Caderno E
Saúde MANAUS, DOMINGO, 5 DE AGOSTO DE 2012
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Saúde e bem-estar E5
Amor de mãe é fundamental O carinho materno é um dos primeiros sentimentos experimentados pelo ser humano, aliás, esse laço afetivo pode contribuir significativamente para o sucesso ou total infelicidade de uma pessoa
ALITA MENEZES Equipe EM TEMPO
D
e fato, a grande audiência da novela das 21h, “Avenida Brasil”, transmitida pela Rede Globo de Televisão, se deve à trama que envolve as protagonistas Nina (Débora Falabella) e Carminha (Adriana Esteves). Entretanto, paralela à discussão que aborda a vingança, existem outros temas de relevante importância, como o desapego afetivo de Carminha pela própria filha Ágata (Ana Karolina). Mais comum do que se imagina, as cenas da ficção se repetem também na realidade. Para o psicólogo Fabrício Menezes, tanto a relação com a mãe como também com o pai são importantes, pois servem de referencial para a construção do sujeito e de sua personalidade. “A presença feminina (materna) é, de certo modo, a mais viva, logo, o impacto desse relacionamento na vida de uma criança ou adolescente é mais representativo”, avalia. Ainda segundo o especialista, mães castradoras e autoritárias contribuem para que a criança se torne um adulto inseguro e imaturo. “A mãe, geralmente, passa mais tempo com os filhos, por isso é o maior referencial. Decorrente dessa relação haverá a construção dos valores
morais e éticos que servirão de base para a condução do indivíduo ao longo de sua vida”, pontua Fabrício. Toda criança precisa de um parâmetro para conduzir sua vida e as figuras paternas auxiliam nesse processo. A mãe tem um aspecto a considerar que é a emoção, enquanto
ENTENDA
A psicanálise defende que o ser humano se forma a partir do olhar do outro, por isso a ausência da atenção primária, quando criança, pode causar traumas na psique do indivíduo o pai seria a figura que representa a autoridade, o comando e a ordem. Portanto, as orien-
tações conjuntas dos pais serão ponderadas por essa criança de ontem que é o adulto de hoje. A também psicóloga Rochelle Rolim acrescenta que a psicanálise defende que o ser humano se forma a partir do olhar do outro e, para que se desenvolva uma boa estrutura emocional, a atenção, os cuidados e o amor devem estar presentes de forma significantes. “A ausência dessa atenção primária pode causar traumas na psique do indivíduo. Não se pode determinar ao certo quais as consequências, porque cada um desenvolve mecanismos de defesa diferentes para sobreviver, mas geralmente observa-se, em indivíduos que sofreram esse tipo de rejeição, traços de insegurança, carência afetiva, ciúmes exagerados, dificuldade de relacionamento interpessoal e uma tendência a comportamentos destrutivos, como abuso de substância tóxicas, compulsão alimentar, consumismo exagerado, entre outros”, e n u mera.
Sem motivos para rejeição Não há uma razão conclusiva que explique o porquê de algumas mães rejeitarem ou não aceitarem o comportamento do próprio filho, mas vários são os motivos relacionados ao problema, normalmente dificuldades enfrentadas pela mãe e que acabam sendo transmitidas aos filhos. Entre as principais causas para a falta de carinho das mães estão: gravidez indesejada, abandono por parte do pai, imaturidade, medo das responsabilidades, ciúmes da atenção dada à criança, além de outras frustrações da mãe. Carla Feitosa*, 25, é a filha mais velha dos três irmãos, tem os pais casados e bem sucedidos, mas enfrenta fortes críticas da mãe. “Não importa se sou boa filha, ótima profis-
sional, livre de vícios e não seja intempestiva, se mudo o cabelo ela critica, reclama do meu jeito de vestir, das amizades, de tudo”, desabafa a jovem. Carla não imagina qual o motivo para tanta desaprovação por parte da mãe, que, com os outros filhos, se mostra compreensiva e carinhosa. “Tenho feito terapia e descobri que, realmente, sou bastante insegura. Por muito tempo fui infeliz, mas agora estou superando esse sentimento, construindo minha vida independentemente de toda mágoa e tenho certeza que serei uma mãe bem diferente”, garante.
“Modus Operandi” Para Rochelle Rolim a reprodução do comportamento dos pais com os próprios filhos é muito comum, apesar de não ser regra. Ainda segundo a psicóloga, algumas pessoas possuem uma tendência de se “atualizar” e não repetir os mesmo erros dos pais. Mas, muitas vezes, os indivíduos, dependendo do grau de profundidade dos traumas que tenham sido gerados, sentem dificuldades em agir de uma outra maneira. “Isso pode causar um sentimento de culpa na pessoa, ao dar-se conta das suas atitudes, mas mesmo assim ela pode sentir muitas dificuldades em se libertar do modus operandi. Quando isso acontece, a terapia pode ser muito útil, possibilitando uma provável ressignificação do seu passado e dando espaço a novos comportamentos e novas atitudes”, afirma. * Nome fictício para resguardar a imagem da entrevistada