Folha de S.Paulo - Opinião econômica: Estão morrendo os velhos italianos - 15/06/2003
12/26/2005 03:54 PM
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São Paulo, domingo, 15 de junho de 2003
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OPINIÃO ECONÔMICA
Estão morrendo os velhos italianos RUBENS RICUPERO "Por toda a América", diz um poema de Lawrence Ferlinghetti, "os velhos italianos vêm morrendo, ano após ano." Com seus chapéus de feltro desbotados, as antiquadas botinas pretas, piemonteses, genoveses, sicilianos esperam sua vez, sentados nos bancos dos jardins, tomando um pouco de sol, e vão morrendo, um a um... Os meus velhos, da primeira geração nascida no Brasil, desapareceram há muito tempo. Meu tio Natale Pelosi, por exemplo, dono de açougue na rua E do Mercado Municipal. Apesar do ofício sanguinolento, tio Natale era a mais mansa das criaturas; como nos Salmos, a alegria do Senhor era sua força. Em paz com a vida e com o "sette e mezzo", que jogava à noite, sorvendo goles de sambuca e café, só perdia a calma quando o Palestra Itália, já desvirtuado em banal Palmeiras, dava vexames. Na época -Deus seja louvado pela misericórdia de tê-lo poupado das humilhações atuais- isso apenas sucedia de raro em raro e de forma moderada. Perto do Mercado, do outro lado do Tamanduateí, ficava a rua Santa Rosa, feudo dos atacadistas de cereais. Eram quase todos "bareses", na realidade originários de Polignano a Mare, na Província de Bari. Gente do mar e da pesca na terra natal, converteramse no Brasil em cerealistas ou dedicaram-se à distribuição e venda de jornais, ramo dominado também no Rio de Janeiro por meridionais, mas da file:///Users/mariaangeladisessa/documentos%20caixa/clipping%20S…20morrendo%20os%20velhos%20italianos%20-%2015-06-2003.webarchive
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