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Pódio - 17 de janeiro de 2016

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MANAUS, DOMINGO, 17 DE JANEIRO DE 2016

3090-1075

esportes@emtempo.com.br

Paixão com

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SUPERAÇÃO Com uma deficiência na perna, lutador de jiu-jítsu usou o amor pelo esporte como combustível de superação na vida. Hoje, ele é um dos grandes nomes da arte suave no Estado. Pódio E7

IONE MORENO

Garoto de 11 anos fará teste no Fla

FOTO: DIEGO JANATÃ

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Rio-2016 gastará menos, mas não se sabe quanto R

io de Janeiro (RJ) Desde que se acentuou a crise econômica no Brasil, o Comitê Organizador Rio-2016 tem feito o discurso de redução de orçamento para respeitar o aperto dos governos estadual e federal. Nesta semana, a entidade decidiu que manterá alguns “luxos” a atletas, mas com menos dinheiro. A questão é que o Comitê não sabe qual será o tamanho da diminuição dos seus gastos. O orçamento do comitê é bancado com verbas privadas. Mas, para isso, foram repassadas despesas para os governos. Seu valor inicial gira em torno de R$ 7,4 bilhões. Então, traçouse um plano inicial de reduzir em 10% esse total. Mas houve diversas revisões em que itens foram retirados e recolocados da previsão de custos. Agora, em mais uma reunião com o COI, o comitê deixou praticamente fechado o pacote. Faltam alguns pontos a negociar. Conseguiu manter alguns extras previstos para dar mais conforto a atletas, comitês olímpicos e imprensa, como passagens de graça, ar-condicionado, impressoras para publicar resultados. Só que houve uma redução nos valores iniciais a serem gastos com esses itens.

Por exemplo, em relação às passagens, o comitê pagará todos os deslocamentos das delegações, mas estabelecerá um padrão de tarifa usado durante a semana, mais barato do que no final de semana. Assim, vai calcular um valor e enviar o dinheiro para os comitês olímpicos nacionais. O comitê pensou em cortar as impressoras para publicar resultados para jornalistas e staff que trabalham nos Jogos. A ideia era só usar meio eletrônico. O COI insistiu na necessidade de ter os números no papel. Foi encontrado um meio termo. Seriam gastos R$ 20 milhões, e o número caiu para R$ 12 milhões. Os condicionadores de ar para os atletas nos quartos serão mantidos, mas as televisões estão fora. Só haverá nas áreas públicas. Alguns itens das instalações esportivas e contratos legais ainda estão em discussão porque podem determinar o tamanho da redução. A intenção é ter o pacote fechado antes do Carnaval, isto é, no início de fevereiro. O problema é que dificilmente o público saberá qual foi o esforço efetivo do Comitê Rio-2016 para cortar custos. Isso porque o Comitê não calculou o tamanho da redução e, no momento, não pretende realizar esse levantamento.

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Comitê Organizador da Rio-2016 cortou algumas “regalias” dos atletas, mas não sabe mensurar o valor da redução

Prefeitura está tendo problemas com a construção da Arena de Tênis, na qual o consórcio teve o contrato rescindido na última sexta-feira


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Túnel do tempo podio@emtempo.com.br Willian D’Ângelo

Satellite Sporting Club na segunda divisão do AM

Ilustração mostra a formação inicial do primeiro jogo do Satelitte Sporting no âmbito regional

(do América-RJ). O primeiro campeonato oficial disputado em Manaus aconteceu em 1914, dele participaram os times do Rio Negro, Nacional, Vasco da Gama, Manaós Sporting e Manaós Atletic, grupo chamado de primeira divisão. Paralelamente, um outro grupo foi formado denominado de segunda divisão que reunia os reservas de alguns participantes da

primeira divisão, junto com outros times menores. Assim sendo, habilitaram-se na segunda divisão os times do Manáos Sporting (2º time), Onze Português, Satellite, Vasco da Gama, Rio Negro (2º time), Luso e Naval. Os jogos desse grupo eram realizados no campo da praça Floriano Peixoto, no bairro da Cachoeirinha. O Manaós Atletic conquis-

tou o título de 1914, tendo como destaques os atletas Bilett, Forbes, Wright, Thomaz, Burton e Roosewelt, equipe formada exclusivamente por ingleses. O Satellite realizou um total de 12 jogos, entre eles, a vitória sobre o Luso por 2 a 0, a derrota que sofreu do Onze Português por 3 a 1 e o empate com o Manáos Sporting em 1 a 1. Para a disputa dessa

Divisão, o Satellite contou com os jogadores Muniz, Ramos, Gordiano, Sandoval, Fortuno, Bio, Epitácio, Olimpio, Mílton, Tabyra e Paiva. Em 21 de janeiro de 1917, começava o Campeonato da Segunda Divisão, e novamente o Satellite era inserido para participar, sendo esta sua última competição que para frustração de seus sócios e torcedores viu o título de campeão ir para a equipe reserva do Rio Negro. Nesta Segunda Divisão participaram o América Foot Ball Club (2° time), Athlético Rio Negro Club (2° time), Manáos Sporting Club (2° time), Nacional Foot ball Club (2° time), Naval Foot Ball Club (1° time), Satellite Sporting Club (1° time) e Sporting Club Monte Christo (1° time). Pela primeira divisão, o Nacional conquistou o seu bicampeonato, competição que contou também com Rio Negro, Manaós Sporting, União Esportiva, Luso, Monte Cristo e Sporting Club. O Leão da Vila Municipal contou com os atletas Fernandes, Fidoca, Rodolpho Gonçalves, Pequenino, Campos, Authberto, Craveiro, Lino Dantas, Paulo Melo, Pará, Mário, Roberto, Aureliano, Edgard, Paiva, Castolino, Meniné, Oscar e João Silva.

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time do Satellite Sporting Club foi fundado no dia 31 de outubro de 1913, disputando o Campeonato Amazonense de futebol da segunda divisão, organizado pela Liga Amazonense de Foot Ball de 1914, 1915, 1916 e 1917. A primeira partida realizada pelo clube aconteceu logo após a sua fundação, no dia 7 de dezembro de 1913, um jogo disputado no terreno da Praça da Saudade, derrotando o Amazonas Footbal Club por 1 a 0, gol do atacante Sandoval. No ano de 1914, o futebol brasileiro era administrado pela Federação Brasileira de Sports (FBS) e o primeiro uniforme oficialmente utilizado pela seleção brasileira foi e 21 de julho de 1914, no primeiro jogo - considerado não oficial pela Fifa - contra a equipe inglesa do Exeter City. O Brasil jogou e venceu por 2 a 0 com a seguinte formação: Marcos; Píndaro e Nery; Lagreca, Rubens Salles e Rolando; Abelardo, Oswaldo Gomes, Friendereich, Osman e Formiga. O jogo foi realizado no Estádio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro e os marcadores foram Oswaldo Gomes (atleta do Fluminense-RJ) e Osman

Colunista do PÓDIO

Em 21 de janeiro de 1917, começava o Campeonato da Segunda Divisão, e novamente o Satellite era inserido para participar, sendo esta sua última competição, que para frustração de seus sócios e torcedores viu o título de campeão ir para a equipe reserva do Rio Negro”


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Tite e a inevitável ligação com Oswaldo Brandão DIVULGAÇÃO

Atual e ex-técnico do Corinthians são gaúchos e ambos foram responsáveis pelos títulos mais expressivos do clube paulista

Tite em coletiva após o título brasileiro do Corinthians

S

ão Paulo (SP) - “Qual é a diferença de jogos entre a gente? Ele tem uns 700, será? Bah! Não! Não dá para mim! Eu tenho uns 200”, disse Tite, em entrevista concedida ao site Gazeta Esportiva em dezembro de 2013. Ele se despedia do Corinthians após um semestre muito ruim e não via, naquele momento, a possibilidade de desafiar o número de partidas do recordista Oswaldo Brandão no clube. A distância agora é de menos de cem jornadas e deixará de existir se o contrato do treinador for cumprido, até o fim de 2017. Independentemente dessa marca, há quem defenda que o gaúcho de Caxias de Sul já tenha superado o de Taquara na história da equipe preta e branca. A conquista do Campeonato Brasileiro de 2015 com uma campanha arrasadora deu mais um argumento aos partidários dessa visão. Tite jura não se importar. “Não tenho a pretensão de ser o maior, juro. Palavra de honra”, diz o técnico, que prefere transparecer sua vaidade exaltando a própria conduta moral com uma frequência impressionante. “Tenho a pretensão de ser leal, competente, de ser um cara simples, de valorizar onde nasci. Ser eu,

DEDICAÇÃO O jeito responsável de conduzir as equipes que treina assemelha ainda mais Tite a Oswaldo Brandão. Os gaúchos não conquistaram a torcida do Timão sem querer. A dedicação com os atletas resultou em títulos do meu jeito. Se as pessoas entenderem que mereço carinho…”. Ele tem merecido bastante carinho. Ampliando algo que já se via em escala menor nos históricos triunfos de 2012, o comandante é de longe a figura mais celebrada no hexacampeonato nacional do Corinthians. Entoado com muita força, o brado “olê, olê, olê, olê, Titê, Titê” reforça o coro que põe Adenor Leonardo Bacchi no topo entre os 108 treinadores alvinegros. “Não penso nisso. Até porque, se eu pensar nisso, vai me assustar. Não tenho a dimensão. A dimensão que tenho é a de ser digno, no meu posto, enquanto pessoa. Sabem da minha conduta”, afirmou, incansável na louvação de suas virtudes como homem. “Agora, essa mensuração aí… Orgulha, mas assusta”.

Análise Ainda que jure não se importar com as comparações, Tite coloca sua maior conquista acima da maior de Oswaldo Brandão no Corinthians. Há dois anos – antes de ampliar sua importância com mais um triunfo no Campeonato Brasileiro –, ele não hesitou em apontar o título da Copa Libertadores de 2012 como o principal na história de mais de cem anos do clube do Parque São Jorge. “Em termos de sede de título,

o paralelo é válido”, disse, após um longo suspiro, questionado sobre o memorável Campeonato Paulista de 1977. “Mas a dimensão… Sem falsa modéstia, a Libertadores é maior. Talvez o cunho de tanto tempo sem esse título… E foi um título de Libertadores! Ainda me surpreendo com as pessoas emocionadas que chegam até mim”, diz. Brandão já não está vivo para ouvir “obrigado”, mas é o que Basílio escuta diariamente. O autor do gol do título que encerrou um jejum de 23

anos do Corinthians conhece bem a gratidão dos torcedores por um momento inigualável. Ainda hoje, há crianças sendo batizadas com o nome do Pé de Anjo – que foi informado previamente por Brandão: seria o herói contra a Ponte Preta. “Sei que o campeonato de 1977 foi um marco. Eu era garoto e acompanhei aquela campanha. Sabia da qualidade da Ponte Preta. Conheço bem a história porque aquele título transcendeu o estado de São Paulo. No Rio Grande do Sul, eu pensava: ‘O Corinthians

está há tanto tempo sem conquistas e ficou próximo disso agora’. Aquilo foi um bum. Com um técnico gaúcho, então…”, lembra Tite. Até hoje sem a exata noção do que representou o triunfo de 38 anos atrás, ele julga ter começado a entender ali o clube em cuja história entraria profundamente. “Eu me lembro de Basílio, Ruço, Tobias, Super Zé. Guardo ainda uma imagem da representação da raça dele ainda. Para jogar no Corinthians, é preciso ter um pouco de Zé Maria”, finaliza.

Empate na preferência do povo Aos 64 anos, no final da última de suas cinco passagens como técnico do Corinthians, Oswaldo Brandão escutou gritos mal-agradecidos de quem estava nas arquibancadas: “Ado, ado, ado! Brandão está superado!”. Quatro anos antes, ele conquistara o mais comemorado título da história do clube, o Campeonato Paulista de 1977, encerrando um jejum de conquistas expressivas que perdurava desde 1954. Tite, o candidato a supe-

rar o falecido Brandão se tornou ídolo do Corinthians a partir de uma série de conquistas como a Copa Libertadores da América e o Mundial de Clubes em 2012 e o Campeonato Paulista e a Recopa Sul-americana em 2013. “Comparar os títulos é uma covardia porque, no tempo do Brandão, não havia esses campeonatos. Em termos de importância, é claro que o Tite está na frente. Agora, o Brandão ganhou dois títulos imortais.

Os dois técnicos ainda estão cabeça a cabeça”, opinou o jornalista Celso Unzelte, historiador do Corinthians, colocando os 435 jogos de Brandão a serviço do clube como um diferencial. Tite terminará 2015 com 342. “Se ficar mais um ano, ele superará o Brandão em partidas. Aí, acho que haverá um argumento forte para o desempate”. Para José de Souza Teixeira, preparador físico do Corinthians campeão de 1977 e também ex-treina-

dor, Brandão paga o preço da falta de propaganda na disputa com Tite. “Infelizmente, tudo o que foi feito no passado costuma acabar esquecido. Não quero tirar o mérito do Tite pelo que está construindo, mas, para nós, com a mentalidade de um país jovem, tudo é momentâneo. Quando as novidades dão frutos, como é o caso do Corinthians do Tite, são levadas em consideração. Mas temos que reconhecer os méritos dos trabalhos anteriores”, cobrou.


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Sem preço para uma paixão LINDIVAN VILAÇA

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paixão é um sentimento que leva, muitas vezes, as pessoas cometerem as maiores loucuras. Considerando essa afirmativa, podemos afirmar que o empresário Erik Lira é um homem loucamente apaixonado. Não, essa não é mais uma história de amor entre casais. Trata-se de uma idolatria chamada São Paulo Futebol Clube. O amazonense tem uma coleção de objetos do Tricolor paulista que ajudam a demonstrar seu carinho pelo clube. São camisas autografadas, fotos e uma luva autografada pelo ídolo Rogério Ceni, que recentemente pendurou as chuteiras. Erik afirma que o artigo fez parte do uniforme do goleiro são– paulino algumas vezes e, por isso, já pode ser considerado uma relíquia. Sobre o preço pago na luva? Lira não revele de jeito nenhum. “Não se trata de um valor mensurável. Essa luva tem valor histórico, não existe preço”, afirma. A ideia de colecionar peças do São Paulo começou em 2006, lembra Erik. Porém, para entender melhor tudo isso, é necessário voltar a 1993. Naquele ano, o São Paulo tinha conquistado os

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principais campeonatos que disputou – foi bicampeão da Libertadores e campeão da Recopa Sul-Americana. Foi nessa época que a história de amor com o time do Morumbi nasceu. “Tudo começou quando tinha apenas 7 anos de idade. Sempre tive vontade de torcer por um time campeão e, na época, o São Paulo arrastava tudo. Isso despertou em mim um interesse e uma paixão pelo clube, que para sempre permanecerá”, disse. Nesse meio tempo, entusiasmado com os resultados do time, o torcedor conheceu, em uma viagem à capital paulista, o craque Rogério Ceni. “O cara me deu uma camisa autografada e outros itens que fizeram despertar em mim uma paixão ainda maior pelo clube”, recordou. Com o tempo, a coleção acabou se transformando em hobby. Primeiro foram as camisas, depois alguns enfeites, até que a paixão foi crescendo e virou obsessão. Nesse tempo, Erik conheceu pessoalmente Rogério Ceni e ganhou de presente a tão valiosa luva. “Pedi essa luva por telefone. Não posso dizer mais detalhes sobre essa história, porque é uma edição muito limitada. Hoje tenho mais de 50 camisas autografadas do

MARCIOMELO

Torcedor fanático do São Paulo, empresário Erik Lira tem uma coleção invejável de artigos do clube e uma luva autografada por Rogério Ceni, goleiro que recentemente pendurou as chuteiras e se tornou mais ídolo do Tricolor

Escritório do empresário é todo enfeitado com artigos do São Paulo e a luva de Rogério Ceni foi colocada em um quadro, para ser preservada

São Paulo por ele e outros jogadores. Um dia me perguntaram se eu venderia ou trocaria, minha reposta foi ‘nem pela minha vida’, isso é herança”, disse.

Erick Lira ainda é um dos seis diretores da torcida organizada Zero Grau São Paulina, que se reúne em um bar no bairro São Jorge para assistir às partidas do Tricolor paulis-

ta. Neste ano, os torcedores estão homenageando Rogério Ceni com bandeiras com a foto do ídolo. “A Torcida São Paulo Manaus tem o orgulho de, por

meio desse simples ato, homenagear e agradecer pelo líder, capitão, artilheiro, recordista e mito que Rogério Ceni foi, é e sempre será”, afirma.

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Sonho em vermelho e preto

LINDIVAN VILAÇA

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sonho da maioria dos jovens brasileiro é, sem dúvidas, ser jogador de futebol. Em pequena ou grande escala, as crianças nascidas no país têm como ídolos nomes como Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo, Romário, Messi, Cristiano Ronaldo, Kaká... No entanto, poucos são os que conseguem trilhar os caminhos de sucesso dentro das quatro linhas. Mas, para o amazonense Richard Souza Mendonça, de apenas 11 anos, o sonho entrou no caminho certo para se tornar realidade em um futuro bem próximo. O adolescente passou, recentemente, em uma peneira realizada pelo Clube de Regatas do Flamengo e passará a temporada de 2016 inteira no Rio de Janeiro, para uma avaliação mais apurada pelos profissionais do clube da Gávea. Ele viajou na semana passada, acompanhado pelos pais. A peneira, evento promovido para avaliar crianças e adolescentes, é um recurso comum utilizado pelas agremiações e tem ganho cada vez mais espaço em Manaus. A rara oportunidade de fazer teste no Flamengo surge como um presente tardio de Natal. Richard é de origem humilde, morador do bairro Grande Vitória, na Zona Leste de Manaus, um dos mais precários em infraestrutura urbana da cidade. Habilidoso com a perna esquerda e com fome de gol, o jovem atleta conta que essa chance era esperada desde os 5 anos de idade. “Jogar no Flamengo ou em outro grande clube do Brasil é o sonho de qualquer menino. Agora, vou seguir o que me for ordenado e fazer o que puder para que eu possa me firmar lá no Rio de Janeiro. Sei que não vai ser fácil, mas tenho fé em Deus e com o apoio da minha família tudo vai dar certo”, diz a criança, que já pensa como gente grande. Se depender da dona de casa Elaine Cristina Soares Souza, 36, não faltará apoio ao filho para que o sonho vire realidade e dê tudo certo. “Acredito muito no potencial do meu filho, sei que ele vai

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Garoto Richard, de 11 anos, passou em peneira do Flamengo e passará o ano de 2016 fazendo testes no clube carioca muito longe. Se ele chegou até aqui, tenho certeza que pode alcançar voos mais altos”, observa a mãe coruja, com os olhos cheios de lágrimas que, segundo ela, expressam uma mistura de alegria e tristeza, já que poderá ficar longe do filho durante todo 2016. Serão 15 dias de testes no Mengão, uma jornada nada fácil para um garoto de 11 anos de idade, mas recompensadora para um flamenguista. O time carioca é o clube de coração de Richard, mas foi na escolinha do Sampaio Correia, do Maranhão, em Manaus, que ele deu os primeiros chutes na bola. Porém, nenhum ídolo do Flamengo e nem do Tricolor de São Pantaleão inspiraram o amazonense. Sua referência é um craque argentino Lionel Messi, do Barcelona. Ou seja, a inspiração é no melhor do mundo.

NOVA CHANCE Em 2010, Richard foi aprovado na peneira do Flamengo, mas não conseguiu se destacar no teste no Rio de Janeiro. Agora, mais maduro, espera ter uma sorte diferente na nova oportunidade Para o professor da escolinha do Rubro-Negro em Manaus, Gesiel Silva, o garoto tem muito potencial e pode, sim, se tornar um profissional em breve. “Não se trata apenas de sorte e competência, duas palavras que são oportunas para a situação dele (Richard). Esta é uma oportunidade rara para chegar ao nível profissional, até os 18 anos, quando estará totalmente preparado e capacitado. Até lá, vai ter que passar por muita avaliação, um conjunto técnico que reúne preparação física e aperfeiçoamento tático”, avalia Gesiel. O treinador diz que Richard tem facilidade no domínio de bola e no chute, tanto com a esquerda quanto com a direita. “Os jogadores aqui de Manaus são muito bons. Acho que o futebol daqui deveria ter mais atenção por parte dos governantes e, até mesmo, de outros clubes do Brasil”, comenta o técnico.

Richard chama atenção por sua habilidade com a perna esquerda, bem por isso é fã do canhoto Lionel Messi, melhor jogador do mundo

Garoto treina diariamente na Escolhinha do Fla, em Manaus, com mais de 30 colegas que estão torcendo pelo sucesso de Richard no Rio


Pódio E7 FOTOS: DIEGO JANATÃ

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Alex tem como principal arma a guarda firme

Paixão e superação na história de um campeão Amazonense Alex Taveira, 29, superou uma deficiência na perna e hoje é um dos principais nomes do jiu-jítsu no Estado POR LINDIVAN VILAÇA

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le tinha todos os motivos para ser um revoltado com a vida. Alex Taveira, 29, nasceu com uma deficiência congênita na perna direita. Mas, aquilo que parecia uma limitação, na verdade, se tornou a mola propulsora para uma vida de desafios e conquistas. Alex é uma das revelações do jiu-jítsu do Estado e tem se destacado em torneios nacionais e internacionais. A perna direita, bem menor do que a outra, não atrapalha em nada na execução dos golpes. Quem assiste às lutas de Taveira pode chegar à conclusão que o problema, na prática, faz é ajudar. Ele será uma das estrelas do Gladiator Fight 2, evento de lutas casadas que acontecerá no dia 5 de fevereiro, em Manaus. Alex vai encarar Raymisson Michiles na disputa pelo título dos faixas pretas até 64 quilos. “A deficiência física nunca foi problema para mim e sempre lutei de igual para igual com qualquer adversário. Adaptei meu jogo à minha deficiência e estou muito focado para buscar essa vitória por finalização”, diz o atleta, que representa a equipe Carioca Team. Por coincidência ou não, Alex é morador do bairro Alvorada, Zona Centro-Oeste de Manaus. O local é um celeiro de lutadores e já revelou nomes como o de José Aldo e Diego Brandão. Ele começou no esporte aos 11 anos, jogando futebol nas peladas de rua. “Foi aí que o Márcio Pontes (primeiro

treinador de José Aldo, excampeão do peso pena do UFC) me chamou para treinar jiu-jítsu. Gostei e nunca mais larguei”, lembra. Não só não largou como ampliou a carreira no esporte. Alex disputa competições do paradesporto pelo Amazonas nas modalidades de atletismo, halterofilismo e ciclismo. “Foi uma experiência interessante até porque, na época, eu buscava modalidades que credenciassem ao Bolsa Atleta. Mas o jiu-jítsu sempre foi a minha paixão, meu esporte favorito, e hoje eu me dedico exclusivamente aos treinos e aos campeonatos”, afirma. A trajetória de conquistas não foi nada fácil. “Todo mundo que sonha em viver do esporte passa por alguma dificuldade no início e foi o que eu sofri também. As crianças me olhavam e diziam: ‘Aí, ele tem uma perna pequena’. Isso rolou, mas nada que me constrangeu”, relembra o lutador. “Eu sempre levei de boa, tanto é que nunca me dei como uma pessoa deficiente. Desde criança, sempre jogava futebol. Vivo até hoje como uma pessoa normal, tanto é que sempre procurei uma competição em que lutasse de igual para igual. Uma coisa que levo sempre comigo: se a cabeça manda informação que você não consegue, ouça o coração”, ensina. Para Alex, paixão é uma palavra que sempre deve rimar com superação. “Se não fosse o esporte, não sei o que seria de mim. Sempre pus na minha cabeça que era possível chegar longe, tanto que hoje sou o melhor do

Lutador afirma que deficiência nunca foi um empecilho para o seu desenvolvimento no esporte. Atualmente, ele é professor em uma academia

Amazonas no paradesporto lutando com pessoas normais”, disse. A ascensão no esporte foi rápida. Hoje, Alex é professor na academia onde treina. “Procuro ensinar, principalmente, as pessoas que têm a mesma deficiência, além de procurar incentivá-las a seguir em frente”, diz, ao revelar que desenvolveu uma técnica própria de luta. “Acho que minha marca é a meia guarda. É como alguns amigos falam: ‘Cara, todo mundo sabe que você

faz isso, mas sempre sai perfeito’”, comenta. Títulos Taveira é dono de um currículo elogiável. Foi oito vezes campeão amazonense, cinco no submission (sem quimono). Também ganhou um Pan-Americano sem quimono nos Estados Unidos e o vice da mesma competição, mas com quimono. Foi ainda bicampeão brasileiro de parajiu-jítsu, categoria absoluto, e bicampeão mundial da categoria absoluto de

parajiu-jítsu. As recentes façanhas foram os títulos da categoria absoluto nas temporadas de 2014 e 2015 nos campeonatos Nacional e Mundial da recém-criada Confederação Brasileira Paradesportiva de Jiu-Jítsu (CBPJJ). Depois do Gladiator, Taveira viaja para uma temporada de trabalho na American Top Team, nos Estados Unidos, onde o amazonense Adriano Martins faz seus treinamentos para o UFC. Ele recebeu convite para ser professor de

jiu-jítsu. Vai ficar longe da família por um tempo. Mas se a deficiência física nunca foi um impedimento para vencer no esporte, as saudades do filho serão apenas mais um teste de superação: “Tenho um filho de 7 anos. Ele mora com mãe e de vez em quando treina comigo. Por incrível que pareça, ele tem jeito e, se depender de mim, se um dia ele quiser seguir os passos do pai, darei todo meu apoio. É bom que ele pega o gosto desde cedo”, declarou Alex.


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