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Revista Kéramica n.º 394 Março / Abril 2025

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KÉRAMICA revista da indústria cerâmica portuguesa

CERÂMICA & CRISTALARIA

Publicação Bimestral €8.00

nº394

Edição Março/Abril . 2025

FRONTEIRAS GLOBAIS


anos years

Confiança a Construir o Futuro

anos years Acreditada pelo IPAC como organismo de certificação de produtos (incluindo Regulamento dos Produtos de Construção), serviços e sistemas de gestão

R. José Afonso, 9 E – 2810-237 Almada – Portugal — Tel. 351.212 586 940 – E-mail: mail@certif.pt – www.certif.pt


Editorial

O Tratado de Vestefália, a Revolução Francesa de 1789 – introduzindo o conceito de estado-nação – as duas grandes guerras mundiais, a criação, primeiro da Sociedade das Nações, e depois das Nações Unidas, os princípios da autodeterminação dos povos e o fim dos impérios coloniais, são marcos importantes deste processo. A criação das nações unidas e o desenvolvimento do direito internacional, consolidaram as fronteiras políticas e tendem a resolver de forma pacífica os conflitos fronteiriços, sobre fronteiras que são muitas vezes o resultado de relações de poder, de um passado mais ou menos distante, ou de interesses político-económicos antigos ou recentes. Mas será que hoje, quando falamos em fronteiras, ou em fronteiras globais estamos a falar de fronteiras políticas que esta brevíssima análise refere?

Fronteiras globais Os temas que a revista Kéramica aborda durante um ano, são sempre definidos, no ano anterior, pela equipa da APICER. Estou certo de que, quando alguém propôs o tema “Fronteiras globais” estaria longe de pensar o impacto que hoje o tema fronteira tem, na geopolítica mundial, na economia e de forma geral em todas as particularidades da vida no mundo. A soberania de cada estado, está estreitamente associada ao conceito de fronteira – terrestre aérea e marítima – assumindo essas fronteiras uma separação entre diferentes interesses e culturas das comunidades. É nesse espaço definido pela fronteira, que o estado seja qual for a sua organização política, exerce a autoridade, implementa políticas económicas e sociais, dispõe e usa os meios coercivos internos e dissuasores externos, incluindo controlar o acesso de pessoas, mercadorias, serviços e capitais ao seu território. Hoje existem 200 Estados soberanos, com as correspondentes fronteiras políticas bem delimitadas, sob as regras do direito internacional e tendencialmente, com relações políticas e económicas entre si. O conceito de limite, hoje coincidente com fronteira (limite com origem no latim limies usado pelos romanos), normalmente delimitado por grandes rios, cadeias de montanhas, outras relevâncias da natureza ou com grandes construções humanas, como a muralha da China, são os exemplos do conceito e da utilidade das fronteiras que, pese embora não tivessem as mesmas características que têm hoje, são as precursoras das fronteiras políticas atuais, estas sim, alicerçadas na evolução tecnológica que possibilitou via satélite cartografar os territórios ao milímetro. Historicamente podemos referir vários factos que trouxeram ao mundo de hoje esta forma de relacionamento entre diferentes estados mais ou menos soberanos.

Março . Abril . 2025

A resposta é claramente não. Os que estão a ler este editorial e que têm mais de 40, 50 anos já se esqueceram que ao viajar para Vigo, Salamanca ou Badajoz tinham que trocar escudos por pesetas? Hoje vivemos no espaço europeu, onde os movimentos de capitais, de bens, de serviços e de pessoas são totalmente livres e vivemos também, genericamente, num mundo globalizado onde as trocas comerciais e as interdependências das cadeias logísticas se intensificaram drasticamente. O mundo pára, literalmente, se um cargueiro se atravessa acidentalmente no canal do Suez. Por isso esta cidadania global começa, contra as ditaduras e contra as fronteiras, a emergir como conceito e desejo que seja feito em segurança. Hoje a globalização com “poucas” fronteiras económicas, com mercados de capitais e de investimentos à escala global, parecem ser contraditórios com o que aconteceu com o Brexit, com o “Americafirst", com as restrições migratórias que estão a colocar em crise a segurança do chamado primeiro mundo, as baixas taxas de natalidade neste primeiro mundo e altas taxas de natalidade, no chamado terceiro mundo são questões-chave no tema fronteiras globais. Questão-chave é também, a incerteza se as sociedades abertas à globalização podem continuar a ser livres e democráticas se não se defenderem dos seus inimigos, internos e externos. Outra questão-chave é, ainda, saber se as fronteiras políticas, e o seu controlo, – ex-espaço Schengen – são uma necessidade de sobrevivência de sociedades abertas num mundo globalizado ou uma restrição ao fim das fronteiras. Por último, uma referência à enorme incerteza para o mundo, para Portugal e para as indústrias cerâmicas e de cristalaria portuguesas que as políticas ultra proteccionistas dos USA, podem trazer como contraponto de uma globalização desregulada num ambiente geopolítico e geoestratégico incerto e violento. Tenho esperança que isto, seja apenas uma simples trovoada: José Cruz Pratas (Presidente da Direção da APICER)

Editorial . Kéramica . p.1


Index

Editorial . 01

Internacionalização . 28 Dia da libertação confirma o diagnóstico de Paranoia Protecionista

Destaque . 03

Entrevista . 15

Dos Tarifários dos EUA à Concorrência Chinesa A Cerâmica Europeia num Sistema de Comércio Global em Transformação

À conversa com Óscar Delfim - Diretor Comercial B2B - Goldenergy

Fronteiras Globais . 07 07 Desafios e Oportunidades do Setor Cerâmico num Contexto Global 10 Fronteiras Globais e os Desafios do Setor Cerâmico Português 22 Internacionalização das Empresas do Setor Cerâmico em Portugal: Desafios e Oportunidades num Mundo em Transformação 25 O furacão Trump e as novas oportunidades para a cerâmica portuguesa

Mercados . 12 09 A Guerra Comercial Global e a Instabilidade Internacional 31 Portugal, México e o Horizonte Cerâmico Atlântico: Uma Oportunidade sem Fronteiras

Desafios . 18

Secção Jurídica . 33 A justiça social forçada – a Lei das Quotas

Notícias & Informações . 35 Novidades das Empresas Cerâmicas Portuguesas na Feira Ambiente 2025

Calendário de Eventos . 40

A Indústria Cerâmica Portuguesa: Entre a Tradição e os Desafios do Novo Cenário Económico

Propriedade e Edição APICER - Associação Portuguesa das Indústrias de Cerâmica e de Cristalaria NIF: 503904023 Direção, Administração, Redação, Publicidade e Edição Rua Coronel Veiga Simão, Edifício Lufapo Hub A - nº 40, 1º Piso 3025-307 Coimbra [t] +351 239 497 600 [f] +351 239 497 601 [e-mail] info@apicer.pt [internet] www.apicer.pt Tiragem 500 exemplares Diretor Marco Mussini Editor e Coordenação Albertina Sequeira [e-mail] keramica@apicer.pt Conselho Editorial Albertina Sequeira, António Oliveira, Cristiana Costa Claro, Marco Mussini e Martim Chichorro. Capa Nuno Ruano

Colaboradores Albertina Sequeira, Alessandro Ferrari, Daniel Santos, Filipa Pereira Silva, Filipe Grilo, Gustavo Tavares, Jorge-Alberto Yarte-Sada, Jorge Costa Oliveira, Jorge Salvador, Mariana Bem-Haja, Omid Majidi Ahi, Óscar Delfim, Paulo Rios de Oliveira, Susana Costa e Silva Paginação Nuno Ruano Impressão Gráfica Almondina - Progresso e Vida; Empresa Tipográfica e Jornalística, Lda Rua da Gráfica Almondina, Zona Industrial de Torres Novas, Apartado 29 2350-909 Torres Novas [t] 249 830 130 [f] 249 830 139 [email] geral@grafica-almondina.com [internet] www.grafica-almondina.com Distribuição Gratuita aos associados e assinatura anual (6 números); Portugal €42,00 (IVA incluído); União Europeia €60,00; Resto da Europa €75,00; Fora da Europa €90,00 Versão On-line https://issuu.com/apicer-ceramicsportugal Notas Proibida a reprodução total ou parcial de textos sem citar a fonte. Os artigos assinados veiculam as posições dos seus autores. Esta edição vem acompanhada da Revista TÉCNICA 2025 // #28 | ABRIL/MAIO | Bimestral

Índice de Anunciantes CERTIF (Verso Capa) • GOLDENERGY (Verso Contra-Capa) • INDUZIR (Contra Capa) Conteúdos conforme o novo acordo ortográfico, salvo se os autores/colaboradores não o autorizarem

Publicação Bimestral nº 394 . Ano XLX . Março . Abril . 2025

Depósito legal nº 21079/88 . Publicação Periódica inscrita na ERC [Entidade Reguladora para a Comunicação Social] com o nº 122304 ISSN 0871 - 780X Estatuto Editorial disponível em http://www.apicer.pt/apicer/keramica.php

p.2 . Kéramica . Index

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Destaque

DOS TARIFÁRIOS DOS EUA À CONCORRÊNCIA CHINESA A CERÂMICA EUROPEIA NUM SISTEMA DE COMÉRCIO GLOBAL EM TRANSFORMAÇÃO

por Omi d M AJIDI A H I , Tra d e Po li cy Ma n a ge r @ Ce ra m e-Uni e

Na sua declaração de 10 de abril de 2025, a Presidente da Comissão, Ursula Von der Leyen, sublinhou que “condições claras e previsíveis são essenciais para o funcionamento do comércio e das cadeias de abastecimento”. No entanto, os primeiros meses de 2025 têm sido marcados por uma crescente imprevisibilidade. Os Estados Unidos reintroduziram tarifas e recuaram nos seus compromissos com o comércio global, enquanto países como a China e a Índia exploram as lacunas da OMC (Organização Mundial do Comércio), padrões menos exigentes e os elevados custos de produção nos países ocidentais para expandir a sua presença no mercado da UE. Os produtores de cerâmica europeus – incluindo os portugueses – enfrentam, por conseguinte, desafios em ambos os lados do espetro comercial: barreiras crescentes

nos comerciais de exportação e concorrência desleal no mercado interno. Neste contexto, os esforços da UE para construir uma política comercial mais autónoma tornam-se mais importantes do que nunca. A indústria da cerâmica, falando a uma só voz através da Cerame-Unie, deve envolver-se ativamente com as instituições da UE para defender um comércio justo e baseado em regras. A utilização de instrumentos existentes – como ferramentas de execução e acordos de comércio livre – e a pressão para a criação de novos instrumentos para enfrentar desafios como a capacidade excedentária e o dumping ambiental serão fundamentais para manter a competitividade do setor a nível nacional e internacional. Desempenho comercial da Indústria Cerâmica Europeia Exportações de cerâmica em 2024

Omid Majidi Ahi

O comércio livre e justo é essencial para a indústria cerâmica europeia, um setor orientado para a

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Destaque . Kéramica . p.3

Fonte: Eurostat


Destaque

2024. Por outro lado, países como a Índia aumentaram a sua quota de mercado na UE, com o valor das importações de cerâmica a aumentar de 58 milhões de euros em 2014 para quase 400 milhões de euros em 2024.

Estes números não devem, contudo, esconder o facto de o desempenho global da indústria estar a diminuir. Apesar da balança comercial positiva, que é em parte artificialmente sustentada pelas elevadas taxas de inflação dos anos anteriores, as quantidades de exportação estão a diminuir, com uma perda de mais de 38% entre 2021 e 2024. Os elevados custos de produção e de energia na UE, aliados às barreiras comerciais nos destinos de exportação, comprometeram substancialmente a competitividade dos produtos da UE nos mercados externos. Ao mesmo tempo, vários setores, como a loiça de mesa, os artigos sanitários ou os pavimentos e revestimentos cerâmicos, enfrentam o aumento das importações da China, da Índia e de outros concorrentes, o que resulta numa concorrência desleal no mercado interno, com produtos importados baratos sujeitos a normas sociais e ambientais mais baixas. A China representa um terço do total das importações da UE em valor, com mais de 2 mil milhões de euros importados em

p.4 . Kéramica . Destaque

Fonte: Eurostat

Fonte: Eurostat

exportação, cujos produtos são reconhecidos e apreciados internacionalmente. Dos 34 mil milhões de euros de cerâmica produzidos na UE em 2024, 37% destinaram-se a exportações. Os pavimentos e revestimentos cerâmicos, os refratários e a cerâmica avançada estão entre os produtos mais exportados. A indústria manteve também uma balança comercial positiva de 5,1 mil milhões de euros em 2024, como mostra o gráfico abaixo. Excluindo o comércio intra-UE, os Estados Unidos constituem um dos nossos principais parceiros comerciais, representando cerca de 20% das exportações da UE (em valor).

Melhorar as condições de acesso ao mercado para as exportações de cerâmica da UE Apesar das tendências atuais, a indústria cerâmica europeia continua a ser um setor competitivo e uma referência nas exportações, dependendo fortemente do acesso aos mercados internacionais. No exercício da sua atividade diária, os exportadores da UE enfrentam frequentemente barreiras comerciais crescentes no estrangeiro, desde normas técnicas a tarifas, como as recentemente reintroduzidas pelos EUA. Para fazer face a estas dificuldades, a União Europeia desenvolveu um conjunto de instrumentos de política comercial para identificar, abordar e eliminar esses obstáculos. Dado que são essenciais para melhorar as condições de acesso ao

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Destaque

mercado e salvaguardar a competitividade dos produtores da UE, a Cerame-Unie e a indústria cerâmica europeia são utilizadoras ativas destes instrumentos. Identificação e combate às barreiras comerciais Em primeiro lugar, o Balcão Único de Entrada (Single Entry Point - SEP) da UE, gerido pela Direção Geral do Comércio da Comissão Europeia (DG TRADE), permite às indústrias e associações europeias comunicar as barreiras comerciais e as práticas desleais com que se deparam em países terceiros. As questões reportadas são depois avaliadas pela DG TRADE e podem ser seguidas por via diplomática ou por meios legais, dependendo da gravidade e da persistência da barreira. Para a indústria cerâmica, este instrumento é particularmente relevante nos casos em que os países impõem regimes de ensaio específicos, duplicação de certificações ou procedimentos de avaliação da conformidade excessivamente onerosos, que afetam desproporcionadamente as exportações de cerâmica. A Cerame-Unie apresentou várias queixas nos últimos anos. A mais recente dizia respeito a um procedimento de avaliação da conformidade dispendioso e oneroso, adotado em dezembro de 2024 pelo Vietname, em violação do Acordo de Comércio Livre UE-Vietname, que está a afetar nomeadamente os exportadores europeus de pavimentos e revestimentos e artigos sanitários de cerâmica. Recentemente, outras barreiras foram eliminadas com sucesso, como um regime de certificação de importação de pavimentos e revestimentos de cerâmica na Argentina. Para acompanhar as barreiras comerciais que afetam vários subsetores da indústria cerâmica europeia, a Cerame-Unie desenvolveu, ao longo dos anos, um Inventário de Acesso ao Mercado, que reúne informações sobre tarifas, impostos e barreiras técnicas ao comércio. Manter este inventário atualizado é fundamental para que a nossa associação possa representar eficazmente os interesses da indústria nas trocas de informações com as partes interessadas, nomeadamente durante as reuniões do Comité Consultivo de Acesso ao Mercado (MAAC). O MAAC é um fórum que reúne a Comissão Europeia, os Estados-Membros e os representantes das empresas/ indústrias para coordenar os esforços no combate às barreiras comerciais enfrentadas pelos exportadores da UE em países terceiros. O feedback da indústria é transmitido através das autoridades nacionais ou das organizações e associações empresariais. Por conseguinte, é essencial que os produtores europeus de cerâmica partilhem os

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seus problemas de exportação com a Cerame-Unie, mas também com a sua administração nacional, que tem prioridade para interagir com a Comissão. A redução e a resolução das barreiras comerciais são uma forma simples e eficiente de aumentar a competitividade da nossa indústria nos mercados de exportação. Melhorar a competitividade dos produtores europeus de cerâmica através de acordos de comércio livre equilibrados Os Acordos de Comércio Livre (ACL) constituem um instrumento fundamental da política comercial da UE. Quando equilibrados e efetivamente implementados, abrem novos mercados, reduzem os custos de exportação e aumentam a competitividade. Para a indústria cerâmica europeia, reconhecida pela sua qualidade, design e sustentabilidade, os ACL oferecem oportunidades valiosas. Mas, para serem verdadeiramente benéficos, estes acordos devem também evitar a concorrência desleal no mercado único. O papel da Cerame-Unie é, por conseguinte, articular claramente os interesses ofensivos (crescimento das exportações) e defensivos (sensibilidade às importações) da indústria em cada negociação. A eliminação de tarifas é um dos benefícios mais tangíveis. Os ACL com o Canadá, o Japão ou o Vietname – e potencialmente agora com o MERCOSUL – ajudaram a desmantelar os direitos aduaneiros elevados e impulsionaram as exportações da UE. No entanto, a redução de tarifas não deve expor os produtores da UE a uma inundação de importações de baixo custo. Tal é especialmente crítico nas negociações em curso com países como a Índia, os EAU, a Tailândia ou a Indonésia, cujas exportações para a UE aumentam todos os anos. Os períodos de transição, as cláusulas de salvaguarda ou as exclusões são essenciais para evitar uma maior perturbação do mercado. Os ACL devem também incluir disposições vinculativas em matéria de concorrência leal e sustentabilidade. Os direitos laborais, as normas ambientais e as práticas de produção responsáveis devem ser respeitados, de forma a evitar que os produtores da UE sejam ultrapassados por importações de baixo custo e com normas de qualidade inferiores.

Destaque . Kéramica . p.5


Destaque

Ao mesmo tempo, os ACL não devem limitar a capacidade da UE de aplicar instrumentos de defesa comercial – como as medidas antidumping ou anti subvenções – sempre que as práticas desleais ameacem a nossa indústria. As indicações geográficas da cerâmica, como "Porcelaine de Limoges" ou "Cerâmica de Talavera", são também ativos vitais. Os ACL devem prever o seu reconhecimento e proteção no estrangeiro para salvaguardar o património do design e apoiar as exportações de produtos de qualidade superior. A participação ativa da indústria cerâmica é essencial ao longo do processo de negociação dos ACL. Ao partilhar contributos durante as conversações e ao acompanhar a implementação, a Cerame-Unie ajuda a moldar acordos que apoiam verdadeiramente o crescimento sustentável – tanto a nível nacional como internacional. Proteger os produtores de cerâmica da concorrência desleal no mercado único Como mostram as estatísticas, os produtores da UE enfrentam também uma crescente concorrência desleal no mercado único. Quando são identificadas estas práticas, a ativação de instrumentos de defesa comercial é crucial para preservar a competitividade da indústria cerâmica europeia. As investigações são longas e complexas, mas podem proporcionar um alívio significativo aos produtores da UE, como aconteceu nos setores da loiça de mesa ou dos pavimentos e revestimentos cerâmicos, graças à excelente colaboração entre a Cerame-Unie e as associações e produtores nacionais. Desde 2011, as importações de pavimentos e revestimentos cerâmicos da China estão sujeitas a direitos antidumping, renovados em 2017 e em 2024, com taxas que variam entre 13,9% e 69,7%, consoante a empresa. Em 2023, na sequência de uma investigação iniciada em dezembro de 2021, a UE impôs direitos sobre os pavimentos e revestimentos de cerâmica da Índia (6,7% a 8,7%) e da Turquia (4,8% a 20,9%) durante cinco anos. No setor da loiça de mesa, os direitos antidumping sobre a loiça de mesa e os utensílios de cozinha de cerâmica chineses também estão em vigor desde 2013, com prorrogação em 2019, com taxas entre 13,1% e 36,1%.

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A Cerame-Unie e a APICER estão atualmente a trabalhar com a Comissão para renovar os direitos no setor da loiça de mesa, bem como para os aumentar, tendo em conta a evolução da situação na China. No âmbito da investigação, especialistas da Comissão visitaram locais de produção em Portugal e noutros países europeus. Os resultados da investigação são esperados antes do final de 2025. Estas medidas visam restabelecer condições de concorrência equitativas, beneficiando em particular as PME em toda a UE. Ao combater as práticas de dumping, a UE assegura uma concorrência justa equitativa para os seus produtores. A Cerame-Unie, enquanto representante da indústria cerâmica europeia, apoia ativamente a aplicação destas medidas de defesa comercial, defendendo o comércio justo e a proteção dos fabricantes europeus contra as importações desleais. Atualmente, novos desafios como as capacidades excedentárias e o dumping ambiental estão a colocar a nossa indústria em risco. Dado que produzem muito mais do que a procura real, países como a China ou a Índia abastecem em excesso os mercados globais e exportam cerâmica a preços artificialmente baixos, frequentemente produzida com restrições ambientais mínimas. Esta concorrência desleal ameaça milhares de postos de trabalho europeus e compromete os investimentos em produção limpa e sustentável. Em conjunto com os seus parceiros, a CerameUnie defende a modernização dos instrumentos de defesa comercial existentes, ou a criação de novos, para fazer face a estes desafios e salvaguardar a nossa competitividade. Num sistema de comércio global em transformação, marcado por um crescente protecionismo e uma concorrência desleal, a UE deve defender as suas indústrias e desenvolver uma política comercial autónoma. Perante tarifas impostas pelos EUA e o excesso de capacidade da China, a cerâmica europeia enfrenta uma pressão crescente. Para fazer face a estes desafios, os produtores europeus, apoiados pela Cerame-Unie, devem tirar o máximo partido dos instrumentos de política comercial existentes e procurar reforçar a sua competitividade, apelando a ACL equilibrados e a uma aplicação rigorosa das regras do comércio internacional.

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Fronteiras Globais

DESAFIOS E OPORTUNIDADES DO SETOR CERÂMICO NUM CONTEXTO GLOBAL

por Paulo Rios de Oliveira, Administrador-Executivo da AICEP e Jorge Salvador, Gestor da Fileira Construção Civil e Materiais de Construção – AICEP

EUA e China, alicerçada numa disputa de poder pela liderança global, e os seus efeitos (ainda por dimensionar com exatidão), tem gerado naturais preocupações nas cadeias de fornecimento e atores do comércio internacional, colocando em causa os níveis de crescimento económico. A globalização como fenómeno complexo e heterogéneo, com a crescente teia de relações e interdepen-

Jorge Salvador

Paulo Rios de Oliveira

Todas as épocas apresentam desafios e oportunidades para os setores de atividade económica de um país, de uma região ou de um bloco económico, mas hoje, como talvez nunca, se fala diariamente de comércio internacional, exportações e globalização, motivados naturalmente pela incerteza gerada pela denominada “guerra comercial”, que envolve principalmente grandes países e mercados como os EUA, a China, a UE, o Canadá, México, Japão e outros (mas que afeta todo o mundo), com o anúncio quase diário de imposição ou intenção de imposição recíproca de taxas alfandegárias e outras barreiras comerciais (pautais e não pautais) sobre determinados produtos (ou sobre a generalidade dos mesmos), em função da sua origem, sobretudo desde o início do corrente ano com o começo do segundo governo Trump. A escalada do conflito tarifário entre as duas maiores economias do mundo,

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Fronteiras Globais

dência das economias e intensificação de fluxos de pessoas, bens e capitais, encerra alguns riscos que afetam as cadeias globais de produção e fornecimento, derivados de fatores tão diversos como as guerras e conflitos armados, o terrorismo, a pirataria (nos mares e no ciberespaço), as alterações climáticas, a (escassez) de energia e água, entre outros. Algumas situações derivadas destes fatores têm ocorrido nos últimos anos, provocando alguns desabastecimentos, como por exemplo no período da pandemia ou mais recentemente na indústria automóvel (falta de componentes), o aumento de custos (por exemplo, fretes marítimos, matérias-primas e energia) e diminuição de eficiência e competitividade, que também afetaram a indústria cerâmica nacional e europeia. Neste contexto, será que a globalização tal como a conhecemos está ameaçada e, consequentemente, terá de ser “reinventada”? Mesmo sendo otimistas, é difícil prever, mas é certo que nos próximos meses terão de emergir novos modos de governança e ser tomadas medidas de política comercial fortes para garantir que o protecionismo não se impõe como standard e que as fronteiras são elementos flexíveis que unem e não separam os países, de acordo com os interesses políticos e económicos dos mesmos, ao contrário do que acontece atualmente com a NAFTA, projeto de integração económica, onde as fronteiras entre os integrantes do bloco são rígidas. O setor cerâmico nacional e europeu, com uma longa tradição industrial e um forte peso nas exportações, enfrenta hoje um conjunto complexo de desafios (suprarreferidos) e oportunidades num mercado global cada vez mais interligado e competitivo. Neste contexto, os acordos comerciais globais, as barreiras alfandegárias e os custos de transporte logístico são fatores determinantes na definição da sua competitividade externa. Simultaneamente, o e-commerce e a logística digital oferecem novas possibilidades para otimizar a cadeia de valor e mitigar constrangimentos. A liberalização do comércio continua a ser reconhecida pela esmagadora maioria dos países como um fator essencial para gerar crescimento económico e riqueza, mais e melhor emprego, fomento de exportações, laços económicos bilaterais ou multilaterais mais fortes, entre muitos outros benefícios. É à União Europeia (UE) que compete a Política Comercial Comum, pelo que tem o papel de regular as relações comerciais dos Estados-Membros com os países terceiros.

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Os acordos comerciais negociados pela UE variam consoante o nível de ambição e as capacidades do país, ou grupo de países, com que se está a negociar, assumindo a forma de Acordos de Parceria Económica (APE), mais simples, ou de Acordos de Comércio Livre (ACL), mais ambiciosos, já que possibilitam uma abertura recíproca dos mercados dos vários países, de forma imediata para uma grande quantidade de produtos ou com períodos de transição mais curtos para outros, com origem comunitária certificada. Os acordos mais recentes, também designados como “ACL de última geração”, já ultrapassam o mero acesso aos mercados, tendo passado a incluir também compromissos em matérias como barreiras não-pautais, regras de origem, serviços e estabelecimento, compras e contratos públicos, medidas sanitárias e fitossanitárias, direitos de propriedade intelectual, cooperação regulamentar, desenvolvimento sustentável, energia e matérias-primas, alfândegas e facilitação do comércio, PME, proteção de investimento, concorrência, ou resolução de litígios. Exemplo disso é o Acordo de Parceria UE-Mercosul, cujas negociações foram concluídas em dezembro passado; com o seu caráter inovador, o acordo, quando entrar em vigor após todas as aprovações e ratificações, poderá abrir enormes oportunidades à Europa e aos países sul-americanos pertencentes ao bloco (5ª maior economia do mundo), para a obtenção de benefícios mútuos significativos para empresas e consumidores, através de “uma agenda comercial pautada por valores” e o reforço da cooperação nos domínios geopolítico, económico, da sustentabilidade e da segurança. Os ACL celebrados pela UE com diversos parceiros internacionais nas últimas décadas têm tido um impacto direto na expansão das exportações cerâmicas, com a abertura a mercados extracomunitários outrora fechados. Exemplos como o CETA (Acordo Económico e Comercial Global UE-Canadá), Acordo de Comércio e Cooperação UE-Reino Unido ou o ACL com Singapura, têm permitido a eliminação ou redução significativa de direitos aduaneiros, promovendo o acesso dos produtos cerâmicos europeus a novos mercados e gerando ganhos de competitividade importantes. A título ilustrativo, refira-se que no primeiro ano de aplicação do CETA (entrou provisoriamente em vigor a 21 de setembro de 2017), as exportações de cerâmica da UE para o Canadá cresceram 5%, atingindo os 231 milhões de euros (Cerame-Unie, 2018).

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Fronteiras Globais

Contudo, a inclusão dos produtos cerâmicos nestes acordos não é universal e ainda há desafios nas negociações de tratados com outros blocos, onde a concorrência com fabricantes de menor custo poderá vir a representar uma ameaça à indústria nacional e europeia, mas também uma oportunidade para parcerias e integração nas cadeias de valor regionais, ajudando assim as indústrias a permanecer competitivas no mercado mundial. Apesar dos acordos comerciais, muitos mercados ainda impõem barreiras alfandegárias significativas aos produtos cerâmicos europeus, incluindo taxas elevadas, exigências técnicas e procedimentos aduaneiros morosos. Estas barreiras aumentam os custos e os prazos de entrega, reduzindo a competitividade dos produtores da UE. A isto somam-se os “auxílios de Estado” indevidos em determinados países concorrentes e os custos logísticos de transporte, que representam uma fatia considerável dos custos operacionais do setor. Em 2023, a UE importou 4,81 mil milhões de dólares em produtos cerâmicos, sendo a China o principal fornecedor (37% do total), seguida da Turquia e dos EUA (TrendEconomy, 2024). Este contexto acentua a necessidade de otimização logística. Face a estes desafios, o comércio eletrónico e as soluções de logística digital emergem como oportunidades estratégicas para o setor cerâmico e ferramentas de otimização da cadeia de valor. O crescimento global do e-commerce nos últimos anos, acelerado no período COVID-19, resulta do maior número de utilizadores que compram online, se fidelizaram a este novo processo e canal de vendas e o expandiram a outras áreas das suas vidas em que anteriormente não compravam. Os números são expressivos: segundo os dados do portal Statista, estima-se que em 2024 globalmente, os utilizadores de e-commerce eram cerca de 4,7 mil milhões, representando este canal receitas globais de 2.7 biliões de euros. A venda online permite um contacto direto com o consumidor final em mercados distantes, reduzindo a dependência de intermediários e possibilitando uma maior margem de manobra na gestão de preços e serviços, não evitando as tarifas comerciais, mas permitindo às empresas ser mais competitivas e concorrer por outros fatores que não exclusivamente o preço. Investir numa estratégia de internacionalização online, independentemente se no canal B2B ou B2C, se via loja online ou via marketplace, levanta questões em várias áreas da empresa que necessitam obrigatoriamente de ser pensadas e investidas. O importante é reter que os negó-

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cios competem, acima de tudo, pelas experiências de consumo que proporcionam. Sendo a informação e capacitação aspetos relevantes para a obtenção de bons resultados no e-commerce, a AICEP, através do Programa Exportar Online, trouxe este tema para a agenda nacional, e tendo vindo a desenvolver um trabalho que permite responder às necessidades das PME, com o intuito de aumentar as e-exportações nacionais, com apoio do incentivo Internacionalização via E-Commerce, uma medida do PRR. Simultaneamente, a digitalização da logística – com sistemas de gestão de armazéns, rastreabilidade em tempo real, e automação dos fluxos de transporte – permite ganhos de eficiência operacional, redução de desperdícios e tempos de resposta mais rápidos. Estas ferramentas são particularmente relevantes para lidar com exigências técnicas de mercados com altos padrões de qualidade e rastreabilidade, como são os do Norte da Europa e América do Norte (Totvs, 2023; Nordware, 2023). Conclusão A Cerâmica e a Cristalaria são casos de sucesso da economia portuguesa. O Made in Portugal destes setores é reconhecido internacionalmente como de qualidade e que acrescenta valor. O setor cerâmico nacional e europeu encontra-se num ponto de inflexão, onde a inserção inteligente nos fluxos e cadeias globais de comércio, suportada pela diferenciação pela I&D e inovação, aposta na qualidade, design, alta performance dos seus produtos e flexibilidade/ customização, aliadas à tradição e saber-fazer, adoção da transformação digital e de práticas de sustentabilidade (metodologia ESG), determinarão o seu sucesso futuro. Ante o contexto atual, a diversificação de mercados, a expansão da rede de acordos comerciais da UE (já a maior do mundo), a modernização logística e a exploração de canais de venda online não são apenas opções, mas sim condições necessárias para assegurar a sustentabilidade e relevância internacional da indústria cerâmica portuguesa. A AICEP está particularmente dedicada a apoiar as PME a reconhecerem e aproveitarem o melhor deste novo mundo. Com vista a contribuir para esta realidade e em linha com o Plano Estratégico da Agência 2024/2026, disponibilizamos um portfolio de produtos e serviços para apoiar as empresas do setor da Cerâmica e Cristalaria na mudança de paradigma, criando maior valor acrescentado no desempenho da sua atividade internacional.

Fronteiras Globais

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Fronteiras Globais

FRONTEIRAS GLOBAIS E OS DESAFIOS DO SETOR CERÂMICO PORTUGUÊS

por Susana Costa e Silva, Professora Associada com Agregação da Católica Porto Business School, Universidade Católica Portuguesa

Susana Costa e Silva

O setor cerâmico português tem sido um verdadeiro embaixador da indústria nacional no comércio global. Em 2024, as exportações atingiram 878 milhões de euros, com um saldo comercial de 570 milhões de euros e uma taxa de cobertura das importações pelas exportações de 285%. Estes números refletem a importância estratégica do comércio internacional para a indústria, mas também a sua vulnerabilidade às barreiras alfandegárias, acordos comerciais e custos logísticos. Porém, à medida que as fronteiras comerciais se reconfiguram, impulsionadas por políticas económicas, tensões geopolíticas e avanços tecnológicos, o setor enfrenta desafios e oportunidades que moldarão o seu futuro. Como pode a cerâmica portuguesa continuar a prosperar num contexto de incerteza global? Há sobretudo 3 desafios que gostaria de salientar.

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O primeiro desafio prende-se com as barreiras comerciais e tarifárias que afeta este sector dada a sua forte presença nos mercados da União Europeia, Estados Unidos e Médio Oriente, e que está, por isso, bastante dependente do acesso facilitado a mercados externos. Dada a sua vocação exportadora, este setor enfrentará ainda mais o efeito de barreiras alfandegárias, de tarifas protecionistas e de regulamentações diferenciadas, que aumentam os custos e a complexidade das exportações. Se por um lado podemos dizer que a guerra comercial entre os EUA e a China, por exemplo, criou oportunidades de mercado para os exportadores portugueses, também dali resultou uma maior instabilidade nas cadeias de abastecimento e um maior escrutínio nas políticas de importação. A nível europeu, as normas ambientais cada vez mais exigentes já impunham e vão continuar a impor desafios adicionais, com custos de conformidade elevados para as empresas que exportam para mercados com regulamentação ambiental mais restritiva. Para mitigar estes desafios, as empresas cerâmicas devem procurar acompanhar os desenvolvimentos dos acordos comerciais (como o CETA com o Canadá ou o recente acordo UE-Mercosul), sendo igualmente necessário que invistam em certificações internacionais, que facilitam a entrada em mercados regulados. Devem ainda apostar na diferenciação através da inovação e sustentabilidade, reduzindo as vulnerabilidades a tarifas e restrições comerciais.

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Fronteiras Globais

O segundo desafio relevante do setor prende-se com os custos da logística e de transporte internacional. Efetivamente, a escalada dos custos de transporte marítimo, impulsionada por crises logísticas e aumentos nos preços dos combustíveis, tem sido um dos maiores desafios para o comércio global. O setor cerâmico, dada a fragilidade e peso dos produtos transportados, é particularmente sensível a flutuações nos custos logísticos. Em 2023 e 2024, o bloqueio do Mar Vermelho devido a tensões geopolíticas e a escassez de contentores aumentaram significativamente os tempos e custos de transporte. Para empresas cerâmicas que exportam para fora da Europa, o aumento do frete marítimo pode reduzir drasticamente as margens de lucro e comprometer a competitividade internacional. Assim, é fundamental que as empresas do setor diversifiquem as rotas logísticas para evitar dependência excessiva de determinados corredores marítimos, o que invariavelmente passa por encontrar novas e variadas localizações para os seus produtos e redução da dependência de clientes e mercados. Paralelamente, é fundamental que apostem cada vez mais no uso de hubs logísticos estratégicos em mercados-chave, permitindo armazenamento próximo dos clientes finais. Para além disso, é importante que continuem a investir em embalagens mais leves e resistentes, reduzindo custos de transporte e quebras de produto. O terceiro grande desafio para o setor da cerâmica passa, a meu ver, pelo reconhecimento e desenvolvimento de estratégias para melhor incorporação de iniciativas de e-commerce e digitalização ao longo de toda a cadeia de valor. É que, se por um lado as barreiras comerciais e os custos logísticos representam ameaças, por outro, a digitalização da cadeia de valor e o crescimento do e-com-

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merce criam oportunidades significativas para a indústria. Nos últimos anos, as vendas online de produtos cerâmicos cresceram exponencialmente, impulsionadas por plataformas de e-commerce especializadas e marketplaces globais. Empresas que antes dependiam de distribuidores tradicionais podem agora alcançar clientes finais em qualquer parte do mundo. Paralemente, a adoção de tecnologias como Inteligência Artificial (IA), blockchain e Internet das Coisas (IoT) na logística e na produção também traz benefícios a que os empresários deste setor não podem ficar alheios, como a otimização da experiência de compra online através da produção de modelos 3D e da incorporação da realidade aumentada. Esta novas abordagens permitem que os clientes "experimentem" produtos digitalmente antes da compra. Há ainda a referir a necessidade de garantia de uma maior eficiência na gestão de inventário, através do uso de algoritmos de previsão da procura, por exemplo, que permitem reduzir custos de armazenagem e evitam excesso de stock. Ainda a este nível, não podemos esquecer que o atual cenário competitivo apela para a transparência na cadeia de abastecimento, com a inclusão de tecnologias como blockchain com vista à garantia da rastreabilidade e à conformidade regulatória em mercados internacionais. Todo este espectro de medidas visam garantir que o setor cerâmico português, que combina tradição artesanal com inovação tecnológica, consegue ter no e-commerce uma ferramenta poderosa que permite atingir novos mercados, reduzir intermediários e aumentar margens de lucro. Assim, e em jeito de conclusão, é necessário reconhecer que a cerâmica já trilhou um caminho importante no trajeto de ajuste às novas fronteiras globais, demonstrando resiliência e capacidade de adaptação face a um cenário global em rápida transformação. Todavia, esta experiência em primeira mão culmina também no reconhecimento de que este setor, mais maduro agora, tem de saber estar à altura dos desafios impostos pelo novo cenário competitivo: com mais barreiras comerciais, custos logísticos e regulamentações ambientais, que exigem uma abordagem proativa das empresas, apostando na inovação, na digitalização e na diversificação de mercados. As empresas deste setor que souberem navegar as novas fronteiras do comércio internacional, aproveitando as oportunidades da logística digital e do e-commerce, terão vantagens competitivas duradouras. Mais do que nunca, a capacidade de adaptação será a chave para o sucesso no mercado global.

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Mercados

A GUERRA COMERCIAL GLOBAL E A INSTABILIDADE INTERNACIONAL

po r Jo r g e Co st a Ol i v e i r a , Busi n e ss De ve lop e r, J C O Co ns ult a d o r i a , Ld a

Jorge Costa Oliveira

O maior desafio dos próximos tempos para as empresas portuguesas e europeias é o decorrente da guerra comercial originada pela saraivada de tarifas impostas pela Administração Trump nos EUA e pelo clima de instabilidade e incerteza que geraram. Em 8 semanas, o “génio empresarial” (que gosta de travestir-se de “madman”, “louco”) que 77 milhões de norte-americanos escolheram para presidente tomou medidas que ameaçam destruir a economia americana (e, por arrasto, outras que estão com ela ligadas). Começou por ameaçar – ao abrigo da Lei de Poderes Económicos de Emergência Internacional (IEEPA) – impor tarifas ao Canadá, México e China relacionadas com o fentanil; mais tarifas de segurança nacional sobre veículos, componentes para veículos, aço e alumínio de todos os países; e ainda tarifas IEEPA sobre todos os países com

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base numa suposta “emergência económica nacional”. As recém-anunciadas tarifas “recíprocas” de Trump em 2 de abril aumentarão em US$ 1,2biliões a receita aduaneira na próxima década (excluindo o Canadá e o México). A escalada de 2 de abril soma-se às tarifas anunciadas anteriormente, que aumentarão em US$ 1 bilião em receita na próxima década. No total, de acordo com a Tax Foundation, as tarifas de Trump aumentarão US$ 2,2 biliões em receita na próxima década e reduzirão o PIB dos EUA em 0,8%, sem contar com as medidas retaliatórias de outros países. A Tax Foundation nem contabiliza os efeitos das tarifas sobre produtos chineses uma vez que as tarifas deverão ser >100% para a maioria dos produtos. A mesma Tax Foundation estima que estas tarifas deverão reduzir o rendimento após impostos numa média de 1,5% e equivalerão a um aumento médio de impostos de mais de US$ 1.500 / família dos EUA em 2025. As tarifas provocarão também inflação por via da importação, que poderá levar à intervenção da Reserva Federal em sentido contrário ao da redução gradual das taxas de juro de referência que vinha praticando. Até 4 de abril, a China, o Canadá e a UE anunciaram ou impuseram tarifas retaliatórias que afetam US$ 330 mil milhões em exportações dos EUA. A retaliação imposta e ameaçada a partir de 4 de abril deverá reduzir o PIB dos EUA em mais 0,1%. A 9 de abril, o presidente americano anunciou a suspensão, por 90 dias, das “tarifas recíprocas” a todos os países com exceção da China, reafirmando a disponibilidade do governo americano para negociar com os países e blocos económicos. Não obstante, as tarifas são meramente suspensas, não eliminadas. A Administração Trump invoca a necessidade de tomar medidas que promovam a reindustrialização do país, com o regresso de inúmeras fábricas que des-

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Mercados

localizaram a sua produção para outras geografias – em regra novas potências emergentes – com menores custos e bons incentivos, beneficiando ainda do crescente poder de compra das novas classes médias nesses países. Mas não é razoável acreditar no regresso das fábricas de manufaturas e indústrias que saíram dos EUA; e, nos [poucos] casos em que porventura as empresas cedam à pressão para o efeito, o aumento dos custos de produção decorrentes do reshoring seriam tal que os lucros diminuiriam significativamente e o valor dessas empresas cairia, prejudicando os investidores. Além do pequeno pormenor de que não há trabalhadores disponíveis nos EUA para essa reindustrialização, sobretudo quando, simultaneamente, se põe em marcha um programa de remigração massivo; nem na agricultura nem na construção existe mão-de-obra disponível americana, o elevado número de imigrantes decorre de uma necessidade económica real. Por isso o Secretário do Comércio Howard Lutnick, quando interpelado em entrevistas, diz que essas novas fábricas seriam essencialmente operadas com

recurso a robots. Todavia, a cadeia de produção de bens complexos – aviões, veículos, telemóveis, computadores e outra eletrónica, chips, etc – é hoje resultante da agregação de peças e componentes provenientes de vários países e blocos económicos, situação que não mudará porque um líder político acha que a organização e o funcionamento de grandes grupos transnacionais devem ser completamente alterados para conseguir auto-suficiência nacional; tal não vai suceder. Estamos a assistir a um exercício de alto risco de busca de mecanismos para diminuir a dívida pública federal americana (exercício mal pensado...) e baixar o custo do refinanciamento dessa dívida no curto prazo (só em 2025 são >9 mil milhões de dólares). Porém, se a China e alguns outros países titulares de (pequenas) quantidades percentuais – mas relevantes em valor absoluto de transações no mercado secundário – começarem a vender as Obrigações do Tesouro americanas (como já começou a suceder com a venda de 50 mil milhões pela China), estragam o plano da pólvora do líder americano. Após tantas décadas de

Gráfico C5.6 • Empresas com elevada exposição ao mercado dos EUA em 2023 | Em percentagem das empresas exportadoras do setor

Fontes: INE e cálculos do Banco de Portugal | Notas: Empresas da indústria transformadora que exportam para os EUA. Elevada exposição — exportações de bens para os EUA representam mais de 10% do valor das vendas (internas e externas). Em 2023, as exportações das empresas com elevada exposição representavam respetivamente 76%, 82%, 34%, 75% e 69% do total das exportações para os EUA de cada um dos cinco setores representados no gráfico.

Na prática, com a imposição de tarifas, o consumidor americano observará um aumento do preço dos bens e consequentemente reduzirá a quantidade procurada. As empresas exportadoras poderão mitigar esse efeito reduzindo os seus preços de venda, comprimindo a sua margem de lucro. Nos casos Mercados . Kéramica . p.13 de empresas multinacionais outra estratégia de resposta pode ser a criação de capacidade produtiva nos EUA. No entanto, apesar da redução dos custos de transporte até ao consumidor final,

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Mercados

interdependência económica, ninguém, muito menos quem nunca foi uma águia em matéria económica ou em negócios, consegue desfazer o status quo em meses ou poucos anos.

Para além da incerteza e da instabilidade decorrentes da imposição de tarifas brutais, seguidas de suspensão das mesmas para negociações de resultado incerto, outro problema radica na forma como o líder dos EUA, o país mais poderoso do mundo, impôs estas tarifas. O primado da força bruta sobre o direito, com a imposição de tarifas que constituem uma violação frontal dos acordos internacionais comerciais a que os EUA estão vinculados – dos acordos sob a égide da OMC ao acordo USMCA – mostram que, doravante, não é mais possível confiar nos EUA enquanto país que cumpre o direito internacional, começando pelos acordos e tratados a que se vinculou; a insanidade da situação criada é que a ordem económica internacional que o governo americano tenta agora destruir foi desenhada, implementada e supervisionada pelos EUA enquanto superpotência hegemónica ao longo de 8 décadas. A forma escolhida para a destruição da ordem económica internacional vigente – as saraivadas de tarifas baseadas em critérios simplórios – afeta também os

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outros países e blocos económicos e pode bem conduzir a uma recessão global (segundo os analistas da J. P. Morgan, profissionais pouco propensos a efabulações). Foi certamente este receio que esteve na origem da suspensão por 90 dias da aplicação das tarifas. No imediato, temos assistido a uma enorme volatilidade nas bolsas de valores em todo o mundo. E o drama principal, para muitos analistas de investimento e investidores institucionais, é que não são de todo previsíveis os efeitos que a instabilidade provocada pelas saraivadas de tarifas – com ameaças de mais graves tarifas pelo presidente americano a cada semana… – pelo que haverá alguma contenção por parte dos investidores. Esta instabilidade é o principal desafio que as empresas portuguesas e europeias vão enfrentar este ano e no devir próximo. Em setores que estão dependentes em boa medida dos mercados externos para o escoamento da respetiva produção – como é o caso dos produtos minerais não metálicos – a instabilidade e a incerteza no comércio internacional são um problema muito sério. Certamente muitas empresas portuguesas já encetaram diligências com vista ao reforço dos seus mercados tradicionais e em busca de novos mercados. Para a larga maioria das empresas, que são PMEs, o apoio do governo é decisivo e é bom que o governo português já tenha anunciado a intenção de articular esforços com as associações empresariais para este efeito. Isso passa também pelo aproveitamento da expansão de projetos de apoio à internacionalização das empresas (participação em feiras e eventos internacionais, e realização de ações de prospeção e marketing externo). É especialmente importante continuar a promover a notoriedade internacional do setor das cerâmicas de Portugal, nomeadamente afirmando a marca “Portugal Ceramics”, em boa hora lançada pela APICER. Apesar da janela de esperança que se abriu com a suspensão das “tarifas recíprocas” para se encetarem negociações entre os EUA e os principais blocos económicos (a começar pela UE), não deve haver ilusões. O líder norte-americano não é adepto do comércio livre e adora gerir a instabilidade nas trocas comerciais como instrumento de negociação e chantagem internacional. As empresas portuguesas e europeias devem estar bem cientes disso e continuar a diligenciar para abrir novos mercados, reforçar a sua marca e aumentar a sua competitividade.

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Entrevista

À CONVERSA COM ÓSCAR DELFIM - DIRETOR COMERCIAL B2B, GOLDENERGY

Óscar Delfim

Quota de mercado B2B – 26% Kéramica - A Goldenergy detém atualmente uma quota de mercado B2B de 26%. Que fatores considera que têm contribuído para este crescimento? Óscar Delfim - O fator decisivo tem sido, sem dúvida, a experiência da nossa equipa e a forma personalizada como acompanhamos cada cliente. A Goldenergy foi uma das comercializadoras pioneiras no mercado liberalizado de gás natural, começando a sua atividade precisamente com clientes B2B. Desde o ano 2011 que trabalhamos lado a lado com a indústria e com as empresas consumidoras de gás natural, apresentando as melhores soluções de preço e modalidade para cada necessidade.

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Alcançámos recentemente a marca histórica de 26% de quota de mercado, reforçando a nossa posição como o 2º maior player no setor. Este crescimento é o reflexo de um trabalho contínuo e dedicado da nossa equipa, mas, acima de tudo, da confiança que os nossos clientes depositam em nós, algo pelo qual somos profundamente gratos. Com a mesma determinação e espírito de parceria, acreditamos que continuaremos a alcançar novos patamares e a contribuir para redefinir o sucesso no setor do gás natural. Kéramica - Como têm trabalhado a diferenciação da oferta para responder às necessidades específicas de clientes industriais, como os associados da APICER? Óscar Delfim - A nossa estratégia assenta numa relação próxima e personalizada com cada cliente. Contamos com uma equipa comercial interna dedicada, que acompanha o cliente desde a fase de proposta, passando pela contratação e mantendo-se presente ao longo de toda a vigência do contrato. Complementamos este acompanhamento com uma equipa de BackOffice que garante um atendimento rápido, eficiente e personalizado, assegurando a resolução célere de qualquer necessidade. É para nós motivo de grande orgulho contarmos ainda hoje com clientes que nos acompanham desde a

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Entrevista

abertura do mercado liberalizado, em 2011/2012, o que reforça a confiança e a qualidade do serviço que prestamos. Kéramica - Quais os principais desafios e oportunidades que identificam no setor B2B para os próximos anos? Óscar Delfim - O setor B2B tem enfrentado desafios significativos nos últimos anos — desde a pandemia, passando pela crise energética provocada pelo conflito Rússia-Ucrânia, até à atual instabilidade nos preços da energia, que continua a impactar fortemente a indústria. A par desta instabilidade, acrescem ainda as exigências ambientais, com particular impacto nos setores mais intensivos em consumo energético como o setor cerâmico. Neste contexto, acreditamos que o grande desafio passa pela capacidade de adaptação das empresas e pela procura de soluções inovadoras e sustentáveis. Mas é também aí que reside a maior oportunidade: a de fazer diferente, inovar e reforçar a competitividade num mercado em constante transformação. Kéramica - Existe alguma estratégia específica para reforçar a presença da Goldenergy junto de setores intensivos em energia, como a cerâmica e o cristal? Óscar Delfim - A Goldenergy posiciona-se como parceira dos seus clientes, com o compromisso de contribuir ativamente para a superação dos desafios que enfrentam. Sabemos que a descarbonização é uma das maiores preocupações atuais destas indústrias e, nesse sentido, prevemos iniciar já em abril de 2025 a comercialização de Biometano. Mais uma vez, seremos pioneiros no setor do gás natural, apoiando a transição energética através da disponibilização deste gás verde, que permitirá aos nossos clientes reduzir a sua pegada carbónica de forma prática e eficaz. Comercialização de Biometano para clientes do setor cerâmico Kéramica - A Goldenergy prevê iniciar a comercialização de Biometano já em abril de 2025. De que forma esta solução pode apoiar a indústria cerâmica no caminho da descarbonização? Óscar Delfim - A substituição parcial do consumo de gás natural por biometano – um gás verde e renovável – permite reduzir de forma significativa as emis-

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sões de gases com efeito de estufa (GEE), contribuindo para o cumprimento das metas ambientais a que estas empresas estão obrigadas. No caso da indústria cerâmica, onde a eletrificação dos processos produtivos não é viável, quer do ponto de vista tecnológico, quer financeiro, e onde os ganhos de eficiência energética já foram amplamente explorados, o biometano surge como a solução ideal para prosseguir a descarbonização. Kéramica - Que vantagens concretas o Biometano poderá trazer aos clientes industriais face ao gás natural convencional? Óscar Delfim - O biometano apresenta vantagens claras e sem desvantagens associadas. Tem a mesma composição química do gás natural, podendo ser utilizado sem necessidade de alterações nos equipamentos ou processos produtivos. É transportado através da rede de gás natural existente, dispensando investimentos adicionais em infraestrutura. Para além disso, por ser um gás de origem renovável, as emissões associadas ao seu consumo são neutras, contribuindo de forma direta para a sustentabilidade ambiental das empresas. Kéramica - Acredita que o setor cerâmico está preparado para integrar o Biometano nas suas operações? Que desafios antecipam nesta transição? Óscar Delfim - Sim, acreditamos que o setor cerâmico, tal como outros setores industriais, está preparado para integrar o biometano nas suas operações. O principal desafio será a definição do enquadramento legal e regulamentar, nomeadamente no que diz respeito à formalização e operacionalização das garantias de origem do biometano, à semelhança do que já acontece no setor elétrico. Produção de Biometano – projeto atual e procura de novos projetos Kéramica - Sabemos que a Goldenergy tem já um projeto de produção de Biometano em desenvolvimento. Poderia partilhar connosco mais detalhes sobre esta iniciativa? Óscar Delfim - Claro!É um dos temas que temos mais gosto e orgulho em partilhar. Em parceria com a Axpo, temos em fase de licenciamento uma unidade de produção de biometano em Vila do Conde, no norte do país. O projeto prevê uma produção anual de 15 GWh e a valorização de cerca de 78 mil toneladas de resíduos

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Entrevista

agropecuários, com um impacto ambiental e económico muito relevante para a região. Foi, inclusive, reconhecido como Projeto de Interesse Municipal, contando com um forte apoio local, o que reforça a sua importância estratégica. Kéramica - Estão neste momento à procura de novos projetos de produção de Biometano. Que tipo de parceiros e regiões são prioritários para avançar com novas unidades? Óscar Delfim - Sim, continuamos à procura de novos projetos e existindo mais dois em fase de análise. Os parceiros que procuramos são os produtores de resíduos orgânicos, como fornecedores de matéria-prima, não tendo preferência pela zona geográfica. A localização geográfica não é um critério restritivo, sendo determinante a proximidade a pontos de injeção na rede de gás natural para otimizar a integração e distribuição do biometano.

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Kéramica - Qual é a visão da Goldenergy para o futuro da produção e consumo de Biometano em Portugal e, em particular, no apoio à transição energética de setores como o cerâmico? Óscar Delfim - Acreditamos que o biometano será um pilar fundamental da transição energética em Portugal, permitindo substituir progressivamente o consumo de gás natural convencional por uma alternativa renovável e sustentável. Para setores altamente dependentes do gás natural, como o cerâmico, o biometano representa a solução natural e viável para alcançar os objetivos de descarbonização. Além disso, a aposta na produção de biometano em território nacional contribuirá para reforçar a independência energética do país, uma prioridade estratégica para garantir a estabilidade do abastecimento e a competitividade económica.

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Desafios

A INDÚSTRIA CERÂMICA PORTUGUESA: ENTRE A TRADIÇÃO E OS DESAFIOS DO NOVO CENÁRIO ECONÓMICO

p o r Al e ssa n d r o Fe r r a r i , C E O da Blue O ce an Inno v a Co ns u lt i ng

Alessandro Ferrari

Da identidade histórica ao mercado de exportação Não faz muito tempo que me aproximei da indústria cerâmica portuguesa e o que encontrei deixou-me surpreso: um dos setores mais emblemáticos da economia nacional, com uma longa história de tradição e inovação. Desde os tempos mais remotos, o trabalho com barro e outros materiais cerâmicos esteve presente em várias regiões do país. A herança islâmica, por exemplo, trouxe técnicas refinadas de vidrado e padrões geométricos, que se transformaram numa expressão única do artesanato português. O azulejo tornou-se um símbolo da arquitectura portuguesa, reconhecido internacionalmente. Contudo,

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a indústria cerâmica nacional não se limitou a essa forma artística. Ao longo dos séculos, a cerâmica evoluiu para um setor industrial robusto, que se destaca pela sua capacidade de inovação, eficiência e compromisso com a sustentabilidade. É por isso que vemos figuras públicas e personalidades famosas a associarem a sua imagem a prestigiadas marcas do setor. As empresas cerâmicas portuguesas têm integrado materiais reciclados, investido em energia renovável e trabalhado para reduzir as emissões de carbono, alinhando tradição e inovação com responsabilidade ambiental. Com o avanço da industrialização nos séculos XIX e XX, Portugal modernizou os processos produtivos, ampliando a sua presença no mercado internacional. Actualmente, a indústria cerâmica portuguesa depende fortemente das exportações, com 75% do valor gerado proveniente de vendas externas, atingindo mais de 150 países. O valor das exportações poderá atingir, em breve, mil milhões de euros anuais se seguir com o crescimento apresentado nos últimos anos, conforme dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Embora não seja o maior produtor europeu em segmentos como revestimentos e pavimentos, Portugal destaca-se pela qualidade e flexibilidade da sua produção. Encontrou um posicionamento estratégico entre a produção em larga escala de países como a China e as marcas premium italianas e espanholas, apostando na combinação de design, eficiência produtiva e preço competitivo.

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Desafios

No entanto, nos últimos anos, eventos significativos têm mostrado uma tendência contrária, com os países reforçando suas fronteiras, privilegiando a autonomia económica e adotando políticas protecionistas. O Brexit foi um dos primeiros sinais dessa mudança. A decisão do Reino Unido de sair da União Europeia revelou um desejo crescente de maior controlo sobre políticas económicas, comércio e imigração, desafiando a ideia de um mundo cada vez mais interligado. A pandemia de COVID-19 reforçou esta tendência ao expor a fragilidade das cadeias globais de abastecimento, com muitos países enfrentando dificuldades no acesso a produtos essenciais, como equipamentos médicos e semicondutores, devido à dependência de fornecedores estrangeiros. Em resposta, vários países começaram a incentivar a produção local e a diversificar suas fontes de abastecimento, visando maior segurança económica. A guerra na Ucrânia impulsionou ainda mais a busca por autonomia, particularmente no sector energético. A Europa, historicamente dependente do gás russo, acelerou a transição para fontes renováveis e diversificou os seus fornecimentos de energia, aumentando o investimento local e alterando suas políticas industriais. Esses fatores mostram um mundo que, embora ainda interligado, está reconsiderando até que ponto deve manter a interdependência. A globalização, antes vista como um processo inevitável, agora enfrenta um contrapeso com a busca por resiliência nacional. O equilíbrio entre cooperação internacional e autonomia estratégica tornou-se um dos principais desafios económicos atuais, afetando também a indústria cerâmica portuguesa. A localização estratégica de Portugal oferece fácil acesso a mercados europeus e internacionais através da sua rede portuária, o que favorece a exportação. O sector tem também investido fortemente em automação e tecnologias avançadas, mantendo, ao mesmo tempo, a tradição artesanal, o que o torna competitivo num mercado global que valoriza exclusividade e design sofisticado. O Recuo da Globalização, Entre a Interdependência e a Busca pela Autonomia: Durante décadas, a globalização foi vista como um caminho inevitável para a integração económica e cultural entre as nações, com mercados livres, cooperação internacional e cadeias de abastecimento interligadas.

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Desafios

Medidas Proteccionistas e Barreiras Comerciais. O mundo actual enfrenta um cenário de crescente proteccionismo comercial, com a proliferação de tarifas e barreiras comerciais não vistas há décadas. Esta escalada de medidas está a gerar incertezas económicas e a prejudicar a cooperação global. As tarifas aduaneiras, implementadas como estratégia proteccionista, aumentam os custos dos bens importados. Para os consumidores, isso traduz-se no aumento dos preços dos produtos, o que reduz o poder de compra. Para as empresas, especialmente aquelas que dependem de matérias-primas ou componentes estrangeiros, implica o aumento dos custos de produção, pressionando as margens de lucro e comprometendo a competitividade no mercado global. Organizações internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, expressam preocupação com os efeitos das guerras tarifárias na economia global. O FMI alerta que o aumento das restrições comerciais pode resultar em custos mais elevados, tanto na produção quanto no consumo, contribuindo para pressões inflacionistas. Além disso, a escalada de medidas proteccionistas pode desencadear retaliações, afectando negativamente o comércio internacional e, potencialmente, desacelerando o crescimento económico mundial. As recentes alterações tarifárias globais apresentam desafios significativos para a indústria cerâmica portuguesa. Segundo Mário Centeno¹, governador do Banco de Portugal, os impactos da escalada das tarifas comerciais iniciadas pelo governo de Donald Trump afectam directamente a economia portuguesa, especialmente sectores-chave como a indústria cerâmica. Mário Centeno sublinha que a guerra comercial tem gerado grandes desafios para vários sectores, incluindo a fabricação de produtos minerais não metálicos, que abrangem o vidro, a cerâmica e o cimento, os quais estão entre os mais expostos às tarifas impostas pelos EUA. De acordo com um estudo divulgado pelo Banco de Portugal, cerca de 12% das empresas exportadoras do sector cerâmico têm uma exposição significativa ao mercado norte-americano. Esta realidade coloca a indústria portuguesa numa posição vulnerável, uma vez que o aumento das tarifas pode resultar no encarecimento dos produtos exportados e numa redução da procura nos EUA, um mercado crucial para a exportação de cerâmica. Actualmente, os Estados Unidos são o terceiro maior mercado de exportação, estando atrás da França e da Espanha.

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Além disso, Mário Centeno ressaltou que a imposição dessas tarifas conduz a um aumento nos preços para os consumidores americanos, o que inevitavelmente resulta na redução do consumo e, por conseguinte, nas vendas para os exportadores portugueses. Para manter a competitividade, muitas empresas podem ser forçadas a reduzir os seus preços, o que comprimirá ainda mais as suas margens de lucro. O Banco de Portugal alerta que o efeito global dessa escalada tarifária pode resultar numa perda significativa de valor para a economia nacional. As previsões apontam para uma redução acumulada do PIB português de cerca de 1,1% nos próximos três anos, com a maior parte desse impacto concentrado nos anos de 2025 e 2026. O estudo sublinha que, além do impacto imediato das tarifas, a incerteza gerada por essas medidas pode levar ao adiamento ou cancelamento de investimentos, o que terá repercussões negativas no crescimento económico e na criação de emprego.

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Desafios

Em suma, segundo Mário Centeno, a guerra comercial e o aumento das tarifas comerciais não só afectam os sectores mais vulneráveis, como a cerâmica, mas também criam um ambiente de incerteza económica que compromete o futuro da economia portuguesa, reforçando a necessidade de estratégias para mitigar esses riscos.

Após o exposto, acredito que é crucial que os países busquem soluções diplomáticas e multilaterais para resolver disputas comerciais, evitando medidas que possam prejudicar o bem-estar dos consumidores e a estabilidade económica global. Oportunidades Diante dos Desafios Apesar dos desafios impostos pela desglobalização e pelas barreiras comerciais, surgem também oportunidades para a indústria cerâmica portuguesa. O crescente interesse por produtos sustentáveis pode beneficiar as empresas do país, que já investem na redução da pegada ecológica e na utilização eficiente de recursos. A transição para práticas mais sustentáveis pode posicionar Portugal como líder na produção de cerâmica ecológica, atraindo mercados que valorizam produtos ambientalmente responsáveis.

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Ademais, a diversificação de mercados surge como uma estratégia crucial para mitigar os efeitos das barreiras comerciais. A procura por novos destinos para exportação, o fortalecimento de relações comerciais com regiões menos afetadas por medidas proteccionistas e o investimento em nichos de mercado diferenciados podem assegurar a continuidade do crescimento da indústria cerâmica portuguesa. O sector pode também beneficiar-se da valorização do design e da tradição artesanal, apostando em produtos de maior valor agregado para conquistar consumidores que buscam exclusividade e qualidade. Nesse sentido, iniciativas que promovam a cerâmica tradicional portuguesa, combinada com inovação tecnológica, podem representar um diferencial competitivo importante. Conclusão A indústria cerâmica portuguesa tem uma longa história de resiliência e adaptação. Apesar dos desafios impostos pelo actual cenário, as empresas do sector têm demonstrado capacidade de reinvenção, apostando na inovação, na sustentabilidade e na exploração de novos mercados. O caminho a seguir exige estratégias que combinem eficiência produtiva, investimento em tecnologia e uma vigilância constante às mudanças no mercado global. Portugal possui uma base industrial sólida e um know-how consolidado, o que permite ao sector cerâmico continuar a prosperar, mesmo num ambiente económico incerto. Acredito que, com um planeamento estratégico e inovação contínua, a cerâmica portuguesa continuará a ser uma referência global, mantendo o equilíbrio entre tradição e futuro. 1 - https://www.dn.pt/economia/t%C3%AAxtil-vidro-cer%C3%A2mica-cimento-e-bebidas-s%C3%A3o-os-setores-mais-amea%C3%A7ados-pela-ira-de-trump-nas-tarifas

Desafios

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Fronteiras Globais

INTERNACIONALIZAÇÃO DAS EMPRESAS DO SETOR CERÂMICO EM PORTUGAL: DESAFIOS E OPORTUNIDADES NUM MUNDO EM TRANSFORMAÇÃO p o r Gu st a v o Ta v a r e s, Ma nag i n g Partn e r, LUMO Co ns ult o r i a d e G e s t ã o , Ld ai

Num mundo cada vez mais globalizado, a internacionalização deixou de ser uma opção estratégica apenas para grandes multinacionais, tornando-se uma necessidade para a sobrevivência e crescimento sustentado das pequenas e médias empresas (PME). O setor cerâmico em Portugal, conhecido pela sua tradição, qualidade e inovação, tem vindo a afirmar-se nos mercados internacionais, mas enfrenta atualmente novos desafios. De facto, a escassez de matérias-primas e o aumento dos custos energéticos têm pressionado a produção e a competitividade das empresas. Além disso, as exigências ambientais estão cada vez mais

rigorosas, exigindo investimentos em tecnologias sustentáveis e processos mais eficientes. A escassez de mão-de-obra qualificada também é uma preocupação crescente, afetando a inovação e o crescimento do setor. Adicionalmente, verificaram-se recentemente mudanças significativas no comércio internacional, como as políticas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos sob a administração Trump. No entanto, todo este contexto adverso pode ser uma oportunidade para repensar estratégias de expansão e aproveitar os incentivos disponíveis no âmbito do Portugal 2030.

Gu s t a v o Ta v a r e s

O Peso do Setor Cerâmico na Economia Nacional O setor cerâmico português, que inclui produtos como azulejos, louça sanitária, porcelanas e cerâmicas decorativas, pavimentos e revestimentos, representa uma fatia significativa das exportações nacionais de bens transformados. Com forte concentração no centro do país — em particular nos distritos de Aveiro e Leiria — esta indústria conjuga tradição artesanal com processos industriais de alta tecnologia, sendo reconhecido internacionalmente pela sua capacidade de inovação e design. De acordo com o INEGI – Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia

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Industrial, Portugal ocupa a 8.ª posição a nível mundial enquanto exportador, sendo que cerca de 68% do volume de negócios do setor tem como destino mais de 164 mercados internacionais¹. Em 2024, França foi o principal mercado das exportações nacionais, seguindo-se Espanha e os Estados Unidos da América. O Reino Unido, EUA e alguns mercados emergentes como Marrocos ou os países Brasil e Canadá têm sido também destinos preferenciais. No entanto, a conjuntura internacional tem vindo a criar constrangimentos, especialmente em mercados tradicionalmente fortes como os Estados Unidos. As Barreiras Tarifárias Impostas pelos EUA Recentemente, a Administração Trump anunciou um novo plano de tarifas que traz alterações ao comércio internacional e impõe novos desafios às empresas portuguesas exportadoras²: • Tarifa mínima universal de 10% para todos os países • Tarifa universal de 20% para a União Europeia EU (10% base + 10% recíproco) • Outras tarifas recíprocas incluem: China (34%), Reino Unido (10%), Japão (24%), Índia (26%), entre outros. A imposição dessas tarifas pode desencadear uma guerra comercial, já que países como a China e membros da UE estão a preparar medidas retaliatórias. Isso pode levar a aumentos nos preços globais, interrupções em cadeias de suprimentos e mudanças drásticas nas rotas comerciais tradicionais. Além disso, consumidores americanos são apontados como os mais impactados, enfrentando custos mais altos em vários setores. A política tarifária também reflete um retorno ao protecionismo económico, com impactos negativos para o comércio internacional e para economias dependentes das exportações Diversificação de Mercados: Uma Necessidade Estratégica Perante este cenário, a diversificação de mercados torna-se uma prioridade. Olhar para além dos mercados tradicionais pode não apenas mitigar os riscos associados às tensões geopolíticas, como também abrir novas oportunidades de crescimento.

1. Mercados africanos: Angola, Moçambique, Marrocos, Argélia e África do Sul apresentam oportunidades concretas. A proximidade cultural e linguística em alguns destes países, bem como as necessidades de desenvolvimento urbano e infraestrutural, tornam-nos especialmente atrativos. 2. América Latina: O Brasil, México, Colômbia e Chile são mercados com grande potencial de consumo e têm manifestado crescente interesse por produtos de valor acrescentado, como os cerâmicos decorativos portugueses. Embora possam apresentar barreiras administrativas e logísticas, o investimento nestas regiões pode revelar-se estratégico a médio prazo. 3. Sudeste Asiático: Vietname, Indonésia, Filipinas e Malásia são economias emergentes com classe média em crescimento e projetos urbanísticos ambiciosos. A crescente valorização de design europeu e produtos sustentáveis oferece uma oportunidade de diferenciação para a cerâmica portuguesa. 4. Europa de Leste e Balcãs: Mercados como a Polónia, Roménia, Bulgária, Sérvia e Croácia continuam a investir fortemente na reabilitação urbana e habitação nova, sendo consumidores ávidos de soluções cerâmicas competitivas e de qualidade. A própria Ucrânia, e considerando o cenário de cessar-fogo e paz a médio prazo, irá igualmente investir na reconstrução do seu parque habitacional e infraestruturas que ficaram destruídos com a Guerra, o que poderá representar uma nova oportunidade e um novo mercado a explorar para o setor da construção civil, e, consequentemente, para o setor cerâmico nacional. A aposta em mercados alternativos não implica o abandono dos tradicionais, mas sim uma repartição mais equilibrada do risco e uma maior capacidade de adaptação às oscilações da procura mundial. Reforçar as Capacidades Internas Internacionalizar com sucesso exige mais do que financiamento. É preciso que as empresas estejam preparadas internamente para esse desafio. A formação de quadros com competências linguísticas, culturais e técnicas é fundamental, tal como a adoção de sistemas

1.- Dados APICER para 2024 2.- Fonte site AICEP 04-04-2025

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de gestão modernos, plataformas de e-commerce multilingues e estratégias digitais integradas. O branding é outro fator essencial. A imagem de Portugal como país produtor de cerâmica de alta qualidade deve ser reforçada, e as empresas devem investir na criação de marcas fortes, com identidade própria, capazes de competir com os grandes players internacionais. Sustentabilidade e Economia Circular como Diferenciadores Em 2025, a sustentabilidade e a economia circular emergem como fatores diferenciadores cruciais no processo de internacionalização do setor cerâmico em Portugal. As empresas que adotam práticas sustentáveis e inovadoras não apenas reforçam a sua competitividade no mercado global, mas também respondem às crescentes exigências ambientais internacionais. Num momento em que os consumidores e reguladores atribuem cada vez maior importância à sustentabilidade, o setor cerâmico português tem a oportunidade de se afirmar como um exemplo de economia circular e produção limpa. O aproveitamento de resíduos industriais, a redução do consumo energético e hídrico, e a aposta em materiais ecológicos podem ser argumentos de venda poderosos, sobretudo em mercados como o nórdico ou o alemão, onde a consciência ambiental dita muitas decisões de compra. Existem já a nível nacional vários projetos e iniciativas destacadas neste âmbito, promovidas por empresas privadas com a colaboração de Associações do setor, designadamente a APICER (Associação Portuguesa das Indústrias de Cerâmica e Cristalaria) e o CTCV (Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro) ao nível da promoção de práticas sustentáveis, oferecendo apoio em áreas como eficiência energética, descarbonização, economia circular e incorporação de subprodutos de outras indústrias, contribuindo para a transformação do setor cerâmico. A aposta nestes vetores e a sua comunicação/ divulgação junto dos potenciais clientes são aspetos igualmente a ter em conta para garantir o sucesso no processo de internacionalização. Portugal 2030: Um Apoio Estratégico Neste percurso de internacionalização, o quadro de apoio financeiro Portugal 2030 surge como um

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instrumento crucial. Com uma dotação total superior a 23 mil milhões de euros, este programa enquadra-se no ciclo de fundos europeus de 2021-2027 e inclui diversas linhas orientadas para a competitividade e internacionalização das empresas. Projetos de internacionalização podem ser financiados até 40% dos custos elegíveis, através de incentivo não reembolsável, abrangendo despesas com feiras internacionais, marketing digital, estudos de mercado, certificações, adaptação de produtos, contratação de recursos humanos especializados em comércio internacional, entre outros e as candidaturas a este apoio em 2025 estão previstas abrir durante o mês de setembro. Além disso, os investimentos em inovação produtiva e à transição digital podem fortalecer a capacidade exportadora do setor cerâmico, permitindo o desenvolvimento de novos produtos, a automação de processos e a redução do impacto ambiental, elementos cada vez mais valorizados nos mercados internacionais. Estes tipos de projetos têm também enquadramento no Portugal 2030, mais concretamente no Sistema de Incentivos à Competitividade Empresarial – Inovação Produtiva, com incentivo não reembolsável a uma taxa máxima de 40% e com previsão de abertura ainda durante o mês de abril de 2025. Conclusão A internacionalização do setor cerâmico português é simultaneamente um desafio e uma oportunidade. Apesar das dificuldades causadas por barreiras tarifárias, como as impostas pelos EUA, o mundo continua a oferecer múltiplos caminhos para quem souber explorar com visão estratégica e capacidade de adaptação. Portugal dispõe de um produto com qualidade reconhecida, de talento humano e de apoio institucional. Cabe agora às empresas apostar em mercados emergentes, investir em inovação e diferenciação, e aproveitar os instrumentos de apoio disponíveis. Com um plano bem delineado, o setor cerâmico pode não apenas reforçar a sua presença global, como também liderar uma nova vaga de internacionalização assente na sustentabilidade, digitalização e excelência. i - www.lumo.pt

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O F U R A C Ã O T R U M P E A S N O VA S O P O R T U N I D A D E S PA R A A CERÂMICA PORTUGUESA

por Filipe Gr ilo, Docente da Porto Business School e especialista em Economia

Filipe Grilo

O regresso de Donald Trump à linha da frente da política internacional está a abalar os alicerces do comércio global. A política tarifária promete impor uma vaga de protecionismo com potencial para reescrever cadeias de abastecimento inteiras e penalizar os países mais dependentes das exportações. As bolsas afundam, os alertas de recessão multiplicam-se e o clima de incerteza alastra. Num cenário destes, seria natural que o setor cerâmico português se preparasse para o pior. Mas este artigo não se junta ao coro dos profetas da catástrofe. Pelo contrário. Quero desafiar o setor a olhar para este novo contexto como um campo de oportunidades.

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Porque, como tantas vezes na história económica, os momentos de disrupção são também momentos de reconfiguração. E quem estiver atento pode encontrar portas abertas onde antes via apenas muros. As tarifas mudam incentivos, alteram os fluxos comerciais e criam novos equilíbrios. Mercados antes fechados tornam-se permeáveis. Fornecedores habituais deixam de ser competitivos. E surgem espaços que podem — e devem — ser ocupados por quem tenha qualidade, agilidade e visão. O objetivo deste artigo é, por isso, iluminar as novas oportunidades para a cerâmica portuguesa, analisando os dois lados do mercado: a procura e a produção. Primeiro, analisaremos o impacto das tarifas nos mercados de destino — com destaque para os Estados Unidos (EUA) e para os blocos que poderão reposicionar-se face a esta nova ordem. Depois, veremos os efeitos nos fatores de produção — energia, matérias-primas e equipamentos — e as implicações para a competitividade das empresas nacionais. O mundo ficou mais instável. Mas também mais aberto a mudanças. E é nos momentos de incerteza que se distinguem os que apenas reagem dos que lideram. Vamos, então, olhar para o furacão Trump com os olhos postos nas oportunidades. Comecemos então pelo lado da procura. Os efeitos da nova vaga protecionista fazem-se sentir em dois planos: por um lado, no próprio mercado americano; por outro, em mercados terceiros que podem reposicionar os seus fluxos comerciais e procurar novos parceiros.

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Nos EUA, o cenário à primeira vista parece desanimador: mais tarifas, mais isolamento, mais barreiras à entrada. Mas, como sempre, o diabo está nos detalhes — e, neste caso, nos alvos específicos da nova política comercial. O furacão Trump não sopra com a mesma força para todos os lados. E é precisamente essa assimetria que pode abrir espaço à cerâmica portuguesa. Duas mudanças podem jogar a nosso favor. A primeira é a penalização agravada de concorrentes asiáticos; a segunda é a promessa de um novo boom na construção nos EUA. Porque, apesar da guerra comercial até ter atingido os pinguins, a administração Trump visou mais gravemente dois grandes exportadores de cerâmica para os EUA: China e Vietname. Com tarifas que podem chegar aos 50% (e Trump já falou em 100%), estes países verão a sua competitividade fortemente reduzida. Para os importadores, significa repensar cadeias de fornecimento. Para Portugal, significa uma oportunidade. A isto junta-se o plano ambicioso da administração Trump para investir em infraestruturas. As Freedom Cities, o reforço energético e industrial, os grandes projetos imobiliários com financiamento privado — tudo isto pode significar mais casas, hotéis e escritórios. E, claro, mais casas de banho, cozinhas, revestimentos. Tudo espaços onde a cerâmica tem lugar. Mas o impacto do furacão Trump não se esgota nas fronteiras americanas. As ondas de choque chegam também a outros blocos comerciais e a geografias onde o reposicionamento estratégico da Europa — e de Portugal — pode abrir novas oportunidades. A imposição generalizada de tarifas por parte dos EUA está a obrigar a União Europeia a repensar e acelerar os seus acordos comerciais com outras regiões. Em simultâneo, começa a emergir um sentimento de rejeição em relação aos produtos americanos. Na América do Sul, um dos dossiês centrais é o da ratificação do acordo UE-Mercosul. A pressão para que avance tem crescido, e a agressividade comercial dos EUA pode ser o empurrão que faltava para desbloquear a posição de Estados-Membros mais relutantes, como a França. Se o acordo for ratificado e vier acompanhado da eliminação de tarifas, abre-se uma oportunidade de ouro para a cerâmica portuguesa se afirmar num mercado onde os nichos de qualidade continuam subexplorados. Mais a norte, o Canadá é outro caso a seguir com atenção. É um país onde os EUA dominam boa parte das importações de cerâmica. Mas o contexto pode estar a mudar. Se a postura hostil dos EUA escalar, é legítimo esperar

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uma reação antiamericana forte dos consumidores canadianos. E é aí que Portugal pode crescer — como alternativa fiável, já presente e com margem para consolidar posição. Como digo, há caminhos novos para a cerâmica portuguesa, desde que o setor esteja atento, ágil e pronto a reagir. Mas as oportunidades não estão apenas nos mercados de destino. Também do lado da produção há mudanças que importa antecipar. É para aí que nos viramos agora. Há três áreas particularmente expostas ao furacão Trump: energia, matérias-primas e equipamentos industriais. Comecemos pela energia – talvez o fator mais sensível para a competitividade da cerâmica portuguesa,já que a fatura energética representa até 30% dos custos de produção. E, sendo o gás natural responsável por 85% desse consumo, é nesse mercado que importa focar a análise ao impacto da nova administração americana. À primeira vista, seria de esperar que Trump trouxesse mais instabilidade a este domínio. Mas, por insólito que pareça, Trump pode até trazer boas notícias para os custos de produção do setor. Há pelo menos três razões que justificam algum otimismo. A primeira tem a ver com o aumento previsto da produção de gás natural nos EUA. Logo no primeiro dia no cargo, Trump declarou "emergência energética nacional" e assinou ordens executivas para acelerar a aprovação de projetos de produção e de exportação de gás natural liquefeito (GNL). Dentro da sua visão marcadamente mercantilista, é expectável que esse excedente energético seja usado como instrumento de influência junto de aliados. E a Europa, ainda fortemente dependente de gás importado, pode surgir como destino preferencial. Se esse canal se reforçar, Portugal poderá beneficiar de forma direta — o Terminal de GNL de Sines tem vindo a afirmar-se como ponto de entrada estratégico do gás americano. E, com mais oferta disponível, é natural que os preços se tornem mais favoráveis. A segunda razão está no Canadá. Mais de 99% das suas exportações de gás natural vão para os EUA, numa relação de dependência logística e histórica. Mas o agravamento das tensões comerciais pode levar o Canadá a diversificar os seus destinos – e a Europa surge como uma alternativa natural. Com projetos como o LNG Canada prestes a arrancar, e com a União Europeia a reforçar a sua capacidade de receção de GNL, poderá emergir uma nova relação energética transatlântica. E, mais uma vez, Sines pode assumir um papel estratégico. Por fim, tem havido um abrandamento do ritmo da transição energética. A eleição de Trump – e o relató-

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rio Draghi – levou países como a Alemanha e a Espanha a reavaliar o encerramento das centrais nucleares. Se a isto juntarmos a expansão da capacidade renovável, há razões para crer que a pressão sobre o gás natural possa aliviar. Tudo isto compõe um cenário otimista: mais gás disponível, menos pressão sobre os preços e condições mais favoráveis para quem, como a cerâmica portuguesa, precisa de energia acessível para competir. Mas a energia é apenas o primeiro capítulo. Também ao nível das matérias-primas e dos equipamentos de suporte, o furacão Trump pode desencadear efeitos relevantes – e, uma vez mais, nem todos negativos para Portugal. Tudo depende da posição comercial dos EUA. Quando falamos de bens que as empresas americanas tipicamente importam, a imposição de tarifas poderá reduzir a procura americana por esses bens. Com menos procura, os fornecedores internacionais tenderão a acumular excedentes e a procurar novos mercados para escoar a produção. O resultado mais provável é uma descida dos preços a nível global, sobretudo para países que não estejam sujeitos a tarifas. Uma oportunidade que a cerâmica portuguesa não deve desperdiçar.

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Já nos casos em que os EUA são exportadores, o efeito pode inverter-se. Veja-se o caso do quartzo de alta pureza da Carolina do Norte. Se países asiáticos ou europeus reduzirem a compra — como retaliação ou por prudência geopolítica —poderá haver um aumento da procura por alternativas produzidas noutras geografias. Isso pode valorizar o quartzo português de alta pureza, o que beneficia o subsetor da mineração, mas também pode implicar custos mais elevados para os produtores nacionais que o utilizam como input. O furacão Trump é, acima de tudo, um catalisador de mudança. À superfície, o mundo parece mais fechado, imprevisível, tenso. Mas basta olhar com atenção para ver que também há movimento, abertura e reconfiguração. Mercados antes saturados estão agora à procura de novos fornecedores. Cadeias de abastecimento estão a ser redesenhadas. Nada disto é garantido. Nada disto é fácil. Mas tudo isto está em aberto. As empresas que forem ágeis, informadas e ambiciosas vão posicionar-se à frente nesta nova fase da economia global. Oportunidades há. Agora é preciso saber aproveitá-las. Está na hora de arregaçar as mangas.

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DIA DA LIBERTAÇÃO CONFIRMA O DIAGNÓSTICO DE PARANOIA PROTECIONISTA

p o r D a n i e l S a n t o s, E co no m i sta Con se lh e i ro, D o ce nt e d o Ens i no Su p e r i o r, Con sultor de Ne g ó ci o s Int e r na ci o na i s

Daniel Santos

A dinâmica global do comércio internacional das últimas décadas tem passado por transformações significativas que inevitavelmente afetam sempre de forma direta e indireta os países, mercados, os seus consumidores e as suas forças de trabalho. Com o regresso de Trump à frente da maior economia do mundo, nunca a Europa se sentiu tão perto de voltar ao tempo da guerra comercial dos anos 30, do século passado. A paranoia protecionista do presidente norte-americano transformou-se num terramoto com várias réplicas tarifárias que vão abanando países como a China, México, Canadá, entre outros e o bloco da União Europeia. Ora, a história ensinou-nos que ninguém ganha numa guerra comercial e infelizmente tudo aponta

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para um ano imprevisível com vários conflitos a influenciarem a ordem económica mundial. Taxas, embargos, atrasos nas encomendas, aumento dos custos da energia e das matérias-primas são consequências diretas e indiretas do atual contexto internacional induzido por guerras, mas também pelas inúmeras decisões protecionistas da Casa Branca que estão a impactar a execução de contratos comerciais internacionais. Decisões com avanços, recuos e adiamentos, às vezes passado apenas um dia e que não afetam só terceiros, prejudicam também as empresas e a economia dos EUA, com várias críticas e alertas a surgirem pela maioria dos economistas e instituições internacionais.Quanto à UE, podemos não ser um grande ator geopolítico, mas temos peso económico e há que ter consciência de que somos um dos três gigantes económicos no mundo com os EUA e a China e que a nossa economia permite-nos fazer frente nesta guerra comercial. Aliás, o próprio Paul Krugman, economista norte-americano, alertou que “uma guerra comercial com a Europa significa ficar cara a cara com uma economia que é mais ou menos do nosso tamanho”. Os dados que estão na base da narrativa que os EUA têm sido prejudicados pela UE e outros países não contam tudo. No quadro que se segue, a interpretação é clara sobre o défice dos EUA perante a UE e os outros países referenciados por Trump, no que diz respeito aos bens. No entanto, o que nunca é mencionado, o que é curioso, é que a base da economia norte-americana assenta em serviços (tecnologia, finanças, educação, entretenimento…) e que a balança comercial tem um superavit muito significativo. Comparando com a UE, nos últimos 10 anos a balança comercial de serviços tem sido favorável aos EUA e desde 2020 que a UE tem registado défices anuais na ordem dos 100 mil milhões de euros. Em 2023, o défice foi de 109 mil milhões de euros. De ressalvar, que a UE e os EUA são os maiores parceiros um do outro nas exportações e importações de

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serviços. Com os dados completos da balança comercial, conseguimos perceber que os mesmos não justificam esta paranoia protecionista e reforçam a ideia de que a estratégia da Casa Branca não se limita só a tentar acabar com o acordo geral sobre tarifas e comércio internacional que tanto trabalho deu, antes de entrar em vigor em 1947. Em relação à atividade económica global em 2024, manteve-se resiliente com um PIB que cresceu 3,2%. Para 2025, um novo relatório da OCDE, elaborado no mês passado, prevê um crescimento de 3,1% e de 3% em 2026, mesmo com tantas incertezas geopolíticas e tensões comerciais que vão pesar sobre a economia global. O documento traça alguns cenários, começando pela imposição das taxas alfandegárias dos EUA sobre os seus vizinhos (México e Canadá) e a China. Neste ponto, espera-se que o PIB dos EUA cresça 2,2% este ano e 1,6% em 2026. A OCDE refere que o México e o Canadá serão os principais afetados. Quanto à China, a previsão é que deverá manter-se estável com um crescimento na ordem dos 4,8% tendo implementado já medidas para enfrentar a imposição das novas taxas. No que diz respeito à Zona Euro, o relatório apresenta um crescimento de 1% este ano e de 1,2% em 2026. Entre as principais economias europeias, a Espanha, nossa melhor cliente, deverá apresentar um crescimento sustentado de 2,6% este ano de 2025. A maior economia da Europa, a Alemanha, deverá ter um crescimento do PIB de 0,4%. Num segundo cenário, o relatório da OCDE alerta para os efeitos de uma escalada de guerras comerciais entre os EUA e os seus principais

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parceiros. Um aumento permanente de 10% nas tarifas bilaterais retiraria 0,3% ao crescimento global no segundo e terceiro anos após o aumento. Também acrescentaria 0,4% à inflação global por ano, nos primeiros três anos após esse choque. Ou seja, reitero, que não há vencedores numa guerra comercial e os EUA arriscam-se a ser o grande perdedor de uma escalada de tensões comerciais instigada por uma paranoia protecionista que não augura nada de bom para os próximos tempos e que pretende dissimular parte da estratégia norte-americana. Sim, tudo indica que a Europa vai continuar a ser ameaçada nos próximos 4 anos, tudo na tentativa de criar divisões na UE e de a fragilizar. Inicialmente as taxas incidiram sobre o aço e alumínio, afetando principalmente a Alemanha e os Países Baixos, principais fornecedores europeus dos EUA. Entretanto, uma nova réplica tarifária provocatória com magnitude de 200% veio abanar o setor europeu dos vinhos e bebidas alcoólicas afetando principalmente países como a França e Itália, dois dos principais produtores do mundo. Finalmente, no dia tão aguardado da libertação, 2 de abril, foi anunciado uma tarifa de 25% sobre importações de carros e peças automóveis, afetando assim um dos maiores exportadores de automóveis para os EUA, a Alemanha. Nesse dia, que ficará para a história, a UE ficou finalmente a saber que as suas exportações serão sujeitas a uma tarifa de 20%. Perante esta escalada de ameaças, e após fracasso nas negociações com a Casa Branca, a UE aprovou no dia 9 de abril por larga maioria (só Hungria contra) a aplicação de tarifas de 25% sobre os produtos norte-americanos. No entanto, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, confirmou que a UE apesar da retaliação privilegia a via das negociações, daí ter suspendido por 90 dias a primeira ronda de tarifas contra os EUA em resposta a decisão norte-americano de suspender as suas por igual período. Durante esta “pausa” e face à imprevisibilidade de Trump, o bloco europeu deve continuar a procurar e diversificar para outras geografias como os mercados emergentes do sudeste asiático e africano. Em 2024, ao fim de 25 anos de negocia-

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China que retaliou imediatamente na mesma moeda, com tarifas de 84% sobre as importações oriundas dos EUA. Por sua vez, a Casa Branca anunciou uma subida imediata das tarifas contra a China para 125%, e agora mesmo ao concluir este artigo, a CNBC acaba de anunciar que o total de tarifas sobre produtos chineses atinge uns impressionantes 145%! Perante isto, esperemos que a UE não seja arrastada pelas duas maiores economias do mundo e principalmente, não nos deixemos intimidar e contagiar por essa paranoia protecionista, até porque, estou convencido que a maior parte destas tarifas será revertida aos poucos. Talvez comece já, hoje, amanhã ou na próxima semana…

ções, chegamos a acordo com o Mercosul, este é também o momento certo para ratificar o mesmo. Sejam quais forem as ações e decisões da UE, devem ter um impacto mínimo sobre as empresas, os trabalhadores e os consumidores europeus. Certo é que o tom irá subir como aconteceu com a

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PORTUGAL, MÉXICO E O HORIZONTE CERÂMICO ATLÂNTICO: UMA OPORTUNIDADE SEM FRONTEIRAS

por Jorge-Alberto Yarte-Sada, Presidente do Comité Empresarial Bilateral México-Portugal do COMCE¹, Presidente do Conselho Diretor da CCILM² e Presidente da UBIQUM Trans-Horizon Advisors and Investments Ltd.

J o r g e - A l b e r t o Ya r t e - S a d a

A relação entre o México e a União Europeia é uma das mais sólidas e contínuas do mundo no campo do comércio internacional. Desde a assinatura do Acordo Global UE-México, esta parceria manteve-se ininterrupta, amistosa, fiável e ancorada num ambiente de negócios previsível e cooperativo — em nítido contraste com os novos bloqueios ou tendências protecionistas que emergem em outras partes do mundo. Este é um momento ímpar para potenciar a via de negócios México–Portugal, aproveitando plenamente os instrumentos, acordos e afinidades culturais e económicas que nos aproximam. Podemos — e devemos — fazer mais juntos. É por isso que, com enorme entusiasmo, partilho que a CCILM, o COMCE tem uma aliança estratégica para oferecer apoio concreto às empresas portuguesas. O objetivo é abrir caminho para novas exportações, parcerias

industriais, trocas de conhecimento e acesso facilitado ao mercado mexicano e, através dele, aos mercados da América Latina e América do Norte. A APICER, representante de mais de 90% da produção nacional de cerâmica e cristalaria, tem sido fundamental na promoção internacional do setor português — conhecido pela sua tradição, inovação e qualidade. Juntos, poderemos criar plataformas colaborativas que fortaleçam a competitividade e presença global das empresas portuguesas. A ligação da minha família, a família YARTE, à cerâmica mexicana é profunda e histórica. O meu avô, Andrew (Andrés) Avelino Yarte Icaran, emigrou para o México no final dos anos 30 e fundou nos finais dos anos 40/início dos 50 a PROCESA – Productos Cerámicos S.A., uma das primeiras grandes fábricas de móveis sanitários do país, mais tarde vendida à multinacional norte-americana Ideal Standard. A partir dos anos 50 e 60, surgiram outras empresas associadas à família YARTE, como a NACESA – Nacional de Cerámica S.A. de C.V., a DIPROCESA, a Mex Cerámica, e, já nos Estados Unidos, a Olympic Tiles e a Valley Ceramic Supply, em Brownsville, Texas. Como bem diz um antigo ditado espanhol, profundamente simbólico para todos os que trabalham com a cerâmica: “Oficio noble y bizarro entre todos, pues en la industria del barro, Dios fue el primer alfarero y el hombre el primer cacharro.” (“Ofício nobre e bravo entre todos, pois na indústria do barro, Deus foi o primeiro oleiro e o homem o primeiro pote.”) Hoje, a minha família YARTE dedica-se ao desenvolvimento de parques industriais no México e nos EUA e à consultoria estratégica internacional, mantendo o legado de espírito empreendedor vivo e atualizado.

1.- COMCE – Consejo Mexicano de Comercio Exterior, Inversión y Tecnología 2.- CCILM – Câmara de Comércio e Indústria Luso-Mexicana

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CCILM

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Voltando ao mundo da cerâmica, o México é um país de cerâmica por natureza. Os povos antigos da Mesoamérica foram verdadeiros artistas e engenheiros do barro, criando peças decorativas e utilitárias com enorme mestria. Com a chegada dos povoadores europeus, novas tecnologias e estilos foram incorporados. Esta herança vive até hoje: o México moderno alberga importantes polos industriais de produção cerâmica, de vidro e tijolos. Apesar dessa força produtiva, o México permanece aberto à importação e à colaboração internacional. Com 4 Tratados de Livre Comércio com 50 países (TLCs) e 30 Acordos para a Promoção e Proteção Recíproca de Investimentos (APPRIs) com 31 países ou regiões administrativas, o país oferece um dos mercados mais abertos ao comércio internacional. A relação com os Estados Unidos e o Canadá mantém-se através do atual T-MEC – Tratado entre México, Estados Unidos e Canadá, sucessor do NAFTA. Apesar dos desafios impostos por recentes políticas comerciais norte-americanas, o T-MEC continua a ser um dos maiores blocos comerciais do mundo. O México é também um trampolim natural para outras geografias, como a América Central, a Aliança do Pacífico (Chile, Peru, Colômbia, México e Costa Rica), as Caraíbas, e a América do Sul. Para as empresas portuguesas, este é um convite aberto a explorar um mercado de mais de 130 milhões de habitantes com sede de modernização. O México está em plena expansão na construção de centros comerciais, hospitais, habitações, hotéis, e precisa urgentemente de pavimentos, azulejos, móveis sanitários, cristalarias, vasos decorativos, loiças, entre outros. Aproveitem o Acordo Global UE-México e contem com a CCILM, o COMCE e a APICER. Somos

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complementares, parceiros e estamos ao dispor para vos apoiar e orientar. Na minha qualidade de Presidente do Comité Empresarial Bilateral México–Portugal do COMCE, associação com presença em todas as 32 entidades federativas do México e inserida no CCE – Consejo Coordinador Empresarial (congénere do CIP em Portugal), e como Presidente do Conselho Diretor da CCILM, posso assegurar o nosso compromisso absoluto com esta parceria transatlântica. A CCILM – Câmara de Comércio e Indústria Luso-Mexicana, com 20 anos de história, foi fundada em 2004, ano em que tive a honra de ser o seu primeiro presidente. Hoje, reassumo este cargo com enorme orgulho, ânimo e dinamismo, impulsionando novas parcerias com associações empresariais congéneres, universidades e entidades públicas e privadas. Com sede em Lisboa, a CCILM tem personalidade jurídica também no México, operando com especial intensidade através do COMCE de Ocidente, localizado na vibrante cidade de Guadalajara, Jalisco — centro de mais de 5 milhões de habitantes, reconhecida pelo seu empreendedorismo, indústria, turismo, música, gastronomia e qualidade de vida. Falo também como raiano: cresci no Nordeste do México, em Monterrey (Nuevo León), na fronteira com o Rio Grande Valley (Brownsville, Texas). Nós, os fronteiriços, acreditamos no comércio – está no nosso ADN. Crescemos mais saudáveis com parcerias do outro lado da montanha e do rio. Viva o comércio! Contem comigo e com todos os chapéus que trago para vos apoiar. https://www.linkedin.com/in/jays1971/

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Secção Jurídica

A JUSTIÇA SOCIAL FORÇADA – A L E I D A S Q U O TA S

por Fi li pa Pe re i ra Si l v a e Ma r i a n a B e m-Ha j a FAF Sociedade de Advogados

A Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) tem vindo, recentemente, a causar algum sobressalto às empresas, em virtude de visitas surpresa às suas instalações – as tão temidas vistorias –, interpelando-as quanto ao preenchimento de quotas de pessoas com incapacidade. Em causa está a Lei n.º 4/2019, de 10 de janeiro, que “[e]stabelece o sistema de quotas de emprego para pessoas com deficiência, com um grau de incapacidade igual ou superior a 60 /prct”, impondo a contratação, por parte das entidades empregadoras que sejam médias empresas com um número igual ou superior a 75 trabalhadores e às grandes empresas, de pessoas que, comprovadamente, possuam incapacidade superior à indicada.

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Ora, apesar de a Lei ter sido publicada em 2019, as empresas beneficiaram de um período de transição de cinco ou de quatro anos, consoante tenham entre 75 e 100 ou mais de 100 trabalhadores, respectivamente, pelo que, as empresas enquadradas naquela classificação passaram a estar abrangidas por esta obrigação, pelo

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menos, desde 2024, a não ser que tenham, durante o período de transição ou após este, atingido o limite de trabalhadores, caso em que ao prazo acrescem mais dois anos. A quota para as pessoas com deficiência é de, pelo menos, 1%, nas empresas com número igual a 75 trabalhadores e, pelo menos, 2%, nas empresas com mais de 100 trabalhadores, arredondando-se sempre o número não inteiro que eventualmente dessa operação resultar para a unidade seguinte, considerando-se o número de trabalhadores correspondente à média do ano civil antecedente. A certificação da deficiência e a determinação do grau de incapacidade é feita mediante atestado médico de incapacidade multiusos, devendo a informação quanto ao número de trabalhadores com deficiência ao seu serviço vir mencionada no Relatório Único. Para além da obrigação de preenchimento de quotas, o processo de recrutamento e seleção deve ser adequado, podendo haver lugar a provas de avaliação adaptadas, a pedido dos interessados, e, em caso de

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contratação de trabalhadores cujas limitações funcionais impliquem a necessidade de adequação ou adaptação do posto de trabalho e/ou produtos de apoio, devem as entidades empregadoras recorrer ao Instituto Nacional para a Reabilitação (IRN), e ao Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), a fim de obter indicações e prestação do apoio técnico necessário, para esta acomodação. O não cumprimento do disposto na referida legislação constitui contra-ordenação, graduada de leve a muito-grave, sendo os montantes sancionatórios iguais aos previstos no Código do Trabalho. Podem, no entanto, ser excepcionadas as empresas, mediante pedido junto da ACT, acompanhado de parecer fundamentado do INR, com a colaboração dos serviços do IEFP, da impossibilidade da sua efetiva aplicação no respetivo posto de trabalho, ou, ainda, caso façam prova, junto da ACT, mediante declaração emitida pelo IEFP, que comprove a não existência de candidatos com deficiência que reúna as condições estipuladas para preencher os postos de trabalho das ofertas de emprego apresentadas no portal no ano anterior, em número suficiente – mas, neste último caso, as empresas devem já no ano anterior prever que possam vir a atingir o limite de trabalhadores, e , um ano antes, começar a publicitar ofertas de trabalho com a indicação de “preenchimento da Lei das Quotas”. E se uma empresa, que esteja também ela obrigada ao preenchimento de quotas de género – veja-se, as empresas do sector público empresarial e as empresas cotadas em bolsa – tiver de, para o preenchimento de quotas, optar entre um candidato com deficiência e uma pessoa cujo género esteja sub-representado naquele órgão? Não se contestando a bondade da intenção que levou à aprovação desta legislação, pergunta-se, será este o caminho? Trabalhar a inclusão de pessoas com deficiência vai muito além do preenchimento de quotas de emprego. Implica, antes, um compromisso social, sério e contínuo, que pressupõe a adaptação organizacional, seja ela a nível de infraestruturas ou tecnológica, a sensibilização dos recursos humanos, processos de integração e de progressão. É, não só uma questão de justiça social, como também uma mais-valia para as empresas. Mas tal só resultará se as organizações tiverem essa consciência e objectivo – não se se virem obrigadas a contratar pessoas com deficiência, apenas porque lhes é imposto por legislação.

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NOVIDADES DAS EMPRESAS CERÂMICAS PORTUGUESAS NA FEIRA AMBIENTE 2025

po r Alb e r t i na S e qu e i r a , Vice-Presidente Executiva da Apicer

Esta exposição surge do interesse crescente que a COSTA NOVA tem vindo a despertar entre clientes e académicos, fascinados pelo processo produtivo. «Há uma curiosidade natural sobre o que acontece antes de cada peça chegar à mesa: como é moldada, vidrada, cozida e aperfeiçoada. "A Fábrica" nasce dessa vontade de mostrar a autenticidade que está antes do produto final: um lugar onde a tradição e a inovação se encontram.» refere Liliana Padinha, Diretora de Marketing da COSTA NOVA.

Costa Nova exposicão A Fábrica em Lisboa

COSTA NOVA COSTA NOVA inaugura exposição "A Fábrica" em Lisboa A COSTA NOVA inaugura a exposição itinerante "A Fábrica", um olhar sobre os bastidores das suas unidades fabris, onde o grés fino português ganha forma. A mostra arranca na loja COSTA NOVA em Lisboa, onde ficará até 30 de maio, antes de seguir para o Porto, Lisboa, Aveiro e Madrid, levando a diferentes públicos a essência da produção cerâmica e o ambiente da fábrica.

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Costa Nova exposicão A Fábrica em Lisboa

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A essência da COSTA NOVA, em exposição "A Fábrica" é um convite a descobrir um ofício que atravessa gerações. O olhar do fotógrafo sobre o

Costa Nova exposicão A Fábrica em Lisboa

Um registo autêntico do processo cerâmico Com fotografia por Manuel Gomes da Costa, a exposição percorre várias fases do processo produtivo, mas também se foca noutros elementos: é um retrato do ambiente da fábrica, das suas pessoas, das mãos que

moldam as peças, do brilho dos vidrados, dos contrastes, dos cheiros, das texturas e do calor dos fornos. «Parte dessa atmosfera é transportada para a exposição, onde elementos reais da fábrica ajudam a compor a experiência sensorial. O visitante pode conhecer os nossos rostos, ver materiais, moldes, matérias-primas e até ferramentas utilizadas na produção, inteirando-se dos detalhes que fazem de cada peça o reflexo do nosso saber-fazer. », acrescenta. Desde 2005, a COSTA NOVA tem conquistado reconhecimento internacional como uma referência no tableware inovador e sustentável, apostando na produção local e responsável, no uso de pasta reciclada e em processos que reduzem o impacto ambiental. A marca está presente em mais de 60 países, com especial destaque nos Estados Unidos, o seu principal mercado exportador. No entanto, em Portugal, a COSTA NOVA continua a ser um nome que remete autenticidade e qualidade, associando a cerâmica portuguesa à arte de bem receber.

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ambiente fabril, aliado à presença física de elementos da produção, cria um espaço de descoberta para todos os que querem conhecer melhor a cerâmica portuguesa. Antes de chegar à mesa, cada peça tem uma história. Esta exposição revela os seus bastidores.

Uma fusão entre design e funcionalidade Cada peça da coleção Odeceixe combina robustez, para as exigências diárias do canal HORECA, com um design que celebra o diálogo entre a criatividade e a natureza. Nunca descurando a beleza, conseguem ter uma resistência acima da média, o que torna as peças perfeitas para uma utilização diária intensa no meu restaurante, o näperõn – indica Hugo Nascimento O acabamento e textura única destas peças evocam a suavidade das pedras moldadas pelas marés ao longo do tempo, proporcionando uma experiência sensorial para os chefs e para os apreciadores de gastronomia. Mais do que um simples conjunto de tableware, Odeceixe reflete a identidade da região, alinhada com a filosofia culinária de Hugo Nascimento: genuína, sustentável e inovadora. A versão original desta linha apresenta-se em tons inspirados na paisagem costeira, no entanto, a co-

Nosse Ceramics Odeceixe - River Stone

Nosse Ceramics Odeceixe - Dark Chocolate

NOSSE CERAMICS Nosse Ceramics apresenta a coleção “Odeceixe”, assinada pelo chef Hugo Nascimento A marca de tableware portuguesa junta-se ao renomado chef português para lançar uma coleção onde a arte encontra a gastronomia

A Nosse Ceramics revelou, na Feira Ambiente, a sua nova coleção de tableware desenvolvida em colaboração com Hugo Nascimento. Com a assinatura do chef, a linha Odeceixe nasce da sua paixão pela cozinha e do respeito pela natureza, refletindo a autenticidade e a essência dos ingredientes. Inspirada na simplicidade dos seixos moldados pelas marés da região de Odeceixe, esta coleção traduz a beleza natural em peças de cerâmica com formas fluidas e texturas subtis.

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Nosse Ceramics Odeceixe - Beige Pebble

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leção continuou a evoluir. Na coleção da Nosse Ceramics, a linha possui 3 tons que prometem fazer de cada momento à mesa uma ocasião especial - Beige Pebble, Dark Chocolate e River Stone. PRIMUS CERAMICS PRIMUS CERAMICS torna-se pioneira na utilização de biometano no setor cerâmico em Portugal A Primus Ceramics reafirma o seu compromisso com a inovação e a sustentabilidade ao tornar-se a primeira empresa do setor cerâmico em Portugal a utilizar biometano no seu processo produtivo. Este marco, alcançado em parceria com a Goldenergy e Axpo Ibéria, representa um avanço significativo rumo à descarbonização da indústria. A partir de abril, a Primus Ceramics será abastecida com biometano certificado, um gás renovável que permite reduzir a pegada de carbono sem necessidade de investimentos adicionais em adaptação tecnológica. Principais benefícios desta inovação: • Liderança no setor: Primeira empresa cerâmica em Portugal a adotar biometano; • Sustentabilidade: Redução das emissões de CO₂ e compromisso com a transição energética; • Eficiência: Substituição direta do gás natural sem necessidade de alterações nos processos produtivos;

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• Estabilidade: Garantia de fornecimento energético fiável e competitivo. Com este passo, a Primus Ceramics continua a liderar o caminho da inovação e sustentabilidade no setor cerâmico, antecipando as tendências do futuro e contribuindo ativamente para um mundo mais sustentável

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SAVE THE DATE CeramicLowCO2 | 2050: Indústria Cerâmica Sustentável Roteiro de Descarbonização da Indústria Cerâmica Portuguesa - Evento Final Montebelo Aguieira Lake Resort & Spa, Mortágua 29 de maio de 2025

9h00 | 18h00

Em breve serão divulgados o Programa e os detalhes do evento, incluindo link para inscrição. Contamos consigo, por favor reserve a data!

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Calendário de Eventos

ATLANTA MARKET’2025 (Design/Utilitária e Decorativa) Anual – Atlanta (USA) De 1 a 4 de Abril de 2025 atlantamarket.com

HOST MILANO’2025 (Restauração) Anual – Milão (Itália) De 17 a 21 de Outubro de 2025 host.fieramilano.

AMBIENTE’2026 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Anual – Frankfurt (Alemanha) De 06 a 10 de Fevereiro de 2026 ambiente.messefrankfurt.com

DOWNTOWNDESIGN’2025 (Design/Tendências) Anual – Riyadh (Arábia Saudita) De 20 a 23 de Maio de 2025 downtowndesign.com

MAIS CONCRETA’2025 (Construção / Tendências para arquitetura e interiores) Anual – Porto (Portugal) De 06 a 07 de Novembro de 2025 concreta.exponor.pt/

HIP HORECA PROFESSIONAL EXPO’2026 (Restauração) Anual – Madrid (Espanha) De 16 a 18 de Fevereiro de 2026 expohip.com/en/

THE HOTEL SHOW’2025 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Anual – Dubai (EAU) De 27 a 29 de Maio de 2025 thehotelshow.com/

DECOREX’2025 (Design/Tendências) Anual – Londres (UK) De 12 a 15 de outubro de 2025 decorex.com

NKBA|KBIS’2026 (Cerâmica Sanitária e Ladrilhos Cerâmicos) Anual – Orlando (USA) De 17 a 19 de Fevereiro de 2026 https://kbis.com/

The National Restaurant Show.com’2025 (Cerâmica Utilitária ) Anual – Chicago (USA) De 17 a 20 de Maio de 2025 nationalrestaurantshow.com

LONDON BUILD ‘2025 (Materiais de Construção) Anual – Londres (UK) De 19 a 20 de Novembro de 2025 londonbuildexpo.com

THE INSPIRED HOME SHOW’2026 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Anual – Chicago (EUA) De 10 a 12 de Março de 2026 theinspiredhomeshow.com

CONSTRUMAT’2025 (Construção) Anual – Barcelona (Espanha) De 20 a 22 de Maio de 2025 construmat.com

BIG 5 SHOW´2025 (Materiais de Construção) Anual – Dubai (EAU) De 24 a 27 de Novembro de 2025 www.thebig5.ae/

EXPOREVESTIR’2026 (Ladrilhos Cerâmicos) Anual – São Paulo (Brasil) De 9 a 13 de Março de 2026 exporevestir.com.br/

EXCLUSIVELY’2025 (Design/Tendências) Anual – Londres (UK) De 10 a 11 de Junho de 2025 exclusivelyshows.co.uk/

ARCHITEC@WORK 2025 (Materiais de Construção) Anual – Lisboa (Portugal) De 3 a 4 de Dezembro de 2025 architectatwork.pt//

CERAMITEC’2026 (Tecnologia para Cerâmica) Bianual – Munique (Alemanha) De 24 a 26 de Março de 2026 https://ceramitec.com/en/

3DAY´S OF DESIGN’2025 (Design/Tendências) Anual – Copenhaga (Dinamarca) De 18 a 20 de Junho de 2025 3daysofdesign.dk/

MAISON & OBJET’2026 (Design / Cerâmica Utilitária e Decorativa) Bianual - Paris (França) De 15 a 19 de Janeiro de 2026 maison-objet.com

COVERINGS’2026 (Ladrilhos Cerâmicos) Anual – Las Vegas (USA) De 30 de Março a 02 Abril de 2026 coverings.com/

MAISON & OBJET’2025 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Bianual – Paris (França) De 04 a 08 de Setembro de 2025 maison-objet.com

THE INTERNATIONAL SURFACE EVENTE 2026 (Ladrilhos cerâmicos) Bianual – Las Vegas (EUA) De 27 a 29 de Janeiro de 2026 https://www.intlsurfaceevent.com/

The New York Tabletop Show´2026 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Bianual – New York (EUA) De 14 a 17 de Abril de 2026 tabletopassociationinc.com

CERSAIE’2025 (Ladrilhos Cerâmicos) Anual – Bolonha (Itália) De 22 a 26 de Setembro de 2025 cersaie.it

SURFACE DESIGN SHOW’2026 (Ladrilhos Cerâmicos) Anual – Londres (R.U.) De 4 a 5 de Fevereiro de 2026 surfacedesignshow.com/

ISH’2027 (Cerâmica Sanitária) Bianual – Frankfurt (Alemanha) De 15 a 19 de Março de 2027 ish.messefrankfurt.com/frankfurt/en.html

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Juntos vamos construir o que está para vir.

Energia para o seu negócio. Menos impacto para o planeta.

Juntos continuamos a crescer.

26%

DEZ 2024

Quota de Consumo serviços e Indústria de gás natural. Boletim mercado Liberalizado de Gás - Janeiro de 2025

Do resíduo à energia renovável para a energia do seu negócio ser mais limpa. BIO Bio

1 Resíduos orgânicos

3 Produção de biometano

2 Valorização de resíduos

Quer saber como tornar a sua indústria mais verde? Fale connosco.


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Revista Kéramica n.º 394 Março / Abril 2025 by APICER - Ceramics Portugal - Issuu