NOVA DIRETORIA PARA A GESTÃO 2026-20228 PARA A GESTÃO 2026-20228
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PSIQUIATRA DA APES GANHA
PSIQUIATRA DA APES GANHA PROJEÇÃO INTERNACIONAL COM
PUBLICAÇÃO CIENTÍFICA
PUBLICAÇÃO CIENTÍFICA
ARTIGO ARTIGO
UMA SILENCIOSA CONDIÇÃO DE RISCO
SUMÁRIO
Conheça a nova diretoria da Associação
Saiba tudo sobre a XVII edição do evento
A solidão profissional na medicina: uma silenciosa condição de risco
Psiquiatra da Apes ganha projeção internacional com publicação científica
Entre bruxas e puérperas: um olhar sensível sobre depressão e psicose pós-parto
DIRETORIA
Dra. Lícia Colodete Presidente
Dr. José Luís Leal de Oliveira Vice-Presidente
Dra. Janine A. Moscon Secretária
Dra. Letícia M. Akel Mameri Trés Tesoureira
Dr. Valber Dias Pinto Diretor Secretário Adjunto
Sarha A. Lobo de Queiroz Diretora Tesoureira Adjunta
CONSELHO EDITORIAL
Lícia Fabris Colodete Libanio José Luis Leal de Oliveira
Daniela Ramos Jornalista Responsável MTB 2771 - ES
Entre em contato: apespsiquiatria@gmail.com
ELEIÇÕES APES ELEIÇÕES APES
APES realiza eleição e define nova diretoria para o próximo mandato
A Associação Psiquiátrica do Espírito Santo (APES) realizou, no dia 4 de dezembro, Assembleia Geral Extraordinária para a eleição da nova diretoria da entidade. O processo democrático reuniu associados no auditório da Associação Médica do Espírito Santo (AMES), reafirmando o compromisso institucional com a transparência, a continuidade e o fortalecimento da psiquiatria capixaba
A eleição representa um momento estratégico para a entidade, que ao longo dos anos tem consolidado sua atuação como referência em psiquiatria e saúde mental no Espírito Santo, promovendo eventos científicos, debates qualificados e ações institucionais voltadas à valorização da especialidade
Continuidade e fortalecimento institucional
O processo eleitoral foi conduzido conforme edital previamente publicado, garantindo ampla divulgação, organização e participação dos membros. A presença dos associados reforça a importância do engajamento coletivo na construção de uma entidade forte, representativa e alinhada aos desafios contemporâneos da psiquiatria
Com a nova composição diretiva, a APES inicia um novo ciclo administrativo pautado na continuidade dos projetos em andamento, no fortalecimento científico e na ampliação do diálogo com instituições médicas e com a sociedade.
Ao assumir a presidência, a Dra Lícia Colodete destacou a responsabilidade e a honra de liderar a entidade neste novo mandato: “Recebo essa missão com profunda gratidão e senso de responsabilidade. A confiança depositada em mim e em toda a diretoria reforça o compromisso que temos com a psiquiatria capixaba. Nosso objetivo é dar continuidade ao trabalho sério que vem sendo desenvolvido, fortalecer ainda mais a atuação científica da APES e ampliar o diálogo com nossos associados.
Diretoria Executiva 2026-2028
Presidente: Dra. Lícia Colodete,
Vice-Presidente: Dr. José Luís Leal de Oliveira
Secretária: Dra. Janine A. Moscon
Tesoureira: Dra. Letícia M. Akel Mameri Trés
Diretor Secretário Adjunto: Dr. Valber D. Pinto
Diretora Tesoureira Adjunta: Dra Sarha A Lobo de Queiroz
XVII JORNADA APES XVII JORNADA APES
Associação Psiquiátrica do Espírito Santo promove XVII Jornada com foco em inovação e responsabilidade
Nos dias 22 e 23 de maio, a capital capixaba será palco da XVII Jornada de Psiquiatria da APES, promovida pela Associação Psiquiátrica do Espírito Santo, no Hotel Sheraton, em Vitória/ES. Com o tema “Inovação e Responsabilidade: em defesa das boas práticas”, o evento reafirma o compromisso da entidade com a atualização científica, a ética profissional e a qualificação contínua da assistência em saúde mental.
A Jornada tem como objetivo reunir psiquiatras associados de todas as regiões do Espírito Santo, além de profissionais de outros estados da federação, fortalecendo vínculos institucionais e promovendo a troca de experiências clínicas e científicas.
Curso pré-jornada amplia diálogo interdisciplinar
Como novidade desta edição, a programação contará com um curso pré-jornada, sob o tema “Psicodélicos em psiquiatria: mecanismos de ação e interação com psicoterapias”, ministrado pelo Dr. Marcelo Alevatto (RJ).
O curso será aberto também a profissionais de outras áreas da saúde, ampliando o alcance da APES na construção de saberes e promovendo uma abordagem interdisciplinar diante de temas contemporâneos que vêm ganhando espaço no debate científico internacional. A iniciativa reforça o posicionamento da Associação em discutir novas abordagens terapêuticas com responsabilidade, fundamentação científica e rigor técnico.
Outra inovação desta XVII Jornada será a realização de uma corrida no sábado pela
manhã. A proposta é incentivar a prática de atividade física e evidenciar, na prática, os benefícios do exercício regular para a saúde mental — tema amplamente respaldado pela literatura científica atual.
A ação integra o propósito do evento de ir além do debate teórico, estimulando hábitos saudáveis entre os profissionais e fortalecendo a compreensão de que o cuidado com o corpo também impacta diretamente o bem-estar psíquico.
Para a presidente da APES, Dra. Lícia Colodete, o crescimento da Jornada ao longo dos anos demonstra a importância do encontro como espaço de fortalecimento institucional e atualização profissional.Segundo ela, a cada edição aumenta a procura e o interesse dos associados em se reunirem para estreitar vínculos, alinhar propósitos e discutir as demandas crescentes da população na área de saúde mental. A abertura para profissionais de outros estados e a realização do curso pré-jornada marcam um novo momento da Associação.
A presidente destaca ainda que, diante das constantes inovações tecnológicas e das novas abordagens médicas, a APES mantém o compromisso de defender práticas validadas cientificamente, baseadas em estudos consistentes, fundamentação técnica e seriedade acadêmica. “Nosso compromisso é oferecer os melhores estudos, as melhores práticas e intervenções que tenham respaldo científico e responsabilidade”, reforça.
Com uma programação que alia atualização científica, integração profissional e incentivo ao autocuidado, a XVII Jornada de Psiquiatria consolida-se como um dos principais encontros da especialidade no Espírito Santo, reafirmando o papel da APES na defesa da boa prática psiquiátrica e na promoção de uma assistência cada vez mais qualificada à população.
ARTIGO
A
solidão profissional na medicina: uma silenciosa condição
de risco
DRA.LETÍCIAM. AKELMAMERI
outro sem revelar a nossa própria e a agir com precisão mesmo quando internamente vacilamos. Criamos uma blindagem emocional que, se por um lado protege, por outro nos separa não apenas dos outros, mas também de nós mesmos E assim, aquilo que deveria ser maturidade emocional se converte, insidiosamente, em isolamento.
invisível entre o médico e qualquer possibilidade de vulnerabilidade pública.
A solidão é uma experiência humana universal, mas na medicina ela assume contornos próprios, mais profundos, silenciosos e muitas vezes imperceptíveis até para quem a vivencia. Na prática clínica e nos ambientes de trabalho, observo que muitos médicos convivem com um isolamento emocional que contrasta com a intensa interação social que a profissão exige. Estamos rodeados de pacientes, equipes e demandas, mas, paradoxalicamente, caminhamos por longos trechos da carreira sozinhos.
Na psiquiatria, percebo que essa solidão nasce, em parte, de uma cultura profissional que valoriza a autossuficiência Desde a formação, aprendemos a não demonstrar fragilidade, a suportar a dor do
A medicina do trabalho evidencia outra dimensão desse problema. O modelo organizacional em que muitos médicos estão inseridos, a fragmentação dos vínculos, a multiplicidade de jornadas, a escassez de espaços para troca entre colegas e a falta de supervisão estruturada dificultam a construção de relações profissionais de apoio. Cada médico exerce funções e toma decisões com pouco espaço para compartilhar dúvidas, receios e limites. Quando a responsabilidade é imensa e o pertencimento é frágil, o sofrimento tende a se tornar interno, individualizado e oculto
Essa solidão também é ética O peso do erro, a responsabilidade pelas decisões e a expectativa de infalibilidade criam um muro
Mesmo em equipes grandes, muitos profissionais relatam não ter com quem dividir o impacto emocional de mortes, conflitos, dilemas clínicos ou situações traumáticas A ausência de um lugar seguro para metabolizar essas experiências aumenta a tensão interna, favorece o esgotamento e, em casos extremos, o adoecimento psíquico.
Há ainda uma solidão identitária. A carreira médica tende a ocupar um espaço tão central na vida do profissional que, quando surgem dúvidas, limitações ou cansaço, o médico muitas vezes não encontra outro papel social no qual possa se apoiar. A imagem externa, marcada pela competência, precisão e autoridade, precisa se manter intacta. O preço disso, porém, é alto: menos espaço para pedir ajuda, menos margem para falhar, menos humanidade permitida
Como psiquiatra e médica do trabalho, entendo que combater essa solidão profissional exige mais do que orientações individuais.
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ARTIGO - A SOLIDÃO PROFISSIONAL NA MEDICINA: UMA SILENCIOSA CONDIÇÃO DE RISCO CONTINUAÇÃO
Requer mudanças culturais e organizacionais, ambientes que permitam conversas honestas entre médicos, supervisões que incluam aspectos emocionais, políticas internas que reconheçam o desgaste inerente ao cuidado e redes de apoio que não se dissolvam com a rotina. O cuidado mútuo entre colegas é um ato de responsabilidade coletiva e talvez um dos caminhos mais potentes para preservar a saúde mental na medicina
A medicina é uma profissão feita de encontros. Mas, para que esses encontros sejam verdadeiramente humanos e sustentáveis, precisamos admitir aquilo que tantas vezes tentamos silenciar: também sentimos, também adoecemos, também precisamos de cuidado. Reconhecer a solidão é o primeiro passo para superá-la e para reconstruir, entre nós, um modo mais saudável e mais humano de existir dentro da própria profissão
ASSOCIADO EM DESTAQUE ASSOCIADO EM DESTAQUE
Uma pesquisa que investiga a relação entre o intestino e o cérebro em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) acaba de ganhar destaque no cenário científico internacional. O estudo, indexado na base de dados PubMed (ID: 41547752), foi conduzido pela médica psiquiatra Sarha A. Lobo de Queiroz, integrante da diretoria da Associação Psiquiátrica do Espírito Santo.
Trata-se de um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo considerado o padrão-ouro para avaliação de intervenções terapêuticas. A pesquisa analisou os efeitos de um suplemento probiótico derivado do kefir em crianças com autismo, buscando compreender se a modulação da microbiota intestinal pode influenciar sintomas comportamentais e aspectos clínicos do transtorno.
O estudo se insere em um campo cada vez mais investigado pela medicina: o eixo intestino-cérebro. Evidências recentes sugerem que a saúde intestinal pode impactar funções neurológicas e comportamentais, abrindo caminho para abordagens complementares no cuidado ao TEA. A publicação em base internacional reforça a relevância científica do trabalho e projeta a psiquiatria capixaba no cenário acadêmico.
A Associação Psiquiátrica do Espírito Santo parabeniza a Dra. Sarha A. Lobo de Queiroz pela condução desta importante pesquisa, que fortalece a produção científica da especialidade e amplia o debate sobre novas perspectivas terapêuticas baseadas em evidências.
RESENHA CULT
TUANNY LORIATO DEMUNER
Minha peculiar obsessão pelo grotesco feminino no cinema, um dia desses, me levou a um filme chamado “Bruxas”, disponível na plataforma MUBI. Apesar de ter iniciado a sessão esperando apenas uma análise de filmes antigos com esse tema, me deparei com um sensível documentário sobre depressão e psicose pósparto – uma inesperada e valiosa coincidência
A diretora e roteirista
Elizabeth Sankey traça um paralelo entre as mulheres marginalizadas do passado e a vivência periparto, delicadamente descontruindo a idealização romântica da maternidade e levantando questões urgentes sobre como a sociedade enxerga as mulheres que quebram as expectativas do sagrado instinto materno
A cineasta usa como artifício narrativo sua própria experiencia com a depressão pós-parto, entrelaçada com o relato de várias mulheres que
vivenciaram perturbações da mente nesse período, incluindo transtorno obsessivo compulsivo (TOC) e psicose puerperal.
Internada em um hospital psiquiátrico com um mês de puerpério, Elizabeth conta como só encontrou acolhimento e coragem para compartilhar seus sentimentos mais sombrios –ideias suicidas e o medo aterrorizante de machucar o próprio bebê, mesmo o amando intensamente – ao ouvir histórias semelhantes. Também vemos, entre os depoimentos, relatos de despersonalização, pensamentos intrusivos direcionados ao filho, e alucinações como ver “o Diabo nos olhos” do próprio bebê
O filme mostra como a rede de apoio é essencial para a recuperação dessas mulheres. Muitas das entrevistadas foram internadas na mesma “Unidade MãeBebê”, uma ala de onde puérperas (e até gestantes) ficam com seus bebês, sob vigilância e cuidado integral. Trata-se de unidades que não existem em grande quantidade em
outras áreas do mundo fora do Reino Unido, local onde possui um histórico sensível de psicose puerperal sem um final feliz.
Isso me fez refletir sobre essa carência importante, não só de locais adequados para essas mulheres estarem, mas da compreensão e acolhimento por parte da equipe de saúde e da sociedade
Há, afinal, uma regra silenciosa que permeia que mães devem ser fortes e desempenhar com sucesso um suposto papel lhes atribuído socialmente. Por isso, não surpreende que muitas mulheres temam falar sobre suas dores, ou tenham suas experiencias reduzidas a algo passageiro. O custo dessa repressão, no entanto, é bem alto.
É uma obra importante: não apenas para aumentar a empatia com essas pacientes, mas também para enxergarmos como podemos estar sentenciando à fogueira mulheres que apenas precisam de acolhimento e tratamento.