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RICARDO OLIVEIRA
ANO XXVII – N.º 8.539 – DOMINGO, 16 DE NOVEMBRO DE 2014 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO
Lewandowski diz que juiz é homem comum, como outro qualquer
‘JUIZ NÃO É DEUS’ DIVULGAÇÃO
Em entrevista ao jornalista Mário Adolfo, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, fala sobre a lentidão da Justiça brasileira e diz que juiz não é Deus. Com a palavra A5
Plateia Sertanejo de responsa A dupla Jorge e Mateus (foto) conta como será a apresentação em Manaus, dia 22, no “Último Sertanejo do Ano”, que acontece no sambódromo. Plateia D3
Combates eletrizantes na ‘selva’ Manaus vai receber a quarta edição do evento de MMA “Rei da Selva Combat”, marcado para o dia 29, com 11 lutas programadas. Pódio E4 e E5
Indiferente ao preconceito, a comunidade de São Benedito da Praça 14 é um exemplo de comunhão e respeito às raízes como uma herança para as futuras gerações
FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELEIÇÕES E ELENCO.
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MANAUS, DOMINGO, 16 DE NOVEMBRO DE 2014
Executivos pedem habeas corpus para sair da prisão Avancini, diretor-presidente. Aldarico Negromonte Filho, acusado de ter ligaçoes com o doleiro Alberto Youssef e Fernando Antonio Falcão Soares, conhecido como Fernando Baiano, são considerados foragidos. Os demais presos que entraram com pedido de habeas corpus estão na superintendência da PF, em Curitiba. São eles: Alexandre Portela Barbosa, advogado da empreiteira OAS; e Carlos Eduardo Strauch Albero, diretor da Engevix; José Aldelmário Pinheiro Filho, presidente da OAS; José Ricardo Nogueira Breghirolli, funcionário da OAS; Agenor Franklin Magalhães Medeiros, diretor da Área Internacional da OAS; e Gerson de Mello Almada, vice-presidente da Engevix. As prisões ocorreram em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Minas Gerais, em Pernambuco e no Distrito Federal. Todos os presos foram levados, nesta madrugada, em um avião da Polícia Federal para a Superintendência da PF em Curitiba, onde devem prestar depoimento ainda hoje.
Acusados de envolvimento em esquema de desvio de recursos da Petrobras são transferidos para carceragem da Polícia Federal
Detidos são levados para a PF de Curitiba Os 21 presos na nova fase da operação Lava Jato da Polícia Federal foram transferidos para a carceragem da Superintendência Regional da PF, em Curitiba, por volta das 4h30 deste sábado (15). Os detidos devem passar por exame de corpo delito ainda nesta manhã e, a partir daí, poderão prestar depoimentos às autoridades.
NELSON ANTOINE/FRAME
EX-MINISTRO
Considerado um dos maiores cardiologistas do país, morte de Jatene foi bastante lamentada
Adib Jatene é enterrado em SP O médico e ex-ministro da Saúde, Adib Jatene, 85, foi enterrado, ontem, no cemitério do Araçá, na Zona Oeste de São Paulo. Na noite da última sexta-feira (14), o médico passou mal e foi levado ao Hospital do Coração, em São Paulo, onde morreu. O cardiologista havia sido internado em setembro no hospital, após sofrer um infarto agudo do miocárdio. Em maio de 2012, o médico já havia sido internado com dores no peito. À época, ele mesmo diagnosticou o próprio infarto e deu orientações sobre o seu tratamento. Passou por um cateterismo e precisou colocar um stent (prótese metálica para a desobstrução de artérias). Trajetória Diretor-geral do HCor e um dos pioneiros da cirurgia do coração no Brasil, Jatene tinha mais de 20 mil procedimentos em seu currículo. Foi o primeiro a realizar a cirurgia
de ponte de safena no Brasil e inventou aparelhos e equipamentos médicos. Filho de um seringueiro libanês e de uma dona de armarinho, era natural de Xapuri. Estudou na USP (Universidade de São Paulo) e aos 23
TRABALHO
Autor e coautor de quase 700 trabalhos científicos na literatura nacional e internacional deixa a esposa Aurice Biscegli Jatene e quatro filhos: os médicos Ieda, Marcelo e Fábio, além da arquiteta Iara anos se formou pela Faculdade de Medicina. A residência e pós-graduação foram feitas no Hospital das Clínicas da mesma faculdade. Gestão Nunca se filiou a partidos,
mas participou de várias gestões. Atuou como secretário estadual da Saúde de São Paulo (1979-1982), no governo de Paulo Maluf, e duas vezes como ministro, na mesma área, nas gestões Fernando Collor (1992, por oito meses) e Fernando Henrique Cardoso (1995-1996, por 22 meses). No governo de FHC, criou a CPMF (Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira), para ajudar a financiar a saúde brasileira. Ano passado, presidiu uma comissão de especialistas que ajudou o governo federal na formulação de projeto para mudanças no ensino médico, mas se afastou depois de o governo de Dilma Rousseff (PT) lançar, à revelia da comissão, o programa Mais Médicos. Jatene criticou o fato de os programas de residência darem ênfase à alta tecnologia e especializações. “O médico precisa se transformar em um especialista de gente”, disse.
A maioria dos presos está sob regime de prisão temporária, que tem prazo de duração até a próxima terça-feira (18). Advogados dos suspeitos tentaram obter a soltura dos clientes por meio de pedidos de habeas corpus ao TRF (Tribunal Regional Federal) da 4ª Região. A PF prendeu no último dia 14, 21 executivos, en-
FUTEBOL
tre eles três presidentes de empreiteiras e o ex-diretor da Petrobras Renato Duque, ligado ao PT, na sétima fase da operação Lava Jato. Apuração A ação investiga o maior esquema de corrupção da história da estatal, que teria desviado recursos para políticos que apoiam o governo.
Dos 25 mandados de prisão, quatro pessoas ainda não foram localizadas. As empresas envolvidas criticaram as prisões preventivas e afirmaram estar à disposição da Justiça. “Era mais fácil advogar na ditadura”, disse Antonio Claudio Mariz, que é advogado de um dos executivos da construtora Camargo Corrêa.
COMÉRCIO DIEGO JANATÃ
P
elo menos nove executivos ligados a empreiteiras que tiveram prisão decretada na sétima fase da opereção Lava jato, da Polícia Federal, entraram ontem (15) com pedidos de habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), em Porto Alegre (RS), segunda instância da Justiça Federal. Três deles não foram presos, mas entraram com pedido de revogaçao da prisão. Os pedidos devem ser analisados neste fim de semana, no plantão do Judiciário. Deflagrada ontem (14), por determinação do juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal, em Curitiba, a nova fase da operaçao prendeu 21 acusados, entre eles o ex-diretor de serviços da Petrobras, Renato Duque. Dos 25 mandados de prisão recedidos pela PF, cinco não foram cumpridos. Os policiais ainda não conseguiram localizar três executivos da Camargo Correa: Eduardo Emerlino Leite, vice-presidente; João Ricardo Auler, presidente do Conselho de Administração da empresa; e Dalton dos Santos
MARCIA FOLLETO
Pelo menos nove dos 21 presos na operação Lava Jato apresentaram pedidos na Justiça Federal para ficar em liberdade
Pelé deixa hospital, após alta Internado desde o último dia 12, Pelé, 74, recebeu alta hospitalar na manhã de ontem (15). Um comunicado do hospital Albert Einstein, de São Paulo, informou que o Rei do Futebol recebeu liberação às 10h. Pelé teve indisposição estomacal, causada pela alimentação, durante o início da tarde da última quarta e cancelou participação em um evento no Museu Pelé, em Santos, no qual faria um pronunciamento. O ex-jogador foi encaminhado pela namorada Márcia e a filha Flávia ao hospital Albert Einstein. Após a chegada, por volta das 20h, ele fez exames para avaliação e foi orientado a permanecer no hospital, em repouso. No período em que esteve internado, Pelé passou por uma cirurgia para retirar cálculos renais. Apesar do problema de saúde, o exatleta não tem planos de aposentadoria. De acordo com seu estafe, Pelé continuará trabalhando com eventos e fazendo campanhas publicitárias enquanto tiver saúde para essa finalidade e já tem projetos visando a Olimpíada do Rio-2016 e a próxima Copa do Mundo, em 2018, que será realizada na Rússia.
População aproveita para antecipar as compras de Natal
Feriado aquece vendas nas lojas do centro da cidade EMERSON QUARESMA Equipe EM TEMPO
Mesmo com clima de chuva, o manauense aproveitou o feriado de Dia da República, ontem, para adiantar as compras de Natal. Com o movimento, os comerciantes apostam na recuperação das vendas para cumprir metas estipuladas em até 10%. Os produtos mais procurados nesse período antes da entrada do 13º são roupas e calçados. O industriário Roberly Maciel, 38, foi ao centro de Manaus para comprar roupas para o Natal. Segundo ele, as compras foram possíveis por conta do salário de final de outubro que veio incrementado com a Participação de Lucros e Resultados (PLR) da fábrica que trabalha no Polo Industrial de Manaus (PIM). “Com o 13º vou comprar a ceia de Natal e os presentes para os filhos, para mãe e outros parentes”, comentou. A recepcionista Bárbara
Naira, 24, aproveitou o sábado para comprar calçados para ela e sua irmã. Segundo ela, a sua mãe começou agora também a comprar as ornamentações de final de ano. As roupas novas serão compradas com a entrada do 13º salário. “Vou usar o décimo também para pagar alguns contas pendentes”, disse. O gerente de vendas da Shop do Pé, da avenida Eduardo Ribeiro, Ronildo Santos, disse que desde o final de outubro o movimento no Centro melhorou. Mas é na segunda quinzena de novembro que os consumidores começam a antecipar as compras de Natal com maior intensidade. Para o gerente da City Lar, Jackson Teixeira de Oliveira, o segmento de móveis e eletroeletrônicos alcançará a meta de 20% em relação ao mesmo período do ano passado. Mas o movimento de ontem, para ele, ainda era o tradicional. “ As coisas vão melhorar para o nosso segmento com o 13º”, disse.
Opinião
MANAUS, DOMINGO, 16 DE NOVEMBRO DE 2014
Contexto 3090-1017/98115-1149
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Editorial
marioadolfo@emtempo.com.br
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Itacoatiara se faz presente Itacoatiara rendeu-se neste fim de semana – sexta, sábado e domingo – ao 1º Festival Literário. Realizado pelo Serviço Social do Comércio (Sesc) em sua orla, onde se instalou com bom gosto uma “varanda”, de onde se vê sem obstruções o rio Amazonas. Uma intervenção feliz do Sesc, que todos esperam que se repita todos os anos. O festival foi enriquecido por circunstâncias muito bem planejadas. A representação do comércio e do comerciário no chamado “Sistema S” de qualificação profissional (Senac, Sesi/Senai e Sest/Senat), que está integrando centros importantes do interior do Estado para as oportunidades antes só encontradas na capital. O festival, em sua primeira audição, homenageou um filho da Velha Serpa, na sala do Café Literário: o poeta Elson Farias, membro da Academia Amazonense de Letras. Quase ao mesmo tempo, o presidente da Fecomércio e também acadêmico, José Roberto Tadros, recebeu homenagem da Câmara de Vereadores, junto com outro cidadão benemérito de Itacoatiara, o empresário Moisés Benarrós Israel, um capítulo longo (ele tem 90 anos) e decisivo da história do município. O sistema adquiriu prédios centenários na orla da cidade e ali instalou um centro cultural, que será permanente. Autores como Tenório Telles e o deputado Marcelo Ramos, e a itacoatiarense que vive na Austrália, Ádria Mendonça Jenkins, entre outros, lançaram livros; músicos e atores movimentaram os três dias do evento. Aos poucos as cidades do interior amazonense vão sendo reconhecidas em suas vocações. O “Sistema S” intervém com a qualificação e educação, abrindo oportunidades para que a mão de obra não abandone seus locais de nascimento e que tenham, em outras circunstâncias, chance de competir na capital. O Sebrae também agiliza sua instalação em Itacoatiara, que tem tudo para dar certo.
Envelhecer, sem ficar velho O prefeito Arthur Virgílio Neto (PSDB) postou uma mensagem neste sábado, 15 de novembro, dia do seu aniversário. — Meu objetivo é claro: envelhecer muito no tempo e não ficar velho jamais. Nem no corpo. Muito menos na cabeça. Marcas do tempo O prefeito disse também que não se importa muito com essa “coisa de rosto”. Para ele, isso precisa “consolidar mesmo as marcas do tempo e das lutas...tantas!” — Os cabelos brancos me dão orgulho. Afinal, eu os conquistei um por um.
Tarifa social Comissão de Direitos Humanos do Senado aprovou o projeto de lei que inclui entre os beneficiários da tarifa social de energia elétrica, durante o verão, as famílias com renda mensal de até três salários mínimos e que tenham pessoas idosas.
A autora A autora do projeto, senadora Vanessa Grazziotin (PCdoBAM), alega que são expressivas as estatísticas que mostram o aumento das internações hospitalares de idosos durante os períodos de máximas climáticas (calor, frio, umidade, secura).
Corpo e calor A senadora observa que o condicionamento do ar vem a ser um ótimo meio para enfrentar o problema da relação do corpo do idoso com o calor.
Lá vem a Bica! Já começou a corrida para a escolha do tema da Banda Independente da Confraria do Armando (Bica), para o Carnaval de 2015. Ana Cláudia Soares, a nova “general da banda” quer reunir os biqueiros antes do Revèillon, para bater o martelo.
Quanto mais quente.... O ordem é investir no bom humor e nas irreverências. Afinal, essas são as grandes marcas da Bica.
Para inglês ver... Pelo menos dois já estão no páreo e são fortes concorrentes: o repentino bar descoberto pelos visitantes estrangeiros durante a Copa do Mundo; e a batalha política travada na última eleição.
Estatuto LGBT A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) quer garantir os direitos da comunidade LGBT no Brasil. Vai enviar ao Congresso Nacional uma proposta de Estatuto da Diversidade Sexual, que teria como objetivo garantir direitos à comunidade LGBT no Brasil.
Homofobia O Estatuto da Diversidade Sexual propõe legislação para questões da comunidade LGBT. Como por exemplo, punição à homofobia e acesso à moradia, saúde, trabalho e Justiça.
Texto base O texto base possui 111 artigos, mas ainda será alterado de acordo com sugestões da sociedade. A previsão é que a proposta seja entregue à Câmara dos Deputados nos primeiros meses de 2015.
Trocando ideias Unidades da Ordem nos outros 25 Estados e Distrito Federal também realizarão encontros. Somente após a discussão com a comunidade LGBT, o Conselho Federal da OAB vai formatar o projeto de lei para ser enviado
APLAUSOS
regi@emtempo.com.br
ao Congresso Nacional.
Centro Seguro A Prefeitura de Manaus realizou, no fim da tarde desta sextafeira, a 9ª edição da operação Centro Seguro. Foram alvos os bares, boates e casas de shows, além de hotéis localizados nas ruas Visconde de Mauá, Tamandaré e 15 de Novembro.
Criminalidade O objetivo da operação Centro Seguro é combater a criminalidade e as situações de risco social.
João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br
Inadimplência Às vésperas do Natal, o maior boom do comércio, a notícia não poderia ser mais desagradável. O número de brasileiros com parcelamentos em atraso subiu 3,95% em outubro, na comparação com o mesmo mês de 2013, segundo informou o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).
Está difícil Na avaliação dos economistas do SPC Brasil, apesar dos incentivos dados ao crédito nos últimos meses, com os feirões de renegociação de dívidas, o indicador reflete dificuldade dos consumidores em quitar os compromissos financeiros.
Inflação A dificuldade em sair da inadimplência está relacionada ao atual cenário de enfraquecimento da atividade econômica brasileira, agravado pela inflação elevada, o que corrói o salário dos trabalhadores, e pelos juros altos, que aumentam o valor das dívidas.
VAIAS
Ministro Adib Jatene
Regi
Corruptos do Petrolão REPRODUÇÃO
DIVULGAÇÃO
Ao ex-ministro da Saúde, Adib Jatene, que foi também diretor-geral do HCor e um dos pioneiros da cirurgia cardíaca no Brasil. Ele foi o primeiro a realizar uma cirurgia de ponte de safena no país. Grande profissional, grande homem, grande caráter.
Para os envolvidos no esquema de corrupção da Petrobras, que dessa vez arrasta em seus tentáculos empresas tidas como sérias até poucos dias. Segundo a Polícia Federal, elas teriam contratos com a estatal no valor de R$ 59 bilhões.
Alea jacta est A frase-título é velhíssima, é de Júlio César, antes de chegar a imperador, ainda general, quando desafiou a ordem e a tradição romanas e transpôs o Rubicão, riacho insignificante geograficamente, mas importante politicamente, e entrou em Roma à frente das suas legiões. Sabia que não tinha volta e, portanto, bradou: “a sorte está lançada”, só que o fez em latim por ser a sua língua e também, cá entre nós, porque soava, como soou, muito mais culto e mais belo. Isto aconteceu há muito tempo, consta que lá pelo ano 49 antes de Cristo, naquela parte do mundo a que hoje chamamos Itália, na cidade que já tinha o nome de Roma e era então a própria capital do “mundo civilizado” (que nem era tanto assim). Dia 27 de outubro de 2014 acordamos vaticinados e cientes de que teremos Dilma Rousseff presidente do Brasil por mais quatro anos, a contar de 1º de janeiro de 2015. Portanto, “alea jacta est”, a sorte está lançada, literalmente foram lançados os dados e deu nisto. Resta-nos torcer para que nesta nova era a sina seja outra, diferente daquela que atravessamos nos últimos quatro anos. Ou seja, que agora se inicie um período de mais sorte e de menos azar. Como tudo vai oficialmente começar em 1º de janeiro, no Ano-Novo, podemos fazer votos como de costume, a cada renovação de ano. Iniciemos pela vigilância a ser exercida sobre a guarda e o uso dos nossos recursos, arrebatados impiedosamente de todos nós, habitantes desta “terra brasilis”. A este propósito, convenhamos que a sra. Rousseff não esteve suficientemente alerta durante o primeiro mandato, que ora se completa. Se tivesse estado, pressupondo que suas intenções são retas, não teriam ocorrido os descalabros e os escandalosos desvios
dos recursos por nós aportados aos cofres do Estado. A ela deixamos o crédito da intenção honesta, o que não é absolutamente suficiente, pois, como se diz, o inferno está cheio de bem-intencionados. Maior empenho na vigilância e no cuidado da escolha do staff certamente teria resguardado a Petrobras e nos poupado das Erenices, das Roses e de outras figuras malfazejas. Prossigamos com a esperança de que seja mantida a separação entre as preferências ideológicas e as reais necessidades do povo brasileiro. Atendido este requisito, não correremos o risco de ver nossos recursos financeiros embarcarem para portos estrangeiros, sem passagem de volta. Torçamos para que a dignidade do país seja resguardada pelo governo e imposta como séria e respeitável para todo o mundo. Por mais que se apresentem como atraentes certas aberrações, ainda assim elas continuarão aberrantes. Nenhum país, por mais “socialista” e carente que seja ou pareça, pode cometer o abuso de expropriar investimentos brasileiros plantados com toda a legitimidade, como fez o sr. Evo Morales. Coerência deverá governar nossas ações diplomáticas. Não podemos pregar a justiça social e, ao mesmo tempo, contribuir para a exploração do trabalho humano, ainda que seja para beneficiar a ilha dos irmãos Castro, nem deportar sumariamente atletas que nos pedem asilo político. Em síntese, que a sra. Rousseff atente com maior empenho e cuidado para o bem que ora lhe é confiado por mais quatro anos. Que desça do trono e cuide pessoalmente dele, pois nós lho entregamos apenas provisoriamente, em confiança, mas não lhe outorgamos a propriedade.
João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO
Coerência deverá governar nossas ações diplomáticas. Não podemos pregar a justiça social e, ao mesmo tempo, contribuir para a exploração do trabalho humano, ainda que seja para beneficiar a ilha dos irmãos Castro, nem deportar sumariamente atletas que nos pedem asilo político”
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Opinião
MANAUS, DOMINGO, 16 DE NOVEMBRO DE 2014
Frase
Painel VERA MAGALHÃES
A vez dos políticos
Mesmo que ele [Renato Duque, ex-diretor de serviços da estata] tenha sido indicado pelo PT para a diretoria [da Petrobras], ele não foi indicado para cometer crime, foi indicado para uma missão profissional. Nós não vamos acobertar erros de ninguém. (...) A oposição sempre quer fazer jogo político, a política vingativa
Uma das mais aguardadas etapas da operação Lava Jato depois que a apuração atingiu as empreiteiras, a lista de quantas e quais são as autoridades com foro privilegiado envolvidas no escândalo ainda deve demorar. As denúncias ao Supremo Tribunal Federal só devem ser feitas depois que todos os investigados que optarem pela delação premiada falarem. Só então o Ministério Público Federal vai fechar a relação dos políticos sobre os quais há indícios consistentes de envolvimento. Navalha... Para tentar recuperar fôlego diante do agravamento da crise da Petrobras, Dilma Rousseff vai reforçar o discurso de não deixará “pedra sobre pedra” no combate à corrupção para defender que a sociedade brasileira “saiba de tudo”. ... na carne No Palácio do Planalto, a ordem é manter a blindagem da presidente e continuar mostrando a petista como avalista das investigações e punições, “seja de um empresário ou da cunhada do tesoureiro do partido”, nas palavras de um auxiliar. Campeãs... Levantamento feio pelo Ministério Público Federal mostra que as empreiteiras que foram alvo da operação de sexta-feira têm 12 contratos ativos com outros órgãos do governo federal, além da Petrobras, no valor de R$ 4,2 bilhões. ... nacionais O maior contrato é da Mendes Júnior: R$ 927 milhões em obras de um dos trechos da transposição do rio São Francisco. Meio de campo Um dos alvos da operação de sexta, a construtora Engevix admitiu em ofício à Justiça Federal que pagou R$ 6,2
milhões para que o doleiro Alberto Youssef fizesse “mediação em processos de negociação” com a Petrobras nas obras da refinaria de Abreu e Lima. No papel Os contratos foram assinados com duas firmas de Youssef, em 2009 e já em 2014. “Este serviço era prestado pelo senhor Alberto Youssef e devidamente formalizado por contrato”, declarou a Engevix. Oráculo Já a OAS, cujo presidente, Adelmário Pinheiro Filho, foi um dos presos na sexta-feira, declarou ter pago R$ 6,9 milhões às empresas de Youssef a título de consultoria. Aqui não Tucanos se diziam aliviados ontem pelo “foco restrito” das investigações da Polícia Federal na relação das empreiteiras com a Petrobras, já que as empresas também prestam serviços para governos do PSDB. Despedida O procuradorgeral do Estado de São Paulo, Elival da Silva Ramos, afirmou em reunião do conselho do órgão na sexta-feira que não pretende ficar no governo no próximo mandato de Geraldo Alckmin. Atritos Ramos se desentendeu com parte da categoria nas discussões sobre
o projeto de lei orgânica que reestrutura o órgão. Muita calma Deputados do PPS dizem que a formação de um bloco parlamentar com o PSB não significa apoio imediato à candidatura de Julio Delgado (PSB-MG) à presidência da Câmara. Só vai na boa O partido quer deixar a corda esticar para definir sua posição só depois de saber se o nome de Delgado tem viabilidade ou se a divisão da oposição somente favoreceria a eleição de um candidato do PT.
Vicentinho (SP), líder do PT na Câmara, garante que o partido não vai acobertar nenhum investigado na operação Lava Jato, da Polícia Federal, que visa desmantelar um suposto esquema de corrupção na Petrobras.
Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br DIEGO JANATÃ
Vaquinha Na disputa pelo governo paulista deste ano, Paulo Skaf (PMDB) recolheu R$ 263 mil em doações de 20 integrantes da diretoria da Fiesp, presidida por ele. Memórias Dirigentes do PMDB valorizam Marta Suplicy, mas têm arrepios em pensar em mais uma eleição com um “forasteiro” como candidato, caso a senadora deixe o PT. Lembram a dor de cabeça que causaram Skaf neste ano e Gabriel Chalita em 2012. Congestionou Dos 11 vereadores do PT na Câmara Municipal de São Paulo, 6 já se lançaram candidatos à presidência da casa.
Tiroteio
“Como é bom saber tocar um instrumento ou algo assim”, com essa intenção de Caetano Veloso, acompanha (bem a propósito) os dois meninos que estão educando o ouvido, em meio à algazarra da cidade. Mas são dois? Estarão pensando em formar uma dupla sertaneja? Sertanejos universitários? É melhor tocar bem esse instrumento
Dom Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br
Ao atribuir ao Congresso a responsabilidade pelas contas do governo, Mercadante dificulta a relação. O parlamento não age sob ameaça. DO DEPUTADO LÚCIO VIEIRA LIMA (PMDB-BA), sobre negociação do Planalto com o Congresso pelo projeto que autoriza o descumprimento da meta fiscal.
Contraponto
Sem descer do salto A saída de Marta Suplicy do Ministério da Cultura com críticas à política econômica causou estranheza. Dias antes, ela e a presidente Dilma Rousseff tinham sido fotografadas de braços dados durante cerimônia no Palácio do Planalto. A aliados que a questionaram sobre o contraste entre a imagem e a carta de demissão, Marta explicou: – Minha relação com a presidente era ótima! Ali, eu cochichei para ela que estava com salto 7 e, se ela não me segurasse, eu rolaria a rampa do palácio. E ela segurou!
Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”
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Nas ondas do rádio No início dos anos 80, iniciei a minha vida missionária na região do Alto Juruá visitando seringais do Envira, Paraná do Ouro e Jurupari. Eram longas viagens de desobriga, como eram chamadas estas visitas que visavam possibilitar a celebração do matrimônio, do batismo e da crisma. Alguns também se confessavam e todos participavam da Eucaristia. Junto comigo viajava um escrivão que fazia certidões de nascimento e arrancava dentes. Também fazíamos reuniões lideradas e conduzidas por alguém do sindicato. Aprendi o significado das palavras centro, varadouro, estrada, além da identificação dos utensílios usados pelos seringueiros. Tomei conhecimento dos ritmos de vida do seringal, sua organização, e tive consciência da perversidade do sistema de aviamento que tornava as pessoas dependentes de gerentes, de barracões e finalmente do dono do seringal. À noite, atávamos as redes apinhadas em casas minúsculas, verdadeiros oásis de humanidade no meio da floresta, homens na sala, mulheres e crianças na cozinha, a camarinha reservada para o casal. Na sala o assunto era o preço da borracha. Afirmava-se, especulava-se, faziam-se cálculos. Destes valores dependia a possibilidade de lucrar alguma coisa, e às vezes a chance de sair dali e ir para a cidade. Quase ninguém sabia ler, o que tornava todos dependentes de quem fazia a escrita anotando mercadorias, créditos e débitos. Neste contexto é fácil imaginar a revolução que significou a comunicação cada dia pelo rádio da cotação da borracha. Ficava mais difícil ser enganado. Mas o rádio trazia outras informações e entretenimento, abrindo com suas
ondas as portas de um mundo belíssimo na sua exuberância, mas tão limitado e solitário. Em algumas partes da Amazônia começou também a educação à distância por meio do Movimento de Educação de Base, uma verdadeira revolução na vida das pessoas e das comunidades que surgiam a partir do processo formativo. Esta lembrança me vem à mente porque estamos celebrando os 60 anos da rádio Rio Mar, que faz parte do grupo de emissoras mais antigas da Amazônia. Participou de toda a história da rádio difusão na nossa região. Fazer rádio sempre foi e será exigente, sobretudo quando se quer manter qualidade e independência. Num tempo de verdadeira revolução midiática o rádio continua a ser um meio ágil, universal e atual. Continuamos a ter comunicadores competentes e atualizados nas nossas rádios. Elas estão presentes vinte e quatro horas por dia na vida das pessoas. A Rio Mar formou e forma grandes comunicadores, contando com um corpo técnico administrativo de altíssima qualidade, formando, informando e entretendo populações que vivem nos mais distantes rincões de nosso Estado, insistindo e investindo na transmissão em ondas curtas e médias, sustentada em grande parte pelos ouvintes e empresários que têm consciência social. Festejar e celebrar uma emissora que faz parte da história de Manaus e do Amazonas é reconhecer o valor de todos e todas que no dia a dia ajudam a transformar a nossa sociedade e fazem acontecer uma verdadeira revolução por meio da força das ondas do rádio.
Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus
A Rio Mar formou e forma grandes comunicadores, contando com um corpo técnico administrativo de altíssima qualidade, informando e entretendo populações que vivem nos distantes rincões de nosso Estado, insistindo e investindo na transmissão em ondas curtas e médias”
Com a palavra
A5 FOTOS: DIVULGAÇÃO
MANAUS, DOMINGO, 16 DE NOVEMBRO DE 2014
Ricardo LEWANDOWSKI
“JUIZ NÃO É DEUS!” Florianópolis – Durante entrevista coletiva no 8º Encontro do Poder Judiciário, realizada nos dias 10 e11 de novembro em Florianópolis, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski foi surpreendido com a pergunta à queima-roupa: — Ministro, juiz é Deus? A pergunta do repórter referia-se à repercussão nacional que teve o caso da agente Luciana Silva Tamburini, condenada a indenizar em R$ 5 mil o juiz João Carlos de Souza Corrêa, flagrado sem documentos em blitz da Lei Seca no Rio de Janeiro. Luciana foi condenada por ter a “ousadia” de dizer que o juiz não era Deus. Na ocasião, o juiz lhe deu voz de prisão. A pergunta não foi lá muito do agrado do ministro, que deu por encerrada a entrevista e se retirou da sala repentinamente, deixando MÁRIO ADOLFO Equipe EM TEMPO
EM TEMPO – Ministro, a que o senhor atribui a lentidão na Justiça brasileira? Ricardo Lewandowski, presidente do STF e do CNJ – O Judiciário só aplica a lei. Aplica o Código Civil, o Código Penal, o Código de Processo Civil e de Penal. A alteração dessas leis importantíssimas não está nas mãos do Judiciário, mas sim do Congresso Nacional. Então, se há uma multiplicidade de recursos, nós temos hoje no país quatro instâncias de recursos, isso não se deve à vontade da Justiça. A Justiça não tem como interferir nisso. Essa lentidão da Justiça deve ser imputada, debitada, à nossa legislação processual, que é extremamente complicada. Muitas leis datam de 50 anos atrás. E também da carência de recursos
humanos e materiais que sofre o Poder Judiciário. EM TEMPO – O que a sociedade brasileira pode esperar da mais alta corte do país. Ricardo Lewandowski – Bem, primeiro pode esperar a garantia do estado democrático de direito, que todos nós juramos defender. Em segundo lugar, nesta gestão em particular, nós vamos dar ênfase aos recursos especiais que têm repercussão geral. São casos que são escolhidos pelos ministros, que têm interesse maior do ponto de vista econômico, político social ou jurídico. Quando escolhidos, fazem com que todos os demais processos do país, que falem do mesmo tema, sejam solucionados. Essa é uma forma que o tribunal tem para descongestionar os recursos do país, de modo a descongestionar a Justiça brasileira. EM TEMPO – Essa é uma espécie de Súmula Vinculante? Ricardo Lewandowski – Esse é um outro instrumento muito importante. A Repercussão Geral, tal qual a Súmula Vinculante, foi criada
os jornalistas falando sozinhos. Antes, advertiu que não comentaria sobre o mérito da ação (a condenação da agente), pois, de acordo com ele, o processo pode chegar ao STF. — Mas quero dizer que juiz não é Deus. É um homem comum, é um cidadão como outro qualquer que tem a importante missão de cumpri as leis e a Constituição em particular. Ricardo Lewandowski tem 66 anos e foi nomeado para o STF pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006. Ele formou-se em direito pela Universidade de São Paulo. No Supremo, o ministro foi o revisor da Ação Penal 470, o processo do mensalão, e relatou processos sobre a proibição do nepotismo no serviço público e das cotas raciais nas universidades federais. Confira a entrevista, até o momento em que foi interrompida: pela emenda constitucional 45/2004, que criou três instrumentos importantes. O primeiro foi o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que é responsável hoje pela fiscalização orçamentária, administrativa e disciplinar de toda a magistratura brasileira; depois criou o instrumento ao qual eu me referia, que é a Repercussão Geral. E, finalmente, a Súmula Vinculante, que são decisões tomadas pelo STF de forma reiterada em matéria constitucional e que outros tribunais e juízes, bem como a administração pública, direta e indireta, terão que seguir. EM TEMPO – Ministro, os jornais trazem hoje a informação de que 81% dos brasileiros acreditam ser fácil não seguir as leis no Brasil. Trata-se de uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, no Índice de Confiança na Justiça Brasileira. Como é que o senhor recebe essa informação e avalia esses números? Ricardo Lewandowski – A questão do cumprimento das leis, antes de mais nada, é uma questão cultural, uma questão de civilidade. Quer dizer, indeEssa lentidão pendentemente de termos um (da Justiça) guarda em cada esquina fazendo deve ser imcumprir a leis, putada, debi- nós precisamos internalizar, isto tada, à nose, nós mesmos sa legislação nos determinarmos a cumprir processual, as leis. Quando que é extrenós, independentemente de mamente ter um guarda complicada. de trânsito, pararmos num siMuitas leis nal vermelho ou datam de 50 numa faixa de pedestres, nós anos atrás” estamos contri-
buindo para que tenhamos um país mais civilizado. É claro O juiz é um que o cumprihomem comento das leis não depende mum, um apenas do Judicidadão ciário. Depende do Poder Execucomo outro tivo, depende do qualquer, Poder Legislativo e depende, que tem a como eu disse, importante de cada cidadão que se propõe a missão de cumprir as leis. fazer cumE penso que nós temos que camiprir as leis e nhar nesse sena Constituitido. Isto é muito importante no ção em parque diz respeito, ticular” por exemplo, ao meio ambiente. Se nós não incutirmos no cidadão brasileiro, desde criança, a importância de respeitar o meio ambiente, a diversidade biológica que temos no Brasil, da fauna e da flora, realmente o futuro do planeta continuará em jogo. EM TEMPO – Ministro, pegou muito mal a condenação, esta semana que passou, daquela funcionária do Detran (Luciana Silva Tamburini), que multou um juiz (João Carlos de Souza Corrêa,) justamente porque ele não estava cumprindo a Lei. Ela foi condenada a pagar multa por danos morais porque disse que juiz não é Deus. Juiz é Deus? Ricardo Lewandowski – Esse é um caso concreto que eu não posso me pronunciar, porque eventualmente essa matéria poderá ser examinada, ainda, pelo Supremo Tribunal Federal. Mas eu quero dizer que juiz é um homem comum, é um cidadão como outro qualquer, que tem a importante missão de cumprir as leis e a Constituição em particular.
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Política
negros Onde estão os políticos
no Brasil
e no mundo
Especialistas afirmam que não é preciso ser muito inteligente para perceber que alguma coisa está errada em um país cuja maioria é negra e a representação é majoritariamente branca. Pelo mundo inteiro, a gestão política para os negros também não é diferente JOELMA MUNIZ Equipe EM TEMPO com assessorias
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baixo número de parlamentares negros não é uma exclusividade do Congresso Nacional, onde dos 513 deputados federais, somente 43 se reconhecem negros e no caso dos 81 senadores, apenas dois se manifestam negros ou pardos. No parlamento amazonense, a situação se mostra ainda mais tímida, já que dos 24 deputados estaduais, com base no grupo eleito no último pleito, nenhum é negro, e dos 42 vereadores, apenas dois representam o grupo. A sub-representação política dos negros, que conforme dados do Censo Demográfico Realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizado em 2010, representam mais de 50% da população brasileira, para o sociólogo Paulo Cunha, pode ser explicada se analisadas, entre outros pontos, a forma com que as campanhas são financiadas no país. Para o estudioso, negros, mulheres e índios tendem a esbarrar nos critérios de confiança dos grandes empresários. “Acontece que ainda perduram as características de um país onde a exclusão racial acontece nas entrelinhas. Você pode analisar a cara do Congresso Nacional e, sem grandes dificuldades, vai encontrar homens brancos, muitas vezes advindos de famílias ricas, influentes e que simbolizam a perpetuação dos chamados currais eleitorais, esses, sim, formados em boa parte por negros, que vem ao longo dos tempos lutando para sair das margens da sociedade”, analisou. Na Câmara Municipal de Manaus (CMM), casa dos dois únicos políticos em atividade que se reconhecem negros, Walfran Torres (PTC) e Marcel Alexandre (PMDB) dividem suas atividades entre defender as bandeiras políticas levantadas pelos evangélicos e temas sociais. O peemedebista Marcel Alexandre já ganhou projeção nacional, com o recebimento das honrarias, ao líder do
ano de 2012, por meio da Medalha da Ordem do Mérito Legislativo do Estado do Amazonas, e em 2004 o título de Cidadão Amazonense. Em 2006, recebeu a Moção de Louvor da Câmara Legislativa do Distrito Federal e o título de Cidadão Brasiliense em 2008; além de ser homenageado com o título Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Educação e Teologia de São Gonçalo (RJ).
CONSCIÊNCIA
NEGRA
Apedrejado Casado e formado em Teologia, com especialização em Ministério Pastoral, Marcel Alexandre está em seu segundo mandato como vereador em Manaus e afirma que
CÂMARA
Na Câmara Municipal de Manaus (CMM), apenas dois se reconhecem negros, Walfran Torres (PTC) e Marcel Alexandre (PMDB), integrantes da bancada evangélica da casa nunca sofreu preconceito por sua cor e, sim, por ser evangélico. “Sou de uma época (década de 1970) em que ser cristão era sinal de apedrejamento. Eu fui apedrejado muitas vezes”, lembra. Walfran de Souza Torres também é casado e possui nível superior incompleto. Em seu primeiro mandato de vereador, conquistado por meio de 3.504 votos, é servidor público de carreira. Líder da legenda do Partido Trabalhista Cristão, ele sustenta a necessidade de se implantar o primeiro Hospital Público Veterinário em Manaus. Atualmente, é vice-presidente da Comissão de Agricultura e Política Rural (COMAGRI), vice-presidente da
Interesses raciais na CMM
MARCEL ALEXANDRE
Comissão de Assuntos Socioeconômicos (COMASC), membro suplente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR), membro titular da Comissão de Finanças, Economia e Orçamento (CFEO), membro suplente da Comissão de Saúde (COMSAU), membro suplente da Comissão de Transporte, Viação eObras Públicas (COMTVOP), membro suplente da Comissão de Turismo, Indústria e Comércio (COMTIC), membro suplente da Comissão de Ética (COMET), membro suplente da Comissão de Esportes (COMESP) e membro titular da Comissão de Defesa e Proteção dos Direitos da Mulher (COMDPDM).
Walfran Torres
Entres os projetos que legislam sobre os interesses raciais na CMM, estão o 110/2014, de autoria do vereador Ednailson Rozenha (PSDB). A matéria, que em abril deste ano propôs o estabelecimento de cotas raciais para o ingresso de negros e afrodescendentes no serviço público municipal em cargos efetivos, mesmo polêmica, teve tramitação aprovada por unanimidade. De acordo com o projeto, todos os órgãos da Administração Pública Direta e Indireta de Manaus ficarão obrigados a disponibilizar em seus quadros de cargos, em comissão e efetivos, o limite mínimo de 20% das vagas e/ou cargos públicos para negros
e/ou afrodescendentes, que deverão ser preenchidas por meio de concurso público. O projeto diz ainda que se houver o não preenchimento do percentual, as vagas remanescentes serão distribuídas aos demais candidatos. Na ocasião, o autor do projeto explicou que ele tem a finalidade de servir como medida compensatória pelo tempo em que a comunidade afrodescendente foi tratada de forma discriminatória pela sociedade. “É preciso entender que o preconceito, infelizmente, ainda existe até hoje, mesmo que de forma camuflada. Não faz 170 anos em que nós tínhamos no Brasil pessoas sendo escravizadas”, destacou.
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Luther King foi o mais famoso dos ativistas pró-igualdade racial dos Estados Unidos. Pastor da Igreja Batista, Martin palestrou e discursou por todo o território americano, sempre pregando a igualdade e o ativismo pacífico. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1964 e foi assassinado momentos antes de marcha, em um hotel, em 1968.
Ganhador do Nobel da Paz em 1993, Nelson Mandela foi o mais poderoso símbolo da luta contra o Apartheid, o regime segregacionista na África do Sul. Conhecido como Pai da Pátria em seu país, Mandela foi presidente por 5 anos. Para alcançar esse posto, Mandela passou três décadas na prisão por “praticar terrorismo contra o regime Apertheid”.
Vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 2009, Barack Obama foi o primeiro negro eleito e reeleito à Presidência da República dos Estados Unidos. Mesmo antes disso, Obama conquistou uma carreira singular, tendo durante anos o único senador negro durante a legislatura.
Luther King
Estados Unidos
Nelson Mandela África do Sul
Barack Obama
Estados Unidos
Joaquim Barbosa Minas Gerais - Brasil
Marina Silva Acre - Brasil
Benedita da Silva Rio de Janeiro - Brasil
Joaquim Barbosa nasceu em uma família pobre, em Minas Gerais e, aos 16 anos, foi sozinho para Brasília. Hoje, mais de 40 anos depois, é fluente em francês, inglês, alemão e espanhol, tem mestrado em Direito Público pela Universidade de Paris, foi Oficial de Chancelaria no Itamaraty e o primeiro negro a assumir a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF).
Nascida em Rio Branco (AC), foi a vereadora e deputada mais votada e em 1994 eleita senadora, aos 36 anos, tendo sido reeleita no pleito de 2002. Nomeada ministra do Meio Ambiente no governo Lula, ficou no cargo até 13 de maio de 2008. Foi candidata à Presidência em 2010, pelo PV, e em 2014, pelo PSB, obtendo mais de 22 milhões de votos.
Iniciou sua carreira política ao se eleger vereadora do Rio de Janeiro, em 1982. Em 1986, foi eleita deputada federal e se reelegeu em 1990. Em 1994, elegeu-se senadora, tornando-se a primeira mulher negra a ocupar uma vaga no Senado. Com a eleição de Lula para a Presidência, assumiu a Secretaria Especial da Assistência e Promoção Social.
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Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS
www.claudiohumberto.com.br
Tem muita gente em Brasília sem dormir nos últimos dias” SENADOR AÉCIO NEVES (MG), presidente do PSDB, sobre a nova fase da Lava Jato
Empreiteiro do Petrolão é velho conhecido da PF O presidente da empreiteira OAS, José Aldemário Pinheiro Filho, é velho conhecido das páginas policiais: foi citado pelo Ministério Público em 2012 como um dos acusados de desvio de dinheiro na construção da avenida Jornalista Roberto Marinho, na gestão de Paulo Maluf na prefeitura de São Paulo. Junto a diretores da OAS e da Mendes Júnior, ele foi acusado de pagar R$ 22 milhões em propinas ao ex-prefeito. ‘Habituê’ Outro empreiteiro cuja prisão foi decretada na Lava Jato, Dalton Avancini (Camargo Corrêa) estava enrolado no caso Senasa, em 2011. Processo aberto O caso Senasa motivou prisões de 11 pessoas por corrupção em contratos na Senasa em Campinas. Até o então prefeito foi cassado. Uso do cachimbo A OAS prosperou à sombra de ACM. Controlada pelo genro do líder baiano, diziam que a sigla era as iniciais de “Obrigado, Amigo Sogro”. Pensando bem… …todos as empreiteiras enroladas na Laja Jato estão presentes em dez de cada dez escândalos de assalto aos cofres públicos no Brasil. Acordo garante Vital no TCU e Cardozo no STF O PMDB do senador Renan Calheiros (AL) resolveu apadrinhar a indicação de Vital do Rêgo (PB), presidente da CPI e da CPMI da Petrobras, ao cargo vitalício de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Em contra-
Governo quer transformar o país em ‘casa da mãe Joana’
partida, o PMDB oferece a aprovação rápida da indicação do ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) para a vaga de Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal. E tudo fica dominado. Que vergonha… No TCU, Vital do Rêgo pretende substituir o ministro José Jorge, que apurou o roubo de R$ 3 bilhões na estatal Petrobras. Pizzaiolo Assim como nas CPIs que preside, Vital do Rêgo, engavetador-geral do Petrolão, promete ao Planalto especializar-se em receitas de pizza. Tome tento Amigos de Vital do Rêgo temem que ele se empenhe de tal forma em sepultar o escândalo que acabe contaminado pelo Petrolão. Batman era só o Robin No STF, a toga de Joaquim Barbosa rendeu a ele o apelido “Batman”, mas depois da corajosa atuação do juiz Sérgio Moro, herói da Lava Jato, o ex-presidente do STF está mais para o coadjuvante “Robin”. A fila anda Uma vez presos os executivos de grandes empreiteiras ligadas à Petrobras, o líder do PPS, Rubens Bueno (PR), acredita que os próximos desdobramentos da operação Lava Jato envolverão políticos. Pergunta em mandarim Se a China chamou o caso do servidor público que tinha 37kg de ouro em casa de “pequeno funcionário, corrupção gigante”, o que diria dos dirigentes de empreiteiras do petrolão antes de
PODER SEM PUDOR
A cavalaria do general Victorino Freire visitou o general Eurico Gaspar Dutra, no Rio de Janeiro, na sua permanente conspiração para derrubar o presidente João Goulart. - Assis Brasil diz que tem as divisões de Cavalaria para pegar e rasgar qualquer um... – disse Freire, preocupado. - Divisão de Cavalaria do Assis Brasil? Só se for de Cavalo Branco... Dutra se referia, maldoso, à marca do uísque favorito do general que chefiava a Casa Militar de Jango.
Jornalista
Tucano acusou Cardozo de “cercear” a ação de delegados da PF e que a oposição alertou sobre os escândalos na Petrobras DIVULGAÇÃO
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mandá-los ao paredão? Velha novidade O Brasil só supera a Índia (185º) no ranking de risco de suborno empresarial em 197 países, diz a ONG canadense Trace Matrix. Na Rússia (149º) e na China (137º) a possibilidade de propina diminui. Ainda dói muito Desde que perdeu o filho Eduardo Campos em acidente de avião, há três meses, a ministra Ana Arraes continua muito triste, segundo relatam colegas ministros do Tribunal de Contas da União. Homem a homem O senador Aécio Neves (PSDB-MG) vai esperar a reforma ministerial para montar o seu gabinete paralelo, que vai monitorar minuciosamente as contas e as decisões do governo até seu final, em 2018. Seis por meia dúzia Com seis deputados a menos, o PCdoB briga para manter o Ministério dos Esportes, alegando que elegeu o governador do Maranhão, Flávio Dino. Está difícil. Para Dilma, o que importa é o tamanho da bancada. Queda de braço José Sarney espera emplacar o deputado Gastão Vieira (MA) de volta ao comando do Ministério do Turismo. Já o senador Renan Calheiros (AL) deseja a manutenção do atual ministro, Vinicius Lages. Pensando bem... ...a Petrobras apresentar balanço sem aval da auditoria equivale a aumentar o condomínio do prédio com o síndico preso.
Senador Aécio Neves diz que oposição tinha razão quando alertou sobre corrupção na Petrobras
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m um ato político em São Paulo para agradecer a votação que teve na eleição presidencial, o senador Aécio Neves (PSDB) usou os novos fatos envolvendo a Petrobras – a prisão de mais um dirigente da empresa e o adiamento da divulgação do balancete financeiro - para dizer que a oposição tinha a razão na campanha eleitoral, quando alertou para os casos de corrupção na estatal. Aécio acusou o ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardoso, de “cercear” a ação de delegados da Polícia Federal e disse que o governo quer fazer do país “a casa da mãe Joana” ao tentar alterar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para fechar as contas de 2014. “Hoje, enquanto estamos aqui celebrando uma caminhada honrada, está sendo
preso o maior diretor da Petrobras indicado pelo PT. E eles diziam que as acusações que fazíamos ou pedido de investigações que buscávamos era peça eleitoreira”, disse o tucano em discurso para lideranças do PSDB paulista num teatro na região central. Antes do pronunciamento, Aécio concedeu uma entrevista e começou as críticas pela medida do ministro da Justiça de investigar delegados da PF por manifestações durante a campanha. “Quero manifestar minha incompreensão em razão da atitude tomada pelo ministro da Justiça que abre inquérito para investigar a posição individual e política de delegados. É inaceitável. Ele quer retirar de uma categoria o direito constitucional da livre manifestação. Eles só podem se manifestar se for a favor do governo. Ele deveria
estar atento ao que fizeram os dirigentes dos Correios e aos que cometeram crime na Petrobras. Fica a impressão de uma tentativa de cercear a ação de delegados na operação (Lava Jato). ‘Marca perversa’ Sobre a decisão da estatal de adiar a divulgação do balanço financeiro, conforme noticiado pelo jornal “O Estado de S.Paulo”, Aécio disse que essa é mais uma “marca perversa” na história da empresa. “Infelizmente, o que estamos assistindo hoje é aquilo que nós denunciamos na campanha se transformando numa realidade cada vez mais palpável. A nossa maior empresa pública, que adia a publicação de seu balancete em razão das denúncias de corrupção, vai trazendo para si uma marca perversa”.
‘Vitoriosos com caras atormentadas’ O tucano voltou a criticar a ação do governo para alterar a LDO e, assim, fechar as contas de 2014. “O Brasil não pode virar a casa da mãe Joana onde o governo acha que com sua maioria (no Congresso) faz o que bem quer. Eu quero apelar aqui à responsabilidade da base governista. Se houver essa violência, vamos entrar com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin)”. O ato político, convocado para Aécio agradecer militantes e eleitores paulistas, transformou-se em palanque da oposição para reforçar a mobilização contra o governo nos próximos anos. Da pla-
teia, os discursos eram acompanhados por gritos de “Fora PT” e “impeachment”. Aécio foi recebido pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o governador Geraldo Alckmin e o senador Aloysio Nunes. O senador eleito José Serra não esteve presente e mandou uma mensagem, lida no ato, explicando que está em viagem ao exterior. O presidenciável derrotado começará, a partir de São Paulo, uma série de viagens por Estados para agradecer os votos, mas também dar visibilidade a sua imagem como líder da oposição, de olho nas eleições de 2018.
Críticas de FHC FHC fez um dos discursos mais duros. Ele disse que os vitoriosos na eleição estão com “caras atormentadas” nas fotos dos últimos dias em razão das dificuldades do governo. “Veja as fotos dos vitoriosos. Eles estão com caras atormentadas. Eles não sabem o que fazer. Eu tenho vergonha como brasileiro de dizer o que está acontecendo com a Petrobras. A empresa caiu nas garras de partidos desonestos”, disse. O ex-presidente ironizou a declaração do ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, de que a situação fiscal é difícil no país.
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Cartão oferece descontos em restaurantes Economia B3
(92) 3090-1045
Poucos negros em cargos de liderança no Amazonas
FOTOS: ARQUIVO EM TEMPO
Dos 3,8 milhões de habitantes no Estado, apenas 151 mil (3,95%) são declarados negros, de acordo com dados do IBGE
ARQUIVO EM TEMPO/DIEGO CAJA
Apesar de não se encontrarem em posição de destaque nos setores da indústria, comércio e setor público no Estado, cerca de 70,8% da população negra está inserida no mercado de trabalho SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO
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mbora aproximadamente 70,8% da população negra do Amazonas esteja inserida no mercado de trabalho, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2013, poucos são os profissionais negros em cargo de chefia em setores como a indústria, o comércio e o serviço público. Para o presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos do Amazonas (ABRH-AM), Roberto Chagas, o motivo é que no Estado, o percentual de pessoas negras é pequeno, uma vez que a população predominante da região é a cabocla. “A origem da maioria dos amazonenses é a indígena e não a negra, como em outros Estados do país”, observou. Segundo o IBGE, dos 3.823 milhões de habitantes que há no Amazonas, 151 mil são declarados negros. O índice representa somente 3,95% da população de todo o Estado, conforme o instituto. Desse total, aproximadamente 88.370 estão economicamente ativos e 62.630 estão desocupados, ou seja, mais da metade estão no mercado de trabalho. O presidente da ABRH-AM destaca que para entrar no mercado de trabalho, a pessoa precisa passar por um processo de formação, sendo que ao longo da história, os negros passaram por diversas dificuldades no processo de qualificação profissional. Chagas conta que as pessoas pertencentes a essa raça foram “soltas” no mercado sem terem experiências e levaram muito tempo para se desenvolverem e se posicionarem no mercado. Na época da escravidão, os negros não tinham direito ao
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NEGRA estudo ou a aprender outros tipos de trabalho que não fossem os braçais, ficando presos a esse tipo de tarefa. Quando foram libertos, conforme o presidente da ABRH/AM, muitos continuaram na mesma vida por não terem condições de se sustentar. “Foi como se dissesse: a partir de amanhã você não tem mais nada e precisa pagar por tudo. Como iriam estudar, se não tinham como pagar e nem oportunidades”, observa. Mas Roberto Chagas ressalta que não há preconceito quanto a dar um determinado cargo de chefia para uma pessoa negra. Segundo ele, trabalhou por muito tempo no PIM e agora como presidente da ABRH/AM nunca viu discriminação, em virtude da cor ou raça, decidir processo de seleção de emprego ou promoção. “Sempre estamos discutindo com os RHs da cidade e nunca surgiram informações nesse sentido”, frisa. Chagas também enfatiza que não há discriminação quanto aos rendimentos entre as raças na região. “Se houver um branco e um negro exercendo a mesma função, ambos ganharão o mesmo salário, pois quando a empresa cria o plano de carreira e remuneração ela não faz distinção entre os funcionários”, salienta o presidente da ABRH-AM.
Dona “Baiana” é uma empreendedora negra tradicional em Manaus
Uma negra ‘amazônida’ História de sucesso e superação, a baiana Maria da Gloria Azevedo Santos, 66, veio para Manaus em 1980. Logo que chegou à cidade, ela abriu, na praça do Congresso, Centro, Zona Sul, o “Quiosque da Baiana”, onde vende até hoje iguarias da culinária de sua terra natal. A empreendedora conta que quando abriu o pequeno estabelecimento, a aceitação da população local foi excelente. E segundo ela, nunca sofreu discriminação por conta de sua cor. “Na época, foi uma grande novidade e as pessoas gostaram.
Sempre fui bem tratada, tanto pelos moradores de rua quanto pela sociedade em geral”, explica. Maria da Glória, que é mais conhecida como “Baiana”, declara que nos 34 anos com o empreendimento não conseguiu ficar rica, mas criou e formou todos os cincos filhos. Entre as profissões dos filhos está advogado, pedagogo, administrador de empresa, entre outros. “Não tenho nenhum sítio, mas tenho uma boa casa e meus filhos estão todos criados. Enquanto puder caminhar, estarei com o quiosque aberto”, frisa.
Salário ainda são inferiores O desembargador do Trabalho, Adaliphal Hildebrando da Silva, é um dos poucos negros em posição de destaque em cargos públicos no Amazonas. Dados do IBGE divulgados no ano passado mostram que a presença dos negros no mercado de trabalho vem crescendo, porém, seus salários ainda seguem inferiores aos de profissionais brancos e amarelos. Segundo o instituto, os brasileiros que se dizem pertencer à raça amarela (orientais-asiáticos) recebem os melhores rendimentos mensais (R$ 1.574), em seguida está os brasileiros de raça branca, com rendimento médio de R$ 1.538 por mês, quase o dobro do valor relativo aos grupos de pretos (R$ 834), pardos (R$ 845) ou indígenas (R$ 735). Conforme o Censo Demográfico de 2010, as maiores
desigualdades entre os rendimentos médios e as raças estão nos municípios com mais de 500 mil habitantes. Para o presidente da ABRHAM, Roberto Chagas, essa diferença está sendo extinta com o passar do tempo. Segundo ele, o que ainda deve ocorrer é o fato da maioria dos brancos terem os melhores cursos, fazer as melhores faculdades, enquanto poucos negros são formados e capacitados. “Desta forma, evidentemente as pessoas negras terão menores cargos e salários”, explica. No próximo dia 20 de novembro será comemorado, no Brasil, o Dia da Consciência Negra. A data, estabelecida pela lei 12.519/2011, marca a luta contra o preconceito racial e contra a inferioridade da classe perante a sociedade.
Adaliphal é um dos poucos negros em cargos de destaque
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Empresas ‘bloqueiam’ a entrada de inexperientes Praticamente metade das corporações dificulta ingresso de graduados recemformados no mercado de trabalho devido à falta de experiência na profissão
S Graduados têm dificuldade para entrar no mercado de trabalho
air da universidade e assumir um posto de trabalho desafiador é um dos sonhos dos acadêmicos, porém apenas 52% das empresas brasileiras estão dispostas a aceitar trabalhadores inex-
perientes, que não tiveram a oportunidade de executar na prática o que aprenderam na graduação. Os dados são da pesquisa “Educação para o trabalho: desenhando um sistema que funcione”, realizada pela consultoria multinacio-
nal McKinsey & Company, e divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo movimento Todos pela Educação. De acordo com a pesquisa, 48% das empresas brasileiras não preenchem suas vagas
com recém-formados e 45% dos estudantes não se sentem preparados ao sair da universidade. Dentre as soluções apontadas pelo estudo está a criação de mais oportunidades, para a formação prática dos estudantes.
Faculdade ajuda no treinamento É com essa preocupação que a Faculdade Estácio Literatus montou os currículos dos cursos de graduação, que oferece em 21 Estados, incluindo o Amazonas, e no Distrito Federal, onde possui unidades instaladas. O objetivo é preparar profissionais que estejam prontos para atender as demandas do mercado de trabalho. E, para que esta meta seja alcançada, os currículos focam nas peculiaridades do mercado de cada região onde a faculdade está inserida. Este ano, a Estácio realizará em Manaus o seu primeiro vestibular. As inscrições para os exames encerraram ontem. Ao todo, são 2,4 mil vagas em 20 cursos, todos com currículos voltados à empregabilidade.
Interação é fundamental para alunos Segundo a gestora acadêmica da Estácio Literatus, Rosiane Rodrigues, as aulas práticas são prioridade na faculdade e são oferecidas a todos os alunos, por meio de convênios, nos laboratórios das unidades e, principalmente, em projetos de extensão voltados à comunidade. “A Estácio oferece a todos os alunos e egressos um espaço totalmente voltado à empregabilidade. Eles são alocados em vagas de estágios e empregos disponibilizadas por meio de parcerias”, diz a gestora acadêmica. O local, denominado E3 - Espaço Estágio Emprego -, é um ambiente onde o estudante tem a oportunidade de interagir com profissionais que podem orientar, principalmente, sobre a carreira profissional. “Os alunos podem interagir com as empresas, conhecendo as tendências do cenário corporativo e ampliando possibilidades de inserção no mercado de trabalho”, declara Rosiane.
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Vanttage dá descontos em restaurantes de Manaus ANWAR ASSI Equipe EM TEMPO
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hábito de “pechinchar” faz parte da cultura de consumo, em Manaus, onde o abatimento no preço dos produtos é uma realidade em praticamente todos os segmentos comerciais. Porém, como toda regra tem sua exceção, ganhar um desconto nem sempre é possível, por exemplo, quando se trata da maioria dos bares e restaurantes da capital amazonense. Atualmente, os clientes que gostam de degustar uma boa comida fora de casa, além de não ganharem descontos, ainda pagam mais caro pela conta ao serem constrangidos a deixar 10% para o estabelecimento em troca de um atendimento de qualidade. Contudo, esta realidade tende a mudar em Manaus. Desde o último dia 10 deste mês, está disponível na capital amazonense, o Vanttage, que é um clube de vantagens que permite ao consumidor obter descontos em empresas que trabalham com alimentação, assim como em centros de estética e até locais de lazer. De acordo com o gerente de Marketing, Paulo Marques, os descontos vão variar de 10% a 50% nos estabelecimentos parceiros do Vanttage. Segundo ele, pelo menos 65 empresas aderiram ao novo sistema. “Manaus estava carente deste tipo de produto”, destaca. Para participar do Vanttage, o interessado deve acessar o site www.vant-
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Cartão de vantagens permite que consumidor ganhe abatimento ao comer fora de casa, prática pouco comum na cidade tage.com ou pode se dirigir a um dos pontos de vendas instalados em locais credenciados em universidades, shoppings, restaurantes, repartições públicas e até em empresas do Distrito Industrial para obter o cartão de descontos Vanttage. Por R$ 39,90, o consumidor adere ao sistema por um prazo de validade de três meses. Com mais R$ 20, o cliente usufrui da novidade por seis meses a um valor total de R$ 59,90. Se preferir o período de um ano, a
Situado no piso Castanheira, no Manauara Shopping, na Zona Centro-Sul, o Molen Café foi uma das empresas da área de alimentos e bebidas que aderiu ao Vanttage. De acordo com o empresário Maurício Santis, que é o proprietário do local, o desconto ofertado é de 20% para qualquer produto com a exceção dos itens da marca argentina Havanna. Segundo ele, o cartão de descontos é um projeto audacioso que vai ajudar a alavancar as vendas das empresas conveniadas, em especial, nos horários de menor movimento. “Esse sistema de vantagens instiga a pessoa a visitar lugares que não possui o costume de frequentar”, avalia. Santis revela que a adesão ao cartão Vantagge deve incrementar em até 30% as vendas da parte da manhã do Molen Café. “Neste período de manhã, geralmente o movimento no shopping é mais fraco”, conta o empresário.
TECNOLOGIA
De acordo com Paulo Marques, a partir do próximo dia 20, será disponibilizado aplicativo para usuários de dispositivos móveis, ferramenta que deve ajudar nas escolhas do consumidor manauense adesão custa R$ 99,90. Vendas Conforme Marques, somente nos primeiros seis dias de vendas após o lançamento, 800 cartões foram comercializados, número que deve quintuplicar até o final de semana. “A venda tem surpreendido.Vamos massificar agora nossa campanha nas emissoras de rádio, televisão e nos cinemas. Nossa meta é terminar o primeiro mês de lançamento com 10 mil cartões negociados”, revela o gerente de Marketing do Vanttage.
Descontos variam conforme os estabelecimentos e podem chegar a até 50% com o Vanttage
DIVULGAÇÃO
Consumidores aderem à novidade Frequentadora assídua dos restaurantes de Manaus, a estudante Juliana Valquerizo, 19, aderiu ao cartão Vanttage “de olho” nos descontos que a novidade proporciona. Ela afirma que a adesão ocorreu em um ponto de vendas instalado na faculdade Uninorte. “Achei a proposta do cartão interessante. Espero economizar até 30% em meus gastos quando eu sair para comer fora de casa”, afirma Na avaliação de Juliana, além de ganhar descontos nos restaurantes que tem por hábito frequentar, a novidade vai estimular o consumidor a visitar novos estabelecimentos em busca de sabores mais em conta. “Nunca fui em algumas empresas que aderiram ao cartão de descontos. Agora vou poder visitar mais restaurantes com preços acessíveis”, frisa. Além das empresas do ramo de alimentação, Juliana se interessou pelo Vanttage ao descobrir que o centro de estética onde pretende fazer um tratamento aderiu à proposta. “O local onde queria ir fazer o tratamento participa da promoção. Desta forma, vou fazer o tratamento com desconto”, salienta.
Incremento de até 30% nas vendas
Cartão Vanttage é comercializado em pontos fixos na cidade
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Economia
A décima capital com m Manaus fechará 2014 com nove centros de compras, que totalizam mais de 224,6 mil metros quadrados de ABL
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EMERSON QUARESMA Equipe EM TEMPO
nvestimentos no mercado de shoppings centers renderão a Manaus, até o final do ano, o posto de décima capital brasileira com mais empreendimentos dessa área em operação. Entre os Estados, o Amazonas é o décimo segundo do país e o primeiro da Região Norte. Com oito centros de compras de médio e grande porte em funcionamento, a cidade fechará 2014 com nove, o que renderá o total de 224.646 metros quadrados de Área Bruta Locável (ABL), segundo dados da Associação Brasileira de Shopping Centers. Dos centros de compras em operação, três são considerados de grande porte. Entre eles, o Amazonas Shopping foi o primeiro instalado na capital, há 23 anos. Segundo o superintendente, Luiz Ricardo Muniz, após investimentos em expansões, reformas e revitalizações, o grupo BRMalls, que administra o shopping, estima faturamento anual de R$ 700 milhões. Um número R$ 400 milhões superior a média nacional, que hoje é inferior a R$ 300 milhões, conforme a Abrasce. Inaugurado em novembro de 1991, o Amazonas Shopping iniciou suas atividades com
146 operações. No ano 2000, a expansão elevou esse número para 270. Hoje, são mais de 300 operações em 42 mil metros quadrados de ABL. Conforme Muniz, há quatro anos o shopping iniciou reforma e revitalização das áreas externa e interna, um investimento de R$ 90 milhões. “Faremos novos investimentos sempre focados na melhor experiência
ESTAÇÃO
O Ponta Negra instalou a Estação Automática de Pagamento com Cartões (EAPC), sistema de pagamento do estacionamento com sete bandeiras de cartão de débito e crédito para facilitar a saída do cliente do nosso público”, diz. Desde 2007 administrado por uma das maiores empresas integradas de shopping centers da América Latina, o Amazonas Shopping criou em 2013 um novo corredor de lojas que abriga operações de grande porte como a Centauro, CLA, High Tech, PBKids e Comepi. Em 2014, inaugurou as salas da rede de cinemas Kinoplex. O mais recente grande centro de compras em operação
em Manaus é o Ponta Negra Shopping. Em operação há 15 meses, é atualmente o terceiro em ABL, com 37 mil metros quadrados. Conforme a assessoria, o empreendimento reúne 150 lojas de marcas nacionais e internacionais, nas áreas de moda, serviço e entretenimento. O shopping possui dez salas de cinema da rede Cinépolis. Com a expectativa de 15% a 20% de crescimento ante o ano anterior, o empreendimento trabalha expansão com novas lojas e serviços até o final deste ano. E entre as apostas estão as recém-inauguradas TOP Internacional, First Class e Tortas & Tortas. Para dezembro mais quatro serão inauguradas. O Manauara Shopping é atualmente, segundo o superintendente Rodrigo Galo, o maior centro de compras da capital amazonense, com 48 mil metros quadrados de ABL. Há 5 anos e sete meses em operação, o empreendimento trabalha hoje com 300 operações, entre lojas e quiosques. De acordo com Galo, até o mês de outubro o shopping atingiu as metas estipuladas para o período. “Tivemos um crescimento de 15%, de janeiro a outubro deste ano, com relação ao mesmo período do ano passado”, afirma.
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Primeiro centro de compras de Manaus, o Amazonas Shopping fatura R$ 700 milhões ao ano
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mais shopping centers Médios expandem e modernizam A capital amazonense, que tem atualmente densidade demográfica de aproximadamente 2 milhões de habitantes, conta com pelo menos mais cinco centros comerciais de médio porte. Entre eles, o Studio 5 Mall, na Zona Sul, o Manaus Plaza Shopping, na Zona Centro-Sul e o Uai Shopping e Cidade Leste, na Zona Leste da cidade. Localizado na zona geográfica de maior concentração de centros comerciais, o Manaus Plaza, segundo o superintendente, Glauco Pinto, anuncia para 2015 expansão da sua área comercial, em
3,3 mil metros quadrados. Somente em 2014, o shopping inaugurou 14 novas lojas. Apesar do momento negativo da economia, Pinto observa que o crescimento é necessário, uma vez que o faturamento de 2014 será 8% maior ante o ano anterior. Reinaugurado em maio de 2009, após a última expansão, o Manaus Plaza possui hoje mais de 80 opções comerciais. O centro comercial conta com nove andares de estacionamento e um Centro de Convenções com capacidade para três mil pessoas sentadas.
Há quase dez anos em operação, o Millenium Shopping, de acordo com a gerente de marketing, Karla Henderson, que conta com 13,6 mil metros quadrados de ABL de um total de 51,7 mil de área construída, não possui plano de expansão. Manterá suas 100 lojas satélites, três âncoras e duas megalojas no processo de modernização. “O shopping terá sua arquitetura modernizada, com projeto do arquiteto Jayme Lago Mestiere. As obras já iniciaram. Em breve, o Millennium estará mais bonito e moderno”, conta Karla. DIVULGAÇÃO
Um dos cinco shoppings centers de médio porte, Manaus Plaza anuncia expansão para 2015
Com inauguração marcada para o dia 28, ViaNorte será o nono shopping center de Manaus
Um grande para a Zona Norte Em fase de conclusão, para abrir as portas no próximo dia 28, o Shopping Manaus ViaNorte será o quarto centro de compras da cidade de grande porte. Com os seus 47,8 mil metros quadrados de ABL, de um total de 86,4 mil metros quadrados de área construída, sobre terreno de 575 metros quadrados, será o primeiro grande shopping da Zona Norte da cidade. Segundo o CEO do grupo Saphyr, responsável pelo shopping, Paulo Stuart, com investimento global de R$ 370 milhões, o ViaNorte iniciará operação com 170 lojas na primeira fase. Para a primeira expansão, a previsão é de mais 50 novas lojas, sem data definida. “Esperamos atrair 400 mil clientes por mês e
vender aproximadamente R$ 22 milhões ao mês”, avalia. Stuart conta que a aposta no shopping partiu com base nos estudos de mercado que identificaram uma região com mais de 800 mil moradores na sua área de influência, carente de empreendimento deste porte. “As pessoas daqui (Zona Norte) se deslocam mais de 15 quilômetros para ter acesso a outros centros comerciais”, observa. Para ele, o ViaNorte nasce como “catalisador de desenvolvimento econômico e social” do entorno, com empreendimentos residenciais e de serviços que nascerão nas comunidades próximas, para somar a força do centro comercial. “Atualmente, já existem 15 mil unidades
residenciais que estão sendo entregues neste ano, no raio de até três quilômetros e outros em obras, com entrega para 2015 e 2016”, aponta. O CEO afirma que o centro comercial será inaugurado com nove lojas âncoras e cinco megalojas. Entre elas estão na lista: Renner, C&A, Riachuelo, Smart Fith, Americanas, Asia Fhashion, Nova Era, Tropical, Ransons, Comepi, TV Lar, e CLA. A previsão inicial é gerar 3,5 mil empregos diretos e 12 mil indiretos. Para o entretenimento o shopping terá, além dos parques, cinco salas da rede de cinema Araújo, a terceira maior do Brasil. “Será um shopping padrão FIFA para a nova classe média que cresce na região”, diz Stuart.
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País
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Dia da Consciência Negra se torna feriado nacional A
Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados aprovou, na semana passada, projeto de lei que transforma o Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, em feriado nacional. Atualmente, na mesma data é celebrado o Dia Nacional de Zumbi, feriado em vários municípios e Estados em diversas regiões do Brasil. Com essa votação, a Câmara mostra ao país a importância de um assunto que é atual mesmo no século 21, quando ainda são registrados vários episódios de racismo e de outras formas de preconceito, avalia o deputado Renato Simões (PTSP), autor da proposta. “A comissão dá uma demonstração de civilidade, ao aprovar a matéria. Além de relembrar a resistência do negro à escravidão imposta desde a primeira leva de africanos para as terras brasileiras, o feriado nacional se constituirá num momento de conscientização da importância do negro para a formação da cultura e sua participação na história do Brasil”, afirmou o deputado. O projeto ainda vai trami-
DIVULGAÇÃO
Proposta do deputado federal Renato Simões (PT-SP) foi aprovada semana passada, na Comissão de Cultura da Câmara tar nas comissões de Direitos Humanos e de Constituição e Justiça (CCJ) da casa. A tramitação é em caráter conclusivo, ou seja, sem obrigatoriedade de votação no plenário da Câmara. Atualmente, a data é feriado em 1.047 cidades brasileiras onde o dia 20 de novembro é feriado oficial, conforme leis locais que regulamentam a data.
REVERÊNCIA
Deputado de São Paulo defende que o dia 20 de novembro, instituído por lei como o Dia da Consciência Negra, seja feriado nacional. Em mais de mil cidades brasileiras, neste dia já é feriado Homenagem No Brasil, o Dia da Consciência Negra é comemorado no dia 20 de novembro, data da morte de Zumbi dos Palmares. A data foi incluída em 2003 no calendário escolar nacional. Contudo, somente a lei 12.519 de 2011 instituiu oficialmente o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.
CONSCIÊNCIA
NEGRA
Dia da Consciência Negra, que se comemora no próximo dia 20, deve se tornar feriado nacional, conforme projeto na Câmara
Mundo
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EUA agiram para impedir volta de Zelaya a Honduras A
história do golpe de Estado em Honduras, perpetrado contra Manuel Zelaya em 2009, ganhou novos contornos a partir do relato feito pela então secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, em sua autobiografia “Decisões Difíceis”. No livro, Hillary conta que utilizou seu poder e sua influência política para impedir a volta do mandatário hondurenho ao poder. Possível candidata democrata à sucessão de Barack Obama, em 2016, a ex-primeira-dama diz que também pressionou para que fossem realizadas eleições em Honduras, agindo para que a “questão Zelaya se tornasse irrelevante”. “Nos dias seguintes (depois do golpe), falei com meus homólogos de todo o hemisfério, incluindo a secretária (Patrícia Espinosa) do México. Nós estabelecemos as estratégias de um plano para restaurar a ordem em Honduras e garantir que eleições livres e limpas se celebrassem rapidamente e de maneira legítima, o que faria com que a questão de Zelaya se tornasse irrelevante”. O codiretor do Centro de Pesquisas Econômicas e
Políticas em Washington, e também presidente da Just Foreign Policy, Mark Weisbrot, que pesquisa a região e escreveu diversos textos relacionando a responsabilidade dos EUA nos acontecimentos em Honduras, lembra, em artigo publicado na “Al Jazeera” e no “Publico”, que a história oficial, “devidamente adotada
INFLUÊNCIA
As declarações de Hillary em seu livro, segundo analistas, são consideradas um “cálculo político”. Apesar de possível desgaste com líderes latinoamericanos, há poucas chances de isso lhe custar votos pela maioria dos meios de comunicação”, foi a de que a administração Obama era contra o golpe e a favor da volta de Zelaya à Presidência. A posição dos EUA foi ambígua, como avaliou Weisbrot, em entrevista à “Opera Mundi” em 2010. Ao contrário de líderes latino-americanos e organismos como a OEA (Organização de Estados Americanos)
e a Assembleia das Nações Unidas, que exigiram o retorno “imediato e incondicional” de Zelaya ao poder, nenhum oficial da administração norteamericana fez qualquer declaração similar e, um dia após o golpe, jornalistas perguntaram para a Hillary se “restaurar a ordem constitucional” significava a volta de Zelaya, ela recusou confirmar. O fato é que o governo posterior ao golpe recompensou os responsáveis por este com “altos postos e ministérios”, o que abriu as portas para o agravamento da violência no país – hoje o mais inseguro da América Latina –, avalia a especialista em Honduras, Dana Frank, em artigo no site da “Foreign Affairs”. “A taxa de homicídios aumentou em 50% de 2008 a 201; a repressão política e os assassinatos de candidatos políticos da oposição, organizadores camponeses e ativistas LGBT aumentaram. Os feminicídios dispararam. A violência e insegurança foram exacerbadas por um colapso institucional geral”. Além disso, aponta ela, “a violência relacionada com as drogas piorou em meio às denúncias de corrupção nos serviços da polícia e governo de Honduras”.
WIKICOMMONS
A ex-primeira dama americana, Hillary Clinton, conta em sua autobiografia detalhes dos bastidores sobre o golpe naquele país
Após o golpe, em 2009, diversos hondurenhos foram às ruas criticar a queda de Manuel Zelaya
IMAGEM ESA
MÓDULO PHILAE
Módulo robótico Philae pousou na superfície do cometa 67P/Churyumov na última quarta
Brasileiro participa de missão O pouso do módulo robótico Philae, realizado na última quarta-feira, na superfície do cometa 67P/ChuryumovGerasimenko, há mais de 510 milhões de quilômetros da Terra, durou cerca de sete horas. O engenheiro brasileiro Lucas Fonseca participou do projeto espacial da Agência Espacial Europeia (ESA) por 3 anos. Ele trabalhou na Agência Espacial Alemã (DLR) de 2009 a 2012. Lá, dedicou-se à missão que enviou a sonda Rosetta ao espaço levando o módulo Philae. Seu trabalho foi justamente relacionado à etapa do pouso. Lucas era o único não europeu em uma equipe que tentava prever o
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que aconteceria no momento em que o módulo se desprendesse da sonda até pousar no cometa. “Isso que ocorreu (na quarta-feira) foi meu trabalho por 3 anos. Tentava antecipar possíveis trajetórias da sonda e criar modelos matemáticos que simulassem essa descida”, explicou. O engenheiro diz que, apesar do êxito da missão, que durou mais de 10 anos, ainda há uma tensão entre os cientistas sobre o que acontecerá na sequência. “É tudo muito recente. O momento que vem logo depois do pouso é um pouco nebuloso. Não se sabe ao certo o que está ocorrendo, as mensagens demoram 40 minutos para chegar até aqui.
Em dois ou três dias vamos saber melhor”, afirma. Uma das questões que estão em análise é que, de acordo com a ESA, o toque do módulo na superfície do cometa não ocorreu conforme o planejado, já que os arpões, que o fixariam no cometa, não dispararam em um primeiro momento. “Mesmo assim, o Philae conseguiu pousar, o que foi um milagre”. Segundo ele, independentemente do que aconteça, o que ocorreu até aqui já foi um feito “extraordinário”. “Não se via algo de tal magnitude na área há muito tempo. Em termos de tecnologia, é algo comparado à chegada do homem à Lua”.
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Mundo
MANAUS, DOMINGO, 16 DE NOVEMBRO DE 2014
Caderno C
Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 16 DE NOVEMBRO DE 2014
diadia@emtempo.com.br
(92) 3090-1041
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Uma chance às crianças de rua Dia a dia C6
Nem ‘tições’, ‘haitianos’ ou ‘negões’. Apenas negros Conviver com alusões muitas vezes depreciativas ou estúpidas pela sua cor é o desafio da população negra do Amazonas
DIEGO JANATÃ
Raymonde Degonunkpe e Fenan Japhet, estudantes sul-africanos que cursam direito na Universidade Federal do Amazonas: comparação estereotipada com haitianos que chegaram a Manaus
“O
lha a haitiana”. Essa frase, dita em supermercados ou lojas, tem incomodado a universitária sul-africana Raymonde Degonunkpe, 23, desde que chegou a Manaus, há 3 anos. Natural de Benin, ela conseguiu vaga no curso de direito da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) graças a um programa do governo federal, além da ajuda dos pais. Essa comparação com os haitianos, que começaram a chegar em massa à cidade, após o terremoto que devastou o Haiti em janeiro de 2012, incomoda Raymonde. “Aqui pensam que todo negro é haitiano. Infelizmente, isso é um pouco chato”, relata. A atitude sofrida pela acadêmica mostra que, em pleno século 21, preconceitos, estereótipos e atitudes que diminuem os negros persistem. Entretanto, no Amazonas – onde dos 3,82 milhões de habitantes estimados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 151 mil (3,95%) se identificaram como negros – o nível de intolerância aparentemente é baixo. Fora os episódios nos estabelecimentos, Raymonde disse não sofrer nenhum ou-
CONSCIÊNCIA
NEGRA tro tipo de preconceito, mas contou que amigos sul-africanos, que também vieram para o Brasil estudar no sul, já foram até presos por engano por causa da cor. “Meus amigos contaram que houve um assalto em uma rua perto da qual eles andavam. Eles foram surpreendidos pelos policiais, que em nenhum momento os ouviu e foram levados para a delegacia. Quando o delegado soube da situação, resolveu liberá-los”, contou. Raymonde, de língua francesa, se dedicou ao aprendizado do português e hoje mora com um amigo do mesmo país, o estudante Fenan Japhet, 23. Ela já conseguiu concluir quatro períodos da faculdade e afirmou que vai
aguentar a saudade da família por mais 3 anos, até concluir o curso. Apelidos relacionados à cor da pele também são frequentes, mas nesse caso há quem se aborreça e quem não veja nisso uma atitude racista. Assim é com o militar Victor Danilo de Oliveira, 23. Entre seus amigos ele é chamado de “Negão”, “Preto” e até “Moleque”. Para ele, não há racismo quando se trata do seu círculo de amizades, mas ele deixa bem claro que não é qualquer um que tem a liberdade de chamá-lo dessa forma. “Dou total liberdade para meus amigos me chamarem assim, mas também não é qualquer tipo de apelido que aceito, pois além do meu convívio com os colegas, também faço parte da sociedade, onde trabalho, estudo e tenho minhas demais atividades”, disse o militar. Victor lembrou que uma vez estava em uma festa na companhia dos amigos, quando um homem passou em frente deles e o chamou de “macaco”. O militar foi o único que não ligou para a situação, mas seus amigos tomaram as dores e acabaram partindo para a violência. “Fora isso, situações de racismo passam longe de mim, graças a Deus”, afirmou.
Constrangimento nos coletivos Com a universitária Jéssica Santos, 22, o caso é bem diferente. Diariamente ela enfrenta preconceito em lojas e até dentro dos ônibus executivos. Em um caso recente, ela entrou em uma loja na cidade com seu marido, também negro, e as vendedoras começaram a cercar o casal. “Senti-me totalmente constrangida com essa atitude. Em nenhum momento elas perguntaram se precisávamos de ajuda”, revelou. Praticamente todos os dias a universitária passa por constrangimento dentro dos ônibus ou observa outros negros passarem pela mesma situação. “A sociedade em geral caracteriza as pessoas negras como sujas, sem higiene, pensam que somos fedorentos”, desabafou. Jéssica vai para a universidade de ônibus e quando consegue um lugar para sentar, raramente outra pessoa fica ao seu lado. Ela já observou que o mesmo
ocorre com outros negros. “Às vezes entro no ônibus e sempre há vaga ao lado de alguém negro. O ônibus pode estar lotado, mas as pessoas evitam sentar. Creio que tenham algum tipo de medo, pois o preconceito ainda é bem pre-
A sociedade em geral caracteriza as pessoas negras como sujas, sem higiene, pensam que somos fedorentos Jéssica Santos, universitária
sente na sociedade”, disse a universitária. Sem dados O titular da Delegacia Especializada em Prevenção e Repressão a Entorpe-
cente (Depre), George Gomes, que também trabalha diretamente com as denúncias de racismo, disse que muitas vítimas ainda deixam de denunciar atos racistas. “Tivemos muitas denúncias de racismo, porém é notável que a maior parte das vítimas preferem ficar em silêncio, por vergonha da depreciação pública”, explicou. O delegado não soube informar dados de registros de Boletim de Ocorrência (BO) de casos de racismo, mas disse que as pessoas que passam por discriminação por deficiência são as que mais procuram a polícia para denunciar o constrangimento. A reportagem solicitou dados sobre casos de racismo no Estado, mas até o fechamento da matéria a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) não os havia remetido. (Leia mais sobre o tema na página C2)
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Do racismo velado até a inclusão, cotas polemizam DIEGO JANATÃ
Sistema de cotas para negros - e outros cidadãos considerados integrantes de uma minoria - ainda geram discussões
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esde o período colonial, os negros têm ajudado a gerar imensas riquezas para o Brasil. A contrapartida, como condições de vida dignas e acesso à educação, levou séculos para começar a ser implementada. Para o professor do departamento de antropologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Raimundo Nonato da Silva, o sistema de cotas para negros nas universidades federais veio reparar essa defasagem histórica, que sempre beneficiou as elites. “Não se trata de privilégio. É um reconhecimento do processo a que essa população foi submetida, que durou mais de 200 anos”, diz. “A maioria das vagas das universidades públicas é preenchida por alunos de escolas particulares. Enquanto isso, cabe para a população pobre se contentar com o ensino técnico”. Os efeitos da iniciativa vão além da inclusão social. “O aumento do capital cultural significa aumento da autoestima”. Apesar dos avanços, há outros aspectos que devem entrar na pauta de discussões. “A Constituição de 1988 não contempla projetos de reconhecimento da cultura negra, por exemplo”, complementa Silva. Polêmica Sancionada em agosto de 2012, a lei nº 12.711/12 estabelece o número mínimo de vagas em universidades e instituições federais reservadas a estudantes de cor negra, parda ou de origem indígena. A lei abarca dois critérios: serão beneficiados estudantes com renda familiar igual ou inferior e igual ou superior a 1,5 salário mínimo e que tenham cursado escola pública. As instituições devem reservar 25% das vagas totais para cada categoria. Nesse contexto, deve-se
incluir o percentual de pessoas autodeclaradas negras, pardas ou indígenas em cada Estado, de acordo com o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os estudantes que optarem pelo sistema de cotas também poderão concorrer por meio da concorrência ampla. A medida causou polêmica tão logo foi implementada. Houve quem enxergasse privilégio e até racismo na lei. “Ninguém se diz contra as cotas para as mulheres em partidos políticos, como também não reclama das vagas para deficientes. Na verdade, o racismo, embora velado, pode se esconder no pensamento de quem contesta a medida”, exemplifica Silva. O deputado estadual Arthur Bisneto (PSDB-AM) defende uma abrangência mais ampla dos benefícios sociais. Na opinião dele, a Lei de Cotas deixa de levar em conta aspectos econômicos e culturais próprios de cada região. “Sou a favor das cotas sociais. Quantos descendentes de indígenas no Amazonas poderiam ser beneficiados se este critério fosse aplicado? Na Bahia, por exemplo, o sistema funciona muito bem. Por outro lado, em Santa Catarina podemos encontrar habitantes de cor branca que precisam desses recursos”, opina. Uma maneira de atender melhor a população menos favorecida, segundo o deputado, seria analisar o contexto e, a partir daí, estabelecer critérios específicos, para atender as demandas. De acordo com informações divulgadas pelo Ministério da Educação, após dois anos de implantação, todas as instituições se adequaram ao exigido pela Lei de Cotas para 2014. Neste ano, nos institutos federais, 23% das vagas estiveram reservadas para pretos, pardos e indígenas (PPIs) e, nas universidades federais, 20%.
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Raimundo Nonato da Silva, professor universitário: as cotas são reconhecimento do processo ao qual foram submetidos os negros ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
DANIEL AMORIM Especial EM TEMPO
ALEXANDRE FONSECA/ARQUIVO EM TEMPO
Estabelecimento de cotas para negros no acesso ao ensino superior, desde a sanção da lei em 2012, tem gerado discussões favoráveis à inclusão e críticas quanto ao suposto racismo velado
Para o deputado estadual Arthur Bisneto, Lei de Cotas deixa de levar em conta aspectos econômicos e culturais de cada região
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Projeto ajuda idosos com dificuldade de cognição ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO
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reocupados com o déficit de atenção dos idosos que participam dos projetos no Centro Estadual de Convivência do Idoso, localizado no bairro Aparecida, Zona Oeste de Manaus, profissionais da área de psicologia realizam, há três meses, trabalho pioneiro de treino cognitivo para a estimulação da memória. O fato de uma boa parte dos idosos que estão exercendo suas atividades físicas no local terem passado ou possuírem algum tipo de doença que envolve a questão da memória, como Acidente Vascular Cerebral (AVC), Alzheimer ou Mal de Parkinson, foi o motivo para a implantação do projeto. Uma das coordenadoras, a psicóloga Alessandra Andrade, explicou que quando começou o trabalho no centro, juntamente com a psicóloga Eliana Monteiro, percebeu que realmente havia um público-alvo que necessitava desse tipo de tratamento. “O Estado em vários locais realiza um tipo de oficina da memória, porém há casos que precisam de mais atenção e um trabalho diário. O Centro dos Idosos de Aparecida é um
modelo”, contou Andrade. A psicóloga explicou que normalmente aos 35 anos começa a perda das funções da memória e até mesmo de alguns movimentos e sensibilidades do corpo. “Realizamos um levantamento e identificamos que era necessária uma ajuda na relação cognitiva, pois havia uma demanda não esperada de idosos que tinham grau elevado de deficiência na memória”. Alessandra explicou que a situação da memória é igual à da visão: conforme o tempo, o problema se agrava e por isso vários estudos estão sendo realizados e projetos implantados para colaborar para a melhoria dos problemas mais comuns.“O trabalho de treino cognitivo é uma forma de melhorar todo o processo de memória. Iniciamos com aproximadamente 22 idosos, os quais acompanhamos diariamente, gerando relatórios e observamos que em pouco mais de três meses houve melhora”, informou a psicóloga. O projeto tem apoio da Secretaria Estadual da Assistência Social e Cidadania (Seas), e nas atividades diárias para quem teve AVC é feito um trabalho de estimulação da memória. No caso do Alzheimer ou Parkinson, além dessa estimulação, os pa-
cientes relembram o passado. “São trabalhos diferenciados, mas acompanhados de testes neuropsicológicos, que cada vez mais apresentam melhoria. Como as maiorias dessas pessoas que fazem parte do projeto tomam medicações, esses remédios com o tempo acabam prejudicando o desempenho, mas pesquisas já apresentavam resultados positivos para esses treinos cognitivos. Segundo a psicóloga, o fato de o projeto ter dado certo levou a uma procura maior, com aumento do número de participantes. “Sentimos-nos realizadas ao ver que realmente esse trabalho pioneiro no Amazonas tem dado ótimos resultados”. São realizados vários tipos de exercícios para a melhoria ou compensação das funções cognitivas, como memorização de palavras, a procura de diferença entre imagens, jogos de quebra-cabeça, entre outros. Existem várias abordagens possíveis, mais ou menos intensivas, escolhidas em função de cada caso, depois de estabelecido o diagnóstico e analisados os resultados da avaliação neuropsicológica. São realizadas sessões que duram entre 30 a 45 minutos, individuais ou de grupo.
DIVULGAÇÃO
Trabalho pioneiro é feito em centros de convivência com pessoas que passaram por doenças como AVC e Alzheimer
As abordagens são variadas, mas geralmente ocorrem sessões em grupo ou individuais
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Dia a dia
Trânsito de traumas e de Falta de conscientização e de respeito com a legislação aumenta cada vez mais as cifras de fatalidades no trânsito IVE RYLO Equipe EM TEMPO
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e 1º janeiro a 10 de novembro deste ano foram registradas 218 mortes causadas em acidentes de trânsito em Manaus. No mesmo período de 2013, foram 214 vítimas, de acordo com estatísticas do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans). Hoje, no Dia em Memória das Vítimas de Trânsito – instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2005 – a ação visa atenção da sociedade para 1,3 milhão de pessoas que morrem anualmente vítimas de acidentes nas vias. Entre os sobreviventes, a experiência de quase morte pode acarretar lembranças difíceis de serem apagadas e traumas que insistem em acompanhálos pelo resto da vida. A rotina do comerciante Luis Silva*, 52, foi transformada após atropelar um pedestre na avenida Torquato Tapajós, em frente à entrada do bairro Novo Israel, Zona Norte. “Estava dirigindo um jipe, voltando do sítio, quando um homem que estava embriagado atravessou na minha frente. Tentei desviar, mas ele se assustou e voltou. Acabou que desviamos para o mesmo lado. Quando saí do carro, a roda dianteira do jipe estava sobre a
perna dele”, afirmou. O comerciante prestou socorro ao homem e o levou ao hospital Getúlio Vargas, no bairro Praça 14, Zona Sul. Por sorte, ele teve apenas arranhões e no dia seguinte obteve alta. “A pancada foi grande, ele teve muita sorte. Na época eu não tinha habilitação ainda, então saí do jipe, entrei num táxi e o levei ao hospital”, disse. No mês seguinte ao acidente, Silva* teve dificuldade em dormir e, quando conseguia, tinha pesadelos com o acidente. “Acordava com a cena do atropelamento. Só o tempo foi amenizando a lembrança”, disse. Ele disse que sentiu muito medo de dirigir novamente e evitou o quanto pôde. “Acho que consegui não pegar no carro pelo menos uns dois meses depois do atropelamento. Mas, quando a necessidade aparece, temos que superar o trauma. E precisava dirigir para me sustentar. Pobre não pode se dar ao luxo”, disse. Apesar de o acidente ter ocorrido há 22 anos, o comerciante sempre lembra o ocorrido. “Depois fiquei com mais responsabilidade, sabendo que o carro pode se tornar uma arma e tirar a vida de alguém a qualquer momento”, afirmou. Transtorno do Pânico De acordo com a psicóloga
do Hapvida, Irle Rocha, pessoas que passaram por experiências traumáticas podem superá-las e voltar a ter uma vida normal. “A cura é possível. Costumo dizer que doença psicológica é como vírus. Quando somos bebês, podemos pegar uma gripe. E na fase adulta com a baixa imunidade o vírus pode se manifestar novamente. A doença psicológica fica na cabeça e por alguma fatalidade ela é desencadeada. Com tratamento a pessoa volta ao normal, pode voltar a dirigir”, salientou. Ela explicou que pessoas que foram vítimas de acidentes de trânsito normalmente são diagnosticadas com o “transtorno do pânico”. “Quando a pessoa sofre qualquer tipo de acidente que a impossibilita de viver em sociedade, tem o transtorno do pânico. Ela deve procurar ajuda tanto psicológica quanto psiquiátrica. Às vezes entra com medicação, terapia, para que elas possam entender o sofrimento delas”, salientou. Contudo, o tempo de tratamento pode variar de pessoa para pessoa. “Cada ser humano é diferente do outro. Uns, em algumas sessões, conseguem assimilar o sofrimento, outros demoram mais. Tem também os que não são acometidos por uma única patologia. Geralmente desencadeia-se outro sofrimento”, explicou.
Tragédia de 28 de março marcou o ano de 2014
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FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO/ARQUIVO EM TEMPO
falta de responsabilidade Sofrimento também no trabalho Aproximadamente 8% dos 9,5 mil profissionais que trabalham nas 10 empresas de transporte público coletivo de Manaus sofrem algum tipo de trauma decorrente de acidentes ou assédio moral. De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus (STTRM), Givancyr de Oliveira, a pressão sobre os trabalhadores vem de vários lados. “Tem vários trabalhadores que ficam sequelados psicologicamente. O trânsito é muito estressante, eles sofrem pressão do usuário, da empresa. É muita pressão e pouco retorno”, disse. Ele revelou que não são raros os casos de tentativa
de suicídio entre os funcionários. “Não é uma situação fácil. Nós do sindicato ajudamos como podemos, com apoio psicológico ou psiquiátrico, com plano de saúde. No que se refere à questão financeira auxiliamos com remédios e cesta básica até o trabalhador começar a receber pelo INSS. Para aqueles que procuram o sindicato, temos estendido a mão, até porque eles contribuem com a entidade e foi a maneira que encontramos para retribuir”, afirmou. O diretor-presidente do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-AM), Leonel Feitoza, explicou que após a instauração da Lei Seca em 2012, houve a redução em
mais de 30% dos acidentes de trânsito envolvendo pessoas alcoolizadas no Amazonas. Contudo, ele apontou que para a lei ter maior alcance, é importante intensificar ações de parceria com a prefeitura. “A Lei Seca tem poderes limitados. Existe uma lei municipal de minha autoria que proíbe o consumo de bebida alcoólica em lojas de conveniência, mas não podemos chegar durante uma operação e multar o estabelecimento que a desrespeita. Quem pode fazer isso é a prefeitura por meio da Secretaria de Finanças. Por isso estamos programando uma ação conjunta entre Detran, prefeitura e Polícia Militar”, afirmou Feitoza.
Segundo Leonel Feitoza, parcerias entre Estado e prefeitura podem otimizar fiscalização
Proibições que não surtem efeito Para Leonel Feitoza, somente uma ação integrada viabilizaria a fiscalização do comércio promovido por ambulantes. “Ambulante é proibido por lei de vender bebida alcoólica”, disse. O presidente apontou que a maioria dos acidentes ocorre pela imprudência e mais de 80% envolvem motociclistas. “Acidente de trânsito mata mais que guerra. O Brasil é campeão mundial de morte entre jovens de 18 a 25 anos”, lamentou. Apesar de dados do Ministério da Saúde (MS) - divulgados há três dias - apontarem a redução de 9,6% na quantidade de mortes por acidentes em 2013, ainda é nele que as pessoas mais perdem a vida. Em 2012, foram 44.812 vítimas fatais e, em 2013, 40,5 mil – o que corresponde a aproximadamente 111 mortes por dia. Em 2008, foram 38.273.
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Casal cria ONG que ajuda crianças em risco social ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO
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á quatro meses, um casal de missionários leva à frente uma organização não governamental (ONG) que se propõe a ser um apoio para a dignidade da infância brasileira. A ideia da associação “O Pequeno Nazareno” surgiu com a constatação deles de que a maioria das crianças moradoras de rua precisam de um pequeno incentivo para mudar de vida. O missionário e coordenador da associação, Tommasso Lombardi, 39, esteve em Roraima em 2008. Nesse período, escolheu Manaus para conhecer novas realidades e trabalhar em projetos que pudessem cada vez mais colaborar com o próximo mais necessitado. Na capital, o missionário conheceu sua esposa, a funcionária pública Elaine Elamid, que desde 2006 atua na periferia da cidade com o projeto Ler para Crescer. Ao conhecer a iniciativa, o missionário resolveu abrir mão de sua vida destinada à congregação da qual faz parte, para ser a voz e, principalmente, o apoio de crianças e adolescentes em situação de rua e suas famílias. Tommaso Lombardi e Elaine Elamid viajaram para Fortaleza (CE), onde há uma sede da associação “O Pequeno Nazareno”. Lá, conheceram as atividades da ONG e verificaram a possibilidade de implantar uma filial em Manaus. “Com o projeto ‘Ler para Crescer’, observei que alguém precisava fazer algo por essas crianças e, já casado, comecei a procurar em todo o país uma associação que pudesse ser referência para implantarmos em Manaus. Foi quando encontrei ‘O Pequeno Nazareno’. Junto com minha esposa resolvemos conhecer todo o
FOTOS: DIVULGAÇÃO
Filial da associação “O Pequeno Nazareno”, existente há 20 anos, em Fortaleza, projeto incentiva menores a sair das ruas processo de criação do projeto, e quando retornamos a ideia já estava concretizada”, detalhou o missionário. Para o casal, “O Pequeno Nazareno” vai beneficiar o próximo por tempo indeterminado. “Desde que iniciamos a associação,estamos convictos de nossa finalidade e temos a certeza de que é algo bom e só tem a crescer em todos os sentidos e aspectos”, disse. Imediatamente ao retornar a Manaus, o casal somou às visitas à periferia da capital a busca do resgate das crianças moradoras de rua. Nessas visitas, eles levavam comida, auxiliavam essas crianças, davam-lhes banho, vestiam-nas e também compartilhavam a palavra de Deus. No meio-tempo das atividades, o missionário procurava resolver todas as burocracias para conseguir abrir a sede local da associação, que em
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“O Pequeno Nazareno” está legalizada há seis meses e conta com “pais sociais”, que cobrem o serviço durante 24 horas: uma educadora, uma assistente social e uma psicóloga A atual sede da ONG, localizada na rua Nossa Senhora de Nazaré, 215, bairro Colônia Terra Nova, Zona Norte de Manaus
Fortaleza já passa dos 21 anos de fundação. Nos últimos três anos, o casal tem trabalhado diariamente para abrir a filial, contando com doações. “Creio que fomos guiados por Deus para poder dar continuidade a esse projeto. O mais gratificante é saber que nesta casa passaram crianças que não tinham nenhum futuro e agora retornaram para suas famílias, recuperando um lar que se encontrava destruído”, contou o fundador da ONG, Tommasso Lombardi.
Projeto busca interação com familiares A associação está legalizada há seis meses e conta com “pais sociais”, que cobrem o serviço durante 24 horas: uma educadora, uma assistente social e uma psicóloga. Várias crianças já passaram pelo “Pequeno Nazareno”, mas o missionário tem passado por algumas dificuldades quanto ao Jui-
zado de Menores. “O problema é que o Juizado não vê a verdadeira finalidade da associação, e qualquer menor infrator querem enviar para o abrigo. Precisamos deixar bem claro que nosso trabalho social é com as crianças que vivem nas ruas”, explicou o coordenador do projeto,
Tommaso Lombardi. Integração Semanalmente, a equipe vai a alguns pontos-chave da cidade onde há crianças nas ruas, entram em contato e procuram a melhor forma de poder ajudar, acolhendoos. Depois dessa triagem, as crianças passam por um
processo de socialização e alfabetização. A ONG procura os pais para entender o motivo de abandono do lar. “Além das crianças, o trabalho social também é feito com as famílias, e tentamos mostrar alternativas para que aquele lar não seja destruído novamente”, disse Tommaso.
A associação “O Pequeno Nazareno” sobrevive de doações e da ajuda de voluntários
ONG pede ajuda de doadores A associação “O Pequeno Nazareno” recebe doações de Itália, apoio da arquidiocese de Manaus, dos Capuchinhos e das irmãs Franciscanas. A ONG sobrevive atualmente com R$ 8 mil por mês. O missionário pede a ajuda da população com doação de alimentos como carne, frango e verduras. Uma campanha em andamento e que vai até 15 de janeiro busca doações
para a compra de um veículo para “O Pequeno Nazareno”.Com esse carro, os trabalhadores terão como se locomover melhor nas atividades rotineiras onde precisa haver deslocamento de crianças e funcionários. O valor está orçado em R$ 30 mil, mas caso não se chegue a esse montante, os valores arrecadados serão devolvidos aos doadores. Para ajudar “O Pequeno Nazareno”, a população
pode procurar a associação, localizada na rua Nossa Senhora de Nazaré, 215, bairro Colônia Terra Nova, Zona Norte de Manaus. O missionário ainda luta para conseguir comprar o terreno. A associação também está presente nas redes sociais, na página www. facebook.com/pages/O-Pequeno-Nazareno-Manaus. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (92) 99339-3033.
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Galerias populares mudam a vida da família Alfaia A
Galeria Espírito Santo foi a primeira a ser entregue pela Prefeitura de Manaus dentro do Projeto Viva Centro Galerias Populares. Com apenas três meses de atividades (a inauguração foi dia 1° de agosto), seus 323 microempreendedores já sentem a mudança, longe do sol, da chuva e da preocupação à noite com as mercadorias que ficavam guardadas nas bancas. Para eles, o momento agora é de fortalecer os trabalhos e buscar novos sonhos. Um bom exemplo dessa “virada” é Diones Alfaia, que trabalhou nas ruas do Centro por 20 anos. Agora, ele é dono da Alfaia Fight, na Galeria Espírito Santo, localizada na esquina das ruas Joaquim Sarmento e 24 de Maio. “Eu trabalhei 20 anos na rua para sustentar a minha família e foi um tempo muito difícil. Hoje, não tenho saudade e me orgulho de ter uma loja em uma galeria, em um shopping, e ter saído da rua. Eu antes trabalhava de chinelo e bermuda, agora eu me visto melhor, eu me sinto melhor”, conta Diones.
A banca de Diones ficava no entorno da Praça da Matriz, onde ele dividia a preocupação de cuidar do negócio e do filho, que o acompanhava no trabalho. Ainda com muita dificuldade, resolveu realizar o sonho de Lucas e o colocou em uma academia para praticar jiu-jítsu.
NOVIDADE
O projeto Viva Centro Galerias Populares, da Prefeitura de Manaus, no mês passado, inaugurou o segundo centro de compras: a Galeria dos Remédios, na rua Miranda Leão, Centro da cidade “Não dava para trabalhar e cuidar dele ao mesmo tempo, mas eu não queria vê-lo na rua. Ele sempre me dizia que queria lutar e hoje está aí, como uma promessa do esporte do Amazonas”, diz o pai. Futuro Com orgulho, Diones ostenta as medalhas do filho que, com apenas 17 anos,
SEMCOM/ ARLESSONSICSÚ
Com apenas três meses de atividades, microempreendedores já sentem os frutos da mudança do local de trabalho acumula três títulos de campeão brasileiro e dois de campeão mundial. “Agora com a loja, tenho mais condições de ajudá-lo. Eu sei que ele é uma grande promessa. Se depender de mim, Lucas vai estar entre os grandes nomes da luta”, afirma. A expectativa com o futuro é confirmada pelo atleta que, após cumprir o expediente ao lado do pai na loja, se dedica aos treinos. Ele reconhece que o projeto Galerias Populares melhorou a vida da família. “Hoje, meu pai me ajuda muito. Ele acredita muito em mim. Somos uma equipe: ele faz a parte dele me ajudando e eu dou o máximo de mim para nós dois sermos reconhecidos”, disse o campeão. Projeto Histórias como essa são a prova do sucesso do projeto Viva Centro Galerias Populares que, no mês passado, inaugurou o segundo centro de compras: a Galeria dos Remédios, na rua Miranda Leão, Centro. Nesta etapa, mais 220 comerciantes foram beneficiados e se transformaram em microempreendedores.
O microempresário Diones Alfaia comemora ter saído das ruas do Centro, depois 20 anos
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opiniao@emtempo.com.br
(92) 3090-1010
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Os ateístas estão chegando
O boom dos sem religião nos Estados Unidos. Págs. 4 e 5
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Capa
pintura de Fernando Zarif
Um grupo atrás de um alvará de cultura Diário de Buenos Aires. Pág. 6
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Ilustríssima Semana
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O MELHOR DA CULTURA EM 9 INDICAÇÕES
BRASILEIRO EVERTON BALLARDIN/DIVULGAÇÃO
EXPOSIÇÃO | PAULO PASTA Na mostra “Entre Memória e Desejo”, parte do projeto “Corrente” do Sesc, o artista paulista propõe um recorte de sua obra e um diálogo entre ela e outras produções. Os artistas convidados por Pasta foram Rodrigo Bivar, Bruno Dunley, Lucas Arruda e Marina Rheingantz. Sesc Belenzinho | tel. (11) 3227-9461 | ter. a sáb., das 10h às 21h; dom. e feriados, das 10h às 19h30 | grátis | até 30/11
‘Duas Cruzes Vermelho-Veneza’ (2014), de Paulo Pastas
EXPOSIÇÃO | ANA MICHAELIS Na mostra “Ilusão”, é possível entrar em uma instalação concebida especialmente para o espaço da galeria, na qual paredes são pintadas com uma paisagem em tons de cinza. Há ainda dez telas da artista carioca radicada em São Paulo. D Concept | tel. (11) 3085-5006 seg. a sex., das 14h às 19h; sáb., das 11h às 15h | grátis | última semana
WALTER FIRMO/DIVULGAÇÃO
EXPOSIÇÃO | WALY SALOMÃO Em “A Biblioteca de Grifos de Waly Salomão”, é possível ver anotações, grifos e desenhos que o poeta fez em seus livros, parte de um acervo de cerca de 8.000 títulos. Na quarta (19), às 18h, o pesquisador Julio Diniz e o artista sonoro Daniel Castanheira discutem a leitura no processo de criação textual; no dia 27, Julieta Sobral, fotógrafa e designer gráfica, debate com Heloísa Buarque de Hollanda o design das publicações. Biblioteca Parque Estadual – Rio | tel. (21) 2332-8647 | ter. a dom., das 10h às 20h | grátis | até 14/12
POP
EXPOSIÇÃO | GALERIA NIKON A mostra “Coletiva Série F”, em parceria com a DOC Galeria, inaugura o novo espaço dedicado a fotografia em São Paulo. São 20 imagens feitas com câmeras Nikon da série F, por brasileiros como Bob Wolfenson, Armando Prado, Ana Carolina Fernandes, Edu Simões, Egberto Nogueira e João Bittar (1951-2011), entre as décadas de 1960 e 90. Galeria Nikon | tel. (11) 2592-7922 | abertura ter. (18); seg. a sex., das 10h às 19h; sáb. e feriados, das 11h às 17h | grátis | até 27/12
ERUDITO
EXPOSIÇÃO | DOMENICO SALAS Em “De Velázquez a Bacon: o PA.TO. LÓ.GI.CO de Domenico Salas”, o artista paulista apresenta uma série de fotografias nas quais satiriza pinturas famosas. Ele adiciona personagens da cultura pop e patos a quadros como “A Moça com Brinco de Pérolas” (1665), de Vermeer. galeria Tato | tel. (11) 98171-2121 | seg. a sex., 10h às 19h; sa´b., 10h às 16h | grátis | até 29/11
LIVRO | MILTON O poeta e pintor inglês William Blake (1757-1827) imagina, neste livro, que o também poeta inglês John Milton (1608-74) volta ao mundo dos vivos e possui seu corpo. A edição bilíngue traz fac-símiles da primeira edição, ilustrada por Blake – que fez imagens para outras obras de Milton, como a aquarela reproduzida na pág. 8 desta edição. trad. Manuel Portela | Nova Alexandria R$ 47 | 296 págs.
CINEMA | ÁFRICA HOJE Em sua terceira edição, o festival homenageia Nelson Mandela, exibindo documentários sobre o líder e ficções da África do Sul. Serão 17 longas de diversos países do continente, como “Foi Melhor Amanhã”, documentário filmado na Tunísia pós-Primavera Árabe, e “Eu Fabrico meu Balafon”, de Burkina Fasso, sobre instrumento percussivo presente em várias regiões. Caixa Belas Artes | tel. (11) 28945781 | abertura qui. (20); sessões às 16h e às 18h30 (23h30 às sex. e sáb.) | R$ 10 | até 3/12
LIVROS | PAUL RICOEUR Os dez estudos reunidos em “O Si-Mesmo como Outro” propõem uma reflexão sobre o sujeito e seu lugar na filosofia. Também do filósofo francês (1913-2005), “Ser, Essência e Substância em Platão e Aristóteles” traz o curso sobre o tema ministrado por ele entre 1953 e 54 na Universidade de Estrasburgo. “O Si-Mesmo...” | trad. Ivone C. Benedetti | WMF Martins Fontes R$ 49,90 (480 págs.) “Ser” | trad. Rosemary Costhek Abílio R$ 39,90 | 284 págs.
‘Cartola Fotografado em sua casa no Rio’ (1980), retrato que Walter Firmo fez com câmera Nikon FM2
LIVRO | CHRISTIAN CRAVO O livro que leva o nome do fotógrafo apresenta imagens inéditas de praias, crianças e das tradicionais baianas feitas em Salvador entre 1991 e 93, quando Christian tinha de 17 a 19 anos. Filho de Mario Cravo Neto e neto de Mario Cravo Jr., o artista cresceu entre o Brasil e a Dinamarca, país de sua mãe. Cosac Naify | R$ 160 | 240 págs.
ESTRANGEIRO Folha.com
Ilustríssimos desta edição ANDREAS - 11.07.2014/AFP
ADRIANO SCANDOLARA, 25, é poeta e tradutor, autor de “Lira de Lixo” (Patuá). BIANCA DAVANZO, 25, é tradutora. DAVI PESSOA, 36, é tradutor, professor de língua e literatura italiana da Uerj. DIOGO BERCITO, 26, é jornalista e mantém os blogs Mundialíssimo e Orientalíssimo, no site da Folha. FELIPE GUTIERREZ, 34, é correspondente da Folha em Buenos Aires. FERNANDO LEMOS, 88, artista plástico, designer e fotógrafo português radicado no Brasil. Sua mostra “Tamanhos”, com Renina Katz, está em cartaz na galeria Garage até 29/11. FERNANDO ZARIF (1960-2010) foi um artista plástico paulistano. GIORGIO AGAMBEN, 72, filósofo italiano, é autor de, entre
outros, “Homo Sacer” (ed. UFMG). GUILHERME GONTIJO FLORES, 30, poeta, professor de língua e literatura latina na UFPR, premiado com o Jabuti 2014 pela tradução de “Anatomia da Melancolia”, de Robert Burton. JOHN MILTON (1608-74) foi um poeta britânico, autor de “Paraíso Perdido”. RAFAEL CAMPOS ROCHA, 44, é ilustrador e cartunista. RAUL JUSTE LORES, 38, é correspondente da Folha em Washington. RODRIGO TADEU GONÇALVES, 33, tradutor, leciona língua e literatura latina da UFPR. VINICIUS FERREIRA BARTH, 28, tradutor, edita a revista virtual de arte e cultura R. Nott Magazine (rnottmagazine.com). WILLIAM BLAKE (1757-1827) poeta e pintor britânico.
POESIA SURFISTA Jornalista do ‘Financial Times’ defende maior interesse ocidental pelos poemas da cultura islâmica FOLHA.COM/ ILUSTRISSIMA Atualização diária da página da “Ilustríssima” no site da Folha LITERATURA Mulheres já são maioria em plataformas de autopublicação de livros >>folha.com/ilustrissima
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Filosofia
O que é um povo? Análise de uma fratura biopolítica RESUMO O filósofo italiano Giorgio Agamben discute os significados do termo “povo”, que tanto dá nome ao sujeito político quanto a uma classe que é politicamente excluída, sentidos díspares que geram conflitos. O trecho faz parte do livro “Meios sem Fim: Notas sobre a Política”, que a editora Autêntica lança em dezembro.
GIORGIO AGAMBEN TRADUÇÃO DAVI PESSOA
1. Toda interpretação do significado político do termo “povo” deve partir do fato singular de que este, nas línguas europeias modernas, também sempre indica os pobres, os deserdados, os excluídos. Ou seja, um mesmo termo nomeia tanto o sujeito político constitutivo como a classe que, de fato se não de direito, está excluída da política. Em italiano “popolo”, em fran-
cês “peuple”, em espanhol “pueblo” [em português “povo”] (como os adjetivos correspondentes “popolare”, “populaire”, “popular” e os tardo latinos “populus” e “popularis” dos quais todos derivam) designam, na língua comum como no léxico político, tanto o conjunto dos cidadãos como corpo político unitário (como em “povo italiano” ou em “juiz popular”) quanto os pertencentes às classes inferiores (como em “hommedupeuple”, “rionepopolare”, “front populaire”). Também em inglês “people”, que tem um sentido mais indiferenciado, conserva, porém, o significado de “ordinarypeople” em oposição aos ricos e à nobreza. Na constituição americana lê-se, assim, sem distinção de gênero, “Wepeopleoſthe United States...”; mas quando Lincoln, no discurso de Gettysburg, invoca um “Governmentofthepeoplebythepeople for thepeople”, a repetição contrapõe implicitamente ao primeiro povo um outro. O quanto essa ambiguidade era essencial também durante a Revolução Francesa (isto é, exatamente no momento em que se reivindica o princípio da soberania popular) é testemunhado pelo papel decisivo que cumpriu ali a compaixão pelo povo entendido como classe excluída. Hannah Arendt lembrou que “a própria definição do termo havia nas-
cido da compaixão, e a palavra tornou-se sinônimo de azar e de infelicidade – ‘lepeuple, lesmalheureux m’applaudissent’ [o povo, os infelizes me aplaudem], costumava dizer Robespierre; ‘lepeupletoujoursmalheureux’ [o povo sempre infeliz], como se exprimia até mesmo Sieyès , uma das figuras menos sentimentais e mais lúcidas da Revolução”. Mas já em Bodin, num sentido oposto, no capítulo da “República” no qual é definida a democracia, ou “Etatpopulaire”, o conceito é duplo: ao “peupleencorps” [povo enquanto corpo político], como titular da soberania, corresponde o “menu peuple” [pessoas comuns, o povão], que a sabedoria aconselha excluir do poder político. 2. Uma ambiguidade semântica tão difundida e constante não pode ser casual: ela deve refletir uma anfibologia inerente à natureza e à função do conceito de povo na política ocidental. Ou seja, tudo ocorre como se aquilo que chamamos de povo fosse, na realidade, não um sujeito unitário, mas uma oscilação dialética entre dois polos opostos: de um lado, o conjunto Povo como corpo político integral, de outro, o subconjunto povo como multiplicidade fragmentária de corpos necessitados e excluídos; ali uma inclusão que se pretende sem resíduos, aqui uma exclusão que se sabe
sem esperanças; num extremo, o Estado total dos cidadãos integrados e soberanos, no outro, a reserva – corte dos milagres ou campo – dos miseráveis, dos oprimidos, dos vencidos que foram banidos. Um referente único e compacto do termo povo não existe, nesse sentido, em nenhum lugar: como muitos conceitos políticos fundamentais (semelhantes, nisso, aos “Urworte” de Carl Abel e Freud ou às relações hierárquicas de Dumont), povo é um conceito polar, o qual indica um duplo movimento e uma complexa relação entre dois extremos. Mas isso significa, também, que a constituição da espécie humana num corpo político passa por uma cisão fundamental e que, no conceito de povo, podemos reconhecer sem dificuldade os pares categoriais que vimos definir a estrutura política original: vida nua (povo) e existência política (Povo), exclusão e inclusão, “zoé” e “bíos”. Ou seja, povo já traz sempre em si a fratura biopolítica fundamental. Ele é aquilo que não pode ser incluído no todo do qual faz parte e não pode pertencer ao conjunto no qual já está desde sempre incluído. Daí as contradições e as aporias a que ele dá lugar todas as vezes que é evocado e colocado em jogo na cena política. Ele é aquilo que já é desde sempre e que precisa, no entanto, realizar-se; é a fonte pura de toda identidade e deve, porém, redefinir-se e purificar-se continuamente através da exclusão, da língua, do sangue e do território. Ou seja, no polo oposto, é aquilo que falta por essência a si mesmo e cuja realização coincide, por isso, com sua própria abolição; é aquilo que, para ser, deve negar, com seu oposto, a si mesmo (daqui as aporias específicas do movimento operário, direcionado ao povo e, ao mesmo tempo, voltado para a sua abolição). De tempos em tempos bandeira sangrenta da reação e insígnia incerta das revoluções e das frentes populares, o povo contém em todo caso uma cisão mais originária do que aquela amigo-inimigo, uma guerra civil incessante que o divide mais radicalmente do que todo conflito e, ao mesmo
tempo, o mantém unido e o constitui mais solidamente do que qualquer identidade. Observando bem, aliás, aquilo que Marx chama de luta de classe e que, mesmo permanecendo substancialmente indefinido, ocupa um posto muito central em seu pensamento, não é senão essa guerra interna que divide cada povo e que terá um fim somente quando, na sociedade sem classes ou no reino messiânico, Povo e povo coincidirem e não houver mais, propriamente, povo algum. 3. Se isso for verdade, se o povo contém necessariamente em seu interior a fratura biopolítica fundamental, será então possível ler de modo novo algumas páginas decisivas da história do nosso século. Visto que, se a luta entre os dois povos já estava certamente em curso desde sempre, no nosso tempo ela sofreu uma última, paroxística aceleração. Em Roma, a cisão interna do povo era sancionada juridicamente na divisão clara entre “populus” e “plebs”, os quais tinham, cada um deles, suas instituições e seus magistrados, assim como na Idade Média a distinção entre povo miúdo e povo gordo correspondia a uma articulação precisa de diversas artes e profissões; mas quando, a partir da Revolução Francesa, o povo se torna o depositário único da soberania, o povo transformase numa presença embaraçosa, e miséria e exclusão aparecem pela primeira vez como um escândalo em qualquer sentido intolerável. Na Idade Moderna, miséria e exclusão não são apenas conceitos econômicos e sociais, mas categorias eminentemente políticas (todo o economicismo e o “socialismo” que parecem dominar a política moderna têm, na realidade, um significado político, aliás, biopolítico). Nessa perspectiva, o nosso tempo não é senão a tentativa – implacável e metódica – de atestar a cisão que divide o povo, eliminando radicalmente o povo dos excluídos. Essa tentativa reúne, segundo modalidades e horizontes diferentes, esquerda e direita, países capitalistas e países socialistas, unidos no projeto – em última análise inútil, porém que se realizou parcialmente em todos os países industrializados – de produzir um povo uno e indivisível. A obsessão do desenvolvimento é tão eficaz no nosso tempo porque coincide com o projeto biopolítico de produzir um povo sem fratura. O extermínio dos judeus na
RAFAEL CAMPOS ROCHA | Deus, essa gostosa
Alemanha nazista adquire, nessa perspectiva, um significado radicalmente novo. Como povo que recusa integrar-se no corpo político nacional (supõe-se, de fato, que toda sua assimilação seja, na verdade, somente simulada), os judeus são os representantes por excelência e quase o símbolo vivente do povo, daquela vida nua que a modernidade cria necessariamente no seu interior, mas cuja presença não consegue mais de algum modo tolerar. E na fúria lúcida com a qual o “Volk” alemão, representante por excelência do povo como corpo político integral, procura eliminar para sempre os judeus, devemos ver a fase extrema da luta interna que divide Povo e povo. Com a solução final (que envolve, não por acaso, também os ciganos e outros não integráveis), o nazismo procura obscura e inutilmente liberar a cena política do Ocidente dessa sombra intolerável, para produzir finalmente o “Volk” alemão como povo que atestou a fratura biopolítica original (por isso os chefes nazistas repetem tão obstinadamente que, eliminando judeus e ciganos, estão, na verdade, trabalhando também para os outros povos europeus). Parafraseando o postulado freudiano sobre a relação entre “Es” e “Ich”, poder-se-ia dizer que a biopolítica moderna é sustentada pelo princípio segundo o qual “onde há vida nua, um Povo deverá ser”; sob a condição, porém, de acrescentar imediatamente que tal princípio vale também na formulação inversa, que quer que “onde há um Povo, ali haverá vida nua”. A fratura, que acreditavam ter sanado eliminando o povo (os judeus que são seu símbolo), reproduz-se, assim, transformando novamente todo o povo alemão em vida sagrada votada à morte e em corpo biológico que deve ser infinitamente purificado (eliminando doentes mentais e portadores de doenças hereditárias). E, de modo diferente, mas análogo, hoje o projeto democráticocapitalista de eliminar, através do desenvolvimento, as classes pobres, não só reproduz no seu interior o povo dos excluídos, mas transforma em vida nua todas as populações do Terceiro Mundo. Somente uma política que tiver sabido prestar contas da cisão biopolítica fundamental do Ocidente poderá deter essa oscilação e colocar um fim na guerra civil que divide os povos e as cidades da Terra.
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Sociedade 3 O ateísmo sai do armário Uma onda de descrença cresce nos EUA RESUMO Pesquisas apontam crescimento acelerado dos que se declaram sem religião nos EUA, parcela que hoje corresponde a 20% da população adulta. Para estudiosos, tanto o aumento da descrença quanto eventuais reações conservadoras religiosas estão diretamente vinculadas ao ambiente político do país.
RAUL JUSTE LORES ILUSTRAÇÃO FERNANDO ZARIF
Pela Constituição do Tennessee, um cidadão não pode concorrer a cargo público se não acreditar em Deus; mas em Nashville, a capital do Estado, um grupo de 150 pessoas se reúne semanalmente na Assembleia dos Domingos, um fórum de ateus praticantes, que conta com mil inscritos. Nos encontros, de uma hora de duração, revezam-se os “mestres de cerimônias”. “Não queremos que uma figura carismática se repita na condução”, explica um dos organizadores, o designer gráfico LandryButler, 47. Durante o encontro, uma dona de casa lê, de um púlpito, escritos de Margareth Mead e J. R. R. Tolkien; uma assistente social relata sua evolução como mãe solteira e seu trabalho com pacientes de Alzheimer; e um grupo desfila um repertório que vai de “Start Me Up”, dos Rolling Stones, a “The Cave”, dos Mumford& Sons. “Quantas chances você teria de cantar em público regularmente sem ser um artista?”, indaga o vocalista Adam Newton, 39. Nashville ainda é conhecida como “a fivela do Cinturão da Bíblia”, formado pelos Estados mais religiosos do Sul dos EUA – título que disputa com Dallas, no Texas. Um fazendeiro que viajou 75 km com a mulher para não perder o evento dominical dos não crentes relata uma conversa que ouviu na fila para fazer compras em um entreposto agrícola. O vendedor contava a uma freguesa que um dos
candidatos a xerife, escolhido em eleição direta, não frequentava nenhuma igreja. A mulher reagiu dizendo: “Esse não leva o meu voto, deve ser imoral”. O fazendeiro calou-se. “Fiquei no armário”, diz. Apesar da compreensível cautela do visitante, o fato é que ateus, agnósticos e os “sem religião” estão saindo do armário em um dos países mais religiosos do mundo. O número de adultos menores de 30 anos que se encaixam nesta última categoria já é mais que o triplo do observado no Brasil. O crescimento é recente e acelerado: em 2007, 15% dos americanos não tinham religião, contra 20% em 2012, segundo pesquisa do PewResearch Center. No Brasil, entre 2000 e 2010, os sem religião oscilaram de 7% para 8%. O índice de norte-americanos sem religião sobe de 20% para 32% se considerada somente a faixa de 18 a 30 anos. Entre brasileiros, 8% dizem não ter religião e apenas 10% dos que têm de 15 a 29 anos se enquadram nessa categoria, segundo o IBGE (2010). Ateus no Brasil são 0,8% da população – enquanto o cálculo do Pew, que soma ateus e agnósticos, é de 6% da população americana. Nesse cenário, ateus famosos começam a tratar do assunto – ainda tabu – em público, caso do ator Brad Pitt ou do criador do Facebook, Mark Zuckerberg. Promovemse conferências anuais para os não crentes, chamadas “Skepti- cons” (conferência dos céticos), e “paradas do orgulho ateu” são organizadas pelas redes sociais. “Hoje é mais fácil ser ateu também por causa internet. De repente, começamos a nos achar na rede, a marcar encontros e a nos expor”, diz P. Z. Myers, 57, cientista e professor de biologia da Universidade de Minnesota, autor do best-seller “The HappyAtheist” (o ateu feliz), lançado no ano passado. Com essa onda, coexiste a maioria da população, que preserva um fervor religioso pouco comum em países ricos: a frequência semanal a igrejas e templos nos EUA ainda é quatro vezes superior à europeia. Os que acreditam no criacionismo são 44%, enquanto 55% dizem rezar diariamente. São o rebanho de uma nação cuja história foi forjada pela presença inaugural de puritanos e outros grupos religiosos em fuga da Europa, que estreitavam os laços com
Deus na busca da nova terra prometida. Um país em que se popularizou uma imagem retratando Jesus, entre George Washington e outros patronos da nação, segurando a Constituição como se fossem os Dez Mandamentos. Especialistas concordam que o enfraquecimento da religiosidade nos EUA tem relação direta com a política. “George W. Bush [2001-09] prestou grande ajuda à causa ateísta”, ironiza Myers. “O que vemos é uma reação a anos em que forças religiosas se colocaram do lado errado da história, apoiando guerras, atitudes machistas, homofobia e doutrinas cada vez mais associadas à crença. No quesito ‘relações públicas’, foi um desastre para a religião”, diz o professor, que tem mais de 150 mil seguidores no Twitter e um blog, premiado pela revista “Nature”, no qual mistura ciência, feminismo e ativismo antirreligioso. O estudioso britânico Nick Spencer, diretor de pesquisa do centro de estudos Theos, frisa que os EUA são “um raro país ultracientífico, onde grandes descobertas tecnológicas acontecem desde o século 19, que ainda é muito religioso”. Autor do recémlançado “Atheists: theOriginoſtheSpecies” (ateus: a origem das espécies), Spencer lembra que, como pastores e religiosos abraçaram a revolução americana e participaram do processo de independência, os “pais fundadores” asseguraram na primeira emenda da Constituição a liberdade de culto, proibindo o Estado de legislar sobre o tema e de se assumir oficialmente como cristão. Foi, na realidade, no século 20, em oposição ao socialismo e seus regimes de ateísmo forçado, que os governos americanos passaram a abraçar com mais convicção a identidade cristã. Em 1952, por exemplo, foi criado pelo presidente Harry Truman (e aprovado pelo Congresso) o Dia Nacional de Oração, celebrado até hoje em 1º de maio – data em que diversos países comemoram o Dia do Trabalho, escolhido pela Internacional Socialista para marcar um atentado contra grevistas em Chicago, em 1886. Os americanos, no entanto, celebram seu “Labor Day” em setembro. O juramento à bandeira, repetido em repartições públicas, escolas, quartéis e no Congresso americano, foi modificado em 1954, em plena Guerra Fria, para acrescentar
a expressão “uma nação sob Deus”. E a célebre inscrição “In Godwetrust”, nas cédulas de dólar, nasceu em 1956, no governo do general Dwight Eisenhower. Eram os anos do auge do macarthismo, quando o Senado promoveu investigações sobre atividades consideradas “un-american”, e o senador Joseph McCarthy (cujo nome veio a batizar a era), via comunistas por todos os lados – do Departamento de Estado a Hollywood. Em seu primeiro discurso famoso, de 1950, quando denunciou diplomatas de seu país como “comunistas infiltrados”, McCarthy disse que a “grande diferença entre o mundo ocidental cristão e o mundo comunista” não era política, “mas moral”. “Hoje estamos em uma batalha final, de tudo ou nada, entre cristãos e ateus”, anunciou. Pouco depois, pessoas consideradas comunistas, homossexuais e ateus entraram em “listas negras” – centenas foram presas. Contracultura Não tardaria muito para que a crise de identidade da Guerra Fria, com a contestação do conflito no Vietnã, o florescimento de movimentos de liberação sexual e a onda da contracultura, nos anos 1960, passassem a colocar em xeque esse processo de exacerbação persecutória e religiosa. Nas décadas seguintes, situações como a aprovação do aborto pela Suprema Corte, em 1973, e a maior visibilidade dos gays, associada à epidemia de Aids, terminaram por acirrar conflitos e despertar uma nova reação. Uma espécie de segundo macarthismo desenhou-se a partir do final da década de 1980, época em que líderes religiosos cada vez mais assertivos passaram a condenar a “ruína moral da América”. Evangélicos, que vinham conquistando espaço nos meios de comunicação, mostravam-se mais diretamente preocupados com o ativismo político. Chegou-se a ensaiar um impeachment contra um presidente adúltero (Bill Clinton, 1993-2001) e o primeiro episódio da clássica série de TV “The West Wing”, sobre os bastidores da Casa Branca, trazia um grupo de evangélicos cobrando compromissos de um presidente democrata. A reação religiosa-moralista fez a então superstar Janet Jackson ser praticamente banida da TV por ter exibido, acidentalmente ou não, um mamilo durante o show no intervalo da final do Super Bowl, o campeo-
nato de futebol americano, em 2004. E o marqueteiro do então presidente George W. Bush, Karl Rove, estimulou a realização de plebiscitos contra o casamento gay, como garantia de que muitos eleitores sairiam de casa para votar contra – o que favoreceria a reeleição do mandatário naquele ano, que de fato aconteceu. “Os evangélicos abandonaram o mutismo e encontraram sua voz, às vezes problemática e grotesca. Como resposta, assistimos a um recrudescimento do ateísmo. Não em nome da ciência, mas porque Deus voltou à arena política americana”, diz Spencer. Alguns ateístas têm adotado a política dos decibéis a mais praticada pelos evangélicos – mas para metralhar religiões. Myers diz que “gosta do confronto” e que “precisamos denunciar as loucuras dos crentes”. Nessa trincheira também se aloja Sam Harris, um dos principais ativistas ateus do país, presente na lista dos livros mais vendidos desde setembro, com sua segunda obra, “WakingUp” (acordando). A primeira, “O Fim da Fé”, de 2004, virou best-seller e fustiga não apenas religiões cristãs mas especialmente o islã. Foi no programa de Bill Maher – um show de humor político e entrevistas há 20 anos no ar na TV americana – que Harris se meteu em uma arenga a respeito da islamofobia de parte dos ateus que, como ele, fomentam o confronto. Maher, que já produziu um documentário hostil às religiões (“Religulous”, de 2008), disse que “a esquerda americana, em nome do multiculturalismo, é muito tímida em denunciar os absurdos do mundo islâmico”. Acrescentou que o islã se tornou “como a Máfia, que mata quem ousa falar mal dela”. Harris pegou a deixa e foi mais longe: “O islã é a mãe de todas as más ideias do presente”, atacou. Ben Affleck, o ator e diretor de “Argo”, disse que Maher estava generalizando e que “os EUA já mataram mais muçulmanos do que qualquer grupo fundamentalista muçulmano, mas nós não somos acusados disso”. O vídeo do embate viralizou em 24 horas. Maher também fez piada com os pacatos ateus da Assembleia dos Domingos. “A graça de ser ateu” – disse ele – “é não ter que ir a uma igreja. Frequentar essa assembleia é um contrassenso. É como convidar um membro do TeaParty para uma feira de ciências”.
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Para o islã radical, fé conduz ao progresso DIOGO BERCITO
O avanço do secularismo nos EUA também tem, ao contrário do que talvez se imagine, paralelos nos países de cultura islâmica. Graças a fenômenos como o surgimento do Estado Islâmico (EI), porém, a face mais visível da religiosidade no Oriente Médio é o fortalecimento do extremismo. O EI emerge de um contexto em que a política se entrelaça com a religião: a desestabilização causada pela invasão dos EUA ao Iraque em 2003. Os militantes da facção aproveitaram a retirada das tropas americanas do Iraque, os tumultos sectários e a guerra civil na Síria para concentrar entre esses dois países seu aparato “estatal”. O surgimento de organizações que defendem um retorno às origens da fé, como o autodeclarado califado islâmico, é uma resposta relativamente recente ao avanço do secularismo e, em paralelo, ao declínio econômico regional. Ao constatarem que seu mundo se tornava atrasado em relação à Europa, pensadores islâmicos no final do século 19 e início do 20 se propuseram uma questão que poderia ser assim resumida: “Afinal, onde nós, uma vez líderes no mundo, erramos?”. Filósofos como Jamal alDin al-Afghani responderam que o problema residia no sufocamento da ciência pela religião e que seria necessário separá-los. Mas para outras linhas de pensamento, em cuja trama se insere hoje o Estado Islâmico, a
Washington terá Museu da Bíblia Pesquisa realizada pelo instituto Pew Research Center, no início deste ano, revelou que 43% dos americanos não votariam em um ateu para presidente. O resultado confirma a persistente força da religião no país – que encontra nos descrentes e nos novos ateus um polo para disputas e proselitismos que muitas vezes chegam a ser caricatos. A excandidata a vice-presidente dos EUA, Sarah Palin, por exemplo, espécie de musa do movimento ultraconservador Tea Party, representa muito bem essa dimensão “folclórica” dos embates entre os dois lados. No ano passado, ela lançou um livro intitulado “Good Tidings and Great Joy: Protecting the Heart of Christmas” (boa nova e grande alegria: protegendo o espírito do Natal). Trata-se de uma tentativa de reagir a uma suposta “guerra contra o Natal”. Algumas escolas em Estados e cidades mais liberais do país têm retirado os tradicionais presépios de cena, substituindo-os por figuras ecumênicas e mensagens “neutras” – e muitos se referem à data como “o feriado”. A militância religiosa con-
servadora também ganhará em breve uma referência icônica na capital americana. A família Green, que controla a rede de lojas de artesanato e materiais de pintura e escultura Hobby Lobby (faturamento de US$ 3 bilhões anuais), decidiu criar um museu dedicado à Bíblia, a ser inaugurado em 2017. Os Green compraram em 2012 um minishopping de decoração em Washington por US$ 50 milhões, a apenas duas quadras do Mall, a versão local do Eixo Monumental brasiliense, onde estão o Congresso americano e os principais museus dedicados a contar a história do país. A reforma do prédio de oito andares, que receberá novos pisos envidraçados no topo, mais a coleção de 40 mil peças devem sair por US$ 800 milhões – mais do que alguns dos estádios construídos no Brasil para a Copa. Museu O patriarca David Green, que teve a ideia do museu, coleciona torás, ícones judaicos e cristãos, manuscritos milenares e peças arqueológicas do Oriente Médio. Um dos curadores
revelou ao jornal “The New York Times” que a coleção contém um Livro dos Salmos original em papiro e alguns dos primeiros textos do Novo Testamento em aramaico. Numa apresentação, no ano passado, Green usou hologramas para retratar passagens bíblicas e telas em 3D para simular uma “experiência na Arca de Noé”. Na ocasião, o empresário disse que os Estados Unidos “estão em perigo por sua ignorância sobre o que Deus nos ensinou”. Com sede em Oklahoma, no Meio-Oeste, e 572 lojas pelo país, o negócio familiar por trás do Museu da Bíblia dominou o noticiário americano em junho, por uma ação contra o governo de Obama. A empresa se negava a cobrir os custos de anticoncepcionais de suas funcionárias, como previsto pelo plano universal de saúde. O caso chegou até a Suprema Corte. Por cinco votos a quatro, o tribunal deu ganho à Hobby Lobby, que se viu livre de financiar “cobertura de algo que vai contra as convicções religiosas” dos proprietários. Foi mais uma derrota colecionada pelo governo Obama.
resposta é: o verdadeiro mal é o secularismo. Said Qutb, autor lido por Osama bin Laden, vê um mundo em estado de “jahiliya” (o termo árabe para o período de “ignorância” anterior ao islã) do qual terá de ser liberado. As ideias de retorno aos fundamentos são conhecidas como “salafismo” – do árabe “salaf”, que significa “ancestral”. A ideia, que pode soar estranha ao considerarmos o caminho ocidental de separação entre Estado e religião, se torna mais compreensível se posta em perspectiva: esses muçulmanos radicais têm como referência ideal o século 7, quando o islã surgiu na península Arábica e, em poucas décadas, tomou o norte da África e a península Ibérica, derrubando impérios. Pensadores radicais dirão que seu mundo só voltará a prosperar se conseguir retornar às bases desse período “utópico”. Tal projeto se solidifica no EI com a imposição de leis rígidas, como a proibição à música, a separação de homens e mulheres e a criminalização do álcool. O califa autodeclarado Abu Bakr al-Baghdadi, líder da milícia extremista, chefia uma estrutura que justifica, com base em interpretações teológicas, a escravidão e a decapitação de inimigos. Nada disso significa, porém, que “islamismo” equivalha a “posições extremas”. Muçulmanos moderados, que são a maioria, repudiam publicamente o EI, e dezenas de seus líderes religiosos assinaram, em setembro, uma carta aberta a Baghdadi com argumentos teológicos contra o califado. O documento desmonta o fanatismo ao lembrar que o islã proíbe “ignorar a realidade contemporânea” e que “a escravidão foi abolida por consenso”, além de frisar que a fé veta “converter por força”, “negar direitos a mulheres” – e “matar inocentes”.
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Diário de Buenos Aires O MAPA DA CULTURA
A meca portenha Os espaços vetados e os odores da cidade
FELIPE GUTIERREZ
Espaços flexíveis para apresentações culturais, que abrigam shows, festas, exposições e peças de teatro, proliferam em Buenos Aires desde meados da década passada. São lugares pequenos, normalmente privados, conhecidos como centros culturais. Neste ano, porém, mais de 30, de um total estimado de 180, foram fechados pela prefeitura. Os fiscais baixaram as portas de casas como a El Sueñero, na Boca, e a Casa del Pueblo, no centro. Pela legislação da cidade, é preciso um alvará de funcionamento para cada atividade específica, o que os centros não têm. A prefeitura ainda impõe uma multa de entre 10 mil e 15 mil pesos (R$ 3.000 a R$ 4.500), que os estabelecimentos dizem não ter como pagar. Os proprietários dos espaços se organizaram e formaram o Meca (Movimento de Espaços Culturais e Artísticos). Eles se reuniram com vereadores simpáticos à causa para redigir um projeto de lei que reconheça os espaços multifuncionais. Segundo Pablo Leibson, 28, um dos líderes da organização, os vereadores governistas se comprometeram a aprovar o texto até o fim do ano. Para atrair atenção à causa, eles já fizeram protestos na frente da prefeitura e da Secretaria de Cultura. No domingo passado (9), o Meca organizou um pequeno festival no parque Rivadavia, no Caballito, bairro no centro geográfico da cidade. Em frente a uma estátua de
Simon Bolívar a cavalo, se apresentaram Unidad Orquestral Mínima, PetecoCarabajal, Ariel Prat e outras bandas de música folclórica de pequena projeção. O público era formado essencialmente por militantes peronistas, e o tom era de crítica à “cultura como entretenimento ou espetáculo” e ao “macrismo” – movimento político encabeçado pelo prefeito Maurício Macri, pré-candidato à presidência no ano que vem. Ciclovias portenhas Mais de 4.000 ciclistas participaram da pedalada de fechamento do Festival da Bicicleta, que ocorre há três primaveras na cidade, com oficinas de manutenção e exibição de documentários e palestras. Buenos Aires tem feito o que pode para estimular esse meio de locomoção. A cidade é atravessada por cerca de 120 km de ciclovias de mão dupla (como as novas de São Paulo), há quatro anos vigora um esquema de aluguel, e os bancos emprestam dinheiro sem juros para compra de bicicletas. Estacionar a magrela não é difícil: espalharam-se paraciclos tanto em praças como em esquinas (muitos deles são privados, de estabelecimentos que tentam atrair clientes, às vezes dando desconto para quem chega pedalando). A prefeitura estima que cerca de 180 mil trajetos diários para o trabalho ou para a escola são feitos em bicicleta – 3% do total desse tipo de deslocamento. Jacarandá e metrô cheio O artista plástico Martín Bonadeo expõe, até o dia 13 de dezembro, obras de
arte que exalam cheiros de Buenos Aires. Ele fez quadros e peças com fragrâncias que remetem à cidade. As pinturas ficam em caixas com tampa de vidro e, para sentir o cheiro, o visitante tem de abrilas. Para escolher os odores ele pediu ajuda aos amigos. Chegou a jacarandá, café, chocolate, lixo, asfalto em dia quente e metrô cheio de gente. Bonadeo então entrou em contato com fabricantes de essências, que enviaram a ele 50 fragrâncias. “Vórtices Aromáticos” está em cartaz na galeria Práxis, no bairro da Recoleta. Não é a primeira vez que Bonadeo brinca com cheiros: há dez anos, ele expôs no Malba (Museu de Arte Latino-Americana) peças feitas com madeira podre tirada do mar para dar ao visitante a sensação de estar em um calçadão. De portas abertas Em outubro aconteceu a segunda edição do “Open House Buenos Aires”, em que cerca de 70 edifícios abriram suas portas para curiosos. A iniciativa anual é do grupo CoHabitar Urbano, formado por arquitetos, fotógrafos, professores e justamente interessados em urbanismo. Muitos dos prédios são comerciais ou públicos, como hotéis, teatros e bibliotecas, mas residências também foram incluídas, como as do parque Los Andes, que são de um estilo de moradia coletiva típico da metade do século 20, no bairro de Chacarita. Não só edifícios históricos estavam abertos. Um prédio de escritórios erguido em 2010 também recebeu visitantes.
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Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS FERNANDO LEMOS/ACERVO PESSOAL
5 Não teve missa, depois te conto São Paulo, 1967
Lourival, Lourdes e o filho Lucio, com Lemos (à esq.), em Paris, 1963
FERNANDO LEMOS
Nos anos 60, a Unesco elegeu o brasileiro Lourival Gomes Machado para diretor de seu setor cultural – único intelectual latino-americano, aliás, a ocupar semelhante cargo. Ficamos aqui contentes, Antonio Candido, Décio de Almeida Prado, Paulo Emilio Salles Gomes, Gilda de Mello e Souza, Ruy Coelho e outros – criadores da famosa revista “Clima” (denominados por Oswald de Andrade como “chatos boys”) –, e Alfredo Mesquita, do Suplemento Literário do “Estado de S. Paulo”, assumido então pelo Décio, e onde fui ilustrador convidado por vários anos. Lourival foi, além de catedrático da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras na rua Maria Antonia, onde ficavam alguns dos seus departamentos, entre eles o de ciências sociais, diretor da Faculdade de Arquitetura da rua Maranhão. Ele foi o primeiro dirigente ligado às artes; até então, a direção coubera a engenheiros, por ser a arquitetura ainda considerada como disciplina da Politécnica. Seu grande feito foi a reforma do ensino de arquitetura (a Reforma de 62), pioneira no Brasil em novo modelo de ensino. Lourival era de grande estatura de alma e dono de ironia sem agressividade. Tinha a capacidade de falar simples, inteligente e claro. Nunca o percebi pedante. Era vaidoso, mas com um ego justificado pela admiração geral dos alunos,
colegas e alguns inimigos. Intelectual de muita erudição, aberto a polêmicas, organizou no MAM (na época, à rua Sete de Abril) eventos de discussões sobre temas e movimentos artísticos, com presença de críticos e universitários. Em 1961, ele assumiu, convidado pela Fundação Armando Alvares Penteado e por integrantes do Patrimônio Histórico Nacional, uma exposição com catálogo sobre o barroco no Brasil. Fomos juntos pesquisar e fazer a coleta das peças para a montagem da mostra. Aprendi a localizar o patrimônio do período histórico na Bahia, no Recife, em Olinda, em grande parte de conventos e universidades de Ouro Preto, Mariana, Sabará e São João del-Rei. No final, lamentavelmente, por desacordos com a diretoria da fundação, nos demitimos. Fui frequentador constante da família de Lourival. Quase todos os domingos, pegava a lambreta, passava pela casa no Sumaré, onde tinha chá, a simpatia de Lourdes, sua mulher, e a curiosidade do filho Lucio, ainda pequeno demais para já ser arquiteto. Lourival residia na sede da Unesco em Paris desde 1962 e se encontrava em plena função do cargo, quando, em 1967, na campanha de preservação dos monumentos e obras de arte de Veneza e Florença, foi acometido por um infarto fulminante. Não teve missa, depois eu te conto.
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Imaginação PROSA, POESIA E TRADUÇÃO
6 Satã tenta Cristo com Roma Um trecho de ‘Paraíso Reconquistado’ RESUMO
Este trecho corresponde aos versos 1 a 108 do livro 4 de “Paraíso Reconquistado” – é a primeira vez que se traduz ao português a continuação de “Paraíso Perdido”, obra mais famosa do inglês John Milton. O volume sai no dia 25 pela Editora de Cultura e estará à venda só na Livraria Cultura.
JOHN MILTON TRADUÇÃO ADRIANO SCANDOLARA, BIANCA DAVANZO, GUILHERME GONTIJO FLORES, RODRIGO TADEU GONÇALVES, VINICIUS FERREIRA BARTH
Perplexo e perturbado pela falha/ Estancou, sem resposta, o Tentador/ Sem esperança, a fraude revelada/ Bem como sua persuasão retórica/ Da língua que ganhara tanto de Eva/ Pouco agora; perdida: Eva era Eva/ Este é superior ao prepotente/ Que se precipitou em comparar/ Sua própria força contra a qual lutava: Mas, feito um homem de imbatíveis dolos/ Que ao verse inesperadamente ao chão/ Quer por salvar seu nome, ou por desprezo/ Inda insiste em tentar quem o frustrara/ Não cessa e mais aumenta sua vergonha/ Ou como enxame em tempo de vindima/ Que cerca o doce mosto que se prensa/ E, expulso, inda retorna a zumbizar/ Ou poderosas ondas contra as rochas/ Que mesmo em só tremor, de novo assaltam/ Em vão, pois findam em escuma e bolhas; Assim Satã, repulsa e mais
repulsa/ Sofre e em silêncio vergonhoso acaba/ Mas nem desesperado ele desiste/ E em vão persiste sendo inoportuno/ Levou o Salvador à parte oeste/ Do alto monte, que lá pudesse ver/ Outra planície, longa, mas não larga; Banhada pelo mar do sul e, ao norte/ Se estende uma cadeia de montanhas/ Que protegia a messe e o lar dos homens/ Do gélido Setentrião; no meio/ Cortada por um rio em cujas margens/ Havia uma Cidade Imperial/ Com torres, templos, altos e orgulhosos/ Em sete montes, bela de palácios/ Teatros, banhos, aquedutos, pórticos/ Troféus, estátuas, arcos do triunfo/ Jardins e bosques que ele pôde ver/ Parado acima desses altos montes: Que estranha paralaxe, ou truque óptico/ Multiplicouse pelo ar, que lente/ De telescópio, é caso curioso/ Por fim, o Tentador rompe
o silêncio: “A Cidade que viste não é outra/ Senão Roma, Rainha sobre a Terra,/ Renomada e tão rica pelo espólio/ Doutras nações; ali o Capitólio/ Ergue acima de todos sua fronte/ Sobre a Rocha Tarpeia, cidadela/ Intocável, e ali o Palatino/ Palácio Imperial, imenso, excelsa/ Estrutura de nobres arquitetos/ Áureas ameias, longe já notáveis/ Com torretas, terraços e pináculos/ E muitos belos edifícios, quase/ Casas dos deuses (fiz perfeito o meu/ Aéreo microscópio); podes vê-las/ Dentro e fora, pilares e telhados/ Tudo esculpido pela mão de artífices/ Em cedro, mármore, marfim, ou ouro/ Lança aos portões o teu olhar e vê/ Que imenso fluxo avança, entra e sai: Pretores e procônsules que partem/ Ou tornam das províncias, com suas togas/ Lictores, fasces, marcas do poder/ Coortes, legiões,
equestres turmas e alas/ Ou embaixadas de regiões remota/ Com várias vestes pela Via Emília/ Ou Ápia: algumas vêm do extremo sul/ De Siena, onde a sombra tem dois lados/ Meroé, ilha nilótica; e a oeste/ Vêm do reino de Boco, em Mauritânia; Dentre eles vêm os reis da Pártia e da Ásia/ Da Índia, do dourado Quersoneso/ E da longínqua ilha Taprobana/ Alvos turbantes cobrem faces negras/ Do oeste da Bretanha, Gália e Gades/ Norte, os citas, sarmácios e germanos/ Vêm de além do Danúbio, junto ao Táurico/ Todas nações estão aos pés de Roma/ Aos pés do imperador, que tem domínio/ De amplo império, riquezas e poder/ Civilidade em modos, artes, armas/ E um bom renome, até superior/ Aos dos partos; além desses dois tronos/ O resto é bárbaro, nem vale ver/ Que se divide
entre a ralé dos reis; Ao que te expus, expostos foram todos/ Reinos do mundo, e toda sua glória/ O Imperador é velho e não tem filhos/ Velho e lascivo, longe está de Roma/ Em Cápria, uma pequena e forte ilha/ Às margens da Campânia, pois lá foi/ Gozar a sós de uma hórrida luxúria/ E entregou a um perverso favorito/ A República, embora até suspeite/ Que esse odiado a tudo odeia. Fácil/ A ti, dotado de virtudes régias/ Que apareceste com teus nobres feitos/ Será tirar o monstro de seu trono/ Hoje um chiqueiro, e ascender ao posto/ Um povo vencedor, livre do jugo! Com minha ajuda, sim; pois me foi dado/ O poder, e por lei to posso dar/ Nada queiras, senão o mundo inteiro/ Nada, senão o topo, sem o topo/ Nunca terás assento, nunca o trono/ De Davi, pouco importa a profecia”.
MANAUS, DOMINGO, 16 DE NOVEMBRO DE 2014
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(92) 3090-1042
ARQUIVO EM TEMPO
Plateia D7
Consciência e respeito Em função do Dia Nacional da Consciência Negra (20 de novembro), artistas locais de segmentos distintos comentam sobre o preconceito LUIZ OTAVIO MARTINS EpecialEM TEMPO
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esmo sem enfrentar manifestações abertas de preconceito racial no universo artístico da cidade, Sinézio Rolim, Elisa Maia e Álvaro Gonçalves têm consciência da existência de atitudes discriminatórias na sociedade e, cada um a seu modo, saberia encarar tais situações. O cantor Sinézio Rolim conta que nunca experimentou diretamente uma situação de discriminação racial. Mas, às vezes, presencia certas “brincadeiras”. “Quando vai começar ou quando termina um show, por exemplo, tem colegas que dizem: ‘Carrega você aquela caixa de som’. De vez em quando acontece esse tipo de brincadeira. Ainda existem vestígios dessa cultura no Brasil diante de quem é negro”, observa. Apesar do tom ser de brincadeira, para o artista, existe sim uma conotação racista nesse tipo de atitude. “Mas não é algo que afeta”, diz. Ao contrário do que acontece no meio artístico, que frequenta como cantor há 3 anos, Sinézio diz que no ambiente social já passou por uma discriminação mais aberta. “Quando passei no vestibular para a universidade federal, na rua onde eu morava começaram a fazer críticas do tipo: ‘Como pode o filho do fulano ter passado no vestibular’?”, recorda o cantor, que é filho de mãe negra e pai branco. “Essa situação me abalou muito”. Sinézio acredita que sua postura de não se deixar abalar por atitudes que podem ter um conteúdo racista vem da sua vivência em família. “Minha criação sempre foi de superação, de não se ater a coisas pequenas. Em casa aprendemos a levantar a cabeça, a não deixar ninguém nos humilhar e a trabalhar sempre com dignidade”, afirma. Conhecido por shows como “Sinézio Rolim cantando a elegância do Rei do Brega Reginaldo Rossi”, o manauense revela que, no próximo ano, planeja lançar o projeto musical “Trio Preto”, um show com repertório formado exclusivamente por músicas interpretadas e compostas por artistas negros. Essa iniciativa será colocada em prática por meio de uma parceria com o cantor e compositor Antônio Bahia e a cantora Luciana Gorgonha. Identidade negra A cantora e produtora cultural Elisa Maia conta que tem vivido um momento de reflexão no que diz respeito à busca pela identidade negra. Filha de mãe branca e pai negro, ela conta que nasceu numa família de baixa renda que nunca abriu mão de investir na educação dos filhos. “Passei a infância e a adolescência estudando em escolas particulares e mesmo os colégios públicos que frequentamos eram de referência. Minha irmã e eu costumávamos ser as únicas negras nesses ambientes”, lembra. A artista diz, ainda, que não era raro que ambas acabassem ocupando tarefas de liderança. Elisa diz que seu pai nunca
gostou de comentar a temática do negro como diferente na sociedade. “Ele não queria que os filhos absorvessem esse rancor”. E a cantora cresceu sem a referência da mãe como mulher negra e sem o aprofundamento desse assunto por parte do pai. Mesmo assim, ela enxerga um lado benéfico nessa atitude. “Eu cresci num ambiente protegida do preconceito”. E engana-se quem pensa que essa formação tornou Elisa alienada. “Tenho 33 anos, sou formada em arquitetura e há 15 anos trabalho com música. Isso também me colocou em uma posição privilegiada na sociedade. Mas apesar do meu perfil aceitável, tolerável, não estou imune a preconceitos. E o meu fazer artístico ainda é pouco em relação à minha responsabilidade diante da discussão do preconceito contra o povo negro”, analisa. Para Elisa, é necessário que existam mais debates Brasil afora sobre a condição do negro na sociedade brasileira. “Ser mulher no Brasil já é difícil. Ser mulher e negra neste país é estar no último lugar da pirâmide social, política, econômica e sexual”, critica. “É preciso acelerar esses debates. A mulher não é retratada na mídia corretamente. Ela só aparece num contexto de violência, pobreza, ou como no meu caso, quando é artista. Ninguém mostra uma juíza negra,
Eventos marcam data especial CONSCIÊNCIA
NEGRA
SUPERAÇÃO
Artistas negros da música e da dança locais comentam sobre suas experiências pessoais envolvendo o preconceito e a discriminação, muitas vezes sob máscaras de simples “brincadeiras”
Para lembrar a morte de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, o Dia Nacional da Consciência Negra é comemorado no dia 20 de novembro. Em Manaus, estão programados eventos para marcar a data. Um deles é a “Noite da Consciência Negra”, no Boteco Ideal (avenida Lourenço Braga, Centro). Na quinta-feira (20), a partir das 20h, o público poderá curtir apresentações do sambista Júnior Rodrigues, banda Anonimatus e da bateria da Reino Unido. Informações pelo telefone 8169-9695. De amanhã até o dia 20, o Instituto Ganga Zumba e o Coletivo Difusão, em parceria com a Prefeitura de Manaus, vão realizar o evento “Personalidades Negras”, para valorizar os destaques nos movimentos artístico-culturais no Amazonas. Amanhã, na escola estadual Arthur Soares Amorim (rua 192, 14, quadra 350, Cidade Nova), às 19h, será realizada a “Oficina de Turbantes”. Na terça (18), haverá o “Projetaço – Projeção multimídia nas ruas de Manaus”, nas avenidas Djalma Batista e Constantino Nery e UEA (Darcy Vargas), às 19h. O bate-papo “Consciência Para Quem?” será transmitido on-line no canal Pós-TV, às 19h de quarta (19). E na quinta (20), a quadra da Escola de Samba A Grande Família (rua Careiro, São José 1) receberá, às 18h, shows, exposições e dança.
Embora não tenha episódio como vítima de preconceito, o professor de balé Álvaro Gonçalves diz saber como lidar com isso
por exemplo”. Igualdade O bailarino e coreógrafo baiano Álvaro Gonçalves comenta que nunca foi vítima de preconceito por ser negro. “Eu já dançava na Bahia e participei inclusive de eventos internacionais em outros países e nunca fui tratado de maneira diferente por ninguém”, afirma. Entretanto, o artista conta que conhece casos de amigos que passaram por situações que eles acreditam ter sido de discriminação racial. “Eles entraram certa vez em uma loja, mas os vendedores não deram a mínima”, diz. Álvaro afirma que não sabe explicar por que nunca foi alvo de situações de preconceito racial. “Mas eu reconheço que vivemos num mundo preconceituoso e é preciso saber lidar com isso”, enfatiza. “Nunca passei por esse tipo de situação, mas se um dia vier a enfrentar, eu vou questionar por que a pessoa agiu dessa maneira”. Diretor e professor do Ballet Álvaro Gonçalves, ele diz que ninguém é obrigado a gostar de ninguém. “Mas todos têm que saber respeitar”, finaliza.
Sinézio reconhece que há racismo disfarçado de brincadeiras
Elisa reforça que educação contribui para reduzir intolerância
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Caderno D
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Amazonas Film Festival sob análise
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>> Em exercício
Parque 10 Mall, o novo centro de compras que vai movimentar a cidade
Parque 10 Mall, o novo centro de compras que vai movimentar a cidade . Manaus ganhará novo centro de compras, que irá sacudir o mercado consumidor local. . Trata-se do Parque 10 Mall, uma inovação no setor, preenchendo uma importante lacuna na área, em uma excelente localização. O Parque 10 é um bairro nobre e o mais populoso da região, na importante avenida Tancredo Neves, via de ligação dos bairros Flores e Parque das Laranjeiras, a 800 metros da avenida das Torres, que liga o Parque 10 Mall com as regiões importantíssimas das zonas Norte e Leste. . O empreendimento é assinado pelo visionário empresário Amim Aziz, que investe na cidade, apresentando um espaço com modernidade e charme, na localização entre 27 condomínios residenciais, além de casas e o próprio comércio da região em volta. O centro de compras contará com gerador de energia
que abastece todo o centro comercial, inclusive as lojas, com 120 vagas de estacionamento, incluindo vallet park e elevador. . Será o único centro comercial com praça de alimentação contendo as operações de cafeteria Grão Espresso, 10 Pastéis, Filé do Portuga (comida portuguesa), Soho (comida Japonesa) Glacial, Waikiru (lanche regional), Ai Q Bom (confeitaria) e Beer Grill (Churrascaria). . São 42 lojas no total do espaço que já está completamente alugado, e que também conta com operações de: Stylish - moda feminina, Onix Joias, Mina (moda masculina), Lahevi – (lingerie e sex shop), ótica Oftalnorte, entre outras. . A abertura do lugar está previsto com uma grande festa. O empreendimento realmente irá agitar a cidade. Vale conferir!
. O deputado Josué Neto estará como governador em exercício na próxima segunda-feira. . Neto é um dos jovens políticos em ascensão no Amazonas e vem de família tradicional no segmento. Seu avô, Josué Cláudio de Souza, e seu pai, Josué Filho, já assumiram o governo estadual quando presidentes do Legislativo e Neto será o terceiro a ocupar o mesmo cargo. . O querido Josué Neto ficará três dias como governador, enquanto o governador José Melo cumpre agenda oficial em Brasília.
O presidente da Federação das Industrias do Estado do Amazonas, Antônio Silva, e sua brilhante oratória durante o ‘Qualishow 2014’, com seleta plateia, incluindo os homenageados do evento, no Diamond
Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br
>> Noite árabe celebrará o fim de ano . Esta coluna já marcou a tradicional festa de fim de ano, que anualmente celebra a temporada de festas do mês de dezembro e comemora o tempo de existência desse espaço de colunismo. . Será uma “Noite Árabe” no Diamond Convention Center, no dia 4 de dezembro, com boa parte do society de Manaus presente. . Festão para ver e ser visto com sorteio de uma passagem para o Marrocos. Info-line98118-9717 e 99985-1422. Não dá para perder.
>> Fieam faz a ‘festa da qualidade’ . A Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) promoveu na quinta-feira, no Diamond Convention Center, a 21ª edição do Qualishow, com a entrega de troféus para as organizações vencedoras do Prêmio Qualidade Amazonas (PQA). . A festa, para mais de mil convidados, teve como mestre de cerimônia o ex-jogador da seleção brasileira de vôlei, Giba. . Com decoração inspirada no tema “O Brasil tem Norte”, o Diamond se vestiu de verde para receber as 33 organizações militares, industriais, comércio/serviços, governamentais e sem fins lucrativos, detentoras dos troféus diamante, ouro, prata e bronze. Durante o evento, os cantores Márcia Siqueira, Fátima Silva e Wilson Nobre apresentaram uma diversidade de ritmos, representando a cultura nortista. “O PQA é uma oportunidade para que a sociedade tenha uma visão do que há de mais moderno na utilização de métodos e ferramentas para alcançar a excelência da qualidade em gestão e nos processos das organizações do Amazonas”, disse o presidente da Fieam, Antonio Silva, ressaltando a importância do programa para o crescimento produtivo e social da região no que diz respeito à sensibilização da cultura de melhoria contínua da qualidade.
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Jorge e MATEUS
‘COLOCAMOS NAS letras aquilo que o CORAÇÃO SENTE’
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onsiderados fenômenos do sertanejo universitário, eles chamam a atenção pela simplicidade e romantismo aplicados em suas canções. Os goianos Jorge e Mateus estarão em Manaus no dia 22 de novembro, no “Último Sertanejo do Ano”, no sambódromo. A noite contará ainda com um show da dupla Bruno e Marrone e a realização é da Fábrica de Eventos. Ao longo de nove anos de carreira, Jorge e Mateus acumulam sucessos que estão na boca do povo, e não é para menos. A dupla aposta no lado romântico, mas também não deixa de lado as levadas do sertanejo universitário, como, “Seu Olhar”, “De Tanto Te Querer”, “Voa Beija Flor”, “Querendo Te Amar”, “Amo Noite E Dia”, “Flor” e “Pode Chorar”. Em entrevista, a dupla fala sobre momentos marcantes da carreira, entre os quais a gravação do CD e DVD “Live in London”, no teatro Royal Albert Hall em Londres, e ainda da relação com os fãs, composições e, é claro, as novidades que serão conferidas pelos manauenses no dia 22 de novembro. EM TEMPO - Como analisam
a aceitação do público pela música de vocês? Jorge & Mateus - São mais de 9 anos na estrada e trabalhando intensamente durante todo esse tempo. Talvez a receita para tudo o que temos conquistado até hoje se resuma a essa dedicação que temos. Nos preocupamos bastante com a qualidade de cada detalhe, desde o repertório à estrutura do show, para tentar apresentar o nosso melhor ao público. EM TEMPO - Desde o início da carreira, as músicas da dupla fazem sucesso, com letras que geralmente retratam situações reais, incluindo o amor. Em todos os álbuns existem canções assinadas por vocês? Quando se descobriram como compositores? Jorge & Mateus - Sim, temos composições em todos os álbuns de nossa discografia. Desde o primeiro, por exemplo, “Fogueira”, que é de minha autoria. Muitas de nossas músicas, como “A Hora é Agora”, “O Que Que Tem”, “Aí Já Era”, “Vestígios” e “Seu Olhar” são autorais. Descobrir-se compositor é algo bem curioso porque quando começamos a fazer música foi de uma forma bem
despretensiosa. Foi algo bem natural, espontâneo mesmo. Vem dando certo, a gente consegue colocar nas letras aquilo que nosso coração está sentindo e o público acaba se identificando com algumas situações. EM TEMPO - Que tipo de aprendizado a dupla tirou após realizar as primeiras turnês internacionais? Como foi essa experiência? Jorge & Mateus - Nossas primeiras turnês fora do Brasil aconteceram em 2009, nos Estados Unidos. Graças a Deus, desde então temos tido experiências bem positivas no exterior, com uma receptividade maravilhosa do público por onde passamos. Nosso mais recente DVD, por exemplo, foi gravado em Londres, com casa cheia. Foi um momento bem especial e um verdadeiro marco para nossa carreira. EM TEMPO - Sem dúvida, o álbum “Live in London” marcou a história da dupla. Tem como descrever a emoção que foi realizar este trabalho? Jorge & Mateus - De fato, foi um momento bem especial. Queríamos um local que fosse
impactante e conseguimos mais que isso. Realizamos um sonho. Não tem satisfação maior do que saber que somos os primeiros artistas brasileiros a se apresentar no Teatro Albert Hall, que é um verdadeiro templo da música mundial, palco por onde passam grandes nomes, como Led Zeppelin, Adele, entre outros. Foi sensacional. Ficamos muito felizes por essa oportunidade. EM TEMPO - A cada dia que passa, a dupla ganha mais seguidores nos perfis das redes sociais. Como é esse relacionamento com os fãs? Jorge & Mateus - Sempre que podemos, entramos na internet para dar uma conferida, responder alguns fãs, dar um “oi” para a galera. Temos um relacionamento muito bom com os fãs e tentamos dar uma atenção carinhosa a cada um. É claro que, como viajamos bastante, não dá para ficarmos conectados 24 horas, por isso, temos uma equipe no escritório que sempre está antenada, postando as novidades, agenda de shows, essas coisas. EM TEMPO - O que o público de Manaus pode esperar do
“Último Sertanejo do Ano”? Jorge & Mateus - Nossa, já fomos diversas vezes a Manaus e só temos mesmo a agradecer pela forma como nos recebem e pelo carinho do público. Estamos preparando um show bem animado e com novidades, por isso, queremos convidar a todos para essa grande festa. Vocês não podem perder. Trajetória Antes de decidirem pela parceria, Jorge era estudante de Direito e Mateus cursava Agronomia, no entanto, cada um trilhava uma carreira musical paralela. Em 2005, em uma boate, na cidade de Itumbiara, em Goiás, aconteceu a primeira apresentação oficial da dupla Jorge & Mateus. Após o primeiro show, mesmo sem tantos recursos, a dupla resolveu gravar um CD independente com algumas composições próprias e novas roupagens de clássicos da música sertaneja. O repertório agradou e a agenda de shows começou a ganhar força. Em 2007, os músicos gravaram o CD e DVD “Ao Vivo em Goiânia”. A repercussão do álbum foi imediata, e a dupla, além de ver o seu primeiro grande sucesso, a
canção “Pode Chorar”, estourar por todo o Brasil, ganhou Disco de Ouro. A partir daí, os goianos se tornaram uma das principais duplas sertanejas do Brasil. O último álbum, “Live in London”, gravado no ano passado,reúne os grandes sucessos dos nove anos de carreira, e traz também uma nova roupagem para a música “Amor pra Recomeçar”, do cantor e compositor Frejat.
SERVIÇO “ÚLTIMO SERTANEJO DO ANO” COM JORGE & MATEUS E BRUNO & MARRONE Quando Dia 22 de novembro Onde Sambódromo Quanto Pista - R$ 55 Óticas Veja, Minds, Sinhazinha.com, Bar Chopp Brahma, Rommanel - Shop. Ponta Negra; Àrea Vip - R$ 220 E Camarote Stage Skarloff Ice- R$ 350 - Stand Amazonas Shopping E Loja Shopping Cidade Leste
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RESENHA
Nekrost lança seu primeiro CD
Emir Fadul Radialista da Rádio EM TEMPO (www.radioemtempo.com.br)
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maior representante do metal amazonense lança seu primeiro CD. A banda Nekrost está há 10 anos com a atual formação, Glauber Rico (vocal), Leland Dantas (guitarra), Rodrigo Mosca (guitarra), Duda Ribeiro (baixo) e João Meireles (bateria), que caracteriza a sonoridade ímpar e pesada, recheada de talento e agressividade dessa rapaziada. O primeiro álbum foi gravado no espetacular estúdio Supersônico, do batera Beto Montrezol, que já gravou grandes bandas de Manaus. O álbum levou 2 anos para sair do forno e este processo variou entre composições, ajustes de letras e regravações, inclusive da faixa título do álbum, “The Dark Path”. Ainda para coroar o primeiro trabalho autoral, a banda masterizou e mixou o CD no estúdio Mr. Som, de propriedade de Heros e Pompeu, em São Paulo, mesmo estúdio escolhido pela fantástica banda Korzus. O disco conta com 9 músicas e uma introdução produzida pelo músico e arranjador André Carreira.
Compondo as participações, tiveram a presença de Thiago Fontes nos vocais da música “Escape” e também a participação do extraordinário guitarrista Case Mar (Glory Opera e Rockaholics) criando os solos da música que intitula o álbum. Completando o time das participações, o grupo contou com o talento precioso de um dos maiores bateristas do Brasil, Helmut Quacken, que gravou a bateria de todas as músicas. Este, aos que não conhecem, é baterista da banda amazonense Glory Opera, tendo participado de outros grupos nacionais, como Suprema e outros. Toda a arte gráfica do primeiro álbum ficou por conta de Abraão Lucas, que caprichou nos desenhos. As canções são todas de composição da banda, com a participação de todos os integrantes nos arranjos, nas letras e na finalização. Todas as faixas são cantadas na língua inglesa, que dá maior visibilidade no mercado internacional, diferencial este que custou à banda ser a representante do Brasil em
2012, no maior festival de metal do mundo, o Wacken. A Nekrost ganhou a seletiva brasileira e representou o país na Alemanha, onde levou o nome do Estado aos gringos. Falando da musicalidade da Nekrost, a banda apresenta uma sonoridade particular e observa-se o talento de todos os membros, bem como a atenção na composição de cada arranjo, utilizando muita agressividade e solos fantásticos casando com a voz potente e inconfundível do Glauber. Este último é realmente um fenômeno musical. Com a voz agressiva e firme, o nobre vocalista tem mostrado a cara da banda, atingindo níveis espetaculares de gritos gulturais e personalidade forte no palco para interpretar as pauleiras que a Nekrost produz. Esta fantástica banda desponta no cenário manauense e nacional, sendo uma representante da nova geração do metal nacional. O disco foi lançado dia 4
de outubro na loja temática Rocket Ride, do empresário Rogério Ruiz, onde também é um ponto de venda, bem como a Cborges do Manauara e a loja do vocalista, Rico Skate Shop, situada no bairro Santo Antônio. Para encontrar mais informações da banda, basta acessar a fan page do facebook, www. facebook.com/nekrost, além de perfil no SoundCloud e YouTube com o mesmo nome. A agenda do grupo está cheia para este final de ano, com shows na capital nas datas 22/11 Jarakillers Fest, 29/11 Ação Entre Amigos e 7/12 Black River Metal Fest, este último com a atração internacional Whiplash e a lendária MX. Fechando a agenda com “chave de ouro”, a banda finaliza o ano com três apresentações no Estado de São Paulo, 18/12 em Santo André, dia 19/12 no município de Socorro e dia 20/12 na capital paulista, na Grife Inverso. Este é o metal diretamente da Amazônia, Green Hell!!!
A banda apresenta uma sonoridade particular e observa-se o talento de todos os membros, bem como a atenção na composição de cada arranjo”
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PERFIL
“Prometheus”, o prólogo de “Alien”, será exibido pelo Cine & Vídeo Tarumã na sexta-feira
Ficção científica em cartaz Com a proposta de contribuir para a apreciação do gênero de ficção científica, por meio de filmes que questionam o papel do ser humano na vida do planeta, o Cine & Vídeo Tarumã, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), apresenta três produções do gênero para a programação da próxima semana: “O Teorema Zero”, de Terry Gilliam; “Lucy”, de Luc Besson, e “Prometheus”, de Ridley Scott. Amanhã, a semana começa com “O Teorema Zero”, último filme de Terry Gilliam, um dos fundadores do grupo Monty Phyton. Qohen Leth (Christoph Waltz), um habilidoso hacker de computador, vive em uma constante crise existencial. Ele é instruído por uma empresa fantasma chamada Management, para resolver o enigma do “Teorema Zero”, uma fórmula matemática que determinará a razão da existência dos homens e se a vida possui algum sentido. Obcecado por
essa missão, ele encontra obstáculos que interrompem seu trabalho. Participam ainda do elenco Matt Damon e Tilda Swinton. “Lucy” será exibido na quarta-feira (19). Quando a inocente jovem Lucy (Scarlett Johansson) aceita transportar drogas dentro do seu estômago, ela não conhece muito bem os riscos que corre. Por acaso, acaba absorvendo as drogas, e um efeito inesperado acontece: ela ganha poderes sobre-humanos, incluindo a telecinesia, a ausência de dor e a capacidade de adquirir conhecimento instantaneamente. Para fechar a programação, na sexta-feira (21) será apresentado “Prometheus”. Com este filme, o diretor de “Blade Runner” e “Alien” volta ao universo deste último para questionar o surgimento da vida humana. Em 2089, Elizabeth Shaw (Noomi Rapace) e Charlie Holloway (Logan Marshall-Green) são exploradores
que encontram a mesma pintura em várias cavernas na Terra. Com base nisso, eles desenvolvem uma teoria em que a pintura aponta para um lugar específico do universo, que teria alguma relação com o início da vida no planeta. A dupla convence um milionário a bancar uma expedição interestelar para investigar o assunto. Desta forma, Elizabeth e Charlie entram para a tripulação da nave Prometheus. Encantados com a descoberta de um novo mundo e a possibilidade de revelarem o segredo da origem da vida na Terra, ambos não percebem que o local é também bastante perigoso. O projeto Cine & Vídeo Tarumã é uma atividade de extensão do Departamento de Comunicação Social da Ufam. As sessões acontecem sempre às 12h30, com entrada gratuita, no Auditório Rio Negro, do Instituto de Ciências Humanas e Letras, localizado no Campus Universitário.
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Canal 1 plateia@emtempo.com.br
Bate-rebate
TV Tudo Candidato Felipe Titto, mais conhecido pela passagem em “Amor à Vida”, como o mordomo Wagner, a exemplo de muita gente nas últimas semanas, fez teste para novo repórter do “CQC”. Teste que talvez não dê em nada, porque o canal Multishow convidou o ator para apresentar um novo programa. Uma ideia que entusiasma mais. Segura aí De acordo com o estafe de Grazi Massafera, ela já está reservada para uma nova produção da Globo em 2015. Mas a ordem é segurar um pouco a divulgação desse trabalho, porque ainda não está tudo preto no branco. Seu pessoal, inclusive, lembra do episódio “Vídeo Show”, em que ela foi apontada como nova apresentadora. No fim, não deu absolutamente em nada. Mais espaço Na próxima temporada do “Superbonita”, já sob o comando de Ivete Sangalo, haverá uma mudança em relação ao trabalho do maquiador Fernando Torquatto. Ele irá interagir – e muito – com a nova apresentadora, deixando de ficar “isolado”
Mário Adolfo
Cinema Nome conhecido da publicidade, Nanda Andrade (foto), integra o elenco de “Loucas para casar”, que chega aos cinemas em dezembro. Ela vive Dália, amiga e madrinha de Malu, Ingrid Guimarães. Já em janeiro, a atriz vai aparecer em outro longa, “Boletim de Ocorrência”, ao lado de Marcos Caruso e Cléo Pires. E tem ainda a comédia “O último virgem”, com Fiorella Mattheis e Márcio Kieling, sem data de lançamento. em um quadro durante as gravações.
Canoro anunciou sua saída do programa.
Vai mexer O novo “Zorra Total” receberá alguns reforços no seu time, isso é certo, a partir da exibição do novo formato em abril Mas o seu elenco principal, com Paulo Silvino, Agildo Ribeiro e Fabiana Karla, entre outros, será mantido. Já em se tratando de baixas, há poucos dias, Katiuscia
Brecha O SBT acabou dando uma ajudinha para a chegada do reality “The Bachelor” à Rede TV!. Após a emissora romper contrato com a Warner, dona do formato, o vice Marcelo de Carvalho, fã declarado da versão americana, iniciou negociação para produzi-lo no Brasil. O lançamento está marcado para o dia 21.
• O ator Rainer Cadete, que participou de “Amor à Vida” na Globo, no fim do mês, embarca para Madri, onde fará um curso de interpretação com o coach Juan Carlos Corazza. • Corazza já treinou nomes como Javier Bardem, Giovanna Antonelli, Cauã Reymond e a Grazi, mais recentemente. • SBT começa a gravar nos próximos dias o especial de Sérgio Mallandro... • Serão duas semanas de trabalhos, invadindo os estúdios das principais estrelas do SBT... • Mallandro só não terá acesso ao estúdio do dono, Silvio Santos. • A Globo vai exibir de 21 de dezembro a 25 de janeiro, após o “Esquenta”, da Regina Casé, mais uma temporada do “Sai do Chão”... • O programa será comandado a cada semana por um artista da nossa música.
TVs resistem às curtas Existe um movimento liderado por atores da Globo, defendendo a produção de novelas mais curtas. Mas existe uma razão para todas as emissoras preferirem o padrão “a perder de vista”. Novelas de curta duração não pagam o investimento. Para não ficar no prejuízo, fazer a conta fechar, é necessário diluir os seus custos de produção em mais de 160 ou 200 capítulos.
Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery
C’est fini A Bandeirantes e a Federação Paulista de Futebol definiram as seleções que irão participar da próxima edição do Torneio Internacional de Futebol Feminino, entre 10 a 21 de dezembro, em Brasília. O evento vai contar com as participações de Brasil, Argentina, China e Estados Unidos. Então é isso. Mas amanhã tem mais. Tchau!
Márcio Braz E-mail: plateia@emtempo.com.br
O teatro amazonense
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O segmento teatral em Manaus é cercado por inúmeras contradições e simbioses ao longo de sua rica trajetória. Remonta ao período colonial de onde temos notícia dos textos dramatúrgicos de Bento Figueiredo de Tenreiro Aranha – cuja ópera “Os Pastores do Amazonas” teve sua estreia amazonense este ano em comemoração ao aniversário da capital. Já no estouro gomífero e entregue às boas cotações da péla e mais precisamente entre 1880 a 1920, Manaus possuiu um teatro de corte profissional e produziu alguns dramaturgos importantes como o paraense Benjamin Lima (1895-1948), autor de nove peças teatrais, muitas delas encenada por companhias importantes no Rio de Janeiro, então capital do país, como a Companhia Jayme Costa. Benjamin Lima, de quem exaustivamente se discutiu aqui, veio muito pequeno para Manaus e, de fato, aqui se deu o início de sua trajetória intelectual. Ainda no período áureo da borracha, temos o nome de Coriolano Durand, autor de “Vende-se” e de onde temos a notícia da encenação de uma de uma de suas peças em Paris. Além disto haviam jornais exclusivos dedicados ao teatro como “O Theatro” que exibia ainda fofocas sobre os artistas da categoria teatral. Inúmeras companhias de teatro e ópera se instalaram em Manaus de modo a atender a demanda do público que queria ser “uma filial da cultura da Europa” mas não passava de uma caricatura, como disse um dia o naturalista suíço Hans Bluntschli sobre a cidade de Manaus e seus costumes. A atriz Henriqueta Brieba teve notável participação em Manaus apresentando-se em inúmeros teatros (na época, Manaus possuía 15 teatros e mais o Teatro Amazonas) na
companhia de seus pais, também artistas, apresentando zarzuelas. Mas a história do teatro em Manaus é muita rica e requer um estudo aprofundado de modo a encontrar os meandros que a enfeixam. O teatro de revista em Manaus, um estudo mais acurado sobre o Teatro Escola, período importante de nossa trajetória sob às mãos de nomes como Gebes Medeiros e Fueth Paulo Mourão, a trajetória marcante do Tesc, Gruta e outros nomes de artistas e grupos importantes da cidade deste período, o teatro dos anos 1980-90, e as experiências e novas tendências do novo século. Essas experiências já se encontram enfeixadas na pesquisa fantástica desenvolvida pela antropóloga Selda Vale e pelo ator e diretor EdneyAzancoth, na série sobre o teatro amazonense publicado pela Editora Valer. Ainda falta o último tomo sobre o teatro nos anos 1980 e 1990. Em 1982 temos a notícia de criação da Federação de Teatro do Amazonas cujo primeiro presidente era o ator e hoje consultor cultural Stanley Whibbe. A federação conta com aproximadamente cinquenta artistas independentes (associados, que não estão inseridos em grupos teatrais) e quinze grupos cadastrados. Possui uma sede que, assim como outras associações e federações representativas de categorias artísticas e culturais de Manaus, é subsidiada pela Secretaria de Estado de Cultura e encontra-se no edifício Rio Mar localizado no Largo São Sebastião, importante ponto turístico de Manaus. Entre seus presidentes, além do já citado Stanley Whibbe, encontram-se Chico Cardoso, Jorge Bandeira, Nonato Tavares, Sérgio Lima, Sérgio Uchoa e Michel Guerrero.
CMárcio Braz ator, diretor, cientista social e membro do Conselho Municipal de Política Cultural.
A história do teatro em Manaus é muito rica e requer um estudo aprofundado de modo a encontrar os meandros que a enfeixam”
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MANAUS, DOMINGO, 16 DE NOVEMBRO DE 2014
Programação de TV
VW DIVULGAÇÃO
SBT
(Stock Car - Compacto/ Grand Prix De Futsal) 11h - Esquenta 12h30 - Temperatura Máxima Transformers 15h - Campeonato Brasileiro Flamengo X Coritiba 17h - Domingão Do Faustão 19h - Fantástico 21h20 - Domingo Maior - Uma Saída De Mestre 23h14 - Sessão De Gala - Não Me Abandone Jamais 0h52 - Corujão - Paixão De Ocasião 3h25 - Corujão - O 13º Aniversário 4h41 - Série
5h - Brasil Caminhoneiro 5h30 - Planeta Turismo 6h30 - Vrum 7h - Mundo Pet 7h45 - Chaves 8h - Sorteio Amazonas Da Sorte (Local) 9h - Domingo Legal 13h - Eliana 17h - Roda A Roda Jequiti 17h45 - Sorteio Da Telesena 18h - Programa Silvio Santos 22h - De Frente Com Gabi 23h - Nikita 0h15 - Rizzola & Isles 1h - Pessoa De Interesse 2h - Big Bang 2h30 Agora E Festa 3h15 - Jogo Da Gente 4h - Igreja Universal
REDE TV
GLOBO
O “patrão” do SBT, Silvio Santos, é a preferência popular na noite de domingo, na TV aberta
Horóscopo
5h30 - Amazônia Rural 5h58 - Pequenas Empresas, Grandes Negócios 6h32 - Globo Rural 7h28 - Auto Esporte 8h - Esporte Espetacular
Cinema
13h55 - Gol - O Grande Momento Do Futebol 14h25 - Campeonato Brasileiro - Flamengo X Coritiba 16h50 - 3º Tempo 19h - Só Risos 20h - Policia 24h 21h - Pânico Na Band 00h - Canal Livre 01h - Alex Deneriaz 01h35 - Show Business 02h25 - Ei Arnold! 03h - Igreja Universal
RECORD
4h - Tartarugas Ninja 6h - Santa Missa No Seu Lar 7h - Sabadão Do Baiano 7h30 - Power Rangers + Popeye 8h30 - Minúsculos 8h45 - Informercial – Polishop 9h45 - Verdade E Vida 10h - Irmão Caminhoneiro – Boletim 10h05 - Pé Na Estrada 10h35 - Porsche Cup 11h35 - Só Risos 12h15 - Band Esporte Clube
4h - Santo Culto Em Seu Lar 4h30 - Desenhos Bíblicos 7h30 - Record Kids - Pica Pau 8h - Amazonas Da Sorte - Local 9h - Domingo Show - Hd 13h15 - Hora Do Faro - Hd 17h30 - Domingo Espetacular - Hd 21h15 - A Fazenda - Hd 22h15 - “Predador Ártico” 23h15 - Programação Iurd
Cruzadinhas
GREGÓRIO QUEIROZ ÁRIES - 21/3 a 19/4 Trabalhe árdua e duramente em prol de sua estrutura de vida. Não poupe esforços hoje, e talvez comece a encontrar a saída para tudo aquilo que parecia ser sem saída. TOURO - 20/4 a 20/5 Marte dá o impulso certo para agir de maneira criativa e inspirada. Siga a linha de orientação que mais faz sentido para sua intuição e que lhe traga libertação. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Para lidar com as difíceis questões financeiras que se lhe apresentam, pense e atue no sentido de fortalecer seu patrimônio, de consolidar seus bens originais e arraigados. CÂNCER - 22/6 a 22/7 A conversação franca, direta e totalmente sem rodeios é o caminho certo para que as relações humanas não desmoronem. Elas precisam se transformar, não se destruir. LEÃO - 23/7 a 22/8 Utilize seus melhores recursos para sanar problemas e concluir tarefas, libertando-se, um pouco que seja, daquilo que tanta pressão coloca sobre sua vida nestes tempos. VIRGEM - 23/8 a 22/9 É a você mesmo que é pedido comandar seus sentimentos amorosos, sem se deixar arrastar por eles, e até mesmo dirigindo-os para um caminho de ascensão e crescimento. LIBRA - 23/9 a 22/10 É enfrentando as adversidades que o destino coloca em seu caminho que você estará encaminhando melhor as questões familiares e estruturais que tanto lhe angustiam. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 Trabalhe em prol de seus grandes sonhos, não apenas por estarem tão ativados, mas porque estes é que reordenarão seus pensamentos e ações. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Atue na direção de construir um futuro formoso. Você tem tudo para sair-se vitorioso. E, mais que isso, tem a chance de se libertar de condições materiais restritivas e difíceis. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 É pensando filosófica e moralmente nas relações e em si próprio que poderá encontrar o adequado equilíbrio para as fortes tensões que lhe cercam neste período de sua vida. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Lute objetivamente para se livrar do que lhe incomoda nos campos do trabalho e dos cuidados com a saúde. Não retarde nem enrole decisões que lhe tragam um bem. PEIXES - 19/2 a 20/3 Você precisa lutar para estabelecer os relacionamentos dentro dos princípios e da direção que julga serem os de crescimento para todos. Bom momento para firmar suas relações.
ESTREIAS
DIVULGAÇÃO
Debi e Lóide: EUA. 12 anos. Eles continuam os mesmos: engraçados, divertidos e ainda mais debilóides. Vinte anos após a sua última aventura, os bem-intencionados, porém não muito espertos, melhores amigos Harry Dunne (Jeff Daniels) e Lloyd Christmas (Jim Carrey) partem em busca da filha perdida de Harry, enquanto Lloyd tenta conquistar a sua mais nova paixão. No caminho, eles reencontram diversos personagens do passado e precisam aprender a lidar com responsabilidades para as quais nenhum deles está preparado. Os irmãos Bobby e Peter Farrelly assinam novamente a direção do filme, retomando a história de um de seus maiores sucessos. Cinemark 2 – 13h15, 15h45, 18h15, 20h45 (dub/diariamente), Cinemark 5 – 11h40, 14h10, 16h45, 19h20, 21h50 (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 6 – 13h45, 16h20, 18h55, 21h50 (dub/diariamente); Cinépolis Plaza 5 – 13h40, 16h10, 18h40, 21h15 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 2 – 14h05, 17h05, 20h05 (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 5 – 13h45, 19h30 (dub/diariamente), 16h30, 22h15 (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 10 – 21h40 (dub/diariamente), 19h (leg/diariamente); Kinoplex 5 – 13h30, 16h, 18h30, 21h (dub/diariamente); Playarte 3 – 14h10, 16h30, 18h50, 21h15 (dub/somente quarta-feira), Playarte 6 – 13h10, 15h30, 17h50, 20h10 (dub/exceto quarta-feira), Playarte 7 – 14h10, 16h30, 18h50, 21h15 (dub/exceto quarta-feira), Playarte 8 – 13h10, 15h30, 17h50, 20h10 (dub/somente quarta-feira). Jogos Vorazes – A Esperança (Parte 1): EUA. 14 anos. Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) encontra-se no Distrito 13 depois de ter literalmente acabado com os jogos para sempre. Sob a liderança da Presidente Coin (Julianne Moore) e seguindo os conselhos de seus amigos de confiança, Katniss abre suas asas e luta para salvar Peeta (Josh Hutcherson) e toda uma nação movida por sua coragem. Cinemark 1 – 16h20, 19h10, 22h (dub/diariamente), Cinemark 4 – 11h30, 14h20, 17h10, 20h (dub/diariamente), Cinemark 7 – 12h30, 15h20, 18h10, 21h (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 1 – 13h, 16h, 19h, 22h (dub/diariamente), Cinépolis Millennium 4 – 14h30, 17h30, 20h30, 23h20 (dub/diariamente), Cinépolis Millennium 5 – 12h30, 15h30, 18h30, 21h30 (leg/diariamente), Cinépolis Millennium 8 – 13h30, 16h30, 19h30, 22h30 (leg/diariamente); Cinépolis Plaza 1 – 12h30, 15h30, 18h30, 21h30 (dub/diariamente), Cinépolis Plaza 2 – 13h30, 16h30, 19h30, 22h30 (dub/diariamente), Cinépolis Plaza 3 – 14h30, 17h30, 20h30 (dub/diariamente); Kinoplex 2 – 13h20, 16h, 18h40, 21h20 (dub/somente quarta-feira), 23h55 (dub/somente terça-feira), Kinoplex 3 – 13h, 15h40, 18h20 (dub/diariamente), 21h (leg/somente quarta-feira), 23h55 (leg/somente terça-feira); Playarte 1 – 18h, 20h30 (leg/somente quarta-feira), 13h, 15h30 (dub/somente quarta-feira), Playarte 4 – 14h, 16h30, 19h, 21h30 (leg/somente quarta-feira), Playarte 5 – 13h40, 16h10, 18h40, 21h10 (dub/somente quarta-feira), Playarte 6 – 13h20, 15h50, 18h20, 20h50 (dub/somente quarta-feira), Playarte 7 – 18h21, 20h51 (dub/somente quarta-feira). Irmã Dulce: BRA. 10 anos. Biografia do “anjo bom da Bahia”. Foi uma das mais importantes, influentes e notórias ativistas humanitárias do século 20. Referência internacional, foi indicada ao Nobel da Paz em 1988. Em 2011 foi beatificada pelo Papa Bento 16. Cinemark 3 – 14h05, 19h (diariamente), Cinemark 8 – 12h50, 15h10, 17h30, 19h50, 22h10 (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 7 – 14h50, 17h, 19h15, 21h20 (diariamente); Cinépolis Plaza 4 – 15h, 17h15, 19h20, 21h45 (diariamente); Cinépolis Ponta Negra 2 – 16h05, 18h35, 21h05 (diariamente); Cinépolis Ponta Negra 9 – 15h, 17h15, 19h45, 22h (diariamente); Kinoplex 4 – 14h30, 16h45, 19h, 21h15 (diariamente); Playarte 3 – 13h25, 15h25, 17h25, 19h25, 21h25 (exceto quarta-feira), Playarte 10 – 18h (somente quarta-feira). Questão de Escolha: EUA-BRA. 14 anos. Paul Tyson (Ted McGinley) é um afetuoso marido, um pai dedicado e um empresário de grande renome. Ele está prestes a fechar o maior empreendimento de sua carreira quando conhece Julia (Ana Ayora). A partir desse encontro, Paul começa a ter sentimentos cada vez mais complexos e se sente cada vez mais atraído por ela, deixando de lado a renovação de seus votos de casamento. Kinoplex 1 – 13h40, 15h40 (dub/diariamente), Kinoplex 3 – 13h, 15h (dub/diariamente).
CONTINUAÇÕES Made In China: BRA. 12 anos. Cinépolis Ponta Negra 10 – 14h20, 16h45 (diariamente); Kinoplex 1 – 18h20 (diariamente). November Man – Um Espião Nunca Morre: EUA. 14 anos. Cinépolis Ponta Negra 4 – 20h45 (leg/ diariamente); Playarte 2 – 12h20, 14h40 (dub/somente quarta-feira), 13h20, 15h50, 18h20, 20h50 (dub/exceto quarta-feira), 23h15 (dub/somente sexta-feira e sábado). A Mansão Mágica: EUA. 12 anos. Cinépolis Ponta Negra 4 – 14h10, 16h15, 18h30 (3D/dub/ diariamente); Playarte 1 – 13h (3D/dub/exceto quarta-feira). Interestelar: EUA. 12 anos. Cinépolis Plaza 6 – 16h20, 22h10 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 1 – 15h05 (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 8
– 14h30, 21h50 (dub/diariamente), 18h15 (leg/diariamente); Kinoplex 1 – 17h40 (leg/diariamente), Kinoplex 3 – 17h (dub/diariamente), 20h25 (leg/diariamente); Playarte 2 – 17h, 20h20 (dub/somente quarta-feira), Playarte 10 – 13h30, 16h50, 20h10 (dub/exceto quartafeira), 23h25 (dub/somente sextafeira e sábado). Tim Maia: BRA. 16 anos. Cinépolis Ponta Negra 6 – 17h30, 20h30 (diariamente); Playarte 7 – 12h45, 15h35 (somente quartafeira); Playarte 9 – 15h25, 20h25 (exceto quarta-feira), 23h10 (somente sexta-feira e sábado). O Melhor de Mim: EUA. 14 anos. Cinépolis Millennium 7 – 19h, 21h40 (leg/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 4 – 21h50 (leg/diariamente). O Apocalipse: EUA. 12 anos. Ki-
noplex 1 – 15h50 (dub/diariamente); Playarte 4 – 13h20, 15h40, 18h, 20h20 (dub/exceto quarta-feira), 22h40 (dub/somente sexta-feira e sábado), Playarte 10 – 15h40, 20h20 (dub/diariamente).
Annabelle: EUA. 14 anos. Kinoplex 2 – 15h10, 19h20 (dub/diariamente); Playarte 1 – 15h, 19h, 21h (dub/exceto quarta-feira, sábado e domingo), 15h, 19h15, 21h15 (dub/ somente sábado e domingo).
Drácula – A História Nunca Contada: EUA. 14 anos. Cinemark 3 – 16h30, 21h30 (dub/diariamente); Cinépolis Plaza 6 – 14h, 20h (dub/ diariamente); Cinépolis Ponta Negra 1 – 19h05, 22h05 (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 7 – 15h30, 21h (dub/diariamente), 18h (leg/ diariamente); Kinoplex 1 – 13h40 (dub/diariamente), 21h (dub/somente quarta-feira), Kinoplex 2 – 17h20, 21h30 (dub/diariamente); Playarte 1 – 23h15 (leg/somente sexta-feira e sábado), Playarte 5 – 13h30, 15h30, 17h30, 19h30, 21h30 (dub/exceto quarta-feira), 23h30 (dub/somente sexta-feira e sábado), Playarte 9 – 13h30, 15h30, 17h30, 19h30, 21h30 (dub/somente quarta-feira).
O Candidato Honesto: BRA. 14 anos. Kinoplex 1 – 20h35 (diariamente); Playarte 9 – 13h15, 18h10 (exceto quarta-feira), Playarte 10 – 13h20 (somente quarta-feira). Festa No Céu: EUA. 10 anos. Cinemark 1 – 14h (dub/diariamente); Kinoplex 2 – 13h (dub/diariamente). O Doador de Memórias: EUA. 12 anos. Playarte 8 – 15h45, 20h45 (dub/exceto quarta-feira). A Bela e a Fera: FRA. 12 anos. Playarte 8 – 13h15, 18h15 (dub/ exceto quarta-feira), 23h15 (dub/somente sexta-feira e sábado).
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 16 DE NOVEMBRO DE 2014
D7
Jander Vieira jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br
Astros industriais Os anfitriões Norma e Antônio Silva
A noite do Prêmio Qualidade Amazonas 2014, num Diamond lotadíssimo, foi sucesso total. O PQA, o Oscar da Indústria, tem como principal objetivo reconhecer e dar visibilidade aos esforços do setor empresarial na busca pela cultura da excelência das organizações privadas e públicas. Parabéns ao presidente da Fieam, empresário Antônio Silva, pelo ousado e irretocável evento regionalíssimo, que teve no menu musical estrelas locais como Márcia Siqueira e Fátima Silva passando pelo impecável serviço cinco estrelas do badalado bufê. Aplausos!
Socorro e Antônio Cardoso
FOTOS: JANDER VIEIRA
Sihame e Victor Silva
Valdenice Garcia
Wilson Périco e Célia Villas-Boas
Deputado Adjuto Afonso
Carlos Miguel e sua Helena Brito
Desembargador Davi Melo e sua Ângela
Ney Barroso e sua Dacy
Marcus Vinícius de Almeida e sua Alba
Village com o Prêmio Diamante: Eleninha e Rodrigo de Sá
O diretor-executivo Robson Medeiros também foi premiadíssimo com sua Companhia de Navegação da Amazônia
Ricardo Miranda
Roseli Garcia e Ozeneide Nogueira
Diego Silva e sua Elizângela
Os premiadíssimos da noite: Bruno Sobral, Márcio Vasconcellos, Marcelo Tretin, Nilton Campbell, Anderson Teixeira, Marilene Lins, Aristarco Neto e Fabrício Maciel, diretoria e gerentes do Grupo Simões
DIEGO JANATÃ
CINEMA
Futuro de festival em definição SERGIO VICTOR Especial EM TEMPO
O secretário Robério Braga afirma que poderá ter uma definição sobre o festival nesta semana
Ainda sem datas para a realização da 11ª edição do Amazonas Film Festival (AFF), o secretário de Cultura do Estado, Robério Braga, afirma que está tentado solucionar o problema e que, nesta semana, poderá ter uma resposta. “Nosso maior inimigo é o tempo, estamos lutando contra ele. Tivemos um mês de Copa do Mundo e o outro de eleições. Isso fez com que todos os eventos ficassem
acumulados no calendário”. Braga explica que ainda é recente a realização do 6° Festival Amazonas de Dança e que, no momento, o foco é a 3ª edição do Festival Amazonas de Rock, realizado no Centro Cultural dos Povos da Amazônia neste final de semana. “Estamos tentando cumprir com todas as atividades. Nesta semana teremos uma resposta. Ainda temos que pensar também no festival de Natal ‘O Glorioso’”, diz. No ano passado, o 10º Amazonas Film Festival aconteceu entre os dias 1º e 6
de novembro, no Teatro Amazonas. Foram apresentados 49 filmes que concorreram em quatro mostras competitivas divididas em: Internacional de Longa-Metragem, Curta-Metragem Brasil, Curta-Metragem Amazonas, Curta-Metragem Amazonas - Projeto Jovem Cidadão. O evento ofereceu R$ 191 mil em prêmios distribuídos, dos quais R$ 64 mil são para as mostras e R$ 127 mil para o 8º Concurso Amazonas de Roteiro Inédito para Produção de Filme de CurtaMetragem Digital.
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Plateia
MANAUS, DOMINGO, 16 DE NOVEMBRO DE 2014
Lançamento da Selo Negro Edições retrata legados da abolição e da pós-emancipação no Brasil
D
os anos 1870, com o início do movimento abolicionista no Brasil, a 2012, quando o Superior Tribunal Federal (STF) julgou constitucionais as cotas raciais na Universidade de Brasília, inúmeros e decisivos foram os processos de abolição e emancipação no país. Apesar disso, pouco se sabe das dezenas de milhares de homens e mulheres escravos que, com seus filhos, conheceram a liberdade no século 19, ainda numa sociedade escravista. Será que a liberdade significava o simples fim da escravidão? O livro “Políticas da raça – Experiências e legados da abolição e da pósemancipação no Brasil” (416 p., R$ 83,20), lançamento da Selo Negro Edições, reúne uma coletânea de artigos de grandes pesquisadores brasileiros e estrangeiros que buscaram essa resposta, enfrentando o desafio de pensar a abolição e a pós-emancipação no Brasil. Trata-se de uma obra completa, que aborda assuntos como: a formação dos quilombos entre 1880 e 1881; a migração de libertos por São Paulo e pelo Rio de Janeiro; os negros no movimento republicano brasileiro; os ex-escravizados em Salvador; um novo
enfoque sobre o quadro “A redenção de Cã”, de Modesto Brocos; os linchamentos raciais no Oeste paulista; a luta entre imigrantes e ex-escravos pela posse da terra e de moradia; os negros que ajudaram a lutar contra a monarquia; o fortalecimento do maracatu, da capoeira e dos instrumentos africanos; as relações entre o movimento operário e os trabalhadores negros; comunismo, integralismo e a Frente Negra Brasileira; e as representações da Mãe Preta ao longo dos anos. “São 17 capítulos que versam sobre temas variados, lastreados tanto pelo uso de fontes e abordagens diversas quanto pela pluralidade de ideias e pela multiplicidade de interpretações”, afirmam os historiadores Flávio Gomes e Petrônio Domingues, organizadores do livro. Outro grande mérito, segundo eles, é responder em certa medida as questões ligadas à lei 10.639, que obriga o ensino de história e cultura afro-brasileira na rede de ensino em todo o país. Quando começam e quando terminam as histórias do pósemancipação? Se ainda precisamos conhecer muito sobre as experiências e os debates
acerca da liberdade, da cidadania, das culturas políticas, das expectativas de direitos e das perspectivas da sociedade brasileira que não necessariamente iniciaram no dia seguinte ao 13 de maio de 1888, também deveríamos (precisaríamos?) definir quando se dá o fim da pós-emancipação. Tais balizas e definições – para além de arcabouços conceituais, universos empíricos e temas transversais – ainda aguardam mais e mais pesquisas, evidências, argumentos e interpretações, na avaliação dos organizadores. Colocando a experiência histórica brasileira em tela, o livro demonstra que o legado não resolvido da emancipação é uma parte do tempo presente da nação mesmo após mais de 120 anos do fim da escravidão. “O anseio por autodeterminação, reconhecimento, políticas redistributivas, igualdade nas relações sociais, direitos humanos e acesso aos recursos da terra e aos frutos do próprio trabalho ainda continua no horizonte de milhares de brasileiros”, concluem. A obra reúne artigos de pesquisadores brasileiros e estrangeiros
Os organizadores Flávio Gomes é historiador, professor associado da Universidade Federal do Rio
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‘Políticas da raça’ CONSCIÊNCIA
NEGRA
de Janeiro, pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e cientista do Nosso Estado da Faperj. Tem publicado livros e artigos e organizado coletâneas sobre campesinato, identidades e fronteiras da escravidão e da pós-abolição no Brasil. Atualmente, desenvolve pesquisas sobre arqueologia, cartografia e cultura material no Sudeste escravista. Petrônio Domingues é doutor em história pela Universidade de São Paulo (USP), professor dos cursos de graduação e pós-graduação em história da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e bolsista com produtividade em pesquisa do CNPq. Publicou e organizou, entre outros trabalhos, o livro “Experiências da emancipação: biografias, instituições e movimentos sociais no pós-abolição” (Selo Negro, 2011), em parceria com Flávio Gomes. Atualmente, desenvolve pesquisas sobre a diáspora africana no Brasil e nas Américas, pósabolição, culturas políticas e biografias.