Imóveis históricos abandonados
GERSON FREITAS
1
DESCASO
Páginas 6 e 7
Deu cano! MANAUS, DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015
3090-1017
FOTOS: DIVULGAÇÃO
Fique atento na hora de construir ou fazer uma reforma no encanamento de esgoto da sua casa e evite transtornos
Faça um projeto hidráulico sem mistérios
FRED SANTANA
A
o construir um imóvel, temos muito trabalho em pequenos detalhes. E apesar de pequenos, esses detalhes podem fazer a diferença no conforto e até na saúde de quem vai utilizar o espaço. Um dos mais importantes itens na hora de construir é o sistema hidráulico. Esse sistema é um mecanismo caracterizado pela distribuição da água que abastece a casa, por meio das torneiras. Também faz parte dele a tubulação de esgoto, responsável pelo encaminhamento da água já utilizada para a estação de tratamento. De acordo com a engenheira civil Camila Carvalho, autora do site Tudo Construção, o ideal é buscar sempre um profissional habilitado, mas algumas dicas devem ser observadas. A primeira dica é procurar sempre materiais certificados pelo Inmetro. Produtos não certificados não tem garantia de qualidade. Isso pode resultar em sérios problemas na rede hidráulica de sua residência. Dessa forma, será preciso uma reforma para reparar possíveis danos causados.
A engenheira afirma, ainda, que é possível comprar bem por um preço justo. “Procure por encanamentos bons, porém economize na compra. Para que isso aconteça, pesquise em pelo menos três lojas para ter a certeza de que está pagando um preço bem menor do que o cobrado em outras lojas”, ensina. Detalhes No aspecto técnico, é importante prestar atenção nas juntas elásticas. Elas são responsáveis pela ligação de um cano ao outro. “Procure usar juntas elásticas de boa procedência. Usando as juntas de qualidade, você pode evitar possíveis vazamentos na passagem da água pelos canos”, aponta. Para o encanamento da cozinha, é recomendável utilizar caixas de gordura. Essa caixa é responsável por armazenar a gordura dos pratos, talheres e panelas. “Esse sistema é excelente, pois a gordura é impedida de chegar até o esgoto”. Mas é importante ficar atento: se a gordura cair no encanamento, o mesmo ficará entupido. Portanto, para evitar esse transtorno, instale a caixa de gordura. Ela pode
ser higienizada regularmente para manter o seu funcionamento sempre ativo. Os encanamentos que passam por lajes precisam de um furo. Esse furo precisa ter uma abertura superior ao diâmetro da tubulação. Esse detalhe precisa ser verificado antes da instalação dos tubos de encanamento para evitar forçar os mesmos e causar tensões futuras. “Essa parte, chamada de sinfonagem, é fundamental para evitar em mau cheiro por conta de acúmulo de sujeira”, acrescenta a engenheira. Confiança Para fazer essas instalações, é preciso que o trabalho seja executado por alguém de confiança, de acordo com Camila. “Reparos na rede hidráulica exigem muito esforço, pois há vezes em que é necessário realizar quebras para poder consertar. Esses reparos podem, em casos extremos, abalar a residência”, alerta. O ideal é procurar referências sobre o profissional que está contratando. Além de observar se ele tem especialidade com os encanamentos. Se possível, é importante acompanhar a obra de perto.
Fazer vistorias e limpezas preventivas nos canos e itens que compõem a rede hidráulica evita problemas
2
MANAUS, DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015
Use plantas para limpar os poluentes do ar da casa Dentro de casa há poluentes como benzeno, xileno, aldeído, por isso, use plantas para filtrar o ar que você respira
A
s tintas, móveis, vidros e tecidos que estão presentes na nossa decoração e os produtos utilizados na limpeza liberam produtos químicos. Os mais comuns são benzeno, xileno, aldeído e tricloroetileno. Isso não é um problema para ambientes bem ventilados, mas em locais com índices de qualidade do ar mais críticos, ambientes bem ventilados também têm quantidade razoável de resíduos químicos vindos de outras fontes. As plantas são purificadoras naturais do ar. Então, mesmo em ambientes menos ventilados, é possível cultivar determinadas espécies que ajudem a reduzir a toxidade. Todas se adaptam bem com pouquíssima exposição ao sol e também pouca rega (a luminosidade, no entanto, é sempre importante!).
VARIEDADE Algumas plantas são melhores que outras para eliminar substâncias químicas específicas do ar, por isso busque a que melhor atenda suas necessidades
1
O clorofito precisa de muita luz e de pouca exposição ao sol (no inverno). Regue diariamente no verão, mas modere nos dias frios.
2
A dracena não pede sol. Mas não gosta de lugares muito frios. Deixe-a em local iluminado e regue diariamente (sem encharcar o solo).
3
O filodendro pacová gosta de lugares quentes (nada de ar-condicionado forte para ele) e pede ilumi-
nação durante uma parte do dia (manhã ou tarde). Como originalmente os filodendros são epífitas, plante-o em solo enriquecido com fertilizante orgânico ou sobre xaxim. E só regue quando perceber que o substrato está secando.
4
O lírio da paz não pode ficar em vaso seco. Pede regas diárias em períodos mais áridos e regas a cada dois dias em períodos mais úmidos. A cada seis meses adube a terra e removas as folhas mortas e secas.
5
As samambaias não gostam de incidência direta de sol - basta receberem luminosidade em parte do dia. As regas devem ser diárias, mas o xaxim nunca deve ficar encharcado. Em dias quentes borrife água em suas folhas. Evite posicionar a samambaia em local em que haja corrente de vento.
EXPEDIENTE EDIÇÃO Mellanie Hasimoto mellzis@gmail.com
REPORTAGEM Fred Santana Gerson Freitas
FOTOS Arquivo EM TEMPO
REVISÃO Dernando Monteiro e João Alves
DIAGRAMAÇÃO Adyel Vieira
TRATAMENTO DE FOTOS Kleuton Silva
3
MANAUS, DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015
O que fazer para evitar dívidas e como sair delas F
inanciar um imóvel pode ser a solução para algumas pessoas, mas também a perdição. Se não for muito bem planejado, o financiamento leva a dívidas e inúmeros problemas. É normal, também, que imprevistos como desemprego, diminuição de renda e outros problemas que comprometam o pagamento aconteçam aos compradores - e, neste caso, o que fazer para não perder o imóvel? Para auxiliar esses compradores, a “Cartilha do Mutuário – Inadimplência” traz orientações para aqueles que estão endividados com as parcelas do imóvel. O material também inclui dicas de como organizar as contas antes de fechar o negócio para não ter dor de cabeça no pagamento das parcelas.
6
Postergar a resolução do débito, além de acarretar juros e possibilitar a inclusão do nome em órgãos de proteção ao crédito, a inadimplência pode levar a perda do imóvel. No Sistema Financeiro da Habitação (SFH) acontece depois de atrasar três prestações. Já no Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), se o atraso for superior a 30 dias, o mutuário é intimado a pagar dívida. Caso não o faça no prazo de 15 dias, o cartório onde o imóvel está registrado efetuará a consolidação da propriedade em favor do banco.
7
Para evitar o risco de ficar inadimplente, peça uma planilha do banco com a projeção de todas as parcelas do financiamento, incluindo as taxas extras e os seguros que compõem a prestação.
De acordo com a lei 8.692/93, os mutuários têm o direito de pedir a revisão do contrato do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) por perda de renda. Os consumidores podem renegociar a dívida de acordo com seu rendimento atual, conforme o percentual inicialmente acordado que, por lei, não pode ultrapassar 30%. Note que essa regra é válida para contratos com previsão de comprometimento d e renda.
2
8
1
Verifique se as parcelas não comprometem mais do que 30% da renda familiar.
3
Mantenha uma quantia disponível em FGTS, poupança ou outras aplicações para se precaver contra imprevistos financeiros.
4
Caso esteja prestes a atrasar ou se está inadimplente no pagamento das parcelas do imóvel, é válido primeiro tentar um acordo com o banco/construtora. Com isso, ambos saem ganhando, porque o questionamento será resolvido amigavelmente e em curto prazo.
5
Se não tiver sucesso no acordo é aconselhável pedir auxílio da Justiça, na tentativa de marcar uma audiência. Comprovado o pagamento, o juiz poderá suspender uma eventual execução ou leilão.
Vale frisar que em muitos dos casos, a inadimplência é provocada pelo agente financeiro ou pela incorporadora. De uma hora para outra, o adquirente é pego de surpresa com aumento das prestações
FOTOS: DIVULGAÇÃO
Antes de iniciar o financiamento, é importante ter projeções das parcelas para ter certeza de que vai conseguir arcar com todas acima do permitido, como a cobrança abusiva de juros sobre juros (prática condenada pelo STJ), ou ainda resíduo ao final do financiamento (em desacordo com a lei 4380/64). Nessa situação, o indicado é pedir uma revisão do contrato para tentar dirimir eventuais irregularidades.
9
Caso esteja comprando, antes de definir a modalidade de financiamento é fundamental fazer o cálculo de suas despesas e comparar as linhas de crédito imobiliário disponíveis no mercado que melhor se adaptem a sua possibilidade de pagamento, pois as prestações do empréstimo podem comprometer a renda da família por até 35 anos.
10
Na hora de financiar, opte pelo Sistema de Amortização Constante (SAC) para evitar aborrecimento ao arcar com as parcelas do crédito bancário. Vale lembrar que essa modalidade tem carga de juros alta, que será paga no início do financiamento.
Não caia na cilada de ficar inadimplente e correr o risco de perder o imóvel. A solução é tentar negociar sem comprometer o rendimento familiar
4
MANAUS, DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015
Profissional qualificado é garantia de bom negócio FOTOS: DIVULGAÇÃO
A escolha de corretor de imóveis ou imobiliária exige atenção do consumidor a fim de evitar estresses e muitas furadas
U
ma das mais antigas do país, a profissão de corretor de imóveis começou a ser exercida ainda durante a colonização, quando as pessoas ganhavam a vida procurando pousadas para os recém-chegados ao Brasil. De lá para cá, a categoria cresceu, o surgimento de cursos específicos contribuiu para a profissionalização dos serviços e hoje a categoria agrega quase 300 mil pessoas em todo país, segundo o Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci). Em meio a tantos profissionais, para garantir que esta assessoria seja prestada de forma adequada, são necessários alguns cuidados, como orienta o presidente da Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação (ABMH), Lúcio Delfino. De acordo com ele, a lei 6.530/1978 define como corretor de imóveis a pessoa física (corretor autônomo) ou jurídica (imobiliária) que exerce a intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis, e opina quanto à comercialização imobiliária. “No caso da compra e venda, o corretor pode ser contratado pelo comprador ou pelo vendedor e sua remuneração, geralmente, corresponde a um percentual do valor da negociação, que varia de 6% a 8%, conforme definido pela tabela do sindicato da categoria. Já na locação, a remuneração, normalmente, observa o percentual de 10% do valor do aluguel, podendo o corretor/
imobiliária cobrar um percentual maior no ato do recebimento do primeiro aluguel”, esclarece Delfino. De acordo com o profissional, o pagamento da corretagem é devido por quem contrata o corretor ou imobiliária que faz a intermediação da compra e venda, permuta ou locação do imóvel. Caso o consumidor faça a contratação, Delfino faz um alerta. “Infelizmente, é comum que pessoas que não possuem habilitação legal atuem como corretores de imóveis. Por isso,
CONFIANÇA Transparência das informações, tanto sobre os imóveis quanto sobre sua metodologia de trabalho, são palavras-chave para conduzir o processo sem estresse e ter certeza que as boas decisões serão tomadas antes de contratar o profissional, é necessário que interessado solicite o número de registro no Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) e, se pairarem dúvidas, verifique a regularidade do registro junto à referida entidade”, aconselha o presidente da ABMH. Sem dor de cabeça Tratar com profissionais sérios e responsáveis, além de evitar problemas, garante a agilidade e qualidade do negócio, seja a locação, permuta,
compra ou venda de um imóvel, como esclarece Delfino. “Embora muita gente não saiba, o corretor de imóveis responde por eventuais perdas e danos causados ao cliente. Segundo o Código Civil, o profissional é obrigado a executar seu trabalho com diligência e prudência, a prestar ao cliente todos os esclarecimentos acerca da segurança ou do risco do negócio, das alterações de valores e outros fatores que possam influir nos resultados da incumbência, assim como do andamento do negócio”. A obrigação de prestar esclarecimentos e informações é devida mesmo quando o cliente não solicitar, como acrescenta o advogado. “Ou seja, o corretor responde por sua omissão de forma objetiva. Assim, se o cliente tiver algum prejuízo por falta de cuidado e zelo do corretor (ou imobiliária) no momento da execução do negócio, pode pleitear a indenização cabível. Essa falta de cuidado inclui a omissão de algum risco ou a falta de observância dos documentos necessários à realização do negócio”, aponta. Embora seja responsabilidade do corretor/imobiliária, o presidente da ABMH recomenda que o consumidor procure se informar. “O interessado que tiver dúvidas acerca do negócio deve sempre recorrer a um advogado antes de assumir qualquer obrigação. É melhor prevenir que remediar!”, indica Lúcio Delfino.
5
MANAUS, DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015
Arquitetando
contato@arquitetandomanaus.com.br www.arquitetandomanaus.com.br
XA
Especificadores: uma carreira. Dicas para um living
Paulo Ricardo Sachs
FOTOS: PAULO RICARDO SACHS
O living é o cartão de visitas de sua casa e local de convivência, portanto invista”
Atuante no mercado nacional e internacional de mobiliário e alta decoração
Cozinha gourmet: tudo em harmonia com churrasqueira
A
rquitetura significa construção também é a arte e a técnica e a habilidade em projetar ambientes, com espaços organizados, criativos e sustentáveis buscando otimizar os recursos do cliente na sua moradia. Por que contratar um arquiteto? É caro? Não! Com a expansão do mercado imobiliário nos últimos tempos a ritmo chinês de produção no Brasil, o mercado de profissionais da área deixa de ser intangível ou sonho antes para poucos mortais. O custo de contratação de um profissional da área custa muito menos do que você imagina. Sua moradia pode ter 70m2 a 2000m2, digo com experiência própria e de mais de 20 anos trabalhando neste métier. Vale a pena. Temos hoje classes diferentes, arquitetos urbanistas, arquitetos paisagistas, designers de interiores
e decoradores. Dependendo de sua necessidade cada qual pode atender a sua. Se for construir ou reformar vá de arquiteto, é única entidade que é responsável e com habilidade para obras, reformas, estruturas. Mas quando falamos de interiores, dar conforto, otimizar espaço, entender o cliente todos se convergem a uma coisa só: O acompanhamento e a orientação, para deixar seu espaço mais agradável, funcional, com estética e principalmente sustentável. Dica, procure aquele profissional, que tenha afinidade quase que espiritual com você, pois ele entenderá e irá descobrir na primeira entrevista até aqueles segredos guardados a sete chaves, transpondo de forma funcional para sura moradia. Nesta matéria selecionei alguns itens que jamais poderão faltar em um living. Mas porque o living?
Aconchego
O living congrega, também é o seu cartão de visita, é um lugar que reúne, que traz personalidade, permite encontros e é o maior espaço de convívio de uma residência. É alma da casa. Portanto invista! O que não pode faltar em um living? Afinal living é aquela área de convivência e multidisciplinar, da família que hoje é a área de receber e de bem-estar. A cada dia evolui para outros seguimentos em especial a cozinha gourmet que se apresenta como uma grande tendência. Lembrando que no próximo dia 18, estará acontecendo a festa de celebração do dia dos Arquitetos, no Dulcila.
Peça de Sérgio Rodrigues
Outro living gourmet: madeira
Decoração e acervo por Sérgio Monteiro de Paula
Amofadas: peças decorativas
Bar living: sempre em voga
Mesa de jantar: Saccaro
Obras do arte do artista Dominique Humbert, na Galeria L‘Amazonine
Sofá da Saccaro
Tapetes
Espelhos além de criar amplitude, refletem a energia negativa da casa
6
História e em
Fachada do Hotel Cassina, que foi cenário de encontros entre intelectuais e nobreza no apogeu da borracha
Tomado por vegetação, o hotel transformado em cabaré é referência da arquitetura do século 20
Construções centenárias, muitas já tombadas, que se encontram em situação de abandono por parte do poder público ou dos proprietários, estão aos poucos apagando uma das épocas mais gloriosas vivida pelo Amazonas GERSON FREITAS
E
rguidos no período áureo da borracha, alguns imóveis históricos do centro da cidade, que um dia já foram sinônimo de riqueza e luxo, atualmente estão esquecidos e servindo apenas de abrigos para moradores de rua, depósito de lixo ou até mesmo sofrendo com a ação do tempo, que vem deteriorando traços coloniais criados por europeus. Essa realidade questionada por profissionais envolvidos com a revitalização da cidade ainda está longe de ser mudada. Em visita à região central de Manaus, a reportagem do EM TEMPO comprovou que muitos projetos de revitalizações de construções históricas, previstas para serem concluídas no primeiro semestre de 2014, estão paralisadas e sem qualquer sinal de que a obra será entregue em breve. Descaso Outras construções históricas, que guardam apenas paredes frontais e laterais, e em alguns casos estão de pé apenas com auxiliar de escoras de madeiras, oferecem risco constante à população. É o caso dos casarões situados na rua Visconde de Mauá, que podem desabar a qualquer momento. Para o arquiteto e urbanista Kleyton Marinho, o descaso com
a história do Amazonas, além de prejudicar a memória de um povo, traz enormes prejuízos econômicos para o Estado. O profissional ressalta que edifícios históricos são considerados de altíssimo valor cultural e representam uma história rica em detalhes. Dessa maneira, fica notável a suma importância da conservação desses prédios pelo poder público. “O turismo se utiliza do patrimônio de várias formas. As
PROGRAMA O PAC Cidades Históricas é uma ação intergovernamental para preservar o patrimônio brasileiro, valorizar a cultura e promover o desenvolvimento econômico e social com qualidade de vida para os cidadãos cidades foram construídas em diferentes épocas históricas, com diferentes necessidades humanas e diferentes técnicas construtivas, principalmente as brasileiras, e nessa conjuntura torna-se necessário um esforço do poder público gestor das cidades, a fim de traçar a melhor estratégia para a conservação e manutenção dos edifícios históricos da cidade, uma vez que, segundo estudos, o número de turis-
tas à procura desse segmento só tem aumentado. O turismo consciente e sustentável só agrega valores positivos para os municípios”, disse. O arquiteto destaca que, atualmente, dos imóveis históricos, em sua maior parte do núcleo colonial, restam apenas o traçado urbano, orgânico, em contraponto ao traçado planejado, ainda do século 19. Na arquitetura, uma boa quantidade de edifícios ecléticos ainda está preservada. O Centro Histórico de Manaus do século 21 apresenta uma porção urbana formada por edificações do período áureo mesclada a edifícios modernos. Sem respostas Procurado durante toda esta semana pelo EM TEMPO, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional do Amazonas (Iphan-Am) não se manifestou sobre a manutenção dos prédios históricos de Manaus e sobre quando serão retomados os projetos de revitalizações das edificações. Já a Secretária de Estado de Cultura do Amazonas (SEC) informou que não é responsável por tombamento de prédios e nem pela conservação dos mesmos. Em 2012, o Iphan-AM tombou o centro histórico da capital. A ação, em sua maior parte, abrangeu edificações que ficam localizadas entre a avenida Eduardo Ribeiro e
a rua Leonardo Malcher, no perímetro que corresponde à orla do rio Negro e o entorno do Teatro Amazonas e que ainda mantém os aspectos simbólicos e densos de realizações artístico-construtivas. Projeto Mas ainda há um fio de esperança. Ponto de encontro dos grandes empresários da borracha, o Hotel Cassina, construído em 1899, está atualmente em ruínas e sem qualquer intervenção por órgãos responsáveis, que possam resgatar um
passado de grandes histórias. O restauro, que está incluído no pacote de revitalização do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), teve o nome como homenagem ao seu proprietário, o italiano Andrea Cassina. Localizado na rua Bernardo Ramos, o hotel, rebaixado para a condição de pensão, passando, posteriormente, para Cabaré Chinelo, no sentido pejorativo, é considerado um bem que integra o Patrimônio Cultural de Manaus, tendo sido incluído no decreto da Prefeitura de
Manaus, sob o nº. 7.176, de 10/2004, como Unidade de Preservação do 1º. Grau. De acordo com o PAC Cidades Históricas, anunciado em agosto passado, foram destinados a Manaus cerca de R$ 33 milhões para o restauro de apenas dez prédios ou monumentos históricos do Centro. O pacote contempla a praça da Matriz, Pavilhão Universal, praça Tenreiro Aranha, Adalberto Vale, Dom Pedro II, Prédio dos Bombeiros, Antiga Câmara, Hotel Cassina, entorno do Mercado Adolpho Lisboa e a Biblioteca Municipal.
MANAUS, DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015
7
em ruínas Paredes com escoras apresentam perigo à população por conta da falta de manutenção dos prédios
Os imóveis que ainda estão conservados estão à venda por valores que chegam a R$ 1 milhão
Investimento com lucro garantido
Hotel Cassina foi construído em 1899 e é considerado Patrimônio Cultural de Manaus
Casarões históricos, em bom estado de conservação, são visto como altos investimentos por empresários estrangeiros. As vendas de apenas um imóvel pode acarretar lucros de quase R$ 1 milhão. Não muito comum em corretora de imóveis, mas com a posse de venda ainda muito disputado por profissionais, os pouquíssimos prédios históricos da cidade são considerados a “galinha dos ovos de ouro” no mercado. Na avenida Sete de Setembro, três casarões, recentemente revitalizados, estão sendo comercializados. Os preços, segundo a corretora de imóveis Sara Teixeira, variam de R$ 400 mil a R$ 800 mil. Ele explica, ainda, que atualmente existem apenas esses três casarões antigos disponíveis para venda no mercado e todos pertencem ao único dono, que mora nos Estados Unidos e trabalha com esse tipo de investimento. “É difícil alguém querer se desfazer de imóveis desse tipo, a não ser que seja investidor. Quanto mais conservado, e quanto mais os traços forem mantidos, maior será o preço de comercialização. Desse três, um ainda está com o piso de madeira, a fachada, as portas e janelas originais e, lógico, esse está custando R$ 800 mil. Nos outros dois, somente as fachadas estão sendo mantidas há décadas”, finalizou.
8
MANAUS, DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015
Crise de confiança A
construção civil teve seu pior resultado desde 2003, com queda de 8,3% no PIB do setor no acumulado dos últimos três trimestres, de acordo com o balanço do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), divulgado na última terça-feira (8) em São Paulo. Os principais motivos para o mau desempenho são o crescimento do desemprego, a retração do crédito e de investimentos públicos e privados, aumento da inflação e da taxa de juros, diminuição da renda e do consumo das famílias e queda na confiança dos consumidores e empresários. O presidente do Sinduscon, José Romeu Ferraz Neto, diz acreditar que os preços dos imóveis em São Paulo podem aumentar em 2016, pelas regras do Plano Diretor vigente, aprovadas em agosto de 2014. As novas diretrizes para construções residenciais elevam os custos, segundo incorporadores. A demanda, porém, pode não acompanhar o avanço nos preços. Com a diminuição da renda e aumento do desemprego, aumentam os saques à poupança e diminuem as possibilidades de
acesso ao crédito. As duas principais fontes de financiamento dos clientes são poupança e Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). “Enquanto a taxa de juros estiver em 14,25%, não há como pensar em outra alternativa”, diz Ana Maria Castelo, coordenadora de projetos do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre-FGV) da Fundação Getúlio Vargas, responsável pela pesquisa. “Apanhamos muito na faixa 1 (de renda até R$ 1.800) do Minha Casa Minha Vida neste ano. Nas faixas 2 e 3 ele vai muito bem, obrigado, e está salvando o mercado”, diz Ronaldo Cury, vice-presidente de Habitação Popular do Sinduscon. Eduardo Zaidan, vice-presidente do Sinduscon-SP, vê relação entre a diminuição do crédito e o agravamento do déficit habitacional. “A demanda é o crescimento no número de famílias, e isso não para por causa da crise”, diz. Confiança em baixa A expectativa dos empresários também sofreu queda significativa: é a pior perspectiva desde 1999, início da série histórica, em relação ao desempenho da construção civil e do crescimento econômico.
DIVULGAÇÃO
Desemprego, retração do crédito e de investimentos, diminuição da renda e consumo das famílias, falta de confiança de empresários e clientes fazem construção civil ter pior resultado em 12 anos até setembro, de acordo com sindicato
“É uma sondagem assustadoramente próxima de zero”, diz Castelo. A baixa confiança do empresariado e do consumidor em uma saída para a crise política também tem influência no mercado da construção. “O que queremos é uma solução
rápida, com ou sem Dilma, para que medidas como o ajuste fiscal possam ser retomadas”, afirma o presidente do Sinduscon. Ferraz não vê consequência direta da Operação Lava Jato nas áreas atendidas pela instituição, com exceção de
uma crise de confiança. “Há impacto porque a investigação pegou grandes empresas na área de infraestrutura e a Petrobras diminuiu investimentos, o que afetou toda uma cadeia a partir do final de 2014”, afirma. “E isso também afetará 2016”.
A Lava Jato teria, como efeito positivo, o aumento nos investimentos em ferramentas de governança. A pesquisa do sindicato aponta que a segunda estratégia de negócio mais procurada pelos empresários do setor é a “promoção de mudanças organizacionais”.