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Revista Kéramica nº398 Setembro / Outubro 2025

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KÉRAMICA revista da indústria cerâmica portuguesa

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (IA)

Publicação Bimestral €8.00

nº398

Edição Setembro/Outubro . 2025

CIBERSEGURANÇA E REALIDADES IMERSIVAS


anos years

Confiança a Construir o Futuro

anos years Acreditada pelo IPAC como organismo de certificação de produtos (incluindo Regulamento dos Produtos de Construção), serviços e sistemas de gestão

R. José Afonso, 9 E – 2810-237 Almada – Portugal — Tel. 351.212 586 940 – E-mail: mail@certif.pt – www.certif.pt


Editorial

No entanto, não há bela sem senão. É necessário ter em linha de conta que estamos em simultâneo a falar de digitalização. No campo dos processos físicos, como a produção, implica a sensorização dos elementos do processo (energia, água, movimentos, posicionamento, …). É com base em dados e no seu tratamento que se obtêm os benefícios esperados. À parte de este facto, também há que pensar no ambiente. A IA é um sorvedouro de recursos de energia, podendo vir a ser responsável por geração de emissões de CO2, se faltarem energias limpas disponíveis para as alimentar. Mas, sem dúvida, será uma ferramenta imprescindível para a competitividade e eficiência de processos. A Realidade Virtual, que também tem a IA no seu processo, assume-se como um auxiliar fantástico para simulações,

Atualmente vivemos uma época em que os processos de inovação decorrem a um ritmo muito acelerado, confirmando o que a Lei de Moore consigna, ou seja, a capacidade de processamento duplica a cada dois anos. Assim se pode entender tudo o que a IA (Intelegência Artificial) nos tem vindo a mostrar nos últimos anos, com um ritmo de avanço vertiginoso. Da IA às Realidades Imersivas, aplicáveis ao nosso setor nos processos e, a capacidade de virtualização de produtos, temos de manter presente que existe um ponto crucial, a Segurança Digital. É assim que, neste número da Kéramica, abordamos um conjunto de temáticas, de suma importância para as empresas. No campo da IA, temos de considerar o importante auxílio aos processos de análise e aos próprios processos produtivos, em que a automatização pode ser ainda mais eficaz. Estas melhorias traduzem-se por benefícios a muitos níveis e, podem destacar-se no campo da produção a antecipação de informação para ações de manutenção permitindo, assim, menos situações de paragem de equipamentos e consequente perda de produção. Também ao nível da qualidade, onde a visão artificial terá uma relevância muito maior, com os dados recolhidos do processo, podem ser dadas informações de alerta para vigilância de parâmetros críticos, permitindo reduzir as perdas de produto ao longo do processo produtivo. Nos processos administrativos, a redução do trabalho manual e o aumento do rigor do tratamento de dados, obtêm-se ganhos significativos. No caso do Marketing e das Vendas, possibilita processos mais avançados e ágeis para alcançar clientes e consequentemente os resultados. São alguns exemplos, dos muitos que podem ser visíveis neste campo.

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sejam elas de processo produtivo, seja noutra área mais conhecida nos dias de hoje, e que tem que ver com as simulações com carácter comercial. Falamos da construção de imagem que é transposta para ambiente tridimensional virtual, permitindo através de óculos a imersão do observador como parte integrante. Ferramenta de excelência para apresentar produtos inexistentes fisicamente, permitindo decidir se os projetos estão de acordo com as expetativas. É válido para produto em produção, permitindo entender os espaços com os seus produtos, sejam eles pavimentos, revestimentos, louça utilitária e decorativa ou sanitários, mas também mobiliário e cozinhas para auxiliar a composição. Da mesma forma e, talvez mais relevante, seja quando falamos de protótipos, poupando tempo e recursos. Quanto à Cibersegurança, trata-se de um tema crucial na operação das empresas. Embora a consciência sobre esta temática seja muitas vezes desconsiderada, é uma área que, não sendo cuidada adequadamente, se pode transformar numa dor de cabeça para todos, não apenas para as empresas. Desde a perda de dados pura e simples, até às consequências de ataques informáticos que podem assumir formas distintas, a continuidade das operações pode ser posta em causa, ou mesmo interrompida. Roubo de dados, encriptação de sistemas de dados para pedidos de resgate, burlas de muitos tipos, obrigam as empresas a dotar-se de meios para mitigar os ataques e, em simultâneo formar os colaboradores para terem atitudes seguras. Um simples email pode ser o suficiente para que alguém aceda de forma não autorizada à rede empresarial. Ao longo desta edição da Kéramica, poderá encontrar informação sobre estas temáticas, que lhe permitirão aumentar o nível de conhecimento. Espero que esta seja útil e contribua para um melhor desempenho empresarial.

Jorge Vieira (Presidente da Direção da APICER)

Editorial . Kéramica . p.1


Index

Editorial . 01

Sustentabilidade . 34 Inteligência Artificial e Cibersegurança: os novos pilares da Sustentabilidade Industrial

Destaque . 03 O desafio da digitalização e da cibersegurança na indústria da cerâmica e do vidro: oportunidades e ameaças

Inovação . 08 08 IA, Cibersegurança e Realidades Imersivas - Um Novo Horizonte Regulatório 11 O Eixo da Inovação: IA, Ambientes Imersivos e Cibersegurança 15 Transformação Digital na Indústria Cerâmica - Conectividade, Cibersegurança IT e Segurança OT

Estratégia . 18 18 Do Controlo à Continuidade: IA e Cibersegurança no Centro da Estratégia 22 Inteligência Artificial ao Serviço da Qualidade Cerâmica 25 Segurança da Informação na Indústria 4.0: desafios, riscos e o papel estratégico do CISO no setor cerâmico e da cristalaria

Regulamentação . 37 Sistema DPP: A Infraestrutura Digital que liga Normalização, Dados e Cibersegurança na Indústria 4.0

Secção Jurídica . 41 Quando a IA Compromete a Confiança nas Organizações

Novidade . 42 Sanindusa aposta na mobilidade elétrica e dá mais um passo rumo à frota 100% verde com o Cartão Frota Goldenergy“

Notícias & Informações . 44 Novidades das Empresas Cerâmicas Portuguesas

Segurança . 28 28 Segurança da Informação e Cibersegurança na Indústria: a Nova 31 Era da Confiança DigitalIA, Cibersegurança e Realidades Imersivas: Transformando a Indústria com Segurança e Compliance

Propriedade e Edição APICER - Associação Portuguesa das Indústrias de Cerâmica e de Cristalaria NIF: 503904023 Direção, Administração, Redação, Publicidade e Edição Rua Coronel Veiga Simão, Edifício Lufapo Hub A - nº 40, 1º Piso 3025-307 Coimbra [t] +351 239 497 600 [f] +351 239 497 601 [e-mail] info@apicer.pt [internet] www.apicer.pt Tiragem 500 exemplares Diretor Jorge Costa de Jesus Vieira Editor e Coordenação Albertina Sequeira [e-mail] keramica@apicer.pt Conselho Editorial Albertina Sequeira, António Oliveira, Cristiana Costa Claro, Martim Chichorro, Nelson Martins e Teresa Ribeiro Bento Capa Nuno Ruano

Calendário de Eventos . 48

Colaboradores Albertina Sequeira, Bruno Marques, Carlos Ribeiro, Idalécio Lourenço, Isabel Borges, Joana Lobo, Joana Mota Agostinho, João Faria, Luís Alexandre Correia, Martim Chichorro, Nelson Escravana, Nelson Martins, Nuno Miguel da Cruz Neves Paginação Nuno Ruano Impressão Gráfica Almondina - Progresso e Vida; Empresa Tipográfica e Jornalística, Lda Rua da Gráfica Almondina, Zona Industrial de Torres Novas, Apartado 29 2350-909 Torres Novas [t] 249 830 130 [f] 249 830 139 [email] geral@grafica-almondina.com [internet] www.grafica-almondina.com Distribuição Gratuita aos associados e assinatura anual (6 números); Portugal €43,00 (IVA incluído); União Europeia €60,00; Resto da Europa €75,00; Fora da Europa €90,00 Versão On-line https://issuu.com/apicer-ceramicsportugal Notas Proibida a reprodução total ou parcial de textos sem citar a fonte. Os artigos assinados veiculam as posições dos seus autores.

Índice de Anunciantes AMBIENTE (Pág. 43) • CERTIF (Verso Capa) • ECP (Pág. 33) • GOLDENERGY (Verso Contra-Capa) • INDUZIR (Contra Capa) Conteúdos conforme o novo acordo ortográfico, salvo se os autores/colaboradores não o autorizarem

Publicação Bimestral nº 398 . Ano XLX . Setembro . Outubro . 2025

Depósito legal nº 21079/88 . Publicação Periódica inscrita na ERC [Entidade Reguladora para a Comunicação Social] com o nº 122304 ISSN 0871 - 780X Estatuto Editorial disponível em http://www.apicer.pt/apicer/keramica.php

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Destaque

O DESAFIO DA DIGITALIZAÇÃO E DA CIBERSEGURANÇA NA INDÚSTRIA DA CERÂMICA E DO VIDRO: OPORTUNIDADES E AMEAÇAS

por Idalécio Lourenço e Bruno Marques, CIIWA

Introdução O setor da cerâmica e vidro, como qualquer indústria de manufatura e distribuição, enfrenta um conjunto de desafios de transformação digital, sendo as tecnologias de informação um dos motores desta mudança. Este mar de soluções e oportunidades é acompanhado por um conjunto de riscos crescentes devido à maior densidade digitalizada dos processos operacionais, relacionamentos de negócio com base em plataformas digitais, automatização e integração de sistemas entre parceiros de negócio, bem como a maior adesão ao comércio online. Neste quadro, o principal risco digital para o setor pode ser subdividido em duas dimensões principais: ciberataques “diretos” às empresas e vulnerabilidades na cadeia de fornecimentos. Por exemplo, um ciberataque de ransomware1 com capacidade para provocar indisponibilidade das operações ou um roubo de dados que coloque em causa a confidencialidade do negócio, poderá provocar sérios danos ao nível operacional, financeiro e reputação no ecossistema de negócios onde as empresas atuam. A cibersegurança é antecâmara de confiabilidade; a sua ausência representará um dano reputacional com elevadíssimas consequências. Salienta-se que uma ameaça digital relevante consiste na vulnerabilidade na cadeia de fornecimento conectada digitalmente, que pode paralisar operações mesmo sem atacar diretamente a própria empresa. Esta é uma ameaça crescente nos vários relatórios de monitorização do cibercrime, implicando um novo desafio: a cibersegurança é necessária não só para nós, como também para os nossos parceiros críticos. Ou seja, a complexidade nesta área não para de aumentar. Por outro lado, existem soluções e boas práticas que importa conhecer e colocar no terreno. Para este efeito, iremos apresentar uma análise contextual e passaremos à especialidade e a um convite à ação.

Envolvente macro e as tecnologias digitais Para a milenar indústria da cerâmica e do vidro, o digital e as tecnologias emergentes podem parecer que “é mais um novo desafio”, à semelhança de outros séculos anteriores. E não deixa de o ser. Porém, os novos tempos acelerados são ainda pouco conhecidos e carecem de estabilidade, o que impacta na análise, avaliação e decisão das organizações e empresas. Além da digitalização, por si só um desafio enorme e exigente – e está só no início – é também a geopolítica e a geoestratégia e as suas incertezas próprias de um ambiente mais dinâmico e volátil,conduzem a um efeito combinado de um ambiente complexo, competitivo e conflitual – igualmente no ciberespaço. Este novo mundo é diferente e está longe de ser conhecido. Navegar nele é um exercício arriscado ou mesmo um exercício perigoso. O ciberespaço e a segurança de informação A indústria de cerâmica e vidro em Portugal hoje enfrenta desafios significativos no que diz respeito à Segurança da Informação, com destaque nos vários domínios e dimensão da Cibersegurança, e especialmente entre os seus fornecedores e clientes, os denominados Terceiras Partes (Third-Parties). Embora o foco tradicional desta indústria tenha sido historicamente outros riscos, que não as tecnologias digitais, a crescente digitalização das organizações, em articulação cada vez maior com as áreas corporativos e de negócio, mas sobretudo, com clientes e parceiros externos, expõem as empresas a novos riscos e ameaças de cibersegurança – podendo

1.- Vírus informático com a capacidade de cifrar os dados de um ou vários sistemas de informação

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Destaque

colocar em causa a continuidade operacional, confidencialidade da sua informação e afetar a sua reputação no ecossistema competitivo Paralelamenteà digitalização da economia e das organizações, a indústria cerâmica e de vidro em Portugal exige no presente uma abordagem cada vez mais preventiva (e proativa) em relação à Cibersegurança, protegendo-a contra ameaças e assegurando a continuidade do negócio. Ou seja, Cibersegurança é sinónimo de Resiliência Estratégica. E todo o investimento nesta área deverá ser encarado como um tema de negócio. Acresce que o nível do risco associado aos fornecedores da indústria de cerâmica e vidro em Portugal é cada vez mais multifacetado, o que aumenta os riscos (já identificados) e, sobretudo as vulnerabilidades (desconhecidas da organização), logo aumentando a ameaça potencial. É verdade que o setor de cerâmica e vidro é tradicionalmente menos digitalizado que outros setores – sobretudo pela natureza da atividade - mas isso não significa que esteja menos exposto ao risco e às ameaças cibernéticas, face à tendência da adoção de tecnologias da Indústria 4.0, se bem que esta adoção pode fazer empresas mais seguras, desde que tenham as condições adequadas: equipas competentes, formação e tecnologia. A existência de sistemas antigos, maior penetração do digital, acompanhada por insuficientes políticas de segurança de informação e escasso investimento nesta área, à qual se junta a dependência de poucos fornecedores de TI, aumenta o risco de cibersegurança. Por outro lado, a crescente digitalização das empresas terceiras partes que interagem com as PME da indústria de cerâmica e vidro em Portugal, apresentam um novo cenário, amplificado pela crescente dependência digital e pela interconexão das cadeias de fornecimento. Podemos ainda acrescentar a falta de formação especializada e a implementação insuficiente de medidas de segurança, que as tornam alvos vulneráveis a ataques cibernéticos, o que exige mais e melhor capacitação – desde o nível estratégico até ao nível técnico. Regulação Europeia e a Cibersegurança: novas exigências para a Indústria da Cerâmica e do Vidro A União Europeia, através do seu programa “Construir o futuro digital da Europa”, estabelece uma abordagem assente em três pilares: a tecnologia ao serviço dos cidadãos; uma economia digital justa e competitiva; e uma sociedade aberta, democrática e sustentável.

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Orientada ao Risco, é nesta base que nasceu a Regulação para a Cibersegurança (NIS2) Network Information System que impacta diretamente a Indústria da Cerâmica A regulação NIS2 pode ser um tema técnico/operacional, mas tem uma elevada importância estratégica e competitiva, o que implica o envolvimento das Lideranças das organizações. A melhor visão e abordagem é apostar na antecipação dos riscos, assente numa estratégia de deteção e criação de oportunidades e no desenvolvimento de vantagens competitivas, aproveitando o ciclo inicial. • CIBERSEGURANÇA (Diretiva NIS2) A Diretiva NIS2 (EU-2022/255 – Network and Information Systems Directive) é a principal legislação europeia em matéria de cibersegurança, que substitui a NIS original (2016). O objetivo é elevar o nível comum de segurança das redes e sistemas de informação em toda a União Europeia. A NIS2 encontra-se em vigor ao nível europeu desde 16 de janeiro de 2023. Em Portugal, o Parlamento aprovou a transposição da NIS2 em 19 setembro de 2025. Após a publicação da lei no Diário da República, as entidades abrangidas terão 60 dias para se registar numa plataforma eletrónica. E depois disso, as entidades terão 24 meses (dois anos) para implementar as medidas exigidas pela NIS2. Ou seja: a data exata de entrada em vigor em Portugal depende de quando a lei de transposição for publicada no Diário da República. Este normativo tem implicações profundas ao nível da Governance deste tema e da gestão integrada, e coloca a Cibersegurança enquanto tema de negócio, na supervisão direta da gestão do topo, sob pena de pesadas multas e sanções até ao nível individual dos administradores. A NIS2 distingue também entre setores essenciais ou críticos e setores importantes, de acordo com a criticidade e impacto potencial em caso de incidente cibernético. Se é verdade que o setor da cerâmica e vidro não é abrangido como entidade essencial e importante, no caso de ter relações comerciais e financeiras com parceiros e fornecedores podem ser obrigados a cumprir requisitos em conformidade com a NIS2, para continuarem a desenvolver o seu negócio. Por outro lado, no âmbito das obrigações principais/medidas de risco e segurança são vários os domínios em que “as entidades devem adotar medidas técnicas, operacionais e organizativos ao risco, incluindo as políticas de segurança da informação e gestão do risco,

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Destaque

gestão de incidentes e continuidade de negócio, segurança da informação ou ainda a segurança na cadeia de fornecimento, e notificação de incidentes”, entre outros, segundo a NIS2. Por fim, a União Europeia pode, a qualquer momento, fazer recomendações práticas para a conformidade. Gestão de fornecedores (terceiras partes): um risco emergente no setor Uma das situações mais preocupantes para o setor é cada vez mais a interdependência entre empresas e o aumento da superfície de ataque, para o qual poderá contribuir o facto de 75% do mercado serem exportações. Um ataque a um fornecedor basta para comprometer toda a cadeia de produção. Ou seja, as empresas, sobretudo as PME, frequentemente subcontratam serviços a terceiros, o que pode introduzir vulnerabilidades adicionais se esses fornecedores não mantiverem padrões adequados de segurança. Falta de Conformidade com Normas de Cibersegurança e Capacidade Limitada de Resposta a Incidentes são outras carências das PME. E sem uma estratégia bem definida, a capacidade de mitigar os impactos de um ataque cibernético é reduzida, resultando em possíveis perdas financeiras e danos à reputação. Principais ameaças para o setor Tipo de Ameaça

Descrição

Observação

Phishing e engenharia social

Emails ou mensagens fraudulentas para obter credenciais.

Roubo de dados financeiros e de clientes, ataques à rede interna. Esta ameaça tem vindo a aumentar em Portugal (fonte: CNCS).

Ransomware

Bloqueio de sistemas até pagamento de resgate.

Paralisação de produção, atrasos de entrega, perdas financeiras. Esta é uma ameaça que tem aumentado de sofisticação (fonte: ENISA).

Vulnerabilidades de software / sistemas ERP

Falhas em sistemas de gestão (ERP, CRM, automação de fábrica), com especial foco em elementos desatualizados e versões antigas.

Exposição a ataques externos, dados industriais e financeiros comprometidos. O número de vulnerabilidades tecnológicas continua a aumentar; só em 2024 foram registadas cerca de 30.000 novas vulnerabilidades (fonte: Análise de mercado dos autores).

Ataques a sistemas de IoT / automação industrial

Máquinas conectadas à rede podem ser invadidas.

Interrupção da produção, danos em equipamentos, falhas de qualidade. É um dos riscos emergentes em aceleração (fonte: ISACA).

Fuga de propriedade intelectual

Informações sobre designs, fórmulas ou processos.

Perda de vantagem competitiva, cópias ilegais de produtos (fonte: análise de mercado dos autores).

Riscos na cadeia de fornecedores

Uso de terceiros com baixa maturidade em cibersegurança.

Ataques indiretos por fornecedores (supply chain attacks) é um dos riscos em aceleração (fonte: ENISA).

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Destaque

Inteligência artificial (IA): um risco emergente com nova regulamentação Vivemos numa era de transformação sem precedentes, onde a IA já não é uma tecnologia emergente, mas sim o novo motor da economia e da sociedade. Com efeito, a IA está a redefinir modelos de negócio, a otimizar processos e a desafiar as estruturas organizacionais que conhecemos, independentemente dos diferentes setores da economia. No centro desta mudança, existe um paradoxo fundamental: embora a sua base seja profundamente técnica, o seu sucesso depende inteiramente da visão e do envolvimento da liderança. • Situação da IA em Portugal A IA evoluiu de forma acelerada em Portugal, deixando de ser uma curiosidade tecnológica para se tornar uma prática generalizada entre profissionais. O inquérito inovador, realizado entre julho e agosto de 2025 em Portugal sobre adoção de IA, desenvolvida pela CIIWA2 numa perspetiva estratégica, analisou o estado atual da adoção, os riscos, barreiras e oportunidades, bem como as necessidades de formação. O mercado português encontra-se num momento de transição crítica. A elevada adoção individual contrasta com a baixa maturidade organizacional, refletindo uma lacuna de 74 pontos percentuais entre experimentação e estruturação. Este cenário cria uma oportunidade única para líderes que queiram assumir a dianteira: definindo políticas de IA, estruturando governança, capacitando equipas e preparando-se para o enquadramento regulatório europeu (EU AI Act). Em síntese, na introdução da IA na Indústria, de forma controlada e para mitigar os riscos emergentes associados à sua adoção, para evoluir da experimentação à transformação organizacional, as organizações devem: 1. Definir políticas de IA e frameworks de governance que mitiguem riscos.

2. Desenvolver ambientes seguros de experimentação, garantindo confidencialidade e privacidade. 3. Investir em programas de capacitação multinível, direcionados a executivos, gestores e técnicos. 4. Implementar métricas de valor e risco para monitorizar o impacto da IA. 5. Participar em redes de partilha de boas práticas e fomentar parcerias intersetoriais.

2.- www.ciiiwa.pt A Competitive Intelligence & Information War fare Association (CIIWA) é uma associação civil, sem fins lucrativos, cujo objetivo primordial é o desenvolvimento de uma comunidade internacional e de uma rede de conhecimento entre entidades, especialistas e demais interessados na temática da Competitive Intelligence e da Guerra de Informação.

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Destaque

Evolução regulamentar do AI Act O Regulamento (UE) 2024/1689, conhecido como AI Act, foi oficialmente publicado em 12 de julho de 2024, entrou em vigor a 1 de agosto de 2024. Em 2 de fevereiro de 2025, surgiram as primeiras obrigações iniciais; proibição de certas práticas consideradas inaceitáveis; exigências de literacia de IA para entidades que utilizem sistemas de IA (treinamento, sensibilização). Em 2 de agosto surgiu a aplicação de regras de governança, obrigações relativas a modelos de IA de uso geral e designação de autoridades nacionais competentes para supervisão. Em 2 de agosto de 2026, a maioria das regras do AI Act deverão estar plenamente aplicáveis, exceto algumas transições adicionais previstas para sistemas de “alto risco”. Por fim, em 2 de agosto de 2027, algumas disposições específicas para sistemas de IA de alto risco, embutidos em produtos regulados, terão prazo de transição até essa data. Portugal ainda não possui uma lei nacional específica para IA, além de normas existentes que regulem aspetos relacionados (proteção de dados, responsabilidade civil, etc.); a ANACOM (Autoridade Nacional de Comunicações) é, desde outubro, a entidade que exercerá funções de supervisão nacional no âmbito do AI Act; o “Portugal AI Strategy Report” indica que a estratégia nacional de IA será revista anualmente pelo governo. Tecnologias imersivas: oportunidades e riscos emergentes A relação entre tecnologias imersivas (como realidade virtual — VR, realidade aumentada — AR, e realidade mista — MR) e a indústria de cerâmica e vidro tem-se intensificado, principalmente em áreas como design, produção, marketing e formação profissional. As tecnologias imersivas atuam como ponte entre criatividade, eficiência e experiência do cliente, reduzindo custos, acelerando processos e ampliando possibilidades de interação com produtos de cerâmica e vidro. Em síntese, as tecnologias imersivas permitem reduzir custos, acelerar processos, melhorar a experiência do cliente e abrir novas possibilidades criativas, transformando a indústria de cerâmica e vidro de forma estratégica. Paralelamente, as empresas que ignoram segurança de informação associada a estas tecnologias emergentes pagam caro: potenciais danos financeiros, reputacionais e até legais. A prevenção, educação e monitorização contínua são essenciais. Conclusões O Digital representa, em simultâneo, uma opor-

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tunidade e uma ameaça para a indústria da cerâmica e do vidro. Se por um lado impulsiona a inovação, a eficiência e a competitividade global, por outro expõe as empresas a novos riscos e vulnerabilidades. Esta realidade torna evidente que a Cibersegurança é hoje um tema estratégico, essencial para proteger operações, salvaguardar a reputação e assegurar a continuidade do negócio. Mais do que uma questão técnica, a cibersegurança é agora um verdadeiro pilar da gestão moderna, integrando-se na estratégia e na tomada de decisão das organizações. Os principais motores desta transformação são tanto legais como de negócio: regulamentos europeus mais exigentes e cadeias de valor cada vez mais digitalizadas exigem um novo nível de maturidade na proteção da informação e dos sistemas. Neste contexto, a formação e a capacitação tornam-se fatores críticos de sucesso. Equipas bem preparadas são a base da resiliência digital e da confiança organizacional, permitindo adotar práticas seguras e decisões mais informadas. Assim, destacamos quatro notas que devem estar sempre presentes na gestão da segurança da informação: a. A segurança absoluta (também a digital) não existe. b. A segurança no mundo digital, hoje e no futuro, é critica para o quotidiano da nossa sociedade e para as PME nacionais; c. O Fator Humano é, neste contexto, ainda mais decisivo. É o principal ator… para o certo ou errado, desde a gestão do topo, até ao profissional no chão de fábrica. d. O cibercrime tem um custo elevado para a sociedade e para as Organizações, causando prejuízos e minando a confiança nas instituições e serviços digitais. e. Existe um conjunto de boas práticas essenciais de gestão de segurança de informação, em linha com os requisitos legais, para a proteção do património, continuidade e reputação das PME. É neste caminho que a CIIWA pretende ser um parceiro estratégico, apoiando as empresas a integrar a cibersegurança na sua visão de gestão, reforçando a confiabilidade, a resiliência e a sustentabilidade digital do setor. Fica o convite para a ação: o domínio da segurança de informação é sobretudo um desafio para as lideranças empresariais.

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Inovação

IA, CIBERSEGURANÇA E R E A L I DA D E S I M E R S I VA S - U M N O V O H O R I Z O N T E R E G U L AT Ó R I O

por Luís Alexandre Correia, ANACOM

No final de 2025, 70 a 80% das empresas mundiais já terão integrado a IA nos seus processos¹. Vivemos um momento decisivo em que a Inteligência Artificial (IA) deixou de ser uma promessa distante, durante anos foi até relativizada, para se tornar parte integrante do nosso quotidiano e, sobretudo, do tecido industrial e económico. Já não falamos apenas de algoritmos a otimizar anúncios ou a responder a perguntas simples, mas de sistemas complexos que se expandem e se infiltram em setores tão distintos como as comunicações, a saúde, a mobilidade, a energia e também, no caso português, em áreas com profundas raízes históricas como a cerâmica e a cristalaria. Esta transversalidade é, ao mesmo tempo, fascinante

e desafiante: a IA abre horizontes de inovação, mas exige também garantias de segurança, transparência e confiança. Não surpreende, por isso, que em 2026 se estime que 90% das empresas mundiais já utilizem IA em alguma dimensão2, e que o mercado europeu de IA, avaliado em cerca de 42,6 mil milhões de dólares em 2023, possa ultrapassar os 500 mil milhões até 2031. O ritmo de adoção mostra que o mundo está a mudar rapidamente, obrigando também a repensar a regulação.

Luís Alexandre Correia

O Regulamento de Inteligência Artificial Foi precisamente para responder a este equilíbrio entre inovação e responsabilidade que a União Europeia avançou com o AI Act, o primeiro regulamento do mundo dedicado em exclusivo à Inteligência Artificial. Ao contrário de outros regimes jurídicos que surgem para resolver problemas depois de acontecerem, o AI Act foi pioneiro, sendo proativo: antecipa riscos, categoriza aplicações de acordo com o seu impacto potencial e estabelece obrigações proporcionais. Assim, define que certos usos da IA serão simplesmente proibidos, como sistemas de manipulação comportamental ou vigilância massiva desproporcionada; outros, classificados como de risco elevado, terão de cumprir rigorosos requisitos de robustez, documentação e auditorias, assegurando que a decisão automatizada não põe em causa direitos fundamentais. Aplicações de risco limitado terão obrigações de transparência, como informar claramente quando estamos a interagir com um chatbot, e grande parte dos usos quotidianos continuará livre de restrições. 1.- Exploding Topics. (2024). Companies Using AI: 2024 Statistics and Trends. Disponível em: https://explodingtopics.com/blog/companies-using-ai 2.- IDC – International Data Corporation. (2024). Worldwide Artificial Intelligence Spending Guide, 2024–2028.

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Inovação

A Cerâmica e Cristalaria Portuguesa no contexto do IA

turas ou prever falhas na cadeia produtiva. A imaginação, apoiada pela tecnologia, deixa de ter barreiras físicas.

Mais de 1 em cada 3 empresas industriais já obtém retorno real dos investimentos em IA³.

Um Mundo em Transformação Tecnológica Esta transformação não acontece no vazio. À medida que se multiplicam os sensores, os dispositivos “conectados” da designada Internet das Coisas (IoT) e as interfaces imersivas, alarga-se o conjunto de pontos frágeis que podem comprometer a segurança digital. Aqui entram conceitos avançados como a Zero-Trust Architecture, que parte do princípio de que nenhum utilizador ou máquina é de confiança por defeito, exigindo autenticação e encriptação em cada ponto da rede. Embora possa parecer distante falar de criptografia quântica em setores como a cerâmica e a cristalaria, estas indústrias, sendo digitais, dependem da circulação de dados valiosos — desde fórmulas e processos até encomendas globais. A distribuição quântica de chaves (QKD) pode garantir que essa informação viaja em segurança absoluta, protegendo a competitividade e projetando estas indústrias tradicionais como pioneiras na adoção de tecnologias de futuro. No coração de fábricas inteligentes que trabalham vidro e cerâmica, a cibersegurança transcende a questão da proteção digital e deve passar a ser parte integrante da estratégia industrial.

Mas o que significa tudo isto para indústrias tradicionais que, de repente, se veem perante a necessidade de competir num mundo digital? Tomemos o caso da cerâmica portuguesa. Imaginar fábricas centenárias, onde o saber artesanal se cruza com linhas de produção industrial, e recentes, em que vivem sob a pressão constante da concorrência global, é perceber que a IA pode ser a diferença entre perder terreno ou conquistar novos mercados. Atualmente, algoritmos de visão computacional já conseguem detetar microfissuras ou defeitos invisíveis ao olho humano, garantindo padrões de exportação mais exigentes. Redes de sensores inteligentes, associadas a modelos preditivos, antecipam falhas em fornos e reduzem consumos energéticos, enquanto prolongam a vida útil dos equipamentos. Mais do que eficiência, isto traduz-se em sustentabilidade e em vantagem competitiva.

O mercado global de IA na manufatura crescerá quase 9 vezes até 2030⁴.

O Custo de Investir é o Retorno de Crescer

Figura 1 • Gémeo Digital de uma unidade fabril com integração de dados e monitorização inteligente. (imagem gerada por Inteligência Artificial)

Na cristalaria, setor igualmente emblemático, a revolução é ainda mais visível no design e na experiência do cliente. Já é possível recorrer a plataformas de realidade aumentada para que arquitetos, ceramistas e consumidores visualizem peças de cristal em contextos virtuais antes da produção. O que antes implicava maquetes físicas ou longas iterações pode agora ser resolvido com um digital twin, um gémeo digital do produto ou até da fábrica inteira, que permite simular procedimentos, experimentar novas tex-

96% das empresas industriais planeiam aumentar investimento⁵ O desafio para as organizações é, portanto, múltiplo: adaptar-se às exigências regulatórias do AI Act, proteger-se de riscos digitais cada vez mais sofisticados e, ao mesmo tempo, não perder de vista a sua missão de inovar e crescer. A adaptação não será apenas tecnológica, mas cultural, e exigirá das organizações uma combinação rara de visão, capacidade de transformação e resiliência competitiva. Exige que as empresas invistam em estruturas de governança para acompanhar a utilização da IA, que integrem a segurança desde a conceção dos sistemas e que formem as suas equipas para compreenderem tanto a linguagem técnica dos engenheiros como os critérios jurídicos e éticos que agora moldam a inovação. É verdade que haverá custos e resistências. Documentar algoritmos, auditar modelos ou formar trabalhadores pode parecer, à primeira vista, um fardo. Mas quem se posicionar cedo para cumprir com estas normas ganhará uma vantagem clara. Não sendo por acaso que um relató-

3.- KPMG. (2024). Global Tech Report 2024 – Industrial Manufacturing Insights. 4.- Grand View Research. (2024). Artificial Intelligence in Manufacturing Market Size, Share & Trends Analysis Report, 2024–2030. Grand View Research. Disponível em: https://www.grandviewresearch.com/industry-analysis/artificial-intelligence-in-manufacturing-market 5.- Manufacturing Leadership Council. (2023). The Future of Industrial AI in 2030. National Association of Manufacturers. Disponível em: https://www.manufacturingleadershipcouncil.com/

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Fi g u r a 2 • Fu s ã o e n t r e Ar t e e Te c n o l o g i a (imagem gerada por Inteligência Artificial)

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rio recente da KPMG mostra que mais de um terço das empresas de manufatura já obtêm retorno real do investimento em casos de uso de IA, e que o mercado global de IA na indústria pode crescer de 5,3 mil milhões desde 2024 para quase 48 mil milhões até 2030. Num mercado global onde a confiança é cada vez mais valiosa, poder dizer que um produto cerâmico ou cristalino não só responde a padrões estéticos elevados mas também é certificado segundo as mais exigentes regras europeias de ética e transparência digital pode ser decisivo para abrir portas e conquistar novos clientes. O Futuro Digital da Europa: Da Regulação à Competitividade

O mercado europeu de IA pode ultrapassar 500 mil milhões de dólares até 2031⁶. Olhando para o futuro, o AI Act afirma-se como um dos grandes instrumentos legais da União Europeia, mas ao seu lado está também o Regulamento dos Serviços Digitais (DSA), peça essencial para garantir confiança no ecossistema digital. Enquanto o primeiro regula a Inteligência Artificial, o segundo garante transparência e confiança no ecossistema digital. O DSA vem reforçar a responsabilidade das plataformas digitais, impondo regras claras sobre os seus deveres de atuação perante conteúdos ilegais, a forma como moderam informação e as garantias oferecidas aos utilizadores. Ao criar um espaço digital mais seguro e justo, o DSA aumenta a confiança dos cidadãos e assegura condições equitativas para as empresas competirem em mercados digitais cada vez mais exigentes. Juntos, o AI Act e o DSA representam pilares de uma mesma estratégia: garantir que a inovação tecnológica se desenvolve em ambiente seguro, competitivo e digno de confiança. Para que melhor se perceba, estima-se que o

mercado global de IA possa atingir 390 mil milhões de dólares já em 2025, com a Europa a reforçar progressivamente o seu papel regulatório e competitivo. E este caminho não termina aqui... em breve, veremos regulamentos adaptados à IA generativa, à integração de plataformas imersivas e à expansão de modelos algorítmicos cada vez mais complexos — desde abordagens supervisionadas, como redes neuronais profundas ou support vector machines, até técnicas não supervisionadas, como algoritmos de clustering (K-means) ou métodos de redução de dimensionalidade (PCA) — a par de novos regulamentos que reforçarão este enquadramento. É necessário que a Europa se afirme como referência global, exportando não só produtos de excelência como a cerâmica e cristalaria, mas também confiança tecnológica, inovação responsável e padrões regulatórios de qualidade.

O mercado global de IA atingirá 390 mil milhões de dólares já em 2025⁷. Entre a Tradição e a Inovação A tradição e o saber fazer continuam inegavelmente a ser a marca distintiva da cerâmica e da cristalaria portuguesas. O que muda hoje é a forma como esse património se amplia ao integrar a mais avançada tecnologia, projetando estas indústrias para um futuro de maior competitividade. Não perdem a sua essência, ganham uma nova dimensão: tornam-se símbolos de como é possível conjugar herança cultural, inovação e confiança digital. E talvez este seja o verdadeiro legado do AI Act: mostrar que regular não é travar, mas sim abrir caminho a uma inovação mais segura, responsável e global. Fontes: • Sensors (MDPI). (2025). Zero-Trust Architectures in IoT and Industrial Systems: A Systematic Review. Sensors, 25(19), 6118. • KPMG. (2024). Global Tech Report 2024 – Industrial Manufacturing Insights. • Statista. (2024). Artificial Intelligence – Worldwide Market Forecast 2025. • Grand View Research. (2024). Artificial Intelligence in Manufacturing Market Report, 2024–2030. • Rossi, L., & Fernández, M. (2025). AI algorithms under scrutiny: GDPR, DSA, AI Act and CRA as pillars for algorithmic security and privacy in the European Union. Computers & Security, 144, 103717. • IDC. (2024). Worldwide Artificial Intelligence Spending Guide, 2024–2028.

6.- Business Market Insights. (2024). Europe Artificial Intelligence (AI) Market Forecast to 2031 – Regional Analysis by Component, Technology, and End User. Business Market Insights. Disponível em: https://www.businessmarketinsights.com/reports/europe-artificial-intelligence-market 7.- Statista. (2024). Artificial Intelligence (AI) – Worldwide Market Forecast 2025. Statista Market Insights. Disponível em: https://www.statista.com/outlook/tmo/artificial-intelligence/worldwide

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O EIXO DA INOVAÇÃO: IA, AMBIENTES IMERSIVOS E CIBERSEGURANÇA

por Is ab e l Borg e s, Ti ce . pt

Introdução Nas últimas décadas, tecnologias como redes de comunicação, Inteligência Artificial (IA) e ambientes imersivos (RV, RA, RM) têm sido catalisadoras da transformação digital. A convergência destas tecnologias redefine a interação com o mundo, criando novas oportunidades, mas também novos riscos. A IA torna as experiências imersivas mais personalizadas e realistas, mas aumenta a exposição a ciberataques, com dados sensíveis como biometria e

comportamentos a serem alvos preferenciais. Assim, a cibersegurança torna-se um requisito essencial para o desenvolvimento ético e sustentável destes sistemas, exigindo proteção ao longo de todo o seu ciclo de vida. Este artigo analisa os riscos, dilemas éticos e estratégias para garantir segurança na interseção entre IA, ambientes imersivos e redes sem fios, contribuindo para a discussão sobre o futuro desta convergência tecnológica. 2. O panorama tecnológico 2.1 As redes de comunicação As redes de comunicação constituem a infraestrutura essencial que garante a conectividade entre sistemas, dispositivos e utilizadores, funcionando como a cola tecnológica que permite a interoperabilidade, sincronização em tempo real e colaboração entre entidades dispersas. São responsáveis pela recolha, transmissão e encaminhamento eficiente de dados – sejam eles estruturados ou não – desde os pontos de origem até às camadas de processamento e decisão. A capacidade de possuir um ambiente de Cloud contínuo (Fog-Edge-Core), oferece escalabilidade, armazenamento massivo e poder analítico, assegurando latência reduzida, resposta em tempo real e operação localizada. Esta combinação é crítica em contextos como IoT, ambientes industriais, veículos autónomos, saúde digital e experiências imersivas, onde a comunicação contínua e adaptativa suporta decisões inteligentes e autónomas.

Isabel Borges

2.2 Inteligência Artificial A IA é um campo da ciência da computação e, neste artigo, adotamos uma definição alinhada com organismos internacionais de referência, como a OCDE [1] e a Comissão Europeia [2], que descrevem a IA como a capacidade de sistemas computacionais analisarem o ambiente,

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aprenderem com dados e tomarem decisões autónomas, com base em objetivos definidos por humanos e com impacto em ambientes reais ou virtuais. Apesar do conceito em si existir já há bastante tempo, só atualmente foi possível empregá-lo graças a avanços tecnológicos e à explosão da Internet. De facto, a utilização de IA requer a existência de um volume elevado de dados para que os modelos treinados obtenham relevância estatística, e este volume de dados só foi possível através da democratização da Internet. O valor da IA reside precisamente na análise de dados, ao permitir que as máquinas aprendam com eles, e detetem padrões, façam previsões ou recomendações automáticas. Existem três tipos de análise de dados: Análise Descritiva – O que aconteceu? | Análise Preditiva – O que pode acontecer? | e Análise Prescritiva – O que devemos fazer? 2.3 Ambientes Imersivos (RV, RA, RM) Os ambientes imersivos são espaços digitais ou físicos que usam tecnologia para simular ou expandir a realidade, criando a sensação de imersão total ou parcial no utilizador – como se ele estivesse "dentro" da experiência. Estes ambientes podem simular o mundo real ou serem totalmente fictícios. Habitualmente envolvem só sentidos – visão, som, movimento e até toque, para gerar interações naturais com o ambiente virtual ou aumentado (o utilizador pode interagir com objetos ou com o ambiente). Existem quatro categorias principais nas quais podemos classificar os ambientes imersivos e de acordo com o seu nível de imersão: a Realidade Virtual, na qual o mundo é 100% digital, o utilizador situa-se num ambiente completamente simulado e isolado do mundo real; a Realidade Aumentada que sobrepõe elementos digitais no mundo real, estando o utilizador num ambiente completamente real mas com sobreposição de visuais digitais; a Realidade Mista que combina RV e RA, criando um ambiente onde os objetos virtuais interagem com o contexto real. Finalmente, o Metaverso [3] consiste em espaços 100% digitais persistentes e partilhados onde utilizadores interagem entre si e com o ambiente simulado em tempo real. 2.4 Cibersegurança A cibersegurança refere-se ao conjunto integrado de políticas, práticas, tecnologias e arquiteturas concebidas para proteger sistemas de informação, infraestruturas digitais, redes de comunicação e dados contra ameaças internas e externas. Estas ameaças incluem, mas não se limitam a: acesso não autorizado, ataques maliciosos

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(como malware, ransomware, phishing ou DDoS), exploração de vulnerabilidades, perda de dados, espionagem digital e interrupções de serviço. A cibersegurança moderna exige uma abordagem holística, combinando defesas técnicas (firewalls de próxima geração, Endpoint Detection and Response, Intrusion Detection/Prevention System (IDS/IPS)) medidas organizacionais (governança, conformidade, formação de utilizadores) e estratégias resilientes, capazes de garantir a continuidade do negócio face a ataques sofisticados ou falhas sistémicas. 3. Pontos de Intersecção 3.1 IA em Ambientes Imersivos O recurso a tecnologias de realidade mista (RM) possibilita a criação de ambientes imersivos altamente responsivos, onde o sistema adapta dinamicamente parâmetros como o grau de dificuldade, os tipos e a sensibilidade dos sensores, com base na análise em tempo real do comportamento, biometria e padrões de interação do utilizador. A geração de cenários, diálogos e conteúdos personalizáveis é suportada por redes de próxima geração e modelos avançados de inteligência artificial generativa, que incorporam processamento de linguagem natural e algoritmos de ML para criar narrativas contextuais e evolutivas. Através de tecnologias recentes, como redes neurais profundas e várias técnicas de Computer Vision, um subdomínio de ML, é possível criar avatares inteligentes com capacidades de aprendizagem contínua e resposta adaptativa como reconhecimento emocional. Por sua vez, a utilização destes avatares promove interações mais naturais, empáticas e envolventes, elevando significativamente o grau de imersão e personalização das experiências. 3.2 Riscos de Cibersegurança em que a IA é facilitadora Embora a IA seja uma ferramenta poderosa, representa também um vetor emergente de risco no domínio da cibersegurança. O seu uso malicioso ou não controlado pode amplificar significativamente o impacto e a sofisticação das ameaças digitais. Entre os riscos mais relevantes associados à IA, destacam-se quatro eixos principais: falsificação de identidade (deepfakes); engenharia social (phishing ou fraude); criação de ciberataques (malware, ransomware, phishing) e exploração de vulnerabilidades de modelos

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de IA, através de técnicas como data poisoning, model inversion, e adversarial attacks. 3.3 Vulnerabilidades Específicas dos Ambientes Imersivos As vulnerabilidades principais dos ambientes imersivos são a obtenção de dados biométricos recolhidos em ambientes de realidade virtual e aumentada, a presença de avatares hiper-realistas ou a falsificação de identidades. Convém ainda acrescentar as falhas no hardware e software em dispositivos de RV ou RA, incluindo firmware desatualizado, sensores vulneráveis e comunicações não encriptadas bem como a manipulação percetiva e psicológica, através do desenho de ambientes virtuais, pode ser explorada para alterar perceções, induzir comportamentos específicos ou provocar desconfortos físicos nos utilizadores, levantando preocupações éticas e de segurança. [4] 4. As tecnologias aplicadas num exemplo – a reinvenção sensorial da empresa de porcelanas Porquoipas A antiga fábrica de porcelana fundada em 1824 com a ajuda de um mestre vidreiro francês criou peças para realezas europeias, hotéis icónicos e casas com alma, mas hoje quer reimaginar a arte da porcelana com a ousadia da inovação. Para isso a Porquoipas criou um ambiente de RM, em que os clientes acedem a um salão virtual interativo, onde cada peça da coleção ganha vida: Uma peça belíssima de porcelana surge suspensa e a flutuar no ar, girando lentamente. A um toque (virtual) do cliente, uma IA com voz suave e elegante narra a sua origem - “Forjada com fogo de 1.300 graus, esculpida à mão por um mestre de quarta geração…” A peça responde ao toque, à voz, ao movimento – a experiência é quase real e cada peça pode conter um microchip sensorial que regista o ambiente em que está inserido (sons, toques). Ao fim de algum tempo esta peça pode contar a sua história através das memórias armazenadas e tornar-se um espelho da alma da casa onde reside. A transformação da Porquoipas numa marca de porcelana orientada pela inovação é viabilizada pela convergência de três eixos tecnológicos fundamentais: redes de comunicação avançadas, IA e realidade virtual (aumentada e mista; RX). As redes de comunicação garantem a conectividade contínua do ecossistema Porquoipas. A sincronização em tempo real entre Cloud, dispositivos e sistemas da

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fábrica é crucial para transmitir dados e comandos. Tecnologias de rede 5G/6G e Edge computing permitem processamentos locais, reduzindo a latência e reforçando a privacidade. Finalmente, a integração segura de sensores embebidos nas peças, que enviam dados para os servidores na Cloud, em complemento com infraestruturas interoperáveis permitem experiências imersivas em RV ou em versões mobile e RA via smartphone. Já o papel da IA nas múltiplas camadas da experiência e operação passa pela: a. narração personalizada e imersiva, onde um modelo de IA generativa, treinado com dados históricos e estilísticos da marca, dá voz às peças, adaptando a narrativa com base no utilizador; b. interação multimodal: reconhecimento de voz, gestos e padrões de comportamento permite à IA responder de forma fluida e natural, simulando empatia; c. personalização de produto: os sistemas de IA analisam as preferências do utilizador para sugerir peças, padrões ou edições limitadas, criando uma curadoria digital em tempo real; e d. memória digital da peça: com microchips embutidos, integrados com IA local ou na Cloud, que captam sons, padrões de luz, temperatura e presença, permitindo à peça “recordar” o ambiente onde esteve e gerar um relato sensorial. O ambiente imersivo da Porquoipas é construído sobre ambientes de realidade mista com elementos de RV e RA. Um ambiente na forma de um salão virtual interativo apresentando uma galeria de exposição tridimensional onde os clientes podem explorar a coleção em detalhe, com elementos realistas, texturas reativas e interações naturais. A sofisticação da experiência Porquoipas traz riscos digitais, exigindo uma abordagem proativa para a governança, avaliação de riscos e defesa cibernética, focada em auditabilidade, robustez, explicabilidade e ciber-resiliência. A solução passa por aplicar segurança e privacidade by design. É essencial mitigar riscos como exposição de dados biométricos, falsificação de identidade digital e vulnerabilidades nos dispositivos RX. Isso requer cibersegurança by design, incluindo privacidade by default, Zero Trust Architecture, auditoria contínua, IDS/IPS na Cloud e dispositivos RX, e segurança no ciclo de desenvolvimento (DevSecOps) com análise de vulnerabilidades em IA e transparência algorítmica.

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5. Desafios Éticos, Legais e Sociais A adoção de tecnologias imersivas e IA levanta um conjunto significativo de desafios éticos, legais e sociais que não podem ser ignorados. Um dos principais é o consentimento informado, uma vez que muitos utilizadores desconhecem que tipo de dados biométricos ou comportamentais estão a ser recolhidos. A privacidade dos dados sensoriais é outro ponto crítico, dado que estas informações podem revelar características pessoais como idade, género, estado emocional ou até indicadores de saúde, expondo os utilizadores a riscos de profiling, vigilância ou discriminação. A responsabilidade algorítmica levanta questões sobre quem responde por decisões da IA em ambientes imersivos, sobretudo em contextos críticos como simulações médicas ou formação profissional. É também essencial garantir a conformidade com o RGPD, normas sobre biometria e futuras regulamentações aplicáveis a tecnologias imersivas. É crucial assegurar a inclusão e não discriminação, evitando que sistemas de IA excluam utilizadores por razões físicas, de género, sensoriais, culturais ou linguísticas, comprometendo a equidade e acessibilidade das experiências digitais. 6. Desafios Técnicos e Oportunidades Futuras A construção de experiências imersivas baseadas em IA deve integrar segurança, privacidade e ética desde a conceção. Isso envolve criar dispositivos, aplicações e interfaces com mecanismos de proteção incorporados, assegurando uma arquitetura segura e resiliente. A IA explicável (XAI) é crucial, permitindo que os sistemas sejam compreendidos pelos humanos e garantindo transparência para detectar falhas e ataques. A autenticação forte e a gestão de identidade digital são essenciais, com frameworks como a Gaia-X, enquanto a cibersegurança preditiva permite antecipar ameaças usando modelos de ML. A natureza distribuída das experiências exige segurança em redes locais, Edge computing ou Cloud híbrida, com políticas de segurança, segmentação de tráfego e encriptação. Por fim, a normalização técnica e frameworks regulatórios são necessários para garantir interoperabilidade e conformidade ética. 7. Conclusão A confluência entre a inteligência artificial, ambientes imersivos e as redes de comunicação avançadas está a redesenhar profundamente a forma como expe-

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rienciamos o digital, não apenas como utilizadores, mas como participantes ativos de realidades híbridas onde o físico e o virtual coexistem e interagem em tempo real. Esta nova era, marcada pela personalização extrema, interatividade fluida e simulação sensorial avançada, abre portas a um universo de aplicações transformadoras: do desenho de produto à educação, da saúde ao património cultural, do entretenimento ao comércio de luxo, como demonstrado pelo exemplo abordado da reinvenção sensorial da Porquoipas. Contudo, à medida que estes sistemas ganham inteligência, autonomia e ubiquidade, cresce também a responsabilidade de os tornar seguros, éticos e inclusivos by design. Os desafios não são apenas técnicos, mas são também sociais, legais e filosóficos: como protegemos a privacidade num mundo onde os nossos gestos, emoções e padrões sensoriais são continuamente captados? Quem responde pelas decisões tomadas pela IA em contextos de risco elevado? E como garantimos que todos, independentemente da sua origem, condição ou capacidade, têm acesso equitativo a estas experiências? O futuro destas tecnologias não está apenas na inovação, mas igualmente na forma como as construímos com confiança, responsabilidade e propósito. Será necessário um esforço coletivo – entre investigadores, engenheiros, desenvolvedores, legisladores, designers e cidadãos – para moldar um ecossistema digital que seja simultaneamente seguro, resiliente e humano. Se o potencial é imersivo, também o deve ser o compromisso com a sua governação. Referências 1. Comissão Europeia. (2020). White Paper on Artificial Intelligence: A European approach to excellence and trust. Brussels: European Commission, https://ec.europa.eu/info/publications/white-paper-artificial-intelligence-european-approach-excellence-and-trust_en 2. OCDE. (2019). Recommendation of the Council on Artificial Intelligence. OECD Legal Instruments, https://legalinstruments.oecd.org/en/instruments/OECD-LEGAL-0449 3. Defining and Building the Metaverse. https://initiatives.weforum.org/defining-and-building-the-metaverse/home 4. Virtual Reality and Cybersecurity: Emerging Risks and Strategies, https://cioinfluence.com/it-and-devops/virtual-reality-and-cybersecurity-emerging-risks-and-strategies/

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TRANSFORMAÇÃO DIGITAL NA INDÚSTRIA CERÂMICA – CONECTIVIDADE, CIBERSEGURANÇA IT E SEGURANÇA OT

por WAV E COM

lado, as infraestruturas de comunicação, incluindo o Wi-Fi industrial, as redes privadas de comunicações críticas e o IIoT, permitem otimizar os processos produtivos e aumentar a resiliência das fábricas inteligentes (Indústria 4.0).

Introdução A indústria cerâmica, tal como muitos outros setores industriais, encontra-se numa fase de profunda transformação impulsionada pela digitalização. A procura por uma maior eficiência, produtividade e competitividade, com redução de custos e otimização da produção, leva as empresas a adotar tecnologias avançadas, como a IIoT (Internet of Things Industrial), inteligência artificial e automação. No entanto, esta evolução traz consigo uma crescente complexidade e, criticamente, uma expansão das superfícies de ciberataques. A conectividade segura, a cibersegurança IT e a segurança OT revestem-se de uma importância fundamental, enquanto pilares para o sucesso e a sustentabilidade da transformação digital na indústria cerâmica. Por outro

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Conectividade e IIoT A conectividade é a “espinha dorsal” de qualquer iniciativa de transformação digital. Na indústria cerâmica, onde fornos, prensas, robôs e sistemas de transporte, operam de forma interligada, a comunicação ininterrupta e segura é vital. • Wi-Fi Industrial – Este tipo de infraestrutura, permite a mobilidade de operadores e a conetividade de dispositivos sem fios (como tablets para controlo de qualidade ou empilhadores inteligentes), facilitando a aquisição de dados em tempo real e a flexibilidade operacional através da execução de tarefas remotamente. Em ambientes de elevada temperatura e pó, característicos da cerâmica, o Wi-Fi industrial robusto garante a fiabilidade da comunicação. • Redes Privadas e Comunicações Críticas – Estas oferecem uma latência ultrabaixa, uma elevada largura de banda e uma segurança reforçada, ideais para aplicações críticas como o controlo de robôs industriais, veículos guiados automaticamente (AGVs) ou sistemas de visão artificial em linhas de produção de cerâmica, onde a precisão e a fiabilidade são cruciais. Garantem ainda que as operações mais críticas não

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• Segurança OT – É fundamental para proteger os equipamentos e processos físicos da fábrica, como fornos, prensas, transportadores e sistemas de controlo. Os equipamentos OT, muitas vezes mais antigos e não projetados com segurança cibernética em mente, são alvos vulneráveis. Uma falha na segurança OT pode levar a acidentes, danos em equipamentos, perda de produção e, em casos extremos, riscos para a vida humana. É essencial adotar uma abordagem holística que inclua a segmentação de rede, monitorização contínua, gestão de vulnerabilidades e formação de pessoal para proteger tanto os ambientes IT quanto os OT.

sejam afetadas por congestionamentos ou falhas na rede. • IIoT – Os sensores inteligentes instalados em toda a linha de produção adquirem os dados sobre a temperatura, a pressão, a humidade, o consumo de energia ou o desempenho de máquinas. Esses dados, quando analisados em tempo real, permitem a manutenção preditiva, a otimização de receitas e a identificação de congestionamentos, levando a uma melhoria significativa na eficiência e qualidade na produção dos produtos cerâmicos. A infraestrutura de comunicações para além de otimizar os processos produtivos, aumenta também a resiliência das fábricas inteligentes, permitindo uma resposta mais rápida a falhas e interrupções. Cibersegurança IT e Segurança OT A crescente interconexão de sistemas IT (Tecnologia da Informação) e OT (Tecnologia de Operação) também na indústria cerâmica veio expor as fábricas a novas ameaças ao nível da cibersegurança. • Cibersegurança IT – Protege os sistemas de gestão, bases de dados, redes administrativas e outros ativos digitais que suportam as operações da fábrica. Os ataques a esses sistemas podem resultar em perda de dados, interrupção da produção e danos na reputação.

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Caso Prático - Finerge O caso da Finerge, uma empresa líder na produção de energia elétrica renovável, oferece insights valiosos sobre como a segurança OT e a conectividade podem ser aplicadas em ambientes industriais complexos. A Finerge opera uma rede complexa e multi-site de centrais eólicas e solares, com muitos locais remotos e cobertura de rede deficiente. Para o efeito, enfrenta o desafio de gerir uma rede multi-site complexa, com muitos locais remotos (centrais eólicas e solares) e a necessidade de garantir a segurança e a alta disponibilidade 24/7. A Wavecom foi a empresa parceira na conceção, implementação e monitorização da rede, dando destaque à proteção da rede OT. • Desafios enfrentados A função dos equipamentos OT é crítica para a produção. A Finerge gere centrais em locais remotos com cobertura de rede deficiente, o que representa uma rede complexa e dispersa. Os equipamentos OT (atuadores, sensores) não foram concebidos com fortes funcionalidades de segurança e são frequentemente confundidos com sistemas IT, expondo-os a ataques, sendo por isso equipamentos OT vulneráveis. A função dos equipamentos OT é crítica para a produção. • Solução implementada Com a solução implementada, a Finerge isolou os equipamentos OT da rede principal, adotando medidas adicionais de segurança que garantem a visibilidade de todo o tráfego. Esta abordagem foi possível graças à utilização de equipamentos de segurança robustos e ao co-

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nhecimento profundo dos fluxos de dados, para garantir a granularidade das comunicações. A solução incluiu a segregação de todas as superfícies de ataque potenciais decorrentes de protocolos dos equipamentos existentes na rede de automação. Todas as subestações ficaram com cobertura Wi-Fi industrial. A utilização de plataformas que gerem o funcionamento de cada equipamento e de um NAC (Network Access Control), veio permitir a orquestração dos mecanismos de segurança. O caso Finerge demonstra que ao implementar uma estratégia robusta de conectividade, cibersegurança IT e segurança OT se podem proteger os ativos mais críticos e garantir a continuidade da produção. Indústria Cerâmica A indústria cerâmica com a transformação digital enfrenta também um conjunto de desafios, que terá de mitigar através de uma solução assente numa conectividade segura, em cibersegurança IT e em segurança OT. • Alguns desafios Na indústria cerâmica, as instalações de grande dimensão ou com múltiplos edifícios e áreas de produção, enfrentam desafios significativos de conectividade, como cobertura de rede deficiente e questões de segurança. Além disso, os equipamentos OT, como PLCs e sistemas SCADA para fornos, prensas e linhas de acabamento são vulneráveis a ataques, pois não foram originalmente concebidos com funcionalidades de segurança. A criticidade desses equipamentos OT é elevada, uma vez que a sua operacionalidade é fundamental para garantir a produção contínua e a qualidade do produto. • Estratégia Aqui, a segregação da rede OT é crucial, criando zonas de segurança para sistemas de automação e controlo de fornos, prensas e secadores, isolando-os de redes de escritório ou acesso externo não autorizado. Para garantir a segurança, são necessários equipamentos como firewalls industriais, IDS/IPS e outras soluções específicas para ambientes OT. A segregação de todas as superfícies de ataque potenciais decorrentes de protocolos de máquinas existentes na rede de automação e controlo é fundamental para proteger os protocolos de comunicação e sistemas operativos dos equipamentos OT.

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Adicionalmente, a cobertura Wi-Fi industrial nas áreas de produção e controlo garante conectividade segura para dispositivos móveis e sensores. Por fim, plataformas de gestão e NACs são indispensáveis para a orquestração, segurança, gestão e monitorização do acesso à rede de todos os dispositivos e utilizadores. Uma estratégia assente numa conectividade segura em cibersegurança IT e em segurança OT, permite proteger os ativos mais críticos e garantir a continuidade da produção. Esta estratégia é fundamental para mitigar riscos e aproveitar plenamente os benefícios da transformação digital. Conclusão Para a Wavecom, a transformação digital na indústria cerâmica oferece um potencial imenso para a otimização e inovação. No entanto, para que este potencial seja plenamente alcançado, é imperativo que a conectividade segura (e.g., Wi-Fi industrial), a segurança OT e a cibersegurança IT sejam consideradas prioridade. A implementação de conectividade segura, a segregação de redes e a utilização de equipamentos de segurança dedicados, conforme exemplificado no caso da Finerge, não são apenas boas práticas, mas necessidades essenciais. Ao investir em soluções de segurança robustas, a indústria cerâmica pode proteger os seus sistemas críticos, garantir a continuidade da operação das linhas de produção e fortalecer a sua posição num mercado cada vez mais competitivo e interligado. A parceria com empresas especialistas como a Wavecom é um passo crucial para navegar neste cenário complexo e construir um futuro digital seguro e resiliente.

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DO CONTROLO À CONTINUIDADE: IA E CIBERSEGURANÇA NO CENTRO D A E S T R AT É G I A

p o r Jo ã o Fa r i a , A PR

Do Controlo à Continuidade: IA e Cibersegurança no Centro da Estratégia A transformação digital deixou de ser uma escolha, mas uma questão de sobrevivência. A integração entre sistemas industriais, serviços cloud e inteligência artificial redefinem a forma como produzimos, colaboramos e nos protegemos. Assim, a indústria, pressionada por um mercado cada vez mais exigente, não acompanha esta mudança por opção, mas sim por necessidade. Ignorar esta evolução é arriscar a irrelevância num setor cada vez mais digital e competitivo.

Não obstante, esta evolução traz consigo novos desafios. Ao mesmo tempo que a agilidade, a flexibilidade e a velocidade ganham protagonismo, questões como a soberania dos dados e o controlo sobre as operações tornam-se críticas na gestão do risco. A definição da estratégia tecnológica deve, por isso, considerar não apenas os ganhos operacionais, como também os riscos associados à exposição crescente das infraestruturas. À medida que a superfície de ataque aumenta, aumenta também a vulnerabilidade das organizações. Os riscos já não se limitam à perda de dados, mas estendem-se à continuidade da operação. Num setor onde cada minuto conta, um incidente grave pode significar paragens prolongadas, perdas financeiras significativas e danos irreparáveis na reputação da organização. Atualmente, a questão deixou de ser “se” vai acontecer, para “quando” vai acontecer e, sobretudo, quão preparada está uma determinada organização para reagir. Visibilidade: a Base da Proteção Não podemos proteger aquilo que não conhecemos.

João Faria

À medida que os sistemas industriais se tornam mais interligados, especialmente com a aproximação entre redes de produção (OT) e redes informáticas (IT), intensificam-se as exposições a ameaças externas. O primeiro passo para uma estratégia de cibersegurança eficaz é, por conseguinte, a visibilidade: saber exatamente o que existe no nosso ecossistema digital. Que dispositivos estão ligados? Quem tem acesso? Como circulam os dados? Sem respostas claras a estas perguntas, qualquer plano de defesa está incompleto. De modo a reduzir a exposição e a reforçar a proteção, é essencial adotar medidas estratégicas que vão além da técnica, pois são as decisões que moldam a re-

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o mesmo valor ou criticidade. Proteger tudo da mesma forma pode ser ineficaz e dispendioso. Antes de investir em tecnologia, é essencial avaliar o risco com base no impacto de uma falha ou ataque, na probabilidade de ocorrência e na capacidade de resposta e recuperação. Assim sendo, cabe à gestão de topo, em conjunto com os responsáveis pela segurança e continuidade operacional, identificar os ativos que sustentam a operação e que, pela sua natureza, exigem uma maior proteção. A partir dessa avaliação, devem ser definidas prioridades e aplicadas medidas proporcionais ao risco, de forma a garantir que os recursos são direcionados para onde o impacto é realmente maior. siliência da organização. Isolar o que é crítico, controlar rigorosamente os acessos, garantir a atualização contínua, monitorizar em permanência e aplicar o princípio do mínimo privilégio são práticas que sustentam a continuidade do negócio e a confiança nas operações. Num mundo onde a segurança é condição para a inovação, a visibilidade é o primeiro passo para proteger o que realmente importa. Modernização com Responsabilidade A modernização tecnológica tem vindo a transformar profundamente a forma como trabalhamos e colaboramos. Já não se trata apenas de atualizar sistemas ou migrar para a cloud, mas sim de criar um ecossistema onde os serviços estão disponíveis a partir de qualquer lugar, para múltiplos utilizadores com diferentes necessidades e ritmos. Esta realidade, que combina infraestruturas locais com serviços na cloud, alterou profundamente o modo como gerimos os serviços, tornando-os mais acessíveis e dinâmicos, contudo, mais vulneráveis e exigentes do ponto de vista da proteção. Assim sendo, é necessária uma abordagem mais consciente, uma vez que, quando os dados circulam entre ambientes distintos e os acessos são feitos fora dos perímetros tradicionais, é fácil confundir onde está o risco. Consequentemente acredito que a modernização só é eficaz quando acompanhada de responsabilidade. Decisões estratégicas como proteger os dados, garantir acessos seguros e manter uma vigilância constante sobre os sistemas são o que, a longo prazo, sustenta a confiança na operação.

Inteligência Artificial: aliada e ameaça A inteligência artificial veio para ficar e, tal como em muitas outras áreas, trouxe consigo uma transformação profunda no campo da cibersegurança. Do lado da defesa, permite detetar padrões anómalos, antecipar comportamentos maliciosos e automatizar respostas. Os sistemas que recorrem à IA conseguem adaptar-se a novas ameaças, mesmo aquelas que nunca foram observadas anteriormente, oferecendo uma capacidade de reação que ultrapassa os modelos tradicionais. No entanto, não podemos esquecer o outro lado, pois também os atacantes tiram partido da IA. Hoje, é possível desenvolver malware que se modifica autonomamente e que se ajusta em tempo real, para contornar as diferentes camadas de defesa. Assistimos ao surgimento de mensagens fraudulentas altamente personalizadas, à utilização de deepfakes e à clonagem de voz com o objetivo de comprometer mecanismos de verificação e autenticação. A velocidade e a sofisticação dos ataques

Avaliar Riscos e Priorizar Ativos Críticos É impensável considerar que todos os ativos têm

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aumentaram drasticamente, tornando obsoletos muitos dos mecanismos convencionais de proteção. Os modelos tradicionais de cibersegurança, centrados em regras fixas e respostas manuais, já não são suficientes para lidar com ameaças que evoluem a cada segundo. Num futuro próximo, a cibersegurança será cada vez mais uma batalha entre algoritmos. Investir em IA defensiva deixou de ser opcional, passando a ser uma necessidade estratégica para qualquer organização que

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queira manter-se segura e resiliente num cenário digital em permanente evolução. Cultura de Segurança: O Primeiro Pilar da Proteção Apesar de a tecnologia ser essencial, a segurança começa nas pessoas e nenhuma solução técnica é eficaz se não estiver acompanhada por uma cultura organizacional que valorize a cibersegurança no dia a dia. A formação

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contínua dos colaboradores, a sensibilização para os riscos e a definição clara de responsabilidades são elementos fundamentais para a criação dessa cultura. Erros humanos continuam a ser uma das principais causas de incidentes. Um clique num link malicioso, uma palavra-passe fraca ou o uso indevido de dispositivos externos podem abrir portas a ataques graves. Empresas que investem na capacitação e treino dos seus utilizadores, reduzem significativamente o número de incidentes, ao mesmo tempo que aumentam a sua capacidade de resposta. Mais do que uma preocupação técnica, a segurança deve ser parte da rotina integrada nos comportamentos, nas decisões e nas práticas de todos os que fazem parte da organização. É na consciência coletiva que se constrói a primeira linha de defesa. Serviços Geridos especializados: reforçar a capacidade de resposta Num cenário em que os ataques são cada vez mais imprevisíveis e sofisticados, manter uma equipa interna dedicada à segurança pode revelar-se um verdadeiro desafio. A escassez de recursos, o tempo limitado e a falta de especialização técnica aumentam o risco de falhas na proteção dos sistemas. É neste contexto que os serviços especializados de cibersegurança assumem um papel estratégico, reforçando a capacidade de resposta das organizações. Através de modelos de monitorização permanente, estes serviços permitem a deteção precoce de comportamentos suspeitos e a resposta imediata a incidentes, com o apoio de equipas altamente qualificadas que operam com ferramentas avançadas e inteligência artificial. Conseguindo identificar ameaças em tempo real e agir com rapidez, a externalização das operações de segurança contribui para reduzir a exposição da organização, evitando que pequenos incidentes evoluam para crises operacionais. A par da proteção reforçada, esta abordagem permite controlar custos e garantir acesso contínuo a competências atualizadas. As equipas internas podem concentrar-se em iniciativas estratégicas, enquanto a segurança é assegurada por profissionais dedicados. Plano de Gestão de Crise: Preparar para Garantir Continuidade Eu acredito que a continuidade do negócio depende da capacidade da organização responder eficaz-

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mente a situações inesperadas. Um incidente grave, seja um ataque cibernético, uma falha técnica ou um evento externo pode comprometer a operação, afetar clientes e prejudicar a reputação da organização e, por isso, os planos de gestão de crise devem estar claramente definidos, testados e integrados na estratégia global da organização. É importante que estes planos contemplem diferentes cenários de interrupção, estabeleçam responsabilidades, prevejam mecanismos de comunicação e garantam que os processos críticos podem ser retomados com rapidez e segurança. Mais do que ter cópias de segurança ou sistemas redundantes, é essencial que a organização saiba como agir, quem deve agir e em que sequência. A eficácia de um plano não está apenas na sua existência, mas na sua execução com confiança e precisão, quando mais importa. É impossível garantir a continuidade apenas com tecnologia isolada. Esta constrói-se com planeamento, treino e uma cultura organizacional que valorize a resiliência. Perspetivas Futuras para a Resiliência Digital Podemos considerar que a cibersegurança deixou de ser apenas uma função técnica, mas sim um pilar estratégico para garantir a continuidade, a confiança e a competitividade das organizações. Mais do que nunca, e à medida que avançamos para 2026, a capacidade de adaptação será determinante, a Inteligência Artificial estará presente em ambos os lados. Desde a defesa automatizada e ataques mais sofisticados, que resultarão numa adoção maior e mais comum do princípio Zero Trust, um modelo que assume que nenhuma identidade ou dispositivo é confiável por padrão, exigindo verificação contínua para cada acesso. À automação inteligente, que reduzirá tempos de resposta para segundos, enquanto ameaças como deepfakes e engenharia social avançada vão exigir abordagens mais robustas. Consequentemente, a conformidade assume também um papel central, mesmo quando não existe obrigação legal. Assim, alinhar práticas com normas reconhecidas demonstra maturidade, reduz riscos e reforça a confiança junto de clientes e parceiros. Num ecossistema interligado, muitas empresas exigem que fornecedores cumpram padrões específicos, tornando a conformidade voluntária um fator diferenciador e um investimento na resiliência e continuidade do negócio.

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INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL AO SERVIÇO DA QUALIDADE CERÂMICA

por Carlos Ribeiro, T WEVO

Como a inteligência artificial pode revolucionar a deteção de defeitos em superfícies cerâmicas A indústria cerâmica europeia enfrenta desafios crescentes: pressão competitiva de mercados emergentes, exigências cada vez maiores de qualidade por parte dos clientes, e a necessidade urgente de reduzir desperdícios numa ótica de sustentabilidade. Simultaneamente, a escassez de mão-de-obra qualificada e os custos de não-qualidade continuam a impactar as margens operacionais. Neste contexto, a deteção automática de defeitos estéticos deixou de ser um luxo para se tornar uma necessidade estratégica. Soluções tradicionais de inspeção de qualidade apresentam limitações no que respeita à capacidade de identificação de defeitos de superfície: configurações rígidas que exigem reprogramação constante, dificuldade em adaptar-se a novos produtos, e elevadas taxas de falsos positivos que obrigam a validação humana intensiva. TWEVO: Inovação Comprovada em Ambientes Industriais Exigentes A TWEVO é uma empresa portuguesa especializada em soluções de supervisão e garantia de qualidade baseadas em visão computacional e Inteligência Artificial (IA). Com uma missão clara – promover a inovação para a sustentabilidade através de soluções industriais avançadas – a TWEVO desenvolve tecnologia para a deteção automática e preditiva de anomalias e não conformidades nos processos industriais, com o objetivo de maximizar a produtividade, apoiar a operação humana e reduzir o desperdício de energia e materiais. É também uma empresa com uma sólida experiência em I&D, tendo obtido em 2023 o Reconhecimento de Idoneidade na prática de atividades de I&D pela Agência Nacional de Inovação (ANI), destacando-se pela aplicação de tecnologia avançada na resolução de problemas industriais complexos.

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A TWEVO tem operado em dois dos ambientes industriais mais desafiantes: • Indústria do Vidro: Supervisão de processos de produção de embalagens de vidro, sujeitos a velocidades elevadas, condições operacionais extremas e requisitos rigorosos de eficiência operacional. • Indústria Automóvel: Inspeção de produtos, com identificação de defeitos estéticos em peças plásticas transparentes e/ou refletivas, com elevados requisitos de qualidade. Estes setores partilham com a indústria cerâmica desafios técnicos fundamentais: superfícies complexas (refletivas, translúcidas ou texturadas), variabilidade natural dos materiais, ambientes industriais adversos, e a necessidade de recorrer a soluções de inspeção automática que não interrompam os processos produtivos estabelecidos. VIEXPAND AI QA: Inspeção Inteligente de Nova Geração O VIEXPAND AI QA representa uma evolução significativa face aos sistemas tradicionais de inspeção ótica. Trata-se de uma plataforma de garantia de qualidade que utiliza Inteligência Artificial avançada para assegurar a conformidade e a qualidade estética de produtos de valor acrescentado, de forma individualizada e integrada na linha de produção. O sistema captura imagens de alta

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resolução através de múltiplas câmaras estrategicamente posicionadas para capturar informação visual completa, com iluminação otimizada para cada tipo de superfície. Os algoritmos de IA analisam cada peça em tempo real para: • Identificar e localizar defeitos em superfícies transparentes, refletivas ou opacas. • Quantificar o tamanho, tipo e severidade de cada defeito detetado. • Classificar produtos como conformes (OK) ou não-conformes (NOK). • Gerar mapas térmicos que permitem visualizar a distribuição espacial dos defeitos. • Produzir relatórios que permitem a análise de tendências estatísticas que podem potenciar a identificação de causas raiz Aplicação à Indústria Cerâmica: Um Encaixe Natural Identificar defeitos o mais cedo possível no processo produtivo é fundamental para minimizar custos: cada fase de processamento adicional representa investimento em energia, materiais e tempo que será desperdiçado se o produto for rejeitado no final. Na indústria cerâmica este requisito alinha-se perfeitamente com as capacidades do VIEXPAND AI QA. Na inspeção de superfície crua, o VIEX-

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PAND AI QA permite identificar fissuras e microfissuras que podem expandir durante a queima, irregularidades de superfície e deformações, contaminações, variações de espessura que afetam a qualidade final e defeitos de prensagem (bordos irregulares, cantos danificados, etc.). A vantagem de deteção de anomalias nesta fase previne custos de processamento adicional em peças que serão inevitavelmente rejeitadas no final. Após o vidrado/decoração e queima final, antes da classificação, é possível detetar outro tipo de defeitos, como pequenos orifícios na superfície vidrada, crateras e escorrimentos de vidrado, variações de cor e brilho fora de especificação, falhas de impressão, bolhas e inclusões no vidrado, contaminações superficiais e/ou defeitos de decoração (manchas, riscos, imperfeições). Superfícies vidradas brilhantes criam reflexos complexos que dificultam a inspeção. A experiência da TWEVO com componentes refletivos da indústria automóvel traduziu-se em algoritmos robustos que identificam defeitos mesmo sob condições de visibilidade desafiantes. Para além de identificar defeitos, o sistema pode classificar automaticamente produtos em diferentes categorias de qualidade que permite otimização de receita ao direcionar cada produto para o canal comercial adequado, garantir rastreabilidade total com documentação fotográ-

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fica de cada peça inspecionada e redução de reclamações pós-venda ao garantir que apenas produtos conformes chegam aos clientes. Vantagens Competitivas: Por que escolher VIEXPAND AI QA? 1. Instalação Não Invasiva Uma das maiores barreiras à adoção de novos sistemas é o receio de interrupção produtiva. O VIEXPAND AI QA foi desenhado desde o início com este princípio: não interrompe as linhas de produção durante a instalação; não altera processos existentes, i.e., funciona de forma complementar; integra-se facilmente com sistemas de gestão industrial; e respeita os hábitos de controlo adquiridos pela equipa de produção. 2. Supervisão Preditiva: Para Além da Deteção O sistema não se limita a identificar defeitos – analisa padrões ao longo do tempo para prever problemas antes de se tornarem críticos: deteção de degradação gradual dos processos (desgaste de equipamentos, variação de matérias-primas); alertas precoces de desvios de tendência na qualidade; e análise de causa raiz facilitada através de clips de vídeo automaticamente associados a cada não conformidade detetada. 3. Adaptabilidade a novos cenários A indústria cerâmica caracteriza-se por grande variedade de produtos, constante inovação em designs e acabamentos, e sazonalidade nas preferências de mercado. O VIEXPAND AI QA adapta-se naturalmente, com capacidade de treino rápido para novos produtos, melhoria automática de desempenho com base em feedback dos operadores, flexibilidade para diferentes tolerâncias conforme segmento de mercado.

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Conclusão: O Futuro da Qualidade é Inteligente A indústria cerâmica está num ponto de inflexão. A competitividade futura dependerá da capacidade de produzir com elevada qualidade, máxima eficiência, e mínimo desperdício. A Inteligência Artificial não é uma tecnologia futurista – é uma realidade presente que já está a transformar indústrias vizinhas. O VIEXPAND AI QA representa a evolução natural dos sistemas de inspeção: inteligente, adaptável, não invasivo, e focado em gerar valor mensurável. A experiência comprovada da TWEVO em ambientes industriais exigentes garante que a tecnologia está madura e pronta para enfrentar os desafios específicos da cerâmica. As empresas cerâmicas que integrarem estas tecnologias nos próximos 2-3 anos estarão mais bem posicionadas para competir num mercado cada vez mais exigente, enquanto contribuem ativamente para objetivos de sustentabilidade que são já incontornáveis. 4. Sobre a TWEVO A TWEVO é uma empresa portuguesa especializada em soluções de supervisão e garantia de qualidade industrial baseadas em Inteligência Artificial e visão computacional. Com implementações bem-sucedidas nas indústrias do vidro e automóvel, a TWEVO está a expandir as suas soluções para a indústria cerâmica, trazendo tecnologia de ponta e conhecimento profundo de processos industriais complexos. Para mais informações: • Website: www.twevo.net • Email: info@twevo.net "Inovação para a sustentabilidade através de soluções industriais avançadas – essa é a nossa missão, e a indústria cerâmica é o nosso próximo desafio."

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SEGURANÇA DA INFORMAÇÃO NA INDÚSTRIA 4.0: DESAFIOS, RISCOS E O PAPEL ESTRATÉGICO DO CISO NO SETOR CERÂMICO E DA CRISTALARIA

por Nuno Miguel da Cr uz Neves, ANF

Nuno Miguel da Cruz Neves

1. Segurança da informação em ambientes complexos e diversificados A transformação digital da indústria tem vindo a redefinir o conceito de segurança da informação. No contexto da Indústria 4.0, a interligação entre sistemas físicos e digitais — impulsionada pela Internet das Coisas (IoT), pela automação inteligente e pela análise de dados em tempo real — cria um ecossistema operacional altamente interdependente. Essa complexidade é particularmente visível em setores industriais mais tradicionais, como o cerâmico e o da cristalaria, onde coexistem equipamentos antigos (legacy systems), controlos industriais (ICS/SCADA) e novas plataformas digitais de gestão, manutenção e monitorização de produção.

A segurança da informação, nestes ambientes híbridos e de elevada complexidade, transcende a mera proteção de dados informáticos. Ela engloba os três pilares da segurança da informação: confidencialidade, integridade e disponibilidade, envolvendo a salvaguarda da continuidade operacional, da integridade dos processos produtivos e da propriedade intelectual associada ao design, às fórmulas técnicas e aos métodos de fabrico — ativos críticos e diferenciadores no mercado global. A diversidade tecnológica e a coexistência de parceiros, fornecedores e sistemas externos ampliam a superfície de ataque, exigindo políticas de segmentação de redes, autenticação forte, controlo de acessos por funções e monitorização contínua dos fluxos digitais. Nos últimos anos, ataques direcionados a infraestruturas industriais evidenciaram vulnerabilidades profundas em sistemas aparentemente isolados. Um incidente de ransomware¹ pode paralisar linhas de produção durante dias, comprometendo contratos, prazos e reputação. Veja-se o exemplo da Jaguar Land Rover, que após um ataque informático foi forçada a parar totalmente a produção durante mais de um mês, com uma quebra de receitas estimada em mais de mil e setecentos milhões de euros, além dos impactos nos fornecedores e parceiros. No setor cerâmico, onde a eficiência energética e a continuidade dos fornos são vitais, uma interrup-

1.- Um ataque que bloqueia o acesso à informação da empresa e pede um resgate para o seu restabelecimento

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ção inesperada pode traduzir-se em perdas materiais irreversíveis e elevados custos de reinício de operação. Já na cristalaria, a precisão e consistência dos processos térmicos e químicos exigem estabilidade absoluta. Por isso, a segurança não é uma função de suporte, mas deve ser encarada como um elemento estratégico e central da competitividade e um fator de confiança junto dos clientes e parceiros. 2. Gestão de riscos e compliance regulatório: pilares da proteção e continuidade A gestão de riscos de segurança da informação tem evoluído de uma abordagem reativa para um modelo proativo, sistemático e integrado, baseado na avaliação contínua de ameaças, vulnerabilidades e impactos operacionais. Ferramentas e metodologias (ISO/IEC 27005 ou o NIST Risk Management Framework) ajudam as organizações a mapear riscos críticos, quantificar probabilidades e elencar ações preventivas com prioridades alinhadas com os objetivos estratégicos da empresa. No contexto industrial, onde coexistem obrigações legais, ambientais e contratuais, o compliance regulatório assume papel determinante. Regulamentos como o RGPD (Regulamento Geral sobre a Proteção

de Dados) na Europa, a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) no Brasil e outras legislações equiparadas² impõem requisitos rigorosos quanto à recolha, tratamento, armazenamento e partilha de dados pessoais — incluindo informações de colaboradores, clientes e fornecedores. Empresas do setor cerâmico, que exportam produtos e dependem de cadeias logísticas multinacionais, têm de assegurar que toda a sua rede cumpre esses mesmos padrões. A não conformidade pode resultar em sanções severas, perda de contratos internacionais e danos reputacionais difíceis de recuperar. Cada vez mais a integração entre gestão de riscos, compliance e continuidade operacional é essencial. O objetivo não é apenas evitar incidentes, mas garantir que, em caso de falha, a organização mantém a sua capacidade de resposta e recuperação. Planos de Continuidade de Negócio (PCN) e Disaster Recovery (DR) são, por isso, indispensáveis. Para além disso, o controlo de terceiros — auditar fornecedores, avaliar cibersegurança de parceiros e exigir contratos com cláusulas de proteção de dados — é hoje uma das práticas mais relevantes em todos os setores. A segurança deixou de ser apenas uma responsabilidade interna: é uma cadeia de confiança que deve envolver todos os intervenientes do ecossistema industrial.

Fi g u r a 1 – Im p a c t o d e c i b e r a t a q u e s - Re l a t ó r i o s o b r e o e s t a d o d a Te c n o l o g i a O p e r a c i o n a l e d a s e g u r a n ç a c i b e r n é t i c a d e 2 0 2 5 – Fo r t i n e t

2.- Por exemplo, a Diretiva NIS2

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3. Cibersegurança e inovação: equilibrar resiliência e adoção tecnológica A inovação tecnológica é simultaneamente uma oportunidade e uma fonte de novos riscos. A integração de Inteligência Artificial (IA), realidades imersivas (AR/VR) e plataformas em nuvem promete ganhos expressivos em eficiência, personalização e automação. No entanto, cada camada tecnológica adiciona complexidade e amplia os vetores de ataque. Na cerâmica e na cristalaria, a adoção de IA para controlo de qualidade, previsão de falhas e otimização de fornos é cada vez mais comum. Sensores inteligentes ajustam temperaturas, detetam anomalias e previnem desperdício energético. Contudo, se esses algoritmos forem comprometidos ou treinados com base em dados errados (acidental ou intencionalmente), podem originar decisões erradas que afetam diretamente a qualidade final do produto. Da mesma forma, o uso de realidade aumentada (para manutenção remota — permitindo que técnicos visualizem equipamentos e instruções em tempo real, para design e prototipagem, para visualização pelo cliente do produto final) representa um avanço notável, mas requer protocolos de autenticação fortes e comunicações encriptadas. Qualquer falha nesse ambiente pode abrir portas a erros de produção, acessos não autorizados ou espionagem industrial. Equilibrar resiliência e inovação implica adotar o princípio de “security by design”, onde a segurança é incorporada desde o planeamento até à fase de implementação tecnológica. Além dos controlos técnicos, a formação contínua das equipas é um pilar essencial: a segurança da informação depende tanto de ferramentas quanto de pessoas. Práticas simples, como o uso de autenticação multifator, a limitação de privilégios administrativos e a atualização sistemática de software, reduzem significativamente o risco. A cultura de segurança — a chamada cyber awareness — deve estar presente em todos os níveis hierárquicos, de forma a diminuir a probabilidade dos colaboradores serem alvos de engenharia social, por exemplo. A inovação só será sustentável se for acompanhada por transparência, responsabilidade e controlo. 4. Perspetivas futuras: o papel evolutivo do CISO na Indústria 4.0 O papel do Chief Information Security Officer (CISO) evoluiu rapidamente. De gestor técnico de firewalls e incidentes, tornou-se um líder estratégico de

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risco, confiança e transformação digital. Na Indústria 4.0, o CISO atua como ponte entre a administração, as equipas de TI/OT e as áreas de negócio, traduzindo riscos de segurança da informação em decisões económicas e operacionais. O CISO do futuro terá de ser um gestor de ecossistemas, coordenando políticas de segurança em cadeias globais de valor. A crescente interconexão entre fabricantes, fornecedores, distribuidores e parceiros exige uma visão transversal de governança digital, capaz de garantir interoperabilidade sem comprometer a proteção da informação e a soberania tecnológica. No setor cerâmico e da cristalaria, esse papel é ainda mais relevante: as empresas competem num mercado internacional que valoriza não só o design e a qualidade, mas também a confiabilidade digital e a rastreabilidade de todo o processo produtivo. As competências do CISO já não se limitam à tecnologia. Incluem comunicação, gestão de crise, ética e sustentabilidade digital. Ele é responsável por construir uma cultura de segurança corporativa, que equilibre inovação com proteção, velocidade com prudência e autonomia com controlo. A maturidade cibernética da organização — medida pela sua capacidade de prevenir, detetar, responder e recuperar — torna-se um indicador direto da sua robustez competitiva. Por isso, cada vez mais os CISO devem estar próximos da gestão de topo, para poderem acompanhar as decisões e alertar antecipadamente para riscos e definição de controlos. Conclusão A segurança da informação em ambientes industriais complexos deixou de ser uma função periférica para se tornar um pilar estratégico da Indústria 4.0. Ela é essencial não apenas para proteger dados, mas também para assegurar continuidade, inovação e reputação num mercado cada vez mais digital e interligado. Nos setores cerâmico e da cristalaria, onde tradição, precisão e inovação coexistem, a gestão de riscos e o compliance são aliados inseparáveis da eficiência e da sustentabilidade tecnológica. O futuro pertence às organizações que conseguirem integrar segurança, inovação e confiança de forma equilibrada — e aos CISOs que souberem transformar a cibersegurança num motor de resiliência, competitividade e valor acrescentado para toda a cadeia industrial.

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Segurança

SEGURANÇA DA INFORMAÇÃO E CIBERSEGURANÇA NA INDÚSTRIA: A NOVA ERA DA CONFIANÇA DIGITAL

po r Jo a n a Lo bo , A P C E R

Num contexto industrial cada vez mais digitalizado, a segurança da informação e a cibersegurança tornaram-se pilares fundamentais para garantir a continuidade operacional, a proteção de ativos e a confiança das organizações e parceiros. A crescente interligação entre sistemas físicos e digitais, impulsionada pela Indústria 4.0, expõe as organizações a riscos cibernéticos complexos e em constante evolução. Neste cenário, normas internacionais como a ISO/IEC 27001 assumem um papel estratégico na construção de ambientes industriais resilientes e confiáveis.

A crescente digitalização das operações industriais trouxe avanços significativos em produtividade, eficiência e inovação. No entanto, também expôs as organizações a novos vetores de risco, especialmente no domínio da cibersegurança. Os sistemas industriais outrora isolados, estão hoje fortemente integrados com redes corporativas e plataformas em nuvem, criando uma interdependência crítica entre tecnologia operacional (OT) e tecnologia da informação (IT). Neste contexto, a certificação e a normalização em cibersegurança assumem um papel determinante na construção de confiança, resiliência e vantagem competitiva. A Norma ISO/IEC 27001: Fundamentos e Benefícios

– Joana Lobo

A ISO/IEC 27001 é uma norma internacional que define os requisitos para um Sistema de Gestão em Segurança da Informação, Cibersegurança e Proteção da Privacidade, e baseia-se numa abordagem de gestão de riscos, promovendo a identificação, avaliação e mitigação de ameaças que possam comprometer a confidencialidade, integridade e disponibilidade da informação. A norma estabelece requisitos de como lidar com a informação, consolidando um conjunto das melhores práticas da gestão de segurança da informação. Um sistema de gestão, de acordo com este referencial, assenta em três componentes: - Confidencialidade: assegurar que a informação é acessível somente por aqueles que estão devidamente autorizados; - Integridade: salvaguardar a veracidade e complementaridade da informação bem como os seus métodos de processamento; - Disponibilidade: assegurar que, quem devidamente autorizado, tem acesso à informação e bens associados, sempre que necessário.

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Esta norma especifica os requisitos para estabelecer, implementar, operar, monitorizar, rever, manter e melhorar um sistema de gestão de segurança da informação, bem como os requisitos para os controlos de segurança a serem implementados de acordo com as necessidades individuais da organização, demonstrando a preocupação da organização em preservar a confidencialidade, integridade e disponibilidade da informação. Para além da componente técnica, a certificação ISO/IEC 27001 reforça a governança corporativa, ao integrar a segurança da informação nas decisões estratégicas da gestão. Num ambiente industrial globalizado, esta norma torna-se um fator diferenciador, ao transmitir confiança em mercados cada vez mais exigentes e sensíveis à cibersegurança das cadeias de fornecimento. Benefícios da Certificação ISO 27001: • Robustez dos sistemas industriais: A norma promove práticas sistemáticas de segurança, reduzindo vulnerabilidades em redes, sistemas SCADA, PLCs e outros componentes críticos. • Confiança e reputação: A certificação transmite ao mercado um compromisso com a segurança, aumentando a confiança de clientes, fornecedores e investidores. • Conformidade legal e regulatória: Facilita o cumprimento de requisitos legais e normativos, como o RGPD e regulamentos específicos do setor industrial. • Melhoria contínua: O ciclo PDCA (Plan-Do-Check-Act) da norma incentiva a revisão constante dos processos de segurança. • Redução de custos com incidentes: A prevenção de ataques e falhas reduz perdas financeiras e operacionais.

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Aplicações Práticas no Setor Cerâmico e do Vidro Embora tradicionalmente menos digitalizados, os setores cerâmico e do vidro têm vindo a adotar tecnologias de automação, sensores inteligentes e sistemas de gestão integrados. Esta transformação aumenta a superfície de ataque cibernético e exige medidas de proteção adequadas. Exemplos de Aplicação: 1. Proteção de dados de produção e fórmulas industriais: A ISO/IEC 27001 ajuda a proteger informações sensíveis, como composições químicas, parâmetros de cozedura e receitas de esmaltes. 2. Segurança em sistemas de controlo de fornos e linhas de produção: A norma orienta a implementação de medidas para evitar acessos não autorizados e manipulações maliciosas. 3. Gestão segura de fornecedores e clientes: A certificação promove práticas seguras na troca de dados com parceiros comerciais, evitando fugas de informação. 4. Competitividade internacional: Empresas certificadas destacam-se em mercados exigentes, como o europeu e o norte-americano, onde a segurança é um critério de seleção. Perspetivas Futuras: Indústria 4.0, Desafios e Oportunidades A Indústria 4.0, marcada pela integração de tecnologias digitais avançadas, como IoT industrial, inteligência artificial e automação avançada, introduz uma nova era de eficiência e inovação. Ao mesmo tempo, esta transformação aumenta exponencialmente a superfície de ataque cibernético e exige uma abordagem estruturada à segurança da informação. A implementação de um sistema de gestão de segurança da informação baseado na ISO/IEC 27001 permite às organizações enfrentar estes

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desafios de forma organizada e estratégica, em que destacamos os principais desafios e oportunidades das organizações industriais: Desafios: • Integração de sistemas heterogéneos: A interoperabilidade entre sistemas legados e novas tecnologias aumenta a complexidade da gestão de riscos. • Ataques mais sofisticados: A utilização de inteligência artificial por agentes maliciosos exige defesas igualmente avançadas. • Escassez de profissionais qualificados: A procura por especialistas em cibersegurança supera a oferta, dificultando a implementação eficaz de normas. Oportunidades: • Automatização da segurança: Ferramentas baseadas em IA e machine learning podem apoiar a deteção precoce de ameaças. • Normas complementares: A ISO/IEC 27001 pode ser integrada com outras normas, como a ISO 22301 (continuidade de negócio) e a IEC 62443 (segurança em sistemas de controlo industrial). • Valorização da marca: A adoção de certificações reconhecidas internacionalmente torna-se um diferencial competitivo, especialmente em processos de exportação e licitações públicas.

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Conclusão A segurança da informação e a cibersegurança constituem hoje elementos críticos para a sustentabilidade e competitividade industrial. A norma ISO/IEC 27001 oferece uma estrutura sólida para enfrentar riscos digitais, promover continuidade operacional, proteger ativos estratégicos e consolidar a confiança de clientes e parceiros. Nos setores cerâmico e do vidro, a implementação de um sistema de gestão de segurança da informação permite reduzir vulnerabilidades, aumentar a resiliência operacional e destacar-se em mercados globais, transformando a conformidade em um ativo estratégico. A certificação ISO/IEC 27001, ao combinar rigor técnico com governança e melhoria contínua, posiciona a indústria para enfrentar os desafios da digitalização, garantindo confiança, robustez e competitividade sustentável. A APCER dispõe de uma unidade de negócio especializada na área das tecnologias de informação, Digital Trust and Security, que centra a sua atividade na proteção da informação e do conhecimento do negócio dos nossos clientes, acompanhando a tendência digital, definindo boas práticas de controlo e gestão dos riscos associados, prestando serviços na área da certificação e formação, nomeadamente nas áreas de segurança de informação e Cibersegurança. A adoção de um sistema de gestão de segurança da informação é uma decisão estratégica para uma organização, permitindo que a mesma se torne mais resiliente face a ameaças cibernéticas.

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IA, CIBERSEGURANÇA E REALIDADES IMERSIVAS: TRANSFORMANDO A INDÚSTRIA COM SEGURANÇA E COMPLIANCE

por Joana Mota Agostinho, Cuatrecasas

Joana Mota Agostinho

A transformação digital nas indústrias tradicionais, como a cerâmica e a cristalaria, deixou de ser apenas uma promessa futurista para se tornar uma realidade palpável. A convergência de tecnologias emergentes – Inteligência Artificial (IA), cibersegurança avançada e realidades imersivas – tem revolucionado a produção, a interação com clientes e colaboradores e a proteção de infraestruturas críticas. Ao mesmo tempo, essa evolução impõe desafios jurídicos e operacionais significativos, exigindo das empresas industriais não apenas inovação, mas também uma gestão robusta de riscos e compliance. A IA tem desempenhado um papel crucial na otimização de processos produtivos. Ferramentas de machi-

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ne learning permitem o monitoramento em tempo real das linhas de produção, antecipando falhas e reduzindo desperdícios. Em indústrias como a cerâmica e a cristalaria, onde a precisão na forma, cor e acabamento é essencial, a IA oferece a capacidade de ajustar parâmetros de produção com base em dados históricos e em tempo real, garantindo qualidade e consistência. Além disso, sistemas inteligentes de manutenção preditiva ajudam a minimizar paragens inesperadas e a prolongar a vida útil de equipamentos. A integração de IA com sensores IoT cria um ecossistema de produção interligado, no qual decisões operacionais podem ser tomadas de forma autónoma, com base em análises avançadas de dados. No entanto, esse avanço tecnológico também gera riscos cibernéticos específicos. Sistemas inteligentes conectados à rede corporativa podem ser alvo de ataques sofisticados, comprometendo não apenas a operação, mas também dados estratégicos sobre processos e produtos. A proteção jurídica e operacional dessas infraestruturas é, portanto, uma prioridade. As tecnologias de realidade aumentada (AR) e realidade virtual (VR) têm permitido às empresas industriais criar experiências imersivas para clientes, parceiros e colaboradores. Na cerâmica e cristalaria, por exemplo, essas ferramentas possibilitam a visualização de produtos personalizados antes da produção física, promovendo vendas mais assertivas e redução de desperdício de materiais. Internamente, a realidade virtual tem sido utilizada em treinamentos de colaboradores para operação

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segura de maquinário, simulação de processos críticos e resposta a incidentes. Essa imersão prática reduz erros humanos, melhora a capacitação técnica e aumenta a resiliência organizacional. Contudo, a integração dessas plataformas exige atenção rigorosa à proteção de dados, especialmente quando envolvem informações sensíveis sobre processos, clientes ou funcionários. À medida que as indústrias incorporam IA e realidades imersivas, a superfície de ataque cibernético se expande. A cerâmica e a cristalaria, muitas vezes vistas como setores tradicionais, não estão imunes a ataques que visam roubo de propriedade intelectual, sabotagem de produção ou sequestro de sistemas críticos por ransomware. A cibersegurança, portanto, deixou de ser uma função puramente técnica para se tornar um imperativo estratégico e jurídico. A implementação de medidas robustas de proteção de dados, segmentação de redes, monitorização contínua e planos de resposta a incidentes é essencial. Além disso, a conformidade com normas e regulamentações como, por exemplo, o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD), o Regulamento da Inteligência Artificial e a Diretiva NIS2, não é apenas uma obrigação legal, mas também um mecanismo de mitigação de risco reputacional e financeiro. O compliance regulatório é assim o alicerce de uma proteção jurídica eficaz. Normas como a Diretiva NIS2, direcionada à segurança de redes e sistemas de informação, exigem que empresas industriais adotem medidas técnicas e organizacionais proporcionais à criticidade dos serviços que prestam. O RGPD reforça a proteção de dados pessoais de clientes e colaboradores, impondo obrigações rigorosas quanto ao tratamento, armazenamento e compartilhamento dessas informações. Em caso de incidente cibernético, a lei determina procedimentos específicos: notificação às autoridades competentes, comunicação aos titulares de dados afetados e documentação detalhada do incidente e das medidas corretivas adotadas. A falha em cumprir essas obrigações pode gerar sanções severas, incluindo multas elevadas, responsabilidade civil e dano reputacional irreversível. A prevenção é apenas uma parte da equação. A capacidade de responder rapidamente a incidentes e gerir crises determina a resiliência de uma empresa industrial. Um plano de resposta eficaz deve contemplar: 1. Deteção e Contenção Rápida – Sistemas de monitorização devem identificar anomalias e isolar imediatamente os segmentos afetados, evitando propagação do ataque.

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2. Comunicação Interna e Externa – Informar colaboradores e parceiros estratégicos sobre o incidente, garantindo que as decisões sejam coordenadas e precisas. 3. Análise Forense e Recuperação – Avaliar a origem do ataque, medir o impacto e iniciar processos de restauração de dados e sistemas críticos. 4. Aprendizagem e Melhoria Contínua – Registar as lições aprendidas para fortalecer políticas de segurança e protocolos de resposta a futuros incidentes. Indústrias como a cerâmica e cristalaria, com processos complexos e dependentes de equipamentos sensíveis, devem adotar simulações de crises e treinos periódicos. O verdadeiro valor das tecnologias emergentes é plenamente realizado quando há equilíbrio entre inovação, segurança operacional e conformidade jurídica. IA e realidades imersivas oferecem ganhos de produtividade, qualidade e experiência do cliente, mas apenas se acompanhadas de políticas de cibersegurança robustas e cultura de compliance. Empresas industriais devem considerar a cibersegurança como um investimento estratégico, integrando equipes multidisciplinares – TI, jurídico, operações e gestão de riscos – para criar um ecossistema resiliente. O alinhamento entre tecnologia e governança corporativa garante que a transformação digital não exponha a empresa a riscos evitáveis. Considerações Finais A indústria moderna está em meio a uma revolução tecnológica sem precedentes. IA, realidades imersivas e cibersegurança interligam produtividade, inovação e proteção. No entanto, a adoção dessas tecnologias não pode ocorrer de forma isolada. A conformidade regulatória, a resposta estruturada a incidentes e a gestão de crises são elementos essenciais para a sustentabilidade operacional e jurídica das empresas industriais. Para setores tradicionais como a cerâmica e cristalaria, a integração dessas tecnologias representa tanto um desafio quanto uma oportunidade: otimizar processos, melhorar a experiência de clientes e colaboradores, e assegurar que a empresa esteja protegida contra ameaças cibernéticas e responsabilidades legais. Empresas que conseguem equilibrar inovação com segurança jurídica estão posicionadas para liderar a indústria do futuro, onde tecnologia e compliance caminham lado a lado.

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Segurança

21 de Nov Convento São Francisco Coimbra Inovação, sustentabilidade e tecnologia em foco num encontro de referência para os setores da cerâmica e da cristalaria

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Sustentabilidade

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E CIBERSEGURANÇA: OS NOVOS P I L A R E S D A S U S T E N TA B I L I D A D E INDUSTRIAL

p o r Ne l so n E scr a v a n a , INOV

A Sustentabilidade Industrial é cada vez mais uma imposição regulamentar (e.g., a Diretiva de Reporte de Sustentabilidade Cooperativa), fundamentada pelas questões ambientais e sociais. Atualmente é também um fator importante de competitividade para qualquer empresa, potenciando o acesso a mercados e a diferenciação

da oferta face à concorrência. Afinal, a sustentabilidade implica o aumento da eficiência dos processos produtivos e a redução de perdas, com o consequente impacto no custo da operação. Na última década observámos progressos notáveis no domínio da Inteligência Artificial, amplamente relacionados com o aumento da disponibilidade de elevada capacidade de computação a custos tendencialmente menores e com avanços nas técnicas de aprendizagem automática e dos grandes modelos de linguagem (e.g., ChatGPT), resultando num ciclo virtuoso de investimento no desenvolvimento desta área. Em consequência, dispomos hoje de um vasto arsenal de conhecimento que permite aumentar consideravelmente a eficiência de muitos processos produtivos, não apenas com ganhos económicos, mas também como um pilar fundamental para a Sustentabilidade Industrial. A ubiquidade dos sistemas de informação e comunicação que caracteriza o início do milénio, já por si, permite aumentos consideráveis da automatização na indústria. A exploração das técnicas de Inteligência Artificial hoje disponíveis, será um importante elemento no desenvolvimento de vantagens competitivas sustentáveis, que permitam às empresas sobreviver e prosperar no mercado do século XXI. No entanto, a crescente dependência das empresas, e da sociedade como um todo, dos sistemas de informação e comunicação representa per si um risco de negócio considerável, posicionando as empresas como alvos atrativos para grupos organizados de cibercrime e sujeitando as mesmas a ciberataques que podem paralisar o negócio e mesmo torná-lo inviável. O cibercrime, e em particular o ransomware¹, afeta igualmente grandes e pequenas empresas em todos os setores de atividade, causando longas interrupções na atividade e elevado impacto financeiro². Para além das

1.- Ransomware é um ataque informático no qual o atacante obtém um acesso ilegítimo aos sistemas de informação da vítima, cifrando toda a informação aí armazenada e exigindo avultados resgates para a vítima reaver a sua informação e para que a informação não seja tornada pública. 2.- Como demonstra o recente ataque sofrido pela Jaguar Land Rover com interrupção da produção por mais de um mês e profundo efeito na economia da região e até do Reino Unido.

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Sustentabilidade

Sistema de Controlo de Qualidade Unyma detetando uma anomalia

ameaças à atividade económica, os ciberataques são cada vez mais uma ameaça à segurança da União Europeia, que em reação tem aumentado a regulamentação (e.g., Regulamento Geral de Proteção de Dados, Regulamento de Ciber-Resiliência e a Diretiva da Segurança das Redes e da Informação – NIS2), genericamente responsabilizando os operadores económicos pelos danos que a insegurança dos seus sistemas possa causar na sociedade. São diversas as áreas nas quais a Inteligência Artificial pode contribuir consideravelmente para a Sustentabilidade Industrial. A recolha em tempo real, através de sensores, de dados sobre os processos produtivos e a sua análise, permite, recorrendo a técnicas de Inteligência Artificial, aumentar a eficiência energética, assim reduzindo diretamente o impacto ambiental, através por exemplo da otimização de curvas térmicas, recuperação de energia, adequação instantânea da produção de um dado equipamento às necessidades da fábrica e ao plano de produção, etc. Permite ainda aumentar a circularidade da indústria, potenciando uma reutilização eficiente dos resíduos de um processo produtivo como recursos secundários em outros processos na cadeia logística e até em indústrias distintas. Na área de otimização de processos produtivos, técnicas de Inteligência Artificial como a visão computacional, permitem para efeitos de controlo de qualidade a inspeção em tempo real de 100% dos produtos, detetando defeitos superficiais nas várias etapas do processo produtivo, classificando automaticamente produtos face à sua qualidade, potenciando o rápido ajuste nos parâmetros de produção para minimizar o número de peças defeituosas e minimizando os recursos desperdiçados a jusante, num produto que acabaria por ser recusado ou devolvido pelo cliente. Uma outra área de aplicação da Inteligência Artificial é ao nível da manutenção preditiva. A combinação de sensores de vibração, temperatura e corrente com

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Inteligência Artificial permite reconhecer precocemente indícios de uma potencial falha e realizar uma intervenção planeada com redução do impacto da intervenção e mitigação de possíveis desperdícios e impactos ambientais da falha. Também ao nível do planeamento da produção, a Inteligência Artificial permite ajustar os planos de produção, reordenando lotes, ajustando o processo produtivo à procura efetiva, lidando com perturbações ou variações na cadeia de abastecimento e com isto otimizando a utilização de recursos, nomeadamente energéticos e reduzindo desperdícios e necessidades de armazenamento, aumentando assim a eficiência e a sustentabilidade do negócio. A Inteligência Artificial permite melhorar as condições de trabalho nas fábricas, nomeadamente reduzindo a repetitividade de algumas tarefas e a necessidade de expor os trabalhadores a ambientes adversos. O investimento na sua formação permitirá também melhorar as condições remuneratórias e ajustar-se à evolução das competências da mão-de-obra nacional. A Cibersegurança tem por objetivo garantir a confidencialidade, integridade e disponibilidade da informação, dos sistemas e dos serviços necessários para o funcionamento das organizações. Ataques que afetem os sistemas de informação (IT) ou os sistemas de controlo industrial (OT) podem resultar em paragens da produção, perdas de material, desperdício energético e contaminação de recursos com um elevado impacto ambiental e financeiro. Assim, com a inevitável utilização e crescente dependência dos sistemas IT e OT, fator indispensável para assegurar a competitividade, é fundamental garantir a continuidade da sua operação, prevenindo ciberataques e aumentando a capacidade de resistir e recuperar de ataques e manter a integridade dos dados processados, uma vez que sem dados confiáveis, as decisões sejam automáticas ou humanas, correm o risco de serem incorretas. Dados fiáveis e disponíveis, sempre que necessário, permitem uma eficiente governação da organização, o que é essencial para a sua sustentabilidade. A Cibersegurança não assenta na aquisição de mais equipamento, soluções e serviços de segurança, mas na identificação contínua e gestão criteriosa dos riscos para o negócio como um todo, garantindo a entrega de valor a todas as partes interessadas. Apenas conhecendo e gerindo os riscos e aplicando princípios de minimização dos possíveis impactos negativos, podem as organizações capitalizar os investimentos

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Sustentabilidade

realizados em Cibersegurança, na digitalização e na adoção de novas soluções tecnológicas de Inteligência Artificial. Conhecendo os riscos, é possível definir como segmentar as redes e sistemas da organização, monitorizar a sua utilização para detetar potenciais ameaças, garantir a salvaguarda da informação, definir políticas de utilização adequada dos sistemas e gerir as vulnerabilidades em sistemas de informação que diariamente são tornadas públicas. É tipicamente desafiante para um gestor avaliar e decidir sobre investimentos em Cibersegurança, cujo retorno é difícil de medir e que desviam recursos financeiros e humanos de outras atividades essenciais à competitividade da organização. Mas ignorar os riscos de Cibersegurança, é como desligar as válvulas de segurança e os sensores de um forno para poupar na manutenção, aparentemente sem impacto na operação até ao momento em que são necessárias e o impacto de um incidente pode ser fatal. A Cibersegurança é essa válvula silenciosa, que quando funciona protege discretamente o negócio, os seus funcionários e potencia a sustentabilidade, evitando

perdas desnecessárias e impactos ambientais nocivos. Adicionalmente, a Cibersegurança é uma garantia para os clientes de que a empresa é resiliente, responsável e que demonstra o seu empenho em honrar os compromissos que assume. Cinquenta anos volvidos sobre o estudo “Os Limites do Crescimento”³ realizado com base em simulações computacionais no MIT que prevê o colapso global dos recursos naturais durante o presente século, é necessário repensar como as ferramentas que temos hoje nos ajudam a evitar este cenário. Considero que na Sustentabilidade Industrial do século XXI, estes dois novos pilares, a Inteligência Artificial e a Cibersegurança, não são apenas catalisadores indispensáveis dos tradicionais pilares Ambiental, Social e Governança, como adicionalmente garantem a continuidade das operações e aumentam a competitividade da indústria, sendo a única aposta que permite transformar obrigações regulamentares e responsabilidades sociais em vantagens competitivas sustentáveis para a indústria nacional, no feroz mercado global.

3.- Meadows, Donella H., Jorgen Randers, and Dennis L. Meadows. "The limits to growth.", 1972, Potomac Associates – Universe Books.

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Regulamentação

SISTEMA DPP: A INFRAESTRUTURA D I G I TA L Q U E L I G A N O R M A L I Z A Ç Ã O, DADOS E CIBERSEGURANÇA NA INDÚSTRIA 4.0

por Ne ls on Mar t in s, APICER

Figura 1 • Normas solicitadas pela Comissão Europeia à CEN/CENELEC, para definir o funcionamento do DPP (fonte: CEN - CENELEC)

As indústrias enfrentam uma mudança estrutural profunda, em que os seus processos tendem a ser renovados atendendo aos avanços tecnológicos mais recentes, e para acompanharem as ambições estratégicas de sustentabilidade europeia. No centro desta transição, destacam-se as tecnologias emergentes nos campos da Inteligência Artificial, Cibersegurança e Análise de Dados, que suportam o Passaporte Digital de Produto (DPP), uma ferramenta criada pela Comissão Europeia que tenciona promover a transparência, a circularidade e a sustentabilidade no consumo de bens. Considerando o tema desta edição da revista Kéramica, neste artigo pretende-se sistematizar como está a ser desenvolvida a arquitetura do sistema DPP e o funcionamento futuro do Passaporte Digital de Produto, perspetivando como as normas harmonizadas em discussão pela Comissão Europeia irão utilizar e aproveitar as tecnologias de interoperabilidade, troca de dados, codificação e rastreabilidade, blockchain, inteligência artificial e cibersegurança. O Passaporte Digital de Produto pretende criar um sistema de informação estruturado e interoperável, acessível a diferentes intervenientes do ciclo de vida

(produtores, distribuidores, fornecedores, reparadores e recicladores, consumidores e entidades de inspeção e auditoria), de forma a divulgar informações-chaves do produto como a sua composição, a origem de matérias-primas, o seu desempenho e dados de sustentabilidade e impacto ambiental. Em termos regulamentares, o Passaporte Digital surge como peça fundamental no Plano de Ação de Economia Circular (PAEC) da União Europeia, tendo sido introduzido no Regulamento da Conceção Ecológica de Produtos Sustentáveis (ESPR – Ecodesign for Sustainable Products Regulation), publicado como Regulamento (EU) 2024/1781. A Comissão Europeia mandatou o CENCENELEC (Comité Europeu de Normalização Eletrotécnica), através do seu Comité Técnico Conjunto (JTC 24 – Joint Technical Committee 24) para desenvolver um conjunto de normas harmonizadas, de forma a estabelecer a arquitetura e os requisitos de dados do sistema de Passaportes Digitais (ver figura 1). Em Portugal, sob tutela do IPQ – Instituto Português da Qualidade e coordenado pela GS1 Portugal, foi criada em 2024 a Comissão Técnica IPQ/CT 228 (órgão “espelho” da CEN/CENELEC/JTC24), para acompanhar a nível nacional a implementação do Passaporte Digital de Produto no contexto do regulamento ESPR. A APICER é membro ativo desta comissão, acompanhando e participando nas decisões regulamentares e votação das normas harmonizadas em discussão, que vão definir o sistema de funcionamento do DPP. Proposta de normalização do sistema DPP As normas em desenvolvimento pela JTC-24 serão um conjunto de documentos interligados, cada um cobrindo um aspeto específico do funcionamento

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Sustentabilidade

do sistema DPP proposto, configurando uma cadeia técnica e de governança para que o DPP funcione como uma identidade digital robusta, confiável e disponível ao longo do tempo. 1. Identificadores únicos O identificador será o elo entre o objeto físico e a sua representação digital, devendo ser globalmente único, interoperável, não ambíguo e persistente ao longo de todo o seu ciclo de vida. É solicitado pelo regulamento ESPR a criação dos seguintes identificadores: • Identificador Único de Produto • Identificador Único do Operador Económico • Identificador Único das Instalações É também definido a possibilidade de escolher o nível de granularidade para o DPP: • Modelo • Lote • Item individual (identificador único distinto para cada peça) Entre as diferentes possibilidades de identificação, poderá ser utilizado o método da GS1 Global Location Number (GLN), alinhado com as ISO/IEC 15459 e a ISO/IEC FDIS 18975, o Global Trade Item Number (GTIN), o Digital Object Identifier (DOI), ou outro caminho estruturado de identificação de produtos que a JTC-24 indique.

A escolha da tecnologia apropriada deverá ter em consideração vários aspetos essenciais, tais como: quantidade de informação, tamanho do código e área disponível no produto, durabilidade e resistência química, térmica ou mecânica. O contraste da marcação deve ser escolhido tendo em conta a capacidade, método e aparelho de leitura do Data Carrier. Tal como indica o regulamento ESPR, o Data Carrier deverá ser colocado no produto (preferível), numa etiqueta, na embalagem ou em documentação que acompanhe o produto, de forma a ser facilmente acessível pelos consumidores ou outros atores interessados (p.e. recicladores ou auditores). 3. Gestão de acessos, segurança do sistema e confidencialidade Nesta norma pretende-se definir os mecanismos de gestão de identidades para autenticação e controlo de acessos, bem como para garantir a segurança da informação disponibilizada pelo DPP. Devem ser criados certificados digitais para impedir que utilizadores não autenticados tenham acesso a informações restritas e não possam alterar, apagar ou incluir informação sem a devida autorização. Informação considerada sensível deverá cumprir regras de confidencialidade, estando apenas disponível para entidades autorizadas, através de gestão de permissões e autenticação. Durante o desenvolvimento do sistema DPP, deve ser definido o controlo de acessos e os papéis e níveis de permissão para cada operador económico. Também de-

Figura 2 • Exemplo de aplicação de um i d e n t i f i c a d o r G S 1 , d i s p o n í v e l p a r a We b (fonte: GS1)

2. Data Carriers A ligação do produto físico ao seu passaporte digital ou digital twin, deverá acontecer através de um mecanismo físico associado ao produto, que possa ser lido automaticamente.

A comissão sugere utilizar como Data Carriers uma das seguintes tecnologias: • QR Code (Quick Response Code) • Data Matrix Barcode • RFID (Radio Frequency Identification) • NFC (Near Field Communication)

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verá ser implementado um sistema de autorização e registo de acessos, mantendo um histórico de consultas e alterações da informação do DPP, para que possa ser auditável e rastreável. A norma indicará a necessidade de implementação de sistemas de gestão de segurança segundo as normas EN ISO/IEC 27001 e EN ISO 22301, devendo estar definidos protocolos de melhoria contínua do processo de segurança, deteção e resposta a incidentes, mecanismos que garantam continuidade e recuperação operacional. 4. Interoperabilidade Técnica, Semântica e Organizacional Para que a informação que consta no sistema DPP seja compreendida e processada por diferentes plataformas, deverá ser utilizada uma “linguagem comum”, definida por modelos semânticos e modelos de dados, que devem estabelecer: • Estrutura de dados e metadados; • Descrição semântica dos produtos, incluindo propriedades e aspetos relevantes que representem o seu ciclo de vida; • Harmonização de linguagem através de dicionários de dados; • Regras de sintaxe para serialização e formatação dos dados; • Permitir leitura por humanos e por máquinas (machine-readable); A garantia de interoperabilidade do sistema, sendo o desenvolvimento porventura mais complexo, é a base essencial para poder estabelecer meios de recolha e envio de dados para sistemas já existentes. 5. Data Exchange Protocols (Protocolos de troca de dados) Complementando a norma anterior, devem ser definidos protocolos de comunicação e mecanismos para a troca de dados entre sistemas, garantindo a troca segura, eficiente e compatível entre plataformas, de forma a ser processada e entendida corretamente pelos diferentes sistemas. Os protocolos e o formato dos dados devem permitir que estes sejam lidos por máquinas, estruturados, que permitam escalabilidade e sejam pesquisáveis e transferíveis através de uma rede aberta e interoperável.

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Para além disso, os dados devem ser encriptados durante a sua transmissão para garantir confidencialidade e integridade. A informação disponibilizada eletronicamente pelo DPP e ligada ao objeto físico, deve permanecer intacta, consistente e confiável, ao longo de toda a cadeia de valor do produto, desde o início da cadeia até ao seu fim de vida. Possíveis Protocolos de Dados: • RESTful APIs (Representational State Transfer) • HTTPS (Hypertext Transfer Protocol Secure) • TLS (Transport Layer Security) • HTTP/1.1, HTTP/2, HTTP/3 Possíveis Formatos de Dados: • JSON (JavaScript Object Notation) • XML (Extensive Markup Language) • JSON-LD (JavaScript Object Notation for Linked Data) • W3C HTML standards (Hypertext Markup Language) 6. Armazenamento, arquivo e persistência dos Dados Este standard pretende definir os princípios para o armazenamento, arquivo e acessibilidade das informações disponibilizadas pelo DPP, ao longo de toda a vida útil do produto. Um dos pontos inicialmente em discussão passou por definir se os sistemas DPP deveriam ser centralizados e geridos pela Comissão Europeia ou descentralizados. Com esta norma, fica definido que o DPP deve ser armazenado e gerido pelo fabricante ou operador económico responsável de forma descentralizada, podendo recorrer a prestadores de serviço especializados, que assegurem a sua disponibilidade online durante todo o período de validade do produto. A norma também introduz o princípio da persistência dos dados, assegurando que o DPP deve permanecer acessível mesmo que o operador original deixe de estar ativo. Deverá também ser garantido um back-up que possa ser acedido por entidades autorizadas e que mantenha de forma segura a integridade e a autenticidade da informação ao longo do tempo. 7. Autenticação, Confiabilidade e Integridade dos Dados Esta norma incidirá fundamentalmente sobre as questões de cibersegurança e de proteção da informação

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Sustentabilidade

que constará nos sistemas DPP. A confiança nos sistemas é ponto fundamental e crítico para promover a transição do físico para o digital, devendo ser assegurada a proteção de toda a informação guardada, quer de utilizações irregulares ou acidentais, ou de intervenções maliciosas que através de acesso indevido ou ilícito comprometam a integridade dos dados. O sistema deverá garantir que apenas entidades autorizadas podem aceder ou modificar campos específicos do DPP, utilizando aplicações seguras de autenticação, como a ESDC (Electronically Signed Data Construct). A ESDC consiste em documentos eletrónicos estruturados que podem ser lidos por máquinas. Todo o ator dentro do sistema DPP, exceto o público, deve ser globalmente identificado por um identificador único de operador.

A interoperabilidade via API permitirá que o ERP (Enterprise Resource Planning), PLM (Product Lifecycle Management) e os sistemas de IoT (Internet of Things) da fábrica comuniquem diretamente com o sistema DPP, automatizando o processo e reduzindo a necessidade de integração de dados manualmente. Conclusão O Passaporte Digital de Produto será o núcleo central de informação para potenciar a economia circular e a transição digital europeia. As normas EN – em desenvolvimento não são meras formalidades técnicas, sendo indispensáveis para garantir o correto funcionamento dos sistemas DPP. Quem começar a compreender, preparar-se e aplicar desde já estes princípios, irá estar melhor preparado não só para cumprir as exigências regulamentares, mas para liderar a transformação tecnológica e ambiental. Se para além disso, as empresas conseguirem combinar novas tecnologias nas áreas de Inteligência Artificial, Machine Learning, Gestão Avançada de Dados e Cibersegurança, terão modelos de produção mais inteligentes, otimizados, eficientes e sustentáveis.

Figura 3 • Representação simplificada do Sistema DPP a implementar pela Comissão Europeia

8. APIs (Application Programming Interfaces) e Gestão do ciclo de vida do DPP Está em aprovação uma norma específica para descrever as Interfaces de Programação de Aplicações (APIs), que permitirá criar, atualizar, consultar e apagar (quando permitido) os registos do DPP. Baseada em princípios HTTPS/RESTful e usando OpenAPI/JSON, esta norma define: • Endpoints normalizados para registo de novos DPPs; • Mecanismos de pesquisa por atributos (ex: fabricante, categoria, certificação, propriedade);

• Autenticação via OAuth 2.0 / OpenID Connect; • Gestão de histórico de alterações e logs de auditoria; • Compatibilidade com Linked Data e verificação de integridade.

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Secção Jurídica

QUANDO A IA COMPROMETE A CONFIANÇA NAS ORGANIZAÇÕES

por Fi li pa Pe re i ra Si l v a e Fi l o m e n a Gi r ã o , FAF Sociedade de Advogados

Se é certo que a IA tem vindo a revelar um potencial verdadeiramente transformador ao oferecer ferramentas avançadas que permitem automatizar tarefas repetitivas e redirecionar o foco dos profissionais para tarefas que acrescentem mais valor às organizações – o que se aplaude e se recomenda vivamente, na medida em que a utilização destas ferramentas poderá permitir melhorar a eficiência operacional – certo é que a sua integração no quotidiano das empresas não pode ser feita sem mais. Ora, desde o seu advento, uma das premissas que, consabidamente, se reconhecia à inteligência artificial era a de reduzir o erro humano, justamente porque nós, pessoas, somos falíveis: estamos sujeitos a pressões externas, a fadiga, a lapsos de memória, à subjetividade inerente ao pensamento crítico, e até a preconceitos inconscientes. Contudo, essa expectativa não está a ser alcançada com o êxito (pleno) que se antecipava. Ainda este mês, uma consultora, absolutamente reputada no seu meio, teve de devolver parte de um pagamento relativo a um serviço, após ter remetido um relatório, por si elaborado, que continha informações falsas geradas por IA. Em grande medida, falhas como esta resultarão de uma excessiva confiança depositada na inteligência artificial, que resulta na falta de verificação crítica das informações por aquela geradas. A perceção de que a IA opera com rigor, neutralidade e autonomia, leva a que os seus outputs sejam aceites como verdadeiros, sem o devido escrutínio – o que abre caminho para imprecisões, enviesamentos e, até mesmo, informações falsas. Aliás, o fenómeno conhecido como “AI hallucination” é um problema recorrente: com frequência os sistemas geram informações falsas, na medida em que preveem padrões de linguagem, i.e., preenchem lacunas usando aquilo que parece ser uma fonte plausível, sem confirmar devidamente se tais informações são, de facto, reais.

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Nesta medida, a inteligência artificial tem vindo a expor um novo tipo de vulnerabilidade – mais discreta, mais complexa e, potencialmente, mais danosa – revelando limitações próprias, que amplificam falhas já existentes. Modelos treinados com dados incompletos, enviesados ou mal validados, que podem reproduzir imprecisões e preconceitos, contribuindo para a disseminação de erros de forma mais rápida e abrangente, aliados à dificuldade em corrigir falhas quando os sistemas funcionam como “caixas negras” dificultam a atribuição de responsabilidades e a implementação de mecanismos de controlo eficazes. Tal vem de significar que estes sistemas, apesar da sua sofisticação e do generalizado reconhecimento dos seus inúmeros benefícios, continuam a carecer de supervisão humana efetiva: a validação por parte dos seus utilizadores continua a ser indispensável para garantir a fiabilidade dos conteúdos produzidos e, nessa medida, prevenir consequências danosas, tanto materiais como reputacionais. Nesta medida, e ainda que a doutrina se venha debatendo sobre a atribuição de responsabilidades face à autonomia destes sistemas, os erros ou consequências derivadas do uso de inteligência artificial – que deve ser entendida, sim, como uma ferramenta auxiliar – não podem deixar de recair sobre os seus utilizadores: a última palavra e o juízo crítico ainda são (felizmente) humanos. O primeiro e mais frequente é, com certeza, o de se atribuir às ferramentas de IA uma eficiência que estas (felizmente) não têm.

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Novidade

S A N I N D U S A A P O S TA N A M O B I L I D A D E E L É T R I C A E D Á M A I S U M PA S S O R U M O À F R O TA 1 0 0 % V E R D E C O M O C A R TÃ O F R O TA G O L D E N E R G Y

A Sanindusa, Indústria de Sanitários, S.A., uma das maiores empresas portuguesas do setor cerâmico, deu um passo decisivo no seu compromisso com a sustentabilidade. Ao aderir ao Cartão Frota Goldenergy, a empresa reforça a transição da sua frota para um modelo mais sustentável, com 75% de viaturas elétricas e 10% híbridas plug-in, totalizando 85% da frota com perfil ambientalmente responsável. Estes veículos são abastecidos com eletricidade com garantia de origem 100% renovável, contribuindo para a redução das emissões associadas à mobilidade empresarial. Esta parceria com a Goldenergy representa um marco importante no caminho da descarbonização da Sanindusa e reforça o papel da energia verde também na mobilidade empresarial como um dos eixos estratégicos para atingir a neutralidade carbónica. Fundada em 1991, a Sanindusa é um nome incontornável da indústria cerâmica portuguesa. Produz uma vasta gama de produtos, desde louça sanitária, torneiras e banheiras a bases de duche e exporta cerca de 70% da sua produção para mais de 60 países. Com quase 500 colaboradores e várias unidades de produção em território nacional, a Sanindusa alia tecnologia, design e sustentabilidade, sendo reconhecida pelo seu compromisso ambiental através de certificações como o EMAS e a ISO 14001. Ao longo dos últimos anos, a Sanindusa tem vindo a implementar medidas concretas para reduzir o seu impacto ambiental. A aposta em tecnologias de alta eficiência energética, a automação dos processos produtivos, a criação de produtos que promovem a poupança de água e o investimento em inovação sustentável refletem a sua estratégia de descarbonização. Agora, com a adesão ao Cartão Frota Goldenergy, a Sanindusa estende esse compromisso à mobilidade, consolidando uma frota cada vez mais elétrica e abastecida com energia elétrica com

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garantia de origem 100% renovável. Este passo elimina as emissões associadas à utilização de combustíveis fósseis e consolida a empresa como um exemplo de transição energética completa. O Cartão Frota Goldenergy é uma solução de mobilidade elétrica que permite às empresas gerir e carregar os seus veículos em postos públicos e privados com a garantia de utilização de eletricidade de origem 100% verde. Através desta iniciativa, a Goldenergy reforça a sua missão de ajudar as empresas portuguesas a descarbonizar as suas operações e a adotar modelos energéticos mais sustentáveis e competitivos. Com esta parceria, a Goldenergy acompanha a Sanindusa no seu percurso de transformação, provando que a mobilidade elétrica é hoje uma componente essencial de qualquer estratégia ESG. Esta adesão é mais do que uma mudança operacional, é um sinal claro de liderança ambiental. Num setor tradicionalmente intensivo em energia, a empresa demonstra que é possível inovar, crescer e reduzir emissões em simultâneo. A Goldenergy continuará a apoiar as empresas portuguesas neste caminho, disponibilizando soluções que unem competitividade, inovação e sustentabilidade.

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Notícias & Informações

NOVIDADES DAS EMPRESAS CERÂMICAS PORTUGUESAS

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Aleluia Ceramics Queimadores fabrica Ílhavo

ALELUIA CERAMICS Aleluia Ceramics reforça compromisso com a Sustentabilidade através da integração de biometano certificado e da ampliação do parque fotovoltaico A Aleluia Ceramics deu mais um passo decisivo na sua estratégia de sustentabilidade, ao integrar biometano com Certificado de Garantia de Origem de gás renovável no seu processo produtivo. Esta iniciativa resulta de uma parceria com a Goldenergy, um dos principais fornecedores de eletricidade 100% verde e gás natural destinados à indústria portuguesa, reforçando o compromisso da empresa com a transição energética e a redução da pegada carbónica. O biometano é um gás renovável obtido a partir da valorização de resíduos orgânicos e considerado neutro em emissões de CO₂ quando certificado com Garantias de Origem pela EEGO – Entidade Emissora de Garantias de Origem em Portugal. Esta certificação garante a rastreabilidade da energia utilizada, confirmando o contributo efetivo da Aleluia Ceramics para a descarbonização do setor. O biometano consumido pela empresa é produzido a partir do tratamento e valorização de resíduos sólidos e agropecuá-

rios, num processo desenvolvido pelo grupo Axpo, acionista suíço da Goldenergy, assegurando assim uma cadeia energética totalmente sustentável e de origem comprovadamente renovável. Com esta iniciativa, a Aleluia Ceramics consolida a sua posição pioneira no setor cerâmico nacional, reforçando o compromisso com a transição energética, a redução da pegada carbónica e a adoção de práticas ambientais responsáveis. Paralelamente, a empresa encontra-se na fase final de ampliação do seu parque fotovoltaico, iniciado em 2024, num projeto que abrange duas unidades industriais e ocupa uma área total de 12 000 m². Esta expansão permitirá à Aleluia Ceramics produzir cerca de 3,6 GWh de energia solar por ano, contribuindo para uma redução de 30% no consumo de energia proveniente da rede elétrica — um marco significativo no caminho da empresa rumo à autossuficiência energética e sustentabilidade industrial. Em simultâneo, a Aleluia Ceramics está a reabilitar o edifício da sua sede, com o objetivo de o tornar mais eficiente do ponto de vista energético e de melhorar o conforto e bem-estar dos colaboradores. Esta intervenção integra a estratégia global da empresa de otimização dos recursos e modernização das suas infraestruturas. “O nosso compromisso com a sustentabilidade é diário e envolve toda a organização. Na Aleluia Ceramics assumimos a responsabilidade de encarar os desafios ambientais globais como prioridade, tomando decisões que asseguram a preservação do ambiente e o futuro das comunidades onde atuamos." Vera Venâncio (Direção de Sustentabilidade) MARGRES Projeto North Gorge – Eco Residential Development vence Margres Architecture Award 2025.

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utilizada como mais-valia para um compromisso ambiental”, destacou o júri. A par do grande vencedor, o júri decidiu atribuir duas menções honrosas, reconhecendo a qualidade e o rigor de outros dois projetos de elevada qualidade. Villa Fortaleza, do arquiteto Vieira de Moura, destacou-se pela sua apresentação esclarecedora e criatividade na implementação da casa no terreno, recorrendo a várias gamas e cores de materiais Margres. A outra menção foi atribuída ao arquiteto Rui Dinis, do gabinete Spaceworkers, com o Museu de Vila do Bispo. Esta obra pública foi reconhecida como uma referência arquitetónica. A sua reabilitação, bem estruturada, tanto no abstrato como no concreto, utilizou a cerâmica Margres de grande formato com rigor e honra. A Margres encerra assim a 7ª edição do prémio, com o reconhecimento de mais projetos que demonstram excelência e inovação arquitetónica.

AZO Arquitectos premiado com projeto que funde a arquitetura com a sustentabilidade. A Margres anunciou o North Gorge – Eco Residential Development, do gabinete AZO Arquitectos, em parceria com ARC Design, como o grande vencedor do Margres Architecture Award 2025. Este prémio, que celebra a excelência na arquitetura e o uso inovador da cerâmica, reconhece um projeto que se destaca pelo seu profundo respeito e integração com o ecossistema único de Gibraltar. O empreendimento residencial, composto por 45 townhouses e villas, foi desenhado com um compromisso ambiental inegável. A sua conceção, a seleção de materiais e o desempenho energético das habitações fizeram com que este projeto já tivesse sido reconhecido em 2020 com o Gibraltar Sustainability Award. A cerâmica teve um papel determinante na decisão do júri do Margres Architecture Award: “Tendo a cerâmica Margres como protagonista, esta surge muito bem integrada no espaço envolvente, denotando todo um cuidado compositivo. Através da sua versatilidade, a mesma é

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MATCERAMICA Forbes reconhece coleção criada pela Matceramica como uma das melhores do mundo Reconhecimento internacional reforça o posicionamento da Matceramica como parceiro estratégico de marcas globais A conceituada revista Forbes destacou recentemente a Fable como uma das marcas que oferecem o melhor dinnerware set do mercado mundial, na publicação “I Spent Months Testing The Best Dinnerware Sets – These 6 Outperformed”. A coleção da Fable selecionada para integrar este ranking é produzida pela Matceramica, uma empresa portuguesa de referência no setor, localizada na Batalha, e foi concebida e desenvolvida pela sua equipa de produto. Este reconhecimento internacional reafirma a capacidade de inovação da Matceramica, que se afirma cada vez mais como parceiro estratégico de marcas globais de renome. Com uma forte aposta em design e sustentabilidade, a Matceramica combina o saber-fazer da cerâmica portuguesa com uma abordagem industrial tecnológica, garantindo qualidade, consistência e diferenciação nos mercados mais exigentes. SOBRE A MATCERAMICA A Matceramica é uma empresa de referência na produção de cerâmica utilitária em grés e faiança, colaborando com marcas internacionais para oferecer soluções personalizadas e de elevada qualidade. Comprometida

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com a sustentabilidade, a empresa investe continuamente em práticas ecológicas, integrando materiais reciclados de forma inovadora e otimizando processos produtivos para reduzir o impacto ambiental.

PORCEL – Open Day

M AT C E R A M I C A -Fa b l e

PORCEL Ruby: Uma afirmação impactante para o Outono de 2025. A coleção Ruby da Porcel foi pensada para brilhar à mesa, transformando cada momento numa celebração de requinte. Inspirada no universo das pedras preciosas — símbolos universais de elegância— Ruby traz para o quotidiano a distinção dos materiais mais nobres da terra. A geometria da decoração, aliando ouro e bordô sobre porcelana fina, cria reflexos únicos e jogos de luz subtis, evocando as facetas de uma pedra preciosa lapidada. Cada peça assume-se como uma verdadeira joia de porcelana, convidando à contemplação, ao toque e à partilha. Tal como um rubi transmitido de geração em geração, esta coleção afirma-se pela sua beleza, mas também pela longevidade — um dos maiores valores ecológicos da porcelana. A coleção Ruby pode ser elegantemente combinada com outras coleções Porcel, como Premium Gold, Auratus Sunset e Ballet OB.

Open Day IAPMEI na Porcel destacou Inovação, Sustentabilidade e Digitalização No passado dia 25 de setembro, a Porcel organizou, em parceria com o IAPMEI, um Open Day nas suas instalações, reunindo empresas, centros de conhecimento e entidades institucionais num ambiente de partilha, inovação e inspiração. O evento teve início com as boas-vindas de Ana Luísa Roque, Presidente do Conselho de Administração da Porcel, e de José Pulido Valente, Presidente do Conselho Diretivo do IAPMEI. Seguiram-se diversas intervenções dedicadas ao papel da inovação e da sustentabilidade na indústria da porcelana, com especial destaque para a integração de tecnologias digitais e a implementação de soluções ambientais nos processos de produção — temas abordados por Ana Luísa Roque durante a sua apresentação. O encontro proporcionou uma oportunidade única de diálogo e colaboração entre os diferentes agentes do setor, reforçando o compromisso da Porcel e do IAPMEI com um futuro mais sustentável e tecnologicamente avançado para a indústria portuguesa. Representantes do CTCV e da Universidade de Aveiro refletiram sobre o papel da academia na construção de modelos mais sustentáveis para a indústria, reforçando a importância da ligação entre empresas e centros de conhecimento. O painel final, moderado por Victor Francisco (CTCV), reuniu oradores do IAPMEI, do Grupo MOTA, da JOT e da Porcel, que debateram os fatores diferenciadores da sustentabilidade e digitalização, trazendo perspetivas complementares sobre o futuro do setor. O Open Day encerrou com uma visita guiada à unidade fabril da Porcel, proporcionando aos participan-

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tes a oportunidade de conhecer de perto os processos de fabrico de porcelana fina de elevada qualidade. Durante o percurso, foram ainda apresentadas as boas práticas adotadas pela empresa nas áreas da digitalização do chão de fábrica, gestão energética, eletrificação de processos e utilização de energias renováveis, evidenciando o compromisso da Porcel com a inovação tecnológica e a sustentabilidade ambiental. Com este evento, a Porcel reafirma o seu compromisso em aliar tradição artesanal e inovação tecnológica, contribuindo ativamente para um futuro mais sustentável e competitivo na indústria da porcelana. REVIGRÉS REVIGRÉS APRESENTA COLEÇÕES REBORN II, NA CERSAIE 2025, EM ITÁLIA O efeito ultrarrealista dos materiais naturais em superfícies cerâmicas tridimensionais A Revigrés marcou presença na Cersaie 2025 – na maior e mais prestigiada feira do setor cerâmico, em Bolonha, Itália, – com as novas coleções REBORN II – um conceito que encontra inspiração na reinvenção dos materiais naturais.

Com recurso à mais recente tecnologia Tech 3D de impressão digital, a gráfica e texturas dos materiais cerâmicos ganham vida, criando peças com um design muito natural e realista, que reproduzem a sensação visual e material da pedra e do cimento. O estilo industrial e urbano do Blend Nas coleções de revestimentos e pavimentos cerâmicos com o efeito do cimento, a Revigrés apresentou quatro propostas: os tons frios – Offwhite e Fog – realçam o estilo industrial e intemporal, enquanto os tons quentes – Mint e Desert – procuram o equilíbrio entre o natural e urbano. Além de conferir personalidade aos espaços e valorizar os projetos, destaca-se como uma solução ideal para áreas exteriores, graças à sua espessura de 20 mm. As texturas sensoriais da pedra Inspirado na beleza da pedra travertino com corte transversal, a coleção Tuscany Classic revela um padrão orgânico, variado e aleatório, que expõe as marcas do tempo. Disponível nas cores Ivory e Sand, apresenta uma superfície rica em detalhes naturais, com nuances que vão do bege suave ao dourado intenso. Por sua vez, a já aclamada coleção Travertino Classic -– nas cores Offwhite e Sand – apresentar-se-á, pela primeira vez, no formato XL, na medida 120x278 cm. Ambas as coleções encontram-se disponíveis nos formatos 60x120, 90x90, 120x120 e 120x278 no acabamento mate.

Revigres - Cersaie

Sustentabilidade e Inovação do Produto Com a elevada resistência, aspeto inalterável e durabilidade do grés porcelânico, as coleções REBORN II são compatíveis com inúmeros modelos e soluções da construção sustentável ao mesmo tempo que, ao reproduzirem o efeito dos materiais naturais, evitam a delapidação destes recursos. As novas soluções dispõem ainda de Declarações Ambientais de Produto (DAPs) contribuindo para a melhoria de classificação em diversos sistemas de certificação ambiental internacionais dos edifícios, entre os quais os sistemas BREEAM e LEED. As novas referências estarão disponíveis em breve na Biblioteca de Objetos BIM da Revigrés, de forma gratuita, para arquitetos e projetistas. Mais informação em https://www.revigres.pt/ en/p/colecoes-reborn

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Calendário de Eventos

UNICERA’2025 (Ladrilhos Cerâmicos/Louça Sanitária) Anual – Istambul (Turquia) De 3 a 7 de Novembro de 2025 en.unicera.com.tr/

BIG 5 SHOW´2025 (Materiais de Construção) Anual – Dubai (EAU) De 24 a 27 de Novembro de 2025 www.thebig5.ae/

EXPOREVESTIR’2026 (Ladrilhos Cerâmicos) Anual – São Paulo (Brasil) De 9 a 13 de Março de 2026 exporevestir.com.br/

MAIS CONCRETA’2025 (Construção / Tendências para arquitetura e interiores) Anual – Porto (Portugal) De 06 a 07 de Novembro de 2025 concreta.exponor.pt/

ARCHITEC@WORK 2025 (Materiais de Construção) Anual – Lisboa (Portugal) De 3 a 4 de Dezembro de 2025 architectatwork.pt//

CERAMITEC’2026 (Tecnologia para Cerâmica) Bianual – Munique (Alemanha) De 24 a 26 de Março de 2026 https://ceramitec.com/en/

DOWNTOWNDESIGN’2025 (Design/Tendências) Anual – Dubai (EAU) De 5 a 9 de Novembro de 2025 downtowndesigcom

MAISON & OBJET’2026 (Design / Cerâmica Utilitária e Decorativa) Bianual - Paris (França) De 15 a 19 de Janeiro de 2026 maison-objet.com

COVERINGS’2026 (Ladrilhos Cerâmicos) Anual – Las Vegas (USA) De 30 de Março a 02 Abril de 2026 coverings.com/

HOST MILANO’2025 (Restauração) Anual – Milão (Itália) De 17 a 21 de Outubro de 2025 host.fieramilano.

THE INTERNATIONAL SURFACE EVENTE 2026 (Ladrilhos cerâmicos) Bianual – Las Vegas (EUA) De 27 a 29 de Janeiro de 2026 https://www.intlsurfaceevent.com/

The New York Tabletop Show´2026 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Bianual – New York (EUA) De 14 a 17 de Abril de 2026 tabletopassociationinc.com

DECOREX’2025 (Design/Tendências) Anual – Londres (UK) De 12 a 15 de Outubro de 2025 decorex.com

SURFACE DESIGN SHOW’2026 (Ladrilhos Cerâmicos) Anual – Londres (R.U.) De 4 a 5 de Fevereiro de 2026 surfacedesignshow.com/

TEKTÓNICA´2026 (Construção) Anual – Lisboa (Portugal) De 23 a 25 de Abril de 2026 tektonica.fil.pt/

AMBIENTE’2026 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Anual – Frankfurt (Alemanha) De 06 a 10 de Fevereiro de 2026 ambiente.messefrankfurt.com

The National Restaurant Show.com’2026 (Horeca / Cerâmica Utilitária) Anual - Chicago (USA) De 16 a 19 de Maio de 2026 nationalrestaurantshow.com

HIP HORECA PROFESSIONAL EXPO’2026 (Restauração) Anual – Madrid (Espanha) De 16 a 18 de Fevereiro de 2026 expohip.com/en/

THE HOTEL SHOW’2026 (Restauração) Anual – Dubai (EAU) De 2 a 4 de Junho de 2026 thehotelshow.com

NKBA|KBIS’2026 (Cerâmica Sanitária e Ladrilhos Cerâmicos) Anual – Orlando (USA) De 17 a 19 de Fevereiro de 2026 https://kbis.com/

3 DAYS OF DESIGN’2026 (Design/Tendências) AAnual – Copenhaga (Dinamarca) De 10 a 12 de Junho de 2026 3daysofdesign.dk/

THE INSPIRED HOME SHOW’2026 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Anual – Chicago (EUA) De 10 a 12 de Março de 2026 theinspiredhomeshow.com

MAISON & OBJET’2026 (Design / Cerâmica Utilitária e Decorativa) Bianual - Paris (França) De 10 a 14 de Setembro de 2026 maison-objet.com

JORNADAS TÉCNICAS DA CERÂMICA Bianual – Coimbra ( Portugal) De 19 a 21 de Novembro de 2025

POP-UP ECP Ecocerâmica e Cristalaria de Portugal Showcase Coimbra (Portugal) De 19 a 21 de Novembro de 2025

ECP Green Conference 2025 Anual– Coimbra (Portugal) 21 de Novembro de 2025

LONDON BUILD ‘2025 (Materiais de Construção) Anual – Londres (UK) De 19 a 20 de Novembro de 2025 londonbuildexpo.com

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Juntos vamos construir o que está para vir.

Energia para o seu negócio. Menos impacto para o planeta.

Juntos continuamos a crescer.

26%

DEZ 2024

Quota de Consumo serviços e Indústria de gás natural. Boletim mercado Liberalizado de Gás - Janeiro de 2025

Do resíduo à energia renovável para a energia do seu negócio ser mais limpa. BIO Bio

1 Resíduos orgânicos

3 Produção de biometano

2 Valorização de resíduos

Quer saber como tornar a sua indústria mais verde? Fale connosco.


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Revista Kéramica nº398 Setembro / Outubro 2025 by APICER - Ceramics Portugal - Issuu