PROJETO [R]EXISTÊNCIA
uma residência artística no palacete camilo de mattos
Anna Caroline Silva
Foto da capa: Anna Silva Contra capa: Daniel Ramos
PROJETO [R]EXISTÊNCIA
TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO TFG 2016 - Anna Caroline Silva
Centro Universitário Moura Lacerda Arquitetura e Urbanismo
Este caderno reflete um processo de pesquisa, construído com base nos conceitos e vivências proporcionados ao longo desta graduação.
Agradeço a todos que de alguma forma auxiliaram na execução deste trabalho, com incentivo e apoio para chegar até aqui. Aos professores: Francisco Gimenes que de maneira muito despretensiosa foi agente determinante na delimitação do tema. Domingos Guimarães, pela orientação sempre me direcionando de modo que executasse este trabalho da melhor maneira possível. Ao conservador e restaurador Julio Moraes pela indicação de bibliografia pertinente. Daniel Ramos pela força e apoio sempre, acompanhando cada passo deste processo. Aos meus familiares pelo amor e apoio.
RESISTÊNCIA RESISTÊNCIA RESISTÊNCIA RESISTÊNCIA RESISTÊNCIA REEXISTÊNCIA RESISTÊNCIA REEXISTÊNCIA RESISTÊNCIA REEXISTÊNCIA REEXISTÊNCIA RESISTÊNCIA EXISTÊNCIA EXISTÊNCIA EXISTÊNCIA EXISTÊNCIA REEXISTÊNCIA RESISTÊNCIA RESISTÊNCIA EXISTÊNCIA EXISTÊNCIA EXISTÊNCIA RESISTÊNCIA
SUMÁRIO INTRODUÇÃO p.11
STÊNCIA
RESI 1. RESIDÊNCIA EDIFICADA > o proprietário p.26 > o engenheiro e construtores p.30 > o patrimônio p.33 STÊNCIA
RESI 2. RESIDÊNCIA ARTÍSTICA > o conceito proposto p.54 > referências projetuais p.60 > relações de entorno p.68 > ações projetuais p.74
REFERÊNCIAS p.112
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Foto: Anna Silva
INTRODUÇÃO
Foto: Anna Silva
Este trabalho tem seu início a partir de uma percepção mais aguçada sobre a importância da preservação patrimonial edificada. Nesse sentido, o projeto busca uma forma de devolver vida ao edifício histórico tombado em situação de abandono, conhecido como Palacete Camilo de Mattos, com a criação de uma residência artística a partir da revitalização de sua estrutura já existente, como corpo para receber um novo programa realizando as adequações necessárias. A casa, situada à Rua Duque de Caxias 625, teve sua construção por volta de 1921 pelo engenheiro Antonio Terreri e pelo construtor Paschoal de Vicenzo, com projeto de Antonio Soares Romeo. Foi residência do exprefeito Camilo de Mattos onde viveu até 1945, ano de sua morte. O edifício está localizado próximo ao chamado Quarteirão Paulista composto
pelo conjunto de prédios históricos mais importantes da cidade: Teatro Pedro II, o Centro Cultural Palace (antigo Hotel Central) e o Palacete Meira Junior (chopperia Pinguim) permeando a praça XV, onde também está a residência de dona Sinhá Junqueira (hoje Biblioteca Altino Arantes) e a primeira sede da Sociedade Recreativa e de Esportes de Ribeirão Preto (RECRA, hoje MARP- Museu de Arte de Ribeirão Preto), em frente à praça Carlos Gomes e construídos no mesmo período histórico que a residência de Camilo de Mattos. “Esta residência se insere no desenvolvimento da economia cafeeira e da ocupação do espaço em torno da Praça XV de Novembro. Integra o movimento de instalação nessa área de uma classe média ascendente e de ricos fazendeiros” (ROSA & SILVA, 2013). Com isso, assume atualmente um
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importante papel na construção da memória urbana da cidade criando um laço com o passado, transmitindo a importância da era do café na consolidação econômica e urbana de Ribeirão Preto. O edifício caracterizado formalmente como patrimônio histórico, foi tombado pelo Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural do município de Ribeirão Preto (CONPPAC) em 11 de julho de 2008, através do decreto número 221 (NASCIMENTO, 2011). Atualmente está abandonada por seus proprietários e esteve habitada por pessoas em situação de rua que utilizaram a casa como abrigo até meados de março de 2015, quando foram removidos pela polícia e a casa teve suas portas e janelas lacradas com autorização do CONPPAC, conforme afirmação da presidência do Conselho em matéria ao jornal
A Cidade¹ após a repercussão da medida. Com o objetivo de revitalizar o edifício considerado patrimônio histórico, levando em conta suas características e do entorno onde se insere e ainda discutir a relação entre a história do edifício e o retorno social que sua transformação em residência artística pode proporcionar no presente, se faz necessário: - Defender a importância da revitalização do edifício, através de levantamentos históricos que demonstrem o valor cultural histórico que a edificação carrega consigo e, portanto ser relevante a sua inserção como elemento adicional do circuito cultural próxmo ao Quarteirão Paulista; - Levantar dados materiais, como plantas, cortes, elevações e registros fotográficos, a fim de
revelar que a estrutura do edifício apresenta condições de receber o novo programa; - Produzir um projeto arquitetônico de revitalização imprimindo ao edifício o uso como residência artística, de maneira a torná-lo funcional e, que acima de tudo atenda as necessidades sociais do entorno; - Compreender o que constitui a proposta de revitalização discutindo a definição acerca das residências artísticas.
1. Reportagem “Casarão abandonado gera protesto” de Daniela Penha em 21/3/2015 para A Cidade On, versão online do Jornal A Cidade.
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Foto: Anna Silva
Foto: Anna Silva
A preservação do patrimônio histórico é uma discussão relativamente recente no Brasil. Essa consciência sobre a importância da conservação e a produção de projetos arquitetônicos de intervenção em edifícios preexistentes, teve início apenas em 1937 com a criação do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), posteriormente intitulado de Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Azevedo (2003) diz que: No Brasil, a prática do restauro seria recriada a partir da década de 1940 na sede carioca do SPHAN, nas diretorias regionais do órgão, com arquitetos como Lúcio Costa, Alcides da Rocha Miranda, Luis Saia, Renato Soeiro, Silvio Vasconcelos, Airton de Carvalho, e nos canteiros de restauração. Trata-se de recriação porque, nesse campo, estávamos praticamente isolados do mundo, pela ausência de canais de comunicação, que só se abririam na década de
1960, com a divulgação da Carta de Veneza [...] (AZEVEDO; 2003, p.18). No entanto, fora do Brasil esta preocupação é notada muito anteriormente cujas “noções que floresceram a partir do Renascimento amadureceram de forma gradual no período que se estende dos séculos XV ao XVIII e foram conjugadas na formação das teorias de restauro.” (KUHL; 2004, p. 310). Essa formação da teoria do restauro e conservação, que se deu na Europa no século XV, passou por diversas reformulações ao longo dos anos, décadas e séculos acerca do tema, uma vez que havia distintas interpretações dos arquitetos frente à determinação dos métodos de ação. Em 1931, a Conferência de Atenas adotaria estes princípios para um plano internacional e Gustavo Giovannoni (1873 – 1947), acadêmico seguidor de Camilo Boito, irá defender esses critérios que unificavam a arte do restauro e a colocava
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sobre base científica. Giovannoni amplia o conceito de conservação do monumento para conservação do seu entorno, o que lhe valeu uma crescente impopularidade perante a crescente especulação imobiliária (BRAGA; 2003, p. 6). Essa preocupação com o entorno é essencial, uma vez que grandes alterações nas edificações de entorno não afetam apenas a identidade visual local, como podem afetar estruturalmente as edificações históricas presentes no local. Braga (2003) aborda ainda a produção das “Cartas Patrimoniais, frutos de encontros internacionais que [...] mostrarão o desenvolvimento destes princípios, adequados às diversas localidades e situações.” (BRAGA; 2003, p. 6). Algumas das Cartas Patrimoniais são: Carta de Atenas (1931), Carta de Veneza (1964), Conferência de
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Quito (1967) e a Carta Europeia (1975). Enquanto a discussão no exterior está bem avançada é que então na década de 1940, inicia-se no Brasil o tombamento de edifícios para que fosse garantida a sua preservação enquanto patrimônio, após uma série de avaliações que comprovem seu valor cultural, impedindo sua demolição. A compreensão daquilo que se consolida como patrimônio histórico ainda causa desconforto aos proprietários que muitas vezes sentemse prejudicados economicamente após o tombamento de seus edifícios, que por outro lado geram um ganho para toda a sociedade ao tornar um “vazio” em um equipamento de uso público. Inicialmente é necessário entender como se dá a caracterização de um bem como Patrimônio Histórico:
Foto: Anna Silva
Constitui o patrimônio histórico e artístico nacional o conjunto dos bens móveis e imóveis existentes no País e cuja conservação seja de interesse público, quer por sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil, quer por seu excepcional valor arqueológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico (BRASIL. Decreto-lei nº 25, de 30 de novembro de 1937, Capitulo 1, p. 1).
A inserção do Palacete no circuito formado no Quarteirão Paulista e sua revitalização para abrigar uma residência artística tornam-se de grande relevância para a cidade, pois “só o uso social continuado é capaz de preservar o monumento.” (AZEVEDO; 2003, p.18). Constituir tal proposta no Palacete Camilo de Mattos não só devolverá à cidade um espaço de qualidade que
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em contrapartida vem por anos passando por um processo de degradação e abandono, como implicaria numa expansão massiva do cenário cultural na cidade uma vez que atrairá um numero maior de artistas impactando diretamente sobre o turismo regional aumentando a quantidade de espectadores nas diversas atividades do programa estabelecido no âmbito das artes cênicas, musicais, plásticas e visuais. Uma vez que este edifício apresenta as características necessárias após avaliação do corpo técnico qualificado e se fez reconhecido pelo CONPPAC como patrimônio histórico de Ribeirão Preto, mantêlo nesse processo de deterioração significa determinar a ruína permanente desta estrutura.
Foto: Anna Silva
Foto: Anna Silva
Esta, guarda parte da história em cada elemento que o compõe, não apenas parte da história da cidade, mas acima de tudo, de um modo de morar de uma sociedade, já que o desenho de sua planta e a maneira como se compartimenta, revelam a relação do espaço com seus moradores e traduz muito do comportamento social da época de sua construção, assunto a ser tratado adiante. Portanto negar sua [co]existência em um espaço urbano contemporâneo explicita a perda de uma valiosa fonte de informação histórica que poderia ser facilmente acessada e até mesmo estudada tanto pela população quanto por profissionais como os próprios arquitetos. O objetivo final é que a edificação conviva em harmonia com o presente, permanecendo de pé e preservando um momento histórico da cidade totalmente revitalizado e
adequado ao seu novo programa, de maneira que também atenda às normas de segurança e acessibilidade tão necessária para se aumentar a inclusão de todos os usuários, não esquecendo de igual maneira da limpeza visual da fachada que se encontra escondida por trás de cabos de energia, telefônicos e árvores sem manutenção que tampam a visão do edifício e comprometem a integridade estrutural, principalmente dos muros, além do ganho social que vem para suprir a carência de investimento em cultura na cidade, que acolha os artistas por períodos de imersão proporcionando estadia, locais exclusivos e coletivos de trabalho, além de possibilitar a exposição do trabalho desenvolvido no período de sua residência.
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Foto: Anna Silva
1. RESIDÊNCIA EDIFICADA
> O PROPRIETÁRIO
Foto: Arquivo pessoal
O palacete foi construído para residência de Joaquim Camilo de Moraes Mattos, mais conhecido como Camilo de Mattos, com sua esposa Maria das Dores Gomes de Mattos. Natural de Barbacena, Minas Gerais, nasceu em 13 de dezembro de 1892 era filho de Joaquim de Oliveira Mattos e Ambrosina de Moraes Mattos. Adotou Ribeirão Preto como cidade ao se formar em 1917 na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco na capital de São Paulo após convite do Dr. Arthur Soares de Moura, também advogado, juiz de paz e ajudante do procurador seccional conforme consta nas paginas da 20ª seção do Almanaque Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro (edição 1891 a 1940). Por um breve período foi delegado na cidade de Cravinhos localizada a 20 quilômetros de Ribeirão. Mattos, em pouco tempo alcançou grande notoriedade e influência, em consequência disso muita riqueza pelo desempenho em sua profissão visto que era um homem de grande desenvoltura e exímio orador. Sua posição lhe permitiu que fizesse parte do diretório local do antigo Partido Republicano, o que abriu caminhos para ingressar na carreira política. Foi vereador em duas legislaturas, ocupou o cargo de Vice-Prefeito e foi Presidente
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da Câmara de 1926 a 1929. Em razão da renúncia do Prefeito João Rodrigues Guião, eleito para o mandato de 1929 a 1932, Camilo de Mattos assumiu em 1929 o cargo de Prefeito, mas permaneceu até o ano seguinte ao ser deposto no início da Revolução de 1930. Afastando-se da política realizou consultoria jurídica para as Usinas Junqueira, em Igarapava, também no interior de São Paulo, foi presidente da Associação dos Motoristas de Praça de Ribeirão Preto e também participou da fundação do Hospital São Francisco. Seu grande feito foi em parceria com Dona Sinhá Junqueira na criação da instituição social Educandário Coronel Quito Junqueira instalada na antiga Fazenda do Morro da Vitória, local onde trabalhou como diretorpresidente e onde se dedicou a ofertar ajuda aos que necessitavam e que está em funcionamento até hoje na zona norte da cidade. Foi ainda um dos diretores do Asilo Anália Franco, Presidente da Associação dos Cegos e colaborador do Asilo Padre Euclides. Casou-se em 1919 com Maria das Dores Gomes de Mattos, dessa união nasceram os filhos: Luiz Augusto, Maria Camila, Célia e Nilza. Joaquim Camilo de Mattos
faleceu na noite de 24 de agosto de 1945, aos 53 anos, “deixando irreparável saudade às pessoas que nesta cidade residem”, como escrito no jornal “Diário da Manhã”, de 25 de agosto de 1945. Em 27 de agosto de 1945, o mesmo jornal publicou uma página inteira de telegramas recebidos pela família Mattos. Políticos, autoridades, prefeitos e pessoas conhecidas do país fizeram homenagens. Próximo a sua residência ainda há um busto erigido pela Ordem dos Advogados do Brasil em sua homenagem instalado no ano de 1976 na praça XV, no centro de Ribeirão. Foto: Daniel Ramos
> O ENGENHEIRO E CONSTRUTORES
A construção do palacete na forma que se apresenta é devido a seus construtores. Antonio Terreri e Paschoal Vicenzo, com talento e excelência conduziram a construção. Entretanto sua forma suntuosa é de responsabilidade daquele que a projetou, o engenheiro Antonio Soares Romeo. Nascido no Vale do Paraíba, formou-se em engenharia civil pela Escola Politécnica de São Paulo em 1912 vindo para Ribeirão Preto onde permaneceu até 1934, quando voltou para a capital. Sua presença profissional refletiu por toda a cidade devido a sua administração como Diretor do Departamento de Obras da cidade onde adquiriu rapidamente prestígio ingressando assim na elite local, também por influência de seu casamento com Carolina Ferreira Gomes, membro de uma família tradicional da cidade, sendo sua irmã,
Maria das Dores Gomes, esposa de Camilo de Mattos. Como Ribeirão era uma cidade cosmopolita e tinha grande anseio por seguir o exemplo da majestosa Paris, Romeo influenciado pela riqueza de sua cidade natal, logo imprimiu à cidade as ideias higienistas de Haussman, que consistiam na transformação do desenho urbano de modo que melhorasse as questões saneamento e salubridade das edificações transformando Ribeirão Preto na “Petit Paris” como ficou conhecida durante a Belle Époque. De suas principais obras podemos citar o Grande Hotel, hoje conhecido como Hotel Brasil; a residência do Coronel José Martimiano da Silva, o prédio onde hoje encontra-se a Prefeitura Municipal da cidade e a mais importante de suas obras , a residência do cunhado Camilo de
Mattos, além dos mais de cinquenta projetos assinados por ele e obras urbanísticas de seu período na Diretoria deObras, sempre seguindo as tendências europeias, num período do auge da riqueza da cidade em que se importava diretamente da França, muitos dos materiais, dos básicos aos ornamentais, elementos de acabamento, mobiliário, enfim, o que fosse necessário para ser uma reprodução fiel da elite pertencente a capital francesa.
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> O PATRIMÔNIO
Composta de uma arquitetura palaciana típica da era do café, a casa em estilo eclético possui dois pavimentos, um porão e uma edícula distribuídos sobre o terreno com área de 624,70 m² com um recuo frontal de 3 metros, recuo lateral adjacente à rua Tibiriçá com 3 metros, recuo lateral de 1,50 metros na divisa com o terreno vizinho e um recuo posterior de 20 metros onde está a edícula. Em parte se faz murada e no restante há um gradil ornamentado em ferro fundido cervando sua fachada principal e lateral esquerda. Situada ao número 265, na esquina da Rua Duque de Caxias com a Tibiriçá, possui um passeio público de 2,60 metros e leito carroçável de 8 metros em ambas as vias. Possui desnível de 1,40 metros em relação à fachada de sua entrada principal (Duque de
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Caxias) até o muro dos fundos onde se encontra a edícula. A construção principal que se desprende completamente dos limites do terreno possui canteiros ajardinados nos quatro lados. A edícula por sua vez, faz limite com os muros do fundo e em uma das laterais. Através da observação empírica em visitas técnicas nota-se que o edifício é construído em tijolos de barro, pois “foi o café que popularizou o tijolo” (Lemos;1985), que à altura da construção desta residência já eram produzidos em larga escala; assentados com argamassa também de barro com telhado em madeira e telhas cerâmicas do tipo francesa provavelmente importadas, assim como a maioria dos outros materiais que compõem seu interior, seu telhado é repleto de recortes em água furtada, exceto pelo telhado do
Foto: Anna Silva
elemento cilíndrico (torre) facilmente identificado ao se observar a fachada e adornos externos que explicitavam o Estilo Eclético e elementos do Art Nouveau conforme nos indca Lemos ao afirmar que “A tônica desses palacetes isolados eram as coberturas movimentadas, com seus beirais bastante recortados e nessa hora recorreu-se ao ecletismo desenfreado” (LEMOS, 1985) A presença de produtos importados está espalhada por todos os cantos da casa e vão dos adornos externos da fachada às formas para aplicação de estêncil nas paredes nas áreas de estar da casa, passando pelas louças, aos detalhes de molduras em gesso aplicadas nas paredes e tetos, como se fazia de costume nos melhores projetos do período eclético. As portas e janelas são de madeira ou
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em ferro fundido com vidros tipo bisotê, em alguns casos vitrais com motivos de flores e frutas. Os tipos de piso encontrados são: ladrilho hidráulico no interior e exterior da casa, cerâmica nos azulejos e por fim, assoalho de madeira. “Os raios de sol haviam sido descobertos como poderosos bactericidas através de seu agente ultravioleta e o então serviço sanitário, por meio de seu código de 1911, já não só exigia rigor no afastamento da umidade emanada do solo, precaução já antiga, como já recomendava nas condições de saneamento que a orientação dos edifícios devesse visar sempre que possível, a sua proteção contra ventos úmidos e fosse tal que assegurasse uma insolação de 3 a 4 horas por dia, no mínimo” (LEMOS;1985, p.83)
“Esta residência se insere no desenvolvimento da economia cafeeira e da ocupação do espaço em torno da Praça XV de Novembro. Integra o movimento de instalação nessa área de uma classe média ascendente e de ricos fazendeiros” (ROSA & SILVA, 2013).
Fotos: Marina Carreira
“A tĂ´nica desses palacetes isolados eram as coberturas movimentadas, com seus beirais bastante recortados e nessa hora recorreu-se ao ecletismo desenfreadoâ€? (LEMOS, 1985)
No finalzinho do século XIX, início do XX, é que vamos encontrar o quarto de empregada já dentro da casa, geralmente próximo a cozinha, como também a copa, a despensa e o quarto de engomar que para Lemos indica a presença de empregadas que residiam junto a seus patrões, provável reminiscência da época escravocrata. No caso desta residência, podemos observar alguns cômodos próximos a cozinha os quais pode se deduzir que contemplam este padrão projetual.
Fotos: Marina Carreira
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Outros ambientes que podemos acreditar fazer parte do programa do palacete são: o gabinete, uma espécie de escritório e a “sala da senhora” que também se tornaram presentes em muitos projetos das residências paulistas da era do café. Além destes, Lemos aponta como “luxo e conforto até então impossível”, a “garagem” para os carros de tração animal dentro das casas, o que pode se apontar como um dos usos da edícula aos fundos do terreno. Sua planta no todo, denota o uso unifamiliar e apresenta a tripartição própria do período em setores: público (estar), íntimo e de serviços como demarcado em planta. Fotos: Marina Carreira
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As fachadas da residência são ricamente adornadas com peças de metal, nas portas, janelas, gradis e elementos em estuque que trata-se de argamassa geralmente fabricada a partir de pó de mármore, cal fina, gesso e areia que também servia para dar acabamento nas alvenarias (RIOARTE,IPLANRIO,1985). As fachadas representam a suntuosidade do projeto, logo, o poder aquisitivo dos moradores em questão. Acerca da fachada principal do Palacete, é possível notar através de fotos, que houve modificações no torreão ao longo dos anos, feitas pelos próprios moradores. Após análise de um vídeo disponível no Youtube* é possível afirmar que tal reforma foi realizada por volta de 1940. As vistas ao lado permitem fazer a comparação da modificação no telhado e na aplicação de janelas no andar superior.
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* Vídeo “Inauguração do Educandário de Ribeirão Preto” https://www.youtube.com/watch?v=Ro0x6dwnvPU
Fotos: Anna Silva
Fotos: Anna Silva
A diferença entre as fachadas que são avistadas pela rua e as que se voltam para o interior do terreno são significativas. Enquanto as duas fachadas mostradas anteriormente são repletas de adornos, podemos notar como estas são “limpas”.
Fotos: Marina Carreira
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Foto: Marina Carreira
Foto: Ana Massita
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Foto: Marina Carreira
A edícula que também servia como moradia para algum empregado da residência, do mesmo modo que as fachadas secundárias, essa área destinada aos funcionários e serviços não possui nenhum elemento elaborado de ornamentação.
Fotos: Marina Carreira
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- CONDIÇÃO ATUAL O estado de conservação do edifício é bom no que diz respeito à estrutura tendo em vista a idade da edificação e que não há nenhuma intervenção de manutenção no mesmo. Há poucas fissuras nas alvenarias e que podem ser revertidas com ações pontuais. Entretanto, a umidade e as invasões ocorridas levaram a casa a um estado de degradação mais avançado nos últimos anos. Em uma análise empírica através de breve visita técnica realizada em outubro de 2012, pôde se constatar as consequências da não conservação do edifício, visto que havia marcante presença de muita sujeira nas paredes
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e pisos de um modo geral, além do forte cheiro de urina, e ainda em um dos cômodos havia fezes (que não se sabe se era humana ou animal). A pintura da casa em alguns locais está muito conservada - a exemplo da sala de jantar - e em outros é evidente a pátina do tempo e a falta de manutenção como demonstra a primeira imagem da página ao lado, com a pintura craquelada ou ainda com pontos em que a camada de tinta se soltou por completo. Para os pisos, qualquer tentativa de análise será incerta, uma vez que a sujeira intensa não permite alguma dedução, embora até o momento da visita não fosse aparente a presença de cupins nos elementos de madeira e nem
apodrecimento por umidade. Na parte externa da casa também há muito lixo presente no chão e as paredes apresentam o desgaste natural do tempo e o efeito das intempéries sobre o edifício. O telhado apresenta problemas visíveis em alguns pontos em que pôde se detectar a falta de telhas. Com a intervenção realizada pelo poder público no início de 2016 com a retirada das esquadrias e fechamento dos vãos com tijolos, tornou se inviável a entrada na edificação para qualquer nova análise e principalmente qual o grau de impacto dessa remoção das esquadrias implica na estrutura.
Foto: Marina Carreira
Foto: Marina Carreira
Foto: Marina Carreira
Foto: Anna Silva
Foto: Juliana Savegnago
PRO CUL
ODUcaO LTURAL
2. RESIDÊNCIA ARTÍSTICA
> O CONCEITO PROPOSTO
Red Bull Station Fotos: Pedro Kok
pesar de ser altamente variável de A acordo com o lugar e o programa proposto por cada residência, a definição que melhor se aplica ao que se deseja para a presente proposta defende que “a ideia fundamental é que um artista disponha de um espaço, de um tempo diferente do que ele habitualmente tem para se dedicar a sua atividade (...) é como deslocá-lo no tempo e espaço e inseri-lo em outro contexto.” (MORAES,2009). E continua: “A residência artística como espaço de criação, como o lugar – o topos – do artista em deslocamento
Fotos: Anna Silva
permite repensar a dimensão da produção em sua relação com o ‘onde’ a arte é produzida” (MORAES, 2009). Portanto uma residência artística pode ser pensada de inúmeras formas. Uma delas se dá no tempo no qual o artista pode desenvolver experiências totalmente novas a partir da quebra de sua rotina e desenvolver um novo olhar sobre o mundo e sua obra e outra parte da ideia de espaço e a partir desse novo lugar sua formação, criação e difusão cultural será afetada pelas influências que este receberá. A residência artística deve ser um espaço único, singular onde as mais variadas percepções do artista serão aguçadas e sua arte rediscutida sob diversos aspectos. Assim, a conclusão de uma imersão de tal artista pode ser uma experiência ímpar e plena. Trazendo essa experiência para o cenário nacional, podemos citar algumas instituições que adotaram esse programa. As principais e mais conhecidas no Brasil são a FAAP e Red Bull Station, ambas em São Paulo e o Largo das Artes no Rio de Janeiro. A Fundação Nacional das Artes (FUNARTE), no intuito de incentivar os programas de residências artísticas no país, criou em 2008 o Prêmio Interações
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“Aviso de Incêndio (Aqui, Agora)”, de Janaina Wagner (2015) Abertura da galeria transitória da 11ª residência artistica na Red Bull Station Foto: Lucas Lima
Ateliê aberto 10ª residência artistica na Red Bull Station Foto: Lost Art/Red Bull Content Pool
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Estéticas, procurando fomentar tal intercambio artístico nas suas mais variadas formas, oferecendo através do prêmio, recursos financeiros para subsídio de grupos e instituições artísticas, ressaltando a importância desses projetos. No entanto os exemplos anteriormente citados não contemplam a estadia do residente em seu espaço físico, talvez por limitações estruturais, uma vez que assim como neste projeto, ocupam preexistências e são fruto de revitalizações muito bem sucedidas, o que no entanto, pode significar uma lacuna em seus programas tendo em vista o tempo de permanência dos residentes em suas instalações. Este é um ponto bastante negativo se pensarmos no quanto a estadia do residente gerará de despesas, e que isso pode ser um fator determinante para seu ingresso ou não no programa. Nesta proposta projetual para o Palacete Camilo de Mattos o que se busca é utilizar a estrutura preexistente para abrigar o escopo principal do programa de residência artística e realizar intervenções pontuais para a sua adequação ao novo uso e a adição de um anexo como um complemento viabilizando assim as premissas do projeto.
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> REFERÊCIAS PROJETUAIS 60
Red Bull Station Fotos: Pedro Kok
- RED BULL STATION Situado na Praça da Bandeira, entre a Av. Nove de Julho e Av. Vinte Três de Maio, na capital São Paulo como uma ilha em meio a malha viária, integrando arte e música com a cidade. O prédio foi restaurado e recebeu uma intervenção contemporânea arquitetônica a fim de se adaptar ao novo uso sem descaracterizar os seus elementos mais marcantes. Uma grande escada foi criada para acompanhar o visitante durante seu percurso, levando-o aos cinco pavimentos do edifício. No térreo, encontra-se a galeria principal, uma sala que recebe exposições, performances e shows; os estúdios de gravação de música. O subsolo
Red Bull Station Fotos: Pedro Kok
do prédio foi transformado numa área de exposições, sala de ensaio de músicos e camarim. No mezanino está o setor administrativo. O andar superior abriga seis ateliers, para atender os residentes que permanecem no pavilhão por até 3 meses. Em volta dos ateliers individuais, encontra-se o grande atelier coletivo para workshops e palestras, e a Galeria onde os trabalhos serão expostos temporariamente durante o processo de criação. O projeto da Triptyque demandou a demolição de elementos não-estruturais para adequação de programa de espaços expositivos, criação de novos espaços apoio (sanitários, copa, áreas técnicas) e trabalho (escritórios, ateliers de artistas) com novas divisórias em vidro e gesso acartonado. Novo sistema hidráulico e elétrico para atendimento do novo programa, com criação de áreas técnicas, nova cobertura metálica concebida a fim de possibilitar captação de água pluvial. Na cobertura, um terraço que recebeu um telhado metálico, contribuindo na qualidade do espaço ampliando suas possbilidades de uso.
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> Relevância > programa > disposição espacial desse programa > adequação das instalações elétricas e hidráulicas ao novo uso
Red Bull Station Fotos: Portal Archdaily
Fotos: Ewout Huibers
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- ROOM OF THE ROOF
Localizado em Amsterdã, o projeto de 2014 do i29 Interior Architects está situado na cobertura da loja de roupas Bijenkorf e possibilita aos artistas que farão seu uso, explorarem as áreas de música, fotografia, filmes e performances. O quarto é dividido em dois pavimentos: térreo que possui um mezanino que lhe permite a distribuição do espaço de trabalho estar separado do ambiente de descanso por conta de seu alto pé direito e o segundo pavimento onde está a cúpula que é possível perceber nos cortes e imagem ao lado esquerdo da página.
> Relevância > programa > alojamento para o residente
Fotos: Despina
Foto: Sergio Araujo
> Relevância
Fotos: Despina
> programa > espaço de trabalho coletivo
Exposição Zurriburi de Anton Steenbock e Gabriela Gusmão, 2015 Foto: largodasartes.tumblr.com
- LARGO DAS ARTES O Largo das Artes comporta diversos ateliês numa intervenção em um sobrado do século XIX no centro histórico do Rio de Janeiro. Com luz privilegiada devido a inserção de uma clarabóia em vidro e um pé direito muito alto, são permanentemente ocupados por artistas locais, que vivem e trabalham no Rio de Janeiro. No mesmo espaço, um ateliê de 50m² está reservado para artistas que participam do Programa Claraboia e do Programa Internacional de Residências. Os ateliês são abertos ao público durante aberturas de exposições e eventos, e os artistas têm autonomia para organizar seus espaços de forma individualizada, propor eventos, oficinas e exposições, e receber convidados. Embora independentes, a proposta é que os espaços se comuniquem e que projetos e ideias sejam compartilhados. Neste caso a estadia da residência se dá durante o dia e para os residentes vindos de outros locais, há a disponibilização de acomodações no bairro do Cosme Velho.
> RELAÇÕES DE ENTORNO 68
O palacete encontrase em uma região culturalmente e economicamente privilegiada da cidade, próxima ao conhecido Quarteirão Paulista formado pelo Teatro Pedro II, o Centro Cultural Palace, o Palacete Meira Junior (hoje chopperia Pinguim) onde também está a Biblioteca Altino Arantes, o MARP - Museu de Arte de Ribeirão Preto no entorno da praça XV que atualmente são os grandes ícones dessa área e contemplam a função de fomento cultural no Centro, formando uma espécie de circuito. Ainda na praça, a cobertura do Edifício Diederichsen, abriga atualmente a sede do grupo teatral Engasga Gato. Um pouco mais adiante, temos os Estúdios Kaiser de Cinema e o Sesc que também são equipamentos culturais de grande importância para a cidade e ainda dentro do
quadrilátero central, escolas de teatro como o Teatro Popular de Comédia – TPC e o Ribeirão em Cena. Com tal circuito cultural estabelecido neste entorno, seria possível a conexão do programa proposto com os programas dos demais equipamentos, promovendo uma espécie de intercâmbio entre eles. O Centro da cidade sempre foi o local mais importante da cidade nas instâncias políticas, culturais e econômicas de Ribeirão que chegou a ser conhecida como “Petit Paris”, por isso é facil compreender essa concentração de equipamentos tão próximos uns dos outros. Hoje não muito diferente, é local de comércio aquecido e como já citado, território dos equipamentos culturais mais importantes da cidade.
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O mapa de Uso do Solo mostra a predominância de edificações comerciais, principalmente nas quadras voltadas ao calçadão. Nos quarteirões da Rua Duque de Caxias predominam prestadores de serviços e construções de uso misto, com comércio no pavimento térreo e residência nos superiores. Alguns edifícios institucionais estão presentes no entorno da praça XV de Novembro e Carlos Gomes, como o Teatro Pedro II, Centro Cultural Palace, Biblioteca Altino Arantes, MARP e o Palácio do Rio Branco. O mapa de Gabarito mostra a ocupação do solo em relação à altura das edificações. Há uma predominância de construções baixas e alguns prédios com três ou mais pavimentos como: Teatro Pedro II, Centro Cultural Palace, Edifício Diederichsen, Banco Itaú, Palácio do Rio Branco, Hotel Monreale, Edifício Monte Líbano, entre outros. A partir do levantamento de figura fundo, observa-se que há uma predominância de área construída em relação aos espaços vazios da área de estudo, que se delimitam as praças e aos estacionamentos. Além de ser uma área adensada, a maioria das edificações não possuem recuos e se situam nas testadas dos lotes irregulares.
A vegetação do entorno concentra-se principalmente nas praças ali existentes: a Praça XV de Novembro e a Praça Carlos Gomes. São encontradas cerca de quarenta e duas espécies diferentes de árvores, que em sua maioria são de grande porte com altura média de seis a dez metros. A variedade de plantas frutíferas e floríferas favorece a composição do entorno e a paisagem urbana. Entre as quadras não há uma vegetação densa, apenas poucos exemplares dispostos em algumas calçadas. O fluxo de pessoas e veículos é bastante intenso na área do recorte. As vias de fluxo mais intenso são as ruas Duque de Caxias, Barão do Amazonas e Visconde de Inhaúma. Esta ultima coleta os veículos da Avenida Francisco Junqueira que querem acessar o centro. O fluxo da Rua Barão do Amazonas, Duque de Caxias e Cerqueira César estão diretamente ligados à presença dos ônibus que possuem pontos de parada ou que possuem itinerário passante pelas vias. O calçadão é uma via exclusiva a pedestres e também possui um fluxo bem elevado de pessoas.
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- RELAÇÃO DE VOLUMETRIA
- ATUAL
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- INTERVENÇÃO
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> AÇÕES PROJETUAIS
A ampliação engloba um terreno e uma edificação na lateral pela Rua Tibiriçá, como é possível notar na planta ao lado,com os lotes demarcados em vermelho que performam uma área 373 m² e nos quais serão distribuídos os elementos do programa de necessidades estabelecido a ser mostrado em esquema a seguir e nas plantas e cortes. A intervenção deverá ser harmoniosa de modo a não se sobressair ao edifício que se pretende revitalizar, mas ser um apoio, um complemento para acomodar o novo programa proposto, para tanto uma das premissas é que a nova existência não ultrapasse muito o gabarito do casarão preexistente. Para efeito de compreensão o casarão será tratado como preexistência e a ampliação anexa será tratada como nova existência.
- PREMISSAS Obter o melhor aproveitamento das condições climáticas locais (radiação solar, temperatura e umidade relativa do ar e ventos predominantes) para definição das soluções de projeto. Prioridade no uso de materiais leves que suportem o edifício e lhe garantam
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versatilidade. Instalações hidráulicas utilizando peças e linhas econômicas. Uso de equipamentos que promovam um baixo consumo de água. Aplicar os conceitos de conforto ambiental, térmico, lumínico e acústico a partir de elementos que controlem a intensidade de entrada dos elementos naturais como vento e sol. Acessibilidade a todos os ambientes, facilitando a visitação pública. Manter um gabarito que não ultrapasse muito o da preexistência.
Quadro de Áreas
- IMPLANTAÇÃO
Preexistência 624,70 m² Nova Existência 373 m² Total 997,70 m²
Foto: Marina Carreira
Foto: Marina Carreira
Foto: Marina Carreira
Foto: Marina Carreira
76 Foto: Marina Carreira
- PROJETO A estrutura original da preexistência será mantida e sofrerá o mínimo de impacto possível para sua adequação. Não é interessante para esta proposta restaurar a pintura interna da preexistência, ou seja, será conservado da maneira em que se encontra e não será retocada. As áreas que se apresentarem fragilizadas, devem receber a inserção de reforços na fundação e nas paredes, estabilizando a estrutura. Não será necessário trabalho de prospecção parietal, uma vez que as pinturas já se encontram à mostra na 1ª camada com a tinta original bem conservada em alguns cômodos. O projeto de intervenção também tem por premissa, não alterar o estado atual das pinturas, ou seja, será conservado da maneira em que se encontra, e não será restaurado, nem produzido um falso histórico. As instalações elétricas, hidráulicas e de climatização serão aparentes tanto na nova existência quanto no casarão preexistente, de modo a minimizar o impacto estrutural da adequação.
A integração da preexistência com a nova existência e com o espaço público se faz através do grande pátio formado pelo jardim da preexistência e do grande salão multifuncional da nova existência que também se liga com a calçada. Quanto ao fechamento do edifício por questões de segurança, será utilizado um gradil no sistema “Fancy Fence” que consiste em barras retráteis que se escondem verticalmente sob o solo (ARCHDAILY).
- MATERIALIDADE A nova existência será estruturada por lajes nervuradas tipo cogumelo e seu fechamento, em concreto pré-moldado que receberá pintura branca. As esquadrias serão metálicas com panos de vidro deslizantes e retráteis, as portas serão em madeira pintada. A escada principal que compõe sua fachada será metálica, assim como seu guarda corpo e o elevador principal panorâmico, com vidro nas quatro faces.
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- JARDIM A área ajardinada será mantida assim como as arvores nela presente, uma vez que se entendem-nas como elementos componentes da construção identitária do casarão, especialmente no caso das jabuticabeiras que se fazem presentes em muitos palacetes contemporâneos ao mesmo. A única espécie a ser retirada será a Sibipiruna (foto abaixo) localizada na esquina da casa, já que esta espécie tem causado danos a estrutura do muro e possivelmente a fundação da edificação.
Foto: Anna Silva
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Foto: Marina Carreira
Foto: Marina Carreira
Foto: Anna Silva
Foto: Anna Silva
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1
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2 3
7
6
4
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Legenda 1 – Hibisco 2 – Palmeira Fenix 3 – Palmeira Fenix 4 - Sibipiruna 5 – Palmeira Imperial 6 - Jabuticabeira 7 - Jabuticabeira 8 - Goiabeira 9 - Mangueira
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- DEMOLIÇÃO Os elementos que serão demolidos ou retirados são: - Muro externo de alvenaria – Parte de parede e porta do ambiente que será situada a biblioteca para conexão com o prédio anexo - Parte do balaústre no terraço do casarão para instalação de plataforma elevatória para acessibilidade. - Estrutura metálica presente no terraço
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- PROGRAMA
ESPAÇOS MULTIFUNCIONAIS ÁREA EXPOSITIVA
TRABALHO COLETIVO ATELIER PRIVATIVO
ALOJAMENTO ESTÚDIO MUSICAL DEPÓSITO/ALMOXARIFADO
REFÚGIO
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ADMINISTRAÇÃO CAFÉ
SALAS DE REUNIÃO
RESERVA TÉCNICA
SANITÁRIOS BIBLIOTECA LOJA COPA
CONVIVÊNCIA
CIRCULAÇÃO
SANITÁRIOS CIRCULAÇÃO
COWORKING REFÚGIO CRIATIVO COPA SANITÁRIOS
ESTÚDIO MUSICAL SANITÁRIOS
REFÚGIO
CONVIVÊNCIA
AUDITÓRIO
TRABALHO COLETIVO LOJA PERMANÊNCIA EXPOSIÇÃO ATELIER PRIVATIVO CIRCULAÇÃO ADMINISTRAÇÃO SANITÁRIOS
BIBLIOTECA
ESPAÇO MULTIFUNCIONAL
ESPAÇO MULTIFUNCIONAL ALOJAMENTO
BIBLIOTECA
ÁREA EXPOSITIVA
CAFÉ
ESPAÇO MULTIFUNCIONAL
DEPÓSITO/ ALMOXARIFADO
RESERVA TÉCNICA
CIRCULAÇÃO
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- PRIMEIRO PISO
Para este piso foi pensado a instalação de um espaço mutifuncional que se integra ao jardim da edificação preexistente, de modo a formar um grande pátio aberto que será o elemento de conexão entre os volumes edificados. Também pode ser usado para a realização de atividades que exijam o fechamento de seus painéis de vidro pivotantes tornando o ambiente isolado.
A reserva técnica pode ser ampliada através da movimentação dos painéis que fazem a sua divisão com o galpão multifuncional. No Casarão o primeiro pavimento será ocupado com espaços expositivos, loja de souvenirs, recepção, ambientes de permanência, sanitários e administração. Atravessando o jardim, fazendo a transição entre preexistência e nova existência, há o café
que ocupa a edícula preexistente e se estende pelo jardim integrando os espaços. A circulação vertical no anexo se faz por um elevador panorâmico e escada metálica que compõem os elementos da fachada frontal do edifício. Aos fundos, na área técnica, também há um elevador que por sua vez é voltado para transportar mobiliário, instrumentos e obras de um pavimento a outro de maneira mais ágil.
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- SEGUNDO PISO O Segundo pavimento do Casarão abriga salas co-working e reunião que podem ser espaços de permanência quando vagas, sanitário e uma copa que é o único ambiente restrito a funcionários neste piso. A edícula preexistente abriga uma pequena biblioteca/ sala de estudos que faz conexão direta com o auditório/ sala multifuncional presente na nova existência. Também há sanitários neste piso.
- TERCEIRO PISO O pavimento com os alojamentos foi pensado como uma grande área de integração espacial do pavimento refletindo diretamente sobre a interação dos usuários com cozinha, lavanderia e banheiros coletivos, levando-os a uma experiência oposta ao simples isolamento de cada indivíduo em seu dormitório a fim de ampliar a colaboratividade entre os mesmos. Os dormitórios e ateliers são passíveis de aumentar ou diminuir conforme a necessidade do momento e dos usuários da residência. A ventilação e iluminação do pavimento é conferida por amplas aberturas em uma grande folha de vidro formando uma janela ampla e nos dormitórios iluminação zenital.
- COBERTURA
O ultimo piso abriga um terraço que pode ser tanto espaço de permanência dos usuários, quanto espaço para eventos e shows e possui um espaço de apoio para bar com balcão e pia que pode se estender pelo terraço, além dos sanitários que atendem este piso. Também é neste pavimento que está situado o estúdio musical com isolamento acústico necessário, garantindo uma qualidade musical de excelência. Sua cobertura é feita com um telhado metálico com tratamento térmico, onde estão alocados os reservatórios d´água.
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CORTE AA
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CORTE BB
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CORTE CC
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DETALHE ILUMINAÇÃO ZENITAL - CAPTAÇÃO PLUVIAL
DETALHE DA LAJE
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CORTE DD
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CORTE EE
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VISTA FRONTAL
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VISTA LATERAL
Fotos: Fancy Fence
DETALHE GRADIL FANCY FENCE
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> REFERÊCIAS
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