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EM Março | Abril 2026

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ARMAZENAMENTO DE ENERGIA

Brasil busca modelo para integrar baterias à matriz elétrica

Com avanço das renováveis e menor capacidade despachável, o armazenamento torna-se essencial à segurança do sistema. No Brasil, entraves regulatórios ainda impedem transformar potencial em projetos, ao contrário de mercados emergentes mais estruturados.

GUIA – 1

Fios e cabos de baixa, média e alta tensão

Essenciais para a condução segura e eficiente de energia elétrica, fios e cabos atendem a diferentes níveis de tensão e aplicações, com variadas configurações construtivas e materiais. O levantamento reúne fabricantes e importadores desses produtos.

DESCARGAS ATMOSFÉRICAS

Nova edição ABNT NBR 5419: as principais alterações e seus impactos

Publicada em março, a ABNT NBR 5419:2026 atualiza a proteção contra descargas atmosféricas, substituindo a edição de 2015. Resultado de anos de estudos do Cobei, a norma traz mudanças relevantes. O artigo apresenta e comenta as alterações mais importantes.

GUIA – 2

Dispositivos de proteção contra surtos

O guia apresenta os fornecedores e as diversas características de seus DPS, componentes que atuam na proteção de equipamentos eletrônicos de alta suscetibilidade a sobretensões transitórias.

As opiniões dos artigos assinados não são necessariamente as adotadas por

podendo mesmo ser contrárias

Carta ao Leitor

Tempo de mudança

Prezados amigos, nesta edição me afasto do fazer diário na redação de Eletricidade Moderna

É natural que me lembre neste momento do querido amigo e nosso sempre editor José Rubens Alves de Souza. Ainda nos anos 1990s, Zé confiou a mim a redação de EM para assumir de vez a responsabilidade por estratégias de publicação da empresa — fase em que criou e lançou títulos excelentes, incluindo a prestigiosa revista RTI — e para dedicar mais tempo a uma atividade que igualmente o entusiasmava, a de normalização técnica na área de eletricidade, com destaque para a norma ABNT NBR 5410.

Zé Rubens nutria grande carinho por EM, na qual atuava desde 1974 e cuja redação assumiu em 1976, quando a revista deixou de ser publicada pelo Grupo Abril. A tal ponto que, sabia, em dado momento teria de abrir mão do comando da redação para evitar estagnação e promover novas perspectivas, ideias, ares e fazeres. Agora é minha vez de seguir o exemplo do mestre.

Profissional que admiro e com quem construí amizade sólida ao longo dos anos, Jucele Reis é a nova editora de Eletricidade Moderna e FotoVolt. É de longe a jornalista mais competente que conheço, especialista nos meandros da indústria de eletricidade, com conhecimento profundo de seus aspectos técnicos e com grande trânsito entre a comunidade da área. As revistas e seus leitores estarão excelentemente servidos com Jucele no comando da redação. E não é preciso desejar boa sorte a quem faz o sucesso acontecer.

Reconheço aqui o apoio e confiança dos diretores Edgard Laureano da Cunha Júnior e José Roberto Gonçalves, que junto com Zé Rubens construíram a Aranda Editora. Menciono novamente Jucele Reis para agradecer aos profissionais que passaram pela redação ao longo desses anos, bem assim aos articulistas e colaboradores, frequentes, bissextos ou pontuais, nas pessoas dos atuais e caros colunistas Paulo Ludmer, Estellito Rangel Junior, Sergio Roberto Santos e Vinícius Ayrão. Aos excelentes profissionais publicitários Elcio Cavalcanti, Eliane Giacomett, Ivete Lobo, Maria José da Silva, Guilherme Freitas de Carvalho e Romildo Batista, o meu apreço, estendido a todos os amigos que os antecederam no Departamento Comercial. E também aos colegas da administração, da circulação, da informática, do financeiro, da gerência geral (abraço, Rosilene de Paiva Branco) e da arte & produção. Por fim, às inúmeras fontes de matérias, também o meu reconhecimento.

Não é fácil deixar de editar a principal publicação técnico-jornalística do País sobre eletricidade, área que me fascina e à qual estou ligado desde a adolescência. Mas, ainda bem, não estarei longe. Tive a honra de ser convidado para compor o novo Conselho Editorial de EM e de FotoVolt. Ainda mais porque meus companheiros nesse conselho serão Celso L. P. Mendes e João Gilberto Cunha, renomados profissionais da área, os quais admiro e que são meus amigos diletos.

E o maior obrigado de todos vai para vocês, cara leitora e caro leitor, com um forte abraço.

DIRETORES

Edgard Laureano da Cunha Jr., José Roberto Gonçalves e José Rubens Alves de Souza (in memoriam)

REDAÇÃO

Editores: Jucele Menezes dos Reis (jornalista responsável – Reg. MTb. 0048092/SP) Mauro Sérgio Crestani

CONSELHO EDITORIAL

Celso L.P. Mendes

João Gilberto Cunha Mauro Crestani

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Gerente comercial: Elcio Siqueira Cavalcanti

Contatos: Eliane Giacomett eliane.giacomett@arandaeditora.com.br Ivete Lobo ivete.lobo@arandaeditora.com.br

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Interior de São Paulo e Rio de Janeiro: Guilherme Freitas de Carvalho – cel. (11) 98149-8896; guilherme.carvalho@arandaeditora.com.br Paraná e Santa Catarina: Romildo Batista – cel. (41) 99728-3060; romildo@arandaeditora.com.br Rio Grande do Sul: Maria José da Silva tel. (11) 2157-0291; cel. (11) 981-799-661; maria.jose@arandaeditora.com.br

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ADMINISTRAÇÃO

Diretor Administrativo: Edgard Laureano da Cunha Jr.

PRODUÇÃO

Sarah Esther Betti, Vanessa Cristina da Silva e Talita Silva.

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Tel.: (011) 3824-5300; csd@arandaeditora.com.br

SERVIÇOS Impressão e acabamento: Ipsis Gráfica e Editora Distribuição: ACF - Ribeiro de Lima

PROJETO RudekWydra site: www.rudekwydra.com.br

Roberto Monticelli Wydra atendimento@rudekwydra.com.br

TIRAGEM 12 000 exemplares

ELETRICIDADE MODERNA , revista brasileira de eletricidade e eletrônica, é uma publicação mensal da Aranda Editora Técnica e Cultural Ltda.

Redação, publicidade, administração e correspondência: Alameda Olga, 315; 01155-900 São Paulo, SP - Brasil. TEL. + 55 (11) 3824-5300 em@arandaeditora.com.br | www.arandaeditora.com.br

Eaton nacionaliza chave ECS para capacitores

A Eaton está nacionalizando a produção da chave de manobra capacitiva Edison (ECS, de Edison Capacitor Switch), um componente essencial na operação de bancos de capacitores automáticos e temporizados nas redes de distribuição de energia elétrica. O produto passará a ser fabricado na fábrica da empresa em Porto Feliz, no interior de São Paulo, com capacidade de produção inicial de 1.700 unidades ao ano para atender ao mercado interno e outros países da América Latina.

Produção da ECS no País visa reduzir prazos de entrega para atender necessidade crescente das redes de distribuição

A empresa enxergou a oportunidade de nacionalizar a produção da chave ECS para atender à demanda de um mercado que vem crescendo ano a ano. “O País entrou em um momento crucial, principalmente com o ingresso de geração distribuída. A energia gerada a partir de fontes renováveis tem um impacto muito grande na distribuição e o banco de capacitores corrige e garante a qualidade da energia nas redes de distribuição”, analisa Rafael Brandão, gerente de produtos para o setor elétrico da Eaton.

Entre os benefícios da fabricação da chave ECS no Brasil está o de reduzir significativamente o prazo de entrega, de vários

meses para 60 dias. Para Luciana Colin, gerente de desenvolvimento de projetos e responsável por trazer a produção da chave ao País, essa realização trouxe também flexibilidade, maior controle de estoque e oportunidades em termos de custo. “Já tínhamos capabilidade estabelecida na planta de Porto Feliz, pois temos uma equipe de engenharia bastante preparada. Então o processo de troca de informações e transferência de tecnologia foi muito bem mapeado”, explica ela.

Em 2025, o faturamento de vendas da Eaton foi de US$ 27,4 bilhões, grande parte no segmento de elétrica. A linha de Utilities (concessionárias de energia) é hoje uma das mais estratégicas da empresa, que prevê novos projetos nessa área, incluindo para redes subterrâneas, uma tendência no País, adianta Luciana Colin. Como diferenciais da chave a Eaton destaca a interrupção a vácuo, por oferecer maior vida útil, e o isolamento sólido, que permite maior capacidade de operação que a das chaves a óleo, além de não representar risco de incêndio ou de dano ambiental. Segundo Brandão, “a chave ECS Eaton consegue realizar 50 mil operações mecânicas, enquanto as chaves a óleo, 5 mil operações”. Ele explica que com a dinâmica atual da rede de distribuição, pelo ingresso de geração distribuída com energia solar, a tendência é que o banco de capacitores tenha que operar mais vezes para garantir a estabilidade da tensão da rede. “A utilização de uma chave robusta, a vácuo, que permita muitas operações mecânicas, é essencial para garantir a vida longa, durabilidade e segurança para a concessionária”, diz.

A família de chaves ECS inclui chaves das classes 15 kV e 25 kV, adequadas para aplicações em sistemas de até 38 kV, utiliza mecanismo de solenoide com ímã permanente e tecnologia de isolação sólida a vácuo. Seu projeto segue os requisitos estabelecidos pela norma ANSI/ IEEE Std C37.66-2005 – Requirements for Capacitor Switches for AC Systems (1 kV to 38 kV).

Maior LT subterrânea do Brasil entra em operação

O Projeto Riacho Grande, considerado a maior linha de transmissão subterrânea já construída no país, foi inaugurada pela ISA Energia Brasil. Com 44,6 km de extensão em 345 kV, o empreendimento tem o objetivo de reforçar a confiabilidade, a segurança e a flexibilidade operativa em uma das regiões de maior complexidade urbana e densidade de carga do Brasil, beneficiando mais de 2 milhões de consumidores na Região Metropolitana de São Paulo e no ABC paulista.

Resultado de um investimento de R$ 1,1 bilhão, o projeto foi energizado cinco meses antes do prazo contratual estabelecido no leilão de transmissão de 2020 da Agência Nacional de Energia Elétrica. A obra integra o planejamento do sistema elétrico nacional e incorpora soluções técnicas voltadas à mitigação de riscos operativos, além de ampliar a capacidade de atendimento à crescente demanda da região. Do ponto de vista sistêmico, o empreendimento fortalece a resiliência da rede frente a eventos climáticos extremos e melhora as condições de suprimento em um eixo estratégico para o consumo industrial. Segundo o diretor-geral do ONS, Marcio

Empreendimento amplia confiabilidade do sistema elétrico em área de alta densidade de carga

Divulgação

Rea, o projeto representa um avanço estrutural ao elevar a robustez e a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN), especialmente em áreas críticas do ponto de vista operacional.

A infraestrutura conecta a capital paulista à região do ABC e viabiliza o escoamento de energia proveniente de Itaipu até a Subestação Sul, em Santo André, que passa a operar com quatro fontes de suprimento distintas. Essa configuração aumenta a redundância do sistema e reduz a exposição a contingências.

Além da linha subterrânea, o projeto contempla 9 km de linhas aéreas e a implantação da Subestação São Caetano do Sul, com capacidade instalada de 800 MVA. A unidade utiliza tecnologia GIS (Gas-Insulated Switchgear), adequada a ambientes urbanos por demandar menor área — até 75% inferior às soluções convencionais — e apresentar baixos níveis de ruído. O conjunto inclui três transformadores de 400 MVA, sendo dois em operação contínua e um em reserva estratégica.

Outro destaque técnico é a incorporação de sistemas de monitoramento em tempo real nos cabos subterrâneos, permitindo o acompanhamento das condições operacionais e a adoção de estratégias de manutenção preditiva. A solução contribui para aumentar a eficiência operacional e reduzir o risco de falhas.

Preço da energia no ACL sobe até 121%

Os preços da energia elétrica no mercado livre registraram forte alta nos últimos dois anos. Levantamento da Abraceel - Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia indica que, entre janeiro de 2024 e março de 2026, contratos de longo prazo acumularam elevação de 59%, enquanto negociações de curto prazo, com entrega em três meses, avançaram 121%.

Nos contratos convencionais para os quatro anos subsequentes, os preços passaram de R$ 147/MWh para R$ 233/MWh no período. Já no mercado trimestral, utilizado como referência para negociações de curto prazo, os valores subiram de R$ 143/MWh para R$ 317/MWh — variação significativamente superior à inflação oficial medida pelo IPCA, que ficou em torno de 5% no mesmo intervalo.

A trajetória de alta acompanha o movimento do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), referência para o mercado de curto prazo. O indicador apresentou aumento de 84%, passando de R$ 129/MWh em 2024 para R$ 236/MWh em 2026. A formação desses preços está diretamente associada aos modelos computacionais que orientam a operação do sistema, sob coordenação do ONS - Operador Nacional do Sistema

Estudo da Abraceel aponta impacto da escalada de preços nos contratos

Elétrico, além de decisões institucionais no âmbito do CMSE - Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico.

Diferentemente do mercado cativo, no qual as tarifas são reguladas pela Aneel -Agência Nacional de Energia Elétrica, os preços no ambiente livre refletem condições de oferta e demanda, além de fatores estruturais do setor. Entre eles, ganham relevância questões como a escassez de novos contratos de geração, impactos do risco hidrológico (GSF) e episódios de restrição de geração (curtailment), que têm reduzido a disponibilidade de energia contratada.

Outro fator apontado pelo setor é o descompasso regulatório entre agentes. Enquanto consumidores livres são obrigados a manter 100% de sua demanda contratada, geradores não têm obrigação equivalente de comercializar sua energia via contratos, o que pode resultar em maior exposição ao mercado de curto prazo.

O avanço dos preços ocorre em um momento de transição estrutural, com o mercado livre já respondendo por cerca de 42% do consumo nacional de eletricidade e com perspectiva de ampliação para consumidores de menor porte a partir de 2027 e 2028, conforme diretrizes recentes de abertura do setor. Nesse contexto, o comportamento dos preços passa a ser um elemento crítico para a viabilidade econômica da migração, de acordo com a entidade.

Para a Abraceel, o cenário exige atenção regulatória e institucional, especialmente diante do risco de exposição de consumidores a custos elevados em contratos futuros. Estimativas indicam que cerca de um terço dos contratos atuais vence entre dois e seis anos, o que pode ampliar a pressão sobre preços caso persistam as condições atuais de oferta restrita e volatilidade no PLD.

O estudo completo está disponível em: https://bit.ly/4e1NfBw

Andra anuncia nova unidade em

Guarulhos

A distribuidora de material elétrico Andra anunciou para maio próximo a abertura de uma nova unidade no bairro Vila Hulda, em Guarulhos, SP. A instalação tem área total superior a 3.000 m²,

Instalação será inaugurada em maio com foco em disponibilidade de estoque e eficiência logística

Divulgação

No Circuito

dos quais 1.000 m² serão destinados ao showroom, e visa oferecer suporte especializado para indústrias, eletricistas, instaladores e consumidores finais, com soluções que abrangem desde iluminação técnica até automação industrial, ampliando a capilaridade de atendimento em um dos principais eixos industriais e logísticos do Brasil, diz a empresa.

Um dos pontos centrais da nova operação é a implementação de um sistema logístico voltado para a redução de prazos de entrega. Segundo a Andra, a unidade manterá um estoque local robusto para garantir pronta entrega de componentes tanto para reformas residenciais quanto para manutenção de indústrias e projetos de infraestrutura, que exigem alta disponibilidade de insumos. O estoque vai contar com mais de 37 mil itens com circulação contínua. Segundo a empresa, toda a operação é controlada via sistema Warehouse Management System (WMS), que permite o rastreamento online de 100% dos produtos por endereçamento lógico.

Para Renan Braga, gerente de expansão da Andra, a escolha do município se deve ao perfil econômico. “A força logística de Guarulhos demanda um centro de soluções elétricas que opere com agilidade. O objetivo é atuar como um hub técnico, oferecendo suporte especializado para profissionais do setor que buscam eficiência em prazos curtos”, afirma.

Ainda segundo a Andra, o atendimento técnico especializado será um dos pilares da unidade, com consultoria desde a escolha de materiais para o consumidor final até projetos de alta complexidade. Com quase 50 anos de atuação no mercado nacional, a empresa está presente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste com unidades em São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte, Goiânia e outras 10 cidades. Tem 1700 colaboradores e sua oferta abrange mais de 45 mil itens.

A nova unidade em Guarulhos prevê a geração de aproximadamente 90 empregos diretos na região. Os interessados em

integrar a equipe podem cadastrar seus currículos diretamente no portal oficial da companhia: https://eletrica.andra. com.br/trabalhe-conosco.

TSEA investe em fábrica nos EUA

A TSEA anunciou uma nova fábrica de reguladores de tensão em Eden, na Carolina do Norte, sua primeira operação industrial nos Estados Unidos, com investimento de US$ 25 milhões. Segundo comunicado da empresa, o projeto deve gerar aproximadamente 160 empregos nas áreas de fabricação, engenharia, operações técnicas e administração da planta e o início das operações de produção está previsto para o quarto trimestre deste ano. A unidade fabricará reguladores de tensão monofásicos de até 1.100 A, 36,2 kV, equipados com controles eletrônicos avançados, incluindo protocolos de comunicação e recursos de cibersegurança.

A empresa atualmente atende cerca de 40 concessionárias nos EUA a partir do Brasil. Com a inauguração da unidade em Eden, espera ao menos dobrar sua capacidade de fabricação global e fortalecer seu papel na cadeia de suprimentos internacional de equipamentos elétricos. A unidade atenderá principalmente as concessionárias, cooperativas de energia elétrica e empresas municipais de distribuição em todo os EUA, que hoje realizam esforços para substituir infraestruturas envelhecidas, integrar novos recursos energéticos e melhorar a confiabilidade dos serviços. “À medida que as concessionárias integram recursos energéticos distribuídos, como energia solar e armazenamento em baterias, veículos elétricos e outras formas de eletrificação, a regulação de tensão torna-se cada vez mais importante para gerenciar fluxos de energia mais dinâmicos e complexos”, diz a nota da TSEA.

A rede de distribuição americana, que se estende por milhões de quilômetros de linhas e atende mais de 150 milhões de clientes,

Nova unidade na Carolina do Norte vai aproximar produção da multinacional brasileira das concessionárias e outras empresas

enfrenta pressão crescente decorrente do envelhecimento da infraestrutura e do aumento da demanda, conforme destacado pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, a energia elétrica é gerada cada vez mais próximo de onde é consumida, criando fluxos bidirecionais em todo o sistema.

“Este investimento fortalece nossa capacidade de atender aos clientes americanos com mais eficiência e reforça nosso papel no avanço de um sistema energético mais confiável e resiliente”, afirmou Maurício Machado, COO da Unidade de Negócios de Reguladores de Tensão da TSEA.

Abracopel

divulga anuário de acidentes elétricos

A Abracopel - Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade publicou a edição 2026 do Anuário Estatístico de Acidentes de Origem Elétrica, ano-base 2025, que reúne dados, análises e indicadores que fornecem um panorama dos acidentes elétricos no Brasil. Publicado desde 2017, o anuário adota como principal metodologia o monitoramento sistemático de informações eletrônicas disponibilizadas pelos meios de comunicação sobre acidentes elétricos em nível

No Circuito

nacional, abrangendo desde incidentes domésticos até ocorrências em redes de distribuição, transmissão e usinas. Nesse contexto, de acordo com a entidade, os profissionais da imprensa exercem papel essencial ao divulgar ocorrências registradas em suas respectivas regiões, contribuindo para a consolidação dos dados que integram a publicação.

Em 2025, foram registrados ao todo 2.322 acidentes com 725 mortes. Os choques elétricos foram responsáveis por 917 acidentes, com 646 mortes. Em relação a 2024, houve redução de aproximadamente 15% tanto no número de ocorrências como de óbitos. Já os incêndios por sobrecarga de energia (curto-circuito) somaram 1.304 ocorrências e 60 óbitos. Por fim, estão os acidentes por descargas atmosféricas, 101, resultando em 19 mortes, uma redução de 53% em comparação a 2024.

De acordo com a Abracopel, o número de acidentes fatais tem se mantido entre 600 e 700 por ano. “O ano de 2025 voltou a acender um sinal de alerta com o crescimento dos acidentes de origem elétrica no Brasil. Ainda que parte desse aumento esteja associado, principalmente, aos incêndios provocados por sobrecarga e curto-circuito e que os dados indiquem redução nas mortes por choque elétrico e descargas atmosféricas é cedo para comemorar. Mas esses avanços trazem um certo alento ao mostrar que informação, conscientização e prevenção começam, aos poucos, a produzir efeitos reais”, afirma Edson Martinho, diretor-executivo da Abracopel.

Dentre as localidades mais afetadas, a região Nordeste continua sendo líder absoluta em número de acidentes com choque elétrico, com 316 ocorrências e 236 fatalidades. Para a Abracopel, os resultados estão relacionados a um IDH - Índice de Desenvolvimento Humano relativamente inferior em parte significativa da região, associado à insuficiência ou baixa efetividade das ações de fiscalização. Esse contexto favorece a informalidade nas intervenções em instalações elétricas, a contratação de mão de obra não qualifica-

Publicado desde 2017, reúne dados, análises e indicadores que fornecem um panorama dos acidentes elétricos no Brasil

da e o uso de produtos que não atendem plenamente aos requisitos técnicos e normativos. Soma-se a esse quadro o limitado conhecimento da população sobre os riscos associados à eletricidade.

O anuário compila ainda os dados de acidentes e mortes por choque elétrico por profissão. Os profissionais da eletricidade aparecerem como o terceiro grupo mais impactado. São trabalhadores que, em tese, possuem formação técnica e devem estar capacitados conforme os requisitos estabelecidos na NR-10 – Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade. Ainda assim, responderam por 68 óbitos em 119 acidentes, o que para a Abracopel indica possível falha na gestão de riscos, na aplicação de procedimentos de segurança do trabalho ou no cumprimento integral das exigências normativas.

Outro destaque do relatório fica por conta dos incêndios de origem elétrica por região, liderada pela região Sudeste. O estado de São Paulo apresenta os maiores registros tanto de incêndios quanto de óbitos, enquanto Minas Gerais ocupa a segunda posição em número de ocorrências e o Rio de Janeiro a segunda em número de mortes.

No que diz respeito às descargas atmosféricas, houve redução dos acidentes fatais provocados por raios no Brasil ao longo dos últimos cinco anos, indicando avanços decorrentes, em parte, da ampliação das ações de informação e conscientização sobre medidas de proteção durante tempestades.

O anuário em formato digital está disponível para consulta e download em

https://abracopel.org/wp-content/ uploads/2026/04/Anuario-2026-ebook. pdf

Prêmio Abracopel de Jornalismo – Na cerimônia de lançamento do anuário, foi realizada a 19a edição do Prêmio de Jornalismo da Abracopel. A premiação é distribuída em seis categorias: artigo técnico, mídia eletrônica (vídeo), assessoria de comunicação, mídia impressa e digital, rádio e televisão. A cobertura completa do evento encontra-se no link https://abracopel. org/blog/premioabracopel-de-jornalismoe-anuario-estatistico-entre-dados e-historias-uma-missao-quesalva-vidas/.

Madem Reels obtém neutralidade de carbono em carretéis de madeira

O Grupo Madem Reels anunciou a conclusão de um estudo de Análise de Ciclo de Vida (ACV) que classifica seus carretéis de madeira como produtos com neutralidade de carbono no escopo “do berço ao portão”. A avaliação contempla emissões associadas às etapas de suprimento de matérias-primas, transporte e manufatura, abrangendo os escopos 1, 2 e 3.

O estudo foi conduzido conforme a regra de categoria de produto PCR 2019:13, versão 1.1.3 (Packaging), alinhada à classificação UN CPC 317, que inclui carretéis de madeira utilizados para acondicionamento e transporte de cabos. A mensuração das emissões considerou o potencial de aquecimento global (GWP 100), segundo metodologia do IPCC 2021, com reporte dos resultados com e sem a inclusão de CO₂ biogênico. De acordo com a empresa, a neutralidade

de carbono foi alcançada a partir da inclusão do carbono biogênico no balanço de emissões.

A ACV incorpora dados de toda a cadeia produtiva, incluindo fornecedores e logística, com quantificação da pegada de carbono em CO₂ equivalente para a unidade funcional de um metro cúbico de carretel. A madeira utilizada pode ter origem certificada ou controlada, conforme disponibilidade. Segundo a companhia, os resultados são rastreáveis e passarão por auditoria de terceira parte.

Do ponto de vista de aplicação, a empresa indica que a neutralidade do produto pode ser incorporada aos in-

ventários de emissões de clientes, especialmente no contexto de escopo 3. A adoção de insumos com menor pegada de carbono tende a ganhar relevância em processos de contratação e licitações, ainda que a demanda varie conforme o perfil de mercado, destaca a companhia.

A iniciativa não envolveu mudanças no processo produtivo, mas implicou impacto no custo de produção, segundo a empresa. Como próximo passo, a estratégia inclui ampliar a comunicação técnica com clientes e apoiar a utilização dos dados de ACV em suas estratégias de descarbonização.

Notas

IA aplicada à experiência do cliente –O Grupo Equatorial lançou o Projeto Delfos, que utiliza inteligência artificial na solução Voz do Cliente, capaz de analisar 100% das interações realizadas

nos canais de atendimento. Com investimento de R$ 21 milhões, a iniciativa foi desenvolvida no âmbito do Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) da Aneel - Agência Nacional de Energia Elétrica. A tecnologia realiza leitura automatizada de sentimentos, identifica clientes insatisfeitos, classifica temas recorrentes e aponta potenciais riscos antes de evoluírem para crises. A plataforma monitora ainda indicadores estratégicos como Net Promoter Score (NPS), volume de detratores, rechamadas no call center, tempo de resposta ao cliente, desempenho do atendimento presencial e do call center

Dados climáticos convertidos em alertas – A Climatempo lançou um novo módulo na plataforma de inteligência climática SMAC (Sistema de Monitoramento e Alerta Climatempo), voltado à conversão de dados meteorológicos observados em alertas automáticos para operações empresariais. A solução busca atender à crescente demanda por ferramentas capazes de integrar variáveis climáticas à gestão

Estudo considera emissões do berço ao portão e inclui carbono biogênico no balanço

de risco, especialmente em setores intensivos em ativos e sensíveis a eventos extremos, como energia, infraestrutura, agronegócio e logística. O módulo incorpora funcionalidades como visualização em tempo real de dados observados, monitoramento segmentado por ativo ou região, configuração customizada de limites operacionais e registro de eventos para rastreabilidade. De acordo com a empresa, a estrutura permite que cada organização adapte o sistema às suas necessidades específicas, considerando níveis de tolerância ao risco e características operacionais.

Edital de renováveis – A Itaipu Binacional recebeu 15 propostas para financiamento de projetos no Paraná e no Mato Grosso do Sul, referentes ao Edital Energias Renováveis IPES/2025. Elas envolvem, principalmente, a implantação de sistemas de geração de energia solar fotovoltaica em campi universitários, além da execução de obras e serviços de infraestrutura elétrica e da aquisição de equipamentos voltados à pesquisa em energias renováveis, somando R$ 97 milhões em investimentos. A empresa afirma ainda que os projetos apresentados têm potencial para beneficiar cerca de 230 mil pessoas, entre estudantes, professores, pesquisadores, técnicos e demais integrantes das comunidades acadêmicas das instituições participantes.

Monitoramento da vegetação – A AXIA Energia passou a utilizar um sistema para monitorar a vegetação ao longo de seus 74,7 mil quilômetros de linhas de transmissão no Brasil. Segundo comunicado, a iniciativa tem como foco reduzir custos operacionais, mitigar riscos de desligamentos e apoiar a confiabilidade da rede. A solução integra inteligência artificial, sensores LiDAR, drones e imagens de satélite para mapear, em três dimensões, a proximidade da vegetação em relação aos cabos energizados.

Drone para inspeção em UHE – A Copel passou a utilizar drones para realizar inspeções internas nos condutos forçados da Usina Governador Ney Braga (Segredo), no Paraná. A solução substitui o método tradicional, no qual profissionais precisavam descer cerca de 141 metros por cordas em ambiente confinado — uma operação considerada complexa e de alto risco, que exigia grande mobilização de pessoal e vários dias de preparação. Além disso, a ausência de iluminação e as dimensões do conduto também limitavam a inspeção visual, deixando áreas sem possibilidade de acesso. Segundo a empresa, o novo procedimento apresenta custo operacional aproximadamente 30% menor em comparação ao método anterior. A solução também reduz em pelo menos um dia a indisponibilidade de cada unidade geradora durante as inspeções, o que representa uma perda potencial evitada de cerca de R$ 600 mil por ciclo.

EM Sintonia

Petróleo

O preço internacional do barril de petróleo (de 159 litros, sendo o Brent o melhor em viscosidade e qualidade), no início de abril, flutuou entre US$ 115 e US$ 120. E causou espanto. Era de US$ 60 antes do início da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Portanto, dobrou de valor de mercado. Porém, o preço do mesmo barril, em 1968, era de aproximadamente US$ 2,5. Com a guerra do Yom Kippur, entre Israel e Egito, atingiu US$ 12. Em 1980, por ocasião da queda do Xá da Pérsia, Reza Pahlevi, bateu US$ 40. Veja que deu uma quintuplicada e depois novo salto triplo em sete anos. Passou um tempo em US$ 17, mas em 2004 voltava a US$ 40. No governo Dilma Rousseff, atingiu US$ 140 e no do presidente Temer voltou aos US$ 40. No governo de João Figueiredo, o Brasil importava 80% do petróleo que consumia. A jazida da libertária bacia de Campos foi detectada em 1973, sendo a sua tecnologia de exploração obtida por empenho e inovação da Petrobrás durante uma longa trajetória de inovação e desenvolvimento. Hoje, o País exporta petróleo cru de boa qualidade e as cotações até agora dobraram com a guerra. Vale dizer, não se iguala a intensidade do desconforto que conhecemos ao final dos governos militares com os cenários energéticos atuais e a futura escassez e alta nos preços internacionais do diesel e da gasolina, os quais importamos à razão de 25% de nossas necessidades, por falta de refino. Aliás nosso célebre economista e dirigente, Roberto Campos, argumentava nos anos 60 que a melhor refinaria era incrementar a capacidade de importação de nossos portos.

Em energia, o Brasil tem agora 300 milhões de toneladas anuais de palhas sobrantes da colheita de grãos; centenas de aterros sanitários para produção energética de resíduos sólidos e orgânicos; expressivas jazidas de urânio para fins de geração nuclear pacífica; oportunidades de geração nas ondas do mar; biomassa em eucaliptais, laranjais, além de cana de açúcar, milho, soja e outras farturas como babaçu, açaí e que tais. O Brasil também é pródigo em hidroeletricidade (possui 13% da água doce potável do mundo), potencial eólico e solar, carvão mineral e vegetal.

Em resumo, a crise mundial a partir do cerceamento dos estreitos de Ormuz e da passagem naval do Mar Vermelho/Canal de Suez traz relativamente menos danos por aqui do que na maioria

das Nações no planeta. Isso não significa ausência de impactos.

Clima

De acordo com Carlos Nobre, renomado cientista brasileiro, nos países do G-20, onde habitam dois terços da população do globo, 69% das pessoas não negam as mudanças climáticas em curso.

A propósito de seus impactos no Brasil, Nobre divulgou estudo de 12 bacias hidrográficas no País (que chama de hidronegócio ou a geopolítica da água), com desigualdades regionais, pressões sobre disponibilidade e qualidade, geração elétrica, irrigação, navegação e privatização das águas, efeitos sobre nutrientes e biodiversidade. O cientista destaca, entre outras pontuações, as 319 usinas hidrelétricas na Amazônia e 100 empreendimentos em operação ou em análise no Pantanal e na Bacia do Alto Paraguai. Nesta última, contabiliza 21 barragens já em 2010, além de 21 pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), produzindo 1620 MW ou 70% do potencial da bacia, que responde por 2,1% da geração nacional.

Preocupam eventos climáticos mais intensos e mais próximos, segundo os prognósticos. Os impactos são diretos: aumento nas interrupções de serviços, maior pressão regulatória, elevação dos custos operacionais, consumidores mais sensíveis e menor confiabilidade no fornecimento.

Biodigestão

A Abren – Associação Brasileira de Energia de Resíduos, que reúne produtores de energia a partir de resíduos urbanos e associações de classe do agronegócio, pedem aos legisladores e reguladores que distingam a origem no mandato do biometano.

Segundo o grupo, a equiparação de metano de aterro e de resíduos agrícolas ignora o maior potencial de descarbonização da biodigestão. A entidade acredita que o País pode liderar uma revolução energética com resíduos, reduzir emissões e avançar na biometanicultura com inovações políticas e investimentos. Faz comparações entre essa escolha e o sucesso do Proálcool.

A Abren reforça que a recuperação energética é solução segura, moderna, complementar, que deve ser aplicada somente aos rejeitos, beneficiando o meio ambiente e a saúde pública.

I N TERS O LA R SOUT H AME R I C A

A

maior feira & congresso da América Latina para o setor solar

A Intersolar South America, a maior feira & congresso da América Latina para o setor solar, enfoca os ramos de fotovoltaica, produção FV e tecnologias termossolares. O evento reúne fabricantes, fornecedoras, distribuidoras, prestadoras de serviços e parceiras do setor solar, incentivando um meio ambiente mais limpo, acesso universal à energia e redução

de preços. Solidamente enraizada na América Latina, a feira destaca seu expressivo potencial solar. A Intersolar South America será realizada de 25 a 27 de agosto de 2026 no moderno e bem localizado Expo Center Norte, em São Paulo, dentro do evento The smarter E South America, a maior aliança de eventos para o setor energético da América Latina.

EE S SOUT H AMERIC A

O evento essencial para baterias e sistemas de armazenamento de energia na América Latina

A ees South America, o evento essencial para baterias e sistemas de armazenamento de energia na América Latina, enfoca soluções de armazenamento de energia que apoiam e complementam sistemas energéticos com número crescente de fontes renováveis de energia, integrando prossumidores e veículos elétricos. Com presença consolidada na região, o evento reflete a crescente importância da

integração entre eletricidade, calor e transportes. A mostra especial Element1, integrada à ees, destaca especificamente o alto potencial do hidrogênio verde no Brasil. A ees South America será realizada de 25 a 27 de agosto de 2026 no moderno e bem localizado Expo Center Norte, em São Paulo, dentro do evento The smarter E South America, a maior aliança de eventos para o setor energético da América Latina.

ELETR OT EC+E M-POWE R S O UT H AMERIC A

A feira de infraestrutura elétrica e gestão de energia

A E l e t ro t ec +EM - P o w er Sou t h A me ri ca é o eve n t o de i n fr ae str utura el é t r i ca e ges t ão d e ene rg i a na A m ér i ca La t ina. A fei r a des t aca a s t ecn o l o gia s de d is tr i buiçã o de ene r gia el é t r ica , be m c omo s e r vi ç o s e s olu ç ões de i n formátic a p a r a ge s tã o de ene r gia em rede, de s e r v i ç o s p úbl i c os e de ed if ica ç õ e s . S o l i dame n t e es t abelec i da n o c o n t ine n t e, a fei r a c o nect a

p rof i s s i o na i s e em p resa s da s á reas de p roj e t o , ins t alação e m anutençã o – da geraçã o d i s t ribu í da a t é a di s t r ibu i ção de ene rgia p o r rede s aé reas e su b ter r âneas. Se r á realizada d e 2 5 a 2 7 de ag o st o de 2 0 2 6 de n t ro do eve n t o

The smar t e r E South Amer i ca, a m aior alianç a de eve n t os para o s e t or ene r g é ti c o da A m éric a Lat i na .

P OW E R2DRIV E SOUT H AMER I C A

A feira e congresso fundamental para infraestrutura de recarga e eletromobilidade na América Latina

Power2Drive South America: a feira & congresso fundamental para infraestrutura de recarga e eletromobilidade na América Latina. Solidamente estabelecido no continente, o evento evidencia a importância do veículo elétrico para um futuro sustentável de transporte e para sua crescente contribuição na matriz energética. A feira

reúne fabricantes, fornecedoras, instaladoras, distribuidoras, administradoras de frotas e de energia, fornecedoras e eletromobilidade e novas empresas. Será realizada em São Paulo, dentro do evento The smarter E South America, a maior aliança de eventos para o setor energético da América Latina.

Armazenamento de energia

Brasil busca modelo para integrar baterias à matriz elétrica

Oarmazenamento de energia ocupa posição central no debate setorial. Mas embora especialistas, reguladores e investidores discutam o tema há meses, a forma de inserção em larga escala da tecnologia na matriz brasileira permanece indefinida. Entre os principais entraves estão a ausência de regras claras, como a inexistência de um modelo regulatório específico e de remuneração definida e limitações da estrutura tarifária. Outra lacuna relaciona-se com a falta de integração das baterias às estratégias de expansão e operação do setor elétrico.

A tecnologia desponta como elemento fundamental para assegurar a flexibilidade do sistema elétrico em um cenário de redução de parcela da potência total

O armazenamento de energia consolida-se como peça-chave para garantir segurança e flexibilidade ao sistema elétrico em um contexto de expansão das renováveis, redução da capacidade despachável e saturação de redes. Enquanto vários outros países, como África do Sul e Egito, avançam com modelos claros de contratação e remuneração, o Brasil ainda esbarra na indefinição regulatória, travando a conversão do potencial em projetos efetivos.

despachável de forma centralizada pelo ONS - Operador Nacional do Sistema. Projeções da EPE - Empresa de Pesquisa Energética indicam que, ao longo da próxima década, o déficit de potência no horário de ponta pode ultrapassar 30 GW. O vale prolongado de carga durante o dia, impulsionado pela geração solar, seguido de uma rampa acentuada no início da noite, quando o sol se põe e a demanda no sistema cresce rapidamente, reduzem a previsibilidade e o controle operacional, configurando um risco de natureza estrutural à segurança do sistema elétrico brasileiro. Nesse contexto, o armazenamento de energia se configura como instrumento de gestão, viabilizando o deslocamento temporal da energia

Scatec/Divulgação

e mitigando desequilíbrios entre oferta e demanda.

Em escala global, o BESS tem apresentado crescimento exponencial, impulsionado pela redução de quase 90% no custo das baterias de íon-lítio, que passaram de cerca de 1.200 dólares por kWh para aproximadamente 120 dólares por kWh entre 2010 e 2024. De acordo com um estudo da BNEF, publicado em outubro de 2025, foram adicionados à capacidade instalada mundial 220 GWh em 2025, e as projeções indicam um avanço para mais de 320 GWh em 2026, o que representa crescimento anual de mais de 45%. No longo prazo, a expansão é ainda mais expressiva: a capacidade acumulada deve atingir 7250 GWh em 2035.

Scatec/Divulgação
Projeto Kenhardt, na África do Sul, integra 540 MWp de energia solar com 1140 MWh de armazenamento em baterias

Por sua vez, o relatório “Energy Transition Outlook”, da DNV, aponta que a capacidade de sistemas de armazenamento conectados à rede deve dobrar até 2030 e pode crescer até 25 vezes até 2060, saltando de 2,4 TWh, em 2024, para cerca de 60 TWh, em 2060. Esse movimento acompanha diretamente a expansão das renováveis, cuja geração deve se multiplicar por sete no mesmo período.

Informações da consultoria Rho Motion mostram que a liderança dos projetos está concentrada em mercados que combinam elevada participação de solar e eólica, acesso estruturado a mercados de energia e serviços ancilares, necessidade de aliviar congestionamentos e aumentar a confiabilidade do sistema, além de políticas públicas e mecanismos de contratação que reduzem riscos e incentivam investimentos. A China desponta como o principal polo global, impulsionada por uma cadeia de suprimentos robusta e custos mais baixos. Os Estados Unidos vêm na sequência, com forte experiência operacional em projetos utility-scale e sistemas híbridos solar + armazenamento. Na Europa, o Reino Unido se destaca pelo avanço no uso de baterias em serviços ancilares e estabilidade da rede. Já mercados como Austrália e Alemanha evoluem em função da alta penetração de renováveis e das restrições de rede.

Outras regiões também se destacam, indicando que a expansão não será concentrada. O pipeline global já soma mais de 6.600 iniciativas e inclui empreendimentos em escala de múltiplos gigawatt- hora

no Chile e na Arábia Saudita (a tabela acima lista grandes projetos mundiais). No Brasil, o potencial de mercado é relevante: cerca de R$ 70 bilhões em investimentos e aproximadamente 70 GWh em capacidade instalada nos próximos anos.

Carga ou geração?

Embora haja consenso quanto à existência de demanda e escala potencial no Brasil, tanto em projetos atrás quanto à frente do medidor, a velocidade de adoção da tecnologia depende da estruturação de um ambiente regulatório adequado. A elaboração de requisitos para inserção dos BESS no sistema já integra a agenda da Aneel - Agência Nacional de Energia Elétrica e do MME - Ministério de Minas e Energia, porém a velocidade de definição permanece inferior à expectativa do mercado.

Atualmente, o ponto mais sensível — e ainda em debate na diretoria da Aneel até o fechamento desta edição de EM — é o uso da rede e a sinalização econômica associada. A questão central é como enquadrar a natureza híbrida da bateria (que, ao carregar, se comporta como consumo; e, ao descarregar, como geração — sem se enquadrar plenamente em nenhuma dessas categorias) e precificar seu uso. Bruno Cazarotte, Gerente de Desenvolvimento de Negócios e F&A da Scatec (empresa mundial de renováveis, com plantas geradoras e presença crescente em armazenamento de grande porte), defende que a bateria não seja tratada simultaneamen-

Bruno Cazarotte (Scatec): “A experiência internacional mostra que o armazenamento pode ser implantado rapidamente quando há direcionamento claro. Para isso, previsibilidade regulatória e um desenho tarifário adequado não são acessórios, mas condição de viabilidade”

te como carga e geração, incorrendo em dupla cobrança, mas sim com uma lógica tarifária “mais aderente” à sua função no sistema. “Do ponto de vista de quem investe, o objetivo é evitar a oneração desnecessária de custos”, afirma. Já Eduarda Negri, Head de Relações Governamentais da Di Blasi, Parente e Associados, que atua em assessoria jurídica e técnica no setor de energia, acrescenta que não há tarifação dupla em outros projetos no mundo. “É preciso aguardar uma decisão por parte da agência reguladora sobre a tarifa, pois não é possível calcular o custo total do projeto diante dessa lacuna regulatória.”

A indefinição tem travado o andamento do leilão de baterias, sinalizado pelo governo para este ano. “Considerando o cronograma, a publicação da portaria até o fim de abril é condição necessária. Fora dessa janela, a realização de leilões ainda em 2026 fica comprometida”, alerta Fabio Lima, diretor executivo da Absae –

Eduarda Negri (Di Blasi, Parente e Associados): “Prazos mais longos tendem a facilitar a estruturação financeira dos projetos, ao aumentar a previsibilidade de receita”

Scatec
Scatec

Armazenamento de energia

Aleksander Skaare

(Scatec): “Com requisitos claros, o Brasil vai liderar essa nova transição do mercado da bateria”

Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia. (O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, tem garantido em encontros setoriais a realização do leilão de baterias para este ano, porém o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, disse recentemente que a agência ainda não recebeu nenhuma diretriz ou informação do MME para dar início ao processo. Segundo ele, apenas a recepção, estudo e elaboração do edital devem tomar de três a quatro meses. Além disso há outro certame “concorrente” no calendário, o de transmissão, programado para outubro [1]).

Os investidores aguardam a definição da regulação para estruturar suas estratégias e ofertas para o leilão. Aleksander Skaare,

gerente-geral da Scatec no Brasil, diz que o País tem fundamentos sólidos e um potencial de crescimento muito consistente, mas, para viabilizar projetos, precisa de visibilidade regulatória. “Precisamos entender quais serão as regras do jogo, porque estamos falando de grandes investimentos que precisam de um retorno esperado. Com requisitos claros, o Brasil vai liderar essa nova transição do mercado da bateria”, afirma.

Para Cazarotte, a magnitude dos problemas de confiabilidade e os episódios de cortes de energia no Brasil reforçam a necessidade de respostas estruturadas. “A experiência internacional mostra que o armazenamento pode ser implantado rapidamente quando há direcionamento claro. Para isso, previsibilidade regulatória e um desenho tarifário adequado não são acessórios, mas condição de viabilidade.”

Outro desafio para a regulação é alinhar incentivos para que as baterias se posicionem adequadamente, conciliando eficiência econômica e segurança operativa. “O sinal locacional, quando bem estruturado, orienta o investimento para onde o sistema de fato demanda”, acrescenta o executivo da Scatec.

Modelos de negócios

Além de regulação, a viabilidade dos projetos depende da capacidade de capturar múltiplas fontes de receita, o chamado empilhamento de receitas, por meio da prestação de diferentes serviços, como arbitragem de energia, resposta à demanda, serviços ancilares e suporte à rede, maximizando o retorno sobre o investimento.

No Brasil, de acordo com Fabio Lima, em termos de maturidade de mercado, são mais avançadas as aplicações no segmento comercial e industrial, onde consumidores buscam reduzir custos com demanda na ponta e aumentar a previsibilidade energética, ainda que limitadas pelo baixo nível de empilhamento de receitas e alta carga tributária. Ainda segundo ele, o próximo estágio de desenvolvimento são projetos colocalizados a usinas renováveis, especialmente em casos de curtailment elevado, em que o armazenamento atua como ferramenta para otimizar o uso da energia gerada e reduzir a exposição ao mercado de curto prazo, ampliando a eficiência econômica dos empreendimentos.

No início de abril a Aneel concedeu a primeira autorização para inserção de siste-

Scatec

Fabio Lima (Absae):

“A criação de um mecanismo estruturado de resposta da demanda favorece o empilhamento de receitas, permitindo que o armazenamento seja remunerado pela disponibilidade de potência”

ma de armazenamento de energia colocalizado em usina fotovoltaica no Brasil. O sistema será instalado na usina Sol de Brotas 7, da Statkraft Brasil, localizada no município baiano de Uibaí. O conjunto de baterias de íon-lítio terá capacidade nominal de 5 MWh e potência total de 1,25 MW. O SAE colocalizado é instalado junto à usina de geração e compartilha com esta as instalações de conexão à rede básica, bem como os sistemas de medição e faturamento. O processo foi

tratado pela Aneel como uma alteração de características técnicas do empreendimento de geração.

Já sistemas autônomos, dedicados à prestação de serviços às redes, como controle de frequência e tensão e suporte de potência, ainda dependem de mecanismos de contratação estruturados, como leilões, para se viabilizarem, afirma o diretor-executivo da Absae.

Por sua vez, a atuação de agregadores ou usinas virtuais (VPPs) enfrenta barreiras importantes. Em mercados mais maduros, essa figura permite integrar sistemas distribuídos (residenciais e comerciais) e operá-los como uma usina virtual. No Brasil, essa função ainda não está formalmente definida devido à ausência de regulamentação específica. No entanto, segundo Lima, a expectativa é de que comercializadores

assumam esse papel com a abertura do mercado livre para a baixa tensão.

Já na transmissão, onde o uso de baterias é geralmente associado à postergação de investimentos em infraestrutura, aumento da resiliência e melhoria da qualidade do fornecimento, o diretor da Absae informa que a base regulatória está mais consolidada, com a EPE mapeando pontos potenciais de aplicação. Na distribuição, segundo ele, o movimento também já começou e há projetos em andamento. “Nesses segmentos, o armazenamento ainda opera sob decisões casuísticas da Aneel e há expectativa de uma regulação mais abrangente no segundo semestre, o que pode dar maior previsibilidade ao setor”, acrescenta. Mas já há pelo menos dois sistemas de armazenamento proprietários conectados às redes brasileiras, sendo um na transmissão, em São Paulo, e outro na distribuição, no Paraná (veja boxe na pág. 24).

Armazenamento de energia

Concessionárias instalam primeiros sistemas

Em dezembro de 2022, a transmissora ISA Energia (então chamada ISA CTEEP) colocou em operação um sistema de armazenamento de energia em baterias (BESS) em larga escala na sua subestação de Registro, região sul do estado de São Paulo. O sistema possui 30 MW de potência e 60 MWh de capacidade em mais de 180 racks de baterias de lítio, que ocupam área aproximada de 5 mil m². Seu objetivo é atuar nos momentos de pico de consumo do litoral sul paulista, durante o verão, evitando interrupção no fornecimento em razão do excesso de demanda da alta temporada. No final do mês passado, a transmissora divulgou um balanço de seu “Plano de Operação para o Verão 2025/2026”, constatando que o BESS de Registro foi um dos recursos que mais contribuíram para a manutenção da confiabilidade do seu sistema de transmissão na região, mesmo com as chuvas intensas (acumulados superiores a 100 mm em alguns locais) e o aumento da carga provocado pelo forte fluxo de turistas, aproximadamente 18 milhões de visitantes ao longo do verão. Durante os feriados de Ano Novo e Carnaval, o sistema foi despachado para apoiar a operação da rede elétrica, evitando sobrecargas em trechos estratégicos da rede, como na linha de transmissão de 138 kV Mongaguá–Peruíbe.

Já na área da distribuição, a Pacto Energia Distribuição Paraná energizou há poucas semanas um BESS para atendimento ao crescimento da demanda de energia do município de Coronel Vivida, no sudoeste do paranaense. Desenvolvi-

No segmento residencial, aponta Lima, a modernização da tarifa horária pode impulsionar aplicações ao introduzir sinais de preço mais aderentes à realidade do sistema. “A necessidade é a criação de um mecanismo estruturado de resposta da demanda, que favoreça o empilhamento de receitas, permitindo que o armazenamento seja remunerado pela disponibilidade de potência”, conclui.

Experiências internacionais

O avanço do armazenamento de energia no mundo tem seguido caminhos distintos. Enquanto mercados mais maduros já consolidam modelos eficientes de contratação e remuneração, no Brasil

Sistemas armazenamento instalados em subestação de transmissão em Registro (SP) e no sistema de distribuição em Coronel Vivida (PR)

do pela Matrix Energia em parceria com a Huawei, o projeto recebeu investimento de cerca de R$ 30 milhões da distribuidora e se constitui de 10 baterias de alta performance com capacidade total de 20 MWh e potência máxima 10 MW. Segundo a empresa, também haviam sido estudadas soluções convencionais de expansão da rede, como a construção de novas subestações, mas estas revelaram-se mais caras, demoradas e de maior custo de operação do que as baterias, as quais também têm a vantagem do menor impacto ambiental, pois dispensam grandes obras civis e supressão vegetal.

ele ainda é considerado nascente, com o primeiro leilão específico em fase de estruturação. A proposta de contratação via leilões reversos, com foco no menor preço por megawatt-hora, indica um caminho, mas questões como a indefinição tarifária — especialmente em relação à cobrança de TUST e TUSD — e a ausência de um modelo de remuneração para múltiplos serviços prestados pelo armazenamento limitam a atratividade dos investimentos.

Em contraste, experiências internacionais mostram abordagens mais consolidadas. A seguir, um resumo de modelos adotados na África do Sul e Egito, obtidos a partir de informações divulgadas em workshop realizado pela Scatec, que possui empreendimentos de BESS nesses países.

África do Sul

Para a contratação de sistemas de armazenamento, o governo sul-africano define previamente o volume de capacidade, os requisitos técnicos e os pontos de implantação dos projetos na rede. Desde 2022, o país conduziu três janelas de contratação. A primeira, com resultados divulgados em 2023, concentrou-se em regiões com maior criticidade na rede. A segunda, concluída em 2024, ampliou a capacidade contratada dos projetos de 513 MW para 616 MW. A terceira rodada, realizada em 2024, manteve volume semelhante, consolidando o modelo.

De acordo com Eduarda Negri, ao longo dos certames observou-se evolução: houve aumento da concorrência, com 33 propostas para cinco projetos na rodada mais recente, e redução aproximada de 40% nos preços entre a primeira e a terceira janela. “A diminuição de custos observada está associada a fatores como a queda nos preços das baterias de íon-lítio no mercado internacional, a maior previsibilidade proporcionada pela repetição das rodadas e a melhor calibração de custos por parte dos participantes”, afirma.

No país, os projetos são estruturados por meio de contratos de longo prazo (PPA Power Purchase Agreements) firmados com a estatal Eskom. A remuneração é composta por três elementos principais: pagamento pela disponibilidade da capacidade (independentemente do despacho), remuneração associada ao uso efetivo do sistema e receitas provenientes da prestação de serviços ancilares, como controle de frequência e tensão.

Egito

O Egito estabeleceu metas ambiciosas para a expansão das fontes renováveis: prevê saltar dos atuais 11% para 42% da oferta de energia até 2030. Um dos objetivos é produzir hidrogênio verde para

Armazenamento de energia

BESS grid-forming de 100 MW/200 MWh no Acre

No final de janeiro, o Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgaram o estudo técnico Soluções para aumento da confiabilidade no atendimento às cargas de Feijó e Cruzeiro do Sul, no Acre, apresentando alternativas de planejamento para reforço da confiabilidade do suprimento de energia nesses municípios, mesmo em casos de falhas decorrentes de eventos climáticos. Para o chamado “período conjuntural”, de curto-prazo, o estudo recomendou a implantação, no ano de 2028, de um BESS de 100 MW/200 MWh e tecnologia  grid-forming, conectado ao barramento de 69 kV da Subestação Cruzeiro do Sul, como a alternativa de melhor desempenho técnico-econômico. Segundo a EPE, a solução permite resposta rápida a contingências, operação formadora de rede e prestação de serviços ancilares, ampliando a flexibilidade operativa em uma região que não dispõe atualmente de geração centralizada despachável. A integração dos sistemas de Feijó e Tarauacá, no Noroeste do Acre, ao Sistema Interligado Nacional (SIN) foi realizada em junho de 2023, com entrada em operação da subestação Feijó 230/69 kV. E em dezembro de 2024 foi a vez das cargas da região de Cruzeiro do Sul, localizada mais a oeste (a cerca de 650 de Rio Branco), serem integradas ao SIN através da SE Cruzeiro do Sul 230/69 kV, interligada pela linha de 230 kV Feijó–Cruzeiro do Sul. Porém, como as linhas são de circuito simples, contingência e defeitos podem prejudicar o suprimento às regiões, o que motivou a realização do estudo. Em situações de faltas ou intervenções para manutenção no sistema de transmissão existente, o armazenamento será capaz de suprir por até duas horas toda a demanda máxima local, atendendo mais de 200 mil pessoas na região, diz a EPE. A iniciativa, uma das primeiras de grande porte no

exportação à Europa. Nesse contexto, a necessidade de garantir fornecimento contínuo de energia tem impulsionado a adoção de sistemas de armazenamento.

O modelo contratual adotado difere do observado em outros mercados. No lugar de contratos de compra de energia, o país utiliza Capacity Purchase Agreements (CPA), que remuneram a capacidade instalada e disponível, independentemente do despacho. Na prática, os projetos recebem pela disponibilidade do ativo.

Marcos Santos/Secom Acre

Subestação Cruzeiro do Sul, à qual vai ser conectado o BESS

âmbito do SIN, possibilitará resposta automática a contingências, assegurando o fornecimento emergencial de energia elétrica. O investimento estimado para essa solução é de aproximadamente R$ 230,5 milhões.

O estudo também recomenda, como soluções estruturais para garantir a confiabilidade do atendimento, a construção de aproximadamente 640 km de novas linhas de transmissão em 230 kV, conectando Tucumã a Feijó, e ainda o aproveitamento de estruturas de circuito duplo já existentes em trechos da LT Feijó–Cruzeiro do Sul (hoje operando em circuito simples), as quais estão localizadas em áreas ambientalmente sensíveis, incluindo terras indígenas, o que contribui para a redução de impactos socioambientais e de riscos de implantação. Essas linhas são indicadas para energização em 2032, e o investimento estimado para essa etapa é de aproximadamente R$ 694,7 milhões.

O secretário nacional de Transição Energética e Planejamento do MME, Gustavo Ataíde, declarou à época do anúncio que o estudo evidencia a capacidade do planejamento energético brasileiro de integrar soluções de curto e longo prazo. “A aplicação pioneira da tecnologia gridforming em larga escala reforça a inovação na expansão da transmissão, enquanto o uso de infraestrutura existente demonstra o compromisso com a redução de impactos socioambientais”, pontuou.

O estudo pode ser baixado da aba “publicações” do website da EPE: www.epe.gov.br.

Os contratos são firmados diretamente entre o governo e os desenvolvedores selecionados, sem processo público de licitação. Esse formato reduz o tempo de contratação, embora levante questionamentos sobre transparência. A estatal EETC - Egyptian Electricity Transmission Company é a responsável por celebrar os acordos.

Outro aspecto relevante é a dolarização dos contratos, que reduz a exposição ao risco cambial, fator considerado crítico por investidores estrangeiros. Em con-

junto com prazos mais longos, essa estrutura tem viabilizado o financiamento por instituições multilaterais.

O país também tem desenvolvido projetos de armazenamento stand-alone. Nesses casos, o desenvolvedor assume a responsabilidade pela conexão ao sistema de transmissão e pela integração à rede.

Do ponto de vista financeiro, predomina o modelo em que o pagamento da dívida está vinculado ao fluxo de caixa do próprio empreendimento, sem garantia adicional dos acionistas.

“Essa estrutura exige contratos robustos e previsibilidade de receita, o que reforça a importância dos CPAs, da dolarização e dos prazos estendidos para viabilizar os investimentos no país”, comenta Negri.

Modelos distintos

A comparação mostra que a África do Sul aposta em leilões competitivos, com contratos de 15 anos e remuneração que combina disponibilidade, energia e serviços ancilares. Já o Egito tem adotado contratos em dólar, de até 25 anos, eliminando riscos cambiais e acelerando a tomada de decisão dos investidores. No Brasil, os contratos atualmente considerados giram em torno de 10 anos. De acordo com Eduarda Negri, prazos mais longos facilitam a estruturação financeira dos projetos, ao aumentar a previsibilidade de receita.

Outro ponto de distinção está no tratamento regulatório. Na África do Sul e no Egito, os sistemas de armazenamento são enquadrados de forma semelhante à geração, o que evita encargos duplicados. No Brasil, essa questão da dupla tarifação ainda está em discussão regulatória.

A semelhança é que o tema assume contornos de política industrial nos países. O modelo sul-africano estabelece critérios de participação de sócios negros sul-africanos nos projetos, levando empresas internacionais a estruturar consórcios com parceiros locais. No Egito, destaca-se a exigência de desenvolvimento de fábricas de baterias no país. No Brasil, a possibilidade de adoção de requisitos de conteúdo local é mais uma parte do extenso debate sobre as regras do armazenamento.

REFERÊNCIA:

[1] Maria Clara Machado: Silveira sinaliza ‘mais leilões de bateria’ enquanto Aneel diz não ter recebido diretriz. “Megawhat”, 09/04/2026 (acesso: https://megawhat.uol. com.br/economia-e-politica/silveira-sinaliza-mais-leiloes-de-bateria-enquan to-aneel-diz-nao-ter-recebido-diretriz/)

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Notas: (1) Tensão máxima de 1 kV, c.a.; (2) De acordo com a terminologia ABNT, “condutor isolado” é o fio ou cabo dotado apenas de isolação, e “cabos uni ou multipolares” são os cabos dotados, adicionalmente, de cobertura (ver nota 7). No caso de condutores com isolação de XLPE, a isolação apresenta uma espessura grande o suficiente para que o cabo seja considerado equivalente a um cabo uni ou multipolar, para efeito de aplicação; (3) Cabos com classe de encordoamento 4 ou superior; (4) Cabos com baixa emissão de fumaças e gases tóxicos (LSZH: low smoke, zero halogen); (5) Cabos antifurto; (6) Cabos especialmente desenvolvidos para interligação de módulos, string boxes e inversores; (7) Cabo coberto, ou cabo protegido, é o cabo dotado apenas de cobertura. E, de acordo com a terminologia ABNT, cobertura é “invólucro externo não-metálico, sem função de isolação”; (8) Tensão máxima de 34,5 kV, c.a.; (9) Tensão igual ou superior a 69 kV, c.a.; (10) Cabos para ligação de equipamentos; (11) Cabos refrigerados a água e a ar utilizados em fornos siderúrgicos, de fundição e máquinas de solda.

Obs.: Os dados constantes deste guia foram fornecidos pelas próprias empresas que dele participam, de um total de 364 empresas pesquisadas Fonte: Revista Eletricidade Moderna, Março / Abril de 2026. Este e muitos outros guias estão disponíveis on-line, para consulta. Acesse www.arandanet.com.br/revista/em e confira. Também é possível incluir a sua empresa na versão on-line de todos estes guias.

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Nova edição da ABNT NBR 5419: as principais alterações e seus impactos

Gabriel Luiz Silva Almeida e Normando Alves, da Termotécnica Para-Raios; Sergio Roberto Santos, da Embrastec e Lambda Consultoria (integrantes da CE 003:064.010 do Cobei)

Normas técnicas devem passar por revisões periódicas para garantir alinhamento com os avanços técnicocientíficos e com as práticas do mercado. Além disso, seguindo as boas práticas de normalização [5], a série ABNT NBR 5419 [1-4] está alinhada com a norma internacional IEC 62305 [6-9], a única referência normativa reconhecida internacionalmente para o tema proteção contra descargas atmosféricas, com as devidas adaptações à realidade brasileira, mas mantendo os mesmos princípios técnicos.

Resultado de anos de trabalho da Comissão de Estudos 64:010 do Cobei, a versão 2026 da série de normas ABNT NBR 5419Proteção contra descargas atmosféricas foi publicada em março, vindo substituir a edição de 2015. De modo a atualizar os profissionais da área elétrica quanto às mudanças e suas implicações, são aqui apresentadas e comentadas as alterações mais importantes da nova versão.

Os profissionais que utilizam a ABNT NBR 5419 devem buscar atualização, pois os novos projetos necessitam seguir as recomendações desta edição a partir de sua data de publicação. Este artigo apresenta as alterações mais relevantes da nova versão, que representam mudanças significativas em relação ao texto substituído.

Assim como a anterior, a nova série ABNT NBR 5419 é composta por quatro partes, cujas alterações são apresentadas em seguida:

 Parte 1: Princípios gerais [1];

 Parte 2: Análise de risco [2];

 Parte 3: Danos físicos a estruturas e perigos à vida [3]; e

 Parte 4: Sistemas elétricos e eletrônicos internos à estrutura [4].

Parte 1: Princípios gerais

Algumas das alterações presentes na parte 1 estão também nas demais partes da série, como o escopo e a lista de termos e definições. No escopo, a nova versão define claramente a aplicabilidade da norma aos novos projetos, a reformas e mudanças nas características construtivas ou no uso da estrutura e das instalações elétricas.

A nova edição adota uma lista única e consolidada de 137 termos e definições. A maior parte dos termos e definições foi preservada, com pequenas revisões em alguns casos. Ainda assim, determinados itens passaram por modificações relevantes, além de serem incluídos novos termos e excluídos outros.

Algumas alterações ocorreram também no conteúdo específico da parte 1, as quais refletem a nova metodologia de análise de risco e de verificação da fre-

Mytaj/Shutterstock

Tab. I – Limites toleráveis para riscos e frequência de danos

Riscos e frequência

Frequência de danos (valor do número de falhas causadas por descargas atmosféricas, associadas a serviços e equipamentos – falhas/ano)

quência de danos, que é apresentada de forma detalhada na parte 2.

Além disso, alterações relevantes estão presentes no anexo D, que trata dos parâmetros de ensaio para simular os efeitos da descarga atmosférica sobre os componentes do Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA). As tabelas D.2 (relativa às características físicas) e D.3 (relativa à elevação de temperatura) passam a incluir informações para o aço revestido por cobre. Os dados referentes aos Dispositivos de Proteção contra Surtos (DPS) foram direcionados para as normas específicas desses produtos, as séries ABNT NBR IEC 61643 e IEC 61643. O anexo também incorpora novos conceitos e descrições relacionados aos efeitos eletro-hidráulicos e à ionização do solo.

Parte 2: Análise de risco

É na parte 2 que se observam as maiores mudanças. Desde a alteração de nomenclatura, anteriormente denominada “Gerenciamento de risco” e agora intitulada “Análise de risco”, até modificações significativas nos conceitos, metodologias e procedimentos. Em comparação com a versão anterior, os riscos R1 e R3 permanecem praticamente inalterados, contribuindo para o cálculo do risco R aplicável a qualquer estrutura quando está envolvida perda L1, relacionada à vida humana, ou perda L3, relacionada ao patrimônio cultural. Os limites toleráveis para R1 e R3 estão apresentados na tabela I deste artigo. O procedimento para tomada de decisão quanto à necessidade de proteção e para

F ≤ 0,1 falha/ano para sistemas críticos.

F ≤ 1 falha/ano para sistemas não críticos.

a seleção das medidas de proteção está detalhado no fluxograma da figura 1 da ABNT NBR 5419-2:2026.

O antigo risco R2 foi substituído pela frequência de danos F, que apresenta caráter mais abrangente, uma vez que deve ser considerada sempre que falhas de sistemas eletroeletrônicos, associadas ao dano D3, estiverem envolvidas e puderem resultar em perdas econômicas diretas ou em interrupções de serviços. Esses sistemas passam a ser classificados como críticos (aqueles cuja falha pode afetar uma comunidade) ou não críticos para a definição dos limites toleráveis, que estão apresentados na tabela I deste artigo.

O procedimento para a avaliação da frequência de danos F está detalhado na Seção 7 da ABNT NBR 5419-2:2026. Em linhas gerais, a frequência de danos é estabelecida pela soma das frequências parciais de danos, as quais, por sua vez, são calculadas em função do número de eventos perigosos por ano e da probabi-

lidade de danos, considerando as diferentes fontes de danos. Assim como na análise de risco, a frequência de danos também pode ser avaliada mediante a divisão da estrutura em zonas de estudo, o que pode resultar em soluções economicamente mais eficientes.

A análise dos riscos R1 e R3, bem como a avaliação da frequência de danos F são obrigatórias nas situações determinadas como relevantes pela ABNT NBR 54192:2026. Já o risco R4 passa a ter caráter explicitamente opcional, sendo direcionado ao anexo D, de natureza informativa.

A nova edição deixa claro que a densidade de descargas atmosféricas NG deve ser consultada exclusivamente no anexo F desta norma, deixando explícito que dados provenientes de outras fontes não são válidos para essas avaliações. O anexo F, por sua vez, apresenta um mapa coroplético com valores de NG únicos para cada município, conforme a figura 1 deste artigo, além de uma tabela que reúne esses mesmos valores em formato textual. Os valores de NG no Anexo F sofreram aumento considerável, refletindo estudos recentes, mas o impacto individual no Nível de Proteção (NP) é limitado por ser uma análise multivariável.

Outras alterações também são observadas ao longo da parte 2. O anexo B trata

Fig. 1 – Mapa de densidade de descargas atmosféricas (NG) do Brasil: (a) conforme a versão 2015 da ABNT NBR 5419-2; e (b) conforme a versão atualmente vigente da norma

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da avaliação da probabilidade de danos e apresenta informações mais detalhadas em suas tabelas, quando comparado à versão de 2015. O Anexo C introduz o fator de aumento (rs) para estruturas de madeira ou alvenaria simples (figura 2), elevando os valores de perdas calculados. Já o anexo E, que na versão de 2015 continha estudos de caso, encontra-se atualmente vago.

Parte 3: Danos físicos a estruturas e perigos à vida

Na parte 3 também são observadas alterações substanciais em relação ao texto de 2015. Assim como nas demais partes, houve uma reformulação visual mas também são identificadas mudanças de conteúdo técnico, como na seleção de materiais e nos procedimentos de ensaio durante as inspeções.

O conceito de Classe do SPDA foi unificado ao conceito do Nível de Proteção da PDA (NP). Outras modificações relevantes consistem na ampliação das recomendações para utilização de DPS para redução de riscos de choque elétrico, incluindo neste ponto informações sobre as tecnologias disponíveis para a fabricação desses dispositivos (comutador ou limitador de tensão), que podem alterar significativamente a eficiência da ligação equipotencial indireta.

Para áreas abertas, a norma reafirma que medidas de proteção não anulam o risco de perda de vida humana, exigindo que as pessoas se abriguem em locais seguros antes de tempestades, seguindo a ABNT NBR 16785 [10].

Os métodos de captação (esfera rolante, malhas e ângulo) seguem a norma internacional IEC 62305-3, os sistemas não convencionais (ESE / ionizantes) [11-12] continuam não admitidos pela norma brasileira. No método das malhas, permite-se agora aumentar um lado em 25% sem ampliar o perímetro, o que confere maior flexibilidade ao projetista.

Na utilização de componentes naturais no subsistema de captação do SPDA, o novo texto estabelece um novo requisito de espessura mínima t” da chapa metálica quando for necessário considerar a ignição de materiais inflamáveis situados abaixo da cobertura. Essas informações estão detalhadas na nova Tabela 4 da ABNT NBR 5419-3:2026.

Em geral, ocorreram poucas modificações nos requisitos para projeto e instalação do subsistema de descida. Uma das alterações relevantes presentes no novo texto é a menção à possibilidade de utilização de componentes isolantes conforme a IEC 62561-8, tais como cabos com cobertura isolante (figura 3a) ou espaçadores isolantes (figura 3b), que podem ser posicionados conforme um SPDA não isolado.

Fig. 2 – Exemplo de estrutura de alvenaria simples – novo fator de aumento (rs) eleva os valores de perdas calculados

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Fig. 3 – Exemplos de componentes isolantes fabricados conforme IEC 62561-8: (a) cabo isolado e (b) espaçador isolado (Fonte: DEHN)

O novo texto passa a exigir o posicionamento dos condutores de captação e descida, com o uso de espaçadores, a uma distância mínima de 10 cm da superfície quando composta por madeira, vidro ou polímeros em geral.

No aterramento, a armadura da fundação pode ser usada sem interligação horizontal no nível do piso se houver avaliação de tensões perigosas. Foi excluída a permissão de 20% do anel sem contato com o solo e tornou-se obrigatória a avaliação do comprimento mínimo do eletrodo mesmo em aterramentos naturais.

Os componentes e materiais são apresentados nas Tabelas 6 a 9 da nova norma. Os materiais e configurações listados passam a ser referenciados a normas técnicas de produto aplicáveis a cada um desses componentes. Essa mudança contribui para assegurar que os produtos utilizados no SPDA atendam a um padrão mínimo de qualidade, reduzindo as chances de utilização de materiais não conformes, como os chamados cabos “desbitolados” e as hastes de aterramento com “baixa camada” de cobre. Algumas das principais alterações são:

 condutores de cobre são agora permitidos no concreto;

 condutores de aço zincado a quente são proibidos na transição concretoterra;

 passam a ser permitidos, no aterramento, cabos de cobre ou de aço cobreado com a formação de 7 ou 19 fios;

 as seções nominais de aço cobreado foram equiparadas às de cobre: 35 mm² para captação ou descida e 50 mm² para aterramento; e

 captores verticais acima de 1 m exigem dimensionamento mecânico contra ventos.

Nas ligações equipotenciais, o cálculo da distância de segurança foi atualizado com uma equação geral mais detalhada. O método da versão anterior permanece válido, sendo tratado como uma abordagem simplificada e conservadora. Adicionalmente, o Anexo C incorporou novos exemplos didáticos que facilitam a compreensão, mas não isentam o dimensionamento específico para cada situação.

A seção que aborda os procedimentos para inspeção, manutenção e documentação de um SPDA foi totalmente reformulada. Há uma afirmação categórica quanto à não necessidade de realização de medições de resistência de aterramento para a verificação da eficácia do SPDA. Fica estabelecido que o SPDA deve dispor de um plano de inspeção e manutenção devidamente documentado, com orientações sobre intervalos e alertas para a realização das inspeções e manutenções.

No que se refere à sequência de realização das inspeções, foi excluída a obrigatoriedade de inspeção visual semestral, embora as inspeções visuais periódicas tenham sido mantidas como recomendadas. Além disso, foram incluídos maiores detalhamentos, como a sugestão do uso de contadores de raios (figura 4) para a verificação da ocorrência de descargas atmosféricas no SPDA, evidenciando a necessidade de realização de inspeções.

Finalizando o corpo principal do texto, a seção que aborda as medidas de proteção contra acidentes decorrentes das tensões de toque e de passo enfatiza que os tubos de PVC não possuem

Fig. 4 – Exemplo de contador de raios instalado no subsistema de descida do SPDA (Fonte: Termotécnica)

função de isolação elétrica, servindo apenas para proteção mecânica. Para mitigar riscos de tensões de toque, devem ser usados materiais que suportem 100 kV, como condutores com 3 mm de isolação em polietileno reticulado.

O Anexo F traz maior detalhamento e novos exemplos para ensaios de continuidade elétrica de armaduras e condutores não naturais. Foram incluídas figuras demonstrando a técnica de injeção direta ou induzida de corrente. Tais mudanças impactam significativamente os procedimentos de ensaio do SPDA, exigindo atenção técnica detalhada em sua execução.

Parte 4: Sistemas elétricos e eletrônicos internos à estrutura

Esta parte da norma sofreu poucas modificações, o que indica que as orientações da versão de 2015, corrigida em 2018, estão no estado da arte da proteção contra surtos, sendo então mantidas na sua quase totalidade.

A parte 4, após as referências normativas, termos e definições iniciais, que como já informado foram enriquecidas, apresenta o item Projeto e instalação das Medidas de Proteção contra Surtos (MPS), através dos conceitos de Pulso Eletromagnético Causado por uma Descarga Atmosférica (Lightning Electromagnetic Impulse (LEMP)) e de Zonas de Proteção contra Raios (ZPR). É através da correta construção das ZPR que os efeitos do LEMP são minimizados, para que cada elemento da instalação elétrica suporte a sua energia resultan-

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te sem se danificar. A compreensão do conceito de ZPR é imprescindível para uma correta especificação das MPS, e a norma apresenta vários exemplos para essa compreensão.

Após a apresentação dos elementos para a formação de uma ZPR, a norma apresenta as MPS básicas, indicando a função de cada uma, para nos itens seguintes detalhar suas características e aplicações.

Em relação ao subsistema de aterramento, a nova edição da norma reforça a necessidade de que ele atenda integralmente as determinações da sua parte 3, para em seguida apresentar o que é necessário para que ele atenda às necessidades da proteção contra surtos.

Em relação à equipotencialização, também não ocorreram modificações de conceitos, mas agora eles estão mais bem explicados, evitando assim interpretações equivocadas que poderiam ocorrer com base na versão anterior. Todavia, neste item ocorreram mudanças importantes em relação aos materiais e dimensões dos componentes de equipotencialização, que estão na Tabela 1 dessa parte da norma, e serão informadas a seguir:

1) Para as barras de equipotencialização, o termo ferro foi substituído por aço, com a seção transversal mínima de 50 mm² sendo mantida.

2) Para os condutores de conexão entre barras de equipotencialização e o subsistema de aterramento, o termo ferro foi substituído por aço, com a seção transversal passando de 80 mm² para 70 mm²;

3) Para os condutores de conexão entre barras de equipotencialização, o termo ferro foi substituído por aço, com a seção transversal mínima de 50 mm² sendo mantida;

4) Para os condutores de conexão entre as partes metálicas internas da instalação e as barras de equipotencialização, o termo ferro foi substituído por aço, com a seção transversal mínima de 16 mm² sendo mantida.

5) Para os condutores de interligação dos DPS classe III, a seção transversal mínima passou de 1,0 mm² para 2,5 mm² para uma melhor conexão com o DPS. Neste item, agora a norma admite a utilização dos condutores incorporados aos DPS classe III (figura 5), desde que sua seção nominal não seja inferior a 1 mm².

A seção 9 da nova edição da norma passou a tratar especificamente da manutenção, inspeção e documentação das MPS, sendo que antes estava incluído também o gerenciamento dessas medidas. Assim, o projeto inicial das MPS passa inteiramente para a análise de risco da PDA, objeto da parte 2 da norma.

Ainda em relação às inspeções, uma informação importante foi introduzida através do item 9.2.3.2, que alerta sobre o desgaste de alguns modelos de DPS (figura 6), que leva à sua inoperância, e isso deve ser observado na determinação da frequência de inspeções.

Para os profissionais que desejarem se aprofundar na proteção contra surtos, os itens A.2.3 e A.2.4 do anexo A da parte 4 da norma apresentam informações muito úteis sobre, respectivamente, a suportabilidade das entradas de sinal de equipamentos de tecnologia da informação (ETI) e a suportabilidade das entradas de energia dos equipamentos em geral, devendo ser estudada com muita atenção a Tabela A.1 da ABNT NBR 54194:2026 sobre a suportabilidade a impulso requerida dos componentes da instalação, base para especificação dos

Fig. 5 – DPS com condutores incorporados (Fonte: Embrastec)
Fig. 6 – DPS com sinalização visual de final de vida útil (Fonte: Embrastec)

DPS em função da sua classe e da tensão máxima de operação contínua (Uc).

Na parte 4 da nova edição, passam a existir no anexo B novos exemplos que facilitam a compreensão das MPS para equipamentos instalados na cobertura, conforme Figura B.6 dessa parte da norma, uma proteção sempre muito crítica devido às suas características.

Por último, agora no anexo C são fornecidos exemplos para equipamentos conectados a dois serviços diferentes (energia e sinal), conforme Figura C.2 do texto normativo, informações também valiosas para quem projeta medidas de proteção contra surtos.

Conclusão

A publicação da série ABNT NBR 5419:2026 consolida o alinhamento brasileiro com a série internacional IEC 62305, modernizando conceitos e reduzindo ambiguidades em pontos críticos como a análise de risco (R e F) e os novos mapas de densidade de descargas (NG). Dada a relevância dessas mudanças, é imprescindível que os profissionais busquem atualização imediata, garantindo que os novos projetos assegurem a proteção efetiva de vidas e estruturas conforme os novos parâmetros vigentes.

O novo texto é fruto do consenso técnico alcançado durante o processo de revisão conduzido pela comissão de estudos CE 003:064.010 do Cobei. É válido ressaltar que a elaboração desses requisitos contou com a participação ativa de uma ampla gama de especialistas, incluindo projetistas, consultores, professores e profissionais da indústria, grupo do qual os próprios autores deste artigo fazem parte. Essa diversidade de perspectivas garantiu que o texto normativo incorporasse contribuições técnicas robustas e estivesse adaptado à realidade técnica e de mercado do País.

REFERÊNCIAS

[1] ABNT: NBR5419-1 Proteção contra descargas atmosféricas - Parte 1: Princípios gerais, 2026.

[2] ABNT: NBR5419-2 Proteção contra descargas atmosféricas - Parte 2: Análise de risco, 2026.

[3] ABNT: NBR5419-3 Proteção contra descargas atmosféricas - Parte 3: Danos físicos a estruturas e perigos à vida, 2026.

[4] ABNT: NBR5419-4 Proteção contra descargas atmosféricas - Parte 4: Sistemas elétricos e eletrônicos internos na estrutura, 2026.

[5] AMN: AMN ISO/IEC GUIA59: Código de boas práticas para normalização, 2011.

[6] IEC: IEC62305-1 Protection against lightning - Part 1: General principles, 2024.

[7] IEC: IEC62305-2 Protection against lightning - Part 2: Risk management, 2024.

[8] IEC: IEC62305-3 Protection against lightning - Part 3: Physical damage to structures and life hazard, 2024.

[9] IEC: IEC62305-4: Protection against lightning - Part 4: Electrical and electronic systems within structures, 2024.

[10] ABNT: NBR16785 Proteção contra descargas atmosféricas - Sistemas de alerta de tempestades elétricas, 2019.

[11] Almeida, G. L. S.; Alves, N.; Dantas, J. M. B.: Polêmica dos captores ESEs na proteção contra descargas atmosféricas Eletricidade Moderna n. 576, p. 36–39, mar. 2024.

[12] Konescki, A.; Alves, N.; Santos, S.: Os perigos causados pela utilização de sistemas não convencionais de proteção contra descargas atmosféricas. 1a ed, 2018. Disponível em: https:// www.abraraio.com.br/

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Entre a técnica e a realidade: como estruturar decisões em engenharia

“O mundo real é feito de restrições. Saber equilibrá-las, definir prioridades e identificar o que de fato é viável diferencia um projeto medíocre de um projeto excelente”

Na coluna anterior, critiquei a defesa da tecnologia de ponta como solução universal. A partir disso, analisei minha carreira e a de profissionais mais experientes. O resultado apresento aqui.

Técnica x Negócios

Engenheiros formados até a década de 1980 — entre os quais se encontram muitos dos meus mentores — têm, em sua maioria, perfil técnico. Mantêm uma visão holística das instalações, mas raramente incorporam análise de negócio, seja do cliente, seja do próprio serviço. Parte ainda defende a separação entre engenharia e mercado — posição compreensível no contexto em que se formaram, mas pouco aderente ao cenário atual. Um grupo menor já integra variáveis regulatórias e econômicas à tomada de decisão.

A maior dificuldade de ter uma visão holística é que ela exige repertório, bom senso e a compreensão de que a realidade não é linear, nem determinística, no sentido newtoniano.

Após essa análise, observa-se que a forma como engenheiros mais experientes estruturam a resolução de problemas segue, ainda que de modo não formalizado, uma lógica recorrente, que pode ser organizada em cinco etapas — Diagnóstico, Enquadramento, Concepção, Implementação e Segurança —, cujas iniciais formam o acrônimo DECIS, denominação que proponho para esse método.

Não se trata de um processo rígido, mas de uma estrutura de raciocínio que organiza a tomada de decisão técnica, preservando a

coerência entre problema, restrições, escolhas e resultado.

A seguir, essas etapas são exploradas.

Diagnóstico

É a etapa que define o problema real a ser resolvido.

Em engenharia, a entrada do cliente — seja uma solução proposta, um sintoma ou uma necessidade — não deve ser tratada como verdade técnica, mas como hipótese.

Cabe ao engenheiro converter essa entrada em um problema validado, distinguindo causa de sintoma e viabilizando a tomada de decisão.

Esse raciocínio se aplica a diferentes contextos: em projetos novos, o diagnóstico valida a necessidade; em sistemas com falha, identifica a causa raiz; em casos de baixa performance, quantifica o desvio; e, em adequações normativas, separa o que é crítico do que é apenas recomendável.

Mesmo quando a solução já vem definida pelo cliente, o diagnóstico permanece essencial para avaliar sua coerência, identificar riscos e registrar eventuais ressalvas.

Neste caso, aplica-se a visão holística de negócios, pois, muitas vezes, não cabe ao proponente alterar a demanda apresentada, mas sim distinguir se o cliente quer a solução A ou espera que seja ofertada uma solução para um problema específico.

Não é incomum, por exemplo, o cliente especificar uma subestação de 300 kVA e, poucos meses depois, o transformador operar em sobrecarga, e responsabilizar o projetista.

Esse tipo de situação, em geral, decorre da supressão da etapa de diagnóstico.

Enquadramento

É a etapa que define os limites da solução. Se o Diagnóstico responde “o que precisa ser resolvido”, o Enquadramento define as condições da resolução.

Na prática, significa posicionar o problema dentro de um conjunto de restrições reais (normativas, técnicas, operacionais, econômicas e de prazo), as quais atuam como condições de contorno, e não como detalhes a serem tratados posteriormente.

Um bom enquadramento evita que soluções tecnicamente corretas sejam inviáveis na prática. É nessa fase que são identificadas exigências obrigatórias, limitações do sistema existente e critérios de aceitação. Quando falha, o problema tende a emergir mais à frente — na aprovação, na execução ou na operação — sob a forma de retrabalho, custos adicionais ou atrasos.

Um exemplo atual é a instalação de SAVEs em edifícios existentes. Há restrições no PPCI (Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndio) que inviabilizam a solução em determinados prédios (em garagens fechadas ou subsolos sem sprinklers, por exemplo). Elas variam de estado a estado, a depender das normas do Corpo de Bombeiros da região.

Outro exemplo atual é o uso de sistemas de energia solar grid zero visando evitar a instalação de proteções específicas.

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para o crescimento da sua

empresa

Estruturas etálicas

FEITOS PARA PROTEGER VIDAS

EM Profissionais

O erro recorrente é tratar o enquadramento como um aspecto implícito ou secundário, e avançar para a concepção sem compreender completamente as regras do ambiente.

Concepção

É a etapa em que se define como o problema será resolvido, a partir do diagnóstico validado e dentro dos limites estabelecidos no enquadramento. Não se trata apenas de escolher uma solução, mas estruturar uma arquitetura técnica coerente e funcional no contexto real.

É nesse ponto que o engenheiro transforma análise em proposta: define arranjos, seleciona tecnologias, estabelece lógicas de funcionamento e, sempre que possível, avalia alternativas. A qualidade da concepção está diretamente ligada à capacidade de resolver a causa do problema e não apenas seus efeitos, respeitando simultaneamente as restrições normativas, operacionais e econômicas.

O mundo real é feito de restrições. Saber equilibrá-las, definir prioridades e identificar o que de fato é viável diferencia um projeto medíocre de um projeto excelente.

Um aspecto central dessa etapa é a definição dos critérios de compromisso adotados.

Toda solução envolve escolhas: custo vs. robustez, simplicidade vs. flexibilidade, desempenho vs. prazo. Tornar essas decisões explícitas é parte do trabalho técnico, sobretudo quando há mais de um caminho viável.

O erro mais comum é partir para uma solução única, muitas vezes baseada em hábito ou preferência, sem avaliar sua aderência ao contexto nem considerar alternativas.

Implementação

Essa talvez seja a etapa mais difícil, pois envolve uma mudança cultural. A Implementação é a fase em que a solução concebida é materializada no sistema real. Seu objetivo não é apenas executar, mas garantir que

aquilo que foi definido na concepção seja efetivamente traduzido em campo sem perda de integridade técnica.

Na prática, essa etapa envolve detalhamento executivo, seleção de materiais e equipamentos, montagem, parametrização e testes. Mais do que seguir um projeto, trata-se de assegurar fidelidade entre o que foi projetado e o que foi implantado, considerando as condições reais de execução.

O problema é que a execução ocorre em ambiente não ideal, sujeito a limitações físicas, interferências, disponibilidade de recursos e decisões em campo. Como consequência, modificações podem ser necessárias.

O risco está em permitir que essas mudanças afastem a solução da concepção original sem o devido controle técnico.

Em muitos casos, esses ajustes são necessários justamente por falhas nas etapas anteriores.

Por exemplo, em usinas solares, é comum definir o layout e adquirir as estruturas de solo sem uma análise da topografia. Em terrenos com desníveis acentuados, um bom projeto deveria prever soluções específicas — seja na adaptação das estruturas metálicas, seja em intervenções de corte e aterro.

Na prática, decisões acabam sendo tomadas em campo para reduzir custos, refletindo uma falha anterior na identificação e mitigação desses riscos ainda na etapa de diagnóstico.

Em consequência, em um ou dois anos, o ativo começa a apresentar problemas, e o proprietário descobre que já não há garantia da estrutura, uma vez que ela não foi projetada para operar sob aqueles desníveis.

Segurança

É a etapa que valida se a solução implantada opera com risco controlado ao longo do tempo. Não se limita ao atendimento normativo, mas abrange a integridade técnica, a confiabilidade e o desempenho do sistema em condições reais de uso.

Após a implementação, é necessário verificar se o sistema responde adequadamente a falhas previsíveis, se os dispositivos de proteção atuam conforme esperado e se a operação é compatível com o perfil do usuário. Ensaios, comissionamento e critérios de aceitação deixam de ser formalidades e passam a atuar como instrumentos de validação técnica.

A segurança também envolve a capacidade de manutenção e monitoramento. Um sistema seguro não é apenas aquele que atende às normas no momento da entrega, mas aquele que se mantém estável, compreensível e operável ao longo do tempo, com falhas mitigadas e riscos conhecidos.

A engenharia não falha pela ausência de soluções, mas pela forma como as decisões são estruturadas.

O método DECIS é uma forma de organizar esse raciocínio. Mais do que um processo, trata-se de disciplina técnica aplicada à realidade.

Engenheiro eletricista da Sinergia Consultoria, com grande experiência em projetos de instalações elétricas MT e BT, entradas de energia e instalações fotovoltaicas, conselheiro da ABGDAssociação Brasileira de Geração Distribuída e diretor técnico do Sindistal RJ - Sindicato da Indústria de Instalações Elétricas, Gás, Hidráulicas e Sanitárias do Rio de Janeiro, Vinícius Ayrão apresenta e discute nesta coluna aspectos ligados à atualização dos profissionais de eletricidade em relação às novas tecnologias e tendências do mercado. Os leitores podem apresentar dúvidas e sugestões pelo e-mail: em_profissisonais@arandaeditora.com.br, mencionando em “assunto” “EM Profissionais”.

EM Aterramento

A complementaridade das normas técnicas

A recente publicação da edição de 2026 da norma técnica ABNT NBR 5419 – Proteção contra descargas atmosféricas exige reflexão sobre a abrangência desse documento e a crescente necessidade de os profissionais da área elétrica conhecerem, com diferentes níveis de profundidade, as outras normas que devem ser aplicadas em conjunto com ela.

Os DPSs nas normas de instalação

Especificamente em relação à proteção dos sistemas elétricos e eletrônicos internos à estrutura, tema da parte 4 da norma, é necessário que ela seja projetada levando-se em consideração a norma ABNT NBR 5410 –Instalações elétricas de baixa tensão, que no momento encontra-se em revisão, sendo a edição em vigor de 2004, corrigida em 2008. Nessa norma, as Medidas de Proteção contra Surtos (MPS), e especificamente os Dispositivos de Proteção contra Surtos (DPS), são tratadas sobre um duplo ponto de vista: como algo indispensável para proteger uma instalação elétrica de baixa tensão, e também como um elemento que deve se harmonizar com diferentes aspectos dessa mesma instalação.

Por isso, pode-se dizer que um DPS deve ser especificado inicialmente pela parte 2 da norma ABNT NBR 5419:2026, que trata da análise de risco e vai indicar a necessidade ou não de um DPS; depois, caso ele seja necessário, deve ser determinado qual o seu posicionamento na estrutura, correspondendo à sua classe ou tipo; e em seguida, segundo a parte 4 da mesma norma, determina-se a intensidade da corrente de surto que ele deve conduzir quando atuar.

Após essa etapa, resumida acima, o projetista deverá seguir as orientações da norma ABNT NBR 5410:2004/2008, para que

a especificação do DPS seja complementada com a sua tensão máxima de operação contínua (Uc), dispositivo de proteção contra sobrecorrentes a montante e medidas para evitar a sobretensão temporária (TOV).

O importante aqui não é apresentar detalhadamente todos os aspectos técnicos da especificação, mas enfatizar que o conhecimento de apenas uma norma, por mais profundo que seja, não será suficiente para que se especifique corretamente um DPS.

Ainda, devido ao dinamismo do avanço tecnológico, comparado ao prazo necessário para atualização de uma norma técnica, é necessária a publicação de normas específicas sobre determinados temas, como, por exemplo:

– ABNT NBR 16690:2019 – Instalações elétricas de arranjos fotovoltaicos — Requisitos de projeto;

– ABNT NBR 17019:2022 – Instalações elétricas de baixa tensão — Requisitos para instalações em locais especiais - Alimentação de veículos elétricos;

– IEC TR 63227:2020 – Lightning and surge voltage protection for photovoltaic (PV) power supply systems

Todas essas normas apresentam orientações para a proteção contra surtos dos sistemas dos quais elas tratam, devendo ser consultadas em conjunto com (e não substituindo) as normas ABNT NBR 5410 e ABNT NBR 5419.

A norma de produto para os DPSs

Todas as normas já citadas são de instalação, sendo que a parte 4 da ABNT NBR 5419:2026 não tem como ponto central os DPS, mas sim os conceitos de Zonas de Proteção contra Raios (ZPR) e equipotenciali-

zação, consistindo o DPS em uma forma de equipotencializar condutores normalmente energizados. A norma específica para os DPSs, isto é, a sua norma de produto, é a série ABNT NBR IEC 61643 – Dispositivos de proteção contra surtos de baixa tensão, ou, para as partes ainda não traduzidas, a IEC 61643 - Low voltage surge protective devices

As normas da série ABNT NBR IEC 61643 aplicam-se aos dispositivos de proteção contra os efeitos diretos e indiretos das descargas atmosféricas ou sobretensões transitórias. Estes dispositivos são projetados para conexão aos circuitos de corrente alternada, corrente contínua e sinais analógicos ou digitais. A série define as características de desempenho, métodos normalizados de ensaio e valores nominais aplicáveis. Ao contrário do que acontece com as normas de instalação, nas comissões responsáveis pelas normas de produto participam majoritária ou exclusivamente os seus fabricantes.

Atualmente encontram-se já traduzidas e disponíveis as seguintes normas:

– ABNT NBR IEC 61643-11:2021 Versão Corrigida:2022 – Dispositivos de proteção contra surtos de baixa tensão - Parte 11: Dispositivos de proteção contra surtos conectados aos sistemas de baixa tensão — Requisitos e métodos de ensaio; – ABNT NBR IEC 61643-31:2022 – Dispositivos de proteção contra surtos de baixa tensão - Parte 31: DPS para utilização específica em corrente contínua

DPSs para o lado de corrente contínua de sistemas fotovoltaicos ― tema em evidência e que precisava de normatização em 2022
Cortesia

—Requisitos e métodos de ensaio para os dispositivos de proteção contra surtos para instalações fotovoltaicas; e

– ABNT NBR IEC 61643-32:2022 – Dispositivos de proteção contra surtos de baixa tensão - Parte 32: DPS conectado no lado corrente contínua das instalações fotovoltaicas — Princípios de seleção e aplicação

Neste momento a comissão responsável pela tradução das normas da série 61643 está traduzindo simultaneamente os seguintes documentos:

– IEC 61643-01:2024 – Low-voltage surge protective devices - Part 01: General requirements and test methods; e

– IEC 61643-12:2020 – Low voltage surge protective devices - Part 12: Surge protective devices connected to low-voltage power systems - Selection and application principles.

Entender a sequência de publicação dessas normas nos ajuda a compreender os objetivos dos fabricantes de DPSs que trabalham na sua comissão. A parte 11 da norma foi publicada, inicialmente, como ABNT NBR IEC 61643-1, logo em seguida ao lançamento da ABNT NBR 5410 em 2004, que introduziu de fato os DPSs no Brasil. Naquela

oportunidade, almejou-se ter um primeiro documento orientando quanto aos requisitos básicos que um DPS deveria ter e a como ensaiá-los para uma futura certificação.

Depois, com a retomada mais recente dos trabalhos da comissão, a parte 1 foi revisada e, devido a questões internas da IEC, publicada como ABNT NBR IEC 61643-11. Após encerrados os trabalhos dessa primeira norma traduzida, a comissão ocupou-se de um tema em evidência e que necessitava ser normatizado: os DPSs para o lado de corrente contínua dos sistemas fotovoltaicos (DPS FV CC). Sendo assim, trabalhou-se nas partes 31, novamente sobre requisitos e métodos de ensaio, e 32, um guia de aplicação, a principal referência no Brasil para a especificação de DPSs FV CC.

Conclusão

Como fontes de informações, as normas técnicas se relacionam entre si e com outros do-

Chegou a hora de atualizar seu conhecimento!

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cumentos, como as Normas Regulamentadoras (NR) do Ministério do Trabalho e do Emprego. Devido a questões relacionadas à sua aplicação, um mesmo tema pode estar dividido em diferentes documentos, ou apresentar um aprofundamento através de normas específicas de instalação ou de produto. Neste caso cabe ao profissional da área elétrica saber quais normas utilizar, preferencialmente estudando o assunto através de artigos técnicos e livros, principalmente porque as normas não têm como objetivo ensinar algo, mas sim determinar como esse algo, do qual já devemos ter algum conhecimento, deve ser aplicado.

Engenheiro eletricista da Lambda Consultoria, consultor da Embrastec e mestre em energia pelo Instituto de Energia e Ambiente da USP, Sergio Roberto Santos apresenta e analisa nesta coluna aspectos de aterramento, proteção contra descargas atmosféricas e sobretensões transitórias, temas aos quais se dedica há mais de 20 anos. Os leitores podem apresentar dúvidas e sugestões ao especialista pelo e-mail: em_ aterramento@arandaeditora.com.br, mencionando “EM-Aterramento” no assunto.

João Cunha

Motores Diesel em Zona 2

Estellito Rangel Júnior

Para que uma máquina diesel possa operar com segurança em área classificada zona 2, é necessário um estudo completo de engenharia conforme regulamentações aplicáveis, como ATEX 2014/34/EU, e normas técnicas locais, como a Norsok Z-15 e a DNV 2.7-2, incluindo ensaios.

Alguns requisitos aplicáveis são descritos a seguir.

1. Requisitos mecânicos e térmicos

A fim de manter a temperatura de superfície do motor abaixo do ponto de autoignição dos gases previstos para a área classificada, destacam-se as seguintes soluções:

• Sistema de exaustão dos gases de combustão: deve incluir um trocador de calor, de modo que os gases sejam resfriados antes da liberação para a atmosfera.

• Corta-chamas: instalação obrigatória nos dutos de admissão e exaustão para impedir que uma partícula incandescente atue como fonte de ignição.

• Materiais anti-faiscantes: hélices de ventiladores do radiador e proteções de acoplamento, usualmente são confeccionadas com material não faiscante.

2. Requisitos para parada crítica

Para prover o desligamento automático do motor em cenários de risco, o projeto deve prever:

• Válvula de fechamento na admissão: essencial para evitar o disparo do motor no caso de ingestão de gases inflamáveis.

• Monitoramento de parâmetros: sensores devem monitorar e atuar no desligamento da máquina em

caso de: alta temperatura do líquido de arrefecimento (impedindo ultrapassar a faixa de segurança definida em projeto); alta temperatura dos gases de escape (>200°C, evitando prejudicar o isolamento térmico); e sobrevelocidade (promovendo o desligamento imediato, com fechamento da admissão de ar). Algumas aplicações podem exigir um controle variável de velocidade, estendendo-se a análise para considerações adicionais de segurança.

3. Requisitos para componentes elétricos

Todos os componentes elétricos devem ser certificados para Zona 2.

• Invólucros: Utilização de tipos de proteção adequados ao ambiente.

• Barreiras de segurança intrínseca: Se o painel de controle for instalado em área não-classificada, deverão ser utilizadas barreiras Zener ou isoladores galvânicos para todos os sensores em área classificada.

4. Requisitos normativos

No Brasil, as principais referências são:

• ABNT NBR IEC 60079-14: Instalações em atmosferas explosivas.

• ABNT NBR ISO 80079-36: Atmosferas explosivas - Parte 36: Equipamentos não elétricos para atmosferas explosivas - Métodos e requisitos básicos.

• ABNT NBR ISO 80079-37: Atmosferas explosivas - Parte 37: Equipamentos não elétricos para atmosferas explosivas - Tipos de

proteção não elétricos: segurança construtiva “c”, controle de ignição de fontes “b” e imersão em líquido “k”.

5. Certificações

Para um projeto de engenharia de um motor diesel em Zona 2, as certificações podem se estender aos componentes individuais e à montagem final.

No Brasil, o regime de certificação segue as diretrizes do Inmetro.

As certificações são divididas em três pilares principais:

1. Certificação dos componentes elétricos (Ex)

Todo componente elétrico (sensores, solenoides, alternadores, caixas de junção) deve possuir um Certificado de Conformidade emitido por um Organismo de Certificação de Produto (OCP) acreditado pelo Inmetro.

2. Avaliação de equipamentos nãoelétricos

A certificação compulsória do Inmetro, conforme a Portaria 115/2022 , foca em equipamentos elétricos e eletrônicos para atmosferas explosivas, porém é importante uma avaliação baseada nas normas NBR ISO 80079-36 e NBR ISO 80079-37.

3. Certificação de cabos e conexões

É necessário certificar prensa-cabos Ex para todos os invólucros

Ex e cabos, onde aplicável.

Atendendo aos requisitos descritos, o motor diesel poderá operar com segurança em Zona 2.

Estellito Rangel Júnior, engenheiro eletricista, primeiro representante brasileiro de Technical Committee 31 da IEC, apresenta e discute nesta coluna temas relativos a instalações elétricas em atmosferas potencialmente explosivas, incluindo normas brasileiras e internacionais, certificação de conformidade, novos produtos e análises de casos. Os leitores podem apresentar dúvidas e sugestões ao especialista pelo e-mail em@ arandaeditora.com.br, mencionando em “assunto” EM-Ex.

O apagão de talentos na era da energia digital

A digitalização do setor elétrico brasileiro não é mais uma promessa de futuro; é a realidade operacional do presente. Percorrendo os corredores da academia e dialogando com os principais players do mercado, percebo um paradoxo inquietante: vivemos um momento de abundância tecnológica e escassez humana. Como bem pontuado na coluna “EM Profissionais” desta revista recentemente, o “apagão de engenheiros” é real. No entanto, minha perspectiva como educador e pesquisador sugere que o buraco é mais fundo. Não nos faltam apenas engenheiros; faltam-nos “tradutores” da transição energética.

A lacuna de competências: do cobre ao código

A formação acadêmica tradicional em engenharia elétrica, historicamente focada na

um nó de dados em uma rede inteligente. A lacuna se forma exatamente aqui: as empresas buscam profissionais capazes de realizar análise de dados massiva (big data), compreender protocolos de cibersegurança crítica e gerenciar a intermitência de renováveis com sistemas de armazenamento (BESS). O engenheiro do futuro precisa ser híbrido: entender a robustez da rede elétrica e a agilidade da rede digital. Sem essa competência, a modernização das redes corre o risco de ser um “gigante de pés de barro” — tecnologia de ponta operada por mentalidades analógicas.

O desafio da requalificação: trocar o pneu com o carro andando

Se a formação de novos talentos é um desafio de longo prazo, a requalificação (reskilling) da força de trabalho atual é uma urgência

“Enquanto investimos bilhões em smart grids, quem irá operar a complexidade do novo setor elétrico?”

física do elétron — geração, transmissão e distribuição sob a ótica do hardware —, está sendo desafiada pela velocidade da Energy 4.0. O profissional que sai hoje dos bancos da universidade encontra um mercado que exige fluência em linguagens que vão muito além da Lei de Ohm.

Hoje, uma subestação não é apenas um conjunto de transformadores e disjuntores; é

de curto prazo. Temos no Brasil uma geração de engenheiros e técnicos de excelência, com profundo conhecimento da topologia da nossa rede, mas que muitas vezes se veem alijados das decisões estratégicas por não dominarem as ferramentas da automação avançada e da digitalização.

As empresas do setor elétrico não podem se dar ao luxo de descartar essa experiência. É

imperativo criar programas de lifelong learning (aprendizado contínuo) que permitam a esses profissionais seniores integrar as novas tecnologias ao seu repertório. A transição energética não deve ser uma ruptura geracional, mas uma evolução compartilhada.

A universidade e a empresa: derrubando muros

Como resolver essa equação? A resposta não virá isoladamente nem das salas de aula, nem dos escritórios corporativos. O modelo tradicional de estágio — onde o aluno entra na empresa apenas no final do curso para “aprender a trabalhar” — está obsoleto.

Precisamos de uma simbiose real. Modelos de parceria estratégica, como as iniciativas de formação dual vistas em colaborações entre grandes concessionárias, como a Enel, e instituições de ensino técnico e superior (como o Senai e universidades parceiras), apontam o caminho. Nesses modelos, o currículo é vivo, desenhado a quatro mãos. A empresa traz para a academia os problemas reais da rede digitalizada, e a universidade devolve soluções e, principalmente, capital humano adaptado a essa nova realidade.

O capital humano como ativo estratégico

Para os leitores da Eletricidade Moderna, gestores e técnicos que visitam os eventos da Aranda e buscam as últimas inovações em equipamentos, deixo uma provocação: a tecnologia mais sofisticada do mundo é inútil sem a inteligência humana para orquestrá-la.

O verdadeiro risco de “apagão” no setor elétrico brasileiro nos próximos anos não será por falta de geração ou de linhas de transmissão, mas por falta de cérebros preparados para lidar com a complexidade que nós mesmos criamos. Investir na formação do profissional do futuro não é “RH”; é estratégia de sobrevivência operacional e garantia de retorno sobre o investimento tecnológico.

Fernando Caneppele é professor da USP e especialista em Energia e Transição Energética.

No Brasil

Iluminação pública – Nos dias 9 e 10 de junho, acontecerá em Santo André, SP, a 2a edição do CPIIC - Congresso Paulista de Iluminação e Cidades do Futuro. O evento é dedicado à modernização da iluminação pública, segurança urbana e soluções para cidades inteligentes, unindo academia, gestores públicos e empresas para discutir tecnologias, políticas públicas, financiamento e boas práticas. Segundo a organização, os pilares do congresso se dividem em iluminação e cidades inteligentes, parcerias público-privadas e sustentabilidade. No site www.cpiic. com.br, é possível conferir a programação completa e efetuar inscrições.

Hidrogênio – A primeira edição brasileira do Hyvolution, evento dedicado ao hidrogênio e descarbonização, vai ser realizada nos dias 16 e 17 de junho, no Centro de Convenções do Distrito Anhembi, em São Paulo. A expectativa é receber cerca de 6 mil visitantes, mais de 800 congressistas e pelo menos 100 marcas expositoras. Entre o público-alvo estão executivos de empresas, especialistas, investidores e representantes do poder público. O objetivo é impulsionar empreendimentos e políticas sustentáveis voltadas à transição energética e reforçar a importância do tema em âmbito nacional e internacional. Mais informações em https://www.hyvolution.com. Energy Summit Global – Entre 23 e 25 de junho, na Marina da Glória, no Rio de Janeiro, acontece o Energy Summit Global. Esta edição marca a estreia da Energy Summit Expo, iniciativa que transforma o evento em uma plataforma organizada por distritos temáticos voltada à execução de projetos, conexões estratégicas e investimentos. Entre os destaques, estão o Pavilhão Cidades e Regiões, espaço dedicado a estados e municípios que apresentarão projetos prioritários e oportunidades de investimento, e o International Leaders Zone, que reunirá delegações estrangeiras, consulados e agências internacionais interessadas em cooperação tecnológica e atração de capital. Incrições: www.sympla.com. br/evento/energy-summit-2026/3008148

REDs – O SenRed – Seminário Nacional de Recursos Energéticos Distribuídos, idealizado pelo Comitê de Estudos Sistemas Ativos de Distribuição e Recursos Energéticos Distribuídos – Cigre-Brasil CE-C6, será realizado em 25 e 26 de junho, no Auditório da Administração do Centro Politécnico da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, PR. O evento discutirá desafios técnicos, regulatórios e de mercado

relacionados aos recursos energéticos distribuídos (REDs), incluindo geração distribuída, armazenamento, microrredes, veículos elétricos e a interface TSO-DSO. Mais informações em https://senred. cigre.org.br.

The smarter E – O The smarter E South America 2026 acontecerá de 25 a 27 de agosto no Expo Center Norte, em São Paulo, congregando os eventos: Intersolar South America - A maior feira & congresso para o setor solar da América do Sul; ees South America - Feira de baterias e sistemas de armazenamento de energia; Eletrotec+EM-Power South America - Feira de infraestrutura elétrica e gestão de energia; e Power to Drive South America - Feira de produtos e serviços para eletromobilidade. Organização de Solar Promotion International GmbH, Freiburg Management and Marketing International e Aranda Eventos & Congressos. Informações: www.thesmartere.com.br.

CURSOS

Operação no setor elétrico – A CCEE - Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, por meio da CCEE Academy, está com inscrições abertas para cursos especializados na operação do setor elétrico. Entre os destaques, estão treinamentos que abordam as principais operações e regras da CCEE para consumidores que atuam como agentes, incluindo detalhes da apuração do Mercado de Curto Prazo (MCP), penalidades por insuficiência de lastro e cálculo do desconto na TUSD/TUST. Há também um curso voltado a operações de comercialização varejistas. Confira a programação completa dos cursos no link https://www.ccee.org.br/web/guest/ cursos-especializados.

Especialização em energia – O Cepel - Centro de Pesquisas de Energia Elétrica oferece, regularmente, capacitação técnica em programas computacionais e atividades de pesquisa desenvolvidas em diferentes áreas, como operação do sistema elétrico, automação de sistemas, otimização energética e meio ambiente, redes elétricas, gestão de ativos e energias renováveis. Os cursos são ministrados em diferentes formatos, incluindo aulas online, ao vivo, conteúdos digitais e treinamentos presenciais com prática em laboratório de alta tensão, únicos no setor. Informações sobre os cursos disponíveis em https://www. cepel.br/treinamentos/#secao Hidrogênio e Energias renováveis – A AHK Brasil - Rio de Janeiro, em parceria com o Gesel/UFRJ,

promove o curso Hidrogênio e Transição Energética, abordando temas técnicos, regulatórios, econômico-financeiros e ambientais. Direcionado a interessados e entusiastas na transição energética por meio do hidrogênio, além de especialistas, empresários, tomadores de decisão, técnicos, tecnólogos e operadores, o curso é online, com encontros semanais ao vivo e videoaulas gravadas com especialistas. A entidade também oferece o curso de Gestão em Energias Renováveis (GENRE), com ênfase nas tecnologias solar, eólica, biomassa e outras. O conteúdo é desenvolvido a partir da expertise alemã e adaptado à realidade brasileira por especialistas da Coppe/ UFRJ. Mais informações sobre os cursos, respectivamente: https://brasilien-riodejaneiro.ahk.de/br/ formacao-profissional/cursos-sincronos-ao-vivo/ hidrogenio-e-transicao-energetica e https://brasilien.rio.ahk.de/pt/cursos/genre?utm_campaign=genre_0205&utm_medium=email&utm_source=RD+Station.

No exterior

Workshop Cired – A 10a edição do Cired Workshop será realizada nos dias 9 e 10 de junho, em Bruxelas, Bélgica. O evento, que terá como tema central “Implementando inovações bem-sucedidas em redes de distribuição”, deve reunir cerca de 500 especialistas da área, abordando três grandes eixos: novos métodos para planejamento de redes confiáveis, resilientes e sustentáveis; experiências práticas na implementação de inovações; e regulamentações e práticas para fomentar inovação e reduzir riscos. Uma exposição paralela complementa a programação. Mais informações: https:// 2026brussels.cired.net/ World Energy Congress – Considerado um dos maiores e mais importantes eventos globais voltados para o setor de energia, e organizado pelo World Energy Council (WEC), o congresso reúne líderes do setor de energia, governantes, acadêmicos e especialistas para discutir os maiores desafios e oportunidades no campo da energia mundial. A edição de 2026 será realizada em Riyadh, Arábia Saudita, de 26 a 29 de outubro. O evento atrai profissionais e líderes de empresas de energia, governos, organizações internacionais e a academia, proporcionando um ambiente de troca de conhecimento e networking. Informações em https://www. worldenergy.org.

Regulação de tensão

Entre as soluções de engenharia voltadas à modernização das redes elétricas, a TSEA destaca o TVC-Ultra, um controlador eletrônico de reguladores de tensão, desenvolvido para operar em ambientes complexos, com alta variabilidade de carga e geração e necessidade de integração com sistemas de supervisão e controle. O controlador tem capacidade de integrar a medição multiponto, monitorando a tensão no ponto de instalação e em ramificações do alimentador. A tecnologia também incorpora protocolos avançados e cibersegurança. A empresa também

fornece o regulador de tensão Verde, que utiliza óleo isolante vegetal em substituição ao óleo mineral, e o comutador rápido CR-20, que realiza transições de taps em 0,35 segundo, reduzindo a turbulência no óleo e tempo da tensão fora da faixa desejada, além do SIM-Volt, simulador de regulador de tensão desenvolvido para apoiar testes, ajustes, treinamentos de controladores, além de permitir a emulação do comportamento da rede. www.tseaenergia.com.br

Controle de motores e disjuntores

A Schneider Electric apresenta um conjunto de soluções

voltadas à Indústria 4.0, eletrificação e transição energética. Uma delas é o controle de motores industriais TeSys Deca Advanced. De acordo com a empresa, com tecnologia de bobina de banda larga (24V a 500V AC/ DC), o equipamento garante estabilidade energética enquanto reduz o consumo de energia e as emissões de CO₂, e entrega capacidade de curto-circuito de até 100 kA. Já os disjuntores de média tensão EvoPacT HVX contam com até 30 mil ciclos mecânicos e sensores integrados, viabilizando manutenção preditiva e operação contínua. Por sua vez, o GoPact MCCB foi projetado para prédios comerciais, pequenas e médias indústrias, lojas e condomínios. Possui design modular e operação estável em até 55°C.

Também fazem parte do portfólio o disjuntor MasterPacT, o sistema de gestão e proteção de motores TeSys Tera e o TransferPacT, que realiza a transferência automática de fonte. www.se.com/br

Baterias

As baterias desenvolvidas pela Getpower são voltadas a ambientes críticos, como sistemas UPS, telecom, data centers e aplicações industriais, e possuem tecnologia High Rate, além de altas taxas

de descarga. A linha GP XP compreende modelos VRLA de chumbo-ácido, e, de acordo com a empresa, apresentam alta resistência à corrosão e longa vida útil (de 3 a 5 anos a 25o C). Já a série GP PLX, que inclui baterias VRLA de chumbo puro, tem vida útil projetada acima de dez anos. www.getpower.com.br

Recarga de VEs

A ABB conta com uma linha de carregadores de 200 a 400 kW, moduláveis, que, de acordo com a empresa, permitem a expansão do bloco de potência e gestão inteligente. Os equipamentos são capazes de balancear a carga entre dois veículos, com o objetivo de reduzir custos de infraestrutura. Podem se

integrar a sistemas de gestão via protocolo OCPP. www.abb.com

Automação e gerenciamento de sistemas elétricos

A Elipse Software lançou recentemente a versão 6.9 de sua plataforma Elipse Power, voltada para automação e gerenciamento de sistemas elétricos. De acordo com a empresa, a atualização

traz melhorias no carregamento de Domínios com usuários Windows e redução no uso de memória de estruturas internas de alarmes. A empresa destaca ainda que a criação do cursor cacheado aliada à liberação de recursos e o melhor gerenciamento do timeout agregam maior velocidade nas consultas. Além disso, para facilitar a visualização de objetos, a plataforma permite marcar ‘preferidos’, em uma lista separada no Organizer. O Elipse Power 6.9 também conta com novos objetos para modelagem elétrica e melhorias nas visualizações esquemáticas, afirma a companhia. www.elipse.com.br/produto/elipsepower

Painéis elétricos

Os painéis elétricos PrismaSet, fornecidos pela Engerey, contam com certificação internacional IEC 61439 e sensores wireless acoplados. Segundo a empresa, oferecem monitoramento contínuo de status, detectando variações de temperatura, gases ou umidade em tempo real. Possuem ainda sistemas de proteção contra sobrecargas e possibilitam manutenção

preditiva. A empresa destaca que o equipamento proporciona redução de tempo de inatividade e maior eficiência energética. www.engerey.com.br

Consumo de

energia

no setor de água

A Danfoss publicou um relatório que destaca a crescente pegada energética do setor de água e a necessidade de ações para reduzir desperdícios e ineficiências ao longo de todo o ciclo hídrico. Segundo o estudo, o setor já responde por cerca de 4% do consumo global de eletricidade, grande parte utilizada de forma ineficiente, o que representa uma oportunidade relevante para reduzir custos operacionais e emissões. O documento também destaca a interdependência entre água e energia: até 2040, o consumo de energia do setor de água pode mais que dobrar, enquanto a demanda do próprio setor energético por água deve crescer

quase 60%. O relatório aponta ainda que a pressão sobre os recursos hídricos tende a aumentar com o avanço de atividades intensivas em água, como data centers e a indústria de semicondutores, além do crescimento global da demanda, que pode superar a oferta em 40% até 2030. A Danfoss ressalta que tecnologias já disponíveis podem contribuir para reduzir o consumo de água e energia, como a modernização de plantas de dessalinização, a adoção de conversores de frequência em estações de tratamento e o uso de sistemas de resfriamento líquido em data centers. O estudo conclui que políticas públicas, metas de eficiência e incentivos a investimentos serão essenciais para ampliar a adoção dessas soluções e fortalecer a segurança hídrica, energética e climática. www.danfoss.com

Emissões de termelétricas crescem

O IEMA - Instituto de Energia e Meio Ambiente publicou o 5o Inventário de Emissões Atmosféricas em Usinas Termelétricas, que analisa o desempenho ambiental de 67 usinas fósseis conectadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Segundo o estudo, essas plantas emitiram 23,2 milhões de toneladas de CO₂ equivalente em 2024, volume 29% superior ao registrado em 2023 e maior do que a

soma das emissões totais dos estados de Sergipe e Rio Grande do Norte. O aumento ocorreu em um contexto de maior acionamento das termelétricas para garantir potência e estabilidade operativa, diante dos desafios associados à integração da geração eólica e solar ao sistema elétrico. A geração termelétrica fóssil total passou de 64 TWh em 2023 para 74,4 TWh em 2024, enquanto a geração inventariada somou 39,5 TWh, com predominância do gás natural (75%), seguido pelo carvão mineral (23%). O estudo também aponta mudanças no perfil de geração: a Eneva ultrapassou a Petrobras e tornou-se, pela primeira vez, a maior geradora de eletricidade fóssil do SIN. De acordo com o inventário, 97% das emissões concentraram-se em 34 usinas, e apenas cinco empreendimentos responderam por mais de 40% da geração termelétrica analisada. A UTE Pampa Sul, no Rio Grande do Sul, foi a maior emissora individual do ano, com cerca de 2,5 milhões de tCO₂e. O levantamento indica ainda forte concentração territorial das emissões, com Rio de Janeiro, Maranhão, Amazonas, Santa Catarina e Rio Grande do Sul responsáveis por 88% da geração fóssil nacional, além de apontar limitações na disponibilidade e na padronização de dados públicos sobre emissões e desempenho ambiental das usinas, o que dificulta o monitoramento contínuo dos impactos do setor. www.energiaeambiente.org.br

Entre o potencial estrutural e a paralisia institucional

Não tenho esperanças no futuro do setor elétrico brasileiro. Há soluções para cada um de seus problemas, há possibilidades de sua remodelagem completa. Porém, não enxergo no meu horizonte quem, quando e por que executá-las. Eis 15 razões:

1. Os partidos políticos não oferecem em suas plataformas quaisquer respostas para essas relevantes necessidades brasileiras.

2. Os legisladores eleitos ignorantes não são uma biblioteca ambulante. Tampouco a maioria deles contrata assessores e consultores direcionados para que entendam as extremamente complexas questões e desafios setoriais.

3. Em resumo, predomina extenso desconhecimento de autoridades habilitadas para tratar dos problemas. Alguns, olhando a superfície, se metem a cozer novo retalho. Predominam interesses umbilicais.

6. Desafortunadamente o crime organizado interno, hoje em franca conexão com o internacional, expande seus tentáculos para dentro das instituições e para a economia formal, e acrescenta novos problemas à força dos lobbies já mencionados.

7. A grande maioria da população brasileira parece respirar ao largo disso tudo, restringindo-se, quando muito, a acompanhar três índices possíveis: a disponibilidade dos diversos insumos que utiliza (gás de cozinha, gasolina, diesel, energia elétrica); a qualidade do que compra (não tem ideia do que sejam e o que representam o DEC, FEC, harmônicas, fator de potência, tensão, monóxidos e dióxidos, enxofre, fluoretos, ácidos etílicos, nitrogenados, fulgor, octanagem...); e, por fim, o preço final do que consome, cuja construção e constituição ignoram (taxas, tributos, adimplência, perdas, roubos, eficiência e eficácia, con-

“Há soluções para os problemas do setor, mas falta quem, quando e por que executá-las”

Paulo Ludmer é jornalista, engenheiro, professor, consultor e autor de livros como Derriça Elétrica (ArtLiber, 2007), Sertão Elétrico (ArtLiber, 2010), Hemorragias Elétricas (ArtLiber, 2015) e Tosquias Elétricas (ArtLiber, 2020). Website: www.pauloludmer.com.br.

4. Os itens que balizam a energia, entre nós, recebem, portanto, comandos legais esparsos, não consideram o todo nem todas as partes. Não abrangem a sociologia, a economia e a política. Nem os costumes, o ambiente, os maiores interesses da sociedade.

5. As equipes dos governantes executivos em cargos eletivos, bem como os legisladores, são capturadas por lobbies, tópicos paroquiais, regionais e diversas ordens. Carecemos de estadistas com domínio de cada fragmento, conhecimento e sensibilidade democrática. Falta res publica (fidelidade à coisa pública). Então ativam dispositivos que complicam ainda mais a realidade da energia.

servação, ESG, meio ambiente, transição energética, descarbonização...).

8. Há uma ampla indiferença ao fato de que, quando falta energia, o consumidor paga por ela da mesma forma que paga pela sobra.

9. A mesma indiferença graça sobre o fato de que, aconteça o que acontecer, os empreendedores da cadeia do setor energético têm sua sobrevivência garantida, ou seja, repartem os ganhos e socializam os prejuízos. Esta é uma herança do século passado no qual o setor, em implantação, era majoritariamente estatal.

10. Não há qualquer sinal de reversão dessa tragédia estrutural pela melhoria

da qualidade do voto do eleitor, nem da qualidade dos candidatos elegíveis, nem dos partidos políticos, nem do corporativismo e nem da prepotência do Poder Judiciário ou do Executivo.

11. O populismo em vigor conjugado com esse jogo de erros implicará a médio prazo na elevação de impostos e dos preços finais.

12. Continuaremos, por exemplo, a andar sobre pneus (dominados pelo lobby automotivo desde os anos 50 do século passado) e insuficientemente sobre águas e trilhos.

13. A exploração das reservas brasileiras (insolação, ventos, águas, minérios, biomassa, maremotricidade) pode trazer entusiasmo, mas não garante prosperidade. Falta segurança jurídica, arcabouço legal, comandos harmonizados — enfim governança. Mais frustra do que resulta.

14. Os voos de galinha episódicos – como a Revisão do Setor Elétrico, executada pelo saudoso Lindolfo Ernesto Paixão, da Cesp, nos anos 80 – trazem alguma benesse momentânea e pouca transformação estrutural. Vide também a Reforma da Previdência pulverizada no Brasil em menos de uma década. E o provável destino da Reforma Tibutária. 15. O drama produz efeitos diretos e imediatos e benefícios concentrados, conforme aprendo com Fabio José Missio, professor de Economia da Universidade Federal de Minas Gerais, em recente publicação no jornal o Valor.

Considerando as 15 menções nesta coluna, as excepcionais vantagens brasileiras desta conjuntura prometem não ser bastante aproveitadas. Estamos fisicamente longe das guerras; temos abundantemente os energéticos que o mundo sonharia possuir (especialmente os renováveis); contamos com cerca de 13% da água doce do globo; oferecemos mais de 300 milhões de toneladas de grãos ao mundo a cada ano, o maior gado bovino, além do suíno e avícola, cana de açúcar e carvão vegetal; dispomos de um mercado interno de mais de 200 milhões de habitantes o que facilita investir em inovação...

Nota do colunista: O otimismo místico para o setor elétrico do Brasil vem do judaísmo que está em Pessach (Páscoa, passagem, travessia). Livrar-se da escravidão no Egito hoje significa livrar-se dos grilhões internos e externos. A missão é ir em frente. O mar Morto se biparte para a fé e a confiança, mesmo que a onda ameaçadora bata no nariz.

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