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EM TEMPO - 21 de junho de 2015

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O JORNAL QUE VOCÊ LÊ

ANO XXVII – N.º 8.790 – DOMINGO, 21 DE JUNHO DE 2015 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO

INVASÃO CHINESA

DIEGO JANATÃ

UMA ESPÉCIE DE “CHINATOWN” EM MANAUS. É ESSA A IMPRESSÃO QUE TEMOS QUANDO VAMOS AO CENTRO E NOS DEPARAMOS COM A INVASÃO CHINESA. NÃO PARA POR AÍ. ALÉM DO COMÉRCIO VAREJISTA, A INDÚSTRIA, A GASTRONOMIA, A CULTURA E OS NEGÓCIOS TAMBÉM SÃO REALIDADE NO NOSSO COTIDIANO. PARECE QUE O “MADE IN CHINA” VEIO MESMO PARA FICAR. POLÍTICA A8, ECONOMIA B1, B4 E B5, DIA A DIA C3 A C5 E PLATEIA D1

Os riscos da redução da maioridade

DOMINGO

CURUMIM

País B6

Em homenagem ao Dia do Cinema Brasileiro, o Curumim conta algumas curiosidades sobre a sétima arte. Curumim

Os antigos festivais de Parintins

PT perde força no Amazonas

Dia a dia C1

Política A7 CARLOS QUEZADA/AGIF

DIVULGAÇÃO

Paçoca, canjica, arroz doce, bolos de todos os tipos... Como aproveitar as comidas típicas juninas sem brigar com a balança? Saúde F4 e F5 DIVULGAÇÃO

O empresário Foster Huntington (foto), 27, deixou a vida agitada de Nova York para construir uma casa e um escritório sobre árvores. Imóveis & Decor 7 IONE MORENO

ELENCO O universitário Lucas Begnini (foto) tem 24 anos e não viveu a década de 80, mas se dedicou a fazer uma releitura de dois jogos daquela época. Elenco 12

Ausência do principal craque da seleção brasileira obrigou Dunga a rever estratégias para avançar na Copa América

FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ELENCO, CURUMIM E IMÓVEIS&DECOR.

Sem Neymar, a seleção brasileira joga hoje contra a Venezuela de olho na classificação para a segunda fase da Copa América, disputada no Chile. O jogo decisivo para o time de Dunga será às 17h30. Pódio E5

TEMPO EM MANAUS

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A2

Última Hora

MANAUS, DOMINGO, 21 DE JUNHO DE 2015

Homem é assassinado em bar no bairro Parque 10 O despachante aduaneiro Robson Maia Saltão foi alvejado com dois tiros, pelas costas, na noite da última sexta-feira

DIEGO JANATÃ

DANIEL AMORIM Equipe EM TEMPO

O

despachante aduaneiro Robson Maia Saltão, 49, foi assassinado a tiros na noite da última sexta, nas dependências do Bambu Bar, na rua 25, Parque 10, Zona Centro-Sul de Manaus. O bar fica localizado em uma praça pública e os frequentadores são alocados a céu aberto, próximo a rua. De acordo com a sobrinha da vítima, que preferiu não se identificar, Robson foi ao bar beber com uns amigos, no início da noite. Ele levantou da mesa e foi até a esquina conversar com outros amigos na esquina da rua Carlos Lecor (também conhecida como rua 25), quando dois homens se aproximaram em uma moto preta, com placa não-identificada, e efetuaram três disparos nas costas da vítima. Contudo, na versão da Polícia Civil, testemunhas informaram que Robson estava sentado na mesa do bar, quando os dois homens que desceram da motocicleta foram até ele e dispararam os três tiros pelas costas, causando tumulto no bar. Ele foi socorrido por

uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e, por volta das 20h30, foi encaminhado ao hospital e pronto Socorro 28 de Agosto, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. Duas balas perfuraram o tórax de Robson. O caso foi registrado no 12º Distrito Integrado de Polícia e será investigado pela Delegacia Especializadas em Homicídios e Sequestros (DEHS). A sobrinha da vítima não soube identificar as motivações do crime. “Meu tio era um homem tranquilo e trabalhador. Espero o resultado das investigações para afirmar qualquer conclusão a respeito”, disse. Robson morava com a irmã de criação e era locatário de uma casa localizada na mesma rua. Inquilinos afirmaram que Robson jamais apresentou qualquer sinal de conduta suspeita, que pudesse motivar esse crime. O corpo de Robson foi velado ontem pela manhã na funerária Canaã, no boulevard Álvaro Maia, e seguiu para o cemitério do Tarumã, Zona Oeste, por volta das 16h. A reportagem do EM TEMPO tentou contato com o proprietário do bar, mas até o momento não obteve sucesso.

O crime ocorreu por volta das 8h da última sexta-feira e, segundo testemunhas, o bar, que fica a céu aberto, estava lotado

VISITA

SUB-20

Brasil perde título na prorrogação

AP-PHOTO

Apesar de dominar a maior parte do jogo, o Brasil perdeu com placar de 2x1 para a Sérvia

O Brasil dominou a maior parte do jogo, buscou o empate no tempo normal, mas acabou derrotado pela Sérvia na prorrogação por 2 a 1, na madrugada do último sábad, em Auckland, na Nova Zelândia. Assim, ficou com o vicecampeonato Mundial sub-20. A seleção brasileira dominou a maior parte do jogo, teve mais posse de bola e finalizou quase o dobro que a seleção sérvia. Mas saiu atrás do placar com gol de Mandic, em vacilo de João Pedro. O empate veio com Andreas Pereira, que fez fila na zaga da seleção sérvia e marcou um golaço. O jogo foi para o tempo extra e o Brasil continuou melhor. No fim da prorrogação, porém, Maksimovic decidiu o título no contra-ataque. Fases do Jogo A Sérvia começou um pouco melhor, mas foi o Brasil quem assustou primeiro. Aos 9 minutos, Jean Carlos pegou bonito de primeira na entrada da área, mas o goleiro sérvio

fez boa defesa. O Brasil voltou a levar perigo em grande jogada de Gabriel Jesus dez minutos depois. O camisa 10 arrancou pela ponta direita, deu drible da vaca no zagueiro e bateu forte para mais uma boa defesa de Rajkovic. Na sequência do lance, cobrança de escanteio. E Lucão perdeu ótima chance de cabeça. Na metade do primeiro tempo, o Brasil já dominava a partida, com mais posse de bola e chances criadas, enquanto Sérvia se fechava atrás, apostando na bola parada. A partida voltou a ficar equilibrada. O Brasil voltou superior dos vestiários. Nos 4 primeiros minutos, duas boas finalizações. Primeiro com Danilo, após bate rebate na área da Sérvia, e depois com Marcos Guilherme, que chutou para defesa de Rajkovic. Os sérvios chegaram com perigo aos 14 minutos. E Jean salvou o Brasil após chute cruzado de Gajic. A Sérvia equilibrou as ações e chegou aos gol aos 24 minutos. Maksimovic

cruzou da direita, João Pedro não acompanhou e Mandic completou para as redes. Mas a reação do Brasil veio dois minutos depois. Andreas Pereira, que entrou no lugar de Boschilia, enfileirou três sérvios e bateu forte e cruzado para empatar. Golaço! Na metade final do jogo, a Sérvia acusou o cansaço e não arriscou mais contra-ataques, enquanto o Brasil buscava a virada. Apito final; tempo extra. Prorrogação O Brasil dominou completamente os primeiros 15 minutos. Quase virou o placar duas vezes com jogadas de Malcom, que entrou muito bem na partida e fez o que quis pelo lado direito do campo. No início do segundo tempo da prorrogação, a Sérvia encaixou contragolpe e Maksimovic não marcou por um triz. No fim do tempo extra, porém, o castigo: Maksimovic recebeu de cara para Jean após contra-ataque e dessa vez só tirou do goleiro brasileiro para decidir o título.

Lição fora da sala de aula Os alunos do curso de engenharia civil da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) realizaram na manhã de ontem, uma visita técnica às obras do residencial Soberane, principal empreendimento local da SKN Incorporadora. Na ocasião, guiados pelo engenheiro responsável pela obra, Rinaldo Silveira, os alunos foram apresentados aos projetos executivos das obras, puderam observar suas tipologias, etapas já executadas e futuras etapas. A atividade teve grande participação dos acadêmicos, que se mostraram motivados com a apresentação do empreendimento. A aluna Alice Barroso, 19, conta que a visita técnica teve a função de ponderar diferenças e semelhanças. “O engenheiro que nos acompanhou, passou muitas dicas e ensinamentos aprendidos durante seu tempo de trabalho”. O engenheiro Rinaldo Silveira explica que a visita técnica apresentou aos alunos uma visão específica da fundação proposta, com o intuito de alertá-los para os desafios da profissão, sempre buscando novas tecnologias. “Toda a teoria dada em sala de aula pode ser avaliada na prática com a visita técnica”. Para o acadêmico Stephano Basílio Nazarian, 19, foi um aprendizado. “ Com um atividade assim, nosso ponto de vista de expande e podemos conferir de forma real um projeto”.

FÓRMULA 1

Lewis Hamilton conquista a 45ª pole na carreira Lewis Hamilton conquistou neste sábado (20) sua 45ª pole position na carreira durante os treinos classificatórios para o GP da Áustria de F-1. É a sétima vez em oito corridas que o piloto da Mercedes larga na frente na temporada. A Mercedes de Nico Rosberg completa a primeira fila. O alemão esteve perto de conquistar a primeira posição, beneficiado por um erro de Hamilton, que o levou para fora da pista. Os dois pilotos já haviam garantido boas parciais, mas continuavam na pista para melhorar o tempo. Hamilton escapou do traçado, abrindo espaço para Rosberg conquistar a pole. Perto de fechar a volta e com parciais mais rápidas do que as do companheiro, o alemão também perdeu o controle do

carro e foi parar na brita. Sebastian Vettel, da Ferrari, havia sido o mais rápido na última sessão de treinos livres na manhã deste sábado. Na classificação, porém, não conseguiu repetir o desempenho e larga em terceiro. Felipe Massa, da Williams, andou bem no circuito de Spielberg, conseguindo um bom rendimento nas três etapas do treino. O brasileiro, que foi pole em 2014, largará em quarto lugar. Felipe Nasr, da Sauber, conseguiu chegar à ultima parte do treino e largará em nono lugar. A decepção do dia ficou por conta de Kimi Raikkonen, da Ferrari, eliminado logo na primeira parte do treino. O finlandês fecha a penúltima fila, em 18º. A corrida será realizada hoje, a partir das 9h (em Manaus, 8h). AP-PHOTO

É a sétima vez nesta temporada que Hamilton larga na frente


Opinião

MANAUS, DOMINGO, 21 DE JUNHO DE 2015

Contexto 3090-1017/8115-1149

A3

Editorial

contexto@emtempo.com.br

opiniao@emtempo.com.br

Mas qual é a diferença? Existe proximidade mais promíscua do que o financiamento de campanhas eleitorais por empresas privadas ou não? Pois o Congresso Nacional, que está maquilando o processo eleitoral, considera isso a relação mais normal do mundo. Pergunta-se, sem nenhuma certeza de resposta: por que a campanha terá de ser financiada por alguma entidade, que não seja o partido? Porque as empresas se acostumaram a ser financiadas pelo dinheiro público. Esta é a essência do protocapitalismo brasileiro. Mas há controvérsia. O Ministério Público Federal descobriu que a ex-deputada federal do PP e candidata ao comando da Superintendência da Zona Franca de Manaus, Rebecca Garcia, estaria impedida por ser e estar no epicentro dessa relação público-privada: é empresária e filha de família de empresários. Se essa intervenção do MPF é o início de um corte nessa relação, pode-se compreender que até a candidata tenha sido notificada da inconstitucionalidade da sua nomeação e aconselhada, em nome também da ética, a não aceitar o cargo. Tarde demais. Rebecca não é mais novata na política e tem escola. De pronto, desmontou o argumento do ministério, pontuando o que já se estabeleceu como tradição (mesmo que inconstitucional, talvez) na administração dos bens públicos. Com o dedo em riste apontou uma imagem e semelhança mais próxima, o atual ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro que, não por coincidência, prefere manter distância quando o assunto é Suframa. Rebecca também lembrou do ex da mesma pasta, Luiz Fernando Furlan, presidente da Sadia. E se fosse mais fundo, a ex-deputada mais “coincidências” encontraria. Um bom entendedor, porém, se basta com dois exemplos. A Suframa é uma entidade de barganha política: as negociações se arrastam desde novembro. Para que pressa?

Mais uma tentativa A nova data marcada para que o Congresso aprecie o veto presidencial à MP 660, que trata da restruturação de carreira dos servidores da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), promete ser agitada. É que além desse debate, a Câmara Federal também discutirá e votará o polêmico projeto de lei que reduz a maioridade penal no Brasil. Na avaliação dos servidores, essa coincidência tem prós e contras. Se por um lado a complexidade do projeto pode estender os debates e tirar de pauta mais uma vez o pleito da Suframa, por outro ela também garante que o Congresso estará cheio para a tão desejada derrubada do veto. Prejuízo O prejuízo estimado com a paralisação dos servidores da Suframa já supera os US$ 150 milhões. Jantar com a presidente Na última terça-feira (16), em jantar dos senadores com Dilma Rousseff, no Palácio da Alvorada, o senador Omar Aziz (PSD-AM) teve tratamento especial da presidente. Dilma conversou bastante com Omar e ficou até de avaliar a possibilidade de ir a Parintins para o festival folclórico. Lembrando dela E mais, a primeira pergunta da presidente a Omar foi esta: — Como está minha amiga? –, referindo-se à ex-primeiradama Nejmi Aziz. Ações de Nejmi Dilma sempre teria mostrado interesse nas ações sociais desenvolvidas por Nejmi enquanto primeira-dama. Postura incômoda Por outro lado, a postura do senador em plenário no Senado deve causar algum incômodo à presidente. Omar, embora não hostilize Dilma, bate firme no governo federal quando, por qualquer motivo, os interesses do Amazonas são ameaçados. Abandono do CBA É o caso do CBA, Centro de Biotecnologia da Amazônia.

O senador considera uma “irresponsabilidade e um desrespeito” do governo federal o abandono do CBA. Sem personalidade O centro foi inaugurado há 12 anos e não tem personalidade jurídica. O que impede o órgão de fechar convênios com entidades apoiadoras. Lavou as mãos Por último, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior passou a gestão do CBA para o Inmetro, Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia, com sede nada menos que no Rio de Janeiro. Vá entender Aliás, sobre isso Omar disse: — Não dá para entender um instituto de medidas tomar conta do CBA em Manaus. Pressão no ministro Omar já avisou que vai procurar o ministro Armando Monteiro para saber as razões dessa mudança. Assinaturas A partir de quarta-feira (24), a Assembleia Legislativa inicia a coleta de assinaturas para o abaixo-assinado que pede a construção da ponte do rio Solimões. A proposta é do deputado Francisco Souza, que pretende reunir 100 mil assinaturas até o final do ano.

APLAUSOS

regi@emtempo.com.br

*** A ponte do rio Solimões ligará Manaus aos municípios de Autazes, Manaquiri, Careiro da Várzea e Careiro Castanho, permitindo também a ligação do Amazonas com outros Estados brasileiros. Homenagem Por falar na Assembleia Legislativa, nesta terçafeira (23) haverá uma homenagem à Associação Comercial do Amazonas (ACA), que completa 144 anos de serviços prestados à sociedade e ao comércio. O autor da proposta é o deputado Adjuto Afonso (PP). Amazônia azul A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei 7.903/14, do Senado, que institui o Dia Nacional da Amazônia Azul, a ser comemorado anualmente em 16 de novembro. Sobre o poeta O poeta, escritor e editor de Opinião do jornal EM TEMPO, Aldisio Filgueiras, foi tema de uma dissertação de mestrado produzida pelo aluno de história da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Vinícius Alves. “Ou a revolta ou a obediência estúpida – Aldisio Filgueiras frente à ditadura civil-militar (1964-1968)” foi defendida no Departamento de História, no Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL).

VAIAS

Filarmônica do Amazonas

Regi

Falta de consciência

DIVULGAÇÃO

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Para a Orquestra Amazonas Filarmônica, pela iniciativa de homenagear o maestro e compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos (1887-1959) com a rara obra “O Descobrimento do Brasil”. Os aplausos se estendem também ao Coral do Amazonas.

Para muitos moradores que despejam lixo e outros resíduos sólidos nos igarapés e depois culpam a prefeitura e o governo pela poluição desses locais em época de enchente. Manter a cidade limpa também é dever dos cidadãos.

João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br

Tudo passa, mas algo fica Diz-se que ninguém é insubstituível. E dessa afirmativa fez-se um dito popular, um adágio repetido à exaustão, a toda hora e em qualquer lugar. Resta saber da extensão da sua veracidade. Se a referência é ao ofício, à função ou à ocupação, verdade será que sempre haverá alguém, aqui, hoje, ou mais além e mais adiante, que certamente poderá substituir o obreiro no seu ofício e na sua produção, mesmo que alguma diferença na qualidade persista e que acabará por ser superada. Quanto à obra, é o que se dá e o que se pode afirmar, mas acontece que o assunto e a questão não se esgotam apenas aí. Há na obra algo, além da pura habilidade e até mesmo do puro talento do obreiro, algo que escapa às tentativas de definição, precisamente porque resulta da impregnação da própria alma do seu criador e que fará toda a diferença, mesmo que não possa ser aferida e mensurada na pura avaliação objetiva do produto. Se toda esta divagação estivesse a tratar estritamente da produção artística, acredito que dificilmente alguém viria a se interpor e a contestála, pois é bem forte a evidência, por exemplo, de que houve pintores de esmerada técnica, mas que nem por isso puderam ombrear-se a Van Gogh, precisamente porque faltou-lhes o vigor com que o mestre holandês impregnou suas telas. Também muitos dominaram altas técnicas de composição, mas ao fim ficaram pelo meio do caminho que Beethoven trilhou até esgotá-lo absolutamente. Não se restringem, entretanto, e nem se esgotam estas considerações apenas no plano da produção das artes e nem no âmbito das raridades e das excepcionalidades que se materializaram nas figuras dos grandes mestres e dos grandes gênios que, sem cessar, continuam a nos assombrar. Como já foi dito, o Universo é

diverso, mas também é uno e por isso é coeso, conciso e coerente: o que está num preciso detalhe seu, também estará em qualquer das suas outras partes e ainda no conjunto da sua totalidade. No trivial se repete com modéstia o que, no excepcional, explode à vista de todos, mesmo à vista dos que não entendem o que veem. Quando os conheci de perto e passei até a participar das suas vidas profissionais e pessoais, não eram mosqueteiros, mas já eram três e se dividiam nas tarefas mais afeitas às suas peculiaridades de ofício, com perfeito senso de harmonia e complementação, o que muito potencializava as capacidades laborais de cada um. E assim, sem aspiração à publicidade, ao reconhecimento, ao fausto e à riqueza, os vi empenhados, e não sozinhos, na construção de um império que a eles não pertencia, mas que fazia ferver o seu sangue, como se deles fosse. E chegou o dia em que o primeiro deles foi descartado. Precisamente o mais velho e talvez por essa exata razão. Mas não foi necessário muito mais tempo, para que os outros dois também fossem desembarcados. O primeiro, faz algum tempo que não vejo, recolhido em razão de precariedades da saúde. Os outros dois, encontro com certa frequência e sempre juntos. Afora as intermitências do bem viver, próprias da senectude que já se anuncia, tudo bem, como convém aos de bom caráter. Nada de mágoas nem de ressentimentos. Outros assumiram os lugares, ou apenas apreciaram, impassíveis, a marcha do rio que nunca se detém. Tomara que tenham consciência disso. Os três passaram, mas suas marcas, suas pegadas e sobretudo seus magníficos exemplos lá ficaram, gravados na rocha da lembrança dos que assistiram à sua indelével caminhada.

João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO

E assim, sem aspiração à publicidade, ao reconhecimento, ao fausto e à riqueza, os vi empenhados, e não sozinhos, na construção de um império que a eles não pertencia, mas que fazia ferver o seu sangue, como se deles fosse. E chegou o dia em que o primeiro deles foi descartado”


A4

Opinião

MANAUS, DOMINGO, 21 DE JUNHO DE 2015

Frase

Painel VERA MAGALHÃES

Fio da meada

Amai-vos uns aos outros, está escrito na Bíblia. Eles acham que são Deus. Cada um tem sua religião, independentemente de ser budista, cristão, católico, candomblecista, judeu. Cada um tem que respeitar a religião do próximo. [...] O que chamou a atenção foi que eles começaram a levantar a Bíblia e a chamar todo mundo de ‘diabo’, ‘vai para o inferno’, ‘Jesus está voltando’

A prisão de Marcelo Odebrecht levou pânico ao mundo político pelo grau de conhecimento que o presidente da empreiteira tem dos pormenores da engrenagem do financiamento eleitoral ao PT nos últimos anos. Mesmo negando participação de sua empresa no escândalo de corrupção na Petrobras, o executivo teria feito relatos de como o esquema abasteceu campanhas petistas em 2010 e 2014. O temor é que, se ficar preso por muito tempo, Marcelo resolva desfiar esse novelo. Via expressa Dados o potencial de estrago de uma possível fala de Marcelo e a falta de elementos para sustentar as prisões, advogados apostam que a libertação dos presos desta sexta-feira será mais rápida que o padrão. Na contramão Advogados da Odebrecht sustentam que não faz parte da linha de defesa dos executivos presos selar acordos de delação premiada, como fizeram investigados de outras empreiteiras. Escancara A entrada da Odebrecht e da Andrade Gutierrez na Lava Jato vai levar o Planalto a reforçar o empenho para selar os acordos de leniência na CGU (Controladoria-Geral da União). Escape Com todas as grandes empresas envolvidas, o governo não quer travar ainda mais o setor de infraestrutura, já em crise. Faxina Nos relatórios que embasaram os pedidos de prisão da nova fase da Lava Jato, a Polícia Federal aponta que “as operações do grupo Odebrecht seguem padrões mais sofisticados do que as concorrentes”. Faxina 2 Isso explicaria, segun-

do a PF, a ausência de provas em buscas anteriores na empresa. “Os [meios]eletrônicos estavam praticamente limpos”, registram os agentes em um dos textos. Iceberg Atônitos com as prisões, políticos lembravam no fim da semana que ainda está por ser conhecido o teor da delação de Ricardo Pessoa, da UTC, que deve ser homologada nos próximos dias pelo relator Teori Zavascki. Repeteco Dilma Rousseff concederá entrevista a Lally Weymouth, ex-dona e hoje membro do conselho editorial do “Washington Post” no dia 24, antes de sua visita oficial aos EUA. Repeteco 2 Ela deu à jornalista, então editora-sênior do jornal, a primeira entrevista como presidente eleita, em 2010. Falou sobre política externa e economia. A expectativa é que use a nova conversa para reforçar o compromisso com o ajuste fiscal. Por um triz O pânico no Planalto era que novas pesquisas de popularidade de Dilma mostrassem um índice de aprovação de um dígito. O Datafolha ficou no limite, com os 10% de ótimo e bom.

Fênix Após receber o prêmio de Personalidade do Ano da Câmara de Comércio Brasil-EUA -quando fez discurso tripudiando sobre críticas do PT a sua gestão- FHC comandará programa no Canal Brasil, sob direção de Bruno Barreto. Game over A oposição fará pressão sobre o TCU nos próximos 30 dias para cobrar a rejeição das contas de Dilma. Tucanos citam parecer de Miguel Reale que diz que essa decisão seria o caminho para pedir o impeachment.

Iara Jandeiro, candomblecista, tia da menina de 11 anos que foi apedrejada quando saía de um culto da sua religião, em um bairro do Rio de Janeiro, usa apelos cristãos para pregar a paz entre os crentes de várias matizes.

Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br IONE MORENO

Longe dos olhos O governo quer usar a carta em que Arno Augustin assume responsabilidade pelas pedaladas para provar que o procedimento era corriqueiro e afeito a escalões inferiores. Não cola Já o Ministério Público Federal junto ao TCU sustenta que o documento de Augustin não melhora em nada a situação de Dilma, que continua sendo a responsável pelo procedimento. Embaixo Com o gesto, sustentam os procuradores, o exsecretário do Tesouro eximiria seus subordinados, e não a presidente, de responsabilidade pelas pedaladas.

Tiroteio

Parece que esse trabalhador autônomo arrancou a horta do quintal e saiu para um dia de vendas. Mas só à primeira vista. Na verdade, ele transporta temperos verdes em sua banca, virada de ponta cabeça. Depois, no ponto de venda escolhido ele fará a feira, sem perder a esperança de que ainda se tempere o peixe com a chicória e a cebolinha de antigamente

Dom Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br

Temer está sitiado. De um lado, Mercadante segura as indicações de cargos. De outro, a base aliada aumenta a pressão a cada dia.

Dia do Migrante

DO DEPUTADO DANILO FORTE (PMDB-CE), sobre as cobranças por nomeações na base aliada, que ameaçam a votação do projeto que revê as desonerações.

As cenas de milhares de migrantes chegando à Europa e as notícias de outros tantos que morrem na travessia entre o Norte da África e os portos italianos correm o risco de se tornarem banais e não chocarem mais, aumentando a indiferença. Outras realidades que não são mostradas com tanta frequência são igualmente trágicas. São os campos de refugiados onde milhões de seres humanos permanecem confinados. Fogem da fome, da guerra, da perseguição política, étnica ou religiosa. A eles se juntam os atingidos pelas mudanças climáticas. Menos trágicas, mas não menos dramáticas são as migrações por razões econômicas. Migrações sempre fizeram parte da história da humanidade. Todos somos filhos, netos, bisnetos de alguém que migrou, saindo da terra de origem em busca de uma vida melhor. Nunca foi fácil deixar o conhecido e enfrentar as adversidades de um novo clima, uma língua diferente, uma cultura nova e desconhecida, encontrar desconfiança e preconceito. As migrações revelam as mazelas da humanidade. Migrantes são vítimas de pessoas inescrupulosas que ao longo do caminho, na partida e na chegada, se aproveitam de quem está fragilizado e sem defesa. Hoje as migrações revelam um mundo profundamente injusto, que condena a exclusão grande parte dos seres humanos, um mundo violento onde populações inteiras vivem aterrorizadas por grupos de mercenários e fundamentalistas que vivem da morte e da destruição. Não é sempre fácil separar migração e tráfico humano, e facilmente as pessoas são transformadas em mercadoria.

Contraponto

Mensagem motivacional A deputado Antonio Goulart (PSD-SP) aproveitou depoimento do presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, no Congresso há duas semanas para cobrar, incisivo: --A CBF tem de marcar novo jogo Corinthians X Boca! A menção à partida da Libertadores de 2013, em meio ao debate sobre corrupção no futebol, fez todos rirem. A exceção foi o secretário-geral da entidade Walter Feldman, que ficou sério. Em sua vez de perguntar, Chico Alencar (PSOL-RJ) tentou fazer o ex-deputado relaxar: --Terei a objetividade e o senso crítico que admirava no deputado Feldman. E torço para que, sob o comando de Nero, ele não veja o futebol brasileiro pegar fogo! Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”

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O Dia do Migrante vêm nos propor algumas reflexões e uma mudança de atitude. Antes de tudo é preciso olhar o migrante como um ser humano único, com uma história pessoal, com sentimentos e sonhos. Ter tomado a decisão de partir revela sonhos, desejo de superação, vontade de ser mais. É necessário superar o preconceito que leva a ver no outro um inimigo em potencial e no diferente alguém que vem para destruir. A chegada de migrantes traz novas perspectivas e quando acolhidos enriquecem a sociedade que os recebeu. O Brasil é uma grande prova disto. As migrações são ocasião para passarmos da globalização da indiferença para a globalização da solidariedade, são chances de construirmos outra civilização. Para cristãos, isto deveria ser natural, pois acreditam na salvação de todos em Cristo e professam que depois da Cruz não há mais homem nem mulher, judeu ou grego, escravo ou livre, mas todos são um só, embebidos do mesmo Espírito. Diante da magnitude do problema poderíamos pensar que não temos nada a fazer. Pelo contrário, temos e muito. Comecemos por tratar com respeito àqueles que encontramos. O mundo se tornou pequeno e temos sempre estrangeiros perto de nós. Sejamos solidários quando pudermos partilhar roupa e comida com quem precisa. Nas comunidades organizemos a pastoral dos migrantes para que possam estar atentas a sua chegada e serem acolhedoras oferecendo serviços básicos. Pressionemos o Estado brasileiro para que reforce os mecanismos legais no sentido de garantir direitos aos que buscam nosso país.

Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus

Ter tomado a decisão de partir revela sonhos, desejo de superação, vontade de ser mais. É necessário superar o preconceito que leva a ver no outro um inimigo em potencial e no diferente alguém que vem para destruir. A chegada de migrantes traz novas perspectivas”


Com a Palavra

MANAUS, DOMINGO, 21 DE JUNHO DE 2015

A5

Lourenço BRAGA

O CANTO DO CISNE

FOTOS: TIAGO/CORREA

MÁRIO ADOLFO Equipe EM TEMPO

U

Tenho muito apreço pelo magistério, pois sou professor há 53 anos – desde os 17 - e há 33 anos sou professor da nossa Ufam, na Faculdade de Direito, que tive o privilégio de ajudar a recriar, em meados da década de 1980, extinta que fora no início dos anos 70”

m dos criadores da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) afirma que o Brasil só tem jeito se houver educação de qualidade. E que funcionário público é um papel fundamental para o crescimento do país. Lourenço Braga é considerado uma das mentes mais pensantes que já fizeram, e fazem parte até hoje, do serviço público do Estado. Foi um dos principais personagens na criação da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), apenas para citar um das suas muitas contribuições na esfera estadual. Ele já ocupou os cargos de secretário de Estado de Administração; assessor de Planejamento do Estado; procurador do Estado (de primeira classe – pois segue até hoje); chefe da Procuradoria do Judiciário Comum; secretário de Estado de Justiça, entre outros. No dia 17 de junho, Lourenço Braga se aposentou. Servidor desde a década de 1960, durante esses anos à frente de cargos públicos importantes, como os de secretário de Estado, diretor da Faculdade de Direito e reitor da UEA, ele faz uma avaliação da situação atual do Brasil e fala dos planos para o futuro. EM TEMPO - O que o senhor avalia de mais relevante na função de servidor para o desenvolvimento do país? Lourenço Braga - O Brasil, que é um país capitalista, com significativa participação da iniciativa privada em seu desenvolvimento social e econômico, depende, em muito, do Estado para funcionar. A função estatal, que a rigor deveria concentrarse prevalentemente no trinômio educação-saúde-segurança, vai infinitamente além, chegando inclusive ao âmbito reservado para o setor privado, onde o Estado atua por via das empresas públicas e das sociedades de economia mista, como Embraer, Petrobras, Eletrobraás e tantas outras. Em um Estado assim, o papel do servidor ganha grande relevo, tendo em vista que ele é o agente de prestação do serviço público, a pessoa que materializa propriamente a ação estatal. Na administração direta, nas autarquias, nas fundações públicas ou privadas criadas pelo Estado, e na administração indireta é o servidor público, do mais humilde ao mais graduado, o braço sem o qual a atuação do Estado não

se concretiza. Isto, naturalmente, falando do agente público em sentido estrito, mas é de destacar a extraordinária relevância dos agentes políticos e dos magistrados que, no âmbito do Poder Legislativo e no Judiciário também são servidores públicos e por seu trabalho, sua inteligência e sua dedicação, igualmente praticam a ação do Estado. EM TEMPO - Eleito o primeiro reitor da Universidade do Estado do Amazonas, como o senhor a enxerga no desenvolvimento do Estado? LB - Em fevereiro de 2001 fui nomeado primeiro reitor da universidade que acabava de ser criada. Saí da sede do governo com um decreto na mão, preso por um clips a um envelope. Era o que havia da nova instituição: uma folha de papel e um sonho. Tive o privilégio de contar com extraordinária colaboração de uma equipe de sonhadores, todos nós oriundos da nossa Ufam (Universidade Federal do Amazonas), e a vocação primeira da UEA, aceita por todos, foi a missão de levar o conhecimento para o interior do Estado. Assim é que no primeiro vestibular, o maior já realizado no país até hoje, com mais de 180 mil candidatos, oferecemos vagas para cursos em Manaus, em Parintins e em Tefé. Das mais de 3 mil oportunidades ofertadas no primeiro vestibular, 800 destinaram-se ao interior. No mesmo ano, em novembro, realizamos vestibular para curso de formação de professores, em nível de graduação, e em 4 de janeiro de 2002 a UEA chegava a todos os municípios do Estado, cobrindo todo o Interior, com 7,5 mil alunos nos 61 municípios hinterlandinos. A universidade cumpre, desde seu começo, importante papel de aprender com o homem que habita esta região, em todas as suas especificidades, de sorte a transformar em ciência o conhecimento primário, enriquecê-lo e devolvê-lo aos que agora chegam. Não se faz desenvolvimento sem educação, como tem dito com insistência nosso governador, e a UEA é importantíssimo vetor do crescimento social, econômico, político e cultural deste Estado, desde quando se transformou, ainda em 2002, na maior universidade multi-campi do país. EM TEMPO - Sobre a economia do Brasil, qual sua avaliação? LB - O Brasil não vive momen-

to confortável em sua economia. Inflação em níveis muito altos, elevação crescente de taxas de juros, encolhimento consequente de investimentos, crescimento do desemprego, tudo isso constitui cenário não muito seguro para nossa economia. A globalização, fenômeno ainda do século passado, há um tempo trouxe enormes vantagens, em todos os campos da convivência humana, de outro lado faz globalizada também a economia, de sorte que crises econômicas em determinadas regiões afetem outras do planeta, diminuindo a capacidade de produzir e de exportar, aumentando a necessidade de importar, desequilibrando a balança de pagamentos, etc. No final da década anterior, crises econômicas se alastraram na América e na Europa e nós, que no dizer do presidente da República de então apenas sofremos uma marola, estamos agora talvez vivendo as tempestades que não soubemos evitar, porque para elas não nos preparamos por motivos políticos conhecidos. O governo tem adotado medidas amargas no plano econômico, perseguindo, ao que diz, o objetivo de fazer retornar a patamares projetados a inflação já no próximo ano. Se isso ocorrer, é possível que em 2017 o país volte a ostentar taxa de crescimento que não se compare com a pífia do último ano. Mas penso que falta, no plano federal, a contribuição concreta do governo, com a diminuição da quantidade de ministérios, de secretarias nacionais, de autarquias, de fundações e de entidades da administração indireta, para também gerar corte no elevado número de cargos comissionados, que são os de livre nomeação e que, por permitirem ações não muito saudáveis da política com p minúsculo, impedem ou dificultam a necessária profissionalização do servidor e do serviço público. EM TEMPO - Para o senhor, o que todo governante deveria fazer e também evitaria para marcar sua gestão? LB - É estranho pensar que a seriedade, a honestidade de princípios, a probidade devem ser havidas como marcas de qualquer governante. Isto é pressuposto da atividade pública. Nós, os agentes, somos mandatários do povo, nosso patrão, e a desonestidade é causa de desconstituição do contrato de mandato, no âmbito do direito. Todo servidor público tem o dever de tratar com zelo, dedicação

e respeito a coisa pública que lhe é entregue para gerir. Felizmente, disto temos exemplos. O que certamente marca uma gestão pública é o compromisso efetivo do governante para com seu povo, o que se dá, em maior ou menor medida, na proporção do respeito aos planos, programas e projetos que servem à campanha em busca do voto, no período eleitoral. O governante será tanto melhor quanto mais próximo se mantiver da sociedade que governa, escutando os anseios, ouvindo os reclamos, discutindo soluções e demonstrando, com trabalho, interesse real em solucionar as dificuldades que conhecer. EM TEMPO - Das funções que o senhor exerceu no serviço público, qual o senhor avalia que teve mais relevância? LB - Tenho muito apreço pelo magistério, pois sou professor há 53 anos – desde os 17 - e há 33 anos sou professor da nossa Universidade Federal, na Faculdade de Direito, que tive o privilégio de ajudar a recriar, em meados da década de 1980, extinta que fora no início dos anos 70, como quase todas as outras do país, e que passara a integrar a Faculdade de Estudos Sociais. Fui seu primeiro diretor eleito, mais de 70 anos depois de sua criação em 1908. O magistério é verdadeiramente onde você pode contribuir de forma concreta para a formação e para o crescimento do indivíduo, desde a mais tenra idade até o pós-doutorado. É, sobretudo, um poderoso instrumento de transmissão de valores, de conhecimentos e de formação de caráter. Em cada uma das funções que exerci – de datilógrafo, de redator, de secretário de Estado por seis vezes, de procurador do Estado, de professor – em cada uma eu, por certo, teria algo a destacar, mas a reitoria é a que tenho como verdadeira missão de vida. Junto com um grupo de apaixonados, sonhamos a Universidade que hoje tempos e que haverá de continuar a crescer para contribuir com o desenvolvimento do Amazonas e de sua gente. EM TEMPO - Após o encerramento das funções do serviço público, quais são seus projetos? LB - Irei retomar atividades em meu escritório de advocacia, talvez continuando com o magistério em universidades privadas.

O governo tem adotado medidas amargas no plano econômico, perseguindo, ao que diz, o objetivo de fazer retornar a patamares projetados a inflação já no próximo ano”

Em fevereiro de 2001 fui nomeado primeiro reitor da universidade que acabava de ser criada. Saí da sede do governo com um decreto na mão, preso por um clips a um envelope”


Política

MANAUS, DOMINGO, 21 DE JUNHO DE 2015

Câmara acelera votações antes do recesso de julho

COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

www.claudiohumberto.com.br

Os empresários estão na cadeia. E os outros?”

Jornalista

EX-PRESIDENTE FHC, cobrando punição também para os corrompidos da Lava Jato.

Cobrando punição também para os corrompidos da Lava Jato O governo Dilma soube com antecedência dos planos do governo venezuelano de destacar um grupo de militares à paisana, passando por manifestantes, para hostilizar os senadores que foram a Caracas visitar presos políticos. Também a embaixada brasileira demonstrou saber da operação de intimidação: diplomatas tinham ordem para não acompanhar os senadores na van que seria alvo dos milicianos. Tudo combinado O embaixador brasileiro Ruy Pereira entrou no avião dos senadores antes que desembarcassem, cumprimentou-os e “vazou”. Tudo armado Os pilotos da FAB que conduziram os senadores foram avisados pelas autoridades venezuelanas para preparar o voo de volta imediatamente. Tocando para fora Após o desembarque dos senadores em Caracas, os pilotos da FAB foram de novo abordados e aconselhados a “nem almoçar” na cidade. Mission fail O grupo de senadores de oposição foi a Caracas visitar presos políticos venezuelanos, mas mal conseguiu sair do aeroporto. Acordos e investigações esvaziam CPI do HSBC A CPI do HSBC foi abalroada por uma série de fatos, em menos de um mês, que a ameaçam de esvaziamento. Acordo entre o banco e a Suíça para encerrar pendengas jurídicas envolvendo o Swissleaks, cooperação entre governos suíço e brasileiro para obtenção de dados ban-

cários, início das investigações pela Receita com dados oficiais e, por fim, o anúncio da venda das atividades da instituição no país. Três tons de CPI O triunvirato da CPI é bem distinto: o autor, Randolfe Rodrigues (Psol-AP), quer quebrar o sigilo de todos os brasileiros na lista do HSBC. Legado importante O relator da CPI, Ricardo Ferraço (PMDB-ES) quer apurar a fundo sem ferir direitos. Trabalha por marco legal para dificultar crimes financeiros. Enfado O presidente da CPI do HSBC, Paulo Rocha (PTPA), que exerce um papel moderador, parece doido para mudar de assunto. Longa gestação A Odebrecht se tornou alvo, como esta coluna noticiou há 14 meses, após o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa confessar que recebeu da empreiteira, na Suíça, uma propina de R$ 60 milhões para não atrapalhar um contrato de R$ 1,5 bilhão na refinaria Abreu e Lima. Rebordosa Até parecia que a Odebrecht já escapava de rebordosa da Lava Jato quando, em novembro, a Polícia Federal vasculhou sua sede e as casas de três executivos, suspeitos de envolvimento na gatunagem. Mérito ou sorteio? A defesa do indefensável tem feito mal à reputação de Sibá Machado (AC). O senador conterrâneo Sergio Petecao (PDT) contou que já lhe perguntaram no Acre se a escolha do líder do PT era “por sorteio”.

Antes do recesso parlamentar, os vereadores de Manaus votam dois projetos essenciais para a cidade: LDO e Loman TIAGO CORREA/CMM

Cláudio Humberto

Serra no PMDB Peemedebistas fazem cara feia quando ouvem a sugestão de José Serra (PSDB-SP) como candidato do partido à Presidência, em 2018. Acreditam mais na chance de Eduardo Cunha, presidente da Câmara. Deputado na assessoria Quem procurou sexta um Marco Júlio Alencastro (ou algo parecido), assessor que fala pelo ministro da Previdência, ouviu ainda cedo que ele havia viajado. Os colegas acham que ele tem jornada de deputado. Torniquete No PT há quem defenda a antecipação da terceira fase do “Minha Casa, Minha Vida”. O programa sai até o fim do ano, mas petistas querem estancar o quanto antes a sangria da popularidade de Dilma. Relações governamentais A Associação Brasileira de Relações Governamentais (Abrig) comemora: já são onze o número de cursos para formar profissionais da área no país, incluindo instituições como Ibmec, Insper e FGV. Clicar é de graça Para alcançar a cota para patrocinadores oferecerem mamografias de graça em troca de publicidade, o site do Instituto do Câncer de Mama ( w w w. c a n c e r d e m a m a . com.br) precisa aumentar os acessos. É só clicar no ícone cor-de-rosa da “Campanha da Mamografia Digital Gratuita”. Pensando bem... ...o juiz Sergio Moro deveria contar onde passou suas breves férias. Fez muito bem a ele e à Justiça. Voltou retemperado.

Presidente da CMM, vereador Wilker Barreto (primeiro à esq.) promete colocar temas em pauta

A

votação do Plano Municipal de Educação, da Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2016 (LDO) e a Lei Orgânica do Município de Manaus (Loman) constarão na pauta da última semana de produção legislativa antes do início do recesso do 1º semestre da Câmara Municipal de Manaus. Foi o que assegurou o presidente da CMM, vereador Wilker Barreto (PHS). “Teremos uma semana muito importante com a discussão de projetos estratégicos para a cidade de Manaus. Fizemos um planejamento do início do ano e o encerramento desta pauta vai representar a consolidação desse planejamento. Tivemos um semestre bastante positivo e para os meses de julho e agosto trabalharemos uma pauta com assuntos de grande relevância para a nossa cidade como a questão do Plano de Mobilidade Urbana que a Prefeitura de Manaus deverá encaminhar para o Le-

gislativo nos próximos dias”, destacou Wilker. O Plano Municipal de Educação chegou à CMM na semana passada e está tramitando em regime de urgência nas comissões técnicas. A proposta (projeto de lei número 190/2015) reúne 20 metas e 216 estratégias que nortearão a educação municipal na próxima década. O plano está recebendo emendas e passará pelo crivo das comissões de Constituição, Justiça e Redação (CCJR), Finanças, Economia e Orçamento – (Cfeo), Educação (Comed) e Serviços Públicos (Comserp). Antes mesmo de chegar na CMM, o assunto foi amplamente discutido nos bairros e comunidades de Manaus pela Comissão de Educação que promoveu oito audiências públicas, duas delas ocorreram na zona rural da capital. A LDO também está entre as prioridades do plenário. O projeto de lei número 082/2015 começou a tramitar na casa

legislativa no dia 27 de abril. Cento e trinta emendas foram apresentadas e analisadas, desse volume 70 foram aprovadas pela Comissão de Constituição e Justiça e cinco foram retiradas pelo autor, vereador Elias Emanuel. A previsão, conforme informou a diretora legislativa da CMM, Evelina Câmara, é a de que os vereadores votem os pareceres da Comissão de Finanças já nesta segunda-feira (22) para, posteriormente, a matéria ser analisada, discutida e aprovada em plenário. Loman A revisão da Lei Orgânica do Município de Manaus entrará nesta semana na fase final, visto que a Comissão Especial de Revisão da Loman (Cerloman) concluiu na semana passada a análise e a votação das mais de cem emendas e o projeto de emenda à Loman será apresentado à mesa diretora e deliberado em plenário até quarta-feira (24).

NO PAÍS DIVULGAÇÃO

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PODER SEM PUDOR

Bombardeio aéreo No governo José Sarney, o líder baiano Roberto Santos era o ministro da Saúde e o filho do então ministro da Aeronáutica era titular da Secretaria de Vigilância Sanitária. Os dois brigaram em razão de um caso de contaminação de sucos de frutas. Sobrou para o rapaz, sumariamente demitido. Mas ele se vingou, promovendo atos do mais genuíno terrorismo à brasileira: piloto de ultraleve, fazia vôos rasantes sobre a casa de Santos, na Península dos Ministros, em Brasília. Megafone em punho, berrava: - Vou jogar suco na sua piscina!

OPERAÇÃO

Preso na Lava Jato viajou com Lula Um dos presos na 14ª fase da operação Lava-Jato, Alexandrino Alencar, diretor de Relações Internacionais da Odebrecht, levou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em viagens, pagas pela construtora, para Cuba, República Dominicana e Estados Unidos, em janeiro de 2013. Oficialmente, não havia relação com atividades da empresa nesses países. No total, a Polícia Federal cumpriu 59 mandados judiciais – 38 mandados de busca e apreensão, nove mandados de condução coercitiva, oito mandados de prisão preven-

tiva e quatro mandados de prisão temporária em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. De acordo com as investigações, Alencar é acusado por três delatores de ser operador de pagamento de propinas para a Odebrecht no exterior. Lula foi a um evento da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) sobre o clima, visitou o presidente da República Dominicana e falou no congresso de trabalhadores da indústria nos EUA. A relação oficial de passageiros

do voo, obtida pelo GLOBO, mostra que ele era o único que não fazia parte do círculo de convivência de Lula. Estavam na aeronave funcionários do Instituto Lula, o biógrafo Fernando Morais e o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques. À época, o documento de solicitação do serviço, da Líder Táxi Aéreo, mostra também que o contratante exigiu discrição. No campo “passageiro principal” do formulário, o funcionário da Líder escreveu: “voo completamente sigiloso”.

Assembleia Legislativa de São Paulo: 73% dos estaduais paulistas foram à faculdade

Deputados estaduais sem diploma Dos 1.059 deputados estaduais eleitos em 2014 (incluindo os 24 deputados distritais), 30% (313) não cursou faculdade. Do total, 4% (46) têm somente o fundamental e 0,5% (cinco) são alfabetizados, leem e escrevem somente. Outros 24% (253) fizeram só o ensino médio. Os números das assembleias legislativas repetem o grau de instrução do país. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados na pesquisa Pnad de 2013, somente 8% (16,4 milhões) dos 200 milhões de brasileiros concluíram um curso

superior. Outros 7,3 milhões (4%) possuem curso superior incompleto; 20% (41 milhões) das pessoas concluíram o ensino médio; 17,7 milhões (9%) têm o ensino fundamental e 39,4 milhões não têm nenhuma instrução. Os índices de deputados estaduais com curso superior nos Estados variam de algo em torno de 65% a 75%, dependendo da unidade federativa. Os deputados estaduais com menor grau de instrução no país são os de Rondônia: dos 24 deputados estaduais, apenas sete (29%) têm o terceiro grau. Outros 11 (46%) parlamentares do Estado têm o

ensino médio e seis (25%) têm somente o fundamental. Na outra ponta, aparecem o Piauí e o Espírito Santo. Dos 30 deputados estaduais capixabas, 26 (87%) têm diploma de curso superior, mesmo índice no Piauí, que também tem 30 cadeiras e 26 (87%) deputados que cursaram faculdade. O Rio de Janeiro tem 53 (76%) dos 70 parlamentares com curso superior. Em São Paulo, são 69 (73%), contra quatro (5%) que cursaram somente o fundamental. Outros 21 (22%) parlamentares paulistas possuem o ensino médio.


Política

MANAUS, DOMINGO, 21 DE JUNHO DE 2015

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DECLÍNIO DO NO AMAZONAS Número de desfiliações supera o de filiações, segundo o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), mas líderes da legenda negam estatísticas

O

diretório estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) registrou saldo negativo na relação entre os números de pedidos de filiação e de desfiliação, desde o ano de 2013. A informação contrasta com os números de anos anteriores, como 2012, 2011 e 2010. Os dados são do portal da transparência do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM). Procurados pelo EM TEMPO, parlamentares petistas locais informam que não percebem a redução no número de militantes da sigla no Estado, apesar de o site da Justiça Eleitoral do Amazonas informar em seus registros que enquanto o partido já chegou a ter em suas fileiras uma quantidade superior a 20 mil pessoas filiadas, hoje conta com pouco mais de 18 mil, após ter uma perda de mais de 2 mil filiados. Os dados que estão disponíveis no portal do TRE apontam que, enquanto que no ano de 2010 a sigla da presidente Dilma Rousseff teve 298 filiações e 238 desfiliações, e no ano de

2012 contou 440 filiações e 52 desfiliações no Amazonas, os números alcançados nos anos seguintes mostraram outra realidade. Contabilizando em 2013 um total de 14 filiações contra 80 desfiliações e em 2014, apenas 3 filiações em contraste a 19 desfiliações. O presidente da executiva estadual, Valdemir Santana, afirmou que no Brasil inteiro as pessoas estão constantemente saindo e entrando nos partidos e que em 2014, o PT figurou como a sigla que mais recebeu pedidos de filiação. “Recebemos muitos pedidos para se filiarem ao partido. Existem pessoas saindo, mas aqui também estão se filiando muitas pessoas, só aqui no Amazonas, por exemplo, temos quase três mil pessoas no processo de filiação. A desfiliação é normal, tem gente que sai, mas também tem gente que entra”, argumento o presidente. Para o líder da sigla na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), deputado Sinésio Campos, os números não refletem a realidade encontrada dentro dos diretórios petistas. Ele informou que, apesar de no site do TRE constar um total

de 18.209 filiados atualmente, os números da sigla apontam um número que supera 28 mil pessoas. Sinésio justificou a diferença, afirmando que os dados da Justiça Eleitoral são atualizados apenas duas vezes por ano e que existem muitos processos de filiação aguardando a homologação por parte do partido.

DEFESA

Valdemir Santana afirmou que no Brasil inteiro as pessoas estão constantemente saindo e entrando nos partidos e que, em 2014, o PT figurou como a sigla que mais recebeu pedidos de filiação Tempo de reavalização Para o vereador Professor Bibiano, todas as crises, quando surgem, seja qual for o segmento, são oportunidades que tornam possível a reavaliação da conduta que está sendo adotada, as diretrizes e os objetivos para que possam, a partir daí, saber no que é preciso evoluir ou melhorar e em que é preciso mudar

‘O partido está sendo engolido’ O ex-secretário municipal do Trabalho e Desenvolvimento Social e ex-presidente estadual do PT, Vital Melo, afirmou que foi banido da sigla porque o PMDB está estabelecendo uma hegemonia dentro do partido. Segundo ele, os peemedebistas estão suplantando as verdadeiras lideranças que trabalharam duro na construção da história e dos ideais do partido dos trabalhadores, como a mudança social e o verdadeiro socialismo. “Na caminhada em direção à governabilidade, o partido acabou trilhando outros caminhos que não estão mais condizentes com as lideranças e com a militância. Muitos se filiaram ao partido por acreditarem que podiam fazer diferente, mas hoje em dia o PT não propõe nada de novo, quando dizem que o PT está fazendo corrupção, ele diz que o PSDB também faz, e não aponta a

saída, isso acaba causando toda a descrença e falta de sonhos das pessoas que já sonharam com o projeto petista, esses devem ser alguns dos fatores que podem estar desmotivando filiados

CONTRAMÃO

Para Vital Melo, os peemedebistas estão suplantando as verdadeiras lideranças que trabalharam duro na construção da história e dos ideais do Partido dos Trabalhadores a permanecerem na sigla”, explicou o ex-petista. Hegemonia Vital considera que o caminho que está sendo trilhado está ajudando na construção da hegemonia

do PMDB dentro do congresso nacional, dos estados e do governo federal, além de estar conduzindo o partido rumo a um grande desastre ideológico que pode ser destrutivo para a sigla. “O partido se desvirtuou do projeto original e acabou se envolvendo em muitos escândalos, se esquecendo das nossas verdadeiras bandeiras de luta, que são: realmente integrar os movimentos sociais e integrar a sociedade em um debate político para a construção de um país mais justo”, disse. Para ele, um dos principais motivos para as pessoas estarem se apartando da sigla da Presidência está no fato de o PT ter enveredado por um caminho da sustentação política da mesma elite que sempre esteve no poder, mantendo os mesmos lá em cima e servindo apenas de “office boy”.

Justiça Eleitoral do Amazonas informa que o PT já perdeu mais de 2 mil filiados

efetivamente. “É isso que está acontecendo com o PT, não poderia ser diferente, um p a r tido que consegue pela quarta vez consecutiva a cadeira do maior poder do país, que é o governo federal do poder Executivo, incomoda muita gente, é claro”, ironizou o vereador. Bibiano considera o atual momento do PT e a crise existente no governo, fatos muito importantes, pois, segundo ele, devem servir para mostrar a todos que as coisas não podiam continuar como eram antes, onde os escândalos e as corrupções eram todos escondidos embaixo do tapete. “É por meio do governo do PT que tudo está vindo à tona e está sendo explorado, infelizmente tudo isso tem sido manipulado por um determinado grupo, porém percebemos que aqueles que permanecem no partido continuam porque estão presos a ideologia do PT, é o que eu entendo que deve ser feito, o correto seria voltar as raízes, retornar as origens”, enfatizou o vereador da Câmara Municipal de Manaus (CMM).

Deputado lamenta erros da sigla Deputado José Ricardo se diz entristecido com erros da sigla e pede punição para corruptos

DIVULGAÇÃO

HELTON DE LIMA Equipe EM TEMPO

Para o deputado José Ricardo Wendling, o número de desfiliações que consta nos registros da Justiça Eleitoral não tem sido percebido dentro do partido, mas alguns nomes que têm bastante peso acabam causando mais impacto, porém é uma desfiliação normal. “Eu percebo que alguns nomes repercutem bastante a nível nacional, como, por exemplo, a saída da senadora Marta Suplicy, uma pessoa de muitos anos de história no partido. Eu estive no congres-

so da sigla em Salvador, semana passada, e tem pessoas reclamando, existem muitas insatisfações internas, mas também surgiram muitas propostas de mudanças no PT, com mais transparência nas decisões nacionais e na questão das finanças, que precisam ser bem equacionadas”, pontuou o parlamentar. José Ricardo expressou sentimento de tristeza por diversos fatos ocorridos na sigla. Segundo ele os erros do partido são coisas que não po-

dem ser enfeitados e o desejo é que aqueles que cometem os erros sejam efetivamente punidos, porém os maiores ataques ao PT são motivados pelo fato de estarem no poder do governo federal há algum tempo. “Existe um trabalho muito forte daqueles que são oposição, afinal esse é o processo democrático, quando éramos oposição, ficávamos batendo no governo, cobrando políticas e questionando, pois é exatamente isso que se faz”, justificou.


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Política

MANAUS, DOMINGO, 21 DE JUNHO DE 2015

Governo busca parcerias para fazer investimentos A “invasão” chinesa também poderá atingir o nosso Estado por meio de investimentos financeiros para infraestrutura

A

relação Brasil e China ganhou mercado além das roupas e produtos eletrônicos. Em setembro, o governador José Melo e empresários do Amazonas desembarcarão na China, em busca de investimentos de cerca de US$ 1 bilhão (R$ 3 bilhões) para financiar projetos como a produção de peixe em cativeiro e obras de infraestrutura no Estado, como a duplicação da rodovia AM-010, que liga Manaus a Itacoatiara, e a construção do campus da Universidade Estadual do Amazonas (UEA). A data da visita foi acertada em maio deste ano durante a assinatura de um protocolo de intenções firmado entre o governo do Amazonas e o representante do governo chinês na área de ciência e tecnologia, o presidente da estatal chinesa China Eletronics Corporation, Liu Liehong. Segundo o governador, o acordo com a China abre um horizonte importante de investimentos em um período de crise da economia brasileira. Mineração, produtos florestais e a proteção da região amazônica também são áreas de interesse dos chineses. Além do intercâmbio na área de ciência e tecnologia, está pre-

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vista a instalação de empresas chinesas no Polo Industrial de Manaus (PIM) e o acesso facilitado a recursos para desenvolvimento econômico e obras de infraestrutura. Com esses recursos, José Melo pretende impulsionar a piscicultura, fomentando a criação de peixe em cativeiro por agricultores. “A China é um país grande, rico, mas que precisa de alimentos. Eles viram no Amazonas um local que pode produzir. Vimos oportunidade de acessar esses recursos para transformar o Estado no grande produtor de peixe. Abriram o mercado para a carne e, agora, o peixe. Quero abrir oportunidade para que empresários acessem o crédito chinês para não só produzir, mas também industrializar e enlatar os peixes amazonenses”, disse. A infraestrutura é outro ponto importante do acordo. Nesse caso, os recursos devem ser disponibilizados por meio de empréstimos com bancos e agências de financiamento chineses. O maior atrativo são os juros, considerados os mais baixos do mercado e inferiores, por exemplo, aos praticados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Acordo entre

o Brasil e a China

INVASÃO

CHINESA Em maio, governador José Melo recebeu o representante do governo chinês Liu Liehong

Representantes dos governos do Brasil e da China assinaram em maio durante cerimônia em Brasília, 35 acordos de cooperação em oito áreas que envolvem investimentos de US$ 53 bilhões. Só com a Petrobras, foram assinados três atos de cooperação de ao menos US$ 7 bilhões. A presidente Dilma Rousseff e o primeiroministro chinês, Li Keqiang, acompanharam o evento, depois de uma reunião entre os dois no Palácio do Planalto. Para comemorar a retomada da exportação de carne bovina para o mercado consumidor chinês, o governo brasileiro ofereceu churrasco para a comitiva do primeiro ministro.


MANAUS, DOMINGO, 21 DE JUNHO DE 2015

economia@emtempo.com.br

(92) 3090-1045

RICARDO OLIVEIRA

Caderno B

Economia

Uma ‘Chinatown’ no coração de Manaus Economia B4 e B5

‘Tigre’ chinês quer ampliar a sua participação no PIM RAIMUNDO VALENTIM

Depois do Japão e da Coreia consolidarem suas presenças em Manaus, agora empresas da China buscam mais espaço INVASÃO

CHINESA

Terceira fábrica do polo de duas rodas, a chinesa Moto Traxx da Amazônia está no PIM desde 2007, emprega 120 funcionários e a sua capacidade de produção chega até 160 motocicletas por dia

A

s missões empresariais realizadas pelo governo federal e estadual com o objetivo de atrair novos investimentos para o Polo Industrial de Manaus (PIM) têm surtido efeito. Depois do capital japonês e coreano se consolidar no mercado local, agora é a vez do “tigre” chinês ampliar a sua participação na economia da indústria do Amazonas. Em maio do ano passado, por exemplo, o governo do Estado iniciou as articulações pelos principais centros industriais da China com objetivo de captar novos investimentos. A missão, a cargo de técnicos da atual Secretaria de Estado de Planejamento, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Seplancti), começou pela província de Guangdong, na cidade de Fosham, na região Sul, e terminou em Beijin, Região Sudeste. Um dos resultados da campanha de atração de novos investimentos, segundo informações da assessoria de imprensa da Seplancti, foi a intenção de duas grandes fabricantes chinesas de componentes, a GMCC e a Welling, de instalarem novas fábricas no parque fabril de Manaus. A primeira é a maior fornecedora de componentes para produtos domésticos com mais de 2 mil tipos de peças para o setor eletroeletrônico. Em maio deste ano, representantes da estatal chi-

nesa Eletronics Corporation (Ceiec), uma das maiores empresas de tecnologia de informação estatal da China, estiveram em Manaus para assinar acordos com o governo do Estado. Dentre as diversas áreas de interesses dos orientais estava a instalação de empresas chinesas no PIM e o acesso facilitado a recursos para desenvolvimento econômico e obras de infraestrutura.

OFERTA

Em maio deste ano, representantes da Ceiec disseram que a China tem interesse em ofertar soluções para o desenvolvimento estratégico do país e entende que o Amazonas tem potencial ecológico No ano passado, o superintendente em exercício da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Gustavo Igrejas, em uma reunião, na sede do governo do Amazonas, tratou com executivos da companhia chinesa BYD sobre a implantação de uma fábrica da empresa no PIM. Com 180 mil empregados, espalhados em 15 unidades fabris pelo mundo, a BYD atua nas áreas de transportes, energias e eletrônicos de consumo. No Brasil, a empresa já produz ônibus elétricos, em Campinas (SP). No Amazonas, ela expandiria a sua atuação com a produção de

células de bateria para telefones celulares. O investimento anunciado nessa segunda unidade é de US$ 400 milhões e a projeção é de que sejam gerados mais de mil empregos. Será o maior investimento da empresa fora da China. Cenário O vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, relata que as empresas asiáticas estão cada vez mais presentes na região. As japonesas e coreanas são a maioria, as chinesas por sua vez têm menor participação no mercado local. Mas o cenário pode mudar, uma vez que empresários da República da China têm, neste ano, promovido com frequência visitas in loco ao modelo Zona Franca de Manaus (ZFM). “A origem não importa. Quanto mais empresas melhor para nós, pois significa mais investimentos, geração de emprego e transferência de tecnologia”, frisa Azevedo. A reportagem tentou, desde o início da semana, obter os dados de quantas empresas chinesas há no PIM, além do volume de investimentos e da geração de empregos que geram, mas até o fechamento desta edição, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) não havia respondido a demanda. A explicação dada pela assessoria de imprensa da autarquia para a demora de enviar as informações seria a redução de servidores em razão da greve.

Traxx programa expansão A concentração do maior polo de duas rodas da América Latina - o que facilita a contratação de fornecedores e pessoal qualificado – e os incentivos fiscais oferecidos pela Zona Franca de Manaus (ZFM) fizeram com que a Moto Traxx da Amazônia aportasse na capital do Amazonas, em dezembro de 2007. Os investimentos vieram da matriz China Jialing Industrial Co. Ltda com apoio da China South Industries Group (CSIG), cuja sede fica em Pequim. Até hoje, o investimento total da matriz na China com a implantação da fábrica em Manaus e a Traxx no Brasil,

com presença no país desde 2000, está em torno de US$ 25 milhões, de acordo com informações da assessoria de imprensa da companhia. Na capital amazonense, a empresa, que tem 120 concessionárias em todo o Brasil e planos para chegar a 180 em três anos, emprega em torno de 120 funcionários e tem capacidade para produzir 160 motocicletas por dia no PIM. A planta atual da Moto Traxx da Amazônia contempla os produtos cub 50 cc, cub 125 cc, street 125 cc, além da linha street 150 e 250 cc. Trial 150 e 250 cc.

implementada este ano. Mas diante do atual cenário político e econômico, a empresa informou que se concentrará em estabilizar o fortalecimento do mix atual. “A opção de um mix muito amplo onera as operações da indústria e de sua rede. É preciso cautela”, destacou em nota. No entanto, a fabricante sino-brasileira tem planos de ampliar sua área de atuação para fornecer solda, chassi e pintura, que também serão produzidos na fábrica de Manaus. Mas não há previsão para o projeto ser implantado. Leia mais nas páginas B4 e B5 DIEGO JANATÃ

SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO

A chinesa Traxx quer ampliar atuação em Manaus no fornecimento de solda, chassi e pintura


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Economia

MANAUS, DOMINGO, 21 DE JUNHO DE 2015

ARQUIVO EM TEMPO

Falta gestão fiscal de excelência no Amazonas Segundo estudo divulgado pela Firjan, mais de 80% das cidades amazonenses apresentam problemas na gestão fiscal

O

Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF), divulgado na semana passada pelo Sistema Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), revela que 81,8% dos municípios do Amazonas têm situação fiscal difícil ou crítica: 30 cidades apresentaram gestão difícil, enquanto 15 foram considerados como de gestão crítica. Na análise estadual, apenas dez cidades amazonenses possuem boa gestão fiscal e nenhuma apresentou excelência na gestão. Com dados oficiais de 2013 - últimos disponíveis –, a terceira edição do IFGF

avaliou a situação fiscal de 5.243 municípios brasileiros, sendo 55 do Amazonas, onde vive 95,8% da população do Estado. Apenas as cidades que não apresentaram as informações ou estavam com dados inconsistentes não foram avaliadas. O objetivo do estudo é avaliar a qualidade da gestão fiscal dos municípios brasileiros e fornecer informações que auxiliem os gestores públicos na decisão de alocação dos recursos. O índice - que inclui os indicadores “Receita Própria”, “Gastos com Pessoal”, “Investimentos”, “Liquidez” e “Custo da Dívida” - varia de 0 a 1, sendo que, quanto

ENTENDA

IFGF inclui indicadores “Receita Própria”, “Gastos com Pessoal”, “Investimentos”, “Liquidez” e “Custo da Dívida”. Varia de 0 a 1. Quanto maior pontuação, melhor situação fiscal da cidade maior a pontuação, melhor a situação fiscal do município. Cada um deles é classificado com conceitos A (Gestão de Excelência, com resultados superiores a 0,8 ponto), B (Boa Gestão, entre 0,6 e 0,8 ponto), C (Gestão em

Dificuldade, entre 0,4 e 0,6 ponto) ou D (Gestão Crítica, inferiores a 0,4 ponto). Ranking Dos dez melhores IFGFs do Amazonas, oito ficaram entre os 500 maiores resultados do país. Os principais destaques foram o IFGF Liquidez e o IFGF Custo da Dívida, nos quais todos os municípios apresentaram gestão excelente ou boa. As cidades de Envira e Anori alcançaram, respectivamente, a primeira e a segunda colocação estadual, com notas máximas nos indicadores Investimentos e Liquidez. Esse resultado foi possível mesmo com IFGF

Receita Própria dessas prefeituras em situação crítica, o que foi limitador para o melhor desempenho no índice geral desses municípios. Na comparação com 2012, houve redução da parcela de prefeituras com conceitos B e aumento das prefeituras com D. A piora em relação ao ano anterior foi direcionada pelo IFGF Investimentos, indicador em que o número de municípios com conceito A ou B caiu de 37 em 2012 para 16 em 2013. O número de prefeituras que investiram mais de 20% de sua Receita Corrente Líquida passou de 20 para seis nesse período.

Envira é a melhor avaliada no Estado No Estado, além de Envira (0,7103) e Anori (0,7095), os outros municípios mais bem avaliados são Itapiranga (0,7091), Juruá (0,6916), Itamarati (0,6697), Manaus (0,6640), Carauari (0,6478), Caapiranga (0,6418), Silves (0,6305) e Apuí (0,6018). Na parte inferior do ranking, com os dez piores

resultados, estão Boa Vista dos Ramos (0,3632), São Paulo de Olivença (0,3373), Autazes (0,3288), Urucurituba (0,3011), Novo Aripuanã (0,2991), Ipixuna (0,2809), Guajará (0,2677), Tapauá (0,2448), Boca do Acre (0,2373) e Tabatinga (0,1669) na última posição. Nesses municípios com resul-

tados negativos, principais problemas são baixos investimentos e falta de liquidez. Outra análise importante diz respeito aos resultados dos maiores municípios do Estado: Manaus, Parintins, Itacoatiara, Manacapuru e Coari, que representam 61,9% da população. De maneira geral, apesar de terem

apresentado conceito A ou B no IFGF Custo da Dívida, as cinco maiores cidades amazonenses investiram pouco. Dentre as mais populosas, apenas Manaus, sexta colocação no Estado, conquistou posição entre os 500 maiores IFGFs do país. Itacoatiara terminou 2013 com grande parte de sua receita com-

prometida com gastos de pessoal, recebendo nota zero nesse indicador. Já Manacapuru, que ocupou a 17ª posição do Estado, teve maior crescimento (23,7%) na pontuação do IFGF. Essa melhora foi resultado do aumento nos indicadores Receita Própria, Investimentos e Custo da Dívida.

Os resultados negativos são reflexos, em especial, dos baixos investimentos e da falta de liquidez


Economia

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Aumento da oferta reduz filas nas bombas de GNV

FOTOS: DIVULGAÇÃO

Expansão no número de estabelecimentos que fornecem gás natural para veículos é comemorada pelos consumidores

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ais opções, menos filas. Assim está a rotina dos motoristas de Manaus que abastecem o veículo com Gás Natural Veicular (GNV), após o surgimento de novos pontos com o combustível desde março deste ano. A expansão de postos com GNV já é comemorada por usuários mais frequentes, como os taxistas, que relatam mais facilidade no trabalho e uma considerável redução no tempo de espera para abastecer. Desde 2010 com o GNV, o posto BR Vitória Régia, situado na avenida Constantino Nery, no sentido Centro, passou a dividir a demanda com o posto Atem, que fica na mesma via, mas no sentido dos bairros. A novidade equilibrou a clientela, reduziu as filas de espera e só aumentou o volume de gás natural consumido em todos os cinco postos operando com o energético na capital amazonense. Em maio, a média diária distribuída pela Companhia de Gás do Amazonas (Cigás) ao segmento veicular foi de 13,1 mil de metros cúbicos, número recorde na região, para atender, pelo menos, 1.768 veículos com kit GNV, de acordo com o Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM). Quem faz parte dessas estatísticas se diz mais aliviado com os novos postos que fornecem o GNV.

“Melhorou 100%”, relatou o taxista Carlos Brito, 54. “Antes, tínhamos que dar várias voltas para abastecer no posto da bola da Suframa ou no único que tinha na Constantino Nery, mas agora está bem melhor. Tem mais um posto na Constantino e o novo da Ponta Negra, que facilitam bem mais, agora”, disse o condutor. Taxista há 40 anos, Messias Martins, 63, revelou que usa o GNV “desde o tempo em que era apenas 60 metros cúbicos por semana” aos motoristas, quando o combustível ainda era trazido em cilindros e vivia fase de testes na região. “De lá para cá, melhorou muito”, avaliou. “Depois que o motorista adota o GNV, ele não quer mais voltar para a gasolina”, constatou Martins, que confirma economia de 50% em relação aos demais combustíveis. Edmilson Cunha, 61, também é taxista desde a década de 1970, mas usa o GNV desde 2013. Para ele, a melhora no atendimento nos postos também é nítida. “Não tem mais filas. O máximo de espera nos postos é de um carro na frente. Já está bem melhor para abastecer”, relatou Cunha.

Contrato com mais três postos locais A Cigás possui contrato com mais três postos para o fornecimento de GNV. Um deles é o posto Atem da avenida Torquato Tapajós, sentido Centro, que passa pelos últimos ajustes para começar a operar com gás natural. Os demais ficam situados no Distrito Industrial de Manaus e devem começar a operar com GNV no segundo semestre. Com a oferta de gás natural ampliada nos postos, a Cigás trabalha no aumento da demanda através da Campanha “GNV, Fazendo Mais por Você”. Até as duas primeiras semanas de junho, foram mais de 140 veículos convertidos visando o bônus de R$ 1 mil da ação. Taxistas são os maiores consumidores de GNV nos postos de combustíveis de Manaus


B4

Economia

INVASÃO

CHINESA

UMA ‘CHINATOWN’ NO

A presença chinesa na capital amazonense, pelo senso comum de quem trabalha no centro da cidade, começou a marcar território no comércio varejista nos últimos cinco anos e ganhou força desde 2013, com a abertura de muitas lojas nas ruas da antiga Zona Franca EMERSON QUARESMA Equipe EM TEMPO

C

om um número desconhecido pelo controle migratório da Polícia Federal do Amazonas, a presença de chineses em Manaus é forte aos olhos de quem caminha pelo Centro, Zona Sul. E fica mais clara dentro dos inúmeros comércios que nascem com nomes brasileiros nas ruas da antiga Zona Franca, mas com uma assinatura típica chinesa: lojas que vendem de tudo, a preços bem em conta, mas sem a emissão de nota fiscal. No senso comum de quem trabalha na região, a presença dos orientais começou tímida há aproximadamente cinco anos. Mas ganhou densidade nos últimos dois anos, quando em ruas como a Quintino Bocaiúva, Doutor Moreira, Marcílio Dias, Guilherme Moreira, Henrique Martins e até mesmo a avenida Eduardo Ribeiro começou a nascer o comércio comandado por famílias chinesas, dando ao Centro um ar de “Chinatown”, como são conhecidas pelo mundo regiões urbanas com uma grande população de chineses numa sociedade não chinesa. Dos poucos orientais que se sentem à vontade para falar, é comum a afirmação de que encontraram em Manaus um lugar bom para viver das vendas. A empresária Fernanda She, 32, que está na cidade há três anos, chegou ao Brasil por São Paulo (SP), onde viveu com a família por oito anos, no famoso centro comercial da rua 25 de Março. Nascida no distrito de Futian, da cidade chinesa de Shenzhen que faz fronteira com Hong Kong, She conta que quando chegou à capital amazonense o comércio era “muito bom”. Hoje, na loja montada na rua Quintino Bocaiúva, entre as ruas Marcílio Dias e Doutor Moreira, o

movimento caiu. “Falaram para a gente que era muito bom [o comércio]. E era bom. Mas agora não é tão bom”, aponta. Sem entrar em detalhes sobre o empreendimento que tem nas prateleiras uma diversidade de produtos assessórios como bolsas, bijuterias, celulares e smartphones, a empreendedora chinesa avalia que a queda nas vendas é culpa da alta do dólar. Preocupada com a segurança dos produtos, She avalia que viver do comércio em Manaus é mais tranquilo do que em São Paulo. No entanto, ela relata que diariamente sofre com a ameaça de ladrões que tentam roubar a sua loja. “Aqui já entrou assaltante com faca na mão e ameaçaram os funcionários. São quase sempre os mesmos”, afirma. Na mesma rua Quintino Bocaiúva, o comerciante chinês Xian, 39, não sente tanto as ameaças de assalto no seu ponto instalado no quarteirão entre as ruas Doutor Moreira e Floriano Peixoto. Há dois anos em Manaus, ele comercializa confecções típicas da China, e comemora o bom volume diário de vendas, com um rendimento médio de R$ 2 mil. Xian, que é nascido em Pequim, capital chinesa, aponta que não há previsão de voltar para a sua terra, primeiro porque seu filho nasceu em Manaus, há quase um ano. “Não tem previsão de voltar para China. Queremos ficar no Brasil porque é melhor para o comércio”, sustenta. Zona Franca Antes do atual boom dos chineses em Manaus, no auge da Zona Franca comercial, alguns poucos chineses chegaram a Manaus para vender produtos importados e por aqui ficaram. Entre eles estava o comerciante Bruno

Huang, 68, que mora na cidade desde 1978. Huang que veio da ilha de Taiwan (vive como Estado independente da China, mas não reconhecido pela Organização das Nações Unidades - ONU) experimentou o melhor momento do comércio amazonense, até 1986. Atualmente, pesa para ele e sua família no ramo de importados a queda no volume de vendas em quase 80% em relação ao período do comércio livre. “Hoje está mais difícil viver na legalidade. Os impostos são muito caros. E ficará pior com a subida do Pis e Cofins, de 9% para 12%”, aponta.

Um tanto fechados ao diálogo com manauenses, a maioria dos filhos da República da China querem longa vida no Brasil

‘É quase uma 25 de março’ Por conta da presença chinesa no centro de Manaus, a comerciante Maria de Lourdes, 47, que tem um ponto na rua Henrique Martins, diz se sentir hoje na rua 25 de março, de São Paulo (SP), famosa pelo volume comercial e pela presença maçante dos chineses nas lojas, não como empregados, mas como proprietários. “Eles estão chegando aos montes aqui [no Centro]. Parece até que são todos parentes. Depois que chegaram os primeiros e montam as suas lojas, sentiram que o negócio era bom e depois foram chamando os irmãos, tios e

primos”, comenta Maria. Para a comerciante Suely da Silva, 41, que trabalha na Marcílio Dias com a venda de vitamina de guaraná, os orientais da China ajudaram a melhorar o movimento do comércio local. “Eles chegaram aos poucos com as suas famílias e os mais jovens já até tiveram filhos nascidos na nossa cidade”, comenta. Manauenses que trabalham para os chineses se dividem quanto ao tratamento dos patrões. O vendedor Diego Hajamim, 19, que trabalha há um ano na loja de Fernanda She, afirma que todos os funcionários têm carteira assinada, vale transporte e almoço. Já o vendedor da loja de outro chinês, que preferiu não se identificar, conta que o patrão não paga nem um salário mínimo.


B5 FOTOS: RICARDO OLIVEIRA

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Lojas com diversidade de produtos acessórios como bolsas e capas para celulares sem a emissão de nota fiscal são comuns no comércio chinês

CORAÇÃO DE MANAUS

Até mesmo produtos típicos da cultura chinesa como confecções são encontradas no centro comercial da cidade

Informalidade é denunciada

Chineses registrados em SP

De acordo com dados da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL-Manaus), a participação dos chineses no comércio formal da cidade é de apenas 1%. Segundo o presidente da entidade, Ralph Assayag, a informalidade no comércio varejista cresceu muito com os orientais. “Na informalidade eles trazem produtos a preços muitos baixos. Tem algo errado. Por isso reclamamos da concorrência desleal à Polícia Federal e queremos que as autoridades tomem as devidas providências”, reclama Assayag. Para o delegado geral da Receita Federal no Amazonas, Leonardo Frota, se os chineses estiverem regularizados para viver no Brasil, o

Nas estatísticas do controle migratório da Polícia Federal do Amazonas, de 2013 a 2015 os chineses não aparecem entre os primeiros estrangeiros que passam por Manaus, segundo informa a assessoria de imprensa do órgão. De acordo com a PF, todo estrangeiro que vem ao Brasil a negócios ou estudos ele é obrigado a fazer registro junto ao setor de imigração da instituição. Mas, se eles não aparecem, no controle regional, a assessoria diz que a maioria dos chineses que chegam à Manaus deve vir da cidade de São Paulo, onde efetuaram as suas regularizações de permanência no país, junto à PF daquela cidade. Conforme a assessoria,

que mais preocupa o órgão é a informalidade. “De repente se eles estiverem comercializando sem a abertura de empresa, sem os devidos registros da mão de obra e por isso prejudicando a arrecadação de tributos eles serão cobrados durante as fiscalizações”, sugere. Controle Quanto ao controle da chegada de produtos legais que chegam a Manaus e supostos contrabandos, o delegado geral da Receita aponta que é feito pela Alfândega do Porto. Procurada por telefone e por e-mail, a assessoria do órgão não atendeu às chamadas nem respondeu o e-mail até o fechamento desta edição.

nos acordos internacionais, o estrangeiro para vir trabalhar no setor comercial do país eles precisam chegar com visto voltado para atuar no setor, que tem um prazo e precisa ser renovado. Para se manter no Brasil, segundo a PF, o estrangeiro pode entrar com pedido de permanência com base na prole, com a chegada da família. Outras formas de solicitar estabilidade em solo brasileiro seria, no caso de, ao chegar para trabalhar casar-se com uma brasileira, ou na situação em que vir com a esposa prover um filho nascido no Brasil. O filho brasileiro, com 18 anos, a lei brasileira que não tem a intenção de o separar pais, permite que ele escolha a sua nacionalidade.


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Redução pode tornar legal pornografia e álcool aos 16 Juristas alertam para os perigos aos direitos conquistados pelo ECA embutidos na PEC 171/93, que diminui a idade penal ALEX FERREIRA/CÂMARA DOS DEPUTADOS

Deputados comemoram a aprovação da redução da maioridade penal para crimes hediondos, em comissão especial da Câmara dos Deputados, na última quarta-feira. PEC ainda vai ao plenário

S

ão Paulo (Conjur) - A redução da maioridade penal de 18 para 16 anos faria com que os adolescentes desta idade não fossem mais protegidos pelos crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Dessa forma, produzir, publicar ou vender pornografia envolvendo jovens de 16 e 17 anos não seria mais crime, nem vender bebida alcoólica ou cigarro a uma pessoa dessa faixa etária. Essa é a opinião de juristas ouvidos pela revista Consultor Jurídico. De acordo com o advogado e professor de Direito Penal da Universidade São Paulo (USP), Pierpaolo Cruz Bottini, a redução da maioridade penal faria com que adolescentes com mais de 16 anos recebessem tratamento jurídico criminal de adultos, o que os excluiria da proteção do ECA. Com isso, as infrações penais e administrativas elencadas no Título VII do ECA deixariam de ser imputáveis a quem as cometesse contra maiores de 16 anos. Além da produção e venda de pornografia (artigos 240 a 241-E do ECA) e da venda de bebidas (artigo 243), também não seria mais possível punir quem submetesse adolescente dessa faixa etária a vexame ou constrangimento (artigo 232),

promovesse o seu envio ao exterior para obter lucro (artigo 239), lhe fornecesse arma ou fogos de artifício (artigos 242 e 244) ou hospedasse-o em motel (artigo 250). O crime de submeter criança ou adolescente à prostituição (artigos 218-B do Código Penal e 244-A do ECA) também não poderia mais ser aplicado a quem praticasse essa conduta com jovens de 16 e 17 anos. Nesse caso, a pessoa deveria responder por favorecimento à prostituição (artigo 228 do CP), que tem penas menores quando envolve somente adultos (reclusão de dois a cinco anos - contra reclusão de 4 a 10). O juiz e professor de Processo Penal da Universidade Federal de Santa Catarina Alexandre Morais da Rosa também aponta que o crime de corrupção de menores (244-A do ECA) ficaria incoerente. Segundo ele, não faz sentido que um maior de 16 anos possa ser tanto autor quanto objeto de um delito que se destina a proteger a infância e a adolescência. Além disso, o professor lembra que, caso a diminuição seja aprovada, um adolescente de 16 que tiver uma relação sexual com um de 13 comete estupro de vulnerável, sujeito a reclusão de 8 a 15 anos.

Redução seletiva A comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou, na quarta-feira da semana passada, a Proposta de Emenda à Constituição 171/93, que prevê a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos apenas para casos em que forem cometidos crimes hediondos (como estupro e latrocínio), lesão corporal grave e roubo qualificado (quando há

CONGRESSO

A aprovação da redução da maioridade penal de 18 para 16 anos ainda tem que ser ratificada em votação no plenário da Câmara e Senado. Especialistas alertam para os perigos embutidos na PEC sequestro ou participação de dois ou mais criminosos, entre outras circunstâncias). O texto agora segue para votação no plenário da casa. Juristas ouvidos pela ConJur foram unânimes em criticar essa redução seletiva. Para o desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), Walter de Almeida Guilherme, “isso é uma verdadeira aberração jurídica”. A seu ver, se um maior de 16

tem capacidade de entender a gravidade de um homicídio ou de um roubo qualificado e as consequências que eles acarretam, ele também compreende a gravidade de um furto ou incêndio. De acordo com Almeida Guilherme, ou se faz a redução da maioridade para todos os crimes ou não se faz nada. Na opinião de Bottini, essa diferenciação de responsabilidade fere o princípio da igualdade. Por causa dessa violação, a emenda constitucional que a instituísse poderia ser questionada no Supremo Tribunal Federal (STF) por meio de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin). Já Morais da Rosa afirma que a diminuição da maioridade apenas para crimes hediondos “não se sustenta do ponto de vista lógico”, e classifica a medida de “populismo penal”. O juiz também entende que projeto contraria a igualdade e aponta mais um argumento para questionar a constitucionalidade da PEC 171/93: o que de que o artigo 228 da Constituição Federal (que estabelece que são penalmente inimputáveis os menores de 18 anos) é uma cláusula pétrea, e não poderia ser modificado devido ao princípio da proibição do retrocesso social. A única forma de alterar seu conteúdo seria via Assembleia Constituinte.

Votação sob o signo da polêmica Por 21 votos a 6, foi aprovado, na última quarta-feira, 17, o relatório do deputado Laerte Bessa (PR-DF) na comissão especial que analisa a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 171/93, que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. A votação ocorreu quatro horas e meia após o início da reunião. Foi aprovado também, em votação simbólica, um destaque do deputado Wewerton Rocha (PDT-MA) que aperfeiçoa a estrutura do sistema socioeducativo. Bessa alterou o texto para prever que a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos ocorra apenas nos casos de crimes hediondos (como estupro, latrocínio e homicídio qualificado), homicídio doloso, lesão corporal grave, lesão corporal seguida de morte e roubo agravado (quando há sequestro ou participação de dois ou mais criminosos, entre outras circunstâncias). O relator ressaltou que esses são os crimes que geram maior

“clamor” na sociedade. De acordo com o texto, a pena dos adolescentes será cumprida em estabelecimento separado dos maiores de 18 anos e dos menores inimputáveis. O relator, que já foi delegado de polícia, disse ser favorável a uma redução mais abrangente da maioridade penal e explicou ter cedido apenas para atender acordos políticos. “Minha convicção não é só baixar de 18 para 16. Eu queria pegar mais um pouco, uma lasca, desses menores bandidos, criminosos, que estão agindo impunes hoje, no país. Posso dizer de cadeira porque enfrentei bandidos perigosos por 30 anos e grande parte era menor de idade”. Orientaram favoravelmente à redução da maioridade penal partidos como PMDB, PSDB, DEM, PR, PP e PTB, e foram contra PT, PSB, PPS, PDT e PCdoB. O primeiro turno de votação da proposta no plenário da Câmara está marcado para o dia 30 de junho.


País

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Indústria de trigo projeta boa oferta no 2º semestre O aquecimento do setor traz perspectivas de abastecimento com produto nacional, reduzindo a necessidade de importação

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ão Paulo (Reuters) - O Brasil entra no segundo semestre com perspectivas de abastecimento satisfatório, com boa oferta da Argentina e uma safra doméstica recorde reduzindo a necessidade de importações, em um cenário bem menos turbulento que o registrado na segunda metade de 2014, disseram especialistas. Há cerca de uma semana, a Argentina, tradicionalmente o principal fornecedor do Brasil, autorizou a exportação de uma cota adicional de 1 milhão de toneladas de trigo da temporada 2014/15, já colhida, elevando o volume autorizado de exportações para cerca de 4,7 milhões de toneladas. “Boa parte dessa cota adicional vem para o Brasil. Nossa esperança é que governo argentino libere mais trigo. Eles têm disponibilidade (excedente exportável) de mais 3 milhões de toneladas”, disse o presidente do Moinho Pacífico, Lawrence Pih, um dos principais executivos do setor no Brasil. A Argentina caminha para retornar à liderança do fornecimento para o Brasil, posto que foi perdido para os Estados Unidos em 2014, devido a restrições de embarques impostas pelo governo da presidente Cristina Kirchner. Nos cinco primeiros meses de 2015, a Argentina forneceu 82% do trigo importado pelo Brasil, contra 8% dos EUA. No total de 2014, o trigo norte-americano representou 46% do volume adquirido no exterior, contra 27% do grão argentino. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) registrou na última quinta-feira que exportadores norte-americanos venderam 26 mil toneladas para o Brasil na semana encerrada em 11 de junho e embarcaram outras 33 mil toneladas. Contudo, este tipo de negócio não deverá ser frequente no segundo semestre, como foi em 2014. “O dólar valorizado favorece a importação de trigo argentino. O americano acaba ficando mais caro”, disse o analista Jonathan Pinheiro, da consultoria Safras & Mercado. Além do câmbio, os fretes mais longos e a cobrança de tarifa para importações de fora do Mercosul (TEC) fazem com que o trigo dos EUA chegue a São Paulo 15% a 20% mais caro que o trigo paranaense. “Não há compras fora dos EUA, até o momento, para o resto desta temporada”, disse o Luiz Pacheco, da Trigo & Farinhas.

FOTOS: DIVULGAÇÃO

Depois de um 2014 turbulento e uma safra medíocre, produtores de trigo do Brasil comemoram um cenário positivo para o setor neste segundo semestre do ano

Mercado interno abastecido Depois de uma quebra de safra em 2014 no Rio Grande do Sul, o Brasil deverá recuperar produtividades e realizar uma colheita recorde de 6,76 milhões de toneladas nesta nova temporada, que está com o plantio em andamento nos principais Estados produtores, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Segundo Pacheco, da Trigo & Farinhas, o Rio Grande do Sul já plantou 33% da safra; o Paraná, 82%; o Paraguai, 100%; enquanto o Uruguai e Argentina plantaram, respectivamente, 85% e 22%. “Todos (os países) com clima favorável até o momento, o que faz prever safra cheia, por enquanto. Embora as previsões de chuvas na colheita entre setembro e dezembro posCom a valorização do trigo nacional, a expectativa é que os preços caiam ou fiquem estáveis

FAMETRO POS GRADUAÇÃO

sam estragar a qualidade do produto. Mas o clima é imponderável e precisamos esperar para ter certeza”, afirmou Pacheco. Ao mesmo tempo, o consumo de produtos derivados de trigo registra queda em 2015, com as camadas mais pobres da população sentindo os efeitos da retração da economia do país e da crescente inflação, segundo Lawrence Pih. Ele projeta que o volume de importações do Brasil deverá cair cerca de 20% em 2015 ante 2014, seguindo a tendência já verificada nos primeiros cinco meses do ano. “A demanda caiu. Houve também uma compra antecipada de trigo (em 2014) porque muitos moinhos tinham temores com a oferta”, disse o Pih.


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Mundo

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Julien Assange completa três anos de refúgio

CUBA

Comissão afirma que ilha tem 60 presos políticos

Desde junho de 2012 baseado na embaixada do Equador, em Londres, australiano fundador do Wikileaks aguarda por interrogatório na Suécia REPRODUÇÃO

O

fundador do Wikileaks, Julien Assange, completou nesta sexta-feira, três anos de refúgio na Embaixada do Equador em Londres, sem que tenha sido interrogado pela Justiça sueca sobre acusações de crimes sexuais ou que seu caso tenha sido resolvido. Para fazer avançar o processo, o Ministério Público sueco aceitou em março ir a Londres ouvir o australiano, de 43 anos, que nega as acusações e se recusa a ir à Suécia por temer ser extraditado para os Estados Unidos. Segundo Assange, uma audiência com a procuradora sueca Marianne Ny, prevista para quarta-feira (17), foi anulada. “É impossível manter a confiança na magistrada nessas circunstâncias”, afirmou em comunicado divulgado terça-feira. A anulação não foi confirmada pelo Ministério Público sueco que, na segunda-feira, anunciou ter apresentado um pedido oficial às autoridades do Reino Unido para ouvir Assange em Londres, em junho e julho. Dois dias depois, o Ministério dos Negócios Estrangeiros equatoriano informou que avalia o pedido “em um espírito de cooperação judicial”.

A principal comissão de direitos humanos de Cuba acusou o governo na última sexta-feira, de ter 60 prisioneiros políticos, número que a entidade admite incluir rebeldes armados, sequestradores e espiões, assim como ativistas políticos pacíficos. O governo comunista da ilha tem afirmado que não tem prisioneiros políticos e que seus opositores se equivocam ao considerar contrarrevolucionários armados e

criminosos comuns como casos políticos. Além dos 60 encarcerados, outros 11 ex-prisioneiros políticos estão soltos sob condicional e impedidos de deixar o país. O relatório da Comissão Cubana de Direitos Humanos e de Reconciliação Nacional foi o primeiro desde que Cuba libertou 53 pessoas após as negociações então secretas com os Estados Unidos que levaram a uma reaproximação diplomática em dezembro.

CRIMES FINANCEIROS

Suíça pode endurecer regras contra lavagem de dinheiro Assange nega acusações suecas e afirma ter mantido relações sexuais por consentimento

Temor de extradição aos EUA Em causa, estão uma alegação de violação e outra de agressão sexual apresentadas por duas mulheres suecas em 2010. Até agora, ele não foi formalmente acusado e recusa essas acusações, argumentando que as relações sexuais mantidas foram consensuais.

Em junho de 2012, quando perdeu o processo de extradição no Reino Unido, pediu asilo político ao Equador, convicto de que se viajasse para a Suécia para ser ouvido seria extraditado para os Estados Unidos, que o querem processar pela divulgação de milhares

de documentos diplomáticos e militares confidenciais, no caso Wikileaks. Com mandado de detenção europeu emitido desde então, Assange não pode sair da embaixada equatoriana porque seria imediatamente detido pela polícia britânica e entregue à Justiça sueca.

A Suíça pode endurecer as regras contra a lavagem de dinheiro após a publicação de um relatório de um grupo indicado pelo governo que apontou que o país ainda está sujeito a crimes financeiros. O documento do grupo interdepartamental de combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento de terrorismo da Suíça (CGMT, na sigla em inglês) veio à tona em meio a um escândalo de corrupção envolvendo a Fifa, o organismo que administra o futebol em todo o mundo. “(O relatório) mostra que

a Suíça não está imune aos crimes financeiros e ainda é uma localidade atraente para lavar os lucros do crime, sobretudo aquele cometido no exterior”, declarou o governo suíço em um comunicado. A lavagem de dinheiro ligada a organizações esportivas não foi citada no documento. Embora a CGMT tenha notado que a legislação em vigor é uma resposta adequada aos riscos atuais, mesmo assim recomenda oito medidas para aprimorar a atual infraestrutura contra lavagem de dinheiro.


Caderno C

MANAUS, DOMINGO, 21 DE JUNHO DE 2015

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DIVULGAÇÃO

Dia a dia

Apoio do AA reforça luta antidrogas Dia a dia C8

Uma história que saiu da quadra para o bumbódromo FOTOS: ARQUIVO DE TADEU DE SOUZA

Festival de Parintins foi fundado em 1965 pelos jovens da Juventude Católica, sob o comando do padre Augusto Giannola

Vista de Parintins em 1965, ano da criação do festival folclórico que 50 anos depois se consolidaria como um dos mais importantes do calendário de eventos do Estado do Amazonas TADEU DE SOUZA Equipe EM TEMPO

P

arintins (AM) – A Parintins de 1965, o ano que foi criado o festival folclórico, nem de longe se compara à Ilha Tupinambarana de 2015. A cidade tinha quatro ruas, dois bairros (São Benedito e Francesa) e três comunidades suburbanas (Aninga, Macurani e Parananema). E foi ali que começou a história de um dos maiores eventos folclóricos do mundo. A economia vivia a época esplendorosa da juta e malva, responsáveis pelo enriquecimento de muitos produtores que depois de ganhar muito dinheiro com as fibras ampliavam seus investimentos e chegavam à criação de gado. “Não havia grande desenvolvimento e nem se imaginava que a cidade chegaria aonde chegou, mas a economia era muito forte”, lembra o criador de gado Enéas Farias, que acompanhou aquele momento da cidade. A recém-criada prelazia de Parintins, sob o comando dos padres italianos do Pontifício Instituto das Missões Estrangeiras, começava a se consolidar. Parintins tinha sido até então paróquia da Arquidiocese de Manaus. E o foco era a juventude. Para tanto, sob a liderança de um missionário jovem e de grande empatia com a juventude, foi criada a Juventude Alegre Católica (JAC). As quadrilhas, as danças, os pássaros e os próprios bumbás Garantido e Caprichoso não tinham um local de apresentação. Passavam todo o mês de junho dançando em frente às residências. “As pessoas chamavam as quadrilhas, os pássaros e os bois para brincar em frente à casa, faziam uma

fogueira imensa, preparavam aluá, tarubá, canjica, munguzá e outras iguarias desta época junina para brincar o dia de Santo Antônio e São João. Era assim antes da criação do festival folclórico”, afirma o radialista Aderaldo Reis. Em 1965, Raimundo Muniz, Xisto Pereira e padre Augusto Giannola, além de Lucinor de Souza Barros, jogador de futebol, que se mudou para Roraima, onde trabalhava como técnico em Telecomunicações, fundaram a festividade. Lucinor

Sob o controle da prefeitura Com o crescimento da festa, na década de 1980, na gestão do ex-prefeito Raimundo Reis, a Prefeitura de Parintins assumiu o controle do festival folclórico. Muniz ainda chegou a realizar um festival paralelo ao oficial do município. Depois da quadra da catedral, o festival foi realizado na quadra do antigo Ipasea (onde hoje é o CAT), estádio Tupi Cantanhede, num anfiteatro de madeira, o Tabladão e finalmente no bumbódromo construído no governo de Amazonino Mendes e na gestão do prefeito Gláucio Bentes Gonçalves. Na última quarta-feira (17), a prefeitura munici-

RESGATE

O Festival Folclórico de Parintins foi criado em uma cidade de apenas quatro ruas, dois bairros e três comunidades suburbanas que vivia a economia da exploração da malva e da juta, em 1965

pal fez abertura oficial do 50º Festival Folclórico de Parintins, que de um tempo para cá é realizado no setor azul da Praça dos Bois. “Acho que de um período para cá as autoridades ignoraram a importância das quadrilhas, das danças, dos demais grupos folclóricos e ficamos só no boi-bumbá, ao ponto de alguns chamarem de ‘festival dos bois’, mas o festival folclórico tem as quadrilhas e danças. Precisamos resgatar isso. Os bois eram convidados para encerrar a festa”, afirmou Aderaldo Reis. Leia mais sobre o Festival Folclórico de Parintins na página C2

Padre Augusto Giannola foi um dos idealizadores do festival

é o único dos fundadores do festival ainda vivo. Com apoio de todos os jovens que integravam o grupo Juventude Alegre Católica, Xisto, Muniz - que era o presidente da JAC –, Lucinor e padre Augusto realizaram a primeira edição do Festival Folclórico de Parintins. O local foi uma antiga quadra atrás da capela de Nossa Senhora do Carmo que funcionou como sede da prelazia enquanto durou a construção da majestosa catedral do Carmo. A capela existe até hoje, mas a quadra deu lugar a duas construções da paróquia. Desde sua fundação, o festival folclórico iniciava todo dia 12 de junho e encerrava no dia 30, sendo que as noites de 28, 29 e 30 eram dedicadas à disputa dos bumbás Garantido e Caprichoso.

Disputa começou em 1966 No primeiro festival brincaram 22 quadrilhas e os dois bumbás. Naquele ano não houve disputa entre os bois, o que viria acontecer somente a partir da segunda edição. “A quadrilha em Parintins teve grandes momentos com a quadrilha do seu Ubelino Silva, os ‘Cabras de Lampião’, ‘Cangaceiros na Roça’, havia uma quadrilha muito animada de um irmão do Lindolfo Monteverde, que todo mundo só o conhecia como ‘seu Baladeira’, e a quadrilha Juventude na Roça, da própria JAC com muitos jovens”,

conta Aderaldo Reis. O presidente da Academia Parintinense de Letras, advogado Narcizo Picanço, lembrou ainda as quadrilhas tradicionais como a “Quadrilha de dona Isabel Peixinho” e de dona Sila Marçal, cujo nome verdadeiro é Fé de Souza Mendes. Dona Sila é também responsável pela consolidação da brincadeira de Pastorinha em Parintins e região. Com o tempo, o único dos jovens da JAC que continuou tocando o sestival solclórico foi Raimundo Muniz.

Raimundo Muniz manteve sozinho o festival por um tempo


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Encerrados preparativos do festival de Parintins O

tido e Caprichoso ganharam notoriedade internacional e já podem ser considerados um dos principais expoentes da cultura brasileira ao redor do mundo”, disse o governador do Amazonas, José Melo. De acordo com Robério Braga, o patrocínio do governo do Estado para os bois-bumbás Garantido e Caprichoso este ano é de R$ 9.653.152,64, que contempla as apresentações, operacionalização e logística dos jurados do festival e a iluminação e sonorização do bumbódromo. O festival também é patrocinado pela Coca-Cola, Brahma, Bradesco, Petrobras, Correios, Eletrobras, Vivo e apoio do Ministério da Cultura. Segurança Sob a coordenação da Secretaria de Segurança Pública, todos os órgãos do sistema de segurança atuarão integrados na operação Parintins 2015, informou o secretário executivo da SSP-AM. Cerca de 1,2 mil servidores vão atuar nas áreas de policiamento ostensivo, trânsito, Polícia Judiciária, defesa, socorro, corregedoria e ouvidoria. As ações envolvem a Polícia Militar (PM-AM), Polícia Civil (PC-AM), Departamento

Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM), Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Corregedoria Geral do Sistema e Ouvidoria, que vão trabalhar integrados com as Forças Federais, dentre elas a Polícia Federal e a Marinha, que coordenará as ações de fiscalização às embarcações. “A operação segue o modelo de Sistema Integrado de Comando e Controle e será mais um teste para as forças do Estado que atuarão nos eventos dos Jogos Olímpicos de 2016, em Manaus”, afirmou Carlos Alberto. De acordo com o secretário estadual de Segurança Pública, Sérgio Fontes, todo o planejamento é para assegurar um festival seguro para os visitantes e moradores. De acordo com a SSP-AM, o festival deste ano terá o monitoramento de 22 câmeras de segurança, que estarão interligadas ao Centro de Comando e Controle do Amazonas (CICC-AM), no Aleixo, Zona Centro-Sul de Manaus. “As câmeras serão instaladas em todos os locais considerados pontos de interesse da segurança, que vão desde o Aeroporto de Parintins às áreas de dentro e fora do bumbódromo”, destacou Sérgio Fontes.

Disputa tradicional entre os bumbás Caprichoso e Garantido acontecerá de 26 a 28 de junho ROBERTO CARLOS/SECOM

governo do Amazonas concluiu os preparativos para a realização do 50º Festival Folclórico de Parintins, que acontece nos dias 26, 27 e 28 de junho. São esperados 60 mil visitantes e toda a estrutura de serviços públicos já foi planejada para que a festa ocorra com segurança e tranquilidade, tanto para turistas quanto moradores da cidade (que fica a 369 quilômetros de Manaus). Cerca de 30 órgãos e instituições, das esferas federal, estadual e municipal estão envolvidos na realização do festival. Ao todo, mais de 2 mil pessoas estão envolvidas na organização, realização e logística do festival. Os detalhes sobre o festival e as ações do governo do Estado para a realização da festa foram apresentados na última sexta-feira (19), pelo secretário estadual de Cultura, Robério Braga, pelo secretário executivo da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-AM), Carlos Alberto, e pelo secretário executivo adjunto de Planejamento e Gestão Integrada da SSP-AM, Dan Câmara. “Este ano é uma edição emblemática do Festival Folclórico de Parintins. Ao longo desses 50 anos os bois Garan-

ALEX PAZUELLO/AMAZONAS EM DESTAQUE

Esquemas de segurança, saúde e outros detalhes foram tratados na última sexta-feira em reunião dos organizadores

Reunião entre organizadores do evento aconteceu na última sexta-feira (19) em Manaus

Soluções rápidas para problemas Neste festival, também irão funcionar as Centrais Integradas de Fiscalização, um modelo de fiscalização que dá soluções imediatas para os problemas encontrados. “Uma equipe formada por membros de diversos órgãos irá percorrer a cidade verificando as demandas e dando soluções rápidas para as demandas”, disse o secretário Sérgio Fontes. Saúde Na área da saúde, a Secretaria de Estado de Saúde (Susam) irá reforçar a estrutura para o atendimento de média e alta complexidade durante o festival. Cerca de 30 profissionais entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e apoio administrativo atuarão na rede hospitalar do município e, nas noites do festival folclórico, com dois postos de atendimento montados na área do bumbódromo. Entre os médicos especialistas que serão enviados

para reforçar o atendimento estão dois cirurgiões, dois traumato-ortopedistas, dois clínicos gerais, dois intensivistas, neurologista, cardiologista e anestesista. De acordo com o secretário de estadual de saúde, Wilson Alecrim, estão sendo investidos cerca de R$ 183,5 mil para a operacionalização das ações especiais de saúde em Parintins durante o Festival. Utilidade pública A Ouvidoria Geral vai levar para Parintins este ano o projeto “Documentos Perdidos e Achados”, um serviço que vai auxiliar na recuperação de documentos perdidos. Por meio do projeto, quem encontra um documento de um terceiro pode leva-lo até o PAC de Parintins, onde será cadastrado pela equipe da Ouvidoria em um sistema informatizado. Quem estiver procurando o documento perdido deve se cadastrar também no PAC e

ser informado, por e-mail ou através do WhatsApp, caso o documento seja encontrado. O atendimento da Ouvidoria no PAC de Parintins ocorrerá das 8h às 17h e também em um posto no bumbódromo. Artesanato A Secretaria de Estado do Trabalho (Setrab) promove a 13ª Mostra de Artesanato e Economia Solidária de Parintins, nos dias 25, 26, 27 e 28 de junho de 2015, na Tenda do Artesanato, que será montada na Praça da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, em Parintins. Também em apoio aos artesãos, nos dias 22 e 23 de junho, técnicos da Setrab realizarão cadastramento para emissão da Carteira Nacional do Artesão e do Trabalhador Manual. Com a carteira, o artesão passa a ter uma identidade profissional e vai poder circular com mercadoria por todo o território brasileiro.


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Nem inglês, nem espanhol. O ‘lance’ agora é mandarim FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Aprender idioma da China é fácil, desde que haja dedicação e não apenas fascínio por outra cultura, ensina professora

Irlene Hsu, professora de mandarim em escola de idiomas e na Escola do Serviço Público Municipal, afirma que interesse pelo aprendizado cresceu pela proximidade de indústrias chinesas no PIM RAFAEL S. NOBRE Equipe EM TEMPO

F

oi-se o tempo em que estudar inglês por hobby, para quando viesse a ser útil na vida profissional, era a “menina dos olhos” nos cursos de idiomas em Manaus. Um dos que têm obtido bastante procura na cidade é o mandarim. O reflexo disso é a oferta do curso em diversas escolas, principalmente nas unidades educacionais conhecidas por oferecer apenas inglês e espanhol. Na capital do Amazonas isso acontece devido à proximidade com fábricas chinesas instaladas no Polo Industrial de Manaus, mas também é influenciado pela “necessidade de falar o novo idioma global”, como explicou a administradora de empresas e professora de mandarim Irlene Hsu, 33. Esse é o caso da diretora operacional da empresa Tutiplast, Mariana Barrella, 32. Ela visitou a China duas vezes à trabalho, e o desconhecimento do idioma a deixou em uma situação complicada. “Uma vez fui pegar um táxi de uma cidade para outra. Pronunciei o nome do destino de um jeito errado e parei em outro lugar. Tudo porque disse errado parte da palavra”, contou Mariana, que é fluente em inglês, espanhol, italiano e francês. Agora, ela estuda mandarim há quatro meses. “Decidi estudar mandarim por gostar da cultura e achar muito importante hoje saber esse idioma. Acho que faz diferença no trabalho”. Infância trilíngue A professora de mandarim Irlene cresceu ouvindo os pais falando em taiwanês, estudou mandarim informalmente com parentes e depois aperfeiçoou-se. Tudo ao mesmo tempo em que crescia em Manaus e era alfabetizada em

português na escola. “Pode parecer confuso, mas tudo foi muito natural para mim. Aprendi os três idiomas e hoje falo todos eles. O conhecimento de mandarim é muito importante também para meu trabalho na fábrica”, relatou Irlene. Assim como parte de seus alunos, a professora Irlene também trabalha em uma fábrica do Polo Industrial de Manaus. Ela atua no setor administrativo da Pionner durante a manhã e a tarde, e leciona mandarim na escola Wizard à noite. Irlene também ensinou a mesma língua na Escola do Serviço Público Municipal, da Prefeitura de Manaus. Mandarim é fácil Irlene só ensina mandarim para brasileiros. Segundo ela, é mais fácil um brasileiro aprender mandarim que um chinês ser fluente em português. “A gramática do português do Brasil é muito complexa, nem os brasileiros dominam. Com três anos de dedicação você já começa a conversar bem em mandarim”. Apesar de soar parecido aos ouvidos ocidentais, taiwanês, japonês e demais idiomas asiáticos são bastante distintos entre si. “Taiwanês e mandarim, por exemplo, que são os idiomas que domino além do português, são completamente distintos. É como comparar português com mandarim”, definiu Irlene. Uma maneira de aprender mandarim mais facilmente, segundo Irlene, é ter conhecimento de outro idioma, além da língua nativa. “Geralmente quem já sabe inglês ou espanhol, por exemplo, se dá melhor em mandarim. Fica mais motivado porque já sabe que dedicação dá resultado: conseguir a sonhada fluência”. “Também ajuda ter um objetivo claro, como conseguir uma promoção no emprego”, completou.

Apesar da alta procura, poucos concluem Falta de identificação com o idioma e sobrecarga no trabalho ou faculdade são os principais motivos que levam alunos a desistirem de aprender mandarim. Geralmente uma turma começa com 15 alunos e termina com cinco. “Quem começa a estudar só porque acha bonito, gosta da cultura, quase sempre desiste e fica pelo meio do caminho”, explicou a professora. “Os alunos que têm mais

sucesso, que concluem o curso, são aqueles que têm metas bastante definidas, como visitar a China ou conseguir um trabalho melhor dentro de sua área, e que peça domínio da língua chinesa”. Domínio Enquanto a conversação básica é alcançada em três anos, o domínio da língua falada e escrita chega aos seis anos de dedicação.

Além de conhecer as quatro entonações que cada sílaba possui, é necessário aprender a escrever, ou melhor, desenhar uma infinidade de ideogramas. “O conhecimento dos ideogramas é o último nível. Primeiro você aprende a falar e entender, depois domina os ideogramas”, explicou a instrutora de mandarim. Dicas Para ter sucesso no estudo

de qualquer idioma é fundamental treinar em casa, com filmes e músicas. Como a professora indicou, ajuda bastante ter uma motivação bastante clara, como realizar uma viagem dos sonhos ou alcançar um posto elevado, e com remuneração atraente, dentro da sua organização. “Siga suas metas. A fluência chega com o tempo e somente a quem persiste”, garantiu Irlene.

INVASÃO

CHINESA

De acordo com a professora, o conhecimento de outra língua, como inglês, facilita ainda mais o aprendizado do mandarim


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Dia a dia

O bom humor contra as Na relação com os amazonenses, chineses foram cativados pelo bom acolhimento de quem vive aqui. No comércio local, empregam funcionários e neles têm a confiança para não deixar clientes insatisfeitos CLEIDIMAR PEDROSO Especial EM TEMPO

É

com bom humor que os chineses superam aquela que, segundo eles, é a única dificuldade na relação com os amazonenses: a comunicação. Sem nenhuma fluência na língua portuguesa, muitos deles estão no Brasil para comercializar utensílios e equipamentos importados a preços populares, entre eles alguns produzidos sem a devida autorização e o pagamento dos direitos autorais. Em Manaus, empregam brasileiros e contribuem para movimentar o comércio no Centro. As poucas palavras que conseguem falar aprenderam “na marra”. Alguns, ajudados por outros chineses que moram no Brasil há mais tempo, estudaram a língua portuguesa somente por uma semana e para aprender o básico no comércio nacional: contar de um a cem e identificar as notas da moeda do país e seus respectivos valores. “Aprendi a contar de um a cem com amigo. Estudei durante uma semana”, conta Yang, 26, que no Brasil adotou o nome de Igor. Ao contrário de nós brasileiros, os chineses usam o sobrenome à frente do nome. Por conta da atividade que desenvolvem, muitos têm medo de falar com quem não conhecem e dificilmente dizem o nome completo. “Aprendi a falar a, e, i, o, u”, completa. Em uma loja na rua Quintino

Bocaiúva onde são vendidos produtos para aparelhos celulares, Igor fica no caixa e os funcionários que atendem os clientes são amazonenses ou outros brasileiros. Os chineses foram cativados pelo bom acolhimento de quem vive no Amazonas. Tanto que os funcionários que eles empregam têm a confiança para esclarecer as dúvidas e para dirimir a falta de paciência dos clientes quando não conseguem se entender. “Quando não entendo chamo elas (funcionárias). Ninguém sai chateado”, disse Igor. “Falo errado. Cliente ri e corrige. Todo mundo ri e ninguém fica chateado”, disse. Rogério Vaz, 28, amazonense, há um ano trabalha em uma loja que vende antenas de TV analógica e controles remotos na rua Quintino Bocaiúva. O estabelecimento é comandado por Xiaoju Zhang, 28, que no Brasil é chamada de Júlia, e por Zali, 28, que não adotou nenhum nome típico no Brasil. “Eu fico deslumbrado ao ouvi-los falando no seu idioma. A gente não consegue entender nada. Zali tentou me ensinar uma ou outra palavra, mas eu não aprendi”, conta Rogério. “Eu os admiro porque são bons patrões. Estão sempre bem humorados e são justos. Pagam em dia e às vezes até adiantado. Gostam muito de trabalhar e aceitam nossas sugestões. O patrão brasileiro é preguiçoso e olha a gente de cima para baixo. Os chineses gostam de trabalhar e são muito simples”, contou.

Chineses são vistos como patrões gentis e muito trabalhadores

Falta tempo para o aprendizado Entre um cliente e outro, Júlia estuda palavras isoladas para se comunicar melhor com os brasileiros. Em um caderno ela escreve palavras em língua chinesa e na língua portuguesa, uma ao lado da outra. Ela e Zali contam com o auxílio de um dicionário nas línguas portuguesa, chinesa e inglesa. Ela viu alguns vídeos na internet quando chegou ao Brasil para aprender o idioma falado por aqui. “Fico na loja o dia todo, não tenho tempo. Tem escola para estudar português?”, questiona. A maior dificuldade é a pronúncia do fonema /r/. Ao pedir que pronuncie “arara”, ela se esforça, mas consegue pronunciar somente “alala”. Todos riem quando

Júlia tenta falar palavras com o fonema /r/, incluindo ela mesma. Na rua Marechal Deodoro, Lilan, 32, é gerente de uma loja que vende produtos para o público feminino, entre bolsas e bijuterias. É bem humorada, mas diz que às vezes perde a paciência com os clientes. “Você não deveria estar aqui”, ouve Lilan de muita gente, segundo ela mesma. “Você também não”, dispara como resposta porque ela sabe que muitas pessoas que vivem no Amazonas vieram de outros Estados. “Vem muita gente aqui. Cliente chato. Sou chata”, disse. Sobre a língua, ela pouco lê em português e também conta com a ajuda dos funcionários para se entender com os clientes.

Dicionário da língua portuguesa faz parte da vida de chineses que chegam ao país


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s barreiras do idioma

FOTOS: IONE MORENO

Bom humor é a tônica das relações entre os chineses e clientes de seus negócios em Manaus, superando o problema do idioma

Dificuldade da língua materna

Segurança foi o fator atrativo

INVASÃO

CHINESA Caderno de anotações com palavras em português é chinês é um método para tentar memorizar a língua portuguesa

Os chineses que vieram para o Brasil, antes de Manaus, moraram primeiro em outras capitais como São Paulo ou Recife. Eles decidiram vir para a capital do Amazonas, principalmente, devido à falta de segurança de outras cidades. Com a escolha, faturam menos, mas não pensam em ir embora. O jovem Yang contou que está há quatro anos no Brasil. Nos dois primeiros viveu em São Paulo. “Melhor para trabalho”, declarou sobre a capital paulista. Porém, ele completa: “Perigoso sair de casa para trabalho, não pode andar na rua”. “São Paulo vende mais”, disse. Yang disse que, em São Paulo, um parente estava andando falando ao celular e o aparelho foi levado por um bandido. Por conta de sua adaptação a Manaus, seus pais estão vindo da China para a capital amazonense. “Manaus é seguro”. Já Lilan, que está há dez anos no Brasil, declarou que veio com uma amiga para cá três anos atrás e por aqui ficou. “Passear e gostei. Manaus é muito bom”, disse. Ela também aponta a falta de segurança em São Paulo como um dos motivos para ter

deixado a capital paulista. Ela tem dois filhos, de 6 e 5 anos, que nasceram na capital paulista e que estão de férias na China. Eles ainda não estudam e Lilan também não sabe dizer se estudarão no Brasil. Xiaoju Zhang morava em Recife (PE) e disse que veio em busca de mais segurança. Ainda assim, ela contou que já foi assaltada. Em janeiro deste ano,

VANTAGEM

Os chineses que veiram para o Amazonas apontaram a sensação de segurança como um fator atrativo em relação a outros grandes centros urbanos, como São Paulo no fim da tarde, ela estava fechando a loja acompanhada da filha, um bebê de colo que estava em um carrinho. Dois homens em uma moto chegaram. Um desembarcou e, armado, ordenou que ela entregasse tudo. “Levou celular e carteira. Deixou bebê e carrinho”, disse. Nos quatro anos no Brasil, há dois ela vive no Amazonas.

O professor Sérgio Freire, doutor em linguística pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), explicou que a maior facilidade ou dificuldade em aprender outro idioma depende de qual é a língua materna de quem se propõe a estudar. “Do ponto de vista linguístico, não há línguas mais fáceis ou mais difíceis de aprender em si. O português, por exemplo, faz parte do tronco latino, junto com o espanhol, o catalão, o galego, o italiano e o francês. O chinês faz parte de outra família, o tronco sino-tibetano, que inclui ainda o tibetano e o birmanês. Regra geral, falantes de uma língua têm mais facilidade de aprender outra língua quando ela é do mesmo tronco e mais dificuldade quando é de outra família. Assim, é mais fácil um falante de italiano aprender português do que o falante de chinês aprender português. É mais fácil um brasileiro aprender francês do que chinês”, explicou. Ele completa que para um estrangeiro aprender uma nova língua é necessário, principalmente, ter motivação, dedicação e metodologia. Para a língua chinesa,

o som do /r/ e do /l/ não fazem diferença, apontou Sérgio Freire. “Tanto faz falar um ou outro. No português, não. ‘Rua’ é diferente de ‘lua’, sendo duas palavras distintas. Isso acontece porque, como disse, o chinês é uma língua de outro tronco linguístico, com características todas próprias. É preciso se apropriar da diferença para falar uma língua estrangeira. Mas todo ser humano é biologicamente apto a aprender uma língua materna e, dada certas condições, uma língua estrangeira”, disse. Ele lembrou que muitos brasileiros têm dificuldade com o domínio do português padrão, que é a variedade de prestígio, de investimento social, que se aprende na escola. “Não há a menor dificuldade em falar o português, uma vez que a oralidade é um atributo ‘de fábrica’ do ser humano. É preciso não confundir a língua portuguesa – e suas variações – com a língua padrão – uma das variações. Se há dificuldade em dominar a língua padrão é porque a escola não está fazendo direito o seu papel. É uma questão pedagógico-metodológica”, ressaltou.


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Dia a dia

Plantas herdadas do Artigo do Inpa revelou variáveis que influenciaram na diversidade de plantas nos quintais do presente

A

s plantas que brotam espontaneamente nos quintais de terras pretas indígenas têm ligação direta com o passado indígena de antes da chegada dos europeus à Amazônia. Este é o resultado de um trabalho realizado por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), em comunidades do município de Silves (a 204 quilômetros de Manaus), às margens do rio Urubu, publicado recentemente revista científica especializada “PLoS ONE”. A pesquisa tem como base a dissertação de mestrado em botânica no Inpa de Juliana Lins, orientada pelo pesquisador Charles Clement, intitulada “Terra Preta de Índio e as populações do presente: a herança que chega até o quintal”. Realizado em 40 quintais de terras pretas de cinco comunidades de Silves, o artigo mostrou que o contexto arqueológico dos quintais sobre terras pretas de índio influencia a composição florística atual. “Queríamos saber se parte das plantas que estão nos quintais do presente, em uma área de sítio arqueológico, estão ali porque os índios já estavam naquele local antes de os europeus chegarem”, conta Lins. O trabalho foi realizado em parceria com pesquisadores da Universidade Federal do

Amazonas (Ufam), do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam) e do Museu Paraense Emilio Goeldi (Mpeg). As terras pretas de índio são solos antropogênicos (aqueles que sofreram ação do homem) que foram construídos pelos povos indígenas, principalmente, entre 2.500 e 500 anos antes do presente, a partir de depósitos de restos de animais, vegetais e cerâmicas em volta de suas moradias. São caracterizadas por manchas escuras sobre o solo original, chegando a ter 2 metros de profundidade numa área de até 200 hectares (equivalente a 200 campos de futebol) e são mais férteis que solos típicos da Amazônia. As terras pretas são ricas em cálcio (Ca), fósforo (P), potássio (K), zinco (Zn) e manganês (Mn). Segundo a atual bolsista do Programa de Capacitação Institucional do Inpa (PCI), a pesquisa constatou que as plantas dos quintais do presente estão estruturadas de acordo com o contexto do sítio arqueológico em que a terra preta está localizada, e os quintais estudados estão sobre dois tipos diferentes de ocupação indígena pré-colombiana naquelas comunidades. “O conjunto de quintais em contextos arqueológicos que foi abandonado pelos índios mais

recentemente (300 anos atrás) possui mais diversidade beta em comparação com o conjunto de quintais que foram abandonados pelos índios há mil anos. A diversidade alfa de um quintal não é suficiente para dizer se tem uma influencia do passado ou não, mas a diversidade beta no conjunto permite isto,” explica Lins. Variáveis Para Lins, existem duas variáveis que possivelmente influenciaram essa diversidade: o tempo de ocupação da terra preta pelos índios e há quanto tempo foi abandonada. “Terras Pretas com maior tempo de ocupação indígena pré-colombiana e abandonadas mais recentemente eram as que tinham os quintais mais dinâmicos e diferentes entre si atualmente”, explica. De acordo com a bolsista, isso significa que as pessoas que moram nos quintais de hoje interagem com esse passado arqueológico, porque as plantas do passado estão ali nos bancos de sementes e brotam nos quintais. Como as pessoas de hoje conhecem essas plantas e as manejam isso facilita a existência delas. “Porque essas mesmas plantas são úteis para elas (pessoas) que as mantêm ali, senão as arrancariam e jogariam fora”, completa.

Pesquisa do Inpa sobre as origens das terras pretas foi feita em comunidades no município de Silves e publicada recentemente em artigo de revista especializada


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FOTOS: JULIANA LINS/PCI-INPA

os pré-colombianos Dinâmica da floresta estimula permanência

Uma das hipóteses levantadas por Lins para explicar como essas sementes conseguiram se manter no local onde estavam há 300 ou 400 anos é a dinâmica da floresta, que rebrota com o abandono das áreas após o colapso das populações précolombianas. Com a queda natural de árvores, acontece a abertura de clareiras temporárias e essas plantas úteis de quintais adaptadas ao sol podem rebrotar e ficar naquele local por um tempo.

“Como a floresta está em constante movimento pode voltar a brotar as plantas de quintal novamente”, diz. “Na verdade, não dá para saber quais, de todas as plantas nativas da Amazônia nesses quintais, são as descendentes diretas das plantas dos índios que estavam ali há 300 ou 400 anos, mas temos algumas pistas pelas plantas que sempre nascem espontaneamente nas terras pretas sem ninguém do presente ter plantado, tais como chicória,

vários tipos de ingás, mamão, cupuaçu, mucura-caá, e pode acontecer até com mandioca e macaxeira”, explicaLins. De acordo com o pesquisador do Inpa, Charles Clement, os pesquisadores que realizaram este trabalho fazem parte de uma abordagem antropológica chamada de Ecologia Histórica, que defende alguns pressupostos, dentre eles o de que o ser humano interferiu em todos os ambientes habitáveis da Terra.

Para o pesquisador, um dos corolários é que não existe uma tendência natural em aumentar ou diminuir a biodiversidade quando o ser humano está no local; isto depende da cultura no qual está inserido e do local da paisagem em que se encontre. “Segue que a Amazônia não é uma floresta virgem e já foi mexida pelos povos indígenas, mas não sabemos o quanto em qualquer hectare até estudar com mais atenção”, diz Clement.

Uma das hipóteses levantadas para explicar a permanência das sementes nos locais há séculos é a dinâmica da floresta


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Dia a dia

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Alcoólicos Anônimos dão apoio para reabilitação O

Centro de Reabilitação em Dependência Química Ismael Abdel Aziz conta com uma importante parceria para ajudar na recuperação de dependentes químicos adoecidos pelo uso excessivo de álcool. A Associação Alcoólicos Anônimos do Amazonas (AA), que há mais de 30 anos resgata vidas no Estado, realiza atividades no centro para prevenir recaídas dos pacientes. Palestras e trocas de experiências sobre as causas e consequências da dependência do álcool são algumas das atividades realizadas com os pacientes, desde a sua chegada ao centro de reabilitação, pelo membro-fundador da AA, Francisco Magalhães, e pelo coordenador do grupo em Manaus, Antônio Maciel. O intuito do trabalho da AA na unidade é estreitar a relação com os pacientes e incentiválos a participar dos grupos na capital amazonense, após a alta do centro de reabilitação. “As palestras servem para demonstrar aos pacientes que, a partir do momento em que eles saem do centro, estaremos de braços abertos para apoiá-los no pós-tratamento aqui fora. Sobreviver longe do álcool é

difícil, mas o processo de recuperação e alívio de dores emocionais pelo qual os pacientes passam é inestimável para a luta contra o vício”, destaca Antônio Maciel. O centro de reabilitação recebe as atividades do AA quinzenalmente desde maio de 2014, e incentiva os internos a procurarem a associação quando estiverem dando continuidade ao tratamento na rede. “Sabemos que toda ajuda no tratamento do dependente químico é importante, pois a luta contra as drogas tem de ser tratada constantemente”, pontua o diretor do centro de reabilitação, Pablo Gnutzmann. Dedicação Os pacientes aprovam a iniciativa e estão se dedicando às reuniões do AA, que acontecem no auditório do centro de reabilitação a cada 15 dias. Muitos pacientes já pensam em frequentar também as reuniões na sede do órgão em Manaus. “Tenho de ter ajuda de outras pessoas para continuar limpo e longe do álcool. O centro de reabilitação me proporcionou uma nova vida contra as drogas e pretendo dar prosseguimento ao tratamento com o apoio do AA, quando estiver fora”, disse

o residente Paulo Pedro (nome fictício), dependente do álcool há mais de 30 anos. O AA já faz parte da rede assistencial de apoio a dependentes de álcool no Amazonas. Para o gerente assistencial do Centro, Antônio Carlos Durante, o vínculo do paciente com os programas pós-tratamento aumentam as probabilidades de eles se manterem limpos e longe do álcool. “O programa Alcoólicos Anônimos traz a proposta de o indivíduo fazer a manutenção do tratamento dentro dos grupos para saber lidar com os estímulos no meio social, evitar a recaída e construir uma nova maneira de agir”, afirmou. O residente Fábio Torres, 49, começou a consumir álcool com 15 anos de idade e desde então vinha tentando se livrar do vício. Para ele, as palestras do AA são motivadoras e o ajudam a criar forças para abandonar de vez o vício. “Desde que iniciei o tratamento no centro de reabilitação, participo das reuniões da AA, e tem sido muito importante na minha recuperação. Quando terminar meu tratamento, pretendo continuar frequentando os grupos de apoio e quem sabe ajudar outras pessoas com minha história”, disse.

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Parceria com centro de reabilitação química permite palestras e troca de experiências com quem superou o vício

Palestras do AA em centro de reabilitação ajudam a motivar mais os pacientes em recuperação


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INVASÃO

CHINESA

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Caderno D

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Próximo show do Harmonia anima seus fãs

Uma influência

milenar

Ao contrário do que muitos imaginam, as influências da cultura chinesa no Brasil são profundas e antigas FRED SANTANA Especial EM TEMPO

M

aior crescimento econômico dos últimos 25 anos. Produto Interno Bruto (PIB) aumentando 10% por ano. Renda per capita chegando a 8.395 dólares por pessoa (PPP) em 2011. Não há dúvidas: em todos os indicadores sociais, a China se mostra um verdadeiro fenômeno internacional. Recentemente, o país passou a se aproximar do Brasil e do Amazonas. Mas ao contrário do que muitos imaginam, as influências da nação mais populosa do mundo na cultura brasileira são profundas e antigas. Quando nós, brasileiros, pensamos em cultura e China, os primeiros exemplos que vêm em nossa mente são as artes marciais como o Tai Chi Chuan e o Kung Fu, imortalizados no cinema por um dos grandes ícones midiáticos do país, Jet Li. Ou a medicina, representada

pela acupuntura, técnica praticada há mais de quatro mil anos e cada vez mais aceita e utilizada no Brasil. Mas alguns hábitos muito comuns do nosso cotidiano também vieram da mesma fonte. Um estudo de 1999 do professor José Roberto Teixeira Leite, do Instituto de Artes (IA) da Universidade de Campinas (Unicamp), em São Paulo, que está disponível na internet, encontrou diversas práticas da cultura chinesa refletidas na nossa. Vejamos alguns exemplos: Deixar as unhas compridas – os chineses deixavam as unhas das mãos crescerem (geralmente apenas a esquerda) como sinal de status social. Ter as unhas grandes era sinal de que o indivíduo poderia abrir mão do trabalho manual. A prática teria chegado ao Brasil após influenciar os britânicos e posteriormente, os portugueses; fetiche por pés pequenos – O imperador Tunghun Ho admirava os pés pequenos da sua esposa ao dançar e instituiu isso como padrão de beleza. Mais tarde, esse padrão influenciou os britânicos e posteriormente os portugueses e brasileiros. Tanto que em obras clássicas como “Quincas Borba” e “Dom Casmurro” (de Machado de Assim), esse aspecto já era percebido nas brasileiras. Dizer “um cheiro” ao invés de “um beijo” – Os chineses não conheciam o beijo de lábios e gostavam de sentir o cheiro

das pessoas. O hábito passou incólume por Portugal e pegou diretamente no Brasil, segundo a pesquisa. “Arrotar” após as refeições – Embora seja considerado hoje um ato grosseiro e falta de educação, no passado era visto como um sinal de agradecimento pela comida. Também chegou ao Brasil durante o período colonial.

Relações com o Amazonas O país asiático possui atualmente dois projetos anunciados para o Amazonas, mais especificamente a instalação de fábricas. O valor total dos investimentos é de R$ 200 mil. Também há intenção de instalar uma filial da BYD no Polo Industrial de Manaus (PIM). O investimento anunciado nessa segunda unidade é de US$ 400 milhões e a projeção é de que sejam gerados mais de mil empregos. Será o maior investimento da empresa fora da China. Com todo esse ímpeto e a influência da sua cultura na brasileira, a expectativa é de que o campo da cultura seja o próximo elo entre amazonenses e chineses. Em junho de 2016, Manaus receberá o Congresso Internacional de Teatro e já estão confirmadas atrações vindas da China. As discussões sobre o mesmo Congresso, que terá sua edição seguinte em Pequim em 2018, também deve aproximar ainda mais as duas culturas.

Hábitos como deixar as unhas compridas é uma das influências chinesas na cultura ocidental


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TRO

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OS:

SILV

IA C AS

>> Prevenção

Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br

. O governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), realiza de 22 a 26 de junho a Semana Estadual de Prevenção às Drogas. . Toda a programação será no bairro Jorge Teixeira, Zona Leste, um dos bairros com alto índice de incidência de tráfico de drogas em Manaus, segundo dados da SSP. A agenda inicia na próxima segunda-feira, às 8h, com a caminhada “Todos por uma vida sem drogas”.

>> Palco . A dupla Henrique & Juliano sacudiu o Studio 5 com show cheio de alto astral. . A Fábrica de Eventos levou uma verdadeira multidão para aplaudir a apresentação da dupla sertaneja. No pré-show, Léo Verão agitou a plateia. Mais uma noitada de sucesso da Fábrica.

. “Será uma grande mobilização na comunidade para chamar a atenção não só da população que mora na Zona Leste, mas de toda a sociedade. As drogas são perigosas, podem acabar com a vida do usuário, da família desse usuário e dos demais conviventes. É um problema que atinge a todos independente de idade, gênero ou classe social”, afirma a titular da Sejusc, Graça Prola. De 23 a 26 de junho, a programação acontece nas escolas estaduais e municipais do bairro com palestras, dinâmicas em grupo, panfletagem e distribuição de cartilhas educativas.

Luiz Miguel Vasconcelos

A dupla Henrique & Juliano com a empresária Bete Dezembro no show que movimentou o Studio 5

Edilson Junior e Livia Lins

Letizia Barros

>> Homenagem

Objeto de desejo

. O presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, deputado Josué Neto, está convidando para evento importante no Plenário Ruy Araújo.

. A Rolex lançou uma linha do tipo imperdível.

. Será a sessão especial em homenagem à Associação Comercial do Amazoans (ACA), com 144 anos de existência. . O evento acontece, conforme aprovação de requerimento de autoria do deputado Adjuto Afonso, no próximo dia 23.

O médico Alexandre Vila, da nova e boa safra de profissionais da Saúde de Manaus

. Batizada Oyster Perpetual, traz um modelo mais esportivo de seus relógios em três cores: uva, azul e ródio. A peça é de ouro branco 18 quilates, com os marcadores das 3, 6 e 9 horas de ouro branco e pontos azuis com 39 mm de diâmetro. Resistente à água, o modelo ainda é coroado com um anel de zafira. O preço? Cerca de US$ 5 mil.

INFANTIL DIVULGAÇÃO

A dupla de palhaços apresenta “A vida é bela” hoje, no Teatro Manauara, às 15h e 17h

Patati Patatá em sessão extra O show “A vida é bela”, da dupla de palhaços Patati Patatá, ganhou uma sessão extra hoje, no Teatro Manauara. Além das 15h, o público poderá conferir a apresentação também às 17h. Os ingressos continuam à venda na bilheteria do teatro, localizada no Piso Buriti do Manauara Shopping (avenida Mário Ypiranga Monteiro, 1.300, Adrianópolis). Os valores são R$ 60 (setor 1, meia-entrada) e R$ 40 (setor 2, meia-entrada). Criança paga a partir de

2 anos de idade. Será exigida a certidão de nascimento na entrada do evento. O espetáculo estreou no início de maio, em Jundiaí (SP), e já percorreu Jacareí (SP) e Três Corações e Varginha, no sul de Minas Gerais. A produção do espetáculo conta com mais de 30 profissionais envolvidos. O diretor artístico da produção é Rinaldi Faria, criador dos personagens. O novo DVD do Patati Patatá entrou na grade de exibições especiais do ca-

nal infantil Discovery Kids. O show “A vida é bela” traz um mix das novas músicas que já são sucesso entre a criançada como o “Ronco do vovô”, “Vem bambolear”, “O mestre mandou”, “A vida é bela”, “Tudo o que eu preciso”, “A, E, I, O, U”. Além das já consagradas “A dança do macaco”, “Amigos para sempre”, “A dança do lôro”, entre outras. Mais informações sobre o evento pelo telefone 3342-8030 ou facebook. com/teatromanauara.


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O grupo Harmonia do Samba faz parte do line up do evento “Garota VIP Manaus”

Em contagem regressiva para o dia 15 de agosto O

mês de junho nem acabou e já tem gente querendo que chegue agosto, mais precisamente o dia 15 de agosto. Neste dia, Manaus vai receber um grande evento que vai contar com a presença do grupo baiano Harmonia do Samba. E os fãs de Manaus já estão contando as horas para esse encontro. O Harmonia faz parte do line up do “Garota VIP Manaus”, que vai trazer para a capital amazonense o cantor Wesley Safadão e a banda Garota Safada, além de Márcia Felipe & Forró da Curtição. Mas o forró, tema central do evento, não é o que chama mais atenção da jornalista Rosianne Couto. Presidente do fã clube “Da Capelinha para o Mundo”, Rosianne já está em contagem regressiva para o show do Harmonia do Samba na segunda quinzena de agosto. E é claro que as surpresas e “mimos” já estão sendo preparados. “Então, vai ter surpresa sim! O que posso adiantar é que nosso FC vai fazer um agradecimento ao baterista Roque Cezar, fundador da banda, que faz aniversário no dia 16

de agosto. Por tudo que eles fazem pela gente, por tudo que representam em nossas vidas. A gente não pode deixar de homenageá-los nunca. Vai ter camisa, surpresas e muito amor para eles!”, ressaltou. Rosianne é fã da banda desde o ano de 1998, mas somente em 2002 decidiu criar o fã clube com algumas amigas. Ela topa qualquer parada para estar perto de seus ídolos. E com tantos anos de dedicação ao grupo, a jornalista já possui uma relação de amizade com a produção e principalmente com Xanddy e todos os membros que compõem a banda. Sempre que pode viaja para matar a saudade do vocalista do Harmonia do Samba. Líder da Torcida (nome carinhoso pelo qual Xanddy chama seus fãs) de Manaus, Rosianne conta que em 2014 trocou o baile de formatura do curso de jornalismo para viajar e assistir a um show do Harmonia em Fortaleza (CE). “Ano passado, troquei meu baile de formatura por uma viagem e fui vê-los em Fortaleza. Xanddy soltou um ‘minha pretinha está perdida por aqui?!’. Daí me parabeni-

zou no show, falou de Manaus. Ele é todo lindo!”, disse. O fã clube “Da Capelinha para o Mundo” possui apenas oito membros, que segundo Rosianne já passaram a ser melhores amigos e que possuem uma paixão em comum: o amor incondicional pelo Harmonia do Samba. Mas quem pensa que o último encontro do fã clube com os ídolos foi quando a banda esteve na capital amazonense, no Samba Manaus 2014, se engana. Rosianne e a amiga Karenn foram ao carnaval de Salvador em 2015. “Xanddy foi lindo comigo em um camarote, Bimba e Roque sempre me dão acesso ao trio e ao carro de apoio. E este ano estava com uma parceira do FC, a Karenn, e ela também foi contemplada com o agrado dos meninos. Além da humildade que é tão característica em todos os meninos da banda, a reciprocidade que há nessa troca de carinho faz meu amor se renovar! Por isso que todo sacrifício é válido por eles”, finalizou. E o fã clube segue na contagem regressiva sem dar a “paradinha”.

FOTOS: DIVULGAÇÃO

Após a divulgação do calendário de shows da Fábrica de Eventos, fãs do Harmonia do Samba preparam surpresas para ídolos

SERVIÇO GAROTA VIP MANAUS Quando: dia 15 de agosto Onde: sambódromo Quanto: 1º lote pista – R$ 30 (meia entrada) Camarote: R$ 100 (por pessoa – meia entrada) 1º lote área VIP com open bar – R$ 140 (meia entrada) open bar ate às 3h – cerveja, água, refrigerante, caipirinha e caipiroska. Entrada diferenciada, bares e banheiros exclusivos Vendas www.fabricainOnline: gressos.com

Presidente do fã clube “Da Capelinha para o Mundo”, Rosianne Couto posa ao lado de Xanddy


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RESENHA

PERFIL

Fred Santana é jornalista

tões que ele levanta. Toda discussão moral que uma obra desse porte levante é bem-vinda. Em uma indústria de entretenimento onde via de regra apenas o visual é tratado com esmero, ver um filme que consegue passar conteúdo de forma visualmente atraente é uma grata surpresa. Artisticamente falando, o maior legado de “Estrada da Fúria” é mostrar uma alternativa para a atual tendência da grande indústria de reaproveitar sucessos do passado. Fosse uma simples história de continuação ou uma refilmagem, trocando o ator original por outro, esqueceríamos esse filme em poucos dias. A grande sacada foi utilizar o mesmo cenário, a mesma premissa e apontar para uma nova perspectiva. Por isso a personagem de Charlize Theron (a Imperatriz Furiosa) rouba a cena e deixa o personagem título como um simples coadjuvante. Obras como “Mad Max”, “Star Wars” e “Indiana Jones” ganharam a simpatia do público saindo visualmente do jeito que saíram. Ao contrário da adaptação

de um livro, por exemplo, onde a imaginação cria uma identidade visual prévia da história. Assim, simplesmente refazer os clássicos do cinema não tem se mostrado eficaz. Não faltam exemplos de franquias que tentaram remakes, falharam, mas se encontraram ao estabelecer uma nova direção para a história. “Planeta dos Macacos” e “James Bond”, por exemplo, estão apostando nesse novo modelo e vão conquistando ótimas criticas e bilheterias. “Jurassic World” e “Star Wars: O Despertar da Força” serão os próximos. A crise de criatividade é clara em Hollywood. A enorme quantidade de re-

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“M

ad Max: Estrada da Fúria” revive em 2015 uma franquia iniciada em 1978 pelo diretor australiano George Miller. A trama apresenta as aventuras de um ex-policial rodoviário em um futuro distópico onde a Terra é um imenso deserto após uma guerra nuclear causada pela disputa de países por petróleo. Este é o quarto filme da saga, que teve o ator Mel Gibson como protagonista nos três primeiros, sendo substituído agora pelo britânico Tom Hardy. O longa tem sido aclamado pela crítica e vai razoavelmente bem nas bilheterias (até o fechamento desta edição, dados preliminares apontavam que o longa já superava os custos de produção). Mas é na internet, mais precisamente nas redes sociais que a história tem sido alvo de debates acirrados. Desde opiniões sobre a trama e estética de cinema até questões como machismo, feminismo e regras sociais. É preciso separar aqui a obra, o filme em si e as ques-

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Uma nova estrada para o cinema de Hollywood

makes e extensões d e franquias mostra isso. Mas se seguirem o rumo de produções como “Mad Max: Estrada da Fúria” e souberem estabelecer as tramas e os seus universos, ao menos teremos bons filmes com enredos clássicos, ainda que sem alguns dos nossos astros favoritos.

O maior legado de ‘Mad Max: Estrada da Fúria’ é mostrar uma alternativa para a atual tendência da grande indústria de reaproveitar sucessos do passado”

Bruno Mazieri E-mail: brunomazieri@gmail.com

Uma catástrofe chamada... intolerância O mundo está cada vez pior. E essa minha humilde afirmação pode ser comprovada todos os dias por meios de jornais, telejornais e portais. Nas última semanas dois crimes exerceram um impacto sobre mim que ainda não consegui digerir direito, estão atravessados na minha garganta. O primeiro envolve um menina de 11 anos, que foi apedrejada ao sair de um culto de candomblé, no Rio de Janeiro. O segundo, um pouco distante da nossa “realidade” – mais precisamente nos Estados Unidos –, envolve nove pessoas que foram assassinadas dentro de uma igreja da comunidade negra, por um jovem de 21 anos. Em ambos os crimes – sim, os dois são crimes independentemente da gravidade – me faço a seguinte pergunta: o que leva um ser humano a matar ou agredir um semelhante? Assim, sem mais e nem menos ou sem uma explicação plausível. Aliás, nenhuma ação explica a agressão. Mas mesmo assim, qual a explicação para isso tudo? Pois bem, depois de muito refletir usando meus momentos de “pura tranquilidade”, cheguei a conclusão de que tudo isso não passa da famigerada intolerância. E você deve estar pensando: “Nossa, ele descobriu a pólvora!”. Não, eu não descobri a pólvora, mas descobri que a intolerância está atingindo níveis cada vez piores, apesar das diversas campanhas de respeito ao próximo que são veiculadas frequentemente em diversos meios de comunicação. O que leva uma pessoa, em pleno século 21, a apedrejar uma criança pelo simples fato de ela possuir uma religião diferente? O que leva um ser humano a matar outros nove somente pela cor da sua pele ser diferente da dele? Já não houve crimes suficientes envolvendo es-

ses dois casos há muitos anos no mundo? Por que matar? A intolerância sempre esteve e continua presente na nossa história. Mas antes, imaginávamos que tínhamos soluções. Hoje, com todas elas colocadas em práticas, ficamos apenas observando, sem ter o que fazer. Sem saber como agir. Quais atitudes devemos tomar? O que devemos fazer? Devemos nos esconder? Dizer que todos temos os meus gostos, as mesmas preferências? Aos intolerantes, aqui vai um questionamento: vocês não acham que o mundo seria muito chato se todos fossem iguais? Se todos tivessem o mesmo tom de pele, cor de cabelo, tivessem a mesma preferência sexual, gostassem somente de branco e ouvissem música clássica? Vocês não acham que a diversidade é que faz com que tenhamos a vontade de viver, de viajar, conhecer novas culturas, novos lugares e seres humanos diferentes de nós? Por favor, pessoas, vamos nos respeitar e respeitar o próximo. Vamos respeitar as cores, os sons, os gostos, as preferências. Vamos respeitar quem está do nosso lado, aqueles que não gostam de vermelho, mas gostam de azul. Vivemos em um mundo onde tantas problemas maiores e mais importantes merecem a nossa atenção. O que cada um ouve, come ou gosta, não é da nossa conta. Estamos vivendo uma crise econômica, política e social, mas a sociedade prefere apedrejar e matar. Como cantava a maravilhosa Cássia Eller, “o mundo está ao contrário e ninguém reparou”. Infelizmente ninguém reparou e continua sem reparar. Infelizmente estamos rodeados por uma catástrofe chamada... intolerância e não está sendo fácil.

Bruno Mazieri Jornalista

A intolerância está atingindo níveis cada vez piores, apesar das diversas campanhas de respeito ao próximo que são veiculadas frequentemente em diversos meios de comunicação”


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Bate-rebate

TV Tudo

Não por acaso 2 E como principal virtude, “I Love Paraisópolis” está sabendo ser uma novela simples, que apenas se atem ao cotidiano das pessoas. É o arroz com feijão bem temperado. Não bastasse isso O diretor Wolf Maya, fazendo uma boa leitura da novela, deu aos seus personagens características de pessoas comuns. Os exageros na interpretação, ao contrário do que acontece com Camila Pitanga desde o primeiro dia de “Babilônia”, não acontecem. Sobe e desce Todos os fatores citados, além de outros, justificam a alta audiência de “I Love Paraisópolis”. O inverso de tudo se dá com “Babilônia”, nesta altura, uma novela que não tem mais salvação. As diversas tentativas, tentando salvar alguma coisa,

GLOBO/RENATO ROCHA MIRANDA

Não por acaso “I Love Paraisópolis” caiu na graça e simpatia do grande público. Contam para isso, em primeiro lugar, a experiência e sabedoria dos seus dois autores, Alcides Nogueira e Mario Teixeira.

Novo integrante Oscar Magrini passa a integrar o elenco de “Chapa Quente” a partir de 2 de julho e, no primeiro dia de gravação do seriado, ele foi surpreendido pela visita do amigo Nelson Freitas, que estava no estúdio ao lado gravando o “‘Zorra”. Oscar dará vida a Nelson, um ex-noivo de Marlene (Ingrid Guimarães) que se deu bem na vida e tenta retomar o relacionamento com a cabeleireira. não deram em nada. Locações Os autores Rosane Svartman e Paulo Halm foram à Austrália, acompanhados do diretor Luiz Henrique Rios, para escolher as locações de “Totalmente Demais”, substituta de “I Love Paraisópolis” na Globo. Além disso, a dupla escreve os últimos capítulos da atual “Malhação”. Locações 2 A equipe de “Totalmente Demais” também visitou

Bonito, no Mato Grosso do Sul, e São Paulo, sempre em busca de locais que possam receber externas da novela. “Totalmente” será estrelada por Marina Ruy Barbosa. Tem procedência Myriam Rios circulou pelo Projac na quinta-feira ao lado do filho Pedro Arthur, fruto do relacionamento com André Gonçalves. O menino foi fazer teste para uma das próximas novelas da Globo.

• “Chaplin – O Musical”, com Jarbas Homem de Mello e Marcello Antony, encerra temporada no Theatro Net, em São Paulo, em 12 de julho, e segue para o Vivo Rio... • ...Em setembro, o musical voltará a São Paulo, mas no Teatro Procópio Ferreira. • A Record ainda estuda como se dará a instalação da sua emissora do Rio no RecNov... • ... Algumas modificações no local, que até aqui só serviu às novelas, já estão em curso... • ...De qualquer maneira o departamento de jornalismo terá uma base mais central... • ...Que deverá mesmo ser em Benfica. • A SIC de Portugal passará a exibir, a partir do dia 27, a série “Dupla Identidade”, com Bruno Gagliasso... • ...A emissora portuguesa licenciou ainda “Amores Roubados”, e “O Canto da Sereia”, ambas com Isis Valverde.

Grande campo a ser explorado Se por um lado é bem importante essa abertura proporcionada por canais como GNT e Multishow, ao atender a expectativa do público em geral, também se faz necessário chamar atenção para um mínimo de qualidade naquilo 0que é realizado. A TV paga ainda é um grande campo a ser explorado, podendo para isso se utilizar da excelente mão de obra que existe no mercado.

Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery

C’est fini Lembrando que este será um domingo diferente, com jogo do Brasil feminino de futebol no começo da tarde e Brasil masculino na Copa América, a partir das 18h30, na Globo. Ainda como novidade, “Brasil Urgente”, do Datena, excepcionalmente com uma edição dominical, concorrendo diretamente com o futebol.

GILMAL TELEVISÃO DIVULGAÇÃO

REGI

Em “Grandes Atores”, Osmar Prado se emociona ao falar sobre personagens memoráveis

‘Fui afastado por várias razões’ ELVIS

MÁRIO ADOLFO

O canal Viva (Globosat) exibe hoje novamente o programa “Grandes Atores”, com Osmar Prado, a partir de 17h. Intenso ao falar sobre a carreira, que começou quando tinha apenas 10 anos de idade, o veterano se emociona diante das câmeras do canal e abre o jogo: “Fui afastado de novelas por várias razões. Teve gente que quis me tirar. Nunca minimizei a televisão. Se você fizer bem, meu amigo, passar por ela e chegar ao público, ninguém te derruba, ninguém. Só se matar”. Osmar também recorda momentos em que lhe pediram para “baixar o tom” de suas interpretações. “A novela que tem que subir. Não sou eu quem devo me conter. E se achar por bem que tem que tirar o personagem, não será nem o primeiro nem o último”, conta. Sergio Cabeleira de “Pedra Sobre Pedra” (1992), no ar no Viva, e Tião Galinha, de “Renascer” (1993), são grandes sucessos que marcaram

a trajetória profissional de Osmar. Outro personagem de repercussão com o público foi o motorista Tabaco, de “Roda de Fogo” (1986), que se envolvia com várias mulheres ao mesmo tempo. Durante a entrevista, o convidado também relembra a infância humilde na Vila Mariana, São Paulo. “Quando perguntei para minha mãe o que deveria fazer para ser artista, ela me matou no nascedouro: ‘Tem que ser bonito, alto’. O parâmetro dela era o Rodolfo Valentino”, diverte-se ao contar. Estreia A primeira experiência de Osmar na TV foi em “David Copperfield” (1958), da antiga TV Paulista. Na época, tinha 10 anos. Em 1965, ano da inauguração da TV Globo, estreou na primeira novela da emissora, “Ilusões Perdidas”. No entanto, a mudança para o Rio de Janeiro e a assinatura de contrato de um ano acon-

teceram quando foi chamado para atuar em “Verão Vermelho” (1969), de Dias Gomes. Seu primeiro protagonista foi o caipira Juba de “Bicho do Mato” (1972). Em 2013, o entrevistado descobriu um câncer na garganta, mas isso não o impediu de continuar exercendo uma de suas paixões, a de atuar. “Quando o [José Luiz] Villamarim me convidou para “Amores Roubados” (2014), eu estava com a gaze da primeira cirurgia.”. Sobre a doença, reflete: “É bom viver, mas tem o momento de morrer. Tenho certeza que eu encararia legal, procuraria fazer da minha vida a melhor possível. Isso tudo me deu muita força... Para entender a importância e a desimportância da nossa trajetória. O que vale e o que não vale. O que é fútil e o que não é. E o privilégio que tenho de estar nessa profissão desde criança, onde posso trabalhar e atuar com todos esses sentimentos: o da morte, o da vida”.


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Programação de TV SBT 4h45 Jornal da Semana SBT 6h Brasil Caminhoneiro 6h30 Turismo & Aventura 7h30 Acelerados 8h Chaves 10h Domingo Legal 14h Eliana 18h Roda a Roda Jequiti 18h45 Sorteio da Telesena 19h Programa Silvio Santos 23h Conexão Repórter 0h Série: Sobrenatural 1h Série: Rizzola & Isles 2h Série: Crimes Grave 3h Big Bang 3h30 Igreja Universal

GLOBO

O drama nacional “Caminho das Nuvens” será exibido na “Sessão de Gala”, da Rede Globo

ÁRIES - 21/3 a 19/4 É tempo de amar filhos, obras, projetos pessoais e demais amores Mas isso exige atos mais criativos do que a simples rotina. Uma dedicação especial de sua parte é a chave.

Cinema

REDE TV 6h30 Igreja Int. da Graça 8h Te Peguei 10h Programa do Caminhoneiro 10h30 TV Kids 11h Igreja da Graça 12h Fique Ligado 13h En Circuito 14h30 TV Kids 15h Meu Ambiente TV 15h30 Programa Ad & D 16h TV Kids 16h15 Sempre Bem 16h45 Galinha Morta 17h Programa Viagem Cultural

17h30 Chega Mais 19h Encrenca 20h30 Havaí 5.0 21h15 Te Peguei na TV 23h15 Luta Tribal 0h15 É Notícia 1h15 Bola na Rede 2h15 Igreja Int. da Graça

BAND 5h Power Rangers – Resgate na Velocidade da Luz 6h30 Santa Missa no Seu Lar 7h30 Power Rangers 8h30 Maskate na TV 9h30 Game Mania 10h45 Verdade e Vida 11h Grand Slam 12h15 Pé na Estrada 12h40 Os Simpsons – Maratona 14h Band Esporte Clube 15h15 Gol: O Grande Momento do Futebol 15h45 Copa do Mundo de Futebol Feminino da Fifa 2015 18h 3º Tempo 20h Sabe ou Não Sabe 21h Pânico na Band 0h15 Canal Livre 1h15 Só Risos 1h50 Liga Mundial de Vôlei – Itália X Brasil 3h Igreja Universal

Cruzadinhas

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Horóscopo

4h45 Santa Missa 5h45 Amazônia Rural 6h15 Pequenas Empresas, Grandes Negócios 6h50 Globo Rural 7h50 Mundial de Fórmula 1: Grande Prêmio da Áustria 9h40 Auto Esporte 10h Esporte Espetacular 12h15 Esquenta

13h29 Temperatura Máxima. Filme: Homem-Aranha 2 15h55 Domingão do Faustão 17h30 Futebol 2015: Copa América - Brasil X Venezuela 19h30 Domingão do Faustão (Continuação) 20h Fantástico 22h18 Superstar 23h40 Tuf – Um Busca de Campeões 0h33 Domingo Maior. Filme: Triplo X 2 - Estado de Emergência 1h51 Sessão de Gala. Filme: Caminho das Nuvens 3h17 Mentes Criminosas 3h58 Mentes Criminosas

TOURO - 20/4 a 20/5 É tempo de se alegrar pela afirmação das vontades que surgem do interior de sua alma. É preciso encontrar espaço para se dedicar a interesses pessoais e se dedicar ao que ama. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 É tempo de aprimorar a comunicação, a começar da expressão dos sentimentos pessoais. Momento para ser mais enfático, pessoal e se arriscar mais do que de costume. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Há coisas na vida material que você quer e deveria se dedicar mais para conquistar. A alegria de viver está vinculada à conquista de certos benefícios e do bem estar material. LEÃO - 23/7 a 22/8 Momento para viver, em especial nos relacionamentos, as coisas que lhe trazem uma alegria especial. Boa hora para um gesto mais ousado a favor de sua realização pessoal. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Hoje é um dia bastante favorável para corrigir o rumo de coisas que ficaram pelo meio do caminho. Seja criativo e confiante. Dê soluções nas quais você domine a situação. LIBRA - 23/9 a 22/10 A vontade de uma atuação social mais abrangente começa a se realizar. Lute para dominar seu espaço social, e conseguir colocar sua contribuição ao ambiente social. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 Momento de renovação na orientação profissional e das responsabilidades principais. O uso da criatividade trará bom resultado e, mais do que isso, satisfação pessoal. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 As ideias consistentes que deem direcionamento a sua vida trarão um novo alento e alegria. Mesmo as instabilidades nas pequenas situações não irão abalar esta condição. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Há coisas que você deveria já ter jogado fora ou mudado em sua vida há muito tempo. Hoje ainda dá tempo de fazê-lo. Valha-se de uma boa ousadia para este trabalho. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Embora você ainda viva a superação de problemas e empecilhos, as relações pessoais e afetivas estão sob boa estrela. O momento inclina para gestos criativos e afetuosos. PEIXES - 19/2 a 20/3 Os hábitos pessoais estão em boa hora de serem melhorados, como a alimentação e a atividade física. No trabalho, a criatividade surte bom efeito e melhora suas condições.

Divertida Mente: EUA. Livre. Crescer pode ser uma jornada turbulenta, e com Riley não é diferente. Ela é retirada de sua vida no meio-oeste americano quando seu pai arruma um novo emprego em São Francisco. Como todos nós, Riley é guiada pelas emoções – Alegria (Amy Poehler), Medo (Bill Hader), Raiva (Lewis Black), Nojinho (Mindy Kaling) e Tristeza (Phyllis Smith). As emoções vivem no centro de controle dentro da mente de Riley, onde a ajudam com conselhos em sua vida cotidiana. Conforme Riley e suas emoções se esforçam para se adaptar à nova vida em São Francisco, começa uma agitação no centro de controle. Embora Alegria, a principal e mais importante emoção de Riley, tente se manter positiva, as emoções entram em conflito sobre qual a melhor maneira de viver em uma nova cidade, casa e escola. Cinemark 1 – 11h40 (dub/somente sábado e domingo), 14h30, 17h20, 20h20 (dub/diariamente), 23h10 (dub/somente sexta-feira), Cinemark 4 – 12h (dub/somente sábado e domingo), 14h20, 16h40, 19h10, 21h30 (dub/diariamente), Cinemark 7 – 11h (3D/dub/somente sábado e domingo), 13h20, 15h45, 18h10, 20h40 (3D/dub/diariamente); Cinépolis Millennium 4 – 13h10, 15h30, 18h, 20h45 (3D/dub/diariamente), Cinépolis Millennium 6 – 14h10, 16h30, 19h, 21h30 (dub/diariamente); Cinépolis Plaza 4 – 13h15, 15h45, 18h15, 20h45 (3D/dub/diariamente), Cinépolis Plaza 6 – 14h15, 16h40, 19h15 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 3 – 13h (dub/ somente sábado e domingo), 16h, 19h (dub/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 4 – 15h30, 18h, 20h30 (3D/dub/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 9 – 14h20, 16h40, 19h10 (dub/diariamente); Kinoplex 3 – 14h05, 16h15, 18h45, 21h05 (3D/dub/diariamente). Jessabelle – O Passado Nunca Morre: EUA. 14 anos. Depois de sofrer um acidente terrível, Jessie volta a morar com seu pai na casa onde passou sua infância. Uma presença maligna começa a atormentá-la e ela fará de tudo para descobrir a verdade, nem que isso destrua seu futuro. Cinemark 8 – 11h10 (dub/somente sábado), 13h40, 16h10, 18h40, 21h (dub/diariamente), 23h30 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinépolis Millennium 2 – 19h45 (dub/diariamente), 22h (leg/diariamente); Cinépolis Plaza 5 – 20h, 22h20 (dub/diariamente); Kinoplex 4 – 17h, 21h25 (dub/diariamente). Dragon Ball Z – O Renascimento de Freeza: EUA. Livre. Em uma terra onde reina a paz, chegam dois sobreviventes do exército de Freeza: Sorbet e Tagoma. O objetivo da dupla é reviver seu líder com as Esferas do Dragão e se vingar dos Saiyajins. Cinemark 5 – 13h10, 15h20, 17h40, 20h, 22h15 (3D/dub/diariamente); Cinépolis Millennium 5 – 13h, 15h15, 17h30 (dub/diariamente); Cinépolis Plaza 7 – 13h, 15h15, 17h30, 19h45 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 8 – 13h20 (dub/somente sábado e domingo), 15h40, 17h40, 20h (dub/ diariamente); Kinoplex 4 – 14h45, 19h10 (dub/diariamente).

CONTINUAÇÃO Sob o Mesmo Céu: EUA. 12 anos. Cinemark 3 – 13h50 (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 7 – 17h (leg/ diariamente), 19h20 (leg/somente sábado e domingo); Cinépolis Ponta Negra 3 – 22h (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 10 – 21h40 (leg/diariamente). Deixa Rolar: EUA. 14 anos. Cinépolis Millennium 7 – 14h45 (leg/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 10 – 14h50 (leg/ diariamente), 19h30 (leg/somente sábado e domingo). Jurassic World – O Mundo dos Dinossauros: EUA. 14 anos. Cinemark 1 – 11h40 (dub/somente sábado e domingo), 14h30, 17h20, 20h20 (dub/diariamente), 23h10 (dub/somente sexta-feira), Cinemark 3 – 16h30, 19h20 (3D/dub/diariamente), Cinemark 6 – 12h50, 15h30, 18h20, 21h15 (3D/dub/diariamente), 0h (3D/dub/somente sextafeira e sábado); Cinépolis Millennium 1 – 14h, 16h45, 19h30, 22h15 (3D/leg/diariamente), Cinépolis Millennium 3 – 15h, 17h45, 20h30 (3D/dub/diariamente), Cinépolis Millennium

5 – 20h (dub/diariamente), Cinépolis Millennium 7 – 21h45 (leg/diariamente), Cinépolis Millennium 8 – 18h30 (3D/ dub/diariamente), 15h45, 21h15 (3D/leg/diariamente); Cinépolis Plaza 1 – 13h45, 16h15, 19h, 21h30 (3D/dub/ diariamente), Cinépolis Plaza 2 – 14h, 16h50, 19h30, 22h15 (3D/dub/diariamente), Cinépolis Plaza 3 – 15h, 17h45, 20h30 (3D/dub/diariamente), Cinépolis Plaza 5 – 14h30, 17h15 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 1 – 15h, 18h20, 21h20 (3D/leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 2 – 14h (dub/exceto quinta-feira), 20h20 (dub/diariamente), 17h20 (leg/diariamente), 23h (leg/somente sábado), Cinépolis Ponta Negra 5 – 14h10, 19h30 (3D/dub/diariamente), 16h50, 22h05 (3D/leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 7 – 13h10 (dub/somente sábado e domingo), 15h50, 18h30, 21h10 (dub/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 8 – 22h15 (leg/diariamente); Kinoplex 1 – 16h25, 21h30 (dub/diariamente), 19h (leg/diariamente), Kinoplex 5 – 15h40, 18h20, 21h (3D/dub/diariamente), 13h, 15h40 (3D/dub/somente sábado e domingo).

Qualquer Gato Vira-Lata 2: BRA. 12 anos. Cinemark 2 – 11h30 (somente sábado e domingo), 14h, 16h20, 19h, 21h45 (diariamente); Cinépolis Millennium 2 – 14h30, 17h15 (diariamente); Cinépolis Plaza 8 – 13h30, 16h, 18h30, 21h (diariamente), Cinépolis Ponta Negra 6 – 15h10, 17h30, 19h50, 22h10 (diariamente); Kinoplex 2 – 14h15, 16h35, 19h05, 21h20 (diariamente). Terremoto – A Falha de San Andreas: EUA. 12 anos. Cinemark 3 – 22h10 (dub/exceto quarta-feira), Cinemark 7 – 23h (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinépolis Plaza 7 – 22h (3D/dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 9 – 21h30 (dub/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 10 – 17h (dub/diariamente); Kinoplex 1 – 14h (dub/diariamente). Poltergeist - O Fenômeno: EUA. 12 anos. Cinépolis Plaza 6 – 21h45 (dub/diariamente).


Plateia

MANAUS, DOMINGO, 21 DE JUNHO DE 2015

ROBIN WILLIAMS

Última aparição de ator no cinema ganha trailer SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Foi divulgado nesta quinta (18) o primeiro trailer de “Boulevard”, última aparição nos cinemas de Robin Williams, morto em 2014. No longa, um drama, Williams interpreta um homem de 60 anos, preso a um casamento de conveniência, que vive uma reviravolta em sua vida ao conhecer um jovem gay. O filme é dirigido pelo norte-americano Dito Montiel e conta com Bob Odenkirk (o Saul Goodman de “Breaking Bad”) e Kathy Bates no elenco. Williams ainda participa de outro fil-

ESTREIA

O longa-metragem “Boulevard”, com Robin Williams – morto no ano passado – estreia no dia 10 de julho nos EUA e deve chegar ao Brasil só no ano que vem

me inédito, a aguardada comédia anárquica “Absolutely Anything”, com vários integrantes do Monty Python. Mas no filme o ator será apenas ouvido: ele dubla o cachorro do protagonista Simon Pegg.

MEMÓRIAS

Tom Hanks será ‘herói do Hudson’ em novo filme SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O ator Tom Hanks está fechando a negociação para viver no cinema o piloto que salvou 155 passageiros, em 2009, ao fazer um pouso de emergência no rio Hudson, segundo a revista “Variety”. Conhecido como “herói do Hudson”, o capitão Chesley “Sully” Sullenberger terá

sua história contada em um filme biográfico dirigido por Clint Eastwood, que deve se chamar “Miracle on the Hudson” (milagre no Hudson, em português). O roteiro se baseará no livro de memórias de Sully, “Highest Duty: My Search for What Really Matters”, que se tornou best-seller nos Estados Unidos.

‘Podemos melhorar’, diz o astro da série ‘Demolidor’ Para o ator Charlie Cox, a elogiada produção exibida pelo Netflix ainda pode crescer, pois existem elementos que os envolvidos no seriado podem experimentar

S

ÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A série “Demolidor” estreou no serviço de vídeo sob demanda on-line Netflix em abril com boa avaliação da crítica – a única medida de sucesso disponível para os programas do serviço, que não libera dados de audiência. No mesmo mês, porém, foi anunciado que na segunda temporada o “showrunner” (o mandachuva da série) Steven DeKnight daria lugar aos roteiristas Doug Petri e Marco Ramirez. O que mudará sem ele? Nem os atores Charlie Cox, o Demolidor, e Deborah Ann Woll, a Karen, sabem dizer ao certo. “Acho que a série pode crescer. A primeira temporada não foi perfeita, ainda há áreas em que podemos melhorar, coisas que podemos experimentar”, analisou Cox em evento em São Paulo promovido pela Netflix. “Estou muito interessado para ver como Doug e Marco vão trabalhar. Espero que eles consigam dar a cara deles para a série”, disse, destacando que a dupla trabalhou com DeKnight no primeiro ano e conhece tanto suas preocupações quanto suas motivações. “Steven estabeleceu um tom ótimo para o seriado.”

Almino Affonso E-mail: plateia@emtempo.com.br

‘O Rinoceronte’, de Ionesco Está sendo levada à cena, em São Paulo, a consagrada peça de Eugene Ionesco – “O Rinoceronte”. É a mais aclamada montagem do “Theatre de la Ville de Paris”, que pela primeira vez nos visita. Tratei de reler a obra que me angustiara, há quase 30 anos. À época, associá-la aos fatos que ensombravam o país, era para muitos inevitável. Algo semelhante está me ocorrendo agora... Não resisto à tentação de resumi-la, em linhas rápidas, para os que ainda não a conheçam; e assim possam analisá-la em sua atualidade. Numa pequena cidade, um rinoceronte cruza a praça. Não há zoológico, de onde possa ter fugido. Tampouco há circos. A região é desértica. Nada enfim explica sua presença. Contudo, logo mais surge um segundo rinoceronte. Há quem diga haver visto três, em conjunto. Tudo parece um delírio. O fato é que, num crescendo, a cidade vai sendo invadida pelos paquidermes, às dezenas, em tropel desabalado por toda a parte. Em determinado momento, a verdade salta aos olhos: os rinocerontes são os próprios homens transformados. A cidade com seus encantos se desfigura. O fenômeno torna-se evidente, generalizado. As próprias autoridades capitulam, aderem à manada. O intelectual, espantosamente, opta pela metamorfose. Nem a mulher amada resiste ao

apelo da selva. Mas, em meio a todos que fraquejam e cedem, só um homem continua firme, em desesperada luta por se manter humano. Sua voz se alteia num grito de afirmação e desafio: “Não me rendo!” A obra de Ionesco sempre encarnara a condenação implícita das ideologias fascistas e totalitárias, no contexto da II Guerra Mundial, que ameaçaram o mundo democrático. Agora, o diretor do “Theatre de la Ville de Paris” – Emmanuel Demarcy-Mota, em declarações à “Folha de São Paulo”, dá-lhe alcances atuais de inegável valor: “Vivemos, na Europa e em outras regiões, não apenas uma crise econômica, mas também de valores humanos, com a subida novamente de partidos fascistas e de grupos extremistas, com dificuldade de aceitar as diferenças.” No que nos concerne, a corrupção enraizando-se no país de extremo a extremo, por acaso não é – desgraçadamente – a resultante da mais profunda crise de valores, que nos paralisa e desconcerta? Às vezes, chego a temer que o horizonte já não nos abra caminho! Tantos são entre nós os rinocerontes em plena luz do dia! E tantos outros que vão surgindo – até mesmo das brenhas! – mas todos atados, uns aos outros, por uma corrente irremovível! Assim, à falta de uma alternativa clarividente, fico com o homem solitário de Ionesco. E ouso repetir Berenger: “Não me rendo!”.

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Almino Affonso Advogado. Foi deputado federal (pelo Amazonas e São Paulo), ministro do Trabalho e da Previdência Social (governo João Goulart) e vice-governador de São Paulo (governo Orestes Quércia)

Tantos são entre nós os rinocerontes em plena luz do dia! E tantos outros que vão surgindo – até mesmo das brenhas! – mas todos atados, uns aos outros, por uma corrente irremovível!”

DIVULGAÇÃO

Ao seu lado, Deborah concorda. “Não queremos que eles imitem Steven”, diz. Ambos desconversam quando questionados sobre a segunda temporada e dizem não saber de nada. “Vamos começar a gravar em um mês e espero que até lá tenhamos roteiros”, diz Cox, rindo. Sobre a produção, Cox – que, como Deborah, não havia lido as histórias em quadrinho do Demolidor antes de passar no teste – diz ter ficado satisfeito com o fato de que não usam leveza ou humor para disfarçar o sadismo e o cinismo que há no mundo. “Há fãs que cresceram com o Demolidor e hoje têm 30, 40, 50 anos e ainda gostam de quadrinhos. Tivemos a oportunidade de fazer uma série mais voltada para esse público”, afirma. “Pela resposta que tivemos, acho que alcançamos nosso objetivo.” Ele destaca, porém, que uma produção mais madura não necessariamente é superior às voltadas para os mais jovens. “Não quero dizer que acho que nossa série seja melhor que outras produções da Marvel para cinema e TV. ‘Guardiões da Galáxia’, por exemplo, é muito diferente do nosso seriado e é genial. Amei cada minuto do filme.”

Charlie Cox elogia a produção por não usar leveza ou humor para disfarçar o sadismo e o cinismo que há no mundo


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Plateia

MANAUS, DOMINGO, 21 DE JUNHO DE 2015

Parque temático exibirá temas do folclore local

TEATRO

‘Mulheres solteiras procuram’ está de volta

O FunPark vai inaugurar nos próximos dias, no shopping Manaus ViaNorte, com mais de 50 atividades mecânicas e eletrônicas para adultos e crianças

tos culturais. O olhar masculino também tem destaque em determinadas cenas, porém, mais pela reação do homem às atitudes das suas parcerias do que pela questão sociocultural machista. O figurino e cenário da peça são modificados pelos próprios atores, como recursos cênicos que demonstram dinamismo e criatividade. Os ingressos custam R$ 50 (setor A, meia-entrada) e R$ 40 (setor B, meiaentrada) e podem ser adquiridos pelo site www.ingresse.com e na bilheteria do teatro, localizado no Piso Buriti, do Manauara Shopping (avenida Mário Ypiranga Monteiro, 1.300, Adrianópolis). DIVULGAÇÃO

DIVULGAÇÃO

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rimeiro parque temático que remete ao folclore e às brincadeiras das crianças da região, o FunPark será inaugurado nos próximos dias, em uma área coberta de 5 mil metros quadrados no shopping Manaus ViaNorte (avenida José Henriques Bento Rodrigues, 3.760, Nova Cidade), com mais de 50 atividades eletrônicas e mecânicas de diversão. O funcionamento do parque será em horário alternativo, aberto ao público nos períodos da tarde e da noite. O acesso será por meio de passaporte com preços diferenciados, de acordo com a preferência pelo número de brinquedos escolhidos. O parque, que pertence à rede Show Play, é destinado ao público adulto e infantil e disponibiliza acessibilidade aos portadores de necessidades especiais. Cadeirantes poderão se divertir brincando no carrossel adaptado exclusivamente para eles. Os nomes dos brinquedos ganharam títulos do folclore amazônico. O bate-bate, por exemplo, virou “Bate meu Boi”, numa referência a disputa dos bumbás Garantido e Caprichoso, que se enfrentam no bumbódromo de Parintins todos os anos.

A atriz Pitty Webo volta a Manaus para apresentar a peça “Mulheres solteiras procuram”, no palco do Teatro Manauara, nos dias 27 e 28 de junho, em sessões às 21h e 19h, respectivamente. O elenco da montagem conta ainda com os atores Bruno Trindade e Renan Ribeiro. A produção é uma comédia que apresenta um raio-x da mulher atual por meio de esquetes onde as personagens contam suas aventuras com homens, com uma linguagem peculiar ao pensamento feminino, num diálogo engraçado e livre de estereótipos. Pitty Webo desenha cada personagem com suas manias e comportamen-

O parque funcionará em horário alternativo, aberto ao público nos períodos da tarde e noite

Vitória-régia entre as referências O tobogã recebeu o nome de “Barranca”, local onde as crianças costumam escorregar sobre pedaços de papelão na beira dos rios. A roda gigante será “Flor de Lótus” por

lembrar as vitórias régias dos lagos e rios do Amazonas. “O shopping já possui o primeiro cinema da Zona Norte da cidade e um parque interno, além de um PAC já instalado

desde março. Em breve entram em funcionamento um núcleo do Detran e uma academia de ginástica”, informa o superintendente do shopping, Marcelo Santa Cecília. As personagens narram histórias com o sexo masculino


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EM TEMPO - 21 de junho de 2015 by Amazonas Em Tempo - Issuu