R$
2,00 PREÇO DESTA EDIÇÃO
98116-3529 DENÚNCIAS • FLAGRANTES
O JORNAL QUE VOCÊ LÊ
ANO XXVII – N.º 8.688 – DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO FOTO ILUSTRATIVA
REDE DO MAL A BANDA PODRE
DA INTERNET
FACEBOOK, TWITTER E ATÉ WHATSAPP DEIXARAM DE SER MERO ENTRETENIMENTO PARA DAR LUGAR A CRIMES QUE VÃO DA CALÚNIA E DIFAMAÇÃO A ATOS MAIS GRAVES. APESAR DE JÁ ESTAR EM VIGOR, A LEI DE DELITOS VIRTUAIS AINDA É POUCO EFICAZ NA MAIORIA DOS CASOS. COM A PALAVRA A5, ECONOMIA B4, PAÍS B7, DIA A DIA C1 A C5 E PLATEIA D1
ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
A abertura de processos em busca de indenizações por possíveis danos morais e punição dos responsáveis tem mobilizado internautas que são vítimas dos crimes virtuais
Além da alimentação balanceada, a corrida tem se tornado o exercício preferido das mulheres quando o assunto é manter a forma. Saúde F3
No dia 24 de abril, a Armênia rememora os cem anos do genocídio – que a Turquia e outros países, como o Brasil, não reconhecem. Ilustríssima G4 e G5
Apesar da crise econômica, as mulheres não deixam de investir na vaidade e gastam o que for necessário
Além de apresentar as novidades da temporada, a São Paulo Fashion Week também marcou a despedida da übermodel Gisele Bündchen (foto). Elenco 8 e 9
Clientes buscam, atualmente, VIOLETA um profissional que harmonize desde a pintura da parede e cores dos móveis até a decoração dos ambientes. Imóveis&Decor 1
O PREÇO DA BELEZA
Alguns veem como futilidade, outros como necessidade. A verdade é que cuidar da beleza faz parte da rotina de toda mulher. Os gastos com serviços e produtos são parte obrigatória do orçamento feminino. Para ficar mais bonita, a maioria não hesita em gastar, em média, R$ 600 por mês. Economia B2
VIOLETA
Flamengo e Vasco decidem hoje quem vai à final do Campeonato Carioca. O time rubro-negro precisa de um empate para decidir o título estadual.
FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELEIÇÕES, ELENCO E CURUMIM.
MAURÍCIO VAL/VIPCOMM
Espinafre, o segredo da força descomunal do Popeye, é a matéria de capa do suplemento infantil Curumim.. Com o desenho, a venda da hortaliça cresceu tanto que a cidade de Crystal City (EUA) ergueu uma estátua para o marinheiro.
IDE GOMES/FRAME
CURUMIM No jogo de ida, no último domingo (12), o clássico não saiu do zero. O resultado acabou beneficiando o Flamengo, mas em jogo de arquirrivais não há favorito. Pódio E7
TEMPO EM MANAUS
MÁX.: 30
MÍN.:
23
Última Hora
A2
MANAUS, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015
Comissões estaduais da verdade irão criar rede VLADIMIR PLATONOW AGÊNCIA BRASIL
R
io de Janeiro - As comissões estaduais da verdade decidiram criar uma rede nacional com objetivo de dar continuidade às recomendações feitas nos relatórios apresentados até agora. A decisão foi tomada na sexta-feira (17) e faz parte de uma carta lançada ao final de um encontro, no Rio, entre representantes de comissões da verdade de seis Estados: Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo. O presidente da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro, Wadih Damous, disse que a rede vai garantir que o trabalho de anos das comissões não fique sem providências. “O trabalho continua, porque ainda há muita coisa para se investigar, apurar e revelar. Talvez este trabalho não se conclua com o término das atividades das comissões, daí nós termos idealizado este encontro, para tratarmos do legado e de mecanismos de monitoramento das recomendações da comissão nacional e das comissões estaduais”. O representante da Secre-
taria de Direitos Humanos da Presidência da República, Ivan Seixas, ressaltou que a Comissão Nacional da Verdade (CNV) foi um ponto de partida para se revelar ao país o que houve na época da ditadura. “As recomendações dão início a uma nova fase, que tem de ser assumida pela sociedade. As comissões estaduais, municipais, de universidades e de sindicatos fizeram parte de uma grande rede e continuam funcionando. Então é muito importante os seus desdobramentos, porque nada terminou. A impunidade do passado serve de incentivo à impunidade do presente”. A presidente da Comissão Especial para Mortos e Desaparecidos Políticos, procuradora da República Eugênia Gonzaga, ressaltou que é importante retomar os trabalhos da entidade, que foi uma das gêneses das comissões da verdade. “A entrega do relatório da CNV pode ter dado a impressão de que os trabalhos estavam encerrados, mas ainda há muito o que se fazer. A permanência dessas comissões vai fazer com que as situações de morte e desaparecimentos possam continuar a ser apurados, para serem levadas à Justiça e possibilitar a identificação dos corpos”.
MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
A decisão, tomada na sexta-feira (17), significa continuidade a recomendações feitas nos relatórios apresentados
Trabalho da Comissão Nacional da Verdade foi o ponto de partida para revelar ao país o que houve na época da ditadura
TANIA REGO/AGÊNCIA BRASIL
DIREITOS HUMANOS
Operação resgata chineses escravos no Rio de Janeiro Rio de Janeiro (ABr) - A Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Rio de Janeiro resgatou, nesta sextafeira (17), dois trabalhadores chineses, que viviam em regime de trabalho análogo à escravidão em uma pastelaria da rua Camerino, no centro da capital fluminense. O resgate foi resultado da Operação Yulin, feita por fiscais do Trabalho e do ProconRio em pastelarias do Rio, de Nova Iguaçu, Duque de Caxias e Belford Roxo, na Baixada Fluminense, com o objetivo de combater o trabalho escravo urbano e o tráfico de pessoas, além de verificar a procedência da carne servida aos consumidores. A pastelaria, de acordo com filmagens da equipe de auditores-fiscais, não tem condições de dar vida digna aos trabalhadores que lá habitam.
Além disso, o comunicado da superintendência destaca a “visível degradação” do ambiente de trabalho. De acordo com a auditorafiscal do Trabalho, Márcia Albernaz, constatou-se um caso típico de tráfico de pessoas, de acordo com o Protocolo de Palermo, ratificado pelo Brasil, pois trata-se de pessoas duplamente vulneráveis – por razões econômicas e geográficas –, “cuja mão de obra é facilmente explorada pelo fato de terem sido alojados, ainda que tenham vindo voluntariamente para o país”. O comunicado diz ainda que o resgate foi motivado pelas condições degradantes de trabalho e alojamento, além de servidão por dívida, envolvendo famílias que ficaram na China, e jornadas de trabalho superiores a 16 horas por dia.
Situações descobertas indicam caso de tráfico de pessoas
VIOLÊNCIA
Quatro homicídios foram registrados desde sexta HELTON DE LIMA Equipe EM TEMPO
O corpo do autônomo Antônio Borges Soares, 35, foi encontrado na sexta-feira (17), por volta das 17h30, com diversos tiros na cabeça. O fato ocorreu na rua Dom Claudio Collin, conjunto Vista Bela, Planalto, Zona Centro-Oeste da cidade, e foi atendido pelo 10º Distrito Integrado de Polícia (DIP), do bairro Alvorada. Já na madrugada deste sábado, a Delegacia Especializada de Homicídios e Sequestros (DEHS), registrou o homicídio por arma branca de Alcemir Ferreira de Sousa, 38. O corpo foi encontrado por volta de 1h30, com duas perfurações no tórax, na rua Barão de São Domingos, na Manaus Moderna, Centro, Zona Sul. Na mesma zona, um homem não identificado, aparentando entre 20 e 25
anos, com 1,70 metro de altura, tatuagem de carpa no peito esquerdo, camisa de botão branca e bermuda colorida foi encontrado morto antes das 2h na rua Maria Médici, no bairro Japiim. Segundo dados do Instituto Médico Legal, o homem foi morto a tiro. Ainda durante a madrugada, Eliomar Arruda Farias, 16, foi assassinado com 45 facadas na rua Paracanaxi, antiga rua Horta, no bairro Valparaíso, Zona Leste. O jovem era conhecido na comunidade por realizar assaltos na área, e já tinha pelo menos quatro passagens pela polícia. O cadáver foi encontrado numa horta existente no local, e junto com ele foram achados ainda um tablet, um celular e uma arma de brinquedo. Os crimes ocorridos serão apurados e investigados pela DEHS.
Opinião
MANAUS, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015
Contexto 3090-1017/8115-1149
A3
Editorial
marioadolfo@emtempo.com.br
opiniao@emtempo.com.br
Ave, César, os que vão morrer...
Maquiando o cadáver Em sua passagem por Manaus, nesta sexta-feira, 17, a ministra Cármen Lúcia, vice-presidente do STF, disse que estão em tramitação 91 milhões de processos no Brasil. — Se considerarmos que temos 200 milhões de habitantes, quase metade da população está em juízo. E temos cerca de 18 mil juízes. Cármen Lúcia analisou que é preciso repensar o modelo de Estado e de instituições do Estado. — Tenho dito que estamos maquiando o cadáver. Temos perguntas novas e respostas velhas. Não é fácil A ministra afirmou que não acredita em reforma, o momento é de transformar. — Não acho que seja fácil, mas é urgente. Sabatina do Arthur Durante seu discurso, a ministra brincou com o prefeito Arthur Virgílio: — Daqui uns dias se completam nove anos que o então senador Arthur Virgílio me sabatinou duramente no Senado Federal – disse arrancando risos de toda a plateia, inclusive do prefeito. Amigo de sempre Mas logo em seguida, completou: — Brincadeira, ele não foi tão duro assim. Tenho um enorme apreço pelo senador, hoje prefeito e meu amigo de sempre, Arthur Virgílio. Amor ao Amazonas A ministra disse que “usa Arthur” como um exemplo do seu enorme afeto pelo Amazonas. — É uma declaração que faço de apreço ao Estado. Conectado Presente à palestra da ministra Cármen Lúcia no TJAM, o governador José Melo (Pros) disse que todos os programas de ordem social voltados para o combate à violência doméstica de seu governo, estão intimamente relacionados com os programas que o Tribunal de Justiça realiza.
— Portanto, o nosso governo está unido com o Poder Judici-
ário nessa luta que existe para que possamos reduzir a violência contra as mulheres. Ronda Maria da Penha O governador ressaltou que, com o Ronda Maria da Penha, programa estadual que atende mulheres vítimas de violência, esse trabalho se intensificou. — A aquisição de novas viaturas irá aumentar ainda mais a capacidade de abrangência do programa. Mirem-se no exemplo Melo parabenizou a ministra Cármen Lúcia e a presidente do Tribunal de Justiça, desembargadora Graça Figueiredo, pelo programa em defesa da mulher. — Esta ação é importante, sobretudo pelo exemplo, porque os números são preocupantes e nós precisamos combatê-los - disse o governador. Alfinetadas
Terceiro turno Aproveitou a oportunidade para falar sobre a possibilidade de haver um terceiro turno para o governo do Estado. Em tom de ironia, o senador detonou: — Eu nunca viu um candidato com 200 mil votos a menos ganhar uma eleição. Vontade da maioria Sem papas na língua, Omar
APLAUSOS
regi@emtempo.com.br
Maioria não é maioria O senador voltou a usar a ironia, dizendo que “agora virou um negócio engraçado aqui no Amazonas”. — O cara tem 200 mil votos a menos e diz que ganhou a eleição. Eu nunca vi isso. Eu tive oito votos de 11 (na eleição para líder da bancada) e também não ganhei.
— Aqui no Amazonas – continuou Omar –, maioria não é maioria. Inventaram um terceiro turno aqui no meu Estado para tomar a eleição do Melo!
Aziz disse como o seu grupo político ganhou a eleição. — Foi em cima de um projeto, em cima da humildade, em cima de um programa e ninguém tem direto de tomar essa eleição. Bombom de criança E fez uma advertência para aqueles que pensam que “vão tomar a eleição”. — Se acham que vamos ficar passivos, como se toma o bombom de uma criança, estão muito enganados, porque isso não vai acontecer. Nós temos uma sociedade que sabe o que quer, procurou isso e é isso que estamos fazendo –, disse o senador.
VAIAS
Cármen Lúcia
Regi
disse que se os adversários do governador José Melo “pensam que vão tomar a eleição, estão muito enganados”. — Foi pela vontade da sociedade amazonense que eles foram escolhidos!
Fórmula
Durante a audiência sobre a reforma política, nesta sexta-feira (17), no plenário da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), o senador Omar Aziz chutou o pau da barraca.
Sopraram no ouvido de Herodes que nasceria uma criança que seria rei e o substituiria ou a alguém da sua família real. Herodes radicalizou: mandou matar tudo quanto era criança nascida no período. Mas uma criança, cujo destino não era morrer naquele(s) dia(s), que foi levado para o Egito pela família. Essa criança era um menino e esse menino era Jesus. O espírito de Herodes ameaça as crianças e os adolescentes brasileiros. Em Manaus, ele toma cafezinho a Câmara Municipal, com o presidente da Comissão de Direitos Humanos, vereador Professor Samuel, defensor da lei que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. Herodes tinha medo que um rival lhe roubasse a coroa, mesmo que fosse uma criança, cujos pais ganhavam o pão com o suor do próprio, sem bolsa família, sem nada. O que o presidente de uma comissão da Câmara tem contra os direitos humanos das crianças e adolescentes? Que lhe roubem os votos, nas próximas eleições? Não foram crianças e adolescentes que o deixaram sem partido (foi expulso do PPS). O Brasil se mobiliza para encurralar os menores. Com a concepção de que o mal se corta pela raiz, decidiu-se que a menoridade é essa raiz maligna. Quem sabe cortando-a, os adultos de amanhã (e existiriam adultos amanhã?) não formem quadrilhas sofisticadas e diplomadas (CEOs e coachs) para roubar toda a riqueza produzida no país em maracutaias do tipo mensalão, petrolão – as mais conhecidas? Quem sabe interrompendo-se a tempo meninas e meninos, se evite o surgimento de personagens sinistras como Adail Pinheiro, Paulo Maluf, Eike Batista, as quadrilhas políticas de Coari etc.? Os bandidos de hoje não admitem ser substituídos pelos pivetes de amanhã. Por isso, tremem nas bases. Herodes ilumina os representantes do povo brasileiro e os que vão matar a esperança o saúdam.
Política nacional do pescado RAIMUNDO VALENTIM
DIVULGAÇÃO
Para a ministra Cármen Lúcia, vicepresidente do STF que, na passagem por Manaus, fez uma declaração de amor ao Amazonas: “Um Brasil, que tem um Estado como o Amazonas, para dar errado é preciso muito esforço”.
Para o Ministério da Fazenda, que deixou o pirarucu da Amazônia fora da política nacional de preços. Com isso, 3.184 pescadores que atuam na pesca sustentável foram prejudicados.
João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br
O mito do suicídio solitário O jovem piloto alemão que, no propósito de matar-se, matou também mais 149 pessoas, quando lançou sobre os Alpes franceses o avião que deveria ajudar a conduzir com segurança ao destino projetado, tem sido sistematicamente condenado e execrado, não pelo seu propósito suicida, mas porque não fez dele um ato solitário e acabou por atingir todo um grupo. A propósito, surgiu o testemunho de uma ex-namorada que revelou uma prévia intenção de Andreas Lubitz de vir a ganhar fama e a perpetuar-se na memória de todos nós, através de um gesto grandioso e inusitado. Hoje, supõe a moça que já se tratava do projeto que acabou por ser executado como um grande espetáculo. A indignação pública contra a ação do piloto seria facilmente transmudada em piedade pública, se tivesse ele buscado a solidão do seu quarto e ali, discretamente e em silêncio, extinguido a própria vida. Teria passado assim a ser um pobre jovem, vítima da impiedade da existência que certamente lhe negara qualquer chance de ser feliz. Mas mesmo nessas circunstâncias, não se trataria ainda de um suicídio solitário. Após tantos séculos, com tantos casos e tantas observações e estudos, já sabemos com segurança que o suicida, além do objetivo primário de deter a própria existência, ou o próprio sofrimento, também almeja com o seu gesto comunicar-se com alguém ou com o seu entorno. Mata-se para punir ou despertar remorsos em alguém; ou para mostrar que não era aquela pessoa pequena, insignificante e incapaz que ele mesmo se considerava e achava que os outros também assim o rotulavam; ou para agredir e expressar o seu repúdio a um mundo e a um sistema político,
econômico ou religioso; ou até para fazer a mais dramática propaganda de uma ideologia. Muitas outras possibilidades aí podem ser inseridas. A Lubitz, de modo algum interessava apenas a morte de um deprimido, consciente das próprias limitações, com pleno conhecimento de que sua carreira, seu projeto de vida, não poderia ir muito longe nem atingir o patamar dos seus sonhos, até porque sua precária sanidade mental já começara a vazar, nas prescrições, recomendações e licenças médicas que, por enquanto, ainda conseguira ocultar. Se o ato do suicídio é sempre uma atuação para alguém ou para outros, haverá de exigir um palco, com cenário e plateia, a fim de que possa ser perpetrado. Aí então as possibilidades e as variações da execução passam a se multiplicar, conforme exijam a personalidade e as condições existenciais do suicida. Se dominado pela autopiedade e pela necessidade de suscitar a condolência do seu mundo, lhe convirá a morte solitária e triste, envolta na penumbra do isolamento. Se, ao contrário, o suicida se sente injustiçado, vilipendiado, expropriado e espoliado pela Existência, esse quer que a sua morte ganhe status de “grand finale”, como se estivesse a exercer “a grande vingança”, mostrando o erro de não terem reconhecido seu valor essencial. Este último certamente foi o caso de Andreas Lubitz e do seu espetacular suicídio, ao lançar um avião repleto de pessoas que sequer conhecia, contra a cordilheira dos Alpes. A grande verdade é, porém, saber que o suicida não apenas mata a si mesmo, mas realiza um ato que extrapola a sua morte e vai, de algum modo, atingir a muitos, quiçá um recado para toda a humanidade.
João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO
Se o ato do suicídio é sempre uma atuação para alguém ou para outros, haverá de exigir um palco, com cenário e plateia, a fim de que possa ser perpetrado. Aí então as possibilidades e as variações da execução passam a se multiplicar, conforme exijam a personalidade e as condições do suicida”
A4
Opinião
MANAUS, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015
Frase
Painel VERA MAGALHÃES
Aditivo suspeito
O ente federado que mais sofre é o município. O grande investidor é a União, mas a obrigação de construção de escolas, postos de saúde, pagamento de funcionários, por exemplo, é dos entes municipais. Então se a competência é desses e a União é que tem os recursos, a conta está errada. Não basta ser um bom gestor, tem que haver o financiamento necessário para suprir todas as áreas
Na campanha de 2014, a Controladoria-Geral da União recebeu do ex-funcionário da SBM Jonathan Taylor detalhes do pagamento de um aditivo de duas páginas, no valor de R$ 311 mil, assinado com o lobista Julio Faerman nas eleições de 2010. De acordo com a versão do ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, a SBM deu US$ 300 mil naquele mesmo período, a pedido do PT, para ajudar a campanha de Dilma Rousseff, dinheiro que não aparece na prestação de contas. Planilha O pagamento integra a tabela com os repasses de US$ 31 milhões para a conta da Bienfaire, empresa de Faerman nas Ilhas Virgens Britânicas (paraíso fiscal). O quadro mostra os valores, as datas de transferências e, ao lado, a data de cada fatura. Planilha 2 No caso dos US$ 311 mil de 2010, está descrito como “taxa de sucesso” e “no invoice”, ou seja, sem fatura. Em entrevista à Folha, Taylor diz que a versão de Barusco é “muito provável”. Dito pelo... Antonio Carlos de Almeida Castro, advogado de Roseana Sarney (PMDB-MA) e Edison Lobão (PMDB-MA), vai protocolar na próxima semana perícia no Supremo para reforçar seu pedido de anulação do inquérito contra os dois. ...não dito Kakay mandou transcrever depoimento do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa em 11 de fevereiro deste ano em que o delator desdiz, segundo ele, acusações contra os peemedebistas que havia feito em setembro do ano passado. Artilheiro
Luiz
Edson
Fachin, indicado por Dilma Rousseff para o Supremo, chegou a jogar futebol profissionalmente em sua juventude. Foi centroavante de um time pequeno do Paraná. Enturmado Foi ainda professor de vários delegados e procuradores que atuam na Lava Jato, além de ser colega do juiz Sergio Moro na Universidade Federal do Paraná. Presidente... Depois da contraofensiva de ministros aos pedidos de impeachment planejados pela oposição pelas “pedaladas” fiscais, o Planalto vai brigar para que a maquiagem das contas de 2014 fique longe do colo de Dilma. A ideia é restringir o debate à equipe econômica. ...teflon O objetivo é evitar que se repita a crise aberta quando, em março de 2014, a presidente tentou se defender da responsabilidade pela compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras e ficou no centro das discussões. Chateados A entrevista que o relator do caso, José Múcio, deu após a sessão no TCU deixou o governo “magoado”, segundo um ministro.
Publicidade Nas últimas reuniões do conselho político, ministros concordaram que o governo precisa dar nova carga à mensagem de que trabalha para combater a corrupção. A preocupação renasceu com a prisão do ex-tesoureiro João Vaccari Neto. Garantia O grupo ainda não acredita que Renan Calheiros (PMDB-AL) romperá com o Planalto porque o estremecimento das relações poderia prejudicar seu filho, que governa Alagoas e depende de verbas federais.
Ronaldo Lessa, deputado federal (PDT-AL), defende que o país defina um “novo pacto federativo”, pois “estamos longe de ser um Estado federado. O Brasil clama pelas reformas”.
Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br IONE MORENO
Deixe estar Convencidos de que Marta Suplicy vai deixar o PT, dirigentes preferem que ela o faça logo. Acham que suas críticas ao governo Dilma e ao prefeito Fernando Haddad perderão força quando ela não for mais petista. Vacas magras Secretários de Geraldo Alckmin (PSDB) receberam notícia da Fazenda paulista de que a previsão de arrecadação de ICMS pode ser novamente revisada para baixo. Queixam-se de insegurança e falta de recursos para investimentos.
Tiroteio
O Dia do Índio, celebrado neste 19 de abril de chuvas mil, existe para lembrar que os primeiros habitantes deste condomínio de brancos que virou o Brasil estão caminhando, sem lenço e sem documento, muito rapidamente para a extinção... e a plateia pede bis. O Dia do Índio é uma espécie de mea culpa, mea maxima culpa, do tipo que se jura aos sábados e se esquece aos domingos
Dom Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br
Dilma cometeu crime com a pedalada fiscal e não pode terceirizar a responsabilidade, como fez com a economia e a política.
Índios
DE CÁSSIO CUNHA LIMA (PB), líder do PSDB no Senado, sobre a oposição usar a maquiagem das contas do governo como base para o impeachment da petista.
Depois de cinco anos de missão no Acre preparava-me para partir. Era a primeira vez que me despedia. Foram muitas celebrações, almoços, jantares e cafés regionais. Os diversos grupos se revezavam para apresentar suas despedidas, dizer obrigado por tudo e desejar sucesso na nova missão. Entre tantas pessoas que vieram nunca me esqueci de uma senhora, mãe de família, professora, católica praticante. Além de tudo havia me tornado amigo dos seus filhos, jovens adultos como eu. Ela e o marido eram pessoas de honestidade a toda prova e caridosos do jeito que só as pessoas do interior sabem e podem ser. Deu-me um abraço sentido e me declarou amizade e admiração pedindo e prometendo orações. Mas tinha algo a me reprovar. Quando ela me disse isto fiquei preocupado, não pela minha imagem, mas porque levo muito a sério a recomendação de Jesus de não escandalizar os pequenos. Depois de alguns rodeios ela me disse que nunca tinha gostado de ver índios na casa paroquial e que às vezes até tinham feito refeição comigo. Fiquei profundamente aliviado e disse aquela senhora que ficasse tranquila, e que talvez este fato fosse o que de mais evangélico eu tivesse feito durante o tempo que passara na cidade. Naquele dia compreendi que preconceito e racismo vão além da moralidade. Pessoas santas, como aquela senhora, podem ser preconceituosas e racistas. As raízes do preconceito são profundas. Os invasores da Amazônia precisavam justificar o genocídio de povos e nações que não queriam se submeter à escravidão. Vistos como inferiores, ferozes, podiam
Contraponto
Façam o que eu digo Durante o debate sobre a imposição de limite de vinte ministérios, o deputado Espiridião Amim (PP-SC) fez um apelo a Eduardo Cunha (PMDB-RJ), autor da proposta: --Vá ao meu Estado, em sua cruzada de austeridade, para extinguir o legado do PMDB, de 59 secretarias! Chico Alencar (PSOL-RJ) acrescentou: – E que na volta passe no Rio, e convença o correligionário Pezão a extinguir 5 das 25 secretarias de Estado... Lincoln Portela (PR-MG) lembrou: – Mas antes os peemedebistas precisam ir à posse de Henrique Eduardo Alves no Ministério do Turismo! Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”
CENTRAL DE RELACIONAMENTO Atendimento ao leitor e assinante ASSINATURA e CLASSIFICADOS
Diretor de Redação Mário Adolfo marioadolfo@emtempo.com.br
3211-3700 assinatura@emtempo.com.br classificados@emtempo.com.br
REDAÇÃO
Editora-Executiva Tricia Cabral — MTB 063 tricia@emtempo.com.br Chefe de Reportagem Michele Gouvêa — MTB 626 michelegouvea@emtempo.com.br
3090-1010 redacao@emtempo.com.br
CIRCULAÇÃO
3090-1001
Diretor Administrativo Leandro Nunes administracao@emtempo.com.br Gerente Comercial Gibson Araújo comercial@emtempo.com.br
circulacao@emtempo.com.br Norte Editora Ltda. (Fundada em 6/9/87) – CNPJ: 14.228.589/0001-94 End.: Rua Dr. Dalmir Câmara, 623 – São Jorge – CEP: 69.033-070 - Manaus/AM
Gerente de Marketing Aline Nobre alinenobre@emtempo.com.br EM Tempo Online Yndira Assayag — MTB 041 yndiraassayag@emtempo.com.br
DO GRUPO FOLHA DE SÃO PAULO
www.emtempo.com.br
Presidente: Otávio Raman Neves Diretor-Executivo: João Bosco Araújo
@emtempo_online
/amazonasemtempo
/tvemtempo /
Os artigos assinados nesta página são de responsabilidade de seus autores e não refletem necessariamente a opinião do jornal.
ser assassinados. Suas culturas foram vistas como diabólicas e sua religião foi demonizada. Como por milagre estes povos resistiram e ainda existem. Desde que cheguei à Amazônia tenho visto seu número aumentar e suas organizações se fortalecerem. Considero um privilégio o fato de ter estado próximos a tantas comunidades e povos indígenas nos últimos trinta e sete anos da minha vida. Por tê-los conhecido, aprendi a respeitá-los e a me solidarizar com eles. Fui dos que se alegraram quando seus direitos foram inscritos na Constituição. Por isso, me incomoda o fato que pessoas de responsabilidade e detentoras de poder no Estado brasileiro usem uma linguagem preconceituosa em relação aos povos indígenas, como por exemplo, uma autoridade que diz que os índios urbanos deveriam voltar para o mato, demonstrando todo seu preconceito e desconhecimento cultural e antropológico injustificáveis. Hoje é Dia do Índio. Pode ser simplesmente mais uma data no calendário e como acontece com tantas outras datas, ser apenas ocasião para manifestações folclóricas. Espero que seja uma ocasião para olharmos para nós mesmos como brasileiros e nos reconhecermos como uma nação pluriétnica falando muitas línguas, cantando muitos cantos, experimentando a presença de Deus de muitas formas, e, sobretudo contando muitas histórias. Para isto é preciso defender a nossa Constituição que reconheceu aos povos indígenas alguns direitos inalienáveis. Se permitirmos que sejam tocados estaremos preparando um futuro sombrio não para os índios, mas para todos.
Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus
Hoje é Dia do Índio. Espero que seja uma ocasião para olharmos para nós mesmos como brasileiros e nos reconhecermos como uma nação pluriétnica falando muitas línguas, cantando muitos cantos, experimentando a presença de Deus de muitas formas”
Com a Palavra A5
MANAUS, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015
PAULO PIMENTA
‘A questão DOS DIREITOS humanos É CULTURAL’
FOTOS: ANWAR ASSI
ANWAR ASSI Equipe EM TEMPO
B
“Não é só respeitar, mas valorizar a diferença como algo positivo e não como uma ameaça. Respeitar a diferença é o básico. O que temos que aprender é valorizar a diferença”
rasília – O deputado federal Paulo Pimenta (PT/RS), desde o último mês de março, tem uma missão um pouco espinhosa. Ele foi eleito para presidir a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, local onde hoje são travados embates fervorosos sobre assuntos polêmicos como o da criminalização da homofobia ou o da legalização do aborto. Ciente das dificuldades que possui pela frente e com a experiência de quem está há 12 anos no mandado, Paulo Pimenta afirma, em entrevista exclusiva concedida ao EM TEMPO, em Brasília, que está “200%” preparado para conduzir os trabalhos da Comissão. Apesar do fogo cruzado entre os grupos conservadores, classificados de BBB (Bíblia, Boi e Bala) - representados, respectivamente, pelos blocos evangélicos, ruralistas e os da chamada “Bancada da Bala” - e os grupos de esquerda e seus aliados LGBTs, o parlamentar, que também é jornalista por formação, garante que as grandes causas que aflingem os Direitos Humanos no país serão debatidas pela sociedade. EM TEMPO – Após as eleições presidenciais do ano passado, vimos um aumento das manifestações de ódio que não extrapolam apenas o sentimento de alguém que está instatisfeito com um resultado de uma eleição. A serpente do fascismo botou a cabeça para fora para destilar seu ódio, principalmente, nas redes sociais. Como explicar esse fenômeno no Brasil, que tem uma imagem de país tolerante? Paulo Pimenta – Hoje, há um cenário mundial de acirramento de uma pauta conservadora. Na Europa, por exemplo, vemos a questão do fundamentalismo religioso, graves problemas de conflitos por causa da emigração, o crescimento de partidos de extrema-direita. E não é diferente no resto do mundo. No Brasil, o que acontece não é um fenômeno que está fora desse contexto. Em cada lugar, esse conservadorismo se
manifesta de maneira diferente. Porém, há uma base comum. A crise do capitalismo se agravou nos últimos anos, o que torna mais disputadas as oportunidades na sociedade. Nesses períodos de crise, as manifestações de ódio crescem porque determinados setores se sentem ameaçados nessa disputa. A pessoa que reage contra o nordestino, reage porque o nordestino disputa com ele ou com o filho dele, por exemplo, uma vaga na universidade ou no emprego. A empregada doméstica clandestina agora tem carteira assinada e recebe hora extra. Todos esses fatores levam ao acirramento dos conflitos. EM TEMPO – Então, essas manifestações de ódio são reflexos de uma disputa de classe? PP – Sim. A disputa de classe sempre existiu no Brasil. Porém, em períodos de crescimento econômico e de mais fartura, essa disputa não se manifesta de forma tão aguda como estamos vendo agora. Também, essa disputa cresce em outras áreas por causa do fundamentalismo religioso, da intolerância da questão de gênero, da violência contra os jovens negros. Todos essas temas possuem um núcleo comum que é a pauta de aumento conservador e a dificuldade de conviver com a diferença. EM TEMPO – O que a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados pode fazer para combater essas manifestações de ódio, em especial, nas redes sociais? PP – As redes sociais, de alguma maneira, facilitaram que essas manifestações de ódio fossem extravasadas. Quase todas elas ficaram impunes. Muitas pessoas ficaram surpresas ao verem seus vizinhos pregando ódio na internet. Você entra, por exemplo, no Facebook dessas pessoas que destilam ódio e elas estão promovendo insultos racistas ou contra outros grupos. As redes sociais serviram como uma espécie de escudo, achando, em um primeiro momento, que era um espaço livre para cometer crimes de ódio. A Comissão sempre foi um espaço de amplificação do debate. Foi para essa finali-
dade que ela foi criada. EM TEMPO – Quais são os principais desafios da Comissão? PP – Os desafios são vários. Porém, neste primeiro momento temos o combate à intolerância religiosa, que ganhou uma dimensão muito grande no país, o extermínio da juventude negra e a necessidade de criminalizar a homofobia. São pautas muito fortes que estão na ordem do dia e que são geradas pela realidade do país. EM TEMPO – Como será tratada a questão da intolerância religiosa? PP – De vários aspectos. Temos um aspecto que envolve um conjunto de denúncias relacionadas a crimes de ódio praticados por determinados setores evangélicos mais fundamentalistas que possuem um discurso que estimula uma reação violenta contra gays, por exemplo, e até outros grupos religiosos, como os de matrizes africanas. A verdade é que temos uma diversidade religiosa muito grande no Brasil que precisa ser respeitada e ter seus direitos garantidos. EM TEMPO – Neste caso, como fazer para se aproximar desses grupos mais radicais e evitar que outros membros da comunidade evangélica sejam estigmatizados por causa do comportamento de um grupo que não representa todos? PP – De fato, não devemos tratar os evangélicos como um grupo monolítico. Há muitas pessoas evangélicas que não são reacionárias. Quanto aos mais radicais, eles vão ter que respeitar as diferenças. EM TEMPO – Temos visto também o aumento de casos de preconceito contra estrangeiros, em especial, contra os haitianos. Como fica o combate a xenofobia no país? PP – Tudo isto é uma questão cultural que precisa ser trabalhada. Uma vez, presenciei um caso muito singular. Estive em Tabatinga, no Amazonas, e também, estive no Acre, no início da chegada dos haitianos. Depois fui para Caxias do Sul, que é uma das cidades mais ricas do Rio Grande do Sul, e um
vereador fez um duríssimo discurso contra os haitianos. O sobrenome do vereador é italiano. Essa região é de grande colonização italiana. Os italianos chegavam, naquela época, em condições iguais ou até piores que os hatianos chegam agora. O que esperar de um vereador que no tronco familiar tem pessoas que vieram e foram recebidas de braços abertos? Pelo menos esperávamos um sentimento de solidariedade e fraternidade. EM TEMPO – Por conta dos conflitos do Oriente Médio, membros das comunidades muçulmanas e judaicas acabam sendo alvo de preconceitos e, às vezes, responsabilizados por crimes que terceiros cometeram. Grupos fascistas têm se aproveitado para pregar abertamente o assassinato e a destruição dos templos dessas comunidades aqui no Brasil nas redes sociais. Quais medidas podem ser adotadas para evitar discriminações e preservar os direitos humanos? PP – Temos no Brasil a presença de muitos membros dessas comunidades que deram importante contribuição para o desenvolvimento do país. A questão dos direitos humanos é uma questão cultural. Não é só respeitar, mas valorizar a diferença como algo positivo e não como uma ameaça. Respeitar a diferença é o básico. O que temos que aprender é valorizar a diferença. EM TEMPO – Como o senhor vê a questão do aborto? PP – Ninguém defende uma campanha para as pessoas cometerem aborto. Porém, o aborto não pode ser criminalizado, mas sim tratado como uma questão de saúde pública. EM TEMPO – O senhor é jornalista e autor de uma PEC que devolve a obrigatoriedade do diploma para os profissionais formados em jornalismo. O senhor acredita que a obrigatoriedade será aprovada? PP- Os jornalistas não podem trabalhar de forma precária. É uma profissão importante para a sociedade e a liberdade de expressão no país.
As redes sociais, de alguma maneira, facilitaram que essas manifestações de ódio fossem extravasadas”
Os jornalistas não podem trabalhar de forma precária. É uma profissão importante para a sociedade e a liberdade de expressão no país”
A6
Política
MANAUS, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015
Senadores faltam a quase 25% das sessões plenárias
Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS
www.claudiohumberto.com.br
O PT é mais forte do que alguns palhaços”
Quarenta funcionários da Petrobras sob suspeita Aos menos quarenta funcionários da Petrobras podem ter participado do esquema de corrupção desmantelado pela operação Lava Jato, segundo fontes policiais. Experientes investigadores acreditam que os ex-diretores Paulo Roberto Costa (Abastecimento), corrupto confesso, e Renato Duque (Serviços), presos pela Justiça, não comandariam o fabuloso esquema de corrupção sem o auxílio de um “staff” corrupto.
Staff da corrupção O “staff” dos ex-diretores teria atuado não apenas na própria sede da Petrobras como também em obras como a refinaria de Abreu e Lima. A hora vai chegar Nesta fase, a operação Lava Jato se empenha em definir o papel dos líderes do esquema, para depois identificar seus cúmplices. Muito trabalho As diretorias de Abastecimento e de Serviço da Petrobras coordenam outras dez subdiretorias. A Polícia Federal investiga todas. PEC da Maioridade Rubens Júnior (PCdoB-MA) protocolou no STF mandado de segurança para barrar o andamento da PEC 171, que reduz a maioridade penal. Cunha exige que PT controle CUT e ONGs gay A nomeação de Henrique Alves no Ministério do Turismo foi quase um gesto de rendição de Dilma, mas o deputado Eduardo Cunha continua insatisfeito. Ele exige, por exemplo, que o PT e o governo controlem a CUT e entidades sob sua influência, como
ONGs gay, que o hostilizam por onde ele passa, Brasil afora. A irritação do presidente da Câmara pode dificultar a aprovação das medidas de ajuste fiscal do governo. ‘No pau’, não Eduardo Cunha também põe na conta do Planalto o fato de a militância da CUT constranger deputados favoráveis ao projeto da terceirização. Ameaças Fiador do projeto de lei da terceirização, Eduardo Cunha está disposto a ir à forra, caso a proposta não avance. O PT irrita Cerebral, de inteligência privilegiada para o bem e para o mal, Eduardo Cunha tem um ponto fraco: o PT costuma mexer nos seus nervos. Boca livre na Casa Branca Dilma fará apenas uma visita de trabalho a Washington, em junho, mas vai ficar hospedada na Blair House, honraria reservada a poucos, e ainda terá direito a jantarzinho na Casa Branca. Mas se fosse aquela visita de Estado cancelada, seria jantarzão, no mínimo 600 convidados. Caiu o ritmo Pode não parecer, mas o ritmo de prisões pela Polícia Federal em 2015 é menor que em 2014. No ano passado foram 2.441 prisões, no total. Desde o início do ano, operações da PF já prenderam 16 servidores. Só falta apoio Em tempo de redução de gastos, o senador Alvaro Dias é autor de Proposta de Emenda à Constituição
Jornalista
DIVULGAÇÃO
EX-SECRETÁRIO DA PRESIDÊNCIA, Gilberto Carvalho, sobre a cassação do registro do PT
Em um levantamento feito no Congresso, quatro senadores faltaram mais de 112 vezes às sessões plenárias da casa
(PEC) que reduz o número de senadores de 3 para 2, por Estado, e de deputados federais em 20%. Bolsa bilionária O governo Dilma já destinou R$ 4,7 bilhões ao programa Bolsa Família em 2015: a Bahia é o que mais recebe (R$ 610 milhões), seguida por São Paulo (R$ 404 milhões) e Maranhão (R$ 380 milhões). Importante é a pose Henrique Alves rastejou em Brasília para ser ministro só para dizer em seu Estado que desfruta de “prestígio”, apesar de Lula e Dilma lhe terem negado apoio em sua derrotada campanha ao governo potiguar. Não passa O senador Aécio Neves (PSDB-MG) não acredita que o ajuste fiscal de Dilma passe no Congresso, sem alterações. Diz que o governo quer que o trabalhador pague o fruto da irresponsabilidade da presidente. Han? Luciano Coutinho deixou os oposicionistas de orelha em pé em audiência, na CPI da Câmara. Havia suspeita de que o presidente do BNDES estava usando ponto eletrônico, mas era um aparelho auditivo. Pelo impeachment A oposição aguarda o Dia do Trabalho (1º de maio) para realizar manifestação pelo impeachment de Dilma. Paulinho da Força (SD) afirma que a ideia é “deixar o governo sangrando no feriado”. Pior fica O deputado Tiririca (PRSP) tem sério concorrente na Câmara: o líder do PT, Sibá Machado (AC), depois da atabalhoada defesa de Vaccari.
PODER SEM PUDOR
Sentença de morte Papel em branco aceita tudo. Em Vajota (CE), o candidato a prefeito Gentil Pires (PSB) convenceu um adversário a ser seu vice prometendo renunciar em dois anos. E entregou a ele um papel em branco com sua assinatura. Eleito, Gentil não cumpriu o trato. E a vingança foi cruel: a Câmara Municipal recebeu uma carta-renúncia, onde ele confessava bater na mulher, beber muito e não se sentir “em condições morais” para o cargo. Destituído, ele reconheceu a sua assinatura, mas não a carta. Moral da história: assinar em branco é a sentença de morte amanhã.
O deputado federal Lobão Filho (PMDB-MA) faltou 164 sessões das 400 obrigatórias do Senado
N
a última legislatura, de fevereiro de 2011 a dezembro de 2014, nove parlamentares faltaram o equivalente a um ano de sessões. Deixaram de comparecer a pelo menos 112 reuniões destinadas a votações – ou seja, a um quarto das realizadas nos quatro anos. As sessões deliberativas são aquelas marcadas para votação, as únicas em que a presença é obrigatória. É o que mostra levantamento exclusivo feito pela revista Congresso em Foco sobre a assiduidade dos senadores. O ranking dos parlamentares que deixaram de comparecer a 25% das 451 sessões deliberativas da legislatura traz nomes conhecidos da política nacional. O senador mais faltoso foi Lobão Filho (PMDB-MA), suplente de seu pai Edison Lobão (PMDBMA), ministro de Minas e Energia no primeiro mandato
de Dilma Rousseff. Isso fez com que Lobão Filho exercesse o mandato por quatro anos. Das 400 sessões de que deveria participar em seu mandato, o primeiro suplente se ausentou em 164. Dessas faltas, 53 estão sem justificativa. Em maio de 2011, Lobão Filho sofreu um acidente automobilístico, o que contribuiu para a soma de ausências na casa (foram 26 licenças médicas naquele ano). Mas, ainda assim, o peemedebista aparece como o senador que teve mais faltas não justificadas em 2013 e 2014. Ausentes Além de Lobão Filho, estão entre os que faltaram o equivalente a um ano de sessões Mário Couto (PSDB-PA), Jader Barbalho (PMDB-PA), Fernando Collor (PTB-AL), Sérgio Petecão (PSD-AC), Francisco Dornelles (PP-RJ), Cícero Lucena (PSDB-PB), Epitácio Cafe-
teira (PTB-MA) e Kátia Abreu (PMDB-TO). Nem todos os senadores podem ser enquadrados na mesma condição. Alguns deles atribuíram parte de suas faltas a problemas de saúde. Aos 90 anos, Cafeteira, por exemplo, acumulou 46 licenças médicas apenas no ano passado. Os dados extraídos da página oficial do Senado apontam que Lobão Filho e Mário Couto faltaram a mais de um terço das sessões. Os dois senadores lideram a lista de faltas dos últimos quatro anos. Jader Barbalho foi o mais ausente em 2012 e 2013, ficando em terceiro lugar entre os mais faltosos da legislatura. Apesar de ter iniciado o mandato no final de 2011, Jader deixou de compareceu a 137 sessões no período em que estava no mandato. A maioria de suas faltas, 116, foi abonada devido às licenças apresentadas à mesa diretora.
Renan Calheiros também na lista Em quarto lugar está o expresidente Fernando Collor. O petebista não marcou presença em 28% das 424 sessões. Collor e Petecão continuam no mandato. Francisco Dornelles é vice-governador do Rio de Janeiro. Jader está de licença médica e Kátia Abreu se afastou do Senado para comandar o Ministério da Agricultura. Procurados pela reportagem, nenhum dos par-
lamentares mais ausentes se manifestou. O levantamento também traz os senadores com faltas injustificadas. Na lista – em segundo lugar – está o presidente do Congresso Nacional, o senador Renan Calheiros (PMDB). Das 119 sessões, Calheiros faltou 10 vezes sem justificar. Calheiros contesta e diz que estava cumprindo agenda oficial nestes dias.
A assessoria do presidente do Senado enviou os seguintes esclarecimentos à reportagem, em que contesta o número de ausências não justificadas levantado pela revista: “Informamos que, embora não conste na lista de presença do Plenário, o presidente do Senado, Renan Calheiros cumpriu agenda oficial, conforme publicado no Diário do Senado Federal.
A7
Estado não tem leis que
reduzam crimes na internet Opinião é de parlamentares do Amazonas que não veem ações para coibir os crimes praticados pelas redes sociais
P
arlamentares amazonenses defendem a criação de legislações para coibir crimes cometidos nas redes sociais, no entanto, no Estado não há nenhuma legislação em vigor que possa reduzir tais delitos. A discussão voltou à tona após uma imagem divulgada na rede social WhatsApp, de que um casal estaria sequestrando crianças para roubar e vender seus órgãos. A notícia se espalhou rapidamente e ganhou grande proporção e até a polícia precisou publicar nota oficial desmentindo a publicação. Mas, este caso não é isolado, pois várias pessoas já foram
vítimas de crimes por meio da internet e muitos precisaram mudar de cidade e até abandonar os estudos, entre outras situações. Pensando nisso, a vereadora Therezinha Ruiz (DEM) apresentou e teve a aprovação da lei municipal que institui a campanha permanente de conscientização contra o cyberbullying. “Com a medida, vai ser possível trabalhar na prevenção do cyberbullying dentro das escolas e compartilhar as ideias com os pais das crianças”, defendeu. O prefeito de Manaus, Arthur Neto (PSDB), sugeriu à parlamentar a elaboração de um projeto complementar à lei número 74/2014, para punir com medidas mais rígidas aqueles que venham a praticar
o bullying. A ideia, segundo ele, é coibir cada vez mais essa prática. “O projeto da Professora Terezinha trata da violência que se pratica pela internet. É uma atitude muito covarde que mexe com a honra das pessoas. É um projeto que visa, em primeiro lugar, a prevenção e a conscientização e sem dúvida é um grande projeto”, destacou Arhur Neto. Para o deputado estadual José Ricardo Wendling (PT), que preside a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), essa questão é preocupante. O parlamentar informou que já foi procurado por várias pessoas preocupadas com o que sai na internet, principalmente pais de alunos. “Isso é algo novo.
Toda essa questão precisa ser melhor verificada, por isso, acredito que seja importante haver na legislação ações que possam coibir qualquer tipo de crime ou discriminação nas redes sociais. Tive conhecimento do projeto da vereadora Therezinha Ruiz e compartilho dessa ideia. Sou totalmente a favor”, explicou o petista. Wendling disse, ainda, que de sua parte não apresentou projetos nesse sentido e que não tem conhecimento que algum tramite na Assembleia Legislativa, mas que se houver projetos nesse sentido receberá seu apoio. “Temos que trabalhar no sentido de limitar, pois há liberdade de expressão, mas não liberdade para denegrir a imagem de uma pessoa. ARTHUR CASTRO
MOARA CABRAL Equipe EM TEMPO
Falsa liberdade nas redes Presidente da Comissão de Jovens, Crianças e Adolescentes da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), o deputado Carlos Alberto (PRB) acredita que, a rigor da lei que inibe os crimes por mídia social, trazidos à público com a divulgação, sem autorização, de imagens da atriz Carolina Dickman, deve se aplicar a todos os segmentos, principalmente para os alvos considerados pelos autores dessa prática criminosa como os “mais fáceis”: as crianças e os adolescentes. “Chamo a atenção dos pais desses menores que, sob uma falsa liberdade, deixam seus filhos expostos ao mau caratismo de aproveitadores que se infiltram nas redes sociais e acabam por enganarem nossos menores”, alertou o republicano e acrescentou que, “enquanto presidente da comissão que envolve esse segmento estarei atento às denúncias que porventura possam ameaçar
nossas crianças e não medirei esforços para que os protagonistas desses atos sejam devidamente assistidos e seus algozes punidos”. Recorde A Lei Carolina Dieckmann, como ficou conhecida a lei 12.737/2012, sancionada em 3 de dezembro de 2012 pela Presidente Dilma Rousseff (PT), que promoveu alterações no Código Penal Brasileiro (Decreto-Lei 2.848 de 7 de dezembro de 1940), tipificando os chamados delitos ou crimes informáticos. A legislação é oriunda do projeto de lei 2793/2011, apresentado em 29 de novembro de 2011, pelo Deputado Paulo Teixeira (PT-SP), que tramitou em regime de urgência e em tempo “recorde” no Congresso Nacional, em comparação a outros projetos sobre delitos informáticos que as casas de leis apreciavam.
MES I R C OS TERNET DA IN
Por isso, se alguém apresentar um projeto nesse sentido, terá o meu apoio, com certeza”, assegurou Wendling. Sem preparo O colega de partido, vereador Professor Bibiano, acredita que há boas intenções, mas que o Estado e Manaus não estão preparados para combater esse tipo de crime pelas redes sociais. Segundo ele, é preciso criar mecanismos e um desdobramento entre governo do Estado e prefeitura para que de fato possam ter eficácia as leis apresentadas, como a da vereadora Therezinha. Bibiano lembrou que vários inocentes já foram prejudicados por causa de crimes nas redes sociais. Ele lembrou o
caso de uma senhora que foi agredida e, no final, ela não tinha nada a ver com o que a estavam culpando. Assim como aconteceu com esse casal, que alegaram ser sequestradores. “O que leva as pessoas a cometer esse tipo de crime, não sei. Deve ter vários motivos, talvez por querer apenas denegrir a imagem de alguém, até culpar de fato alguém por algum delito”, explicou Bibiano. O parlamentar enfatizou que talvez o governo do Estado, por meio da Secretaria de Segurança Pública (SSP), ou profissionais qualificados pudessem criar algo para rastrear e identificar as pessoas que cometem esse tipo de crime. “Acredito que é preciso criar mecanismos de segurança”.
LEI CAROLINA DIECKMANN 1) Art. 154-A - Invasão de dispositivo informático alheio, conectado ou não à rede de computadores, mediante violação indevida de mecanismo de segurança e com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização expressa ou tácita do titular do dispositivo ou instalar vulnerabilidades para obter vantagem ilícita. Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa. 2) Art. 266 - Interrupção ou perturbação de serviço telegráfico, telefônico, informático, telemático ou de informação de utilidade pública - Pena - detenção, de um a três anos, e multa. 3) Art. 298 - Falsificação de documento particular/cartão - Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa. Carolina Dieckmann teve fotos íntimas publicadas nas redes sociais
Carlos Alberto pede rigor contra crimes na web
Parlamentares admitem que as leis são brandas contra crimes na internet
FOTOS: DIVULGAÇÃO
Política
MANAUS, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015
A8
Política
MANAUS, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015
Caderno B
Economia MANAUS,, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015
economia@emtempo.com.br
(92) 3090-1045
ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
Gastos acima da média com a beleza Economia B2
FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
Paletas mexicanas caem no gosto do manauense
Empreendedores apostam na rentabilidade do negócio e abrem fábricas e lojas em bairros e shoppings do produto que ganha consumidores apaixonados
EMERSON QUARESMA Equipe EM TEMPO
D
epois da “febre” dos temakis, cupcakes e hambúrgueres artesanais na linha gourmet, a grande novidade do comércio de fast food de Manaus agora são as paletas mexicanas. Um sorvete em palito - de sabores que vão do internacional ao regional -, maior que o tradicional picolé da massa, ganha força no mercado local com abertura de fábrica e lojas em conjuntos, bairros e até mesmo em shopping da cidade. Nascidas no México, como o nome bem sugere, as paletas são produzidos a partir de frutas frescas, sem corantes, conservantes ou aditivos químicos. No Brasil elas ganharam suas adaptações, bem como em Manaus, com o lançamento de sabores regionais como o de cupuaçu e o de açaí. Apaixonados pela novidade que conheceram em São Paulo, um grupo empreendedor de quatro amigos criou a Los
Gelados Paleteria, localizada na rua Rio Branco, conjunto Vieiravel, bairro Nossa Senhora das Graças, Zona CentroSul. Segundo Renata Carvalho, uma das sócias do empreendimento, a empresa produz e vende as próprias paletas. Inaugurada no dia 27 de março deste ano, a empresária afirma que as vendas superaram em 60% as expectativas. Com 30 sabores diferentes divididos nas categorias Frutadas, Cremosas, Recheadas e Premium, o outro sócio da Los Gelados, Geraldo Barroso, conta que o grupo trabalha na expansão do negócio de forma comedida, para não perder a qualidade do produto. Na última sexta-feira, 17, eles inauguraram nova loja no Millenium Shopping, Zona Centro-Sul. Geraldo não fala, no momento, mas também não descarta a possibilidade de criar franquia a partir de um modelo que conquistaram a partir de estudo de mercado. No entanto, segundo ele, a expansão da marca seguirá a
partir de parcerias com outras empresas. “Não vamos com afobação para manter o nível das paletas”, frisa. Outro empreendimento que aposta nas paletas mexicanas é o Gusta Mais
É um produto muito saboroso que encontrou público bem apaixonado em Manaus e vai durar no mercado com toda certeza Júlio Cabral, estudante de gastronomia
Paleteria. Recém inaugurada no Centro Comercial Laranjeiras, na avenida Tancredo Neves, bairro Parque 10, Zona Centro-Sul, a loja conquistou clientes fiéis. O movimento animou o proprietário Daniel Barreto, que planeja expandir para outros bairros.
Em Manaus é possível encontrar outras paleterias como o quiosque Sí, Me Gusta, no Manaus Plaza Shopping. Com 50 gramas a mais que o tradicional picolé da massa de buriti, por exemplo, a paleta mexicana é em média doze vezes mais cara. No mercado manauense, elas custam entre R$ 8 a R$ 12. Consumidor apaixonado, o estudante de gastronomia Júlio Cabral, 26, considera o preço da paleta mexicana justo pelo tamanho do produto e os recheios que elas trazem. “É um produto saboroso que encontrou público em Manaus e que vai durar, com certeza”, avalia. A arquiteta e urbanista Layanne Garavito, 25, diz que conhecia o produto apenas de nome pelo que via na internet. Ela conta que provou uma paleta pela primeira vez em Manaus, durante a inauguração da Los Gelados. Para Layanne, o produto é tão bom que mesmo em dias de chuva (como no dia da entrevista) ela para a fim de consumir uma paleta com os amigos.
Sócios planejam expansão do empreendimento na cidade
Negócio de baixo risco Por se tratar de uma novidade do ramo de alimentos, os riscos sobre o investimento são menores, mesmo em tempos de crise, segundo avalia o economista Neuler Almeida, membro do Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon-AM). Professor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), ele diz que apostas em fast food - comida rápida - são mais comuns porque são necessidades constantes. Segundo o economista, o mercado de alimentos é uma boa aposta porque as pessoas estão sempre propensas a consumir coisas novas, como aconteceu com os cupcakes e hambúr-
Paleterias de Manaus oferecem até 30 sabores de frutas que vão do internacional ao regional, como melancia, cupuaçu e açaí
gueres coloridos. A durabilidade deles no mercado, no entanto, vai depender do gosto dos consumidores. Neuler estima que um produto novo se mantenha em alta, em média de seis meses a um ano. “Nesse mercado, a empresa, para continuar ser competitiva, precisa sempre inovar. No caso dos alimentos, a novidade durará por algum tempo até ser substituída por algo novo. Depois que a novidade é apresentada no mercado, aquele investimento não necessariamente será extinto, caso se firme no gosto popular como uma necessidade continua”, observa o economista.
B2
Economia
MANAUS, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015
‘Espelho meu, quem gasta com beleza mais que eu?’ Mulheres amazonenses não pensam duas vezes antes de desembolsar valores maiores que a média nacional para ficarem bonitas FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO
O
s gastos com serviços e produtos de beleza há tempos deixaram de ser vistos como futilidade e, hoje, fazem parte obrigatória do orçamento das mulheres amazonenses. Para ficar mais bonitas, elas não pensam “duas vezes” em desembolsar mais que a média nacional, que gira em torno de R$ 200, de acordo com uma pesquisa feita por uma empresa do ramo. A secretária Josielma Ferreira da Silva, 21, revela que gasta quase R$ 600 por mês para se embelezar. Segundo ela, em média, são R$ 350 para fazer chapinha, escova e hidratação no cabelo, além de rena e manicure e pedicure, e em torno de R$ 200 para comprar produtos como xampu, creme para o corpo, máscara, perfume, maquiagem entre outros. Ela conta que vai, em média, quatro vezes por mês ao salão. Para a secretária, a elevada despesa com serviços e produtos de beleza é justificável quando se trata de elevar a autoestima da pessoa. “Toda mulher precisa se cuidar. É um gasto que te deixa bem. No meu caso, quanto mais me arrumo, mais eu fico bem comigo mesma”, conta. Já a estudante Solange Félix Bezerra, 21, acredita que o seu gasto com produtos e serviços de beleza está dentro da média do consumo das mulheres brasileiras, em média R$ 200 por mês. Mas, ela destaca que alguns serviços ela mesma
faz em casa para economizar, como, por exemplo, chapinha, manicure e pedicure. “Devo desembolsar mais dinheiro com a compra de xampu, condicionador, creme, perfume e maquiagem. Mas para quem é vaidosa assim como eu, esse gasto vale a pena”, relata.
Mercado local está aquecido Para o empresário do ramo da beleza Beto Pontes, os dados da Glambox refletem a cultura do brasileiro que, de forma geral, associa mais a beleza ao bem-estar. Segundo ele, o fato influencia nas vendas de produtos, bem como nas vendas de serviços de beleza, tendo em vista que hoje essas atividades são feitas fora de casa. Pontes destaca o crescimento do mercado em Manaus. Conforme ele, as vendas de produtos, bem como dos serviços de beleza, crescem dentro da média do mercado nacional, sendo que sua empresa registrou crescimento em torno de 15% nos últimos cinco anos. A média de gastos dos clientes nos salões do empresário gira em torno de R$ 160 por visita. Bem localizado e com excelente infraestrutura, a rede de empresas dele é voltada prioritariamente ao mercado A e B, que também vive período de pleno crescimento na capital.
Pesquisa Segundo a pesquisa realizada pela Glambox com aproximadamente 20 mil assinantes, o gasto médio com produtos de beleza por mês chega a R$ 200. Conforme o CEO da empresa, Fernando Leal, o Brasil é o terceiro maior mercado do mundo para produtos e serviços de beleza, o que representa US$ 22 bilhões em receitas anuais. “Estima-se que este mercado cresça 15% ao ano até 2017”, relata em nota. Venda casada Dono da rede Amanda Beauty Center, uma das maiores da cidade que agrega venda de serviços e produtos de beleza, Beto Pontes defende a venda casada. Conforme ele, é uma boa ideia tanto para a empresa, que aumenta seu faturamento, quanto para os clientes, que têm a possibilidade de fazer o serviço e comprar o produto em um só lugar. “A pessoa não precisa se deslocar a outro local, evitando desta forma o estresse do deslocamento nesse trânsito de Manaus. Além disso, faz o tratamento correto no salão e continua em casa, pois recebe assessoria adequada com um profissional”, frisa Pontes.
Cliente manauense recebe tratamento cuidadoso no cabelo em salão de beleza da cidade
País é campeão em consumo O gerente geral da Jafra no Brasil, Roger Chain, confirma que o país é um dos primeiros em consumo de produtos e serviços de beleza. “Nos últimos anos, o setor cresceu acima de 10%. Somente no ano passado foi que o segmento apresentou menor aumento em virtude do ano difícil da economia brasileira”, explica. Para este ano, ele conta que a expectativa, em geral, é de ser complicada para todos os segmentos econômicos. Entretanto, o mercado de beleza, principalmente das empresas que trabalham com o sistema de venda direta, preveem
que continue se desenvolvendo. “Ao que tudo indica, o crescimento do mercado de beleza não vai ser direcionado pelo consumo, mas sim pela oportunidade de negócio das empresas de venda direta”, frisa. Fatores Ele lembra que em momentos de crise, dois segmentos não deixam de crescer, o de bebidas e o de beleza. Segundo o gerente geral da Jafra, um levantamento feito em diversos países chegou a essa conclusão. “A bebida é porque o homem bebe mais para esquecer o momento ruim, já
a beleza é porque, mesmo em período difícil, a mulher não deixa de comprar seu batom, seu perfume ou outro produto”, comenta. A companhia no Brasil cresce em torno de 30% a 35% ao ano, conforme Chain. O portfólio da empresa engloba toda área de beleza, sendo o foco principal os perfumes. Segundo ele, as fragrâncias internacionais são desenvolvidas pelas melhores casas de perfumaria do mundo. Além disso, há linhas de tratamento para o rosto e corpo, de relaxamento e terapia, maquiagem, dentre outros.
Alguns salões de beleza vendem até perucas para as mulheres que querem ter um novo visual
Economia
MANAUS, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015
B3
Alternativas para o PIM
De olho na queda de faturamento da indústria amazonense, que afeta também a manutenção dos postos de emprego no parque fabril, especialistas do Corecon-AM sugerem a execução de um projeto de marketing para atrair novas empresas
A
implantação de um projeto de marketing direcionado a investidores para atrair novas empresas ao Polo Industrial de Manaus (PIM) é uma das alternativas para ampliar o desempenho do modelo. A avaliação é de especialistas do Conselho Regional de Economia do Ama-
zonas (Corecon-AM). A busca é necessária por conta da queda no faturamento do PIM. A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) divulgou que em fevereiro as vendas das indústrias caíram 14,21%. Conforme a autarquia, no referido mês, o PIM faturou R$ 6,36 ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
O parque fabril perdeu 200 fábricas de 2004 até o ano passado
Alta mortalidade em dez anos Em fevereiro deste ano, o presidente do CoreconAM, Marcus Evangelista, em parceria com o conselheiro consultivo do entidade, José Laredo, apresentaram um estudo que demonstrava que mais de 200 indústrias fecharam as portas no parque fabril de Manaus, entre o período de 2005 e 2014. De acordo com o estudo, no ano passado, o PIM fechou o ano com o total de 482 fábricas em operação. Se comparado com o ano de 2004, a indústria amazonense contava com o total de 690 empresas em plena atividade. O mesmo levantamento mostrou também que a taxa de natalidade de novas indústrias instaladas a partir dos incentivos da Zona Franca de Manaus (ZFM) estava em declínio. “Hoje, o investidor não busca apenas benefícios tributários para implantar o seu negócio em uma determinada região. Ele analisa a questão da logística, da mão de obra qualificada e a estabilidade do seu governo, no que diz respeito à economia e políticas públicas”, observa Evangelista. Trabalhadores A baixa na produção industrial no Estado do Amazonas também refletiu na
média mensal da mão de obra. Enquanto no mês de fevereiro de 2014, o período foi encerrado com o total de 126.595 vagas – entre efetivos, temporários e terceirizados – no mesmo mês deste ano o número baixou para 115.311. No acumulado do ano, a média mensal de empregos está em 115.958 postos, contra 122.100 do ano passado. Segmentos O subsetor de eletroeletrônicos se mantém como o maior responsável pelo faturamento total da indústria amazonense, com uma média de 30,86% de participação. Depois dos eletroeletrônicos os subsetores que mais faturam no parque fabril são o de duas rodas com 16,77% - que sofre com a falta de crédito -, e bens de informática, 16,38%. Em comparação com o bimestre de 2014 os segmentos que apresentaram crescimento de faturamento, em real, no acumulado do ano foram: mecânico (11,27%); bens de informática do polo mecânico (100,17%); papel e papelão (16,64%); químico (9,96%); têxtil (57,46%); mobiliário (23,89%); ótico (6,62%), brinquedos (1,67%) e diversos (69,60%).
bilhões contra R$ 7,41 bilhões do ano anterior, uma diminuição de R$ 1,05 bilhão. “Sabemos que a atual conjuntura da economia brasileira influenciou nesta queda. Se os governos se unissem para criar novas políticas de atração de empresas ao PIM – não necessariamente para
novas isenções tributárias –, teríamos um impacto menor. Entretanto, é preocupante ver que esse cenário aponta para a falta de perspectiva do modelo”, alerta o vice-presidente do Corecon-AM, Nelson Azevedo, também vice-presidente da Federação das Indústrias do Amazonas (Fieam).
Entre as alternativas para atrair novas empresas, o presidente do Corecon-AM, Marcus Evangelista, citou o planejamento e execução de um projeto de marketing externo do modelo, com a criação de missões governamentais a outros Estados e países para mostrar os benefícios de ins-
talar empresa em Manaus. “É uma ação simples e que geraria um gasto reduzido ao governo se compararmos com o potencial de retorno. Hoje, não podemos mais nos dar ao luxo de esperar que os investidores nos procurem. É necessário fomentar o mercado”, completo Evangelista.
B4
Economia
MANAUS, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015
Crimes on-line são pouco denunciados no Amazonas EMERSON QUARESMA Equipe EM TEMPO e assessoria
A
s reclamações em Manaus contra problemas dos serviços do e-commerce são muito baixas. Conforme dados do Departamento do Programa Estadual de Proteção, Orientação e Defesa do Consumidor (Procon-AM), até abril, somente quatro denúncias contra lojas virtuais foram registradas junto ao órgão. Segundo a coordenadora do Procon-AM, Rosely Fernandes, as reclamações ocorreram porque produtos como roupas, livros e cosméticos não chegaram à casa dos compradores. “É um número pequeno porque vai muito da cultura sobre a modalidade de compra do amazonense. Existe muita insegurança quanto a esse serviço pela internet”, avalia. Rosely alerta aos consumidores que buscam compra pela internet que se certifiquem quanto à segurança do site ecommerce. “Antes de se arriscar é importante verificar se o site tem um selo de segurança (em formato de cadeado), que hoje são encontrados nas maiores lojas virtuais do país. Sem o selo, a pessoa corre o risco
de não ter o seu produto nas mãos”, observa. Alternativa para analisar sites problemáticos é a lista elaborada pela Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor de São Paulo (Proncon-SP). Em função da Black Friday do ano passado, o órgão registrou quase 500 sites que deveriam ser evi-
LENTIDÃO
Apesar do crescente número de fraudes por e-mail e os prejuízos que provocam, alguns setores se mostram lentos à adesão do protocolo DMARC, como varejo (21%), bancário (19%) e saúde (8%) tados. A lista está disponível no site oficial do órgão (www. procon.sp.gov.br). Procurada para falar sobre crimes no âmbito da internet que prejudicam o e-commerce no Brasil e nos Estados, a Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (Câmarae.net) informou que não tinha estudos ou pesquisas e que, portanto, não teria nenhum
DIVULGAÇÃO
Procon-AM registrou de janeiro até abril deste ano apenas quatro denúncias contra serviços de vendas pela internet porta-voz para dissertar sobre o assunto. E-mails O documento produzido em fevereiro pela Return Path, que traz a análise de 1.049 grandes marcas de 31 países e 11 setores, quanto à adoção do DMARC (do inglês, Domain-based Authentication, Reporting and Conformance), revela que, globalmente, apenas 22% dessas companhias deram os primeiros passos para uma melhor proteção contra fraudes em email. Na América Latina, a taxa caiu para 15%, enquanto o nível de maior adesão está nos Estados Unidos (33%) e no Canadá (33%). No Brasil, 75% das caixas de entradas dos consumidores estão protegidas, incluindo contas do Gmail, Hotmail e Yahoo!. A taxa mais alta de proteção está na Rússia (90%) e em Hong Kong (90%), enquanto os Estados Unidos aparecem em segundo lugar (85%). “A alta preocupação dos provedores é importante, mas não é suficiente para combater as fraudes por e-mail. É necessário que as marcas assumam uma postura pró-ativa contra essas ameaças. Os prejuízos são evidentes”, completa Bucciarelli.
OS CRIMES DA INTERNET
Baixa adesão de compras pela internet dos amazonenses é classificada como questão cultural
Economia
MANAUS, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015
B5
Estado poderá produzir batata-doce para etanol FOTOS: DIVULGAÇÃO
Sudam defende a criação de um polo de produção do biocombustível no Amazonas a partir de parceria com o governo
Em parceria com a Universidade Federal de Tocantins, a Sudam lançou, em Palmas, o Programa de Produção de Etanol Social da Amazônia, que estuda a possibilidade de produção na Região Norte SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO
A
produção de etanol começa a ser viabilizada para o Amazonas e os demais Estados da Região Amazônica, e ela virá a partir da produção de batata-doce. Os resultados começaram a ser apresentados pelo Programa de Produção de Etanol Social da Amazônia, lançado em março, em Palmas (TO), pela Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), em parceria com a Universidade Federal do Tocantins (UFT). O superintendente da Sudam, Djalma Mello, conta que trabalha sobre uma agenda de visitas, inclusive com o governador do Amazonas, José Melo, para discutir, entre outros assuntos, a possibilidade de o Estado implementar um polo de produção de etanol. “Nós pretendemos conversar com os governos estaduais da Amazônia Legal para que cada Estado implante um viveiro de mudas. O objetivo é evitar que eles tenham que ir a Tocantins buscar as mudas da planta”, afirma. A iniciativa da Sudam partiu da necessidade de encontrar alternativas capazes de viabilizar a produção de etanol na região, uma vez que não é possível financiar o plantio de cana de açúcar na Amazônia devido à resolução número 3813/2009, do Banco Central, que proíbe o cultivo desse produto em territórios da Amazônia. Segundo pesquisas da UFT, a batata-doce tem capacidade de produção superior a da cana de açúcar na produção de etanol, tanto o hidratado quanto o anidro. A pesquisa aponta que a batata-doce possui também vantagens sobre outros vegetais utilizados para a fabricação de etanol, pois não necessita de queimada e pode ficar até 14 meses embaixo do solo. Con-
forme o estudo, uma tonelada de batata-doce pode produzir até 199 litros de álcool e 300 quilos de resíduos úmidos, que se transformam em 150 quilos de farelo com o mesmo teor protéico do farelo de soja, próprio para a alimentação animal. Conforme Djalma, a pesquisa da UFT chegou a dez espécies de batatas-doces industriais para produção de etanol, são elas: Duda, Amanda, Ana Clara, Beatriz, Julia, Bárbara, Izabela, Marcela, Lívia, Carolina e Vitória. Ele destacou que já foi desenvolvida uma máquina capaz de produzir o etanol. “Já estamos com a matéria prima, temos também a máquina que produz o etanol e recursos do
Vantagens à agricultura familiar O estudo da UFT revela que a grande vantagem do etanol da batata-doce recai para o sistema de agricultura familiar, uma vez que a implantação de miniusinas (1.200 litros/dia) é viável economicamente somente para este modelo. Para os desenvolvedores da pesquisa, este empreendimento pode significar uma
ótima opção para as famílias da área rural sem alternativas econômicas. A pesquisa indica que para o mercado de biocombustíveis, o etanol da batatadoce apresenta parâmetros técnicos compatíveis com as exigências da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Resolução 36. Além de finalidades como
combustível, o etanol da batata-doce, por ser um álcool fino, poderá também ser destinado ao mercado farmacêutico, à indústria de cosméticos, e principalmente à indústria de bebidas finas. O estudo ressalta que no Brasil esse setor importa por volta de 75% do etanol fino, fabricado a partir de cereais (álcool de fontes amiláceas).
PARCERIA
A parceria entre Sudam e UFT criou uma planta industrial para a produção de etanol a partir desta matéria-prima. A primeira usina fica localizada no campus da Universidade do Tocantins Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA). Agora só falta o Estado buscar empresários que queiram implantar as usinas”, revela. O superintendente da Sudam explica que, quando o Amazonas passar a produzir o etanol, os motoristas terão maiores vantagens econômicas como, por exemplo, sobre o preço nas bombas dos postos de combustíveis. Segundo ele, em Manaus o etanol custa até 90% em relação ao preço da gasolina. Para ele, o indicado seria um percentual de no máximo 70%. “Só assim seria mais vantajoso utilizá-lo ao invés da gasolina. Infelizmente o etanol vem de longe e tem custo de logística e transporte elevado e acaba não sendo interessante usá-lo”, frisa.
Entre as vantagens de produzir etanol na Amazônia está o barateamento do biocombustível
Pesquisa para o AM é necessária O Amazonas não produz nenhum tipo de batata-doce industrial, segundo dados do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam). A produção é voltada apenas para alimentação, segundo a engenheira agrônoma do Anecilene Buzaglo. Quanto à implantação de um viveiro com as espécies pesquisadas pela UFT, a agrônoma observa que é necessário desenvolver pesquisas, ou que a Empresa brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) analisem a adaptação no Estado. Ela avalia que em até dois anos a pesquisa daria resposta. Segundo o Idam, as variedades de batatadoce mais cultivadas no Amazonas são a compensa e a rainha e estão concentradas em municípios como Careiro da Várzea, Manaquiri e Envira. A produção estimada de 2014 foi de quase nove toneladas, em aproximadamente 568 hectares. O maior produtor foi Careiro da Várzea, seguido de Manaquiri e Envira. O volume representou crescimento em torno de 88% em relação à produção de 2013, quando foram produzidas 4.695 toneladas.
B6
País
MANAUS, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015
FOTOS: DIVULGAÇÃO
Adversários tentaram impedir transferência da capital para Brasília Mesmo assim, o então presidente Juscelino Kubitschek inaugurou a imponente cidade, erguida no Planalto Central, no dia 21 de abril de 1960
B
rasília (Agência Senado) - O senador João Villas Boas (UDN-MT) estava inconformado. Quando faltavam apenas duas semanas para a transferência da capital federal do Rio de Janeiro para Brasília, marcada para 21 de abril de 1960, ele subiu à tribuna do Palácio Monroe, a sede do Senado, no Rio, para argumentar que o presidente Juscelino Kubitschek cometia um erro grave ao inaugurar uma cidade ainda em obras. “O senhor presidente está distribuindo convites até a Sua Santidade o papa e à rainha da Inglaterra para virem assistir a quê? A andaimes, apartamentos em construção e ruas poeirentas, que só atravessálas nos deixa a roupa marrom. Isso na época da seca. Quando chove, é preciso tirar os sapatos e suspender a calça até o joelho para atravessar o lamaçal. A cidade também não tem luz nem esgoto. É grande o ridículo da parte de nosso governo”, atacou. Na próxima terça-feira, dia 21, a mudança da capital completa 55 anos. Documentos históricos guardados no Arquivo do Senado mostram que, às vésperas da transferência, o clima no plenário era de excitação. De um lado, a oposição (encabeçada pela UDN) insistentemente ocupava a tribuna para apontar cada falha de Brasília e exigir o adiamento da inauguração até que os políticos e os funcionários públicos encontrassem na cidade condições satisfatórias de habitação. Do outro lado, a base governista (liderada pela aliança PSD-PTB) se derramava em elogios a JK pela façanha de erguer uma cidade do nada, no vazio do Planalto Central, em apenas 4 anos. No mesmo pronunciamento, Villas Boas afirmou que a falta de hotéis em Brasília forçaria muitos dos participantes dos festejos inaugurais a se hospedarem em Goiânia e até mesmo em Araxá (MG). O senador oposicionista Mem de Sá (PL-RS) apoiou o colega. Ele, que semanas
antes havia inspecionado a nova capital, disse que nem o luxuoso Brasília Palace Hotel, aberto em 1958, era digno de receber os convidados estrangeiros de JK. “Quando lá estive, o hotel mostrava em inúmeros pontos as marcas da imprudência administrativa pela ânsia da construção em tempo recorde. Já eram inúmeros os lugares nos forros e nos tetos em que as infiltrações e a umidade faziam com que começassem a cair os revestimentos, que, de resto, são precários, de segunda e de terceira qualidade”, criticou. JK vinha inaugurando com pompa e circunstância cada edifício que ficava pronto. O objetivo era convencer o Brasil de que a transferência se daria, sim, em 21 de abril,
REVOLUÇÃO
A construção de uma nova capital federal causou muito rebuliço no final dos anos de 1950 e início dos 1960. Brasília foi construída em tempo recorde, num período de 4 anos. Ela completa 65 anos conforme mandava o cronograma original. “Em 21 de abril, pedir-seá emprestado um cadáver a Goiânia para a inauguração do cemitério de Brasília”, alfinetou Mem de Sá, arrancando gargalhadas dos senadores. Lobão da Silveira (PSD-PA) correu para defender o governo. Ele disse ter certeza de que Brasília estaria completamente em ordem dentro de poucos dias. “Em Brasília, trabalham-se 24 horas por dia e multiplicam-se os dias por três”, defendeu. Outro argumento dos opositores era que o governo passaria um bom tempo livre do controle popular, já que a nova capital ainda não oferecia a infraestrutura básica de telecomunicações às emissoras de rádio e TV.
Cidades ganharam apelidos
Capital federal foi erguida em 4 anos de intensos trabalhos
Mudança já estava prevista A mudança da capital do Rio para o centro do país já estava decidida desde o início da República. Atendendo uma determinação da Constituição de 1891, o presidente Floriano Peixoto criou no ano seguinte uma comissão que explorou o Planalto Central e apontou a área do Estado de Goiás que deveria abrigar a nova sede do governo. Aliado de JK, o senador Lima Teixeira (PTB-BA) apresentou o principal argumento dos chamados mudancistas. “Com a transferência da capital, levaremos um pouco do progresso do litoral para o interior do Brasil. Não é possível que continue o Brasil com duas zonas distintas: uma subdesenvolvida e outra próspera. Quando se concretizar a transferência, aqueles que aqui se utilizaram da tribuna para combatê-la hão de arrepender-se, diante das possibilidades econômicas
que impulsionarão o país”. Mesmo fazendo parte da base governista, o senador Caiado de Castro (PTB-DF) não escondia sua irritação com o ritmo das obras. Ele pediu a palavra para reclamar que seu apartamento funcional em Brasília ainda não estava pronto. “Não sou homem de comodidades. Nasci no Distrito Federal (a atual cidade do Rio), mas vivi no sertão. Como soldado, já dormi até em barraca. Mas, como senador da República, posso morar numa barraca em Brasília? Se receber as chaves do apartamento, irei para a nova capital. Se não, permanecerei aqui, na Cidade Maravilhosa, aguardando que termine a construção do edifício que terei que habitar”, disse. Com a mudança, a cidade do Rio deixaria de ser o Distrito Federal e se transformaria no Estado da Guanabara.
Congresso ainda estava inacabado quando cidade foi inaugurada
Assim, com repiques de sinos, missas, coquetéis, jantares e bailes, JK cumpriu sua promessa e inaugurou Brasília no feriado de Tiradentes. A derradeira sessão do Palácio Monroe ocorreu na tarde de 14 de abril, uma semana antes dos festejos. Cheios de nostalgia, os senadores se despediram do Rio. “Estas cadeiras que ocupamos vagas ficarão para todo o sempre”, discursou Argemiro de Figueiredo (PTB-PB). Guido Mondin (PRP-RS) citou os apelidos que Brasília e o Rio ganharam naquela época — Novacap (nova capital) e Velhacap (velha capital): No meio de todo aquele frenesi, o senador Affonso Arinos (UDN-DF) advertiu que ninguém havia se preocupado com o busto de Ruy Barbosa que adornava o plenário. A efígie do célebre jurista, que foi senador de 1890 a 1921, quase ficou
para trás na mudança para Brasília. O senador Cunha Mello (PTB-AM), que presidia a sessão, avisou que a mesa do Senado acolhia a sugestão e decidia que a imagem seria levada para a nova capital — é a mesma que hoje se encontra no plenário do Senado. A primeira sessão do Senado no edifício assinado por Oscar Niemeyer se realizou um dia após a inauguração da capital, em 22 de abril. Villas Boas, Mem de Sá, Krieger e Caiado, os senadores mais críticos da mudança, faltaram. Dos parlamentares presentes, o que se ouviu foram discursos ufanistas e de louvor a JK. Alô Guimarães (PSD-PR) descreveu Brasília como “uma revolução arquitetônica, urbanística, política, social e econômica” que conduziria o país a sua “destinação gloriosa”.
Oposição teve que ‘engolir’ êxito A oposição não teve como ignorar o êxito da mudança da capital. Nos pronunciamentos da sessão inaugural, porém, os senadores da UDN buscaram tirar o protagonismo de JK e destacaram apenas os trabalhadores que tornaram a nova capital realidade. Heribaldo Vieira (UDN-SE) discursou. “A União Democrática Nacional bate palmas ao povo, que nas suas carnes lancinantemente sofreu a fome e a miséria para que se pudesse construir Brasília no ritmo acelerado que hoje culmina com esta inauguração magnífica a que assistimos todos nós, representantes do povo e candangos que para aqui vieram edificar Brasília”.
Attilio Vivacqua (PR-ES) pediu ao “espírito patriótico” dos senadores que perdoasse “as falhas e imperfeições inevitáveis nesta obra gigantesca”. De fato, a cidade estava inacabada. Além disso, boa parte da papelada e dos funcionários do Senado não havia chegado a Brasília. Por isso, 40 senadores apresentaram um requerimento para que a casa entrasse em recesso. Freitas Cavalcanti (UDN-AL) advertiu que seria perigoso “impor-se silêncio a uma das casas do Poder Legislativo”. A oposição, mais uma vez, foi ignorada. A primeira sessão em Brasília se encerrava e o Senado entrava em recesso, voltando após 21 dias.
País
MANAUS, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015
B7
OAB vai alterar edital de exame após preconceito Estudante de direito foi retirada da prova por estar usando a tradicional vestimenta mulçumana, hijab, e sofreu ataques na internet
B
rasília – O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcus Vinicius Furtado Coêlho, afirmou, na última semana, que será determinado à banca examinadora contratada para aplicar o Exame de Ordem que altere os termos dos futuros editais, permitindo o uso de vestimentas religiosas quando o candidato for realizar a prova. O Conselho Federal da OAB tomou essa decisão em decorrência da examinanda Charlyane Silva de Sousa ter sido retirada da prova por estar usando a tradicional vestimenta mulçumana, hijab. Charlyane, juntamente com sua advogada, Daniela Dias, foi recebida pelo presidente nacional da OAB que, na ocasião, afirmou que “a OAB não aceita e não pode acatar quaisquer atos de discriminação, seja por pela opção religiosa, cultural ou qualquer outra”. A Constituição Federal assegura o pluralismo que o regra como princípio de existência da nossa sociedade. O pluralismo e o respeito à diferença e devem ser sempre praticados.
“A Ordem dos Advogados do Brasil tem a obrigação de pôr em prática esses princípios que levam à dignificação do ser humano”, destacou Marcus Vinicius. Charlyane afirmou que em sua religião “a vestimenta é muito importante para a mulher”. “O hijab faz parte da proteção feminina em re-
TRADIÇÃO
De origem muçulmana, a brasileira Charlyane Silva de Souza foi impedida de realizar a prova da OAB por estar vestida com roupa tradicional em respeito as suas origens. Ela sofreu ataques na internet lação à sociedade como todo e também aos olhos masculinos. Tirá-lo em espaços públicos fere a dignidade da mulher mulçumana”. O presidente afirmou também que a Ordem apoiará o projeto de lei (PL) 979/215, que propõe a criminalização da discriminação pelo uso de vestimentas ou paramentos
religiosos. Ainda em apoio à causa, os presidentes do Conselho, Marcus Vinicius, e da OS CRIMES OAB-PA, Jarbas VasconDA INTERNET celos, fizeram o convite para que a estudante de direito e a advogada participem da VI Conferência de Direitos Humanos da OAB, que será realizada em Belém (PA) entre os dias 27 e 29 de abril. Outras providências Além de determinar à banca o respeito às vestimentas religiosas, o Conselho Federal da OAB irá vedar aos fiscais que façam perguntas aos candidatos sobre a sua origem religiosa, social ou ainda de informação sobre a sua intimidade. “Os fiscais só tem uma obrigação: a de verificar se está havendo cola ou não”, disse Marcus Vinicius. Outra providência tomada pela OAB é a proibição de segregação, ou convite a que saiam da sala por conta de sua religião, cultura ou qualquer outro aspecto.
NO SENADO MOREIRA MARIZ/AGÊNCIA SENADO
Senador Telmário Mota (de cocar indígena) é descendente de índios e quer investigação
Morte de índios em investigação Brasília (Agência Senado) - O senador Telmário Mota (PDT-RR) vai recolher assinaturas para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as denúncias de assassinatos de índios em Roraima. Além disso, um grupo de trabalho deve ser formado na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa para tratar do mesmo tema. O anúncio das duas medidas foi feito pelo senador João Capiberibe (PSB-AP), após sessão em homenagem aos povos indígenas que aconteceu na última quinta-feira, no Senado. De acordo com o índio Anselmo Ianomâmi, no ano passado 140 índios dos povos ianomâmi, iecuana, sanomá e xirixana, que vivem em Roraima e no Amazonas,
morreram em um período de seis meses. A liderança indígena responsabilizou a Secretaria Especial de Saúde Indígena pelas mortes. “A Secretaria Especial de
DENÚNCIAS
De origem indígena, o senador roraimente Telmário Mota (PDT) quer a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado para investigar denúncias de mortes de índios em Roraima Saúde Indígena, através do Distrito Sanitário Especial de Saúde Ianomâmi e Iecuana, não dá assistência para o meu povo, assim como para todos os povos
indígenas do Brasil. Merecemos respeito. Queremos respeito, porque somos povos originários desta terra chamada Brasil”, denunciou Anselmo Ianomâmi. O senador Telmário Mota adiantou que já cobrou providências do Ministério da Saúde, mas se elas não acontecerem quer uma comissão parlamentar de inquérito para descobrir o que de fato ocorre com esses índios. Disse, inclusive, que alertou o ministro Arthur Chioro para a possibilidade. “Eu disse para ele: “Olha, eu vou abrir a CPI, inclusive para pegá-lo”. Se for o caso, vamos pegar ministro, presidente. Eu sou da base de apoio ao governo, mas a minha base são os meus povos”, afirmou Telmário, que nasceu em uma comunidade indígena.
REPRODUÇÃO/ARQUIVO PESSOAL
Estudante de direito, Charlyane Souza procurou o presidente da OAB para denunciar ação
B8
Mundo
MANAUS, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015
Europa se sente ameaçada com ‘aliança’ de Cuba e EUA AGÊNCIA EFE
Transações com UE beiram 30% do comércio exterior cubano; com abertura econômica, europeus deverão sofrer concorrência
Encontro entre líderes cubano e norte-americano, Raúl Castro e Barack Obama, respectivamente, impensável há algumas décadas, aconteceu na VII Cúpula das Américas, no Panamá, semana passada
R
io de Janeiro - “Confesso que não imaginava viver o suficiente para ver isso”. Foi com estas palavras que o escritor Fernando Morais comentou, em sua página no Facebook, a coletiva conjunta de imprensa dos presidentes Raul Castro e Barack Obama, após o encontro bilateral entre o cubano e o norte-americano. Uma percepção compartilhada por milhões de pessoas mundo afora, especialmente pelos que acompanharam de perto, como ele, os anos da Guerra Fria e o papel que a pequena ilha caribenha teve durante décadas nesta batalha ideológica. Não menos atônitos, porém mais apreensivos, estão os europeus: o bloco, que vinha há alguns anos estreitando laços com Cuba, chegando a ocupar hoje a posição de segundo maior parceiro econômico da ilha, teme perder espaço — e dinheiro — com a reaproximação entre Washington e Havana. Após mais de meio século sem relações diplomáticas,
o encontro realizado no Panamá, durante a VII Cúpula das Américas, a primeira com Cuba presente, foi histórico. “Os Estados Unidos olham para o futuro. Não estou interessado em disputas que francamente começaram antes de que eu nascesse”, lembrou Barack Obama. A guinada na condução da política externa norte-americana é criticada por uma parte da direita republicana, mas sem grande convicção. “Até eles reconhecem que a abertura para Cuba traz potenciais oportunidades de negócios muito positivas para os EUA”, explica a Opera Mundi Nicholas Birns, professor na Universidade New School, em Nova York. O ritmo com o qual o bloqueio à ilha será levantado ainda não está definido, mas está claro que uma página foi definitivamente virada. A notícia, no entanto, foi acolhida com um pouco de receio na Europa, onde vários países estão se esforçando para que os Estados Unidos não voltem a ser a referência principal em Havana, como era o caso antes da revolução
de 1959. O restabelecimento das relações entre Cuba e EUA “significa a queda de um segundo muro de Berlim”, declarou FredericaMogherini, a alta representante da União Europeia para Política Externa e Segurança. Ela acrescentou que a UE queria “expandir relações com todas as partes
RECEIO
Com a reativação das relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos, o próximo passo é reiterar as relações econômicas entre as duas nações, o que pode ameaçar transações da União Europeia da sociedade cubana”. Atualmente, a União Europeia é o segundo parceiro econômico de Havana, atrás apenas de Venezuela — assim, o temor europeu é, com a abertura econômica, perder espaço comercial com a reaproximação dos vizinhos norte-americanos.
Cuba e Europa As relações entre a UE e a ilha estão conturbadas desde 1996, quando o bloco, então constituído por 15 países, adotou a chamada “posição comum” em relação a Cuba. Incentivado pelo premiê conservador espanhol José Maria Aznar, o bloco apoiou a última rodada de sanções norteamericanas contra Cuba, a Lei Helms-Burton. “Esta posição foi, sem surpresa, muito criticada pelas autoridades cubanas, paralisando as conversas entre Havana e a UE”, lembra a Opera MundiClémentDoleac, pesquisador do Coha (Conselho de Assuntos Hemisféricos) em Washington. Apesar disso, 18 países europeus assinaram tratados de cooperação com Cuba, e a ilha nunca chegou a ser excluída das cúpulas bilaterais América Latina–Europa, organizadas desde 1994. No entanto, em julho de 2003, vários jornalistas independentes, ativistas sindicais e dissidentes foram presos em Cuba, acusados de conspiração; 75 pessoas foram condenadas a penas de 6 a 30
anos de prisão. Em seguida, o Conselho da UE congelou as relações diplomáticas com o governo cubano, suspendendo toda a cooperação com a ilha. Apos dois anos de tensão, a União Europeia decidiu finalmente deixar de convidar os opositores cubanos às celebrações oficiais, tal como as festas nacionais. Em consequência, Cuba normalizou os laços diplomáticos com vários países europeus, entre os quais França, Espanha (onde os socialistas tinham voltado ao poder) e Alemanha. A cooperação voltou, e foi muito ampliada em 2008, quando a ilha foi castigada por três furacões seguidos. Educação “Nosso interesse vai muito além da área econômica”, pondera o ministro francês MatthiasFekl. Ter uma relação estreita com Cuba é também uma maneira, para Paris, de manter laços fortes com toda a América Latina. Após demonstrar um interesse fraco na região durante a gestão de Nicolas Sarkozy (2007-2012),
a França voltou a olhar para América Latina, usando a sua ferramenta mais famosa, a cooperação universitária. É nesse âmbito, por exemplo, que o país participa do programa brasileiro Ciência Sem Fronteiras. “Não faz sentido pensar uma política universitária latino-americana sem incluir a primeira potência educadora da região, que é Cuba”, explica um alto funcionário do Quai d’Orsay, o Itamaraty francês. Cuba é o país que recebe mais estudantes latino-americanos, “mais do que os Estados Unidos, Espanha ou França”, ressalta o funcionário. Além disso, a Aliança Francesa de Havana é proporcionalmente a maior do mundo, com 12 mil alunos, ou seja, um a cada mil habitantes da capital cubana. Dizem que ela deve este prestígio ao fato de que Che Guevara a frequentava durante sua adolescência na Argentina. Para Paris, como para toda Europa, conversar com Cuba acaba sendo uma maneira de conversar com toda América Latina.
MANAUS, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015
diadia@emtempo.com.br
(92) 3090-1041
FCECON/DIVULGAÇÃO
Caderno C
Dia a dia
FCecon faz seleção para bolsistas Dia a dia C7
Infâmia em tempos de web
RICARDO OLIVEIRA/ARQUIVO EM TEMPO
Disseminação de boatos, acusações e tentativas de denegrir imagem de desafetos crescem em um ritmo impressionante, por má-fé ou intenções nitidamente criminosas. Enquanto isso, a lei se prende a um conceito incerto sobre crimes virtuais
OS CRIMES DA INTERNET
Um notebook ou celular, mais acesso a todas as redes sociais existentes e um pouco de más intenções: está pronta a receita de crimes cada vez mais comuns nos tempos de acesso irrestrito à web
E
m janeiro passado, a secretária Amanda (nome fictício a pedido da entrevistada, a fim de preservar sua identidade) descobriu da pior forma que tinha sido vítima de uma montagem feita na internet com utilização de suas fotos em redes sociais. Usuária – como dez entre dez usuários – do aplicativo de mensagens instantâneas WhatsApp, ela começou a receber muitas mensagens, até então algo normal, uma vez que utiliza o chat para contatos profissionais. “Como passo meu contato para muitas pessoas por causa do trabalho, costumo receber mensagens de números estranhos. Só que elas aumentaram muito”, lembra. Ao checar as mensagens, veio a surpresa: eram propostas de encontros. “Fui investigar como conseguiram meu contato e descobri que pegaram algumas fotos de meu Instagram (rede social para compartilhamento de fotos) e juntaram com imagens pornográficas e colocaram em um site gay, me oferecendo para programas”, conta Amanda. Com ajuda de amigos, a secretária entrou em contato com o administrador do site, que imediatamente retirou as fotos. No entanto, dois meses depois, o problema se repetiu. “O administrador disse que apenas recebe as fotos e as coloca, sem que haja nenhum tipo de filtro ou triagem”, explica. “Minhas fotos nas redes sociais são todas blo-
queadas, então quem as enviou foi alguém, infelizmente, do meu ciclo de amigos. Na primeira vez eu fiquei bem nervosa e me sinto de mãos atadas, pois não tenho como denunciar quem eu não sei que faz isso”, lamenta. A “saia justa” enfrentada por Amanda foi apenas um caso de um problema que aumenta cada vez mais, com resultados até mesmo fatais. No dia 6 de maio do ano passado, a dona de casa Fabiane Maria de Jesus foi enterrada em Guarujá (SP), três
TRANSTORNO
A secretária Amanda teve fotos copiadas de seus perfis em redes sociais e montadas com imagens pornográficas. As montagens foram parar em sites de encontros homossexuais dias depois de ser espancada e morta por moradores de uma comunidade do município, após a confundirem com uma mulher que supostamente raptava crianças para rituais de magia negra. O retrato falado da sequestradora foi publicado num post da comunidade “Guarujá Alerta” no Facebook. O administrador da página, duramente criticado por internautas após o crime – alguns chegaram a afirmar que ele teria de ser responsabilizado pela ação - foi convocado a depor no mesmo dia. O retrato falado atribuído a
Fabiane Maria de Jesus havia sido feito por policiais da 21ª DP (Bonsucesso), em agosto de 2012. Na ocasião, uma mulher tentou roubar um bebê do colo da mãe em uma rua de Ramos, na Zona Norte do Rio. Inocente, Fabiane, que no dia do seu assassinato estava a caminho da igreja que frequentava, foi vítima de um julgamento precipitado pelos usuários das redes sociais. Boataria Na semana passada, outro boato que circulava nas redes sociais e aplicativos de mensagens foi desmentido pela polícia. A foto do casal Luis Alejandro González, do Chile, e Malvina Serrano, da Argentina, foi postada junto a uma mensagem que acusava a dupla de sequestro e tráfico de órgãos. Eles teriam raptado e assassinado três crianças em Manaus – a mensagem, inclusive, trazia nomes e bairros das supostas vítimas -, porém a Polícia Civil informou que nenhum caso do tipo havia sido registrado no Instituto Médico Legal (IML). Já a Polícia Federal, órgão apontado como o autor da denúncia, esclareceu que trata exclusivamente da entrada e saída de estrangeiros do país. Na verdade, González e Serrano estão foragidos desde 2012, acusados de pertencer a uma rede de tráfico para prostituição. O casal operava no Chile, em 2009, e agora faz parte da lista de procurados pela Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal).
A fonte dos crimes mais comuns A dificuldade em achar os autores e a própria legislação colaboram para que esses tipos de problemas aconteçam. Hoje, além de servir como meio de informação e interação, as redes sociais como Facebook, Twitter e até o WhatsApp passaram a serem associadas a crimes que vão desde calúnia e difamação à contratação de matadores de aluguel e outros ilícitos mais graves, como garantiu o titular da Delegacia Interativa da Polícia Civil, Irineu Brandão Junior. A lei de crimes virtuais, a 12.737/2012, popularmente conhecida como “Carolina Dieckmann”, desde o ano da sua criação até hoje recebe muitas críticas de juristas, peritos, especialistas e profissionais que trabalham di-
retamente com a segurança de informações. Na capital, por exemplo, desde que a lei entrou em vigor nenhum caso de crimes virtuais se encaixou na legislação, pois o virtual é caracterizado como o meio para cometer os crimes mais conhecidos, como calúnia e difamação, entre outros. Logo que a lei foi sancionada, a ideia que surgiu foi a criação de uma unidade da Polícia Civil especializada para os crimes virtuais. Em Manaus não foi diferente, e até 2013 o governador do Estado da época reforçou que uma unidade seria implantada para trabalhar diretamente com casos desse tipo. O departamento de segurança considerou que não há necessidade para a implan-
tação de uma especializada, como surgiu em Brasília e em outros Estados do país. O delegado Irineu, que desde a revolução da legislação trabalha com os casos de crimes virtuais, garante que a internet só passa a ser um meio para um indivíduo cometer os crimes mais conhecidos. Os casos passam pelas mãos do delegado, que após uma análise os transfere para uma especializada. “Um caso de um ex-namorado que aproveita fotos íntimas do casal e publica em alguma rede social ou compartilha com os amigos não deixa de ser uma difamação, injúria, que já existe no código. Antes eram feitos por cartas. Agora, o meio é diferente, mas não chega a ser considerado um crime virtual”, explicou. DIVULGAÇÃO
ISABELLE VALOIS, DANIEL AMORIM E CÉSAR AUGUSTO Equipe EM TEMPO
A lei sobre os crimes virtuais recebe críticas ainda hoje pelo conceito do que é virtual
C2
Dia a dia
MANAUS, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015
Crimes virtuais não têm ‘tratamento’ diferenciado JOEL ROSA/ARQUIVO EM TEMPO
Fora os casos de hackers e clonagens, demais crimes perpetrados pela internet contra a dignidade são tratados como comuns
OS CRIMES DA INTERNET Os crimes cometidos em redes sociais acabam se enquadrando como comuns, o que dificulta a obtenção de dados sobre a real ocorrência desse tipo de delito, que pouco chega à justiça comum ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO
O
delegado Irineu Brandão Júnior reforçou que é difícil destacar um caso em Manaus que entre nos critérios da lei “Carolina Dieckmann”, pois xingamentos em redes sociais não são considerados crimes virtuais. “Invasão de computador, invasão de rede e clonagem de cartão são considerados crimes virtuais”, reforçou. Mas, para que o crime seja comprovado, é necessária a análise de peritos. Irineu contou que certa vez uma empresa chegou a procurar a Interativa para fazer a denúncia de um caso que chegava a ser crime virtual, mas a companhia não possuía log dos computadores, que é necessário para continuidade do caso ou até pode repassar as informações ao juiz para tentar uma quebra de sigilo. Quando a pessoa passa por qualquer tipo de situação que envolva a internet, é necessário que, além de ter as provas em mãos, procure
uma delegacia mais próxima para registrar o caso. O delegado contou que uma vez um policial militar chegou a procurar a interativa por causa de ameaças que estava recendo pelo Whatsapp, por causa de uma eleição para a associação. Como o policial tinha as provas, que era a conversa, Irineu orientou que a vítima fizesse o print da conversa – cópia – e fato de ter o número de telefone do próprio acusado, que todos os dados fosse repassado para uma delegacia mais próxima e apresentasse todas as provas, para que o caso fosse investigado. “A situação não era algo de outro mundo. Agora se fosse anônimo, que iríamos precisar da quebra de sigilo o caso deveria ser encaminhado para uma especializada”, disse. A internet de alguma forma prejudica o trabalho de investigação da polícia, principalmente quando o envolvido efetua a compra de um produto em outro Estado ou até mesmo fora do país. Assim, o crime pode demorar meses para ser solucionado.
Investigações com obstáculos A outra dificuldade, segundo o delegado Irineu Brandão Junior, é conseguir a ordem de quebra de sigilo do juiz. “Não podemos simplesmente hackear um computador ou fazer a quebra de sigilo telefônico sem uma autorização para conseguir dados que devem entrar no processo. Para qualquer atividade que a polícia precisa fazer sobre esta situação é necessário a autorização judicial, caso contrário, é outro crime cometido para conseguir a prova de um crime, isso não é certo”, reforçou o delegado Irineu. Ele até lembrou um caso no qual o rapaz que estava recebendo ameaças apresentou o IP – número que identifica a rede, computadores e dados que foram utilizados para algo – do suspeito. De imediato, o delegado questionou a vítima para saber como
tinha conseguido aquela informação. Depois explicou para a vítima que a forma utilizada estava violando a legislação. Cuidados Em casos que envolvem crianças e adolescentes, o titular da interativa pede que os pais e responsáveis acompanhem diretamente todas as atividades de seus filhos, desde a criação de um perfil, que não é permitido para menores de idade, como também no tipo de aparelho que é dado para as crianças e adolescentes. “O problema de hoje é que os pais colocam os filhos no mundo e não querem fazer acompanhamento, pensam que quando o adolescente vive 24 horas em frente a um computador ou ao telefone ele está se entretendo, mas não. Pode algo mais grave está ocorrendo”, reforçou. Irineu orientou os pais
e responsáveis além de monitorar o uso da internet pelos filhos, que evite presentes de altos valores. “A criança ou o adolescente precisam ter uma boa parte do tempo ocupados, com estudos e atividades físicas, isso sim é evitar que aquela pessoa seja alguém no futuro que venha cometer algum ato contra a honra, celular tem que ser um aparelho simples para que você possa apenas se comunicar com seu filho, não um meio de distração para a criança”, explicou. Para o delegado o que realmente necessita é o trabalho mais sigiloso da polícia na internet, fato que vem cada vez mais se desenvolve nas perícias criminais no Amazonas. Segundo Irineu, há casos de homicídios em na capital que os executores foram contratados por meio de fórum virtuais.
A certeza equivocada da impunidade “Essas pessoas que cometem esse tipo de crime acreditam que a polícia não está acompanhando os casos e nem monitorando os meios, mas estamos preparados para acompanhar qualquer situação que envolva a internet”, garantiu Irineu. O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) informou que consta da resolução 46 do CNJ a nomenclatura “crimes virtuais”, porém em pesquisa realizada pelo setor de informação, até o momento não foi verificado nenhum processo referente a esse tipo de crime. Caso houvesse, esse tipo de processo seria distribuído para alguma vara criminal.
Dia a dia
HATERS,
MANAUS, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015
C3
MENSAGEIROS DO ÓDIO Postagens sobre o assassinato do menino Eduardo, no Complexo do Alemão, chocam o país. Garoto estudava, tinha bom desempenho na escola e haters o confundiram com a “escória criada pelo tráfico”
‘Meu filho não era bandido’ OS CRIMES DA INTERNET
MÁRIO ADOLFO Equipe EM TEMPO
S
ão muitos os atos de agressões verbais, homofobia, discriminação, preconceito e toda espécie de crimes praticados por meio das redes sociais. Mas dois posts, em particular, estarreceram o país na semana passada. As duas postagens tiveram origem no assassinato do menino Eduardo de Jesus Ferreira, 10 anos, morto pela polícia com um tiro de fuzil no fim da tarde de uma quinta-feira, 2 de abril, no Complexo do Alemão, comunidade da Zona Norte do Rio. Na bastasse a violência envolvendo o caso – muitas pessoas assistiram o policial estourar a cabeça da criança que brincava com o seu celular na escada de sua casa – um hater (pessoa que manda mensagem de ódio) paulista postou uma mensagem no Facebook que indignou a comunidade do Alemão, onde Eduardo morava e os seus professores que conheciam sua
Quando eu expressei esse comentário, não pensei nas palavras que estava escrevendo, não pensei no sentimento a família, no sentimento de pai, de mãe... (Hater que chamou o menino Eduardo que aplaudiu, na rede, os policiais que mataram o menino Eduardo)
Os pais de Eduardo, José Maria e Therezina de Jesus, vão processar os haters
FOTOS: DIVULGAÇÃO
generosidade. “Esse moleque que foi uma escória da sociedade, nem merecia ter nascido!!! Parabéns aos policiais que exterminaram esse verme criado pelo tráfico”. Além das palavras venais, ele postou a foto de uma criança com armas que sequer era a de Eduardo, revoltando ainda mais os moradores da comunidade. O segundo ciberataque é tão dolorido quanto o primeiro. O fundador da ONG Afroreggae, José Júnior, irresponsavelmente postou no Facebook que o menino Eduardo “era bandido”. Veja a postagem absurda de um maluco que se diz “pacifista” e que fundou uma ONG para “praticar o bem e lutar pelo politicamente correto”: “Esse menino, segundo informações, era bandido. Provavelmente, se fosse bandido, poderia ter matado um policial se tivesse oportunidade. A questão é quem está ganhando com essa guerra? Famílias inteiras sendo dilaceradas. Parte do efetivo do Complexo do Alemão e outras favelas tem como mão de obra meninos e meninas”, escreveu na rede social.
Os repórteres do programa “CQC – Custe o Que Custar”, da Band, Lucas Salles e Erick Krominsk, investigaram o caso do ciberataque e ficaram frente a frente com o hater paulista que chamou o menino Eduardo de “verme criado pelo tráfico” e aplaudiu os policiais que estouraram a cabeça da criança com um tiro de fuzil. — Deixa eu ler uma mensagem para você? Vou ler e você vai dizer qual a sua opinião –, perguntou o repórter Lucas Salles. Com a imagem desfocada e sem a identificação do nome, o hater concorda. O jornalista lê o texto postado nas redes sociais: — “Esse moleque que foi uma escória da sociedade nem merecia ter nascido!!! Parabéns aos policias que exterminaram esse verme criado pelo tráfico”. Você conhece esta mensagem? — Essa é uma mensagem que eu fiz. Fui infeliz e fiz sem pensar. — O que passa por sua cabeça ao escrever isso sobre uma criança que foi morta injustamente com um tiro na cabeça? —Vou falar a verdade, depois que eu escrevi é que eu fui ver. Procurei (a mensagem) para apagar e não encontrei mais. — Antes que você pense, aquele garoto não era do tráfico. — Eu vi uma foto de um garoto armado e pensei que fosse ele. — Você teria a coragem de chegar na cara da mãe do Eduardo e dizer que o filho dela era um verme e teria que ser exterminado? — Quando eu expressei esse comentário, não pensei nas palavras que estava escrevendo, não pensei no sentimento da família, no sentimento de pai, de mãe... A matéria de Erick e Lucas chocaram tanto a bancada do “CQC” que o âncora, Dan Stulbach, pediu “dez segundinhos” de silêncio para “pensar o Brasil que a gente está construindo e o país que a gente quer”. Depois do silêncio arrematou: — Eduardo, que tua morte não tenha sido em vão. Que sirva de exemplo para muitos e que a gente possa fazer algo diferente daqui para frente! O post do fundador da ONG Afroreggae, José Júnior, também causou estragos. Ao tomar conhecimento da mensagem, a mãe do menino, Terezinha Maria de Jesus, entrou em desespero. Mas teve forças para jurar na porta da Delegacia de Homicídios (DH) onde foi prestar depoimento, que vai processar José Júnior, coordenador do AfroReggae. — Quero mandar um recado para o José Junior, que disse que meu filho é bandido. Bandido é ele. Meu filho estudava e participava de projetos da escola. Nunca se envolveu com o tráfico. Ele era muito bom. Bandido não estuda e não tira nota dez. Ele disse também que meu marido mexia com coisa errada, só que meu marido trabalhava com carteira assinada. Vou processá-lo por isso –, disse Terezinha ao jornal “O Dia”, do Rio.
A ONG Rio de Paz subiu o Cristo Redentor e realizou um protesto contra a morte do menino Eduardo de Jesus, de 10 anos
C4
Dia a dia
Deep Web: o ‘underg FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
Em meio aos sites de acesso “normal”, existe um submundo virtual onde proliferam todos os atos ilícitos possíveis. Na Deep Web, há todos os tipos de crimes que são banidos na rede comum, mas ainda assim conseguem ser investigados
OS CRIMES DA INTERNET Eduardo Mazzoni, especialista em segurança de dados: a Deep Web é uma rede privada, utilizada para compartilhar e hospedar arquivos que não podem ficar disponíveis na internet convencional SÍNTIA MACIEL Equipe EM TEMPO
A
frase do médico e físico suíço-alemão Paracelso, “a diferença entre um remédio e um veneno está na dosagem”, apesar de ser do século 16, se mostra bem atual quando se refere ao uso da tecnologia. A mesma pode bem definir o ambiente da Deep Web (literalmente, “internet profunda”) e aqueles que por ela navegam. Mas o que é Deep Web e para que serve? Diariamente, internautas de várias partes do mundo navegam por sites de buscadores como o Google, de notícias, compras, redes sociais, entre outros. Esse “pedaço” da internet visto diuturnamente é a Surface Web e corresponde a aproximadamente 10% dos dados que percorrem a rede mundial de computadores. A internet vai além do que é mostrado pelas ferramentas de busca, e a outra parte - bem maior - e conhecida como Deep Web. Além de não ser acessada pelos Bing e Googles da vida, requer um navegador próprio
para ser acessado. “A Deep Web na verdade é uma rede privada, utilizada por instituções e pessoas que por questões de segurança compartilham e hospedam arquivos sigilosos, que não podem ficar disponíveis na internet convencional, que todos conhecemos”, explica o especia-
HISTÓRICO
O site TOR (The Onion Router, uma alusão ao formato da cebola, que é em camadas), foi criado pela Marinha dos Estados Unidos em 1996. Porém, o mesmo é mantido atualmente por voluntários lista em segurança de dados Eduardo Mazzoni. Anonimato Segundo Eduardo, por não ter um servidor fixo, os sites abrigados na Deep Web não podem ser rastreados, o que dificulta, por exemplo, os trabalhos da
polícia em tentar retirar do ar grupos ligados a comunidades de pedofilia ou à venda de drogas ilícitas. O anonimato, observa ele, é o que facilita a hospedagem destes sites, uma vez que o endereço IP - uma espécie de CEP do computador - original não pode ser identificado, devido ao uso do navegador TOR, que dificulta e embaralha a identificação dos computadores ao acessarem determinado conteúdo. “É verdade que algumas páginas já foram retiradas do ar, na Deep Web, a exemplo do Silk Road, pelo FBI, em outubro de 2013, além de uma operação para prender pedófilos, deflagrada aqui no Brasil pela Polícia Federal. Isso mostra que, apesar da segurança oferecida pela internet profunda, é possível rastrear alguns sites, ainda que seja um trabalho de formiguinha”, observa. Mazzoni estima em 10% o público brasileiro que navega pela Deep Web, enquanto os 90% restante são de estrangeiros, pois boa parte dos sites se encontram em inglês.
Salto da privacidade ao ilícito O que pesquisas científicas e documentos sigilosos podem ter em comum com o tráfico de drogas e de armas, pedofilia, contratação de matadores de aluguel ou ainda aquisição de um passaporte falso? “A finalidade da internet profunda, quando criada pelo Exército norte-americano, era a de privacidade e segurança de dados. Mas, dentro dela acabaram surgindo mercados ilícitos,
que, infelizmente, têm público para mantê-los”, destaca Eduardo Mazzoni. Repercussão Entretanto, Mazzoni observa que nem tudo é maléfico no ambiente da Deep Web, se referindo ao caso do site WikiLeaks, fundado pelo ciberativista Julian Assange, que em 2010 divulgou inúmeros documentos sigilosos do governo norte-americano, e que
causou uma grande repercussão em todo o mundo naquela época. “É pela Deep Web que os ciberativistas se comunicam, trocam informações e guardam documentos. Como uma das propostas da internet é a da democratização da informação, a web profunda acaba sendo uma espécie de porto para estes organismos”, avalia o especialista em segurança de dados. Sites encontrados na Deep Web tratam de diversos assuntos considerados ‘tabus’ na internet
MANAUS, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015
C5
ground’ da internet O mercado virtual das drogas Entre janeiro de 2011 e outubro de 2013, o site Silk Road movimentou algo em torno de US$ 213,9 milhões. Os produtos oferecidos pela Rota da Seda - uma alusão ao caminho terrestre que ligava a China ao Mar Mediterrâneo, durante os primeiros séculos da era cristã até o início do século 15 -, iam desde maconha e cocaína a outros tipos de drogas como ecstasy, LSD, além de remédios controlados. À época do fechamento, a página possuía 13 mil anúncios apenas de entorpecentes. Apesar dos produtos oferecidos, os operadores definiram uma linha para “crimes sem vítimas”: sem pornografia infantil, armas ou roubo de identidade — crimes comuns na Deep Web. Ross Ulbricht, 30, o suspeito de ser o responsável pelo site de venda de drogas Silk Road, foi condenado em fevereiro deste ano por tráfico de drogas, entre outras acusações, em uma corte federal em Manhattan. Para proteger a operação do seu site, Ulbricht teria tomado atitudes extremas, como solicitar o assassinato de diversas pessoas que ameaçariam a sua operação. No entanto, não há evidências de que qualquer morte tenha acontecido por mando dele. Durante o julgamento, que durou aproximadamen-
te três semanas, Ulbricht admitiu ter criado o Silk Road, mas seu advogado, Joshua Dratel, afirmou que a sua intenção com a página era criar um “site de comércio livre”. No entanto, de acordo com Dratel, o “experimento econômico” teria se tornado muito estressante para o seu cliente, o que o teria feito entregá-lo a outras pessoas. De acordo com advogado, Ulbricht teria sido
DROGAS
Na Deep Web, enquanto estava à frente do Silk Road, Ulbricht se apresentava como Dread Pirate Roberts. O nome se refere a um personagem do romance “A Princesa Prometida” atraído ao site pouco antes da página ser fechada, tendo sido utilizado como bode expiatório. No final de 2014 houve uma tentativa de reabrir o site como o nome Silk Road 2.0. O responsável pela página Blake Benthall, 26, também foi preso em São Francisco e condenado pelos crimes de tráfico de drogas, invasão de computadores, lavagem de dinheiro, entre outros.
Histórias envolvendo a Deep Web incluem até assassinatos, como os relacionados a sites de venda de entorpecentes
O golpe da moeda virtual Criada para garantir as transações no mundo web, o bitcoin tem uma grande relação com a internet profunda. A moeda virtual permite aos usuários conduzir transações no anonimato e é extensamente utilizada na Deep Web, para o comércio de produtos e serviços dos mais variados tipos. Em março deste ano, a comunidade on-line, a maior da Deep Web, desapareceu sem deixar rastros. Não houve ação policial ou apreensão de servidores, até onde se sabe. Aparentemente, os administradores desliga-
ram a página e sumiram – levando consigo uma quantia estimada em 12 milhões de dólares em bitcoins de usuários. O Evolution guardava os bitcoins de seus clientes, que podiam ser usados nas transações e sacados a qualquer momento. Inclusive, foram inovações nesse sistema que atraíram muitos de seus usuários, órfãos da Silk Road. O site era também conhecido pelo profissionalismo da equipe e pela estabilidade dos servidores, um problema enfrentado rotineiramente por outros sites da Deep Web.
Procura por atividades ilícitas é trabalhosa, mas eficiente Apesar dos sites da Deep Web não aparecerem nos buscadores tradicionais, ela tem seus buscadoers semelhantes ao Google
C6
Dia a dia
MANAUS, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015
PEC da Maioridade Penal gera mais divergências mostraram contrários à proposta. O vereador Professor Samuel afirmou ser favorável à redução da maioridade penal junto com representantes do Movimento Democrático Estudantil (MDE). “Particularmente, sou a favor desde que ela seja acompanhada de uma reestruturação do sistema prisional. Entendo que se essa mudança ocorrer com a atual estrutura das penitenciárias brasileiras, os jovens sairão pior do que entraram”, completou. “Se um jovem de 16 anos já tem a grande responsabilidade de escolher seus governantes, também precisa e deve ter condições de assumir seus próprios atos diante da sociedade. Sei que é uma posição polêmica, mas não podemos mais deixar que criminosos se vistam de menor de idade para matar e roubar sem serem punidos”, ressaltou. Contra a proposta Contrária à redução da maioridade penal, a secretária da Sejusc, Graça Prola, disse que a incidência de jovens infratores não é responsável pelo aumento da criminalidade no Amazonas. “O número de jovens punidos nos últimos
dois anos com medidas socioeducativas no Estado representa menos de 1% (0,64%) do universo de jovens amazonenses, que é de 522.928 no Amazonas”, argumentou. De acordo com ela, a maioria dos jovens infratores apresenta uma família desestruturada, o que aponta para a necessidade de uma política de base para a recuperação desses meninos e meninas. “Não é com cadeia que esses jovens vão ser recuperados, mas com políticas públicas de apoio à família”, defendeu a secretária. No dia 31 de março, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados, em Brasília, aprovou o parecer favorável à admissibilidade da PEC, que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. No exame da admissibilidade, a CCJ analisou a constitucionalidade, a legalidade e a técnica legislativa da PEC. Agora, a Câmara criará uma comissão especial para examinar o conteúdo da proposta, juntamente com 46 emendas apresentadas nos últimos 22 anos, desde que a proposta original passou a tramitar na casa.
Audiência pública realizada no final da semana tratou do tema entre parlamentares na CMM
FESTIVAL DIVULGAÇÃO
N
os anos de 2013 e 2014, 3.338 jovens com idade entre 16 e 18 anos receberam medidas socioeducativas pela prática de atos infracionais na capital e interior do Estado, segundo dados da Secretaria Estadual de Justiça e Direitos Humanos (Sejusc). Em aproximadamente 60% dos casos, as punições foram aplicadas pela prática de furtos e assaltos à mão armada, seguidos de tráfico de drogas, lesão corporal, tentativa de assassinato e assassinato. As informações foram passadas no final desta semana, durante audiência pública na Câmara Municipal de Manaus (CMM) para debater o Projeto de Emenda à Constituição (PEC) 171/1993, que trata da redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Solicitada pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos da CMM, vereador Professor Samuel, o debate tem por objetivo redigir uma carta-aberta sobre o resultado da audiência e entregá-la aos representantes do Amazonas no Congresso. Dos 15 representantes de entidades civis e órgãos governamentais que participaram a audiência, dez se
ROBERVALDO ROCHA/DIRCOM
Audiência pública mostrou maior rejeição à proposta. Para quem a critica, deve-se investir em políticas para as famílias
Equipes da Eletrobras Amazonas Energia já estão em Parintins fazendo ajustes no sistema
Parintins com energia garantida A Eletrobras Amazonas Energia iniciou a fase mais intensa da operação Parintins, trabalho realizado todos os anos pela Empresa para garantir o fornecimento de energia elétrica para o bumbódromo da cidade nos dias do festival folclórico. Algumas equipes já estão trabalhando na ilha, fazendo os ajustes no sistema e preparando toda a estrutura para a festa. De acordo com o assistente de diretoria, engenheiro Paulo Maciel, esse trabalho começa, na verdade, em janeiro, quando técnicos da Eletrobras Amazonas Energia fazem levantamento das demandas com uma inspeção rigorosa do sistema. “Nesta fase inicial, realizamos todo o planejamento das ações preventivas que vão assegurar o fornecimento de energia elétrica no festival”, explica. Nas próximas semanas, a equipe da Eletrobras será reforçada em Parintins chegando, 15 dias antes do festival,
ao total de 113 profissionais, entre eletricistas, operadores de usina, engenheiros e técnicos em eletricidade, além dos colaboradores da área comercial. Maciel adiantou que, no período de 22 a 29 de junho, as equipes da Distribuidora estarão de plantão 24 horas na cidade, atentos para o atendimento a qualquer tipo de emergência. “Durante a semana do festival folclórico, que este ano acontece nos dias 26, 27 e 28 de junho, o consumo de energia em Parintins aumenta de forma considerável, exigindo uma atenção e cuidado maior com o sistema”, afirma. Sistema especial Pelo terceiro ano consecutivo, a Eletrobras Amazonas Energia instalará o sistema de “Divisão de Barra” para atender, exclusivamente, o bumbódromo. O engenheiro Elson Athan explica que o modelo se mostrou eficiente ao reforçar a geração de energia elétrica
durante o Festival Folclórico de Parintins. “Hoje, a geração de energia para a cidade de Parintins está dentro da normalidade. Ou seja, a operação Parintins é um trabalho que visa aumentar a confiabilidade do sistema, reforçando a geração com a instalação de grupos geradores totalizando 3 megawatts, o que representa cem por cento de reserva técnica para o bumbódromo, já que o complexo chega ao pico de 1,5 megawatts durante o evento”, detalha. Segundo Elson Athan, com a instalação do sistema de “Divisão de Barra”, o bumbódromo fica imune a qualquer acidente que ocorra na cidade. “Estamos trabalhando para que os 50 anos do Festival Folclórico de Parintins seja um sucesso e que o espetáculo de luzes e cores do povo da Ilha mais uma vez encante todo o público presente na festa. Esse é o compromisso da Eletrobras Amazonas Energia com a festa”.
Dia a dia
MANAUS, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015
C7
CNJ discute estatísticas de processos de corrupção MANUEL C. MONTENEGRO AGÊNCIA CNJ
U
ma reunião da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (Enccla) realizada no último dia 8 de abril marcou o início da construção da metodologia que será usada para obter estatísticas sobre processos judiciais relacionados à corrupção e lavagem de dinheiro. Até o fim do ano, 15 órgãos integrantes da Enccla têm a atribuição de criar um meio eficiente para coletar e sistematizar dados relacionados a crimes de corrupção e lavagem de dinheiro dos cadastros do Poder Judiciário. Uma das primeiras tarefas do grupo, coordenado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), será definir quais informações a respeito serão extraídas dos processos relacionados a esses dois crimes. De acordo com a conselheira Luiza Frischeisen, que participou da reunião, a Controladoria Geral da União (CGU) já se comprometeu a informar quais dados serão necessários, segundo as convenções internacionais sobre corrupção e lavagem de dinheiro. O órgão
tem a responsabilidade de responder pelo Estado brasileiro a respeito dessas convenções. “A CGU vai estar em contato com o Departamento de Pesquisas Judiciárias do CNJ para nos informar quais são as exigências contidas nas convenções. Na próxima reunião do grupo, que ocorrerá em 13 de maio, avaliaremos que dados poderemos extrair dos sistemas de informação dos tribunais. Um dos dados que pode ser necessário extrair é a quantidade de denunciados e denúncias relacionados aos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, por exemplo”, disse a conselheira. Na fase de coleta de dados, as Tabelas Processuais Unificadas (TPUs) fornecerão informações relativas a classificação (tipo), movimentação e fases dos processos judiciais dessa natureza, além de seus respectivos temas e partes envolvidas. A avaliação do que será factível extrair dos dados prestados a partir dessa fonte de informações judiciais será feita em conjunto pelo CNJ e pelos membros do Comitê Gestor das Tabelas Processuais Unificadas. Para otimizar a sistematização das informações pres-
tadas pelo Poder Judiciário, o grupo responsável pela ação 15 também elaborará minuta de resolução que institui o Módulo de Questionários do Sistema de Estatísticas do Poder Judiciário. A proposta da norma, que precisa ser avaliada e aprovada pelo plenário do CNJ antes de entrar em vigor, é que as unidades judiciárias de todo o país utilizem o meio virtual para prover informações quantitativas e qualitativas de processos relativas a corrupção e lavagem de dinheiro, mas também relacionadas a temas variados, como tráfico de pessoas, Lei Maria da Penha, conciliação e mediação, entre outros. Atuação Formada em 2003 para coordenar o esforço dos órgãos, entidades públicas e da sociedade civil que atuam na prevenção e no combate à corrupção e à lavagem de dinheiro, a Enccla estabelece anualmente ações pontuais. Em 2014, o CNJ participou no processo que culminou na criação do Sistema Nacional de Informações de Registro Civil (SIRC) e da Central de Informações de Registro Civil das Pessoas Naturais (CRC).
PAIC DIVULGAÇÃO
Programa de iniciação científica da FCecon tem quatro linhas de pesquisa cadastradas
FCecon fará seleção de bolsistas A Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), vinculada à Secretaria de Estado de Saúde (Susam), lança esta semana o edital para seleção de 47 estudantes de graduação que deverão compor a turma de bolsistas 2015/2016 do Programa de Apoio à Iniciação Científica (Paic). Será a quinta edição do programa no âmbito da unidade hospitalar, sob a coordenação da Diretoria de Ensino e Pesquisa da instituição e com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). Os acadêmicos deverão inscrever projetos cujos temas estejam contemplados nas quatro linhas de pesquisa cadastradas pela FCecon na plataforma do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). São elas: Bases biológicas e moleculares das neoplasias, Abordagens multimodais do câncer, Cirurgia oncológica e Oncologia cirúrgica.
As pesquisas relacionadas à oncologia receberão a orientação de 12 doutores e 18 mestres, todos pesquisadores da unidade hospitalar. Os trabalhos terão 12 meses de duração. Neste período, haverá uma avaliação parcial conduzida por uma banca de doutores convidados, além da avaliação final, que contará como conclusão das pesquisas. Em seguida, os resultados serão publicados em revistas de renome no meio científico e poderão ser apresentados em eventos do meio. No caso da FCecon, que é referência no diagnóstico e tratamento do câncer na Amazônia Ocidental, o principal objetivo, além de promover a inserção de jovens no meio científico, é a melhoria da assistência ao paciente a partir de novas condutas, conhecendo o perfil do portador da doença, os benefícios da aplicação de certos métodos terapêuticos e as características das pessoas atendidas pela Fundação. O edital
REPRODUÇÃO
Com nova metodologia para obter dados sobre processos, será fácil sistematizar dados sobre crimes de lavagem de dinheiro
será disponibilizado no site da FCecon (www.fcecon.am.gov. br), com todos os detalhes sobre a inscrição e os prazos a serem cumpridos. “Além de reforçar a área científica, o Paic/FCecon também contribui para o fortalecimento da Fundação como hospital de ensino”, destacou o diretor-presidente da FCecon, pneumologista Edson de Oliveira Andrade. Atualmente, 47 pesquisas estão em andamento através do Paic/FCecon. Elas foram iniciadas em agosto passado e serão concluídas em julho deste ano. Temas relacionados à urologia, ginecologia, sermatologia, imagenologia, mastologia, hematologia, pneumologia, bioquímica e terapia da dor para a melhoria da qualidade de vida do paciente oncológico, estão entre os abordados nos trabalhos. Fazem parte do grupo de universitários selecionados pelo Programa, estudantes de medicina, odontologia, farmácia, biomedicina, enfermagem, direito, entre outros.
Sistematização dos dados permitirá quadro mais realista de processos de corrupção nos tribunais
Dia a dia
MANAUS, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015
Induzir jovens pela rede pode virar crime Projeto amplia o rol de infrações e aumenta a punição pela metade quando houver o induzimento a racismo, tortura, terrorismo, genocídio e tráfico de drogas
A
senadora Simone Tebet (PMDB-MS) relatou o projeto (PLS 125/2014), que considera crime a corrupção de menores, mesmo que a infração não seja consumada. Instigar jovem pela internet também será considerado crime. A punição para quem praticar em conjunto ou induzir o menor à infração é de um a quatro anos de cadeia, sem prejuízo da pena do crime principal. A proposta, aprovada esta semana na Comissão de Direitos Humanos do Senado, altera o Estatuto da Criança e do Adolescente. O projeto também amplia o rol de infrações e aumenta a punição pela metade quando houver o induzimento a racismo, tortura, terrorismo, genocídio e tráfico de drogas, além dos já elencados na Lei de Crimes Hediondos. “O projeto atende ao interesse de ampliar a punição para quem favorece o envolvimento de crianças e de ado-
OS CRIMES DA INTERNET lescentes na conduta criminosa”, afirmou a senadora Simone Tebet. Simone Tebet também destacou que o projeto de autoria do O projeto do senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) acaba com as dúvidas relacionadas à natureza do crime, se formal ou material, e ainda determina a punição mesmo que a vítima já tenha sido “corrompida” em prática anterior. A matéria será encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça. Se for aprovada, segue direto para a Câmara dos Deputados.
A senadora Simone Tebet (PMDB-MS) relatou o projeto que considera crime a corrupção de menores
DIVULGAÇÃO
C8
MANAUS, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015
opiniao@emtempo.com.br
(92) 3090-1010
Capa
Estrada entre Ierevan e Garni, na Armênia, fotografada por Cassiana Der Haroutiounian
3
1
A psicologia do trauma em dois filmes
2
Melhor salvar os passarinhos?
E seis indicações culturais. Pág. 2
A questão climática pede um novo plano de voo. Pág. 3
Era uma vez na Armênia
Relatos do genocídio, uma cicatriz centenária. Págs. 4 e 5
4
O Ávila é maior que o sabão em pó
5
Do arquivo de Clara Sverner
6
Diário de Caracas. Pág. 6
Rio de Janeiro, 1980. Pág. 7
A porta estava aberta, mas não havia luz
A imaginação de John Fante. Pág. 8
G2
MANAUS, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015
Ilustríssima Semana
DIVULGAÇÃO
O MELHOR DA CULTURA EM 6 INDICAÇÕES LIVRO | MAL-ESTAR, SOFRIMENTO E SINTOMA A “Ilustríssima” faz três perguntas a Christian Dunker, psicanalista e professor do Instituto de Psicologia da USP, sobre o seu mais recente livro “Mal-estar, Sofrimento e Sintoma: a Psicopatologia do Brasil entre Muros”. Boitempo | R$ 66 | 416 págs. Folha - Qual é o novo sintoma social e psíquico dos brasileiros? Christian Dunker - O sofrimento perde sua força política quando suas causas são naturalizadas. Nos anos1970, o Brasil criou o sintoma da vida em forma de condomínio, acreditando que muros e síndicos resolveriam nossa relação com a lei e com o espaço público. A nomeação do mal-estar, como violência e corrupção, está gestando um fundamentalismo à brasileira, moldado no colapso de nossas formas religiosas.
Chapa de alumínio maciço com ‘Coração Cabeça’ (1980)
CINEMA | CANADÁ EM FOCO O CCSP apresenta a partir de terça (21) amostra “Cinema de Quebec”, com filmes realizados na última década por diretores canadenses como Denys Arcand, Xavier Dolan e Denis Villeneuve. Entre os filmes exibidos estão “Amores Imaginários”, “Bestiário”, “Incêndios” e “Mommy”. Centro Cultural São Paulo | tel. (11) 3397-4002 | até 30/4 | programação em centro cultural. sp.gov.br
DEBATE | VIOLÊNCIA E DIREITOS HUMANOS O Fundo Brasil de Direitos Humanos realizará o seminário “Comunicação, violência e direitos humanos”. Uma das mesas terá como convidados Flávia Oliveira (“O Globo”) e Renato Rovai (revista Fórum) e será moderada por Átila Roque, diretor executivo da Anistia Internacional no Brasil. Após o debate será exibido o documentário “Defensorxs”. Auditório da Escola deDireito da FGV em São Paulo | 23/4, das 10h às 19h | necessário fazer inscrição | informações em eventos@fundodireitoshumanos.org.br DIVULGAÇÃO
EXPOSIÇÃO | AUGUSTO DE CAMPOS A Galeria Paralelo recebe a exposição “Augusto de Campos Objetos e Poesia Visual”, sobre a obra de um dos criadores da poesia concreta no Brasil, que se mantém ativo aos 84 anos. O artista apresenta nessa mostra reedições de alguns dos seus poemas em grandes dimensões e utilizando um novo suporte: chapas de alumínio em vez do tradicional papel. Galeria Paralelo | tel. (11) 2495-6876 | seg. a sex., das 10h às 19h, sáb. das 11h às 17h | grátis | até 16/5
EXPOSIÇÃO | SEANS CULLY A Pinacoteca recebe a exposição de Sean Scully, artista irlandês naturalizado norte-americano. Jacopo Crivel foi o curador responsável pela seleção dos trabalhos da mostra, produzidos entre 1974 e 2014. O período permite observar as variações do processo criativo do artista. Scully é expoente da arte abstrata, e suas pinturas são compostas por formas geométricas precisas. Pinacoteca do Estado de São Paulo | tel. (11) 3324-1000 | ter. a dom., das 10h às 18h | R$ 6, grátis aos sábados | até 28/6
Qual é o mal-estar relacionado ao capitalismo à brasileira? O Brasil exporta seu “grande tropeço” baseado na combinação entre consumo voraz e precarização de leis. A elevação da renda torna-se supérflua se não conseguimos reconhecer os meios pelos quais ela se deu. O novo ressentimento social não segue apenas a gramática do trabalho contra o capital. Ele baseia-se na oposição entre os que acreditam na transformação pelo trabalho e educação e aqueles que não têm uma história para contar, só signos para exibir.
TEATRO | HILDA HILST A Ocupação Hild aHilst será encerrada com duas apresentações da peça “Mata moros”, dirigida porBel Garcia.A montagem foi feita a partir da adaptação de parte do livro “Tu Não Te Moves de Ti”.Maíra Gerstner faz o papel da protagonista que dá nome à peça, uma menina que descobre o amor e o gozo. A mostra com trechos de diários, desenhos e anotações de Hilst pode ser visitada até o dia 21/4. Itaú Cultural | tel. 21681776 | dias 21 e 22 de abril, às 20h | grátis
Como a psicanálise ajuda a entender a tradição patrimonialista brasileira? Há um atraso em nossa partilha entre benefícios privado se vícios públicos, mas pensar que nossas instituições são inviáveis é um resquício colonial. Público e privado não precisam dar em mistura patológica ou separação legalista. A psicanálise brasileira encontrou certa reputação mundial, tanto por pensar essa confusão quanto pela complexidade de nossa crise de identidade.
‘Come and Go’, pintura feita por Sean Scully em 1981
Ponto Crítico
CINEMA - ‘PARA SEMPRE ALICE’ e ‘MAPAS PARA AS ESTRELAS’
1 Dois filmes no divã GIOVANNA BARTUCCI
Se há algo em comum entre “Para Sempre Alice”, dos cineastas Richard Glatzer e Wash Westmoreland, e “Mapas para as Estrelas”, de David Cronenberg, além de Julianne Moore (premiada por ambas atuações, incluindo o Oscar de melhor atriz com sua Alice), é o papel nuclear que experiências traumáticas e seus efeitos nos sujeitos ocupam nas tramas. Enquanto no filme do diretor canadense os traumas infantis aos quais foram submetidos seus personagens são o cerne
a partir do qual se irradiam práticas de abandono, humilhação, loucura e assassinato, em “Para Sempre Alice” é a vivência cotidiana do desterramento subjetivo e da degradação física que constitui o âmago de uma experiência aterradora para todos os envolvidos. É verdade que o filme não deixa de lançar luz sobre a luta da protagonista – uma respeitada linguista da Universidade Columbia que sofre do mal de Alzheimer precoce – para rastrear e ater-se à Alice que reconhece como si mesma. Sua vitória, contudo, também depende daqueles que a cercam, sejam eles familiares ou amigos. E é nesse momento, mesmo optando por não se concentrar nos efeitos destru-
tivos da doença nas relações familiares, que “Para Sempre Alice” explicita a violência contra as pessoas submetidas a experiências dessubjetivantes – ao mesmo tempo que destaca, por outro lado, a importância das experiências subjetivantes. É o caso do marido afetuoso (Alec Baldwin) que, se tornando quase cruel, distancia-se da mulher à medida que ela deixa, pouco a pouco, de “ser ela mesma” – não mais podendo acompanhá-lo em suas realizações. Ou da filha Anna (Kate Bosworth), de quem Alice é/era mais próxima, que termina por ver na mãe não mais que uma mulher debilitada, esvaziando-a de sua condição de sujeito. Na outra ponta, cabe a Lydia (Kristen Stewart), a filha com
quem sempre teve suas diferenças, a condição de creditar e validar, por meio do investimento amoroso necessário, as iniciativas de Alice no sentido de se reencontrar. Já no caso de “Mapas para as Estrelas”, situações traumáticas organizam distintas experiências subjetivantes – para o bem ou para o mal. O dr. Stafford Weiss (John Cusack) é terapeuta de inúmeras celebridades, tem um programa de TV e mora, com a mulher, Cristina (Olivia Williams), e o filho, Benjie (Evan Bird), jovem astro de sucesso, numa casa ampla e confortável, cujas paredes são feitas de vidro. Mas a vida de Hollywood e a busca pelo sucesso, somados à exposição de seu cotidiano
doméstico, contrastam com o fato de que um grave segredo organiza suas vidas. Separados na infância e sem conhecimento anterior de sua ligação consanguínea, os irmãos Stafford e Cristina dão à luz Agatha (Mia Wasikowska) e Benjie. Filhos de relações incestuosas, a brincadeira de infância que organiza o delírio da menina esquizofrênica – rejeitada pelos pais – dramatiza, não à toa, o seu casamento com o irmão. O destino trágico da família é selado, contudo, quando a filha, trazendo consigo o conhecimento do segredo que os une, retorna a Hollywood, após um período de internação em busca de reparação. Também Havana Segrand (Julianne Moore), uma atriz de-
cadente violentada na infância pela própria mãe, busca retomar a época de sucesso – e superar o trauma – por meio de um remake em que viveria, de maneira ativa, uma personagem interpretada pela mãe quando jovem. Mas, o fato é que, em suas alucinações, Havana encontra-se absolutamente submetida à sua jovem e sádica mãe, e o seu destino trágico é selado quando conhece Agatha. É possível pensar que o problema em considerar “Para Sempre Alice” algo mais que um filme de atriz está na dificuldade em entrever na trama em que estão envoltos os personagens coadjuvantes algo que não o risco do melodrama. “Mapas para as Estrelas”, por outro lado, parece sinalizar que, para além do desejo exibicionista da vida de aparências, da necessidade imperiosa de controle, poder e sucesso, podem ser encontradas experiências traumáticas jamais superáveis.
DIOGO BERCITO/FOLHAPRESS
Ilustríssimos desta edição
CASSIANA DER HAROUTIOUNIAN, 31, é editora de fotografia da revista “Serafina” e coautora do blog Entretempos no site da Folha (entretempos.blogfolha.uol.com.br). DIOGO BERCITO, 26, jornalista, mestrando em estudos árabes e islâmicos na Universidade Autônoma de Madri, assina o blog Orientalíssimo no site da Folha (orientalissimo.blogfolha. uol.com.br). DAVID MAGILA, 36, artista, tem obras em cartaz na galeria Contempo. CLARA SVERNER, 78, é pianista; sua discografia conta mais de 25 títulos, entre os quais a “Íntegra das Sonatas de Mozart (2009) e “Chopin por Clara Sverner” (2011), álbum indicado ao Grammy Latino na categoria de melhor disco erudito. EMILY FLAKE, 37, publica cartuns na revista “The New Yorker” desde 2008.
GIOVANNA BARTUCCI, 52, é psicanalista, autora de “Onde Tudo Acontece - Cultura e Psicanálise no século 21” (Civilização Brasileira), 3º lugar na categoria psicologia e psicanálise do Prêmio Jabuti 2014. JOHN FANTE (1909-83), escritor norte americano, autor de “Pergunte ao Pó” (José Olympio). MARCELO LEITE, 57, colunista e repórter especial da Folha, autor de “Ciência, Use com Cuidado” (Ed. da Unicamp). NOEMI JAFFE, 53, doutora em literatura brasileira pela USP e autora de “O que os Cegos Estão Sonhando?” (ed. 34). ROBERTO MUGGIATI, 77, jornalista e escritor, é tradutor, entre outros, de “O Grande Gatsby” (Record). SAMY ADGHIRNI, 34, é correspondente da folha em Caracas.
G3
MANAUS, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015
Ambiente MICHAEL LOCCISANO - 26.06.12/GETTY IMAGES FOR HBO
RESUMO O escritor Jonathan Franzen, em ensaio na revista “The New Yorker”, e o filósofo Dale Jamieson, no livro “Razão em Tempos Escuros”, causaram polvorosa apontando o fracasso da luta contra o aquecimento global. Jamieson ao menos crê que a humanidade pode se adaptar, se banir o carvão e reciclar ideias morais corriqueiras.
MARCELO LEITE
Quando publicou o romance “Liberdade”, em 2010, Jonathan Franzen incomodou a turma dos verdes ao narrar relações incestuosas de ambientalistas com magnatas da indústria. Agora se põe no ataque contra a própria “cause célèbre” do aquecimento global e caminha para se tornar, definitivamente, persona non grata no meio. No centro da controvérsia está o ensaio “Carbon Capture -Has Climate Change Made it Harder for People to Care about Conservation?” (Captura de carbono “” A mudança do clima faz mais difícil que as pessoas se preocupem com conservação?). O texto saiu na edição de 6 de abril da revista “The New Yorker” e faz uma defesa apaixonada da fauna aviária, segundo ele relegada sob o imperialismo da questão climática. O escritor colheu reações ácidas dos “climatistas”, como a eles se refere. Uma das menos agressivas afirma que Franzen tem “cérebro de passarinho”. Seus críticos, no entanto, atiraram no que viram e erraram no que não viram: o fracasso da luta contra a mudança do clima. Parece mesmo bem limitada a dicotomia servida pelo romancista: ou salvamos o mundo e as futuras gerações do aquecimento global, ou preservamos os habitats e as espécies de pássaros sob risco de extinção – hoje, não no fim do século. Nada a estranhar, para quem abre o ensaio descrevendo-se como “alguém que se preocupa mais com pássaros do que [com] o próximo”. O duplo sentido da frase parece proposital: Franzen declara nutrir um amor como o de são Francisco pelas criaturas presentes no seu campo de visão, ainda que focalizadas com um binóculo – e não tanto por seres humanos que ainda nem nasceram. Sua irritação tem por alvo a National Audubon Society, organização ambientalista que se dedica à proteção de aves. Ele implicou com um comunicado à imprensa que fala na mudança do clima como “a maior ameaça” contra os pássaros americanos e divulga um estudo prevendo que, em 2080, quase metade das espécies estaria sob risco de perder seus habitats em consequência do aquecimento global. Franzen enxerga aí um desvio de missão. A Audubon estaria afastando milhões de associados da tarefa de salvar
Jonathan Franzen no piquenique de promoção do documentário ‘Birders: The Central Park Effect’
2 Iluminismo estorricado A razão arde no fogo do aquecimento global as áreas de reprodução de pássaros de carne e osso e mobilizando-as num combate infrutífero. Para ele, o climatismo aliena: “A questão é se todos os que se preocupam com o ambiente estão obrigados a fazer do clima uma prioridade suprema”. “A mudança climática é sedutora para organizações que querem ser levadas a sério. Além de ser um meme pronto e acabado, é convenientemente imponderável”, escreve. “A mudança do clima é culpa de todos – em outras palavras, de ninguém. Todos podemos nos sentir bem por deplorá-la”. Negligência Não faltaram “climatistas” para acusar o golpe. David Roberts, da revista “Grist”, Joe Romm, da “Climate Progress”, e Karl Mathiesen, do jornal britânico “The Guardian”, se apegaram ao que consideram negligência jornalística de Franzen e da revista “The New Yorker” para atacar o ensaio e recusar a disjuntiva entre salvar o planeta ou salvar as aves. Franzen teria lido só o “press release” da Audubon, não o
estudo que não conseguiu achar (embora disponível na internet). Além disso, teria interesses ocultos: criticar a sociedade de observadores de pássaros para favorecer outra (American Bird Conservancy, ABC), de cujo conselho participa. Pior: a ABC também apontaria a mudança do clima como grave ameaça. E por aí vai. Sintomaticamente, todos eles passam ao largo do que há de mais consistente e menos sentimental no ensaio de Franzen: as ideias que não são dele. No caso, o apoio para sua exasperação encontrado em “Reason in a Dark Time” [Oxford USA, R$ 44,45, à venda em formato e-pub no site da livraria Cultura] (Razão em tempos sombrios), do filósofo Dale Jamieson. É uma base sólida, e talvez por isso tenha sido ignorada. Jamieson se atreve, já no subtítulo, a escrever sobre o combate ao aquecimento global com o verbo no passado – “falhou”. A quem vive para (ou vive de) propagar que temos a obrigação moral de legar um mundo não devastado para futuras gerações, soa como uma heresia. Quixote Em junho fará 23 anos que quase duas centenas de países tentam pôr de pé um acordo internacional capaz de frear as emissões de gases do efeito estufa. A empreitada quixotesca começou no Rio, em 1992, deu passos titubeantes em Kyoto, em 1997, e se estatelou em Copenhague, em 2009. Todos os olhos se voltam
agora para dezembro deste ano, em Paris. Dessa nova conferência de cúpula sobre o clima, a 21ª, deveria resultar um acordo de redução das emissões mundiais suficiente para impedir que a temperatura média da atmosfera ultrapasse 2 graus Celsius até o fim do século 21. Não vai dar, como sabem todos que acompanham a questão. Mais alguns passos incrementais serão dados, quando muito. E não poderia ser muito diferente, argumenta Jamieson, porque há demasiados obstáculos estruturais para a agenda do clima. O filósofo não se considera pessimista, mas realista. Afirma que não estamos num momento único da história e que não somos os primeiros nem seremos os últimos a tomar decisões e fazer coisas que afetarão o planeta e a vida de muitos, inclusive dos que não nasceram. Jamieson não nega, veja bem, a realidade, o tamanho ou a importância da ameaça climática. Ele só considera que, por seu porte, ela esgota a ideia de que a razão nos faz senhores do destino da espécie
e, vá lá, do mundo. Iluminismo “A ação humana é o motor, mas parece que coisas, e não pessoas, detêm seu controle. Nossas corporações, governos, tecnologias, instituições e sistemas econômicos parecem ter vida própria. A sensação é a de vivermos em meio a uma perversão esquisita do sonho do Iluminismo”. A mudança climática não pode ser desfeita. Basta o carbono já lançado na atmosfera para que ele siga em transformação ao longo não só deste século, mas deste milênio, pois os gases do efeito estufa ainda circularão por séculos a fio. Podemos, se tanto, reduzir um pouco a velocidade da mudança e nos adaptar a ela. Contudo, transformar tal possibilidade em ações e políticas públicas, argumenta o autor, vai contra a natureza humana e as intuições morais com que a seleção natural nos equipou. “A evolução nos construiu para responder a movimentos rápidos de objetos de porte médio, não ao acúmulo lento de gases imperceptíveis na atmosfera”, alega Jamieson. E completa: “A maioria de nós reage dramaticamente ao que percebemos, não ao que pensamos. Como resultado, mesmo aqueles de nós preocupados com a mudança do clima temos dificuldade em perceber sua urgência”. Em outras palavras, o fracasso em prevenir ou conter significativamente a mudança do clima reflete o empobrecimento da razão prática, a paralisia da política e os limites
da nossa capacidade cognitiva e afetiva, pondera o filósofo. “Nada disso tem chance alguma de mudar em breve”. Além de adaptação (preparar a infraestrutura para efeitos do aquecimento global) e de se livrar tão cedo quanto possível da energia obtida do carvão, o mais poluente dos combustíveis fósseis, Jamieson tem poucas recomendações práticas a fazer. Antropoceno Mesmo isso dependeria de adequar à realidade alterada o sentido moral do senso comum, que lida tão mal com interesses alheios, não individuais e distantes. Só resta caminhar na direção do que ele chama de ética para o Antropoceno, “virtudes tradicionais, como humildade, virtudes reinterpretadas, como temperança, e novas virtudes, como consideração, simplicidade, cooperação e respeito pela natureza”. Não é muito diferente do que pediriam os críticos de Franzen, se não estivessem ofuscados pela miragem de um acordo messiânico na Cidade-Luz.
G4
MANAUS, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015
Reportagem RESUMO Na Armênia, em busca das reminiscências do massacre de armênios pelo Império Otomano, a reportagem encontrou narrativas variadas, de histórias dramáticas a críticas à “vitimização”. No dia 24, a Armênia rememora os cem anos do genocídio, que a Turquia e outros países, como o Brasil, não reconhecem.
DIOGO BERCITO FOTOGRAFIA CASSIANA DER HAROUTIOUNIAN
Em Ierevan, as flores brotam no vidro. De pétalas violáceas e miolo amarelo, nascem nas vitrines das lojas e nas janelas dos automóveis. São do gênero miosótis, cujo nome popular – não me esqueças – tem ali um forte significado. Os adesivos florais epidêmicos na capital armênia são parte de uma campanha do governo para marcar o centenário do genocídio de seu povo pelo Império Otomano. Não que a Armênia precisasse recordar aos cidadãos essa história selvagem. Durante uma semana de viagem pelo país, entre a estrada e pequenos povoados, a “Ilustríssima” deparou-se com um monumento oral do que foram aqueles anos de violência e perseguição. Os detalhes, transmitidos por sobreviventes, ainda estão na memória dos 3 milhões de habitantes do país. Mas com variações. A lembrança do genocídio aparece de diferentes maneiras entre as gerações mais antigas e as mais jovens, na cidade e no campo, entre membros do governo e da sociedade. No subúrbio de Malatia-Sebastia em Ierevan, apelidado Bangladesh por concentrar uma parcela pobre da população, Armen Vardanian, 70, recebe a reportagem com docinhos para contar as histórias que ouvia da mãe. Ela morreu em 2009, aos 104 anos. De uma parede, seu retrato observa a sala. A casa do eletricista parece um museu voltado para a memória do massacre. Ele mostra nas prateleiras os livros dedicados ao genocídio armênio – em um deles, está registrado o relato de sua mãe. Ele exibe também os DVDs em que guardou os depoimentos dela, em reportagens para a televisão. “Não tenho filhos, então tento contar essa história para outras pessoas”, diz. São relatos que, até recentemente, ele próprio não conhecia. Vardanian cresceu vendo a mãe reunir-se com outros sobreviventes e, a portas fechadas, conversar sobre o que aconteceu. “Quando ela começou a falar, anos antes de morrer, me chocou. Entendi por que não tinha me contado. Não queria que uma criança participasse do sofrimento dela.” Através da janela do eletricista, o sol que escurece atrás dos picos do Ararat, montanha-símbolo da Armênia, dá
Ruben, 9, com miosótis de papel feitos pelos alunos de sua escola; ele sonha ser diplomata
3 Rastros de um trauma A memória do genocídio sobrevive na Armênia
um tom de realismo mágico às histórias narradas. Sua mãe contava ter sido levada de Malatya, na atual Turquia, até Aleppo, na Síria, por uma caravana de camelos. Ali, conheceu quem mais tarde seria o pai de Vardanian e reencontrou-se também com uma vizinha de seu vilarejo. A amiga, por sua vez, lhe narrou ter sido levada com outras mulheres para uma floresta onde eram mortas a machadadas por um turco. Os corpos, disse, eram jogados em um poço. Ela, no entanto, teria sobrevivido ao último golpe, sendo deixada, nua, em cima da pilha de cadáveres. Inicialmente confundida com um demônio por outro turco que ali passava, foi mais tarde resgatada por ele. “Ele a escondeu por uma semana. Depois, com medo de ser denunciado, pediu perdão e expulsou a jovem de casa, disfarçando-a e fazendo-a passar por turca”. As histórias da família de Vardanian integram a coletânea oral dos relatos dos sobreviventes dos massacres otomanos. No início do século 20, os armênios eram um dos mais importantes grupos cristãos na região – foram dos primeiros na história a converter-se a essa religião, antes mesmo de Roma.
Massacres A visão dos massacres como campanha sistemática para matar e deportar armênios de províncias imperiais é negada pela Turquia. O Brasil, como EUA e Reino Unido, entre outros, tampouco reconhece a existência de um genocídio armênio. O marco oficial do episódio é 24 de abril de 1915, quando 250 intelectuais armênios foram detidos em Constantinopla, hoje Istambul, deportados e mortos. Enquanto a Armênia conta 1,5 milhão de mortos, a Turquia estima o saldo entre 300 mil e 400 mil, que não teriam sido vítimas de perseguição étnica, mas de conflitos políticos, sobretudo por se alinharem à inimiga Rússia durante a Primeira Guerra Mundial. Eram décadas de grave crise entre os otomanos, com a perda de território na atual Grécia e nos Bálcãs e a economia esfarelando-se. À época, a Europa referia-se ao império como seu “homem doente”. Narrativas como as de Vardanian têm se apagado. Há poucas testemunhas vivas, e essas são as que fugiram do terror ainda crianças. As lembranças mais sólidas são as registradas à época, também por diplomatas e missionários estrangeiros no império.
Parte do arquivo está reunido no Museu do Genocídio, em Ierevan, fechado durante a visita da reportagem, poucas semanas antes da efeméride – alimentando comentários irônicos, na cidade, de que o governo não se organizou, apesar do prazo de cem anos. Mas a história ainda está presente em vilarejos como Yervandashat, na fronteira com a Turquia. As perseguições no Império Otomano foram a razão pela qual a família de Ruben Sargsyan, 80, cruzou o rio Arax, que naquela região divide a Armênia da Turquia, em 1921. A esperança de que a União Soviética entregasse aos armênios o povoado de onde haviam fugido, Bagaran, foi o motivo pelo qual permaneceram ali por quase cem anos. Eles ainda esperam esse dia. “Conseguimos ver a nossa antiga casa da estrada. Há curdos vivendo nela”, diz Sargsyan, que afirma descender do herói armênio Gevorg Marzpetuni, famoso por suas batalhas. O lar de sua família, afirma, está do outro lado da linha que divide os países. “Foi difícil perceber que não íamos voltar. Meu avô chorava quando olhava para a fronteira”. Ao longo do dia, reaparece em vários relatos a angústia de poder enxergar o que chamam
de Armênia Ocidental –hoje, Turquia – e saber que não podem cruzar aquela fronteira e visitar a terra de onde suas famílias vieram. Tamanha deve ter sido a repetição desse pensamento enquanto o neto de Sargsyan crescia que há dois anos o menino, também chamado Ruben, entregou aos pais um caderninho surrado onde havia traçado pontos e setas em um complicado mapa. Hoje com nove anos, ele explica os desenhos, guardados pela família como uma relíquia: representam uma estratégia militar para conquistar os territórios turcos, incluindo Istambul. “Eu enviaria as tropas e os turcos viriam defender-se. Então nós os surpreenderíamos pelo outro lado”, diz. “Como somos poucos, teríamos que rodeá-los e destroçá-los”. Ruben sonha tornar-se embaixador armênio na Itália, cuja língua aprendeu sozinho assistindo ao canal Rai na TV. Ele ouviu desde cedo a história do desastre sofrido por seus antepassados. Na única escola do vilarejo, a diretora, Mariam Hovhanisian, diz não poupar nenhum de seus 82 alunos, crias das 600 famílias que moram ali. “São jovens, mas isso não nos impede de contar toda a história. Contamos
como se eles fossem adultos. Precisam saber”. Yervandashat, como tantos outros povoados, parece viver ainda em décadas anteriores, esquecido não apenas pelo tempo, mas principalmente pelo governo. O gás natural não chega até ali. Além dos empregos gerados pela escola ou pelo hospital, o único trabalho é na lavoura de damasco e pêssego. “Sonho construir uma igreja aqui. Não temos nenhuma”, diz a aluna Larissa Ghazarian, 13. “Assim, não ouviríamos o chamado para a reza que vem das mesquitas, do lado turco. Me incomoda”. Asfalto A reportagem segue a estrada que liga Ierevan ao antigo templo pagão de Garni, que coroa a beira de um precipício. Já a poucos quilômetros da cidade o asfalto começa a falhar, e o cenário se transforma – as construções luxuosas do centro da capital, onde jovens desfilam jaquetas de couro, cedem lugar a casebres empobrecidos e camponeses em trapos. Jania Hayrapetian, 65, vende legumes em conserva na beira da estrada. Ela diz que se lembra constantemente do genocídio, mesmo sem ter muitos detalhes, por não ter
G5
MANAUS, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015
conhecido os avôs. “Mas a situação é tão difícil na Armênia que, quando acordamos, já estamos tentando sobreviver”, afirma. “Não pensamos na Turquia”. Enquanto narra a morte de um de seus filhos, por falta de dinheiro para tratar uma hemorragia interna, Hayrapetian é abordada pela vizinha Rosa Melkonian, 68. De sorriso generoso, ela se senta no chão e mostra o resultado do seu dia de trabalho: raízes de uma erva chamada “sibekh”, amontoadas dentro de um saco de lixo. O desastre econômico armênio é, segundo a cientista política Irina Ghaplanyan, 31, o resultado do colapso de suas estruturas após o fim da União Soviética, da qual a atual Armênia fez parte de 1922 até 1991. “Somos reféns do passado – do distante, o do genocídio, e desse, recente”. A Armênia em sua forma presente existe apenas desde o início do século 20, estabelecida em uma pequena porção do que era seu território histórico. Armênios haviam tido um extenso reino por volta do início da era cristã – do Mediterrâneo ao Cáspio – e outras variações territoriais ao longo do tempo, mas, à época da Primeira Guerra Mundial (1914-18), seu oeste era parte do Império Otomano, e seu leste, domínio russo. Hoje, o país está em conflito com o Azerbaijão na sua fronteira leste e, a oeste, a passagem para a Turquia está fechada. Sem acesso ao mar, depende estrategicamente da Rússia. O PIB per capita do país, segundo o estimado pelo FMI para este ano, é de US$ 3.474 – o do Brasil é de US$ 11.527. Cerca de um terço dos habitantes vive em situação de miséria. “A opinião da minha geração é de que há que consertar o país antes de exigir o reconhecimento do genocídio”, afirma Ghaplanyan. “Sem um país democrático e inclusivo, nada importa. Precisa haver um projeto politicamente viável”. Nascida na Armênia, ela estudou entre EUA, Malta, Reino Unido e Alemanha, enquanto concluía seu projeto de doutorado sobre as elites locais. “Desde a soberania, nós esperamos um líder que esteja engajado na criação de uma narrativa histórica. O governo não age no interesse da nossa nação”. Jovens com instrução e qualificação repetem esse discurso à reportagem ao longo da semana. Um visto para morar nos EUA ou na Europa seduz uma geração ambiciosa. Nos vilarejos é comum que homens da família viajem por longos períodos para países como a Rússia, onde o trabalho é mais vantajoso. Há no país vilarejos habitados só por mulheres. A cineasta Maria Saakyan fez o caminho inverso. Ela havia se mudado para Moscou com a família em 1992, aos 12 anos, mas voltou a seu país em 2008. Saakyan conta que sonhava regressar e o fez já estabelecida, mas não encontrou, em Ierevan, a recepção que esperava. “Em Moscou, todas as portas estavam abertas para mim. Aqui ninguém me ajuda, mesmo sabendo que represento o cinema local”. Ela diz que “queria criar uma indústria”. “Mas não há lei de audiovisual. Não há patrocínio. O governo não sabe diferenciar o bom cinema do ruim. Meus amigos de fora do país fazem mais pelo cinema armê-
Cineasta Maria Saakyan, 34, cresceu na Rússia e voltou à Armênia
Cientista política Irina Ghaplanyan, 31, critica a classe governante
Rosa Melkonian, 68, colhe ervas no caminho entre Ierevan e Garni
Americana Margurite Malikian, 52, busca suas raízes em Ierevan
Azganush Avetisian, 88, conta que seu pai foi salvo por um turco
nio do que os armênios”. Saakyan afasta com as mãos, enquanto fala, a ideia de filmar a história do genocídio. “Eu nunca vou fazer esse longa que esperam da gente, esse drama de época, com figurino”, diz. “Estamos presos nessa questão. É uma dor, mas não podemos seguir com ela”. Embora o genocídio tenha se firmado como elemento central na identidade armênia – a cientista política Ghaplanyan menciona uma “característica de vítima” disseminada na população – foi em busca de outros traços do passado que a americana Margurite Malikian, 52, desembarcou em Ierevan. Sua família descende de armênios iranianos, expulsos do país pelo xá Abbas no início do século 17. “Criada como americana”, ela se frustrava nos EUA quando outros membros da diáspora se aproximavam. “Percebi que eu não era o que eles procuravam em mim”. “Esperavam que eu fosse uma armênia de coração grande, e eu não era”, diz, referindo-se à amabilidade que parece regra no país. “Hoje, tendo estado aqui, procuro a mesma coisa em outros armênios”, afirma a professora de ioga. Malikian planeja ficar no país por cinco meses, a caminho da Índia. Ela diz que sua relação com a Armênia é de certa forma genética. “As pessoas tratam você como se estivesse voltando para casa, como o primo exótico”. Quando caminha nas ruas de Ierevan – cosmopolita, mas de sociedade conservadora, em que homens e mulheres fazem parte de grupos distintos no espaço público – Malikian encontra olhos surpresos fincados nos seus dread- locks. “Outro dia uma mulher agarrou meu cabelo na rua, e um homem parou o carro e pediu para pintar meu retrato”, diz. O genocídio, para Malikian, “é parte de ser armênio”. Embora sua família tenha emigrado muito antes dos massacres, ela conta ter sido abordada nos Estados Unidos por idosos que lhe diziam ter coletado dinheiro para “o seu povo”. O massacre dos armênios, no início do século 20, foi um dos grandes temas humanitários americanos, motivo de inúmeras missões de beneficência. “Vem com o sobrenome” (facilmente reconhecível, pela terminação quase sempre em “ian”), conclui a americana. Para Malikian, a definição dos massacres como genocídio não importa, diante dos fatos. O essencial, acredita ela, é o indulto. “O perdão beneficia quem perdoa, e não quem é perdoado”. Reconhecimento A campanha do governo armênio, porém, é de insistência no reconhecimento por parte da Turquia de que houve, em seu império anterior, uma eliminação sistemática da etnia. “Não temos direito de exigir nada”, diz em entrevista à “Ilustríssima” Serj Sargsyan, presidente da Armênia, em sua residência oficial. O clima leve na sala, após um de seus assessores ter cantarolado “Canto de Ossanha” à reportagem, perguntando o nome do compositor (Vinicius de Moraes), contrasta com a gravidade da questão. “O que esperamos é que os valores superem os inte-
resses. É óbvio que diversos países com relações de comércio com a Turquia evitam discutir esse assunto, mas essa não é a postura moral correta. Um genocídio não é contra um povo, é contra a humanidade”. Essa lógica, diz o presidente, perpetua os massacres étnicos. “O genocídio dos judeus aconteceu porque ninguém impediu. Ninguém se lembrava do massacre dos armênios. O perpetrador pensa que está impune, e isso se repete em Ruanda, em Darfur”. O centenário é também uma celebração, diz Vigen Sargsyan, chefe de gabinete armênio. Em primeiro lugar, de gratidão pela comunidade internacional, que acolheu a diáspora armênia, hoje de 5 milhões de pessoas (entre 20 mil e 40 mil delas no Brasil). Além disso, de comemoração pelo estabelecimento de um país armênio, contra as circunstâncias históricas. “Os sobreviventes saíram da fila da morte e criaram uma nova vida. Merecem a celebração”. Mas as histórias sobre a morte prevalecem. Esse é também o tema da artista Nazik Armenakyan, que em 2004 fotografou alguns dos sobreviventes do genocídio. Os retratos, em preto e branco, registram os rostos envelhecidos das poucas pessoas então vivas que haviam testemunhado os massacres. “Eram encontros com a morte, com o cheiro da morte”. Um dos retratos que Armenakyan mostra à reportagem é especialmente impactante. Uma mulher, aos seus cem anos, segura uma fotografia de si mesma quando jovem. “Ela não falava, ouvia ou se mexia quando a encontrei. Mas, quando fui fotografá-la, ela se tornou forte e agarrou a foto. Podia mostrar pela última vez quem ela foi. Depois do retrato, não conseguíamos tirar a imagem das mãos dela, como se ela quisesse ficar com o passado dela”. Armenakyan recorda que perguntava aos fotografados qual era o motivo para viverem tanto. “É incomum que pessoas vivam assim, cem anos, e em tais condições. Parecia que queriam ver, ouvir alguma coisa. Alguns me diziam que queriam ver o lago Van [na atual Turquia] e, então, morrer”. Estrada Tão fundamentais quanto os depoimentos desses sobreviventes são as histórias de que se lembram seus filhos e netos. Na estrada, a “Ilustríssima” visita vilarejos ao redor do país em busca dessas memórias, com a ajuda do motorista Ashot Kiragosian, 35. Sisudo, ele só rompe seu silêncio e sorri quando encosta o carro à beira do caminho e pergunta a algum passante: “Tem ‘tatik’ aqui nessa vila?”, usando o termo em armênio para “vovozinha”. Passam-se dias sem que ele fale. Quando o faz, conta que sua bisavó, Aredik, havia sobrevivido ao genocídio. Dela, que morreu recentemente com mais de cem anos, recorda dois traços físicos. Primeiro, o cabelo longo, que, pela tradição familiar, ela não cortava. “As mulheres só podem cortar o cabelo quando um irmão morre, para cobrir o caixão dele com os fios, e ela não tinha irmãos”. Depois, as cicatrizes em todo
o corpo, resultantes, segundo ela narrava, de quando uma família turca a escondeu em um forno para salvá-la de um massacre. “Eu pedia que ela me contasse a sua história para me dar raiva e eu poder matar os turcos. Mas ela dizia que não. Que havia sido salva por uma família turca. Essas pessoas que colocaram a minha bisavó no forno permitiram que muitos armênios, como eu, existissem”. Em um casebre agarrado a uma colina rumo a Geghadir (a 20 km de Ierevan), a história de um resgate pelo suposto inimigo se repete, contada por Azganush Avetisian, 88. Sorridente em seu vestido azul de bolinhas, a anciã passa aos ataques de riso quando nota a dificuldade da tradutora para entender os termos arcaicos que usa. Seu pai, narra, sobreviveu escondido entre a vegetação e foi encontrado por um turco. “Ele o ajudou porque meu avô havia ajudado um turco antes”, diz Avetisian. “Ele curou meu pai com ervas e o ajudou a fugir para a Rússia numa charrete”. Ela, porém, não se lembra dos detalhes, e repete a mesma história diversas vezes, enquanto sua nora nos serve suco de damasco. O pai veio da região de Khars. Ele carregou pelo resto da vida marcas de corte nos pulsos e na barriga, das quais nunca deixou de falar. Tinha seis irmãos, só resta um. A cicatriz do genocídio corta longe. Chega ao Brasil, com os sobreviventes refugiados no país. “A existência de uma comunidade armênia no Brasil é uma prova do genocídio”, diz Lusine Yeghiazaryan, 40, professora do curso de armênio da USP. Filha de um diplomata, ela visitou o Brasil acompanhando o pai e não retornou. O curso de armênio foi fundado na USP em 1964 por Yessai Kerouzian, figura quase mítica entre os alunos, que ainda hoje recorrem a seus textos nos estudos. Segundo relatos, ele adaptou uma máquina de escrever, trocando letras latinas por armênias, para impulsionar o intercâmbio linguístico. Yeghiazaryan define a Armênia como “um prato cheio” para os alunos que buscam “coisas diferentes”. Ela frisa a riqueza de sua língua (indoeuropeia, como as línguas latinas ou o grego), de sua cultura (na qual a religião tem um papel central), de sua literatura (escrita em um alfabeto próprio) e de sua história (que acompanha os impérios da região por milênios). A despeito da variedade de temas armênios ao alcance da pesquisa, o genocídio ainda é um dos principais motivos pelos quais alunos buscam as aulas de Yeghiazaryan e de Deize Pereira, que também ensina no curso – onde ela própria estudou. “Eu me interessava pelo armênio porque era uma língua antiga, mas nunca pensei que fosse dar aula sobre isso”, conta Pereira, que faz parte da terceira geração de professores do curso, hoje com 200 alunos entre suas diferentes disciplinas. “Nunca houve tanta gente interessada na Armênia”. *Os jornalistas viajaram a convite do consulado da Armênia em São Paulo
G6
MANAUS, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015
Diário de Caracas O MAPA DA CULTURA
4
Lampejos de bem-estar Da arte de enxergar beleza no inferno
SAMY ADGHIRNI
Em Caracas você não encontra papel higiênico nem sabão em pó, e a chance de levar um tiro é grande – a cidade tem a segunda taxa de homicídio mais alta do mundo. Também é bom não adoecer, pois falta muito remédio, e equipamentos hospitalares estão em ruínas. Mas, em meio às agruras, a capital venezuelana mostra encantos. Recém-chegados estranham quando os locais ou estrangeiros instalados há mais tempo evocam os prazeres de viver aqui. Eu mesmo não conseguia entender como alguém poderia usar uma camiseta estampada com os dizeres “I love Caracas”. Até começar a perceber, passado o choque dos primeiros meses, que caraquenhos também podem ser felizes. Claro, é mais fácil abstrair problemas com dinheiro no bolso.
Ricos se abastecem em mercados privados, onde produtos escassos aparecem com mais frequência, custando até dez vezes mais que nas lojas do governo, com preço tabelado. Lojinhas de luxo ainda exibem variedade em produtos de delicatéssen capaz de rivalizar com a de supermercados mais finos de São Paulo. Encontramse, por exemplo, foie gras francês e vinagre de cidra. Sonhos distantes para 99% dos venezuelanos, mas ridiculamente baratos para quem recebe em dólar e troca no paralelo. O charme de Caracas, porém, vai muito além do que o dinheiro, pouco ou muito, pode comprar. Verdura O marco visual de Caracas é a imponente e verdejante montanha que se desgarra da cidade em sua frente norte e se estende de leste a oeste. Conhecida como Parque Nacional del Ávila, a cadeia montanhosa é co-
berta por uma densa mata e pode ser vista de qualquer ponto na cidade. Um deslumbre. O Ávila, como é chamado simplesmente, supera 2.000 metros de altitude em alguns pontos e quase todos os dias amanhece encimado pela neblina. O parque é uma barreira natural entre a cidade e o mar do Caribe. É por causa do Ávila que Caracas não tem astral litorâneo, embora a praia esteja a poucos quilômetros do centro. A sensação de verde onipresente não vem só do Ávila. Difícil achar uma rua sem árvores, algumas das quais deixam à mostra centenárias raízes. Mesmo bairros pobres, como Petare, são cercados por vegetação exuberante. A arquitetura surpreende não só pelos bem preservados edifícios coloniais do centro, como a Chancelaria e a Assembleia Nacional. Muitos prédios de classe média mostram elegância e arrojo. Há desde prédios de concreto no estilo de Le
Corbusier a construções “art déco” e “art nouveau”.
à procura de abrigo em árvores para passar a noite.
Clima doce Desembarquei esperando altas temperaturas e umidade atroz. Mas o clima se revelou um dos grandes atrativos da cidade. Definido como intertropical de montanha, esse clima tem temperatura constante ao redor de 27 graus – raramente acima de 30, nunca abaixo de 20. Agora é época de estiagem, mas o ar carrega umidade suficiente para seguir agradável. No período da chuva, que acaba na virada do ano, é água todo dia. Meia hora após as pancadas intensas e rápidas, tudo está sequinho. A maioria ama esse clima algo monótono. Caraquenhos que migram para a tórrida Cidade do Panamá ou para a mais fria Bogotá morrem de saudade do doce sol daqui. O entardecer traz um espetáculo único. Araras azuis e vermelhas sobrevoam praças e ruas aos berros,
Lazer Caracas tem fartura de parques bem cuidados, entre os quais o Francisco de Miranda, desenhado pelo brasileiro Burle Marx. Um passeio típico de domingo é subir o Ávila a pé, algo que exige preparo. Há quem prefira o teleférico. O Museu de Belas Artes tem peças do Egito antigo; o de Arte Contemporânea, Miró e Picasso. Sem falar nos museus históricos, como a Casa Natal de Simón Bolívar. Em todos, a entrada é franca. Apesar da dificuldade de abastecimento, Caracas ainda tem gastronomia. O polvo grelhado do restaurante peruano Tasca del Juancho e o cordeiro do espanhol La Huerta estão entre meus favoritos. Posso me enganar ao buscar lampejos de bem-estar num lugar tão sofrido. Mas ver beleza no inferno deixa a vida mais amena.
G7 G
MANAUS, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015
Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRARAM HISTÓRIAS
5 Tríplice legado Rio de Janeiro, 1980
FOTOS ACERVO PESSOAL
CLARA SVERNER
Era verão. Eu gravava no estúdio sinfônico da Odeon o disco que marcaria de forma definitiva minha aproximação com a música popular. O repertório, escolhido a dedo com Maurício Quadrio, meu produtor na época, reunia originalmente músicas de salão produzidas entre o final do século 19 e o início do século 20. Entre os autores, figurava Chiquinha Gonzaga, de quem gulosamente eu havia escolhido quatro entre as seis peças para piano até então disponíveis na Biblioteca Nacional. Naquele final de manhã, eu acabava de registrar minha interpretação para a primeira delas e, na sequência, gravaria “Hip!!!”, uma deliciosa polca-galope, quando adentrou o “aquário” o saxofonista Victor Assis Brasil, que também era artista de Maurício. No primeiro intervalo, Maurício desceu com Victor os degraus que separavam a equipe técnica da sala de gravação e nos apresentou. A empatia, mútua, foi imediata. Apesar de me considerar até hoje uma pessoa tímida, no minuto seguinte, eu já estava tomando a opinião dele sobre os impasses que a polca de Chiquinha me apresentava. Victor então me disse que tocasse um pouco e logo, como se tivéssemos uma intimidade que verdadeiramente não podíamos ter ainda, pediu um lápis e saiu a deitar anotações sobre a partitura: sugestões de andamento – mais lento aqui, mais rápido ali – e, como grande músico de jazz que era, sinalizações de momentos que considerava propícios para eu tomar liberdades quanto à partitura. Ficamos tão visivelmente encantados um com o outro que Maurício propôs que almoçássemos juntos. E lá fomos, os três. A conversa, regada a duas caipirinhas, fluiu animada. Antes que pedíssemos a terceira, Maurício tratou de dar um freio na história: “A Clara tem que voltar pro estúdio e gravar. Não dá pra passarmos a tarde bebendo e conversando.” Ao que Victor refutou: “Que nada! A gravação vai sair muito melhor!”. E não é que saiu? A presença de Victor revelou-se tão inspiradora para mim naquele momento de transição que Maurício passou a convocá-lo para as sessões de gravação que, de imediato, envolviam duas outras peças de Chiquinha. Foi no decorrer dessas três gravações que a música de Chiquinha me arrebatou e decidi mudar o rumo do disco
para que ela reinasse absoluta nos dois lados do vinil. O encontro com o Victor deixou claro que um novo caminho se abria para mim. E uma outra ideia, improvável para a época, invadiu meus pensamentos: formar um duo clássico de piano e sax. Apesar de Victor ser um jazzista por excelência, eu, que não gosto de nada fácil, queria (claro!) que meu parceiro no duo fosse ele. Tanto Maurício quanto Victor compraram, de cara, a ideia. Começamos a pesquisar repertório, escasso para a formação. E a coisa foi indo de vento em popa: Marlos Nobre escreveu especialmente pra nós “Desafio”, e Gilberto de Mendes, “Parque Balneário”. Poucos meses após o lançamento de meu primeiro LP de Chiquinha, porém, Victor caiu doente. Ainda assim, ao longo de sete meses, até a véspera de sua morte, quando nos falamos pela última vez, acalentamos nosso sonho. Eis que o destino nos prega peças. O sonho, tal qual o sonhamos juntos, viria a se realizar (e se estender por mais de duas décadas) com o monumental Paulo Moura – o primeiro professor que Victor teve em vida, tardiamente, aos 21. E se desdobraria na figura de seu irmão gêmeo, o pianista João Carlos Assis Brasil, com quem formei outro duo profícuo. Os duos se interligam de
Partitura com anotações de victor Assis Brasil
SORTEADOS
Entre os autores, figurava Chiquinha Gonzaga, de quem gulosamente eu havia escolhido quatro entre as seis peças para piano até então disponíveis na Biblioteca Nacional. Ao sax, Paulo Moura formou duo com a pianista
maneira peculiar: quando eu e Paulo estávamos escolhendo o repertório de nosso primeiro disco, em 1982, decidimos homenagear Victor incluindo uma música de sua autoria. Foi quando procurei João, que andava triste e afastado da música. A bela “Berceuse”, de Victor Assis Brasil, só chegaria às nossas mãos em 1984, quando a gravamos em cena aberta na Sala Cecília Meireles para o LP “Encontro”. Resumo da ópera: de forma mais ou menos oblíqua, meu encontro com Victor, que musicalmente jamais chegaria a se realizar, serviria de gatilho para a minha aproximação com três figuras fundamentais na minha trajetória: Chiquinha, Paulo e João.
Clara com o pianista João, irmão gêmeo de Victor
G8
MANAUS, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015
Imaginação PROSA, POESIA E TRADUÇÃO
6
As suaves vozes silentes
RESUMO Este conto datado de 1932 integra “A Grande Fome”, reunião póstuma de textos do autor norte-americano, e é o mais antigo dos escritos da antologia, que cobre o período até 1959. Editado em 1999 por Stephen Cooper, biógrafo de Fante, o livro sai no Brasil no fim de maio, pela editora Record.
JOHN FANTE TRADUÇÃO ROBERTO MUGGIATI ILUSTRAÇÃO DAVID MAGILA
Seu irmão o sacudiu pelos cabelos até que você acordou. Por volta das duas da manhã. Ele sussurrou: – Acorde. Mamãe e papai começaram de novo. No quarto ao lado você ouvia as vozes dos dois. A porta estava aberta, mas não havia luz. A casa toda estava no escuro. O amargor nas vozes era o mesmo das outras noites. O fogo na voz do seu pai deixava você e o seu irmão arrepiados enquanto você ficava ali ouvindo as palavras inescrutáveis dos dois, às vezes palavras inglesas inaudíveis, mas principalmente italiano que você nunca ouvira. Seu irmão Pete, que estava deitado ao seu lado, e tinha dez anos, disse: – Esta casa é um inferno. No quarto ao lado seu pai dizia: – Para mim chega, acabou. Para mim chega. Sua mãe disse: – E as crianças? Seu pai disse: – Pegue as crianças e vá pro inferno. Sua irmã no outro quarto começou a chorar. Gritou para você na escuridão da velha casa e você respondeu: – O quê? E sua mãe e seu pai ficaram em silêncio para poder ouvir o que sua irmã queria, e ela gritou de novo, sua voz ondulava através das portas até onde você estava deitado: – Vá ver por que mamãe e papai estão brigando, Jimmie. Por favor, vá ver. Estou com medo. E seu irmão caçula Tommy, que dormia na mesma cama de sua irmã, gritou para você, que tem doze anos e é o mais velho: – Eu não tenho medo, Jimmie. E ela tem oito anos e eu só tenho seis. Seu pai urrou, sua voz fez a casa inteira vibrar: – Crianças, se não calarem a boca vou lhes dar algo para ficarem
com medo de verdade. O irmão que dormia ao seu lado disse: – Tommy é mesmo um sujeitinho corajoso. Sua mãe disse ao seu pai: – Agora você acordou todo mundo. Seu pai falou: – Que acordem. Estou me lixando. Seu quarto ficava entre o de sua mãe e de seu pai e aquele da sua avó, e agora você ouviu a avó levantando se. Ela viria ao seu quarto, como sempre fazia quando sua mãe e seu pai brigavam no meio da noite. A cada passo que dava exalava um estranho gemido “oh oh oh”. O irmão do seu lado disse: – Aí vem a vovó se intrometer. A porta rangeu e sua avozinha estava ao lado da cama, sua mão muito seca tateando o travesseiro em busca da sua cabeça. Ela sussurrou e sempre chorava em noites como esta. – Vá ver, Jimmie, vá ver. Tem de fazer com que parem com isso. Seu pai vai matar sua mãe. Fanfarronada, você dizia alto o bastante para que seu pai ouvisse. – Deixa pra lá, papai não é de nada. A casa estava em silêncio exceto pelo “oh oh oh” do peito velho da sua avó. Você disse: – Viu? Não tem mais briga. Seu pai ouviu. Houve o som conhecido das molas do estrado gemendo enquanto seu pai se sentava na cama e disparava rápidas palavras raivosas contra sua avó. Era naquele italiano do qual você não conhecia nada. Você não pegou uma só palavra reconhecível. Sua avó voltou devagar, na ponta dos pés, para o quarto dela, sua porta se fechou, e as molas de sua cama rangeram. Sua mãe disse ao seu pai: – Muito bonito o que você disse para sua própria mãe. Do quarto mais atrás, sua irmã disse: – Mamãe, mamãe, por favor não comece de novo. Seu irmãozinho Tommy disse à irmã: – Sua assustadinha. O irmão ao seu lado disse num sussurro: – O que foi que papai disse à vovó? Você disse: – Não sei. Vá dormir. As paredes dos quartos eram de ripas e gesso rachado e você podia ouvir sua avó na cama dela. Os estranhos “oh oh ohs” eram soluços redondos que sacudiam a cama agora. O irmão ao seu lado disse: – Vovó está chorando. Você disse: – Não sou surdo. Estou ouvindo. Seu irmão de seis anos disse à irmã, que dormia ao seu lado: – Ei, Jô, vovó está chorando. Sua irmã disse: – Você ia chorar também, aposto, se fosse ela. Seu irmão disse: – E como eu posso ser ela? O irmão do seu lado disse: – Escute o Tommy.
Seu pai perguntou no escuro: – Quem está chorando? – A vovó está chorando. Sua mãe disse: – Sua própria mãe. Seu irmão Tommy disse: – Papai, por que a vovó está chorando? Seu pai disse: – Vá dormir, Tommy. É muito tarde. O irmão ao seu lado disse: – Tommy realmente gosta de fazer perguntas. Sua mãe levantou da cama e colocou seu quimono. Você a ouvia arrastar pelo quarto seus chinelos vermelhos maltrapilhos com os dedões furados. Seu pai disse: – Aonde vai agora? Sua mãe disse: – Não fale comigo. A lua brilhava através das janelas da sala de jantar e você viu sua mãe passar por elas. Ouviu o ranger da boa cadeira de balanço e sabia que sua mãe havia se sentado ao lado da estufa. As brasas da estufa estavam se apagando agora, mas ela não colocaria mais carvão porque aquilo faria um barulho profanador. A cadeira ronronava suavemente enquanto sua mãe a balançava para a frente e para trás, e em pouco tempo tudo ficou muito quieto e sua mãe estava adormecida na sala de jantar. No pátio vizinho você ouviu caixotes tombando, atrás do armazém. Eram os gatos das redondezas procurando restos de carne. Sua avó dormia agora. Não havia sons em seu quarto. Seu pai suspirava. As molas de sua cama gemiam raivosamente. Seu pai lutava para dormir. O irmão ao seu lado roncava em meio ao sono viçoso dos meninos. O seu irmãozinho Tommy e sua irmã Josephine não faziam um som. E, depois de algum tempo, você ouviu seu pai sussurrar para sua irmã. Ele chamou bem baixinho: – Jô, Jô... Josephine. Ela não respondeu e seu pai levantouse e foi ao quarto onde ela dormia. Seu pai sacudiu sua irmã até que ela acordou. Sussurrou a ela: – Josephine, você pode ser uma boa menina para o papai e ir dormir com a vovó? Ela disse: – Sim, eu gosto de dormir com a vovó. – Está certo, então vá. Só diga à vovó que quer dormir com ela. Seu irmãozinho Tommy estava acordado agora e disse: – Eu quero dormir com alguém. Tenho medo de dormir sozinho. Sua irmã disse: – Seu assustadinho. Seu pai disse: – Venha dormir com o papai, Tommy. Só você e papai juntinhos. E, antes que eles fossem para suas diferentes camas, você também acabou dormindo.
Caderno D
Plateia plateia@emtempo.com.br
(92) 3090-1042
VU
LG
AÇ
ÃO
Plateia 3
FOTOS: REPRODUÇÃO
MANAUS, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015
Aviões do Forró aterrissam em Manaus
DI
OS CRIMES DA INTERNET
Exposição indesejada Artistas, modelos e famosos de “reality show” tem no currículo momentos de constragimentos causados por iniciativas que burlaram o direito à privacidade dos envolvidos em vazamentos de fotos ou vídeos íntimos pela internet LUIZ OTAVIO MARTINS Especial EM TEMPO
N
ão é de hoje que a divulgação de imagens indesejadas de famosos (artistas, políticos etc.) desperta a curiosidade de fãs e do público em geral. A abertura de processos em busca de indenizações por possíveis danos morais e a punição dos responsáveis também tem acompanhado essas infames publicações. Quem não lembra, por exemplo, das fotos dos atores Brad Pitt e Gwyneth Paltrow, então namorados, flagrados nus num hotel por um paparazzi em 1997? Nesse mesmo ano, outro casal teve a intimidade escancarada, não em fotos, mas em forma de um vídeo caseiro: a playmate Pamela Anderson e o roqueiro Tommy Lee. Nos dois casos, os envolvidos tentaram impedir a divulgação e a comercialização das imagens, sem sucesso. As fotos de Pitt e Paltrow foram publicadas por revistas como a “Playgirl” e o vídeo de Pamela e Tommy Lee foi vendido até em formato VHS. Hoje, todo esse material pode ser conferido naquele que se tornou o ambiente mais comum para a superexposição – autorizada ou não – de celebridades: a internet. Fotos de pessoas famosas em momentos íntimos e em vídeos de sexo surgem de tempos em tempos nas redes sociais por iniciativa de paparazzi, de hackers e até por obra de um dos parceiros. Foi o que aconteceu com o ator Colin Farrell, cuja então namorada Nicole Narain cogitou comercializar um vídeo do casal transando, em 2009. Um processo impediu a distribuição do material, mas mesmo assim a sequência de sexo entre os dois “caiu na rede”. Fabricadas Há episódios célebres ainda em que os famosos envolvidos podem até decidir abrir processos para punir os culpa-
dos em espalhar pela internet as sex tapes. Mas, é inegável que o vazamento de tais filminhos coopera também para a fabricação de grandes celebridades. Dois exemplos: as patricinhas Paris Hilton e Kim Kardashian. As duas socialites se tornaram estrelas de reality shows, empresárias e presenças constantes em tapetes vermelhos de Hollywood. O sex tape de Paris Hilton tornou-se público em 2003 e o de Kim, em 2007 – mesmo ano em que estreou o bem-sucedido reality “Keeping up with the Kardashians”, sobre o cotidiano de sua família. Até a ganhadora do Oscar de melhor atriz Jennifer Lawrence foi vítima, em 2014, do vazamento de fotos pessoais como veio ao mundo. “Só porque sou uma figura pública, uma atriz, não significa que eu tenha pedido por isso”, declarou à revista “Vanity Fair”. Ainda no ano passado, o artista XVALA, de Los Angeles, anunciou que usaria as fotos vazadas de Lawrence e também as imagens íntimas da modelo Kate Upton na mostra “No Delete”. Essa exposição faz parte da campanha do artista intitulada “Fear Google” (Tema o Google), que busca fortalecer o debate acerca da privacidade na era digital. As selfies da atriz Scarlett Johansson nua já estamparam uma exposição da mesma campanha de XVALA. Lei e campanha No Brasil, gravações de câmeras feitas por meio de programas como o extinto MSN já registraram a nudez de atores como Carlos Machado (negado) e de participantes do reality show “Big Brother Brasil” como Jonas Sulzbach. E também caíram na rede. Mas o episódio nacional que causou mais burburinho envolveu a atriz Carolina Dieckmann. Em maio de 2012,
uma série de imagens de Dieckmann foram divulgadas na internet. A atriz declarou que estava sendo chantageada antes da publicação ilegal das fotos, com pedido de dinheiro para que o material não chegasse a público. Por meio de uma investigação policial, três homens foram acusados de invadir o computador da atriz e roubar as imagens. No início do ano seguinte, entrou em vigência a lei 12.737/2012, uma alteração no Código Penal que trata de crimes na internet – invasão de computadores, divulgação de conteúdos roubados etc. – e ainda estabelece punições específicas, como multas e detenções. Essa proposta do deputado Paulo Teixeira (PTSP) foi apelidada de “Lei Carolina Dieckmann” porque na época do episódio envolvendo as fotos da atriz o projeto de lei ainda tramitava na Câmara de Deputados. Neste mês, um vídeo íntimo da apresentadora Sabrina Sato chamou a atenção dos internautas, mas na verdade tratava-se de uma campanha em parceria com uma marca de absorventes chamada “Juntas contra vazamentos”. A intenção era alertar sobre o problema dos vazamentos de fotos de mulheres nas redes sociais, mas a iniciativa dividiu opiniões. A lei e a possibilidade de punição para os que cooperam para a publicação não autorizada de fotos ou vídeos íntimos nas redes sociais – de celebridades ou pessoas comuns – deve ser acompanhada de cuidados como a instalação de soſtwares de segurança em dispositivos eletrônicos para alertar e prevenir ataques de hackers, além, é claro, de critérios para a produção de conteúdos que ninguém queira ver publicados na internet.
No sentido horário, Jennifer Lawrence, Paris Hilton, Carolina Dieckmann e Colin Farrel são alguns nomes que ficaram emblemáticos com envolvimento em vazamento de imagens íntimas pela rede mundial de computadores. Em alguns casos, a invasão gerou “benefícios” para a fama, mas a maioria das investidas foi seguida de processos judicais
D2
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015 MANAUS
>> No Trânsito . O deputado federal Arthur Virgílio Bisneto, vice-líder do Bloco de Oposição na Câmara dos Deputados, apresentou, nesta semana, um projeto de lei que pede o aumento de quatro para 12 anos, no máximo, a pena para os crimes de homicídio culposo na direção de veículo e “racha”. . No projeto, o deputado argumenta que o homicídio culposo no trânsito (art. 302 do Código de Trânsito Brasileiro) não satisfaz os critérios de prevenção geral positiva, não protegendo adequadamente o bem jurídico da vida, pois a pena prevista, além de ser de baixo pa-
tamar, não permite a imposição de sanção privativa de liberdade em regime fechado. . “É fundamental o Estado adotar uma postura penal mais rígida para aqueles que cometem homicídio na condução de veículo automotor por estar sob a influência de álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência, ou por estar conduzindo o veículo em excesso de velocidade”, aponta. Aplausos!
Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br
>> Badalação . O Top society feminino da cidade tem encontro marcado no próximo sábado no restaurante Alentejo. . Será comemorado o aniversário deste colunista em tarde de almoço cheio de charme. Confirmado um verdadeiro desfile das socialites mais bonitas e chiques da cidade no evento.
Hellen Garcia em tarde de almoço cinco estrelas
O governador José Melo, a presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas, desembargadora Graça Figueiredo, a ministra Carmem Lúcia, vice-presidente do STF e o prefeito de Manaus, Arthur Vírgilio Neto na cerimônia que apresentou à ministra do Supremo Tribunal Federal, o balanço da campanha “Justiça Pela Paz em Casa - Essa Nossa Justa Causa”, realizada em março durante a Semana da Mulher, no Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas
>> Lições
A reitora da Ufam, Márcia Perales, em evento que reuniu VIPs locais
que conhecimento. De acordo com o ele, a capacidade de trazer o novo é o principal combustível da LVMH. “Nosso trabalho não é fazer vestidos para colocar em museus, mas criar desejo em nossos clientes para, assim, atraí-los para nossos produtos”, resumiu. 2-) Steve Jobs, fundador da Apple, também foi citado, principalmente por causa do espírito empreendedor e por sempre questionar o próprio trabalho em nome da inovação. Arnault também fez questão de lembrar que a Apple, considerada hoje a marca mais valiosa do mundo, quase foi à falência em 1997. 3-) Arnault destacou a presença da Louis Vuitton no mundo virtual e nas redes sociais, defendendo a ideia de que as empresas devem investir cada vez mais em tecnologia. “O movimento na loja on-line é muito maior do que jamais poderia ser nas lojas físicas”, revelou.
>> Objeto de desejo .O aguardado Apple Watch mal foi lançado e já conta com dezenas de acessórios criados exclusivamente para ele. Um deles, que tem chamado a atenção, é uma pulseira que traz acoplado ao seu corpo uma bateira extra que será capaz de dar ao relógio o dobro de sua autonomia . .Batizada de Wipowerband, a pulseira esta disponível para pré-venda e o modelo mais simples pode ser comprado por 89 dólares. O lançamento mundial do Apple Watch só acontece no dia 24 de abril.
LANÇAMENTO DIVULGAÇÃO
Norma Araújo e Gracinha Villela durante almoço concorrido
. Centenas de acionistas da LVMH – holding de luxo francesa dona de marcas como Louis Vuitton e Moët Hennessy – tiveram uma verdadeira aula de negócios durante a semana em uma das salas do Carrousel du Louvre, em Paris. O professor foi ninguém menos que Bernard Arnault, CEO e diretor-executivo do grupo, que está no cargo há quase 30 anos. Entre os temas abordados, a desaceleração da economia chinesa, a volatilidade do euro e o crescimento do mercado de luxo dos Estados Unidos. Aqui, os melhores momentos da apresentação para os leitores antenados da coluna: 1-) Parafraseando Albert Einstein, Arnault defendeu que imaginação é mais importante do
Adaptação de “Dois Irmãos” pelos quadrinistas Fábio Moon e Gabriel Bá será lançada em Manaus
Obra de Hatoum em quadrinhos Os gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá, quadrinistas brasileiros reconhecidos mundialmente, estarão em Manaus na próxima sextafeira (24) para o lançamento de seu novo livro, “Dois Irmãos”, uma adaptação para os quadrinhos da premiada obra do escritor amazonense Milton Hatoum, lançada há 15 anos. O evento vai ser realizado a partir das 19h, na Banca do Largo, no largo São Sebastião, Centro. Além de uma sessão de fotos e autógrafos, os quadrinistas participarão de um bate papo com os fãs. O livro dos quadrinistas teve lançamento mundial em março deste ano. A publicação já está disponível na França e a previsão é de que seja lançada nos Estados Unidos em outubro deste ano. Nesta adaptação, os gê-
meos apresentam aos leitores todos os detalhes da consagrada obra de Hatoum, mostrando a cidade de maneira inédita, com fidelidade à história publicada em 2000. “O lançamento do livro justamente no largo São Sebastião é como o fechamento de um ciclo, que começou em 2011, quando estivemos em Manaus para as primeiras pesquisas. Não vemos a hora de ver a reação do público amazonense, que conhece essa história e os cenários dela tão bem. Na verdade, Manaus é um dos principais personagens do livro”, afirmou Fábio Moon. Para o secretário de Estado de Cultura, Robério Braga, o lançamento é uma oportunidade de formar mais leitores. “Os quadrinistas conseguiram captar a atmosfera da cidade e apresentá-la nesse livro. Como
eles mesmos afirmaram, o largo São Sebastião é o cenário ideal para o lançamento desta obra”. Premiado Entre os prêmios conquistados pelo livro “Dois Irmãos”, do escritor Milton Hatoum, está o Prêmio Jabuti de melhor romance de 2001. O enredo original da obra conta a história de amizade e rivalidade entre os irmãos gêmeos Yaqub e Omar e narra as relações familiares em torno deles. No livro são destacados temas como incesto, vingança, paixão e rivalidade. Na adaptação dos gêmeos os desenhos são todos em preto e branco. “Foi a melhor maneira que encontramos para remeter ao passado, já que o presente já é bastante colorido”, explica Fábio Moon.
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015
D3
Véspera de feriado ao som de forró e sertanejo em Salvador e em Fortaleza. Após lançar os hits “Vou Assumir”, interpretado por Solange Almeida com a participação da cantora angolana Edmasia, e “Recaídas”, que é considerada uma das músicas mais executadas nas rádios de todo o país, “De
SERVIÇO SHOW DE LÉO MAGALHÃES E AVIÕES DO FORRÓ Quando amanhã Onde Studio 5 Convention Center Quanto R$ 60 (pista) e R$ 180 (área VIP), preços de meia-entrada
Volta Pra Casa” foi o tema da festa de aniversário de 12 anos do Aviões do Forró. Uma referência à casa de shows “Forró no Sítio”, local onde foi comemorado o primeiro aniversário da banda e onde foram realizadas as primeiras apresentações do grupo. Apostando em inovação, a banda divulgou re-
centemente seu novo single, “Lei da Vida”. Romantismo Durante a madrugada, às 2h30, quem vai subir no palco é o cantor Léo Magalhães. O mais recente trabalho do artista mineiro, o DVD “10 anos – Ao Vivo em Goiânia”, é o quarto vídeo de sua carreira e traz canções românticas inéditas e regravações. São 20 músicas com participações especiais como a de Bruno & Marrone (“Será que Ela Vem?”), Leonardo (“Meu Amor Voltou”), Eduardo Costa (“Aí o Homem Chora”), Lucas Lucco (“Mulher Não Trai”), Xand do Aviões do Forró (“Eu Amo Amar Você”) e Robério e Seus Teclados (“Eu Estou Deprimido”). Há mais de dez anos na estrada, Léo atingiu o sucesso e conquistou milhares de fãs. Em 2003 lançou o primeiro CD, com destaque para os hits “Camas Separadas”, “Amor Rebelde”, “Cara Metade” e “Só Dá Ela no Meu Coração”. Canções responsáveis pela marca de 150 mil cópias vendidas, rendendo a Léo um grande espaço na mídia nacional.
EXPOSIÇÃO
DINOSSAUROS
Poesia pela preservação ambiental
A exposição “Mundo Jurássico” pode ser visitada no Shopping ViaNorte
Fortaleza e Belém. No total, são 21 animais posicionados em diversos ambientes do shopping que proporcionam aos visitantes um pouco mais de conhecimento sobre espécies como o Tiranossauro Rex, Dinossauros, Triceratops, Estegossauro, Alos-
sauro, Paquicefalossauro, Espinossauro, Barionix e o Dilofossauro. As criaturas são robôs gigantes com sons e movimentos controlados por computadores, montadas cenograficamente como se estivessem vivas há mais de 65 milhões de anos.
O Centro de Memória do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região receberá a exposição “Mulheres Vidradas”, que reúne poemas em garrafas de vidro com a temática da preservação ambiental. A mostra vai ser apresentada no prédio-sede do Tribunal, na Praça 14 de Janeiro. A abertura da exposição acontece na próxima quinta-feira (23), às 10h. Na ocasião, será realizado um sarau de poesia e música. As garrafas artesanais são produzidas pelas poetisas do grupo amazonense “Formas em Poemas”, que tem como proposta levar cultura e arte através da poesia, apresentando novos talentos em todos os segmentos da cultura. Os poemas nas garrafas buscam despertar o interesse pela reutilização do vidro, ressaltando a importância da preservação do meio ambiente. As poetisas convidadas para este projeto são: Ana Peixo-
to, Adriana Barbosa, Adriana Marques, Carla Pereira, Creuza Barbosa, Euzeni Trajano Franciná Lira, Fátima Lira, Isabelle França, Lídia Damasceno, Laís Borges, Mônica Cordeiro, Marisa Sá, Valéria Gomes, Joana Baraúna e Valéria Gomes. A exposição ficará aberta ao público até o dia 30, de segunda a sexta-feira, no horário das 7h30 às 14h30. No local, o visitante poderá também adquirir as garrafas customizadas.
SERVIÇO EXPOSIÇÃO “MULHERES VIDRADAS” Quando 23 de abril (quinta-feira), às 10h Onde sede do TRT (rua Visconde de Porto Alegre, 1.265, Praça 14) Visitas até o dia 30 de abril, das 7h30 às 14h30
AÇÃO
DIVULG
Este final de semana é a última oportunidade para que o público visite os dinossauros da exposição “Mundo Jurássico”, no Shopping Manaus ViaNorte (avenida Arquiteto José Henrique Bento Rodrigues, 3.760, Nova Cidade), que encerra sua temporada na capital amazonense amanhã, véspera do feriado do Dia de Tiradentes. Mais de 600 mil pessoas já visitaram a exposição desde a sua abertura, em fevereiro último. O horário de visitação hoje é de 12h às 21h e, amanhã, de 10h às 22h. As réplicas gigantescas, algumas com oito metros de altura e 15 de comprimento, passaram por 20 cidades brasileiras, entre elas Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Salvador,
AÇÃO
Mostra em cartaz até amanhã
DIVULG
A
manhã, véspera de feriado, Manaus vai cantar e dançar ao som da banda Aviões do Forró, além de curtir o sertanejo Léo Magalhães. O evento será no palco do Pavilhão do Studio 5 Convention Center (avenida General Rodrigo Otávio, 3.555, Distrito Industrial), a partir das 22h. A primeira atração a subir no palco com a tarefa de preparar o público para os shows nacionais é a banda amazonense Xiado da Xinela. A apresentação começa às 22h30. Em seguida, a partir de 0h30, quem comanda o palco é Xand Avião e Solange Almeida, da Aviões do Forró. A banda surgiu no cenário musical brasileiro com uma proposta inovadora, resultado da combinação de um repertório dançante, com músicas alegres e um som cheio de arranjos envolventes. As canções lançadas pelo grupo caíram no gosto popular e transformaram-se em grandes sucessos. O primeiro e o quarto álbum venderam juntos mais de 900 mil cópias. De lá para cá foram diversos trabalhos lançados como os DVDs gravados ao vivo
Solange Almeida e Xand Avião, do grupo Aviões do Forró, subirão ao palco à 0h30
DIVULGAÇÃO
A banda Aviões do Forró e o cantor Léo Magalhães tocam amanhã, no Studio 5, com pré-show do grupo Xiado da Xinela
Obras das poetisas são exibidas em garrafas artesanais de vidro
D4
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015
RESENHA
DIVULGAÇÃO
Scorpions está de volta Este álbum traz músicas interessantes como “Rock My Car” e “Rock n’ Roll Band”, que são bastante características e ainda soam divertidas e devem agradar todos os fãs”
PERFIL
E
Emir Fadul Radialista da Rádio EM TEMPO
mbora seja um tanto quanto infeliz essa história de fazer por anos turnê de despedida e depois simplesmente anunciar um álbum inédito, é preciso respeitar o Scorpions. Afinal, são 50 anos na estrada e serviços inestimáveis ao hard rock. Os dinossauros alemães têm estado na estrada por muitos anos fazendo grande sucesso em todo mundo. Pensamos que a banda de Hannover, na Alemanha, foi lentamente se preparando para a aposentadoria. Mas, às vezes, as coisas não saem como planejamos. Ao tentar fazer isso, a paixão se tornou mais forte e também apoiado pelos dois suecos Mikael Nord Andersson e Martin Hansen, o resultado é o novo álbum. Não bastasse a “pegadinha” do encerramento das atividades, este “Return to Forever” não é exatamente
novo. Isso porque o repertório traz material novo, mas também músicas requentadas, que foram compostas nos anos 1980 e que ficaram esquecidas na gaveta. O início em “Return to Forever” é escolhido muito bem, a abertura com “Going Out With a Bang” é uma boa surpresa por dois motivos. Primeiro pela faixa em si, que é vigorosa, cheia de personalidade e uma pegada mais blues. Depois, pelo capricho e pela qualidade da produção. Forte e com um excelente riff de Schenker a canção é uma verdadeira explosão. O versículo soulful e o refrão mais pesado andam de mãos dadas muito bem, todos mantidos juntos por uma excelente linha vocal onde Meine dá seu melhor. Mas é claro que, a essa altura, não dá para esperar nada muito diferente do que a banda
já vem fazendo há décadas. A sonoridade continua a mesma, músicas lentas com muitos arranjos de violões e refrões “chicletes”. Não é da noite pro dia que uma banda de sucesso muda seu estilo, ainda mais na fase em que o Scorpions se encontra, sem precisar provar nada a ninguém. Este novo álbum traz músicas interessantes também, como “Rock My Car” e “Rock n’ Roll Band”, por exemplo, que são bastante características, mas ainda soam divertidas e devem agradar todos os fãs. As músicas são um rock rápido que lembra os bons tempos da banda. As guitarras sempre gritam muito e os grooves empurram a música. Destacaria estas como as melhores deste novo trabalho. O resto é previsível e não empolga tanto. Já as baladas continuam bregas e pouco inspiradas.
Elas são, certamente, o grande ponto negativo de “Return to Forever”. A versão básica do álbum tem 12 faixas e já soa repetitiva. Os clássicos da banda realmente dão a marca registrada ao hard rock, porém, quem está à procura de novidades pode se frustrar, parece que estamos ouvindo álbuns antigos como Blackout” ou “World Wide Live”. Se o Scorpions se concentrasse em fazer novas músicas como “Going Out With a Bang” ao invés de ficar desenterrando riffs antigos e tentando emplacar baladas apelativas, o resultado seria muito melhor. Mas fã que é fã vai prestigiar de qualquer jeito. Juntamente com essas 12 canções a versão deluxe presenteia com mais quatro músicas e a versão para o iTunes recebe outra faixa bônus também.
Artista: Scorpions Album: Return To Forever (12 faixas) Gênero: Hard Rock Ano: 2015 01. 02. 03. 04. 05. 06. 07. 08. 09. 10. 11. 12.
Going Out With a Bang We Built This House Rock My Car House of Cards All For One Rock n’ Roll Band Catch Your Luck and Play Rollin’ Home Hard Rockin’ the Place Eye of the Storm The Scratch Gypsy Life
ASTROFÍSICO
Programa une ciência e celebridade Bruno Mazieri* brunomazieri@gmail.com
Nova York, EUA - Para o astrofísico Neil deGrasse Tyson, o universo é um lugar hilário. E, se ele não pode fazer com que as pessoas riam disso, obviamente está fazendo algo errado.
É com essa premissa que Tyson estreia hoje seu primeiro programa de TV no formato de “talk show”, na NatGeo Brasil. “Penso nisso como um experimento. Quero trazer a ciência para pessoas que ainda não
descobriram que gostam disso e até para os que sabem que não gostam”, diz. Na TV, a primeira temporada terá dez episódios de uma hora. Por Giuliana Vallone
Ele (a) não está tão a fim de você Os inúmeros foras recebidos ao longo dos meus 29 anos, me tornaram PhD quando o assunto é: interesse sentimental. Mas não me refiro àquele sentimento de amizade e sim, do sentimento entre homem e mulher, entre dois homens ou duas mulheres. Pois bem, desenvolvi um dispositivo que apita todas as vezes que saio de um encontro e percebo a falta de interesse da outra pessoa. O fato é que nem todas as pessoas, mesmo aquelas com anos de estrada, possuem o tal “dispositivo”. É o caso do meu amigo Gabriel (nome fictício porque não preciso expor ninguém e sempre quis escrever isso em algum texto). Gabriel é um jovem empresário, cheio de atitude e com sorriso largo. Namorou durante 4 anos e está solteiro por volta de nove meses, se não me engano. Talvez essa necessidade de suprir a falta do ex fez com que ele se apegasse muito rápido aos ficantes. Mas nesse caso especificamente, meu amigo se envolveu com a pior espécie de pessoa: aquela que te quer por perto, te fala lindas palavras de amor, mas na hora do “vamos ver”, foge da raia. Entre um papo e outro, era possível perceber o famigerado jogo sentimental no qual Ricardo começou a se envolver. Levava para jantar, fazia as vontades do outro, falava sobre sua “paixonite” com brilho nos olhos. Enquanto nós, seus amigos, víamos uma grande armadilha na qual ele se enfiava. Um belo dia, decidi falar tudo o que pensava: “Amigo, na verdade, ele pode não estar tão a fim de você. Ele sente a necessidade de ter você por perto, gosta da tua companhia, gosta de jantar contigo, mas não quer ter um romance. E assim que ele arranjar um alguém para suprir essa carência, certamente, você
será deixado de lado”. Não precisou acontecer essa catástrofe para que Gabriel chegasse à mesma conclusão que eu. Bastou mais alguns dias de convivência para que ele percebesse que tudo não passava de um jogo no qual ele alimentava o ego do outro. Ora, quem não deseja ter alguém à sua disposição 24 horas por dia? Todo mundo! Faz bem, nos transforma nos homens ou nas mulheres mais desejados do universo. E em um momento de pura raiva, Gabriel, finalmente, cansou de fazer o papel do “disponível”. Decidiu parar com as loucuras e mandar sua “paixonite” às favas. Caso encerrado. The end! O cerne da questão é: até que ponto vale brincar com os sentimentos dos outros para se sentir bem? Até que ponto vale se doar por alguém, no momento de carência, mesmo sabendo que esse alguém não está tão a fim de você? Se você é daqueles que tem uma “cabeça boa” e está preparado para tudo, sem expectativa, então siga em frente. Mas, se você é como Ricardo, que acabou de sair de um relacionamento e já busca outro para suprir uma necessidade ainda não superada, é o momento de parar, respirar, contar até três e seguir em frente. O primeiro amor é o amor próprio. Ame-se! Valorize-se! Respeitese! Ninguém merece ser violentado dessa forma. Somente depois disso, as coisas serão como devem ser. Nada de querer se doar sabendo que pode se machucar. E se você faz a linha do que abusa sentimentalmente dos outros, por favor, é hora de parar. É feio e faz mal. Afinal de contas, o mundo dá voltas e um belo dia, você estará interessado(a) em alguém que, certamente, não estará tão a fim de você.
Bruno Mazieri jornalista e editor do caderno Imóveis & Decor
Ame-se! Valorize-se! Respeite-se! Somente depois disso, as coisas serão como devem ser. Nada de querer se doar sabendo que pode se machucar”
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015
D5
Canal 1 plateia@emtempo.com.br
Bate-rebate
TV Tudo Cinema O Porta dos Fundos anunciou recentemente uma investida no cinema e até um trailer teaser chegou a ser exibido para ratificar esta intenção. Só que neste 2015, que não tá fácil pra ninguém, não vai rolar. Falta muito ainda para juntar o suficiente. Aguarde instruções. Cronograma A novela “Trem Bom”, escrita por Maurício Gyboski, teve o seu lançamento adiado para março de 2017. Pela ordem, antes, na faixa das 18h, serão apresentados na Globo trabalhos de Elisabeth Jhin, Walcyr Carrasco e Benedito Ruy Barbosa.
DIVULGAÇÁO
Está escalada Aos que já estavam desconfiados com a sua ausência de tanto tempo, Alinne Moraes já tem acertado o seu retorno às novelas da Globo. Ela teve a sua escalação confirmada em “Além do Tempo”, de Elisabeth Jhin, na fila das 19 horas.
Assunto proibido Atende pelo nome de Xuxa, o assunto que nenhum diretor prefere comentar, mesmo quando chamado a se manifestar. Embora não se admita, existe, sim, uma orientação de cima, para que nada seja dito até que o programa dela acabe por ganhar forma e cores.
de alguém da Globo fazer o mesmo com Léo Batista, o seu mais veterano apresentador esportivo. A sua experiência é considerada imprescindível.
Só para constar Enquanto a Jovem Pan dispensou Cláudio Carsughi, nem passa na cabeça
Expansão Apresentado por Renata Maron nas manhãs do Terra Viva, o “Bem da Terra”, so-
Mario Adolpho
bre o universo agropecuário, acaba de entrar para a grade de programação da Band Internacional em diversos horários. Renata que também passou a comandar um quadro semanal com artistas sertanejos no “Dia Dia”, de Daniel Bork, falando de gastronomia.
• O diretor Rogério Gomes já tem em mãos uma lista com os nomes dos atores indicados para o elenco de “Velho Chico”... • ... Trata-se da próxima novela de Benedito Ruy Barbosa, que será exibida na faixa das 18h, em 2016. • ... Benedito que continua enchendo os olhos da Globo, devido ao sucesso da reprise de “O Rei do Gado”. • O jornalista Fábio Pannunzio passou a ser integrante fixo da bancada do “Jornal Gente” da rádio Bandeirantes. • Rosana Jatobá poderá estrear, em breve, no SBT com temas de sustentabilidade. • Sob o comando de Maurício Farias, foi gravado nesta semana o musical de abertura do novo “Zorra Total” com a participação de todo o elenco... • ... O novo formato, com o elenco modificado e a participação fixa de Dani Calabresa, estreia em maio.
Monotonia nas partidas de vôlei As transmissões de vôlei sempre foram um tormento para a TV aberta. Se tem apenas o horário que começa, mas nunca quando vai terminar. Isto sem contar a monotonia que alguns jogos se transformam. Chega em boa hora esse anúncio feito pela CBV, para que as partidas da Superliga adotem um padrão próximo daquele utilizado pela Fifa na Copa do Mundo, a fim de transformar os jogos em espetáculos.
Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery
C’est fini Que produção nunca passou por isso? A ideia da equipe de “Partiu, Shopping”, novo programa do Multishow com Tom Cavalcante, era sempre receber grandes convidados em seus episódios. O problema é que um ou outro resolve cancelar em cima da hora, e dá-lhe reescrever roteiros.
Márcio Braz mbrazsantana@gmail.com
Os anos 1930 e o alvorecer de um novo teatro nacional Elvis
Regi
Gilmal
No decênio de 1920 os grupos políticos e instâncias ligados à fração burguesa da sociedade começaram a se constituir e a forjar um partido político em oposição ao PRP (Partido Republicano Paulista), único representante da classe oligárquica em decadência. Esse mesmo partido foi envolto em cisões que contestavam sua hegemonia e ideias, além de receber forte pressão de inúmeros outros grupos imbuídos do propósito de reivindicar novas soluções e a formatar e gerenciar um novo projeto político em consonância com os anseios da classe burguesa em expansão. Dessas cisões – e com o apoio de fortes instâncias de produção ideológica, como os empreendimentos da família Mesquita, responsável por inúmeros veículos de comunicação como a Revista do Brasil, criada em 1916, e, mais fortemente, o jornal O Estado de São Paulo – foi criado em 1926 o Partido Democrático, com o objetivo claro de manter oposição aos perrepistas. O Partido Democrático representava todos os integrantes das frações dominantes especializados em atividades culturais, técnicas e políticas. O movimento modernista que eclodira em 1922 com o claro intento de renovar, política e esteticamente, as artes brasileiras, não chegou a produzir efeitos significativos no teatro brasileiro na mesma proporção que se deu na música, no romance e nas artes plásticas. A composição do público brasileiro, ainda muito acostumado às interpretações personalísticas de “astros” como Leopoldo Fróes e Procópio Ferreira, se mantinha prisioneiro de convenções tanto da comédia ligeira quanto da comédia de costumes. Só para se ter ideia
deste empecilho, um dos principais articuladores do movimento modernista, Oswald de Andrade – autor de três peças teatrais – só teve encenada O rei da vela em 1967 pelo grupo Oficina dirigido por José Celso Martinez Corrêa, mais de 30 anos depois de sua escrita, cuja encenação e texto são hoje considerados marcos do teatro brasileiro moderno. É neste sentido que o crítico teatral Décio de Almeida Prado afirma que os anos de 1930 marcam definitivamente um ponto de ruptura na dramaturgia nacional. Se o período anterior fora caracterizado pela produção e encenação de comédia de costumes, a década de 1930 é marcada por uma dramaturgia que procurava refletir os anseios do público burguês em expansão e ainda discutir temas novos e representativos da realidade social brasileira, tudo isto em consonância com as renovações estéticas e temáticas atribuídas ao chamado “romance social”, que teve em Raquel de Queiroz e Graciliano Ramos os seus principais expoentes. Peças teatrais como Sexo (1934), de Renato Viana, e Deus lhe pague (1932), de Joracy Camargo, constituíram-se num marco do teatro brasileiro. O primeiro renovou no sentido de introduzir pela primeira vez as ideias de Freud na dramaturgia nacional, e o segundo introduziu o pensamento socialista do filósofo alemão Karl Marx. Portanto, como vimos, bem antes da encenação de Vestido de Noiva pelo grupo Os Comediantes já víamos atuando no cenário nacional as primeiras tentativas de modernização estética e política da cena teatral, origem de nossas expressões mais significativas e rebento de uma tradição que não mais nos dizia respeito.
Márcio Braz ator, diretor, cientista social e membro do Conselho Municipal de Política Cultural
O movimento modernista que eclodira em 1922 não chegou a produzir efeitos significativos no teatro brasileiro na mesma proporção que se deu na música, no romance e nas artes plásticas”
D6
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015
Programação de TV
SBT
DIVULGAÇÃO
BAND
GLOBO
4h45 Jornal Da Semana Sbt 6h Brasil Caminhoneiro 6h30 Planeta Turismo 7h30 Vrum
5h27 Santa Missa 6h28 Amazônia Rural 6h56 Pequenas Empresas, Grandes Negócios 7h31 Globo Rural
8h Chaves 10h Domingo Legal
8h27 Auto Esporte
14h Eliana 18h Roda A Roda Jequiti 18h45h Sorteio Da Telesena
9h Esporte Espetacular
19h Programa Silvio Santos 23h Conexão Reporter
12h51 Temperatura Máxima - Percy
0h Sobrenatural 1h Rizzola & Isles 2h Pessoa De Interesse
15h Campeonato Carioca - Flamengo
3h Big Bang 3h30 Igreja Universal
20h Fantástico
10h50 Mundial De Fórmula 1 Grande Prêmio Do Bahrein Jackson E O Ladrão De Raios X Vasco Da Gama 17h Domingão Do Faustão 22h17 Superstar 23h27 Tuf - Em Busca De Campeões 0h23 Domingo Maior - Ninja 2 - A Vingança 1h50 Sessão De Gala - Padre 3h11 Mentes Criminosas
SBT contempla séries de sucesso como “Rizzola & Isles”
Horóscopo ÁRIES - 21/3 a 19/4 É hora de refletir sobre as atitudes em família, sobretudo em relação às crianças à sua volta. Momento de decisões importantes. TOURO - 20/4 a 20/5 Encontre um momento para relaxar. Saia da rotina, mas sem ferir seus princípios. Busque o equilíbrio hoje. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Valorizar os gestos de apoio dos colegas pode mostrar que você não é tão rude quanto parece. Esqueça as diferenças em casa e supere as dificuldades de relacionar-se. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Antes de tomar decisões sobre os novos rumos de sua vida, pondere e peça a opinião somente de quem realmente importa para você. Fuja do clima negativo de falsos amigos.
3h52 Mentes Criminosas
RECORD
5h Power Rangers – Na Galáxia Perdida 6h30 Santa Missa No Seu Lar 7h30 Sabadão Do Baiano 8h30 Maskate 9h30 Palavra Cantada 10h45 Verdade E Vida 11h Irmão Caminhoneiro – Boletim 11h05 Pé Na Estrada 11h30 Os Simpsons - Maratona “Mamãe Coruja” “O Pior Episodio De Todos” 12h30 Band Esporte Clube 14h Gol - O Grande Momento Do Futebol 14h30 Futebol 2015 – Ao Vivo 17h50 3º Tempo 19h Sabe Ou Não Sabe 20h A Liga 21h30 Pânico Na Band 0h15 Canal Livre 1h15 1h50 Show Business – Reapresentação 2h40 Igreja Universal
5h Santo Culto Em Seu Lar 5h30 Desenhos Bíblicos 8h30 Record Kids - Pica Pau 10h Domingo Show 14h30 Hora Do Faro 18h30 Domingo Espetacular 22h15 Repórter Em Ação 23h15 Roberto Justus + 0h15 Programação Iurd
4h33 Série
Cruzadinhas
Cinema PRÉ-ESTREIA Os Vingadores 2: EUA. 16 anos. Cinemark 4 - 20h30 (3D/dub/somente quarta-feira), Cinemark 7 – 20h (3D/dub/somente quarta-feira); Cinépolis Millennium 1 – 21h, 0h15 (3D/dub/somente quarta-feira), Cinépolis Millennium 3 – 22h (3D/leg/somente quarta-feira), Cinépolis Millennium 8 – 20h, 23h15 (3D/leg/somente quarta-feira); Cinépolis Plaza 1 – 20h, 23h15 (3D/dub/somente quarta-feira), Cinépolis Plaza 2 – 21h, 0h15 (3D/dub/somente quarta-feira), Cinépolis Plaza 3 – 22h (3D/ dub/somente quarta-feira); Cinépolis Ponta Negra 1 – 3D/leg/somente quarta-feira), Cinépolis Ponta Negra 4 – 21h, 0h15 (3D/dub/somente quarta-feira), Cinépolis Ponta Negra 5 – 20, 23h15 (3D/leg/somente quarta-feira); Kinoplex 3 – 23h (3D/dub/somente quarta-feira), 20h (3D/ leg/somente quarta-feira), Kinoplex 5 – 20h30, 23h30 (3D/dub/somente quarta-feira); Playarte 1 – 20h, 22h55 (3D/dub/somente quarta-feira), Playarte 5 – 21h (dub/somente quarta-feira), Playarte 6 – 20h30, 23h25 (leg/somente quarta-feira).
ESTREIAS O Sal da Terra: EUA/BRA. 12 anos. Cinépolis Millennium 2 – 16h45 (leg/diariamente), 19h15 (leg/exceto quarta-feira); Cinépolis Ponta Negra 2 – 18h (leg/diarmente)
LEÃO - 23/7 a 22/8 Planeje um passeio entre amigos ou com a família para renovar as inspirações para os próximos dias. Você vai precisar das baterias carregadas para enfrentar desafios importantes. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Não se sinta sozinho(a). Lembre-se de que sempre pode encontrar um ombro amigo, pela sua facilidade de criar amizades verdadeiras. Mas não deixe de avaliar quem realmente pode ajudar você. LIBRA - 23/9 a 22/10 Uma viagem pode ser o que você precisa para arejar as ideias e colocar a cabeça em ordem. Visite amigos distantes ou que há tempos não tem tido o tempo necessário para colocar o papo em dia. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 Os próximos dias podem trazer complicações financeiras se você não souber agora como regular seu dinheiro. Não gaste o que não pode. Usufrua de suas conquistas com sabedoria. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Sinta o momento de prosperidade que se aproxima, mas mantenha o foco nos seus objetivos para não cair em armadilhas do destino. No amor, mantenha a paciência e o respeito. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Lembre-se de que as pessoas não são culpadas das suas frustrações nem a razão dos seus sucessos. Acredite que você pode fazer melhor e consertar o que ficou pendente de ajustes. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Bom momento para rever projetos profissionais. Sua carreira precisa de novos ares. Pondere as oportunidades que estão por vir sem deslumbramentos. PEIXES - 19/2 a 20/3 Mantenha a saúde como foco principal. Procure fazer exercícios regularmente. Isso vale para os exercícios que exigem raciocínio. Isso vai ajudar a contornar possíveis dificuldades com mais sensatez.
Chappie: EUA. 16 anos. Cinemark 1 – 13h, 15h50, 18h40, 21h30 (dub/ diariamente); Cinépolis Millennium 5 – 14h30, 17h15, 19h45 (dub/diariamente), 22h15 (leg/diariamente); Cinépolis Plaza 5 – 14h, 16h30, 19h, 21h45 (dub/diariamente), Cinépolis Plaza 7 – 15h15, 17h45 (dub/diariamente), 20h15 (dub/exceto quarta-feira); Cinépolis Ponta Negra 2 – 15h, 21h10 (leg/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 7 – 13h20 (dub/somente sábado), 18h30 (dub/diariamente), 15h50, 21h20 (leg/diariamente); Kinoplex 1 – 13h30, 16h, 18h35, 21h05 (dub/diariamente); Multiplex 3 – 16h30, 19h, 21h (dub/diariamente); Playarte 4 – 21h05 (dub/somente quarta-feira), Playarte 5 – 13h20, 15h50, 18h20 (dub/somente quarta-feira), 13h20, 15h50, 18h20 (dub/somente quarta-feira), 20h50 (exceto quarta-feira), 23h20 (dub/somente segunda-feira, sexta-feira e sábado). Não Olhe Para Trás: EUA. 14 anos. Cinépolis Millennium 7 – 13h45, 16h15, 18h45, 21h15 (leg/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 3 – 19h (leg/diariamente), 22h (leg/exceto quinta-feira), Cinépolis Ponta Negra 6 – 14h40, 17h10 (leg/diariamente).
CONTINUAÇÕES Risco Imediato: EUA. 16 anos. Cinépolis Plaza 4 – 20h45 (dub/exceto quarta); Cinépolis Ponta Negra 8 – 21h50 (leg/exceto quarta-feira). Cada Um Na Sua Casa: EUA. Livre. Cinemark 2 – 15h50 (dub/somente sábado e domingo), 14h30, 19h50 (dub/diário), Cinemark 5 – 13h30, 16h, 18h25 (3D/dub/exceto quarta-feira), Cinemark 7 – 13h30, 16h (3D/ dub/somente quarta); Cinépolis Millennium 3 – 15h15, 17h30, 19h30 (3D/dub/diário), Cinépolis Millennium 4 – 14h45 (3D/dub/diário); Cinépolis Plaza 3 – 14h45 (3D/dub/diário), Cinépolis Plaza 4 – 14h15, 16h20, 18h30 (3D/ dub/diário); Cinépolis Ponta Negra 4 – 14h20, 16h30, 18h40 (3D/dub/diariamente), 20h50 (3D/dub/exceto quarta-feira), Cinépolis Ponta Negra 8 – 15h20, 17h30 (dub/diário), 19h40 (dub/exceto quarta-feira); Kinoplex 2 – 14h, 16h10, 18h20, 20h40 (dub/diário), Kinoplex 5 – 14h, 16h10, 18h20 (dub/diário); Multiplex 1 – 14h, 16h (dub/diário); Playarte 3 – 13h, 15h, 17h, 19h, 21h (dub/diário), 23h (dub/somente segunda, sexta e sábado), Playarte 4 – 13h01, 15h01, 17h01, 19h01 (dub/diariamente). Velozes e Furiosos 7: EUA. 14 anos. Cinemark 3 – 14h50, 18h, 21h10 (3D/dub/ somente quarta). Cinemark 4 – 11h30 (3D/ dub/somente sábado), 14h50, 18h, 21h10 (3D/dub/exceto quarta), 0h15 (3D/dub/somente sábado), Cinemark 5 – 13h50, 17h, 20h10 (3D/dub/exceto quarta), Cinemark 7 – 13h50, 17h, 20h10 (3D/dub/exceto quarta), Cinemark 8 – 19h (dub/diário), 22h10 (dub/exceto sábado); Cinépolis Millennium 1
– 15h, 18h (3D/dub/diário), 21h (3D/dub/exceto quarta-feira), Cinépolis Millennium 2 – 19h, 22h30 (leg/somente quarta-feira), Cinépolis Millennium 4 – 17h, 20h (3D/leg/diário), Cinépolis Millennium 6 – 21h30 (dub/somente quarta), Cinépolis Millennium 8 – 13h, 16h (3D/leg/diário), 19h, 22h (3D/leg/exceto quarta); Cinépolis Plaza 1 – 13h, 16h (3D/ dub/diário), 19h, 22h (3D/dub/exceto quarta), Cinépolis Plaza 2 – 15h, 18h (3D/dub/diário), 21h (3D/dub/exceto quarta-feira), Cinépolis Plaza 3 – 17h (3D/dub/diário), 20h (3D/dub/ exceto quarta), Cinépolis Plaza 4 – 18h, 22h (3D/dub/somente quarta), Cinépolis Plaza 6 – 21h30 (dub/somente quarta), Cinépolis Plaza 7 – 20h30 (dub/somente quarta); Cinépolis Ponta Negra 1 – 14h (3D/leg/exceto quinta), 17h (3D/leg/diário), 20h (3D/leg/exceto quarta), 23h (3D/leg/somente sábado), Cinépolis Ponta Negra 5 – 13h10 (3D/dub/somente sábado), 19h10 (3D/dub/exceto quarta-feira), 16h10 (3D/leg/diário), 22h10 (3D/leg/exceto quarta-feira); Cinépolis Ponta Negra 8 – 20h30 (leg/somente quarta), Cinépolis Ponta Negra 9 – 18h10 (dub/diário), 15h10, 21h30 (leg/diário), Cinépolis Ponta Negra 10 – 19h10 (dub/somente quarta-feira), 22h30 (leg/somente quarta-feira); Kinoplex 2 – 14h50, 17h40, 20h40 (dub/diário), Kinoplex 3 – 13h, 15h50, 18h40, 21h30 (3D/dub/somente sábado e domingo), 14h50, 17h40, 20h30 (3D/dub/somente quinta, sexta, segunda e terça-feira), Kinoplex 4 – 15h20, 21h (dub/ diário), 18h (leg/diário), Kinoplex 5 – 13h30, 16h20, 22h (3D/dub/somente sábado e do-
mingo), 15h20, 21h (3D/dub/somente quinta, sexta-feira, segunda-feira e terça-feira), 19h10 (3D/leg/somente sábado e domingo), 18h10 (3D/leg/somente quinta-feira, sextafeira, segunda-feira e terça-feira); Multiplex 2 – 17h30, 20h (dub/diário), Multiplex 4 – 14h, 16h30, 19h, 21h45 (3D/dub/diário), Multiplex 5 – 13h30, 16h, 18h30, 21h (dub/diário), Multiplex 6 – 21h15 (dub/diário); Playarte 1 – 12h30, 15h15, 18h, 20h45 (3D/dub/exceto quarta), 14h, 17h (3D/dub/somente quarta), 23h30 (3D/leg/somente segunda, sexta e sábado); Playarte 6 – 12h15, 15h, 17h45 (dub/somente quarta), 12h50, 15h35, 18h20, 21h05 (dub/exceto quarta), 23h50 (dub/somente segunda, sexta e sábado), Playarte 7 – 12h51, 15h36, 18h21 (dub/exceto quarta), 15h01, 17h46 (dub/somente quarta), 20h35 (leg/somente quarta), 21h15 (leg/exceto quarta), 23h55 (leg/somente segunda-feira, sexta e sábado), Playarte 10 – 21h05 (dub/ somente quarta). Cinderela: EUA. Livre. Cinemark 3 – 11h20 (dub/somente sábado e domingo), 14h (dub/exceto domingo e quarta), 16h40 (dub/exceto quarta), 19h20 (dub/exceto domingo e quarta), 22h (dub/exceto quarta), Cinemark 4 – 14h40, 16h40 (dub/somente quarta-feira), Cinemark 8 – 13h40, 16h20 (dub/exceto sábado), 22h10 (dub/somente sábado); Cinépolis Millennium 2 – 14h15 (dub/diário), Cinépolis Millennium 6 – 15h45, 18h15 (dub/diário), 20h45 (dub/exceto quarta); Cinépolis Plaza 6 – 13h25, 15h50, 18h15 (dub/diário), 21h15 (dub/exceto quarta); Ci-
népolis Ponta Negra 3 – 13h (dub/somente sábado), 16h (leg/diário), Cinépolis Ponta Negra 10 – 14h10 (dub/diário), 19h20 (dub/ exceto quarta), 16h40 (leg/diário), 21h (leg/ exceto quarta-feira); Kinoplex 3 – 15h (dub/ diário), Kinoplex 4 – 13h50, 16h20, 18h50 (dub/diário); Multiplex 2 – 15h15 (dub/diário), Multiplex 6 – 16h45, 19h (dub/diário); Playarte 9 – 12h50, 15h15, 17h40, 20h05 (dub/diário), 22h25 (dub/somente segunda, sexta e sábado), Playarte 10 – 13h50, 16h15, 18h40 (leg/somente quarta), 14h10, 16h30, 18h55, 21h20 (leg/exceto quarta), 23h40 (leg/somente segunda, sexta e sábado). A Série Divergente - Insurgente: EUA. 14 anos. Cinemark 2 – 17h10 (dub/diário), Cinemark 5 – 20h50 (3D/dub/exceto quarta); Cinépolis Millennium 2 – 21h45 (leg/exceto quarta), 23h59 (leg/diário); Cinépolis Plaza 8 – 13h50, 16h45, 19h30, 22h15 (dub/diário); Cinépolis Ponta Negra 6 – 19h30, 22h20 (leg/diário); Kinoplex 3 – 17h30 (dub/diário), Kinoplex 4 – 21h20 (dub/diário); Multiplex 1 – 18h15, 20h30 (dub/diário). Golpe Duplo: EUA. 14 anos. Cinemark 2 – 22h15 (dub/diário); Playarte 2 – 13h15, 15h30, 17h45, 20h10 (dub/diário), 22h20 (leg/somente segunda, sexta e sábado). Kingsman – Serviço Secreto: RUS. 16 anos. Playarte 2 – 13h, 15h30, 18h, 20h30 (dub/ diário), 23h (dub/somente sexta e sábado). Simplesmente Acontece: RUS/ALE. 14 anos. Playarte 4 – 21h01 (dub/exceto quarta), 23h15 (dub/somente segunda, sexta e sábado).
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015
FOTOS: SILVIA CASTRO
Jander Vieira jandervieira@uol.com.br - www.jandervieira.com Victor de Alencar Motta e Tainah Trigueiro Esteves no maior climão nascemos-um-para-o-outro. Eles orquestrarão, no dia 16 de maio, na Igreja Sagrada Família, um dos mais esperados enlaces da temporada com festão no Diamond Amanda Abrahão esbanjando elegância nos domínios do Atelier Tânia Castro
x
Kleber Alves está trocando de idade hoje. Amanhã, Bianca Cordeiro e Mauro Drummond estão aniversariando. Os cumprimentos da coluna.
Merecido. Ontem, a querida e competentíssima médica Uildeia Galvão ganhou sessão parabéns no Centro de Atendimento à Criança. A carinhosa surpresa pilotada por sua equipe foi do tipo emocionante. Também pudera, cativante como é, Uildeia não merecia nada menos. Os cumprimentos da coluna por mais uma troca de idade
Os fãs dos quadrinhos da Marvel Studios, ansiosos pelo lançamento do filme “Vingadores: Era de Ultron”, podem reservar a próxima quarta-feira no calendário. Além de venda de ingressos antecipada, o Kinoplex do Amazonas Shopping terá sessão de pré-estreia para quem não está disposto a esperar nem mesmo um dia para ver o longa. O filme estreia oficialmente no dia 23, mas os fãs dos super-heróis podem assisti-los nas sessões extras do dia anterior. A segunda reunião dos ‘Vingadores’ será transmitida nas versões legendada e dublada.
Forró concorrido
Aplausos
Ontem, a PMM pilotou uma programação especial para comemorar o “Dia do Livro Infantil”. A 1ª Feira de Livros do Parque Ponte dos Bilhares foi um sucesso e teve a chancela da Semmas.
Gisele e Valério Fagundes zarpam hoje para temporada de férias por Miami e Las Vegas.
Aventura na telona
A agenda da cidade está agitada com mais um megashow da Fábrica de Eventos. Amanhã, os Aviões do Forró e Léo Magalhães animam os manauenses no Studio 5 com o ‘melhor forró do Brasil’ e muito romantismo. A banda Xiado da Xinela abre a noite às 22h30. A véspera de feriado promete ser bastante dançante. Dúvidas?
Sala de Espera
As inscrições para o curso de artesanato com recicláveis, oferecido pelo Sesc, estão abertas e seguem até o próximo dia 23. As inscrições podem ser realizadas na unidade da Henrique Martins.
D7
Charufe Nasser e Ednea Ribeiro engatam bate-papo sobre as novidades do mundo virtual em noite divertida pilotada pela coluna
Medo
A coluna constatou (in loco) a nova “manha” dos proprietários de restaurantes que funcionam até mais tarde pelas bandas do Vieiralves: acorrentam a entrada principal e usam a dos funcionários como acesso ao público. Não se trata de “frescura”, mas sim de MEDO! Enquanto isso, continuamos presos em nossas condições de livres. Oremos!
O secretário David Reis tem mostrado um belo trabalho à frente da Semtrad. A secretaria inseriu 32 Pessoas Com Deficiência (PCDs) no mercado de trabalho, entre comércio e indústria em diversas funções: atendente de lojas, recepcionista, auxiliar administrativo, auxiliar de estoque e auxiliar de produção. O número representa cerca de 20% do total de colocados do Sine Manaus Centro. A bela Karina Queiroz em noite concorrida no Vieiralves
D8
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 19 DE ABRIL DE 2015