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ANO XXVII – N.º 8.546 – DOMINGO, 23 DE NOVEMBRO DE 2014 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO
O GRANDE VOLUME DE IMPORTAÇÕES DE PRODUTOS QUE PODERIAM SER PLANTADOS NO AMAZONAS DEIXA O ESTADO MUITO AQUÉM DO SEU REAL POTENCIAL PARA A AGRICULTURA. CHEIRO-VERDE, BANANA, FARINHA, CARNE, FEIJÃO, MELANCIA, MAÇÃ E ATÉ PEIXE VÊM DE OUTROS ESTADOS. O ALHO QUE VAI PARA A MESA DO AMAZONENSE, POR EXEMPLO, É IMPORTADO DA CHINA. O INVESTIMENTO NA ÁREA DE VÁRZEA PODERIA SER UMA SAÍDA PARA O ABASTECIMENTO DE MANAUS, MAS ATÉ ISSO É IGNORADO. ECONOMIA B1 A B5
Hortaliças são dos raros produtos cultivados no Amazonas
Em alguns boxes da feira Manaus Moderna, todos os gêneros alimentícios são importados
A macaxeira que abastece as feiras de Manaus vem de Roraima
Ao assumir interinamente a superintendência da Suframa, Gustavo Igrejas fala em fazer uma reestruturação interna na autarquia. Com a palavra A5
O peixe que chega à mesa do amazonense vem de Rondônia
Cruzeiro pode ser tetra hoje
ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
GUSTAVO IGREJAS
‘É preciso arrumar a casa’
FOTOS: IONE MORENO
ATÉ O FEIJÃO COM ARROZ VEM DE FORA
Prepare-se para o verão
Caso vença o Goiás, o Cruzeiro pode soltar ainda hoje o grito de campeão em casa e com duas rodadas de antecipação no Brasileirão. Pódio E7
No editorial deste domingo, a revista Elenco escolheu as margens do rio Negro para apresentar peças que vão fazer a cabeça das mulheres no próximo verão. Elenco 12 e 13
DONA COTINHA
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Bom humor para chegar aos 100 Mãe de nove filhos e avó de 40 netos, Maria Leite de Almeida, a dona Cotinha, chega aos 100 anos às custas de “bom humor”. Dia a dia C2
Prejuízo atrás de prejuízo Pelo menos 36% da energia, em Manaus, é usufruída irregularmente, o que acaba interferindo na qualidade do serviço e resultando em apagões. Dia a dia C1
Deixar um imóvel irregular pode resultar em meses para encontrar uma solução, dependendo do documento que precisa ser obtido.
Além dos relatos de não ficção e livros de história, centenário da Primeira Guerra enseja traduções de obras-primas de ficção sobre o conflito.
Pesquisadores japoneses constataram que a ingestão de maçã promoveu uma perda de gordura de 20% em cobaias de laboratório.
FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELEIÇÕES E ELENCO.
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ENERGIA
Rosberg larga na frente O alemão Nico Rosberg, da Mercedes, sai na frente no GP de Abu Dhabi, última etapa do Mundial de F-1, que será disputado hoje. Última Hora A2 TEMPO EM MANAUS
MÁX.: 31
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26
A2
Última Hora
MANAUS, DOMINGO, 23 DE NOVEMBRO DE 2014
Blitze apreendem dois motoristas e dez veículos
FÓRMULA 1
Nico Rosberg garante a pole no GP de Abu Dhuabi
ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
Desde o feriado da Consciência Negra, comemorado na última quinta-feira, Detran e Polícia Militar estão realizando operação em diferentes bairros da cidade
IVE RYLO Equipe EM TEMPO
D
Na madrugada do feriado, a operação do departamento de trânsito em parceria com a 20ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) abordou 450 veículos e apreendeu 14 carros e 40 motos. Foram autuados 105 veículos, sendo identificados 40 CRLVs e cinco CNHs vencidas. Cinco motoristas que dirigiam embriagados foram identificados. A ação ocorreu no bairro Campos Sales e na avenida Torquato Tapajós, ambos na Zona Oeste. A Lei Seca prevê multa no valor de R$ 1.915,40 e suspensão do direito de dirigir por 12 meses ao motorista que for pego alcoolizado ao volante. Em caso de reincidência, o valor da multa é dobrado, além do veículo ser retido e ter a carteira de habilitação recolhida. Além da fiscalização notur-
na, agentes do órgão também realizaram a vistoria na barreira de acesso às rodovias estaduais AM-010 e AM-070. De acordo com estimativa do órgão, 20 mil veículos deixaram a cidade desde a última sexta-feira. Ontem, 45 examinadores do Detran também deram continuidade ao mutirão de exames de direção no Centro de Exames de Direção Veicular (CEDV), no bairro Santa Etelvina, Zona Norte. Até as 13h de sábado, 246 exames de candidatos que estavam com os processos prestes a vencer nos meses de novembro e dezembro de 2014 foram realizados. A previsão é que o mutirão se estenda até o sábado, dia 27 de dezembro. De acordo com o órgão, há aproximadamente 8.900 processos válidos até 11 de janeiro de 2015.
DIVULGAÇÃO
ez veículos foram apreendidos da noite de sexta-feira até as 6h de ontem, por agentes do Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM). Duas pessoas foram apreendidas por dirigir alcoolizadas. A operação, em parceria com a Polícia Militar do Amazonas (PMAM), foi deflagrada na última quinta-feira, feriado nacional da Consciência Negra. Dos dez veículos apreendidos, oito foram motocicletas, em que os condutores foram flagrados com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) fora da validade e sem portar o Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo (CRLV). Também foram apreendidos dois carros, condu-
zidos por motoristas que, de acordo com informações repassadas pelos agentes do Detran, tinham consumido álcool, o que é proibido de acordo com a lei 12.760, a chamada Lei Seca, sancionada em 2012. Um dos motoristas, identificado como Ricardo Henrique Azevedo, 28, foi submetido ao exame de alcoolemia, durante blitz na avenida do Turismo, próximo a uma empresa de aluguel de automóveis, na madrugada de ontem. De acordo com agentes do órgão, ao constatar que o condutor estava alcoolizado, o mesmo teria negado a entregar a chave do carro e o veículo teve que ser guinchado. Além da avenida do Turismo e na Coronel Teixeira, Zona Oeste, a operação ocorreu concomitantemente em ruas dos bairros Santa Etelvina, Novo Israel e Alvorada.
Nico precisa descontar uma diferença de 17 pontos
POLÍCIA
Sexta-feira teve três mortes SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO
Três mortes foram registradas pelo Instituto Médico Legal (IML) durante a noite de sexta-feira. De acordo com o livro de registro do órgão, uma das vitimas morreu em decorrência de acidente de trânsito e as outras duas de homicídio. O primeiro caso ocorreu por volta das 21h, na alameda Cosme Ferreira, no bairro Coroado, Zona Leste de Manaus. A funcionária pública Francinete Nunes Espírito Santo, 42, morreu ao ser atropelada por um veículo modelo Siena, placas JWX-9257, que vinha no sentido Centro-bairro, nas proximidades da Mini Vila Olímpica.
A funcionária pública Francinete Nunes Espírito Santo morreu atropelada na Zona Leste
Pontuação O GP de Abu Dhabi entrará para a história da F1 não apenas como a corrida que definiu o Mundial de 2014 como também a primeira a distribuir o dobro da pontuação. A novidade polêmica foi introduzida neste ano para assegurar que a disputa pelo título se
estendesse até a última etapa e evitasse o que aconteceu em 2013, por exemplo, quando Sebastian Vettel sagrou-se campeão com três corridas de antecipação. Mas, mesmo que não tivesse sido implementada, Lewis Hamilton e Nico Rosberg ainda chegariam à prova deste domingo com chances de título. A diferença, porém, é que com a possibilidade de ganhar o dobro de pontos em Yas Marina, a quantidade de cenários possíveis para Rosberg ser campeão passaram de seis no sistema de pontuação normal para 25 no novo. Com 17 pontos a menos que Hamilton na classificação, se o GP de Abu Dhabi valesse o mesmo que os demais, o piloto alemão teria de vencer a corrida e torcer para que Hamilton chegasse no máximo na sétima colocação. Ou ser segundo e o companheiro de Mercedes não marcar pontos. Como vale o dobro, a vida de Rosberg ficou mais fácil. Uma das combinações de resultado que lhe dá o título é uma vitória com Hamilton no máximo em terceiro. “Acho esta regra artificial e não gosto dela em geral”, disse o piloto alemão. DIVULGAÇÃO
O principal motivo das apreensões foi condutores flagrados com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) fora da validade
SÃO PAULO, SP - O alemão Nico Rosberg, da Mercedes, irá sair na frente no GP de Abu Dhabi, última etapa do Mundial de F-1, disputado hoje. Ontem, Rosberg cravou o melhor tempo na sessão que definiu o grid de largada, ficando 0s386 milésimos à frente do inglês e seu companheiro de equipe Lewis Hamilton, segundo colocado. O piloto alemão precisa descontar uma diferença de 17 pontos sobre Hamilton para ficar com o título deste ano. No último treino antes da definição do grid de largada, Rosberg já havia sido o mais rápido. A terceira colocação ficou com Valtteri Bottas, da Williams. O brasileiro Felipe Massa, que ficou 0s639 milésimos atrás de Rosberg, irá largar na quarta colocação, seguido pelo australiano Daniel Ricciardo, da Red Bull, em quinto.
Assassinato Vitima de agressão física, o vendedor Fabrício José da Silva, 18, não resistiu aos ferimentos e morreu ain-
da no local do ataque. De acordo com informações de investigadores da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), o caso ocorreu por volta das 22h40, na rua Catatua, bairro Zumbi, Zona Leste.
AGRESSÃO
Vítima de agressão física, o vendedor Fabrício José da Silva, 18, não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local do ataque. O caso ocorreu por volta das 22h40, no bairro Zumbi Ainda segundo as informações, o vendedor foi atingindo com diversas pauladas na cabeça. O instrumento utilizado para agredir o jovem foi um pedaço de madeira. O Serviço de Atendimento
Móvel de Urgência (SAMU) chegou a ser acionado para atender a vítima, que não resistiu aos ferimentos e morreu no local. Até o fechamento desta edição, o suspeito do crime não tinha sido identificado pela polícia. A ocorrência foi registrada no 9º Distrito Integrado de Polícia (DIP) e a DEHS irá investigar o caso. De acordo com o site do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), Fabrício respondia a um processo pelo assassinado de um mototaxista. O autônomo Ajurimar Tadou da Silva, 47, foi assassinado com quatro tiros por volta das 22h, em frente ao sítio onde ele morava com a esposa, na rua Doutor Ney Rayol, situada no bairro Tarumã, Zona Oeste de Manaus. Segundo a DEHS, os suspeitos estavam em uma motocicleta amarela e fugiram sem serem identificados. O caso será investigado.
Opinião
MANAUS, DOMINGO, 23 DE NOVEMBRO DE 2014
Contexto 3090-1017/8115-1149
A3
Editorial
marioadolfo@emtempo.com.br
opiniao@emtempo.com.br
Carta branca para os ruralistas A presidente Dilma Rousseff ensaiou antecipar, na sexta-feira, ao menos parte dos ministros e auxiliares que comporão o seu segundo mandato. Isso animou a Bolsa de Valores, que parou de cair, como vinha acontecendo desde a vitória da petista no segundo turno. Dilma desistiu de fazer o anúncio, mas alguns nomes vazaram e não parecem ser perfis da mudança que a própria Dilma pregou na campanha pela reeleição. O seu ministro para o Desenvolvimento da Indústria e Comércio, a que está atrelado o imbróglio da Zona Franca de Manaus, será o senador Armando Monteiro, ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e candidato derrotado ao governo de Pernambuco pelo PTB. E no momento em que o governo federal é questionado sobre o aumento do desmatamento e da emissão de gases em níveis preocupantes, a senadora do PMDB de Tocantins e porta-voz da bancada ruralista no Congresso, Kátia Abreu, é indicada para o Ministério da Agricultura. Ela também é presidente da poderosa Confederação Nacional da Agricultura e já sinalizou que aceitará a indicação. Kátia Abreu tem o apoio do presidente do PMDB, Michel Temer, vice-presidente da República, e estaria conversando com outras lideranças do partido a fim de ampliar a rede de apoios. Dilma disse à senadora que ela terá “carta branca” para montar a nova equipe. O setor agropecuário possui uma área plantada de 53,3 milhões de hectares, que representa apenas 27,7% do território nacional e as previsões são de que nas próximas décadas o segmento poderá acrescentar outros 70 milhões de hectares de área para a produção de alimentos e energia. Essa conquista territorial está na contramão do que o país no governo Lula garantiu que faria, na Conferência do Clima em Copenhague. E a mudança de Dilma parece que será conservadora.
‘Não aceitará ser rainha da Inglaterra’ A colunista Míriam Leitão publicou ontem em sua coluna no jornal “O Globo” que, no Ministério de Minas e Energia, o nome mais forte é Eduardo Braga (PMDB-AM). O PMDB quer ficar com a pasta, hoje ocupada por Edison Lobão, e indicou Braga. Segundo um analista, uma coisa se sabe de Eduardo Braga: “Ele não aceitará ser a rainha da Inglaterra de Márcio Zimmermann, que é quem manda no ministério”. Já os ambientalistas têm outra visão da indicação. Braga pode ser um grande incentivador dos projetos de hidrelétricas na Amazônia. Salve os rios Falando em hidrelétrica, procuradores da República de seis Estados pedem que a Justiça Federal proíba a Agência Nacional de Águas (ANA) de autorizar novos empreendimentos em importantes rios da Amazônia brasileira sem que, antes, sejam criados os chamados comitês de bacia hidrográfica. Salve os rios 2
Alerta A previsão aponta um acidente entre o voo JJ3720 e um prédio na avenida Paulista. Em nota, a companhia aérea disse que “considerou o alerta e permanecerá atenta às operações no período citado”. Às 8h30
Os procuradores ingressaram com ações em tribunais federais do Amapá, Pará, Amazonas, Mato Grosso, Rondônia e Roraima. Eles pedem que a agência seja proibida de emitir a Declaração de Reserva de Disponibilidade Hídrica para quaisquer empreendimentos que estejam em fase de licenciamento nas bacias amazônicas.
� Principalmente nos rios Tapajós, Teles Pires, Madeira, Ji-Paraná, Negro, Solimões, Oiapoque, Jari, Araguaia, Tocantins e Trombetas. Premonição JJ3720
A informação é da própria companhia aérea.
no
voo
O número de um voo da TAM previsto para sair de Congonhas, em São Paulo, com destino a Brasília na próxima quarta-feira (26/11) foi alterado. A TAM considerou a previsão de um suposto vidente de que a aeronave iria cair.
O número do voo foi alterado para JJ4732 no dia e horário em que está previsto o acidente: 8h30 do dia 26/11. No cartório A premonição foi registrada em um cartório de São Paulo em 2005. A aerovane apresentaria problemas em uma das turbinas e se chocaria com o prédio às 9h. Tragédia de Campos O suposto vidente ganhou repercussão em agosto, quando o avião em que estava o candidato à Presidência Eduardo Campos caiu. Juscelino Luz disse que também tinha previsto o acidente. Muralha da vergonha O que Manaus tem de mais bonito é encoberto por uma mureta degradante e centenas de carretas e carros – baú desembarcando mercadoria para
APLAUSOS
regi@emtempo.com.br
abastecer a feira. Estamos falando da Manaus Moderna, onde é impossível contemplar a beleza serena do rio Negro. Quem foi? Com todo o respeito à categoria, o arquiteto ou engenheiro que vendeu a infeliz ideia para o prefeito da época deveria ser processado.
João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br
Boa notícia Mas até o final do primeiro semestre de 2015, a prefeitura garante que resgatará a orla da Manaus Moderna. Se isso de fato acontecer, o espaço se transformará em um dos potenciais pontos turísticos de Manaus. E finalmente poderemos ver o rio. Apesar do apagão... Quem vem sofrendo com apagões de energia constantes em casa e no trabalho não vai gostar nada disso. Mas a Eletrobras Amazonas Energia acaba de conquistar o primeiro lugar do Prêmio IASC – Índice Aneel de Satisfação do Cliente, edição 2014. Apesar do apagão 2 A premiação foi realizada na última quarta-feira (19), em Brasília (DF). Dentre as oito concessionárias que atendem a Região Norte, Amazonas Energia obteve o índice de 62,59% de satisfação pelos serviços prestados.
VAIAS
Resgate da Manaus Moderna
Regi
Monumento ameaçado
DIVULGAÇÃO
IONE MORENO
Para o anúncio de reforma da Manaus Moderna, na orla do rio Negro. Sem dúvida, isso significa o resgate de um dos nossos mais belos cartões-postais.
Para a feira livre que está se formando em frente ao histórico prédio da faculdade de Direito, antiga Jaqueira. Além de degradar o monumento, as barracas e quiosques impedem até mesmo a visão da fachada do prédio.
A vida de uma cidade Cada cidade possui uma história própria, constituída pelo acervo de fatos e episódios que povoaram a sua história e que, além de terem contribuído para constituí-la na sua realidade física, certamente também serviram para definir o seu caráter, porque as cidades costumam ter personalidade e individualidade a distingui-las umas das outras. Disso Manaus também não fugiu e, enquanto escapou da categoria de metrópole, mais fácil foi identificar e registrar a sua natureza, pelo menos para aqueles que puderam por mais tempo nela e com ela viver. Como disse o poeta, “não só eu vivo em Manaus, Manaus também vive em mim”. A confiar na minha fraca memória para números, creio que li em algum lugar que neste ano e neste 24 de outubro a nossa cidade terá completado 345 anos de fundação, ou melhor, de nascimento. Coisa que sempre me intrigou foi a razão que teria levado os colonizadores a fundar neste preciso lugar, a tamanha distância da foz do Amazonas e do mar, a decantada Vila de São José do Rio Negro, então embrião desta heroica Manaus. Ponto de resistência e de defesa contra invasores nunca me pareceu uma razão, uma vez que, em havendo invasão de conquistadores, seria do mar para o rio e, então, as defesas deveriam concentrar-se lá no Pará. Resta, pois, como única alternativa a convicção de que chegaram até o Negro porque buscavam consolidar posse de território e exploração de riquezas. Seja como for, ou como tenha sido, consumou-se o fato e cá estamos todos vivendo nela e também contribuindo para fazê-la em sua urbanidade. E este é um aspecto que não pode ser negligenciado, pois tanto quanto as suas pedras, as suas ruas, os seus calçamentos e as suas edificações, numa cidade a
sua gente é até mais preponderante para fazê-la ser o que é, ou seja, para definir o seu ser. Da História desta Manaus, da sua Memória, felizmente temos na pessoa de Etelvina Garcia a guardiã zelosa e competente que nos nutre com as informações imprescindíveis. Outros naturalmente houve e há também empenhados e fartos de conhecimentos, mas, quem a ela tem já se dê por saciado. A formação da gente manauara de hoje foi a miscigenação de ontem. Os índios já aqui se achavam havia muito tempo, desde quando ainda eram os senhores absolutos e únicos da terra. Chegaram os colonizadores, antes portugueses, depois os escravos oriundos da África, os árabes, os judeus, outros europeus em números mais restritos e mais tarde as levas infindáveis de nordestinos, “soldados da borracha”, eles também de origens diversas e mescladas. Manaus, de braços bem mais abertos do que hoje, a todos acolhia e de cada grupo ou etnia procurava sorver o que lhe parecia novidade ou diferença. Mesmo os que se esforçavam por manter isolamento e pureza cultural, como tentaram os ingleses que chegaram como colonizadores e buscaram de início apenas a convivência entre eles e até clube privativo criaram, não resistiram para sempre e pouco a pouco se diluíram entre nós. Sedentos pela ação “civilizatória” sempre esperada de fora e de longe, tivemos nossos ícones e paradigmas, geralmente em sucessão. Ora a Inglaterra, de Londres e de Liverpool, depois Paris, Milão, Nova York e logo o Rio de Janeiro, sonho de todos os amazonenses. Felizmente acabamos por nos convencer dos versos do Aldisio e entendemos que porto de lenha nunca chega a Liverpool. Só assim assumimos identidade própria.
João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO
Sedentos pela ação ‘civilizatória’ sempre esperada de fora e de longe, tivemos nossos ícones e paradigmas, geralmente em sucessão. Ora a Inglaterra, de Londres e de Liverpool, depois Paris, Milão, Nova York e logo o Rio de Janeiro, sonho de todos os amazonenses”
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Opinião
MANAUS, DOMINGO, 23 DE NOVEMBRO DE 2014
Frase
Painel VERA MAGALHÃES
De todas as atrocidades cometidas nesta eleição, a mais vexatória, sem dúvida, foi o governo impondo a órgãos técnicos uma mordaça para que a população não soubesse a real situação do país. Mais do que ninguém, eles sabiam como estavam fazendo um mau governo e como isso não podia ser revelado durante as eleições
Pé no acelerador O governador Geraldo Alckmin (PSDB) quer orientar o segundo mandato para a entrega de obras. Aliados do tucano reconhecem o ritmo lento de conclusão de projetos nos últimos quatro anos e dizem que, se não houver uma guinada, o PSDB terá dificuldades eleitorais em 2018. Até o fim do ano, Alckmin só deve inaugurar uma obra importante, a hidrelétrica de Pirapora do Bom Jesus - considerada emblemática, no entanto, pelo fato de o governo federal enfrentar crise energética. Seca Alckmin tem tido dificuldade para encontrar nomes técnicos para seu secretariado. O ex-presidente do BNDES Eleazar Carvalho Filho foi sondado para a Secretaria da Fazenda, no lugar de Andrea Calabi, mas, por ora, não demonstrou interesse. Deixe recado Aliados do governador dizem que, depois da nova fase daoperação Lava Jato, da Polícia Federal, gestores públicos, que antes já demonstravam receio em assinar contratos e aditivos, agora não querem nem atender telefonemas. Após o sinal “Se toca o telefone em alguma secretaria e é alguém de construtora, a resposta é: ‘Manda dizer que eu não estou’”, ilustra um tucano paulista, sem esconder certa preocupação. Antídoto O Palácio dos Bandeirantes estuda criar uma espécie de seguro para que os técnicos do governo que sejam citados em casos de suspeita de corrupção possam custear advogados. Jus esperneandi O criminalista Alberto Toron se queixa de que a citação indevida do
diretor da Petrobras José Carlos Cosenza não foi a primeira arbitrariedade da PF na atual fase da Lava Jato.
pé” na execução da nova política econômica, cujo mote será a retomada do crescimento e da confiança.
Vapt-vupt Walmir Pinheiro, diretor financeiro da UTC, empresa que o advogado defende, e Edinaldo Alves, “um subalterno”, segundo ele, foram presos e soltos cinco dias depois, “após constatarem que não tinham nada a ver com o caso”.
Lapso Os nomes de Dílson Funaro e Luís Carlos BresserPereira, que foram ministros da Fazenda no governo de José Sarney (1985-1990), não aparecem na galeria de ex-ocupantes da cadeira no site oficial da pasta.
Piracema Os escritórios criminais menos renomados se movem para pegar os “peixes médios” que começam a surgir nas delações premiadas da Lava Jato e não têm dinheiro para bancar honorários das estrelas, estimados em R$ 3 milhões iniciais. Aditivado O Ministério do Planejamento deve ter suas funções ampliadas, segundo o desenho feito por Dilma Rousseff ao convidar o economista Nelson Barbosa para assumir a pasta. Todos por um O discurso feito por Dilma a Barbosa e Joaquim Levy, convidado para assumir a Fazenda, é que os dois ministérios, e mais o Banco Central, atuariam como um “tri-
Ronaldo Caiado, deputado (DEM-GO), pediu à ProcuradoriaGeral da República que investigue, por crime de responsabilidade e improbidade administrativa, dez autoridades, entre ministros, presidentes e diretores de agências, que durante as eleições “seguraram a divulgação de dados oficiais e medidas econômicas”.
Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br
DIEGO JANATÃ
Inflação Já Maílson da Nóbrega, que ocupou o cargo de janeiro de 1988 a abril de 1990 e hoje é reconhecido crítico da política econômica de Dilma, aparece duas vezes na relação de ex-titulares. Reciclagem O MST espera mudanças no Ministério do Desenvolvimento Agrário e no Incra. O movimento avalia que, depois de 12 anos, a tendência Democracia Socialista, do PT, não tem mais o que oferecer na pasta. Vai tarde A Secretaria-Geral da Presidência foi o principal canal do MST no governo Dilma. A entidade vê com bons olhos a possível ida de Miguel Rossetto para o lugar de Gilberto Carvalho.
Tiroteio
Hora do espanto: não precisa ter adaptado o carro para usar o gás de Urucu, essa raridade, para um motorista chegar ao posto de abastecimento de combustível e ter a sensação de estar diante de um “trintoitão”: “Não tem saída. Venda o carro para comprar o gás ou a gasolina ou o diesel”. Consolo: falta pouco para 2015
Dom Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br
Hoje, minhas críticas à condução da empresa parecem coisa de jardim de infância. Não podia imaginar que houvesse coisa ilícita. ILDO SAUER, EX-DIRETOR DA ÁREA DE GÁS DA PETROBRAS, que deixou o posto em 2006 por divergências com a presidência da estatal e com o governo Lula.
Contraponto
Coisas que só em Boa Vista Um dia depois de aprovar, em sessão tumultuada, a proposta de revisão da meta fiscal deste ano, a Comisão Mista de Orçamento teve de refazer a votação. O relator da matéria, senador Romero Jucá (PMDB-RR), tentava defender a medida: – Não se trata de rever a meta, apenas de flexibilizá-la. – Esta ginástica teórica só se ensina em faculdades de Roraima – rebateu Marcus Pestana (PSDB-MG). Ofendido, Jucá respondeu ao deputado tucano: – Pois vocês perderam em Minas, e eu garanti a vitória do Aécio em Roraima! Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”
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Cristo-Rei Neste domingo, o último do ano litúrgico, a Igreja celebra a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo-Rei do Universo. Neste dia, se celebrava no passado a Ação Católica, que antes do Concílio representou a estratégia da Igreja para agir na sociedade que visivelmente deixava de se inspirar nas suas orientações e ganhava autonomia. Tratava-se de restaurar todas as coisas em Cristo, e sem dúvida alguma havia certa nostalgia da cristandade, regime em que Estado e Igreja se confundem e a sociedade, hegemonicamente cristã e católica, vive organizada, ao menos no Ocidente, segundo valores e práticas cristãs. O mundo seguiu o seu caminho, tornou-se plural, organizou-se de forma diferente e a festa de Cristo-Rei ganhou novos contornos e significados. Hoje celebramos o dia do leigo e da leiga, chamados a serem cidadãos e sujeitos eclesiais. Agindo e vivendo na comunidade eclesial com plenos direitos provindos do batismo, da crisma e da participação plena na Eucaristia, são chamados a assumir diversos ministérios que edificam e consolidam o corpo de Cristo, sacramento do reino de Deus no mundo. Sujeitos eclesiais, os leigos e as leigas são cidadãos no sentido mais completo da palavra, isto é, são responsáveis pela construção da cidade, devendo viver esta responsabilidade com toda liberdade. A cidadania é vivida de diversas maneiras, mas especialmente na política, que é a busca do poder para exercitá-lo em vista do bem comum. Sem poder não se pode transformar a realidade, e a ordem democrática é a forma encontrada de organizar e deli-
mitar o poder para que ele não se torne opressor e corruptor. O poder sempre tem um fundo religioso que o inspira e justifica e mesmo quando ateu ou laico têm razões transcendentais que se não são religiosas, são ideológicas. Por isso, é importante olhar para Cristo-Rei. Para quem acredita, Jesus é o princípio e o fim de todas as coisas e tudo o que existe, existe por ele, nele e para ele. A realidade para o crente é Cristo, e todo poder pertence a ele. Como o Cristo exerceu este poder e com quem ele se identifica? O poder se manifestou na cruz, isto é, na total ausência de poder neste mundo. Um poder que se exerce no serviço e na doação da vida, e cujo grande sinal foi o lava pés. Um poderoso que é encontrado nos famintos, nos nus, nos estrangeiros, nos doentes e nos prisioneiros. Um poderoso que pede de seus seguidores a radicalidade da doação da vida expressa no carregar e assumir a cruz de cada dia. O reinado de Deus já chegou e está entre nós toda vez e em todo lugar que o poder é exercido segundo a vontade de Deus, que se expressou de forma definitiva na vida de Jesus de Nazaré, constituído por Deus Senhor e Cristo quando o ressuscitou dos mortos. O último pedido da Escritura é: “Vem, Senhor Jesus”. Que o reino de Deus, que é justiça e vida para todos, se estabeleça o mais rápido possível. Existe um poder que cura, salva, renova, dá vida. Este poder pode e deve ser procurado por todos e uma vez encontrado não deve cair na tentação de ser usado para destruir o outro e perpetuar-se num egocentrismo diabólico.
Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus
O reinado de Deus já chegou e está entre nós toda vez e em todo lugar que o poder é exercido segundo a vontade de Deus, que se expressou de forma definitiva na vida de Jesus de Nazaré, constituído por Deus Senhor e Cristo quando o ressuscitou dos mortos”
Com a palavra
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GUSTAVO IGREJAS
É preciso ‘ARRUMAR A CASA’ para a Suframa voltar A FUNCIONAR FOTOS: MÁRCIO GALLO/DIVULGAÇÃO
SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO
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A nomeação partirá da presidente da República e deve passar necessariamente pelo novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) e pelas forças políticas do Estado. Estou à disposição para permanecer no cargo de superintendente
om a exoneração de Thomaz Afonso Queiroz Nogueira do cargo de superintendente da Zona Franca de Manaus (Suframa), publicado no Diário Oficial da União (DOU), no dia 10 de novembro, o servidor de carreira Gustavo Adolfo Igrejas Filgueiras assumiu interinamente a superintendência da autarquia com o desafio de resolver a questão dos servidores. Os trabalhadores ameaçam parar as atividades caso a resposta do governo federal sobre as reivindicações de reestruturação do plano de cargos e salários (PCCS) não seja favorável. Gustavo Igrejas, 45, é carioca, bacharel em ciências econômicas pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e pós-graduado, em administração de empresas (CEAE), pela Fundação Getúlio Vargas. Ingressou na Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) em 1987, como estagiário no departamento de acompanhamento de projetos industriais; após seu estágio em 1988, foi admitido na Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica (Fucapi) e seguiu prestando serviços à Suframa como economista/analista de projetos até 1997, quando assumiu a presidência da Comissão Permanente de Licitação da autarquia; Em 1998, assumiu a Coordenação-Geral de Acompanhamento de Projetos Industriais (Cgapi); em 2008 fui aprovado no concurso público; em 2012, na gestão do ex-superintendente Thomaz Nogueira, fui nomeado como superintendente adjunto de projetos e no último dia 10, com a exoneração de Nogueira, assumiu o cargo de superintendente interino. São 27 anos de casa. EM TEMPO - Superintendente, há chances de o senhor se tornar efetivo no cargo? Gustavo Igrejas - Há uma possibilidade. A nomeação partirá da presidente da República e deve passar necessariamente pelo novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) e pelas forças políticas do Estado. Além de ser profissional de carreira também sou técnico e estou à disposição para permanecer no cargo de superintendente ou como adjunto de projetos da autarquia. EM TEMPO - Quais os principais desafios que o senhor terá à frente da Suframa? GI - O primeiro é fazer uma reestruturação interna na Suframa. É preciso arrumar a casa nestes últimos 60 dias, para que as atividades que estão paradas voltem a funcionar. Já estamos fazendo a migração do sistema de controle de mercadorias para o Serviço Federal de Processa-
mento de Dados, o que poderá acontecer até 14 de dezembro. Essa é uma questão fundamental a ser enfrentada e vamos fazer de tudo para que não haja nenhum prejuízo para as empresas do PIM. A partir da reestruturação, precisamos ficar atentos a questões que envolvem o polo em todas as esferas para começarmos a planejar os próximos 50 anos, que é algo que não deve ser feito exclusivamente pela Suframa, tem que ter a participação do governo do Estado, da Secretaria de Receita Federal, da classe política e da sociedade em geral. EM TEMPO - Quais são as prioridades da Suframa nesse momento? GI - Estamos finalizando um diagnóstico interno com as quatro superintendências adjuntas da Suframa e todos os órgãos ligados diretamente à autarquia. Iremos resolver as questões mais urgentes apontadas por esse documento para que, pelo menos até o dia 31 de dezembro, a Suframa não tenha qualquer paralisação de atividade de serviço ou de qualquer tipo de contrato. Existe um cronograma a ser seguido e pessoas responsáveis pelas execuções e vamos realizar reuniões semanais para cobrar o cumprimento de etapas e ações que foram estabelecidas. A Suframa passou, nos últimos dois anos, por alguns momentos bastante conturbados. Em 2013, com a saída dos funcionários terceirizados, tivemos uma redução drástica do número de pessoas trabalhando na Suframa, o que perdurou até a realização do concurso e a posse dos concursados, entre julho e agosto deste ano. Foram 14 meses com a mão de obra reduzida e isso acarretou em muitos problemas administrativo que, ao assumir no dia 10, encontrei diversos contratos vencidos, outros a vencer, e outras coisas importantes. EM TEMPO - E quais as estratégias para superar esses obstáculos com os servidores da casa? GI - Nós estamos trabalhando para encontrar uma solução. Essa questão salarial dos servidores não é de hoje, perdura há muitos anos. O nosso salário é baixo comparado ao salário médio de servidor público federal. Existe um comparativo feito pelo sindicato levando em conta nosso salário médio com o de outras carreiras do serviço público federal e nós estamos no 190° lugar. Sempre teve essa discussão, mas agora com um sindicato mais atuante estamos brigando mais, falo como servidor porque também sou sindicalizado. Na paralisação de fevereiro foi criado um grupo de trabalho com o Mdic e o Ministério de Planejamento, Orçamento e Gestão, que desde então vem trabalhando para apresentar um relatório final, espero que esse documento indique para uma solução
em curto prazo, pois tem que haver uma reestruturação do nosso plano de salário. Paralelamente a isso, estamos fazendo revisão do nosso cronograma e da estrutura organizacional. Temos um grupo de trabalho em relação a isso e, se for o caso, vamos reformular o grupo. Para mim é fundamental resolver esse problema. Tendo esses dois trabalhos prontos (da Suframa e dos ministérios), acredito que não tem porque o governo federal não conceder o aumento. Espero que tenhamos direcionamento o mais breve possível e que os servidores tenham uma progressão salarial compatível com a importância da autarquia. EM TEMPO - O que está faltando para resolver essa questão de vez? GI - A decisão é do Ministério de Planejamento, Orçamento e Gestão, o qual alega que existem outras carreiras solicitando aumento também e que por isso não poderia conceder aumento exclusivamente para a Suframa, porque as outras carreiras reclamariam. O que o sindicato está argumentando, com plena razão, é que não se trata de um simples aumento, é na verdade uma reorganização, tanto de plano de cargos de salário quanto de estrutura organizacional da Suframa, e a remuneração dessa reestruturação tem que ser compatível com as atividades que a autarquia exerce que são importantes para a região. Uma parada de um dia, segundo dados do próprio Centro da Indústria provoca 300 milhões de prejuízos por dia para as empresas, então isso por si só já mostra a importância da Suframa para a região. EM TEMPO - A produção do Polo Industrial de Manaus foi afetada pela retração econômica que atingiu a indústria em todo o país? GI - Não tanto. A arrecadação do PIM será próxima a do ano passado, ou seja, quase US$ 38 milhões, se for maior um pouco significará que será o segundo maior faturamento da história. Mas, basicamente 2014 é um ano de estabilidade, não tivemos queda acentuada. Como foi o ano de Copa do Mundo, alguns produtos caminharam melhor, como por exemplo, os produtos do segmento de TV de plasma, ar-condicionado split, tablet e celular. O setor de duas rodas foi o único que ficou para baixo e não conseguiu se recuperar. EM TEMPO - O que é precisa ser feito para que em 2015 o PIM reaja? GI - Espero que o próximo ano seja um ano de recuperação do segmento de duas rodas. É fundamental que esse setor reaja para pensarmos em um crescimento expressivo da nossa economia. Mas sou otimista, acredito que com o governo, equipe e política
econômica nova haverá reflexo positivo não só na economia, mas no mercado em geral. Dependemos da reação do mercado econômico para dizer o desempenho do ano que vem, sendo que ainda é cedo para fazer um diagnóstico, mas trabalhamos com a expectativa de faturamento acima dos US$ 38 milhões. EM TEMPO - Após muita luta, a ZFM foi prorrogada por mais 50 anos. Mas e agora? O que fazer para o seu desenvolvimento? GI - Primeiro a Zona Franca tem que passar por melhoria na infraestrutura logística. Mas não falo só de portos e aeroportos, seria a ampliação dessa infraestrutura aliada a uma melhor gestão do próprio governo federal e dos órgãos anuentes para que o desembaraço, tanto na entrada quanto na saída de mercadoria, se der da forma mais célere possível. São custos que devem ser evitados, mas não é problema da ZFM, é do Brasil, que precisa fazer um trabalho para diminuir o custo de logística que temos hoje. Antes de começarmos a pensar em novas rotas e a maneira do prouduto chegar ao mercado consumidor é fundamental que a entrada de insumos ou a saída do produto final se dê da maneira mais rápida possível. O desenvolvimento de produtos e a exportação de tecnologia é outro ponto principal, entre os vários a ser discutido. Houve um tempo em que a Moto Honda exportava kit para serem montados em países da América do Sul, hoje as empresas estão exportando para montar aqui, o inverso do que fazíamos antes. Algumas empresas, como a própria Moto Honda têm centros de desenvolvimento avançados, o caminho é destravar a logística para ter desenvolvimento de produto, para termos escala e podermos ser um polo exportador. Quando se fala em polo exportador, muitas pessoas torcem o nariz, eu também não gosto muito porque o polo não foi criado com esse objetivo, somos um substituidor de exportação, mas no fundo, ao resolver a questão logística e começar a desenvolver e exportar tecnologia, seremos um polo exportador. EM TEMPO - A ampliação dos incentivos fiscais para os municípios da Região Metropolitana de Manaus é uma realidade? GI - O projeto está em tramite no Congresso para ver se há viabilidade. Eu não vejo nenhum motivo para ser contra essa expansão, pelo contrário, a extensão vai descentralizar a economia e gerar desenvolvimento nas áreas próximas de Manaus. É excelente para a região. Quanto aos argumentos de pessoas que dizem que haverá prejuízos a outras empresas locais, nada que uma lei estadual não venha corrigir a questão.
Essa questão salarial dos servidores não é de hoje, perdura há muitos anos. O nosso salário é baixo comparado ao salário médio de servidor público federal; nós estamos no 190° lugar
Dependemos da reação do mercado econômico para dizer o desempenho do ano que vem, sendo que ainda é cedo para fazer um diagnóstico, mas trabalhamos com a expectativa dos US$ 38 milhões
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Política
‘PETROLÃO NÃO P DEBAIXO DO TAPE Líderes dos partidos citados em supostos escândalos de desvios de verbas públicas e pagamentos de propinas (PT, PP e PMDB) defendem uma reforma política para debelar a corrupção no Brasil ISABELLA SIQUEIRA MOARA CABRAL Equipe EM TEMPO
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m ebulição por conta das informações divulgadas na operação Lava Jato, que investiga esquema de pagamento de propina a diretores da Petrobras, construtoras e políticos, o Congresso Nacional vive dias tumultuados. O clima é de preocupação das bancadas, pois de todos os partidos políticos existentes, apenas o Psol não apareceu entre os envolvidos. As informações repassadas pela polícia dão conta de maiores envolvimentos entre deputados e senadores do PMDB, PT e PP no esquema, o que tem levado representantes
das legendas a articularem formas para amenizar a imagem dos seus partidos. Para lideranças políticas locais, a questão é preocupante. O vereador petista Waldemir José destacou que esses escândalos puxam cada vez mais para a necessidade de uma reforma política urgente no país. “É claro que essa situação não pode ficar debaixo do tapete, e merece ser investigada, mas agora, o que não pode é ficar nessa repetição de que só há três partidos envolvidos nesse escândalo. Temos mais de 20 partidos envolvidos, mas apenas o PT, PMDB e PP estão sendo mais citados”, disse. Para o petista, esses escândalos de corrupção caracterizam também a forma de relação com as empreiteiras.
“Esse contato profissional precisa mudar, pois propicia a corrupção. Está é a grande comprovação que a legislação necessita de mudança”, completou. O colega de bancada, o deputado federal Francisco Praciano, ressaltou que a operação Lava Jato com certeza é um dos maiores escândalos da política e que envolve todos os partidos, porém, o PT é a legenda mais afetada porque é a sigla cuja presidente Dilma Rousseff está filiada. “Não se pode negar que essas descobertas são um escândalo que mancha a conduta da política brasileira. Mas, vale destacar que esses atos de corrupção sempre existiram, a questão agora é que eles estão vindos à tona e transparece ao brasileiro que a sensação de
corrupção aumentou”. Praciano, que é coordenador da Frente Parlamentar de Corrupção, disse que essas ações de desvio de verbas, fraudes em licitações e outros crimes existem porque o Estado brasileiro é fraco. “Em minha opinião, o fim da corrupção está diretamente ligado ao aperfeiçoamento do Estado brasileiro”, disse o parlamentar ao completar que “esse aperfeiçoamento passa por dois eixos: novas leis – pois existem 500 projetos de combate à corrupção engavetadas no Congresso há mais de 10 anos e o aperfeiçoamento dos órgãos – ControladoriaGeral da União, Tribunal de Contas dos Estados e Polícia Federal. “Minha preocupação não é apenas o escândalo.
Isso tem que ser publicado pela mídia sim, os partidos envolvidos têm que pagar, mas paralelo a isso, temos que combater e prevenir a corrupção e acredito que esses escândalos acabam contribuindo para a reforma política e o aperfeiçoamento do Estado brasileiro”, comentou. Sem manchas Líder do Partido Progressista (PP) no Amazonas, a deputada federal Rebecca Garcia destacou que o período está propício para “limpar os partidos”, pois existem pessoas com desvio de conduta e que devem ser retiradas das legendas. “Não é apenas a questão de um ou dois partidos envolvidos, mas praticamente de todos, o que demonstra que não
é problema de uma sigla, pois existem pessoas com boas intenções também dentro dos partidos e precisamos fazer essa separação”. Porém, apesar dos escândalos revelados, a progressista aponta que a crise não mancha a reputação de um partido, mas das pessoas envolvidas nele. “Devemos ser racionais porque faz parte da democracia e não queremos perdê-la, pois lutamos tanto para consegui-la. Precisamos deixar claro que não existe partido corrupto, existem pessoas com desvio de conduta”, completou. O senador Eduardo Braga (PMDB), líder da presidente Dilma Rousseff no Senado, defende que toda e qualquer acusação relativa à operação
País precisa mudar sistema eleitoral, diz senadora
EDUARDO BRAGA (PMDB)
Na semana passada, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) pediu no Senado Federal que o Brasil aproveite tudo o que está acontecendo para mudar o sistema eleitoral – como reivindicam movimentos e centenas de organizações da sociedade. Ela observa que essa pode ser uma oportunidade para que reformas sejam, finalmente, feitas no país, sobretudo na política. Vanessa lembrou que o assunto não é de fácil consenso, mas o país já está perto de uma decisão sobre a questão das doações de empresas para partidos políticos e campanhas eleitorais, que é a Ação Direta de In-
REBECCA GARCIA (PP)
constitucionalidade (Adin) 4650, em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o assunto. A ação da OAB já tem os votos favoráveis da maioria da corte. O placar está em 6 a 1 e está parado no gabinete do ministro Gilmar Mendes, que pediu vistas há oito meses. Conforme levantamento das prestações de contas das campanhas divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 259 parlamentares receberam financiamento nas últimas eleições de empreiteiras envolvidas nas investigações. Entre eles, 12 são integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras. Trata-se de doações legais, registradas no TSE e comprovadas, o que não implica vínculo desses parlamentares em irregularidades, mas isso não deixa de expor problemas observados no financiamento privado de campanha no país. “Esse questionamento deve levar à conscientização das pessoas sobre como é importante rever e s s a
prática de financiamentos, rever o custo das campanhas e sobretudo, a importância de uma reforma política”, enfatizou a senadora. Preservar siglas Na semana passada, o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), reuniu-se com os parlamentares da sua sigla para discutir o assunto. O principal objetivo do encontro foi decidir de que forma a legenda vai atuar diante da denúncia de que um dos envolvidos, Fernando Soares, mais conhecido como Fernando Baiano, é considerado o operador do PMDB dentro do esquema. Segundo um deputado que participou da reunião, a princípio, o que a legenda quer deixar claro é que Baiano conhecia alguns parlamentares da sigla, mas não era ligado ao PMDB diretamente. E sim, ao ex-diretor Nestor Cerveró, que entrou na Petrobras na cota de indicações do PT. No PP, a situação está mais complicada. Saíram a campo para defender a legenda os senadores Francisco Dornelles (PP-RJ) e Ciro Nogueira (PP-PI).
Dornelles foi presidente do PP, é primo do senador tucano Aécio Neves e tido como um dos responsáveis de seu partido pela indicação de Paulo Roberto Costa à diretoria de abastecimento da Petrobras. Dornelles disse que o conhecimento que tem de recursos repassados para campanhas eleitorais é apenas de doações legais feitas via partido. E Ciro Nogueira ressaltou que renunciará ao mandato se for comprovada qualquer ligação dele com o esquema denunciado pelos delatores da Lava Jato. Segundo investigações, o Ministério das Cidades, quando tinha como ministro o deputado Mário Negromonte (PPPB), repassou, entre 2011 e 2014, R$ 18,5 milhões para as empreiteiras Odebrecht e a Andrade Gutierrez para a construção de obras em linhas de trens urbanos e no metrô de Porto Alegre. Tais empreiteiras receberam em 2012, quando o ministro não era mais Mário Negromonte, R$ 5,8 milhões – ou menos da metade do valor anterior. E no ano passado, o montante foi menor ainda: R$ 630 mil.
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PODE FICAR T E’ Lava Jato deve ser apurada plenamente e seus resultados divulgados à população brasileira. “O PMDB, como o maior partido do Brasil, exige que as investigações sejam concluídas, que as acusações sejam esclarecidas e que todos os responsáveis comprovadamente envolvidos respondam por seus atos na forma da lei”. Braga enfatiza também que o país necessita, sim, de uma reforma política e essas mudanças foram cobradas pelo povo nas manifestações de junho do ano passado. “O Congresso Nacional compreendeu a voz das ruas e, hoje, é um consenso entre a classe política de que alguns pontos precisam ser revistos urgente e entre eles está, justamente, o financiamento público,
‘Essa corrupção não é novidade’ Para cientistas políticos do Amazonas, a questão do escândalo da operação Lava Jato, a qual envolve quase todos os partidos do Congresso, não é novidade, mas uma prática que vem sendo cometida pelas siglas há muito tempo em muitas campanhas eleitorais. Na visão deles, o que acontece nesse momento é uma maior divulgação, talvez pelo montante em dinheiro e o número de partidos envolvidos, mas que pode refletir de forma negativa aos partidos locais. Para o cientista político e professor de ciências políticas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Ademir Ramos esse escândalo pode refletir de forma negativa aos partidos sim, no Estado do Amazonas. O professor cita o caso da campanha do senador Eduardo Braga (PMD) que disputou o pleito este ano para o governo do Estado. “Isso pode refletir sim aos partidos locais. Um exemplo foi a campanha do senador Eduardo Braga (PMDB), pois nos perguntamos de onde vieram os recursos, não foi do partido nacional que recebeu os valores dessa negociação? Então, podemos dizer
que sim, os partidos ficam manchados por esta prática”, alegou. No entanto, Ramos destacou que o problema está muito além, vem desde a raiz. “O entrave está no sistema. Quando um candidato vence as eleições, vêm às composições, essas composições passam por negociações de cargos no Congresso”, disse. Na visão do cientista político professor Marcelo Seráfico, os partidos políticos já vêm passando por desgaste há muito tempo. E um dos exemplos de que é preciso mudar a legislação eleitoral e que a sociedade busca por isso, foram as manifestações de 2013, ocorridas em diversas cidades do país, incluindo Manaus. Ele defende que a reforma política é necessária sim, mas teme não acontecer da forma que deveria. “Não há novidades nesses acontecimentos. Essa prática vem sendo utilizada pelos partidos há muito tempo e pode se chegar a conclusão da necessidade da reforma política, no entanto, temo que esse reflexo não seja de tomar uma discussão mais profunda e estruturante sobre a reforma política que deve acontecer”, disse.
COMO FUNCIONAVA O ESQUEMA DE PROPINA
VALDEMIR JOSÉ (PT)
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Política
MANAUS, DOMINGO, 23 DE NOVEMBRO DE 2014
Após prometer oposição, Aécio ‘some’ do Senado
Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS
www.claudiohumberto.com.br
Mensalão é crime para ‘pequenas causas’ MINISTRO GILMAR MENDES (STF), comparando o escândalo da era Lula com o Petrolão da era Dilma
PMDB quer também pastas de Saúde e Cidades O vice-presidente da República, Michel Temer, confidenciou a parlamentares que pleiteará junto à presidente Dilma para seu partido os comandos dos ministérios da Saúde e das Cidades, hoje sob o controle do PT e do PP, respectivamente. Áreas estratégicas do governo federal, o Ministério da Saúde tem orçamento de R$ 109,2 bilhões previsto para 2015. Já o de Cidades passa de R$ 27,8 bilhões. Queda de braço O ministro Aloizio Mercadante e Jaques Wagner disputam em queda de braço quem terá maior poder de influência no segundo governo Dilma. Cotados Além de Silvio Torres, já em campanha, o deputado Vanderlei Macris (SP) também é cotado para líder do PSDB na Câmara. Ajuste de contas A embaixada da Polônia em Brasília pagou indenização de R$215,5 mil a funcionários sem reajuste desde 2009. Se moda pega no Itamaraty... Perdeu prestígio O orçamento do Ministério das Comunicações foi cortado em 30% pelo governo. Cairá de R$ 12,9 bilhões para R$ 8,9 bilhões em 2015. Lobista do PMDB era dono de academia no Rio Operador do PMDB no Petrolão, o lobista Fernando Soares, mais conhecido como Fernando Baiano, frequentava a antiga e luxuosa Academia da Praia, localizada na Barra da Tijuca, onde possui um apartamento, no Rio. O lobista se dizia
sócio majoritário da academia. O empreendimento, agora chamado BodyTech, foi vendido em abril de 2013 a Alexandre Accioly, amigo pessoal do senador Aécio Neves. Mérito Ex-candidato a presidente pelo PV, Eduardo Jorge será agraciado com a medalha do Mérito Legislativo na Câmara, na quarta (26). Perillos diferentes Levado pela PF para depor na operação Plateias, Marcelo Perillo não é irmão do governador de Goiás. Os avôs deles eram primos de 2º grau. Barbas de molho Delatores do Petrolão que se cuidem. Roberto Jefferson, o delator do mensalão do governo Lula, é um dos poucos ainda na cadeia. Encantos da mordomia Destino preferido de Dilma nas férias, a Base Naval de Aratu (BA) é caso raro nas Forças Armadas: recebeu mais de R$ 1 milhão para compra e construção de instalações mais confortáveis. Corda bamba Presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto da Silva Jr. foi o executivo do ano com o prêmio “O Equilibrista” de 2013, do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças. Faz todo o sentido, agora. De volta aos cofres O presidente do SD, Paulo Pereira (SP), ironiza a solução para aumentar o superávit primário: “É só apertar o juiz (Sérgio Moro)”, que já conseguiu devolução de quase meio milhão roubado da Petrobras.
Jornalista
Em um momento de ápice no Congresso, com a discussão do escândalo da Petrobras, o tucano não foi trabalhar DIVULGAÇÃO
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De volta à Terra Joaquim Barbosa deu as caras no Twitter, mas timidamente. Lamentou a morte de Márcio Thomaz Bastos, e aproveitou o embalo para lembrar que a Petrobras perdeu US$ 1,8 bilhão de valor de mercado neste ano. Surpresa Manhã cedo, quando foram pegar figurão de Rondônia para conduzi-lo a depor sob vara, policiais não encontraram sua mulher, que vive em outra cidade. Surpreenderam-no em outra companhia. Masculina. Transporte encolheu De acordo com o Projeto Lei Orçamentária Anual, o orçamento 2015 do Ministério dos Transportes foi cortado em quase R$ 2 milhões, ou sejam, mais de 10% menos que o orçamento previsto para 2014. Na nossa conta A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), da Comissão Mista Orçamentária, inventou viagem ao Vietnã na semana do debate sobre a maquiagem da meta fiscal. E ainda vai levar três deputados e o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE). Tudo por nossa conta. Preço tabelado A deputada Fátima Bezerra (PT-RN) planeja os primeiros passos assim que assumir no Senado, em 2015. Apresentará projeto de lei para estabelecer um preço fixo dos livros comercializados no Brasil. Pensando bem... ...a dificuldade de encontrar um nome para a Fazenda mostra que o governo não tem quadros. No máximo, posters empoeirados de Che Guevara.
PODER SEM PUDOR
Gargalhadas mudas Jânio Quadros e comitiva, incluindo o mineiro Magalhães Pinto, foram recebidos com vaias em Sete Lagoas (MG), na campanha presidencial de 1960. Depois do comício, entraram no carro. Jânio, irritado, notou que Magalhães não parecia incomodado e observou, com sarcasmo: - Quando os mineiros não riem por fora, riem por dentro!... - Deixa de besteira, Jânio – reagiu Magalhães – na próxima vez seremos recebidos com flores! - Ou com mais ovos? – encerrou o candidato, cáustico.
Primeira aparição de Aécio, após derrota nas urnas, foi no dia 4 de novembro no Senado
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senador Aécio Neves (PSDB-MG) anunciou que faria uma “oposição incansável” ao governo federal depois que perdeu a corrida presidencial, mas desde o fim das eleições não tem sido um parlamentar assíduo no Congresso. O tucano não compareceu às sessões do Senado esta semana, no momento em que o escândalo de corrupção da Petrobras atingiu o seu ápice, com a prisão de dirigentes das principais empreiteiras do país e em que a base aliada tenta aprovar um projeto que, na prática, faz o governo abandar o cumprimento da meta fiscal em 2014. Levantamento feito no registro de presença da casa apontou que, nas 11 sessões de votação em plenário desde o segundo turno, Aécio só compareceu a cinco delas. Segundo a assessoria de imprensa
do tucano, ele tirou esta semana para descansar, já que havia voltado ao Congresso depois de meses de campanha eleitoral. Aécio também havia ficado fora do Senado na semana imediatamente após o segundo turno. Depois de ser derrotado pela presidente Dilma Rousseff, o tucano retornou ao Senado no dia 4 de novembro. Na ocasião, foi recebido com festa e aclamado como líder inconteste da oposição. No primeiro discurso que fez na tribuna da casa, um dia depois, o ex-presidenciável afirmou que iria fazer uma oposição “incansável” e “intransigente” ao governo. “Faremos uma oposição incansável, inquebrantável e intransigente na defesa dos interesses dos brasileiros. Vamos fiscalizar, cobrar, denunciar”, prometeu. Ele condicionou ainda qualquer “diálogo” com a presidente ao aprofundamento das investigações do
que chamou de “petrolão”. Esta semana, contudo, Aécio não esteve no Senado, mesmo com forte agenda legislativa. Na terça-feira, dia 18, depois de sucessivas derrotas, os oposicionistas, com o apoio de integrantes da base de Dilma, conseguiram avançar nos trabalhos da CPI mista da Petrobras e aprovar, entre outros requerimentos, a quebra do sigilo fiscal e bancário do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, que foi apontado como o “operador” do suposto esquema de recolhimento de propina investigado pela Polícia Federal. Na quarta-feira,19, após a pressão dos líderes dos partidos da oposição, o governo teve uma nova derrota e teve de reabrir a discussão do projeto que elimina a meta de superávit primário na Comissão Mista de Orçamento (CMO). A sessão foi encerrada sem que o projeto fosse votado.
Tucanos fazem justificativas O líder do PSDB no Senado e vice de Aécio na corrida presidencial, Aloysio Nunes Ferreira (SP), saiu em defesa do tucano ao dizer que ele fez “muito bem” em descansar esta semana. “As pessoas têm limite físico”, disse. Segundo ele, Aécio decidiu ficar um tempo com a família, já que desde que os filhos dele nasceram, em plena campanha, não houve muito tempo para isso. Aloysio argumentou que,
mesmo sem a presença de Aécio no Congresso, o expresidenciável tem articulado as ações do PSDB nas discussões da CPI mista da Petrobras e da flexibilização da meta de superávit primário. Segundo o líder tucano ele recebe, todos os dias, até cinco e-mails e telefonemas de Aécio com orientações de atuação. O líder tucano citou ainda que, além da atuação no Congresso, Aécio é presi-
dente do PSDB e tem de organizar o partido, o que o faz ter uma atuação importante também fora de Brasília. Ele lembrou que, pelo regimento interno do Senado, presidentes de partidos têm a prerrogativa de se ausentarem da casa para participar de compromissos partidários. Essa é uma das poucas exceções que, nos casos de ausência dos parlamentares, o Senado abona as faltas.
Caderno B
Economia economia@emtempo.com.br
(92) 3090-1045
Zona Franca de Manaus afeta a produção rural Economia B4 e B5
FOTOS: IONE MORENO
MANAUS, DOMINGO, 23 DE NOVEMBRO DE 2014
ALEXANDRE FONSECA
A macaxeira vem de Boa Vista (RR)
Francisco Paulo importa farinha do Paraná e do Acre
O alho é um “product from China”
ATÉ O ALHO VEM DA CHINA Quase tudo aquilo que o amazonense está colocando na mesa vem de fora. Macaxeira de Boa Vista (RR), peixe de Rondônia, farinha do Paraná, carne de Mato Grosso e Goiás, cheiro-verde do Ceará. Afinal, o Amazonas produz o quê? MÁRIO ADOLFO Equipe EM TEMPO
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rancisco Paulo, um vendedor de farinha da feira da Manaus Moderna há 20 anos, resolve mostrar na prática o que ele acabara de dizer ao repórter – “O Amazonas não produz nada, porque falta incentivo e falta coragem. É mais barato importar”. E deixa a sua banca e caminha para a banca da frente, onde pede permissão ao “vizinho”, para abrir uma caixa de papelão lacrada. Em seguida, ele mostra que a mesma contém alho. Depois, aponta para a inscrição na caixa: “Alhos frescos selecionados – producto of China”. É isso mesmo que Chico Paulo acaba de mostrar. O alho que o amazonense consome é oriundo da China e também, de Goiás, Peru e Espanha; a macaxeira (mandioca) vem de Boa Vista (RR); tomate, repolho, batata e cenoura de São Paulo; a carne de Porto Velho (RO), Mato Grosso e Goiás; a farinha do Acre e o cheiro-verde de Fortaleza. Agora pasmem, o peixe que estamos colocado na mesa não é mais do Amazonas, que já foi considerado “rei do peixe”. Está sendo importado de Rondônia. Mas afinal, o que o Amazonas produz? De onde estão vindo os alimentos que abastecem a mesa do amazonense? De acordo com os debates da última audiência pública promovida pela Assembleia Legislativa do Amazonas sobre o tema, o Estado importa hoje pelo menos 65% dos alimentos que consome, desperdiçando os recursos naturais existentes em grandes extensões de terra para a prática de agricultura no Amazonas. — Faltam incentivos para o setor primário. Isso nos obriga a importar produtos que têm grande afinidade pelo solo da região, como a farinha, para atender o mercado consumidor local – falou na ocasião o presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, deputado estadual José Ricardo Wendling (PT), que promoveu a audiência pública. No entanto, o ex-secretário de Produção Rural, Eron Bezerra – que ficou 11 anos no cargo –, garante que o incentivo existe e que o setor está estruturado. Em sua visão, o Amazonas pode produzir qualquer coisa em grandes quantidades, pois tem, com abundância, uma dádiva da natureza que nenhum outro Estado tem: as várzeas. — Mas precisamos pensar que todo e qualquer produto tem o período de sazonalidade. Hoje o Amazonas é autossuficiente em frutas, pescado, hortaliças e farinha, além de milho para consumo humano. Mas temos uma dependência grande de feijão e
arroz – explica o ex-secretário. Mas se existem as várzeas para a produção de culturas de ciclo curto por que, então, não produzir arroz, feijão, mandioca? Eron responde que o caboclo amazonense é racional. “O caboclo é racional. Ele não produz arroz e milho porque o preço disso é barato e é preferível importar a 50 centavos o quilo”. Na entrada da feira da Manaus Moderna, um vendedor que usa o nome da feira –“Serafim da Manaus Moderna”, está com seu boxe tomado por pilhas de sacas de macaxeira. “Essa produção é daqui?”, pergunta o repórter. Ele responde que não e complementa que a mandioca vem de Boa Vista (RR). — Ninguém gosta que eu fale isso, mas aqui ninguém produz nem mesmo a macaxeira, porque o caboclo não quer plantar. Ou por falta de incentivo ou por preguiça, não vou discutir, mas a verdade é que não planta. Bem ao lado, Francisco Nogueira Nascimento contesta o discurso do colega, garantindo que todas as suas hortaliças – cheiro-verde, cebolinha, alfa-
Moço, aqui no Amazonas a gente não produz nada. Aliás, o que a gente produz muito bem por aqui é menino!
ce, couve –, são produzidas por pequenos agricultores de Valparaíso, comunidade localizada depois do bairro Jorge Teixeira, na Zona Leste. “O nosso caboclo planta sim. O que falta é mais incentivo, aqui está a prova”, diz mostrado sua banca coberta de verde, com hortaliças e verduras fresquinhas. O vendedor de ovos Walmir de Oliveira explica que ovos e frango são dois produtos em que o Amazonas é autossuficiente, mas garante que isso só acontece porque são produzidos em granjas de japoneses, que sabem trabalhar com as aves e com a terra na produção de verduras. “Nos grandes supermercados, o ovo vem de São Paulo, por isso muitas vezes uma cartela traz ovos com a data de validade vencida”, critica. Sansão de Lima já foi um produtor rural. Mas decidiu jogar a toalha quando percebeu que adubar a terra, semear e colher era bem mais trabalhoso e dispendioso do que lucrativo. Por isso ele trocou a roça por um boxe da feira da Manaus
Na banca de Sansão de Lima – que já foi produtor rural –, quase tudo é trazido de São Paulo
Moderna, onde importa quase todos os seu produtos e fatura bem mais, com menos trabalho e preocupação. — Sem incentivo ou financiamento do governo você não vai chegar a lugar nenhum. Pode até produzir, como eu fazia, mas não o suficiente para abastecer o mercado e ter lucro – diz o comerciante de hortifrutigranjeiro. O mesmo pensa Francisco Paulo, que revende farinha “importada” que manda buscar no Paraná, Acre e Pará. — Para que produzir, se é mais barato importar? – questiona ele, citando como exemplo a fécula (a goma da nossa tapioca) que vem do Paraná e é mais barata do que a produzida por “índios” do Amazonas. — A do nosso índio custa R$ 5 o quilo. Já a do branco, lá do Paraná, sai por R$ 3. Deve ser porque nosso índio ainda tem que fazer a pajelança da chuva e da lança para não ter cheia – brinca Chico Paulo. Diante de uma carga de melancia, toda importada de Boa Vista, uma dona de casa resolve interferir na conversa do repórter com o vendedor. — O Amazonas não produz nem melancia? – pergunta o repórter. — Pode até produzir, mas não tem gosto como essa de Boa Vista. — E afinal, o que o Amazonas produz? – insiste o jornalista. A mulher interfere: — Moço, a gente não produz nada. Aliás, o que a gente produz muito bem por aqui é menino!
NO TEMPO DO CEASA A MESA ERA MAIS FARTA Nos dias de hoje, alguns comerciantes de produtos alimentícios do Amazonas importam seus produtos diretamente de outros Estados brasileiros, por meio de contatos de empresas fornecedoras que visitam constantemente as bancas de feiras e mercados. Mas já houve um tempo em que esses produtos eram distribuídos por meio da Ceasa, com suas centrais de abastecimento, empresa estatal ou de capital misto destinada a promover, desenvolver, regular, dinamizar e organizar a comercialização de produtos da hortifruticultura em nível de atacado em uma região. A de Manaus está desativada há alguns anos é já alvo de discurso na Câmara Municipal, com os vereadores reivindicando a instalação de uma nova central. Com a desativação da Ceasa, a distribuição de produtos na cidade e para alguns municípios do interior passou a ser feita por permissionários da feira
da Banana, na Manaus Moderna, centro da cidade. Com o tempo, as instalações da Ceasa, localizadas no bairro do Mauazinho, nas proximidades do Encontro das Águas, foi perdendo o conceito de distribuidora de hortifrutigranjeiros, sendo ocupadas por comerciantes independentes. Boa parte dos antigos boxes estão abandonados. Mesmo assim, muitos produtos ainda chegam por lá, é o caso da laranja paulista, que abastece o mercado de Manaus e entra pela
antiga Ceasa. No antigo conceito de distribuição de produtos hortifrutigranjeiros, hoje, praticamente, só existe a Central de Abastecimento de Iranduba, na região metropolitana que, mesmo assim, deixa muito a desejar em relação ao trabalho de suprir feiras e mercados da capital. As Ceasas surgiram no Brasil no final da década de 1960, quando o governo federal identificou um grande estrangulamento no sistema de comercialização de hortigranjeiros no país. Para a sua implantação buscou ajuda de organismos internacionais, como a FAO órgão das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação - e também se baseou na experiência de outros países em técnicas de planejamento, construção e operação de mercados atacadistas. Com a parceria dos governos estaduais e municipais foram construídas as Ceasas nas principais capitais do país.
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“Isso é a reprodução de um discurso racista”
O ex-secretário de produção Eron Bezerra garante que elevou o PIB do setor primário do Amazonas MÁRIO ADOLFO Equipe EM TEMPO
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x-secretário de Produção Rural nos governos de Eduardo Braga (7 anos) e Omar Aziz (4 anos), o engenheiro agrônomo Eron Bezerra garante que tirou o PIB do
setor primário do Amazonas de 4,13% para 6,9%, quando saiu do governo, em 2011. — A média nacional do setor é de é 5,5% e, embora o Amazonas seja de base econômica industrial, mesmo assim tem o PIB da produção rural superior à media nacional, festeja o engenheiro, que
é dirigente do PCdoB. Eron tenta explicar algumas contradições do setor, como por exemplo, importar peixe de Roraima, ao mesmo tempo que exporta para frigoríficos de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Segundo o “camarada”, não existe mercado em Roraima e Rondô-
O ex-secretário de Produção Rural, o comunista Eron Bezerra, diz que o caboclo do Amazonas gosta de plantar, sim. “Mas determinadas culturas não são economicamente atrativas”
nia para o pescado, então, o mercado deles é Manaus. Já o produtor do Amazonas, prefere exportar porque tem o melhor preço lá fora. — Foi por isso que criei os feirões da Sepror, para que os pequenos produtores rurais das redondezas de Manaus – Iranduba, Rio Preto da Eva, Itacoatiara, Presidente Figueiredo e Manacapuru –, pudessem vender seus produtos e o consumidor tivesse acesso a produtos mais baratos –, explica Eron, informando que implantou quatro feiras, nas zonas Norte, Leste, São Raimundo e no Ifam. O ex-deputado comunista reage, indignado, diante do discurso de que o “caboclo do Amazonas é preguiçoso e não gosta de plantar”. Para Eron, isso não passa da reprodução
O defeso faz nosso peixe desaparecer do mercado
Estamos bem servidos de carne, mas não temos boi
No mercado de peixe da Manaus Moderna, o comerciante de peixe Williams da Silva, 69, que vende peixe desde os 8 anos, garante que hoje quase toda a produção de peixe vendida no mercado vem de Porto Velho (RO). — Principalmente no período do defeso. Hoje é sexta-feira, se você olhar
IONE MORENO
isso desaqueceu a atividade produtiva – explicou o “camarada”. A carne consumida em Manaus está sendo importada de Mato Grosso, que detém o maior rebanho do Brasil, seguido por Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas, Pará e Rondônia. De acordo com Eron, o Amazonas tem hoje 1,5 milhão de cabeças de gado. Boa parte, entretanto, está localizada na região do município de Boca do Acre. Esse município também tem o maior rebanho bovino do Estado, com 360 mil cabeças. Boa parte não vem para Manaus, porque está mais acessível ao Sul do país do que Manaus. — Mas sabe por que isso nunca chegou a ser uma preocupação? Porque apesar de não termos rebanho, por respeito ao meio ambiente, estamos cercados de grandes produtores de carne, como Mato Grosso, que detém o maior rebanho do Brasil, seguido por Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas, Pará e Rondônia. Por isso, não temos problemas com abastecimento de carne. E uma coisa importante é que o gado vem vivo para o Amazonas e é abatido nos nossos frigoríficos. DIVULGAÇÃO
O comodismo do amazonense, que imagina poder viver a vida toda às custas do Polo Industrial de Manaus, acabou prejudicando o setor primário do Amazonas. A tese é do ex-secretário de Produção Rural, Eron Bezerra. De cara, o dirigente comunista, que ficou 11 anos à frente da pasta de Produção, diz que não vai “gastar latim” para tentar explicar por que o Amazonas sempre importou carne de vaca. — Por questões ambientais não podemos transformar a floresta em pasto de boi. A pecuária exige grande áreas, mas o Brasil foi submetido à concepção de reserva legal, que é a área protegida. Os donos de terras no país podiam usar até 50% das suas propriedades em 1960. Em 1996, no governo Fernando Henrique Cardoso, a área de reserva legal foi ampliada para 80%. Com isso, o dono da terra só podia explorar 20% da sua propriedade. A partir daí nós tivemos uma retração na atividade que passou a ter restrições de financiamento, multas ambientais, perseguição de toda ordem pelos órgãos ambientais contra o produtor. Naturalmente
de um discurso racista”. Segundo ele, algumas culturas não são cultivadas porque o caboclo amazonense é “extremamente racional”. De acordo com o ex-secretário, não temos culturas como o arroz, por exemplo, porque é “um produto muito bara-
to”. É mais fácil comprar arroz de Goiás e Roraima. — Existem outras culturas mais racionais, economicamente, para o produtor. Por isso, o produtor rural do Amazonas não produz muito arroz, como também não produz muito feijão. E depende, obviamente, da importação de arroz e outros gêneros alimentícios para consumo e para comercialização. No raciocínio do que é mais fácil e barato, Eron admite que o feijão vem da Bahia, maior produtor nacional, ou do Paraná. — A razão pela qual ainda não há uma autossuficiência em todas as culturas aqui, e por um bom período não vai ter, é por tudo isso que estou dizendo: determinadas culturas não são economicamente atrativas.
Na feira da Manaus Moderna, com o desaparecimento do tambaqui de rio, o jeito é vender o tambaqui dos açudes de Porto Velho (RO)
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agora aqui no mercado não vai encontrar peixe de rio. Principalmente tambaqui, surubim, pirapitinga, pacu e sardinha. Tudo proibido por conta do defeso –, explica o experiente comerciante, que aponta outro caminho que tem feito o nosso peixe desaparecer: a exportação. “Onde está o mapará? Está indo para fora, vendido para os grandes frigoríficos do Sul e Sudeste brasileiro. Às vezes até para o exterior”, comenta. No entanto, Eron Bezerra garante que somos “superavitários em proteína animal por causa dos nossos peixes”. — O amazonas é um grande produtor de pescado. Produzimos, aproximadamente, 200 mil toneladas de pescado por ano, das quais 180 mil toneladas de pesca extrativa e o restante de piscicultura. Em termos comparativos, nós somos um dos maiores produtores de piscicultura da Região Norte e o maior produtor nacional de pescado. O ex-secretário analisa que o Brasil tem uma média de consumo per capita de peixe da ordem de 7 quilos. Em Manaus é de 53 quilos e no Amazonas 183 quilos. — Comparando esses números com a população do Estado, vamos chegar a um total de 200 mil toneladas. No site do Ministério da Pesca só tem metade dessa produção estimada, porque o ministério só considera o que é comercializado em feiras e mercados.
É a média de consumo per capita de peixe no Estado do Amazonas, de acordo com a Secretaria de Produção Rural. Já o consumo de peixe liso é baixo, e o Estado exporta para a Colômbia.
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Agricultor observa sua plantação em área de várzea no interior do Estado
Falta de políticas públicas trava produção de várzea Com investimentos para ampliar cultivo nessas áreas, preço dos alimentos cairia para consumidor LÍDIA FERREIRA Equipe EM TEMPO
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ica em nutrientes, com baixo custo para o cultivo e predominante no território amazônico, as áreas de várzea são um terreno fértil para a plantação de frutas e verduras no Amazonas. O entrave para a expansão da agricultura nesse solo é apenas a falta de políticas públicas para o setor. A afirmação é do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (Faea), Muni Lourenço, que é taxativo: “se tivéssemos infraestrutura e capacitação para os agricultores, reduzirí-
amos as exportações de hortaliças e frutas para mais da metade e, consequentemente, o preço para o consumidor iria cair”, enfatiza. Muni Lourenço ressalta que as áreas de várzea são úmidas e ricas em sedimentos dos rios, o que torna o terreno altamente fértil para o plantio. “Não há nem necessidade de utilização de adubo ou fertilizantes, o que reduz o custo para o produtor”, explica. Macaxeira, maracujá, banana, juta e malva são algumas das culturas da área de várzea que têm um território abrangente na Amazônia O presidente da Faea afirma, ainda, que a produção no Amazonas tem potencial para
suprir a necessidade do mercado local, com preços mais em conta. Porém, esbarra nas dificuldades de escoamento da produção, com estradas e vicinais sem condições de tráfego e principalmente na falta de orientação técnica para os agricultores. Segundo Lourenço, produtores rurais que passam por capacitação para aprender técnicas de plantio e os que utilizam a agricultura mecanizada chegam a triplicar a produção. “A tecnologia proporciona um salto na produtividade, mas é uma cadeia. Somente com políticas públicas fortalecidas e ampliação de investimentos o crescimento ocorrerá”, disse.
O apoio tecnológico é fundamental para enfrentar os desafios naturais, como as cheias dos rios e as mudanças climáticas. “Na cheia histórica de 2012, vários produtores da calha do rio Madeira perderam toda a produção. É preciso pesquisar alternativas para essas situações que estão recorrentes”, afirma. São justamente essas alterações no clima que mais prejudicam o agricultor Pedro Paulo das Chagas Guimarães, que há 20 anos trabalha e mora na agrovila Mocambo, comunidade rural em Parintins (a 369 quilômetros de Manaus). Segundo ele, o plantio é prejudicado na cheia. “A gente
praticamente perde tudo quando o rio passa do limite. Todo ano é essa tristeza”, conta. Além disso, outro problema é o escoamento do que é produzido. A única estrada que dá acesso à ilha Tupinambarana não está asfaltada e, em dias de chuva, fica interditada pela quantidade de lama. “Se choveu, você não tem como trafegar de carro ou carroça. Às vezes, nem a pé a gente consegue. É prejuízo, com certeza. O produtor não tem como tirar o produto da sua lavoura, não tem como chegar na mesa do consumidor assim”, disse. O agricultor destaca que a mandioca, abacaxi, açaí, laranja são os principais produtos
cultivados, além da piscicultura. “Quando está no verão, a estrada melhora e a gente fica até sem produto para vender, de tanta que é a procura”, afirma Guimarães.
ALEXANDRE FONSECA
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‘Zona Franca prejudi Segundo o secretário da Sepror, Valdenor Cardoso, implantação do principal modelo de desenvolvimento econômico local afetou a atividade no Estado EMERSON QUARESMA Equipe EM TEMPO
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Amazonas está longe de ser um Estado autossuficiente em produção de alimentos por ineficiência na regularização fundiária e pelo empobrecimento do produtor rural. A afirmação é do titular da Secretaria de Estado da Produção Rural (Sepror), Valdenor Cardoso. Ele avalia que se não fosse o abandono histórico do setor, ocorrido por parte dos governos a partir dos anos 1970, os 2% de área descampada do território amazonense contra 98% de floresta preservada - seriam suficientes para o setor primário abastecer a demanda do consumidor local por alimentos. “O território, esse é o mais farto que temos. É suficiente desde que destinemos as condições necessárias para os produtores. Temos produtor roçando o campo com terçado, derrubando o toco com machado. Não tem mecanização. Não temos vicinais suficientes para escoar a produção”, comenta. Segundo Cardoso, o Amazonas possui quase 84 mil produtores rurais cadastrados pelo Instituto de Desenvolvimento Agropecuário do Estado do Amazonas (Idam). Desse universo, 99,1% são pequenos produtores do ponto de vista fundiário e vivem na pobreza. Os poucos que produzem são frutos da retomada dos investimentos no setor primário. Cardoso lembra que nos anos 1960, quando Manaus tinha em torno de 100 mil habitantes, o setor rural conseguia abastecer a capital de alimentos regionais. Ele recorda que a juta foi exemplo de
produção em larga escala no Estado e paralela a ela havia a produção de alimentos. ZFM Contudo, com o advento da Zona Franca de Manaus (ZFM), a atenção ao setor rural ficou prejudicada. “Em 1976, o governo achou que a juta que produzíamos era sacrifício para o produtor. O governo federal permitiu a importação do sudeste asiático, que prejudicou o produtor amazonense. Junto a esse processo veio a Zona Franca, primeiro a comercial e depois a industrial. Daí os núcleos urbanos começaram a ampliar na capital com o esvaziamento da população rural”, conta o secretário. Nas duas últimas décadas, Cardoso observa que o Estado tentou recuperar a atenção devida ao produtor rural. Primeiro com o programa Terceiro Ciclo, entre os anos de 1995 e 1998, no governo Amazonino Mendes, e depois com o Zona Franca Verde, nos anos 2000, no governo Eduardo Braga. No primeiro, para ele, não houve planejamento programático. O segundo, que ele participou da elaboração, chegou a lançar alguns produtos como móveis para as escolas do interior. “A implantação não foi de acordo com o planejado como as condições reais para o produtor que seriam: terra, capital e trabalho”, comenta. Segundo ele, a questão fundiária e a assistência técnica rural foram mal resolvidas, uma vez que os órgãos responsáveis ficaram com as sedes concentradas na capital. “Somente agora os órgãos começaram a descentralizar a gestão. Para organizar processo produtivo nas bases não pode universalizar aplicação
de políticas públicas”, frisa. Capacitação Não há como negar. O Amazonas é um Estado onde há oportunidades de investir na agricultura para exportação. Para isso, os setores responsáveis não podem deixar de discutir a possibilidade de parar de importar de outros Estados e até países produtos que o amazonense leva diariamente à mesa. O momento é de refletir sobre a possibilidade de aproveitar a terra e produzir com base na sustentabilidade. Felizmente, instituições de ensino, pesquisa, assistência técnica e extensão rural que atuam no Amazonas vão definir, em parceria com as organizações dos agricultores, uma agenda que elege prioridades para a ação conjunta visando estratégias de sustentabilidade e inovação na agricultura familiar no Estado. Essa agenda conjunta pretende ser definida no seminário “Agricultura familiar no Amazonas: desafios para a inovação e sustentabilidade”, que acontece de 25 a 27 deste mês, de 8h às 17h, na Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). O presidente do comitê organizador do seminário, que é chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Amazônia Ocidental, Ricardo Lopes, destaca que o foco da inovação é “aumentar a renda e melhorar a condição de vida dos agricultores familiares com base em sistemas de produção sustentáveis e adequados à diversidade desse segmento do setor primário”. A proposta de uma agenda conjunta de trabalho
entre as instituições de ensino, pesquisa, assistência técnica e extensão rural pretende promover a geração e disponibilização de conhecimentos e tecnologias de produção e processos, apropriados para a agricultura familiar. “A participação dos agricultores familiares nessas discussões e definições de prioridades é fundamental, pois não podemos ‘impor’ para o agricultor algo que ele não quer. Ele tem de participar do processo para que as tecnologias de produção sejam efetivamente adotadas e a inovação de fato ocorra”, comenta Ricardo. Alimentos No Amazonas, dos 66.784 estabelecimentos rurais existentes, 93% atendem o critério legal de agricultura familiar, o que corresponde a 61.843 propriedades rurais, segundo o censo agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A maioria dos alimentos produzidos no Amazonas, principalmente mandioca, banana, cupuaçu, frutas regionais, feijão-caupi e hortaliças, são provenientes da agricultura familiar. Autossuficiência O ovo, considerado pelo titular da Sepror como a única produção autossuficiente do Estado, atualmente, é 80% importado, por exemplo, pela rede de supermercados DB, de Rondônia, e somente 20% é comprado dos produtores de Manaus. O DB informou, por meio da assessoria de imprensa, que o quadro atual ocorre após a aprovação de novas exigências, como um tipo de máquina de lavar os ovos. Grande parte dos produtores locais não se adaptou.
Apesar da produção local de tambaqui, fornecedores compram o peixe em Rondônia e Roraima
Além de atender no varejo, feiras do produtor abastecem mercadinhos nos bairros próximos
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FOTOS: IONE MORENO E ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
ica o setor primário’ Feiras do produtor são vitais SINTIA MACIEL Equipe EM TEMPO
Atualmente, Manaus dispõem de três feiras do produtor, sendo as mais conhecidas as do bairro Santo Antônio, na Zona Oeste, e a do Jorge Teixeira, na Zona Leste. Esta última, além de atender a clientela tradicional, abastece os mercadinhos da área na qual está localizada – entre os limites dos bairros Jorge Teixeira e Cidade Nova. Formada por 285 boxes – onde se encontram os permissionários fixos -, e um galpão onde há a rotatividade de aproximadamente 50 produtores, a feira, apesar de ser vista como essencial, deixa a desejar na infraestrutura, na higiene e no estacionamento. “Uma das principais reclamações e reivindicações dos permissionários da Feira do Produtor da Zona Leste diz respeito à infraestrutura”, reconhece o secretário municipal de Feiras, Mercados, Produção e Abastecimento (Sempab), Fábio Pacheco. Reforma Segundo ele, a referida feira deverá passar por uma reforma que irá contemplar a parte estrutural, o armazenamento dos produtos, a higiene, além do trânsito,
para melhorar as condições de trabalho dos feirantes e dos fregueses. Ele explica que o Departamento de Feiras e Mercados da Sempab deverá passar o orçamento da reforma ao secretário municipal de Finanças, Tecnologia da Informação e Controle Interno (Semef), Ulisses Tapajós, nas próximas semanas. A estimativa é de que os investimentos sejam em torno de R$ 18 milhões. Além das melhorias estruturais previstas, haverá o repasse das assinaturas definitivas dos boxes aos permissionários. Escoamento “As feiras do produtor também favorecem o escoamento da produção dos agricultores familiares da região circunvizinha a Manaus. Além de oferecer o local, também auxiliamos com o transporte da produção dos agricultores, pois nem todos dispõem de caminhão para transportar a produção”, destaca o titular da Sempab. As feiras que atendem os produtores, explica Pacheco, trabalham com um sistema de rodízio, na área do galpão. O espaço atende de 40 a 50 produtores, que trabalham em um esquema de rotatividade, na comercialização seus produtos.
Feirantes reclamam dos custos Há cinco anos comercializando a produção da família em um box da Feira do Produtor, no Jorge Teixeira, o feirante Antônio Rodrigues, 38, semanalmente transporta – com o auxílio do poder público -, a produção cultivada em Iranduba (a 25 quilômetros de Manaus), como melancia, milho, jerimum, cheiro-verde, couve, entre outros. ”Agora, como estamos no período da colheita, na área de várzea, os preços de alguns produtos tendem a cair, como, por exemplo, a pimenta de cheiro, que antes custava R$ 10 o quilo, e agora vendemos a R$ 2,50. Mesmo assim, temos lucro”, salienta. Para o feirante, uma reforma no lugar pode atrair mais frequentadores. Para o feirante Manuel Farias dos Santos, 48, vender a produção cultivada no Careiro da Várzea (a 25 quilômetros de Manaus) na Feira do Produtor do Jorge Teixeira vale a pena, mesmo tendo que pagar o frete para o transporte dos produtos. “Antes, o que produzia passava para o atravessador vender nas escadarias dos Remédios. Mesmo fretando transporte, ainda é viável trazer as verduras para cá”, salienta Manuel, que há um ano trabalha em um boxe do lugar,
comercializando pimentão, maxixe, cheiro-verde, entre outros legumes. Nem mesmo a viagem de 12 horas, entre o município de Caroebe (RR) e Manaus, compromete os negócios do feirante Elias Ferreira, 62, na comercialização de bananas prata e pacovã. “Há quatro anos fixei residência em Manaus e também aqui na feira, mas passei um bom tempo trazendo banana de Roraima para cá. Mesmo os gastos com transportes compensam as nossas vendas”, salienta. Na feira, o cacho da pacovã – com 25 unidades - é vendido a R$ 20, enquanto o cacho da prata varia de R$ 15 a 10. A caixa com 15 palmas de banana prata sai a R$ 40. Qualidade “A Feira do Produtor é viável para quem mora nas zonas Leste e Norte, porque evita se deslocar para o Mercadão, no Centro. Os produtos são novos e o preço é acessível’, avalia o segurança Felipe Rodrigues, 28, morador do bairro Amazonino Mendes. A quituteira Adryana Sales, 30, vai à feira pelo menos duas vezes na semana, onde compra material para salgados que produz. Para ela, o local oferece produtos de qualidade. (SM)
O ‘raio-x’ dos alimentos no Amazonas Comerciantes preferem importar o tambaqui
Clima afeta plantio de hortaliças na região
Metade da farinha consumida vem de fora
Roraima, Rondônia, Pará, Acre, Pará, Paraná e Brasília são alguns dos principais exportadores de alimentos para o Amazonas. Segundo o secretário adjunto de planejamento da Sepror, Luiz Herval, essa dependência não significa que o Estado não produza o seu alimento. Ocorre que comerciantes acham mais barato comprar o produto de fora, pois o fornecedor consegue vender a preços mais baixos, uma vez que seu Estado é produtor de insumos como milho e soja. É o caso de Rondônia e Roraima que, segundo Herval, são grandes produtores de milho e soja que servem
Os municípios de Iranduba, Careiro da Várzea, Manacapuru, Rio Preto da Eva e Manaus são grandes produtores de hortifrutigranjeiros. Mas, por conta das condições climáticas, Herval explica que é inviável o plantio de hortaliças como tomate e couve-flor, por exemplo. “Uma grande quantidade das hortaliças vem de Brasília”, afirma Luiz Herval, da Sepror. Segundo ele, mesmo com grandes produtores de coentro (cheiro-verde) no Amazonas, parte do que está nas prateleiras dos mercados vem de Brasília. “É uma questão econômica, pois coentro o Estado tem, só que às vezes
Segundo o titular da Sepror, Valdenor Cardoso, o Amazonas importa de 40% a 50% da farinha consumida pela população de Manaus. Conforme o secretário Herval, a faixa importada do produto tradicional da mesa do amazonense vem de Estados como Pará e Acre. A fécula da mandioca, de onde se tira a goma para a tapioca, é mais de 90% importada do Estado do Paraná. A dificuldade de ser autossuficiente na farinha, conforme Cardoso, está na qualidade da maniva da mandioca tradicional, que produz de 8 a 10 toneladas de raiz para fazer farinha o que rende de 25% a 30% ao
como base para a ração do tambaqui de cativeiro. “Nós temos uma produção imensa de tambaqui, mas Rondônia produz o insumo que barateia a ração. Por este motivo, para o comerciante, às vezes, sai mais barato comprar o tambaqui de lá e de Roraima”, comenta.
em outro lugar está mais barato e o frete compensa para o comerciante”, avalia. “Agora, o governo investe para melhorar infraestrutura de escoamento da produção amazonense e trabalha também a questão fundiária para garantir ao produtor acesso ao crédito rural”, completa.
transformar em farinha. Segundo ele, a Embrapa desenvolveu uma variedade que vai de 30 a 40 toneladas por hectare. “Hoje, o Estado estuda a implantação de campos de produção dessa maniva boa para ofertar aos produtores, porque eles sozinhos não consegue fazer”, diz.
Cultivo da banana destruída por uma peste
Grãos são considerados culturas de risco
Gado é insuficiente para abastecer mercado
A banana prata é outro produto que chega a Manaus quase 100% exportada pelo Estado de Roraima. Segundo Herval, em 1998, o Amazonas possuía 40 mil hectares de bananeiras plantadas. Contudo, naquele ano, com forte influência do clima, se espalhou pelo Estado um fungo chamado de Sigapoka Negra. Segundo o secretário, a peste atacou as variedades de banana prata, maçã e pacova. A última variedade resistiu na calha do rio Madeira, em Manicoré. “Depois do fungo e de duas grandes cheias (2009 e 2012) restaram 12 hectares de outras variedades que resistiram”.
O feijão de praia ou de várzea é o único que o Amazonas consegue produzir em larga escala, no município de Lábrea. No entanto, outros tipos como o carioca, o jalo e o rosinha, por exemplo, são culturas arriscadas na avaliação do secretário Herval. “Ao produzir essas culturas corremos o risco de doença durante seu plantio por conta da questão climática”, observa. O milho, segundo ele, também é outra cultura de risco para o Estado além da região do município de Envira, que é um grande produtor. Contudo, por ser um município distante, perde em logística e competitividade para abastecer Manaus e servir
O secretário de Produção do Estado, Valdenor Cardoso, afirmou que o atual rebanho de gado de corte do Amazonas não é capaz de abastecer o mercado consumidor de Manaus. Para alcançar esse nível, ele observou que o setor pecuário precisaria dobrar o rebanho e chegar a, pelo menos, 3 milhões de cabeça. Segundo ele, dentro dos 2% de área descampada do território amazonense, além da agricultura, com tecnologia de manejo, o Amazonas teria condições de ter um rebanho de até quatro milhões de cabeças de gado. “O que serviria até mesmo para a exportação”, avaliou.
Replantar a banana prata no Estado não é viável economicamente por conta dos custos com a pulverização. “Em Roraima, a doença não chegou. Hoje, o Amazonas produz a pacovã e mudas de shia-18, caipira e a phapneo, que são variedades resistentes ao fungo”, explica.
a produtores de insumos de outros municípios. De acordo com o titular da Sepror, a aposta do Estado na agricultura atualmente está no que as terras amazonenses produzem de melhor, que é fruticultura de cupuaçu, açaí, maracujá, abacaxi e mamão.
Cardoso observou que, no entanto, o Amazonas trabalha para alcançar o status de Estado com “área livre da febre aſtosa com vacinação”. Apenas dois municípios amazonenses são reconhecidos como livres de febre aſtosa com vacinação: Boca do Acre e Guajará.
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Evolui causa de mortes de recém-nascidos no Brasil
Doenças infecciosas, como tuberculose e pneumonia, já não são mais os grandes vilões, mas complicações de partos prematuros
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ÃO PAULO (SP) - Pela primeira vez, a principal causa de morte de recém-nascidos no mundo não são as doenças contagiosas, como a tuberculose, pneumonia e diarreia. Segundo um novo artigo na revista científica “Lancet”, em primeiro lugar estão agora as complicações relacionadas ao parto prematuro - o Brasil segue a regra global. A mudança se deve à queda nas mortes por doenças infecciosas, especialmente nos países mais pobres, e faz parte de uma transição epidemiológica profunda pela qual o mundo e o Brasil passaram nas últimas décadas. Doenças como gripe e rubéola deixaram de ser tão assustadoras. Os males do mundo contemporâneo são o câncer e doenças do aparelho circulatório como infarto e AVC. O declínio das mortes por doenças infecciosas e parasitárias tem como grandes causas o acesso às vacinas e a expansão do saneamento básico - embora 36% da população mundial e 19% da brasileira não esteja coberta. A diminuição da mortalidade infantil, especialmente, tem grande impacto na expectativa de vida. “Quando uma criança
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morre, fora a tragédia, perdemos até 80 anos na conta da expectativa de vida; quando um idoso morre, perdem-se apenas alguns”, explica Alexandre Chiavegatto, da Faculdade de Saúde Pública da USP. Em 1930, a expectativa de vida no Brasil era de 32 anos. Hoje, é de 74 anos. Novas doenças Segundo o cardiologista Roberto Kalil Filho, a grande fatia epidemiológica ocupada pelas doenças cardiovasculares atualmente decorre do desenvolvimento do país. “Doença cardiovascular é doença de país rico”, diz. Não é difícil entender: fatores como má alimentação, estresse e falta de atividade física são suas principais causas. Hoje, no Brasil, 39,4% dos homens e 26,6% das mulheres têm pressão arterial elevada, e 16,5% e 22,1% são obesos, respectivamente. Ambos os fatores contribuem para doenças como AVC e infarto. No caso do câncer, outra causa de morte que só cresce, um dos fatores importantes é a maior presença de idosos na população - no passado, com expectativa de vida de baixa, é como se as pessoas morressem antes dos tumores aparecerem.
Obesidade aparece como vilã A oncologista Maria del Pilar Diz, coordenadora do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, cita ainda que o aumento de casos se deve também a causas como obesidade, que aumenta o risco de alguns tipos de câncer, e exposição a fatores cancerígenos, por exemplo, na poluição. Isso não quer dizer, no entanto, que a batalha contra o câncer esteja perdida. Segundo José Eluf, professor da Faculdade de Medicina da USP e diretor da Fundação Oncocentro, se descontarmos justamente o envelhecimento da população, a mortalidade devida ao câncer, na verdade, está diminuindo. Risco de morte de bebês recém-nascidos está associado a complicações de partos prematuros
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Pais de desaparecidos no México cobram justiça
Há quase dois meses, 43 estudantes que viajavam para um protesto na capital se “perderam” durante ato criminoso da polícia
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guala (México) - Desde o desaparecimento do filho, a dona de casa Isabela Arcaráz, 50 anos, não dorme direito. “Quando, enfim, consigo dormir, eu acordo assustada com o meu filho gritando o meu nome, no escuro”, diz a mãe de Bernardo Flórez, 21 anos, um dos 43 estudantes desaparecidos em setembro, no México, em um episódio até agora não esclarecido e que chocou o mundo. “Agora que tivemos o Dia dos Mortos, foi uma sensação de desespero ver as oferendas para os que já se foram, porque não queremos acreditar que nossos filhos morreram. A gente ainda espera que eles regressem com vida”, conta, enquanto ajeita as oferendas com flores, frutas e pães deixadas para estudantes da Escola Normal Rural de Ayotzinapa mortos em massacres em anos anteriores. No dia 26 de setembro, alunos deixaram a escola rumo à capital do país para participar de uma marcha, marcada para o dia 2 de outubro. A atividade marcaria o aniversário do Massacre de Tlatelolco, em 1968, quando de 200 a 300 estudantes foram mortos pela polícia durante um protesto.
Para ir à Cidade do México, eles “apreenderam” um ônibus privado – que também serviria para arrecadar subsídios (comida e dinheiro) para atividades acadêmicas. Quando passavam pelo município de Iguala, os alunos foram surpreendidos por uma violenta ação da polícia local. Testemunhas afirmam que civis encapuzados – homens ligados ao grupo criminoso Guerreros Unidos – também participaram da repressão aos estudantes. No episódio, seis pessoas morreram, 25 ficaram feridas e 43 jovens desapareceram. O caso chocou os mexicanos e chamou a atenção da comunidade internacional. Dias depois, 22 policiais foram presos acusados de terem participado da ação. A Procuradoria-Geral da República (PGR) assumiu a investigação sobre o desaparecimento dos jovens e acusa o ex-prefeito de Iguala, José Luis Abarca, e a mulher dele, Maria de los Ángeles Pineda, de serem os mentores do crime. As investigações apontam que o ex-prefeito e a mulher temiam um protesto de estudantes em evento planejado pela primeira-dama.
População mexicana cobra providências do governo sobre o desaparecimento misterioso de 43 estudantes em 26 de setembro
Ex-prefeito de Iguala é considerado suspeito José Luis Abarca e sua mulher foram presos na primeira semana de novembro, acusados de formação de quadrilha, sequestro e homicídio culposo.
Integrantes do Guerreros Unidos foram presos e, de acordo com o Ministério Público, confessaram a participação no assassinato dos jovens dizendo que os corpos
foram enterrados em “narcofossas” - covas clandestinas próximas a Iguala. A PGR diz que a investigação segue aberta e que os jovens ainda são conside-
rados desaparecidos. Já os pais e as mães dos alunos estão dispostos a continuar as buscas pelos filhos vivos, enquanto os corpos não forem encontrados.
NOVA YORK WIKICOMMONS
Autoridades de Nova York comemoram queda trimestral na taxa de desemprego na cidade
Taxa de desemprego tem queda São Paulo (SP) - A cidade de Nova York registrou em outubro passado a maior queda trimestral na taxa de desemprego desde 1976 - quando esses dados passaram a ser registrados -, de 1,4 ponto percentual, atingindo a marca de 6% de cidadãos sem ocupação. Trata-se da taxa de desemprego mais baixa desde outubro de 2008, quando a crise financeira deu seus primeiros sinais. Além disso, outubro de 2014 foi o quarto mês consecutivo de declínio na porcentagem de pessoas sem trabalho na capital financeira dos Estados Unidos. “Nós não tivemos um ano como este há muito tempo”, comemorou Elena Volovelskaya, economista do Departamento do Trabalho do Estado, em entrevista ao “Crain’s NY Business”. “Não é só o fato de a taxa de desemprego ter baixado, mas
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porque isso aconteceu pelo motivo certo”, acrescentou. De um ano para cá, além do número de pessoas sem emprego em Nova York ter diminuído, a força de trabalho
REAÇÃO
Após seis anos da última grande crise financeira dos Estados Unidos, em 2008, as principais capitais americanas começaram a reagir. Nova York, por exemplo, registrou mês passado queda no desemprego na cidade cresceu 1,1%. Nos últimos 12 meses, o principal setor que cresceu foi o de turismo, com aumento de 5,5%, superando as baixas expectativas de crescimento de emprego em outubro ao proporcionar mais
4 mil vagas. Em grande parte, a queda no desemprego é resultado do incentivo do setor privado no último ano, que adicionou 87.200 postos de trabalho e cresceu 2,5%. Diante de um cenário econômico positivo, um setor que deixou a desejar foi o de serviço educacional privado, que gerou menos vagas neste ano. Em geral, as contratações de professores acontecem no mês de outubro, o que acarreta maior expectativa para criação de postos nesta época. Neste mesmo período, o setor privado de informações chegou a ter uma queda de postos de trabalho, bem como os empregos governamentais. De modo geral, a porcentagem de desemprego em Nova York ainda está um pouco acima da taxa nacional, que apresenta 5,8% de pessoas sem trabalho.
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Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 23 DE NOVEMBRO DE 2014
diadia@emtempo.com.br
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IONE MORENO
Dona Cotinha completa 100 anos de idade Dia a dia C2
‘Gatos’ resistem e cidade está à mercê dos apagões Ligações clandestinas ainda tiram o sono da concessionária e dos consumidores, que têm de conviver com apagões
ALBERTO CÉSAR ARAÚJO/ARQUIVO EM TEMPO
Fornecimento de energia tem nas ligações clandestinas o grande vilão que provoca os apagões. O problema deixou de ser restrito a invasões e áreas periféricas, prejudicando totalmente a capital
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os últimos 3 anos, as ligações clandestinas de energia, fraudes, furtos e outras irregularidades causaram prejuízos de R$ 1,5 bilhão à Eletrobras Amazonas Energia em perdas comerciais. Um estudo da empresa comprovou que 36% da energia na capital é consumida de forma irregular, sobretudo furtos e fraudes. Esses números, em parte, acabam interferindo na qualidade do serviço em Manaus, resultando nos frequentes apagões e, na sua esteira, a perda de alimentos, eletroeletrônicos e até mesmo dinheiro. As reclamações chovem na concessionária. O problema, então, é causado pelo próprio consumidor irregular. Os transformadores de energia não aguentam a sobrecarga causada pelas ligações clandestinas, que ainda podem provocar a queima do equipamento e, em consequência, mais quedas no fornecimento. Mais prejuízo para a empresa, que precisa repor os materiais danificados, pior para o consumidor regular. O assessor da diretoria da Eletrobras Amazonas Energia, Rogério
Roniconi, explicou que, além de afetar diretamente a qualidade de energia, os furtos contribuem para a majoração da tarifa e colocam em risco a vida dos consumidores. “A pessoa que prepara o gancho para colocar no fio de alta-tensão para fazer o ‘gato’ pode levar um choque no momento em que vai interligar a fiação, até mesmo ocasionar a sua própria morte”, explicou Roniconi.
DANOS
Os transformadores de energia não aguentam a sobrecarga causada pelas ligações clandestinas, que ainda podem provocar a queima do equipamento e, em consequência, mais quedas no fornecimento
Diariamente a concessionária recebe inúmeras ligações de reclamações da falta de energia. “Estamos buscando soluções para evitar que nossos consumidores não fiquem satisfeitos com o produto, mas precisamos intensificar o combate às ligações clandestinas”, explicou. “As perdas não são
somente para a empresa. O Estado perde, pois deixa de arrecadar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), e a população também, já que além de sofrer com a falta de energia, não receberá o investimento do Estado com o imposto não recolhido”, detalhou. Invasões Outro problema que a concessionária encontra diz respeito às invasões. Como o terreno não tem um proprietário regular, a Eletrobras não pode entrar no local para fazer as ligações de forma correta, então as famílias ocupantes da área, por conta própria, realizam as ligações clandestinas e suas moradias fica mais expostas a riscos, assim como toda a comunidade. “Por isso vemos que a maioria dos bairros que sofrem por terem várias invasões passam por problemas sérios com o abastecimento de energia. Precisamos que o povo tenha consciência de que isso realmente é muito sério. A luz é um produto como outro qualquer, mas precisamos passar por cuidados para que a situação não saia do controle”, informou Roniconi.
Problema surge fora da periferia Ligações clandestinas não estão surgindo cada vez mais somente nas áreas de invasões, mas também em casas, prédios e empresas em zonas não periféricas da capital amazonense. De acordo com Rogério, há situações que a empresa descobre o desvio antes do próprio relógio ou registro implantado pela concessionária. Isso também representa um peso na rede elétrica e pode ocasionar o mesmo problema: quando há muitos furtos, os transformadores não aguentam a voltagem e acabam queimando. “Depois que queima, precisamos de outra peça, mas novamente o problema pode ocorrer, e quem realmente paga pelo produto fica completamente prejudicado”, apontou o assessor. Por causa desses problemas, a Eletrobras Amazonas Energia passou a monitorar todas as informações e dados por novo sistema de tecnologia para com-
bater ainda mais os furtos e o desvio de energia. Além dos novos avanços tecnológicos de monitoramento, a concessionária realiza ações diárias no combate a ligações clandestinas, inspeção técnica em unidades consumido-
A luz é um produto como outro qualquer, mas precisamos passar por cuidados para que a situação não saia do controle Rogério Roniconi, assessor da Eletrobras
ras irregulares, unidades taxadas sem medidor, assim como a implantação de infraestrutura de medição avançada, com recursos do Banco Mundial, que prevê investimentos de R$ 210 milhões no período de
2014 a 2016. Sistema Na última pesquisa da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia (Abrad), Manaus ficou entre as três primeiras cidades com maior porcentagem de perda de energia elétrica do país. Para combater essa situação, a Eletrobras vai implantar um novo sistema de medidores inteligentes que deve dar fim a todas as ligações irregulares, mas enquanto o projeto é desenvolvido, a empresa tem obtido ajuda da própria população por meio de denúncias de irregularidades via telefone 0800-301-7001. Quando a empresa descobre o furto ou o desvio, o fato é repassado para a delegacia especializada nesse tipo de ocorrência. O responsável pode ser preso e cumprir pena de 1 a 4 anos de prisão por infração aos artigos 155 (furto) e 171 (estelionato) do Código Penal.
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Bom humor é o segredo para chegar aos 100 anos ISABELLA SIQUEIRA Equipe EM TEMPO
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fim de semana será de festa na família Almeida. Tudo para comemorar os 100 anos da matriarca da família, Maria Leite de Almeida, a dona “Cotinha”, celebrado ontem. Natural do Pará, dona Cotinha é exemplo de garra e união não só para os parentes, mas também para os vizinhos e amigos. Atenta a tudo, cuida da casa e da família e ainda tem tempo para dar atenção ao cachorro de estimação. Mãe de nove filhos, avó de 40 netos, além de inúmeros bisnetos e até tataranetos, a família realizou ontem uma grande festa para celebrar a data. Satisfeita com o século bem vivido, dona Cotinha não descuida da vaidade com seus cabelos e as unhas, além de manter uma alimentação bem regrada para não ganhar muito peso. “Sou uma pessoa abençoada. A felicidade me acompanha e acredito que a alegria nos faz viver mais. Sou feliz por tudo que vivi e por tudo que Deus me deu até aqui”, reforça. Dona Cotinha também reforça o fato de não ter nenhuma doença aparente e
nem precisar tomar remédios controlados. “Minha saúde é de ferro. Claro que preciso de ajuda para andar escuto com dificuldades, mas não fico parada. A gente vai fazer o quê, senão aproveitar a vida?”, argumentou. E o segredo da longevidade: “é o humor que trago comigo”. Para manter a longetivi-
PERFIL
Natural do Pará, dona Cotinha mora há 50 anos em Manaus, sempre no mesmo bairro, o Japiim. Aqui ela criou nove filhos, é avó de 40 netos, além de inúmeros bisnetos e até tataranetos dade, a matriarca da família Almeida costuma manter o hábito de sentar todo fim de tarde na porta de casa para “ver o movimento” e conversar com vizinhos. Mas, os passeios nas casas dos filhos também são constantes. “Eu gosto de passar uma temporada na casa dos meus filhos, que cuidam de mim e dão carinho”, diz.
Lúcida, dona Cotinha chegou a Manaus há mais de 50 anos e aqui criou os filhos e aumentou a família. Apesar de nunca ter trabalhado fora, manteve uma vida ativa. Viúva, fala com precisão dos tempos que chegou ao bairro do Japiim, onde foi uma das primeiras moradoras. “Quando eu cheguei aqui, era só mato e pouco movimento. Nem carro passava nas ruas. Vi isso tudo aqui crescer e ganhar movimento. Vários vizinhos chegaram e outros se foram, mas eu não, gosto muito de morar aqui nesse bairro. Tenho muitos amigos e acompanhei o crescimento dessa comunidade”, disse. A festa preparada pela família teve direito ao bolo do centenário e de foto oficial de todos os membros da família. Segundo uma das noras Marilza Almeida, tudo foi preparado com muito carinho para a data. “É uma grande alegria e privilégio termos ela no nosso meio. E ainda completar 100 anos como ela esbanjando essa vitalidade e lucidez mereceu ser comemorado com muita festa. Não poupamos esforço para retribuir tudo o que ela faz pela família”, comentou emocionada.
IONE MORENO
Moradora do Japiim, dona Cotinha comemorou um século de vida ontem, com a alegria que leva como receita para vida
Lúcida e boa de papo, ela sai para conversar todos os dias com os vizinhos, no final da tarde
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Educadores sugerem como estimular o hábito de ler Q
uem lê adquire cultura, passa a escrever melhor, tem mais senso crítico, amplia o vocabulário e tem melhor desempenho escolar, dentre muitas outras vantagens. Por isso, é importante ler e ter contato com obras literárias desde os primeiros meses de vida. “Além disso, entre os benefícios da leitura também está o de estimular a imaginação, aguçar a curiosidade e ajudar no desenvolvimento da linguagem, tanto escrita quanto oral”, disse a diretora de ensino infantil e fundamental 1 do Centro Literatus, Rosselane Sandrini. Rosselane indica aos pais proporcionarem opções de leitura variadas, desde que sejam adequadas à idade dos pequenos. “É fundamental que seja também um assunto de interesse da criança”, ressalta a professora, que acrescenta: “É necessário lembrar que a leitura deve ser um momento de diversão e não uma obrigação”. Segundo a professora do Literatus, Katy Thayana, os pais também podem incentivar os pequenos lendo para eles. “Além disso, encenações teatrais, fantasias, fantoches e contar com a ajuda de algum instrumento musical, também
ajuda a estimular e incentivar a participação da criança na brincadeira”, indica. Outra dica da professora é pedir que após a leitura os pais incentivem as crianças a contarem sobre algum personagem, ou inclusive faça com que seu filho adivinhe o que passará no final. “É interessante que os pais sejam leitores também e os que os filhos vejam os que eles leem”, destaca Katy, que também recomenda que os país criem metas de quantidade de livros que as crianças leiam por ano. Há duas semanas, 136 crianças tiveram a oportunidade de se tornar pequenos escritores. Com o objetivo de motivá-las à apreciação da literatura, bem como a ler e a escrever, o Centro Literatus (CEL) entregou 136 livros escritos pelos próprios alunos, do 1º ao 5º ano do ensino fundamental. Ao longo do ano, foram elaborados os livros, e no sábado (8), numa manhã de autógrafos, as crianças receberam seu próprio livro dividindo esta experiência com os pais. “Assim, as crianças sentem-se estimuladas a criar e pensar sobre atitudes cotidianas, além de incentivar a linguagem escrita”, disse a professora Kamila
Gonçalves, supervisora escolar. Ela explicou que, este ano, dois temas foram trabalhados: o circo e o futebol. Com o tema “O Circo Maluquinho”, Ziraldo ilustrou todos os livros. Com os personagens o mágico, malabarista, trapezista, palhaço, acrobata e equilibrista, foi possível despertar a imaginação e a criatividade dos pequenos autores. Já no tema futebol, que contou com as ilustrações do cartunista Thiago Recchia, a meninada debruçou-se sobre o Estatuto do Torcedor, a lei federal 10.671/03 que estabelece as normas de proteção e defesa dos frequentadores de estádios. Eles tambem debateram sobre o que significa ser um cidadão consciente em uma sociedade democrática. A realização da oficina de texto é dividida em várias etapas. Os professores discutem o tema com os alunos e os desenhos ou os contos são apresentados nas salas de aula e, a partir deles e do conhecimento que obtiveram nas discussões com a turma, cada aluno cria sua história. Os próprios alunos digitam seus textos. A atividade é oferecida pelo CEL, por meio do Portal Educacional, desde 2010.
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Relação mais participativa entre pais e filhos no momento da leitura é a melhor forma de despertar o interesse
Atividades desenvolvidas com crianças no CEL são exemplos de estímulo ao gosto pela leitura
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Cemitério para t Além de abrigar túmulos de personalidades da história amazonense, o espaço possui um valioso acervo artístico e arquitetônico que o qualifica como potencial atração turística para os visitantes - até os da própria cidade DANIEL AMORIM Especial EM TEMPO
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o dia 17 de fevereiro de 1915, uma TerçaFeira de Carnaval, a violinista Ária Ramos foi atingida por uma bala perdida enquanto executava a valsa “Subindo ao Céu”, no antiga sede do Ideal Clube (avenida Eduardo Ribeiro, esquina com a rua Monsenhor Coutinho). Ela foi levada ao hospital, porém não resistiu ao ferimento. Sua morte – Ária contava com apenas 18 anos – causou grande comoção na sociedade da época. A história ganhou ares de lenda e o mausoléu da violinista tornou-se um dos pontos mais visitados do cemitério municipal São João Batista, na Zona Centro-Sul de Manaus. O local, além de guardar os restos mortais de figuras da história amazonense, abriga um valioso acervo artístico e arquitetônico. Ali, a arquitetura românica, marcada pela riqueza dos detalhes, divide espaço com obras de gosto mais simplificado, influenciadas pelas tendências que começaram a chegar ao Brasil a partir da década de 1960. Para o professor do departa-
mento de Artes da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Otoni Moreira de Mesquita, a importância do São João Batista vai além dos aspectos estéticos. “O espaço traz um reflexo das mudanças da nossa sociedade, como a urbanização e as famílias que desapareceram”, afirma. Apesar disso, vários monumentos importantes, como o mausoléu do escritor Aprígio Martins de Menezes, são alvos do vandalismo e apresentam sinais da falta de manutenção. “É claro que as famílias têm a tarefa de conservar os espaços onde seus entes estão enterrados. Mas a administração do local também poderia fazer uma limpeza básica, além de reforçar a segurança. A presença de pessoal mal-intencionado é constante ali”. Outro exemplo é o mausoléu da maranhense Maria Leopoldina Cavalcante de Lemos, cuja escultura contrasta com a degradação dos ornamentos, inspirados nas piras romanas, e com as fezes espalhadas pelo local. A administração do cemitério informou que a segurança é realizada diariamente pelas viaturas da Polícia Militar do
Amazonas. Ainda segundo a administração, a manutenção dos túmulos caberia à Secretaria de Cultura do Estado. Estilos Uma versão das circunstâncias da morte de Ária Ramos afirma que o tiro foi disparado por um ex-namorado ciumen-
VANDALISMO
Apesar da importância histórica do cemitério São João Batista, muitos mausoléus importantes, como o do escritor Aprígio de Menezes, são alvos de vandalismo e apresentam sinais da falta de manutenção to. A história se assemelha ao caso da trabalhadora rural Etelvina d’ Alencar, assassinada por um colono em 1901, na recém-inaugurada colônia Campos Sales. Hoje, o túmulo da primeira santa amazonense (ainda não canonizada) atrai centenas de fiéis no Dia de Finados. A população deposita ali desde promessas e ex-votos até pedidos
de casamento. Parte do acervo foi trazido do antigo cemitério São José, no início do século 20. O campo santo localizava-se na região onde atualmente se ergue o Atlético Rio Negro Clube, no Centro Histórico de Manaus. “São obras que refletem a riqueza do período da borracha. Os artistas, naquela época, tentavam acompanhar a tradição histórica”, explica Otoni. A maioria das esculturas foi produzida pela marmoraria Ítalo-Amazonense, que funcionou de 1899 a 1986. A mistura de estilos pode ser verificada nos elementos da estrutura da capela de São João Batista, como os vitrais franceses e o portão de origem escocesa. Diante do vasto acervo local, surge a pergunta: por que não transformar o São João Batista num ponto turístico, a exemplo do cemitério da Consolação, em São Paulo? Para Otoni, “esse material pode fazer parte de um museu a céu aberto, já que não dispomos de um acervo de esculturas”. Trata-se de uma maneira de homenagear personalidades cujo legado ultrapassa a obra que deixaram em vida.
Nas fotos da página, o atrativo artístico dos túmulos antigos do cemitério São João Batista. Segundo o professor Otoni Mesquita, espaço traz reflexo das mudanças sociais
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FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
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Feriadões em 2015 serão mais longos e numerosos Feriados 2015
1º de janeiro – quinta-feira – Confraternização Universal 17 de fevereiro – terça-feira – Carnaval 18 de fevereiro - quarta-feira - Cinzas 03 de abril - sexta-feira - Paixão de Cristo 05 de abril – domingo - Páscoa 21 de abril - terça-feira - Tiradentes 1º de maio - sexta-feira - Dia do Trabalho 04 de junho - quinta-feira - Corpus Christi 05 de setembro - sábado - Elevação do Amazonas à Categoria de Província 07 de setembro - segunda-feira - Independência do Brasil 12 de outubro - segunda-feira - Dia de Nossa Senhora Aparecida 24 de outubro - sábado - Aniversário de Manaus 2 de novembro - segunda-feira - Finados 15 de novembro - domingo - Proclamação da República 20 de novembro - sexta-feira - Consciência Negra 8 de dezembro - terça-feira - Dia de Nossa Senhora da Conceição 25 de dezembro - sexta-feira - Natal
Movimento na ponte Rio Negro durante feriado prolongado: dos três feriados locais, apenas um cairá em dia útil. Os demais permitirão o estabelecimento de mais pontos facultativos IVE RYLO Equipe EM TEMPO
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estam 38 dias para terminar 2014, véspera das férias estudantis, e já há quem fique de olho nos feriados do novo ano para programar as sonhadas viagens e o merecido descanso. Das 17 datas comemorativas, instituídas tanto em âmbito nacional quanto municipal, o trabalhador já pode se programar para usufruir de 14 folgas. Dos 14 feriados estabelecidos nacionalmente, apenas o dia em comemoração à Proclamação da República (15 de novembro) cairá no domingo. E, para alegria de muitos que sonham com ponto facultativo, principalmente no funcionalismo público, muitos feriados estão programados para as segundas, terças e quintas-feiras. Se em âmbito nacional há motivos para comemorar, a situação não é tão favorável para quem já contava com as folgas estabelecidas em Manaus. De três feriados locais, somente 8 de dezembro (terça-feira), data em homenagem a Nossa
Senhora da Conceição, padroeira do Amazonas, cairá em dia útil. Os demais estão previstos todos para o sábado, que são 5 de setembro, quando se comemora a Elevação do Amazonas à Categoria de Província, e 24 de outubro, no aniversário de Manaus. Em 2014, foram 11 folgas durante a semana. O sociólogo Ademir Ramos categorizou os feriados instituídos em nosso país entre históricos, religiosos e os eventuais (aqueles que marcam datas de lutas e afirmação). “Os feriados na verdade são determinações federais, estaduais e municipais, aprovados no Congresso Nacional e nas casas legislativas do Estado e município. Na verdade, os feriados guardam determinado simbolismo cívico. Temos os religiosos, amparados pela tradição do catolicismo popular; os históricos, marcados pelos fatos históricos como a independência do Brasil, e os eventuais, aqueles de luta e de afirmação de direito, como o da Consciência Negra que não é apenas um evento, mas uma reflexão no sentido da afirmação política dos povos afro-brasileiros”, explicou.
‘Prejuízo é uma questão de foco’ Ramos acredita que os feriados, representações simbólicas de determinado momento, deveriam ter espaço garantido para o debate dentro das instituições de ensino. “O feriado em si não diz nada. O importante é que seja inserido e trabalhado no projeto educacional das escolas. No feriado em homenagem à Consciência Negra, por exemplo, as pessoas falam de consciência negra como se fosse algo novo. São quase quatro séculos de escravidão no Brasil”, apontou. Dessa forma, as novas gerações teriam uma participação mais ativa e entenderiam capítulos fundamentais de nossa história. “As crianças participam do desfile de 5 e 7 de setembro e muitas não sabem por que estão ali. Não entendem o motivo do feriado, porque a escola não trabalhou. O dia 15 de novembro, por exemplo, data
muito importante em termos de nação, passou em branco até pela imprensa. É assustador. Não vi um editorial, uma matéria, uma nota, os próprios meios de comunicação não prestam ofício de informar devidamente. É preciso mobilizar os meios”, denunciou. Além de marcarem momentos importantes da história nacional, os feriados revelam traços de nossa cultura. “O feriado está muito veiculado à tradição festiva brasileira, em que qualquer coisa se faz festa, acaba em samba e alegria”, apontou. Ele questiona a idéia de que os feriados sejam grandes vilões da economia. “Os donos de comércio reclamam que perdem dinheiro, que [os feriados] geram grande impacto sobre a economia. Mas, por outro lado, aquecem a chamada ‘economia de bolso’, como a venda de churrasquinho, picolé e bebidas. Na
quinta-feira (20), em comemoração à Consciência Negra, tinha aproximadamente 3 mil pessoas festejando na Praça 14, o que alimentou outras fontes de economia. Quem realmente perde, enquanto outros ganham? É uma questão de foco”, questionou o sociólogo. Folga e produtividade De acordo com ranking divulgado pela empresa americana Mercer, o Brasil ocupa a sétima posição em número de feriados, junto com Peru, Grécia e África do Sul. O topo da lista é ocupado por Índia, Colômbia, Tailândia, Líbano, Coréia do Norte e Japão. Para o presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Ismael Bichara, o anúncio de que 2015 será recheado de folgas pode significar má notícia para a economia de nosso país. “Vamos ter um ano terrível para a economia”, anunciou.
Produtos parados e mais caros “O que se percebe hoje no Brasil é uma desorganização generalizada, se levarmos em conta que o feriado numa quinta-feira - como o que tivemos da Consciência Negra – torna a sexta-feira ponto facultativo, tivemos quatro dias de repartições públicas fechadas e o país parado”, disse Bichara. Ele explicou que os feriados diminuem a produção, encarecendo os produtos e fazendo com que as compras no exterior sejam cada vez mais procuradas. “A nossa carga tributária é alta e a trabalhista é complexa, o que aumenta o custo do país”, salientou.
DIEGO CAJA/ARQUIVO EM TEMPO
Para quem se programa com antecipação, pontos facultativos serão oportunidades para aproveitar muitas folgas
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Filho é o maior agressor do idoso, aponta estudo A
proximadamente 60% dos agressores de pessoas idosas são os próprios filhos. A informação está no Mapa da Violência Contra a Pessoa Idosa no Distrito Federal, elaborado pela Central Judicial do Idoso com dados do ano de 2013. O Mapa foi lançado durante o seminário “Políticas Públicas de Combate à Violência contra a Pessoa Idosa”. O relatório mostra um crescimento significativo nos casos registrados de violência contra idosos entre os anos de 2012 e 2013, o que se deve tanto ao aumento no número de casos ocorridos quanto ao incremento na quantidade de denúncias. As mulheres foram as maiores vítimas da violência (64%) e a faixa etária mais atingida, de ambos os sexos, foi aquela entre 60 e 69 anos, respondendo por 38% dos casos. Durante o seminário, a Central Judicial do Idoso (CJI) apresentou moção em prol da criação de uma delegacia do idoso no DF. A CJI é um serviço interdisciplinar destinado à pessoa idosa do Distrito Federal (DF) que tenha seus direitos ameaçados ou violados e que necessite de
orientação e atendimento na esfera da Justiça. Seus objetivos principais são garantir a efetiva aplicação do Estatuto do Idoso, prover a comunidade do DF de informações, promover a articulação com instituições para atendimento das demandas existentes e assessorar autoridades competentes.
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As mulheres foram as maiores vítimas da violência (64%) e a faixa etária mais atingida, de ambos os sexos, foi aquela entre 60 e 69 anos, respondendo por 38% dos casos, segundo o estudo Pioneira no Judiciário Nacional, a CJI é fruto de um convênio entre o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), o Ministério Público do DF e a Defensoria Pública do DF. No âmbito do TJDFT, a Central faz parte do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupecon), que integra a 2ª Vice-Presidência,
MARCOS SANTOS/USP IMAGENS
Mapa da Violência mostra o aumento dos casos de tortura contra a pessoa idosa dentro de casa nos últimos dois anos comandada pelo desembargador Waldir Leôncio Júnior. A CJI é coordenada pelas juízas Gabriela Jardon e Monize Marques, do TJDFT, pela promotora Sandra Julião e pela defensora Elisângela Miranda. Mapa O Mapa da Violência é uma série de estudos, publicada há uma década e realizada pela Unesco, pela Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (RITLA) e pelo Instituto Sangari, com apoio do Ministério da Saúde e Ministério da Justiça. O sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz é o responsável pela pesquisa. Perfil Julio Jacobo Waiselfisz é formado em Sociologia pela Universidade de Buenos Aires e mestre em Planejamento Educacional pela Universidade Federal de Rio Grande do Sul. Coordenador da Área de Estudos sobre Violência da FLACSO - Faculdade LatinoAmericana de Ciências Sociais, já foi Diretor de Pesquisa do Instituto Sangari, exerceu funções de Coordenador Regional da Unesco em Pernambuco, entre outras atividades sociais.
Aproximadamente 60% dos agressores de pessoas idosas são os próprios filhos, no DF
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Dia a dia
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Ilustríssima Semana
O MELHOR DA CULTURA EM 7 INDICAÇÕES
BRASILEIRO EDOUARD FRAIPONT/DIVULGAÇÃO
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“Teatro, o rito ancestral. Hip-Hop, o novo terreiro. Fértil terreno. Em ambos os casos: Paixão. Sobretudo, Celebração.
EXPOSIÇÃO | GABRIELA ALBERGARIA Em “O Balanço da Árvore Exagera a Tempestade”, a artista portuguesa busca refletir sobre a ação humana na natureza. Entre os trabalhos estão esculturas, pinturas, desenhos e fotografias. Vermelho | tel. (11) 3138-1520 | ter. a sex., das 10h às 19h, sáb., das 11h às 17h grátis | até 6/12
Nesse encontro-festa-fresta no tempo, Dioniso, o Deus do barulho, dança na rua, templo sagrado. Entre top rocks e footworks, aero sóis e poesia ritmada, convida o DJ-ogã a adentrar o seu mundo. O resultado é o Teatro Hip-Hop. E é deste encontro que as minhas linhas falam. Yo! Axé! Evoé!” Fnac Pinheiros | tel. (11) 35792000 | ter. (25), às 19h | Perspectiva | R$ 37 (176 págs.)
POP
ERUDITO
SEMINÁRIO | POESIA & AÇÃO O encontro discute a relação entre poesia e ativismo, com participação do grupo francês Questions Théoriques. Entre os convidados estão poetas, artistas plásticos, editores independentes e cientistas sociais. Nomes como Ernesto Neto, Luiz Eduardo Soares e Nathalie Quintane fazem parte da programação. Fundação Casa Rui Barbosa - Rio | tel. (21) 3289-8640 | de qua. (26) a sex. (28) | grátis | programação em casaruibarbosa.gov.br
LANÇAMENTO | ROBERTA ESTRELA D’ALVA A fundadora do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos lança o livro “Teatro Hip-Hop: A Performance Poética do Ator-MC”, sobre a figura que mistura o ator-narrador do teatro épico e o MC da cultura hip-hop. Estrela D’Alva escreveu um poema para “Ilustríssima”:
LANÇAMENTO | GUIA DE SP “Triângulo São Paulo - Um Guia para se Perder no Centro”, que será distribuído gratuitamente, traz 31 pontos de interesse na região histórica da capital paulista delimitada pela praça da Sé e pelos largos São Francisco e São Bento. Os organizadores do projeto discutem propostas para o centro antigo em mesa-redonda no dia do lançamento. Casa da Imagem/Solar da Marquesa | tel. (11) 3106-5122 | sáb. (29), às 11h | grátis | ed. Estação Cultura
LEILÃO | ASSOCIAÇÃO VIVA E DEIXE VIVER O evento em prol da organização que forma contadores de histórias que atuam em hospitais contará com obras de 30 artistas. Com lances iniciais entre R$ 500 e R$ 1.000, estarão expostos trabalhos de Ai Weiwei, Edith Derdik, Marcelo Gandhi, Albano Afonso, entre outros. galeria Pilar | tel. (11) 3661-7119 | amanhã (24), às 19h
EXPOSIÇÃO | 40 ANOS DE LUISA STRINA Em “Eu Represento os Artistas, Revisited”, a galerista promove, sob curadoria de Fernanda Arruda, um balanço de seus 40 anos de atuação. Antonio Dias, Wesley Duke Lee, Dora Longo Bahia, Leonilson e Mira Schendel são alguns dos artistas expostos. Luisa Strina | tel. (11) 3088-2471 | abertura ter. (25), às 19h | seg. a sex., das 10h às 19h; sáb., das 10h às 17h | grátis | até 14/02
LANÇAMENTO | ARTE DIGITAL Em edição bilíngue, o livro “Futuros Possíveis: Arte, Museus e Arquivos Digitais” reúne textos sobre armazenamento e preservação de arte digital e digitalização de acervos. Com organização de Giselle Beiguelman e Ana Gonçalves Magalhães, traz reflexões de curadores e críticos brasileiros e estrangeiros. Itaú Cultural | tel. (11) 2168-1776 | ter. (25), às 19h Peirópolis/Edusp | R$ 69 (648 págs.) | R$ 21 (e-book) ‘Saman, Universidade Metropolitana, Caracas’ (2013), de Gabriela Albergaria
ESTRANGEIRO Folha.com
Ilustríssimos desta edição DIVULGAÇÃO
Evando Nascimento, 54, ensaísta e escritor, é autor de “Derrida e a Literatura” (3ª ed., pela É Realizações). NUNCA, como é conhecido Francisco Rodrigues, 31, é artista plástico. RÉGIS BONVICINO, 59, poeta, diretor da revista eletrônica “Sibila” (sibila.com.br), é autor de, entre outros, “Até Agora” (Imesp, 2010) e “Estado Crítico” (Hedra, 2013), foi finalista na categoria poesia do Prêmio Jabuti deste ano. MARCELO COELHO, 55, é colunista da Folha e autor de, entre outros, “Cine Bijou” (Cosac Naify).
TATIANA BLASS, 35, é artista plástica. FERNANDA EZABELLA, 33, é jornalista. MARGARETH MENEZES, 51, produtora, atriz e cantora. ALFREDO SIRKIS, 63, é jornalista e deputado federal pelo PSB-RJ. ODYR, 47, é quadrinista. Ilustrou “Guadalupe” (Quadrinhos na Cia.), com roteiro da poetisa Angélica Freitas.
PUSSY PIOT Membros do grupo ativista que estiveram presas na Rússia visitam Londres e atacam governo de seu país FOLHA.COM/ ILUSTRISSIMA Atualização diária da página da “Ilustríssima” no site da Folha KATHERINE BOO Entrevista com a escritora vencedora do Prêmio Pulitzer e autora de ‘Em Busca de um Final Feliz’ >>folha.com/ilustrissima
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Filosofia
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Depois de Derrida Retrato de uma obra viva RESUMO Homenagens internacionais lembraram a morte, há dez anos, de Jacques Derrida. Brasil teve papel importante na difusão da obra do filósofo da desconstrução, termo por vezes mal compreendido, que alimentou teorias, como os estudos pós-coloniais, em que é central a noção de alteridade proposta pelo francês.
EVANDO NASCIMENTO
Todo filósofo ou escritor tem outro pensador com quem dialoga permanentemente. O meu é Jacques Derrida, cuja morte, ocorrida há dez anos, foi lembrada ao longo deste 2014 em homenagens mundo afora. O pensador franco-argelino de origem judaica, nascido em 1930 em El-Biar, foi tema de publicações, palestras, colóquios e mesmo um documentário, realizado a partir da biografia escrita por Benoît Peeters, “Derrida” [trad. André Telles, Civilização Brasileira, 742 págs., R$ 80], pela cineasta Virginie Linhart – “Jacques Derrida: le Courage de la Pensée” (a coragem do pensamento). Na qualidade de ex-aluno e de organizador do último evento de que ele participou, dei um pequeno testemunho para o filme, produzido pelo canal franco-alemão Arte. No caso de Derrida, o primeiro diálogo que se instaura, logo no início de sua trajetória, é com Husserl – de quem ele se tornaria um dos maiores especialistas franceses, tendo escrito um trabalho de peso ainda em sua época de estudante. Esse texto seria publicado como livro pela PUF, em 1990 (“Le Problème de la Genèse dans la Philosophie de Husserl”, o problema da gênese na filosofia de Husserl). Nietzsche e Heidegger são as duas referências maiores, que o acompanham até o final. Em nenhum desses casos há mera repetição, por Derrida, daquilo que o outro pensador disse, mas uma leitura desconstrutora, sinalizando os avanços (e também os aspectos dogmáticos) de cada um deles. Num texto pouco conhecido, em que faz um balanço dos filósofos que o marcaram, “Nous autres Grecs”(literalmente, “nós outros gregos”), descarta ser um devedor absoluto de qualquer um deles. O único pensador do qual ele se reconheceria de fato tributário seria Heráclito, em particular em relação ao “hén diaphéron heautoû”, “o uno diferente de si mesmo”. Constata-se, nesse fragmento heraclitiano, o princípio da “différance” com “a”, noção derridiana, que, como a escritura, foi muito difundida nos anos 1960 e 70. O termo francês que significa “diferença” se escreve com “e”, “différence”;
mas, por várias razões de ordem filosófica, Derrida “rasura” a ortografia: ao substituir o “e” por “a”, desloca o sentido da palavra, expondo assim a forma, sobretudo ocidental, de pensar as diferenças, sempre por oposição: o masculino x o feminino, o branco x o negro, o conteúdo x a forma etc. Todo o pensamento de Derrida tenta analisar, de modo empírico e transcendental, um tempo-espaço da diferença de forma não binária. Essa “différance” se refletiria no que ele nomeou, em diálogo com o matemático Gödel, como “indecidibilidade”. Em certos contextos, alguns termos se distinguem pela impossibilidade de decidir por um dos polos da oposição clássica. Droga O exemplo mais famoso dessa ‘indecidibilidade” é o do “phármakon”. Numa leitura cerrada do “Fedro” e de outros diálogos de Platão, Derrida mostra como esse vocábulo, em diversas passagens, é dotado da ambiguidade do veneno e do remédio, tal como para nós, hoje, o termo “droga”. A diferença é que “droga” detém uma conotação moral que o “phármakon” não possui de antemão. Num ensaio muitíssimo conhecido, “A Farmácia de Platão” (trad. Rogério da Costa, Iluminuras, esgotado), Derrida expõe como o “phármakon” é associado sistematicamente à escrita, muitas vezes como uma potência perturbadora do “lógos”, o discurso racional que, entre os séculos 5 e 4 a.C., estava em plena elaboração. A partir do final dos anos 1980, mas sobretudo nos 90, até 2003, quando adoece e suspende seus seminários na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, ele enfatiza cada vez mais os aspectos ético-políticos de sua obra. Alguns leitores passaram a chamar esse momento de “political turn” (virada política), expressão equivocada, uma vez que textos anteriores, como “Margens “” Da Filosofia” (trad. Joaquim Torres Costa e Antonio M. Magalhães, Papirus, esgotado), já continham diversos elementos de reflexão política, por meio da noção de descentramento – ou de abalo dos centros absolutos: Deus, verbo, essência, poder, verdade –, sem, no entanto, cair no relativismo. Com efeito, os seminários dos anos 1990 em diante foram designados por ele próprio sob a rubrica “questões de responsabilidade” – e envolviam temas como o segredo, o perdão, a dádiva, a hospitalidade incondicional, os animais e a pena de morte. Trata-se de uma enorme contribuição para a história do pensamento, que questiona problemas da atualidade, como a pena capital, a política imigratória na Europa e os desdobramentos do 11 de Setembro. Alguns dos livros publicados nesse período final estão disponíveis no país. Em 2004, por exemplo, traduzi “PapelMáquina” [Estação Liberdade, 360 págs., R$59], com textos sobre a cultura digital e o livro, além de ensaios sobre a globa-
lização. Dois outros volumes sobre questões políticas já foram muito bem traduzidos: “Força de Lei” (Martins Fontes), por Leyla Perrone-Moisés, e “Espectros de Marx” (Relume Dumará) – esgotados, mereceriam nova edição, como outros aqui citados, também fora de catálogo. desconstrução Jacques Derrida ficará conhecido decerto como o pensador da “desconstrução”. O termo foi banalizado, ganhando em setores da mídia o sentido de “demolição”. Isso nada tem a ver com as propostas derridianas, pois não se trata de destruir uma ordem para impor outra, mas de apontar o que, na ordem estabelecida, não funciona mais, abrindo o horizonte da reflexão. Derrida raramente definiu a “desconstrução”, salvo em situações pontuais, relacionadas a determinados contex-
tos. Como fez, de forma muito precisa, antes de vir ao Brasil em 2004, para um colóquio por mim organizado, em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora e com o consulado francês no Rio. Ao telefone, ele me disse: “A desconstrução é um modo de pensar a filosofia, ou seja, a história da filosofia no sentido ocidental estrito, e, consequentemente, de analisar sua genealogia, seus conceitos, seus pressupostos, sua axiomática, além de naturalmente fazê-lo não apenas de maneira teórica, mas também levando em conta as instituições, as práticas sociais e políticas, a cultura política do Ocidente” – a entrevista completa foi publicada na Folha, pelo antigo caderno “Mais!”, em 15 de agosto daquele ano. Ao contrário do que supõe um
equívoco corrente, as desconstruções não vieram destruir a cultura ocidental, mas repensá-la a partir de seus outros, daquilo que ela tentou excluir como o exótico, o diferente, o que está à margem. Derrida sempre declarou seu amor pela tradição filosófica, embora todo o esforço fosse para pensar além dela. Seu questionamento fundamental serviria a diversas lutas sociais, como o feminismo, o antirracismo, o movimento gay e os estudos pós-coloniais. Foi nesse sentido que – desde a época de adolescente na Argélia colonizada pela França – seu desejo intelectual dividiu-se entre literatura e filosofia. Ele explica isso na longa entrevista “Essa Estranha Instituição Chamada Literatura” [trad. Marileide Esqueda, ed. UFMG, 118 págs., R$ 35], em que expõe as relações
entre discurso filosófico e literário ao longo de seu percurso. Por ser uma instituição vinculada ao surgimento das democracias modernas, a literatura possibilitaria o direito de “dizer tudo”, embora muitas vezes possa ser censurada. Quando fui seu aluno, na França, esse tópico foi motivador, em minha tese, da categoria que denominei “literatura pensante”, relacionada à alteridade radical. Não há em Derrida oposição entre literatura e filosofia, mas um desejo de que uma insemine a outra, ampliando o leque das reflexões. Em sua última entrevista ao jornal “Le Monde”, ele faz uma aposta no sentido de que seus herdeiros efetivos seriam poetas-pensadores, aqueles que soubessem reinventar seu legado, escrevendo um novíssimo texto.
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Reportagem
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Ficções de trincheira
A Grande Guerra em romances (e um relato)
MARCELO COELHO
RESUMO Além dos muitos relatos de não ficção e livros de história publicados ao longo do ano, centenário da Primeira Guerra enseja traduções de obras-primas de ficção sobre o conflito. Em chave satírica ou em relatos mais próximos da autobiografia, autores mostram que é possível comover sem ceder ao sentimentalismo.
ILUSTRAÇÃO TATIANA BLASS
A primeira guerra Mundial deu ocasião, neste ano em que se recorda seu centenário, a volumes de qualidade variada. Depois de diversos lançamentos de não ficção chegaram, no último mês, além de “14” [trad. Samuel Titan Jr., ed. 34, R$ 34, 136 págs.] – romance de qualidade apenas mediana do francês Jean Echenoz – duas obras-primas (e um punhado de relatos excelentes) sobre o conflito. “A Marcha de Radetzky” [trad. Luis S. Krausz, Mundaréu, 424 págs., R$ 31], do austríaco Joseph Roth, não
aborda a guerra diretamente – o que é uma vantagem, porque o excesso de horrores e a imobilidade nas trincheiras pode produzir efeitos repetitivos, como acontece em “Tempestades de Aço”, do alemão Ernst Jünger (Cosac Naify, 2013 ). O livro de Roth (1894-1939) é um dos quatro volumes inaugurais da coleção Linha do Tempo, cujas escolhas, promete a nova editora, buscarão capturar, via literatura, o espírito de determinados momentos históricos – nesta leva inicial, o da Primeira Guerra. Contido, protocolar e melancólico, como os personagens que retrata, “A Marcha de Radetzky” cobre três
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gerações de uma família cujo último representante, o tenente Carl Joseph von Trotta, pensa em abandonar o Exército austro-húngaro nos dias imediatamente posteriores ao atentado de Sarajevo, em junho de 1914 – o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando levou, como se sabe, ao ultimato do Império Austro-Húngaro contra a Sérvia, precipitando um conflito que deixaria ao menos 10 milhões de mortos. Depois de anos sem fazer nada de concreto no Exército, a não ser contrair dívidas de jogo, arranjar uma ou outra amante e reprimir a bala uma manifestação de operários, o tenente Von Trotta vai comunicar ao pai, funcionário da burocracia imperial, sua decisão de abandonar a carreira militar. “’Sente-se!’ disse o velho, apontando para a poltrona na qual Carl Joseph se sentava em seus tempos de aluno da escola de cadetes, aos domingos, das nove ao meio-dia, com o quepe sobre os joelhos e as luvas brancas sobre o quepe”. Não poderia ser mais rígido e distante, como se vê, o relacionamento entre pai e filho. Roth continua: “’Pai!’, começou Carl Joseph, ‘vou deixar o Exército’. Ele esperou. Sentiu, imediatamente, que não seria capaz de explicar nada enquanto permanecesse sentado”. O encanecido funcionário, cujos modos e feições imi-
tam deliberadamente os do velhíssimo imperador Francisco José, reage mal. “’Depois da desgraça que nos aconteceu anteontem, uma saída do Exército como esta equivale a uma – a uma – deserção’, disse o pai. ‘O Exército inteiro desertou’, respondeu Carl Joseph”. O formalismo dos personagens, num diálogo em que nenhuma manifestação de afeto familiar é permitida, passa como um vento gélido por todo o romance. Vidas marcadas pelo respeito às honrarias, pela adoração da figura de um imperador distante e pela obediência silenciosa a regras sem sentido parecem criar as precondições para o desencadeamento de uma guerra bárbara – na qual os soldados austríacos se engajam mecanicamente, sem esperança, como num cortejo fúnebre. Mesmo amizades e casos amorosos se dão de forma encabulada, tímida, difícil. “A Marcha de Radetzky” traz uma sucessão de cenas memoráveis. Numa delas, o tenente Von Trotta faz uma visita de pêsames a um viúvo; tinha sido amante da morta. Em outra, o pai do tenente recorre ao próprio imperador, depois de enfrentar como um mártir todos os impedimentos da burocracia, para pedir uma ajuda financeira de emergência. Por fim, num feito extraordinário de intuição psicológica e social, Joseph Roth nos apresenta, em algumas páginas, como funcionam, já hesitantes e desenganados, os pensamentos íntimos do próprio imperador Francisco José. Decadência Tudo dói em “A Marcha de Radetzky”. Tudo também é doloroso – mas engraçadíssimo e adorável – na segunda obra-prima dessa safra de livros sobre a Grande Guerra. “As Aventuras do Bom Soldado Svejk” [trad. Luís Carlos Cabral, Alfaguara, 688 páginas, R$ 69,90], do tcheco Jaroslav Hasek, retrata a mesma decadência do Império Austro-Húngaro, de uma perspectiva inversa à adotada por Joseph Roth em “A Marcha de Radetzky”. Aqui, é um modesto vendedor de animais de estimação em Praga quem conhecerá a estupidez militar e o absurdo da burocracia imperial nos primeiros tempos da Grande Guerra. Svejk é um prodígio de malandragem e ingenuidade comparável ao dos grandes personagens picarescos da literatura, de Lazarillo de Tormes ao brasileiro Macunaíma, passando por Sancho Pança. Seria um Sancho Pança num mundo
sem quixotes, na verdade. A total obediência de Svejk às imposições da vida militar se mistura à irreprimível determinação de tirar o próprio corpo do campo de batalha. Desde o início do romance, seu comportamento é dos mais ambíguos – e cômicos. Com a Áustria declarando guerra à Sérvia, os habitantes das inúmeras nacionalidades sob o Império se veem obrigados a entrar em batalhas nas quais não têm interesse. Svejk, que havia sido expulso do serviço militar por “debilidade mental”(e juntas médicas igualmente imbecis o reexaminam ao longo da trama), sabe que será convocado para a guerra. Poderia alegar suas constantes crises de gota. A desculpa, porém, dificilmente funcionaria. Ele adota o procedimento inverso. Enfaixa-se, sobe numa cadeira de rodas, empunha uma muleta e, proclamando a suposta doença, percorre as ruas de Praga em busca do mais movimentado posto de alistamento militar. Os jornais – outra vítima do sarcasmo do socialista Jaroslav Hasek Depois de anos sem fazer nada de concreto no Exército, a não ser contrair dívidas de jogo, arranjar uma ou outra amante e reprimir a bala uma manifestação, o tenente Trotta deixa o serviço militar.
(1883-1923) – logo destacam a “atitude heroica” do valoroso cidadão. Ninguém haveria de dizer que ele tentava fugir do alistamento – embora, começamos a desconfiar, fosse exatamente esta a razão para a cadeira de rodas. Apesar da glória prematura, a vida de Svejk no Exército é uma sucessão de injustiças, vexames, presepadas e desencontros. Ele se torna ordenança de um capelão bêbado, cujos sermões em louvor da guerra vão do balbucio ininteligível ao mais cínico deboche. Surge no romance um segundo oficial, o tenente Lukas, cujo caráter essencialmente justo, mas falível, é apresentado com extraordinária leveza. As inocentes malandragens de Svejk – como roubar de uma empregada um cachorrinho para dá-lo de presente a seu superior – terminam impondo a ambos a pior das punições: a linha de frente no combate com os russos. Svejk e seus companheiros nunca entram em combate, todavia. Na história (que Hasek deixou inacabada), o que
se vê é uma tropa em que tudo falta: comida, material, ordens claras; o próprio código secreto do Exército austríaco é uma piada – foi plagiado de um manual de guerra alemão, e os oficiais das tropas recebem a chave errada para decifrá-lo. A comida – escandalosamente melhor para os oficiais – é roubada. Os apetrechos de campanha, porque adquiridos em licitações fraudulentas, chegam imprestáveis ao front. Os soldados aproveitam qualquer missão para se embebedar. Aldeãs são estupradas. Casas se saqueiam sem que se saiba de que lado da fronteira estão – enquanto húngaros e tchecos, sob a mesma bandeira, se odeiam mais do que os inimigos a que devem combater. Tudo seria horrível, se Hasek não deixasse a imensa humanidade de seus personagens resistir, entre a pureza e a falta de caráter, ao maquinismo cego da guerra. A bonomia autointeressada de Svejk, com um sorriso tolo e sucinto nos lábios, é indissociável das ilustrações cômicas de Josef Lada, presentes em várias edições desde que o livro apareceu pela primeira vez, em 1921. A tradução brasileira, infelizmente, preservou apenas na capa um exemplo daquelas obras-primas do traço cômico. Barbárie Sem nenhuma comédia, mas sem nenhum exagero dramático tampouco, “Um Ano Sobre o Altiplano” [trad. Ugo Giorgetti Mundaréu, 208 págs, R$ 29], do italiano Emilio Lussu, é um texto de não ficção, cujo triste e sereno olhar sobre a barbárie lembra os relatos de Primo Levi (1919-87) acerca dos campos nazistas. Na campanha italiana de 1916 contra os austríacos, o menor sinal de “covardia” é punido com fuzilamento; em tese, nada de estranhar em se tratando das emergências de uma guerra. O problema é que os soldados são forçados a avançar para as trincheiras inimigas sem cobertura dos canhões de artilharia – que simplesmente não chegaram. Os alicates para cortar a cerca de arame farpado do inimigo não cortam nada. Enquanto tentam romper a barreira, os italianos são dizimados por metralhadoras. Um general obstinado e imbecil dá o tom das empreitadas. Pergunta a um punhado de combatentes se conseguem ver o que está escrito na lâmina das baionetas. Ninguém vê nada nelas, exceto sinais de ferrugem. O general responde com solenidade. “Uma palavra está
escrita aqui: vitória!” O ridículo do pronunciamento não escapa a ninguém, embora o autor não acrescente nenhum comentário. Neste livro publicado em 1938, quando Lussu (1890-1975) estava exilado em Paris pelo fascismo, os silêncios são tão importantes quanto o que se diz. O general, a quem não falta coragem, sobe a um posto de observação fortificado. Podese ver a trincheira inimiga através de uma mínima fresta na estrutura. Os comandados sabem que um atirador exímio acerta sempre no olho de quem se aproxima da fresta. O general se aproxima para inspecionar. Ninguém o avisa: secretamente, torcem para que ele seja morto. Ao mesmo tempo, Lussu reproduz uma discussão entre os soldados: se a guerra é sem sentido, não seria melhor se todos se rendessem? Ser subjugado pelo Império AustroHúngaro, concorda a maioria, seria, porém, pior ainda. Transformação Com menos desencanto íntimo, o poeta inglês Siegfried Sassoon (1886-1967) narra, em “Memórias de um Oficial de Infantaria” [trad. Luís Reyes Gil, Mundaréu, 328 págs., R$ 33], sob um tênue véu de ficção, sua transformação. No início, Sassoon encara a guerra com a galanteria de um “sportsman” britânico, acostumado a gastar seu vasto tempo livre em caçadas à raposa. Condecorado por bravura – devido a participações que ele narra com também britânica modéstia –, Sassoon aos poucos se convence da inutilidade do conflito. Conhece um influente militante pacifista (o filósofo Bertrand Russell) e decide publicar um manifesto no qual pede explicações para o morticínio. Não fosse ele um herói de guerra, o teriam condenado ao pelotão de fuzilamento. Como o “jeitinho” não é peculiaridade brasileira, arranjaram-lhe um atestado de insanidade, enviando-o a uma clínica psiquiátrica – aliás liderada por um médico importante e admirável no tratamento dos recém-descobertos traumas de guerra. Sanidade e equilíbrio não faltavam a Sassoon, como não faltavam a Roth, Hasek e Lussu. Quatro autores capazes de mostrar, de diferentes perspectivas, a irracionalidade da guerra sem cair no sentimentalismo – muito menos nessa outra forma de sentimentalismo, bastante em voga, que é a de render-se à histeria apocalíptica diante do inominável, do indizível, do que não pode ser escrito.
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Entrevista
DANIEL COHN-BENDIT
6 À espreita do medievalismo Semitismo, sionismo e os rumos da Europa
RESUMO O líder estudantil do Maio de 68 conhecido como Dany Le Rouge deixa seu cargo de deputado no Parlamento Europeu, pela França, país do qual foi expulso quando jovem, e quer escrever sobre sua identidade judaica. Em entrevista ao amigo brasileiro ele fala sobre crise da Ucrânia, antissemitismo e Estado Islâmico.
ALFREDO SIRKIS
Daniel Cohn-Bendit nasceu pouco depois do final da Segunda Guerra, no interior da França, onde seus pais, judeus alemães, se refugiaram. Dany Le Rouge (Dany, o Vermelho), o líder estudantil que se tornou figura emblemática do Maio de 1968, foi expulso da França como “agitador alemão” após a rebelião jovem que abalou o governo do velho general De Gaulle. Mudou-se para Frankfurt, onde vive até hoje, e foi secretário municipal de assuntos multiculturais, tratando da integração dos imigrantes. Em seguida, foi eleito deputado do Parlamento Europeu, primeiro pelos verdes alemães e, depois, pelos franceses, quando pôde regressar ao país natal. Somos amigos há mais de 25 anos,
desde que ele me entrevistou para seu livro sobre Maio de 68: “Nous qui Avons tant Aimé la Révolution” (Nós que amamos tanto a revolução). Eis que chegou a minha vez de retribuir a entrevista. Começamos a conversa ainda na Copa. Apaixonado por futebol, CohnBendit esteve no Brasil para realizar um documentário para o canal de TV franco-alemão Arte. O foco foi nos torcedores brasileiros de variados pontos do país, suas opiniões e reações e, a partir daí, as dimensões políticas do evento. Continuamos depois por Skype. Aos 69 anos, Dany permanece agitado e agitador. Nesta entrevista ele fala sobre a crise europeia, o avanço da extrema-direita, a guerra na Ucrânia, o Estado Islâmico, o antissemitismo e também de sua identidade judaica, sobre a qual está escrevendo um livro. Folha - Na Europa, a socialdemocracia anda mal das pernas e, ao lado da direita civilizada, empurra com a barriga uma estagnação econômica e um mal-estar social. Os ecologistas perderam o fôlego, a extrema esquerda apenas vocifera. Só a extrema direita, xenófoba, parece ir de vento em popa, mobilizando cada vez mais eleitores. Isso não prenuncia um futuro assustador? Daniel Cohn-Bendit - Vivemos um movimento de ruptura e de reorientação histórica. A soberania nacional está sendo varrida pela globalização. A globalização e as crises dela resultantes angustiam no âmbito econômico, financeiro e ecológico. Nessa situação, ou bem vamos rumo a soluções que transcendam o quadro na-
cional ou a nossa angústia nos fará retroceder para tentar nos proteger no espaço nacional contra a globalização. Estou convencido de que esse recuo seria um erro. Há uma dificuldade na construção do espaço democrático europeu, mas não nos esqueçamos de que a construção da democracia, no âmbito nacional, foi um processo muito longo. Entre a Revolução Francesa e a consolidação da democracia na França, com o direito de voto das mulheres, foram longos 150 anos. Hoje, com altos e baixos, estamos no período de uma construção democrática no espaço europeu. Percebo que você não compartilha da crítica sem reservas da esquerda às políticas ditas de “austeridade”. Nas discussões sobre a Grécia, por exemplo, eu sempre critiquei duramente as condições impostas pela Alemanha em relação ao tipo de reformas necessárias e de como chegar a elas. Mas há uma questão em relação à qual não devemos nos enganar: a dívida pública. Quando a Alemanha e os economistas dizem que é preciso reduzir o endividamento, penso que não estejam errados. Há quem diga que a dívida não é problema, se tivermos um pouco de inflação isso vai ajudar no crescimento. A França é um país que funcionou 40 anos na base do endividamento. De fato, se desperdiça muito dinheiro. Precisamos investir, mas precisamos também deter o desperdício. É preciso dizer aos alemães: estabilidade não significa apenas austeridade. Veja a dificuldade que temos na França para introduzir uma
tributação ecológica. Com ela, poderíamos reduzir impostos sobre os salários. Mas isso significa uma mudança de paradigma, e ainda estamos num momento histórico no qual a noção de tributar mais a “pegada ecológica” e menos a produção e o trabalho ainda não se afirmou. O que muda na Europa com o conflito da Ucrânia? O projeto de Putin de decepar a Ucrânia parece estar tendo sucesso. É a mesma estratégia que ele utilizou na Geórgia: criar um território “tampão” sob influência russa. A curto prazo, não vejo muita coisa que a União Europeia e a Otan possam fazer. Mesmo que as sanções econômicas atinjam a Rússia, aparentemente isso não tem efeito sobre Putin, que parece disposto a sacrificar a população em nome dos interesses da “Grande Rússia”. E como vê a venda de armamentos franceses a Putin, os porta-helicópteros Mistral? A França não deveria entregar à Rússia esses navios de guerra que o [ex-presidente Nicolas] Sarkozy lhes vendeu. A Rússia de Putin virou um pesadelo. Curioso: quando estive no Brasil, durante a Copa, encontrei gente reclamando da repressão no Brasil, mas torcendo para Putin. Valeria a pena irem a Moscou para o ver grau de repressão por lá, contra a oposição, as ONGs, os homossexuais. Moscou no passado foi referência da esquerda prósoviética. Hoje, virou meca da extrema direita antieu-
ropeia. Le Pen apoia Putin. Mas, no Brasil, é parte da esquerda que apoia Putin. Vi deputados do PT e do PC do B exaltando-o contra os “nazistas” de Kiev. Parte da esquerda latinoamericana acredita que todos os que sejam contra os EUA são amigos. Se Putin é contra os americanos, então ele tem de ser bom. É patético. Naturalmente é preciso um debate muito duro com os americanos – toda essa história da NSA, de espionar o governo da Alemanha, do Brasil. Sua grandiloquência de donos do mundo é muito perigosa. Mas a sociedade norte-americana é livre. Quando confrontamos a democracia nos EUA com o regime na Rússia, não há comparação possível. Os EUA são uma sociedade muito contraditória, mas que tem uma sustança democrática. Você nasceu na França, em 1945, filho de judeus alemães escondidos em Montauban. Deportado em 1968, assumiu cidadania alemã. Foi deputado europeu pela Alemanha e pela França. Para quem você torceu, nas quartas de final, Alemanha ou França? Torci para a França. Tem mais: torci pelo Brasil contra a Alemanha e pela Argentina contra a Alemanha. A maior parte do tempo tenho torcido contra a Alemanha. A explicação é complicada. Minha infância no futebol foi na França. Em 1954, eu era muito novo, tinha nove anos, mas me lembro de ter torcido pela Hungria contra a Alemanha, na final. Achava que era a melhor equi-
pe. Digamos que foi uma forma precoce de manifestar como, para mim, a história alemã era algo difícil de digerir. Não era algo totalmente consciente. É certamente injusto, porque a Alemanha é um dos países que mais trabalharam para superar sua terrível história. Você roteirizou seu documentário na expectativa de um grande movimento contrário à Copa? Não, desde o início fui muito cético em relação a essas mobilizações contra a Copa. O fato de terem acontecido no ano passado – coisa que ninguém havia previsto – não assegurava a repetição. Ao contrário. Essas coisas são quase sempre inesperadas quando acontecem. Algumas semanas antes do Maio de 68, o “Le Monde” registrava: “A França é tédio, nada acontece”. A crítica que faço à extrema esquerda na Europa vale também para o Brasil. A violência black bloc evidentemente esvaziou aquele movimento. As pessoas deixam de comparecer. Na Europa também a violência isola movimentos sociais. O movimento no Brasil, no ano passado, tinha uma aura positiva, mas, a partir do momento em que uma minoria passou a agir com capacetes, máscaras, porretes, algo quase paramilitar, o restante refluiu. É preciso, porém, tomar muito cuidado e não se esquecer de que as reivindicações que suscitaram a mobilização são totalmente justas. Quando se vê a situação de mobilidade das cidades, todas engarrafadas, a impressão é de que o Brasil vai sufocar debaixo dos carros.
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Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS
ACERVO PESSOAL
Retrato da cantora Margareth Menezes feito pelo guitarrista Ron Wood com cinzas e nanquim
Entre o 5 Stone e o Led Zeppelin Salvador, 1996
MARGARETH MENEZES
Muitas coisas na minha carreira aconteceram de maneira inusitada, até mesmo a minha entrada no universo da arte. Desde a minha família – em que meu avô, autodidata, tocava violão com o instrumento deitado no colo, como os havaianos –, até meu nascimento, tudo se deu de maneira muito singular. A paquera de meu pai com minha mãe, por exemplo, aconteceu por meio de uma música que ele cantava sempre que ela aparecia na mercearia onde ele trabalhava. Das muitas histórias que enfeitam a minha suada vida de artista, quero recordar uma que ocorreu há quase 20 anos. Em 1996, criamos em Salvador o Festival Bahia com H – uma iniciativa da minha produtora na época, a Central de Produções, então dirigida pela amiga Jaqueline Azevedo. O evento tinha uma dinâmica muito legal, propondo cruzamentos de shows de artistas baianos e artistas de fora da Bahia, e aconteceu durante três meses naquele verão, fazendo bastante sucesso. Naquela noite, que viria a se tornar antológica, eu faria a primeira parte do show – depois seria a vez da querida Zélia Duncan. Lícia Fábio, uma das maiores promoters do Brasil, me
ligou durante o dia com a notícia: o Ron Wood, guitarrista dos Rolling Stones, estava em Salvador com sua família e queria ir ao show. A princípio fiquei meio aérea, sem saber se era isso mesmo que estava ouvindo. Respondi que seria uma grande honra, ainda sem dar o real peso ao significado daquele fato. A ficha não havia caído. A proporção daquilo só se apresentou mesmo para mim quando lembrei que a lenda Jimmy Page, o magnífico guitarrista da banda Led Zeppelin, que já era meu amigo e estava na Bahia, também iria ao show. Foi a partir daí que comecei a tremer, e toda equipe entrou num estado de euforia. Receberíamos dois reis da música mundial! Ron Wood e Jimmy Page se encontraram no meu show e foi uma verdadeira onda. Eles não tocaram – me faltou o “queixo”, como se diz na Bahia, para pedir a famosa canja –, mas conversaram muito, e eu soube que Page ficou bem surpreso com aquele encontro. Depois de todo o bochicho, eu os cumprimentei e marquei uma visita a Ron Wood e sua família no hotel em que estavam hospedados, no Alto de Ondina. Com o Jimmy, eu ainda teria muitos momentos. Passeamos de barco, preparamos uma superfeijoada para ele
e, fazendo jus ao meu nome meio inglês, até fui visitá-lo em Londres (na casa que ele comprou do guru Maharishi Mahesh Yogi, referência espiritual do movimento hippie nos anos 60) e fora de Londres (em sua outra casa, às margens do rio Tâmisa). Wood, porém, eu não veria mais depois da ida dele à Bahia. Fui até o hotel com minha amiga gaúcha, roqueira e professora de inglês Marília Mattos. Ele nos recebeu muito bem e nos identificamos muito. A certa altura, Wood pegou uma folha de papel em branco e começou a rabiscar. Estávamos ali envolvidos na conversa e ele, muito observador, me disse que meu olhar estava com uma expressão triste, mas que não me preocupasse: “O amor está chegando”, cravou. Até hoje não sei o porquê daquilo. O que sei é que no final da conversa ganhei um desenho que ele fez ali, na hora, com nanquim e cinzas de cigarro. Um presente muito especial e quase exclusivo – pelo que sei, no Brasil apenas eu e Pelé fomos retratados por ele. Ainda nesse clima, no dia seguinte levei Ron Wood e a família para passear em Praia do Forte, na fazenda Sapiranga. Ficamos ali, num hotel maravilhoso, na beira da lagoa Aruá, só comendo, pescando e curtindo a vida.
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Imaginação PROSA, POESIA E TRADUÇÃO
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Arte
RÉGIS BONVICINO ILUSTRAÇÃO NUNCA
É o relevo das luzes de uma torre no dia seguinte é o mendigo que, mão aberta, não pede esmola é um MSF – menino sem futuro – amarrado no obelisco depois de roubar um mendigo é um faquir com fobia de pregos é a antena da mosca furando um pneu de um Simca Chambord, vermelho, num velho anúncio realista é uma poltrona bubble chair sobre a faixa amarela da estrada é um cartaz vintage da atriz Hedy Lammarr em Êxtase é um fantoche da Guerra Fria com um tumbleweed alojado na cabeça é um soldado da ajuda humanitária muçulmanas más sem nicabes é um imigrante boliviano demolindo a marretadas as vigas de um edifício é também um sociólogo de binóculo, num navio, disfarçando a cegueira é um relógio sobre uma lápide um escravo orelha roxa, passos lentos foge da fazenda Bom Retiro é o conflito econômico progressista um foie gras de pato selvagem é um colchão com lençol largado na calçada é um menino negro que passa, apressado, pela calçada da porta da igreja do Pari, camiseta regata do Spurs, de repente se lembra faz o sinal da cruz é um enfestador fuzilado por um garoto num ponto de ônibus à tarde é um rolo de fio elétrico amarrado ao pé de um poste um casal se pega, de dia, sob o luminoso Star India desligado é um camelo pronunciando palavras assassinas é um cara algemado, disparando contra a própria cabeça é um artista se entregando à polícia.
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SPC e Raça Negra, juntos, em Manaus (92) 3090-1042
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Uma secretaria de Estado que divide opiniões Secretariado do governador reeleito só será conhecido em janeiro, mas já especula-se sobre a permanência ou não do titular da pasta de Cultura LÍDIA FERREIRA Equipe EM TEMPO
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período pós-campanha eleitoral é marcado pelas especulações sobre quem irá assumir ou continuará no comando das secretarias de Estado. No caso da Secretaria de Estado da Cultura (SEC), o assunto é ainda mais instigante. Isso porque o atual titular, Robério Braga, está há 18 anos no comando, o que divide opiniões sobre sua possível substituição. Para o doutor em Tecnologia Educacional e chefe do departamento de Música da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Jackson Colares, faltam opções com currículo e experiência equiparados ao de Robério Braga. “Não vejo alguém que tenha o conhecimento do meio artístico local e a visão empreendedora dele, com essa dimensão toda. Todas as ações culturais do Estado hoje são fruto da atual equipe da SEC”, ressalta. Na visão de Colares, a atual política cultural do Estado é favorável para as artes por ter uma cadeia de processos que engloba desde a formação, com as aulas do Liceu Cláudio Santoro e os cursos superiores na Ufam e na Universidade do Estado do Amazonas (UEA), até o mercado de trabalho com as orquestras e outros grupos profissionais de dança e música. “Não adianta ter formação e não ter onde tocar, não ter
os festivais, por exemplo. Seria como formar médicos e não ter hospitais para trabalhar”, exemplifica. Além disso, Colares destaca o crescimento e a formação de público que ocorreram nos últimos anos na cena local. “Os festivais estão sempre lotados e, além disso, há sempre convivências e cursos com profissionais de alta performance que vêm de fora”, diz. “O que está faltando é o governo municipal agir, ter uma orquestra municipal, por exemplo”, complementa. A educadora, mestre em Sociedade e Cultura da Amazônia e doutora em Design, Evany Nascimento, acredita que a alternância na direção da SEC possibilitará pensar em outros pontos de vista e em novas ações culturais. “Não podemos desconsiderar que tivemos muitos avanços da política cultural, mas é necessário revitalizar o conceito de cultura, pensar em uma forma de administração mais participativa e popular”, afirma. Para ela, o atual calendário da SEC é apenas centralizado em ações no largo São Sebastião e para um público restrito e voltado para o erudito. “Faltam mais ações nos bairros de Manaus e também no interior do Estado. Tudo está no em torno do Teatro Amazonas apenas. A cultura popular está sendo deixada de lado. Manaus tem outras identidades culturais, não só o clássico e erudito”, analisa.
‘A decisão é de quem é eleito pelo povo’ Prestes a completar duas décadas à frente da SEC, Robério Baga é taxativo ao falar das possíveis mudanças. “Eu estou sempre à disposição para sair ou para ficar, essa decisão não é minha. É uma decisão de quem é eleito pelo povo e, qualquer que seja a decisão, eu tenho que acatar com maior tranquilidade e com a consciência do dever cumprido”, diz. Para ele, o longo período como gestor público possibilitou aprimorar os projetos que eram de longo prazo, como os cursos do Cláudio Santoro e a consolidação dos festivais. “A arte não é uma coisa instantânea, ela requer um aprendizado, um amadurecimento. Só com a continuidade isso é possível”, ressalta. O secretário informa que as atividades continuarão normalmente até
o mês de janeiro. Entre os dias 26 e 7 de janeiro haverá um recesso coletivo. “O momento é de continuar com a nossa agenda, normalmente. Como sempre, fecho ano com a sensação de dever cumprido. Eu realmente não sei se foi bom ou ruim eu ter feito ficado todo esse tempo, o futuro é que dirá”, comenta. À frente da SEC desde 20 de janeiro de 1997, Robério Braga gerencia hoje 600 servidores da secretaria e outros 480 artistas que compõem os Corpos Artísticos da SEC, além das unidades do Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro. Em entrevista à editoria de Política do EM TEMPO, o governador reeleito, José Melo, disse que só anunciará os nomes de seu secretariado em janeiro de 2015. Agenda da SEC permanece até o mês de janeiro
O secretário Robério Braga está à frente da SEC há 18 anos
DIEGO JANATÃ
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ARQUIVO EM TEMPO
Caderno D
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>> Vitrine
Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br FOTOS: MAURO SMITH
>> Niver . A chic Jéssica Tayah comemorou seu aniversário reunindo um grupo de amigas em um dinner gourmet para lá de especial. . O local escolhido para o evento? O Maná, novo espaço para eventos pequenos e exclusivos da apresentadora Norma Araújo, na avenida Ayrão. A noite aconteceu regada a champagne e e muito charme. Jéssica é uma querida e merece os aplausos de aniversário!
Rosinha Cansanção, Menga Junqueira e Tânia Castro
Renata Sabbá e Norma Araújo
A aniversariante Jéssica Tayah, no jantar gourmet no Maná
>> .Mais de 203 mil contribuintes estão aptos a negociar suas dívidas com a Prefeitura de Manaus, durante a Semana Nacional de Conciliação, promovida pelo Conselho Nacional de Justiça e que tem a adesão da Prefeitura de Manaus, pelo segundo ano consecutivo. Os contribuintes terão direito a anistia total de multas de mora e abatimento de 50% sobre os encargos de juros, multas de infração e honorários advocatícios. A prefeitura tem aproximadamente R$ 1 bilhão em débitos inscritos na dívida ativa, passíveis de conciliação. >> .Cumprimentadíssimo na sexta-feira pelo seu aniversário, o querido Ramiz Braga. Merece!
Jéssica Tayah, Mônica Melo, Gizella Bolognese e Adriane Gonçalves
Eliane Yamada, Iêda Antony Gonçalves e Simone Ale
>> . O juiz titular da 11ª Vara do Trabalho de Manaus, José Dantas de Góes, foi nomeado para o cargo de desembargador do Trabalho do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região, que compreende os Estados do Amazonas e de Roraima.
>> . O Amazonas Shopping participa da Black Friday com descontos especialíssimos neste fim de semana. Todas as lojas estarão identificadas com o adesivo “Aqui Tem Black Friday” nas vitrines, ainda neste domingo.
A chef Letizia Barros
Alessandra Brandão
>> . O promoter amazonense radicado no Rio, Diógenes de Queiróz, está
aniversariando hoje. Festão no Fasano. >> .A ótima Clínica Urocentro comemora, no próximo dia 29, três anos de sua fundação, com um jantar para convidados no restaurante Barbacoa. >> .O V Congresso Internacional, com o tema “Geografia da Saúde: Ambientes e Sujeitos Sociais no Mundo Globalizado”, acontece no período de 24 a 28 de novembro no auditório Rio Amazonas da Faculdade de Estudos Sociais (FES), no Setor Norte da UFAM. >> .Na lista de aniversariantes deste domingo, Fernando Prestes e Rafael Assayag. Cumprimentos da coluna. >> . Luana Lobo comemorou seu aniversário na quarta-feira com um festão animadíssimo, no Condomínio Reserva do Parque. >> . Amanhã é de cumprimentar nha Pacifico e Irina aniversariantes do da semana.
a vez SilviMoss, início
>> .Na festa de fim de ano desta coluna, no dia 4 de dezembro no Diamond, serão sorteadas uma jóia da joalheria Jaqueline Chagas e uma passagem para o Marrocos.
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David ASSAYAG
BRUNO MAZIERI Equipe EM TEMPO
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o próximo dia 5 de dezembro, no Rancho Sertanejo, o levantador de toadas oficial do Caprichoso, David Assayag, realiza mais uma edição do seu tradicional luau. Em entrevista ao EM TEMPO, o artista fala sobre o show e aproveita para avaliar o Festival Folclórico de Parintins, seu regulamento, adianta projetos para 2015 e lembra que, hoje, vai estar no Pará para participar da gravação do DVD de 15 anos de carreira da banda Calypso. EM TEMPO – Você costuma realizar com frequência eventos no formato de luau. Como é isso? David Assayag – O luau é uma confraternização de amigos que, ao longo do tempo dessa minha carreira de quase 25 anos, conquistei tanto no Garantido quanto no Caprichoso [nota do jornalista: desses 25 anos, 15 anos foram somente no Garantido]. Então, reunimos esses amigos dos dois bois para interpretarmos toadas de ambas associações folclóricas. EM TEMPO – Acredito, então, que o público será formado por torcedores dos dois bois. Como é cantar as toadas de ambos? DA – Não tenho problemas com isso. Quando eu era do Garantido, sempre
cantei Caprichoso. Acho que o importante é saber dividir as coisas. Sou muito o festival, adoro os dois bois. Não tenho problema em cantar composições de ambos. EM TEMPO – Como será o repertório? DA – O repertório totaliza 30 toadas, sendo 15 do Caprichoso e 15 do Garantido. Não pode faltar “Lamento de Raça” e “Vermelho”, por exemplo, que ficaram eternizadas durante a minha passagem pelo Garantido. Já do Caprichoso teremos “Sensibilidade” e “Leve Brisa de Orvalho”. EM TEMPO – O resultado do festival sempre gera um descontentamento. Como você avalia a derrota do Caprichoso este ano? DA – Na disputa, você é ganhador ou perdedor, não tem outro jeito. Mas tem coisas que não consigo entender e isso eu falo do meu item especificamente. Se você analisar o item levantador de toadas, o que tem no quesito são coisas que não condizem com o que acontece dentro da arena. Sempre lutei por jurados específicos para cada item. Se você é músico, tem que julgar itens ligados a música. Mas sou julgado por antropólogo, por médico, essas coisas. O que rege o levantador de toadas é a afinação, dicção e extensão vocal, mas não me sinto avaliado por isso, pelo meu talento. Não vou dizer que o outro boi pratica algo
nos bastidores porque não sei, seria julgar as pessoas sem saber da verdade. EM TEMPO – Seria o momento de mudar o regulamento do festival? DA – Inclusive ontem, aconteceu uma reunião entre as duas diretorias, em Parintins, com o intuito dessa mudança de regulamento para que nenhum dos dois bois se sinta prejudicado. Até para dar uma nova “injeção” no festival que nesses últimos anos foi bem fraco. EM TEMPO – Como você avalia o festival hoje? DA – Essa queda do festival é reflexo de resultados que não condizem com o que é visto na arena, com preços abusivos dentro e fora do Bumbódromo. Acho que essas coisas precisam ser revistas. O momento não é para isso, o país está em crise. EM TEMPO – Você acredita que essa baixa também é devido à lisura do festival? DA – Não. EM TEMPO – Este ano foi o primeiro da nova diretoria do Caprichoso. Como você avalia o desempenho? DA – Claro que tem os acertos e erros. No último sábado tivemos uma reunião de avaliação, onde o presidente Joilto Azedo assumiu suas culpas, nós assumimos as nossas e com tudo para que, em 2015, o
ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
‘Não SOU avaliado PELO meu TALENTO’ Caprichoso venha mais forte. EM TEMPO – Com essa mudança na diretoria do Garantido, o festival pode ganhar um novo “fôlego”? DA – Acho que sim. Não posso falar sobre o contrário, mas é público e notório que havia uma insatisfação. Conheço o novo presidente, é um cara muito íntegro e promete fazer uma boa gestão. Tem tudo para ser um grande presidente e melhorar o festival em si. EM TEMPO – Hoje, você fará uma participação na gravação no DVD de 15 anos da banda Calypso, no Pará. Como surgiu esse convite? DA – Eu e o Edilson Santana já gravamos uma participação em CD da Calypso e fomos convidados novamente para fazer parte dessa comemoração. A música será “Acende a chama guerreira”. EM TEMPO – Quais as novidades para 2015? DA – No próximo ano faço 25 anos de festival. Nós estamos pensando em gravar um DVD em outubro, durante o aniversário de Parintins. Vamos começar a pensar o projeto em janeiro para viabilizar essa empreitada dentro do Bumbódromo e com as duas nações. Além disso, possivelmente gravaremos um CD com composições de Paulinho Du Sagrado. Vai ser gravado em Parintins, em março e no estilo acústico e ao vivo.
No festival de Parintins, sempre lutei por jurados específicos para cada item. Mas sou julgado por antropólogo, por médico”
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RESENHA
Em busca de amadurecimento S PERFIL
Gustav Cervinka, jornalista, radialista e cantor de rock
ábado, dia 15 de novembro de 2014. Os primeiros acordes do heavy metal da banda amazonense Evil Syndicate, às 19h30, anunciam o início do terceiro Festival Amazonas de Rock, na arena do Centro Cultural Povos da Amazônia, no Distrito Industrial. Para esta noite – a primeira das duas que compunham a mostra não competitiva – estavam agendados nove grupos de múltiplas vertentes do rock. O que não se esperava, de fato, era que houvesse mais pessoas para subir ao palco do que na plateia para cumprir a missão – tão esbravejada por tantos – de prestigiar o trabalho autoral das bandas locais. Entrando no mérito dos bastidores da organização e planejamento do festival, muito dessa pouca – quase nula – participação do público se deve à falha de comunicação. A amplitude que as reuniões que definem a comissão organizadora, representante direta dos artistas do rock local, precisaria ser potencializada, da mesma forma que a própria divulgação do evento propriamente dito também precisa de uma lente de aumento. A Secretaria de Estado de Cultura, que assina a realização do festival pela terceira vez, acerta ao dis-
por recursos técnicos, logísticos e humanos para erguer o evento. É um indício concreto do respeito que merecem os artistas pelo poder público. Por isso mesmo, em contrapartida a todo esse aparato disponibilizado caberia uma cobrança mais contundente, para que a comissão organizadora apresentasse resultados evidentes durante as diversas fases da produção do festival. Dessa forma, haveria uma real preocupação em maximizar o poder de atração da iniciativa cultural. Ora, entende-se que o evento é destinado para muito mais do que oferecer entretenimento a quem já conhece as bandas participantes – sejam elas quais forem. O objetivo também é criar novos públicos. Para isso, é preciso entender que barreiras psicológicas obsoletas devem ser extintas para chamar a atenção merecida. O duelo entre autoral e cover é um discurso arcaico que somente rende o distanciamento de públicos. Uma vez que inúmeros músicos vivem nos dois mundos
e conhecem muito bem o valor e as dificuldades de cada experiência, esse reflexo atinge muito mais a formação de plateia do que a tolerância entre os artistas. Isto posto, que mal faria – por exemplo – uma panfletagem incisiva em bares e casas de show de rock da cidade, independente do perfil de suas atrações (cover ou autoral)? O festival deste ano trouxe (novamente) à tona a qualidade artística duvidosa que ainda temos. Em sua maioria, as bandas que circularam pelo palco possuem propostas interessantes e composições com grande potencial para conquistar as pessoas. Mas ainda lhes faltam amadurecimento para defender suas obras como elas mere-
cem; compreensão de que suas carreiras não se limitam a plugar cabos e emitir sons; e entendimento sobre a existência de uma ordem em meio ao caos. O Amazonas precisa, por fim, subir o nível de exigência de qualidade de seus artistas e respectivos produtos. Um festival é uma mostra e, como tal, pressupõe a prévia escolha dos melhores dentre os interessados ou inscritos, não um favor a quem nunca participou. Independente das dificuldades individuais, o cenário precisa de resultados com qualidade. É hora de parar de passar a mão na cabeça e dar menos tapinhas nas costas, sob pena de marcharmos ad aeternum pela estrada do amadorismo profissional.
As bandas que circularam pelo palco possuem propostas interessantes e composições com grande potencial para conquistar as pessoas. Mas ainda lhes faltam amadurecimento para defender suas obras”
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Bate-rebate
De novo Nathalia Dill está se especializando em personagens que perdem a memória. Em “Joia Rara”, da Thelma Guedes e Duca Rachid, a personagem dela, Silvia, vilã no começo e mocinha no final, teve o mesmo problema que a protagonista Laura de “Alto Astral”. Ela já sabe como fazer direitinho. Estreia O Canal Brasil tem um lançamento importante, “Abertura”, neste domingo. O programa, com apresentação de Geneton Moraes Neto, revisita a série da TV Tupi idealizada por Fernando Barbosa Lima e que marcava o começo de um movimento de liberdade de expressão no país. O primeiro entrevistado é o ex-presidente Lula, na época com 33 anos e líder sindical. Divisão de trabalho A primeira temporada da série “Trair e Coçar” no Multishow, com estreia dia 24 às 22h30, vai reunir 15 episódios. A divisão dos roteiros ficou assim: Ecila Pedroso escreveu 6 histórias, Noemi Marinho, 6, Jandira Martini, 2, e Marcos Caruso, também
AS PIRANHAS
GLOBO
TV Tudo
Ao contrário do que aconteceu em outras temporadas, a produção do “CQC” praticamente não terá férias. Serão só alguns dias. Enquanto a Bandeirantes exibir séries americanas no seu horário, às segundas-feiras, no começo do ano, as equipes do programa já estarão trabalhando no novo formato, que terá apresentação de Dan Stulbach.
supervisor de texto, 1. Divisão de trabalho 2 “Em Trair e Coçar”, Cacau Protásio faz a protagonista, Olímpia, e atua ao lado de Cássio Scapin e Márcia Cabrita. O Multishow ainda não anuncia uma segunda edição para o programa, porque prefere aguardar os resultados de audiência da primeira. Curioso isso Qualquer um de passagem nos aeroportos de Congonhas ou Santos Dumont certamente se surpreende com a presença de fotógrafos espalhados nas áreas de embarque e desembarque. São os mesmos paparazzi de sempre, tentam flagrar
o vai e vem dos mais conhecidos. Parece até que moram nesses locais. Nas praias... Especialmente do Leblon e Barra acontece a mesma coisa. Todo e qualquer artista que aparece para um banho de mar ou o santo exercício de cada dia é imediatamente clicado. Alguns, em certos casos, chegam até a combinar o “flagrante”. Beneficente Organizada por Fernanda Trondi Bueno, vai acontecer dia 26, a partir das 18h30, no J47 Bistrô, em Campinas, a “Ladies Party”. Uma reunião de amigas que também consiste em arrecadar brinquedos para crianças carentes.
• Globo fechou mesmo a data de 25 de janeiro para exibição do novo “Planeta Extremo”... • ...Mas, em vez de 9 serão 8 episódios, logo após o “Big Brother Brasil”. • Amanhã no cine Olido, em São Paulo, acontece o lançamento do filme “Sonhos de um sonhador”, do cantor Frank Aguiar... • ...Gustavo Leão, que dá vida ao cantor no filme, estará presente... • ...O longa, como detalhe, conta a participação de Chico Anysio, morto em março de 2012. • Santa Catarina, Bahia e Rio de Janeiro receberão gravações do reality “The Bachelor”, nova produção da Rede TV!.
Do outro mundo A figura do chef de cozinha parece que chegou para ‘fritar’, ops, ficar nos programas e também nas novelas da nossa TV. É o caso por exemplo de “Alto Astral”, da Globo, que bem ao seu estilo já se prepara para movimentar um pessoal de avental. Por “seu estilo” entenda-se a chegada de um “fantasma chef”. Já na próxima semana o diretor Jorge Fernando deverá definir a escolha de um ator para fazer esse personagem. O escolhido vai se incorporar em uma pessoa que já está na história, que o público ainda não sabe que é médium.
Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery
C’est fini César Menotti e Fabiano, Bruno e Marrone, Jorge e Mateus, Fernando e Sorocaba, Marcos e Belutti, e João Bosco e Vinicius são algumas duplas confirmadas no especial “Show da Virada”, da Globo. O cantor Lucas Lucco, que participou da “Dança dos Famosos”, também integra o time. A gravação do programa acontecerá nos dias 25 e 26 no Citibank Hall em São Paulo, com direção de Luiz Gleiser. Então é isso. Mas amanhã tem mais. Tchau!
Márcio Braz E-mail: plateia@emtempo.com.br
Manaus, a capital do teatro
FARINHA POWER
FREI CHIQUINHO
JARACOMICS
Manaus sediará em 2016 o 35º Congresso Internacional de Teatro que acontece bienalmente onde, este ano, está sendo sediado na cidade de Yerevan (ou Erevan) capital da Armênia. Não se trata de um festival de teatro com espetáculos, debates etc. O evento é mais político do que artístico, onde cada país tem seus delegados com direito a voz e voto e o núcleo executivo que toma as decisões mais operacionais como aprovação do estatuto, inclusão de novos membros, língua oficial etc. Mas não estão excluídas as apresentações artísticas e os debates que, por sinal, são bem ricas e extensas. Só para citar, na noite do último dia 18 fomos contemplados com o balé “Gayane” do compositor armeno Aram Khachaturian e coreografia de Nina Aleksandrovna Anisimova. Portanto, faz parte do evento as performances, os espetáculos e o debate sobre os mesmos com o público. Outra coisa importante de se destacar é que, apesar de ser um congresso de teatro, as artes performáticas como um todo são a tônica do evento incluindo aí a dança, a performance, a ópera e também a música. Na verdade a divisão destas artes fora feito num universo de poucos séculos pelo ocidente. Em muitos países como China, Japão e Índia, países orientais portanto, quando se fala de ator está se falando naturalmente de tudo o que citamos. Nestes países, o ator é aquele que dança, canta e interpreta regulado por convenções passadas de geração para geração ao longo dos anos. O congresso não retoma o conceito, mas reincorpora ao gênero “teatro” estas performances como veio de uma tradição. O Congresso é operado pelo ITI (Instituto Internacional de Teatro) que é um órgão de mais de 60 anos e está vinculado a Unesco. O objetivo é buscar compreender e solucionar obstáculos para a realização de atividades teatrais em países do terceiro mundo e em áreas de conflito, além de buscar se relacionar com outros grandes centros como França e Estados Unidos, cada qual com seu conflito a ser
superado. São mais de 250 pessoas de todos os continentes que participam do evento. É curioso imaginar, por exemplo, como é fazer teatro no Sudão e descobrir que você reclama à toa da vida. São regiões que convivem com toda a sorte de infortúnios desde guerras, ausências de verbas, fome e regimes políticos insensíveis e ditatoriais. Mas estão lá, cada um a seu modo, mantendo a velha chama acesa. Talvez Manaus e Sidney, na Austrália, sejam as duas únicas cidades que tenham como logomarca um teatro. Mais do que a floresta imensa, os rios caudalosos, as lendas, os mitos, a fauna e flora, existe no meio de tudo isso uma casa de ópera fantástica, orgulho para o povo manauara. Assim como temos um hino que é conhecido por dez entre dez amazonenses que é na verdade trilha sonora de uma peça teatral, “Tem Piranha no Pirarucu”. Ou seja, Manaus é uma cidade teatral, está implícita em sua verve a lógica e o ímpeto que sempre a fizeram cosmopolita, doa a quem doer. Sofremos com os estigmas impostos por políticos malsãos que insistem em reduzir a nossa cultura ao folclore. Folclore este que não nasceu conosco e foi introduzido pelos nordestinos e que tem menos de dois séculos transitando por nós. Agregado portanto a nossa cultura tem sido perniciosamente utilizado para cooptar as massas e fazer disto um populismo tacanho e eleitoreiro, subjugando os brincantes que, em sua maioria ingênuos, se deixam levar pelo espírito destes arruaceiros. No mais, em 2016, o Congresso Internacional de Teatro aportará em Manaus. Será realizado pela Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos – Manauscult, pelo Conselho de Cultura – Concultura, Centro Brasil do ITI e o próprio ITI. Teatreiros do mundo todo estarão presentes; produtores, diretores e gestores discutirão os rumos e as dificuldades superadas ou a serem vencidas em seus países. Uma festa, não?
Márcio Braz ator, diretor, cientista social e membro do Conselho Municipal de Política Cultural.
Talvez Manaus e Sidney, na Austrália, sejam as duas únicas cidades que tenham como logomarca um teatro. Manaus é uma cidade teatral, está implícita em sua verve a lógica e o ímpeto que sempre a fizeram cosmopolita”
Plateia
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Programação de TV
MANAUS, DOMINGO, 23 DE NOVEMBRO DE 2014
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Cinema ESTREIAS
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Sequência do filme de 1982, “Tron – O Legado” será exibido na “Temperatura Máxima”, da Globo
SBT 3h45 Jornal da Semana SBT 5h Brasil Caminhoneiro 5h30 Planeta Turismo 6h30 Vrum 7h Mundo Pet 7h45 Chaves 9h Domingo Legal 13h Eliana 17h Roda a Roda Jequiti 17h45 Sorteio da Telesena 18h Programa Silvio Santos 22h De Frente com Gabi 23h Série: Nikita 0h15 Série: Rizzola & Isles
7h30 Esporte Espetacular 8h33 Fórmula 1: Grande Prêmio do Brasil 10h53 Esporte Espetacular (Continuação) 11h13 Esquenta 12h45 Temperatura Máxima. Filme: Tron – O Legado 15h Futebol 2014: Campeonato Brasileiro - Sport X Fluminense 17h Cinema Especial. Filme: Dr. Dolittle 5 18h Domingão do Faustão 20h Fantástico 22h18 Domingo Maior. Filme: Lara Croſt – Tomb Raider – A Origem da Vida 0h10 Sessão de Gala. Filme: O Homem da Máfia 1h45 Encerramento da Programação (Manutenção Mensal)
1h Série: Pessoa de Interesse 2h Big Bang 3h15 Jogo da Gente 4h Igreja Universal
GLOBO 3h55 Santa Missa 4h55 Amazônia Rural 5h25 Pequenas Empresas, Grandes Negócios 6h Globo Rural 6h55 Auto Esporte
BAND 4h Tartarugas Ninja 5h30 Santa Missa no Seu Lar 6h30 Sabadão do Baiano 7h Power Rangers + Jimmy Neutron 8h30 Minúsculos 8h45 Informercial – Polishop 9h45 Verdade e Vida 10h Irmão Caminhoneiro – Boletim 10h05 Pé na Estrada 10h35 Copa Petrobras de Marcas – Ao Vivo
11h35 Só Risos 12h15 Band Esporte Clube 13h50 Gol: O Grande Momento do Futebol 14h25 Futebol 2014 – Ao Vivo 16h50 3º Tempo 19h Só Risos 20h Polícia 24h 21h Pânico na Band 0h Canal Livre 1h Challenger Tour Finais – Compacto 1h35 Alex Deneriaz 2h10 Show Business – Reapresentação 3h Igreja Universal
REDE TV! 5h30 Igreja Int. da Graça 8h TV Kids 11h Igreja da Graça 12h Fique Ligado 13h En Circuito 14h30 TV Kids 15h15 Sempre Bem 15h45 Concessionário 16h Viagem Cultural by Decolar 16h30 Te Peguei 17h30 Encrenca 19h15 Te Peguei na TV 20h45 Havaí 5.0 21h30 Teste de Fidelidade 22h30 É Notícia 23h30 Bola na Rede 0h30 Te Peguei 1h Igreja Int. da Graça
Jogos Vorazes – A Esperança (Parte 1): EUA. 14 anos. Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) encontra-se no Distrito 13 depois de ter literalmente acabado com os jogos para sempre. Sob a liderança da Presidente Coin (Julianne Moore) e seguindo os conselhos de seus amigos de confiança, Katniss abre suas asas e luta para salvar Peeta (Josh Hutcherson) e toda uma nação movida por sua coragem. Cinemark 1 – 12h, 14h50, 17h40, 20h30 (dub/diariamente), 23h20 (dub/somente sábado), Cinemark 3 – 18h40, 21h30 (dub/diariamente), Cinemark 4 – 11h30 (dub/exceto segunda-feira, terça e quarta-feira), 14h20, 17h10, 20h (dub/diariamente), 22h50 (dub/somente sábado), Cinemark 7 – 12h30, 15h20, 18h10, 21h (dub/diariamente), 23h50 (dub/somente sábado); Cinépolis Millennium 1 – 13h30, 16h30, 19h30, 22h30 (dub/diariamente), Cinépolis Millennium 4 – 12h (leg/somente sábado e domingo), 15h, 18h, 21h (leg/diariamente), Cinépolis Millennium 8 – 12h30, 15h30 (dub/diariamente), 18h30, 21h30 (leg/diariamente); Cinépolis Plaza 1 – 12h30, 15h30, 18h30, 21h30 (dub/diariamente), Cinépolis Plaza 2 – 13h30, 16h30, 19h30, 22h30 (3D/dub/diariamente), Cinépolis Plaza 3 – 14h30, 17h30, 20h30 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 1 – 15h, 18h, 21h (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 4 – 15h30, 18h30, 21h30 (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 5 – 13h30, 19h30 (dub/diariamente), 16h30, 22h30 (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 7 – 14h30, 17h30, 20h30 (dub/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 9 – 13h, 16h, 19h, 22h (dub/diariamente); Kinoplex 2 – 13h20, 16h, 18h40, 21h20 (dub/diariamente), Kinoplex 3 – 13h, 15h40, 18h20 (dub/diariamente), 21h (leg/diariamente), Kinoplex 4 – 20h40 (dub/diariamente), 18h (leg/diariamente).
Cruzadinhas
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 23 DE NOVEMBRO DE 2014
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FOTOS: SÍLVIA CASTRO E ANA CLAÚDIA JATAHY
Sala de Espera
Naturalmente
Os jornalistas Ricardo Nixon e Artur César estão trocando de idade hoje. Os cumprimentos da coluna. Sílvia Pacífico, dona de um astral ímpar, ganhará sessão parabéns da family no endereço do Palácio das Águas, no Adrianópolis. A pizzaria à Bessa é só solidariedade. Carol Mourão está pilotando o “Natal Solidário” com arrecadação de alimentos, roupas e brinbquedos que serão doados aos ribeirinhos do entorno da cidade. Seja generoso e participe, viu? No próximo dia 6, no parque aquático do Olímpico Clube, a Império da Kamélia comemora mais um aniversário, realizando um baile de Carnaval com muito swing carnavalesco. E de quebra, a escolha da Rainha, Rei Momo e Rainha Gay da escola de samba.
Juliana e Charles Garcia com o festejado super-herói-filhão Carlos Eduardo na sessão parabéns que movimentou o Vieiralves
REIRA HERICK PE
Jander Vieira
Maldade
Segundo amigo e leitor da coluna, depois de receber a enxurrada de informações com as cifras altíssimas em dólar, euro e real, o brasileiro hoje sonha e escreve nas cartinhas de pedidos natalinos o seu principal desejo de presentes trazidos pelo bom velinho. Todos querem um cargo na Petrobras. Tem coisa melhor? Veneno de fim de ano só para descontrair.
jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br
Compre agora!
Amanhã, a empresária Hellen Belota estará aniversariando. Vai ter jantar intimista no endereço do Riviera de Ponta Negra. Fernando Coelho Jr. agendou para o próximo dia 4, nas dependências do Diamond, sua tradicional festa de Natal para celebrar seus 30 anos de colunsimo. Uma noite árabe, com sorteio de uma passagem para Marrocos, será o atrativo do festim chic. Agende!
El bonitón Fabiano Ruiz, diretor da Freixenet no Brasil, na noite de apresentação da grife de chamapanhe, exclusiva da Nossa Senhora de Fátima Importadora, no Zefinha Bistrô.
Mayara e Núbia Garcia conferindo o divertido niver do bambino Carlos Eduardo, nos domínios do Boo Loo
Mesmo com a construção de mais dois shoppings em Manaus e com o anúncio de um terceiro grande centro de compras a caminho, é melhor fazer as compras natalinas com antecipação. As filas e a falta de estacionamento nos centros de compras costumam ser enormes e o cliente leva horas para entrar e ainda é pior para sair. O centro da cidade está se tornando uma boa alternativa com a retirada dos camelôs, o que torna o fluxo mais organizado. Isso ajuda na hora de escolher em que lugar comprar. Outro fator importante é a segurança, já que todo mundo quer presente, inclusive os bandidos. Escolha bem e compre agora. É dor de cabeça a menos, acredite.
Mulher de personalidade forte, carismática inegável e determinada desde criancinha, Nejmi Jomaa é um nome forte na cena política amazonense. Por isso, o lançamento de uma chapa composta majoritariamente por ela, para concorrer à Prefeitura de Manaus em 2016 não é exatamente uma novidade para quem acompanha sua trajetória. É algo natural, já que a ex-primeira-dama do Estado reúne qualidades únicas que a tornam uma alternativa viável para a capital do Amazonas. Tem tudo para dar certo.
Festa do bem
Tininha Auzier e Eleonora Nogueira brindando com elegância o evento badalado da Freixenet na cidade
Vazou
Ainda correm em “bocas de matildes”, os “acertos” que o povo que hoje conduz o Caprichoso quer fazer para 2015. O encontro, que era para ser segredo – como se isso fosse possível na Ilha Tupinambarana – vazou e foi parar na internet. Um dos pontos mais delicados da reunião foram as duras críticas que o presidente do Conselho de Artes, Gil Gonçalves, fez ao levantador David Assayag. O assunto veio a público expondo o clima azêdo entre o dirigente e o “imperador”. Agora, o presidente Joilto Azedo quer saber quem foi o “X-9” que soltou as informações. Mistério...
Quer saber qual o melhor lugar do mundo? Os braços de quem ama você. Por isso este amado colunista reunirá no próximo dia 1°, no Zefinha Bistrô, endereço mais que necessário de Selma Reis no Vieiralves, os amigos e os amores para um enorme abraço de confraternização. A data marca 21 anos de colunismo e serve de pretexto para celebrar a união entre a informação social, a opinião crítica e os parceiros que fazem do nome Jander Vieira referência de bom profissionalismo. No fundo é também uma grande festa para se despedir de 2014 e comemorar 2015. Estaremos todos lá. Beijos.
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 23 DE NOVEMBRO DE 2014
Cantor promete um show diferenciado na cidade Alexandre Pires voltará a Manaus em dezembro, desta vez a bordo do “Gigantes do Samba”, show onde o grupo Só Pra Contrariar divide o palco com o Raça Negra DIVULGAÇÃO
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anaus, um público maravilhoso, caloroso, que sempre nos recebe com um carinho enorme. Voltar com o projeto “Gigantes do Samba” é maravilhoso, pois vamos poder apresentar um show com um repertório ainda mais especial”. Quem afirma é o vocalista da banda Só Pra Contrariar (SPC), Alexandre Pires, que se apresenta no dia 6 de dezembro, no Studio 5. SPC e o grupo Raça Negra vão trazer para a capital o projeto “Gigantes do Samba”. O Só Pra Contrariar já esteve em Manaus no fim do primeiro semestre com a turnê comemorativa dos 25 anos de carreira. Agora, retorna para uma apresentação diferenciada. É o que garante Alexandre Pires. O grupo lançou várias hits durante a década de 1990. Em 2002, Alexandre optou por seguir carreira solo, mas para comemorar os 25 anos do SPC, reuniu os antigos companheiros e iniciou uma nova turnê. Paralelamente a esse trabalho, surgiu a proposta do “Gigantes do Samba”. “A turnê dos Gigantes e dos 25 anos do SPC segue até janeiro de 2015. Após isso, retorno à carreira solo e o Só Pra Contrariar também dá o start aos novos projetos com Fernando nos vocais”, afirma.
O show “Gigantes do Samba”, com Alexandre Pires à frente do SPC, será apresentado no Studio 5
TEATRO
Ator tem ‘45 Minutos’ para divertir o público Hoje, às 20h, o Teatro Manauara (Manauara Shopping) será palco para o espetáculo “45 Minutos”, encenado pelo ator Caco Ciocler. O ingresso custa R$ 50 (meia-entrada) e está à venda na bilheteria do local e por meio do site Ingresse.com. Sozinho em um palco vazio, um ator (Caco Ciocler) é obrigado a entreter o público por exatos 45 minutos (tempo mínimo estabelecido para a duração de um espetáculo teatral). Sem uma trama ou personagem no qual possa se amparar, o artista procura, desesperadamente, meios de preencher o tempo. Desejando ardentemente não estar ali, é obrigado a fazê-lo em troca de comida e de um lugar para
viver (mora em um pequeno quarto nos fundos do teatro). Mas durante a obra, que se dá inteiramente em diálogo com o público presente, percebe que algo se evaporou, que a relação de uma obra de arte com a plateia não pode mais se desenhar segundo antigos pressupostos; estamos vivendo uma época para além de todo drama (no sentido clássico), e não sabemos (artistas e público) o que vem pelo caminho. A peça é uma reflexão acerca do lugar e do significado do teatro em nossos dias e uma experiência que critica os fundamentos da cena. Isso é o que a obra instaura, por meio do monólogo escrito por Marcelo Pedreira.
Influência para grupos novos Para o cantor é um prestígio muito grande, mesmo depois de tanto tempo de carreira, ver o público curtindo e cantando as músicas que fizeram sucesso tempos atrás. “Mesmo depois de 25 anos é uma honra encontrar nossos fãs do início da carreira e, ao mesmo tempo, poder ver essa garotada mais jovem curtindo os nossos shows e cantando as nossas músicas”, diz.
A dedicação do grupo, a história do SPC com a evolução do pagode, para ele, deixou frutos que são colhidos agora por novos músicos. “É uma geração que cresceu em outro momento do samba, mas que também se identifica com o SPC. Acredito que isso seja resultado de um trabalho feito com muito carinho e muito respeito pelo nosso público. Bandas atuais lem-
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bram nossos sucessos e isso eu considero um prestígio”, ressalta o mineiro. Os “Gigantes do Samba” já viajaram por diversas cidades brasileiras com um show que tem um setlist entre 40 e 50 músicas e cerca de três horas de duração. Os maiores sucessos das duas bandas são interpretados por Luiz Carlos e Alexandre Pires, que se revezam à frente do microfone. Caco Ciocler encena monólogo no Teatro Manauara