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EM TEMPO - 26 de outubro de 2014

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DIEGO JANATÃ

ANO XXVII – N.º 8.518 – DOMINGO, 26 DE OUTUBRO DE 2014 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO

O POVO DECIDE

CHEGOU A HORA DE O ELEITOR DECIDIR QUEM VAI GOVERNAR O ESTADO E O PAÍS PELOS PRÓXIMOS 4 ANOS. APROXIMADAMENTE 142,8 MILHÕES DE BRASILEIROS VÃO ESCREVER O FUTURO NAS URNAS. CADERNO ELEIÇÕES 1

NO AMAZONAS, MAIS DE 2 MILHÕES DE ELEITORES VÃO ÀS URNAS DECIDIR ENTRE O GOVERNADOR JOSÉ MELO (PROS), CANDIDATO À REELEIÇÃO, E O SENADOR EDUARDO BRAGA (PMDB).

ABR

DIVULGAÇÃO

EM TODO O BRASIL, A PRESIDENTE DILMA ROUSSEFF (PT), TAMBÉM CANDIDATA À REELEIÇÃO, E O SENADOR AÉCIO NEVES (PSDB) DISPUTAM A PREFERÊNCIA DO ELEITOR.

O Dia das Bruxas, celebrado dia 31, pode ganhar uma nova conotação com a exótica coleção (foto) do estilista Nil Lima.

Mercado permite que um cliente manauense que tem imóvel em São Paulo possa contratar uma imobiliária para receber e cobrar as taxas necessárias.

TOFFOLI

Incêndio na Comunidade da Sharp foi debelado pelo Corpo de Bombeiros

incêndios foFOGO NA MADRUGADA ramDoisregistrados na A berinjela contém fitonutrientes que ajudam na inibição do crescimento de células cancerosas, tornando-se alimento essencial para o cardápio.

madrugada de ontem, em Manaus. O primeiro ocorreu por volta das 3h, em um galpão e em uma residência na Comunidade da Sharp, na Zona Leste. No segundo, dois veículos pegaram fogo por volta das 3h30 na rua Visconde de Porto Alegre, na Praça 14 de Janeiro, na Zona Sul. Última Hora A2

FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELEIÇÕES E ELENCO.

“A ELEIÇÃO DO MENOS PIOR” Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Dias Toffoli (foto) diz que o 2º turno das eleições acabou se tornando a campanha do “vote no menos pior”. Eleições 7

TEMPO EM MANAUS

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Última Hora

MANAUS, DOMINGO, 26 DE OUTUBRO DE 2014

Família escapa de incêndio pelo telhado da residência D

ois incêndios foram registrados na madrugada de ontem, em Manaus. O primeiro ocorreu por volta das 3h, em um galpão e em uma residência na Comunidade Sharp, Zona Leste. Para se salvar, a família fugiu pelo telhado da casa em chamas. Até às 11h deste sábado, uma equipe do Corpo de Bombeiros permaneceu no local, fazendo o rescaldo, para evitar que o fogo voltasse a se propagar. De acordo com informações repassadas pelo Corpo de Bombeiros, o fogo se espalhou pelo galpão, onde funcionava uma empresa de recauchutagem e em seguida atingiu a residência, situado na rua LG. O horário de acionamento foi às 2h56 e apesar do tempo resposta da equipe ter sido de 8 minutos, segundo informações dos bombeiros, houve perda total de ambos os prédios. Foram utilizados no combate ao sinistro cinco viaturas, sendo um caminhão pipa, três caminhões de combate a incêndio e uma unidade de resgate. O total de 70 mil litros de água foram gastos na ação

para debelar as chamas. De acordo com informações repassadas por testemunhas, o fogo iniciou por volta das 3h e o proprietário da residência Alcir Matos de Souza, conseguiu deixar a casa – junto com os outros cinco familiares – pelo telhado. “Os bombeiros demoraram muito. O fogo começou às 3h

CAUSAS

As causas do incêndio, conforme os bombeiros, só poderão ser definidas a partir do trabalho da perícia técnica. Nenhuma hipótese foi levada, pela equipe que atendeu a ocorrência e eles foram chegar umas 3h30. Tanto que os vizinhos se juntaram para tentar apagar o fogo que saía debaixo da casa. Foi uma coisa horrível”, disse uma vizinha que pediu para não ter o nome divulgado. Ela explicou que a família teve que deixar a casa pelo telhado, porque as labaredas já tinham envolvido todas as saídas. “O irmão dele, que é vizinho, foi

o primeiro a perceber o fogo. Ele ouviu um barulho estranho, pensou que era chuva e levantou para ver. Quando ele viu o fogo, tentou acordar o irmão. Mas o seu Alcir não acordava. Então a vizinhança toda fez barulho para acordar a família. Ele só levantou quando a fumaça estava no rosto dele. Eles tentaram sair pela porta, mas não conseguiram porque já tinha muito fogo e fugiram pelo telhado”, disse. Do telhado da casa em chamas, a família pulou para o telhado do vizinho e conseguiu se salvar. Carros Dois veículos pegaram fogo por volta das 3h30, na Praça 14 de Janeiro, Zona Sul. Segundo o Corpo de Bombeiros, um Duster e um Tiida, estavam estacionados em frente a tapeçaria Benayon, quando ocorreu uma explosão em um deles, causando o incêndio. A explosão danificou o telhado, a fiação, o condicionador de ar e a TV do estabelecimento. Duas viaturas dos Bombeiros foram acionadas para conter as chamas. O Corpo de Bombeiros foi acionado às 3h30, e de acordo com eles, o tempo resposta foi de cinco minutos.

Bombeiros fazem o rescaldo após o sinistro, para conter o aparecimento de novas chamas

DIVULGAÇÃO

TRÂNSITO

Com o impacto da batida, veículo capotou e foi parar na pista em frente à entrada do parque

Acidentes marcam a madrugada O início do feriadão foi marcado por dois acidentes de trânsito, registrados pelo Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito de Manaus (Manaustrans). O primeiro deles ocorreu por volta das 5h de ontem, no qual um veículo capotou na avenida Constantino Nery, no retorno em frente ao parque dos Bilhares, na Zona Centro-Sul. De acordo com informações de testemunhas, o Palio de cor preta e placas JWS-1386, era empurrado pelo proprietário, no sentido bairro-Centro. Na ocasião, um táxi de placas NOU 0445 atingiu o Palio por trás, causando o capotamento do

veículo e fazendo com que o mesmo atingisse a pista do retorno, em frente à entrada do parque. “O Palio estava no acostamento. O táxi lançou o carro para a rua debaixo bem no retorno do parque com o choque. Vi que o condutor foi atingido, mas teve ferimentos leves, não se feriu muito”, disse o agente de portaria, Jonathan Pereira, 21, que testemunhou o acidente. Parte da lateral direita do táxi ficou destruída. Atropelamento O segurança Paulo da Silva Martins, 58, morreu após ser atropelado por volta das 16h da última sexta-feira (24), na

avenida Torquato Tapajós, na Zona Norte de Manaus. Conforme informações repassadas pela Polícia Civil, o segurança foi atropelado em frente a Nova Igreja Batista, enquanto tentava atravessar a avenida fora da faixa de pedestre. Testemunhas relataram que durante a tentativa de travessia, ele resolveu retornar para a calçada e foi atingido por um veículo modelo Ecosport, de cor prata e placas NOM-3643. Segundo a polícia, o carro era conduzido por Airton Trajano Soares, 51. O caso foi registrado no 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP) na avenida Coronel Teixiera, Zona Oeste. (IR)

ENEM

VANDALISMO

Cartões chegarão amanhã

Sede da revista ‘Veja’ é depredada por militantes Manifestantes ligados ao PT depredaram a sede da empresa Abril, em São Paulo, onde fica sediada a revista “Veja”. Militantes do PT fizeram um verdadeiro quebra-quebra na frente da empresa no início da noite da última sexta-feira (24), e picharam muros e paredes com a seguinte frase, “Veja mente”, a polícia foi chamada e dispersou os manifestantes do local. O ataque à revista ocorreu devido a publicação, às vésperas da eleição, sobre depoimeto feito pelo doleiro Alberto Yousseff. A matéria de capa, com as fotos de Lula e Dilma, estampa a seguinte publicação: “petrolão, o doleiro Alberto Youssef, caixa do esquema de corrupção na Petrobras, revelou à Polícia Federal e ao Ministério Público, na terça-feira passada, que

Lula e Dilma Rousseff tinham conhecimento das tenebrosas transações na estatal”. eles sabiam, diz a revista. Ações A publicação fez com que o PSDB e o PT tambaém travassem uma batalha judicial. A campanha do presidenciável Aécio Neves (PSDB) entrou com uma notícia-crime na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Dilma e o ex-presidente. A campanha petista entrou no Supremo Tribunal Federal (STF) com pedido para abertura de inquérito para apurar vazamento de informações sigilosas sobre a delação de Yousseff, depoimento do jornalista de “Veja” que assina a reportagem e ainda a concessão de acesso imediato à fala do doleiro. REPRODUÇÃO

IVE RYLO Equipe EM TEMPO

DIVULGAÇÃO

Sinistro ocorreu na madrugada, na comunidade da Sharp, e por pouco os moradores da casa não morreram carbonizados

Militantes também sujaram a frente da revista com lixo

Os candidatos do Enem 2014 começarão a receber, a partir desta segunda-feira (27), os cartões de confirmação da prova. Os Correios já deram início à distribuição do documento, que contém informações sobre a opção de língua estrangeira do candidato (inglês ou espanhol), local e horário do exame, agendado para os dias 8 e 9 de novembro. A apresentação do cartão não é obrigatória no dia da prova - basta levar um documento original com foto. Também na segunda-feira, os estudantes poderão acessar o site do Enem para ter acesso ao cartão e imprimi-lo, se desejarem. Para acessar a página, é preciso informar o CPF e a mesma senha utilizada para a inscrição on-line. O Ministério da Educação informou que quando o cartão é devolvido, o Inep (órgão do MEC responsável pelo exame) entra em contato por meio de email ou celular. O aluno que não receber o cartão ou não conseguir imprimi-lo pela internet deve entrar em contato pelo telefone 0800 61 61 61. O Enem 2014 chegou a um total de 8,72 milhões de participantes, número 21,6% maior em comparação à edição passada. Por meio do exame, é possível ter acesso a vagas de diversas instituições públicas do país e a programas como Prouni (bolsas em instituições privadas para alunos de baixa renda), Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) e Ciência sem Fronteiras.


Opinião

MANAUS, DOMINGO, 26 DE OUTUBRO DE 2014

Contexto 3090-1017/8115-1149

A3

Editorial

marioadolfo@emtempo.com.br

opiniao@emtempo.com.br

Política de baixa extração Um festival de desenho animado deixaria os telespectadores da Rede Amazônica mais informados sobre as bobagens do mundo de atrasos do Amazonas, do que os 50 minutos em que se desenrolou o debate (?) de fim de campanha entre José Melo e Eduardo Braga, na noite de quarta-feira. Nada mais patético. Nada que depusesse mais contra o nível intelectual da política (e da sociedade) amazonense, justamente já declarada como “de baixa extração”. O que aconteceu ali? De um lado, um candidato que tenta forçar o outro a admitir que aprova a violência contra a mulher. Só um serial killer, como o de Goiânia, poderia confessar que matou e que ainda tem vontade de matar. Como se sabe, em uma mulher não se bate nem com uma flor. Do outro lado, o candidato, que tinha todo o direito à perplexidade diante de uma pergunta sem propósito, faz um discurso altaneiro, a partir da perspectiva de quem se candidata pela primeira vez ao governo do Estado (e não a terceira). Na verdade, naqueles 50 minutos estéreis, evitou-se (como se estivesse acertado entre os candidatos) que a formação político-ideológica (se não for valorizar demais) de ambos é a mesma; a prática política é a mesma, os afagos sempre foram os mesmos e todos, os dois e seus correligionários, têm uma vida e uma história comuns. No fim do programa, ficou a grande dúvida para ser resolvida neste domingo em que (ufa!) termina a reprise de um filme que já está gasto, visto e revisto há mais de 40 anos... e que pode ser repetir em, dois anos, na disputa pela Câmara do Vereadores e pela prefeitura e mais dois anos depois, mais uma vez pelo governo do Estado. Mais importante do que eleger mais um governador e outras representações é o cidadão definir o que vai fazer, enquanto é governado e representado.

Nos bastidores da Globo Em mensagem por vídeo enviada ao CONTEXTO, o prefeito Arthur Virgílio disse que saiu do debate de Aécio – que assistiu como convidado no estúdio da Rede Globo -, com dois sentimentos: um de tristeza e outro de alegria. — O de tristeza, ante a depredação pelos militantes do PT, da sede da Editora Abril que edita a “Veja”, porque essa revista fez críticas duras, ao meu ver justas, ao presidente Lula e à presidente Dilma. Um ato de barbárie. Foi assim que o fascismo se implantou na Europa. Era assim que os “galinhas verdes” de Plínio Salgado agiam tentando implantar o fascismo no Brasil, pela força, para intimidar aqueles que a eles se opunham. Alegria Virgílio também justifica o sentimento de alegria: — Porque percebi em Aécio toda a garra e toda a capacidade de construir uma bela vitória. Não só para ele, mas principalmente por todo o povo brasileiro. Golpe eleitoral Na abertura do último debate, pela Rede Globo, o candidato Aécio Neves (PSDB) entrou de sola perguntando à adversária Dilma sobre as denúncias da revista “Veja”. Dilma não perdeu a calma, respondendo que a revista não apresenta nenhuma prova do que faz. — Ela tem o hábito de tentar dar um golpe eleitoral. Fez a mesma coisa em 2002, em 2006, em 2010 e agora faz em 2014. Dilma arremata Logo em seguida Dilma arrematou: — O povo não é bobo, candidato. E sabe que está sendo manipulado –, disse a petista. O senhor conhece O tucano citou que outra revista também denunciou a corrupção do PT. — O senhor cita duas revistas que nós sabemos para quem elas fazem campanha –, disse Dilma. Cai Lei Seca A Justiça Eleitoral do Acre tomou uma decisão que vai agradar aos donos dos bares e aos amantes do bom copo: Neste segundo turno da eleição não irá aderir à Lei Seca.

O que motivou a decisão foi um mandado de segurança que o Ministério Público Eleitoral impetrou contra a portaria que instituía a Lei Seca. Por conta disso, o Tribunal Regional Eleitoral do Acre deu a liminar mandando suspender a eficácia da lei. O poder da rede O uso competente das redes sociais, tanto no debate das ideias quanto nas conversas efetivas com os cidadãos, pode ter sido uma das lições destas eleições 2014. O debate pela rede está mudando a tradição política do país. Antes, o processo político era marcado pela troca de acusações e a desconstrução de pessoas e projetos. Romário e Serra Exemplos de políticos que souberam usar com inteligência as redes são dois novos senadores eleitos. E se destacam no uso das redes sociais: José Serra (PSDB-SP) e Romário (PSB-RJ). Patrimônio digital Serra, mesmo depois de eleito não desativou o patrimônio digital construído durante a campanha presidencial de 2010. Ele possui forte presença no Twitter, com quase 1,2 milhão de seguidores. Baixinho Romário tem cerca de 1,5 milhão de seguidores no Facebook e quase 1,9 milhão no Twitter.

Tanto Serra quanto Romário seguiram o exemplo do presidente norte-americano, Barack Obama, apontado como o político que mais sabe usar as redes sociais. Fez história Sua campanha vitoriosa, em parte creditada ao uso intensivo das redes sociais, garantiu-lhe o feito histórico de ser eleito em 2008 o primeiro presidente negro e o mais votado na história de um país marcado por guerras, assassinatos e conflitos raciais ainda hoje estampados no noticiário.

João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br

Voto do exterior Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Um total de 354.184 eleitores brasileiros residentes no exterior, domiciliados em 135 cidades de 89 países, participam das Eleições 2014. Começou sábado Se no Brasil as eleições só começam neste domingo às 8h (horário de Brasília), em outras países os eleitores brasileiros já estão votando desde sábado. Os brasileiros que moram na Nova Zelândia iniciaram a votação às 17h (horário de Brasília) e os que moram na Austrália, às 18h. Primeiro e último Se os brasileiros que vivem na Nova Zelândia foram os primeiros a votar, os que moram em San Francisco e Los Angeles (EUA) e os residentes em Vancouver (Canadá) serão os últimos, já que nesses locais as urnas abrem às 12h deste domingo.

VAIAS

TRE do Pará

elvis@emtempo.com.br

Efeito Obama

Pode chumbar

APLAUSOS

Charge

Ataque à ‘Veja’ FOTOS PUBLICAS

ALEX SILVA/AE

Para o TRE do Pará, que realizou o programa Eleitor do Futuro, que ensina como funcionam as urnas eletrônicas e o processo simulado de uma eleição. A ação incentiva a formação política de crianças, mostrando seus direitos, deveres e garantias de cidadão.

Para militantes políticos que depredaram a sede da Editora Abril, responsável pela publicação da revista “Veja”, que traz matéria contra a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula. A selvageria não cabe na democracia.

Pragmatismo chulo A moda começou pelo lado das relações internacionais, quando os governos adotaram um modelo de diplomacia a que designaram como pragmática, no sentido de que abriam mão das linhas ideológicas, suas e dos outros, para considerar apenas resultados que, no caso, seriam de natureza econômica, orientados pelo bom êxito nas relações comerciais. Daí foi um pulo para a utilização do mesmo critério no âmbito das relações políticas, inaugurando-se então uma nova ética nesse campo, sob a designação genérica de “Pragmatismo Político”. Antes de tudo, necessário se faz entender que o “Pragmatismo” é uma tese filosófica, especificamente epistemológica, ou seja, relacionada à justificativa do conhecimento e, sobretudo, à fundamentação da verdade. Abandona-se o tradicional conceito aristotélico, segundo o qual a verdade consistiria na concordância entre o pensamento e a coisa pensada, e passa-se, em maior ou menor grau, a identificar verdade e utilidade. William James, por exemplo, assim o fez, mas sempre reconheceu a diferença entre os dois conceitos, apenas priorizando o segundo sobre o primeiro. Já Nietzsche, propôs a integral substituição e chegou a afirmar que o que realmente interessa e se constitui em critério da verdade é saber se um conceito aperfeiçoa a espécie e até se a educa, ou seja, o quão útil se revela. Caso se negligenciem os critérios da moralidade, o que, neste caso, é quase uma consequência inevitável, o primeiro efeito a se ter será o de admitir a possibilidade de os fins justificarem os meios, hipótese raramente sustentada pela boa Ética. Como na Política o fim precípuo é a conquista do Poder (em primeiro lugar, do Poder Político, mas, como efeito cascata, também do Poder Econômico), o tal Pragmatismo

Político vai “legitimar” quaisquer manobras e estratégias que possam facilitar a ascensão do político. É precisamente o que hoje presenciamos na trajetória da grande maioria daqueles que pretendem o título de “homem público”, mas que estão muito longe de merecê-lo. Danem-se, então, a linhagem ideológica, a visão de mundo, o humanismo de cada um, a concepção de economia política, quando passam a interessar quase exclusivamente os meios capazes de agregar a maior quantidade de votos, venham esses de onde e como vierem. Os adversários de ontem, quando foram tratados como inimigos figadais, podem hoje passar à condição de aliados, cheios de qualidades e de encantos. E a recíproca é também plenamente verdadeira. O Partido Político perde inteiramente seu sentido de “parte” bem definida e explicitada da sociedade e passa a constituir uma alegoria ou uma ficção, conservando apenas um nome com absoluta infidelidade semântica. Se tiver designação “socialista”, isto não o impedirá de efetivar coligações com o que de mais conservador se oferecer como partido. Outras vezes são meras siglas de aluguel, a serviço de quem melhor pagar, seja pela moeda, seja pela oferta de futuros cargos e benesses. Há ainda os grupos políticos que se formam apenas pelos interesses específicos de uma determinada categoria e, assim, constituem ilhas, cegas e surdas aos anseios e às necessidades da grande sociedade. Por vezes, são contaminações da verdadeira Política pelos interesses de nichos econômicos ou até religiosos. Em síntese, não há pragmatismo político que não desça ao nível do chulo e do rasteiro. O Estado brasileiro é hoje um exemplo disso.

João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO

Como na Política o fim precípuo é a conquista do Poder (em primeiro lugar, do Poder Político, mas, como efeito cascata, também do Poder Econômico), o tal Pragmatismo Político vai ‘legitimar’ quaisquer manobras e estratégias que possam facilitar a ascensão do político”


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Opinião

MANAUS, DOMINGO, 26 DE OUTUBRO DE 2014

Frase

Painel

BERNARDO MELO FRANCO (INTERINO)

De volta ao palco

Não apoio o PT porque quero uma alternativa de mudança. São 12 anos de governo petista e a situação do país não é das melhores. Os fatos mostram isso. Não sou vaca para precisar de aboio. Sou conduzida apenas pela consciência, conhecimento e percepção pessoal. O voto é meu, não é de marido, de mãe, de irmão, de amigo

Seja quem for eleito presidente da República hoje, o PT já trabalha com o cenário de uma grave crise no início de 2015 devido ao envolvimento de políticos no escândalo da Petrobras. Diante da possibilidade de uma leva de cassações no Congresso dos deputados e senadores mencionados nas delações, a expectativa de petistas é a de que Lula lidere a reação do partido. O ex-presidente deve viajar o país para manter a militância ativa mesmo fora de períodos de campanha. Longe do palácio Ainda que Dilma Rousseff se reeleja, Lula deve se dedicar a um processo de discussão interna dos rumos do PT. Aliados enxergam pouco espaço para que o ex-presidente influencie a linha do futuro governo. Perto de 2018 Dirigentes petistas lembram que o antecessor de Dilma será fiador e condutor do processo de escolha do candidato ao Planalto em 2018, mesmo que decida não disputar a eleição. Otimismo é Um petista diz que Dilma pode fazer “do limão uma limonada” no caso da Petrobras. Defende que, se reeleita, ela use a desmoralização do Congresso para forçar a reforma política. Hora do divã Passada a eleição, o PT se dedicará à análise dos fiascos em São Paulo, Rio e Pernambuco. Zero a zero Na saída do debate da Globo, anteontem, petistas diziam que Dilma havia cumprido seu objetivo. “Ela veio para empatar e empatou”, resumiu um ministro.

Um a zero Tucanos elogiavam o desempenho de Aécio Neves, mas reconheciam que ele não brilhou como no primeiro turno: “Ele ganhou por pontos, não por nocaute”. Ordem da chefe Na saída, a equipe de Dilma procurou às pressas o governador eleito de Minas, Fernando Pimentel. “Ela quer falar com o Pimentel”, diziam os seguranças. Era engano: a presidente só havia perguntado se o aliado estava na emissora. Questão de estilo Quando Dilma passou à frente nas pesquisas, aecistas aumentaram a torcida para que os índices da petista não se convertam em votos. “O eleitor dela é menos letrado. Pode errar mais, ir menos à urna”, disse José Agripino (DEM-RN). Deixa pra lá De Dilma, na madrugada de sexta para sábado, ao ser questionada se havia achado Aécio agressivo no último debate. “Olha, sinceramente... Eu já não acho mais nada dele”. Suíça tropical Na contramão das queixas dos dois candidatos, o ministro Miguel Rossetto (Desenvolvimento Agrário), que

integra o comitê de Dilma, diz que a disputa foi “a mais qualificada” da democracia brasileira. Estamos bem “Ficam falando em baixaria, mas que baixaria? Em que país do mundo se discute papel do Banco Central e reforma política?”, questiona o petista. Muda mais Com a conquista do governo de Minas pelo PT e a possibilidade de derrota no Rio Grande do Sul, um dirigente nacional da sigla brinca: “Vamos precisar fretar um avião de Porto Alegre para Belo Horizonte para transferir os funcionários de um palácio para o o outro.”

Pâmela Bório, jornalista, apresentadora de TV e primeira-dama da Paraíba, afirmou à “Folha de S.Paulo” que não votará em Dilma, contrariando o marido governador Ricardo Coutinho (PSB), que faz campanha pela candidata petista.

Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Franciscano Marcelo Crivella (PRB) disse a aliados que não vai morar no Palácio Laranjeiras nem viajar para o exterior se for eleito governo do Rio. A ideia é transmitir austeridade e se diferenciar de Sérgio Cabral (PMDB). Só que... Crivella vive em um amplo apartamento perto da praia da Barra da Tijuca, bairro valorizado da zona oeste do Rio. E Cabral, que vive em condições parecidas no Leblon, já dispensou o palácio quando estava no poder

Tiroteio

Pode ser que esse flagrante de equilibrismo tenha a ver com o empate técnico que as agências de pesquisas têm registrado a cada semana, nessa campanha eleitoral em que a mesmice é pregar por uma mudança que está longe de se alcançar. Não. É um exercício de todos os dias, principalmente de todos os dias que se seguem às eleições, em que os candidatos eleitos desaparecem

Dom Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br

Os conflitos sociais passaram longe. Em hora nenhuma do debate houve menção à estrutura de classes e à desigualdade estrutural.

Democracia

DO DEPUTADO CHICO ALENCAR (PSOL-RJ), sobre a qualidade da discussão travada por Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) anteontem, Globo.

Depois de semanas de campanha eleitoral e da eleição de deputados estaduais, federais e senadores vamos às urnas eletrônicas, que têm proporcionado um espetáculo de tecnologia e eficiência, para elegermos presidente e governadores, num segundo turno que tudo indica será cheio de emoções, com resultados incertos até as últimas pesquisas de opinião. Assistimos a debates acalorados, que em certos momentos chegaram ao limite do respeito devido ao concorrente, aliás, todos eles detentores de cargos públicos de grande responsabilidade ou com histórico de vida pública. Mas, valeu a pena. É bom viver num pais assim. Triste eram os tempos em que assistíamos a escolha de presidentes e governadores por grupos seletos de pretensos salvadores da pátria. A história registra o quanto isto custava em termos de censura, de perda de direitos individuais, chegando ao uso da tortura como meio de coerção e de terrorismo institucional. No dia da eleição somos todos iguais, pois o voto individual e secreto, único e intransferível iguala a todos, e o voto de cada um dos eleitores tem o mesmo valor. Voto a voto se constitui a maioria que delega o poder aos eleitos, um poder determinado, limitado pelas leis constitucionais e ordinárias. O eleito não é investido de poderes divinos, mas dentro do pacto social recebe tarefas importantes, essenciais, porém limitadas. O Brasil é um país complexo, moderno na sua economia e na sua organização jurídica e social. Os poderes constituídos fazem com que o Estado funcione. Presidentes e governadores são acima de tudo articuladores, depen-

Contraponto

O Fla-Flu da ministra No debate de sexta-feira na TV Globo, os apoiadores que Dilma Rousseff e Aécio Neves levaram ao estúdio torceram como se estivessem em arquibancadas de uma partida de futebol. William Bonner, que mediou o debate, precisou pedir calma algumas vezes. Ao final do encontro, Miriam Belchior (Planejamento) vestiu a camisa de torcedora. Ela se recusou a deixar o estúdio pela saída próxima à plateia de Aécio e explicou: – Não vamos passar lá de jeito nenhum! Vocês nunca viram estádio de futebol? Cada torcida sai por um lado. E saiu pelo lado petista. Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”

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dendo de partidos políticos, em primeiro lugar o seu, das forças do capital, dos trabalhadores organizados, e num pais em que a religião e a religiosidade fazem parte da cultura, até as expressões institucionalizadas da fé devem ser levadas em conta. É preciso que eleitos sejam estadistas, homens e mulheres de visão que busquem o bem comum, promovendo a inclusão de todos, para que superem a condição de consumidores e alcancem a cidadania. O Evangelho apresenta uma visão de poder. O poderoso é aquele que serve e que dá a vida, que coloca o bem do outro em primeiro lugar. A tarefa de governar é bela e comprometedora. A meu ver há duas realidades que numa linguagem religiosa chamaria de diabólicas e que devem ser enfrentadas por toda a sociedade. A primeira é a corrupção que além do aspecto econômico também destrói a confiança nas instituições colocando em risco a própria convivência democrática. A segunda é o crime organizado a partir do tráfico que se alimenta da produção e do consumo de drogas, mas também do uso e abuso de pessoas. O crime neste nível não acontece se não tiver estendido seus tentáculos no aparelho estatal. Os futuros chefes do poder executivo não poderão fazer milagres, mas poderão sim com autoridade e meios a eles confiados criar um clima de mudança cultural que ajude o Brasil a superar estas realidades, que infelizmente temos a impressão de estarem se agravando. O Brasil merece o melhor de cada um de nós. É um privilégio ter nascido e viver nestes pais. Façamos por merecê-lo. arcebispadomanaus@gmail.com

Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus

O Evangelho apresenta uma visão de poder. O poderoso é aquele que serve e que dá a vida, que coloca o bem do outro em primeiro lugar. A tarefa de governar é bela e comprometedora. A meu ver há duas realidades que chamaria de diabólicas e que devem ser enfrentadas por toda a sociedade”


Economia

MANAUS, DOMINGO, 26 DE OUTUBRO DE 2014

A5

Árvores enfeitam o Natal do comércio amazonense FOTOS: RAIMUNDO VALENTIM

A expectativa do segmento é alcançar volume de vendas 20% maior que em 2013 e recuperar um ano ruim para o setor

Lojas do comércio amazonense vendem árvores de Natal de todos os tamanhos e com enfeites como laços, flores, bolas e luminárias de primeira linha, que ficam até seis vezes mais caras que a comum EMERSON QUARESMA Equipe EM TEMPO

Á

rvore de Natal não é coisa do passado para as famílias manauenses. Pelo menos é o que pensam os comerciantes do varejo, que adiantaram os estoques nas suas lojas do Centro de Manaus e dos bairros antes do Dia das Crianças. Eles apostam no crescimento do volume de vendas do símbolo tradicional dos festejos natalinos de até 20% com relação ao mesmo período do ano passado. O gerente de vendas da loja Nemo, Márcio Fernandes Aguiar, 38, explica que as árvores de Natal e as figuras de Papai Noel foram expostas logo depois do primeiro turno das eleições gerais desse ano, com o objetivo de alcançar maior volume de vendas em comparação com 2013. “Geralmente colocamos depois do Dia das Crianças. Mas agora apostamos que para melhorar deveríamos colocar mais cedo do que o normal”, diz. Com estoque de primeira linha, ele explica que os principais clientes são classe média e alta, que seguem firme na tradição e a maioria sempre busca pelas tendências do ano. De acordo com Márcio, nesse ano a procura pelas árvores das cores brancas e lilás é maior. “Ano passado foi muito forte a venda de árvores verdes e azuis”, comenta. Segundo o gerente da Nemo, a dois meses do Natal o consumidor pode comprar sua árvore a partir de R$ 49,90, sem ornamentação ou enfeitada. Com a ornamentação completa, com laços, bolas e luzes, o valor da árvore fica de cinco a seis vezes mais caro. Na loja, uma árvore da

tendência lilás, de dois metros e dez centímetros, sai ao preço de R$ 1,8 mil. Sem a ornamentação, a mesma árvore custa R$ 389. A árvore de Natal mais cara na loja é uma de pouco mais de três metros, toda ornamentada, ao valor de R$ 2,8 mil. A mesma sem os enfeites custa R$ 489. “Já começamos a vender para o público das classes B e A. A tendência é melhorar as vendas no início do mês de novembro”, afirma Márcio. A operadora de caixa da loja Camatex Magazine, Isaura Silva de Souza, 30, diz que as árvores de Natal do estoque da empresa começaram a ser expostas no dia 9 de outubro. Segundo ela, desde quando as árvores foram colocadas no hall da loja, os consumidores mais curiosos começaram a pesquisar os valores, muitos já compraram e outros até fizeram suas encomendas. Segundo Isaura, a loja localizada na rua Guilherme Moreira, Centro, Zona Sul, começou a vender os produtos natalinos há dois anos e os proprietários deram continuidade porque perceberam que se tratava de um mercado bom para os últimos meses do ano. Para este ano, a aposta do lojista nas árvores de Natal é recuperar um momento ruim nas vendas dos demais produtos da loja, nos últimos meses. “As vendas no comércio Centro, no geral, estão muito devagar por conta dos outros centros comerciais. No ano passado, conseguimos zerar o estoque de árvores de Natal e só começamos a vender em novembro. Neste ano, começamos mais cedo e esperamos vender todo o estoque, que é maior 20% que o do ano passado”, explicou Isaura.

Quem compra e quem reutiliza o símbolo A empresária Francinete Lima Duarte, 37, conta que todos os anos compra uma árvore de Natal nova para criar o clima natalino na sua casa, com a sua família. O destino da árvore do ano anterior que continua em bom estado é a doação para parentes ou entidades filantrópicas. Além da árvore, ela diz que por um lado sempre monta o presépio com pe-

ças que já têm guardadas em casa, e por outro, procura novas ornamentações para fazer do tradicional uma novidade. Para ela, apesar dos apelos mercadológicos sobre o Natal, vale a pena viver o momento com a família e os amigos depois de um ano de muito trabalho. “É quando buscamos a renovação naquela data que simboliza o

nascimento do filho de Deus. E a árvore de Natal, com os enfeites e o presépio, nos ajuda criar o clima familiar muito bom para o nosso espírito”, comenta. A dona de casa Graça Almeida dos Santos, 52, diferente de Francinete, não compra árvore de Natal com a mesma frequência. Geralmente ela reaproveita a dos anos anteriores que fecha-

ram a temporada em bom estado. Ela afirma que troca somente as ornamentações. “A minha última árvore de Natal comprei há três anos. Como ela tem mecanismo para fechar os galhos e a caixa continua conservada, depois de desmontá-la eu a guardo no porão”, conta. “Quem sabe no próximo ano eu compro outra para mudar um pouco”, comenta.

A procura dos consumidores é considerada animadora pelos lojistas do segmento que trabalham com reservas e encomendas


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Economia

Moeda social pelo desenv Com três bancos de economia solidária, Manaus começa a fortalecer os pequenos negócios dos bairros SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO

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stimular o desenvolvimento econômico local a partir da circulação de uma moeda social e dos princípios da economia solidária é o principal objetivo da implantação do terceiro banco comunitário em Manaus. A instituição, chamada de Banco Mauá, localizada na avenida Rio Negro, bairro Mauazinho, Zona Leste, será inaugurada na primeira quinzena de novembro. O novo banco comunitário, que funcionará com a moeda social Mauá, é uma realização da Secretaria Municipal do Trabalho e Desenvolvimento Social (Semtrad), com o apoio do Instituto Capital Social da Amazônia. Segundo o titular da Semtrad, David Reis, o agente bancário da instituição comunitária será a Caixa Econômica Federal e a entidade proponente é a Associação Beneficente Social Violeta. Inicialmente, o banco terá 18 mil mauás, divididos em cédulas de 0,50, 1, 2, 5, 10 e 50. O dinheiro, conforme Reis, é produzido pelo Banco Central (BC) e tem igual valor à moeda Real. A população pode efetuar o câmbio no banco, porém, a moeda só tem valor dentro das comunidades Parque Mauá e Vila da Felicidade, no bairro Mauazinho. Entre os benefícios do Banco Comunitário, o secretário destaca a contribuição direta para o desenvolvimento socioeconômico local quando incentiva e valoriza a compra nos comércios da comunidade. “O resultado é a geração de emprego e renda para os moradores”, aponta. De acordo com Reis, a circulação da nova moeda gera concorrência entre o comércio, que oferece preço justo à população e também faz com que as pessoas ganhem descontos

nas compras com a moeda Mauá, que variam entre 5% e 10%. “Dessa forma, o poder de compra das pessoas aumenta e com isso o empresário vai vender mais, gerar novos empregos e manter os que já existem”, observa. Além desses benefícios, o secretário ressalta que a população poderá fazer diversas transações bancárias no banco comunitário do bairro, como pagamento de boletos, abertura de conta, empréstimo, saque, financiamento, entre outras transações. “O morador do bairro não precisa ir ao Centro da cidade ou em outro bairro para fazer esses serviços. Ele poderá fazer tudo no Banco Mauá”, afirma. As linhas de crédito disponibilizadas pela instituição também são uma vantagem. Reis informa que qualquer pessoa, mediante cadastramento prévio, poderá acessar as linhas de capital de giro ou de investimento para fomentar seu negócio. A taxa de juros gira em torno de 1%. “Micro e pequeno empreendedor pode oxigenar sua atividade ao acessar o crédito do banco de forma facilitada”, destaca. No início, o trabalho dos funcionários no banco comunitário tem cunho social voluntário e é realizado pela entidade proponente, sendo que todas as operações que são feitas no banco têm uma taxa que serve para pagar o custeio pessoal, como conta de luz, água e energia. “Quando o banco tiver dentro de sua rotatividade uma saúde financeira, ele conseguirá gerar uma receita para cada funcionário”, explica Reis. Além do Banco Mauá, há projeto de implantação de mais três bancos comunitários em Manaus. Os bairros em estudo são: Puraquequara, Zona Leste, Colônia Oliveira Machado, Zona Sul e Compensa, Zona Oeste. Há estudos para os municípios de Parintins e Barreirinha.

Expectativas e dúvidas sobre a Mauá Apesar de todos os benefícios oferecidos pelo banco comunitário, a população do bairro Mauazinho ainda se pergunta se a modalidade realmente funcionará como o explica a Semtrad. O ajudante Arlisson Silva, 23, avalia a ideia da nova moeda como importante. Contudo, ele afirma que irá aderir à Mauá somente depois dela passar a ser aceita na maioria dos estabelecimentos do bairro e ele perceber que a moeda é realmente vantajosa. “A partir do momento que, ao utilizar essa moeda, nós ganharmos descon-

to, eu vou trocar o real pelo Mauá. Se isso realmente funcionar, desta forma acredito que vai ser muito bom para as pessoas da nossa comunidade”, comenta. A comerciante Marines Siqueira, 41, ao contrário de Arlisson, afirma que está ansiosa pela abertura do Banco Comunitário Mauá. Segundo ela, a instituição benefíciará o bairro, uma vez que no local há apenas uma unidade Caixa Aqui para transações bancárias. “Tem dias que a fila para pagamento de contas é enorme. Agora, com outro banco essa questão melhora. Quanto às outras vantagens do banco Mauá, acredito que no início

vai gerar espanto por parte da população, mas depois nos acostumamos”, observa. O secretário da Semtrad frisa que o órgão fará visitas aos comerciantes das comunidades do bairro Mauazinho para apresentar a moeda social e mostrar os benefícios que serão oferecidos pelo banco comunitário. Segundo Reis, essa forma de comercialização própria só se concretiza com a junção de todos os envolvidos. “Não adianta abrirmos o Banco Mauá e termos a moeda para ser feito o câmbio, se os comerciantes do bairro entenderem que não tem ganho ou benefício nenhum”, observa, ao destacar

que a ideia também precisa ser motivada pela comunidade. Para ele, a partir do momento que os bancos comunitários se consolidarem e a modalidade passar a fazer parte da cultura e do cotidiano da comunidade onde estão instalados, outras demandas surgirão. A ideia, conforme o secretário, é implantar novos bancos, tanto na área urbana quanto na rural do município. “Na hora que os moradores e comerciantes tiverem compreendido essa forma própria de comercialização, o Banco Mauá trará avanços significativos para economia desta comunidade”, afirma. ADL é onde funciona o banco comunitário do Morro da Liberdade

David Reis diz que o banco Mauá tem 18 mil


MANAUS, SEXTA-FEIRA, 24 DE OUTUBRO DE 2014

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FOTOS IONE MORENO

nvolvimento comunitário Moedas sociais servem apenas aos bairros que tem Banco Mauá

Moedas Liberdade e Tucumãs A capital amazonense conta com dois bancos comunitários, que funcionam há aproximadamente três anos. Um no bairro Morro da Liberdade, Zona Sul, cuja moeda social é a Tucumãs, e outro na Colônia Antônio Aleixo, Zona Leste, com a moeda social Liberdade. Ambos foram implantados por meio de licitação pública vencida pelo Instituto Capital Social da Amazônia, com a finalidade de desenvolver a economia das comunidades locais. Para o coordenador do Banco Liberdade, Aldenor Maciel, o momento é importante porque quando ele foi inaugurado o banco comunitário não tinha “nenhuma moeda no bolso”. Atualmente, o total de 82 estabelecimentos comerciais da comunidade aceita a moeda Liberdade como forma de pagamento. O percentual ainda é pequeno para um bairro que tem mais de 350 empreendimentos, mas o volume é visto com otimismo. “Fazer as pessoas acreditarem no Banco

Comunitário é um processo lento. Porém, é um projeto que dá resultado rápido à economia local”, destaca. Apesar do otimismo, a circulação da Liberdade vive momento de queda, segundo Maciel, desde o mês de maio, quando a instituição sofreu um assalto. “Solicitamos à Caixa Econômica a reposição do lastro, para que em 2015 a moeda volte com força”, diz. Maciel explica que o Banco Liberdade atualmente é transacional, recebe e efetua pagamentos de benefícios sociais, mas a previsão é que, a partir do próximo ano, o banco se torne negociável. “Estamos em negociação com a Caixa, nessa categoria vamos poder financiar habitação, carro, oferecer micro crédito de até 15 mil, além de outros”, revela o coordenador do banco comunitário. Exemplo A Panificadora e Confeitaria Rimaam, localizada na rua D. Martins Santana, é um exemplo do fortalecimento da economia com a

circulação da Tucumãs. O proprietário Vander Valdo Farias conta que o estabelecimento aceita a moeda desde a fundação do banco. “Procurei o banco para fazer um empréstimo. Com o dinheiro, consegui fazer o meu negócio crescer e ele hoje é referência no bairro”, revela. A operadora de caixa Iraci Ferreira Almeida, 45, começou a utilizar a Tucumãs desde que o Banco da Liberdade começou a funcionar, há pelo menos seis meses. Ela afirma que sempre paga as compras no comércio local com a moeda social. “Mas seria legal se todos os comerciantes do bairro aderissem à ideia”, avalia ela. A entidade proponente do Banco Liberdade é a Organização Social Ecoando Liberdade (Osel), que atua com educação profissional e economia solidária. O banco comunitário do Morro inaugurou recentemente uma filial no Mercado Municipal Carneiro da Mota, com o apoio da Semtrad.

Bancos Comunitários realizam empréstimos aos empreendedores dos bairros com juros a 1%

Moeda Mauá começará com notas de 0,50 centavos, 1, 2, 5 e 50 mauás


Economia

MANAUS, DOMINGO, 26 DE OUTUBRO DE 2014

Prazo de dez anos para reaver benefício do INSS DIVULGAÇÃO

Período foi estabelecido para segurados que sofreram, administrativamente, com o corte do dinheiro por parte do próprio órgão, conforme os especialistas

Aposentados são uma das categorias que podem recuperar benefício cortado em até dez anos

O

segurado do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que teve o benefício cortado administrativamente pelo órgão tem até dez anos para recorrer à Justiça e recuperar a grana mensal, segundo decisão da Turma Nacional de Uniformização (TNU) dos Juizados Federais. No entanto, em quais situações o INSS corta o benefício? Conforme o advogado Willi Fernandes, o parecer atende principalmente beneficiários de auxílios-doença, aposentadorias por invalidez e benefícios assistenciais. “O benefício por incapacidade, seja o auxílio-doença ou mesmo aposentadoria por invalidez, será cessado no momento em que

o segurado recuperar sua condição de saúde para retornar ao trabalho. Esta constatação será através de perícia médica atestando a capacidade para o trabalho, ou com a Alta Programada, onde o INSS prevê a data em que o segurado estará apto para retornar ao trabalho” explica. Para o auxílio-doença e aposentadoria por invalidez, a cessação deverá ocorrer por decisão médica. Para as outras modalidades de aposentadorias, auxílio-acidente e pensão por morte, o benefício somente poderá ser cessado pela morte do segurado ou por decisão administrativa que constate alguma irregularidade, desde que seja dado ao segurado o

seu direito de defesa por meio de processo administrativo. Segundo Fernandes, ao entrar na Justiça, o segurado consegue recuperar os atrasados comprovando que o ato em que cessou o benefício foi ilegal ou mesmo indevido. “O segurado deverá avaliar qual teria sido o motivo que indeferiu. Se foi por alguma irregularidade administrativa como dados incorretos, vale a pena ir até uma Agência do INSS, acertar os dados e dar nova entrada. Caso tenha sido algum outro motivo como o não entendimento do INSS pela concessão do benefício, é melhor procurar algum advogado especialista na área e socorrer-se ao Poder Judiciário”, enfatiza o especialista.

Interessado deve guardar documentos De acordo com especialistas, é recomendado aos segurados que nesses casos (tiveram os pedidos indeferidos) que tenham em mãos todas as provas necessárias para provar que o INSS agiu contra os preceitos legais. Em seguida, procurar um advogado de confiança ou uma associação que defenda os direitos dos segurados para buscar da melhor forma possível a reativação do benefício por meio de recurso administrativo ou mesmo processo judicial. Para mais informações, os segurados podem consultar a página de várias entidades no país, como a da Associação Paulista dos Beneficiários e Previdência por meio do site: www. apabesp.org.br.

TECNOLOGIA

Novos iPhones custarão até R$ 4,4 mil no país Sem previsão para chegarem ao Brasil, os iPhones 6 e 6 Plus deverão ser os smartphones mais caros da história da Apple no país. De acordo com a “MacMagazine”, os preços que os aparelhos receberão por aqui serão mais altos do que os cobrados pela linha anterior (que tinha iPhones 5c e 5s). O modelo mais barato, o iPhone 6 de 16 GB, sairia por R$ 3.199, enquanto o mais caro, o Plus de 128 GB, custaria R$ 4.399. Os valores se referem a aparelhos de varejo, mas as operadoras devem oferecer descontos mediante contrato de fidelidade.

Na linha de 2013, as versões mais caras do iPhone 5s saíam por R$ 2.799 (16 GB), R$ 3.199 (32 GB) e R$ 3.599 (64 GB). Os novos aparelhos seriam tão caros que a variação entre os preços brasileiros e nos EUA ficaria quase 50%. Queda Maior vendadora de músicas do mundo e uma das principais responsáveis pela formação do mercado de músicas digitais, a Apple fechará 2014 com queda entre 13% e 14% na quantidade de canções comercializadas, segundo o “Wall Street Journal”. DIVULGAÇÃO

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Chegada do iPhone 6 ao Brasil ainda está indefinida


Economia

MANAUS, DOMINGO, 26 DE OUTUBRO DE 2014

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Homens praticam mais exercícios, revela estudo

ELZA FIUZA/AGÊNCIA BRASIL

Levantamento realizado pelo Ministério da Saúde aponta que apenas 27,4% das mulheres praticam atividades físicas

Com exceção da terceira idade, segundo os dados obtidos pela Vigitel, o crescimento da prática de exercícios físicos se deu em todas as faixas etárias, correspondendo a um aumento de 12,6%

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studo do Ministério da Saúde mostra que os homens fazem mais exercícios físicos que as mulheres. Enquanto 41,2% deles praticam algum exercício no tempo livre, apenas 27,4% delas fazem o mesmo. No total, nos últimos cinco anos, houve aumento de 12,6% no número de pessoas que se exercitam. O crescimento ocorreu em todas as faixas etárias, com exceção da terceira idade, que manteve o percentual. Os dados estão no levanta-

mento Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgado na sexta-feira (24). Para o professor e psicólogo Luciano Santana Lopes, que cursa doutorado na Universidade de Brasília e é especializado em atividade física e educação, hábitos estabelecidos na infância refletem na idade adulta. “É uma questão cultural mesmo. Os meninos são incentivados desde muito cedo pelos professores a participar de atividades físicas,

principalmente as coletivas, ao passo que as meninas são constantemente direcionadas para um lado mais social, com bem menos exercício físico”. “Fazer exercício significa uma qualidade de vida melhor e uma quantidade de vida maior”, defende Ricardo Munir Nahas, diretor da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte. O médico assegura que praticar esportes traz diversos benefícios. “A saúde vai melhorar. Praticando atividade física, as pessoas vão ter menos

pressão alta, colesterol mais controlado, menor risco de diabetes, mais disposição para o lazer e para o trabalho. As pessoas dormem melhor e acordam dispostas, com menos depressão, menos alterações psicossomáticas. Também controlam o peso melhor, esse controle faz com que a sobrecarga do envelhecimento seja menor para as articulações, principalmente nos membros inferiores, o que diminui as dores articulares”. Além de todos esses benefícios, o médico explica

que estudos mostram que a atividade física reduz a chance de alguns tipos de câncer, além de melhorar a tonicidade da pele. Segundo o Ministério da Saúde, há redução de 20% a 30% de mortalidade por doenças crônicas entre quem pratica atividade física regular. Ele conta que é muito bom ter o acompanhamento de um profissional de educação física para prescrever os exercícios e de um médico do esporte para avaliar a série, de acordo com o metabolismo e

as metas do paciente. Porém, a ausência desses profissionais “não é desculpa para não praticar atividade física”, destaca o especialista em medicina do esporte. Para a diretora de Vigilância e Promoção da Saúde do Ministério da Saúde, Déborah Malta, o aumento de pessoas praticando exercício também se deve à disseminação da informação sobre todos os benefícios. Além disso, ela explica que hoje há mais academias em pontos mais convenientes para as pessoas.

PEDRO FRANÇA/AGÊNCIA SENADO

HOMOAFETIVIDADE

Uniões podem ter amparo legal Enquanto o Código Civil de 1916 vinculava a constituição da família ao casamento e delegava ao homem a chefia da sociedade conjugal, o atual, de 2002, estabeleceu a igualdade de direitos e deveres entre os cônjuges. Uma nova reviravolta no tratamento legal dos papéis sociais poderá acontecer, caso o Congresso Nacional aprove o Estatuto das Famílias, objeto de Projeto de Lei (PL) apresentado pela senadora Lídice da Mata (PSBBA), inspirado em estudo do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM), A proposta nº 470/2013 tem parecer favorável do senador João Capiberibe (PSBAP), relator na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado, e ainda será analisada, em decisão final, pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). O Estatuto revoga a parte do Código Civil que trata do Direito de Família e estabelece novas regras para essas relações. Ao contrário

do código, que introduz as questões familiares a partir do casamento, o estatuto tem como ponto de partida a regulação de direitos e deveres no âmbito das relações familiares. Assim, toma para si a missão de proteger a família e seus membros em qualquer de suas modalida-

DIGNIDADE

Para Capiberibe, o PL acerta ao não discriminar as famílias com base em gênero e sexualidade, e salienta que, no Estado democrático de direito, a lei não pode abrigar o preconceito des, reconhecendo inclusive laços de parentesco gerados pela socioafetividade. “Não é mais possível tratar questões da vida familiar, que perpassam por idealizações, sentimentos e perdas, valendo-se das mesmas normas que regu-

lam questões meramente patrimoniais”, argumenta Lídice, ao justificar a proposta. Reconhecimento Os novos arranjos incorporados pelo estatuto passam pelas famílias parentais – em que os membros têm relação de parentesco por consanguinidade – e recompostas – fundadas em parentesco por afinidade, como entre enteados e padrasto ou madrasta. O reconhecimento da relação homoafetiva como entidade familiar acontece quando, ao rever o instituto da união estável, o estatuto amplia sua conceituação, sem restringi-la à ligação formal entre um homem e uma mulher. “Ao não limitar aos heterossexuais o direito de casar e de constituir união estável, a proposição acolhe os avanços recentes observados em sede judicial e administrativa no sentido de não discriminar a homoafetividade”, ressalta o relator na análise da proposta.

O estatuto estabelece novas regras para as relações de família, trazendo inovações para o tema


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País

MANAUS, DOMINGO, 26 DE OUTUBRO DE 2014

Estudo com a floresta mostra como evitar cheia umidade”, disse Barbosa. Modelo A descoberta possibilitou o desenvolvimento de uma “receita” que vai auxiliar o trabalho dos institutos de meteorologia dos países afetados. “Quando o vento estiver com certa configuração, o campo de pressão, com outra, e começar a chover muito forte no Norte da Argentina, pode ter certeza de que a chuva vai se deslocar pela encosta dos Andes (especialmente, Argentina, Bolívia e Paraguai)”, ex-

APLICAÇÃO

A ferramenta de redes complexas também pode ser usada para analisar a propagação de outros eventos extremos como, por exemplo, a movimentação de ações nas bolsas de valores Chuvas que ocorrem nos Andes se propagam em direção à Amazônia, o que fez com que fosse elaborado o método de previsão

plicou Barbosa. Essa assertiva foi construída após análise de 50 mil séries temporais de dados meteorológicos, referentes aos últimos 15 anos. Ao aplicar essa fórmula, é possível antever as precipitações na região com até dois dias de antecedência. O método permite prever corretamente 90% dos eventos extremos de precipitações em anos de El Niño, pois as enchentes são mais frequentes nesse período. Nos outros anos, o índice de acerto chega a 60%.

FAMÍLIA

De acordo com os pesquisadores, as fortes chuvas que atingem essa região andina provocaram prejuízos acima de US$ 400 milhões. Barbosa destaca que, em períodos de mudanças climáticas, a eficácia da ferramenta desenvolvida ganha ainda mais importância. Ele diz que estudos indicam au-

mento do volume de chuvas e da temperatura na região dos Andes. Segundo o cientista, com isso, esses eventos extremos devem ficar mais frequentes e violentos, e prever as fortes chuvas com mais antecedência torna-se fundamental. Os dados da pesquisa já estão disponíveis e meteoro-

logistas dos países afetados podem recorrer a eles para fazer previsões. Um artigo com um resumo do trabalho foi publicado neste mês na revista científica “Nature Communications”. A ferramenta de redes complexas, desenvolvida pelos cientistas, também pode ser usada para anali-

sar a propagação de outros eventos extremos como, por exemplo, a movimentação de ações nas bolsas de valores e a comunicação de neurônios no cérebro, entre outros. O autor principal do artigo é o pesquisador Niklas Boers, do Instituto de Pesquisas em Impactos Climáticos de Potsdam (PIK), na Alemanha.

RIBEIRINHOS

Guarda compartilhada aguarda por revisão Já está na ordem do dia da primeira sessão deliberativa após as eleições, marcada para a próxima terça-feira (28), o Projeto de Lei da Câmara (PLC) nº 117/2013 - de autoria do deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP). A proposta regula a guarda compartilhada de filhos de casais separados. Antes de chegar ao Plenário do Senado, o projeto passou pela Comissão de Direitos Humanos (CDH), onde recebeu substitutivo da senadora Ângela Portela (PT-RR). Depois, seguiu para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que aprovou na última reunião, realizada em setembro, parecer do senador Valdir Raupp (PMDB-RO), derrubando o substitutivo da CDH e restabelecendo o texto original. O projeto determina que, caso pais separados não cheguem a acordo sobre a guarda do filho, a opção de compartilhamento dessa responsabilidade será obrigatória. A regra só não será adotada quando o pai ou a mãe, mesmo apto a exercer o poder familiar, declarar ao juiz que não deseja a guarda compartilhada do filho. A proposta altera artigos do Código Civil e especifica a necessidade de divisão equi-

Dados das pesquisas estão disponíveis

librada do tempo de convivência dos filhos com a mãe e o pai, o que possibilita a supervisão compartilhada dos interesses da criança ou adolescente. Fixa ainda multa para o estabelecimento - entre eles a escola - que se negar a dar informações a qualquer um dos genitores sobre o filho. Se a regra não for cumprida, o estabelecimento poderá levar uma multa de R$ 200 a R$ 500 por dia até o atendimento do pedido. Se for aprovado sem mudanças pelo Plenário, o PLC nº 117/2013 poderá ser enviado direto à sanção presidencial. Especialista Para Nelson Sussumu Shikicima, presidente da comissão de direito de família da OAB-SP, tornar obrigatória a guarda quando não há acordo entre os pais não é a melhor opção. “É complicado. Às vezes, os pais não têm condições ou não querem compartilhar a guarda, ou há casos em que há alienação parental. O ideal é que sempre tivesse um acordo”, afirma. “A legislação atual é a ideia, se baseia no acordo, mas ainda é muito raro os juízes decidirem por essa modalidade”, observa.

Programa amplia acesso à saúde Para contemplar expressamente as populações ribeirinhas na Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo e da Floresta, instituída em 2011, o Ministério da Saúde ampliou o programa e instituiu a Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo, da Floresta e das Águas. A portaria foi publicada na última sexta-feira (24), no Diário Oficial da União (DOU). Lançada em 2011, o ob-

jetivo da política nacional é garantir o direito e o acesso à saúde por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), considerando as peculiaridades, especificidades e necessidades dos povos e comunidades que têm seus modos de vida, produção e reprodução social relacionados predominantemente com o campo, a floresta, os ambientes aquáticos, a agropecuária e o extrativismo. Entre os objetivos específi-

cos está o desenvolvimento de ações integrais voltadas para a saúde do idoso, da mulher, da pessoa com deficiência, da criança e do adolescente, do homem e do trabalhador, considerando a saúde sexual e reprodutiva, bem como a violência sexual e doméstica. Tóxicos A política também visa à redução de riscos e agravos à saúde decorrente dos processos de trabalho e das

tecnologias agrícolas, particularmente o adoecimento decorrente do uso de agrotóxicos e mercúrio, e as doenças resultantes do risco ergonômico do trabalho e da exposição contínua aos raios ultravioleta. Entre outras funções, a política pretende, ainda, reconhecer e valorizar os saberes e as práticas tradicionais de saúde das populações do campo, da floresta e das águas, respeitando suas especificidades. ALEXANDRE FONSECA/ARQIUVO EM TEMPO

U

m método desenvolvido por pesquisadores brasileiros e alemães, que aperfeiçoa a previsão meteorológica na região dos Andes, permitirá que o risco de enchentes seja comunicado à população dessas áreas com mais precisão e antecedência, evitando grandes desastres naturais. O estudo teve a participação de cientistas do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP). Para criar o método, os pesquisadores aplicaram as ferramentas da técnica de redes complexas – feita com base em comparações matemáticas – aos dados climáticos obtidos por satélite. Com isso, foi construído um sistema que atesta com até 90% de certeza se a região montanhosa enfrentará chuvas torrenciais. O professor Henrique Barbosa, coautor do estudo pelo Instituto de Física, explica que, inicialmente, o trabalho buscava identificar o papel da Floresta Amazônica na reciclagem do vapor de água, que se forma no oceano e se desloca pelo continente. “Esperávamos ver que, quando viesse mais água da Amazônia, chovesse mais aqui no subtrópico, mas não foi o que ocorreu”. Os cientistas foram surpreendidos pelo fato de que a chuva seguia o sentido contrário. “Os grandes eventos de precipitação começavam na Argentina e iam se propagando ao longo da encosta dos Andes em direção à Amazônia. Eles vinham ao contrário do fluxo do vento e desse transporte de

DIVULGAÇÃO

Ferramenta desenvolvida por pesquisadores brasileiros e alemães aperfeiçoa a previsão do clima, impedindo catástrofes

Programa leva em conta as peculiaridades dos povos e comunidades que vivem nos campos, nas florestas e nas águas


Mundo A11

MANAUS, DOMINGO, 26 DE OUTUBRO DE 2014

Monumento a desertores é inaugurado na Áustria A Áustria inaugurou um monumento, neste final de semana, em homenagem a milhares dos seus cidadãos que desertaram do Exército de Hitler durante a Segunda Guerra Mundial, marcando um novo passo nos esforços de reconhecer o passado de guerra da nação. A Alemanha anexou a Áustria em 1938, tornando o país parte do Terceiro Reich de Hitler. O sistema de Justiça Militar nazista executou milhares de desertores e oponentes ao esforço de guerra. O Parlamento austríaco votou em 2009 - com objeção dos partidos de extrema direita -, para

limpar a reputação daqueles que foram desprezados ou atacados por se recusar a seguir a linha dos nazistas. “Se eles eram os bons no Exército de Hitler, então, nós, os desertores, éramos evidentemente os maus, os maus que deveriam ser atacados”, diz o ativista Richard Wadani, 92, um dos desertores. Para o presidente austríaco, Heinz Fischer, é ultrajante que pessoas tenham sido tratadas desta maneira em uma Áustria democrática do pós-guerra. “Isso é algo pelo que qualquer pessoa precisa pedir desculpas e ter vergonha”, avalia.

Monumento retrata uma forma de três níveis em X

UCRÂNIA

Eleições serão neste domingo Em meio a um período extremamente difícil para a ex-República soviética - às portas da União Europeia -, a Ucrânia realiza votação neste domingo. Em março, o país perdeu a península da Crimeia, anexada pela Rússia, além de enfrentar uma insurreição armada pró-russa na região mineradora de Donbass, um conflito que já fez mais de 3.700 mortos desde meados de abril. “Não haverá conflito velado, porque o Donbass não pode sobreviver sem a Ucrânia”, assegura o presidente Petro Poroshenko, cujo partido é o favorito para as eleições parlamentares. Poroshenko, em sua conta no Twitter, pediu aos ucranianos que votem em massa para “concluir a formação do novo poder iniciado em junho”, assumindo as funções do pró-russo Viktor Yanukovytch, refugiado na Rússia desde fevereiro. O movimento do presidente lidera as pesquisas com mais de 30% das intenções de votos, seguido por outras formações pró-ocidentais. Ele espera alcançar com essas eleições “uma maioria constitucional” para permitir a realização de reformas vitais para este país muito corrupto e em profunda recessão, agravada pelo conflito armado.

Ebola pode matar 90 mil na Libéria, revela estudo Infraestrutura precária e falta de outros recursos comprometem a luta contra a doença no país MORGANA WINGARD/USAID

SEGUNDA GUERRA

Missão norte-americana constrói laboratórios e base de pesquisa contra o vírus, na Libéria

O

s esforços para controlar o vírus do ebola na Libéria precisam ser ampliados rápida e dramaticamente, ou dezenas de milhares de pessoas morrerão nos próximos meses, revela um estudo publicado neste final de semana. Quase 4.900 mortes foram registradas em todo o oeste da África desde que a doença foi detectada na Guiné em março, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). A Libéria foi o país mais afetado pelo vírus, com 2.705 mortes e 4.665 casos confirmados. Sem uma intensificação nos esforços para deter a doença, o ebola irá matar 90 mil pessoas

na Libéria e infectar 171 mil até meados de dezembro, postulou um estudo no periódico “The Lancet Infectious Diseases”. “Nossas previsões sublinham a janela de oportunidade, que se fecha rapidamente, para controlar o surto e evitar um saldo catastrófico de novos casos de ebola e mortes nos próximos meses”, declara Alison Galvani, uma das autoras da pesquisa, em um comunicado. Instalações médicas adicionais para o tratamento da febre hemorrágica e um aumento de cinco vezes na detecção de novos casos, juntamente com a alocação de conjuntos de proteção para residências, poderiam evitar até 98 mil

casos até o meio de dezembro, afirma o estudo. Os pesquisadores basearam sua análise em um estudo do Condado de Montserrado, na Libéria, que abarca a capital Monróvia, onde a grande maioria dos casos foram registrados. Sem uma expansão nas ações para frear a epidemia, o saldo nacional será ainda maior, disseram. “A escala das intervenções sendo implementadas atualmente ainda é pífia em comparação com o que prevemos ser necessário”, afirma Joseph Lewnard, outro autor da pesquisa, à Fundação Thomson Reuters em entrevista por telefone.


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Mundo

MANAUS, DOMINGO, 26 DE OUTUBRO DE 2014


Caderno B

Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 26 DE OUTUBRO DE 2014

diadia@emtempo.com.br

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IONE MORENO

Halloween, importado e distorcido Páginas B2-B3

Sem planejamento, ruas secundárias viram caos

Para fugir do tráfego lento das ruas principais, motoristas tumultuam vias secundárias conforme sua própria vontade FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Rua Djalma Dutra, nas proximidades do Bradesco, bairro Nossa Senhora das Graças: um exemplo do tumulto que começa ali e se estende até a rua Libertador, estreita e agora congestionada DANIEL AMORIM Especial EM TEMPO

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os últimos anos, motoristas da capital amazonense têm optado pelas vias secundárias para fugir da lentidão do trânsito nas avenidas principais. A intenção, no entanto, acaba gerando situações parecidas ou até mesmo piores. Engarrafamentos e filas duplas se tornaram frequentes, afetando também moradores dessas áreas - sem contar a falta de educação dos “donos da rua”. A rua Libertador, localizada no bairro Nossa Senhora das Graças, Zona Centro-Sul, é um exemplo desse problema. Segundo a autônoma Ana Cláudia Sena, o acesso começa a ficar congestionado a partir das 11h. “Os carros circulam nos dois sentidos, às vezes chegam a invadir nossas calçadas. Não podemos andar na rua, pois corremos o risco de ser atropelados”, conta. O tráfego começa na rua Belém, atrás do cemitério São João Batista, e se estende até a avenida Maceió. “Nos últimos anos, o comércio tem crescido nessa área, e isso agrava a situação”, opina Cláudia. Ela diz ainda que moradores já enviaram abaixo-assinados para

os órgãos competentes, porém faltam ações efetivas. Há pelo menos três anos, a rua tinha sentido único no sentido bairro-Centro, indicado por placas. A sinalização desapareceu e a bagunça começou.

Não aplicaram recursos no transporte público, que é precário. O governo se limita a aplicar multas, pois a solução exige dinheiro Geraldo Alves, professor da Ufam

Planejamento De acordo com Paulo Henrique Martins, diretor-presidente do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans), o aumento do número de veículos é a causa dessas retenções. “O planejamento consiste em identificar os problemas e apresentar as medidas necessárias: proibição de estacionamento e mudança de circulação, sempre com o ob-

jetivo de melhorar a fluidez e reduzir congestionamento. Houve reclamações nas ruas dos bairros Alvorada, Redenção e Japiim. As soluções foram implantadas e as retenções foram reduzidas”, explica. Para Geraldo Alves, professor de Geografia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), o problema resulta da falta de planejamento do poder público, o que inclui investimentos em transporte coletivo. “Somos 2 milhões de habitantes convivendo num espaço sem infraestrutura. Não aplicaram recursos no transporte público, que é precário. O governo se limita a aplicar multas, pois a solução exige muito dinheiro”. Segundo ele, a situação tende a piorar em época de eleições. “A fiscalização gera certa impopularidade”, opina. Soluções alternativas tampouco são opções favoráveis. “As calçadas são pequenas, não foram construídas de forma adequada, então fica difícil caminhar. Utilizar bicicleta em Manaus é complicado, devido ao trânsito agressivo”, enumera Alves, doutor em Planejamento de Transportes pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Colaborou César Augusto

No conjunto Vieiralves, a desorganização do espaço provoca retenções diárias no tráfego

Cena de trânsito no bairro Novo Israel: situação rotineira em diversos bairros de Manaus


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Dia a dia

O lado nocivo FOTOS: IONE MORENO

A importância mercantilizada da festa das bruxas norte-americanas aos poucos se sobrepõe à identidade nacional, revela sociólogo. Um exemplo: poucos irão se lembrar de que a mesma data foi instituida no país como o Dia do Saci

IVE RYLO Equipe EM TEMPO

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acabro. Esta seria a definição a que alguns recorreriam ao observar o costume de promotores de eventos e empresários - que sempre no mês de outubro, inspirados na cultura de países anglo-saxões - de materializar “uma versão festeira” de uma espécie de umbral fake nas pistas de dança e lojas da cidade. A definição em nada tem a ver com a arte em desfigurar rostos usando maquiagem, constituir feridas sem casquinha e nas mutilações alinhadas aos ór-

gãos à mostra que compõem o traje quase que obrigatório dos adeptos das festas de Halloween. Para algumas pessoas, o “assustador” é constatar que essa produção que faz referência ao “jeito importado de homenagear os mortos”, tem conquistado cada vez mais adeptos em solo tupiniquim. Para o sociólogo Ademir Ramos, a popularidade da festa de Halloween passou a ser incentivada pelo comércio. “Trata-se de uma festa midiática articulada com o mercado de produtos afins, que tem por objetivo promover o consumo e implementar ações que agreguem valor e comportamento

que manifestem o espírito do evento transplantado da cultura norte-americana para os países emergentes com um grande potencial de consumo”, apontou. Prova disto seriam as apostas dos empresários do entretenimento na mistura do rock, musica eletrônica e até mesmo o forró - ritmo genuinamente brasileiro - com a roupagem irreverente da festa das bruxas. Tudo para apimentar e atrair os olhares curiosos. Mas a empatia pelo Halloween não para por aí. Em Manaus, muitas escolas e inclusive moradores de residenciais de alto padrão rendem-se aos festejos

gringos, com direito a distribuição de doces às crianças, mediante a famosa pergunta “trick or treat (travessuras ou gostosuras)?”. “A iniciativa é divorciada da tradição local, não tendo raízes na cultura e nos processos de ensino-aprendizagem. O ato é movido unicamente por interesse mercantil a exigir dos educadores e da direção das escolas uma conduta mais pedagógica assentada nas representações locais numa perspectiva da diversidade e da identidade histórica de nossa gente”, defendeu. Como uma maneira de contrapor a influência de tradições estrangeiras, na noite em que

o Halloween é celebrado em vários países do mundo foi instituído desde 2005 o “Dia do Saci”, por força de lei federal criada justamente para se resgatar a valorização do folclore nacional. Mas, quem se lembra do negrinho danado e sua carapuça vermelha? “Não há lembrança porque o nosso processo de ensino-aprendizagem escolar está divorciado da cultura popular, havendo contextualização dos conteúdos escolares com a nossa cultura. Nesta circunstância, o nosso imaginário que por sua vez é tão rico ficou mais pobre por falta de revitalização, sendo negado pela afirmação de uma cultura

de massa deslocada de nossa tradição”, defendeu Ramos. Para ele, a valorização do Halloween não provoca uma irreal relação de unificação entre diferentes povos. “Desvalorização de nossa cultura não, mas uma forma bestializada de ser, visto que a captação e promoção deste valor vincula-se diretamente à cultura dominante chamando para si a integração dos subalternos para o topo da pirâmide com aparência de ser um entre eles. Pura ilusão, porque tal integração ocorre pela capacidade de consumo e não pela cultura enquanto representação de um povo”, ressaltou.

Falta valorizar nossa identidade

Fantasias à venda em loja: segundo Ademir Ramos, trata-se do domínio de outras culturas

Ademir Ramos acredita que o incentivo e valorização de nossa cultura deveria partir das escolas e de projetos de educação que sejam mais contextualizados não só com o local, mas também o nacional e internacional. “O que ocorre agora é exatamente uma inversão que reduz o nosso universo cultural aos interesses mercantil. Outro determinante é que as escolas perderam o valor das narrativas culturais e com isto, as mídias de massa, sobretudo os programas importados e transmitidos em versão nacional ganharam Artigo alusivo à festa norte-americana: evento importado e de teor comercial no Brasil

força, difundindo os valores de uma cultura transplantadas. Veja por exemplo os desenhos veículados e as influências destes na formação do universo simbólico das nossas crianças e jovens. O mais grave de tudo é quando as escolas reproduzem acriticamente este valores e eventos”, ressaltou. O sociólogo defende que faltam políticas públicas integradas e articuladas que promovam e mobilizem o sentimento pátrio, a identidade, as artes e suas formas representativas de ser. “O que se vê são valores e representações de

outras culturas que, de cima para baixo, dominam o lúdico dessas crianças e jovens sem nenhuma articulação e respeito com as tradições e costumes. Nesse campo, a educação escolar tem sua maior parte, em não havendo ações de políticas estruturante o saber, a ciência, as artes e as culturas regionais fraquejam, passando a copiar e a transplantar modelos e representações dominantes, suscitando no local e em seus agentes a negação de si, do seu imaginário e da diversidade cultura das nações e dos povos”, finalizou.


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do Halloween Empresários investem em produção

Os números comprovam a aceitação do manauense pelos “festejos lúgubres da gringa”. A procura pelas fantasias, adereços e decorações de Halloween só fica atrás dos artigos carnavalescos. “Comecei há mais ou menos uns 15 anos a pedido dos clientes, devido ao intercâmbio que escolas de inglês promovem e festejam a data. A maior parte da turma vai para os Estados Unidos, quando voltam querem reproduzir a festa que eles participaram lá, em casa. Eles foram dando as dicas e eu fui investindo”, disse a proprietária do Armarinho Manoela, Fátima Brito. Na loja, não faltam opções inusitadas de fantasias e adereços para atrair até os mais exigentes e macabros gostos. “Aqui em Manaus as pessoas são festeiras e gostam de coisa bonita e bem trabalhada. Gostam de comemorar o Halloween em família, de ir em festas onde há competição de fantasia e até aniversário de 15 anos já festejam com o tema”, ressaltou.

A aposta da empresária deu tão certo que tem atraído um público maior a cada ano. O grupo não busca o estabelecimento somente para consumir, mas para admirar

VANTAGEM

A aposta da empresária Fátima Brito no ramo deu tão certo que tem atraído um público maior a cada ano, que não busca sua loja apenas para consumir, mas para admirar a decoração a decoração cuidadosamente arquitetada por Fátima e sua equipe. “Mudamos a decoração da loja e o pessoal gosta. Fazem aqui tipo um city tour. As pessoas gostam de subir aqui para ver. Quanto mais dizem que está horrível, é porque está legal”, brincou. A ornamentação fabricada pela equipe é realmente surpreendente. Transpor as escadas de acesso a um andar

inteiro tomado pela estética assustadora faz da visita à loja uma experiência inusitada. A longa escadaria escura, completamente ornada com imagens emolduradas que se transformam diante de nossos olhos, formam ilusões impressionantes. No teto, teias, lápides e animais peçonhentos compõem o cenário cinematográfico. Durante todo o caminho, gritos de horror e choros aguçam ainda mais os sentidos e “põe à prova” a coragem do visitante. Quem consegue atravessar a barreira inicial se depara com manequins fielmente vestidos para a ocasião, com direito a uma decapitação sem economia de sangue. Uma produção de encher os olhos e arrepiar os mais céticos. “Sou eu e os funcionários que inventamos e decoramos. Cada um dá um ‘pitaco’ e a gente vai fazendo. Mudamos a decoração da loja o ano todo e o pessoal vai gostando. A gente adora. Meu filho diz que aqui é minha Disney, e eu adoro”, reconheceu Brito. Loja de Fátima Brito, no Centro: ideia trazida de fora foi bem explorada comercialmente


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Dia a dia

Desaparecido FOTOS: IONE MORENO

Há pouco mais de um ano, o universitário Yago Bandeira saiu de sua casa à noite e nunca mais foi visto. Começou então a peregrinação da família em busca do jovem, que engrossou as estatísticas de pessoas desaparecidas no Estado

Nivaldo e Francisca, pais de Yago, e Thiago, irmão do jovem desaparecido: maior angústia é não saber se o rapaz está vivo ou passando necessidades em algum lugar longe de seus familiares ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO

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uando os pais, irmãos e amigos percebem, a aflição começa: a pessoa querida não retornou às suas atividades costumeiras e não manteve mais contato. Os dias passam, transformam-se em semanas, meses e até mesmo anos. A angústia de desconhecer o destino da pessoa e seu estado crescem. Surge mais uma estatística de pessoas desaparecidas. Nesta semana, na capital amazonense, houve dois registros de adolescentes do sexo masculino que tinham desaparecido. Os dois jovens foram vistos pela última vez saindo da escola. Depois da divulgação na mídia, a po-

lícia conseguiu encontrá-los: ambos estavam com medo da reação dos pais por questões das notas bimestrais. No entanto, há casos que continuam sem fechamento do inquérito. Um deles é do universitário de educação física Yago Costa Bandeira, atualmente com 21 anos, desaparecido desde 25 de agosto do ano passado. Sua família continua na busca, mas todo dia 25 traz uma lembrança dolorosa que faz os olhos de seus pais e irmão encherem de lágrimas, pois passam pela angústia de não verem o seu filho ou irmão retornar, ou muito menos de saber uma notícia do que realmente aconteceu. O pai de Yago, o protético Nivaldo Bandeira, 46, contou que o universitário sempre

foi um bom filho, trabalhava diariamente com pai e desde criança sua maior paixão foi o futebol, e foi desse amor que surgiu a vontade de cursar educação física. Yago jogou em vários clubes e times de Manaus, como o Tarumã, Nacional, Rio Negro, entre outros, mas desde que começou a estudar, levava a faculdade mais a sério e até conseguiu um estágio, e mesmo assim não deixava de ajudar o pai na restauração das próteses dentárias. Após o término de um namoro de três anos com uma jovem que mora na Compensa, o universitário começou a buscar várias formas para esquecer o relacionamento encerrado: sempre que tinha uma oportunidade, saía à noite para jogar bola com amigos

e conhecidos. Nivaldo contou que não foi diferente no dia 25 de agosto de 2013, pois Yago avisou que estava indo jogar bola

SUMIÇO

Antes de desaparecer, Yago havia terminado o relacionamento com sua namorada. Na noite em que foi visto pela última vez, recebeu um telefonema e saiu de casa para não mais voltar no campo do Centro Social Urbano (CSU) do bairro. As horas pasaram e ele não retornou. O pai ficou preocupado e começou a ligar

tanto do seu celular quanto do celular da mãe de Yago, a técnica de enfermagem Francisca Leite, 42. O universitário não atendeu a ligação, mas logo em seguida retornou para casa. Preocupado, Nivaldo perguntou ao filho o que tinha ocorrido, mas Yago apenas respondeu que estava no bar Ilha Gelada, próximo ao CSU, conversando com os amigos, e por isso não tinha atendido as ligações. Nivaldo chegou a cheirar Yago para ver se seu filho tinha bebido, e disse para o universitário tomar banho, comer algo e depois descansar, pois no outro dia tinham que acordar cedo para irem à missa, mas que em seguida voltaria a conversar sobre o que tinha acontecido naquela madrugada.

Depois que o pai retornou pro quarto, Yago foi tomar banho e comer algo. Pela cozinha encontrou com o irmão mais velho, Thiago Costa Bandeira, 23, e pediu o telefone do irmão para poder enviar uma mensagem. Em seguida, Yago recebeu uma ligação, colocou uma bermuda e uma sandália, deixou em casa tudo o que tinha, desde o celular, roupas, documentos e até dinheiro e abriu o portão. Thiago contou isso aos pais, que pensaram que o universitário tinha ido procurar um lanche como de costume. A noite passou, sem a volta de Yago. No outro dia, cedo, a família foi à missa, pensando que na volta encontraria Yago. Foi então que começou uma história de desespero e aflição.

Peregrinação por hospitais e até pelo IML Temeroso, o pai de Yago registrou boletim de ocorrência sobre o desaparecimento na delegacia mais próxima e procurou o Instituto Médico Legal (IML), hospitais, penitenciárias e outros órgãos que trabalham com desaparecidos. Essa é a rotina de Nivaldo há mais de um ano. “Chegou um tempo que toda vez que entrava um corpo no IML eu saía de casa para ir ao instituto verificar se era meu filho”, relatou.

A mãe e pai de Yago largaram o emprego para se dedicarem à procura do filho. Distribuíam cartazes, entravam em contato com os amigos, mas ninguém sabia repassar nenhuma informação. Como Thiago tinha emprestado o celular para seu irmão enviar uma mensagem, procurou as mensagens anteriores e descobriu que naquele horário Yago tinha conversado com a ex-namo-

rada antes de desaparecer. A mãe do universitário procurou a ex-namorada do filho para saber o que ele tinha enviado antes de sumir, mas ela avisou que não recebeu nenhuma mensagem. “Ajoelhei para que ela contasse o que sabia, mas mesmo fria sobre o assunto continuou a dizer que não tinha nada a falar”, contou. A própria família descobriu que Yago, quando saía com os amigos para jogar

bola, recebia propostas para sair do Estado e até mesmo do país para tentar a vida como jogador. “Descobri que Yago tinha encerrado seu contrato no estágio, informando que a nossa família estava abrindo um novo negócio e que iria me ajudar no trabalho. Às vezes eu o pegava observando detalhes, mas não sabia que algo se passava na cabeça dele”, disse o pai.

Yago é estudante de educação física e ajudava seu pai


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o, um mistério Um peso carregado todos os dias

Casos podem ter várias facetas

Nivaldo foi procurado por uma professora de psicologia da faculdade de Yago, que contou que quando o universitário tinha terminado o namoro estava com problemas de aceitar a situação, mas que ela estava fazendo acompanhamento com ele, e que acreditava que o sumiço do aluno tinha a ver com a situação. O celular de Yago começou a receber várias liga-

No primeiro semestre deste ano, foram realizados 419 registros de desaparecimentos pela Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), valor inferior a 2013: 658. O valor pode não corresponder ao número real, pois na maioria das vezes, de acordo com a SSP, as pessoas retornam aos seus lares e a família não avisa à polícia. A titular da Delegacia Especializada em Ordem Política e Social (Deops), Catarina Torres, explicou que a maioria dos casos de desaparecimento são de homens. “Geralmente eles retornam para casa após alguns dias. É muito comum, dentro desse tipo de ocorrência, as pessoas saírem de casa sem dar satisfações. Os relatos que justificam o sumiço geralmente são vinculados a histórias de problemas em casa, como, crises financeiras e problemas com a família. Existem muitos casos de homossexuais que não tem a condição sexual aceita pela família e acabam fugindo. Sumiços por

ções de número restrito, os pais sempre conversavam achando que poderia ser o rapaz, mas em novembro do ano passado o telefone não tocou mais. A família continua na esperança de receber novas ligações Os familiares acreditam que ele esteja vivo e que a qualquer momento irá ligar e dizer o que realmente aconteceu. Entre as buscas, o pai recebeu a informação de um dos

amigos do filho de que ele tinha entrado em contato e informado que estava em São Paulo (SP). “A única coisa que quero é poder saber onde meu filho se encontra. A nossa vontade realmente é de tirar esse peso que temos carregado todos os dias e ajudar nosso filho, pois o que sentimos é que tem algo faltando e não há sentimento que complete”, disse o pai. ALEXANDRE FONSECA/ARQUIVO EM TEMPO

Em Manaus, movimentos surgem para chamar a atenção sobre as pessoas desaparecidas

envolvimento com o tráfico de drogas também são muito comuns”, disse. No caso das mulheres, a delegada informou que a maioria é idosa, que sofre de problemas emocionais e psicológicos, que muitas vezes sai pela rua sem rumo e acaba se perdendo. Outra situação é de mulheres que fogem de casa para viver histórias de amor. “Ao sinal de qualquer desconfiança de desaparecimento, a família deve comunicar imediatamente a Polícia Civil ou registrar a situação em qualquer Distrito Integrado de Polícia. Não existe prazo de hora ou dia para que o boletim de ocorrência seja feito. Qualquer situação de desaparecimento pode ser registrada em menos de 24 horas do sumiço”, explicou Catarina. O desaparecimento transforma-se em inquérito quando os procedimentos para encontrar a pessoa acabam tornando-se complexos demais ao ponto de os trâmites necessários para oa resolução do caso

fugirem da competência da Polícia Civil. “Em casos onde as ocorrências precisem de uma atenção maior, o inquérito é instaurado para que com base nisso a polícia dar andamento aos processos legais, como por exemplo, quebra de sigilo bancário, quebra de sigilo telefônico, entre outros”, disse Catarina. Menores A titular da Delegacia Especializada Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), Linda Gláucia, explicou que no caso de menores, o desaparecimento é assim considerado a partir do momento em que os pais percebem que o adolescente não está sob seu olhar, sem seus cuidados e sem saber do seu paradeiro. O procedimento a ser tomado pelos parentes é de imediatamente saber com familiares e vizinhos, o paradeiro da criança ou adolescente. Não procurando, os responsáveis devem seguir imediatamente à delegacia mais próxima e fazer o boletim de ocorrência.


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Dia a dia

Estudantes concorrem a bolsa de estudo na Coreia

SEDUC/DIVULGAÇÃO

Programa de intercâmbio permitirá a um aluno da rede pública estadual cursar ensino superior em universidade coreana

Emanuel Santos da Cruz e Thiago Costa Silva, estudantes pré-selecionados para disputar uma vaga no programa de intercâmbio em parceria do governo estadual com o governo da Coréia do Sul

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m uma oportunidade inédita de intercâmbio estudantil, um aluno da rede pública estadual do Amazonas terá a oportunidade de cursar o ensino superior na República da Coreia do Sul. A graduação terá a extensão de cinco anos e poderá ser usufruída pelo candidato selecionado a partir de 2015. Viabilizada pelo governo coreano em parceria com o governo do Amazonas as inscrições ocorreram no âmbito das escolas públicas estaduais de ensino médio e foram concluídas no último dia 17. Sob a coordenação do Departamento de Gestão Escolar (Degesc) da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), o processo seletivo contou com a inscrição voluntária de 60 alunos e pré-selecionou dois jovens estudantes da rede pública estadual do Amazonas para participar da entrevista final que será conduzida pela Embaixada da Coreia do Sul e que apontará o aluno que conquistará o benefício da graduação. A seleção teve como parâmetro as médias escolares dos alunos concorrentes. Os dois estudantes selecionados para a entrevista final de seleção são: Thiago Costa Silva, aluno da escola estadual de Tempo Integral Marcantonio Vilaça II, e Emanuel Santos da Cruz, aluno da escola estadual Waldock Frick de Lira. A representante da Seduc e diretora do Degesc, Kátia Regina Menezes, informou que a

oportunidade tem o objetivo de desenvolver profissionais que possam contribuir, futuramente, com o desenvolvimento do Amazonas. “Será uma oportunidade ímpar e que além servir como uma experiência de vida qualificará o estudante selecionado para um futuro promissor”, apontou a diretora. Dentro dos cinco anos do programa de intercâmbio, o estudante selecionado terá o primeiro ano para assimilar

ESCOLHA

O processo seletivo contou com a inscrição voluntária de 60 alunos e pré-selecionou os dois jovens estudantes da rede pública estadual para participar da entrevista final na Embaixada da Coreia do Sul a língua coreana e os outros quatro serão dedicados ao ensino em universidade. A instituição e o curso poderão ser escolhidos pelo estudante após a confirmação da bolsa. Seleção Conforme edital, para conquistas a vaga, era necessário ao candidato atentar para os seguintes critérios: ser brasileiro, ter menos de 25 anos, ter rendimento escolar igual ou superior a 80% em todas as fases do ensino médio, ter proficiência em língua inglesa, gozar de saú-

de mental e ter concluído o ensino médio até o dia 1º de março de 2015. A bolsa não é aplicável a cursos como: medicina, odontologia, farmácia e arquitetura, cujo período de conclusão excede o período de quatro anos. Concurso A Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou edital de convocação para a Prova Prática do concurso da Secretaria de Estado de Educação (Seduc). As provas, para o cargo de Merendeiro, serão aplicadas nos dias 29, 30 e 31 de outubro. Os candidatos aprovados na prova objetiva devem acessar o site da FGV para ter acesso a lista de convocados. Lançado em junho, com provas realizadas em 31 de agosto deste ano, o concurso é um dos maiores já realizados pelo governo do Estado. Entre as mais de sete mil vagas ofertadas, 785 são para o cargo de Merendeiro que estão distribuídas na capital e nos demais 61 municípios do Amazonas. De acordo com o edital, estão sendo convocados para o exame prático os candidatos aprovados na Prova Objetiva, classificados em até duas vezes o número de vagas ofertadas. Para saber o local, o dia e horário da realização da prova, os candidatos devem consultar a fundação por meio do endereço eletrônico (http:// fgvprojetos.fgv.br/concursos/ seduc-am/fundamental), mediante fornecimento de dados relativos à inscrição.


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Justiça define ações da Semana de Conciliação

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TJAM/DIVULGAÇÃO

Grupos de trabalho foram constituídos para apoio às varas de juizados especiais que participarão da SNC

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pouco menos de um mês da Semana Nacional da Conciliação (SNC) 2014, a Corregedoria-Geral de Justiça do Amazonas (CGJ/AM) continua definindo ações para o êxito da campanha, no Estado. Nesta semana, o corregedor-geral de Justiça, desembargador Flávio Humberto Pascarelli Lopes, constituiu um Grupo de Trabalho de Apoio às Varas dos Juizados Especiais, que será coordenado pelo juiz titular da 4ª Vara de Família da capital, Luís Cláudio Chaves. O grupo irá acompanhar a realização das intimações das partes em processos com potencial conciliatório, as audiências de conciliação durante o período da campanha e, ainda, outras medidas que forem estabelecidas pelo juiz coordenador. Pascarelli designou, ainda, o juiz auxiliar da CGJ/ AM, Flávio Albuquerque de Freitas, para coordenar as atividades inerentes à SNC nas comarcas do interior do estado, e o juiz auxiliar da CGJ/AM, Aírton Luís Gentil, para coordenar os trabalhos da Comissão de Apoio na capital. No último dia 17, o corregedor já havia criado uma Comissão composta sete por magistrados do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM): de acordo com a Portaria de nº 356 da CGJ/AM, ficaram

OBJETIVO

Todo ano o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) coordena a Semana Nacional da Conciliação. Durante uma semana o cidadão tem a chance de conversar, negociar e chegar a um acordo justo e bom responsáveis pelas respetivas áreas os magistrados Alexandre Henrique Novaes de Araújo, juiz coordenador dos Juizados Especiais Cíveis; Carlos Zamith de Oliveira Júnior, juiz coordenador das Varas Criminais; Frank Augusto Lemos do Nascimento, juiz coordenador dos Juizados Especiais Criminais; Gildo Alves de Carvalho Filho, juiz coordenador das Varas de Família; Marcos Santos Maciel, juiz coordenador do Centro de Solução de Conflitos e Cidadania; Onilza Abreu Gerth, juíza coordenadora das Varas Cíveis; e Ronnie Frank Torres Stone, juiz coordenador das Varas das Fazendas Públicas estadual e municipal. Chances Todo ano o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) coordena a Semana Nacional da Conciliação. Durante uma semana o cidadão tem a chance de conversar, negociar e chegar a um acordo justo e bom para todos. Quem tem ação tramitando na Justiça Federal, Justiça Estadual ou na Justiça do Trabalho e quer conciliar, deve entrar em contato com o Núcleo de Conciliação do seu estado ou município. A cada dia, o Judiciário dispõe de acesso mais fácil para quem deseja ver sua reivindicação atendida com redução de tempo e custos.

Cadastro pode ser feito no site No site do TJAM, o cadastro para inscrever o seu processo fica disponível o ano todo, na aba Conciliação, localizada no lado direito do site.

A Conciliação é um meio de resolver uma demanda jurídica, pois representa a resolução de conflito judicial de forma simplificada. A Semana Nacional de Conciliação serve para a resolução rápida de conflitos em diversas áreas


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Dia a dia

MANAUS, DOMINGO, 26 DE OUTUBRO DE 2014


Especial

Eleições 2014 MANAUS, DOMINGO, 26 DE OUTUBRO DE 2014

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Governo do AM nas mãos de 2 milhões de eleitores RAIMUNDO VALENTIM

Hoje, eleitores vão definir quem será o responsável por comandar o Estado pelos próximos 4 anos

Eleições deste domingo (26) é um tempo reservado à democracia, onde dois candidatos disputam o comando do Estado do Amazonas por 4 anos JOELMA MUNIZ Equipe EM TEMPO

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dia do segundo turno chegou e agora é hora do eleitor definir de fato que será o responsável por comandar o Estado nos próximos quatro anos. A disputa posta entre os candidatos José Melo (PROS), que concorre à reeleição e Eduardo Braga (PMDB), que briga por um terceiro mandato à frente do Executivo estadual, está nas mãos de mais de 2 milhões de eleitores aptos a votar. O resultado apertado nas urnas do primeiro turno, que registrou 670.067 dos votos (42,93%) destinados a José Melo e 665.800 (42,66%) para Eduardo Braga, tende a rumar pelos mesmos caminhos, já que os próprios candidatos já admitiram estar protagonizando o pleito mais difícil de suas vidas políticas. Em fase das campanhas marcadas por intensa rivalidade, o esquema de segurança montado para o bom andamento do processo, conta com um novo fator. Hoje, quem comanda todo o sistema de segurança pública do Amazonas, é a presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM), desembargadora Socorro Guedes. A decisão anunciada na última quarta-feira (22) visa resguarda as polícias civis e militares de suspeitas de participação indevida na campanha eleitoral. Com mais uma atribuição, Socorro Guedes comanda, hoje, um efetivo de 3,8 mil policiais, que foram destacados para

resguardar o pleito. Além, disso ela tem á disposição homens que atuam nas forças armadas, que têm a missão de acompanhar as urnas nos 62 municípios do Estado. ‘Cola eleitoral’ Mesmo tendo o número de candidatos reduzidos, após o termino do processo de escolha dos deputados estaduais, federais e senadores, os eleitores devem estar atentos para as determinações e normas impostas pela Justiça. Dentre as permissões dadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), está a manifestação de preferência por candidato, partido ou coligação com uso de broches, bandeiras e adesivos de forma silenciosa e individual; a famosa “cola eleitoral” usada pelo eleitor como lembrete em frente à urna também é liberada. Contudo, é vedada a manifestação de preferência coletiva por candidato, partido ou coligação, com uso de bandeira, vestuário padronizado; uso de alto-falantes e amplificadores de som ou a promoção de comício ou carreata; divulgação de qualquer espécie de propaganda de candidato, partido político ou coligação “boca de urna”, incluindo a distribuição de “santinhos”; fornecimento de alimentação e transporte a eleitores no dia da eleição por candidatos ou partidos políticos, seja na cidade ou no interior.

Documento só com fotografia Para consolidar os votos, em uma das 6,5 mil urnas espalhadas pela capital e interior, o eleitor terá que apresentar um documento oficial com foto (carteira de identidade ou identidade funcional, certificado de reservista, carteira de trabalho ou carteira nacional de habilitação). O uso do documento com foto é necessário até para os eleitores dos sete municípios do interior, que passaram pelo recadastramento biométrico. Na hora do cara a cara com a urna, ainda é proibido portar aparelho celular, câmeras fotográficas, filmadoras, aparelho de radiocomunicação ou qualquer outro instrumento que viole o sigilo do voto. No Amazonas os espaços de votação que abrirão das 8h às 17h, estão divididos por 165 escolas. O centro de ensino com o maior contingente de eleitores registrados é a escola estadual Eldah Bitton, localizada no bairro Compensa 3, Zona Oeste de Manaus. No local segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM), devem votar 10,9 mil eleitores. Manaus se firma como o maior colégio eleitoral do Estado, concentrado mais de 1 milhão de eleitores, 55,8% do eleitorado. Parin-

tins segue a lista, com 64 mil votantes, Itacoatiara com 55 mil, Manacapuru, 52 mil e Coari com 46 mil. Unidos a instituições como Polícia Federal (PF), Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE), Comissão de Fiscalização de Propaganda do TRE-AM, entre outros, os mesários figuram como os principais atores da organização do pleito. Eles somam hoje, uma frente de trabalho formada por 27 mil homens e mulheres, distribuídos por 6.883 secções eleitorais. Obrigatório Como o voto é obrigatório aos cidadãos brasileiros maiores de 18 anos e facultativo para analfabetos, jovens entre 16 e 18 anos e idosos com mais de 70, quem está fora de seu colégio eleitoral, precisa estar atento, para justificar a falta, que pode acarretar no cancelamento do título de eleitor, documento indispensável para quem deseja participar de concursos públicos, editais, emprestar dinheiro em bancos, emissão de passaportes entre outras sanções impostas. Leia mais: o eleitor pode encontrar a sua zona e a seção onde vai votar no portal do EM TEMPO (www. emtempo.com.br).


Eleições 2014

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MANAUS, DOMINGO, 26 DE OUTUBRO DE 2014

Estrutura pronta para as eleições RAIMUNDO VALENTIM

Urnas e equipes, além de todo alicerce para realização do segundo turno do pleito estão prontos

epois de uma campanha eleitoral marcada por trocas de acusações, suspeita de compra de votos e apresentação de propostas, Manaus prepara-se para realizar hoje um inédito processo eleitoral no Estado. São esperados 2 milhões eleitores – na maior parte, com idades entre 45 a 59 anos. Nas engrenagens das votações, de um extremo ao outro da cidade, trabalharão perto de 3,5 mil de pessoas, entre mesários, servidores públicos, policiais e militares. Isso, sem contar os militantes e fiscais partidários. Para conduzir os eleitores aos seus locais de votação, a Prefeitura de Manaus colocou a disposição 1.407 ônibus, de 217 linhas. A gratuidade do transporte está garantida, por meio de acordo junto ao TRE-AM. O embarque gratuito será liberado de 4h à meia-noite de hoje, e não se aplica aos transportes executivo e alternativo, como explica o superintendente da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), Pedro Carvalho. “Como esses dois modais ainda estão sendo regulamentados, não há contrato assinado com a prefeitura. Somente com um contrato de permissão seria possível fazer o ressarcimento dos custos oriundos da

gratuidade”, disse. P a r a acessar os coletivos, os usuários devem passar normalmente pela catraca. Toda a operação de transporte está sendo coordenada pela SMTU, que manterá 40 fiscais nas garagens, terminais de bairro e de integração.

ESTRUTURA

Para conduzir os eleitores, a Prefeitura de Manaus colocou a disposição 1.407 coletivos. Na segurança, 1.018 homens da Polícia Civil e Militar também estarão nas ruas Será intensificada a fiscalização no horário de 12h às 14h quando se dá a troca de turno dos motoristas e cobradores para coibir atrasos na saída dos ônibus. No caso de descumprimento, a gratuidade e qualquer outra reclamação sobre o transporte, usuários poderão ligar para o SAC da SMTU, no número 118, ou procurar um dos fiscais de transportes. Na área de segurança, por

exemplo, a Polícia Militar do Estado do Amazonas (PMAM) fiscalizará 199 locais de votação na capital e 1.018 no interior. Um forte esquema de segurança, que consiste na revista de quem esteja carregando mochilas e bolsas, será montado no perímetro das escolas, a fim de evitar o que ocorreu no primeiro turno, quando foi encontrado um suposto artefato explosivo numa escola de Manaus. As Tropas Federais estarão nas escolas fazendo a segurança das urnas a partir das 7h30 de amanhã. Assim que chegarem, os soldados farão uma varredura nos locais, para que, no dia do pleito, a votação transcorra com tranquilidade. Por sua vez, a Polícia Federal, que atua como Polícia Judiciária Eleitoral, em apoio com as demais polícias, fará um trabalho preventivo, atuando, principalmente, nos portos e aeroportos do Estado, buscando, com isso, coibir o uso de recursos públicos para a captação ilícita de sufrágio. A Polícia Civil disponibilizará duas equipes para atuarem junto ao juizado que funciona no TRE - Nilton Lins, além de outras duas equipes do grupo Fera, que estarão a postos para garantir a ordem. No interior, 76 Delegados de Polícia assegurarão o clima de paz e segurança durante as eleições.

IONE MORENO

D

A concentração dos serviços para o segundo turno deste pleito acontecerá na sede provisória do TRE, que foi preparada dentro da universidade Nilton Lins

Serviço emergencial, como as ambulâncias, estarão de prontidão para atender aos eleitores

Venda de bebida será fiscalizada Está expressamente proibida a venda e o consumo de bebidas alcoólicas em lugares abertos ou públicos desde as 22h de ontem. O período de proibição se estenderá até as 18h de amanhã. A proibição, chamada popularmente de Lei Seca, está prevista na portaria conjunta 003/2014, assinada no dia 9 deste mês e publicada no Diário de Justiça Eletrônico (DJE).

O descumprimento da determinação caracterizará crime de desobediência, previsto no Código Eleitoral (lei 4.737/65), com punição que varia entre detenção de três meses a um ano e pagamento de 10 a 20 dias de multa. Os flagrados infringindo a legislação serão encaminhados para o auditório da Universidade Nilton Lins, bairro Parque das Laranjeiras, Zona Centro-Sul da cidade. O

local é o mesmo usado pela Justiça no primeiro turno. Saúde Para atender o público em geral estão em funcionamento 24 horas os hospitais e prontos-socorros da cidade, além dos Serviços de Pronto Atendimento, conhecidos como (SPAs) e maternidades. As policlínicas e Centros de Atenção Integral à Criança (Caics) funcionarão normalmente amanhã.

Agenda dos candidatos EDUARDO BRAGA Candidato deverá votar às 9h na escola estadual Hermes da Fonseca, no conjunto Cophasa, na Ponta Negra.

JOSÉ MELO Candidato votará pela manhã na escola estadual Ângelo Ramazzoti, no conjunto Adrianópolis.


Eleições 2014

MANAUS, DOMINGO, 26 DE OUTUBRO DE 2014

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O perfil dos candidatos apresentado ao eleitor FOTOS: REPRODUÇÃO

José Melo e Eduardo Braga travam uma disputa ao governo do Amazonas histórica no pleito deste ano

Proposta dos candidatos Eduardo Braga -

60 mil bolsas universitárias Crédito para jovens empreendedores Adicional de R$ 50 no Bolsa Família Crédito para família

José Melo - Banco do Povo - 47 mil moradias - 30 escolas de tempo integral - Obra da avenida das Flores

No 2º turno, o candidato José Melo continuou alavancando suas proposta do “Banco do povo”

No próximo governo, pretendo introduzir educação ambiental, educação para o trânsito, além das escolas integrais. Quero melhorar ainda mais a vida da população do Amazonas”

RAPHAEL LOBATO Equipe EM TEMPO

O

segundo turno da histórica disputa pelo governo do Amazonas finaliza hoje, entre o senador Eduardo Braga (PMDB) e o governador José Melo (Pros). Durante as últimas três semanas, após o resultado apertado visto no primeiro turno, os adversários concentraram esforços em acenar para públicos estratégicos, reforçando a presença em zonas de baixo desempenho e buscando o voto dos indecisos. Eduardo Braga priorizou acenos para o eleitorado jovem. O senador peemedebista se desdobrou nas últimas semanas para fazer ecoar propostas como 60 mil bolsas universitárias em instituições particulares, a criação de uma versão local do programa do governo federal Ciência Sem Fronteiras, crédito de financiamento para jovens empreendedores e até uma secretaria estadual para cuidar da juventude. O pacote de propostas teve o objetivo de estancar a migração dos votos obtidos

Já Eduardo Braga priorizou acenos para o eleitoral jovem nesta etapa de reta final do pleito

pelo terceiro o \\srv-aet01\fotos$\ apoio do PSB de Ramos. lugar no priJosé Melo continuou alavanTRATADAS\DOMINGO\ meiro turno, cando a parceria com o PSDB deputado do prefeito Arthur Virgílio, ELEICAO_EDUARDO_ Marcelo Raque teve mais espaço para mos (PSB), divulgar a candidatura do 001.JPG para José presidenciável tucano, Aécio Melo. A moNeves, no programa de Melo. vimentação O ex-governador eleito senaenvolveu ainda propostas de dor, Omar Aziz (PSD), também poupança para jovens, am- continuou exposto. pliação do ensino técnico e integral e até o apoio aos movimentos que lutam pelo ATAQUES Passe Livre, proposta que Segundo turno da disfoi carro-chefe da campanha puta pelo governo foi do PSD da ex-presidenciável, marcada pelo aumenMarina Silva. to dos ataques entre Eduardo Braga e José Exposição Melo. Os adversários Já o candidato à reeleição, submeteram os eleitoJosé Melo, continuou alavanres a uma maratona de cando a exposição da propospeças publicitárias ta do “Banco do Povo”, para financiamento de empreendimentos. O governador repetiu no segundo turno a proposta Além dos intensos ataques de criar mais 30 escolas de vistos durante as últimas setempo integral e construir 47 manas, os candidatos se desmil moradias na capital e no dobraram para mostrar lados interior. Melo também explo- positivos. Braga se mostrou rou a recente iniciativa de mais humanizado, destacando promover a recuperação da o convívio com a família e a sua Santa Casa de Misericórdia. história pessoal. A estratégia O governador, no entanto, foi repetida na campanha de não levou para o seu progra- Melo, que continuou exploranma, nem para os palanques, do o seu passado no interior.

Ambas campanhas tentaram descontruir a imagem e o discurso dos adversários. Ataques pessoais O segundo turno da disputa pelo governo foi marcado pelo aumento dos ataques pessoais entre Eduardo Braga e José Melo. Os adversários submeteram os eleitores a uma maratona de peças publicitárias com acusações diversas. A guerra foi vista até no último debate entre eles, anteontem. Para eleitores ouvidos pela reportagem do EM TEMPO, no entanto, a postura não agradou e não ajudou na decisão. “Gostaria de ter visto mais propostas. O que vi foram agressões assustadoras. No final, ficamos com a sensação de que estamos votando no menor pior”, disse a estudante de jornalismo, Paula Cecília. Já o professor Jorge Medeiros declara que a democracia perde com os ataques entre os candidatos. “Ambos incentivaram o radicalismo e seja quem for que chegue ao poder terá que enfrentar as consequências do que plantou. A população foi deixada de lado”, disse.

Pretendemos elaborar o Plano Emergencial de Segurança Pública, incorporando metas estruturantes como combate ao tráfico e diminuição de homicídios”


Eleições 2014

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MANAUS, SÁBADO, 25 DE OUTUBRO DE 2014

Resposta do PT é censura, afirma Aécio sobre a ‘Veja’ DIVULGAÇÃO

Tucano mencionou a reportagem de capa da revista ao afirmar que Dilma e Lula sabiam do esquema de corrupção na Petrobras

Militantes pró-Aécio e pró-Dilma fizeram campanha lado a lado no largo do Carioca, Rio de Janeiro, seguida de confronto, mas o embate entre as siglas terminou sem que houvesse pessoas feridas

O

candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, disse ontem (24) que a única resposta do PT às denúncias de corrupção na Petrobras é a “censura”. O tucano mencionou a reportagem de capa da edição desta semana da revista “Veja”, sobre o mais recente depoimento do doleiro Alberto Yousseff em que ele afirma que tanto a presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff (PT), quanto o ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sabiam de todo o esquema de corrupção na Petrobras. “Essa revelação, de que Dilma e Lula conheciam o esquema de corrupção, é extremamente grave. Sabemos que a delação premiada (instituto processual a que aderiu Alberto Youssef) só garante benefícios ao de-

nunciante se for comprovada suas afirmações. O Supremo Tribunal Federal já homologou as denúncias anteriores de Youssef e caminha para homologar mais esta denúncia”, disse Aécio, que informou também que já tomou medidas jurídicas em relação ao tema: “Eu determinei que hoje mesmo o PSDB ingresse na Procuradoria Geral da República, solicitando que essas investigações sejam aprofundadas em virtude da gravidade do tema”. O candidato criticou ainda a postura do PT e da candidatura adversária em relação às novas declarações do doleiro publicadas pela “Veja”. “O Brasil merece uma resposta. Infelizmente, a única resposta do PT até agora foi a censura, foi uma tentativa jurídica de impedir a distribuição da maior revista do país. Mas o

TSE (Tribunal Superior Eleitoral) rejeitou o pedido”.

Ministro nega pedido de Dilma

Desvios Por fim, Aécio comentou a denúncia, do mesmo doleiro, de que R$ 20 milhões, frutos de desvios e que estavam fora do país, teriam sido repatriados para serem utilizados na campanha de Dima. “Isso é extremamente grave, seria a comprovação de que houve caixa dois na atual campanha eleitoral”, finalizou o candidato, que deixou o hotel sem responder a nenhuma pergunta dos jornalistas. O evento ocorreu no hotel Sheraton, no Rio de Janeiro, onde o tucano se prepara para o debate na TV Globo.

O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Admar Gonzaga negou, ontem, o pedido feito pela campanha da presidente Dilma Rousseff (PT) de retirada da reportagem de “Veja”, publicada no site e no Facebook da revista, que informa que Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sabiam do esquema de corrupção na Petrobras. A informação é atribuída ao doleiro Alberto Youssef, preso desde março por envolvimento de um esquema milionário de lavagem de dinheiro. A campanha de Dilma pede

RETIRADA A informação é atribuída ao doleiro Alberto Youssef, preso desde março por envolvimento de um esquema milionário de lavagem de dinheiro. Dilma pede que sejam retirados do Facebook links da revista que sejam retirados do Facebook links e menções à reportagem da revista. Neste ano, denúncias sobre irregularidades na

Petrobras surgiram na imprensa. As investigações tomaram fôlego e pautaram as eleições presidenciais deste ano com a deflagração da operação Lava Jato, que chegou a prender um ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa, por suspeita de desvio de dinheiro público. Segundo Costa, que realizou delação premiada, o esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a petrolífera financiou PT, PMDB e PP. A presidente e o ex-presidente sempre negaram que soubessem do esquema.

EXPEDIENTE EDIÇÃO Isabella Siqueira de Castro e Costa e Náis Campos

REPORTAGEM Joelma Muniz, Raphael Lobato e Assessorias

REVISÃO Gracycleide Drumond e João Alves

DIAGRAMAÇÃO Adyel Vieira, Leonardo Cruz e Pablo Filard

TRATAMENTO DE FOTOS Adriano Lima


Eleições 2014

MANAUS, SEXTA-FEIRA, 24 DE OUTUBRO DE 2014

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TUDO PRONTO PARA AS ELEIÇÕES Prefeitura de Manaus monta operação que garante o transporte coletivo de eleitores e limpeza das ruas no pós-eleição. Amazonas Energia vai montar um plantão para atender as emergências no dia da votação

A

Prefeitura de Manaus vai colocar nas ruas 1.407 ônibus, de 217 linhas, para atender gratuitamente a população no domingo (26), no 2° turno das Eleições 2014. A gratuidade do transporte foi acordada com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM) ainda no último mês de julho e publicada na forma da lei 1895, de 11 de agosto, no Diário Oficial do Município (DOM). O embarque gratuito será de 4h à meia-noite de domingo e não se aplica aos transportes Executivo e Alternativo, como explica o superintendente da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), Pedro Carvalho. “Como esses dois modais ainda estão sendo regulamentados, não há contrato assinado com a prefeitura. Somente com um contrato de permissão seria possível fazer o ressarcimento dos custos oriundos da gratuidade”, disse. Para acessar os coletivos, os usuários devem passar normalmente pela catraca. Toda a operação de trans-

KARLA VIEIRA/SEMCOM

porte será coordenada pela SMTU, que estará com 40 fiscais nas garagens, terminais de bairro e de integração. Será intensificada a fiscalização no horário de 12h às 14h, quando se dá a troca de turno dos motoristas e cobradores para coibir atrasos na saída dos ônibus. Lotação O superintendente acrescenta que apesar de toda a frota operacional estar em circulação, devido ao aumento considerável da demanda de passageiros nos dias das eleições por conta da gratuidade, alguns ônibus podem trafegar com lotação máxima em determinados horários. “É um dia atípico. No 1º turno tivemos um número de passageiros 20% superior ao de um dia útil normal. Muitas pessoas votam e depois aproveitam a gratuidade para fazer outras coisas utilizando o serviço de transporte público. Mas estaremos coordenando a operação para coibir qualquer irregularidade”, ressaltou.

O eleitor, em Manaus, vai contar com transporte coletivo gratuito no domingo (26), dia das eleições do 2º turno

Operação ruas sem sujeira KARLA VIEIRA/SEMCOM

Esquema vai intensificar a limpeza das ruas com aproximadamente 300 garis

Para manter a cidade limpa após a votação, a prefeitura montou um esquema de operação de limpeza similar ao adotado no 1º turno. O trabalho será realizado pela Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Públicos (Semulsp). A limpeza começa logo após o fechamento das urnas, a partir das 17h. Serão cerca de 300 garis da varrição noturna, que se dividirão para limpar,

inicialmente, as principais vias da cidade. A meta da prefeitura é concluir a limpeza dos 408 locais de votação, na zona urbana de Manaus, em menos tempo do que o que foi necessário no 1º turno, já que serão apenas quatro candidatos no pleito (dois para o governo do Amazonas e dois para a Presidência da República). A operação de limpeza do 1º turno retirou 73,5

toneladas (média de 180 Kg por local de votação) de lixo eleitoral, em quatro dias de trabalho em regime de plantão. Para esta ação, a Semulsp mobilizou 340 garis. O custo total da operação, no início do mês, alcançou o montante de R$ 207,4 mil, contabilizando gastos com coleta e disposição final de lixo no aterro, materiais, pessoal e aluguel de veículos de apoio.

Plano para garantir energia O plano de contingência da Eletrobras Amazonas Energia para o 2º turno das eleições, com a definição das medidas que serão adotadas pela empresa para garantir a confiabilidade e a segurança no fornecimento de energia elétrica durante a votação do próximo domingo (26), está pronto. Ao todo, serão 345 equipes (275 em picapes e lanchas e 70 em caminhões). A capital contará com 169 equipes de linha-viva, pesadas e leves, que estarão a postos, distribuídas por zona em pontos de fácil deslocamento, para atender qual-

quer tipo de ocorrência. Equipes extras também foram providenciadas para compor o contingente de atendimento emergencial. Os serviços nos sistemas de distribuição serão mantidos pelas equipes próprias e terceirizadas, com plantões das equipes de operação e manutenção. Plantão Uma equipe do plantão ficará de prontidão para atender a sede do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) das 6h até as 23h59 do dia 26. Para reforçar as ações de segurança do serviço de energia elétri-

ca, a Eletrobras Amazonas Energia suspendeu todos os serviços de interrupções programadas para o dia das eleições 2014. A exceção será apenas para serviços emergenciais. O interior do Estado também contará com um Plano de Contingência específico para os 62 municípios atendidos pela distribuidora. Para garantir a segurança das 103 usinas termoelétricas, 176 equipes irão atender as possíveis ocorrências. A Eletrobras Amazonas Energia atende atualmente cerca de 334 mil consumidores no interior do Estado. DIVULGAÇÃO

Amazonas Energia vai montar um plantão para garantir energia nas eleições

PREFEITOS/INTERIOR

Administração pública em discussão O enfrentamento de crises municipais, como a queda da arrecadação do Fundo de Participação dos Municípios, a melhor gestão e a utilização de novas tecnologias para a administração pública serão alguns dos temas tratados pelos prefeitos dos 62 municípios do Amazonas durante o “Diálogo

Municipalista 2014”, evento que a Associação Amazonense dos Municípios (AAM) vai realizar em parceria com a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) entre os dias 30 e 31 de outubro, no auditório do hotel Caesar Business, em Manaus. “Esse encontro é fundamental para a troca de ex-

periências entre os gestores, além de criar um vínculo dos prefeitos com a Associação Amazonense dos Municípios e membros da Confederação Brasileira dos Municípios. Juntas, essas entidades têm conseguido grandes vitórias para a gestão pública municipal”, afirmou o presidente da AAM e

prefeito de Boca do Acre, Iran Lima. O encontro vai contar com a presença de toda a diretoria da CNM, que dentre outras novidades apresentará aos gestores o URBEM, uma nova ferramenta tecnológica que está sendo oferecida gratuitamente aos municípios do Amazonas para que haja uma

otimização da gestão municipal. Por meio desse soſtware será possível a realização de diagnósticos, organização e dinamização dos processos internos, e os gestores municipais terão significativo auxílio no planejamento e na tomada de decisões, de maneira clara e objetiva.


Eleições 2014

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Sigilo impede eleitor de levar os filhos à urna

Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

www.claudiohumberto.com.br

Não tem eficácia”” MINISTRO ADMAR GONZAGA (TSE), ao rejeitar pedido do PT para censurar a revista “Veja”

Contratos fajutos OAS, Camargo Corrêa, Odebrecht etc. faziam depósitos de valores por “serviços” jamais prestados. Dinheiro vivo só em casos excepcionais. Paraísos fiscais Youssef também transferia o dinheiro roubado para contas controladas por políticos em paraísos fiscais, se eles assim o preferissem. Presentes caros O esquema subornava autoridades, oferecendolhes presentes caros, viagens em jatinhos, carros de luxo, imóveis no exterior, lanchas etc. Dinheiro comprado Havia casos também em que o esquema “internalizava” dinheiro vivo, em reais, comprado em bancos paraguaios, para distribuir em malas. Bolsa Família distribui R$ 17,7 bilhões em 2014 O governo Dilma distribuiu neste ano eleitoral, até setembro, quase R$ 18 bilhões a beneficiários do Bolsa Família, segundo dados do Portal Transparência. Em três meses foram injeta-

Jornalista

dos “na veia” dos assistidos R$ 2,5 bilhões ao mês, em média. A Bahia, onde o PT obteve sua mais importante vitória no 1º turno, é o Estado que mais recebeu verbas do programa: R$ 2,28 bilhões. São Paulo, o maior do país, R$ 1,5 bilhão.

Cenário Aécio Eliana Calmon e Carlos Veloso, ministros aposentados no STJ e no Supremo, são cotados para o Ministério da Justiça em eventual governo Aécio. Outro citado é o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP).

Lula x Dilma No último ano do governo Lula, o ex-presidente distribuiu R$ 14,3 bilhões com o Bolsa Família, bem menos que Dilma.

PDT dividido Assim como os deputados do PMDB na Câmara, os do PDT também ignoram solenemente a desmoralizada direção nacional e chegam divididos neste domingo: reeleger Dilma ou eleger Aécio, eis a questão.

Bolsa de valores Desde que assumiu a Presidência em 2011, os valores gastos com a Bolsa Família cresceram em média 17% ao ano. Em bilhões, claro. Previsão Em 2013, o governo distribuiu um total de R$ 24,9 bilhões. Se o ritmo deste ano continuar, o total de 2014 deve passar dos R$ 27 bilhões.

Conto do vigário A pedido de sindicalistas do PT, o Ministério do Planejamento aprovou um pacote de concursos ainda este ano, a fim de facilitar a tarefa de pedir votos para Dilma. Mas é tudo lorota: a Lei de Responsabilidade Fiscal proíbe aumentar despesas com pessoal em final de mandato.

Perspectivas sombrias Ferido de morte na era PT, o Itamaraty terá o tiro de misericórdia em 2015: continua sob domínio tacanho do aspone Marco Aurélio Top-Top Garcia ou do embaixador tucano Rubens Barbosa. Ninguém merece.

Enganação A “estupenda” valorização dos carteiros na era petista deveria explicar o engajamento dos Correios na campanha de reeleição de Dilma. Em 12 anos, os salários na ECT subiram raquíticos 0,4% acima do mínimo.

Mapa da mina Vice de Marina no 1º turno, Beto Albuquerque (PSB-RS) acredita que o tucano Aécio Neves tem chance de ganhar se mantiver 65% das intenções em São Paulo, e continuar crescendo em Minas e no Sul.

Que campanha? O site do PMDB ignora o segundo turno na medida em que seu maior representante, Michel Temer, vice-presidente da República e candidato à reeleição, é solenemente ignorado pela campanha de Dilma (PT).

Cenário Dilma O gaúcho Gilson Dipp, ministro aposentado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), é cotadíssimo para ocupar o cargo de ministro da Justiça, em eventual segundo governo Dilma.

Pergunta no Petrolão Assim como MEC, Receita e Ipea esconderam indicadores negativos, o PT queria que a revista “Veja” omitisse que Dilma e Lula sabiam do esquema de corrupção na Petrobras?

Norma eleitoral autoriza apenas que eleitores deficientes possam comparecer às urnas acompanhados de outros CRÉDITO DO FOTÓGRAFO

Eleitores costumam levar os filhos para as cabines de votação como forma de patriotismo

O

sigilo do voto é preceito constitucional, que acompanha o processo democrático de escolha dos representantes há séculos no Brasil. Discussão interessante, principalmente em períodos eleitorais, é a permissão ou proibição ao eleitor de ser acompanhado por crianças e adolescentes, normalmente filhos ou parentes próximos, sob o pretexto de incentivo à consciência democrática dos futuros eleitores. A ausência de um disciplinamento uniforme (pelos tribunais regionais eleitorais e pelo Tribunal Superior Eleitoral) tem gerado posturas diversas nas zonas eleitorais pelo país, causando questionamentos e incidentes, muitas vezes mal compreendidos pelos eleitores. O uso criminoso desse artifício, por candidatos e partidos políticos, para viabilizar a compra dissimulada de votos, deve gerar inúmeras restrições a essa prática. O ponto é controvertido, principalmente diante da inexistência de uma norma clara e uniforme a respeito do sigilo do voto, que tem gerado as mais diversas interpretações. O tema demanda uma reflexão atual em prol da democracia, de

forma a viabilizar a escolha livre, pelo eleitor, de seus representantes, com o objetivo de se preservar a lisura do processo eleitoral A Constituição Federal estabelece, no artigo 14, que o voto é direto e secreto, com valor igual para todos. O sigilo do voto é garantido pela Constituição para proporcionar ao eleitor a segurança

SIGILO É comum o eleitor levar o filho para a sessão eleitoral, para a cabine e até para apertar o teclado da urna eletrônica com número de candidato e confirmar o voto, mas essa prática não é autorizada necessária da livre escolha de seus candidatos e a lisura do processo eleitoral. Vedase aqui a possibilidade de influência, coação ou mesmo a vinculação do eleitor por quem quer que seja, no momento em que emite o voto, dentro do processo eleitoral. O momento do voto é único no exercício do direito do eleitor e da cidadania, já que é atra-

vés dele que o eleitor, individualmente, externa a sua opção na escolha de seus representantes, que irão dirigir o futuro da nação. Em última análise, definem as políticas que irão beneficiar ou prejudicar o eleitor e a própria sociedade como um todo. A manipulação desse processo democrático, por artifícios das mais variadas espécies, viola a livre escolha dos candidatos pelo eleitor, propicia a corrupção, a venda e compra de votos e compromete a base do sistema eleitoral. O sigilo do voto garante ao eleitor a prerrogativa de escolha, vinculando-o a interesses imediatos dele e da sociedade. A violação do voto pode favorecer grupos políticos sem compromissos com a sociedade, em afronta ao interesse público. O sigilo do voto constitui uma garantia ao eleitor para a escolha de seus representantes de forma livre e sem influências externas, longe de ser uma violação à liberdade de expressão. DIVULGAÇÃO

Petrolão: gangue pouco operou com dinheiro vivo Na CPMI da Petrobras, a quebra de sigilo bancário do ex-diretor Paulo Roberto Costa e do megadoleiro Alberto Youseff revela que os saques não eram muito expressivos considerando os R$ 10 bilhões que, diz a Polícia Federal, foram roubados da estatal pelo esquema do “petrolão”. Isso confirma uma tese do juiz Sergio Moro: a maior parte do desfalque era enviada ao exterior mediante contratos falsos de importação.

MANAUS, DOMINGO, 26 DE OUTUBRO DE 2014

PODER SEM PUDOR

Gazeteiros históricos Não é de hoje a falta de disposição dos deputados para o trabalho. Campos Salles, que presidiu o Brasil entre 1898 e 1902, enviou uma carta ao então presidente da Câmara, ex-deputado Xavier da Silveira, em que solicita sua “intervenção” para “obter o comparecimento dos deputados na sessão da Câmara”. Campos Salles se queixa em sua carta de 8 de abril de 1901 que “até hoje não temos um Orçamento sequer votado pela Câmara”. E adverte: “Nada pode ser mais grave do que isto”. Vai mais além: “É preciso não só que (os deputados) compareçam, mas que permaneçam durante a sessão, pois a praga é: entrar por uma porta e sair pela outra”. Mais de um século depois, continua tudo igual.

Alguns casos podem ter mudança

ATRASOS

Horário de verão muda apuração A diferença de fuso horário entre Brasília e o Estado do Acre e a implantação do horário de verão irão atrasar em cerca de meia hora a divulgação do nome do novo presidente da República na eleição deste domingo (26). Apesar de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estimar que a apuração se encerrará por volta das 19h30, o resultado final só será divulgado após as 20h, quando

Apenas cadeirantes e portadores de necessidades especiais podem votar acompanhado

terminar a votação no território acriano. A assessoria de imprensa do TSE informou que nenhum dos ministros da corte eleitoral terá acesso ao resultado da eleição presidencial. O Acre tem um fuso com duas horas de diferença a menos em relação ao horário de Brasília. Além disso, devido ao horário de verão, a diferença aumentou provisoriamente para

três horas. Em todo o país, os locais de votação ficarão abertos até as 17h (no horário local). Desta forma, quando os eleitores do Acre acabarem de votar, já serão 20h nos Estados que seguem o horário de Brasília. No primeiro turno das eleições, realizado em 5 de outubro, o horário de verão ainda não estava em vigor.

A norma eleitoral permite ao eleitor com deficiência ou mobilidade reduzida o acompanhamento de outrem, ao votar, e que ele “seja auxiliado por pessoa de sua confiança” (artigo 90, da Resolução 23.399 de 17 de dezembro de 2013). Seria a única hipótese de o eleitor levar companhia para o voto, por razões justificadas de viabilização física do próprio voto pelo eleitor portador de deficiência. Não existe previsão legal ou administrativa de voto acompanhado de outrem, exceto o deficiente ou de

mobilidade reduzida. Não há permissão de o eleitor ser acompanhado por criança e adolescente, mesmo que seja filho. Assim, em princípio o eleitor deve ir votar sozinho, sem companhia. Porém, é comum o eleitor levar filho para a sessão eleitoral, para a cabine e até para apertar o teclado da urna eletrônica com número de candidato e confirmar o voto, hipótese em que materialmente quem exercita imediatamente o voto é o filho e não o próprio eleitor. Como o voto é pessoal, a permissão ao

filho é irregular e ilícita. Embora pareça irrelevante à primeira vista, o fato se mostra importante, principalmente para se evitar condutas ilícitas, por exemplo, quando envolve a compra e venda de votos. Há relatos de que pessoas estariam usando crianças para acompanhar o eleitor no momento da votação e, depois, confirmarem para quem ele teria votado, viabilizando a obtenção de vantagens pelo próprio eleitor e por terceiros com interesses escusos.


Eleições 2014

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Dias TOFFOLI

‘Houve tentativa DE SE FAZER UMA CAMPANHA do vote no menos pior’

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Como cidadão, o que esperávamos é que nos debates os candidatos aos cargos executivos apresentassem suas opiniões, propostas, debatessem a sociedade, ao invés de ficarem dentro de um ‘modelito’ feito aos moldes dos marqueteiros

o dia das eleições, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (STF), ministro Dias Toffoli, diz que o marketing político foi supervalorizado nesta campanha, deixando de lado assuntos de interesse do país, como economia, segurança pública e política externa. O marketing começa a prevalecer cada vez mais sobre o conteúdo, entende o ministro. “Como cidadão, o que esperávamos, é que nos debates os candidatos apresentassem suas opiniões, propostas, debatessem a sociedade, ao invés de ficarem dentro de um ‘modelito’ feito pelos marqueteiros”, criticou. Para o ministro, ficou clara no segundo turno, uma tentativa de fazer uma campanha do “vote no menos pior”. Toffoli foi um dos defensores da adoção de uma postura mais rigorosa do TSE, para forçar os candidatos a deixarem os “ataques de baixo nível” de lado. “Qual vai ser a política externa do candidato A ou do candidato B? Eu não vi isso ser apresentado”, comentou. Em entrevista, o presidente do TSE defendeu o barateamento das campanhas eleitorais, a discussão da metodologia das pesquisas e afirmou que a corte pretende editar súmulas para fazer o entendimento destas eleições valer daqui para frente.

que prevaleceram ao longo das eleições. Com isso, dar maior segurança na interpretação das leis para toda a Justiça Eleitoral. Pode então virar uma súmula o entendimento de que não podem ser usadas matérias de jornais nas propagandas eleitorais para atacar? Toffoli - Vamos discutir isso na corte depois das eleições. Isso é o que eu falo de lavagem da notícia. Vem a notícia de um jornal e você coloca no seu horário eleitoral gratuito. Aí se diz: a responsabilidade não foi minha. O senhor diz que o eleitor tem discernimento para analisar as campanhas eleitorais. Por que então este novo entendimento do Tribubal Superior Eleitoral?

Toffoli - A disputa não estava naqueles que já têm a opinião formada. Estava em desconstruir a imagem do outro, para aqueles que ainda não tinham opinião. Isso é uma consequência do segundo turno. Parte-se do pressuposto de que quem votou em A continuará a votar em A. Quem votou em B, continuará a votar em B. Então, o que faz o marketing? Ao invés de continuar uma campanha propositiva, vai disputar o voto dos indecisos que não votaram naqueles candidatos. Eles têm duas opções: ou tentar conquistar os votos dos indecisos ou tentar fazer com que o indeciso não vote no adversário. Essa estratégia tem reflexos nos debates? Toffoli - Os debates foram dirigidos muito menos pelos candidatos e muito mais pelos marqueteiros. Como cidadão, o que esperamos, é que nos debates os candidatos apresentem suas opiniões, propostas, debatam a sociedade, ao invés de ficarem dentro de um “modelito” feito pelos marqueteiros. O modelo de marketing atual está supervalorizado. O debate tem de ser uma questão de convicção das ideologias e não algo que é feito só para o momento eleitoral.

O nível das propagandas políticas melhorou depois da postura mais rigorosa do TSE? Dias Toffoli - Os programas melhoraram qualitativamente do ponto de vista programático. É um bom motivo para repensar esse horário eleitoral gratuito. O que menos aparece, às vezes, é o candidato. Se fosse fazer uma análise de todas as campanhas, o marketing começa a prevalecer cada vez mais sobre o conteúdo.

Como resolver isso? Toffoli - Temos de baratear as campanhas. É preciso limitar os gastos de campanha, vedar financiamento de campanha por pessoas jurídicas e estabelecer um teto de doação em valores fixos, não em valores proporcionais. No Brasil, os limites são proporcionais. Então, uma grande empresa pode doar mais do que uma pequena empresa. Com um teto, teríamos uma participação mais equânime.

Mas o efeito disso ficou só para os programas do final da campanha. Por que a estratégia não foi adotada no primeiro turno? Toffoli - O tribunal historicamente sempre teve uma certa tolerância, quando o nível de ataque se dá em proporção muito pequena. Mas, o que ocorreu a partir do segundo turno foi uma tentativa de se fazer uma campanha do “vote no menos pior”, ao invés de fazer a campanha positiva, do vote no melhor. No primeiro turno não houve ataques como houve no segundo turno. Pelo menos, essa é a leitura que eu faço.

É necessário fazer mudanças nas pesquisas eleitorais? Toffoli prepara uma série de propostas Toffoli - Em muitos casos teve para mudar a propaganda eleitoral uma diferença muito grande (entre pesquisas e resultados). O ministro Toffoli - A questão é a proporção Gilmar Mendes e o ministro Henrique que isso assumiu. Uma coisa é uma Neves me provocaram para que após propaganda que tem 90% de atuação a eleição chamemos os principais programática e uma crítica mais ácida institutos para ouvir sobre a metode 10%, 5%. Outra coisa é candidaturas dologia. Existem pesquisas que têm abandonarem toda uma proposição de margens de erros diferenciadas. Será programa de governo. Qual vai ser a que isso é admissível? Uma pesquisa política externa do candidato A ou do tem o universo de 2 mil eleitores, candidato B? Eu não vi isso ser apre- outra tem universo de 4,6 mil. Será sentado. Deixa-se de dizer qual vai ser que dá para divulgar isso como sendo o seu programa social, qual vai ser o a mesma coisa? seu programa econômico, qual vai ser o seu programa de área de segurança, O resultado da pesquisa interfere de política internacional. no voto do eleitor? Toffoli - Se não fosse trazer Qual eleitor foi alvo das campa- algum benefício, o marqueteiro nhas no segundo turno? não colocaria.

O TSE está pensando em mudar as regras da propaganda eleitoral? Toffoli - Podemos editar súmulas. Estamos fazendo estudos para depois do segundo turno simularmos as teses

Quem votou em B, continuará a votar em B. Então, o que faz o marketing? Ao invés de continuar uma campanha propositiva, vai disputar o voto dos indecisos que não votaram naqueles candidatos

Podemos editar súmulas. Estamos fazendo estudos para depois do segundo turno simularmos as teses que prevaleceram ao longo das próximas eleições


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Internet: Aécio lidera, mas Dilma cresce na reta final

Presidenciáveis não se atacam só no “cara a cara”, mas utilizam as mídias sociais para duelarem a serviço do voto do internauta

Economia Com mensagens publicadas pela assessoria de imprensa em seu perfil pessoal, a presidente voltou a atacar o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, que foi apontado por Aécio como eventual futuro ministro da Fazenda e disse que ele “acha que o salário mínimo

do o seu discurso contra a economia e garantir que não acabará com programas sociais do PT. “Cada mês, a desconfiança é maior em relação à economia”, postou o tucano. “Reafirmo meu compromisso com os programas sociais, como o Bolsa Família, e o fortalecimento dos bancos públicos”.

REAÇÃO

O pico das declarações de voto ao candidato do PSDB aconteceu em dois momentos: logo após o 1º turno das eleições e no dia 12 de outubro, quando Marina Silva, do PSB, declarou apoio a Aécio

Compromissos O tucano aproveitou ainda para escrever sobre o que chamou de “compromisso pessoal” com os aposentados e voltou a dizer que se eleito vai rever o fator previdenciário. Ele destacou também que vai continuar lutando contra “as mentiras do PT”.

está alto demais”. “Nessa campanha é importante lembrar como foi o governo do PSDB. Eles desempregaram 11 milhões de brasileiros”, escreveu a petista. Já Aécio aproveitou o Twitter para continuar reforçan-

Intenção de votos nas redes sociais

No Facebook, a aposta dos candidatos foi desde vídeos próprios até exaltação de artistas que estão os apoiando. Aécio aparece em duas mensagens gravadas. Em uma delas, pede mobilização e repete que “falta muito pouco tempo para a libertação do Brasil”. Em outro vídeo, o tucano destaca que “o Brasil merece um governo decente, eficiente, qualificado”. No quesito artistas, Aécio destacou o depoimento da cantora Paula Toller e, logo na sua primeira postagem de hoje, colocou um vídeo do cantor Xandy, vocalista da banda Aviões do Forró, com uma paródia da música Festa, de Ivete Sangalo.

A força da campanha virtual Ao longo de toda campanha, as redes sociais tornaram-se importante ferramentas de comunicação. No pleito passado, a força dessas comunidades virtuais ainda não tinha relevância, mas nas eleições de 2014 definitivamente elas tiveram um papel muito importante.

Decisão voto a voto: PT X PSDB AIRSTRIP

no Estado tenta conter um possível avanço do tucano em um território considerado estratégico para ambos. Dilma tem explorado com frequência o fato de ter vencido Aécio em Minas Gerais no primeiro turno e argumenta que “quem conhece não vota nele”.

REDES SOCIAIS ANALISADAS FACEBOOK E TWITER

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Airstrip, empresa especializada em pesquisa de mercado social analytics, realizou entre os dias 5 e 23 de outubro mais uma pesquisa sobre as intenções de voto declaradas pelos internautas nas redes sociais. De acordo com o novo levantamento, o candidato Aécio Neves (PSDB) lidera com 53%, enquanto a candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) possui 47% das intenções de voto declaradas. No total, o Airstrip analisou 85.050 posts no Facebook e no Twitter durante todo o período do 2º turno. O pico das declarações de voto ao candidato do PSDB aconteceu em dois momentos: logo após o 1º turno das eleições e no dia 12 de outubro, quando Marina Silva, do PSB, declarou apoio a Aécio neste 2º turno. Já a candidatura de Dilma vez passando por um crescimento nos últimos dias. Inclusive, no dia 23 de outubro – a quinta-feira anterior à eleição – Dima ficou com 52% dos votos declarados, contra 48% de Aécio. Em outro levantamento, da Broadcast Político, mostrou que, até as 17 da última quarta-feira (22), Dilma fez 11 postagens no Twitter e 12 no Facebook, incluindo as compartilhadas de outras páginas. O número é parecido com o do tucano, que, desde o início do dia, postou 14 mensagens no Twitter e dez no Facebook. Na batalha por seguidores, o tucano leva vantagem no Facebook, com 3.151.182 seguidores contra 1.764.480 que acompanham as postagens da presidente. Já no Twitter, Dilma lidera com folga: tem 2.901.805 seguidores contra 192.447 do tucano, que aderiu às mensagens instantâneas desta plataforma bem mais tarde do que a presidente. Dilma aproveitou, por exemplo, sua passagem por Uberaba (MG) para lançar a hashtag #DilmaPraMudarMinas. A investida da petista

Inovação Para o doutor em comunicação e professor de mídias sociais do Mackenzie Celso Figueiredo, ao longo do processo eleitoral, a campanha de Dilma tem sido mais consistente e com melhor nível técnico. No entanto, Aécio tem sido o mais inovador. “O Aécio foi o mais inovador ao usar o WhatsApp e incentivar a disseminação de seu vídeo, mas de uma maneira geral a distribuição de assuntos da campanha da Dilma é maiscompleta”, afirmou. Maior presença Para o professor, a petista tem um estrutura mais consistente por trás de sua candidatura, mas nesta reta final é o tucano que tem conseguido marcar uma presença maior nas redes. “Agora no final tenho visto Aécio mais presente, com apoios e vídeos que vão desde o depoimento de FHC até de Chitãozinho e Xororó”, disse.

EXPEDIENTE EDIÇÃO Isabella Siqueira de Castro e Costa e Náis Campos

REPORTAGEM Joelma Muniz, Raphael Lobato, Luana Dávila e Assessorias

REVISÃO Dernando Monteiro, Gracycleide Drumond e João Alves

DIAGRAMAÇÃO Adyel Vieira, Kleuton Silva, Klinger Santiago e Mário Henrique

TRATAMENTO DE FOTOS Adriano Lima


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opiniao@emtempo.com.br

(92) 3090-1010

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Capa

colagem de Manuela Eichner

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Madrugada sangrenta em Curitiba

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Do exílio no sanatório ao Prêmio Camões

E outras 10 indicações culturais. Pág. 2

Alberto da Costa e Silva por Lilia Moritz Schwarcz. Pág. 3

Uma pitada disso e daquilo Em inédito, Paulo Rónai busca receita de best-sellers. Págs. 4 e 5

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Fulano de tal te representa, sim

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Do arquivo de Vivien Lando

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De vez em quando, sonho com meu irmão

Jacques Rancière fala à Folha sobre democracia. Pág. 6

São Paulo, 1999. Pág. 7

A imaginação de Uwe Timm. Pág. 8


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Ilustríssima Semana

O MELHOR DA CULTURA EM 11 INDICAÇÕES

BRASILEIRO

COLÓQUIO | HILDA HILST O encontro na USP pretende fazer um balanço da fortuna crítica da escritora paulista (1930-2004). Participam em conferências e mesas-redondas, entre outros, a professora de literatura da USP Eliane Robert Moraes, o professor da Unicamp e colaborador da Folha Alcir Pécora, a escritora e professora de teoria literária da Unifesp Paloma Vidal e o ator e coreógrafo Donizeti Mazonas. Prédio da Letras - Cidade Universitária | tel. (11) 3091-4512 | qua. (29) e qui. (30), a partir das 10h | grátis

LIVRO | JEANNE MARIE GAGNEBIN Aprofessora de filosofia e teoria literária da PUC-SP e da Unicamp reúne em “Limiar, Aura e Rememoração: Ensaios sobre Walter Benjamin” 14 textos de reflexão em torno das ideias do filósofo alemão (1892-1940). Estão ali conceitos como os de culpa e mito, e temas como o teatro de Brecht e materialismo. ed. 34 | R$ 44 | 272 págs.

IATÃ CANNABRAVA/DIVULGAÇÃO

Imagem do livro “Pagode Russo”

ERUDITO

DIVULGAÇÃO

EXPOSIÇÃO | PARTIR DO ERRO Sob curadoria da espanhola Marta Ramos-Yzquierdo, que tem pesquisado as condições de trabalho do artista contemporâneo, a mostra coletiva questiona o papel do erro na arte. A espanhola Cristina Garrido, o pernambucano Montez Magno e o venezuelano Ricardo Alcaide estão entre os nove artistas participantes. Pilar | tel. (11) 3661-7119 | ter. a sex., das 11h às 19h; sáb., das 11h às 17h | grátis | até 22/11

EXPOSIÇÃO | ISAAC JULIEN O artista britânico traz a São Paulo sua videoinstalação “Playtime”, de 2013, com atores como Maggie Cheung e James Franco. A obra trata, por meio de seis personagens arquetípicos, da crise econômica que começou em 2008, e é filmado nas cidades de Londres, Dubai e Reykjavík. galeria Nara Roesler | tel. (11) 30632344 | seg. a sex., das 10h às 19h; sáb., das 11h às 15h | grátis | até 15/11

LANÇAMENTO | GUSTAVO PIQUEIRA O escritor e designer gráfico faz, em “Mateus, Marcos, Lucas e João”, uma releitura das iluminuras medievais com imagens contemporâneas. Os personagens-título têm os nome dos evangelistas, mas são vendedores de cosméticos. A exposição “Inanis, Iluminuras para o Século 21” reúne os trabalhos feitos para a publicação. Edusp | R$ 120 | 176 págs. exposição seg. a sex., das 9h às 20h; e sáb., das 9h às 13h | até 27/2 Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin | tel. (11) 2648-0312 | lançamento na qua. (29), às 18 | grátis

POP

LANÇAMENTO | IATÃ CANNABRAVA O livro “Pagode Russo” traz 47 imagens que o fotógrafo fez em viagem a Moscou em 1985. As fotos, esquecidas por quase 30 anos, e que também formam uma exposição, mostram imagens cotidianas da Rússia às vésperas do fim da Guerra Fria. ed. Madalena/ Terceiro Nome | R$ 45 | 60 págs. exposição de seg. a sex., das 10h às 18h | até 18/1/2015 | Madalena Centro de Estudos da Imagem | tel. (11) 3473-5412 | lançamento na ter. (28), às 19h | grátis

TEATRO | NEGRINHA Inspirado no conto homônimo de Monteiro Lobato e em textos de Câmara Cascudo e Gilberto Freyre, este monólogo problematiza as questões raciais do fim do século 19. A montagem, dirigida por Luiz Fernando Marques, do grupo XIX, e com Sara Antunes, integra a programação de despedida do projeto “É Logo Ali”, do Sesc, que ocupa um casarão no bairro do Ipiranga até domingo (2). r. Bom Pastor, 709 | tel. (11) 33402000 | qui. (30) e sáb. (1), às 21h | R$ 12

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CINEMA | MADRUGADA SANGRENTA O evento que reúne os apreciadores dos filmes de horror promove oficina de efeitos especiais com o cineasta capixaba Rodrigo Aragão, concurso de ideias para séries de TV, sessões de cinema e a estreia do novo curta de Zé do Caixão, “O Saci”. O convidado deste ano, que ministrará masterclass, é o diretor e produtor Roger Corman, de “A Loja dos Horrores” (1960) e “A Mulher Vespa” (1959). Centro Cultural Sesi - Curitiba | tel. (41) 3013-4163 de qua. (29) a sáb. (1º/11) | grátis (filmes) programação em madrugadasangrenta.com.br

“Structural Absense” (2014), de Ricardo Alcaide

LANÇAMENTO | NAZARENO O artista plástico distribui o livro infantil “ABC - Um Guia Prático para Crianças de Todas as Idades”. O volume é uma espécie de cartilha de alfabetização, que mistura letras, palavras e desenhos, dialogando com o universo das crianças, tema recorrente em sua obra. galeria Emma Thomas | tel. (11) 3063-2193 | sáb. (1º), às 15h30 Edição do autor | grátis

CINEMA | JIA ZHANGKE O livro “O Mundo de Jia Zhangke” é fruto de mais de 30 horas de entrevistas do crítico francês Jean-Michel Frodon com o cineasta chinês de filmes como “O Mundo” e “Em Busca da Vida”. Há também textos de Walter Salles e Cecília Mello. Amanhã a Mostra exibe o documentário “Jia Zhangke, um Homem de Fenyang”, de Salles, e, no mês de novembro, Mello, professora de cinema da USP, ministra o curso “O Cinema de Jia Zhangke”, em quatro encontros. trad. Eloisa Araújo Ribeiro | Cosac Naify | R$ 59,90 | (336 págs. Centro Universitário Maria Antonia | tel. (11) 3123-5213 | terças, às 20h | R$ 200 Cine Livraria Cultura | amanhã (27), às 20h30 | R$ 16

LIVRO | STEFAN ZWEIG O volume “Três Novelas Femininas” reúne os textos do escritor austríaco (1881-1942) “Medo”, de 1913, “Carta de uma Desconhecida”, de 1922, e “24 Horas na Vida de uma Mulher”, de 1927. A publicação, organizada por Alberto Dines, traz ainda um prólogo e textos assinados pelo biógrafo sobre as adaptações feitas para o teatro, TV e cinema dessas novelas. trad. Adriana Lisboa e Raquel Abi-Sâmara | Zahar | R$ 39,90 | 176 págs.

ESTRANGEIRO Folha.com

Ilustríssimos desta edição EDUARDO VERDERAME/ACERVO PESSOAL

GERSON ROBERTO NEUMANN, 42, é professor de literatura e língua alemã na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. JAN LIMPENS, 44, é ilustrador e quadrinista (limpens.com).

PAULO RÓNAI (1907-92) ensaísta, tradutor e linguista nascido na Hungria. A Edições de Janeiro relança suas coletâneas “Encontros com o Brasil” e “Como Aprendi o Português e Outras Aventuras”.

LEANDRO COLON, 34, é correspondente da Folha em Londres.

RAFAEL CAMPOS ROCHA, 44, é ilustrador e cartunista, autor de “Deus, Essa Gostosa” (Quadrinhos na Cia.).

RAQUEL COZER, 36, é colunista do Painel das Letras da Folha.

LILIA MORITZ SCHWARCZ, 56, antropóloga, historiadora e professora na USP,

ÚRSULA PASSOS, 27, é redatora da “Ilustríssima”. MANUELA EICHNER, 30, é artista plástica. Expõe com o arquiteto espanhol Juan Cabello Arribas em “Monstera Deliciosa”, na Prototype, em São Paulo até 1º/11.

é autora de “As Barbas do Imperador” (Companhia das Letras). UWE TIMM, 74, escritor alemão, é autor de, entre outros, “Penumbras” (Record). VIVIEN LANDO, 56, é escritora e diretora cênica de ópera.

APP AMIGO Jornalista narra a relação de seu filho autista com o Siri, da Apple FOLHA.COM/ ILUSTRISSIMA Atualização diária da página da “Ilustríssima” no site da Folha SOPHIA LOREN Autobiografia revela a insistência de Cary Grant para conquistar a atriz >>folha.com/ilustrissima


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Perfil

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ALBERTO COSTA E SILVA

No casulo do tempo A trajetória do novo ganhador do Camões RESUMO Memorialista e poeta, embaixador feito africanista após sua experiência diplomática no continente, Alberto da Costa e Silva recebe na quarta (29) o Prêmio Camões. Colega e amiga do ocupante da cadeira 9 da ABL conta neste texto a trajetória do vencedor do maior reconhecimento a um autor de língua portuguesa.

LILIA MORITZ SCHWARCZ

“Cuide bem de suas neuroses”. Esse foi um dos inúmeros conselhos que recebi do acadêmico, poeta, ensaísta, memorialista, historiador, africanista, diplomata e o mais recente ganhador do Prêmio Camões: Alberto Vasconcellos da Costa e Silva, ou simplesmente Alberto, como gosta de ser chamado. Nessa ocasião, almoçava com ele no restaurante Villarino, bem em frente à Academia Brasileira de Letras, espécie de quartel general de Alberto, a despeito de ele andar por lá como se fosse um desconhecido. Com certeza não é: todos o saúdam pelo primeiro nome e empurram cadeiras para que ele possa melhor se locomover pelo local, que não é propriamente generoso nos seus espaços internos. Alberto – que, como ele define, foi criado e mimado por mulheres, e assim ganhou um ar de “senhorzinho” sem casagrande – logo escolheu para nós dois: “Para ela o frango (que é o que há de melhor), para mim um salmão”. Foi logo explicando: “Minha filha, não como nada que voe ou ameace voar”, e arrematou com a conclusão que dá início a esse artigo. Pois Alberto é assim: sempre ele mesmo, cuidando bem de suas neuroses, dono de histórias impagáveis retiradas de causos da sua vida e de família, de episódios envolvendo políticos e personalidades que conheceu, ou colhidos nos inúmeros livros que leu e que, com sua erudição humanista, vem divulgando nas suas obras. Alberto nasceu em 12 de maio de 1931 – em São Paulo, mas pouco ficou na cidade –, filho de Creusa Fontenelle de Vasconcellos da Costa e Silva, que cuidaria pessoalmente de boa parte da educação dos filhos, e do poeta Da Costa e Silva, que foi para ele uma presença marcante e paradoxal. Nascido em Amarante, no Piauí, em 1885, Antônio Francisco da Costa e Silva publicou seu primeiro livro, “Sangue”, em 1908. Ele também foi autor da letra do hino do Piauí, em 1823. Perten-

ceu à Academia Piauiense de Letras, na cadeira 21, mas não conseguiu adentrar a carreira diplomática. A falta de sucesso teria tido causa peculiar. Nos tempos do barão do Rio Branco, não havia concurso para ingressar na carreira. Era o barão quem selecionava pessoalmente, por entrevista, os candidatos – em geral relacionados a famílias próximas, bonitos e fluentes em idiomas estrangeiros. Da Costa e Silva teria falhado no critério físico: “Olha, o senhor é um homem inteligente, admiro-o como poeta, contudo não vou nomeá-lo porque o senhor é muito feio e não quero gente feia no Itamaraty”. Entre 1931 e 1945, durante os anos de Getúlio, o pai serviu junto à Presidência da República, e a família passou a viver no Rio. Mas uma estranha doença contraída por Da Costa e Silva mudaria o destino e faria com que todos fossem morar no Ceará, onde a mãe contava com o amparo familiar. O poeta praticamente parou de falar, desligou-se do mundo e se deixou ficar, na mesma poltrona, ausente. O menino guardou a imagem desse pai, sempre em casa, com um livro nas mãos. No primeiro volume de memórias de nosso autor, “Espelho de Príncipe” (1994), conhecemos um pouco da infância do menino Alberto, em Sobral. O relato chega até a juventude do garoto, quando, junto com a família, e já de volta ao Rio, descreve o colégio marista onde fez amigos de vida inteira, registra as repercussões da Segunda Guerra Mundial, o Brasil da Revolução de 30, bem como as características desse mundo mais largo que passava a conhecer e desfrutar, na então capital do país. Mais de dez anos depois, em 2007, Alberto publica um segundo volume de memórias. O novo título – “Invenção de Desenho” – é uma brincadeira acerca do gosto por garatujas que herdou do pai. Nunca quis tomar aulas de desenho e sempre disse desconhecer “tal invenção”. Por isso achava que todo desenho não passava de uma cópia inspirada por outra mão. Esse é justamente o truque do memorialista, que faz do gênero uma prática dos outros. Por suas páginas desfilam intelectuais – Guimarães Rosa, Manuel Bandeira, José Lins do Rego, Josué Montello, Jorge de Lima, Lygia Fagundes Telles, Alceu Amoroso Lima –, personagens e amigos de Alberto. O memorialista nos conta, como quem joga conversa fora, sobre eventos políticos, todos lembrados com a mesma intimidade: Getúlio Vargas e seu suicídio, Juscelino Kubitschek e a crise da sua eleição; as revelações de Khruschov. Ainda nesses escritos, ficamos conhecendo melhor sua formação, as primeiras leituras de Manuel Querino e de Nina Rodrigues, sua guinada para o materialismo histórico, seu amor súbito por Deus; paixão que passadas duas semanas seria substituída por outras: Camus, Sartre, o Marx do “18 Brumário”, Nietzsche

e Freud. Sem esquecer do cinema, do teatro e dos suplementos literários. Começava a se delinear, então, essa pena de estilo próprio e reconhecível. Por meio dela, diferentes personagens da nossa história são descritos a partir de marcas pessoais, perdendo a soberba para aparecerem como gente do seu tempo e como de fato foram: contraditórios, exuberantes, mesquinhos ou visionários. Pressa Alberto logo experimentaria nova carreira de escritor, como poeta e africanista. Sempre pareceu ter pressa: publica, logo em 1957, uma antologia de lendas indígenas, para o Instituto Nacional do Livro, e, no mesmo ano, trata de reunir em livro os poemas do pai. Talvez inspirado pelos heróis de suas obras de cabeceira, ou que reconhecia em seu pai na poltrona, o jovem pareceu não se espantar ao saber que seu rito de passagem para a vida adulta se daria nos sanatórios de Campos do Jordão, onde sua alma conheceria a “sonolência e a preguiça”. Julgou que morreria cedo, por causa da tuberculose, como seus mestres românticos. Como isso não se deu, Alberto fez do exílio involuntário outro começo. Lá conheceu sua musa, que também se curava do mesmo problema. Verinha tinha voz de soprano lírico, mas a doença a afastaria por um tempo do canto. Ela seria a companheira de vida toda e inspiraria um livro de poemas premiado, “Ao Lado de Vera” (1997). Com os pulmões em ordem, Alberto volta ao Rio e se prepara para “vingar o pai”, investindo na carreira diplomática. O aluno se forma pelo Instituto Rio Branco em 1957 e atua em Lisboa, Caracas, Washington, Madrid, Roma, isso tudo antes de ser embaixador na Nigéria, no Benin, em Portugal, na Colômbia e no Paraguai. O diplomata construía seu mapa interno e simbólico, particularmente marcado pela experiência em países africanos. A atuação nesses postos, então pouco disputados, lhe daria gás, experiência, erudição e sensibilidade suficientes para fazer dele um dos nossos grandes especialistas em África, continente que era pouco conhecido e estudado entre nós. O olhar pousado sobre a “diferença” formataria esse pensador original e atento a outras faces de uma mesma realidade. O diplomata se faria historiador e escreveria uma série de obras, hoje clássicas: “A Enxada e a Lança: a África antes dos Portugueses” (1992); “As Relações entre o Brasil e a África Negra, de 1822 à 1ª Guerra Mundial” (1996); “A Manilha e o Libambo: a África e a Escravidão, de 1500 a 1700” (2002); “Um Rio Chamado Atlântico: A África no Brasil e o Brasil na África” (2003); “Francisco Félix de Souza, Mercador de Escravos” (2004) e “Imagens da África” (2012). Nesses livros, mostra a importância da diversidade cultural, as formas complexas de organização familiar e política

dos nativos, os elaborados costumes religiosos, as engenhosas produções artísticas. Como demonstra de maneira clara, e não menos entristecida, essa riqueza seria em parte dizimada pelos horrores do sistema escravocrata, que acabou por marcar e estereotipar os povos do continente. O conjunto de sua obra historiográfica mostra o vigor desse intelectual que explorou a história pregressa da África, reviu costumes, estudou a escravidão aqui e acolá, bem como seus traficantes – caso de Xaxá, talvez o maior de todos. O historiador analisou, sobretudo, as relações entre os dois continentes e suas influências recíprocas. Em seu texto “O Brasil, o Atlântico e a África no século 19”, de 1989, fecha questão: “O Brasil é um país extraordinariamente africanizado. E só a quem não conhece a África pode escapar o quanto há de africano nos gestos, nas maneiras de ser e de viver e no sentimento estético do brasileiro [...] Com ou sem remorsos, a escravidão é o processo mais longo e mais importante de nossa história”. Ciente da nossa ignorância acerca desse continente, de onde veio parte significativa de nossa população, o pesquisador atuaria em muitas frentes, recuperando valores comuns inscritos nos lugares mais insuspeitos. Mas também duvidaria das convenções. No seu livro “Castro Alves, um Poeta sempre Jovem” (2006), Alberto lê os poemas com a sensibilidade de quem entende do ofício, mas com igual desconfiança de quem

conhece como ninguém os legados africanos. Tanto que desafia (e prova) que a África do autor de “Navio Negreiro” é antes um continente projetivo, mais próximo da visão romântica de Delacroix e dos orientalismos europeus, que dos escravizados que o poeta podia encontrar nas ruas da Bahia. Irrequieto, Alberto também ensinaria África para as crianças em dois livros – “Um Passeio pela África” (2006) e “A África Explicada aos Meus Filhos” (2008). Aposta social semelhante que fez com que encarnasse, ao lado de sua Verinha, o papel de tradutor das línguas e costumes dos locais onde foi embaixador. Tamanha coerência e compromisso acabou por incutir na família o prazer de servir o país em lugares tão diferentes. Seus três filhos, de uma maneira ou de outra, seguiram-no ou ficaram por perto do Itamaraty. Como cronista, Alberto publicaria “O Quadrado Amarelo” em 2009. Nesse livro, ele se faz intérprete social e recolhe telas, livros, poemas e romances que delicadamente entrelaça, formando o que denomina “uma antologia pessoal do mundo” – objetivo e argumento não só desse livro de ensaios, mas de toda a obra do autor. O lugar perfeito e a palavra justa são também desafios de Alberto, poeta de mão cheia, como o pai – figura à qual, em sua trajetória cheia de deslocamentos, parece sempre retornar. Vêm de seu quinto livro de poemas, “As Linhas da Mão” (1978) estes versos: “Respiro

e vejo. A noite e cada sol/ vão rompendo de mim a todo o instante,/ tarde e manhã que são tecido tempo,/ chuva e colheita. O céu, repouso e vento”. Mas talvez seu título de poesia mais conhecido, que lhe deu um de seus três Jabutis, seja “Poemas Reunidos”, de 2000 – ano em que também se elegeu para a cadeira 9 da Academia Brasileira de Letras. Essa obra tão diversa, que não se pode resumir em uma página, se revela una, como uma estrada sem pedágios, entre o intelectual e o habitante de um tradicional edifício em Laranjeiras, no Rio. Quem entra no apartamento logo vê sua imagem inscrita nos objetos e artefatos acumulados. Visitar a ABL ou participar de uma sessão no Instituto Histórico e Geográfico é como tomar café na intimidade do autor. E é assim por todo lugar: mesmo ler um livro de Alberto é como tomar um gole de cachaça e degustar uma boa prosa. Grandes intérpretes do Brasil permaneceram boa parte de sua vida no exterior. Alberto da Costa e Silva viu de longe, mas voltou para se certificar de tudo. Na volta, inverteu o lado do binóculo, destacou o detalhe, deslocou o tempo e conferiu ao que viu sabor, cheiro, textura e sensibilidade de poesia. Com vocês, o vencedor do Prêmio Camões de 2014: “Um casulo de tempo, o centro e o sopro/ da cisma do outro ser que de mim fala/ e que, sonhando o mundo, em mim se acaba”.


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Literatura

3 Esplendor e miséria do best-seller Especulações históricas sobre a fórmula secreta RESUMO Este texto de 1948 estava em uma pasta do acervo de Paulo Rónai (1907-92), intitulada “Material para novos livros”, e jamais foi publicado. O escritor e tradutor parte de estudos em língua inglesa para questionar se há a receita perfeita para um best-seller e se os números de vendas significam algo na qualidade dos livros.

PAULO RÓNAI ILUSTRAÇÃO MANUELA EICHNER

O que e um best-seller? À primeira vista a resposta não parece difícil: o livro que mais se vende ou um dos livros que mais se vendem. Mas, ao examinarmos os casos em que se emprega essa palavra, tão frequente na crônica literária dos jornais, verificaremos que seu sentido se está enriquecendo de novas matizes. Mais de uma vez poderemos achar-lhe uma nuança pejorativa, e esse uso não é exclusivo do Brasil. Numa resenha francesa da produção literária de 1947 encontro esta observação: “O termo bestseller entre nós vai designar, dentro em breve, não o livro que melhor se vende, mas um certo ‘gênero’ de romance,de leitura fácil, longo, obrigatoriamente traduzido...”. E uma estudiosa inglesa não hesita em afirmar que “best-seller é um epíteto quase totalmente depreciativo entre pessoas cultas”. Não seria difícil encontrar exemplos em que o termo, por si só, equivale a uma crítica. A palavra, evidentemente, é de sabor norte-americano (embora não me seja possível abonar-lhe a origem). A ambição “yankee” de atingir recordes em todos os domínios envolve contínuas comparações, e estas só parecem ter valor quando baseadas em objetos exprimíveis por algarismos. E assim se encontrou uma medida cômoda para confrontar as obras da arte, fenômenos por sua natureza singulares e incomparáveis. Ninguém pode afirmar com segurança se Betty MacDonald, autora de “O Ovo e eu”, é melhor escritor do que Samuel Shellabarger, autor de “Capitão de Castela”: em questões de gosto não há verdades absolutas. Mas é possível saber com exatidão qual dos dois livros se vendeu mais. Os editores, com grande sinceridade, anunciam as tiragens mês por mês; o frontispício,

muitas vezes, ostenta o número de edições vendidas. Na avalanche das publicações o leitor comum é cada vez menos capaz de orientarse. Sabendo que seu gosto se parece com o da maioria de seus contemporâneos, tende facilmente a pensar que o livro mais comprado será também o melhor. (“É impossível que 500 mil pessoas sejam idiotas”). Assim, mais 500 mil comprarão o livro porque 500 mil já o compraram. E quem poderá duvidar do gosto de 1 milhão de cidadãos honestos, contribuintes e eleitores? Saber o que é um best-seller é igualmente importante para o leitor, para o escritor e para o editor. Se um livro, sendo best-seller, é necessariamente bom, facilita muito ao leitor a escolha de suas leituras; e o conhecimento não lhe é menos útil se, com ao firmam alguns, todo bestseller é fatalmente ruim. O escritor pouco escrupuloso, se conhecesse a fórmula química do best-seller, observála-ia com o maior empenho; mas, se o escritor honesto a soubesse, talvez verificasse que pode produzir best-sellers sem descer a transigências e concessões. Quanto ao editor, se a tivesse na gravata, possuiria um método esplêndido para enriquecer e, caso possuísse altas ambições culturais, bastar-lhe-ia lançar três best-sellers, para depois publicar, a vida toda, Kant, Bergson e Einstein. Científico Foram essas considerações que levaram o sr. Frank Luther Mott, diretor da escola de jornalismo na Universidade de Missouri, a consagrar à questão um alenta do estudo [“Golden Multitudes: The Story of best-sellers in the United States”, Multitudes douradas: a história dos best-sellers nos EUA], baseado em pesquisas pacientes e difíceis. Com excelente espírito de método, o sr. Mott começa por definir o critério para determinar se um livro é bestseller ou não. Levar em conta meramente os totais das tiragens não seria justo: um livro que em 1850 atingia 200 mil exemplares era relativamente mais lido do que um que hoje chega a 1 milhão. Assim, pois, o sr. Mott, que principia a relação dos bestsellers em 1662, nela inclui todo livro do que durante os dez anos consecutivos ao seu aparecimento se vendeu um número de exemplares igual a 1% da população total dos Estados Unidos. A limitação de dez anos foi imposta pela impossibilidade de calcular a tiragem total das reedições feitas às vezes durante séculos. Uma edição de Shakespeare figura na lista de best-sellers universais, cuja lista seria ainda mais curiosa, mas pressupõe a compilação de estudos iguais ao dele em

todos os países. Ainda assim, não deve ter sido fácil conseguir, mesmo aproximadamente, as tiragens, sobretudo das edições antigas. Além disso, esse estudo traz uma série de anedotas e fatos curiosos a respeito da história dos recordes de venda na história das livrarias: há casos que contribuíram para o sucesso, surpresas e decepções dos editores, consequências do êxito sobre a vida dos autores etc. e, para rematar suas pesquisas, põe no título dos dois últimos capítulos duas perguntas do maior interesse: “existe uma fórmula de bestsellers? O que faz vender um best-seller?”. A resposta à primeira pergunta é francamente negativa. Procurando o elemento de atração nos títulos da sua lista, o sr. Mott assinala fatores tão diferentes como: apelo ao sentimento religioso; sensacionalismo e escândalo; caráter instrutivo; possibilidades de exibição esnobe; elemento biográfico; regras de conduta; experiência pessoal; enredo; vivacidade; caráter democrático ou popular; cor local; humor; imaginação; exotismo; sexualidade – indicando de cada vez a percentagem aproximativa de obras que contém o fator examinado. A qualidade literária não parece fator dos mais importantes: o pesquisador declara que uma terça parte de sua coleção é de qualidade inferior, havendo dentro dela uma centena de livros desprovidos de qualquer pretensão artística. Seja como for, não há receita para best-seller, vista a diversidade extraordinária dos livros que já obtiveram esse título. A segunda resposta também consiste numa enumeração de fatores. O que contribui para fazer vender o best-seller virtual é o título bem escolhido; o desenho da capa e, em geral, a apresentação; a publicação anterior em folhetim; a distribuição prévia de exemplares a grande número de personalidades; a escolha do livro na base das provas tipográficas, por um dos clubes do livro; boas críticas; difusão de opiniões favoráveis, e anúncios na imprensa e no rádio; filmagem da história; barateamento da edição, reedições em “pocket book” ou em “soſt format” (fascículo in-quarto, vendível nos balcões dos vendedores de jornais). Nem todos esses fatores estão, porém, nas mãos do editor; e, por outro lado, mesmo que se achem todos reunidos, a previsão pode falhar e o lançamento pode acabar num fracasso. Assim, pois, o sr. Mott não pode oferecer receitas de best-seller nem para os autores nem para os editores, o que, aliás, era de prever. Ele não se preocupa, por outro lado, com indagações de ordem geral; saber, por exemplo,

se as tiragens astronômicas significam um progresso para a cultura. Poderia responder a esse reparo, e com toda a razão, que a sua parte se limitava ao estudo da história dos best-sellers: cabe ao leitor tirar as conclusões. Tiragens Essas, de início, são das mais otimistas. Na relação compilada vemos a ascensão vertiginosa das tiragens. Os livros mais vendidos há 200 anos eram os que tiravam10mil exemplares; e não havia mais de um por ano. Hoje os best-sellers começam com 1.300.000 exemplares, e só a lista do ano 1944 contém títulos assim. Tiragens tão grandes ocasionam necessariamente a baixa dos preços: o leitor pode obter por um preço de 0,25 a 1 dólar obras que normalmente custariam3 a 6 dólares. O número de leitores aumenta sempre, o que significa uma elevação do nível cultural. Quanto aos escritores, as vantagens parecem ainda mais óbvias. Não mais haverá grandes escritores do tipo romântico, morrendo de fome ou de tuberculose, mourejando dia e noite; bastará ao romancista escrever um único best-seller e passará o resto da existência a gozar a opulência merecida. Essa convicção está se generalizando de tal forma entre os homens de letras que um editor inglês, Stanley Unwin, achou necessário publicar um livro em que, com a colaboração do americano George Stevens, toma a defesa de sua classe contra os autores cujos livros não chegam a best-selller [“Best-sellers. Are they Born or Made?”, Bestsellers. Eles nascem prontos ou são feitos?]. Todos eles, com efeito, atribuem a responsabilidade desse fato a seus editores, os quais não lhes fizeram publicidade suficiente. Unwin e Stevens empenham-se em mostrar que o anúncio, por si só, não basta para fazer um best-seller; ele só pode ativar a venda dos livros que já tiveram um bom “start”, isso é, que se revelaram pelo menos “well-sellers”. Assim sendo, só a ausência de imparcialidade determinará o emprego da palavra “best-seller” em sentido pejorativo. Antes, porém, de subscrevermos essa conclusão, examinemos melhor a relação de “livros mais vendidos” dos estados unidos, que o sr. Mott, com extraordinário esforço, conseguiu estabelecer desde 1662. Tomemos, ao acaso, dez títulos sucessivos na primeira parte da relação e outros tantos na parte final. Os dez livros mais vendidos nos Estados Unidos de 1760 a 1780 foram os seguintes (em ordem cronológica): John Dickinson, “Letters from a Farmer in

Pennsylvania” [Cartas de um fazendeiro da Pensilvânia]; Oliver Goldsmith, “O Vigário de Wakefield”; Laurence Sterne, “A Vida e as Opiniões do Cavaleiro Tristram Shandy”; Daniel Defoe, “Robinson Crusoé”; John Gregory, “Father’s Legacy to his Daughters” [Legado de um pai para os suas filhas]; Philip D. Stanhope (Lord Chesterfield), “Letters to His Son” [Cartas ao filho]; Thomas Paine, “Senso Comum”; John Milton, “Paraíso Perdido”; James Thomson, “The Seasons” [As estações]; Edward Young, “Night Thoughts” [Pensamentos noturnos]. Só dois livros dessa lista (os de Dickinson e de Paine) foram publicados pela primeira vez nos Estados Unidos: os demais vieram da Inglaterra. Ambos os livros americanos são obras de caráter político; entre os ingleses, há três romances (Goldsmith, Sterne, Defoe), três de poemas (Milton, Thomson, Young) e dois livros de orientação de conduta (“behavior books”). Os volumes de Goldsmith, Sterne, Defoe e Milton são obras-primas de todos os tempos; os poemas de Thomson e Young, as cartas de Lord Chesterfield e o panfleto de Thomas Paine (nascido na Inglaterra) conservam, ainda hoje, lugar honroso na história da literatura inglesa. Pode-se afirmar, sem receio de erro, que pelo menos a metade desses livros são dos melhores publicados na época. Vejamos agora os dez últimos livros da relação, publicados em 1944 e em1945. (Os títulos vão em inglês, pois não sei se alguns já não foram traduzidos para o português e alterados.)*: Elizabeth Goudge, “Green Dolphin Street” [A rua do delfim verde]; Gwethalyn Graham, “O céu está muito alto”; Bob Hope, “Nunca saí de casa”; Somerset Maugham, “O fio da navalha”; Ernie Pyle, “Brave men”; Margery Sharp, “Cluny Brown”; Thomas B. Costain, “The Black Rose” [A rosa negra]; Betty MacDonald, “O Ovo e eu”; Samuel Shellabarger, “Capitão de castela”; Katheleen Winsor, “Entre o amor e o pecado”. Nessa lista há dois livros de guerra: um de reportagens (“Brave men”), o outro de humor militar (“Nunca saí de casa”); os oito restantes são romances históricos da linhagem de “E o vento levou” [de Margaret Mitchell], e “Antônio Adverse” [de Hervey Allen]. Não é preciso ser crítico literário para perceber a enorme diferença de nível entre os dois grupos. É pouco provável que, entre os do segundo, haja livros que a posteridade qualifique de obras-primas; talvez nenhum seja lembrado ao cabo de 180 anos, período que pelo menos oito títulos do primeiro grupo aguentaram firmes. Observa-se, pois, que os livros mais lidos do século 18


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Análise é visionária em vários aspectos PAULO RÓNAI ILUSTRAÇÃO MANUELA EICHNER

eram de qualidade infinitamente superior aos de nossos dias. Eram também muito mais variados, pois havia entre eles, além de romances, obras pertencentes a mais três gêneros, inclusive poesia (totalmente desaparecida das listas modernas de livros procurados), ao passo que a seleção atual consiste quase só em romances, havendo apenas, ao lado deles, dois trabalhos de jornalismo. Note-se ainda que os três grandes romances do primeiro grupo são de três tipos completamente diversos, ao passo que a maioria dos oito romances do segundo grupo pertence ao tipo estandardizado do longo romance histórico da linhagem de “e o Vento levou” e “Antônio Adverse” (gênero típico da literatura de evasão). Essas conclusões coincidem de maneira surpreendente com as de “Fiction and the reading public” [Ficção e público leitor], da sra. Q. D. Leavis, publicado em 1939. A autora fez um inquérito semelhante ao do sr. Mott para conhecer as preferências do público britânico. Leitores Seus resultados levaram-na a abandonar uma superstição muito espalhada, a saber, que a elevação do nível cultural esteja proporcionada ao aumento do número de leitores. Minucioso exame das estatísticas e dos catálogos das bibliotecas circulantes, muito numerosas na Inglaterra, revelou-lhe que a grande maioria dos leitores de hoje liam exclusivamente romances da categoria mais baixa, trocando-os com frequência; muitos chegavam a ler um livro por dia. As respostas dos leitores acerca dos motivos de sua preferência mostravam que na leitura quase todos procuravam uma

fuga. (O que, seja dito de passagem, não é de admirar num tempo como o nosso, em que tão pouca gente se sente à vontade). “O hábito de ler é agora, muitas vezes, uma forma de usar entorpecentes”. O número de leitores atingiu, praticamente, o máximo (na Inglaterra há diariamente um exemplar de jornal para cada três pessoas); o nível da leitura baixa progressivamente. Outrora não havia separação nítida entre os escritores da multidão e os da elite; Sterne, Goldsmith e Defoe eram lidos e admirados pelos intelectuais e pelas caixeiras; hoje se verifica uma desagregação definitiva do público em três classes, segundo seus elementos leem obras de escritores “highbrow”, “middlebrow” ou “lowbrow”(de qualidade superior, média ou inferior). Nenhuma das três classes toma conhecimento dos escritores da outra.Os autores “highbrow” têm tiragens reduzidíssimas; para eles o best-seller começa com 15.000 exemplares; os best-sellers do “lowbrow” vão de um milhão para cima. A sra. Leavis lembrou-se de submeter a grande número de autores populares um questionário para saber a que atribuíam o seu êxito. A maioria dos interrogados pensa ter agradado por escrever (para usarmos a definição dada por um deles) “um gênero de ficção que pode ser lido com um mínimo de esforço mental”. O que parece confirmar a desiludida tese de um estadista inglês, de que “um dos grandes males da leitura moderna consiste em desencorajar o pensamento”. O público dos velhos tempos lia para completar a sua experiência, para enriquecer a própria vida; o de hoje lê para esquecê-la e compen-

sar-lhe as imperfeições. Os autores de best-sellers são unânimes em afirmar que escrevem com e para o coração (e não o cérebro); que se dirigem à sensibilidade, mais que ao juízo do leitor. “À medida que o século avança, o best-seller se torna assunto menos do crítico literário que do psicólogo”. E, como o romance adquire hegemonia quase exclusiva, absorve todos os gêneros, inclusive os livros de ciência, e tornase transmissor único – bem inexato, está visto – de toda espécie de conhecimentos. Não que homens de ciência não procurem transformar seus livros em best-sellers. Mas então se expõem ao perigo de cair nos processos do romancista. J. L. Russell, numa crítica dos populares livros de física e astronomia de sir James Jeans e Sirarthur Eddington, mostra como estes sábios são levados a atribuir maior importância à maneira de apresentação do que ao interesse intrínseco dos assuntos tratados, fazendo apelos contínuos à emotividade do leitor, usando indiscriminadamente recursos estilísticos, como metáforas e paralelos, e introduzindo teorias filosóficas surpreendentes. Segundo o crítico, eles e a maioria de seus colegas chegam a favorecer a preguiça mental dos leitores, aos quais dão a impressão de que entendem a fundo um fenômeno ou uma teoria científica, quando apenas entenderam a comparação ou a pilhéria em que os autores os envolvem. A sra. Leavis procura demonstrar, ainda, que o barateamento do livro não é puro benefício, pois constitui um golpe sério para os autores de elite, cujas tiragens não aumentam,mas que têm de reduzir os preços de seus livros para não contrastarem demais com

os do resto da produção literária. No século passado, um Meredith, um Henry James podiam viver da renda discreta de seus livros: hoje não seria possível. Aí, ela se encontra novamente como sr. Mott, o qual admite, embora acessoriamente, que o número total de livros publicados anualmente nos Estados Unidos está em franca diminuição: os editores, seduzidos pela miragem das impressões em massa, querem de preferência publicar best-sellers potenciais e mostram-se infensos às obras que não têm probabilidade de o ser (entre os quais se encontram, precisamente, as destinadas à elite profissional e intelectual). A comentarista assinala também o que os clubes do livro, embora aumentando o consumo da produção literária, têm de prejudicial à cultura: fazem o leitor abdicar da sua capacidade de seleção, procuram “dar ao público o que ele deseja”, e substituem-se à crítica literária, cuja importância decresce cada vez mais. É muito provável que a maioria Dos males apontados pela sra. Leavis e implicitamente assinalados no livro do sr. Mott existam realmente, sobretudo nos países de maior mercado literário, como os estados unidos, a Inglaterra e a França; ao mesmo tempo, porém, eles parecem tão inevitáveis como outras conseqüências da industrialização excessiva, a qual, destinada a melhorar a vida do homem, a está tornando cada vez menos humana. *Introduzimos o título em português dos livros já lançados no Brasil, mesmo os esgotados, quando o autor colocou o nome original em inglês (nota dos editores).

A julgar pelas questões levantadas por Paulo Rónai sobre o fenômeno dos best-sellers nos anos 1940, há menos novidades no front dos sucessos editoriais nas últimas sete décadas do que gostariam de acreditar os analistas do mercado. Daquela época já vem, por exemplo, a inquietação com certo barateamento dos livros decorrente das tiragens em massa, que constituiria não só “puro benefício”, mas também “golpe sério” a escritores que vendem menos. A questão ainda hoje divide opiniões, e não há debate mais atual em tempos de autores versus Amazon com seus mega descontos. Rónai aponta ainda para a expansão de ferramentas úteis ao marketing editorial, como os clubes do livro, que fazem o leitor “abdicar de sua capacidade de seleção” ao “dar ao público o que ele deseja” – tema que dialoga com clubes badalados como o da apresentadora Oprah Winfrey, capaz de criar sozinho um fenômeno de leitura, e com blogs literários que fecham parcerias com editoras. Até o hoje tão repisado argumento de que já não se fazem destaques literários como antes é antecipado por Rónai, que não achava que o aumento no número de leitores elevasse o nível cultural. Ao defender sua tese de que os best-sellers do século 18 tinham qualidade superior à dos publicados em seu tempo, o ensaísta deu um prazo generoso de 180 anos para que os livros mais vendidos nobiênio1944/1945 fossem esquecidos. Passados 70, seu prognóstico só não se confirmou porque “O Fio da Navalha”, de Somerset Maugham, adaptado duas vezes ao cinema, tornou-se um clássico. Das ideias do ensaísta que ficaram defasadas, há a sugestão de que futuramente bastaria ao romancista escrever um único bestseller e passar “o resto da existência a gozar a opulência merecida”. Vã esperança. Hoje não só os autores best-seller não se contentam com um único livro como transformaram cada um deles em histórias que não acabam nunca, divididas em vários volumes – fenômeno ampliado no início dos anos 2000, após o sucesso dos primeiros “Harry Potter”, série que também marcou uma tendência de expansão da literatura juvenil. Talvez sejam esses, as séries e os juvenis, os dados que mais diferenciam as atuais listas de best-sellers daquela analisada por rónai. Na de 2013, computada pela Nielsen Bookscan, seis dos dez livros mais vendidos nos EUA integram séries de títulos e/ou personagens (como o infanto juvenil “Diário de um banana”, de Jeff Kinney, e “Inferno”, em que Dan Brown traz de volta o personagem Robert Langdon). Longe de ser ele próprio um bestseller, Paulo Rónai vem recuperando um espaço que por anos lhe faltou nas livrarias. Desde 2010, quando seu espólio foi assumido pela agente Lucia Riff, voltaram ao mercado obras de sua lavra como “Mar de histórias” (Nova Fronteira), antologia de contos que coordenou com Aurélio Buarque de Holanda (1910-89), e o recém-lançado “Encontros com o Brasil” (Edições de Janeiro), de ensaios sobre autores brasileiros. O retorno teve direito a um pequeno êxito editorial: as 3.000 cópias de “Como aprendi o português e outras histórias”, lançado em 2013 pela Casa da Palavra, se esgotaram. A reedição ficou a cargo das Edições de Janeiro, junto com “Encontros como Brasil”.


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Entrevista

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JACQUES RANCIÈRE

A política do amador Um filósofo contra o domínio dos sabichões RESUMO Conhecido por seus textos que relacionam estética e política, Jacques Rancière tem livro sobre democracia lançado no país. Nesta entrevista, explica sua visão de que há um saber não especializado, partilhado por todos, que deve se opor à pretensão dos que julgam ter direito a exercer o poder por saberem mais.

ÚRSULA PASSOS

Jacques Rancière, 74, é um dos discípulos mais conhecidos do filósofo marxista Louis Althusser (1918-90), embora tenha se distanciado do professor, e do próprio marxismo, ao questionar suas interpretações do movimento do Maio de 68 na França. Desde então, Rancière tem se dedicado ao estudo das classes operárias A Noite dos Proletários (Companhia das Letras, 1988, esgotado) e das relações entre política e estética, em que ele defende que todos temos uma capacidade de sentir e aprender. Essa capacidade não especializada, apresentada em O Mestre Ignorante (Autêntica, 2002), e presente em diversas de suas obras, aparece, no cinema, em sua defesa de uma política do amador, segundo a qual todo e qualquer espectador detém a capacidade de traçar novas vias de pensamento a partir das histórias de sua própria vida e daquelas dos filmes. Em O Ódio à Democracia [trad. Mariana Echalar, Boitempo, 125 págs., R$29], de 2005, lançado agora no Brasil, o filósofo francês enumera e explica as origens de diversos argumentos segundo os quais a democracia é uma crise da civilização que afeta a sociedade e o Estado através dela. No discurso dos que odeiam a democracia, escreve ele, o governo democrático é mau quando se deixa corromper pela sociedade democrática que quer que todos sejam iguais e que todas as diferenças sejam respeitadas. É em defesa da democracia como poder daqueles que não têm títulos ao poder e contra o confisco oligárquico do poder que o filósofo busca retomar, nesse ensaio, princípios democráticos fundamentais, como a escolha do governo por meio de sorteio. Ele fala sobre essas e outras questões em entrevista à Folha por telefone de sua casa em Paris. Folha - O que é democracia? Jacques Rancière - A democracia, no senso estrito, é

o poder do povo. Porém, se voltarmos um pouco à origem, ela é um poder em oposição aos que pretendem ter o poder: os ricos, os nobres, os sábios etc. Ela é, para mim, um princípio, um poder um tanto excepcional porque, em essência, é o poder daqueles que não têm títulos ao poder, daqueles que não têm nenhuma competência particular para governar, oposto a todas as outras formas que tradicionalmente legitimam o poder, seja pelo nascimento, pela riqueza ou pela ciência. Ela excede toda forma de governo particular.

e colocar em evidência uma ideia efetiva de democracia. Por isso que, em O Ódio à Democracia, eu relembrei alguns princípios democráticos originários, como o fato, por exemplo, de que o verdadeiro governo democrático passa pelo sorteio e por mandatos extremamente curtos. É preciso recolocar em primeiro plano todas as formas em que há um controle verdadeiro que o povo pode exercer sobre aqueles que falam em seu nome e que governam em seu nome.

O ensaio é de 2005. Hoje, após a crise de 2008, o debate sobre o véu, a reação contra a lei que viria a permitir o casamento gay na França, o que o sr. acrescentaria às ideias do ensaio? Eu creio que esse ensaio foi preciso em seu diagnóstico. De uma certa forma, ele anunciava aquilo que vimos depois, por exemplo, no caso do véu: uma tendência a estigmatizar as classes menos ricas, menos bem integradas. Nós pudemos confirmar essa tendência de legitimação do caráter oligárquico do poder, de todas as novas formas de racismo em nome de uma certa ideia de república, de universalismo, de laicidade. Vimos se confirmar, por um lado, a tendência de confisco oligárquico do poder cada vez mais forte, e vimos também se manter essa espécie de campanha ideológica em nome dos grandes princípios da república, da vida em sociedade, estigmatizando cada vez mais os que estão sem trabalho, os que não têm a mesma cor de pele, os que não têm a mesma religião. Podemos dizer, infelizmente, que, de alguma forma, a ofensiva antidemocrática se acelerou muito nesse meio tempo. Uma série de argumentos emprestados da esquerda, da psicanálise, se tornaram argumentos de persuasão reacionários para estigmatizar o máximo possível de pessoas.

O sr. fala de um governo que busca ter o controle sobre a esfera pública. Como o povo pode garantir que o espaço público continue sendo um espaço de conflito e de encontro? Podemos imaginar formas de constituição que infelizmente não existem em lugar nenhum e que sejam fundadas sobre mandatos curtos, a revogabilidade dos eleitos, assembleias populares, controle dos eleitos na forma de sorteio. Há uma série de medidas constitucionais que permitem o exercício do poder efetivo do povo. Como isso não existe hoje, devemos ir por outras vias, que passam pela existência de formas de discussão e de informação que estejam separadas da esfera midiática oficial. Foi o que vimos nas diferentes manifestações pelo mundo, desde a Primavera Árabe até o movimento do 15 de Maio na Espanha, ou os movimentos que aconteceram na Grécia, na Turquia, no Brasil, nos quais, às vezes, partindo de demandas específicas, ou mais ou menos menores, como o caso do jardim em Istambul ou a questão do preço do transporte no Brasil, vimos acordar uma atividade popular autônoma. Hoje há uma esperança para a democracia contanto que possam existir formas de organização que sejam a continuação desses movimentos, organizações que sejam autônomas em relação à vida política tal como o Estado a organiza.

O ensaio trata da acusação de populismo que recai sobre aqueles que atacam o discurso dos especialistas. Como responder a esse tipo específico de discurso de ódio à democracia? Na América Latina, especificamente, há uma tradição na qual o populismo foi identificado como uma forma de governo. Na França, e na Europa, é diferente. O populismo é uma noção nova, lançada para estigmatizar toda tentativa de reivindicação de um poder real do povo contra o confisco do poder por aqueles que se consideram a elite. Acho necessário resistir ao uso desse conceito e dizer que ele, hoje, é um meio cômodo de legitimar o poder das elites, de seus experts, das finanças internacionais, em nome da capacidade, da competência. Na França, ser populista quer dizer ser de extrema direita. É absolutamente necessário resistir a essa argumentação

Uma melhora na distribuição de renda pode influenciar os argumentos de ódio? O poder de todos não é simplesmente o alargamento, o desenvolvimento de uma classe média. Isso pode, por um tempo, favorecer as formas democráticas, mas não necessariamente, como costumam dizer: se há desenvolvimento econômico, há desenvolvimento de uma classe média e então há o desenvolvimento da democracia. Não há evidências disso. A democracia é o desenvolvimento de toda uma série de intervenções políticas autônomas e isso não é produzido automaticamente por determinadas formas do desenvolvimento econômico nem de transformações de classes sociais. É muito bom que haja um alargamento da esfera daqueles que possuem a riqueza, mas esses alargamentos são, muito comumente, provisórios. O movimento é um pouco ao inverso, é à medida que há ins-

tâncias populares de controle que se pode esperar ter uma melhor distribuição de renda. Em O Mestre Ignorante, o sr. já falava da igualdade que não deve ser um objetivo da democracia, mas um ponto de partida. Como as noções que estavam ali influenciaram as ideias de O Ódio à Democracia? O que está no centro de O Mestre Ignorante, e que tomei de Joseph Jacotot (1770-1840), é a ideia fundamental de que a igualdade não é um objetivo, mas um ponto de partida a verificar, o que quer dizer que se deve agir na pressuposição de que falamos a iguais, de que agimos com iguais. Tentei desenvolver isso à esfera política pública, dizendo que existe democracia contanto que haja o reconhecimento de uma capacidade de pensar que pertence a todos, e que se opõe a toda capacidade de pensamento que seja especializada. O que vemos hoje é o poder dos experts. A ideia da democracia atualiza essa capacidade de todos. Isso não quer dizer que todos participem do governo, isso jamais aconteceu, mas sim que se busca organizar formas de vida coletiva fundadas sobre essa ideia de uma capacidade partilhada, diferente das lógicas tradicionais de partidos revolucionários, de vanguarda, ou fundados na ciência. A política foi pensada como uma forma de governar os ignorantes, e na democracia os que governam não são nem mais ignorantes nem mais sábios que os outros. Existe uma relação entre a democracia como regime político e a literatura como regime da palavra, tal como aparece em alguns de seus

ensaios sobre literatura em La Parole Muette (a palavra muda, Hachette, 1998)? Não há uma relação completamente direta. O que eu tentei mostrar é que, na literatura, como na democracia, há o poder de uma palavra que não é controlada, que não é a que vem de cima. A democracia se funda num tipo de circulação da palavra, na possibilidade de que qualquer um possa se apropriar das palavras que circulam, que possa fazer palavras de ordem para sua própria vida. A literatura no sentido moderno, e principalmente por meio do romance do século 19, se constitui pela supressão de toda hierarquia, do sistema tradicional de belles lettres que era fundado na ideia de uma hierarquia de temas, de estilos. Há literatura moderna a partir do momento em que não há mais temas que sejam interessantes e temas que não sejam interessantes, personagens que valem a pena e personagens que não valem a pena; a revolução literária é isso. Quando se tenta elaborar um verdadeiro poder do povo na política há a ideia de uma capacidade de qualquer um de sentir, de viver, que é o centro da literatura moderna e que está na origem dessa renovação das formas de literatura. Quando trata de cinema, como em O Destino das Imagens e As Distâncias do Cinema (Contraponto, 2012), o sr. fala de uma política do amador. Essa política pode ser empregada em outras artes? Acho que há uma especificidade do cinema porque é uma arte que nasceu tardiamente e que não conheceu as formas de organização hierárquicas. Não

RAFAEL CAMPOS ROCHA| Deus, essa gostosa

havia academia de belo cinema como as academias de belles lettres e a academia de belas artes. Além disso, é uma arte que nasceu como uma curiosidade, uma atração de feiras, então foi desde o começo um objeto não identificado. O que aconteceu é que o cinema foi tragado para a esfera da legitimidade artística, e existe agora uma integração do cinema à cultura elitista e também à cultura universitária. Quando falo de uma política de amador, falo de uma política que busca preservar essa espécie de indecisão do cinema, uma abertura a todo público possível. É claro que isso pode existir em todo tipo de arte, se pensarmos no que se passa na música, por exemplo, há cada vez mais indecisão, não se sabe bem o que é vanguarda, o que é popular. Nas artes da performance, do corpo, existe também um tipo de grande partilha entre arte legítima, arte de elite e arte popular. Sim, é possível ter uma política de amador, porém ela não dá conta de artes ditas legítimas, as belas artes tradicionais. Mas sempre existiram tipos de apropriação selvagem, de políticas de amador. Há muitas exigências que pesam, mas creio que se pode manter em todos os domínios da arte uma política de amador no sentido de uma política de pessoas que não têm o conhecimento sobre as boas formas artísticas, que não têm o bom critério para julgar e assim por diante. Apesar de tudo, a política do amador está em regressão, há uma espécie de tendência à legitimação em todas as artes, de apropriação universitária. Mas é preciso também lutar contra isso.


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Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS

5 A carta de Mindlin São Paulo, 1999

JOEL SILVA/FOLHAPRESS

VIVIEN LANDO

Conheci o senhor José na casa dele, quando fui lhe pedir que ajudasse na empreitada de montar um teatro de ópera de câmara de repertório em São Paulo. Ele e dona Guita me receberam como mais uma filha, com passeio à biblioteca e todo o carinho do mundo. Disse ao Mindlin que sua mulher se parecia com todas as mulheres da minha família, e ele confirmou: “São farinhas eslavas do mesmo saco”. Humor e acolhimento foram as impressões da tarde. Qual não foi meu espanto quando, algum tempo depois, recebi uma carta, literalmente de próprio punho, datada de 30 de agosto de 1999. Nela falava não só do projeto do teatro, mas comentava o livro “Balalaicas e Mandolinas” (Objetiva), sobre a minha estadia de quatro anos na Rússia – onde Mindlin tinha suas origens bem plantadas. Elogiava o livro, ressaltando “o senso de humor esfuziante e uma disposição para a aventura que acho extraordinária”. O que mais eu poderia fazer senão emoldurar a carta? Sábia decisão. Pois, numa tarde quente, abrindo a porta do escritório, encontrei-o junto com o motorista tentando localizar o endereço de uma reunião. Aceitou o convite para um copo de água e aí foi minha vez de surpreendê-lo, quando viu sua carta pendurada como tela única acima da minha mesa de trabalho. Dali em diante alguns encontros só fizeram aumentar minha admiração por aquele senhor tão simpático, culto e bem-humorado, que levou ao pé da letra o princípio de tudo fazer com alegria. Assisti ao lado dele e de dona Guita a um concerto da Filarmônica de Berlim, regida por Claudio Abbado. Somadas a música, o maestro, a orquestra e a companhia, foi uma noite absolutamente mágica. Mais à frente, encontrei-me com ele na Sala São Paulo, sua

Carta enviada por Mindlin a Vivien Lando, de 30 de agosto de 1999

visão já deixando a desejar. “Quem é?”, perguntou, meio sem graça. Respondi em russo e ele identificou na hora – respondendo também em russo. Tornou-se o nosso código. Em 2004, no lançamento de “Uma Vida entre Livros” (Companhia das Letras), fui à noite de autógrafos. Um fotógrafo clicava o autor com os visitantes. No dia seguinte ele me ligou: “Você tem alguma foto de ontem?”, indagou humildemente, “fiquei sem nenhuma”. Enviei-lhe imediatamente. Quando dona Guita morreu, com a mesma doçura com que viveu 68 anos ao lado do marido, pensei em telefonar, mas não consegui. Passaramse alguns meses e, numa noite, sonhei com aquela senhora tão delicada, sentada em uma cadeira numa festa e sorrindo, feliz. Liguei para o senhor José a fim de contar o sonho, já dando a interpretação: “Ela está bem!”. Ele agradeceu, choroso, e lamentou: “Ainda não consegui sonhar com ela”. Depois da viuvez, encontreime com ele somente uma vez, num evento. Elogiei a gravata colorida; ele sorriu, mas os olhos estavam outros. A filha caçula do casal, Sonia, me contou que, para poupá-los, ele nunca se queixava dessa enorme perda com os filhos. De seu sofrimento, só tinham notícia os amigos. Isso ela me revelou quando estávamos, em março de 2010, numa última homenagem a José Mindlin, que morrera havia duas semanas, em 28 de fevereiro. E onde o clima só poderia ser um: o da perda irreparável. Mas, para não perder o fio da nossa amizade russa, anos mais tarde soube que uma vizinha com quem eu mantinha ligações através de nossos gatos era neta do meu amigo. E também é a responsável por compilar um livro com mais de cem dedicatórias famosas dos livros que fazem parte da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin. Em 8 de setembro passado, Lucia postou em uma rede social duas lindas fotos dela com o avô. Nesse dia, o querido senhor José completaria cem anos. Bom te rever.


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Imaginação

RESUMO Trecho de abertura do romance autobiográfico do escritor alemão, autor de mais de 25 livros, traduzidos para 30 idiomas. A obra, publicada com o subtítulo “As Marcas do Nazismo e do PósGuerra na História de uma Família Alemã”, terá a primeira edição no Brasil lançada pela Dublinense no mês que vem.

UWE TIMM TRADUÇÃO GERSON ROBERTO NEUMANN WILLIAN RADÜNZ ILUSTRAÇÃO JAN LIMPENS

Ser levantado ao ar risos, júbilo, uma alegria irrestrita, essa sensação que acompanha a lembrança de uma vivência, de uma imagem, a primeira a me causar uma impressão marcante; com ela começa o meu autoconhecimento, a minha memória: estou vindo do jardim para a cozinha, onde estão os adultos, minha mãe, meu pai, minha irmã. Eles estão ali parados e olham para mim. Devem ter dito algo, que não me lembro, talvez dê uma olhada, ou devem ter perguntado consegue ver alguma coisa? E devem ter olhado para o armário branco, um armário de vassouras, como fiquei sabendo mais tarde. Lá, sobre o armário e isso me marcou como uma imagem, havia cabelos à vista, cabelos loiros. Atrás, alguém se escondia e, então, meu irmão apareceu e me levantou alto. Não consigo me lembrar do seu rosto, nem do que ele vestia, provavelmente uniforme, mas esta situação revela-se muito claramente: a forma como todos estavam me olhando, como eu descobri os cabelos loiros atrás do armário e, então, esse sentimento de ser levantado eu flutuando no ar. Essa é a única lembrança do meu irmão dezesseis anos mais velho, que, alguns meses mais tarde, no fim de setembro, seria gravemente ferido na Ucrânia. 30.9.1943 Meu querido pai, No dia 19 infelizmente fui gravemente ferido por uma artilharia antitanque nas duas pernas, que agora tiveram que ser amputadas. A perna direita foi amputada abaixo do joelho e a perna esquerda acima da coxa Não sinto mais dores fortes Por favor, dê consolo pra mãe Em breve tudo vai terminar e em algumas semanas vou estar na Alemanha, daí você poderá me visitar Eu não fui imprudente. Por enquanto é isso. Um abraço pra você, pra mãe, pro Uwe e pra todos. Kurdel. No dia 16 de outubro de 1943, às oito horas da noite, ele morreu no hospital de campanha 623. Ele me acompanhou durante a minha infância, ausente e mesmo assim presente no luto da mãe, nas dúvidas do pai, nas insinuações feitas entre eles. Falavam sobre ele, relatando pequenas situações sempre semelhantes, que o apresentavam como alguém corajoso e honesto. Mesmo quando a conversa não era sobre ele, ele estava presente, mais presente que outros

PROSA, POESIA E TRADUÇÃO

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À sombra do meu irmão

mortos, através das histórias, fotos e comparações do meu pai que incluíam eu, o filho mais novo, o temporão. Várias vezes tentei escrever sobre meu irmão, mas nunca passei das tentativas. Eu lia a sua correspondência escrita no front e o seu diário, que ele manteve durante o tempo em que serviu na Rússia. Um pequeno caderno de capa em cinza-claro com a inscrição Notas. Eu queria comparar os registros do meu irmão com os diários de guerra da sua divisão, a Divisão SS Totenkopf, para saber com mais precisão algo sobre ele e, talvez, mais informações com suas anotações. Mas toda a vez que eu começava a ler as cartas ou o diário, interrompia a leitura logo em seguida. Um recuo temeroso, que eu já conhecia desde criança em um conto de fadas; a história do Cavaleiro Barba Azul. À noite, minha mãe lia os contos de fadas dos irmãos Grimm, muitos deles diversas vezes, entre eles o conto do Barba Azul, o único do qual eu nunca quis ouvir o fim. Era muito assustador quando a mulher de Barba Azul deseja entrar no quarto trancado, apesar da proibição, depois do seu marido ter partido. Nessa parte, eu pedia para minha mãe que não lesse mais. Foi somente anos depois, quando já era adulto, que li o conto até o final. Ao abrir a porta, naquele instante, veio ao seu encontro uma corrente de sangue e pelas paredes viu as esposas mortas; de algumas restava somente o esqueleto. Assustou-se tanto que, de um golpe, fechou a porta, mas a chave se desprendeu e caiu no sangue. Pegou-a logo e quis limpar o sangue, mas era em vão, pois, quando havia limpado um lado, o sangue aparecia no outro (1). Um outro motivo era a mãe. Enquanto ela vivesse, era impossível para mim escrever sobre o meu irmão. Eu sabia antecipadamente o que ela teria respondido às minhas perguntas. Os mortos devem ser deixados em paz. Foi somente quando minha irmã faleceu, a última que o conhecera, que estive livre para escrever sobre meu irmão, podendo fazer todas as perguntas sem precisar dar satisfação a ninguém. De vez em quando, sonho com meu irmão. Na maioria das vezes, são apenas fragmentos de sonhos, algumas imagens, situações ou palavras. Um desses sonhos deixou em mim uma impressão marcante. Alguém quer entrar em casa. Um vulto está lá fora, escuro, sujo, enlameado. Eu quero pressionar a porta para mantêla fechada. O vulto, que não tem rosto, tenta forçar a sua entrada. Com toda a força, eu me recosto contra a porta, empurro de volta esse homem sem rosto que, tenho certeza, é o meu irmão. Finalmente consigo fechar a porta e trancá-la. Mas seguro nas mãos, para o meu pavor, um áspero e esfarrapado casaco. Meu irmão e eu. 1. Optou-se por fazer a própria tradução do trecho citado do conto Barba Azul, de Charles Perrault (nota dos tradutores).


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GAÇÃO DIVUL

Caderno C

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Fãs ansiosas por show de Cristiano Araújo

Amazonas representado em olimpíada estudantil

O estudante Caio Henrique Aguiar participa da categoria “Poema”

SÉRGIO VICTOR Especial EM TEMPO

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Olimpíada de Língua Portuguesa “Escrevendo o Futuro” foi criada em 2002, com o objetivo de contribuir para a melhoria do ensino da leitura e escrita nas escolas públicas brasileiras. O evento premia as categorias “Poema”, “Memórias Literárias”, “Crônica” e “Artigo de Opinião”. Neste ano acontece a 4ª edição da olimpíada e a Região Norte conseguiu classificar nove estudantes para as semifinais em todas as categorias. Na categoria “Poema”, que

contempla estudantes do 5° e 6° ano do ensino fundamental, o Amazonas tem dois representantes: Saimon da Silva e da Costa, da cidade de Borba, e Caio Henrique Ferreira de Aguiar, de Manaus. Caio, de 11 anos, foi selecionado por meio da escola estadual Libertador Simón Bolívar que se inscreveu na competição no começo do ano. “Todo ano nos inscrevemos, mas nunca tínhamos sido selecionados. O ano de 2014 tem sido especial para nós. Primeiro, conseguimos um aumento no Índice de Desenvolvimento de Educação Básica (Ideb), e agora temos o Caio que se classificou. É maravilhoso”, declara a diretora do Simón

Bolívar, Eliane Chaves. O poema de Caio, intitulado “No Amazonas é Assim...”, tem 36 versos que detalham a cultura da região, destacando o “amazonês”, o clima, a fauna e a flora. Segundo a professora Conceição Costa, o trabalho de construção dos poemas passou por várias etapas e mais de 80 alunos foram avaliados. “O tema deste ano foi ‘O lugar onde vivo’, então realizamos várias etapas onde fizemos os alunos pesquisarem sobre a nossa região antes de comporem os poemas. Eles se mostraram bem parti-

cipativos com as tarefas e o Caio foi um dos alunos que mais se destacaram”, diz a professora. Como semifinalista, agora Caio precisa passar pela comissão julgadora regional, que vai acontecer na cidade de Belo Horizonte, em Minas Gerais, no dia 28 de outubro, para poder ir para a final, em novembro. Apesar dos 11 anos, o estudante demonstra confiança na vitória. “Gostei muito de fazer o poema e acredito que possa ir para a final. Estou recebendo muito apoio da minha família e

dos professores”, conta. Na categoria “Memórias Literárias”, onde participam alunos do 7° e 8° ano, o Amazonas classificou três estudantes para as semifinais. Em Manaus, o contemplado foi o aluno Arsênio Hatusilis César de Carvalho Filho, da Escola Professora Leonor Santiago Mourão. No interior, os municípios de Boca do Acre e Careiro da Várzea se destacaram com os alunos Ester Pereira Lima e Sulamita Pinheiro dos Santos. Eles viajarão a Maceió, no Estado de Alagoas, para participar da comissão regional no dia 3 de novembro. Em “Crônica”, Manaus se destacou classificando os dois competidores da categoria na região. Os selecionados são as estudantes Andrea dos Santos Moraes e Rebeca Ramos de Melo, das escolas estaduais Professora Ondina de Paula Ribeiro e

Homero de Miranda Leão. As amazonenses terão de passar pela comissão regional, que acontece no dia 10 de novembro em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Na última categoria, “Artigo de Opinião”, o interior do Estado classificou dois estudantes pelos municípios de Parintins e Eirunepé. Os semifinalistas são Ademário Nogueira dos Santos Neto e Éldia Raynne dos Santos Cardoso, das escolas estaduais Nossa Senhora das Dores e Senador João Bosco. Elas vão participar da comissão julgadora regional em Brasília, no dia 17. Os vencedores da 4ª edição da Olimpíada de Língua Portuguesa “Escrevendo o Futuro” serão conhecidos no dia 28 de novembro, no fim da comissão julgadora nacional. No dia 1º de dezembro será realizado o evento de premiação e festa final.

O poema de Caio chama-se “No Amazonas é Assim...” e tem 36 versos

FOTOS: IONE MORENO

Quatro estudantes de Manaus estão classificados para as semifinais do evento de língua portuguesa ‘Escrevendo o Futuro’


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>> Congresso

>> Objeto de desejo

FOTOS: MAURO SMITH

. A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) promove, a partir do próximo dia 29, o 4º Congresso de Odontologia da instituição. . A abertura do evento será realizada às 18h, na Escola Superior de Ciências da Saúde da UEA. Inscrições pelo site:www.semanaodontouea.com.br. . Com o tema “Odontologia: conhecer e inovar para integrar”, o evento tem o objetivo de atualizar acadêmicos e profissionais do Amazonas e de outros Estados, por meio da integração de novos conceitos e práticas odontológicas da atualidade. A expectativa é que o evento reúna cerca de 700 participantes entre acadêmicos e cirurgiões-dentistas do Amazonas e da Região Norte.

O secretário Márcio Noronha, Dessana Oliveira e David Reis, na superfesta que a prefeitura coordenou, com grande programação, comemorando o aniversário da Cidade de Manaus

. Se você faz parte do grupo de pessoas que tem um verdadeiro pavor de perder a mala de viagem, atenção para esta dica. Já existe no mercado uma mala de viagem inteligente que poderá – entre outras coisas- dar a sua localização exata. Tipo coisa de James Bond! . Chamada de BlueSmart, a mala – que funciona com a ajuda de um aplicativo para smartphone – pode ser aberta ou fechada a distancia, pode ser rastreada e ainda poderá avisar ao seu dono caso seja tirada de perto dele. E tem mais. A mala será capaz de fornecer dados como, quilômetros percorridos, aeroportos visitados.

Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br

>> Sapatilhas . O governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), realiza entre os dias 3 e 7 de novembro, o 6º Festival Amazonas de Dança. . O evento, o mais importante do gênero na Região Norte e um dos mais influentes do país, reunirá em Manaus, profissionais, bailarinos, técnicos, produtores e diretores para uma série de 25 eventos gratuitos, entre espetáculos, oficinas e a programação especial para artistas do interior do Estado. . O Teatro da Instalação (rua Frei José dos Inocentes, s/nº, Centro) é o local escolhido para as apresentações da Mostra Paralela e também de abertura das apresentações do festival na tarde do dia 5 de novembro. Serão dois espetáculos diários na quarta (5) e quinta-feira (6), sempre a partir das 16h. No Teatro Amazonas acontecerá a Mostra Principal do festival nos dias 5, 6 e 7 de novembro, a partir das 20h.

O prefeito Arthur Neto e a primeira-dama Goreth do Carmo Ribeiro, aplaudindo o Boi Manaus 2014, que movimentou a cidade dentro da sensacional programação de aniversário de Manaus

>> Mariage . Tem casamento no society no próximo final de semana. . Casam-se Bruno Morgado Montenegro e Kênia Naltrodt, com cerimônia e ato civil no sítio ‘Mata Bicho’, no dia 1º de novembro. . Os noivos recepcionarão os convidados durante almoço. O noivo é neto de Ana Simões Montenegro, figura querida no high de Manaus. A chic Florência Ayub em noite de festa no high society

. Em Roma, a Bulgari comemora 130 anos da marca com a sua primeira exposição fixa. . Na histórica loja da via Condotti, a joalheira recebeu, na quinta-feira, para todo sempre, a “Heritage Collection”, retrospectiva – composta por joias, croquis e fotografias - que já viajou o mundo. Em conjunto, a loja inaugura o espaço DOMVS (“casa” em latim), que irá hospedar a mostra. . O primeiro tema exposto será “Roman Heritage”, que traz um colar com três moedas romanas com o rosto de Nero em prata, ouro e bronze de de 54-68 d.C, outro de Elizabeth Taylor com safira octogonal de 50 quilates que lembra o teto da Basílica di Massenzio, um broche de rubi e brilhantes que foi criado nos anos 50 com linhas que remetem a Piazza del Campidoglioe e pertenceu a Anna Magnani, mais um colar da década de 90 com um mapa do castelo Sant’Angelo rodeado por esmeraldas, ametistas e brilhantes. Além disso, estarão à mostra fotos de Sophia Loren, Ingrid Bergman e Anita Eckberg, entre outras divas que também foram clientes da Bulgari. Em tempo: o DOMVS também receberá eventos culturais, performances e obras de arte.

>> Exposição Bulgari


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Cantor Cristiano Araújo movimenta fã-clubes locais Admiradoras do artista sertanejo se organizam para tentar ver de perto o ídolo, que se apresenta na cidade pela primeira vez em novembro

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le é conhecido por ser o “causador de efeitos” na vida e no coração de suas fãs. Prestes a se apresentar pela primeira vez em Manaus, o cantor Cristiano Araújo, uma das revelações do sertanejo da atualidade, está motivando os fã-clubes a prepararem surpresas inesquecíveis para o dia do show que ele fará na capital amazonense. Um fã-clube formado por 17 adolescentes e mulheres com idade entre 16 e 32 anos está movimentando as redes sociais com uma campanha. As integrantes do fã-clube “Caso Indefinido” pedem insistentemente para a organizadora do evento, Bete Dezembro, que elas possam ter acesso ao camarim do artista. Cristiano Araújo se apresenta no dia 8 de novembro, no Diamond Convention Center, na festa “Balada Sertaneja”, promovida pela Fábrica de Eventos. Com a hashtag #FcCasoIndefinidoNoCamarim, a presidente do fã-clube, a estudante Amanda Oliveira, 17, está “causando” com suas amigas na rede social Instagram. Segundo a estudante, todas estão unidas por um mesmo propósito: o sonho de ver de perto o ídolo Cristiano Araújo. O curioso é que o fã-clube foi formado recentemente. Desde a fundação, no último dia 14, as 17 integrantes têm se comunicado através de um grupo criado no WhatsApp, onde trocam “figurinhas” sobre o artista e também fazem os acertos para as ações programadas para o dia do show. “Queríamos fazer algo para demonstrar o amor de Manaus por Cristiano Araújo. Como é a primeira vez que ele vem aqui, daí juntou a ideia de que o fã-clube não seja apenas a reunião para estar no show e, sim, um show de realização de sonhos”, diz Kellen Guedes, membro do “Caso Indefinido”. O nome surgiu a partir do título de uma canção de Cristiano Araújo, que segundo elas faz muito sucesso e é uma das preferidas de todo o fã-clube. “Além de todas nós termos um caso indefinido de amor com o Cris”, destaca Pâmela Eduarda.

SERVIÇO “BALADA SERTANEJA”, COM CRISTIANO ARAÚJO

Várias ações foram pensadas para a chegada do ídolo a Manaus. Camisas, faixas, presentes entre outras surpresas estão sendo preparadas por essas 17 fãs, unidas em busca de realizar o mesmo sonho. “Os anjos tocam harpas, mas o nosso simplesmente canta e causa efeitos, porque o Cristiano Araújo também é conhecido como Cris, causador de efeitos e nariz de batata”, brinca Amanda.

Onde Diamond Convention Center Quanto Pista 1º lote - R$ 70 (meia entrada) em 3x no cartão Pontos de Óticas Veja, Venda Mind’s, Sinhazinha. com, Bar Chopp Brahma e Loja Rommanel do Shopping Ponta Negra Camarote VIP com open bar - R$ 150 (meia-entrada) em 3x no cartão - Open bar até o final do show - cerveja Brahma, água, refrigerante, caipirinha, caipiroska e chope Brahma. Entrada diferenciada, banheiros exclusivos, ambiente climatizado

Presentes Com o fã-clube existente há mais de um ano, as meninas do “Deixa Eu te Amar” também estão unidas pelo mesmo objetivo, que é ver de perto o ídolo. Formado por apenas cinco integrantes, o fã-clube aposta em presentes que farão Cristiano Araújo jamais esquecer a cidade de Manaus. “Já mandei confeccionar

Centrais de estande da FáVenda brica de Eventos no Amazonas Shopping e Loja Shopping Cidade Leste

SUCESSO

Uma das revelações do sertanejo da atualidade, Cristiano Araújo será a atração principal da festa “Balada Sertaneja”, marcada para o dia 8 de novembro, no Diamond Convention Center camisas, mas, além disso, queremos entregar para ele algo que o surpreenda, já que ele nunca veio aqui. Pensamos em algo especial que o fará lembrar sempre de Manaus e, principalmente, do nosso fã-clube”, diz a presidente do “Deixa Eu te Amar”, a estudante Girlene Serrão, 19. Ela e a amiga Luana Amorim, que é a vice-presidente do grupo, começaram a se organizar desde o momento do anúncio do show do artista na cidade. Ambas sempre gostaram de música sertaneja e se apaixonaram por Cristiano Araújo depois de ouvir uma música do cantor, quando estavam passeando num shopping. As fãs estão contando os dias para realizar o sonho de ver de perto, pela primeira vez, aquele que, segundo elas, é o maior causador de efeitos do Brasil.

Girlene Serrão é presidente de um fãclube local e uma das admiradoras ansiosas pelo show do cantor

FOTOS: GIRLENE

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RESENHA

Ensaios a todo vapor no Matanza PERFIL

Emir Fadul, Radialista da Rádio EM TEMPO

A

banda carioca Matanza foi formada em 1996 e, perto de completar 20 anos de carreira, promete ser o destaque musical de 2015. Sua música é uma mistura de hardcore punk, country e heavy metal, formando assim o gênero que a mídia intitulou de “countrycore”. A banda é formada atualmente por Jimmy London nos vocais, Donida na guitarra, China no baixo, Jonas na bateria e em shows a participação de Maurício Nogueira na outra guitarra. Neste momento a banda está reunida compondo, ensaiando e gravando as músicas que irão fazer parte do sétimo álbum, ainda sem título, a ser lançado em 2015. O Matanza concebeu verdadeiros clássicos do rock nacional como “Eu não gosto de ninguém”, “Ela roubou meu caminhão”, “Clube dos canalhas”, “A arte do insulto” e tantos outros. Desta vez, a novidade é a participação dos dois guitarristas do grupo, Donida e Maurício Nogueira, no processo de composição

e gravação. A ideia é deixar as músicas de estúdio bem parecidas com as executadas em shows, onde percebe-se as guitarras fritarem, além da performance no palco inconfundível. A banda disponibilizou um clipe de ensaio com pouco mais que 1 minuto no seu canal do YouTube, através do link www.youtube.com/ channel/matanza, onde existem também, outros clipes fantásticos dos cariocas. Analisando a sonoridade, continua impecável e constante, regado sempre a muitos rifes de guitarras, que é sua característica principal, aliada a voz inconfundível e pesada do Jimmy. O cara continua com a mesma voz do início da banda, isso é fantástico para os fãs perceberem a identidade da banda “countrycore” com a firmeza dos gritos e rifes de duas guitarras. A vocal é algo marcante no Matanza, apesar de o

uso de “palavrões” ser também outra marca registrada do grandalhão vickin! O mais impressionante é a manutenção do estilo raiz, sem precisar fazer “adaptações” a novas tendências ou utilizar tecnologias e samplers para atingir o ápice da viagem musical, o “feijão com arroz” do Matanza já rende um destaque no cenário nacional e curioso que, por onde se apresenta arrebata mais fãs e seguidores, aparecendo como a resistência do rock nacional. Isso é fabuloso, contaria nos dedos as bandas nacionais e internacionais que ainda mantêm seu estilo original, aliás não completa nem uma mão! Quem vai a um show do Matanza, jamais esquece ou

se arrepende. A banda chega a tocar quase 2h direto, sem intervalos para descanso, ou solos intermináveis como estratégia para ganhar tempo. É “pau na orelha” do início ao fim, quem olha a banda destacada pelo aparência inusitada do frontman, Jimmy, percebe que ele faz o que gosta e dá muito valor para a receptividade do seu público. Este show é daqueles que você tem que ir antes de morrer. Estou ansioso para “degustar” este novo álbum que promete ser o destaque de 2015 e, quem sabe, reascender a “fogueira” do rock nacional. Para os fãs segue o site da banda com maiores detalhes sobre o lançamento de 2015 e a agenda de shows, www. matanza.com.br.

A novidade é a participação dos dois guitarristas do grupo no processo de composição e gravação. A ideia é deixar as músicas de estúdio parecidas com as executadas em shows”


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Canal 1 plateia@emtempo.com.br

Bate-rebate

TV Tudo Até o momento Tudo na Record, por enquanto, tem recebido estudos minuciosos, naquilo que diz respeito a sua programação do ano que vem. Uma coisa é certa. Há o desejo de tirar do ar ou reformular o que não está funcionando à altura. É por aí... Que entra o “Programa da Tarde”. Do jeito que é, ele não voltará no ano que vem. Há o desejo , inclusive, de acabar com a “ação entre amigos” que existe na atualidade. Calma nessa hora Não será nenhuma surpresa se a Rede TV! deixar para 2015 o lançamento do seu programa de games, inicialmente anunciado para novembro. A intenção é fazer uma coisa bem feita e que venha a atender este mercado de uma forma bem positiva. Especialistas na área serão chamados para colaborar na sua confecção. É bom entender Neste domingo de eleições, os resultados só serão divulgados a partir das 8 da noite, em regiões com o horário de verão em curso. A diferença do Acre em relação a Brasília é de 3 horas.

MARIO ADOLFO

GLOBO

Juntos novamente Flavinha e Djalma, Fernanda de Freitas e Otávio Muller em “Tapas & Beijos”, na Globo, voltarão às boas no episódio da próxima terça-feira. Eles irão reatar e voltar a morar juntos. Enquanto isso, continua o mistério no programa: um de seus importantes personagens vai morrer ao final desta temporada. A propósito... É preciso destacar a habilidade dos programadores das nossas TVs. Todos foram levados a muitos cálculos para ajustar horário de verão, os fusos existentes e a obrigatoriedade da propaganda política nos últimos dias. No fim, deu tudo certo. Está confirmado Depois de fazer segredo, Walcyr Carrasco abriu que Reynaldo Gianecchini está mesmo confirmado no elenco de “Verdades Secretas”, título provisório da sua próxima novela. Aliás, em entrevista ao Amaury Junior ele revelou que pela primeira vez a Globo concordou em receber uma sinopse falada. Nada, por uma questão de

absoluto segredo, existe de escrito. A grande surpresa Em todas as suas manifestações sobre este seu próximo trabalho, Walcyr Carrasco tem destacado a escalação de Deborah Secco escolhida pessoalmente por ele para um papel diferente de tudo que ela fez até agora. É a sua grande aposta. Assim sim... Mas assim também não. Por que a direção do programa não segura um pouco a insistência da Claudia Leitte em se tornar uma figura pitoresca no “The Voice Brasil”? É o tempo todo carregando no tipo e distribuindo caretas. Qual é a verdadeira razão daquilo?

• O telefilme “Didi e o segredo dos anjos” também já tem lugar assegurado na programação especial da Globo em dezembro. • Gaby Amarantos, Os Travessos, Calypso e Skank também se garantiram na próxima edição do “Show da virada” na Globo... • ... A gravação do especial acontecerá nos dias 25 e 26 de novembro no Citibank Hall em São Paulo, com direção-geral de Luiz Gleiser. • O Globo News, como aconteceu no primeiro turno, promete uma cobertura intensa das eleições deste domingo... • ... O início dos trabalhos está previsto para as primeiras horas da manhã por ocasião do início das votações... • ... Foi também armado um esquema especial para o acompanhamento dos principais candidatos.

SBT desiste da sua segunda novela O SBT botou o pé no freio com relação a novos programas ou projetos de qualquer espécie na sua linha de produção. Tudo continuará exatamente como está até segunda ordem, cuja tradução significa que todos os planos anunciados para o final deste ano ou começo do próximo foram temporariamente suspensos. Por aí se inclua o desejar de abrir o segundo horário de novelas, porque o momento exige cautela.

Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery

C’est fini Pessoal do elenco da Globo está tentando entender por que Tarcísio Meira não é chamado para novos trabalhos. Depois de “Saramandaia”, encerrada em setembro de 2013, ele não fez mais nada. Por conta desse esquecimento, Tarcisio aproveita o tempo para levar a vida de fazendeiro. É mais um caso da série “esqueceram de mim”.

Márcio Braz mbrazsantana@gmail.com

Uma longa estrada

GILMAL

ELVIS

REGI

Na semana passada o espetáculo teatral “A Estrada” de e por Douglas Rodrigues ganhou diversos prêmios no Festival de Teatro da Amazônia dentre eles o de melhor espetáculo, diretor e atriz. Encenado pela Cia. Arte & Fato o espetáculo buscava refletir sobre os impactos gerados pela construção da BR-174 aos povos e comunidades tradicionais sobretudo e especialmente, aos indígenas e, mais ainda, aos waimiri-atroari. De fato estamos diante de um enredo rico, coberto de histórias significativas e emblemáticas sobre a região. Sabemos que a construção das rodovias e estradas, assim como das hidrelétricas, é mais um dos trágicos capítulos da história amazônica, inculcadas e mantidas ao longo dos séculos pelos administradores da região. Desde os impropérios cometidos pelo Marquês de Pombal até as megalomanias sanguinolentas e arbitrárias dos projetos da ditadura militar com vistas ao desenvolvimento da Amazônia e impulsionadas pelo milagre econômico geraram inúmeros reflexos negativos aos nativos da região, como bem citamos acima, numa época em que vivíamos sob a égide da “enfinge” onde a Amazônia nada mais era do que um grande mistério a ser desvendado. Uma região que não merecia um estudo aprofundado: bastava compreendê-la como um espaço “inabitado”, de gente “primitiva” que precisava se “desenvolver”, ideias de um evolucionismo bárbaro e típico de então. Mas enganam-se aqueles que acreditam termos superado o problema. Apesar dos inúmeros avanços científicos para a compreensão do universo amazônico, estes ainda confinam-se nas universidades e em alguns poucos empreendimentos externos à esta, somam-se a isto a força da mídia que insiste em disseminar estigmas ao invés de compreender o seu formato e suas estratégias de vida, assim como a ausência de políticas para a região por meio de um projeto equilibrado de nação, pensadas de dentro pra fora respeitando os valores e processos de suas gentes.

Mas tudo isto passa ao largo da montagem da Cia. Arte & Fato e este bem que poderia ser dirigido por um paulistano, um norte-americano ou um chinês. Para começar, a própria poesia da peça, a BR174 e o contexto de sua construção foram reduzidos no texto a velha fórmula do branco mau e do bom selvagem, embora saibamos que todo processo de colonização é sempre violento, física e simbolicamente. Personagens importantes como o líder Maroaga e a polêmica envolvendo o assassinato do padre Carelli foram mais uma vez intimidados pelo discurso do civilizador e civilizado explicitados na peça como um susto: a prostituta vinda da rua Augusta e seu companheiro de terno e o sadomasoquismo dos “brancos maus” tomado chá ao assistirem os “primitivos” se divertindo ao som das Bachianas n° 5 numa cena à la Herzog. Não que se pretenda aqui estimular um historicismo barato, mas negar aspectos ricos que somariam a dramaturgia é tão leviano quanto. A própria direção optou, acreditamos, por encenar mais do que contracenar e quando se encena tudo vira discurso, e este déja vu da peça (o do civilizador versus civilizado) já nos deu provas fantásticas de sua experiência, basta citar o conjunto das peças indígenas de Márcio Souza logo, o tom foi exaltado, quase um grito inaudível. Ao elenco ficam aqui as boas performances de Fagner Coêlho e Keila Gomes que se esforçaram em dar veracidade aos papeis, ainda que foram atrapalhados pela encenação e o excesso de didatismo. Talvez a busca da cumplicidade os trouxesse maiores e melhores resultados assim como um texto à altura de seus talentos. Vivas também a cenografia, com exceção da parede de palhas absolutamente decorativa. No mais, a Cia. Arte & Fato é um grupo de resultados e não se pode negar o compromisso com suas performances, mas ainda lhes falta certa maturidade para além da fogueira das vaidades.

Márcio Braz ator, diretor, cientista social e membro do Conselho Municipal de Política Cultural

A própria poesia da peça, a BR-174 e o contexto de sua construção foram reduzidos no texto a velha fórmula do branco mau e do bom selvagem”


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Programação de TV

VW DIVULGAÇÃO

de Bola”

SBT

23h15 Programação IURD

6h Brasil Caminhoneiro

GLOBO

6h30 Planeta Turismo 7h30 Vrum

7h Eleições 2014

7h30 Infomercial

7h05 Globo Rural

9h35 Minúsculos

8h05 Auto Esporte 8h40 Esporte Espetacular

9h45 infomercial

11h30 Eleições 2014

10h45 Verdade e Vida

18h45 Sorteio da Tele Sena

11h35 Esquenta!

19h Programa Silvio Santos

12h55 Temperatura Máxima: “Até

23h Especial Eleições 2014

que a Sorte nos Separe” 15h Eleições 2014

23h30 De Frente com Gabi

15h05 Domingão do Faustão

0h30 Nikita

16h Eleições 2014

11h Irmão Caminhoneiro 11h05 Pé na Estrada 11h35 Porsche Cup 12h45 Band Esporte Clube

1h15 Rizzoli & Isles

16h15 Domingão do Faustão

2h Pessoa de Interesse

17h Eleições 2014

3h Jornal do SBT

17h15 Domingão do Faustão

16h Band Eleições

18h Eleições 2014

20h25 Pânico na Band

RECORD

ÁRIES - 21/3 a 19/4 Um decisivo apoio para seu trabalho pode aparecer de modo imperceptível. Não conte com as coisas aparentes, mas com forças que o apóiam sem de fato aparecer aos olhos.

6h30 Tudo Azul

8h45 Chaves

18h Roda a Roda Jequiti

GREGÓRIO QUEIROZ

6h Infomercial

6h25 Pequenas Empresas

14h Eliana

Horóscopo

5h Tartarugas Ninja

8h Mundo Pet 10h Domingo Legal

No SBT, o empresário Pedro Janot conta sua história de superação no “De Frente com Gabi”

BAND

18h15 Domingão

4h Santo Culto em Seu Lar 4h30 Desenhos Bíblicos 6h Desenhos Bíblicos 7h30 Record Kids - Pica Pau 8h Amazonas dá Sorte 9h Domingo Show 13h15 Hora do Faro 16h55 Domingo Espetacular 20h15 A Fazenda 21h45 Tela Máxima – “Garotas Show

Cinema

14h Sessão Livre

do Faustão

23h10 Canal Livre

19h Fantástico

0h15 Show Business -

21h15 Domingo Maior: “Os Especialistas” 23h15 Sessão de Gala: “Um Louco Apaixonado” 1h05 Corujão: “Vencer ou Morrer”

reapresentação 1h05 Power Rangers 1h40 Ei Arnold! 2h Igreja Universal

Cruzadinhas

ESTREIAS

TOURO - 20/4 a 20/5 O entendimento verdadeiro com a pessoa amada, assim como com associados, vem de algo sutil: a convergência das energias pessoais numa mesma direção. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Momento oportuno para todo tipo de renovação e eliminação que se faça necessária. Esse processo renovador pode ocorrer para além de seu controle ou intenção. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Forças invisíveis operam nas relações afetivas, revelando conteúdos inesperados. Não que deva esperar algo ruim, mas algo bastante diferente, não obstante, mais verdadeiro. LEÃO - 23/7 a 22/8 As pequenas mudanças em sua casa podem abrir espaços maiores. O conforto material pode melhorar, desde que se disponha a mexer em coisas que estavam estagnadas. VIRGEM - 23/8 a 22/9 As relações amorosas e sociais podem hoje viver uma transformação significativa e benéfica. Momento de abandonar velhos dogmas para ser mais sincero com as pessoas. LIBRA - 23/9 a 22/10 Plutão em bom aspecto com o Sol indicam capacidade para capitalizar recursos e reunir a força de várias pessoas em suas mãos. Faça bom uso você fará de todo esse potencial. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 A aproximação às pessoas pode revelar aspectos de sua personalidade. Em parte isso pode ser perturbador, por outro lado você poderá estar se renovando em seu jeito de ser. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Você está mais disposto a se relacionar com as pessoas. Não é hora de se esconder, mas de se aproximar, de maneira confiante, daquelas pessoas que lhe são significativas. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Um sentimento de liberdade e plenitude tende a nascer. Momento de contatar e reafirmar antigas propostas de vida que, de algum modo, sempre foram seus faróis orientadores. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Momento positivo para lidar com aspectos complicados e intrincados da profissão. As dificuldades poderão ser superadas, de modo mágico, obtendo um êxito especial. PEIXES - 19/2 a 20/3 Sonhos e projetos realmente novos podem acontecer agora. Não é a aparência que conta, mas o conteúdo. O que você necessita pode estar sob aparência insignificante.

O Apocalipse: EUA. 12 anos. Adaptação de uma das mais impressionantes profecias da Bíblia, “O Apocalipse” narra os últimos dias na Terra após o arrebatamento. Em uma interpretação dos eventos descritos na Bíblia Sagrada, a trama acompanha a história de um pequeno grupo de sobreviventes que é deixado para trás junto com milhões de outras pessoas após uma parte da população da Terra desaparecer repentinamente. Investigando as causas desse evento, o jornalista Buck Williams (Chad Michael Murray) cruza o caminho do piloto de aviões Rayford Steele (Nicolas Cage) e de sua filha Chloe Steele (Cassi Thomson). Eles terão a ajuda do pastor Bruce Barnes (Lance E. Nichols) para entender o que está acontecendo enquanto o mundo entra em colapso, iniciando uma nova era de caos e conflitos. Cinépolis Millennium 1 – 21h55 (leg/diariamente), Cinépolis Millennium 3 – 19h10, 21h35 (dub/diariamente); Cinépolis Plaza 2 – 18h50, 21h15 (dub/ diariamente); Cinépolis Ponta Negra 8 – 14h, 19h25 (dub/diariamente), 16h35, 21h55 (leg/diariamente); Kinoplex 3 – 19h, 21h10 (dub/diariamente); Cinemark 3 – 19h10, 21h45 (dub/diariamente); Playarte 4 – 13h20, 15h40, 18h, 20h20 (dub/diariamente), 22h40 (dub/somente sexta-feira e sábado). Drácula – A História Nunca Contada: EUA. 14 anos. A mitologia dos vampiros combinada com a história real do príncipe Vlad e a origem do Drácula. Cinemark 7 – 11h20 (dub/somente sábado e domingo), 13h40, 15h50, 18h20, 20h45 (dub/diariamente), 23h10 (dub/somente sábado); Cinépolis Millennium 8 – 14h30, 16h40, 18h50, 20h55 (leg/diariamente); Cinépolis Plaza 1 – 15h, 17h20, 19h40, 22h (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 1 – 18h10, 20h45 (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 4 – 20h40 (dub/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 5 – 14h30, 19h15 (dub/diariamente), 16h50, 21h40 (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 10 – 22h30 (leg/diariamente); Kinoplex 4 – 14h50, 17h, 19h (dub/diariamente), 21h20 (leg/diariamente); Playarte 1 – 14h15, 16h15, 18h15 (dub/diariamente), 20h15 (leg/diariamente), 22h15 (leg/somente sexta-feira e sábado), Playarte 6 – 13h15, 15h15, 17h15, 19h15, 21h15 (dub/diariamente), 23h15 (dub/somente sábado e domingo). Alexandre e o Dia Terrível, Horrível, Espantoso e Horroroso: EUA. Livre. O filme segue as proezas de Alexander, enquanto ele atravessa o dia mais terrível e horrível de sua jovem vida: um dia que começa com chiclete grudado no cabelo e continua com uma calamidade atrás da outra. Mas quando Alexander conta as desventuras de seu dia desastroso para sua família otimista, ninguém parece compreendê-lo e ele começa a se perguntar se as coisas ruins só acontecem com ele. Logo ele descobre que não está sozinho, quando sua mãe (Jennifer Garner), pai (Steve Carell), irmão (Dylan Minnette) e irmã, (Kerris Dorsey) também começam a se ver no mais horrível, terrível e pior dos dias. Qualquer um que diga que não há dias ruins simplesmente nunca viveu um. Cinemark 4 – 12h20 (dub/somente sábado e domingo), 14h40, 16h50, 19h, 21h (dub/diariamente), 23h20 (dub/somente sábado); Cinépolis Millennium 5 – 16h, 18h40, 20h40 (dub/diariamente); Cinépolis Plaza 6 – 14h10, 16h15, 18h10 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 2 – 14h10, 17h (dub/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 9 – 13h40 (dub/somente sábado e domingo), 16h10, 18h15 (dub/diariamente), 20h20 (leg/diariamente).

CONTINUAÇÕES Fúria: EUA-FRA. 16 anos. Cinemark 2 – 16h20, 21h15 (dub/somente segundafeira, terça-feira e quarta-feira), Cinemark 8 – 13h (dub/somente sábado e domingo), 15h20, 17h40, 20h, 22h20 (dub/exceto segunda-feira, terça-feira e quarta-feira); Cinépolis Ponta Negra 2 – 19h20 (leg/ diariamente); Kinoplex 1 – 16h15, 20h45 (dub/diariamente). O Juiz: EUA. 12 anos. Cinemark 1 – 20h30 (dub/exceto quarta-feira), 22h15 (dub/somente quarta-feira); Cinépolis Millennium 6 – 18h20, 21h20 (leg/diariamente); Cinépolis Plaza 6 – 20h20 (leg/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 2 – 22h05 (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 10 – 19h35 (leg/diariamente). Festa No Céu: EUA. 10 anos. Cinemark 1 – 11h30 (dub/somente sábado), 13h50 (dub/exceto domingo), 16h (dub/diariamente), 18h10 (dub/exceto quarta-feira); Cinépolis Millennium 1 – 15h, 17h10, 19h30 (3D/dub/diariamente), Cinépolis Millennium 6 – 14h, 16h10 (dub/diariamente); Cinépolis Plaza 2 – 14h30, 16h40 (3D/dub/diariamente), Cinépolis Plaza 8 – 14h45, 17h (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra

1 – 15h (3D/dub/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 4 – 13h20 (3D/dub/somente sábado e domingo), 15h40, 18h (3D/dub/ diariamente), Kinoplex 3 – 15h, 17h (3D/dub/ diariamente), 13 (3D/dub/somente sábado e domingo). Na Quebrada: BRA. 14 anos. Cinemark 2 – 11h45 (somente sábado e domingo), 14h, 18h40 (diariamente), 23h45 (somente sábado); Cinépolis Millennium 3 – 14h50, 17h (diariamente); Cinépolis Plaza 8 – 19h10, 21h20 (diariamente); Cinépolis Ponta Negra 10 – 14h50, 17h15 (diariamente). Um Amor de Vizinha: EUA. 12 anos. Playarte 2 – 16h50, 18h50, 20h50 (leg/diariamente), 22h50 (leg/somente sexta-feira e sábado). Trash – A Esperança Vem do Lixo: BRA-ING. 14 anos. Cinépolis Millennium 7 – 14h20, 16h50 (diariamente); Cinépolis Ponta Negra 3 – 18h50 (diariamente); Playarte 8 – 13h20, 15h40 (diariamente). Anabelle: EUA. 14 anos. Cinemark 6 – 13h45, 16h10, 18h50, 21h30 (dub/exceto segunda-feira, terça-feira e quartafeira), Cinemark 8 – 13h45, 16h10, 18h50, 21h30 (dub/somente segunda-feira, terça-

feira e quarta-feira); Cinépolis Millennium 4 – 15h20, 17h50, 20h, 22h15 (leg/diariamente); Cinépolis Plaza 4 – 16h07, 20h, 22h15 (dub/diariamente), Cinépolis Plaza 5 – 15h20, 17h40, 20h, 22h15 (dub/diariamente); Kinoplex 5 – 14h10, 16h25, 18h45, 21h (dub/diariamente). O Candidato Honesto: BRA. 14 anos. Cinemark 2 – 16h20, 21h15 (exceto segundafeira, terça-feira e quarta-feira), Cinemark 5 – 12h40 (somente sábado e domingo), 15h, 17h20, 19h45, 22h10 (diariamente); Cinépolis Millennium 2 – 15h40, 18h, 20h20 (diariamente), Cinépolis Millennium 7 – 19h20, 21h40 (diariamente); Cinépolis Plaza 4 – 14h25, 16h50 (diariamente), Cinépolis Plaza 7 – 15h40, 17h55, 20h15, 22h30 (diariamente); Cinépolis Ponta Negra 3 – 16h05, 21h45 (diariamente), Cinépolis Ponta Negra 6 – 15h30, 18h30, 20h55 (diariamente); Kinoplex 1 – 14h, 18h35 (diariamente), Kinoplex 2 – 13h30, 15h50, 18h05, 20h25 (diariamente); Playarte 5 – 12h50, 14h55, 17h05, 19h10, 21h20 (diariamente), 23h30 (somente sexta-feira e sábado), Playrte 8 – 18h10, 20h25 (diariamente), 22h35 (somente sexta-feira

e sábado). A Lenda de Oz: EUA. 18 anos. Cinemark 3 – 12h30 (dub/somente sábado e domingo), 14h50, 17h05 (dub/diariamente); Playarte 1 – 12h20 (3D/dub/diariamente). A Bela e a Fera: FRA. 12 anos. Playarte 3 – 13h15, 15h35, 17h55, 20h10 (dub/diariamente), 22h25 (dub/somente sexta-feira e sábado). O Protetor: EUA. 14 anos. Playarte 9 – 15h25, 20h30 (dub/diariamente), 23h05 (dub/somente sexta-feira e sábado). Livrai-nos do Mal: EUA. 14 anos. Playarte 7 – 13h30, 15h50, 18h15, 20h35 (dub/diariamente), 23h (dub/somente sexta-feira e sábado). O Doador de Memórias: EUA. 12 anos. Playarte 10 – 13h25, 15h25, 17h25, 19h25, 21h25 (dub/diariamente), 23h25 (dub/somente sexta-feira e sábado). Anjos da Lei 2: EUA. 14 anos. Playarte 9 – 13h, 18h05 (dub/diariamente). O Que Será de Nozes?: EUA. Livre. O Que Será de Nozes?: EUA. Livre. Playarte 2 – 13h, 14h55 (dub/diariamente).


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MANAUS, DOMINGO, 26 DE OUTUBRO DE 2014

Jander Vieira

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Tônia Seixas e Norma Simões Silva

FOTOS: JANDER VIEIRA

jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br jandervieira

JH Studio em dia de comemoração Delicadeza e preciosidade das joias, o bem receber dos donos Rafael e Janice Honorato com as delícias do Empório dos Reis, passando pelo excelente som do DJ-colunista Alexandre Prata, os elaborados bolo-grife e bem-próspero da Doçuras da Gaby foram os ingredientes perfeitos para celebração de um ano da joalheria mais famosa da cidade, no Vieiralves. Um evento cintilate repleto de mulheres interessantes da cena sobrenomada. Dúvidas?

Rafael e Janice Honorato, os anfitriões

Adriana Cordeiro

Suely Yurtserver

Adriane Antony

Malú Gomes e Símora Souza

Adriana Cidade

Ana Oliveira e Graça Assis

Gabrielle e Liz Lange

Carla Barros

Taiko Fernandes e Sheila Jacob

Márcia Martins

Alexandre Prata e Raquel Claudino

Eliane Schneider

Andréa Aziz e Marilene Lopes

Gracinha Villela

Mônica Bonfim

O staff competente do JH Studio: Maria Clara, Rafael e Janice Honorato, Ana Félix, Karen Cristina e Juliana Lemos

Sônia Jinkings

Mazé Mourão e Júlio Ventilari com Valdenice Garcia


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MANAUS, DOMINGO, 26 DE OUTUBRO DE 2014

Comédia romântica se recicla em novas séries G

arota conhece garoto, os dois se apaixonam, mas uma série de empecilhos e mal-entendidos faz com que meses ou até anos se passem até que tudo dê certo. A fórmula típica das comédias românticas, em baixa nos cinemas, ganha nova chance na televisão. Se no início da década o gênero enchia as salas de cinema com filmes protagonizados por Hugh Grant e Sandra Bullock, hoje o estilo parece ter sumido da programação. Na TV, porém, as séries que giram em torno de encontros e desencontros entre casais está em alta, com o lançamento das séries “Manhattan Love Story”, “Marry Me”, “You’re the Worst”, “Selfie” (exibida no Brasil pela Warner) e “A to Z” na última temporada de estreias. Em todas elas, o romance é o mote e não apenas parte de uma história secundária. Para o jornal “The New York Times”, as novas séries bebem na fonte de Nora Ephron, responsável por sucessos do cinema como “Harry & Sally – Feitos um para o Outro” (1989), mas refrescam o gênero. “A to Z”, por exemplo, conta uma história romântica revelando um final inesperado: o casal central irá terminar o relacionamento em

apenas oito meses. Já em “Manhattan Love Story” o público sabe exatamente o que cada personagem está pensando por meio de narrações em off. “Marry Me”, protagonizada por Casey Wilson (“Happy Endings”), por outro lado, apresenta uma história pouco contada nos filmes, que costumam se centrar no início

FONTE

O jornal “The New York Times” destacou que as novas séries de TV buscam inspiração em sucessos do cinema como “Harry & Sally – Feitos um para o Outro”, lançado em 1989 dos relacionamentos. A série começa com um casal que já está junto – mas que passará pelos perrengues de sempre antes de chegar ao altar. Já “You’re the Worst”, um dos destaques da temporada, aposta num par romântico pouco ortodoxo para o gênero: ele é cínico e ranzinza e ela é imatura e pouco afeita a comprometimentos.

Para Stephen Falk, criador da série, as comédias românticas estavam morrendo por apostarem na mesma fórmula, mas estão sendo renovadas por abordagens mais criativas na televisão. “Estávamos na parte de baixo da montanha-russa e agora começamos a subir de novo”, disse ao site “Vulture”. “O amor é o tema mais universal em que conseguimos pensar.” A TV, aponta a crítica do site “Slate” Willa Paskin em artigo publicado na última semana sobre a temporada da comédia romântica, leva a vantagem de poder explorar a história mais a fundo em comparação com o cinema, que só tem cerca de duas horas para apresentar os personagens e concluir a trama. Segundo as criadoras de séries Mindy Kaling, de “Projeto Mindy”, exibida no canal TBS muitodivertido, e Elizabeth Meriwether, de “New Girl”, da Fox, fãs declaradas de comédias românticas, a TV dá ao gênero um espaço que não interessa mais ao cinema. “Não acho que haja espaço no cinema para as histórias que quero contar: pequenas, honestas, e que não tenham norte-coreanos invadindo a Casa Branca”, afirmou Meriwether em julho.

DIVULGAÇÃO

Em baixa nos cinemas, o gênero ganha novo fôlego na televisão em produções como “Selfie”, “Marry Me” e “You’re the Worst”

O seriado “Selfie” já é exibido no Brasil, pelo canal Warner, e o romance é o mote da produção


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EM TEMPO - 26 de outubro de 2014 by Amazonas Em Tempo - Issuu