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Revista Kéramica nº399 Novembro/Dezembro 2025

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KÉRAMICA revista da indústria cerâmica portuguesa

INDÚSTRIA RUMO À NEUTRALIDADE CARBÓNICA:

Publicação Bimestral €8.00

nº399

Edição Novembro/Dezembro . 2025

OS ROTEIROS QUE ESTÃO A MOLDAR O FUTURO


anos years

Confiança a Construir o Futuro

anos years Acreditada pelo IPAC como organismo de certificação de produtos (incluindo Regulamento dos Produtos de Construção), serviços e sistemas de gestão

R. José Afonso, 9 E – 2810-237 Almada – Portugal — Tel. 351.212 586 940 – E-mail: mail@certif.pt – www.certif.pt


Editorial

Com o ano de 2025 no seu final, é um bom momento para balanço das ocorrências no nosso país e no que o mundo nos trouxe, e que não foi pouco em termos de consequências. Por cá, tivemos eleições e a recondução do PSD no Governo mas, com grandes mudanças no equilíbrio das restantes forças partidárias. As políticas económicas mantiveram o rumo que já traziam e, o país foi crescendo embora se possa dizer que, esse crescimento não é visto por todos com o otimismo desejável. Uma coisa é verdade. Esse crescimento e o crescimento futuro, ou se fazem com aumento de produtividade e eficiência dos processos ou, será difícil de sustentar. No caso dos nossos setores, o desafio é ainda mais complexo, com o imperativo da transição energética/descarbonização a agravarem custos de produção, por falta de soluções disponíveis, em quantidade e preço, ao nível de combustíveis alternativos. Para complicar mais o cenário, a redução de licenças de CO2 estar a transformar-se num custo adicional. O PRR tem estado a auxiliar o trabalho de busca de soluções ao nível energético, tendo o Roteiro de descarbonização permitido validar várias alternativas, sejam através de “Retrofit” de fornos, seja de fornos com tecnologia para combustíveis alternativos. E no leque de combustíveis incluem-se o Biometano (diretamente compatível os sistemas de Gás Natural), a energia elétrica, e o Hidrogénio (para já o mais distante de se tornar realidade). Neste campo o Roteiro ECP foi prolongado até 30 de junho de 2026, por forma a permitir ampliar as possibilidades neste campo.

Novembro . Dezembro . 2025

Se nos reportarmos ao panorama internacional, o grande acontecimento foi a eleição de Donald Trump nos EUA. À parte deste facto, a guerra na Ucrânia continua a impactar o cenário global, e a guerra Israel-Hamas, embora mais localizada em termos de impacto, continua a influenciar a forma como se desenvolvem muitos aspetos da política internacional. Mas naturalmente que existem mais situações por esse mundo fora, esperemos que com menores impactos. Mas, foi dos EUA que vieram uma grande parte das dificuldades, em particular com a implementação de tarifas de forma pouco compreensível a praticamente todos os países do mundo. A Cerâmica de Portugal teve um impacto da ordem de 8%, que é bastante significativo. Mas talvez o maior obstáculo tenha sido o vai e vem de tomadas de decisão do Governo Americano, que criaram instabilidade e incerteza no futuro. Clientes que deixaram de ter claro se era bom ou mau momento para comprar e mercado com poder de compra a ser afetado de forma indeterminada mas, possivelmente em baixa, podendo levar a redução de compras no futuro. A constatação, no entanto, é que nos primeiros 11 meses, as nossas exportações superam as do período homólogo de 2024, embora por apenas 0,1%. No âmbito do comércio internacional de referir que, o trabalho desenvolvido pela Ceramie Unie, Federação Europeia da Indústria Cerâmica, na defesa do setor da Cerâmica Utilitária permite, na União Europeia, a extensão da aplicação por mais 5 anos de taxas anti-dumping à entrada de produtos de origem na China (1º exportador mundial com uma quota superior a 20%, sendo Portugal o maior fabricante Europeu e 2º exportador mundial com uma quota na ordem dos 10%). Paralelamente está em curso a revisão das taxas existentes, que podem vir a duplicar em caso de aprovação pela EU. Também neste âmbito, já existem taxas anti-dumping para os pavimentos e revestimentos, estando a ser estudada a possibilidade de ser efetuado o pedido de aplicação de taxas para a Louça Sanitária. Nem tudo são notícias negativas e, na entrada de 2026, perspetiva-se uma continuidade dos cenários a que temos assistido. A crer no Orçamento de Estado de Portugal, a continuidade de crescimento e estabilidade interna deverá ser o que podemos esperar. Internacionalmente será mais difícil de prever para as zonas em conflito e cenário de guerra, o impacto provocado globalmente pelo seu desenvolvimento e possível mas indesejável escalada. Esperemos que quando esta edição sair, possamos estar a respirar de alívio quanto a estas situações. Um bom e próspero ano 2026 aos nossos leitores.

Jorge Vieira (Presidente da Direção da APICER)

Editorial . Kéramica . p.1


Index

Editorial . 01

Entrevista . 18 A visão estratégica para a indústria: uma conversa com Jorge Cristino

Destaque . 03 03 Da Tradição à Transição Verde: como o CeramicLowCO2 Redesenha o Futuro da Cerâmica 06 Competitividade da Indústria Cerâmica Portuguesa na Descarbonização 08 RODIV2050 - Roteiro para a Descarbonização do Vidro de Embalagem e Cristalaria em Portugal 12 Descarbonizar com Pragmatismo Económico

Outros Roteiros . 21 21 ROAD TO 2050: O setor da Pedra Natural em Portugal na rota da descarbonização 24 Roteiro de Descarbonização do Metal Portugal

Secção Jurídica . 27 Anteprojeto da reforma laboral - Repensar o contrato de trabalho na era da flexibilidade

Descarbonização . 14 14 Mais do que Recuperação: O PRR como Motor de Transformação Estrutural e Descarbonização rumo a 2050 16 A ApC no contexto da transição industrial e das estratégias de descarbonização

Propriedade e Edição APICER - Associação Portuguesa das Indústrias de Cerâmica e de Cristalaria NIF: 503904023 Direção, Administração, Redação, Publicidade e Edição Rua Coronel Veiga Simão, Edifício Lufapo Hub A - nº 40, 1º Piso 3025-307 Coimbra [t] +351 239 497 600 [f] +351 239 497 601 [e-mail] info@apicer.pt [internet] www.apicer.pt Tiragem 500 exemplares Diretor Jorge Costa de Jesus Vieira Editor e Coordenação Albertina Sequeira [e-mail] keramica@apicer.pt Conselho Editorial Albertina Sequeira, António Oliveira, Cristiana Costa Claro, Martim Chichorro, Nelson Martins e Teresa Ribeiro Bento Capa Nuno Ruano

Notícias & Informações . 29 Novidades das Empresas Cerâmicas Portuguesas

Calendário de Eventos . 32

Colaboradores Albertina Sequeira, Andreia Tiago, Carla Gonçalves, Filipa Pereira Silva, Filomena Girão, Inês Rondão, Isabel Antunes, João Machado Fernandes, Marisa Almeida, Pedro Dominguinhos, Rui Ferreira, Sandra Carvalho, Victor Francisco Paginação Nuno Ruano Impressão Gráfica Almondina - Progresso e Vida; Empresa Tipográfica e Jornalística, Lda Rua da Gráfica Almondina, Zona Industrial de Torres Novas, Apartado 29 2350-909 Torres Novas [t] 249 830 130 [f] 249 830 139 [email] geral@grafica-almondina.com [internet] www.grafica-almondina.com Distribuição Gratuita aos associados e assinatura anual (6 números); Portugal €43,00 (IVA incluído); União Europeia €60,00; Resto da Europa €75,00; Fora da Europa €90,00 Versão On-line https://issuu.com/apicer-ceramicsportugal Notas Proibida a reprodução total ou parcial de textos sem citar a fonte. Os artigos assinados veiculam as posições dos seus autores. Esta edição vem acompanhada da Revista Técnica 2025 #32 Dezembro. Janeiro | Bimensal, do Dossier Especial Expresso e o Roteiro para a Neutralidade Carbónica da Indústria Cerâmica até 2050.

Índice de Anunciantes CERAMITEC (Página 31) • CERTIF (Verso Capa) • GOLDENERGY (Verso Contra-Capa) • INDUZIR (Contra Capa) Conteúdos conforme o novo acordo ortográfico, salvo se os autores/colaboradores não o autorizarem

Publicação Bimestral nº 399 . Ano XLX . Novembro . Dezembro . 2025

Depósito legal nº 21079/88 . Publicação Periódica inscrita na ERC [Entidade Reguladora para a Comunicação Social] com o nº 122304 ISSN 0871 - 780X Estatuto Editorial disponível em http://www.apicer.pt/apicer/keramica.php

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Destaque

CERAMICLOWCO2 DA TRADIÇÃO À TRANSIÇÃO VERDE: COMO O CERAMICLOWCO2 REDESENHA O FUTURO DA CERÂMICA por Inês Rondão, Marisa Almeida, Isabel Antunes, Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro (CTCV )

Figura 1 • Projeto CeramicLowCO2, procura orientar a cerâmica portuguesa na transição para um modelo de produção mais sustentável.

O projeto CeramicLowCO2 Aplicado a um setor industrial energicamente intensivo, o projeto CeramicLowCO2 – Roteiro para a Neutralidade Carbónica da Indústria Cerâmica até 2050 constitui uma iniciativa estratégica relevante para orientar a cerâmica portuguesa na transição para um modelo de produção mais sustentável. Perante a crescente urgência climática e o reforço das exigências europeias de descarbonização e crescente pressão regulatória (com destaque para o CELE – comércio Europeu de Licenças de Emissão), tornou-se essencial definir uma visão estruturada, linhas de ação claras e tecnicamente robustas. O roteiro estabelece, assim, caminhos que permitem ao setor reduzir progressivamente as suas emissões, apoiando uma evolução sólida rumo à transição verde que redefinirá o futuro da cerâmica. Desenvolvido pelo Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro (CTCV) em colaboração com a Associação Portuguesa da Indústria Cerâmica (APICER), o projeto reuniu empresas, especialistas e diversas entidades relevantes para construir uma visão partilhada sobre o futuro do setor. Através deste processo colaborativo, o CeramicLowCO2 procurou identificar tecnologias emergentes, boas práticas

Roteiro para a Neutralidade Carbónica da Indústria Cerâmica até 2050

e estratégias que assegurem uma transição gradual, mas eficaz, rumo a uma indústria mais limpa. O resultado é um roteiro estruturado, assente em evidências técnicas e científicas, que não só orienta o processo de descarbonização, como também reforça a competitividade e a sustentabilidade a longo prazo da cerâmica portuguesa. Ao longo dos dois anos de execução do projeto, foi implementado um plano de comunicação abrangente, que integrou workshops, bootcamps, um curso especializado, a criação de um observatório dedicado à monitorização tecnológica e até um concurso de ideias destinado a jovens universitários e investigadores, incentivando a inovação na área da descarbonização. O Roteiro para a Neutralidade Carbónica da Indústria Cerâmica até 2050 foi oficialmente apresentado a 29 de maio de 2025, durante o evento de encerramento do projeto CeramicLowCO2, realizado em Mortágua. A iniciativa reuniu mais de 120 participantes e 28 intervenientes, criando um espaço de discussão alargado sobre os desafios que o setor enfrenta e as oportunidades que emergem no caminho para a neutralidade carbónica (consultar mais informação em ceramiclowco2.ctcv.pt/). Redesenhar o futuro da cerâmica O Roteiro para a Neutralidade Carbónica da Indústria Cerâmica até 2050 reúne um conjunto de princípios e orientações estratégicas que definem o caminho a seguir pelo setor para reduzir de forma consistente as suas emissões. Entre as medidas estruturantes, o documento

Sumário executivo

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Destaque CeramicLowCO2

Figura 2 • Principais vetores de descarbonização da indústria cerâmica.

destaca a necessidade de modernizar processos produtivos, reforçando a eficiência energética e promovendo a adoção de tecnologias mais limpas. Sublinha igualmente a importância da substituição gradual dos combustíveis fósseis por gases renováveis, como o biometano e o hidrogénio verde, aliados à eletrificação dos equipamentos industriais e à integração de fontes de energia renovável nas unidades de produção. O roteiro atribui também um papel central à valorização da biomassa, ao ecodesign e à implementação de práticas de economia circular, particularmente as simbioses industriais com valorização exógena de resíduos, reconhecendo o potencial destas abordagens para reduzir emissões ao longo de todo o ciclo de vida dos produtos cerâmicos. A digitalização e a qualificação das equipas são apresentadas como fatores determinantes para acelerar a transformação, permitindo otimizar processos, melhorar a monitorização e facilitar a adoção de novas soluções tecnológicas. Entre os temas abordados, merecem destaque as tecnologias de captura, armazenamento e utilização de carbono (CCUS), apontadas como alternativas em situações onde a eliminação direta das emissões não é tecnicamente viável. O documento ressalva, no entanto, que a aplicação destas tecnologias no setor cerâmico implica investigação adicional e investimentos significativos, sobretudo devido às características específicas dos efluentes gasosos da indústria, com baixos teores de CO₂. O roteiro apresenta projeções de atividade industrial, consumo energético e emissões de gases com efeito de estufa (GEE) até 2050, construídas a partir da evolução da procura e de diferentes níveis de ambição climática, mostrando que o crescimento previsto da produção exigirá um planeamento rigoroso para garantir que o crescimento

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do setor não compromete os objetivos de descarbonização; complementa estas projeções com uma análise custo-benefício das tecnologias e medidas propostas, identificando os percursos mais viáveis para reduzir as emissões em linha com as metas da União Europeia, e aborda ainda as necessidades futuras de gases renováveis, tanto nos subsetores abrangidos pelo Comércio Europeu de Licenças de Emissão (CELE) como nos restantes, destacando o papel do biometano (necessidade de 2 a 3 TWh entre 2030 e 2040) e do hidrogénio (necessidades de 0,8 a 1,5 TWh entre 2030 e 2040) como vetores energéticos essenciais na transição. Visões Técnicas e Estratégicas para a Neutralidade Carbónica na Indústria Cerâmica Os especialistas consultados no âmbito da temática da descarbonização da indústria cerâmica têm sido unânimes em destacar que a inovação tecnológica e o investimento são elementos fundamentais para garantir uma transição energética bem-sucedida. Pedro Dominguinhos, presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento do PRR, salienta que apenas com renovação contínua de processos e tecnologia será possível ao setor acompanhar as exigências crescentes de eficiência e sustentabilidade. As dificuldades específicas do setor cerâmico foram sublinhadas por Renaud Batier (Cerame-Unie), que aponta a escassez de energia verde a preços competitivos, as limitações no acesso às redes de abastecimento e a dificuldade das PME em beneficiar de vários instrumentos de apoio da UE. O especialista alerta que estes constrangimentos criam um desfasamento significativo entre as metas de descarbonização e os meios realmente disponíveis, sobretudo para as empresas abrangidas pelo CELE. Uma visão semelhante é partilhada por Alejandra Miralles Ibáñez (ASCER), que observa que, em Espanha, a descarbonização do setor cerâmico avança de forma cautelosa, condicionada pela necessidade de testar novas tecnologias e pela exigência de uma infraestrutura energética mais robusta. Refere ainda a crescente importância do biometano e do hidrogénio para as metas de 2025, especialmente no subsetor de pavimentos e revestimentos. Em Portugal, Ana Lisboa (ADENE) reforça o papel central da eficiência energética como ponto de partida para acelerar a transição, destacando a relevância do “Roteiro da Indústria: da teoria à eficiência”. Do lado das empresas cerâmicas, têm vindo a identificar as tecnologias e estratégias mais viáveis para acelerar a descarbonização, destacando a modernização dos equipamentos, a digitalização e a integração de energias renováveis. Representantes de outros

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CeramicLowCO2

Figura 3 • Pedro Dominguinhos, presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento do PRR, deu a sua perspetive no evento de encerramento do projeto.

Destaque

setores industriais, como AIVE, CATIM, BIOND e INESC TEC, convergem na ideia de que a cooperação intersectorial será decisiva para acelerar a adoção de soluções inovadoras e criar sinergias que permitam atingir a neutralidade carbónica. No plano das políticas públicas, as posições expressas por entidades como APA, ADENE e IAPMEI reiteram a necessidade de reforçar incentivos e clarificar instrumentos regulatórios, garantindo que as estratégias nacionais acompanham verdadeiramente as necessidades das empresas. Em conjunto, estes contributos reforçam a ideia de que a descarbonização da indústria cerâmica não é apenas um objetivo ambiental, mas um eixo estratégico essencial para a competitividade e sustentabilidade do setor no futuro. Conclusão A concretização do projeto CeramicLowCO2 marca um passo decisivo na preparação da indústria cerâmica portuguesa para os desafios que se avizinham nas próximas décadas. Ao reunir conhecimento técnico-científico, a experiência do setor e uma visão estratégica orientada para 2050, o projeto construiu uma base sólida para que empresas, entidades e decisores possam avançar de forma informada rumo à neutralidade carbónica. O roteiro apresentado, complementado por iniciativas de capacitação, instrumentos de monitorização tecnológica e ações de

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envolvimento da comunidade académica, demonstra que a descarbonização não é apenas um imperativo ambiental, mas também uma oportunidade para reforçar a inovação, a competitividade e a sustentabilidade económica do setor, contribuindo para uma transição justa e competitiva. Os contributos recolhidos mostram que há espaço para soluções inovadoras e eficazes, capazes de transformar os processos produtivos e de reduzir de forma significativa a pegada ambiental da cerâmica nacional. Apesar dos desafios técnicos e tecnológicos que permanecem, nomeadamente no domínio das CCUS e no acesso a gases renováveis, o trabalho desenvolvido aponta caminhos claros e exequíveis para o futuro. A implementação progressiva das medidas propostas permitirá não apenas reduzir emissões, mas também promover inovação, eficiência e criação de valor sustentável, redefinindo o futuro da cerâmica num contexto de neutralidade carbónica. Em síntese, o CeramicLowCO2 deixa ao setor um legado valioso: uma visão estratégica consistente, ferramentas de apoio à decisão e um impulso renovado para a inovação. Atravessar a transição climática exigirá empenho contínuo, investimento e colaboração, mas o percurso delineado demonstra que a indústria cerâmica portuguesa está preparada para assumir um papel de liderança na construção de um futuro mais sustentável e resiliente.

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Destaque CeramicLowCO2

COMPETITIVIDADE DA INDÚSTRIA CERÂMICA PORTUGUESA NA DESCARBONIZAÇÃO

por Rui Ferreira e João Machado Fernandes, EY

A descarbonização da Indústria Cerâmica é uma inevitabilidade, porém deve ser conduzida de forma faseada e pragmática. A retirada gradual do gás natural, dominante no consumo energético do setor, e a integração de fontes de energia renovável são condições essenciais para a redução das emissões de gases com efeito de estufa (GEE). Contudo, a transição exige soluções transitórias e flexíveis, ajustadas ao ritmo de maturidade tecnológica e à realidade económica das empresas. Um dos fatores críticos para a competitividade reside no acesso a energia proveniente de fontes renováveis fiável e a preços competitivos. A eletrificação dos processos térmicos enfrenta obstáculos técnicos e económicos, sobretudo devido à necessidade de garantir fornecimento contínuo e altas temperaturas, evitando ineficiências dispendiosas na produção. Neste contexto, os gases renováveis, em especial o biometano e/ou o hidrogénio verde,

Figura 1 • Sumário executivo roteiro neutralidade carbonica indústria cerâmica 14

Figura 2 • Sumário executivo roteiro neutralidade carbonica indústria cerâmica 48

Conclusões e Recomendações do Roteiro CeramicLowCO2 A Indústria Cerâmica portuguesa está intrinsecamente associada à história de Portugal e tem atualmente uma importância estratégica para a economia nacional. Responsável por mais de 18 mil empregos e um volume de negócios superior a 1,4 mil milhões de euros, e composta maioritariamente por PME, é uma indústria fortemente exportadora e orientada para mercados sofisticados na Europa e EUA. Caracteriza-se por elevados consumos de energia e, por isso, enfrenta o desafio da descarbonização imposto pelo Acordo de Paris, pelo Pacto Ecológico Europeu e pelo Roteiro Nacional para a Neutralidade Carbónica de forma particularmente intensa. O Roteiro para a Neutralidade Carbónica da Indústria Cerâmica – CeramicLowCO2 – definiu trajetórias de descarbonização para o setor ambiciosas, contudo pragmáticas e que tentam assegurar a competitividade económica do setor durante a transição, identificando riscos e oportunidades, bem como recomendações concretas.

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CeramicLowCO2

Figura 4 • Sumário executivo roteiro neutralidade carbonica indústria cerâmica 66

emergem como alternativas possíveis, mas que não estão isentas de desafios técnicos e tecnológicos importantes. Os investimentos necessários para a adoção de tecnologias baseadas em energia limpa implicam custos de capital (CAPEX) e operacionais (OPEX) significativamente superiores aos das tecnologias convencionais. De facto, no contexto atual, o custo total de descarbonização por tonelada de CO2 equivalente das tecnologias mais promissoras de eletrificação é, atualmente, incomportável dadas as pressões competitivas e margens atuais, sobretudo para as PME. É, por isso, indispensável a existência de mecanismos de apoio robustos, incentivos à inovação e políticas de proteção contra o risco de fuga de carbono, que pode conduzir à deslocalização da produção para países com regulamentação menos exigente. Por outro lado, a eficiência energética e a economia circular são outros importantes vetores de descarbonização. A modernização dos equipamentos, a digitalização dos processos, a recuperação de calor e a integração de resíduos e subprodutos permitem reduzir emissões e custos, mas estas medidas são limitadas na sua capacidade em reduzir emissões de forma significativa. Já as tecnologias de captura e utilização de carbono apresentam um nível de maturidade baixo e só deverão ser custo eficazes após 2040. O processo de descarbonização da Indústria Cerâmica está longe de depender apenas das empresas, pois o jogo da competitividade industrial não pode ser negligenciado, sob pena do setor reduzir emissões devido à redução da produção com o encerramento de unidades industriais. É por isso que o Roteiro CeramicLowCO2 recomenda um quadro regulatório adaptado à especificidade da Indústria Cerâmica, com parâmetros realistas e mecanismos eficazes de proteção contra a fuga de carbono. O regime CELE (Comércio Europeu de Licenças de Emissão) e o Mecanismo de Ajustamento Carbónico Fronteiriço (CBAM) devem salvaguardar o emprego e o investimento, evitando penalizações desproporcionadas face à concorrência extracomunitária. E, dentro da União Europeia, garantir condições de competitividade industrial semelhante é essencial. A promoção da inovação, da digitalização e da formação contínua é imperativa para acelerar a adoção de tecnologias disruptivas. O investimento em I&D, a implementação de projetos-piloto e o reskilling e upskilling dos recursos humanos são condições essenciais para garantir a adaptação eficaz às novas exigências e para manter o setor competitivo.

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Figura 3 • Sumário executivo roteiro neutralidade carbonica indústria cerâmica 60

Destaque

A competitividade do setor dependerá ainda do acesso prioritário a energia renovável a preços justos e mecanismos no mercado energético, que proporcionem previsibilidade e segurança aos investimentos de médio e longo prazo. A estabilidade regulatória não é, contudo, incompatível com a necessidade de adaptação contínua das políticas públicas. A evolução tecnológica e dos mercados energéticos exige uma revisão periódica dos instrumentos de apoio e dos parâmetros regulatórios, assegurando a adaptação permanente às condições de mercado e ao grau de maturidade das soluções tecnológicas. A transição para a neutralidade carbónica deve ser encarada como uma oportunidade para modernizar, inovar e consolidar o posicionamento internacional da cerâmica portuguesa. Garantir a competitividade económica durante este processo exige ação coordenada entre empresas, entidades governamentais e centros de inovação. O roteiro demonstra que a descarbonização, quando suportada por políticas integradas, incentivos adequados e visão de longo prazo, não só é possível, como pode reforçar a resiliência e competitividade do setor.

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Destaque

RODIV2050 ROTEIRO PARA A DESCARBONIZAÇÃO DO VIDRO DE EMBALAGEM E CRISTALARIA EM PORTUGAL por Marisa Almeida, Inês Rondão, Isabel Antunes, Victor Francisco, Andreia Tiago, Sandra Car valho, Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro (CTCV )

O Roteiro para a Descarbonização do Vidro de Embalagem e Cristalaria em Portugal (RODIV2050), financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), é um projeto liderado em consórcio pela AIVE – Associação dos Industriais de Vidro de Embalagem e APICER – Associação Portuguesa das Indústrias de Cerâmica e de Cristalaria, para o setor da Cristalaria em colaboração com o Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro (CTCV), a consultora EY-Parthenon e a Associação Smart Waste Portugal. Tem como principal objetivo identificar e divulgar potenciais estratégias e tecnologias que possam contribuir para a redução das emissões de GEE associadas à produção de vidro, nomeadamente dos setores do vidro de embalagem e cristalaria nacionais, alinhando o setor com as metas de neutralidade carbónica estabelecidas pela União Europeia para 2050. Este roteiro pretende ser uma resposta às exigências associadas às alterações climáticas e sustentabilidade, proporcionando um caminho estruturado para a adoção de práticas e tecnologias mais limpas e eficientes no setor da indústria vidreira.

Este projeto foi estruturado em quatro fases principais, numa primeira fase, procedeu-se à realização de um diagnóstico exaustivo do potencial de descarbonização do setor do vidro de embalagem e da cristalaria; seguiu-se uma segunda fase de Elaboração do Roteiro para a descarbonização da indústria do vidro de embalagem e cristalaria, integrando a identificação de vetores tecnológicos, a definição de trajetórias de redução de emissões, a análise de custos e benefícios e o alinhamento com os enquadramentos regulatórios e estratégicos nacionais e europeus; a fase 3, referente ao plano de comunicação, de envolvimento de stakeholders e de divulgação dos resultados do Roteiro, com uma série de eventos realizados; e a última fase, referente à monitorização e avaliação. Para mais informação sobre o projeto consultar: https://rodiv2050.ctcv.pt/

Figura 1 • RODIV2050 Documento Sintese 67

1. Metodologia e estrutura técnica do Roteiro O RODIV 2050 adota uma metodologia integrada, setorial e prospetiva, alinhada com os objetivos climáticos europeus e nacionais, incluindo a neutralidade carbónica até 2050. A estrutura técnica do roteiro assenta em cinco pilares principais: 1. Caracterização detalhada do setor (vidro de embalagem e cristalaria), com recolha de informação técnica, social e económica, abrangendo processo produtivo, estrutura empresarial, competitividade e enquadramento económico. 2. Diagnóstico energético e de emissões de GEE, com

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Destaque

análise histórica da produção, consumos energéticos e quantificação de emissões diretas (Âmbito 1), indiretas (Âmbito 2) e, de forma indicativa, (Âmbito 3), com o envolvimento de stakeholders. 3. Identificação de vetores e tecnologias de descarbonização, avaliando maturidade tecnológica, potencial de redução de emissões e aplicabilidade industrial. Com base em revisão documental, dados do setor, informação de associações, congressos internacionais da especialidade, inquéritos e workshops. 4. Projeções até 2050, incluindo cenários de evolução da produção, consumo energético e emissões, suportados por trajetórias tecnológicas. 5. Análise custo-benefício e definição de trajetórias custo-eficazes, considerando ciclos de investimento (vida útil dos fornos de cerca de 14 anos), custos energéticos e enquadramento regulatório (CELE, RED, PNEC, RNC2050).

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RODIV2050

Tipologia de emissões de GEE na indústria do vidro por âmbito: Âmbito 1 – Emissões diretas (70–80%) • Combustão de combustíveis fósseis (principalmente gás natural) nos fornos de fusão, feeders e arcas de recozimento. Sendo de destacar que a fase de fusão do vidro representa cerca de 80% do consumo energético total do processo produtivo • Emissões de processo associadas à calcinação de matérias-primas carbonatadas (calcário, dolomite, carbonato de sódio). Âmbito 2 – Emissões indiretas (20–30%) • Consumo de eletricidade, cuja intensidade carbónica varia em função da proporção entre fontes de energia fóssil e renovável utilizadas na sua produção Âmbito 3 – Emissões indiretas a montante e jusante

2. Principais fontes de emissões identificadas no

A extração, beneficiação e transporte de matérias-primas, bem como os processos a jusante de logística e energia incorporada na cadeia de valor do vidro, podem representar até 50% da pegada total, embora estejam excluídas do âmbito principal do roteiro RODIV2050.

O documento evidencia que a indústria do vidro é um setor fortemente intensivo em energia e emissões de gases com efeito de estufa, maioritariamente enquadrado no Comércio Europeu de Licenças de Emissão (CELE), destacando-se o processo de fusão do vidro como a principal fonte de emissões.

3. Tecnologias e soluções com potencial de redução de emissões O RODIV 2050 identifica um conjunto coerente de vetores tecnológicos prioritários, classificados por maturidade e impacto, para a descarbonização da indústria do vidro:

O roteiro assume uma abordagem multivetorial, reconhecendo que não existe uma solução única de descarbonização para o setor do vidro.

setor

Principais vetores de descarbonização Eletrificação Combustíveis de baixo carbono Eficiência do processo Eficiência Energética Eficiência do produto Economia circular Captura, utilização e armazenamento de carbono (CCUS)

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Destaque RODIV2050

a) Eletrificação dos processos A eletrificação dos processos térmicos é um dos vetores centrais, permitindo reduzir significativamente as emissões diretas associadas ao uso de combustíveis fósseis, em particular no processo de fusão. A implementação de fornos híbridos (combinação de eletricidade e combustíveis) ou totalmente elétricos contribui para o aumento da eficiência energética e para a redução de emissões de CO₂ e de outros poluentes de combustão (p. ex. óxidos de azoto), dependendo, no entanto, do acesso a eletricidade de origem renovável, a custos competitivos e da adequação e robustez das infraestruturas elétricas existentes, bem como dos requisitos operacionais e de qualidade do produto. b) Combustíveis de baixo carbono Os combustíveis de baixo carbono constituem um vetor complementar à eletrificação, permitindo uma transição gradual dos sistemas existentes. O biometano apresenta elevada compatibilidade tecnológica, podendo substituir diretamente o gás natural, embora a sua adoção seja condicionada pela disponibilidade e pelo custo, estimando-se uma necessidade entre 2,1 e 3 TWh no período 2030–2040 para responder às necessidades do setor. O hidrogénio verde revela um elevado potencial a longo prazo, mas enfrenta ainda desafios técnicos e económicos relevantes, enquanto os biocombustíveis líquidos surgem como solução de curto prazo em contextos de retrofit e situações de emergência, apesar das limitações de escala e competitividade. c) Eficiência de processo e energética A eficiência de processo e de produto constitui um vetor transversal de descarbonização, suportado pela adoção de tecnologias avançadas de fusão e de otimização térmica, como fornos oxi-fuel, electric boosting e

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regeneradores de elevada eficiência, que permitem reduzir consumos energéticos e emissões específicas de GEE. Complementarmente, a recuperação e integração de calor residual, através do pré-aquecimento de matérias-primas ou da composição e/ou de soluções heat-to-power (como ciclos ORC), contribui para uma melhor valorização energética. A digitalização dos processos, incluindo gémeos digitais, manutenção preditiva e sistemas MES/SCADA com apoio de inteligência artificial, reforçam a otimização operacional, a eficiência energética e o controlo das emissões ao longo do processo produtivo. d) Economia circular e eficiência do produto A economia circular no setor do vidro está relacionada com a incorporação crescente de casco, reduzindo a necessidade de matérias-primas virgens e o desperdício energético. Estima-se que por cada 10% de casco incorporado ocorra uma redução de 3% de energia consumida e de 5% de emissões de CO2. A otimização da formulação da composição, utilizando materiais calcinados ou descarbonatados, contribui para diminuir as emissões durante a fusão do vidro. Além disso, o aligeiramento do produto final permite reduzir o consumo de matérias-primas, a energia necessária para a produção e as emissões ao longo de todo o ciclo de vida. e) Tecnologias de fim de linha O CCUS (captura, utilização e armazenamento de carbono) surge como uma opção residual para emissões de processo difíceis de eliminar, sendo ainda uma tecnologia que requer maior experimentação em contexto industrial. 4. Resultados Concretos e Inovações na Sustentabilidade do Setor do Vidro O documento evidencia que o setor do vidro apresenta já resultados concretos e mensuráveis. Nas últimas

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três décadas, registou-se uma redução de cerca de 50% das emissões específicas de CO₂ (ton CO2/ton produto) resultado da melhoria da eficiência energética, do aumento da incorporação de casco e da transição do fuelóleo para gás natural e eletricidade. O biometano seria a opção mais simples de utilização, mas ainda não se encontra disponível para uso industrial intensivo. Ensaios industriais com hidrogénio em fornos de fusão têm apresentado resultados preliminares promissores ao nível técnico, enquanto a aplicação crescente de electric boosting e de fornos oxi-fuel (pequena a média dimensão) demonstra o potencial de inovação em contexto industrial. Paralelamente, a implementação de ferramentas digitais avançadas, como simulação e controlo em tempo real, tem sido consolidada nas fábricas nacionais. Por fim, projetos de aligeiramento no vidro de embalagem mostram benefícios simultâneos em emissões, custos logísticos e competitividade, evidenciando o progresso do setor em termos de sustentabilidade e eficiência. 5. Visão técnica sobre desafios e oportunidades até 2050 O setor do vidro enfrenta diversos desafios técnicos e económicos até 2050. Entre os principais obstáculos destacam-se o elevado CAPEX e OPEX associado à substituição de fornos e infraestruturas energéticas, os longos ciclos de investimento devido à vida útil dos fornos (12 a 14 anos), a volatilidade e o custo da energia no mercado europeu, aliados. A disponibilidade limitada de hidrogénio verde e biometano (opção mais simples de utilizar, mas não disponível à data), aliada a uma disponibilidade limitada de combustíveis de baixo carbono e a necessidade de reforço das redes elétricas para suportar uma eletrificação em larga escala.

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Por outro lado, surgem oportunidades significativas. O setor está alinhado com a economia circular – o vidro é infinitamente reciclável, e tem acesso a financiamento europeu e nacional, incluindo programas como o Fundo de Inovação, REPowerEU e o “Clean Industrial Deal”. Existe também um potencial relevante de liderança tecnológica em soluções híbridas e digitais, reforçando simultaneamente a competitividade e a imagem ESG do vidro face a materiais alternativos, consolidando o setor como um pilar estratégico da descarbonização industrial em Portugal. 6. Conclusão As políticas de descarbonização, apesar de essenciais, colocam desafios significativos para uma indústria intensiva em energia como a do vidro. É precisamente aqui que o RODIV2050 assume um papel relevante: ao reunir conhecimento técnico e evidência robusta, o roteiro oferece uma visão realista das oportunidades e das limitações que poderão moldar as decisões das empresas. Essa leitura integrada permite que as trajetórias propostas sejam, não apenas ambiciosas, mas também compatíveis com os ritmos tecnológicos e económicos do setor. Ao tornar visíveis estas especificidades, criam-se condições para um diálogo mais informado e construtivo entre indústria e decisores públicos, favorecendo políticas que reforcem a competitividade e a capacidade de adaptação das empresas nos mercados interno e externo. Neste processo, a capacitação dos quadros técnicos assume um papel central, sendo fundamental dotá-los de conhecimento que suporte a adoção de práticas, tecnologias e estratégias capazes de promover uma economia de baixo carbono, sem comprometer a criação de valor e de oportunidades de crescimento. Apesar de implicar uma rutura com alguns paradigmas atuais, a descarbonização deve ser encarada como uma oportunidade para impulsionar uma transformação estrutural da atividade industrial, tanto ao nível dos processos produtivos como da gestão e utilização dos recursos. Ao longo do projeto, foi possível desenvolver percursos formativos online, em formato digital para dotar os colaboradores de conhecimento, que lhes permita apoiar a decisão de adoção de práticas de descarbonização e no apoio à decisão de investimentos. Mais do que indicar caminhos, o roteiro ajuda a clarificar o que é necessário para que a transição seja exequível e equilibrada - para o país e para o setor.

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Destaque RODIV2050

DESCARBONIZAR COM PRAGMATISMO ECONÓMICO

por Rui Ferreira e João Machado Fernandes, EY

Conclusões e recomendações do RODIV2050 O Roteiro para a Descarbonização da Indústria do Vidro de Embalagem e Cristalaria (RODIV2050) constitui um documento estratégico de referência para o setor em Portugal. Promovido pela AIVE e APICER, com o apoio da EY, do CTCV e da Smart Waste Portugal, o RODIV2050 apresenta uma análise da situação atual do setor e define um conjunto de medidas e tecnologias para a redução das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) que, de uma forma custo-eficaz permitiram definir uma trajetória de descarbonização alinhada com as metas europeias de neutralidade carbónica para 2050. As Indústrias do Vidro de Embalagem e da Cristalaria, em Portugal, totalizam apenas 21 empresas, mas com uma relevância elevada no contexto da indústria transformadora portuguesa, uma vez que empregam mais de três mil trabalhadores e geram um volume de negócios de cerca mil milhões de euros, maioritariamente para exportação. As realidades dos dois subsetores englobados no RODIV2050 são bem distintas: enquanto o vidro de embalagem é produzido por apenas quatro grandes empresas com seis fábricas, o subsetor da cristalaria é composto maioritariamente por PME. Em termos de posicionamento competitivo no contexto europeu, o setor do vidro de embalagem distingue-se da maioria dos setores industriais portugueses, por se posicionar no TOP5 em indicadores de competitividade, como a dimensão média das empresas ou a produtividade aparente do trabalho, superando claramente a média da UE27. No plano ambiental, nos últimos 30 anos, a Indústria do vidro de embalagem conseguiu resultados notáveis: por tonelada produzida, reduziu 30% do consumo energético, mais de 50% das emissões de CO₂ e 80% do consumo de água, ao mesmo tempo que registou um crescimento

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da produção nacional de 142% (de 640 mil toneladas em 1994 para mais de 1,5 milhões de toneladas em 2024). A transição energética terá agora de passar pela substituição do gás natural por energia de fontes renováveis e ainda conseguir uma maior incorporação de embalagens de vidro usadas (casco de vidro) no processo produtivo. O desafio de continuar a descarbonizar é cada vez mais exigente e dependente da evolução da maturidade e disponibilidade de tecnologias com potencial de descarbonização a preços competitivos, combinada com medidas contínuas de eficiência energética e de utilização de recursos, assim como de aligeiramento (redução de peso) das embalagens, para reduzir a pegada de carbono desde a produção até à sua distribuição. As trajetórias definidas, considerando um cenário de transição moderada e outro, mais ambicioso, de transição acelerada, combinaram os vários vetores de descarbonização ao longo do horizonte temporal, designadamente, a eficiência energética, a digitalização, a eletrificação dos fornos convencionais a gás natural, a utilização de gases renováveis, como o biometano e o hidrogénio verde, o uso de matérias-primas descarbonatadas, a economia circular com a incorporação crescente de casco externo, e tecnologias de captura, utilização e armazenamento de carbono. É importante realçar que a ambição destes dois cenários teve de ser calibrada pela política energética nacional e a necessidade de fazer uma transição energética sustentável. O cenário de transição moderada prevê uma redução de 19% das emissões de âmbito 1 até 2030 (face

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a 2024), enquanto o cenário de transição acelerada prevê uma redução de 30%, das mesmas emissões face a 2024. Este último cenário pressupõe, um nível de apoio público mais significativo para que seja possível comportar o sobrecusto da descarbonização. Além disso, para que ambas as trajetórias sejam possíveis, é essencial criar um contexto favorável, sustentado por políticas públicas robustas, estabilidade regulatória e incentivos financeiros adequados. A experiência no setor evidencia que a transição, para processos de produção de baixo carbono, enfrenta desafios estruturais e tecnológicos que só podem ser superados através de um alinhamento estratégico entre indústria, Estado e entidades reguladoras. Por exemplo, a nível nacional, é importante garantir que os planos nacionais de desenvolvimento do mercado e infraestruturas para os gases renováveis (Estratégia Nacional para o Hidrogénio e o Plano de Ação para o Biometano) sejam implementados rapidamente e que o Sistema Elétrico Nacional reúna as condições necessárias para o aumento massivo de consumo de eletricidade que se prevê pela indústria, garantindo em ambos os casos, um fornecimento estável que não onere excessivamente a indústria. Tendo em conta as elevadas necessidades energéticas (setor energético-intensivo), a concretização desta transição depende para além do acesso competitivo a

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energia renovável e do reforço das redes de transporte e distribuição de energia, também da existência de condições facilitadoras essenciais tais como uma adequação aos requisitos do CELE, incentivos à inovação tecnológica e à investigação aplicada e simplificação dos processos de licenciamento. Outro aspeto crucial reside na cooperação ao longo da cadeia de valor, incluindo universidades e centros tecnológicos, para otimizar processos e reduzir a pegada de carbono do setor, potenciando ainda parcerias para a capacitação de recursos humanos e o desenvolvimento de competências digitais e tecnológicas. Por fim, a estabilidade e coerência das políticas públicas ao longo do tempo são determinantes para garantir a confiança dos investidores e a competitividade internacional do setor. E, estabilidade não significa inflexibilidade, pois a evolução tecnológica e dos mercados energéticos provavelmente exigirá uma revisão periódica dos incentivos financeiros e dos parâmetros regulatórios. A descarbonização das Indústrias do Vidro de Embalagem e da Cristalaria representa um desafio significativo, mas também uma oportunidade para reforçar a competitividade e consolidar Portugal como referência europeia na transição para uma indústria sustentável.

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Descarbonização

MAIS DO QUE RECUPERAÇÃO: O PRR COMO MOTOR DE TRANSFORMAÇÃO ESTRUTURAL E DESCARBONIZAÇÃO RUMO A 2050

po r Pe d r o D o m i n g u i n h o s, Pre si de n te da Comi ss ã o Na ci o na l d e Aco m p a nh ame n to do Plan o de Re cu p e ra çã o e Re s i li ê nci a (C NA-PR R )

Quando, daqui a uma década, olharmos para trás e analisarmos o impacto do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) na economia portuguesa, a métrica de sucesso não deverá ser apenas a taxa de execução financeira ou o número de projetos aprovados. O verdadeiro legado estrutural do PRR medir-se-á pela resposta a uma questão fundamental: soubemos aproveitar este instrumento para posicionar a indústria nacional na linha da frente da economia de 2030 e 2050, ou limitámo-nos a gerir o presente?

No setor da cerâmica e cristalaria, esta interrogação é central. Portugal orgulha-se hoje de ser o segundo maior exportador mundial de louça de mesa em cerâmica. Contudo, os fatores que nos trouxeram até aqui — qualidade, design e capacidade industrial — já não são suficientes para garantir o futuro. O mercado global incorporou definitivamente critérios ambientais nas cadeias de valor: quem não provar que reduz emissões, que utiliza energia limpa e que domina a pegada carbónica dos seus produtos, arrisca-se a ficar fora do próximo ciclo de crescimento.

Pedro Dominguinhos

O PRR como Acelerador de Competitividade É neste contexto que as Agendas Mobilizadoras, financiadas pelo PRR, deixam de ser vistas apenas como apoio ao investimento para se tornarem aceleradores estratégicos. Estamos a falar de uma escala de cooperação inédita no nosso país, com mais de 7 mil milhões de euros de investimento e mais de mil entidades envolvidas, sentando à mesma mesa grandes empresas, PME e o sistema científico. O legado estrutural destas Agendas, como a Ecocerâmica e Cristalaria de Portugal (ECP), reside na criação de capacidades permanentes. Não se trata apenas de adquirir fornos novos; trata-se de instalar linhas-piloto, desenvolver novos materiais e digitalizar operações. O objetivo é que, quando o financiamento terminar, subsistam redes de cooperação e vantagens competitivas que permitam às empresas navegar num mercado onde a sustentabilidade deixou

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A economia circular é outro eixo estruturante deste legado. Romper com o modelo linear e incorporar resíduos industriais ou agrícolas como matérias-primas secundárias e combustíveis alternativos (biomassa) não só reduz a extração de recursos virgens, como evita emissões de processo resultantes da decomposição de carbonatos.

A Descarbonização: Do Roteiro à Execução A descarbonização da indústria é o pilar central deste legado. O setor cerâmico, intrinsecamente intensivo em energia térmica e dependente de combustíveis fósseis, enfrenta um desafio colossal para atingir a neutralidade carbónica até 2050. O Roteiro para a Neutralidade Carbónica da Indústria Cerâmica, desenvolvido no âmbito do PRR, demonstra que não existe uma "bala de prata". A solução reside numa combinação integrada de vetores tecnológicos. A eficiência energética continua a ser a base, através da recuperação de calor residual e modernização de sistemas de queima. Contudo, para cumprir as metas de 2050, o setor terá de operar uma revolução no seu modelo energético. As projeções indicam a necessidade de substituir quase a totalidade do gás natural por vetores renováveis. Aqui, a eletrificação dos processos assume um papel de destaque. Embora acarrete desafios como o elevado investimento inicial e a necessidade de adequação tecnológica, a eletrificação permite eliminar emissões diretas de combustão, aumentar a segurança e garantir maior precisão no controlo dos fornos. Paralelamente, os gases renováveis, como o biometano e o hidrogénio verde, surgem como alternativas essenciais para processos onde a eletrificação total não é viável.

O Contexto Geopolítico e o Capital Humano Esta transformação ocorre num cenário geopolítico complexo. Enquanto a União Europeia lidera na regulação climática e no financiamento via NextGenerationEU, os Estados Unidos e a China avançam com modelos baseados em incentivos fiscais agressivos e fortes apoios públicos. Para que o legado do PRR perdure, a Europa não pode ser apenas o espaço que regula; tem de ser o espaço que simplifica e incentiva a produção industrial. É essencial que os apoios públicos previstos no âmbito do PT2030 estejam alinhados com os roteiros da descarbonização e apoiem as transições aí previstas, de forma a se conseguir a escala desejada. Finalmente, nenhuma transição subsiste sem pessoas. O legado mais importante do PRR para 2030 poderá ser imaterial: o capital humano. O diagnóstico é claro: existem lacunas significativas nas competências ambientais e digitais dos nossos quadros técnicos. A transição exige upskilling e reskilling massivos. Precisamos de engenheiros de processo, técnicos de manutenção e gestores capazes de operar numa indústria 4.0, onde a inteligência artificial e os gémeos digitais são ferramentas diárias para otimizar consumos e prever falhas.

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de ser uma "moda" para se tornar um requisito de sobrevivência. Incorporar práticas de inovação em co-criação, densificar as redes de parceria onde os centros tecnológicos, entidades do sistema científico e tecnológico e empresas partilhem o tabuleiro competitivo deverá ser uma regra permanente, muito mais que experiências piloto.

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Conclusão: Moldar o Amanhã O PRR oferece a Portugal uma oportunidade histórica para alinhar a sua indústria com os vetores de futuro. O legado estrutural que deixaremos para 2050 dependerá da nossa capacidade, hoje, de executar com rigor e visão estratégica. Se formos bem-sucedidos, em 2030 não diremos apenas que recuperámos da crise. Diremos que transformámos a indústria cerâmica nacional num cluster de referência global: produzindo de forma diferente, com menos emissões e maior eficiência; e vendendo de forma diferente, com argumentos de sustentabilidade que valorizam o "Made in Portugal". "Moldar o amanhã" significa aceitar que a transição verde vai acelerar e que quem conseguir combinar sustentabilidade, inovação e escala liderará o mercado. O PRR é o catalisador; a ambição tem de ser nossa.

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Descarbonização

A APC NO CONTEXTO DA TRANSIÇÃO INDUSTRIAL E D A S E S T R AT É G I A S D E DESCARBONIZAÇÃO

p o r An a Te r e sa Pe r e z , P r e s ide n te da A g ê n ci a p a ra o C li m a , I P.

A transição para uma economia neutra em carbono exige uma coordenação sólida, capacidade técnica e uma visão estratégica de longo prazo. É nesse enquadramento que a Agência para o Clima (ApC) assume um papel central na arquitetura nacional de política climática. Ao concentrar num único organismo o desenvolvimento, implementação e monitorização das políticas de mitigação e adaptação, bem como a gestão de fundos dedicados à ação climática, a ApC reforça a coerência da resposta nacional neste contexto. Este papel é particularmente relevante no domínio industrial, dado o exercício das funções de autoridade nacional competente pela implementação do Comércio Europeu de Licenças de Emissão (CELE) e do Mecanismo de Ajustamento Carbónico Fronteiriço (CBAM), instrumentos determinantes para assegurar a descarbonização e apoiar a competitividade num setor exposto à concorrência internacional. A Lei de Bases do Clima (LBC), o Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050 (RNC2050) e o Plano Nacional Energia e Clima 2030 (PNEC 2030) constituem os pilares orientadores da ação climática portuguesa. O RNC2050 estabeleceu a visão de longo prazo e identificou a década 2021-2030 como decisiva para que fosse alcançada. O PNEC 2030 traduz essa visão em metas concretas, incluindo a redução em 55% das emissões de Gases com Efeito de Estufa, face a 2005, o reforço das energias renováveis e da eficiência energética e a LBC estabelece o estudo da antecipação da meta de neutralidade climática para 2045. Esta crescente ambição tem reconhecimento internacional, sendo que Portugal ascende ao 1 2.º lugar¹ no Índice de Desempenho das Alterações Climáticas 2026², à frente de Estados-Membros como Espanha, França ou Alemanha. O setor industrial que inclui um vasto conjunto de atividades económica essenciais, como a refinação,

cimento, cerâmica, vidro, pasta e papel e indústria química, ocupa uma posição estratégica nesta trajetória de descarbonização. Embora o setor apresente reduções significativas de emissões na última década, como evidenciado no inventário nacional de emissões de gases com efeito de estufa (GEE) elaborado pela ApC – que aponta para uma diminuição de 30% em 2023 face a 2015³, continua a enfrentar desafios muito próprios, derivados do consumo intensivo de energia e, em alguns subsetores, de emissões de processo, difíceis de eliminar. Assim, de acordo com o já identificado no RNC2050 e no PNEC2030, a eletrificação dos processos térmicos, a eficiência energética e material, a utilização de gases renováveis, como o hidrogénio ou o biometano, a substituição de matérias-primas carbonatadas e a adoção progressiva de modelos circulares serão determinantes no processo de descarbonização deste setor. Para as indústrias hard-to-abate, soluções de captura, utilização e armazenamento de carbono assumirão no futuro um papel essencial, conforme previsto pela Comissão Europeia e confirmado pelos trabalhos de revisão do RNC2050.

1.- Equivalente ao 9.º lugar, visto os 3 primeiros lugares não foram ocupados por qualquer país. 2.- Climate Change Performance Index (CCPI) 2026 – Portugal 2.- Conforme submissão do Inventário Nacional de emissões de Gases com Efeito de Estufa de 2025

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https://www.sg.pcm.gov.pt/a-sgpcm/noticias/2025/marco/agencia-clima/

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O novo contexto geopolítico e económico internacional reforça a necessidade de conciliar ambição climática e competitividade. A verdade é que não haverá transição sem indústria e não haverá indústria sem competitividade. A resposta europeia, expressa no Pacto Industrial Verde, no reforço dos instrumentos de financiamento, no Plano de Ação para Energia Acessível e no futuro Regulamento Acelerador da Descarbonização Industrial, demonstra uma evolução estratégica: não recuar na ambição, mas adaptar instrumentos, reduzir barreiras, acelerar inovação e criar condições de mercado para a valorização de produtos de baixo carbono. Para Portugal, isto significa capitalizar a elevada incorporação de renováveis no sistema elétrico, melhorando o acesso a energia a preços acessíveis, o apoio ao desenvolvimento de infraestruturas críticas e instrumentos direcionados a setores expostos à concorrência internacional. Neste percurso, os roteiros setoriais, apoiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), assumem particular relevância ao ajudarem a traduzir as metas nacionais em trajetórias concretas para cada setor, com identificação das soluções tecnológicas e oportunidades de inovação mais adequadas, bem como ne-

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cessidades de investimento. Esta medida de apoio, bem como outras dedicadas à indústria no âmbito do PRR, revelou-se decisiva. A forte mobilização e o elevado interesse demonstrados pelos diversos setores industriais evidenciam a clara consciencialização da indústria para a necessidade de antecipar, planear e alinhar as suas estratégias de transição com os objetivos climáticos nacionais. A ApC tem vindo a acompanhar os trabalhos de alguns destes roteiros, sendo notória a evolução do pensamento estratégico da indústria nestes últimos anos. A descarbonização é encarada como um fator positivo e uma oportunidade de melhoria da eficiência e de competitividade. A Agência para o Clima pretende contribuir para que esta transformação se desenvolva de forma integrada, monitorizando o progresso, promovendo a articulação intersectorial e garantindo a consistência dos roteiros com as políticas públicas nacionais. Esta abordagem integrada permitirá confirmar a transição climática enquanto vetor de competitividade industrial, atração de investimento e criação de valor, promotora de um modelo de desenvolvimento económico robusto e sustentável.

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Entrevista

À CONVERSA COM J O R G E C R I S T I N O, G E T 2 C

Jorge Cristino

Kéramica - Que balanço faz da participação europeia na COP30? Foram alcançados os resultados esperados? Jorge Cristino - A COP30, realizada em Belém, ficará para a história como a "COP da Floresta e da Implementação", mas para a Europa, foi sobretudo um teste à sua liderança diplomática num mundo multipolar. Por isso, considero que o balanço é positivo, pois a União Europeia chegou ao Brasil com uma meta ambiciosa, a redução líquida de 90% das emissões de gases com efeito de estufa até 2040 (face aos níveis de 1990). Isto com a difícil tarefa de manter a ambição do Pacto Ecológico

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Europeu (Green Deal), num momento de fortes pressões internas sobre a competitividade industrial e autonomia estratégica em termos energéticos e de matérias-primas. Assim, os resultados alcançados permitiram continuar a afirmar o Acordo de Paris, como uma grande conquista do multilateralismo e da cooperação internacional. A Europa, fazendo parte deste caminho, reafirmou a sua direção rumo à neutralidade carbónica, ainda que se assistam ligeiras inflexões na legislação interna. Por isso, entendo que foi importante conseguir evitar o retrocesso na meta de 1,5°C, que esteve em risco devido à pressão de alguns blocos para flexibilizar prazos. Num momento crescente de negacionismo, guerras bélicas e comerciais, manter os objetivos, não desviarmos e não ceder às pressões já é uma conquista. Claro que a expectativa era obter um compromisso global com um calendário de descarbonização, com o abandono dos combustíveis fósseis, e desse ponto de vista o resultado ficou aquém. Aqui a Europa liderou pelo exemplo, mas percebeu que a sua influência normativa tem limites se não for acompanhada de pacotes financeiros que rivalizem com a agressividade comercial de outras potências. Sente-se que estamos numa nova era, diferente da liderança de Frans Timmermans ou Angela Merkel, e por isso é difícil ambicionar e conquistar grandes passos. Esta COP30, a primeira num País Lusófono, foi também uma oportunidade para Portugal ser a ligação entre a Presidência da COP e a Europa, demonstrando a capacidade de construção de pontes em momentos difíceis de negociação. Ainda assim, ficou claro que a regulação climática não chega. É preciso urgentemente ganhar "músculo" na execução pragmática para que os estados líderes não fiquem isolados na sua virtude. Kéramica - Que avanços concretos destacaria nas negociações — especialmente nos temas de financiamento climático e transição justa?

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Entrevista

Jorge Cristino - O grande "elefante na sala" era, como sempre, o financiamento. O destaque vai para a operacionalização final do Novo Objetivo Coletivo Quantificado (NCQG) de financiamento climático. Houve um avanço crucial com o reconhecimento de que o financiamento público, por si só, é insuficiente, e por isso abriram-se modelos para a existência de fundos que permitam a participação de investimento privado. A arquitetura desenhada em Belém abriu portas a mecanismos de financiamento misto (blended finance) mais robustos, essenciais para investimentos em tecnologias verdes. No campo da transição justa houve uma vitória semântica que se traduzirá em política pública e financiamento: a aceitação de que a "justiça" não é apenas para o Sul Global, mas também para as regiões industriais em transformação no Norte Global. Para setores como a cerâmica, isto é vital. Pois ficou claro nas negociações que não podemos exigir às indústrias intensivas em energia, as designadas “hard-to-abate”, que mudem os seus fornos e processos da noite para o dia sem salvaguardas sociais e apoio ao emprego. A transição justa deixou de ser um slogan social para se tornar um pilar da política industrial, a fim de proteger as comunidades onde a indústria opera. Assim, a transição justa surge a par da transição energética, permitindo a adaptação das empresas e das comunidades, enquanto se faz o caminho da descarbonização, sem termos que o fazer de forma disruptiva e com prejuízo para as empresas e para as pessoas. Ao nível europeu, este chavão materializa-se no pacote financeiro designado Fundo Social para o Clima 2026-2032, com 86,7 mil milhões de euros, com a fatia para Portugal de 1,6 mil milhões, através do Plano Social para o Clima. Kéramica - Como avalia o papel do Parlamento Europeu nesta conferência e o impacto político das posições defendidas pela delegação europeia? Jorge Cristino - O Parlamento Europeu teve um papel ativo e vigilante, sobretudo porque estamos num ano marcado por algumas hesitações e ajustamentos, marcado por pressões de diferentes forças políticas e vários Estados-Membros. Por isso entendo que o impacto político foi significativo, marcado pela presença de eurodeputados que defendem a ambição climática. Isto na medida em que a Europa conseguiu projetar a ideia de que o Mercado de Carbono (EU-ETS) e o Mecanismo de Ajustamento de Carbono Fronteiriço (CBAM) não são instrumentos protecionistas, mas sim uma referência e um convite ao alinhamento global. Assistiu-se, assim, a uma diplo-

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macia parlamentar intensa para explicar as vantagens de Mercados de Carbono regulados e as vantagens das transições globais para a aceleração da neutralidade, mas também para apresentar a Europa como uma economia aberta aos parceiros comerciais alinhados com a descarbonização. O Parlamento Europeu foi fundamental para garantir que a mensagem não fosse "a Europa está a fechar-se", mas sim "a Europa está a elevar a fasquia e garantirá uma qualidade sustentável". Contudo, é real a tensão entre a retórica ambiciosa destes eurodeputados e a realpolitik necessária para fechar acordos com economias que ainda dependem de combustíveis fósseis para crescer. Kéramica - A indústria europeia continua sob pressão para descarbonizar. A COP30 reforçou a confiança das empresas neste processo? Jorge Cristino - A confiança constrói-se com previsibilidade, e a COP30 ofereceu um pouco mais de certeza, embora não tenha eliminado os riscos. Para a indústria, a grande notícia não foi nenhuma nova meta "bombástica" ou uma nova agenda, mas sim a harmonização de roteiros, a ambição dos estados nas contribuições nacionalmente determinadas (NDCs) e o caminho para a universalização dos mercados de emissões. O facto de grandes economias (como o Brasil, China e partes dos EUA) terem sinalizado, em Belém, a aceleração dos seus próprios mercados de carbono, é um sinal positivo para a indústria europeia. O maior medo dos nossos industriais é, legitimamente, o dumping ambiental. Competir de forma desigual, com baixos preços, produtos feitos sem regras ou falsas certificações é sem dúvida o maior desafio. Por isso, a COP30 veio demonstrar que as Conferências das Partes são mais do que um momento de negociação para as políticas climáticas globais, mas sim uma oportunidade de desenvolvimento de instrumentos e mecanismos que reforçam e apoiam as indústrias no caminho da adaptação e mitigação climática. Isso dá confiança às empresas que já investiram na descarbonização, pois valida a sua estratégia, que não deve ser apenas de compliance, mas antes de alavanca à sua eficiência, sustentabilidade e resiliência. No entanto, a pressão mantém-se. Na COP30 não houve um Stop the Clock, a mensagem de Belém para um industrial português é clara: quem estiver à espera que o mundo volte atrás nas exigências climáticas vai perder o comboio. A descarbonização é irreversível e a dúvida agora é apenas sobre quem consegue fazer a transição tecnológica de forma rentável e mais sustentável possível.

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Entrevista

Kéramica - Que lições ou compromissos relevantes emergiram para os setores industriais, nomeadamente para os países que, como Portugal, estão a implementar roteiros de descarbonização? Jorge Cristino - A principal lição é que investir com os “mínimos olímpicos” como a eficiência energética já não chega para sermos mais competitivos e sustentáveis. Para atingirmos as metas precisamos de mais inovação, maior apoio da tecnologia, processos mais sustentáveis, mais circularidade, produtos mais bem desenhados e uma monitorização permanente. Para Portugal e para o setor cerâmico, a COP30 sublinhou que a transição energética através da eletrificação direta e os gases renováveis não são ficção científica, são condições de sobrevivência a médio prazo. Assim, um compromisso relevante que emergiu foi a ênfase na economia circular como ferramenta de descarbonização. Muitas vezes focamo-nos apenas na chaminé, mas a pegada de carbono reduz-se também na incorporação de matérias-primas secundárias e no design do produto. Por outro lado, para Portugal, caracterizado por milhares de PME e com roteiros setoriais de descarbonização ambiciosos, a lição de Belém é a necessidade de simbiose industrial. As empresas não se salvam sozinhas, vão salvar-se em clusters, partilhando energia, calor, infraestruturas de produção e distribuição de gases e partilhando logística. A era do "cada um por si" acabou. A cooperação é o novo imperativo de uma gestão exemplar, de forma integrada e transversal. Aqui o desenho de novas arquiteturas de governance assentes nesta visão são essenciais e urgentes. Kéramica - A transição verde precisa de financiamento robusto. A Europa está a mobilizar os instrumentos certos para apoiar esta mudança? Jorge Cristino - Esta é uma questão crítica. A Europa tem os instrumentos certos no papel, como o Fundo de Inovação, Fundo de Coesão materializado nos Programas Regionais e nos Programas como o Compete2030 e outros, o PRR, Banco Europeu de Investimento e o Banco Português do Fomento, além do Fundo Social para o Clima que já mencionei. No entanto, peca bastante na velocidade e na burocracia. Enquanto os Estados Unidos (IRA - Inflation Reduction Act) e a China injetam capital de forma rápida e direta, a Europa ainda obriga as empresas a complexas candidaturas e longos períodos de espera. Aqui precisamos de ter noção que muitas vezes o maior obstáculo não são as diretivas para a descarbonização e a sustentabilidade, mas antes a burocracia assente

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em aprovações, financiamento e regras criadas ao abrigo de uma falsa ideia que o contrário são auxílios do estado. Em simultâneo, a transição verde exige um forte investimento inicial (CAPEX) e a indústria transformadora intensiva, como a cerâmica e o vidro, que tenha no seu Roteiro a pretensão de modernizar os seus equipamentos enfrenta um risco tecnológico e financeiro brutal. A Europa está a começar a perceber isso e assistem-se a debates sobre a necessidade de um "Fundo de Soberania" ou mecanismos similares que sejam mais ágeis. Mas o fator tempo continua a ser o indicador mais emergente para a sustentabilidade e a velocidade da disponibilização dos fundos não é compatível com a velocidade da emergência climática nem com o ritmo dos competidores globais. Precisamos de menos formulários e mais "project finance" ágil. Sem isso, corremos o risco de ter as fábricas mais limpas do mundo, mas também as mais endividadas ou, pior, encerradas. Kéramica - Que papel terão os jovens profissionais e a inovação tecnológica na concretização das metas acordadas na COP30? Jorge Cristino - Os jovens têm um papel central e, diria mesmo, executivo. Se nas COPs anteriores os jovens estavam "à porta" a protestar, na COP30 e no pós-2025, eles estão "dentro" a ajudar a desenhar as soluções. A geração que entra agora no mercado de trabalho não concebe a engenharia, a arquitetura ou a gestão sem a variável da sustentabilidade. Portugal, por exemplo, integrou pela primeira vez um Delegado Jovem (Youth Delegate) na sua delegação que acompanhou o processo de negociação. Já quanto à inovação tecnológica, como tenho vindo a reforçar, é necessária para cumprir as metas. Desde a captura de carbono, novos materiais e processos mais sustentáveis, digitalização, transição energética, entre outros. A Twin Transition (verde e digital) é fundamental e é o forte desta nova geração. Para o setor da cerâmica, atrair este talento é tão vital como garantir o preço do gás natural. São eles que vão descobrir como produzir a chávena ou o tijolo do futuro com metade da energia e zero emissões. Kéramica - Se tivesse de resumir o legado da COP30 numa frase, qual seria? Jorge Cristino - A COP30 veio provar que o multilateralismo e a cooperação são fundamentais para os desafios que enfrentamos. Estamos num momento em que a sustentabilidade deixa definitivamente de ser um departamento para se tornar o próprio modelo de negócio da economia global.

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Outros Roteiros

ROAD TO 2050: O SETOR DA PEDRA NATURAL EM PORTUGAL NA ROTA DA DESCARBONIZAÇÃO

A Pedra Natural: um setor tradicional que se moderniza A Pedra Natural acompanha a história da humanidade há milhões de anos. Hoje, continua a ser um recurso estratégico, versátil e cada vez mais valorizado. Em Portugal, o setor tem um peso económico crescente, impulsionado pela capacidade de transformar tradição em inovação. Com mais de 14 mil trabalhadores e uma forte presença nos mercados internacionais, a indústria portuguesa da Pedra Natural assume um papel essencial na economia nacional e no desenvolvimento dos territórios do interior. Mas o futuro do setor já não depende apenas da excelência estética ou da competitividade comercial. Depende, sobretudo, da capacidade de se reinventar num contexto global marcado pela transição energética, pelas metas climáticas europeias e pela necessidade urgente de reduzir as emissões de carbono. É neste cenário que surge o ROAD TO 2050 - Roteiro para a Descarbonização do Setor da Pedra Natural, promovido pela ASSIMAGRA, Associação Portuguesa da Indústria dos Recursos Minerais, com o apoio técnico do CTCV – Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro, e financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (NextGenerationEU). Ao longo das últimas décadas, a indústria evoluiu de um modelo centrado na simples extração para uma estrutura altamente tecnológica, com maquinaria de precisão, processos automatizados e forte incorporação de inovação. A tendência é clara: criar mais valor acrescentado e produtos diferenciados, enquanto se reduz o impacte ambiental. Hoje, Portugal é um dos maiores exportadores mundiais de Pedra Natural per capita, reconhecido internacionalmente pela qualidade dos seus calcários,

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O ROAD TO 2050, promovido pela ASSIMAGRA com o apoio do CTCV, def ine o caminho para responder às metas climáticas e à transição energética.

por Inês Rondão, Mar isa Almeida, Isabel Antunes, Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro (CTCV )

mármores e granitos. Contudo, este crescimento ocorre num momento em que governos, mercados e consumidores exigem produtos cada vez mais sustentáveis e com menor pegada carbónica. Descarbonizar: um desafio e uma oportunidade Embora o setor apresente emissões diretas relativamente baixas face a outras indústrias energeticamente intensivas, alcançar a neutralidade carbónica até 2050 implica transformações profundas. O Roteiro, a única iniciativa nacional dedicada exclusivamente à descarbonização da Pedra Natural, define os caminhos estratégicos para esse objetivo. O seu propósito central é servir como documento de referência, oferecendo soluções ajustadas e exequíveis, apoiando a tomada de decisão das empresas e garantindo o alinhamento com as metas climáticas nacionais e europeias. O Roadmap identifica os principais vetores de descarbonização para o setor da Pedra Natural, apresentando as tecnologias já disponíveis e soluções emergentes com potencial de aplicação futura. Para cada medida, avalia-se o impacto na redução das emissões de GEE até 2050 e os efeitos

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Roteiro Pedra PT

Roteiro Pedra PT

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O Roadmap define os principais vetores de descarbonização do setor da Pedra Natural, avaliando tecnologias e soluções com impacto na redução de emissões de GEE e nos efeitos económicos até 2050.

económicos associados, permitindo que as empresas adotem trajetórias de transição mais eficientes e sustentáveis. Entre as estratégias prioritárias destacam-se: • Eficiência energética: implementação de sistemas de monitorização, substituição de equipamentos ineficientes e automação para reduzir consumos e custos. • Eletrificação: adoção de maquinaria e equipamentos elétricos, essenciais para substituir o uso de gasóleo e beneficiar do aumento de energia renovável disponível. • Combustíveis de baixo carbono: integração de biocombustíveis como o biodiesel e o HVO e, no futuro, combustíveis sintéticos e hidrogénio verde, em áreas onde a eletrificação ainda não é viável. • Energias renováveis: produção local de energia solar, incluindo através de Comunidades de Energia Renovável, reforçando a autonomia e reduzindo a fatura energética.

• Economia circular: valorização de resíduos, reutilização de lamas e recirculação de água, criando oportunidades de negócio e reduzindo o impacto ambiental. • Ecodesign: Integra considerações ambientais no design do produto, influenciando até 80% dos seus impactes ambientais. Desde a conceção, procura otimizar o desempenho ambiental ao longo de todo o ciclo de vida, promovendo o uso eficiente de recursos, otimizando o recurso pedra; • Recuperação paisagística: consiste na reconfiguração do relevo, estabilização de taludes, reposição de solos e revegetação com espécies autóctones, que atuam como sumidouros de CO₂ (durante a fotossíntese). Pode incluir a reutilização de resíduos industriais. Esta prática cumpre exigências legais, valoriza ambiental e socialmente o território e reforça o compromisso do setor com a sustentabilidade • Tecnologias de remoção de CO₂: soluções como a carbonatação mineral e a meteorização acelerada permitem transformar resíduos rochosos em materiais capazes de fixar carbono de forma permanente. O ROAD TO 2050 integrou, para além do desenvolvimento do roteiro, um amplo programa de capacitação destinado a envolver o setor e promover uma cultura de descarbonização. Este programa incluiu a criação da plataforma digital ROADTO2050 (roadto2050.assimagra.pt/), concebida para divulgar o projeto, acompanhar a evolução tecnológica e regulamentar, e servir como observatório da transição energética na Pedra

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Roteiro Pedra PT

A f e r r a m e n t a Ro a dToZ e r o – St o n e Ca r b o n Ca l c u l a t o r gera automaticamente um relatório detalhado das emissões de CO₂ da empresa, incluindo o diagnóstico atual e a simulação de cenários de descarbonização.

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Natural. A divulgação contínua dos resultados, aliada à produção de conteúdos formativos e recursos educativos, permitiu informar toda a cadeia de valor e reforçar o compromisso coletivo com a sustentabilidade. A iniciativa promoveu ainda ações de proximidade, como o Open Day dirigido à comunidade local, e desenvolveu ferramentas práticas, entre as quais se destaca a Stone Carbon Calculator, que ajuda as empresas a avaliar a sua pegada carbónica, identificar as fontes de emissões de CO₂, identificar medidas de redução e estruturar o seu próprio plano de descarbonização. A formação especializada foi igualmente reforçada através do lançamento de um curso dedicado à descarbonização do setor, em formato MOOC, facilitando o acesso a conhecimento técnico atualizado. Paralelamente, eventos e workshops reuniram empresas, especialistas e fornecedores de tecnologia, criando espaços de debate onde foram discutidos desafios, oportunidades e soluções para acelerar a transição energética. Conjugando formação, sensibilização e inovação, o ROAD TO 2050 tornou-se um catalisador para modernizar o setor, reforçar a competitividade e apoiar as empresas no percurso rumo à neutralidade carbónica, alinhado com as metas nacionais e europeias.

O Roteiro apresenta assim uma visão clara: transformar a Pedra Natural portuguesa num material de referência global não só pela sua qualidade, mas também pelo compromisso ambiental que carrega. A descarbonização deixa de ser apenas uma exigência regulatória para se tornar uma alavanca competitiva, capaz de diferenciar o setor nos mercados internacionais e promover um desenvolvimento mais equilibrado e eficiente. Conclusão A descarbonização do setor da Pedra Natural é um desafio ambicioso, mas também uma oportunidade estratégica única para reforçar a liderança de Portugal na produção sustentável de recursos minerais. O Roteiro ROADto2050 representa um marco estratégico: orienta empresas, decisores e parceiros para uma transformação que alia inovação, responsabilidade ambiental e criação de valor. Com esta estratégia, a Pedra Natural portuguesa, símbolo de solidez e permanência, está agora preparada para construir um futuro mais verde e resiliente para o setor, para a economia e para o planeta.

Um setor preparado para o futuro As projeções apontam para um crescimento gradual da produção até 2050, acompanhado de maior valorização industrial e inovação tecnológica. Contudo, esse crescimento só será compatível com as metas climáticas se forem adotadas medidas estruturadas e investimentos contínuos em sustentabilidade.

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ROTEIRO DE DESCARBONIZAÇÃO DO METAL PORTUGAL

por Carla Gonçalves, Associação dos industriais metalúrgicos, metalomecânicos e afins de Portugal (AIMMAP)

1. Como surgiu a iniciativa do vosso roteiro e quais foram os principais objetivos? A iniciativa decorre de uma candidatura conjunta AIMMAP–CATIM ao PRR, através do projeto CarbonFree_Guide4Metal, com a missão de dotar o setor de um roteiro técnico-operacional que identifique trajetórias custo-eficazes no que respeita a utilização de recursos e eficiência energética, ferramentas digitais de apoio às empresas na contabilização da pegada de carbono e na definição de planos de descarbonização, bem como na capacitação das empresas do setor para várias temáticas em torno da descarbonização. 2. Que papel têm as entidades promotoras e os parceiros técnicos neste processo? A AIMMAP liderou o projeto e, juntamente com o CATIM, impulsionando a mobilização do setor e promovendo a respetiva capacitação para a temática da descarbonização. Fomos responsáveis pelo desenvolvimen-

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to metodológico do roteiro, diagnóstico do setor e pela validação tecnológica das soluções propostas. O projeto contou com o envolvimento de vários parceiros estratégicos para a implementação de um plano de capacitação que incluiu 11 workshops e 11 ações de capacitação, bem como a criação de um website e de duas ferramentas digitais — Pegada Metal e Roteiro Metal — que transformam conhecimento técnico em decisões práticas.

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3. Que relevância tem o vosso setor no contexto das emissões industriais em Portugal? Este é um setor muito intensivo no que respeita ao consumo de energia, de carácter transversal à indústria transformadora. A sua relevância económica e estrutural — em termos de emprego e exportações — faz com que qualquer iniciativa de descarbonização tenha um impacto amplificado nas emissões industriais do país. A curto e médio prazo, este projeto tem como objetivo desenvolver soluções práticas e acessíveis que apoiem as empresas do setor na implementação de estratégias de sustentabilidade e com resultados concretos. 4. Que metas de descarbonização estão definidas para 2030 e 2050? São metas muito ambiciosas e exigentes. Na verdade, alinhámos o roteiro com o RNC2050, ou seja, 50% emissões até 2030 face a 2005 e 72% emissões até 2050 (neutralidade via mitigação profunda e compensação de emissões residuais). Para âmbitos 1 e 2, a trajetória é 75% em 2030 e 90% em 2050; no âmbito 3, é 48% em 2030 e 70% em 2050. As emissões de âmbito 3 envolvem a cadeia de valor a montante e a jusante das empresas, pelo que apresentam maior dificuldade de redução. 5. Que resultados ou etapas concretas já foram alcançados até agora? Com a conclusão desta fase do projeto, é com enorme satisfação que anunciamos o seu sucesso, traduzido em resultados concretos e na disponibilização de ferramentas práticas para apoiar as empresas do setor na sua jornada rumo à descarbonização. O feedback recebido até ao momento por parte das empresas tem sido extremamente positivo e gratificante. A adoção e implementação do roteiro no setor representam um marco relevante para enfrentar os desafios da descarbonização, reforçando o compromisso da indústria com a sustentabilidade e a competitividade. 6. Qual tem sido a adesão das empresas e que desafios enfrentam na implementação? O METAL PORTUGAL há muito que investe e aposta no tema da descarbonização, até porque isso reflete-se em enormes vantagens para as empresas em termos de posicionamento no mercado e redução de custos. Num inquérito ao setor realizado no início do projeto constatamos que cerca de 24% são consumidores intensivos de energia; 57% das empresas já têm UPAC fo-

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tovoltaica; e 45% monitorizam os consumos de energia, mas apenas 17% possuem um plano específico de descarbonização, o que revela progresso operativo e lacunas estratégicas. Os desafios centram-se assim, no tratamento de dados e medição, investimento em medidas de eficiência energética, integração de práticas de sustentabilidade na cadeia de valor e qualificação /capacitação do setor. 7. Que tecnologias ou soluções se destacam como mais promissoras para reduzir emissões? De entre todas as soluções indicadas ao longo do Roteiro, destacamos a: Eficiência energética (auditorias, sensorização e controlo de consumos, recuperação de calor em fornos e ar comprimido); Eletrificação (fornos híbridos, bombas de calor); Energias renováveis (fotovoltaico, solar térmico de processo, biometano e biomassa em usos térmicos), Logística mais eficiente e Ecodesign (essencialmente para reduzir as emissões de âmbito 3). 8. Há projetos piloto ou casos de sucesso que possam servir de exemplo ao setor? O roteiro documenta medidas aplicáveis por processo (maquinagem, conformação, corte, tratamentos térmico/superfície, soldadura) e a aplicação da ferramenta digital Roteiro Metal, que gera cenários customizados por empresa. Na conferência “Efeito+”, empresas como a CHETO apresentaram investimentos em eficiência e autoconsumo como vantagem competitiva em mercados exigentes. Mas felizmente há já vários bons exemplos. 9. Que condições políticas, financeiras ou regulatórias são essenciais para acelerar esta transição? Na verdade este tema pode ter um papel determinante para acelerar a adoção de medidas de descarbonização. Destacamos a execução célere de programas (como PRR e Portugal 2030), redução de burocracia e agilização dos programas, instrumentos financeiros para CAPEX verde, clarificação de regras para gases renováveis e compensação voluntária credível, e estabilidade regulatória que valorize compras sustentáveis e reporte ESG. 10. Como estão as empresas a preparar se — em termos de inovação, formação e digitalização? A capacitação técnica é crítica: o setor beneficia de oferta formativa dedicada nomeadamente junto do CATIM e do CENFIM, incluindo em áreas como au-

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Outros Roteiros

tomação, eficiência energética, digitalização e competências ESG. A digitalização (monitorização, gestão de energia, simulação de roteiros) tornou-se o “motor” da descarbonização operacional.

do; cadeias de valor circulares com menor intensidade material; e compensação de emissões residuais via soluções naturais e tecnológicas, acima de tudo apoiada por inovação contínua e talento qualificado.

11. Como imagina o setor em 2050, num cenário de neutralidade carbónica? O METAL PORTUGAL está muito bem orientado nesse caminho. As empresas serão mais intensivas em dados, com mistura energética dominada por eletricidade renovável, biometano e hidrogénio, onde faça senti-

Concluímos destacando que para o METAL PORTUGAL a descarbonização não é um custo: é estratégia de competitividade, acesso a mercados, inovação e resiliência. O setor está comprometido com metas claras e com instrumentos práticos para que cada empresa transforme ambição em resultados.

Ferramentas ao dispor das empresas - https://carbonfreemetalportugal.pt/ - Roteiro de Descarbonização — guia estratégico para apoiar o setor metalúrgico e metalomecânico na transição para a neutralidade carbónica, definindo metas, medidas e soluções tecnológicas e custo eficazes. - Pegada Metal — calcula de forma simples e acessível a pegada carbónica de cada empresa. - Roteiro Metal — simula medidas em seis módulos (iluminação, ar comprimido/recuperação de calor, processos elétricos, processos térmicos, fotovoltaico e economia circular) e produz um plano personalizado com investimentos, poupanças e redução de CO₂e.

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Secção Jurídica

ANTEPROJETO DA REFORMA LABORAL REPENSAR O CONTRATO DE TRABALHO NA ERA DA FLEXIBILIDADE

po r Fi lo me n a Gi r ã o e Fi l i p a Pe r e i r a Si l v a , FAF Sociedade de Advogados

O Anteprojeto de Lei da reforma da legislação laboral, designado “Trabalho XXI”, vem qualificado como uma intervenção de natureza estrutural e abrangente, na medida em que intervém em múltiplos domínios (centrais) da relação laboral. A sua apresentação desencadeou um debate social e político intenso, culminando, há poucos dias, na primeira greve geral desde 2013 – o que revelará a perceção, mais ou menos generalizada, de que estão em causa alterações com impacto profundo no equilíbrio entre a flexibilidade empresarial e a proteção do trabalhador. Ora, de forma transversal, o Anteprojeto assume, como objetivo declarado, a adaptação do regime laboral às novas realidades económicas e organizacionais, marcadas por uma maior volatilidade, exigências de competitividade, digitalização e reorganização dos tempos de trabalho. Todavia, é precisamente da proposta de concretização desse esforço de adaptação que emergem preocupações relevantes quanto ao risco de erosão de garantias fundamentais dos trabalhadores. De entre as alterações mais pertinentes, destacam-se aquelas que se prendem com as áreas da parentalidade, do (livre) despedimento, da duração dos contratos a termo, da revisão do papel da negociação coletiva e dos instrumentos de regulamentação coletiva de trabalho (IRCT) e, bem assim, da reconfiguração dos regimes de tempos de trabalho – linhas de intervenção que revelam, de forma inequívoca, uma clara opção política no sentido de reforçar a tão desejada flexibilidade contratual e organizativa. A matéria, complexa, impacta a todos, trabalhadores e empregadores. E, por tal, não pode ser ignorada. Precisará, do nosso ponto de vista, de outra perspetiva, mais consentânea com o tempo que vivemos.

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De qualquer forma, a proposta em apreço tem méritos. Uma das alterações que mais se aplaude é o regresso do banco de horas individual – não apenas pelo seu efeito prático, mas ainda porque a limitação ora vigente atenta, s.m.o., contra a liberdade dos trabalhadores. Veja-se: historicamente, o banco de horas individual, que genericamente previa a possibilidade de, por acordo entre o empregador e o trabalhador, o período normal de trabalho poder ser aumentado até duas horas diárias (com limites de 50 horas semanais e 150 horas anuais de acréscimo de trabalho) esteve previsto no Código do Trabalho desde 2012, tendo sido revogado pela Lei n.º 93/2019, de 04 de setembro – data desde a qual se impediu a celebração de novos acordos desta natureza. Não obstante, o banco de horas grupal, previsto no artigo 208.º-B daquele diploma legal, manteve-se em vigor, podendo ser instituído quando estivesse previsto em IRCT ou quando, pelo menos 65% dos trabalhadores a abranger, o aprovassem em referendo. Mutatis mutandis, tal vem significar que o referido regime de banco de horas grupal poderia ser aplicado a um trabalhador ou a um conjunto de trabalhadores, mesmo quando aquele(s) não pretendesse(m) que o mesmo lhe(s) fosse aplicável. Todavia, numa empresa que não fosse abrangida por IRCT que previsse aquela possibilidade ou numa

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empresa que não a tivesse referendado, aquele(s) mesmo(s) trabalhador(es) não poderia(m), mesmo que fosse essa a sua vontade, celebrar semelhante acordo com a sua entidade patronal – o que, de todo, não se compreende. Neste contexto, o restabelecimento do banco de horas individual permite corrigir uma limitação introduzida pela eliminação do regime individual, na medida em que devolve aos trabalhadores a possibilidade de escolha e de acordo voluntário, reforçando a autonomia negocial e a adequação do regime às necessidades concretas das partes. Se é certo que, anteriormente, o regime de banco de horas individual podia ser celebrado mediante proposta escrita do empregador, presumindo-se a aceitação tácita por parte de trabalhador quando a tal não se opusesse, por escrito, nos 14 dias seguintes ao conhecimento da referida proposta, por remissão para o n.º 4 do artigo 205.º do Código do Trabalho, na versão ora proposta pelo Governo prevê-se que o regime individual seja instituído mediante acordo expresso com o trabalhador ou por adesão a regulamento interno, nos

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termos do artigo 104.º do Código do Trabalho, i.e., por adesão expressa ou tácita (neste último caso, quando o trabalhador não se lhe oponha por escrito no prazo de 21 dias a contar do início da execução do contrato ou da divulgação do regulamento, se posterior). A este propósito, sempre se deverá dizer que o recurso a regimes que afetam a duração da jornada deve privilegiar sempre o acordo expresso do trabalhador; a adesão tácita só deverá ser admitida em circunstâncias específicas e, desde que a informação prévia seja clara, os períodos de oposição sejam legítimos e seja possível provar, sem qualquer margem de dúvida, que a comunicação foi eficaz. Isto dito, uma flexibilização responsável no âmbito das relações laborais e, especificamente, no que concerne à utilização do banco de horas individual - que obedeça ao primado da informação, da transparência e da proporcionalidade - não deverá ser encarada como um fator de desproteção, mas antes como uma resposta legítima às exigências contemporâneas da economia. O enquadramento equilibrado da reforma laboral exige o reconhecimento de que a proteção do trabalhador não pode ser construída à custa da inviabilização da organização empresarial. O empregador, enquanto parte que suporta o risco económico da atividade, necessita de instrumentos que lhe permitam adaptar a gestão do trabalho às flutuações do mercado, sob pena de se comprometer a sustentabilidade da própria relação laboral. O desafio do Anteprojeto reside, assim, não em rejeitar a flexibilidade, mas em moldá-la de forma a que sirva simultaneamente a tão desejada eficiência e a inquestionável tutela efetiva do trabalho, preservando um equilíbrio justo entre interesses estruturalmente assimétricos. Flexibilize-se, sim, responsabilizando as partes, Estado incluído, na justa medida das suas forças. Não defendemos uma absoluta liberalização do mercado de trabalho. Defendemos, sim, uma regulação que, protegendo os trabalhadores, não os apouque. Os trabalhadores, devidamente esclarecidos, saberão escolher o que mais lhes convém. E, certamente, a sua escolha não será diferente daquela que se espera dos empregadores igualmente esclarecidos: empresas que sejam, financeira, ambiental, e, sobretudo, socialmente, sustentáveis. Oxalá o Estado compreenda que, para isso, há outras reformas (urgentes) por fazer.

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Notícias & Informações

NOVIDADES DAS EMPRESAS CERÂMICAS PORTUGUESAS

po r Alb e r t i na S e qu e i r a , Vice-Presidente Executiva da Apicer

CINCA CINCA celebra 60 anos com o lançamento da sua monografia institucional, 0 evento decorreu no Colégio Luso-Francês, no Porto, a 31 de outubro. No passado dia 31 de outubro, o auditório do Colégio Luso-Francês, no Porto, acolheu o evento de lançamento da monografia institucional da CINCA, uma obra que celebra seis décadas de história, inovação e compromisso com a excelência industrial. A cerimónia reuniu colaboradores, antigos e atuais dirigentes, parceiros, representantes de diversas entidades e convidados especiais, num momento de partilha, reconhecimento e celebração coletiva. A iniciativa contou com a presença da Família Barros, fundadora da CINCA, e do Engenheiro Mira Amaral, que se associaram às comemorações, sublinhando a relevância da empresa no tecido industrial português e o seu contributo para o desenvolvimento do setor cerâmico nacional.

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Durante o evento foi apresentada oficialmente a monografia institucional, que retrata o percurso da empresa desde a sua fundação até à atualidade, destacando a evolução tecnológica, o impacto social e ambiental, e o contributo da CINCA para o setor cerâmico nacional e internacional. Em estreia absoluta, foi igualmente apresentado o vídeo oficial criado para acompanhar esta monografia, que combina registo documental e narrativa visual para ilustrar a história e a visão de futuro da empresa. O programa incluiu ainda uma mesa-redonda sob o tema “Revestimentos cerâmicos em Portugal. O legado da CINCA e perspetivas futuras”, que reuniu personalidades e especialistas do setor, promovendo um debate enriquecedor sobre o papel da inovação, da sustentabilidade e da competitividade industrial na construção do futuro da cerâmica portuguesa. Na sessão de abertura, o CEO da CINCA, Miguel Balboa de Sousa, destacou o significado simbólico da ocasião: “Esta monografia é mais do que um livro — é um espelho do nosso carácter coletivo. Cada página reflete a dedicação, o talento e o compromisso de todos aqueles que, ao longo de seis décadas, contribuíram para o que hoje somos.” Sublinhando o olhar para o futuro, acrescentou: “O futuro da CINCA constrói-se com a mesma determinação com que o nosso passado foi edificado: com rigor, responsabilidade e espírito de equipa. É na continuidade da confiança que renovamos o nosso propósito.” O evento encerrou com um momento musical, que proporcionou um ambiente de convívio e celebração entre todos os presentes, encerrando de forma simbólica e inspiradora uma noite dedicada à história e ao futuro da CINCA. Com o lançamento da monografia, a CINCA reafirma a sua identidade como empresa de referência na indústria cerâmica, unindo tradição e inovação, passado e futuro, e reforçando o compromisso com a qualidade, a sustentabilidade e o desenvolvimento das pessoas e das comunidades onde atua.

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Notícias & Informações

COSTA NOVA COSTA NOVA, NOVA Medical School e Fundação Casa Hermes lançam a Coleção Nutrir. Dois Pratos em T para apoiar uma alimentação mais saudável em todas as idades A COSTA NOVA, em parceria com a NOVA Medical School e a Fundação Casa Hermes, anunciou o lançamento do projeto “Prato em T” e da correspondente Coleção Nutrir. A apresentação teve lugar no dia 10 de dezembro, às 14h00, na Sala dos Atos da NOVA Medical School, em Lisboa. No Dia Internacional dos Direitos Humanos, o projeto reforça o direito fundamental de todos a uma vida saudável e digna, promovendo escolhas alimentares conscientes, equilibradas e sustentáveis. Os “Pratos em T”, da Coleção Nutrir, estão disponíveis em dois tamanhos, para adulto e para criança, e afirmam-se como ferramentas educativas que unem ciência, cultura e design, tornando a literacia alimentar acessível a toda a sociedade. Para a COSTA NOVA, integrar este projeto representou uma extensão natural da sua missão de inspirar experiências à mesa que unem bem-estar, estética e funcionalidade. A Coleção Nutrir combina design e conhecimento nutricional, apoiado pelas equipas da NOVA Medical School e da Fundação Casa Hermes, instituições de referência nas áreas da ciência e da medicina. O evento contou com a presença de representantes das três entidades parceiras e de personalidades das áreas da saúde pública, educação, cultura e políticas sociais, que irão refletir sobre a importância da educação alimentar enquanto direito humano e sobre o impacto que o Prato em T poderá ter na sociedade portuguesa. Os Prato em T são peças físicas e educativas, concebidas para ilustrar de forma simples e intuitiva as quantidades ideais de cada grupo alimentar. Metade do prato é dedicada aos hortícolas, um quarto divide-se entre cereais, tubérculos e leguminosas e o restante entre carne, peixe e ovos. Cada divisão simboliza a porção recomendada e

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procura promover maior autonomia e consciência alimentar em casa, nas escolas e em diferentes contextos educativos. MARGRES Margres Architecture Conference regressou ao Porto para refletir sobre Território e Identidade. A MAC - Margres Architecture Conference regressou no passado dia 23 de outubro, na Alfândega do Porto, para uma nova edição dedicada ao tema “Território e Identidade”, numa reflexão sobre o papel do espaço, da memória e da cultura na arquitetura. O evento contou com a presença do prestigiado atelier Paredes Pedrosa Arquitetos, de Espanha e do arquiteto Carrilho da Graça, duas vozes de referência no panorama ibérico da arquitetura contemporânea. Ao longo da conferência, ambos partilharam visões distintas, mas complementares, sobre o modo como o território molda a criação arquitetónica e como a identidade se traduz em forma, luz e matéria. A arquiteta Ángela García de Paredes e o arquiteto Ignacio Garcia Pedrosa apresentaram projetos emblemáticos como a Biblioteca Pública de Ceuta e a Villa Romana de La Olmeda, obras que evidenciam a relação entre património e contemporaneidade, num diálogo constante entre tempo e espaço. Já o arquiteto Carrilho da Graça destacou a expressão do território, através de obras como o Terminal de Cruzeiros de Lisboa e o Pavilhão Júlio Sarmento. Durante o evento, foi também entregue o Margres Architecture Award 2025, que distingue projetos de excelência na aplicação dos produtos Margres. O prémio foi entregue pelo diretor de marketing da Margres, Ricardo Mota, ao gabinete AZO Arquitectos, vencedor desta edição. Com esta edição, a MAC afirma-se como um espaço de diálogo e pensamento sobre a arquitetura contemporânea, reforçando o compromisso da Margres com a cultura arquitetónica, a inovação e a valorização do território.

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March 24–26, 2026 Messe München

A high-performance material like no other. Discover ceramics. ceramitec.com

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Calendário de Eventos

MAISON & OBJET’2026 (Design / Cerâmica Utilitária e Decorativa) Bianual - Paris (França) De 15 a 19 de Janeiro de 2026 maison-objet.com

EXPOREVESTIR’2026 (Ladrilhos Cerâmicos) Anual – São Paulo (Brasil) De 9 a 13 de Março de 2026 exporevestir.com.br/

CERSAIE’2026 (Ladrilhos Cerâmicos) Anual – Bolonha (Itália) De 21 a 25 de Setembro de 2026 cersaie.it

THE INTERNATIONAL SURFACE EVENTE 2026 (Ladrilhos cerâmicos) Bianual – Las Vegas (EUA) De 27 a 29 de Janeiro de 2026 https://www.intlsurfaceevent.com/

CERAMITEC’2026 (Tecnologia para Cerâmica) Bianual – Munique (Alemanha) De 24 a 26 de Março de 2026 https://ceramitec.com/en/

TECNA’2026 (Tecnologia para Cerâmica) Bianual – Rimini (Itália) De 22 a 25 de Setembro de 2026 en.tecnaexpo.com

DOWNTOWNDESIGN’2026 (Design/Tendências) Anual – Riade (Arábia Saudita) De 3 a 6 de Fevereiro de 2026 downtowndesigcom

COVERINGS’2026 (Ladrilhos Cerâmicos) Anual – Las Vegas (USA) De 30 de Março a 02 Abril de 2026 coverings.com/

EquipHotel’2026 (Horeca / Cerâmica Utilitária) Anual – Paris (França) De 2 a 5 de Novembro de 2026 equiphotel.com

SURFACE DESIGN SHOW’2026 (Ladrilhos Cerâmicos) Anual – Londres (R.U.) De 4 a 5 de Fevereiro de 2026 surfacedesignshow.com/

The New York Tabletop Show´2026 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Bianual – New York (EUA) De 14 a 17 de Abril de 2026 tabletopassociationinc.com

CONCRETA´2026 (Materiais de Construção) Anual – Porto (Portugal) De 18a a 21 de Novembro 2026 exponor.pt/concreta/

AMBIENTE’2026 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Anual – Frankfurt (Alemanha) De 06 a 10 de Fevereiro de 2026 ambiente.messefrankfurt.com

TEKTÓNICA´2026 (Construção) Anual – Lisboa (Portugal) De 23 a 25 de Abril de 2026 tektonica.fil.pt/

BIG 5 SHOW´2026 (Materiais de Construção) Anual – Dubai (EAU) De 23 a 26 de Novembro de 2026 thebig5.ae/

HIP HORECA PROFESSIONAL EXPO’2026 (Restauração) Anual – Madrid (Espanha) De 16 a 18 de Fevereiro de 2026 expohip.com/en/

The National Restaurant Show.com’2026 (Horeca / Cerâmica Utilitária) Anual - Chicago (USA) De 16 a 19 de Maio de 2026 nationalrestaurantshow.com

LONDON BUILD ‘2026 (Materiais de Construção) Anual – Londres (UK) De 25 a 26 de Novembro de 2026 londonbuildexpo.com

NKBA|KBIS’2026 (Cerâmica Sanitária e Ladrilhos Cerâmicos) Anual – Orlando (USA) De 17 a 19 de Fevereiro de 2026 kbis.com/

THE HOTEL SHOW’2026 (Restauração) Anual – Dubai (EAU) De 2 a 4 de Junho de 2026 thehotelshow.com

ARCHITEC@WORK 2026 (Materiais de Construção) Anual – Lisboa (Portugal) De 3 a 4 de Dezembro de 2026 architectatwork.pt//

INPROJECTA´2026 (Design / Cerâmica Utilitária e Decorativa) Anual – Porto (Portugal) De 26 a 28 de Fevereiro de 2026 exponor.pt/inprojecta/

3 DAYS OF DESIGN’2026 (Design/Tendências) Anual – Copenhaga (Dinamarca) De 10 a 12 de Junho de 2026 3daysofdesign.dk/

BAU ‘2027 (Materiais de Construção) Anual – Munique (Alemanha) De 11 a 15 de Janeiro de 2027 bau-muenchen.com/en/

THE INSPIRED HOME SHOW’2026 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Anual – Chicago (EUA) De 10 a 12 de Março de 2026 theinspiredhomeshow.com

MAISON & OBJET’2026 (Design / Cerâmica Utilitária e Decorativa) Bianual - Paris (França) De 10 a 14 de Setembro de 2026 maison-objet.com

ISH’2027 (Cerâmica Sanitária) Bianual – Frankfurt (Alemanha) De 15 a 19 de Março de 2027 ish.messefrankfurt.com/frankfurt/en.html

p.32 . Kéramica . Calendário de Eventos

Novembro . Dezembro . 2025


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Revista Kéramica nº399 Novembro/Dezembro 2025 by APICER - Ceramics Portugal - Issuu