R$ EXEMPLAR
2,00 DE ASSINANTE
VENDA PROIBIDA PREÇO DESTA EDIÇÃO
8177-2096 DENÚNCIAS • FLAGRANTES
O JORNAL QUE VOCÊ LÊ
ANO XXVII – N.º 8.511 – DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO
Última Hora A2
CAMPANHA
NA RETA FINAL
Arthur Bisneto fala sobre os desafios na Câmara Federal
‘Vou pregar a união’ Eleito deputado federal mais votado do Amazonas, com cerca de 250 mil votos, Arthur Bisneto fala sobre os desafios que vai enfrentar nessa nova caminhada. Eleições 3
Obama sem crédito
NA ÚLTIMA SEMANA DE CAMPANHA ELEITORAL ANTES DA VOTAÇÃO DO SEGUNDO TURNO, CANDIDATOS AO GOVERNO DO ESTADO DO AMAZONAS TRAÇAM ESTRATÉGIAS DIVERSAS PARA CHEGAR À VITÓRIA E COMANDAR O EXECUTIVO
DIVULGAÇÃO
DIEGO JANATÃ
“Por sorte, Michelle estava com o dela!”, brincou o presidente dos EUA, Barack Obama (charge), ao contar que seu cartão de crédito não passou em um restaurante nova-iorquino. Contexto A3
Adversários na disputa pelo governo, José Melo e Eduardo Braga têm menos de uma semana para convencer o eleitor
HOJE É D O M I N G O Ex-miss Amazonas Priscilla Meirelles (foto) conta como consolidou a carreira.
Manaus exibe produções estreladas e dirigidas por Carvana O mecânico Alexandre Bandeira também coleciona Opalas
PAIXÃO EM 4 RODAS O mecânico e corredor Alexandre Bandeira, 49, o Marabá, é tão apaixonado por carros que, há mais de 20 anos, transformou a profissão em hobby. Pódio D6
REVIVENDO CARVANA
O Cine & Vídeo Tarumã faz uma homenagem ao ator e cineasta Hugo Carvana (1937–2014) exibindo, durante a semana, os principais filmes de sua carreira. Plateia C3
Brasileiros COLORADO NO NORTE mudam rota O Internacional Futebol Clube realiza nos dias 1º e 2 do turismo de novembro uma seletiva em Manaus para encontrar novos talentos no futebol. Pódio D3
Obras inéditas e relançamentos recordam os 30 anos da morte de Michel Foucault.
Economia A8
Mais de 300 crianças sequestradas
Projeto de lei pode mudar as disposições atuais da chamada Lei do Inquilinato.
Beber até três colheres de sopa de vinagre de maçã ajuda a reduzir a acidez no estômago.
Dia a dia B7
FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELEIÇÕES E ELENCO.
TEMPO EM MANAUS
MÁX.: 35
MÍN.:
24
FOTOS: DIVULGAÇÃO
ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
PETROBRAS MAIS REVELAÇÕES
Última Hora
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
TRE-AM aperta o cerco para propaganda irregular
PROPAGANDA
TSE proíbe Dilma de citar caso de aeroporto
MELLANIE HASIMOTO Equipe EM TEMPO
N
em a forte chuva que caiu sobre Manaus no início da manhã deste sábado arrefeceu os ânimos da equipe de fiscalização de propaganda do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM). Sob o comando do juiz Henrique Veiga Lima, foram apreendidos dois carros de som logo no início da operação, cujos proprietários não tinham permissão da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) para circular, além de placas posicionadas de forma irregular. Em alguns postos de gasolina, o TRE/AM encontrou cabos eleitorais abastecendo veículos com requisição de candidatos. Entretanto, a equipe constatou que não existia um contrato apresentado pelo gerente que autorizasse o fornecimento de combustível. “Abastecimento de veículos precisa ser declarado como gasto de campanha, e o gerente não fez essa comprovação. Vamos levar ao conhecimento da Polícia Federal e eles vão verificar se existe mesmo a irregularidade”, explicou Veiga Lima.
agir com mais rigor contra ataques pessoais entre os candidatos que disputam o segundo turno das eleições. A nova postura foi decidida na quinta-feira (16), quando, por quatro votos a três, os ministros determinaram que fosse tirada do ar uma propaganda da presidente Dilma em que o tucano era acusado de perseguir jornalistas que o criticavam quando ele comandava o governo de Minas Gerais. Os ministros afirmaram que o horário eleitoral gratuito deve ser propositivo e usado para a discussão de propostas, deixando claro que o tribunal passaria a ser mais rigoroso na avaliação dos programas e inserções exibidos na televisão e no rádio.
Trabalho da equipe do TRE apreendeu cartazes e placas irregulares dos dois candidatos
Carros sem licença para circular Outros dois veículos foram recolhidos para a base de fiscalização do TRE-AM, que fica na Universidade Nilton Lins. Os proprietários terão de apresentar a documentação exigida pela Semmas para operar como carro de som. “Esses carros estão sem licença para circular, além de que não apresentaram
o contrato com a coligação para quem estavam fazendo propagando. Os carros de som também emitiram ruído acima de 80 decibéis”, destacou Lima. Outra situação irregular estava na avenida Coronel Teixeira, onde a equipe retirou placas de ambos os candidatos ao governo do Estado por estarem fora dos
padrões estipulados. Até o momento, o juiz afirma que já foram apreendidas mais de 7 mil placas, num total de quase 35 mil quilos de materiais apreendidos durante o pleito. Para fazer denúncias, basta enviar mensagem via WhatsApp para o número 9131-2014. Candidata não poderá citar caso em propaganda eleitoral
MARCOS FERNANDES/COLIGAÇÃO MUDA BRASIL
AÉCIO NEVES
Aécio Neves durante comício em João Pessoa: “apenas nove dias nos separam da libertação”
‘Estou pronto para derrotar o PT’ O candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, afirmou na noite de sexta (17) que está “pronto para derrotar o PT”. Em comício na orla de João Pessoa (PB), o tucano classificou o governo Dilma Rousseff (PT) como corrupto e irresponsável. “O Brasil não aguenta mais tanto desgoverno, tanta corrupção, tanta irresponsabilidade”, afirmou, com a voz falhando no último de quatro compromissos do dia - estivera antes em São Paulo, Salvador e Campina Grande (PB). “Aos brasileiros afirmo: es-
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) proibiu a campanha da presidente Dilma Rousseff de exibir na televisão propaganda que critica o tucano Aécio Neves pela construção de um aeroporto em terras que pertenciam ao tio-avô do candidato na cidade de Cláudio (MG). Na decisão liminar (provisória) tomada na noite de sexta-feira (17), o ministro Tarcisio Vieira de Carvalho Neto defendeu que os programas eleitorais devem ser “propositivos” e não usados para a “realização de críticas destrutivas da imagem pessoal do candidato adversário”. A suspensão da propaganda petista foi a primeira tomada depois que a maioria dos ministros do TSE decidiu
ICHIRO GUERRA/DILMA13
DIEGO JANATÃ
Sob chuva, equipe de fiscalização apreendeu placas posicionadas de forma irregular e recolheu veículos com irregularidades. Operação continua até dia 26
tou pronto para derrotar o PT. Estou pronto para iniciar um novo ciclo de desenvolvimento no país”, disse o tucano. Para uma multidão que se aglomerou nas ruas e até no terraço de prédios, Aécio afirmou que “apenas nove dias nos separam da libertação”. “Vamos tirar o PT do governo”, afirmou, para em seguida ouvir um coro de “fora PT”. Assim como em Campina Grande, chamou o senador Cássio Cunha Lima (PSDB) de “irmão de sonhos e esperança” e pediu votos para ele, que enfrenta no segun-
do turno o atual governador Ricardo Coutinho (PSB). O tucano esteve em João Pessoa após passagem por Campina Grande, a segunda cidade da Paraíba. Na capital paraibana, Aécio ficou em terceiro lugar no primeiro turno da eleição, com 25,82% dos votos. Dilma foi a mais votada (40,05%), seguida por Marina Silva (PSB), que obteve 30,33% dos votos. Na cidade, Cunha Lima conseguiu 35,88% dos votos no primeiro turno da disputa pelo governo do Estado. Coutinho teve 56%.
SÃO PAULO
PETROBRAS REPRODUÇÃO
A2
Venda de água sob vigilância O Procon de Franca (a 400 quilômetros de São Paulo) passou a fiscalizar o preço da água nos estabelecimentos comerciais da cidade para evitar abusos, diante do calor e da falta de água. Segundo o coordenador do Procon, Willian Karan Junior, uma pesquisa divulgada na sexta-feira (17) identificou que a variação dos preços, por enquanto, está dentro do aceitável. “O que estamos fazendo é evitar aumento abusivo, sem justa causa diante desse momento de escassez da água”, disse. A maior variação identificada foi no valor de uma garrafa de água de 500 ml sem gás, que chegou a 174%, com preços que variaram de R$ 0,58 a R$ 1,59. A menor diferença foi vista no preço da caixa com 12 garrafas de 500ml, de R$ 6 a R$ 7,50, variação de 25%. A pesquisa foi realizada em 11 estabelecimentos comerciais, entre eles atacado e varejo. Foram avaliados os preços de garrafões de 20 litros e 10 litros, além do galão de 5 litros, garrafas de 1,5 litro e 500 ml e copo de 200 ml.
Cinco pessoas da família do ex-diretor da estatal irão depor
Familiares de Costa irão depor na próxima semana Cinco integrantes da família do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa vão contar na próxima semana em Curitiba o que sabem sobre desvios em obras da estatal e remessa de recursos ilícitos para o exterior. Será o primeiro depoimento deles no acordo de delação premiada que fizeram com a forçatarefa de procuradores que atua na operação Lava Jato. A família foi incluída no acordo de delação de Costa, homologado no final de agosto pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal. Os cinco familiares são a mulher de Costa, suas duas filhas e os genros. Eles são réus numa ação penal sob acusação de lavagem de dinheiro e de tentativa de destruir provas no dia em que Costa foi preso pela primeira vez, em 20 de março deste ano. Enquanto a Polícia Federal fazia buscas na casa do executivo na Barra da Tijuca, suas filhas e genros retiraram documentos de um escritório dele. Câmaras
do prédio registraram o movimento de familiares saindo com caixas, segundo a PF. Costa foi preso uma segunda vez, mas saiu da prisão em 1º de outubro após decidir contar o que sabe sobre o esquema de desvios na Petrobras em troca de uma pena menor. Pelo acordo, ele devolverá cerca de R$ 70 milhões desviados de obras da estatal e ficará um ano em prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica. Os familiares também ajudaram Costa a abrir contas para esconder recursos desviados da estatal, segundo um dos depoimentos do executivo no acordo de delação premiada e documentos enviados pelas autoridades da Suíça, onde ele tem US$ 23 milhões. A conta na Suíça foi aberta em nome do executivo, de sua mulher e de uma das filhas. Os dois genros assinaram a documentação para criar uma conta no Royal Canadian Bank em Cayman, um paraíso fiscal no Caribe. Essa conta tem uma saldo de US$ 2,8 milhões.
Opinião
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
Contexto 3090-1017/8115-1149
A3
Editorial
marioadolfo@emtempo.com.br
opiniao@emtempo.com.br
No meio do caminho tem um buraco Já se falou que a implantação da Zona Franca mudou para sempre (e para pior) a paisagem urbana de Manaus. Não ficou pedra sobre pedra da cidade que fora planejada, não para ser palco da revolução industrial que se fortalecia na Europa, mas como um bucólico burgo, à maneira europeia, que acomodasse os serviços que atendiam nos balcões do comércio, dos bancos e das repartições públicas. Para uma economia que ocupava mais gente nos seringais do que na cidade, os equipamentos de Manaus funcionavam muito bem. A Zona Franca foi saudada com a histeria. No primeiro movimento, o arraial de arrivistas de todos os matizes e de todos os países, motivados pelas facilidades do livre comércio perpetrou o primeiro movimento contra a cidade que fora projetada, inclusive com serviço de esgotamento e saneamento, de que nunca se ouviu falar como prática administrativa. Mas o livre comércio, além da anarquia, não conseguiu acumular capital para deslanchar o desenvolvimento econômico que a região até hoje reivindica. O segundo movimento isolou sua produção na Zona Leste da cidade e ali ficou sem dar satisfações a ninguém. A Zona Franca virou a miragem de um novo Eldorado, a mesma ilusão que cegara os primeiros invasores da região. Por isso, o Estado pode se orgulhar de ter ainda hoje 98% da sua floresta intocados. A grande ferida mesmo foi rasgada na cidade que foi implodida e teve seus pedaços aproveitados para montar suas primeiras favelas. Veio a febre do automóvel, paradoxalmente para um lugar em que não poderia ser movimentado a contento dos seus proprietários estressados. Os buracos de Manaus são o que mais preocupa seus habitantes. Se o prefeito conseguir (as ruas foram tão mal construídas, que jamais se livrarão dessa praga) tapar todos os buracos, aí, sim, terá chegado ao Eldorado.
Duelo final A campanha do segundo turno ao governo do Amazonas chega à reta final sob temperatura alta. Na última semana, antes das urnas, o líder de Dilma no Senado, Eduardo Braga, recebeu forte apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que veio a Manaus duas vezes durante a campanha. Já o governador José Melo investiu todas as suas fichas no apoio do prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB), e do senador eleito, Omar Aziz (PSD). No segundo turno, Braga subiu o tom da campanha ironizando o oponente, chamandoo de “bonzinho”. Melo rebateu, chamando o senador de “arrogante”, além de explorar mais e mais a imagem de Aziz e de Arthur.
Omar na ilha Eleito senador com uma votação histórica, Omar Aziz (Pros) só volta a Manaus na segunda-feira. O ex-governador passará o final de semana em Parintins, onde fará intensa campanha para José Melo. Dois prá lá... A intensificação da campanha na Ilha Tupinambarana tem um porquê. No politizado reduto do boi, José Melo perdeu para Eduardo Braga no primeiro turno. Briga de foice A eleição para presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM) promete render muitas conversas antes da escolha. Olho gordo Isso porque três grandes aliados do prefeito Arthur Virgílio Neto (PSDB) estão de olho gordo na cadeira de Bosco Saraiva, eleito deputado. Quem leva Os que estão querendo a presidência da Câmara são velhos conhecidos da política baré: Sildomar Abtibol, Wilker Barreto e Mário Frota. Todos almejam a cadeira. Resta saber quem levará a melhor nas negociações.
Sem respostas Durante entrevista coletiva na Arena da Amazônia, o presidente da Fundação Vila Olímpica, Aly Almeida, demonstrou um certo destempero. Em determinados momentos da entrevista, Aly optou por não responder. Futuro da arena Principalmente quando foi questionado pelo repórter Thiago Fernando, da equipe Pódio, sobre o futuro do futebol amazonense no palco amazônico da Copa. O gestor não respondeu e pediu para acabar com a entrevista. Até o Obama O seu cartão de crédito já foi recusado em um estabelecimento? Não se envergonhe. Isso acontece com qualquer mortal. Até mesmo com os senhores do poder. Na sexta-feira, o todo-poderoso presidente americano, Barack Obama, contou que seu cartão de crédito não passou em um restaurante nova-iorquino. Michelle pagou Durante a assembleia-geral da ONU, em Nova York, Obama foi comer em um restaurante e seu cartão de crédito foi rejeitado.
APLAUSOS
regi@emtempo.com.br
— Por sorte, Michelle estava com o dela! - brincou o presidente. Fraudes nos cartões O fato despertou risos entre os funcionários que assistiam à palestra de Obama. Eles estavam no evento justamente para ouvir o presidente apresentar medidas para lutar contra a fraude com cartões de crédito e roubo de carteiras de identidade. Horário de verão Acerte seu relógio. Começou à zero hora deste domingo (19). Os brasileiros dos 11 Estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste deverão adiantar seus relógios em uma hora. Olho no avião Com a mudança de horário, passageiros com voos marcados para o domingo devem ficar atentos. Segundo a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), os bilhetes de passagem são impressos em hora local. Economia A redução do uso de térmicas com a medida deve representar uma economia de R$ 278 milhões desta vez.
VAIAS
“No Paiz das Amazonas”
Regi
Celular no cinema
REPRODUÇÃO
DIVULGAÇÃO
Para a versão restaurada do filme “No Paiz das Amazonas”, do cineasta Silvino Santos, uma lenda da fotografia no Amazonas. O resgate e o lançamento do filme, pela Prefeitura de Manaus, fazem parte da programação de aniversário dos 345 anos da cidade.
Para espectador mal-educado, que continua atendendo ao telefone celular dentro das salas de cinema, tirando a concentração de quem pagou para assistir ao filme. Trata-se de uma grosseria e de uma falta de respeito que a direção do cinema poderia muito bem coibir.
João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br
A hora é esta O deserto foi transposto, mas não por todos, já que muitos sequer lograram chegar à sua borda para ter a bela visão do mar, o que já seria a felicidade, ainda que desses somente alguns tenham tido a antecipada sanção para adentrar as verdes águas e usufruir do contato físico com elas. Dos que chegaram, a uns foi declarada a incompletude da sua caminhada e que ainda havia aquele braço de mar a ser ultrapassado. E aí temos algumas duplas em acirradas disputas, mas, sobretudo, o enfrentamento maior dos dois que concorrerão à cadeira que é quase um trono, como soe acontecer com todos os países que se apegam ao regime presidencialista. O embate, na verdade, transforma-se num confronto amplo e nítido entre duas concepções de Estado, de sociedade e, enfim, entre duas ideologias. Mesmo que o Partido dos Trabalhadores há muito se tenha afastado do programa partidário com que se originou e se aproximado e aliado precisamente a grupos e facções a que outrora repudiara e que rotulara como extrema direita servil ao capital e ao patronato, ainda assim, pelo menos no exercício da retórica, continua a se cobrir com as vestes do socialismo, que cada vez mais assume a aparência de alguma coisa que mais sugere simples populismo. A sustentabilidade da sua política social continua questionável, precisamente porque no fundo substituiu as indispensáveis reformas da economia, pelo penso do assistencialismo. Os modelos político e econômico visados são precisamente aqueles que já se mostraram ineficazes em vários países onde, embora tenham logrado amenizar a miséria dos mais carentes, imobilizaram as forças competentes para a geração das riquezas. Do outro lado, deparamos com
o grupo que levanta a bandeira da social-democracia, ou seja, que busca juntar e harmonizar um regime político democrático com um sistema econômico que se aproxime do socialismo, ainda que não pretenda socializar os meios ou alterar o modo de produção, o que, para uns, significa uma utopia e, para outros, uma contradição intrínseca. O PSDB, como partido, surgiu de dentro do primitivo MDB justamente depois da abertura e da redemocratização, quando não foi mais possível manter o bipartidarismo que o governo militar idealizou e impôs na parelha Arena/MDB, sucedida pela dupla PFL/PMDB. Pois justamente por uma cisão do PMDB, ainda liderado pelo insubstituível Ulisses Guimarães, um grupo de políticos, que também se opusera à ditadura e retornara do exílio, tomou o modelo da social democracia francesa e fundou o Partido da Social-Democracia Brasileira. Não há, pois, justiça na tentativa petista de rotular esse partido como “direita” ou “reação”, apenas porque sua ação política, de oposição, se processou em nível mais lúcido, sofisticado e até elitizado do que aquele praticado por Lula e seus companheiros das portas das fábricas do ABC. Negar valor e autenticidade aos movimentos sociais progressistas, apenas porque suas lideranças não vestiam macacões de operários, seria como renegar Lênin, Trotsky, Gramsci e até o próprio Marx que, como os outros, nunca operou um torno mecânico ou uma escavadeira. A hora é de cotejar e comparar, se a nós mais convém o modelo europeu da social-democracia, ou aquele oferecido pelos países que tentam instituir o “bolivarismo”, como Venezuela, Bolívia, Equador e agora também a Argentina. A escolha é nossa e o momento é este!
João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO
Negar valor e autenticidade aos movimentos sociais progressistas, apenas porque suas lideranças não vestiam macacões de operários, seria como renegar Lênin, Trotsky, Gramsci e até o próprio Marx que, como os outros, nunca operou um torno mecânico ou uma escavadeira”
A4
Opinião
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
Frase
Painel VERA MAGALHÃES
A batalha do Rio
O auxílio-moradia vale a partir de agora. Mas se é um direito fundamentado, por que só valeria a partir de agora? Podem apostar: se já não entraram, alguém vai entrar na Justiça pedindo os retroativos. E vai ganhar. Se o juiz tem direito a auxílio-moradia, por que não o tem o médico do SUS, esteja em qualquer cidade? E o policial federal? E os professores?
A campanha de Dilma Rousseff se assustou ao vê-la empatada com Aécio Neves no Rio de Janeiro, terceiro maior colégio eleitoral do país. A presidente passará três dias no Estado na última semana da eleição, em esforço para tentar recuperar a vantagem histórica do PT em território fluminense. O foco da ofensiva serão os 31% de eleitores que votaram em Marina Silva no primeiro turno. Dilma venceu com 35%, mas teve o pior desempenho de um petista no Estado em duas décadas. Sem parar Dilma se dividirá amanhã entre Luiz Fernando Pezão (PMDB) e Marcelo Crivella (PRB), que disputam o governo estadual. Na quarta, pedirá votos com Lula. Na sexta, retorna ao Rio para o debate da TV Globo. Barreira divina O PT mira o voto popular dos subúrbios e da região metropolitana. O problema nessas áreas, com forte concentração de evangélicos, é a oposição de pastores que apoiaram Marina e agora são aecistas. Sonhando alto A meta dos dilmistas é abrir 1 milhão de votos de vantagem no Estado. O Planalto aposta em vitórias no Rio, em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul para compensar a derrota anunciada em São Paulo. Tostão e milhão A campanha de Dilma no Rio fará adesivaço com foco nos carros populares. “Vamos concorrer com as SUVs que circulam pela cidade com o nome do Aécio”, provoca o deputado Pedro Paulo (PMDB-RJ). Quase local Morador de Ipanema, o mineiro investe na
identificação com os cariocas. Hoje ele vai à orla de Copacabana e à tradicionalíssima feijoada da Mangueira. Quem te viu Na reta final, Aécio fará maratona para atender a vários convites de candidatos a governador nas regiões Sul, Norte e Centro-Oeste. No primeiro turno, alguns fugiam do tucano por achar que ele não tinha chances de chegar à Presidência. Proibido ir à praia O governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) transferiu o feriado do Dia do Funcionário Público da terça 28, dois dias após a eleição, para a sexta 31. A medida deve reduzir a abstenção nas urnas do Estado, ajudando Aécio. Só se precisar Marina Silva se mostrou disposta a subir em palanques de aliados em apuros nas disputas estaduais. Mas ainda não marcou atos com Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) e Ivo Sartori (PMDB-RS), que lideram com folga em seus Estados. Projeto 2015 Marineiros estão ansiosos para se manter próximos à campanha de Aécio. O motivo oficial é discutir as
propostas que ele incorporou a seu programa. Pede para sair Ex-vice de Marina, o deputado Beto Albuquerque defende que o ex-ministro Roberto Amaral deixe o PSB depois de declarar voto em Dilma. “Ele foi à TV criticar nosso partido. Tem de sair, se tiver um mínimo de hombridade.”
Carlos Alberto Sardenberg, colunista de “O Globo”, ironiza a decisão do STF, de que todo juiz tem o direito fundamentado de receber todo mês e durante toda a carreira um auxílio-moradia mensal, no valor de R$ 4.377,73, esteja ou não de mudança, pague ou não um aluguel, gaste ou não com despesas de moradia propriamente ditas.
Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br
Que momento O Planalto está irritado com o presidente da CPI da Petrobras, Vital do Rêgo (PMDB-PB). O senador marcou depoimento de um diretor da estatal para esta quarta-feira, a quatro dias do segundo turno. O governo quer adiar a sessão.
DIEGO JANATÃ
Porta da rua Paulo Skaf enviou recado ao PMDB: só fica no partido se puder disputar a Prefeitura de São Paulo em 2016. Os caciques do partido não estão nem um pouco dispostos a dar garantias. De volta ao jogo O PT, que há um mês dizia que Fernando Haddad poderia nem tentar a reeleição, agora especula quem ele deve enfrentar. Além de Skaf, Celso Russomanno (PRB) e Bruno Covas (PSDB) são vistos como rivais.
Tiroteio
O time de futebol da aldeia Inhambé, no Tarumã (Zona Oeste), não tem patrocinadores. É integrado por indígenas da etnia sateré-mawé, que pintam no próprio corpo a camisa e o número. Esses levam a sério o preceito de que o que vale mesmo é competir. Ou nem isso: o que vale é o jogo (deixa a CBF saber disso).
Dom Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br
Igor Rousseff, o irmão da Dilma, devia ser o primeiro funcionário público sem colegas de repartição. Ele recebeu sem trabalhar. DO DEPUTADO MARCUS PESTANA (PSDB-MG), aliado de Aécio Neves, sobre o irmão de Dilma Rousseff, que teve cargo na Prefeitura de Belo Horizonte.
Contraponto
O chazinho batizado do vice Vice de Marina Silva na disputa presidencial, o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS) se diverte lembrando as diferenças que os dois descobriram na convivência diária da campanha. As incompatibilidades começavam à mesa: ela é vegetariana, e ele, fã de churrasco. Depois de cada jornada em busca de votos, outra divergência vinha à tona. Marina, que não bebe álcool, costumava tomar água morna para se recompor. Albuquerque preferia uísque. Para não ser repreendido pela ex-senadora, o gaúcho costumava brincar: --É chá de boldo gelado, Marina... Fique tranquila!
Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”
CENTRAL DE RELACIONAMENTO Atendimento ao leitor e assinante ASSINATURA e CLASSIFICADOS
3211-3700 assinatura@emtempo.com.br classificados@emtempo.com.br
REDAÇÃO
3090-1010 redacao@emtempo.com.br
3090-1001 circulacao@emtempo.com.br
Norte Editora Ltda. (Fundada em 6/9/87) – CNPJ: 14.228.589/0001-94 End.: Rua Dr. Dalmir Câmara, 623 – São Jorge – CEP: 69.033-070 - Manaus/AM
www.emtempo.com.br
@emtempo_online
Diretor de Redação Mário Adolfo marioadolfo@emtempo.com.br Editora-Executiva Tricia Cabral — MTB 063 tricia@emtempo.com.br Chefe de Reportagem Michele Gouvêa — MTB 626 michelegouvea@emtempo.com.br Diretor Administrativo Leandro Nunes administracao@emtempo.com.br
CIRCULAÇÃO
DO GRUPO FOLHA DE SÃO PAULO
Presidente: Otávio Raman Neves Diretor-Executivo: João Bosco Araújo
Gerente Comercial Gibson Araújo comercial@emtempo.com.br EM Tempo Online Yndira Assayag — MTB 041 yndiraassayag@emtempo.com.br
/amazonasemtempo
/tvemtempo /
Os artigos assinados nesta página são de responsabilidade de seus autores e não refletem necessariamente a opinião do jornal.
9ª Assembleia Pastoral Nestes dias, a Arquidiocese de Manaus realiza a sua nona assembleia. De quatro em quatro anos, depois de um processo de preparação que envolve num clima de oração, reflexão, estudo e muita discussão homens e mulheres, adolescentes, jovens e adultos, leigos e leigas, religiosos e religiosas, diáconos e padres, junto com os bispos, um grupo de delegados se reúne para concluir o trabalho, tomar decisões e delinear assim as grandes linhas de ação da igreja na busca de uma pastoral de conjunto que responda aos grandes desafios que se colocam hoje para a ação evangelizadora da igreja. Todas as estruturas eclesiais são evolvidas, as comunidades e seus conselhos, as paróquias, as áreas missionárias, os setores, as pastorais, os movimentos, a vida religiosa consagrada, as escolas católicas, homens e mulheres que estão presentes na vida da igreja, mas também nas famílias, no mundo do trabalho, da saúde, da educação, dos serviços públicos, do comércio, do mundo que Deus ama. A assembleia é um dos instrumentos privilegiados de realização do mistério da igreja que é comunhão e participação. No corpo de Cristo que é a igreja, os membros são diferentes, e é importante guardar esta riqueza que se manifesta na pluralidade de serviços e funções, mas o Espírito é o mesmo e todos somos sujeitos eclesiais, isto é, todos temos direito à voz e vez e, mais que direito, temos o dever de participar, pois quando não o fazemos a Igreja fica empobrecida e perde a sua capacidade evangelizadora deixando de iluminar e de dar gosto ao mundo em que vive.
As reflexões e decisões da assembleia não fogem das urgências da ação evangelizadora da igreja no Brasil: a centralidade da palavra de Deus, a missão, a iniciação cristã, a comunidade e o serviço, a vida. Nossa igreja de Manaus tem sido criativa e dinâmica no enfrentamento destas urgências. Seguindo a caminhada feita até aqui procuramos agir em três âmbitos, o da pessoa, o da comunidade e o da sociedade. Projetos pastorais, grandes eventos, devoções, programas de formação, organização interna, tudo tem como meta pessoas renovadas e libertas pela graça, comunidades vivas e atuantes que sejam expressão e testemunho da vida nova que Jesus veio nos trazer, e uma sociedade mais justa e mais fraterna que possibilite a todos uma vida digna com respeito e promoção dos direitos humanos fundamentais. A grande pergunta que perpassa todo o processo é a que questiona a nossa fidelidade a Jesus Cristo. Deixamo-nos conduzir pelo espírito, assim como ele o fez? Quais são as nossas atitudes fundamentais como igreja? De propósito a assembleia se realiza no Domingo das Missões. Neste dia a igreja convoca todos os fiéis, no mundo inteiro a serem solidários com os missionários e missionárias que, em situações limites, anunciam o evangelho. Queremos ser uma igreja “em saída”, não centrada em si mesma. Viver esta experiência de cidadania eclesial em meio a uma campanha eleitoral reforça o desejo e o desafio de sermos cidadãos do mundo não fugindo a nossa responsabilidade política que começa, mas não termina pelo voto.
Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus
A grande pergunta que perpassa todo o processo é a que questiona a nossa fidelidade a Jesus Cristo. Deixamo-nos conduzir pelo Espírito, assim como Ele o fez? Quais são as nossas atitudes fundamentais como igreja? De propósito a assembleia se realiza no Domingo das Missões”
Economia
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
A5
ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
Banana fica mais barata nas feiras amazonenses
Produto que vem principalmente do Estado de Roraima começa a reduzir o preço por conta da alta da colheita EMERSON QUARESMA Equipe EM TEMPO
C
om produção de banana incapaz de atender o mercado manauense, o Amazonas é abastecido por Estados vizinhos, como Roraima, Pará, Rondônia e Acre. Com a produção crescente da banana prata, principalmente em Roraima, o preço do produto começa a baixar de 20% a 30%, nas feiras de Manaus. O feirante José Raimundo, 41, da Feira da Banana, Centro, Zona Sul, explica que o cacho de banana prata que custava R$ 20 em setembro agora pode ser encontrado a R$ 15 ou R$ 18. Já o cacho médio que custava R$ 15 agora é vendido a R$ 10. A caixa de banana (de 18 a 20 palmas) que os feirantes vendiam por R$ 30 é encontrada a R$ 25. José diz que a palma da banana prata pode ser encontrada de R$ 3 a R$ 6. De acordo com ele, o preço do produto começou a baixar porque é tempo de grande colheita no Estado de Roraima. “Agora está chegando à cidade quase duas vezes mais caminhões de banana do que no mês de setembro. Se não fosse
Roraima ninguém comia banana, nem melancia em Manaus”, comentou. O feirante Geraldo Mesquita, 40, também da Feira da Banana, conta que o movimento é bom e as perdas do produto são mínimas devido à grande procura do amazonense pelo fruto. Os seus principais clientes, de acordo com ele, são os feirantes das feiras dos bairros da Zona Leste, mas também do bairro Alvorada, Zona Centro-Oeste, e de municípios como Iranduba, Manacapuru, Nova Olinda, Tefé e Coari. Segundo Mesquita, o cacho grande está sendo comprado do produtor de Roraima e de Santarém, no Pará, em média de R$ 10 a R$ 11. Com frete e mão de obra, o feirante afirma que o cacho chega à pedra da Feira da Banana a R$ 14 e é vendido até R$ 25, enquanto os cachos pequenos saem em média de R$ 6 a R$ 7. “Daqui para frente, a tendência é baratear ainda mais o preço da banana prata”, afirma. No bairro Coroado, Zona Leste, o feirante Ivan Alves Lira, 44, comemora a baixa do preço da banana que influência no maior volume de vendas. A palma na sua
banca montada de forma improvisada na avenida Beira Mar, a unidade da palma sai a R$ 4, duas palmas por R$ 7 e três por R$ 10. “Ouvi que a produção aumentou lá pelas bandas de Roraima e está chegando mais banana, por isso barateou”, comenta. Regional Na Central de Abastecimento da Agricultura Familiar de Iranduba, a principal banana encontrada nas pedras dos produtores é a tapneu (similar a banana prata) e a pacovan. Os frutos são produzidos por agricultores dos municípios de Rio Preto da Eva, Autazes, Manacapuru e Presidente Figueiredo. Segundo o diretor presidente da Cooperativa de Produtores de Hortifrutis, Grajeiros e Aquicultores de Rio Preto da Eva, Elderes Vieira de Miranda, a palma da tapneu é vendida a R$ 2. O cacho grande da banana pacovan custa em média de R$ 30 a R$ 35. Miranda diz que as pedras da central estão cheias, mas a demanda vai aumento nos próximos meses porque os produtores começarão a colher nas regiões de várzea.
‘A pacovan agora é famosa’ A banana pacovan vendida pelo feirante Junior Antônio da Mata, 50, é importada dos Estados do Acre e Rondônia. Segundo ele, o preço do produto não sofre maiores variações e se mantém entre os valores de R$ 15 a R$ 20 o cacho, na Feira da Banana. Segundo ele, a procura pelo produto é sempre intensa porque a pacovan está “famosa” nas receitas de comidas
regionais produzidas por hotéis e restaurantes. Mas se seu Antônio diz que o preço se mantém, a comerciante autônoma de café da manhã Laiza Souza Lopes, 35, afirma o contrário. Ela que compra o cacho da banana pacovan a cada dois dias para abastecer a sua banca conta o preço do produto vive um sobe e desce descontrolado. “Na semana passada eu comprei dois cacho de pacovan por R$ 15 e nessa eu já tive que pagar R$ 15 por apenas um”, reclama.
A funcionária pública Izoneide Alves Pereira, ao comprar na banca de Ivan, no Coroado, afirma que percebeu que o cacho do produto está mais barato. “Tem época que não dá nem pra falar o jargão popular que ‘está a preço de banana’ porque o cacho e a palma ficam muito cara para o consumidor. Mas agora percebo que o valor começou a ficar mais em conta. Agora vale a pena parar para comprar a fruta que faz muito bem a nossa saúde”, salienta.
Queda do preço dos cachos na Feira da Banana é de 20% a 30%, segundo os vendedores
A6
Economia
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
Contabilistas com tempo para analisar e orientar SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO
A
lém das micro e pequenas empresas, os contabilistas também serão beneficiados com a ampliação do acesso ao Simples Nacional, cuja regulamentação foi publicada no início de setembro, pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN), no Diário Oficial da União (DOU). Segundo a presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Amazonas (CRC-AM), Edna Dinelli, o programa reduzirá e simplificará o trabalho dos contadores, uma vez que, diminuirá o número do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) emitidos. Edna explica que hoje os profissionais do segmento precisam emitir DARF diferentes para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), Contribuição Social, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), entre outros. “Com o Simples, vamos preparar tudo em uma só guia”, afirma. Além de facilitar o processo, o programa reduzirá o tempo que os contadores levam para calcular os tributos para emitir
as guias. Para Edna, o tempo que “sobrar” poderá ser investido na análise, consultoria e orientação aos empresários. A contabilista revela que não vê nenhum ponto negativo para a classe sobre a ampliação do programa. Conforme ela, o tempo que deixará de calcular tributos fará planejamento com o cliente. “O contabilista
ACESSO
Ampliação de acesso ao Simples abrange mais de 140 atividades. O programa concederá, a partir de 2015, redução de tributos a micro e pequenas empresas com faturamento anual de até R$ 3,6 milhões poderá exercer a sua profissão de contador não como um preenchedor de guias, mas como um consultor, orientando o cliente”, salienta. A presidente do Sindicato dos Contabilistas do Estado do Amazonas (Sindcontab), Rita de Nazaré Melo Dias, avalia positivamente a ampliação do Simples Nacional à classe. “Nosso trabalho será reduzi-
do e ficará mais fácil, visto que todos os recolhimentos de impostos serão resumidos em apenas uma guia de recolhimento”, observa. Rita diz que os honorários às empresas que aderirem ao Simples serão mais em conta. Segundo ele, os advogados do Sindcontab já trabalham sobre os novos preços dos honorários para 2015. “Queremos estar preparados para atender às empresas que entrarem no programa”, justifica. Conforme o diretor administrativo e financeiro da Junta Comercial do Estado do Amazonas (Jucea), Caio Fernandes, não há estatística sobre a demanda de empresas à procura de informações sobre o Simples Nacional. Porém, destacou que a procura aumentou nos últimos meses. “Muita empresas precisam do registro adequado para conseguir aderir ou se atualizar junto ao Simples”, observa. O contabilista e empresário Fernando Fernandes ao criticar a alta carga de tributos do Estado comparou a regulamentação do Simples Nacional à uma reforma tributária. “É um grande avanço para o desenvolvimento das empresas”, comenta.
ARQUIVO EM TEMPO/MARCELO CADILHE
Regulamentação do novo Simples Nacional diminuirá o número de documentos emitidos para abertura de empresas
Diretor da Junta Comercial do Amazonas informa que a procura pelo Simples Nacional aumentou
Economia
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
A7
Bons ventos na produção de ar-condicionado do PIM
DIVULGAÇÃO
Até agosto, o PIM produziu 14,5% mais splits que no mesmo período do ano passado, com volume de 2,2 milhões aparelhos
Empresários do segmento do PIM comemoram ritmo de produção crescente, enquanto as vendas de condicionadores de ar no comércio amazonense cresceram 9% somente no mês de agosto deste ano SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO
O
segmento de ar-condicionado residencial evolui de forma acentuada no país. Entre 2009 e 2012, o setor praticamente dobrou de tamanho e em 2013 cresceu 32%. Para este ano, a previsão é fechar com aumento em torno de 17%. Os dados são do Departamento Nacional de Ar-Condicionado Residencial, da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e
Aquecimento (Abrava). Porém, mesmo com o desenvolvimento registrado nos últimos anos, somente 15% dos domicílios no Brasil possuem ar-condicionado, segundo a Abrava. A entidade não dispõe de dados regionais, mas as elevadas temperaturas no Amazonas garantem para o mercado de ar-condicionado residencial segue com crescimento expressivo, visto que o aparelho deixou de ser artigo de luxo para se tornar item necessário às residências da região.
De acordo com dados da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL-Manaus), somente em agosto deste ano, foram comercializadas 2,1 mil unidades de condicionadores de ar no comércio local. A quantidade, segundo a entidade, representa um aumento aproximado de 9% do volume vendas deste segmento em comparação com igual período do ano passado. A produção também apresentou crescimento, conforme dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Sufra-
ma). O produto que mais se destacou, entre janeiro e agosto deste ano, foi o condicionador de ar tipo split system, com volume de 2,2 milhões de unidades, sendo 14,55% superior ao montante produzido no mesmo período de 2013. Os condicionadores de ar tipo janela tiveram aumento de 19,65%, com 437 mil unidades. O presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Eletrônicos de Manaus (Sinmen), Athaydes Mariano Félix, afirma que o segmento de ar-condi-
cionado foi um dos segmentos da indústria que não enfrentou sucessivas retrações durante o ano. Para ele, o resultado obtido por este segmento amenizou os efeitos negativos do setor de duas rodas. “A produção de ar-condicionado junto com a de televisores e celulares salvaram a nossa economia”, observa. Segundo dados da Abrava, a LG Electronics do Brasil, líder de venda no mercado de ar-condicionado residencial, no primeiro semestre de 2014 dobrou a sua capacidade produtiva de
condicionadores de ar do tipo split e dos demais modelos com a ampliação da unidade do Polo Industrial de Manaus (PIM), no ano passado. De acordo com o gerente-geral de vendas da multinacional, Lúcio Bacha, a estimativa da empresa é fechar 2014 com crescimento acima de 40% em comparação a 2013. “A LG sempre procura inovar em seus produtos e tem uma força gigantesca no desenvolvimento de produtos com alta tecnologia”, frisa.
RICARDO OLIVEIRA
LANÇAMENTO
LG aposta em inovação e saúde Para garantir a permanência na liderança de mercado, a LG apresentou no último dia 14, em São Paulo, o novo line up de condicionadores de ar Inverter. Os produtos com tecnologia aprimorada e design inovador, de acordo com o gerente-geral de vendas, Lúcio Bacha, ajudam no cuidado do ar durante todas as estações do ano. “O nosso lançamento mundial, o LG ArtCool Stylist, começará a ser vendido já nesse final de ano”, afirma. O executivo destaca que a linha de produtos 2014/2015 recebeu atualizações como a nova versão do ionizador Ion Care, responsável por neutralizar grande parte dos agentes causadores de crises alérgicas; a função Jet Dry, que remove rapidamente o excesso de umidade do ar; e o exclusivo filtro Multiproteção LG com tecnologia 3M, que retém micro partículas nocivas à saúde com mais eficiência que os modelos convencionais. O ArtCool Stylist promete mexer com os sentidos
e compor os mais diversos espaços com estilo e conforto. O sistema de ventilação conta com três saídas, o que garante uma distribuição mais fluida do ar no ambiente, de maneira silenciosa e eficiente. O produto conta com inovadora iluminação em LED, com alternância de
MERCADO
O gerente-geral de vendas diz que a LG cresce com o mercado. Em 2013 a empresa cresceu 70% frente a 2012. No primeiro semestre de 2014 alcançou 45,4%, e espera fechar o ano acima de 40% cores customizada, que proporciona um ambiente mais intimista e próximo do clima desejado pelo consumidor. O aparelho trabalha com os ajustes de temperatura e modos de operação que podem ser comandados de forma simples e intuitiva,
por meio do controle remoto com tela sensível ao toque. Outro destaque da aposta da multinacional é o acesso remoto que pode ser feito por meio do aplicativo LG Smart AC. O app possibilita programar o ar condicionado antes mesmo de chagar em casa, com a alta eficiência da tecnologia Inverter V da LG, que de acordo com a companhia, proporciona maior economia de energia da residência. Saúde Com a finalidade de desmistificar a presença do arcondicionado nos lares brasileiros, a LG também renovou a campanha “Pratique Arterapia: respire Saúde, inspire Conforto”, que mostra com o suporte do Doutor Bactéria, como é importante cuidar bem do ar que está presente em todos os momentos da vida de uma pessoa. “A LG, por meio de seus produtos, se aproxima do consumidor oferecendo soluções para a manutenção da qualidade de vida”, explica Bacha.
A LG levou o doutor bactéria ao lançamento da sua mais nova aposta em inovação e saúde
A8
Economia
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
Ação de fomento beneficia Em busca das ilhas paradisíacas os produtores de Lábrea TURISMO
Os brasileiros estão expandindo seus horizontes na hora de escolher destinos internacionais. Segundo levantamento da Hoteis. com realizado em setembro, lugares paradisíacos como Ilhas Maldivas e Koh Phi Phi, na Tailândia, apresentaram aumento nas buscas de 242% e 211%, respectivamente, no site da empresa em comparação com o mesmo período do ano passado. Além delas, ilhas caribenhas também registraram alta procura. Manzanillo, em Colima, no México, teve crescimento de 298% nas buscas. Com inúmeros resorts, o destino é ótimo para quem
quer praia e relaxar. A 250 quilômetros das Antilhas, está a ilha caribenha de Saint Martin, que tem seu território dividido entre duas nacionalidades: francesa e holandesa. Simpson Bay, que fica na porção holandesa da ilha, apresentou um incremento de 208% nas buscas. Entre as praias, vale conhecer Maho Beach, onde fica o aeroporto e Mullet Bay, que tem o mar bem calmo. Ainda em mares caribenhos, Barbados, mais especificamente Holetown, apareceu com aumento de 221% durante setembro. As ilhas Maldivas também possuem cenários pa-
radisíacos, e registraram um crescimento 242% na procura. Na Tailândia, as ilhas Koh Phi Phi (211%) se tornaram extremamente populares depois que foram locação do filme “A Praia”, com Leonardo DiCaprio. Tendência “Os Estados Unidos e destinos na América do Sul são os primeiros a serem considerados por brasileiros para as férias de verão, mas ilhas caribenhas se tornam mais conhecidas pelas belezas e pelos preços bem interessantes”, comenta Juan Pasquel, diretor de marketing da Hoteis.com para a América Latina. DIVULGAÇÃO
DIVULGAÇÃO/AFEAM
Recursos foram disponibilizados pela Afeam para 456 agricultores que cultivam feijão de praia no município
Plantio de feijão de praia, em Lábrea, é considerado ambientalmente sustentável pelo governo
A
partir do próximo dia 21, o governo do Amazonas, por meio da Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam), vai realizar uma ação de crédito ao liberar recursos destinados à compra, beneficiamento e comercialização do feijão de praia, safra 2014, no município de Lábrea (a 702 quilômetros de Manaus). A ação beneficiará 456 agricultores familiares integrantes da Associação dos Produtores Agroextrativistas da Colônia do Sardinha (Aspacs), distribuídos em 76 comunidades, localizadas na margem do Médio Purus. O valor financiado totaliza R$ 562 mil, direcionados à compra de 300 toneladas de feijão de praia,
safra 2014, e pagamento de despesas operacionais. Esta é a quinta operação da associação, que recebe apoio da Afeam desde 2009, proporcionando melhores condições aos agricultores, para que possam comercializar seus produtos por um preço mais justo, livrando-os da necessidade de repasse aos atravessadores. Com o apoio creditício da Afeam, a Aspacs está com a venda da produção garantida, em função da qualidade dos produtos e aumento da demanda do comércio em geral. A Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (ADS) também contribuiu para esse cenário, por meio do Programa de Regionalização da Merenda Escolar.
Segundo o presidente da Afeam, Evandor Geber Filho, a atividade financiada está plenamente compatível com a missão da Agência no processo de produção e geração de renda no interior do Estado. “Desde 2009, a Afeam vem apoiando, com sucesso, a atividade. Hoje, o produtor está vendendo sua produção com recebimento à vista e pelo preço justo”, disse Evandor. O cultivo do feijão de praia no município de Lábrea, utilizando uma marca 100% amazonense, ocorre no período de seca do rio Purus. A atividade não agride o meio ambiente, pois os agricultores utilizam práticas agrícolas simples, sem utilização de defensivos agrícolas.
Resorts das Ilhas Maldivas são um dos “points” procurados por visitantes brasileiros
TECNOLOGIA
Cartão de crédito será biométrico A Apple não é a única empresa tentando convencer as pessoas a usar biometria para efetuar compras e pagamentos. A MasterCard anunciou, no último dia 17, a criação de um cartão de crédito que usa esse tipo de tecnologia. A novidade foi desenvolvida em parceria com a Zwipe, que é especializada nesse
tipo de produto, e deve chegar ao mercado em 2015. Senha O cartão vem com um pequeno leitor biométrico que substitui a senha. De acordo com a empresa, as informações ficam armazenadas no próprio cartão e não há transmissão de dados com a MasterCard, o que
dificulta a interceptação por parte de terceiros. Também não há a necessidade de bateria ou carregamento, porque o cartão usa a energia dos terminais para funcionar. Ele usa a certificação EMV, que é um padrão internacional usado em cartões mas ainda não está plenamente introduzido nos Estados Unidos.
País
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
A9
Mamografia fora da idade deve ser com moderação A
qualidade da informação e o rastreamento e prevenção do câncer de mama por meio de mamografias foram discutidos, em audiência pública sobre o Outubro Rosa, realizada no âmbito do programa Quintas Femininas, da Procuradoria Especial da Mulher no Senado. A moderação na frequência do exame na faixa etária abaixo da recomendada pelo Ministério da Saúde, que é de 50 a 69 anos, foi uma das orientações dadas pelos profissionais que participaram do debate. De acordo com a médica Carolina Fuschino, da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), o ideal é direcionar a realização das mamografias para a chamada faixa prioritária, na qual há maior impacto na diminuição da mortalidade, mas sem abandonar as outras. A partir dos 40 anos, acrescenta, algumas organizações médicas sugerem que se faça o exame para o chamado rastreamento — para mulheres com baixa probabilidade de desenvolvimento de tumores — porque também há um impacto na mortalidade, embora menor. “A mamografia não é um exame que não vai ter efeitos colaterais. Se você aumenta muito o número de mamografias ao longo da sua vida, essa radiação a que você vai estar submetida tem efeitos cumulativos. Isso não vai ter um impacto importante para surgimento de cânceres. Mas, a partir do momento em que você começa a fazer mais
GERALDO MAGELA/AGÊNCIA SENADO
Alerta é feito por especialistas na área, em uma audiência pública promovida pelo Senado sobre o Outubro Rosa cedo, essa radiação vai ser maior ainda”, explica. A mudança de postura se deve, entre outros pontos, ao chamado overdiagnóstico. De acordo com Arn Migowski, sanitarista, epidemiologista, tecnologista da Detecção Precoce e Apoio à Organização de Rede do Instituto Nacional de Câncer (Inca), muitos dos casos detectados num estágio bem inicial poderiam nem mesmo ter se desenvolvido e se tornado câncer. Além disso, pesquisas demonstram que, mesmo
ORIENTAÇÃO
Ambos os médicos também refutaram a ideia de que o rastreamento se tornou inútil e concordaram que ele deve ser realizado após debate com o profissional médico, considerando malefícios e benefícios No debate, os médicos alertaram para os efeitos colaterais que podem ser causados pela mamografia a pacientes de idade avançada
com o crescimento do diagnóstico precoce de tumores nas mamas, a sobrevida das mulheres não aumentou significativamente. Os dois médicos mencionaram um estudo canadense que acompanhou por 25 anos grupos de mulheres que se submeteram ao rastreamento por mamografia e outras que fizeram apenas o exame físico. A sobrevida, o tempo de vida e o risco de morte nos dois grupos foram idênticos, não houve diferença estatística importante.
‘Tirania do rosa’, sobre o tema, é criticada A ativista Lilian Marinho, da Rede Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Reprodutivos, acusa a construção, por todo o Brasil, de uma “tirania do rosa”, com a iluminação de monumentos em várias cidades em alusão ao chamado Outubro Rosa e a imposição de um “véu da alegria” que acaba mascarando as
verdadeiras necessidades: o fim da desinformação e o incremento da comunicação; e a atuação rápida nos casos diagnosticados de câncer de mama e colo de útero, pois o tempo é a melhor arma para o tratamento. Segundo ela, o Estado brasileiro não pode somente lançar uma suspeita de câncer
sobre uma mulher sem garantir a ela continuidade e rapidez no tratamento em caso de diagnóstico positivo. Apesar de elogiar a campanha, que semeia a necessidade do cuidado, Lilian critica os problemas de comunicação entre a população-alvo e as entidades e profissionais da área de saúde envolvidos
PROJETO
SENADO
Tamanho de APP pode ser definido tais. Atualmente, a competência é comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios. O novo Código Florestal (lei nº 12.651/2012) define como APP a área protegida, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, por uma faixa de 15 metros, em áreas urbanas consolidadas. Zoinho lembra que um grande número de cidades
no Brasil nasceu e cresceu em torno de rios, ocupando essas faixas marginais. “A simples definição de uma faixa de 15 metros não é solução para a maior parte dos problemas urbanos relacionados à gestão das beiras de rio”, critica. “As soluções devem ser estabelecidas levando em consideração as questões técnicas, econômicas e sociais. Cabe aos municípios estudar, propor e adotar as melhores soluções, sem prejuízo da co-
Acordo ortográfico será debatido em audiência
operação com o Estado e a União”, aposta o deputado. Tramitação O projeto tramita em regime de prioridade e será analisado pelas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; de Desenvolvimento Urbano; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Em seguida, será encaminhado ao Plenário da Câmara para votação, e caso aprovado, seguirá para sanção da presidente Dilma Rousseff. DIVULGAÇÃO
A Câmara analisa o Projeto de Lei Complementar (PLC) nº 387/2014, do deputado Zoinho (PR-RJ), que atribui aos municípios a competência para estabelecer o tamanho das áreas de preservação permanentes (APPs) localizadas em áreas urbanas. Segundo o autor, o objetivo é permitir que o município defina as regras para ocupação das margens de rios e a gestão segura e adequada do espaço urbano, considerando os aspectos sociais e ambien-
com o tema. Algumas mulheres na faixa de 40 anos, por exemplo, exigem o direito assegurado em lei de fazer a mamografia preventiva, mas o Sistema Único de Saúde (SUS) mal consegue garantir o procedimento à faixa etária prioritária, dos 50 aos 69 anos, observa.
Projeto que tramita na Câmara pretende garantir que o município defina regras seguras para as APPs, nos espaços urbanos
O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa será tema de duas audiências públicas na próxima semana, no Senado. Devem ser relatadas nas reuniões, na terça-feira (21) às 10h e na quarta-feira (22) às 9h30, as discussões realizadas por um grupo de trabalho formado por professores e linguistas por iniciativa da Comissão de Educação (CE), do Senado. O acordo ortográfico, assinado em 1990 e em vigor desde 2007, teria de ser seguido obrigatoriamente no Brasil a partir de 1º de janeiro de 2013, mas o prazo foi prorrogado até 1º de janeiro de 2016, por decreto da presidente da República, Dilma Rousseff. Parte dos países lusófonos, como Portugal, é contrária às mudanças propostas para a unificação da ortografia. Em outubro de 2013, a CE criou, a pedido da senadora Ana Amélia (PP-RS), vice-presidente da comissão, um grupo de trabalho formado por professores e linguistas para analisar o acordo e sugerir meios de facilitar a implantação das novas regras. Os especialistas têm usado o espaço para trocar opiniões a respeito da implantação definitiva do acordo e de possíveis al-
terações em seu conteúdo. Qualquer proposta formal de mudança, no entanto, dependerá da concordância dos senadores. Em agosto deste ano, o presidente da CE, Cyro Miranda (PSDBGO), refutou que o Senado esteja tentando reformar a língua portuguesa, como chegou a ser veiculado na imprensa e disseminado pelas redes sociais. Convidados Foram convidados para os debates da próxima semana o professor e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) Evanildo Bechara; o professor Pasquale Cipro Neto; o professor Ernani Pimentel; o presidente da Academia Brasileira de Filologia, Antônio Martins de Araújo; a professora Stella Maris, da Associação Brasileira de Linguística (Abralin); e a consultora de Língua Portuguesa da “Folha de São Paulo”, Thaís Nicoleti. Participação As audiências serão interativas e os interessados poderão participar ao vivo, com perguntas e comentários que serão encaminhados à presidência da comissão pelo Portal e-Cidadania ou pelo Alô Senado (0800612211).
A10
País
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
Falta de integração pode facilitar a criminalidade A
maioria das secretarias de segurança pública (67%) não compartilha informações com as congêneres de Estados limítrofes, o que facilita a migração da criminalidade entre unidades federativas vizinhas e dificulta o combate. A conclusão é de um levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU) a ser apresentado, em 17 de novembro, à presidente da República e aos governadores eleitos. Além da falta de integração nas ações contra o crime e da impossibilidade de sinergias decorrentes de operações conjuntas, o TCU constatou a inexistência de uma política e de um plano nacional de segurança pública formalizados. O estudo do TCU constatou que a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), órgão do governo federal vinculado ao Ministério da Justiça, ainda não formalizou uma política que sirva de “espinha dorsal” para o desenvolvimento, nos Estados, de um conjunto de ações mais efetivas no combate à criminalidade. O levantamento acrescenta que seis Estados não formalizaram suas políticas de segurança pública e dez ainda não elaboraram planos na área. “Deve-se ter em mente que são essas políticas que conferem as bases e os limites que norteiam a segurança pública nos Estados e na União”, alerta o relatório. Para o TCU, são diretrizes elementares para a implan-
FÁBIO RODRIGUES POZZEBOM/AGÊNCIA BRASIL
Levantamento do TCU revela que o compartilhamento de informações entre os Estados inviabiliza a migração da violência tação de todas as demais práticas de governança. A ausência de políticas, materializadas em documentos e planos, “pode comprometer a convergência das ações dos diversos órgãos voltados para a segurança pública, além de reduzir as chances de sucesso de ações conjuntas entre diferentes entes da Federação”. Deficiências Os dados obtidos no levantamento geraram o que o TCU chama de Índice de Gover-
ADVERTÊNCIA
O TCU faz uma recomendação à Senasp para atribuir às transferências de recursos o objetivo de auxiliar as organizações na implantação de práticas destinadas à melhoria da governança nança de Segurança Pública (Igovseg). Constatou-se que a maior parte das organizações de segurança pública estaduais encontra-se no nível intermediário de governança e que suas principais deficiências estão relacionadas à gestão de pessoas e aos controles internos. O levantamento constatou que a Senasp tende a repassar mais recursos para secretarias de segurança pública com menores índices de governança, “podendo aumentar o risco de baixa efetividade na sua aplicação”.
Conforme o relatório, seis Estados não formalizaram suas políticas de segurança pública e dez não elaboraram políticas para a área
RACISMO DIVULGAÇÃO
Goleiro Aranha, do Santos, foi um dos casos de racismo que teve maior repercussão no país
Curso pode conscientizar infratores Réus condenados em crimes de racismo e injúria racial deveriam passar por cursos de conscientização como pena complementar à sentença. A ideia foi defendida pelo promotor de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) Thiago André Pierobom de Ávila, durante o Curso de Aperfeiçoamento Enfrentamento às Discriminações. De acordo com ele, muitas vezes, esses condenados não têm consciência da gravidade de suas atitudes e enfrentam dificuldade para se identificar como racistas. O curso terminou na última sexta-feira (17) e foi oferecido a jornalistas, professores universitários e policiais militares, na
capital federal. Para Thiago Pierobom, uma medida interessante é fazer esses réus se confrontarem com a realidade do racismo, por meio da compreensão e reflexão de suas ações. “Percebemos que a maioria de nossos réus não se reconhece como racista, quando estão sendo acusados. É interessante que o Estado puna e também crie espaços para que eles reflitam sua conduta”, defendeu. Durante o curso, foram discutidas diversas formas de discriminação, como o racismo institucional e o midiático, e ainda a discriminação por orientação sexual. Também foram apresentadas política em defesa da igualdade racial.
De acordo com o promotor, o não autorreconhecimento do condenado como racista tem relação também com a própria falta de identidade racial. Como exemplo, ele diz que muitos condenados por racismo ou injúria racial são pardos. O curso, como pena complementar, contribuiria para que os condenados pudessem se sentir inseridos no crime que praticaram. A maioria dos casos de crime racial ocorre durante discussões e confrontos entre a vítima e o agressor. Desde 2009, o Ministério Público pode ser acionado pela vítima, em casos de injúria racial, sem a necessidade de intermediação de um advogado.
Mundo A11
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
Senegal é declarado livre da doença pela OMS A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou neste final de semana, em comunicado, que o Senegal é um país livre de ebola e felicitou a nação pela capacidade com que soube controlar a expansão da doença. Para descartar que uma pessoa desenvolva a doença devem se passar 42 dias - o dobro do período de incubação do vírus do ebola - sem mostrar sintomas. Por isso que para declarar um país livre do vírus devem ter passado 42 dias desde
que todas as pessoas que tinham tido contato com o portador inicial ou com algumas das pessoas que infectou não desenvolveram a doença. Senegal importou um caso no dia 29 de agosto, quando um homem que teve contato direto com um paciente de ebola viajou da Guiné para o Senegal por estrada. No dia 5 de setembro, o teste do paciente deu negativo para o vírus, por isso as autoridades declararam que ele tinha se recuperado.
ÍNDIA
Altamente poluído, país lança índice de qualidade do ar A Índia lançou um novo índice nacional de qualidade do ar para ajudar os cidadãos a entender os complexos dados sobre poluição e suas implicações para a saúde, informa o ministro do Meio-Ambiente Prakash Javadekar. Um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1.600 cidades divulgado em maio revelou que a capital indiana, Nova Délhi, tem o ar mais poluído do mundo, com um média anual de 153 microgramas de pequenas partículas, conhecido como PM2.5, por metro cúbico.
Treze das 20 cidades mais poluídas do mundo estão na Índia, afirmou a OMS, mas o país rejeitou o relatório. O novo índice, parte da “Missão Índia Limpa” do primeiro-ministro Narendra Modi, irá proporcionar uma cifra consolidada depois de medir oito poluentes e usará um código de cores para apontar os impactos| sanitários correlatos. “A poluição do ar está aumentando em nossas cidades... precisamos detê-la”, afirma o ministro do Meio-Ambiente, Prakash Javadekar.
Lei medieval pode ser aplicada a jihadistas Grã-Bretanha não desconsidera a possibilidade de pôr em prática legislação de 1351, sobre traição, contra cidadãos que lutarem com extremistas do EI
A
Grã-Bretanha pode fazer uso de uma lei medieval que data de 1351 para acusar cidadãos de traição, caso lutem junto a insurgentes do Estado Islâmico (EI) na Síria e no Iraque, informa o secretário de Relações Exteriores Philip Hammond. O primeiro-ministro David Cameron alerta que o EI, cujos combatentes tomaram grandes áreas da Síria e do Iraque, representa uma grande ameaça à Grã-Bretanha, após a polícia e oficiais de inteligência terem dito que têm visto um maior potencial para atentados no país. Oficiais de segurança dizem que em torno de 500 britânicos - muitos com ascendência de imigrantes muçulmanos devem estar lutando no Iraque e na Síria, embora o número real possa ser muito maior, e oficiais de segurança se preocupam que aqueles que retornam possam fazer um ataque contra o Reino Unido. Hammond diz que qualquer cidadão britânico que tenha jurado um compromisso pessoal com o chamado Estado Islâmico pode ter cometido uma ofensa sob o Ato de Traição de 1351, o qual foi aprovado durante o reinado do Rei Edward 3º.
PARLAMENTO BRITÂNICO
EBOLA
Segundo Cameron, o Estado Islâmico oferece uma grande ameaça ao país, devido a atentados
Lei deverá ser mais eficaz “Temos visto pessoas declarando ter jurado um compromisso pessoal com o chamado Estado Islâmico”, disse Hammond ao parlamento. O Estado Islâmico divulgou vídeos mostrando a decapitação de dois prisioneiros norte-americanos e um britânico, os
quais expunham um militante mascarado brandindo uma faca e falando com um sotaque britânico, apelidado de “Jihadi John” pela mídia britânica. Um membro do parlamento do partido governante Conservador, Philip Hollobone, argumenta que utilizar uma velha lei
de traição que separa aqueles que cometeram atos de traição seria mais eficaz contra jihadistas do que estatutos de contra-terrorismo. A sentença máxima por traição no Reino Unido é prisão perpétua. Até 1998, era a pena de morte.
A12
Mundo
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
Caderno C
Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
diadia@emtempo.com.br
(92) 3090-1041
DIVULGAÇÃO
Outubro Rosa ganha mais solidariedade Dia a dia B6
Abandonados, animais de rua se tornam ameaças Irresponsabilidade de donos contribui para proliferação de doenças em outros bichos, como a “doença do carrapato”
ALBERTO CÉSAR ARAÚJO/ARQUIVO EM TEMPO
A presença de animais nas ruas, abandonados ou deixados por seus donos, contribui para a proliferação de carrapatos que causam a erlichiose, doença que afeta a população canina IVE RYLO Equipe EM TEMPO
O
abandono e a guarda irresponsável de criadores que deixam seus animais de estimação soltos pelas ruas é notório em toda a capital, não se restringindo somente aos bairros periféricos. De acordo com estimativa feita pelo Controle de Zoonoses (CCZ) cerca de 90 mil cães e gatos estão abandonados à própria sorte pelas ruas de Manaus. A realidade tem preocupado e gerado reação não somente pelas organizações não governamentais (ONGs), como também com pessoas sensíveis a essa situação. Além dos maus-tratos, os bichinhos abandonados nas ruas são alvo fácil da ação de parasitas transmissores de diversas doenças. Para a secretária Maria do Socorro Monteiro, 47, um inocente passeio com o cachorro pelo bairro já causou o prejuízo de aproximadamente R$ 1.660 e pode transformar a rotina dela nos próximos seis meses. Tudo porque o Lion, um cocker spaniel de 2 anos de idade, ficou empestado de carrapato, perdeu o movimento das patas dian-
teiras e foi diagnosticado com erlichiose, a “doença do carrapato”. “Há mais ou menos 15 dias fui passear com o Lion, como sempre faço próximo de casa, na Cidade Nova. Quando voltei para casa, a orelha do Lion estava cheia de carrapatos, muito mais de 10 em cada orelha. Dedetizei minha casa e levei-o ao pronto-socorro. Conversei com veterinários e eles também estão re-
BASE
A lei estadual 170/13 estabelece a regulamentação da eutanásia, somente para casos justificados por laudo técnico e normas para evitar o sacrifício de animais saudáveis clamando dessa infestação de carrapatos em toda a cidade”, disse. Sem os movimentos das patas dianteiras, o cachorro ficou dependente da tutora para se alimentar e fazer as necessidades fisiológicas. “Ele tem consulta periódica, medicamentos, ração especial, fralda descartável,
lenço de papel e temos que manter o lugar sempre limpinho e tratá-lo com muito cuidado. Temos que dar a comida na boca dele porque ele não se levanta, e sempre trocar a fralda. Chamei até uma pessoa para me ajudar, porque trabalho e ele não pode ficar sozinho”, disse Maria. Dependendo da evolução, o tratamento de Lion pode se estender por 90 dias ou seis meses. Proliferação Revoltada com a situação, Maria do Socorro contou que passou a observar a quantidade de animais abandonados pelas ruas, o que fez com que a secretária buscasse ajuda com o CCZ. “Depois do que aconteceu com Lion, passei a observar que tem muitos cachorros pela rua. Eles soltam carrapatos que se espalham em todos os lugares. É um perigo para todos nós. Ouvi do CCZ que o centro está impossibilitado de recolher os animais da rua, por conta de uma lei. Manaus é a primeira cidade que ouvi dizer que o CCZ não pode tirar animais da rua. Teria que haver este controle. Se o dono não cuida, deveria ser multado. Isto não deveria ser tolerado”, disse.
Medidas de controle são outras O diretor do CCZ, Francisco Zardo, defende que o controle populacional é realizado pelo órgão, mas com a adoção de medidas preventivas e não da forma como foi feita na última década. “A captura e o extermínio indiscriminado de animais errantes é considerado um método cruel, ineficaz e ultrapassado de controle populacional. Por esses motivos a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) mantém um programa permanente de controle populacional baseado na castração, registro e identificação por meio da microchipagem, fiscalização e educação em guarda responsável”, disse Zardo. Somente em 2014, mais de 3,6 mil animais já foram castrados e microchipados no CCZ, segundo dados divulgados pelo próprio centro. A substituição da captura e eutanásia de animais que moram nas ruas por essas iniciativas ocorre
desde a publicação da lei estadual 170/13, que estabelece a regulamentação da eutanásia somente para casos justificados por laudo técnico e normas para evitar o sacrifício de animais saudáveis, bem como da portaria 1.138/14 do Ministério da Saúde, que prevê a eutanásia e o recolhimento e transporte de animais, se for indicado e relevante para a saúde pública. Doença Segundo o diretor do CCZ, Francisco Zardo, para que o animal contraia a doença do carrapato é necessário que haja uma exposição maior que um simples passeio. “Além disso, um carrapato pode se deslocar mais de 200 metros em uma noite e ultrapassa muros e cercas. O controle do carrapato deve ser realizado periodicamente, pois a região de Manaus é endêmica para este aracnídeo”, explicou o diretor.
Dessa forma, no caso do cocker spaniel que contraiu a doença do carrapato, o CCZ recomendou à criadora que busque por um veterinário a fim de iniciar um tratamento para a erlichiose que acometeu seu animal de estimação, além de receber as orientações de como preveni-la. “Sem dúvida, os animais que se encontram nas proximidades da residência da usuária estão servindo como reservatório para os carrapatos, e seus proprietários devem ser identificados e os animais, tratados”, disse Zardo. Zoonose Ele explicou também que a infestação por carrapatos, apesar de trazer incômodos à população, não causa casos de febre maculosa (zoonose transmitida pelo carrapato estrela) em Manaus, evento esse que poderia desencadear uma ação pontual de controle do ácaro por parte da Semsa.
B2
Dia a dia
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
Guerra contra o cigarro conquista mais reforço
SEMSA
Decreto federal se alia à legislação estadual para fortalecer a proibição do fumo em prédios públicos, como ainda acontece hoje
Serviço de tratamento para abandono do vício de fumar, oferecido pela Secretaria Municipal de Saúde: Amazonas tem registrado cada vez mais queda no índice do número de fumantes DANIEL AMORIM Especial EM TEMPO
R
egulamentado em maio de 2014 pelo Ministério da Saúde, o decreto 8.626/2014, ou Lei Antifumo, vai entrar em vigor dentro de dois meses. Entre outras disposições, a medida proíbe fumo em lugares públicos ou privados que possuam cobertura, tetos, paredes, divisórias ou toldos. Em caso de desrespeito à lei, a multa varia de R$ 2 mil a R$ 1,5 milhão. A iniciativa guarda semelhanças com a lei estadual nº 3.441/09, em vigência no Amazonas desde o final de 2009. Apesar disso, muitos fumantes ignoram a norma e acendem cigarros em locais fechados, ainda que próximos de janelas. A cena pode ser presenciada no Fórum Henoch Reis, no Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas, no Aleixo. Clientes de bares e restaurantes também sofrem com a fumaça. “Acho que, pelo fato de estar em local aberto, eles acham que têm o direito de fumar”, opina o engenheiro mecânico Ivoney Vasques, 34. “Por outro lado, vivemos num país democrático. Devemos respeitar opiniões diferentes. Mas falta estabelecer locais específicos”, contemporiza, durante happy hour numa franquia de cachaçarias de Manaus. Seu colega de profissão Tairo Collyer, 27, se declara “fumante esporádico”. “Comecei há quatro anos e uso apenas em ocasiões sociais. Às vezes, depois do trabalho, para aliviar o estresse”, explica. Ele concorda com medidas de restrição ao consumo, porém diz que falta transparência por parte do governo. “O cigarro causa prejuízos. Deixa-se de gastar dinheiro para tratar o câncer de pulmão, mas será que investem esses recursos em áreas como educação, por exemplo?”, indaga.
Dados Estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) prevê que, neste ano, o Amazonas deve confirmar 270 novos casos de câncer no aparelho respiratório (pulmão, brônquio e traquéia). O risco de contrair a doença atinge também fumantes passivos. O cigarro é o principal responsável por 90% das ocorrências. A incidência é maior no sexo masculino, que responde por 160 casos. Apesar disso, o número de fumantes em Manaus vem diminuindo. De acordo com pesquisa divulgada em maio deste ano, o índice passou de 12% em 2012 para 7% no ano passado. O levantamento foi realizado pelo Mi-
CASOS
Estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) prevê que, neste ano, o Amazonas deve confirmar 270 novos casos de câncer no aparelho respiratório (pulmão, brônquio e traqueia) nistério da Saúde, por meio da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel Brasil), e abrangeu 26 capitais brasileiras e o Distrito Federal. A diminuição de casos reflete o objetivo das medidas legais. No entanto, a atuação de órgãos específicos tem papel de destaque nesse cenário. É o caso da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon). Ligada à Secretaria de Estado de Saúde (Susam), a unidade realiza, todos os anos, uma série de campanhas e atividades de cunho educativo. O objetivo é levar informações sobre os fatores de risco do câncer à população.
Fator social induz ao tabagismo, diz médico Segundo Edson Andrade, pneumologista e diretor-presidente da FCecon, o ambiente social é o principal fator de indução ao tabagismo. “ O convívio e o contato precoce com o tabaco acabam por influenciar diretamente no consumo, uma vez que aguça a curiosidade do indivíduo”. Além da dependência psicológica, o cigarro ocasiona também dependência comportamental. “Fuma-se após tomar um café, após o almoço e assim por diante.
Neste caso, o fator psicológico precisa ser trabalhado para que o consumidor entenda que naturalmente pode viver sem o cigarro”, exemplifica Andrade. A pesquisa mostra ainda que o número de ex-usuários aumentou na capital, passando de 21% para 24%, entre 2012 e 2013. Acompanhamento Em Manaus, o atendimento a usuários dispostos a largar o cigarro é feito nos 13
ambulatórios de Tratamento de Fumantes das Unidades Básicas de Saúde (UBS). O serviço, disponível em diversas zonas da cidade, faz parte das ações do Programa Municipal de Controle do Tabagismo, executado pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa). As pessoas atendidas nos ambulatórios recebem acompanhamento multiprofissional. O tratamento é feito em grupo e baseado na terapia cognitiva-com-
portamental. Dependendo do quadro clínico, o paciente recebe, inclusive, a medicação de suporte. “Em relação ao número de pessoas atendidas este ano, contávamos com a participação de 80 pacientes até julho. Sessenta e duas pararam de fumar”, diz Fernanda Gabriela Alves de Araújo, coordenadora do programa. Uma nova unidade na comunidade PauRosa, zona rural de Manaus, deverá começar a funcionar ainda este ano.
SERVIÇO AMBULATÓRIOS DE TRATAMENTO DE FUMANTES POLICLÍNICA CASTELO BRANCO Rua do Comércio, s/n – Bairro Parque 10 POLICLÍNICA ANTÔNIO REIS Rua São Luiz, s/n – Bairro São Lázaro UBS ARMANDO MENDES Rua 5, s/n, conjunto Manoa – Cidade Nova 1 POLICLÍNICA JOSÉ ANTONIO DA SILVA Rua das Aroeiras, 55 - Monte das Oliveiras UBSF AMPLIADA N 06 Rua Belém s/n, Nossa Senhora de Fátima 2 POLICLÍNICA COMTE TELES Rua J, etapa B, São José 3 USA ALFREDO CAMPOS Rua André Araújo, s/n, Bairro Zumbi 2 UBS AMAZONAS PALHANO Rua Antonio Matias, s/n, São Jose 2 POLICLÍNICA RAIMUNDO FRANCO DE SÁ Rua V, 150 – Nova Esperança 1 MÓDULO VILA DA PRATA Rua Ademar de Barros, s/n, Vila da Prata POLICLÍNICA DJALMA BATISTA Rua 23 de Dezembro, s/n, Compensa 2 UBS DEODATO DE MIRANDA LEÃO Rua Presidente Dutra, s/n – Glória POSTO DE SAÚDE RURAL SÃO PEDRO Km 35 – AM 010
Dia a dia
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
B3
Alta demanda por exames ‘congestiona’ instituto ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO
M
ulheres da capital e do interior do Amazonas que procuram os serviços de unidade básica de saúde para realizarem exames de mamografia e ginecologia foram surpreendidas ao saberem que poucas fichas são distribuídas para uma demanda extensa. A esteticista e massagista Marly Ramos, 54, resolveu aproveitar a manhã de quinta-feira (16) para tentar realizar seus exames, após ver na propaganda do Outubro Rosa que informa que qualquer mulher pode fazer os exames neste período sem encaminhamento médico. Marly madrugou na fila do Instituto da Mulher. “Quando cheguei, o dia ainda não tinha clareado e havia aproximadamente 50 mulheres aguardando para que o instituto começasse o atendimento”, disse. Quase às 9h, uma atendente não identificada iniciou o processo de distribuição de senhas e depois informou a todos que o instituto só atendia 25 mulheres por dia, e que o restante teria que retornar em outra ocasião. Das fichas, 10 são destinadas para as mulheres que não estão
com o encaminhamento médico e 15 são para as mulheres que estão portando a guia médica. “Fiquei chateada, pois a funcionária passou mais de três horas para informar que só seriam distribuídas 25 senhas, se tivesse avisado antes, eu teria ido procurar outro posto para realizar meus exames. Cheguei a questioná-la por causa dessa atitude e ela me respondeu na maior grosseria dizendo que não iria falar nada antes do seu horário de trabalho. Isso é desumano”, desabafou. Depois de falar com a atendente, a esteticista procurou a Carreta da Mulher mais próxima de sua casa, no bairro Alvorada, Zona Centro-Oeste de Manaus. Quando chegou ao local, a atendente da carreta informou que às 5h são distribuídas 40 senhas. Dessas, 20 são para realizarem o exame pela manhã e 20 para o período da tarde. “Perdi a manhã do meu trabalho procurando postos para realizar os exames por causa de propaganda que acaba sendo enganosa. A oferta tem que ser maior”, informou. Explicação A direção do instituto informou que a unidade, por conta da campanha Outubro Rosa,
registrou um expressivo aumento da demanda pelos exames de mamografia, além daqueles que já são realizados, na rotina, com agendamento via Sistema de Regulação. A direção esclareceu que o conceito de demanda livre (adotado também neste mês) refere-se ao fato de que não é necessário esse agendamento prévio, mas a oferta dos exames tem um limite diário, que está relacionado à capacidade do equipamento. Dessa forma, é necessário ordenar o atendimento com as fichas. A direção afirmou que iria apurar a queixa da descortesia da funcionária que a atendeu. A direção esclareceu que, independente da campanha Outubro Rosa, as mulheres que têm indicação para realizar o exame de mamografia devem procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima de sua residência, para solicitar e agendar a realização gratuita do exame, com encaminhamento via Sistema de Regulação, para um dos 27 serviços de mamografia da rede própria ou conveniada do Sistema Único de Saúde (SUS), em Manaus. A Secretaria de Estado da Saúde (Susam) garantiu que a oferta dos exames é superior à demanda.
ALEXANDRE FONSECA/ARQUIVO EM TEMPO
Usuária se queixa de poucas senhas para atendimento. Susam explica que demanda cresceu durante o Outubro Rosa
Com o Outubro Rosa, procura por exames cresceu no Instituto da Mulher e em outras unidades
B4
Dia a dia
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
Intoxicação por agrotóxicos tem pouco relato no Estado atenção primária, média e de alta complexidade. “Muitos profissionais de saúde nem perguntam em que e com que o cidadão trabalha para dizer o que realmente ele tem. Muitas vezes aquela dor de barriga e febre não são sintomas de uma simples virose, podem ser de uma intoxicação por agrotóxicos”, contou Lopes. Os agrotóxicos são produtos químicos utilizados para combater pragas. Utilizados na agricultura, pecuária e também nos domicílios (matar pulgões e larvas plantas, eliminar cupins, ratos, entre outros), também são chamados de pesticidas, praguicidas, defensivos agrícolas, agroquímicos ou biocidas. Conforme Lopes, a meta da FVS é que os 62 municípios do Amazonas tenham profissionais capacitados para fazer o diagnóstico correto e assim ajudar a reduzir as contaminações. “O risco não é só para o produtor, mas também para o consumidor”. Também participaram do debate os representantes da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Luadir Gasparotto; da Associação dos Revendedores de
Agrotóxicos do Amazonas (Aram), Joyce Oliveira; e do Centro de Informação Toxicológica (CIT/Ufam), Joquebe de Chaves. Manuseio Segundo o pesquisador da Embrapa, Luadir Gasparotto, o agrotóxico é muito importante, mas o produtor precisa ter as informações adequadas para fazer o manuseio do produto. “Temos que trabalhar para evitar contaminações e não se preocupar depois do ocorrido. Para isso, é necessário um treinamento não apenas para os universitários, mas para alunos e principalmente para os produtores”, disse. Joquebe de Chaves chamou atenção dos participantes para os ricos dos agrotóxicos e informou que em casos de intoxicação pode ligar para Centro de Informações Toxicológicas do Amazonas, que é um serviço do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV/Ufam). O CIT presta informações toxicológicas gratuitamente via telefone (0800-722-6001), 24 horas por dia para qualquer pessoa, seja profissional ou cidadão comum.
Segundo a FVS, somente 30% dos casos de contaminação por agrotóxicos são relatados
FISIOTERAPIA
Livro ensina passo a passo na UTI Um livro que ensina o passo a passo dentro das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) é a proposta do livro “Hands on Fisioterapia intensiva”, de autoria do doutor Daniel Xavier, diretor-presidente do Instituto Amazonense de Aprimoramento e Ensino em Saúde (Iapes) e fisioterapeuta da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon). O livro já está disponível para vendas em Manaus. A obra orienta estudantes e profissionais recém-formados que irão atuar em unidades de terapia intensiva, consideradas complexas pelos profissionais de saúde, segundo explica Daniel. “Dar assistência a um paciente crítico internado nas Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) é algo complexo e necessita ser executada por um profissional habilitado, capacitado e especializado como forma de prover a me-
lhor prestação de serviço em fisioterapia intensiva”, ressaltou. Daniel Xavier ressalta que a área intensiva é uma especialidade da fisioterapia dá assistência ao paciente criticamente enfermo em UTI. “O trabalho intensivo dos fisioterapeutas diminui o risco de complicações do quadro respiratório do paciente da UTI, reduz o sofrimento e permite a liberação mais rápida e segura das vagas dos leitos hospitalares”, disse. Ele também destaca que a atuação do fisioterapeuta também diminui os riscos de infecção hospitalar e das vias respiratórias, proporcionando uma economia nos recursos financeiros que seriam usados na compra de antibióticos e outros medicamentos de alto custo. Com o livro e prática, o acadêmico ou profissional, de acordo com Daniel Xavier, aprenderão mais sobre: ques-
tões e tratamentos, manipulação correta de aparelhos complexos, melhorar a relação fisioterapeuta-paciente e proporcionar conhecimentos necessários para a compreensão de um raciocínio perfeito desde a avaliação até o final do tratamento. O livro “Hands on Fisioterapia intensiva - O guia prático definitivo do fisioterapeuta intensivista”, está disponível no site https://clubedeautores.com.br/. Os interessados podem entrar em contatos nos telefones (92) 32382563/ 8425-6441 ou pelo site:http://www.fisioterapiamanaus.com.br. Outras publicações Daniel Xavier é autor também do livro “Fisioterapia Onco-funcional para a graduação- O papel da fisioterapia no combate ao câncer” e lançará ainda neste ano outro livro com mais de mil páginas com o titulo: “Pratica em Fisioterapia Intensiva”. DIVULGAÇÃO
N
o Amazonas, cerca de 70% dos alimentos que chegam as casas é produzido pela agricultura familiar. Mas por falta de orientação correta o risco de o alimento estar contaminado por agrotóxicos é maior. O alerta é do gerente de riscos não biológicos da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Nailton Ribeiro Lopes, durante a mesa-redonda “Agrotóxicos: realidade e políticas públicas no Amazonas”, no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI). O evento ocorreu na última quinta-feira (16), no auditório da Ciência do Inpa, como parte das atividades da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), que encerra oficialmente neste domingo. De acordo com Lopes, apenas 30% das intoxicações por agrotóxicos no Amazonas são relatadas, percentual considerado “vergonhoso” comparado ao real risco que o agrotóxico traz. Um dos principais motivos, segundo o gerente, é a baixa capacidade de detecção da intoxicação, tanto em relação ao diagnóstico laboratorial, à assistência médica quanto das redes de
GIOVANNA CONSENTINI/ARQUIVO EM TEMPO
Segundo a FVS, risco da contaminação dos alimentos produzidos é maior por falta de orientação correta na aplicação
Obra escrita por Daniel Xavier é direcionada a estudantes e profissionais de fisioterapia
Dia a dia
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
B5
Tribunal já emite alvará judicial automatizado P
ara atender a uma antiga reivindicação dos advogados, o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) anunciou a Automatização do Pagamento de Custas Processuais por Alvarás. A partir de agora, o Banco do Brasil (BB) fará o pagamento por meio de alvará eletrônico direto em conta. Para quem não possui conta no banco, o saque poderá ser feito em qualquer agência do BB, em todo o país, por meio de ordem de pagamento emitida para aquele CPF. Os últimos detalhes para a implantação do programa foram acertados na última sexta-feira (17), em reunião entre a presidente do TJAM, desembargadora Graça Figueiredo, e o gerente-geral de Agência Pública do Banco do Brasil, Rui César Hirata, e o superintendente regional, Gilberto Pinto. Também participaram da reunião a secretária-geral de administração do TJAM, Zulena Matos; o gestor de conta única Alber Furtado; o diretor de Informática, Jonathas Franco, e Rosineide Roldão, diretora de orçamento. “O sistema de alvará automatizado vai facilitar muito o processo de pagamento de
alvarás. Além de desburocratizar o processo, facilita o trabalho do advogado, evitando até mesmo, o deslocamento ao foro para realização da operação bancária”, explicou a desembargadora Graça Figueiredo. De acordo com Jonathas Franco, para que as transferências sejam efetivadas,
VANTAGEM
Para que as transferências sejam efetivadas, basta que os advogados informem na petição dirigida ao juízo, os dados necessários à realização da operação, como o CPF do beneficiário, banco e agência basta que os advogados informem na petição dirigida ao juízo os dados necessários à realização da operação, como o CPF do beneficiário, o banco, a agência e a conta corrente para crédito dos valores. A desembargadora Graça lembrou que a medida era uma das reivindicações da Ordem do Advogados
do Amazonas seccional do Amazonas (OAB/AM). “Esta reunião com representantes do Banco do Brasil é para tratar das melhorias do sistema de alvará automatizado para os advogados”, disse a presidente. A partir de agora, o alvará judicial automatizado identificará o número do processo. Essa providência, que passará a ser adotada por todas as Varas das comarcas do Estado, facilitará o trabalho dos advogados, que poderão, inclusive, optar pelos diversos meios eletrônicos de transferência dos valores representados no alvará (TED, DOC ou ordem de pagamento). Para que as transferências sejam efetivadas, basta que os advogados informem na petição dirigida ao juízo, os dados necessários à realização da operação, como o CPF do beneficiário, o banco, a agência e a conta corrente para crédito dos valores ou sacá-los em qualquer agência do BB. “Mas é fundamental que os advogados informem na petição que desejam receber o alvará pelo sistema automatizado”, observou a desembargadora.
TJAM/DIVULGAÇÃO
Automação desburocratiza processo e vai facilitar o trabalho do advogado, evitando deslocamento ao foro para operação
Reunião da presidente do TJAM com representantes do Banco do Brasil aconteceu na sexta (17)
B6
Dia a dia
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
Luta contra o câncer de mama cresce em força “N
ão entre em depressão. Não fique em desespero”. É a recomendação da técnica de enfermagem Marieta Borges Farias, 56, aos que forem diagnosticados com câncer. Até o final deste ano, conforme estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Amazonas deve contabilizar 390 casos de câncer de mama e 630 casos de câncer de colo uterino, tumores malignos protagonistas da Campanha “Outubro Rosa”. O movimento mundial acontece pelo 11º ano no Amazonas e alerta sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce das neoplasias malignas. Por conta da profissão, Marieta – que luta desde julho de 2012 contra a doença - sempre seguiu à risca os cuidados com a saúde, mas apesar dos exames em dia e até mesmo dos sintomas reclamados, os médicos não sinalizaram o câncer de mama de forma antecipada. “Eu fazia a mamografia, levava ao médico e ele sempre dizia que não era nada. Quando descobriram, o câncer já havia atingido 95% das minhas células”, lamentou. A técnica de enfermagem comenta que fez a cirurgia para a retirada da mama em 20 de setembro de 2013, mas precisou passar por outro processo cirúrgico em fevereiro deste ano, já que o tumor tinha voltado. Ainda assim, o câncer não foi embora. “Ainda estou no tratamento. Não posso fazer outra cirurgia porque não há tecido suficiente para cobrir. Voltei a fazer quimio-
FOTOS: DIVULGAÇÃO
Outubro Rosa ganha cada vez mais atividades e solidariedade de instituições para divulgar a necessidade da prevenção terapia, agora injetável, porque a oral não tinha efeito. Apesar de tudo, tenho o apoio da família e fé, itens fundamentais para não perder o otimismo”, destacou. Informações do Inca apontam que no Brasil, “as taxas de mortalidade por câncer de mama continuam elevadas, muito provavelmente porque a doença ainda é diagnosticada em estágios avançados”. O
A pastora Waldeiva Sena de Oliveira, 50, conseguiu vencer o câncer de mama e há um ano da operação não tem mais sinais dos tumores. Com a realização frequente do autoexame, ela notou o nódulo em 2008, procurando um médico em seguida. No entanto, quando foi operar, a cirurgia foi interrompida pela descoberta de que o tumor era maligno. “Fui encaminhada para o tratamento e passei um longo tempo sentindo dor, sem poder operar. Mas por fim consegui fazer a cirurgia, todo o nódulo foi retirado e não deu mais nada”, declarou. Segundo ela, o acompanhamento ainda é feito todo o ano, mas os resultados dos exames são sempre positivos. Assim como Marieta, Waldeiva comenta que é preciso ter fé, contar com a família nessas horas e não se abater porque isso só agrava a enfermidade. Além disso, ela destaca que é preciso procurar os meios médicos.
ÍNDICES
A estimativa do Inca para o Amazonas é que apenas a capital amazonense seja responsável por 83,33% dos novos casos de 2014, sendo 340 diagnósticos de câncer de mama e 510 de colo de útero câncer de mama e o de colo de útero são caracterizados como o segundo e o terceiro tumor mais frequente na população feminina, respectivamente. Das estatísticas para o Amazonas, a estimativa do Inca é que apenas a capital amazonense seja responsável por 83,33% dos novos casos de 2014, sendo 340 diagnósticos de câncer de mama e 510 de colo de útero. Dados da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) mostram que em Manaus foram registrados 208 óbitos por câncer de colo de útero em 2013 e este ano já foram registradas 129 mortes. Com câncer de mama foram 130 mortes em 2013 e 71 este ano.
A batalha incansável de Waldeiva
A campanha Outubro Rosa tem crescido com a adesão de instituições e empresas no Amazonas
O autoexame das mamas é uma das bandeiras levantadas pelo movimento contra o câncer
Corrente atraiu diversas parcerias Organizada este ano pelas organizações não governamentais Rede Feminina de Combate ao Câncer e Liga Amazonense Contra o Câncer (Lacc) - com apoio da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon)-, a campanha Outubro Rosa deste ano no Estado foi lançada com shows de artistas locais no Centro de Convenções Vasco Vasques, localizado na avenida Pedro Teixeira, Dom Pedro, Zona Centro-Oeste de Manaus. Nessa corrente de luta, várias instituições públicas e privadas aderiram à causa. Neste domingo, na Marina Rio Negro, a partir
das 8h, a FCecon desenvolve a atividade esportiva Remada Rosa em parceria com o grupo Amazon Sup. O evento segue até as 18h, com cinco etapas, cada uma com duração de duas horas. Haverá, ainda, venda de camisetas no local. Parte da renda será revertida a ONGs de apoio à causa. Além disso, a FCecon tem mais de 30 palestras programadas este mês em escolas, empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM), entre outras públicas e privadas. Exames Durante todo o mês, o Instituto da Mulher Dona Lindú também disponibiliza
mês mamografias de livre demanda, que necessitam apenas do encaminhamento do médico especialista. Dentre as instituições privadas, o Laboratório Sabin consta como um dos que apoia o Outubro Rosa. Em Manaus desde 2012 (com sete unidades, das quais duas recém-inauguradas), o Sabin firmou parceria com quatro empresas da capital amazonense para a realização do exame preventivo Papanicolau nestes locais de trabalho. Em cada um dos empreendimentos, foi reservada uma semana com a presença de um técnico do Laboratório Sabin para coleta do material.
Dia a dia
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
Juízes terão orientação sobre casos de sequestro
B7
CNJ/DIVULGAÇÃO
Cartilha elaborada pelo CNJ padroniza os procedimentos indicados para casos de sequestro internacional de crianças JORGE VASCONCELLOS Agência CNJ
O
Brasil discute cooperação jurídica com vários países para solucionar o drama de 304 crianças que entraram ou foram retiradas do território nacional sem autorização da família ou outros responsáveis, segundo dados da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), atualizados em junho. Dos pedidos de cooperação jurídica internacional em tramitação, 79% são de países que pedem o retorno de crianças trazidas para o Brasil. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com o objetivo de aprimorar a atuação dos magistrados brasileiros, elabora uma cartilha sobre a Convenção da Haia de 1980, que padroniza os procedimentos indicados para os casos de sequestro internacional de crianças. “Um dos fatores que motivaram a elaboração da cartilha foi ainda haver desconhecimento a respeito das diretrizes da Convenção da Haia sobre os aspectos civis do Sequestro Internacional de Crianças, inclusive, por parte dos juízes. Provavelmente o conteúdo da cartilha ficará pronto até o final de outubro. Assim, será possível encaminhar o texto para publicação”, informou o conselheiro do CNJ Guilherme Calmon, coordenador do grupo de trabalho que discute propostas de fomento à participação do Brasil na cooperação jurídica internacional. O grupo foi criado pela portaria nº 190, de 24 de outubro de 2013, da presidência do CNJ, com a atribuição de elaborar diagnóstico sobre os principais problemas enfrentados pelos tribunais brasileiros em relação à cooperação jurídica internacional em matéria civil e penal. A partir do diagnóstico, serão adotadas medidas para orientar os magistrados e apresentadas propostas de atos normativos que, depois de aprovados pelo Plenário do CNJ, deverão ser aplicados em todo o Judiciário nacional. Além do coordenador Guilherme Calmon, participam do grupo o conselheiro do CNJ Saulo Casali Bahia, a desembargadora Mônica Jacqueline Sifuentes Pacheco de Medeiros, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), o juiz José Carlos Dantas (TRF5), o juiz Marcelo De Nardi (TRF4) e a juíza Marcela Brandão (TRF2). Padrão A convenção que será a base da cartilha do CNJ foi assinada em 25 de outubro de 1980, na cidade de Haia, na Holanda, e tem o Brasil entre os países signatários. Ela considera ilegal a transferência ou retenção de uma criança quando há violação ao direito de guarda atribuído a pessoa, instituição ou outro organismo, previsto pela legislação do país de onde ela foi retirada. A convenção padroniza as medidas a serem adotadas pelos países contratantes para garantir o retorno imediato das crianças que foram retiradas de seus lares ilegalmente. Ela também prevê que cada país designará sua respectiva autoridade central, encarregada de dar cumprimento às obrigações destinadas à solução desse tipo de ilegalidade.
Autoridade no Brasil é a SDH No território brasileiro, onde a convenção entrou em vigor em 2000, a partir da assinatura do decreto presidencial nº 3.413, de
14 de abril daquele ano, a autoridade central é a Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR). A cooperação jurídica entre os diversos países auxilia na questão de crianças sequestradas
B8
Dia a dia
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
Casos de família lideram ações da DPE no interior B
alanço da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE), após um ano da nomeação de 60 novos defensores públicos para o interior, aponta que 80% dos atendimentos feitos pelo órgão são casos de direito de família, como pagamento de pensão alimentícia, registro civil e guarda de crianças. Ao todo, cerca de 1,5 mil processos estão sendo acompanhados pela DPE atualmente. “Os cidadãos do Amazonas neste um ano já tiveram um ganho muito grande no que diz respeito ao acesso à Justiça, por meio da atuação dos defensores. Cerca de 1,5 mil processos estão sendo acompanhados”, afirmou o defensor público geral, Ricardo Trindade. Para Ali de Oliveira, defensor que atua em Lábrea, os atendimentos têm permitido a solução mais rápida desses casos. “A Defensoria, no interior, deu margem a resolver muitos problemas de forma extrajudicial, elaborando acordos, fazendo conciliações e mediações. Estamos conseguindo resolver muita coisa de dentro da Defensoria Pública mesmo”.
ALFREDO FERNANDES/AGECOM
Pelo menos 80% da demanda da Defensoria Pública no interior do Amazonas tem relação com questões familiares Arlindo Neto, defensor no município de Tabatinga, aponta como uma transformação positiva a ampliação do atendimento da DPE no interior do Estado. “Não só Tabatinga, mas nos diversos municípios para onde foram direcionados os colegas defensores, serviu como uma transformação da situação atual. Hoje em dia as pessoas já sabem aonde se dirigir, já sabem que tem a Defensoria Pública”. Além dos atendimentos através das comarcas, a DPE atua tanto no interior quanto na capital de forma preventiva, através da informação à população em atividades de atuação conjunta com outros órgãos, em escolas e em eventos. Concurso Os empossados para o cargo de defensor público de 4ª classe foram aprovados no 2° Concurso Público de Provas e Títulos realizado pela Defensoria Pública do Estado do Amazonas, que classificou 157 candidatos. O concurso público foi iniciado em 2012 e concluído em 2 de setembro de 2013. A nomeação foi publicada no dia 27 de setembro.
Ricardo Trindade, defensor público geral do Estado: cidadãos amazonenses tiveram ganho muito grande no acesso à Justiça
Especial
Eleições 2014 MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
politica@emtempo.com.br
(92) 3090-1019
Candidatos mantêm troca de ataques em programas
Nesta primeira semana, Braga apresentou o projeto de desconstrução da imagem de Melo. Já o governador manteve o perfil IONE MORENO
Após concentrar ataques ao governo no 1º turno, Braga se volta agora para a imagem de Melo RAPHAEL LOBATO Equipe EM TEMPO
A
primeira semana da propaganda eleitoral, após o primeiro turno destas eleições, já caracterizou as estratégias eleitas pelo senador Eduardo Braga (PMDB) e o governador José Melo (Pros) para aumentar a diferença apertada vista na votação do último dia 5. Enquanto o senador peemedebista concentra esforços para desconstruir a imagem e o discurso de José Melo, o candidato à reeleição mantém o arsenal usado no primeiro turno, mas apresenta mais ataques ao adversário. Após concentrar os ataques aos setores do governo Melo no primeiro turno, a campanha do PMDB agora aposta na desconstrução da imagem alavancada pelo governador durante primeira etapa da disputa. A campanha peeme-
debista diagnosticou que o discurso construído por Melo a respeito das “origens e da humildade” do governador teve sucesso na campanha do adversário e contribuiu para a surpresa nas urnas, ante o que vinha sendo apontado pelas pesquisas. A primeira ofensiva produzida pela campanha do PMDB no programa do segundo turno foi a peça em que Melo é intitulado como candidato “bonzinho” e Braga como “bom”, ironizando o discurso do adversário e questionando se o eleitor escolherá “o bom ou o bonzinho”. Braga também combateu o discurso de Melo, que o acusa de “arrogante”, alavancando peças publicitárias em que o senador aparece humanizado, em convívio com a família. Já a partir da última quinta-feira (16), a campanha peemedebista subiu o tom e escalou novamente o depu-
tado Marcos Rotta (PMDB) para apresentar novos ataques. Rotta apresentou uma peça em que Melo é acusado de ter trabalhado para a ditadura militar e associa a imagem do governador à busca pelo poder. Aconselhado pela base aliada, José Melo deverá repetir as estratégias do primeiro turno, mas subirá o tom às ofensivas do PMDB. O governador continuará explorando as imagens do prefeito Arthur Virgílio Neto (PSDB) e do ex-governador eleito para o Senado, Omar Aziz (PSD). A campanha do Pros diagnosticou ainda que obteve sucesso no discurso da “humildade contra a arrogância” e deverá continuar alavancando a tática. José Melo rebateu as primeiras críticas de Braga em relação a sua ausência no debate da Band afirmando que o senador já havia faltado a debates em eleições anterio-
IONE MORENO
Buscando a reeleição, Melo preferiu manter a tônica do seu discurso de mais humanizado
res. O governador também tenta desconstruir a nova estratégia do adversário peemedebista, que se apresenta mais humanizado. Na peça, a campanha de Melo diz que Braga “tenta se mostrar calmo e humilde”, mas a população “conhece” a realidade. Já na última sexta-feira (17), a campanha de Melo também subiu o tom e inaugurou uma peça em que diz que Braga foi eleito para o Senado “pelo povo” e que agora quer deixar a cadeira, “sem concluir o mandato”. A peça repercute o fato e questiona ainda se o senador “quer mesmo” governar o Estado. Novas peças publicitárias em tom de ataques estão programadas para esta semana
Eduardo Braga mira eleitorado de Ramos ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
Ramos ficou em terceiro lugar no pleito, com 180 mil votos
Tendo alcançado o terceiro lugar no primeiro turno, com 180 mil votos, o eleitorado do deputado estadual Marcelo Ramos (PSB) é alvo de um pacote de acenos do senador Eduardo Braga. Com peças publicitárias repaginadas para criar um aspecto mais jovem, o candidato do PMDB tem focado grande fatia do programa intitulado “encontro com os jovens” para destacar propostas para o público adolescente. Para evitar a migração dos votos de Ramos para o adversário, a campanha de Braga tem abordado temas como o fortalecimento da Universidade Estadual do Amazonas (UEA) e programas sociais voltados para adolescentes. Na sua página do Facebook,
Braga chegou a defender o Passe Livre para estudantes, proposta que era um dos carros-chefe da campanha da ex-presidenciável do PSB, Marina Silva. Já a campanha do Pros não levou, até agora, o anúncio de apoio do PSB de Ramos ao governador, nem a declaração do deputado de que votará em Melo, ao programa do candidato à reeleição. Sem Ramos, o partido anunciou o apoio “incondicional” no último diz 8, sob forte resistência do deputado, que fez críticas à postura da sigla e descartou engajamento na campanha de Melo. O parlamentar, no entanto, confirmou o voto no governador.
ATAQUES BUSCAM CARTADA FINAL
“O objetivo das “As pesquisas acusações é evimostram que essa dente: acertar o tática não está soco decisivo que tendo efeito. Acho vai definir as elei- que eles deveriam ções. O efeito de tentar um debate cartadas como mais ideológico. essa é imprevisível. A população até A fase de descons- curte uma briga, trução do advermas não curte sário é a última o tempo todo. A de uma campanha linha se divide eleitoral. Já no ter- da campanha de ceiro estágio, que proposta e outra em geral coincide de ataques. O que com o segundo há é um desequiturno, é hora de líbrio, em que a tentar manchar a proposta passa a imagem do adverser uma mínima sário”, disse. discussão”, avalia. Carlos Manhanelli, professor e especialista em marketing político
Afrânio Soares, empresário e consultor político
2
Eleições 2014
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
Fim de expediente para 11 deputados estaduais
DIEGO JANATÃ
Sem conseguir conquistar o retorno à Assembleia Legislativa do Estado, parlamentares correm para tentar “emplacar” projetos Os deputados Marcelo Ramos e Conceição Sampaio vão deixar a Aleam no ano que vem
C
om a legislatura 2010/2014 chegando ao final, os 11 deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) que não conquistaram nenhum mandato público no último pleito já iniciaram as articulações para emplacar seus projetos de lei em tramitação na casa. O receio é que as matérias fiquem pendentes e acabem sendo arquivadas na próxima legislatura, já que de acordo com o as regras impostas pelo regimento interno da Aleam, elas só podem ser apreciadas com a presença de seus autores. Alçada ao cargo de deputada federal, Conceição Sampaio (PP) acredita que ainda existe tempo hábil para que os projetos com pareceres expedidos pelas comissões específicas sejam levados pela presidência à votação em plenário. A corrida contra o tempo para agilizar o andamento dos 37 projetos formulados ao longo do último ano de mandato, segundo Sampaio, começou logo após o resultado nas urnas. Levantamento “Já reuni com a minha equipe para fazer o levantamento de todos os nossos projetos, também vou conversar com o deputado Davi Almeida, que é presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ), para ver se conseguimos dar celeridade ao andamento dos projetos. É claro que, em alguns casos, a CCJ apontará a existência de algum vício ou ilegalidade, mas é atribuição dela iden-
tificar essas situações. Mas vale lembrar que esse projeto, que com certeza reflete um desejo social, não precisa necessariamente ser arquivado, seu autor pode transformá-lo em indicação ao governo, e é isso que vou fazer com os meus”, ressaltando que foi a partir de uma indicação que o projeto recém-implan-
MEDOS
O receio, é que as matérias fiquem pendentes e acabem sendo arquivadas na próxima legislatura, já que o regimento interno da Aleam diz que elas só podem ser apreciadas, com a presença de seus autores tado pelo governo, intitulado Ronda Maria da Penha, para atender mulheres vítimas de violência doméstica, foi criado. O socialista Marcelo Ramos, que acabou como terceiro colocado na disputa em primeiro turno pelo governo do Estado, também se despede do parlamento estadual, com o objetivo de emplacar o máximo possível dos 73 projetos de sua autoria, em tramitação. Em conversa com a reportagem, o parlamentar disse que apelará ao presidente da casa, deputado Josué Neto (PSD), para que por uma atitude de lealdade, coloque todas as suas propostas em
pauta de votação. “Vou pedir que ele faça isso, nem que seja para derrubar. Porque entendo que derrubar é democrático, já não votar é que não é”, destacou. Engavetados Para que seus projetos não venham a ser esquecidos e arquivados, Marcelo Ramos destacou que pedirá ajuda de Serafim Corrêa (PSB), que ocupará um das 24 cadeiras do legislativo entre 2015 e 2019. “É óbvio que pedirei ao Serafim que reapresente esses projetos, o importante é que eles não se percam por falta de propositor”, falou. Um dos projetos ao qual Ramos tem dedicado atenção é o que prevê repasse de 5% do Fundo de Fomento ao Turismo, Infraestrutura, Serviço e Interiorização do Desenvolvimento do Estado do Amazonas (FTI) para a construção e manutenção de aterros sanitários pelo Estado. Chico Preto Em processo de levantamento dos projetos de lei em tramitação originados do seu gabinete, o deputado estadual Chico Preto (PMN), que como Marcelo Ramos ficou sem mandato, após optar por concorrer ao Executivo Estadual, comentou que vem chamando a atenção da mesa diretora, para que projetos importantes venham a ser apreciados, sob pena de acabarem arquivados. Reconhecendo que é impossível que todos os projetos acabem aprovados, Chico Preto frisou que, em algumas situações, será inadmissível entender, caso eles não cheguem a
ser apreciados. “Em alguns casos, como o da Proposta de Emenda Constitucional (PEC), apresentados ainda em 2011, por mim e pelo deputado Luiz Castro (PPS), que determina o repasse mínimo de 2,5% da receita do Estado, para políticas voltadas para o setor primário, todos os pareceres necessários já foram expedidos e nada impede que ela entre em votação”, disse. Chico Preto defende que matérias com esse tempo de maturação recebam atenção especial da presidência da Alem, que é responsável por decidir quais as matérias que entraram na pauta, ou não. “Não será ético que assuntos tão importantes sejam deixados para a próxima legislatura enfrentar, lembrando que foram os deputados da atual que iniciaram o debate”, ponderou. Bisneto O deputado Arthur Bisneto (PSDB) declarou que, durante sua atuação na Assembleia Legislativa do Amazonas, apresentou inúmeros projetos de lei, e que 40 ainda estão em processo de tramitação na casa. Para não deixar que suas propostas passem em vão, o parlamentar tucano vai tentar contar com a colaboração dos colegas para limpar todas as pendências. “Vamos tentar aprovar tudo ainda esse ano, se for possível, dentro da normalidade do trâmite da casa, não vou pedir foro privilegiado. E se algum ficar pendente, vou tentar sensibilizar algum colega para que ele dê prosseguimento na nova legislatura”.
Josué quer retomar votação Durante a semana, o presidente da Aleam, Josué Neto, chegou a comentar com a imprensa que existia interesse dos parlamentares em começar a votar os projetos ainda na semana passada. A promessa era que a última quinta-feira (16) seria marcada pela retomada de votações, após o primeiro turno das eleições, mas nenhum projeto foi votado aquele dia. Josué Neto enfatizou que a Assembleia está com a tramitação dos projetos atualizada. “Os nossos projetos estão em dia, como já havíamos informado na
semana passada, não existem projetos pendentes, pois praticamente 90% são deste ano de 2014”, disse. O presidente garantiu que, até o final do ano, a pauta de projetos da Assembleia Legislativa vai ficar enxuta, dentro dos prazos de tramitação, e que logo após o segundo turno da eleição, a Mesa Diretora volta a trabalhar com a informação antecipada sobre os dias de votação. De acordo com Josué Neto, se for preciso, a mesa fará uma votação de pauta grande por semana até o final do ano, a fim de não deixar projetos pendentes. DIVULGAÇÃO
JOELMA MUNIZ Equipe EM TEMPO
Josué Neto quer votar projetos antes do fim do ano
Eleições 2014
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
3
Arthur BISNETO
‘Eu sei O NÍVEL DE responsabilidade deste meu NOVO MANDATO’
E Se o Aécio for o presidente do Brasil, será melhor para o Amazonas e para o país. A Dilma prometeu repasse de R$ 400 milhões para a prefeitura em praça pública e até hoje nunca mandou um centavo”
leito o deputado federal mais votado do Amazonas, com 250,8 mil votos, Arthur Virgílio do Carmo Ribeiro Bisneto (PSDB) vai fazer carreira política agora em Brasília. Carregando o peso do nome da família, que fez história no parlamento nacional, Bisneto circulará no Congresso sob os olhares da mídia, e principalmente da oposição. Filho do atual prefeito de Manaus e ex-senador da República, Arthur Neto, e neto do também ex-senador Arthur Virgílio Filho, aos 35 anos, Arthur Bisneto admite que será um grande desafio, mas garante que irá creditar a confiança dos seus eleitores. Eleito vereador em 2001 e deputado estadual em 2003, cargo em que permanece até o fim deste ano, quer ir para capital do país com bandeiras que desenvolvam o crescimento turismo do Amazonas, reabertura do Centro de Biotecnologia da Amazônia, fortalecimento do Polo Industrial, por meio da quebra dos gargalos que prejudicam tanto a questão dos aeroportos, dos portos, das hidrovias, da BR-319, da telefonia Uma semana após divulgação do pleito, Bisneto recebeu a equipe do EM TEMPO, onde conversou sobre seus projetos, de como está sua preparação para estrear na Câmara Federal, sua carreira política e também o apoio do seu partido, PSDB, ao candidato ao governo José Melo (Pros) e ao presidenciável Aécio Neves. EM TEMPO – Você está indo para Brasília com uma grande responsabilidade, pois carrega o nome da família, que sempre teve forte atuação no parlamento. Como está se preparando para isso? Arthur Bisneto – Já estou estudando bastante, eu sei da responsabilidade deste man-
FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
dato. Existe uma expectativa muito grande nesta minha atuação, até pela votação que tive e a volta de um Arthur Virgílio a Brasília, que sempre foi sinônimo de orgulho e segurança para o Estado do Amazonas. Mas encaro com tranquilidade essa nova missão, apesar de saber do nível de responsabilidade que tenho com esse mandato. EM TEMPO – Em 2015, teremos uma nova legislatura, com a renovação de boa parte da bancada. Como será sua relação com seus colegas de parlamento? AB – Eu vou chegar a Brasília pregando a união. Tem deputado federal que mal senta-se à mesa com outro, e isso, com uma bancada pequena de apenas oito deputados federais e três senadores, é péssima. Somos poucos para colocarmos qualquer tipo de divergência pessoal à frente dos interesses do Estado. Assim que acabar esse clima quente de campanha vou procurar os deputados e senadores para que a partir daí possamos avaliar uma coesão clara em relação as questões voltadas para o Amazonas. Disponhome a participar ativamente deste processo. EM TEMPO – Caso o Aécio, que é presidente nacional do seu partido, o PSDB, for eleito presidente da República, isso será bom aos tucanos. O senhor vai lutar por uma liderança de governo ou de bancada lá em Brasília? AB – A primeira coisa que se faz quando se chega a Brasília é fincar o pé. Demonstrar a que veio, e a partir deste momento as coisas vão se definir com tranquilidade. Estou firme e sereno e sei que não chegamos lá em Brasília como um deputado qualquer, as pessoas vão prestar atenção no nosso mandato.
Essa questão da liderança será definida com o tempo. Eu já conversei com alguns deputados tucanos sobre o assunto, e combinados de sentar para definirmos. Ainda é muito cedo para falarmos sobre isso. O foco agora é outro. Agora é claro que se o Aécio for presidente será bom para o Amazonas como um todo. A presidente Dilma Rousseff (PT) prometeu muita coisa para o Estado em plena praça pública, disse que enviaria quase R$ 400 milhões à prefeitura e não veio um real. Esse dinheiro seria investido em asfaltamento, reconstrução da área urbana da cidade e construção de casas populares. Se ser amigo é fazer como ela fez, imagina o que ela não faz com um inimigo. O Aécio vai tratar o Amazonas de uma forma diferente. Além da relação pessoal que ele tem, é um homem de compromisso, e assumiu que iria se dedicar ao nosso Estado. Vamos trazer coisas boas para o Amazonas. EM TEMPO – Agora, se a candidata petista ganhar o pleito, como será o seu posicionamento? AB – Farei a oposição claramente. Eu não pulo de galho em galho. Não sou aquele tipo de político que durante o pleito está de um lado e ao abrir as urnas vira para outro lado. Tenho minhas posições muito firmes. Vou respeitar a questão constitucional como sempre, sem ser raivoso, apenas com embates calorosos. Já fiz oposição ao governo de Eduardo Braga uma vez e tivemos confrontos duros, mas nunca deixei de votar um projeto de governo que fosse favorável ao Amazonas. Mas não vou fazer oposição a Dilma porque tenho a convicção de que o Aécio vai ganhar esta eleição. EM TEMPO – E quais serão as bandeiras
que o senhor vai levar para Brasília? AB – Investimento em turismo, reabertura do Centro de Biotecnologia da Amazônia, fortalecimento do Polo Industrial, através da quebra dos gargalos que prejudicam tanto a questão dos aeroportos, dos portos, das hidrovias, da BR-319, da telefonia. São gargalos que prejudicariam a competitividade do PIM. Eu vou trabalhar com firmeza para que os nossos inimigos não sejam só os externos, e sim que possamos eliminar os inimigos internos. EM TEMPO – E como ficarão os projetos que foram elaborados na sua gestão aqui na Assembleia Legislativa do Amazonas após sua ida para Brasília? AB – Vamos tentar aprovar tudo este ano se for possível, dentro da normalidade do trâmite da casa, não vou pedir foro privilegiado. E se algum ficar pendente, vou tentar sensibilizar algum colega para que ele dê prosseguimento na nova legislatura. EM TEMPO – O PSDB tem feito uma campanha intensa na cidade em apoio ao presidenciável Aécio. E ao governo do Amazonas, Jose Melo continua como o candidato dos tucanos? AB – Sim, o nosso candidato é o Melo. O prefeito Arthur Neto precisa de parcerias, está governando praticamente só. Tendo o governo federal e estadual ao lado é claro que Manaus ficará em uma situação melhor. Estivemos na semana passada em Brasília e vamos seguir mantendo a nossa bandeira para o Aécio. Sei do potencial do Aécio, se fosse um candidato ruim, mesmo sendo do meu partido, eu não apoiaria. Minha primeira bandeira é o Amazonas e a segunda é o Brasil. Sei que o Aécio irá fazer um mandato verdadeiro.
Em Brasília, vou trabalhar em investimentos no turismo, reabertura do Centro de Biotecnologia da Amazônia e também no fortalecimento do Polo Industrial de Manaus”
O Candidato do PSBD ao governo do Amazonas é o José Melo. O prefeito Arthur Neto precisa de parcerias, pois está governador praticamente só”
Eleições 2014
4
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
REPRODUÇÃO
Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS
www.claudiohumberto.com.br
Para lançar candidato em 2018, o partido precisa estar unificado MICHEL TEMER, PRESIDENTE LICENCIADO DO PMDB, tentando reverter o “racha” na Câmara
Petrolão: 34 deputados envolvidos foram reeleitos Dos 49 políticos envolvidos no escândalo do Petrolão, citados na delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, 34 deputados federais foram reeleitos para a Câmara ou eleitos para outros cargos, inclusive de governador. Entre os envolvidos no esquema de recebimento de dinheiro sujo estão políticos de partidos governistas como PT, PP e PMDB, e os oposicionistas PSB e PSDB. Dinheiro sujo Quase todos os políticos enrolados no Petrolão irão responder pelo recebimento de dinheiro sujo para financiar suas campanhas. A verdade Investigadores avaliam que Paulo Roberto e Youssef não mentem em seus depoimentos, pela coincidência de nomes, valores e datas. Sem combinação O ex-diretor da Petrobras e o megoleiro Alberto Youssef não mantêm contato, por isso não poderiam combinar seus depoimentos. Pareceu estranho Em julho, preso, o ex-diretor Paulo Costa pediu à Justiça para arrolar Eduardo Campos e Fernando Bezerra Coelho como testemunhas. Lava Jato: governadores podem não tomar posse Fontes ligadas às investigações da operação Lava Jato afirmaram, sem citar nomes, que “alguns governadores” eleitos no último dia 5, em primeiro turno, podem não tomar posse em 1º de janeiro, em razão da gravidade do envolvimento
deles no esquema de corrupção e lavagem de dinheiro chefiado pelo megadoleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, presos há sete meses. Tem mais Há políticos disputando o 2º turno, segundo fontes da investigação, que também podem ser alçadas pela Justiça, no escândalo da Lava Jato. Pânico geral Tira o sono de muita gente a suspeita de que o ministro Teori Zavascki vai liberar, antes do 2º turno, a lista dos políticos enrolados na delação.
Jornalista
a influência do antecessor será bem menor. Contumaz As denúncias de doações milionárias providenciadas por Paulo Roberto Costa para campanhas de Pernambuco não surpreende políticos. O ex-diretor da Petrobras visitava o Estado ao menos uma vez por mês. Rei Mandão Candidato ao governo de Goiás, Íris Rezende (PMDB) comemorou o sucesso da animação do personagem Rei Mandão, sobre Marconi Perillo (PSDB). O assunto foi Trending Topic no Twitter, esta semana.
Guerra Ocorrências policiais mostram que carros com adesivos “Fora Dillma” têm sido atacados em Brasília. Quebram faróis, lanternas, retrovisores.
Campanha tucana Gerou irritação no Planalto e no PT a entrevista do líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), criticando erros de Dilma e informando que a bancada na Câmara está dividida no apoio ao governo.
Tem que parecer Dica de veterano político pernambucano ligado a Eduardo Campos: em vez de apenas afirmar indignação contra mentiras da adversária, Aécio Neves (PSDB) precisa demonstrar indignação, nos próximos debates.
Corrupção em Rondônia O ex-secretário adjunto de Saúde de Rondônia José Batista da Silva fechou acordo de delação premiada para acusar o governador Confucio Moura (PMDB), cuja campanha teria sido paga com dinheiro da Saúde.
Desembarque? Em conversas com lulistas próximos, aos palavrões, quinta-feira (16), Lula começou a culpar Dilma pelos problemas na campanha e nas pesquisas, queixandose de que ela não o aciona como deveria.
Vai dar rolo O PSDB prepara denúncia à Justiça Eleitoral: emissora educativa e católica, a rádio Padre Cícero FM, de Juazeiro do Norte(CE), fez de sua programação um comício. Pede votos abertamente para o PT.
Descolando Lula também desconfia de que Dilma quer experimentar “o gostinho” de se reeleger sem sua ajuda. Para ele, é o primeiro passo para formar um governo em que
Pergunta no Petrolão As autoridades americanas que investigam corrupção na compra da refinaria de Pasadena, da Petrobras, batizaram o escândalo de “big Petrol”?
PODER SEM PUDOR
Judas, o carioca Estava pesado o clima na cidade de Lauro Muller, na campanha eleitoral de 1960. A UDN era representada pelo Sebastião Neto Campos, que tinha como adversário o agressivo vereador Antônio Gaiteiro. Durante um comício, Gaiteiro atacou o adversário e exortou a população: - Vamos expulsá-lo da nossa cidade! Ele é o Judas carioca do povo! Alguém lembrou, interrompendo-o, que Sebastião Neto Campos nada tinha de carioca. Era catarinense da gema. Gaiteiro insistiu: - Ele é Judas carioca, sim. É aquele do Evangelho, que traiu Cristo.
DIVULGAÇÃO
A presidente teve uma súbita queda de pressão e foi hostilizada em postagem de um médico
Médico que xingou Dilma já agrediu até um colega Após Dilma passar mal, no debate do SBT, profissional postou uma mensagem mandando a candidata procurar um cubano
O
médico Milton Simon Pires, funcionário do Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre (RS), causou indignação ao xingar a candidata à presidência da República Dilma Rousseff (PT) e ironizar sua queda de pressão após o debate veiculado pelo UOL, SBT e rádio Jovem Pan. Em sua página no Facebook, o médico postou a seguinte mensagem: “Tá se sentindo mal? A pressão baixou? Chama uma médico cubano, sua grande f* da p*!”. A postagem rapidamente se espalhou pelas redes sociais e foi alvo de críticas dos internautas que questionavam ética profissional de Pires. Dono do blog “Ataque Aberto”, Pires tornou-se uma figura controversa na comunidade médica gaúcha. Em setembro deste ano, uma colega de trabalho registou um boletim de ocorrência contra o médico por agressão verbal e física, e a direção do hospital optou por afastá-lo de suas funções na UTI do hospital,
onde trabalha como concursado desde 2010. No entanto, o médico diz em seu blog que é vítima de perseguição política e que seu afastamento teria sido motivado por suas críticas à administração
RECLAMAÇÃO
Dono do blog “Ataque Aberto”, o médico tornou-se uma figura controversa na comunidade médica gaúcha, inclusive uma colega de trabalho registou um boletim de ocorrência contra ele do hospital, que é vinculada ao Ministério da Saúde. Suas postagens fazem ataques ao PT e o PCdoB, que segundo ele são responsáveis pelo hospital, ao governo Dilma e ao programa Mais Médicos. A reportagem conversou com
a assessoria jurídica do hospital sobre o caso e foi informada que o médico ainda faz parte do quadro e que continua a receber salário, mas que seu afastamento foi solicitado até que o caso de agressão seja julgado. “O que nos consta é que a agressão à colega foi um desentendimento de trabalho. Nem tínhamos conhecimento do blog dele e das críticas que fazia à administração até esse caso chegar a até nós. Nestes quatro anos, ele já teve outros desentendimentos com colegas, sempre por causa de procedimentos técnicos, mas desta vez houve ocorrência policial e tivemos de afastá-lo”, conta a assessora jurídica Angelita da Rosa. A reportagem tentou contato com o médico, mas até o fechamento da reportagem não conseguiu localizá-lo.
Repórter percebeu mal-estar A repórter do SBT Simone Queiroz desconfiou que a presidente Dilma Rousseff (PT) não se sentia bem, pouco antes de levá-la ao ar no início do telejornal SBT Brasil, que começou logo após o debate entre os presidenciáveis promovido por UOL, SBT e Jovem Pan, na noite da quinta-feira (16). “Perguntei a ela se estava tudo bem e ela me disse que sim”. Na conversa que precedeu a entrevista, a repórter disse que avisou “duas vezes” a presidente de que a entrevista entraria ao vivo no telejornal. Durante as suas consi-
derações sobre o debate, em determinado momento, Dilma se atrapalhou com a resposta e sugeriu que começassem novamente, sem perceber que a transmissão era em tempo real. Nesse momento, Dilma comunicou à repórter que não se sentia bem e que teve uma queda de pressão. Imediatamente, Simone a conduziu a uma cadeira e foi oferecida água à presidente. Dilma tentou retornar à entrevista, mas foi interrompida, pois já havia falado pelo mesmo tempo destinado ao seu adversário, Aécio Neves, que havia sido entre-
vistado pouco antes. Na sexta-feira (17), a presidente cancelou as agendas que teria amanhã, no Rio de Janeiro. Ela se encontraria com os candidatos Luiz Fernando Pezão (PMDB) e Marcelo Crivella (PRB). Dilma foi aconselhada a descansar e as agendas serão remarcadas na próxima semana. O cancelamento, informou a assessoria da presidente, não ocorreu por determinação médica. Hoje, Dilma e Aécio voltam a se encontrar, em debate promovido pela TV Record, o penúltimo antes da eleição.
DIZ AÉCIO
‘Quero ser lembrado pelo Nordeste’
Em cidade do Nordeste, Aécio disse que quer ser lembrado como um presidente generoso
O candidato à Presidência pelo PSDB, Aécio Neves, foi a Campina Grande no final de semana dizendo que, se eleito quer ser lembrado como o “presidente mais generoso com a região do Nordeste”. Em uma rápida coletiva no saguão do aeroporto, onde abriu espaço para apenas duas perguntas de veículos locais, ele afirmou que pretende ampliar projetos sociais, como Bolsa Família.
“Vamos lutar pela diminuição da violência e implementar um choque de infraestrutura”. O tucano não fez, durante a entrevista, qualquer referência ao PT ou a sua adversária, Dilma Rousseff. Ao lado do candidato ao governo da Paraíba pelo PSDB, Cássio Cunha Lima, ele se comprometeu a terminar as obras de transposição do rio São Francisco, caso vença a eleição no dia 26. “Vamos
concluir todas as obras em andamento”, disse. Logo depois, em evento realizado na cidade, o candidato do PSDB pediu ajuda dos militantes para encerrar o ciclo de governo do PT no comando do País. “Até o dia 26 de outubro, que cada um de vocês seja a minha voz, a minha determinação e a minha coragem para tirar o PT do governo”, afirmou Aécio.
Eleições 2014
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
5
Eleitor jovem é o que mais apoia Aécio, diz Datafolha conseguiu se colocar como uma resposta a esse anseio de mudança”, diz. A pesquisa Datafolha tem um ponto que corrobora a análise de Fornazieri. Entre os jovens, 64% avaliam como ótimo ou bom o desempenho de Aécio no horário eleitoral gratuito – o maior percentual nessa leitura entre todas as faixas etárias. No caso de Dilma, ocorre o contrário: só 46% consideram seu desempenho ótimo ou bom, o pior resultado nessa leitura entre todas as faixas. Partidários “Esse jovem não é partidário e tem menos memória do governo Fernando Henrique Cardoso, por isso a propaganda que compara o governo petista com o dele tem menos efeito para esse eleitorado”, diz o professor. Também está nessa faixa o maior percentual de eleitores de Aécio que afirmam conhecê-lo bem: 94%. O valor, no entanto, não é maior que os 99% que Dilma tem entre seus apoiadores da mesma idade.
Rejeição Também é entre os mais jovens que a rejeição ao tucano é menor: 33% afirmaram que não votariam nele de jeito nenhum, o menor percentual medido pelo Datafolha. Na mesma faixa, a rejeição a Dilma é de 42%. Os escândalos na Petrobras podem explicar parte dessa alta rejeição. Mais da metade (55%) dos eleitores de até 24 anos afirmam que as denúncias que envolvem a estatal têm influência sobre a decisão de seu voto. Esse também é o maior percentual entre todas as faixas etárias.
Aécio, segundo o Datafolha, tem maior identificação com os jovens
HÁ 15 DIAS
COMPOSIÇÃO
Investigação sobre Correios está parada
CÂMARA DOS DEPUTADOS ELEITOS 2010
PARTIDOS
ELEITOS 2014
28 15 18 1 0 71 3 40 6 32 10 20 2 0 24 12 45 44 0 0 3 88 3 18 0 0 8 22
DEM PC DO B PDT PEN PHS PMDB PMN PP PPS PR PRB PROS PRP PRTB PSB PSC PSD PSDB PSDC PSL PPSOL PT PT DO B PTB PTC PTN PV SD
22 10 19 2 5 66 3 36 10 34 21 11 3 1 34 12 37 54 2 1 5 70 1 25 2 4 8 15
-6 -5 +1 +1 +5 -5 --4 +4 +2 +11 -9 +1 +1 +10 --8 +10 +2 +1 +2 -18 -2 +7 +2 +4 --7
Novo presidente terá problemas com Câmara Sem maioria definida, Dilma Rousseff, do PT, e Aécio Neves, do PSDB, vão precisar buscar novas alianças no Congresso Nacional para garantir a aprovação de projetos importantes, como as reformas tributária e política. Além disso, a composição mais conservadora das bancadas deve dificultar a discussão de temas como a liberação do aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Ou seja: um dos maiores desafios do futuro presidente será lidar com os deputados e senadores. São 28 partidos representados no Congresso, o maior número desde 1994 - PSDC, PSL, PTC, PTN, PHS e PRTB conseguiram eleger parla-
Empate O tucano perde nas faixas de 25 a 34 anos e de 35 a 44 anos, mas a margem de erro - inclusive nas faixas seguintes - o coloca em empate técnico com Dilma. Ou seja, é apenas entre os mais novos que ele tem preferência clara do eleitor. Considerando todas as faixas etárias, o Datafolha apontou que, a menos de duas semanas da eleição, os dois candidatos continuavam empatados, ele com 51% dos votos válidos; ela, com 49%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, configurase empate técnico.
mentares desta vez. Apesar da diminuição da bancada, o PT ainda é o maior partido da Câmara dos Deputados, com 70 eleitos a partir de 2015 – eram 88 atualmente. O partido que teve o maior crescimento foi o PRB, de Edir Macedo, impulsionado pelos votos de Celso Russomanno, em São Paulo. A legenda ocupará 21 cadeiras, contra 10 atualmente. PSDB e PSB também aumentaram suas bancadas em 10 deputados, com 54 e 34 eleitos, respectivamente. O número de mulheres cresceu de 45 para 51, mas ainda assim é bem pequeno em comparação com os homens 462.
A ação que pede a investigação eleitoral da presidente da República e candidata do PT para um novo mandato no comando do Palácio do Planalto, Dilma Rousseff, por suposto uso da máquina pública no caso envolvendo os Correios, entre outras acusações, está parada há quase 15 dias no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e não será finalizada antes do segundo turno. O pedido da coligação de Aécio Neves (PSDB) para investigar denúncias contra a campanha do PT à Presidência e ao governo de Minas Gerais foi distribuída no final da noite do dia 2 de outubro à Corregedoria-Geral Eleitoral do TSE e não teve andamentos desde o último dia 3. O próprio corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro João Otávio de Noronha, admite que, dada a complexidade do caso e o total de envolvidos, a investigação não será concluída até o dia 26 de outubro e pode se estender até o próximo ano. Na ação, os tucanos pedem que os registros de candidatura ou diplomas de Dilma Rousseff e do vice, Michel Temer, sejam cassados após o fim das apurações e que todos os nomes citados sejam declarados inelegíveis. A distribuição de panfletos de candidatos do PT sem a devida chancela da estatal foi revelada pelo jornal “O Estado de S. Paulo”. O advogado Flávio Costa, da campanha de Aécio, não se surpreende com a demora na solução do caso. “É uma grande quantidade de provas a serem produzidas, oitiva de testemunhas a ser realizada. Porém, também temos a expectativa de que isso não se eternize, dada a natureza de agilidade da Justiça eleitoral”, disse.
REPRODUÇÃO
O
eleitor mais jovem, que passou a maior parte da vida com o PT no Palácio do Planalto, é o que mais quer mudanças no comando do governo federal, mostra pesquisa Datafolha. Segundo o levantamento, 47% dos eleitores de 16 a 24 anos votariam em Aécio Neves (PSDB), caso as eleições fossem naquele dia. É a faixa etária em que o tucano mais se sobressai contra a rival Dilma Rousseff (PT). Nessa faixa, a petista tinha 38% das intenções de voto quando a pesquisa foi feita. Em votos válidos, Aécio tinha 55%, e Dilma, 45%. Para o professor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo Aldo Fornazieri, isso ocorre porque os jovens, nesta eleição, estão mais identificados com a perspectiva de mudança, tão defendida pelo tucano. “É decorrência natural dos protestos de junho de 2013”, afirma. Segundo ele, o PT não conseguiu dialogar com o movimento que levou milhares de jovens às ruas do país e perdeu a chance de “capturar” a massa para o diálogo. “O PT, num primeiro momento, identificou aquilo como um movimento conservador, mas os protestos foram espontâneos. O Aécio, na campanha,
DIVULGAÇÃO
Segundo o levantamento, 47% dos eleitores de 16 a 24 anos votariam no tucano, pela perspectiva de mudança já
Suposto uso dos Correios em campanha de Dilma Rousseff deveria estar sendo investigado
Petrobras também está na mira Os tucanos propõem investigação também contra a Petrobras, Correios e Caixa Econômica Federal, mas o entendimento de parte do tribunal é de que Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) não pode ser proposta contra pessoa jurídica. A previsão é de que antes de notificar os envolvidos, o corregedor-geral eleitoral, ministro João Otávio de Noronha, despache ainda neste mês para excluir da investigação nomes que não deveriam estar lá. O advogado da campanha tucana aponta que a intenção foi abarcar todas
as possibilidades existentes para dar andamento à ação, pois a decisão sobre incluir ou não pessoas jurídicas é passível de discussão no TSE. Só depois da notificação, todos os envolvidos terão prazo para defesa, bem como o Ministério Público deverá se manifestar e, a partir daí, o corregedor deve iniciar a etapa de recolhimento de provas. A declaração de inelegibilidade pode causar a cassação não só de candidatura, mas também de diploma, caso as apurações constatem abuso de poder econômico e político. Além
de suposto favorecimento das campanhas de Dilma e do governador eleito de Minas Gerais, Fernando Pimentel, o PSDB lista outras práticas que ensejariam a investigação eleitoral, como o uso pelo PT de ministros na campanha eleitoral, bem como de bens e servidores públicos em propaganda eleitoral; a veiculação de propaganda eleitoral no site da Central Única dos Trabalhadores (CUT); a publicidade institucional no período vedado por lei, com uso da Petrobras; uso indevido dos meios de comunicação.
6
Eleições 2014
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
Partidos: benção e maldição com alianças no pós-eleição A
existência de coligações nas eleições para deputado federal - um subproduto do “mercado” do tempo de propaganda na TV - é uma das principais responsáveis pela fragmentação das bancadas partidárias na Câmara dos Deputados, fenômeno que atingiu níveis inéditos na eleição deste ano. Cálculos feitos por analistas políticos concluem que, se as coligações fossem proibidas, o número de partidos com assento na Câmara na próxima legislatura cairia de 28 pra 22. Além disso, haveria uma ampliação do peso dos maiores partidos. PMDB, PT e PSDB, que elegeram pouco mais de um terço dos deputados, ganhariam nada menos que 84 cadeiras e controlariam 53% da casa. Dezoito partidos perderiam vagas sem a existência das coligações. O principal beneficiado por essa mudança (já cogitada em discussões sobre reforma política) seria o PMDB: sua bancada cresceria de 66 eleitos para 102. O PT ficariam com 31 representantes a mais, passando de 70 para 101. E o PSDB, em vez de 54 deputados, elegeria 71. Os números evidenciam que as alianças nas eleições para deputados são sempre um mau negócio
para os partidos grandes e uma bênção para os médios e pequenos. O que leva então as maiores legendas a aceitar esse tipo de acordo?
FENÔMENO
Além de contribuir com a fragmentação partidária, o fenômeno das coligações na eleição para deputado também geram distorções na representação da vontade do eleitor brasileiro Aí é que entra o fator tempo de televisão. A única forma de candidatos a governador ou presidente ampliarem sua presença no palanque eletrônico é fechar alianças com outros partidos, absorvendo, assim, o tempo de propaganda a que cada sigla tem direito. Em contrapartida, os nanicos exigem que a aliança para o cargo majoritário se reproduza na disputa proporcional.
DIVULGAÇÃO
As coligações, responsáveis pela fragmentação das bancadas na Câmara dos Deputados, atingiram níveis inéditos nas eleições
Má notícia vem do quociente Isso acontece porque os partidos menores têm dificuldades para atingir o quociente eleitoral, número de votos necessários para ganhar uma vaga na Câmara. Sozinho, um partido só elege um deputado se sua lista de candidatos obtiver o equivalente ao dobro do quociente eleitoral. Em São Paulo, onde o quociente eleitoral foi de 299 mil votos, seriam necessários 600 mil votos para conquistar duas vagas, por exemplo. A regra das coligações, porém, permite que esse total de votos seja obtido não apenas pelos partidos, mas também por coligações. Assim, uma legenda pode eleger dois representantes mesmo sem alcançar 600 mil votos - basta que sua coligação o faça.
Eleições 2014
7 DIVULGAÇÃO
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
Programa de transferência de renda é, também, de votos nas eleições
Campanha: peso do Bolsa Família é maior em 2014 Pesquisa em cidades atendidas pelo programa revela que relação entre beneficiários e votação de Dilma supera 2006 e 2010 de votar, os resultados indicam que, quanto maior a parcela de famílias beneficiadas, maior a probabilidade de a presidente ganhar na cidade analisada. Segundo o estudo, um em cada cinco votos em Dilma está relacionado ao mais famoso programa de transferência de renda dos governos petistas. A extrapolação dos resultados, porém, sugere que a presidente teria recebido votações expressivas nos locais mais pobres, mesmo sem o programa. A análise de Zucco leva em conta variáveis socioeconômicas - como a pujança da economia do município, medida pelo Produto Interno Bruto, e
o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) -, para especificar municípios semelhantes a serem comparados entre si. São levados em conta ainda fatores políticos, como o partido a que pertencem o prefeito e o governador do Estado em que está localizada a cidade. É por isso que é possível isolar o efeito eleitoral do Bolsa Família quando comparado ao impacto das outras variáveis. Vizinhos O cientista político ressalta, no entanto, que não se pode afirmar que os votos extras de Dilma nas cidades com maior cobertura do programa venham necessariamente dos beneficiários. “Pode ser que mesmo o eleitor que não receba o Bolsa Família veja o efeito do benefício em um vizinho e decida, assim, votar no candidato do governo”.
Benefícios começaram com FHC Em 2002, ainda durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), quando o programa de transferência de renda do governo era o Bolsa Escola, o então candidato da situação, José Serra, recebeu, em média, 0,17 ponto porcen-
tual a mais em sua votação para cada ponto porcentual adicional de cobertura daquele programa. Quatro anos depois, em 2006, o Bolsa Família deu a Lula cerca de 0,15 ponto porcentual de votos válidos para cada ponto porcentual na
cobertura do programa - índice que se manteve praticamente estável na eleição seguinte, de 2010, em benefício da candidata petista Dilma Rousseff: 0,18. Só agora, em 2014, esse índice passou dos 0,3 ponto porcentual. AE
O
Bolsa Família, principal programa de transferência de renda do país, teve em 2014 o maior impacto eleitoral desde sua criação, segundo estudo do cientista político Cesar Zucco, da Fundação Getúlio Vargas, feito em parceria com o Estadão Dados. A análise indica que cada ponto porcentual de cobertura do Bolsa Família em um município rendeu, em média, 0,32 ponto porcentual na votação de Dilma naquela cidade - o dobro do que foi verificado em 2010. O estudo compara o desempenho da presidente em municípios de perfis socioeconômicos semelhantes, mas com diferenças nos porcentuais de atendimento do Bolsa Família. Embora não permitam dizer exatamente como beneficiários e não beneficiários do programa se comportam na hora
Quando Lula assumiu a Presidência, ele unificou os programas sociais iniciados com FHC
EXPEDIENTE EDIÇÃO Isabella Siqueira de Castro e Costa e Náis Campos
REPORTAGEM Raphael Lobato, Joelma Muniz e Assessorias
REVISÃO Gracycleide Drumond e João Alves
DIAGRAMAÇÃO Adyel Vieira, Leonardo Cruz, Marcelo Robert, Mário Henrique Silva e Pablo filard
TRATAMENTO DE FOTOS Adriano Lima
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
opiniao@emtempo.com.br
(92) 3090-1010
3
1
Pier Paolo Pasolini por inteiro
2
O satélite indígena de Evo
E outras 6 indicações culturais. Pág. 2
Diário de La Paz. Pág. 3
O teorema da dor Marcelo Soares escreve sobre o câncer de sua mãe. Págs. 4 e 5
4
Do arquivo de Pedro Corrêa do Lago Rio de Janeiro, 1974. Pág. 7
Capa
desenho com elásticos de Estela Sokol
G2
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
Ilustríssima Semana
O MELHOR DA CULTURA EM 7 INDICAÇÕES
BRASILEIRO DING MUSA/DIVULGAÇÃO
EXPOSIÇÃO | ALBANO AFONSO O artista paulistano apresenta em “Anatomia da Luz” uma instalação na qual utiliza cristais, espelhos, esculturas, vídeo e projeções. Ele volta assim à luz e à sombra, elementos “inseparáveis”, como escreve o crítico Cauê Alves no texto de apresentação, e que permeiam seus trabalhos anteriores. Casa Triângulo | tel. (11) 3167-5621 | ter. a sáb., das 11h às 19h grátis | até 1º/11
1
EXPOSIÇÃO | LIUBA WOLF A mostra “Liuba” apresenta uma reconstrução do ateliê da escultora nascida na Bulgária e radicada em São Paulo (19232005). Há peças realizadas entre os anos 1950 e 70, entre elas 40 bronzes dos anos 60, período no qual ela transitava entre figuração e abstração, em obras que lembram animais. Galeria Marcelo Guarnieri | tel. (11) 3063-5410 | seg. a sex., das 10h às 19h; sáb., das 10h às 17h | grátis | última semana
CINEMA | PASOLINI A retrospectiva da obra completa do diretor italiano Pier Paolo Pasolini (1922-75) exibe todos seus filmes em película. Além de longas como “Salò ou Os 120 Dias de Sodoma” (1975) e “Desajuste Social” (1961), haverá debates e conversas, como com o ator Ninetto Davoli, que participou de filmes do cineasta. Centro Cultural Banco do Brasil -SP | tel. (11) 3113-3651 de qua. a seg. | R$ 4 até 16/11
LIVRO | COLEÇÃO FILOSOFIAS A série de livros que tem como subtítulo “O Prazer de Pensar” chega a seu 32º volume lançado, “O Estado”, de autoria da professora de filosofia da Ufscar (Universidade Federal de São Carlos) Adriana Mattar Maamari. Entre os títulos recentes da coleção estão “A Certeza”, de Roberto Bolzani Filho, da USP, e “A Indústria Cultural e os Meios de Comunicação”, de Rodrigo Duarte, da UFMG. WMF Martins Fontes | R$ 18,50 | 112 págs.
LIVRO | CECÍLIA MEIRELES “Metal Rosicler”, publicado em 1960 pela autora carioca (1901-64), ganha nova edição. O décimo dos 51 poemas curtos nele reunidos assim inicia: “Em colcha florida/ me deitei./ Pássaros pintados/ escutei./ Grinaldas nos ares/ contemplei”. Global | R$ 29 | 144 págs.
EXPOSIÇÃO | FRESTAS A primeira edição da Trienal de Artes, sob curadoria de Josué Mattos, gira em torno da pergunta “O que seria do mundo sem as coisas que não existem?”. Participam artistas de 20 países, como o espanhol Dionisio González, a bósnia Adela Jušic e brasileiros como Lenora de Barros e Rochelle Costi. Sesc Sorocaba | tel. (15) 33329933 | abertura qui. (23) | ter. a sex., das 9h às 21h30; sáb., dom. e feriados, das 10h às 18h30 | grátis | até 3/5
Folha - Por que máscaras? D’Angeli - “436” é resultado da segunda fase da minha pesquisa “Memória/Esquecimento”, pensando o tema no sentido político. A máscara está destituída da função cênica, como desejo da presentificação desse outro – o desaparecido.
POP
ERUDITO
‘Anatomia da Luz’ (2014), de Albano Afonso
PERFORMANCE | 436 A “Ilustríssima” fez três perguntas ao ator e performer Alexandre D’Angeli, que a partir deste domingo (19) apresenta “436”, na qual monta máscaras de rostos de desaparecidos e mortos durante o regime militar. Memorial da Resistência | tel. (11) 3335-4990 | hoje, às 10h de ter. (21) a sáb. (25), das 10h às 13h e das 15h às 18h | grátis
Quando foi feita “Objetos de Valor”, a primeira da série? Na Virada Cultural de 2010, na rodoviária do Tietê. Desenrolei uma bobina de 200 m de papel branco para que as pessoas colocassem em palavras ou desenhos seus objetos de valor. Como seu trabalho se relaciona com o tema da ditadura? Ele me mobiliza a pensar como a sociedade prefere esquecer acontecimentos do passado em nome da pacificação ou de conveniências. O artista pode contribuir para a construção de novas memórias. DIVULGAÇÃO
ESTRANGEIRO
‘Heliópolis I’ (2006), de Dionisio González
Folha.com
Ilustríssimos desta edição DIVULGAÇÃO
ESTELA SOKOL, 34, é artista plástica.
PEDRO CORRÊA DO LAGO, 56, curador, bibliófilo e colecionador, é fundador da editora Capivara. É autor de 20 livros sobre manuscritos e fotografia e arte brasileiras.
SYLVIA COLOMBO, 42, é repórter especial da Folha e escreve o blog Latinidades no site do jornal. MARCELO SOARES, 37, é jornalista da Folha.
LIUBA WOLF Minka Ilse Bojadsen, sobrinha da escultora, relembra histórias da tia FOLHA.COM/ ILUSTRISSIMA Atualização diária da página da “Ilustríssima” no site da Folha FELIPE FORTUNA Leia poemas do volume “O Mundo à Solta” (Topbooks), a sair no fim do mês >>folha.com/ilustrissima
G3
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
Arquivo Aberto
2
MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS
Intérprete de Foucault Rio de Janeiro, 1974 ACERVO PESSOAL
PEDRO CORRÊA DO LAGO
Quarenta anos atrás, em 1974, voltei ao Brasil, aos 16 anos, vindo da Europa, após uma ausência de cinco anos. Acompanhara meu pai, diplomata, nomeado na Bélgica, e retornava agora ao Rio de Janeiro para morar na casa de tios e terminar o ainda chamado curso colegial. Louco para voltar a ser brasileiro, habituei-me logo a uma agradável rotina, com outro ritmo escolar, novos amigos e muitas horas passadas em meu quarto, imerso nas leituras que me apaixonavam. Ouvia regularmente a rádio Mundial, popular na época, e, numa tarde, poucos meses após minha chegada, escutei por acaso um locutor anunciar que o professor Michel “Focalt”, do Collège de France, daria dois dias depois uma palestra na faculdade de Medicina da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), no então para mim remoto bairro do Fundão. Quase não acreditei. Para
mim e meus colegas do Liceu Francês de Bruxelas, Foucault (pois era dele mesmo que se tratava) parecia um semideus. A vida intelectual de língua francesa do início da década de 1970 era ainda dominada pelos grandes mestres do pensamento, ou “maîtres à penser”, na expressão consagrada. Em 1974, faltavam ainda 6 anos para que Sartre morresse e mais de 20 para o suicídio de Deleuze. Barthes e Derrida estavam em plena produção, e Althusser ainda não havia cometido o irreparável, matando a mulher num surto mal explicado. Foucault, que tinha na época pouco menos de 50 anos, destacava-se, pois era mais acessível para nós adolescentes, e sua “História da Loucura” tivera grande impacto sobre mim e meus amigos europeus. Organizei-me para comparecer à conferência, a despeito da longa viagem que teria de fazer e de não ter nem ao menos a certeza de poder assisti-lo, por não ser aluno universitário. Cheguei meia hora antes e presenciei imediatamente uma situação de crise: um dos
Bilhete de Michel Foucault a Pedro Corrêa do Lago, após conferência no Rio, em 1974
tradutores simultâneos havia faltado e a profissional que restara dizia não dar conta sozinha de uma hora e meia de palestra, precisando necessariamente alternar a cada meia hora com outro tradutor. Como meu francês ainda estava tinindo, após cinco anos de imersão total na língua, ousei oferecer-me para
tentar a tal meia hora de tradução simultânea. Deixei claro que não tinha qualquer experiência, mas que o português era minha língua materna e que dominava o francês. No desespero, os organizadores da conferência aceitaram. Não me lembro exatamente o assunto da fala. Sei
que era ligado às praticas médicas do século 19, mas a atenção exclusiva que tive de manter no fluxo das palavras nos fones de ouvido prejudicou minha compreensão do sentido maior da palestra. Acho que acabou correndo bem, foi pelo menos o que me disseram. Devo ter ga-
guejado bastante, mas só me lembro de um tropeço maior na palavra “charnier”, cujo significado eu conhecia, mas na hora não me ocorreu a tradução exata de “vala comum”. Na pressa, acabei optando por algo como “cova onde se enterram juntos vários cadáveres” e torci para que a frase fizesse sentido. Após a conferência, aproximei-me de Foucault, que soubera do ocorrido e agradeceu-me gentilmente o esforço amador na emergência. Num cartão branco escreveu: “Você diz tão bem em português o que eu digo tão mal em francês que eu gostaria de lhe perguntar como se diz obrigado em português”. Fiquei lisonjeado com aquele momento fugaz de participação na vida de uma daquelas figuras que minha escolaridade francesa me ensinara a admirar, mas que sempre me pareceram distantes e inatingíveis. Despedi-me dos alunos e dos organizadores, a quem nem sequer disse meu nome. Voltei para casa feliz por juntar esse episódio às então poucas lembranças de uma vida ainda curta.
G4
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
Saúde Saúde
3
RESUMO Jornalista relata descoberta e tratamento do câncer de mama de sua mãe. Experiência recorda um aspecto inquestionável dessa doença cercada de variáveis: a conscientização, incentivada neste mês pela campanha do Outubro Rosa, é das poucas armas eficazes no combate à variante de câncer mais letal para mulheres.
MARCELO SOARES ILUSTRAÇÃO ESTELA SOKOL
Minha mãe talvez não precisasse ter morrido de câncer. Muitas vítimas poderiam evitar o pior com as três principais armas contra a doença, que não se cura: informação, pressa e pronto atendimento. Dona Vânia era mestre na arte da conversa; tinha inteligência ágil, humor ácido, teimosia e talento para abraçar os queridos pelo estômago – no dia em que a perdemos, o repórter Graciliano Rocha lembrou com carinho dos pastéis de banana que saíam de sua frigideira, no tempo em que ele trabalhava para a Folha em Porto Alegre. Não concluiu o ensino médio. Casou jovem,
Jogo jogado Os lances de uma luta perdida para o câncer separou cedo e suou para criar três filhos sozinha, em geral ganhando mal como auxiliar de contabilidade. Dos três filhos, Wagner, o do meio, ficou em casa e foi seu sócio numa microempresa. No final, ele também foi seu motorista, cozinheiro e enfermeiro improvisado. Em junho de 2013, quando fui visitá-la no final das férias, ela confessou discretamente que tinha um caroço no seio. Diante da resposta óbvia, ela reclamou do frio do inverno gaúcho e das filas do SUS. Pediu reserva; não queria fofoca na família. Semanas depois, reclamou que o caroço tinha crescido muito. Estava “do tamanho de um ovo de galinha”, disse, ouvindo de novo a resposta óbvia. Resmungou que fazia ainda mais frio. Na verdade, admitiu muito depois, era o medo que a congelava. De acordo com a médica Maria Aparecida Koike Folgueira, pesquisadora da USP, há dois fatores principais para alguém desenvolver a doença: ser mulher e ter mais de 50 anos. No caso da minha mãe, havia mais dois agravantes importantes: sedentarismo e obesidade após a menopausa. Quanto mais tempo de exposição da mulher ao estrogênio, maior o risco – e a gordura corporal
produz hormônios semelhantes ao estrogênio. Seus três maços de cigarros ao dia não ajudavam, ainda que o fumo pese menos no câncer de mama que em outros, como pulmão, garganta e bexiga. Havia anos não visitava um ginecologista: era desconfiada com relação a médicos, especialmente no tocante ao câncer. Jovem, viu o irmão mais velho morrer da doença pouco após examinar um mal-estar mínimo. Câncer é o nome de uma miríade de doenças diferentes, iniciadas da mesma maneira: ao se reproduzirem, as células do corpo podem gerar cópias defeituosas, que se multiplicam com maior ou menor rapidez. Com o tempo, elas se infiltram no organismo, se espalhando e matando células sadias. Quanto antes ele for detectado, maior a chance de remissão. Se hoje parece haver mais câncer do que antigamente, em parte isso se deve ao fato de que, no passado, muitos morriam sem descobrir que tinham a doença. Hoje, o câncer mata mais no Brasil do que causas externas, como acidentes de trânsito e a violência urbana. Entre as mulheres, o câncer de mama é a variedade que mais mata. O Ministério da Saúde
estima que em 2014 haverá, no Brasil inteiro, mais de 57 mil novos casos de câncer de mama, numa incidência de 52 casos a cada 100 mil mulheres. Há variações regionais. Pela estimativa do Instituto Nacional do Câncer, a cada 100 mil mulheres de Porto Alegre, 126 teriam câncer de mama em 2013. Não é possível estabelecer um motivo para a taxa ser maior do que a média do resto do país: pode ser que as mulheres de lá façam mais exames; ou pode ser porque, em regiões mais pobres a subnotificação seja grande; pode ser, ainda, que haja mais incidência da doença em lugares de pouco sol, necessário à fixação da vitamina D (que contrabalanceia os efeitos do estrogênio), mas esses estudos são inconclusivos. Nos últimos dez anos, na capital gaúcha, morreram, por ano, 28 dessas 126 mulheres. Agressividade “Hoje, o que mais reduz a mortalidade por câncer de mama é a mamografia”, diz Koike. “Reduz pouco, mas é o que há.” Tumores de mama têm graus de agressividade tão distintos que a definição de “tarde demais” varia quase caso a caso. Isso impede que a mamografia tenha a eficácia que teve, no combate ao câncer de colo de útero, o papanicolau – um exame simples, mas que ajuda a identificar muito cedo e reduzir “drasticamente”, nas palavras da médica, o avanço da doença. No Brasil, a recomendação é de que mulheres façam mamografia regularmente a partir dos 50 anos, porque essa é a faixa de maior incidência. Todo ano, em outubro, o Ministério da Saúde promove um mutirão de mamografias entre mulheres nessa idade – no mundo todo, o mês é dedicado à conscientização para a doença, movimento conhecido como Outubro Rosa. Ainda assim, nem todas nessa faixa procuram o exame. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2008, quase 3 a cada 10 mulheres entre 50 e 69 anos nunca fizeram mamografia. Minha mãe, uma das 30% relapsas, achava que era alarmismo. Já que ela não faria o exame por iniciativa própria e eu não estava lá para levá-la pela mão até o laboratório, articulei uma conspiração para ela fazer mamografia. Minha madrinha, Tânia, conhece bem os laboratórios da cidade e descobriu onde fazer o exame a poucas quadras da casa da minha mãe. Praticamente arrastou a irmã de surpresa num final de tarde. Nunca esqueço a fúria ao telefone naquela noite. “Aquela máquina aperta!”, rosnou minha mãe. O exame nunca é agradável, mas é necessário. Nem todo “caroço” é necessariamente
um câncer. Pode ser um tumor benigno, que não se espalha pelo corpo, segundo Leonardo Cardilli, patologista da USP. O tamanho também não é necessariamente documento. “Às vezes, tumores pequenos são muito mais agressivos”, diz Cardilli. No caso da minha mãe, tudo indicava que era alta a chance de ser o pior – a idade, o peso, a rapidez do crescimento do “ovo”. Antes de qualquer oncologista pôr os olhos no exame, as técnicas do laboratório já diziam à minha tia que não tinha como ser outra coisa. Com o resultado em mãos, porém, era possível tentar acelerar a entrada no Sistema Único de Saúde (SUS). Tratamento Para uma enorme parte da população, a única via acessível para tratar um câncer mais avançado é o SUS. São raros os planos de saúde que cobrem todo o tratamento de pacientes com câncer. Apenas há um ano o Senado aprovou lei que obriga os planos a pagar os medicamentos necessários. Os procedimentos mais eficazes, como a terapia-alvo dirigida, podem custar o equivalente ao preço de um SUV importado a cada aplicação. Quatro doses de quimioterapia oral custam o equivalente a dois anos de salário mínimo. Não era nossa realidade. Pela Constituição, o Estado deve prover saúde a todos. Mas o cobertor é curto. Falta estrutura, falta equipe, sobram pacientes, multiplicam-se as complexidades. Apesar de toda a dificuldade, porém, o SUS é bastante eficiente para tratar o câncer. Há polos de excelência – como o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira, na capital paulista, e o Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva, o Inca, no Rio – que atendem pelo SUS. São hospitais de referência, aos quais o doente só tem acesso se for encaminhado em consulta numa Unidade Básica de Saúde (UBS). Tratar o câncer depende de muitos remédios, com fins diversos e horários variados. “O grau de instrução do paciente tem impacto direto na aderência ao tratamento”, diz Koike. No caso da minha mãe, isso não foi problema: meu irmão fazia planilhas detalhadíssimas com a estratégia dos remédios. Mas alguém menos instruído corre o risco de ficar pelo caminho. Em artigo publicado em março no “New York Times”, com o título “Por que mulheres negras morrem de câncer?”, o médico Harold Freeman, ex-presidente da Associação Americana do Câncer, contou sua experiência atendendo desde 1967 no Harlem, em Nova York. Segundo ele, a detecção precoce e a constância do tratamento se ligam profundamente a fatores sociais, entre os quais a dificuldade, advinda da baixa escolaridade, de abrir caminho no sistema de saúde. Para minimizar o problema, Freeman criou um serviço de assistência social que orienta cada mulher sobre seu tratamento,
ajuda a marcar consultas, explica como usar a medicação e procura tranquilizar seus medos. Com isso, a taxa de mulheres com câncer de mama no Harlem que sobreviviam ao menos cinco anos aumentou de 39% em 1990 para 70% em 2000. O SUS, embora gratuito, talvez seja mais complexo do que o sistema norte-americano de saúde. O público, porém, não difere tanto. Sem orientação, fica-se na dependência de o paciente saber fazer as perguntas certas, afirma Koike. Recursos Minha mãe começou a se tratar no hospital Conceição, um dos mais demandados de Porto Alegre, frequente tema de reportagens sobre a falta de recursos na saúde gaúcha. Ao final de setembro, ela só tinha conseguido uma consulta, com uma médica que ironizou seu hábito de fumar. Àquela altura, o tumor já tinha 15 centímetros de diâmetro. Era visível sob a roupa, e ela começou a utilizar um xale para disfarçar. O “caroço”, o “calombo”, a “bola”, o “ovo de pato” não doía, mas incomodava por puxar a pele sob a axila. Estava necrosado. Então ela passou a ensinar o Wagner a cozinhar, porque não conseguia mais. Doeu quando caiu a ficha de que os melhores bifes à milanesa do mundo haviam acabado. Ainda em setembro, a irmã que a levara ao exame, formada em enfermagem, lembrou que o hospital Fêmina tinha mastologistas na emergência, por ser especializado na saúde da mulher. O Fêmina e o Conceição fazem parte do mesmo grupo, administrado pelo governo federal. Enquanto a emergência do Conceição transborda, a do Fêmina é mais tranquila. E tínhamos boas lembranças. Foi lá que eu nasci, vários anos antes de o hospital ser estatizado. Minha avó, de 95 anos, ainda guarda uma taça de cristal com logotipo – na segunda metade dos anos 1970, o hospital servia espumante aos familiares para brindar um nascimento. Prontamente, minha mãe começou a ser atendida. Com oito sessões de quimioterapia, poderia extrair o tumor. A químio enfraquece o paciente para enfraquecer a doença, porque o objetivo é matar células defeituosas. Qualquer gripe é um risco. Entre idas e vindas, conheceu outras pacientes. Ficou amiga de várias. Aos poucos, algumas não apareciam mais. No ponto em que o câncer de minha mãe estava ao ser detectado, estágio 3, o tumor estava prestes a invadir a corrente sanguínea, o que poderia trazer a metástase – primeiro nos pulmões e fígado, e depois no cérebro e ossos. No cérebro, o risco é de perder funções do corpo. Nos ossos, a dor é horrível. Pouco antes do início da quimioterapia, a doença chegara ao fígado e ao pulmão. Enquanto demorou o atendimento, o câncer ganhara a corrente sanguínea. Fiquei sabendo quase por acaso, ao telefone. Foi a primeira vez em que eu a ouvi chorar em 36 anos. Nem na hora do desespero ela deixava de lado o bruto humor
G5
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
viking: “Eu tava apostando no infarto fulminante, não nisso”. Segurando a voz, respondi outra besteira de volta: “Até quem joga na Mega-Sena pode levar a acumulada”. Com as metástases, tudo mudava. O estágio agora era o 4. Nesse ponto, pode não haver volta. Se o tratamento fosse bem-sucedido, porém, a quimioterapia eliminaria as metástases. Alguns pacientes ganham até 15 anos de vida. Xadrez Com um tumor avançado, tratar o câncer é como o jogo de xadrez com a morte mostrado no filme “O Sétimo Selo”, de Ingmar Bergman. Os médicos movem uma peça sabendo que o adversário moverá outra. O sucesso é definido por quanto se adia a derrota. Ainda que não seja religioso – quase ninguém na família é –, busquei conforto nas ideias de um presbiteriano, o reverendo Thomas Bayes (1701-61), criador de um teorema para determinar qual a chance de algo acontecer, ou não, dado que algo relacionado àquele fato já aconteceu. Isso está por trás de algoritmos como o que o Google usa para apresentar opções de palavras para continuar uma busca. A quem digita no buscador a palavra “câncer”, a primeira opção que ele apresenta é “de mama”, devido à frequência de buscas. Pelo teorema de Bayes, aperfeiçoado nas últimas duas décadas, a cada probabilidade de algo acontecer corresponde outra, complementar, de que aquilo não ocorra. Ou seja: se 52 a cada 100 mil brasileiras têm câncer de mama, outras 99.948 não terão. Se, dessas 52, X chegarão ao estágio da metástase, Y se livrarão do câncer sem passar por ela. Se das X morrem Z, agarrei-me à chance de minha mãe chegar às W que sobreviveriam um pouco mais do que o mínimo. Em dezembro, enquanto eu subia a escada para a visita de Natal, minha mãe descia os degraus com meu irmão caçula, o Felipe, para ir ao hospital, num dos vários sustos que teve. Seu pé havia inchado por um problema circulatório. Voltou a tempo de assarmos um galeto no dia 24. Lembro do seu sorriso ao cheirar o liquidificador com o tempero que preparei para o frango. Estávamos otimistas. A químio ia bem, o tumor se reduzira muito, estava quase pronto para ser operado, no começo do ano. As duas metástases conhecidas já não eram mais problema. Cabelo ela já não tinha, exceto na nuca. Mas ela não tinha vaidade nem com o cabelo e nem com o seio: “Pode cortar tudo, se for pra me salvar”. Virada Numa tarde de sábado, o patologista Leonardo Cardilli terminava de apresentar conceitos básicos sobre o que é o câncer e por que ele não tem cura a um anfiteatro lotado na Faculdade de Medicina, durante a Virada Científica da USP, quando recebeu a Folha. Segundo ele, o tratamento do câncer de mama é um dos
mais clássicos da oncologia – e um dos que mais evoluem. Até recentemente, era usual ter de extrair todo o seio da paciente. Nos anos 1980, porém, descobriu-se que a chance de sobrevida não mudava tanto se fosse extraída só a área afetada. Assim foi tratada minha mãe. Aos poucos, após operada, ela passou a retomar suas atividades. O cabelo voltou a crescer, grisalho escuro como cinza de cigarro. O xadrez com a morte, porém, ainda teria mais alguns lances. No Carnaval ela telefonou, com a voz embargada, mas se esforçando para mostrar a tranquilidade. Não era nada, disse. Tinha ficado com o braço e a perna “bobos”, tinha caído no banheiro e não conseguia andar ou segurar utensílios. “Ficou uma bagunça, o coitado do Wagner vai ter que arrumar, mas foi coisinha mixuruca”, disse. Procurar os médicos, porém, nem pensar. Uma mulher que tinha a orientação de ir para o hospital a qualquer febre resistia a fazê-lo ao ficar com metade do corpo paralisado. Era o medo de novo. Wagner precisou aprender a ajudá-la com as mais básicas necessidades, e o hospital era o melhor lugar para ela estar. Depois de vários telefonemas e muita insistência familiar, ela foi internada. Ao final do feriado, piorou muito. Passou a ter problemas de fala e deixou de reconhecer as pessoas. Era efeito de uma troca de remédios, mas nem as enfermeiras sabiam. Com corticoides, a lucidez voltou. Sua primeira lembrança da internação era de me ver chegar minutos antes de passar por numa ressonância magnética do cérebro. No dia seguinte, a médica titular nos reuniu para explicar a situação. Eram cinco metástases no cérebro, o que tornava o caso inoperável. Fosse uma só, seria possível drenar com chance de sobrevida. Cinco? Impossível. A chance de afetar seu cérebro permanentemente era muito maior. Restava garantir a melhor qualidade de vida possível no tempo que houvesse. Três pares de ouvidos escutavam atentos a coisas diferentes. Eu queria saber das chances. Wagner, dos cuidados necessários. Felipe cobrava respostas sobre o que o SUS estava deixando de fazer. Qualquer prognóstico era arriscado diante da agressividade do câncer dela. Quatro meses de vida eram quase garantidos. Nesse período, teria convulsões ocasionais, que ficariam mais frequentes, até que não houvesse mais volta. Para cuidar, seriam necessárias paciência, atenção e fraldas geriátricas. Um coquetel de medicamentos atenuaria os efeitos, e a radioterapia reduziria as metástases para adiar o pior e nos dar tempo para assimilar a ideia da perda. Infelizmente, os melhores cuidados do SUS não reverteriam a situação. Mas ainda que o terceiro filho quisesse interná-la num hospital particular, gastaria um dinheiro que ninguém da família teria, sem melhorar a situação.
Peso Eu e o Wagner fomos para casa com esse peso imenso nas costas. Conversamos até três da manhã e alinhavamos um plano. Não poderíamos demonstrar fraqueza. A parte mais pesada ficaria com ele, e por isso eu passaria um fim de semana por mês com a mãe. No domingo, fomos almoçar com nossa avó. Preparei um arroz de carreteiro, receita que aprendi com minha mãe, sem usar nada que a dieta proibisse. Levei um pote para dar de colher a ela, que maldizia a comida do hospital. No meio da tarde, já ríamos juntos. Ela perguntou o que houvera. Expliquei que era na cabeça e que seria difícil operar. Ela não se abalou. Quando a mobilidade começou a voltar, teve alta. Mas seu comportamento estava alterado. Não tinha sono. Ia à janela e fumava cigarros em fila. Quando um médico lhe disse que deixar de fumar nada mudaria, passou a dizer: “Sou a única pessoa no mundo que tem receita médica permitindo fumar”. Exigia três telefonemas diários. Se contrariada, tinha princípios de convulsão, que podiam pressionar os tumores. Sua conversa fazia menos sentido a cada dia. Num fim de semana, perdeu o freio, como se estivesse caduca. Tentou agredir uma irmã e xingou os filhos e a afilhada. No hospital, nos disseram que era o fim. Na verdade, era efeito de uma mudança na medicação. Uma cunhada, tia Dione, passou a visitá-la com frequência durante a doença. Religiosa, costumava visitar parentes enfermos de colegas da igreja. Uns oravam pelos doentes queridos dos outros e depois todos tomavam chá juntos. Mesmo não sendo religiosos, entendíamos que oração, para quem tem fé, é uma forma de carinho. Numa das sessões de radioterapia, minha mãe reencontrou uma cunhada, tia Sirlei. Minha tia tratava um tumor na garganta. Falava pouco e mal conseguia comer. Minha mãe se mostrou mais preocupada com o tumor dela do que com o seu próprio. “Eu como o que quiser e posso até fumar”, se vangloriava. Lógico que sua situação era mais complicada. Tia Sirlei, aliás, teve sucesso no tratamento. Quanto mais novidades o paciente tem para pensar, menos vezes pensa na crueldade do que tem. Quando o tecladista Jon Lord, que fundou o grupo de rock Deep Purple, teve câncer de pâncreas, o maestro Paul Mann insistiu que ele gravasse em estúdio o “Concerto para Grupo em Orquestra”, que compôs em 1969 com o grupo. “A atmosfera de amor e energia positiva de todos ao redor de Jon lhe trouxe os melhores momentos do seu ano final, que o ajudaram a enfrentar o mais intratável de todos os cânceres”, me disse Mann. Em abril, levamos a mãe ao espetáculo do comediante Guri de Uruguaiana, que usa trajes gaúchos e apresenta versões de sucessos internacionais com a letra do “Canto Alegretense”, uma canção regionalista. Riu muito. Em maio, ela já podia
caminhar no quarteirão ou ir ao supermercado. Em junho, caminhava melhor. Conversávamos muito nas visitas. Xeque O duro de jogar xadrez com a morte é que todos sabemos quem ganha no final. Em julho, veio o xeque. As convulsões aumentaram muito e ela voltou a perder os movimentos, dos dois lados. Internada por duas semanas, desanimou. Por indicação de Claudia Collucci, colunista da Folha, conversei com a médica Maria Goretti Maciel, presidente da Associação Brasileira de Cuidados Paliativos, para saber o que esperar. Segundo ela, era impossível prever o que pode acontecer. Contou de uma paciente desenganada, cujo marido sonhou que passaria o Natal em casa. Os médicos tentaram amainar seu entusiasmo. Ela, porém, melhorou e passou o Natal em casa, morrendo pouco depois. Cabia a mim, que estava mais distante, confortar a família mais próxima, imersa no estresse direto. Mas de onde eu tiraria forças? Lembrei de uma amiga norueguesa que tatuou no pulso o “mjölnir”, o martelo de Thor, deus do trovão da mitologia nórdica. Olhar para a tatuagem a acalmava. Sorri com a lembrança e guardei na carteira o martelo de um boneco do Thor da Marvel. Mal não faria. Nem na infância girei tanto um brinquedo entre os dedos.
Numa madrugada, uma colega agonizou, deixando todas as pacientes assustadas. Minha mãe gritou por uma enfermeira – que, quando enfim chegou, encontrou a paciente morta, as mãos levantadas, e minha mãe em choque. Depois disso, piorou e foi removida para um quarto isolado. A hipótese era de que o estresse daquela noite afetara os tumores, agravando sua situação. Seu corpo mal reagia. No quarto isolado, ela seria sedada e precisaria ter um parente ao lado 24 horas por dia. O prognóstico era duro: teria no máximo 60 horas de vida. Fui a Porto Alegre ajudar no revezamento. Coube-me a tarefa de explicar à minha avó que desta vez tínhamos perdido. Era um soco na barriga. Ponderei: ela enterrara dois maridos e três filhos, um ao nascer; tinha vencido a tuberculose quando a doença era o ebola da vez. Saberia enfrentar essa hora. Subi com a vó até o quarto. Na porta, ela me pediu um lenço de papel. Olhou para o alto, respirou fundo, limpou os olhos e, de repente, parecia serena. Só voltou a desabar depois de dar as costas ao leito. Tínhamos a impressão de que, mesmo sedada, minha mãe sabia o que ocorria. Acordava às vezes, resistindo aos sedativos. A última frase que me disse foi: “Ai, Marcelo”, ao notar a mãe ao seu lado, num momento de consciência. Não queria ser vista sofrendo. Passei uma madrugada em
vigília. Levei livros, que não li. No escuro, abri a garrafinha de vinho que levara no bolso para me dar coragem e observei a cidade pela janela. Várias de minhas melhores lembranças estavam ao redor. No elevador, casais carregavam recém-nascidos como minha mãe me carregara ali mesmo. Como ela podia estar morrendo com tanta coisa boa em volta? O dia raiou, e ela estava viva, ainda que ausente. Ela ficou dez dias sedada, quatro vezes as 60 horas previstas. O jogo acabou às 5h30 da manhã de um sábado. Quando meu irmão telefonou, senti um misto de tristeza profunda e alívio. O sofrimento dos dias anteriores foi tanto que ainda não sei qual sentimento era mais forte. A perda era um buraco negro no peito, mas minha melhor amiga, que me ensinou o que é gratidão, precisava descansar. Rolando o martelo do Thor, pus os fones para ouvir “To Notice such Things”, composição de Jon Lord em homenagem a um amigo morto. Lord morreu de câncer em 2012. Sua família promove shows anuais em prol da pesquisa para o tratamento do câncer de pâncreas. O deste ano saiu em DVD. Enquanto Lord tocava seu piano e Jeremy Irons lia o poema “Aſterwards”, de Thomas Hardy, veio a clareza de que ninguém está imune à doença. Nem nossos parentes, nem nossos músicos favoritos. Nem nós, enfim.
G6
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
G7 G
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
Diário de La Paz O MAPA DA CULTURA
4 A conquista do espaço O satélite indígena e as urbes do altiplano
NEWTON MORENO
Numa manhã cinza do inverno de 1781, La Paz despertou assustada. Durante a noite anterior, armara-se um cerco ao seu redor, formado por um exército indígena de mais de 40 mil pessoas. Seu líder, o chefe aymara Túpac Katari pedia o fim da dominação espanhola e resistiu até que tropas imperiais viajassem desde Buenos Aires e Lima para reprimir o levante e executá-lo. Quando quis lançar a Bolívia na corrida espacial, em 2013, o também líder indígena Evo Morales, reeleito no domingo passado pela segunda vez, lembrou-se de seu herói inspirador. Chama-se Túpac Katari o primeiro satélite boliviano, em operação desde março deste ano, melhorando a cobertura de celular entre comunidades afastadas e levando wi-fi para a rede de transporte público. “O satélite aumentou nossa autoestima, quem disse que a Bolívia não pode ir ao espaço? Katari tinha um pensamento visionário, disse que voltaria e seriam
milhares. Aconteceu”, diz o vendedor Oscar Huyhua. A oposição a Morales alertou para as irregularidades nos gastos com o satélite, feito sem licitação e com dinheiro público, em conjunto com a China. Poucos deram bola. Fragmentada em quatro candidatos, a oposição ficou a quase 40 pontos percentuais de Morales. Nas últimas semanas, a imagem de Katari, com sua colorida bandeira e vestimenta, associada ao satélite, estampava folhetos de campanha, cartazes e muros da capital. Vivendo um bom momento econômico (perspectiva de crescimento do PIB neste ano de 5%, segundo o FMI), a Bolívia vê suas grandes cidades receberem mais atenção estrangeira. Em La Paz, bairros como Calacoto e Sopocachi reúnem bistrôs franceses, casas de sushi e bares alemães. Enquanto isso, em El Alto, antiga cidade tipicamente operária, indígenas que enriqueceram nos últimos anos erguem os coloridos “cholets”, edifícios de três a quatro andares, com
salão de festas e visual inspirado na cultura tiwanaku. Boom à boliviana Primeiro veio Edmundo Paz - Soldán (“Norte”, Companhia das Letras), escritor de 47 anos, nascido em Cochabamba, hoje professor da Universidade de Cornell (EUA), que integrou a geração McOndo, defensora, na década de 1990, do rompimento com os escritores latino-americanos do chamado “boom dos anos 70”. O questionamento do realismo mágico levou escritores bolivianos a substituí-lo pelo realismo urbano, o ensaio jornalístico, a linguagem cinematográfica e a ficção memorialística. A essas linhas se filiam autores como Maximiliano Barrientos (lançado no Brasil pela coleção Otra Língua, da Rocco), Rodrigo Hasbún e Liliana Colanzi. Em “Bolívia a Toda Costa - Crônicas de un País de Ficción”, volume organizado por Fernando Barrientos (ed. El Cuervo) estão alguns dos novos autores bolivianos. Não é possível comparar,
ainda, as livrarias de La Paz com as tradicionais lojas de alguns de seus países vizinhos, como a El Virrey, de Lima (Peru), ou a Prólogo (Chile), além das brasileiras e argentinas, mas espaços como a Yachaywasi e a Lectura (ambas no bairro de Zona Sur) apresentam uma boa seleção de autores locais e de história. Além disso, em ambas é possível encontrar vários títulos bastante recentes do mercado editorial argentino, indo da ficção aos “instant books” tão popularizados no vizinho do sul. As lojas também oferecem vários títulos do subgênero “biografias de Evo Morales”, com destaque para “El Jefazo”, de Martín Sivak, e “Un Tal Evo”, de Roberto Navia e Darwin Pinto. Ladeira do cinema Encravada numa das ladeiras que compõem o cenário de La Paz, está a Cinemateca Boliviana, criada em 1976 e reformada neste ano. Ali, além de encontrar cópias em DVD de filmes de Jorge Sanjinés, clássico local, fundador
do grupo Ukamau e autor de documentários em aymara e quéchua, pode-se ver um pouco da nova produção. Na semana passada, estavam em cartaz “Olvidados”, filme boliviano com atores de vários países da região, sobre o Plano Condor, e “13 Días de Rebelión”, da ativista feminista María Galindo. O prédio, que se abre para a montanha a partir de paredes de vidro, tem um agradável café e uma livraria. Mucho gusto La Paz foi a cidade escolhida pelo empresário gastronômico Claus Meyer, um dos fundadores do estrelado restaurante dinamarquês Noma, para sediar sua experiência andina. Aberto em abril do ano passado, o Gustu atrai estrangeiros de passagem pela cidade. Tudo é preparado com ingredientes bolivianos e servido em cumbucas de cerâmica. Os carroschefe são as carnes andinas (alpaca, lhama, cordeiro) e as trutas pescadas no lago Titicaca. É preciso reservar, pois o salão é pequeno.
G8
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
Caderno C
Plateia MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
plateia@emtempo.com.br
DIVULGAÇÃO
Homenagem aos mestres, com carinho (92) 3090-1042
Um mercado
Plateia 3
FOTOS: DIVULGAÇÃO
de altos
Produtores de elenco de Manaus revelam quais as principais dificuldades que encontram na hora de selecionar atores para atuar em cinema e televisão LUIZ OTAVIO MARTINS Especial EM TEMPO
N
o próximo mês, está previsto o início das filmagens de “Antes o tempo não acabava”, nova produção audiovisual do diretor e produtor Sérgio Andrade. No elenco, estarão talentos de fora do Estado e, principalmente, atores indígenas do Amazonas. A escolha desses últimos ficou sob a responsabilidade da empresa local CAM Produções, que atua na área de produção de elenco ( casting ) para cinema, televisão e publicidade há 5 anos. “Os trabalhos para o longa-metragem do Sérgio Andrade estão a todo vapor. Já selecionamos o elenco principal e agora estamos fechando elenco de apoio e figuração”, revela a atriz Carla Alessandra Menezes, proprietária da CAM Produções. Ela conta que a seleção é para atores e modelos com características indígenas. E, caso não sejam escalados para esse filme, poderão participar futuramente de outros trabalhos. Os interessados podem entrar em contato com a empresa por meio do e-mail camproducao@gmail.com. A CAM já realizou produção de elenco para filmes como “Amazônia” (2013) e o programa de TV “Viver para contar”, do canal pago Discovery. “Somos sempre procurados por várias produtoras brasileiras e internacionais para prestar serviços nessa área”, diz Carla. Ela acrescenta que
a procura nacional e estrangeira por esse apoio local costuma ser equilibrada. A produtora observa que o mercado de produção de elenco em Manaus existe, mas enfrenta algumas dificuldades. “O que falta são atores qualificados que não tenham só beleza física e que também saibam atuar em televisão, pois muitos atores em Manaus estão focados mais em teatro”, analisa. “Até quem é contratado para fazer figuração tem que saber atuar”. Postura O produtor de elenco Luppi Pinheiro também reclama da qualificação de atores da cidade. “Temos atores ótimos de teatro, mas no palco você trabalha o espaço de um jeito mais amplo e o cinema oferece um espaço menor, por causa do enquadramento da câmera. Artistas bons para atuar em cinema e televisão, você conta nos dedos”, explica o proprietário da Luppi Produções Casting e Eventos. A empresa existe desde 1991 e já atuou em filmes como “A selva” (2002), “O dia da caça” (1999), “Onde andará Dulce Veiga?” (2007) e “Un giorno devi andare” (2011), o episódio “A de menor do Amazonas”, do seriado global “As brasileiras” e a novela global “Quarto por quatro”. Ele lamenta ainda a postura de atores que, por causa da experiência profissional, não gostam de participar de testes de elenco. “Até atores famosos têm que fazer testes”, destaca Luppi. Assim
como Carla Menezes, ele diz que o mercado local para produção de casting existe, mas possui altos e baixos. “Não dá para viver só desse trabalho na cidade. Alguns trabalhos dão dinheiro, outros faço por satisfação e pelo prazer de ver o produto pronto. Mas tem que correr atrás. Eu procuro sempre
FORMAÇÃO
Para os produtores Luppi Pinheiro e Carla Menezes, falta mais qualificação para que atores da região trabalhem com melhor desenvoltura em produções audiovisuais estar antenado em futuras produções e me adianto para participar”, conta Luppi. Ele não nega o estresse que enfrenta na sua profissão, mas garante que todo trabalho em cinema e televisão são prazerosos para ele. “Só não participo mais da produção de comerciais porque não considero rentáveis”, diz. Cursos Para tentar superar essa dificuldade em relação à
qualificação de atores para atuar com a mesma competência em cinema, TV e publicidade, tanto Carla Menezes quanto Luppi Pinheiro planejam oferecer cursos para o público-alvo. “A CAM pretende investir em cursos de qualificação no futuro. Até para melhorar a questão do cachê é necessário ter uma qualificação”, afirma Carla. “Há poucas pessoas preparadas para o mercado de publicidade e cinema em Manaus e acabamos contratando gente de outros Estados. Existem atores maravilhosos na cidade, mas falta ampliar os horizontes. Há casos em que são chamados para um teste e, na hora, não sabem falar diante da câmera. Manaus ainda precisa evoluir muito nesse mercado de produção de elenco”. Luppi lembra que o cachê por diária de um figurante varia de R$ 100 a R$ 500 e depende do nível de aparição do ator. O produtor revela que promoverá, no início de janeiro de 2015, um curso de direção e interpretação com Hsu Chien, um dos diretores do seriado “Sexo e as negas”, da Rede Globo, e a cineasta Tizuka Yamasaki. “Acho que está na hora da Luppi Produções contribuir para o mercado local”.
A CAM Produções atuou no casting do longa “Amazônia”
Luppi Pinheiro (no meio) com os diretores Hsu Chien e Tizuka Yamasaki
e baixos
C2
Plateia teia
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
>> A festa! . A festa de fim de ano desta coluna – item tradicional no calendário do society de Manaus – está marcada para o dia 4 de dezembro, no Diamond. . O evento, também comemorando 30 anos de colunismo social do editor deste espaço, será uma noite chic e temática, uma festa árabe, com ambientação e jantar com cardápio típico das mil e uma noites... . Entre tantos detalhes, será sorteada uma passagem para o Marrocos! Agendem. Festão mesmo!
>> Paradisíaca
Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br
>> Arrancada Os tops Alessandra e Cristiano Brandão dando uma circulada na cena social da cidade
. Neste domingo, a pista Amazonas Dragway, localizada na estrada do município de Iranduba, será palco de mais uma rodada de grandes disputas de velocidade com a última etapa do Campeonato Amazonense de Arrancada. . Aberto ao público, a competição promete fortes emoções no fim de semana. . As categorias da disputa são: “Drag Light” com o dragster, carro que atinge mais de 300 quilômetros por hora; “Drag Júnior” com um modelo menor de dragster, de baixa potência, destinada às crianças de 8 a 14 anos; “Pro Mod”; “Traseira Turbo”; “Traseira Original”; “Traseira A”; além das “Traseira B” e “Traseira C”.
. O bilionário Mark Zuckerberg resolveu ter uma ilha para chamar de sua. . Considerado o pior vizinho do mundo pelos moradores de Dolores Heights, onde tem residência, Mark já causa especulações em Kauai, a quarta maior ilha do Havaí. Isso porque o fundador do Facebook acaba de pagar mais de US$ 100 milhões por uma propriedade com cerca de 2,8 milhões de metros quadrados que fica lá. . O local deverá ser transformado em um condomínio familiar, onde somente aqueles que têm o sobrenome “Zuckerberg” poderão morar. De acordo com o fechamento da bolsa na última sexta-feira, a fortuna pessoal Cris e Levon Topdjian de Zuckerberg é de US$ 32,2 bilhões, levando o charme para passear em evento chic com base na participação que ele possui no Facebook.
FOTOS: MAURO SMITH
>> Objeto de desejo
Júnior e Taiko Fernandes durante dinner-party em Adrianópolis
>> Estrela amazonense . Marília Gabriela tem convidado especial hoje em seu programa. . o ator amazonense Malvino Salvador será a figura central no ‘Marília Gabriela Entrevista’ deste domingo, às 22h, no GNT. . O ator acaba de retornar aos palcos com a peça “Chuva Constante – A felicidade é fora da Lei”, de Keith Huff. Com direção de Paulo de Moraes, a versão brasileira do clássico da Broadway está em cartaz no Rio de Janeiro. A montagem estrangeira teve como protagonistas os atores Hugh Jackman e Daniel Craig.
O beauty artist Tiago Aprígio, do estrelado salão de beleza Marcos Proença de São Paulo, o convidado da empresária Vanessa Garcia para um workshop voltado para os profissionais do espaço de beleza, hoje no badalado salão Vila Belle
. Seguindo a elegância de ter uma Mont Blanc como parceira inseparável de agendas e blocos de notas, a francesa Hermès lança a caneta própria da marca. A ideia é ser uma peça de design único, facilmente reconhecido e interligado aos conceitos da Maison. . De acordo com o diretor artístico, Pierre-Alexis Dumas, já era um grande sonho da empresa possuir no portfólio a sua própria caneta. A proposta desse lançamento, em um mundo cada vez mais digital e touchscreem, é resgatar a arte da escrita à mão e deixar esse momento mais especial e memorável. . Para desenvolver o acessório, a Hermès contratou o designer Marc Newson, conhecido por assinar projetos para Nike e Ford. A caneta demorou três anos para chegar ao seu protótipo final e enviada para produção por uma empresa japonesa especializada. Batizada de ‘Nautilus’ estará disponível nas cores azul, vermelha e carbono.
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
Coral presta homenagem aos professores da cidade
CINEMA
Mostra exibe produções com Hugo Carvana que se unem para impedir que seu recanto favorito encerre as atividades. O filme venceu o Festival de Gramado e conquistou três Kikitos de Ouro. Por conta do feriado municipal do dia 24, o terceiro filme da mostra, “Casa da Mãe Joana”, de 2008, será exibido na quinta-feira, dia 23. É a história de quatro amigos desocupados que moram juntos num apartamento. Sob ameaça de despejo, decidem aplicar um golpe em uma joalheria e são bem-sucedidos. Só que um deles foge com o dinheiro. As sessões do Cine & Vídeo Tarumã acontecem sempre às 12h30, no Auditório Rio Negro, do ICHL, no Campus Universitário. A entrada é gratuita.
DIVULGAÇÃO
A apresentação do Coral João Gomes Júnior acontece hoje à noite, no palco do Teatro Amazonas. Os integrantes vão interpretar 22 músicas e a entrada é franca
Coral mais antigo de Manaus, o João Gomes Júnior preparou um evento para pedir mais respeito aos profissionais do ensino DIVULGAÇÃO
Em função da morte de Hugo Carvana, o projeto Cine & Vídeo Tarumã, na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), segue com homenagens ao ator, diretor e cineasta. Amanhã, será exibido “Vai Trabalhar, Vagabundo!”, de 1973, seu primeiro longa-metragem. A trama se passa quando Dino, um malandro carioca, vivido pelo próprio Carvana, sai da prisão e utiliza seu talento para trambiques para ganhar algum dinheiro. A produção ganhou o Kikito de Ouro de Melhor Filme no Festival de Gramado de 1974. “Bar Esperança”, de 1983, será apresentado na quarta-feira, dia 22. O bar é o ponto de encontro de intelectuais, artistas e boêmios
O ator e diretor Hugo Carvana morreu no último dia 4
C3
SÉRGIO VICTOR Especial EM TEMPO
O
coral João Gomes Júnior, o mais antigo de Manaus, preparou uma apresentação especial em homenagem ao Dia dos Professores, comemorado no último dia 15 de outubro. O evento acontece esta noite, às 19h, no Teatro Amazonas, com entrada gratuita. Segundo a presidente do coral, Cleomar Feitosa, a decisão de realizar o evento decorreu da falta de grandes homena-
gens aos educadores neste mês. “Os professores merecem mais respeito e valorização e os grandes mestres que já contribuíram para a formação de milhares de cidadãos deste Estado também merecem ser lembrados em uma homenagem digna”, explica. A apresentação vai agraciar cinco professores eméritos, entre eles o professor doutor Orígenes Angelitino Martins, professor doutor Armando Andrade de Menezes, o mestre em Filosofia Dom Luiz Soares Vieira, o desembargador Paulo dos Anjos Feitosa, o professor
doutor Lourenço dos Santos Pereira Braga e, em comemoração ao aniversário de Manaus, o prefeito Arthur Virgilio Neto. O evento também vai dedicar um momento para lembrar os mestres que já fizeram parte da história da cidade. O espaço “In Memoriam” homenageará o desembargador André Vidal Araújo, o maestro Dirson Felix Costa, a professora doutora Renata Holanda Souza Gonçalves, a professora Sebastiana dos Santos Braga – mãe do secretário de Cultura, Robério Braga – e o professor doutor Garcitylzo do Lago Silva.
O coral vai interpretar 22 músicas e o evento, que tem 1h30 de duração, será dividido em duas partes. De acordo com a presidente Cleomar Feitosa, o repertório envolve tanto a homenagem aos professores quanto lembra o aniversário de Manaus, comemorado na próxima sexta-feira (24). “Depois da primeira parte da apresentação, vamos entregar troféus e medalhas aos homenageados e cantar o Hino do Professor com a plateia. O professor precisa exigir respeito e esperamos contribuir com isso”, ressalta.
C4
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
RESENHA
Pediu para sambar, Sambô
Emir Fadul Radialista da RÁDIO EM TEMPO (www.radioemtempo.com.br)
cavaco, guitarra, banjo e vocais e Zé da Paz no pandeiro, vocais e rebolados. Feita a devida apresentação, vamos ao que interessa. A banda liberou trechos do próximo álbum, intitulado “Sambô Em Estúdio e Em Cores”. O disco é composto por 17 faixas e traz versões de sucessos de Kid Abelha, O Surto, Cidade Negra, Alicia Keys e até The Beatles. Primeiramente, fiquei assustado com tal ousadia em mudar versões de clássicos antológicos como The Beatles e, na esfera nacional, Kid Abelha, mas depois “desceu”, meio amargo, mas desceu! Para explicar melhor, a banda toca as músicas de rock e pop em ritmo de samba
e a essência dos arranjos é utilizar a base melódica dos clássicos e atribuir arranjos e elementos característicos do samba. Esse estilo já está presente nos álbuns anteriores e até “Mercedes Benz”, de Janis Joplin, foi agraciada com uma versão exclusiva. A banda se intitula “rock/ samba”, mas, convenhamos, essa mistura combina pouco, semelhante à água e o azeite, mistura difícil de ficar homogênea. Quem gosta de rock é roqueiro e jamais irá apreciar versões em samba. Samba/ pagode é o estilo da banda, pois a definição vem mesmo do gosto popular! O playlist é bem escolhido e baseado em grandes sucessos, as
versões são bem produzidas para ideia, os arranjos sempre criativos e comerciais e a execução impecável. Gostaria mesmo de ver as composições da banda, a fim de averiguar se condizem com tais influências. Falo e repito,compor é muito mais difícil que copiar!! A essência de uma banda é encontrada nas suas composições e não em meia dúzia de covers. E por fim, a banda realmente é um grande sucesso e seu álbum estará disponível no dia 13 de outubro, mas já pode ser adquirido em pré-venda no iTunes, através do link abaixo.Usuários da plataforma Deezer já podem ouvir a íntegra a partir desta segunda-feira, contanto que estejam logados. Maiores informações sobre a banda, basta visitar seu site www.sambo. com.br DIVULGAÇÃO
PERFIL
O
grupo Sambô, conhecido por suas versões inusitadas de sucessos da música pop, liberou seu novo trabalho para audição gratuita duas semanas antes do lançamento. A banda de Ribeirão Preto está na estrada desde 2006 e seus músicos têm diferentes influências, tais como rock, pop e, principalmente, o samba. A banda já se apresentou ao lado de músicos consagrados, como Seu Jorge, Jair Rodrigues, Luciana Mello, Wilson Simoninha e Sidney Magal. Atualmente, o grupo tem se apresentado em festivais de samba, ao lado de artistas como Thiaguinho, Péricles e o grupo Sorriso Maroto. O grupo é formado por Sandami nos vocais e percussão, SuduLisi na bateria, JulioFejuca no
A banda se intitula ‘rock/samba’, mas, convenhamos, essa mistura combina pouco, semelhante à água e o azeite, mistura difícil de ficar homogênea”
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
C5
Canal 1 plateia@emtempo.com.br
TV Tudo
RENATO MIRANDA/ GLOBO
Cuidados Com todo foco no seu próximo trabalho no SBT, “Cúmplices de um resgate”, Larissa Manoela tem feito aulas de interpretação e canto, em um estúdio de São Paulo, por conta própria. Há toda uma equipe envolvida nesse processo, orientando cada passo da atriz, que viverá as gêmeas da novela. Fase de testes Os testes para formação do elenco de “Cúmplices de um resgate” já estão acontecendo no SBT – e apenas na emissora. A estreia continua prevista para junho ou julho, na sequência de “Chiquititas”. Está marcado A Rede TV! vai estrear o seu programa de games no dia 16 de novembro, faixa das 6 da noite, com apresentação de Cláudia Carla. Serão 45 minutos de duração. O desafio agora é arrumar um jeito de inventar algo que qualquer um possa assistir e entender. O pessoal envolvido com isso tem um linguajar próprio. Numa dessas será preciso legendar. Toque de caixa Silvio Santos continua
Regi
Comédia romântica Lua Blanco agora investe no cinema, com a comédia romântica “Turbulência”. Filmagens em Resende, no Rio. Agatha, a sua personagem, forma par romântico com Bruno Gissoni. Lançamento em 2015. gravando os seus programas, dia sim, dia não, no SBT. Já abriu uma frente bem confortável para sair em férias ainda na primeira semana de dezembro. As suas férias de todo ano em Orlando.
Premiação A festa para os vencedores do 59° Prêmio Esso de Jornalismo, em suas 12 categorias, vai acontecer em 2 de dezembro no Copacabana Palace, Rio de Janeiro.
Bate-rebate • A HBO está trabalhando em ritmo acelerado nas gravações da série “O Hipnotizador”... • ... Mas só vai estrear no ano que vem. • O Fórum de Teledramaturgia da Globo, na seleção das próximas novelas, está privilegiando a qualidade e o fôlego de cada uma das histórias apresentadas... • ... Vários autores apresentaram trabalhos muito bons, mas insuficientes para aguentar o peso de uma novela... • ... Mas que podem sim se transformar em excelentes séries. • Inédita no Brasil, a novela “Sortilégio” vai estrear no SBT, dia 27, às 16h15. • A cantora Wanessa, gravada na quarta-feira, é a entrevistada do “De Frente com Gabi”, hoje, depois do Silvio Santos, no SBT.
Fim de ano O seriado “Patrulha Salvadora”, cujas gravações já se encerraram, terá direito a dois especiais na programação do SBT. Um voltado para o Natal e o outro, para o Ano Novo.
Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery
C’est fini Depois de passar por um procedimento cirúrgico no rosto, com a extração cistos sebáceos em torno dos olhos, Rachel Sheherazade voltará a apresentar o “SBT Brasil” neste começo de semana. Só está dependendo do local desinflamar um pouquinho mais. Ficamos assim. Mas amanhã tem mais. Tchau!
Márcio Braz E-mail: plateia@emtempo.com.br
Como se faz um deputado
Gilmal
Mário Adolfo
Elvis
“Como se fazia um deputado”, comédia em três atos inscrita por França Júnior satiriza os hábitos correntes da política brasileira em fins do período imperial e refletidas na Velha República. Mostra quais as estratégias e personagens que estavam em jogo na tão conhecida disputa pelo poder. Mas, como se fazia, ou melhor, como se faz um deputado? “Deputado é um sujeito que se destaca do povo. Para o bem e para o mal. Um deputado é, por exemplo, um sujeito que aparece ao lado dos trabalhadores numa greve. É um sujeito que briga para defender o direito dos mais fracos e, às vezes, até apanha da polícia por causa disso.” Assim o Prof. Dr. Francisco Weffort conceitua deputado. É claro que apesar de estarmos diante de um conceito que, na verdade, evidencia um princípio, o deputado em sua grande maioria das vezes (na esmagadora maioria, na verdade) não corresponde a ideia principal e não nos faltam exemplos para tal afirmação. A presença e atuação do deputado, assim como para toda a atividade legislativa, é, para as massa, cercada de confusões, isto porque alguns candidatos insistem em confundir (ou legitimar em sã consciência) justamente o papel do legislativo com o do executivo. Peço perdão pelo ar meio professoral de minha arguição e mais ainda pelas observações sumárias aqui aludidas, mas é certo afirmar que, infelizmente, estes tinos conceituais hoje fazem falta no jornalismo (a maior instância de legitimação do sistema político) só encontrando vazão na ciência política. Se cada vez mais publicizarmos o sentido e a ideia de deputado, sua função e para quem atua, empreendermos um trabalho didático de ensino de suas idiossincrasias, estaremos contribuindo em uma parte da reforma política que é a parte de educação
para a política, confundida em outros tempos com moral e cívica nos meus tempos de colégio. O deputado não é o cidadão que vai dar casa, passagem aérea, tapar os buracos da rua e manter a sua cidade limpa. Este é o papel do executivo, no qual, o prefeito e governador são os principais articuladores. O deputado é aquele que legisla, que cria ou veta leis. É ele quem as discute juntamente com a população. Se há leis que garantam o bem estar social, é o deputado o principal agente neste processo. O deputado surgiu em 1640 na Inglaterra. Numa rebelião provocada pela Câmara dos Comuns, os parlamentares se recusaram a votar os impostos devidos ao monarca Carlos I transformando a atividade parlamentar – o que antes, na Idade Média, era uma atividade apenas consultiva – em um “atividade legisladora”. A tradição política brasileira ainda se assenta nos princípios políticos da Velha República, e mais ainda, como nos faz crer França Júnior, da elite imperial de pensamento rural e escravocrata. Na Velha República, o voto censitário deu lugar ao sufrágio universal, excluindo-se evidentemente as mulheres e os analfabetos, grande parte da população brasileira – e as eleições ainda eram fraudadas! Em “Como se fazia um deputado” (1882) temos representado o melhor retrato da tradição política brasileira assentada sobre a compra de votos e o casamento por interesse, afinal, “estes casamentos por amor dão sempre em água de barreia”. Veja bem, leitor, que a palavra mais utilizada no presente artigo foi “princípio”. O princípio do deputado, o princípio do conceito de deputado e o princípio moral de sua atuação. São estes os vetores a que devemos ter em mente e é a partir destes, da massificação de suas ideias, que podemos ajudar o povo a sonhar com um Brasil sem corrupção.
Márcio Braz ator, diretor, cientista social e membro do Conselho Municipal de Política Cultural
O deputado não é o cidadão que vai dar casa, passagem aérea, tapar os buracos da rua e manter a sua cidade limpa. Este é o papel do executivo, no qual, o prefeito e governador são os principais articuladores”
C6
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
Programação de TV
VW DIVULGAÇÃO
SBT
5h Jornal da Semana 6h Igreja Universal 7h Brasil Caminhoneiro 7h30 Planeta Turismo 8h30 Vrum 9h Sorteio Amazonas Dá Sorte (Local) 10h Domingo Legal 12h Propaganda Eleitoral Gratuita 12h20 Domingo Legal Continuação 14h15 Eliana 18h15 Roda a Roda Jequiti 19h15 Sorteio da Telesena 19h30 Propaganda Eleitoral Gratuita 19h50 Programa Silvio Santos 23h De Frente com Gabi 0h Nikita 1h Rizzola & Isles 2h Pessoa de Interesse 3h20 Big Bang
John Travolta encabeça o elenco de “O Sequestro do Metrô 1 2 3”, no “Domingo Maior” (Globo)
Horóscopo GREGÓRIO QUEIROZ ÁRIES - 21/3 a 19/4 É tempo de você viver integralmente aquilo que sente. Mas não basta sentir intensamente, é preciso levar os sentimentos à outra pessoa e com ela compartilhá-los. TOURO - 20/4 a 20/5 Sentimentos existem entre as pessoas, não são para serem guardados ou vividos escondidos. É tempo de você vivê-los mais plenamente junto com a pessoa amada. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Uma decisão mais global pode acontecer em suas relações. O bom convívio cotidiano e o entendimento com a pessoa amada são bons motivos para vocês se aproximarem. CÂNCER - 22/6 a 22/7 É preciso dedicar seus recursos para realizar seus desejos. É tempo de você viver plenamente os sentimentos afetivos, o que requer usar seu tempo para a relação afetiva. LEÃO - 23/7 a 22/8 Você quer tomar em suas mãos as decisões afetivas, quando estas só podem ser tomadas a dois. Procure um clima harmonioso e de concórdia entre vocês dois. VIRGEM - 23/8 a 22/9 O fluxo natural da vida quer lhe engolfar e levar para o que lhe é certo e bom. Você tem que aprender a ceder e a admitir as coisas como elas são, mesmo na relação amorosa. LIBRA - 23/9 a 22/10 É tempo de definir um traçado amplo para a vida a dois. Pensar na relação afetiva não é apenas antegozar os prazeres desta, mas saber o quanto pode estruturar a vida a dois. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 Você se envolve em sentimentos fortes e com isso tende a se decidir por assumir alguma responsabilidade na relação amorosa. Uma decisão importante pode ser tomada. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Junto com as decisões afetivas a serem tomadas, há questões de valor e princípios a considerar. Melhor do que se decidir pelo gostoso é se decidir também pelo que é certo. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 A relação amorosa, neste momento de sua vida, deve lhe propiciar um ambiente emocional positivo e de crescimento pessoal. Este é o fator a orientar suas decisões. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Você quer uma relação amorosa que tenha base, segurança e profundidade. Poderá construir uma relação assim, a partir de agora. Invista junto com a outra pessoa. PEIXES - 19/2 a 20/3 É tempo de você conquistar o que você deseja, quem você deseja. Naturalmente, essa conquista não é posse, mas convergência de afinidades, interesses e projetos de vida.
4h Igreja Universal
Cinema
RECORD 4h Santo Culto em Seu Lar 4h30 Desenhos Bíblicos 6h Desenhos Bíblicos 7h30 Record Kids - Pica Pau 8h Amazonas Dá Sorte 10h Domingo Show 11h Horário Político 11h40 Domingo Show - Continuação 13h15 Hora do Faro 17h30 Domingo Espetacular 18h30 Horário Político 19h10 Domingo Espetacular - Continuação 20h15 Debate Presidente 22h A Fazenda 23h Programação IURD
18h30 Propaganda Eleitoral Obrigatória - 2º Turno 19h10 Fantástico 21h35 Domingo Maior - O Sequestro do Metrô 1 2 3 23h25 Sessão de Gala - Irmãos de Sangue 1h07 Corujão - Gigolô Europeu Por Acidente 2h27 Série
BAND 5h Tartarugas Ninja 6h30 Santa Missa no Seu Lar 7h30 Sabadão do Baiano 8h Power Rangers + Popeye 9h30 Minúsculos 9h45 Informercial – Polishop 10h45 Verdade e Vida 11h Irmão Caminhoneiro – Boletim
GLOBO
11h05 Pé na Estrada
3h50 Santa Missa 4h50 Amazônia Rural 5h20 Pequenas Empresas, Grandes Negócios 6h Globo Rural 7h Esporte Espetacular (20ª Maratona de São Paulo) 10h Esquenta 11h Propaganda Eleitoral Obrigatória - 2º Turno 11h40 Temperatura Máxima - Homem-Aranha 14h Campeonato Brasileiro - Atlético Pr X Flamengo 16h Domingão do Faustão
11h35 Band Esporte Clube 14h10 O Grande Momento do Futebol 16h50 3º Tempo 19h Só Risos 20h Top 20 21h30 Pânico na Band 0h15 Canal Livre 1h15 Alex Deneriaz 1h50 Show Business – Reapresentações 2h40 Ei Arnold!
Cruzadinhas
ESTREIAS Na Quebrada: BRA. 14 anos. Nas quebradas da maior metrópole do Brasil, entre tiros, perrengues, amor e ódio, histórias de jovens se misturam e colidem em busca de sonhos e escolhas. Inspirado em histórias reais, o longa-metragem “Na Quebrada” revela a luta e as escolhas de jovens que cresceram entre armas, crimes e muitas dificuldades: Zeca sobreviveu a uma chacina. Gerson nunca viu seu pai fora das grades. Mônica é diferente de todos da família. Júnior é fascinado por consertos de televisões. Joana sonha com a mãe que nunca conheceu. Esses jovens descobrem o cinema como um caminho para desafiar seus destinos. Até que ponto o seu passado determina o seu futuro? Cinemark 1 – 11h50 (somente sábado e domingo), 14h10, 16h20, 18h45, 21h (diariamente), 23h20 somente sábado); Cinépolis Millennium 3 – 18h35, 20h50 (diariamente); Cinépolis Plaza 4 – 14h50, 17h20, 19h40, 21h55 (diariamente); Cinépolis Ponta Negra 10 – 15h, 17h45, 20h05 (diariamente). O Juiz: EUA. 12 anos. Um advogado de sucesso (Downey Jr.) precisa voltar à sua cidade-natal após a morte de sua mãe. Ao chegar, ele descobre que seu pai (Duvall), portador de Alzheimer, é réu pela acusação de assassinato em um atropelamento, mas precisa defendê-lo no processo judicial. Cinemark 5 – 18h20, 21h30 (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 5 – 14h55, 17h55, 21h (leg/diariamente); Cinépolis Plaza 6 – 14h30, 17h35, 20h30 (lleg/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 2 – 20h30 (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 8 – 15h30, 18h35, 22h (leg/diariamente). Festa No Céu: EUA. 10 anos. O filme traz a jornada de Manolo, um jovem que está dividido entre cumprir as expectativas de sua família ou seguir seu coração. Antes de escolher que caminho seguir, ele embarcará em uma incrível aventura em três mundos fantásticos onde ele deverá enfrentar seus maiores medos. Rico e com uma nova abordagem das músicas pops favoritas, “Festa No Céu”, nos incentiva a celebrar o passado sempre olhando para o futuro. Cinemark 5 – 11h30 (3D/dub/somente sábado e domingo), 13h55, 16h10 (3D/dub/diariamente), Cinemark 7 – 12h50 (dub/somente sábado e domingo), 15h10, 17h30, 19h50 (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 1 – 14h, 16h10, 18h20 (3D/dub/diariamente), Cinépolis Millennium 8 – 15h, 17h10, 19h20, 21h30 (dub/diariamente); Cinépolis Plaza 2 – 17h10, 21h25 (3D/dub/diariamente), Cinépolis Plaza 8 – 14h20, 16h30, 18h40 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 1 – 13h35 (3D/dub/somente sábado e domingo), 16h10 (3D/dub/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 4 – 13h10 (3D/dub/somente sábado e domingo), 15h40, 18h20, 20h40 (3D/dub/diariamente); Kinoplex 3 – 13h50, 16h10, 18h30 (3D/dub/diariamente). Fúria: EUA-FRA. 16 anos. Paul Maguire (Nicolas Cage) esteve envolvido durante muito tempo com o mundo do crime, mas hoje ele tenta viver uma vida tranquila, protegendo a sua filha. Um dia, no entanto, a garota é assassinada pelos líderes da máfia russa. Paul decide reunir os amigos de antigamente e se vingar dos assassinos. Cinemark 8 – 13h50, 16h, 18h30, 20h45 (dub/diariamente), 23h10 (dub/somente sábado); Cinépolis Ponta Negra 3 – 19h10, 22h05 (leg/diariamente); Kinoplex 4 – 19h05, 21h25 (dub/diariamente).
CONTINUAÇÕES Um Amor de Vizinha: EUA. 12 anos. Playarte 10 – 16h50, 18h50, 20h50 (leg/ diariamente), 22h50 (leg/somente sextafeira e sábado). Ilegal: EUA. 12 anos. Cinépolis Ponta Negra 1 – 21h50 (leg/diariamente). O Físico: EUA. 14 anos. Cinépolis Millennium 1 – 20h30 (leg/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 1 – 18h45 (leg/diariamente). Trash – A Esperança Vem do Lixo: BRA-ING. 14 anos. Cinemark 2 – 12h10 (somente sábado e domingo), 17h20, 22h25 (diariamente); Cinépolis Millennium 6 – 20h, 22h25 (diariamente); Cinépolis Plaza 8 – 20h50 (diariamente); Cinépolis Ponta Negra 9 – 16h20 (diariamente), 19h (exceto quintafeira e sexta-feira), 21h45 (diariamente); Kinoplex 4 – 14h05, 16h35 (diariamente); Playarte 8 – 13h15, 15h35, 17h55, 20h20 (diariamente), 22h40 (dub/somente sextafeira e sábado). Anabelle: EUA. 14 anos. Cinemark 6 – 12h20 (dub/somente sábado e domingo), 14h45, 17h05, 19h25, 21h45 (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 4 – 15h15, 17h35, 19h50, 22h (leg/diariamente); Cinépolis Plaza 1 – 14h05, 16h15, 18h30, 21h
(dub/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 5 – 14h30, 19h25 (dub/diariamente), 17h, 21h55 (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 7 – 17h30 (dub/diariamente), 20h20 (leg/diariamente); Kinoplex 3 – 20h50 (leg/ diariamente), Kinoplex 5 – 17h, 19h10, 21h20 (diariamente). O Candidato Honesto: BRA. 14 anos. Cinemark 2 – 14h50, 20h (diariamente), Cinemark 4 – 14h, 16h40, 19h10, 22h (diariamente); Cinépolis Millennium 2 – 15h40, 18h, 21h20 (dub/diariamente), Cinépolis Millennium 7 – 16h40, 19h, 21h45 (diariamente); Cinépolis Plaza 5 – 15h40, 18h, 20h15, 22h30 (diariamente), Cinépolis Plaza 7 – 14h, 19h35 (diariamente); Cinépolis Ponta Negra 3 – 15h10 (diariamente), Cinépolis Ponta Negra 6 – 14h15 (diariamente), 16h55, 19h35, 21h30 (diariamente); Kinoplex 1 – 14h30, 16h50, 19h10, 21h30 (diariamente), Kinoplex 2 – 14h, 16h20, 18h40, 21h (diariamente); Playarte 4 – 13h50, 16h, 18h10, 20h25 (diariamente), 22h35 (somente sexta-feira e sábado), Playarte 5 – 12h50, 14h55, 17h05, 19h10, 21h20 (diariamente), 23h30 (somente sexta-feira e sábado).
A Lenda de Oz: EUA. 18 anos. Cinemark 3 – 13h45, 15h50, 18h, 20h10 (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 3 – 14h20, 16h30 (3D/dub/diariamente); Cinépolis Plaza 2 – 15h, 19h20 (3D/dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 2 – 14h10 (dub/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 7 – 15h15 (3D/dub/diariamente); Kinoplex 5 – 15h (3D/dub/diariamente), 13h (3D/somente sábado e domingo); Playarte 1 – 13h, 15h, 17h (3D/dub/diariamente). Garota Exemplar: EUA. 14 anos. Cinépolis Ponta Negra 2 – 17h10 (leg/diariamente); Kinoplex 3 – 20h50 (leg/diariamente). Os Boxtrolls: EUA. Livre. Cinemark 8 – 11h20 (dub/somente sábado e domingo); Playarte 1 – 19h, 21h (3D/dub/diariamente), 23h (3D/dub/somente sexta-feira e sábado). A Bela e a Fera: FRA. 12 anos. Playarte 6 – 13h15, 15h35, 17h55, 20h10 (dub/diariamente), 22h25 (dub/somente sexta-feira e sábado). O Protetor: EUA. 14 anos. Playarte 2 – 15h40, 20h45 (dub/diariamente), 23h20 (dub/somente sexta-feira e sábado). Livrai-nos do Mal: EUA. 14 anos.
Playarte 7 – 13h30, 15h50, 18h15, 20h35 (dub/diariamente), 23h (dub/somente sextafeira e sábado). Maze Runner - Correr ou Morrer: EUA. 14 anos. Cinemark 7 – 22h10 (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 6 – 14h40, 17h25 (leg/diariamente); Cinépolis Plaza 7 – 16h50, 22h05 (dub/diariamente). O Doador de Memórias: EUA. 12 anos. Playarte 3 – 13h25, 17h25, 19h25, 21h25 (dub/diariamente), 23h25 (dub/somente sexta-feira e sábado). Anjos da Lei 2: EUA. 14 anos. Playarte 9 – 15h30, 20h05 (dub/diariamente), 22h30 (dub/somente sexta-feira e sábado). Hércules: EUA. 14 anos. Cinemark 3 – 22h20 (dub/diariamente). Lucy: FRA. 16 anos. Playarte 9 – 13h30, 18h (dub/diariamente). Os Mercenários 3: EUA. 16 anos. Playarte 2 – 13h10, 18h15 (dub/diariamente). O Que Será de Nozes?: EUA. Livre. Playarte 10 – 13h10, 15h (dub/diariamente).
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
C7
FOTOS: JANDER VIEIRA
Victor e Sihame com dona Walderez Simões
Izilda e Armando Valle Jr.
Graça e Rosedilson Assis
A César o que é de César! Norma e Antônio Silva
Jorge Massulo
O gente boa Antonio Silva agora é oficialmente cidadão parintinense, digo oficialmente, pois de coração já o é há muito tempo! Antonio tem um histórico de amor e dedicação à cidade e ao festival de Caprichoso e Garantido – o maior espetáculo a céu aberto do mundo – e faz o possível, como empresário bem-sucedido para levar a Parintins o desenvolvimento industrial-cultural daquela Ilha. Sim, existe um festival pré e pós-Antonio. Além de emocionante, a cerimônia foi autentiquíssima, sem carões e com muita espontaneidade, seguida de uma recepção deliciosa na bucólica Diúkêrê, sob a batuta da caçula Vanessa, que – como sempre – arrasou. Comidas e serviço correto do bufê Contemporâneo, de Patrícia Brelaz, vaivém de champanhe, produtos da grife Coca-Cola e o show duplo de Amilcar Azevedo e David Assayag não faltaram. Uma celebração bem seleta, característica da família do homenageado. E vamos aos confetes-com-flashes.
O recém-agraciado parintinense Antonio Silva com a vereadora Vanessa Gonçalves, mentora da feliz homenagem
Jander Vieira jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br Eduardo e Antonio Pedro com Elisângela e Diego Silva
Carmona Oliveira, Francisco Cardoso, João Pedro Baranda Ubaldino Meireles
Capitão Giovanni Andrade, comandante da agência fluvial de Parintins
Ana Oliveira e Valdenice Garcia
Patrícia Brelaz
Rossy Amoedo e Matheus Assayag Vera e Marcelo Simões
Cleide Avelino
Célia e Joaquim Higino Bi Garcia e Thomas Nogueira
Valdete Pimentel
Graça e Nelson Azevedo
Vanessa e Isabella com Mano Cavalcanti
Ana Claudia e Ládico Carneiro
Antonio Silva e Joaquim Azevedo
Desembargador Lupicínio Nogueira e sua Sílvia Tuma Os eternos enamorados Norma e Antonio ao som do imperador David Assayag
Célia Villas Bôas e Wilson Péricles
Márcia Baranda Socorrinha e Paulo Carvalho
Desembargador João Simões Antonio com Rivaldo Neves
Moisés Israel e Jório Veiga
Tonia Seixas
C8
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014
Sesc abre inscrições para oficinas de dança Serão ofertadas 175 vagas para cursos de alongamento e flexibilidade, dança moderna, jazz iniciante e outros
A
partir de amanhã começam as inscrições para as oficinas gratuitas de dança do Serviço Social do Comércio Amazonas (Sesc-AM). Os interessados devem se candidatar às vagas na unidade da instituição que fica na rua Henrique Martins, 427, Centro. As oficinas são de balé clássico iniciante, balé intermediário, alongamento e flexibilidade, dança moderna, consciência corporal, jazz iniciante e pilates de solo. Ao todo serão ofertadas 175 vagas. As aulas vão acontecer nas salas de dança do Sesc Centro e do Balneário (avenida Constantinopla, s/nº, em frente ao conjunto Campos Elíseos), e poderão participar pessoas com idades entre dez e 65 anos. As oficinas de balé clássico iniciante, balé intermediário e alongamento e flexibilidade terão aulas nos dias 27, 29 e 31 de outubro. Já as aulas de dança moderna, consciência corporal, jazz iniciante e pilates de solo vão ocorrer nos dias 28 e 29 de outubro. As oficinas serão ministradas por professores de dança do Sesc-AM e profissionais convidados. Para realizar a matrícula, os inte-
ressados devem estar com a carteira do Sesc atualizada e se dirigir a unidade do Centro. Informações pelos telefones (92) 2126-9587 e (92) 2126-6780. A partir de amanhã até o dia 27, o Sesc AM oferecerá o minicurso de percussão corporal. A atividade será ministrada por Jade Safirah, na Sala Claudio Santoro no Sesc Centro (rua Henrique Martins, 427), de 16h às 18h. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas na Central de Atendimento. É necessário apresentação da carteira do Sesc atualizada. A percussão é uma prática bastante associada às culturas populares e a percussão do corpo acompanha essa mesma trajetória. No minicurso do Sesc, a cultura popular amazonense, dança e música vão ser trabalhadas juntas. Jade Safirah é cantora e compositora amazonense, filha do percussionista Tiê e da cantora, diretora de teatro e historiadora Taniouska Souza. Ela começou a carreira oficialmente aos 16 anos com o show “Fases do eu”. Seu estilo musical mistura vários gêneros como folk, música romântica francesa, maracatu e MPB.
MÚSICA
Bandas gravam DVD ao vivo em hotel de selva DIVULGAÇÃO
Cinco bandas amazonenses gravarão um DVD no próximo dia 23, no Tiwa Ecoresort. O registro ao vivo em vídeo faz parte da promoção Nossa Energia Move a Amazônia, da Equador Petróleo, e todas as atrações foram escolhidas pelo público. Foram três meses de escolha, votação e preparação do evento e as bandas escolhidas foram a Nattus Triballia, Os Tucumanus, Casa de Caba, Selva Madre e Raízes Caboclas. O palco dos shows será montado no Tiwa Ecoresort, localizado do outro lado do rio Negro. No dia do evento, haverá transporte para os convidados a partir das 16h, com barcos saindo a cada meia hora do píer do Estaleiro Juruá, que fica na Ponta do Ismael, no bairro São Raimundo. “Estamos esperando cerca de 250 convidados neste evento. Pedimos que venham vestidos de branco,
pois todos farão parte do show durante a gravação”, avisa David Freidzon, gerente de marketing da Equador Petróleo e responsável pela promoção. Estão previstas cerca de cinco horas de gravação. As bandas se apresentarão ao vivo para um conjunto de câmeras estrategicamente distribuídas para captar todos os movimentos e os melhores ângulos dos músicos. Serão produzidos 30 mil DVDs cuja primeira distribuição vai ser realizada em outra festa, no dia 3 de dezembro, quando acontecerá o encerramento final da promoção. Nesta festa, marcada para o Anfiteatro da Ponta Negra, haverá um mix de atividades esportivas e culturais, e vai culminar com a apresentação das bandas vencedoras, do cantor Gabriel o Pensador e da banda nacional Detonautas. DIVULGAÇÃO
Estão previstas aulas de balé clássico iniciante e intermediário
O grupo Os Tucumanus está entre os escolhidos para o show