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Entrevistas:
Temer é um desastre! Historiador Mairton Celestino da Silva
Indicador de rumos através da informação abril/maio/2017 - Teresina-Piauí-Brasil Ano III N° 13
Nenhum trabalhador sem direito
Governo fecha bancos públicos Pres. Sind. dos Bancários do Piauí, Jose Arimateia
Papa Francisco contra as reformas neoliberais em curso
Fora Temer Pres. da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, Elton Arruda
Reportagem:
Protestos contra Temer Vanessa: dificuldades e prazeres em ser escritora no PI
Os perigos da extração de gás no sul do estado
“Para fortalecer a democracia que tanto queremos construir é preciso denunciar os momentos de desrespeitos aos princípios constitucionais, aos desmandos do judiciário e imprudências e irresponsabilidade de um legislativo que não atende aos clamores da sociedade a qual deveria representar.” Mairton Celestino da Silva
Alienação...
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emer não será um governo de apenas dois anos, faz parte de um projeto mundial que pretende exterminar pelo menos dois terços da população mundial. O Brasil tem 200 milhões de habitantes e tem urgência de excluir em torno de 140 mi seres humanos. Alguém pode exclamar: “oh, mas é muita gente!” e realmente é, mas é ínfimo em relação ao projeto mundial que gira em torno de cinco bilhões de pessoas. O processo utilizado no Brasil já nem é tão sutil assim, descaradamente subverte informações para estabelecer politicas aniquiladoras como a reforma da Previdência, provado por A mais B que não é deficitária (ver reportagem da pag. 16). O povo dorme enquanto o projeto se alastra devastadoramente. Mas o que se discute nas academias, nas escolas, nos bares ou na família? A população, que hoje tem sua sala projetada para ficar de frente para a televisão, diverte-se com, cedinho, o Bom Dia Brasil, depois com a bela mesa do café da manhã da Maria Braga, em seguida dicas de saúde e depois um pouco de debate sobre homossexualidade, racismo, violência doméstica e contra a mulher. Cenário perfeito para nos intervalos o governo alienar a plateia com seus programas publicitários sedutores de jovens, incutindo ideias como:
Por Carlos Silva “trabalhe mais cedo”, “não precisa mais esperar pelo fim da academia, seja técnico” ..., o salário mínimo é anunciado um ano antes de entrar em vigor, ótima forma de impor sobre as mercadorias pelo menos dois percentuais até que o tal entre em vigor. Afinal, os custos de campanhas eleitorais precisam encontrar novas formas de serem bancados e como somos um país democrático, nada mais justo do que repassar este custo para os idiotas que os elegem, como diz Temer: “... cortar na carne deste povo”. Preocupada com o rumo que toma o Brasil, a revista “Atente” que enfrenta a ideologia burguesa, se apresenta com um novo formato, projeto gráfico do nosso repórter André Luís Moreira. As temáticas são o que norteiam o inconsciente de todos, as reformas implementadas pelo governo Temer. Logo no início Mauricio Ayer traduz a visão de John Wright do cenário mundial, sobre as ações do governo Trump, o que nos induz a pensar o interesse desse governante em se tornar um líder mundial, ditador. Traz o artigo de Hortência Mendes, expondo o paradoxal modelo de justiça, contido na política de “igualdade de gêneros”, homem e mulher e entrevista com o historiador Mairton Celestino, explicando porque o governo Temer é um desastre.
A matéria de capa, de Nubia Maria da Silva, reforça a ideia de um papa que realmente tem mentalidade franciscana, que trabalha no sentido de alertar a camada dos excluídos para o projeto capitalista que tenta dizimar dois terços da população mundial. A revista traz bons artigos, além de matéria com Vanessa Trajano falando dos oásis dentro do deserto de se encarar a carreira de escritora numa cidade como Teresina. E e a manutenção da página Resenha, que traz Carlos Silva fazendo um link entre a teoria Cristã e a teoria do valor. Brevemente estaremos disponibilizando um site, para recebermos críticas, sugestões, para nossas próximas edições. Siga em frente, atente e boa leitura.
O fantasma que nos assombra
Alberto L. A. Silva Filho
Graduando em Ciência Política pela UFPI
Pag 7
Teoria cristã e teoria do valor, dois lados da mesma moeda? Carlos Silva Resenhista
Pag 22
Ataque de um império em decadência John Wight | Tradução: Maurício Ayer e Inês Castilho Pags 2-3
Tratar desiguais como iguais é injustiça Hortência Mendes
Terapeuta naturista e pesquisadora da violência contra a mulher
Pag 4
Pensar sempre foi um constante desafio Magnus Martins Pinheiro Jornalista e professor da UFPI
Pag 8
Fora Temer e suas reformas Diz presidente da CTB-Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil/PI, Elton Arruda. Pag 2o-21
EDITOR
Francisco Carlos Mascarenhas DRT-PI: 1696 Contatos: (86) 98808-4955 E-mail: fco.mascarenhas@bol.com.br PROJETO GRÁFICO Jornalista Diagramador / ANDRÉ LUIS MOREIRA Contatos: (86)995459554 E-mail: andreluismoreria@gmail.com Fotos: Arquivo / Mascarenhas e André GRÁFICA URUÇUÍ Tiragem: 1.000 exemplares Os textos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores
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Ataque de um império em decadência Descrever o ataque dos Estados Unidos à Síria como uma medida séria é ser incapaz de avaliação.
Por John Wight | Tradução: Maurício Ayer e Inês Castilho
Bombardeio da Síria nada tem a ver com justiça e não será capaz de restaurar poder dos EUA no Oriente Médio. Mas pode incendiar de novo um dos barris de pólvora do planeta
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em nenhum respaldo do direito internacional ou na ONU, o governo Trump cometeu um ato de agressão contra mais um Estado soberano do Oriente Médio, o que confirma que os neoconservadores retomaram seu domínio sobre a política externa de Washington. Este ato de agressão acaba com qualquer perspectiva de desanuviamento entre EUA e Rússia no futuro próximo. Ao contrário: aumenta consideravelmente as tensões entre os dois países, não apenas no Oriente Médio como também no Leste Europeu, onde há algum tempo tropas da OTAN vem realizando
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exercícios militares a uma distância de ataque do território russo. Na esteira da divulgação das terríveis imagens de Idlib, após o suposto ataque de gás sarin, observou-se no mundo ocidental um crescente clamor por mudança de regime em Damasco, com declarações de políticos e da mídia que apressam o julgamento e responsabilizam o governo sírio pelos ataques. Ninguém sabe com certeza o que aconteceu em Idlib, razão pela qual o que se deveria buscar é um acordo para realizar uma investigação independente em busca da verdade e,
com ela, da justiça. Em todo caso, apenas os mais ingênuos acreditariam que esse ataque dos Estados Unidos contra a Síria tenha sido cometido visando à justiça. Por que seria assim, quando sabemos que recentemente bombas estadunidenses mataram civis, inclusive crianças, em Mosul? E por que seria assim, se considerarmos o indizível sofrimento das crianças do Iêmen em consequência da brutal campanha militar da Arábia Saudita? Não, este ataque dos Estados Unidos – que segundo relatos oficiais envolveu 59 mísseis Tomahawk, lançados de navios posicionados no leste do Mediterrâneo – foi perpetrado com vistas a uma mudança de regime, e estabelece um precedente que pode ter graves desdobramentos para toda a região. Sobre o ataque em Idlib, o que pode ser dito com certeza é que, num momento
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em que as forças pró-governo na Síria estavam em ascensão e em que o governo obtinha progressos significativos na frente diplomática, seria um ato de sabotagem brutal realizar qualquer tipo ataque de armas químicas, ainda mais dessa magnitude. Isso correponderia a um governo empenhado em provocar seu próprio desmantelo. Deve-se levar em consideração o fato de que a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), uma organização apoiada pelos Estados Unidos, confirmou em junho de 2014 que o processo de destruição completa do arsenal de armas químicas da Síria tinha sido concluído. Além disso, as terríveis imagens e testemunhos oculares de Idlib que apareceram logo após o ataque são todos provenientes de fontes oposicionistas. Nenhum jornalista ou equipe de reportagem ocidental ousaria pôr os pés em Idlib, ou mesmo em qualquer outra parte do território sírio tomado pelas forças de oposição, pois sabem que, se assim procedessem, poderiam ser capturados e trucidados. Com esta intervenção militar unilateral, Trump provou que pode facilmente ser tragado para dentro do conflito. Poucos dias após seu governo confirmar que uma mudança de regime na Síria estava fora de questão e que o seu foco era derrotar o terrorismo, Trump deflagra um ataque aéreo que apenas incitará as mesmas forças terroristas cuja derrota ele havia enfatizado ser o centro de sua
política externa. E agora? Claramente, essa ação militar coloca a Rússia em posição muito difícil. Desde que se envolveu no conflito na Síria, no final de setembro de 2015, por determinação de seu governo, Moscou trabalhou incansavelmente para construir uma saída negociada, uma saída que envolvesse as forças de oposição e as partes consideradas moderadas se comparadas aos fanáticos jihadistas salafistas do ISIS e Al Nusra, entre outros. Trata-se de um processo diplomático que acaba de sofrer um golpe devastador, pois a oposição agora está indubitavelmente convencida de que a mudança de regime virá via Washington e, portanto, se vê estimulada a trabalhar por este fim. Enquanto isso, os aliados regionais de Washington – Israel, Arábia Saudita, Catar e Turquia (com Erdogan garantindo que se ligará a quem for mais forte…) – provavelmente agora começarão a pedir mais ações militares contra Damasco, vendo o ataque dos EUA como o catalisador de uma temporada de vale-tudo em relação à soberania do país. Para Trump — que está sob intensa pressão do establishment mediático, político e das agências de espionagem de Washington desde que assumiu o governo –, esta ação garantirá um pouco da tão necessária aprovação e, com isso, uma trégua. Seu governo emitiu sinais ameaçadores durante algum tempo, a começar pela renúncia forçada
de Mike Flynn como Conselheiro de Segurança Nacional em fevereiro, seguida pela recente saída de Steve Bannon do Conselho de Segurança Nacional da Presidência. Foi mais uma evidência de que os neoconservadores haviam reassegurado sua dominação sobre a Casa Branca, depois de um curto período de intensa luta pelo poder. Numa visão mais ampla, a falta de memória de curto prazo em Washington é impressionante. Quatorze anos depois da desastrosa invasão do Iraque, que abriu os portões do inferno para deixar emergir o ISIS e outros grupos jihadistas, e seis anos depois de fazer da Líbia um Estado falido, disparando no processo uma crise de refugiados de proporções bíblicas, temos aqui novamente um ato de agressão contra um Estado soberano no Oriente Médio pelos EUA. Destruir países para “salvá-los” é, desde sempre, a história de todos os impérios. Mas, como a história revela, todo império carrega dentro de si as sementes de sua própria destruição. Donald Trump caminha agora para ficar na história como um governante que, ao invés de salvar os EUA de si mesmos, pode ter ajudado apenas a acelerar sua queda até a morte final. Tito Lívio, o grande historiador romano, escreveu certa vez: “Roma cresceu tanto desde seu humilde início que agora está devastada por sua própria grandeza.”
Fonte: Google
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Tratar desiguais como iguais é injustiça Por Hortência Mendes
Terapeuta naturista e pesquisadora da violência contra a mulher
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filósofo Aristóteles já advertia: “deve-se tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais”. Mesmo que o princípio que baseia a nossa constituição federal seja o da igualdade, nós mulheres não somos tratadas perante a lei, e a vida, com a mesma igualdade de direitos que os homens. Historicamente temos vivido como um segundo sexo, onde as atividades de reprodução da vida ficam sob nossa responsabilidade efetivamente, mesmo sem condições física, econômicas e psíquicas, todas nós mulheres carregamos o peso da criação de filhos e filhas, da responsabilidade de toda a família, incluindo aí os trabalhos domésticos, os cuidados com crianças e pessoas idosas, bem como com as pessoas doentes, etc. Desde que as portas do mundo da caça, das guerras, dos descobrimentos, do mercado, das letras e das ciências foram abertas aos homens e as janelas das casas, das tribos das famílias e do cuidado com as pessoas foram liberadas para nós mulheres, define-se aí a divisão sexual do trabalho, fato que acarreta para nós danos irreparáveis á nossa saúde física e mental, impossíveis de serem mensurados. O trabalho doméstico repetitivo e exaustivo, exercido desde a infância até a velhice esvai a nossa vitalidade, pois passamos a ser um borrão de atividades, obedecendo a pressões modernas que obrigam-nos a ser tudo para todas as pessoas e nada para nós mesmas. Assim, nós mulheres convivemos diariamente com o medo, a fadiga, fragili-
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Ilustração: Eduardo Meneses
dade diante de uma realidade desvantajosa que gera depressão, desestímulo, vergonha de nossa condição submetida que somos as mais variadas e persistentes violências que vão desde o assédio e abuso sexual, até o assassinato. Violências estas que se multiplicam a cada dia. Sem falarmos na problemática dos direitos reprodutivos, nos diversos problemas que enfrentamos na gestão que culmina diversas vezes com a mortalidade materna. Em nossa sociedade persistem de forma vergonhosa e violenta os salários desiguais, onde os homens em todas as faixas etárias, tipo de emprego, nível de escolaridade, etc. ganham até 34% a mais que as mulheres, como os mesmos não dividem igualmente as tarefas domésticas e os cuidados com a família e a comunidade, nós mulheres chegamos a trabalhar até cinco horas a mais que os homens de acordo com dados da OIT- Organização Internacional do Trabalho. (2015). Diante deste quadro, é atual a questão formulada por Rose Marie Muraro no ano 2000,
“O Estado brasileiro deve muito a nós mulheres que sustentamos os homens para que este país fosse construído”
em seu artigo intitulado: “O que querem as mulheres do século 21” . Segundo a antropóloga, nós mulheres queremos controle de nossa sexualidade, divisão das tarefas domésticas justamente com os homens; mas, também queremos transformar a natureza do poder, desprivatizar o estado e assim acabar com o patriarcado que fortalece o capitalismo que trata a nós mulheres como gênero de segunda classe e que deve estar à disposição do homem. Como vemos, homens e mulheres no Brasil são tratados de forma desigual em todas as esferas sociais, como então explicar a proposta governamental de proporcionar um sistema de equiparação de idade para requerer a aposentadoria entre estes dois entes? Como querer que nós mulheres que menstruamos, sofremos de TPM (Tensão Pré-menstrual), cuidamos da casa, das crianças, exercemos uma tripla jornada de trabalho,
Hortencia Mendes -Nutricionista engravidamos, parimos, tenhamos que nos aposentar com a mesma idade dos homens que não passam por nada disso? O Estado brasileiro deve muito a nós mulheres que sustentamos os homens para que este país fosse construído, tanto as mulheres indígenas, como negras e brancas sempre estivemos na base das famílias, das escolas, das igrejas, da agricultura. Nosso trabalho nunca foi recompensado, pelo contrário, sofremos muito para realizá-lo e todos os direitos que temos hoje conquistados foram fruto de nossa luta e organização. Por tudo isso não podemos aceitar que as reformas retirem nossos direitos. Reformas devem ser feitas para garantir direitos conquistados e ampliá-los. O que a reforma da previdência deve trazer é o aumento da licença maternidade, pois o Brasil tem uma das menores do mundo. Na Croácia a licença maternidade é de 410 dias. Bósnia e Albânia é de 360 dias. Chile e Cuba de 156 dias. Brasil é de 120 dias. Aumentar a licença paternidade remunerada para iniciar o processo de divisão do cuidado com as crianças. A proposta de reforma da previdência pega em cheio a nós mulheres, piorando ainda mais nossa situação. É um acinte aos Direitos Humanos das Mulheres. Precisamos fortalecer nossa luta e gritar bem alto: Sim a uma vida digna para nós mulheres. Não a Reforma da Previdência.
ENTREVISTA
Temer é um
desastre! Por Carlos Mascarenhas
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ara o historiador e professor da UFPI, Mairton Celestino da Silva, Temer é um desastre!”, porque segundo explica na entrevista abaixo, a ideia de uma crise econômica não pode ser motivo para retirada de direitos, como tenta o governo Temer. “Precisamos no Brasil expandir a noção de cidadania e somente a partir disso, aplicar modelos de modernização e de resolução dos problemas de modo a eliminar os privilégios de poucos”. Confira, boa leitura. Vamos iniciar esta entrevista pedindo que fale um pouco de sua trajetória? MAIRTON CELESTINO DA SILVA Sou formado em História pela Universidade Federal do Piauí, Mestre em História Social pela UFBA e Doutor em História do Brasil pela UFPE. Ainda sobre a trajetória acadêmica, estudo escravidão no Brasil colônia e império. Essa trajetória acadêmica ligada à historia social tem muita relação com meu interesse pelas questões sindicais, uma vez que as experiências negras de organização durante e depois da escravidão de certa maneira ajudariam a moldar o que é hoje o sindicalismo brasileiro. Como historiador, qual seu olhar sobre o Brasil nos aspectos econômico, políticoe social? MCS - Qualquer análise séria da realidade brasileira nos três aspectos citados na pergunta devem, necessariamente, partir de uma compreensão da nossa história enquanto nação. Autores como Caio Prado, Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freyre, Florestan Fernandes, Darcy Ribeiro e para ficarmos apenas nestes, já pontuaram tal assertiva de modo que não sou o único a compactuar com isso. Assim sendo, não é possível vermos a atual situação de violência praticado pelo aparato policial brasileiro com a população negra e periférica e não associá-lo com as marcas da repressão das do tempo da escravidão.
Mairton Celestino - Historiador Na mesma linha argumentativa, o caráter dependente da economia nacional aos desmandos das elites paulistas só podem ser compreendidas à luz da alta concentração de recursos e de privilégios que o estado imperial e da República brasileira legou aos paulistas e imigrantes da parte sul do Brasil durante os séculos XIX e XX. Compreender o Brasil de hoje é, portanto, conhecer nossa história. Talvez esteja aí o interesse do atual governo em excluir a história e geografia da base nacional comum curricular. Olhando para o Brasil, que vive na periferia do sistema capitalista, qual sua análise sobre o ajuste fiscal do governo Temer, traduzido na PEC 55 já aprovada no Senado? MCS - Um desastre! Não é necessariamente uma questão de ser ou não periférico ao sistema capitalista. Já sabemos que as relações que se constituem a partir das nações de centros e periferias no sistema capitalista nem sempre obedecem a uma ordem determinista. É curioso que tais medidas sempre são justificadas tomando como exemplo realidades alheias à nós. Em regra, sempre ressuscitamos os exemplos europeus na economia, na educação, na política como algo a seguir aqui, em terras tupiniquins. Entretanto, algo passa desapercebido por esses políticos, qual seja: a noção de cidadania. As políticas de ajustes fiscal, previdenciário, educacional no Brasil
são aplicadas de modo a sempre beneficiar uns em detrimento de muitos. Precisamos no Brasil expandir a noção de cidadania e somente a partir disso, aplicar modelos de modernização e de resolução dos problemas de modo a eliminar os privilégios de poucos. Os argumentos apresentados pelo governo, de que o Brasil vive uma crise nunca visto antes na história, explicam as reformas que ele tenta impor? MCS - Em tempos de crise econômica os argumentos em torno da supressão dos direitos da classe trabalhadora surgem de maneira assustadora. A ideia de uma crise econômica não pode ser motivo para a retirada de direitos. A centralidade dos argumentos tendem irremediavelmente a uma redução do papel do Estado na organização da vida social brasileira. O estado mínimo é o motor dos argumentos. Mais uma vez, a noção de cidadania desaparece para beneficiar uma categoria da sociedade brasileira. O que propõe o governo com sua reforma da previdência? MCS - Reduzir as obrigações constitucionais do Estado brasileiro, precarizar as relações de trabalho ( uma segunda escravidão ), aprofundar ainda mais as desigualdades de gênero e reduzir os direitos dos trabalhadores rurais. Estabele-
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cer a mesma idade para aposentadoria entre homens e mulheres e uniformizar os critérios para aposentadoria não é apenas um equívoco interpretativo, mas também uma incompreensão das complexidades que permeiam as relações de trabalho no Brasil. Tal qual imaginada, a proposta simplesmente impossibilita o direito de aposentadoria aos cidadãos que hoje desenvolvem atividades que exigem um maior esforço físico. Não é possível estabelecer os mesmos critérios para aposentaria num país cujas relações de trabalho, o perfil social e educacional dos trabalhadores são tão distintas. Mais uma vez, o entendimento sobre o outro e a redução do que venha a ser cidadão no Brasil passa distantes das análises dos políticos.
MCS - Hoje e já faz um bom tempo que a categoria não luta apenas por salários. Temos como meta principal a luta pela manutenção e ampliação dos direitos da classe trabalhadora. Numa perspectiva mais ampla, o objetivo central é a construção de um estado democrático pensado pelos trabalhadores e trabalhadoras. Nesse sentido, nossa luta ga-
E sobre a reforma trabalhista, também em curso, qual sua análise? MCS - Mais uma vez, a retira de direitos da classe trabalhadora assume papel de destaque. A proposta do governo em flexibilizar a CLT através dessa reforma coloca-o na condição de agente do capital e dos empresários. Estamos diante de um governo que trabalha e se articula com o empresariado. Nesse sentido, a ampliação das jornadas de trabalho, a redução dos intervalos de descanso no ambiente de trabalho, o parcelamento das férias e, no campo das n decisões negociadas valerem mais que as legisladas pontuam muito bem o papel da reforma trabalhista no atual cenário de desmonte do Estado.
nha amplitude e se soma a outros setores da sociedade que clama por direitos, representativa política e social.
Poderia destacar as principais reivindicações da categoria dos docentes a nível local e nacional?
“Devemos tirar lições do momento e, a partir daí, construir estratégias de lutas futuras.”
É fato que o governo tem aprovado com certa facilidade seu projeto de austeridade, se podemos falar assim. Neste sentido, qual sua análise sobre o movimento sindical e popular no enfrentamento a esse governo? MCS - Há uma tentativa de alguns setores da sociedade em depreciar o papel dos sindicatos enquanto agentes ativos do processo de lutas e de conquistas sociais. Paira sobre a sociedade a ideia, preconceituosa, sobre lideranças sindicais e o papel meramente político partidário que essas lideranças exercem na atual conjuntura. É um erro pensar assim. Com todos os problemas eu ainda acredito no sindicalismo brasileiro. O atual cenário exige
O dia em que o Brasil parou Ato realizado na Assembleia legislativa do Piauí no dia 15 de março contra as reforma do governo
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dos sindicatos e da sociedade civil organizada um esforço sincronizado. Eu diria que a palavra de ordem no momento é unidade, construída, claro, a partir de uma coletividade que respeite as diferenças. Nesse jogo até agora de cartas marcadas, desfavorável para a classe trabalhadora, pode essa unidade que se reporta,virar o jogo em seu benefício? Se pode, como? MCS - Sou um otimista! A derrota é também um instrumento potente de educação e de conscientização classista. Devemos tirar lições do momento e, a partir daí, construir estratégias de lutas futuras. Qual a conclusão da ADUFPI sobre o governo Temer? MCS - Reconhecemos o atual governo Temer como ilegítimo e golpista. Temos uma tradição no Brasil, inclusive de ordem intelectual, de não reconhecer os momentos de golpes institucionais. É só lembrarmos dos nossos momentos de crise política ao longo do século XX e o quanto temos de indefinição sobre tais momentos. Afinal, 1930 e 1964 foram ou não momentos de golpes institucionais? Ainda vemos ecoarem de políticos e de alguns membros da sociedade argumentos contrários ao conceito de golpe de estado, ontem e hoje. Para fortalecer a democracia que tanto queremos construir é preciso denunciar os momentos de desrespeitos aos princípios constitucionais, aos desmandos do judiciário e imprudências e irresponsabilidade de um legislativo que não atende aos clamores da sociedade a qual deveria representar.
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O fantasma que nos assombra Alberto Luís Araújo Silva Filho Graduando em Ciência Política pela UFPI
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acional e internacionalmente, o ano de 2016 consolidou em definitivo o êxito dos discursos de ódio, ou como preferem os anglófonos, os “hater speeches”: nas arenas públicas historicamente constituidas e nas democracias supostamente consolidadas. Esse fenômeno vai desde a autorização política para ofender livre e gratuitamente minorias étnicas, raciais, de gênero etc até a difusão de discursos claramente elitistas que negam, nos campos simbólico e material, as possibilidades de emancipação e inclusão de parcelas significativamente marginalizadas pelo modelo sócio-econômico vigente. Boa parte desse incômodo processo pode ser atribuido, segundo argutos analistas, a décadas de neoliberalismo que vieram sistematicamente destruindo sonhos, esperanças e projetos em prol da construção de um futuro comum, no qual as lógicas dominantes se dissolvessem e estivesse estabelecida a partir dai uma nova ordem, não só social mas comunicativa. A corrosão das instituições do Estado social, retratada belamente pelo cineasta britânico Ken Loach no seu último filme Eu, Daniel Blake (tradução no Brasil) expõe o quão devastador pode ser a exponencialização da ordem capitalista não só para o aprofundamento dos índices de pobreza e desigualdade social em dadas sociedades, principalmente
dos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, mas mesmo para a auto estima dos sujeitos que se veem compelidos ao rebaixamento moral e ético na busca pela sobrevivência em meio a selvageria ideólogica que culpa os pobres pela pobreza, que afirma o regime meritocrático como um modelo de sucesso. No longa-metragem, o personagem central, Daniel Blake, é submetido a longos dias de espera e humilhação para que possa receber um seguro-desemprego, alternativa última concedida pelo Estado liberal no contexto inglês para aqueles que se encontram no fundo sem chance alguma de estabelecimento e ao mesmo tempo permeados pela solidão do individualismo reinante em nossos dias. Ao recorrer aos historiadores da questão social, como Robert Castels e Karl Polanyl, pode-se observar em determinados momentos dos últimos dois séculos a contrarreação aos valores liberais de celebração do mercado enquanto instituição reguladora e promotora da paz ou mesmo à noção de que a igualdade jurídica por si só garante que os sujeitos terão tratamento igual no âmbito comunitário. Esse fluxo de contrataque se apresentou essencialmente de três formas: à maneira das social-democracias que estabeleceram um processo de conciliação de classes nos países da Europa Ocidental, solidificando um delicado equilíbrio entre interesses de patrões e empregadores, e provendo uma ampla gama de serviços públicos e sociais para os seus cidadãos; à moda das revoluções socialistas que garantiram influência sobre boa parte do Leste europeu pela URSS e a apresentação de modelos alternativos em nações como Cuba, China e Coreia do Norte; e pela via do fascismo, com a naturalização da violência e do Estado policial conjugada a um modelo econômico de natureza corporativista. Para espanto dos que leram atentamente a clássica frase de Marx sobre tragédia e farsa, é essa última alternativa que vem à tona nos dias de hoje, numa época em que alguns dizem: “atingimos o progresso” ou “a modernidade está superada”. Indubitavelmente, as experiências progressistas se esgotaram. Isso não é uma novidade para os cientistas sociais e historiadores que ainda olham para os escombros
do Muro de Berlim. No entanto, mesmo os experimentos reformistas de baixa ou média intensidade do período pós-1991, nos quais se enquadram os casos de governos de centro-esquerda e esquerda na América Latina, emergiram em uma série de contradições e a “Era Rosa”, festejada pelos adeptos da inclusão pela via do consumo, aproxima-se do fim. Em contrapartida, a direita clássica, velha conhecida dos povos do Sul e do Norte globais também não consegue mais angariar, salvo alguns casos como o argentino, a simpatia de setores significativos da população para que possa constituir um projeto de poder autorizado pelos caminhos eleitorais, também desgastados em função da crise das democracias representativas. O resultado é que assistimos hoje, espantados e simultanemente indignados, ao retorno do fascismo como política de governo. Donald Trump está ai e não nos deixa mentir. 2017 será um ano decisivo nas democracias europeias. A forte onda de imigrantes que aportou no continente viabilizou politicamente a retórica xenófoba que no passado foi responsável pelos famigerados episódios genocidas, a exemplo do Holocausto. Marine Le Pen, candidata da Frente Nacional, segundo as suspeitas pesquisas de opinião divulgadas por institutos franceses venceria com folga o primeiro turno das eleições daquele país. Sua chegada a presidência do país que outrora foi considerado o baluarte da “revolução”, do “iluminismo” e da “civilização” colocaria em xeque não só os arranjos constituidos pelas elites globais para manter subjugados os homens e mulheres comuns, mas também demonstraria de maneira bastante clara o esgotamento das esquerdas para captar os ressentimentos de trabalhadoras e trabalhadores em relação aos anos consecutivos de ataque aos seus direitos. Ademais, sua chegada ao Palácio do Eliseu afirmaria o triunfo direitista em todo o Ocidente. Apenas uma revisão profunda nos movimentos populares, e isso vale para o Brasil; também assombrado pelo fantasma da ascensão conservadora, poderá gerar novas alternativas de libertação que articulem teoria e prática num projeto reverso ao fascismo que nos é apresentado dia após dia, nas redes sociais ou mesmo na casa do vizinho ao lado.
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Como pensar, enfim, as nossas (sic) mais contundentes crises: da democracia; da indústria fonográfica; da educação; da saúde; da política; do capital; da rentabilidade econômica; do ethos, do phatos e do athos; do decoro e da moralidade no Congresso Nacional; da honestidade; do jornalismo; da crítica; do teatro; do cinema; das artes plásticas; da poesia; da narrativa ficcional; da pesquisa acadêmica; da existência; da integridade; da verdade; da dignidade; da decência; da solidariedade e do respeito ao próximo; das amizades; da fé – também, meu Jesus Cristinho de Deus; e a crise (sic) da crise? “Como beber dessa bebida amarga? Pai, afasta de mim esse cálice!Pai...”
Pensar sempre foi um constante desafio Magnus Martins Pinheiro
Jornalista e professor da UFPI crise da cultura, denunciada nos anos 40-50 do século passado, por alguns renomados estudiosos da sociedade, ganhou solidez nessa nossa contemporaneidade, essencialmente marcada pelo consumo e pela urgência das redes sociais. Hannah Arendt (1906-1975), a mente feminina mais iluminada do cenário acadêmico mundial – notabilizada por seus pares e discípulos como a Pensadora da Liberdade –, me instiga a pensar a Crise da Cultura a partir de algumas inquietantes interrogações. Trago, aqui, à reflexão de todos que lucidamente possam se interessar, apenas algumas interrogações; as que entendemos como as mais pertinentes ao momento hoje vivido pela sociedade brasileira. Até porque, e bem a propósito, pensar sempre foi – até o advento deste opinativismo exacerbado da mídia televisiva fundado pela família Marinho – um constante desafio, individual e intransferível, na construção essencial de um amanhã bem amanhadamente coletivo. Meu, e seu, e nosso, e de todos nós brasileiro(a)s. Hoje, essa prática está restrita apenas a uma parcela minoritária do nosso corpo social.
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O que é, diga-se, lamentável e terrível, porque pode levar uma leva de fulaninhos e fulaninhas a perder, por completo, o senso crítico! E quando essa leva de gente o perde, perde também o rumo e dana-se a seguir – principalmente, como agora com protagonismo dos parlamentares na temerosa farsa do impeachment – esses deuses errantes eufemismonisados de âncoras do jornalismo televisivo brasileiro. Venham, pois, se entregar a esse dito desafio... agora, sim? Eis, então, as interrogações suscitadas por mim, a partir da (re)leitura do livro Crise da Cultura (1954) de Hannah Arendt, e disponibilizadas, aqui, a quem interessar possa. Como pensar no intervalo entre o passado (1964) – e o futuro, posto em evidência (2016) com o fim da tradiçãoe da fidelidade das coligações partidárias? Como pensar, hoje, as noções de autoridade e liberdade – termos atualmente tornados muito elásticos –, quando sabemos que nenhuma resposta conceitual oferecida pela tradição da ação dos políticos nossos (sic) de cada dia já não tem serventia?
Não cabe aqui – até porque seria amoral, seria crime – eu querer pensar por alguém ou por alguns ou por muitos; muitos no sentido, percentualmente, mais ampliado possível. Quem faz isso e bem é a Globo! Sobre a questão – embora sabendo que não seja, provavelmente, dada a menor importância – o que posso bem dizer, aos fulaninhos e fulaninhas tão servo(a)s e tão submisso(a)s à hedionda tirania do plim-plim da Vênus Platinada, é que pensar exige compromisso incondicional com a verdade. E mais, pensar não dói; pensar apenas supõe coragem. Coragem inclusive para, se necessário, destoar do coro dos contentes, como bem pregava o irreverente poeta morador da Pacatuba e amigo Torquato Neto, e afrontar o mundo. Coragem para dessacralizar a inutilidade dos discursos empafiosos, ancorados tão somente nos achismos, dos políticos que nos (des)servem representativamente, hoje, no parlamento federal. Eu não sou hiena! Portanto, (que) viva a lucidez! E (que) viva os que não têm saco para os mediócres Big-Brodher platinados para cotidianazinha vida do(a)s brasileiro(a)s. E (que) viva os que, dignamente, pensam sem a orientação (sic) da mídia televisiva brasileira. Em tempo: a hiena se alimenta de dejetos, só faz sexo uma vez por ano e vive sorrindo. Dessantificar os sórdidos e impuros políticos partidários que tanto grassam por este país exige apenas uma santa ação. ... de vinho tinto de sangue!” (Chico Buarque de Holanda).
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Por que isto não está nos telejornais? Os ricos controlam a política no Brasil Por Reginaldo Moraes professor da Unicamp e colunista do Brasil Debate
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írculo vicioso: Os ricos compram a política. E a política aumenta a riqueza dos ricos. A estória é simples e instrutiva. Está num relatório recente da organização humanitária Oxfam, mas os dados são pura e simplesmente do sistema de contas federais e dos relatórios do Incra. Se quiser ler, o documento da Oxfam é este: Terrenos da Desigualdade – Terra, agricultura e desigualdades no Brasil rural, Oxfam Brasil, 2016. Há no Brasil umas 4 mil pessoas físicas ou jurídicas (empresas) que devem ao fisco quase 1 trilhão de reais. Para ter uma ideia da coisa, o PIB do país em 2016 foi algo próximo de 5 trilhões. O tal “rombo” no orçamento federal, que o governo do golpe anunciou com estardalhaço: 170 bilhões (ainda estão “acer-
tando”). Essa comparação permite avaliar uma coisa básica: se esses fazendeiros devedores pagassem o que devem não teríamos rombo algum. Muito pelo contrário. Mas eles não são forçados a pagar nem vão para presídios, como os pobres que devem a pensão alimentar. Mas a coisa piora quando olhamos para cima nessa pirâmide: umas 700 dessas pessoas devem 200 bi. Maior do que rombo do Meireles! Esses 700 ricos devedores certamente estão entre os grandes financiadores de campanhas – elegem legisladores e executivos. São também os clientes fortes do sistema judiciário – do mundo seleto de advogados, juízes, procuradores e desembargadores. Assim
florescem os grandes escritórios de advocacia, assim florescem os regalos e festejos com os quais se azeitam as sentenças e decisões judiciais. Assim se produzem as leis, os decretos e normas que distribuem subsídios, créditos baratos, isenções e outros benefícios. Os nababos da terra, são como os nababos dos bancos e indústrias. Eles elegem aqueles que fazem as leis e tomam as decisões. E estes eleitos fazem leis e tomam decisões que aumentam ainda mais a riqueza daqueles 700, reduzem seus impostos, etc. Com isso, eles têm mais dinheiro para comprar políticos e juristas. O círculo se fecha. É simples entender quem compra o poder. É uma questão de classe e eles sabem disso.
Fonte: documento informativo da oxfam 210 18 de janeiro de 2016
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ENTREVISTA
Por Carlos Mascarenhas
Temer prejudic
Denuncia presidente do Sindica
entreguista do patrimônio brasileiro e de perda de soberania do país tal qual Temer estar fazendo agora, e daí fui eleito delegado sindical da minha agência por dois mandatos. Paralelamente, também atuava na AABB Teresina, onde fui eleito vice-presidente e assumia interinamente a presidência e devido a essa atuação fui convidado para compor a chapa encabeçada pelo companheiro Simplício Mário, na diretoria de saúde.
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uncionário do Banco do Brasil há 32 anos, Arimatéia é auditor contábil por formação. Nesta entrevista diz como iniciou sua militância e faz um balanço de sua gestão, incluindo o início do segundo mandato. Explica como Temer prejudica a população ao fechar bancos públicos. “Tomou o poder de forma ilegítima, é um governo que direciona sua política econômica em favor da classe mais rica da sociedade - empresariado e banqueiros, sem compromisso com os trabalhadores e os mais pobres desse país. Quando fecha bancos públicos nas regiões mais carentes mostra toda sua face, e a continuar dessa forma não tardará a volta das frentes de trabalho com campanhas de arrecadação de alimentos... para ajudar as populações, enfim tudo o que se viveu no passado, isso é lamentável”. Siga em frente, boa leitura.
“(...) Estamos vendo o desmonte da sociedade e dos bancos públicos nesse governo golpista, tentando colocar as pessoas numa situação de pedintes...”
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Fale da sua trajetória, militância...? José Arimatéia de Sousa Passos – Atualmente sou presidente do Sindicato dos Bancários do Piauí, reeleito para o triênio 2016 a 2019. Iniciei minha militância muito cedo, dentro dos movimentos de jovens da Igreja Católica, e apesar do medo da repressão policial da época, tínhamos um trabalhado muito social de ajuda mesmo às pessoas mais pobres da comunidade, era uma turma boa que entre os debates se aprendia muita coisa de sociedade, mas todos nós também nos preocupávamos em estudar, ter formação, enfim, uma vida normal mais preocupado com a vida política do país. Daí através de concur-
sos iniciei minha vida profissional, inicialmente no Tribunal de Contas do Estado e depois no Banco do Brasil onde ainda sou funcionário, iniciei trabalhando no interior e, naquela época, junto com outros bancários, nos envolvemos em várias campanhas de arrecadação de alimentos, vasos sanitários, roupas... destinadas às comunidades que eram muito carentes. Depois dessa experiência vim pra Teresina, onde conheci o movimento sindical que tinha como lideranças a hoje senadora Regina Sousa, o atual governador Wellington Dias, o conselheiro Olavo Rebelo, o deputado Assis Carvalho, a Diassis, o Ulisses, dentre outros. Que época era essa? JASP – Década de 80, época que os bancos públicos tinham muitos funcionários, hoje não tem a metade do que tinha naquela época. Havia muita ebulição política sindical, uma nova geração de bancários se propunha a assumir o sindicato. Fernando Henrique Cardoso governava o Brasil realizando uma política
E nessa área da saúde, o que você destacaria? JASP – Implantamos um plano de saúde odontológico, uma carência que existia nos bancários. É comum se ter plano de saúde, mas não plano odontológico, situação que até hoje perdura em várias categorias de trabalhadores. A implantação desse plano odontológico foi um momento de muita aprendizagem e que contou com o apoio da diretoria, porque tivemos que analisar as várias tabelas de preços cobrados pelos serviços e já que estávamos criando um plano com tabela de preços próprio, fomos até o final fazendo acordos com os profissionais e que foi aceita por todos os envolvidos e funcionou muito bem. Hoje com os avanços conquistados pela categoria, os bancários possuem planos próprios direto com os bancos. Que outras áreas do sindicato você atuou? JASP – Fui da Secretaria Geral na gestão da ex-presidente Diassis e nos mandatos do ex-presidente José Ulisses fui pra diretoria jurídica, quando o setor passou a ter, devido ao momento, atuação mais voltada para as grandes ações coletivas, sem esquecer das defesas individuais voltadas para os problemas do bancário. Tivemos várias conquistas coletivas mesmo, como à ação do vale-ticket dos empregados da caixa, 7º e 8º horas dos empregados do BB, enfim ações de grande monta com o processo sendo finalizado e os beneficiários recebendo o valor de suas indenizações já na minha primeira gestão. Teve um caso que chamou atenção do mundo jurídico nacional. A questão das 7 e 8° horas do BB, por ter sido a maior indenização que um banco pagou no País e ainda teve que alterar seu plano de cargos porque senão iria perder em todo o Brasil; existe outro caso que esse mesmo banco foi multado inicialmente em 5 milhões de reais por prática de assedio, depois recorreu e não pagou. Isso mostra que nosso jurídico é muito atuante e reconhecido no país. Em
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ca a população ao fechar bancos públicos
ato dos Bancários do Piauí, José Arimatéia de Sousa Passos fevereiro de 2012, após aprovação na assembleia legislativa do estado, o governador sancionou a lei que estabelece normas e regras de segurança que os bancos devem cumprir para melhorar a sensação de segurança para cliente e funcionários que frequentam os bancos. Essa lei, é bom frisar, partiu de um projeto da deputada Flora Isabel, a partir de demanda do sindicato dos bancários do Piauí, e teve uma grande participação do diretor de Saúde e Segurança do sindicato da época, o João Neto.
Ainda sobre a segurança dos bancos, estes cumprem a lei? JASP - Alguns cumprem com a instalação de alguns aparatos de segurança, já realizamos duas audiências públicas na assembleia legislativa e os bancos alegam várias coisas para não a implantarem na sua totalidade; ademais, o poder de multar é da prefeitura e do governo do estado, mas eles não fazem isso. Essa lei foi aprovada na gestão do meu antecessor, onde eu ainda ocupava a diretoria jurídica do sindicato.
Como diretor você ficava à disposição do sindicato? JASP – Não, trabalhava no banco e no final do expediente fazia as atividades sindicais, na verdade fiquei à disposição do sindicato quando eleito Presidente.
E no plano material de estrutura, como avalia o primeiro mandato e o que prevê para esse segundo mandato. JASP – A nossa plataforma de campanha de reeleição temos várias obrigações ainda a cumprir. A campanha ouviu o que o associado espera da diretoria. Se no primeiro mandato
José Arimateia na festa de 63 anos do sindiacato dos bancarios
adquirimos a sede de Parnaíba, e ampliamos em quatro casas a nossa colônia de férias, o desafio agora é maior. Estamos em fase de conclusão de mais 22 casas para a colônia de férias e iremos ampliar nossa estrutura em Teresina para hospedagem de bancários do interior estamos estudando a forma de ampliar em algumas questões o nosso jurídico, com mais assistência no interior do estado, vamos aparelhar melhor nossas regionais, embora na maioria delas não possua diretor liberado, estamos renovando nossos veículos, adquirindo novos equipamentos para a imprensa do sindicato, com o objetivo de nós mesmos gerarmos nossos filmes, enfim teremos muito trabalho ainda para fazer. E no campo político? JASP – Em 2016 fizemos acordo na convenção coletiva nacional por dois anos, quer dizer,
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teremos mais tempo para cuidar, envolver melhor a política sindical de cada base, visitar mais essas bases. Queremos realizar manifestações em cada cidade que tenha banco no Piauí, inclusive tentando audiências públicas nas câmaras municipais dessas localidades. Temos quatro diretores na direção da CUT Estadual, alguns diretores fazem parte das instâncias superiores de nossas entidades e outros participam das comissões de empresa dos bancos, que são nacionais. Nosso lema é garantir direitos, avançar nas conquistas nos preparando para as disputas futuras. Quero ressaltar que a categoria tem relevância na sociedade e reconhecimento público, quando recebi o título de Conselheiro Saraiva, reconhecendo as ações que o sindicato realiza, bem como o feriado bancário estadual, a partir de proposta de lei aprovada tanto na ALEPI e sancionada pelo Palácio do Karnak, mais uma vez dois personagens se destacam nesse momento, a deputada Floria Isabel que propôs a lei e acompanhou todo seu trajeto na ALEPI e o governador Wellington Dias que a sancionou. E nesse cenário de crise, de governo Temer, corrupção..., como você situa a categoria? JASP – Os bancários de bancos públicos nesse momento perderam. E quando estes perdem, a população também perde. Temer tomou o poder ilegitimamente, porque é um governo da e para burguesia, onde a pobreza vai continuar refém, sem expectativas de melhora. Ao reduzir e fechar agências de bancos públicos, onde a região é mais carente, perdem todos desde as pessoas físicas, aposentados, pequenos agricultores e comerciantes, porque sem ter bancos públicos onde fazem seus negócios a cidade toda perde. Consideramos também que banco privado atua mais nos grandes negócios. Nesse sentido a nossa intenção é que esses grupamentos percebam o que estão perdendo e passem a ser mais exigentes com as coisas. Não existem grandes países sem empresas nacionais nem grandes nações que possam prescindir de um forte sistema financeiro público para se desenvolver estratégica e soberanamente.
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E olha que os bancos públicos em determinados momentos da história podemos dizer que foram aliados do desenvolvimento do país, mas agora...? JASP – É verdade, os bancos públicos sempre foram aliados do desenvolvimento do país, menos nas eras FHC e agora Temer. Então, de repente se fecha uma agência, reduz-se a sua função noutra, tudo isso vai afetar a população, pequenos e grandes. Certo que grandes agricultores e grandes comerciantes têm outros meios de conseguir seus financiamentos, mas os pequenos não têm. Então esse des-
monte dos bancos públicos trará prejuízos futuros para todos. E é essa a realidade que combatemos, embora muita gente na categoria não percebeu isso e até apoiou o golpe, mas hoje estão arrependidos. “Muita gente” que você se reporta, “que apoiou o golpe”, são os coxinhas bancários? JASP - Sim, porque na nossa categoria como em outras existiam coxinhas. Alertamos desde o início e hoje estão começando a entender como foram enganadas, vítimas de um processo que todo mundo é culpado, menos a presidente que caiu sem provas. Então espero que a população desperte, continue a marchar junto com os movimentos popular e sindical e, claro, não generalizo, mas isso é culpa também de muitos políticos sem caráter, que a população sabe que tem, está preocupado apenas com o bolso dele, com sua reeleição em 2018; alguns defendem esses
''Nosso lema é garantir direitos, avançar nas conquistas nos preparando para as disputas futuras.'' projetos de reforma da previdência e trabalhista em curso, e isso prejudica todos os trabalhadores. O trabalhador bancário tem um referencial um pouco diferenciado, pela formação exigida nos concursos que o é segundo grau completo, se você for observar quase 90% dos bancários possuem curso superior, embora esse fato não seja fator de assegurar o emprego do bancário. Sobre a questão Banco do Estado do Piauí, antigo BEP, o que de fato aconteceu? JASP – Tudo aconteceu na era Fernando Henrique Cardoso, que obrigava os governos a venderem seus bancos estaduais. O nosso BEP mesmo foi a leilão várias vezes. A diretoria do nosso sindicato, na época, entrou com ação no STF (Supremo Tribunal Federal), fez todas as lutas para que ele não fosse vendido, até que veio o presidente Lula e o incorporou ao BB. Lembro que eu estava na Praça Pedro II quando ele fez um discurso como candidato dizendo que não venderia o Banco do Estado. Em sendo eleito honrou a palavra. É importante dizer que nessa ocasião o nosso sindicato fez grandes esforços para que isso ocorresse. Quantos funcionários tinha o BEP naquela época?
JASP - 100 funcionários, mas não era só isso, o BB adquiriu o BEP com todas as regalias existentes, ônus e bônus, foi um bom negócio para o BB. Inclusive naquele momento no BB houve um significativo aumento no volume de negócios, foi muito bom para o banco. Hoje, aqueles funcionários oriundos do BEP, que são acompanhados pelo nosso jurídico, possuem processos judiciais reclamando seus direitos por isonomia nas áreas dos planos de saúde e previdência. Mas o que é mais importante destacar mesmo é que ninguém perdeu o emprego, e todos melhoraram em suas expectativas de futuro, e isso é fato. Qual sua análise sobre o mercado financeiro? JASP – No mercado financeiro a situação é de concentração. Diferentemente do mercado financeiro americano ou europeu onde os bancos lá são regionais. Até a era FHC os bancos aqui no Brasil também tinha essa lógica. Tinha BEP, Banco do Estado do Cerará, além de privados como o banco da Parnaíba, que tinha caracteres regionais, como acontece nos países desenvolvidos, se você quer desenvolver aquela região mais pobre, um banco lá resolve. No país dos banqueiros, eles estão na verdade é se comendo, há uma redução da quantidade de bancos através da fusão, da incorporação, e o que se percebe é que bancos hoje são nacionais. Estes retiram de um estado pobre e aplica num estado rico, onde a procura é maior, as grandes indústrias e empresas estão lá concentradas, há mais necessidade de capital. Daí a lógica de bancos regionais que aplicam nestas regiões. Como existe concentração eles vão se acumulando, entrando na lógica de fusões e incorporações. Pode citar algum exemplo e quantos bancos foram fechados nessa lógica, de fusão? JASP – O caso mais recente foi o HSBC que foi incorporado ao Bradesco. Essa dinâmica acontece no Brasil. Não tenho números pra te dizer, porque eles não repassam essa informação, mas há um grande fechamento de agências. O certo é que há diminuição de ofertas de produtos e se não há concorrência, é mais um dos motivos para as altas taxas de juros praticadas no país. A regionalização de bancos é uma reivindicação do sindicato dos bancários? JASP – A economia do jeito que está montada no Brasil, hoje, a principal preocupação da gente é manter os bancos abertos, lutar para abrir mais agencias, manter os empregos, até porque não temos como abrir nesse momento essa discussão mais aprofundada de criar novamente bancos regionais, porque não há interesses do governo e da iniciativa privada que poderiam fazer isso, então em meio
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a esse desmando, lutamos para manter as agências e os empregos. A terceirização tem preocupado a categoria? JASP – Sim, porque hoje eles terceirizam de forma diferente. Em cada agência bancária ao lado tem um correspondente bancário, e o que é aquilo lá? Tirar a atividade do banco. Antigamente, botava o terceirizado dentro das agências, hoje contratam empresas terceirizadas pra fazer o serviço que eles querem fazer, e isso é um modelo de terceirização que a lei permite. E essa forma de terceirizar aumentam o desemprego nos bancos. Essas terceirizadas contratam empregados com menores salários, custo menor, trabalham no sol, sujeito a todo tipo de desmando dos patrões, cujo compromisso é só ganhar dinheiro, numa lógica que tem como única finalidade baixar custos para o banco, mais nada. A tecnologia também preocupa a categoria? JASP – Também. O sistema financeiro brasileiro é o mais tecnológico do mundo, não existe igual no mundo financeiro. Hoje você desconta um cheque (que está quase em desuso) no Rio Grande do Sul, na mesma hora
está debitado na sua conta, o sistema é muito rápido, é tudo online, tecnológico. Não satisfeito com isso os bancos agora estão criando bancos digitais, onde o atendimento a pessoas físicas não vai existir, e isso nos preocupa muito porque como é vão ficar os empregados se não puderem atender as pessoas? Não temos nada contra a tecnologia, ela tem que existir para ajudar as pessoas mesmo, mas é preciso que façamos debates para garantirmos a manutenção dos empregados, porque a tecnologia mesmo com essa dinâmica toda vai precisar de gente. Gente atende gente. A tecnologia, por si só, não consegue fazer negócios que uma pessoa faz, por isso que têm empregados e lutamos por eles. A tecnologia amplia mas o banco não vive só de trocar cheques, de pagar um cartão de crédito, ele vive é de negócios, de emprestar e receber, e quem faz esse tipo de negócio que são mais estruturados, com grandes empresas, governos estaduais são as pessoas, não são as máquinas. São quantos trabalhadores bancário em todo o Brasil e na base do Piauí, quantos são? JASP – Primeiro quero homenagear todos
os bancários do Piauí, pelos seus 63 anos de aniversário do nosso sindicato. São 63 anos de lutas para garantir direitos, avançar nas conquistas com visão clara e definida de disputas futuras. Respondendo sua pergunta, hoje, temos algo em torno de 600 mil bancários no país, no Piauí algo em torno de quatro mil bancários, mas, se considerarmos quem trabalha na atividade bancária, acredito que temos mais de um milhão no país, quando incluímos as financeiras, os lotéricos essa categoria é grandiosa. Estamos lutando para que esses trabalhadores sejam reconhecidos como bancários, para que possam ter direitos iguais. Quer acrescentar algo mais? JASP – Só agradecer a oportunidade de dialogar com os leitores desta revista que a cada dia se afirma, fazendo um jornalismo pautado na ética, e desejar que continue nessa empreitada, dando vez e voz aos movimentos popular e sindical, às reflexões contrárias as reformas retrógradas desse governo ilegítimo. Desejo sucesso a você e a todos que fazem a esta revista acontecer.
Areas afetadas pelo fechamento das agências do Banco do Brasil
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Vanessa Trajano conta os prazeres e dificuldades de ser escritora em Teresina Andre Luis Moreira Reporter
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scritora, artista plástica e professora. Vanessa Trajano escreve desde a adolescência e já com 17 anos tinha como seu objetivo de vida ser escritora. Começou com um blog chamado “Convite para ler Vanessa Trajano”, que ainda continua atualizando. O tempo passou, a menina de 17 anos cresceu e veio o reconhecimento na carreira de escritora. Hoje, com 3 livros publicados e participações em antologias, Vanessa já é considerada referência na literatura piauiense atual. Com sua escrita envolvente e provocativa, seus textos retratam de forma incrível a mulher, todos os tipos de mulheres, desde a dona de casa até “dona de bar”, Vanessa valoriza todas. É importante ressaltar que ela não se prende apenas a esse tipo de escrita, mas a mulher é sua característica mais forte. Na adolescência Vanessa Trajano se dizia apenas uma apaixonada por leitura e acreditava que essa paixão a levaria um dia a começar escrever, pois acredita que quando a pessoa gosta de ler ela tende a começar escrever também. “Começar a escrever, foi concomitante a leitura, eu sempre gostei de ler, e eu acredito que isso é natural nas pessoas que gostam de ler. Em algum momento ela vai esboçar um pensamento” diz.
O primeiro livro publicado
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“É um sonho realizado, você está se eternizando nas paginas de um livro”, comenta Vanessa ao falar da experiência de publicar “Mulheres Incomuns”, livro de contos que retrata o cotidiano de várias personalidades femininas. “Você vai embora mas a obra fica”, diz Vanessa finalizando seu pensamento. Em “mulheres incomuns”a autora já começa a mostrar sua tendência a escrever sobre a personalidade feminina que vai desde a mulher firme, guerreira e independente, até a mais
sensível e romântica. A escritora conta que sua primeira publicação só foi possível porque ela tinha capital para investir .“Eu tinha um dinheiro e resolvi investir, e se não tivesse dado certo eu não teria publicado outros livros, mas graças a Deus, o público recebeu bem e publiquei outros livros”, conta Vanessa.
Livros escritos ou com participação da escritora
Feminismo
Como já foi dito, Vanessa Trajano se preocupa em retratar a mulher em todas as formas, e foi em 2014 que ela escreveu seu livro mais “bombástico”, como ela mesma define: “Poemas proibidos”, um livro de poemas eróticos. “Poemas proibidos retrata a liberdade feminina em relação à própria sexualidade. O título é irônico, no sentido que a proibição dita nele se refere ao fato de que a sociedade impõe sim interditos sexuais para as mulheres, mas elas podem perfeitamente se libertarem deles. Lançar um livro com essa temática, sendo mulher, é uma postura política”. É assim que Vanessa define seu livro. Ela levou o livro “Poemas Proibidos” para a Bienal do Livro e para a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Quando questionada sobre a repercussão do livro nas duas feiras ela diz que foi “o de sempre: os homens adoraram, algumas mulheres me detestaram”. Vanessa não se declara feminista, mas fala que o livro pode até ser. “Não sou ligada a nenhum movimento do feminismo, mas o estudo com afinco”, conclui.
Dificuldades
O último livro que Vanessa publicou foi o romance “Doralice”, lançado em 2015. Em sua carreira Vanessa destaca algumas dificuldades de ser escritor em Teresina, pois ela mesma afirma já ter tido de vender seus livros em bares. “Não por necessidade, mas é porque eu tinha urgência de chegar ao maior numero de pessoas, e foi dessa forma que eu ganhei notoriedade”, diz Vanessa. Ela afirma que hoje não precisa mais fazer isso, mas ressalta que o escritor precisa ir atrás do comprador. “Se você não for atrás do comprador, você não vende o livro de jeito nenhum”, desabafa. Ela ainda fala sobre o apoio, pois segundo ela, existe sim quem apoie, mas não de forma financeira, e sim como ela mesma diz, “aquele tapinha nas costas”, Apesar de ressaltar que o “tapinha nas costas não paga as contas do mês, a escritora se diz agradecida a esse tipo de apoio, pois é sempre convidada para os eventos e diz que esse tipo de reconhecimento é sim importante. “Dizer que não sou valorizada eu estaria sendo, mal agradecida, mas se eu pudesse, eu só escrevia”, finaliza
Poemas proibidos é seu livro mais polêmico
Sul do Piauí ameaçado pela extração de gás mortal Tânia Martins
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pobre rico Piauí está prestes a sofrer um dos maiores golpes da sua história caso a Mineradora Ou-ro Preto Óleo e Gás comece a explorar o Gás Metano. O Gás será extraído das profundezas das ro-chas do Aquífero Poti-Piauí, datadas de 540 milhões de ano. A licença ambiental concedida pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado-SEMAR, está prevista para ser emitida após a realização das Audiências Públicas obrigatórias realizada nos dias 14 e 16 de fevereiro em Baixa Grande do Ribeiro e Floriano, Sul do Piauí No primeiro momento a mineradora vai dar continuidade às pesquisas sísmicas iniciadas em 2013 e vai perfurar, de cara, 46 poços, mas logo podem ampliar para centenas. Devido ao método que utili-zam – Fracking, popularizado como Gás de Xisto – a contaminação das águas, do solo, do ar e dos alimentos são inevitáveis. Os gasodutos e poços serão instalados nos municípios de Amarante, Ar-raial, Cajazeiras, Floriano, Francisco Ayres, Nazaré do Piaui, Oeiras, Regeneração, São Francisco do Piauí, Canavieira, Landri Sales, Sebastião Leal, Baixa Grande do Ribeiro e Ribeiro Gonçalves. O cobiçado gás está preso no Aquífero Poti-Piauí, para retirá-lo já foi provado que o risco de polui-ção é alto, ou seja, é certa a contaminação da região por metano! No caso, quem está no caminho do gás vai padecer vendo sua água envenenada. Por lá estão os rios Balsas, rio Uruçui Preto, rio Gur-guéia, rio Canindé e rio Parnaíba emoldurados pelos biomas Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica, que por sua vez abrigam uma diversidade de espécies da fauna e flora. E o bicho homem? Pensaram que ele também está no meio do caminho? Na região eles são em mi-lhares, a maioria pobre; provavelmente beberão água com metano até a morte. E para provar que as leis são de fachadas, nos trechos estão fincados 11 territórios Quilombolas e uma infinidade de Sí-tios Arqueológicos. A Rede Ambiental do Piauí-REAPI,
com apoio da COESUS- Colizão Não Fracking Brasil e da Campanha Climática da 350. org. está mobilizando o Ministério Público para enfrentar o problema abrindo uma discussão com a sociedade. Segundo Juliano Bueno, Coordenador COESUS – Colizão Não Fracking Brasil e da Campanha Climática da 350. org. na extração do gás são usados mais de 720 produtos químicos, muitos deles radioativos e cancerígenos. A vida média de cada poço é de um ano e meio a três, restando após, na área, tão so-mente deserto radioativo irrecuperável. Os milhões de litros de água contaminados perdem-se, parte no subsolo, parte em piscinas a céu aberto, contaminando os lençóis
freáticos e os aquíferos e o solo e deixando de atender a consumos nobres, como seri-am o abastecimento humano, a dessedentação de animais, a pesca, a agricultura, a indústria e o lazer. Somente parte do metano liberado pelo fraturamento hidráulico – fracking – é apro-veitado, permanecendo o restante livre, tornando água e solo passíveis de incêndios, contaminando o ar e prejudicando a saúde humana e o meio ambiente. Se não fosse o bastante, o gás liberado contribui para o aquecimento global e para as mudanças climáticas, que põe em risco a sobrevivência de todas as formas de vida, inclusive a humana.
O que é Fracking?
O fracking – fraturamento hidráulico – é uma técnica destrutiva de extração do gás metano aprisionado em microbolhas no subsolo, num tipo de rocha chamada folhelho pirobetuminoso. Para sua extração, milhões de litros de água, misturados com areia e mais de 720 produtos químicos contaminantes, pelo menos uma dúzia deles cancerí-genos e até radioativos, são injetados no subsolo sob alta pressão, fraturando a rocha.
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Temer e os direitos roubados de um povo que não cala
Andre Luis Moreira Reporter
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m 31 de agosto de 2016; o Senado aprovava o impeachment da então Presidenta Dilma Roussef. Desde então se iniciou um processo de desmonte dos setores público, e os direitos conquistados com muita dificuldade nos oito anos do mandato do ex-presidente Lula começaram aos poucos serem retirados. Tudo começou quando Temer anuncia o pacote de contensão de gastos públicos, congelando os investimentos em saúde e educação por 20 anos, traduzido na então PEC 241 que logo se torna PEC 55, aprovada no dia 13 de dezembro de 2016 com 53 votos a favor e 16 contra. No Estudo “O Novo Regime Fiscal e suas Implicações para a Política de Assistência Social no Brasil”, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), alerta para o possível desmantelamento de programas como Bolsa Família, Proteção Social Básica (PSB), Programa de Segurança Alimentar e Benefício de Prestação Continuada, previdência para cidadãos de baixa renda que não contribuíram na vida ativa. De acordo com a pesquisa, esses programas consumiram 1,26% do PIB em 2015 e, com a aprovação da PEC do teto, o gasto encolheria para 0,7% do PIB em 20 anos. O estudo conclui, assim, que em 2036 a assistência social contaria com “menos da metade dos recursos necessários para manter a oferta de serviços nos padrões atuais”. Em ter-
O povo brasileiro está indo as ruas e mostrando a força da classe trabalhadora e estudantil mos absolutos, a perda acumulada do setor será de 868 bilhões de reais. Na Saúde, a perda acumulada será de 654 bilhões de reais, em um cenário de crescimento do PIB de 2% ao ano, segundo uma nota técnica divulgada pelo Ipea. Um governo surdo para o povo - O Brasil reagiu contra as ações do governo Temer. Movimentos fizeram manifestações e escolas e universidades de todo Brasil foram ocupadas em protesto contra a PEC 55. Mas a voz do povo não foi escutada e a medida foi aprovada com 4 votos a mais do que o necessário.
Thais é militante do movimento estudantil RUA
Para a estudante militante Thais Guimarães que participou das ocupações na Universidade Federal do Piauí, as mobilizações organizadas principalmente pelos estudantes, serviu como um alerta para o governo. “Por mais que a proposta tenha sido aprovada existe gente indignada no país que estão dispostos a lutar e que tem capacidade de se organizar, e para o movimento estudantil isso foi muito significativo e reacendeu o movimento que a muito tempo estava apático’’, diz. Thais avalia o governo Temer como ilegítimo, pois segundo ela houve um golpe e que mesmo a PEC sendo aprovada ela não vê como derrota. “Além de ser um governo golpista é um governo de retirada total de direitos, conservador que não contempla as minorias, e sobre os movimentos, eu penso que não tinha mobilização ou ocupação que fizesse com que a PEC não passasse, já que estamos lutando contra pessoas poderosas, não vejo como derrota, vejo como um “reacendimento” dos movimentos estudantis. Mas nós estamos nas ruas, desde quando o Temer assumiu o poder”, conclui. Reforma da Previdência - Além dos estudantes, os movimentos sindical e popular se mobilizaram contra a PEC 55, a reforma da Previdência e todas as medidas que trazem prejuízo para a classe trabalhadora, um exemplo disso foi quando no dia 15 de março,
todas as categorias realizaram atos em todo o Brasil. Em Teresina os sindicatos começaram com manifestações em vários pontos da cidade e depois se reuniram na Assembleia Legislativa do Piauí, ato organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores da Educação (SINTE) que teve como pauta principal além da reforma da Previdência o Piso dos Profissionais da Educação que também pode ser afetado, como explica a presidente do SINTE, Odenir de Jesus, que teme principalmente pelos direitos das mulheres. “A reforma Prejudica toda a classe trabalhadora, e o professor principalmente, que pode perder o direito da aposentadoria especial, em especial a mulher, tanto as professoras ou a mulher do campo, já que a idade mínima vai aumentar. A proposta do governo Temer também vai acabar com a aposentadoria integral, atinge as pessoas já aposentadas porque hoje ela recebe o mesmo reajuste que os ativos, é a chamada paridade, é o direito igual do reajuste dos salários, é uma reforma que dificulta o direito a aposentadoria”, avalia. Lei da terceirização - A mais recente ação re-
O que muda com a reforma da previdência? Proposta pelo governo a reforma vai acabar com a não obrigatoriedade de uma idade mínima para se aposentar, ou seja, caso aprovado o cidadão só vai poder se aposentar com 65 anos de idade. Além de extinguir também a aposentadoria por tempo de contribuição que é de 30 anos para as mulheres e 35 para os homes; já o tempo mínimo de contribuição será de 15 para 25 anos, e 49 para aposentadoria integral; para os trabalhadores rurais, agora vão ter que contribuir com o INSS, o que antes não era obrigatório. As regras valem para homes com menos de 50 anos e mulheres acima de 45 anos. alizada pelo governo Temer foi à aprovação no dia 22 de março, por 230 votos a 203 a lei da terceirização que regulamenta a prática e permite que as empresas terceirizem todas as atividades – inclusive as chamadas atividades-fim, a principal atividade da empresa, aquela para a qual foi criada. Com a aprovação da lei e sancionada pelo Presidente no DOU do dia 31 de março, uma escola agora pode terceirizar a contratação de professores. Antes, só era permitida a terceirização de atividades-meio – como limpeza e segurança. Para o procurador do trabalho Edno Moura, o perigo da lei é porque as empresas muitas vezes dão calotes nos funcionários, e eles acabam ficando sem seus direitos: “A
Odenir de jesus no ato dia 15 de março empresa não cumpre com suas obrigações trabalhistas e isso tem trazido prejuízos aos direito dos trabalhadores, além de outras consequências como a redução de salários, aumento da jornada, aumento do número de acidentes”, diz. O procurador destaca a importância de uma lei que regulamenta a terceirização, mas para ele teria que ser de uma forma diferente da que foi aprovada na Câmara dos Deputados. “O problema é que nós precisamos de uma lei que viesse trazer segurança não somente ao trabalhador, mas também aos empresários, mas essa lei faz o contrário, fragiliza mais ainda a situação do trabalhador porque ela amplia as possibilidades de terceirização, ou seja, com isso vai ser possível que uma empresa não tenha sequer nenhum empregado”, ressalta.
O povo também respondeu a lei da terceirização. No dia 31 de março foram realizados atos em todos os Tribunais Regionais do Trabalho (TRT). O presidente da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Piauí (ADUFPI) Jurandir Lima, lembra dos direitos que os trabalhadores perderam. “Os trabalhadores nos últimos doze meses vêm perdendo um conjunto de direitos conquistados. O governo que se estabeleceu de forma ilegal tem atacada o capital nacional, e o preço de todas essas reformas tem sido colocado ao trabalhador, nenhum das propostas tem sido a favor do trabalhador. Essa lei da terceirização vai avançar no processo de degradação dos direitos do trabalhador, não existe terceirização, o que existe é a transferência do capital público para o privado”, destaca.
Ato realizado no 31 de março em frente ao Tribunal Regional do Trabalho
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ATENTE!
Papa Francisco abre as portas da profecia na igreja Por Núbia Maria da Silva Jornalista
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alar ou escrever sobre o papa Francisco é visualizar a imagem de um homem humano, divino, profeta, livre e comprometido com as causas sociais no mundo. Várias cenas permitem ver o pontífice próximo de todos que habitam o Planeta. Acolhe refugiados, visita presidiários. Abraça crianças e enfermos. Conhece realidades das famílias vítimas de terremotos. Dialoga com lideranças políticas e religiosas. Fala a linguagem das diversas culturas. Confessa em praça pública. Insere-se no mundo moderno numa ação que diviniza ao abrir as portas da profecia na Igreja. O pontífice está presente no cotidiano das pessoas com o olhar da misericórdia. Preocupa-se com os pobres da terra, com a “Casa Comum”. Espaços insondáveis parecem configurar-se num homem que vive a espiritualidade no coração do mundo, em constante ação libertadora. Curioso como Francisco inicia seu pontificado (13/03/2013), dizendo que seus irmãos cardeais “foram quase ao fim do Mundo para buscá-lo”, quando escolhido bispo de Roma. Isso revela a esperança dos pobres e da Igreja dos oprimidos. Configura o rosto do Deus dos pequenos, dos excluídos e dos marginalizados. O argentino Jorge Mario Bergoglio rompe tradições. É o primeiro pontífice latino-americano. Não passa despercebida a escolha do nome: Francisco! Faz a memória do mais exemplar dos santos católicos, São Francisco de Assis (1182-1226), devoto da simplicidade e da natureza, exemplo da Igreja pobre. Insinuou-se um novo começo. Uma reforma na Igreja, como já está acontecendo. As atitudes do pontífice são nítidas nas ações, nos escritos e no testemunho evangelizador. Recorda constantemente que a Igreja não pode esquecer a sociedade inserida em estruturas de injustiça, violência, egoísmo e degradação ambiental. Quer que toda a Igreja caminhe na linha da profecia. Esse caminho renovador tem reflexo na Igreja do Brasil. A Nota da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), divulgada em 23/03, convoca “os cristãos e pessoas de boa vontade (...), a se mobilizarem ao redor da atual Reforma da Previdência, a fim de buscar o melhor para o povo, principalmente os mais fragilizados”. Faz crítica à Proposta de Emenda à Constituição do governo de Michel Temer. Isso demonstra que a Igreja do Brasil está em profunda sintonia com as reflexões e ações do pontífice que clama por “uma Igreja em saída”.
al documento toca em questões relevantes aos valores “éticos/sociais”, mencionando o artigo 6º da Constituição Federal de 1988. “Não é uma concessão governamental ou um privilégio. Os direitos sociais no Brasil foram conquistados com intensa participação democrática; qualquer ameaça a eles merece imediato repúdio”. Portanto, a Nota defende a necessidade de auditar-se a dívida pública, de taxarem-se rendimentos das instituições financeiras, de rever-se a desoneração de exportação de commodities, de identificar e cobrar os devedores da Previdência. “Essas opções ajudariam a tornar realidade o Fundo de Reserva do Regime da Previdência Social, Emenda Constitucional 20/1998, que poderia provisionar recursos exclusivos para a Previdência.” E termina o documento cujo tema é a Reforma da Previdência com uma referência do pontífice: “não falte o direito à aposentadoria”. Outro aspecto relevante da maestria com que o papa Francisco trata as questões dos marginalizados são suas palavras proféticas no discurso de abertura do Encontro Mundial dos Movimentos Populares, realizado em outubro de 2014, em Roma. O coração do pontífice é ligado ao coração dos pobres ao pronunciar-se: “nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direito, nenhuma pessoa sem dignidade que provém do trabalho”. Afirma ainda que os movimentos populares expressam a necessidade urgente de revitalizar as democracias. Já em janeiro de 2015, o pontífice disse, durante uma audiência pública realizada no Vaticano, que a causa da pobreza é o sistema econômico que fez com que o povo seja guiado pelo “Deus do dinheiro”. E destaca o fenômeno da exploração e da opressão, somando-se no aspecto duro da injustiça social que chamou “cultura do descarte”. Contrariando muita coisa pregada pela Igreja, o papa Francisco abre as portas para acolher temas polêmicos.
Os homossexuais determina que sejam tratados como pessoas comuns, abominando o preconceito contra eles. Revolucionou defendendo a seriedade da participação feminina na sociedade. Advertiu a importância das “mulheres na capacidade de entender o mundo com outros olhos e de sentir as coisas com coração mais criativo, mais paciente”. Em 2016, no Ano Jubilar da Misericórdia, Francisco revelou o Rosto Misericordioso de Deus, “capacidade de parar e fixar olhos nos olhos, a pessoa que pede ajuda”. Já na abertura da Quaresma deste ano (quarta-feira de Cinzas), a mensagem do papa Francisco para o Brasil aborda como temática os biomas brasileiros e a defesa da vida. O pontífice diz que o Criador foi pródigo com o Brasil. Concedeu-lhe uma diversidade de biomas que lhe confere extraordinária beleza. Mas, infelizmente, os sinais da agressão à criação e da degradação da natureza estão presentes. “Entre vocês, a Igreja tem sido uma voz profética no respeito e no cuidado com o meio ambiente e com os pobres”. Para falar ou aprofundar sobre a profecia do papa Francisco, não se pode ficar apenas nos temas e nas ações concretas que ele desenvolve. É preciso prosseguir no caminho da abertura eclesial e profética como fundamento da participação dos cristãos no novo processo social e político.
ATENTE!
Empresas têm de ser transparentes se quiserem a confiança do consumidor Plínio Bortolotti Jornalista
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esmo se a considere exagerada, a operação Carne Fraca levantou questionamento sobre o que o brasileiro põe à mesa. A “indústria de proteína animal” diz que segue todas as normas legais; que mantém padrões éticos; que vende aos clientes os mesmos produtos oferecidos às suas próprias famílias (ou às estrelas da TV, turbinadas com cachês milionários). Apesar disso, no mundo real, o que move o negócio é o lucro: e nada contra, desde que não seja faturado em cima da saúde alheia. Quando acontecem irregularidades, a direção das empresas alega ser problema “pontual”, culpando subordinados. Mas os executivos escondem que os empregados são espremidos até os ossos para “cumprir metas”, com os superiores fechando os olhos para os métodos usados para atingir o mister. Por outra vista, também não adianta embarcar na utopia naturista, como se fosse possível voltar ao tempo supostamente idílico do homem caçador-coletor ou vivendo em pequenas comunidades autossuficientes. A agricultura orgânica e a permacultura, mesmo sendo importantes, não conseguirão suprir as necessidade humanas. (Ainda que a fome não seja decorrente da falta de alimentos, porém de sua injusta distribuição, mas esse é outro debate.) Assim, temos de conviver com as grandes indústrias de alimentos, sem demonizá-las; mas sem deixá-las impor os seus ditames. A cadeia produtiva do agronegócio está longe de ser um exemplo, pois nela se observa desde o sofrimento brutal dos animais ao desmatamento, passando pelo trabalho escravo. Se os frigoríficos e outras grandes Transgênicos Alguns produtos que contêm transgênicos: aspartame, óleo de cozinha, milho, amido de milho, xarope de milho, margarina, leite, salsicha, pães, bolos, biscoitos, soja e lectina.
empresas estão mesmo preocupadas com o meio ambiente e com seus clientes, deveriam cuidar para que isso melhore, rastreando com mais rigor os produtos que chegam às suas fábricas, obrigando seus fornecedores a fazerem um serviço limpo. Dizer que cumprem todas as regras oficiais, c omo sempre fazem, é apenas a obrigação. Melhorem, caso queiram reconhecimento público. Tomemos o caso dos transgênicos, hoje consumidos por milhões de brasileiros, que nem devem saber que organismos geneticamente modificados estão no seu prato. Deixando de lado a polêmica sobre serem prejudiciais ou não à saúde – e mesmo por isso – ninguém discordaria de que o consumidor tem o direito de saber se o que compra contém transgênicos. Porém, a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia) lutou o quanto pôde contra a Lei de Biossegurança. Aprovada, tornou-se obrigatória a rotulagem indicando a presença de transgênicos nos produtos. Perdida a primeira batalha, a Abia começou a questionar o símbolo dos transgênicos: um “T” aposto no centro de um triângulo amarelo para alimentos que contenham pelo menos 1% de transgênicos. A associação quer aumentar o percentual para 4% e mudar o símbolo, que lhe parece alertar para uma coisa “perigosa”. Talvez o leitor ainda não tenha observado, mas boa parte dos óleos de cozinha – entre muitos outros produtos – contém o triângulo amarelo no rótulo. Isto é, foi produzido com vegetal geneticamente modificado, milho ou soja, por exemplo. Os produtos podem ser seguros, como afirmam seus defensores, mas o consumidor tem o direito de saber o que está levando para casa, com Cerveja A propósito, as cervejas mais populares, tipo Skol, Brahma, Antarctica, Original e outras, todas contêm “cereais não maltados” em sua fórmula, como anotado no rótulo, em letras miúdas. Cereais não maltados, normalmente, é sinônimo para milho, possivelmente transgênico, pois esse tipo de cultura responde por 85% da produção brasileira.
informações claras e objetivas. Já é tempo de dirigir as queixas ácidas que costumamos reservar aos serviços públicos também à iniciativa privada e aos seus representantes.
Feijão A Embrapa deve lançar este ano o primeiro feijão transgênico do mundo, desenvolvido pela empresa. A semente será resistente a duas doenças que atacam a produção: o vírus do mosaico dourado e o carlavirus.
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ENTREVISTA
Por Carlos Mascarenhas
Fora Temer e suas reformas
Elton lutando pelos direitos dos trabalhadores
Diz presidente da CTB-Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil/PI, Elton Arruda.
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a entrevista que segue, Elton explica que a palavra “Austeridade” na economia quer dizer medidas que cortam gastos, investimentos, subsídios para produção e políticas sociais, e esses “recursos pegam para sustentar a política de rentismo internacional”. Para ele o Dia 28 será o dia “D”, onde o Brasil vai parar contra as reformas da previdência, trabalhista, a terceirização e pelo “Fora Temer!”. Elton Arruda é formado em Geografia pela UESPI, é Professor do Centro de Estudos Sindicais e do Trabalho de São Paulo e ministra aulas na rede particular de ensino no Piauí e Maranhão. Confira, boa leitura. Como você situa a CTB nesse cenário de crise que vive o país? Elton Arruda - A CTB se articula junto a diversos outros movimentos para fazer mais uma mobilização contra essas reformas do governo Temer. O dia “D” pra nós será o dia 28 agora, onde o Brasil vai parar contra as reformas da previdência, trabalhista, a terceirização, e pelo fora Temer. Que críticas você faz dessas reformas? Que pontos destacaria? EA – Tanto a reforma da previdência como a trabalhista fazem parte de um pacote de política econômica austera. Neste sentido, a palavra austeridade não tem a vê com rigor ético ou seriedade como é para o senso comum. Austeridade na economia quer dizer medidas que cortam gastos, investimentos, subsídios para produção e políticas sociais e pegam esses recursos pra sustentar a política de rentismo internacional. Temer está errado. As políticas econômicas de austeridade não deram certo e a Europa inteira já entendeu. Ele chega atrasado na bola e ainda dá o passe errado. Qual a alternativa pra nós? Que não aja reformas da previdência, trabalhista antes de se discutir importantes reformas que mudariam o país pra melhor, como a reforma tributária, taxando grandes fortunas e combatendo a sonegação, só pra ficar num exemplo.
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Como ficam os trabalhadores rurais com essa reforma? EA – O argumento que eles colocam é o seguinte: os trabalhadores rurais encarecem a previdência, etc, isso está errado também. Os trabalhadores rurais como todo trabalhador presta um grande serviço à nação, precisam
ser respeitados como tal. Especificamente precisamos compreender que eles começam a trabalhar mais cedo, aos 12 ou 13 anos, submetidos a determinadas condições ambientais que lhes levam a desgastes físicos mais precoces, em essência o trabalho de roça é mais difícil do que o trabalho do escritório sim, e precisamos respeitar essa particularidade e tratar diferentemente os diferentes, como dizia o grande Rui Barbosa. E no caso das mulheres? EA – A mulher tem dupla jornada. Ela não chega em casa e senta na frente da televisão pra assistir ao jogo. Em casa ela cuida da criança, da casa, então quem acumula diversas atividades além da atividade no mundo do trabalho também não pode ser tratado igual a quem somente cumpre um expediente no escritório, no pátio de construção, na repartição pública. As mulheres precisam ter compreendida a sua condição de gênero muito específica e muito importante para organização do social. E qual seria proposta do movimento sindical, inclusive da CTB para enfrentar essa situação? EA – As centrais sindicais refutam a reforma da previdência. Antes, temos que fazer outras importantes reformas no país. Precisamos combater a sonegação, aprimorar os mecanismos de controle social e fiscalização, enfrentar o problema da economia brasileira, não pelo caminho da austeridade, mas pelo caminho dos investimentos no trabalho, no desenvolvimento, nas forças produtivas nacionais, para que esse país retome rapidamente o caminho do crescimento e principalmente, do emprego e do aumento do salário constante, como vinha no período anterior ao seu Temer. Como analisa os argumentos de que a população está envelhecendo e por conta disso, os idosos estariam a onerar a Previdência? EA – Os avanços tecnológicos na área da medicina, e de forma mais geral, garantem para a maioria das pessoas uma maior longevidade, ou seja, viverão mais. Só que, é necessário que esses avanços sejam acessados pela maioria da população. Então eu não permitindo que a maioria da população acesse esses avanços não posso esperar que ela viva mais. As condições draconianas que vão ser postas
aos trabalhadores(as) do Brasil a partir da reforma trabalhista, dessa tal terceirização e da reforma da previdência, afetarão a longevidade e as pessoas viverão menos. Então o certo reformar a previdência para as pessoas viverem mais, não para viverem menos. Que pontos da reforma trabalhista você destacaria como prejudicial para os trabalhadores...? EA – A ideia da flexibilização dos direitos. Na verdade a reforma trabalhista tem um grande ponto negativo, ela destrói os instrumentos de proteção do trabalho. O trabalhador, em via de regra, será terceirizado, não terá direitos fundamentais como de organização ou como de indenização no caso dos desempregos, etc. Neste sentido, como é que a gente vê a reforma trabalhista? Como gesto covarde que transformará o trabalhador em galinha e colocará a raposa dentro do galinheiro. Inúmeras pesquisas mostram que países que perseguiram esse caminho aumentaram o desemprego e diminuíram a massa salarial. Quer dizer, a CLT que protegeu o trabalhador no ápice do desenvolvimento da indústria, agora os direitos dos trabalhadores estão ameaçados com a sua destruição, digo da CLT? EA – Veja, para o capitalismo é necessário regular a relação entre capital e trabalho, precisa ter um mínimo de equilíbrio. Mas aí está a irracionalidade da política de austeridade do governo Temer, que só olha pro lado do empregador, não olha pro lado do empregado. É óbvio que se essa mão de obra não tiver condição de se reproduzir historicamente, sem o mundo do trabalho ninguém gera riqueza, então a funcionalidade, o papel histórico da CLT está relacionado com a organização da
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relação capital e trabalho para que o capital se multiplique e o trabalho possa cumprir o seu papel no modo de produção capitalista, essa é a grande questão. Ao destruir a CLT, eu destruo as condições de realização do trabalho, é essa a questão, da irracionalidade até para eles. Nessa lógica então a Justiça do Trabalho está com os dias contados? EA – Sim, por isso queremos abrir diálogo com a OAB, porque a reforma trabalhista afetará também os advogados, a justiça do trabalho, todo o sistema de direitos que os trabalhadores têm hoje. A ideia da política de austeridade do Temer e dos seguidores dele é de baratear o máximo essa possível mão de obra. O problema é que ninguém mata a galinha dos ovos de ouro, essa é a grande burrice da política de austeridade. Imagine com mais desempregados e menos salários teremos menos consumo e o Brasil será um grande poço de pobreza. Como a terceirização já aprovada e sancionada pelo governo Temer afetará os trabalhadores? EA – Somos contra a terceirização aprovada pelo governo Temer. Entendemos que trabalhadores terceirizados são trabalhadores cujo sistema de proteção é mais frágil. Basta entender que o projeto de terceirização pressupõe, inclusive, que a empresa terceirizada não tenha sede, no limite o trabalhador não sabe onde vai cobrar os seus direitos. Eu desafio aqui qualquer um a olhar pro lado, para um colega terceirizado e perguntar a ele: como é a realidade do trabalho terceirizado? ele vai dizer que prefere contratado pela empresa diretamente. E sobre a reforma da educação proposta pelo governo Temer, como você avalia? EA – A mudança de política no ensino superior se traduz na redução de investimento, na redução de vagas e na redução do acesso, esse é o tripé em que ela está fundamentada, somos absolutamente contra. Precisamos preparar o pensamento nacional e pra isso precisamos é de mais universidades, de mais investimento, de acesso e de políticas de incentivo na permanência desses alunos ate o fim do curso. No caso da reforma do ensino médio, chega a ser irônico o fato de que as escolas particulares não a adotarão. Se fosse boa elas fariam. A reforma do nível médio segrega os alunos de escola pública a trilharem o caminho de postos de trabalho menos remunerados, enquanto quem não seguir pela reforma do nível médio ascenderá a postos de liderança no setor público e privado sustentados no maior tempo de permanência na escola.
Por isso a CTB se posiciona contra? EA – Sim. É claro que o ensino médio brasileiro precisa ser reformulado. E esse debate, as conferências de educação já vinham travando. Eu particularmente participei pelo SINPRO à época de algumas, agora participo desse debate pela Federação de Trabalhadores e Trabalhadoras de Estabelecimentos Privado do Nordeste/FETRAENE, e tenho certeza que se precisa reformar, mas precisamos reformar o ensino médio pra que ele seja um ensino humanístico, mais global voltado para formação da consciência planetária, pra que se encoraje e sustente a permanência do aluno porque os índices de evasão são altos, e precisamos preparar crescentemente levas e levas de professores para suprir a grande defasagem de profissionais nessa área. E sobre as reformas do governo Wellington Dias, como você as avalia? EA – Pra nós da CTB, os governos estaduais e os municipais pagarão um alto preço pela política nacional adotada, porque quando chega a recessão econômica ela não diz: ‘olha eu vou atingir só a esfera federal’, ela atinge
“A reforma Trabalhista tem um grande ponto negativo, ela destrói os instrumentos de proteção do trabalho.” todo mundo. Veja que essa crise da Odebrecht rendeu cem mil desempregados. Eu pergunto: já sabemos quantos desempregados vão sair dessa crise da carne? E agora, mais recentemente, com o fim do apoio às cadeias de produção de calçado e da indústria têxtil, sabemos calcular quantos empregos vão desaparecer? Então, todo país pagará caro por isso, esses governos vão no embalo porque também não conhecem outra receita, serão levados a reagir a essa crise sem qualquer instrumento de inclusão social, sem qualquer instrumento de investimento em desenvolvimento ou coisas do tipo. Mas para boa parte do movimento sindical as reformas adotadas pelo governo de WD prejudicam os trabalhadores, neste sentido, qual a sua opinião? EA – A minha opinião é de que não é possível comparar mecanicamente o governo Wellington Dias ao governo Temer como fazem setores do movimento social. É preciso entender isso como parte de uma grande estrutura que sufocará não só Wellington Dias, mas os
governadores do Ceará, do Maranhão e do país todo porque mergulharão todos no mesmo imbróglio. A mesma reflexão faço sobre os gestores municipais porque 7 em cada 10 municípios recebem mais recursos originados da políticas de seguridade do que do próprio Fundo de participação dos Municípios. É claro que o nosso papel enquanto trabalhador é cobrar deles que tenham uma melhor performance independente dos tempos serem de crise ou não. Neste sentido eu compreendo, me solidarizo aos trabalhadores da AGESPISA, compreendo as demandas dos trabalhadores da educação, e outros setores, mas não posso deixar de refletir sobre a questão com a profundidade apropriada. Então não é fácil a situação dos governos, terão de pisar em ovos, e nós, com muita responsabilidade, intensificar a luta em defesa de todos os trabalhadores. E sobre os deputados piauienses que votaram a favor da terceirização, como você avalia? EA – Estamos andando em vários municípios e já presenciamos protestos de centenas e centenas de trabalhadores indo às ruas. Em Miguel Alves, Picos, Valença, Agua Branca e outros, já falamos pra milhares de trabalhadores. Então, certamente a população saberá como estão votando esses deputados. Agora, ao lado disso, a CTB tem feito um forte trabalho dentro do Congresso, no sentido de travar o debate com todos os deputados e senadores para tentar dissuadi-los a não continuarem dando sustentação à política de austeridade que é a alternativa menos inteligente agora. Para o dia 28 de abril, qual a sua expectativa? EA – No dia 28 de abril a nossa primeira preocupação é barrar as reformas da previdência e trabalhista. Isso tem fortalecido a bandeira do Fora Temer. Hoje, existe uma grande unidade em todos os setores dos movimentos sociais e em todas as centrais sindicais, independente de sua coloração, ninguém dá mais sustentação a esse projeto. Historicamente, sempre que isso aconteceu, foi possível lograr vitória. Estamos muito esperançosos que o dia 28 poderá ser a pedra fundamental para o fim dessa política de austeridade, desse resgate da agenda neoliberal proporcionado pela ascensão de Temer ao poder. Inclusive, quero aqui dizer o seguinte: nesse exato momento, a Frente Povo sem Medo debate lá com sua base, a Frente Brasil Popular debate com sua base; o pessoal que organizou o Fórum Contra a Reforma da Previdência debate com sua base, as centrais debatem com suas bases, o movimento estudantil e de mulheres, existe unidade do povo para enfrentar as reformas. E dia 28 vai demonstrar isso.
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Teoria cristã e teoria do valor, dois lados da mesma moeda? Carlos Silva - Resenhista
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e o conceito trans-histórico de sociedade é nulo, como explicar fragmentos remanescentes, como por exemplo o da religião, presente no atual modelo social? Como e por quê sobrevive, em meio a uma sociedade cada vez mais pautada no individualismo? Existe um novo elemento teórico substituto da religião? Se existe, por quê a religião ainda sobrevive e quais paralelos e divergências, se é que há, nas duas teorias? Vale a pena fazermos uma reflexão sobre pratica e teoria. A fonte é Giuseppe Staccone, franciscano conventual, Doutor em Teologia e Professor de Filosofia Contemporânea, de sua obra: “Teologia para o Homem Critico”, de 1984. Em tese, o mundo pensa a partir dos filósofos Gregos. Para eles, “só a teoria leva ao conhecimento, a verdade. O que é conhecido teoricamente, como enlace de conceitos abstratos, é aplicado depois na prática do concreto”. Nesse sentido; “primeiro conhece-se o que é bom e depois age-se de acordo com aquela noção”. Portanto, para os Gregos, o momento primeiro estaria sempre na atividade teórica. Mas, para Giuseppe Staccone a oposição a essa forma de pensar reside na premissa de que é a pratica que cria os elementos para a teoria, ou seja, a teoria seria uma reflexão da pratica. Mas não se encerra ai. A teoria volta para a pratica. Nesse caso, entende-se que a reflexão da prática redundaria em uma melhor pratica (grifo meu). Giuseppe conclui este ponto afirmando: “pratica e teoria são sempre produtos de pessoas históricas socialmente relacionadas com o presente e o passado”. Sendo assim, um teórico é necessariamente um historiador (grifo meu). Segundo a mesma obra, Giuseppe detém-se em alguns questionamentos próprios da emergente modernidade, que surgem a partir da inversão que faz o antropocentrismo assumir o lugar, antes ocupado pelo teocentrismo, em que o homem assume a responsabilidade e se torna agente causador dos eventos, originando o período denominado “Iluminismo”, iniciado no século XVIII, o qual, nas palavras de Kant: “(...) consiste no ato pelo qual o homem sai da minoridade. A minoridade se assenta na incapacidade de servir-se do próprio entendimento, sem a guia de outro (...). Sem a condução de outro, a pessoa mesma é a culpada por essa minoridade (...). A razão e a liberdade permitirão à humanidade desligar-se de toda tutela autoritária, o que vale de modo especial para as questões religiosas, terreno no qual, para Kant, a minoridade é a mais desonrosa”. Nesse sentido, para Giuseppe, a Teologia deste tempo procura responder à problemática do homem moderno, “(...) nascido do Iluminismo racionalista e cético, e da revolução industrial, massificante e materialista”. Afirma ainda que: “o sujeito histórico desta mentalidade é a classe burguesa, mas tam-
bém a classe operaria, sobretudo dos grandes centros urbanos industriais”. Giuseppe conclui que “(...) o livre jogo dos interesses individuais se comporia num resultado final que coincidiria com o interesse geral”. Segundo ele, “daí a ideia, sustentada por Adam Smith, de que o capitalismo seria o sistema econômico natural para o homem”. Assim, Giuseppe estabeleceu o momento da ruptura de um pensamento centralizado na escatologia, originada na saga do povo Hebreu, que culminará na segunda vinda de Cristo para estabelecer o reino de Deus na terra e o momento que se inicia a negação deste sistema de crenças, com o surgimento do homem racional, o burguês. Karl Marx nasceu em pleno limiar do “sujeito racional”, foi atormentado pela história e pelo que prospectou para os tempos futuros da sociedade capitalista. Materialista, não se deteve em analisar os motivos nos quais os homens da religião se ampararam para estabelecerem as cruzadas e a inquisição, métodos que ceifaram centenas de milhares de vidas de inocentes proletários. Alimentando o pensamento de que; “A religião é o ópio do povo”, descartou qualquer possibilidade de emancipação do homem através da religião ou da filosofia do pensamento e propôs a praxis da filosofia. Mas, por que podemos considerar Marx o nome dentre todos os nomes da modernidade? Para Robert Kurz, teórico do valor, Marx está dividido em dois, assim denominados: “exotérico” e “esotérico”. No primeiro residiria a fase de sua “imaturidade”, onde vislumbrou a desintegração das classes no momento em que a classe pobre (proletariado) tomasse posse dos meios de produção com todos os arquétipos que os rodeiam. A utopia do comunismo esvaiu-se, na praxis implementada na suposta revolução Russa. Marx faleceu e não teve tempo, nem de ver os horrores do comunismo, nem a insurreição de uma nova análise da sua obra, agora de sua fase “madura”, o Marx “esotérico”, descoberto nos manuscritos denominados “Os Grundrisses”, que originariam a série de três livros intitulados “O Capital”. A partir de meados da década de 1940 com Gyorgy Lukács e Theodor Adorno, do auge da sociedade mercantilista, nasce uma reflexão que resultará no debate sobre a origem do valor, isto é, do capital. Robert Kurz, filosofo e historiador Alemão, debruçou-se, tempos depois, sobre os manuscritos Grusdrisses e originou a crítica do valor. A crítica de Robert Kurz localiza-se especificamente na sociedade capitalista. Para defini-la desta forma, fez uma minuciosa análise desde as mais remotas sociedades até seu tempo, chegando à conclusão de que cada uma delas tiveram seus momentos no tempo e no espaço, mas que necessariamente uma não tinha relação direta com outras. Com isso, descartou o conceito trans-histórico/ontológico
de sociedade para definir que a sociedade capitalista, como todas as outras, teve um início e também terá um fim. Seria a crítica do valor o elemento teórico que substituirá a religião? Em que se firma a crítica do valor? Após um hiato de tempo, não se sabe quanto, Marx provavelmente caiu em si e percebeu que o modelo socialista cedo ou tarde acabaria resultando numa nova forma de inquisição. Isolou-se e buscou encontrar a raiz que germinou toda a sociedade capitalista. De forma magistral, reiniciou sua produção e escreveu um dos mais belos textos da literatura mundial. Numa leitura aparentemente simples, nas primeiras páginas dO Capital, fez a análise da mercadoria. Para Marx, a raiz de todo o mal reside na produção de mercadorias. O valor é originado de um elemento que também está contido na mercadoria, a força de trabalho do homem, que é abstrata, assim como o valor. Para gerar um fator abstrato, só um outro fator abstrato. Marx revelou o fetiche da modernidade, o deus do homem moderno, a mercadoria. O que significa este achado? Para Giuseppe Staccone, a teoria Cristã é a pregação da libertação dos pobres da injustiça que os excluí e marginaliza. Pretende revelar a todos a injustiça chamando a atenção para a solidariedade que iguala a todos. Entende-se como pobre as crianças, por serem ainda ignorantes, os negros, as prostitutas e também os índios, bem como toda sorte de miseráveis. A pobreza se opõe ao reino de Deus, por isso precisa ser exterminada. Cristo se coloca em favor dos pobres e se faz o vingador destes. Expressa isso na metáfora do anônimo rico e o miserável Lázaro quando, no pós morte, o rico que não teve nenhuma compaixão do miserável arde no inferno eterno enquanto que Lázaro se delicia do Reino de Deus. A teoria Cristã não pode desaparecer porque a injustiça insiste em permanecer. Já para a crítica do valor a libertação do homem consiste na saída das cadeias da alienação. O mito da busca pela vida digna, gerou, na modernidade, um individualismo sem precedentes e com isso o aumento do sofrimento e da miséria. Na sociedade do vale mais quem tem mais, perde-se de vista o verdadeiro causador do mal, a produção de mercadorias. Para Robert Kurz, o homem corre em sentido contrário daquilo que o libertará. A ideia de que o trabalho libertará o homem cegou o entendimento de todos e a cada dia se torna mais difícil o homem libertar-se daquilo que o escraviza, o próprio trabalho. Portanto, o homem só será realmente livre quando se libertar do trabalho. Teoricamente as duas teorias compartilham do mesmo mal, a exclusão dos mais pobres da participação da sociedade como um todo, mas divergentes nas formas de recompensa final...
Unidade, Trabalho e Conquistas - 2016-2019
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Bancários contra a reforma da previdência
A famigerada e cruel reforma previdenciária (PEC 287/2016) proposta pelo governo ilegítimo de Michel Temer torna impossível a aposentadoria para o trabalhador brasileiro. Confira alguns pontos cruéis da proposta do governo temeroso:
Idade mínima
Pela regra atual não há idade mínima para a aposentadoria por tempo de contribuição. A exceção é a aposentadoria por idade: 65 anos (homem) e 60 (mulher), mas com a proposta de Temer quem quiser se aposentar precisa atingir uma idade mínima de 65 anos, tanto para homens quanto para mulheres.
Tempo de contribuição
Atualmente o tempo mínimo é de 15 anos para aposentadoria por idade, com tempo de contribuição de 35 anos (homens) e 30 anos (mulher). Mas a proposta de Temer aumenta para 25 anos o tempo o mínimo de contribuição, mas para receber 100% do benefício terá de contribuir por 49 anos.
Pensão por morte
Atualmente pode-se acumular pensão por morte e aposentadoria, o valor não pode ser menor do que o salário mínimo e a pensão é 100% do valor da aposentadoria que o falecido recebia, mas Temer quer reduzir para 50% da aposentadoria que o falecido recebia, mas 10% por filho dependente. Hoje é permitido o acúmulo de pensão e aposentadoria, mas Temer proíbe, sem considerar a renda atual.
Aposentadoria para o trabalhador rural
A regra atual estipula 60 anos para homem e 55 anos para mulher, mas com a proposta de Temer o trabalhador terá que trabalhar até os 65 anos de idade com 25 anos de contribuição para homens e mulheres.
Benefício Assistencial:
Pela regra atual o Benefício Assistencial, que é concedido a pessoas extremamente carentes ou com deficiência, é de 65 anos e direito a 1 salário mínimo, mas Temer eleva para 70 anos, e o valor será desvinculado do salário mínimo.
Veja os Deputados do Piauí que traíram os trabalhadores em favor da Terceirização que destrói direitos trabalhistas
Iracema Portela (PP)
Paes Landim (PTB)
Átila Lira (PSB)
Júlio César (PSD)
Estamos de Olho
Maia Filho (PP)
Rodrigo Martins (PSB)
Silas Freire (PR)
www.bancariospi.org.br Email: contato@bancariospi.org.br Tel.: (86) 3304 5907 / 994825261 Fax: (86) 3304 5908 R. Gabriel Ferreira, 740/N
28 de Abril Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho
Por Fransico Luis Lima Médico e auditor fiscal do trabalho
E
sta data surgiu no Canadá, como ato de denúncia e protesto, em razão de um acidente que matou 78 trabalhadores em uma explosão numa mina no estado de Virgínia nos Estados Unidos, em 1969. Em 2003, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) instituiu a data como o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho, em memória às vítimas de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho. Neste dia são celebrados eventos no mundo todo para a conscientização dos trabalhadores e empregadores quantos aos riscos de acidentes. A data foi instituída no Brasil pela Lei nº 11.121 de 2005.. Todos os anos temos realizado café da manhã na Superintendência Regional do Trabalho em Teresina seguida de palestra sobre ambiente do trabalho em busca de como enfrentar o alarmante crescimento das doenças ocupacionais e acidente do trabalho no Piauí. Anualmente, no mundo, morrem cerca de 2,34 milhões de homens, mulheres e crianças, devido a acidentes e doenças relacionadas ao trabalho. São registrados, a cada ano, 317 milhões de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, significa que 123 vidas são perdidas por minutos e 5 mil vidas por dia são perdidas em acidentes de trabalho pelo mundo. O Brasil ocupa o 4º lugar em relação ao número de mortes, com 2.783 óbitos/ano. O País perde apenas para China (14.924), Estados Unidos (5.764) e Rússia (3.090).
O custo Social e econômico é assustador, cerca de 2,8 bilhões de dólares - 4% do PIB mundial representa os gastos com trabalhadores acidentados. No Brasil 704.100 mil acidentes do tra-
balho no ano de 2014 com 2.783 mil mortes. Cerca 48 trabalhadores/dia não mais retornaram ao trabalho devido a morte ou invalidez permanente. As despesas com benefícios, hospitais, próteses, medicamentos são de R$ 200 bilhões por ano. No Piauí a cada ano cerca de 4000 trabalhadores são vitimas de acidentes do trabalho e 25 morrem. Tem como principal setor econômico responsável pelos acidentes do trabalho a indus-
tria da construção civil. Em 2014 os Auditores Fiscais do Trabalho da Superintendência Regional do Trabalho do Piauí analisaram 25 acidentes do trabalho, sendo 15 acidentes na construção civil com 10 mortes. Temos enfrentado a terceirização como um dos grandes problemas no mundo do trabalho moderno, estima-se que um quarto de toda mão de obra empregada – que labora em regime precário no que se refere ao meio ambiente do trabalho e aos direitos trabalhistas é de trabalhadores terceirizados. Esse é mais um dos fatores que comprovam que os acidentes não ocorrem por acaso, são previsíveis portanto são preveníveis . Os profissionais da Segurança e Saúde do Trabalho sabem que mais importante que números das estatísticas, é o custo humano que representa essa tragédia diária, este é incalculável. E que a morte de tantos trabalhadores sirva de reflexões para as empresas e toda a sociedade criando a cultura de prevenção de acidentes e doenças ocupacionais, a prevenção dos acidentes é benéfica para os trabalhadores, empregadores e governos. Nós entendemos que os atores sociais envolvidos no mundo do trabalho precisam do diálogo e da negociação coletiva tripartite – Só assim avançaremos na qualidade de vida e em ambiente do trabalho seguro e saudável – condição fundamental para o desenvolvimento de qualquer País
Em 28 de abril, a partir das 7h30, dando prosseguimento á luta, convidamos você trabalhador para participar do café da manhã em frente a Superintendencia Regional do Trabalho