REVISTA
TERRA DO S
Junho de 2018 - Teresina - Piauí ano I N° 1
L ARTES
MATÉRIA COM CINEAS SNANTOS
“Literatura é um lugar onde é permitido sonhar”
Os primórdios das artes Plásticas no Piauí
DANÇA
Danças que são expressões do Piauí
GASTRONOMIA
O tempero da Cozinha Piauiense LENDAS
The Last Nightmary, a cultura invade os games
MÚSICA
Cantor de MPB, Vavá Ribeiro, do Piauí para o Brasil
EDITORIAL
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IDENTIDADE PIAUIENSE Por: Danyelle Frazão
Esta revista cultural, disponibiliza o acesso ao conhecimento de uma cultura bastante diversificada, apresentada de diversas formas, seja, nas artes, dança, música, gastronomia, literatura, a cultura piauiense é a característica que mostra a identidade desse povo que gosta de um arrumadinho, de uma quadrilha, de um reisado bem animado, apesar da cultura da internet invadir as casas, o avanço da tecnologia também tem contribuído para identificar quem realmente somos, como no caso do game que faz esta nova geração se envolver com a história do lendário Cabeça de Cuia. Comumente ouvimos as pessoas associando a cultura a indivíduos pertencentes a uma classe social mais elevada ou a graus de estudo, no entanto, ela abrange muito mais que isso. Uma das características que difere o ser humano dos animais irracionais é a capacidade de produção da cultura, a cultura abrange os costumes de uma sociedade que a produz e repassa para as próximas gerações, ou seja, a palavra cultura define tudo aquilo que é produzido pela inteligência humana. A cultura está presente desde a existência dos povos primitivos, em seus costumes, leis, crenças, mitos e língua. É incoerente dizermos que alguém que não possui conhecimentos ou nunca leu um livro, é alguém inculto, pois todo aquele que faz parte de uma determinada sociedade, possui uma
cultura que o cerca por meio de um contexto social e histórico. Cada povo tem sua própria cultura, com suas próprias características, isso se chama Identidade Cultural, é o que distingue um povo do outro, ainda que venhamos a conhecer e nos adaptar a outras culturas, a nossa identidade cultural permanecerá em nosso ser, o elo de ligação, uma identidade, que apesar do convívio com outros povos, nunca deixaremos nossas origens. Ler esta revista é conhecer a identidade piauiense. Um tema que me identifico, por ser piauiense e gostar dessa cultura misturada a outras com a miscigenação dos povos que estiveram aqui, a cultura não nos faz melhores e nem piores, nos faz únicos, ela é um patrimônio que deve ser preservado. A revista Terra do Sol, pretende por meio da comunicação, preservar e divulgar a cultura piauiense, além de ser um incentivo as artes, á música, e a cultura como um todo, pois esta revista abre espaço para o trabalho de artistas muitas vezes, desconhecidos, mas com um valor bastante significativo para dar continuidade a identidade piauiense, esta revista divulga novas características que adentram e passam a fazer parte do nosso cotidiano, como as artes dos grafiteiros. Ao ler o conteúdo desta revista, você estará apreciando a sua própria raiz, a Terra do Sol é uma ferramenta de comunicação que vem trazendo um espaço primordial para a cultura piauiense ser valorizada.
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SUMÁRIO Pólo cerâmico do poty velho, a arte por amor e Sobrevivência
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A arte urbana ganhando espaço Em Teresina
10 Danças que são Expressões do Piauí
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O tempero da cozinha piauiense
14 “Literatura é um lugar onde é permitido sonhar”
16 Sarau, a criação Poética
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A poesia de paulo tabatinga
22 Cantor de mpb, Vavá ribeiro, do Piauí para o Brasil
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Torquato Neto, Todas as Horas do Fim
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EXPEDIENTE Repórteres:
Fotos:
André Luis Moreira Danyelle Frazão, Edson Viana, Edson Mineiro, Flávio Ramos, Robert Araújo William Sousa.
André Luis Moreira Danyelle Frazão Fotos cedidas por fontes Reprodução Orientação: Professor Drº Eliezer Castiel Menda
Diagramação: André Luis Moreira Projeto Gráfico: Danyelle Frazão Editor: Danyelle Frazão
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OS PRIMÓRDIOS DAS ARTES PLÁSTICAS NO PIAUÍ
Por: Danyelle Frazão
Danyelle Frazão: Fale um pouco sobre os primórdios das artes no Piauí: Zozilena Costa - O Piauí é muito conhecido como o estado da terra pintada, devido a extrema exuberância de um acervo pictográfico encontrado nas superfícies rochosas. Esse acervo na verdade nem sempre foi conhecido, isso se deu por volta da década de 70,quando a Drª Niede Guidon recebeu uma carta do prefeito da cidade de São Raimundo Nonato comunicando á ela que em São Raimundo Nonato existiam pinturas que deviam ser de muito valor, então quando Niede Guidon se dirigiu
á cidade ela deu inicio ás suas pesquisas e descobriu que realmente existiam pinturas muito antigas, a partir daí ela começa a inaugurar a “Arte Rupestre” no Piauí. Niede Guidon criou a missão “Franco Brasileira” que significava um conjunto de pesquisadores trabalhando com a arte do local. Em 1978 foi criado o museu do homem americano e no mesmo período foi criado a “oficina de restauro” do Piauí, inclusive fui eu quem fiz o projeto, até hoje a oficina de restauro é a única do estado, o objetivo é desenvolver a parte de conservação e restauração das artes, que atende o sistema de Museu Casa de Cultura. Além de Niede Guidon, tem a Silva Maranca, também
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paulista que até hoje trabalha no sitio arqueológico Serra da Capivara, eles tem feito desse local um grande Polo Cultural devido a grande quantidade de acervos como pinturas, gravuras, megafalda e cerâmica, a própria Niede diz que ainda não conseguiu identificar todos os materiais, inclusive o Parque Nacional da Serra das Confusões possui um acervo maior do que o Parque Nacional da Serra da Capivara.
tes no Piauí existentes de períodos mais antigos? Zozilena Costa - Ainda existe um acervo do período Colonial nas cidades que ainda mantém uma característica na arquitetura, na imaginária, entre ela a cidade de Oeiras,na matrix dessa cidade existe um acervo que eu chamo de iconográfico extremamente valiosos,são imagens do período colonial, a partir do século colonial como eu disse, tem as igrejas, algumas fazendas. A partir daí nós damos um salto para a arte moderna, e na verdade nesse trâmite entre o antigo para o moderno temos que registras o trabalho de Lucilio de Albuquerque,temos trabalho dele no museu do Piauí, um dele é o “ Despertar do Ícaro”,uma obra muito importante, que retrata Giorgina, Flambloyan e O Guarani, Lucilio de Alburqueque embora ainda estando em um período de transição já dialogava com as tendências modernas que aconteciam na Europa, é muito evidente a presença em O Guarani, que a cabeleira do índio não é realmente a sua cabeleira, mas sim a cabeleira de um europeu.
“ O Piauí é Danyelle Frazão – muito conhePor que Niede Guidon está querendo cido como o deixar o Parque? Zozilena Costa -Nie- estado da terde Guidon está lutando para conservar o ra pintada” sitio, mas soube que ela está querendo deixar esse trabalho, o que é lamentável. Várias vezes eu já fui conversar com Niede, e eles não tem recebido apoio do governo para manter o acervo, tem casos em que ela tem que vender frotas para pagar os funcionários. Danyelle Frazão – O Parque nacional da Serra da Capivara é valorizado?
Zozilena Costa - A partir das artes rupestres começa a história das artes plásticas no Piauí, o nosso estado começando com uma tendência que chamamos de predominância do “traço da linha sobre a mancha”, na verdade o Parque Nacional Serra da Capivara está sendo muito reconhecido lá fora, mas infelizmente nem sempre as pessoas do Piauí reconhecem, mas as pessoas de outros estados sabem da importância do Parque.
Danyelle Frazão - O Piauí também é muito voltado para a arte santeira?
Zozilena Costa – Sim, inclusive eu quero registrar a participação da arte santeira no estado, Por que arte santeira? Porque o tema é sagrado, os artistas dessa arte escolhem os santos, a grande maioria da iconografia que mais eles identificam é a figura dos anjos e a preDanyelle Frazão – Além das pinturas sença de São Francisco, até pelo fato do rupestres, temos outros tipos de ar- Nordeste ser uma região com uma reli-
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giosidade bastante aflorada muito importante, que aliás faz parte da cultura nordestina. Eu advogo a idéia de que a arte santeira é uma arte “naife”, o termo naife significa “primitivo”, a maior característica da arte naife é de que ela é feita por artistas que não tem um estudo acadêmico, eles são autodidatas ou então eles recebem orientação de outra pessoa que também é autodidata. O Piauí inteiro é cheio de artistas naifes, a cidade de água Branca é uma das que mais possui esse tipo de artistas. Começou com dois artistas que vieram da cidade de Valença, um deles o mestre Dezinho, ele chegou a Teresina com a família e roubaram a único meio de sustento dele que era seus perus e galinhas, a partir daí ele vai para o mercado vender frutas, mas ele nunca deixou
de trabalhar com a madeira, então ele recebeu uma encomenda do diretor da Escola técnica para que ele fizesse um cristo, ele confessou que teve muita dificuldade para fazer as pernas do Cristo e acabou fazendo o primeiro Cristo com as pernas uma ao lado da outra. Estudando a iconografia do mestre Dezinho percebi que a imagem dos anjos que ele produz é muito característico da própria família dele, por exemplo,tem anjo com o rosto muito parecido com o rosto da mãe dele. Danyelle Frazão – Sobre o teatro, o que você tem a dizer?
Zozilena Costa-Uma coisa em relação à arte do corpo, é que o teatro hoje no Piauí ainda tem vários artistas, que tem seus trabalhos reconhecidos, temos várias peças, dentre elas a peça” Raimunda Pinto, sim senhor, que de vez em quando é colocada em cartaz. O teatro inclusive é muito bem vindo em todas as esferas, inclusive pelos jovens e tem crescido bastante nos últimos anos em meio as artes. Danyelle Frazão – Qual o objetivo dos homens primitivos em fazer pinturas nas rochas?
Zozilena Costa – Não se sabe ao certo, mas podemos imaginar que eles faziam essas pinturas para se comunicarem entre si, por prazer estético, eles queriam mostrar o seu cotidiano, tanto que nas pinturas, contém cenas de sexo, guerras, vemos então que as guerras já existiam, a caça com pinturas de homens pegando um tatu, os rituais que realizavam para os deuses. Essas pinturas foram muito importantes para que hoje tivéssemos um registro histórico de como viviam os nossos antepassados, como era a sua cultura, seus costumes, seu cotidiano.
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ARTE
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PÓLO CERÂMICO DO POTY VELHO, A ARTE POR AMOR E SOBREVIVÊNCIA Por: Danyelle Frazão
Teresina, além de ser conhecida como uma terra bastante hospitaleira e acolhedora possui uma cultura fortemente representada pelo artesanato feito pelas mãos de artistas que colocam a cidade e o estado em destaque por meio de peças bastante criativas, eles são guiados pelo seu talento e usam suas mãos como ferramenta para produzir uma arte pioneira e importante que tem ganhado cada dia mais muitos adeptos, além de produzirem arte por amor, ela também tem servido como fonte de renda para estes artesãos, sendo comercializadas no Polo Cerâmico do Poty Velho As artes do Polo Cerâmico do Poty Velho passam por três fases para ficarem prontas , construção do artesanato com a argila, queimação no forno e pintura e além disso muita dedicação e empenho dos artistas, “Pode parecer fácil, mas tem que treinar muito” diz a artesã Caroline Craveio. Cuidando da loja que pertence a família há mais de 20 anos, Caroline Craveio realiza o processo de pintura dos artesanatos, desde adolescente ela está envolvida no processo dessas artes e substitui o seu pai quando o mesmo está no trabalho e a loja de artesanatos tem sido outra fonte de renda para a família, que tem dois funcionários para produzir os artesanatos para a loja e fazem desse trabalho sua fonte de renda, os artesãos Emailson de Oliveira e Matias Bandeira.
Emailson de Oliveira trabalha há dez anos produzindo artesanatos no Pólo Cerâmico do Poty, ele aprendeu com os amigos ainda adolescente e passou a fazer todos os tipos de artes com a cerâmica como vasos, esculturas, imagens e artesanatos para jardim estão entre as suas especialidades nas artes, ele usa apenas um livro com os retratos das artes que produz como seu auxilio, ele trabalha em tempo integral no Pólo Cerâmico. A rotina de Matias Bandeira também não é diferente, ele trabalha há oito anos como artesão, e também encontra nos artesanatos a sua fonte de renda, ele vende as peças para Caroline Craveio, que finaliza o trabalho de produção da arte com a pintura, que é um dos acabamentos mais importante, pois os turistas sempre gostam de comprar artesanatos bem coloridos, afirma Caroline.
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sui outras profissões de eletricista e bombeiro hidráulico, mas ser artesão é o que ele mais gosta, ele é um dos artesãos mais antigos do Pólo Cerâmico e proprietário da loja em que vende vários artesanatos como jarros, esculturas, peças para estante, decorações para jardim, etc. O atual presidente da Associação dos Artesãos (Acepoti) é o seu José Carlos, que está há 08 meses a frente da Associação. O processo de escolha do presidente é realizado em uma Assembléias Geral com a participação dos artesãos, que decidem por meio do voto o seu representante que deverá exercer um mandato de no máximo dois anos, podendo se reeleger novamente. José Carlos relata que o espaço concedido pela Prefeitura de Teresina para produzirem os artesanatos se deu em março de 2006, mês em que é comemorado o dia do artesão, nesta data eles recebem a primeira parcela para a compra dos materiais de construção do espaço de produção das peças, os artesãos passaram a ter um local mais O período de maior movimento seguro para trabalhar evitando que fude ven das dos artesanatos no Pólo Ce- maças invadissem a casa dos vizinhos. râmico é o das férias e natalino, muitos Outra conquista relatada por José Carturistas que visitam o ponto turístico los, que também é artesão há 28 anos “Encontro das Águas”, param para com- sãos os treinamentos concedidos pelo prar os artesanatos. SEBRAE e SENAI, pois antes dos trei Francisco da Silva também é ar- namentos haviam muita quebra de petesão há 30 anos, desde os 16 anos ele ças, atualmente com os artesãos mais aprendeu a moldar vários tipos de va- instruídos e capacitados o trabalho se sos com um amigo que trabalhava em tornou mais seguro e a quebra de peças uma fábrica de filtros, Francisco pos- está bem mais reduzida.
ARTE
A ARTE URBANA GANHANDO ESPAÇO EM TERESINA
Por: Danyelle Frazão
Em Teresina, o grafite ganha cada dia mais espaço, ele dar um colorido ás ruas com os traços de artistas espalhados pela região, considerado uma arte urbana, o grafite está invadindo, galerias, casas, lojas, restaurantes e até museus. Esta arte é recente em Teresina, mas também se espalha por outras cidades, pelo Brasil e pelo mundo expondo suas mensagens com poesia e crítica social que chamam a atenção da população para refletir sobre assuntos ignorados no cotidiano. Os grafiteiros utilizam as redes sociais para divulgar a arte que nasceu na periferia e desmistificar o preconceito contra o grafite, assim como unir os artistas, marcando encontros para pintarem juntos. Os grafiteiros recebem remuneração quando existe contrato de serviço, mas na rua produzem a arte com o seu próprio material e dinheiro. Segundo a grafiteira Alana Oliveira, atualmente as redes sociais tem ajudado bastante na divulgação e aos poucos o grafite está conquistando o seu espaço no campo das artes e desconstruindo o preconceito, fazendo com que a sociedade reconheça os grafiteiros como artistas, “aos poucos estamos quebrando as barreiras do preconceito, antigamente era bem complicado sair para pintar nas ruas, porque era confundida como pichação, hoje a arte do grafite vem conquistando mais espaço na sociedade e as pessoas estão mais informa-
das do conceito de grafite e pichação, mas algumas pessoas ainda confundem”. Diz Alana. Alana Oliveira é grafiteira há cinco anos, ela descobriu sua paixão pelas artes plásticas em 2008 fazendo stencil, arte que é uma técnica de impressão que utiliza um molde vazado, produzindo através de recortes, que é colocado sobre uma superfície e pintado sobre ele com o uso de spray,rolinhos ou pinceis, possibilitando a reprodução da imagem. “Busquei aprofundar na técnica, foi quando conheci o grafite e me encantou no final de 2012 descobri minha vocação e desde então não parei mais”. Diz, enfatizando que tem gostado muito de produzir esse tipo de arte. A grafiteira também freqüenta as oficinas de grafite realizadas pela casa do hip-hop, que fica localizada na zona Sul de Teresina, no bairro Parque Piauí, aonde os grafiteiros buscam se aperfeiçoar mais na técnica do grafite. Alana já grafitou em vários muros da cidade, Parque Lagoas do Norte, na sede da PlanInternational, muro do Ibama, casa do hip-hop, entre outros. Um pouco mais tarde do que em outras capitais, o grafite conquistou mais adeptos a partir da década de 90, mas tem somente três anos de repercussão em Teresina, e foi com as ações sociais promovidas pelos grafiteiros que resolveram unir a categoria com o objetivo de promover a arte, que o grafite tem se expandido cada dia mais.
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DANÇA
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quadrilhas e cavalo DANÇAS QUE SÃO Reisado, Piancó: Religiosidade e
EXPRESSÕES DO PIAUÍ Por: Flávio Ramos
O propósito deste artigo é falar sobre algumas danças que tem marcado gerações e são grandes expressões do Piauí. A primeira é Uma mistura de folclore e religiosidade, o reisado é uma das danças de maiores expressões na cultura piauiense, é mais uma das festas populares de tradição cristã, que ocorrem a partir do natal até o dia de Reis, especificamente no dia 6 de janeiro, depois do ano novo, é a primeira festa popular do ano e ocorre em alguns estados do Brasil. Dança típica de todo o estado do Piauí, é composta por seis pessoas mascaradas, os personagens são a Caipora, o Jaraguá, a Burrinha e a cigana que dançam e cantam durante o Reisado, o grupo utiliza instrumentos como violão e sanfona. O Reisado ganha características locais, refletindo a cultura do estado em suas manifestações, acontece em torno do nascimento do menino Jesus, relembrando a visita dos três reis magos. Os personagens fazem apresentações visitando os moradores por onde passam levando alegria, louvor e encantamento e depois de terminarem a sua alegre dança e cantorias recebem dos moradores pequenas recompensas em dinheiro. A origem do Reisado veio dos portugueses na época da colonização e se constituiu em um dos grandes e tradicionais folguedos do folclore, em alguns municípios os personagens são pagos e vão variando de ano em ano, como em Boa Hora geralmente os personagens mudam, em Teresina costuma permanecer os mesmos artistas. Com as vestes brilhosas que simbolizam a noite do nascimento de Jesus Cristo, adereços, fitas e tecidos que repre-
cultura
sentam humildade e adoração, os caretas ficam em cena, dançando e cantando músicas de chegada e despedida que tem sido umas das mais belas criações da música folclórica nordestina. Para o morador do bairro Poty Velho, seu Francisco Dias, o reisado é muito importante para continuação e valorização da cultura, ele conta que desde criança acompanha as festas de reisado e toda a família gosta de participar dessa tradição. Outra dança que é expressão da cultura piauiense e marca muito os festejos do mês de junho é a famosa dança conhecida como quadrilha, elas acontecem em todo o território nacional, mas é mais marcante na região nordeste. A quadrilha também é uma dança que foi implantada durante o processo de colonização dos portugueses, e de acordo com o professor de História Leandro Meneses, como o nordeste foi umas das primeiras regiões a serem colonizadas isso explica o fato de serem tão marcantes no nordeste, por fazer parte d a nossa cultura devem ser valorizadas. Para o p ro f e s s o r de histór i a Leand ro, a quad r i l h a é uma dança que representa a ruralidade, o povo do interior, o caipira, e tem perdido esse caráter cultural nos
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últimos anos, valorizando mais a modernidade, e isso de alguma forma perde os elementos tradicionais da cultura nordestina. Ainda assim as quadrilhas são muito esperadas para os festejos de São João, e sempre são acompanhadas com muitas músicas, focos de artifício, além de comidas típicas. Além de muito animadas, as quadrilhas atraem pessoas de todas as idades, jovens e adultos, essa dança tem marcado muitas gerações e continua muito importante para formação cultural do Piauí. As quadrilhas são apresentadas durante as festas juninas, que tem origem em festas pagã, aonde os povos antigos festejavam em adoração e agradecimento a deuses por boa colheita, mas depois que a Igreja católica ganhou força na Europa durante a idade média, ela passou a implantar essas festas atribuindo-as aos santos do catolicismo, Santo Antônio, o São João e São Pedro. As quadrilhas são mais uma mistura de folclore com religiosidade que faz parte da identidade cultural do Piauí. Vale lembrar, mais uma dança que marca cultura e religiosidade no Piauí é a dança do cavalo piancó, segundo o professor Leandro Meneses, essa dança é tradição na cidade de Amarante, interior do
Piauí, a dança nasceu às margens do rio Canindé, e tem origem africana, aonde os negros costumavam dançar a beira do rio Canindé nas noites de luar imitando o trote de um cavalo manco, também é o local onde os agricultores plantavam e faziam suas colheitas, e no intuito de evitar que os animais comessem suas plantações, eles vigiavam as terras dia e noite, e para espantar o sono eles dançavam o cavalo piancó. A dança do cavalo Piancó é realizada com casais em círculo, eles fazem diversos passos que se alternam entre moderado e rápido, e imitam o trote do cavalo manco, o cavalo piancó era uma dança para espertar o sono e que hoje é uma identidade cultural em Amarante e foi introduzida nas festas juninas desta cidade. O professor Leandro Meneses ainda comente que as danças tradicionais estão mantendo a cultura do Piauí, embora elas vem ficando cada dia menos valorizadas, em especial a quadrilha que tem perdido o caráter matuto, dando lugar a novos estilos mais modernos, mas essas danças que fazem parte do folclore piauiense tem um papel muito importante para a população, para simbolizar um bem muito preciso: a cultura.
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GASTRONOMIA TERRA DO S ARRUMADINHO Os ingredientes arrumados que conquistaram a mesa do nordestino REVISTA
Por: Flávio Ramos
O arrumadinho está entre os pratos mais preferidos dos piauienses, ele contém a mistura de três sabores muito conhecidos na gastronomia do estado, o arroz Maria-isabel, o creme de galinha e a paçoca, além da tradicional carne-de-sol, a mistura desses pratos formam o tão conhecido arrumadinho. Um prato que tem cada dia mais conquistado o paladar dos piauienses. O arrumadinho também é o prato mais tradicional das festas juninas, ele é vendido nas barracas que são montadas durante a festa dos folguedos, mas ele é encontrado durante o ano todo em vários locais da capital Teresinense, inclusive em barracas montadas nos bairros por pessoas que encontram neste prato uma fonte de renda.
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A dona de casa Cicera Silva é uma destas pessoas que aproveitam o fluxo de moradores do Bairro São Joaquim na Zona Norte de Teresina para vender o arrumadinho que são comercializados em pratos descartáveis. Cicera Silva diz que apesar de seguir sempre a mesma receita tradicional, ela gosta de inovar o seu arrumadinho, incluindo salada verde ou até mesmo uma mistura de carnes, como carne assada, frango e lingüiça. “Durante a noite, tem pessoas que chegam cansados do trabalho e optam por comer arrumadinho, já vem pronto e quentinho, é muito prático, além de ser muito saboroso” Diz Cicera Silva. Segundo Cicera Silva o nome “arrumadinho” vem do modo como o prato é arrumado, ou seja, com os ingredientes arrumados lado a lado para serem misturados no prato. Com a mistura dos ingredientes o prato se torna o conhecido “arrumadinho”. Diz. Mas não é somente Cicera Silva que resolveu vender esse prato tão típico do nordeste, Teresina está repleta de barracas de arrumadinho em quase todos os bairros, principalmente da zona norte. Comida é cultura, e o arrumadinho é um prato que representa essa cultura não somente no Piauí, mas em todo o Nordeste, surgiu na década de 70 e não se sabe quem teria inventado primeiro, mas de fato se tornou um prato bem presente na mesa dos piauienses, além de ser um refúgio para aliviar a fome depois de uma festa.
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GASTRONOMIA O TEMPERO DA COZINHA PIAUIENSE
O sabor da gastronomia do Piauí é resultado de uma mistura de ingredientes da nossa terra e de outros continentes
Por Robert Araújo e William Sousa
Huuum! Que cheirinho é esse que vem da cozinha do Piauí? É o aroma do nosso tempero, que dá água na boca de quem conhece e experimenta da culinária do nosso estado. De norte a sul, nossos pratos encantam o turista e surpreendem até mesmo os próprios filhos da terra.Muito do que conhecemos hoje em nossa gastronomia é fruto da mistura da culinária indígena, dos colonizadores e dos africanos. Os primeiros povos desta terra, que hoje é o Piauí, nos deixaram o cultivo de raízes como a macaxeira, que fazemos bolos e a comemos cozida; a mandioca, da qual extraímos as farinhas: branca, de puba, e também a goma, utilizada para fazer beiju. Além da farinha, os indígenas faziam refeições à base de milho, aboboras, peixes, mel e pimenta da terra. Posteriormente, os portugueses nos trouxeram o arroz; o trigo; o limão; o alho; o uso do sal, pouco utilizado pelos africanos e indígenas; o consumo da carne de gado, galinha, carneiros, porcos, patos e gansos. Porém, costume de “tirar o gosto”, ou, sobremesa é herança da tradição portuguesa que, nos presenteou com a prática de fazer doces. Casca de maracujá, de caju, casca de limão, buriti, bacuri, são algumas iguarias, encontradas no Piauí e utilizadas na fabricação de doces. Os africanos implementaram o sabor do que seria a culinária piauiense. Eles trouxeram consigo a pimenta malagueta; a banana; manga; o feijão preto; o capote, também conhecido como galinha da angola são algumas
de suas contribuições na culinária piauiense e brasileira. Durante o período de povoamento do Piauí é a vez do vaqueiro, vindo da Bahia em busca de novos pastos para o gado, contribuir com o sabor que conhecemos hoje. “Os vaqueiros iam para cavalgada. Eles salgavam as carnes, para conservar, salgavam as preparações, colocavam em latas, enterravam, faziam fogos no fundo da terra”, destaca a Chef Lia Formiga. Foi desse processo que surgiu um prato bastante típico que conhecemos bastante: a Maria Isabel. Uma mistura de carne de sol, arroz e temperos verdes, como cebolinha, coentro e outros temperos. Esse é um prato bem típico da mesa do piauiense. Afinal, a própria carne de sol é uma iguaria sozinha. Mas, não pense que nossa gastronomia acaba por aqui. O diferencial da nossa cozinha está nos temperos,vendidos tradicionalmente nos mercados populares do estado. Segundo Lia Formiga, “o sabor da comida é dado por ingredientes como: pimenta do reino, cominho, folha de louro, alho e cebola, por exemplo. São temperos que fazem a diferença”. Uma outra riqueza do nosso cardápio é o colorau. Uma espécie de corante extraído do urucum, e muito utilizado nas receitas piauienses. O estudante de gastronomia Tito Rissope, ressalta que a utilização desses temperos é o que diferencia nossa cozinha das demais do Brasil. “Logo de cara, você percebe algo bem temperado e colorido. O fato de sempre utilizar temperos frescos como: a cebolinha e a pimenta-
-de-cheiro, tornam a cozinha piauiense única”, enfatiza o estudante que se sente realizado ao trabalhar nesta área. Enquanto no interior do estado o peixe é feito assado, no litoral do Piauí as iguarias do mar são comumente servidas ao caldo. As frigideiras e as caldeiradas de peixe e de camarão, os mexidos de ostra, os camarões e caranguejos refogados, as casquinhas de caranguejos e as peixadas refogadas ao leite de coco de babaçu, deixam qualquer visitante maravilhado. A cajuína é a bebida marcante do Piauí. Produzida artesanalmente a partir da clarificação do suco de caju, que é cozido em banho-maria em garrafas de vidro até que o açúcar do próprio caju seja caramelizado. A cajuína é lembrada por sua cor, seu sabor, sua leveza e sua densidade.Neste calor que faz no Piauí, nada melhor que beber a cajuína cristalina, bem gelada, seja no almoço, na merenda ou no jantar, ela acompanha qualquer momento.
cado, o surgimento de novos restaurantes se está criando uma adaptação em cima dos nossos produtos né criando receitas gourmet, receitas diferentes. Está saindo daquela nossa tradicional maria Isabel para uma mais gourmet”, explica a chef Lia Formiga. A Chef fala ainda que, embora nossa gastronomia seja rica, ainda está despontando no cenário nacional. “Nossa gastronomia ainda está devagar, mas já está sendo bem valorizada e reconhecida através de festivais e eventos”, conclui. Apesar dessa realidade, a gastronomia piauiense tem atraído muitos jovens para o ramo. Que nos diga a nutricionista e estudante de gastronomia Luana Liarte. “O amor pela cozinha, a vontade de descobrir o mundo dos sabores e aliar tudo isso com a nutrição para que eu possa oferecer uma boa comida sem que as pessoas percam a qualidade de vida, foi o que me trouxe à essa área”, revela. O cheiro, a vontade de cozinhar GOURMETIZAÇÃO e a curiosidade do sabor chama a aten A gourmetização é um fenôme- ção para a cozinha piauiense. O sabor no que é tendência na gastronomia. único do tempero e da comida nos Consiste em melhorar e refinar para faz lembrar de momentos agradáveis, os padrões da alta culinária dos gran- companhias especiais e ter a sensação des restaurantes. Famosos estabele- de satisfação. Quem provou uma vez da cimentos de culinária repetem pratos gastronomia de nosso estado, não espiauienses com o acréscimo de ingre- quece jamais. E para ficar com água na dientes requintados que trazem uma boca, seguir uma receita típica da nossa nova versão ao prato. terrinha. “Com a profissionalização hoje do merEscondidinho de Carne de Sol com Banana da Terra e castanha de Caju
Ingredientes: 2-Bananas de Terra 300g-Carne de sol 2-Colheres de sopa de manteiga da terra Coentro Queijo coalho Creme de leite 20ml-Leite Cebola
50 gramas de castanha de caju triturada Modo de preparo: Cozinhe a banana com casca, retire a casca. Amasse a banana, passe no processador e adicione o leite, a manteiga, o creme de leite.Deixe ferver por 5 minutos. Refogue a carne de sol depois de cozinhar
e desfiada na manteiga, coloque o coentro, a cebola. Faça uma camada de purê no fundo da tigela, depois ponha a carne e outra camada de purê. Coloque o queijo e leve para gratinar à 180° por 10 minutos.Quando retirar do forno salpique a castanha de caju triturada.
LITERATURA
“LITERATURA É UM LUGAR ON Por: Danyelle Frazão
Nascido em Campo Formoso, município de Caracol, Cineas Santos chegou aos dezessete anos na cidade de Teresina em 1965, sua vinda para a cidade se deu quando sua mãe decidiu que ele deveria estudar, “Dona Purcina, minha mãe, me queria “dotô”.Então,sem me consultar, jogou-me na carroceria de uma caminhão carregado de feijão e me mandou para Teresina.Por falta de melhor opção, fiquei. Em Teresina Cineas formou-se em advogado e professor de português, o qual hoje tornou-se um dos professores e agente cultural mais conhecidos da cidade. O seu amor pela literatura começou ainda criança em Campo Formoso, como na localidade não havia livros, o seu primeiro contato com a literatura foi oral, quando se reuniam a noite, os mais velhos contavam histórias antigas e assustadoras, a medida que ouvia as histórias Cineas Santos se emocionava e pensava em ser escritor. Mais tarde começou a ler folhetos de cordel, a única forma de literatura escrita que circulava no sertão na época. Seu contato com a literatura mais formal começa quando ele passa a ler poesias de autores como Gonçalves Dias, Manoel Bandeira, Olavo Bilac, Menotti Del Pichia, entre outros. Quando Cineas Santos estudou no colégio Liceu Piauiense ele conheceu a poesia de Carlos Drummond de Andrade, e a partir
daí ele conheceu outros poetas modernistas o qual foram inspirações para o seu ingresso na literatura. O humor e a ironia são características da escrita de Cineas Santos, ele afirma que sempre se preocupa com o riso, ele também se auto- ironiza se considerando um bobalhão para sacanear as pessoas que querem sacaneá-lo, considera isso uma forte estratégia para trazer humor em seus textos, “sem amor e sem humor, a vida perde o sabor”. Diz. Ele define a escrita como um “modo de sofrer”, “ Sofre antes, durante, e principalmente depois, o resultado sempre me desagrada”. Comenta. O livro “O menino que descobriu as palavras” é considerado um Best Seller, já vendeu 70 mil exemplares, trata-se de um livrinho para crianças recém-alfabetizadas, o qual Cineas Santos tenta mostrar as crianças a importância da palavra em nossas vidas, livro possui ilustrações de Gabriel Archanjo e foi editado pela Editora Ática. Este livro está sendo adotado em escolas fora do Piauí, Cineas Santos afirma que não somente ele, como também os autores piauienses são poucos lidos no Piauí. Para Cineas Santos, não se vê livros de autores piauienses nas salas de aula, tanto na área da literatura quanto da cultura piauiense, como a música, artes plásticas, teatro, são esquecidos nas escolas do estado, “tem muita gente boa escrevendo poesia em Teresina e
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NDE É PERMITIDO SONHAR” no Piauí inteiro. O problema é a falta de leitores e não de poetas”. Não só no Piauí como também em qualquer lugar do Brasil, a dificuldade para um escritor viver somente da sua escrita é exatamente a falta de leitores, por isso, é muito difícil que ele consiga viver de literatura. “Não existe literatura sem leitores”. Complementa Cineas. Mas a internet tem sido uma importante ferramenta para que os escritores divulguem seus livros sem grandes custos. Para Cineas a internet se tornou um veículo de grande importância, a juventude está lendo, o problema é saber o quê, e o livro tendo o papel como suporte está perdendo o lugar.Cineas Santos é criador do projeto “A cara alegre do Piauí”, existente há mais de 30 anos com a proposta de estabelecer um diálogo cultural entre Teresina e os outros municípios do Piauí. O trabalho mais recente de Cineas Santos é um livro de crônicas sobre a cidade de Teresina intitulado “Cambalhotas pra ninguém”, o qual fala que Teresina apesar de não ser uma grande cidade, mas já padece de todas as mazelas de uma metrópole, engarrafamento, transito caótico, poluição sonora, stress. Cineas Santos prefere ser chamado apenas de professor e para ele a literatura significa “um lugar onde é permitido sonhar”. PEQUENA CRÔNICA AZUL
Indiferente às agruras dos homens, a manhã seguia o seu curso. É da natureza do tempo ignorar as atribulações humanas. De minha parte, eu só esperava uma chuvinha branda no meio tarde, um café esperto e aquele poema do Quintana sobre brinquedos antigos pendurados “na galharia morta”... No facebook, as mesmas mensagens construídas com clichês antigos enviadas por “amigos” cujas histórias desconheço. De repente, me deparo com um verso tresmalhado na página de uma moça com síndrome de Narciso. Dir-se-ia um verso banal não fosse o fato relevante de, alguns minutos depois, saltar do plano do imponderável para a realidade tangível: “Você me beijou e eu voltei do espaço, com poeira da lua nos sapatos...” E eis que, vestida de azul, com os cabelos orvalhados de ternura, uma menina linda como a claridade da hora, feita de porcelana e sonho, adentrou a sala, iluminando tudo com o seu sorriso estelar... Por curto espaço de tempo, falamos de coisas banais, sorvemos goles de cajuína e rimos como crianças que se descobrem capazes de amar... Como chegou, se foi, deixando no ar um inefável cheiro de relva molhada, um cheiro, suave e penetrante, que teima em permanecer em mim como se emanasse de minha alma Só então me dei conta de que havia poeira lunar nos meus olhos.
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LITERATURA TERRA DO S SARAU, A CRIAÇÃO POÉTICA DEMOCRATIZADA REVISTA
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“Até meados do século passado a poesia era vista como arte da elite, agora falar ou escrever versos, construir rimas e deixar fluir o “eu lírico” tornou-se algo bem mais popular.”
Por: Edson Viana
Literatura, música, champanhe e vinhos eram alguns dos ingredientes dos saraus do Brasil do século 19. Então privilégio de seleto público, esse tipo de encontro chegou ao Brasil em 1808, com D. João, e seguia os moldes dos salões franceses.Movidos a erudição, requinte e soberba. Inicialmente, eram realizados no Rio de janeiro, mas logo fazendeiros de São Paulo resolveram aderir à moda e já na metade do século 19 estavam espalhados por todas as capitais. Era a realização mais elegante da sociedade, com direito a piano de cauda e frequentada apenas por pessoas “iluminadas” cultural e financeiramente. A maioria dos saraus tinha participação de poetas e músicos ilustres, mas artistas anônimos também gostavam de sondá-los à procura de um mecenas, proteção financeira e social. A partir dos anos 40, a dinâmica da “elite culta” mudou e os ricos saraus foram escasseando. A organização desse tipo de evento mudou de mãos e coube aos intelectuais universitários realizá-los - em bares, porões, praças, teatros, geralmente cenários underground esfumaçados e com convidados com o copo cheio de bebida. As drogas também aumentavam a viagem literária. Os movimentos da contracultura
dos anos 50 e 60 buscaram esse mesmo ambiente, e os poetas tentaram seguir o exemplo sem ser notados pela da ditadura militar, até o final da década de 70. O sarau se popularizou e passou a ser encontro cultural entre amigos. A ideia inicial permanece... fazer amigos, cantar boa música, recitar poesias, encenar através do teatro e expor peças e trabalhos de artistas plásticos talentosos e muitas vezes anônimos, mostrar a beleza da nossa dança e tudo mais que possa transformar esse encontro em um lindo evento cultural. São os bons e velhos saraus literários em versão século XXI. Restritos a reuniões mais íntimas por algumas décadas, os saraus renasceram em meados dos anos 90, talvez impulsionados também pela nova geração de escritores brasileiros em formação. A estudante de publicidade, Ariadne Chaves integrante do coletivo Roda de poesia Tensão, Tesão e Criação, participa da organização de saraus desde 2015, mas afirma que sua paixão por arte e poesia teve vários momentos marcantes, o primeira foi na sua infância, quando se apaixonou por um poema enquanto folheava um livro de português, o segundo foi quando foi ao seu primeiro sarau, onde encontrou o poeta carioca Chacau, desde então surgiu a ideia de organiza-los, já que sentia
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falta desse tipo de evento em Teresina. Sobre a influência dos saraus na produção cultural ela nos conta. “O evento é a própria produção de cultura e é gratificante ver uma reunião de pessoas com afinidades em comum, ver o sorriso no rosto delas, e o sarau proporciona isto, onde pessoas recitam poesias de seus autores preferidos, como recitam suas próprias poesias, ter um espaço onde divulgar sua própria produção. O sarau influencia quem organiza quem participa e quem assiste”. Conclui. O poeta Marcos Brito integrante do Sarau Litero-Musical Cesta de Poemas da cidade de União a 60km de Teresina nos conta como surgiu a ideia de criar o evento, que na sua ultima edição chegou a reunir aproximadamente 600 pessoas. “A identidade de um povo está, sobretudo, na história daqueles que nos antecederam e no legado que nos foi deixado. Contadores de história, músicos, poetas, atores, pintores e demais artistas são quem compõem a fotografia de uma cidade, suas nuanças, suas paixões, suas perdas e seus achados.Nesse aspecto União é riquíssima, desde sua fundação temos noticias de homens e mulheres que cantaram e encantaram nossa cidade; livros que nos deram, pinturas, fotos, musicas, corais, reisados, tudo de artístico e belo temos em nossa cidade”.
Ele acrescenta falando sobre o proposito do evento. “É de manter viva esta tradição um grupo de artistas locais juntou-se sob a alcunha de “Poetas do Estanhado” e de 2007 para agora, todo ano, realizam o Sarau Cultural Lítero – Musical Cesta de Poemas. O Sarau, porém, é o ápice deste movimento cultural, é a hora da confraternização entre os artistas e a comunidade como um todo; é a hora de nos mostrarmos e nos vermo-nos outros”. Afirma. Fernanda Fernandes estudante de Jornalismo, que também organiza Saraus desde 2014, afirma que a estratégia de divulgação dos eventos é extremamente importante, principalmente nas redes sociais, um exemplo foi o ultimo sarau organizado por ela, que chegou a reunir cerca de 700 pessoas entre publico e participantes, o evento foi realizado em um campo de futebol, também na cidade de União. Menos afrancesados, mais descontraídos. Menos esnobes e mais democráticos. Acima de tudo, uma forma que a legião dos sem editora encontrou para divulgar seus textos, que poderiam ficar sepultados em gavetas ou arquivos de computador. Hoje, não precisam mais de pianos de cauda nem traje a rigor. Apenas de pessoas que queiram compartilhar arte.
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RODA DE POESIA: TENSÃO, TESÃO E CRIAÇÃO Por: Danyelle Frazão
O projeto Roda de Poesia: Tensão, tesão e criação já tem dois anos de realização de saraus literários, a praça Pedro II tem sido o cenário escolhido pelos colaboradores do projeto, o evento costuma iniciar as 18:00 h da noite, com a exposição e comercialização de livros, apresentação de músicas e citação de poesias. Segundo o idealizador e produtor do projeto, João Henrique Vieira, o Roda de Poesia visa a fomentação, expansão e sustentabilidade da literatura na cidade de Teresina, além de trazer a ocupação da Praça Pedro II de maneira positiva. “ Eu sempre costumo dizer, a praça não é um local de medo, a praça é um local de troca de idéias. Diz. O interesse do produtor João Henrique em desenvolver um projeto que instigasse a cultura literária surgiu desde que o mesmo era estudante de jornalismo, ele freqüentava a Praça Pedro II para assistir os saraus literários produzidos pelo professor de letras Hélio Ferreira, e quando o mesmo parou de promover os eventos há mais de três anos, João Henrique inspirado pelo trabalho do professor Hélio, resolveu promover saraus literários criando o seu próprio projeto chamado Roda de Poesia: Tensão, tesão e criação. A escolha do nome “Tensão, tesão e criação” surgiu quando ele pensou em definir o processo produtivo, os desdobramentos e os resultados deste, e da sua junção com a poesia. “Produção é algo que você nunca domina, pode
acontecer o inesperado derrepente e isso gera uma tensão, mas você se empolga com aquilo gerando um tesão e o resultado é a criação, e a poesia também é isso, é reflexão, angústias pessoais e tensão. Diz João Henrique. Para João Henrique a praça Pedro II é um espaço que simboliza a cidade Teresinense, além de ser um local de encontro de artistas, onde normalmente acontecem os eventos ligados a cultura, motivo pelo qual o coletivo Roda de Poesia escolheu a praça no centro para realizar os saraus literários. O projeto Roda de poesia começou como itinerante, mas desde maio de 2017 que é realizado na Praça Pedro II, com pretensão de uma temporada até junho no mesmo local, os artistas começaram apresentando seus trabalhos no Espaço Trilhos, Sesc, Casa da Cultura, escolas, esta última eles recebem convite e apresentam o evento, geralmente ganham cachê. O organizador do evento Dante Galvão comenta que o foco do projeto é fixar uma dinâmica de poesia na Praça por ser um espaço púbico e fazer parte do histórico cultural de Teresina. O Roda de Poesia dar espaço para os
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poetas e outros escritores literários divulgarem seus livros gratuitamente, eles são convidados para comparecer ao evento sem ganhar cachê, mas podem comercializar os seus livros durante o evento.O púbico também pode citar poesias durante o sarau, muitas vezes poetas anônimos que não tem os seus trabalhos publicados vão ao sarau para recitar suas poesias e outros apenas fazem por gostar de participar. Segundo o colaborador do projeto Dante Galvão, o público é bastante diversificado e de todas as idades, muitas pessoas que estão no centro visitam o evento e hoje já se tem um público mais jovem na faixa etária de 18 a 24 anos freqüentando os saraus literários do Roda de Poesia. O projeto Roda de Poesia tem como parceiros o coletivo Acrobata que participa também da feira de livros com suas bancas, durante o sarau os feirantes comercializam seus produtos de artes, eles são convidados pelos colaboradores do projeto, os mesmos cooperam com o aluguel das mesas onde os livros e os produtos ficam expostos ao púbico. A publicidade para a divulgação dos saraus literários acontece em sua maior parte pelas redes sociais facebook, whatssap, instagram, mas também é divulgado nos jornais impressos e televisão. O local de escolhido para recepção do público foi o Café Art Bar, para Dante Galvão o centro de Teresina está sucumbindo, e este local tem uma resistência ainda atraindo as pessoas para bater um papo, tomar uma cerveja ou
um café, além de ter uma representação histórica cultural na praça Pedro II. Eles recebem uma ajuda mútua, usando a representação cultural do Café Art Bar e ao mesmo tempo trazendo o público para consumir algo no local. A cada edição o projeto Roda de Poesia tem buscado apoio financeiro ou materiais, eles têm recebido patrocínio de alguns sindicatos, mas não possuem patrocínio para todas as edições, eles buscam esse apoio financeiro em cada edição que fazem, atualmente eles recebem apoio também da Fundação Cultural Monsenhor Chaves. O poeta Lucas Rolim em entrevista declarou também que a tarefa de diagramação dos livros que pertecem aos poetas do grupo é realizada por ele mesmo que além de poeta é também designer do grupo, o trabalho é feito em sua própria editora chamada Kizumba. Ele também tem um papel importante na divulgação do projeto ficando responsável propaganda dos saraus nas redes sociais. Atualmente Lucas Rolim tem um livro publicado, o “ Mirábolo” além de livros artesanais como “O canto de Eleonor”, Terrário e outros. Lucas Rolim também afirma que a praça estava abandonada mesmo com o movimento do Teatro 4 de Setembro e que o Roda de Poesia tem uma importância social de ocupar a cidade com a Arte, pois o projeto traz além de livros, música, pintura, dança e comercialização de artes.
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A POESIA DE PAULO TABATINGA Por: Danyelle Frazão
“A poesia é uma das formas primordiais para a contemplação do mundo”, é assim que o poeta piauiense Paulo Tabatinga define a poesia, a qual ele afirma usá-la para contemplar a realidade, muitas vezes esquecida. O poeta despertou interesse pela poesia desde criança quando ouvia as letras das músicas de MPB, e também quando em seus primeiros contatos com as poesias nos livros de literatura, começando a escrever no final dos anos 90, é neste período que ele afirma ter descoberto um poeta que vivia dentro de si. Quando escreve poesia, Paulo Tabatinga se inspira nos acontecimentos do dia-a-dia, nas coisas que admira e que lhe espanta, ou ainda em lembranças que vem a sua mente. O poeta já teve várias profissões, mas afirma que foi como poeta que ele encontrou a sua verdadeira vocação, “já tive várias profissões, mas só me encontrei em mim mesmo, quando escrevo poesia, ou seja, fazendo o que eu realmente gosto e obedecendo aos anseios da alma, hoje em dia, além de me preocupar com os rumos da cidade, escrevo e fotografo”. Paulo Tabatinga possui alguns E-books ( livros virtuais) publicados na internet, em livrarias como Amazons e Saraiva e também em blog, o poeta tem quatro livros publicados : Sentimentos , Somente para bêbados, a Cidade Sitiada e a Cidade Vigiada, o qual dentre estes o livro “Cidade Sitiada” publicado em julho de 2017, é o mais conheci-
do e tem ganhado maior destaque entre o seu público leitor. O livro “A cidade Vigiada” é um seguimento do seu livro anterior “A cidade Sitiada”, pois o poeta pretende realizar uma trilogia com esses dois últimos trabalhos. Uma das características que o poeta mais procura manter em suas poesias é o apelo constante contra o rumo que a cidade está tomando, em “A cidade Sitiada” o poeta aponta o crime político em busca do dinheiro e o descaso dos governantes com a cidade, além de fazer um apelo para que Teresina se torne estacionamento de poetas. “O livro A Cidade Sitiada é um grito contra a violência que estão cometendo com Teresina. “A meu ver, não há uma preocupação dos governantes e nem de grupos empresariais com o bem estar social, não há cidadania, é uma cidade feita para carros, para que se queime “combustíveis”, e para interesses do mercado global liberalista, a cidade vem perdendo suas características essenciais: sua memória, seus valores culturais e etc, tudo em troca de lucros e lucros sem fins. Diz. Segundo Paulo Tabatinga, embora ainda em pequena escala, a valorização da poesia tem crescido nos últimos anos no estado, mas ainda tem muito o que fazer para essa valorização crescer ainda mais, inclusive a aquisição dos livros dos autores piauienses pelas escolas públicas, além de incentivos e projetos culturais eficazes e direcionados a toda a sociedade.
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LENDAS
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THE LAST NIGHTMARY, A CULTURA INVADE OS GAMES Por: Edson Mineiro
A cultura invadiu os games com o jogo de terror The Last NightMary, o game foi criado em 2015 pelos piauiense do grupo Submersivo Game Lab durante a Global Game Jam, que foi realizado no Instituto Federal do Piauí (IFPI). Com o prazo de 48 horas a equipe criou o game sob uma nova interpretação do famoso personagem da cultura piauiense, o Cabeça de Cuia. Quando resolveram participar do Global Game Jan, com a temática “What do we do now”? (O que nós fazemos agora?), o grupo de sete estudantes dos cursos de comunicação, ciências da computação, ciências da computação e ciências da arte, resolveram trabalhar o folclore local, utilizando a história do
cabeça de cuia dentro de um prazo de 48 horas, são eles, Décio Oliveira - Arte finalista, Ruhan Bello e Danilo Carvalho - Programadores, Carlos Pazuzu Designer de Som, Gillan King e Onofre Freitas - Arte Conceito retrataram a lenda característica do Piauí ambientando ao gênero de suspense, como explica o Arte finalista do game Décio Oliveira. O game adquiriu o nome The Last NightMary, um trocadilho que significa algo semelhante, como “ O ultimo Pesadelo de Maria”. A tecnologia se baseia na mecânica Point-and-Click (Apontar-e-clicar) que resulta em uma tela fixa em que a interação acontece por meio do clique, por exemplo, uma porta ou outro objeto encontrado abre
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apenas com o ato de pressionar. O grande diferencial do jogo trata-se do tom sombrio proposto pela narrativa da lenda, caracterizado de modo como um game de terror. No jogo, o game coloca o jogador para controlar uma personagem chamada Maria, que é uma das vitimas do cabeça de Cuia, um ser que foi amaldiçoado por ter assassinado sua mãe e anda a vagar pelos rios Parnaiba e Poty a procura de sete Marias Virgens. Então o objetivo do jogador que vive a personagem Maria é fugir de Crispim, o cabeça de cuia, durante todo o jogo. Maria tem que percorrer um matagal, para poder encontrar um local local
seguro, fugir e saber como se livrar do monstro. Comenta Ruhan Bello, um dos criadores do game. O game ganhou bastante destaque com a valorização da cultura local, a equipe continuará privilegiando o conteúdo de cunho piauiense. A iniciativa do Submersivo Game Lab deve servir de exemplo para aqueles que são viciados em jogos, é possível trabalhar com aquilo que dar prazer, mas o melhor de tudo é poder atrelar com o nosso maior tesouro: a cultura. O laço que vincula e mantém as nossas características, permitindo sermos chamados daquilo que somos: piauienses.
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MÚSICA
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PROJETO SOLO “O TIO” Por: Danyelle Frazão
Fabricio Santos, 22 anos, é poeta e integrante do coletivo “tensão, tesão e criação”, músico no projeto solo “Tio” e acadêmico do curso de letras Português da Universidade Federal do Piauí, já trabalhou como produtor cultural, mas atualmente trabalha apenas como músico e poeta. Desde os 14 anos na escola, quando assistia alguns amigos tocarem violão no intervalo das aulas despertou o seu interesse pela música, embora tenha começado a escrever suas primeiras canções na adolescência desde criança a música sempre esteve presente em sua vida de maneira indireta, até que ele descobriu e resolveu trazê-la definitivamente para a sua vida. Fabricio também é um dos integrantes da banda “O Carteiro”, que no momento deu uma pausa, os integrantes se separaram para cuidar de assuntos pessoais e em busca de amadurecimento musical para só então dar continuidade ao trabalho, atualmente a banda tem quatro integrantes, Fabrício Santos (Guitarra, voz), Gabriel Prado (Teclado, violão e voz), Bruno Lopes (Baixo) e Lucas Sam (Bateria).
O projeto “O Tio” de Fabricio é o seu espaço pessoal no mundo musical, neste projeto ele conta de forma íntima seus incômodos sobre o universo a sua volta. “Este projeto surgiu por necessidade minha como pessoa, por uma necessidade até um tanto terapêutica, esta característica íntima e pessoal é o que tento imprimir não só nas letras que componho, mas como nos próprios arranjos, utilizando-me de uma estética minimalista, estética esta que dou ênfase aos detalhes mínimos e ao que é pouco e simples. As composições do Tio são uma espécie de fotografias dos meus incômodos pessoais.Diz Fabrício. Tanto com relação aos sentimentos emocionais e existenciais de Fabricio quanto ao seu sentimento politico e social da realidade na qual ele e as pessoas que vivem ao seu redor estão inscritas. Daí vem a afirmação, de que a arte é a sua forma de perceber o mundo e seus incômodos diante dele. O Folk, o samba e a bolsa são alguns dos seus estilos musicais de maior referência , pois Fabricio costuma escutar artistas desse gênero e reproduzir algo deles em seu trabalho, mas o mesmo afirma que prefere deixar a questão
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da rotulação a escolha do ouvinte, o foco é a busca por novos sons e ritmos. A agenda de shows do Tio, após ter percorrido algumas casas de shows, teatros, bares e praças de Teresina, está focada em habitar espaços que ainda não foram percorridos. Visto essa ambição, o show do Tio já chegou em cidades como Recife (PE), São Raimundo Nonato (PI) e existem negociações de shows em outras capitais do nordeste como por exemplo Fortaleza (CE) e São Luís (MA). Fabricio Santos faz parte de um cenário de novos músicos independentes, que se sustenta de forma autônoma e quase sempre custeia suas próprias produções e shows. “Estar incluso em um cenário deste tipo implica em pontos negativos e positivos. Os pontos negativos são justamente essa sobrecarga de funções e de cuidar de tudo sem depender de patrocinadores, por outro lado há os pontos positivos que consiste principalmente na seguinte palavra-chave: “liberdade”; liberdade de criação, liberdade de circulação, liberdade de investimento e retorno financeiros, individuais, entre outros benefícios.”Diz. Em seu trabalho mais recente de “O Tio”, Fabricio tem lançado apenas pequenos vídeos pela plataforma online YouTube. Estes vídeos têm se comportado como singles do seu trabalho, pois ele acredita que estes lançamentos fragmentados, música por música, ajudam na exposição do seu trabalho antes de lançar algo mais extenso como, por exemplo, um Álbum ou um EP. O vídeo mais recente é o da música “Neurótica” e anteriores a este há, cronologicamente, os vídeos de “Inexplicável”, “Era melhor ser você (demo)”
e “Tio + Souto (webclip).Para o final deste ano, Fabricio está trabalhando em um disco de lançamento que consiste num EP com 3 músicas intitulado “um dia eu vou ganhar o mundo” que tem data de previsão para julho de 2018. Para Fabricio Santos, no cenário local, não só no campo da música, mas em outras artes também, as artes plásticas, a poesia, o cinema, a dança, dentre outros, o trabalho autoral local ainda não é tão valorizado quanto devia, obrigando-os muitas vezes a tentar obter destaque fora do estado para só então ter algum respaldo local. “Porém, culpar apenas o público é um pensamento um tanto rude, visto que nós como artistas ainda temos muito que aprender e aprimorar nas nossas produções em geral e também na nossa própria postura, conclui-se então que é uma problemática unânime em que a responsabilidade da falta de repercussão pesa tanto sobre o público local quanto sobre a atuação dos artistas.”Diz Fabricio acredita que a evolução do seu trabalho está aliada ao amadurecimento individual, consequentemente no aprendizado proporcionado pela minha atuação durante esses quatro anos como músico. Aprender a não repetir os erros e enxergar as problemáticas do campo artístico é a melhor forma de aproximação com o tão sonhado sucesso profissional nas artes. ”Evoluir também é construção, tenho conseguido como artistas conquistar meu próprio espaço e firmar um público fiel, um público que sempre está presente nos meus shows e consomem meu trabalho em geral, tanto musical quanto poético.
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CANTOR DE MPB, VAVÁ RIBEIRO, DO PIAUÍ PARA O BRASIL Por: Danyelle Frazão
Nascido na cidade de Oeiras em 20 de novembro de 1975, Genivaldo Aparecido Ribeiro dos Santos, conhecido profissionalmente como Vavá Ribeiro é músico e compositor desde os 15 anos, este ano o cantor completa 42 anos de idade, formado em letras português ele nunca lecionou, e pretende atuar na área da saúde. Vavá Ribeiro tem uma rotina muito corrida, divide o seu trabalho como músico com os estudos na faculdade de educação física.
O cantor costumava realizar muitos shows em outras cidades do Brasil, mas no momento está dando prioridade ao Piauí, por causa das filhas e do estudo, ainda assim, de vez em quando ele viaja para realizar shows em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. Faz shows em bares, casamentos, festas em geral em Teresina e em quase todo o Piauí. Vavá Ribeiro comenta que o momento mais inesquecível de sua carreira foi quando ele fez uma turnê com o cantor e compositor Belchior pelo Brasil e algumas cidades dos EUA. O cantor gravou o seu último CD autoral em 2010 intitulado “Rota de Reis”, o qual ele aperfeiçoa a linguagem, que segundo ele é um processo de maturidade artística e pessoal, além disso, é um trabalho voltado para temáticas regionais, como o ritmo baião e seus derivados. Para Vavá Ribeiro o mercado da música atual é bastante critico, pois a música perdeu a sua maior característica que é a qualidade das melodias e das letras, “ Hoje em dia, os conteúdos aderidos a música trazem cargas pejorativas e amorais, cheias de erros gramaticais e vícios de linguagem, é quase um caminho sem volta, pois esse conceito atual de música está formando um público cada vez menos exigente”. Diz. Para Vavá é difícil prevê o público que mais curte a música popular brasileira, pois o público que mais deveria ser exigente é o
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universitário e percebe-se uma invasão desse conceito de sertanejo universitário, “Parece piada, mas desse público, a maioria não tem experiência com a língua portuguesa, fala e escreve errado, falo com certa experiência, pois faço parte de grupos de whatssap e constato que as pessoas não sabem sequer conjugar um verbo no presente do indicativo, por exemplo: Você não está bem! (correto), Você não estar bem! (errado). Claro que isso não é generalizado, para o bem da nossa língua, há muita gente que tem conhecimento de coesão e coerência, com relação à música, ela está para quem deseja se permitir ouvi-la”. O cantor afirma que só existem
dois tipos de música, a boa e a ruim, o Piauí é um estado bastante consumidor do que vem de fora, é um povo que gosta muito de música, além disso, as pessoas passaram a consumir mais o que se produz a nível local. Vavá Ribeiro é um dos músicos piauienses mais reconhecidos e que tem despertado bastante interesse com a sua música popular brasileira, ele tem alcançado destaque em várias cidades do Brasil, possui cinco CDs gravados, são eles “Pelos Bares da Vida”, “Por essas ruas”, “Do seu lado”, “Calmaria” e “Rotas de Reis”, nestes trabalhos ele destaca a influencia de importantes nomes da musica popular brasileira como Zeca Baleiro e Caetano Veloso.
CINEMA
A GENIALIDADE EM FORMA DE POSIA PELA PRIMEIRA VEZ NOS CINEMAS Por André Luis Moreira
sia, ele tem várias faces como cineasta, jornalista e isso é pouco conhecido. Ele A revista Terra do Sol entrevis- tinha uma importância muito grande tou os diretores, do primeiro longa- e ao mesmo tempo um trabalho e uma -metragem sobre Torquato Neto exibi- vida muito obscura que as pessoas não do em salas de cinemas, e eles falaram conhecem. A gente fala o nome dele e sobre as motivações que os levaram a as pessoas dizem que já ouviram falar produzir o filme, sobre as repercussões ou conhecem uma música e nem sae dificuldades. “A ideia surge de identi- bem que é dele”, diz o diretor Marcus ficar no Torquato uma figura muito im- Fernandes. portante na cultura brasileira. Mas ele Foi exatamente estes fatores é conhecido apenas pela parte da poe- que os levaram querer produzir um filme sobre a vida do poeta piauiense. “Então eu achei que era importante revelar um pouco mais dessa figura tão importante. Eu já conhecia boa parte do trabalho dele, mas tive que ir a fundo para descobrir mais coisas”, explica o cineasta. O filme é dirigido também pelo cineasta Eduardo Ades, que já tem um bom currículo em sua carreira. Ele explica que a película mostra todos os lados artístico de um dos maiores nomes da cultura brasileira, que mesmo sendo tão grande, é pouco conhecido até mesmo pelos piauienses. POTÊNCIA ARTÍSTICA DE TORQUATO NETO “O objetivo do filme é dar conta dessa potência artística do Torquato, o quanto que ele se expressava em múltiplas linguagens, é um filme que trata
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dessa ligação muito íntima que ele tem entre a vida e a poesia. O quanto que ele produzia a partir do que ele vivia e o quanto que ele vivia a partir do que ele produzia”, diz. Ainda segundo Eduardo, o filme conta a vida de Torquato, sempre deixando ele como o grande protagonista da história. “A gente tem o objetivo bibliográfico de contar a vida dele, mas não é uma mera biografia. É uma tentativa de chegar ao pensamento vivo do Torquato”, comenta. Mesmo eles tentando mostrar todas as faces do nosso Anjo Torto, os cineastas admitem que o lado poeta do Torquato acaba se sobressaindo porque segundo os cineastas, tudo que o piauiense produzia era poesia, desde os textos em sua coluna de jornal até as cartas que escrevia. “No filme dizem que a poesia dele estava em todo o lugar. A poesia não está só na poesia nem muito menos só na letra de música”, disse Marcus.
seguirem em frente com projeto, muito pelo contrário. Estes fatores fizeram eles construírem uma narrativa original. “A gente optou por só falar com pessoas que conheceram o Torquato, que tiveram relação direta com eles. Não queríamos falar com nenhum tipo de especialista, pesquisador. Fizemos isso para ter esse olhar em primeira pessoa mesmo”, diz Marcus. No filme também aparecem os grandes nomes da Tropicália, como Caetano Veloso e Gilberto Gil, além de amigos e familiares do poeta que conviveram com ele. No entanto, segundo os diretores, nenhum deles aparece em imagem, ou seja, todos vão surgir em off(apenas a voz). Eles explicam que fizeram isso para não tirar o protagonismo do Torquato, já que não possuem nenhuma imagem do próprio poeta falando. “Em determinado momento da montagem a gente optou por tirar toda a imagem dos entrevistados. Manter só o som da fala deles e reconstruir essa visualidade do filme a partir de imagens do cinema novo, cinema marginal. Uma visualidade mais ligada a própria estética do Torquato. E se o Torquato não aparece falando por que os outros vão aparecer?”, observa o cineasta Marcus.
REPERCUSSÃO O filme já participou de 15 festivais pelo Brasil e ganhou vários prêmios em categorias diversas que vão desde melhor filme à melhor trilha sonora. “É um filme que está sendo muito bem recebido e as pessoas realmente CINCO ANOS PARA FICAR PRONTO O longa levou cinco anos para estão embarcando. Ganhamos nove ficar pronto e teve muitas dificuldades prêmios. Ganhamos em João Pessoa para ser produzido porque pouco se com o prêmio especial do júri. Lá tamtem de material audiovisual com o po- bém ganhamos melhor edição e melhor eta. Além do fator de direitos autorais, trilha sonora. No Rio foi o melhor longa que encareceram ainda mais a produ- e melhor filme pelo júri popular”, finalição, mas nada disso os desanimou a za.
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Quero ser um passarinho Sem política e religião Apenas coração e penas Leveza para decolar A alma sem gravitação (Paulo Tabatinga)
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sei muito bem a importância do que temos aqui.” (Niede Guidon)