Skip to main content

EM TEMPO - 21 de dezembro de 2014

Page 1

O ‘CURUMIM’ ESTÁ DE VOLTA R$ EXEMPLAR

2,00 DE ASSINANTE

VENDA PROIBIDA PREÇO DESTA EDIÇÃO

98177-2096 DENÚNCIAS • FLAGRANTES

O JORNAL QUE VOCÊ LÊ

ARMA DE FOGO

TER OU NÃO TER?

Atualmente, o porte de arma é restrito a maiores de 25 anos, de comprovada idoneidade e que não respondam a inquérito

A DISCUSSÃO EM TORNO DA LEGISLAÇÃO SOBRE PORTE DE ARMAS E MUNIÇÕES NO BRASIL GANHA NOVO FÔLEGO COM O PROJETO DE LEI QUE REVOGA O ESTATUTO DO DESARMAMENTO. UM DOS PONTOS POLÊMICOS DO PROJETO É A REDUÇÃO DA IDADE MÍNIMA PARA A COMPRA DE ARMAS, DE 25 PARA 21 ANOS. OUTRA MUDANÇA QUE ESTÁ CAUSANDO DEBATES ACALORADOS É A QUANTIDADE DE BALAS A SER ADQUIRIDA POR ANO, QUE PODE SUBIR DE 450 PARA 5,4 MIL, SEM EXIGÊNCIA DE TESTES DE APTIDÃO. APESAR DO REFERENDO DE 2005, NO QUAL 64% DOS BRASILEIROS REJEITARAM A EXTINÇÃO DO COMÉRCIO DE ARMAS E MUNIÇÕES, OPINIÕES SE DIVIDEM. POLÍTICA A5, ECONOMIA B4 E B5 E DIA A DIA C1 A C3

DIVULGAÇÃO

CINEMA

Brasil está fora do Oscar 2015

28 POLÍTICOS

CRESCE O MAR DE

LAMA DA PETROBRAS Os 28 políticos envolvidos no suposto esquema de pagamento de propina envolvendo a Petrobras serão denunciados em fevereiro. Eles foram citados pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, em depoimentos sob acordo de delação premiada. A relação inclui ministro e ex-ministros do governo Dilma Rousseff, deputados, senadores, governador e ex-governadores. Última Hora A2

O longa “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho” está fora da disputa pelo Oscar de melhor filme estrangeiro. O filme era o escolhido do Brasil para tentar uma vaga. Plateia D8 IONE MORENO

REPRODUÇÃO

ANO XXVII – N.º 8.574 – DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO

Paulo Roberto com Edson Lobão e Roseana Sarney, dois nomes citados na lista da propina

JUDÔ

Rafaela é fera nos tatames

WILKER BARRETO

‘O problema da Câmara é estrutura’ Eleito para presidir a Câmara Municipal de Manaus a partir de janeiro, Wilker Barreto (foto) afirma que vai governar para situação e oposição. Com a palavra A7

Aos 21 anos, a judoca amazonense Rafaela Barbosa (foto) garantiu vaga na seleção brasileira e tem grandes chances de participar dos jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. Pódio E4 e E5

Líder cubano Raúl Castro ganhou a simpatia de vários países nesta semana quando ele e o presidente americano Barack Obama puseram fim a um hiato de 53 anos entre EUA e Cuba. Mundo B7

Festa em Cuba

HOJE É DOMINGO Sophia Loren (foto), Marlene Dietrich, Ava Gardner serviram de inspiração para as novas tendências em acessórios como braceletes, colares e brincos.

O escritor britânico China Miéville visita um tópico dos contos dedicados a essa temporada – o roubo do espírito natalino – e o relê em chave política.

FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICAS, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA E ELENCO.

O site Imóvel Turbo reúne negociações entre corretores, imobiliárias e construtoras. O resultado são vendas fechadas dez vezes mais rápidas. TEMPO EM MANAUS

MÁX.: 32

MÍN.:

25


Última Hora

A2

MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014

Lista de políticos citados reforça a criação de CPI Líderes reagiram com cautela à revelação de Costa e afirmaram que é preciso aguardar os nomes que ainda surgirão FOTOS: DIVULGAÇÃO

Renan Calheiros, presidente do Senado, Antonio Palocci, ex-ministro dos governos Lula e Dilma e Edison Lobão, ministro das Minas e Energia, estão na lista do escândalo da Petrobras

A

revelação da lista dos 28 políticos citados pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa no esquema de corrupção na estatal reforçou o discurso da oposição apontando a necessidade de criação, já no início de 2015, de uma nova Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). Líderes do bloco oposicionista no Congresso avisam que farão a coleta de assinaturas em janeiro para que o pedido de instalação seja protocolizado na primeira semana de fevereiro, logo após a posse dos novos parlamentares. O líder do PSDB, deputado Antonio Imbassahy (BA), acredita que a divulgação da lista pelo jornal O Estado de S. Paulo leva a um caminho inevitável: a continuidade e o aprofundamento dos trabalhos da CPMI da Petrobras, encerrada dia 18. Os líderes reagiram com cautela à revelação de Cos-

ta e afirmaram que é preciso aguardar os nomes que ainda surgirão com a delação do doleiro Alberto Youssef e da investigação dos que se relacionavam com os ex-diretores da Petrobras Renato Duque e Nestor Cerveró. “O volume de negócios é muito grande, então imagino que essa lista será muito maior”, observou o líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR). Congresso engessado O líder da Minoria no Congresso, deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), pediu que a Justiça Federal agilize a confirmação de todos os envolvidos no esquema. Para ele, o sigilo destas informações tornará “inviável” o funcionamento do parlamento em 2015. “Não é questão de fazer préjulgamento, mas não podemos ficar nessa situação constrangedora com várias listas ainda sob sigilo e comprometer o funcionamento do Congresso

Nacional. Não é hora de ‘fulanizar’ ou saber se é a lista do Paulo Roberto ou do Renato Duque. Precisamos saber o mais rápido possível a totalidade dos políticos citados”, disse Caiado em nota. “Vamos ter no início do ano que vem a eleição das mesas diretoras da Câmara e Senado. Imagina se um membro eleito da mesa é envolvido nesse escândalo desgastando o Congresso e engessando seu funcionamento?”, ponderou o deputado. Em nota, o PSDB defendeu que as denúncias sejam investigadas independentemente de filiação partidária dos envolvidos. Os políticos que estão envolvidos no esquema de propinas da Petrobras serão denunciados somente em fevereiro, após o recesso do Poder Judiciário. O atraso na consolidação dos nomes é justificada pela homologação da delação premiada de Alberto Youssef.

Envolvidos em corrupção PT Antonio Palocci - ex-ministro dos governos Lula e Dilma Gleisi Hoffmann - senadora (PR) e ex-ministra da Casa Civil Humberto Costa - senador (PE) e líder do PT na Casa Lindbergh Farias - senador (RJ) Tião Viana - governador reeleito do Acre Delcídio Amaral - senador (MS) Cândido Vaccarezza - deputado federal (SP) Vander Loubet - deputado federal (MS) PMDB Renan Calheiros - presidente do Senado (AL)

Edison Lobão - ministro de Minas e Energia Henrique Eduardo Alves presidente da Câmara (RN) Sérgio Cabral - ex-governador do Rio de Janeiro Roseana Sarney - ex-governadora do Maranhão Valdir Raupp - senador (RO) e 1º vice-presidente do partido Romero Jucá - senador (RR) Alexandre José dos Santos - deputado federal (RJ) PSB Eduardo Campos - governador de Pernambuco de 2007 a 2014 (morto em 2014) PSDB Sérgio Guerra - presidente

nacional do PSDB de 2007 a 2013 (morto em 2014) PP Ciro Nogueira senador (PI) João Pizzolatti - deputado federal (SC) Nelson Meurer - deputado federal (PR) Simão Sessim - deputado federal (RJ) José Otávio Germano deputado federal (RS) Benedito de Lira senador (AL) Mário Negromonte - exministro de Cidades Luiz Fernando Faria - deputado federal (MG) Pedro Corrêa - ex-deputado federal (PE) Aline Lemos de Oliveira - deputada federal (SP)

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

PERIQUITOS

Laudo pericial descarta veneno SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO

O laudo técnico realizado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), sobre a morte de 200 periquitos no dia 27 de novembro, em Manaus, apontou que não houve uso de veneno de rato ou chumbinhos para matar as aves. A informação foi divulgada ontem pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam). De acordo com o diretorpresidente do instituto, Antonio Ademir Stroski, o resultado do exame toxicológico realizado em 20 espécimes

de periquito de asa branca (Brotogeris versicolurus) não é conclusivo. “Foram pesquisados nos cadáveres dos periquitos mais de 150 agrotóxicos e foram encontrados níveis residuais” de três tipos. Mas não sabemos se a quantidade seria necessária para matar os animais”, disse. Para a gerente de fauna do Ipaam, Sônia Canto, é necessário prosseguir nas investigações, agora no ponto de vista de duas linhas de condução, mortes por doença biológico ou virose ou/e atropelamento. Segundo ela, se existem possibilidades, estas devem

ser investigadas mais profundamente, o que deve ocorrer a partir de janeiro. “Ainda está sendo feito um estudo patológico que pode nos dar uma orientação da causa da morte dessas aves, mas não há previsão de quando ficará pronto”, frisou. Os mais de 200 periquitos de asa branca foram encontrados mortos, na avenida Efigênio Sales, situada na Zona Centro-Sul de Manaus, no dia 27 de novembro. Três semanas depois, 40 periquitos também apareceram mortos na mesma avenida. O fato ocorreu no último dia 16.

Ações do órgão O Ipaam prossegue a investigação sobre as causas da morte dos periquitos e também está adotando medidas de manejo para proteção desta espécie na área utilizada como abrigo noturno. Entre as ações está a parceria com o Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans), sobre medidas permitidas para reduzir a velocidade dos veículos no trecho da avenida utilizada pela espécie como abrigo, incluindo que os caminhões e ônibus trafeguem pela faixa da direita.

Antonio Stroski exibe o resultado do exame toxicológico


Opinião

MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014

Contexto 3090-1017/8115-1149

A3

Editorial

marioadolfo@emtempo.com.br

opiniao@emtempo.com.br

Só pode ser milagre O Tribunal Superior Eleitoral está candidato à canonização. Deus, que é brasileiro, mas morava em Miami, acaba de arrumar as malas e as cuias e mudar-se para o Planalto Central do Brasil. Por obra e graça do Tribunal Superior Eleitoral, Paulo Maluf, do Partido Progressista (PP-SP) e Francisco Souza (PSC, sigla de Partido Social Cristão do Amazonas), têm seus mandatos garantidos para 2015. Paulo Maluf só pode circular livremente no Brasil. Em cerca de 200 aeroportos fora do Brasil ele está impedido de desembarcar, sob pena de ser preso por crimes que no próprio país não o condenam. “Meus queridos como sempre tenho dito, minha ficha é limpa e mais uma vez a Justiça, por meio do TSE, por ampla maioria, assim decidiu e minha candidatura foi registrada”, comemorou o intocável Maluf. Não se sabe se é sinceridade ou deboche – o que se sabe mesmo sobre Maluf. O TSE impedira sua candidatura, mas quem não chora não mama. Maluf é ficha-limpa com a “maioria” de um voto. No Amazonas, Francisco Souza ciscou e ganhou. Ele, candidato a deputado estadual, “esqueceu” de agregar aos documentos exigidos pela legislação eleitoral, o título de eleitor: não fez a inscrição biométrica. Sem título de eleitor não se tira passaporte, não se recebe salário (em repartição pública), não se consegue emprego e, mais grave, não se pode candidatar a nenhum cargo eletivo. Francisco Souza, que pretende construir uma ponte do porto da Ceasa ao Careiro, pode. Maluf repetiu o seu mantra preferido: “Sempre acreditei na Justiça”. Francisco Souza, que é evangélico, atribuiu seu acesso à Assembleia Legislativa a um “milagre”. Os milagres acontecem quando nem os envolvidos acreditam que seja possível. Miami, em compensação, acaba de ganhar um inquilino também ilustre, Joaquim Barbosa. Só pode ser milagre.

As lições dos periquitos Ainda sobre o “mistério dos periquitos do Ephigênio Sales” , o médico veterinário Diogo Lagroteria, coberto de razão, chama a atenção para um ângulo da questão que poucos perceberam: — O cidadão manauense acordou para um fato: o total descaso com que a fauna e a flora de Manaus são tratadas. De acordo com o veterinário do Ibama, como praticamente tudo na vida tem o seu lado positivo e o negativo consigo, ver uma coisa boa desse episódio que foi muito triste. Natureza morta Lagroteria lembra que todos os dias vários animais são atropelados, eletrocutados, capturados, caçados e maltratados. — Árvores e fragmentos florestais inteiros são dizimados para darem lugar a condomínios, ruas, avenidas, indústrias e todo tipo de empreendimento imobiliário. Mais cinza, menos verde De acordo com o veterinário do Ibama, a “cidade cresce sobre a cidade” sem o planejamento necessário e o mínimo de respeito. — A cada dia temos nas nossas ruas mais carros e menos pássaros, mais cinza e menos verde. Todo santo dia No caso dos periquitos, Diogo Lagroteria cita que todos os dias sem exceção morrem periquitos atropelados lá. — E isso não é de hoje. A média é de 4 a 5 atropelamentos por dia. Triste estatística — Agora façam as contas – desafia Diogo. São 5 animais por dia, vezes 30 dias do mês dá uma média de 150 animais mortos por atropelamento em um mês. Ou seja, em dois meses temos cerca de 300 animais mortos, somente por atropelamento e somente naquele lugar! Rapidão A Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) foi rá-

pida no gatilho. Nem bem a Câmara dos Deputados aumentou seus proventos para R$ 33,7 mil, nossos rapazes também aumentaram os seus para R$ 25,2 mil, cerca de 20% a mais que os atuais R$ 20.042. Isso no apagar das luzes de 2014. Segue o rito De acordo com a Aleam, o ato segue o rito da Câmara dos Deputados, que aprovou aumentos salariais para a presidente da República, ministros de Estado, parlamentares, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o procurador-geral da República (PGR), em 2015. É legal... Nada ilegal, porque o aumento foi dado dentro do que determina o projeto de lei nº 298/2014, que fixa o subsídio salarial para os deputados estaduais no percentual de 75% do valor dos salários dos deputados federais, conforme isonomia salarial constitucional, a partir de 1º de fevereiro de 2015. Mas amoral... É legal, mas amoral. Isto porque os salários dos trabalhadores continuam congelados. O reajuste vale a partir de 2015, quando se inicia a nova legislatura. Os deputados eleitos no último pleito terão direito ao novo salário. Esquisito É também esquisito, porque agora tem neguinho

APLAUSOS

regi@emtempo.com.br

ganhando mais do que a presidente Dilma Rousseff. Enquanto o salário da presidente e de ministros do governo será de R$ 30,9 mil, os dos senadores, deputados, magistrados do STF e o procurador-geral vão para R$ 33,7 mil por mês. Canto do cisne Com um discurso emocionado, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) se despediu do Senado esta semana. Aos 84 anos e mais de 60 na vida pública, ele encerrou o quarto mandato e foi aplaudido de pé. Confesso que vivi Foi uma das mais belas carreiras da história da República brasileira. Simon viveu todos os momentos importantes da história do país. Do movimento estudantil à campanha “Diretas Já”, passando pela Assembleia Nacional Constituinte e a eleição do presidente Tancredo Neves. São Francisco À saída, Simon recitou poema de Manoel de Barros, agradeceu a Deus e fez uma adaptação da “Oração de São Francisco” – de quem é devoto – para resumir sua trajetória política. — Onde vi repressão, lutei para levar liberdade; onde vi tirania, lutei para levar democracia; onde vi corrupção, lutei para levar ética; onde vi impunidade, lutei para levar justiça.

VAIAS

Pedro Simon

Regi

Estacionamento de supermercado DIVULGAÇÃO

DIVULGAÇÃO

Para o senador Pedro Simon (PMDB–RS), que se despediu esta semana do Senado, encerrando uma carreira brilhante de mais de 50 anos. Simon deixa a imagem de um homem público ético, combativo e coerente. O Senado se despediu de um dos parlamentares mais importantes e mais respeitados do país.

Para estacionamentos de supermercados de Manaus que, quando chove, viram verdadeiros piscinões, dificultando a locomoção do consumidor ao descer do carro para fazer suas compras. Alguns empresários pensam que seu estabelecimento comercial deve ser organizado apenas por dentro. Esquecem que a primeira imagem é a que fica!

João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br

Fatos e papos Fernando Henrique Cardoso se disse envergonhado diante de tudo o que está a ocorrer neste Brasil. Naturalmente, se referia aos escândalos financeiros e políticos que se sucedem num ritmo cada vez mais acelerado, que até nos impede de fazer a digestão de um, antes que o seguinte seja servido. Entendo o posicionamento do expresidente, pois eu também, como certamente quase toda a população, sinto-me intimamente atingido pelo sentimento de vergonha. E quando penso nos meus filhos, uma vivendo num outro mundo, e mais ainda nos meus netos e netas, mais me sobe pela garganta aquele misto de repulsa e de raiva, por me sentir exposto, como se também tivesse, só por ser brasileiro, responsabilidade sobre fatos tão ignominiosos. Do outro lado do estádio, lá onde se concentra a outra torcida, interessada mais em se justificar e, sobretudo, em preservar sua força e a força do seu grito, lá, como uma maestrina (há quem diga que mais como boneca de ventríloquo), Dilma, a “presidenta”, vem, de modo público, declarar que esse (esquece que são esses e não apenas esse) não é o primeiro e nem o único escândalo a fazer estremecer o Brasil. Que muitos outros aconteceram, mas foram abafados, enquanto agora, segundo ela, pela primeira vez se abriu a fossa e revelou-se o seu conteúdo. Ou seja, apareceu a Margarida, digo, o nauseabundo conteúdo da grande fossa, por mérito dela e do PT. Lamentavelmente, há que ser retificada. Antes de tudo, que fique claro que quem abriu a fossa não foi o seu governo, enquanto poder central, mas sim uma instituição independente no exercício das suas missões, a Polícia Federal, que inclusive tem sido criticada pelo seu partido. Estímulo e até ajuda, a

bendita PF tem recebido de órgãos da imprensa, já que tudo indica que a preferência do outro P, aquele de PT, seria pelo silêncio e pela complacência. Ademais, a memória da “presidenta” parece começar a falhar ou está a exagerar no processo seletivo. Ao deixar de lado o longo período dos governos militares, não escolhidos pelo povo e onde não cabiam denúncias e apurações, será que Dilma esqueceu que as investigações incidentes sobre fatos revelados acabaram por levar à perda do mandato presidencial de Fernando Collor de Melo? Dá para entender o porquê, para ela, é melhor esquecer o que pode ser visto como um perigoso precedente. Esqueceu também que, lá na década de 1950, violentas e impiedosas denúncias, partidas, sobretudo do parlamentar e jornalista Carlos Lacerda, veiculadas diariamente no seu jornal, “Tribuna da Imprensa”, levaram a um desenlace muito mais trágico, ao suicídio do presidente Getúlio Vargas, como alternativa à cassação que se prenunciava. Denúncias e investigações também não faltaram nos tempos da Primeira República e certamente os políticos de hoje têm pleno conhecimento disso. Até revoltas e golpes aconteceram para mudar os rumos da política brasileira, com um nítido divisor de águas em 1930, que separou a Primeira e a Segunda repúblicas, esta última denominada de “Era Vargas”. Sem propósito, portanto, as alegações da Senhora Rousseff. Primeiramente, porque não foi ela quem deflagrou as investigações ou denunciou os fatos. E depois, porque esta não é a primeira vez em que um governo balança e se abala no Brasil, por conta de escândalos e de “malfeitos”, eufêmica palavra tão ao seu gosto.

João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO

Ao deixar de lado o longo período dos governos militares, não escolhidos pelo povo e onde não cabiam denúncias e apurações, será que Dilma esqueceu que as investigações incidentes sobre fatos revelados acabaram por levar à perda do mandato presidencial de Fernando Collor de Melo?”


A4

Opinião

MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014

Frase

Painel VERA MAGALHÃES

Cenário sombrio

É preciso uma nova consciência, uma nova cultura fundada em valores éticos profundos. Temos que criar uma nova consciência de moralidade pública e imbuir deste espírito as atuais e as próximas gerações. Sei que esse é um trabalho de mais de uma geração. Quero ser a presidenta que ajudou a tornar este processo irreversível

O Palácio do Planalto já dá como certo que a Petrobras terá a nota de crédito rebaixada e perderá o grau de investimento no ano que vem devido à crise provocada pelo escândalo de corrupção na estatal. Para auxiliares de Dilma Rousseff, nem a troca de toda a diretoria da empresa será capaz de evitar esse impacto, mas uma escolha acertada é considerada essencial para dar um sinal positivo às agências de classificação de risco. O temor é que o rebaixamento da estatal afete a nota do Brasil. Currículo A busca por um administrador de empresas experiente para comandar a estatal – e não um especialista em petróleo – se justifica porque, para o governo, a missão será provar a saúde financeira da empresa, e não sua excelência técnica. Estabilidade Com a Operação Lava Jato em temperatura máxima, Dilma bateu o martelo de que o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, fica no cargo no segundo mandato. Dupla dinâmica Daiello tem a confiança total de José Eduardo Cardozo, que também fica por pelo menos um ano no Ministério da Justiça. Tensão total Advogados dos presos da Lava Jato relatam que seus clientes estariam sendo submetidos a pressão psicológica para aderir à delação premiada. A senha Uma das ameaças feitas pelos integrantes da forçatarefa, segundo os criminalistas, é: “Vocês vão para Piraquara”, numa referência ao maior complexo penitenciário paranaense. Veja bem Questionados sobre por que, diante disso, não

denunciam a prática à OAB, advogados dizem que é difícil provar a coação, que seria velada e nunca praticada diante de testemunhas. Rei morto A citação de Henrique Alves (PMDB-RN) na delação de Paulo Roberto Costa deu fôlego à defesa feita por parte da bancada do partido de que seja indicado um deputado com mandato para o ministério de Dilma. Rei posto Nesse plano, ganhou força o lobby em favor do deputado Pedro Paulo, que contemplaria tanto a bancada quanto o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, queridinho da presidente. Novo hit... Marcela Temer repetiu na diplomação de Dilma e do vice-presidente Michel Temer, na semana passada, o efeito que provocou na posse de ambos, em 2010: atraiu todas as atenções para seu novo penteado. ... dos salões Se há quatro anos a vice-primeira-dama lançou a moda da trança lateral, desta vez apareceu mais loira e com um rabo de cavalo com topete “moicano chique”. A ex-

pectativa agora é para o look da nova posse. Tá difícil Um dos motivos que fizeram o PSDB aderir à candidatura de Julio Delgado (PSB-MG) à presidência da Câmara foi o relato feito aos tucanos pelo presidente pessebista, Carlos Siqueira.

Dilma Rousseff, na cerimônia de diplomação, quinta-feira 18, a presidente reeleita discursa por uma nova “moralidade pública”, para um país imerso no escândalo da Petrobras.

Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br

Tá difícil 2 O dirigente da sigla disse que os governadores do PSB estavam sofrendo forte assédio do Planalto para voltar ao governo e que as bases do partido corriam risco real de cooptação.

IONE MORENO

Férias frustradas A cúpula do Congresso trabalha com a possibilidade de convocar sessão extraordinária em janeiro para votar o Orçamento de 2015. A tentativa de aprovar o texto nesta segunda-feira tem chances remotas de vingar, segundo líderes. Saldão de verão Para tentar garantir quórum em pleno recesso, governo e líderes tentarão convencer deputados e senadores que não se reelegeram de que a ajuda pode ser a última oportunidade de empenhar suas emendas.

Tiroteio

Quanto tempo exige a construção de um conjunto de residências populares do tipo Minha Casa, Minha Vida, Viver Melhor ou Prosamim? Bem mais, muito mais, do que se derruba uma porção de floresta e se ergue um condomínio, como se diz, da noite para o dia. Com direito a igreja, padaria... Existe um tipo de mão de obra especializada fora do mercado formal.

Dom Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br

Alckmin perdeu a oportunidade de reduzir a violência policial contra manifestantes. Fica a marca de um governo pouco democrático.

Fronteira

DO VEREADOR PAULO FIORILO, presidente do diretório paulistano do PT, sobre decisão do governador de vetar a proibição do uso de balas de borracha pela PM.

No terceiro domingo do Advento, a igreja que vive no Alto Solimões reuniu-se na catedral em Tabatinga para acolher dom Adolfo, nomeado pelo papa Francisco bispo coadjutor da diocese, que é a igreja local presidida por um bispo em comunhão com o bispo de Roma, garantindo assim a sucessão apostólica e a catolicidade. A celebração mostrou a vitalidade da igreja naquela região de tríplice fronteira. Uma igreja que há mais de vinte anos vem sendo presidida por dom Alcimar, filho da terra, homem de coração imenso e cheio de sonhos que lutou para transformar em realidade, num mundo especial e desafiador, a fronteira. Durante a celebração, no momento em que se prepararam as oferendas, entraram as três bandeiras, do Peru, da Colômbia e do Brasil. Elas lembravam que naquela mesorregião convivem três nações que por sua vez também são multiétnicas com a presença de povos originários de todos os lados das fronteiras. A fronteira divide e separa, mas também une. As regiões de fronteira têm enormes desafios sociais, econômicos, morais, administrativos, religiosos e assim por diante, mas ao mesmo tempo criam partilha, conhecimento do outro, troca de saberes, criando a possibilidade de um mundo novo onde se vive a universalidade e a fraternidade universal, tornando as diferenças fatores de enriquecimento mutuo e de humanidade verdadeira. A igreja tem se esforçado para ser no coração da Amazônia uma presença redentora, formando comunidades, transmitindo a doutrina, celebrando os sacramentos, mas também promovendo as pessoas socialmente com

Contraponto

Dança da chuva Muitos caciques políticos ficaram com medo dos índios que foram à Câmara acompanhar a votação da PEC 215. Barrados na portaria, os índios não arredaram pé e fizeram danças e fogueiras. Na noite de terça-feira, o temporal que caiu em Brasília deixou parte da Casa sem energia até o dia seguinte. Isso provocou até o cancelamento da sessão da comissão que discutia a PEC. – Foi a pajelança dos índios – comentou um ruralista. – É, eles têm uma relação com a natureza mais íntima do que a nossa – explicou o deputado Padre Ton (PT), presidente da Frente Parlamentar Indigenista. Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”

CENTRAL DE RELACIONAMENTO Atendimento ao leitor e assinante ASSINATURA e CLASSIFICADOS

Diretor de Redação Mário Adolfo marioadolfo@emtempo.com.br

3211-3700 assinatura@emtempo.com.br classificados@emtempo.com.br

REDAÇÃO

Editora-Executiva Tricia Cabral — MTB 063 tricia@emtempo.com.br Chefe de Reportagem Michele Gouvêa — MTB 626 michelegouvea@emtempo.com.br

3090-1010 redacao@emtempo.com.br

CIRCULAÇÃO

3090-1001

Diretor Administrativo Leandro Nunes administracao@emtempo.com.br Gerente Comercial Gibson Araújo comercial@emtempo.com.br

circulacao@emtempo.com.br Norte Editora Ltda. (Fundada em 6/9/87) – CNPJ: 14.228.589/0001-94 End.: Rua Dr. Dalmir Câmara, 623 – São Jorge – CEP: 69.033-070 - Manaus/AM

Gerente de Marketing Aline Nobre alinenobre@emtempo.com.br EM Tempo Online Yndira Assayag — MTB 041 yndiraassayag@emtempo.com.br

DO GRUPO FOLHA DE SÃO PAULO

www.emtempo.com.br

Presidente: Otávio Raman Neves Diretor-Executivo: João Bosco Araújo

@emtempo_online

/amazonasemtempo

/tvemtempo /

Os artigos assinados nesta página são de responsabilidade de seus autores e não refletem necessariamente a opinião do jornal.

projetos de desenvolvimento sustentável, cooperativas, educação, ação social. Num esforço constante de cooperação cedeu muito dos seus espaços para a construção de prédios públicos, consciente que o serviço público é essencial para a cidadania, e que só cidadãos livres e conscientes podem construir uma sociedade justa e fraterna que supere as fronteiras geográficas. A proximidade do Natal nos faz lembrar que o mistério fundamental do cristianismo foi o rompimento de fronteiras, a maior delas a que separa a divindade da humanidade. Em Jesus Deus se fez Homem, e nele temos acesso ao Absoluto. Podemos chamar a Deus de Pai. Jesus superou a divisão entre escolhidos e infiéis quando por sua Cruz deu origem a um só Povo, o povo da Nova Aliança, onde não existe mais judeu nem grego, nem escravo, nem livre, nem homem, nem mulher, mas todos são irmãos e irmãs, bebendo do mesmo Espírito. Este é o mistério do Natal. Celebrar o Natal é colocar-se em atitude de adoração diante do Mistério exigente e transformador que exige conversão e mudança de atitude, e que ao mesmo tempo alimenta a esperança, que não é otimismo inconsequente, mas fé num novo céu e numa nova terra que estão em gestação a partir do momento que o Verbo se fez Carne e habitou entre nós. Não é fácil viver nas fronteiras, elas incomodam e criam situações difíceis, mas só quem estiver disposto a conhecê-las e superá-las encontrara o Mistério que está escondido no Outro. Que o povo fronteiriço nos ajude e nos ensine a sermos mais humanos, como Deus quis ser.

Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus

A igreja tem se esforçado para ser no coração da Amazônia uma presença redentora, formando comunidades, transmitindo a doutrina, celebrando os sacramentos, mas também promovendo as pessoas socialmente com projetos de desenvolvimento sustentável, cooperativas, educação, ação social”


Política

MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014

A5

Deputados divergem sobre a Lei do Desarmamento

Assunto polêmico, a lei que modifica o Estatuto do Desarmamento causou discussões nesta semana entre parlamentares FRAMAPHOTO

ESTATUTO

DO

DESARMAM ENTO

Na última quarta-feira, dia 17, o Senado Federal arquivou o projeto do deputado federal Rogério Peninha, que modifica o estatuto da Lei do Desarmamento. Discussões agora só em 2015 MOARA CABRAL Equipe EM TEMPO

O

Projeto de Lei (PL) 3722/2012, de autoria do deputado federal Rogério Peninha Mendonça (PMDBSC), que modifica o Estatuto do Desarmamento (Lei nº. 10.826/2003), foi arquivado na última quarta-feira (17) no Senado Federal. Após 11 anos em vigor, o Estatuto do Desarmamento passa por prova de fogo na Câmara Federal. A proposta volta a permitir o porte de armas por civis, desburocratiza a compra, torna as taxas de registro e licença até dez vezes mais baratas e aumenta em 50% a quantidade de armamentos que cada pessoa pode ter. O assunto também gerou polêmicas na bancada de parlamentares do Amazonas. Para o deputado Marcos Rotta (PMDB), que segue para Brasília, onde ocupará uma das vagas na Câmara Federal, o assunto é muito importante e deve ser analisado e debatido. Além de ouvir todas as opiniões, respeitando as peculiaridades de cada lugar. “Nós deveremos encontrar os mecanismos necessários para que a democracia seja instituída também nessa questão do desarmamento. O Brasil é um país continental, aqui mesmo no Amazonas nós temos nossas peculiaridades. Eu viajei pela BR-319 e encontrei alguns mateiros que habitam ali às margens da BR, fortemente armados, porque ali é uma área onde existem muitas onças, por haver uma mata selvagem. Então, precisamos avaliar todas essas diversidades”, disse.

Rotta disse que não anda armado, não tem porte de arma e é contra, mas que não pode levar em consideração apenas seu posicionamento pessoal. “Eu preciso ter uma visão macro, estudar e debater bastante esse assunto e principalmente ouvir as mais diversas opiniões possíveis para que a gente possa fazer o nosso juízo de valor. Aquilo que for bom para a sociedade, nós haveremos de encampar dentro da Câmara”, defendeu. Segundo ele, no interior do Amazonas tem os ribeirinhos, os quais não podem ser esquecidos, e que a votação do projeto não deve ser levada apenas pela emoção

POLÊMICA

A proposta da Lei do Desarmamento traz de volta a permissão do porte de armas por civis, desburocratiza a compra e diminui as taxas de registro e licença em até dez vezes de não provocar o desarmamento desenfreado. “Eu sou contra o cidadão se armar, mas isso não me dá o direito de votar contra aqueles que realmente necessitam, principalmente, aqueles que estão nessas áreas diferentes do nosso país, que eles possam ter o direito de usar suas armas, mesmo porque estamos falando às vezes de uma caça que ele precise e, muitas vezes, até para garantir sua sobrevivência”, defendeu. A única mulher na bancada federal amazonense, a de-

putada Conceição Sampaio (PP), demonstrou ser contra a proposta. Ela criticou a proposta e disse que cada vez que o país não consegue enfrentar algo, ele retrocede. Por isso, é preciso ter muito cuidado. “Isso é um retrocesso e é muito perigoso, pois hoje, se a pessoa tiver cumprindo a legislação, ela pode ter uma arma, o problema é que a própria população disse o que queria. E agora querem desfazer algo que foi consultado diante da população”, destacou. Sampaio afirmou que é muito perigoso, diante da realidade que o país passa, onde as pessoas perdem a cabeça com qualquer coisa, além de que as pessoas querem comparar o Brasil com outros países. “Hoje as pessoas perdem a vida por qualquer bobagem, às vezes por um tênis, no trânsito. Todo mundo acaba querendo ser motivado por um estresse do dia a dia. Então, você colocar hoje arma, ainda que passando por todas as regras, ainda assim, eu vejo perigo. Se você der a ela mais uma munição é um perigo”, justificou. O projeto foi arquivado na última quarta-feira, então os defensores da proposição estarão a postos na próxima legislatura. Como o ex-deputado Alberto Fraga (DEM-DF), que volta à Câmara em 2015. Coronel da reserva da Polícia Militar do Distrito Federal, Fraga foi um dos líderes da bancada contrária ao Estatuto do Desarmamento. Na audiência do dia 26 de novembro, ele disse que criticar as armas é “falta de argumento”. “É o cidadão que aperta o gatilho. A culpa não é da arma”, disparou.

Intensificar o controle de armas Para o deputado federal eleito Hissa Abrahão (PPS), o projeto do deputado federal Rogério Peninha Mendonça, que busca revogar o Estatuto do Desarmamento (lei 10.826/03), não pode ser considerado como um avanço no combate à violência. Mesmo em que pese os defeitos na execução da lei, no que diz respeito principalmente à comercialização de munição e armas de fogo, que se mostrou incapaz de reduzir os índicies de criminalidade e extinguir o comércio ilegal e o tráfico internacional de armas. “Armas são instrumentos de morte, não de defesa. Facilitar sua posse e aumentar sua circulação é um grande erro. Os argumentos que sustentam que a violência ocorre por causa de uma população desarmada são falaciosos. Devemos intensificar o controle das fronteiras para

coibir o tráfico internacional e sufocar o crime organizado que controla o comércio ilegal”, justificou Hissa. Segundo ele, por meio dos estudos que fez, o Estatuto do Desarmamento não conseguiu inibir os índices de homicídio por arma de fogo, “porém, não é facilitando o acesso que iremos baixar os índices de homicídio no Brasil. Sou a favor de fortalecer as nossas fronteiras para evitar a entrada de armas ilegais e promover um acesso rigoroso para a posse e porte de armas”, disse. O parlamentar concluiu dizendo que o Brasil é um país cristão e de paz. “A cultura brasileira não é de guerra. Somos um país cristão e apesar dos argumentos em torno da liberação das armas, nossa cultura não é preparada para conviver com armas de fogo”, finalizou. No capítulo “Disposições

gerais”, o projeto diz que o número máximo de armas que o cidadão pode manter em sua propriedade, exceto os colecionadores, atiradores e caçadores devidamente registrados junto ao Comando do Exército, é de “três armas curtas de porte, três armas longas de alma raiada e três armas longas de alma lisa” – na raiada, há ranhuras no interior do cano, para estabilização do tiro. “Não se incluem nestas quantidades as armas obsoletas”, diz o parágrafo único, referindo-se a armas antigas e tornando, na prática, ilimitada a quantidade de unidades para a posse. Na definição de posse ilegal de arma de fogo, o projeto diz: “Possuir, deter, receber, manter, adquirir, fornecer ou ocultar arma de fogo de uso permitido ou restrito, sem registro, no interior de sua residência ou dependência desta, ou no local de trabalho”. ARQUIVO EM TEMPO

Hissa Abrahão destacou que a nossa cultura não está preparada para conviver com armas


Política

MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014

Presidência da Câmara já tem três candidatos

Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

www.claudiohumberto.com.br

Eu conheço o caráter da minha filha. Isto é alguma coisa dirigida” SENADOR JOSÉ SARNEY, descartando o envolvimento de Roseana Sarney no Petrolão

‘Operação Sesi’ livrou Dilma de Gilberto Carvalho Dirigentes do PT fizeram lobby para Gilberto Carvalho virar presidente do Incra, que lida com sem-terras, ou Funai (índios), dois dos grandes abacaxis do governo. Desistiram quando Dilma deixou claro, com seu jeito búlgaro de ser, que não o nomearia nesses cargos nem mesmo para puni-lo, e que sua decisão era afastá-lo do governo. Aí nasceu a “Operação Sesi”, a fim de arrumar uma boquinha para o ainda ministro. Boquinha salvadora Lula conseguiu a boquinha para Gilberto Carvalho com o presidente do Sesi, Jair Meneghelli, veterano petista, ex-CUT e velho amigo. Há oito meses A repulsa de Dilma por Gilberto Carvalho a fez não mais dirigir-lhe a palavra. Só o recebeu em audiência uma vez, este ano: em 8 de abril. Sentando na cadeira Dilma ordenou que Miguel Rosseto confirmasse o convite para o lugar de Gilberto Carvalho na secretaria-geral, criando o fato consumado. Vassalagem Dilmistas convenceram a presidente que Gilberto Carvalho somente é leal a Lula, a quem conta tudo o que se passa no Palácio do Planalto. Bancada do Petrolão tentou ajudar André Vargas A maioria dos deputados da Lista do Petrolão tentou salvar a pele do colega André Vargas (ex-PT-PR), que teve a cassação do mandato aprovada pela Câmara

na semana passada. Dos nove deputados que tiveram seus nomes incluídos na lista negra do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, cinco ignoraram a votação do processo de quebra de decoro. Apenas três foram favoráveis à cassação. Me erra Cândido Vaccarezza (PTSP) e Simão Sessim (PP-RJ) até registraram presença, na cassação de André Vargas, mas escafederam. Tô fora Já Vander Loubet (PTMS), João Pizzolatti (PP-SC) e Aline Lemos de Oliveira (PP-SP) não deram as caras na sessão que cassou Vargas.

Jornalista

A eleição para a Presidência da Câmara e para os demais cargos da Mesa Diretora ocorrerá no dia 1º de fevereiro DIVULGAÇÃO

A6

a se envolver no “caça às bruxas” que tomará conta do Conselho de Ética, em 2015. Queda de braço Além do PT e do PMDB, o PP também entrou na briga para indicar o próximo ministro da Integração. O partido deverá perder o comando do Ministério das Cidades para o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD-SP). Primeiro da fila Ganhou força a escolha de Cássio Cunha Lima (PB) para líder do PSDB no Senado, em 2015. Ele abriu mão do cargo na última disputa, para acomodar o paulista Aloysio Nunes.

Os votos Nelson Meurer (PP-PR) se absteve. Já Alexandre Santos (PMDB-RJ), José Germano (PP-RS) e Luiz Faria (PP-MG) foram pela cassação.

Mandacaru O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), não é exatamente uma unanimidade entre deputados do PMDB, que agora o apelidaram de “Mandacaru”: “Não dá sombra, nem encosto”.

Cargo que fura poço Citado no Listão do Petrolão, o presidente da Câmara, Henrique Alves, ainda espera derrotar no PMDB o deputado Eliseu Padilha (RS), que disputa com ele Secretaria de Portos, que tem nível de ministério.

Roleta russa O governo recebeu com alívio com o Listão do Petrolão, com 28 políticos enrolados no roubo à Petrobras. A denúncia retira os holofotes do Planalto, e mira nos partidos políticos e Congresso Nacional.

Só em 2015 O senador pizzaiolo Vital do Rêgo (PMDB-PB) foi nomeado ministro do Tribunal de Contas da União, mas a posse ficará para o dia 4 de fevereiro do ano que vem, após retorno dos trabalhos legislativos.

No páreo O DEM se prepara para uma disputa pela liderança do partido na Câmara em 2015. Os deputados Mendonça Filho (PE), Onyx Lorenzoni (RS), e Pauderney Avelino (AM) já se movimentam para tentar o cargo.

Caça às bruxas Diante da numerosa lista de políticos enrolados no petrolão, a Câmara terá dificuldades para encontrar deputados dispostos

Pergunta na CPI Lula não vai defender publicamente seu amigo e “faz-tudo” Antonio Palocci, que encabeça o Listão do Petrolão?

PODER SEM PUDOR

Criação divina Quando era presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, certa vez, quase teve um troço de tanto rir. Com ar sério, o 4º secretário da mesa, deputado João Caldas (PR-AL), ensaiou a defesa da nomeação de filhos de políticos para cargos públicos, com faz Severino, “desde que sejam bem preparados”. E arrematou: - Se Deus, que é Deus, quando quis salvar o mundo confiou a tarefa ao filho, por que nós, seus servos, não podemos fazer o mesmo?...

Os candidatos Eduardo Cunha, Arlindo Chinaglia e Júlio Delgado estão disputando a presidência

A

té o momento, três deputados já apresentaram formalmente suas candidaturas à presidência da Câmara dos Deputados para o biênio 2015/2016: Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Júlio Delgado (PSB-MG). Eduardo Cunha afirma que pelo menos 167 deputados o apoiam: “O PRB também está aderindo e temos ainda o PHS. Outros partidos estão programados para aderir. Seremos com segurança o maior bloco para a eleição”. PMDB, PTB, Democratas, Solidariedade e PSC já formalizaram seu apoio a Eduardo Cunha. Todos esses partidos contam com 166 deputados eleitos. Ex-líder do PP, o deputado Arthur Lira (AL) também participou do ato de lançamento da candidatura de Cunha e disse que grande parte da legenda deve votar nele, mesmo sem

apoio oficial. Cunha defendeu uma candidatura que não seja “nem de oposição nem de submissão”. “A candidatura vai defender o direito do governo de governabilidade, porque ele foi eleito para isso, mas vai ser respeitosa com o direito da oposição para fazer o seu papel de debate, como prevê o Regimento”, disse. PCdoB, Pros, PDT e PT declararam apoio a Arlindo Chinaglia, o que somaria 110 votos. Mas o candidato está buscando apoio de outros partidos. “Estou ouvindo bastante, procurando entender as motivações. Felizmente não tenho encontrado restrições no plano pessoal. As circunstâncias da política são normais. Então nós não temos alternativa, vamos permanecer nesse caminho”. Caso seja eleito, Chinaglia ressaltou que a ampliação do contato da Câmara com a

sociedade civil, para identificar as principais demandas da população, será uma das prioridades de sua gestão. Nesta quinta-feira (18), Chinaglia, que é o 1º vicepresidente da Câmara, disse na tribuna do Plenário que sua candidatura à presidência da Câmara não tem o apoio do governo. O deputado Júlio Delgado formalizou sua candidatura na liderança do PSDB. Além dos dois partidos, Delgado conta com o apoio do PV e do PPS. Na legislatura que começa em 2015, os quatro partidos vão somar 106 votos. Delgado afirma que sua candidatura é a única independente, pois nenhum dos partidos que o apoia vai indicar ministros para o próximo governo. “Espero que a gente possa estar começando uma caminhada em busca de uma verdadeira independência do Poder Legislativo”.

AMANHÃ

Orçamento poderá ser votado A Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO) tem reunião agendada para as 14h30 da segunda-feira (22), último dia de atividades do Legislativo antes do recesso parlamentar (23 de dezembro a 31 de janeiro). Deputados e senadores devem tentar aprovar o relatório final do senador Romero Jucá (PMDB-RR) ao projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2015. Para que isso ocorra, terão de ser entregues até a

segunda-feira os dez relatórios setoriais e o próprio relatório de Jucá. Caso os parlamentares consigam concluir a votação na CMO, a proposta orçamentária tem de seguir para ser votada no mesmo dia no plenário do Congresso. Caso contrário, o Orçamento 2015 só poderá ser votado a partir de fevereiro, quando se inicia a nova legislatura. Também está pendente de apreciação pelos membros da CMO o relatório do Tribunal de Contas da União (TCU)

em que constam as medidas saneadoras adotadas e as pendências relativas a obras e serviços com indícios de irregularidades graves executadas com recursos da União em 2013. O aviso 8/14 apresenta informações que vão embasar o voto da comissão quanto à continuidade no repasse de recursos orçamentários a esses empreendimentos. Depois de votado na comissão, o relatório do TCU seguirá para exame do Plenário do Congresso.


Com a palavra

MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014

A7

Wilker Barreto

‘Minha CANDIDATURA NÃO foi empurrada GOELA ABAIXO’

FOTOS: IONE MORENO

ISABELLA SIQUEIRA Equipe EM TEMPO

O

É importante respeitar as diferenças. Acredito que a boa política fica no campo das boas ideias. Quando você passa para o lado pessoal aí você perde toda razão. Sei que terei uma relação bem serena com todos os vereadores da Câmara Municipal de Manaus”

vereador Maurício Wilker de Azevedo Barreto foi eleito na última quarta-feira, dia 17, o novo presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM). Mas, a eleição de Barreto tem uma peculiaridade a mais. Além de ser o novo gestor da casa legislativa a partir do dia 1º de janeiro, assume a função de vice-prefeito de Manaus. Graduado em Economia pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), mestre em Sustentabilidade e Meio Ambiente pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), especialista em Políticas Públicas e Engenharia de Negócios, está em seu segundo mandato como vereador (2009/2012 e 2013/2016). Líder do Partido Humanista da Solidariedade (PHS) e do prefeito na Câmara Municipal de Manaus, Barreto tem como maior desafio angariar a confiança dos seus pares e fazer uma gestão limpa e sem brigas. Em sua primeira entrevista como presidente eleito, Barreto afirmou que entre as suas prioridades como presidente está o cumprimento das leis municipais, o avanço na concessão de sinal aberto para a TV Câmara e o investimento no servidor da casa. O parlamentar classificou como democrática a eleição que o tornou presidente. EM TEMPO - O senhor foi eleito com 35 votos dos 41 vereadores. Mas, alguns vereadores se mostraram insatisfeitos com a escolha do seu nome. Como o senhor avaliou essa eleição? Wilker Barreto - Eu vi essa eleição como um processo democrático. Tivemos cinco candidaturas e ainda assim tive a felicidade de contar com 35 votos. Eu tenho percepção da minha responsabilidade, e pretendo conduzir os trabalhos da casa de forma serena, trabalhando com a Câmara cada vez mais próxima da sociedade. Vejo a resistência de alguns colegas como uma forma natural, ninguém é unanimidade dentro de um parlamento. EM TEMPO - Alguns parlamentares afirmaram que a escolha do seu nome foi uma imposição do prefeito Arthur Neto...

WB - Muito pelo contrário, se fosse uma imposição eu seria aclamado. A eleição foi aberta e o voto é de cada parlamentar. Aqui tivemos um processo democrático. Eu tive o trabalho de conversar com cada parlamentar, pedir votos.Minutos antes da eleição eu ainda estava angariando apoio. Agora, é importante respeitas as diferenças. Acredito que a boa política fica no campo das boas ideias. Quando você passa para o lado pessoal, aí você pede a razão. EM TEMPO - Seus pares chegaram a dizer que o senhor era arrogante e pouco maleável. Como irá trabalhar para tirar esse rótulo? WB - Costumo dizer que o papel de líder é um, e quem não gosta de mim são os opositores de tribuna. Eu construí neste período um trabalho de modificação individual com cada parlamentar e sei que terei uma relação bem serena com todos. EM TEMPO - E agora, após eleito, quais serão suas prioridades? WB - O presidente Bosco Saraiva avançou em um projeto que acho de grande relevância para casa, que é a questão da TV aberta.Isso criaria uma grande aproximação da Câmara com a sociedade e vou procurar dar continuidade a isso. Agora, a minha bandeira será a questão do cumprimento das leis municipais. Um dos exemplos disto que estou falando são as leis das filas, que não consegue ser cumprida de forma alguma. A Lei do Estacionamento também não é respeitada. E desta forma, a Câmara Municipal perde 50% do seu objetivo, pois não adianta legislar e não colocar em prática. Porém, não posso esquecer de olhar para dentro de casa, quero avançar na qualidade dos serviços e prestigiar os servidores. EM TEMPO - O senhor falou que entre as prioridades está a questão a fiscalização das leis. Mas, como será possível fazer isso estando na base aliada do prefeito? WB - O que falo em fiscalizar são os projetos de lei e o prefeito sempre nos deixa a vontade para discutir tudo. Estaremos alinhados aos bons projetos para Manaus.

EM TEMPO - No calor da votação, o vereador Marcelo Serafim falou em custo de votos na sua eleição, dando a entender que alguns parlamentares ganharam vantagens para escolher o seu nome. O que o senhor tem a dizer sobre isso? WB - Na verdade, eu quero que ele me explique. Continuo afirmando que divergir politicamente faz parte do parlamento. Na política, tem dias em que se ganha e outros em que se perde, e agora, tive a felicidade de ganhar a presidência. E quero deixar claro que vou governar para situação e oposição e também para os que votaram em mim e também os que não votaram em mim. EM TEMPO - O vereador Elias Emanuel está sendo ameaçado de ser expulso da sigla - o PSB - por ter votado no seu nome. O senhor viu esse gesto dos socialistas como represália? WB - O vereador Elias, que agora será o novo líder do prefeito, mostra de uma forma serena que o que prevaleceu aqui foi a melhor proposta. Em 2012, eu estava viabilizado politicamente para ser o presidente da casa, mas naquele momento, o prefeito Arthur em uma conversa muito franca comigo explicou as mudanças de planos e entendi. Não me arrependo de ter declinado da candidatura naquela época. E nem por isso sai atirando. EM TEMPO - Alguns vereadores do PSBDB, partido do prefeito Arthur, discordaram a princípio da escolha do seu nome. Como está a sua relação com os tucanos? WB - Eu tive quatro votos do PSDB. Tenho uma ótima relação com eles. A questão do diálogo muda, pois agora estou no papel de magistrado. Minha função agora será mediar os debates de forma regimental e traçando metas que são fundamentais. A governabilidade quem costrói é a base. EM TEMPO - O vereador Fabrício Lima, que é da base aliada do prefeito, disputou a presidência junto com o senhor. Isso não foi uma demonstração de insatisfação da base do Arthur? WB - Não, pelo contrário. Aí é que está o fato do grande equilíbrio. O prefeito deixou a

bancada à vontade. Se fosse uma imposição do Arthur, um membro da própria base dele não teria se lançado candidato. EM TEMPO - A sua candidatura tem mais uma peculiaridade, pois além de presidente do legislativo municipal o senhor irá se tornar vice-prefeito. Está preparado para isso? WB - Eu conheco bem o parlamento. Sou do grupo do Arhtur Neto e vou seguir as orientações dele. Não vejo nenhuma dificuldade em assumir a função caso precise assumir o posto de prefeito de Manaus. EM TEMPO - O presidente que saiu avaliava a questão de fazer um concurso para CMM. O senhor segue essa mesma linha de pensamento? WB - Se for possível, sim, mas acredito que o problema da Câmara hoje não é deficiência de cargo, mas, sim, de estrutura. Entre fazer concurso é possível melhorar o salário dos que estão aqui.

Na política tem dias que se ganha e outros em que se perde. Desta vez eu ganhei, mas em 2012 minha candidatura também estava ventilada e eu soube recuar após uma conversa com o prefeito”

EM TEMPO - O novo presidente terá o ônus e o bônus. Qual será a sua principal dificuldade nesta nova função ? WB - Com certeza, será de ficar longe da tribuna. Para quem gosta do parlamento, o hábito de todo dia falar com a população se torna um vício bom. Agora, eu terei que me policiar e todas as vezes que usar a tribuna será para abordar questões relacionadas à casa. EM TEMPO - Após a disputa pela Mesa Diretora, iniciam-se as disputas para as comissões internas do parlamento. O senhor já começou a alinhar isso? WB - Vou deixar para o ano que vem. O Regimento Interno é muito claro, pois envolve questões partidárias. Isso é uma coisa acertada entre os próprios vereadores. Estou na casa há seis anos e nunca vi nenhum problema por conta da presidência das comissões. Agora, é claro que temos opções óbvias como o caso do vereador Álvaro Campelo, que tem um forte trabalho na questão da defesa do consumidor, assim como Mário Frota na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). E isso é reconhecido pelos próprios parlamentares.

Uma das minhas principais bandeiras será a questão do cumprimento das lei municipais. Mas, claro, que não deixarei de olhar para dentro de casa”


A8

Política

MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014


MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014

economia@emtempo.com.br

ALBERTO CÉSAR ARÁUJO

Caderno B

Economia

Embelezamento no orçamento de final de ano Economia B3

(92) 3090-1045

Mercado de Papai-Noel em Manaus ‘vale a pena’

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Apesar das poucas oportunidades, quem se arrisca a se vestir de bom velinho ganha com festas e eventos em casas e lojas SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO

O

período natalino é uma das melhores épocas do ano para as vendas no comércio varejista. Durante esta temporada, há quem aproveite o clima para ganhar um dinheiro extra com um gorro na cabeça, barba branca avantajada, roupas vermelhas com detalhes brancos e botas pretas. Um conjunto próprio para um tempo frio abaixo de zero. Numa cidade quente como Manaus, não há muito espaço para os bons velinhos. Porém, os poucos que se arriscam a entrar no mercado garantem que a renda vale a pena. O amazonense Acácio Roque, há 13 anos se veste de Papai-Noel para fazer a alegria da criançada. Ele explica que os contratos deste ano nos shoppings vão de 9 a 15 dias e o cachê varia de R$ 900 a R$ 1 mil. Conforme ele, logo que começou na profissão a temporada era em torno de 40 dias e 12 horas diárias. “O Papai-Noel ganha bem. Mas este ano diminuiu muito o trabalho”, afirma. Para aumentar a renda durante o período natalino, Acácio conta que fará este ano 16 entregas de presentes em residências de clientes na noite de Natal. Segundo ele, em termos de renda, essas entregas

ajudam, uma vez que, cada uma custa em média R$ 150. “Em cada casa eu fico entre 15 a 20 minutos e me despeço falando que o Papai-Noel tem que ir porque tem as entregas das outras crianças. Falo ainda que na noite de Natal se comemora o nascimento do menino Jesus e o Papai-Noel só traz presente”, explica. Além de Acácio Roque, os

Sempre convidamos amigos para ser o bom velinho, mas nunca aceitam porque acham que algum conhecido vai reconhecê-los Acácio Roque, eletricista e Papai-Noel

três irmãos dele também trabalham como bom velinho. “Todos nós tiramos férias do trabalho para trabalharmos nesta época. Geralmente, começo no dia 6 de novembro, mas este ano eu comecei no dia 21 e meus irmãos no início de dezembro”, conta. No decorrer do ano, ele é eletricista, mecânico de refrigeração e palhaço Gelatina. Os irmãos são vendedor de carro, cobrador e industriário. Para entrar no mercado do

bom velhinho, Acácio e os irmãos foram incentivados pelo palhaço Jujuba. “Tudo aconteceu há 13 anos, quando o palhaço Jujuba encontrou um dos meus irmãos, que na época trabalhava como taxista no DB da Ponta Negra. O palhaço disse que ele tinha cara de Papai-Noel e na hora ele falou que em casa tinha mais três. E assim começou. Desde então trabalhamos todos os anos no período natalino”, afirma. Um dos irmãos de Acácio, Eduardo Roque, 35, trabalha há 11 anos como Papai-Noel. Ele conta que sempre deixa para tirar as férias da empresa onde trabalha durante o ano, em dezembro, só para atuar como o Papai-Noel e ganhar um extra. Conforme ele, a remuneração varia de acordo com cada evento. Geralmente gira em torno de R$ 200 a R$ 500. “Tiro esse mês para complementar um pouco mais a renda”, destaca. Já Acácio diz que fica feliz quando recebe as crianças. Mas frisa que é difícil quando ela pede um brinquedo impossível como, por exemplo, a volta dos pais que faleceram. “Como Papai-Noel não posso prometer nada que não será cumprindo, pois a criança ficará frustrada. Quando ela pede um brinquedo, olho para o pai ou a mãe. Se eles confirmarem que darão o presente, aí sim eu digo que se tiver bom comportamento ela ganhará”, explica.

O Papai-Noel Acácio durante o ano é eletricista, mecânico de refrigeração e palhaço Gelatina RAIMUNDO VALENTIM

Mais que um trabalho, um dom Apesar do trabalho como Noel não ser tão incentivado financeiramente, Acácio comenta que no período de Natal é convidado para participar de vários eventos em lojas, shoppings, escolas, entre outros. “Não falta trabalho nesta época. Trabalhamos todos os dias da semana e em diferentes lugares. Mas em alguns vamos de coração como, por exemplo, nas instituições. “Não abro mão de ir todos os anos na Casa Vida”, diz. Eduardo, por sua vez, conta que o mercado para o Noel “artificial” deu uma enfraquecida. De acordo com ele, os principais shoppings centers da cidade estão contratando pessoas de fora, com barba e bigode naturais para trabalharem nos centros comerciais. “Acredito que é para evitar que a criança puxe a barba

e veja que o Papai-Noel não é de verdade. Mas mesmo assim não falta evento para nós, e é gratificante ver o sorriso e a alegria das crianças”, sustenta. P a r a Acácio, ser Pap a i Noel é um dom, uma vez que não é qualquer pessoa que consegue atuar como o bom velhinho. “O pessoal fala

que é fácil ficar sentando numa cadeira dando tchau, mas quando você veste a roupa é complicado. Se você não gostar do que está fazendo não consegue trabalhar por muito tempo”, aponta.

O Papai-Noel Eduardo diz que os maiores centros de compras contrataram bons velinhos de outros Estados


B2

Economia

MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014

REPRODUÇÃO

Instagram amplia o valor de mercado com Facebook Segundo o Citigroup, crescimento foi de 84% desde que a rede social foi comprada por empresa de Mark Zuckerberg

Com aproximadamente 300 milhões de usuários, Instagram está avaliado em US$ 35 bilhões

O Citigroup, uma das maiores instituições financeiras do mundo, divulgou em um relatório para correntistas, na última sexta-feira (19), que reavaliou o valor de mercado do Instagram para US$ 35 bilhões - anteriormente, a estimativa da empresa era de US$ 19 bilhões. O aumento de 84% se deve

ao rápido crescimento da rede social, adquirida pelo Facebook em 2012 por US$ 1 bilhão, de acordo com a nota. Na semana passada, o Instagram anunciou que atingiu 300 milhões de usuários ativos em todo o mundo - o dobro do que possuía em outubro de 2013. O número é maior

do que o do Twitter, que tem 284 milhões de usuários. Segundo o relatório, apesar da contribuição financeira do Instagram para o Facebook ser mínima, o Citigroup acredita que o serviço pode gerar até US$ 2 bilhões anuais em receita, se for totalmente monetizado.

Twitter tem expansão de 25% no país O Twitter anunciou, na semana passada, que a quantidade de brasileiros que usam a rede social cresceu 25,6% neste ano em relação ao ano passado, maior incremento anual desde 2010. A companhia afirmou em comunicado que a rede também se consolidou como a “segunda tela”, uso em celulares e tablets enquanto assiste à TV: de 62% dos usuários no país que usavam o app no celular ou no tablet em 2013 subiu para 72%. Na divulgação da semana passada, um balanço do ano, a companhia divulgou que a equipe situada no Brasil, um de seus cinco maiores mercados, está composta por 63 funcionários, no Rio e em São Paulo. A operação local foi iniciada em 2012. A empresa fundada em 2006 disse que o pessoal contratado deve ser aumentado em 70% no ano que vem.

TELEFONIA

Interior do Estado tem ofertas da OI A OI lançou ofertas do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) a Manaquiri, no Amazonas. No Estado, a Oi já levou ofertas do PNBL para Manaus, Iranduba e Presidente Figueiredo. A OI oferece PNBL com velocidade de 1 Mbps e custa R$ 35 por mês. Nos Estados em que for concedida isenção de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), a oferta é feita a R$ 29,90 (desconto promocional de 5,47%) mensais. Em ambos os casos, o cliente não precisa pagar pelo modem, cedido em regime de comodato. O cliente tem também a opção de escolher um provedor de acesso gratuito, conforme lista de empresas que atuam em parceria com a OI, ou pagar por esse serviço, caso prefira um provedor que também seja parceiro da companhia e cobre pelo serviço. Adesão Conforme previsto no termo de adesão ao PNBL, o cliente pode optar por oferta de serviços que inclua, além do serviço de banda larga, o OI Fixo.


Economia

MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014

B3

Salões lucram com as festas de final de ano

ARQUIVO EM TEMPO/SHANA REIS

Mulheres amazonenses gastam de R$ 200 a R$ 500 com os cuidados dos seus cabelos, unhas e rostos neste período

Para as mulheres, penteado, maquiagem, manicure e pedicure deixaram de ser gastos desnecessários e passaram a constar como itens obrigatórios do orçamento, principalmente para as festas SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO

A

s mulheres adoram se arrumar e a maioria não têm dó de gastar com produtos e serviços de beleza, principalmente quando chega nesta época do ano, com as tradicionais festas de Natal e Réveillon. Apenas com penteado, maquiagem, manicure e pedicure elas devem gastar mais de R$ 400. Para elas os gastos deixaram de ser supérfluos e se tornaram um novo item do orçamento. A gerente financeira Raiame Mendes, 24, conta que já chegou a gastar, para uma festa de Natal, apenas com penteado, corte e hidratação em torno de R$ 350, sem contar com a limpeza de pele e outros serviços que variam de valor e chegam a ultrapassar a média de R$ 400. “Depende muito do salão que você vai. Um mais renomado, por exem-

plo, gasta-se bem mais que os valores acima”, revela. Para Raiame, em hipótese alguma uma mulher deve sair para uma festa sem pelo menos uma sombra nos olhos ou um pó no rosto. E neste período de final de ano, quando se costuma reunir toda a família, ela destaca que gosta de se produzir de forma diferenciada das outras datas e gasta o que for necessário para se sentir bem, linda e satisfeita. “Essa é a única data que me dou o luxo de gastar um pouco mais com meus caprichos”, diz. A publicitária Andreza Gama, 23, também não deixa de cuidar da beleza nesta época do ano. Segundo ela, geralmente, quando vai ao salão, faz o serviço completo como cabelo, manicure, pedicure, depilação e limpeza de pele. Mas ela gasta no máximo R$ 200. “Eu procuro não gastar muito, já que é só uma noite. Mas só o fato de você

sair de casa e ir confraternizar com amigos e familiares faz esse gasto todo valer a pena”, sustenta. Assim como Raiame, Andreza fala que acha extremamente essencial gastos com beleza, afinal de contas, toda

GASTOS

Estimativa do Instituto Data Popular aponta que este ano os gastos dos brasileiros com higiene e beleza devem chegar a R$ 59,9 bilhões. Desse total, 8% no Norte, 23% no Nordeste mulher sempre quer estar linda. “Eu sou muito vaidosa, principalmente com manicure. Vou ao salão sempre que posso. E sair sem maquiagem realmente não dá. Para nós

mulheres a beleza e o cuidado em si é um bem para a vida”, salienta. Nos salões da Rede Amanda Beauty Center, o penteado custa R$ 120, a maquiagem R$ 120, a pedicure R$ 27, a manicure simples R$ 23, de porcelana e gel (fora a parte da manicure) R$ 160. Sobre as unhas à francesinha é acrescentado R$ 3. Quem escolher todos os serviços, incluindo o serviço mais caro de manicure deverá desembolsar uma faixa de R$ 427. No D&A Hair Design, o penteado e a maquiagem saem a partir de R$ 100, cada. A manicure simples e a pedicure custam R$ 25, cada. Com à francesa sai a R$ 29. A de Acrigel R$ 180. Já no Angel Esthetic & Hair, o penteado custa R$ 120, a maquiagem R$ 120, a manicure R$ 25, com à francesa R$ 30 e de Acrigel R$ 200. A pedicure sai a partir de 25.

Mais tempo e profissionais A rede de beleza Amanda Beauty Center informou que as três unidades ficarão abertas, durante todo este mês e no dia que antecede o Natal e o AnoNovo, conforme os horários de funcionamento dos shoppings Manauara, Millennium e Ponta Negra. Para atender a demanda, novos profissionais foram contratados e 100% do quadro funcional trabalhará todos os dias em cada unidade para atender os clientes registrados neste mês de dezembro. “Trabalhamos com a equipe se empenhando em peso, pois é o mês mais esperado pela empresa e pelos profissionais”, afirma em nota.

A assessoria de marketing do D&A Hair Design, conjunto Vieiralves, informou que há pacotes especiais para formandas ou para grupos de mulheres que vão às festas. A cada cinco amigas que forem se arrumar no salão, o cabelo mais make ficam a R$ 180 por pessoa. Para atender com maior comodidade as clientes, A D&A Hair Design ressalta que conta com um seleto número de profissionais, que estão agendando os atendimentos, em busca de manter o padrão de excelência da empresa. Quanto ao funcionamento neste período, a assessoria informa que será normal, de 8h às 20h.

TABELA DE PREÇOS DOS TRÊS TRADICIONAIS SALÕES DE BELEZA DA CIDADE Amanda Beauty Center (nos shoppings Manauara, Millennium e Ponta Negra) Penteado: R$ 120; Maquiagem: R$ 120; Manicure: R$ 23; Manicure com Francesa: R$ 26; Aplicação de unha de Porcelana e Gel: R$ 160; Pedicure: R$ 27 Coloração: a partir de R$ 150 Hidratação, Nutrição Capilar: sob Consulta Luzes ou Mechas: a partir de R$ 150 Escova: R$ 45 Massagem: a partir de R$ 130 Sobrancelha: R$ 35 Depilação: a partir de R$ 70 Peeling: R$ 180 Banho de Lua: R$ 130

D&A Hair Design (rua Acre, conjunto Vieiralves) Penteado: a partir de R$ 100; Maquiagem: a partir de R$ 100; Manicure simples: R$ 25; Manicure com Francesa: R$ 29; Aplicação de unha de Acrigel: R$ 180; Aplicação de Unha de fibra: R$ 220; Pedicure: R$ 25; Coloração: R$ 180; Hidratação: a partir de R$ 110; Luzes: a partir de R$ 400; Escova: a partir de R$ 55; Massagem: R$ 130 (pacotes de 10 sessões por mil reais); Sobracelha: R$ 40; Depilação: a partir de R$ 15; Banho de Lua: ae R$ 120 a R$ 180.

Angel Esthetic & Hair (rua Nova Prata – antiga rio Juruá, conjunto Vieiralves) Penteado: R$ 120; Maquiagem: R$ 120; Manicure: R$ 25; Manicure com Francesa: R$ 30; Aplicação de unha de Acrigel: R$ 200; Pedicure: A partir de R$ 25 Coloração: A partir de R$ 150 Hidratação: A partir de R$ 150 Luzes ou Mechas: R$ 350 Escova: R$ 50 Sobrancelha: A partir de R$ 30 Peeling: R$ 150 Banho de Lua: R$ 150


B4

Economia

Um mercado pequen Os poucos empresários do segmento reclamam do processo demorado de autorização por parte da Polícia Federal ALIK MENEZES Especial EM TEMPO

P

ode até não ter muita divulgação, mas o segmento do armamento está presente no mercado amazonense há décadas. Em Manaus, não existe uma loja que comercialize exclusivamente armas. Mas esses produtos são responsáveis por até 10% do faturamento de lojas como a Tiro Certo e Jorge Mussa Caça e Pesca, ambas no centro da cidade. Na loja Jorge Mussa, que está presente no comércio amazonense há 46 anos, as pistolas e espingardas são responsáveis por aproximadamente R$ 50 mil do faturamento anual da loja. De acordo com o proprietário do empreendimento, Jorge Mussa Filho, os principais clientes da loja são agricultores, indígenas e policiais. “Quem mais compra hoje aqui conosco são os agricultores, que usam a arma para caçar na selva”, explica o empresário do ramo. Filho conta que as armas mais vendidas são as espingardas calibres 16, 20 e 28, da marca Rossi. Segundo ele, o volume de venda de pistolas são bem inferiores ao número de espingardas comercializa-

das, que chega a somente uma por mês. “Não existe um mês que a gente venda mais. Contudo, no fim do mês as vendas diminuem por conta dos gastos das pessoas com outras coisas, por conta das festas de fim de ano”, comenta. Entre as pistolas mais procuradas, o empresário destaca a PT 938, que custa R$ 3,7 mil, a PT 58 HC PLUS, com o

PREÇOS

Na loja Tiro Certo, o preço das espingardas variam entre R$ 1,5 mil a R$ 6.250. Já no segmento de pistola, a mais barata na loja pode ser comprada por R$ 3.740 e a mais cara chega a R$ 4,7 mil valor de R$ 4 mil, e a PT 59S, que é a mais cara da loja, avaliada em R$ 4,8 mil. Filho afirmou que vende armas para agricultores de todo o Estado e possui uma filial no município de Manacapuru. “Nós até temos essa sede em Manacapuru, mas funciona mais como um expositor. Porque o cliente precisa vir a Manaus para finalizar a com-

ESTATUTO DO DESARMAMENTO pra”, explica o empresário. Na avaliação do proprietário da loja e oficina Tiro Certo, Ataíde Duarte, nenhuma loja amazonense consegue se manter com venda exclusiva de armas e por isso ele investe também na venda de utensílios para a pesca. “Existem muitas dificuldades para vender. O processo de liberação da autorização da Polícia Federal é demorado, por isso muitas pessoas desistem. A gente não vende muitas armas”, afirma. Com sua loja localizada na rua dos Andradas, Centro, Duarte diz, sem falar em valores, que a venda das pistolas e espingardas são responsáveis por apenas 10% do faturamento anual da loja. “Nossa loja completa no próximo mês 30 anos. Eu comecei fazendo manutenção. Aliás, esse é meu carro-chefe. Ninguém se mantém apenas vendendo armas. Elas são 10% do nosso faturamento ao longo do ano”, explicou.

Modalidade classe média alta Presente há alguns anos em Manaus, a prática de tiro esportivo ganha forças na capital amazonense. A modalidade é responsável por até 5% do faturamento anual de algumas lojas como a Sucuri Pesca e Aventura. O segmento é praticado exclusivamente por pessoas da classe média alta, por conta do custo das armas e munições. De acordo com o proprietário da loja, Jorge Gomes, os clientes são pessoas que praticam a modalidade para se distrair e não estão muito preocupados com o custo dos utensílios. Contudo, ele

disse que o público é muito pequeno em Manaus e nenhuma loja consegue se manter no mercado somente com a venda de armas para a prática da modalidade. “Primeiro é importante esclarecer que as munições usadas são chumbinhos. Às vezes, as pessoas confundem com armas de fogo. As armas que eu vendo aqui são para a pura prática de esporte. E o meu faturamento é apenas 5%”, aponta. Gomes contou que não existe um público cativo porque as munições duram bastante tempo e que muitas pessoas até desistem

da prática. “Nosso público nunca é o mesmo. Mas, são sempre da classe média alta. Porque são pessoas que não estão preocupadas com o gasto em si, compram apenas pelo amor ao esporte. Por isso, não é lucrativo trabalhar apenas nesse segmento”, conta. Outra explicação para o segmento não ter tanto destaque no comércio amazonense é que a maioria das pessoas não está disposta a gastar com supérfluo. “O mercado é muito restrito. Aliás, precisa ter tempo e espaço para guardar todo o equipamento”, explica.

Clientes que praticam o tiro esportivo não estão preocupados com o custo do equipamento


B5

no e pouco rentável

DIVULGAÇÃO

Espingardas são procuradas por agricultores que as usam na caça

O volume de pistolas comercializadas nas lojas especializadas é bem inferior ao de espingardas

Comércio de brinquedos em formato de armas está proibido em Manaus por força de lei

Lojas sem armas de brinquedo Por conta da lei municipal nº 180/2007, que proíbe a comercialização de brinquedos em forma de armas como pistolas e espadas, em Manaus, desde o ano passado, as grandes lojas da cidade deixaram de vender esse tipo de produto. Segundo empresários, esse tipo de brinquedo era responsável por até 10% do faturamento dos empreendimentos. Para a gerente de vendas da Hobby Brinquedos, Kellen Nayara, desde a proibição da comercialização, a loja retirou todos os produtos em formato de armas das prateleiras e do estoque. Segundo ela, para muitas crianças amazonenses esse tipo de brinquedo é insubstituível, pois elas demonstram que sentem falta deles. “Quando chegam às lojas

elas sempre procuram por algum briquedo em formato de arma. Não temos como substituir esses brinquedos na imaginação das crianças. E outra, quando os clientes não encontram em lojas grandes como a nossa, fica fácil ele encontrar em várias outras”, afirma a gerente. De acordo com ela, o brinquedo em formato de arma era responsável por aproximadamente 10% da arrecadação da loja e o impacto negativo foi percebido logo no primeiro mês. “O impacto negativo de 10% foi sentido logo no primeiro mês e o pior de tudo é que não tem nenhum brinquedo que preencha essa lacuna”, observa. No ano passado, uma fiscalização realizada por órgãos estaduais e municipais de defesa do con-

sumidor chegou a retirar mais de 1,2 mil brinquedos de grandes lojas da capital amazonense. Na época, empreendimentos como o Planeta das Fantasias e Brinquedos, Locomotiva, Hobby Brinquedos, Americanas, Bemol e Grupo Baiano foram alvo da fiscalização, que retirou 600 unidades de brinquedos em formato de armas. A ação chegou a recolher brinquedos em formato de pistolas do tipo Nerf, que são modelos que soltam dardos. Foram retirados das prateleiras também espadas e outros brinquedos em formato de armas. Na época, os brinquedos foram enviados aos depósitos das lojas. Nenhum dos comerciantes foi multado, pois a fiscalização era de cunho educativo e de orientação aos empresários.

FOTOS: RICARDO OLIVEIRA

MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014


País

MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014

Educação política pode ser adotada em escolas

HABILITAÇÃO

PL reduz número de aulas de direção à noite

Proposta é da deputada Sandra Rosado (RS), que pretende incentivar o protagonismo juvenil por meio de pequenas câmaras deliberativas nas escolas

Tramitação Em caráter conclusivo, o projeto será analisado pelas comissões de Cultura; de Educação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

GABRIELA KOROSSY/AGÊNCIA CÂMARA

E

scolas do país podem ter de desenvolver projetos de educação política com alunos do sexto ao nono ano do ensino básico. O Projeto de Lei (PL) nº7816/14, da deputada Sandra Rosado (PSB-RS), institui o Programa Nacional de Incentivo ao Protagonismo Juvenil, que consiste na eleição de representantes dos estudantes para pequenas câmaras deliberativas. Essas câmaras, pelo texto, deverão organizar-se de acordo com as regras das instituições legislativas – câmaras de vereadores, assembleias estaduais e Câmara dos Deputados. Caberá às câmaras de vereadores dos municípios implementar o programa em nível local. O programa terá frequência anual e será realizado durante o recesso legislativo das respectivas câmaras representativas. De acordo com Sandra Rosado, o objetivo da iniciativa é sanar a ausência de participação e o déficit de representatividade das instituições políticas.

O projeto de lei 7699/14, do deputado Washington Reis (PMDBRJ), quer limitar a apenas uma quantidade de aulas de direção à noite para quem quer tirar a primeira carteira de motorista. Atualmente, o Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9.503/97) exige aulas no período noturno, mas remeteu ao Conselho Nacional de Trânsito (Contran) a competência para fixar a carga horária mínima. Em junho, uma resolução passou a exigir para 25 horas de aulas práticas de direção, sendo 5 horas à noite. Para Washington Reis, a exigência de diversas aulas no período noturno tem apresentado reflexos negativos para a segu-

rança dos candidatos à habilitação. “Não raro, esses candidatos e seus instrutores têm sido vítimas da violência urbana”, afirma o parlamentar. Além disso, Reis ressalta que os acidentes nas rodovias, na grande maioria, são causados por motoristas profissionais e no período diurno. Tramitação O projeto foi apensado ao PL 8085/14, do Senado, que trata de assunto semelhante. As duas propostas, que tramitam em caráter conclusivo, serão analisadas pelas comissões de Viação e Transportes; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Deputada gaúcha pretende sanar a ausência da participação de jovens em instituições públicas

RENATO ARAÚJO/AGÊNCIA BRASIL

B6

Premiação também é prevista Ainda conforme a proposta, após a realização da etapa municipal, devem ser escolhidos, entre os eleitos, os representantes destinados a participar do programa nas capitais dos seus Estados. Nesse nível, as reuniões ocorrerão nas assembleias. Entre os eleitos para a re-

presentação estadual serão escolhidos aqueles que virão a Brasília, para a terceira etapa do programa na Câmara dos Deputados. O projeto prevê ainda a entrega de prêmios especiais aos melhores projetos de lei de estudantes, nos níveis estadual e nacional. O projeto prevê ainda a en-

trega de prêmios especiais aos melhores projetos de lei de estudantes, nos níveis estadual e nacional. O prêmio nacional deverá chamar-se prêmio Hermes Lima, em homenagem ao ex-deputado federal, advogado, educador e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL). Aulas noturnas podem se restringir a apenas uma


Mundo

MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014

B7

Cresce a popularidade de Raúl Castro, após acordo S

aindo da sombra de seu lendário irmão, o presidente cubano Raúl Castro conquistou um triunfo diplomático e um aumento na aprovação popular com o acordo que põe fim a décadas de hostilidade aberta com os Estados Unidos. Para muitos cubanos, a restauração das relações diplomáticas e a promessa do presidente dos EUA, Barack Obama, de anular as sanções econômicas contra a ilha comunista despertaram a esperança de um futuro mais próspero. Tão importante quanto isso, em troca de um prisioneiro norte-americano e dezenas de cubanos pouco conhecidos, Raúl obteve a libertação de três espiões cubanos amplamente saudados em casa como heróis que ficaram presos injustamente nos EUA durante 16 anos. O pacto com Obama nesta semana desencadeou manifestações de apoio na capital Havana. Cada vez mais manifestantes entoam “Viva Raúl!”, uma mudança significativa em um país dominado há tempos pelo vulto de seu irmão mais velho, Fidel Castro.

Enquanto isso, não se vê nem ouve falar de Fidel, recolhido em sua vila de Havana desde que se aposentou. Raúl, de 83 anos, assumiu como presidente em 2008, dois anos depois de Fidel se afastar com problemas intestinais, e embora tenha promovido uma série de reformas econômicas favoráveis

EXALTAÇÃO

O acordo com os EUA, nesta semana, desencadeou manifestações de apoio na capital Havana. Cada vez mais manifestantes entoam “Viva Raúl!”, uma mudança significativa no país dominado por Fidel ao mercado, até agora vinha sendo um líder discreto, a quem claramente faltava o carisma de Fidel. Mas, agora, mais cubanos valorizam seu estilo de liderança. “Raúl Castro está fazendo coisas que Cuba precisa. Muitas pessoas não acreditavam nele, mas seu trabalho está à vista. Ele está mudando o país

sutilmente, sem discursos, e sem se gabar disso”, disse José Fernández, professor de matemática de 55 anos. Como Fidel está aposentado e raramente é visto, qualquer aumento na popularidade de Raúl ajuda a legitimar o governo comunista enquanto os cubanos se adaptam às suas reformas econômicas e, a partir de agora, ao novo relacionamento com os Estados Unidos. Raúl se mostrou mais constante, organizado e empreendedor que seu intempestivo irmão mais velho. Muitos cubanos presumem que Raúl consulta Fidel para tomar grandes decisões, mas ninguém sabe o papel exato do líder da revolução cubana. A imagem dos espiões libertados voltando para casa e abraçando Raúl e seus familiares no aeroporto dominaram a mídia estatal. “Sua popularidade cresceu desde aquele momento”, afirmou Carlos Alzugaray, diplomata cubano aposentado. “Ele foi pragmático, dando a Obama o espaço que precisava para fazer isto acontecer, deixando que Obama aparecesse de maneira favorável. Ele foi muito esperto nisso”.

AFP

Mandatário cubano aos poucos sai da sombra do irmão Fidel. Para a população, Raúl faz coisas que o país precisa

À frente de Cuba desde 2008, Raúl revela ser um presidente organizado e empreendedor

AFP

TUNÍSIA

Em torno de 5,3 milhões de eleitores irão às urnas no segundo turno presidencial

País promove segundo turno hoje A Tunísia fará, neste domingo (21), o segundo turno das eleições presidenciais, entre o líder do partido laico Nidaa Tounès, Béji Caïd Essebsi, e o atual presidente Moncef Marzouki. Aproximadamente 5,3 milhões de eleitores estão aptos a votar para escolher entre Essebsi, que obteve 39,46% dos votos no primeiro turno, ocorrido no dia 23 de novembro, e Marzouki, que teve 33,43% dos votos. É a primeira vez, desde a independência, em 1956, que os tunisianos escolhem livremente o presidente do país. A vitória no primeiro turno de Essebsi, de 88 anos, consolidou os resultados

B07 - MUNDO.indd 7

obtidos nas eleições legislativas de 26 de outubro pelo partido laico Nidaa Tounès, uma coligação heterogênea de militantes de esquerda, sindicalistas, empresários e antigos membros do regime, unidos pela oposição aos islâmicos do partido Ennahda. Essebsi disputa a Presidência com o presidente Moncef Marzouki, de 69 anos, que viveu anos no exílio na França. Ele voltou à Tunísia após a revolução de 2011 e foi eleito presidente interino pela Assembleia Constituinte. Mudanças Estas eleições encerram

o ciclo de transição política iniciado com a revolução de 2011 que depôs Zine el Abidine Ben Ali, que estava no poder há 23 anos. A Tunísia enfrenta importantes problemas de segurança, com forte presença de extremistas e o recrutamento de milhares de tunisianos pelo grupo extremista Estado Islâmico. Esta semana, um grupo dos jihadistas que combatem ao lado do Estado Islâmico reivindicou o assassinato em 2013 dos opositores tunisianos Chokri Bealid e Mohamed Brahmi, cujas mortes desencadearam uma grave crise política no país.

19/12/2014 22:34:40


B8

Mundo

MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014


Caderno C

Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014

diadia@emtempo.com.br

(92) 3090-1041

ESTATUTO

DO

DESARMAM ENTO

TER OU NÃO TER “Você é a favor da proibição do comércio de armas e munição no Brasil?”. Esta é a pergunta que divide a opinião pública na redução dos homicídios no Brasil. Para provar que tem motivos de sobra para derrubar o estatuto, Peninha lembra que nos dez meses de 2005 em que vigoraram as restrições à posse e ao porte de arma e durante a campanha de desarmamento, quando se recolheu, aproximadamente, meio milhão de armas, “os índices de homicídio não sofreram redução”, destacou o parlamentar catarinense. O deputado também citou números do Mapa da Violência 2011. Os dados revelam que, em 2003, foram registrados mais de 50 mil homicídios, “total semelhante ao verificado em 2004 e não divergente dos registrados nos anos seguintes”, completou Peninha Mendonça. Segundo ele, a redução do comércio de armas de fogo e munição caiu 90% no país desde a promulgação do Estatuto do Desarmamento. Acrescentou que, dos 2,4 mil estabelecimentos especializados registrados pela Polícia Federal no ano de 2000, sobraram 280 em 2008. — A redução, comemorada de forma pueril por entidades desarmamentistas, não produziu qualquer diminuição nos índices de homicídio no país. Simples e óbvia, a constatação é que não é a arma legalizada que comete crimes, mas a dos bandidos, para os quais a lei de nada importa” – dispara o parlamentar. O debate seguiu antes do PL ser colocado em votação. A pergunta que divide o país é “você é a favor da proibição do comércio de armas e munição no Brasil?” Em nota, o Conselho Nacional de Segurança Pública (Conasp) argumentou que a revogação do estatuto vai aumentar o índice de homicídios no Brasil.“Revogar o Estatuto do Desarmamento nos coloca na iminência de ter um avanço relevante dos homicídios no Brasil. A arma de fogo é um instrumento de morte, e não de defesa. O Conasp defende a legislação atual como ferramenta em favor da vida”, disse Duda Quadros, representante da Rede Desarma, no Conasp. A votação do PL vinha sendo discutida em clima de temperatura alta e muita polêmica. Marcada para esta quarta-feira, 17, acabou não acontecendo. Com isso, a matéria foi arquivada e só poderá ser discutida na próxima legislatura, ano que vem, caso algum parlamentar peça o desarquivamento. E, com certeza, o deputado Peninha está com o dedo no gatilho para pedir o desarquivamento do projeto.

MÁRIO ADOLFO Equipe EM TEMPO

E

nquanto almoçava com sua mulher e os filhos, o homem foi surpreendido com os gritos de uma de suas funcionárias. “Um homem está forçando o portão!”. Ao correr para o jardim da casa, o proprietário viu um assaltante, tranquilamente, tirando os parafusos e o miolo da fechadura com o auxílio de uma chave de fenda e um revólver na cintura, exibindo abertamente o cabo. Mesmo com os gritos da família, ele continuou a operação. Quando percebeu que, inevitavelmente o portão seria aberto, a mulher, no desespero, pegou seu telefone celular e chamou, em voz alta, o Ronda no Bairro. Só então o assaltante desistiu, correu e entrou na picape que o esperava na esquina da rua. A cena ocorreu em conjunto de classe média alta. Naquele dia, duas casas foram assaltadas depois que as fechaduras do portão foram sacadas. Ao relatar o episódio no Boletim de Ocorrência, o homem declarou que, se naquele momento tivesse uma arma, teria atirado no invasor. Para quem sofre esse tipo de ameaça, a liberação da compra livre de armas pode ser uma “coisa boa”. Para outros, que se intitulam pacifistas e que nunca acordaram com um assaltante armado dentro de casa – ou tiveram o parente ou amigo morto durante um assalto –, o estatuto da arma deve ser mantido. O Brasil decidiu desarmar sua população em 2005, quando foi realizado, no dia 23 de outubro, um plebiscito para saber se a população referendava a proibição da comercialização de armas de fogo e munições, prevista no artigo 35 do Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826, de 23 de dezembro de 2003). O tal artigo dizia o seguinte: “Art. 35 – É proibida a comercialização de arma de fogo e munição em todo o território nacional, salvo para as entidades previstas no art. 6º desta lei“. O resultado final foi de 59.109.265 votos rejeitando a proposta (63,94%), enquanto 33.333.045 votaram pelo desarmamento total (36,06%). O Estatuto do Desarmamento entrou em vigor em 2003. Desde então, o porte de arma ficou restrito a maiores de 25 anos, de comprovada idoneidade e que não respondam a inquérito policial ou a processo criminal. Nove anos depois do plebiscito, o debate volta à tona, com o aparecimento do Projeto de Lei (PL) 3.722/2012, que revoga o Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/03), de autoria do deputado Rogério Peninha Mendonça (PMDB-SC). Conhecida como Estatuto das Armas de Fogo, a proposta argumenta que a redução de 90% no comércio de armas de fogo e munição pós-Estatuto do Desarmamento não refletiu

Um estatuto polêmico Deputado Rogério Peninha, autor do PL que derruba Estatuto do Desarmamento

O Estatuto do Desarmamento, aprovado no plebiscito de 2005, só autoriza que policiais e outros profissionais que precisam da arma para trabalhar circulem armados pelas ruas. O porte ilegal de arma de fogo é crime inafiançável e pode dar até seis anos de cadeia. O projeto de lei de Rogério Peninha, que foi arquivado quarta-feira, 17, na Câmara dos Deputados, tinha como alvo revogar o estatuto, tornando automática a concessão do porte de armas por oito anos para quem cumprir as exigências legais, e permite que as pessoas voltem a circular armadas pelas ruas. O PL reduz de 25 anos para 21 anos

a idade mínima para porte de armas, retira a exigência de justificativa da Polícia Federal e amplia de seis para nove o número de armas de fogo por cidadão. O projeto também eleva a quantidade de munições permitidas anualmente. Passaria das atuais 50 por arma para 50 munições mensais, podendo atingir 5,4 mil munições por ano caso o comprador tenha o número máximo de armas. A maior polêmica está no aumento do número de armas. Muitos questionam para que colocar mais armas nas mãos do cidadão se ele já pode ter seis? O mesmo ocorre com as munições. Para

que tanta bala? Certamente não é para defesa pessoal, porque 5,4 mil munições é muito tiro”, questionou. Antes de ser arquivado, o projeto foi discutido exaustivamente. De acordo com o parecer do relator, deputado Cláudio Cajado (DEM-BA), dados de pesquisas internacionais apontam que os países que permitem o uso de armas de fogo têm menos homicídios. — Ao longo dos últimos 20 anos, as vendas de armas dispararam nos Estados Unidos, mas os homicídios relacionados a armas de fogo caíram 39% durante o período –, afirma o parlamentar.


C2

Dia a dia

MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014

RICARDO OLIVEIRA

Pelo projeto de lei, compra de armas pelo cidadão comum terá menos restrições. Por um lado, a segurança ‘fala alto’. Por outro, a falta de responsabilidade é o grande entrave para a liberação

Abertura para aquisição de armas divide opiniões Projeto de lei facilita a aquisição de armas de fogo pelo cidadão comum, o que gera preocupação e apoio da população FOTOS: RAIMUNDO VALENTIM

ESTATUTO DO DESARMAMENTO IVE RYLO Equipe EM TEMPO

O

Projeto de Lei (PL) que aprova mudanças no Estatuto do Desarmamento e estabelece nova regulamentação para a aquisição, posse, circulação e o porte de armas no Brasil deve ser votado em breve na Câmara dos Deputados, em Brasília. De autoria do deputado catarinense Rogério Peninha Mendonça (PMDB), o PL tem gerado polêmica e dividido opiniões, uma vez que oportuniza ao cidadão, independente de sua atividade, o direito ao porte de armas. Na lei atual, a 10.826, de dezembro de 2003, o porte é permitido a militares das forças armadas, políticos, juízes ou agentes de segurança, e a posse depende exclusivamente da aprovação da Polícia Federal. O estatuto prevê ainda que somente pessoas com idade superior a 25 anos podem adquirir armas, sendo permitido até duas armas curtas, duas armas longas de alma raiada e duas armas longas de alma lisa. Quanto ao registro, a validade é de três anos e o documento não permite o transporte das armas. A taxa de registro ou renovação de registro de arma de fogo é de R$ 60. Já a licença para porte tem validade de um ano e a taxa de expedição ou renovação de licença de

porte de arma de fogo é de R$ 1 mil. O estatuto prevê que a publicidade pode ser feita somente em publicações especializadas. Do outro lado, o novo Projeto de Lei 3.722 de 2012, que tramita na Câmara dos Deputados, concede o porte a qualquer cidadão que comprove aptidão psicológica e técnica, desde que maior de 21 anos. E a posse independe da autorização da Polícia Federal, sendo concedida a qualquer pessoa sem antecedentes criminais. O projeto também defende taxas inferiores e licenças com tempos maiores aos estipulados pelo estatuto. Se a arma for nova, a taxa de registro é de R$ 50, e se usada cai para R$ 20. Além do registro da arma não expirar, ele permite que a arma, desde que desmontada, seja transportada. A validade mínima da licença aumenta de um para cinco anos, e a taxa de expedição ou renovação de licença de porte de arma de fogo é de R$ 100 com a nova lei. Hoje, o estatuto do desarmamento aplica uma taxa no valor de R$ 1 mil. Se aprovada, a lei garantirá ao cidadão adquirir um número maior de armas, sendo três armas curtas, três armas longas de alma raiada e três armas longas de alma lisa. Além de não restringir a publicidade. O projeto de lei também prevê aumento da pena a crimes cometidos com arma de fogo, como o acréscimo em 50% caso seja utilizada um arma com numeração adulterada ou raspada ou se a munição utilizada pertencer às forças armadas. A pena também é acrescida em 50% se o réu já tiver sido condenado por tráfico, furto ou roubo, e se o infrator for funcionário dos órgãos de segurança pública, a pena será duplicada.

Mais de cinco mil armas destruídas

Isailton Farias (à esq.), Susiane Dantas e Fernandes Moura: opiniões divergentes sobre a lei

Armar ou não armar é a questão A possibilidade de revogar o Estatuto do Desarmamento tem dividido opiniões. Para muitos, facilitar à sociedade o acesso às armas é uma forma de cada cidadão garantir sua própria segurança. “Sou a favor de a pessoa ter liberdade e acesso às armas, porque a gente não tem segurança. A polícia não tem condições de fazer o trabalho sozinha. Temos que nos proteger e para isso temos direito de ter uma arma. Os bandidos têm acesso livre e a gente se sente acuado. Sabendo que tem arma em casa, vão pensar duas vezes”, defendeu o vigilante Edmilson Maia, 33. O marceneiro Isailton Oliveira da Silva, 20, também defende livre posse e porte, desde que com algumas restrições. “Cada dia que passa fica pior e a nossa segurança no Estado é muito falha. Então, sou a favor, desde que seja uma situação legalizada, tendo treino e comprovada ha-

bilidade psicológica, para proteção”, afirmou. Acostumado a manusear armas desde pequeno, quando auxiliava o pai na lida na fazenda, o aposentado Fernandes Moura, 74, vendeu o revólver quando foi instituído o estatuto, há 11 anos. “Desde os oito anos de idade, eu tinha arma no Nordeste. Sei trabalhar com arma, sei atirar que jogo um limão para cima e aparo, dou lição para professor de tiro. Meu pai tinha rifle e outros, trabalhávamos em fazenda”, disse. Para ele, a proibição instituída ao cidadão, dito de bem, encoraja a ação dos bandidos. “A Justiça desarma o cidadão e arma o bandido. As pessoas deveriam ter o direito de andar com arma ou ter uma em casa, pedindo licença”, disse. Fiscalização Por outro lado, há quem defenda o estatuto e uma fiscalização mais rígida, que recolha inclusive as ar-

mas das mãos dos chefões do crime organizado. A comerciante Luciê Cândido, 50, questionou a superioridade do poder de fogo das armas que ficam ao alcance do crime. “Acho que arma só gera mais violência e as pessoas vão se sentir mais poderosas. Nem todo mundo está preparado para ter uma arma. Tem que dar um freio nisso, afinal de contas, as armas mais poderosas ficam com os bandidos”, analisou. Diálogo Outras pessoas apontaram que o acesso facilitado pode gerar mais mortes. “Se liberar, vai ter muita morte. Ninguém deveria ter acesso fácil, só as autoridades”, disse a vendedora Susiane Dantas, 26. A idéia é compartilhada pelo soldador Hebert Reis dos Santos, 19. “No meio de uma briga, se tiver arma de fogo, vai piorar o conflito. Arma gera mais violência. O diálogo é a melhor opção”, disse.

Desde 2011, o Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas (TJAM) enviou mais de cinco mil armas para o Exército destruir. No ano passado, foram destruídas 876 unidades e em 2014, 1.596. As armas de fogo e munições - que compõem os inquéritos - são levadas ao 12º Batalhão de Suprimentos do Exército, no quilômetro 53 da rodovia AM-010. Lá, elas são armazenadas em uma máquina trituradora e em seguida derretidas e transformadas em placas de metal. A ação cumpre a resolução nº 134 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de 21 de junho de 2011. Segundo informações do TJAM, não há como precisar a quantidade de processos relativos a porte ilegal de arma de fogo, uma vez que desde 2011, o CNJ mudou a nomenclatura dos processos. Antes, havia uma classe processual chamada “Crime de Porte de Arma”, mas com a mudança foi extinta, e foi incorporada juntamente à “crime”. Ou seja, para saber quantos processos contam com porte ilegal de armas, seria preciso fazer o levantamento de todos os processos criminais existentes e saber quais deles constam com porte ilegal de arma de fogo.


Dia a dia

MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014

C3

Eficácia do ‘armamento civil’ ainda é questionável FOTOS: RAIMUNDO VALENTIM/TJAM,

Decisão de um cidadão por garantir sua própria segurança ainda é um aspecto difícil de abordar, segundo autoridades

Armas apreendidas guardadas em depósito do Fórum Henoch Reis, do TJAM

SELO ESTATUTO DO DESARMAMENTO DANIEL AMORIM Especial EM TEMPO

A

discussão em torno da legislação sobre porte de armas e munições no país ganhou novo fôlego com a retomada do Projeto de Lei (PL) 3722/12, cuja votação, marcada para a última quarta-feira (17), teve de ser cancelada. O projeto revoga o Estatuto do Desarmamento, em vigor há 11 anos. A PL determina a redução da idade mínima para a compra de armas, de 25 para 21 anos de idade. A quantidade de balas que pode ser adquirida por ano sobe de 450 para 5,4 mil, sem a exigência

de testes de aptidão técnica e psicológica. O autor da proposta, deputado federal Rogério Peninha Mendonça (PMDB/ SC), baseia-se no resultado do referendo realizado em 2005, quando aproximadamente 64% da população brasileira “rejeitou a ideia de se extinguir o comércio de armas e munições no país”. Além disso, o deputado ressalta que, em vez de reduzir a criminalidade, a medida apenas facilitou o aumento da violência. A delegada da Polícia Civil e diretora do Campo de Ensino 2, Júlia Belota, afirma que a tese não se sustenta, pois faltam dados científicos que comprovem a eficácia de normas contra ou a favor do desarmamento. “Não sabemos os resultados efetivos do estatuto. Por outro lado, será que o deputado teve a preocupação de

analisar se as causas da violência se resumem ao porte de armas?”, questiona. Na metodologia sugerida pela delegada, fatores como o alto índice de mortes no trânsito devem ser levadas em conta em análises sobre o tema. “Os veículos tornaram-se artifícios letais e poderosos. Enquanto cidadãos, devemos considerar as reais causas da violência, nem sempre ligadas a armas”. Valores Outro aspecto difícil de mensurar é a razão pela qual um cidadão decide optar pela própria segurança. “Isso está ligado a fatores subjetivos. Às vezes, um acontecimento traumático pode ter influência decisiva”, ilustra a delegada. De forma geral, ela atribui o aumento da violência à perda de valores que antes contribuíam para a coesão social.

Este ano, o Exército destruiu cerca de 1,6 mil armas apreendidas em processos do TJAM

Porte permanece restrito hoje “Perdemos noções tão importantes para nós, como família, hierarquia, disciplina e respeito ao outro. Deixamos de olhar as causas para o bem coletivo”, analisa Julia. De acordo com o estatuto, somente policiais e demais profissionais que precisem usar armas para trabalhar têm permissão de circular armados pelas ruas. Atualmente, o porte ilegal de armas de uso restrito é crime inafiançável e o proprietário pode ser condenado a até seis anos de prisão. O chefe de Comunicação Social da Polícia Federal, Darlan Alves, esclarece as diferenças entre arma

apreeendida e irregular. “Porte ilegal pode ser caracterizado quando a pessoa porta uma arma com ou sem registro e não possui o porte. Somente o registro não dá direito ao usuário desse registro portar a arma. Registro é para ter a arma regularizada em casa. Qualquer movimentação dessa arma, de um lugar para o outro, necessita de autorização de transporte expedida pela PF”. A Campanha do Desarmamento, criada na esteira da lei, prevê uma remuneração de R$ 200 a R$ 400 para o tipo de arma entregue pelo proprietário à Polícia Federal. O interessado deve acessar o site da PF (www.

dpf.gov.br) e clicar no ícone “Campanhas”. Ali, a pessoa poderá imprimir uma autorização de transporte da arma da sua casa à PF, sem alteração de trajeto. O valor correspondente poderá ser sacado no mesmo dia da entrega. Neste ano, a campanha arrecadou 65 armas; em 2013, o total foi de 114. Já o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) efetuou, em parceria com o Exército Brasileiro, a destruição de cerca de 1,6 mil armamentos. Essa remessa consistiu em peças de inquéritos policias que estavam armazenados na Divisão de Depósito Público do Fórum Henoch Reis.


C4

Dia a dia

Publicação visa capacitar profissionais do Poder Judiciário para a coleta de depoimentos de crianças vitimizadas

O

Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vai distribuir aos 27 Tribunais de Justiça (TJs) exemplares do Guia de Capacitação em Escuta de Crianças, elaborado pela Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) Childhood Brasil, com o objetivo de capacitar os profissionais dos tribunais na coleta de depoimento de crianças vítimas de violência. A ação é decorrente de uma parceria feita em 2012, por meio da assinatura de um termo de cooperação técnica, entre o CNJ e a Childhood Brasil, com o objetivo de conferir maior respeito e dignidade às crianças e aos adolescentes. Quatro cursos de capacitação de profissionais do Judiciário na escuta de crianças foram realizados neste ano pelo CNJ em diversos tribunais do país. O Guia de Capacitação em Escuta de Crianças foi elaborado durante três anos pela Childhood Brasil, escrito por mais de vinte autores – como juízes, psicólogos, assistentes sociais, professores e outros profissionais da área –, e abrange temas como a

preparação da criança e do adolescente para a entrevista forense, a notificação dos casos de suspeita ou de ocorrências de violência sexual, a atenção integral à saúde de crianças e adolescentes em situação de violência sexual, entre outros. “O guia deve capacitar os profissionais para que tenham mais base teórica e metodológica para realizar a escuta das crianças, além de disseminar uma linha de conduta”, diz Cintia Cristina de Barros, assistente de projeto de depoimento especial da Childhood Brasil. Conteúdo O guia, composto por vinte capítulos, ressalta a importância da Recomendação n. 33 do CNJ, que deve servir de estímulo para que os TJs criem salas de depoimento especial, com a implantação de um sistema de depoimento em vídeo para as crianças e os adolescentes. Esses depoimentos devem ser realizados em ambiente separado da sala de audiências, com a participação de profissional especializado para atuar nessa prática, com o objetivo de facilitar a narrativa da criança.

CNJ/DIVULGAÇÃO

CNJ vai distribuir guias


MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014

C5

FABIO RODRIGUES POZZEBOM/AGÊNCIA BRASIL

s aos tribunais do país Forma de preservar as crianças De acordo com o conselheiro do CNJ, Guilherme Calmon, membro da Comissão Permanente de Acesso à Justiça e Cidadania, a capacitação dos profissionais do Judiciário é muito importante para que a criança não seja revitimizada por meio de escutas repetidas e desnecessárias e, ao mesmo tempo, permitir que o seu depoimento seja mais eficaz. Expressão Para o conselheiro, é preciso permitir que a criança e o adolescente se sintam à vontade para expressar aquilo que de fato houve por meio do depoimento especial. “Normalmente, os servidores ou o próprio juiz está acostumado ao formalismo e a expressões mais rebuscadas que muitas vezes são ininteligíveis pelo leigo, dificultando a escuta adequada da criança”, diz Calmon. Na opinião de Cíntia, da Childhood Brasil, a principal dificuldade atualmente para a escuta qualificada das crianças é a falta de profissionais

capacitados e a escassez de salas de depoimento especial para realizar as oitivas. “Hoje, há no país apenas 46 salas de depoimento especial para crianças e adolescentes, e dois centros de atendimento à criança vítima de violência, situados no Pará e no Rio Grande do Sul”, conta Cíntia. Capacitação Durante o segundo semestre de 2014, o CNJ realizou quatro cursos de capacitação de escuta de crianças e adolescentes em situação de violência sexual em diversos tribunais do país para servidores do Poder Judiciário e, de acordo com o conselheiro Guilherme Calmon, já estão previstos outros cursos similares no primeiro semestre de 2015, com o uso da educação a distância, para permitir que um maior número de servidores possam se capacitar. Os cursos são ministrados pelo Centro de Formação e Aperfeiçoamento do Poder Judiciário (CEAJud) do CNJ em parceria com a Childhood Brasil. Guilherme Calmon, conselheiro do CNJ: capacitação é importante para que as crianças não sejam “revitimizadas” durante o processo


C6

Dia a dia

MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014

AAM divulga balanço de atividades feitas em 2014 A

mobilização estadual para o aumento do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), a ação efetiva junto ao Congresso Nacional para a prorrogação da lei que define os parâmetros da disposição adequada de resíduos sólidos e a criação de um portal para aumentar a transparência de suas ações e integração entre os gestores municipais foram apenas algumas das ações desenvolvidas em 2014 pela Associação Amazonense dos Municípios (AAM). “Em um ano a AAM ficou muito mais dinâmica e atuante junto aos municípios do Amazonas. Foram realizados encontros entre os gestores para que, juntos, discutissem ações que melhorem a qualidade de vida da população dos municípios, como um melhor fornecimento de energia e modernização de sistemas para a administração pública”, afirmou o presidente a AAM, Iran Lima. Este ano foi aprovada pela Comissão de Constituição e de Cidadania (CCJ) do Senado a Proposta de Emenda à Constituição a PEC nº 39/2013, que trata do au-

mento de 1% no percentual do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Com esse percentual os municípios do Amazonas devem receber em 2015 o montante de R$ 30,8 milhões e, em 2016, mais R$ 66,8 milhões. A AAM mandou representantes a Brasília (DF) para acompanhar de perto a votação. Dentre as ações em destaque deste ano pela AAM está a implantação do Urbem, um soſtware de gestão que permite a organização e dinamização de todos os processos administrativos das prefeituras, economizando assim até 701% em gastos com empresas de tecnologia. O programa já está em fase de teste em Presidente Figueiredo e disponível aos 62 municípios do Amazonas. A criação do portal da AAM - www.aam.org.br – foi outro avanço da instituição, que até então não tinha um canal de comunicação direto com a sociedade. “Lá estão disponíveis diariamente notícias de interesse da população de todos os municípios. Em 2015 a AAM continuará atuante, sempre criando alternativas para dinamizar e melhorar a gestão pública”, acrescentou.

JOEL ROSA/ARQUIVO EM TEMPO

Destaque foi para a prorrogação da lei que define os parâmetros para a disposição adequada de resíduos sólidos

Iran Lima, presidente da Associação Amazonense dos Municípios: entidade ficou mais dinâmica e atuante durante este ano


Dia a dia

MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014

C7

Instituto antecipa o Natal de fundações filantrópicas D

uas fundações filantrópicas receberam a visita do “Papai Noel” antecipada. Isso porque o Instituto Novos Caminhos trouxe, também, a sacola de presentes do bom velhinho e agraciou mais de 250 famílias com doações de cestas básicas e kits de higiene e limpeza. Para a Fundação Fonte Viva, localizada no bairro Jorge Teixeira 4, Zona Leste, o Instituto Novos Caminhos doou cem cestas básicas. A doação beneficiou mais de 300 pessoas da fundação entre adultos e crianças que não têm condições, sequer, de cumprir as três alimentações diárias. Outra instituição beneficiada com doações foi o Instituto Socioeducacional Dom Alberto Marzi (Sedam), localizada no bairro Grande Vitória, Zona Leste de Manaus. A fundação recebeu 150 kits de higiene pessoal. Para a presidente e fundadora da Fonte Viva, Glória Rocha, o Natal de pelo menos cem famílias está garantido, graças à doação do Instituto Novos Caminhos, que antecipou a data festiva ao efetuar a doação das cestas básicas. Glória Rocha ressaltou que as cestas básicas foram um presente de Deus, pois muitas famílias não lembram quanto tempo ficaram sem os produtos da ceia natalina para festejar uma das maiores celebrações de fim de ano. “O Instituto Novos Caminhos está proporcionando às famílias um Papai Noel antecipado com direito a ceia natalina em comemoração ao nascimento do menino Jesus. Somos gratos a essa atitude de solidariedade, que é quase inexistente por empresas em nosso Estado”, disse a presidente, ao lembrar que a entidade filantrópica precisa de doações para se manter em funcionamento. Cumprindo o seu papel social nos Estados do país onde tem sede, sendo que no Amazonas

FOTOS: DIVULGAÇÃO

A Fundação Fonte Viva e o Instituto Novos Caminhos receberam cestas básicas e kits de higiene pessoal esta semana a entidade está há um ano com ações sociais, o Instituto Novos Caminhos é uma organização com presença marcante de doações a entidades filantrópicas do Estado. Com isso, o instituto cumpre seu papel como uma organização social. As cestas básicas são compostas de 20 itens como açúcar, arroz, feijão, macarrão, leite, café, biscoitos, óleos entre outros itens. Reforma A festa natalina na Fundação Fonte Viva marcada para este fim de semana ficou mais bonita graças à ajuda do Instituto Novos Caminhos. A organização social presenteou a entidade filantrópica com a reforma do seu prédio. O local não recebia reparos há pelo menos 15 anos. A pintura predial, reforma de portas,

PRESENTE

O Instituto Novos Caminhos presenteou também a Fundação Fonte Viva com a reforma de seu prédio, que não recebia reparos há pelo menos 15 anos, como pintura predial e troca de telhas rebocos, troca de telhas estão entre os problemas básicos da entidade filantrópica e que não eram sanados por falta de recursos próprios. A diretora da fundação ressalta que sem a ajuda do Instituto Novos Caminhos as famílias da Fonte Viva poderiam não ter a ajuda assistencial garantida para o próximo ano. “Se fosse fazer a reforma do prédio ou até mesmo reparos faltaria dinheiro para manter a fundação e as famílias que são beneficiadas por ela”, afirma a presidente da Fonte Viva, Glória Rocha.

Funcionários preparam os kits para entrega nas duas instituições beneficiadas: 250 famílias ganham cestas básicas de Natal

Mais de 300 famílias assistidas A Fonte Viva tem ajudado mais de 300 famílias de diversos bairros da Zona Leste, somente com doações. Fundada há pouco mais de 16 anos, a instituição filantrópica funciona apenas com a ajuda de colaborado-

res voluntários. A dona de casa Rosielda Lima Souza, 37, ressaltou a importância de empresas que ajudam a manter a entidade filantrópica. “Hoje estou recebendo essa ajuda, mas procuro minha indepen-

dência. Amanhã vou fazer pelos outros o que estão fazendo, agora, por mim e minha família”, ressaltou emocionada a dona de casa, que tem como meta fazer doações à Fonte Viva, assim que tiver condições.

Fonte Viva recebeu auxílio do Instituto Novo Mundo na reforma de suas instalações


C8

Dia a dia

MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014


MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014

opiniao@emtempo.com.br

(92) 3090-1010

3 Capa

pintura de Odyr

1

Cartas nada ordinárias

2

O testemunho da ficção

E outras 9 indicações culturais. Pág. 2

Moretti, Piketty e a arte como fonte da história. Pág. 3

Um conto de Natal®

A imaginação do britânico China Miéville. Págs. 4 e 5

4

As voltas do Tigre

5

Do arquivo de Péricles Cavalcanti

6

Diário de Bagdá. Pág. 6

Londres, 1970. Pág. 7

Duas guitarras e um outro som

Romulo Fróes, Kiko Dinucci e Rodrigo Campos. Pág. 8


G2

MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014

Ilustríssima Semana

O MELHOR DA CULTURA EM 10 INDICAÇÕES

BRASILEIRO

LIVROS | MACUNAÍMA NO PALCO A coleção, uma parceria entre a editora e a escola de teatro, que completa 40 anos, traz O Grande Diário do Pequeno Ator, organizado por Debora Hummel e Silvia de Paula, que compila diários de sala de aulas para crianças. Já Um Olhar Através de... Máscaras, de Renata Kamla, recorre a estudos de Stanislávski e Lecoq para discutir o poder da máscara na formação do ator. Outro volume sai ainda este mês, de memórias de Nissim Castiel. Perspectiva | O Grande Diário | R$ 55 | 264 págs.); Um Olhar | R$ 35 | 252 págs.

EXPOSIÇÃO | ARNALDO DIAS BAPTISTA Na mostra “Exorealismo”, o membro dos Mutantes expõe, sob curadoria de Marcio Harum, suas obras ligadas à música. Além disso, há pinturas e desenhos de extraterrestres. galeria Emma Thomas | tel. (11) 30632193 | de ter. à sex., das 11h às 19h; sáb., das 11h às 17h | grátis | até 10/1

EXPOSIÇÃO | JOSÉ DAMASCENO A instalação que dá nome à mostra “Cirandar Todos” – uma das quatro obras inéditas do artista carioca que estão em exposição – é formada por 150 manequins de madeira, de 30 cm de altura, unidos pelas mãos por imãs. O catálogo, com texto de Ligia Canongia, será lançado dia 7/2, às 17h, em conversa aberta entre a curadora, o artista e o professor de filosofia da PUC-Rio José Thomaz Brum. Casa França-Brasil - Rio | tel. (21) 2332-5120 | de ter. a dom., das 10h às 20h | grátis | até 22/2

‘A 100 Dente’ (2013)

EXPOSIÇÃO | WALDEMAR CORDEIRO A retrospectiva “Fantasia Exata” revê 250 trabalhos do artista (1925-73) pioneiro no uso do computador. São obras desde sua fase concretista nos anos 50 até as experimentações dos anos 70, sob curadoria de Fernando Cocchiarale e Arlindo Machado. Paço Imperial - Rio | tel. (21) 2215-2622 | de ter. a dom., das 12h às 18h | grátis | até 1º/3 DIVULGAÇÃO

Folha - O que há de único na arte feita no período da ditadura? Havia repressão, censura, e, sobretudo, autocensura dos artistas, já que os critérios do proibido eram arbitrários. Muitos optaram por arte efêmera, até anônima, em que pudessem realizar algo sem deixar vestígios autorais. As intervenções artísticas lembravam ações de guerrilha urbana. Por que esses três artistas? Eles abordaram a questão política ao mesmo tempo que desenvolveram novas linguagens artísticas. Antonio Manuel com seus flans se apropriou da mídia para denunciar a censura, Barrio criou intervenções com suas trouxas ensanguentadas expondo repressão e violência, e Cildo usou táticas conceituais para interferir no sistema e subverter a ordem. Qual o legado desses artistas? Eles abriram novas linguagens nas artes visuais e mostraram que é possível criar sem cair na arte panfletária, em momentos de repressão política. (ÚRSULA PASSOS)

LIVRO | JIMI HENDRIX POR ELE MESMO Organizada pelo produtor Alan Douglas e pelo documentarista Peter Neal, a publicação reúne textos do guitarrista (1942-70) e entrevistas. A autobiografia monta, como num quebra-cabeça, a história do músico, usando cartas e trechos de diários. trad. Ivan Weisz Kuck | Zahar | R$ 39,90 | 211 págs.; R$ 24,90 | e-book

LIVRO | DELEUZE Coodernado por Sandro Kobol Fornazari, “Deleuze Hoje” compila 31 artigos sobre a obra do filósofo francês (1925-95). São textos sobre as relações do autor com outros filósofos e sobre sua atualidade de professores e pesquisadores da área, como Marilena Chaui e Luiz Orlandi ed. Fap-Unifesp | R$ 80 | 576 págs.

LIVRO | ARTE E DITADURA A “Ilustríssima” fez três perguntas à curadora e historiadora Claudia Calirman, autora de “Arte Brasileira na Ditadura Militar: Antonio Manuel, Artur Barrio e Cildo Meireles”. trad. Dmitry Gomes e Victor Heringer | Réptil | R$ 60 | 240 págs.

POP

ERUDITO

LIVRO | LUIZ TATIT A nova edição de “Todos Entoam - Ensaios, Conversas e Lembranças” traz seis textos que não estavam na primeira publicação, de 2007, além da autobiografia do autor, ampliada e atualizada. O músico e professor de linguística da USP narra ainda, em entrevista organizada por Arthur Nestrovski, suas experiências dos tempos de Vanguarda Paulista e do Grupo Rumo. Ateliê Editorial | R$ 60 | 424 págs.

DIVULGAÇÃO

CINEMA | REPESCAGEM A mostra “Cine Delongas” exibe filmes brasileiros e estrangeiros que tiveram destaque em festivais e nos cinemas. Em sessões únicas, passam longas como “Trabalhar Cansa” (2011), de Juliana Rojas e Marco Dutra e “A Criança” (2005), dos irmãos Dardenne. Sesc Belenzinho | tel. (11) 2076-9700 | dias 23, 26, 30/12, às 10h, 14h, 16h e 19h e 6/1, às 14h e 16h | grátis (retirar ingresso 30 minutos antes)

‘Dia dos Namorados’ (1973)

1

LIVRO | CARTAS EXTRAORDINÁRIAS Estampada na capa, logo acima do título, uma frase define bem esta coletânea, ao compará-la a uma caixa de chocolates. O leitor voyeur – e qual não é, ao menos um pouco? – vira suas páginas como o amante de doces que olha (e come) com igual interesse a trufa mais delicada e o bombom de ameixa abandonado na embalagem. Convivem no volume, ilustrado com fotos e fac-símiles, 125 cartas tão dissimilares como a comovente descrição dos últimos dias do explorador Robert Scott no polo Sul, endereçada não a sua mulher, mas, diante da proximidade da morte, a sua “viúva”, em 1912; a bela exortação feita em 1962 por Sol LeWitt à também artista Eva Hesse: “Trabalhe”, recomendando-lhe que não se deixasse tolher pelas inseguranças e opiniões alheias; e a jocosa carta de 1958 em que três fãs pedem a Dwight Eisenhower, presidente dos EUA, que o Exército poupasse o topete do recém-convocado Elvis Presley. (Francesca Angiolillo) org. Shaun Usher | trad. Hildegard Feist | Companhia das Letras | R$ 99,90 | 368 págs.

ESTRANGEIRO Folha.com QATAR A xeca Moza Bint Nasser AlMissned é o rosto da família que controla o país

Ilustríssimos desta edição ANDRÉ DUTRA BOUCINHAS, 36, é historiador, autor de “Pernambuco em Chamas” (Fundação Joaquim Nabuco) com Rubim Santos Leão de Aquino e FRANCISCO ROBERVAL MENDES. CHINA MIÉVILLE, 42, escritor britânico, autor do romance “A Cidade e a Cidade”, que acaba de sair no Brasil pela Boitempo. DIOGO BERCITO, 26, é jornalista e assina os blogs Mundialíssimo e Orientalíssimo no site da Folha. FÁBIO FERNANDES, 48, é tradutor, responsável por trazer ao português livros como “Laranja Mecânica” (Aleph). KIKO DINUCCI, 37, é compositor e artista visual.

LUÍS AUGUSTO FISCHER, 56, é professor de literatura brasileira da UFRGS e autor de, entre outros, “Machado e Borges” (Arquipélago). ODYR, 47, quadrinista, ilustrou “Guadalupe” (Quadrinhos na Cia.), de Angélica Freitas. PÉRICLES CAVALCANTI, 67, compositor gravado por Gal Costa, Arnaldo Antunes e outros. “Canções” (1991) foi seu primeiro álbum e “Frevox” (Pommelo, 2013) é o mais recente. RAFAEL CAMPOS ROCHA, 44, é ilustrador e cartunista, autor de “O Golpe de 64” (Três Estrelas), com Oscar Pilagallo. ROMULO FRÓES, 43, cantor e compositor paulistano, lançou neste ano “Barulho Feio”, seu quinto álbum solo.

FOLHA.COM/ ILUSTRISSIMA Atualização diária da página da “Ilustríssima” no site da Folha EXTINÇÃO Artigo na revista ‘Nature’ revela que 41% das espécies de anfíbios e 26% dos mamíferos estão ameaçados >>folha.com/ilustrissima


G3

MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014

História

2 Literatura é documento A arte como fonte, em Piketty e Moretti RESUMO O italiano Franco Moretti e o francês Thomas Piketty, em obras de história literária e econômica, retomam projetos de grandes sínteses. Moretti recorre à pintura como fonte documental, enquanto Piketty se serve do romance, do cinema e de séries de TV para abordar questões relativas à desigualdade no capitalismo.

LUÍS AUGUSTO FISCHER ANDRÉ DUTRA BOUCINHAS

A época é de superespecialização, que obriga ao detalhe e tira do radar a visada de conjunto. Grandes sínteses, tramadas em narrativas amplas, parecem ter ficado no passado. Mas eis que duas figuras, vindas de excelentes universidades, apontam na direção oposta. Um é Franco Moretti, italiano, professor em Stanford e já conhecido do público brasileiro por livros como “Atlas do Romance Europeu” (Boitempo, 2003) e “A Literatura Vista de Longe” (Arquipélago, 2008); agora lança “O Burguês - Entre a História e a Literatura” [trad. Alexandre Morales, Três Estrelas, R$ 45, 247 págs.]. O outro era pouco conhecido até que seu livro, fruto de uma pesquisa de 15 anos, saiu em inglês no primeiro semestre deste ano, com enorme repercussão internacional: “O Capital no Século 21” [trad. Monica Baumgarten de Bolle, Intrínseca, R$ 59,90, 672 págs.; e-book R$ 39,90]. O autor, Thomas Piketty, é francês, diretor da Escola de Altos Estudos em

Ciências Sociais e professor da Escola de Economia de Paris. O italiano é um historiador da literatura de grande originalidade, afeito à perspectiva empirista. Alinha-se com Lukács e outros marxistas, como Roberto Schwarz – crucial para Moretti –, mas sem ortodoxia. Já se declarou um darwinista, o que ajuda a entender suas teses principais, voltadas para a análise do modo como a forma romance triunfou. No livro atual, estuda o burguês na ficção, começando com o caso de Defoe e seu “Robinson Crusoé”, passando por Balzac, Flaubert, Jane Austen, entre outros, e alcançando Conrad, Machado de Assis, Giovanni Verga e, numa exceção, o dramaturgo Ibsen. Moretti mostra como certas palavras-chave – “utilidade”, “eficiência”, “conforto”, “ritmo de continuidade” etc. – e certas estruturas narrativas dão substância ao processo de consolidação histórica dessa figura. Piketty está na ordem do dia do debate econômico. A força de seu livro começa no título, que ousa evocar Marx, com bem menos ambição teórica, e puxa o debate para o nosso tempo. Como se sabe, ele demonstra, com números e gráficos acessíveis, a tendência do capitalismo de aumentar a concentração de riqueza. Trata como fantasia a tese da virtude distributiva do mercado autônomo e sublinha que apenas crises prolongadas (como as Guerras Mundiais e a que se seguiu ao crack de 1929) ou a intervenção estatal podem evitar esse movimento. Também mostra, e insiste, que a difusão do conhecimento e o investimento em educação compõem uma força nítida a favor da diminuição da desigualdade. Pretensão demasiada na opinião de muitos, em particular de economistas afeitos ao debate teórico – que não será abordado aqui, porque está muito acima das tamancas dos resenhistas. O foco deste texto está em dois traços fortes do livro. Um deles

RAFAEL CAMPOS ROCHA | Osta, o Ássar

é a sua perspectiva histórica ampla, que descreve a trajetória da desigualdade econômica no Ocidente, em particular na França e no Reino Unido, mas também em outros países da Europa e nos EUA. São nações onde há dados confiáveis sobre renda e propriedade, em séries históricas largas, algo que o Brasil não oferece – e por isso ficou fora do livro. O segundo traço é o peculiar aproveitamento que Piketty faz do romance (e do cinema) para exemplificar essa história. O atual livro de Moretti, de escrita clara e antipernóstica, ganha ao ser lido na companhia de sua obra anterior, mas é autônomo. O catatau de Piketty também se deixa ler com grande fluência por qualquer interessado em história e ciências sociais. Para o eventual interessado, há um suplemento on-line com uma profusão de dados, tabelas e cálculos (intrinseca.com.br/ocapital/anexo-tecnico.html). Sendo de natureza bem diversa – um de teoria e história da literatura, outro de história econômica –, os dois livros compartilham a vontade de intervir no debate público mediante um desenho panorâmico que parte de amplo conjunto de dados. Moretti se fixa nos séculos 18 e 19, ao passo que o arco temporal de Piketty vem de 1789 a 2010. Têm os dois o mesmo assunto, no final das contas: o mundo burguês em sua afirmação. Os materiais literários e artísticos dos dois livros se complementam. Moretti, que leva muito em conta a pintura holandesa do século 17, como Vermeer e Jan Steen, desce a detalhes na análise do protoburguês Robinson Crusoé, personagem-título do romance publicado em 1719, representante do mundo anterior à Revolução Industrial e totalmente ausente da análise de Piketty. A ênfase inicial da obra do francês recai em Jane Austen (1775-1817), cujos grandes romances vieram a público na década de 1810, e em Balzac

(1799-1850), cujo “Pai Goriot” foi editado em 1835. Austen e Balzac também aparecem bastante em Moretti, mas o italiano avança para a parte final do século 19, com Machado de Assis, Conrad, Verga – e, na pintura, com Ingres, Manet e o inglês Millais– e Ibsen. Piketty lhe toma o bastão e vai adiante, citando bastante cinema – Orson Welles, William Wyler, Stanley Kubrick, mas também “... E o Vento Levou” e o Walt Disney dos “Aristogatas” –, para alcançar Tarantino e as séries da atualidade, como “Dr. House” e “Desperate Housewives”. Herança Tomemos um caso particular do livro de Piketty, o capítulo 11, “Mérito e Herança no Longo Prazo”, de grande interesse para o debate sobre o romance. Estabelecida a premissa de que em todas as sociedades só há duas maneiras de alcançar patamar confortável de vida, o trabalho ou a herança, ele evoca um célebre caso balzaquiano, retomado várias vezes na análise, extraído de “O Pai Goriot”. O vivido e cínico Vautrin explica ao provinciano e iludido Rastignac que, se ele estudar direito e se dedicar bastante, num cenário bastante otimista, receberá um pagamento de 1.200 francos por ano como juiz; por outro lado, se casar com uma herdeira de 1 milhão de francos que parece ter uma queda por ele, terá uma renda anual de 50 mil francos – o que equivalia ao máximo que um advogado poderia sonhar ter após 40 anos de trabalho duro e sorte.

O ponto levantado pelo autor é o rendimento sobre o capital (em especial terras) ser muito superior do que o obtido através de salários no século 19, mesmo os mais altos. Essa foi a lógica elementar da desigualdade, tema do estudo, desde o começo do período considerado até a Primeira Guerra, quando começa a mudar a relação entre trabalho e herança, as duas possibilidades de acesso a um padrão de vida elevado. Piketty demonstra que os valores indicados nos romances são muito precisos. Piketty usa a literatura também para estudar atitudes. Cesar Birotteau, outro personagem de Balzac (“Ascensão e Queda de Cesar Birotteau”), resolve se arriscar em um complexo negócio que promete render de 7% a 8% ao ano, mesmo contra os conselhos de sua mulher, que insiste para que ele compre uma fazenda. Nem ela nem o narrador mencionam por que seria mais seguro investir em uma propriedade rural, já que todos os leitores conheciam a estabilidade desse tipo de capital, contrastando com seu menor rendimento (em torno de 5%). Aqui, poderíamos dizer que Piketty perde uma oportunidade de intensificar o cruzamento da análise econômica com a crítica literária. Não há em seu trabalho qualquer problematização acerca do ponto de vista do narrador – questão essencial para a interpretação de um texto ficcional –, que bem pode estar distorcendo ou exagerando os dilemas e as decisões das pessoas no século 19. Birotteau, por exemplo, foi criado

para ser o típico burguês na visão dos narradores reacionários de Balzac: ambicioso, ingênuo, intelectualmente limitado. No geral, aliás, Piketty trata os enredos e personagens de modo direto, sem mediação – trata-os como eloquentes documentos (o que tem bom cabimento em se tratando do romance de vocação realista, como é o caso). Nisso, Moretti dá grandes lições – por exemplo, quando demonstra que a utilização do discurso indireto livre, a partir de Flaubert, faz com que personagem e narrador percam sua distinção, “subsumida pelo discurso compósito da doxa burguesa”. Mas o leitor não especialista sente falta, em Moretti, de uma costura entre as diversas evidências apontadas. Meritocracia Nos comentários sobre a atualidade, Piketty tem notável ousadia. Para evidenciar o modo pelo qual a grande desigualdade nos EUA de hoje é mascarada de forma sutilíssima pelo discurso meritocrático, ele encontra nas charmosas séries televisivas atuais o material certo. “Não são apenas as referências monetárias explícitas que desapareceram da literatura depois que a inflação acabou com todas as antigas referências: os próprios rentistas sumiram e, com sua partida, toda a representação social da desigualdade se transformou. Na literatura e na ficção contemporânea, as desigualdades entre os grupos sociais aparecem quase exclusivamente sob a forma de disparidades em relação ao trabalho”.


G4

MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014

Imaginação

3 É chegada a estação PROSA, POESIA E TRADUÇÃO

O espírito de Natal em um conto inédito de China Miéville RESUMO Num futuro indeterminado, tudo o que diz respeito ao Natal foi transformado em marcas registradas: os festejos só podem ocorrer sob licença.

CHINA MIÉVILLE TRADUÇÃO FÁBIO FERNANDES ILUSTRAÇÃO ODYR

Podem me chamar de infantiloide, mas eu adoro toda essa bobajada – a neve, as árvores, os enfeites, o peru. Adoro presentes. Adoro canções natalinas e músicas bregas. Eu simplesmente adoro o Natal®. Foi por isso que fiquei tão empolgado. E não só por mim, mas por Annie. Aylsa, sua mãe, disse que não entendia para que tanto reboliço e por que eu era sentimental, mas eu sabia que Annie mal podia esperar. Ela podia ter 14 anos, mas, em se tratando disso, eu tinha certeza de que ela ainda era uma garotinha, sonhando com meias na chaminé. Sempre que é a minha vez de ficar com Annie – eu e Aylsa temos alternado desde o divórcio – dou o melhor de mim no dia 25. Confesso que Aylsa fez com que eu me sentisse mal. Fiquei com muito medo de Annie se decepcionar. Então nem dá pra dizer como fiquei maravilhado ao descobrir que pela primeira vez na vida eu ia conseguir fazer uma comemoração adequada. Não me entendam mal. Eu não tenho ações da NatividadeCo, e nem condições de pagar uma

licença de usuário para um dia, então não poderia fazer uma festa legalizada. Por algum tempo pensei em comprar de um dos concorrentes mais baratos tipo a XmasTym, ou um derivado de uma não especialista, como a Coca-Crissmas, mas a ideia de fazer um Natal de pobre era deprimente demais. Eu não poderia usar muitas das coisas tradicionais e, se você não pode ter tudo, qual é o sentido? (A XmasTym tinha os direitos de Egg Nog. Mas Egg Nog é nojento.) Aquelas outras firmas vivem tentando criar alternativas próprias para clássicos privatizados, como renas e bonecos de neve, mas nunca decolam. Jamais esquecerei o fracasso que foi a reação do público à Lagartixa Natalina da JingleMas. Não: assim como a maioria das pessoas, eu ia ter um pequeno Evento Invernal, só Annie e eu. Desde que eu tenha o cuidado de ficar longe de produtos licenciados, tudo vai dar certo. Com as decorações feitas de hera você ainda pode se safar; visgo é proibido, mas eu tinha guardado um monte de tomates-cereja, que estava planejando espetar em cactos. Não ia arriscar guirlandas, mas eu tinha uns dois cintos coloridos que ia pendurar na minha aspidistra. Você sabe como é esse tipo de coisa. Os inspetores não são tão maus: às vezes eles fazem vista grossa para um badulaque ou outro (o que é muito bom, porque as multas para comemorações de Natal® sem licença são astronômicas). Eu estava me preparando assim, mas aí aconteceu a coisa mais extraordinária. Ganhei na loteria! Quer dizer, não ganhei-ganhei. Mas fiquei entre os primeiros, e foi um premiozinho bacana. Um

convite para uma festa especial, licenciada, de Natal®, no centro de Londres, organizada pela própria NatividadeCo. Quando li a carta, tremi dos pés à cabeça. Era a NatividadeCo, então a coisa seria pra valer. Ia ter Papai Noel®, Rodolfo®, Visgo®, Bolos®, e uma Árvore de Natal® com presentes embaixo. Esse último item era algo com que eu não me conformava. Era uma coisa tão triste colocar meus presentes embrulhados em papel-jornal ao lado da aspidistra, mas desde que a NatividadeCo comprou os direitos do papel colorido e da colocação de presentes embaixo de árvores, os inspetores haviam caído com todo o rigor em quem cometesse Presenteamento Subarbóreo Grave. Eu não parava de pensar que Annie ia poder estender a mão e apanhar seu presente sob galhos de pinheiro. Talvez eu não devesse ter contado pra Annie, apenas feito a surpresa a ela no dia, mas eu estava empolgado demais. E, pra ser honesto, em parte eu contei a ela porque eu queria deixar Aylsa com inveja. Ela era muito metida a besta, sempre dizendo que não sentia saudade do Natal® e coisa e tal. – Pense só – eu disse – vamos poder cantar canções de Natal legalmente! Ah, desculpe, você odeia canções de Natal, não é? – Eu fui muito escroto. Annie ficou quase doente de empolgação. Ela mudou seu nick on-line pra ehchegadaaestacao, e até onde eu pude acompanhar ela passava o tempo todo se gabando para seus pobres amigos, mortos de inveja. Dei uma espiadinha na tela quando fui levar chá pra ela: as janelas de chat estavam cheias de nomes como tinkerbell12 e punhadodeflores, e tudo o que eu podia

ver eram exclamações como “naaaaummm?!? nataaaalll? taaauuum legaaall!!!!!” antes que ela bloqueasse a tela exigindo ter privacidade. Tenha piedade – eu disse a ela. – Não esfregue isso na cara das suas amigas – mas ela simplesmente riu e me disse que estavam combinando de se encontrar no dia de qualquer maneira, e que eu não sabia do que estava falando. Quando Annie acordou no dia 25, havia uma meia® esperando por ela na ponta da sua cama, pela primeira vez em sua vida, e ela veio tomar café carregando a meia® e sorrindo de orelha a orelha. Eu tive um prazer enorme em sacudir meu passe da NatividadeCo e dizer, perfeitamente dentro da lei, “Feliz Natal®, meu amor”. Fiquei feliz porque o ® era mudo. Eu havia mandado o presente dela para a NatividadeCo, conforme as instruções. Ele estaria esperando sob a árvore. Era o modelo mais avançado de console. Mais do que eu podia pagar, mas sabia que ela ia adorar. Ela é ótima em videogames. Saímos cedo. Havia um número razoável de pessoas nas ruas, todas fazendo aquilo que fazemos no dia 25, quando, sem dizer nada ilegal, você ergue as sobrancelhas e sorri um cumprimento natalino. Tecnicamente era um dia de semana regular para os horários dos ônibus, mas, naturalmente, metade dos motoristas estava de licença “por motivo de doença”. – Não vamos ficar esperando – disse Annie. – Temos um montão de tempo. Por que é que a gente não anda? – O que você comprou pra mim? – eu não parava de perguntar pra ela. – Qual é o meu presente? – eu fazia de conta que ia espiar dentro da bolsa dela, mas ela balançava o dedinho. – Você vai ver. Estou muito satisfeita com meu presente, pai. Acho que é algo que vai significar muito pra você. Não era para termos demorado tanto, mas, por algum motivo, fomos devagar, indo no nosso tempo, conversando, e de repente percebi que íamos chegar atrasados. Isso foi um choque. Comecei a correr, mas Annie ficou mal-humorada e reclamou. Me segurei para não dizer de quem tinha sido a ideia de ir a pé até lá. Corremos um bocado até o centro de Londres. – Vamos – Annie não parava de falar. – Estamos chegando? Havia um número surpreendente de pessoas em Oxford Street. Uma multidão e tanto, todos com aquela expressão secreta de felicidade. Eu também não podia evitar sorrir. Subitamente Annie já tinha disparado lá pra frente, voltando depois pra me puxar. Agora ela queria acelerar. E eu tinha que pedir desculpas a cada vez que esbarrava nas pessoas. A maioria era uma garotada de uns vinte anos, casais e gru-

pinhos. Eles abriram caminho, indulgentes, enquanto Annie me arrastava, corria na frente, voltava a me arrastar. Era realmente um número impressionante de pessoas. Mais adiante se ouvia música e alguns gritos. Fiquei tenso, mas não pareciam gritos zangados. –Annie! – gritei mesmo assim. – Venha cá, meu amor! – eu a vi pulando por entre a massa. E era realmente uma massa. Aquele som era de um apito? De onde tinha vindo todo mundo? Eu estava sendo empurrado, puxado como se toda aquela gente fosse uma maré. Vislumbrei um garotão e, com um susto, percebi alarmado que ele estava usando um macacão grande com uma rena de nariz vermelho. Só de olhar saquei que ele não tinha licença. – Annie, venha cá – eu a chamava, mas o som da minha voz foi sufocado. Uma moça perto de mim elevou a voz, cantando uma nota, muito alta. – “Baaaaa...” O rapaz com quem ela estava começou também, e depois o amigo dele, e depois um bando de gente ao lado deles, e em poucos segundos estava todo mundo fazendo a mesma coisa, uma mistura de vozes bonitas e horrorosas, se combinando naquele gritinho alto insuportável. – “Baaaaa...” – e aí, com um timing impecável, todas as centenas de pessoas meio que olharam umas nos olhos das outras, e a canção continuou. – “....te o sino pequenino, sino de Belém...”. – Vocês estão loucos? – eu gritei, mas ninguém me ouvia por sobre aquela maldita canção ilegal. Ah, meu Deus. Eu sabia o que estava acontecendo. Estávamos cercados por natalinos radicais. Eu zanzava de um lado para o outro, gritando por Annie, correndo atrás dela, procurando a polícia. Não havia como as câmeras de rua não captarem aquilo. Eles mandariam o Esquadrão Natividade. Vi Annie no meio da multidão – diabos, tinha mais gente chegando! – e corri em sua direção.

Ela me chamava, olhava ansiosa ao redor, e eu batia nas pessoas para que saíssem da frente, mas, quando me aproximei, vi que ela estava olhando para alguém ao lado dela. – Pai! – ela gritou. Vi os olhos dela se arregalarem ao me reconhecer, e então – será que eu tinha visto uma mão agarrá-la e puxá-la para fora dali? – Annie! – eu gritei quando cheguei aonde ela havia estado. Mas ela não estava mais lá. Eu estava entrando em pânico: ela é uma garota inteligente e estávamos em plena luz do dia, mas de quem era aquela mão, diabos? Liguei para o telefone dela. – Pai – ela respondeu. O sinal estava horrível naquela multidão. Eu gritava, perguntando onde ela estava. Ela soava tensa, mas não assustada. – ... OK... eu vou estar... ver... um amigo... na festa. – O quê? – eu estava gritando. – O quê? – Na festa – ela disse, e eu perdi o sinal. Certo. A festa. Era para lá que ela estava indo. Eu me controlei. Abri caminho empurrando a multidão. A coisa estava ficando mais bolchevique. Estava virando uma baderna natalina. Oxford Street estava congestionada, eu estava no meio do que, de repente, havia se tornado milhares de manifestantes. Foram séculos abrindo caminho, ansioso, através da manifestação. O que havia parecido uma multidão anônima subitamente floresceu em variedade e cor. Todo mundo estava marchando. Eu passava por diferentes contingentes de manifestantes. De onde diabos haviam saído todas aquelas bandeiras? Slogans flutuavam sobre a minha cabeça como destroços de um navio. “PELA PAZ, SOCIALISMO E NATAL”; “TIREM AS MÃOS DA NOSSA TEMPORADA DE FESTAS”; “PRIVATIZEM ISTO”. Um mesmo cartaz estava em toda parte. Era muito simples e clean: a letra R em um círculo vermelho, atravessada por uma linha diagonal. Ela vai ficar OK, pensei, angus-


G5

MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014

tiado. Ela disse isso. Eu olhava ao meu redor enquanto avançava na direção da festa, distante apenas umas poucas ruas agora. Eu podia ver a manifestação. Aquele pessoal era louco! Não que eles não tivessem boa intenção, mas aquilo não era jeito de conseguir as coisas. Tudo o que eles iam conseguir era causar encrenca para todo mundo. A polícia ia chegar ali a qualquer momento. Mesmo assim, havia que admitir que sua criatividade era admirável. Com todas as roupas e as cores, aquilo parecia incrível. Não faço ideia de como eles tinham conseguido contrabandear aquele negócio pelas ruas, de como haviam organizado aquilo. Deve ter sido on- line, o que teria implicado um uma encriptação bastante sofisticada pra tapear o “copware”. Cada trecho da marcha parecia cantar algo diferente, ou cantar canções que eu não ouvia havia anos. Eu atravessava um país das maravilhas invernal. Passei por um contingente de cristãos, todos carregando cruzes, cantando hinos natalinos. Bem à frente deles havia um grupo de gente malvestida vendendo exemplares de um jornal de esquerda e carregando cartazes com uma foto de Marx. Eles haviam sobreposto um chapéu de

Papai Noel ao retrato dele. “Eu sonho com um Natal vermelho”, eles cantavam, e mal. Agora nós estávamos ao lado da Selfridges, e um nó de gente havia parado ao lado das vitrines abarrotadas com a mistura costumeira de perfumes e sapatos. Os manifestantes olhavam uns para os outros, e de novo para a vitrine. Numa rua lateral, alguns passantes observavam o extraordinário espetáculo. Levei um susto ao ver compradores “normais”: para mim era inconcebível que houvesse alguém ali além dos manifestantes que marchavam nas ruas. Eu sabia o que os observadores da Selfridges estavam pensando: eles se lembravam (ou lembravam de terem lhes falado – alguns deles pareciam jovens demais para lembrar da vida antes do Ato de Natal®) de uma antiga tradição. – Se não vão nos dar nossas vitrines de Natal – uma mulher rugiu – vamos ter que criá-las. – E, com isso, eles pegaram marretas. Meu Deus. Eles quebraram a vitrine. – Não! – ouvi um homem vestindo um sofisticado paletó de lã gritar com eles. Um contingente dos manifestantes, que parecia horrorizado, abaixou as bandeiras, que diziam “AMIGOS TRABALHISTAS DO NATAL”. – Todos queremos a mesma coisa – gritou o homem – mas não podemos apoiar a violência! Mas ninguém lhe dava a menor bola. Eu esperei que as pessoas começassem a roubar os artigos, mas elas simplesmente os empurraram para longe do caminho, junto com o vidro quebrado. Colocavam coisas nas vitrines. De sacolas e bolsos saíam pequenas manjedouras, Papais Noéis® de “papier mâché”, Presentes® lindamente embrulhados, Azevinho® e Visgo®, que os manifestantes espalhavam, compondo vitrines toscas. Eu segui em frente. Um homem se postou no meu caminho. Ele fazia parte de um grupo de sujeitos bem-vestidos que estavam nas bordas da multidão. Com um risinho de deboche, ele me entregou um panfleto. “INSTITUTO DE IDEIAS MARXISTAS VIVAS. Por Que Não Estamos Marchando.” “Vemos com desdém as tentativas patéticas da velha Esquerda de reviver esta cerimônia Cristã. A ideia de que o governo ‘roubou’ ‘nosso’ Natal é tão somente um aspecto do domínio dessa Cultura do Medo que rejeitamos. Chegou a hora de uma reavaliação além da esquerda e da direita, e de forças dinâmicas revigorarem a sociedade. No mês passado, nós do IIMV organizamos uma conferência no ICA sobre por que greves são chatas e por que a caça à raposa é o novo pretinho básico...” O texto me pareceu totalmente sem pé nem cabeça. Joguei fora. Foi quando se ouviu o trovejar de um helicóptero de combate. Fodeu, pensei. Eles chegaram. – Atenção – disse a voz amplificada vinda do céu. – Vocês quebraram a seção 4 do Código de Natal®. Dispersem imediatamente ou serão presos.

Para meu espanto a reação foi uma risada rouca. Um cântico começou. No começo não consegui entender as palavras, mas logo não havia mais como confundi-las. – De quem é o Natal? É nosso! De quem é o Natal? É nosso! Não pegou muito bem. Passei por um grupo que reconheci do noticiário, natalinas feministas radicais vestidas todas de branco, usando cenouras no nariz: as sNOwMEN. Um sujeito baixinho passou correndo por mim, olhando ao redor e resmungando: “Alto demais, alto demais”. Começou a gritar: “Qualquer um que meça até 1,55 m, venha participar do quebra-quebra com os Pequenos Ajudantes de Papai Noel!”. Outro baixinho começou a discutir furiosamente com ele. Ouvi as palavras “piada” e “condescendente”. As pessoas estavam comendo pudim de Natal®, fatias de peru. Elas se obrigavam até mesmo a engolir couve-de-bruxelas, só por questão de princípio. Alguém me deu um pedaço de bolo. “Bendito seja”, gritou um pagão radical no meu ouvido, e me deu um panfleto exigindo que assim que tivéssemos recuperado de volta a estação nós a rebatizássemos de Solstividade. Foi expulso a pontapés por um grupo de bailarinos e bailarinas musculosos vestidos de fadas e quebra-nozes. Eu estava me aproximando do lugar onde a festa deveria acontecer, mas agora havia ainda mais gente nas ruas. O lugar ia ser cercado. Como é que iríamos entrar? Figuras se moviam na multidão. Que merda, pensei, a polícia. Mas não era. Era um bando agressivo, com pinta de zangado, quebrando para-brisas dos carros pelo caminho. Estavam todos vestidos de Papai Noel®. – Caralho – alguém resmungou. – São os Red & White blocs. Era óbvio que os R&W estava ali pra criar baderna. Todo o restante da multidão tentou se afastar deles. “Vão embora, porra!” ouvi alguém gritar, mas não lhe deram atenção. Agora dava para ver a polícia se aglomerando nas ruas laterais. Os Red & White blocs a atraíam para fora, sacudindo garrafas, gritando “Podem vir!” como fãs de Futebol® emputecidos. Eu estava recuando. Me virei, e lá estava, o local da festa. Hamleys, a loja de brinquedos. Os guardas armados que normalmente a protegiam deviam ter fugido muito antes, ao darem de cara com esse caos. Levantei a cabeça e vi rostos horrorizados nas janelas. Eu devia estar lá em cima, pensei. Com vocês. Eles eram os convidados da festa. Crianças e seus pais, cercados pela manifestação, vendo a chegada da polícia. E, ah, lá estava Annie, gritando para mim, parada sob a marquise da Hamleys. Soltei um grito de alívio e corri até ela. – O que está acontecendo? –ela gritou. Parecia apavorada. O Esquadrão Natividade estava se aproximando dos provocadores dos Red & White blocs, batendo

com seus cassetetes em escudos enfeitados com guirlandas. – Puta merda – sussurrei. Envolvi Annie com meus braços para protegê-la. – Vai dar problema – eu falei. – Se prepare pra correr. Mas nós ficamos ali, tensos e, de repente, uma coisa surpreendente aconteceu. Eu pisquei e, do nada, apareceu um rapaz vestindo um manto branco comprido. Antes que qualquer um pudesse detê-lo, ele se posicionou entre as fileiras dos Red & White blocs e a polícia. – Ele é louco! – alguém gritou, mas todas as centenas e centenas de pessoas foram se calando. O homem estava cantando. A polícia caiu em cima dele, os R&W fizeram que iam empurrá-lo pra longe, mas sua voz se elevou, e ambos os lados hesitaram. Eu nunca tinha visto alguém tão lindo. Ele cantou uma única nota, de uma pureza que não era deste mundo. Ele a fez durar, por longos segundos, e depois continuou: “Ai, vinde todos à porfia/ Cantar um hino de louvor”. Ele fez uma pausa, até que a tensão entre nós chegou ao limite. “Hino de paz e alegria/ Que os anjos cantam ao Senhor.” Os Red & White blocs estavam quietos. Todo mundo estava quieto. “Gló-ó-ó-ó-ó-ria in Excelsis Deo”. Agora os policiais estava parando. Eles abaixaram seus cassetetes. Um a um, eles puseram seus escudos de lado. “Naquela noite venturosa/ Em que nasceu o Salvador...” Mais figuras de branco surgiam. Eles caminharam calmamente para se juntar ao seu amigo. Assustei-me ao notar que estava tapando meus próprios olhos. Havia uma autoridade implacável nessas figuras incríveis que haviam aparecido do nada, aqueles rapazes altos, belos, e tão jovens. Seus mantos eram de um branco inconcebível. Eu não conseguia respirar. Agora todos eles cantavam. “Gló-ó-ó-ó-ó-ó-ria in Excelsis Deo”. Um a um, os policiais tiraram seus capacetes e se puseram a ouvir. Eu podia escutar os gritos frenéticos de seus superiores saindo dos auriculares que eles removiam. “Naquela noite venturosa/ Em que nasceu o Salvador...” Os cantores fizeram uma pausa, até eu ficar desesperado para que eles terminassem a melodia: “Vozes de anjos harmoniosas/ Lançam ao céu este clamor”. O grupo de policiais sorria e chorava em meio a uma montanha de cassetetes e proteções corporais descartadas. O primeiro cantor levantou a mão. Ele olhou para todo o armamento jogado ali. Declamou para os Red & White blocs. – Vocês não deveriam ter tentado lutar – ele disse, e eles pareceram envergonhados. Ele aguardou. – Vocês teriam sido massacrados. Ao passo que agora

– ele continuou – esses idiotas se desarmaram. Agora é a hora de lutar... – Ele se girou e, ao mesmo tempo, ele e seus colegas cantores se jogaram em cima da polícia, os mantos adejando. Os policiais indefesos ficaram pasmos, deram meia volta e saíram correndo; a multidão rugiu e começou a segui-los. – Nós somos o Partido Cantor Radical dos Homens Gays! – o cantor principal gritou em seu registro de tenor exótico. – Orgulhosos de lutar pelo Natal do Povo! Ele e seus camaradas começaram a entoar: – Estamos aqui! Somos o coral! Viemos pra ficar! – É um milagre de Natal! – disse Annie. Eu simplesmente a abracei até ela resmungar – Tá bom, papai, calma. Atrás de mim a multidão gritava, tomando as ruas. – Esse é o problema com os Red & White blocs – resmungou Annie. – Maldita “estratégia de tensão” do caralho. Bando de aventureiros anarquistas. – É – disse um garoto do lado dela. – Seja como for, metade deles são agentes da polícia. É a regra número um, não é? Aquele que quer mais violência é o policial. Eu estava boquiaberto, minha cabeça indo de um para o outro, como um imbecil assistindo a uma partida de tênis. – O quê? – eu disse finalmente (ainda bem). – Qual é, pai – disse Annie. Ela beijou meu rosto. – Você nunca teria me deixado vir de outra maneira. Eu tinha que fazer você andar até aqui ou a gente teria chegado cedo demais. E ficado preso igual a eles. – Ela apontou para os ganhadores do prêmio que ainda estava encarando nos andares superiores da Hamley. – Então eu tive que sair correndo ou você nunca teria me deixado entrar. Vem. – Ela me pegou pela mão. – Agora que a gente passou pelas linhas da polícia, podemos retomar a marcha passando pela Downing Street. – Ora, então é a oportunidade perfeita para sairmos daqui... – Pai – ela disse. Olhou para mim com dureza. – Eu não pude acreditar quando você ganhou o prêmio. Nunca pensei que teria uma chance de vir para cá hoje. – Alguém te agarrou – falei. – Foi Marwan – ela indicou o rapaz que havia falado. – Pai, este é Marwan. Marwan, este é meu pai. Marwan sorriu e apertou minha mão educadamente, mudando o cartaz de mão. “MUÇULMANOS PELO NATAL”, dizia. Entáo ele me viu lendo. – Isso não representa grande coisa para mim – ele disse – mas todos nós nos lembramos de como esse pessoal veio em nossa ajuda quando a Umma plc tentou privatizar o Eid. Sabe, isso foi muito importante. De qualquer maneira... – ele desviou o olhar tímido. – Eu sei que é importante para Annie – ela olhou para ele de lado. – Ah – pensei. – Marwan é punhadodeflores, pai – disse ela. – Na internet. – Escuta, eu tenho que dizer

que estou muito irritado com isso tudo – falei. Estávamos chegando perto de Downing Street. Marwan havia se despedido na Trafalgar Square, então estávamos sós de novo, só nós e mais 10 mil pessoas. – Eu te comprei... eu perdi um monte de... tem um presentão naquela festa... – Sendo franca, pai, eu realmente não preciso mesmo de um console novo. – Como você sabia...? – perguntei, mas ela já continuava sua fala. – O que eu tenho está muito bom. De qualquer maneira, eu uso mais mesmo pra jogos de estratégia, e eles não consomem tanta energia. Além disso, tenho todos os “pinkopatches” na minha máquina. Seria um saco transferi-los, e baixá-los de novo é arriscado demais. – Que “patches” são esses? – Coisas tipo o Red3.6. Ele converte uma pá de jogos. Transforma SimuCityState em RedOctober. Coisas desse tipo. Eu já cheguei no nível 4. O chefe do fim do nível é um czar. Assim que eu conseguir descobrir como passar por ele eu vou chegar ao Poder Duplo. Desisti até de tentar entender tudo aquilo. Na entrada da residência do primeiro-ministro havia uma enorme Árvore de Natal® branca e prata. Todo mundo começou a vaiar quando nos aproximamos. O Exército estava protegendo o local, então as pessoas fizeram questão de garantir que as vaias eram bem-humoradas. Alguém jogou um pudim de Natal, mas o povo o tirou dali rapidinho. – Isso aí não é o Natal! – nós todos gritamos ao passar. – Isto aqui é que é o Natal! À medida que os céus iam escurecendo, a multidão foi começando a dispersar um pouco, antes que a polícia pudesse se reagrupar. Passamos por um contingente em que todos usavam bandanas vermelhas e nos somamos à cantoria deles: “Já faz tempo que eu pedi/ Mas o meu Papai Noel não vem/ Com certeza já morreu/ E a Internacional/ É tudo que a gente tem.” – Mesmo assim – eu disse – estou um pouco chateado por você não ter conseguido ver a festa. – Pai – disse Annie, e me sacudiu. – Este foi o melhor Natal de todos. De todos. OK? E foi tão maravilhoso passar ele com você. Ela me olhou de lado. – Já adivinhou? – ela perguntou. – Qual é o seu presente? Ela estava me encarando, bem séria, bem intensamente. Fiquei bastante emocionado. Pensei em tudo o que havia acontecido naquele dia e nas minhas reações. Tudo pelo qual eu havia passado e visto e integrado. Percebi como eu me sentia diferente agora do que naquela manhã. Era uma revelação surpreendente. – Sim... – hesitei. – Sim, acho que sim. Obrigado, meu amor. – O quê? – e la disse. – Você adivinhou? Merda. Ela segurava um pacotinho embrulhado. Era uma gravata.


G6

MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014

Diário de Bagdá O MAPA DA CULTURA

4

Minutos mais longos O tempo dilatado e a poeira iraquiana

DIOGO BERCITO

O tempo às vezes passa, em Bagdá, devagar demais. Em um dos diversos controles militares da cidade, preso em um engarrafamento, o carro da reportagem parece percorrer os minutos em seu próprio ritmo preguiçoso. A coreografia é, ali, essencial: para o terrorismo, pouca gente é um alvo específico, e a sobrevivência na floresta de palmeiras da capital iraquiana depende de não estar, em um segundo exato, no lugar errado. O trânsito, em especial ao redor de “checkpoints” e mesquitas, costuma causar ansiedade por ser o endereço de explosões. É um tempo que passa devagar, em um relógio de pulso que faz “bum-bum” em vez de “tic-tac”. Os minutos têm também a duração alongada nos gestos culturais, como o aperto de mão com um empresário iraquiano, que dura toda a despedida. O quanto precisar. Assim como um almoço no clube de caça de Bagdá, ao qual os convidados chegam no instante que bem entendem. A primeira leva já come quando chega a segunda, e a refeição se torna uma cadeia de entrada, prato principal e sobremesa em que os comensais originais esperam por horas para poder se levantar, enquanto os demais começam a se alimentar. Peixe de pó O rio Tigre ainda é, como deve ter sido na Antiguidade, uma das imagens mais impressionantes da capital iraquiana. Suas águas escorrem fazendo uma curva no meio do percurso e depois voltam ao caminho original, formando uma espécie de alça que cerca a porção de terra onde a reportagem da Folha se hospeda. Os arredores, em especial a rua Abu Nuwas, são marcados pela venda de “masguf”, o prato nacional iraquiano: carpa grelhada (um vendedor soletra, escrevendo letras árabes no ar com os dedos, k-a-a-r-b). O prato é feito abrindo o peixe ao meio e prensando as duas metades em uma gaiola metálica. Na periferia de Bagdá, a água aparece na beira das rodovias. Homens seguram mangueiras

com a mão, em um constante fluxo formando parábolas no ar seco. O líquido, bombeado de reservatórios próximos, nunca deixa de jorrar. Motoristas encostam e pagam para lavar a poeira de seus carros. Bandeira de sangue Para quem precisa que se desenhem as coisas, o período da peregrinação de “arbain” é ideal – fica fácil visualizar quem pertence a qual ramo do islã em Bagdá durante os dias em que os xiitas peregrinam ao local santo de Karbala em homenagem a Hussein, neto do profeta Maomé morto no século 7. Os bairros xiitas na capital iraquiana são marcados pelas bandeirolas com o rosto do mártir, geralmente caracterizado por um manto verde e o olhar compenetrado, de sobrancelhas quase franzidas. A morte de Hussein é um dos divisores entre sunismo e xiismo, na história do islã, e a peregrinação tem forte carga emocional ali. Em um bairro xiita, às 23h, a reportagem caminha nas ruas entre cartazes com máximas religiosas e o frequente “ya Hussein” (“ó, Hussein”) escrito. Como são alvo para terroristas sunitas, incluindo o Estado Islâmico, essas regiões costumam ser mais tensas. A Folha volta ao hotel às 23h55, cinco minutos antes do toque de recolher daquela noite. Império de fios As fachadas em Bagdá parecem uniformemente sujas por uma poeira amarronzada. Obsessivos por limpeza precisam segurar os seus impulsos, que lhes pedem que varram o asfalto. As vidraças estilhaçadas não são substituídas em diversos dos edifícios, dos quais parte está, aliás, abandonada. O “imperial” da capital iraquiana – também capital do Califado Abássida – parece ter se desfeito e escorrido Tigre abaixo. Com a falta de eletricidade, proliferam na cidade os geradores. Seus fios se emaranham entre os prédios como uma cama de gato, no mercado de livros da rua al-Mutanabi. No final do caminho, intelectuais se reúnem no tradicional café Shahbandar, onde fumam narguilé e discutem, dizem, mais a poesia do que a política.


G7 G

MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014

Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS ACERVO UH/FOLHAPRESS

5 Com Tim Maia na Inglaterra Londres, 1970

PÉRICLES CAVALCANTI

Tim Maia em 1970, ano em que lançou seu primeiro álbum

Quando o grande Tim Maia lançou seu primeiro disco, em 1970, e rapidamente foi para o topo das paradas, trazendo, a partir daí, para a música brasileira, de uma maneira original e brilhante, todo o know-how de tudo que ele havia escutado e amado (“soul music” em geral e artistas da gravadora Motown) durante o período em que esteve nos EUA, eu não estava no Brasil. E onde eu estava? No final do verão europeu de 1969, em Paris, onde pensava continuar meus estudos de filosofia, mas que foi o ponto de virada para que eu me tornasse um “hippie”, daquele tipo que toca duas ou três canções de Bob Dylan (no meu caso, de Luiz Gonzaga, também!) com violão e gaita, no metrô, pra ganhar uma graninha para sobreviver, o que eu fazia com alegria e alguma eficiência, embora

nem passasse por minha cabeça, ainda, a possibilidade de me tornar um profissional na música. Passados alguns meses, fui a Londres visitar meus amigos desde a adolescência, em São Paulo – os tropicalistas –, que estavam lá, como se sabe, depois de serem obrigados, absurdamente, pelo governo militar da época, a se exilar. Minha intenção, bem idealizada, era passar uns dias com eles e, depois, dar um jeito de ir para algum “paraíso hippie” na Califórnia. Mas aconteceu que fui ficando, ficando, por lá e arredores, até o final de 1971. Tudo isso para contar que a primeira vez que vi Tim Maia foi na casa de meus queridos Caetano e Dedé, que me hospedavam. Nenhum de nós, ali, o conhecia pessoalmente, nem a sua música, propriamente, embora tivéssemos notícias de seu sucesso no Brasil. Provavelmente indicado por amigos comuns, dele e de Caetano, Tim fez essa visita levando consigo a namorada, por quem, evidentemente, estava

apaixonado e a quem tratava com carinho e respeito. Ambos estavam um pouco tímidos, e ela, praticamente, não falou. Foi uma visita rápida e muito simpática e, como me lembro, todos que estavam na casa, no momento, gostaram do casal e do jeito espontâneo, carioca e engraçado de Tim. Fazendo uma comparação com a parte londrina do muito bom filme em cartaz, “Tim Maia”, de Mauro Lima, posso dizer que toda aquela ambientação que aparece nele, na verdade, era mesmo comum na época. Fui muitas vezes a casas com aquele clima. Mas não foi assim, nessa situação, que vi Tim, embora me lembre que a roupa que ele usava era igual ao figurino do filme. A segunda vez que o vi foi na casa de minha amiga, a atriz Maria Gladys, uma das muitas de brasileiros na Londres de então. Como eles já se conheciam do Rio de Janeiro, provavelmente desde o Clube do Rock, de Carlos Imperial (tão bem encenado no filme), a visita de Tim foi mais informal

e, na verdade, ele estava lá pra dizer que ia voltar para o Brasil, um pouco triste, porque tinha brigado com seu amor, Janete, a Janaina, no filme. Naquele dia, na sala, junto com eles e comigo, estava Jards Macalé, de passagem por Londres para gravar, com Caetano, o disco “Transa”. Recordo-me de que, ao se despedir, Tim, que trazia consigo um violão eletroacústico da marca Ovation (recentemente lançado e bastante apreciado na época), deu de presente, a Jards, aquele instrumento novinho. O engraçado é que, há uns cinco ou seis anos, quando perguntei a “Macao” se se lembrava disso, ele me disse que não, embora tenha gostado de saber que havia recebido tal presente. Será que minha memória inventou isso? Acho difícil, porque esse fato foi marcante e significativo para mim naqueles rápidos e leves encontros que tive com Tim Maia em Londres. Quanto desprendimento e generosidade sincera naquele gesto!


G8

6

MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014

Música

Guitarras siamesas

Acordes dissonantes de uma dupla incomum

RESUMO Com trajetórias diferentes, Kiko Dinucci e Rodrigo Campos vêm explorando juntos novas possibilidades de incorporar a guitarra à MPB. Companheiro da dupla no grupo Passo Torto analisa particularidades do uso que os dois músicos fazem do instrumento consagrado pelo rock, como no CD “Encarnado”, de Juçara Marçal.

ROMULO FRÓES ILUSTRAÇÃO KIKO DINUCCI

Na música popular brasileira, ao longo do século 20, a guitarra elétrica ocupou um lugar de disputa; seja na construção de uma identidade nacional – sendo alvo por exemplo, da anedótica passeata dos artistas da MPB contra a incorporação do instrumento –, seja como agente de ruptura, muitas vezes reivindicada como um símbolo

de modernidade por artistas e movimentos que buscavam a renovação em nosso meio. Já definitivamente incorporada ao vocabulário da música brasileira no século 21, a guitarra passa a ser utilizada pelos músicos menos por suas possibilidades harmônicas e melódicas e mais por suas qualidades timbrísticas. Qualidades estas que definiram a sonoridade que, em certa medida, identifica a geração de artistas surgida neste século. Entre esses artistas, dois jovens compositores vêm desenvolvendo um trabalho em conjunto que não só está transformando a linguagem da guitarra no Brasil como, a meu ver, a própria canção brasileira. Falo de Kiko Dinucci e Rodrigo Campos. Nascido em Guarulhos, região metropolitana de São Paulo, autodidata, Kiko Dinucci se envolveu, na adolescência, nos anos 1990, com o movimento punk, tocando guitarra em bandas como Eletric Sickness e Personal Choice. Um pouco mais tarde, abandonaria a guitarra pelo violão e encontraria no samba, em especial na origem do samba paulista, a inspiração que nortearia toda a sua obra. Assim resumido, parece um percurso um tanto desorientado; mas na verdade ele é muito revelador de sua personalidade artística. Kiko Dinucci percorreu caminhos aparentemente muito desiguais. Do choro ao punk, do

jazz ao hardcore, da vanguarda paulista ao samba rural, da música africana à música caipira, tudo parece caber em seu mundo. Da mesma forma, ele se deixou influenciar por artistas tão diferentes entre si quanto Itamar Assumpção, Geraldo Filme, Sonic Youth, Tião Carreiro e Racionais MCs. Junte a isso suas relações com as artes plásticas e o cinema, além de sua profunda ligação com a cultura afro-brasileira – em especial o candomblé, religião da qual é praticante –, e você terá uma boa pista para compreender seu trabalho. Nascido na cidade de Conchas, no interior paulista, mas criado no bairro de São Mateus, em São Paulo, Rodrigo Campos, ao contrário de Kiko Dinucci, teve sólida formação musical, tornando-se um exímio instrumentista, especialmente reconhecido por sua habilidade ao violão e cavaquinho. Desde cedo foi ligado ao samba, particularmente ao trabalho dos artistas oriundos do Cacique de Ramos, histórico bloco de Carnaval carioca que revelou grandes nomes, como o grupo Fundo de Quintal, Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho. Mais tarde, influenciado pela cena de pagode de São Paulo, que nos anos 1990 fez estrondoso sucesso nacional, tocou em grupos como o Apoteose do Samba. De personalidade introvertida, não deixa transparecer facilmen-

te seus múltiplos interesses, que vão muito além da música e trafegam por áreas tão diversas quanto a astrologia, os quadrinhos eróticos, o cinema francês e a literatura fantástica, para citar apenas alguns. Se a música de Kiko se orgulha de escancarar suas influências, o movimento de Rodrigo parece ser o da contenção, como se tentasse organizar tudo o que o afeta em um único pensamento, mas que acaba por fim, rompendo seus limites. Seu primeiro disco é um bom exemplo. “São Mateus Não É um Lugar Assim Tão Longe” (2009), ainda que se refira a um local e a um tempo muito específicos, parece nos contar não apenas da própria vida do artista, no bairro onde cresceu, mas da vida de qualquer um, em qualquer lugar. Passo Embora já se conhecessem e tocassem juntos, foi em 2011, com o lançamento do disco que inaugurou e nomeou o grupo Passo Torto, que Rodrigo e Kiko começaram a desenvolver uma linguagem musical conjunta. Nesse primeiro disco, inteiramente acústico, o violão de Kiko já unia sua herança roqueira, com os riffs prevalecendo sobre as harmonias, a um acento rítmico de matriz africana – um modo de tocar amplamente praticado em seus trabalhos anteriores, em

especial com o trio Metá Metá, do qual também fazem parte Juçara Marçal e Thiago França. Em “Passo Torto”, Rodrigo também toca violão, mas é seu cavaquinho que se sobressai, alternando momentos mais rítmicos a outros mais melódicos, demonstrando seu vasto repertório no instrumento. Ainda que a identidade como instrumentista de cada um se revelasse, a autonomia artística de ambos foi preservada, sem que um afetasse tanto o outro. É com o lançamento de “Passo Elétrico” (2013), segundo disco do Passo Torto, que o diálogo entre os dois se aprofunda. Como o próprio título do disco parece entregar, Kiko e Rodrigo trocam seus instrumentos acústicos por guitarras, e aqui cabe salientar os caminhos que os levaram a essa escolha. Kiko havia retornado à guitarra justamente na gravação de “Bahia Fantástica” (2012), segundo disco de Rodrigo, fato este que se repetiu na gravação do segundo disco do Metá Metá, não por acaso intitulado “Metal Metal” (2012). Rodrigo, por sua vez, influenciado por Kiko, mas também por todo o grupo que, à sua volta, vinha pesquisando novos timbres para seus instrumentos – caso de Marcelo Cabral com o baixo acústico e Thiago França com o saxofone –, passa a tocar guitarra pela primeira vez em sua carreira. Tanto o retorno de Kiko

quanto a chegada de Rodrigo ao instrumento apresentam “falhas”. No caso de Kiko, a falta de uma formação musical mais consistente, pré-requisito para o adolescente punk que era. Formação que não faltou a Rodrigo, mas que por outro lado, prescindia de um vocabulário próprio de um instrumento muito devedor do rock, gênero que pouco havia escutado até então. Para mim, reside aí uma das forças desse encontro: o que falta a um sobra no outro. A linguagem que vêm desenvolvendo, mais do que um caminho anteriormente imaginado, foi desencadeada principalmente pelas diferenças de cada um. Diferença já determinada desde a escolha dos pedais de efeito que utilizam em suas guitarras. Kiko opta basicamente por pedais de distorção, não só para reforçar sua pegada roqueira, mas porque são pedais que funcionam melhor com sua técnica mais percussiva. O som de sua guitarra tem duração mais curta, predominam os “staccatos”, o que a torna mais ruidosa e agressiva. Já o som da guitarra de Rodrigo, por conta de sua técnica violonística, muito apoiada em arpejos, tem duração mais longa, por isso prefere os pedais de “reverb” e “delay”, que prolongam o som, facilitando a construção de suas melodias mais fluídas e elaboradas, quase barrocas.


MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014

plateia@emtempo.com.br

(92) 3090-1042

DIVULGAÇÃO

Caderno D

Plateia

Mallandro em especial de Natal no SBT Plateia 3

Classicismo musical

embala concerto natalino

FOTOS: DIVULGAÇÃO

Orquestra Barroca do Amazonas encerra a sua temporada 2014 com o “Concerto de Natal”, na Igreja Batista Memorial Concerto de hoje é o 21º realizado pela orquestra este ano

SERVIÇO CONCERTO DE NATAL DA ORQUESTRA BARROCA DO AMAZONAS Onde: Igreja Batista Memorial (rua São Luís, 223, Adrianópolis) Quando: hoje, às 11h

LUIZ OTAVIO MARTINS Especial EM TEMPO

O

último concerto da temporada de 2014 da Orquestra Barroca do Amazonas será apresentado hoje, na Igreja Batista Memorial, com um repertório voltado para o classicismo musical. A “Sinfonia em Ré Maior”, de Frederick 2º, Rei da Prússia, e a “Sinfonia op.8/nº 4”, de Ernst Eichner, estão entre os destaques do “Concerto de Natal”. Mas a seleção incluirá também composições de Antonio Leal Moreira, Franz Joseph Haydn, Johann Adolph Hasse e José Maurício Nunes Garcia, além de obras de David Perez e José Palomino, que estão entre as que foram gravadas pela orquestra. O concerto de hoje é o 21º dessa temporada do grupo, que ao longo de 2014, a bordo do projeto Ópera no Brasil Colonial e com patrocínio da Petrobras, tocou em municípios do interior do Amazonas como Itacoatiara e Manacapuru, capitais brasileiras como Salvador, Recife, João Pessoa, Fortaleza, Belém e Boa Vista e no exterior, em Lisboa, Sevilha e Porto. Foi a maior excursão musical da orquestra desde a sua formação, em 2009. “Até então, o grupo tinha pouco apoio governamental”, comenta o maestro e professor Márcio Páscoa. Diversas entidades, entre elas a Câmara de Lisboa, Associação Largo Alto e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), também passaram a conceder apoio ao projeto da orquestra, que promove concertos com repertório formado

Ao longo de 2014, com o projeto “Ópera no Brasil Colonial” patrocinado pela Petrobras, a orquestra tocou em municípios do interior do Amazonas, capitais brasileiras e cidades no exterior

Profissionalismo Márcio Páscoa conta que em todos os lugares por onde a Orquestra Barroca do Amazonas se apresentou os integrantes tocaram com o mesmo nível de profissionalismo. “Temos que oferecer sempre o nosso melhor”, garante o maestro. A respeito da aceitação do projeto Ópera no Brasil Colonial pelos lugares onde foi apresentado, Páscoa cita, por exemplo, a presença de quase 300 pessoas no concerto em Manacapuru. “No interior, onde achamos que não ia aparecer ninguém, acabou lotando”, diz. Para ele, o grupo acaba descobrindo o público interessado ao longo das viagens. “No caso do Brasil, a música erudita não está muito segmentada no gosto musical das pessoas, e por meio do projeto elas podem ter uma ideia do patrimônio cultural que circulou pelo país no período das obras interpretadas. E, no exterior, há públicos que respondem bem à energia do grupo”, analisa.

sive diversas óperas e serenatas vinculadas ao Teatro de Manuel Luiz, no Rio de Janeiro. O maestro diz que a pós-produção dos álbuns contará com o trabalho de uma equipe própria que inclui o engenheiro de som Fernando Rocha e o produtor grego Dimitris Andrikopoulos. “O Dimitris vai fazer a primeira proposta de edição e o processo de edição, mixagem e finalização será realizado por mim”, explica Páscoa. Assim como o primeiro CD da orquestra, “Dei due mondi”, de 2013, os dois próximos lançamentos sairão sob o selo europeu Numérica.

Circulação Para o próximo ano, Márcio Páscoa revela que a orquestra vai circular por cidades das regiões Sudeste e Sul. “Vamos nos apresentar em umas 15 cidades”, afirma. Em 2015, o grupo contará, nos seus concertos em Manaus, com as presenças de convidados de países como EUA, Inglaterra e Portugal. “Na ocasião, esses músicos também vão apresentar masterclasses”, diz o maestro. Em meio a essas atividades, os integrantes da orquestra também vai preparar material para um quarto CD, no fim de 2015, para ser lançado no ano seguinte.

por obras líricas luso-brasileiras restauradas e reeditadas. Estão previstos dois registros em CD produzidos durante essa temporada. O primeiro será lançado no primeiro semestre de 2015 e o segundo em meados do ano. Márcio Páscoa adianta que o material para o primeiro CD foi gravado no Palácio Landi, em Belém do Pará, e o do segundo na Igreja do Menino Deus, em Lisboa. No repertório estão músicas inéditas de compositores brasileiros, ibéricos e italianos que formaram o contexto cultural do país nos séculos 18 e 19, inclu-

TURNÊ

Repertório do concerto de hoje: 1. Frederick 2º, Rei da Prússia (1712-1786): Sinfonia em Ré Maior; 2. David Perez (17111778): Nacqui agli affani in seno / Logo nasci chorando. Ária de Cleonice em Demetrio (1766/1790); 3. José Palomino (17531810): Concerto o sia quinteto per cembalo con due violini, violetta e basso; Integrantes da orquestra podem lançar novo disco em 2016

4. Antonio Leal Moreira (1758-1819): Ah mio ben, bell’idol mio. Ária de Alcione em Alcione (1787); 5. Franz Joseph Haydn (1732-1809): Trio HobXV-15; 6. Johann Adolph Hasse (1699-1783): L’augeletto in lacci stretto. Ária de Araspe em Didone abbandonata (1742); 7. Ernst Eichner (17401777): Sinfonia op.8/nº IV. I – Allegro maestoso / II – Andante / III – Allegro 8. José Maurício Nunes Garcia (17671830): Lauda Sion.

Maestro Márcio Páscoa é o coordenador da orquestra


D2

Plateia

MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014

>> Balada gourmet . O Belle Époque Bistrô reuniu grupo society em noite cheia de charme, na quinta-feira. . O motivo do agito? Apresentar finger-food especialíssimos assinados pelo promoter/gourmet Diógenes de Queiróz, amazonense que atua no Rio de Janeiro com imenso sucesso, ao som do DJ Lucce, que levou seu set-list para a pistinha que foi criada na casa clima bacana. As comidinhas arrancaram aplausos, e o charme da noite idem. O jovem empresário João Paulo Jacob estava de anfitrião da noite.

Nubia Garcia, Zeca Nascimento e Angela Bastos

>> Led

Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br

Victor e Sihame Silva e Martha e Clóvis Cruz

A linda Michelle Carratte Adriane Antony Gonçalves Zeca Pessoa

Waltinho Oliva Pinto

Diógenes de Queiróz, Fábio Ayub e Cristiano Brandão

O prefeito Neilson Cavalcante, do município de Presidente Figueiredo, foi homenageado na Assembleia Legislativa do Amazonas com a Medalha Mérito do Legislativo, entregue a várias autoridades locais. A comenda é um reconhecimento pela ética, transparência, qualidade de gestão e zelo pelo bem público

. Modernidade total. . O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, visitou, na quinta-feira, a empresa Unicoba, no Distrito Industrial 1, responsável pela fabricação das lâmpadas de Led, que já estão sendo instaladas na cidade. . De acordo com o prefeito, o Led já está instalado no Parque dos Bilhares, nas avenidas Santos Dumont e no Boulevard Álvaro Maia. Ele explicou que a meta é aplicar o novo modelo de iluminação em toda Manaus até o fim do seu mandato. . “Estamos desenvolvendo um projeto para aplicar essa tecnologia em toda a iluminação pública da cidade nos próximos anos. Além de melhorar a iluminação, estamos investindo na segurança da população e investindo em uma empresa que gera mais empregos na nossa Manaus. Estou muito feliz em saber que tudo isso está sendo produzido pela nossa gente”, comentou o prefeito.

A bela Alessandra Brandão


Plateia

MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014

D3

Sérgio Mallandro vira um ajudante de Papai-Noel “É Natal, Mallandro” é o programa especial que o SBT/TV EM TEMPO preparou para a próxima terça-feira, dia 23 do programa “Esse Artista Sou Eu” (SBT), viver o Papai Noel. “Mas ele é um velhinho diferente. É descolado, tem uma roupa de roqueiro e uma moto personalizada”, conta ele, que pediu para fazer o papel no especial do SBT. “Gosto demais de fazer esse tipo de participação, pois dá na cara que eu não sei interpretar e fica engraçado.” Em plena noite de Natal, Mallandro terá de conseguir novos presentes para os órfãos. Para isso, ele contará com a ajuda de duas assistentes, a atrapalhada Esquerda (Marlei Cevada) e a certinha Direita (Nany People). Segundo a humorista Marlei, que faz parte do elenco de “A Praça É Nossa” (SBT), a Esquerda é mais parecida com Mallandro, o que dificulta sua busca pelos presentes. “Como ele, ela se distrai com tudo e acaba levando puxões de orelha da Direita, que é toda racional”, comenta Mar-

lei. “Juntos, eles vão passar pelos programas do SBT e pedir aos artistas presentes para as crianças”, completa. Assim, começa uma verdadeira bagunça pelos bastidores dos programas de Celso Portiolli, Eliana, Danilo Gentili, Patrícia Abravanel e Raul Gil, entre outros. “Esse trio vai aprontar muito com os apresentadores. Mas tudo isso acontece para que, no final, tenhamos uma mensagem muito positiva para o público”, comenta Mallandro. “O especial mostra que devemos manter a criança que existe em nós e que a verdadeira felicidade não está nos presentes”, complementa Marlei. Com contrato com o canal Multishow, Mallandro comemora o convite do SBT para fazer o especial. “Essa emissora é a minha casa. Quando me chamaram para fazer esse proMissão do Mallandro é inspecionar entrega de presentes

Ajudante se arrisca até a receber torta na cara

Sérgio Mallandro também visita Gentili e Otávio Mesquita

FEVEREIRO

Julio Iglesias confirma show Abrindo a temporada de shows da Fábrica de Eventos em 2015, o fenômeno da música romântica mundial faz uma apresentação histórica em Manaus. O site oficial do cantor espanhol Julio Iglesias confirmou esta semana que a única cidade brasileira a receber o espetáculo do cantor em 2015 será a capital amazonense. No dia 7 de fevereiro, o espanhol se despede dos palcos em um show que vai entrar para a história dos eventos realizados pela Fábrica, em Manaus. A apresentação será no Studio 5. Devido a um problema de saúde enfrentado no início de dezembro, após sofrer um acidente doméstico, o cantor Julio Iglesias precisou adiar a data da apresentação na capital amazonense, porém os ingressos com a nova data continuam à venda nas centrais. E devido à devo-

lução de alguns bilhetes, os setores com melhor localização para o espetáculo estão disponíveis novamente. Esta será a última chance para aqueles que desejam ver Julio Iglesias em cima de um palco, já que o cantor iniciou em setembro de 2014 sua turnê de despedida em solo brasileiro. Diversas cidades já receberam o concerto do espanhol e Manaus não poderia ficar de fora. Paixão O espanhol apaixonado pelo Brasil e por Manaus prometeu um espetáculo à altura de todos os anos de carreira. “Eu juro que o último concerto que farei no Brasil será em Manaus, no dia 7 de fevereiro de 2015. Falo em Manaus em toda minha vida, em todos os concertos, porque amo Manaus, amo o Amazonas”, disse o cantor.

Com 71 anos de idade, ele possui um repertório com sucessos dos 45 anos de carreira. Músicas que permearam gerações e são relembradas até hoje. Na lista das românticas, “Manuela”, “Coração apaixonado”, “Pelo amor de uma mulher”, “Devaneios”, “Me esqueci de viver”, “Nathalie”, “Crazy”, entre outras. Julio é considerado um dos artistas europeus mais bem sucedidos das últimas décadas, com 300 milhões de cópias de álbuns vendidas no mundo todo. Os ingressos estão à venda no Stand da Fábrica no Amazonas Shopping e bilheteria do Studio 5 ao preço de R$ 300 (frisa), R$ 350 (arquibancada), R$ 400 (cadeira lateral), R$ 450 (camarote por pessoa) e R$ 500 (cadeira central). Informações pelo 3303-0100.

grama, fiquei muito feliz. O roteiro, a história e a possibilidade de reencontrar os amigos apresentadores foi um verdadeiro presente de Natal”, diz o humorista. Por Alex Francisco

Para o humorista, convite para o projeto foi como um presente de Natal

FOTOS: DIVULGAÇÃO

S

ÃO PAULO, SP Uma boa noite de Natal tem que ter confusão. Pelos menos será assim no especial “É Natal, Mallandro!”, que o SBT exibe na terça-feira, às 21h. A atração é protagonizada pelo humorista Sérgio Mallandro, que vive um ajudante de Papai-Noel (Carlos Eduardo Miranda) encarregado de inspecionar a entrega de presentes. Mallandro acaba indo conferir se as crianças do orfanato Raio de Luz, da novela “Chiquititas” (SBT), receberam os presentes do bom velhinho. “Ele percebe que a decoração do orfanato não está legal e decide confiscar os brinquedos das crianças”, adianta Mallandro. “Como é uma eterna criança, ele acaba destruindo os presentes. Então, o Papai-Noel fica sabendo e está armada a confusão”, complementa o humorista. Coube a Miranda, jurado


D4

Plateia

MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014

OPINIÃO

A expansão de ‘universos’ no cinema F O TO

S

PERFIL

Micael Silva Cinéfilo e funcionário público

empre houve algo mágico em relação às trilogias. Três parecia o número perfeito quando se tratava de cinema. A trilogia clássica de Guerra nas Estrelas, Indiana Jones, O Poderoso Chefão, entre outros reforçavam essa convicção, e quando um filme fazia muito sucesso, era comum ouvir de seus criadores que desde o início imaginava sua obra como a parte ou ponto de partida de uma trilogia. Mas, a busca do lucro mudou um pouco esses valores, e as trilogias foram se tornando quadrilogias. Primeiro, Alien, depois Indiana Jones e, ainda, Máquina Mortífera e Missão Impossível. Quase nunca a opção se justificava, mas enquanto há interesse, Hollywood vai lançando continuações, e quando as ideias se esgotam, aí chega a hora dos remakes ou reboots (mas isso é assunto para outro artigo). Quando o número de sequências passa a exceder os dedos das mãos, tem-se o conceito de franquia. Isso é bastante comum no gênero de terror, em que os produtores parecem ávidos por secar a fonte de lucro o mais rápido possível. Mas, a noção de franquia mais bem sucedida de que se

tem notícia é 007, com filmes espaçados desde a década de 1960, com algumas trocas de intérprete e resultados satisfatórios, alguns ainda acima da média. Não é novidade que os filmes de quadrinhos “mandam nas paradas” atualmente. Apesar das experiências bem sucedidas da DC/Warner com Superman (desde 1978) e Batman (desde 1989), a verdade é o que gênero estava morto depois do fiasco Batman & Robin, em 1997. Mas foi a Fox, com a trilogia X-Men, e a Sony, com a trilogia Homem-Aranha, que mostraram até onde poderiam ir os super-heróis dos quadrinhos. A DC/Warner mudou o jogo com a trilogia Cavaleiro das Trevas. Faltava a Marvel, que via os estúdios fazerem sucesso com seus personagens, mas ainda não havia entrado no jogo a valer. Quando seus primeiros filmes começaram a emplacar (Homem de Ferro, Thor, Capitão América), a Marvel (agora com estúdio de cinema ligado à Disney) anunciou o filme Vingadores, e mudou o esquema. A moda agora era o “universo”. Explica-se, todos os seus filmes possuíam ligações uns com os outros, e um produtor em comum garantiria a

CHEFS

‘Noite Italiana’ para Janell Doyle Sete grandes nomes da gastronomia amazonense, que compõem o projeto “Chefs do Bem”, promoverão, dia 27, às 19h, o jantar beneficente “Uma Noite Italiana por um Futuro Melhor”, em prol do Lar Batista Janell Doyle. O evento, que marca a última ação de arrecadação financeira da instituição, será realizado no salão Klíssia Modas, localizado no bairro São Geraldo. O jantar terá um cardápio especial sob o comando dos chefs Zamir Mustafa (Chefs de Rua Manaus), Nelson Tubino (Bar Santa Brêja), Suzy Campos, Mônica Bastos, Carlos Santos, João Almeida (Cozinha do Português) e André Parente (Cachaçaria do Dedé), que também é um dos idealizadores do evento. Entre as delícias que se-

rão servidas, inspiradas na gastronomia italiana, estão a entrada “Tomate Gratinado”, os pratos “Carbonara do Dedé”, “Lasanha Bolô do Dedé” e “Penne Português do Dedé”, além da sobremesa “Panna Cotta de Frutas Vermelhas e Cupuaçu”. Voluntariado O jantar ainda terá a cooperação de 18 voluntários e estudantes de gastronomia da Faculdade Metropolitana de Manaus (Fametro), além da presença de um nutricionista e engenheiro de alimentos. Segundo Dedé Parente, o objetivo da ação é reunir pessoas sensíveis à causa e interessadas em colaborar com a instituição. “Nos responsabilizamos por servir e receber da melhor forma e com a maior qualidade

possível. Doar um pouco do que amamos fazer é a forma mais justa de retribuir e ajudar”, comentou. Ainda de acordo com ele, o projeto Chefs do Bem surgiu em 2013, quando os profissionais ainda cursavam a faculdade de gastronomia no Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (Ciesa) e tem a finalidade de promover ações, projetos e eventos gastronômicos beneficentes. Os ingressos para colaborar com a noite de delícias da Itália estão à venda, ao valor de R$ 70, na Cachaçaria do Dedé (Parque Dez, Manauara Shopping e Shopping Ponta Negra), loja Via Mia (Shopping Ponta Negra) e Lar Batista Janell Doyle. Mais informações pelo telefone: (92) 99214-8949. DIVULGAÇÃO

Comandantes locais da gastronomia unidos para arrecadação de recursos para instituição

homogeneidade entre eles. E a ideia continua, Vingadores 2 e 3 já foram anunciados, sempre entremeados por filmes-solo que perpetuam e expandem o “universo” Marvel. O sucesso da Marvel contagiou a DC/Warner, que já está preparando seu “universo”, que deve iniciar com Batman vs Superman: Dawnof Justice, que trará não só os personagens do título, mas Mulher Maravilha e Aquaman, e no futuro pode render uma Liga da Justiça. E enquanto os dólares caem na conta, outros estúdios querem sua quota. A Universal nunca soube o que fazer com seus monstros, agora Drácula, Frankenstein, Lobisomem podem seguir as pegadas dos Vingadores. E o que dizer de Guerras nas Estrelas? A Disney adquiriu a Lucas Art para desenvolver uma nova trilogia. Mas isso é pouco, não? Evidentemente, o uni-

S: DIV UL

GAÇÃ

verso Star Wars está para ser explorado, pois filmessolo já foram anunciados, à parte da nova trilogia, mas conectados ao universo. O céu é o limite, pois o século 21 abriu as portas para o multimídia. Assim, os filmes agora dialogam com séries de TV, quadrinhos, livros, jogos. E não mais de forma independente, como era antes. Tudo será canônico, como dizem, isto é, complementares entre si e pertencentes a um mesmo espaço. Vejamos até onde levarão essa tendência. Por enquanto, DC/ Warner e Marvel possuem calendário de estreias até 2020. Nesse meio tempo, os espectadores terão material de sobra para se divertir ( e os estúdios muito merchandising para fazer). Esperemos que a qualidade se mantenha.

O

Enquanto os dólares caem na conta, outros estúdios querem sua quota. A Universal nunca soube o que fazer com seus monstros, agora Drácula, Frankenstein, Lobisomem podem seguir as pegadas dos Vingadores”

PROGRAMAÇÃO DIVULGAÇÃO

Pelo menos 30 artistas estão com a responsabilidade de contar a origem do Natal

‘Circo da Alegria’ no Sumaúma Hoje, a partir das 20h, os artistas da Nova Igreja Batista, que há 13 anos promove musicais de grande repercussão em Manaus, leva para o Sumaúma Park Shopping, na Cidade Nova, a versão adaptada do espetáculo “Um Sonho de Natal: O Circo da Vida”, que está em cartaz na sede da igreja, na avenida Torquato Tapajós. Cerca de 30 artistas voluntários vão contar a história da criação do mundo, o nascimento, vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. A direção do musical promete um roteiro repleto de surpresas emocionantes. Uma das organizadoras do “Circo da Alegria”, Beatriz Guimarães, adianta que o espetáculo tem duração de 30 minutos, onde a história de Jesus Cristo é contada de uma maneira simples e interativa. “É uma peça em que as pessoas se identificam com os personagens, se divertem, se emocionam

e, com certeza, conseguem extrair uma mensagem de solidariedade e amor ao próximo que poderá ser colocada em prática no dia a dia”, disse. O “Circo da Alegria” tem a coordenação de Raiff Matos e, somente na temporada do ano passado, mais de 130 mil pessoas assistiram ao musical na Nova Igreja Batista. Vale ressaltar que tanto no shopping quanto na sede da igreja a entrada é gratuita. Coral Luzes Na segunda-feira (22), semana do Natal, o Coral Infanto-Juvenil Luzes da Igreja Adventista da Cidade Nova 1 se apresenta também no Sumaúma Park Shopping. O espaço oferecido ao grupo é uma maneira de agregar o centro de compras à comunidade do entorno e mostrar o talento dos artistas locais que exercem o trabalho voluntário por meio

da música. Sob a regência de Tharine Oliveira, o coral existe há seis anos e se apresenta em igrejas e eventos pela cidade. No shopping, os trinta integrantes do coral vão apresentar ao público uma cantata natalina com o tema “História de Natal”. A duração é de trinta minutos. Horários especiais O Sumaúma Park Shopping vai funcionar em horários especiais para que todos possam ficar em dia com a lista de presentes de fim de ano. Hoje, as portas do empreendimento estão abertas das 10h às 23h. Nos dias que antecedem o Natal, dias 22 e 23 de dezembro, o shopping funcionará das 9h às 23h. Nos dias 24 e 31 de dezembro, o horário será de 8h até 17h. Nos dias 25 e 1º de janeiro de 2015, o Sumaúma estará fechado.


Plateia

MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014

D5

Canal 1 plateia@emtempo.com.br

Bate-rebate

TV Tudo Parada obrigatória Após desmaiar durante uma passagem de som, no mês passado, Fafy Siqueira foi orientada pelo seu médico a dar um tempo. Parar com tudo e férias. Na volta, além de atuar ela já acertou a direção de duas produções teatrais. Nada ainda As especulações são muitas, algumas já dando como certas a troca de nomes no corpo de jurados do ”Superstar”, mas o fato é que não existe nada resolvido até agora, porque, internamente, na Globo, isto ainda nem entrou em questão. Nada ainda 2 Vale lembrar que no núcleo do diretor Boninho, do qual “Superstar” pertence, até pelas estreias que tem pela frente, as prioridades agora são outras. Entre elas, mais um “BBB” e a reformulação no “Vídeo Show”. Cinema Juan Alba, Tânia Khalill, Dan Stulbach, Gerald Thomaz e Maitê Proença fecharam uma participação no filme “Meu amigo Hindu”, dirigido por Hector Babenco e com Willem Dafoe no elenco. Os trabalhos serão

MÁRIO ADOLFO

GLOBO

Obra certa Maria Fernanda Cândido, agora em “Felizes para sempre”, série que estreia em 26 de janeiro na Globo, nem alimenta mais a expectativa de autores e diretores sobre trabalhos mais longos. Novela, por exemplo, nem pensar. A prioridade passou a ser a família, em São Paulo. Por causa disso, só está fechando contrato por obra certa. realizados em São Paulo, com todo diálogo em inglês. Retirada Luciana Gimenez e Marcelo de Carvalho levantaram voo na noite de ontem, sábado. Ao lado dos filhos, eles viajaram para as festas e férias em Nova York. Devem ficar um mês fora. A propósito Nesta última semana, como sempre fazem ao final de cada

exercício, Amilcare Dallevo e Marcelo de Carvalho foram almoçar para comemorar mais um ano de trabalho. A Rede TV! tem conquistado resultados importantes em seu processo de recuperação. Ferme la bouche A balança é algo que apavora moças do tempo na TV, porque a qualquer menor sinal de um quilinho a mais, elas são retiradas.

• Os fãs, alguns até mais exaltados, têm invadido as redes sociais de Xuxa em busca de respostas para seu futuro na TV... • Alguns fazem até apelos dramáticos, mas a apresentadora não se pronuncia... • Está aguardando o momento certo para isso... • Dia desses, ela teve que atender quase uma centena de pessoas que estavam na porta do seu condomínio, no Rio, cobrando uma explicação... • Falou calmamente com todos e disse que no momento certo irá se manifestar... • Manoel Carlos fez questão de comparecer a um evento no Projac para se despedir do exdiretor de Entretenimento, o amigo, Manoel Martins, que se aposenta no fim deste mês.

Marjorie não será ‘Priscila’ Disputadíssima por várias produções da TV Globo, Marjorie Estiano não será mais a protagonista da série “Doutora Priscila” na Globo. Já é um desfalque confirmado. Assim que encerrar sua participação em “Império”, ela irá se dedicar imediatamente a um outro trabalho, que é quase certo será uma nova novela. Marjorie Estiano foi o primeiro nome cogitado por Aguinaldo Silva após a desistência de Glória Pires.

Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery

C’est fini No SBT, a decisão sobre o “Vídeo Fama”, mix do “TV Fama” com “Vídeo Show”, ficou para o não que vem. Ou mais precisamente quando Silvio Santos voltar das férias nos Estados Unidos. Uma ala da emissora acredita que, até pelo tempo de gravação dos pilotos, o projeto não irá vingar. De qualquer forma, convém esperar. Ficamos assim. Mas amanhã tem mais. Tchau!

Márcio Braz * E-mail: plateia@emtempo.com.br

A racionalização do mundo

REGI

GILMAL

ELVIS

Max Weber em “A ética protestante e o espírito do capitalismo” discute como o capitalismo ocidental foi moldado a partir da disposição dos homens e de sua capacidade em “adotar certos tipos de conduta racional”. O autor, na introdução da obra, de maneira esparsa mas esclarecedora, busca situar o leitor no sentido de esclarecer que a humanidade sempre produziu algum tipo de capitalismo, desde a Índia até o Egito, mas que só o ocidente engendrou um tipo novo e definitivo de capitalismo a partir dos fatores que citamos acima. A separação do local de trabalho do ambiente doméstico e a criação de uma contabilidade racional também foram fatores determinantes para o surgimento do capitalismo ocidental. Quando o obstáculo espiritual é vencido pelo racionalismo é que se criam as condições, no plano econômico, para o desenvolvimento do capitalismo e é nisto que consiste o objeto da investigação de Max Weber e de sua teoria sobre a racionalização. Estudos empreendidos pelo autor como os relacionados à música racional são pouco estudados pelos cientistas sociais. Talvez, como nos disse Renan Freitas pinto, esta observação se dê pelo fato de que muitos não tenham ainda intimidade com as formas tradicionais de notação musical. A própria notação é a forma racional por excelência na música. Nada pode ser reproduzido sem a sua fatura, embora sabemos que diversos equipamentos de reprodução são auxiliares neste processo mas só a notação musical e sua precisão matemática podem definir o conjunto musical. Mas por que só o Ocidente foi, digamos, privilegiado para que fosse desenvolvido o tipo mais acabado de capitalismo? Weber responde fazendo pequenos apontamentos

sobre o racionalismo no mundo. Cita, por exemplo, os casos da Índia, China, Babilônia e Egito, latitudes conhecedoras da astronomia mas para que fosse processado seu desenvolvimento, faltava a fundamentação matemática que lhes foi fornecida pelos gregos. O mesmo aconteceu às ciências naturais indianas cujo desenvolvimento no campo da observação se deu por conta do experimentalismo do Renascimento. Às teorias políticas asiáticas faltava um método racional de análise como o de Aristóteles, assim como à historiografia chinesa faltava o método de Tucídides. O capitalismo sempre existiu em diversas culturas no mundo, “inclusive com uma considerável dose de racionalização”. Mas o ocidente desenvolveu “tipos, formas e direções” que determinaram sua tez. Um tipo novo de racionalismo assentado “no trabalho livre (formalmente pelo menos).” Assim como o mundo não conheceu uma organização racional do trabalho fora do moderno Ocidente, Weber afirma que também não existiu antes nenhum “socialismo racional”. Existiram tipos primitivos de socialismo (abastecimento coletivo, política previdencial dos príncipes, racionamento etc), mas o conceito de “burguesia” só existira no moderno Ocidente. É neste sentido que as formas burocráticas também cumprem um papel decisivo no campo da racionalização no Ocidente. Os processos administrativos e de documentação de registro encontraram no mundo Ocidental parâmetros significativos que justificam o conceito de planejamento. Não que antes a elaboração de estratégias fossem ausentes, mas é no Ocidente que elas ganham contornos mais elaborados.

Márcio Braz *ator, diretor, cientista social e membro do Conselho Municipal de Política Cultural

O capitalismo sempre existiu em diversas culturas no mundo, “inclusive com uma considerável dose de racionalização”. Mas o ocidente desenvolveu “tipos, formas e direções” que determinaram sua tez”


D6

Plateia

MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014

Programação de TV

SBT

DIVULGAÇÃO

GLOBO

3h45 Jornal Da Semana Sbt 5h Brasil Caminhoneiro 5h30 Planeta Turismo 6h30 Vrum 7h Mundo Pet 7h45 Chaves 9h Domingo Legal 13h Eliana 17h Roda A Roda Jequiti 17h45 Sorteio Da Telesena 18h Programa Silvio Santos 22h De Frente Com Gabi 23h Nikita 0h15 Rizzola & Isles 1h Pessoa De Interesse 2h Big Bang 3h15 Jogo Da Gente “Madagascar 3” está em cartaz em “Temperatura Máxima”

Horóscopo GREGÓRIO QUEIROZ ÁRIES - 21/3 a 19/4 Um dia para ter uma visão sem ilusões a respeito de si mesmo, e também de sentimentos e afeições. Pode ser desconcertante, mas você se perceberá com mais clareza. TOURO - 20/4 a 20/5 Sua relação com o prazer sensual precisa ser transformada e refinada. A manutenção de seus princípios deve impedir algo que lhe agrada, mas lhe faz mal. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Seus desejos afetivos podem ser negados por situações duras e impositivas. As relações sociais e as amizades sofrem por isso algum tipo de baque ou mesmo uma perda. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Momento para olhar de perto os aspectos mais difíceis e conflituosos em sua profissão. As ilusões que pudesse estar alimentando no trabalho serão transfiguradas. LEÃO - 23/7 a 22/8 A realidade imediata impõe os caminhos do dia. O cultivo de pensamentos agradáveis, mas talvez superficiais, será interrompido bruscamente por urgências práticas. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Sentimentos fortes tendem a invadir, perturbar e mudar a sempre frágil harmonia das relações afetivas. Pode haver uma decepção consigo mesmo ou com a pessoa amada.

4h Igreja Universal

3h11 Mentes Criminosas 3h55 Série

4h30 Santa Missa 5h30 Amazônia Rural 6h Pequenas Empresas, Grandes Negócios 6h33 Globo Rural 7h30 Auto Esporte 8h Esporte Espetacular (Motocross Estilo Livre) 11h Esquenta 12h30 Sai Do Chão - Michel Teló 13h35 Especial Didi E O Segredo Dos Anjos 14h50 Temperatura Máxima - Madagascar 3 - Os Procurados 16h25 Domingão Do Faustão 19h Fantástico 21h18 Domingo Maior Homem De Ferro 2 23h12 Sessão De Gala - Coração Louco 1h03 Corujão - Acho Que Amo Minha Mulher 2h28 Mentes Criminosas

Cinema

BAND 4h Power Rangers – Na Galáxia Perdida 5h30 Santa Missa No Seu Lar 6h30 Sabadão Do Baiano 7h Power Rangers + Jimmy Neutron 8h30 Palavra Cantada 8h45 Informercial – Polishop 9h45 Verdade E Vida 10h Irmão Caminhoneiro – Boletim 10h05 Pé Na Estrada 10h30 Indy 2014 – Retrospectiva 11h30 Band Esporte Clube 12h30 3º Tempo 13h45 Torneio Internacional De Futebol Feminino – Ao Vivo 16h10 3º Tempo 16h30 Torneio Internacional De Futebol Feminino – Ao

Vivo 19h Só Risos 20h Policia 24h 21h Pânico Na Band 0h Canal Livre 1h Alex Deneriaz 1h35 Show Business – Reapresentação 2h25 Igreja Universal

RECORD 4h Santo Culto Em Seu Lar 4h30 Desenhos Bíblicos 7h30 Record Kids – Pica Pau 9h Domingo Show 13h30 Hora Do Faro 17h30 Domingo Espetacular 21h15 Tela Máxima Especial 23h15 Programação Iurd

Cruzadinhas

PRÉ-ESTREIAS (SOMENTE QUARTA-FEIRA) Operação Big Hero 6: EUA. Livre. Grupo de seis super-heróis é recrutado pelo governo para proteger os Estados Unidos. Cinemark 2 – 12h20, 14h50, Cinemark 7 – 13h50 (3D/dub), 16h30, 19h (3D/ dub); Kinoplex 1 – 13h40 (dub), Kinoplex 3 – 16h10, 18h25 (3D/dub); Playarte 4 – 13h10, 15h30 (dub), 13h20, 15h40, 18h (dub). Êxodo – Deuses e Reis: ING-EUA. 14 anos. Uma história sobre a coragem de um homem para derrubar o líder de um império. Usando efeitos 3D de imersão, Scott traz à vida a batalha entre Moisés (Christian Bale), no momento em que ele ascende contra o faraó Ramsés (Joel Edgerton), levando 400 mil escravos a uma jornada monumental para escapar do Egito e das pragas que o aterrorizam. Cinemark 4 – 20h30 (3D/dub), Cinemark 7 – 21h30 (3D/ dub); Kinoplex 3 – 20h40 (3D/dub); Playarte 1 – 20h (3D/dub).

ESTREIAS Homens, Mulheres e Filhos: EUA. 16 anos. Adultos, adolescentes e crianças amam, sofrem, se relacionam e compartilham tudo, sempre conectados. A internet é onipresente e, nesta grande rede em que o mundo se transformou, as ideias de sociedade e interação social ganham um novo significado. Algumas situações como um casal que não tem intimidade; uma garota que quer ser uma anoréxica melhor; um adolescente que vive em num mundo de pornografia virtual, fazem o expectador repensar a relações humanas. Kinoplex 4 – 21h05 (diariamente).

A Noite da Virada: BRA. 12 anos. Durante uma festa de Réveillon na casa de Ana (Julia Rabello) e Duda (Paulo Tiefenthaler), o banheiro é o foco de todas as fofocas e polêmicas. É onde Duda confessa à esposa que vai deixá-la pela vizinha Rosa (Luana Piovani), que, por sua vez, leva um casamento bem monótono com Mario (Marcos Palmeira). É também onde Alê (Luana Martau) conta a Ana suas aventuras sexuais com o namorado (João Vicente de Castro), e onde um convidado traficante (Taumaturgo Ferreira) faz os seus negócios. Na noite da virada do ano, tudo pode acontecer. Cinemark 1 – 11h10, 13h40 (diariamente), 16h15, 18h30, 20h45 (exceto quarta-feira), 23h10 (somente sábado); Kinoplex 4 – 13h05, 15h05, 17h05, 19h05 (diariamente); Playarte 3 – 13h15, 15h15 (somente quarta-feira), 13h20, 15h20, 17h20, 19h20, 21h20 (exceto quarta-feira), 23h20 (somente sexta-feira e sábado).

LIBRA - 23/9 a 22/10 O momento requer uma revisão das relações afetivas e do modo como confia nas pessoas. É preciso não se empolgar superficialmente, para evitar mais desilusões ainda. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 Vênus em conflito com Plutão, seu regente, indica mudança forçada e imprescindível no trabalho e na lida com conforto e hábitos de saúde. Cuide bem das outras pessoas. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Tendência a viver fortes conflitos no amor, em seus sentimentos e com a pessoa amada. Você sonhou errado e agora a realidade lhe cobra voltar ao que faz sentido de verdade. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Possível rejeição ao que tentem lhe trazer de bom e agradável. Sua insatisfação ou angústia perturba o clima emocional a sua volta, e em especial em seu lar. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Momento para aprender sobre o amor e sobre a maneira de se aproximar das pessoas. Algum impedimento exige refinar e ampliar o uso da sensibilidade nas relações. PEIXES - 19/2 a 20/3 As situações exigem dispor de suas coisas de modo mais impessoal O gosto por certos bens materiais é contrariado frontalmente, exigindo rever o apego que mantém com eles.

CONTINUAÇÕES O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos: EUA. 10 anos. Cinemark 4 – 13h30 (3D/dub/diariamente), 16h40, 20h (3D/dub/exceto quarta-feira), 23h (3D/dub/somente sábado), Cinemark 5 – 12h30, 15h40 (dub/diariamente), 18h50, 22h (3D/dub/exceto quartafeira), Cinemark 8 – 21h (dub/somente quarta-feira), 11h30 (dub/exceto domingo), 14h40 (dub/diariamente), 17h50 (dub/exceto quarta-feira); Kinoplex 3 – 13h10 (3D/dub/diariamente), 20h45 (3D/dub/somente segunda-feira e terça-feira), Kinoplex 5 – 14h10, 17h20, 20h30 (3D/dub/diariamente); Playarte 1 – 14h, 17h (3D/dub/exceto quarta-feira), 14h30 (3D/dub/somente quarta-feira), 20h (3D/leg/somente segunda-feira e terça-feira), 23h (leg/somente sexta-feira e sábado), Playarte 5 – 14h30, 17h30, 20h30 (leg/exceto

quarta-feira), 15h (leg/somente quartafeira), 23h20 (leg/somente sexta-feira e sábado), Playarte 6 – 12h30, 15h20, 18h10, 21h (dub/exceto quarta-feira), 14h (dub/somente quarta-feira), 23h50 (dub/somente sexta-feira e sábado), Playarte 7 – 18h11, 21h01 (dub/exceto quarta-feira). Ouija – O Jogo dos Espíritos: EUA. 14 anos. Cinemark 2 – 17h20, 19h30, 21h45 (dub/exceto quarta-feira), 0h (dub/somente sábado); Kinoplex 2 – 14h20, 18h50, 21h (dub/diariamente). Caçada Mortal: EUA. 14 anos. Playarte 2 – 14h45, 19h, 21h15 (dub/ exceto quarta-feira), 15h (dub/exceto quarta-feira), 23h30 (dub/somente sexta-feira e sábado).

As Aventuras de Paddington: ING - FRA. Livre. Cinemark 7 – 11h20 (dub/diariamente). Quero Matar Meu Chefe 2: EUA. 12 anos. Cinemark 7 – 21h30 (dub/ somente segunda-feira e terça-feira); Playarte 9 – 13h10, 15h35 (dub/somente quarta-feira), 13h30, 15h45, 18h, 20h15 (dub/exceto quarta-feira), 22h3, (dub/somente sexta-feira e sábado). Jogos Vorazes – A Esperança (Parte 1): EUA. 14 anos. Cinemark 3 – 11h15, 14h (dub/diariamente), 17h05 (dub/somente sábado), 20h10 (dub/somente segunda-feira e terçafeira), 23h20 (dub/somente sábado); Kinoplex 1 – 16h, 18h35, 21h (dub/ diariamente); Playarte 4 – 20h20 (dub/ exceto quarta-feira), 22h50 (dub/so-

mente sexta-feira e sábado), Playarte 10 – 20h40 (leg/exceto quarta-feira), 23h20 (leg/somente sexta-feira e sábado), 12h50, 15h20 (dub/somente quarta-feira), 13h, 15h30 (dub/somente quarta-feira), 13h, 15h30, 18h (dub/ exceto quarta-feira). Debi e Lóide: EUA. 12 anos. Kinoplex 2 – 16h30 (dub/diariamente); Playarte 8 – 13h, 15h20, 21h15 (dub/ exceto quarta-feira), 13h, 15h25 (dub/ somente quarta-feira), 23h30 (dub/somente sexta-feira e sábado). Interestelar: EUA. 12 anos. Playarte 8 – 17h40 (dub/exceto quarta-feira). Drácula – A História Nunca Contada: EUA. 14 anos. Playarte 2 – 12h50, 17h05 (dub/exceto quarta-feira), 13h (dub/somente quarta-feira).


Jander Vieira jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br jandervieira

Na festejadíssima ‘Em Visão Fashion Day’ sob o comando dos vitoriososirmãos Gigi e Jefferson Cunha, na noite apoteótica de mais um lançamento da revista nos domínios do Shopping Ponta Negra

Skindô promete

Passadas as comemorações do final do ano, a comunidade carnavalesca de Manaus promete agitar (com total qualidade) as quadras das escolas de samba durante o período momesco. Prova disso é a trupe da Aparecida que movimenta seu espaço com ensaios irados – com total segurança – aos domingos, levando à ala jovem e bonita da cidade ao delírio. Vale conferir!

Sala de Espera

Ontem, Zeina Neves, Najla Akel, Patrícia Francalacci, Núbia Lentz e Samantha Seixas trocaram de idade. Os cumprimentos da coluna.

Hoje, Emerson Santos e Eduardo Brandão estão aniversariando. Viva! Gilce Jatahy pilota amanhã festão daqueles para celebrar seu niver no endereço chique do Ephygênio Salles As bandas Rahvox e Moinhos de Vento se apresentam, hoje, no projeto “Música na

Praça”, do Manaus Plaza Shopping. Os shows são na Praça de Alimentação do centro de compras, das 19h às 21h. Amanhã tem coffee break de apresentação do Salão de Automóvel, às 10h, no Sumaúma Park Shopping. Bárbara Aquino e Júnior Vieira convidam para conferir o batizado do bambino Henrique, no próximo dia 27, na igreja Nossa Senhora de Nazaré seguido de almoço no salão de festas do Obra Prima.

Alta gastronomia

Com menu especial comando por Zamir Mustafa, Nelson Tubino, Suzy Campos, Mônica Bastos, Carlos Santos, João Almeida e André Parente, acontecerá no próximo dia 27, o evento “Chefs do Bem”, às 19h, trata-se do jantar beneficente “Uma Noite Italiana por um Futuro Melhor”, em prol do Lar Batista Janell Doyle. O evento, que marca a última ação de arrecadação financeira da instituição, será realizado no salão Klíssia Modas.

Retoques

O entorno do Teatro Amazonas começa a receber os primeiros preparativos para mais uma edição do concerto de natalino da SEC. O Glorioso promete repetir o sucesso dos anos anteriores levando as famílias manauenses (em peso) ao Largo de São Sebastião. Vale agendar o majestoso dia, viu?

Endereço novo

O Shopping Ponta Negra vai apresentar mais uma opção para os clientes, com a inauguração de uma pop-up store da Pedrosa Distribuidora, conhecida loja de produtos de material escolar, papelaria e de escritório. Quando? A partir de hoje, no segundo piso do centro de compras. A Pedrosa vem para contribuir e dar maior comodidade aos clientes que procuram itens de papelaria, descartáveis, material escolar, presentes e embalagens.

A primeira-dama Edilene Melo esbanjou simpatia e elegância discreta durante a diplomação do maridão José Melo, governador recém-diplomado

O renomado ortodontista Maurício Ferreira é só felicidade com o inovador tratamento ortodôntico ‘Invisaling’ pioneiro em seu consultório. Vale conferir! www. mauricioferreira.odo.br

ANA CLAUDIA JATAHY

No jantar divertido no Zefinha Bistrô pilotado pelo quarteto Lucina Coimbra, Adriana Cidade, GiselyChamma e Marcela Catunda celebrando encontro de Natal

D7 FOTOS: JANDER VIEIRA

Plateia

MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014

Iluminação

Manaus terá mais de 90% de iluminação pública de Led. Quem avisa é o prefeito Arthur Virgílio Neto, durante sua visita, a empresa Unicoba, no Distrito Industrial 1, responsável pela fabricação das lâmpadas de Led, que já estão sendo instaladas na cidade. De acordo com o prefeito, o Led já está instalado no Parque dos Bilhares, nas avenidas Santos Dumont e no Boulevard Álvaro Maia. Ele explicou que a meta é aplicar o novo modelo de iluminação em toda Manaus até o fim do seu mandato. Aplausos.

Renato Rayol e sua Juliana desfilando alto-astral na noite de celebração aos arquitetos no Dulcilas da Ponta Negra


Plateia

D8

MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014

Nova temporada de ‘Sai do Chão’ estreia na Globo S

ÃO PAULO, SP - A partir de hoje, às 12h30, novos artistas comandam uma mistura musical no palco do “Sai do Chão” (Globo). A atração chega à sua segunda temporada, apostando em cantores que têm experiência na estrada: Alexandre Pires, Maria Rita, Márcio Victor (do Psirico), o grupo Sorriso Maroto e Victor & Leo. “Não sabíamos se o programa teria uma segunda temporada, mas a primeira deu certo. Então, esta segunda vem com nomes de peso”, diz o diretor Luiz Gleizer. “Desta vez, os músicos e os convidados estarão mais próximos da plateia formada por 750 pessoas.” Em alta, o sertanejo Michel Teló comanda o programa de estreia e, como os demais apresentadores, foi surpreendido por um camarim personalizado com objetos e fotos que lembram sua trajetória na música. “A galera da produção fez um camarim muito bonito. Foi um dos mais especiais que eu já tive”, elogia o cantor. No palco, Teló vai cantar com Thiaguinho, Leonardo, Aviões do Forró e a dupla sertaneja Jads & Jadson. “O Brasil é essa mistura musical, e nós vamos

mostrar isso no programa.” O segundo a apresentar o “Sai do Chão” é Alexandre Pires. Ele deve cantar com Gusttavo Lima, Daniela Mercury, Alcione e Só pra Contrariar. “O bacana dessa atração é que vou poder contar um pouco da minha história, dividir o palco com pessoas que influenciaram minha carreira, e isso é motivo de

INTERAÇÃO

Último programa da temporada será comandado por Márcio Victor, do Psirico, que fez sucesso no Carnaval de 2014 com o hit “Lepo Lepo” e ainda se apresentar com os regueiros da Onze:20 orgulho para mim.” Um encontro especial está reservado para o primeiro programa de 2015, que será comandado por Maria Rita. Ela cantará com Demônios da Garoa, Fundo de Quintal, Sérgio Reis, Rodrigo Maranhão e Marcelo D2. “O programa com a Maria Rita ainda terá uma convidada surpresa”, diz o diretor Gleizer.

Empolgada, a dupla sertaneja Victor & Leo avalia como positiva a experiência de apresentar um programa de TV. “Nós estamos acostumados a comandar um show com uma plateia grande, mas não olhar o tempo todo para as câmeras. Nos divertimos muito no papel de apresentadores”, diz Victor. “Quem vive na estrada fazendo shows se empolga no palco, então, vou aparecer todo suado no vídeo. As pessoas vão se divertir”, conta Leo. A dupla cantará com Milionário & José Rico, Banda Malta, Wesley Safadão e lançará uma nova cantora: Luciana Villar. “Essa é a uma das novidades do programa. Além de escolher os artistas que estarão no palco com a gente, podemos lançar um novo artista, que tenha um trabalho parecido ao nosso”, comenta o sertanejo Victor. De acordo com Leo, o ponto alto do programa que vão apresentar é o encontro inusitado com a banda Malta e o forró de Wesley Safadão. “A Banda Malta veio para mostrar uma nova fase do rock nacional, e o Wesley é um fenômeno no Nordeste e que o resto do Brasil ainda não conhece”, diz. Por Alex Francisco

Leo (à direita) revela que um dos pontos fortes do programa é o encontro com a banda Malta

SAGA

OSCAR

Livro disseca mundo de ‘Thrones’

Filme brasileiro está fora da disputa por estatueta e o polonês “Ida”, do diretor Pawel Pawlikowski, consagrado na última edição dos Prêmios do Cinema Europeu. “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho” acompanha o romance entre dois adolescentes gays e foi visto por mais de 200 mil pessoas no Brasil -onde a média de público para filmes independentes é de 10 mil pessoas.

SÃO PAULO, SP - Notícia boa para os fãs de “Game of Thrones”: George R. R. Martin acaba de lançar um novo livro sobre o mundo de Westeros. Notícia ruim para os mesmos fãs: não é o esperado sexto volume da série “As Crônicas de Gelo e Fogo”. Em parceria com Elio M. Garcia Jr. e Linda Antonsson, casal dono do site westeros. org, dedicado à saga, ele escreveu uma ampla e detalhada enciclopédia com a história do mundo que criou. Elio e Linda conheceram Martin em 1998 para pedir autorização para usar sua criação em um jogo de RPG. “Na época era fácil encontrar o e-mail dele na internet e ele respondia a tudo o que os fãs escreviam, já que recebia poucas mensagens por semana”, conta Elio em entrevista, também por e-mail.

Desde então, o casal manteve contato com o escritor, chegando a ler seus manuscritos antes dos outros para checar erros de continuidade. “George já nos perguntou se algo que está escrevendo contradiz o que ele tinha falado antes”, diz Linda. Em uma visita à casa do autor em Santa Fé, nos Estados Unidos, em 2004, Martin contou à dupla que sua editora havia sugerido que ele escrevesse um guia ao universo de Westeros e os convidou para embarcar no projeto com ele. Somente dois anos depois a ideia saiu do papel e os trabalhos começaram. “O plano original era que nós dois escrevêssemos a maior parte do material. George iria nos dar informações para preencher as lacunas”, conta Elio. “Mas ele começou a escrever algumas páginas para dar uma contri-

buição extra”, completa ele. As páginas foram se multiplicando. “Ele escreveu entre 250 mil e 300 mil palavras de material, muito rapidamente”, diz Linda. O casal teve liberdade para criar algumas informações. “Mas tudo foi lido por George. Algumas ideias ele manteve, outras ele expandiu, outras mudou um pouco e outras ele descartou e reescreveu”, conta Elio. “No começo, achamos que o livro seria 80% nosso e 20% de George. Mas acabou em 50% para cada um, o que é fantástico”, completa Linda. Rico em ilustrações, o livro tem árvores genealógicas dos personagens, relembra guerras, alianças e casamentos, compila curiosidades e mapas. Há um capítulo sobre cada família e localidade da série. Linda e Elio dizem não saber quando o próximo volume da

série será lançado por Martin, mas já leram alguns capítulos --sobre os quais não revelam nada. “Achamos que antes de o livro ser publicado ele nos enviará o manuscrito para checarmos a continuidade”, afirma Linda. Embora saibam mais sobre o futuro da trama que o resto dos leitores, os dois dizem que não discutem teorias polêmicas sobre a obra com o autor -a mais famosa delas é a de que o mocinho sofredor Jon Snow não é filho bastardo do heroico Ned Stark. Sobre a série, para a qual dão consultoria de vez em quando, Linda diz: “Pelo que sei da próxima temporada [que estreia em abril], não saberia dizer se ainda considero o programa uma adaptação do livro. É mais algo levemente baseado nele”. Por Fernanda Reis DIVULGAÇÃO

DIVULGAÇÃO

SÃO PAULO, SP - A Academia de Hollywood divulgou a lista dos nove filmes finalistas ao Oscar de melhor filme estrangeiro, e o brasileiro “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”, do cineasta Daniel Ribeiro, está fora da disputa. Entre os filmes que seguem na corrida pela estatueta se destacam o argentino “Relatos Selvagens”, de Damián Szifrón

DIVULGAÇÃO

Programa está no segunda temporada de veiculação e traz nomes como Alexandre Pires, Maria Rita e Sorriso Maroto

Longa nacional atraiu mais de 200 mil às salas no Brasil Embora seja uma boa notícia, novo livro não é o tão esperado sexto volume da série “As Crônicas de Gelo e Fogo”


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
EM TEMPO - 21 de dezembro de 2014 by Amazonas Em Tempo - Issuu