métricas da série ISO/IEC 30134 não são apenas ferramentas técnicas, mas sim um guia estratégico para a construção e operação de data centers que sejam economicamente viáveis, ambientalmente responsáveis e socialmente conscientes. A sua adoção e a busca pela melhoria contínua são essenciais para o futuro digital sustentável.


Escrevo este artigo na véspera de minha viagem para mais uma RSA Conference , evento que acontece entre os dias 23 e 26 de março em San Francisco, EUA. Segundo a organização, a edição do ano passado, somando conferência e exposição, recebeu mais de 43 mil pessoas de 140 países. O RSAC , juntamente com o Black Hat , compõe, na minha opinião, o pilar das conferências de segurança dos EUA e, dada a concentração da indústria de cibersegurança no país, do mundo. O primeiro é mais estratégico e corporativo, abordando tendências e visões dos palestrantes. Já o segundo é mais tecnológico, focado principalmente em defesa e ataque.
O RSAC possui dois temas: o oficial da conferência, foco da maioria dos patrocinadores, e o que o público busca, em uma certa retroalimentação que, de certa forma, é influenciada pelos modismos do momento. Em edições passadas, tivemos como tema público principal o APT –Advanced Persistent Threats, EDR e XDR – Detection and Response, SASE – Secure Access Service Edge, entre outros. Para 2026, o tema oficial da Conferência é o Poder da Comunidade (Power of Community), porém ninguém duvida que nos estandes, corredores e palcos, o assunto da vez será a IA – Inteligência Artificial.
Outra característica do evento é o anúncio de novos produtos e ofertas pela indústria. Os fabricantes guardam suas novidades para o RSAC, e os
participantes, acostumados, já perguntam de antemão o que a empresa está lançando na feira. A pressão por divulgar alguma coisa às vezes faz com que companhias, sem nada novo para mostrar, anunciem o que já têm com outro nome, como uma mudança de estratégia ou visão. Logo, se vê de tudo, e cabe aos participantes separar bem as coisas. Nesse quesito, a parte mais interessante da exposição é o setor das startups, que costuma trazer ideias e produtos inovadores. Algumas, inclusive, serão adquiridas por grandes corporações, o que não deixa de oferecer uma boa visão das tendências tecnológicas. O tema recorrente da IA irá pegar o embalo em algumas notícias recentes. Uma delas foi veiculada pela Bloomberg no final de fevereiro com o título, em tradução do Google, de Hacker usou o Claude da Anthropic para Roubar um Vasto Conjunto de Dados Mexicanos. De acordo com uma nota publicada por investigadores da Gambit Security e não confirmada pelas autoridades mexicanas, os atacantes utilizaram o Claude, plataforma de IA generativa da Anthropic, para identificar vulnerabilidades nas redes do país e escrever códigos para explorá-las, vazando 150 GB de dados, incluindo informações eleitorais dos contribuintes, entre outros documentos. Embora o governo mexicano não tenha reconhecido o vazamento, o Claude afirmou ter desmantelado a atividade e expulsado os usuários responsáveis. O grupo também usou o ChatGPT da OpenAI como apoio. Os pesquisadores revelaram que os hackers empregaram o método de exploração da
plataforma da IA por meio de sua própria interface. Com acesso legítimo ao Claude, os invasores criaram prompts que fizeram o sistema atuar como um hacker ético, buscando vulnerabilidades e desenvolvendo exploits. Na última seção Segurança (RTI março de 2026, edição no 310), comentei sobre a iniciativa da Anthropic de desenvolver o Claude para investigar vulnerabilidades. Obviamente, a empresa implementou medidas de segurança ( guardrails ) para evitar o mau uso. No entanto, os hackers conseguiram contorná-las durante a conversa, uma técnica bastante reconhecida. É possível manipular os sistemas de IA generativa através do prompt para executar ações não previstas.
A mesma notícia ainda nos leva a outra, com um título bastante impressionante: Hackers usaram IA para Invadir 600 Firewalls em Semanas, diz a Amazon. Segundo investigadores da companhia, hackers russos utilizaram sistemas comerciais de IA generativa (a notícia não revela quais) para identificar e explorar vulnerabilidades em firewalls ao redor do mundo. Nesse caso, o uso da IA ocorreu em um contexto de automação e aumento da produtividade do ataque, ou seja, a quantidade de sistemas afetados seria muitíssimo menor se o processo tivesse sido realizado inteiramente por humanos.
Uma pesquisa simples revela diversos outros casos nos últimos meses, tendo influenciado na criação do termo Crime Cibernético Assistido por IA . O fenômeno nos faz lembrar de outros pontos de inflexão ocorridos no passado, que serviram para ampliar o número de ataques e crimes cibernéticos.
A atividade de invadir redes e sistemas sempre foi limitada pela exigência de conhecimento técnico profundo, tanto nos sistemas-alvo quanto na programação. Isso começou a ruir no momento em que hackers começaram a publicar ferramentas de ataque acessíveis, permitindo que mesmo um técnico com pouco conhecimento e experiência executasse ataques sofisticados. Esses hackers pouco hábeis receberam o apelido de script kiddies , os garotos dos scripts. Conforme a exigência de conhecimento prévio foi diminuindo, os kiddies passaram a saber cada vez menos como a invasão ocorria de fato.
Em meados de 2006, começaram a surgir as primeiras plataformas do que mais tarde viria a ser conhecido como hacker as a service . Grupos mais experientes deixaram de se limitar a publicar seus códigos e técnicas, e passaram a oferecê-los como negócio, como uma plataforma acabada de invasão ou um software com manual, suporte técnico e facilidade de uso. Os clientes, quadrilhas genéricas, não precisavam de praticamente nenhum conhecimento técnico para atacar suas vítimas. Ao mesmo tempo, o método resolveu outro problema de hackers pouco experientes: onde hospedar o software como comando e controle e outros, para evitar que o servidor fosse derrubado pelas autoridades.
Mesmo assim, a atividade de invasão é trabalhosa e, para maior eficiência, requer organização em grupos de hackers atuando em conjunto. Caso contrário, pode ser uma tarefa bastante demorada. É aí que a IA surge como um novo ponto de inflexão. Os sistemas de IA generativa não apenas fornecem recursos antes não disponíveis para análise e criação de código, como também multiplicam a capacidade individual, permitindo que mesmo pequenos grupos consigam efetuar ataques de grande abrangência geográfica. Este será mais um desafio para empresas fornecedoras e compradoras de cibersegurança.
Marcelo Bezerra é especialista em segurança da informação, escritor e palestrante internacional. Atua há mais de 30 anos na área, com experiência em diferentes áreas de segurança cibernética. No momento, ocupa o cargo de Gerente Sênior de Engenharia de Segurança na Proofpoint. Email: marcelo.alonso.bezerra@gmail.com.


Há requisitos e/ou diretrizes para a organização de cabos balanceados em feixes para a implementação de sistemas que utilizam pares desses cabos para a entrega de alimentação remota em corrente contínua a dispositivos e equipamentos terminais?
De forma bastante objetiva, não existe qualquer requisito normativo para a organização dos cabos balanceados (cabos de pares trançados) em feixes devido à implementação de sistemas que utilizam pares desses cabos para a entrega de alimentação elétrica remota em corrente contínua a dispositivos e equipamentos terminais por meio de uma infraestrutura única de cabeamento. Por simplicidade, vou passar a usar a abreviatura PoE - Power over Ethernet para esses sistemas neste artigo. Explicando melhor, há recomendações normativas (não requisitos) sobre a organização dos cabos balanceados em feixes, exatamente pelo fato de ser pouco viável a colocação desses cabos soltos e distantes entre si em uma infraestrutura de caminhos de cabos em uma instalação, o que seria o melhor cenário. Para os mais antigos no mercado de cabeamento estruturado (eu, inclusive), a organização dos cabos balanceados em feixes ao longo de sua distribuição na
Esta seção se propõe a analisar tópicos de cabeamento estruturado, incluindo normas, produtos, aspectos de projeto e execução. Os leitores podem enviar suas dúvidas para Redação de RTI RTI RTI, e-mail: info rti@arandanet.com.br.
infraestrutura de caminhos é algo relativamente novo. Nós costumávamos organizar os patch cords em feixes nos gabinetes e racks, porém os cabos eram lançados na infraestrutura sem a organização em feixes. Quanto à distribuição ao longo da instalação, a recomendação era manter os cabos soltos na infraestrutura de caminhos, especialmente as abertas
O O O O O termo PoE é amplamente utilizado para designar sistemas que entregam alimentação elétrica em corrente contínua à carga por meio do cabeamento estruturado, inclusive sem qualquer relação com os padrões oficiais do IEEE para esses sistemas (IEEE 802.3af, 802.3at e 802.3bt).
(eletrocalhas aramadas, leitos, etc.), para facilitar os serviços de manutenção do cabeamento. Os tempos mudaram, a densidade de cabos aumentou de forma significativa e novas práticas de instalação passaram a ser utilizadas.
PoE e feixes de cabos
O uso de sistemas PoE em cabeamento estruturado é uma realidade em diversas instalações de praticamente todos os tipos de ambientes e com tendência a crescimento. Os cabos balanceados de rede vêm sendo utilizados de forma crescente para entregar alimentação elétrica em corrente contínua à carga, além da conexão de dados. Os pares utilizados para alimentação PoE podem ser
dedicados a esse fim exclusivo ou entregar alimentação elétrica e dados simultaneamente, conforme as especificações do padrão implementado.
A consequência mais relevante do uso dos cabos balanceados para suportar sistemas PoE é a elevação da temperatura do condutor devido à propagação da corrente elétrica da fonte de alimentação remota. A instalação pode ocorrer em diferentes tipos de sistemas de caminhos contínuos e não contínuos, abertos e fechados, e deve levar em consideração a temperatura de operação do cabo e a temperatura ambiente. Devido ao efeito Joule, cada condutor energizado apresenta elevação da temperatura operacional. Feixes com uma quantidade maior de cabos geram mais calor e, portanto, a elevação de temperatura é maior do que em feixes com uma quantidade menor de cabos.
Com base na bitola do condutor do cabo e nas características da instalação, o calor gerado é dissipado para o ambiente e pode levar a temperatura operacional do feixe de cabos a um valor superior à temperatura do ambiente de instalação. É importante considerar que os cabos balanceados são especificados para a faixa de temperatura operacional de um determinado ambiente de instalação, ou seja, cabos de uso em instalações comerciais têm especificações diferentes de cabos utilizados em ambientes industriais, para citar um exemplo. Portanto, controlar a elevação da temperatura ao longo da instalação é muito importante, pois as características de transmissão dos cabos variam em função da temperatura; quanto maior a temperatura, pior o desempenho do canal balanceado.




Desempenho de transmissão dos cabos balanceados
Conforme discutido em diversas ocasiões em Interface e em artigos que tenho publicado na RTI, sabemos que um canal de cabeamento é uma linha de transmissão, caracterizada por seus parâmetros primários R, L, G e C (resistência, indutância, condutância e capacitância) e secundários (impedância característica, atenuação e deslocamento de fase).
A resposta de uma linha de transmissão, avaliada por meio de seus parâmetros secundários, é função de diversos fatores construtivos do cabo utilizado, como o material do condutor, sua bitola, material do dielétrico, sua resistência em corrente contínua e também de fatores como faixa de frequência de operação, condições ambientais, especialmente a variação de temperatura, entre outros. O foco da discussão sobre práticas de projeto e instalação do cabeamento para PoE está exatamente na resposta do cabo em função da variação da temperatura.
A elevação da temperatura do cabo leva ao aumento de sua atenuação e deve ser considerada em sua seleção e utilização em enlaces e canais de cabeamento. O comprimento máximo do canal ou enlace deve ser reduzido com base na temperatura máxima operacional do cabo, utilizando os fatores de redução apresentados na ABNT NBR 14565 –Cabeamento Estruturado para Edifícios Comerciais e ISO/IEC 11801-1. Em outras palavras, caso a elevação da temperatura seja muito alta, menor será o comprimento do enlace ou canal para preservar suas características de resposta de transmissão dentro de limites aceitáveis.
Critérios da instalação de cabos em feixes para sistemas PoE
Há dois documentos publicados sobre os critérios de instalação de cabos balanceados em feixes para sistemas PoE:
• ISO/IEC TS 29125:2017+AMD 1:2020 - Information Technology –Telecommunications Cabling Requirements for Remote Powering of Terminal Equipment (Tecnologia da Informação – Requisitos de Cabeamento de Telecomunicações para Alimentação Elétrica Remota do Equipamento Terminal);

Fig. 1 - Gradiente de temperatura em um feixe de cabos balanceados em sistemas PoE
• TIA/TSB-184-A:2017 - TIA Telecommunications Systems Bulletin –Guidelines for Supporting Power Delivery over Balanced Twisted-Pair Cabling (Boletim de Sistemas de Telecomunicações da TIA –Diretrizes para Suportar a Entrega de Alimentação Elétrica em Cabeamento Balanceado de Par Trançado).
Aproveito para mencionar que, por meio da comissão de estudo que coordeno na ABNT, estamos trabalhando atualmente na norma brasileira de entrega de alimentação elétrica remota em corrente contínua em cabeamento estruturado.
Embora com abordagens um pouco diferentes, o objetivo de ambos os documentos é oferecer diretrizes e recomendações com relação aos parâmetros necessários para alimentação elétrica remota, às diferentes condições de instalação
que necessitam considerações especiais, a certas aplicações, e aos arranjos de teste de laboratório que resultaram nos modelos de organização de cabos em feixes suportados por esses documentos.
Ambos classificam os sistemas PoE como de extrabaixa tensão e utilizam os mesmos arranjos de testes para a determinação dos limites para a organização dos cabos em feixes. A organização dos cabos em um feixe eleva a temperatura dos cabos que o compõem e leva a um gradiente de temperatura (figura 1).
Conforme mostrado na figura 1, as temperaturas mais elevadas tendem a ser registradas nos cabos do núcleo do feixe, utilizados para alimentação elétrica remota em corrente contínua para sistemas PoE.
Ambos os documentos utilizam a elevação da temperatura dos condutores como base para a definição da quantidade segura de cabos no feixe. O TSB-184-A utiliza um ΔT de 15°C como referência para uma temperatura do ambiente de instalação (infraestrutura de caminho de cabos) de 45°C. A ISO/IEC 29125 utiliza um ΔT de 10°C, considerando uma temperatura máxima de 50°C no ambiente de instalação.
Portanto, para as configurações de feixes nos quais a variação de temperatura (ΔT) for superior a 10°C e 15°C, de acordo com a TIA e com a ISO, respectivamente, ambos os documentos identificam esses feixes como não recomendados.
Em relação à quantidade de cabos por feixe, o TSB-184-A não traz uma recomendação fixa. Ela é determinada com base em coeficientes de ajuste para a distribuição de feixes de cabos em infraestrutura de caminho aberta (ar) e eletrodutos. Esses coeficientes também variam com base na categoria de desempenho dos cabos a serem utilizados no feixe para as categorias 5e, 6, 6A e 8. O documento também define


coeficientes de ajuste para um condutor de bitola de 26 AWG.
A ISO/IEC 29125, por outro lado, recomenda que cada feixe seja limitado a 37 cabos. A quantidade varia também em função da categoria de desempenho do cabo, para as categorias 5e, 6, 6A, 7 e 7A. As bitolas dos condutores, cujos diâmetros nominais (em mm) são 0,40, 0,51, 0,57, 0,65, 0,81 e 1,02 também são utilizadas para a determinação da quantidade de cabos por feixe. Ambos os documentos tratam a quantidade de cabos por feixe como recomendação (sugestão) e não como requisito, ou seja, obrigatório.
Enquanto a ISO traz recomendações para cabos balanceados de 1 par e 4 pares, a TIA considera cabos balanceados de 4 pares. De forma geral, ambos os documentos utilizam a intensidade de corrente por condutor para a determinação da quantidade de cabos por feixe, pois, lembrando, a elevação da temperatura por efeito Joule é o fator limitante da quantidade de condutores energizados que podem ser agrupados em um feixe. A figura 2 mostra o efeito da variação da temperatura para um condutor de 0,57 mm (23 AWG) para cabos balanceados de 1 par em função da corrente elétrica por condutor energizado em infraestrutura de distribuição aberta.
feixe com 61 cabos balanceados de 1 par teria a corrente máxima limitada a 1,1 A, que poderia não estar em conformidade com uma determinada aplicação PoE para esse cabo. Daí a importância em dimensionar de maneira adequada a quantidade de cabos que podem ser agrupados em um feixe.
Com o objetivo de simplificar o projeto do cabeamento para PoE, a ISO/IEC 29125 recomenda a
de instalação. Nos casos em que a organização dos cabos em feixes na distribuição não for uma necessidade, os critérios da ISO e TIA (discutidos aqui) podem não se aplicar, cabendo ao projetista avaliar o cenário.
As diretrizes da ISO/IEC 29125 e TSB-184-A, cujo foco está nos efeitos da elevação da temperatura em feixes de cabos balanceados derivados de testes empíricos, são muito úteis para um bom projeto de infraestrutura de distribuição de cabeamento estruturado para sistemas PoE.

Fig. 2 - Efeito da variação da temperatura em função da corrente elétrica por condutor energizado.
Fonte: ISO/IEC 29125:2017
organização de feixes de cabos com 24 cabos de 4 pares, sem que os critérios de elevação da temperatura sejam considerados. Trata-se de uma forma de simplificar o projeto quando a densidade de cabos é baixa o suficiente para a infraestrutura de caminho disponível.
Conclusão
As várias tabelas e gráficos apresentados nesses documentos são uma rica ferramenta para a associação da intensidade de corrente elétrica no condutor (para diversas bitolas) e a elevação da temperatura em diversas configurações de feixes de cabos balanceados. Essas informações são fundamentais para um projeto eficiente que garante o desempenho de aplicações PoE com base na corrente elétrica máxima suportada por condutor.
Para finalizar a discussão, em breve teremos a nossa norma brasileira sobre o tema.
Conforme destacado na figura 2, para um cabo balanceado de 1 par e bitola de 0,57 mm de diâmetro em infraestrutura aberta, a corrente elétrica por condutor pode chegar a 1,25 A para um feixe com 37 cabos, para um ΔT de 10°C. Em contrapartida, para o mesmo ΔT, um
A implementação de sistemas PoE em cabeamento balanceado requer que a elevação da temperatura dos condutores seja levada em consideração no projeto e instalação do cabeamento.
A organização dos cabos em feixes é uma forma eficiente para ajudar a controlar a elevação da temperatura operacional dos cabos e, consequentemente, do ambiente
Paulo Marin é engenheiro eletricista, doutor em interferência eletromagnética aplicada à infraestrutura de TI e telecomunicações e mestre em propagação de sinais. Marin é membro sênior do IEEE - Institute of Electrical and Electronics Engineers, consultor, palestrante, coordenador da ABNT/Cobei e autor de livros técnicos.


Patrícia Cocozza, Gerente Geral
A sua infraestrutura já é híbrida e dinâmica?
Nos últimos anos, a infraestrutura distribuída deixou de ser uma tendência para se consolidar como a espinha dorsal da transformação digital. No entanto, à medida que as empresas vêm expandindo suas operações eletrônicas e integrando novas aplicações de IA – Inteligência
Artificial e análise de dados, surge um dilema estratégico: como equilibrar desempenho, custo e gestão em ambientes cada vez mais complexos?
O debate sobre infraestrutura distribuída é, antes de tudo, uma discussão sobre “equalização”. O modelo tradicional de data centers já não responde à velocidade e à latência exigidas por aplicações modernas. A descentralização, com cargas de trabalho ( workloads) executadas em múltiplos ambientes, do centro à borda, traz ganhos expressivos em agilidade e experiência do usuário, mas também impõe novos desafios de gestão, interoperabilidade, segurança e observabilidade.
Segundo um estudo do Gartner, até 2027 mais de 50% das cargas de trabalho empresariais serão executadas em ambientes distribuídos, ou seja, fora dos data centers tradicionais. Isso significa que as organizações precisarão de estruturas tecnológicas mais inteligentes e modulares capazes de orquestrar recursos em tempo real
Esta seção aborda aspectos tecnológicos das comunicações corporativas, em especial redes locais, mas incluindo também redes de acesso e WANs. Os leitores podem enviar suas dúvidas para Redação de RTI RTI RTI, e-mail: inforti@arandanet.com.br.
sem perder o controle sobre o desempenho e os custos operacionais de gestão. Nesse contexto, a busca por performance não pode vir isolada de uma reflexão sobre eficiência e sustentabilidade. Infraestruturas mais distribuídas demandam soluções que otimizem o uso de energia e prolonguem o ciclo de vida dos equipamentos, integrando hardware e software de maneira fluida em espaços otimizados. O que temos observado é que as organizações que conseguem combinar desempenho e gestão operacional colhem não apenas resultados técnicos, mas também ganhos em competitividade e ESG, um diferencial cada vez mais valorizado por clientes e investidores. Outro ponto crítico é a complexidade operacional. Ambientes distribuídos exigem equipes altamente capacitadas, automação e visibilidade da superfície de ataque e do ciclo de vida dos ativos. É aqui que a IA começa a desempenhar um papel estratégico: com análises preditivas e automação inteligente, é possível reduzir o tempo de resposta a incidentes, prevenir falhas e tornar a operação mais autônoma, transformando a infraestrutura em um ativo de negócio e não apenas em um centro de custo.
Para que a topologia espalhada da infraestrutura funcione, do planejamento à implementação, é essencial pensar em escalonamento e governança contínua. Isso significa expandir o modelo distribuído de forma gradual conforme a maturidade da operação, tipos de aplicações e suas cargas demandantes. Também é preciso manter um painel unificado de indicadores, como latência, disponibilidade, custo por transação e tráfego, e tempo de recuperação, com o objetivo de
orientar decisões baseadas em dados e evidências. Revisar periodicamente onde a complexidade está gerando valor ou não é fundamental. Há momentos em que vale consolidar, e outros em que faz sentido distribuir. A comunicação com a gestão executiva precisa seguir essa mesma lógica objetiva, com métricas que traduzam a exposição ao risco, custos a serem evitados e possíveis ganhos de eficiência.
Mas nenhuma governança tecnológica é sustentável sem cultura e organização. É necessário garantir que times de infraestrutura, desenvolvimento e segurança falem a mesma linguagem e compartilhem uma visão unificada de arquitetura distribuída. Isso envolve investir em capacitação contínua em áreas como observabilidade, automação e FinOps e, principalmente, promover uma mudança de mentalidade: encarar a infraestrutura não como um custo a ser reduzido, mas como um diferencial competitivo a ser constantemente aprimorado.
O futuro da infraestrutura já é híbrido e dinâmico, moldado pela necessidade de cada aplicação e pela capacidade das empresas de gerenciar essa complexidade de forma inteligente e eficaz. O desafio é construir uma base tecnológica que equilibre o melhor dos dois mundos: a robustez do core e a agilidade da borda ( edge).
Mais do que uma decisão tecnológica, trata-se de uma escolha estratégica. Organizações que compreenderem esse equilíbrio e investirem em infraestrutura distribuída de forma planejada estarão mais preparadas para competir em um mercado no qual a performance é um diferencial e a simplicidade é um grande poder.

Switches para redes LAN
A Datacom ampliou o seu portfólio para o mercado corporativo com o lançamento da nova linha de switches LAN, composta pelas famílias DM-S400, DM-S300 e DM-S100. Os equipamentos foram projetados para atender arquiteturas LAN corporativas organizadas por camadas, cobrindo cenários de núcleo (core), distribuição e acesso em ambientes de pequeno, médio e grande porte. Site: www.datacom.com.br.
padrões de mercado, como QSFP28, QSFP-DD, e com taxas de transmissão de dados de 100 a 400 Gbit/s. Site: www.padtec.com.br.

A Padtec disponibilizou uma linha de módulos plugáveis cinza compatíveis com diversos switches e roteadores disponíveis no mercado. Os dispositivos podem ser utilizados para conectar equipamentos dentro de um mesmo rack (intra-rack), na conexão entre racks distintos, entre salas de um data center, ou até mesmo entre centros de dados e POPs - Pontos de Presença localizados em distâncias curtas e médias um do outro. A linha inclui plugáveis nos fatores de forma (form factors)

O Dell PowerEdge XR9700, da Dell Technologies, é um servidor projetado para executar aplicações de Cloud RAN e IA – Inteligência Artificial na borda em ambientes externos desprotegidos. A solução apresenta refrigeração líquida em circuito fechado, com arquitetura de gerenciamento térmico que mantém a operação consistente em uma faixa de temperatura de -40°C a 46°C. Com formato compacto de 15 L, pode ser instalado em postes de energia, telhados e fachadas de edifícios. Site: www.delltechnologies.com.

A Genetec disponibilizou o Cloudlink 2210. Projetado para implantações complexas em escala corporativa, o equipamento aborda diversos desafios

que as empresas enfrentam ao adotar um modelo gerenciado na nuvem em grande escala, incluindo custos de armazenamento, suporte a dispositivos existentes que não permitem conectividade direta para a
nuvem e a necessidade de manter a operação local durante interrupções de conectividade. Um único dispositvo pode suportar até 800 câmeras enquanto executa simultaneamente cargas de trabalho de controle de acesso e intrusão, sendo voltado para implantações com alta densidade e políticas de retenção de longo prazo. Site: www.genetec.com/br.
Gerenciamento de rede
A plataforma da Geosite Telecom é voltada para o gerenciamento de redes de fibra óptica. Por meio de interfaces intuitivas, a solução proporciona uma gestão completa de ativos, passivos, infraestrutura e rede de fibra óptica. A ferramenta possibilita registrar e visualizar a rede via interfaces web e dispositivos móveis. Site: https:// geositetelecom.com.br/.
A nova linha de roteadores modulares PTX12000 da Juniper Networks, empresa pertencente à HPE, permite que operadoras escalem o tráfego de IA – Inteligência Artificial e de nuvem sem a necessidade de redesenhos frequentes da infraestrutura.

Com densidade ultra-alta de portas 800G em plataformas preparadas para 1,6 Tbit/s, os dispositivos mantêm desempenho previsível e de baixa latência à medida que o tráfego cresce. A plataforma escala até
345,6 Tbit/s com o PTX12008 de 8 slots e até 518,4 Tbit/s com o PTX12012 de 12 slots, possibilitando expansão contínua de capacidade enquanto preserva a consistência arquitetural e reduz latência, consumo de energia e custos. Site: www.hpe.com/br.
A linha ISCOM S2600, da Raisecom, reúne switches de acesso Gigabit para redes corporativas, campus e provedores. Possui opções PoE – Power Over Ethernet, PoE+ e PoE++, uplinks 1 Gbit/s ou 10 Gbit/s e

recursos avançados de gerenciamento, segurança e virtualização via ISF - Intelligent Stacking Framework. Comercializado pela Venko Networks. Site: www.venkonetworks.com.

O repetidor de sinal Mi Wi-Fi Ranger Extender PRO, da Xiaomi, alcança velocidades de transmissão de dados de até 300 Mbit/s e frequência de sinal de 2,4 GHz. Para sinalizar o status das conexões com outros equipamentos, o dispositivo possui dois LEDs que variam entre as cores, laranja, branca e azul. Site: www.mibrasil.com.br.

machine learning tem demonstrado enormes benefícios na resolução de problemas complexos de redes e na previsão de situações e parâmetros. No entanto, o processamento e a análise dos dados exigem muitos recursos, o que pode ser feito offline ou usando computação de borda, mas também demanda muitos meios de transmissão para fornecer uma resposta em tempo real. A necessidade, portanto, é de protocolos de machine learning mais leves, capazes de processar e analisar os dados em tempo real e fornecer uma resposta rápida e eficiente. Em Green Machine Learning Protocols for Future Communication Networks, Saim Ghafoor e Mubashir Husain Rehmani mostram que, para futuras aplicações de rede escaláveis e sustentáveis, são necessários esforços no desenvolvimento de novos protocolos de machine learning e na modificação dos existentes, que consumam menos energia. A obra destaca os protocolos de machine learning verdes para redes móveis, comunicação celular e IoT – Internet das Coisas. Editora CRC Press (https:/ /abrir.link/PwsIg), 222 páginas.
MedUX, fornecedora de testes e benchmarking de redes fixas e móveis
internacionais, lançou seu relatório de 2026 sobre o desempenho de redes móveis na América Latina, posicionando o Brasil na liderança regional em QoEQualidade de Experiência. O estudo revela que o país atinge uma pontuação de QoE de 3,31 de 5, superando todos os outros países latino-americanos e demonstrando um desempenho que se aproxima dos mercados europeus. A pesquisa foi realizada durante o quarto trimestre de 2025 em mais de 20 países latino-americanos, cobrindo uma

população de mais de 650 milhões de pessoas. Com base em mais de 100 milhões de testes de desempenho e 8,6 bilhões de amostras de rádio coletadas de usuários móveis reais, o relatório fornece uma visão independente do desempenho da rede, comparando os resultados do Brasil com os padrões regionais e globais. Com 58 páginas, a análise em inglês pode ser acessada pelo link: https://abrir.link/Mlotf.

estruturas de ataque baseadas em IA – Inteligência Artificial generativa e a profissionalização das ofertas de DDoS – Distributed Denial of Services como serviço reduziram efetivamente a barreira de entrada, permitindo que até mesmo hackers novatos consigam lançar ataques de grande escala. Site: https://abrir.link/BCSDc.
Comerc Energia
Radware disponibilizou o e-book 2026 Global Threat Analysis Report Analysis of the Global Network and Application Attack Trends of 2025 . Com 41 páginas, o estudo em inglês aponta que a convergência de

m Advancement of Data Processing Methods for Artificial and Computing Intelligence, os autores Seema Rawat, V. Ajantha Devi e Praveen Kumar enfatizam as aplicações dos avanços em métodos de processamento de dados para IA - Inteligência Artificial, bem como seu papel a serviço da sociedade por meio de pesquisa, inovação e desenvolvimento nessa área. A obra é aplicável a uma ampla gama de aplicações e conjuntos de dados e pode ser utilizada para promover estudos nesse novo campo de alto potencial. Editora River Publishers (https://abrir.link/wexQI), 430 páginas.


Pablo Cotta, Diretor de Projetos da Abrint
Quando o Wi-Fi, e não a fibra, define a qualidade da conexão
Por muitos anos, o maior desafio da conectividade brasileira foi levar a fibra óptica até o usuário final, na última milha. Esse panorama, porém, mudou rapidamente. Em dezembro de 2025, o Brasil já somava 53,9 milhões de acessos de banda larga fixa, e a fibra óptica respondia por cerca de 79% dessas conexões, o que a consagrou como a principal tecnologia de acesso no país.
Com esse cenário, o gargalo da experiência do usuário deixou de estar, em grande parte, na infraestrutura externa e passou a se concentrar dentro do ambiente doméstico e corporativo. Hoje, a qualidade percebida da conexão depende cada vez mais do desempenho das redes Wi-Fi.
A transição ocorre no momento em que o ecossistema de conectividade se torna mais distribuído e tecnicamente mais exigente. O Ministério das Comunicações, por exemplo, afirma que 93% dos domicílios brasileiros contam com banda larga fixa, enquanto a base oficial divulgada pelo governo registra aproximadamente 20 mil provedores de Internet autorizados e presentes em todo o Brasil, com um índice de participação no mercado de banda larga fixa superior a 60%.
A pesquisa TIC Provedores 2024 estimou 11.853 provedores em operação, com avanço da oferta de IPv6 aos clientes para 72% das empresas pesquisadas, além de
Esta seção aborda aspectos técnicos, regulatórios e comerciais do mercado de provedores de Internet. Os artigos são escritos por profissionais do setor e não necessariamente refletem a opinião da RTI RTI RTI RTI
maior diversificação de serviços e foco crescente em qualidade de rede. Esse contexto reforça que a discussão sobre Wi-Fi passou a afetar diretamente a entrega final de valor e experiência pelos provedores regionais.
É nessa linha que ganham relevância as novas gerações de Wi-Fi, sobretudo o Wi-Fi 7. Em janeiro de 2024, a Wi-Fi Alliance lançou o programa Wi-Fi Certified 7, que destacou recursos como canais de 320 MHz, MLO - Multi-Link Operation e 4K QAM, voltados a elevar throughput, reduzir latência e aumentar a confiabilidade da conexão. A entidade estima que até 2028 teremos 2,1 bilhões de dispositivos conectados com a nova tecnologia.
Na prática, isso significa que o Wi-Fi 7 não é apenas uma evolução incremental, mas uma resposta técnica direta ao aumento da densidade de dispositivos conectados, ao crescimento do tráfego interno nas residências e à necessidade de aproveitar, de forma ainda mais eficiente, a capacidade que a fibra já entrega até o imóvel e seus consumidores.
O ponto central dessa evolução é o espectro e sua regulação intrínseca. Em 2021, a Anatel chegou a aprovar requisitos técnicos para operação de equipamentos Wi-Fi 6E na faixa de 5925 a 7125 MHz, viabilizando no Brasil o uso da banda de 6 GHz em todo o seu potencial para aplicações de radiação restrita. A Abrint sempre defendeu que essa faixa é decisiva, pois permite canais mais largos e menos congestionados do que os disponíveis em 2,4 e 5 GHz.
O debate regulatório voltou a esquentar em agosto de 2025, quando a Anatel publicou o relatório da consulta pública referente ao edital da faixa de 6 GHz, informando que a proposta busca aumentar a quantidade de radiofrequências disponíveis para o serviço móvel pessoal.
Em termos práticos, isso recoloca em discussão o equilíbrio entre espectros não licenciado, essencial para a evolução do Wi-Fi, e licenciado, de interesse das operadoras móveis. Para os provedores de Internet, se o ambiente interno do usuário perder capacidade espectral justamente quando as redes ópticas amadurecem e passam a operar com maiores velocidades, a última etapa da experiência de conectividade poderá continuar limitada, ainda que a infraestrutura externa esteja tecnicamente preparada para entregar mais. Esse ponto é especialmente sensível para os provedores locais, pois, além de serem maioria no ecossistema brasileiro de conectividade, operam em um mercado que já migrou da lógica de mera expansão para qualidade e diferenciação.
Por isso, o Wi-Fi 7 passou a simbolizar um novo estágio da conectividade brasileira. A discussão sobre espectro, que por muito tempo pareceu restrita ao campo regulatório, hoje afeta diretamente engenharia de rede, suporte técnico, experiência do assinante e competitividade dos provedores.
Em um país com forte presença de provedores regionais, ampla diversidade territorial e predominância da fibra na banda larga fixa, decisões sobre a faixa de 6 GHz tendem a influenciar não apenas o futuro do Wi-Fi, mas a capacidade da infraestrutura brasileira converter investimento em qualidade real de conexão.
é
Go, desenvolvedora de plataformas de tecnologia de Belo
MG, e Diretor de Projetos
Com mais de 20 anos de experiência no mercado de telecom, atualmente trabalha na interseção entre tecnologia, telecom e IA –Inteligência Artificial.

