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EM TEMPO - 12 de outubro de 2014

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O JORNAL QUE VOCÊ LÊ

ANO XXVII – N.º 8.504 – DOMINGO, 12 DE OUTUBRO DE 2014 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO

DIEGO JANTÃ

DIVULGAÇÃO

Benefícios Na forma para a saúde das leis

A hidroginástica é a atividade ideal, principalmente para quem está na melhor idade, por trazer uma série de benefícios à saúde. Saúde F4 e F5

Escritor britânico analisa mundo das decisões judiciais, especialmente as que opõem leis e valores morais. Ilustríssima G4 e G5

Não pagou, complicou Quando um morador não paga a taxa de condomínio, as consequências da inadimplência podem custar até o imóvel do devedor. Salão 3

COMO ESTAMOS TRATANDO NOSSAS

CRIANÇAS?

No Grupo de Apoio à Criança com Câncer, crianças buscam força para enfrentar a doença

RICARDO OLIVEIRA

COMO GARANTIR O FUTURO DE QUEM SERÁ O FUTURO DO PAÍS? O OLHAR DOS POLÍTICOS SOBRE AS CRIANÇAS

FORÇA DE ANJOS NA LUTA CONTRA O CÂNCER

ABRIGO É O CAMINHO PARA OS VIOLENTADOS Dia a dia B2 a B5

EBC

LEVANTAMENTO

230 mil presos esperam por julgamento no país Conforme dados mais recentes do Ministério da Justiça, pelo menos 230 mil detentos aguardam julgamento, o que representa 40% dos presos do país, que está em 11º no ranking dos que mais têm prisioneiros sem julgamento. País A9

SERIA PATÉTICO TIRAR FOTO COM UM DOS CANDIDATOS Terceiro colocado nas eleições para governo, Marcelo Ramos (foto) diz, em entrevista, que apesar de declarar seu voto, não vai “tirar foto abraçado com nenhum candidato”z. Eleições 3

BRASIL

Teste de africano dá negativo para ebola Deu negativo para ebola o primeiro teste laboratorial feito no paciente com suspeita da doença no Brasil, Souleymane Bah. Um segundo teste, cuja amostra será colhida hoje, ainda será feito para confirmar o resultado. Última Hora A2 NOVEMBRO

O Brasil é o 11º país que mais tem prisioneiros sem julgamento DIVULGAÇÃO

As duplas Bruno & Marrone e Jorge & Mateus e o cantor Cristiano Araújo são os destaques sertanejos da Fábrica de Eventos nos shows agendados para o mês de novembro, em Manaus. Plateia C8

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Manaus vai dançar no ritmo do sertanejo

Brasil é tri no Superclássico das Américas DIVULGAÇÃO

Diego Tardelli (foto) marcou os dois gols da vitória do Brasil contra a Argentina, por 2 a 0, na disputa do Superclássico das Américas, em Pequim. Última Hora A2

Hamilton sai na frente O primeiro GP da Rússia de F-1 terá Lewis Hamilton (foto) e Nico Rosberg na primeira fila. Massa larga em 18º. Última Hora A2

FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELEIÇÕES E ELENCO.

TEMPO EM MANAUS

MÁX.: 32

MÍN.:

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Última Hora

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MANAUS, DOMINGO, 12 DE OUTUBRO DE 2014

Negativo para o primeiro teste de suspeita de ebola

Amostra será colhida hoje para teste que pode afastar a ideia da doença ter chegado ao Brasil

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eu negativo para ebola o primeiro teste laboratorial feito no paciente com suspeita da doença, Souleymane Bah, 47. Um segundo teste, cuja amostra será colhida hoje, ainda será feito para confirmar o resultado. “O estado de saúde dele é bom, não apresenta febre e está mantido em isolamento total no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, no Rio de Janeiro. Se o caso também for descartado como ebola no segundo exame, o paciente sairá do isolamento e o sistema de vigilância dos contactantes será desmontado”, diz nota do ministério, divulgada ontem. O alerta sobre o caso suspeito foi dado após Bah dar entrada em uma unidade de saúde de Cascavel (PR) na tarde desta quinta-feira (9), dizendo ter tido febre, dor de garganta e tosse. Ele chegou ao Brasil vindo da Guiné (um dos países mais afetados pelo vírus) no dia 19 de setembro, via Guarulhos, segundo o governo federal. Apesar de não apresentar quadro febril quando chegou à UPA, foi classificado como o primeiro caso suspeito de ebola no país por seu histórico de

DIVULGAÇÃO

viagem nos 21 dias anteriores e pelo relato de febre. Bah, nacional da Guiné, foi isolado na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e transferido em um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) para o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, no Rio. No local, foi colhido o material para esse primeiro exa-

SUSPEITA

O alerta sobre o caso suspeito foi dado após Bah dar entrada em uma unidade de saúde de Cascavel (PR) na tarde desta quinta-feira (9), dizendo ter tido febre, dor de garganta e tosse me. Na sexta, o ministério afirmou que o paciente não apresentava febre ou outros sintomas típicos da doença e tem quadro estável. Se descartada a suspeita, o episódio servirá como um grande “test drive” para averiguar o alerta dos serviços de saúde e cada etapa do protocolo de identificação e tratamento de um potencial caso de ebola.

TRÁFICO

DIVERSÃO

TV EM TEMPO inaugura espaço ‘kids’ no Manauara Em referência ao Dia das Crianças, foi inaugurado ontem, no Manauara Shopping, o “Circuito Tortas & Tortas Dia das Crianças”, um stand repleto de atividades e brincadeiras infantis cheias de guloseimas. De acordo com o gerente administrativo da Tortas & Tortas, Djard Cabral, o evento vai além da diversão. “Buscamos parceria para proporcionar um momento específico para elas”, afirmou. A atração, fruto da par-

Ministério diz que se for descartado ebola no segundo exame, paciente sairá do isolamento

ceria entre a Tortas & Tortas, o Manauara e TV EM TEMPO, segue até o próximo dia 25, com brincadeiras recreativas. Maria Beatriz, 10, disse que gostou de participar do espaço. “Eu vim com meus pais para comprar o presente do Dia das Crianças, mas fiquei para brincar”, relatou. O circuito funciona de segunda a sábado de 10h às 22h e domingo de 14h às 21h. A entrada é gratuita para crianças de até 7 anos. IONE MORENO

Brincadeiras diversas estão à disposição da “turminha”

Mulher é presa com droga Lucineide do Socorro Duarte da Silva, 28, foi presa na noite da última sexta-feira (10) acusada de envolvimento com o tráfico de drogas no bairro Compensa 3, Zona Oeste. Na casa dela, na rua Alberto Rangel, foram encontrados 1 quilo de maconha prensada, 1 quilo de pasta base de cocaína, 700 gramas de cocaína pura, uma balança de precisão e três munições intactas calibre 12. Policiais da Força Tática chegaram ao local após denuncias anônimas de que a comercialização de drogas era intensa na área e seria comandada por Lucineide e por um rapaz identificado somente como Erick. A suspeita foi encaminhada ao 19º Distrito Integrado de Polícia (Dip), na avenida Coronel Jorge Teixeira, na Zona Oeste. Ela foi indiciada por tráfico de drogas e posse de munição.

FÓRMULA 1

Brasil vence Argentina em Superclássico Ontem, Diego Tardelli deu demonstração de que pode ser o homem-gol que Dunga tanto busca. O atacante marcou os dois gols da vitória da seleção brasileira contra a Argentina, 2 a 0, na disputa do Superclássico das Américas, em Pequim. O atacante do Atlético-MG fez um gol em cada tempo e ainda colaborou com o sistema defensivo, acompanhando o ataque rival. Com este resultado, o Brasil se sagra tricampeão do Superclássico das Américas. O duelo foi o 1º teste de peso neste retorno de Dunga à seleção. O treinador havia vencido seus dois primeiros amistosos por 1 a 0 contra Equador e Colômbia. A partida opôs um Brasil em “fase de construção” após eliminação vexatória na Copa diante de uma Argentina que conservou a base vice-campeã mundial. O primeiro tempo começou com a Argentina partindo para cima. Diego Tardelli aproveitou vacilo na zaga argentina e abriu o placar: 1 a 0. A Argentina teve chance de empatar, mas Messi errou cobrança de pênalti. No segundo tempo, o segundo gol de Tardelli nasceu de um cruzamento de Oscar. David Luiz desviou a bola antes de Diego Tardelli aparecer para marcar novamente, definindo o placar final.

TRÂNSITO

Massa lamenta posição de largada no GP da Rússia Felipe Massa não conseguiu disfarçar a frustração ao descer do cockpit de sua Williams ontem, após o treino que definiu o grid de largada para o primeiro GP da Rússia de F-1. Depois de marcar o quinto tempo no treino livre da manhã, um problema no motor de seu carro fez com que o brasileiro conquistasse apenas o 18º posto no grid de largada da corrida deste domingo, 16ª etapa do Mundial deste ano, com largada prevista para as 8h (de Brasília). “Tive um problema no motor durante toda a classificação, que simplesmente não dava potência para o carro e não chegava nem perto do que poderíamos ter”, lamentou. Está é a sua pior posição de largada nesta tempora-

2X0

da - antes, sua pior classificação em 2014 havia sido a do GP de Mônaco, em maio, quando largou na 16ª. “Foi realmente uma pena porque num dia como hoje era para eu estar lá na frente”, afirmou o piloto da Williams, que viu seu companheiro de equipe, Valtteri Bottas, conquistar o terceiro posto no grid e chegar a assustar a dupla da Mercedes, que larga na primeira fila - Lewis Hamilton sai na pole, com Nico Rosberg em segundo. “Mudamos tudo que dava no volante para tentar resolver o problema. Agora é tentar fazer uma boa corrida. Apesar de ser muito ruim largar de onde eu vou, vamos tentar ao máximo”, completou o brasileiro. Por Tatiana Cunha DIVULGAÇÃO

Felipe Massa diz que carro não apresentava potência

Sábado com manhã de acidentes IVE RYLO Equipe EM TEMPO

Quatro acidentes de trânsito, sendo um com vítima fatal, foram registrados entre a madrugada e a manhã de ontem. O motociclista Leonardo Peres da Silva, 29, morreu após chocar-se com um veículo modelo Corsa Classic de placa OAI-8164. Ele conduzia uma moto marca Dafra, placa OAH-4152. O acidente ocorreu na avenida Torquato Tapajós, na Zona Norte, no retorno em frente à empresa Ambev, sentido bairro centro, por volta das 7h15. Ele estava sem capacete. Na avenida Grande Circular, Zona Leste, um ônibus e uma motocicleta chocaram-se no cruzamento próximo à passarela em frente ao shopping, às 7h45h. O ônibus de placa OAM-3760 teria avançado o sinal vermelho. Por volta das 9h, dois carros chocaram-se na avenida Coronel Teixeira, em frente à entrada do bairro Lírio do Vale, na Zona Oeste. Segundo o Corpo de Bombeiros, o acidente envolveu uma Hilux e um Celta de placa OAE-7516, sentido bairro-centro. O celta capotou na pista. Um táxi, modelo Corsa Classic, capotou na avenida Ephigênio Salles, em frente ao condomínio de mesmo nome, por volta das 5h30 de ontem. O motorista teria cochilado ao volante, o carro capotou e chocou-se contra o muro de um residencial. Além do motorista, dois passageiros tiveram ferimento leves.


Opinião

MANAUS, DOMINGO, 12 DE OUTUBRO DE 2014

Contexto 3090-1017/8115-1149

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Editorial

marioadolfo@emtempo.com.br

opiniao@emtempo.com.br

A culpa é do mensageiro? Presidente da Frente de Combate à Corrupção da Câmara Federal, o deputado Francisco Praciano jogou nas costas largas da imprensa o fracasso do projeto do seu partido, o PT, de ganhar as eleições, “de lavada”, no primeiro turno. Ele, que ambicionava uma vaga no Senado, amargou uma derrota que o deixou ‘‘mareado’’ no dia seguinte. Nas suas palavras à imprensa, ontem: “A grande imprensa e a campanha tucana estão explorando violentamente isso [os escândalos de corrupção dentro do governo de Dilma Rousseff]. Para eles, o PT inventou a corrupção, o governo Lula e Dilma foram os mais corruptos. O resultado disso é evidenciado pela rejeição ao PT e a Dilma. No governo do Fernando Henrique Cardoso, a Polícia Federal realizou vinte operações; já nos governos do PT, foram mais de duas mil”. Vantagem para a Polícia Federal de dois mil a vinte. Praciano deprecia a inteligência do eleitor amazonense, que sempre foi generoso com ele e ainda o aprecia. Mas da mesma maneira como o Partido dos Trabalhadores abandonou os princípios da cartilha de fundação, nos anos 1980, Praciano fez de conta que não combateu com empenho os candidatos a quem se aliou neste pleito. Foi tão recente que não deu para esquecer. E a imprensa não teve nada a ver com essas alianças. O deputado federal petista, em seu rancor, descuidou-se e, diante dos jornalistas, acabou rasgando a bandeira que sempre defendeu, a da anticorrupção: “Essas operações [da Polícia Federal] fizeram aumentar a sensação de corrupção; a imprensa também ajudou o eleitor a pensar assim. A população acaba se agarrando a pequenos detalhes, como é o caso da corrupção. Ela é um mal, mas não é o principal problema que temos no país”. Só faltou dizer que a corrupção é um mal necessário. Praciano atira no mensageiro para apagar a mensagem.

Chifre em cabeça de cavalo O candidato derrotado Marcell Mota (PMDB) postou na rede que a “pesquisa do EM TEMPO é falsa e tenta enganar o leitor”. O ex-fotógrafo está equivocado, usa de má-fé, ou não sabe ler. A pesquisa publicada é da rádio Tiradentes, encomendada à DMP (Design Marketing & Propaganda), como foi publicado pelo jornal. Marcell, que já trabalhou no EM TEMPO quando era fotógrafo sabe que o jornal não age assim. No primeiro turno, publicamos todas as pesquisas do Ibope e da Perspectiva, de Durango Duarte, que davam vitória ao candidato do PMDB no primeiro turno. A única Marcell também sabe que, a bem da verdade, a única pesquisa que deu o resultado correto até então foi a da rádio Tiradentes. É só conferir os números. Via rápida A estratégia política de Marcelo Ramos (PSB) – o político que mais cresceu na última eleição – pode ser uma dobradinha com o prefeito Arthur Neto (PSDB). Marcelo seria o viceprefeito de Arthur, na próxima eleição, e quando este saísse para disputar o governo Ramos se tornaria prefeito, com direito a disputar a reeleição. Carreira solo Essa seria a via mais tranquila e mais racional para o político Marcelo Ramos. Mas talvez ele não queira perfazer este caminho, pois quer fazer “carreira solo” e, se possível, de forma independente. Ainda não À editora de política do EM TEMPO, Isabela Siqueira, Marcelo Ramos disse que ainda é muito cedo para falar em prefeitura. Não seria “ético” com o pre-

feito Arthur Neto, que está na metade do mandato. Balança, mas... Corria fortemente, na noite de sexta-feira, a notícia (ou o boato) de que o secretário Municipal de Infraestrutura, Luiz Borges, seria demitido. Por não ter concluído uma obra de urgência, dentro do prazo anunciado pelo prefeito Arthur Neto, o secretário viu raios e trovoadas virem na direção de sua cabeça. ..não cai! CONTEXTO tentou confirmar a notícia. Mas apenas ouviu de um secretário que a notícia era infundada. — Houve cobrança forte, mas cair ele não caiu! –, garantiu essa fonte. 90 invade as ruas Neste segundo turno, a campanha de rua parece que deu uma desacelerada. Ontem, em pleno sábado, a uma semana do pleito, eram vistos nos cruzamentos das ruas apenas a presença de equipes do 90, de José Melo (Pros). Foco no interior Os marqueteiros da campanha do senador Eduardo Braga (PMDB)

APLAUSOS

elvis@emtempo.com.br

parece que mudaram a estratégia. E direcionaram o foco para o interior do Estado, que é onde o senador poderá crescer. Tucano na praia Em compensação, a campanha de Aécio Neves tomou a estrada da Ponta Negra. O que mais se via, neste sábado pela manhã, era gente balançando bandeira e distribuindo adesivos do 45. Pouco democrático Falando em Aécio, veja o comentário do tucano sobre a decisão da “Folha” de sair do debate SBT e UOL, que teve a participação de jornalistas vetada pela candidata Dilma: — “Folha” sai da organização do debate porque Dilma e o PT vetaram perguntas de jornalistas. Muito pouco democrática a atitude da candidata. Erramos Os números da pesquisa Tiradentes/DMP, publicada na edição de sábado, apontam 56,4% para Melo e 43,6% para Braga. Por erro de digitação, os números do candidato do PMDB saíram com três pontos a mais: 46,3%. Pelo erro, pedimos desculpas ao leitor.

VAIAS

Jefferson

Elvis

Jornalistas barrados MOWA PRESS

DIVULGAÇÃO

Para o goleiro Jefferson, que pegou banco na última Copa do Mundo e ontem, no jogo contra a Argentina, provou que merecia uma chance como titular. Só Felipão não viu isso.

Para a decisão anti-democrática da presidente Dilma, que vetou a participação de jornalistas no debate do SBT/ FOLHA/UOL. Por conta disso, a “Folha” avisou que está fora do programa.

João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br

Lição de democracia Quando os gregos, os antigos, inventaram a Democracia e a ela deram nome, tiveram também a sapiência de transmitir a sua significação, ou seja, a palavra falou por si mesma e todo o mundo ficou sabendo que ali se iniciava o governo do povo, quando este passava a ter em suas mãos todo o poder político. Ora, como o povo não é uma entidade coesa e homogênea, mas sim um conglomerado absolutamente heterogêneo de pessoas sempre empenhadas em preservar as suas individualidades e até as suas idiossincrasias, a única maneira de assegurar que o poder decisório não se evada das suas mãos, estará na utilização do conceito de maioria populacional como critério de deliberação. Assim firmaram-se os sistemas de consulta popular, de eleição e de plebiscito para embasar as deliberações políticas e para legitimar os códigos regentes da vida em sociedade. Já se disse que a Democracia é um regime político que traz em si sérios problemas e defeitos, mas que, ainda assim, é infinitamente melhor do que qualquer outro que a humanidade tenha produzido e utilizado. Realmente, abandonada a Democracia, todas as alternativas que restam se ligarão a algum tipo de autocracia e conduzirão a governos ditatoriais. A não ser o inexequível Anarquismo. Quando um povo toma posse e se fixa num determinado e bem definido território, define-se etnicamente (por uma linhagem única ou por uma miscigenação), adota um idioma como língua nacional, constrói cultura própria, então chegou a instituir uma nação e assim, naturalmente, tende a buscar a prerrogativa da autodeterminação, que sempre supõe a independência política e econômica. Comuns no mundo de hoje os grupos humanos que até ostentam

essas pré-condições, mas que, por valorizarem algumas diferenças, com muita frequência vinculadas a credos religiosos, pretendem romper o que deveria ser uma unidade nacional. Aí se situam os conflitos, muitas vezes até armados, como os que acontecem na África e no Oriente Médio, e outros, como lutas políticas no interior de países ou reinos que se definem como multinacionais, como, por exemplo, os casos que persistem na Espanha e na Grã-Bretanha. Grandes e notórias diferenças vão se manifestar, não quanto aos objetivos ou anseios desses grupamentos, mas sim quanto aos caminhos e métodos que elegem para buscá-los. Exemplo melhor não há, do que o episódio recém-ocorrido, envolvendo os interesses claramente políticos de uma parte da nação da Escócia, frente àqueles, aparentemente globais, do restante do Reino Unido, a saber, Inglaterra, Gales e Irlanda do Norte. As opções claramente postas foram as de permanecer a Escócia como integrante do Reino Unido e assim reconhecer o poder central do rei (hoje rainha) e do Parlamento britânico, ainda que se mantenham as instâncias nacionais escocesas, ou declarar a total independência e permanecer apenas como membro da Comunidade Britânica, como hoje se definem o Canadá, a Austrália, a Nova Zelândia e outras 50 nações. Nada de ações militares, nem de conflitos de rua. Colocadas livremente as duas posições, com todo o direito à divulgação e à propaganda, pacificamente os cidadãos foram chamados a anunciar suas opiniões por meio de um plebiscito organizado e administrado pelo governo escocês e em pouco tempo tornada pública a decisão popular de permanecer a Escócia como parte do Reino Unido. Nada mais a discutir nem a protestar. O povo falou e decidiu, como manda a Democracia.

João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO

A Democracia é um regime político que traz em si sérios problemas e defeitos, mas que, ainda assim, é infinitamente melhor do que qualquer outro que a humanidade tenha produzido e utilizado. Realmente, abandonada a Democracia, todas as alternativas que restam conduzirão a governos ditatoriais”


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Opinião

MANAUS, DOMINGO, 12 DE OUTUBRO DE 2014

Frase

Painel

Bernardo Franco Mello (interino)

Espantalho de voto

É por isso que a população gosta. A massa salarial só subiu, mesmo com a crise. A população não pagou o preço da crise. O setor produtivo teve problemas com a crise. Cresceu menos, teve lucros menores. Quando eu me reúno com o setor produtivo, ele reconhece que fizemos políticas proativas. Reduzimos tributos, desoneramos a folha de pagamentos

O PT considera que o escândalo da Petrobras criou uma nova barreira para Dilma Rousseff avançar sobre os eleitores de Marina Silva. Em conversa na sexta-feira, o ex-presidente Lula e o presidente do partido, Rui Falcão, previram um cenário “duro” para a reeleição. Os votos de Dilma no primeiro turno já estariam “consolidados”. No entanto, as acusações teriam potencial para afastar de vez os marineiros que se identificam com os protestos de 2013 e o discurso de repulsa à corrupção. Copo meio cheio No encontro, Lula e Falcão avaliaram que a campanha de Dilma sobreviveu aos primeiros dias de noticiário pesado e que o caso ainda não contaminou a imagem da presidente. Terror e pânico Reservadamente, outros dirigentes do PT admitem risco real de derrota. “É um massacre. Por mais que tenhamos base sólida, não há partido que resista a isso”, diz um dilmista. Bala de prata Tenso, um petista próximo a Lula afirma que a divulgação das gravações do caso Petrobras vai “decidir a eleição presidencial” e atingir uma candidata “que não tem nada com isso”. Saco de bondade No furacão das denúncias, os petistas planejam “humanizar” a campanha na TV. A ideia é falar menos em política e apresentar propostas tangíveis para eleitores de baixa renda, que dependem do governo. Órfãos de Dudu O PT quer levar Lula e Dilma pelo menos duas vezes a Pernambuco em busca dos votos de Marina. A meta é conseguir no mínimo

60% dos votos no Estado de Eduardo Campos. Sempre ele Senadores do PMDB avaliam que a notória ligação com o presidente da Transpetro pode ameaçar Renan Calheiros na disputa pela presidência da Casa em 2015. Sérgio Machado nega envolvimento em desvios. Agora vai? Adversários esperam que Renan seja emparedado pela “ala ética” da sigla, principalmente se Aécio Neves (PSDB) for eleito. Caça às bruxas A cúpula do PR vai destituir Inocêncio Oliveira da presidência da sigla em Pernambuco por causa de sua adesão ao presidenciável tucano. O expurgo deve se repetir em outros Estados. País dividido Dos 49% de intenções de voto de Dilma no Datafolha, 23 pontos percentuais vêm de eleitores que estudaram até o ensino fundamental. Outros 20 são de brasileiros com ensino médio. Seis pontos vêm de eleitores com curso superior. Guerra do diploma Dos 51% de Aécio na pesquisa, 14 pontos correspondem a

eleitores que cursaram até o fundamental. Outros 24 vêm da camada com ensino médio, e 13 pontos são da turma com formação universitária. Chama-me Enquanto Marina faz doce para Aécio, o eterno presidenciável José Maria Eymael (PSDC) está louco por uma foto com o tucano. O nanico recebeu 61 mil votos no primeiro turno.

Guido Mantega, ministro da Fazenda, mesmo não participando de um eventual segundo mandato de Dilma Rousseff – uma vez que já foi confirmada sua saída do cargo no fim deste ano – garante que a política econômica “desenvolvimentista” continuará, caso a presidente seja reeleita.

Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br IONE MORENO

Anos dourados Um curioso notou que o futuro presidente do PSB, Carlos Siqueira, é sósia do presidente Café Filho, que governou o país entre 1954 e 55. A semelhança é reforçada pelos óculos redondos e pelo cabelo penteado para trás. Resta um Dos cinco deputados federais eleitos pelo Psol, apenas o estreante Cabo Daciolo (RJ) não declarou “voto crítico” em Dilma. Ele ficou famoso ao liderar greve dos bombeiros no governo Sérgio Cabral (PMDB). Partido para que? O novato diz que vai consultar bombeiros e policiais para decidir. A turma faz lobby por aumento de salários. “Nossa tropa é muito unida”, discursa.

Tiroteio

Quantas gerações se passaram até que a praça da Saudade reassumisse o seu desenho original no Centro da Cidade? Não foram poucas. No entanto, as mais recentes – por mais incrível que pareça – parecem ter saudade da ruína a que fora relegado o espaço público. Quem não tem o que fazer acaba fazendo errado

Dom Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br

Armínio Fraga é um tiro no pé de Aécio. Ele representa todos os problemas da economia nos anos FHC. É a Neca Setúbal do 2º turno” DEPUTADO ODAIR CUNHA (PT-MG), ligando o ex-presidente do Banco Central dos governos tucanos à coordenadora do programa de Marina Silva.

Contraponto

Deixe-me ir, preciso andar

Em abril de 2002, quando comandava o Banco Central, Armínio Fraga foi chamado a falar na Comissão de Orçamento da Câmara. A sessão foi marcada por ataques ao governo FHC. No fim, o aliado de Aécio Neves foi questionado sobre os riscos que a eleição de Lula levaria à economia. Assim que começou a falar, foi interrompido: – O senhor está cotado para continuar com qualquer partido que vença! –, gritou um deputado, do fundo da sala. Fraga deu risada e desconversou: – É importante que haja sangue novo, carne fresca para vir aqui apanhar! Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”

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Maria de Nazaré Maria, aquela que, nas palavras inspiradas do poeta, o povo inteiro elegeu Senhora e Mãe do céu. A piedade popular reserva para a mãe de Jesus um lugar privilegiado. Em qualquer celebração católica, sobretudo as populares, Nossa Senhora é invocada sob os mais diversos títulos, em Ave Marias que se sucedem e vão demonstrando a confiança na presença e na proteção materna daquela que por desígnios misteriosos participou bendita entre as mulheres, do mistério da encarnação do Verbo. Quando Deus entrou na história assumindo a condição humana, quis a participação desta mesma humanidade, representada na pessoa de uma moça do povo. Encarnar-se teve como consequência viver numa família, ser amamentado, educado, cuidado. E durante todo este processo sua mãe estava lá, guardando tudo no coração. Esta mesma mãe aparece na vida pública elogiada por causa do Filho, mas colocada ao lado dos que ouvindo e praticando a palavra experimentam a alegria do reino. A vida de Jesus transcorre sob o olhar atento da mãe que antecipa os sinais numa festa de casamento e que está presente junto com o amigo na hora definitiva do último sinal. Testemunha do amor que foi até as últimas consequências, recebe aos pés da cruz a missão de ser mãe da comunidade que nasce do sangue derramado. Permanece com esta comunidade aguardando a manifestação do Espírito, o dom do ressuscitado. Na experiência de fé católica não se separa a fé em Jesus Cristo da devoção mariana. São duas faces da mesma moeda. Rezar a Ave Maria é saudar a

mãe proclamando a fé no Filho que a faz bendita. Invocar a mãe de Deus é expressar a fé na divindade de Jesus, plenamente humano porque filho de uma mulher e plenamente divino porque gerado pelo Espírito. Negar isto, minimizando ou até ridicularizando a figura de Maria, é descaracterizar o Evangelho, a Boa Nova. No canto que a jovem mãe ainda grávida canta ao encontrar-se com a prima Isabel, o Evangelho exprime toda a consciência de Maria a respeito de si mesma, da história, e do povo ao qual pertence. Tudo é graça, uma graça que faz maravilhas na vida dos pequenos, dos humilhados, dos famintos. Deus está do lado deles quando dispersa os poderosos e despede os ricos sem nada. O Deus de Abraão é fiel, e sua fidelidade permanece para sempre. Para o povo esta fidelidade se manifesta na pequena imagem enegrecida, achada durante uma pescaria e proclamada Aparecida, a Rainha do Brasil. Sua casa é a casa de todos, mas, sobretudo dos pobres e dos sofredores. O cuidado de Deus se exprime na Virgem de Nazaré, cuja proteção os povos da Amazônia invocam. Neste ano, as duas comemorações se juntam, Nazaré e Aparecida, a mesma mãe, duas imagens pequeninas, ornadas com mantos preciosos e coroadas pelos devotos, que são milhões. Cada vez que participo de procissões, celebrações e grandes eventos em honra de Maria, mas também quando na intimidade invoco a Senhora com a saudação da Ave Maria e com a intercessão Santa Maria, fico maravilhado com a misericórdia divina que se mostra tão humana.

Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo metropolitano de Manaus

No canto que a jovem mãe ainda grávida canta ao encontrarse com a prima Isabel, o Evangelho exprime toda a consciência de Maria a respeito de si mesma, da história, e do povo ao qual pertence. Tudo é graça, uma graça que faz maravilhas na vida dos pequenos, dos humilhados”


Economia

MANAUS, DOMINGO, 12 DE OUTUBRO DE 2014

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À procura de empregadas domésticas mensalistas

A dificuldade de encontrar trabalhadoras com este perfil tem dado lugar às diaristas que não exigem direitos trabalhistas

SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO

E

ncontrar uma empregada doméstica mensalista hoje em dia não é tarefa fácil. Segundo especialistas, com a mudança do perfil do profissional dessa área, que teve acesso mais fácil a cursos profissionalizantes e oportunidade de conseguir um emprego diferente, o trabalho doméstico não é mais uma boa opção. Além disso, ainda tem o fato de que as diaristas têm ocupado o espaço antes destinado somente às mensalistas. Dessa forma, a escassez de mão de obra só tem aumentado. A assessora jurídica Maria Suely de Freitas, 54, está à procura de uma empregada doméstica mensalista há aproximadamente um mês. Segundo ela, por trabalhar fora, precisa de alguém que cuide de sua casa e do filho de 10 anos, além de uma neta de quatro. “Minha empregada se mudou para outra cidade com o marido, logo em seguida consegui outra, mas ela não ficou um mês, disse que estava muito cansada”, relata. Suely conta que, desde então, criou com colegas de trabalho um grupo no aplicativo WhatsApp para trocar informações, mas até agora não conseguiu encontrar uma nova empregada. Ela explica que não é muito exigente, assina a carteira de trabalho, paga todos os benefícios. Sem a empregada, ela paga uma diarista que vai uma vez por semana. “É muito difícil achar uma pessoa que tenha indicação de alguém, mas precisamos confiar na pessoa para deixá-la em nossa casa”, observa. Para a coordenadora de projetos e política institucional da Associação das Donas de Casa do Amazonas (ADCEA), Elizabeth Maciel, vários fatores influenciam para a carência

de mão de obra doméstica mensalista. Ela destaca como principal o fato de que a maioria dos trabalhadores dessa área são mulheres que têm filhos e precisam cuidar de suas famílias também. “Muitas vezes é melhor elas optarem por atuar como diarista do que como mensalista, pois trabalha por menos tempo”, aponta. Creche Elizabeth ressalta que o município não oferece creche suficiente para atender as mães que mais precisam desse auxílio. Outra questão, segundo ela, é a falta de habilidades ou capacitação que certos patrões exigem. Por conta disso, a coordenadora da ADCEA afir-

Empresários investem no serviço terceirizado Para auxiliar a pessoa que busca uma profissional doméstica, empresários da região estão investindo em um setor que está em pleno aquecimento, o de serviços domésticos terceirizados. O empresário Davi Moreira, percebendo a carência nesse mercado, inaugurou há seis meses a Maria Brasileira, uma franquia de limpeza e

cuidados, presente em quase todos os Estados do país. O empresário destaca que a empresa, localizada na rua A 1, no conjunto Ipase, bairro Compensa, Zona Oeste da cidade, oferece todos os tipos de serviços domésticos e apesar do serviço desse segmento ser novo na região, ele afirma que está sendo bem aceito pela população.

“O cliente entra em contato e nós realizamos o processo de acordo com as necessidades dele. A procura por diarista é diária, já para mensalista é menor”, frisa ele. Moreira conta que a finalidade das agências especializadas em serviços domésticos terceirizados é facilitar a vida da dona de casa que trabalha fora

e necessita de alguém que cuide de sua casa. Ele explica que as agências fazem um rigoroso processo de seleção para colocar uma profissional que atenda a expectativa dos clientes. “Sabemos que a confiabilidade determina a contratação de qualquer profissional, principalmente nessa área”, observa. REPRODUÇÃO

DIREITO

Mesmo promulgada há mais de um ano, a Emenda Constitucional que garante direitos aos empregados domésticos ainda não foi regulamentada ma que algumas empregadas ficam por pouco tempo no trabalho. “Há dificuldades tanto na qualificação da doméstica quanto no espaço para deixar seus filhos enquanto ela trabalha”, salienta. Outro fator que tem desmotivado as profissionais, para Elizabeth, é a baixa remuneração e a indefinição da conclusão da Proposta de Emenda à Constituição conhecida como PEC das Domésticas. “Há muitos direitos que ainda não estão valendo, e isso gera uma confusão tanto para os patrões quanto para as empregas domésticas”, ressalta.

Mesmo com carteira de trabalho assinada, contratantes encontram dificuldades para preencher vagas com pessoas de confiança


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Economia ARQUIVO EM TEMPO/JOEL ROSA

O potencial de consu Setores como o comércio e serviços ampliam a dedicação de espaços aos pequenos, que influenciam na compra final de produtos e representam quase 50% dos custos da família EMERSON QUARESMA E KATTIÚCIA SILVEIRA Equipe EM TEMPO e ONLINE

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uem paga as contas são os pais, tios e avós. Mas as crianças se destacam como público consumidor do comércio, da indústria e dos serviços. Segundo o economista Manoel Ribeiro Aires, elas chegam a representar quase 50% dos custos da família em educação, saúde, lazer e bem-estar. De olho nesses pequenos consumidores potenciais, lojas que nasceram para o público adulto abrem filiais dedicadas a eles. Segundo o subgerente da loja Shop do Pé Junior, Márcio Gualberto, das 27 lojas da rede Shop do Pé, pelo menos três são exclusivas para as crianças. Ele conta que a empresa do ramo de calçados nasceu para o público adulto e com o passar dos tempos o empreendedor viu que o infantil merecia atendimento personalizado. Hoje, Márcio diz que as crianças chegam a representar o segundo público mais importante da rede. O grau é percebido, conforme o subgerente, principalmente no mês de outubro, por conta do Dia das Crianças, que empata em

volume de vendas com o mês de dezembro, tido para a empresa como o mês dedicado à volta às aulas. “O público adulto tem as datas deles, e as mulheres estão na frente por conta do mês das mães, em maio, mas o infantil chega a ser o segundo público mais importante para o comércio de calçados”, afirma.

Do ponto de vista econômico, a criança assume papel preponderante na família, não pelo consumo, mas como investimento Manoel Aires, economista

Para o presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Ismael Bichara, o público infantil para o comércio em geral é o terceiro principal cliente. Ele avalia que a tendência é de crescimento no volume de vendas voltado aos pequenos, uma vez que, atualmente, elas vivem mudança radical nos seus brinquedos.

“As crianças de hoje querem brinquedos tecnológicos como tablets e notebook. No passado era o pião, a bolinha de gude e a boneca de pano, por exemplo”, lembra. Por conta do acesso aos canais de informações direcionados, Bichara observa que a influência da criança na decisão de compra dos produtos é maior do que nos anos 1990. “As crianças têm mais vontade agora. Antigamente, elas recebiam os presentes que os pais escolhiam, mas hoje elas decidem o que querem. O poder aquisitivo evoluiu muito nesse sentido e elas sabem exatamente o que elas querem, isso não mais apenas para o Dia das Crianças nem o Natal”, explica. No ramo dos serviços, os pais que encontram dificuldades para cortar cabelo das suas crianças hoje já encontram muitos salões com ambiente dedicado. O salão Cabelo de Anjo e a franquia paulista Funny Hair Salão de Beleza Infantil, são alguns deles. Instalados no conjunto Vieiralves, os espaços oferecem cortes de meninos, meninas e bebês, além de manicure infantil. A Funny Hair é para as crianças, mas os pais que procuram atendimento junto com os filhos também podem consumir os serviços.

Salões de beleza descobriram que o atendimento exclusivo às crianças é um excelente negócio


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ARQUIVO EM TEMPO/MÁRIO OLIVEIRA

umo do público infantil Bomboniere é segmento atrativo os seus principais clientes estão serviços que atendem o público infantil, principalmente cantinas de escolas. “O consumidor final são as crianças. Tanto que nas férias das escolas nós costumamos ter uma queda de 20% nas vendas”, aponta. A ideia de montar uma bomboniere surgiu porque Sônia, que trabalha no comércio há 25 anos, percebeu que se tratava de um segmento atrativo. “Eu tinha uma papelaria no Centro e percebi como as bombonieres eram um segmento em constante crescimento. Então decidi que queria montar

uma. Começamos com um capital bem baixo e agora conseguimos aumentar os lucros e até expandir, acrescentando aos negócios artigos para festas”, conta. A microempresária relata ainda que as crianças são um público de relevante influência para o comércio porque, na companhia dos pais, elas fazem de tudo para que os seus desejos sejam atendidos. “Quando uma criança vem acompanhada dos pais para fazer compras na loja, geralmente os valores são maiores, porque é muito difícil um pai dizer não”, afirma.

Filhos hoje participam mais da decisão na hora da escolha dos presentes com os pais KATTIÚCIA SILVEIRA

Chocolates, chicletes, bolachas, balas e pirulitos, um paraíso para a criançada. Assim são as bombonieres, outro segmento no comércio que tem um aumento significativo nas vendas no mês das crianças. Segundo a microempresária Sônia Regina Reis, 42, que há sete anos trabalha no ramo, no bairro Manoa, Zona Norte, o Dia das Crianças é a melhor época do ano para as vendas. “É o Natal das bombonieres. Nossas vendas crescem até 30%”, avalia. A microempresária, que trabalha com atacado e varejo, destaca que entre

A empresária Sônia Reis comemora o crescimento de 30% nas vendas no mês das crianças

Educação financeira desde cedo Em épocas que as crianças despontam como consumidoras, o educador financeiro Reinaldo Domingos diz que a educação financeira deve começar desde cedo, e que, além da escola, os pais possuem um papel fundamental no processo. Segundo ele, cada caso é um caso, mas a idade para começar é a partir dos três anos, quando a criança começa a demonstrar desejos próprios. “É o momento de iniciar a anali-

sar a melhor forma de inserir a educação financeira (não a mesada), mostrando o processo de troca do dinheiro por produtos”, observa. Domingos avalia que a mesada deve ser pensada por volta dos sete a oito anos, quando os jovens já estiverem acostumados com o contato com dinheiro. Mas ele observa a necessidade de cuidados a serem tomados. Um deles é definir o valor da mesada a partir da

soma dos gastos que os pais têm com a criança, e depois conversar com ela sobre o controle do dinheiro. “Dê apenas 50% do valor total dado a ela no mês e informe que a criança terá que se organizar com esse valor. Ela, com toda a certeza, ficará feliz, pois achará o montante bastante alto. Mas reforce que esse dinheiro terá que dar para os próximos trinta dias”, orienta o educador financeiro.


Economia

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Furtos em lojas geram prejuízos de R$ 10 bi

INDÚSTRIA

Venda de carne está em alta ARQUIVO EM TEMPO

Segundo os especialistas, 30% dos casos têm origem de dentro dos próprios estabelecimentos comerciais do país

Supermercados brasileiros são alvos constantes de furtos por parte de seus funcionários

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ojas de departamento como a Century 21, de Nova Iorque, relatam constantemente ações de furto por parte de clientes. Se algum consumidor furta algum produto ou a equipe de vendas percebe que algo está prestes a ser furtado, o cliente cai na rede de “shopliſting cases” da loja. No Brasil, apesar de existirem grandes redes de lojas de departamentos, não existe um esquema de prevenção forte dos furtos ou um claro entendimento do quanto se deve investir na prevenção de furtos. Segundo especialistas no assunto, não existem sistemas infalíveis de segurança, porém, medidas de prevenção podem contribuir para a redução do risco de perdas. A grande maioria das pequenas e médias empresas não possui processos de controle capazes de evitar perdas e fraudes.

No país são R$10 bilhões por ano perdidos por roubo de produtos em lojas. “30% dos furtos acontecem dentro da própria empresa, por terem conhecimento dos esquemas de segurança e por terem fácil acesso aos produtos. Geralmente, deve-se investir em gestão contra furtos quando as perdas estiverem acima de 1% das vendas”, explica Rubens Panelli Júnior, especialista e consultor de gestão no varejo. “Muitas vezes o custo de intervenção pode superar as perdas em produtos furtados”. Ações Segundo Panelli, dependendo do caso, o mais indicado são ações de endomarketing para conscientização das equipes e também programas de bônus para gerentes que conseguirem diminuir as perdas de estoque, inibindo a ação criminosa.

Exterior De acordo com especialistas nos Estados Unidos, advogados atuam agressivamente contra consumidores acusados de furto, entrando com processos tanto civis quanto criminais. Câmeras de segurança e depoimentos de vendedores são largamente usados para apoiar os casos. “Os processos são mais agressivos pois, dentro da loja, a lei é clara quanto ao cárcere. Não se pode manter ninguém dentro da loja impedindo sua liberdade de movimento”, diz Panelli. Segundo ele, nos Estados Unidos, os seguranças das lojas não têm autoridade de polícia e não podem impedir que o consumidor saia mesmo que soe o alarme. No Brasil, afirma o especialista, a legislação não é diferente e favorece o consumidor em detrimento do lojista.

A indústria de carne bovina brasileira mantém o ritmo de crescimento ao longo de 2014 e já registra alta de 10,87% em faturamento com vendas externas e 7,09% em volume exportado entre janeiro e setembro, comparado com o mesmo período do ano passado. No acumulado do ano, o país exportou 1,16 milhão de toneladas ante 1,08 milhão de toneladas em 2013. As vendas em 2014 alcançaram US$ 5,3 bilhões contra US$ 4,7 bilhões registrados no ano anterior. Hong Kong e Rússia continuam sendo os principais importadores da carne bovina brasileira, com crescimentos constantes ao longo do ano. O volume exportado para Hong Kong ultrapassa 293 mil toneladas, um crescimento de 9,12%, e o faturamento com as vendas para este mercado atinge mais de US$ 1,2 bilhão, com aumento de 15,43%. Já as vendas para a Rússia acumulam altas de 5,13%, com o envio de mais de 253 mil toneladas, e faturamento de US$ 1,06 bilhão, crescimento de 12,32%.

TECNOLOGIA

Inpa lança farinha integral de pupunha e o ‘Ecolágua’ O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) lança, hoje, duas tecnologias prontas para serem comercializadas. Tratase da “farinha integral de pupunha”, altamente nutritiva e com sabor agradável, e do “Ecolágua”, um equipamento que utiliza os raios ultravioletas para purificar água tornando-a potável. O lançamento acontecerá durante a cerimônia de abertura da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia do Inpa (SNCT/Inpa), às 9h, no Bosque da Ciência do Instituto, com a presença do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Clelio Campolina Diniz, com entrada gratuita. De acordo com a coordenadora de Extensão Tecnológica e Inovação, Rosangela Bentes, o Inpa possui uma série de resultados de pesquisas com potencial de mercado. O principal desafio da coordenação frente ao cenário de inovação é estimular o mercado para o desenvolvimento e a comer-

cialização dos produtos, que são frutos dessas pesquisas dos laboratórios do Inpa. O Instituto promove e participa de várias ações para estimular o interesse do setor produtivo por produtos desenvolvidos pelo Inpa para serem colocados no mercado. No entanto, cada tecnologia tem suas particularidades para desenvolvimento em escala, segundo Bentes. “Após a transferência da tecnologia para a empresa, é o empresário que tem acesso a essas tecnologias que vai percorrer os caminhos exigidos pelo mercado para disponibilizá-lo ao consumidor”, explica a coordenadora. O setor de inovação tecnológica do Inpa dispõe de uma incubadora de empresas e oferece consultoria na gestão do negócio, além de orientação sobre registros e patentes. As empresas interessadas no assunto podem entrar em contato com a Ceti. Atualmente, o instituto possui 65 pedidos de patentes de produtos. DIVULGAÇÃO

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‘Ecolágua’ visa melhorar qualidade da água na Amazônia


País

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Brasil é um dos países com mais presos sem julgamento

Brasil No Brasil, havia em torno de 230 mil pessoas presas

sem terem sido julgadas em dezembro de 2012, dado mais recente do Ministério da Justiça. Isso representa aproximadamente 40% dos presos do país. Proporcionalmente à população, o Brasil é o 11º país que mais tem prisioneiros sem julgamento. A cada 100 mil brasileiros, 104 estão pre-

DÉFICIT

A campanha da Justiça Global também pressiona pela ampliação das defensorias públicas. Estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) de 2013 estima que há uma carência de 10,5 mil defensores sos provisoriamente, calcula a Open Society. Os Estados Unidos são o quarto nesse ranking: há 141 detidos sem julgamento por 100 mil habitantes no país. Em ambos os países, a prisão atinge com mais frequência negros e pobres. “Essa é a maioria dos presos no Brasil. São pessoas que

não têm como pagar advogados privados e dependem da defensoria pública, que é insuficiente no país”, afirma a pesquisadora da ONG Justiça Global, Isabel Lima. A ONG, que conta com apoio da Open Society, lançou neste mês uma campanha contra o “uso ilegal e abusivo” da prisão provisória. Segundo Lima, o recurso da prisão antes do julgamento é usado no Brasil mesmo em casos como crimes de baixa periculosidade ou quando não há antecedentes criminais, o que contraria as situações previstas em lei para detenção antes do julgamento. “Vemos que muitas vezes, quando a pessoa finalmente é julgada, ela é considerada inocente ou a pena que recebe é menor do que o tempo que ela já ficou presa”, observa. Entre as propostas da Justiça Global para enfrentar o problema está a aprovação do Projeto de Lei do Senado 554, de 2011, que prevê que uma pessoa detida deve ser apresentada a um juiz em um prazo de 24 horas para que a legalidade da prisão seja avaliada.

TRÂNSITO MARCELLO CASAL JR./AGÊNCIA BRASIL

ASTRONOMIA

Prova de reconhecimento do céu, em equipe e individual, é uma das etapas da disputa

Brasileiros disputam Olimpíada Cinco estudantes brasileiros estão no Uruguai para representar o país na Olimpíada Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica (Olaa), realizada entre os dias 10 e 17 de outubro. A Olaa acontece desde 2009, em Montevidéu, e nesses cinco anos de competição o Brasil já conquistou 13 medalhas de ouro, dez de prata e duas de bronze. A equipe brasileira foi selecionada com base na pontuação obtida na Olimpíada

Segundo a Open Society, no Brasil a prisão atinge com mais frequência os negros e pobres

Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), de 2013. Os alunos Carolina Lima Guimarães (ES), Lucas Hagemaister (RS), Rafael Charles Heringer Gomes (SP), Romero Moreira Silva (MG) e Wagner Fonseca Rodrigues (MG), são liderados pelos astrônomos João Canalle, coordenador da OBA, e Júlio Klafke. As provas da olimpíada serão divididas em três partes: teórica, prática e de reconhecimento do céu, com etapas

individuais e em grupo. Os estudantes também participarão de uma competição de lançamento de foguetes em grupos multinacionais. A preparação dos alunos aconteceu em Passa Quatro (MG). Eles tiveram uma programação intensiva, com grupos de estudos, oficinas de atividades e observação do céu noturno, com e sem instrumentos, resolução de exercícios e realização de provas simuladas.

Motorista bêbado perderá carro A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei (PL) nº 7336/2014, do deputado Gabriel Guimarães (PT-MG), que determina a perda do veículo para o motorista que praticar homicídio culposo na direção e estiver sob efeito de álcool ou qualquer outra substância psicoativa que determina dependência. Ele continuará sujeito à pena de detenção, de seis meses a três anos, multa, e suspensão ou proibição da habilitação. Segundo a proposta, o veícu-

lo será vendido e o dinheiro arrecadado, transferido à família da vítima. A intenção é tornar ainda mais severa a legislação que pune quem dirige bêbado ou drogado. “Essa medida complementa a legislação de trânsito em vigor e está em sintonia com a Lei Seca”, diz. “O maior rigor no combate à direção irresponsável é sinal de que a sociedade brasileira não admite mais que vidas se percam pelo abuso de substâncias associado ao trânsito”. A proposta não esclarece

em que momento o veículo do motorista será confiscado e vendido – se após o acidente ou apenas depois de uma eventual condenação. Atualmente, além do valor do seguro obrigatório, os parentes das vítimas de acidente de trânsito não têm direito a uma indenização obrigatória, mas podem exigi-la na esfera judicial. A proposta será analisada pelas comissões de Viação e Transportes e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois, será votada no Plenário. DIEGO CAJÁ/ARQUIVO EM TEMPO

U

m terço dos presos em todo mundo está detido sem ter passado por um julgamento. O Brasil está entre os países onde mais pessoas em relação ao total da população se encontram detidas provisoriamente. As estimativas são de um novo estudo da Fundação Open Society, organização do bilionário americano George Soros que atua em mais de 70 países promovendo a defesa de direitos humanos. O levantamento indica que há 3,3 milhões pessoas presas provisoriamente no planeta. Por ano, porém, a estimativa é que mais de 14 milhões sejam detidas dessa forma. O problema é mais grave nos países menos desenvolvidos, mas também ocorre em nações ricas como os Estados Unidos, onde 490 mil pessoas estão nessa condição, segundo o estudo. A maioria desses presos é formada por pessoas mais pobres, que não têm recursos para contratar advogados, pagar fianças ou mesmo propina.

ANTÔNIO CRUZ/AGÊNCIA BRASIL

Levantamento da Fundação Open Society dá conta de que a cada 100 mil brasileiros, 104 estão presos provisoriamente

Projeto quer tornar mais severa a punição de condutores embriagados que causam acidentes


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País

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Projeto facilita adoção de criança e adolescente Visita A proposta revoga o direito dos pais visitarem os filhos adotados e de ajudarem com pensão alimentícia. A justificativa, segundo Jordy, é evitar que a família natural permaneça em contato e criar um “clima de adversidade psicológica e emocional”. O texto também retira me-

IDADE

No Cadastro Nacional de Adoção (CNA), conforme dados de outubro de 2013, das 5,4 mil crianças e jovens para adoção, 4,3 mil (80%) estão na faixa etária acima de 9 anos didas previstas no ECA para facilitar a reintegração da criança e do adolescente à sua família natural. Entre as medidas cortadas pelo projeto está a necessidade de a criança separada da família ficar em uma instituição próxima ao antigo lar. A ação de destituição do poder familiar feita pelo Ministério Público (MP) deve

ser automática, se a reintegração não for possível. Atualmente, os promotores têm 30 dias para ingressar com o pedido. Tramitação A proposta tramita em caráter conclusivo e será analisada pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Constituição e Justiça; e de Cidadania. Cadastro Em abrill de 2008, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançou o Cadastro Nacional de Adoção (CNA), uma ferramenta criada para auxiliar juízes das varas da infância e da juventude na condução dos procedimentos de adoção. O mesmo tem por objetivo agilizar os processos de adoção por meio do mapeamento de informações unificadas. O cadastro possibilita ainda a implantação de políticas públicas na área. O processo de adoção no Brasil leva, em média, um ano. No entanto, pode durar bem mais se o perfil apresentado pelo adotante para a criança for muito diferente do disponível no cadastro.

VANDERLEY FARIA/SECOM CASCAVEL

EBOLA

Equipe de profissionais de saúde durante o embarque do paciente africano para o Rio

Africano forneceu endereço falso O africano com suspeita de ebola que está internado no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, no Rio de Janeiro, deu endereço falso às autoridades de Cascavel - a 498 km de Curitiba -, informou nesta sexta-feira (10) a prefeitura local. Antes de ser transferido para o Rio de Janeiro, Souleymane Bah, 47, estava internado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade paranaense, onde a suspeita da doença foi apontada na noite de quarta-feira (8). Lá, ele ficou isolado e, por precaução, a unidade de saúde foi interditada - aproximadamente 30 pessoas não podem sair do local. De acordo com o prefeito Edgar Bueno (PDT), equipes da Secretaria de Saúde foram ao lugar que seria o endereço de Souleymane, em Cascavel, e constataram que ele não mora lá. Não se sabe quando ele chegou a Cascavel, mas na

UPA 2, no bairro Brasília, Bah chegou por volta das 9h desta quinta-feira (9). Segundo Bueno, Bah entrou no Brasil pela Argentina e pediu refúgio à Polícia Federal (PF) em Dionísio Cerqueira, município catarinense próxi-

VIAGEM

O paciente Souleymane Bah saiu da Guiné, passou pelo Marrocos, pela Argentina e de lá entrou no Brasil com destino a Cascavel, no dia 23 de setembro. Até então, ele não havia manifestado sintomas mo à fronteira argentina e a aproximadamente de 190 km de Cascavel. A data do pedido é 23 de setembro. Estrangeiro O primeiro paciente com suspeita de ebola no Brasil,

Souleymane Bah, é procedente da Guiné, um dos países com epidemia de ebola. O homem de 47 anos deixou seu país no dia 18 de setembro e entrou no Brasil como refugiado. Na última quinta-feira (9), ele procurou atendimento na Unidade de Pronto-Atendimento em Cascavel (PR) relatando febre, tosse e dor de garganta, sintomas iniciados na última quarta-feira (8) – 20 dias depois de sair da Guiné. Na sexta-feira (10), ele foi levado para o Rio, em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), e encaminhado para o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, que funciona dentro da Fundação Oswaldo Cruz, em Manguinhos, referência nacional para casos de ebola. O africano Souleymane Bah é comerciante, tem o 1º grau completo e, de acordo com documento do Ministério da Justiça, fez o pedido de entrada no Brasil no dia 23 de setembro deste ano.

Processo de adoção no Brasil leva em média um ano, mas pode se prolongar em alguns casos

INTO

Pacientes estão infectados Quatro pacientes internados na enfermaria adulta do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), no Rio de Janeiro, foram infectados por uma superbactéria conhecida como Acinetobacter. A Comissão de Controle de Infecção Hospitalar da unidade informou que o estado de saúde dos pacientes é estável, uma vez que a bactéria não atingiu a corrente sanguínea. De acordo com o Into, “a equipe médica do instituto tem adotado todos os protocolos clínicos e terapêuticos indicados para esse tipo de situação com monitoramento constante do quadro clínico dos pacientes”. A diretoria do Into considera a situação controlada e não há restrição no atendimento. É o segundo caso de pessoas infectadas pela Acinetobacter esta semana no Rio. No Hospital Federal de Bonsucesso, oito pacientes também estão com a bactéria e em nove ela ainda não se manifestou. A bactéria Acinetobacter é uma espécie resistente muito encontrada em ambientes hospitalares, que afeta principalmente pessoas com imunidade muito baixa, internadas em centros de tratamento intensivo (CTIs), setores de oncologia e casos de emergências graves.

PROPOSTA

Salva-vidas em locais públicos pode ser obrigatório A Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR) aguarda relatório do Projeto de Lei do deputado Vander Loubet (PT-MS) que torna obrigatória a presença de profissionais salva-vidas em todos os estabelecimentos que explorem balneários ou outros locais aquáticos abertos ao uso público. De acordo com o Projeto de Lei da Câmara (PLC) nº 48/2014, os espaços privados deverão contratar profissionais na proporção de um para cada grupo de 200 frequentadores. Já os serviços nos espaços de uso público de propriedade da União e dos Estados serão de responsabilidade do Corpo de Bombeiros Militares. Nos serviços das prefeituras, a segurança será feita pelas brigadas municipais de salva-vidas. O projeto, na forma como foi aprovado na Câmara dos Deputados, ainda enumera

alguns requisitos para o exercício da profissão, que ainda não é regulamentada no país. Para trabalhar como guarda-vidas civil em praias e clubes, por exemplo, o interessado deverá ter no mínimo 18 anos, ser aprovado em exames de saúde física, mental e sanitária, ter bons antecedentes criminais e situação militar regularizada. O objetivo é diminuir o número de mortes por afogamento no país. Dados de pesquisa da Universidade de Brasília (UnB), citada pelo deputado na justificativa da proposta, indicam que entre 13 mil e 15 mil pessoas morrem afogadas a cada ano no Brasil, principalmente em rios e lagos do Norte e do Centro-Oeste do país. Se aprovada, a proposta ainda será analisada pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS). WALDEMIR BARRETO/AGÊNCIA SENADO

A

Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei (PL) nº 7.563/2014, do deputado Arnaldo Jordy (PPSPA), que facilita a adoção de crianças e adolescentes. O projeto altera a Lei de Adoção (lei nº 12.010/2009) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, lei nº 8.069/1990) para reduzir a prioridade dada à permanência com a família natural. “A legislação atual possui muitos entraves, supervalorizando laços consanguíneos, em detrimento do bem-estar da criança e do adolescente em situação de risco”, diz Jordy. O processo de destituição do poder familiar será instaurado imediatamente nos casos de afastamento de família desestruturada. “Os prazos para propor ação de destituição do poder familiar e afastamento da criança e adolescente da situação de risco não são condizentes com a realidade”, afirma o deputado. Atualmente, o ECA determina que a integração da criança e do adolescente à sua família tem preferência em relação a qualquer outra providência a ser tomada pelo governo.

ANTÔNIO CRUZ/AGÊNCIA BRASIL

Proposta altera a Lei da Adoção e o ECA, reduzindo a prioridade dada à permanência com a família natural

Proposta quer reduzir casos de afogamentos em todo o país


Mundo A11

MANAUS, DOMINGO, 12 DE OUTUBRO DE 2014

Malala Yousafzai, de alvo do talibã a Nobel da Paz A

paquistanesa Malala Yousafzai, premiada sexta-feira (10), aos 17 anos, com o Nobel da Paz, é uma defensora do direito à educação das meninas e mulheres, transformada em ícone mundial da luta contra o extremismo depois de sobreviver a um atentado dos talibãs. Há exatamente dois anos, em 9 de outubro de 2012, vários radicais invadiram o ônibus escolar no qual voltava para casa depois da escola em Mingora (no Vale do Swat) e um deles perguntou: “Quem é Malala?”. Depois disparou um tiro à queima-roupa na cabeça da menina. Incrivelmente, Malala sobreviveu ao ataque. Em coma, foi transferida para um hospital de Birmingham, no Reino Unido, onde recuperou a consciência seis dias depois. Nascia a lenda Malala. “Estava aterrorizada. A única coisa que sabia era que Alá havia me abençoado ao me conceder uma nova vida”, conta a adolescente em sua autobiografia, “Eu sou Malala”, um bestseller internacional que teve uma acolhida discreta em seu país natal, o Paquistão. A adolescente vive hoje em Birmingham, no centro da In-

glaterra, onde na sexta-feira estava na escola durante o anúncio do prêmio, compartilhado com o indiano Kailash Satyarthi, que milita contra a exploração infantil. Desde sua saída do Paquistão, participou de várias conferências internacionais, onde defendeu a paz e a educação de crianças, pedindo aos lí-

EXPOSIÇÃO

A“supermidiatização” de Malala desagrada muitos no Paquistão. Os círculos islamitas veem Malala como um agente dos Estados Unidos ou do Ocidente criado para corromper a juventude muçulmana deres mundiais que enviem livros, não armas, aos países pobres. Também defendeu ante o presidente nigeriano, Goodluck Jonathan, que se reunisse com os pais das adolescentes sequestradas pelo grupo islamita Boko Haram. Ganhadora do último prêmio Sakharov do Parlamento Europeu pela liberdade de consciência, já aparecia no ano passado

DIVULGAÇÃO

Adolescente paquistanesa se tornou uma figura popular, ao se levantar contra radicais e defender os direitos femininos entre os favoritos ao Nobel da Paz, conquistado finalmente pela Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), encarregada de supervisionar o arsenal sírio. Pena x espada Com o longo véu tradicional cobrindo seu cabelo preto, com um olhar franco e luminoso e uma voz aflautada, Malala iniciou seu combate em 2007, quando os talibãs impuseram sua lei no vale do Swat, até então uma tranquila zona turística conhecida como a “Suíça do Paquistão”. Com apenas 11 anos, Malala, filha de um diretor de escola de convicções pacifistas, e de uma mãe iletrada, escrevia um blog no site da BBC em urdu, a língua nacional. Sob o pseudônimo de Gul Makai, descrevia o medo que reinava no vale e a impossibilidade de comparecer às aulas. A adolescente, que ainda tem um pedaço da boca paralisado como sequela do atentado, responde aos seus opositores, como fez neste ano na sede da ONU em Nova York, proclamando que “a pena é mais forte que a espada” e que não sentia “nenhum ressentimento pelos talibãs” que a atacaram.

Sobrevivente de um atentado, Malala defende o direito de meninas e mulheres estudarem


A12

Mundo

MANAUS, DOMINGO, 12 DE OUTUBRO DE 2014


Caderno B

DIVULGAÇÃO

País

Nobel vai para jovem Malala, do Paquistão

MANAUS, SÁBADO, 11 DE OUTUBRO DE 2014

economia@emtempo.com.br

(92) 3090-1045

Mundo B4

Brasil em alerta para possível caso de ebola e garganta seca. Em quadros avançados há hemorragia.

ELZA FIÚZA/ABR

Percurso da vítima Bah estava internado no isolamento de uma Unidade de Pronto Atendimento no bairro Brasília. Antes de chegar ao Brasil, ele fez uma escala no Marrocos. O paciente já apresentava quadro de febre alta, mas não tinha hemorragias ou vômitos. Estado e prefeitura também trabalham com a suspeita de que possa ser um caso de dengue hemorrágica, uma vez que os sintomas são semelhantes. Um médico e uma enfermeira de Cascavel acompanharam o paciente, que desembarcou da ambulância caminhando e se dirigiu até a aeronave da FAB (Força Aérea Brasileira), que os aguardava no aeroporto municipal Coronel Adalberto Mendes da Silva. A transferência exigiu uma série de medidas que fazem parte de um protocolo internacional quando há casos suspeitos de ebola. A ambulância, preparada para fazer o transporte até o aeroporto, chegou à UPA 2 por volta das 3h40 (horário de Brasília). A equipe estava paramentada com roupas especiais para evitar uma possível contaminação.

Ministro fala sobre o primeiro caso suspeito de ebola

Resultado do exame deve sair ainda hoje O sangue do paciente com suspeita de ebola, Souleymane Bah, foi colhido na manhã de ontem para a realização do exame que vai confirmar ou descartar a infecção pelo vírus. O resultado sai em até 24 horas, segundo o ministro da Saúde, Arthur Chioro. Independentemente do resultado, um novo exame deverá ser feito 48 horas depois do primeiro. O paciente não apresenta febre desde que foi atendido pela UPA de Cascavel (PR), na tarde de quinta-feira (9), com temperatura medida em 36,6º. O paciente, no entanto, relatou ter tido febre na quarta (8) e na quinta. Por conta da febre e por seu histórico de ter vindo da Guiné (um dos países mais afetados pelo

ebola), Bah foi classificado como caso suspeito. Ao chegar à UPA, o paciente relatou ter tido, além da febre, tosse e dor de garganta. Foi realizado um teste para malária, doença já descartada. O ministério informou que 64 pessoas foram identificadas como contatos do paciente, sendo que 60 delas foram na UPA, além de dois casais que estavam na mesma residência que Bah. “Todos os contactantes foram considerados de baixo risco”, disse o ministro. Apenas três profissionais de saúde que mantiveram contato mais direto com o paciente terão as temperaturas medidas duas vezes por dia; as demais pessoas terão as temperaturas medidas uma vez ao dia.

Um médico e uma enfermeira de Cascavel acompanharam o paciente, que desembarcou da ambulância e se dirigiu até a aeronave da FAB

Infectologista diz que não há motivos para pânico O presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Érico Antônio Gomes de Arruda, diz que a suspeita de um caso de ebola no Brasil não é motivo para pânico, e que o momento é propício para avaliar a eficiência dos procedimentos adotados até agora. “Entendemos que é um momento importante, de preocupação nacional, mas sequer temos o caso confirmado”, afirma. “E mesmo que tivéssemos, ainda não houve caso de transmissão na América do Sul”, diz. Segundo Arruda, a falta de informações e de tratamentos para o ebola faz com que o combate ao vírus seja um desafio mundial. “Temos um plano de contingência que vem sendo atualizado na medida em que alguns de-

talhes são esclarecidos, e é nele que nós temos que nos apoiar”. O plano prevê uma série de medidas de acordo com um nível de emergência. Em agosto, o Ministério da Saúde decretou o nível dois, de uma escala que vai de zero a três. “Na crise a gente aprende. Certamente nós teremos uma avaliação de como funcionaram as estratégias, de bloquear a unidade hospitalar que atendeu o paciente com suspeita da doença, mandar a equipe do Ministério da Saúde num avião, trazer um paciente em cuidados especiais e a segurança com a equipe, entre outros fatores”, afirma Arruda. “Na melhor das hipóteses, fizemos um treinamento que vai mostrar as nossas falhas e no que nós acertamos”, disse. DIVULGAÇÃO

O

paciente com suspeita de ebola vindo da Guiné, na África, foi transferido de Cascavel (PR) para o Rio de Janeiro por volta das 5h de ontem. Souleymane Bah, 47, está internado no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, no Rio. O paciente não passou pelas áreas comuns do aeroporto. Trazido de madrugada, ele foi transportado do avião para a ambulância na pista do aeroporto e foi direto para o instituto, para evitar qualquer risco de contato com outras pessoas. O africano ficará isolado durante o período de observação. Bah estava hospitalizado em uma unidade de pronto atendimento em Cascavel com quadro febril. Amostras de sangue do paciente foram coletadas e outros exames realizados para que a suspeita seja descartada ou não. Os dois hospitais de referência no Brasil para detecção e eventual controle da doença são o Evandro Chagas, no Rio, e o Emílio Ribas, em São Paulo. O vírus é transmitido por fluidos corporais de pessoas ou animais infectados (veja gráfico). Os principais sintomas são febre, dores de cabeça, nos músculos e articulações,

VANDERLEI FARIA/SECOM CASCAVEL

O homem, de 47 anos, vindo da Guiné – com escala em Marrocos –, chegou ao Brasil no dia 19 de setembro

Arruda: momento é de avaliar eficiência de procedimentos


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Dia a dia

Ações que resgatam Seja em realizações isoladas ou socialmente organizadas, crianças que passam por situações de necessidade ou de saúde acabam encontrando verdadeiros anjos que, por um sentimento de total solidariedade, lhes levam conforto

RAIMUNDO VALENTIM

IVE RYLO Equipe EM TEMPO

“C

oisa pouca, mas cheio de carinho”. Assim começou a história de um grupo de acadêmicos do curso de odontologia com as crianças do bairro São Raimundo, Zona Oeste. Há três anos, os estudantes iniciaram a campanha “Um sonho de criança”, que leva à comunidade presentes, entretenimento e, claro, dicas de como cuidar dos dentes. A iniciativa ganhou força e tem movimentado todos os últimos Dias das Crianças do bairro. Assim como os estudantes, diversos outros grupos também se organizam para promover ações voltadas às crianças carentes em Manaus. A finalista Erika Alcântara se lembra do primeiro ano em que pôs em prática a ação, quando se reuniu com as amigas Letícia Granetto e Vivian Sousa para promover a atividade. “No primeiro ano

conseguimos fazer uma cotinha entre nós mesmos. Fizemos 50 sacolinhas. Coisa pouca, mas cheio de carinho. As crianças ficaram muito felizes”, disse Alcântara. Além da distribuição de brinquedos, o grupo ministrou aulas de como realizar a higienização bucal. No ano seguinte, a oferta do grupo triplicou. Neste ano, o grupo conseguiu patrocinadores e arrecadaram o suficiente para compor 600 sacolinhas com brinquedos. “Resolvemos fazer uma ação maior para fechar a graduação com chave de ouro. Conseguimos alguns patrocinadores e ultrapassamos nossas metas”, comemorou. Brincadeiras Além da doação de brinquedos e de kits com escova e creme dental, os estudantes irão promover brincadeiras e palestras sobre a importância da escovação dentária às crianças. “Fizemos a parceria com um médico que

vai explicar para as mães a importância da prevenção do câncer de colo de útero”, afirmou Erika. Participam da ação 14 estudantes e cinco professores. A iniciativa co-

AVANÇO

Este ano, a campanha “Um sonho de criança” conseguiu arrecadar o suficiente para compor 600 sacolinhas com brinquedos para serem entregues a crianças do bairro São Raimundo, na Zona Oeste

meçou quando os alunos começaram a prestar atendimento odontológico na comunidade. “No início três crianças dividiam uma escova de dente. Fomos trabalhando no sentido de despertar o interesse das mães em comprar uma escova para cada

filho e fio dental, quando houvesse oportunidade. Percebemos que houve um progresso em trabalhar a saúde bucal”, afirmou. Ela apontou que a iniciativa de promover a festa das crianças auxilia no trabalho de conscientização da importância da higiene bucal. “A criança precisa saber o que é cárie, como prevenir e diminuir os índices no bairro, que é muito elevado. Nosso objetivo maior é este, trabalhar a higienização e claro, aliar ao Dia das Crianças com brincadeiras e distribuição de brinquedos. Ficamos muito felizes com os resultados”, salientou. A festa inicia às 13h deste domingo, na paróquia da igreja São Raimundo, na rua Ismael Benigno, 151, no bairro de mesmo nome. Do outro lado da cidade, no bairro Ouro Verde, Zona Leste, as 150 crianças do Centro Social Roger Cunha Rodrigues já se preparam para o dia de festa, que está programada para o próximo domingo (19), às 10h.

Um espaço de muito carinho ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO

Fé, respeito, atenção, apoio e principalmente o amor são a base do atendimento que as crianças diagnosticadas com câncer na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Amazonas (FCecon) vêm recebendo desde 1999 do Grupo de Apoio à Criança com Câncer (Gacc). Elas são consideradas crianças especiais não por causa do tratamento, mas pela precoce maturidade com a qual reagem ao saber da doença e principalmente por terem forças para lutar pela vida e fortalecer seus parentes e familiares. Muitos casos ficaram marcados nos 15 anos de estruturação do Gacc. A diretora assistencial do

grupo, a empresária Joyce Loureiro, conheceu a casa quando presenciou a doença de sua prima, a quem considerava como irmã. Desde que ela morreu, Joyce começou a dedicar seu trabalho ao grupo: abriu mão dos seus bens para poder zelar os sorrisos que expressam mesmo após a dor um momento de felicidade. Mãe de quatro filhos, sendo uma adotada de sua prima, Joyce se fortalece nas conquistas e lutas diárias para manter o abrigo. O que mais a comove são as batalhas dessas crianças e adolescentes, que encontram uma forma de poder fortalecer e até sustentar a família com o trabalho que realizam por meio dos diversos projetos que estão a disposição dos moradores. IONE MORENO

Grupo de ‘anjos’ cresce cada vez mais “O difícil é fazer a primeira vez, sempre tem um compromisso e você vai deixando de lado. No dia que faz, você vê o quanto vale a pena. Porque você pode estar ajudando aparentemente com pouco, mas o retorno é muito gratificante. Acho que por isso nosso grupo vem crescendo. Não somos empresa, nem ONG, somos um grupo de amigos que procuram ajudar”, informou o analista de teste Thiago Souto, que junto

a Igor Maciel, Jessyca Matos e mais outro sete amigos encabeçaram a iniciativa em 2009. O grupo que começou com 10 pessoas - que se organizavam para levar brinquedos, roupas e alimentos a instituições que promovem ações sociais - chega a 70 integrantes, hoje. “Começamos fazendo ação no Dia das Crianças e estendemos para o Natal e a Páscoa. O grupo foi crescendo”, afirmou.

Lar Batista Janell Doyle, no bairro Mauzinho, Lar da dona Val, no bairro Lírio do Vale, e comunidades carentes do parque Mauá e Mauazinho foram alguns locais por onde os amigos distribuíram apoio e sorrisos. “Conversamos antes com as instituições para saber as necessidades, e não chegarmos com alguma coisa que não seja necessidade. Também arrecadamos brinquedos, roupas, lanches e chocolates”, afirmou.

Este ano, além das crianças do Centro Social Roger Cunha, filhos de internos da Fazenda Esperança, localizada no quilômetro 14 da rodovia BR 174 (ManausBoa Vista), também foram lembrados pelo grupo. Quem quiser contribuir com o grupo, seja por meio da doação de brinquedos, lanches ou mesmo no dia, durante a festa das crianças, pode entrar em contato pelo telefone 8134-0832. (IR)

Joyce Loureiro idealizou o Gacc por experiência própria


MANAUS, DOMINGO, 12 DE OUTUBRO DE 2014

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m pequenos cidadãos Emoções nas histórias de quem encara lutas

Ajuda em Manaus e no exterior

Joyce se emociona ao lembrar casos que passaram pelo Gacc, entre eles o da adolescente Jucy Josely Silino, de Oriximiná (PA), que aos 13 anos foi diagnosticada com câncer nos ossos. No grupo, Jucy aprendeu a confeccionar chaveiros, e com seu trabalho sustentou sua família por quase dois anos. “Lembro que quando a Jucy já estava em fase muito avançada da doença, no leito da FCecon, continuava a fabricar os chaveiros, e mesmo na reta final ela continuou

Voluntários do Gacc: doações auxiliam na manutenção

a vender os chaveiros para entregar o dinheiro para sua família. Ela tinha consciência de que era responsável pelo sustento deles e sentíamos que não queria partir por esse motivo”, relatou. A equipe de psicólogos do Gacc foi convidada para ir até a FCecon e conversar com a adolescente e garantir uma ajuda para seus familiares para que Jucy pudesse ficar mais tranquila e conseguir seguir adiante. O adolescente Gustavo Lobato, 14, de Parintins, é outro RICARDO OLIVEIRA

paciente que além de lutar contra a leucemia há mais de um ano, tem ajudado com as despesas de sua casa, realizando biscuit. A mãe de Gustavo, a dona de casa Maria do Carmo Gomes Lobato, 41, contou que em setembro do ano passado, descobriu que seu filho estava com leucemia. “Cheguei a levá-lo nos hospitais de Parintins, mas foi necessário transferir para capital. Desde então fomos indicados para morar no Gacc. Agora meu filho continua seu tratamento,

mas procura um doador de medula compatível”, contou. Maria explicou que todos os irmãos e parentes de Gustavo realizaram o exame, mas até o momento ninguém foi compatível. “Enquanto isso continuamos a aguardar que alguém seja o doador da medula, pois a única solução para meu filho é esta, e por enquanto ele vai aprendendo várias atividades no Gacc. Realmente ele tem o dom para o artesanato, faz objetos melhores do que os meus”, afirmou. (IV)

IONE MORENO

RICARDO OLIVEIRA

No Gacc, crianças diagnosticadas com câncer adquirem uma maturidade precoce para lidar com as dificuldades da doença

O Gacc foi fundado em 23 de maio de 1999 por um grupo de médicos trabalhadores da FCecon que procuravam uma maneira de ajudar famílias e pacientes de 0 a 18 anos diagnosticados com câncer. A idéia em geral não era só de ajudar os pacientes de Manaus, mas poder fazer um local que pudesse servir de moradia para as crianças de baixa renda do interior do Estado e até mesmo de outros países que estavam na busca de um tratamento. O tratamento tem duração de 10 anos e para as gestões que já passaram

pelo Gacc, muito deveria ser feito para que essas crianças e adolescentes pudessem ter uma vida além das quimioterapias e radioterapias. Após conseguirem por meio de doações a construção da casa de apoio, que se encontra nas proximidades da sede da FCecon, na avenida Domingos Velho, bairro Dom Pedro, Zona Centro-Oeste, houve a necessidade de construir projetos, que voltassem para o bem-estar dessas crianças e adolescente, como também para darem a continuidade nos estudos e aprendizados. (IV)


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Dia a dia

Mulheres ainda temem Apesar do aumento no número de mecanismos de defesa da mulher contra os maus-tratos, muitas ainda temem denunciar seus agressores por medo de represálias ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO

U

ma parte das mulheres que, diariamente, sofrem com a violência doméstica e são agredidas por seus companheiros por causa da pressão psicológica, medo, vergonha e até por não quererem ser responsáveis pela destruição dos seus laços familiares resolvem não denunciar o companheiro para polícia. Alguns casos acabam sendo tão graves que se tornam crimes passionais. Só no mês de setembro, a Delegacia Especializadas em Homicídios e Sequestros (DEHS) realizou dezenas de ocorrências, mas quase nenhum virou registro de violência contra a mulher. O caso mais recente é o da industriária Yone Alexandre da Silva, 37, registrado na Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (Deccm), Parque 10. Yone foi encontrada morta com quatro perfurações nas costas. A industriaria foi supostamente agredida dentro da própria casa, localizada na Colônia Santo Antônio, Zona Norte. O principal suspeito do crime é o ex-companheiro dela, Leomar José da Silva, que para a família da vítima planejou todo o crime. O casal não tinha mais relação entre marido e mulher, mas morava na mesma casa. Testemunhas afirmaram ter visto o suspeito golpear Yone e que após cometer o crime, Leomar fugiu em um motocicleta, que tinha ficado ligada em frente à casa do casal. No dia 3 de setembro, Leane Lima de Castro, 17, também foi morta a facadas pelo excompanheiro. O crime ocorreu na Comunidade Cristo Rei, município de Iranduba (distante 9 quilômetros da capital), após a jovem decidir não voltar mais a se relacionar com o companheiro. Outro crime registrado por ciúme foi o ocorrido no dia 23 do mês passado. A vítima, Marinalva Bento da Costa, 45, foi morta com golpes de gargalo de garrafa pelo marido, após ele descobrir uma possível traição dela. A Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas (SSP) não divulgou novos dados dos últimos anos sobre denúncias de violência contra a mulher. Medo de denunciar Mesmo com todo o trabalho de divulgação, o medo de procurar a polícia para denunciar o companheiro ainda é predominante. A professora Eliena da Silva*, 38, se encaixa nesse caso. Após sair de um casamento, onde teve dois filhos, por sofrer maustratos e por ainda acreditar na possibilidade de encontrar um amor verdadeiro Eliena se casou novamente com um policial militar de 35 anos. De acordo com ela, o marido assumiu os filhos do primeiro casamento e se comprometeu em cuidar do lar e oferecer uma vida mais digna para a ela, no entanto, após 7 anos juntos ela, finalmente, está juntando coragem para se rebelar contra os maus-tratos que sofre do companheiro. “Saí do primeiro casamento porque era agredida verbalmente e fi-

sicamente por ciúmes. Conheci meu atual companheiro e tudo ia bem, passamos a viver a dois, mas com o passar dos meses, as agressões verbais começaram por parte dele também”, lamentou. A professora começou a ser agredida verbalmente pelo companheiro por causa de sua família. “Meu marido não aceitava muito a minha família e por eu defender as pessoas que me criaram ele começou a me agredir verbalmente, mas não pensava que algo pior pudesse acontecer. Toda vez que ele percebia que me magoava me procurava para pedir perdão e eu sempre aceitei, por causa do sentimento que sempre tive por ele, só que eu sofro com isso”, contou. Por causa das agressões verbais diárias, Eliena adquiriu uma depressão. Com vergonha de contar para seus familiares e colegas de trabalho, ela disse que estava com problemas pessoas e pediu para se desligar do emprego e realizar um tratamento. “Com peso na

VERBAIS

As primeiras agressões sofridas pela professora foram verbais, mas após algum tempo de convívio o companheiro começou a maltratá-la fisicamente também. O medo não deixa denunciar consciência ele pediu para me ajudar, disse que iria parar de me magoar e que gostaria muito que eu conseguisse terminar minha faculdade. Mas foi pior, pois como não tinha dinheiro e não ajudo em casa com as contas, ele acabou ficando com toda a responsabilidade para ele. Depois disso ele começou com as agressões físicas”, lembrou a professora. Conforme Eliena, após as agressões físicas o companheiro relatou que desde novo sempre passa por problemas de agressividade, já que cresceu vendo o pai bater na mãe. Conforme ele, o amor por Eliena sempre foi importante e como não queria perder a companheira assumiu um compromisso de procurar ajuda. “Cheguei a acompanhá-lo em algumas seções e não deu certo. Até hoje as agressões continuam. Ele não pode se irritar com nada. A última vez foi nesta semana, quando chegou do plantão. Fui perguntar onde ele havia deixado a farda dele e recebi um ‘pisão’ no peito. Antes de vir para casa, após o período do plantão, ele passa na casa da mãe e deixa a arma guardada, ele já disse que tem medo de fazer algo pior comigo”, desabafou. O fato de o companheiro sustentar os filhos, de os familiares não saberem das agressões e por não ter ir onde morar, a professora disse que acabou se acostumando com a situação. “Não tenho de quem receber apoio e por isso aceito essa situação. Ele me compra com presentes e agrados, mas estou chegando ao meu limite e tenho medo de um dia tirar minha própria vida. Não o denuncio, porque tenho medo que ele me mate”, assumiu.

Em muitos casos, as vítimas se mantêm caldas por medo de represálias

Consumo de bebidas e agressividade A funcionária pública, Maria Ribeiro*, 35, depois de oito meses de casada, descobriu que o companheiro, um vigilante de 48 anos, tinha problemas com bebidas e todas as vezes que retornava para casa bêbado começava a agredi-la verbalmente. As agressões físicas começaram depois que a funcionária pública engravidou do segundo filho. Ela teve coragem de denunciar, após seu irmão, que é militar, ter presenciado uma cena em que o marido batia em seu rosto por causa de ciúmes. “Não tive coragem de ir embora de casa, pois ajudei na construção dela. Agora vivemos debaixo do mesmo teto, mas não temos contato de marido e mulher. Estou esperando resolver todos os procedimentos na Justiça, mas tenho medo de continuar a viver ao lado dele”, contou. O companheiro garantiu para Maria que caso ela retirasse a denúncia, nunca mais voltaria a beber e o casal seria feliz novamente. Delegacias e suportes institucionais permitem que vítima seja protegida, garante delegada


MANAUS, DOMINGO, 5 DE OUTUBRO DE 2014

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DIVULGAÇÃO

FOTOS: IONE MORENO

denunciar agressões Polícia está vigilante A titular da Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher (Deccm), Kethleen Araújo explicou que com os mecanismos de proteção e maior punição dos agressores disponibilizados pela Lei Maria da Penha verificou-se um aumento considerado de denúncias tanto pelas mulheres vítimas de violência quanto por pessoas que testemunham tais violências, como vizinhos e familiares. “A aplicação efetiva da lei tanto pela polícia quanto pelo judiciário, trazendo a devida responsabilização penal aos agressores e a proteção à vítima, seja através das medidas protetivas de urgência, do pedido de prisão preventiva ou em flagrante, também traz credibilidade a lei e aos órgãos participantes da rede de enfrentamento”, defendeu. A delegada informou que a mulher vítima de violência pode buscar apoio para registro de sua ocorrência e a realização dos procedimentos penais em qualquer Distrito Integrado de Polícia (DIP), estando todos aptos a atender e realizar os procedimentos necessários. Outros órgãos como a Secretaria de Assistência Social (Seas), o Serviço de Apoio Emergencial a Mulher (Sapem) disponibiliza serviços de psicólogo, assistente social, encaminhamentos a outros serviços sociais e um abrigo provisório para as mulheres vítimas que necessitam. “Também contamos com uma Casa Abrigo (pertencente à Seas), onde as mulheres vítimas que se encontram em uma situação mais grave, onde há perigo de morte, podem ser abrigadas por um período indeterminado. Tal abrigo

possui endereço sigiloso e as vítimas lá abrigadas não podem receber visitas. Detalhe importante é que podem ser abrigadas juntamente com seus filhos”, garantiu. Além de todos esses apoios a titular da especializada tem apoio com o Núcleo de Apoio Emergencial a Mulher da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (Naem), que trata das causas familiares, tais como separação, divisão de bens, guarda de filhos e outros. Quanto a vítima a titular explica que caso a mulher esteja ou tenha acabado de sofrer qualquer tipo de violência deverá, primeiramente, acionar a polícia, para que, conforme o caso, seja o agressor preso e levado até um DIP para a realização dos procedimentos legais. “Nos demais casos, que não o de flagrante delito, a mulher deverá comparecer até o Distrito Policial mais próximo de sua casa para efetuar o registro da ocorrência e demais providências, além de ser encaminhada, se necessário, ao psicólogo e assistente social pertencente ao Projeto “Ame a Vida”, existente em todas as delegacias”, explicou. No próximo dia 23 um novo distrito da Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher, será inaugurado ao lado do 13º Distrito Integrado de Polícia (DIP), Zona Norte de Manaus. Kethleen informou que como a zona tem mais ocorrência de violência contra a mulher, a finalidade e de disponibilizar para as agredidas outro meio mais próximo para as vítimas. *Nome fictício para preservar a identidade da personagem

No início da semana foi lançado o projeto Ronda no Bairro Maria da Penha, exclusivo a vítimas de violência doméstica

Aplicativo de internet auxilia policiais Policiais Civis e Militares que atuam no Projeto Ronda Maria da Penha contam com auxílio de um aplicativo de internet para mapear as ocorrências de violência doméstica e a fiscalização do cumprimento das medidas protetivas expedidas pela Justiça, como o afastamento do agressor do lar ou local de convivência. O aplicativo foi desenvolvido pelo Núcleo de Geoinformação e Análise Criminal do Programa Ronda no Bairro (NGAC), que realizou treinamento com os policiais que

atuam no projeto. De acordo com o tenente Eduardo Silva do NGAC, o aplicativo foi pensando para contribuir com as ações das polícias com a geração de estatísticas e otimização dos serviços judiciários. “Com o aplicativo será possível montar um banco de dados de todos os atendimentos, o que futuramente servirá para os órgãos traçarem políticas públicas na questão de violência doméstica”, disse. A coordenadora da Polícia Militar do Ronda da Maria da Penha, capitã Adriana Salles, explica que por meio da es-

tatística será possível nortear as ações, para atender as mulheres que necessitem da medida protetiva. Ele destacou que no aplicativo, o policial, ao atender a ocorrência, irá preencher um formulário e alimentar o banco de dados com todas as características do fato e da vítima. “É um grande ferramenta para contribuir e dar mais agilidade ao projeto”, disse. O projeto Ronda Maria da Penha foi lançado pelo governo do Estado, por meio da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP),

30 de setembro, com o objetivo proteger vítimas de violência doméstica que solicitarem à Justiça medida protetiva de urgência, estabelecida na Lei Maria daPena (lei 11.340/06). O projeto conta com grupamento especializado e inicia em fase piloto na área do 27º Distrito Integrado de Polícia (DIP), no bairro novo Aleixo (Zona Norte). Para acionar o Ronda Maria da Penha, a vítima atendida pela Justiça com medida protetiva pode utilizar os números de telefone: 8855-0854 ou do 190. Delegacia da Mulher fica localizada no bairro Parque 10


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Dia a dia

Para onde foram as arm Em Parintins, casos de roubo e assassinato são resolvidos, mas sumiço de armas usadas indicam a possibilidade de esquema de favorecimento a crimes por meio de tráfico TADEU DE SOUZA Equipe EM TEMPO

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arintins (AM) – Enquanto a cidade comemorava o reinado de Momo na TerçaFeira Gorda de Carnaval deste ano, o jovem Daniel Lisboa, 33, conversava com uma jovem na rua Nova do bairro de São Francisco, quando surgiram dois motoqueiros. Um deles desceu do veículo e friamente executou Daniel, que tinha passagem pela polícia, com um tiro de um revólver calibre 38. Quarenta e oito horas depois, o crime estava esclarecido, mas a arma não foi encontrada. Em março, a tranquilidade de uma tarde de sábado foi quebrada por um assalto à mão armada numa joalheira na rua Paraíba, no centro de Parintins. À saída, populares tentaram impedir a fuga dos bandidos que abriram caminho à bala. Os assaltantes foram presos, mas a arma não também não foi encontrada até hoje. Casos como esses, sem falar nos assaltos praticados por menores com arma de fogo, levaram as polícias Civil e Militar em Parintins a montar uma verdadeira forçatarefa para descobrir quem está fornecendo armas para

a bandidagem. “A questão geográfica da cidade colabora para a entrada de armamentos, todas as pistas e indícios estão sendo investigados”, afirma o comandante do Batalhão Tupinambarana da Polícia Militar sediado em Parintins, tenente-coronel Valadares Júnior.

MISTÉRIO

Em vários dos crimes resolvidos pela polícia em Parintins, as armas não são encontradas com os criminosos, intrigando os policiais sobre quem fornece o armamento para os autores dos delitos Ele disse que o serviço de inteligência da PM já mapeou a cidade e trabalha no sentido de identificar quem está por traz desse esquema de armas. Novos casos As situações não param por aí. Em agosto passado, o jovem Rodrigo Matos, que também tinha passagem pela polícia, chega à sua casa no bairro Dejard Vieira, Zona Leste, por volta das 23h.

Seu pai, João Matos, ex-funcionário da Rádio Clube de Parintins, pede que o mesmo faça um suco. Ele se dirige à cozinha quando é chamado à porta por uma pessoa de motocicleta. Ao atender o chamado é atingido com um tiro na cabeça. O crime, com todos os sinais de pistolagem a serviço do tráfico, ainda não foi esclarecido, nem a arma encontrada. Em setembro, uma operação comandada pela delegada adjunta de Parintins, Greice Jardim, que culminou com apreensão de uma partida de drogas no porto da cidade, levou a polícia à residência do traficante Irailton Pereira de Souza, o Deco, 28, no bairro da União, Zona Leste, que furou o cerco policial à bala. Mais tarde, como se estivesse desafiando a polícia, Irailton postou uma foto nas redes sociais onde aparece com uma escopeta e a respectiva munição. Semana passada, a polícia apreendeu dois menores armados com um revólver da marca Taurus especial, calibre 38. Os dois, com frieza e tranquilidade, confessaram à delegada que tinham saído para matar um outro menor. O crime só não foi consumado porque a munição não deflagrou.

Traficante Irailton Pereira, o Deco, se exibe nas redes sociais com armamento após fugir de cerco pol


MANAUS, DOMINGO, 12 DE OUTUBRO DE 2014

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REPRODUÇÃO

FOTOS: TADEU DE SOUZA

mas? Delegada Greice Jardim acredita que armas sejam fornecidas por traficantes da região

olicial no bairro União, em Parintins

Esquema armado com traficantes “Acredito até que esteja acontecendo o que ocorre em Manaus, onde os traficantes alugam armas ou emprestam e dividem o resultado do assalto”, assegurou o tenente-coronel Valadares Júnior. Por sua vez a delegada Greice Jardim assegura que os investigadores da 3ª Delegacia Interativa de Parintins trabalham várias linhas de investigação. “Uma delas é que essas armas estariam sendo fornecidas por traficantes que operam na região” A delegada registrou uma novidade no combate ao crime em Parintins: o confronto entre policiais e bandidos. “Na medida do possível já apreendemos dois revolveres”, afirmou. “Estamos assustados com essa situação. Uum menor meteu o revólver na cara da minha filha e tomou o celular dela em frente a nossa residência”, disse a dona de casa Lúcia Pereira Silva, 25, enfatizando a necessidade de se intensificar ações de combate ao armamento. Nos finais de semana homens do programa Ronda no Bairro realizam operações em áreas da cidade consideradas de alto risco pelo sistema de segurança da PM.

Em muitos dos crimes resolvidos, as armas não são localizadas


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Dia a dia

MANAUS, DOMINGO, 12 DE OUTUBRO DE 2014

Entre o real e o imaginário DANIEL AMORIM Especial EM TEMPO

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m vídeo da série “Cidades Selvagens - Manaus”, em exibição pelo canal a cabo Animal Planet, aborda a situação de animais silvestres que supostamente vivem na capital amazonense. Com o subtítulo “Estranhos e Maravilhosos”, a produção tem duas sequências curiosas. Na primeira, araras disputam uma casquinha de sorvete após “atacar” uma turista. A segunda mostra uma cutia consumindo grandes quantidades de ração para cães. “É tudo falso”, sentencia a gerente de fauna do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Sonia Canto. “O vídeo não mostra a realidade local. Essas situações ocorrem apenas em ambientes fechados, provavelmente na área do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e no Centro Integrado de Guerra na Selva (Cigs)”. A presença de animais silvestres em casas ou ruas, embora incomum, é resultado da própria ação humana. “Se o local em que vivia estiver sofrendo algum tipo de perturbação, como desmatamento, caça indiscriminada ou invasões, o animal sai à procura

de abrigo, o que raramente encontra”, explica Sonia. Preguiças, jacarés, jiboias e iguanas são as espécies mais encontradas nesses locais. No entanto, não existem levantamentos específicos sobre a população de animais no perímetro urbano. A grande quantidade de fragmentos florestais – são mais de 300 em toda a cidade – demanda um trabalho concentrado. “Geralmente, os estudos são pontuais, quando há algum interesse por parte dos pesquisadores”, revela Sonia. O Ipaam dispõe de uma equipe que atua na proteção da fauna silvestre. As solicitações devem ser encaminhados pelo telefone 21236774 (segunda à sexta, das 8h às 17h) e 2123-6700 (após as 17h, sábados, domingos e feriados). Imaginário Apesar dos esforços para desmistificar fatos que cercam a Amazônia, a abordagem “exótica” persiste até hoje, em particular nos meios de comunicação. Segundo Ademir Ramos, professor de Antropologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), essa visão surge nos relatos dos viajantes que visitaram a Amazônia a partir do século 16. São descrições repletas de detalhes maravilhosos que,

somados à grandiosidade da região, acabaram se consolidando no imaginário popular. “O relato do frei Gaspar de Carvajal é o documento fundador desse pensamento. Basta ler suas observações sobre as Amazonas e o encontro das águas”, diz o professor. Ele se refere à narrativa do cronista que, entre os anos de 1541-42, acompanhou o explorador espanhol Francisco de Orellana na primeira navegação completa do rio Amazonas. Por outro lado, Ramos chama a atenção para as intenções ocultas dessa visão. “Esse imaginário não é ruim, pois contribui para a afirmação da identidade. São elementos presentes no boibumbá, por exemplo. O problema é que os colonizadores utilizaram isso para implantar um processo de dominação na Amazônia”, explica. Não são apenas os veículos de comunicação que se beneficiam desse imaginário, como lembra Ramos. “Nossas instituições reforçam essa imagem para atrair turistas. Isso existe em todo o Brasil. Até hoje somos conhecidos como a terra do samba. No caso mais particular, o turista que vem a Manaus prefere o rio à cidade”, observa o professor, coordenador do Núcleo de Cultura Política da Ufam.

REPRODUÇÃO

Vídeo produzido por canal de TV a cabo levanta discussão sobre visão “exótica” da Amazônia, que acaba se tornando equivocada ao mostrar uma realidade diferente da existente, onde animais selvagens são apresentados como domesticados

Arara consome sorvete em cena do programa exibido no Animal Planet: visão deturpada


Especial

Eleições 2014 MANAUS, DOMINGO, 12 DE OUTUBRO DE 2014

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Esq.-dir.: Felipe Souza, Pastor Carlos Alberto, Fabrício Lima e Bosco Saraiva

Esq.-dir.: Therezinha Ruiz, Wilker Barreto, Marcel Alexandre e Marcelo Serafim

Vereadores testam popularidade nas eleições Concorrendo a cargos estaduais e federais, pelo menos 26 vereadores testaram, nas urnas, o tamanho de suas popularidades CARLOS EDUARDO MATOS Equipe EM TEMPO

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ara 26 vereadores de Manaus, ter participado destas eleições foi mais que uma disputa por vaga no parlamento estadual, no Congresso Nacional ou no Senado: foi o momento de avaliar a popularidade deles entre os eleitores da capital, com os olhos voltados para as eleições municipais de 2016. Nesta batalha, muitos saíram feridos. Mesmo tendo a vantagem de serem vereadores – alguns com forte apoio político do prefeito Athur Neto e com extenso trabalho social nos bairros – seis parlamentares receberam menos votos que nas eleições de 2012; nove tiveram um desempenho razoável, com aumento de mais de 2 mil votos, se comparado com o último pleito. Apenas dois vereadores mantiveram suas margens de votação. Em compensação, oito vereadores superaram as expectativas e tiveram aumento de mais de 5 mil votos nesta eleição. O faltoso Ironicamente, os três vereadores mais votados nas eleições de 2012 foram os que tiveram os piores resultados nesta eleição. Reizo Castelo Branco (PTB), que liderou a lista dos mais votados, com 18,1 mil votos, recebeu como candidato a de-

putado estadual 13,1 mil votos em Manaus, quase 5 mil a menos. Campeão de faltas na Câmara Municipal de Manaus (CMM), mas com extenso trabalho nas comunidades carentes, sempre com apoio do pai, deputado federal Sabino Castelo Branco, e da mãe, deputada estadual Vera Lúcia Castelo Branco, ambos do mesmo partido, Reizo sofreu uma forte rejeição e perdeu a disputa. No interior do Estado, ele também não foi bem, pois recebeu apenas 804 votos. Procurado pela reportagem, o vereador não foi localizado para dar declarações. O assíduo O segundo mais votado nas eleições de 2012, com 15,4 mil votos, o vereador Álvaro Campelo (PP) conquistou a confiança de 10,2 mil eleitores em Manaus, o que não foi suficiente para ele sair vitorioso na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). Parlamentar de primeiro mandato, Campelo é conhecido pelo trabalho em defesa dos direitos dos consumidores. Ele não soube explicar a razão dessa queda no número de votos, apenas disse que o “dinheiro prevaleceu sobre o trabalho”, referindo-se à cam-

panha política feita com pouco recurso. “Não faltei a nenhum dia de sessão na Câmara Municipal, realizei várias ações de fiscalização em supermercados e shoppings, exerci meu mandado com afinco, com apoio do povo. Em nossas pesquisas, meu nome estava entre os favoritos. Por alguma razão que desconheço, não fui eleito”, lamentou. O vereador Plínio Valério (PV), que ficou em terceiro colocado

INVESTIMENTO

Parlamentares com mais experiência e considerável apoio político investem pesado e buscam a vitória, mas uma boa parte dos vereadores entra na eleição somente para testar sua popularidade na lista dos mais votados em 2012, com pouco mais de 12 mil votos, este ano arrebatou 10,6 mil votos em Manaus. Juntando os votos no interior do Estado, o ex-deputado federal conseguiu 12,3 mil votos, quase o mesmo resultado da eleição para vereador. Os números bateram forte o parlamentar, que chegou a afirmar, na tribuna da CMM, que este resultado foi um fracasso. Em uma rede social, Plínio disse que está repensando

sua careira política, mas que não pretende encerrar. “Sequer repeti o resultado para vereador, que é a eleição mais difícil de todas. Eu fracassei em minha estratégia. Quando pessoas ligavam para saber meu número e ainda pensavam que eu era candidato a deputado federal me assustei um pouco, mas afinal, precisava de poucos votos. O certo é que não deu. Essa é a realidade com a qual tenho que conviver daqui pra frente”, escreveu o parlamentar. Os veteranos O vereador Isaac Tayah (PSD) também teve menos votos em Manaus: foram 7,9 mil em 2012 contra 7,2 mil neste pleito, uma diferença de 743 votos. Gilmar Nascimento (PDT) quase igualou o resultado de 2012 e de 2014, com diferença de apenas 272 votos. O veterano Mário Frota (PSDB), outro decepcionado nesta eleição, disse que não acreditou no resultado e ficou surpreso com os números. Em 2012, ele recebeu 6,5 mil votos, sendo que neste último pleito, caiu para 5 mil em Manaus. “Não consigo apontar o erro, não sei o que aconteceu. Estava entre os vereadores com grandes chances de vencer no voto, tinha uma boa aceitação entre o público. Quando saiu o resultado das eleições, fiquei chocado”, afirmou. Esq.-dir.: Mário Frota, Isaac Tayah, Álvaro Campelo, Gilmar Nascimento, Plínio Valério e Reizo Castelo Branco

Meta: multiplicação dos votos Enquanto uns tentam encontrar o erro que cometeram nesta eleição, outros comemoram o sucesso da estratégia. É o caso do vereador e presidente da CMM, Bosco Saraiva (PSDB), eleito deputado estadual. Sexto mais votado em 2012, com 9,7 mil votos, ele conseguiu quase duplicar os votos em Manaus. Ele atribuiu o bom resultado ao trabalho que vem desenvolvendo à frente da CMM, sem ter parado de ir às comunidades. A vereadora Professora Therezinha Ruiz (DEM) não foi eleita deputada estadual, porém, conseguiu duplicar os votos na capital. A experiência serviu de termômetro para uma possível reeleição, em 2016. Há dois anos, Therezinha recebeu 5,3 mil votos e chegou à CMM pelo quociente partidário. Neste pleito, ela conquistou 10,8 mil votos em Manaus. “Ganhei visibilidade como vereadora. Tenho participado ativamente na solução dos problemas da cidade. Todos os dias vou às comunidades, converso com o povo e os trabalhadores, principalmente

os educadores. Não tenho descansado”, disse. O ex-secretário municipal de esporte e lazer, vereador Fabrício Lima (SDD) também não venceu, mas conseguiu obter 6,1 mil votos a mais, em relação à votação dele em 2012. Evangélicos A bancada evangélica da CMM também teve bom resultado. O vereador Pastor Carlos Alberto (PRB), eleito deputado estadual, recebeu 9 mil votos a mais em relação ao pleito de 2012, enquanto o pastor Marcel Alexandre obteve aumento de 5 mil votos, embora tenha perdido a disputa para deputado estadual. Wilker Barreto (PHS) e Felipe Souza (PTN), ambos candidatos a deputado federal, não venceram, mas tiveram bom alcance de votação em Manaus, com crescimento de 16 mil e 18 mil votos, respectivamente. Marcelo Serafim, único vereador que disputou o cargo de senador, obteve 81,2 mil votos, só em Manaus. Na eleição para vereador, ele conquistou 6,7 mil eleitores.

Projeção publicitária era o foco O sociólogo e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Afrânio Soares, explicou que alguns vereadores entram nas eleições estaduais apenas para obter projeção publicitária que a campanha política proporciona, enquanto outros entram na disputa para ganhar. Parlamentares com mais experiência e considerável apoio político investem pesado e buscam a vitória, mas uma boa parte dos vereadores, por uma série de motivos, entra na eleição somente para testar sua popularidade e evitar o ostracismo que envolve o

mandato de vereador”, afirmou. De acordo com ele, a estratégia de campanha para deputado estadual, federal ou senador é diferente em relação à eleição para vereador, por questão de área geográfica. “Nas eleições estaduais, o candidato concentra-se demais no interior do Estado e perde um pouco seu foco na capital e isso pode afetar o resultado nas urnas. Na disputa para vereador, o candidato concentra sua campanha em uma determinada área da cidade, mas não deixa de ser uma campanha complicada e cansativa”, afirmou.


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Eleições 2014

MANAUS, DOMINGO, 12 DE OUTUBRO DE 2014

Um olhar político sobre os direitos das crianças FOTOS: DIVULGAÇÃO

Amparados e com direitos assegurados pela Constituição Federal, as crianças necessitam de um olhar especial dos parlamentares JOELMA MUNIZ Equipe EM TEMPO

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sperança de um futuro melhor, as crianças brasileiras são celebradas hoje, com um dia todo dedicado a elas. Amparados e com direitos assegurados pelo maior dos conjuntos de lei, a Constituição Federal, os pequenos e pequenas necessitam de um olhar especial dos entes legislativos, que carregam nos ombros a missão de formular leis que as assegurem educação, saúde, dignidade, lazer, boa alimentação, entre outros itens indispensáveis, para que cresçam e se tornem homens e mulheres conscientes de seu deveres e direitos. De olho nas necessidades das crianças manauenses, ao menos 20 vereadores da Câmara Municipal de Manaus (CMM) apresentaram projetos de lei, visando o público infantil. As propostas, que em boa parte estão ligadas ao sistema educacional, utilizado para a alfabetização das crianças, somaram até o dia de hoje 30 ações, que estão em tramitação pelas comissões da casa. Dentre os Projetos de Lei, estão o 74/2014, elaborado pela vereadora Therezinha Ruiz (DEM), que visa instituir campanha permanente de conscientização contra o ‘Cyberbullying’, no âmbito do município. Legislação que tenta se adequar às novas formas de violência contra as crianças matriculadas na rede municipal de ensino. Sem voz De acordo a parlamentar, para legislar em prol do público, cuja voz ainda não ecoa no parlamento, é preciso estar atento e sensível aos problemas e necessidades vividos no dia a dia deles. “Como muita coisa é plantada no âmbito escolar, é preciso perceber e oferecer a elas a oportunidade de modo indistinto. Temos que ter consciência para produzir projetos que atendam não só as crianças ricas, mas também e de modo especial, as crianças pobres”, comentou. Um dos projetos que devem beneficiar as crianças, já no próximo ano, é o que implementa o ensino de língua inglesa nas instituições municipais, que atendem crianças a partir de quatro anos de idade. “Essa foi uma das nossas conquistas dentro da Câmara Municipal de Manaus. Ano que vem esses meninos e meninas terão acesso à língua inglesa. Isso refletirá de maneira positiva em seus futuros”, ressalta. Uma indicação proposta à Prefeitura de Manaus, e que também está em tramitação na CMM, pretende ampliar a qualidade de ensino de crianças portadoras de deficiência, que estão matriculadas na rede pública na cidade. “Essas crianças precisam de atenção, elas merecem ter uma educação à altura da fornecida para qualquer outra. É necessário que elas tenham dentro da sala de aula o apoio de uma pessoa que chamamos de mediador. Esse profissional, junto com o professor, ajudará a inserir a criança no meio. Espero que nossa proposta seja entendida e que o Executivo possa abraçar a causa”, explicou.

De olho nas necessidades das crianças manauenses, ao menos 20 vereadores da Câmara Municipal de Manaus apresentaram projetos visando o público infantil

Cuidados começam na gestação Trabalhando com o público infanto-juvenil há 17 anos, o vereador Professor Bibiano (PT) ressalta que a preocupação precisa se estender às crianças ainda no ventre de suas mães, e que por isso propõe que as gestantes tenham o direito de utilizar o transporte coletivo de maneira gratuita. Liberando-as de se expor à catraca e ao empurraempurra dos ônibus, comumente lotados. “Passando por essa proposta, que resguarda as crianças ainda no ventre de suas mães, também nos preocupamos com a qualidade do ensino que elas vão receber ao longo

da vida. Estamos atentos à necessidade de oferecer segurança no ambiente escolar, e por isso também proponho que esses ambientes sejam regulamente avaliados”, frisou. O desenvolvimento de programa de saúde preventiva na escola e o desenvolvimento de política de acompanhamento especial para alunos portadores de doenças neurológicas estão na lista de projetos, encabeçados pelo petista. A criação de um ambiente escolar seguro, segundo a vereadora Professora Jacqueline (PPS), é essencial não só para o futuro intelectual das

crianças, como é um mantenedor de sua integridade física e moral. “Como educadora me sinto porta-voz dessas crianças, nossos projetos de lei precisam refletir esse mundo. Família, escola e sociedade precisam se unir por eles, que ainda não têm voz suficiente para lutar por si”, destacou. A socialista reúne projetos que visam campanha de conscientização sobre a Síndrome Alcoólica Fetal, pede a inserção de temas transversais de educação nas escolas e institui a semana municipal das meninas, a ser realizada anualmente na semana do dia 11 de setembro. DIVULGAÇÃO

Parlamentares estão priorizando as crianças em seus projetos

MAIS PROJETOS

Vereador propõe leis que assegurem os direitos das crianças ainda no ventre materno

O projeto 285/2014, do vereador Ednailson Rozenha (PSDB), dispõe sobre a obrigatoriedade dos hospitais públicos e privados e instituições congêneres a notificarem ocorrências de uso de bebidas alcoólicas e/ou entorpecentes por crianças e adolescentes. Já o vereador Massami Miki (PSL) pede a criação do programa educativo Pequeno Agricultor Sustentável nas escolas da zona rural de Manaus. Para resguardar a segurança de crianças em grandes estabelecimentos comerciais, o vereador

Roberto Sabino (Pros) sugere que sejam instaladas placas com informações de segurança próximo a escadas e esteiras rolantes. Luis Mitoso (PSD) apresentou projeto de lei pedindo a implantação de medidas de prevenção ao suicídio nas escolas. Junior Ribeiro (PTN), defende o passe-livre estudantil nos serviços de transporte coletivo de Manaus e o programa de bolsa creche às crianças que não obtenham vagas na rede municipal de ensino, por intermédio de convênio com escolas particulares.


Eleições 2014

MANAUS, DOMINGO, 12 DE OUTUBRO DE 2014

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Marcelo RAMOS

‘Seria PATÉTICO TIRAR foto abraçado COM QUALQUER um dos CANDIDATOS’ FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

ISABELLA SIQUEIRA Equipe EM TEMPO

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Passei a campanha inteira dizendo que Eduardo Braga e José Melo eram farinha do mesmo caso. Seria patético ao acabar as eleições eu, que estive na linha de frente com eles, subir no palanque e tirar foto abraçada com qualquer um desses candidatos”

erceiro lugar no ranking para cargo de governador do Amazonas no último pleito, o deputado estadual Marcelo Ramos (PSB) se tornou a “noiva mais cobiçada” nesta segunda etapa do pleito. Fiel depositário de cobiçados 179,7 mil votos, a maioria na capital, um dia após a abertura das urnas Marcelo foi procurado pelos dois candidatos que estão no segundo turno do pleito para conseguir seu apoio. Mas, o socialista preferiu manter firme a sua posição de que os dois candidatos “são farinha do mesmo saco” e apesar de declarar abertamente que irá votar em José Melo (Pros), destacou que não irá subir em palanque de ninguém. Natural de Manaus iniciou sua vida política atuando no movimento estudantil secundarista, Formou-se bacharel em Direito e intensificou sua atuação política. Entre os anos de 2005 e 2006, adquiriu experiência com administração pública nas esferas municipal – como subsecretário municipal de Esportes da cidade de Manaus (2005). Em março de 2007, assumiu mandato como suplente na Câmara Municipal de Manaus, sendo líder do Prefeito e presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Dois meses depois, se licenciou do cargo para se tornar presidente do Instituto Municipal de Transportes Urbanos (IMTU), onde permanecei até abril de 2008, quando reassumiu o cargo de vereador, para o qual foi reeleito vereador com 5 mil votos. No ano de 2010, sua atuação ganharia novo âmbito com a candidatura para o cargo de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Amazonas, onde exerce mandato até o fim deste ano. Este ano, Marcelo arriscou candidatura ao governo do Amazonas e foi apontado por especialista como a surpresa do pleito. Quatro dias após a abertura das urnas, Marcelo recebeu a equipe do EM TEMPO, para falar sobre seu futuro político, suas avaliações sobre o pleito e também sua situação dentro do PSB, após a sigla declarar apoio a José Melo sem a sua anuência. EM TEMPO – Após apresentar um potencial inesperado pelos seus adversários e até mesmo pelas pesquisas no primeiro turno da eleição, você se tornou cobiçado pelos candidatos José Melo e Eduardo Braga. Eles já te procuraram para pedir seu apoio? Marcelo Ramos – A nossa campanha ele teve um resul-

tado verdadeiramente surpreendente para a grande maioria do povo, não pra mim, que sempre acreditei no projeto. Minha candidatura foi responsável pela existência de um segundo turno nesta eleição, fato que ocorre pela primeira vez na história política do Amazonas. E o mais importante, nós tivemos a maior votação já vista de uma candidatura independente no Estado, isso demonstra que cresce o anseio da população por alternância de poder deste grupo que nos governa há 32 anos. Após abertura das urnas fomos sim procurados por vários emissários de ambos os candidatos, e todas as conversas que tivemos com esses grupos foram republicanadas, relacionadas ao plano de governo e pespectiva para 2016, e isso é natural. EM TEMPO – E por que decidiu não apoiar ninguém? MR – Eu passei a campanha inteira dizendo que Braga e Melo era farinha do mesmo saco e representavam o mesmo projeto, que eu combato a minha vida inteira. Seria patético acabar a eleição e tirar uma foto abraçado com qualquer um dos candidatos. Eu entendo que o voto é um direito e dever da democracia e não considero o voto nulo um ato democrático, portanto, decidi escolher entre um dos candidatos como cidadão sem a pretensão de induzir a votação dos meus 180 mil eleitores, até porque eles são homens e mulheres conscientes, responsáveis com o futuro do Amazonas que vão saber a sua melhor escolha. Agora, me senti na obrigação de escolher entre os dois e anunciar o meu voto em José Melo, apenas isso. EM TEMPO – O PSB, seu partido, declarou na semana passada apoio ao candidato José Melo, mas você não participou deste encontro. Por que? MR – A minha posição é diferente da posição do partido. O Marcelo Serafim, o Serafim Corrêa e o Elias Emanuel eles não tiveram o nível de enfrentamento que eu tive com esses dois candidatos que estão no segundo turno, porque eles não estavam na linha de frente da disputa com eles. Então, pode até ser razoável para eles a atitude de apoio, mas para mim não era. Até o ultimo domingo eu combatia essas duas candidaturas. Agora, isso é uma posição minha, não significa que tenha ocorrido racha dentro da legenda, pelo contrário, um dia antes do anuncio do partido eu estive conversando com o Serafim Corrêa e avisei que não iria para coletiva e dei os meus motivos. A diferença é que eles vão votar, apoiar,

fazer campanha e enganhando participar do governo. A minha será apenas de votar. EM TEMPO – E qual vai ser o seu futuro político para 2015, após finalizar seu mandato de deputado federal? MR – Eu tenho uma vida militante, eu não me tornei militante por causa de um mandato parlamentar. Fui presidente de grêmios estudantis, centro acadêmicos, concorri a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), entre outros. Portanto, eu vou retomar a minha militância cidadã. E acho que isso será muito bom pra mim porque o afastamento do ambiente parlamentar e das coisas que o parlamento te proporciona me fará resgatar o espírito militante que tenho. O meu projeto é continuar com atividades políticas, claro que sou um homem simples e preciso sustentar a minha família e ainda estou procurando um caminho para isso. Sou advogado, e voltar a advogar será um afastamento do ambiente político, mas estou vendo alguns projetos. EM TEMPO – E quais são esses projetos? MR – Por exemplo, quero transformar o meu site em um blog político de opinião e fiscalização. Estou também com a ideia de trabalhar um instituto ou uma fundação que auxilie a população a manusear os sites de contas públicas e acompanhar uma fiscalização maior no Estado. EM TEMPO – Você citou que agora almeja cargos do patamar majoritário e em 2016 teremos uma campanha para prefeito, onde o atual administrados, Arthur Neto (PSDB) já sinalizou interesse em concorrer à reeleição. Se ele te convidasse para ser vice dele, aceitarias? MR – Tive muito orgulho em ser vereador, pois foi lá que criei bases para atuação da minha vida política. Fui líder do governo e da população, agora é óbvio que o caminho natural não seria eu concorrer ao cargo de vereador em 2016, depois de participar deste processo e ter o resultado que tive é natural que almeje disputar a prefeitura. Tenho muito respeito pelo prefeito Arthur Neto, inclusive o meu partido compõe o governo dele, agora eu tenho a minha independência. Disputar a prefeitura seria um caminho natural, mas não quero discutir isso agora, não é o momento correto e não vou atropelar as coisas e criar instabilidade para o prefeito. Ele tem que ter tranquilidade para governar e cuidar da cidade. No momento correto irei decidir isso.

EM TEMPO – Com a saída da Marina Silva da disputa a presidência da República como vai ficar seu apoio para esse cargo? MR – Eu seguirei a Marina. Ele ficou de anunciar no dia desta entrevista o seu posicionamento, mas decidiu adiar e eu irei apoiar quem ela apoiar. E toda a minha energia de militante será canalizada para a campanha do presidenciável que Marina indicar. EM TEMPO – Mas você, Marcelo Ramos tem alguma preferência? MR – Eu penso que a alternância de poder é essencial para a democracia. O governo do PT está há 12 anos no poder e já vem algum tempo comprometendo as instituições republicanas e a perpetuação deste projeto poderá abalar os pilares da República. Eu acho que é preciso mudança, mas claro que essa mudança seria melhor com a Marina Silva. EM TEMPO – Se o futuro governador do Amazonas lhe convidar para assumir algum cargo na sua administração você aceitará? MR – Isso está totalmente descartado. Eu não concordo com a forma do Eduardo (Braga) governar e não concordo com a forma do José (Melo) governar. E o atual governador não terá tempo daqui até o fim do ano para me mostrar que vai fazer algo diferente do que fez até aqui. Portanto, não tenho elementos e segurança para aderir ao governo deles. Tudo o que faço na minha vida tem justificativas, eu posso até errar, mas sempre tenho uma justificativa para isso. E não teria fundamento aceitar um cargo no governo no futuro. Irei manter a minha independência. EM TEMPO – As pesquisas eleitorais do Estado te mostravam com índice baixo de aceitação, o que se mostrou contrário nas urnas. Qual a sua opinião sobre esses institutos? MR – Fui esmagado por esses institutos, mas costumo dizer que eles acertam algumas vezes e erram outras também, já as urnas sempre acertam. Agora, o que ficou claro neste pleito que houve uma orquestração desses institutos para me prejudicar. As pesquisas no Amazonas são inimigas da democracia porque são utilizadas para manipular a vontade popular. É absolutamente incoerente um instituto desse ser contratado de um candidato e divulgar dados como se fossem resultados imparciais. Fui esmagado por esses institutos. Lamentam que existam pessoas que coloquem seus lucros acima da democracia.

Aceitar qualquer cargo público na nova administração estadual está totalmente descartada. Eu não concordo com a forma do EduardoBraga e do José Melo de governar”

Fui esmagado pelos institutos de pesquisa do Amazonas. Nesta eleição ficou claro que houve uma orquestração destes setores para tentar me prejudicar”


Eleições 2014

PSOL prefere manter a neutralidade no 2º turno

Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

www.claudiohumberto.com.br

“Foi uma enorme fraude intelectual” Jornalista

CANDIDATO DO PSBD A PRESIDENTE, AÉCIO NEVES, sobre o programa eleitoral do PT

Petrolão: paraísos fiscais mudaram de endereço O propinoduto da Petrobras mostrou os novos destinos do dinheiro da corrupção. O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, por exemplo, tem contas em Hong Kong, distante paraíso fiscal, como revelou esta coluna em junho. O submundo da corrupção agora prefere países que não se submetem a regras internacionais de combate à lavagem de dinheiro: além da China, Rússia e Coréia do Norte.

O resolvedor Ocuparam apartamentos funcionais do Senado, cedidos por Agaciel Maia, ministros como Joaquim Barbosa (STF) e Massami Ueda (STJ).

Quase democrático Fora do circuito Suíça e Cayman, paraísos “tradicionais”, ditaduras são os destinos mais procurados por quem deseja esconder dinheiro.

Registre-se O empréstimo dos imóveis não implicou em qualquer comprometimento de Joaquim Barbosa ou Massami Ueda, reconhecidos pela seriedade.

Melou o esquema Órgãos fiscalizadores e de controle do Brasil já têm acordos de cooperação com a Suíça, Belize, Ilhas Cayman, Jersey, Seychelles etc.

A punição Agaciel teve os direitos políticos suspensos por 8 anos e está proibido de receber benefícios fiscais por 5 anos e a pagar multa milionária.

Esconder é difícil Paraísos menos famosos como a Ilha de Man e a Ilha Jersey também já são conhecidos pelas autoridades e, portanto, menos procurados.

Calmantes na veia Até deputados aliados de Dilma ironizam: a grande ganhadora com as denúncias do doleiro Alberto Youssef foi a indústria farmacêutica, que deve ter multiplicado a venda de calmantes e remédios para dormir.

Quem avisa... Despreparado, com um único hospital especializado, o governo Dilma deveria impedir voos da África, após o ebola arrombar a porta. Condenado, Agaciel mandava muito no Senado Condenado na Justiça Federal pelo escândalo dos Atos Secretos, usados para nomear apadrinhados sem concurso e sem publica-

ção no Diário Oficial, o deputado distrital reeleito Agaciel Maia (PTC) mandava tanto no Senado que distribuía “bondades” sem consultar a mesa diretora. Até emprestou apartamento do Senado ao ministro Joaquim Barbosa, após sua nomeação para o Supremo Tribunal Federal.

MANAUS, DOMINGO, 12 DE OUTUBRO DE 2014

Motivo para o posicionamento é, segundo a sigla, a ausência de planos de governo dos dois candidatos que disputam a vaga ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

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Grande do Sul para pedir votos a Ivo Sartori (PMDB), enquanto Dilma participará do palanque do governador Tarso Genro (PT), candidato à reeleição. Calma lá Vaiado em uma roda de amigos em São Paulo após declarar voto a Dilma, o marqueteiro nacional do PMDB, Elsinho Mouco, amenizou discurso: “Sou Dilma, mas não necessariamente contra o Aécio...”. Adiamento O senador João Capiberibe pediu a Roberto Amaral o adiamento da escolha do presidente do PSB, para depois do 2º turno. “É para não prejudicar companheiros em campanha eleitoral”, justificou em carta. Números do pólo O polo de Manaus faturou R$ 54,6 bilhões nos oito primeiros meses do ano. Números da Suframa apontam crescimento de 5,6% em reais e queda de 2,9% em dólar, comparando com igual período de 2013. Pior que tá, fica Com a renovação de mais de 40% da Câmara e dos altos índices de abstenção, o líder do PRB, George Hilton (MG), defende a urgência na reforma política: “É recado nas urnas da crise de representatividade”.

Consideração A equipe de Michel Temer anotou: o candidato potiguar a governador Henrique Alves (PMDB) não o convidou para o seu palanque. Mas Alves reclama do apoio de Lula ao adversário Robinson Faria (PSD).

Muitos votos Para a revista inglesa The Economist: Aécio (PSDB), 2º colocado no 1º turno, precisa conquistar mais de 18 milhões de votos, além dos 34 milhões que teve, para ameaçar a liderança de Dilma Rousseff (PT).

Duas frentes Em agenda separada, o vice Michel Temer irá ao Rio

Pergunta no açougue Esse ovo mais barato que a carne é Friboi?

Ex-candidato ao governo do Estado, Abel Alves e cúpula do PSOL preferem a neutralidade CARLOS EDUARDO MATOS Equipe EM TEMPO

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ex-candidato ao governo do Estado, Abel Alves, e o presidente do PSOL, Elson de Melo, anunciaram, ontem, que não irão apoiar nenhum dos dois candidatos que estão no segundo turno das eleições. Em nota, eles explicam que optaram pela neutralidade por discordarem da ausência de planos de governo para o desenvolvimento do interior do Estado, tanto na campanha de José Melo (Pros), quanto de Eduardo Braga (PMDB). Eles condenaram a atitude dos dois candidatos, que fizeram acusações recíprocas nos debates, sendo que ambos fazem parte do mesmo grupo político. “Nós somos contra o continuísmo. Esperamos que o

povo amazonense saiba reconhecer a vereda sombria dos próximos quatro anos, reafirmando nossa proposta de princípios socialistas”, diz a nota.

MOTIVAÇÃO

Em nota, o PSOL explicou que optaram pela neutralidade por discordarem da ausência de planos de governo para o desenvolvimento do interior do Estado, tanto na campanha de Melo, quanto na de Eduardo Abel fez uma avaliação positiva da participação do PSOL nesta campanha eleitoral. Ele recebeu 8,8 mil votos, sendo que 7 mil vieram da capital e o restante do interior. Na eleição para prefeito, o

candidato do PSOL conquistou 2,4 mil votos. “Foram votos independentes, manifestações de pessoas que optam pela ética e querem a renovação na política. Mas infelizmente, os municípios do interior ainda são um curral eleitoral, onde os candidatos derramaram muito dinheiro”, disse. Abel também criticou a postura do deputado estadual Marcelo Ramos (PSB), ao declarar voto ao candidato José Melo. “Isso pareceu um ‘estelionato eleitoral’, onde ele defendeu uma postura e agora defende outra, justamente aquela que ele tanto combateu no primeiro turno”, analisou.

MERCADANTE

‘Não faremos política ortodoxa’

PODER SEM PUDOR

Conta de somar

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Homem sério, o líder mineiro Milton Campos nunca foi daqueles políticos que tentam explicar o inexplicável. Ele perdeu para João Goulart, em 1960, a eleição para vice-presidente da República, que na época não era “casada” com a de presidente. Na expectativa de obter uma avaliação profunda do seu próprio insucesso, um jornalista provocou: - Dr. Milton, por que o sr. perdeu?” - Perdi porque ele teve mais votos – disse, encerrando a conversa mole.

O ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante disse que a presidente Dilma Rousseff (PT) não fará uma política ortodoxa e recessiva se reeleita para o segundo mandato. A afirmação foi feita em entrevista ao jornal “Valor Econômico”. “Nós temos que fazer ajustes fiscais seletivos, inteligentes, que preservem os mais pobres e continuem o esforço de distribuição de

renda e inclusão social”, afirmou na publicação. De acordo com o ministro, que entrou de férias para atuar como porta-voz econômico da campanha da petista, será preciso melhorar o diálogo com o setor privado. Na entrevista, ele afirma que Dilma tem feito reuniões com setores da indústria e lideranças. Questionado sobre o crescimento do país nas gestões

de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e da candidata à reeleição, Mercadante afirmou que os índices são parecidos diante de cenários tão diferentes. “A média do crescimento da economia foi 2,3% nos anos FHC. A média de crescimento no período Dilma será de 2,1%. É muito próximo, mas num cenário econômico muito mais adverso”.

CASO PETROBRAS

Ex-diretor fez ‘delação eleitoral’

Líder do governo afirma que Costa está do lado de Aécio Neves

O líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), disse que Paulo Roberto Costa colabora com a campanha do candidato à Presidência no segundo turno, Aécio Neves (PSDB). Em comício realizado em Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, Fontana disse que Costa não faz delação premiada, mas “delação eleitoral”. “Este Paulo Roberto está participando da campanha de Aécio. É um apoiador da campanha de Aécio”, disse Fontana. As declarações de Fontana

acontecem um dia depois de a Justiça Federal divulgar do áudio de depoimentos de Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Yousseff. Nos depoimentos prestados à Justiça Federal do Paraná, Costa explicou como seria feito o rateio de recursos obtidos por meio de superfaturamento de contratos entre a Petrobras e empresas privadas. Segundo Costa, o dinheiro era dividido entre PT, PMDB e PP. Em Canoas, Fontana disse que foi Dilma quem ordenou as investigações na Petrobras.

“A presidenta Dilma é a chefe da Polícia Federal, porque quem comanda a polícia federal é a presidnta Dilma e ela é que esta mandando investiar a corrupção e ver o que esta acontecendo de errado pra punir qualquer ilegalidade”, disse. Fontana criticou ainda Aécio e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “Corrução tinha às pencas quando o Fernando Henrique foi presidente e até hoje não julgaram o mensalão do Aécio, do PSDB”, disse Fontana.

Prisão Costa foi preso em março durante a Operação Lava Jato. Por decisão do STF, Costa cumpre prisão domiciliar. Costa foi direitor de Abastecimento da Petrobras entre 2004 e 2012 e segundo depoimento do doleiro Alberto Yousseff, foi nomeado por Lula após pressão de políticos das bases aliados. As declarações de Fontana foram feitas minutos antes da chegada de Dilma ao comício em Canoas.


Eleições 2014

MANAUS, DOMINGO, 12 DE OUTUBRO DE 2014

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Amazônia: prioridade do próximo governo, diz ONG Plataforma apresentada aos presidenciáveis diz que as riquezas da Amazônia têm gerado poucos benefícios aos seus habitantes

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rês das principais ONGs que atuam na Amazônia decidiram se unir e apelar aos dois presidenciáveis que disputam o segundo turno nas eleições deste ano em nome do desenvolvimento sustentável da Amazônia. A plataforma Amazônia e as Eleições 2014: Oportunidades e Desafios para o Desenvolvimento Sustentável traz uma profunda análise da região e propõe recomendações que serão enviadas aos candidatos à presidência da República. O documento foi elaborado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e Amigos da Terra - Amazônia Brasileira. A plataforma ressalta que a região é superlativa em recursos naturais e importância ambiental. Abriga cerca de um terço das florestas tropicais, a maior bacia hidrográfica do planeta e é rica em recursos minerais e em potencial hidrelétrico. Suas florestas cumprem papel fundamental na conservação da biodiversidade, no ciclo do carbono e regulação do clima. Também prestam um serviço crucial para os brasileiros: a produção de cerca de 20 bilhões de toneladas de vapor d’água por dia, que são transportadas em nuvens e geram chuvas para o Centro-Sul do país. “Apesar desses atributos e do papel estratégico no cenário nacional, as riquezas da Amazônia têm gerado poucos benefí-

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cios sociais e econômicos para a grande maioria dos seus mais de 24 milhões de habitantes”, ressalta Paulo Barreto, pesquisador do Imazon. Mesmo assim, a Amazônia passou ao largo dos debates no primeiro turno das eleições. Para as entidades signatárias da plataforma, o desafio de promover o desenvolvimento sustentável na região deve ser encarado, a partir de agora, como uma questão de Estado, assumida pelo governo e

PLATAFORMA A plataforma Amazônia e as Eleições 2014: Oportunidades e Desafios para o Desenvolvimento Sustentável traz uma profunda análise da região e propõe recomendações que aos presidenciáveis pela sociedade brasileira. Ao mesmo tempo, as ONGs afirmam que essa tarefa requer uma perspectiva e prioridades regionais considerando a população local e a diversidade socioeconômica da região. Uso predatório A ocupação da região, alertam as entidades, tem sido marcada pelo desmatamento e o uso predatório dos recursos naturais. O desmatamento acumulado atingiu em 2013 cerca de 760 mil quilômetros

quadrados. Apesar disso, o PIB da Amazônia Legal tem se mantido em torno de 6% a 8% do total nacional nas últimas duas décadas, e seu PIB per capita é cerca de metade da média brasileira. A região está atrás do Brasil no cumprimento das metas do milênio e no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Progresso? O documento lembra o Índice de Progresso Social da Amazônia revelou que 98,5% dos 772 municípios da região têm uma pontuação de progresso social inferior à média nacional, com saneamento precário, acesso limitado à internet, educação básica de baixa qualidade, educação superior insuficiente e insegurança. Alguns de seus municípios estão entre os mais violentos do Brasil, destacam as entidades na justificativa dos pleitos aos candidatos. “É hora de constatar que os atuais investimentos na Amazônia não promovem desenvolvimento, e que desmatamento é impeditivo do desenvolvimento. A partir disso, é preciso desenhar e implementar uma política de desenvolvimento regional baseada na diversidade do território” diz Roberto Smeraldi, diretor da Amigos da Terra - Amazônia Brasileira.

Propostas aos presidenciáveis

energia, óleo e gás, logística e telecomunicações devem atingir cerca de R$ 130 bilhões até 2020 na Amazônia, o licenciamento ambiental das respectivas obras não consegue induzir a mitigação dos efeitos colaterais negativos. Como alternativa, as ONGs propõem que os investidores contribuam para um fundo cujos recursos pagariam as análises de risco sem interferência de quem gera o impacto. Querem ainda que o novo governo priorize investimentos em infraestrutura para o desenvolvimento local, especialmente em saneamento básico, estradas vicinais e geração de energia

Agronegócio e as novas tecnologias

distribuída em comunidades rurais. É preciso combinar o planejamento das obras com investimentos sociais, recomendam as organizações.

Para que o setor se torne rentável e sustentável na Amazônia será necessário investir em tecnologia. Por exemplo, um investimento de cerca de R$ 1 bilhão por ano daria conta de suprir a demanda do aumento de consumo de carne até o ano 2022 melhorando a produtividade de um quarto da área de pasto mal utilizado. Isso geraria 39 mil novos empregos. O valor adicional na produção agropecuária seria de R$ 4,2 bilhões por ano, representando um aumento de 16% em relação a 2010. As ONGs lembram que irregularidade ambiental e fundiária e a baixa eficiência, no entanto, aprisionam muitos produtores num dilema: sem regularização eles não conseguem acesso a crédito. Porém, para custear a regularização, parte das fazendas devem tornar-se mais produtivas – e, para isso, é preciso

Prioridades O fato de a Amazônia ter quase dois terços de sua população nas áreas urbanas torna essencial priorizar a infraestrutura para a economia de serviços e interromper o tradicional processo de “exportação” dos benefícios que tem caracterizado os grandes empreendimentos de infraestrutura na região. Para isso, é necessário capacitar as micro e pequenas empresas com prioridade para as cidades médias no interior.

O agronegócio é outra plataforma que integra documento que será entregue aos candidatos

Novas políticas com ênfase ao meio ambiente é uma das propostas dos ambientalistas

Para reverter o dramático quadro socioambiental da Amazônia, as ONGs signatárias da plataforma pedem para que o novo governo reveja imediatamente a política energética atualmente imposta para a região e que tem como base em um ambicioso plano de expansão de geração de energia elétrica, que inclui a construção de 30 hidrelétricas (UHE) na Amazônia até 2023. Além de investir em eficiência energética, a plataforma reivindica priorizar fontes com menos impactos socioambientais, incluindo eólica e solar (fotovoltaica) e biomassa. Enquanto os investimentos públicos nas áreas de

Organizações brasileiras estão preocupadas com o destino e preservação da região amazônica

tomar crédito para investir. Para estimular o uso mais eficiente e sustentável das terras na região, as ONGs sugerem acelerar a regularização das posses, mas sem subsídios, e cobrar efetivamente o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural e alocar as terras públicas devolutas. Agricultura familiar O apoio à agricultura familiar na Amazônia também deve de ser revisto. Os 2.261 assentamentos federais somam mais de 30 milhões de hectares, com aproximadamente 400 mil famílias assentadas. Esse território ainda detém 15,8 milhões de hectares em floresta, dos quais 13,3 milhões (84%) concentram-se em apenas 600 assentamentos. No entanto, a grande maioria desses assentamentos tem sido implantada sem investimentos

adequados em infraestrutura, serviços sociais básicos e assistência técnica. O resultado tem sido a combinação de degradação ambiental, conflitos sociais, inviabilidade econômica das atividades agrícolas ou extrativistas e, consequente, o abandono ou venda ilegal dos lotes. Para estimular a conservação e a restauração florestal, a plataforma sugere que o governo federal institua pagamentos por serviços ambientais para os agricultores familiares, conforme já autorizado pelo novo Código Florestal e de outras fontes de financiamento. O pagamento deveria ser condicionado ao monitoramento da cobertura florestal por meio de imagens de satélite. Os indicadores de progresso social poderiam ser usados para identificar as áreas prioritárias para recebimento desses pagamentos.


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Como o Facebook é usado para conquistar seu voto Promover ou desconstruir reputações são apenas dois exemplos das redes sociais quis se identificar) afirma que seu trabalho é fazer com que marcas, sejam elas de empresas ou pessoas, tornem-se não apenas conhecidas, mas também respeitadas e admiradas. Em períodos eleitorais, campanhas políticas o contratam para fazer o mesmo por seus candidatos. Atua em duas frentes: na principal e visível, ele ergue o político contratado. E, secundariamente e com máxima discrição, desconstrói o discurso de seus adversários. Os dois grupos – de construção e desconstrução – atuam de forma independente e separados um do outro em uma campanha eleitoral. No primeiro, os perfis usados são reais, de pessoas da sua equipe. No segundo, um grupo de cinco pessoas controla meia dúzia de perfis cada – perfis criados especialmente para isso. Quem elogia não bate Quem bate não elogia As duas equipes são chamadas de “seeders’’ (semeadores, em inglês) e têm o objetivo de disseminar conteúdo sobre os candidatos como pessoas comuns fariam. Uma coisa é uma fanpage de um candidato distribuir notícia. A outra é uma

pessoa comum fazer isso circular, interagindo e debatendo com os outros internautas sobre aquele conteúdo, demonstrando dúvidas, avançando, retrocedendo, construindo junto. Essa relação humanizada é o que torna eficaz a conquista de votos. Mapeamento eamento O tal diretor realiza constantemente um mapeamento digital das páginas que tratam de política, sejam elas de veículos jornalísticos, pessoas ou instituições, e do comportamento delas. Os seus semeadores se conectam a essas páginas e a uma série de outras listas e grupos, cada perfil chega a participar, muitas vezes, de 100 ou 200 listas de discussão ao mesmo tempo.

Perfis ‘fakes’ para enganação

Comentários feitos por perfis na internet, verdadeiros ou fakes, possibilitam o alcance de um grande público

Ferramentas digitais possibilitam que comentários feitos por esses perfis, verdadeiros ou fakes, sejam publicados em todas essas listas ao mesmo tempo, disseminando informações positivas sobre o seu candidato ou negativas sobre o adversário. Nesse ponto, ele faz questão de ressaltar que não faz trolagem violenta ou mentirosa. “Não dissemino calúnia, nem invento histórias’’. Até porque, segundo ele, isso traz outro problema.

Rastreamento não é tão simples Antes, segundo ele, eram necessárias de 30 a 40 denúncias para derrubar um perfil falso. Hoje, com apenas duas o Facebook – a principal plataforma onde ocorre essa disputa digital – já solicita para o perfil alguma forma de comprovação de que ele realmente pertence a uma pessoa de carne e osso. O rastreamento de um perfil falso nem sempre é simples. Muitas vezes, os seeders atuam via acesso remoto – por meio de seus computadores, eles se conectam a uma máquina virtual que está em outro país (normalmente que não possui legislação para liberação de informações compatível com as leis brasileiras). Nada fica registrado no terminal por aqui, garantindo segurança e anonimato. Opta-se também por utilizar sistemas que interpõem dezenas de roteadores ao servidor de origem. Ou seja, mesmo que consigam descobrir o servidor de postagem, ele não é o que foi utilizado realmente pelo operador. Existe toda uma ciência por trás da criação e manutenção de perfis. Bons perfis não são criados da noite

para o dia e desativados após as eleições. Existem indefinidamente, com suas vidas próprias, sendo alimentados constantemente pelos profissionais contratados por essas empresas. Dessa forma, parecem ser pessoas reais, com gostos, medos, preferências, preconceitos, virtudes, enfim, como você e eu. À venda “Sim, alguns de seus amigos digitais, talvez algum daqueles que você nunca viu pessoalmente, podem existir apenas na rede social com o objetivo de te vender algo ou alguém”, diz o diretor. A criação desses perfis não é aleatória mas decorrente de análises de grupos sociais. Pode ter um Lineu, uma Nenê, um Tuco, uma Bebel, um Agostinho e até um Beiçola, com suas características e personalidades. De acordo com cada área de atuação, muda o grupo de perfis.

Criar perfis falsos ajudam na divulgação de personalidades

Sua empresa não é a única que presta esse serviço no mercado. Paulo explica que, durante a campanha, uma das empresas contratadas pela candidata adversária fazia a mesma coisa que ele. É possível, usando algumas ferramentas, detectar a repetição de postagens em perfis semelhantes e, através da checagem de IPs, perceber que se trata de perfis fakes. Quando isso acontece, esses perfis podem ser denunciados para a rede social.

Desconstruir uma imagem é muito fácil

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omo diria Morpheus, o icônico personagem de Laurence Fishburne, da trilogia Matrix: O que é real? Como você define o real? Todo mundo já ouviu histórias de perfis em redes sociais que existem para promover ou desconstruir reputações e que são controlados por profissionais. Então, acredite, tudo o que vocês podem ter ouvido não é nada comparado com a realidade. Ao contrário do que se pensa, os trolls raivosos que babam e cometem ignomínias são uma parte pequena e boba desse processo. Os profissionais não ficam elogiando cegamente seu candidato ou atacando loucamente o adversário, mas são guiados por pesquisas comportamentais e pela análise da estratificação da população, desenvolvem equipes de “semeadores de ideias’’ para atingir os eleitores e usam soſtwares capazes de detectar a difusão de opinião na web, para agir imediatamente, barrando o que é ruim e promovendo o que é bom. O que uns chamam de “trolagem’’, na verdade, é uma ciência. O diretor de uma empresa especializada na construção de reputações na internet (que não

As táticas são as mais variadas no caso de desconstrução. Para entender até onde vai o nível de refinamento, há casos em que os seeders passam a campanha inteira, ou seja, meses, apoiando loucamente o candidato adversário e lutando por ele contra o seu próprio candidato. Um pouco antes da eleição, o perfil começa a refletir, junto às listas de discussão do qual faz parte, que aquela proposta de educação do adversário, por exemplo, é interessante. Aos poucos, vai alterando a sua opinião, expondo publicamente essa reflexão de mudança, até que se convence que o melhor é, na verdade, o próprio candidato contratado pela empresa. Vira a casaca publicamente e traz muitos votos consigo. As pessoas que se identificavam com ele e também estão cheias de dúvidas acreditam que ele passou por um processo genuíno de convencimento baseado em fatos e vão junto com ele. Se não acredita que esse comportamento de manada funcione, uma sugestão: vá para uma praça no centro de São Paulo com um grupo de uns dez amigos e comece a tirar fotos com um deles como se ele fosse uma celebridade.


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FHC diz que Lula mentiu: ‘não falei de nordestinos’ Ex-presidentes trocaram farpas nas redes sociais, após o tucano dizer que o PT só vence entre os “menos informados”

Lula criticou FHC por menosprezar as pessoas que moram no Nordeste brasileiro FOTOS: DIVULGAÇÃO

FHC diz que não ofendeu os nordestinos e que o PT quer fazer demagogia com a fala do expresidente

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pós ser criticado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por ter afirmado em entrevista que o PT tem o voto dos “menos informados” dos “grotões” do país, o também ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) usou seu perfil na rede social Facebook para se defender, afirmando que o petista “mentiu”. “O PT fica querendo fazer demagogia, querendo nos jogar contra o povo, dizendo que o PSDB fez isso ou aquilo, que eu disse isso ou aquilo, o Lula mentiu, eu não falei de Nordeste ou de nordestinos, nada disso”, afirmou. O tucano também lamentou que a presidente e candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff, “tenha embarcado nessa, não é verdade”. “O povo não é bobo, o povo sabe que quem fez o Plano Real fomos nós, quando fui ministro da Fazenda, que melhorou a vida

de todo mundo, dos pobres, do trabalhador.” O petista havia dito na quarta-feira (8) que “é um absurdo que o Nordeste e os nordestinos sejam caracterizados como ignorantes ou desinformados por seus votos.” Preconceito A declaração de Fernando Henrique veio em meio a uma onda de preconceito contra nordestinos nas redes sociais. A região, onde Dilma obteve mais votos do que o rival Aécio Neves, foi alvo de ataques racistas. As discussões sobre as eleições fizeram aumentar em 84% o número de denúncias de crimes de ódio cometidos na web. As páginas incluem conteúdo relacionado a racismo, homofobia, xenofobia, neonazismo e intolerância religiosa. Os episódios tiveram início assim que a apuração de votos das eleições começou nas regiões Norte e

Nordeste. A partir daí surgiram nas redes sociais diversos comentários preconceituosos tendo como alvo nordestinos, associando-os ao bom desempenho de Dilma Rousseff (PT) na região e à performance mais tímida de Aécio Neves (PSDB), nas mesmas regiões. A hashtag #MenosODIOmaisNordeste, uma resposta às manifestações de preconceito, se tornou na terça-feira (7) um dos 10 trending topics no Twitter brasileiro. Pelas redes sociais, muitos acusaram a hashtag de ser manipuladora e de estar sendo impulsionada por militantes do PT. Mas ela chegou a ocupar a lista mundial dos dez temas mais tuitados na rede social, tendo sido mencionada mais de 41 mil vezes - chegando a ser tuitada 153 vezes por minuto. Em 24, horas a página de Facebook “Eu Digo Não ao Preconceito contra Nordestinos e Pobres”, ganhou 5.000 adesões.

Preconceito começou em 2010 De toda forma, os comentários voltados contra nordestinos feitos após o fechamento das urnas lembraram o que ocorreu em 2010, logo após a eleição de Dilma Rousseff (PT) à Presidência, quando a frase “Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado” rodou o mundo. O discurso de ódio, publicado no Twitter por uma estudante de direito, rendeu à jovem 1,5 anos de prisão, pena convertida em multa e serviços comunitários. Mas, desta vez, muitos nordestinos, também pelas redes sociais, decidiram dar o troco, muitas vezes também recorrendo a comentários preconceituosos, aproveitando os resultados nas urnas no Sudeste para atacar eleitores da região -

PRISÃO

Discurso de ódio, publicado no Twitter por uma estudante, rendeu à jovem 1,5 anos de prisão, pena convertida em multa e serviços comunitários por ter sugerido que nordestinos fossem mortos paulistas, principalmente. “Eu tô vendo que vai todo mundo morrer em grande estilo lá em São Paulo (jogados na sarjeta)”, escreveu um eleitor. “São Paulo elegendo Russomanno, Tiririca e Feliciano. Bora insultar os paulistas?”, tuitou outro. “Povo burro, ainda irão morrer de sede e fome: paulistas”, postou uma terceira. No outro extremo, co-

mentários preconceituosos alvejando nordestinos renderam a criação de um Tumblr: “Esses Nordestinos....”. A página mapeia frases como “Médicos do Nordeste, causem um holocausto por aí. Temos que mudar essa realidade” e “A prova de que nordestino é vagabundo é quando entraram em pânico com o boato de que o bolsa família ia acabar, hahaha, escórias”, todas postadas em redes sociais. Em contrapartida, também foi criado uma outra conta de Tumblr, o “Esses Paulistas”, que compila comentários ofensivos contra paulistas, como “Eu só consigo agradecer por o Nordeste ser gigante, porque os paulistas são uns idiotas” ou “Esses paulistas tem que morrer de sede mesmo”.


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opiniao@emtempo.com.br

(92) 3090-1010

Capa

pintura de Marcelo Cipis

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Martin Luther King por ele mesmo

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As paixões segundo Pascal Bruckner

E outras 8 indicações culturais. Pág. 2

Contra a felicidade e o amor perfeito. Pág. 3

A lei segundo Ian McEwan

A literatura que emana das sentenças judiciais. Págs. 4, 5 e 6

4

Fritz Lang arrepia Hollywood

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Para lá da turba animada, rubra de fervor

Diário de Los Angeles. Pág. 7

A imaginação de Jean Echenoz. Pág. 8


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Ilustríssima Semana

O MELHOR DA CULTURA EM 9 INDICAÇÕES

BRASILEIRO EXPOSIÇÃO | MARCIA XAVIER E LETÍCIA RAMOS A instalação “Sabotagem” é baseada em fotografias encontradas no acervo da Casa da Imagem. Elas registram uma sala de arquivos depredada nos anos1940 durante um protesto contra o aumento da tarifa dos transportes. Casa da Imagem | tel. (11) 3106-5122 | ter. a dom., das 9h às 17h | grátis | últ. semana

DESIGN | HUGO FRANÇA A exposição “Resgate na Natureza”, instalada no jardim do museu, reúne 15 obras, entre esculturas, mesas e cadeiras, do designer gaúcho que trabalha com a madeira de árvores caídas ou derrubadas, com destaque para o pequi da região de Trancoso, na Bahia. Museu da Casa Brasileira | tel. (11) 3032-3727 | ter. a dom., das 10h às 18h | grátis | últ. semana

EXPOSIÇÃO | ROMY POCZTARUK Em “Um Vasto Mundo”, a artista gaúcha, que também participa da 31ª Bienal em cartaz na capital paulista até 7/12, mostra fotos e vídeos de lugares abandonados. São registros de prédios desertos em países como BósniaHerzegóvina, China, Uruguai e Alemanha. SIM Galeria - Curitiba | tel. (41) 3322 1818 | seg. a sex., das 10h às 19h; sáb., das 10h às 18h | grátis | até 31/10

EXPOSIÇÃO | DESIGN GRÁFICO Mais de140 itens, entre livros, cartazes e capas de discos estão em “Túnel do Tempo do Design Gráfico no Brasil”, com curadoria de Chico Homem de Melo. Entre os destaques estão a capa da primeira revista “Cruzeiro”, de1928, e o cartaz do filme “OsFuzis” (1964), de Ruy Guerra, desenhado por Ziraldo. Sesc Pompeia | ter. a sáb., das 9h às 21h; dom. e feriados, das 9h às 19h | grátis | até 26/10

ROMY POCZTARUK/DIVULGAÇÃO

POP

ERUDITO

LANÇAMENTO | IVANA ARRUDA LEITE A escritora e socióloga lança dois livros e medição artesanal sob produção de Vanderley Mendonça. “Cachorros” traz contos inéditos, enquanto “Contos Reunidos” tem textos de 1997 a 2005. Hussardos Clube Literário | tel. (11) 58252426 | ter. (14), às 19h\ Demônio Negro | R$ 30 | 88 págs.; R$ 70 | 276 págs

‘Beelitz II’ (2014)

NICO SILBERFADEN/DIVULGAÇÃO

MÚSICA | COLE PORTER A última parte da audiossérie em dez episódios “Cole Porter -O Homeme suas Canções” entra no ar no dia emque se completam 50 anos da morte do músico americano (1891-1964). O documentário foi criado pelo jornalista João Máximo para a rádio Batuta, do IMS, e apresenta gravações raras do compositor. qua. (15) | radiobatuta.com.br

LIVRO | JANE AUSTEN A nova edição de “Mansfield Park” recupera o texto original da publicação de 1814 e traz prefácio de Kathryn Sutherland, professora de literatura na Universidade de Oxford, e introdução do pesquisador do King’s College Tony Tanner (1935-98). Neste romance, posterior a “Razão e Sensibilidade” e a “Orgulho e Preconceito”, a heroína é Fanny Price, jovem pobre que vai morar comparentes ricos. trad. Hildegard Feist | Penguin Classics - Companhia das Letras | R$ 36,50 | 608 págs.

LIVRO | MARTIN LUTHER KING O historiador Clayborne Carson reuniu textos de cartas, diários e discursos do pastor e líder do movimento pelos direitos civis nos EUA, formando uma espécie de autobiografia do vencedor do Nobel da Paz de1964. Luther King nasceu em1929 e foi assassinado em 1968. trad. Carlos Alberto Medeiros | Zahar | R$ 59,90 | 466 págs.

EXPOSIÇÃO | FOTOGRAFIA O paulistano Felipe Russo e o argentino Nico Silberfaden mostram 20 imagens de paisagens urbanas em “Centro, 738”. Enquanto Russo fotografou São Paulo ao amanhecer, Los Angeles foi registrada por Nico. Fauna | tel. (11) 3668-6572 | ter.a sex., das 14h às 19h; sáb., das 11h às 17h | grátis | últ. semana

Sem título (2014), de Nico Silberfaden

ESTRANGEIRO

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Folha.com

Ilustríssimos desta edição BRUNO POLETTI/FOLHAPRESS

IAN MCEWAN, 66, escritor britânico, é autor de “Reparação” (Companhia das Letras). Escreveu para o “The Guardian” o texto aqui publicado sobre a lei, tema de seu novo romance.

SAMUEL TITAN JR., 43, é tradutor e professor de teoria literária e literatura comparada da USP.

JORIO DAUSTER, 76, diplomata e tradutor, transpôs para o português o novo livro de Ian McEwan, “A Balada de Adam Henry” (Companhia das Letras), a sair em novembro.

VERIDIANA SCARPELLI, 36, ilustradora, é autora de “O Sonho de Vitório” (Cosac Naify).

LUCAS NEVES, 30, é jornalista. JEAN ECHENOZ, 66, escritor francês, vencedor do Prêmio Goncourt de 1999, é autor de “Correr” (Alfaguara).

MARCELO CIPIS, 55, é artista plástico. Sua obra “40 Anos em 40 Dias” está na ocupação do coletivo Amor de Madre na galeria Emma Thomas, em São Paulo, até 1º/11.

MÚSICA Concertos e shows buscam aproximar os jovens da música erudita FOLHA.COM/ ILUSTRISSIMA Atualização diária da página da “Ilustríssima” no site da Folha DINASTIA Cada vez mais, famosos escrevem sagas biográficas de suas famílias >>folha.com/ilustrissima


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Entrevista PASCAL BRUCKNER

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O primado da angústia Para escritor francês, só as paixões salvam RESUMO Autor de obras que indagam as fontes de frustração do homem atual, filósofo e romancista Pascal Bruckner vem ao Brasil para palestras. Ele fala à Folha não só de como paixões são antídoto para a angústia diante do inatingível, como a felicidade e o amor perfeito, mas também de política, outro tema de seu interesse.

LUCAS NEVES

O filósofo e romancista francês Pascal Bruckner, 65, não se compraz em viver no mundo das ideias apolíneas, em tecer teorias acerca do amor e da felicidade ilibados. Pelo contrário. Seus ensaios e artigos recentes buscam justamente desconstruir esses dois conceitos, fontes de angústia e frustração para o homem contemporâneo, segundo o pensador, que vem ao Brasil para participar do ciclo Fronteiras do Pensamento. Bruckner acredita que a economia capitalista enxergou uma janela de oportunidade no hedonismo que a revolução comportamental dos anos 1960 legou: seria ela a provedora de tudo aquilo que conduzisse à realização pessoal, ao êxtase. Assim, a lógica de mercado se infiltrou em terreno até ali inexplorado: entre quatro paredes. “O amor agora é submetido ao regime da performance, ao imperativo do absoluto”, resume o escritor, falando à Folha em seu apartamento em Paris. “A felicidade vira não mais um direito, mas um dever”. Para Bruckner, é preciso pôr fim à busca inócua do sublime e se deixar levar por paixões (não só carnais). “São elas que nos fazem humanos, e não robôs afoitos à procura de algo inencontrável”, diz ele, que, associado no começo da carreira ao grupo dos “novos filósofos” de extração esquerdista liderado por Bernard Henri-Lévy, mais tarde seria classificado de “neocon” (neoconservador), ao declarar voto em Nicolas Sarkozy na eleição de 2007. Na conversa, o autor do romance que inspirou o filme “Lua de Fel” (1992), de Roman Polanski, fala ainda sobre os ecos do antissemitismo do pai em sua vida, a modorra da França de François Hollande e a relutância incomodada da Europa em assumir papel mais incisivo na arena política internacional, outro de seus temas-fetiche. Leia a seguir os principais trechos da entrevista. Folha - Na autobiografia que o sr. lançou há pouco na França, “Un Bon Fils” [Grasset, R$ 70, 264 págs.]

(um bom filho), seu pai surge como um homem ultraviolento e antissemita convicto. Sua escolha da filosofia como carreira tem a ver com esse histórico familiar? Pascal Bruckner - Certamente, mas a um ponto que não consigo determinar com precisão. Acho que o elo entre esse pai nostálgico do Terceiro Reich e a minha carreira é o desejo de compreender por que abraçamos ideologias assim, por que somos insensíveis à refutação delas e ao remorso. Há uma ligação, mas indireta. E por que esperou a morte de seu pai para publicar o livro? Era necessário. Teria sido violento demais para ele. Não tinha vontade de magoá-lo. Era algo incômodo para mim. É como um segredo que todo mundo conhece, mas do qual ninguém quer ouvir falar. Mesmo que eu tenha dito a ele que não concordava com seu ódios aos judeus e que um dia escreveria sobre o assunto, tratava-se de um homem doente, cansado... e era meu pai. Detestei o meu país por muito tempo. Só fui tomar vinho, por exemplo, aos 40 anos. Era uma maneira de manter distância das minhas origens e do meio em que havia vivido. Para mim, a França era uma pequena província em que sufocávamos em convenções, na hipocrisia e na mentira. Precisei sair daqui, morar dois anos nos EUA, para me reconciliar com ela. Em “Fracassou O Casamento por Amor?” [trad. Jorge Bastos, Difel, R$ 30, 108 págs.], o sr. diz que a expectativa atual do amor perfeito mina as relações conjugais tanto quanto, no passado, matrimônios arranjados solapavam sentimentos. Ainda se idealiza tanto o amor? Vivemos uma mistura de romantismo agudo e consumismo sexual exacerbado, uma era em que amamos a ideia do amor acima de tudo. Cobra-se que a mulher seja uma amante ensandecida mas também exemplar mãe de família, profissional bem-sucedida, culta, sadia. E o homem deve ser igualmente um virtuose do sexo, bom no trabalho, pai amoroso, sujeito engraçado. É óbvio que isso conduz a um esgotamento, porque o amor é submetido ao regime da performance. Esse amor do amor faz com que abandonemos uns aos outros assim que advém qualquer decepção. Esquece-se que amar é aceitar as fraquezas do outro e as nossas próprias, construir algo ao longo do tempo, à base de falhas, oscilações, mudanças de intensidade do sentimento. Pode-se desejar menos o outro sem querer deixar de ficar junto, porque a ternura leva a melhor sobre a exigência passional. Submetemos nosso amor ao imperativo do absoluto, um deus implacável. Isso é desumano. Mas o sentimento e a libido são necessariamente irreconciliáveis a partir de

certo ponto da relação? Não. O problema é que a sexualidade virou uma espécie de medida da intensidade da relação. As pessoas se forçam a fazer amor, buscam todas as combinações possíveis para despertar o desejo. O terror é o da extinção das paixões, da frigidez, de não alcançar a ereção. As revistas femininas a cada semana trazem novas receitas para reacender a libido. O sucesso da estupidez que é “Cinquenta Tons de Cinza” é um sintoma disso. Liberamos Eros, mas agora nos damos conta com horror de que, ao extinguir os interditos, talvez tenhamos liquidado também o prazer. Sem tabus, não há mais perigo. Passamos do medo das paixões ao temor de vêlas morrer. Contra essa expectativa irreal, o sr. faz no livro um apelo à trivialidade no amor. Não é da natureza humana aspirar ao tal absoluto de que o sr. falava há pouco? Sou partidário dos “arranjos à francesa”, como definidos por Bertrand Russell [filósofo britânico, 1872-1970] em 1926. Ele dizia que os franceses tinham encontrado a sabedoria conjugal: grande liberdade do homem e da mulher em suas aventuras amorosas, sem desmantelar a família. Cada um leva sua vida, e o casal se mantém em torno do essencial: a estima, a ternura e o prazer de estar junto. É uma solução oposta à americana, em que o casamento deve ser fundado na honestidade, na fidelidade. É preciso incluir na discussão amorosa uma certa fraqueza dos cônjuges diante das tentações. É a via latina do desejo: o ser humano é imperfeito, tende a mentir, a ceder a prazeres momentâneos, mas não se trata de crime irremediável. Em 2006, no livro “A Tirania da Penitência” [trad. Rejane Janowitzer, Difel, R$ 40, 240 págs.], o sr. sugeria que o remorso europeu por seu histórico bélico inibiria intervenções no exterior. Não é o que se vê na África e no Oriente Médio. Somos um velho continente gangrenado pela culpa. Nossa apatia é fruto temporão de uma consciência pesada; queremos nos abster, nos retirar da história, porque nossa participação já foi tão abominável... os obstáculos são psicológicos e culturais, não econômicos. A Europa se reergueu da Segunda Guerra, reatou com a prosperidade, mas é incapaz de se constituir em ator político dotado de Exército forte. Poderíamos agrupar nossos orçamentos de Defesa e criar uma Força europeia, que protegesse as fronteiras contra o expansionismo russo, mas que poderia atuar se necessário no Iraque, na África. Ainda bem que a França interveio no Mali [em 2013] e na República Centro-Africana [idem] para evitar um genocídio e que agora estamos constituindo uma espécie de “corredor anti-jihad” do Senegal ao Djibuti. Porque, no geral, todo o trabalho recai nas costas dos EUA. Mas Obama

não quer mais guerra. O sr. apoiou em 2003 a operação militar angloamericana no Iraque. Como avalia essa ação, à luz do fortalecimento atual do Estado Islâmico no norte do país? Acho que não há relação de causa e efeito entre os dois fatos. Fiquei feliz com a queda de Saddam Hussein (1937-2006); depois, os erros da administração Bush foram enormes. Mas não se pode imputar tudo aos EUA. Cabe aos árabes resolver seus problemas e reformar uma religião problemática, assombrada pela memória de uma grandeza perdida, lembrança que gera ressentimento em relação ao Ocidente. O islamismo radical é o dilema do século. Por isso, é preciso encorajar os líderes esclarecidos que se propõem a reler o Corão à luz da razão. O termo islamofobia foi retomado por fundamentalistas para proscrever críticas à religião, transformadas em racismo. Assim, a religião mais violenta do mundo hoje se cobre dos mantos de vítima. Como vê o atual quadro político e econômico francês, com o governo de François Hollande extremamente mal avaliado, incapaz de reverter a curva do desemprego e conter o avanço da dívida? A França sofre de um orgulho absurdo. O país se mostrava simpático à união com a Europa, desde que o continente adotas-

se o seu modelo. A resposta foi “não, obrigado”, e o paradigma francês se espatifou. Ele é caro demais, perdulário. E o país é um dos únicos a cultivar um ceticismo extraordinário em relação ao mercado: a empresa é má, o lucro é criminoso. Se você é bem-sucedido, é culpado de alguma maneira, fez concessões, foi conivente. Na política, [o ex-presidente Nicolas] Sarkozy está de volta [disputa o comando de seu partido, a UMP, e busca se cacifar para concorrer ao Eliseu em 2017], mas é um Dom Quixote cansado. As pessoas não confiam mais nele. No mês passado, a imprensa noticiou que o governo vai enxugar a Previdência. É o fim do Estado de bem-estar social à francesa? A França é um país corporativista, em que o Estado compra a paz social distribuindo benefícios a todas as categorias. Hollande continuou nessa toada até perceber que não funcionava mais. Então deu marcha a ré, mas já era tarde. Depois de ter dito que não gostava dos ricos e do mundo financeiro, virou o melhor amigo deles. Estamos tentando criar uma esquerda liberal. Mas neste país vai ser complicado, porque o liberalismo é visto como um diabo. Outro problema é nossa ignorância total do exterior. Preferimos errar a nos inspirar em modelos estrangeiros. Esse país está enlouquecendo, há uma espiral de irracionalidade.

Em “A Euforia Perpétua” (Difel, 2002, esgotado), o sr. afirma que a promessa de felicidade terrena inaugurada pelo Iluminismo foi deturpada nos anos 1960. Por quê? A felicidade virou não mais um direito, mas um dever. Os anos 1960 e sua revolução individualista estenderam as regras de mercado a setores até então impermeáveis a elas: a intimidade, a sexualidade, a espiritualidade, o bem-estar. Essa incitação à felicidade nos fez seres extremamente ansiosos. Temos medo de não estar à altura dos ideais que fixamos para nós. A sociedade da felicidade vira também a do desespero e da angústia. Deveríamos então nos contentar com pequenos prazeres e alegrias efêmeras, como o sr. diz no livro? É preciso fazer com que as pessoas se sintam menos culpadas por não serem felizes o tempo todo. Para substituir essa obrigação, proponho o reinado da paixão. Felicidade, como dizia Charles Fourier [filósofo francês, 1772-1837], é ter várias paixões e diversos meios para saciálas. A felicidade é da ordem da graça, e não da do trabalho. Essa incompreensão é a base da neurose americana. Nesse sentido, se há uma sabedoria europeia, ela reside justamente no ceticismo, no entendimento dos limites do homem, o que não impede que se viva uma cultura de prazeres.


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Justiça

3 Como reza a lei Nos tribunais, a moral é matéria de romance RESUMO Escritor britânico analisa mundo das decisões judiciais, especialmente as que opõem lei e valores morais. Casos como os que envolvem questões religiosas configuram tramas dignas da ficção e deram ao romancista material para novo livro, “A Balada de Adam Henry”, a sair no mês que vem pela Companhia das Letras.

IAN MCEWAN TRADUÇÃO JORIO DAUSTER ILUSTRAÇÃO MARCELO CIPIS

Alguns anos atrás me vi num jantar com diversos juízes que falavam sobre assuntos de trabalho, enquanto eu cortesmente resistia à aguda tentação de tomar notas. Apesar de exótica na substância, a conversa era conduzida com grande informalidade. Não faltavam gracejos, risadinhas e gozações enquanto comentávamos julgamentos de um ou outro dos convivas. Eles citavam frases bem torneadas e recordavam com deleite as conclusões mais engenhosas. Sem dúvida, cada um deles lia com muito cuidado as sentenças dos demais. Talvez tenham sido um pouco mais severos ao avaliar os colegas ausentes. Como seria fácil, pensei então, confundir aquele grupo de magistrados com um magote de escritores discutindo seus respectivos trabalhos e reservando as críticas mais duras para aqueles que tinham cometido a tolice de não estarem presentes. Em determinado momento, sir Alan Ward, um juiz do Tribunal de Recursos, desejando dirimir alguma ligeira divergência de opiniões, se levantou e pegou numa estante o volume encadernado de suas próprias sentenças. Uma hora depois, quando havíamos deixado a mesa para tomar café, aquele livro ficou aberto em meu colo. O que primeiro me chamou atenção foi a linguagem. Límpida, exata, deliciosa. Séria, é óbvio, compassiva aqui e ali, porém, sob o manto das formulações inteligentes, se ocultava algo semelhante ao mais fino humor, talvez derivado de um distanciamento divinal que me fez lembrar a onisciência dos romancistas. Continuei a observar os paralelos entre nossas profissões, pois as sentenças se assemelhavam a contos ou romances curtos: o pano de fundo de algum contencioso ou dilema resumido com precisão cirúrgica, personagens descritos com traços rápidos, a história vista

sob diversas perspectivas e, lá pelo fim, algum gesto de compaixão para com aqueles que, em última instância, a narrativa não iria favorecer. Os casos não eram de cunho criminal, quando cumpre determinar, sem que reste nenhuma dúvida razoável, se um homem é um canalha ou a vítima infeliz de algum promotor público. Nada tão preto no branco, nada tão “noir” ou sensacionalista. Aquelas histórias pertenciam à vara de família, onde se discutem muitos dos interesses mais sérios da vida cotidiana: amor e casamento, e o fim de ambos; fortunas divididas de forma conflituosa; o destino de crianças amargamente contestado; crueldade e abandono por parte dos pais; decisões tomadas no leito de morte; tratamentos médicos e doenças; divergências religiosas e morais que complicam as separações matrimoniais. As escolhas que se abrem diante de um juiz muitas vezes representam o mal menor em vez do bem maior. Quando pai e mãe não conseguem se pôr de acordo, o tribunal assume com relutância o papel de “progenitor judicial razoável”. Ali, em meu colo, estavam personagens concebidos realisticamente que se movimentavam em situações plausíveis e bem interessantes, suscitando complexas questões éticas. Se tais julgamentos fossem uma obra de ficção, fariam parte da tradição de lucubração moral que inclui Jane Austen, Tolstói, George Eliot, Henry James e Conrad.

QUALIDADE As melhores sentenças, sem dúvida, formam um subgênero ainda pouco conhecido de nossa literatura. Circulam pelo terreno fértil e desempedido da ficção, embora vinculadas ao mundo das pessoas reais e dos dramas cotidianos.

Siameses Esbarrei então numa frase que prendeu minha atenção. Constava dos primeiros parágrafos de um julgamento no Tribunal de Recursos, em 2000, com respeito a dois bebês que eram irmãos siameses. Sem tratamento, ambos morreriam. Separados, o mais frágil não escaparia à morte, porque seu coração era malformado, praticamente não tinha cérebro e lhe faltavam “pulmões para chorar”. Somente seu irmão mais saudável o mantinha vivo, graças ao sistema circulatório que compartilhavam. Pouco a pouco, contudo, o bebê mais fraco estava minando a resistência do mais forte. O hospital desejava operá-los a fim de salvar a criança viável, porém a cirurgia envolveria a morte deliberada de seu irmão ao lhe secionar a aorta. Os pais se opunham por motivos

religiosos: Deus deu a vida, e só Deus poderia tirá-la. O interesse público era intenso. À primeira vista, a premissa moral era bem simples: uma criança salva e saudável é melhor que duas mortas. Mas como iria a lei sancionar o assassinato e desprezar a insistência dos pais, endossada pelo então arcebispo católico de Westminster, no sentido de permitir que os dois bebês morressem? Em suas observações introdutórias, nosso anfitrião, sir Alan Ward, havia oferecido um alerta ao público em geral, e essa foi a frase que me atraiu: “Sendo este um tribunal que cuida da lei, e não de preceitos morais, nossa tarefa consistiu em encontrar, como é nosso dever aplicar, os princípios legais relevantes para a situação com que nos defrontávamos – uma situação de todo excepcional”. O que é legal nem sempre é justo. Às vezes compete a um magistrado alinhar os dois. A sentença de Ward se estende por 80 páginas datilografadas em tipo pequeno. É lindamente escrita, delicada e humana, com ampla gama de referências históricas e jurídicas. As melhores sentenças, como vim a descobrir, possuem tais qualidades. Formam um subgênero pouco conhecido de nossa literatura, sendo lidas por quase ninguém, com exceção de estudantes de direito – e outros juízes. Nas varas de família, em particular, representam um tesouro oculto de dramas pessoais e complexidade moral. Aqueles escritos circulam pelo terreno da ficção, embora estejam vinculados, ao contrário do que ocorre com o bem-aventurado romancista, a um mundo de pessoas reais e precisem conter um veredito. Entretanto, como todos sabemos, os vereditos e, na verdade, o sistema por inteiro, também podem ser asnáticos – cruéis e até trágicos para suas vítimas inocentes, conquanto sinistramente atraentes para o romancista. Porque estamos diante de uma verdade óbvia: a lei é humana e falível. Assim como os jornais, os remédios ou a internet, ela engloba tudo o que é brilhante e pavoroso na humanidade. Falhas Nos tempos modernos, um dos erros mais tristes e mais prolongados da Justiça ocorreu no caso de Sally Clark, uma advogada que perdeu dois filhos de morte súbita no berço e foi acusada de assassiná-los. O júri aparentemente se impressionou com algumas mirabolantes idiotices estatísticas apresentadas por uma testemunha médica. Vários outros peritos manifestaram opiniões divergentes sobre a causa das mortes, mas o tribunal não demonstrou a cautela necessária e a declarou culpada. Os jornais sensacionalistas a demonizaram e, na prisão, ela foi horrivelmente maltratada pelas outras detentas, sendo seu recurso denegado. Ao entrar com um segundo recurso, como já se sabia que

um patologista deixara de revelar provas cruciais sobre uma infecção bacteriana fatal numa das crianças, Sally Clark foi enfim solta. Entretanto, alguns anos tinham se passado, e a provação a destruíra. Uma mãe enlutada, corajosa e decente, perseguida pelo sistema judiciário como um personagem de Kafka, ela morreu vitimada pela depressão e pelo alcoolismo. Os Quatro de Guildford e os Sete Maguire, os Seis de Birmingham... uma breve busca na internet mostrará que é bem longa a lista de vítimas menos famosas de erros nos tribunais de Justiça. E esses são apenas os casos em que houve recursos vitoriosos. Há também aqueles em que se registra uma assombrosa leniência: um ciclista que corria velozmente na calçada e matou um pedestre de 17 anos foi apenas obrigado a pagar uma multa, escapando de ser preso. Ou aqueles cuja punição é extremamente dura: um jovem que eu conheço foi filmado pelas câmeras do sistema de monitoramento público, participando de uma briga na frente de um pub, mas não no centro da confusão. Não feriu ninguém, embora tenha acabado com o lábio cortado. Com base no conceito de “ação conjunta”, foi punido por crimes cometidos por outras pessoas e pelos quais a polícia nem o havia indiciado. Atualmente cumpre uma pena de dois anos e meio. E teve sorte – os promotores insistiam em cinco a nove anos. Quando mostrei o caso a um alto membro do judiciário, aposentado havia pouco, ele reagiu com desdém: “Não merecia nem receber uma pena seguida da suspensão da aplicação”. Muitas vezes meu jovem amigo passa 23 horas do dia na sua cela da penitenciária Isis, em Thamesmead, uma instituição que se gaba de proporcionar “um currículo diversificado que contribui para o sucesso acadêmico, oferecendo treinamento vocacional” – e por aí vai. Perdeu a liberdade por conta de uma grave agressão corporal que o tribunal admitiu que ele não havia infligido. Outros fatores atenuantes, inclusive um encarceramento anterior indevido, não foram considerados nas apreciações finais. Caso tivesse sido julgado por outro magistrado, poderia estar junto à sua companheira e seu filho pequeno, nascido pouco antes de ser mandado para a cadeia. Como Kurt Vonnegut poderia ter murmurado quando meu amigo foi preso: “Coisas da vida”. Juízo final Malgrado existam normas para dosar as penas, é impossível esperar que haja consistência nos tribunais a menos que todos fossem julgados por um único magistrado equânime, como no dia do Juízo Final. Talvez isso responda por parte da atração duradoura exercida pelo cristianismo. Até que soe a última trombeta do Apocalipse, nos tribunais terrenos o brilho


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e a equidade deverão conviver com a mais obtusa injustiça. Nas varas criminais, não se permite que o juiz ou o júri possam concluir que algo talvez tenha acontecido. Aconteceu ou não aconteceu. Por isso, os erros são parte integrante do sistema. Nas varas de família, os magistrados com frequência fazem opções morais. Lorde Hoffman se esforçou para dizer isso da forma mais suave possível: “Esses são julgamentos de valor sobre os quais pessoas razoáveis podem diferir. Como os juízes também são pessoas comuns, isso significa que é inevitável certo grau de diversidade na aplicação que fazem de tais valores”. Segue-se que o juiz e seu temperamento, senso moral, formação, estado de espírito e nível de concentração (certo magistrado foi recentemente observado cochilando enquanto ouvia os depoimentos) têm grande importância na determinação do destino daqueles que vêm à sua presença. No entanto a profusa e variada ficção que trata de questões jurídicas em geral mostra maior fascínio pelos criminosos e suas vítimas, assim como pelos antagonistas dos criminosos, sob a forma de policiais, detetives e advogados. A ficção criminal como gênero tem uma popularidade tão ampla e sólida que inevitavelmente se tornou esclerosada pelos clichês. As vítimas ficcionais de crimes (estupro, assassinato) são quase sempre jovens mulheres de rara beleza. O policial que conduz a investigação deve ter graves defeitos de caráter e uma vida particular

desastrosa. Vê-se menos habitualmente, em livros ou na televisão, o detetive com um casamento feliz e de temperamento equilibrado perseguindo o assassino de um velhote gorducho de mau hálito. Os juízes não escaparam de todo aos ficcionistas. Além de Deus e do Juiz Dredd (1), ambos tão pouco preocupados com as formalidades da lei, uma figura eminente é a Rainha de Copas de Lewis Carroll, cujas sentenças múltiplas de decapitação imediata são tranquilamente revogadas por seu marido, o Rei, embora ele se torne menos leniente e bem mais volúvel como magistrado no julgamento do Valete de Copas. Como observou Rumpole, personagem de John Mortimer, numa frase que ficou bem conhecida, um tribunal é um instrumento bastante tosco para se chegar à verdade. Paixões Assim como a religião e paixões religiosas conflitantes impregnaram as políticas internas e internacionais num grau imprevisível 20 anos atrás, elas também invadiram de forma violenta, ou voltaram a invadir, o terreno das vidas privadas e, por consequência, as varas de família. No caso dos irmãos siameses, sir Alan Ward decidiu contra os pais e a favor do hospital. Mas, como se diz com certa graça no jargão jurídico britânico, se tratava de uma “questão ansiosa”. A cirurgia foi realizada, e o bebê mais fraco morreu (ou, como o então arcebispo de Westminster poderia ter dito, foi juridicamente assassinado), enquanto o irmão

teve seu corpo reconstituído e cresceu saudável. Esse foi um caso muito famoso. No entanto, os anais das varas de família estão repletos de desavenças rotineiras quanto à educação religiosa das crianças. Os casais que se divorciam manifestam diferenças irreconciliáveis no que tange à “verdade” que deve presidir à formação de seus filhos. Uma mãe que era testemunha de Jeová, contrária aos festejos de Natal devido à sua origem pagã, afasta o filho de uma representação teatral natalina por motivos religiosos. Seu ex-marido, anglicano, protesta. Um pai saudita quer levar a filha da Inglaterra para seu país natal, onde será criada segundo os preceitos da religião muçulmana que ele professa. A mãe, católica, impetra uma ação – mas tarde demais. Um pai hassídico ultraortodoxo quer que as filhas sejam criadas no seio de sua comunidade extremamente fechada, sem acesso a televisão, internet, música pop e roupas da moda, abandonando os estudos aos 16 anos. Sua exmulher, também judia, porém menos devota, lutará com ele até as últimas consequências pela alma das filhas. Complexas questões de liberdade religiosa e bem-estar de menores levam tais casos aos tribunais superiores e, mais além, à corte suprema. Relutantemente, a passo de cágado, o Judiciário se envolve nas minúcias dos arranjos cotidianos – o tipo de arranjo que casais amorosos resolveriam em segundos. As sentenças nas varas de família tendem a fazer uma polida reverência

diante da devoção religiosa das partes, antes de tomar decisões com fundamentos laicos. Inevitavelmente, há diferenças de ordem moral. Será esta vida menos importante que a vida no além? A lei não pensa assim. Será que Deus odeia a homossexualidade e o aborto? O Parlamento tomou posição sobre tais questões que as cortes devem obedecer. É correto punir aqueles que rejeitam sua própria religião? As varas criminais devem punir os que se arrogam tal direito. Depois que um magistrado ouve as partes em conflito e decide sobre o destino das crianças, o princípio básico a ser seguido está inscrito nas primeiras linhas do Estatuto dos Menores britânico de 1989: “Sempre que um tribunal decidir sobre qualquer questão relativa [...] à formação de uma criança, [...] o bem-estar dessa criança deverá constituir a principal preocupação da corte”. Se isso soa um pouco tautológico, é uma tautologia útil: as necessidades e os interesses dos pais ou de seus deuses são secundários em comparação com os interesses do menor. Se o estatuto se exime de definir o que é o bem-estar da criança, então cabe a um juiz fazê-lo no papel de “progenitor judicial razoável”. Jeová Três anos após meu jantar com o grupo de juízes, sir Alan Ward me contou o caso da testemunha de Jeová que havia conduzido. Naquela ocasião ele estava de plantão, a postos ao lado de um telefone durante as noites e nos fins de semana, pronto para lidar com solicitações urgentes ao tribunal.


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Continuação Uma delas chegou tarde da noite, emanada de um hospital que buscava obter permissão a fim de fazer uma transfusão de sangue, contra os desejos de seus pais, num adolescente que era testemunha de Jeová. O rapaz sofria de uma forma de leucemia relativamente fácil de curar. Os remédios que os médicos queriam usar comprometeriam a sua já declinante contagem sanguínea. O corpo médico era terminantemente contrário a perder um paciente que julgava poder curar. A questão era de emergência. Em pouco tempo, as várias partes, seus representantes e peritos chamados como testemunhas foram reunidos no tribunal para apresentar seus laudos e argumentos perante o juiz. Em casos que envolvem transfusão de sangue e testemunhas de Jeová, sobretudo quando se trata de uma criança, registra-se uma distância substancial entre visões do mundo baseadas na lei profana e numa crença sobrenatural. Neste contexto, uma criança é qualquer pessoa com menos de 18 anos. Nos termos da lei, quanto mais ela se aproxima dessa idade, maior consideração deve ser dada a seus desejos. Essa é outra “questão ansiosa”. A recusa em receber tratamento médico é considerada legalmente um direito fundamental. Qualquer médico que trata um paciente contra sua vontade comete uma agressão criminosa. Para as testemunhas de Jeová, a questão é simples,

embora implique sacrifício e dor. A Bíblia constitui a palavra de Deus. Suas interdições no que tange à transfusão de sangue constam do Gênesis, no Levítico e nos Atos. Se o Corpo Governante do Brooklyn (“os escravos”) não aconselhou seus seguidores em todo o mundo (“as outras ovelhas”) contra a transfusão até 1945 é porque Deus prefere revelar seus desejos de forma gradual e oblíqua. Como uma testemunha de Jeová declarou recentemente, ao bater à porta da minha casa, a verdade sobre o sangue esteve sempre esperando para ser descoberta. Diante da afirmação vista como impertinente de que a transfusão não fazia parte das terapias da idade do ferro, qualquer ovelha é capaz de citar um dos versos relevantes: “Somente a carne com a sua alma – seu sangue – não deveis comer” (Gênesis 9:4). Inútil, como se pode verificar, querer discutir o significado do verbo. Tais casos chegam ao magistrado como questões de vida e morte. Os hospitais necessitam de uma decisão rápida. Mesmo que a “criança” esteja a uma semana de seu aniversário de 18 anos, conta com o apoio dos pais, claramente sabe o que quer e prefere morrer a receber uma transfusão, a lei dita ao tribunal a única decisão correta. A consideração básica é clara: o bem-estar de nenhuma criança terá sido servido se ela for martirizada por causa de sua religião. Muitos hospitais criaram complexos meios de acomodar os fiéis praticando “cirurgias sem sangue”. Algumas testemunhas de Jeová aceitam adaptações, como rece-

ber seu próprio sangue reciclado ou determinados produtos derivados de sangue. No entanto tragédias ocorrem. A lei existe para estabelecer limites e funcionar dentro deles. No momento seguinte ao seu aniversário de 18 anos, a criança deixa de existir, e o agora adulto fica fora da proteção da corte. Por vezes acontece que uma jovem testemunha de Jeová, salva como adolescente pela transfusão que não desejava, é forçada por sua enfermidade a voltar ao hospital pouco tempo depois, necessita de uma transfusão e tem a liberdade de morrer. Abraçar a morte, ou permitir que um filho morra, devido ao entendimento discutível de algumas restrições alimentares da Bíblia, parecerá a quase todos uma busca inútil do sofrimento. Morrer por seus princípios nem sempre é um gesto nobre, e a sinceridade não é necessariamente uma virtude. Para dar um exemplo extremo, basta lembrar aqueles que praticaram o atentado de 11 de Setembro e de todos os homens-bomba, crédulos e homicidas, que se seguiram. A maioria de nós, até mesmo os cristãos, hoje tem dificuldade em compreender aqueles mártires do século 16 que preferiram ser queimados vivos a aceitar questiúnculas ligadas aos dogmas protestantes ou católicos. Sacrifício É preferível pensar que nos encontramos distantes e bem protegidos de tal sacrifício. Mas há sempre exceções que podemos fazer desde que tenhamos suficiente coragem.

Alguns valores morais, alguns sacrifícios, são superiores e mais significativos que outros. Homenageamos o pai ou mãe que se afoga ao socorrer um filho assim como prezamos os homens e mulheres que deram a vida para libertar a Europa da barbárie nazista. Isso, por sua vez, suscita a memória perturbadora das numerosas testemunhas de Jeová postas nos campos de extermínio do Terceiro Reich e às quais foi oferecida a liberdade caso renunciassem a sua neutralidade política. Sempre escolheram a morte. À época em que sir Alan conduzia o caso da transfusão de sangue, ainda lhe era permitido colocar um menor sob a guarda da corte. Em determinado momento, ele decidiu conhecê-lo pessoalmente – um claro exemplo em que a personalidade do juiz determina a evolução de um caso. Suspendeu a sessão, atravessou Londres num táxi, encontrou-se com os pais amorosos e aflitos e, por fim, sentou-se à beira do leito do rapaz por uma hora. Em meio a muitas outras coisas, conversaram sobre futebol, que era a paixão do enfermo. À noite, o magistrado voltou ao tribunal para proferir a sentença. “Pôs de lado” a recusa bem formulada do rapaz e de seus pais em admitir a transfusão de sangue, dando ganho de causa ao hospital. O bem-estar do menor constituiu sua preocupação primacial. Meses depois, sir Alan levou o rapaz (agora gozando de boa saúde) e seu pai a um jogo de futebol, ao qual assistiram da tribuna de honra. O jovem pôde se encontrar com seus heróis esportivos.

O brilho de alegria em seus olhos, a excitação por estar vivo foram coisas que o magistrado jamais esqueceria. A decisão do tribunal tinha sido plenamente justificada. Mas a história não acabou aí. Anos mais tarde, o jovem testemunha de Jeová foi reinternado no hospital e necessitou de outra transfusão de sangue. Já então tinha suficiente idade para tomar uma decisão independente. Ele recusou o tratamento e morreu por causa de sua crença. Contemplando essa tragédia, só podemos imaginar a tristeza, o amor frustrado dos pais e a potente noção de destino que compartilhavam com o filho, assim como os argumentos derrotados do tribunal, a desolação da equipe de enfermagem – e o desperdício. O caráter do juiz, que buscou um bom resultado com tamanha compaixão e racionalidade, parecia indissociável da história. Quando a ouvi, recordei-me de minha primeira impressão: as varas de família fincam suas raízes no mesmo terreno da ficção, onde residem todos os interesses essenciais da vida. Com o luxo de não precisar passar nenhuma sentença, um romance poderia partir dali, reinventar os protagonistas e as circunstâncias, e começar a investigar um encontro entre o amor e a crença, entre o espírito laico da lei e a fé professada com sinceridade. 1 - Nota do tradutor: Protagonista dos filmes de ficção científica “O Juiz” (1995), estrelado por Sylvester Stallone, e “Dredd” (2012) baseados numa história em quadrinhos inglesa.


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Diário de Los Angeles O MAPA DA CULTURA

4 L, o vampiro de Hollywood O expressionismo e outras odisseias

FERNANDA EZABELLA

O assobio sombrio percorre os corredores escuros da exposição. É o trecho em que o assassino de crianças compra um balão para sua próxima vítima, no clássico “M, O Vampiro de Düsseldorf” (1931), de Fritz Lang (1890-1976). No fundo da mostra, instalada no alto de uma parede, a robô Maria, de “Metrópolis” (1927), observa os visitantes do Lacma, o Museu de Arte do Condado de Los Angeles. Um dos nomes mais importantes do expressionismo alemão, Lang aparece em duas exposições na cidade que celebram o movimento artístico no cinema e a influência de imigrantes europeus em Hollywood. Em “Haunted Screens” (telas assombradas), em cartaz até abril no Lacma, há uma centena de desenhos de sets e fotografias de filmes do cinema alemão dos anos 20, incluindo obras de F. W. Murnau (1888-1931),

Robert Wiene (1873-1938) e G. W. Pabst (1885-1967). Um corredor inteiro é dedicado a registros de escadas, uma temática recorrente dos expressionistas, e num paredão há pôsteres da época. “O cinema expressionista serviu de catalisador para gêneros subsequentes, mais notavelmente os filmes de terror. E a ênfase na psicologia moderna estabeleceu um precedente para o que veríamos depois em quase todo filme de ficção científica”, disse Britt Salvesen, curadora do Lacma. No próximo domingo (19), o museu promove um debate sobre os efeitos especiais de “Metrópolis”. Lang nunca deixou L.A.: seu corpo está enterrado no cemitério Forest Lawn Hollywood Hills. Café de “Casablanca” Lang, como Pabst e outros diretores do período, deixou a Alemanha com a chegada dos nazistas ao poder, em 1933, e acabou em Hollywood, onde fez meia dúzia de longas, como o “noir” “Um Retrato de Mulher” (1944) e o filme de guerra “O Grande Segredo” (1946). Os dois trabalhos se-

cliente famoso mais recente foi o rapper Drake, que tatuou um retrato do pai no braço. “O mais difícil para mim foi começar tudo de novo, do zero. A comunidade é intimidadora, e Mark é a epítome do cool para mim”, disse Woo. A fila para marcar uma sessão leva mais de seis meses. Uma tattoo sai por, no mínimo, US$ 200. Depois da onda das tribais e desenhos no ombro, ele diz que a moda agora é tatuar os dedos, além de tattoos de penas, flechas e escrituras.

rão exibidos na mostra “Light & Noir”, no centro cultural judaico Skirball (de 23/10 a 1/3), sobre europeus que chegaram entre 1933 e 1950 e fizeram parte da Era de Ouro. Filmes antinazistas, “noir” e comédias ganham destaque na exposição, que terá figurinos de Ingrid Bergman e Marlene Dietrich, um dos Oscars de Billy Wilder, além de móveis e objetos de cena do café Rick’s de “Casablanca” (1942).

Tatuador aprendiz “Asiáticos têm cara de médicos”, explica o californiano de origem asiática Brian Woo, 33, justificando seu nome profissional, Dr. Woo. Ele trabalha com agulhas, mas não veste jaleco. Sua profissão é tatuador, num dos estúdios mais badalados de Los Angeles, o Shamrock Social Club, na Sunset Strip. Segundo a revista “Nylon”, ele é o “tatuador do momento entre os angelenos promissores”. Há menos de 10 anos, Woo

abandonou a carreira de estilista para virar aprendiz de Mark Mahoney, nome lendário da tatuagem americana que já deixou suas marcas em gente como Sid Vicious, Lana Del Rey, Johnny Depp e Anne Hathaway. Enquanto Woo cuidava do estúdio como gerente, aprendia com o mestre e fazia testes em amigos. Em poucos anos, virou queridinho da comunidade com um estilo único de desenhos etéreos e fotográficos. Seu

Projeto Odisseia Durante o mês de outubro, diversos eventos, organizados pela Biblioteca Pública em mais de 70 bibliotecas e dois museus da cidade, celebram a “Odisseia”, de Homero. No Hammer Museum e no Getty Villa, nos dias 15 e 16, respectivamente, a poeta britânica Alice Oswald fala de como a luz funciona como personagem do poema épico, além de ler trechos da obra e poemas de sua autoria, inspirados na trama grega. No dia 25, na Central Library (veja a programação em lfla.org/odyssey), acontece uma maratona de leitura da obra em voz alta.


G8

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Imaginação PROSA, POESIA E TRADUÇÃO

RESUMO O trecho acima abre o romance “14”, que será publicado no Brasil em novembro, na coleção Fábula, da editora 34. O livro narra a história de cinco homens e de uma mulher franceses no período do início da Primeira Guerra Mundial, em 1914.

JEAN ECHENOZ TRADUÇÃO SAMUEL TITAN JR. ILUSTRAÇÃO VERIDIANA SCARPELLI

Como o tempo se prestasse às mil maravilhas e como fosse sábado, dia em que suas funções lhe permitiam folgar, Anthime saiu depois do almoço para dar uma volta de bicicleta. Seus planos: aproveitar o sol franco de agosto, fazer algum exercício e respirar o ar do campo, talvez até ler um pouco, deitado sobre a relva, uma vez que prendera no quadro da bicicleta, por meio de um cabo elástico, um livro volumoso demais para a cestinha de arame. Depois de sair da cidade à roda solta e pedalar sem esforço por dez quilômetros planos, teve de se aprumar feito uma bailarina, balançando-se em pé da esquerda para a direita, começando a suar para valer tão logo surgiu uma colina. É verdade que não era uma colina alta, sabe-se bem que altura elas têm na Vendeia, era só um morro, mas saliente o bastante para que dali se pudesse desfrutar uma boa vista. Tendo Anthime vencido a subida, uma ventania estrepitosa começou a soprar brutalmente e por pouco não lhe leva o boné e derruba a bicicleta – um sólido modelo Euntes, concebido por e para eclesiásticos, comprado de um vigário que dera para sofrer de gota. Movimentos de ar de amplitude tão viva, sonora e brusca assim são bem raros em pleno verão, ainda mais sob um sol tão forte, e Anthime teve de se apoiar num dos pés, o outro sempre sobre o pedal, a bicicleta ligeiramente inclinada, enquanto voltava a fixar o boné na cabeça, contra o vento ensurdecedor. Então contemplou a paisagem ao redor: aldeias espalhadas por todos os lados, campos e pastagens à vontade. Invisível, mas sempre lá, vinte quilômetros a oeste, arfava ainda o oceano, pelo qual ele já se aventurara quatro ou cinco vezes, mesmo que, não sabendo pescar direito, Anthime não tivesse sido muito útil aos companheiros – sua profissão de contador autorizando-o, de todo modo, a desempenhar o papel sempre bem-vindo de listar e contar os carapaus, merluzas, solhas, rodovalhos e outros linguados na volta ao cais. Estávamos no primeiro dia de agosto, e Anthime correu os olhos pelo panorama: sozinho no alto da colina, viu um punhado de lugarejos, cinco ou seis conglomerados de casas baixas aglutinadas ao redor de um campanário, ligados por uma tênue rede viária pela qual circulavam não tanto os raríssimos automóveis mas sim as carroças atreladas a bois ou cavalos, transportando a colheita de grãos. Uma paisagem aprazível, sem dúvida, apesar de momentaneamente perturbada pela irrupção ventosa, fragorosa, nada habitual naquela estação, que obrigava Anthime a segurar a viseira do boné e ocupava todo o espaço sonoro. Não se ouvia nada além daquele ar em movimento; eram quatro horas da tarde. Passeando os olhos distraidamente de um lugarejo a outro, Anthime reparou num fenômeno que desconhecia. No alto de cada um dos campanários, de uma vez e a um só tempo, começou um movimento, um movimento minúsculo mas regular: o vaivém de um quadrado negro e de um quadrado branco, sucedendo-se a cada três segundos, disparando como luzes alternadas, um pulso binário que lembrava a válvula automática de certas máquinas da fábrica. Anthime contemplou, sem compreender, aqueles movimentos mecânicos, que de longe mais pareciam cliques ou piscadelas de desconhecidos.

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Coisa de quinze dias, no máximo

Depois, de repente, detendo-se tão subitamente quanto começara, o rugido envolvente da ventania deu lugar ao barulho que até então encobrira: eram os sinos que, pondo-se a badalar no alto dos campanários, soavam em uníssono, num frenesi grave, ameaçador, pesado, no qual, apesar da pouca experiência, por não ter idade para ter seguido muitos enterros, Anthime reconheceu por instinto o som do dobre – que só raramente se ouve e cuja imagem lhe chegara antes do som. O dobre, em vista do estado presente do mundo, só podia significar a mobilização. Como todo mundo, Anthime meio esperava por ela, mesmo sem pôr muita fé, mas jamais teria imaginado que cairia num sábado. Sem reagir de pronto, ficou pelo menos um minuto a escutar os sinos que balançavam solenemente e então, endireitando a bicicleta e pondo o outro pé no pedal, deixou-se deslizar encosta abaixo antes de tomar o rumo de casa. Um sacolejo mais brusco, e, sem que Anthime notasse, o livro volumoso caiu do quadro, abriu-se durante a queda e foi parar à beira da estrada, sozinho para todo o sempre, repousando de bruços sobre um capítulo intitulado “Aures Habet, et non Audiet”. Tão logo entrou na cidade, Anthime começou a ver as pessoas saindo de casa e formando grupos antes de convergir para a praça Royale. Os homens pareciam nervosos, febris, acalorados, viravam-se para se interpelar uns aos outros, faziam gestos desajeitados e mais ou menos seguros de si. Anthime foi deixar a bicicleta em casa antes de se juntar ao movimento geral, que agora confluía de todas as artérias rumo à praça, onde se agitava uma multidão sorridente, brandindo bandeiras e garrafas, gesticulando e se comprimindo, mal deixando espaço para as carroças que já iam transportando os primeiros grupos. Todo mundo parecia bem contente com a mobilização: debates inflamados, gargalhadas desmedidas, hinos e fanfarras, exclamações patrióticas estriadas de relinchos. Do outro lado da praça, junto a uma loja de tecidos finos na esquina da rua Crébillon, para lá da turba animada, rubra de fervor e suor, Anthime distinguiu a silhueta de Charles, cujo olhar tentou capturar a distância. Não conseguindo, tentou abrir caminho entre as pessoas. Mantendo-se à margem do acontecimento, trajando, como no escritório da fábrica, um terno que culminava numa fina gravata clara, Charles lançava um olhar impassível sobre o tumulto, a máquina fotográfica modelo Rêve Idéal, dos fabricantes Girard & Boitte, pendurada no pescoço, como de hábito. Avançando em sua direção, Anthime teve de fazer o esforço de se empertigar e relaxar ao mesmo tempo, tarefa antinômica mas necessária, a fim de vencer o constrangimento acanhado que a presença de Charles, quisesse ou não, despertava nele. O outro mal o encarou, desviando os olhos para o anel de sinete que Anthime levava no dedo mínimo. Veja só, disse Charles, essa é nova. E na mão direita. Em geral se usa na esquerda. Eu sei, reconheceu Anthime, mas não é por nada, é porque eu sinto uma dor no punho. Ah, sei, condescendeu Charles, mas não atrapalha na hora de cumprimentar as pessoas? Não cumprimento tanta gente, precisou Anthime, é mais por causa dessa dor no punho direito, melhora um pouco. É meio pesado, mas funciona. Uma coisa magnética. Magnética, Charles repetiu num átomo de sorriso, expirando outro átomo pelo nariz, sacudindo a cabeça, dando de ombros e desviando o olhar, os cinco movimentos num único segundo – e Anthime se sentiu novamente humilhado. E então, Anthime tentou encadear, apontando com o polegar para um grupo que agitava cartazes, o que acha disso? Era inevitável, respondeu Charles, fechando um de seus olhos frios para colar o outro ao visor da máquina, mas é coisa de quinze dias, no máximo. Disso, Anthime permitiu-se objetar, eu não tenho tanta certeza. Pois bem, disse Charles, amanhã nós veremos.


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ALBERTO CESAR ARAÚJO

Caderno C

Plateia

Escritor local é convidado para sarau no RS (92) 3090-1042

Plateia 3

Disciplina na arte e na vida Logo na primeira vez em que assistiu a um espetáculo, Júlia Laranjeira já sabia que caminho percorrer

LUIZ OTAVIO MARTINS Especial EM TEMPO

A

os 14 anos de idade, tanto Júlia Laranjeira quanto Edilson Cardoso já desejam se profissionalizar no universo artístico. Ela na dança, e ele no canto. O incentivo para tanto veio da oportunidade de ambos em participar de grupos dedicados ao ensino e ao incentivo da atuação nesses campos da arte, sempre com o apoio da família. Quando tinha 9 anos, Júlia Laranjeira, que sempre gostou de dança, foi levada pela tia para assistir “As aventuras de Sininho em Hollywood”, uma produção da Associação Belas Artes do Amazonas (Belarte), iniciativa sem fins lucrativos que visa fomentar o balé clássico, considerado elitista, junto a comunidades carentes. “A mãe de uma aluna do grupo convidou a minha tia para assistir a esse espetáculo. Ela decidiu me levar e gostei tanto que cheguei a pensar, ‘Que vontade de estar aí’”, recorda Júlia. A jovem conta que, depois desse evento, a tia conversou com sua mãe, Joana, e esta incentivou a filha a ingressar no grupo, presidido pela professora Carolina Soler. E, logo na montagem seguinte, “Dorothy na floresta encantada”, Júlia já marcou presença. “Eu fiz o papel do Curupira, uma participação que as pessoas lembram até hoje”, diz. Em 2014, Júlia completa 5 anos na associação e, em dezembro, está prevista a sua estreia como solista numa montagem do grupo. Ela será Aurora, no balé “A Bela Adormecida”, cujos ensaios já começaram. “É uma honra e um privilégio. Eu pulei de alegria quando fui escolhida”, comenta. Todo o desenvolvimento de Júlia na dança é resultado de sua participação na Belarte. “Antes eu não tinha base de balé. Todo o meu aprendizado

foi dentro da associação”, diz a jovem, que pretende seguir carreira na dança. “Gosto muito de balé e de jazz clássico, pois me identifico bastante e consigo me expressar mais nesses dois estilos”. A mãe de Júlia, Joana Laranjeira, considera “realmente encantadora” a participação da filha na Belarte e diz que todo o esforço para apoiá-la, como ficar à disposição nos dias das aulas na associação – que acontecem às quartas à noite e aos sábados durante todo o dia –, são recompensados com a dedicação e o empenho da jovem. Joana observa ainda que o balé exige muita disciplina e Júlia destaca que procura tam-

Edilson Cardoso foi protagonista na montagem “Onheama”, dentro do Festival Amazonas de Ópera

Nós temos que estar bem na escola. Afinal, tem gente que se envolve demais com a dança e esquece dos outros estudos Júlia Laranjeira, estudante e bailarina

bém cuidar da alimentação. E para a permanência nas aulas da Belarte é fundamental um boletim escolar com boas notas. “Nós temos que estar bem na escola. A Carolina confere nossos boletins e conversa quando alguma coisa precisa melhorar. Afinal, tem gente que se envolve demais com a dança e esquece dos outros estudos”, comenta Júlia. A Belarte se tornou Ponto de Cultura no ano passado e existe há 9 anos e a metodologia de ensino do balé aplicada nas aulas é a Royal. São atendidos mais de 100 alunos, a maior parte do sexo feminino, dos bairros Vale do Sinai, Monte Sinai, Colônia Antônio Aleixo, Colônia Terra Nova e outros núcleos da Zona Norte.

Protagonista no palco de casa

Desenvolto, o pequeno Edilson atribui muito do seu sucesso ao apoio dispensado pela família

Em maio deste ano, a montagem infantojuvenil “Onheama”, com libreto do compositor e regente de orquestra João Guilherme Ripper, estreou na programação do 18º Festival Amazonas de Ópera. A produção, baseada no poema “A Infância de um Guerreiro”, do escritor amazonense Max Carphentier, foi encomendada com exclusividade para o evento e o protagonista da ópera, o menino Iporangaba, foi interpretado pelo sopranino Edilson Cardoso. Integrante do Coral Infantil do Liceu de Artes Claudio Santoro, onde ingressou em 2010 pelo fato de gostar muito de cantar, Edilson considerou “muito boa” a experiência no papel principal de “Onheama”. “Foi um grande desafio atuar e cantar ao mesmo tempo. Meu preparador vocal foi o maestro Hugo Pinheiro (regente do Coral

Infantil do Liceu) e na parte de atuação fui orientado por William Pereira (diretor cênico de “Onheama”)”, conta. O jovem revela que gostou muito de interpretar

TALENTO

Atualmente, além das atividades no coral infantil, Edilson também participa, desde setembro, do Grupo Vocal dos Corpos Artísticos, coordenado pelo maestro e pianista Hilo Carriel o personagem por ser um “índio valente e guerreiro”. Atualmente, além das atividades no coral infantil, Edilson também participa, desde setembro, do Grupo Vocal dos Corpos Artísticos, coordenado pelo maestro e

pianista Hilo Carriel. Ele diz que o gospel é o seu gênero musical favorito e que pretende se profissionalizar como cantor lírico. Para tanto, contará com o apoio de toda a família. “Meus familiares me apoiam muito e até me acompanham nos ensaios e nas apresentações”, conta. A mãe de Edilson, Maria de Jesus Ferreira, acha ótima a participação do filho no coral infantil e destaca que ele tem se beneficiado bastante dessas atividades artísticas. “Ele tem aprendido muita coisa em relação à música. No coral tem quer ser disciplinado e ter responsabilidades. E isso se reflete no relacionamento dele em família”, conta Maria de Jesus. “Ele nos dá muito orgulho e continua uma pessoa simples, apesar de já ter feito trabalhos importantes”.

FOTOS: DIVULGAÇÃO

No Dia das Crianças, o caderno Plateia apresenta os jovens Júlia Laranjeira e Edilson Cardoso, que começaram a atuar, respectivamente, na dança e no canto, e pretendem agora levar seus aprendizados para suas vidas profissionais


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>> Faturamento . O Polo Industrial de Manaus (PIM) registrou faturamento de R$ 54,6 bilhões (US$ 23,9 bilhões) nos oito primeiros meses de 2014. . O resultado apurado pela Suframa junto às empresas incentivadas do parque fabril local, e divulgado nos Indicadores de Desempenho do PIM, apontam crescimento de 5,6% em moeda nacional e decréscimo de 2,9% em dólar na comparação com o mesmo período de 2013. A média mensal de empregos no período fechou em, aproximadamente, 122 mil postos de trabalho. . Dentre os segmentos produtivos, o polo eletroeletrônico – incluindo Bens de Informática – alcançou RS 27,6 bilhões (US$ 12,1 bilhões) e representa 50,6% do total do faturamento do Polo Industrial de Manaus. O resultado desse segmento se deve, dentre outros fatores, ao aumento da demanda por aparelhos televisores, fato comum em anos de grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo de futebol realizada no Brasil no fim do primeiro semestre.

Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br

>> T-shirt . Depois de fornecer frete grátis no site de sua marca em comemoração à ida de Aécio Neves para o segundo turno, Sérgio K segue firme e forte com seu apoio ao candidato à Presidência da República. . O badalado empresário do ramo de moda, que adora uma polêmica, acaba de lançar uma camiseta em prol do tucano, com a frase “Uai We Can” estampada junto a uma imagem de Aécio. Sim, trata-se de uma analogia à campanha eleitoral de Barack Obama, em 2008, no Estados Unidos. A primeira leva, com 300 peças por apenas R$ 9,99 cada, já esgotou!

>> Homenagem

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. Lindíssima, Angelina Jolie foi recebida pela rainha Elizabeth na sexta-feira, no Palácio de Buckingham, na Inglaterra. . O encontro foi particular e a atriz recebeu uma condecoração por seu trabalho humanitário. Os serviços prestados por Jolie voltados para a campanha contra a violência sexual nas regiões em guerra renderam a ela uma insígnia de Dama Honorária da Ordem de São Miguel e São Jorge, além da condecoração por sua colaboração na política externa da Inglaterra. . Por não ser britânica, o prêmio tem que ser considerado “honorário” Angelina Jolie é cofundadora da “Preventing Sexual Violence Initiative”, ou traduzido livremente, “Iniciativa para Prevenção da Violência Sexual”.

>> Workshop

Adriane Gonçalves dividindo a cena com Serginho e Márcia Martins, no Alphavile

>> Beneficente . O Abrigo Janell Doyle promoverá neste domingo, das 9h às 17h, uma festa beneficente em homenagem ao Dia das Crianças e ao aniversário de 18 anos da instituição. O evento é aberto ao público em geral. . A instituição que assiste crianças em situação de risco, está localizada na rua Igarapé de Mauá, no bairro Mauazinho, local onde também presta serviços para a comunidade.

A ótima Rosiane Lima espalhando alegria, em noite de coquetel chic

. Na próxima terça-feira, o CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina com o apoio da Fucapi realiza o Workshop da Iniciativa Regional de Patentes para o Desenvolvimento, das 9h às 12h, no auditório da fundação. . O evento tem o propósito de apresentar e divulgar a 1ª Chamada da Iniciativa Regional de Patentes Tecnológicas para o Desenvolvimento focada em energias renováveis e eficiência energética. Nesse sentido, o CAF está organizando workshops em diferentes países para realizar a elaboração de propostas e conceitos tecnológicos patenteáveis. . A Iniciativa de Patentes da CAF visa incentivar a apresentação de conceitos tecnológicos patenteáveis por indivíduos e instituições, assim como a criação de Incubadoras de Patentes na América Latina e Caribe, contribuindo para a melhoria da posição dos países latino-americanos em inovação medida por patentes.

Graziela Nogueira e Ana Simões Montenegro, medalhões do society local, em jantar cinco estrelas no Village Festas

A primeira-dama Edilene e o governador José Melo, enchendo de simpatia evento alto-astral na cidade


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Amazonense participa do Sarau Nacional de ‘PoA’ LUIZ OTAVIO MARTINS Especial EM TEMPO

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escritor independente Rojefferson Moraes foi convidado para participar do Sarau Nacional, encontro brasileiro que reunirá escritores, poetas e artistas na Usina do Gasômetro, em Porto Alegre (RS), entre os dias 5 e 7 de dezembro. Ele conta que o convite partiu da Associação Internacional de Escritores e Artistas (Literarte) graças a sua colaboração no site “Recanto das Letras” (www.recantodasletras.com.br). “Colaboro nesse site desde 2012 e, ao longo desse período, recebi convites para participar de algumas antologias. O último convite foi da editora Mágico de Oz para a antologia “Castro Alves”, com escritores do Brasil e de outros países”, diz o manauense Rojefferson, que lançou seu segundo livro, “Poesia crônica”, em maio deste ano. O texto que foi enviado para a coletânea chama-se “Listas íngremes causam soluços em versos errantes”. A antologia “Castro Alves” será lançada durante o Sarau Nacional. Rojefferson destaca que ou-

tro fator que possibilitou a sua participação no evento foi a publicação de “Poesia crônica”. “O convite é feito com base na atuação do escritor na sua cidade”, enfatiza. Ele revela que, desde a publicação em maio, foram produzidos 550 exemplares da sua segunda obra, publicação independente que faz parte do selo “Co-

PROGRAMAÇÃO

O Sarau Nacional conta com a presença de diversos poetas e músicos do Brasil e do mundo, lançamentos literários, salão de artes, e homenagem ao escritor gaúcho Mário Quintana

leção de rua”, idealizado pelo escritor Jeovane Pereira. “Poesia crônica” é composto por 40 poemas sobre o dia a dia social e político de Manaus e foi escrito entre 2007 e 2009. O autor revela que vai colocar à venda mais 200 exemplares da obra para ajudar a custear a sua ida até Porto Alegre. “O convite é feito pela Literarte, mas

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

O manauense Rojefferson Moraes foi convidado para participar de um evento literário em Porto Alegre, em dezembro o artista tem que financiar a sua viagem”. Essa nova tiragem do livro estará à disposição na 3ª edição do Estante Perigosa – evento que tem como proposta estimular uma interação com várias formas de arte e promover atividades em locais alternativos –, no dia 1º de novembro, no Kalakuta Ponto de Cultura (rua Ramos Ferreira, em frente ao Kilo Mania, no Centro). A comercialização será feita ainda nos sebos O Alienígena (rua Lima Bacury, 64-C, Centro), O Alienista e Carioca (ambos localizados na Praça Heliodoro Balbi, também no Centro). Coletânea O próximo lançamento de Rojefferson Moraes chama-se “Crises catalogadas”. É uma coletânea de textos dividida em duas partes, “Livro dos enigmas” e “O dia em que Carla assassinou meu gato”, que sairá pelo selo “Coleção de rua”. “Livro dos enigmas” foi publicado em 2011 e é a primeira obra com poemas de Rojefferson, mas o autor diz que resolveu incluí-la em “Crises Catalogadas”, que será colocada à venda em dezembro, depois que ele retornar.

Rojefferson Moraes pretende lançar, em breve, outra obra, intitulada “Crises catalogadas”


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RESENHA

Autoral de qualidade PERFIL

Emir Fadul Radialista da RÁDIO EM TEMPO (www.radioemtempo.com.br)

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ntes de iniciar esta nova jornada, gostaria primeiramente de agradecer o espaço concedido pelos editores do jornal EM TEMPO, na pessoa de Gustav Cervinka, e o apoio constante de Gibson Oliveira, para a continuidade deste trabalho nascido há muito tempo, mas somente agora concretizado. Pretendo fazer deste espaço um mural com novidades e opinião sobre o cenário musical local, nacional e mundial, com objetivo principal de mostrar os verdadeiros talentos, mantendo sempre a imparcialidade. Feitas as considerações iniciais, em nosso debut trago uma revelação da musica amazonense, o jovem músico Rafael Marques. Com o início no cover, o jovem músico conheceu a maior banda de todos os tempos, The Beatles, constituindo logo em seguida a Black Mersey, banda cover dos ingleses, que ainda se apresenta em festas, teatros e grandes eventos. Esse período iniciou há cerca de 4 anos e, com essa influência, o resultado de suas composi-

ções não poderia ser outro, senão fenomenal. Escutando as músicas do Rafael, percebe-se um talento nato, que está amadurecendo. A união de talento e bom gosto rende um produto aceitável e muito agradável. Ao desbravar a carreira, o músico quase sempre está sozinho ou tem que cuidar de tudo. Mas isso não foi obstáculo para aflorar essa virtude presente nas suas músicas, que tem como influências as dificuldades do dia a dia e sua temática gira em torno de sentimentos, um prato cheio para a grande mídia. Nessa visão, Rafael desenvolveu esta “sinfonia” aos ouvidos e, como estreia todo artista, precisa de uma música de trabalho e bem comercial, desde que não perca sua identidade. Com sua experiência desde 2006 tocando na noite, suas composições carregam consigo uma rigidez e harmonia nos arranjos, inspirados no rock britânico e algumas tiras de country. Aprecio o timbre da voz dele, que harmoniza bem com o restante e com a ideia. Rica em rifes de violão e can-

tada em português, a música “Querida”, integrante do primeiro CD, intitulado “Nada vai mudar”, mostra uma simpatia na combinação de notas e letras, tornando uma música agradável, mesmo sendo de curta duração, com apenas 1 minuto e 34 segundos. As outras faixas tem duração padrão de aproximadamente 3 minutos cada. Sua concepção iniciou em 2011 e este ano Rafael está lançando seu primeiro CD. O cantor pretende alçar o grande voo e deixar as terras tupiniquins e tentar a carreira no grande centro musical que é o eixo Rio – Sampa.

Pude acompanhar o início da trajetória de Rafael e torcer por ele seria o mínimo que poderia fazer. O mercado fonográfico está em ampla mudança e uma dica para todo artista que pretende fazer o mesmo é preparar seu material de divulgação impecavelmente, pois, o cartão de visitas de todo músico é seu trabalho. Rafael, por exemplo, tomou cuidado até com os detalhes do encarte e impressão do álbum. A guerra está somente no início, mas com calma e a escolha do caminho certo, essa “luz no fim do túnel” pode se transformar em um holofote. Boa sorte garoto!

Rica em rifes de violão e cantada em português, a música “Querida”, integrante do primeiro CD, intitulado “Nada vai mudar”, mostra uma simpatia na combinação de notas e letras”


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Canal 1 plateia@emtempo.com.br

Bate-rebate

TV Tudo Consulta Longe das novelas, desde a apagada participação em “Salve Jorge”, Dalton Vigh foi procurado para fazer um dos principais papéis de “Lady Marizete”, novela na fila das 19h da Globo. Ainda não respondeu. Outros dois Kadu Moliterno e Werner Schunemann são outros nomes que também estão nos planos do diretor Wolf Maya para a mesma “Lady Marizete”. Ambos, a exemplo do Dalton Vigh, ainda não acertaram. Gravando De volta ao SBT, Felipe Folgosi começou a gravar participação na novela “Chiquititas”. Ele vai aparecer na história como pai de Bia, personagem de Raissa Chaddad. No ar, o Felipe ainda irá demorar a aparecer, porque a produção possui três meses de frente. Combinado assim O canal Sexy Hot promove dia 14, a partir das 20h, a entrega do PIP - Prêmio da Indústria Pornô, em suas 11 categorias. Evento marcado para o Espaço Contemporâneo,

ELVIS

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• A Espn já tem escalados o narrador Paulo Andrade e o comentarista Sorin para o clássico Real Madrid e Barcelona, no dia 25. • Dependesse do comercial da Band, o “MasterChef” teria uma temporada atrás da outra... • ... O programa foi vendido com uma facilidade nada comum a tantos outros...

Teleton Eliana grava vinheta da campanha Teleton com a criança símbolo deste ano, Ana Julia. O trabalho contou também com a participação das atrizes de “Chiquititas” Giovanna Grigio (Mili) e Sofia Valverde (Maria). na Avenida Morumbi. No convite enviado aos convidados, chamou a atenção o detalhe: não haverá exibição de conteúdo explícito. Foi falado... Mas ainda não há uma confirmação da Globo se a Grazi Massafera irá ou não irá para o “Vídeo Show”. Deve-se, até como justiça, destacar o seu desempenho na apresentação do “Superbonita”. Beleza à parte, como em tudo que fez até agora, ela ganha na simplicidade. Passa verdade. Agora é com ele O SBT, nas últimas se-

manas, gravou testes com 11 apresentadoras para um novo programa de variedades, estilo “Vídeo Show”, que agora só depende da aprovação do seu alto comando. Por alto comando, entenda-se o próprio dono, Silvio Santos. Fortes candidatas Desse total, se destacaram nos testes Rosana Jatobá, Virginia Nowicki, Nadja Haddad e Analice Nicolau. O desejo, caso venha a ser aprovado, é transformar o piloto em produto fixo da grade, com exibições diárias e ao vivo.

• ... E no SBT, com o seu “Cozinha Sob Pressão”, aconteceu a mesma coisa...

Crítica aos dias atuais Novela com pegada de humor, “Lady Marizete”, de Alcides Nogueira e Mário Teixeira, que estreia em abril na Globo, vai abordar também aquele tipo de situação em que as pessoas gostam de levar vantagem em tudo. Os que querem se dar bem com pouco ou nenhum esforço. Em resumo, pretende criticar o estilo de vida fácil que muita gente ainda busca nos dias de atuais.

Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery

• ... Estreou ontem com tudo vendido. E só patrocinadores de alto nível.

C’est fini A equipe do longa “Jogos clandestinos” aguarda apenas a presença de Bruno Gagliasso para acelerar os seus trabalhos. Está tudo na dependência do ator, ainda preso às gravações de “Dupla Identidade” na Globo. Glagliasso fará o protagonista, personagem que decide assaltar um cassino para recuperar o dinheiro que perdeu. Giovanna Ewbank e Marco Luque também estão no elenco. Então é isso. Mas amanhã tem mais. Tchau!

Márcio Braz* E-mail: plateia@emtempo.com.br

Ferreira Gullar e a poesia amazonense

MARIO ADOLFO

REGI

Esta semana o poeta maranhense Ferreira Gullar tornou-se o mais novo imortal da Academia Brasileira de Letras. Autor de títulos significativos da literatura brasileira como o famoso “Poema Sujo” e a sua única obra como autor teatral, “Um rubi no umbigo” – no qual o poeta faz questão de dizer que sua obra não é atemporal, ela foi produzida num determinando tempo e, portanto, trata de uma época e de um sentimento -, Gullar evidencia ainda, com sua ingressão na Academia, a força da poesia e do prestígio da linguagem, tão caras a intelligentsia brasileira. Isto nos leva a refletir sobre a produção da poesia amazonense, cujo corpo de poetas são dos mais emblemáticos e importantes, mas deconhecidos do grande público brasileiro, inclusive do celeiro de críticos. Alguém já havia dito que, historicamente, sempre tivemos uma tendência à poesia, não importando, num primeiro momento, se esta é boa ou ruim. Dentre todas as categorias literárias, a poesia é a que mais engendrou atenção e dedicação por parte de nossos conterrâneos. Os mais destacados poetas amazonenses são justamente os que romperam a fronteira do regionalismo e do beletrismo literário e construíram uma poesia afinada com o seu tempo, funcional e passando ao largo dos adoradores de gramática. Aos novos pesquisadores – do qual me incluo - uma tarefa torna-se imprescindível: revisar criticamente nossa historiografia, nossa, digo, brasileira, quase sempre, na esmagadora maioria dos casos, regionalista e centrada na região sudeste do país. As outras regiões figuram em muitos estudos como nota de rodapé e, quando muito, um parágrafo à parte. Com as exceções de praxe, claro. Não se pode ficar impune diante dos sonetos vibrantes e dos haicais certeiros e criativos de Luiz Bacelar, um dos mais brilhantes poetas brasileiros; ou dos versos singelos e bem construídos de Elson Farias, que toca na raiz de nossa identidade, porque brasileira, mas sem o perigo do regionalismo, característica mais que marcante de muitos dos nossos.

Aldísio Filgueiras, o mais torto dos poetas amazonenses, seria um escândalo se o analfabetismo de muito dos nossos fosse pelo menos funcional, incapaz de entender uma vírgula justaposta em seus versos. Basta ler “Malária e outras canções malignas” para se comprovar a forma com que ataca e desconstrói a cidade (as muitas, mas Manaus especificamente), num caso singular de amor e sublimação. Acometido pela febre alta da malária, o narrador destila versos conscientes (às vezes), paranóicos, sarcásticos e cheios de delírio sobre a cidade. Ele delira a cidade porque a cidade assim o delira. Com suas imagens cheias de cores e luz, Thiago de Melo é o arauto de boasvindas, a alvíssara dos novos tempos e o esplendor de um amanhecer com alguma esperança. O mais lido poeta amazonense, com projeção internacional, Thiago de Melo com seus versos cândidos e cheios de vivacidade, nos levam a um outro patamar que se não tomarmos cuidado corremos o risco de nos perdemos, afinal, a esperança é a última que morre, mas morre. Aníbal Beça em “Suíte para os habitantes da noite” constrói uma poesia estudada, pensada e versificada numa métrica rígida, popular, com seus choros, cavaquinhos e violões. Também adepto dos haicais, estilo de origem japonesa, Beça recompõe a natureza com seus fluidos, pássaros, luas e tempo - como também experimentou Luiz Bacellar que trouxe a novidade de situar, em alguns casos, imagens e sentimentos amazônicos. Se um dos papeis de nossos pesquisadores é revisar criticamente nossa historiografia é fato que teríamos uma análise mais condizente e realmente “brasileira” fugindo da condenação terminológica a que muitos estudiosos - por omissão ou mesmo pela tradição mental do período em que escreveram – insistem em alcunhas do tipo “o maior poeta brasileiro” ou a engendrar uma lista dos “cem maiores da literatura brasileira” sem ao menos conhecer sequer 40% da produção literária nacional.

*ator, diretor, cientista social e membro do Conselho Municipal de Política Cultural.

Alguém já havia dito que sempre tivemos uma tendência à poesia. Dentre as categorias literárias, a poesia é a que mais engendrou atenção e dedicação dos conterrâneos”


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MANAUS, DOMINGO, 12 DE OUTUBRO DE 2014

Programação de TV

SBT DIVULGAÇÃO

5:00h Jornal Da Semana

5:00 Santo Culto Em Seu Lar 5:30 Desenhos Bíblicos

6:00h Igreja Universal

7:00 Desenhos Bíblicos

7:00h Brasil Caminhoneiro

8:30 Record Kids - Pica Pau

7:30 Planeta Turismo

09:00 Amazonas Da Sorte

8:30 Vrum

10:00 Domingo Show

9:00h Sorteio Amazonas Da Sorte (Local)

12:00h Propaganda Eleitoral Gratuita

19:50 Domingo Espetacular - Continu-

22:45 Tela Máxima - “Deck Dogz: Feras Do Skate”

23:00h De Frente Com Gabi 0:00h Nikita 1:00h Rizzola & Isles 2:00h Pessoa De Interesse 3:20 Big Bang

TOURO - 20/4 a 20/5 A pujança de seus sentimentos se opõe à boa razão diante dos relacionamentos. Você deseja muito, mas cada passo precisa ser dado com realismo.

22:15 A Fazenda

18:15 Roda A Roda Jequiti

19:50 Programa Silvio Santos

ÁRIES - 21/3 a 19/4 Você tende a esbanjar o que gostaria, mas o mundo não permite isso, pois lhe coloca limites claros, em especial na vida financeira. Procure conciliar estes dois pólos.

ação

14:15 Eliana

0:15 Programação Iurd

19:30 Propaganda Eleitoral Gratuita

GREGÓRIO QUEIROZ

18:30 Domingo Espetacular 19:30 Horário Político

19:15 Sorteio Da Telesena

Horóscopo

14:15 Hora Do Faro

10:00h Domingo Legal

12:20 Domingo Legal - Continuação

Kurt Russel encarna novamente Snake Plissken em “Fuga de Los Angeles”, hoje no Corujão

12h20 Temperatura Máxima - Gigantes De Aço. 15h00 Campeonato Brasileiro - Flamengo X Cruzeiro. 17h00 Domingão Do Faustão. 19h30 Propaganda Eleitoral Obrigatória - 2º Turno. 19h50 Fantástico. 23h32 Domingo Maior - Presságio. 0h38 Programete Rumo Ao Pódio (Último Episódio). 0h48 Sessão De Gala - A Duquesa. 2h40 Corujão - Fuga De Los Angeles.

RECORD

4:00h Igreja Universal

Cinema

GLOBO 4h30 Santa Missa. 5h30 Amazônia Rural. 6h00 Pequenas Empresas, Grandes Negócios. 6h35 Grade Prêmio Da Rússia. 8h38 Auto Esporte. 8h58 Esporte Espetacular (Flashes Troféu Brasil De Atletismo). 10h58 Esquenta. 12h00 Propaganda Eleitoral Obrigatória - 2º Turno.

BAND 5:00 Tartarugas Ninja 6:30 Santa Missa No Seu Lar 7:30 Sabadão Do Baiano 8:00 Power Rangers + Popeye 9:30 Minúsculos 9:45 Informercial – Polishop 10:45 Verdade E Vida 11:00 Irmão Caminhoneiro – Boletim 11:05 Pé na Estrada 11:35 Band Esporte Clube 12:40 Fórmula Truck – Gp De Graporé/rs 14:10 O Grande Momento Do Futebol 14:30 Campeonato Brasileiro - Internacional X Fluminense 16:50 3º Tempo 19:00 Só Risos 20:00 Top 20 21:30 Pânico na Band 0:15 Canal Livre 1:15 Alex Deneriaz 1:50 Show Business – Reapresentações 2:40 Ei Arnold!

Cruzadinhas

ESTREIAS Annabelle: EUA. 14 anos. Membros de um culto satânico que atacam o casal John Form e Mia, e invocam uma entidade maléfica, Annabelle. Cinemark 6 – 12h (dub/somente sábado e domingo), 14h20, 16h40, 19h, 21h30 (dub/ diariamente), 0h (dub/somente sábado); Cinépolis Millennium 8 – 15h, 17h20, 19h40, 21h55 (leg/diariamente); Cinépolis Plaza 1 – 14h45, 17h10, 19h40, 22h (dub/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 4 – 21h (dub/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 5 – 19h10, 21h50 (leg/diariamente); Kinoplex 1 – 16h30, 18h50 (dub/diariamente), 21h10 (leg/diariamente).

GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Você também pode se sentir exilado e solitário, diante das pressões do trabalho e das obrigações materiais. Você é cobrado a um senso de realidade que irá lhe reorganizar. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Não se disperse com muitas pessoas, concentre-se em seu amor e nas pessoas que são mesmo importantes. Muitos projetos, mas dedique-se aos que lhe são mais queridos. LEÃO - 23/7 a 22/8 A infra-estrutura que você tem deve reger as ações no crescimento profissional. Não dê passos maiores que as pernas. Não vá longe demais ou pode se perder de sua base. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Dificuldade para se acertar a comunicação e a expressão adequada de suas ideias e pontos de vista. Não complique demais, comece apresentando o que é básico. LIBRA - 23/9 a 22/10 Você pode passar por um desacordo nas negociações ou nas relações financeiras. Poderá conseguir algum equilíbrio, mas será difícil e no limite. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 Em seus relacionamentos, você entende uma coisa e a outra pessoa quer outra coisa. É preciso se acertarem, antes de tudo - ou a distância entre vocês pode aumentar. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Você se sente exilado, com o mundo contra você. Mas não se deixe acuar a toa, nada de se sentir acuado. É hora de você enfrentar as dificuldades que estão em seu caminho. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Você deseja coisas que a razão mostra estarem além do realizável Não por isso desista delas, mas procure um meio termo para que venha a se realizar em alguma medida. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Momento para crescer profissionalmente, mas a realidade de momento parece não ser compatível com isso. Veja de que modo as situações podem ser readequadas. PEIXES - 19/2 a 20/3 Você quer uma orientação firme, mas a agitação dos aconteceres opõe às certezas. Para contornar esta condição, é preciso ser flexível ao formar uma orientação pessoal.

Festa No Céu: EUA. 10 anos. O filme traz a jornada de Manolo, um jovem que está dividido entre cumprir as expectativas de sua família ou seguir seu coração. Antes de escolher que caminho seguir, ele embarcará em uma incrível aventura em três mundos fantásticos onde ele deverá enfrentar seus maiores medos. Cinemark 3 – 18h30 (dub/somente sábado e domingo); Cinépolis Millennium 3 – 16h55, 19h10 (3D/dub/somente de sábado a quarta-feira); Cinépolis Plaza 2 – 20h25 (3D/dub/exceto quinta-feira e sexta-feira); Cinépolis Ponta Negra 4 – 14h, 16h40 (3D/dub/somente de sábado a quarta-feira).

Trash – A Esperança Vem do Lixo: BRA-ING. 14 anos. em uma trama de perseguições e corrupção, três meninos - Raphael, Gardo e Rato - encontram uma carteira no lixão onde vivem e decidem buscar a solução para o mistério que a rodeia. Cinemark 1 – 13h10 (somente sábado e domingo), 15h40, 18h15, 21h (diariamente), 23h40 (somente sábado); Cinépolis Millennium 4 – 14h55, 17h30, 20h, 22h30 (diariamente); Cinépolis Plaza 4 – 14h20, 16h50, 19h20, 21h50 (diariamente); Cinépolis Ponta Negra 2 – 14h10, 17h05, 20h20 (diariamente), Cinépolis Ponta Negra 9 – 15h40, 18h20, 21h10 (diariamente); Kinoplex 4 – 13h20, 15h55, 18h30, 21h05 (diariamente); Playarte 4 – 13h15, 15h35, 17h55, 20h20 (diariamente), 22h40 (somente sexta-feira e sábado). O Físico: EUA. 14 anos. na Pérsia do século 11, Rob, um jovem cristão que sonha ser médico, finge ser judeu para estudar em uma escola que não aceita seguidores do cristianismo. Cinépolis Millennium 1 – 20h20 (leg/diariamente), Cinépolis Millennium 3 – 21h25 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 8 – 13h20 (dub/somente sábado e domingo), 16h30 (dub/diariamente), 19h20, 22h05 (leg/diariamente). Ilegal: EUA. 12 anos. Katiele Fischer, de 33 anos, é mãe de Anny Bortoli Fischer. A menina de 5 anos desenvolveu uma doença rara - a síndrome CDKL5, problema genético raro que causa epilepsia grave e sem cura - e constantemente sofre com convulsões. na luta contra o sofrimento da filha, Katiele encontra apenas uma substância que pode tratar sua filha, o CBD, devirado da Cannabis sativa. Ela precisa trazer a substância ilegalmente ao Brasil, pois qualquer produto com origem na planta da maconha é proibido no país. Cinépolis Ponta Negra 1 – 22h20 (leg/diariamente). Um Amor de Vizinha: EUA. 12 anos. um corretor de imóveis egocêntrico (Michael douglas) vive tranquilamente até que seu filho, com quem ele não fala há anos, pede que ele cuide da sua neta por um tempo. Sem a menor ideia de como proceder com uma criança que ele mal conhece, ele pede ajuda a sua vizinha (Diane Keaton) para cuidar da menina. Playarte 10 – 13h10, 15h10, 17h10, 19h10, 21h10 (leg/diariamente), 23h10 (leg/somente sexta-feira e sábado).

CONTINUAÇÕES O Candidato Honesto: BRA. 14 anos. Cinemark 7 – 13h (somente sábado e domingo), 15h30, 18h, 20h30 (diariamente), 23h (somente sábado), Cinemark 8 – 12h10 (somente sábado e domingo), 14h40 (diariamente), 17h05 (exceto sábado e domingo), 19h30, 21h45 (diariamente); Cinépolis Millennium 2 – 15h55, 18h20, 20h40 (diariamente), Cinépolis Millennium 5 – 16h40, 18h55, 21h40 (diariamente); Cinépolis Plaza 3 – 15h55, 18h30, 20h55 (diariamente), Cinépolis Plaza 5 – 15h15, 17h55, 20h15 (diariamente); Cinépolis Millennium 3 – 15h10, 18h, 21h15 (diariamente); Cinépolis Ponta Negra 7 – 14h20, 17h30, 20h10 (diariamente); Kinoplex 2 – 14h, 16h20, 18h40, 21h (diariamente), Kinoplex 5 – 13h30, 15h50, 18h10, 20h30 (diariamente); Playarte 2 – 13h50, 16h, 18h10, 20h25 (diariamente), 22h35 (somente sexta-feira e sábado), Playarte 5 – 12h50, 14h55, 17h05, 19h10, 21h20 (diariamente), 23h30 (somente sexta-feira e sábado). A Lenda de Oz: EUA. 18 anos. Cinemark 4 – 12h50 (dub/somente sábado e domingo), 15h20, 17h45, 20h (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 1 – 14h, 16h05, 18h10 (3D/dub/diariamente); Cinépolis Plaza

2 – 16h10, 18h20 (3D/dub/diariamente), 20h25 (3D/dub/somente quinta-feira e sexta-feira); Cinépolis Ponta Negra 1 – 13h40 (3D/dub/somente sábado e domingo), 16h10 (3D/dub/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 4 – 16h40 (3D/dub/somente quinta-feira), 18h55 (3D/dub/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 5 – 14h40, 16h55 (3D/dub/diariamente); Kinoplex 3 – 16h, 18h20 (3D/dub/ diariamente); Playarte 1 – 13h, 15h, 17h (3D/dub/diariamente). Garota Exemplar: EUA. 14 anos. Cinemark 4 – 22h10 (dub/diariamente), Cinemark 5 – 18h50 (dub/exceto terça-feira); Cinépolis Millennium 6 – 17h50, 20h55 (leg/diariamente); Cinépolis Plaza 7 – 20h (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 1 – 19h (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 6 – 17h50 (dub/diariamente), 20h55 (leg/diariamente); Kinoplex 3 – 20h40 (dub/diariamente). Os Boxtrolls: EUA. Livre. Cinemark 3 – 11h40 (dub/somente sábado), 14h (dub/ exceto domingo), 16h10 (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 3 – 14h40 (3D/dub/diariamente), 16h55 (3D/dub/somente quintafeira e sexta-feira); Cinépolis Plaza 2 – 14h (3D/dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra

10 – 14h30 (3D/dub/diariamente); Kinoplex 3 – 13h50 (3D/dub/diariamente); Playarte 1 – 19h, 21h (3D/dub/diariamente), 23h (3D/ dub/somente sexta-feira e sábado). A Bela e a Fera: FRA. 12 anos. Cinemark 2 – 11h50 (dub/somente sábado e domingo), 14h30, 17h15 (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 6 – 15h20 (dub/diariamente); Cinépolis Plaza 7 – 15h, 17h30 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 6 – 15h25 (dub/diariamente); Playarte 7 – 13h15, 15h35, 17h55, 20h10 (dub/diariamente), 22h5 (dub/somente sexta-feira e sábado). O Protetor: EUA. 14 anos. Cinépolis Plaza 8 – 19h50, 22h30 (dub/diariamente); Playarte 8 – 17h40, 20h15 (dub/diariamente), 22h50 (dub/somente sexta-feira e sábado). Livrai-nos do Mal: EUA. 14 anos. Cinemark 2 – 19h50, 22h20 (dub/diariamente); Playarte 6 – 13h15, 18h15, 20h35 (dub/diariamente), 23h (dub/somente sexta-feira e sábado). Maze Runner - Correr ou Morrer: EUA. 14 anos. Cinemark 5 – 13h50, 16h20 (dub/ somente sábado e domingo), 22h (dub/exceto terça-feira); Cinépolis Millennium 7 - 18h30, 21h (leg/diariamente); Cinépolis

Plaza 6 – 16h20, 18h55, 21h30 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 10 – 19h35 (dub/diariamente), 17h (leg/exceto sábado e domingo), 22h15 (leg/diariamente). Isolados: BRA. 14 anos. Cinépolis Plaza 8 – 15h30, 17h45 (diariamente). O doador de Memórias: EUA. 12 anos. Playarte 3 – 13h25, 17h25, 19h25, 21h25 (dub/diariamente), 23h25 (dub/somente sexta-feira e sábado). Anjos da Lei 2: EUA. 14 anos. Playarte 9 – 18h40, 21h05 (dub/diariamente), 23h25 (dub/somente sexta-feira e sábado). Hércules: EUA. 14 anos. Cinemark 3 – 18h30 (dub/exceto sábado e domingo), 20h45 (dub/exceto quarta-feira), 22h05 (dub/ somente quarta-feira). Lucy: FRA. 16 anos. Playarte 3 – 15h25 (dub/diariamente). Os Mercenários 3: EUA. 16 anos. Playarte 6 – 15h45 (dub/diariamente). O Que Será de Nozes?: EUA. Livre. Playarte 9 – 13h10, 15h, 16h50 (dub/diariamente). Guardiões da Galáxia: EUA. 12 anos. Playarte 8 – 12h50, 15h15 (dub/diariamente).


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MANAUS,, DOMINGO, 12 DE OUTUBRO DE 2014

Jander Vieira

::::: Sala de Espera

jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br FOTOS: TRÊS COMUNICAÇÃO

Marcus Vinicius de Almeida (diretor da divisão de veículos Grupo Simões), Zenilde Pacífico, Aristarco Neto (presidente executivo das empresas do Grupo Simões) e Darclei de Paula

Possante novo O Grupo Simões assinou badalado lançamento para oficializar a chegada da nova geração do Novo Honda City 2015, na Shizen Veículos. O modelo evoluiu em sua nova versão ficando bem mais esportivo, moderno e espaçoso, proporcionando maior prazer ao dirigir, combinando segurança e confiabilidade ao cliente. Um luxo!

Gaio Jacob Rocha está trocando de idade hoje. Amanhã, Bárbara Soares e Socorro Maia estarão aniversariando. Os cumprimentos da coluna. Na próxima sexta-feira, Rebeca e Marinildes Mendonça de Lima, tia e avó, pilotarão um badalado chá de fralda para a chegada do bambino de Silvana e Marcelo Filho, no Riviera da Ponta Negra – às 17h. Dia 14, o Banco de Desenvolvimento da América Latina – com o apoio da Fucapi – realiza o Workshop da Iniciativa Regional de Patentes para o Desenvolvimento, das 9h às 12h, no auditório da FIT, no Distrito Industrial. A banda Maneva – queridinhos do reggae no Brasil – é a atração confirmadíssima do Manaus Eco Festival, no dia 1° de novembro, na praia do Tropical Ecoresort. Chimarruts, Onze:20 e o cantor Armandinho também desabarão no palco do auê divertido.

Márcio Dimas Vasconcelos, diretor de marketing do Grupo Simões, confere os detalhes do novo Honda City

Milena e Marcela Simões com a gerente da Shizen, Camila Aleixo

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Justíssimo! Um dos mais identificados empreendedores do Estado e figura humana respeitada nos meios políticos e empresariais, Antônio Silva, presidente da Fieam, se tornará amanhã, um pouco mais amazonense. Tudo porque Parintins, sua amada ilha onde possui inclusive residência, lhe outorgará o título de “Cidadão Parintinense”. Nada mais justo já que o empresário é um apaixonado pelo festival e um dos maiores incentivadores da cultura de Garantido e Caprichoso. O título é honesto, justo e verdadeiro. Antonio Silva merece. FOTOS: JANDER VIEIRA

A jovem-linda-cardiologista Ciça Penedo ataca de garotapropaganda das preciosidades do JH Studio, que aliás, faz festa de aniversário no próximo dia 17. Reunindo as lulus no Vieiralves

Dia deles Hoje é dia de brincar, de levar os pequenos para passear e dar aquele desejado presente na forma de um brinquedo. Afinal é Dia das Crianças e eles gostam mesmo é de brinquedos. Mas, é bom lembrar que nas periferias de Manaus muitos não têm sequer com o que brincar. Se não é possível fazer por muitos, faça por pelo menos um. Compre um brinquedo e doe a uma criança carente. É bonito, diverte e ainda recompensa a alma. Fica a dica.

Mau gosto? A Prefeitura de Manaus não está medindo esforços para fazer do Boi Manaus 2014 um grande evento. Além da diversidade de artistas e dos espaços para a apresentação dos toadeiros, a PMM está se esmerando na divulgação da festa que marca o aniversário da maior cidade da Região Norte. Agora, o que fazer quando o artista insiste em transformar seu tururi numa piada de mau gosto? Gente, existem situações que pedem um “semancol” e um bom caldo de caridade, não é? Aliás, caldo de caridade e bom gosto nunca fizeram mal a ninguém.

A esperada noite de finger foods amazônicos assinada pelo chef Ney Agostinho já tem data para acontecer. Será, no Os amantes das indispensáveis molduras ganharam uma loja moderna no Manauara Restaurante Shopping. Trata-se do espaço Moldura e Jiquitaia, na Arte. Na foto, o arquiteto Achilles Fernanterça-feira, des reparte o confete-com-flashes com as às 20h. empresárias Kilze Krauss e Márcia Rizzato

Literatura Muito bem recebido por leitores e pela crítica, o livro “Amazônia: Mitos e Lendas - Seres Encantados da Floresta” da Editora Valer, do escritor Cleber Sanches. A obra é uma interessante e bem acabada coletânea sobre lendas e mitos amazônicos. Perfeito tanto nas ilustrações como na linguagem poética. Além disso, o livro apresenta gravuras que ilustram com extremo bom gosto a obra. Ideal para presentear os pequenos, que ficam encantados com a riqueza da cultura amazônica. Que o Peter Pan é encantador tudo bem, mas o Curupira também tem suas qualidades, viu?


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MANAUS, DOMINGO, 12 DE OUTUBRO DE 2014

Novembro de sertanejo T

rês ícones do sertanejo chegam a Manaus em novembro para duas festas. A primeira delas é a Balada Sertaneja, no dia 8, com o cantor Cristiano Araújo, a atração mais pedida do ano pelos fãs do ritmo. A segunda festa que promete reunir um grande público no sambódromo é o “Último Sertanejo do Ano”, no dia 22, quando as duplas Bruno & Marrone e Jorge & Mateus. assumem o palco. A dobradinha de shows é realizada pela Fábrica de Eventos. O cantor, instrumentista e compositor nascido em Goiás, Cristiano Araújo, é a atração mais pedida do ano. O artista, considerado a “explosão do sertanejo”, ganhou destaque no cenário musical com o CD e DVD “Efeitos”, que teve participações de grandes artistas, como Jorge (da dupla Jorge& Mateus), Gusttavo Lima, Humberto & Ronaldo, entre outros. O álbum marcou presença nas paradas com os sucessos: “Efeitos” e “BaraBara”. Cristiano está em turnê pelo Brasil divulgando o CD “Continua”, lançado no ano passado e o sucesso do artista pode ser avaliado pela agenda de shows. São mais de 26 apresentações por mês em todo Brasil. Entre os hits do novo álbum se destacam,

“Caso Indefinido”, que foi muito bem executada nacionalmente e “Maus Bocados”, esta última foi a música mais tocadaem março deste ano nas rádios de todo país, com 28.467 execuções. Último Outro show que promete uma carga de emoção bem alta aos manauaras é o “Último Sertanejo do Ano” com

APOSTAS

Todas as atrações previstas para o mês de novembro, trazidas pela Fábrica de Eventos, apostam em repertórios que valorizam novas composições, presentes em álbuns lançados recentemente as duplas Jorge & Mateus e Bruno & Marrone. A noite do dia 22 de novembro, será repleta de clássicos e sucessos do gênero. Os cantores nascidos em Goiânia, Bruno & Marrone, se revelaram no cenário da música sertanejo com o hit “Dormi na Praça” e outras dezenas de composições que estouraram, sucessivamente, nas rádios de todo Brasil. Eles acumulam 28 anos de carreira,

17 CDs e 7 DVDs gravados. O novo DVD “Bruno & Marrone – Agora Ao Vivo”, traz a personalidade da dupla impressa em cada interpretação. No mesmo dia, sobe ao palco do sambódromo uma das principais duplas sertanejas do Brasil, Jorge & Mateus,que são responsáveis por algumas das levadas mais conhecidas do sertanejo universitário, como “Seu olhar”, “De tanto te querer”, “Voa beija-flor”, “Querendo te amar”, “Amo noite e dia” e “Pode chorar”. A dupla conquistou o reconhecimento pelo talento e qualidade da produção musical, que são marcas registradas nos shows e álbuns. Entre os feitos da carreira de Jorge & Mateus, pode ser destacada a gravação do CD e DVD “Live In London – At The Royal Albert Hall”, no teatro Royal Albert Hall, em Londres. O mesmo lugar já abriu as portas para grandes lendas da música internacional, como Led Zeppelin, Adele, The Killers entre outros. Com Jorge & Mateus, o teatro recebeu pela primeira vez artistas da música brasileira. O mais recente álbum dos goianos apresenta os grandes sucessos dos nove anos de carreira da dupla, e traz também uma nova roupagem da música “Amor pra recomeçar”, do cantor Frejat.

RUBENS CERQUEIRA/DIVULGAÇÃO

O som das duplas Bruno & Marrone e Jorge & Mateus é um dos destaques já previstos para o mês de novembro, com a assinatura da Fábrica de Eventos, que também anuncia para o dia 8 o show do cantor “sensação”, Cristiano Araújo

SERVIÇO SHOW DO CRISTIANO ARAÚJO Quando 8 de novembro Onde Diamond Convention Center (avenida do Turismo) Quanto: Pista - R$ 70; Camarote Vip - R$ 150 Pontos de Estande da venda: Fábrica de Eventos (Amazonas Shopping), loja da Fábrica (Shopping Cidade Leste)

SERVIÇO 2 ÚLTIMO SERTANEJO DO ANO Quando 22 de novembro Onde Sambódromo Quanto: Pista R$ 50; Área Vip R$180; Camarote stage R$350; Camarote R$170 Pontos de Estande da venda: Fábrica (Amazonas Shopping), loja da Fábrica (Shopping Cidade Informações: Leste) 3303-0100

Jorge e Mateus estão confirmados para o dia 22 de novembro, no sambódromo


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EM TEMPO - 12 de outubro de 2014 by Amazonas Em Tempo - Issuu