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EM TEMPO - 28 de dezembro de 2014

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O JORNAL QUE VOCÊ LÊ

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

ANO XXVII – N.º 8.580 – DOMINGO, 28 DE DEZEMBRO DE 2014 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO

PLATEIA Para falar sobre as conquistas de 2014, promessas não cumpridas e os novos planos para 2015, a ELENCO convidou um grupo de amigas (foto) que confessa seus deslizes com muito humor, sem deixar de mencionar o que mereceu destaque durante o ano.

Por que usamos branco no Réveillon? Por que comemos lentilhas e atiramos flores no mar? O CURUMIM vai contar tudo sobre a chegada do Ano-Novo.

A morte de Gabriel García Márquez e o tão esperado beijo gay, protagonizado pelos atores Mateus Solano e Thiago Fragoso, estão entre os cinco fatos que marcaram a área cultural e de entretenimento.

R$ 360 MILHÕES

O SONHO

MILIONÁRIO O ano de 2015 começa com um sonho milionário. A Mega da Virada deve pagar um prêmio que pode chegar a R$ 360 milhões. As apostas poderão ser efetuadas até as 14h do dia 31 de dezembro. No Amazonas, o prazo acaba ao meio-dia devido ao horário de verão. De acordo com a Caixa Econômica Federal, o prêmio da Mega da Virada não acumula. Economia B3

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IONE MORENO

Junto com David Luiz, o país inteiro chorou o fiasco da Copa

Quem ainda acredita em previsões? A “arte” de anunciar eventos com a chegada do Ano-Novo continua, assim como também é tradição o crédito e o descrédito nos “sábios do futuro”. Dia a dia C1

2014 marcado por 51 focos de invasões RETROSPECTIVA

O ano de 2014 foi surpreendentemente marcado pelo imprevisível no Brasil e no mundo. Uma eleição disputada voto a voto, muitos escândalos de corrupção, a operação Lava Jato e prisões de gente poderosa. No pano de fundo, a Petrobras mergulhada na maior crise de sua história. No Esporte, vitórias arrebatadoras, mas também o fiasco da Copa do Mundo com aquele amargo e inexplicável 7 a 1 da Alemanha, que enterrou o sonho do hexa.

Caboclo vira empresário no rio Negro

Nova ponte facilita o acesso à Ponta Negra

O espírito empreendedor que brota no caboclo da região transforma a paisagem bucólica típica das comunidades ribeirinhas que povoam às margens do rio Negro. Economia B1, B4 E B5

A ponte Octávio Beleza da Câmara, que liga a Ponta Negra à avenida do Turismo, na Zona Oeste da cidade, foi inaugurada, ontem, pelo prefeito Arthur Virgílio Neto. Sobre o igarapé do Gigante, a estrutura de concreto possui 55 metros de extensão e 15 de largura. Última Hora A2

ALEXANDRE FONSECA/SEMINF

As áreas de Preservação Permanente são os principais alvos, de acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Dia a dia C8

RETROSPECTIVA 2014

Arthur corta a fita de inauguração da ponte, na Ponta Negra

FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICAS, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA E ELENCO.

Arrecadação cresceu, apesar do ano difícil O secretário da Fazenda, Afonso Lobo, avalia que 2014 foi um ano difícil. A atividade industrial registrou um decréscimo de 2,3%. Mesmo assim deve encerrar o ano, em matéria de arrecadação, com ligeiro crescimento de 6% a 7%. Com a palavra A5 TEMPO EM MANAUS

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Última Hora

MANAUS, DOMINGO, 28 DE DEZEMBRO DE 2014

Ponte é alternativa para escoamento de veículos SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO

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ponte Octávio Beleza da Câmara, que cria um novo acesso definitivo entre a Ponta Negra e a avenida do Turismo, na Zona Oeste da cidade, foi inaugurada ontem pela Prefeitura de Manaus. A estrutura, que é uma alternativa para o escoamento de veículos em dias de grandes eventos naquela área, já será usada no Réveillon do Complexo Turístico Ponta Negra, no dia 31 de dezembro. De acordo com o prefeito Arthur Virgílio Neto, a ponte, além de contribuir para melhorar o trânsito na região, também dará mais comodidade aos moradores e às pessoas que visitam a Ponta Negra nos finais de semana e em eventos que chegam a reunir mais de 100 mil pessoas. “A ponte foi sugerida no período da Fifa Fan Fest e nós planejamos. Agora estamos entregando a obra pronta”, disse. O prefeito agradeceu a parceria com o Exército que durante a Copa do Mundo da Fifa construiu uma ponte provisória no local. “Foi uma parceria fantástica e eu

ALEXANDRE FONSECA/SEMINF

A estrutura que liga a Ponta Negra e a avenida do Turismo, na Zona Oeste, já será usada no Réveillon do complexo turístico sou muito grato com o que eles fizeram. Agora temos a ponte definitiva”, lembrou. Segundo ele, a construção teve impacto mínimo ao meio ambiente e a arborização que foi feita na última sexta-feira, 26, compensará. Na ocasião, a prefeitura realizou o plantio de quase 400 mudas nos passeios e entorno da ponte Octávio Beleza da Câmara. Entre as espécies de plantas estavam pau pretinho, palmeiras do tipo areca, ecsórias, moreias, gáveas e dracenas. A obra foi executada há oito meses, por meio da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf). E o nome da ponte é uma homenagem ao engenheiro civil Octávio Beleza da Câmara, formado em 1974 pela antiga Universidade do Amazonas (UA), atual Universidade Federal do Amazonas (Ufam), e falecido em 1986. A estrutura, que passa sobre o igarapé do Gigante, possui 55 metros de extensão e 15 de largura. São 700 metros quadrados de calçadas com dois metros de largura e iluminação de LED. Segundo o engenheiro da Seminf e fiscal da obra, Edmilson Leão, a ponte foi entregue 100% pronta.

Durante a inauguração, o prefeito Arthur Virgílio Neto destacou a continuidade dos serviços de infraestrutura viária em 2015

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MORTE

O corpo do detento foi encontrado por um agente carcerário

Detento é encontrado morto dentro de cela no Ipat MAIRKON CASTRO Especial EM TEMPO

Gláucio Roberto Benjamin Ribeiro, 36, foi encontrado morto por um agente carcerário que não teve o nome divulgado na manhã de ontem, no Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat). De acordo com a delegada plantonista Roberta Farias, do 19º Distrito Integrado de Policia (DIP), o corpo foi encontrado por um carcereiro. Ele informou que o corpo do detento estava de bruços em sua cama sem lençol. Gláucio estava vestido

apenas com um calção. Segundo informações do perito que não quis se identificar o corpo não apresentava sinais de violência, mas a verdadeira causa da morte só será conhecida depois da necropsia do corpo, em 30 dias. A assessoria da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejus) afirmou ao portal EM TEMPO Online e ao jornal EM TEMPO não ter conhecimento do acontecido e que somente amanhã, após o recebimento de relatórios técnicos é que vai se pronunciar.

ACIDENTE

Aeronave cai em litoral Um helicóptero caiu na manhã de ontem em Bertioga, no litoral paulista. Segundo o Corpo de Bombeiros, cinco pessoas morreram no acidente – três adultos e duas crianças. As idades e as identidades das vítimas ainda não haviam sido divulgadas até o começo da tarde. Segundo os bombeiros, a aeronave explodiu ao bater no solo, em uma região de mangue próxima ao km 229 da rodovia RioSantos, no bairro Sítio São João. O helicóptero, modelo Esquilo, prefixo PT-HNC, havia saído do Guarujá. A aeronave tinha capacidade para cinco passageiros e estava em situação regular na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

SEM VÍTIMAS

PASSE LIVRE

Incêndios atingem imóveis durante a madrugada Dois incêndios foram registrados na madrugada de ontem em Manaus, um no bairro Presidente Vargas, na Zona Sul, e outro no bairro Amazonino Mendes, na Zona Leste. Ambos sem vítimas. De acordo com informações enviadas pela assessoria de imprensa do Corpo de Bombeiros do Amazonas, o primeiro ocorreu por volta de 2h27, na rua Legião, bairro Presidente Vargas. No local, conforme o Corpo de Bombeiros, uma residência foi atingida. A casa, que era parte de madeira e parte de alvenaria, ficou totalmente destruída. A suspeita é que o ar-condicionado superaqueceu no quarto de

madeira e provavelmente ocasionou o incêndio. Já o segundo sinistro aconteceu por volta de 2h50, na rua Penetração 3, bairro Amazonino Mendes. Segundo a assessoria do Corpo de Bombeiros, o incêndio atingiu um mercadinho, que teve perda total de mercadorias. De acordo com informações preliminares, o fogo teria sido causado por dois homens que assaltaram o local. Até o fechamento desta edição, nenhum suspeito tinha sido identificado. O Corpo de Bombeiros informou ainda que realizou o combate e o rescaldo de ambos os incêndios e que não foi registrada nenhuma vítima. (SS)

Movimento já anuncia protesto SÃO PAULO, SP – Após a Prefeitura de São Paulo e o governo estadual anunciarem o reajuste nas tarifas dos ônibus, trem e metrô, o Movimento Passe Livre já organiza um protesto por meio das redes sociais. A tarifa vai subir de R$ 3 para R$ 3,50. Com o reajuste, o valor da integração com o metrô e trens da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) passará para R$ 5,45. A tarifa dos bilhetes únicos 24 horas, semanal e mensal, porém, continuarão sendo as atuais. Já a tarifa do sistema metroferroviário deve ficar entre R$ 3,40 e R$ 3,60 – abaixo, portanto, do índice de inflação, que a elevaria para R$ 3,75, segundo o governo estadual.


Opinião

MANAUS, DOMINGO, 28 DE DEZEMBRO DE 2014

Contexto 3090-1017/8115-1149

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Editorial

marioadolfo@emtempo.com.br

opiniao@emtempo.com.br

Tempo de coragem para mudanças Esta semana mudamos de ano, mudamos de planos, de projetos, de sonhos e de novas perspectivas para o futuro que nos espera. Mudamos mesmo sem sair do lugar, sem mudar de emprego, sem mudar de cidade e sem mudar de casa. Mudamos quando renovamos o nosso interior, quando deixamos de lado as angústias, sofrimentos, medos e dores. Quando limpamos as gavetas da alma, quando esvaziamos as estantes entulhadas de coisas vãs. Não é fácil mudar sem sair do lugar, exige coragem, força e, principalmente, vontade, coisa que nem sempre estamos dispostos a ter, porque dá trabalho ser diferente, fazer diferente e sonhar diferente. Bom seria se conseguíssemos olhar a vida e as pessoas com olhos de bondade, independente do mal que por ventura tenham nos causado. Isso nos tornaria pessoas melhores, mas será que conseguimos ser pessoas melhores? Será que queremos ser pessoas melhores? Sem as traças que trazemos na alma e que nos acostumamos a trazer no coração? Difícil nos desfazer do que nos faz sofrer, principalmente se esse sofrimento foi alimentado por tantos anos e com tantas razões de existirem. Desfazer-se deles seria se desfazer de anos de certezas, de confirmações e de mágoas tão bem alimentadas ao longo do tempo. Manter-se preso ou livre é uma decisão individual, fácil ou difícil, ela é individual, afinal ninguém pode se libertar de si mesmo. Então que em 2015 tenhamos mais força, coragem e fé. Não precisa ser fé em Deus, pode ser fé na vida, fé nas pessoas, fé nos sonhos. Fé. Afinal, não se consegue viver uma vida toda aprisionado em si mesmo. Seria muito chato, muito cômodo, muito monótono e muito breve. Que no Ano-Novo a vida se abra, renove-se, transforme-se e reinvente-se, para que não tenhamos mais tantas gavetas e estantes cheias de sentimentos negativos, de tralhas e de coisas que somente atrasam, entristecem e enfraquecem a caminhada rumo a dias e anos melhores. Que as traças fiquem em 2014, que o passado fique no ano velho. Viva 2015!

Braga no olho do furacão Nomeado para o Ministério de Minas e Energia, o senador Eduardo Braga (PMDB – AM) não terá vida fácil na próxima fase de sua carreira política. Abaixo do ministério estão as duas principais estatais, Petrobras e Eletrobras, além de setores-chave para a economia, como a mineração. Ou seja, Eduardo vai estar no olho do furacão. Nuvens negras Crises não faltarão em 2015. As perspectivas são sombrias: possível racionamento de energia, rombo financeiro na Eletrobras, leilões mal-sucedidos, alto preço da eletricidade. Correndo por fora Apesar de ser engenheiro elétrico, Braga corria por fora para ser indicado à cadeira do MME. Giles Azevedo, chefe de gabinete de Dilma, e Flávio Decat, presidente de Furnas, eram mais cotados. Nome na lista O senador trabalhou sozinho pela indicação. Exigiu que o presidente da casa, Renan Calheiros, colocasse seu nome na lista que seria levada pelo partido à presidente. Rock na areia Não é por falta de atração que o manauense vai deixar de ir ao Réveillon da Ponta Negra. As atrações são de primeiríssima linha: a banda Skank, Monobloco, Guig Ghetto. Carnaval E, para entrar no clima do Carnaval 2015, batuqueiros da escola de samba Grande Rio entram nas primeiras horas do novo ano e rompem a alvorada. Cascata de luz À meia-noite, um espetáculo

de luzes e cores no céu da praia. A programação do Réveillon na Ponta Negra garante que serão 15 minutos de show pirotécnico. Pé na areia A novidade é que, este ano, a festa na Ponta Negra vai acontecer mesmo na areia da praia, onde um gigantesco palco foi montado. Cama quente Essa é uma boa ideia. Além de oferecer melhor espaço, a areia pode até servir de cama para os que exagerarem na manguaça. Isto é, se não chover. Lula preso O Brasil inteiro sabe disso. O jornalista Diogo Mainardi odeia o ex-presidente Lula, mas, às vezes, destila veneno demais. No último “Manhattan Connection” (GloboNews), Mainardi “previu” que o expresidente Lula será preso em 2015. Vara curta Claro que a declaração fez parte da brincadeira das previsões para o Ano-Novo feitas no programa “Manhattan Connection”, no último domingo (21/12). Mas, brincando, brincando, Mainardi vai cutucando onça com vara curta. Previsão Diretamente de Veneza, na Itália, primeiro Mainardi não quis arriscar um palpite.

APLAUSOS

regi@emtempo.com.br

Mas pouco depois interrompeu o seu colega Lucas Mendes. — Tenho uma previsão: Lula será preso em 2015!

☐ Lucas Mendes e demais colegas riram discretamente, sem comentar a “previsão” de Mainardi. Planeta água A escassez de água no mundo é uma coisa séria, mas os brasileiros e, principalmente, os amazonenses parecem não estar nem aí. Continuam lavando carro e deixando a mangueira escorrendo água na rua ou fazendo a barba com a torneira da pia jorrando. Sem água Enquanto isso, 780 milhões de pessoas no mundo não bebem água potável. O alerta é da Organização das Nações Unidas (ONU). Essencial Para ver se esse pessoal se toca, seria bom que lessem o relatório da Organização das Nações Unidas. Desde 2010, a ONU considera o acesso à água potável um direito essencial. Direito ameaçado Água é um direito básico, que, segundo as Nações Unidas, está cada vez mais ameaçado. Hoje, 780 milhões de pessoas no mundo não bebem água potável. Em 2025, serão 1,8 bilhão em regiões com escassez de água.

VAIAS

Operação Solimões Livre

Regi

Banda dos descontentes

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RAIMUNDO VALENTIM

Para a operação Solimões Livre, da Polícia Civil, que abortou ações criminosas do tráfico de drogas, roubo de carros e motocicletas e mandou para a cadeia um bando de bandidos. Pelo grau de risco que envolve a navegação no Amazonas, esse é o tipo de ação que deveria ser realizada com mais frequência.

Para as pessoas que se preocupam em atirar pedras na fraca ornamentação natalina da cidade de Manaus e esquecem outros avanços que, uma cidade semidestruída e sem dinheiro, resgatou em menos de dois anos.

Dom Sérgio Eduardo Castria Castriani opiniao@emtempo.com.br

Sonho de Natal Viver é realizar sonhos, os próprios e os dos outros. Imaginar o futuro oferece dinamismo ao presente, nos leva a tomar decisões audaciosas e é fonte de sacrifícios e renúncias. Quantos perdem a vida para que outros possam viver. Famílias são espaços privilegiados de sonhos, sonhos de pais, sonhos de filhos, sonhos de irmãos. Foi num sonho que José foi esclarecido sobre o mistério que estava acontecendo na vida de sua noiva, Maria. Impedir o sonho é condenar a morte prematura. Um mundo sem sonhos é um mundo de mortosvivos, sem cores, sem música, sem arte. Quando um domingo se interpõe entre a festa do Natal e do Ano-Novo, a igreja faz dele o domingo da Sagrada Família. Natal é por excelência uma festa familiar. Gostamos de celebrá-lo em casa com aqueles que amamos. E quando não podemos, tentamos recriar o ambiente de paz, alegria e partilha que queremos para todas as famílias. Ter uma família, mesmo em diversas configurações continua a ser o sonho da grande maioria das pessoas. Como já é tradição, no dia de Natal fomos brindados mais uma vez com o espetáculo apropriadamente chamado Glorioso. Apresentado num cenário magnífico, marca de Manaus, e um ícone da arte mundial, o Teatro Amazonas, que no centro histórico da cidade lembra a todos que não só de pão vive o homem, e que imaginação e beleza são essenciais. A arte, a música, o teatro, a dança, as cores, as coreografias e os diálogos, as palavras, as tramas com seus personagens e cenários nos ajudam a sonhar e a viver. A multidão que se reúne sente os corações pulsarem em

sintonia, irmanados todos pelas mesmas sensações produzidas pela beleza da apresentação. Naqueles minutos que se esvaem rapidamente somos uma grande família. Durante mais de uma hora entramos no sonho iluminado pelo espírito do Natal. Extasiados pedíamos a Deus que abençoasse os artistas, que imaginaram, criaram e produziram o espetáculo. O Natal é o sonho de Deus realizado no nascimento de Jesus, o mais humano dos humanos, porque é divino. Palavra que se faz carne, mistério inefável, que só a liturgia e a arte conseguem expressar, e por isso inspirador através dos séculos de tantas obras e tantos espetáculos que revivem o sonho. O Natal celebrado cada ano faz memória do mistério da encarnação. Deus se faz homem. O Deus que libertou o povo do poder do faraó o conduzindo para a terra prometida e caminhando no deserto, excede toda a imaginação e vem habitar no meio de nós assumindo a condição humana. É um de nós. O menino de Belém, que crescerá e será o homem de Nazaré é para nós Luz, Verdade e Vida, pois mostra quem somos nós aos olhos do criador. Neste tempo de Natal, tempo em que as crianças são protagonistas, imploramos a Deus que olhe nossas crianças e nossos jovens e os proteja dos ladrões de sonhos. Que adultos e idosos não endureçam o coração e percam a esperança. Que as famílias sejam lugares de vida em gestação. Que o Pai de Jesus nos abençoe, que o Cristo caminhe sempre ao nosso lado, que o Espírito Santo encha de luz nossas mentes e corações. E que nossos sonhos se realizem.

D. Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus

O Natal é o sonho de Deus realizado no nascimento de Jesus, o mais humano dos humanos, porque é divino. Palavra que se faz carne, mistério inefável, que só a liturgia e as arte conseguem expressar, e por isso inspirador através dos séculos de tantas obras e tantos espetáculos que revivem o sonho


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Opinião

MANAUS, DOMINGO, 28 DE DEZEMBRO DE 2014

Frase

Painel VERA MAGALHÃES

Não passarão

A dúvida é se iriam pagar ou não esses convênios. Mas, para nossa surpresa, renovaram os convênios ao custo de R$ 117 milhões. Não nos passaram informações sobre a situação financeira, não partilharam os detalhes envolvendo contratos, convênios e precatórios. Não houve transição. A equipe que ela [Roseana] indicou nos entregou apenas um terço dos documentos que pedimos e era basicamente o que já estava na internet

Preocupados com desdobramentos da operação Lava Jato no Congresso, líderes dos principais partidos articulam estratégia para evitar uma “perseguição” aos parlamentares nos conselhos de ética da Câmara e do Senado. A ideia é costurar um acordo para que os presidentes dos colegiados tenham um comportamento “ponderado”. O maior temor é que um dos presidentes, ou até um integrante dos conselhos, tente se promover como justiceiro e ensaie uma faxina no Congresso. Ele não O perfil de Julio Delgado (PSB-MG), que relatou os processos de cassação de José Dirceu (SP) e André Vargas (PR), é o exemplo a ser evitado. No passado, o deputado ganhou o apelido de “exterminador de petistas”. Pede pra... Temendo mais desgastes quando o nome dos parlamentares envolvidos na Lava Jato forem oficialmente revelados, um grupo de deputados do PP planeja negociar com a Executiva Nacional uma “carta de alforria” para deixar o partido. ... sair Jair Bolsonaro (RJ) é um dos que vê a brecha para deixar o PP sem incorrer na infidelidade partidária. Alto lá Caciques do Congresso já deram recados ao Palácio do Planalto de que “não há clima” para a aprovação de uma nova CPMF. Os parlamentares estão convencidos de que o Ministério da Fazenda engavetou o assunto - ao menos por enquanto. Vai com fé A Frente Parlamentar Evangélica na Câmara deve reeleger João Campos (PSDB-GO) como líder. O deputado planeja um seminário nacional “de formação política para o segmento” em Brasília.

A meta é engajar de prefeitos a senadores. Vai com fé 2 A prioridade da bancada será a aprovação do Estatuto da Família, “que busca consagrar o conceito natural de família” contra o “ativismo do Judiciário”, e a PEC 99, que concede a entidades religiosas o poder de propor ação direta de inconstitucionalidade ao Supremo. Foi ele Eduardo Cunha (PMDB-RJ) diz que a substituição de Moreira Franco por Eliseu Padilha na Aviação Civil foi uma “escolha pessoal” do vice Michel Temer. De bem “Todo mundo fala que estou brigado com todo mundo. Não me parece que Dilma vai me ouvir para derrubar ministro...”, diz. Ciscando... A indicação de Floriano Pesaro para o secretariado de Geraldo Alckmin contou com a simpatia de Fernando Henrique Cardoso. Auxiliares do governador viram na escolha um aceno do paulista ao ex-presidente, que foi o principal fiador da candidatura de Aécio Neves nas eleições de outubro. ... para dentro A leva de deputados convidados para o

primeiro escalão de Alckmin também abrirá espaço para que o serrista Mendes Thame, secretário-geral do partido, retome sua cadeira na Câmara. O tucano é o primeiro suplente da coligação. Com quem andas Futuro ministro da Defesa, Jaques Wagner tem boas relações com as Forças Armadas, segundo interlocutores do PT. O governador baiano estudou no Colégio Militar do Rio em sua juventude. Alguns de seus colegas são hoje oficiais de altas patentes.

Flávio Dino, governador eleito do Maranhão

Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br RAIMUNDO VALENTIM

Na crista Na mensagem de despedida da Prefeitura de São Paulo, Gabriel Medina fez piada com o xará surfista: disse que estava indo “pegar outras ondas” ao partir para Brasília, onde será secretário nacional da Juventude. Pela... Celso Kamura faz planos para o penteado que Dilma usará na posse. Por ele, a presidente deixaria o cabelo crescer. Mas o “hair stylist” não sabe se a petista resistirá a aparar as madeixas para o “grande dia”. ... raiz Kamura acha que a filha de Dilma, “muito simples”, precisa de um penteado jovem. Assim, diz, “a mãe ficará mais jovem por tabela”.

Tiroteio

Como em muitas ruas da cidade, na avenida João Câmara, no Novo Aleixo, o lixo se tornou adereço natalino, isso porque a coleta regular não vem sendo realizada de forma adequada e satisfatória. Além de deixarem as frentes das casas com mau cheiro e com aparência de desleixo, o lixo acumulado pela não coleta atrai animais e abrem diversas possibilidades para a proliferação de doenças.

João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br

Anos atrás, dizia-se que governar era construir estradas. Hoje, com Haddad, virou sinônimo de pintar ruas com tinta. E só. DO VEREADOR ANDREA MATARAZZO (PSDB-SP), sobre as faixas de ônibus e as ciclovias implantadas durante a gestão do prefeito Fernando Haddad (PT).

Contraponto

Cão raivoso Em 1998, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) participava de uma manifestação de aposentados quando foi atacado por um cão da Polícia Militar. O petista saiu ileso, mas sua calça não poderia dizer o mesmo: a perna esquerda foi rasgada de cima a baixo. Então presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (1927-2007) se compadeceu com o colega. --Que coisa terrível! Vou lhe dar um corte de tecido. Acho que não foi adequado o que o cachorro fez... --disse ACM no dia seguinte ao incidente. O petista agradeceu e, assim que o presente chegou, encomendou um novo terno. Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”

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Quem ama cuida Aprendi desde muito cedo, pela transmissão da cultura familiar, que não era apenas da minha, mas um traço que transbordava e inundava toda a sociedade, que os filhos são o maior dom recebido pelos pais e que a eles é devida a máxima dedicação e sobre eles deve recair o senso maior de responsabilidade, antes do pai e da mãe e depois de todo o grupo familiar. Como bem falou o Pequeno Príncipe, “você é responsável por quem você cativa” e nenhuma criança sofre maior cativação do que aquela que se concretiza na sua relação com os pais. Pai e mãe são a segurança e a garantia que tranquilizam a criança e ao mesmo tempo lhe prometem que um futuro a espera para ser vivido. A obviedade destas reflexões deveria, por si só, dá-las como inúteis e tautológicas, palavras ao vento, dispensáveis e inócuas. Entretanto, contra fatos não se briga e contra a realidade não há negativa possível e os fatos que têm se apresentado com chocante insistência estão a dizer que o natural e normal estão sendo desmentidos e substituídos por outra realidade, chocante e monstruosa, que não pode ser aceita por ninguém. Absolutamente revoltantes os casos das crianças literalmente assassinadas por pais ou “cuidadores” e com enorme crueldade, pelo que implicam de sofrimento. Quando os assassinos são os próprios pais, percebe-se a inversão da hierarquia de valores, concretizada no fato de que a preocupação com a atividade laboral, com a corrida pelo ouro, leva-os a relegar os filhos ao esquecimento de um plano inferior e menor. O último dos casos divulgados revela claramente esta trágica verdade. Se não, como entender que um pai saia de casa para deixar o filho na escola, siga diretamente para o

trabalho e deixe a criança trancada no carro até a morte e, ao sair, ainda vá à escola, como se fosse buscá-la, quando a mesma já estava morta, havia horas, dentro da viatura? Há menos de uma semana atrás, outro caso ocorreu, com a mesma envergadura de tragédia, debaixo do mesmo patrocínio do descaso e da irresponsabilidade, só que, dessa vez, os pais não apareceram como os autores, mas delegaram a autoria a outrem, que certamente não foi selecionado com a devida atenção e o imprescindível cuidado, antes de receber o encargo de “cuidadora”. Quando deveria conduzir a criança, da casa para a escola ou da escola para a casa, a moça para em um salão de beleza para cuidar das unhas, o que já agendara previamente, e enquanto o faz, deixa a pobre menina morrer por desidratação e asfixia, trancada no carro. Com alguma humanidade, poderia pelo menos tê-la levado consigo para o interior do salão. O que mais interessa aqui, não é sequer ficar a repetir caso após caso, pois, apenas num exercício da memória, outros similares surgem como verdadeiras assombrações. O que realmente importa é a necessidade de trazer o ser humano de volta para dentro da sua humanidade, que indubitavelmente existe de fato, pois nos tempos de antanho era facilmente encontrada e ainda hoje, em meio a tanta frieza e desnaturação, ainda desponta aqui e ali, quando brilha como um sol. É chegada a hora, se ainda não passou, de todos, aí se incluindo famílias, escolas, governos, instituições em geral, juntarem-se num grande mutirão, a fim de mudar o rumo e o norte da educação, no sentido de conduzir as sociedades ao seu genuíno destino do exercício da sua verdadeira humanidade.

João Bosco Araújo* *Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO.

Aprendi desde muito cedo, pela transmissão da cultura familiar, que não era apenas da minha, mas um traço que transbordava e inundava toda a sociedade, que os filhos são o maior dom recebido pelos pais e que a eles é devida a máxima dedicação e sobre eles deve recair o senso maior de responsabilidade, antes do pai e da mãe e depois de todo o grupo familiar


Com a palavra

MANAUS, DOMINGO, 28 DE DEZEMBRO DE 2014

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Afonso LOBO MORAES

Encerramos O ANO com as contas em dia FOTOS RAIMUNDO VALENTIM

ISABELLA SIQUEIRA Equipe EM TEMPO

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O ano de 2014 foi baste difícil, onde começamos a todo vapor e no segundo semestre enfrentamos uma queda, mas mesmo diante desse quadro deveremos encerrar o ano, em matéria de arrecadação, com ligeiro crescimento de 6% a 7%”

uncionário de carreira da Secretaria do Estado da Fazenda do Estado do Amazonas (Sefaz-AM) desde 1989, o humaitaense Afonso Lobo foi nomemado em dezembro de 2012, para assumir a secretaria em substituição a Isper Abrahim, que pediu exoneração do cargo alegando problemas particulares. Graduado em ciências econômicas pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), possui experiência profissional como técnico do Tesouro Nacional (Receita Federal). Foi fiscal de Tributos Municipais e exerceu a cadeira de auditor fiscal de Tributos Estaduais, pela Secretaria Estadual de Fazenda. As vésperas de virar o ano, Lobo recebeu a equipe do EM TEMPO, para fazer um balanço da atuação da pasta em 2014 e também das finanças do governo, além de apresentar pespectivas para a economia do Estado WVem 2015. EM TEMPO - Vivemos um período de “apertar os cintos”. Como o Estado fecha as contas em 2014? Afonso Lobo - O ano de 2014 foi difícil. Começamos a todo vapor com uma larga produção de televisões para atender a Copa do Mundo e tudo levava a crer que seria um período próspero. Em junho registravamos um desempenho da arrecadação de 20% de crescimento, em relação ao mesmo período do ano anterior, mas, quando iniciou o segundo semestre inicou-se um desaquecimento geral das nossas atividades industriais, e isso estava sendo observado pela economia nacional desde o início do ano. Assim como a atividade econômica nacional já vinha sofrendo desde o início de 2014, mas o Amazonas era um ponto fora da curva porque tínhamos aquecimento da demanda de TVs e outros eletroeletrônicos. Porém, no segundo semestre houve esse arrefecimento e consequentemente passamos a ter a mesma realidade do restante do país. Portanto, até outubro, segundo o IBGE, a atividade industrial no Amazonas está com decréscimo de 2,3% em relação a 2013. Mesmo assim, diante dessa queda na atividade industrial que é a mola da economia amazonense, deveremos encerrar o ano,

em matéria de arrecadação com ligeiro crescimento de 6% até 7 % em relação ao ano anterior. Já a economia brasileira deve crescer 0,2%. Diante deste quatro tivemos que nos rebolar para honrar nossos compromissos e estamos encerrando o ano com as contas em dias e servidores públicos recebendo o que lhes era de direito. EM TEMPO - O brasileiro está com uma preocupação muito grande em relação à economia. Mas, para o Amazonas, poderemos dizer que será um ano difícil? AL - Certamente, teremos que estar preparados para os momentos de dificuldade, pois realmente o Brasil passa por um momento de instabilidade na economia nacional, onde as contas públicas, sobretudo em âmbito federal, estão deterioradas. Com base nisso, os Estados e a União não têm conseguido fazer superávit primário para honrar os compromissos. E isso é básico. Quando não geramos esse superávit, se forma toda uma desconfiança em torno da aconomia brasileira, além disso, se tem problema de inflação e o Brasil hoje está com esse índice um pouco elevado, acima de 6%, as alterações nas taxas de juros para segurar a inflação também sofrem, o que gera um desequilíbrio no câmbio. Porém, ainda não é o fim do mundo só que isso sinaliza que o Brasil precisa de ajustes para que possamos voltar a ter confiabilidade. EM TEMPO - Mas, aqui para o Amazonas, precisamos nos preocupar? AL - Somos parte da economia nacional e não podemos estar indiferentes à essa situação. Temos que nos precavermos e tomarmos medidas acautelatórias para também não sermos pegos de surpresa se houver um recessão, como tudo indica que haverá. EM TEMPO - Tivemos neste ano a prorrogação por mais 50 anos da Zona Franca de Manaus. O senhor acha que com isso será amenizada essa guerra fiscal entre Manaus e São Paulo? AL- Dois assuntos foram importantes neste contexto: Um foi a questão da prorrogação da Zona Franca por mais 50 anos e outro foi o julgamento da Ação Direta de

Incostitucionalidade (Adin) 310, que sinalizou para o investidor que não só os incentivos federais, mas também também aqueles concedidos no âmbito do ICMS são constituinais. E o Supremo disse que o Amazonas não necessita de autorização do Confaz para conceder benefícios no âmbito do ICMS. Somos o único Estado isento. Então, isso é um fator de muita relevância para o investidor. Aliado a isso temos mais um fator, que vem conspirar a favor da Zona Franca, que é o questionamento da comunidade econômica europeia, relacionadas aos incentivos da Lei de Informática: o Inovarauto e os incentivos para a Lei de Informática. Isso é uma sinalização para o investidor de que aqui terá estabilidade jurídica. Em outro Estado da federação ele poderá ter problemas, pois a comidade europeia está questionando esses incentivos na Organização Muncial do Comércio. Cabe agora, a nós do governo do Amazonas, disponibilizarmos estrutura para que esses incentivos possam chegar até aqui, como melhorias em portos, aeroportos, hidrovias e estradas. EM TEMPO - Mas, além da Zona Franca, qual seria a outra alternativa para a população do Estado? AL - Temos alguns potenciais econômicos, como petróleo e gás, onde temos a maior reserva em terra firme que poderia ser uma fonter de energia termoelétrica. Outra opção seria a produção de fertilizantes, sobretudo a ureia - que é um nitrogênio - cuja fonte vem do gás natural. E poderíamos aqui instalar uma planta de fertilizantes para beneficiar o gás natural em nitrogênio. Além disso, já temos identificadose comprovados uma das maiores reservas do mundo de potássio, que também é um outro fertilizante importante, apresentando um opção de três fertilizantes muito importantes para o agronegócios. Isso poderá ser exploração com plantas de fertilizantes para abastecermos aqui o Noroeste do país. Caberá a nós sabermos explorar essas potencialidades. Mas, além disso, o governador José Melo tem um projeto de tornar o Amazonas maior produtor de proteína de peixe, e esse projeto passa pela produção em larga escalas de tambaqui, matrinchã e

jaraqui, onde não será preciso desmatar, basta construir um açude. E isso tem tudo para acontecer nos próximos quatro anos. EM TEMPO - Temos no Estado uma defasagem por parte do comércio, em relação à emissão de notas fiscais na hora da compra. Como o governo vai trabalhar para coibir esse tipo de ato em 2015? AL - Temos uma proposta de adotar em 2015 a nota fiscal amazonense, a exemplo do que existe em São Paulo com a nota fiscal paulista. Ainda não havíamos implantando isso porquee aquela nota fiscal que era emitida nos estabelecimentos não havia nenhum garantia que ela seria oferecida a tributação, pois ela ficava no seu emissor de cupom fiscal e não significava necessariamente que aquela informação seria repassada a Secretaria de Fazenda. Com a nota fiscal do consumidor eletrônica, onde fomos o Estado pioneiro na implantação deste projeto, faz com que hoje, toda vez que o cliente pede a nota fiscal ela automaticamente vem para a nossa base de dados, em qualquer ponto do Amazonas. E isso é segurança de que o dado será declarado no nosso sistema. Em janeiro de 2015 vamos lançar uma campanha para que possamos realmente transformar um hábito da população amazonense pedir notas fiscais. EM TEMPO - Além da campanha para incentivar a emissão das notas fiscais, quais outros projetos a Sefaz pretende implantar em 2015? AL - Pretendemos fazer um trabalho forte de monitoramento dos maioires contribuintes do Estado, das entradas de mercadorias, além de fazermos um corcuso público para a pasta, pois nossos servidores estão se aposentado e com isso, deixando vazio os setores da secretaria. Já estamos com uma defasagem grande, e isso será muito importante dentro do órgão. Queremos combater a sonegação fiscal, e para 2015 nosso maior projeto será aproximar a receita efetiva da receita potencial que o Estado tem, e acredito que o Amazonas tem uma mas situações mais próximas da efetiva para a potencial.

Vamos fazer uma campanha para incentivar o consumidor a ter o hábito de pedir nota fiscal no ato das compras. Vamos fazer disso um hábito em cada comsumidor”

Temos grandes projetos para Sefaz em 2015, entre eles a realização de um concurso públicos para completar o quadro de servidores, pois nossa mão de obra está se aposentando”


A6

Política

Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

www.claudiohumberto.com.br

Não vamos permitir” Jornalista

IVAN VALENTE (PSOL-SP), sobre o escâdalo do Petrolão ‘forçar’ a privatização da Petrobras

‘Jeton’ dobra Presidente do Conselho da BR e membro na BR Distribuidora, Guido recebe R$ 19,7 mil/mês para “compor” seu salário de R$ 26,7 mil. Conselho do governo O Conselho de Administração da Petrobras tem dez membros, sete dos quais são indicados pelo governo, o acionista majoritário. Coutinho também Outro esquecido no Petrolão é Luciano Coutinho, presidente do BNDES desde 2007 e membro do Conselho da Petrobras desde 2008. Sem surpresa Em 2014, o Produto Interno Bruto congelado, inflação acima da meta, crise na Petrobras, reeleição e “7 x 1” resumem as retrospectivas do ano. AGU ‘arrecadou’ 3.500% a mais que o previsto Em meio a alegações de falta de dinheiro que fizeram o governo rasgar a Lei de Responsabilidade Fiscal, a Advocacia-Geral da União (AGU) conseguiu arrecadar mais de R$ 80 milhões pelas representações da União, judicial e extrajudicialmente, em 2014.

O valor é 3.487% maior do que os R$ 2,3 milhões previstos em operação de crédito externo, após contrato com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Fenômeno O desempenho financeiro da AGU é ainda mais expressivo: o contrato com o BID não foi assinado “devido às restrições orçamentárias”. Oh, coitados A AGU explica que a grana é integralmente recolhida ao Tesouro, pois como integrante do orçamento fiscal, o órgão não possui receita própria. Trocados De todo montante arrecadado, a AGU ficou com pouco mais de R$ 367 mil proveniente de taxas de inscrição de concurso realizado este ano. Quem manda Sem moral com a presidenta Dilma, o ministro Luiz Figueiredo (MRE) despacha mesmo é com Aloizio Mercadante, com quem teve sete encontros em 2014, conforme revela a agenda oficial da Casa Civil. Na pista Cotado no PT para substituir Izabella Teixeira no Ministério do Meio Ambiente, o deputado Alessandro Molon (RJ) já se reuniu duas vezes neste mês com o ministrochefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Engabelados Deputados do PMDB reclamam que a indicação de Edinho Araújo (SP) e Eliseu Padilha (RS) para Portos e Aviação Civil foi colocada na conta da bancada, mas os dois são fiéis escudeiros do

vice Michel Temer. Patinho feio O Ministério dos Transportes teve o orçamento 2015 reduzido em 10%, mas é um dos poucos que ajudam na arrecadação do governo federal: em 2014 conseguiu arrecadar mais de 108% do previsto Guerra à vista A bancada do PT está inconformada com a perda de espaços no segundo governo de Dilma. Deputados preveem fase difícil do governo com a militância, que está bombardeando as redes sociais de críticas.

Jogando a toalha Amigos do presidente da Câmara Henrique Alves (PMDB-RN) acham que ele declinará da humilhação do “nada consta” da operação Lava Jato para só então virar ministro do segundo mandato de Dilma. Pensando bem… … brasileiros já sabem o que desejar para 2015: 2014 nunca mais!

O então presidente do Senado, José Sarn e y, conversava com amigos, dia antes de sua internação no hospital Sírio-Libanês, quando alguém mencionou a tese de que a cirurgia bariátrica que emagreceu Demóstenes Torres mexeu com sua cabeça, alterou o comportamento do senador goiano. Sarney discordou, lembrando que Demóstenes, antes da cirurgia, foi um opositor duríssimo do líder do PMDB, Renan Calheiros, e, já magro, também foi implacável contra ele próprio. Exibindo seu melhor sorriso monalisa, Sarney sacramentou: - Renan e eu conhecemos o Demóstenes gordo e o Demóstenes magro...

FIM DO CLÃ

Sarney vira notícia internacional

Mudanças De acordo com o advogado Rodrigo Lago, citado no artigo, “se o Maranhão pode mudar, oligarquias em outros cantos do país podem ser modificadas”.

C

onsiderado um ano extremamente político, 2014, termina com uma lista extensa de momentos importantes para o futuro do país. Das

eleições gerais aos escândalos envolvendo entes e entidades públicas e privadas, o EM TEMPO leva a você, leitor, os principais pontos que viraram notícia durante o ano, no Amazonas e no restante do país. Relembre o que teve destaque no cenário político local e nacional.

Eleições 2014

Aprovado em cota O deputado Geraldo Resende (PMDB-MS) é alvo de críticas nas redes sociais após divulgar que passou na Universidade Federal da Grande Dourados. Ele foi aprovado na cota destinada a alunos da rede pública.

Velho conhecido

para morar, que tal a Vila Sarney? Hospital, temos a maternidade Marly Sarney. Quer pegar um livro, vá à Biblioteca José Sarney. Para ir ao centro histórico pegue a ponte José Sarney e se precisar entrar com uma ação, vá ao Fórum Sarney Costa.

JOELMA MUNIZ Equipe EM TEMPO

Gerdau na BR O empresário Jorge Gerdau Johannpeter representava os acionistas minoritários preferencialistas no Conselho de Administração da Petrobras desde 2001. Foi substituído em abril deste ano, pela primeira vez, por João Guimarães Monforte, presidente do Conselho da Claro.

PODER SEM PUDOR

O jornal americano “The New York Times” publicou na edição de hoje (26) um artigo sobre o declínio da dinastia Sarney no Maranhão. Assinado por Simon Romero, o artigo explicita como a decisão do expresidente da República de não concorrer à reeleição no Senado pode ter implicações nacionais. Para explicar aos estrangeiros o poder da família, Romero usa brincadeiras dos próprios maranhenses como: está precisando de um lugar

Presidente Dilma enfrentou o tucano Aécio Neves nas urnas. Já no Amazonas, Melo e Braga protagonizaram uma eleição decidida pela primeira vez em segundo turno

DIVULGAÇÃO

Mantega escapa de fininho da operação Lava Jato Apesar de ser o presidente do Conselho de Administração da Petrobras desde abril de 2010, quando substituiu a então ministra Dilma Rousseff, o ministro pré-demitido da Fazenda, Guido Mantega, foi esquecido na operação Lava Jato. Todos contratos da Petrobras nos últimos quatro anos passaram pela mesa de Mantega, que é membro do Conselho desde 2006 e também é membro do Conselho da BR Distribuidora.

Para corroborar a tese, Romero lembra que Sarney não conseguiu eleger seus apadrinhados e Cássio Cunha Lima e Helder Barbalho perderam as eleições para o governo da Paraíba e do Pará, onde seus pais mantêm forte influência até hoje. Por outro lado, o autor lembra que as dinastias podem ser retomadas como aconteceu em Alagoas com a vitória de Renan Calheiros Filho para o governo estadual.

José Melo conseguiu se reeleger governador do Amazonas com 55,77% dos votos válidos

Pela primeira vez na história política do Amazonas, a eleição para governador do Estado foi decidida no segundo turno. Com 55,77% dos votos, José Melo (Pros) foi reeleito para governar o Amazonas. Durante toda a campanha do 1º turno, Melo aparecia em segundo lugar nas pesquisas eleitorais, mas ao abrir as urnas, o atual governador obteve a maioria dos votos válidos em 25 cidades, incluindo Manaus - com 40,39% contra 37,89% do adversário, o senador e ex-governador, Eduardo Braga (PMDB). Além da escolha para o novo governo, os amazonenses também foram às urnas escolher novos deputados estaduais, deputados federais, senador e presidente da República. E essa nova composição surpreendeu por deixar de fora do cenário político veterano e que há décadas, figuravam como os mais votados. Famílias tradicionais da política do Estado, provaram pela primeira vez o sabor da derrota. Um dos exemplos, a família Souza, formada pelos irmãos Fausto e Carlos Souza (PSD), não conseguiram manter suas cadeiras na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) e na Câmara dos Deputados, respectivamente. Rebecca Garcia (PP), reeleita deputada federal em 2010, deixa a Câmara sem nenhum mandato, visto que não obteve êxito em sua candidatura como vice-governadora na chapa do também derrotado Eduardo Braga (PMDB). O deputado estadual Marcelo Ramos (PSB), que ficou em terceiro lugar na disputa pelo governo do Amazonas, também está sem mandato

para os próximos anos. Já o deputado Chico Preto (PMN), assim como Ramos, também esteve no ranking da disputa pelo governo nas eleições 2014 e sai da atuação política sem mandato. Tony Medeiros (PSL), que já foi secretário municipal de Cultura, e que se despede do assento na Assembleia Legislativa. Outro parlamentar consagrado do meio, Eron Bezerra (PCdoB), eleito por cinco vezes consecutivas como deputado estadual (1991 a 2010), não conseguiu garantir

RETROSPECTIVA

Eleições deste ano deixaram de fora políticos de tradição no palanque, como Carlos e Fausto Souza, a família Castelo Branco e os senadores Eduardo Suplicy e Pedro Simon

Rio Grande do Sul. No Rio de Janeiro, o deputado e ex-governador Anthony Garotinho também ficou de fora. Edison Lobão Filho perdeu a disputa pelo governo do Maranhão para Flávio Dino (PCdoB). Gim Argello (PTB-DF), Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), Mário Couto (PSDB-PA), Heloísa Helena (PSOL) estão na lista dos derrotados para o Senado. Na Câmara Federal, o grupo é formado por Cândido Vaccarezza (PT-SP), Iriny Lopes (PT-ES), Stepan Nercessian (PPS-RJ), Protégenes Queiroz (PCdoB-SP), Roberto Freire (SP), Popó (PRB-BA) e Luiz Argolo (SD-BA).

vaga no pleito de 2014. Sabino, Vera e Reizo Castelo Branco endossam a lista dos não eleitos. Líderes de votos nas casas legislativas do Amazonas e Brasília, eles não obtiveram êxito em 2014. Em Brasília, o cenário de mudanças também surpreendeu. Dois senadores que vinham ocupando mandatos em sequência no Congresso Nacional: Eduardo Suplicy (PTSP) e Pedro Simon (PMDB-RS) não se reelegeram. Eduardo Suplicy deixará o Senado Federal em janeiro, após 14 anos ocupando a vaga. Pedro Simon (PMDBRS) foi outro, que perdeu a eleição depois de 32 anos representando os eleitores do

Hegemonia do PT Dilma Rousseff (PT) venceu Aécio Neves (PSDB) na disputa em segundo turno para Presidência da República e deverá se manter no governo até 2018. Com a vitória, Dilma completará um período de 16 anos do PT no comando do governo federal, desde a primeira eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002. É o dobro do tempo do PSDB, que teve dois mandatos com Fernando Henrique Cardoso (1995-1998 e 1999-2002). Desde antes da reeleição de Dilma, o PT trabalha com a hipótese de uma nova candidatura de Lula em 2018, conforme voltou a defender neste domingo o presidente do partido, Rui Falcão.

QUEDA


MANAUS, DOMINGO, 28 DE DEZEMBRO DE 2014

Morte de Campos modificou cenário político em todo país

moveu o país e mudou os rumos da eleição presidencial, que terminou com sua vice, Marina Silva, ao lado de Aécio Neves (PSDB) na busca pelo mais alto posto da política brasileira. Coincidentemente, Campos morreu em um 13 de agosto, mesma data da morte de seu avó, com quem começou a militar, na política pernambucana Miguel Arraes.

foram excluídos do processo e um teve o caso enviado à 1ª instância da Justiça. Dos 24 condenados, dezoito cumprem pena, entre eles o ex-ministro José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino e o delator do esquema, ex-deputado Roberto Jefferson (PTB). O ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, que estava foragido, permanece preso na Itália.

Braga assume, a partir do dia 1º, setor de Minas e Energia

DIVULGAÇÃO

O dia 13 de agosto de 2014 foi marcado pela trágica morte do então candidato à Presidência da República, Eduardo Campos (PSB), e outras seis pessoas. Campos que tinha 49 anos, era ex- governador de Pernambuco e ao lado de Marina Silva, ganhava projeção nacional pela postura conciliadora que empunhava em sua campanha. Sua morte co-

Após aproximadamente 9 anos de investigações, o Supremo Tribunal Federal (STF) terminou em março deste ano, os julgamentos do escândalo conhecido como “mensalão”. O esquema de compra de apoio político na Câmara Federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT) foi encerrado com a condenação de 24 dos 40 denunciados. Do grupo inicial, 38 tornaram-se réus e 13 foram absolvidos, dois

Eduardo Braga em ministério DIVULGAÇÃO

Mensalão leva políticos à prisão DIVULGAÇÃO

Morte de Eduardo Campos

Entre os presos, estava José Genoino, ícone do PT

Preso desde fevereiro, Adail responde a mais de 60 processos

diretrizes de trabalho conjunto nas áreas de saúde, saneamento básico, infraestrutura e segurança. No convênio oficializado este ano, onde o pacote de obras relacionado, prioritariamente, à infraestrutura tiveram destaque. O recapeamento de ruas recebeu atenção redobrada dos poderes. DIVULGAÇÃO

Ações conjuntas entre a administração de Arthur Neto não foram novidades em 2014, mas ganharam força durante o ano. Articulações em prol de atividades integradas foram as primeiras iniciativas do tucano, que, após eleger-se em 2012, iniciou conversas com o então governador Omar Aziz, estabelecendo

Dilma faz visita a Manaus Recebida pelos políticos do Amazonas, a presidente Dilma Rousseff (PT) esteve em Manaus, no dia 13 de fevereiro, para inaugurar a segunda etapa do residencial Viver Melhor, na Zona Norte de Manaus. A visita foi a única da presidente

ao Estado, que mesmo em período eleitoral, não foi contemplado por comício comandado por Dilma. Em seu lugar, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi quem subiu a dois palanques para pedir votos para o grupo. DIVULGAÇÃO

procedentes pela Justiça estadual e federal, Adail foi condenado a 11 anos e 10 meses de prisão em regime fechado. No dia 17 deste mês, Adail Pinheiro sofreu mais uma derrota, após ter seus direitos políticos cassados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele segue preso no Batalhão da Cavalaria da Polícia Militar do Amazonas, localizado na Zona Oeste de Manaus.

duas principais estatais do país, a Petrobras e Eletrobras, além de setores chave para a economia, como a mineração. Entre os desafios que devem ser encampados pelo peemedebista, estão o combate ao racionamento de energia elétrica, rombo financeiro na Eletrobras, leilões malsucedidos e alto preço da eletricidade.

Arthur e Melo prometem manter ação conjunta em 2015

Petrobras tomada por crise

Presidente da estatal, Graça Foster está ameaçada DIVULGAÇÃO

Respondendo a mais de 60 processos criminais na Justiça, o prefeito afastado de Coari, Adail Pinheiro, entregou-se à polícia dia 8 de fevereiro. Suspeito de comandar uma rede de exploração sexual contra menores, teve a prisão preventiva decretada pelo desembargador do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), Adjalma Martins. Após ter vários recursos de liberdade julgados im-

Wilker Barreto deverá presidir a CMM no biênio 2015/2016

DIVULGAÇÃO

Adail Pinheiro perde mandato

ROBERVALDO ROCHA/DIRCOM

o período. A decisão que chegou a contemplar todos os parlamentares, mas foi revista, após manifestações intensas na tribuna da casa, foi considerada pelo procurador da CMM, Daniel Fernandes, como uma medida sensata, coerente, prudente e conciliadora e que proporcionou o restabelecimento da relação democrática entre os poderes. O uso do “cotão” pelos parlamentares foi suspenso cautelamente, no último dia 28 de maio, pelo conselheiro Júlio Cabral, que atendeu a uma representação feita pelo Ministério Público de Contas (MPC), que apontou um descontrole com esse tipo de gasto, desconsiderando todos os procedimentos de controle adotados rigorosamente pela Controladoria da CMM.

Eduardo Braga (PMDBAM) foi um dos convocados pela presidente Dilma para integrar o grupo de ministros para o próximo mandato. O nome de Braga foi anunciado no último dia 23, quando a presidente divulgou o nome de mais 12 novos ministros. O cargo é estratégico para o país, já que o Ministério de Minas e Energia lida diretamente com questões ligadas às

Governo e prefeitura unidos

Câmara de Manaus escolhe novo presidente

VW

Na Câmara Municipal de Manaus (CMM), o ano terminou com a eleição da nova mesa diretora do legislativo, que trabalhará à frente da casa no biênio 2015/2016. Wilker Barreto (PHS) foi o nome escolhido como o presidente, em substituição ao deputado estadual eleito, Bosco Saraiva (PSDB). Barreto, que ocupava o cargo de líder do prefeito Arthur Neto (PSDB), ganhou o processo com 35 votos. Ele disputou com os candidatos, Professor Bibiano (PT), Marcel Alexandre (PMDB), Marcelo Serafim (PSB) e Fabrício Lima (SDD). Suspensão do Cotão Apenas os vereadores que não disputaram o processo eleitoral em 2014, puderam utilizar a Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap), durante

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Iniciada em um posto de gasolina, de onde surgiu o nome, a operação Lava Jato, deflagrada em março deste ano, investiga um grande esquema de lavagem e desvio de dinheiro envolvendo a Petrobras, grandes empreiteiras do país e políticos. Em 17 de março, as ações da empresa fecharam o dia cotadas

a R$ 12,57 reais, o menor valor desde 2005. Em 2014, a Petrobras também deixou a 12ª posição no ranking das maiores empresas do mundo em valor de mercado, lugar que ocupava em 2010, passando a 120ª maior empresa do mundo. A estatal é alvo de, pelo menos, cinco investigações envolvendo propina.

Dilma inaugurou conjunto habitacional em Manaus


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Política

MANAUS, DOMINGO, 28 DE DEZEMBRO DE 2014


Hotel

MANAUS, DOMINGO, 28 DE DEZEMBRO DE 2014

economia@emtempo.com.br

Casa de Artesanato

(92) 3090-1045

RIBEIRINHOS EMPREENDEDORES

Progresso transforma o visual dos barrancos

Paisagem característica das comunidades rurais ao longo do rio Negro sofre mudanças com novos investimentos que são realizados para estimular o desenvolvimento para essas regiões ribeirinhas ANWAR ASSI Equipe EM TEMPO

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paisagem bucólica típica das comunidades ribeirinhas que povoam às margens dos rios que cortam o território do Amazonas aos poucos sofre transformações devido ao espírito empreendedor que brota no caboclo da região. O cartão-postal característico dos barrancos que acompanham o curso das águas fluviais composto de casinhas de madeira, templos religiosos rústicos, escolas rurais, campos de futebol de várzea, plantações e gado disperso, aos poucos, perde espaço para hotéis, pousadas, restaurantes, bares flutuantes e até locais para a diversão com espécies aquáticas amazônicas como o boto e o pirarucu. A mudança, embora lenta, já é visível, principalmente, em comunidades ribeirinhas que habitam áreas situadas nas margens - direita e esquerda -, do rio Negro, próximas a Manaus, a capital amazonense. O desenvolvimento do empreendedorismo na população local favorece a expansão do turismo comunitário, conceito que resulta em emprego e renda aos cablocos ribeirinhos dessas regiões que antes dependiam, principalmente, de atividades extrativistas para sobreviver. Em 2004, Roberto Brito de Men-

donça, 39, abandonou a extração de madeira e investiu R$ 70 mil para construir o primeiro hotel da comunidade Tumbira (a 70 quilômetros em linha reta de Manaus), na margem direita do rio Negro, em Iranduba. Porém, o empreendimento só abriu as portas cinco anos depois, em 2009. Segundo ele, a ideia de construir uma hospedaria surgiu depois que a extração de madeira, que até então era a principal fonte de renda da comunidade Tumbira, sofreu um declínio econômico. “Não havia um futuro bom para as próximas gerações. Portanto, desenvolvemos outros atrativos de renda da própria floresta e vimos que o turismo comunitário tinha o melhor potencial”, afirma Mendonça. Serviços Hoje, o hotel Garrido - que fica “na entrada” da comunidade Tumbira e dá as boasvindas para quem chega ao local -, conta com sete apartamentos, além de serviços de alimentação, internet e até um terminal bancário (Bradesco) para quem quer pagar a fatura com o “dinheiro eletrônico”. O empreendimento turistíco possui também luz elétrica, energia solar e um barco próprio para transportar os visitantes vindos de Manaus. O valor do transporte custa R$ 1,4 mil para 12 pessoas ou R$ 1,2 mil para 8 visitantes, informou Mendonça. Leia mais nas páginas B4 e B5

FOTOS: ANWAR ASSI E DIVULGAÇÃO

Caderno B

Economia

Pousada oferece terminal bancário para transações eletrônicas

Funcionária mantém a limpeza do quarto de hotel, em Tumbira

Reservas são antecipadas para empresa Segundo Mendonça, que administra o hotel, a diária custa R$ 60 por pessoa, incluindo o café da manhã. Com mais R$ 40, o visitante usufrui também do almoço e do jantar. O preço convidativo para ficar bem hospedado no “meio da selva” garante a lotação antecipada para depois das festas de Ano-Novo. “Já temos reservas para 100 pessoas de uma grande empresa de bebidas entre os dias 5 e 9 de janeiro de 2015”, revela Mendonça. Segundo ele, a Copa do Mundo realizada, neste ano, no país, e que tinha Manaus como subsede estimulou à chegada de turistas na comunidade Tumbira. “Depois que o torneio acabou registramos crescimento de 30% no número de hospedes no hotel”, conta o administrador ao salientar que o local recebe 130 clientes por mês.


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Economia

MANAUS, DOMINGO, 28 DE DEZEMBRO DE 2014

Um ano difícil para a indústria amazonense

DIVULGAÇÃO

Apesar dos incentivos fiscais, vários segmentos do parque fabril de Manaus, como o polo de duas rodas, sofreram com crise e fecharam o ano no vermelho

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esmo com os incentivos fiscais concedidos pelo governo, alguns segmentos vão preferir apagar da memória o ano de 2014. É o caso do polo de duas

rodas, um dos mais importantes do Polo Industrial de Manaus (PIM), que não conseguiu sair da crise e fechará o ano sem crescimento. De acordo com previsão da Federação das Indústrias do

Estado do Amazonas (Fieam), a recuperação do PIM deverá ocorrer somente no segundo semestre do próximo ano. “No primeiro semestre de 2015, a indústria amazonense deverá ainda sentir os

efeitos da crise econômica e da mudança de governo no país”, disse o presidente da Fieam, Antônio Silva, em evento realizado recentemente pela entidade para os jornalistas amazonenses.

Principal setor de desenvolvimento econômico do Amazonas, o Polo Industrial de Manaus (PIM) sofreu com o ano de 2014

Zona Franca é prorrogada até 2073 O ano de 2014 começou com várias dúvidas para a economia do Amazonas em relação à Zona Franca de Manaus (ZFM), cujo modelo acabou prorrogado até 2073, após várias tentativas de sabotagem de outros Estados brasileiros como o de São Paulo, por exemplo. As incertezas na economia atingiu em cheio também o setor comercial do Estado, que não teve um bom ano, apesar da Copa do Mundo ser realizada no país e ter Manaus como uma das suas subsedes esportivas. De acordo com o presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Ismael Bicharra, o setor espera que em 2015 essa realidade seja mudada. Segundo ele, o governo precisa adotar medidas urgentes que possam estimular as vendas e, dessa forma, garantir os empregos gerados pelos lojistas do comércio do Amazonas.

Polo naval continua só no papel Além do comércio e da indústria, o polo naval não teve um ano ano bom em 2014. O novo projeto que deve gerar mais de 25 mil empregos ainda não deslanchou por questões burocráticas ligadas ao terreno onde ele será sediado em Manaus. No setor primário, os produtores rurais ainda sofrem com a pouca quantidade de técnicos, conforme afirma o presidente da Federação da Agropecuária do Estado do Amazonas (Faea), Muni Lourenço. O ano de 2014 será marcado também pelas duas greves que foram realizadas pelos servidores da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) em busca de melhores salários. A campanha resultou na saída de Thomaz Nogueira do comando da autarquia, comandada interinamente, hoje, pelo funcionário de carreira, Gustavo Igrejas.


Economia

MANAUS, DOMINGO, 28 DE DEZEMBRO DE 2014

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O sonho de ficar milionário com Mega-Sena da Virada ANWAR ASSI Equipe EM TEMPO

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té o meio-dia (horário de Manaus) do próximo dia 31, as casas lotéricas da capital amazonense devem registrar um aumento no fluxo de apostadores que sonham entrar em 2015 com a conta bancária “recheada” com a bolada milionária - que pode chegar a R$ 360 milhões, segundo os lotéricos -, que a Mega-Sena da Virada deve premiar no final deste ano. A movimentação vai garantir um incremento em relação ao mesmo período do ano passado de 15% no faturamento das loterias da cidade, de acordo com o Sindicato das Casas Lotéricas do Amazonas. “Até as 12h do próximo dia 31 de dezembro, as apostas serão todas para a Mega-Sena da Virada”, afirma o presidente do sindicato, Samuel Azevedo. A doméstica Francisca Pinheiro, 57, compareceu duas vezes, no último dia 26, a uma casa lotérica situada na Compensa, na Zona Oeste, para fazer a sua “fezinha”. Na primeira vez, foi pela parte da manhã. Como não conseguiu fazer a aposta devido ao

grande fluxo de pessoas, ela voltou pela parte da tarde. “Vou apostar só uma cartela mesmo. Se ganhar o prêmio, quero comprar uma casa nova e ajudar a família”, conta. Embora a previsão oficial é a de que o prêmio será maior do que R$ 240 milhões, algumas loterias de Manaus estamparam placas garantido que a bolada chegará a R$ 360 milhões. O prêmio não é cumulativo. “Depois do Natal é normal que as pessoas ainda estejam numa ressaca em relação aos gastos. Porém, agora, o movimento deve aumentar com a proximidade do prazo final para a aposta”, destaca Samuel Azevedo. O sorteio do concurso especial 1.665 será realizado a partir das 20h (horário de Brasília) do dia 31 de dezembro. Lençóis Para alcançar o sonho de ficar milionário, o comerciante Antônio Mendes, 68, desembolsou R$ 12,50 para apostar cinco cartelas na Mega-Sena da Virada. “Além da minha família, vou comprar lençóis para hospitais públicos e ajudar instituições de caridade”, planeja o comerciante.

RAIMUNDO VALENTIM

Prêmio acumulado que pode chegar a R$ 360 milhões, segundo lotéricos, será sorteado no próximo dia 31 de dezembro

Casas lotéricas de Manaus registram extensas filas de apostadores que fazem a “fezinha” para a Mega-Sena da Virada

FALA POVO O que pretende fazer caso ganhe a Mega-Sena da Virada? “Se ganhar a Mega-Sena da Virada, vou pagar dívidas, ajudar a família e instituições de caridade e comprar um imóvel no Nordeste

“Primeiro iria dizimar para a minha igreja (Universal), iria ajudar a família e compraria um sítio para descansar com os parentes

“Não tenho grandes pretensões de gastos. Quero ajudar a família e seguir a vida, normalmente, sem esse negócio de se esconder

“Ganhando esse dinheiro eu vou ajudar a família e buscar garantir a segurança e tranquilidade para o futuro da minha filha e do meu esposo

Marileno Saboia, 66, aposentado

Ana Angélica, 55, comerciante

José Boaventura, 67, aposentado

Marcela Andrade, 34, corretora

FOTOS: ANWAR ASSI


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Economia

O turismo comuni

Ribeirinhos investem em empreedimentos como restaurantes para estimular a economia da região sem abrir mão de atividades tradicionais com o artesanato e a interação com espécies amazônicas ANWAR ASSI Equipe EM TEMPO

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poucos minutos de barco de Tumbira, na comunidade Santa Helena do Inglês, o irmão de Roberto, Nelson Brito de Mendonça, 37, construiu uma pousada e um restaurante na localidade situada, também na margem direita do rio Negro, a 57 quilômetros em linha reta de Manaus. Segundo ele, o valor dos investimentos somou R$ 100 mil, fruto de uma poupança de quatro anos. A pousada foi inaugurada no dia 25 de maio deste ano, após seis meses do início da obra, em novembro de 2013. “Agora queremos manter esse empreendimento aberto. Por este motivo, precisamos do apoio dos órgãos públicos, em especial, na concessão de crédito e na divulgação. Esse complexo formado pela pousada e pelo restaurante é um exemplo do turismo comunitário que floresce nas margens do rio Negro”, enfatiza Nelson. O estabelecimento hoteleiro conta com oito quartos com capacidade para 32 hóspedes, cujas diárias custam R$ 60 por pessoa. “Temos planos de abrir um espaço de artesanato para criar mais opções para os turistas”, salienta. Para a assistente de receptivo, Vanessa Silva, 23, que visitou o hotel de Nelson, o empreendimento possui uma estrutura adequada para re-

ceber os turistas, além de bom atendimento. “Há um potencial grande. Esse projeto precisa ser valorizado para o turismo”, argumenta. Por sua vez, o pescador Geuso Azevedo Siqueira, 30, que é morador de Santa Helena do Inglês, avalia os investimentos na comunidade como uma oportunidade para incrementar renda de sua família composta pela mulher e três filhos. “A pousada vai trazer mais turistas e favorecer o

DESTAQUE

Desde a última sextafeira, o EM TEMPO tem publicado uma série de matérias que mostra o empreendedorismo dos ribeirinhos para levar desenvolvimento a suas comunidades por meio de atividades turísticas desenvolvimento da comunidade”, observa. Acesso Para chegar até a RDS do Rio Negro há várias opções de transporte, sendo as principais as embarcações fretadas com, no máximo, 12 pessoas, com alimentação inclusa (bebida à parte). Segundo a Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur), os valores com traslado de Manaus variam de R$ 180 a R$ 300 por pessoa (dois dias).

Hotel


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tário do rio Negro FOTOS: ANWAR ASSI

Casa de Artesanato

Conheça as 12 comunidades Atualmente, as localidades que compõem o Roteiro Tucorin são seis: São João do Tupé, Colônia Central, Julião, Bela Vista, São Sebastião e Nova Esperança, todas em áreas protegidas, segundo o Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ).

Já a margem direita do rio Negro é formada pelas comunidades Tumbira, Santa Helena do Inglês, Saracá, São Tomé, Santo Antônio e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro de Acajatuba, afirma a Fundação Amazonas Sustentável (FAS). DIVULGAÇÃO

Nelson Mendonça afirma que foram investidos R$ 100 mil na área turística de sua comunidade

Interação lucrativa com botos O turista japonês Shinzo Ishida afirma que uma das principais lembranças que levará do Amazonas será o momento em que pode interagir com os botos. Ele revela em inglês para o EM TEMPO que, além da diversão, brincar com os botos foi uma terapia. “Foi uma experiência incrível que vou guardar comigo”, conta. A interação com a espécie típica da Amazônia ocorreu no Recanto do Boto, empreendimento erguido há 14 anos, no lago do Acajatuba (a 80 quilômetros de Manaus), na comunidade

Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Iranduba. De acordo com o gerente do local, Erivelton Evangelista Cruz, 26, que toma conta do local de propriedade de sua família, o Recanto dos Botos recebeu investimentos de R$ 30 mil, em 2014, para melhorar a estrutura do empreendimento. Segundo ele, a melhoria surtiu efeito, uma vez que o número de turistas que visitaram o local cresceu. “Houve uma divulgação maior e o faturamento aumentou”, frisa ao ressaltar que espera um incremento de 10%, no

minímo, no próximo ano. Para interagir com os botos o preço cobrado é de R$ 25 por pessoa para um período de, no máximo 10 minutos. Com este valor, o turista pode interagir com o pirarucu também. Mais informações por meio do número (92) 99124-6679. Além dos pacotes, para chegar ao local, é possível alugar lanchas para até 10 pessoas pelo valor de R$ 600, a diária, afirma Francisco Lopes, 34, o Chiquinho, que há 15 anos trabalha com o transporte de turistas pelos rios da região.

Mapa mostra as 12 comunidades onde o turismo é estimulado nas margens do rio Negro

Crescimento de 5% no transporte

A interação com botos é uma das atrações mais procuradas pelo turista que visita o Amazonas em busca da natureza

O avanço da atividade turística nas comunidades do rio Negro trouxe um incremento de 5% para o segmento de transporte de turistas, de acordo com a Associação de Canoeiros da Marina do Davi (Acamdaf). “A situação melhorou, mas esperamos que, em 2015, o movimento seja maior”, diz o presidente da entidade, Adonis Custódio. Segundo ele, há a necessidade de que haja uma divulgação maior por parte do governo do potencial turístico da região, assim como dos meios de acesso às localidades que praticam o turismo comunitário. Conforme dados da Acamdaf, entidade que conta com 62 cooperados, o transporte varia de R$ 5 a R$ 12 na rota do rio Tarumã-Mirim, que inclui a praia da Lua, por exemplo. Porém, esse valor pode subir para R$ 600 quando se trata de diárias para as comunidades ribeirinhas nas margens do rio Negro.

Rios amazônicos garantem diversão que vão além da navegação

Hotel Garrido garante hospedagem com qualidade no interior


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País

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Energia elétrica ficará mais cara em janeiro

Bandeira vermelha valerá para todo país em janeiro. Consumidores pagarão R$ 3 a mais para cada 100 kWh consumidos FOTOS: DIVULGAÇÃO

Somente Amazonas, Amapá e Roraima não sofrerão reajuste

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Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou que foi fixada para janeiro bandeira tarifária de cor vermelha para os consumidores de todos os Estados do país, com exceção do Amazonas, Amapá e Roraima (que ainda não estão interligados com o sistema nacional de energia elétrica). A definição da bandeira de cor vemelha, lembrou a Aneel, significará um acréscimo de R$ 3 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos no mês que vem. O aumento da energia acontecerá porque, em janeiro de 2015, começará a vigorar o sistema de bandeiras tarifárias - que contará com as cores verde, amarela e vermelha - indicando as condições de geração de energia no país. O sistema funcionará como um “semáforo de trânsito”, sinalizando nas contas de luz o custo de geração de energia para o consumidor. Com a seca, as hidrelétricas passaram a gerar menos energia e as térmicas, cujo custo de geração é mais caro, foram acionadas. Com isto, a energia ficou mais cara no país. Atualmente, os custos com compra de energia pelas distribuidoras são incluídos no cálculo de reajuste das tarifas dessas distribuidoras e são repassados aos consumidores uma vez por ano, quando a tarifa reajustada passa a valer para os consumidores. Com as bandeiras tarifárias, uma parte do reajuste anual concedido às distribuidoras será diluído. Hoje, um cliente residencial da Eletropaulo, em São Paulo, por exemplo, paga R$ 100 para um consumo mensal de cerca de 240 quilowattshora (kWh). Em janeiro, com a bandeira tarifária, a conta de luz para a mesma quantidade de consumo subirá para pelo menos R$ 106.

O aumento ocorrerá porque em janeiro começa a funcionar as bandeiras

O que significam as bandeiras?

Conta subiu em média 17,3%

Segundo o órgão, a bandeira verde significa “custos baixos” para gerar a energia e nenhum acréscimo na tarifa. A bandeira amarela, por sua vez, indica um sinal de atenção, pois os custos de geração estão aumentando e a tarifa sofre acréscimo de R$ 1,50 para cada 100 quilowatt-hora (KWh) consumidos. Já a bandeira vermelha sinaliza que a oferta de energia para atender a demanda dos consumidores ocorre com maiores custos de geração, como, por exemplo, o acionamento de grande quantidade de termelétricas para gerar energia, que é uma fonte mais cara do que as usinas hidrelétricas. Nesse caso, a tarifa sofre acréscimo de R$ 3 para cada 100 KWh consumidos. Com as bandeiras, haverá, portanto, uma sinalização mensal do custo de geração da energia elétrica que será

A tarifa de energia para residências registrou em 2014 aumento médio de 17,3%, aponta levantamento da Aneel. Os altos reajustes nas contas de luz, que já são sentidos pelos consumidores, são consequência direta da disparada no preço da energia, provocada pela falta de chuva e queda no nível dos reservatórios das hidrelétricas, e também de falhas do governo, de acordo com o Tribunal de Contas da União (TCU). Esse processo de reajuste ocorre todos os anos e pode levar a aumento ou queda de preço, dependendo do que for apurado pela Aneel. Em 2014, ela vem autorizando reajustes altos devido ao encarecimento da energia no país nos últimos meses. As distribuidoras compram das geradoras (usinas) a energia e distribuem para os consumidores. Essas concessionárias não

cobrada do consumidor, com acréscimo das bandeiras amarela e vermelha. Essa sinalização dá, ao consumidor, a oportunidade de adaptar seu consumo, se assim desejar. “O sistema de bandeiras é para o consumidor poder

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A Annel divulgou que está previsto para o dia 30 de janeiro a divulgação das bandeiras tarifárias para o período de fevereiro. Os consumidores terão de ficar atentos às bandeiras da energia reagir ao momento de preço. Para o consumidor conhecer quanto está custando naquele momento e consumir de uma maneira consciente. É uma ferramenta a mais para melhor adequar o consumo.

Se estamos em um momento de escassez e custo alto, por exemplo, ele colabora consumindo menos e isso tem um benefício para o sistema”, afirmou o diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino. Está prevista para o dia 30 de janeiro a divulgação das bandeiras tarifárias para o período de fevereiro. A Aneel lembrou que, em “caráter educativo” e para facilitar a compreensão do sistema, 2013 e 2014 foram estabelecidos como anos testes e a Agência divulgou mês a mês as bandeiras em funcionamento nesse período. No ano de 2014, foi acionada a bandeira amarela no mês de janeiro para todos os subsistemas (Norte, Nordeste, Sul, Sudeste/Centro-Oeste), e no restante do ano (com o acionamento das usinas térmicas) a bandeira vermelha para todos os subsistemas, informou a Aneel.

lucram com a revenda da eletricidade, mas sim com o serviço de levá-la até os clientes. Entretanto, têm o direito de repassar às tarifas todo o custo com essa compra de energia. A conta de luz também sofre impacto, por exemplo, do serviço de transmissão, feito pelas grandes redes que escoam a energia das usinas até as cidades. Esse aumento médio de 17,3% foi aplicado apenas às residências brasileiras, mas a diferença entre as classes não costuma ser muito grande. Além disso, os consumidores residenciais são a maioria: 64,9 milhões de um total de 76,2 milhões de unidades consumidoras do país, segundo a Aneel. Até o momento, o maior reajuste autorizado pela Aneel em 2014 foi para os clientes da Companhia Energética de Roraima (CERR).


País

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Réveillon em Copacabana com 34 mil fogos de artifício O

s experientes técnicos que começaram a montar, nesta sexta-feira, na Ilha do Governador, as 11 balsas nas quais serão detonados os fogos de artifício do Réveillon de Copacabana estão tendo mais trabalho este ano. O show pirotécnico contará com 34 mil bombas, 31% a mais do que as 26 mil empregadas na última virada de ano, apesar de o tempo previsto para a duração do espetáculo ser o mesmo: 16 minutos. Contratada pela prefeitura para comandar a festa, a empresária Vivian Pires não soube afirmar se o número representa um recorde — ela garante se preocupar apenas com a qualidade, e não com a quantidade de explosivos. - Vamos usar a quantidade de fogos que a trilha sonora criada exige. Por isso, o que mais importa não é a quantidade de bombas, mas, sim, a explosão de sentimentos que os fogos proporcionarão a quem estiver na festa em Copacabana. Alguém mede a intensidade de um beijo pela sua duração ou por sua emoção? Com os fogos é a mesma coisa — filosofa Vivian. A trilha sonora do espetáculo pirotécnico é mantida em segredo pelos músicos João Brasil e Lucas Duque, mas eles revelam que será composta por canções que mencionam o Rio, com novos arranjos. O tema do show, aliás, é a própria cidade, festejada por conta de seus 450 anos, que serão completados em 1º de março. A prefeitura calcula que dois milhões de pessoas acompanharão a contagem regressiva para 2015 na praia de Copacabana. Desse total, 816 mil deverão ser turistas — 6,3% a mais que os 767 mil da festa passada. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, 75% dos quartos do Rio estão ocupados. Nos estabelecimentos cinco estrelas o índice é maior: 80%. Na noite de vira-

da, deverá subir para 79% e 85%, respectivamente. Trânsito Os palcos de Copacabana que terão shows musicais já se encontram em fase final de montagem. Na sexta-feira, a prefeitura divulgou os esquemas de trânsito e de funcionamento de órgãos públicos. Com pequenas alterações, o planejamento segue o modelo dos últimos três anos. As restrições ao tráfego de veículos começam a valer a partir da próxima terça-feira, dia 30, com proibições progressivas de estacionamento e circulação no bairro a partir das 18h. O esquema especial começará com a proibição de estacio-

ESQUEMAS

Esquemas de transporte, trânsito, segurança e infraestrutura já foram montados para que os turistas possam lotar, como em todos os anos, as areias da praia como já ocore tradicionalmente namento nas avenidas Nossa Senhora de Copacabana (entre a rua Francisco Otaviano e a avenida Princesa Isabel) e Rainha Elizabeth (entre a avenida Atlântica e a rua Tereza Aragão) e nas ruas Barata Ribeiro, Raul Pompeia, Teresa Aragão e Prudente de Moraes. A regra valerá até as 21h do dia 2. No dia 31, nem mesmo ônibus e táxis poderão circular por Copacabana — os acessos ao bairro estarão fechados das 22h às 5h. A exemplo do que ocorreu nos últimos anos, quem quiser voltar para casa nesse horário terá como melhor opção o metrô, pois ônibus irão parar somente nos bolsões de estacionamento que serão abertos na Enseada de Botafogo (para linhas que seguirão

FOTOS: DIVULGAÇÃO

A quantidade é 31% maior que a da última virada. Este ano os fogos irão homenagear o aniversário do Rio de Janeiro em direção ao Centro e à Zona Norte) e nas avenidas Epitácio Pessoa (para São Cristóvão) e Vieira Souto (para a Barra e outros bairros da Zona Oeste). Já os ônibus de turismo só terão permissão para estacionar na área do Teleporto, no Centro. Este ano, a avenida Rio Branco, que está em obras, não poderá ser utilizada. Motoristas que estacionarem nos locais proibidos em Copacabana poderão ter seus carros levados para o depósito da prefeitura na rua Benedito Hipólito, na Cidade Nova. Haverá 85 guinchos de prontidão no bairro. Quem tiver o carro rebocado poderá retirá-lo entre 8h e 17h mediante o pagamento de uma taxa de R$ 142,45, cujo boleto é gerado no site rio.rj.gov.br, e de uma diária de R$ 57,47. Sem ambulantes A Secretaria Especial de Ordem Pública (Seop) decidiu antecipar a chamada operação Réveillon. Desde esta sexta-feira, agentes da Guarda Municipal e de outros órgãos fazem ações de fiscalização em Copacabana. Um dos objetivos é descobrir e fechar depósitos clandestinos de mercadorias de ambulantes. O esquema conta com 1.825 homens, cujo trabalho é dividido em dois turnos. No dia 31, haverá 59 pontos de vigilância em acessos ao bairro, nos quais guardas tentarão evitar que vendedores não autorizados cheguem à orla. O metrô informou que ainda dispõe de cerca de 84 mil bilhetes para o público que quiser utilizar o serviço de embarque com hora marcada para a virada do ano na praia de Copacabana. A venda on-line foi encerrada na quinta-feira, mas as passagens podem ser adquiridas nas estações Carioca, largo do Machado e Saens Peña, das 9h às 21h; e Pavuna e Central, das 10h às 21h. O tíquete, ida e volta, custa R$ 7.

A queima dos fogos terá a duração de 16 minutos e será realizada, mais uma vez, de balsas

Metrô ainda com cartões Quem resolveu passar a virada do ano na praia de Copacabana ainda conta com mais de 84 mil cartões especiais do metrô. Segundo o balanço mais recente divulgado pela concessionária que administra o transporte, foram vendidos pouco mais de 40% do total de bilhetes colocados à venda para a operação do Réveillon. Os cartões chegaram a ser oferecidos na internet,

mas, desde quinta-feira, só podem ser adquiridos nas estações Carioca, largo do Machado e Saens Peña (das 9h às 21h) e na Pavuna e Central do Brasil (das 10h às 21h). Ao todo, a concessionária MetrôRio colocou à venda 143 mil cartões, sendo 104 mil para ida e volta; 26 mil somente para a ida e 13 mil exclusivos para a volta. Na viagem de ida, são ofe-

recidos tíquetes para cinco faixas de horário (entre 19h e 23h). O horário de entrada no sistema em direção à Copacabana é definido pela cor dos tíquetes: laranja e azul (19h às 20h); 20h às 21h (verde e azul); 21h às 22h (rosa e azul); 22h às 23h (amarelo e azul); 23h à 0h (branco e azul); e de 0h às 5h (roxo e azul). Os tíquetes custam R$ 7 (ida e volta) e R$ 3,50 (ida ou volta).

É esperada lotação máxima nos hotéis da cidade, especialmente os próximos à praia

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Mundo

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Homenagens às vítimas, após dez anos do tsunami M

ilhares de pessoas participaram na Indonésia de uma homenagem às vítimas do tsunami que, há 10 anos, causou 230 mil mortes no oceano Índico. Uma série de cerimônias está prevista para ocorrer em toda a região. Parentes das vítimas e sobreviventes reuniram-se em oração na mesquita de Baiturrahman, em Banda Aceh, capital da região de Aceh, no norte da Ilha de Samatra, a área mais afetada, com cerca de 170 mil vítimas. A mesquita foi uma das poucas construções que se manteve de pé e serviu como refúgio para as pessoas nos dias posteriores ao desastre natural, provocado por um terremoto de 9,1 graus na escala Richter. O governador de Aceh, Zaini Abdullah, fez um agradecimento aos participantes, tanto locais quanto estrangeiros, quando chegou à mesquita. “O tsunami causou profunda dor ao povo de Aceh pela perda de entes queridos. A simpatia dos indonésias e da comunidade internacional ajudou (Aceh) a se recuperar”, disse Zaini. As cerimônias que marcam os dez anos do tsunami em Aceh incluem exposições fotográficas no Museu do Tsunami, mostras

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Desastre que atingiu 14 países completou no último dia 26, 10 anos; população ainda sofre com os efeitos do tsunami de artesanato e uma corrida de dez quilômetros ao longo das áreas que mais sofreram o embate das ondas. A catástrofe vai ser lembrada em mais 14 países em que o desastre natural provocou mortes, como na Tailândia. Em Khao Lak, popular destino turístico da Tailândia, o décimo aniversário

ATINGIDOS

Sri Lanka, Índia, Tailândia, Madagascar, Maldivas, Malásia, Mianmar, Seicheles, Somália, Quênia, Tanzânia e Bangladesh foram os países afetados diretamente pela catástrofe natural Um cenário completo de destruição foi o que restou dos países atingidos pelo tsunami, a Indonésia foi a mais atingida

do tsunami vai ser marcado por leitura de poesia, velas e orações em homenagem às vítimas. O tsunami deixou cerca de 5.4 mil mortos e 2,8 mil desaparecidos na Tailândia, a maioria turistas estrangeiros que passavam férias de Natal. Outras cerimônias serão feitas na Índia e no Sri Lanka, que juntamente com a Indonésia e Tailândia, foram os mais afetados em número de mortos.

Sobrevivente da tragédia das águas Neti Rahmi conta como sobreviveu à tragédia ao lado do irmão e fala da saudade de seus pais, que jamais foram encontrados. Quando o chão começou a tremer naquele 26 de dezembro de 2004 na

província de Aceh, Indonésia, a jovem, à época com 20 anos, se sentiu tonta. A família correu para a calçada, porém ao olharem para o horizonte na direção da praia, avistaram um inacreditável paredão de

água se aproximar e engolir, em minutos, o vilarejo onde viviam, no extremo norte da ilha de Sumatra. “Não tivemos tempo de escapar. A água nos chicoteou enquanto eu estava abraçada

aos meus pais. Depois disso, nos soltamos. Foi a última vez que os vi”, lembra Neti. Naquele domingo ensolarado, o abalo de 9,1 na escala Richter atingiu, além da Indonésia, outros 13 países.


Caderno C

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Dia a dia C4 e C5

REPRODUÇÃO

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Dia a dia

Retrospectiva do ano de 2014

Quem ainda crê em previsões? A “arte” de anunciar eventos com a chegada do Ano-Novo continua, assim como também é tradição o crédito e o descrédito nos “sábios do futuro” CÉSAR AUGUSTO E ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO

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m novembro passado, a anunciada queda de um avião comercial em plena avenida Paulista, em São Paulo (SP), causou tal alvoroço que muitas pessoas deixaram de ir trabalhar com medo da tragédia. A tal previsão, feita pelo professor Jucelino Nóbrega da Luz – que, entre outras coisas, teria previsto os ataques terroristas em solo norte-americano em 11 de setembro de 2001 -, acabou não se concretizando. Praticamente às portas de 2015, a pauta não será diferente: no próximo ano, alguma celebridade irá morrer, um terrível acidente vai chocar o país – quiçá o mundo – e várias catástrofes irão marcar a história da humanidade. Ou seja, nada muito diferente do que sempre acontece periódica ou eventualmente durante 364 ou 365 dias. Há quem acredite nas profecias, mas há quem faça pouco delas e, ainda, os que acabam se metendo em saia justa

quando o tal fato anunciado não acontece. Em 2004, nas eleições para a Prefeitura de Manaus, uma vidente anunciou em alto e bom som que Amazonino Mendes conquistaria o cargo. E mais: caso sua profecia não se concretizasse, ela iria por fogo no próprio corpo. Naquele ano, Serafim Corrêa derrotou Mendes com 51,68% dos votos válidos. A tal vidente foi procurada pela mídia na época logo depois do fiasco profético, mas nem suas cinzas foram encontradas. Simplesmente fugiu dos refletores - ou talvez, na surdina, tenha cumprido a infame promessa. Os casos mais notórios são de nível nacional. Mãe Dinah, falecida em maio passado aos 83 anos, ganhou projeção ao anunciar que havia previsto o acidente aéreo que encerrou precocemente a carreira do grupo musical Mamonas Assassinas em março de 1996. Explorada pela mídia em programas de auditório, falou que via uma “fumaça negra” envolvendo os cinco rapazes da banda durante seus shows. Para os que sempre duvidaram dos

dons de Mãe Dinah, a piada final foi ela não ter previsto a própria morte. O mais novo expoente de vidência, Jucelino Nóbrega da Luz, divulga diversas premonições em seu site. Entre elas, um terremoto às 9h15 do dia 15 de março de 2015 em plena capital paulista, de intensidade 5,4 na escala Richter. A ele se atribuem ainda previsões sobre o 11 de Setembro, os atentados em Madri em março de 2004 e o tsunami que devastou o sudeste asiático há pouco mais de 10 anos. Em todos os casos, existiriam cartas autenticadas em cartório com supostos alertas a pessoas ligadas aos fatos acontecidos, enviadas como forma de alertar. Em certas situações, como no recente anúncio de acidente aéreo na avenida Paulista, atribuiu-se a esse alerta a não ocorrência do fato: a companhia aérea teria trocado a aeronave, interferindo assim na tal equação da desgraça. Outro acontecimento iminente tratado como profecia é o megatsunami no oceano Atlântico, provocado pelo

desabamento de um bloco de terra da ilha La Palma, nas Canárias, após a erupção do vulcão Cumbre Vieja. Tais ondas de proporções jamais vistas atingiriam o litoral do Norte e Nordeste brasileiros, a costa ocidental da África e litoral sul de Portugal, Espa-

DÚVIDA

Há quem acredite nas profecias ou nas previsões, mas há quem faça pouco delas e, ainda, os que acabam se metendo em saia justa quando o tal fato anunciado não acontece nha e Grã-Bretanha, além de Estados Unidos e Canadá. A possibilidade de isso acontecer já foi confirmada por cientistas que monitoram o vulcão há décadas, portanto entra na lista das obviedades da história humana – ou seja, vai acontecer de qualquer modo: amanhã, ano que vem, daqui a 10 ou 200 anos, talvez no próximo século.

Todo ano alguma personalidade morre, tragédias acontecem, pessoas ficam em evidência, a ciência avança, o avanço da tecnologia encanta e assusta. Prato cheio para os dublês de vidente na busca dos 15 minutos ou mais de fama. Existe, entretanto, quem dê crédito às premonições – mesmo as “recebidas” em fundo de quintal, de reputação duvidosa. “Há muita coisa entre o céu e a terra que não conhecemos. De qualquer forma, a previsão é ciência, um estudo, uma dedicação”, arrisca a gastrônoma Ana Silva, 32. “Creio que precisamos dar mais oportunidade para os mistérios que existem no mundo antes de tirar qualquer conclusão”, acrescenta. A turma cética não poupa críticas. “Previsão não existe. Não tem como acreditar que de alguma forma alguém possa saber do futuro próximo, dia e hora de algum acontecimento, por isso que vemos que muitas previsões saem erradas”, dispara o jardineiro Romário Menezes, 21. “Considero previsão como superstição, pois não há algo que comprove que realmente

o fato vai ocorrer por causa de uma numerologia ou alguma carta”, observa a técnica de enfermagem Oneti Campos, 52. “Mas, cada um defende sua opinião, e respeito quem acredita”, pondera. A funcionária pública Cláudia de Oliveira, 47, é mais cautelosa no assunto. “Acredito que temos sempre, no mínimo, dois caminhos pra escolher, portanto as previsões podem se concretizar ou não. Já presenciei muitas coisas interessantes e sempre penso na frase de Shakespeare que diz que ‘há mais mistério entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia’”, opina. Para a funcionária pública Aldizângela Brito, 36, qualquer assunto relativo a previsões a leva a procurar a opinião dos “mais antigos” para tirar suas conclusões. “Mas acredito em sonhos. Se for algo que previna acidente ou ato prejudicial, acabo tendo mais cuidados”, afirma. Agora, basta esperar que as “profecias” que certamente irão surgir durante os últimos dias de 2014 se concretizem - ou não.


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Dia a dia

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EC 45 muda competências dos tribunais e da Justiça tados segundo leis federais. O STJ também passou a abrigar a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam), responsável por regulamentar cursos oficiais para ingresso e promoção na carreira de juiz. O Conselho da Justiça Federal, que já era ligado ao STJ, teve suas competências aumentadas – além da supervisão administrativa e orçamentária do respectivo ramo, assumiu poderes correicionais de caráter vinculante. A seção destinada à Justiça do Trabalho passou por grande transformação. “A EC 45 ampliou em muito a competência da Justiça

STF

O Supremo Tribunal Federal passou a julgar ações contra o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e contra o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), além de julgar outras alterações Uma das principais inovações foi o impulso à agenda de direitos humanos, com possibilidade de incluir tratados na Carta Magna

do Trabalho. Agora ela tem também a apreciação de diversas formas de relação de prestação de serviço, analisa as questões sindicais, se categoria está ou não merecendo ser dividida. A Justiça teve ampliada competência e me atrevo a dizer que por conta disso ela se viu mais assoberbada”, analisa o advogado Juliano Couto, em vídeo gravado e divulgado pelo Portal STF, coordenado pelo Superior Tribunal Federal.

Dissídios coletivos estão mais detalhados Com as mudanças, os dissídios coletivos foram detalhados, inclusive em relação a greves em atividades essenciais que lesem o interesse público. Seguindo o mesmo modelo aplicado no STJ, o Tribunal Superior do Trabalho foi associado à Escola Nacional de For-

mação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho e ao Conselho Superior da Justiça do Trabalho. A Emenda revisou diversos pontos relativos à Justiça Militar Estadual, como a obrigatoriedade de atuação de juízes de Direito concursados e o julgamento em

tribunais do júri quando as vítimas forem civis. Também permitiu a criação de varas especializadas para solucionar conflitos em questões agrárias. Para ampliar o acesso à Justiça, a Constituição passou a prever a instalação do sistema de Justiça

itinerante nos ramos Federal, Trabalhista e Estadual, com realização de audiências e demais funções em locais desprovidos de varas ou de tribunais. Também permitiu que tribunais funcionassem de forma descentralizada, por meio de câmaras regionais.

BRASIL

Turismo ganha reforço em 2015 A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados destinou para a Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo) um total de R$ 5 milhões para incrementar a divulgação do Brasil como destino turístico de Cultura durante o ano de 2015. “A diversidade cultural brasileira é um dos atrativos mais requisitados pelos visitantes internacionais que desembarcam no país e esse reforço no orçamento nos permitirá potencializar a divulgação do segmento para o mundo”, disse o presidente da Embratur, Vicente Neto. A presidente da comissão, deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), destacou

a importância da emenda para fortalecer o trabalho que a Embratur realiza no exterior. “O objetivo é ampliar o conhecimento do mundo acerca da cultura brasileira, destacando o modo de viver da população, a literatura, os museus, os filmes, a música e as festas que celebram a brasilidade”, complementou Portugal. “A Embratur investe na cultura como fator diferencial no mercado turístico mundial e trabalha para aperfeiçoar a difusão do segmento como uma ferramenta de promoção do país no exterior”, finalizou o presidente. Uma pesquisa realizada

pela Embratur mostrou que a principal atividade de lazer do turista que veio para a Copa das Confederações, em junho de 2013, foi cultural e que, entre um jogo e outro, o estrangeiro optou por visitar museus, monumentos e bairros históricos. O estudo revelou ainda, que bairros históricos foram procurados por 50,8% dos visitantes estrangeiros. Em segundo lugar, com 39,5%, estão os museus, casas de cultura e exposições. Cerca de 39% dos turistas estrangeiros optaram por passeios em monumentos. Os shows e espetáculos foram assistidos por 15,5% dos visitantes. DIVULGAÇÃO

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ompetências dos tribunais e de ramos da Justiça foram alteradas com EC 45. A Emenda Constitucional 45 buscou otimizar o serviço judicial, readequando funções dos ramos de Justiça e alterando competências em varas e tribunais. Uma das principais inovações foi o impulso à agenda de direitos humanos, com possibilidade de incluir tratados e convenções internacionais ao próprio texto da Carta Magna. O Brasil também passou a se submeter à jurisdição de tribunal penal internacional a qual tenha manifestado adesão. O julgamento de causas ligadas às garantias constitucionais sobre direitos humanos passou à responsabilidade da Justiça Federal. Dependendo da gravidade da violação, a reforma de 2004 criou o instituto da federalização, que permite ao procurador-geral da República deslocar a competência de processos criminais simples para a Justiça Federal. O Supremo Tribunal Federal passou a julgar ações contra o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e contra o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e ficou responsável por julgar a validade de leis locais em aparente confronto com leis federais, além de concentrar a responsabilidade de decretar intervenção federal nos Estados. A competência de homologar sentenças estrangeiras e de executar cartas rogatórias passou para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), que também assumiu o julgamento de atos de governos locais contes-

DIVULGAÇÃO

A Emenda Constitucional 45 buscou otimizar o serviço judicial, readequando funções judiciais e de outras alterações

Um total de R$ 5 milhões foi enviado para Embratur para incrementar a divulgação do Brasil


Dia a dia

MANAUS, DOMINGO, 28 DE DEZEMBRO DE 2014

Bosque da Ciência amplia horário durante as férias

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A partir de 2 de janeiro, o local administrado pelo Inpa irá funcionar de 9h às 17h, sem intervalo para almoço

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om a chegada das férias, o Bosque da Ciência do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) terá horário diferenciado para atender ao público. A partir do dia 2 de janeiro o bosque, que fica localizado na rua Otávio Cabral, no bairro Petrópolis, funcionará todos os dias das 9h às 17h sem intervalo para almoço. Esse novo horário estará em vigor todos os dias da semana até o dia 31 de janeiro, e de acordo com o coordenador do Bosque da Ciência, Jorge Lobato, um dos objetivos da extensão do atendimento é de melhor receber a crescente demanda de visitantes da região e turistas. “Considerando as férias como uma oportunidade para conhecer os mistérios e curiosidades da biodiversidade, o Bosque da Ciência é uma alternativa de lazer para quem vem passar férias em Manaus e também para aqueles que vão ficar na cidade. Atrativos Entre as atrações do bosque estão o aquário dos peixesbois, onde parte deles são reabilitados para serem reintroduzidos na natureza; o viveiro das ariranhas; o viveiro dos jacarés; a casa da ciência que conta com uma exposição permanente onde se encontra, entre os objetos expostos, a maior folha do mundo; a ilha da Tanimbuca, que tem um córrego onde se encontram peixes, quelônios e vegetação nativa, como a árvore da Tanimbuca (Buchenavea huberii), que é um gigante de mais de 600 anos. Há ainda o lago Amazônico, o Paiol da Cultura que conta com exposições e eventos regionais. Este mês, o Paiol da Cultura está com uma exposição de artesanato das etnias indígenas tariano e tukano, que produzem belos trabalhos com cestos, sementes e penas. Além das atrações, o visitante pode andar pelas trilhas que ficam dentro do Bosque, conhecer a flora e encontrar animais como araras, bichos- preguiça, macacos, cutias, entre outros animais pertencentes ao Inpa. Bosque Inaugurado em 1º de abril de 1995, como parte das comemorações do 40º aniversário do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - Inpa. Concretizou-se, assim, um antigo sonho de abrir as portas do Instituto ao público. O Bosque da Ciência que é uma área de aproximadamente 13 (treze) hectares, localizado no perímetro urbano da cidade de Manaus na zona central - leste. Projetado e estruturado para fomentar e promover o desenvolvimento do programa de Difusão Científica e de Educação Ambiental do Inpa, ao mesmo tempo preservando os aspectos da biodiversidade existente no local. Entre os seus objetivos pretende oferecer à população uma nova opção de lazer com caráter sócio-científico e cultural, propiciando aos visitantes interesse pelo meio ambiente, além de oferecer atrativos turísticos e entretenimento.

Ingressos e entradas gratuitas Os ingressos estão à venda na portaria do bosque no horário de 9h às 16h. O valor do ingresso é R$ 5, crianças até 10

anos e idosos a partir de 60 anos não pagam. Grupos escolares têm entrada gratuita. Informações: (92) 3643-3192/3312/3293. Exposição de artesanato está entre as atrações para o visitante do Bosque da Ciência


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Dia a dia

Ano de mudan

Dois graves acidentes, uma mudança radical no visual da cidade, o aniversário de uma quase tragédia, um triângulo amoroso que gerou uma tentativa de homícidio foram alguns dos maiores acontecimentos em Manaus, em 2014

RAIMUNDO VALENTIM

O centro de Manaus ganhou uma nova paisagem com a retirada dos camelôs das calçadas

O

ano de 2014 será lembrado como o ano da Copa do Mundo no Brasil – e em Manaus. Mas em meio aos festejos com os preparativos para a capital amazonense receber o campeonato mundial, a marca para a cidade será no já tristemente célebre e caótico trânsito. Todos os dias há atropelamentos e colisões, alguns fatais, mas o manauense não vai esquecer, com certeza, os dias 28 de março e 18 de abril. Em 28 de março, 16 pessoas morreram e cerca de 20 ficaram feridas na colisão frontal de um micro-ônibus da linha 825 (Redenção/bairro da Paz) e uma caçamba na avenida Djalma Batista, Zona Centro-Sul da capital. Foi o pior acidente de trânsito do ano, tanto pelo número de mortos quanto pela violência. Segundo testemunhas, o motorista da caçamba – que prestava serviços para a Prefeitura de Manaus - dirigia em alta velocidade no sentido bairro-Centro, quando perdeu o controle do veículo na avenida Djalma Batista, Chapada, sob o viaduto Ayrton Senna, invadiu a outra pista na contramão e atingiu em cheio o micro-ônibus, o qual vinha no sentido contrário. O condutor Ozaias Costa de Almeida morreu na hora, assim como o motorista do alternativo e dezenas de passageiros. O exame toxicológico revelou que Ozaias consumira cocaína e bebida alcoólica.

Procissão A cidade ainda não havia se recuperado dessa tragédia quando, em 18 de abril, Sexta-feira Santa, três mulheres foram mortas na procissão do Senhor Morto no bairro Dom Pedro, após o carro de som que acompanhava o andor perder o os freios na ladeira da rua Francisco Orellana e atropelá-las. Outras oito pessoas ficaram feridas. Com essa segunda tragédia, o cuidado ficou maior durante

CENTRO

Depois de décadas, o centro da capital voltou a ser enxergado com a retirada dos vendedores ambulantes das ruas e sua transferência para galerias provisórias, em um primeiro momento eventos dessa natureza na cidade – e o trauma também. Na procissão em homenagem a Nossa Senhora da Conceição, em 8 de dezembro passado, uma pequena falha no carro de som causou um pequeno alvoroço, mas logo o problema foi contornado. A imagem do acidente no Dom Pedro não saiu da cabeça dos manauenses – nem o descaso daqueles que atribuíram a fatalidade ao “pecado da idolatria”, em uma clara falta de respeito com a dor das famílias que perderam

entes queridos. Centro Se por um lado o ano foi marcado por essas tragédias, também houve o aspecto positivo na organização da cidade. Depois de décadas, o centro da capital voltou a ser enxergado com a retirada gradual dos vendedores ambulantes das ruas e sua transferência para galerias provisórias, em um primeiro momento, até a conclusão das definitivas, onde poderão exercer suas atividades. Embora alguns tenham torcido o nariz para isso, o certo é que, desde fevereiro – quando começaram as primeiras transferências – as calçadas livres das avenidas Eduardo Ribeiro e 7 de Setembro e, posteriormente, as demais ruas daquela região, deram uma nova visão do Centro Histórico. Foram feitas a realocação de mais 125 camelôs que ocupavam as calçadas da avenida Epaminondas e da rua da Instalação, no centro de Manaus, durante o mês de setembro. Em fevereiro passado, com a realocação de 699 camelôs da praça da Matriz, avenidas Eduardo Ribeiro e 7 de Setembro e, em julho, com a realocação de mais 173 camelôs das ruas Henrique Martins, Saldanha Marinho, 24 de Maio, José Clemente, Lobo D’Almada, Joaquim Sarmento e praça Dom Bosco.


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nças e crimes

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Famílias continuam no prejuízo

Há pouco mais de dois anos, um incêndio destruiu quase 530 barracos na comunidade Arthur Bernardes, no bairro São Jorge, Zona Oeste de Manaus. As mais de 300 famílias que viram seus bens virarem cinzas e fumaça ainda aguardavam até novembro passado as providências anunciadas pelo governo do Estado para arrumarem um novo teto. Houve protestos e ameaças de fechar a avenida São Jorge naquele trecho. Onde havia um casario, hoje existe uma área terraplanada para as anunciadas obras do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim), acelerado após o sinistro. A Superintendência Estadual de Habitação (Suhab) informou que contabilizou 528 famílias que tiveram perdas com o incêndio e recebem hoje uma bolsa mensal no valor

de R$ 400. De acordo com a superintendência, 176 famílias já haviam sido indenizadas, 145 optaram pelas unidades que serão construídas no local e 207 restantes aguardavam, no final de

INCÊNDIO

Há pouco mais de dois anos, um incêndio destruiu quase 530 barracos na comunidade Arthur Bernardes, no bairro São Jorge. Famílias ainda esperam uma solução novembro, a liberação de recursos para a conclusão das desapropriações. A Suhab explicou que como houve o período eleitoral, os pagamentos foram suspensos, mas a previsão é que continuem no primeiro trimestre de 2015. DIVULGAÇÃO

Os barracos foram incendiados há mais de dois anos

O detento do regime semiaberto Raphael Wallace Souza voltou para o Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj)

Raphael Souza flagrado nas baladas locais O presidiário Raphael Wallace Saraiva de Souza, filho do ex-deputado estadual Wallace Souza, que cumpria pena em regime semiaberto no Comando de Policiamento Especializado (CPE) da Polícia Militar, foi flagrado várias vezes nas “baladas” nas madrugadas de Manaus. Após a denúncia do EM TEMPO, a juíza Mirza Telma realizou uma audiência de incidente de regressão, DIVULGAÇÃO

Marcelaine Santos Schumann está foragida nos Estados Unidos é a mandante do crime

Amantes em triângulo amoroso Outro caso de Polícia que repercutiu nacionalmente foi o suposto triângulo amoroso entre três amantes que acabou em uma tentativa de homicídio. A socialite Marcelaine Santos Schumann, 36, é suspeita de ter sido a mandante de um crime contra a estudante de direito Denise Silva, 34, baleada no pescoço no estacionamento de uma academia de ginástica do centro de Manaus, em novembro. Ela sobreviveu ao

atentado sem sequelas. Segundo investigações da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), Marcelaine Santos Schumann estava com ciúmes do seu amante, o empresário Marcos Souto que também estaria tendo um caso extraconjugal com Denise Silva. Os três são casados com outras pessoas. Marcelaine Santos Schumann está foragida nos Estados Unidos é considerada

a mentora da tentativa de homicídio. Três pessoas foram presas por envolvimento no crime: Rafael Leal dos Santos, 25, conhecido como “Salsinha”, pontado como o autor do disparo; Charles Mac Donald Lopes Castelo Branco, 27, por ter intermediado as negociações e Karem Areval Marques, 22, por “alugar” a arma do crime. À uma emissora de TV, Denise negou conhecer Marcelaine e Marcos.

com a presença do Ministério Público, do apenado e do advogado dele. Ela determinou voltasse ao Complexo Penitenciário Anísio Jobim. Raphael Souza pediu para ficar no CPE alegando risco de morte. Na audiência a juíza disse que não procedia mais essa alegação por ele frequentar lugares públicos nas madrugadas. No despacho judicial, a magistrada apontou a

desobediência de Raphael Souza em cumprir os horários para voltar para a cela e as inúmeras aparições em festas na cidade. O presidiário assumiu que estava frequentando bares e casas norturnas da cidade e pediu desculpas para a juíza. Caso Raphael Souza foi condenado, em junho de 2009, a 9 anos de prisão pela morte de pela morte de Cleo-

mir Pereira Bernardino, o “Caçula”, assassinado em janeiro de 2007. Ele foi preso durante as investigações do caso Wallace, em que o ex-deputado foi denunciado e preso sob a acusação de comandar uma organização criminosa que matava traficantes de drogas para exibir os casos em um programa de televisão que o parlamentar e os irmãos dele apresentavam.


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Eleição no Hemoam está irregular, aponta Susam

Processo eleitoral, que está gerando protestos dentro da fundação, está com impedimento jurídico, afirma secretaria

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Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (FHemoam) realiza processo eleitoral para escolha do presidente da instituição a cada quatro anos. Este ano, a eleição está passado por um impasse, conforme noticiou o EM TEMPO na última sexta-feira. Em 2014, a eleição realizada no mês de outubro, foi anulada por despacho publicado na última segunda-feira no Diário Oficial do Estado do Amazonas (DOE). A Assessoria Jurídica da Susam deu parecer favorável ao cancelamento da eleição e encaminhou posteriormente para decisão da Controladoria-Geral do Estado, que orientou para a nulidade do processo. De acordo com a Susam, o processo eleitoral não obedeceu a Lei Delegada que rege a FHemoam. “Tivemos várias irregularidades no decorrer do processo eleitoral, a finalidade do recurso administrativo foi de não expor publicamente a instituição e resolver da forma correta os problemas apresentados”, afirma Lasmar Roberto Alves. Segundo Lasmar, bioquímico da instituição há mais de 20 anos, o que o motivou a disputar o processo eleitoral foi a tentativa de renovar a diretoria do Hemoam que, com mais de 33 anos de história, teve apenas dois diretores revezando-se na presidência. Lasmar alegou indícios de irregularidades no processo. Segundo o bioquímico vários fatores desencadearam os vícios encontrados. “Alguns servidores foram nomeados para o comitê eleitoral e logo após passaram a receber van-

ALFREDO FERNANDES/AGECOM

tagem pecuniária a título de horas extras. Então, qual a isenção e imparcialidade do comitê eleitoral quando alguns de seus membros recebem esse tipo de vantagem”, indaga Lasmar. Outro questionamento feito por Lasmar Roberto foi sobre os servidores aptos a votar. “Contrariando totalmente o regimento interno, os servidores em regime especial temporário foram tornados aptos a votar, tendo pouco tempo de casa, apenas seis meses”, explica Lasmar. Segundo o regimento da instituição, os servidores devem possuir pelo menos um ano de trabalho para estarem aptos a participar da votação para presidente. “Em compensação, foi proibido o voto de servidores bolsistas com mais de 20 anos de instituição. Como é que se permite que servidores temporários com seis meses de casa decidam o futuro da instituição e os bolsistas que possuem direito a votar não podem se manifestar nesse momento importante?”. Sobre as manifestações ocorridas no dia 23 de dezembro no entorno do Hemoam, Lasmar esclarece que no máximo 30 servidores participaram dos protestos e que os demais colaboradores não são favoráveis à greve que foi anunciada para a amanhã, segunda-feira. “O Hemoam presta um serviço essencial à sociedade amazonense. A paralisação prometida pelo número reduzidos de servidores não vai acontecer. Temos escala e equipes montadas para assumir todo o trabalho da instituição e não vamos deixar a população desamparada”, informa.

Bolsas foram distribuídas sem critérios O bioquímico Lasmar Roberto Alves ainda exclama que, às vésperas da eleição, o atual diretor do Hemoam, em ato administrativo, por meio da portaria n° 97/2014 instituiu 50 bolsas remuneradas no valor de R$ 600 a R$ 3,400 mil e as distribuiu entre os servidores da instituição sem utilizar critérios definidos. Outro ponto exposto pelo candidato à eleição para presidente foi a Lei da Ficha Limpa, exigida por Nelson Fraijii. “O próprio diretor exigiu que a Lei da Ficha Limpa fosse atendida, e para nossa surpresa o próprio teve suas contas consideradas irregulares pelo colegiado do Tribunal de Contas do Estado (TCE) em decorrência de graves infrações às normas legais nos anos de 2011 e 2012”, ressalta Lasmar, que ainda indica que Fraijji recebeu notificações de uma possível condenação pelo ano de 2013. A reportagem do Em Tempo tentou contato com o diretor Nelson Fraijii, mas não obteve retorno até o fechamento da edição. Bioquímico Lasmar Roberto Alves garante que as atividades continuaram normalizadas

DIVULGACAO/SEMCOM

EROSÃO

Iniciada obras no conjunto Hileia

Desde o dia 21 de outubro, parte da rua Alfredo Valois está interditada devido à erosão

A obra de contenção da erosão da rua Oito, no conjunto Hileia 1, Zona Centro-Oeste da cidade, que estava prestes a desabar, já foi iniciada pela Prefeitura de Manaus. Mesmo com o decreto do ponto, servidores do Distrito de Obras da Compensa, da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), foram acionados, por determinação do prefeito Arthur Virgílio Neto, para começar os trabalhos ainda na tarde da última sexta-feira. As equipes trabalharão na área de dia e de noite para que a obra seja concluída dentro de 90 dias. Dez caçambas e uma retroescavadeira complementam a estrutura para a execução dos serviços. O problema na via foi agravado após forte chuva no dia 21 de outubro. Desde a data, conforme os moradores relataram ao EM TEMPO, a rua ficou interditada. Por esse motivo, o trânsito foi alterado e as cinco linhas de ônibus deixaram de passar pelo local. São elas: 214, 208, 016, 215 e 450. “Para sair do conjunto temos que fazer um desvio enorme. As ruas não foram projetadas para

carro pesado, então estão todas ficando esburacadas, assim como a saída do bairro da Redenção”, afirmou a moradora Dirce Melo. Na época, de forma emergencial, a prefeitura executou a limpeza de trechos da galeria de concreto e das caixas coletoras. Agora, nessa etapa, será recuperado o talude

CHUVA

O problema na via foi agravado, após forte chuva no dia 21 de outubro. De forma emergencial, a prefeitura executou a limpeza de trechos da galeria de concreto e das caixas coletoras da lateral da via. Também serão feitos os serviços de aterro no terreno erodido, a contenção com rip-rap e a implantação de tubulação em pré-moldados, que servirá de caminho para a descida das águas pluviais de forma correta. A área onde a obra é realizada está demarcada com cones, supercone e gradis.

Cidade de Deus Uma rua sem asfaltamento vem tirando o sossego dos moradores do bairro Cidade de Deus, Zona Norte da capital. De acordo com os moradores, a rua Nova, que é uma das paralelas da rua principal do bairro, a ausência do asfalto vem dificultando a circulação, tanto de carros quanto de pedestres. Ainda de acordo com um dos moradores, que não quis se identificar, a prefeitura esteve na rua a cerca de uns dois meses, onde executou os serviços de limpeza preparando a rua para receber o asfalto, no entanto, não retornou deixando a rua sem condições de transitar com segurança. “A prefeitura veio limpou e deixou a rua no barro e não voltou, agora com essas chuvas que tem caído em Manaus, a rua virou um lamaçal só, fica difícil para os carros passarem aqui e mais ainda para os pedestres”, conta o morador. Procurados pela equipe de reportagem do Jornal Agora, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) informou que o serviço ainda não foi concluido por causa das constantes chuvas, mas que já será feita a obra.


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Ex-dependentes químicos descobrem novos rumos “C

olocar a mão na massa”. Essa foi a expressão usada pelos residentes do Centro de Reabilitação em Dependência Química Ismael Abdel Aziz, que concluíram, na última semana, o curso de “Panificação e Confeitaria”. A atividade terapêutica vai render aos alunos, também, uma nova profissão e garantir a eles a oportunidade de trabalho após concluir o tratamento na unidade de saúde. O curso é dividido em duas etapas e cada turma é formada por 15 alunos residentes do Centro de Reabilitação, que estão em seu último mês de tratamento. Já no primeiro dia de aula, os alunos literalmente colocaram a mão na massa e tiveram a oportunidade produzir o primeiro pão da unidade de tratamento. Essa é a primeira turma a se formar no curso da unidade de tratamento. Empolgado, o residente Raimundo César da Silva, 53 anos, começou a fazer planos para quando sair do Centro de Reabilitação. Como já passou dos 50 anos e tem dificuldade de conseguir emprego na sua área, o residente vai adotar a profissão de padeiro e confeiteiro como nova atividade

de geração de renda. “Vou me dedicar a essa profissão, pois já não consigo mais emprego no Distrito Industrial por conta da minha idade. Agora tenho mais uma profissão que vai me auxiliar na reintegração social, graças ao Centro de Reabilitação”. Para o diretor do Centro de Reabilitação, o médico psi-

CENTRO

Gerenciado pelo Instituto Novos Caminhos, o Centro de Reabilitação atende 120 residentes entre homens, mulheres e adolescentes acima de 14 anos, dependentes de álcool e outras drogas quiatra Pablo Gnutzmann, o curso além de ter sua importância terapêutica garantirá uma nova profissão e fonte de renda para o residente. “Nós tratamos o residente e oferecemos a ele uma nova chance de vida e de oportunidades, pois garantimos uma profissão caso queira se dedicar as atividades oferecidas pelo Centro de Reabilitação”, destaca o

diretor se referindo também aos outros cursos profissionalizantes que são oferecidos aos residentes dentro da unidade. O Centro de Reabilitação oferece, também, os cursos de artesanato, informática, biojoias, piscicultura, horticultura, corte e costura. Os cursos são terapêuticos ocupacionais e também profissionalizantes, uma vez que, cada residente que conclui os cursos ganha certificado reconhecido, emitido pelo Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam) e Secretaria de Estado do Trabalho (Setrab). Todos os produtos confeccionados no curso de panificação e confeitaria pelos residentes servirão para alimentação deles durante o tempo de tratamento no centro de reabilitação. “Neste curso eles aprendem a fazer pães, doces, salgados, bolos e tortas”, informa o diretor. Gerenciado pelo Instituto Novos Caminhos, o Centro de Reabilitação está localizado no quilômetro 53 da rodovia AM-010 (Manaus/Rio Preto da Eva) e atende 120 residentes entre homens, mulheres e adolescentes acima de 14 anos, com alto grau de consumo de álcool e outras drogas.

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Cursos de qualificação profissional são alternativa para quem está em tratamento no Centro de Reabilitação Abdel Aziz

O residente Raimundo César da Silva, de 53 anos, aprendeu uma nova profissão no centro


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Ano de 2014 chegou a 51 focos de novas invasões FOTOS: IONE MORENO

As áreas de Preservação Permanente são os principais alvos, de acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente

Árvores são derrubadas, animais silvestres são mortos ou ficam sem moradia, igarapés são cada vez mais poluídos, entre outros problemas, quando uma área dessas é invadida para moradia ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO

M

ais um ano termina e a presença das “invasões” é constante na cidade de Manaus. De acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmas) até novembro de 2014, um total de 51 focos foram registrados pelo órgão, deste número 21 foram totalmente extintas e os demais se encontram em andamento, mas com procedimentos administrativos instaurados. Várias reintegrações de posse ocorrem e diversos barracos são destruídos. A maioria das famílias que invadem esses terrenos, que às vezes são Área de Preservação Permanente (APP), acaba se expondo a situações de risco. Árvores são derrubadas, animais silvestres são mortos ou ficam sem moradia, igarapés são cada vez mais poluídos, as energias e água são furtadas e o sistema de esgoto fica mais difícil de passar por uma melhoria. Quem se habilita a viver nas invasões passa por situações constrangedoras, como ter que fazer suas necessidades fisiológicas em sacos plásticos e ter que jogar nas proximidades dos matos, sem passar por nenhum processo de limpeza. Nessas condições, os ocupantes além de colocarem suas vidas em risco deixam a disposição o risco também para suas famílias. Vários sistemas são adotados pelas secretarias municipais e estaduais, entre eles o cadastro do auxílio-aluguel, e até cadastramento para ganhar uma nova moradia são realizados, mas a oferta não supri a necessidade. Há situações que os beneficiados do auxílio-moradia ou de ganharem as casas acabam vendendo, alugando ou colocando outro parente na

morada e retorna as invasões. Quando recebem o auxílioaluguel, pegam o dinheiro e usam em outros benefícios, menos para qual finalidade deveria ser utilizado como no aluguel de um lar. Nos últimos meses, três invasões de grande porte passaram por reintegração de posse, todas situadas na área da Zona Norte. Ontem, a equipe de reportagem do EM TEMPO procurou os lugares onde tiveram a reintegração, e os ocupantes, após a reintegração retornaram para os terrenos e novamente constrói moradias e demarcam as terras por lotes. Centenas de barracos e até casas estão erguidos em um loteamento ao lado do Departamento Nacional do Trânsito (Detran), localizado no bairro de Santa Etelvina,

Falta de moradia adequada é justificativa No meio dos ocupantes dos terrenos invadidos está a dona de casa Francisca Ferreira Guedes, 57, que tem 13 filhos, mas o único auxílio que recebe é do Bolsa Família. Portadora desde nova de Hanseníase, após conseguir seu barraco iniciou o tratamento da doença. Ela contou que muito nova foi levada para o interior e serviu de escrava para algumas famílias. “Nesse tempo, cheguei a estranhar alguns sintomas na minha pela, mas a família onde eu trabalhava me proibida de fazer qualquer tipo de tratamento”, lembrou.

No interior Francisca foi mãe ainda muito jovem. Hoje morando em Manaus, com uma das filhas que tem quatro filhos, resolveram construir em uma parte do terreno seu barraco e moram na invasão dos salesianos. O autônomo Clebson Oliveira 30, que juntamente com sua esposa e mais dois filhos, contou que no dia da reintegração de posse, que ocorreu no mês passado, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), anotou os nomes de mais de 200 famílias, e informaram que iriam entrar em contato,

mas até o momento não obtiveram retorno. “Como não temos para onde ir, resolvi reconstruir o barraco e aguardar, pois não tenho pra onde ir e muito menos levar minha famílias, passamos por necessidade, e com os bicos é a única forma que tenho de colocar comida em casa”, detalhou. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmas) disse que nos últimos dois anos não tivemos nenhuma nova invasão consolidada na cidade e que as 21 invasões que permanecem estão em processo de ações

de retiradas iniciadas ou aguardando prazo para saída dos moradores, ou ainda à espera de liminares de reintegração de posse. A Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) informou que sobre a invasão dos salesianos, técnicos da secretaria estiveram no local no dia da reintegração, mas não se comprometeram com nenhum acordo. Além disso, informou que em nenhum momento foi procurada pelos moradores ou líderes comunitários e que os invasores foram levados para as casas de parentes.

NÚMEROS

Um total de 51 focos foram registrados pelo órgão, desse número 21 foram totalmente extintos e os demais se encontram em andamento, com procedimentos administrativos instaurados Zona Norte de Manaus. Na invasão do Tarumã-Açu, ramal Anaconda, bairro Tarumã, Zona Oeste o terreno que mede cerca de 1,4 mil metros quadrados, novamente começa a ser demarcado por lotes e provavelmente devem surgir os barracos. A mesma situação ocorre na invasão dos “Padres Salesianos”, localizado na rua padre Marcelino, bairro Zumbi dos Palmares, Zona Leste de Manaus. Vinte famílias permanecem em alguns barracos na rua.

Os invasores acabam colocando a própria vida em risco desmatando os locais sem nenhum tipo de orientação adequada


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opiniao@emtempo.com.br

(92) 3090-1010

Capa

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Os olhos que viram a estrada

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Os Estados Unidos e a democracia racial

Um fotógrafo japonês no rastro de Jack Kerouac. Pág. 2

Jeff Chang e a defesa do multiculturalismo. Pág. 3

A natureza ‘fantasmagórica’ da realidade Físico morto ajuda a combater espionagem. Págs. 4, 5 e 6

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Do arquivo de Ariel Dorfman

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Um tour pelos estúdios do prazer

Nova York, 1991. Pág. 7

A maior produtora de pornô de fetiche do mundo. Pág. 8


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Fotografia

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Dia e noite sem parar DAIDO MORIYAMA PHOTO FOUNDATION/DIVULGAÇÃO REVISTA ‘ZUM’

Uma lente na mão e quatro rodas na estrada RESUMO Neste texto, o fotógrafo japonês nascido em Ikeda, Osaka, descreve como sua descoberta de “Pé na Estrada”, de Jack Kerouac, o levou a viajar por seu país. Ele fala de seu fascínio pela vida nômade, recorda paisagens, camas e refeições e reflete sobre como a compulsão por cruzar o arquipélago moldou seu olhar.

TEXTO E FOTOGRAFIA DAIDO MORIYAMA TRADUÇÃO LEIKO GOTODA

Cai a tarde em Manhattan e, enquanto contempla a impressionante multidão de vultos negros que, como uma torrente de água suja escorre aos borbotões pela escura boca do metrô aberta na calçada, bem no centro da aridez de neon da Times Square, um homem pensa em outro homem, de quem acaba de se despedir depois de juntos terem percorrido uma longa, longa estrada, e pensa em seus muitos outros amigos, pensa ainda na extensão estonteante da “estrada já percorrida” que, sinuosa e interminável, corta a imensidão do continente americano. “Quando o sol se põe na América, eu me sento no destroçado e velho cais fluvial e, contemplando o vasto céu de Nova Jersey, sinto todo o inacreditável volume de terra bruta que ondula até a Costa Oeste, todas aquelas estradas seguindo em frente, todas as pessoas sonhando nessa imensidão e, em Iowa, sei que a esta altura as crianças estão chorando lá na terra onde deixam crianças chorar, e esta noite haverá estrelas no céu [“¦] e ninguém, mas ninguém mesmo sabe o que vai acontecer com qualquer um a não ser a deprimente ruína do envelhecer, penso em Dean Moriarty, penso até no velho Dean Moriarty, o pai que nunca encontramos, penso em Dean Moriarty”, murmura Sal Paradise, protagonista de “Pé na Estrada”, de Jack Kerouac, o escritor errante, na última página do livro. Li o romance “Pé na Estrada” tempos atrás, numa época em que, mal chegado à segunda metade da casa dos 20, sentia intenso prazer em disparar minha câmera na rápida sucessão de uma rajada de metralhadora. Fascinado pelos “olhos que viram a estrada” do personagem principal Sal Paradise, apaixonei-me por seu modo de viver e decidi de imediato conquistar o surrado Toyota

de um amigo, pondo-me a percorrer as muitas rotas que cortam o Japão. Foi nessa época que tive a chance de me deparar com uma grande variedade de acontecimentos, pessoas e cidades, e foi também nesses dias que aprendi a andar de carona em carros e caminhões. De tanto manter os olhos sempre fixos na superfície da estrada, qual um par de faróis, nisso me viciei e me vi tanto física como espiritualmente incapaz de retornar a meu antigo cotidiano. O entusiasmo juvenil que me levava a disparar a câmera a torto e a direito ajustou-se perfeitamente ao ritmo da viagem no aspecto emocional e, trocando de parceiros o tempo todo, continuei ensandecido estrada afora, fotografando dia e noite sem parar. Agora me pergunto se eu, que desde criança sempre fora tímido e introvertido, não estava havia muito fascinado por essa espécie de vida e atividade: propenso a vagar e a não gostar da escola, eu era solitário e retraído, condição que talvez tenha naturalmente desenvolvido em mim a ânsia por um comportamento dessa natureza. As rodovias, que propiciam o cruzamento de inúmeros pontos sobre suas retas, e também as ruas, onde pipocam fenômenos de toda espécie, me aguardavam com tantas descobertas e emoções que registrá-las todas seria impossível. Eu já não me adaptava à minha casa, para onde, exausto, retornava como um trapo depois de encadear diversos percursos de longa distância, e acabei preferindo a cama dura de um motel à minha própria, ou o arroz ao curry e bifes à milanesa de “drive-ins” à comida caseira de minha mulher. E antes que o apelo das ruas arrefecesse, eu me apressava a outra vez pôr o pé na estrada. Sem nenhuma razão particular. A vontade de ver o mar do Japão, por exemplo, já era suficiente. Depois de continuar nessa vida por cerca de três anos, certos motivos me levaram a tirar o pé da estrada e voltar para casa. E então comecei a me fechar em mim mesmo mais uma vez. Enquanto corria estrada afora, com frequência me acontecia experimentar indizível irritação contra o fato de me apegar irremediavelmente a tudo o que, após um brevíssimo encontro, voava para longe de mim. Em especial o perfil de um rosto pálido de mulher que resvalou pelo canto do para-brisa em certo entardecer e de pronto se dissipou numa esquina, ou ainda o olhar do garoto em pé no meio da lavoura em pleno dia estão para sempre gravados em minha retina de maneira vívida como as imagens de um filme a que assisti certa vez. Quero manter num filme todas essas infindáveis coisas amadas que, apenas

Fotografia da série ‘Caçador’, de 1972

vislumbradas, resvalam por mim e desaparecem e que, por mais que as fotografe, escorrem quase todas como água por malhas de uma rede e se vão, restando-me nas mãos apenas precários fragmentos de imagens que nada capturaram, algo entre imagem residual e latente que submerge em meu íntimo compondo uma grossa camada de sedimentos estratificados. De fato, são incontáveis as imagens que nos fogem enquanto avançamos a toda por uma sucessão infinita de cenários. A sensação de resvalo nos chega vagamente no instante em que tais imagens passam por nós. E resta apenas uma sensação acumulativa de tê-las perdido. Contudo os incontáveis cenários que me escaparam são capazes de se transformar num outro em meu íntimo e, certo dia, ressurgir de maneira repentina. Transcendem tempo e espaço e renascem como num sopro em meu consciente, completamente desvinculados da visão. Por exemplo, numa esquina movimentada da cidade de Tóquio, na parede de um bar quando a noite já vai alta, ou no líquido revelador de um quarto escuro com iluminação avermelhada. Nos últimos tempos, e depois que comecei a publicar a série “Memórias de um Cão”, voltei a percorrer estradas. Não da maneira incessante de antes, mas certas noites, ao me ver sozinho, sinto uma insistente saudade daquela vida e me ponho a folhear um mapa rodoviário e a seguir com o olhar qualquer rota nela impressa. A isso se alia o ímpeto de viajar e, desde o verão passado, venho revisitando as estradas. E então a quase esquecida emoção de estar nelas renasce em mim sem que eu disso me dê conta. A essa altura, os mais variados fragmentos de antigas imagens vistas pelos

caminhos aos poucos surgem de maneira mais definida, compondo paisagens reais nessas viagens feitas sobre o papel dos mapas. É como montar um quebracabeça: ao reunir fragmentos incertos, de súbito visualizo a imagem inteira. Diante de meus olhos, a estrada emerge como uma longa reta acinzentada que se estende a perder de vista e, para além dela, projetadas no espaço em sucessivas visões, uma esbranquiçada cena de verão ao longo de uma rota, campos e montanhas em vívidas cores de começo de outono, a cena sombria de um estreito no rigor do inverno e, finalmente, a paisagem noturna de luzes se acendendo numa cidade desconhecida. Ao perseguir as imagens na imaginação, percebo o pulsar do arquipélago japonês em contínuas ocorrências e sinto momentânea irritação. Pergunto-me então quem estaria onde e fazendo o quê nesse exato momento ou, ainda, o que acontece e o que estaria por acontecer. Para mim, percorrer uma linha longa e cinzenta corresponde ao ato de ler no mínimo algumas dezenas de livros de todos os tipos, ou quem sabe escrever. Enquanto corro por uma rodovia disparando a câmera e decifrando o que lhe vai nas margens, sou por vezes poeta, cientista, artista, filósofo ou mesmo um político. E, ao mobilizar todas as recordações para reagir ao fluxo de tempo e espaço, a impressão de que algum dia encontrarei uma viçosa imagem regenerada me acomete em ondas alternadas de esperança e excitação. Jack Kerouac, o autor de “Pé na Estrada”, diz na homenagem a “Os Americanos” – esta, uma coletânea de fotos de seu amigo e fotógrafo Robert Frank –, a respeito das jukeboxes que repetidamente surgem na referida obra:

“Jukebox é essencialmente o esquife da América”. Tomo aqui de empréstimo sua alusão para também dizer que os postos de gasolina automatizados que se multiplicam à beira das estradas japonesas começam a me parecer verdadeiros cemitérios rodoviários. Em suas áreas de alimentação – às quais chegamos a altas horas, exaustos de percorrer um longo caminho – não se vê vivalma e, sob a ofuscante luz incandescente, as geladas fileiras de astutas máquinas de venda automática estão envoltas numa atmosfera sinistra que de algum modo nos lembra a morte. Por outro lado, chega-nos também invariavelmente um período de total inação enquanto cobrimos longas distâncias. Pode até ser definido como um momentâneo bolsão de ar pouco antes do amanhecer. Acontece nos momentos em que a escuridão é mais densa e provoca a estranha impressão de que o carro não está correndo, ele está, isto sim, sendo levado de roldão por uma vala escura. Certo desconforto e apreensão reinam dentro do carro enquanto, mudos, os companheiros de viagem fixam atentamente o breu externo, cada qual imerso em seus próprios pensamentos. Visíveis são apenas a luz projetada pelos faróis e a iluminação do painel de controle. Nessas ocasiões, sinto que, bem no fundo do ser humano, seus nervos e suas células, embora temerosos da natureza e da civilização, estão em alguma medida procurando confrontá-las. Em outras palavras, sou levado a imaginar se esse não seria o momento em que o homem de algum modo entra em sintonia com a memória ancestral. Logo, o céu começa a clarear aos poucos no horizonte distante, e a madrugada rompe no espelho retrovisor.

A música flui do gravador cassete, e todos os isqueiros são acionados simultaneamente. A fumaça paira no ar, a animação retorna ao interior do carro, e todos se libertam de suas respectivas ansiedades. As manhãs nas rodovias são de um azul transparente a perder de vista, mas, em algumas horas, sobre o asfalto eclodirá a escaramuça diária que em tudo lembra uma batalha campal. A questão não é “aonde iremos hoje”, mas sim “que acontecimentos nos aguardam hoje?”. Sal Paradise, o personagem central de “Pé na Estrada”, é o próprio autor da obra, Jack Kerouac. Enquanto vagava pelo continente americano com o amigo Neal Cassady, dizem que o escritor, em sua juventude, batia nas teclas de sua máquina de escrever mastigando hambúrgueres e tortas de maçã ao som de suingues e bebop. E também eu, nos meus velhos tempos, espiava pelo visor de minha máquina fotográfica mastigando lámen e arroz ao curry ao som de melodias do passado e canções populares enquanto percorria sem descanso o arquipélago japonês. Talvez se possa dizer que ambos persistíamos em nossas jornadas de descobertas e conhecimento tendo nossas próprias memórias como radar. Jack Kerouac nos legou “Pé na Estrada”, um poema épico de louvor à juventude. Também eu, embora sem nenhuma intenção de estabelecer comparações, publiquei a coletânea de fotos “O Caçador” (“Karyūdo”), baseado em meus próprios “olhos que viram a estrada”. Nota: publicado pela primeira vez em 1983, na revista japonesa “Asahi Camera”, este texto está no número 7 da “Zum”, do Instituto Moreira Salles, à venda em todo o Brasil.


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Entrevista

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JEFF CHANG

Pela minoria majoritária O nascimento de uma nação multicolorida RESUMO Jornalista autor de livros que ampliaram o debate da cultura hip-hop nos EUA nos anos 2000 é hoje voz ativa no movimento multiculturalista no país. Professor em Stanford e diretor de instituto universitário que promove a diversidade nas artes, diz que declínio da maioria branca anuncia uma nova sociedade.

IZABELA MOI

Jeff Chang prefere não dizer o ano em que nasceu. Poderia ser vaidade. Mas vindo do atual diretor-executivo do Institute for Diversity in the Arts (IDA, ou instituto pela diversidade nas artes) da Universidade Stanford, o motivo é outro: todo seu discurso vai contra a categorização. Sem idade, sem raça, sem cor de pele, sem gênero, sem classe. A luta atual do movimento multiculturalista nos EUA, do qual ele é uma das vozes mais eloquentes, é para ultrapassar o gueto em favor da individualidade. É sobre isso que Chang fala em seu mais recente livro, “Who We Be - The Colorization of America”, lançado no mês passado. Depois de ter estudado em Berkeley e na UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles), Chang chegou a Stanford já como diretor do IDA em 2011, mas também dá aulas de estudos comparados de raça e etnia. Foi em 2005 que o jornalista, cofundador das revistas “Color Lines” e “Culture Str/ke”, alcançou um público novo e mais amplo: com a publicação de seu primeiro livro, “Can’t Stop Won’t Stop - A History of the Hip-Hop Generation” (Não pode parar não vai parar - Uma história da geração hip-hop, de 2005), ganhou projeção nacional e muitos prêmios, como o American Book Award, da Fundação Columbia. O livro levou o debate sobre a cultura hip-hop a outro patamar, que Chang não parou de aprofundar em artigos e em mais um livro, “Total Chaos: The Art ARNALDO BRANCO | cartum

& Aesthetics of Hip-Hop” (Caos total: a arte e a estética do hiphop, de 2007). Então veio 2008, e as apostas eram de que a eleição de Barack Obama, o primeiro presidente negro nos EUA, traria mudança em todas as esferas, inclusive na relação entre raça e sua produção artística. “Who We Be - The Colorization of America” (algo como Quem ser nós - A colorização da América) revisa 50 anos de produção cultural, de 1963 a 2013, sob o ponto de vista da questão racial e de sua representação e antecipa o debate do que se está chamando nos EUA de “revolução demográfica”, a estimativa de que, em 2042, os habitantes do país serão majoritariamente não brancos. Entre as muitas referências artísticas e histórias de bastidores que pontuam o livro, está a do cartunista Morrie Turner, a quem o autor dedica o primeiro capítulo. O artista, morto no início deste ano, foi o criador de um dos quadrinhos mais lidos nos anos 60 nos EUA: “Wee Pals”, uma “gangue” de crianças de todas as cores e origens. Para Chang, “Wee Pals” foi a produção artística pioneira em representar os EUA como um ideal de multiculturalismo. Em meio à turnê de lançamento do livro, Jeff Chang respondeu por e-mail à entrevista abaixo. Folha - A previsão demográfica de que os EUA se tornarão, a partir de 2042, um país majoritariamente “não branco” traz que tipo de questão para o debate sobre raça e discriminação no país? Jeff Chang - A ideia de os EUA se transformarem em um país de “minoria majoritária” tem assustado alguns setores do país. O escritor Gregory Rodriguez tem chamado esse sentimento de “crise de ansiedade branca”. Eu acho que não devemos temer o futuro. Se seremos todos minoria, temos apenas de considerar o que significa ser maioria. É a oportunidade de repensar como uma democracia multirracial pode ser, de fato. Você diz que a discussão sobre relações raciais nos EUA não está aberta, e por isso tudo anda muito lentamente nesse campo. Por que esse diálogo ainda é tão difícil? Nos EUA, o debate parece

originar-se em um estado de “inocência racial” no qual a história não intercedeu. Mas todos sabemos que houve um genocídio dos nativos americanos, que a escravidão aconteceu, que se acredita que os imigrantes não brancos não deveriam ser legalizados (ou ter direito a voto). O histórico privilégio branco deixou sua herança nas desigualdades raciais e culturais, e muita gente ainda investe energia em preservar tais privilégios. Quando negamos a história, tornamonos incapazes de uma discussão profunda que possa transformar a maneira como pensamos e como vivemos com os outros. Por que a eleição de Obama, em 2008, parece não ter mudado o cenário das relações raciais nos EUA? A eleição de Obama assustou parte das elites naquele ano. Ela significou a possibilidade de termos um presidente extremamente popular, que poderia ter tanta força como Franklin Delano Roosevelt, no sentido de garantir uma maioria eleitoral de longo prazo e conseguir aprovar uma legislação liberal. Depois de sua eleição, parte da direita começou a trazer de volta o que chamamos de “cultural wars” (guerras culturais) dos anos 1980, quando os medos e inseguranças econômicas da classe média branca são deslocados para medos e inseguranças em relação aos imigrantes e negros. Essas guerras são uma competição entre narrativas: a história de uma grande América que se sente ameaçada contra a história de uma América cheia de novas esperanças. Vimos as tentativas de reconciliação racial do presidente serem silenciadas. Quando ele tentou, por exemplo, em 2009, posicionar-se contra a discriminação racial no caso da prisão indevida do acadêmico negro Henry Louis Gates Jr. – abordado na porta de sua própria casa por policiais brancos –, foi severamente punido pela mídia americana. Casos como o de Michael Brown, em Ferguson, e Tamir Rice, em Cleveland, ambos mortos por policiais, se repetem. O que, nesses casos, a cultura, e seu espaço de produção e consumo, podem fazer? Políticas de ação afirmativa ainda são úteis e necessárias? Sim. Momentos terríveis como este são justamente a hora exata para que a cultura intervenha. Esta é a mensagem que tenho ouvido, muito alta, vindo de ativistas, organizações e artistas, tanto de Ferguson como do resto do país. O impacto da destruição das políticas de ação afirmativa resultou em uma geração perdida de líderes

negros, latinos e americanos nativos. No ano passado, na UCLA, estudantes deram voz a essa questão de uma maneira muito contundente em um vídeo, “33”, sobre o pequeno número de estudantes não brancos matriculados no curso de direito da universidade. E esse número – 33 estudantes negros em um total de 1.100 – só caiu desde que eu estudei lá, em meados de 1990. O impacto é devastador para toda a sociedade. Significa que estamos perdendo suas vozes na construção de nossa democracia, e que ficamos ainda mais para trás na tentativa de construir uma sociedade multirracial, em que todos estejamos representados. O que defende o movimento multiculturalista e como seria a sociedade multicultural nos EUA? Até os anos 1970, a ideia dominante era de que a sociedade só poderia tolerar uma cultura americana: a do ideal anglosaxão branco, masculino e da religião protestante. Esperavase que aqueles que não tinham essa formação ou interesse se assimilassem à “norma”. A ideia de que os EUA são um país multicultural é muito recente: nasceu em meados dos anos 1970, quando artistas não brancos e a contracultura começaram a desafiar esse ideal do “melting pot”. As guerras culturais nos EUA acontecem na competição entre narrativas: a história de uma grande América que se sente ameaçada de ficar perdida para o passado contra a história de uma América que emerge cheia de novas esperanças. E essas histórias acabam servindo a fins políticos. Um lado quer a restauração, o outro demanda transformação. Quais são, em sua opinião, os artistas americanos, que transitam nesse território, que devemos prestar atenção? A lista é grande, mas é preciso prestar atenção em Glenn Ligon, Coco Fusco, YAMS Collective, Kara Walker. E também em

atores como W. Kamau Bell, Hari Kondaboly e Margaret Cho. E quem são os opositores ao movimento multiculturalista nos EUA? Há muitas vozes contra o multiculturalismo, como a National Association of Scholars (associação nacional de acadêmicos) e até intelectuais considerados liberais, como Walter Benn Michaels e Todd Gitlin. Os críticos de direita defendem a preservação das tradições europeias porque acreditam que elas são a base da democracia americana. E os de esquerda acham que discutir as questões de raça ou de gênero – que eles denominam “política de identidade” – retira a atenção das questões de classe. Minha posição é de que os três eixos (raça, gênero, classe) não podem ser separados e que aqueles da esquerda que vão contra os multiculturalistas são ingênuos e acabam sendo usados pela (e a favor da) direita e pelos discursos que induzem ao medo racial, que ganham, assim, terreno nas classes médias e na população branca mais progressista. Qual é sua função à frente do IDA, em Stanford, e quais são os objetivos da organização? Trabalhamos na interseção entre arte e justiça social. Acreditamos que os artistas têm um papel importante nos movimentos sociais e apoiamos aqueles cujo trabalho se mostra progressista em termos estéticos e políticos. No lançamento de seu livro, na universidade, em outubro, você foi aclamado por alunos e colegas como um pop star. Você se considera mais um militante ou um pesquisador nas áreas em que atua? Eu amo ensinar e formar os mais jovens, amo fazer minhas pesquisas e amo também construir a ponte entre tudo isso e o mundo real. Acho que o engajamento é a forma mais nobre de prestar serviço que à sociedade. Aspiro a isso.

Quando você era estudante em Berkeley, nos anos 1980, já participava do movimento a favor do multiculturalismo. O que pode nos contar sobre o período? Foi um tempo de polarizações radicais nos EUA – um tempo sobre o qual há muito pouca coisa escrita. Então escrever este livro foi também uma maneira de documentar meus dias de juventude. Foi ótimo poder jogar fora algumas certezas sobre aquele período e lançar um olhar crítico sobre ele.. Você, como Barack Obama, nasceu no Havaí. O arquipélago, de alguma forma, é o espelho do que será a nação de “Who We Be”? Sim e não. Há muita desigualdade no Havaí, e ela apenas parece diferente da desigualdade que existe aqui no continente. Algumas vezes, a discriminação é muito mais uma questão em torno dos tons de pele e sobre a divisão existente entre nativos e colonos (talvez ali estejamos mais perto da questão como acho que deve ser no Brasil). Mas sim, eu e o presidente Obama viemos de famílias que vinham se casando fora de suas comunidades por gerações, e talvez elas tenham nos dado um modelo, ou vários, de multiculturalismo. No final do livro, você afirma que escrevê-lo lhe deu a oportunidade de encontrar sua própria identidade. Por que essa questão ainda o preocupa, como indivíduo? Quero ser otimista quanto à nação e ao mundo que meus filhos e seus contemporâneos vão herdar de nós. Acredito que a forma como agimos enquanto maioria é uma questão tão importante quanto como lidamos com a crise do meio ambiente. Não quero que meus netos nasçam em um mundo onde as desigualdades raciais tenham se calcificado. Se for assim, será um lugar ainda mais instável do que o que vemos hoje


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Física

RESUMO Há 50 anos, o físico norte-irlandês John Bell (1928-90) chegou a um resultado que demonstra a natureza “fantasmagórica” da realidade no mundo atômico e subatômico. Seu teorema é hoje visto como a arma mais eficaz contra a espionagem, algo que garantirá, num futuro talvez próximo, a privacidade absoluta das informações.

CÁSSIO LEITE VIEIRA ILUSTRAÇÃO JOSÉ PATRÍCIO

Um certo país da América do Sul quer manter a privacidade de suas informações estratégicas, mas se vê obrigado a comprar os equipamentos para essa tarefa de um país bem mais avançado tecnologicamente.

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Partículas telepáticas Os 50 anos de um mistério quântico Esses aparelhos, porém, podem estar “grampeados”. Surge, então, a dúvida quase óbvia: haverá, no futuro, privacidade 100% garantida? Sim. E isso vale até mesmo para um país que compre a tecnologia antiespionagem do “inimigo”. O que possibilita a resposta afirmativa acima é o resultado que já foi classificado como o mais profundo da ciência: o teorema de Bell, que trata de uma das perguntas filosóficas mais agudas e penetrantes

feitas até hoje e que alicerça o próprio conhecimento: o que é a realidade? O teorema – que neste ano completou seu 50º aniversário – garante que a realidade, em sua dimensão mais íntima, é inimaginavelmente estranha. A história do teorema, de sua comprovação experimental e de suas aplicações modernas tem vários começos. Talvez, aqui, o mais apropriado seja um artigo publicado em 1935 pelo físico de origem alemã Albert Einstein (1879-

1955) e dois colaboradores, o russo Boris Podolsky (18961966) e o americano Nathan Rosen (1909-95). Conhecido como paradoxo EPR (iniciais dos sobrenomes dos autores), o experimento teórico ali descrito resumia uma longa insatisfação de Einstein com os rumos que a mecânica quântica, a teoria dos fenômenos na escala atômica, havia tomado. Inicialmente, causou amargo no paladar do autor da relatividade o fato de essa teoria, desenvolvida na década de 1920, fornecer apenas a probabilidade de um fenômeno ocorrer. Isso contrastava com a “certeza” (determinismo) da física dita clássica, a que rege os fenômenos macroscópicos. Einstein, na verdade, estranhava sua criatura, pois havia sido um dos pais da teoria quântica. Com alguma relutância inicial, o indeterminismo da mecânica quântica acabou digerido por ele. Algo, porém, nunca lhe passou pela garganta: a não localidade, ou seja, o estranhíssimo fato de algo aqui influenciar instantaneamente algo ali – mesmo que esse “ali” esteja muito distante. Einstein acreditava que coisas distantes tinham

realidades independentes. Einstein chegou a comparar – vale salientar que é só uma analogia – a não localidade a um tipo de telepatia. Mas a definição mais famosa dada por Einstein a essa estranheza foi “fantasmagórica ação a distância”. Emaranhado A essência do argumento do paradoxo EPR é o seguinte: sob condições especiais, duas partículas que interagiram e se separaram acabam em um estado denominado emaranhado, como se fossem “gêmeas telepáticas”. De forma menos pictórica, diz-se que as partículas estão

conectadas (ou correlacionadas, como preferem os físicos) e assim seguem, mesmo depois da interação. A estranheza maior vem agora: se uma das partículas desse par for perturbada – ou seja, sofrer uma medida qualquer, como dizem os físicos –, a outra “sente” essa perturbação instantaneamente. E isso independe da distância entre as duas partículas. Podem estar separadas por anos-luz. Os autores do paradoxo EPR diziam que era impossível imaginar que a natureza permitisse a conexão instantânea entre os dois objetos. E, por meio de argumentação lógica e complexa, Einstein, Podolsky e Rosen concluíam: a mecânica quântica tem que ser incompleta. Portanto, provisória. Superior à luz? Uma leitura apressada (porém, muito comum) do paradoxo EPR é dizer que uma ação instantânea (não local, no vocabulário da física) é impossível, porque violaria a relatividade de Einstein: nada pode viajar com velocidade superior à da luz no vácuo, 300 mil km/s. No entanto, a não localidade atuaria apenas na dimen-


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que Einstein desconfiou dessa premissa: “Temos que aceitar isso como verdade?”, perguntou a dois colegas. Mas não foi além. O teorema de Von Neumann serviu, porém, para praticamente pisotear a versão determinista (portanto, de variáveis ocultas) da mecânica quântica feita em 1927 pelo nobre francês Louis de Broglie (1892-1987), Nobel de Física de 1929, que acabou desistindo dessa linha de pesquisa. Por exatas duas décadas, o teorema de Von Neumann e as ideias de Bohr – que formou em torno dele uma influente escola de jovens notáveis – dissuadiram tentativas de buscar uma versão determinista da mecânica quântica. Mas, em 1952, o físico norte-americano David Bohm (1917-92), inspirado pelas ideias de De Broglie, apresentou uma versão de variáveis ocultas da mecânica quântica – hoje, denominada mecânica quântica bohmiana, homenagem ao pesquisador que trabalhou na década de 1950 na Universidade de São Paulo (USP), quando perseguido nos EUA pelo macarthismo. A mecânica quântica bohmiana tinha duas características em sua essência: 1) era determinista (ou seja, de variáveis ocultas); 2) era não local (isto é, admitia a ação a distância) – o que fez com que Einstein, localista convicto, perdesse o interesse inicial nela.

são microscópica – não pode ser usada, por exemplo, para mandar ou receber mensagens. No mundo macroscópico, se quisermos fazer isso, teremos que usar sinais que nunca viajam com velocidade maior que a da luz no vácuo. Ou seja, relatividade é preservada. A não localidade tem a ver com conexões persistentes (e misteriosas) entre dois objetos: interferir com (alterar, mudar etc.) um deles interfere com (altera, muda etc.) o outro. Instantaneamente. O simples ato de observar um deles interfere no estado do outro. Einstein não gostou da versão final do artigo de 1935, que só viu impressa – a redação ficou a cargo de Podolsky. Ele havia imaginado um texto menos filosófico. Pouco meses depois, viria a resposta do físico dinamarquês Niels Bohr (1885-1962) ao EPR – poucos anos antes, Einstein e Bohr haviam protagonizado o que para muitos é um dos debates filosóficos mais importantes da história: o tema era a “alma da natureza”, nas palavras de um filósofo da física. Em sua resposta ao EPR, Bohr reafirmou tanto a completude da mecânica quântica

quanto sua visão antirrealista do universo atômico: não é possível dizer que uma entidade quântica (elétron, próton, fóton etc.) tenha uma propriedade antes que esta seja medida. Ou seja, tal propriedade não seria real, não estaria oculta à espera de um aparelho de medida ou qualquer interferência (até mesmo o olhar) do observador. Quanto a isso, Einstein, mais tarde, ironizaria: “Será que a Lua só existe quando olhamos para ela?”. Autoridade Um modo de entender o que é uma teoria determinista é o seguinte: é aquela na qual se

pressupõe que a propriedade a ser medida está presente (ou “escondida”) no objeto e pode ser determinada com certeza. Os físicos denominam esse tipo de teoria com um nome bem apropriado: teoria de variáveis ocultas. Em uma teoria de variáveis ocultas, a tal propriedade (conhecida ou não) existe, é real. Daí, por vezes, os filósofos classificarem esse cenário como realismo – Einstein gostava do termo “realidade objetiva”: as coisas existem sem a necessidade de serem observadas. Mas, na década de 1930, um teorema havia provado que seria impossível haver uma versão da mecânica quântica como uma teoria de variáveis ocultas. O feito era de um dos maiores matemáticos de todos os tempos, o húngaro John von Neumann (1903-57). E, fato não raro na história da ciência, valeu o argumento da autoridade em vez da autoridade do argumento. O teorema de Von Neumann era perfeito do ponto de vista matemático, mas “errado, tolo” e “infantil” (como chegou a ser classificado) no âmbito da física, pois partia de uma premissa equivocada. Sabe-se hoje

Protagonista Eis que entra em cena a principal personagem desta história: o físico norte-irlandês John Stewart Bell, que, ao tomar conhecimento da mecânica bohmiana, teve uma certeza: o “impossível havia sido feito”. Mais: Von Neumann estava errado. A mecânica quântica de Bohm – ignorada logo de início pela comunidade de físicos – acabava de cair em terreno fértil: Bell remoía, desde a universidade, como um “hobby”, os fundamentos filosóficos da mecânica quântica (EPR, Von Neumann, De Broglie etc.). E tinha tomado partido nesses debates: era um einsteiniano assumido e achava Bohr obscuro. Bell nasceu em 28 de junho de 1928, em Belfast, em uma família anglicana sem posses. Deveria ter parado de estudar aos 14 anos, mas, por insistência da mãe, que percebeu os dotes intelectuais do segundo de quatro filhos, foi enviado a uma escola técnica de ensino médio, onde aprendeu coisas práticas (carpintaria, construção civil, biblioteconomia etc.). Formado, aos 16, tentou empregos em escritórios, mas o destino quis que terminasse como técnico preparador de experimentos no departamento de física da Queen’s University, também em Belfast. Os professores do curso logo perceberam o interesse do técnico pela física e passaram a incentivá-lo, com indicações de leituras e aulas. Com uma bolsa de estudos, Bell se formou em 1948 em física experimental e, no ano seguinte, em física matemática. Em ambos os casos, com louvor. De 1949 a 1960, Bell trabalhou no Aere (Estabelecimento para a Pesquisa em Energia Atômica), em Harwell, no Reino Unido. Lá conheceu a física Mary Ross, com quem

se casaria em 1954 e que seria sua interlocutora em vários trabalhos científicos. “Ao olhar novamente esses artigos, vejo-a em todo lugar”, disse Bell, em homenagem recebida em 1987, três anos antes de morrer, precocemente, de hemorragia cerebral. Defendeu doutorado em 1956, após um período na Universidade de Birmingham, sob orientação do físico teuto-britânico Rudolf Peierls (1907-95). A tese inclui uma prova de um teorema muito importante da física (teorema CPT), que havia sido descoberto pouco antes por um contemporâneo seu. O teorema Por discordar dos rumos das pesquisas no Aere, o casal decidiu trocar empregos estáveis por posições temporárias no Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern), em Genebra (Suíça). Ele na divisão de física teórica; ela, na de aceleradores. Bell passou 1963 e 1964 trabalhando nos EUA. Lá, encontrou tempo para se dedicar a seu “hobby” intelectual e gestar o resultado que marcaria sua carreira e lhe daria, décadas mais tarde, fama. Ele se fez a seguinte pergunta: será que a não localidade da teoria de variáveis ocultas de Bohm seria uma característica de qualquer teoria realista da mecânica quântica? Em outras palavras, se as coisas existirem sem serem observadas, elas terão que necessariamente estabelecer entre si aquela fantasmagórica ação a distância? O teorema de Bell, publicado em 1964, é também conhecido como desigualdade de Bell. Sua matemática não é complexa. De forma muito simplificada, podemos pensar nesse teorema como uma inequação: x ¤ 2 (x menor ou igual a dois), sendo que “x” representa, para nossos propósitos aqui, os resultados de um experimento. As consequências mais interessantes do teorema de Bell ocorreriam se tal experimento violasse a desigualdade, ou seja, mostrasse que x > 2 (x maior que dois). Nesse caso, teríamos de abrir mão de uma das duas suposições: 1) realismo (as coisas existem sem serem observadas); 2) da localidade (o mundo quântico não permite conexões mais velozes que a luz). O artigo do teorema não teve grande repercussão – Bell havia feito outro antes, fundamental para ele chegar ao resultado, mas, por erro do editor do periódico, acabou publicado só em 1966.

Rebeldia A retomada das ideias de Bell – e, por conseguinte, do EPR e de Bohm – ganhou momento com fatores externos à física. Muitos anos depois do agitado final dos anos 1960, o físico americano John Clauser recordaria o período: ‘’A Guerra do Vietnã dominava os pensamentos políticos da minha geração. Sendo um jovem físico naquele período revolucionário, eu naturalmente queria chacoalhar o mundo”. A ciência, como o resto do mundo, acabou marcada pelo espírito da geração paz e amor; pela luta pelos direitos civis; por maio de 1968; pelas filosofias orientais; pelas drogas psicodélicas; pela telepatia – em uma palavra: pela rebeldia. Que, traduzida para a física, significava se dedicar a uma área herética na academia: interpretações (ou fundamentos) da mecânica quântica. Mas fazer isso aumentava consideravelmente as chances de um jovem físico arruinar sua carreira: EPR, Bohm e Bell eram considerados temas filosóficos, e não físicos. O elemento final para que o campo tabu de estudos ganhasse fôlego foi a crise do petróleo de 1973, que diminuiu a oferta de postos para jovens pesquisadores – incluindo físicos. À rebeldia somou-se a recessão. Clauser, com mais três colegas, Abner Shimony, Richard Holt e Michael Horne, publicou suas primeiras ideias sobre o assunto em 1969, com o título “Proposta de Experimento para Testar Teorias de Variáveis Ocultas”. O quarteto fez isso em parte por ter notado que a desigualdade de Bell poderia ser testada com fótons, que são mais fáceis de serem gerados. Até então se pensava em arranjos experimentais mais complicados. Em 1972, a tal proposta virou experimento – feito por Clauser e Stuart Freedman (1944-2012) –, e a desigualdade de Bell foi violada. O mundo parecia ser não local – ironicamente, Clauser era localista! Mas só parecia: o experimento seguiu, por cerca de uma década, incompreendido e, portanto, desconsiderado pela comunidade de físicos. Mas aqueles resultados serviram a reforçar algo importante: fundamentos da mecânica quântica não eram só filosofia. Eram também física experimental. Clássico O aperfeiçoamento de equipamentos de óptica (incluindo lasers) permitiu que, em 1982, um experimento se tornasse um clássico da área. Pouco antes, o físico francês Alain Aspect havia decidido iniciar um doutorado tardio, mesmo sendo um físico experimental experiente. Escolheu como tema o teorema de Bell. Foi ao encontro do colega norte-irlandês no Cern. Em entrevista ao físico Ivan dos Santos Oliveira, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, no Rio de Janeiro, e ao autor deste texto, Aspect contou o seguinte diálogo entre ele e Bell. “Você tem um cargo estável?”, perguntou Bell. “Sim”, disse Aspect. “Caso contrário” disse Bell, “você seria muito pressionado a não fazer o experimento”. O diálogo relatado por Aspect nos permite afirmar que, quase duas décadas depois do artigo seminal de 1964, o tema continuava revestido de preconceito.


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Continuação QUEEN’S UNIVERSITY OF BELFAST/CREATIVE COMMONS

Físico John Stewart Bell, criador do Teorema de Bell, na Queen’s University of Belfast

Em um experimento feito com pares de fótons emaranhados, a natureza, mais uma vez, mostrou seu caráter não local: a desigualdade de Bell foi violada. Os dados mostraram x > 2. Em 2007, por exemplo, o grupo do físico austríaco Anton Zeilinger verificou a violação da desigualdade usando fótons separados por... 144 km. Na entrevista no Brasil, Aspect disse que, até então, o teorema era pouquíssimo conhecido pelos físicos, mas ganharia fama depois de sua tese de doutorado, de cuja banca, aliás, Bell participou. Estranho Afinal, por que a natureza permite que haja a “telepatia” einsteiniana? É no mínimo estranho pensar que uma partícula perturbada aqui possa, de algum modo, alterar o estado de sua companheira nos confins do universo. Há várias maneiras de interpretar as consequências do que Bell fez. De partida, algumas (bem) equivocadas seriam: 1) a não localidade não pode existir, porque viola a relatividade; 2) teorias de variáveis ocultas (Bohm,

De Broglie etc.) da mecânica quântica estão totalmente descartadas; 3) a mecânica quântica é realmente indeterminista; 4) o irrealismo – ou seja, coisas só existem quando observadas – é a palavra final. A lista é longa. Quando o teorema foi publicado, uma leitura rasa (e errônea) dizia que ele não tinha importância, pois o teorema de Von Neumann já havia descartado as variáveis ocultas, e a mecânica quântica seria, portanto, de fato indeterminista. Entre os que não aceitam a não localidade, há ainda aqueles que chegam ao ponto de dizer que Einstein, Bohm e Bell não entenderam o que fizeram. O filósofo da física norte-americano Tim Maudlin, da Universidade de Nova York, em dois excelentes artigos, “What Bell Did” (O que Bell fez, arxiv.org/ abs/1408.1826) e “Replyto Werner” (em que responde a comentários sobre o texto anterior, arxiv.org/abs/1408.1828), oferece uma longa lista de equívocos. Para Maudlin, renomado em sua área, o teorema de Bell e sua violação significam uma só coisa: a natureza é não local (“fantasmagórica”) e, portanto,

não há esperança para a localidade, como Einstein gostaria – nesse sentido, pode-se dizer que Bell mostrou que Einstein estava errado. Assim, qualquer teoria determinista (realista) que reproduza os resultados experimentais obtidos até hoje pela mecânica quântica – por sinal, a teoria mais precisa da história da ciência – terá que ser necessariamente não local. De Aspect até hoje, desenvolvimentos tecnológicos importantes possibilitaram algo impensável há poucas décadas: estudar isoladamente uma entidade quântica (átomo, elétron, fóton etc.). E isso deu início à área de informação quântica, que abrange o estudo da criptografia quântica – aquela que permitirá a segurança absoluta dos dados – e o dos computadores quânticos, máquinas extremamente velozes. De certo modo, trata-se de filosofia transformada em física experimental. Muitos desses avanços se devem basicamente à rebeldia de uma geração de físicos jovens que queriam contrariar o “sistema”. Uma história saborosa desse período está em “Howthe Hippies Saved Physics” (Como os

hippies salvaram a física, publicado pela W. W. Norton & Company em 2011), do historiador da física norte-americano David Kaiser. E uma análise histórica detalhada em “Quantum Dissidents: Research on the Foundations of Quantum Theory in 1970” (Dissidentes do quantum: pesquisa sobre os fundamentos da teoria quântica em 1970, bit. ly/1xyipTJ, só para assinantes), do historiador da física Olival Freire Jr., da Universidade Federal da Bahia. Para os mais interessados no viés filosófico, há os dois volumes premiados de “Conceitos de Física Quântica” (Editora Livraria da Física, 2003), do físico e filósofo Osvaldo Pessoa Jr., da USP. Privacidade A esta altura, o (a) leitor (a) talvez esteja se perguntando sobre o que o teorema de Bell tem a ver com uma privacidade 100% garantida. No futuro, é (bem) provável que a informação seja enviada e recebida na forma de fótons emaranhados. Pesquisas recentes em criptografia quântica garantem que bastaria submeter essas partículas de luz ao

teste da desigualdade de Bell. Se ela for violada, então não há nenhuma possibilidade de a mensagem ter sido bisbilhotada indevidamente. E o teste independe do equipamento usado para enviar ou receber os fótons. A base teórica para isso está, por exemplo, em “The Ultimate Physical Limitsof Privacy” (Limites físicos extremos da privacidade), de Artur Ekert e Renato Renner (bit.ly/1gFjynG, só para assinantes). Em um futuro não muito distante, talvez, o teorema de Bell se transforme na arma mais poderosa contra a espionagem. Isso é um tremendo alento para um mundo que parece rumar à privacidade zero. É também um imenso desdobramento de uma pergunta filosófica que, segundo o físico norte-americano Henry Stapp, especialista em fundamentos da mecânica quântica, se tornou “o resultado mais profundo da ciência”. Merecidamente. Afinal, por que a natureza optou pela “ação fantasmagórica a distância”? A resposta é um mistério. Pena que a pergunta não seja nem sequer mencionada nas graduações de física no Brasil.


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Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS

4 A morte e Mike Nichols Nova York, 1991

ARIEL DORFMAN TRADUÇÃO FRANCESCA ANGIOLILLO

Foi no final de 1991 que tive meu primeiro confronto – e escolho essa palavra de propósito – com Mike Nichols. A reunião, num hotel de Nova York, fora arranjada pelos produtores de minha peça “A Morte e a Donzela”, que Mike, maior diretor de teatro da época, queria levar para a Broadway. Foi um encontro estranho. Eu tinha crescido admirando seus filmes. “A Primeira Noite de um Homem” foi para mim, para minha mulher, Angélica, e para tantos de minha geração uma pedra de toque da rebeldia. Mas eu vinha notando certa leviandade, uma tendência a agradar um público amplo demais, que poderia limitar sua capacidade para enfrentar uma peça dura e subversiva como “A Morte e a Donzela”. Além disso, meu amigo Tony Kushner tinha me recomendado manter distância de Nichols, que era muito hollywoodiano e não se dava com os escritores. Talvez não devesse ter lhe dado ouvidos, mas éramos intransigentes – e eu dei. O célebre diretor era um dos homens mais encantadores do mundo – espirituoso, gentil, sofisticado e, ainda por cima, me cobriu de elogios. Ele tinha pedido a Gene Hackman e a Richard Dreyfuss que fossem a Londres ver a encenação local da peça e, ao voltar, ambos disseram querer participar da montagem dele na Broadway. Apesar disso tudo, me atrevi a confessar ao Mike os meus receios. Tinha achado “Uma Secretária de Futuro” (1988) um filme superficial, uma homenagem ao capitalismo e ao “sonho americano”, uma visão rósea da existência que era em tudo oposta à de minha obra. Que garantias eu teria de que ele não trairia meu texto? Mike empalideceu – mais lívidos ainda estavam os produtores, vendo a presa escapar de suas garras. Ele então respondeu que lamentava que eu tivesse tal opinião, mas que devia ter certeza de que não teria se aproximado de um texto tão inexorável como o meu se não se sentisse intimamente ligado a ele e a sua temática. Afinal de contas, tinha nascido em Berlim, em 1931, e emigrado para os EUA aos sete anos, tendo seu irmão como única companhia. Algo ele sabia sobre perdas; algo sabia da violência de Estado, da desmemória. Combinamos de tentar um acordo em uma semana. Para mim, era fundamental que Angélica conhecesse Mike e me dissesse, com sua perspicácia, se ele era confiável. Esse segundo encontro correu

melhor que o primeiro. Foi na casa de Mike, à beira do rio Hudson e, além de minha mulher, estava também a dele, Diane Sawyer. A renomada jornalista havia preparado uma fornada de biscoitos divinos. Não precisou mais do que meia hora para que Angélica e eu trocássemos olhares e eu dissesse a Mike Nichols que sim, estava feliz de poder trabalhar com ele. Os meses seguintes, sobretudo o longo ensaio na Broadway, já no início de 1992, foram uma lua de mel. Ele compreendia o texto de forma deslumbrante. Percebia cada artifício, como o que um personagem dizia numa cena ecoaria de forma significativa noutra, qual era o ritmo certo para cada monólogo ou diálogo. Especialmente revelador era ver como ele descobria, com os atores, seus deslizes, suas máscaras, sua intimidade. Os problemas surgiram nos ensaios gerais, com público. Mike permitia ou sugeria ligeiras mudanças no texto com as quais eu não concordava porque, a meu ver, suavizavam arestas e atenuavam o tom transgressor. Reagi a essas mudanças com mais arrogância do que Mike merecia. Se nos reconciliamos, foi por intervenção de Angélica, com quem ele se dava especialmente bem; mas nós dois nunca mais gozamos da mesma amizade e franqueza. Lamento, agora que ele morreu, que tenha sido assim. Gosto de lembrar do dia em que recebemos os atores na casa dele e de como fomos bem acolhidos por Diane. Richard Dreyfuss estava atrasado e, então, propus que todos nos escondêssemos dentro de um imenso guarda-roupas. Aí estávamos, Gene, Glenn, Angélica, eu, nosso filho menor, Joaquín, e Mike, Mike segurando o riso, travesso e genial, enquanto ouvia sua mulher dizer a Dreyfuss que tínhamos ido embora e que Robert De Niro ficaria com seu papel. De repente saímos todos, com grande alarido, do esconderijo. É disso que quero me lembrar. Disso e de algo que Harold Pinter me contou. Ele contou que, quando soube que tinha o câncer de esôfago, que o mataria em 2008, a mensagem mais original e consoladora tinha vindo de Mike: “A morte não tem a menor ideia de com quem está se metendo”. Isso é o que eu gostaria de dizer a Mike, hoje – e ainda: foi muita sorte de todos a morte não o ter levado décadas antes em Berlim, vestindo um uniforme nazista.

Pôster da montagem da peça autografado pelos atores


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Sexo

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Gritos, puxões e um aperto de mão Um dia num set de pornô.com

RESUMO Fundada há quase 20 anos por um inglês que decidiu ganhar dinheiro com seu gosto por sadomasoquismo, a Kink.com é a maior produtora de conteúdo pornô fetichista do mundo. Como outras empresas do setor em San Francisco, ela busca contornar a pirataria e um projeto de lei que proíbe filmagens sem preservativos.

FERNANDA EZABELLA

No subterrâneo de uma antiga fortaleza de San Francisco, dois tambores azuis junto à parede armazenam quase 400 litros de uma substância imprescindível para as atividades do local. “É lubrificante, nós amamos lubrificante”, diz a gerente Nic Rathert. Cada tambor, ela explica, dura três meses. Na sala em frente, uma ruiva de longas pernas sardentas conversa com internautas através de uma câmera, enquanto o diretor James Mogul prepara sua parafernália. Ao passo que toma leite de um garrafão e conversa com seus dois assistentes, ele vai tirando cordas e mais cordas de uma mala de couro. “Hoje os três buracos estão liberados”, avisa a ruiva, animada. Seu nome artístico é Penny Pax, e ela pede para ir ao banheiro antes de a filmagem começar. A Kink.com, maior produtora de pornografia de fetiche do mundo, ocupa desde 2007 os cinco andares do edifício de tijolos aparentes que foi da Guarda Nacional dos EUA entre 1914 e 1976. O prédio no Mission, bairro situado no leste da cidade, conhecido pela inclinação artística e pela diversidade étnica, foi comprado por US$ 14,5 milhões (cerca de R$ 34 milhões) por Peter Acworth, um inglês que desistiu do curso de finanças da Universidade Columbia para investir em seu hobby S&M (sadomasoquista), no final dos anos 1990. Hoje, o Kink.com agrupa cerca de 30 sites, todos de acesso pago, cada um dedicado a um

fetiche e muitos deles contendo material ao vivo – como humilhação em público e luta livre. No final do dia, quando a casa está vazia, Rathert a percorre em tours de 90 minutos, pelos quais cada visitante paga US$ 25 (cerca de R$ 59). Durante o passeio, a gerente aponta detalhes de alguns dos 70 cenários usados nas filmagens, como uma sala de aula, um hospício, um açougue e uma sala de estar que ostenta uma jaula sob a escada. A gerente, que por seis anos foi “dominatrix” – aquela que, nos atos sexuais S&M, faz o papel de dominadora –, tanto na vida real quanto na frente das câmeras, também organiza a Universidade Kink. Os cursos se destinam a iniciantes e os temas vão desde introdução ao BDSM (sigla para “bondage, dominação, submissão, masoquismo”) até uma visão geral das leis do Estado acerca da prática, considerando aspectos como consentimento e definição do que é atentado ao pudor. A Kink.com tem cerca de 400 funcionários, metade só na área de produção, sem contar os atores, contratados por empreitada. Rathert explica que boa parte deles são profissionais; outros são amadores que gostam de BDSM e querem fazer um dinheiro. Os salários variam de US$ 500 a US$ 1.300, algo entre R$ 1.180 e R$ 3.070, por vídeo, dependendo da experiência, do papel ou das cenas. ‘Red’ Penny volta do banheiro, e a porta do estúdio é fechada. “Você lembra das palavras de segurança?”, Mogul pergunta à ruiva. “Red” (vermelho) é para parar tudo e desligar a câmera; “yellow” (amarelo) é para ir devagar. “Só não quero sair com marcas”, ela pede. Penny volta a conversar com os 33 internautas on-line no momento e confessa que pensa em colocar implantes nos seios, ideia logo rechaçada pelos ouvintes. O diretor faz alguns testes com as cordas em volta da cintura de Penny e pede para ela dar uma olhada numa mesa repleta de brinquedos sexuais. “Estão ótimos, menos este aqui, parece grande demais, não?”, diz. Acworth dá o ar da graça. Ele conta que desde pequeno gostava de ser amarrado e tem uma teoria própria sobre isso. “Minha mãe não me impunha limite algum quando eu era

criança. Mandava meu pai à merda e fazia o que eu queria. Acho que essa falta de regras me fez querer ter regras, ser amarrado, subjugado”, diz o inglês de 43 anos, que foi o modelo dos vídeos de estreia do Kink.com, lucrativo já no primeiro mês. Quase duas décadas depois de fundado por Acworth, o portal tem de se valer da criatividade para despistar os maiores inimigos de sua rentabilidade, os piratas on- line. Os assinantes do Kink.com pagam entre US$ 14 e US$ 20 (de R$ 33 a R$ 47,20) por mês para poder ver cenas ao vivo, conversar e fazer pedidos aos atores e diretores, além de às vezes ter a oportunidade de ir ao estúdio ver as lutas livres entre mulheres peladas. “Coisas assim não dá para piratear”, afirma Acworth. “A estratégia é criar uma comunidade e ter cada vez mais conteúdo ao vivo.” Outro obstáculo vem dos grupos pró-camisinha, que querem tornar obrigatório o uso de preservativos nos sets de filmagem da Califórnia. A lei foi aprovada no condado de Los Angeles em 2012, causando a dispersão da meca da indústria, a região do vale de San Fernando, que uma década atrás chegou a gerar US$ 4 bilhões, produzindo 5.000 filmes adultos ao ano. O número de pedidos de licenças para produções pornô em Los Angeles caiu 95% em 2013, já que muitas produtoras se transferiram para o vizinho Estado de Nevada, para a mais distante Flórida, na outra costa, ou, mais longe ainda, para o Leste Europeu e o Brasil. “Isso me preocupa, claro. Estamos mirando Las Vegas agora, talvez passemos a ter um estúdio por lá”, diz Acworth. Em meados de agosto, o projeto de lei foi arquivado por um grupo de legisladores do Estado. Seus proponentes, liderados pela democrata Isadore Hall e pela fundação Aids Healthcare, prometem insistir em 2015. Atualmente, atores e atrizes são obrigados a fazer exames médicos a cada 14 dias, embora não exista fiscalização. Em 2004, 2009, 2010 e 2013, foram reportados casos de pessoas infectadas com o vírus da Aids ou com outras doenças, interrompendo as produções por meses. A indústria argumenta que filmes com camisinha não vendem e que o uso prolongado do preservativo durante as filmagens causa erupções cutâneas e escoriações que

ADÃO ITURRUSGARAI | cartum

podem facilitar a transmissão de doenças. “Não somos contra o pornô, não queremos acabar com o negócio, apenas proteger o artista”, afirma Michael Weinstein, presidente da Aids Healthcare Foundation. A ex-corretora de imóveis Colette Field, dona do X-Art. com, ecoa parte das queixas de Acworth. Field e seu marido mantêm o site de apelo fashion desde 2007 – ele, que é fotógrafo, já tinha um site, com modelos nuas, que ela achava viável transformar em algo mais apimentado, porque não encontrava na internet “pornô de bom gosto”. Calculando ter hoje quase 100 mil assinantes, que pagam cerca de US$ 20 por mês, Field recorda que, no começo, eram só os dois e uma câmera. “Arrumávamos as luzes, eu cuidava do cabelo e da maquiagem, nem assistente tínhamos e não gastávamos com locação.” Para evitar as consequências da lei da camisinha, sua produtora passou a filmar mais no exterior. Seu maior inimigo não vem, portanto, dos cuidados com os profissionais – que, no seu caso, podem ser modelos que nunca fizeram pornô e topariam fazer com seus namorados. Para a empresária, o problema real são os sites que copiam o clima “pornô chique” e os 80 mil piratas que baixam seus vídeos ilegalmente por mês. Sua empresa lidera o número de processos por direitos autorais no país, mais de 1.300 no último ano. Proliferam especulações de que o site proteja pouco seus vídeos proposital-

mente, usando-os de isca para abrir processos cujos acusados chegam a pagar até US$ 30 mil em reparações. Field rebate: “Ir atrás destes caras custa caro, mas qual é a escolha? Se não formos, ninguém mais vai querer fazer filmes eróticos. Vai ser tudo ordinário, gratuito, cheio de comercial”. Calabouço Enquanto isso, no calabouço de Mogul, decorado com um tapete persa e iluminado por duas torres de luz, o diretor tem uma furadeira na mão e usa luvas pretas empapadas de lubrificante. Penny está nua e suspensa no ar, amarrada pelas pernas dobradas e braços levantados. Ela pede para parar de girar porque está ficando tonta. A furadeira serve para fazer mais um buraco numa caixa que serve de base para as cordas, modificando assim a suspensão. Os brinquedos da mesa vão aos poucos sendo introduzidos, provocando em Penny uma série de risadas e gemidos um tanto perturbadores. Um vibrador é ligado entre suas pernas, e pregadores pendem de suas partes íntimas, ao passo que um chicote corre solto, em especial pelos seus pés. Penny parece atingir um orgasmo – vários, aliás –, com gritos guturais nada sexy. Até que ela cede: “Minhas mãos estão ficando dormentes”, diz. De imediato, ela é desamarrada e recebe beijinhos do mestre (em inglês, “top”, o equivalente masculino de “dominatrix”). Mogul, que não diz a idade mas aparenta estar na casa dos 40, entrou para o Kink.com

em 2005, e é um dos dez diretores do estúdio. Três dos sites do grupo são responsabilidade dele. “Desenvolvi minhas habilidades através das minhas experiências em festas nos anos 90 em Seattle. A gente ensinava e aprendia com os outros”, lembra. Ele vive com uma atriz pornô e é pai de uma menina. “Nossa vida sexual não é fácil. Precisamos deixar de lado várias coisas do trabalho para conseguirmos ficar juntos de verdade. Não levamos nossos rituais para os estúdios – nem nossos brinquedos”. Seus vídeos não têm roteiro, e as ideias vêm de fantasias pessoais e de conversas com os atores (ao assinar seus contratos, eles preenchem uma lista de coisas que querem ou não fazer no dia). “É como música, você aprende o lado técnico, depois esquece o que sabe e apenas faz. É improvisação”. É o fim do dia no set. Um de seus assistentes veste luvas para retirar os objetos usados em cena e colocá-los num balde vermelho. Mogul dá mais um gole no garrafão de leite e começa a guardar suas cordas. Penny está exausta, molhada de suor, mas sorri o tempo todo. Ela volta a se sentar numa cadeira para falar com os internautas e recebe uma toalha para se enxugar. “Foi intenso!”, diz. “Mal dormi na noite passada, estava tão ansiosa”, completa a atriz e modelo, que veio de Los Angeles para a gravação. Na saída, ela jura que gozou quatro vezes e se despede com um “aperto de mão pornô”: só nossos cotovelos se encostam.


Caderno D

Plateia MANAUS, DOMINGO, 28 DE DEZEMBRO DE 2014

plateia@emtempo.com.br

DIVULGAÇÃO

‘Conto de Verão’ reúne atores globais (92) 3090-1042

Plateia D3

Retrospectiva

cinco momentos em 2014

O EM TEMPO apresenta cinco fatos marcantes da cultura e do entretenimento LUIZ OTAVIO MARTINS Especial EM TEMPO

E

Gabriel García Marquez partiu aos 87 anos

U2 divulgou o novo CD para meio bilhão de clientes da Apple

A diretora de animação da Disney se desculpou pelo sucesso de “Let it go”, tema do desenho “Frozen”

ntre tantos fatos que fizeram o ano de 2014, o EM TEMPO destaca cinco dos mais marcantes na área de cultura e entretenimento. Há anos as novelas da Rede Globo incluem em suas tramas personagens gays e lésbicas, porém, a emissora passou a ficar conhecida por evitar uma cena de beijo romântico entre dois homens ou duas mulheres – houve um caso em “Mulheres Apaixonadas”, de 2003, entretanto o beijo entre as personagens Clara (Alinne Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli) só aconteceu quando a última se vestiu de homem para uma encenação de “Romeu e Julieta”. Mas, o tão esperado beijo gay global finalmente foi ao ar no dia 31 de janeiro, protagonizado pelos atores Mateus Solano e Thiago Fragoso – respectivamente Félix e Niko –, no final do folhetim “Amor

à vida”, de Walcyr Carrasco. A cena dividiu opiniões nas redes sociais e fora dela e o último capítulo não teve o desempenho esperado no ibope. Mesmo assim, tornou-se um marco na história da emissora e da telenovela brasileira. Em abril, aos 87 anos, morreu o escritor colombiano Gabriel García Márquez, autor de obras importantes como “Cem Anos de Solidão” (1967), “Crônica de Uma Morte Anunciada” (1981) e “O Amor Nos Tempos do Cólera” (1985). Gabo, como era conhecido entre familiares e amigos, morreu em sua casa na Cidade do México, vítima de uma pneumonia. Em 1982,

PALCO

Mais de 300 mil pessoas, em todos os dias de Copa, marcaram presença no largo São Sebastião para conferir os jogos do mundial e curtir shows de artistas da região

conquistou o Prêmio Nobel de Literatura. Sua obra é marcada pelo chamado realismo fantástico e o último livro de Gabriel García Márquez foi “Memória de Minhas Putas Tristes”, de 2004. Batizada de “Amazonas de Todas as Artes”, a programação cultural que o governo estadual preparou para o período da Copa do Mundo da Fifa em Manaus, nos meses de junho e julho, previa quase mil eventos para todas as idades com artistas locais, distribuídos nos espaços mantidos pela Secretaria de EsSolano e Fragoso fizeram tado da Cultura. história com o primeiro O que não estava beijo gay entre homens previsto era que num folhetim global o largo São Se-

bastião fosse eleito pelo próprio público, local e de turistas, como o principal point para assistir aos jogos do mundial de futebol e curtir diversas opções de entretenimento. Resultado: o deslocamento de inúmeras atividades artísticas para a área da cidade que abriga atrativos como o Teatro Amazonas, a Igreja de São Sebastião e o Bar do Armando e a presença de um público de mais de 300 mil pessoas em todos os dias de Copa. O lançamento em setembro do novo CD do U2, “Songs of Innocence”, chamou a atenção por marcar o retorno da banda irlandesa às paradas musicais após 5 anos e pela forma como chegou até os ouvintes. Antes da edição física chegar às lojas mundiais, o CD foi colocado à disposição dos clientes da loja virtual iTunes – um número avaliado em meio bilhão de pessoas –, da Apple, para download gratuito e automático em suas bibliotecas. Houve quem gostasse, claro, mas não faltou quem acusasse Bono & Cia. de pretensão; será que realmente todos os clientes do iTunes queriam mesmo ouvir as novas composições dos roqueiros? Passado o barulho, “Songs of Innocence” foi considerado um dos melhores trabalhos do grupo pela crítica e até indicado a melhor álbum de rock do ano no 57º Grammy Awards.

Desculpas Geralmente, sucesso é algo para ser celebrado e não desculpado. Mas, Jennifer Lee, diretora de animação da Disney, chegou a esse comportamento um tanto incomum. E tudo por causa de uma música chamada “Let it go”, interpretada originalmente por Idina Menzel. É que o tema de “Frozen: Uma Aventura Congelante”, animação do estúdio que chegou ao país em janeiro, continua sendo uma das músicas mais ouvidas e executadas – para alegria da criançada e desespero de pais. A prova está em uma declaração de Lee ao site “The Hollywood Reporter”. “Um ano atrás eu conhecia pessoas que, quando descobriam quem eu era, diziam: ‘Ah, nós amamos as músicas! Nós RETROSPECTIVA cantamos o tempo todo’. Agora, elas estão tipo: ‘Sim, a gente ainda está ouvindo aquelas músicas’. Eu fui do ‘obrigada’ ao ‘desculpa’”, disse a diretora. Até a sexta-feira, 26, o vídeo de “Let O largo São Sebastião foi it go”, no YouTuo principal point cultural durante a Copa do Mundo be, contabilizava mais de 389 milhões de visualizações.

MORTES JANEIRO Nelson Ned, cantor Marly Marley, atriz

FEVEREIRO Philip Seymour Hoffman, ator Paco de Lucía, músico Harold Hamis, ator e diretor Eduardo Coutinho, cineasta Shirley Temple, atriz Virgínia Lane, ex-vedete

MARÇO Paulo Goulart, ator Alain Resnais, cineasta

ABRIL José Wilker, ator Bob Hoskins, ator

MAIO Jair Rodrigues, cantor Mãe Dinah, vidente

JUNHO Marlene, cantora Bobby Womack, cantor Rose Marie Muraro, escritora

JULHO Rubem Alves, escritor João Ubaldo Ribeiro, escritor Ariano Suassuna, escritor Vange Leonel, cantora Tommy Ramone, baterista Fausto Fanti, humorista James Garner, ator Manoelita Lustosa, atriz

AGOSTO Lauren Bacall, atriz Cybele, cantora Robin Williams, ator Lauren Bacall, atriz Richard Attenborough, ator

SETEMBRO Joan Rivers, comediante Richard Kiel, ator

OUTUBRO Oscar de la Renta, estilista Hugo Carvana, ator

NOVEMBRO Roberto Bolaños, ator Manoel de Barros, poeta Mike Nichols, cineasta

DEZEMBRO Virna Lisi, atriz Phil Stern, fotógrafo Joe Cocker, cantor


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MANAUS, DOMINGO, 28 DE DEZEMBRO DE 2014 Milcyette Assayag, Moisa Guerreiro e a anfitriã Angela Bulbol de Lima

>> Champagne

Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br

. Angela e Juarez de Lima foram anfitriões de jantar petit comitê na temporada pré-Natal, no endereço do Ephigênio Salles. . Antes de todos os amigos viajarem para as férias de fim de ano, os hostes abriram os salões e se confraternizaram com o grupo de amigos society. Noite chic.

Angela e Juarez de Lima com Armando Mendes

Gisele Lins Maranhão

Gizella Bolognese

João e Celes Borges

>> Feijoada très chic

>> Objeto de desejo

>> Babies

. Esta coluna fará sua tradicional feijoada de Carnaval, no dia 7 de fevereiro, numa tarde que deve juntar a fauna society em peso! . O feijão boutique deste ano será no Village Festas, o endereço de eventos comandado pela expert Helena Brito, na Avenida Ephigênio Salles. . Agendem.

. A coleção “The Thousand and One Nights” da Armani Privé aumenta sua família que acaba de ganhar uma nova fragrância em colaboração com a Swarovski. . A edição limitada traz um frasco luxuoso e todo coberto dos famosos cristais, com fragrância chiquérrima!

. No dia 10 de dezembro, a Princesa Charlene de Mônaco deu à luz aos primeiros filhos do casamento com o Príncipe Albert, os gêmeos Gabriella e Jacques. . Nesta semana, a família revela as primeiras fotos dos novos bebês reais em clima natalino. Os gêmeos são os primeiros bisnetos de Grace Kelly, Princesa de Mônaco que, se estivesse viva, teria 85 anos. As informações são do jornal britânico “Daily Mail”.


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Texto de Domingos Oliveira será encenado por atores globais na Ponta Negra, em janeiro SÉRGIO RODRIGUES Especial EM TEMPO

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o verão de 1996, quatro adolescentes de personalidades distintas conseguem se tornar amigos durante as férias compartilhando um momento especial de suas vidas. “Conto de Verão”, uma comédia romântica do dramaturgo Domingos Oliveira, fala sobre as experiências vividas por todos, como a descoberta do valor da amizade, a escolha da profissão e a difícil decisão entre as responsabilidades e a diversão. A peça vai estrear em Manaus no dia 18 de janeiro, no Teatro de Centro Educacional Século, na Ponta Negra. Com direção de Bia Oliveira, o elenco conta com atores das novelas “Malhação” e “Boogie Oogie”, da Rede Globo: Felipe Simas, Julia Oristânio, Ana Vitória Bastos e João Vithor Oliveira, que estarão em turnê com a peça em 2015. O autor é tio-avô de João Vithor, que também tem a mãe como diretora da peça. Ele revela que o primeiro contato com o texto aconteceu aos 12 anos, quando foi dirigido por Domingos na peça “Do Fundo do Lago Escuro”. “Mais tarde o ator Bruno Ferrari me falou que fez uma peça (‘Conto de Verão’) onde ele interpretou Narciso, meu personagem, e mudou a vida dele. Quando fiz 16 anos pedi o texto para Domingos e chamei o Felipe, que sempre foi meu amigo e, então, começamos o processo”, revela o ator. Narciso, personagem vivido por João Vithor Oliveira, é o garanhão da peça e amigo inseparável do nerd Ângelo, interpretado por Felipe Simas. “Como o nome já diz, Narciso é vaidoso, fala demais e se acha o cara. Já Ângelo, é sensível, estudioso e tímido. Esses opostos se atraem e fazem a amizade verdadeira acontecer, eles se equilibram e vivem as aventuras juntos. O espetáculo fala do valor da amizade e a importância do amor. E isso fica muito bem marcado nos personagens”, diz João Vithor. Os opostos também se refletem nas personalidades da certinha e tímida Clara, vivida por Julia Oristânio, e da esperta e extrovertida Bárbara, papel da atriz Ana Vitória Bastos.

“A Bárbara é muito animada e marrenta. Ela gosta de mostrar que sabe de tudo e esconde todas as suas fragilidades e inseguranças. Acredito que ela amadurece muito quando se envolve com o Narciso, seu primeiro amor. É uma típica adolescente, intensa e, por isso, tenho certeza que o público vai se identificar e rir bastante com ela”, conta a atriz

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O autor ambientou a trama da peça em 1996, o último ano sem os avanços tecnológicos que tanto fazem a cabeça dos adolescentes de hoje, mas a produção é considerada atemporal Ana Vitória. Apesar da narrativa se passar em 1996, os atores consideram a peça atemporal pelos valores abordados e pela capacidade de diálogo com o público.“Domingos é um gênio. Ele criou cada personagem conosco e fez questão de marcar a importância de 1996, o último ano sem tecnologia. Logo, as relações eram mais pessoais e menos virtuais. A amizade verdadeira, o primeiro amor, a malícia juvenil de cada palavra dita e não dita, os desejos dos adolescentes de todas as idades, o primeiro amor, a primeira experiência com o sexo e a vida independente da idade”, afirma João Vithor. A peça “Conto de Verão” será encenada às 19h, no Teatro de Centro Educacional Século, na Ponta Negra. Os ingressos já estão à venda nas lojas Paradise Turismo e vão custar R$ 200 a inteira e R$ 100 a meia. Quem apresentar a matéria do EM TEMPO sobre a peça terá 50% de desconto na compra do ingresso. Mais informações por meio dos telefones 3234-3307 e 99111-4858.

A atriz Ana Vitória Bastos interpreta a extrovertida Bárbara

João Vithor Oliveira conheceu o texto quando tinha 12 anos e foi dirigido pelo tio-avô, Domingos Oliveira, na peça “Do Fundo do Lago Escuro”

FOTOS: DIVULGAÇÃO

‘Conto de Verão’ celebra amizade e autodescoberta


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Ridley Scott subverte

lógica bíblica em ‘Êxodo’ O cineasta responsável por ‘Gladiador’ cria a sua própria versão para a saga do profeta Moisés, estrelada por Christian Bale

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Na concepção do diretor Ridley Scott, Moisés, interpretado pelo ator Christian Bale, inicialmente é uma espécie de cético que ridiculariza os rituais pagãos da corte egípcia na qual foi criado

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ÃO PAULO, SP – Ridley Scott resolveu caminhar no fio da navalha ao criar sua versão da saga de Moisés. Em “Êxodo: Deuses e Reis”, o cineasta britânico procura conservar, na maior parte do tempo, a ambiguidade a respeito dos acontecimentos: até que ponto o que ocorre é resultado da intervenção divina ou tem causas mais mundanas, naturais ou derivadas da ação humana? Trata-se de uma escolha arriscada, inclusive do ponto de vista mercadológico, já que é razoável esperar que

grande parte do público-alvo do épico seja formado por quem deseja ver confirmada a narrativa tradicional da Bíblia – gente que quer uma profissão de fé cinematográfica, digamos. E, nesse ponto, o texto bíblico não é nada ambíguo. Como escreve o crítico literário (e ex-jesuíta) norte-americano Jack Miles, “o Êxodo não é nem uma vitória israelita, nem uma derrota egípcia. Do começo ao fim, o Êxodo é um ato de Deus”. Scott subverte essa lógica ao retratar Moisés, ao menos inicialmente, como uma espé-

cie de cético – um sujeito que ridiculariza os rituais pagãos da corte egípcia na qual foi criado e, ao mesmo tempo, conforme vai redescobrindo suas raízes israelitas, critica o que enxerga como o fanatismo da fé no Deus único de Abraão. O filme, aliás, não se contenta em deixar a ação nas mãos divinas mesmo depois que Moisés se convence de que o Senhor o escolheu para libertar o povo de Israel. Paralelos Antes general do faraó, o profeta passa a usar sua experiência militar (outra inoDIVULGAÇÃO

PRAGAS

Embora a primeira das dez pragas que Deus lança sobre o Egito tenha uma possibilidade de explicação natural, o ritmo crescente de desastres é tão avassalador que se torna ridículo negar a ação divina vação de Scott) para transformar os escravos israelitas em guerrilheiros e terroristas – decerto uma tentativa, não muito bem-sucedida, de tra-

çar paralelos entre a situação atual do Oriente Médio e a longínqua Idade do Bronze na qual se passa a ação. O curioso é que essa ambiguidade acaba sendo abandonada. O fracasso da estratégia guerrilheira de Moisés faz com que Deus lance as célebres dez pragas sobre o Egito. Embora a primeira delas até tenha uma possibilidade de explicação natural – o Nilo se transforma em sangue graças a ataques de crocodilos –, o ritmo crescente de desastres é tão avassalador que se torna ridículo negar a ação divina. É graças a

essa escalada de destruição, em parte, que o filme ganha força. Mas não propriamente pelo espetáculo das pragas. Embora os desastres abram caminho para a liberdade de seu povo, Moisés não deixa de questionar Deus: até que ponto séculos de escravidão devem ser punidos de um jeito que afeta principalmente os inocentes? Tal tensão entre justiça e misericórdia é um dos grandes dilemas da tradição bíblica, e o filme, apesar de suas falhas, acerta ao revisitá-la. Por Reinaldo José Lopes

CRÍTICA

Animação não traz originalidade

“Operação Big Hero” recombina elementos dos estúdios Disney, da Pixar e da Marvel

SÃO PAULO, SP – O “internetês” pegou emprestado e difundiu o termo “mash-up” para aquilo que em português a gente sempre chamou de mistura. A lógica da reciclagem não tem nada de original, mas sempre ajuda a assegurar as bilheterias para uma indústria há muito tempo em pane de inspiração. O processo deve garantir o sucesso de “Operação Big Hero”, nova animação da Disney. Quem prefere originalidade deveria procurar outra alternativa, pois o filme só demonstra que basta pegar ingredientes de origens diferentes e sacudir como um saco de pipocas saído do micro-ondas para que a máquina de fazer dinheiro continue funcionando. O longa recombina o tradicional espírito de conto de fadas, que desde os tempos do tio Walt é uma marca da Disney, com a dinâmica visual

dos desenhos digitais da Pixar e a saga de um super-herói típico da Marvel. Não por acaso, as três empresas hoje fazem parte do mesmo conglomerado do entretenimento. Tudo mais segue o esquema. O lugar onde se passa a ação, uma grande cidade chamada San Fransokyo, sobrepõe o cenário de San Francisco e de Tóquio. No nome de Hiro, o garoto protagonista, ecoa o som da palavra herói (“hero”, em inglês). E tanto na aparência dos personagens como em boa parte da ação fica evidente que o desenho, como a HQ original da Marvel, é uma tentativa de se apropriar das principais características dos animes japoneses. Pancadaria Hiro é um “nerd” que inventa robôs, mas que ainda desperdiça sua inteligência em lugares clandestinos

como clubes de luta. Logo no primeiro combate entre a minúscula criação do garoto e um imbatível e monstruoso guerreiro, o filme dá uma prévia de que seu maior interesse está nas cenas de ação. Depois de introduzir o irmão e o grupo de heróis que ajudarão o garoto a enfrentar o mal, “Operação Big Hero” se transforma numa incessante pancadaria. Robozão Para assegurar que o desempenho do filme não dependa só das filas na bilheteria, o robozão Baymax ganhou um design sob medida. O robô inflável com aparência de almofada abraçável foi feito, claro, para vender milhões de cópias aos que vão querer muito ter um daqueles na cama para poder dormir protegidos de todo mal. Por Cássio Starling Carlos


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Canal 1 plateia@emtempo.com.br

Bate-rebate

TV Tudo Péssima mania O canal Sony engrossa o bloco dos que não têm menor cuidado com a sua programação. Os filmes são bruscamente interrompidos, sem qualquer aviso, para entradas dos intervalos comerciais. Fica para o telespectador, depois do susto, saber separar as coisas.

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Teatro Vera Holtz e Camila Morgado irão agora, logo depois das festas de fim de ano, intensificar os ensaios da peça “Agosto”. Se nada se alterar, a estreia deverá acontecer ainda em março, no Rio de Janeiro.

Propaganda do bem Alguns programas, principalmente de auditório, buscam no assistencialismo barato a solução para os seus problemas de audiência. O que acontece no “Domingo Show” e “Domingo Legal” é o pior exemplo disso. Os dois insistem em apresentar o que há de mais apelativo em matéria de sensacionalismo.

Outra coisa... Que está na hora de dar um basta é também a semelhança de atrações nesses e em outros programas que concorrem no mesmo horário. É uma coisa absurda. Parece que são as mesmas pessoas trabalhando em todos os lugares.

Propaganda do bem 2 Não é função de programa de televisão promover este tipo de espetáculo. Fazer bem ao próximo é uma obrigação de todos, está em várias passagens do Evangelho, só não se deve fazer propaganda disso. É o que esses e outros programas mais fazem. Apelação da pior espécie.

Talento “Boogie Oogie” é uma novela cheia de problemas. Os seus defeitos batem as qualidades de longe, porém acaba sendo importante pelo retorno e interpretação de Joanna Fomm no papel de Odete. Assim como todos os outros que fez em sua carreira, ela está dando o seu costumeiro show.

MÁRIO ADOLFO

Outro exemplo... De como interpretar bem é o da Marjorie Estiano, que alguns tiveram o atrevimento de criticar no começo de “Império”. Aguinaldo Silva, sabendo das suas qualidades, continua trabalhando com ela como se ainda fosse a Drica Moraes. Hoje poucos se lembram que houve a troca. Velho sonho No SBT o desejo de voltar com o “Programa Livre” continua em pé. Membros da sua direção entendem será uma ideia que o dono, Silvio Santos, aprovará com facilidade. O drama é encontrar o apresentador ideal.

. “Império” não teve folga entre o Natal e Ano-Novo... . ... O seu elenco continuou gravando normalmente, para não atrasar os trabalhos da novela. . Definitivamente foi uma boa sacada do Viva fazer o “Globo de Ouro”... . É uma ideia da sua direção continuar com ele. . Destaque-se o trabalho do Pedro Bassan no jornalismo da Globo... . ... Todas as suas matérias são muito bem feitas. Não por acaso ele é destacado para as melhores... . ... Ou mais importantes.

Canais de notícias O trabalho do Globo News deve ser exaltado, porque ao contrário de outros, tem se preocupado com um modelo próprio para a sua programação. É por aí que tem que ser. Os canais americanos, apenas como exemplo, adotaram ou impuseram uma linha de trabalho que acabou sendo aceita pelo público de lá – pt saudações. Mas que não precisa ser obrigatoriamente copiada por ninguém.

Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery

C’est fini A Fabíola Gadelha passa a substituir o Marcelo Rezende, a partir amanhã, segunda feira, no “Cidade Alerta”. Ele só volta em 3 de fevereiro. Também por causa disso, Raphael Polito passará a fazer o “Balanço Geral”, da hora do almoço, durante as férias do Reinado Gottino. Ficamos assim. Mas amanhã tem mais. Tchau!

Márcio Braz E-mail: plateia@emtempo.com.br

O suplício do Papai-Noel

REGI

ELVIS

GILMAL

Em 1951, durante as festividades de Natal, os cardeais da catedral de Dijon, na França, levaram o bom velhinho à fogueira diante de crianças de patronatos. Nas grades da catedral jazia Papai-Noel, condenado por “paganizar a festa de Natal e nela ter se instalado como um intruso que ocupa espaço cada vez maior”. Nas escolas públicas de Dijon, os cardeais ortodoxos baniram os presépios com a intenção clara de bani-las também da mentalidade das crianças. A nota dizia: “Representando os lares cristãos da paróquia que desejam lutar contra a mentira, 250 crianças agrupadas diante da porta principal da catedral de Dijon queimaram PapaiNoel. Não se tratou de uma atração, mas de um gesto simbólico. Papai-Noel foi sacrificado em holocausto. A mentira não pode despertar o sentimento religioso na criança e não é absolutamente um método de educação. [...] Para nós, cristãos, a festa de Natal deve continuar sendo a festa de aniversário do nascimento do Salvador”. O fato dividiu a cidade. Mas a maioria dos artigos recaía sobre a bondade do Papai-Noel, a alegria das crianças etc. Mas não se trata de saber por que o Papai-Noel agrada às crianças e sim, o que levou os adultos a criá-lo. O argumento mencionado, assim como o breve relato foi descrito pelo etnólogo francês Claude Lévi-Strauss em “O Suplício do Papai-Noel” onde, já diz, ser difícil encontrar em sua própria sociedade o “surgimento de um rito e, mesmo, de um culto”. Como se sabe, Lévi-Strauss era um etnólogo do tipo “clássico” para onde a antropologia se valia para estudar as sociedade ditas primitivas e não a europeia ou ocidental. Mas vale lembrar que ainda hoje, mais de cinquenta anos depois do holocausto noelino, um articulista de um determinando periódico de Manaus chegou a escrever que, graças a Deus, seus filhos não gostavam do Papai-Noel, que ele tinha orgulho de

inculcar tal pensamento no coração das crianças, pois sabia que o barbudo era fabricado pelos comerciantes para incrementar suas vendas. A questão, como bem frisa LéviStrauss, é o que levou os homens a criarem o Papai-Noel. Para qual função? E surpreendam-se àqueles ao saber que Noel tem relações próximas com o Rei da Saturnália na Roma antiga, a personificação de Saturno, àquele mesmo que devorava crianças. Também encontra paralelo com os ritos e mitos de iniciação que, segundo Lévi-Strauss, cumprem um único papel: ajudam os mais velhos a manter os mais novos na ordem e na obediência. O culto às árvores adornadas, às festas à São Nicolau que ressuscita as crianças e as cobre de presentes, o Julebok escandinavo, um demônio chifrudo que cobre as crianças de presentes e o Halloween são algumas das fontes históricas a que pode nos servir de referência. Na idade média, crianças se vestiam de mortos e esqueletos humanos indo de casa em casa e em troca do susto ou do terror aos adultos pediam doces e balas. É, em síntese, o Halloween. O Papai-Noel é então, assim como seus ascendentes, àquele que pune as crianças pelas suas desobediências às regras ou as gratifica com presentes. Lévi-Strauss ainda nos impele a comparação com uma tribo norte americana. Os katchinas, o mito katchina, são as almas das primeiras crianças indígenas que se afogaram em um rio e que, diz o mito, retornavam ano a ano a aldeia pra levar uma criança para um mundo desconhecido.Com medo de perder a prole, os indígenas encontraram uma forma de recompensa para que não haja o feito: dançam com o uso de máscaras. Logo, não se trata de uma invenção capitalista. Papai-Noel é uma espécie de legislador, de origem pagã que a convenção e o tempo nos fez esquecer. É uma entidade sincrética onde punição e agrado se alternam encontrando na filosofia cristã um catalisador.

Márcio Braz ator, diretor, cientista social e membro do Conselho Municipal de Política Cultural

Noel tem relações próximas com o Rei da Saturnália na Roma antiga, a personificação de Saturno, aquele mesmo que devorava crianças. Também encontra paralelo com os ritos e mitos de iniciação”


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Programação de TV

SBT

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REDE TV!

3h45 Jornal da Semana SBT 5h Brasil Caminhoneiro 5h30 Planeta Turismo 6h30 Vrum 7h Mundo Pet 7h45 Chaves 9h Domingo Legal 13h Eliana 17h Roda a Roda Jequiti 17h45 Sorteio da Telesena 18h Programa Silvio Santos 22h De Frente com Gabi 23h Série: Nikita 0h15 Série: Rizzola & Isles 1h Série: Pessoa de Interesse 2h Big Bang 3h15 Jogo da Gente 4h Igreja Universal

5h30 Igreja Int. da Graça 8h TV Kids 10h30 Igreja da Graça 11h30 Fique Ligado 12h30 En Circuito 14h TV Kids 15h15 Sempre Bem 15h45 Concessionário 16h Te Peguei 16h30 Viagem Cultural by Decolar 17h Te Peguei 17h30 Encrenca 19h15 Te Peguei na TV 20h15 Havaí 5.0 21h Retrospectiva 2014 23h Teste de Fidelidade 1 – Inédito 0h Teste de Fidelidade 2 – Reprise 1h Igreja Int. da Graça

4h40 Santa Missa 5h40 Amazônia Rural 6h10 Pequenas Empresas, Grandes Negócios 6h45 Globo Rural 7h40 Auto Esporte 8h10 Esporte Espetacular 11h15 Esquenta 12h48 Sai do Chão 13h53 Temperatura Máxima. Filme: Uma Noite no Museu 2 15h48 Domingão do Faustão 19h Fantástico 21h17 Domingo Maior. Filme: G.I. Joe - A Origem de Cobra 23h12 Sessão de Gala. Filme: Um Segredo Entre Nós 0h54 Corujão 1. Filme: Por Um Fio 2h14 Mentes Criminosas 2h57 Mentes Criminosas 3h40 Série

“G.I. Joe - A origem de Cobra”, com Channing Tatum, na Globo

Horóscopo GREGÓRIO QUEIROZ ÁRIES - 21/3 a 19/4 As boas amizades e a confraternização são a melhor atitude. É momento para se abrir à grandeza de sentimento. Dela pode surgir a compreensão, inclusive do que lhe perturba. TOURO - 20/4 a 20/5 Trabalhar pelas boas relações do dia é o melhor caminho para você se sentir alegre e de bem com a vida. Seja generoso e cuide de tudo melhor do que os outros esperariam. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 A visão otimista e positiva do futuro é algo a ser cultivado. Expanda esse sentimento benévolo para as demais pessoas, estimulando a esperança e a vontade de viver.

Cinema

BAND

GLOBO

4h Power Rangers – Na Galáxia Perdida 5h30 Santa Missa no Seu Lar 6h30 Sabadão do Baiano 7h Power Rangers + Jimmy Neutron 8h30 Palavra Cantada 8h45 Informercial – Polishop 9h45 Verdade e Vida 10h Irmão Caminhoneiro – Boletim 10h05 Pé na Estrada 10h30 Só Risos 10h45 Esporte 2014 – Retrospectiva 12h10 Os Simpsons – Maratona 13h20 Sessão Livre 1 – Especial de Natal – “Davi” 16h15 Sessão Livre 2 – Especial de Natal – “Esqueceram de Mim 2: Perdido em Nova York” 18h10 Só Risos 19h10 Polícia 24h 20h10 Top 20 21h20 Pânico na Band 0h Canal Livre 1h Alex Deneriaz 1h35 Show Business – Reapresentação 2h25 Igreja Universal

Cruzadinhas

ESTREIA Os Caras de Pau em O Misterioso Roubo do Anel. BRA. 10 anos. A socialite Gracinha de Medeiros (Christine Fernandes) contrata os atrapalhados seguranças Pedrão (Marcius Melhem) e Jorginho (Leandro Hassum) para tomarem conta do anel Tatu Tatuado de Topázio, uma herança de família, enquanto o objeto fica em exposição em um museu. Mas, a joia é roubada e a dupla é acusada pelo furto. Para provar sua inocência, eles vão ter que enfrentar uma quadrilha de ninjas e até mafiosos portugueses que estão de olho no anel. Cinemark 1 – 12h, 14h10, 16h30 (exceto quarta), 18h50 (exceto quarta), 21h15 (exceto quarta) e 23h40 (somente sábado); PlayArte 9 – 13h10, 15h10 (qua), 13h25, 15h25, 17h25, 19h25, 21h25 (seg/ter/sex/sáb/dom), 17h25, 19h25, 21h25 (qui/fer), 23h25 (sex/sáb); PlayArte 10 – 13h40, 15h40 (qua), 14h16, 16h15, 18h15, 20h15 (seg/ter/sex/sáb/dom), 18h15, 20h15 (qui/fer), 22h15 (sex/sáb). DIVULGAÇÃO

CÂNCER - 22/6 a 22/7 Você tende a se mostrar mais místico, sensível à busca do sentido maior para a vida. Crer no milagre, mesmo quando este lhe é visível, é um modo de viver a essência espiritual. LEÃO - 23/7 a 22/8 O Sol estimula Netuno, joga luz sobre os pensamentos sutis e espirituais que sua mente pode captar. Momento de inspiração íntima, mas a ser partilhada com os outros. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Trabalhar em prol do bem das pessoas, provavelmente em prol das boas relações neste dia, proporcionando alegria e bem estar pode ser o que mais lhe alegre. LIBRA - 23/9 a 22/10 Momento feliz para estar alegre e bem disposto para as diversões e prazeres. Mas, de algum modo, terá que se esforçar para isso, deixando de lado as preocupações materiais. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 O ambiente familiar será muito positivo e feliz se você colaborar um pouco. Procure enfatizar a beleza, a alegria e os sentimentos nobres. Apostar na alegria lhe faz renascer. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 As conversas devem ser leves e agradáveis, coisa que você sabe fazer bem. Respire os sentimentos elevados que o momento lhe inspirar. Confie que a vida é para o bem. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Cuidar de cada coisa, ambiente ou pessoa prodigalizando o que de melhor você tem a oferecer. Este é um papel que lhe cabe bastante bem, neste dia. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Perceber as dificuldades e fraquezas humanas, com sua natural agudeza, deveria ser a base para agir com boa vontade e compaixão para com as pessoas a sua volta. PEIXES - 19/2 a 20/3 Sua relação com as pessoas se dá num nível sutil, com o invisível de certas emoções sobrepujando de muito aquilo que transparece na realidade. Cultive os bons sentimentos.

CONTINUAÇÕES Êxodo – Deuses e Reis: INGEUA. 14 anos. Uma história sobre a coragem de um homem para derrubar o líder de um império. Usando efeitos 3D de imersão, Scott traz à vida a batalha entre Moisés (Christian Bale), no momento em que ele ascende contra o faraó Ramsés (Joel Edgerton), levando 400 mil escravos a uma jornada monumental para escapar do Egito e das pragas que o aterrorizam. Cinemark 4 (3D/dub) – 11h10, 14h20, 17h30 (exceto quarta) e 20h45 (exceto quarta); Cinemark 8 (dub) – 21h45 (exceto quarta); Cinemark 5 (Dub) – 13h e 18h40 (exceto quarta); PlayArte 1 (3D/dub) – 15h (qua), 15h20 (seg/ter/sex/sáb/dom); PlayArte 1 (3D/leg) – 19h25 (quin/fer), 20h40 (seg/ter/sex/sáb/dom) e 23h40 (sex/sáb); PlayArte 6 (dub) – 14h, 17h, 20h (seg/ter/sex/ sáb/dom), 14h05 (qua), 17h15, 20h15 (qui/fer) e 23h10 (sex/sáb); PlayArte 7 (dub) – 17h01, 20h01 (seg/ter/sex/sáb/dom), 17h16, 20h16 (qui/fer). Operação Big Hero 6: EUA. Livre. Grupo de seis super-heróis é recrutado pelo governo para proteger os Estados Unidos. Cinemark 7 (3D/dub) – 12h40, 15h15, 17h50 (exceto quarta), 20h30 (exceto quarta) e 23h10 (somente sábado); Cinemark 8

(dub) – 11h45, 14h15, 16h45 (exceto quarta) e 19h20 (exceto quarta); PlayArte 1 (3D/dub) – 13h, 18h20 (seg/ter/sex/sáb/dom), 17h (qui/fer); PlayArte 3 (dub) – 13h10, 15h30 (sáb), 14h, 16h20, 18h40 e 21h (seg/ter/sex/sáb/dom), 18h, 20h20 (qui/fer) e 23h55 (sex/sáb); PlayArte 4 (dub) – 14h01, 16h21 e 18h41 (seg/ter/sex/sáb/dom). A Noite da Virada: BRA. 12 anos. Durante uma festa de Réveillon na casa de Ana (Julia Rabello) e Duda (Paulo Tiefenthaler), o banheiro é o foco de todas as fofocas e polêmicas. É onde Duda confessa à esposa que vai deixá-la pela vizinha Rosa (Luana Piovani), que, por sua vez, leva um casamento bem monótono com Mario (Marcos Palmeira). É também onde Alê (Luana Martau) conta a Ana suas aventuras sexuais com o namorado (João Vicente de Castro), e onde um convidado traficante (Taumaturgo Ferreira) faz os seus negócios. Na noite da virada do ano, tudo pode acontecer. Cinemark 5 – 11h, 16h15 (exceto quarta) e 22h10 (exceto quarta); PlayArte 8 – 13h15, 15h15 (qua), 13h20, 15h20, 17h20, 19h20, 21h20 (seg/ ter/sex/sáb/dom), 17h20, 19h20, 21h20 (qui/fer), 23h25 (sex/sáb).

Laranja Mecânica. 16 anos. Cinemark 2 – 12h30 (somente domingo) e 23h55 (somente sábado).

Jogos Vorazes: A Esperança Parte 1. 14 anos. Cinemark 2

O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos. 12 anos. Cinemark 3

(dub) 14h (exceto domingo); PlayArte 2 (dub) – 13h, 15h30, 18h (seg/ ter/sáb/dom), 15h25 (qua) e 19h55 (quin/fer). Ouija, O Jogo dos Espíritos. 14 anos. Cinemark 2 (dub) – 11h30 (exceto domingo), 17h05 (exceto quarta), 19h10 (exceto quarta) e 21h30 (exceto quarta).

(dub) – 16h (exceto quarta), 19h (exceto quarta) e 22h (exceto quarta); PlayArte 4 (leg) – 15h (qua), 16h30, 19h30 (qui/fer), 21h (seg/ter/sex/ sáb/dom) e 23h50 (sex/sáb); PlayArte 5 (dub) – 12h40, 15h30, 18h20, 21h05 (seg/ter/sex/sáb/dom), 14h (qua) e 23h50 (sex/sáb). Quero Matar Meu Chefe 2: EUA. 12 anos. PlayArte 2 (dub) – 13h (qua), 17h40 (quin/fer), 20h30 (seg/ter/sex/ sáb/dom) e 22h45 (sex/sáb). Tinker Bell: O Segredo das Fadas. Livre. Cinemark 3 (dub) – 11h05 (somente sábado e domingo).


Plateia

MANAUS, DOMINGO, 28 DE DEZEMBRO DE 2014

Sala de Espera Creuza Cohen está trocando de idade hoje. Os cumprimentos da coluna.

Gravidíssimos Giselly e Jorge Munhoz aproveitaram as férias para fazer o enxoval da bambina Ana Luiza em Miami. A primogênita do casal nasce em abril. A querida Roseane Lima ganhou sessão parabéns em família pelo seu niver. Uma reunião bem intimista do tipo discretíssima.

A Loppiano Pizza e a Uno Play House convidam para conferir o coquetel de lançamento o mais novo espaço de entretenimento da cidade: a Loppiano Board Games. No próximo dia 4, às 17h30, na Major Gabriel. Ana e Mariano Rebelo, tão bons anfitriões como bons amigos, realizaram um dos Natais mais divertidos da cidade, no casarão do Villa da Barra. Reunindo as famílias Magalhães, Garcia e Sampaio.

Mais 110 mil pessoas estiveram no largo São Sebastião para assistir ao espetáculo “Glorioso - Uma História Clássica de Natal”. O governador José Melo e a primeira-dama do Estado, Edilene Gomes de Oliveira, mais o prefeito Arthur Neto prestigiaram o evento tradicional das noites de Natal que foi um sucesso HERIQUE PEREIRA

Bucólico

Agenda cult

O cantor-violonista-compositor Toquinho faz show no próximo dia 30 de janeiro, no Teatro Manauara. O músico celebra em turnê os 50 anos de carreira. Para comemorar essa data, ele presenteará seu público com grandes clássicos e canções inesquecíveis em seu repertório como “Tarde em Itapoã”, “Regra Três”, “Testamento”, “Como dizia o poeta”, “Que Maravilha”, “Caderno”, “Aquarela”, para citar algumas. O evento promete esquentar o setor chique da cidade que não dispensa uma boa música. Os ingressos já estão à venda na bilheteria do teatro.

Jander Vieira jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br

Atalho

O prefeito Arthur Neto entregou (ontem) a ponte Octávio Beleza da Câmara. A estrutura vai ligar a Ponta Negra à avenida do Turismo, por dentro do condomínio Alphaville. A obra é uma alternativa para o escoamento de veículos em dias de grandes eventos naquela área e já será usada no Réveillon da cidade, na próxima quarta.

Assim será o Réveillon dos Martins. Pilotado pelo casal Rocilda e Alberto, que dispensa qualquer apresentação, reunirá uma trupe animada, no próximo dia 31, em uma festa para convidados queridos e animados no sítio Vovó Júlia na rodovia AM-010. Os anfitriões escolheram uma noite toda dourada para receber 2015 e um menu nababesco, cujas delícias são de comer rezando.

FOTO: JANDER VIEIRA

A celebração da virada do ano no Porão do Alemão contará com shows especiais das bandas Rockaholics

e Hightower. O “Réveillon do Porão”, que começa às 21h, ainda terá ceia e brinde com champanhe durante a virada do ano.

D7

Felicidade é o tempero fundamental no prato dos “Moquequeiros”. Como em todos os outros encontros, o amigo oculto do grupo não poderia ser diferente, recheado de surpresas e bons risos. Celebrar a vida é agradecer por tudo é com eles! Vida longa e um 2015 repleto do que há de melhor a esses amigos do peito: Ana Rebelo e Manoel Netto, Norma e Antonio Silva, Vanessa e Mano Cavalcanti, Márcio Malta e Raul Sampaio


D8

Plateia

MANAUS, DOMINGO, 28 DE DEZEMBRO DE 2014

FABIELLE VIEIRA/DIVULGAÇÃO

Grupo Ateliê 23 com a agenda cheia para 2015

Textos próprios e um segundo espetáculo de dança estão entre os planos do grupo teatral para o ano que vem SÉRGIO RODRIGUES Especial EM TEMPO

A

partir do dia 5 de janeiro, o Ateliê 23 – Casa de Criação já começa a montagem da sua primeira peça de 2015. “Persona” vai trabalhar o tema da transexualidade e será a produção onde o diretor do grupo de teatro, Taciano Soares, vai estrear no texto e na direção. Além disso, o grupo também pretende lançar mais um espetáculo de dança e inaugurar a sua sede, no Centro de Manaus. “Neste ano, nos concentramos em montar os textos do autor espanhol Fernando Arrabal e conseguimos concluir uma trilogia, que se encerrou com ‘Oração’. Em 2015, vamos focar nos textos produzidos pelo grupo e nos preparar para inaugurar outro espetáculo de dança, o ‘Da Silva’”, adianta Taciano. Com previsão para estrear em abril, o texto de “Persona” foi gerado a partir de entrevistas com homens e mulheres transexuais de Manaus, que contaram sobre as dificuldades e os preconceitos sofridos por quem pertence a esse gênero. “Hoje em dia se fala muito em homofobia, mas não em transfobia. Isso não é travestismo ou um fetiche, mas

uma condição: homens que se sentem presos em corpos de mulheres ou vice-versa. Além do preconceito pela família e a sociedade, muitos não compreendem a si mesmos. Um de nossos entrevistados tentou se matar 18 vezes”, diz Taciano. A peça vai contar com seis atores, três homens e três mulheres, que vão interpretar uma mesma voz, porém, de formas diferentes. De acordo com Taciano, o processo de escrita de “Persona” tenta não abordar o tema de uma forma didática. “Não é um texto que parte de mim, é a tentativa de traduzir as palavras do tema e unir a tudo que já estudei de dramaturgia. Ao mesmo tempo, eu me baseio naqueles que admiro no campo à minha experiência de diretor, pois o texto tem que ser a extensão da minha direção”, explica. Cotidiano Em 2014, o Ateliê 23 lançou “Sur La Vie...”, o primeiro espetáculo de dança do grupo teatral, com direção do coreógrafo Eric Lima. Para o ano que vem, Taciano revela que pretende lançar “Da Silva”, após as montagens de “Persona”. “Nesse, a dança vai abordar o cotidiano do brasileiro comum e também terá a direção de Eric. Quere-

mos fazer nossas produções de forma sequencial, então acredito que, em meados de junho, estaremos inaugurando esse espetáculo”. Em seguida, o grupo também fará uma parceria com a companhia Cartola para a produção de uma peça infanto-juvenil, “Por que pular degrau se a gente pode voar?”, do dramaturgo local Francis Madson. “Decidimos fazer essa parceria porque admiramos o texto do Madson. Ele trabalha com o criativo e o lúdico da criança por meio de uma estrutura de superar obstáculos e combina com a nossa estética”, esclarece Taciano. O ano de 2015 também vai marcar a inauguração da sede do Ateliê 23, na rua Tapajós, Centro. Além de reunir a equipe, o local também vai convidar professores, atores e diretores do meio dramatúrgico da cidade para dar aulas. “Vamos criar parcerias com as universidades e companhias de teatro para incentivar produções e atores do meio. No momento, estamos acertando detalhes técnicos, mas pretendemos ter a sede já no começo do ano que vem”, adianta Taciano Soares.

A dança continuará a fazer parte do repertório do grupo Ateliê 23 em 2015


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EM TEMPO - 28 de dezembro de 2014 by Amazonas Em Tempo - Issuu