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FANTASMAS DO PASSADO
Imóvel que abrigou o Hotel Cassina e o Cabaré Chinelo foi incluído no Plano de Aceleração do Crescimento 2, o PAC Cidades Históricas
ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
ANO XXVII – N.º 8.652 – DOMINGO, 15 DE MARÇO DE 2015 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO
Criação de alevinos ainda caminha a passos lentos
Estado ainda não produz o que consome
Maior consumidora per capita de pescado do mundo, Manaus está longe de ser autossuficiente na piscicultura, pois importa 20 toneladas de pescado. No entanto, investimentos em qualificação e pesquisas começam a mudar essa configuração. Economia B1 e B2
EXPLOSÃO DE PROTESTOS
Com a palavra A5
DIVULGAÇÃO
José Sarney se considera ‘injustiçado’
A blogueira Martha Graeff é a estrela da campanha que traz referências da cultura étnica
O print fever continua com toda força como objeto de desejo das fashionistas. O mix das etnias maia, inca e asteca é o ponto de partida para a tendência das novas estampas. Elenco 10 e 11
Política A6 e A7
ENTREVISTA
FOTOS: DIVULGAÇÃO
PISCICULTURA
SUPLEMENTOS
RICARDO OLIVEIRA
A melhor parte da história de Manaus se esconde por trás de fachadas imponentes gastas pelo tempo. Os fantasmas de pedra não lembram nem de perto o apogeu da belle époque. À exceção de alguns prédios antigos, a maioria deixou de contribuir para o legado arquitetônico de uma cidade perdida na própria memória. A boa notícia é que novos projetos podem mudar esse cenário e trazer de volta os tempos áureos da capital da Amazônia. Política A8, Dia a dia C1 a C5 e Plateia D1
Eu acredito que contribuí para o país José Sarney
O Fundo de Garantia por Tempo de Serviço pode proporcionar benefícios, especialmente quando se trata de adquirir ou quitar um imóvel. Conheça os pré-requisitos para utilizá-lo. Salão Imobiliário 1
APÓS 12 HORAS
Jovens perdidos na mata já estão em casa
Última Hora A2
Sarney crê que seu papel na democracia foi alvo de injustiças
FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELEIÇÕES E ELENCO.
Quem vive em constante luta com a balança muitas vezes acaba se confundindo com tantas opções de dieta. O ideal é saber escolher a mais apropriada para o seu organismo. Saúde F4 e F5
TEMPO EM MANAUS
MÁX.: 30
MÍN.:
25
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Última Hora
MANAUS, DOMINGO, 15 DE MARÇO DE 2015
Pais resgatam filhos que ficaram 12 horas na mata
Os adolescentes, que moram nas proximidades, foram encontrados por volta das 6h de ontem sem nenhuma sequela ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO
A
proximadamente oito adolescentes, com idades entre 12 e 16 anos, foram resgatados pelos próprios pais, no início da manhã de ontem, depois de passarem a noite da última sexta-feira perdidos dentro da Reserva Florestal Adolpho Ducke, localizada na Zona Norte de Manaus. De acordo com informações de familiares, os jovens haviam saído para irem à escola, porém se desviaram do caminho e foram tomar banho em um igarapé na reserva, como constumavam fazer. Segundo a tia de um adolescente que integrava o grupo, Lais Rodrigues, o sobrinho comentou que se perderam durante a chuva que caiu na tarde de sextafeira em diversos pontos da cidade, inclusive na reserva Adolpho Ducke. “Depois que começou a chover, eles não conseguiram mais encontrar a saída e ficaram perdidos na floresta”, revelou. Ela disse que os familiares ficaram sabendo do desaparecimento dos jovens no início da noite de sexta, após um
adolescente, que não quis ir ao passeio porque tinha tarefas para fazer, informar que os adolescentes não haviam retornado do passeio na floresta. “Acionamos o Corpo de Bombeiros, mas informaram que só poderiam iniciar as buscas pela manhã e hoje (ontem), por volta de 6h. Como eles não haviam aparecido ainda, os pais resolveram procurar os jovens e encontraram”, afirmou. O tenente do Corpo de Bombeiros, Ferreira de Amorim, informou que a corporação ficou sabendo do fato na noite de sexta, mas por conta do horário era inviável mandar uma equipe de busca para a mata. Ainda mais, conforme ele, porque não tinham confirmado oficialmente com os familiares se as crianças haviam sumido de fato. Com a confirmação do desaparecimento dos adolescentes na reserva logo ontem pela manhã, ele destacou que uma equipe de busca e resgate do Batalhão de Incêndio Florestal e Meio Ambiente foi mobilizada para iniciar as buscas. Porém, quando chegou ao local foi informada que os jovens já haviam sido encontrados por familiares.
Oito adolescentes, entre 12 e 16 anos, ficaram perdidos na reserva Adolfo Ducke, desde a tarde da última sexta até ontem
POLÍCIA
NACIONAL
Idoso cai no ‘golpe do sequestro’
EBC
Bandidos ligaram para a vítima e solicitaram R$ 20 mil para o suposto resgate da filha dela MAIRKON CASTRO Especial EM TEMPO ONLINE
Um servidor público de 63 anos, que não quis ter o nome revelado, foi vítima do golpe do telefone em que os bandidos conseguiram levar mais de R$ 20 mil, após terem simulado o sequestro de uma das filhas, de 26 anos. Segundo os investigadores da Delegacia de Especializada de Homicídios e Sequestros (DEHS), na noite da última quinta-feira, o servidor recebeu uma ligação de um número com código de Discagem Direta à Distância (DDD) de número 21, que abrange cidades do Estado do Rio de Janeiro e, durante a ligação, os falsos sequestradores afirmaram que estavam com a filha da vítima. Eles também ameaçaram matá-la, caso ele não de-
positasse quantias exigidas pela quadrilha em uma conta fornecida pelos suspeitos. De acordo com a polícia, os falsos sequestradores conseguiram convencer o idoso a fazer vários depósitos. A extorsão só teve fim após familiares acionarem a DEHS durante toda sexta-feira, em que os investigadores, coordenados pelo delegado titular Ivo Martins, se dedicaram para elucidar o caso. Os falsários teriam pedido à vítima para que não acionasse a polícia, mas, por volta das 23h do dia do golpe, o servidor já havia transferido aproximadamente de R$ 20 mil em caixas eletrônicos de diferentes pontos de Manaus. Ele passou horas sem se comunicar com a família. Os familiares do idoso estranharam seu sumiço e resolveram acionar a po-
lícia, imaginando que ele pudesse ter sido vítima de um sequestro. Resgate A polícia localizou o idoso em um hotel próximo à rodoviária de Manaus, na tarde da última sexta-feira. O local seria onde a vítima poderia buscar a filha, segundo os bandidos, após o pagamento do resgate. Ainda segundo a polícia, o idoso foi orientado a ir até a Delegacia Geral da Polícia Civil (DG), que fica a poucos quilômetros do local onde ele estava, pois o delegado Ivo Martins já tinha conseguido contato com a filha do servidor, que estava em casa, com a família, e não havia sido sequestrada. A DEHS investiga se os bandidos já conheciam a vítima ou se aplicaram o golpe aleatoriamente.
Protestos realizados em Brasília Em Brasília, a manifestação convocada por centrais sindicais em defesa da Petrobras e da reforma política começou por volta das 17h de sexta e foi até a manhã de ontem, na Rodoviária do Plano Piloto, na área central da cidade. O ato, que integra o chamado de Dia Nacional de Luta, foi organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e outras entidades. Segundo os organizadores, cerca de 1,5 mil pessoas participaram do evento. A Polícia Militar contabilizou 800. Com bandeiras das centrais sindicais e do Partido dos Trabalhadores (PT), os manifestantes deram voltas na rodoviária com palavras de ordem a favor da presidente Dilma Rousseff, da Petrobras e contra a oposição. “Essa manifestação é em defesa da democracia, do Brasil, da Petrobras e dos direitos dos trabalhadores. Defendemos a permanência da presidente eleita e dialogaremos com ela por todos os direitos dos trabalhadores”, disse o integrante da direção nacional da CTB, Paulo Vinícius. Manifestação em defesa da Petrobras e dos direitos dos trabalhadores, na Rodoviária do Plano Piloto, no centro de Brasília (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil).
INTERIOR
Posse de novo prefeito de Santa Isabel do Rio Negro Arailton do Nascimento (PTB), o “Careca”, e o vice Evandro Aquino são os novos prefeitos do município de Santa Isabel do Rio Negro. Eles foram empossados na última sexta-feira, na Câmara de Vereadores. Depois da posse, os novos governantes foram até a prefeitura acompanhados pela população. Logo em seguida, o prefeito “Careca” discursou. “Meu compromisso é com o povo, não estou aqui para perseguir ninguém, estamos aqui para trabalhar, vou servir o povo, isso é meu papel e meu compromisso, sei que não vai ser fácil mas vamos juntos para uma no direção, dar realmente o direito do
povo”, disse. Arailton e Evandro assumiram a prefeitura depois que o ex-prefeito Mariolino Siqueira (PDT) e o vice Cornélio Dimas de Albuquerque (PRP) foram cassados pelo Pleno do TREAM por abuso de poder econômico nas eleições de 2012. De acordo com a denúncia do MP, durante a campanha, o ex-prefeito declarou gastos R$ 178.126,58, mas o extrato bancário da conta oficial da campanha constava apenas R$ 15 mil. “Evidenciando que mais de 90% dos recursos declarados como gastos não transitaram pela conta bancária específica de campanha”, cita o parecer do MPE. DIVULGAÇÃO
Arailton do Nascimento, o “Careca”, tomou posse na sexta
Opinião
MANAUS, DOMINGO, 15 DE MARÇO DE 2015
Contexto 3090-1016
tricia@emtempo.com.br
A3
Editorial
contexto@emtempo.com.br
opiniao@emtempo.com.br
O golpe do medo está na rua As manifestações de sexta-feira e deste domingo em ao menos 16 Estados estão apoiadas em três percepções de um mesmo problema, a crise a que foi levado o país, menos por ignorância do que por máfé. Em uma das vertentes, os manifestantes querem a qualquer preço o afastamento da presidente Dilma Rousseff, como se a questão fosse a Presidência. Em um segundo plano (mas não de importância), a defesa da presidente recusa qualquer responsabilidade e recua o relógio da crise, preferivelmente, até o primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso. Três: trabalhadores, suas centrais sindicais e algumas relíquias nacionalistas entendem que a Petrobras está sendo atacada por ameaças alienígenas, quando já se provou que o inimigo do nosso petróleo mora dentro de casa e tem acesso aos segredos da cozinha. As três situações revelam o quanto os brasileiros continuam receosos de encarar a realidade, quaisquer que sejam os motivos para esse recalque. Revelam mais: o quanto os partidos políticos estão longe de representarem as demandas da sociedade, nos seus mais diferentes interesses ideológicos. Já está claro (se alguma vez não esteve) que distribuição de renda não é meter a mão no bolso de uns em favor de outros. Trocar a presidente por meia dúzia (sempre se fez isso), já se começa a entender, não colocará o país nos trilhos. E agora? O governo da inclusão social mandou o povo pintar a fachada da casa e, agora, sem a menor cerimônia, dispara a solução que considera viável: segurem no pincel que vamos tirar a escada. E tirou a escada. O custo da limpeza da calçada é de quem se estatelou no chão. Neste domingo, o Brasil parece um hospício que indultou seus internos. A governabilidade que se sustenta na chantagem está ameaçada. Mas o grande o golpe ainda é o medo do golpe. Ele está na rua.
A folhinha marca 15 de março O dia de hoje é emblemático para o Brasil. Em um 15 de março de 1985, José Sarney tomava posse no Palácio do Planalto – interinamente, no lugar de Tancredo Neves – como primeiro presidente civil após o golpe de 1964, marcando assim a redemocratização do país. Trinta anos depois, o país traz o movimento “Vem pra rua” contra a corrupção na política justamente neste 15 de março. O que será da História daqui a 30 anos ninguém pode prever, mas que prevaleça a democracia e que qualquer tipo de autoritarismo ou corrupção seja extinto pelas futuras gerações. ‘Vem pra rua’ O movimento “Vem pra rua” divulgou em sua página do Facebook vídeos com os artistas se manifestando e chamando seus seguidores para participarem do ato. *** Marcio Garcia, Christine Fernandes, Malvino Salvador, Marcelo Serrado, Alessandra Maestrini e Kadu Moliterno são alguns dos que gravaram mensagens. Ronaldo Fenômeno e a cantora Wanessa também confirmaram presença. Diploma de jornalismo A Proposta de Emenda à Constituição – PEC 386/2009 – que restabelece a exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão volta à pauta de debates na Câmara dos Deputados. Proposta O presidente da casa, Eduardo Cunha, incluiu a proposta na pauta da próxima terça-feira (17). A proposta – que foi aprovada por comissão especial em julho de 2010 - precisa de 308 votos favoráveis para ser aprovada, em dois turnos. Resposta Apresentada pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS), a proposta é uma resposta à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que revogou a exigência do diploma de jornalismo como requisito para o exercício da profissão.
Burrice O STF considerou inconstitucional o decreto-lei 972/69, que exige a formação de nível superior específica para a prática do jornalismo. Segundo o Supremo, a exigência do diploma “vai contra a liberdade de expressão prevista na Constituição”. *** O que é uma burrice. A exigência do diploma de jornalista nada tem a ver com a ausência de liberdade de expressão. Pelo contrário. Somente um profissional com conhecimentos científicos, que só a faculdade oferece, saberá usar a liberdade de expressão com responsabilidade. Balela O ministro Gilmar Mendes, verdadeiro culpado pela defesa da revogação do diploma, é formado em direito. Ora, direito não é senso comum? Então, diploma para quê, caro ministro? Se assim fosse, para quê médicos se existem tantos curandeiros por aí? *** É óbvio que a formação acadêmica se faz necessária, principalmente em um país onde a educação é deixada para segundo plano. *** Não se discute aqui talento e vocação. Tais atributos todos podem ter. Mas é es-
APLAUSOS
regi@emtempo.com.br
sencial aperfeiçoá-los, e somente com o conhecimento adequado é possível desenvolvê-los dentro de universo que não depende de teorias empíricas. Protestos A manifestação contra o governo de Dilma Rousseff, marcada para ocorrer nas principais cidades do país hoje, deverá contar com a presença de muitos famosos. Solidariedade
João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br
A Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) está convocando servidores e a população em geral a participar da primeira campanha solidária do ano para ajudar as vítimas da enchente no interior. Doações Amanhã, a Escola do Legislativo começa a arrecadar doações de alimentos não perecíveis, colchões, produtos de higiene, roupas e outros objetos pessoais, para entregar à Defesa Civil do Amazonas, órgão responsável por levar as doações aos moradores das cidades atingidas. Sabatina O programa “Roda Viva”, da TV Cultura, entrevista amanhã o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Entre os assuntos da sabatina estão os desdobramentos da operação Lava Jato.
VAIAS
Secretaria de Cultura
Regi
Imprudência EBC
EBC
Para a Secretaria de Estado da Cultura, que está promovendo concertos itinerantes em pontos diferentes de Manaus, levando o talento da Amazonas Filarmônica e do Coral do Amazonas até a população com espetáculos gratuitos.
Para pedestres que preferem arriscar a própria vida a usar passarelas ou faixas sinalizadas para atravessar vias de intenso movimento. “Perder” alguns minutos para chegar ao destino desejado pode evitar tragédias.
Carta ao Arthur Meu caro Arthur: tenho absoluta certeza de que você bem sabe que, desde que voltou a Manaus, lá pelos anos 1960, e assumiu então a sua maior vocação, de político e homem público, tenho comparecido regularmente à seção eleitoral e ali votado em você, candidato a deputado, a prefeito, a senador, a governador. E não o fiz movido pela amizade que lhe dedico, por sinal mais velha do que nós, porque de família, cujas figuras de fundadores, gravadas na minha memória, concentram-se nas imagens do meu pai e do seu avô, o inesquecível desembargador Arthur Virgílio do Carmo Ribeiro, depois passando pela figura do seu pai, o senador Arthur Virgílio Filho. Como acho que o voto não pode ser guiado pela afetividade, porque envolve responsabilidade social, tenho votado em você em razão das suas credenciais pessoais e políticas. Neste preciso momento, vejo você a enfrentar uma “barra pesada” na administração da nossa cidade, quando um simples ato de gestão, no caso a implantação de vias expressas para os ônibus, começa a dividir a população entre os que entendem e aprovam e aqueles que apenas destacam os efeitos negativos, concretamente a expansão dos congestionamentos. Para opinar, direi que, se houve um erro de logística, este consistiu no fato de o carro ter ido adiante dos bois: a faixa privativa é perfeita, mas faltam os ônibus do BRS para preencher o seu chocante vazio e ao mesmo tempo esvaziar o que está cheio do outro lado da via. A respeito, já soube que há uma imposição superior a pressionar a prefeitura na efetivação de uma melhor mobilidade urbana. Não sei se ocorreu realmente essa pressão, mas sei com certeza que o seu estilo não é de deixar para depois o que deve ser feito e isso, lá atrás, já
foi demonstrado no seu primeiro mandato de prefeito. Na verdade, você tomou para governar uma cidade extremamente difícil, inclusive porque nela estão as heranças de gestões desastrosas que não souberam respeitá-la, mas apenas dela se serviram para implementar governanças populistas e eleitoreiras em proveito próprio. Nessa herança foram incluídas as invasões e proliferações de bairros sem planejamento; a entrega total da cidade a camelôs e a ambulantes; a irresponsável instituição das motocicletas como transporte público; o licenciamento de microônibus como coletivos que se situam acima e à margem das mais elementares regras do trânsito. E não para por aí. Mas vamos ver onde vai parar esse tal BRS, que ainda não justificou a que veio. E olhe que esta já é a segunda vez em que tenta entrar em cena e a primeira foi um fiasco total, quando passou de Expresso a “Estresso”, depois de infernizar o prefeito Serafim, que nem era o pai da criança. Enquanto isso, Arthur, por que você não ataca vários impasses que aí estão e que tocam a unanimidade da população? Por exemplo, a Zona Azul, que deverá dar vez, com justiça, a quantos precisem estacionar no Centro e acabará com as vagas cativas por até doze horas, libertando muitos de nós dos achaques dos “flanelinhas”. Outra sugestão, dentro do projeto de repaginar a Eduardo Ribeiro, seria a reabertura das vias que compõem a Praça do Congresso, onde hoje todo o trânsito da avenida é deslocado à esquerda, para a Monsenhor Coutinho (mais de uma vez por dia bloqueada pelos funerais que dela partem) e ainda impede qualquer acesso à rua Tapajós. Às vezes, pequenas ações se juntam para gerar grande efeito.
João Bosco Araújo Diretor executivo do Amazonas EM TEMPO
A respeito, já soube que há uma imposição superior a pressionar a prefeitura na efetivação de uma melhor mobilidade urbana. Não sei se ocorreu realmente essa pressão, mas sei com certeza que o seu estilo não é de deixar para depois o que deve ser feito e isso já foi demonstrado no seu primeiro mandato”
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Opinião
MANAUS, DOMINGO, 15 DE MARÇO DE 2015
Frase
Painel VERA MAGALHÃES
Caminho das pedras
Pelos esforços do Ministério Público, esse esquema foi exposto ao país, e será também pela nossa atuação que os verdadeiros culpados irão responder judicialmente e sofrerão as penas cabíveis (...) Tenham uma certeza: unidos no mesmo propósito, chegaremos ainda mais fundo nesse caso, sem considerar cargos, títulos ou honrarias de quem quer que seja
Embora não defenda publicamente o impeachment de Dilma Rousseff, a oposição aposta no depoimento de Alberto Youssef à CPI da Petrobras como o caminho jurídico para embasar um eventual pedido, caso as manifestações pela saída da presidente ganhem força. O doleiro disse em delação na Lava Jato que Dilma e Lula sabiam dos desvios na estatal. Para os oposicionistas, a oitiva de Youssef pode ter no petrolão o mesmo impacto que a de Duda Mendonça teve no mensalão. Alvará Tucanos estudam como contornar um ato da Mesa da Câmara, de 2006, que impede que presos sejam ouvidos em comissões da Casa, para escutar o doleiro ainda em março.
dito que as medidas de ajuste fiscal que está adotando são “consequência” e não “causa” da desaceleração provocada pela equipe econômica que o antecedeu.
Telefone... O deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA) vai apresentar um requerimento para ter acesso a todas as denúncias que chegaram à Ouvidoria da Petrobras e a quebra de sigilo telemático dos terminais do órgão.
Dinastia O empresário Fernando Sarney, vice-presidente da CBF, teceu críticas abertas a Dilma em almoço com dirigentes da entidade do futebol, como o presidente José Maria Marín, na última quarta-feira, no Rio.
... sem fio Chegaram à CPI relatos de que a ouvidoria recebeu várias denúncias de irregularidades e as repassou à presidência da estatal.
De berço Fernando disse que acompanha política “desde criança” e que nunca viu um presidente “tão perdido” quanto Dilma. Para o filho de José Sarney, a presidente está “isolada” e é assessorada por um ministério “pífio”.
A conferir Em depoimento na semana passada, o ex-presidente Sérgio Gabrielli disse que nunca foi informado sobre corrupção na empresa. Ordem dos fatores Nas conversas que teve com parlamentares e empresários nas últimas semanas, Joaquim Levy (Fazenda) demonstrou contrariedade com o papel de causador da recessão que tentam lhe imputar. Ovo e galinha O ministro tem
Reação 1 Para tentar sair das cordas no debate político, o governo enviará nesta semana ao Congresso o pacote anticorrupção, promessa de Dilma na campanha. Reação 2 São duas as principais medidas: a regulamentação da Lei Anticorrupção, para eliminar divergências de interpretação, e o projeto de lei que tipifica o crime de caixa
2 eleitoral, impondo sanções para sua prática. Pra torcida O governo também vai submeter a deputados e ao Bom Senso FC o texto final da medida provisória sobre a renegociação das dívidas dos clubes de futebol, incluindo uma contrapartida das equipes. Tiro de meta A redação foi finalizada na sexta-feira. Em janeiro, Dilma vetou texto aprovado pelo Congresso sobre o tema que não exigia compensações dos times.
Rodrigo Janot, procurador-geral da República, pediu, sexta-feira 13, união aos integrantes do Ministério Público, em reunião com procuradores-gerais de Justiça, e estranhou as críticas que tem sofrido do Congresso Nacional.
Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br DIEGO JANATÃ
Cimento Nelson Barbosa (Planejamento) convocou a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) para reunião nesta segunda-feira no Ministério das Cidades para debater a terceira fase do Minha Casa Minha Vida. Duplo... O ministro Pepe Vargas articulou café da manhã nesta quarta-feira de líderes partidários com o vice-presidente Michel Temer, no Palácio do Jaburu. ... comando A iniciativa já faz parte da nova tentativa de divisão de tarefas na coordenação política do governo.
Tiroteio
Aconteceu, como esse olho da rua não deixa mentir e a terra haverá de comer, domingo passado, 8, Dia Internacional da Mulher. Estavam para se enfrentar o Nacional Borbense e o Fast, no estádio Carlos Zamith. O jogo não começava, não pela ausência de torcedores nas arquibancadas, mas pelo atraso da ambulância, que não estava onde deveria. Quem veio de Borba chegou mais rápido
Dom Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br opiniao
A presidente da República, hoje, é refém de Eduardo Cunha e Renan Calheiros. Se os dois estalarem os dedos, Dilma não governa.
Comunidades Eclesiais de Base
DE AÉCIO NEVES (MG), presidente nacional do PSDB, sobre a relação entre o governo e o Congresso, que oscila entre ameaças e tréguas pontuais.
Marauá, Xibauazinho, Santa Rosa do Copeá, Santo Antônio do Ipapucu, São Francisco do Bauana, Forte das Graças, Igarapé da Dona Nenê, são localidades do interior do Amazonas. Elas estão localizadas junto com outras centenas ao longo dos rios Japurá, Solimões, Juruá, Jutaí, Tefé e seus afluentes. Têm em comum a fé católica de seus moradores, que os leva a viver em comunidade. Junto com outras dezenas de comunidades urbanas, formam uma porção da Igreja Católica que, presente em dez municípios, constitui a Prelazia de Tefé. A história dessas comunidades tem início nos anos setenta e sua formação deveu-se à renovação da igreja, que viu na sua formação a realização dos desejos do Concílio Vaticano II; isto é, uma Igreja Povo de Deus, uma igreja dos pobres, uma igreja que anuncia o Reino, levando as pessoas à libertação de tudo o que diminui a vida e a dignidade. Cursos, assembleias, educação à distância, formação bíblica, catequese renovada, formação humana, dinâmica de grupo, foram alguns dos elementos pedagógicos e metodológicos do que se convencionou chamar de evangelização libertadora. O sucesso foi grande. As comunidades participaram da formação das unidades de conservação, formaram lideranças políticas e religiosas, mudaram a face da Igreja e da sociedade. Não conseguiram, no entanto, neutralizar a ação de políticos que dividem para dominar, que chegam ao poder para se locupletar. O próprio Estado se apropriou do processo, no caso das reservas, e em geral, sem entender o povo, sua cultura e suas demandas, fez retroceder uma
Contraponto
Reclamando de barriga cheia No início de 2013, pouco após as eleições municipais do ano anterior, um grupo de prefeitos aliados de Geraldo Alckmin (PSDB) que acabara de tomar posse procurou o governador para uma sessão de lamentações. Os políticos reclamaram da situação em que encontraram as administrações locais e pediram mais recursos: — Está o caos. Falta remédio, os salários estão atrasados, há máquinas quebradas, ameaça de greve... – enumerou um dos prefeitos. — Se não fosse assim, talvez vocês não tivessem ganhado – respondeu o governador, sem prometer ajuda. Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”
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experiência que poderia e pode ainda ser para a humanidade um caminho de civilização que convive com a natureza. A própria religião mudou com o surgimento de propostas fundamentalistas e individualistas na linha da teologia da prosperidade e na rejeição da piedade popular. Mesmo dando a impressão de estarem na contramão da história, e de serem ingênuas num momento em que no jogo do poder vale tudo, setecentos delegados dessas comunidades se reuniram em Carauari, situada no médio Juruá para o quarto encontro das Comunidades Eclesiais de Base da Prelazia de Tefé. Vieram delegados de todos os recantos, o que em si já é um sinal da vitalidade destas comunidades, se levarmos em conta as distâncias, os custos e as atividades de cada participante que teve que deixar casa, trabalho e família por alguns dias. O mais impressionante foi a acolhida que tiveram da parte das famílias da cidade. Tudo foi partilhado e o encontro tornouse uma grande festa de confraternização e compromisso. Nestes mesmos dias, o país assistia estarrecido a denúncias e mais denúncias de corrupção, compra de votos, emissão de notas frias, e todo um festival de violência em muitas partes do mundo. A existência dessas comunidades não é um resquício do passado, mas presente que aponta para o futuro. Elas vivem mesmo que de forma precária o sonho da humanidade, que é tecido pelo desejo de paz, partilha justiça, numa palavra amor concreto e real. Para quem tem fé, elas anunciam o Reino de Deus presente entre nós.
Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo metropolitano de Manaus
O mais impressionante foi a acolhida que tiveram da parte das famílias da cidade. Tudo foi partilhado e o encontro tornou-se uma grande festa de confraternização e compromisso. Nestes mesmos dias, o país assistia estarrecido a denúncias e mais denúncias de corrupção, compra de votos”
Política
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AGÊNCIA BRASIL
MANAUS, DOMINGO, 15 DE MARÇO DE 2015
JOSÉ SARNEY
‘Acho que contribuí
GRANDEMENTE
para o êxito da
REPRODUÇÃO
REDEMOCRATIZAÇÃO’
MARIANA SCHREIBER BBC Brasil
A
JEFFERSON RUDY/AGÊNCIA SENADO
Os militares nunca me trataram como se eu fosse uma pessoa muito ligada a eles. Pelo contrário, muitos deles me chamavam de uma coisa inacreditável: comunista”
os 85 anos, três décadas depois de assumir como o primeiro presidente civil após a ditadura militar, em 15 de março de 1985, José Sarney acredita que seu papel na transição democrática foi alvo de injustiças. Criticado por alguns por sua proximidade com grupos que deram suporte à ditadura, o político maranhense vê sua abertura ao diálogo e capacidade de conciliação como atributos importantes para a concretização do processo de redemocratização do país. Apesar de ter se oposto ao golpe militar que depôs o presidente João Goulart em 1964, Sarney logo em seguida aderiu ao partido de sustentação da ditadura, a Arena, pelo qual foi eleito em 1965 governador do Maranhão. Sarney foi eleito pelo Congresso em janeiro de 1985 como vice-presidente na chapa de Tancredo Neves, político do PMDB, partido de oposição à ditadura. Mas Tancredo não pôde assumir porque foi hospitalizado no dia anterior à posse e morreu dias depois, em 21 de abril. No período que presidiu o país, Sarney convocou a Assembleia Constituinte que elaborou a Constituição Federal de 1988 - documento que determinou a ampliação de uma série de políticas sociais. Mas deixou a Presidência em 1990 com baixa popularidade em meio a denúncias e ao caos econômico causado pela hiperinflação. BBC Brasil - O senhor assumiu a Presidência em um momento de muita instabilidade, tanto pela transição de regime da ditadura para a democracia como por causa da perda de Tancredo Neves. Como foram os momentos imediatamente anteriores a sua posse? José Sarney - Para todos nós no Brasil foi de uma perplexidade absoluta. Jamais esperávamos que tivéssemos a realidade imitando a ficção naquela noite em que Tancredo era hospitalizado. Era uma frustração para o povo brasileiro, que há tanto tempo esperava a posse de um presidente civil. Eu pelo menos não sabia [de sua doença]. Fui saber no dia 14, às 17h. Nós chegávamos a um momento difícil em que nós concluíamos a transição democrática. Não sabíamos o que podia ocorrer a partir daquele instante. BBC Brasil - Qual foi o grande desafio que o senhor enfrentou naquele momento? JS - Primeiro, o da posse
mesmo. O [presidente, general João] Figueiredo, como todos sabem, recusava-se a que eu assumisse. Não me passou a faixa presidencial. E, ao mesmo tempo, o ministro do Exército dele [general Walter Pires] dizia que ia levantar os quartéis para que pudesse haver uma reação militar contra [minha posse]). Aquilo tudo se desenrolou na noite em que nós tínhamos os problemas da transição, os problemas da doença do Tancredo, e a costura constitucional - como fazer [para garantir a redemocratização] naquele instante. Mas o Brasil tem sempre tido condições de atravessar momentos de extrema dificuldade. Nós encontramos sempre, os políticos, uma solução não traumática, essa é um característica brasileira. Foi assim desde a independência, nós transformamos um príncipe português em imperador do Brasil e construímos um grande país. BBC Brasil - Tancredo Neves nem chegou a assumir a Presidência. Havia uma incerteza legal sobre se o senhor podia ou não assumir? JS - Eu me recusei a assumir porque na realidade era uma frustração para o povo brasileiro e queria assumir junto com Tancredo. Consultei os médicos e eles me disseram que dentro de cinco dias ele estaria pronto para assumir o governo. Mas Ulysses Guimarães também me disse que a Constituição assegurava que o vice devia assumir, e que eu não podia criar nenhum embaraço [para a redemocratização]. Não podíamos morrer, como se diz popularmente, na praia. BBC Brasil - No seu último discurso de despedida do Senado, ao se referir ao seu papel no processo de redemocratização, o senhor afirmou: “Só Deus é testemunha do que isso me custou e das cicatrizes que até hoje sangram”. Que cicatrizes são essas? JS - Olha, as cicatrizes… Eu acho que, como um vice-presidente da República de um partido que não era o partido vencedor, eu não tinha uma ligação com o establishment nacional, com a grande imprensa, eu não tinha participado do programa de governo, eu não tinha escolhido nenhuma das pessoa do ministério. De maneira que eu, de certo modo, quando tive que assumir o governo, eu pensava nas responsabilidade que recaíam nas minhas costas. Eu tinha uma certa experiência política e sabia que [seria um desafio] governar um país naquele instante de tantas esperanças e tantos problemas juntos. E ao
mesmo tempo me preocupava o problema militar porque nós não tínhamos vencido os militares pelas armas, e sim num processo de engenharia política que levou o Brasil à transição democrática. Não é fácil, mas eu acho que contribuí para o país, com meu jeito de dialogar, de saber que eu não sou o dono da verdade. A partir daquele instante, nós temos trinta anos que os militares se profissionalizaram, voltaram para os quartéis, deixaram de ter ingerência política. BBC Brasil - Durante o regime militar o senhor fazia parte da Arena, que era o partido de sustentação do regime. Depois o senhor liderou o processo de redemocratização. Como foi esse processo de transição pessoal? JS - Durante todo o regime militar constituímos dentro do Congresso um grupo que sempre defendia que devíamos fazer tudo para manter o Congresso aberto, porque enquanto estivesse aberto, teríamos uma instituição que era utilizada na democracia. Faziam parte desse grupo eu, Teotônio Vilela, Petrônio Portela, Daniel Krieger e muitos outros. Fizemos todo esforço possível para manter a chama da abertura democrática. Quando ocorre a escolha do senhor Paulo Maluf para candidato à Presidência da República nós verificamos que todo nosso esforço estava sendo de certo modo perdido, não achávamos que fosse o nome adequado para aquele instante. Então, [Maluf] seria uma certa continuidade [do regime militar]. Diante disso, eu renunciei à Presidência do partido. A minha convicção era de que naquele momento tinha encerrado a minha carreira política e me preparei para o pior. Então, o Tancredo e o Ulysses [Guimarães] me procuraram e tentaram me cooptar para que eu entrasse na luta e fizéssemos a transição democrática. Tancredo acreditava que eu saberia o mapa da mina, porque, sendo presidente do PDS eu conhecia os delegados e teria condições de ajudar muito nos resultados [da eleição indireta]. Acho que contribuí grandemente para o êxito [da redemocratização] e também durante o governo, com meu temperamento, com minha paciência, tolerando todas as injustiças de que fui alvo. Todos os candidatos [em 1989] a presidente da República eram contra mim. Eu pagava por ter feito a abertura política. Essas eram as cicatrizes que eu falava, das minhas amarguras, das minhas feridas, que guardava.
BBC Brasil - O senhor esteve no governo na maioria dos 60 anos da sua vida pública. Muito críticos associam o sobrenome Sarney à perpetuação do poder, à oligarquia. Como o senhor recebe essa crítica? JS - Eu confio muito na história. Eu sei que o erro que eu cometi foi justamente ter entrado na luta política. Porque na realidade a transição democrática brasileira, esses trina anos que nós estamos vivendo de democracia, nasceram ali. Eu fui o presidente que foi escolhido com todas essas dificuldades e, entretanto, consegui realizar a transição democrática, entregar para um adversário meu o governo. E quem é político de Estado pobre, do Norte/Nordeste do Brasil, sempre tem uma grande restrição. Fui muito vítima desse preconceito. Os jornais me tratavam como provinciano, caipira, quando na realidade eu tinha uma longa experiência política. Ao mesmo tempo, eu nunca estive sempre no governo, eu fui contra o Getúlio Vargas, eu fui contra o Juscelino Kubitschek. Os militares nunca me trataram como se eu fosse uma pessoa muito ligada a eles. Pelo contrário, muitos deles me chamavam de uma coisa inacreditável: comunista. BBC Brasil - Por que os militares chamavam o senhor de comunista? JS - Porque durante todo o tempo eu tive uma posição muito voltada para as ideias das reformas, eu sempre fui a favor da reforma agrária, eu sempre fui a favor de mudanças na parte econômica. Tive oportunidade de realizar o seguro-desemprego [implementado no país em 1986], e muitos outros avanços sociais que nasceram naquele [momento]. Tanto que o slogan meu era “tudo pelo social”. E no documento que eu convoquei a Constituição [a Assembleia Constituinte], eu dizia lá que convocava para criarmos no Brasil os direitos sociais, que não existiam. Nunca ninguém tinha falado isso a nível constitucional. BBC Brasil - Para concluir, qual a contribuição que o senhor ainda pode dar para a democracia brasileira? JS - Olha, minha filha, é difícil, com 85 anos de idade, a gente dizer… Eu tenho passado, eu não tenho mais futuro. Até porque Deus limitou a vida de todos nós e fez muito bem. Por isso eu falei de Deus e ao mesmo tempo das cicatrizes [no discurso de despedida do Senado]. Faz parte da vida.
Preocupavame o problema militar porque nós não tínhamos vencido os militares pelas armas, e sim num processo de engenharia política que levou o Brasil à transição democrática”
Acho que contribuí grandemente para o êxito [da redemocratização] e também durante o governo, com meu temperamento, com minha paciência, tolerando todas as injustiças de que fui alvo”
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Política
Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS
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Absolutamente inviável, impensável” VICE-PRESIDENTE MICHEL TEMER, sobre o impeachment de Dilma Rousseff
Dilma pede ajuda da igreja contra impeachment Ateia, a presidente Dilma apelou à misericórdia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em audiência no Palácio do Planalto, contra o pedido de impeachment. Em diversos momentos da reunião com o cardeal de Aparecida (SP), Raymundo Damasceno de Assis, e o arcebispo Dom Leonardo Ulrich Steiner, Dilma pediu que a igreja evite apoiar o impeachment, que causaria “instabilidade ao país”. Ato fracassado Dilma ficou preocupada, em especial, por causa ato de sindicalistas ligados ao PT “em defesa da Petrobras”. Pelos fundos No fim da reunião, Dilma pediu aos representantes da CNBB que saíssem pelas portas do fundo do Planalto, sem falar com a imprensa. Dois senhores Dilma queria apenas Deus como testemunha do seu encontro com a CNBB porque temia irritar os aliados evangélicos. Entrincheirados A ordem – inócua – para que ministros ficassem em Brasília no fim de semana é reveladora do temor que os protestos provocam no governo. Empregados da ECT vão contribuir por 50 anos O Postalis, fundo de pensão dos Correios, criou taxa de 25,98% sobre benefícios dos associados. A notícia é muito ruim, pois esse desconto será feito pelos próximos 15 anos e cinco meses, mas ainda piora no caso dos aposentados: a nova taxa de 25,98% será somada à contribuição mensal atual de 9%. Com isso, o
total da tunga imposta pelo fundo sem direito a contestação será de 34,98%. Durante longos 50 anos. Dívida como herança Funcionários da ECT que se aposentam aos 65 anos ainda acham graça: dizem que, morrendo antes dos 80, a dívida “fica para os netos”. Que azar Empregados iam pedir ajuda do ministro Berzoini (Comunicações), mas lembraram o que ele fez com os idosos quando estava na Previdência. Votou contra O senador Paulo Paim (PTRS) garante haver votado contra o veto de Dilma à redução da contribuição da empregada doméstica ao INSS. Petrolão eletrizante O presidente do Senado, Renan Calheiros, tem recomendado a criação de uma “pauta positiva”, para o Petrolão não monopolizar o noticiário. Mas o problema é encontrar assunto mais eletrizante, em Brasília. Mão dupla O Palácio do Planalto precisará retribuir ao Congresso a manutenção do veto da presidente Dilma ao reajuste de 6,5% no Imposto de Renda. Os aliados mandaram o recado: querem a cabeça de Mercadante. Fale menos, Dilma O PT lamenta que a presidente Dilma fique isolada em seu gabinete. De um deputado com influência no Palácio do Planalto: “Ou Dilma aprende a conversar com os parlamentares ou viverá em crise”. Vigarice conhecida A descoberta de que o PT
Jornalista
IMPEACHM
pagou R$ 35 a cada manifestante pró-Dilma, ontem, não é novidade em Brasília, onde há empresas especializadas. Cobram por cabeça até R$ 70 (mais um sanduíche), para entidades interessadas em promover passeatas nas avenidas da capital. Discurso do medo Temerosos com o aumento de adesões ao impeachment, aliados de Dilma espalham e-mails alarmantes sobre risco de “instabilidade”. A mensagem é obra de militantes do PT aboletados no serviço público. Sangria continua O gerente de imprensa da Petrobras, Lúcio Pimentel, até parece continuar na assessoria do ex-presidente Sérgio Gabrielli. Reapareceu na Câmara para acompanhar o depoimento do suspeito na CPI. Sede de vingança O PMDB da Câmara avisou ao Planalto que a nomeação de Henrique Alves (RN) para o Ministério do Turismo não apaziguaria os ânimos da bancada, que está “com sangue nos olhos” contra Dilma.
Ativistas pró-Dilma vão às ruas em defesa da continuidade
Por que não te calas? O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) levou um pito de outros tucanos pela seguinte pérola: “Não quero o impeachment, quero ver a Dilma sangrar”. Ele é acusado de não consultar o partido sobre o tema. Kit impeachment Camelôs faturam em Belém (PA) com a venda de uma espécie de “kit impeachment”: uma panela made in China acompanhada de uma colher. Tudo por apenas R$ 10. O grito “fora Dilma” não está incluído.
Mas, nos protestos também têm quem defenda a permanência de Dilma
PODER SEM PUDOR
Cafezinho impertinente O jornalista Aparício Torelli, o “Barão de Itararé”, terror dos poderosos, foi preso em 1935 e levado à presença do juiz Castro Nunes. - A que o senhor atribui a sua prisão, seu Aparício? - Tenho pensado muito, excelência, e só posso atribuí-lo ao cafezinho. - Como assim? - Vou explicar. Eu estava no Café Belas Artes, tomando o meu oitavo cafezinho e pensando em minha mãe, que sempre me advertiu contra o excessivo consumo de café. Nesse momento, chegaram os policiais e me deram voz de prisão. Só pode ser um castigo pelo abuso do cafezinho...
Manifestações devem acontecer em todos os Estados brasileiros pelo impeachment de Dilma
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Presidente Dilma afirma que atos pelo país fazem parte da democracia e liberdade de expressão
CARAS PINTADAS VOLTAM ÀS RUAS Uma explosão de protestos está prevista para este domingo em todos os Estados brasileiros pelo “Fora, Dilma” ISABELLA SIQUEIRA CONCEIÇÃO MELQUIAS Equipe EM TEMPO
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pós 23 anos do impeachment de Fernando Collor de Melo, os brasileiros prometem hoje (15) realizar uma grande manifestação popular para tomar as ruas do Brasil pedindo pela saída da presidente Dilma Rousseff (PT). Em Manaus, a grande ação dos caras pintadas vai acontecer às 9h30 na avenida Eduardo Ribeiro, no Centro. Segundo os organizadores, a expectativa será reunir 20 mil pessoas. De acordo com Júlio Lins, um dos líderes do manifesto, cerca de 150 pessoas participantes de outros 15 grupos de ativistas políticos e movimentos sociais se unificaram para compor o movimento “Fora, Dilma”, que vem amplamente sendo divulgado pelas redes sociais. “O objetivo é manifestar publicamente a ‘indignação’ da população contra os desmandos e medidas abusivas que o governo federal vem adotando nos últimos anos”, dizem os organizadores por meio de um manifesto que está circulando na internet. Durante o evento, será disponibilizada uma estrutura para
captação de assinaturas que serão incorporadas a outros documentos que contemplam as pautas para serem enviados à Câmara Municipal de Manaus (CMM), à Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) e ao Congresso Nacional, “forçando os representantes a tomarem uma decisão acerca desta demanda popular”, afirmam os organizadores. Ainda conforme eles, os políticos que não se manifestaram ou se manifestaram contrários à vontade popular terão seus nomes amplamente divulgados para a imprensa e, por meio das plataformas de comunicação digital, bem como serão estudadas sanções jurídicas pertinentes e dispostas na legislação brasileira. Entre os movimentos que aderiram ao protesto estão: “Amazonas Também Diz Não à Corrupção”, “Movimento Brasil Melhor”, “Movimento Brasil Livre”, “Movimento Conservador do Amazonas”, ”Clube Ajuricaba”, Maçonaria, “Movimento Impeachment Já”, “Unidos Por um Brasil Melhor”, Força Sindical e “Revoltados On-line”, além de centros de acadêmicos e DCEs de várias faculdades e das igrejas católica e evangélicas, segundo informou Júlio Lins.
‘Ação faz parte da democracia’ Para o ex-deputado Marcelo Ramos, que também é advogado, é importante desmistificar esse discurso de que falar em impeachment é defender um golpe. Do ponto de vista jurídico, impeachment é um instrumento da democracia, previsto na Constituição Federal. Ramos destaca que do ponto de vista político, o PT e seus aliados já foram às ruas para defender o “Fora, Collor” e depois o “Fora, FHC” e não se viu
nessa atitude uma tentativa de golpe, mas sim um instrumento da luta democrática. “Quando Collor perdeu o mandato, ele não tinha apoio dos movimentos sociais e nem do povo (social), não tinha maioria no Congresso (político) e fora acusado de um crime de responsabilidade relacionado à compra de um veículo com sobras de campanha (jurídico). A situação de Dilma, pelo menos até agora, não é tão extrema. Ainda existe forte apoio nas bases de sindicatos e entidades de classe, ligadas ao petismo e seus aliados, a maioria no Congresso ainda é confortável e ainda não surgiu nenhum crime praticado pela presidente no exercício do atual mandato”, diz.
Escândalos A pauta do protesto baseiase, segundo os líderes, no atual cenário de escândalos do país, incluindo desde o mensalão, anistia de ditaduras africanas, empréstimos secretos do BNDES para investimento em outros países sem a anuência do Congresso Nacional, petrolão e mais de uma centena de escândalos juridicamente documentados, delatados com provas robustas e amplamente divulgados pela imprensa. “Queremos que as autoridades instaurem imediatamente o processo de impeachment contra a presidente da República Federativa do Brasil, senhora Dilma Rousseff ”, diz a carta de manifesto que circula nas redes sociais. Os ativistas dizem ainda que o manifesto será pacífico, “feito em defesa da ética, moral, democracia, liberdades individuais e pela gestão eficiente do Estado”. Para tal, não será permitido o uso de máscaras ou qualquer coisa que encubra o rosto como tecidos, papéis etc., assim como bandeiras de partidos e/ou de candidatos. Materiais perfurantes, cortantes e explosivos também são terminantemente proibidos.
Serafim se posiciona contra Já o deputado Serafim Corrêa (PSB) destacou que, apesar de seu partido fazer oposição ao governo federal, posiciona-se contra o impeachment da presidente Dilma Rouseff (PT). Ele justifica que, apesar da presidente ter cometido muito mais erros do que acertos em sua gestão, foi reeleita pela democracia, que se fez no voto popular dos brasileiros. “No Partido Socialista Brasileiro entendemos que a presidente Dilma foi eleita de maneira legítima e o mandato dela deve ser respeitado. Então, não há o que fazer com relação a impeachment, essa é a nossa posição”, afirma Serafim.
Passeata percorre ruas do Centro Foi definido um trajeto de três quilômetros para o percurso da passeata. O início será na avenida Eduardo Ribeiro, passando pela rua Monsenhor Coutinho, avenida Getúlio Vargas, rua Silva Ramos e avenida Djalma Batista, esquina com a rua Pará, onde o grande ato será encerrado, por volta das 11h. Ainda de acordo com Júlio Lins, a estrutura organizacional terá gradil para isolamento de área, três trios elétricos, banheiros químicos, rádios comunicadores, tendas, equipes de coleta de assinaturas, assessoria jurídica, segurança e monitoramento, assessoria de imprensa, apoio, controle de acesso e para
informação aos participantes. O evento também deve contar com o apoio dos órgãos de policiamento oficiais e controle de trânsito, além de atendimento de urgência. Apesar de levantar a bandeira de uma ação apartidário, a mobilização está sendo organizada por membros da juventude de diversos partidos políticos. Nesta semana, o PSDB divulgou uma nota declarando que por meio de seus militantes, simpatizantes e várias de suas lideranças participará, ao lado de brasileiros de todas as regiões do país, desse movimento apartidário que surge do mais legítimo sentimento de indignação da sociedade brasileira. Para
Ato ‘fecha’ feirinha da Eduardo Por questão de segurança dos frequentadores e associados, a tradicional ferinha da Eduardo Ribeiro foi suspensa, hoje, em razão da manifestação pública. De acordo com o presidente da Associação da Feira de Artesanato e Produtos Amazônicos (Afapa), Uigson Azevedo da Silva, o prejuízo para os associados será de 100%, já que os mesmos são responsáveis pela produção do que comercializam aos domingos. “Nós estamos preocupados com a segurança de todos. Pensamos até em reduzir o horário da feira, mas não teríamos como desmontar as barracas em tempo hábil. A gente sabe que onde tem concentração de pessoas, pode ocorrer algum imprevisto. Tomamos a decisão em conjunto e vamos comunicar à prefeitura”, informou Silva. Segundo o presidente da
Câmara Dirigente dos Lojistas (CDL), Ralph Assayag, as lojas e supermercados instalados na Eduardo Ribeiro também não abrirão. “Com a crise econômica no país estamos vivendo um momento
PREJUÍZOS
O prejuízo para os associados com o fechamento da feirinha da Eduardo Ribeiro será de 100%, já que os mesmos são responsáveis pelo que produzem durante a semana crítico, com isso temos que vender muito. Esse dia em que as lojas não abrirão as portas com certeza trará prejuízos e pode resultar até em algumas demissões. Essa é a nossa maior preocupação”, disse Assayag.
o professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Ademir Ramos, o impeachment é uma possibilidade legal e legítima se o povo assim quiser, não é matéria de rua e nem se ganha no grito, é uma decisão jurídica da corte maior do país, bem como do Congresso Nacional. “No momento, as manifestações de rua querem contestar contra a corrupção, a impunidade e a recessão econômica com grave repercussão no sucateamento das políticas públicas. Para esse fim tem como bandeira de luta a reforma política democrática popular e a criminalização dos partidos políticos”, comentou.
Dilma diz que tudo é legítimo Dilma Rousseff disse que “passou a vida” protestando nas ruas e que não tem o “menor interesse” em restringir o direito à livre manifestação no país. “Já falei para vocês que sou uma pessoa mais velha e sou de uma época em que não era possível se manifestar. As pessoas que se manifestavam iam direto para a cadeia ou eram chamadas de subversivas ou de nomes piores. Eu passei minha vida manifestando nas ruas, principalmente na minha juventude. Não tenho o menor, mas o menor interesse, o menor intuito nem tampouco o menor compromisso com qualquer processo de restrição à livre manifestação neste país”, disse.
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MANAUS, DOMINGO, 15 DE MARÇO DE 2015
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Política
MANAUS, DOMINGO, 15 DE MARÇO DE 2015
‘Revitalização dos prédios históricos é uma prioridade’ Prefeito Arthur Neto se reuniu com representantes do Iphan e cobrou celeridade no processo de aprovação dos projetos ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
MOARA CABRAL Equipe EM TEMPO
O
sonho de apreciar a vista do rio Negro de uma orla revitalizada, como prometeu o prefeito Arthur Neto (PSDB), bem como andar com tranquilidade e segurança no entorno da catedral Metropolitana ou ler um livro com conforto na Biblioteca Pública Municipal ainda parece estar longe da realidade. Isso porque os dez projetos do PAC Cidades Históricas encontramse emperrados no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). No entanto, há uma esperança no fim do túnel, pois no dia 3 o prefeito esteve em Brasília e, em conversa com a presidente nacional do órgão, Jurema Machado, trouxe a notícia de que os projetos serão analisados de forma mais célere para que as obras sejam iniciadas na capital amazonense. As dez obras previstas para serem reformadas no projeto do PAC Cidades Históricas são: praça dom Pedro II, praça Terneiro Aranha, praça XV de Novembro (Matriz), praça Adalberto Vale, ruas e entorno do Mercado Municipal Adolpho Lisboa, antiga Câmara Munici-
Projetos em fase final de aprovação
FANTASMAS
A presidente Jurema Machado afirmou que Manaus entra em uma fase muito positiva em relação aos projetos, uma vez que alguns deles já estão deliberados e os demais entram na fase final para a aprovação. Ela esclareceu que o Iphan do Amazonas passou por dificuldades devido à troca constante de servidores. Entretanto, essa situação também já está sendo superada. “Estas intervenções que serão feitas terão um significado real agora, até porque vemos que o comércio ambulante está sendo sanado. Tivemos alguns percalços por conta da perda de alguns técnicos. Agora, estamos montando uma força-tarefa reunindo profissionais de outras superintendências”.
PASSADO pal, antigo edifício do Corpo de Bombeiros, antigo Hotel Cassina, Casarão da Biblioteca Municipal e o Pavilhão Universal. Segundo a Secretaria de Comunicação da prefeitura (Semcom), de todos os projetos, três já estão aprovados e terão o edital publicado no Diário Oficial do Município (DOM) nos próximos dias: praças da Matriz, Relógio, Tenreiro Aranha e Adalberto Vale. No entanto, o edital do entorno do Mercado Adolpho Lisboa deve ser publicado em 60 dias. Já o prédio do Corpo de Bombeiros, do Pavilhão Universal e a praça don Pedro II estão aguardando aval do Iphan. O projeto do Hotel Cassina aguarda o documento de posse ser emitido pelo Estado. Os projetos da Biblioteca Municipal e Câmara Municipal aguardam revisão final e aprovação do Iphan.
Prefeitura pede celeridade do Iphan para a revitalização dos prédios históricos do centro da capital
Caderno B
MANAUS,, DOMINGO, 15 DE MARÇO DE 2015
economia@emtempo.com.br
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Economia
LG manterá produção no Amazonas
(92) 3090-1045
Economia B B3
O processo de produção de pós-larvas no CTTPA/Balbina da Seprors começa pela seleção de reprodutores e segue com a desova e a fertilização em água tratada até a geração dos alevinos
Pesquisa e criação para desenvolver piscicultura EMERSON QUARESMA Equipe EM TEMPO
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onsiderada a maior consumidora per capita de pescado do mundo, com 33 quilos ao ano, a cidade de Manaus importa hoje mais de 20 toneladas de pescado oriundas do excedente da piscicultura de Estados como Roraima e Rondônia. Conforme dados da Secretaria de Estado da Produção Rural (Seprors), de cada cem piscicultores amazonenses, 99 são produtores familiares. Para reduzir essa média de 99,1% de produtores de baixa escala e tornar-se exportador de pescado para Estados vizinhos e países fronteiriços como a Venezuela e a Colômbia, por exemplo, o Amazonas intensifica trabalhos práticos e pesquisas na antiga Estação de Piscicultura de Balbina, hoje Centro de Tecnologia, Treinamento e Produção (CTTPA), localizada no município de Presidente Figueiredo (a 107 quilômetros de Manaus). Criado há mais de 20 anos como forma de compensação à construção da hidrelétrica de Balbina, o CTTPA intentisificou nos úlmos anos o programa de produção
de pós-larva e alevinos de espécies como, por exemplo, tambaqui, matrinxã e pirapitinga. Responsável pela coordenação do centro, a Secretaria Executiva de Pesca e Aquicultura (Sepa) - ligada à Seprors - estima para este ano um crescimento de 22,22% na produção de pós-larvas de tambaqui. De acordo com o titular da Sepa/Seprors, Geraldo Bernardino, o Estado alcançou
A demanda em Manaus é muito grande. Atualmente, a capital amazonense é abastecida pelos produtores de Roraima e Rondônia José Mário Baracho, engenheiro de pesca
no ano passado o posto de maior produtor de pós-larvas do país, quando atingiu o índice de 18 milhões. No decorrer de 2015, a meta é chegar a 22 milhões de pós-larvas, os quais, segundo cálculos de Bernardino, devem resultar em aproximadamente 11 milhões de alevinos e, em dois anos, cerca de seis mil de toneladas de tambaqui. O pescado produzido pelos piscicultores em diferentes sistemas
de produção como açudes, barragens e tanques deve gerar rendimento estimado em R$ 30 milhões, no ano, para mais de dois mil piscicultores. “Somente entre janeiro e fevereiro alcançamos a produção de quatro milhões de póslarvas”, afirma. Para alcançar esses números, segundo o gerente do CTTPA, engenheiro de pesca José Mário Baracho de França, as pós-larvas e alevinos são distribuídos hoje para 17 Unidades de Produção de Alevinos (UPAs) instaladas em municípios como Coari, Maués, Humaitá, Careiro Castanho e Parintins. Atende também outras 18 UPAs criadas em parceria com prefeituras e associações de produtores e beneficia pelo menos 3,3 mil famílias de piscicultores. “A demanda em Manaus é muito grande. Atualmente, a capital amazonense é abastecida pelos produtores de Roraima e Rondônia, que são de dois Estados de população menor que a do Amazonas. O excedente eles exportam para a capital brasileira que tem o maior consumo per capita do mundo por ano. No interior do Estado, o consumo per capita é maior ainda. São mais de cem quilos por ano”, afirma Baracho.
FOTOS: RICARDO OLIVEIRA
Manaus é a maior consumidora per capita de peixe do mundo, mas o Amazonas não é autossuficiente, apesar dos rios
Sepa estima crescimento de 22% da produção de pós-larvas de tambaqui para este ano no AM
Conhecimento para o produtor Para qualificar o setor produtivo, o titular da Sepa, Geraldo Bernardino, afirma que a criação do centro aproximou o Estado de instituições como a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Instituto Federal do Amazonas (Ifam), Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam), Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Segundo ele, acadêmicos de engenharia de pesca e pós-graduandos em aquicultura e recursos pes-
Engenheiros de pesca e aquicultores selecionam tambaquis reprodutores no CTTPA
queiros recebem cursos de formação no CTTAP, enquanto pesquisadores colaboram nas pesquisas de sanidade da água para produção de tambaqui e melhoramento genético da espécie de cativeiro, mantidas por meio de convênio com o Fundo de Financiamento de Estudos de Projetos e Programas (Finep). “Ou nós formamos o nosso pessoal, ou nós vamos ficar para trás. O conhecimento tem que chegar ao produtor para gerar sua renda”, comenta. O chefe do departamento de pesca e aquicultura da Se-
prors, Ivo Rocha Calado, explica que a antiga estação transformada em Centro de Tecnologia, Treinamento e Produção já capacitou 169 produtores, por meio do curso de boas práticas de manejo. O objetivo é estimular o setor produtivo a adotar Boas Práticas de Manejo (BPMs) com vistas a praticar uma aquicultura sustentável e competitiva. Leia mais na página B2
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Economia
MANAUS, DOMINGO, 15 DE MARÇO DE 2015
Gargalos são entraves para a autossuficiência EMERSON QUARESMA Equipe EM TEMPO
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ara alcançar a autossuficiência de pescado em Manaus, não basta apenas produzir póslarvas e alevinos. Duas outras fronteiras precisam ser alcançadas pelo Estado. A primeira é a própria organização da produção, que caminha a passos tímidos rumo ao patamar de agroindústria. A outra é garantir o despertar para a produção de ração. A dificuldade quanto à ração está na estocagem, segundo explica o titular da Seprors, Valdenor Cardoso. Trata-se de um produto que não pode passar muito tempo sem ser consumido, caso contrário perde a validade. Mas, o principal problema se dá na produção das indústrias do segmento instaladas no Estado, que enfrentam a falta de produção de ingredientes como o milho e soja no Amazonas. “Sem esses ingredientes a produção de ração no Estado encarece de 70% a 80%”, diz. Valdenor avalia que, para a aquicultura no Estado se tornar mais competitiva, ela precisa de desoneração fiscal da cadeia. De acordo com ele, o Amazonas
importa aproximadamente 20 toneladas de ração, por mês, dos Estados de Rondônia e Roraima, onde a saca de ração custa entre R$ 28 e R$ 29, enquanto no Amazonas a mesma saca é vendida por até R$ 39. “Um valor que se dá com o esforço do governo amazonense em prol de uma subvenção sobre os custos da
CONFAZ
A agroindústria no Amazonas é isenta do ICMS. Para que o preço da ração chegue próximo do zero, segundo Valdenor, a desoneração depende do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) produção, que conseguiu baixar o preço da saca de R$ 42 para R$ 33”, observa. Atualmente há no Amazonas três fábricas de ração para pescados. O titular da Sepa, Geraldo Bernardino, afirma que elas são responsáveis por 40% do consumo local do setor. Segundo ele, há outras oito marcas em processo de instalação no Estado. “Há outras empresas que
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Além da organização da produção, o setor precisa de desoneração da cadeia produtiva para tornar o Estado competitivo querem vir para cá (Amazonas) por conta do nosso potencial produtivo e também por conta do grande mercado consumidor de peixe”, avalia. Organização A Região Metropolitana de Manaus (RMM), composta por oito municípios, apresenta potencial para produção de piscicultura, na avaliação de Valdenor. No entanto, falta o ajuste do sistema produtivo, que, segundo ele, se faz com a organização da produção a partir da terra com regularização fundiária, licenciamento ambiental e a mecanização, com o crédito rural, a capacitação da mão de obra e a assistência técnica, e ainda com o fomente à produção. Como meta para os próximos quatro anos, o governador José Melo afirmou que trabalhará pelo fortalecimento do setor primário, a partir da fruticultura e da piscicultura. De acordo com o titular da Seprors, um dos principais projetos é a construção de três mil tanques, por ano, para os produtores do segmento. “Mas precisamos de mais formação e capacitação para que alcancemos nível de agroindústria para processar o pescado. Nesse rumo temos parceria com o Sebrae-AM”, conta.
Indústrias de ração do Amazonas sofrem com a falta de ingredientes como o milho e a soja
Economia
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LG segue produção no PIM Durante o LG Digital Experience, em São Paulo, multinacional afirmou que manterá empregos na sua fábrica instalada em Manaus, e em meio ao cenário pessimista do setor, anunciou a intenção de fabricar novos produtos, como compressores SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO
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m meio ao cenário pessimista da indústria amazonense, que iniciou o ano com queda de 12,4%, em janeiro de 2015, frente a igual mês do ano anterior, a LG Electronics
no Brasil anunciou a mantenção dos funcionários e a intenção de fabricar compressores no Polo Industrial de Manaus (PIM). A informação foi divulgada ao EM TEMPO pelo gerente de relações institucionais da companhia, Mauro Apor. Ele explica que não há previsão para iniciar a fabricação,
LG manterá no PIM investimentos no setor de ar-condicionados
Lançamentos ousados A LG Electronics no Brasil promoveu, no último dia 12, a 11ª edição do “LG Digital Experience”. O evento, que foi realizado no pavilhão da Bienal no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, apresentou ao público as novidades tecnológicas que chegarão aos consumidores durante este ano. O principal lançamento foram os televisores OLED 4K, que combinam a resolução Ultra HD (quatro vezes uma Full HD) e a altíssima qualidade de imagem do painel de OLED. As TVs são extremamente finas e curvas, e podem ser encontradas nas versões de 77 polegadas, 65 e 55, a partir de abril. O outro destaque foi para o segmento de celulares, com a apresentação do G Flex2, um smartphone com tela e bateria curvas. O primeiro do mercado a contar com o processador Qual-
comm® Snapdragon™ 810 Octa-Cora (oito núcleos) e tecnologia 64-bit, responsáveis por um desempenho mais rápido e regular. O aparelho tem previsão de chegar ao mercado ainda este mês, no valor sugerido de R$ 2.899. Na linha de áudio e vídeo, o destaque foi o mini system X-Boom Pro, com novos comandos, e o Hi-Fi Áudio, família de alto-falantes sem fio para casa, com lançamentos previstos para o segundo semestre. No segmento de informática, o monitor Ultrawide curvo de 34 polegadas, o primeiro desse modelo do mundo. Ele ainda não tem data de lançamento. E do portfólio de linha branca, a LG trouxe a TitanPair, maior combo de lavadora e secadora do mercado e uma parceria exclusiva com a ONG WWF.
Entre os lançamentos da LG está o smartphone G Flex2
uma vez que depende da aprovação do Processo Produtivo Básico (PPB) e outros assuntos correlatos. Conforme Apor, somente quando estas questões forem resolvidas poderão confirmar se realmente a produção de compressores ocorrerá em Manaus. “Por enquanto, é só uma intenção”, frisa.
Quanto à criação de novas vagas de emprego na região, Apor diz que toda a produção concentrada em Manaus, especialmente, sofre com a sazonalidade do mercado. Nesse rumo, não há previsão de novos postos, apenas a manutenção dos vigentes. “O que já é uma sinalização positiva,
levando em consideração a situação econômica que paira sobre o país”, salienta. A LG aponta planos de manter os investimentos no segmento de ar-condicionado, segundo afirma o diretor geral da linha branca e de ar-condicionado da companhia, Lúcio Bacha. “Não são planos ambiciosos,
em virtude dos investimentos feitos em 2013 na ampliação da fábrica do PIM, que dobrou nossa capacidade de produção. Mas, esse mercado está em amadurecimento e tem uma vasta oportunidade de trabalho. Nós da LG acreditamos muito no desenvolvimento desse setor”, afirma.
Economia
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FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
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Situado no bairro Cidade Nova, Sumaúma é opção de compras na Zona Norte
Quase 100% de vendas no shopping Sumaúma
Em apenas cinco meses com as portas abertas, empreendimento comercializou praticamente todas as lojas disponíveis
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m três meses de funcionamento, o Sumaúma Park Shopping, na Zona Norte de Manaus, alcançou números que refletem a perspectiva de crescimento do setor de varejo e a fase de consolidação do centro de compras localizado na Cidade Nova. De um universo de 172 operações, apenas cinco estão disponíveis para comercialização, o que representa uma média de 97% das lojas em operação e algumas com visão de abertura no primeiro semestre deste ano. Apesar da situação econômica do país neste ano marcado por expectativa de recessão, o shopping tem gerado frutos positivos e suavizado o efeito da desaceleração econômica. “Em um momento conturbado do ponto de vista político, de aumento de impostos e do combustível ao longo deste primeiro trimestre, o shopping se posiciona em um patamar favorável no cenário brasileiro”, enfatiza o diretor do Sumaúma Park Shopping, Ilton Nóbrega. Embora a fragilização no mercado brasileiro, a visão para mercado é positiva para o diretor. “Até julho deste ano, 40 grandes lojas serão inauguradas, completando, principalmente, o mix de entretenimento do Sumaúma, representado por oito salas de cinema da rede UCI, boliche e parque indoor”. Favorável O diretor de relações institucionais da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), Luís Augusto Ildefonso, reafirma a posição favorável do centro de compras no mercado brasileiro. “Levandose em conta que a economia
anda na contramão e os poucos meses de inauguração do shopping, disponibilizar apenas cinco lojas para comercialização, de fato, é uma posição diferenciada”, avalia. Entre os fatores que justificam o sucesso em curto prazo do empreendimento, Ildefonso aponta a maturação do grupo DB, rede de hipermercados responsável pelo Sumaúma. “Amparado por estudos e informações, o grupo construiu um empreendimento e levou ao encontro da comunidade que não tinha qualquer opção naquela área”, explica o diretor da associação, ao citar como exemplo alguns shoppings
SUCESSO
Inaugurado em novembro de 2014, Sumaúma Park Shopping comercializou, neste curto período, quase 97% das lojas de um total de 172 operações, de acordo com assessoria do empreendimento que inauguraram há três meses e, no entanto, apresentam o índice de vacância pouco satisfatório. “Os shoppings Roraima Garden e Pátio Roraima foram inaugurados na mesma época, mas são dois grupos fortes que construíram dois shoppings de qualidade, porém, a demanda não acompanhou e acabou dividindo os lojistas e o público”, explica Ildefonso. Expansão No ano passado, conforme pesquisa do Ibope Inteligência, 50 shoppings foram inaugurados em todo o Brasil, sendo que
desses, 21 tiveram uma média de ocupação de 38% em três meses de funcionamento. No Sumaúma, neste mesmo período, a média é de 97% da área bruta locável negociada. Além do fundo de comércio estabelecido, conquistado pelo grupo DB no local há 23 anos, Ilton Nóbrega, aponta como outro fator favorável ao sucesso a localização do shopping na avenida Noel Nutles, principal corredor viário do bairro. Ainda segundo Nóbrega, outro ponto positivo é a possibilidade de ampliação do espaço ocupado pelo lojista. “É mais vantajoso para o investidor ampliar seus negócios em um local que ele já conhece e sustente o hábito do consumidor. É diferente de ocupar uma área ‘greenfield’ (campo verde), onde é preciso começar do zero”. Diante desse cenário, o Sumaúma desenvolve estratégias de potencialização à altura do ritmo de crescimento do varejo naquela região. O projeto de expansão está entre as metas do shopping. Tendo como base as informações da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), a indústria de shopping centers está em plena expansão no país. Neste ano, aproximadamente 93 shoppings passam por expansões, visando mais conveniência, comodidade e segurança aos frequentadores. “Quando planejamos a construção de um shopping, pensamos em 50 anos na frente e no potencial máximo do terreno. Após isso, vem a fase de execução de cada etapa e o Sumaúma está caminhando para este processo de ampliação gradativamente”, finaliza.
Sumaúma Park Shopping tem atraído bom público desde a sua inauguração no ano passado
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País
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Somente três propostas de CPMI saíram do papel
Comissão que investigou violência contra a mulher apresentou 14 projetos. Nove ainda estão na Câmara e 2 no Senado AGÊNCIA SENADO
Comissão Parlamentar Mista de Inquérito de Violência contra a Mulher funcionou no Congresso até 2013 e aprovou três projetos
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rasília - Mais de um ano e meio depois do fim da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou a violência contra as mulheres no país, das 14 mudanças legislativas propostas pelo colegiado, apenas três saíram do papel: uma que oficializa o Disque 180 como o telefone nacional para receber denúncias desse tipo de agressões; uma que cria uma comissão permanente no Congresso Nacional para monitorar o problema; e outra que agrava a pena contra assassinos de mulheres, quando o crime envolve violência doméstica, menosprezo ou discriminação contra a vítima, o chamado feminicídio.
Dos outros 11 projetos de lei defendidos pela CPMI, nove ainda esperam votação na Câmara e dois no Senado. Entre eles, estão três propostas (PLs 6011/13, 6012/13 e 6296/13) que pretendem dar garantias de sobrevivência à vítima que depende financeiramente do agressor. A ideia é que a dependência econômica deixe de ser um obstáculo na hora de denunciar a violência. Outro projeto ainda pendente de votação (PL 6294/13) fixa um limite de 24 horas para que o juiz e o Ministério Público comecem a analisar cada caso de mulher que procura abrigo por ter sido agredida. Hoje, em episódios classificados como urgentes, a polícia tem dois dias para notificar a
Justiça, mas não existe prazo para que sejam colocadas em prática medidas de proteção à vítima, o que muitas vezes dá espaço para que a violência se agrave, podendo até acabar em morte. O quadro atual já comprova a necessidade de agilizar esse processo, defende a coordenadora da bancada feminina da Câmara, deputada Jô Moraes (PCdoB-MG): “Quando a queixa chega à delegacia, até o juiz estabelecer medida protetiva que possa levar à prisão do agressor, muitas vezes o criminoso já está na casa da mulher outra vez”. O juiz Ben-Hur Viza concorda com a proposta de dar um prazo máximo de 24 horas para que as autoridades MARCOS OLIVEIRA/AGÊNCIA SENADO
responsáveis analisem casos de violência contra a mulher. “Não é uma simples comunicação. É uma comunicação para que seja examinada a possibilidade do decreto de prisão preventiva. Se for necessário, o agressor vai ser privado de liberdade, e a mulher voltará ao convívio social”, explica o magistrado. Apesar de achar a iniciativa positiva, Leila Rebouças, do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea), acredita que não basta apenas fazer uma nova lei: “O que vai depender mesmo é da vontade desses juízes em efetivar essa legislação. Se limita o prazo [para análise dos casos], a mulher corre menos riscos de ser revitimizada”.
SENADO
Reforma política entra na pauta
O secretário-geral da mesa, Luiz Fernando, também avalia que Orçamento entre na pauta
Brasília - Na próxima semana, o plenário do Senado deve continuar imerso nos projetos de reforma política. A orientação do presidente da casa, senador Renan Calheiros (PMDBAL), é que cada projeto pronto para votação seja colocado na pauta para discussão até que a reforma política vá, aos poucos e de maneira fatiada, tomando corpo. “Nenhum dos temas obteve acordo, nenhum alcançou consenso. Por isso a orientação tem sido votar os projetos na ordem com que chegam ao plenário”, explica o secretáriogeral da mesa, Luiz Fernando Bandeira de Mello. A prioridade da semana deve ser a proposta, dos ex-senadores Francisco Dornelles e
José Sarney (PLS 268/2011), que institui o financiamento público exclusivo das campanhas eleitorais. A tirar pela votação do tema na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), ocorrida em 2011, deve ser uma votação disputada. Na comissão, o projeto teve empate em nove votos contrários e nove favoráveis, sendo decidido pelo então presidente, Eunício Oliveira (PMDB-CE), que indicou sua aprovação. Apesar de não ser obrigatória sua passagem pelo plenário, por ser terminativo na CCJ, houve três recursos nesse sentido, e agora o texto está pronto para análise de todos os senadores. O PL proíbe os partidos políticos e candidatos de receberem
doações em dinheiro ou estimáveis em dinheiro oriundas de pessoas físicas e jurídicas. Os recursos para as campanhas sairiam de fundo administrado pela Justiça Eleitoral que, para isso, deverá receber em ano de campanha transferência orçamentária à base de R$ 7 por eleitor inscrito. Quem defende o financiamento público exclusivo diz que, além de assegurar equilíbrio econômico entre os candidatos, deixa claro quem paga a conta das campanhas. Em tese, excluir agentes privados do processo facilita a fiscalização, elimina a influência de grandes empresas nas eleições e permite que os partidos menores tenham mais recursos.
Mundo
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Morte de civis por policiais é duas vezes mais nos EUA S
ão Paulo - Um relatório do governo dos EUA apontou que o total de homicídios praticados pela polícia norteamericana é duas vezes maior do que o número de casos que são oficialmente relatados pelas forças de segurança ao governo. Isto é, em média dos 928 casos anuais de mortes civis por mãos policiais, apenas 383 eram reportados ao governo. Em média, a cada ano na última década, as instituições policiais municipais e estaduais deixaram de reportar 545 casos de morte. Até a publicação deste estudo, produzido pelo Departamento de Estatísticas da Justiça dos EUA, a ferramenta usada para monitorar a violência policial no país era o levantamento feito pelo FBI, que, ano após ano, publicava informes contabilizando o total de “homicídios justificáveis pelas forças de segurança”. A título de comparação com a situação brasileira, em 2012, por exemplo, o registro oficial dá conta de que 1.890 pessoas foram mortas pelas mãos da polícia no Brasil. Apenas em São Paulo, a PM paulista matou em média 540 pessoas por
ano, entre 1995 e 2014. Terrorismo O estudo também analisa as mortes de norte-americanos vítimas de atentados terroristas. A média nos últimos anos é de 16 pessoas mortas nessas circunstâncias. Em comparação com os números de violência policial, a chance
MANIPULADOS
Conforme o levantamento, a cada ano na última década, em média, as instituições policiais municipais e estaduais deixaram de reportar 545 casos de morte, mascarando os números oficiais de ser assassinado pela polícia é 55 vezes maior do que por um ataque terrorista nos EUA. Após investigação do caso de Michael Brown, jovem negro desarmado morto por um policial em Ferguson em agosto do ano passado, a Justiça dos Estados Unidos concluiu na semana passada que o racismo faz parte da rotina da polícia local, principalmente,
contra a comunidade negra. De acordo com o relatório do órgão federal, a polícia de Ferguson violava regularmente os direitos constitucionais dos cidadãos e participou de uma “rotina” de discriminação contra a população negra na cidade. Além disso, o documento ressalta que, entre 2012 e 2014, enquanto os negros respondiam por 67% da população, 85% dos automóveis parados pela polícia eram conduzidos por negros e 90% das pessoas convocadas ao tribunal eram negras, bem como 93% dos detidos, apontou a AFP. Em 88% dos casos de uso da força policial, os suspeitos eram afro-americanos, diz o relatório. Quatro meses após o assassinato do jovem negro Michael Brown, a polícia americana se envolveu em outro crime semelhante: matou outro jovem negro, de 24 anos, na cidade de Berkeley, no Missouri, nas proximidades de Ferguson. Segundo a polícia, o rapaz estava armado e apontou a arma quando o agente se aproximou dele e de outro indivíduo, em uma ronda de rotina a uma bomba de gasolina. O agente afirma que disparou em legítima defesa.
AGÊNCIA EFE
Relatório do governo mostra que os dados oficiais do total de homicídios praticados pela polícia americana diverge da realidade
Protestos contra violência policial têm levado milhares de pessoas às ruas dos Estados Unidos
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Caderno C
Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 15 DE MARÇO DE 2015
diadia@emtempo.com.br
(92) 3090-1041
FANTASMAS
PASSADO
Fantasmas de pedra, fantasmas sem memória
ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
Testemunhas de uma época áurea na história de Manaus, os prédios históricos da capital têm sua importância enquanto registro de um passado de apogeu e de uma beleza arquitetônica que nunca mais será vista na modernidade. Mesmo assim, à exceção dos imóveis famosos, como o Teatro Amazonas e o Palácio da Justiça, muitas de suas histórias são desconhecidas, comprometendo a memória histórica da cidade. O centro histórico reúne diversos desses testemunhos, verdadeiros fantasmas de pedra que se erguem em meio ao traçado moderno dos atuais prédios - muitos de gosto duvidoso. São palacetes, residências antigas, hoje ocupadas por outros moradores ou empreendimentos. Nas próximas páginas está um pouco do que se conhece e desconhece desses lugares e como há exemplos a serem seguidos quanto à preservação da memória. (Leia nas páginas C2 a C5)
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Dia a dia
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Falta de informação faz patrimônio ser esquecido ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
Preservados ou não, imóveis antigos do centro histórico guardam histórias de personalidades quase esquecidas
No largo São Sebastião, no centro histórico, onde é possível encontrar imóveis históricos restaurados, os atuais ocupantes praticamente desconhecem as histórias dos antigos moradores ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO
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m pouco tempo, a história antiga de Manaus é esquecida e perdida por trás de paredes de concreto e cimento de imóveis abandonados. A situação é delicada, e prédios como o da biblioteca municipal João Bosco Pantoja Evangelista, situado na rua Monsenhor Coutinho, além de servir como abrigo para moradores de rua, foi completamente saqueado e seus pequenos objetos que recordavam o passado seguem agora apenas na lembrança de poucos. Quem procura informações sobre o ano da criação da biblioteca vai esbarrar na falta de informações, pois até mesmo os órgãos competentes da cultura local não guardam muitas informações do que um dia foi importante para a sociedade. A biblioteca municipal está há mais de dois anos fechada para reforma, porém quem passa em frente ao prédio observa que nenhuma obra foi iniciada. Antes da reforma da praça Antônio Bittencourt (do Congresso), que fica em frente
ao prédio da biblioteca, a população era assaltada quase diariamente por infratores que viviam no imóvel. Agora, diariamente, vigilantes atuam na segurança da praça. Um dos seguranças afirmou que nas ruas adjacentes, assaltos e roubos sempre ocorrem, e os infratores correm com o bem roubado para o prédio abandonado. “Infelizmente, temos que presenciar essa situação, pois o prédio está completamente abandonado. Além de cometerem roubos e furtos, esses moradores de rua deixam o prédio sujo e destroem tudo o que há dentro, até simples peças como piso são arrancados e vendidos”, relatou. Em janeiro deste ano, o prefeito Arthur Neto anunciou a reforma de três praças do Centro que fazem parte do programa PAC Cidades Históricas. No anúncio, foi explicado que a biblioteca não foi contemplada no projeto nesta primeira etapa, pois falta a liberação da verba, que depende de análise do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em Brasília.
Histórias ocultas entre paredes Apesar da boa conservação resultante da intervenção da Secretaria de Estado da Cultura, o esquecimento da história também ocorre no casario do largo São Sebastião. Os funcionários das lojas, lanches e restaurantes do local e até os moradores não sabem muito sobre a história de suas atuais moradias. A administração do largo possui um pequeno registro de cada morador. Na casa 634, onde funciona a African House, morou nos anos 1940 o desembargador Leôncio Salignac de Souza, promotor em várias cidades do interior do Amazonas, vicepresidente e presidente do Tribunal de Justiça e imortal da Academia Amazonense de Letras. Segundo os documentos da administração do largo, há poucas lembranças dos moradores antigos sobre o local, que por muito tempo
ficou sem utilização. Na casa 626, morou a família do senhor Alfredo James Baird, comerciante e quinto presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA).
LEMBRANÇAS
A administração do largo possui um pequeno registro de cada morador. Na casa 634, por exemplo, onde funciona a African House, morou nos anos 1940 o desembargador Leôncio Salignac de Souza O contador e diretor administrativo das Centrais Elétricas de Manaus e seu presidente por mais de 13 anos, Jorge Augusto de Souza Baird, morou na casa nas décadas de 1930 e 1940. Na casa 618 morou o professor Aristóteles Comte
de Alencar e sua esposa, a professora Rosa Branca de Lima Alencar, que a adquiriram por compra feita de Irene de Araújo Barbosa; José dos Santos Barbosa e sua esposa Maria Tereza Pereira Barbosa; Daniel dos Santos Barbosa e Maria da Conceição Araújo Barbosa, por escritura em 1960. A casa funciona atualmente como um laboratório de análise clinicas e o consultório médico do doutor Aristóteles Comte de Alencar Filho, cardiologista. Na Casa das Artes, de número 564, morou o advogado Thaumaturgo de Albuquerque Sapha, com sua esposa Liverdade Sapha e seus filhos Ieda Moreira Shapa, o diplomata de carreira, atualmente embaixador do Brasil nos Emirados Árabes, Flávio Sapha, e o aposentado do Ministério das Relações Exteriores como oficial de Chancelaria, Hugo Sapha.
Comerciantes e jornalistas no largo Na casa de número 508, que atualmente é de propriedade de Pará Amazonas Turismo, morou o comerciante Félix Fink, proprietário das drogarias Fink, além da cunhada do governador Plínio Coelho, Virginia Coelho, e o professor da Universidade do Amazonas, o jornalista e escritor Genesino Braga e a inspetora do Ministério da Educação (MEC), Dinoralva Braga. Sobre os atuais e eventuais futuros projetos de reforma, até o fechamento desta edição a Secretaria de Estado da Cultura não havia se pronunciado.
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Santa Casa: um drama que pode chegar ao final feliz FOTOS: DIEGO JANATÃ/ARQUIVO EM TEMPO
Imóvel sobrevive com o apelo pela sua restauração e reativação. Por enquanto, abandono está apenas “remediado”
Interior da Santa Casa, prédio histórico abandonado mas em processo para restauração: um dos exemplos de preocupação com o patrimônio, com resultados positivos em vista DANIEL AMORIM Especial para o EM TEMPO
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o último dia 12 de janeiro, o juiz da Vara de Registro Público Ernesto Anselmo Chíxaro determinou o registro do imóvel localizado no número 328 da rua 10 de Julho, Centro Histórico de Manaus. Desde 1917, o prédio abrigava a Santa Casa de Misericórdia, centro de referência no atendimento à saúde no Amazonas. A instituição, apesar de ocupar o prédio há quase 100 anos, não dispunha do registro do referido bem. A medida fui cumprida no dia 28 daquele mês, por meio do cartório do 2º Ofício de Imóveis de Manaus. Trata-se de um avanço na retomada das atividades do hospital, fechado desde 2004. Desde então, o local se transformou em ponto de consumo de drogas e alvo de depredações, além de apresentar
risco de desabamento. Um estacionamento funcionava em frente ao prédio, e dessa forma pessoas tentavam obter lucro indevido com o espaço. Baseando-se nesses indícios, no dia 23 de outubro de 2014 o governador José Melo decretou a desapropriação do prédio. A decisão representou mais uma vitória para a comissão interventora da Santa Casa, composta por três integrantes nomeados pela 4ª Vara Cível. “Para ter suas portas reabertas e voltar a servir a população, a Santa Casa necessita apenas que o governo conclua a desapropriação e lhe pague a indenização devida”, explica Tiago Queiroz, integrante da comissão. O processo administrativo da ação está em trâmite na Procuradoria Geral do Estado (PGE) e espera-se que a situação esteja resolvida no primeiro semestre deste ano.
No entanto, falta um projeto elaborado de reforma, pois a desapropriação ainda não começou a ser realizada. “A maior vantagem da reforma resulta não só do tombamento, tendo em vista a necessidade de preservação do patrimônio histórico e cultural, como também do respeito aos sítios arqueológicos localizados no centro histórico”, diz Tiago. O vereador Mário Frota (PSDB) alerta para a necessidade de ações emergenciais de restauração do prédio. “Trata-se de uma construção inaugurada antes do Teatro Amazonas e o hospital mais antigo de Manaus. É comum encontrar membros de várias famílias que tenham sido atendidos ali”, argumenta. Construído em 1880, o hospital já recebeu autoridades como o ex-governador Álvaro Maia. Em 4 de maio de 1969, após sofrer um infarto do miocárdio, o político morreu em um dos leitos do Pavi-
lhão Santana. Atualmente, tapumes cercam a fachada e vigias tentam manter os vândalos longe dali. Há seis anos, Frota tenta sensibilizar autoridades sobre a situação da Santa Casa. O principal obstáculo das negociações, no entanto, é o custo financeiro do projeto de revitalização. Apesar disso, ele mantém a esperança na atuação do governador José Melo. Durante a última campanha para o governo do Estado, Melo deu sinal positivo ao apelo do vereador e sugeriu que o hospital fosse transformado num centro de atendimento infantil. Para Frota, a importância da Santa Casa deve ser avaliada também em razão de sua localização estratégica. “Até hoje, não dispomos de um pronto-socorro nas imediações do porto de Manaus. Pacientes de outros Estados ou municípios poderiam ser atendidos ali”, propõe o vereador.
Fachada da Santa Casa: depois do abandono, uma nova história
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O Castelinho da rua Barroso é um dos exemplos de história de preservação motivada pelo respeito à importância histórica e amor pelo que é antigo e belo IVE RYLO Equipe EM TEMPO
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FANTASMAS
PASSADO naus antiga. Há também uma sala com 16 relógios antigos em madeira, pendurados na parede. “O Castelinho tem bastantes detalhes antigos, relógio, quadros, lustre, louças. Tudo meu pai compra em antiquário”, afirmou o filho do empresário, Márcio Cabral, 33. Vizinho ao Teatro Amazonas, o estabelecimento chama atenção dos turistas pela conservação fiel. “Era um sonho do meu pai desde a adolescência. Sempre que ele passava por aqui dizia que um dia seria dele. Em 1993, ele comprou”, contou. Apaixonado pelo casarão, Olinto buscou manter tudo original, e quando precisou substituir algumas peças consumidas pelo tempo, optou por modelos similares para preservar o estilo. “Ele manteve tudo original, só trocou o que foi necessário, mas manteve a originalidade, tanto que é patrimônio histórico. Quando meu pai comprou, o prédio era abandonado, tinha algumas infiltrações no telhado, por isso algumas telhas foram trocadas, além de peças de marcenaria do piso e das janelas, que apodrecem rápido”, disse. Manutenções periódicas são feitas no castelinho o que, de acordo com o proprietário, tem um custo 50% maior ao comparado a reforma de um prédio moderno. “Acho muito legal essa paixão do meu pai. Temos interesse em manter futuramente o Castelinho sempre restaurado. Mesmo dando muito trabalho para manter, o gasto é muito alto, diferente se fosse um prédio moderno, em que a manutenção é bem mais barata”, analisou Márcio.
O Castelinho do Centro Histórico, na rua Barroso: exemplo IONE MORENO
nquanto alguns luxuosos casarões erguidos na última década do século 19 e início do século 20 sucumbem ao esquecimento, outros resistem ao tempo e à mudança dos valores da sociedade. Exemplo de resistência é o prédio construído em 1907 na esquina das ruas Barroso e 24 de Maio, no centro, que ficou conhecido como “Castelinho” por sua estrutura assobradada. Apesar dos 108 anos de existência, o prédio possui ainda muitos elementos originais, graças à paixão dos proprietários em conservar a arquitetura original e a memória histórica da cidade. Por fora, a fachada incrustada por janelões revela a preservação do estilo predominantemente art nouveau, assim como a torre encoberta de cerâmica e o austero portão de ferro fundido. O interior do palacete desperta uma viagem ao tempo, com a conservação de elementos característicos das construções da época, o piso e a escada de madeira maciça, o forro parte em alumínio, que se assemelha a uma peça de gesso, e outro em madeira. Janelões em madeira adornadas por azulejos coloridos em alto relevo desposam em um pé direito (distância do chão ao teto) de cerca de 4 metros. O local foi restaurado durante cinco meses, em maio de 1992, quando comprado pelos atuais proprietários, os empresários Olinto Cabral e Nahyde Cabral. Reinaugurado em 27 de junho de 1993, o palacete abrigou até 1999 a agência de viagens Ata Turismo, e de 1999 até hoje, um restaurante. Além de conservar a estrutura, os donos também investiram em um mobiliário e decoração que lembram o estilo europeu, com mesas de madeira, lustres e quadros com fotografias de praças e avenidas de Ma-
Algumas lembranças do apogeu O Castelinho foi erguido durante o período de apogeu econômico decorrente da extração da borracha, que financiou a construção de grandes obras arquitetônicas como o Teatro Amazonas, o Palácio da Justiça, os casarões do comerciante alemão Waldemar Scholz, conhecido hoje como o palácio Rio Negro, e o do governador Silvério Nery, na avenida Joaquim Nabuco. A edificação de casarões no Centro da cidade aconteceu após o aterro do igarapé Espírito Santo, que percorria o espaço onde foi construído o Teatro Amazonas e cortava as ruas José Clemente, Barroso, Eduardo Ribeiro, 24 de Maio e Saldanha Marinho. Os investimentos se estenderam por toda Manaus, que se transformava em um grande canteiro de obras, com a construção de praças, pontes, ruas, fornecimento de água e energia elétrica e drenagem de igarapés. O palacete foi construído em 1907, e o primeiro proprietário foi o médico do hospital da Sociedade Beneficente
Interior do Castelinho do Centro: paixão pela história do lugar
Portuguesa, Francisco da Costa Fernandes. Ele participou da equipe acadêmica fundadora da Escola Universitária Livre de Manáos, em 1909, atual Universidade Federal do Amazonas (Ufam). De acordo com livreto distribuído pelos atuais donos do imóvel e baseado em
MUDANÇAS
A edificação de casarões no Centro da cidade aconteceu após o aterro do igarapé Espírito Santo, que percorria o espaço onde foi construído o Teatro Amazonas e cortava diversas ruas estudos da escritora Etelvina Garcia, em seguida Fernandes teria alugado a casa para o médico maranhense Basílio Torreão Franco de Sá, prefeito de Manaus em 1914. Em 1925, o médico Francisco da Costa Fernandes vendeu o castelinho para ao médico Manuel Osório de Sá Antunes
que, após uma década repassou para Ambrósio Moysés Ezaguy. Além de residência, o castelinho também comportou o Consulado da Colômbia na década de 1930. Em 1940, tornou-se o consulado de Portugal, onde foi cenário de disputados eventos sociais. Em 10 de junho de 1952 foi feito no espaço uma festa em comemoração ao Dia de Portugal, com direito a participação do governador Álvaro Botelho Maia, do arcebispo dom Alberto Gaudêncio Ramos, e de personalidades políticas e culturais. Em 1974, os descendentes de Ezaguy venderam o palacete para o empresário Moisés Israel, que transformou o espaço em sede da escola de idiomas Aliança Francesa. Já em 1981 o prédio foi transferido para os servidores da justiça Raimundo Leite e Stanley Fortes. Em 1992, passou para o casal de empresários Olinto Cabral e Nahyde Cabral, que fizeram do local uma agência de viagens e mais tarde um restaurante, que permanece até hoje.
a No entorno do Largo São Sebastião é possível constatar a preservação
RAIMUNDO VALENTIM
ue preserva
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Parte do centro histórico quase preservado: muito a se aprender
O Castelinho do Centro-Sul de água, energia elétrica e a implantação da linha de bondes, inaugurado em 1911, pela empresa The Manáos Tramways & Light Co Limited, em 1911 na Vila Municipal. O Castelinho permaneceu fechado por muitos anos e
BELEZA
O casarão de Adrianópolis foi construído em uma área de 5,5 mil metros quadrados, e assim como na maioria dos edifícios erguidos à época, foi ornamentado com ferros fundidos sem revitalização. Recentemente foi restaurado e hoje se tornou uma adega de vinhos da loja Top Internacional, sendo uma das poucas edificações antigas que vem resistindo ao avanço da modernidade naquela área da cidade.
ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
história
Um ano antes da construção do palacete da Barroso, no Centro, foi encerrada a obra e inaugurado o Castelinho na rua São Luiz, no bairro Adrianópolis, na Zona Centro-Sul. O casarão foi construído em uma área de 5,5 mil metros quadrados, e assim como na maioria dos edifícios erguidos na época, foi ornamentado com ferros fundidos da empresa Walter MacFarlane, de Glasgow, na Escócia. O primeiro proprietário foi o então prefeito de Manaus, o coronel Adolpho Guilherme de Miranda Lisboa. A residência da família foi batizada por “Vila Alcida”, em homenagem à filha dele. A obra foi entregue durante o terceiro mandado de Lisboa, de 1905 a 1907. Após a construção do Castelinho, a área no entorno, no bairro Adrianópolis, começou a receber investimentos com a abertura de ruas e o fornecimento do serviço de abastecimento
Interior do Ideal Clube: outro exemplo de história preservada
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Criatividade para atrair a atenção dos estudantes FOTOS: EDUARDO CAVALCANTE/ASSCOM-SEDUC
Professores inovam suas tradicionais lições com a ajuda dos quadrinhos e músicas, além de interpretação de notícias
Para facilitar o conteúdo de biologia, a professora Alice Gomes, da escola estadual Ruy Araújo, utiliza os conteúdos da disciplina com a ajuda de músicas, o que agradou aos alunos
Quadrinhos e recortes Pensando em melhor preparar os estudantes para avaliações nacionais como a Prova Brasil, que será aplicada em novembro deste ano, a escola estadual Carvalho Leal, localizada também no bairro da Cachoeirinha, Zona Sul de Manaus, desenvolve ações pedagógicas igualmente diferenciadas.
Coordenado pelas professoras Soraya Freire e Aldemisa Costa, um dos projetos pedagógicos procura levar o conteúdo da disciplina de língua de portuguesa por meio da utilização de linguagem e recursos muito próximos do universo e cotidiano das crianças. “Para trabalharmos os conteúdos de leitura, escrita e pontuação, por exemplo, trabalhamos com histórias em quadrinho e textos relacionados com o imaginário infantil”, explicou a professora Soraya Freire.
Ginástica para o corpo e também para a mente Ainda na escola estadual Ruy Araújo, o professor de educação física Daniel Corrêa procura estimular o aprendizado dos estudantes por meio de atividades diferenciadas. Há dois anos na escola, professor Daniel tem buscado incentivar os jovens por meio de exercícios laborais antes do início das aulas. “Quando
iniciamos este trabalho de ginástica laboral com orientação especializada notamos que os alunos passaram a ter uma maior motivação para acompanhar as demais aulas”, comentou o professor. Ele cita que o trabalho de ginástica laboral repercute positivamente, sobretudo, no rendimento dos alunos que frequentam as aulas de refor-
ço, ministradas pela escola aos sábados. Daniel salientou que o resultado positivo das atividades se reflete em várias disciplinas. “Todo professor deveria verificar a melhor forma de melhorar o aprendizado dos seus alunos. A minha contribuição é por meio da atividade física, o que acaba sendo positivo
para todas as outras disciplinas”, destacou. Para a gestora da escola Ruy Araújo, Francinete Serrão, o trabalho criativo dos educadores é muito importante para motivar os alunos aos estudos. “Nosso objetivo é motivar cada vez mais nossos estudantes e o trabalho diferenciado dos professores é imprescindível”, frisou.
EDUARDO CAVALCANTE/ASSCOM-SEDUC
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ornar as aulas mais dinâmicas e atrativas tem sido o foco da atividade de professores da rede pública estadual de ensino que apostam em práticas pedagógicas diferenciadas para despertar o interesse dos estudantes e melhorar o rendimento em sala de aula. Na escola estadual Ruy Araújo, localizada no bairro Cachoeirinha, Zona Sul de Manaus, a professora de biologia Alice Gomes tem investido na criatividade para chamar a atenção dos estudantes e facilitar o aprendizado. “O conteúdo de biologia, para alguns, pode ser de difícil compreensão. Para romper essa barreira, tenho feito uso da música para despertar o interesse dos alunos e leválos a uma maior compreensão sobre temas da disciplina. Ao trabalhar o conteúdo, por exemplo, de taxonomia [ramo da biologia que nomeia os grupos de organismos biológicos], criei uma música que engloba os principais termos que eles precisam conhecer”, explicou. Professora Alice afirmou que a ideia tem sido muito bem aceita pelos estudantes. “Com a música, o conteúdo se tornou muito mais fácil de ser absorvido pelos alunos, já que eles lembravam os nomes com mais agilidade e o resultado nas avaliações foi muito mais proveitoso”, mencionou a educadora.
Com a música, o conteúdo se tornou muito mais fácil de ser absorvido pelos alunos, já que eles lembravam os nomes com agilidade Alice Gomes, professora
A educadora mencionou que esse trabalho foi planejado após a escola notar a dificuldade que alguns alunos tinham na aplicabilidade das normas (de língua portuguesa) em seu dia a dia. “Essa dificuldade vem sendo sanada, pois eles passaram a perceber que o que é ensinado pode ser aplicado no cotidiano, na forma de se expressar e interpretar o que leem”, disse a professora. Além de trabalhar com recursos como histórias em quadrinho e textos de linguagem infantil, a escola também faz uso de recortes de jornais e de revistas no ensino da disciplina língua portuguesa. Os recursos auxiliam na orientação quanto à leitura e interpretação textual.
O professor de educação sísica Daniel Corrêa procura estimular o aprendizado em outras disciplinas com a ginástica laboral
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UPA tem mais de 100 mil atendimentos em um ano C
UPA com um saldo extremamente positivo, com mais de cem mil pessoas atendidas, num local onde até um ano atrás nós não tínhamos nenhuma unidade de saúde que atendesse a urgência e a emergência. Hoje nós temos a UPA e o pronto-socorro Delphina Aziz, e sabemos que nossa população aqui das zonas Oeste e Norte está bem assistida na área de saúde”. Alecrim destacou que a UPA Campos Sales foi a primeira unidade deste tipo inaugurada em Manaus, para compor a rede estadual de atenção às urgências e emergências, formada por nove SPAs e sete prontos-socorros.
atendimento na UPA”, afirma a diretora da unidade, Márcia Alessandra Nascimento. A programação incluiu também a população residente no entorno da unidade de saúde. Por meio da parceria firmada entre a UPA Campos Sales e a Unidade Básica de Saúde (UBS) Lindalva Damasceno, as mulheres residentes no Tarumã e bairros adjacentes realizaram a coleta de exame preventivo e receberam o encaminhamento para consulta ginecológica. As pacientes e funcionárias da unidade de saúde ganharam um dia de atenção exclusiva com a oferta de serviços de massagem, beleza com penteados e cortes de cabelos, além de exercício físico laboral. Para o líder comunitário do Parque Solimões, Antônio Carlos Picanço Rodrigues, a iniciativa tem ajudado na melhoria da qualidade de vida das pessoas. “Os moradores aqui da comunidade estão muito satisfeitos com os serviços ofertados na unidade, que além de resolver o problema de saúde, também têm nos ajudado a melhorar nossa qualidade de vida com a realização das palestras de prevenção e promoção à saúde, frequentemente realizadas na unidade”.
Programação especial A programação comemorativa contou com palestras educativas, com temas como saúde da mulher, e disponibilização de exames. Os pacientes internados nas salas de observação receberam kits de higiene pessoal, uma vez que a higiene é fundamental para manutenção do quadro de saúde. “Nosso compromisso é melhorar a qualidade de vida da população que precisa de nossos serviços. Por isso iniciamos essas atividades de prevenção à saúde dos moradores que procuram
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om mais de cem mil atendimentos em um ano de funcionamento, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Campos Sales, unidade da Secretaria de Estado de (Saúde), se referencia como uma unidade de saúde que cumpre os padrões de humanização conforme portaria do Ministério de Saúde. Dentre os atendimentos realizados merecem destaque a clínica médica, que chega a aproximadamente 90 mil atendimentos, seguida da odontologia, com 6,5 mil, ortopedia e traumatologia, com cinco mil, e pediatria, 3,5 mil. Também foram realizados 70 mil exames, entre laboratoriais, raios-X e eletrocardiograma. “Moro no Santa Etelvina e faço questão de vir à UPA porque tenho um atendimento digno e humanizado. Todos os profissionais desta unidade estão de parabéns pelo que fazem pela população”, disse o funcionário público Marcelo Barros, de 38 anos. O secretário de Estado de saúde, Wilson Alecrim, que visitou a unidade de saúde na semana do aniversário, destacou a importância do trabalho desenvolvido pela unidade de saúde. “Nós completamos esse primeiro ano de trabalho na
A UPA Campos Sales tem atendimento de média complexidade
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Unidade funciona todos os dias da semana, 24 horas, com sistema de urgência e emergência, em média complexidade
Dentre os serviços realizados merecem destaque a clínica médica com cerca de 90 mil atendimentos
UPA
Mais agilidade no atendimento A agilidade no atendimento aos seus pacientes é um dos diferenciais da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Campos Sales. Isso acontece por conta do sistema digital de prontuário eletrônico. Uma vez atendido na UPA, as informações do pacientes ficarão guardadas, e sempre que for necessário o médico terá em mãos o histórico de cada paciente. “Em um possível caso de retorno à unidade de saúde, o médico ganha agilidade no atendimento, pois terá acesso imediato aos dados clínicos do paciente; logo, seu tempo de espera para atendimento será reduzido”, ressalta a diretora da UPA, Márcia Alessandra Nascimento. Todos os computadores da unidade de tratamento estão interligados e cada
procedimento realizado com o paciente, como medicação, exames laboratoriais e raios-X, são monitorados pelo médico que iniciou o atendimento. Com a digitalização do sistema na unidade de saúde, o paciente sai da UPA com sua receita médica digitalizada. Essa medida adotada evita que o paciente tenha dificuldade para ler a prescrição, os horários indicados para ingestão e a duração do tratamento. Classificação de Riscos O atendimento segundo a os critérios do Acolhimento com Classificação de Risco é prioridade na UPA Campos Sales. Pela classificação, que segue o Protocolo de Manchester, os casos mais graves são atendidos com prioridade, e nos casos me-
nos complexos o paciente aguarda atendimento. “Mesmo sabendo que posso passar um tempo aguardando o atendimento, sei que o tem-
Nosso compromisso é melhorar a qualidade de vida da população que precisa de nossos serviços. Por isso iniciamos essas atividades Márcia Nascimento, diretora da UPA
po de minha espera é curto. Por isso sempre procuro a UPA quando estou doente”, ressaltou a dona de casa Maria Dolores Redman Costa.
Funcionamento A UPA Campos Sales compõe a rede estadual de saúde e é gerenciada pela Secretaria de Estado de Saúde (Susam) em parceria com o Instituto Novos Caminhos – Organização Social. A unidade de saúde funciona todos os dias da semana, em regime de 24 horas, oferecendo atendimento de urgência e emergência, em média complexidade. A unidade de saúde conta com 18 leitos de observação, divididos entre as enfermarias pediátrica e adulto (masculino e feminino), além de dois leitos de isolamento para pacientes portadores de doenças contagiosas. Dentre as especialidades médicas oferecidas estão pediatria, odontologia, ortopedia e clínica médica e exames laboratoriais.
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opiniao@emtempo.com.br
(92) 3090-1010
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Capa
‘Rosa púrpura #10’, de Berna Reale
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A abstração de Sarah Morris
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A economia do fim do mundo
E seis indicações culturais. Pág. 2
Justiça social e crescimento no Antropoceno. Pág. 3
Arte, política e mercado Entrevista com Luiz Camillo Osorio. Págs. 4 e 5
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Realidade e ficção policial
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Do arquivo de Wanderléa
Diário de Buenos Aires. Pág. 6
São Paulo, 1967. Pág. 7
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Ilustríssima Semana
O MELHOR DA CULTURA EM 6 INDICAÇÕES
LEONARDO MATOS/DIVULGAÇÃO
EXPOSIÇÃO | O INFERNO DE DANTE Robert Rauschenberg (1925-2008), artista norte-americano que foi um dos precursores da arte pop, produziu 34 litogravuras com base nos 34 cantos que compõem a primeira parte de “A Divina Comédia”, do italiano Dante Alighieri (1265-1321). Além das imagens, a mostra também traz gravações em áudio dos poemas de Dante. Centro Cultural Correios | tel. (11) 3227-9461 | de ter. a dom., das 11h às 17h | grátis | até 22/3
LIVRO | O CAMINHO POÉTICO DE SANTIAGO Os professores Yara Frateschi Vieira (Unicamp), Maria Isabel Morán Cabanas e José António Souto Cabo (Universidade de Santiago) selecionaram 28 poetas da lírica galego-portuguesa relacionados à cidade de Santiago de Compostela, na Espanha. Os autores presentes no trabalho, como Dom Dinis, Airas Nunes e João Zorro, ilustram a variedade de gêneros praticados pelos trovadores. Cosac Naify | R$ 32 | 224 págs.
DIVULGAÇÃO
LIVRO | SOBRE O ESPÍRITO E A LETRA NA FILOSOFIA Os textos do filósofo alemão Johann Gottlieb Fichte (1762-1814) agrupados no volume tratam de tema central no pensamento do fim do século 18: a relação entre arte e filosofia. O livro retrata a evolução das ideias de Fichte e a gênese de seus ensaios, escritos para o periódico mensal “As Horas” a convite do poeta Friedrich Schiller (1759-1805). trad. de Ulisses Razzante Vaccari Humanitas/Imprensa Oficial | R$ 40 | 342 págs.
EXPOSIÇÃO | FÁBIO MIGUEZ O paulistano do antigo ateliê Casa 7 apresenta 20 pinturas na mostra “Horizonte, Deserto, Tecido, Cimento”. O colecionador Carlos Figueiredo Ferraz, o crítico Tiago Mesquita e o artista participam de bate-papo no sábado (21), às 11h. galeria Nara Roesler | tel. (11) 3063-2344 | de seg. a sex., das 10h às 19h; sáb., das 11h às 15h | grátis | até 28/3
‘Canto VIII’ (1965), obra de Robert Rauschenberg inspirada em Dante
TEATRO | OCUPAÇÃO ACIDENTAL A Cia. de Teatro Acidental promove gratuitamente uma peça, duas oficinas e um seminário. O espetáculo “O que Você Realmente Está Fazendo É Esperar o Acidente Acontecer” (1), inspirado na obra de Nelson Rodrigues, enfoca o ódio cultivado em nome da liberdade de expressão. O seminário “Ódio como Afeto Político” (2) trará um convidado a cada sábado, como o professor da USP e colunista da Folha Vladimir Safatle e o deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ). A partir de abril o grupo também fará as oficinas “Dramaturgia Brasileira Contemporânea” (3), sob coordenação de Carlos Canhameiro, e “Estética e Política no Teatro Brasileiro Contemporâneo” (4), com Artur Kon. Oficina Cultural Oswald de Andrade | tel. (11) 3222-2662 | (1) qui., sex. e sáb., às 20h; retirar senha 30 min. antes; até 16/5 (2) sáb., às 17h; até 16/5 (3) seg. e qua., das 14h às 17h; de 6/4 a 29/4 (4) seg., das 14h às 17h; de 13/4 a 18/5 | Inscrições oficinasculturais.org.br
CINEMA | ECOFALANTE A quarta edição da mostra de cinema ambiental ocorre em seis salas de exibição de São Paulo. A programação inclui “Era Uma Vez na Floresta”, de Luc Jacquet, exploração sensorial de uma mata tropical; “De Sul a Norte”, de Antoine Boutet, retrato de um projeto de transposição de água na China; e “O Sal da Terra”, de Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado, coprodução brasileira sobre o fotógrafo Sebastião Salgado indicada ao Oscar. de qui. (19) a 29/3 | programação em ecofalante.org.br | grátis ‘Estandartes’ (2014), do artista Fábio Miguez
Ponto Crítico
EXPOSIÇÕES - SARAH MORRIS
1 Abstração simulada TIAGO MESQUITA
Nos filmes de Sarah Morris, o tráfego de automóveis, pessoas e imagens é intenso. Tudo se contamina. Os seus motivos são sugeridos pelas grandes cidades. Nas exposições da artista em São Paulo, ela se apropria de elementos da arquitetura, situações urbanas e padrões decorativos das maiores metrópoles brasileiras. Sarah Morris nasceu na Inglaterra em 1967 e foi identificada com o grupo de artistas britânicos que fez sucesso nos anos 90. Apesar disso, ela se formou nos Estados Unidos e o seu trabalho é profundamente americano. Lida com uma imagem artificiosa, um colorido
sintético, feito com esmalte. Tem algo de abstração e algo de simulação. O filme “Rio” (2012), exibido na galeria Fortes Vilaça, era o carro-chefe das mostras. As pinturas de “Galeria do Rock”, na galeria White Cube até 28/3, têm parentesco com outra série mostrada em Londres em 2013. Na Inglaterra, ela trabalhou a partir de formas cariocas, aqui mostra pinturas paulistas. “Rio” não é um documentário, tampouco ficção. É uma colagem de imagens fragmentadas do Rio de Janeiro. A ordem dessas imagens repete, mais ou menos, a ordem de dois dias. O filme se inclui na longa tradição das notas de viagem de estrangeiros no Brasil. Ele começa em uma lanchonete, descrevendo a primeira refeição dos trabalhadores, e termina tarde da
noite, em um desfile de escola de samba. A música corre tensa, repetitiva, monótona. São loops de sintetizador que se repetem e se alternam. É marcada, tem destino e ritmo certo, muito diferente da deriva de imagens que passa de um lugar a outro sem sobressaltos. A artista repete no filme as sobreposições que faz em algumas pinturas. O seu ponto de vista é assumidamente incompleto, de quem não sabe direito o que acontece, mas olha com curiosidade. Por isso, os planos lembram as perspectivas oblíquas de Edgar Degas (1834-1917). Sobretudo nas telas em que cenas de balé misturam o palco, a plateia e a coxia, criando outro sentido para a peça. O modo como Sarah Morris decupa as cenas também muda o sentido do
que é filmado. Uma sequência do filme é particularmente reveladora. Depois de passar pela praia, pelo gabinete do prefeito, por um baile funk, a câmera se encontra em um estúdio da rede Globo, onde a atriz Camila Pitanga é maquiada. A cena é amena, descreve um dia corriqueiro. Logo depois, a atriz reaparece, mas dessa vez na tela da TV, contracenando com Paolla Oliveira em uma novela. Em seguida, as duas são capturadas novamente pela câmera, com o mesmo figurino, sentadas em uma mesa, conversando. Não sabemos quem está lá. Podem ser as atrizes ou as personagens. Mas talvez não importe, a imagem de Sarah Morris é especular, e através do espelho ninguém é o que era antes, os papéis são trocados. O resultado é
muito interessante. Isso se repete no tratamento das formas geométricas nas pinturas da White Cube. Não por acaso, o título da exposição é um trocadilho: “Galeria do Rock”. De saída o sentido das telas já é inexato. Embora feitas de formas geométricas simples, elas não são exatamente abstratas. Sugerem aspectos de algum lugar ou situação conhecidos, que dá nome às telas. Os trabalhos são rigorosamente estruturados. Muitas vezes, são divididos em um gradeado regular, de onde ela posiciona ou desloca formas com contorno forte e colorido vibrante. Morris muda as formas de lugar, as secciona e atribui uma cor contrastante a cada uma das partes. Ela as embaralha, sugere novas relações que impedem que reconstruamos qualquer as-
pecto mais regular. O colorido reforça a fragmentação. A artista parece interessada na maneira como se dão as contaminações. Nas transformações que ideias e projetos regulares sofrem ao serem usados. Isso a aproxima da crítica à ideia de forma pura, neutra, associada a um certo tipo de modernismo. Infelizmente, quando olhamos cada pintura individualmente, sem nos preocupar com as ideias e o acervo histórico e social que ela mobiliza, não sobra muito. Para não ser injusto, diria que a artista acerta nos trabalhos em papel e nos cartazes. Desconfio que ela sinta vontade de aproximar as vanguardas da decoração das estações de metrô de São Paulo, dos ordinários padrões gráficos da lateral de ônibus. O esforço é produtivo. No entanto, essa simulação de abstração, que manteria uma distância irônica do trabalho, revela-se como a abstração geométrica mais convencional e decorativa.
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Ilustríssimos desta edição
WANDERLÉA, 68, é cantora. O texto publicado é uma versão modificada de um trecho da autobiografia que ela lança no segundo semestre pela editora Record. IZABELA MOI, 44, é jornalista e bolsista do programa J. S. Knight da Universidade Stanford. TIAGO MESQUITA, 36, é crítico de arte.
MARIANA CARNEIRO, 35, é correspondente da Folha em Buenos Aires. MARCOS AUGUSTO GONÇALVES, 58, é editor da “Ilustríssima”, autor de “Pós Tudo - 50 Anos de Cultura na Ilustrada” (Publifolha) e “1922 - A Semana que Não Terminou” (Companhia das Letras).
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Ambiente
2 O realismo talvez não
seja o que você imagina A natureza também não dá almoço grátis
RESUMO Visto como irrealista, o ambientalismo costuma ser posto ao lado da emoção, da particularidade e do sensível, em contraste com o racional, o ocidental, o adulto. O realismo econômico, entretanto, mostrase irrealista ao supor que, contra toda lógica, o planeta pode oferecer energia e absorver dejetos indefinidamente.
RODRIGO NUNES
Há algum tempo, um meme circulava pela internet com a foto de um vasto território em Alberta, Canadá, inteiramente transfigurado pela extração de petróleo. “Se isto é bom para a economia”, dizia, “foda-se a economia”. A carga afetiva da imagem certamente sugeria, e parecia mesmo justificar, o sentimento expresso na frase. Mas talvez até aqueles que inicialmente se deixassem impactar enxergariam ali, após alguma reflexão, as limitações que se costuma atribuir ao ambientalismo. Primeiro, o sentimentalismo e a falta de visão de conjunto: os apelos emotivos em que supostas catástrofes são apresentadas fora do contexto dos empregos que geram, dos investimentos que atraem, de seu peso na balança comercial. Segundo, o utopismo ingênuo, que age como se realmente pudéssemos dar-nos ao luxo de frear a economia por causa de uma tribo distante, uma espécie rara ou uma bela paisagem. De bom coração, mas incapaz de apreender a complexidade do mundo, o irrealismo ambientalista seria o exato contrário da realista “ciência” econômica: enquanto esta nos ensina que não há almoço grátis, aquele parece acreditar que energia e dinheiro podem vir do nada, e sonha com um mundo onde os omeletes se façam sem quebrar os ovos.
Feministas e antropólogos ensinaram-nos a reconhecer, numa série de oposições que estruturam nosso pensamento, reflexos do modo como operamos a divisão fundamental entre natureza e cultura. Parece inevitável que, ao tomar a defesa de territórios ditos virgens ou populações ditas selvagens, o ambientalismo acabe colocado – junto com mulheres, crianças e não ocidentais – do lado da emoção, da particularidade e do sensível, em contraste com o racional, o universal, o abstrato, o ocidental, o adulto, o masculino. Vista através desta grade, toda preocupação ambiental que vem à tona no debate público já se encontra neutralizada de antemão. Infantilizada e isolada como uma expressão irrefletida, ela pode ser facilmente ignorada; na melhor das hipóteses, é reconhecida como questão legítima porém parcial, a ser incorporada na racionalidade mais ampla e madura dos economistas. No entanto, é esta mesma grande divisão que se complexifica diante das questões políticocientíficas que o aquecimento global levanta. Peça central neste reembaralhar de cartas é o conceito de Antropoceno: a ideia, atualmente em discussão pela comunidade científica, de que teríamos abandonado a era geológica em que se deu quase toda história da humanidade – o Holoceno – para entrar em um período que se define pelas transformações impostas por nossa espécie ao funcionamento do sistema terrestre. Quando atribuímos à história da cultura o valor de força geológica, é a própria natureza que deixa de ser o pano de fundo estático do progresso humano para ganhar historicidade: o planeta que temos hoje é diverso daquele que nossos ancestrais tiveram, não apenas na sua aparência superficial, mas segundo parâmetros profundos como temperatura e acidez oceânica. Mais que isso, a temporalidade não linear dos processos físicos nos faz entrar numa quadra em que as mudanças naturais têm sido mais velozes que as sociais: enquanto cientistas revisam sistematicamente para cima suas previsões sobre o ritmo do aquecimento global, 23 anos de conferências da ONU sobre o tema ainda estão longe
de produzir um acordo efetivo. Somos, em suma, uma espécie natural cuja cultura, tendo modificado a natureza de maneira radical, agora se nos opõe com a resistência bruta e muda de uma natureza que parecemos incapazes de modificar. Realista o quê? Não é apenas a fronteira entre natureza e cultura que se confunde, mas também a diferença entre o “realista” e o “irreal”. E não apenas porque o consenso esmagador da comunidade científica hoje está do lado de gente que até ontem reduziria a ciência a uma ferramenta de dominação, enquanto supostos racionalistas pendem cada vez mais para apostas com um pé na ficção científica (como a geoengenharia) ou um “pós-modernismo tático” que reduz evidências a questões de opinião. Poderíamos descrever a situação, aliás, como uma inversão de posição entre particular e universal. Ainda que tirem a legitimidade de sua disciplina de uma suposta homologia com os modelos matemáticos da física, a realidade em relação à qual os economistas são realistas – quando o são – não é a Terra como sistema físico, mas algo chamado “a economia”. Evidentemente, uma realidade está contida na outra: a economia existe na Terra e depende de seus processos físicos. Aí, justamente, reside o problema. No momento em que a ciência afirma que o planeta é incapaz de suportar o atual ritmo e modelo de desenvolvimento econômico, ser realista em relação à economia sem ser realista em relação a seu suporte físico é exatamente como acreditar que existe almoço de graça; que, contra toda lógica, o planeta pode continuar a oferecer energia e absorver dejetos indefinidamente e cada vez mais rápido. Trata-se, em resumo, de um “realismo” que complementa a certeza de que só se faz omeletes quebrando ovos com a crença mágica numa Galinha dos Ovos de Ouro infinitamente dadivosa. Não é à toa que o economista Nicholas GeorgescuRoegen, autor de “Energia e Mitos Econômicos”, tem tido um revival ultimamente. É por isto que aquele meme sobre as areias betuminosas do Canadá é menos ingênuo do que aparenta à primeira vista. Por isso, também, o ônus da
prova no debate público, que costuma pesar desproporcionalmente contra qualquer tipo de proposta mais radical, precisa começar a ser distribuído de maneira mais equânime: não é mais tão evidente de que lado, hoje, está o pensamento mágico. Um exemplo deste desequilíbrio pode ser encontrado num artigo de 7 de dezembro de 2014 nesta “Ilustríssima”, em que o jornalista Marcelo Leite, comentando o debate em torno do conceito de Antropoceno, opõe a perspectiva de Naomi Klein a visões mais moderadas, com clara desvantagem para a primeira. Movida apenas pelo “pensamento positivo” que funda sua fé numa “reviravolta anticapitalista” como solução para a crise ambiental, Klein seria impedida por sua “viseira” ideológica de entender que “o capitalismo não é um monólito, mas um sistema flexível e cambiante”. “Reconhecer a mudança do clima como uma falha de mercado não obriga ninguém a concluir que a falha não possa ser corrigida”, o artigo arremata, citando a historiadora da ciência Naomi Oreskes. Bom para quem Mas serão as coisas tão simples? A expressão “falha de mercado” é altamente carregada, porque sugere que o objetivo do mercado seria a preservação ambiental. Contudo, chamar algo como a crise hídrica paulista de “falha de mercado” é ignorar que ela foi provocada em grande parte pelo sucesso do mercado em render dividendos aos acionistas da Sabesp – em detrimento da qualidade do serviço e do bem-estar da população. O que move os agentes de mercado é essencialmente a busca do lucro, não a promoção do bem comum; talvez não seja preciso uma viseira ideológica, mas apenas uma dose saudável de ceticismo, para duvidar que a segunda se produza espontaneamente a partir da primeira, ou que seja racional apostar todas as fichas nisso. Além disso, como o próprio artigo acaba por reconhecer, o caminho das soluções de mercado é exatamente aquele que tem sido tentado há décadas – com resultados pífios e “falhas” notáveis. Enquanto isso, a janela de oportunidade para evitar aumentos desastrosos de temperatura se fecha cada vez mais rápido. A falácia em dizer que “o bem
da economia” coincide com “o bem da sociedade” decorre de que nem economia, nem sociedade são uma coisa só: “a economia” distribui “o bem” de maneira sempre mais ou menos desigual. Quando a desigualdade cruza um certo limiar, sobra a alternativa de “pagar para ver”; foi o caso das recentes eleições na Grécia. Quando a alternativa “realista” consistia em aprofundar medidas que geraram desemprego de 65% entre a juventude e um aumento de 40% na taxa de suicídios (sem, diga-se de passagem, reanimar a economia do país), os gregos optaram por serem realistas a respeito de outra realidade: a crise aguda de reprodução social que ameaça a própria sobrevivência física de uma parcela crescente da população. Nestas condições, exigir aquilo que o mercado diz ser impossível era a coisa mais razoável a fazer. Pode-se objetar que a ruína grega é uma situação bastante distinta da brasileira, onde, até recentemente pelo menos, o crescimento econômico tirava milhões da pobreza. Como ser contra o crescimento neste caso? Com efeito, consolidouse nos governos do PT, partido que abrigou parcela importante do ambientalismo nascente nos anos 80, um consenso político segundo o qual a bandeira ambiental seria elitista e “de direita” – ainda que a direita, dentro ou fora do governo, seja notoriamente desinteressada em empunhá-la. Se ser de esquerda é distribuir renda, e só pode haver distribuição de renda quando há crescimento econômico, como não concluir que ser de esquerda é apostar no crescimento econômico? O raciocínio parece a própria definição de uma “esquerda realista”, até que lembramos que é precisamente a ideia de crescimento econômico ilimitado nos moldes atuais que os cientistas dizem ter se tornado irreal – e que, se indicadores como o PIB são divisíveis por país, as mudanças climáticas não conhecem fronteiras. Mas seria o caso, então, de sermos obrigados a escolher: ou justiça social ou ambiente? É nisto que insiste boa parte de nossa esquerda, flertando publicamente com um negacionismo que, no exterior, apenas a direita mais retrógrada tem coragem de abraçar.
Por trás dessa insistência, contudo, esconde-se outra coisa: a blindagem da premissa segundo a qual só pode haver distribuição de renda quando há crescimento econômico. É verdade que esta foi a fórmula do bem-sucedido pacto lulista, que aproveitou um momento propício da economia global para criar uma situação em que os ricos ficavam mais ricos e os pobres, menos pobres. Agora que aquele momento parece ter atingido o limite, fica evidente que se esconde aí uma opção política. Seria possível produzir mais igualdade crescendo menos, caso não se tivesse abandonado o projeto de redistribuir a riqueza já existente, representado por antigas bandeiras como o imposto sobre grandes fortunas e a reforma agrária. Abandonado este projeto, sobrou apenas a distribuição da renda por ser criada – e, portanto, o compromisso com o crescimento econômico ilimitado e o enriquecimento continuado dos mais ricos. A lógica do “anticapitalismo” de Naomi Klein poderia ser reconstruída de modo que víssemos aí não a expressão de um “pensamento positivo”, mas a enunciação de um princípio: num momento de crise global, o justo é que a corda arrebente do lado dos mais fortes. Se é impossível seguir crescendo de modo desenfreado, e se não se quer abandonar o propósito da justiça social, é necessário dissociar justiça social e crescimento econômico. Não se pode apenas dizer “todos precisamos fazer sacrifícios”, quando tanto lucros quanto prejuízos, nesta curva histórica que nos trouxe à crise ambiental, sempre foram tão desigualmente distribuídos. Isto significa que os custos da transição para uma economia pós-carbono e da mitigação dos efeitos das mudanças climáticas devem pesar proporcionalmente mais sobre quem tem mais condições de absorvêlos e mais se beneficiou deste processo. Daí resultam ideias como a taxação pesada da indústria petroleira, para a qual já foram pensadas propostas concretas com medidas que não oneram o consumidor. Esta opção é seguramente mais justa e, sob vários aspectos, provavelmente mais realista do que oferecer incentivos e criar novos mercados justamente para quem causou a crise, assumindo o risco de que, no futuro, nós teremos de pagar por novas “falhas de mercado”. Da mesma forma, por mais distantes que estejamos de ter pressão e organização popular na escala necessária, parece mais realista acreditar que mudanças verdadeiras só acontecerão por esta via do que confiar o ue mercado e sistema político saiam por conta própria de sua inércia.
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Entrevista
LUIZ CAMILLO OSORIO
estão presentes, de modos muito distintos, é claro, em Berna Reale e André Komatsu. São dois artistas cujas obras se precipitam no mundo e não temem a contaminação com a realidade bruta. Nas duas primeiras salas teremos o filme “Semiótica”, do Antonio Manuel (1975), de frente com o vídeo “Americano” (2013), da Berna. Com quase 40 anos entre eles, é um mesmo Brasil dos desvalidos que eles revelam e enfrentam e o fazem de modo poético, pondo-se em risco, experimentando com a linguagem e com o próprio corpo. Nas outras duas salas, teremos “muros” do Antonio Manuel com uma instalação menor – “Nave” –, realizada no ano passado no MAMRio, em que projeções são desfocadas com uma água que pinga incessantemente dentro de um cubículo feito de portas. Em frente teremos uma instalação do Komatsu, “Status Quo”, que será montada pela primeira vez com cercas de arame que comprimem o corpo do visitante. Como diz o título escolhido para o pavilhão: “É Tanta Coisa que Não Cabe Aqui”. A frase, aliás, foi apropriada de um dos milhares de cartazes que invadiram as ruas brasileiras nas manifestações de 2013.
RESUMO Curador da representação brasileira na próxima Bienal de Veneza, ao lado de Cauê Alves, Luiz Camillo Osorio fala sobre os critérios adotados e trata de outros temas da arte contemporânea. Ele diz acreditar que as relações da arte com a política são históricas e inevitáveis, embora, por si, não sejam garantia de qualidade.
MARCOS AUGUSTO GONÇALVES
Há seis anos à frente do Museu de Arte Moderna do Rio, o carioca Luiz Camillo Osorio é o responsável, ao lado do paulista Cauê Alves, pela curadoria do pavilhão brasileiro da próxima Bienal de Veneza, que abre suas portas no dia 9 de maio. A dupla indicou para representar o país um trio formado pelo veterano Antonio Manuel e dois nomes promissores da arte contemporânea, Berna Reale e André Komatsu. A obra de Manuel engendrou-se no ambiente de alta voltagem cultural e política das décadas de 1960 e 1970, quando uma geração de artistas se viu diante da urgência de adotar estratégias de engajamento e contestação que preservassem a potência e a intensidade estética de seus trabalhos. Em diálogo com essa cena antecedente, Osorio considera que as obras de Reale e Komatsu, cujas trajetórias despontam neste século, “se precipitam no mundo e não temem a contaminação com a realidade bruta”. Doutor em filosofia e professor da PUC-Rio, o curador fez parte do conselho do MAM paulista e é autor de inúmeros ensaios e textos críticos, além de livros sobre artistas como Flávio de Carvalho e Abraham Palatnik. Em entrevista à Folha, ele fala sobre as escolhas para Veneza, a politização da arte, o estatuto da crítica e os desafios enfrentados pelos museus e instituições no Brasil. Folha - Você pode comentar os critérios das escolhas para a representação brasileira na próxima Bienal de Veneza? Luiz Camillo Osorio - O primeiro critério, subjetivo mas relevante, é que tanto
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3 Estratégias engajadas Arte num mundo de urgências
Antonio Manuel quebra um muro da instalação ‘Ocupações/Descobrimentos’ (1998-2013)
eu como o Cauê gostamos muito das obras desses três artistas que escolhemos e temos a convicção de que farão um pavilhão potente. É bom frisar que não foi nada fácil fazer a escolha. Tem muito artista interessante e o espaço de Veneza é pequeno. Decidimos de início que queríamos levar um artista já com carreira consolidada
e um ou dois outros, mais jovens, de trajetória recente, que pudessem dialogar com ele constituindo uma única exposição e não duas ou três individuais. O nome do Antonio Manuel veio primeiro. Um artista indiscutível, cujo engajamento político e qualidade artística se mantiveram ao longo dos anos sem nunca cair no ilustrativo. Há em
sua poética uma articulação bastante interessante entre corpo e forma ou entre precariedade e rigor. Do “Corpobra” (1970) aos muros (“Ocupações/Descobrimentos”, 1998) há uma urgência latente que projeta o corpo e rompe com os limites dados. Essa mesma urgência, a mesma precariedade e a mesma concretude
A arte contemporânea parece premida por uma certa vontade de “participar”, de “intervir no mundo”, de se mostrar “consciente e política”. Os resultados não raro são desastrosos. Estamos vivendo uma época de politizacão exacerbada, e muitas vezes ineficaz, produzida para bienais e curadores? Eu diria que essa “vontade de participar, de intervir no mundo, de se mostrar consciente e política” não é só da arte contemporânea, mas de todos nós que vivemos em um mundo, no mínimo, inquietante. A arte não poderia ficar de fora. O que vem se passando no mundo – 1989, 2001, 2008, 2012 e aqui 2013, para falar só de datas recentíssimas – leva qualquer um a buscar algum tipo de envolvimento com a realidade. Isso tampouco é novo na arte: a arte nos anos 1920/30 e depois nos anos 1960/70 também foi extremamente politizada. Muitas obras ficaram datadas e outras estão entre as mais relevantes no século 20. É claro que a dimensão política não é garantia alguma de boa arte e que há artistas que produzem grandes obras sem qualquer interesse em política. A política da arte não passa, necessariamente, pela intenção do artista. Os resultados frequentemente desastrosos a que você se
refere não me parecem ter a ver com isso, com a vontade política, mas sim com a quantidade superlativa de exposições, galerias, museus, centros culturais, bienais, feiras e mais feiras. A quantidade não é inimiga da qualidade, todavia a qualidade é sempre rara. A ineficácia é algo a ser matizado nesse contexto. A temporalidade da arte é diferente da política e ela atua abrindo novas formas de perceber, falar e compreender a realidade. Ela opera neste registro virtual em que a linguagem e a subjetividade se reinventam na configuração de novas possibilidades de ser que não necessariamente se atualizam no presente. Neste aspecto, a imaginação ainda é algo da maior relevância. Como diziam os românticos, é a rainha das faculdades. A arte e a imaginação estão sempre irmanadas. E a arte é política justamente nos fazendo imaginar outros mundos possíveis, nos fazendo desnaturalizar aquilo que a ideologia dominante cristaliza, nos viabilizando outras formas de vida. Grande parte da crítica de arte migrou para a curadoria. Como você vê o estatuto da crítica hoje, seja a da imprensa, das revistas especializadas e da academia? É um problema complicado. A crítica na imprensa retraiuse, principalmente em função da retração da própria imprensa. Ter um jornal no Rio e dois em São Paulo mostra que o jornal impresso tem um campo de ação reduzido. Quando o Sábato Magaldi fazia crítica de teatro no Rio, em 1950, havia mais de dez jornais na cidade e, naquele ano, ele fez quase uma crítica por dia, sendo que alguns espetáculos recebiam crítica ao longo de vários dias seguidos, analisando múltiplos aspectos da mesma peça. Até no dia seguinte a final da Copa, entre Brasil e Uruguai, saiu uma crítica dele! Ou seja, o jornal cumpria um papel na formação de um debate público. Hoje os três jornais principais mantêm suas colunas de crítica, com profissionais da maior competência, mas ela acontece apenas uma vez por semana e tem um lugar meio lateral nos cadernos de cultura. Suplementos como a “Ilustríssima” resistem heroicamente, mas gostaria de saber com que reverberação pública. Infelizmente, estamos premidos pelos afazeres e as pessoas não dispõem de tempo para parar e ler algo mais reflexivo. A crítica não está a serviço do entretenimento, mas da arte, do que nela é pensamento e complexidade, ou seja, com a dimensão críti-
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os parâmetros depois. Os museus e centros culturais têm feito sim um trabalho educativo importante, atuando na maior acessibilidade pública destes espaços, mas não basta fazer visita guiada, é preciso estimular o olhar de cada um, fazer cada um ver que nem tudo se mostra de uma vez, que há algo invisível, inapreensível, intraduzível na experiência da arte. Há que se estimular a contaminação de olhares diferentes e de formas de diálogo novas entre obras de arte e de não arte. Este também é um papel da curadoria. A arte é necessariamente elitista? Esta é uma pergunta capciosa. Necessariamente eu diria que não é, mas há nela uma opacidade que não a torna acessível imediatamente. Não adianta explicar arte, não há algo que se resolva no âmbito da explicação. Há que se dispor a uma relação trabalhosa, mas é um trabalho prazeroso, estimulante, jamais penoso e chato. O escritor português Lobo Antunes faz uma distinção interessante entre literatura relevante e literatura de entretenimento. Diz que, como as piscinas, tem literatura que dá pé e outra que exige o esforço do nado para nela ficarmos sem afundar. A arte sempre exige alguma natação, não pode dar pé. Em suma, se não é para todos, é para qualquer um que se disponha a ter com ela uma troca criativa.
‘Choque de Ordem 4’ (2013), obra do artista André Komatsu
ca da obra e de sua inserção no circuito. Somos cotidianamente forçados a saber de mil coisas inúteis e desestimulados a problematizar o que se apresenta. E isso só serve à máquina do consumo e à angústia. Quanto à crítica ter migrado para a curadoria, pode ser um aspecto interessante, não vejo problema nisso, é como se a crítica passasse a pensar espacialmente e não verbalmente. As exposições de arte estão dentro de um circuito complicado, cheio de armadilhas, misturando entretenimento e um mercado poderoso com uma pretensão reflexiva e crítica constante da arte, com referências filosóficas, antropológicas, científicas, tudo ao mesmo tempo. Podemos ler isso como apelativo, como algo arbitrário e pernóstico a serviço de um circuito comercial dominante, mas também podemos olhar os museus e as bienais como lugares institucionais que buscam se redefinir, procurando oferecer ao público experiências não convencionais que nos obriguem a parar para lidar com o não evidente, aquilo que o [crítico de arte americano] Harold Rosenberg (1906-78) chamava de objeto ansioso. Eu tenho o maior apreço por museus, pelos encontros que podem acontecer ali com coisas inesperadas e pela vi-
vência sempre desnorteante de uma experiência estética. Há que se dar este tempo e esta oportunidade a qualquer um que se disponha. Já a crítica universitária tem seu circuito próprio, segue produzindo um material interessante, apesar das pressões absurdas do sistema acadêmico. Entretanto, ela sofre de um certo isolamento, obrigando o teórico e crítico a ter uma atuação combinada com museus e outras instituições culturais e artísticas. É o meu caso, por exemplo, como de muitos outros. Eu sou da universidade, professor da PUC, e estou atuando como curador no MAM. Outro aspecto que acho que só tende a crescer é a crítica no espaço virtual, nos blogs e sites. É natural que haja esse crescimento e que nichos se produzam a partir daí. O espaço público está se redefinindo e se fragmentando a partir dessa mediação tecnológica. Quais são os desafios das instituições de arte no Brasil? Como poderiam se tornar mais sustentáveis? O principal desafio é encontrar sua própria forma de atuação. Acho irrealista querermos ser MoMA ou Tate. Temos que ser mais preocupados com a sustentabilidade dos processos, ao mesmo tempo que devemos ter em mente o tipo de atuação que
o museu ou centro cultural deve ter em cada caso. Acho que as coisas estão melhores hoje, vejo com bons olhos as mudanças no Masp, por exemplo, que quer encontrar uma forma de governança viável e que esteja à altura daquela coleção. O MAR, no Rio, também procura criar a sua especificidade institucional e o IMS mostra que uma instituição privada com acervo e uma programação impecável ligada a uma empresa ou a um banco pode funcionar sem lei de incentivo. O mercado de arte está inflacionando os valores de circulação de obras e de produção de exposições, tornando o processo insustentável. Para pedir uma pintura emprestada a qualquer museu, principalmente lá fora, paga-se uma fortuna de “fee” (taxas), de seguro, de transporte, além do “courier”, que muitas vezes quer viajar de classe executiva para a montagem e a desmontagem da mostra. Com dez obras assim, inviabilizase uma exposição ou ficam os museus à mercê de financiamentos bilionários. Como sair desse impasse? Deve haver uma ação coordenada pelos museus, criando parcerias e mecanismos de troca entre as instituições. Não é fácil, é um desafio. Há que se baratear as coisas, não dá para as exposições serem orçadas em R$ 1 mi-
lhão, R$ 2 milhões, e isso ser normal. Baratear não significa piorar a qualidade, não é isso, mas racionalizar e coordenar os processos. Qual o papel da educação no que diz respeito à arte? Estamos longe do ideal? Os tais setores “educativos” de museus e instituições funcionam ou são mais para constar? Dizer que a educação tem papel fundamental é chover no molhado. Ninguém diria que não tem. O problema é como fazer para qualificar e democratizar ao mesmo tempo. Quando o Brizola (19222004) falava de tempo integral nas escolas – com escolas preparadas para turno único – era taxado de populista, demagogo e se dizia que não haveria dinheiro para isso. Tem que ter, há que se tirar de algum lugar. Há que se fazer um investimento sério em educação, nos programas pedagógicos e nas escolas públicas. Ensino fundamental e ensino médio deveriam estar sendo articulados pelo governo federal, junto com os Estados e municípios. Por outro lado, não dá para negar a crise da educação no mundo contemporâneo. Não podemos fingir que basta comprar uns computadores, botar nas salas de aula e o problema se resolve. É preciso encontrar outras e novas formas de educação,
sem excluir o bom e velho livro e as aulas presenciais como mecanismos de troca e aprendizado coletivo. As crianças hoje aprendem nos seus computadores e celulares, eles são aliados, mas há que se ensinar a pesquisar, a pensar junto ao que se pesquisa, há que se ensinar a problematizar os dados e a se admirar com a beleza e a simplicidade. A arte e a cultura têm um papel decisivo aí. Parte do orçamento dos museus deveria estar integrado ao financiamento da educação. Não é uma coisa fácil. O MAC de Niterói, por exemplo, construiu um espaço, desenhado pelo Niemeyer, o “Maquinho”, para projetos educativos e sociais dentro da comunidade que fica em frente ao museu. Algo inovador e que até hoje sofre de certa incompreensão da prefeitura, que não mantém a regularidade do financiamento como deveria. Os pontos de cultura criados pelo ministro Gilberto Gil têm um papel relevante. É algo a ser multiplicado, que pode servir como forma de viabilizar o aprendizado e a criação, a educação e a arte. Não se pode educar sem estimular a criação, e não se pode criar sem uma base de conhecimentos mínima, sem um quadro de referências que sirva como parâmetro, mesmo que se transformem
Como você vê a produção brasileira hoje em relação aos principais centros, em termos de qualidade e também de valor? Acho, sinceramente, a produção brasileira da maior qualidade, não deixa nada a dever a qualquer outro centro. Na verdade, o mundo da arte está completamente globalizado e falar em arte brasileira traz sempre uma pergunta sobre o que seria o brasileiro nesta arte – se tem a ver com passaporte ou pertencimento a um quadro de referência histórico. É interessante como a arte brasileira está influenciando artistas estrangeiros e como há pesquisadores e curadores discutindo arte brasileira. Não fico uma semana no MAM sem receber alguém de fora interessado na arte brasileira. Você vai aos principais museus e eles já misturam obras brasileiras em suas exposições permanentes. Fora isso, a arte brasileira nos últimos anos também se “descentralizou”, aparecendo muitos artistas interessantes fora do eixo Rio-São Paulo. Peguemos o Jonathas de Andrade, a Berna Reale e o Yuri Firmeza, para falar dos últimos anos. Cada um vem de um Estado diferente e segue vivendo em cidades do Norte e Nordeste: Recife, Belém e Fortaleza, respectivamente. Duas instituições fundamentais surgidas recentemente também estão fora deste eixo: Inhotim, em Minas, e Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre. Isso é ótimo para a arte brasileira. Sobre valor de mercado, aí não tem muito o que discutir – se tem quem pague, tem valor, apesar da instabilidade e da dificuldade de liquidez. A minha sensação, entretanto, é que os preços estão loucos, altíssimos, insustentáveis. Não só aqui, por toda parte.
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Diário de Buenos Aires O MAPA DA CULTURA
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Mistérios e espiões
Realidade argentina mais parece livro noir
MARIANA CARNEIRO
No topo da lista dos mais vendidos na Argentina, atrás somente de “Cinquenta Tons de Cinza” e da franquia John Green, o livro “El Puñal” (o punhal, ed. Planeta), do jornalista Jorge Fernández Díaz, arregimenta leitores em meio ao clima sinistro que domina o país, comovido pela suspeita morte do promotor Alberto Nisman. Espionagem, morte e mistério saltaram dos livros de ficção para a realidade e frequentam o noticiário. Quem matou Nisman? O governo, a CIA, o Irã? Teria sido suicídio? O assunto invade as conversas e hipóteses são levantadas quase aos sussurros. Na vida real, a investigação patina, versões aparecem a cada instante e a suposição de culpa espreita o gabinete da presidente Cristina Kirchner, principal alvo das acusações do promotor morto. A novela de Díaz tem como personagens uma mulher poderosa e um espião, que vasculha a vida dos inimigos de seus patrões. Soa ter relação com a realidade argentina, mas Díaz, que é secretário de Redação do jornal “La Nación”, diz que seu livro é pura ficção. O clima policialesco e de conspiração política catapultou outras publicações relacionadas ao tema. “Matar Sin que se Note” (matar sem que se note, ed. Planeta), de Gustavo Perednik, ganhou nova edição. Trata-se de uma reportagem sobre o caso investigado por Nisman, a suposta conspiração orquestrada por Cristina para encobrir os
responsáveis pelo bombardeio da organização judaica Amia – maior atentado da história argentina. O homem que sabia demais Outro que chegará às livrarias nos próximos dias é “Código Stiuso” (ed. Planeta), de Gerardo “Tato” Young, que leva no título o nome do espião mais famoso da Argentina: Antonio “Jaime” Stiuso. O personagem vale mesmo um livro. Homem poderoso do serviço secreto argentino, espionou inimigos dos governantes por 43 anos. Sua imagem só foi revelada agora e até então era conhecido apenas pelo codinome “Jaime”. Stiuso passou pela ditadura, redemocratização, governos de radicais e peronistas e, por fim, pela era Kirchner. Recém-expulso do ninho, está sendo acusado pelo governo de fornecer provas falsas a Nisman, a fim de prejudicar Cristina. A realidade nunca foi tão inspiradora para um romance noir. O político e o papa Na semana passada chegou aos cinemas o documentário “Francisco de Buenos Aires”, uma produção argentino-italiana dirigida por Miguel Rodríguez Arias. O diretor se notabilizou pelo documentário “Las Patas de la Mentira” (1997), em que expôs contradições do ex-presidente peronista Carlos Menem e seus aliados. Dessa vez, Arias retrata um personagem quase oposto. Tal qual Menem, Francisco parece ter apreço pela exposição midiática. Mas se
o ex-presidente argentino ganhou projeção com uma vida de opulência dourada, a fama de Francisco cresce à medida que demonstra abnegação pelos signos de riqueza da igreja. No documentário, o papa é retratado como um sujeito popular, que telefona para os antigos amigos e afirma não ter desejado alcançar a mais elevada (e sagrada) posição na igreja. O filme reúne declarações públicas de Francisco, fotos e vídeos, histórias de amigos e entrevistas com biógrafos e com sua irmã. Arias mostra o Francisco que todos nós imaginamos, o homem simples que luta pelos pobres e que chegou lá. Não há surpresas. O filme está em cartaz em 25 salas de Buenos Aires. No Brasil, será exibido pelo canal Discovery na Páscoa, dia 5/4, às 17h10. Ainda a copa Instantâneos registrados por 30 fotógrafos, brasileiros e estrangeiros, não deixam esquecer o momento de perturbação e contrastes que foi a Copa no Brasil. Fotos reunidas na exposição “Warld Cup” – “war” de guerra, em inglês – exibem brasileiros que não foram aos estádios. Gente que perdeu a casa para ceder lugar às transformações urbanas, que vive em comunidades pobres ou que enfrentou a polícia nos protestos que antecederam os jogos. A exposição permanece em cartaz até o dia 29 de março, no moderno edifício do Centro Cultural de La Cooperación, na agitada avenida Corrientes.
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Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRARAM HISTÓRIAS
5 Augusta, calçada da fama São Paulo, 1967
ACERVO PESSOAL
WANDERLÉA
Erasmo Carlos costuma dizer que o cinema mostrou a cara da juventude transviada com Marlon Brando montado numa Harley-Davidson no filme “O Selvagem” (1953) e que James Dean e Sal Mineo foram os ídolos dessa contestação visual. Elvis Presley nos trouxe, com o rock, a transgressão sonora. Naquela época, todos os jovens queriam – na rebeldia do vestuário, topete com brilhantina e uma fama de mau – imitar seus ídolos. Aqueles que viram e sonharam com o filme “O Candelabro Italiano” (1962) adotaram a lambreta – menos pesada, mais romântica e acessível – no lugar da Harley. Os cinemas que exibiram aqui, nos anos 60, o filme “Ao Balanço das Horas” (1956), com Bill Halley e seus Cometas, foram quebrados na noite de estreia por adolescentes que ficaram enlouquecidos com o ritmo alucinante do rock and roll que chegava. A coreografia era dançada espalhafatosamente, com
as moças se atirando em cima de seus parceiros num salto espetacular, deslizando sobre suas costas com as saias voando e ressurgindo lépidas rebolando por entre as pernas do cavalheiro num gingado frenético. Em São Paulo, o radialista Antônio Aguillar comandava seu programa com alguns artistas já envolvidos com o rock e que já marcavam território, como Carlos Gonzaga, Tony e Celly Campelo, Sergio Murillo e Ronnie Cord, que eternizou o hino em homenagem à rua Augusta com um refrão bem ao estilo juventude transviada: “Quem é da nossa gangue não tem medo”. Mas foi com a entrada da jovem guarda que a rua Augusta tomou conta do cenário pop rock brasileiro, demarcando definitivamente aquela passarela como o maior point de expressão jovem do país. Em 1967 aqueles carros maravilhosos dos paulistanos bem nascidos desfilavam naquelas paqueras dominicais, foi ali que a juventude paulistana passou a se expressar. Roberto e Erasmo compraram carrões maravilhosos e os rapazes, os imitando, desfilavam também suas madeixas soltas sem Gumex, calças
A cantora Wanderléa com seu Mustang conversível branco em foto de 1967, em São Paulo
“saint-tropez” muito justas em boca de sino, camisas de gola rolê, cinturões e botinhas carrapetas – todos se sentindo “uma brasa, mora”. As meninas todas à la Wandeca, de microsaias de couro pretas, botas altas, cabeleiras sem laquê, muito pancake, e cílios postiços – imagem rebelde que con-
trastava com as pudicas anáguas e combinações usadas então por baixo dos vestidos compridos e rodados. Eu também quis competir com o poder masculino que aquelas máquinas poderosas projetavam e, em 1967, também importei meu primeiro carrão: um Mustang conversível branco de capota preta
que causava o maior furor nas ruas paulistanas, além de uma BMW conversível – no tempo em que se podia desfilar de capota arriada. A rua Augusta fervia, mas a partir daí minhas participações naqueles desfiles passaram a se tornar impossíveis devido ao assédio, que aumentou consideravelmente. Às ve-
zes eu percorria escondida o trajeto com o Laurão, meu motorista e “body-guards” que passei a necessitar, e dava uns rolês nostálgicos, espionando a galera divertida. Bons tempos – mais românticos e ingênuos, sem dúvida – que estabeleceram a fama trepidante desta que se tornou a mais famosa rua da cidade entre os anos 60 e 70. Hoje a Augusta se popularizou, e os agitos jovens acontecem na parte baixa, mas sem aquele glamour de outrora. Próximo aos seus arredores, surgiu a nossa Manhattan paulista, pela excelente localização e comércio altamente sofisticado de sua parte mais nobre. Em 2009, junto a alguns ativistas ambientais, plantei árvores em suas esquinas com a finalidade de humanizar sua orla tão carente de verde. Por isso torço muito para que ela seja agraciada com o parque Augusta que ambicionamos tanto, para nos proporcionar uma área de lazer e respiro. A rua Augusta e nós moradores de São Paulo merecemos a concessão desse parque que nos trará mais drenagem do solo, um ar mais saudável e vida nova a essa que foi a nossa verdadeira calçada da fama.
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plateia@emtempo.com.br
DIVULGAÇÃO
Plateia 3
(92) 3090-1042
ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
Caderno D
Plateia
Entrevista com a cantora Ana Paula Valadão
Atualmente, restam apenas a fachada e as ruínas do prédio onde funcionaram o Hotel Cassina e o Cabaré Chinelo
FANTASMAS
PASSADO
De hotel a futuro centro cultural Projeto de restauro do imóvel que abrigou o Hotel Cassina está previsto no PAC Cidades Históricas para se tornar um Centro de Arte Popular LUIZ OTAVIO MARTINS Especial EM TEMPO
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élebre point durante o período da Belle Époque amazonense, o imóvel que abrigou o Hotel Cassina e o Cabaré Chinelo encontra-se há décadas abandonado e em ruínas. Construído em 1899 na rua Bernardo Ramos, 295, Centro Histórico de Manaus, hoje integra o patrimônio cultural da cidade, e um projeto de restauração desse prédio foi incluído no Plano de Aceleração do Crescimento 2 – PAC Cidades Históricas. O PAC é uma ação intergovernamental articulada com a sociedade para a preservação do patrimônio brasileiro e envolve diversas capitais do país. Em Manaus, o plano abrange a requalificação urbanística das praças 15 de Novembro, Adalberto Vale, Tenreiro Aranha, Dom Pedro 2º e do entorno do Mercado Municipal Adolpho Lisboa, e a restauração do Pavilhão Universal (retirado da praça Terreiro Aranha para ser implantado na praça Adalberto Vale), do Casarão da Biblioteca Municipal, da antiga Câmara Municipal e do Antigo edifício do Corpo de Bombeiros, onde será implantada a Pinacoteca Municipal, além do Hotel Cassina. De acordo com a assessoria de imprensa do PAC Cidades Históricas, o projeto do Hotel Cassina, atualmente, está internado no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan/AM) e aguarda o docu-
mento comprobatório de posse a ser emitido pelo Governo do Estado. Só depois da emissão desse documento, o projeto será analisado e, caso aprovado, o convênio vai ser “celebrado”. A proposta é que o antigo Hotel Cassina seja transformado em Centro de Arte Popular. O projeto, que tem valor estimado de R$ 5,9 milhões, contempla a restauração da fachada da edificação, reconstrução de pisos, escadas, instalações e cobertura. “Samba” No ano passado, as ruínas do Hotel Cassina chegaram a ser cogitadas para abrigar o “Point do Samba”, iniciativa da Secretaria de Estado da Cultura (SEC) que estava prevista para a programação do projeto “Amazonas de Todas as Artes, uma série de eventos durante a Copa do Mundo da Fifa, em vários espaços mantidos pelo governo estadual. Tal iniciativa – de transformar locais abandonados em centros de arte e cultura – é comum em outros locais do Brasil e do mundo. Segundo o secretário Robério Braga, uma licitação para a realização desse projeto chegou a ser aberta, mas nenhum empresário se interessou. No auge, o Hotel Cassina foi frequentado por intelectuais e empresários da borracha e, no período considerado de decadência, o imóvel abriu espaço para o Cabaré Chinelo. Hoje, apenas a fachada ainda resiste às depredações do tempo e humana.
Iluminação do abandono
As ruínas do Hotel Cassina foram um dos focos da primeira edição, em 2012, do projeto “Lugares que o dia não me deixa ver”, da associação cultural Casarão de Ideias. A iniciativa propõe a iluminação das fachadas de prédios históricos que se encontram abandonados com a presença de performances de artistas, durante as segundas-feiras do mês de setembro. No primeiro ano, o projeto também foi levado para o complexo da Booth Line, um casarão nas esquinas das ruas Getúlio Vargas e Leonardo Malcher e o Relógio Municipal. Logo na primeira edição, o projeto foi contemplado com um prêmio da Fundação Nacional de Artes (Funarte) e, no segundo ano, a quantidade de locais iluminados passou de 4 para 16. No ano passado, além de Manaus, a iniciativa passou por Paricatuba, totalizando 20 lugares. O diretor do Casarão de Ideias, João Fernandes, revela que, para este ano, existem novas
propostas para o “Lugares que o dia não me deixa ver”. “Queremos incluir um projeto de educação patrimonial. A ideia é começar pela rua Monsenhor Coutinho, onde fica a sede do Casarão, e fazer um trabalho com estudantes da escola estadual Eunice Serrano, com quem temos parceria. Vamos promover uma oficina de fotografia e aulas de ferramentas de computação gráfica para os alunos”, adianta. “A ideia é fotografar toda a rua, voltar para a escola e fazer um restauro digital desses prédios para que as pessoas percebam como a rua ficaria se fosse bem cuidada e bem tratada”. Essa programação incluirá palestras de educação patrimonial, não apenas para os estudantes, mas para toda a comunidade. “Vamos iniciar esse projeto em maio para culminar em setembro, que é o mês de realização do ‘Lugares’. E depois ampliar para outras escolas do entorno”.
Relação de afeto João Fernandes destaca que um dos objetivos do projeto “Lugares que o dia não me deixa ver” é estimular a criação de uma relação de amor entre as pessoas e os patrimônios históricos do Centro de Manaus. “Ainda falta construir essa ‘ponte’ que acho de fundamental importância para a cidade. As pessoas gostam, mas têm medo de vir ao Centro, ainda têm uma ideia de lugar marginalizado’, observa. “O que a gente vê muito nesses projetos de revitalização é que os lugares são restaurados, mas não são revitalizados, as pessoas não se inserem novamente”. Em relação aos resultados do “Lugares”, Fernandes comenta que as edições anteriores do projeto conseguiram chamar a atenção do público. “Vemos as pessoas acompanhando a programação, indo até os lugares
para fotografar e divulgar as imagens iluminadas. Pelas redes sociais, das pessoas mais comuns até as mais influentes citam o nome do projeto”, conta. Para o diretor do Casarão de Ideias, o principal questionamento que envolve o descaso com o patrimônio histórico é “Como fazer com que o público adote esses lugares a ponto de zelar por eles?”. Ele lembra ainda ter observado que muitos dos alunos da escola Eunice Serrano residem em outros bairros da capital. “Então, como não têm relação com aquela rua do Centro, termina aí a ideia de não criar uma relação afetiva. E a nova proposta do projeto é que, a partir das fotografias produzidas por esses estudantes, seja criado um elo de afeto entre moradores de outros bairros com o Centro”.
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>> Sambinha
>> Objeto de desejo
. Dando continuidade na temporada de domingo, o Buteko da Piscina, agitado endereço no Vieiralves, apresenta hoje três grandes grupos de sambas: Cuka Fresca, Grupo Cacildis e Amizade do Samba. A ferveção começa a partir das 15h com Budwaisser liberada até as 17h. . Pixote, Sorriso Maroto, Fundo de Quintal, Revelação e muitos outros grupos são a base do reperdo Cuka Fresca que será a primeira banda a subir no palco. Eles vão fazer muitos outros estilos musicais para fazer um show diferente neste domingo.
Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br
>> Arte . Só até o mês de março.
tório
. O governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), apresenta a exposição “Do Mato Nascem Coisas”, da artista plástica Priscila Pinto. . Local do evento de arte? No Centro Cultural Palácio da Justiça. As obras da artista poderão ser visitadas pelo público de Manaus de terça a sexta, das 13h às 17, e aos domingos, das 17h às 21h. Entrada free.
. Encerrando a noite, o grupo Amizade do Samba segura o pique e faz um variado set list de sambas e pagodes. Opção para preencher o domingão.
. A onda das clutchs com frases e palavras continua com tudo. . Os modelos criados por Edie Parker são desfilados por fashionistas, celebridades, e agora a coleção Chanel também conta com modelos com frases e nomes próprios.
Maria Inês Cestari e Lucia Viana durante evento voltado para o público feminino na joalheria Dryzun, que comemorava seis meses de sucesso
>> Fashion . Uma amazona moderna: essa é a mulher que atravessou a passarela da Hermès na Semana de Moda de Paris, que está acontecendo na Cidade Luz. . Foi o début de Nadège Vanhee-Cybulski (ex-Céline e Margiela) como diretora criativa da marca, e ela não deixou a desejar. Sem mexer no DNA da maison, a estilista apresentou clássicos da mesma, como os carrés estampados em camisas e saias e as mantas de montaria que fazem as vezes de ponchos. Tudo com uma cartela de cores sóbria, com alguns looks mais vivos (como o all red abaixo). Chiqueria pura!
MÚSICA
INTERPRETAÇÃO
ro o maestro Adelson Santos que lhe acompanhará com seu violão e dividindo os vocais com a artista. A produção do espetáculo é da Porto de Lenha Produções. Karine Aguiar teve seu disco escolhido como “Melhor Disco de MPB 2014”, pelo Portal do Brasil na França. Ela está em fase de consolidação de sua carreira internacional desde o ano passado e parte para os Estados Unidos no dia 6 de abril, para figurar, como solista convidada do baixista norte-americano Matthew Parrish, no concerto “Brazilian Jazz Extravaganza”, no Bucks County Performing Arts Center, na Pensilvânia. DIVULGAÇÃO
sicas, sendo duas delas uma surpresa para o público. Karine foi aluna do maestro durante sua adolescência, pisou no palco do Teatro Amazonas pela primeira vez, pelas mãos de Santos quando tinha apenas 14 anos. E desde então, lá se vão 15 anos de convivência pessoal e profissional. “Por isso, nada mais justo do que homenageá-lo, exaltando sua obra e todo o legado que ele construiu no Amazonas”, disse. A banda contará com nomes conhecidos como Ygor Saunier (bateria e percussão), Ênio Prieto (saxofone e flauta), Adalberto Soares (contrabaixo acústico) e cla-
DIVULGAÇÃO
Karine canta Adelson Santos Prestes a completar 70 anos, o compositor e maestro amazonense Adelson Santos terá suas obras interpretadas pela cantora Karina Aguiar, em uma apresentação comemorativa. O show intitulado “Delírios Sonoros da Floresta” está marcado para o dia 27 de março, às 20h, no Teatro do Centro de Artes da Universidade Federal do Amazonas (Caua). Professor adjunto da Ufam, Santos terá 14 composições incluídas no repertório da cantora. Dentre elas, estão as emblemáticas “Não Mate a Mata”, “Dessana, Dessana”e “Sonhos de Voar”. Porém, ao todo, o set list terá 16 mú-
Alessandra e Cristiano Brandão em noite très chic
Carlos Machado (foto) vem ao lado dos colegas Ronny Kriwat e Bernardo Mesquita
Atores divulgam curso teatral A partir de hoje, o Sumaúma Park Shopping inicia uma semana de inscrições para quem quiser participar do Curso Livre para Interpretação e Teatro, promovido pela Oficina de Atores, que será ministrado em Manaus durante quatro meses. Para divulgar o curso (certificado com 100 horas/aulas), nesta terçafeira (17), a partir das 19h, os atores Carlos Machado, o “Inácio” da novela “Amor à vida” e o Ronny Kriwat, o “Leto” da novela “Em Família”, têm um encontro marcado com o público na praça de eventos do centro de compras. No encontro, eles vão promover um bate-papo inforCantora amazonense adota nada menos do que 14 obras do maestro em seu “setlist”
mal para falar sobre a experiência na carreira artística e a importância do curso de especialização. Na quarta-feira (18) será vez do ator Bernardo Mesquita interagir com o público no Sumaúma. Como parte da programação de quarta, o ator – que ganhou destaque na novela Malhação - e o diretor Leo Niklevis vão promover uma aula experimental, onde os candidatos terão a oportunidade de encenar algumas passagens da novela juvenil. A participação do público nos dois dias é gratuita. Uma boa notícia para quem busca entrar no meio artístico é que, na terça e quarta-feira, será
sorteada uma bolsa integral para o Curso Livre para Interpretação de Teatro em Manaus. Vale ressaltar que as inscrições no shopping seguem até o dia 21 de março.
SERVIÇO INSCRIÇÕES CURSO LIVRE PARA INTERPRETAÇÃO E TEATRO Quando praça de eventos do Sumaúma Park Shopping (Av. Noel Nutles, Cidade Nova)
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Ana Paula VALADÃO
‘O Amazonas É MUITO ESPECIAL NAS nossas vidas’ FOTOS: DIVULGAÇÃO
E Vamos cantar músicas queridas do Diante do Trono, como ‘Preciso de Ti’, ‘Me Ama’, ‘Canção do Apocalipse’; e canções que falam sobre as águas de Deus que precisam regar nossos corações e a nossa terra, como ‘Águas Purificadoras’”
la tem sotaque mineiro, mas gosta de suco de cupuaçu e não dispensa um bom tambaqui assado. Dona de uma das vozes mais conhecidas da música gospel nacional, Ana Paula Valadão é praticamente uma amazonense de coração. A líder do Ministério Diante do Trono está animada com a participação do “Louvarei 2015 – Conferência Voltando à Essência”, que será realizado nos dias 17 e 18 de abril, em Manaus. Em uma das visitas à capital do Amazonas, em 2012, o grupo gravou o CD/DVD “Creio”, no Centro de Convenções – sambódromo, mesmo local onde serão realizados os shows do evento, considerado um dos maiores da região Norte. Agora, retorna para relembrar os principais sucessos e apresentar canções do trabalho mais recente, “Tu Reinas”, que teve o sertão nordestino como cenário e vendeu 50 mil cópias em apenas um dia.
ças boas e, principalmente, o trabalho missionário da Igreja da Lagoinha entre os ribeirinhos. Por tudo isso, o Amazonas é muito especial nas nossas vidas e no nosso ministério.
EM TEMPO - O Diante do Trono tem um “relacionamento” especial com o Amazonas, tanto com a realização de eventos em Manaus — como a gravação do CD/DVD “Creio”, em 2012 —, quanto com a comunidade no interior, onde há uma missão da IBL. Fale sobre a importância do Estado para o ministério. ANA PAULA VALADÃO – Desde o início do Diante do Trono, eu já tive várias oportunidades de estar no Amazonas e sempre foram especiais. A receptividade do povo, a cultura, a comida deliciosa, os peixes maravilhosos — que nós não temos aqui, no Sudeste — e a própria floresta, a riqueza natural, os rios. Tudo isso sempre me maravilhou. Eu não tenho mais noção de quantas vezes estive em Manaus e já viajei também para o interior algumas vezes. Tenho amigos na cidade, temos muitas lembran-
EM TEMPO - Mas a realização desse sonho não foi tão simples, certo? APV – Em 2009, eu recebi essa direção do Senhor, mas por diversos motivos nós não pudemos realizar. Eu fiquei muito triste, mas guardei no meu coração e, no momento oportuno, o Senhor abriu as portas. Em 2012, gravamos em Manaus e fizemos um ato profético no Encontro das Águas. Os irmãos nos abençoaram, emprestando um barco e nós estivemos ali, orando pela unidade da Igreja.
EM TEMPO - Muitos conhecem a trajetória do Diante do Trono, mas ainda não sabem do trabalho missionário no interior do Amazonas. Fale sobre ele. APV – É um trabalho no Lago Manacapuru, em várias comunidades daquela região. Já estive lá pessoalmente. Inclusive, nos extras do DVD “Creio”, nós gravamos uma visita a duas dessas comunidades e cremos que, muito mais, o Senhor nos permitirá fazer; e despertar a Igreja para a necessidade de evangelização. O aspecto espiritual do Estado também sempre me chamou atenção e eu sonhava com o dia em que Deus nos mandaria fazer um grande ajuntamento e gravação em Manaus.
EM TEMPO - O que essa gravação no “Encontro das Águas” representou para o grupo? APV – Uma das mensagens mais fortes quando nós vemos as águas que correm lado a lado por seis quilômetros — do rio Negro e do rio Solimões — e no sétimo quilômetro elas começam a se misturar. Deixam para nós este recado, de que o número sete, que fala da perfeição
de Deus, faz com que todas as nossas diferenças se encontrem e nos tornemos verdadeiramente um só em Cristo Jesus. EM TEMPO - Vocês também estiveram em pontos turísticos de Manaus para gravar cenas exclusivas do DVD “Creio”, como o parque Jefferson Peres, o Teatro Amazonas, em uma comunidade carente do Bairro da União e em uma tribo indígena. Qual momento te marcou? APV – Foi especial gravar “Preciso de Ti”, que é a nossa música, essência, é o nosso DNA. É a música mais conhecida do nosso ministério e fizemos um clipe em uma tribo indígena, próxima de Manaus. EM TEMPO - Qual é a expectativa para o “Louvarei 2015 – Conferência Voltando à Essência”? Tem alguma música que irá ser tocada com certeza? APV – Temos uma santa expectativa pelo que Deus fará, junto com o ministério “Jesus Culture”, que tanto admiramos. Com certeza, vamos cantar músicas queridas do Diante do Trono, como “Preciso de Ti”, “Me Ama”, “Canção do Apocalipse”; e canções que falam sobre as águas de Deus que precisam regar nossos corações e a nossa terra, como a canção “Águas Purificadoras”, “Ao Cheiro das Águas”, que gravamos no último álbum “Tu Reinas”. EM TEMPO - Por falar nisso, o CD “Tu Reinas” vendeu 50 mil cópias apenas no primeiro dia de lançamento. Foi uma surpresa? O que esse trabalho representa para o Diante do Trono? APV – Ficamos maravilhados ao ver o CD “Tu Reinas” vender tantas cópias em apenas um dia. E os testemunhos que têm chegado são impactantes e nos encorajam a prosseguir gravando aquilo que o Senhor tem colocado em nossos corações; como um re-
cado, como uma voz profética que tem ecoado nos céus do Brasil. Foi um ato profético no sertão nordestino, que sofria com a pior seca dos últimos 60 anos. Ali, nós clamamos e o Senhor tem atendido as nossas orações. Muitas áreas do sertão têm sido cobertas de chuva, como nunca antes, e acreditamos que a Igreja brasileira tem sido despertada para olhar para a necessidade do sertão, que é a região com maior carência de evangelização e de desenvolvimento social. O Senhor tem feito a sua parte e nós precisamos fazer a nossa. EM TEMPO - Alguma novidade deve chegar às lojas em 2015? APV – O CD e o DVD “Telestai”, gravado em Israel, o maior marco da nossa história até hoje, serão lançados no segundo semestre deste ano. Estamos com muita expectativa porque nós e os mais de 300 “caravanistas” que estiveram conosco, adorando e intercedendo na Terra Santa, fomos profundamente marcados por Deus durante a gravação. E cremos que é um momento profético, declarando “Maranatha! Ora vem, Senhor Jesus”, porque Israel está no centro das profecias bíblicas dos últimos dias. EM TEMPO - Qual recado você gostaria de deixar aos amazonenses? APV – Convido todos, da capital e do interior, para estarem conosco no “Louvarei”, que reúne adoradores brasileiros e norte-americanos. Todos unidos em um só propósito: levantar o nome de Jesus. É um privilégio, como nação, termos a liberdade de cantar os nossos louvores em eventos grandiosos como esse. Então, não vamos perder esse privilégio. Há tantos países onde declarar o nome do Senhor resulta em perseguições. Mas nós podemos fazer o melhor, com toda a ousadia e liberdade. Espero por vocês!
O aspecto espiritual do Estado também sempre me chamou atenção e eu sonhava com o dia em que Deus nos mandaria fazer um grande ajuntamento e gravação em Manaus”
A receptividade do povo, a cultura, a comida deliciosa, os peixes maravilhosos e a própria floresta, a riqueza natural, os rios. Tudo isso sempre me maravilhou”
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Pedro Moraes em ‘Além do princípio do prazer’ Novo álbum do cantor e compositor carioca é o segundo da carreira do artista e coleciona notoriedade internacional
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segundo álbum solo do cantor e compositor carioca Pedro Sá Moraes é um trabalho construído com rigor estético raro, que convida o ouvinte a viagens mais profundas e transformadoras. Fundamentado em conhecimento vasto da tradição do samba e de outros gêneros essenciais da música brasileira, Além do Princípio do Prazer tem a melodia como soberana e conta com o vocal de Pedro, difícil de encontrar na produção atual. Mas impõe desafios singulares, não facilita o crediário no déficit de atenção nosso de cada dia, avança com ousadia por inovações estruturais e sônicas, pensa e faz repensar a canção. E isso recompensa imensamente. Jon Pareles, decano da crítica do jornal The New York Times, rendeu-se ao disco apontando o contraste entre a suavidade do barítono e a aspereza dos arranjos, com guitarras ruidosas, interrupções repentinas de bateria e sobressaltos de andamento. “A primeira canção, ‘Alarido’, insinua um manifesto; ela adverte que ‘um rebuliço dissonante assombrará você/ Furioso fuzuê’ [que na tradução inglês divertidamente vira “furious racket”], mas isso vai levar a uma ‘serena tensão’, escreveu. Pareles viu
Pedro cantar ao vivo algumas vezes, desde que o conheceu, em Nova York, em 2012, na primeira edição da mostra Brazilian Explorative Music. Ele situa o cantor entre aqueles que estão “de várias formas, extrapolando a herança da Tropicália”. “Alarido” é uma parceria com Thiago Amud, outro grande talento carioca desta geração, já devidamente reconhecido pela crítica local. Pedro e ele fazem parte do Coletivo Chama, que reúne mais seis músicos - Thiago Thiago de Mello, Renato Frazão, Fernando Vilela, Sergio Krakowski, Cesar Altai e Ivo Senra - e que pretende discutir a canção como arte, em possibilidades mais amplas, além de trabalhar uma consciência de cena. Produção Ivo Senra assina a produção musical de Além do Princípio do Prazer, toca todos os sintetizadores e é autor dos arranjos, que têm contribuições de Pedro Sá Moraes. “Ele contribuiu com esse conceito minimalista de groove, que não é MPB. Botou esse veneno”, aponta o cantor, que também tocou guitarras e pilotou ruídos que se somam à arquitetura eletrônica do produtor na busca do que chama de “materialidade sonora”.
No diálogo, os dois pesquisaram referências muito específicas, que podem ser reconhecidas em suas fontes de pedigree mais respeitável (Radiohead, Björk, Stockhausen...) ou passar batido, a despeito da extração pop, como o timbre do baixo sintetizado de uma faixa de Britney Spears. A faixa 7, “Eunuco”, a golpes da tal guitarra incômoda que o Pareles sacou, versos como “Ditosa mazela! Senhora: disponha de mim como um cão” avançam até o final infeliz: “Nas blagues dos blogues, as farsas do face atiçam tuíters/ Cerzi hashtags de raro interesse pra mentes aflitas/ Aos vícios entregue, ergui meu palácio sobre palafitas/ Amor me sagrastes, das flores do Lácio, rei dos parasitas”. Por essas e outras é que o crítico americano Tom Pryor, que escreve sobre música para o site da National Geographic, tascou em Pedro Sá Moraes e sua turma a definição “vanguarda de neotradicionalistas”. A quarta faixa, “O Olho da Pedra”, escrita com Thiago Amud e Ivo Senra, que dialoga com vanguardas brasileiras de outras décadas, ajuda a explicar tal carimbo. E a ambiciosa “Ela Vertigem” (escrita com Tomas Saboga, com intermezzo de Ivo Senra), penúltima do disco, mostra até onde isso pode ser libertador.
Pedro é mestrando em teoria da literatura e possui qualidade rara no cenário musical atual
Bruno Mazieri* E-mail: plateia@emtempo.com.br
Até quando? Esta semana me peguei pensando na morte do adolescente de 14 anos, que foi espancado em um escola pública de São Paulo, por cinco colegas apenas porque era filho de um casal homossexual. Acredito que todos nós somos um pouco intolerantes. Intolerantes com quem fala alto, com aquele trânsito caótico de todos os dias, com o alto valor das contas de água, luz, telefone; com quem mente, com quem trai. Entendo completamente qualquer uma dessas intolerâncias. Porém – e ele sempre existe – nunca vou conseguir entender a intolerância quando o assunto é a orientação sexual do outro, do próximo. Muitos irão utilizar como argumento a faixa etária dos colegas, que eles não tinham a intenção de matar. Talvez não tivessem, mas o fizeram. Meus caros, é um argumento impossível de ser utilizado por qualquer pessoa. O país está passando por uma forte crise, daquelas de arrepiar os cabelos dos braços, mas a população continua mais preocupada em tomar conta, apontar, achincalhar o estilo de vida do vizinho, do amigo de trabalho, da mãe do coleguinha da escola. É sabido que milhares de crianças estão em abrigos porque, de alguma forma ou em algum momento, foram abandonadas por seus pais. A grande pergunta é: é melhor deixar essas crianças em um lugar que muitas vezes oferece condições de moradia precária ou deixar um casal de gays lutar por uma adoção? Em que mundo um casal adotar uma criança, dar
amor, carinho, escola, comida e tantos outros benefícios pode ser pior do que a fome, o sistema público de saúde, o valor abusivo dos impostos, o desvio de verbas públicas? O nosso país tem mais de 500 anos, somos extremamente avançados em diversos aspectos, mas somos atrasados quando o assunto é a intolerância. Quantos adolescentes ainda irão morrer vítima de um preconceito que começa em casa? Quantos homens e mulheres homossexuais serão agredidos das mais variadas formas? Quantas crianças irão sofrer com o bullying por gostar de rosa e não de azul? Quantas serão espancadas porque homens não choram ou porque gostam de balé? Senti na pele por muito tempo esse desconforto fora de casa, mas tive uma educação na qual os meus pais – que sempre me deram todo o amor possível – me ensinaram a nunca baixar a cabeça, nunca desistir de lutar por aquilo que acredito. Se disser que não magoa, estarei mentindo, mas a minha vontade de ser feliz, de ser eu mesmo, me fizeram muito mais forte. Hoje, tenho a função de lutar para que toda e qualquer impunidade seja combatida. Espero que um dia, não muito distante, crianças, jovens e adultos, possam ser quem realmente são, sem julgamentos, sem dedos apontados, sem olhares tortos e maldosos. Espero que um dia, a intolerância seja substituída pelo amor e que eu não precise mais me questionar: até quando? Bom domingo.
Bruno Mazieri *Jornalista e editor do caderno Salão Imobiliário do EM TEMPO
Somos avançados em diversos aspectos, mas atrasados quando o assunto é a intolerância. Quantos adolescentes ainda irão morrer vítima de um preconceito que começa em casa?”
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Canal 1 plateia@emtempo.com.br
Bate-rebate
TV Tudo DIVULGAÇÃO XAXA
Demolição XAXAAXAA Em sua sede em São Paulo, o SBT já mandou colocar a cidade cenográfica da novela “Chiquititas” abaixo. No mesmo local será erguida a da atração substituta, “Cúmplices de um resgate”. MMA Monica Apor foi escalada pela Bandeirantes para fazer reportagens durante as transmissões do “Jungle Fight”, que passará a transmitir a partir deste mês. A primeira edição do torneio será o Jungle Fight 76, marcado para o dia 28, com três disputas de cinturões. Diferença O show em homenagem aos 50 anos da Globo, com exibição no final de abril, não deverá reunir apresentadores. Essa é a ideia da sua direção, talvez para fugir do formato do “Criança Esperança”. Olho do dono João Emanuel Carneiro, autor de “Favela chic”, tem acompanhado de perto tudo o que se refere ao universo da sua próxima novela, substituta de “Babilônia”.
Regi
Bola cheia Rogério Gomes, após o sucesso de “Império”, passou a ser um dos diretores mais disputados da Globo. Tem fila de autores atrás dele. Mas o “problema” é que o Papinha já está comprometido para os próximos meses. Ele vai tocar a nova novela de Elizabeth Jhin, “Além do tempo”, na fila das 18h, que terá Paolla Oliveira e Alinne Moraes no elenco.
E isso inclui até mesmo testes de atores. Freio A Globo disparou um comunicado interno cobrando de seus profissionais um melhor
uso dos meios de transporte da emissora. Os deslocamentos precisam ser justificados na hora de requisitar o serviço. É mais uma medida de economia.
• Na Globo, não existe um novo projeto para a volta de Denise Fraga. • Com o encerramento de “Império”, Viviane Araújo, que fez contrato por obra, vai aguardar uma próxima convocação. • A próxima edição do “The Ultimate Fighter – em busca de campeões” será uma prova de fogo na Globo. • Importante para sua sobrevivência na emissora aberta. • Se não emplacar, o destino poderá ser mesmo um canal pago do grupo. • O humorístico “A Praça é Nossa” vai seguir com o que tem. • Não estão previstas contratações para o elenco. • Paloma Tocci caiu como uma luva no esquema do “Jornal da Band” e tem seu desempenho no informativo bastante elogiado pelos colegas.
Volta de Silvio XA agita bastidores Com o fim das suas férias nos Estados Unidos, a partir de amanhã, segunda-feira, Silvio Santos retomará suas atividades como empresário e animador no SBT. Sua volta ao Brasil, como não poderia deixar de ser, já provoca uma grande preocupação entre os seus comandados por conta do que ele poderá anunciar a partir daí. A semana promete.
Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery
C’est fini Na manhã da próxima terçafeira, em seu complexo Recnov, no Rio de Janeiro, a Record vai promover o evento de lançamento da novela “Os Dez Mandamentos”.
Márcio Braz E-mail: plateia@emtempo.com.br
Cultura popular como política pública
Mário Adolfo
Elvis
Gilmal
Em “Ensaios sobre a Cultura e o Ministério da Cultura”, o economista Celso Furtado, através de uma coletânea de conferências e palestras, tem nos estimulado a um debate não exatamente novo no campo das políticas públicas para a cultura no Brasil, mas certamente instigante, impulsionador de novos ou antigos olhares. A ideia de desestatizar alguns setores produtivos da cultura, por exemplo, hoje viciados no apoio estatal e que não guardam nenhuma relação afetiva com a prática que lhes convém, ganha contornos emergenciais haja vista não apenas o interesse político do tipo eleitoreiro – o que acaba por aprisionar agentes culturais neste sistema de escravidão -, mas também no sentido de pensarmos uma política cultural em que o popular não seja confundido com o populista e políticas públicas com políticas do público. Houve um tempo no Brasil em que o “nacional era o popular”, segundo a filósofa Marilena Chauí, ou que “popular é o ‘Fantasma da Ópera’ apresentado para um milhão de pessoas”, e ainda, que “Cultura popular, hoje, no Brasil, é acima de tudo a televisão, algo que, em princípio, supostamente, os defensores da política cultural popular tradicional não pretenderiam apoiar”. Diante de tais argumentações o que se sabe é que não se tem com clareza qual o papel da cultura popular no âmbito da política cultural. Cultura popular, especialmente o folclore, já foi vista como um caso de polícia no período de nossa segunda ditadura militar, mas teve a sua glória com Mário de Andrade na era Vargas. Quando se fala em popular se fala de povo, mas, de que povo estamos falando? O povo possui uma composição mista, plural, acredito que tanto os moradores da favela quanto os da Vieira Souto e da Oscar Freire são povo. O que é cultura popular, então? A cultura popular tem avançado no que diz respeito a sua composição teórica, mas não podemos dizer do populismo que faz da primeira o seu álibi. Primeiro porque é fácil e aceitável em termos de
opinião de massa (não há espaço neste artigo para qualificarmos esta assertiva) justificar o uso de seis milhões de reais com folclore e produção literária de saberes e crendices, primeiro porque já se criou um habitusde que estas são expressões mais autênticas e tradicionais (também não teremos oportunidade aqui para a problematização do termo) do que o teatro e a dança que, ironicamente, emprestando o conceito de tradição dos desavisados, são mais tradicionais que as carrancas ou as quebradeiras de côcobabaçú, por exemplo. Voltando a cultura popular, poderíamos dizer que Shakespeare é um autêntico representante da cultura popular, primeiro porque seu teatro era “popular” no sentido de que todos assistiam no GlobeTheatre, desde os nobres até os plebeus que assistiam às suas peças e interagiam com ela, bebendo, brigando ou protestando. Segundo que Shakespeare valorizou a “tradicional” superstição dos castelos mal assombrados, tão presentes no folclore britânico que hoje existem até pacotes turístico de visitação. Mas, enfim, a cultura popular, ou a cultura do povo, pode ser apropriada de muitas formas, como bem falamos aqui, basta que tenhamos um discernimento adequado para compreendermos a fundo a questão. O grande obstáculo é justamente o componente político (aquele mesmo do Congresso Nacional - é desta política que me refiro), mais ainda, da Câmara dos Vereadores que transformaram o que ainda havia de espontâneo na cultura popular e o transformou no sistema mais vil de degradação. A cultura popular que, em seus requisitos básicos, deveria ter o mínimo de pertencimento com o grupo ou comunidade em que ela é praticada, hoje fora apropriada por políticos que oferecem dinheiro para a produção dessas expressões (danças folclóricas, produção de contos etc) tornando-se um vício canhestro e difícil de corrigir, a chamada compra de votos em trajes modernos (ver especialmente a peça ‘Como se fazia [sic] um deputado’ de França Júnior).
Márcio Braz ator, diretor, cientista social e membro do Conselho Municipal de Política Cultural.
Houve um tempo no Brasil em que o “nacional era o popular”, (..) ou que “popular é o ‘Fantasma da Ópera’ apresentado para um milhão de pessoas”, e que “cultura popular, hoje, no Brasil, é acima de tudo a televisão”
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Programação de TV
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Telespectador viaja pelo mundo em “Planeta Turismo”, no SBT
SBT 4h45 Jornal Da Semana Sbt 6h Brasil Caminhoneiro 6h30 Planeta Turismo 7h30 Vrum 8h Chaves 10h Domingo Legal 14h Eliana 18h Roda A Roda Jequiti 18h45 Sorteio Da Telesena 19h Programa Silvio Santos 23h Conexão Reporter 0h Sobrenatural 1h Rizzola & Isles 2h Pessoa De Interesse 3h30 Igreja Universal
GLOBO 5h25 Santa Missa 6h25 Amazônia Rural 6h55 Pequenas Empresas, Grandes Negócios. 7h30 Globo Rural 8h25 Auto Esporte
ÁRIES - 21/3 a 19/4 Você se sente mais exilado, mais solitário e talvez apartado de todos. Não é bem assim, no fundo, mas suas sensações tendem hoje a exagerar nesse sentido. TOURO - 20/4 a 20/5 As relações humanas e as amizades sofrem de um esfriamento, talvez fora de hora e lugar. Mas entenda que o comedimento pode depurar um pouco os relacionamentos.
11h30 Os Simpsons – Maratona
12h Esquenta
12h30 Band Esporte Clube
13h02 Temperatura Máxima - A
14h Golh O Grande Momento Do
Montanha Enfeitiçada
Futebol
15h Futebol 2015 - Vasco Da Gama
14h30 Futebol 2015 –vasco
X Nova Iguaçu
X Nova Iguaçu
17h Domingão Do Faustão
17h50 3º Tempo
20h Fantástico
19h Sabe Ou Não Sabe
22h20 Bi G Brother Brasil
20h A Liga
23h10 Planeta Extremo
21h30 Pânico Na Band
23h40 Domingo Maior - O Turista
0h15 Canal Livre
1h07 Flash Big Brother Brasil
1h15 Alex Deneriaz
1h13 Sessão De Gala - Educação
1h50 Show Business –
2h46 Corujão
Reapresentação
4h15 Mentes Criminosas
2h40 Igreja Universal
BAND
3h Big Bang
Horóscopo
9h Esporte Espetacular
5h Power Rangers – Na Galáxia Perdida 6h30 Santa Missa No Seu Lar 7h30 Sabadão Do Baiano 8h Power Rangers + Jimmy Neutron 9h30 Palavra Cantada 10h45 Verdade E Vida 11h Irmão Caminhoneiro – Boletim 11h05 Pé Na Estrada
RECORD 5h Santo Culto Em Seu Lar 5h30 Desenhos Bíblicos 8h30 Record Kids - Pica Pau 10h Domingo Show 14h30 Hora Do Faro 18h30 Domingo Espetacular 22h15 Repórter Em Ação 23h15 Roberto Justus + 0h15 Programação Iurd
Cruzadinhas
Cinema ESTREIAS Para Sempre Alice: EUA. 12 anos. Aos 50 anos, Alice, professora de Psicologia na prestigiada Universidade de Harvard, é diagnosticada com Alzheimer de instalação precoce. Cinépolis Millennium 2 – 14h30, 17h, 19h30 (leg/diariamente), 22h (leg/exceto quarta-feira); Cinépolis Ponta Negra 3 – 15h, 18h, 21h (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 9 – 15h30, 17h50, 20h10, 22h30 (leg/diariamente); Multiplex 1 – 14h30, 19h (leg/diariamente)
GÊMEOS - 21/5 a 21/6 A resistência a ganhar ou investir dinheiro é digna de ser respeitada; mas não por isso se deixe paralisar. Escolha as opções moderadas na hora em que precisar decidir algo. CÂNCER - 22/6 a 22/7 No amor, a dureza e a frieza podem ser a tônica. Você tende a alternar sentimentalidade e frio distanciamento. Momento para concentrar sua mente naquilo que de fato interessa. LEÃO - 23/7 a 22/8 Momento delicado para a saúde, em que pequenos contágios rondam seu organismo. Você se sente inseguro diante de alguns compromissos ou desafios que a vida impõe. VIRGEM - 23/8 a 22/9 As relações de companheirismo exigem sua boa participação. Não basta ter boa intenção. É cobrado de você contribuir de modo prático, e nos termos em que os outros precisam. LIBRA - 23/9 a 22/10 Indício de conflito entre forças opostas afetando seu trabalho, mas afetando também sua disposição geral. Não fique sombrio, aplique-se a fundo em boas realizações práticas. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 Um esforço especial é necessário para tudo ir bem na vida amorosa. Não imponha suas vontade. Seja flexível com a pessoa amada, mesmo que isso lhe pareça difícil por agora. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 O Sol afeta Saturno indicando quão importante é ter uma boa base familiar, ainda mais diante de situações que mexem com sua insegurança. Você terá que aprender a confiar. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Sol e Saturno em aspecto tenso indicam a dificuldade para se comunicar direito com as pessoas. É preciso aceitar que as pessoas à sua volta pensam de maneira diferente. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Trabalho e dinheiro são exigentes de seus esforços pessoais. A tendência é que nada lhe seja aliviado nestes assuntos. Cada pequena batalha pode ser um passo à frente. PEIXES - 19/2 a 20/3 O rumo que as coisas tomam talvez não esteja lhe satisfazendo. É tempo de tomar conta de seus rumos, mesmo que custe um esforço extra. Concentre-se na direção certa.
Golpe Duplo: EUA. 14 anos. Will Smith interpreta Nicky, um experiente mestre trapaceiro que se envolve romanticamente com a golpista novata Jess (Margot Robbie). Cinemark 1 – 14h10, 16h30, 19h, 21h30 (dub/diariamente), Cinemark 5 – 22h (dub/somente quarta-feira), Cinemark 7 – 13h, 15h30, 18h (dub/diariamente), 20h30 (dub/exceto quarta-feira), 23h10 (dub/somente sábado); Cinépolis Millennium 8 – 14h15, 16h45 (dub/diariamente), 19h15, 21h45 (leg/diariamente); Cinépolis Plaza 1 – 14h, 16h30, 19h, 21h30 (dub/ diariamente); Cinépolis Ponta Negra 2 – 14h, 20h (leg/diariamente), 23h (leg/somente sábado), Cinépolis Ponta Negra 7 – 14h10, 19h10 (dub/diariamente), 16h30, 21h40 (leg/diariamente); Multiplex 5 – 15h15, 17h15 (diariamente); Playarte 1 – 19h (dub/diariamente), 23h20 (dub/somente sexta-feira e sábado), 21h10 (leg/diariamente), Playarte 6 – 12h40, 14h50, 17h, 19h10, 21h20 (dub/diariamente), 23h30 (dub/somente sexta-feira e sábado). O Sétimo Filho: EUA. 12 anos. Em um passado distante, um mal está prestes a ser desencadeado e reacenderá mais uma vez a guerra entre as forças humanas e sobrenaturais. Cinemark 4 – 13h20, 15h50, 18h30, 21h (3D/dub/diariamente), 23h30 (3D/dub/somente sábado e domingo); Cinépolis Millennium 4 – 14h, 16h30 (3D/dub/diariamente), 19h, 21h30 (3D/leg/diariamente); Cinépolis Plaza 4 – 13h45, 16h, 18h30, 21h (3D/ dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 4 – 14h40, 19h40 (3D/dub/diariamente), 17h10 (3D/leg/diariamente), 22h10 (3D/leg/exceto quarta-feira); Multiplex 3 – 17h, 19h (dub/diariamente), Multiplex 4 – 15h30, 17h30 (3D/dub/diariamente). Mortdecai – A Arte da Trapaça: EUA. 12 anos. Charles Mortdecai é um negociador de arte que procura um quadro roubado, no qual foi escondido um código para um tesouro nazista. Cinemark 8 – 13h10 (dub/exceto domingo), 15h40, 18h10 (dub/diariamente), 20h45 (dub/exceto quarta-feira); Cinépolis Plaza 6 – 19h30, 22h15 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 2 – 17h (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 8 – 16h10, 21h30 (leg/diariamente); Multiplex 1 – 16h30, 21h (dub/diariamente).
CONTINUAÇÕES Kingsman – Serviço Secreto: RUS. 16 anos. Cinemark 5 – 16h10, 19h10 (dub/diariamente), 22h (dub/exceto quarta-feira); Cinépolis Millennium 1 – 13h, 15h45, 18h30 (dub/diariamente), 21h15 (leg/exceto quarta-feira); Cinépolis Plaza 2 – 13h30, 16h15, 19h15 (dub/diariamente), 22h (dub/exceto quarta-feira); Cinépolis Ponta Negra 1 – 19h (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 5 – 13h50 (dub/somente sábado e domingo), 19h30 (dub/diariamente), 16h40, 22h20 (leg/diariamente); Multiplex 6 – 16h30, 21h (dub/diariamente); Playarte 1 – 16h30 (dub/diariamente); Playarte 5 – 12h50, 15h20, 17h50, 20h20 (dub/diariamente), 22h55 (dub/somente sexta-feira e sábado). Simplesmente Acontece: RUS/ALE. 14 anos. Cinemark 3 – 19h50, 22h10 (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 3 – 20h15 (leg/diariamente); Cinépolis Plaza 7 – 13h, 15h30, 21h10 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 1 – 13h (leg/somente sábado e domingo), 22h (leg/exceto quarta-feira), Cinépolis Ponta Negra 8 – 13h30 (dub/somen-
te sábado e domingo), 18h50 (leg/diariamente); Multiplex 2 – 17h (dub/diariamente); Playarte 7 – 13h30, 15h45, 18h, 20h15 (dub/diariamente), 22h30 (dub/somente sexta-feira e sábado). Renascida do Inferno: EUA. 14 anos. Cinemark 2 – 19h40 (dub/exceto quarta-feira), Cinemark 5 – 14h (dub /diariamente); Cinépolis Millennium 6 – 13h30 (leg/diariamente); Cinépolis Plaza 5 14h45, 16h45, 18h45, 21h15 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 6 – 18h10, 20h30 (leg/diariamente); Multiplex 6 – 14h45, 19h (dub/diariamente). Superpai: BRA. 14 anos. Cinépolis Plaza 8 – 15h45, 17h45 (diariamente); Kinoplex 1 – 14h, 16h, 18h, 20h, 22h (diariamente); Multiplex 2 – 15h (diariamente); Playarte 2 – 13h10, 15h, 16h50, 18h40, 20h30 (diariamente), 22h20 (somente sexta-feira e sábado). Tinker Bell e o Monstro da Terra do Nunca: EUA. Livre. Cinépolis Millennium 3 – 13h45, 16h (3D/dub/diariamente); Cinépolis Plaza 6 – 13h15, 15h20, 17h30 (dub/diariamente);
Kinoplex 3 – 13h40, 15h30, 17h20, 19h10 (dub/ diariamente); Playarte 1 – 13h (dub/diariamente), 14h45 (3D/dub/diariamente). Bob Esponja – Um Herói Fora D’água: EUA. 12 anos. Cinemark 3 – 13h05, 15h25, 17h40 (3D/dub/diariamente); Cinépolis Millennium 3 – 18h (3D/dub/diariamente); Cinépolis Plaza 3 – 15h50, 18h (3D/dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 6 – 13h40 (dub/somente sábado e domingo), 15h50 (dub/diariamente); Kinoplex 4 – 14h20 (dub/diariamente), Kinoplex 5 – 14h40, 16h40 (3D/dub/diariamente); Playarte 3 – 13h10, 15h10, 17h10, 19h10, 21h10 (dub/diariamente), 23h10 (dub/somente sexta-feira e sábado). Sniper Americano: EUA. 10 anos. Cinépolis Millennium 6 – 19h45 (leg/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 1 – 16h (leg/diariamente); Kinoplex 3 – 21h (leg/diariamente). A Casa dos Mortos: EUA. 14 anos. Cinépolis Plaza 3 – 20h15, 22h30 (dub/diariamente); Kinoplex 2 – 13h40 (dub/diariamente).
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 15 DE MARÇO DE 2015
Gestão na FGV
Futuras estrelas
Jander Vieira
Integrante da equipe fundadora da Escola de Pós-Graduação em Economia, da Fundação Getulio Vargas, especialista em estratégia, executivo, escritor vencedor de dois prêmios Jabuti – o mais importante prêmio literário do país – e professor, Luiz Fernando Pinto é referência no Brasil quando se fala em gestão estratégica. Ele estará em Manaus, amanhã, onde ministrará a palestra “Velocidade de Gestão e Condições de Acessos Estratégicos”, no auditório da FGV, no Adrianópolis, às 19h.
Hoje, o Sumaúma Park Shopping inicia uma semana de inscrições para a Curso Livre para Interpretação e Teatro, promovido pela Oficina de Atores, que será ministrado durante quatro meses na cidade. Os atores Carlos Machado, Bernardo Mesquita e Ronny Kriwat pilotarão, na terça-feira, a partir das 19h, um encontro com o público na praça de eventos do centro de compras.
jandervieira@uol.com.br @uol.com.br - www.jandervieira.com FOTOS: JANDER VIEIRA
Sala de Espera Romyne Novoa Silva, Conceição e Cristina Oliveira estão trocando de idade hoje. Amanhã, Garcia Neto está aniversariando. Os cumprimentos da coluna. As inscrições do concurso público para Assistente Operacional e Técnico de Nível Superior da Secretaria de Estado de Segurança Pública do Amazonas foram prorrogadas até o próximo dia 19. A seleção será realizada pela FGV Projetos. São 300 vagas de nível médio e 20 vagas nível superior. O projeto “Música na Praça”, do Manaus Plaza Shopping, apresenta hoje o show com a dupla Kelly e Klinger – das 19h às 21h, na praça de alimentação do centro de compras.
Torneio
A Academia de Tênis da Ponta Negra servirá de palco para o 2º Open Domma de Tênis da Federação Amazonense de Tênis. O torneio vai reunir os melhores jogadores de todas as categorias. As inscrições estão abertas e poderão ser feitas no próprio local do evento.
As anfitriãs Suzanna Batista e Bruna Ianuzzi com Menga Junqueira e Lucia Viana na noite de inauguração do delicioso Bistrôzin Gastronomia Regional
Nívia Barroso, Karinne Braga, Amanda Abrahão e Karina Queiroz no almoço regionalíssimo da Chachá
Perigo constante
O impagável show de Ney Matogrosso, no próximo dia 28, no Studio 5, vai chover de sobrenomados. Os ingressos estarão à venda no Fran’s Café. Ontem, a Aparecida movimentou o Buteco da Fundação celebrando seus 35 anos de fundação. O skindô sacudiu o setor sambista da cidade. Formando par dos mais elegantíssimos e bonitos da nova geração: os irmãos Rogério e Jaise Fraxe, em noite estrelada no Party House
Dia 31, vai ter lançamento do novo menu do Café & Chocolat, no Atelier Tânia Castro, com assinatura do jandervieira. com. Só para convidadas.
ROCK
Morre o guitarrista Daevid Allen SÃO PAULO, SP - O músico Daevid Allen, líder da banda de rock progressivo Gong, morreu aos 77 anos, em decorrência de um câncer. A notícia foi confirmada pelo filho de Allen, Orlando, em publicação no Facebook.
D7
Nascido na Austrália, Allen mudou-se para a Inglaterra nos anos 1960, onde conheceu Robert Wyatt. Juntos formariam o Soſt Machine, inspirado no livro homônimo de William Burroughs. O australiano deixou o grupo em 1967,
e mudou-se para Paris pouco tempo depois, onde formou o Gong. Allen enfrentava a doença desde 2014. Passou por cirurgia e fez radioterapia. Em fevereiro, descobriu a metástase e desistiu do tratamento.
Os condutores que trafegam pela Djalma Batista no horário de pique não aguentam mais o estresse. As faixas de pedestres devem ser respeitadas, mas é bom lembrar aos transeuntes que a faixa embaixo do sinal, no Manaus Plaza Shopping, só está liberada para passagem assim que o sinal ficar verde aos pedestres. Depois que acontecem os atropelamentos a culpa é de todo mundo menos dos teimosos que insistem em atravessar aquela avenida enlouquecidamente. Oremos!
D8
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 15 DE MARÇO DE 2015