MANAUS, DOMINGO, 18 DE MARÇO DE 2012
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Educar sem se
repressão
Apesar de toda polêmica e da resistência que alguns pais têm em relação à educação livre dos castigos físicos, especialistas afirmam que a palmada só traz consequências ruins
DIVULGAÇÃO/STCK
Caderno E
Saúde
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ALITA MENEZES Equipe EM TEMPO
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Segundo especialistas, a cobrança excessiva pode trazer problemas sérios para as crianças e adolescentes
uando se fala na educação dos filhos, cada família tem sua própria maneira de controlar os pequenos, mas de modo geral algumas regras são comuns a todas, como a cobrança pela responsabilidade com o dever de casa, higiene pessoal e bons modos. Desde o final do ano passado, um projeto de lei apimentou ainda mais essa discussão. A “Lei da Palmada”, como vem sendo chamada, além de proibir o uso de castigos físicos em crianças e adolescentes, prevê advertência aos pais que maltratarem os filhos, bem como participação no programa oficial de proteção à família, cursos de orientação e tratamento psicológico ou psiquiátrico. Desde sua aprovação na Câmara Federal, muito se tem comentado da funcionalidade ou não do projeto, e uma das questões mais debatidas se refere à falta de autoridade que os pais ou responsáveis poderão sofrer. Apesar de toda polêmica, especialistas na educação infantil afirmam que os pais que batem em seus filhos podem estar causando efeitos nocivos no desenvolvimento da criança. De acordo com uma revisão nas pesquisas desenvolvidas ao longo dos últimos 20 anos, os pesquisadores concluíram que independentemente do tipo de castigo, sejam os usuais, como as broncas e surras administradas quando a criança faz algo errado, até os níveis mais altos de abuso infantil, o resultado nunca é
positivo a longo prazo. Para a psicóloga infantil Martha Marques Oliveira, todo tipo de humilhação infantil deve ser evitado. “Não há um estudo conclusivo sobre os reflexos de uma educação intempestiva sobre as crianças, mas temos observado que a insegurança e a criatividade reprimida são algumas das consequências relacionadas”, comenta. Ainda segundo a especialista em psicopedagogia, a cobrança excessiva também pode trazer problemas emocionais para a criança ou adolescente. Ela explica que, na maioria dos casos, os pais ocupam todo o dia da criança
A violência de hoje não é a palmada de antigamente. Hoje o tratamento é mais agressivo e a Lei da Palmada vem corrigir os excessos Martha Marques Oliveira, psicóloga infantil
com aulas complementares, curso de idiomas, música, esportes e uma série de outras atividades, que nem sempre são aquelas que a criança prefere fazer. Além disso, se o rendimento não for satisfatório em uma delas, como um nove ao invés de um dez naquela prova de matemática, então para os responsáveis não é o bastante. “É importante que os filhos sejam estimulados nessa fase de aprendizado, mas os pais devem priorizar a vontade das crianças, valorizando aquilo que elas
mais gostam de fazer, a fim de evitar futuras frustrações e falta de interesse”, aconselha a doutora Martha, afirmando ainda que o excesso de atividades não é fator decisivo para o futuro sucesso profissional do filho. Diálogo pode ser o melhor caminho Assim como o dito popular, a psicóloga infantil também defende que a conversa é o melhor caminho a ser seguido para o entendimento entre pais e filhos. É claro que nem sempre os pedidos dos adultos são ouvidos pelos menores e, nesse caso, alguns castigos podem ser aplicados, como a proibição de algumas atividades de lazer, entre elas o videogame, ou até o uso do chamado cantinho da reflexão, onde eles precisam ficar um tempo sozinhos para pensar na atitude errada que tomaram. “Na adolescência é mais complicado de se manter esse diálogo porque naturalmente há um afastamento dos jovens do seio familiar, nesse período eles priorizam mais pela amizade”, destaca Martha Marques. Diante desse fato, ela aconselha que os pais sejam enérgicos e não esperem que os filhos os procurem. Ao contrário, eles que devem estar constantemente buscando acompanhar os filhos, sem deixá-los muito soltos. Isso não significa, no entanto, que eles tenham que ser humilhados ou punidos fisicamente. “A violência de hoje não é a palmada de antigamente. Hoje o tratamento é mais agressivo e a “Lei da Palmada” vem para corrigir esse excesso de violência doméstica”, finaliza a especialista.
Presença dos pais é importante Renata Costa*, avó de duas netas de uma mesma filha, conta que apesar de ambas receberem a mesma educação uma teve mais liberdade que a outra. “Resultado, enquanto uma acabou de ser aprovada na universidade a outra já repetiu por duas vezes o primeiro ano do ensino médio”, conta a avó. Ela justifica o menor rendimento da segunda neta ao excesso de liberdade dada pelos pais.
“Os adolescentes não sabem o que fazer com a liberdade, por isso os pais precisam ser presentes e cobrar um pouco mais”, defende. Renata* também não é a favor do uso de castigos físicos ou discussões alteradas para educação dos filhos ou netos, tanto que a mãe de suas netas sempre opta pela conversa com as filhas, mas ela é categórica ao afirmar que se as netas tivessem sido
cobradas da mesma maneira o rendimento seria mais equilibrado entre as duas. “A conversa sempre deve nortear a educação e o sentimento e opinião das crianças e adolescentes devem ser respeitados, por outro lado os pais, mesmos os mais companheiros, precisam manter sua autoridade para melhor direcionar os filhos”, finaliza a avó. * Nome fictício