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EM TEMPO - 12 de abril de 2015

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O JORNAL QUE VOCÊ LÊ

ANO XXVII – N.º 8.681 – DOMINGO, 12 DE ABRIL DE 2015 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO

PARA ONDE VAI O NOSSO

A PARTIR DE 2021, O ATERRO NÃO TERÁ MAIS CONDIÇÕES DE RECEBER OS RESÍDUOS DA CAPITAL. NO LOCAL, ATUALMENTE, NÃO EXISTE NENHUM PROCESSO DE TRIAGEM DO ENTULHO PARA RECICLAGEM. O ÚNICO LIXO SEPARADO É O HOSPITALAR.

O DESPEJO ATRAI MUITOS URUBUS PARA O LOCAL. PARA MANTER AS AVES DISTANTES, ROJÕES SÃO ACESOS A CADA CINCO MINUTOS, O QUE EVITA TAMBÉM POSSÍVEIS ACIDENTES AÉREOS, TENDO EM VISTA QUE O ATERRO FICA PRÓXIMO AO AEROPORTO INTERNACIONAL.

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

NOVENTA E OITO POR CENTO DO LIXO PRODUZIDO EM MANAUS É DEPOSITADO NO ATERRO SANITÁRIO LOCALIZADO NO QUILÔMETRO 18 DA RODOVIA AM-010, QUE LIGA MANAUS A ITACOATIARA. O ATERRO DE 750 HECTARES TEM PRAZO DE VALIDADE ATÉ 2021.

Pelo menos 1,1 bilhão de adolescentes e jovens correm risco de perda auditiva em função do uso excessivo de aparelhos eletrônicos. Saúde F3

PARA RESOLVER O PROBLEMA, A PREFEITURA DE MANAUS ESTÁ ESTUDANDO A CRIAÇÃO DE UM NOVO ATERRO SANITÁRIO, QUE PODE SER INSTALADO NO QUILÔMETRO 13 DA BR174, RODOVIA QUE LIGA MANAUS A BOA VISTA. DIA A DIA C4 E C5

EDUARDO BRAGA

‘População terá padrão de energia bem melhor’ O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, fala sobre o investimento de R$ 6 bilhões para ampliar o sistema elétrico do Estado e reforça que o governo federal está preparando o Amazonas para uma nova estruturação econômica. Com a palavra A5

PLATEIA As bandas O Rappa e Soja se apresentam juntas pela primeira vez em Manaus dia 28 de maio. Ingressos começam a ser vendidos amanhã. Plateia D7

Conhecida por usar uma linguagem divertida de como fazer uma boa maquiagem, a gaúcha Alice Salazar chega a Manaus para ministrar um workshop. Elenco 16

IONE MORENO

LIXO

CURUMIM C

Investimentos no Estado serão aplicados gradativamente

FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELEIÇÕES, ELENCO E CURUMIM.

Escondido do público até o final dos anos 2000, o primeiro Batmóvel oficial da história foi leiloado em dezembro de 2014 nos Estados Unidos por US$ 137 mil. O Curumim conta essa história. Curumim

TEMPO EM MANAUS

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A2

Última Hora

MANAUS, DOMINGO, 12 DE ABRIL DE 2015

Momento histórico na Cúpula das Américas

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ENCHENTE

Pelo menos 21 comunidades do município foram atingidas

Município de Amaturá em situação de emergência O município de Amaturá, distante 909 quilômetros de Manaus, é o 14º a decretar estado de Situação de Emergência no Amazonas, em decorrência da enchente deste ano. O decreto foi publicado na sexta-feira (10), no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres. A Defesa Civil do Amazonas começa na próxima semana, a distribuição de ajuda humanitária aos municípios afetados na região do Alto Solimões. Amaturá, com população de pouco mais de nove mil habitantes, contabiliza 193 pessoas afetadas em 21 comunidades devido à cheia do rio. A cota no município está em 13,13 metros, ultrapassando a cota de alerta que é 11,80 metros, condição que coloca a cidade em emergência.

Além dos 14 municípios em emergência, Boca do Acre, no Purus, permanece em Estado de Calamidade Pública, totalizando 15 municípios em anormalidade no Amazonas, com mais de 80 mil pessoas afetadas. O governo do Estado, por meio da Defesa Civil, já enviou mais de 325 toneladas de alimentos não perecíveis as famílias atingidas, além de kits dormitório (colchões, redes, mosquiteiros) kits de higiene pessoal, medicamentos, filtros de água, hipoclorito de sódio. O Executivo estadual também fez o repasse financeiro para as Prefeituras Municipais de Boca do Acre Boca do Acre, Envira, Itamarati e Eirunepé no valor total de R$ 1,250 milhão, para ser usado no socorro às vítimas.

Barack Obama e Raúl Castro se cumprimentam, sorrindo, em encontro na Cúpula das Américas, no Panamá

MASSACRE

FÓRMULA 1

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se intrometer impunemente (na América Latina)”. O encontro oficial entre Obama e Castro está marcado para hoje durante a primeira reunião formal de um presidente em exercício americano com um par cubano desde que Dwight Eisenhower se sentou com Fulgencio Batista em 1958. Daí o caráter histórico do encontro. Obama afirmou que os EUA estão abrindo um novo capítulo em suas relações com Cuba. “Esperamos criar um ambiente que melhore a vida do povo cubano”, disse o americano. “Não porque isso seja imposto por nós, os EUA, mas através do talento, da engenhosidade e das aspirações (cubanas).” A reaproximação histórica entre os dois rivais deve dominar as atenções na Cúpula das Américas, quatro meses depois de Washington e Havana terem anunciado os primeiros passos da dos esforços para reatar laços diplomáticos e comerciais.

Lewis Hamilton é pole pela terceira vez este ano Xangai, China - Lewis Hamilton manteve os 100% de aproveitamento em treinos de classificação neste ano e conquistou a pole position para o GP da China de F1, sua terceira consecutiva. Esta é a primeira vez desde 2013 que Hamilton emenda uma sequência de três corridas na primeira colocação do grid. Naquela temporada, ele saiu quatro vezes seguidas na pole. “Mas a corrida vai ser complicada. O Nico [Rosberg] esteve muito rápido hoje”, afirmou Hamilton, que agora soma 41 poles em sua carreira. A segunda posição no grid ficou com Rosberg, que admitiu ter ficado “irritado” por ter perdido o primeiro posto para o companheiro por uma diferença de apenas 0s042. “Claro que estou decepcio-

nado porque a margem foi muito pequena”, declarou. O terceiro posto no grid ficou com Sebastian Vettel, vencedor da última etapa, o GP da Malásia. Felipe Massa conseguiu a quarta colocação, seguido pelo companheiro de Williams, Valtteri Bottas. Kimi Raikkonen, da Ferrari, larga na sexta posição, logo à frente de Daniel Ricciardo, da Red Bull. Romain Grosjean ficou com o oitavo lugar, imediatamente à frente de Felipe Nasr. O brasileiro larga pela primeira vez entre os dez primeiros. Seu companheiro de equipe, o sueco Marcu Ericsson, sai na décima colocação na prova de hoje, cuja largada está prevista para as 3h (de Brasília). Por Tatiana Cunha

O massacre de policiais e seus familiares ocorreu em Ramadi

Grupo terrorista mata 35 pessoas no Iraque

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P

anamá - Um momento histórico marcou o início da Cúpula das Américas, na Cidade do Panamá. Pela primeira vez, os presidentes dos EUA, Barack Obama, e de Cuba, Raúl Castro, se encontraram após os dois países reatarem os laços diplomáticos. O momento foi registrado pelo governo peruano e mostra os dois líderes conversando ao lado do presidente equatoriano, Rafael Correa, na cerimônia de abertura da cúpula. Um porta-voz da Casa Branca descreveu o encontro como “informal”, sem que tenha havido “uma conversa substancial entre os dois líderes”. Os dois presidentes já haviam estado juntos em dezembro de 2013, no funeral de Nelson Mandela, na África do Sul. Em discurso também nesta sexta, Obama afirmou que “já se acabaram os dias em que nossa agenda no hemisfério davam por certo que os EUA poderiam

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Pela primeira vez, os presidentes dos EUA e de Cuba se encontraram após os dois países reatarem os laços diplomáticos

Piloto britânico admite que corrida não será fácil

São Paulo, SP - A facção radical Estado Islâmico (EI) assassinou 35 pessoas na manhã de ontem, entre policiais e parentes dos agentes de segurança (incluindo mulheres e crianças) na província de Al Anbar, no oeste do Iraque. Uma fonte policial disse que o massacre ocorreu na região de Albu Farach, perto de Ramadi, capital de Al Anbar. Entre as vítimas, 18 eram policiais e 17 membros de suas famílias. Os agentes foram mortos por pertencer às forças governamentais. Já seus parentes morreram por prestar socorro e fornecer alimentos às tropas leais ao governo. Após a execução, centenas de famílias abandonaram a região temendo sofrer o mesmo tipo de punição dos jihadistas. Vários xeques tribais da província de Al Anbar alertaram sobre a o possibilidade de o EI seguir praticando massacres como este se o governo não enviar reforços à região. Na sexta-feira (10), os extremistas lançaram um

ataque contra Albu Farach, separada de Ramadi pelo rio Eufrates, e conseguiram tomar o controle de amplas regiões após intensos combates com as forças de segurança. A ofensiva contra Ramadi, situada a 110 quilômetros ao oeste de Bagdá, ocorre dez dias depois de o Exército iraniano, apoiado por milícias xiitas, ter recuperado o controle da cidade de Tikrit, capital da província de Saladino. Na última quarta-feira (8), o primeiro-ministro do país, Haidar al Abadi, garantiu que a próxima região a ser libertada das mãos do EI será a província de Al Anbar. “A próxima batalha será em Al Anbar, que libertaremos completamente. Assim como ganhamos em Tikrit, venceremos em Al Anbar”, afirmou Al Abadi. Ramadi Nesse fim de semana, o Estado Islâmico decapitou mais 25 pessoas de uma mesma tribo em Ramadi, capital da região iraquiana de Al-Anbar, nesta sexta-feira (10), segundo a emissora “Arabiya”.


Opinião

MANAUS, DOMINGO, 12 DE ABRIL DE 2015

Contexto 3090-1017/8115-1149

A3

Editorial

marioadolfo@emtempo.com.br

opiniao@emtempo.com.br

Há exatamente um ano

Teatro, patrimônio mundial Uma notícia que levantou, esta semana, o astral dos amazonenses. O Teatro Amazonas está na Lista Indicativa Brasileira do Patrimônio Mundial, em 2015, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O passo seguinte à inclusão é a avaliação e o possível recebimento do título. A informação é do Ministério da Cultura, por meio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Agora é torcer! WatsApp neles! Lançado pelo Detran/AM, WhatsApp (98802-5246) como ferramenta para denúncia de trânsito tem dividido as opiniões. Originalmente, a ideia é fazer com que os internautas possam enviar fotos e vídeos com o registro da placa do veículo que apresentar condutas irregulares no trânsito. No flagra Alguns acham uma grande sacada para registrar flagrantes de abuso nas ruas. Principalmente de motoqueiros que cometem todos os tipos de atrocidades no dia a dia das ruas. Armações Outros acreditam que o Detran poderá embarcar em algumas situações armadas. Entre as armações poderão surgir muitos trotes com cenas de vídeo ou fotografia montadas, afinal tem “espírito de porco” para tudo. Roubo de carro De acordo com dados de uma pesquisa da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais (CNSeg), embasadas com informações do Departamento Nacional do Trânsito (Denatran), no Estado do Amazonas tem um dos menores índices de recuperação de carros roubados: não chega a 30%. Dá-lhe, Tocantins! Já Tocantins, com 60% do total de veículos roubados, está entre os Estados que mais recuperam/localizam veículos proporcionalmente, em se comparando o efetivo da Polícia Militar e densidade populacional.

No Acre é pior Para se ter uma ideia, em Estados como Acre, apenas 28,9% dos automóveis roubados/furtados são recuperados, assim como no Pará (35,2%), Roraima (35,37%) e Amapá (37,7%). Em Sampa O deputado Serafim Corrêa (PSB) vai a São Paulo para receber a Medalha Ministro Celso Furtado. A comenda está sendo concedida pelo Conselho Regional de Economia de São Paulo e a solenidade, dia 8 de junho, será na Câmara Municipal da capital paulista. 100 dias de sofreguidão! Sem muitas razões para comemorar, a presidente Dilma Rousseff faz, nesta sexta-feira, cem dias do seu segundo mandato. Isolada, a petista tem dificuldades para reverter o ceticismo do mercado, a desconfiança de aliados e o descrédito de uma parte cada vez maior da população. Bons tempos Beneficiada pelo então bom momento econômico e pela popularidade em alta de seu antecessor, o ex-presidente Lula, Dilma terminou os três primeiros meses de mandato em 2011 com a confiança de 73% da população. Inverteu Mas a situação se inverteu no segundo mandato. Agora, o mesmo percentual de pessoas diz não confiar na presidente, segundo a pesquisa CNI-Ibope divulgada na semana passada.

APLAUSOS

Desconfiança

Regi regi@emtempo.com.br

O índice de desconfiança é o mais alto em 20 anos. Segundo o levantamento, somente 24% dos entrevistados dizem confiar em Dilma. Perdeu para FHC O pior resultado até então havia sido registrado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de 22%, no início do seu segundo mandato, em 1999. Defesa da mulher Por iniciativa da presidente da comissão, senadora Simone Tebet (PMDB-MS) e da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), a ministra-chefe da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, Eleonora Menicucci, participa nesta terça-feira (14) de audiência pública no Senado. Enfrentamento Menicucci vai apresentar à Comissão Mista de Combate à Violência Contra a Mulher as políticas de enfrentamento à violência adotadas hoje no Brasil. Maria da Penha A intenção é traçar um quadro sobre a situação atual no enfrentamento de violência contra a mulher e os avanços conquistados desde a aprovação da Lei Maria da Penha. Por quê? As senadoras querem também saber das dificuldades na implantação de medidas destinadas à erradicação desse tipo de violência.

VAIAS

Omar retira nome de CPI

O esforço pela moralização das campanhas eleitorais sofreu um preocupante questionamento há exatamente um ano. Na quarta-feira, 2 de abril de 2014, a maioria dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) votara pela proibição de doações de empresas às campanhas eleitorais de partidos políticos. A decisão foi adiada porque o ministro Gilmar Mendes pediu vista do processo. E nunca mais voltou a falar do assunto. Naquele momento, o ministro Teori Zavascki votou por manter as doações empresariais. Gilmar Mendes, para quem a questão “é mais complexa”, entendia que somente os partidos menores seriam prejudicados com o fim das doações de empresas. “Os partidos que estão no poder e que já têm recursos só precisam de mais algumas centenas de milhares de CPFs para novas distribuições. Certamente, haverá pessoas pobres que doarão seu salário porque receberão dinheiro para isso. Basta ver o fenômeno de doação para saber como isso opera. Os partidos que tiverem base de raiz vão operar com essa lógica e já operam. O dinheiro não é problema. O problema é encontrar CPFs para fazer essa distribuição”. Para o ministro Ricardo Lewandowski (e também Luiz Fux, Joaquim Barbosa, Dias Toffoli, Luís Roberto Barroso e Marco Aurélio Mello), o financiamento de partidos e campanhas por empresas fere profundamente o equilíbrio dos pleitos, que nas democracias deve se reger pelo princípio “a cada cidadão um voto, com igual peso e idêntico valor. As doações milionárias feitas por empresas a políticos claramente desfiguram esse princípio multissecular”. A intervenção do ministro Gilmar Mendes, no entanto, mostra quanto o país está envolvido com a corrupção. É o tal “jeitinho brasileiro”, sempre disposto a alterar a ordem. Gilmar Mendes perdeu de vista o processo.

Donos da rua

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IONE MORENO

Para a atitude do senador Omar Aziz (PSD-AM), que retirou seu nome da CPI para investigar as operações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e colocou os interesses do Amazonas acima de seus interesses políticos.

Para quem demarca espaço de estacionamento em locais públicos, reservando o espaço com cones, caixas e pedaços de pau, como se fossem os donos da rua. O Detran ou o Manaustrans deveriam coibir essa prática.

João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br

Maioridade penal Faz muito tempo que se discute a conveniência de antecipar a maioridade penal e alterá-la de 18 para 16 anos, ou mantê-la como está hoje na legislação, ou seja, nos 18 anos. Um ano eleitoral como este que acabamos de atravessar contribuiu para o acirramento da discussão, quando os postulantes a cargos eletivos procuraram mostrar que estão sensíveis às preocupações que povoam as mentes da população, entre as quais há grande destaque para as questões inerentes ao binômio criminalidade x segurança. Precisamente nessa área, o noticiário disponibilizado pelos veículos de comunicação tem mostrado que há uma considerável participação de menores legalmente inimputáveis, ao que parece, adrede incorporados às atividades criminosas à vista precisamente da sua condição frente à lei penal. Por este caminho, fica fácil fazer parecer à sociedade que a redução da maioridade penal é uma providência que redundará na defesa da segurança dos cidadãos, pela via da presumida queda das práticas delituosas que adviria da instituição da imputabilidade na faixa etária entre 16 e 18 anos. Mas será tal premissa válida? Na verdade, a baixa da imputabilidade ao nível de idade inferior certamente contribuirá para o aumento de uma população carcerária mais jovem, mais imatura e mais manipulável pelos delinquentes de maior experiência, que naturalmente se constituem nas lideranças dentro dos presídios e também das casas de correção. O argumento muito utilizado, de que hoje o jovem de 16 anos, que até já pode ser eleitor, possui um acervo de informações e uma capacidade de discernir bem maior do que aquela da juventude de outrora, é absolutamente verdadeiro, mas isso não implica em já ter a maturidade

que se exige para uma aceitável percepção da existência e um desejável autoposicionamento frente a ela. Ademais, de que adiantará a prisão e o processamento criminal de jovens com menos de 18 anos, se os conduzirmos aos precários estabelecimentos correcionais que hoje possuímos, sem que se viabilizem os desejáveis procedimentos de reinserção social? Recentemente, Walter Maierovitch, em artigo publicado na “Carta Capital”, fez lembrar o episódio ocorrido no ano de 1855, quando Dom Bosco conseguiu retirar de um rigoroso reformatório cerca de 300 jovens infratores, tidos como de alta periculosidade, para com eles conviver, sem qualquer escolta, e exercer sua ação pedagógica e, ao termo, devolveu todos menos um, que parecia ter-se evadido, mas que logo surpreendeu ao voltar espontaneamente. Vem de longe essa disputa entre os que veem a conduta irregular e infratora de crianças e jovens como pura delinquência e, portanto, a exigir tratamento policial e penal, e aqueles que persistem em considerar a questão como algo a exigir uma ação educativa, até para prevenir que a ainda pré-delinquência evolua para a verdadeira delinquência. Esta segunda foi a opção de Dom Bosco e foi também a de Mello Mattos, quando conseguiu a criação do primeiro Juizado de Menores do Brasil e da América Latina, em 1924, e produziu e fez promulgar, em 1927, o primeiro Código de Menores do país. Fazer a questão migrar, do âmbito policial e penal, para o âmbito pedagógico, sob a égide da ética da proteção à infância e à adolescência, foi um salto de qualidade que se deveu a Mello Mattos. O que alguns pretendem hoje é simplesmente fugir do verdadeiro problema e dar um passo atrás.

João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO

Vem de longe essa disputa entre os que veem a conduta irregular e infratora de crianças e jovens como pura delinquência e, portanto, a exigir tratamento policial e penal, e aqueles que persistem em considerar a questão como algo a exigir uma ação educativa”


A4

Opinião

MANAUS, DOMINGO, 12 DE ABRIL DE 2015

Frase

Painel VERA MAGALHÃES

Não, obrigado

Neste domingo, novamente os brasileiros vão à rua e vão dizer que não aguentam mais tanta mentira, a inflação saindo de controle, o desemprego aumentando e um governo que não governa mais. Se você está com esse nó na garganta, vá para a rua, se manifeste. Vamos mostrar que o Brasil merece muito mais do que esse governo medíocre está sendo

O senador Aécio Neves driblou convite para participar do encontro entre vice-presidente Michel Temer e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, nesta segunda-feira. O presidente nacional do PSDB temia que sua presença desse um caráter de pacto entre governo e oposição à conversa, que oficialmente será para tratar da reforma política. Recém-designado articulador político, Temer também quer incluir o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, na comitiva que vai a FHC. Vem... Temer quer negociar para que os partidos tentem chegar a um consenso em torno das propostas mais viáveis da reforma. ... na minha O vice avalia que sua ideia do “distritão” para a eleição de deputados federais é que mais reúne apoio na base e na oposição. Eficiente Jorge Gerdau levou a Temer na quarta-feira seu estudo que recomenda a redução do número de ministérios e o corte de cargos comissionados na máquina. Silêncio Em meio ao impasse da nomeação de Henrique Alves para o Turismo e do destino de seu afilhado Vinicius Lages, aliados brincaram que Renan Calheiros passou os últimos dias “mudo”: ele fez uma cirurgia na boca e ficou sem poder falar direito. Pra cima Lages deve “cair para cima”, assumindo um cargo que tenha orçamento maior que o ministério. É cotado para dirigir a Transpetro, também da cota de Renan. BBB Câmara Eduardo Cunha sugeriu que a TV Câmara

crie uma série para mostrar a semana dos deputados, registrando inclusive atividades na base eleitoral. Corta pra mim Cleber Verde (PRB-MA), primeiro deputado a comandar a Secretaria de Comunicação da Casa, vai apresentar a Cunha em algumas semanas a proposta da nova grade de programação, com menos variedades e mais atividade legislativa. Erosão A pesquisa Datafolha mostra que é decrescente o percentual dos que consideram Lula o melhor presidente que o país já teve: o índice, que era de 71% em 2010, é de 50% hoje. Descanso No PT, o “contágio” de Lula preocupa tanto ou mais que o desgaste de Dilma. O ex-presidente foi aconselhado a fazer um tour internacional para receber vários prêmios de doutor honoris causa que foram concedidos por universidades. Daqui não saio Aliados dizem, no entanto, que o petista nem pensa em se ausentar da política enquanto o governo não sair das cordas.

Nem aí O Planalto vai evitar mobilização de ministros e entrevistas em reação aos protestos deste domingo, como houve em março. A ordem é mostrar que os atos são vistos com “naturalidade”. Nuvens Preocupa o governo uma decisão do Tribunal de Contas da União para que técnicos apurem a responsabilidade de membros do Conselho de Administração da Petrobras sobre contratos que deram prejuízo à estatal desde 2005.

Aécio Neves, senador (MG), presidente nacional do PSDB, em um vídeo de menos de 30 segundos, convocou sexta-feira 10, em suas redes sociais, a população para os protestos deste domingo contra a presidente Dilma Rousseff (PT).

Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br DIEGO JANATÃ

Alarme O temor é que, mais à frente, o TCU bloqueie os bens de atuais e ex conselheiros, entre eles Dilma. Bloqueio Em reunião na última sexta-feira, Eduardo Paes (PMDB) criticou o convite de Dilma para que a ex-jogadora de vôlei Ana Moser comande a APO (Autoridade Pública Olímpica) e ameaçou retirar a prefeitura do Rio do órgão. Rotina Auxiliares de Geraldo Alckmin esperam que o governador retome atividades de rua nesta segunda-feira. Ele deve visitar obras da linha 6-Laranja do Metrô.

Enquanto no Congresso Nacional, adultos de má-fé tentam colocar na adolescência brasileira a culpa da roubalheira na Petrobras e em outros tesouros públicos, mães que acreditam que um mundo melhor para todos é perfeitamente possível levam os que ainda vão nascer para ouvir o sonoro não que repercute nas ruas do país neste domingo. Os que vão nascer verão

Dom Sérgio Eduardo Castriani

Tiroteio

opiniao@emtempo.com.br

O PT e o governo dizem que a terceirização é nociva, mas fabricaram o maior programa terceirização do mundo: o Mais Médicos.

Misericórdia

DO DEPUTADO LÚCIO VIEIRA LIMA (PMDB-BA), sobre críticas do PT ao projeto aprovado pela Câmara e a contratação de médicos estrangeiros pelo governo.

São João Paulo 2º durante o seu pontificado instituiu a festa da Divina Misericórdia, fixando-a no segundo domingo de Páscoa. Quando isto aconteceu minha primeira reação foi negativa. Afinal, toda a liturgia é uma celebração da Misericórdia de Deus que cria, conserva e redime. Para quem acredita em Jesus, é evidente que o grande princípio da ação divina é a misericórdia. Deus Amor não quis bastar-se a si mesmo e se realizou na criação. Uma criação, que impressiona cada vez mais na medida em que vamos tomando conhecimento do Universo em expansão continua e do microcosmo cada vez mais misterioso. À medida que a ciência desvenda seus mistérios, chegando cada vez mais perto do núcleo da matéria descobre que ainda há um caminho infinito a percorrer. Este Deus Amor cria um interlocutor com quem estabelece comunicação, a humanidade. E a tal ponto chega este amor que Deus se faz humano, parte da criação, exprimindo assim uma aliança eterna, e se manifestando como relação trinitária. Jesus revelou este Deus e isto foi Boa Nova para os pobres de seu tempo, foi libertação para os possuídos pelo Maligno, foi recuperação da visão para os cegos, liberdade de movimento para os paralíticos, direito de falar e capacidade de ouvir para os surdos. A revelação do Deus Amor se deu no rompimento das barreiras entre puros e impuros, quando se deixou tocar e tocou mulheres e homens doentes, quando acariciou e abençoou as crianças. O reino de Deus se fez presente na comunidade de discípulos e discípulas que criaram novos laços de fraternidade.

Contraponto

Fica para a próxima No início do ano, o prefeito Dorival Botelho (PRB), da pequena Macaubal, no noroeste paulista, foi ao Palácio dos Bandeirantes pedir recursos para reformar um muro no cemitério da cidade,de 8.006 habitantes. Foi recebido pelo secretário da Casa Civil, Edson Aparecido. Preocupado com o ajuste nas contas do Estado, o auxiliar de Geraldo Alckmin (PSDB) escutou o aliado, mas não se convenceu da necessidade da obra: – Quem está dentro do cemitério não pode sair, e quem está fora não quer entrar... Vamos deixar esse muro para depois! Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”

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Tudo isto pode parecer tão evidente, mas não é. Como estamos longe do princípio da Misericórdia quando convicções religiosas dividem, separam as pessoas, transformam os fiéis em sectários. Como explicar que se continue a destruir o outro em nome de Deus. Como justificar uma teologia que apresenta um Deus que castiga, que dá prêmios a alguns escolhidos, que sente um prazer mórbido ao ver o sofrimento humano? Como aceitar que fortunas amealhadas com métodos nem sempre corretos sejam vistas como benção divina? Quantas vezes estamos longe do Pai que faz nascer o sol e manda chuva para todos. Estou cada vez mais convencido de que as relações pessoais, as sociais, e até entre as nações dependem do Deus que acreditamos. Para os cristãos a revelação de Deus se dá em Jesus e é definitiva, e Jesus nas suas palavras e sinais revelou um Deus infinitamente misericordioso. Para que não sejamos nós a colocar limites ao amor é importante relembrar e celebrar a Divina Misericórdia. Pode parecer ingenuidade, mas não há outro caminho para a paz, para o desenvolvimento sustentável, para a vivência plena da nossa humanidade. É a misericórdia, o colocar-se no lugar do outro, sofrendo o seu sofrimento, experimentando a sua dor que está na origem da ética que impede a corrupção nos seus diversos matizes, e elimina a violência nos seus múltiplos aspectos e manifestações. Deus, ao ressuscitar Jesus, e ao constituí-lo Senhor e Messias, deu-nos a possibilidade de sonhar e lutar por um mundo onde a Misericórdia tenha a última palavra.

Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus

Estou cada vez mais convencido de que as relações pessoais, as sociais, e até entre as nações dependem do Deus que acreditamos. Para os cristãos a revelação de Deus se dá em Jesus e é definitiva, e Jesus nas suas palavras e sinais revelou um Deus infinitamente misericordioso”


Com a palavra

MANAUS, DOMINGO, 12 DE ABRIL DE 2015

A5

Eduardo BRAGA

‘Vamos ENTREGAR um padrão de ENERGIA melhor’ FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Pedimos desculpas à população pela interrupção de energia ocorrida na última quinta-feira, quando 50% da cidade ficou quase 28 minutos no escuro. O que ocorreu foi uma descarga elétrica em Oriximiná que acabou afetando o Estado. Mas, com esses investimentos vamos melhorar”

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Ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga (PMDB), apresentou na última sexta-feira (10), na sede da Eletrobras Amazonas Energia, o Plano de Expansão e Melhorias do Setor Elétrico do Estado do Amazonas. Na ocasião, o ministro anunciou o investimento de R$ 6 bilhões para ampliar o sistema elétrico do Estado do Amazonas. Segundo Braga, as obras previstas incluem a construção de novas usinas, integração de novos municípios ao Sistema Interligado Nacional (SIN), a criação de novas linhas e subestações, instalação de novas redes de distribuição e a expansão do programa Luz para Todos. “Este plano de obras representa a consolidação de um projeto que já vem sendo implantado há 4 anos e que já consumiu mais de R$ 2 bilhões, com a obra do Linhão de Tucuruí e a preparação de todo o sistema de Manaus para receber essa energia do Sistema Interligado Nacional”, lembrou o ministro. Entre os investimentos divulgados estão as linhas que ligam Manaus a Rio Preto da Eva (R$57 milhões); Manaus a Manacapuru (R$116 milhões); e ainda a implantação da linha de Itacoatiara a Silves (R$ 82 milhões) e Silves a Itapiranga (R$ 60 milhões). Eduardo Braga anunciou ainda a criação da ligação do sistema nacional de Parintins e a rede básica, que custará aproximadamente R$ 768 milhões, convênio já assinado desde setembro de 2014. Conforme o ministro, os investimentos para o Estado serão aplicados gradativamente e os principais municípios a serem beneficiados com esse pacote serão Barreirinha, Humaitá, Borba, Parintins e Manaus. EM TEMPO - Na semana passada, o senhor apresentou o plano de investimentos para a Amazonas Energia. Quais serão as pespectivas de crescimento? Eduardo Braga - Esses investimentos serão para o próximo quadriênio (2015/2018). Serão R$ 6 bilhões de investimento. Neste primeiro ano, na Amazonas Energia da capital, vamos aplicar R$ 500 milhões. Estivemos na subestação da Compensa, que faz parte do anel de alta tensão que estamos fechando no setor metro-

politano, que vai fazer com que a qualidade de energia primária melhore muito em Manaus. Hoje, no desligamento de energia, temos em torno de 35 intercorrências em Manaus, destas 20 delas acontecem por problemas no setor primário de distribuição. Os outros 12 problemas estão no setor secundário - que está na saída da estação para as residências. Isso tem sido um dos grandes desconfortos da cidade, mas já foi bem maior, em torno de 44%. Porém, não tenho dúvidas que de vamos entregar um padrão de energia muito melhor para a população. Mas, quero pedir desculpas ao consumidor por intercorrências como a que aconteceu na noite da última quinta-feira, dia 9, em que por 28 minutos ficamos com quase 50% da cidade de Manaus sem energia, por conta de uma descarga elétrica em Oriximiná, e mesmo estando com 160 mega na linha de transmissão de Tucuruí para Manaus, acabou-se fazendo um desligamento do sistema de proteção, que desligou 600 mega e derrubou a rede de estação em Balbina e outras geradoras da cidade. Aparentemente, isso foi uma leitura equivocada do sistema de proteção, portanto, peço um pouco de compreensão da população, pois sabemos que esses investimentos vão melhorar e muito a qualidade da energia. Com esse novos investimentos, vamos fazer muitas ações, como a interligação da Linha de Tucuruí até Itacoatiara, Silves e Itapiranga. Parintins também será beneficiada até 2017 e de lá vamos levar para Borba, passando por Barreirinha, Boa Vista do Ramos, Maués, Urucurituba, Nova Olida do Norte, levando muita energia e garantido suprimento energético para a exploração da silvinita. Vamos também interligar Humaitá, a partir de Porto Velho. E, assim, vamos cobrir toda a reserva central de silvinita para transformála em potássio. Além disso, estamos tentando, com apoio das senadoras Sandra Braga e Vanessa Grazziotin, a instalação de portos, pois sem essa infraestrutura não podermos nos preparar para o ciclo de desenvolvimento economico; sem isso, a silvinita não se tornará realidade e a população não terá atividades economicas que gerarão uma série de produtos que irão beneficiar todas as cidades. Fechando

esse investimento estruturante, teremos uma fronteira de expansão econômica que, com a construção da ponte sobre o Rio Negro, nos obriga termos planejamdos no ponto de vista de energia até Manacapuru, e isso também estará sendo licitado para que possamos garantir energia neste eixo de expansão da região metropolitana. E, por fim, no município de Rio Preto da Eva, que é uma cidade de grande concentração de trabalhos voltados para psicultura e agronegócio e que hoje tem uma limitação de energia forte, mas nós estaremos equacionado com esse programa. EM TEMPO - E os investimentos para o programa Luz para Todos? EB - Esse será um programa de R$ 400 milhões e assinamos já na última sexta-feira, dia 10, o contrato de R$ 195 milhões. São obras que estão com o financeiro liberado já para 2015 e são de recursos oriundos da tarifa, financiamentos com o Banco Mundial, BNDS e recursos da própria Eletrobras. E isso trará um novo cenário em curto, medio e longo prazo. Estamos preparando o Amazonas para uma nova estruturação econômica e nova fronteira de desenvolvimento. Assim como fizemos há 10 anos atrás, quando o Amazonas não tinha o gasoduto, e a linha de Tucuruí. E aproveito para esclarecer uma declaração atribuída ao presidente da Cigás, Lino Chíxaro, sobre o uso do gás. O nosso contrato contrato com a Cigás e a Amazonas Energia é de quatro milhões de metros cúbicos, e estamos usando neste momento 3,6 milhões, e o que estamos pagando e não usando é cumulativo. No ano que vem, haverá uma adesão de 576 megawatts em Mauá. Há um espaço para o Estado crescer nesta área. Essas obras todas vão gerar emprego e circulação de recursos, no momento em que o país está precisanto disto. É uma clara demonstração do governo federal e da presidente Dilma Rousseff de carinho, respeito e compromisso com o Amazonas. EM TEMPO - E quando será dado o início das atividades? EB - Nos já estamos em atividades. Iniciamos obras, como a subestação da Com-

pensa, que está sofrendo alterações nos seus transformadores. E, agora, estamos licitando e leiolando outras ações. A linha de Parintins já está em obras e, em Itacoatiara, Silves e Itapiranga, vamos levar a leilão até em maio. Na semana passada, tomou posse a nova diretoria da Amazonas Energia e depositamos muita esperança de que ele irá tocar com nível de exigência que pede uma empresa com o aporte da Amazonas Energia. Entre as distribuidoras federalizadas a Amazonas Energia é a segunda maior do país. EM TEMPO - Existe um certo receio em relação à falta de recursos hídricos no Sudeste do Brasil e teme-se a necessidade de usar a estrutura de Tucurí para abastecer essa região. Isto procede? EB - Essa situação já acontece. Hoje, Tucuruí manda energia não só para o Sudeste, como Nordeste e Norte. A importância de termos o gás natural é isso, porque poderemos estar exportando energia e nos transformar em um importante polo de energía para o país. Teremos aqui uma experiência pioneira em Balbina, que será a energia solar com flutuadores dentro do lago de Balbina, aproveitando tudo que é subutilizado lá. Além disso, a ANP divulgou recentemente que foi encontrado indícios de petróleo em Silves, que nos alimenta de esperanças de que teremos ali um potencial de oléo e gás tão virtusoso como é Urucu. Esperamos até 2030 estarmos interligados a Santo Antônio Girau, em Porto Velho. A segurança energética para o país é termos essas alternativas. EM TEMPO - E quais serão outros projetos de investimentos para Manaus ? EB - Finalmente, a rede de distribuição da Eduardo Ribeiro de forma subterrânea, e vamos fazer isso em comum acordo com a prefeitura. E vamos ter a avenida mais tradicional da cidade de forma organizada. Nosso intuito é fazer um cronograma de investimentos no centro histórico, auxiliando as ações que a prefeitura desejar executar, e isso dará a cidade uma despoluição de visual e energia.

O novo presidente da Amazonas Energia tomou posse na semana passada. E depositamos muita esperança de que ele irá tocar a administração do órgão com exigência”

Todos esses investimentos vão gerar emprego e circulação de recursos para todo o Amazonas. Isso demostra a atenção e comprimisso da presidente Dilma com o Estado”


Política

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Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

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Pedro irá colaborar para descobrir tudo que aconteceu no Petrolão” CLÓVIS CORRÊA, primo e advogado do ex-deputado Pedro Corrêa, novamente preso

BB investe 10% do seu orçamento na Fórmula 1 Dono de um dos maiores orçamentos publicitários do Brasil (R$ 544,3 milhões em 2014), o Banco do Brasil reservou mais de 10% de toda essa bolada apenas para um patrocínio, em 2015: a equipe Sauber, de Fórmula 1, do piloto brasileiro Felipe Nasr. Relatórios de audiência da Federação Internacional de Automobilismo revelam queda de 15% de espectadores da F1 entre 2012 e 2014. O patrocínio é por um ano. Palavra de especialista O Banco do Brasil não revela o valor pago à equipe Sauber, nem foi necessário. É que a mídia inglesa já revelou a cifra: R$ 55 milhões. Queda livre Audiência da F-1 caiu de 500 milhões a 425 milhões espectadores, mas para o BB é a melhor opção para internacionalizar sua marca. Mau negócio A Alemanha, que venceu metade dos últimos 20 campeonatos, perdeu 50% da audiência da F1. No Brasil, a queda de audiência foi de 5%. Olheira Uma olheira do Ministério da Justiça não perde uma reunião da CPI da Petrobras, para depois informar o chefe, José Eduardo Cardozo. Peemedebistas dão trégua de um mês a Dilma O PMDB estabeleceu prazo de um mês para o vice-presidente Michel Temer reorganizar a articulação política do governo; definindo cargos, liberação de emendas e nomeações do segundo escalão. Há receio, no entanto, de que Dilma não dará autonomia ao vice. Por isso, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câ-

Aécio chama povo às ruas para manifestações de hoje

mara, já definiu a retaliação: votar a proposta que cria o piso salarial nacional para policiais militares. PEC 300 A Proposta de Emenda Constitucional 300, que cria o piso para PMs, é um pesadelo para o governo: pode gerar gastos de mais de 46 bilhões. Ô, coitado Temer disse a amigos que ficou constrangido com a proposta de Dilma. Aliados acreditam que sua nova função funcionará para “fritá-lo”. Sem saída Sem carta-branca, Temer pode perder a credibilidade que hoje possui junto a parlamentares. E o governo, seu principal articulador. Caixa ama terceirizar Em vez de alugar manifestantes contra a Lei da Terceirização, a CUT poderia usar sua ligação ao governo para saber por que a Caixa Econômica Federal gastou R$ 1,5 bilhão com terceirizados em 2014. O avesso do avesso A punição do diplomata Eduardo Saboia “foi uma decisão absurda e covarde” do governo, para o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), que presidiu a Comissão de Relações Exteriores do Senado. E lembra a canção de Caetano: “O avesso do avesso do avesso do avesso”. Ato heroico Eduardo Saboia foi suspenso por vinte dias porque salvou a vida de um senador boliviano, Roger Molina, que, perseguido por Evo Morales, estava asilado havia 455 dias na embaixada do Brasil em La Paz.

Jornalista

Senador disse que o brasileiro que se sentir com um “nó na garganta” deve participar das manifestações de hoje DIVULGAÇÃO

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Princípio nobre Para Ricardo Ferraço, a decisão do Saboia, salvando a vida de Molina, “foi absolutamente compatível com os princípios que devem mover nossa política externa: os direitos humanos e o asilo político.” Segundo ele, foi uma decisão focada num princípio nobre: a vida humana. Moleza A Comissão de Constituição e Justiça, a mais importante do Senado, não realizou qualquer debate expressivo neste semestre. Agora, parou de vez para fazer uma reforma no seu plenário. Clamor atendido Parece até que havia um “clamor” pela prisão do exdeputado André Vargas (ex PT-PR), tal a reação positiva que causou em Brasília. Os políticos, inclusive os nada santos, acham que poucos contribuíram tanto quanto Vargas para arruinar a imagem do Congresso. O amor é lindo O ministro Renato Janine (Educação) tomou posse na segunda (6) e terminou a semana, na sexta, em clima de romance, encomendando buquê de rosas – levado no carro oficial – para a pessoa amada. #vemprarua O deputado Paulinho da Força (SD-SP) acha que os protestos deste domingo contra Dilma ocorrerão em mil cidades, ainda que o número de pessoas venha a ser menor do que os 2,2 milhões de março. Pensando bem... ... sem a CUT para alugar manifestantes, os protestos de hoje não correm o risco de serem terceirizados

PODER SEM PUDOR

Eu bebo, sim Flores da Cunha foi um dos maiores líderes políticos do Rio Grande do Sul, mesmo com a reputação de emérito boêmio, chegado ao carteado, às bebidas e às mulheres, como acusou um adversário, num comício: - Não bebo, não jogo e nem ando com mulheres de vida duvidosa! O líder gaúcho ganhou a eleição admitindo, sem medo de ser feliz: - Pois eu bebo, fumo, jogo, ando com mulheres... E tenho votos.

Tucano chama a população brasileira para as manifestações que acontecem hoje em todo o país

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exemplo do que fez na véspera da manifestação do dia 15 de março, o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), divulgou vídeo nas redes sociais criticando o governo e chamando a população para ir às ruas neste domingo (12). Sua presença, no entanto, ainda não está confirmada. No vídeo, gravado dentro de um carro em movimento, Aécio está sentado no banco de couro bege de passageiro e diz que quem está com “esse nó na garganta” em relação ao governo deve se manifestar. No momento em que pronuncia essa frase, o senador aperta o colarinho da camisa e faz uma breve pausa para dramatizar a situação. O tucano diz que os brasileiros irão às ruas para dizer que “não aguentam mais tanta mentira, não aguentam mais a inflação saindo de controle, o desemprego au-

mentando e um governo que não governa mais”, e finaliza chamando o governo Dilma Rousseff de “medíocre”. Como Aécio ainda não definiu se irá comparecer aos protestos, evita usar expressões, no vídeo, que levem a crer que estará presente. Segundo pessoas próximas ao tucano, ele deixará para o último momento a definição de sua presença, que dependerá do alcance das manifestações desta vez. “Nesse domingo, dia 12, novamente os brasileiros vão à rua. Vão dizer que não aguentam mais tanta mentira, não aguentam mais a inflação saindo de controle, o desemprego aumentando e um governo que não governa mais. Se você está com esse nó na garganta, vá para a rua, se manifeste e vamos mostrar que o Brasil merece muito mais do que esse governo medíocre que está tendo”, diz o senador, no vídeo.

Participação O protesto contra a presidente Dilma já tem mais de 500 cidades que confirmaram a realização. As manifestações são organizadas por vários movimentos, com destaque para o Vem Pra Rua e o Movimento Brasil Livre. Foram divulgadas pelos movimentos a lista de cidades que confirmaram participação, e outras pessoas estão postando nos comentários no site e nos posts da fan page os nomes de outras cidades. Em Aracaju, o movimento está previsto para às 15h, com saída do Mirante da 13 de Julho A página no Facebook do movimento Vem Pra Rua, já compartilhou vídeos gravados pelos cantores Roger Moreira, da banda Ultraje a Rigor, e Beto Barbosa, do humorista e ex-Casseta e Planeta Marcelo Madureira e do fundador e coordenador do AfroReggae José Junior.

Sem apologia às Forças Armadas A divergência de opiniões em relação à solução imediata para o Brasil levou o protesto anti-Dilma, marcado para hoje, a virar um caso de Justiça. Responsável pela organização do ato, o segundo de grande mobilização em prol do impeachment da presidente da República em 2015, o Movimento Brasil Livre entrou com uma liminar na Comarca de Carapicuíba, na Grande São Paulo, para impedir a participação de grupos defensores da intervenção militar na manifestação marcada

para ocorrer na avenida Paulista, a partir das 11h. O MBL entrou com a ação especificamente contra o movimento SOS Forças Armadas. Se o juiz responsável pela apreciação do caso acatar a liminar, militantes do grupo não poderão participar ativamente da manifestação, ou seja, serão impedidos de levar às ruas no próximo domingo sua estrutura de caminhões e trios elétricos, a exemplo do que haviam feito no dia 15 de março. “A liminar pede que eles (SOS Forças Armadas) sejam

impedidos de convocar atos no mesmo lugar em que convocamos, baseada no artigo 5º do inciso XVI da Constituição Federal”, explica ao iG o advogado Rubens Alberto Gatti Nunes, coordenador jurídico do MBL. O motivo para a liminar, endereçada a Renato Tamaio, fundador e líder do SOS Forças Armadas, é que os defensores de um golpe militar para derrubar a presidente Dilma Rousseff atrapalhariam os grupos organizados que têm como principal pauta o impeachment da petista.


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Ceticismo e isolamento nos cem dias de Dilma Rousseff P

assados mais de três meses após reassumir o comando do país, as preocupações de Dilma se estendem desde a economia até a política, passando pela relação com a sociedade, fragilizada especialmente pelo escândalo de corrupção na Petrobras. O cenário atual é distinto de quando a petista assumiu a Presidência, em janeiro de 2011. Nos cem primeiros dias daquele ano, o quadro geral era bem mais favorável à presidente, mas tampouco totalmente positivo. Em comunicado, a Secretaria-Geral da Presidência da República afirmou que “o governo está operando em ritmo acelerado, dando continuidade aos programas e fazendo ajustes para acelerar o crescimento econômico do país”. “Neste ano, por exemplo, o governo entregou mil unidades residenciais do programa Minha Casa, Minha Vida por dia. Os compromissos assumidos na campanha se estendem até 2018”, acrescenta o texto. Popularidade Beneficiada pelo então bom momento econômico e pela popularidade em alta de seu antecessor, o ex-presidente Lula, Dilma terminou os três primeiros

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Petista tem dificuldades para reverter o ceticismo do mercado, a desconfiança de aliados e o descrédito da população meses de mandato em 2011 com a confiança de 73% da população. Mas a situação se inverteu no segundo mandato: agora, o mesmo percentual de pessoas diz não confiar na presidente, segundo a pesquisa CNI-Ibope divulgada na semana passada. O índice de desconfiança é o mais alto em 20 anos. Segundo o levantamento, somente 24% dos entrevistados dizem confiar em Dilma. O pior resultado até então havia sido registrado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de 27%, no início do seu segundo mandato, em 1999. Economia Na economia, Dilma assumiu a Presidência também com bons ventos a seu favor, ainda que com a previsão de um menor crescimento para o ano. Nos três primeiros meses de 2011, o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro cresceu 1,7% sobre o trimestre imediatamente anterior e 4,2% na comparação anual, com destaques para a agropecuária e indústria. O crescimento foi comemorado pelo governo, especialmente em meio a uma atividade econômica já aquecida. Em 2010, a economia havia registrado alta de 7,5%.

Isolada, presidente Dilma tem agora muito mais desafios do que em igual período no primeiro mandato, dizem especialistas

Mercado, desconfiado, aguarda por respostas O mercado espera uma piora desse quadro neste ano. Segundo uma estimativa do relatório Focus do Banco Central, que pesquisa semanalmente as previsões de mercado para a

economia, espera-se uma queda de 1% no PIB brasileiro em 2015. A taxa de desemprego média entre janeiro e março de 2011 foi de 6,3%, refletindo, segundo o IBGE, o cenário

mais favorável na economia e empregos mais qualificados. Por outro lado, sinais de que a meta do superavit primário (economia para pagar os juros da dívida) não seria cumprida

e em meio à aceleração da inflação (o índice foi de 6,3% nos últimos 12 meses terminados em março daquele ano) levaram o governo a adotar um forte ajuste fiscal.


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Amazonenses de olho no mercado árabe Economia B5

Momento de crise é tempo para investir no Amazonas mercado, com visão de médio e longo prazo

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Empreendedores apostam nas lacunas do

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certeza de que crises são passageiras e que é crucial estar preparado para atender à demanda quando o mercado se normalizar estimula o lado empreendedor de alguns empresários no Amazonas. A classe, movida pela visão de longo prazo e pelo anseio de ocupar lacunas deixadas pela concorrência, abre novos empreendimentos na capital diante do pessimismo quase generalizado, alimentado por uma série negativa de indicadores e perspectivas econômicas. A empresária Arenaide Pereira, por exemplo, trouxe para Manaus a primeira unidade da franquia de restaurantes baiana Mariposa Creperia, presente no Amazonas. De acordo com ela, o investimento para a franquia em si custou R$ 600 mil, mas com o diferencial regional, como a mão de obra significativamente mais cara, altos custos para transportes de equipamentos e produtos, fizeram o valor total chegar a R$ 1,2 milhões. Ela conta que todo o processo para abrir o novo negócio, do estudo de qual seria a franquia ideal até a inauguração do restaurante, que ocorreu no último dia 30 de março, no Manauara Shopping, Zona Centro-Sul, durou pelo menos um ano. “Resolvemos investir no ramo de alimentos, que tem um retorno mais assegurado. A Mariposa Creperia uniu tudo o que buscamos em uma marca: produtos e serviços diferenciados e reconhecimento nacional da marca”, declara. O empreendimento até o

momento já gerou em torno de 28 empregos diretos. Para driblar a concorrência, Arenaide aposta na marca. Conforme a empresária, a Mariposa Creperia é nacionalmente conhecida pelos produtos oferecidos e pelo incentivo à alimentação saudável. “No restaurante, os clientes podem encontrar um mix de saladas com mais de 30 opções, além de comida japonesa, massas integrais produzidas com grãos selecionados, grelhados e crepes doces e salgados”, revela. A empresária também investe no Happy Hour, com a promoção diária de chope em dobro, que acontece sempre das 17h às 20h. “Enquanto a maioria dos restaurantes faz essa promoção somente nos primeiros dias da semana, a Mariposa Creperia realiza diariamente. Além disso, todos esses atrativos são oferecidos em um ambiente aconchegante, com decoração exclusiva e que remete os frequentadores aos points mais badalados de Trancoso, na Bahia”, frisa. Os empresários Humberto Gandra e Emerson Escóssio investiram em torno de R$ R$ 300 mil em uma empresa três em um. A loja, Up Digital, inaugurada no último dia 27 de março, na rua Aloísio Brasil, bairro Japiim, na Zona Sul, oferece serviços de gráfica digital, brindes e comunicação visual. Segundo Gandra, a escolha do segmento foi baseada na experiência na área e no mercado, que é carente. “Apesar de haver muitas empresas desse segmento, elas não atendem toda a demanda”, relata.

Estratégias para negócios

Carência de mercado e as oportunidades

O consultor econômico Ailson Rezende afirma que é na época de crise que alguns negócios crescem. Segundo ele, quem aproveita a oportunidade são os empresários mais arrojados que não têm medo de enfrentar desafios com novos empreendimentos. Ele acentua que para ter sucesso com o novo negócio é necessário re-

alizar um bom estudo de mercado para identificar que produtos são os mais consumidos no determinado período. “As empresas que obtêm sucessos são aquelas que aproveitam o momento de crise para ampliar ou diversificar seus negócios”, comenta. Conforme ele, essas empresas têm a possibilidade de crescer ainda mais

quando o mercado retomar a sua normalidade. “O empresário que traça estratégias em momento difícil tem maior oportunidade de aumentar o faturamento após a regularização do mercado. O índice de crescimento vai depender de cada segmento e também dos tipos de bens e serviços que está sendo ofertado no mercado”, salienta.

Gandra explica que a carência do mercado foi observada quando um cliente que busca fazer campanha publicitária, congresso ou serviço de identidade visual de uma empresa tem que se deslocar a várias gráficas para fazer o trabalho. “Resolvemos reunir tudo em um só lugar. Oferecer ao cliente um mix de produtos”, aponta. A aceitação do mercado, segundo o empresário, foi imediata. Ele avalia que, em no máximo um ano, a empresa renderá todo o investimento empregado no empreendimento. “Depois que ligamos as máquinas, elas ainda não mais pararam de funcionar”, afirma. Conforme ele, sete vagas de empregos diretos foram geradas e a previsão, por conta da demanda, é criar mais três.

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SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO

Investimento na franquia de alimentação Mariposa Creperia por um retorno financeiro seguro


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Cálculo para aprender a economizar na torneira P

ara deixar um alerta aos usuários dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário de Manaus, a Agência Reguladora dos Serviços Públicos Concedidos (Arsam) dará início, a partir da próxima semana, à campanha “Aprenda a Calcular Sua Conta”. Coordenada pelo Departamento de Fiscalização de Saneamento, a campanha tem como objetivo orientar os usuários quanto ao uso racional da água, demonstrando, a cada visita domiciliar, a relação entre o valor pago e o volume de água consumido. Esclarecimentos simples sobre a importância do hidrômetro e torneira boia, reservação de caixas d’água para o controle do consumo e o cálculo da conta são os primeiros procedimentos realizados pela Arsam nas fiscalizações de rua. Além disso, o percentual cobrado pelo serviço de tratamento de esgoto, se existente, também é esclarecido. “Quando chegamos à casa de um usuário, a primeira providência é a análise das contas recebidas. Verificamos a média dos últimos meses de

consumo e explicamos como a cobrança foi feita, se está correta ou não. Depois partimos para os problemas operacionais”, informou o engenheiro Jorge Carésto, chefe do departamento de fiscalização. Além de medidas imediatas de economia, a campanha também incluiu o combate a vazamentos nas redes de

DESPERDÍCIO

Lavar o veículo em casa nos finais de semana, por exemplo, é dos maiores responsáveis pelo desperdício de água, bem como a falta de reparo na rede de distribuição do bem líquido da residência abastecimento, por meio da redução do tempo de manutenções, sendo que a Arsam avisa e exige o reparo imediato à concessionária Manaus Ambiental. A Arsam também realiza o combate às ligações clandestinas, que acabam prejudicando a pressão da água em áreas mais altas, por exemplo. Cada vez que uma torneira

é aberta, o hidrômetro entra imediatamente em ação. É o hidrômetro que registra a quantidade de água que o usuário consome. O hidrômetro, obrigatoriamente, possui um lacre que não deve ser violado, pois o perfeito estado do lacre assegura que não houve adulteração no marcador. Fazer a leitura do hidrômetro é simples. O usuário deve anotar os quatro números pretos, localizados em sua parte esquerda (de uma sequência de seis dígitos), e desprezar os números vermelhos (localizado na parte direita da citada sequência). Um mês depois de fazer a anotação, o usuário voltará a consultar a numeração dos números pretos e fazer uma conta de subtração. O resultado desta equação indicará a quantidade de metros cúbicos consumidos durante este período. Se na primeira leitura os quatro números pretos registrarem 0549 e um mês depois a nova numeração desta sequência for 0632, o usuário terá consumido 0083 metros cúbicos de água no mês (00632 – 00549 = 0083). Se efetivo o serviço de esgoto, o valor cobrado corresponderá a 100% sobre o valor da conta de água.

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Campanha da Arsam tem como objetivo orientar o usuário quanto ao uso racional da água consumida nas residências

Agência quer, com a medida, combater o uso desnecessário de água e o desperdício por vazamentos


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Protesto anti McDonald’s

Trabalhadores brasileiros da franquia participarão, no próximo dia 15 de abril, da mobilização mundial que envolve vários países que questionam, entre outras coisas, o acúmulo de funções sem a devida remuneração e situação de insalubridade

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adora máster do McDonald’s no Brasil, a Arcos Dourados Comércio de Alimentos Ltda. A campanha #SemDireitosNãoéLegal é o braço brasileiro de um movimento mais amplo. O Brasil está entre os 40 países de vários continentes que participarão dos protestos de quarta-feira em prol do respei-

to aos direitos dos trabalhadores do setor de fastfood. A mobilização é organizada pela Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST) com o apoio da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade (Contratuh), juntamente com outras entidades sindicais DIVULGAÇÃO

ão Paulo - A campanha brasileira #SemDireitosNãoéLegal irá para as ruas no dia 15 de abril em São Paulo, Salvador, Goiânia e Brasília. O objetivo dos protestos é alertar a população sobre o desrespeito recorrente e contínuo aos direitos trabalhistas pela franque-

Campanha começou nos EUA e se espalhou pelos continentes

Salários inadequados O movimento global contra as condições de trabalho da McDonald’s começou nos Estados Unidos da América (EUA), em 2012. Inicialmente restrito a Nova York, contou com a participação de 200 trabalhadores. A ação global de quarta-feira deve contar, só nos Estados Unidos, com a participação de 60 mil pessoas, que farão greves ou atos de protesto em mais de 200 cidades nos EUA. No país de origem, além do respeito às leis trabalhistas, os trabalhadores reivindicam o pagamento de um mínimo de 15 dólares por hora (#Fightfor$15). Na Europa, a principal queixa é a evasão de divisas pela corporação por meio de paraísos fiscais. DIVULGAÇÃO

Entre as violações constatadas na McDonald’s estão também o pagamento de salários com valores inferiores ao mínimo estabelecido por lei, horas extras habituais não remuneradas, supressão dos intervalos para descanso e refeições, indícios de fraudes nos holerites e no registro de horas trabalhadas. Constatou-se ainda problemas com relação ao desempenho de múltiplas funções sem a devida remuneração, ausência de horários regulares de trabalho e atividades insalubres sem o uso de equipamento de proteção individual (inclusive com a utilização de mão de obra de adolescentes de 16 a 18 anos, em atividades insalubres).

Brasileiros denunciam desrespeito aos direitos trabalhistas

como o Sinthoresp ( Sindicato dos Trabalhadores em Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de São Paulo), a Fethepar (Federação dos Empregados em Turismo e Hospitalidade do Estado do Paraná) e a Fetrhotel (Federação Interestadual dos Trabalhadores Hoteleiros de São Paulo e Mato

Grosso do Sul). A campanha brasileira iniciou-se no dia 24 de fevereiro com o ingresso na Justiça trabalhistas de uma ação civil pública que denunciou a prática de “dumping social”, e recobrou forças em março, quando a empresa foi acionada uma vez mais.

O McDonald’s é acusado de praticar a jornada móvel variável, o acúmulo de funções sem a devida remuneração e não reconhece a insalubridade de algumas funções. Esse modelo de negócio faz com que a rede no Brasil obtenha indevidamente vantagem competitiva sobre seus concorrentes.


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Oportunidade de pequenos negócios para reabilitados FOTOS: DIVULGAÇÃO

Governo do Estado garante crédito do Banco do Povo para ex-pacientes do Centro de Reabilitação que se capacitaram

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esidentes que concluírem o curso de panificação e confeitaria, do Centro de Reabilitação em Dependência Química Ismael Abdel Aziz, terão a chance de se tornarem pequenos empresários e conquistar o próprio negócio. Durante a comemoração de um ano da unidade, na última terça-feira (7) o governador do Amazonas, José Melo, afirmou que o Estado ajudará os pacientes a saírem da unidade de tratamento com futuro garantido. De acordo com Melo, os residentes do centro de reabilitação capacitados terão acesso a crédito da Agência de Fomentos do Amazonas (Amazonas), por meio do Banco do Povo, para comprar os maquinários e assim montar a sua padaria. “Vamos fechar uma parceria entre Afeam e todo paciente que concluir o curso de panificação e confeitaria no centro de reabilitação. Ele receberá a ajuda do governo para iniciar seu próprio negócio. Desta forma, vamos garantir um futuro melhor lá fora para eles e suas famílias”, disse. Para garantir o direito ao financiamento do Banco do Povo e ter seu próprio negócio, o paciente tem de concluir não somente o curso de panificação e confeitaria, mas também o tratamento terapêutico oferecido pelo centro de reabilitação. Ao ouvir o anúncio do governador sobre o investimento, Alexandre Viegas de Carvalho começou a traçar seu futuro e já pensa em montar sua padaria. Num primeiro momento, os planos é organizar a produção e venda na sua residência, em Manaus, e só depois expandir o empreendimento. “Vou começar com o pé no chão. Primeiro vou montar a

padaria em casa, depois expandirei o negócio com o meu ponto comercial. Graças à nova oportunidade que tive desde quando comecei a me tratar no centro de reabilitação”, afirma o paciente, que completou seu tratamento terapêutico na última sexta-feira (10). Com o mesmo pensamento, o paciente Gregory Victor Oliveira Costa vai aproveitar o ponto comercial de seus familiares para iniciar sua venda de pães, doces e salgados. “Terei a facilidade de ter um ponto comercial para iniciar meu negócio. Porém, precisarei desse investimento do governo com

Profissionalização com poder terapêutico Participam do curso de panificação e confeitaria os pacientes do centro de reabilitação com tempo mínimo de 70 dias de internação. O curso de 40 horas é dividido em duas etapas: prática e teórica. Cada turma é formada por 11 alunos residentes. Todos os pacientes são incentivados a participar da atividade terapêutica. Desde o primeiro dia de

aula, os residentes colocam a mão na massa e produzem o seu primeiro pão. Depois, eles aprendem a produzir bolos, tortas, doces e salgados. Para o diretor do centro de reabilitação, psiquiatra Pablo Gnutzmann, o curso, além da importância terapêutica, garantirá uma nova profissão e fonte de renda ao residente. “O compromisso é não apenas promover a saúde em seu sen-

cado reconhecido pelo Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam). Todos os produtos confeccionados no curso de panificação e confeitaria pelos residentes complementam a alimentação deles durante o tempo de tratamento. “Neste curso eles aprendem a fazer pães, doces, salgados, bolos confeitados e tortas”, informa o diretor.

Pioneiro na redução de danos

Quero montar meu negócio e assim garantir uma renda para me manter com minha família e o que é melhor, longe das drogas Lenilson Ribeiro Viana, ex-residente

a finalidade de comprar maquinários para confeccionar os quitutes que aprendi quando fiz o curso”, conta o paciente. Lugar onde os pacientes recebem formações como, por exemplo, no ramo do artesanato e o de panificação, o centro de reabilitação está localizado no quilômetro 53 da Rodovia AM-010 (estrada que liga os municípios de Manaus e Rio Preto da Eva). É uma unidade pública de saúde do governo do Amazonas, gerenciada pelo Instituto Novos Caminhos (organização social), por meio da Secretaria de Estado de Saúde (Susam).

tido mais amplo, mas também buscar o recrutamento social dos pacientes por meio de oficinas que proporcionam no pós-alta uma nova possibilidade de trabalho”, diz. No centro há cursos de artesanato, informática, biojoias, piscicultura, horticultura, corte e costura, todos com finalidade terapêutica ocupacional e profissionalizante. Todos ganham certifi-

Governador Melo anunciou crédito no centro de reabilitação

Doces e salgados produzidos pelos internos que se capacitaram

O Centro de Reabilitação Ismael Abdel Aziz é pioneiro no Brasil com a política de Redução de Danos. O total de 588 pacientes adoecidos pelo uso abusivo de álcool e outras drogas já foram atendidos. “Mostramos a eles os malefícios causados pela droga e apresentamos para uma nova forma de se tratar e viver sem o uso de drogas”, explica o secretário de Estado de Saúde (Susam), Wilson Alecrim. Construído e mantido pelo governo do Amazonas, o centro trabalha com estratégias que possibilitam a mudança de vida dos residentes. “Minha vida mudou depois que o conheci. Hoje tenho vida nova. Ganhei uma nova profissão enquanto fazia o tratamento terapêutico, uma nova família, e estou muito feliz por tudo que me aconteceu graças à dedicação de cada profissional que

trabalha no centro”, relata o artesão Lenilson Ribeiro Viana. Ele fez parte da primeira turma de residentes da unidade de tratamento e hoje trabalha com a confecção artesanal, profissão que aprendeu no centro. Lenilson afirma que as oportunidades iniciaram depois que concluiu o curso de artesanato e ganhou sua Carteira de Artesão Profissional, emitida pela Secretaria de Estado do Trabalho (Setrab). “Hoje eu confecciono meu artesanato. Quero montar meu próprio negócio e assim garantir uma renda para me manter com minha família e o que é melhor, longe das drogas”, comemora. O centro de reabilitação atende homens, mulheres e adolescentes acima de 13 anos adoecidos pelo consumo excessivo de álcool e outras drogas.


Economia

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Mercado árabe desperta interesse dos amazonenses Além de cosméticos e fitoterápicos, frutas amazônicas também estão na pauta de exportações dos empreendedores do Estado

ANWAR ASSI Equipe EM TEMPO

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empreendedor amazonense tem uma oportunidade real de fechar um verdadeiro “negócios das Arábias”. Responsáveis por fabricarem itens que carregam em suas essências uma marca forte e atraente – a Amazônia -, eles foram sondados, na semana passada, durante a visita ao Amazonas de uma comitiva com embaixadores e representantes de 17 países que estão situados entre o norte da África, Oriente Médio e a região do Golfo, para levar seus produtos para o tentador mercado árabe, composto de aproximadamente 365 milhões de consumidores. Ciente do sucesso que os produtos de beleza fazem no mundo árabe, em especial entre o público feminino, o proprietário da Pronatus do Amazonas, Evandro de Araújo Silva, tem interesse em vender os itens de cosméticos que produz, como gel, pomadas e óleos corporais, para esses países. Segundo o empreendedor, que hoje exporta apenas, aproximadamente, US$ 20 mil para o Japão, ingressar no mercado árabe será uma oportunidade

para ampliar sua participação no cenário internacional. “Queremos fechar negócios. Estamos estudando quais são os países que possuem interesse na área de cosméticos. Fizemos cinco aproximações e a promessa de participar de uma feira comercial naquela região”, revela. O empresário Schubert Pinto Junior afirma que comercializar no mercado árabe um dos 150 tipos de produtos que fabrica, entre sabonetes, gel, xampus e hidratantes, na Pharmakos D’Amazônia é um sonho que parecia distante, mas que ficou mais próximo agora com a vinda da comitiva de embaixadores ao Estado. Ele salienta que já possui alguns contratos com os Estados Unidos e a Itália. “O nome da Amazônia é muito forte no mundo inteiro. Fazer um cosmético de qualidade, certificado e do Amazonas, com certeza, vamos conseguir achar um nicho no mercado árabe que possa aceitar esses produtos”, destaca o empresário ao revelar que o único país árabe que já teve a oportunidade de visitar foi a Palestina. ‘Voos altos’ Embora ainda esteja “engatinhando” no Centro de Incuba-

ção e Desenvolvimento Empresarial (Cide), a Amazo’e Nutri Flore pensa como “gente grande” e sonha alto com o mercado árabe. Segundo a consultora de Marketing, Eliane Gomes, a empresa que fabrica itens nutricionais e cosméticos com insumos amazônicos vai começar sua produção em escala

PISCICULTURA

Os peixes da Região Amazônica, como matrinxã e jaraqui, podem ser exportados para os países árabes que mostraram interesse no consumo dessas espécies encontradas em abundância no Estado semi-industrial a partir do segundo semestre de 2015. Conforme Eliane, entre os produtos que a Amazo’e tem interesse em exportar estão suplementos nutricionais feitos à base de soja com insumos amazônicos (andiroba, castanha, açaí, copaíba, entre outros), itens de reposição hormonal, de emagrecimento e de revigoramento. “Nossos nutrientes garantem a segurança alimentar exigida”, destaca.

Frutas Outro item que está na pauta de discussão é a importação por parte dos árabes de frutas tipicamente amazônicas como o açaí e o camu camu, por exemplo, ou que são amplamente produzidas na região, como é o caso do abacaxi. Durante o seminário realizado na Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), no último dia 8 de abril, vários países árabes expressaram o desejo de consumir as frutas “exóticas” da Amazônia. Um dos interessados foi o Sultanato de Omã, um próspero país do Golfo cuja renda per capita da população é de US$ 93,7 mil. “A Região Amazônica possui frutas exóticas que podem ser muito bem aceitas nos países árabes”, declara com exclusividade ao EM TEMPO o embaixador de Omã no Brasil, Khalid Al Jaradi. Situada no bairro Santa Etelvina, na Zona Norte, a empresa Infrutas possui planos para começar a exportar sua produção de polpa de frutas para outros países, entre eles, os do bloco árabe. Entre os sabores estão os de açaí, cupuaçu e taperebá, afirma o empresário Fábio Ribeiro.

Medidas para vencer gargalos País que possui várias zonas industriais, a Tunísia tem interesse em captar investimentos estrangeiros, inclusive do Brasil, o que pode beneficiar a indústria amazonense. De acordo com o embaixador tunisiano, Sabri Bachtobji, o maior interesse do país é o de fazer parcerias na área farmacêutica. “Essa parceria será uma oportunidade para os amazonenses venderem seus produtos também no mercado europeu, uma vez que a Tunísia é o ponto mais avançado da Europa (próximo da Itália). Temos um novo código de investimentos que é muito vantajoso. Criar uma parceria entre o sistema da

Fieam e as entidades homólogas na Tunísia cria uma sinergia nova”, falou o diplomata ao EM TEMPO em um excelente “portunhol”. Barreiras Segundo o empresário Evandro Silva, da Pronatus do Amazonas, para que o intercâmbio com os árabes tenha sucesso é necessário que o empreendedor amazonense tenha conhecimento sobre as barreiras que podem travar o comércio, como as exigências sanitárias, aduaneiras e até culturais. “Não adianta investir em outros países se há barreiras que podem travar todo esse negócio”, comenta. ANWAR ASSI

Amazonenses negociam com o embaixador da Argélia


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País

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Terceirização gera nova polêmica no Congresso

Por uns é visto como modernidade. Mas, para outros, a regulamentação vai se configurar na precarização das relações trabalhistas GUSTAVO LIMA/CÂMARA DOS DEPUTADOS

Na última quarta-feira, os deputados entraram pela noite votando o texto-base do projeto que regulamenta a terceirização no país. Os que votaram contrários realizaram um protesto no plenário

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rasília (Agência Câmara) – Uma nova polêmica ronda o país e pode gerar mais uma crise na política brasileira: o projeto que regulamenta a terceirização para todas as áreas da empresa, cujo texto-base foi aprovado na última quartafeira na Câmara dos Deputados, promete gerar muita discussão, briga, protestos e conflitos já na desgastada relação entre o povo brasileiro e os políticos do Congresso Nacional. A discussão do projeto que regulamenta a terceirização (PL 4330/04) colocou em lados opostos dois argumentos: os contrários alegam que haverá precarização das relações de trabalho, enquanto os favoráveis falam em modernidade e competitividade da economia brasileira. O embate deve continuar nesta semana, quando serão votados os destaques. O projeto autoriza a terceirização para todas as áreas de empresas. Hoje, a Justiça do Trabalho limita a subcontratação a áreas-meio, como limpeza, segurança e serviços especializados que não tenham relação com o objeto de empresa. A terceirização de funcionários da área-fim é considerada ilegal pela Justiça do Trabalho. Esse é o ponto mais polêmico da proposta. Os partidos que se aliaram contra o projeto foram PT, PCdoB e Psol. Eles chegaram a levar uma faixa ao plenário da Câmara dos Deputados criticando o projeto. O deputado Valmir Assunção (PT-BA) disse que a proposta vai retirar dos trabalhadores as conquistas dos últimos 12 anos com a redução do desemprego e a política de valorização do

LUIS MACEDO/AGÊNCIA CÂMARA

salário mínimo. A proposta também foi criticada pelo deputado Alessandro Molon (PT-RJ). “O atual projeto que se quer votar neste momento quer transformar os 33 milhões de empregados diretos em terceirizados, e isso nós não queremos”, disse. Molon informou que deu entrada no Supremo Tribunal Federal (STF) com mandado de segurança pedindo a anulação da sessão da Câmara desta quarta-feira. Ele argumentou que uma medida provisória já aprovada em comissão mista estaria trancando a pauta do plenário, o que impediria a votação do texto da terceirização.

SÚMULA

Atualmente, a terceirização trabalhista é regulada por uma súmula do Tribunal Superior do Trabalho. Mas, somente para atividademeio, como limpeza, segurança e serviços especializados

Sindicatos Já o deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP) defendeu o projeto. Ele ressaltou que o relator, deputado Arthur Oliveira Maia (SD-BA), aceitou uma emenda que garante aos terceirizados os mesmos direitos de acordos coletivos do sindicato dos funcionários da empresa contratante. “O sindicato será o mesmo, então, vai garantir os mesmos direitos”, disse. Na avaliação do deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), sindicatos contrários à propos-

ta estão menos preocupados com trabalhadores e mais com o financiamento das entidades sindicais. “(A proposta) vai acabar com a categorização e com o financiamento, pelos terceirizados, de sindicatos que não lhes servem”, disse. Para ele, a Justiça também errou ao criar a distinção entre atividade-meio ou atividade-fim. “Quem ganha uma concessão de rodovia contrata uma empresa para fazer o asfalto e outra para fazer a pintura”, afirmou. O texto também regulamenta obrigações de empresas contratantes e terceirizadas; exige que a contratante fiscalize o pagamento de encargos trabalhistas pela terceirizada; e obriga as fornecedoras de mão de obra a serem especializadas em um segmento. Situação dos trabalhadores Para a deputada Eliziane Gama (PPS-MA), o projeto precisa ser mudado para não prejudicar os trabalhadores. “Temos um histórico de violações de leis trabalhistas e, quanto mais afrouxarmos a legislação, mais suscetíveis seremos a essas violações”, avaliou. Contra o projeto, o deputado Cabo Daciolo (Psol-RJ) apelou para Deus e afirmou que apenas um “milagre” impediria a aprovação do texto. Ele lembrou, no entanto, que os deputados serão cobrados no futuro por seus votos. “Tem parlamentar aqui que vai ser candidato a prefeitura em 2016, e aqueles que votarem ‘sim’ vão ver que não vão entrar. Deus vai cobrar”, disse o deputado. Já o relator, Arthur Oliveira Maia, negou que o projeto piore a situação dos trabalhadores e lembrou que a falta de norma é pior para o setor.

Deputado Sibá Machado (PT-AC) é contra a proposta. Para ele, impede o crescimento profissional

Opositor critica proposta de lei O líder do PT, deputado Sibá Machado (AC), lembrou que a proposta impede o crescimento profissional de trabalhadores. Ele citou o caso da ex-presidente da Petrobras Graça Foster, que entrou na empresa como estagiária e chegou ao topo. “A terceirização não permite isso, não permite que ne-

nhum trabalhador de qualquer setor possa pensar em ascensão futura, em cargos de comando”, criticou. Para o deputado Ronaldo Fonseca (Pros-DF), no entanto, o projeto é bom. “Está se querendo fazer acreditar que o projeto é precarização do direito do trabalhador, mas o que é bom para o trabalhador tem de ser bom para o em-

pregador”, afirmou. O deputado Silas Brasileiro (PMDB-MG) disse que os terceirizados são mais comprometidos com o trabalho e mais eficientes. “Quando fui prefeito, fazer concurso foi o maior erro que cometi. Todos sentiram que estavam estáveis e passaram a só cumprir horário, porque estavam estáveis”, opinou.


País

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Políticas de combate à violência contra mulher B

rasília (Agência Senado) - A ministrachefe da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, Eleonora Menicucci, participa, depois de amanhã, de audiência pública no Senado. Ela vai apresentar à Comissão Mista de Combate à Violência Contra a Mulher as políticas de enfrentamento à violência adotadas hoje no Brasil. A iniciativa de chamar a ministra foi da presidente da comissão, senadora Simone Tebet (PMDB-MS) e da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). A intenção é traçar um quadro sobre a situação atual no enfrentamento de violência contra a mulher e os avanços conquistados desde a aprovação da Lei Maria da Penha. As senadoras querem também saber das dificuldades na implantação de medidas destinadas à erradicação desse tipo de violência. De acordo com estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado no início de março, a Lei Maria da Penha reduziu em aproximadamente 10% a taxa de homicídio contra

as mulheres dentro de suas residências. Entretanto, a efetividade da lei não se deu de maneira uniforme no país. Segundo o instituto, isso ocorre porque há “diferentes graus de institucionalização dos serviços protetivos às vítimas de violência doméstica”. Uma das explicações encontradas no estudo para

AVANÇOS

Audiência pública no Senado na próxima terça-feira vai discutir o enfrentamento à violência contra a mulher no Brasil e os avanços conquistados desde a aprovação da Lei Maria da Penha esse resultado diferenciado por região foi de que nos locais onde a sociedade e o poder público não se mobilizaram para implantar delegacias de mulheres, juizados especiais, casas de abrigo e outros equipamentos de apoio à vítima de violência, o temor pela punição da lei não foi internalizado

na população. Daí a necessidade de uniformizar, em todo o país, os instrumentos de combate à violência contra mulher. Relatoria Antes da audiência com a ministra, a comissão irá escolher seu relator e votar três requerimentos que constam da pauta do colegiado. O primeiro, de autoria da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), pede diligências, em cada uma das regiões brasileiras, para obter informações sobre as políticas públicas de combate à violência contra a mulher criadas e implementadas nessas regiões e as dificuldades para conduzi-las. O segundo, apresentado pela deputada Moema Gramacho (PT-BA), propõe realização de audiência pública para apresentação do Programa Ronda Maria da Penha, atualmente executado na Bahia. O último requerimento, de iniciativa da vice-presidente da comissão, deputada Keiko Ota (PSB-SP), propõe audiência pública para discutir a violência contra mulheres policiais.

DIVULGAÇÃO

DOENÇAS GRAVES

Deputado João Derly (PCdoB-RS) quer atender pessoas com doenças graves com proposta

PL quer atendimento prioritário Brasília (Agência Câmara) - Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de lei 134/15, do deputado João Derly (PCdoB-RS), que garante atendimento prioritário em bancos e repartições públicas a pessoas com doenças graves. A proposta também obriga as concessionárias e as empresas públicas de transporte coletivo a reservarem assentos, devidamente identificados, a esse público. De acordo com o texto, serão consideradas graves para fins do benefício as doenças listadas na lei 7.713/88. Entre as enfermidades, estão: tuberculose ativa; alienação mental; esclerose múlti-

PROPOSTA

Deputado quer aprovar projeto que obriga atendimento prioritário a pessoas portadoras de doenças graves, como câncer, cegueira, esclerose múltipla e tuberculose, em repartições públicas pla; neoplasia maligna (câncer); cegueira; hanseníase; paralisia irreversível e incapacitante; cardiopatia grave; e doença de Parkinson. O conteúdo da proposta é o mesmo do projeto de lei 372/11, que foi arquivado ao final da legislatura passada.

DIVULGAÇÃO

Parlamentares do Congresso Nacional vão avaliar a efetividade de ações adotadas na proteção dos direitos femininos no país

Piora do quadro João Derly destaca a importância de reduzir o tempo de espera dos cidadãos doentes. “Tal situação (a espera) implica não apenas desconforto, mas pode também levar à piora do quadro de saúde dessas pessoas”, diz Derly. A proposta altera a lei 10.048/00, que já prevê o atendimento prioritário às pessoas com deficiência; aos idosos; às gestantes e às lactantes; e aos cidadãos acompanhados por crianças de colo. O projeto, que tramita apensado ao PL 574/15, será analisado, em caráter conclusivo, pelas comissões de Seguridade Social e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Ministra Eleonora Menicucci, da Secretaria de Política para as Mulheres, participará de audiência


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Mundo

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Estudo diz que islamismo crescerá 73% até 2050

Religião é a que mais irá se expandir no mundo neste período, motivado pela alta taxa de fertilidade e população jovem atual FLICKR/JIM BOUD

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ão Paulo (Opera Mundi) -Nas próximas quatro décadas, o islamismo crescerá mais rápido do que qualquer outra religião ao redor do mundo, expandindose em 73%. Essa tendência foi apresentada com base em um estudo divulgado na última semana pela ONG norte-americana PewResearch Center. O relatório parte de 2010 para realizar uma análise comparativa com 2050, investigando padrões de comportamento das pessoas que aderem a cada religião. Uma das conclusões é que o número de muçulmanos se aproximará mais do que nunca ao de cristãos, embora ainda não os ultrapassem como maior grupo religioso do planeta. Há 5 anos, estimava-se que o cristianismo possuía 2,2 bilhões de fiéis, mais de um terço (31%) das 6,9 bilhões de pessoas na Terra à época. Em seguida, estava o islamismo, com 1,6 bilhão de fiéis, representando 23% da população mundial. Contudo, se a tendência demográfica continuar, o número de cristãos crescerá apenas 35%, ao passo que os muçulmanos terão um aumento de 73% de fiéis até 2050, quando a população mundial chegar a 9,3 bilhões de pessoas. Desse modo, em 35 anos, haverá quase uma paridade entre as duas religiões: o cristianismo possuirá 2,9 bilhões de aderidos e o islamismo, 2,8 bilhões. Com isso, até 2050, os muçulmanos terão representatividade de mais de 50% da população em 51 países. Vários motivos explicam esse fenômeno: entre os muçulmanos, a taxa de fertilidade média é de 3,1 crianças por família, enquanto a taxa mundial é de 2,1. Além disso, mais de 34%

EVOLUÇÃO

Conforme o estudo de ONG americana, a religião islâmica estará quase no mesmo patamar do cristianismo em 2050, apresentando um crescimento de 73% neste período investigado da população muçulmana tem menos de 15 anos, número significativamente superior à média de 27% da população mundial nessa faixa etária. Como consequência, fiéis ao islamismo serão mais de 10% da população da Europa até 2050. Há 5 anos, a religião representava 5,9% do continente. Nos Estados Unidos, por sua vez, muçulmanos serão cada vez mais numerosos e se tornarão a segunda maior religião do país. Lá, o cristianismo deve ter uma queda significativa de aderidos. Até 2050, haverá ainda outras modificações notáveis em outras religiões, salvo o budismo, que permanecerá de tamanho semelhante a 2010. O judaísmo e o hinduísmo serão maiores do que 5 anos atrás, com crescimento de 16% e 34% respectivamente nas próximas quatro décadas. Na Índia, o hinduísmo continuará a ser a religião da maioria da população, mas o país terá a maior população muçulmana do planeta, superando a Indonésia.

AGÊNCIA EFE

Família muçulmana na Malásia: levantamento mostra que até 2050 religião terá representatividade de mais de 50% da população em 51 países do planeta

Estado Islâmico se tornou ameaça Grupos palestinos e o governo do presidente sírio, Bashar al-Assad, concordaram, na última quinta-feira, com a criação de uma força militar conjunta para expulsar o EI (Estado Islâmico) do campo de refugiados palestinos de Al Yarmouk, situado a oito quilômetros ao sul de Damasco. Após a tomada do local pelo grupo jihadista no início da semana passada, a situação humanitária foi descrita como “catastrófica” por autoridades. Também na última quinta, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, pediu uma ação para evitar um massacre. “O que está se desenrolando em Yarmouk é inaceitável”, disse Ban a repórteres na sede da ONU. “Nós simplesmente não po-

Há mais de 3,5 mil menores submetidos a risco de mortes e traumas no campo, alerta ONU

demos ficar parados assistindo o desdobramento de um massacre”, afirmou. As declarações de Ban foram proferidas após o porta-voz da Organização pela Libertação da Palestina, Ahmad Majdalani, afirmar que foi realizado um acordo entre as facções palestinas e lideranças sírias para continuar as consultas para uma força conjunta com forças do governo. “O esforço palestino será complementar à ação do Estado sírio para expulsar os terroristas do campo de Yarmouk”, afirmou Majdalani, um dia após se reunir com todas as organizações palestinas, com exceção da AknafBeit al-Maqdess, ligada ao grupo radical Hamas e de oposição ao regime sírio de Bashar Al Assad.


Caderno C

Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 12 DE ABRIL DE 2015

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IONE MORENO

O lixo e a realidade de Manaus Dia a dia C2 a C5

Presídio ‘espreme’ 105 prisioneiros em 35 vagas

Unidade prisional de Parintins nunca foi reformada para funcionar como cadeia pública. Resultado é um “barril de pólvora” FOTOS: TADEU DE SOUZA

Vista externa da problemática unidade prisional de Parintins, imóvel que, com vagas para apenas 35 presos, comporta 105 homens e mulheres sem condições dignas para cumprirem suas penas TADEU DE SOUZA Equipe EM TEMPO

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arintins (AM) – O município de Parintins (distante 331 quilômetros de Manaus) nunca teve uma unidade prisional nos moldes que conhecemos, onde as pessoas pudessem cumprir suas penas com dignidade. O que é chamado de unidade prisional funciona num prédio de uma antiga delegacia de polícia desativada há cerca de 20 anos e que, inicialmente, seria a Delegacia da Mulher. Como não se efetivou a especializada, o prédio passou a ser utilizado para abrigar presos condenados pela Justiça ou aguardando seu pronunciamento. Porém, fora pequenos reparos, o imóvel nunca recebeu uma reforma que o adequasse para funcionar como unidade prisional, ou seja, continuou com a estrutura de uma delegacia cujas celas só têm capacidade para receber 35 presos. Hoje na cadeia pública de Parintins vivem 105 presos. Uma das maiores populações carcerárias do Estado, guardadas as devidas proporções, em relação a outras unidades em municípios menores. O presídio não tem um pavilhão dividindo os setores mas-

culino e feminino. As mulheres cumprem pena separadas apenas por celas dos demais presos. Isso é um problema para a administração. Também não existe guarita para segurança e observação quando os presos estiverem no banho de sol. Recentemente, a prefeitura municipal revitalizou uma parte da iluminação da cadeia. Outro problema sério é a falta de um local para a guarda feita pela Polícia Militar. A maioria dos PMs tiram serviço sentados num banco em frente ao prédio. Diante da gravidade da situação, com a superpopulação carcerária, o Ministério Público, em 2014, ajuizou uma ação civil pública pedindo a interdição total da cadeia. Julgado o pedido, o juiz Itamar Gonzaga, à época titular de Execuções Penais da Comarca, acatou parcialmente o pedido. Mas, os presos nunca deixaram de chegar à cadeia. Ou seja, a medida nunca foi cumprida. Nova administração No ano passado, assumiu a anidade o funcionário Bosco Paulain, que vem “se virando nos 30” para amenizar a situação. “Todo dia a gente mata um leão aqui, agora, dentro de nossas condições, já fizemos

algumas melhorias, inclusive com pintura externa do muro do presídio. Estamos construindo uma fossa, uma vez que a anterior dava problema constantemente. Não resta menor dúvida de que existem problemas maiores a esperar por solução”, assegura. Pouco tempo após assumir a unidade prisional, Bosco Paulain enfrentou a mais sangrenta rebelião da história da cidade, na tarde de 1º de setembro de 2014. A rebelião terminou com dois presos mortos - um deles decapitado - e a unidade prisional completamente destruída. Os líderes da rebelião foram transferidos 48 horas depois para presídios de Itacoatiara e Manaus. “Todo o nosso arquivo foi destruído. Eles utilizaram material de expediente para iniciar o fogo e até hoje ainda não conseguimos nos recuperar dos prejuízos”, diz Bosco. Foi a primeira vez que Parintins e região assistiram a uma rebelião tão violenta. Antes dessa, duas outras, em proporções menores, sacudiram a tranquilidade da Ilha Tupinambarana. Em todas, o primeiro item da pauta de reivindicação era a execução de melhorias na estrutura do prédio.

Nova unidade não saiu do papel O debate sobre a construção de um novo presídio já se arrasta há dois anos. A prefeitura municipal havia disponibilizado uma área na estrada Eduardo Braga, porém, segundo a Secretaria de Estadual de Administração Penitenciária, o local não atende às exigências do Ministério da Justiça, razão pela qual foi descartada. A alternativa seria construir o novo presídio numa área do assentamento do governo federal em Vila

Amazônia (distante 30 minutos de barco da sede do município) mas, para que isso aconteça, é necessário que haja uma autorização do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). “O Incra até agora não autorizou”, diz o Ministério Público Estadual, por meio do promotor Flávio Mota, da 1ª Promotoria de Parintins, enfatizando que uma reunião acontecerá em Manaus, em data a ser

definida, com a superintendência do órgão para tentar obter essa concessão. A preocupação do juiz de Execuções Penais, Fábio Olintho de Souza, é quanto à possibilidade de a Justiça executar a ação do MPE. “Isso inviabilizaria por completo a cadeia pública, e para evitar isso convocamos o secretário de Administração Penitenciária para informar o andamento das providências para construção do novo presídio”, afirmou.

O promotor Flávio Mota (à dir.) e o juiz Fábio Olintho: à espera de uma resposta do Incra


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Dia a dia

Aterro sanitário com Em 2021, o aterro sanitário de Manaus, localizado na rodovia AM-010, não poderá mais comportar as toneladas de lixo descartadas pela população. Outra área está em estudo na BR-174. Enquanto isso, os descartes continuam ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO

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oventa e oito por cento do lixo produzido em Manaus é depositado no aterro sanitário da prefeitura, localizado no quilômetro 18 da rodovia AM 010 (Manaus- Itacoatiara). O aterro de 750 hectares tem prazo de validade até 2021, e a partir desse período não terá mais condições de receber os resíduos da capital. O supervisor do aterro, Edvar José Pereira, contou que a prefeitura estuda a criação de um novo aterro sanitário no quilômetro 13 da rodovia BR-174 (Manaus-Boa Vista), porém

aguarda novas informações. Até 2006, Manaus tinha um lixão a céu aberto, segundo Edvar. O local atual começou a ser construído em 1985, depois de vários bairros, como Novo Israel e Colônia Antônio Aleixo, terem alguns de seus espaços transformados em lixões. Foi em 2006 que começou o aterro de lixo. Edvar contou que no aterro controlado não existe nenhum processo de triagem do lixo para reciclagem. Antes de ser iniciado o aterro, o solo recebe uma camada de 50 centímetros de argila, seguido por uma manta de Polietinelo de Alta densidade (Pead), como se fosse um plástico de 1,5 milímetro. Nova-

mente uma camada de 60 centímetros de argila compactada é lançada por cima e depois um dreno de

pedras. “Esse procedimento é feito para evitar que o solo seja contaminado de algu-

ALTERNATIVA

O supervisor do aterro, Edvar José Pereira, contou que a prefeitura estuda a criação de um novo aterro sanitário no quilômetro 13 da rodovia BR-174 (Manaus-Boa Vista) ma forma. Depois de toda essa preparação, começamos a colocar o lixo até atingir 5 a 6 metros, e o processo v a i em

camadas, como se fosse um bolo de noiva”, explicou. Após ser colocado o lixo, uma máquina passa para alinhar o terreno. Quando o local não está mais apropriado para receber o aterro, uma nova camada de argila é colocada no final do bolo de lixo, e são jogados sementes de capim e restos de cigarros para acelerar o crescimento da área verde no aterro. Uma vez esgotado o espaço, poderá no futuro se tornar um parque. O único lixo que é separado é o hospitalar. De acordo com o supervisor, é feito o mesmo procedimento, porém diariamente a área recebe cal virgem para acelerar no processo de decomposição do material. Gases A preocupação do aterro também é a liberação do gás metano, que tem um impacto maior no aquecimento global. Todo o gás produzido no lixão é monitorado por meio de tubulações apropriadas que o levam para uma estação de tratamento. Na estação, o gás é queimado em uma tempera-

tura de 850 graus. O mesmo processo é feito com o chorume, do qual fica somente a água após o tratamento, que retorna para os leitos dos rios. Todo o trabalho é monitorado 24 horas. O engenheiro ambiental que trabalha diretamente com o tratamento do gás, Lucas Costa, explicou que a equipe está atenta diariamente para acompanhar e resolver qualquer problema que aconteça nas zonas de tratamento. “Às vezes, uma tubulação racha, então precisamos de imediato identificar e resolver a situação”, reforçou. Urubus O lixo atrai muitos urubus para o aterro sanitário. O supervisor Edvar disse que como a população das aves é grande, conseguiu com o Instituto de Proteção Ambiental do Estado (Ipaam) liberação para fazer o abate, pois o único predador dos urubus - a sucuri - não vive naquela região. Para manter os urubus distantes, rojões são acessos a cada cinco minutos. “Esta é uma forma de afugentar as aves, até para evitar

qualquer tipo de acidente, pois estamos localizados em uma área próxima do aeroporto, e há normas e leis que precisam ser respeitadas”, disse. Outra parte do aterro está sendo preparada para continuar a receber o lixo produzido em Manaus. Provavelmente esta área estará pronta até 2021. História Desde 1986, o local de destinação final dos resíduos sólidos urbanos de Manaus pertence à Prefeitura de Manaus, conforme decreto municipal número 2.694. Antes, o terreno pertencia a Honorino Dalberto. Segundo o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), a área está inserida na bacia do igarapé Matrinxã, afluente do igarapé Acará, o qual se junta com o igarapé de Santa Etelvina para formar o igarapé da Bolívia. Em 1990, o Ministério Público determinou recuperação da área e monitoramento, mas somente em julho de 2006 foram concluídos os termos de acordo sobre o assunto, com a implantação do aterro sanitário.


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om dias contados Preparação do aterro sanitário para receber o lixo produzido pela população da capital amazonense

Em 2014, 960 toneladas de lixo

No período de janeiro a dezembro de 2014, foram produzidas mais de 960 toneladas de lixo, o que representa mais de um quilo diário de dejetos por habitante da capital, ultrapassando em 200 gramas por pessoa a média diária de 860 gramas indidivuais por dia prevista pela legislação. A Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semusp) contabilizou um aumento de 2,4% de lixo em 2014

comparado com 2013. A média diária ultrapassou 2,6 toneladas. Deste total, 65,4% foi recolhido na coleta domiciliar, com uma média diária de um pouco mais de 1,7 tonelada de lixo. Em 2014, só das casas foram retirados mais de 634,450 toneladas de lixo, considerado um acréscimo de 28.912 toneladas do ano anterior, significando acréscimo de 4,8%. Do total de lixo produzi-

do em Manaus, além das residências, pessoas físicas ou empresas que trabalham com entulhos, construtoras, indústria, entre outras, também produzem os resíduos que são descartados no aterro sanitário. Só ano passado mais de 28 toneladas foram descartadas por terceiros. Desde maio de 2013, a prefeitura começou a cobrar valores conforme a tonelada e classificação dos resíduos.

Quando a área do aterro não puder receber dejetos, será transformada em área verde

FOTOS: IONE MORENO

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Dia a dia

Coleta seletiva e reci

O tratamento adequado do lixo em Manaus é o grande obstáculo a uma racionalização da exploração de uma cadeia ambi economicamente viável, a partir do instante em que se perceber de fato as vantagens que se pode tirar do que é descartado aind

Lixo coletado e separado pelas cooperativas para reaproveitamento: Manaus ainda carece de um processo de coleta seletiva eficiente e de reaproveitamento de resíduos como vidro, gerando uma la DANIEL AMORIM Especial EM TEMPO

D

entro de cinco anos, o aterro localizado no quilômetro 19 da rodovia AM-010 (Manaus-Itacoatiara) será desativado. A previsão baseia-se em estudo realizado pela Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp), que ainda não definiu um novo projeto de destinação de lixo e leva em conta a relação entre a produção de resíduos e a área disponível. Segundo o analista ambiental Sérgio Martins, do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), um licenciamento de aterro em área privada está em tramitação na Gerência de Projetos Especiais do órgão. “O que temos ali é um aterro controlado, que carac-

teriza-se, basicamente, pelo isolamento do perímetro de resíduos, pelo controle de gases emitidos e pela ausência de catadores. Já o aterro sanitário dispõe de um sistema de impermeabilização e tratamento de chorume. É o procedimento ideal”, explica Martins. No âmbito da coleta e reciclagem de resíduos, o método executado pela Semulsp vem gerando críticas por parte de cooperativas de catadores. A coordenadora da Aliança, Alcineia da Cunha, diz que o sistema substituiu parte do trabalho feito por catadores que atuam no Centro de Manaus. O de coleta de resíduos orgânicos e recicláveis agora é realizado por uma empresa terceirizada. Em vez de ir à rua, o catador se limita a receber, fazer a triagem e o envio do material às fábricas de garra-

fas PET, papelão e lata. “Antigamente, recolhíamos cerca de 55 toneladas por semana. A atual capacidade caiu para 15 toneladas no mesmo período, o que

COOPERATIVA

A Aliança mantém hoje aproximadamente 42 associados (também chamados de donos) e 112 empregados, entre catadores e motoristas, que atendem a capital e seis municípios do interior acaba causando prejuízos”, explica. A Aliança mantém hoje aproximadamente 42 associados (também chamados de donos) e 112 empregados, entre catadores e

motoristas, que atendem a capital e seis municípios do interior. A maioria não possui vínculo empregatício. O serviço de coleta da cooperativa é feito por meio de caminhões e carros que conduzem o lixo para os centros de reciclagem. As visitas, agendadas pelas próprias empresas de acordo com a demanda, ocorrem em média duas vezes por semana nesses locais – mercados, lojas e distribuidoras - e diariamente em supermercados. A sede da Aliança, criada em 2008, está localizada na rua frei José dos Inocentes, no centro histórico da cidade. A média mensal de geração de lixo naquela área é de 1.583 toneladas por habitante, visitantes e lojistas. Esse lixo agora é dividido em resíduos recicláveis – que vão para associações de catadores e lixo

normal – que vai para o aterro sanitário de Manaus. Por meio de nota, a assessoria da Semulsp informa que a prefeitura não determina o que os catadores podem ou não fazer ou onde eles podem ou não atuar. Ela apenas apoia a atividade dos profissionais e busca estratégias para impulsionar o seu trabalho, de acordo com a Politica Nacional dos Resíduos Sólidos. “O que existe é um serviço de coleta seletiva porta a porta da Prefeitura de Manaus, que ainda é pequeno, mas abastece os catadores de materiais e uma coleta diferenciada no centro da cidade que também gera material para eles. Essas são fontes extra de material para eles. Fora isso, os catadores (a maioria) possui seus próprios meios de arrecadar mais produtos”, diz o texto da nota.


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iclagem são desafios

entalmente correta e da indiscriminadamente

FOTOS: DIEGO JANATÃ

Manaus enterra dinheiro SÍNTIA MACIEL Equipe EM TEMPO

Aproximadamente 1,3 quilo de lixo são produzidos por pessoa em Manaus, conforme estimativas da Semulsp. Entretanto, a geração de resíduos sólidos não acompanha um descarte ‘inteligente’, que possa ser reaproveitado de alguma forma. “A coleta seletiva é um processo que envolve educação ambiental. A partir do momento que separamos em casa o lixo molhado (orgânico) do seco (papelão, plásticos e outros), é mais viável trabalhar com a reutilização dele”, explica o subsecretário de Gestão da Semulsp, Eisenhower Campos. De acordo com ele, das 80 mil toneladas de lixo geradas mensalmente na capital amazonense, de 70

Uma nova opção para o aterro

a 75% poderia ser reaproveitado, fomentando a cadeia de reciclagem. Em Manaus quatro pontos de entrega de material – os Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) -, são gerenciados por entidades, que segundo Campos, recebem, separam e comercializam o material lá deixado. A Semulsp oferece apenas suporte logístico a estas entidades. “Em torno de 300 mil pessoas participam do processo de coleta seletiva em Manaus, entre geradores, catadores e munícipes. Esse número é variado e não podemos precisar”, observa ele. Outra dificuldade encontrada pela Semulsp referese à reciclagem de vidros, pois não há nenhum local em Manaus que trabalhe com o reaproveitamento deste tipo de material.

Tratamento de resíduos sólidos poderá substituir o enterro dos detritos no aterro sanitário

Do lixo descartado, de 70% a 75% pode ser reaproveitado

Com uma estimativa de vida útil de menos de 10 anos, o aterro sanitário controlado, localizado no quilômetro 19 da rodovia AM-010 (Manaus – Itacoatiara) poderá futuramente ser substituído por um novo aterro semelhante - cuja administração se dará por meio de uma Parceria Público Privada (PPP) -, ou ainda por uma usina de tratamento de resíduos. Nesta modalidade os resíduos sólidos não são enterrados. “As usinas de de trata-

mento de resíduos requerem um sistema de limpeza pública mais moderno. O rejeito final é mínimo e nada é enterrado”, observa o subsecretário da Semulsp, Eisenhower Campos. Segundo ele, uma das empresas que atuam na gestão do lixo da cidade, a Marquise, detém um terreno, localizado na rodovia BR-174 (Manaus - Boa Vista), que está passando por um processo de licenciamento junto aos órgãos competentes. Quando

estiver pronto, poderá ser oferecido tanto à prefeitura quanto a outras instituições e empresas interessadas. “A princípio não há nada definido de que a prefeitura firmará contrato para um novo aterro sanitário, pois queremos modernizar o sistema de limpeza pública, e uma dessas viabilidades é o modelo de usina de tratamento de resíduos. Mas quem decidirá será o prefeito Arthur Neto”, destaca. (SM)

cuna na exploração econômica do lixo

POSTOS DE ENTREGA VOLUNTÁRIA (PEVS) Manaus possui quatro pontos de entrega voluntária (os PEVs) de material em três zonas da cidade, que fazem a separação e comercialização do que é descartado pela população

Funcionamento de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h 1- Lagoa do Japiim: avenida General Rodrigo Otávio Jordão Ramos, bairro Japiim, Zona Centro-Sul. 2- Parque dos Bilhares: avenida Djalma Batista, bairro Chapada, Zona Centro-Sul 3- Dom Pedro: avenida Pedro Teixeira, ao lado da praça de alimentação, bairro Dom Pedro I, Zona Oeste 4- Parque do Mindu: avenida Perimetral, bairro Parque 10 de Novembro, Zona Centro-Sul


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Dependentes dão nova chance para os estudos

DIVULGAÇÃO

Na reabilitação, internos do centro Abdel Aziz têm força de vontade e apoio para concluir o ensino fundamental ou médio

Alguns dos internos do Centro de Reabilitação em Dependência Química Ismael Abdel Aziz: na luta contra o vício, eles encontram forças para retomar e concluir os estudos, ganhando nova chance

O

Centro de Reabilitação em Dependência Química Ismael Abdel Aziz tem como missão resgatar e reintegrar usuários de álcool e outras drogas e ajudá-los a reescrever seu futuro. Uma das estratégias utilizadas para alcançar esse objetivo é o incentivo à retomada de seus estudos. “Nós sabemos que apenas o tratamento terapêutico não é tão eficaz, por isso oferecemos também as oficinas e as aulas. Com isso temos alcançado sucesso com nossos pacientes”, disse o secretário de Estado de Saúde, Wilson Alecrim. “Minha vida mudou depois que eu entrei no centro de reabilitação. Iria morrer caso continuasse nessa vida louca de drogas, pois sentia que meu organismo não suportava mais a carga exagerada de entorpecentes que usava diariamente. Hoje quero viver muito longe das drogas, pois foi aqui que retomei meus estudos e quero ir mais longe”. Com essa afirmativa, a ex-paciente Arlete*, da unidade de tratamento Ismael Abdel Aziz, começou a reescrever seu futuro.

Após ter concluído o tratamento, a paciente, que é usuária de substância psicoativa há 18 anos, decidiu que a melhor alternativa para sua vida era uma mudança radical. No centro de reabilitação ela encontrou o que queria para colocar em prática seu plano. A paciente foi incentivada por profissionais da unidade de tratamento a retomar seus estudos, fator primordial que está ajudando a jovem a reescrever seu futuro. Arlete teve a chance de concluir o ensino médio no centro de reabilitação, por meio do Provão da Secretaria de Educação e Qualidade de Ensino (Seduc) e hoje está habilitada a dar prosseguimento a seus estudos em nível superior. “Percebi que somente eu poderia mudar minha situação. Por isso pedi para me tratar no centro de reabilitação do governo. Agora, com ajuda da equipe multiprofissional da unidade de tratamento, sei que posso ir longe e me formar em um curso superior e garantir um futuro melhor a mim”, ressaltou a ex-paciente. * nomes fictícios

O aprendizado aliado à terapia Arlete frequenta assiduamente as reuniões familiares que acontecem semanalmente no auditório da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas (SSP-AM), localizada na avenida Torquato Tapajós, bairro Flores, Zona Centro-Sul. “Esse suporte pós-tratamento tem me auxiliado bastante na caminhada rumo à libertação das drogas, porque assim consigo manter o foco no meu objetivo, que é estudar, me formar em psicologia e conseguir um bom emprego”, finalizou. O centro de reabilitação oferece aos pacientes, também, oficinas terapêuticas que se tornaram cursos profissionalizantes para muitos dependentes químicos. Dentre os cursos estão biojoias, artesanato, corte e costura, cabeleireiro, horticultura, informática, música, pa-

nificação e confeitaria. “Nosso compromisso é oferecer ao paciente não apenas um cuidado com sua saúde em geral, mas também possibilitar uma nova chance de reinserção social. Uma das formas

CHANCES

O Centro de Reabilitação Abdel Aziz oferece aos pacientes, também, oficinas terapêuticas que se tornaram cursos profissionalizantes para muitos dependentes químicos encontradas para isso é possibilitar que o indivíduo desenvolva suas habilidades de acordo com um plano singular de tratamento. As oficinas terapêuticas e profissionalizantes têm se

mostrado muito eficazes nessa promoção de saúde aqui no centro de reabilitação”, afirma o diretor do centro de reabilitação, o médico psiquiatra Pablo Gnuztmann. Localizado no quilômetro 53 da rodovia AM-010 (Manaus-Itacoatiara), em Rio Preto da Eva, o Centro de Reabilitação em Dependência Química Ismael Abdel Aziz é uma unidade do governo do Amazonas gerenciada pela Secretaria de Estado de Saúde (Susam) em parceira com o Instituto Novos Caminhos – Organização Social. Estudos Pelo menos 300 residentes retomaram seus estudos depois que iniciaram o tratamento no Centro de Reabilitação Ismael Abdel Aziz, dos quais pelo menos 50 já concluíram os estudos, seja fundamental ou médio.

Incentivo para os estudantes O Provão é realizado via internet, na sala de informática do centro, e acontece duas vezes por mês. “Desde que cheguei, minha vida ganhou um incentivo a mais. Graças à dedicação e incentivo dos profissionais, ganhei ânimo para voltar a estudar e hoje tenho fé que consegui a aprovação no Provão da Seduc”, ressaltou o residente Patrick*, que tentava retomar aos estudos há pelo menos 10 anos. Participam do Provão do ensino médio e fundamental residentes com idade superior a 16 anos que não tinham concluído seus estudos.


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Ronis da SILVEIRA

‘A cidade invade o espaço do jacaré’

FOTOS: RAIMUNDO VALENTIM

SÍNTIA MACIEL Equipe EM TEMPO

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tenção é fundamental ao circular por espaços - ainda que inadvertidamente - em que pode haver a probabilidade, mesmo que pequena, da existência de um jacaré no local, de acordo com o doutor em ecologia e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Ronis da Silveira. Em mais de 20 anos de estudos dedicados aos crocodilianos da Amazônia, o biólogo conversou com o EM TEMPO a respeito do evento fatídico ocorrido na última semana na Região Metropolitana de Manaus (RMM), cuja vítima foi um menino de 12 anos de idade, além de mostrar que muitas dessas espécies estão entre nós e não percebemos.

Os jacarés podem atacar o ser humano de duas maneiras: uma delas é reagindo a alguma forma de provocação, ou tentando se alimentar. Provavelmente ele pode ter confundido a criança com alguma presa dele, com um pato nadando, por exemplo. Estes animais são muito atentos, oportunistas e curiosos”

EM TEMPO - Na última semana, ocorreu o ataque de um jacaré a um menino, em uma área alagadiça, na Região Metropolitana de Manaus. É comum o ataque de jacarés ao homem ou foi uma fatalidade, um acidente isolado? Ronis da Silveira - Os jacarés podem atacar o ser humano de duas maneiras: uma delas é reagindo a alguma forma de provocação, ou tentando se alimentar. Provavelmente, ele pode ter confundido a criança com alguma presa dele, com um pato nadando, por exemplo. Estes animais são muito atentos, oportunistas e curiosos. Eles podem ficar parados por até 24 horas, inertes num local, sem se movimentar, sem atacar, mas na primeira oportunidade, eles avançam. O repertório de comportamento do jacaré é muito limitado. Por exemplo:ele vê algo se batendo na água e interpreta que aquilo pode ser um alimento em potencial. Apesar de predadores, estes bichos passam períodos longos sem se alimentar. Esse animal que atacou a criança, por exemplo, agora com a cheia, poderá passar até quatro meses sem se alimentar, voltando a comer apenas na época da vazante. Os animais pequenos comem invertebrados, insetos, camarões, caranguejos e à medida que vão crescendo, vão acrescentando novos itens alimentares à dieta. EM TEMPO - Uma das hipóteses levantadas para o ataque à criança é a de que se tratava de um jacaré fêmea e estaria defendendo o ninho. É possível que isto ocorra?

RS - Se foi um jacaré-açu (em virtude do tamanho descrito do animal, de mais de dois metros de comprimento), dificilmente seria uma fêmea, porque as fêmeas dessa espécie estão sempre nos lagos mais isolados, não frequentam aquele tipo de ambiente temporário e tão pouco aberto. Esse tipo de acidente, quando ocorre, as pessoas atribuem a uma fêmea defendendo o ninho por ser uma explicação fácil. Há ainda a confusão em acreditar que os animais maiores são as fêmeas e os menores são os machos, como ocorre com os quelônios e outros bichos de casco, cujas fêmeas são maiores. No caso dos jacarés, os machos são maiores. Agora não é período de reprodução deles. Os jacarés vão começar a se agregar para reproduzir a partir de junho. No pico da enchente, as fêmeas começam a construir o ninho, e no início da vazante, entre setembro e outubro. No início de janeiro eles começam a nascer. Uma fêmea no ninho nesse período seria muito improvável, pois elas ainda nem copularam. EM TEMPO - Ainda conforme os relatos dos moradores, o local não seria uma área de aparição de jacarés, e o animal só teria aparecido devido à cheia. Isso também é possível? RS - Aquele é um ambiente temporário que alaga. Cada vez mais estamos tendo cheias mais acentuadas e os animais ocupam os espaços. Esse animais tiveram um sucesso evolutivo na interface água/terra. Como está enchendo, esta interface vai migrando, porque são locais mais rasos e eles podem obter alimentos tanto do ambiente terrestre quanto do ambiente aquático. Então eles estão numa área que infelizmente é o lugar onde nós também estamos. Os adultos (ribeirinhos) atuais cresceram num mundo em que havia poucos jacarés, porque os pais manejaram erroneamente esses bichos e essas populações diminuíram. Quando acabou essa caça, as populações voltaram a crescer, e as pessoas não têm um conhecimento necessário para evitar esse tipo de acidente. O que ocorreu foi um caso extremo. Mas o que ocorre é uma falta de conhecimento da biologia do bicho. Além disso, nós estamos, sim, cada vez mais expandindo e entrando no ambiente deles. Não temos o conhecimento e às vezes achamos que temos. EM TEMPO - Qual a média de ataques desses animais a humanos em nossa região? RS - A média de mortes na

Amazônica é baixa. Uma pessoa morre por ano, mas há os casos de acidentes que terminam em mutilações sérias. As ocorrências são relativamente muito baixas, comparadas com a quantidade de pessoas que vivem nessas áreas, em que eles também vivem, e considerando a quantidade de jacarés que nós temos. Eles estão muito localizados nas regiões de Tefé (Mamirauá), Manacapuru (lago do Piranha) e na região do Piagaçu (rio Purus). Os jacarés são muito atentos. A pessoa não pode se distrair ao circular por determinados espaços, ainda que seja miníma a ocorrência desses bichos no local. EM TEMPO - O ataque desta semana lavantou a questão da caça ao animal, que é protegido por lei e cuja captura se dá apenas por manejo. Como o manejo pode preservar estas espécies? RS - Há o bom e o mau manejo. Até os anos 1970, o Amazonas era o maior exportador legal de peles de jacaré do mundo. Nos anos 1980, entrou uma proibição e esse manejo de peles foi substituído por um manejo ilegal de carne. Ou seja, antes a gente vendia a pele e jogava a carne fora, depois passou a ser o inverso, por restrições internacionais. Agora em 2013, surgiu a legislação estadual específica para o aproveitamento econômico, o manejo, dentro de áreas delimitadas. O manejo - o bom - tende a aumentar as populações. EM TEMPO - Eventualmente, aqui em Manaus, ocorre a captura de jacarés em áreas residenciais. Isso se deve à invasão do espaço deles ou há uma grande concentração desses animais no espaço urbano? RS - Na Amazônia temos quatro espécies de jacarés, que são o jacaré-açu, jacaretinga, jacaré-coroa e o jacarepaguá, como é popularmente conhecido no interior. Mas duas delas são comuns em Manaus - o jacaretinga e o jacaré-coroa. O que ocorre é o seguinte: com a expansão da cidade, a gente cresce sobre a vegetação, a floresta. Na floresta está o jacaré, então, ao entrar nela, a gente tem contato com ele. Ao mesmo tempo, quando a gente vai alterando o ambiente, começa a entrar luz, e isso favorece a entrada de uma outra espécie, o jacaretinga. Temos muitos desses animais na cidade em função disso, porque estamos destruindo a periferia da cidade, e eles estão indo para a água, igarapés, sem muito alimento. Nos igarapés, em virtude da

sujeira, eles vêm se alimentando de ratos, ou seja, os jacarés provavelmente estão controlando a população de ratos na cidade, que é um problema muito mais sério, por conta das zoonoses transmitidas por esses roedores. Fora isso, eles estão comendo lixo e plástico. Sabemos disso porque já capturamos alguns animais e, com uma técnica apropriada, sem sacrificar o bicho, conseguimos fazer uma espécie de refluxo, e para nossa surpresa, ele havia ingerido sacos plásticos. EM TEMPO - Há áreas específicas, com uma maior concentração desses animais na capital? Há algum mapeamento desses locais na cidade? RS - Existem áreas de grande aglomerações de jacarés na cidade, e ainda não sabemos o porquê de isso ocorrer, mas provavelmente seja devido à ocorrência de algumas praias ou de encontros de igarapés, pontes. Atrás do Carrefour da Ponta Negra, na Zona Oeste, por exemplo, passa um igarapé, onde é grande a concentração de jacarés. Quanto a um mapeamento, ainda não conseguimos fazer, mas em Manaus existem no mínimo umas dez áreas onde eles se agregam. Basicamente são jacaretingas. Há algo que favorece a permanência deles lá: ambiente, fonte de alimentos, ainda não sabemos. Tentamos fazer um estudo lá, mas não conseguimos evoluir muito. Na verdade, eles sempre estiveram lá, nós é que não percebíamos. EM TEMPO - Seria possível explorar de alguma forma esses locais, como um local de observação, mas desde que esses animais não fossem incomodados? RS - Sim, claro. Há algumas propostas que poderiam ser aplicáveis de forma fácil, mas sem ter que cuidar deles ou alimentá-los, por exemplo. Seria um bom atrativo turístico, mas envolve algumas questões, entre elas políticas. Já vi em algumas ocasiões alguns grupos observando os animais. Entretanto, temos que observar que pode ser que não trouxesse um efeito positivo, devido ao lugar ser um pouco mal cheiroso. Mas há de resaltar que, caso uma ideia deste tipo seja posta em prática, o animal nunca vai sair da água para assustar a pessoa. Muito pelo contrário, eles aprendem muito rápido que nós é que somos uma ameaça a eles.

Nos igarapés, em virtude da sujeira, eles vêm se alimentando de ratos (...), que é um problema muito mais sério, por conta das zoonoses transmitidas por esses roedores”

Existem áreas de grande aglomeração de jacarés na cidade, e ainda não sabemos o porquê de isso acontecer, mas provavelmente seja devido à ocorrência de algumas praias”


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Dia a dia

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Francisca Mendes chega a 2,58 mil procedimentos A

Fundação do Coração Francisca Mendes, vinculada à Secretaria de Estado da Saúde (Susam), está comemorando um ano de funcionamento do novo serviço de hemodinâmica da unidade, com a marca de 2.580 procedimentos endovasculares de alta complexidade realizados neste período. Os números foram apresentados na última sexta-feira (10), em reunião da equipe multiprofissional que compõe o serviço, realizada na sede da fundação. O secretário estadual de Saúde, Wilson Alecrim, destacou que o novo serviço foi implantado como parte dos investimentos realizados pelo governo do Estado, em parceria com o Ministério da Saúde, para modernizar e ampliar a capacidade de atendimento na área, na rede pública do Amazonas. “E é orientação do governador José Melo que o investimentos continuem, para fazer frente ao crescimento da demanda pelos serviços especializados na área de cardiologia”, disse o secretário. De acordo com o balanço

apresentado na reunião de sexta-feira, na área de cardiologia intervencionista, o novo serviço realizou 1.663 procedimentos, incluindo 38 cateterismos cardíacos pediátricos. Na área neuroendovascular, foram 351 procedimentos, três deles de angiografia em crianças na faixa etária de 10 a 14 anos. Os demais procedimentos ficaram distribuídos entre as áreas vascular (236) e de arritmologia (330), incluindo um caso de procedimento terapêutico (ablação) em criança. “A Fundação do Coração Francisca Mendes já dispunha de serviço de hemodinâmica, mas os investimentos realizados pelo governo do Estado, em parceria com o Ministério da Saúde, foram necessários para dar um up grade no atendimento”, frisa Alecrim. Ele ressalta que o equipamento de hemodinâmica, dotado de tecnologia 3D, que foi colocado em funcionamento há um ano, é considerado um dos mais modernos em uso nas regiões Norte e Nordeste do país. “Esse aporte tecnológico nos permitiu, por exemplo, dobrar a capacidade de realização de procedimentos

DIVULGAÇÃO

Número corresponde aos procedimentos endovasculares de alta complexidade realizados pelo serviço de hemodinâmica endovasculares, tanto para o diagnóstico quanto para o tratamento de doenças cardíacas em adultos e crianças”, disse Wilson Alecrim. Investimentos A implantação do novo serviço de hemodinâmica da Fundação Francisca Mendes integrou o pacote de investimentos da ordem de R$ 45 milhões – entre obras e equipamentos – que resultou na ampliação das instalações da unidade, que é a referência da rede estadual de saúde, na área de cardiologia. A área de expansão – um prédio de três andares – abriga a enfermaria pediátrica com 21 leitos, a Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica, com dez leitos (sendo três neonatais), e o serviço de hemodinâmica. “Essa nova estrutura permitiu que a Fundação passasse a realizar as cirurgias cardíacas em crianças, que até então era oferecida pelo Estado por meio da rede conveniada. Nesse período, já realizamos 58 cirurgias pediátricas e estamos avançando na ampliação da oferta desses procedimentos”, explicou o diretor-presidente da Fundação do Coração, Pedro Elias Souza.

O serviço de hemodinâmica representa os altos investimentos no setor de saúde do Amazonas


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opiniao@emtempo.com.br

(92) 3090-1010

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O vazio da Batata, por Guilherme Wisnik

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Chiclete com banana

E seis indicações culturais. Pág. 2

Arthur Nestrovski recorda Rodrigo Rodrigues. Pág. 3

3

Bendita ascensão social

4

O que será do PT?

Individualismo e religião na nova classe trabalhadora. Pág. 4

País vai precisar de um partido social-democrata. Pág. 5

5

O fim do jejum e o café mulato Diário de Nova York. Pág. 6

Do arquivo de Vladimir Carvalho

6

João Pessoa, 1979. Pág. 7

7

A imaginação de Natalia Ginzburg. Pág. 8

O passo firme de quem não renuncia

Capa

pintura de Sérgio Sister


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Ilustríssima Semana

O MELHOR DA CULTURA EM 6 INDICAÇÕES EDUARDO ORTEGA/DIVULGAÇÃO

EXPOSIÇÃO | LEDA CATUNDA E O GOSTO DOS OUTROS Pinturas, gravuras, aquarelas, colagens, esculturas e um papel de parede formam o acervo exposto pela artista paulistana. Catunda faz um apanhado de referências da cultura pop e questiona os conceitos de beleza, exotismo, bom e mau gosto. Galpão Fortes Vilaça | tel. (11) 3392-3942 | ter. a sex, das 10h às 19h; sáb., das 10h às 18h | grátis | até 23/5 COLÓQUIO | FOUCAULT O Instituto Ricardo Brennand, em Recife, recebe o 9º Colóquio Internacional Michel Foucault: Michel Foucault e as Heterotopias do Corpo. No evento pesquisadores do Brasil, como Tania Navarro Swain e Margareth Rago, e de países como Estados Unidos, Canadá e Portugal, falam em conferências e mesas-redondas. Programação e inscrições em institutoricardobrennand. org.br/coloquio | de ter. (14) a sex. (17) EXPOSIÇÃO | ANSELM KIEFER Trabalhos recentes do artista alemão compõem a mostra “Paintings”. A série de cinco pinturas em grande formato explora as paisagens da Alemanha e a história e política do país nos últimos 70 anos. White Cube | tel. (11) 4329.4474 | de seg. a sex., das 11h às 19h; sáb., das 11h às 17h | grátis | até 20/6

TEATRO | ESPANCA! 10 ANOS A “Ilustríssima” faz três perguntas a Marcelo Castro, ator e diretor de “Dente de Leão”, que a companhia mineira estreia em São Paulo dentro da mostra de repertório que celebra seus dez anos. (ÚRSULA PASSOS) Folha - Qual o traço mais marcante da trajetória do Espanca!? Marcelo Castro - O traço mais marcante da companhia é a encenação de dramaturgias contemporâneas, em que o ser humano é retratado do ponto de vista da violência das afetividades através de atuações com caráter performativo. Procuramos fazer um teatro de transgressões, mas que valoriza acima de tudo a presença e o encontro com o outro.

‘Indonésia’ (2015), acrílica sobre voal e couro

LIVRO | MOLL FLANDERS O romance de 1722, do londrino Daniel Defoe (1660-1731), narra os esforços para sobreviver da personagem-título, da prostituição ao roubo, levando-a ao degredo. O volume sai pela renovada coleção Prosa do Mundo, com textos críticos de Cesare Pavese, Virginia Woolf e Marcel Schwob, e sugestões de leitura complementar. trad. Donaldson M. Garschagen | Cosac Naify | R$ 59,90 | 510 págs. DANIELA OMETTO/DIVULGAÇÃO

Pintura sobre slide, em mostra no espaço Pivô

EXPOSIÇÃO | LUCAS ARRUDA Na mostra “Deserto-Modelo”, o artista paulistano dá seguimento a uma pesquisa recente, em que pinta diretamente sobre a superfície transparente de slides a serem projetados no espaço da exposição. A galeria Pivô também apresenta, até 30/5, trabalhos de Tonico Lemos Auad. tel. (11) 3255 8703 | ter. a sex, das 13h às 20h; sáb., das 13h às 19h | grátis | até 30/5

O que liga essa nova produção às peças anteriores do grupo? Como as outras obras da companhia, essa é uma dramaturgia inédita feita de maneira processual e em colaboração com todos os criadores envolvidos. Dente de leão é uma delicada flor cheia de sementes, mas também é a ferramenta natural usada pelo mamífero carnívoro para dilacerar seus alimentos. Essa imagem de leveza e força de um feroz animal, sintetiza o trabalho do Espanca! desde sua origem: a escrita cênica de uma “poética da violência”. Como é para a companhia manter o repertório em atividade? Amanutenção de nosso repertório é um ato político e artístico na mesma medida, algo que fazemos na contramão do imediatismo atual, segundo o qual até as obras de arte parecem sofrer de obsolescência programada. Através da manutenção em repertório de todas as peças do Espanca!, é possível acompanhar o desenvolvimento da linguagem teatral do grupo. Sesc Ipiranga | tel. (11) 3340-2000 “Dente de Leão”, qui. a sáb., às 21h, dom., às 18h, até 26/4; “Congresso Internacional do Medo” (de 30/4 a 3/5), “Por Elise” (7 a 10/5) e “Amores Surdos” (de 14 a 17/5), qui. e sáb., às 21h, sex. e dom., às 18h, de 14 a 17/5 | R$ 20

Ponto Crítico

URBANISMO - LARGO DA BATATA

1 Sem desertos na cidade GUILHERME WISNIK

O ativismo urbano está na ordem do dia, tanto pelas manifestações políticas e os “occupy” pelo mundo quanto pelas ações urbanas que reivindicam o uso efetivo dos espaços públicos. Fruto do cruzamento de muitos fatores, esse ativismo decorre da combinação entre a evidente exaustão dos modelos políticos tradicionais, por um lado, e a ascensão das práticas autogestionárias através das novas redes de compartilhamento, por outro. É nesse contexto que um movimento recente contra a cons-

trução de um shopping em uma praça de Istambul ganhou repercussão mundial. É também nesse contexto que, em São Paulo, grupos ativistas da sociedade civil, organizando-se de formas colaborativas, horizontais e independentes, passaram a ocupar intensamente certas áreas da cidade, tais como o Minhocão e o seu entorno, o parque Augusta e o largo da Batata. Ações conhecidas como “urbanismo tático”. O movimento A Batata Precisa de Você surgiu em janeiro de 2014, como um grupo de pessoas que passou a realizar encontros na praça às sextasfeiras no final da tarde e à noite. Ganhando repercussão inesperada, o grupo passou a servir também como plataforma colaborativa para a organização de eventos variados naquele

mesmo espaço, gerindo um calendário comum de atividades, e fornecendo apoio logístico para sua realização. São debates, apresentações musicais, cinema ao ar livre, oficinas, saraus, jogos, festas, e um laboratório de mobiliário urbano que se dedica à construção de bancos de praça. O objetivo fundamental do movimento é a transformação desse espaço estéril e de passagem em um lugar de estar, que possa durante um certo tempo agregar as pessoas. Trata-se de uma guerrilha urbana, procurando apropriar-se de um enorme descampado árido, sem bancos, sombra ou proteção contra a chuva e com parca iluminação e árvores esquálidas. Ao contrário da “plaza mayor” na América hispânica, que disciplina o desenho em grelha das

EDUARDO ANIZELLI/FOLHAPRESS

Ilustríssimos desta edição

cidades a partir de um espaço público nítido, os “largos” lusitanos, no caso brasileiro, são em geral espaços sobrantes e irregulares, resultados, muitas vezes, da expansão de pátios e terreiros de igrejas. No caso de São Paulo, alguns desses largos se tornaram importantes centros regionais da metrópole, tais como os largos Treze (Santo Amaro), da Concórdia (Brás) e da Batata (Pinheiros), marcados por uma relação simbiótica entre transporte público, comércio informal, alta aglomeração humana e urbanidade caótica. Espaços vitais, porém muito precários. Principal obra pública da Operação Urbana Faria Lima, iniciada por Maluf nos anos 1990, o novo largo da Batata surge com a chegada do metrô e o deslocamento do terminal

de ônibus para a marginal Pinheiros, acompanhando uma nova vocação corporativa para a área. Erradicando o antigo comércio local, a obra criou um espaço desertificado, tido formalmente como espaço público, mas feito sob medida para que nada mais aconteça efetivamente ali. O largo virou esplanada. Lembrando que a região abrigou desde longa data mercados populares (o mercado caipira, depois o Mercado de Pinheiros), e tem seu nome ligado à cooperativa de agricultores japoneses que ali estabeleceram seu importante entreposto de comércio de batatas, vejo um paralelo entre o nosso largo e o Les Halles parisiense, principal mercado popular da capital francesa até a sua destruição em 1971 para

SERGIO SISTER, 66, é artista plástico. ARTHUR NESTROVSKI, 55, é diretor artístico da Osesp. CELSO BARROS, 42, é doutor em sociologia pela Universidade de Oxford (Inglaterra). DIOGO COSTA, 32, é cursa doutorado em economia política no King’s College de Londres, onde ensina princípios de economia. GUILHERME WISNIK, 42, é professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Foi curador da 10ª Bienal de Arquitetura de São Paulo, em 2013. HENRIQUE DE FRANÇA, 32, é artista plástico (www.henriquedefranca.com).

a construção de um enorme shopping, que é considerado um dos maiores fracassos urbanos da segunda metade do século 20. Não por acaso, foi recentemente demolido e encontrase em processo de revisão e transformação. Voltando ao nosso caso, podemos indagar quanto tempo ainda teremos que ficar com essa novíssima batata quente na mão. Mas tomando o exemplo do grupo que atualmente está incentivando o uso daquele lugar, entendemos que, em tais condições adversas, “a batata” precisa mesmo é de nós. Isto é, são as pessoas organizadas pelo idealismo cívico que poderão, em alguma medida, reinventar em novas bases, pelo uso, aquele lugar como espaço público.

MAURÍCIO SANTANA DIAS, 46, é professor de literatura italiana e estudos da tradução na USP. NATALIA GINZBURG (1916-1991) foi escritora, dramaturga e ensaísta italiana. ROBERTO DUTRA, 33, doutor em sociologia pela Universidade Humboldt de Berlim e professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), é coautor de “A Ralé Brasileira: Quem É e Como Vive” (ed. UFMG). RAFAEL CAMPOS, 45, é ilustrador e cartunista, autor de “Deus, Essa Gostosa” (Quadrinhos na Cia.).


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Música

2 Presença e lembrança Rodrigo Rodrigues e a arte do canto brasileiro

RESUMO Os dez anos da morte precoce de Rodrigo Rodrigues ensejam reflexão sobre sua arte musical, que se revela no pouco comentado “Fake Standards”, gravado em 2001 e lançado postumamente em 2007. No CD, a emissão vocal, entre canto e fala, e os arranjos sutis fazem soar brasileiros os hits do cancioneiro norte-americano.

ARTHUR NESTROVSKI

Estive com Rodrigo Rodrigues uma única vez. Foi em fins de 2004, ou começo de 2005. Naquela época, aconteciam muitos saraus em casa e, numa dessas ocasiões, ele veio trazido por um amigo. Sentou discreto num canto, só ouvindo. Depois de um tempo, pegou o violão e apresentou três ou quatro músicas, “standards” americanos, que cantava como ninguém. Não era só a emissão de voz e a afinação, uma mais perfeita que a outra, nem a pronúncia em inglês, igualmente rara, nem ainda o toque econômico mas suingado do violão, com harmonias estudadamente simples; não era só a emoção controlada daqueles pequenos roteiros afetivos, de uma leveza profunda, cantados ao mesmo tempo como presença e lembrança, sutilmente descolados de si. Era, sim, a combinação inaudita de todos os elementos que fazia dele um cantor original e essencialmente brasileiro, mesmo nesse repertório americano. Conversamos um pouco, era tarde, ele se despediu prometendo voltar. Deixou a cópia de um CD ainda inédito, “Fake Standards”, com aquelas canções e outras. Fora gravado poucos anos antes, em 2001, no estúdio de Mário Manga, com quem, ao lado ainda de Fábio Tagliaferri, Rodrigo formava há mais de uma década o cultuado trio Música Ligeira. Poucos meses mais tarde, recebi a notícia de que Rodrigo estava muito doente, com uma leucemia fulminante, que o tirou de nós em 6 de abril de 2005, data em que completava 44 anos de idade. Na época não tive coragem de ouvir de novo o CD, guardado num envelopinho de plástico. Qualquer gravação mecânica da música é sempre um triunfo contra a morte, mas, quando a vida se limita assim a seu registro, tão literal e subitamente, aquele objeto de plástico ganha outro caráter, que pede algum tempo para ser confrontado. O CD permaneceu intocado, então, no plástico e acabou ficando preso entre dois outros, perdido numa estante. Dois anos depois,

em 2007, “Fake Standards” seria lançado pela gravadora Dubas; mas a imprensa na época mal o noticiou, e as gravações, até hoje, permanecem mal conhecidas. Há poucos dias, procurando outra coisa, deparei com aquele exemplar de “Fake Standards” que o próprio Rodrigo me deu, com a letra dele grafada a caneta, escondido entre os outros discos. Tantos anos depois, essa voz gravada ganha outro estatuto, mas sua audição, mesmo assim, não perde a força evocativa de tornar presente quem não está mais aqui. Em outro contexto, valeria a pena comentar faixa por faixa desse disco impressionante, que reúne 14 canções de autores como Irving Berlin e Kurt Weill, uma penca de clássicos eternizados por artistas como Fred Astaire, Frank Sinatra, Ella Fitzgerald e Chet Baker. Além de cantar, Rodrigo toca violão, faz lindos solos de harmônica e ainda toca clarinete e sax, em arranjos que se distribuem de modo parcimoniosamente variado ao longo do percurso, incluindo o violão e cello de Mário Manga e aqui e ali um grupo de cordas (Luiz Amato, Adriana Holtz e o próprio Tagliaferri). Boa parte das canções é acompanhada só pelo violão de Rodrigo e do incomparável Manga. O disco (que pode ser ouvido em streaming aqui: tny. gs/1Fz3fTj) não tem percussão nem bateria. Breve A arte é imensa, a vida é breve; vamos nos concentrar numa canção. Uma das mais curtas, inter-

RAFAEL CAMPOS | Ogro

pretada só com acompanhamento de violão e sem repetições, como uma cena teatral ou um poema, que depois cada um pode ouvir ou ler de novo, mas que não faz sentido cantar mais de uma vez. Composta em 1938 por Irving Berlin, “Change Partners” foi feita para o filme “Dance Comigo”, no qual era cantada por Fred Astaire, contracenando com Ginger Rogers (bit.ly/1ItdXhE). Foi gravada depois no disco “Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim” (1967), com Tom tocando violão e a orquestra por trás num arranjo bossa nova clássico (bit.ly/1y5msfd). A comparação entre as duas versões esclarece muito da maneira de cantar de Rodrigo Rodrigues. O ponto central é a relação entre a voz cantada e o acompanhamento. Tanto Sinatra quanto ele entoam a letra de um modo que aproxima o canto da fala, alargada liricamente que seja; mas Rodrigo, sem perder nada do lirismo que a letra pede, leva isso a um extremo – um extremo só possível para quem passou a vida ouvindo João Gilberto. No caso de Sinatra, a voz guarda uma regularidade métrica essencial, sob a aparência de flexibilidade, enquanto o acompanhamento desloca os acentos à maneira elegante de Jobim. Já com Rodrigo, é quase o contrário: o violão vai pingando os acordes do modo mais regular (como faz João Gilberto em muitas situações), enquanto a voz flutua livremente, com sutilezas rítmicas que desafiam a notação. Isso dá a ele também a liberdade para fazer portamentos (passar de uma nota a outra de modo contínuo e expres-

sivo) e espichar algumas sílabas, ressaltadas afetivamente por um vibrato delicado, mas crucial. O mesmo fenômeno, em maior ou menor grau, pode ser ouvido também em versões inesquecíveis de “Sweet Lorraine” (Burwell/ Parish, 1928), “September Song” (Kurt Weill/ Maxwell Anderson, 1938) e “Let’s Face the Music and Dance” (Irving Berlin, 1936), para ficar só nessas. O que se está descrevendo aqui, de forma bem sucinta, resume algo do que há de fundamental no canto brasileiro moderno e que tem a ver justamente com a aproximação sutil e a não menos sutil transformação entre o canto e a voz falada (assunto por excelência de nosso mestre Luiz Tatit). Caetano Veloso fez isso por outras vias em “A Foreign Sound” (2004), projeto de imensa riqueza vocal e instrumental, com a ambição de definir padrões de excelência para a música e os músicos do Brasil, aos olhos do mundo. Nessas gravações de Rodrigo, o que se escuta vai numa direção contrária, mas atingindo o mesmo objetivo; nada menos que a depuração das lições de João Gilberto e de Tom, transferidas para o repertório americano com a autoridade discreta de um artista brasileiro. Escutar esse CD agora – e tanto mais este CD em particular, que recebi em mãos naquele encontro único, dez anos atrás – deixa a gente mais que comovido e faz de cada um de nós depositário e mensageiro da arte de Rodrigo Rodrigues, um dos maiores cantores que o Brasil já produziu.


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Sociologia

3 Do sindicato à religião O individualismo da nova classe trabalhadora RESUMO O debate sobre a estrutura social no Brasil passa pelo entendimento da nova classe trabalhadora. À diferença de sua antecessora clássica, ela não estrutura sua identidade a partir de ideais do chão da fábrica, mas sim em torno de comunidades religiosas que propiciam identificação baseada em medos e expectativas comuns.

ROBERTO DUTRA ILUSTRAÇÃO SÉRGIO SISTER

Ao contrário da crença intelectual predominante nas últimas duas décadas do século passado – na academia e na esfera pública –, as classes sociais existem e travam lutas decisivas para toda a sociedade, nos diferentes contextos. Isto, porém não significa que os antigos sistemas conceituais e explicativos dedicados ao tema – como o marxismo e algumas teorias sociais da primeira metade do século passado – sejam a melhor alternativa intelectual para a construção de um entendimento adequado sobre ele. O apego a certos axiomas do pensamento marxista (que muitas vezes resultam de uma interpretação simplificada e pobre de Marx), por exemplo, em nada ajuda na tarefa de compreender o real significado das clivagens de classe para a

ação social dos indivíduos. O teorema marxista de que uma única e mesma estrutura de classes (entre proletários e capitalistas) perpassa todo o conjunto de campos e contextos sociais não se sustenta. A construção política de formas de solidariedade e reconhecimento social transclassistas mostra que a sociedade dispõe de sistemas capazes de produzir modalidades de identificação e pertencimento (como a solidariedade nacional que sustenta o estatuto transclassista da cidadania) que transcendem a reprodução da desigualdade de classes. É o que podemos chamar de contingência (o caráter mutável, não necessário) da luta de classes. A luta de classes, por mais penetrante que seja, não está fadada a ser totalizante no conjunto das relações sociais. Nem todas as relações sociais são relações de classe em luta. No nível das trajetórias de vida individuais, essa contingência também se faz presente. Ainda que a origem de classe (ditada pela origem familiar) estruture a identidade social dos indivíduos, configurando expectativas de ascensão e atuação social nos mais diversos contextos, existem instituições capazes de reestruturar essa identidade, criando expectativas, interesses e sonhos que conferem novo rumo ao que o passado classista fez dos indivíduos. O engajamento no serviço militar é um exemplo; a escola republicana é outro. Essas instituições têm vocação para transcender o vínculo de classe e para criar interesses sociais compartilhados entre distintas classes. A identidade de classe não é um dado nem um fato determinado por uma única dimensão da vida

social. Está sujeita aos efeitos de instituições e agentes que sempre podem redefinir interesses, expectativas e projetos coletivos, capazes tanto de reiterar como de superar fronteiras de classe. A consequência disso é uma “indefinição relativa” da identidade de classe. Essa “indefinição relativa” constitui o fermento das disputas ideológicas atuais em torno do surgimento e ascensão de uma nova classe social no cenário brasileiro, pois abre um campo de lutas pela definição da identidade de classe também por meio da identificação com outras classes ou frações de classe. Aliás, a escolha da terminologia adequada já encerra uma disputa importantíssima. Se a denominamos “nova classe trabalhadora”, projetamos uma “fusão de interesses” para “baixo”, com o restante das classes populares; se falamos em “nova classe média”, fazemos uma projeção para “cima”, imaginando uma “fusão de interesses” com a classe média tradicional. O mesmo vale para a adoção ou não do adjetivo “nova”. Fordismo Embora as possibilidades de identificação sejam em princípio muito variadas, a trajetória de vínculos institucionais típicos de uma classe limitam e estruturam essas possibilidades. O período fordista, por exemplo, marcado pela organização fabril do trabalho e pela estabilidade do emprego e da renda, ao favorecer a organização sindical, constituiu um perfil de vínculos muito particular, responsável por fazer com que a posição de trabalhador assalariado na esfera da economia se traduzisse em plataforma de ação coletiva no campo político.

É importante lembrar que essa ação coletiva esteve vinculada também à identificação com interesses e valores transclassistas, mesmo se o fordismo corresponde a um momento decisivo de oposição entre as classes. O perfil social dessa classe trabalhadora “clássica” é específico de pouquíssimos países e regiões do mundo. O grande equívoco é tomar esse perfil contingente e datado como se fosse a “verdadeira e única face” da classe trabalhadora. Assim como falamos hoje em “variações do capitalismo”, podemos falar também em variações da “classe trabalhadora”. O que chamamos de nova classe trabalhadora não dispõe das relações de produção fordistas para construir seu perfil de ação social e política; como sabemos todos, a ausência do sindicato como forma de organização sociopolítica é o principal sintoma disto. No entanto, não basta saber o que não constitui o perfil desta nova classe; é preciso saber o que o constitui, sua positividade. O equivalente mais cotado do sindicato para essa nova classe trabalhadora é a comunidade religiosa. Se não dispõe de uma organização (como o sindicato) capaz de operar a tradução e a identificação política a partir de interesses e estilos de vida forjados no chão da fábrica, essa classe encontra nas comunidades (especialmente as pentecostais) espaço para criar uma identificação (especificamente religiosa) a partir de dramas, medos e expectativas comuns. A face religiosa da nova classe trabalhadora, que desnorteia e irrita o dogmatismo

conceitual da intelectualidade antirreligiosa de distintas orientações ideológicas, não é um fenômeno inédito do Brasil, da América Latina ou dos “países em desenvolvimento”. Expandindo o conceito de classe trabalhadora para além da “noção fabril” de classe operária, vemos, por exemplo, que a classe trabalhadora das cidades médias e pequenas da Alemanha do século 19 e início do século 20 formou sua identidade coletiva com base na construção de um ambiente social católico que servia de contraponto tanto ao secularismo radical dos socialistas como ao protestantismo liberal das classes altas. A diferença mais importante não é tanto se o elemento religioso está ou não presente, mas antes se a identificação coletiva fica ou não restrita a ele. Falta No caso da nova classe trabalhadora brasileira, a variação em relação ao modelo da classe operária fordista, sindicalizada, que levou à constituição do PT, costuma ser caracterizada pelo signo da “falta”. Tal caracterização descreve essa nova classe como desprovida das formas de mobilização e identificação coletivas (sindicato e partido) típicas do “perfil clássico”. Por conta dessa “falta”, costuma ser tachada de “individualista”, em contraste com o sentimento de pertencimento coletivo resultante da inclusão sindical e partidária. A isso se somaria uma orientação ideológica flutuante e mal definida, compondo um quadro interpretativo afinado com um sentimento de “perda” por parte dos setores progressistas do campo político. É esse sentimento que possivelmente melhor define a crise atual do chamado “lulismo”, com a desfidelização anunciada de grande parte de sua base eleitoral.

O grande desafio, intelectual e prático, é o de compreender essa flutuação para além de definição pela “falta”, apreendendo os elementos que produzem um tipo de orientação que o script ideológico tradicional não consegue captar. Esse tipo de orientação – eis uma hipótese para futuras análises – pode talvez ser pensado como uma espécie de “filosofia liberal popular”, que embasa “espiritualmente” a identificação da nova classe trabalhadora com o ideário pequeno burguês do controle individual da vida em contraposição também ao modelo da grande empresa fordista. Não se trata de uma orientação bem definida, mas de uma orientação disputada entre os agentes e instituições de mobilização política engajados em interpretar, de formas diferentes, a valorização da dignidade individual típica desta nova classe e, com base nesta interpretação, forjar compromissos transclassistas no campo político. Essa hipótese parece plausível uma vez que a nova classe trabalhadora, como a velha, compartilha projetos de vida genuinamente ancorados nos valores e visões de “vida boa” do individualismo moderno, embora seja falsa a afirmação de que tal individualismo não tenha contrapesos comunitaristas – basta ver as redes de ajuda mútua criadas em torno das comunidades religiosas –, como também é falsa a tese de que a classe trabalhadora “clássica” não se orientava por valores individualistas. A diferença principal dessa nova classe trabalhadora, quando confrontada a sua antecessora, reside na descrença relativamente maior nas formas de representação e participação políticas existentes – o que, no limite, acaba afetando sua adesão a projetos políticos baseados em uma maior politização das relações sociais.


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Política

4 O dilema do PT Partido social-democrata forte será importante nos próximos anos

RESUMO A oposição interna do PT, com posições indefensáveis sobre economia e alianças, dificulta a alternância de poder na sigla, que precisa de uma autocrítica moral e programática. O desafio é seguir tardiamente a trilha dos partidos socialdemocratas da “fase heroica” num país em que “welfare state” não foi construído.

CELSO BARROS

O PT vai acabar? Provavelmente não. Não há dúvida de que a crise é a mais grave da história do partido, e sem uma resposta adequada da direção o risco de declínio é real. Mas a necessidade de um partido social-democrata forte deve ser muito maior nos próximos anos do que foi nos últimos 12. E, como veremos, a criação de uma alternativa de esquerda ao PT (um “pós-PT”) não será fácil. Trinta anos de crescimento baixo sugerem que serão mesmo necessárias reformas para aumentar nossa produtividade, e muitas dessas reformas devem pressionar a desigualdade para cima. Mas já estamos na fronteira superior da desigualdade possível. Não adianta os liberais brasileiros quererem brincar de Thatcher: um programa liberal no Brasil não será implementado contra o fundo

de 30 anos de construção do “welfare state” e forte queda de desigualdade, como foi no Reino Unido. Será contra 12 anos de governos de esquerda muito moderados que conseguiram fazer a desigualdade cair até o nível (já altíssimo) do Brasil dos anos 1960. Justamente porque o país precisa de reformas liberais, precisa ao mesmo tempo redistribuir renda e oportunidades com um entusiasmo que nunca teve. Este é o acordo necessário para nossas próximas décadas: mais liberalismo em troca de mais redistribuição. Após quatro vitórias presidenciais, seria razoável supor que o PT liderasse a esquerda nessa negociação. Mas os escândalos de corrupção recentes podem colocar em xeque a hegemonia petista na esquerda. Para fechar esse flanco, o partido precisa ao menos começar a pagar sua conta junto à opinião pública. Moralmente a ferida agora é mais profunda do que foi no mensalão. A acusação de que o PT levava uma porcentagem do dinheiro supostamente desviado pelo PP, se comprovada, descarta o argumento da governabilidade que, em algum grau, funcionava no mensalão e escândalos anteriores. Não parece provável que o PP tenha exigido que o PT aceitasse uma porcentagem do esquema como condição para apoiar o governo. Cabe então perguntar, visto que o PT já demonstrou habilidade política razoável, por que não faz o óbvio: reconhece seus erros e afasta os dirigentes envolvidos em casos de corrupção. Parte da história, é claro, deve ser a influência política que vários dos acusados ainda têm. Mas não é só isso. Obstáculo A alternância de poder no PT

esbarra em um obstáculo: as tendências internas que mais aparecem nas denúncias de corrupção são as que melhor entenderam a necessidade de aceitar as regras do jogo político e da economia de mercado. Deve haver correlação entre as duas coisas, e isso deve dizer algo sobre o jogo político e o mercado no Brasil, mas são temas para outra hora. Enquanto a oposição dentro do PT não aceitar o programa social-democrata, a alternância interna continuará inviável, já que muita gente que não é corrupta apoia o atual grupo dirigente (ou dele faz parte) porque não quer implementar o programa de transição trotskista, alguma versão à esquerda da “nova matriz econômica” ou seja lá que atualização programática os avatares ornitológicos de Chávez tenham dado ao bolivarianismo nesta semana. É bastante frequente que críticos do governo à esquerda comecem falando coisas ponderadas sobre corrupção e terminem falando coisas indefensáveis sobre alianças e economia. Enquanto isso continuar, o grupo dirigente do PT tem estabilidade no emprego. E falta de alternância política sempre traz o risco de corrupção. A revisão programática do PT é urgente. Pode haver algum espaço para pequenos movimentos que ainda tentem extrair algo da tradição socialista, assim como para “libertarians”, anarquistas ou conservadores de todo tipo. Seria ruim se toda ideia política fosse submetida ao teste pragmático “faz sentido implementar isso hoje?” em toda e qualquer situação. As ideias políticas se fertilizam mutuamente de maneira imprevisível; elas não existem só para governar, e nunca se sabe da mistura de quê com o quê sairá a próxima

boa ideia. Um espaço público em que só se discuta a centro-esquerda e a centro-direita seria desnecessariamente pobre. Mas nada que não tenha uma boa resposta para o teste pragmático deve chegar perto de posições de governo. Se o PT, ou uma grande parte de sua esquerda, quiser ser uma alternativa de esquerda à social-democracia, talvez valha lembrar que ninguém aqui conquistou o direito ao tédio escandinavo. As tarefas históricas da social-democracia mal começaram a ser realizadas no Brasil. O PT tem vencido eleições porque deu passos importantes nesse sentido. Não foi porque “derrotou o neoliberalismo” ou porque o Foro de São Paulo esconde a verdade da população. Não interessa o que os quadros ou os intelectuais do PT achavam que estavam construindo, os sindicatos e os eleitores construíram um partido social-democrata. Social-democracia é mirar o imposto para cima e o gasto governamental para baixo, e é isso que a população espera que o governo petista faça. A social-democracia exige contas públicas razoavelmente equilibradas, pois uma social-democracia com um Estado em crise é como um liberalismo alavancado em “subprime”. É muito difícil fazer isso tudo em um país pobre: talvez o único exemplo indiscutível de partido social-democrata no Terceiro Mundo seja o Partido Socialista chileno. Mas essa é a tarefa histórica do Partido dos Trabalhadores, que pode aceitá-la ou sair da frente. Esboços Os esboços de pós-PT que apareceram recentemente (Rede, Raiz, talvez o PSB) normalmente começam pelo final: pela adesão declarada ao

programa social-democrata e/ ou verde, pela defesa da ética, pela reconquista da classe média. Mas esses são planos para resolver os problemas do PT (e que o PT faria bem em copiar), não para substituí-lo no que ele funciona. Eric Hobsbawm caracterizou o PT como um exemplo tardio dos velhos partidos social-democratas que prosperaram na Europa. O “tardio” aqui tem consequências práticas profundas. Os partidos social-democratas europeus cresceram junto com o operariado fabril, que era uma parcela grande da população, e deixaram como legado imensos Estados de bem-estar social. No Primeiro Mundo, o “welfare state” sobrevive ao declínio numérico e político do operariado tradicional, aos trancos e barrancos, pelo apoio dos usuários de seus serviços. Hoje, boa parte do que os sociais-democratas europeus precisam fazer é ajustar a máquina de redistribuição de oportunidades às necessidades da eficiência econômica e às novas reivindicações de gênero, ambientais etc. Não é por acaso que é fácil para a centro-direita brasileira se dizer social-de mocrata. Seu modelo é a socialdemocracia que já venceu. O PT é um partido socialdemocrata da fase heroica, de quando o “welfare state” ainda não estava montado. Mas a janela em que os grandes partidos social-democratas europeus se consolidaram já se fechou. O tempo entre nossa industrialização tardia e a crise do industrialismo não foi suficiente para que um movimento operário de massas construísse nosso Estado de bem-estar social – e muito dessa industrialização se deu sem democracia. Os “30 anos gloriosos” da social-democracia europeia aqui foram alguns anos de commodities um pouco mais caras. O PT teve que tentar outra coisa. Em sua “História do PT”, Lincoln Secco sugere uma fórmula interessante: ao contrário da social-democracia europeia, que se moveu para o centro se aproximando da classe média, o PT o fez se aproximando dos setores mais pobres, que são a maioria da população

brasileira. Como notou André Singer, os mais pobres são mais sensíveis a mudanças bruscas (por exemplo, no que se refere à inflação), o que explica que essa aproximação tenha se manifestado como movimento para o centro. É importante notar que, como mostrou Singer, a aproximação da esquerda com os pobres se deu principalmente após a conquista do governo. O carisma de Lula é inegável, mas ele só foi totalmente ativado quando a renda dos pobres começou a subir aceleradamente. O pós-PT entraria no jogo sem o patrimônio político e organizacional acumulado nessa história. O cenário em que a maioria da população se sindicaliza é tão improvável para o pós-PT quanto para o PT – e o pós-PT precisaria mobilizar os mais pobres sem o crédito das políticas sociais do lulismo. Não poderia reeditar os anos 80, e não começaria sendo governo. Mesmo se quisesse voltar aos 80 (às vezes parece ser o caso do PSOL), àquela época o PT não disputava com outro PT já constituído; e, mesmo se já começasse no governo, as políticas sociais mais fáceis de implementar e de aceitação mais universal já foram postas em prática por Lula/Dilma. Isto é, o pós-PT precisaria descobrir formas de mobilização popular que o PT não soube criar, ao menos para crescer o suficiente para atrair uma grande dissidência petista. E, para que a crítica ética do pós-PT se traduzisse em algo mais efetivo, precisaria de uma base de apoio popular ainda maior e mais mobilizada, que se refletisse numa maioria parlamentar. Não é impossível. Mas, mesmo se o PT fracassar na autocrítica moral e programática, o mais provável é que os projetos de pós-PT só prosperem, de início, como sócios minoritários em alianças que incluam o PT, ou como alternativas eleitorais onde o partido for fraco. Isso, claro, supondo que a crise não cause uma deserção de petistas tão grande que o pós-PT acabe sendo pouco mais que uma mudança de nome (ou de direção).


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Diário de Nova York O MAPA DA CULTURA

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O calendário islâmico Goles de preconceito, sem açúcar e sem afeto

LUCRECIA ZAPPI

O prefeito Bill de Blasio decidiu adicionar ao calendário letivo das escolas públicas dois feriados consagrados ao islamismo. Católico não praticante, De Blasio disse que a medida é uma maneira de “honrar a contribuição” da comunidade islâmica de Nova York. Segundo a Universidade Columbia, cerca de 10% do total de 1 milhão de estudantes da cidade são muçulmanos. Os feriados são o Eid alAdha ou Grande Festa, em que Abraão oferece o filho em sacrifício a Deus, em vigor a partir de setembro em Nova York, e o Eid al-Fitr, celebração do último dia do Ramadã, que estreará em agosto de 2016. O novo calendário pode ser visto como uma marca do pluralismo americano em defesa das minorias – alguns distritos nos Estados de Nova Jersey, Vermont e Massachusetts também têm seus feriados muçulmanos. Ou como evidência de que Nova York superou o trauma do ataque às Torres Gêmeas em 2001. No entanto, a decisão contraria o caráter laico da educação na cidade, um dos pilares ideológicos do partido do prefeito democrata. Quem comemora são as crianças, com menos dias de aula. Macchiato “Race together” não durou uma semana. A grande campanha do Starbucks lançada no mês passado para promover a discussão sobre o racismo provocou uma avalanche de irritação nas redes sociais. As críticas iam do despreparo dos baristas para falar

do tema até a hipocrisia da própria empresa. Segundo os internautas, o alto escalão da maior rede de cafeterias do mundo está composto de brancos, enquanto quem serve as bebidas é negro. Outros diziam que o assunto era indigesto. Segundo o chefe executivo da Starbucks, Howard Schultz, a ideia surgiu das tensões raciais pelo país, agravadas nos últimos meses com mortes de negros desarmados por policiais brancos, como Eric Garner em Staten Island em julho do ano passado e, no mês seguinte, o jovem Michael Brown, em Ferguson, no Estado de Missouri. Bem antes da iniciativa do Starbucks no mês passado, a Mix Coffeehaus, um café temporário no bairro do Bronx, questionava a identidade racial dos clientes. Em lugar de perguntar o nome do cliente, como na rede mundial de cafés, os baristas perguntavam como ele se definia racialmente. A resposta, além da escolha do grão, que podia ser “Uma gota”, “Mulato” e “Vira-lata”, abria debates sobre o tema. Tudo fazia parte de um projeto da estudante Vernicia Colon para a Parsons the New School for Design. A cafeteria funcionou em abril e em dezembro de 2014. Macchiato 2 Depois do fracasso da campanha de interação do Departamento de Polícia de Nova York com as comunidades da cidade por fotos no Twitter, em que #myNYPD virou palco de imagens violentas da polícia contra o povo, o departamento estreia o IdeaScale. O soſtware já adotado por

diversos órgãos federais, como a Agência de Proteção Ambiental e até mesmo a Casa Branca, lança nova possibilidade de diálogo entre policiais e moradores por meio de debates e votação anônima em ideias e projetos. O recurso talvez gere mais indagações do que respostas, mas já é uma abertura para temas difíceis e seus diagnósticos. Plumas Mais empolgante do que a exposição de Björk no MoMA é deixar-se absorver pelos cadernos inéditos de JeanMichel Basquiat no Museu do Brooklyn. Enquanto a islandesa é decifrada por meio de seus álbuns em um clima encantado de faz de conta, a mostra de Basquiat não precisa de muitos artifícios para firmar sua linguagem irreverente e grafiteira. O artista que nasceu no Brooklyn e morreu aos 27 anos é uma das vozes mais originais da arte contemporânea. Descobrir esses cadernos é, em si, pura poesia. No Museu Metropolitan, “The Plains Indians”, que vai até maio, é outra mostra imperdível sobre a arte indígena na América do Norte, com belas vestimentas e pinturas sobre couro que retratam danças vitoriosas e animais míticos, oriundas de grandes coleções como a do museu parisiense Quai Branly. Para quem viu Björk e Basquiat (que terminam, respectivamente, em junho e agosto), a mostra dos indígenas é uma lembrança da sua forte influência sobre a imagética de Basquiat, ou da fascinação pelos rituais tribalistas de Björk, a serpente emplumada do rock.


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Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRARAM HISTÓRIAS

6 O velho, o mar e a memória João Pessoa, 1979

ACERVO PESSOAL

José Américo de Almeida, Walter Carvalho e Vladimir Carvalho, em praia de João Pessoa, em 1979

VLADIMIR CARVALHO

Ao entender-me de gente, logo aprendi a admirar José Américo de Almeida, como figura incontornável da mitologia nordestina – como todo paraibano que se preze. Em 1967 fui entrevistá-lo para o jornal em que trabalhava, substituindo o seu repórter principal. Não tinha experiência do batente e ao final, quando pensava em dar por terminada a tarefa, José Américo surpreendeume com uma inesperada exigência: que eu lesse para ele a algaravia que lançara no bloco de notas. Tremi nas bases e a custo consegui, nervosíssimo, “traduzir” o manuscrito. Ele então rubricou folha a folha, passando-as de volta para mim. Era sua tácita e cautelosa concordância com o que escrevera. Era seu jeito e seu estilo de ser, e aquilo ficou-me para sempre na memória. Doze anos depois voltei ao seu retiro, ele já um solitário nonagenário ao pé do mar, para tomar-lhe extenso depoimento destinado ao meu longa-metragem “O Homem de Areia”, que pretendeu ser o seu perfil no cinema. Interditado o trânsito em frente ao seu casarão no Cabo Branco, guiei-o até a beira da praia para uma caminhada que arquitetara desde o roteiro. Ali, no plano meio inclinado, onde as ondas morrem no areal. Mesmo discreto, o desnível do terreno onde pisava dificultava os seus passos e acentuava o seu coxear, puxando pela perna esquerda, exigindo-lhe certo esforço. Era a marca indelével que trazia no corpo desde o desastre aéreo de 1930, quando assumiu o Ministério de Viação e Obras, no primei-

ro governo Vargas. Míope e sem saber nadar, quando o avião Savoia-Marchetti se precipitou nas águas do mar da Bahia, o nosso herói foi milagrosamente salvo, fato que atribuía à intervenção de uma força superior, mais do que aos tripulantes de um saveiro que por ali passava, içando-o dos destroços em que se mantinha agarrado. Na véspera das filmagens não consegui conciliar o sono de tão ansioso que estava, pensando em como iria enfrentar uma das mais temidas lendas da política brasileira. Eu havia visto, fazia pouco, uma entrevista que ele concedera a Otto Lara Resende, na televisão, e constatara o respeito reverencial com que o velho profissional de imprensa tratara o autor de “A Bagaceira”, o que só fizera aumentar o meu nervosismo. Para me deixar mais preocupado, José Américo me pedira para assistir ao meu filme “O País de São Saruê” que por aqueles dias havia sido liberado e ganhava as páginas dos jornais, depois de uma quarentena de mais de oito anos preso na censura. A essa altura eu ficara sabendo da visita que agentes do Dops haviam feito a Roberto Faria, então dirigente da Embrafilme. Os famigerados queriam obter o roteiro de “O Homem de Areia” e saber sobre o seu financiamento por aquele órgão de governo. Consta que era uma injunção do general Reinaldo de Almeida, filho de José Américo, cogitado para assumir a Presidência da República. No fundo, penso que, se assim foi, o seu gesto expressava tão somente um compreensível zelo filial, temendo que o velho que concordara em ser filmado entrasse numa fria.

Mas Roberto saiu-se muito bem. Disse aos “emissários” que dali só sairiam documentos com tal conteúdo mediante autorização do Ministro da Educação e Cultura, a quem era subordinado. De manhã fiz da fraqueza força e acudiu-me pensar em El Cid, o grande cavalheiro: “Treme perna, mas eu te levo lá”. E fui! Tranquei a rua, orientei a equipe e passeei o ministro pelas areias do Cabo Branco, sem sofrer interrupção de monta. E, no outro dia, fomos muito cedo tocaiar a chegada de Jorge Amado, Zélia e o artista plástico Calazans Neto, que tinham vindo para uma visita exclusiva a José Américo. Filmamos o importante encontro e entrevistamos o romancista baiano desmanchando-se em elogios ao mestre. Depois que a caravana partiu, foi a vez de José Américo falar em longo depoimento que percorre todo o filme. E aí foi dura a lida! Foi como esculpir em rocha impenetrável; ele não era presa fácil, mas prevenido e astuto. De fato, tinha muito o que narrar o ex-revolucionário de 1930, o ex-governador e fundador da Universidade da Paraíba (e seu primeiro reitor), o ex-senador e membro da Academia Brasileira de Letras, e assim o fez, porque, como ele mesmo disse: “Ninguém se perde na volta”. Entretanto as ideias e os argumentos que fervilhavam por trás da ampla calva do cabeção nordestino passavam, frise-se, por uma espécie de imaginária trava exercida, ao que parecia, na região de sua mandíbula sempre tensa. Ele como que ruminava entre dentes cada palavra, no curso de breves silêncios, antes de pro-

nunciá-las com sua prosódia tão característica, eliminando os “ls” (eles) finais, vítimas da chamada apócope. Preliava naturalmente com a memória que não era mais a mesma, num último e desafiador “tour de force”, no

crepúsculo do próprio mito, aos 92 anos. Dessa jornada de mais de quatro horas de falas e ruminações guardo como fetiche, ou relíquia, um diminuto rolo magnético de som, com uma de suas inquietantes pausas que du-

ram a eternidade de quase um minuto. Assim era José Américo de Almeida, no ocaso da vida, tão rico no trato com as palavras, mas ainda trancado e cauteloso como raposa política do seu tempo.


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Imaginação PROSA, POESIA E TRADUÇÃO

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Os sapatos rotos

RESUMO

O presente relato integra “As Pequenas Virtudes”, coletânea de 1962 em que a autora reuniu escritos publicados em jornais e revistas entre 1944 e 1960. O livro sai pela Cosac Naify no mês que vem.

NATALIA GINZBURG TRADUÇÃO MAURÍCIO SANTANA DIAS ILUSTRAÇÃO HENRIQUE DE FRANÇA

Tenho os sapatos rotos, e a amiga com quem vivo neste momento também tem os sapatos rotos. Quando estamos juntas, falamos sempre de sapatos. Se lhe falo do tempo em que serei uma escritora velha e famosa, ela logo me pergunta: “Com que sapatos?”. Então lhe digo que terei sapatos de camurça verde, com uma grande fivela de ouro ao lado. Pertenço a uma família em que todos têm sapatos sólidos e saudáveis. Aliás, minha mãe teve até de fazer um armarinho só para guardar os sapatos, de tantos pares que tinha. Quando volto para casa, soltam altos gritos de dor e indignação ao verem meus sapatos. Mas sei que também se pode viver com sapatos rotos. No período alemão eu estava sozinha aqui, em Roma, e tinha apenas um par

de sapatos. Se fosse levá-los ao sapateiro, teria de passar dois ou três dias na cama, e isso não era possível. Assim continuei a usá-los, e para piorar chovia, sentia que eles se desfaziam lentamente, moles e informes, e sentia o frio do piso sob a planta dos pés. É por isso que ainda hoje uso sempre sapatos rotos, porque me lembro daqueles, e então estes não me parecem tão ruins em comparação, e se tenho dinheiro prefiro gastá-lo com outras coisas, porque os sapatos já não me parecem algo de muito essencial. Fui mimada pela vida de antes, sempre cercada de um afeto terno e atento, mas naquele ano aqui, em Roma, estive sozinha pela primeira vez, e por isso gosto tanto de Roma, apesar de carregada de história para mim, carregada de lembranças angustiantes, poucas horas alegres. Também minha amiga tem os sapatos rotos, e por isso estamos bem juntas. Minha amiga não tem ninguém que a reprove pelos sapatos que usa, tem apenas um irmão que vive no campo e circula com botas de caçador. Ela e eu sabemos o que ocorre quando chove, e as pernas estão nuas e molhadas, e nos sapatos entra água, e então há aquele pequeno rumor a cada passo, aquela espécie de chapinhar. Minha amiga tem um rosto pálido e másculo, e fuma numa piteira preta. Quando a vi pela primeira vez, sentada a uma mesa, óculos com armação de tartaruga e rosto misterioso e altivo, com a piteira preta entre os dentes, pensei que parecia um general chinês. Na época eu

não sabia que ela usava sapatos rotos. Soube mais tarde. A gente se conheceu poucos meses atrás, mas é como se fosse há anos. Minha amiga não tem filhos; já eu tenho filhos, e para ela isso é estranho. Ela nunca os viu senão em fotografias, porque eles estão no interior com minha mãe, e isso para nós também é estranhíssimo, ou seja, que ela nunca tenha visto meus filhos. Em certo sentido, ela não tem problemas e pode ceder à tentação de jogar a própria vida aos cães; eu, ao contrário, não posso fazer isso. Meus filhos estão morando com minha mãe, e por enquanto não têm sapatos rotos. Mas como serão quando crescerem? Quero dizer: que sapatos terão na idade adulta? Que caminhos escolherão para seus passos? Preferirão excluir de seus desejos tudo o que é agradável, mas não necessário, ou dirão que tudo é necessário e que um homem tem o direito de ter nos pés sapatos sólidos e sadios? Eu e minha amiga conversamos longamente sobre isso e também sobre como vai ser o mundo quando eu for uma velha escritora famosa e ela estiver girando o mundo com uma mochila nas costas, como um velho general chinês, e meus filhos seguirem seu caminho com sapatos sadios e sólidos nos pés e o passo firme de quem não renuncia, ou com sapatos rotos e o passo frouxo indolente de quem sabe o que não é necessário. Às vezes combinamos casamentos entre meus filhos e os filhos do irmão dela, aquele que vagueia pelos campos com

botas de caçador. Discorremos assim até noite alta, bebendo chá preto e amargo. Temos um colchão e uma cama, e toda noite tiramos no par ou ímpar quem de nós duas deve dormir na cama. De manhã, quando levantamos, nossos sapatos rotos nos esperam no tapete. Minha amiga às vezes diz que está cheia de trabalhar e queria jogar a vida aos cães. Queria se fechar num boteco e beber todas as suas economias, ou então enfiar-se na cama e não pensar em mais nada, deixar que venham cortar a luz e o gás, deixar que tudo vá à deriva bem devagar. Diz que vai fazer isso quando eu for embora. Porque nossa vida em comum durará pouco, em breve vou partir e voltar para minha mãe e meus filhos, para uma casa onde não me será permitido andar de sapatos rotos. Minha mãe tomará conta de mim, me impedirá de usar alfinetes em vez de botões, de escrever até altas horas. E eu por minha vez tomarei conta de meus filhos, vencendo a tentação de jogar a vida aos cães. Voltarei a ser séria e maternal, como sempre acontece quando estou com eles, uma pessoa diferente de agora, uma pessoa que minha amiga desconhece inteiramente. Vou olhar o relógio e controlar o tempo, vigilante e atenta a cada coisa, e cuidarei que meus filhos tenham os pés sempre enxutos e aquecidos, porque sei que é assim que deve ser sempre que possível, pelo menos na infância. Aliás, para aprender mais tarde a caminhar com sapatos rotos talvez seja bom ter os pés enxutos e aquecidos quando se é criança.


Caderno D

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Trinta anos sem a escritora Cora Coralina

Snapchat MANAUS, DOMINGO, 12 DE ABRIL DE 2015

plateia@emtempo.com.br

(92) 3090-1042

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conquista

Manaus usuários em

Maior interação e a função de apagar textos, vídeos e fotos são itens apontados como “qualidades” do aplicativo DANIEL JORDANO Especial EM TEMPO

C

riado em 2011 pelo americano Evan Spiegel, o Snapchat está conquistando cada vez mais usuários em Manaus. O aplicativo (App) permite o compartilhamento de fotos, textos e vídeos, e tudo é “destruído” em segundos. O usuário pode ainda definir o tempo de duração e para quem a postagem será enviada, item apontado como vantagem. “Eu uso Snapchat há 1 ano. A postagem fica o tempo e os segundos que eu desejo. É uma versão melhorada do Instagram (App que valoriza compartilhamento de fotografias digitais). Eu acho mais dinâmico”, afirma o hoteleiro Antônio Feijó Jr., 23. Só no Play Store (loja virtual para usuários dos sistemas Android), o Snapchat tem mais de 100 milhões de downloads e ainda tem versão para iPhone. Com o crescimento de usuários em todo o mundo o grupo chinês Alibaba anunciou no mês passado o investimento de US$ 200 milhões no Snapchat. O App mexe com o mercado de redes sociais. Tanto que, no dia 1º de abril, o Facebook lançou o aplicativo de criação e compartilhamento de vídeos de até 20 segundos de duração, chamado Riff, para concorrer com o Snap-

chat. Em 2013, o Facebook chegou a fazer a proposta para comprar o aplicativo, mas foi recusada por Spiegel. Para a analista de mídias sociais Ana Célia Costa, grandes empresas já estão usando o App visando a geração Z, pessoas que nasceram a partir de 1994. “O Snapchat é uma das redes que mais crescem nos últimos anos. Mundialmente é bastante usada pela geração Z. Grandes empresas já viram o aplicativo como modelo de negócio como a MTV, Yahoo!, CNN e National Geographic. Há retorno, já que cada vez mais grupos de comunicação estão investindo nisso”, diz.

Compartilhamentos A estudante Camila Suzam, 24, afirma que o interessante do App é a agilidade no compartilhamento das fotos e vídeos. “Meus amigos usam muito e acabei gostando. É legal conversar através de imagens e vídeos rápidos. A diferença é que ninguém tem o compromisso de responder aquela interação. E isso não gera nenhum conflito como acontece com as outras mídias sociais”, opina. Para o estudante de direito Breno Matheus, 20, um dos pontos fortes do App é o pouco consumo de memória interna. Segundo ele, O fato da postagem desaparecer faz com que as pessoas publiquem fotos e vídeos inusitados. “Para mim a maior vantagem é o fato da postagem não ficar salva na memória do celular. Então é um aplicativo que não consome tanta memória interna do celular. As pessoas, pelo fato da foto ou do vídeo sumirem depois que você abre, acabam fazendo coisas muito engraçadas que você não vai ver no Instagram, Twitter ou Facebook”.

Mas o Snapchat também permite o compartilhamento de conteúdos jornalísticos ou de interesse público. Breno afirma que usa o App para se informar. “É um bom aplicativo para acompanhar coberturas de notícias em tempo real também”, ressalta.

Cuidados Mas a principal característica no Snapchat pode criar uma falsa sensação de privacidade, o que leva a uma maior exposição. Para o psicólogo Afonso Brasil Jr., as pessoas precisam ter cautela na publicação dos conteúdos. “No Snapchat o usuário envia uma foto ou um vídeo e determina quem o visualizará e quanto tempo de duração esse material ficará passível, além de não permitir o download no aparelho de quem o receber. A pessoa que o recebe pode ainda ‘printar’ (print scream) o que foi recebido, mas automaticamente uma mensagem é enviada àquele que postou o conteúdo. Cria-se, portanto, uma falsa sensação de segurança à exposição. As pessoas veem nesses recursos uma falsa defesa para o desejo de expor sua intimidade, pois temos uma necessidade inata de sermos percebidos, notados, de recebermos atenção”, afirma. O psicólogo explica ainda que o comportamento nas redes sociais pode revelar a personalidade e conflitos pessoas. “Pessoas que buscaram autoconhecimento, que estão bem consigo mesmas, satisfeitas com suas vidas tendem a filtrar melhor as coisas que expõem assim como o contrário se faz verdadeiro. Quanto menos nos conhecemos, menos somos seguros, mais necessitaremos que o outro nos perceba e nos dê atenção, que reconheça alguma valia em nós”, finaliza.


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Murad Aziz e a aniversariante Marília Zuazo, no dinner-party no Parque das Laranjeiras

>> Conexão Carioca

Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br

Mouhamad Moustafá e o lindo filho Hilleli

FOTOS: MAURO SMITH

>> Dinner-party . Murad Aziz pilotou festa surpresa pelo aniversário de sua Marília, na noite de quarta-feira. . O dinner-party sensacional reuniu um pequeno grupo de amigos do casal, no endereço cheio de charme no Parque das Laranjeiras. Noite ótima com o set-list do DJ Alexandre Prata. Marthinha e Clóvis Cruz Waltinho Oliva Pinto, Waisser Botelho e Guto Oliveira

. O funkeiro Mr. Catra estará em mais um de seus shows com letras do gênero ‘proibidão’, em Manaus. . Dentro do projeto Conexão Carioca, Mr. Catra será uma das atrações do evento na piscina do Tropical Hotel, que terá ainda MC Guimê e os MCs Pikeno e Menor, além da atração local Real MCs. . A festa será no dia 2 de maio.

>> Star . A badalada rua Oscar Freire, nos Jardins, em São Paulo esteve totalmente parada na quinta-feira. Tudo culpa da cantora americana Cher! No bom sentido, claro. . É que a cantora está no Brasil para participar do gala amfAR, que aconteceu na sexta-feira na casa do empresário paulista Dinho Diniz, e escolheu o hotel Emiliano para se hospedar. Não deu outra: os fãs da diva estavam enlouquecidos na porta do hotel gritando “Cher, Cher, Cher”. O apelo foi tanto que ela até apareceu para dar um oi!

>> Star II Rose Souza e Silva, Marília Zuazo e Ana Claudia Gomes

Marco Barbosa e Paula Garcia Cavalcanti

Bernardo Mussa e Anette Perrone

Marcos e Suelem Pacheco

Alessandro e Cristiane Pacheco

. O gala da amfAR no Brasil, que aconteceu na sexta-feira em São Paulo, na mansão do empresário Dinho Diniz, trouxe ao Brasil uma lista de estrelas internacionais. . Além de Cher, também estão no Brasil, o estilista francês Jean Paul Gaultier, a cantora Kyllie Minogue e as tops Kate Moss e Naomi Campbell, além do estilista italiano da estrelada griffe Givenchy, Ricardo Tisci. . Em tempo: a amfAR, Fundação para a Pesquisa da Aids, é uma das mais importantes organizações sem fins lucrativos dedicada ao suporte da pesquisa da Aids, prevenção do HIV, educação do tratamento e defesa de uma política pública sólida relacionada à doença. Desde 1985, a fundação investiu mais de US$ 415 milhões em seus programas e concedeu subsídios a mais três mil equipes de pesquisa em todo o mundo


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Trinta anos sem

Cora Coralina Nascida no Estado de Goiás em 1889, Cora Coralina começou a escrever em 1911. Eram contos e crônicas publicados nos jornais da época

“E

ste nome não inventei, existe mesmo, é de uma mulher que vive em Goiás: Cora Coralina. (...) Na estrada que é Cora Coralina passam o Brasil velho e o atual, passam as crianças e os miseráveis de hoje. O verso é simples, mas abrange a realidade varia. (...) Assim é Cora Coralina, repito: mulher extraordinária, diamante goiano cintilando na solidão (...).” Publicadas em 1980 no Jornal do Brasil, as palavras de Carlos Drummond de Andrade levaram a obra da poeta Cora Coralina – que morreu há 30 anos, no dia 10 de abril de 1985 – ao restante do país. Nascida em Goiás em 1889, Cora começou a escrever em

1911. Eram contos e crônicas publicados nos jornais da época. Depois da Semana de Arte Moderna de 1922, ela se reconheceu no modernismo e seguiu esse caminho, ficando conhecida como poetisa. “O que Cora produziu está muito bem escrito no ideário modernista, ela trabalha com verso livre, busca o cotidiano, o coloquial, ela tem versos longos contaminados da prosa. Pensando que escreveu até as vésperas da morte, ela continua escrevendo em um tempo contemporâneo, mas persiste nesse ideário”, explicou a professora de literatura da Universidade Federal de Goiás (UFG) Goiandira de Fátima Ortiz de Camargo. A pesquisadora diz que o tema

da memória e a recuperação do passado foram recorrentes na poesia de Cora. “A cidade, a sua geografia, os casarios, os becos, as pessoas mais simples, a irmandade de Cora com os páreas, a mulher da vida, o presidiário, aquele que está à margem, a solidariedade, tanto que o aniversário de nascimento dela, 20 de agosto, se tornou o dia do vizinho em Goiás. Ela acredita que vivemos com o outro e temos que cantar o outro com uma responsabilidade social.” O primeiro livro de Cora, Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais (1965), foi publicado quando ela tinha 76 anos. “A obra dela é uma obra real. Não é uma obra voltada ao sentimenta-

Marcada por ideais libertários A poeta Cora Coralina é considerada por estudiosos e especialistas em sua obra como uma mulher forte e libertária. Embora não tenha incorporado o discurso feminista, a forma como ela se impôs na sociedade machista e conservadora em que vivia fez com que também pudesse ser estudada sob a perspectiva de gênero. Nascida e criada em Goiás, Cora saiu de lá em 1911 para poder viver ao lado do advogado Cantídio Tolentino de Figueiredo Bretas, que era casado. Criou quatro filhos trabalhando no interior de São Paulo, após a morte do

marido. E, 45 anos depois, teve a coragem de voltar para buscar suas memórias e escrever sobre aquele espaço. “Na cidade de Goiás, como antiga capital do estado, havia uma agitação cultural forte e mulheres inscritas no tradicionalismo, no conservadorismo da cidade, mas que também atuavam”, disse a professora de literatura da Universidade Federal de Goiás (UFG), Goiandira de Fátima Ortiz de Camargo. Cora publica seus primeiros textos no semanário A Rosa, dirigido por ela própria e outras poetisas. De acor-

do com Goiandira, a poeta, que viveu até os 95 anos, não se inspira apenas nas mulheres, mas lia poetas como Almeida Garrett e textos que vinham do exterior. “Ela estava alguns passos à frente dessas mulheres que escreviam nos moldes tradicionais, sonetos, poesia metrificada, ou simbolista ou parnasiana. Elas tinham medidas. Cora não, Cora era da desmedida. Seus primeiros versos assustaram tanto as pessoas que os imputaram ao primo dela Luiz do Couto”, contou Goiandira. Agência Brasil

Considerada a “poetisa do cotidiano”, escritora Cora Coralina morreu há 30 anos

lismo, mas não usa palavras negativas”, explicou a diretora do museu Casa de Cora Coralina, Marlene Vellasco. A poetisa, que viveu até os 95 anos, ainda publica mais dois livros em vida: “Meu Livro de Cordel” (1976), e “Vintém de Cobre Meias Confissões de Aninha” (1983). Para a professora de literatura da Universidade Estadual de Goiás (UEG) Ebe Maria de Lima Siqueira, Cora Coralina fez uma escolha pela simplicidade. “Ela escreveu sobre gente simples, sobre as mulheres que ela via passar pela janela”.

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O primeiro livro de Cora foi publicado quando ela tinha 76 anos de idade


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Diário ficcional de Drácula com luxúria ae violência

Obra do romeno Marin Mincu investiga a verdadeira identidade de um herói pátrio, combinando ficção e história real

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ão Paulo, SP - Está fadado ao fracasso e à decepção o candidato a leitor que buscar em “O Diário de Drácula” mais um da horda de romances que envolvem vampiros sedutores e pálidas adolescentes em crise de identidade. A obra do romancista e semiólogo romeno Marin Mincu (1944-2009) investiga a verdadeira identidade de um herói pátrio --para isso, combina sua ficção com doses da história real, transcorrida na segunda metade do século 15. Seu Drácula não é um mortovivo capaz de se transformar em morcego, chupador de pescoços de mocinhas indefesas e, não poucas vezes, desejosas. O protagonista é o próprio Empalador, o príncipe Vlad 3º da Valáquia (região da Romênia), cuja crueldade sem fim teria sido a inspiração para o vampiro de Bram Stoker (1847-1912). O autor escocês, por sinal, é desprezado pelo fictício editor de “O Diário de Drácula” --que se confunde com o próprio Mincu de carne e osso. Na apresentação dos textos, o narrador conta que, em sua busca por saber mais

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sobre Drácula, chegou a ler Stoker: “Considerei-o deplorável”, resume. Mesmo assim, o romeno escolheu para sua narrativa a mesma estrutura usada na saga vampiresca. Aqui, porém, quem escreve o diário não é um observador apavorado, mas o próprio agente da história, consciente da imagem que pretende transmitir para a posteridade (“Serei eu mesmo o idealizador dos mais monstruosos fatos que contarão a meu respeito”). No romance de Mincu, o diário do príncipe da Valáquia foi encontrado mais de 500 anos depois de sua morte, preservado em compartimento secreto na masmorra do castelo às margens do Danúbio em que Vlad 3° (1431-1476) fora aprisionado pelo seu antigo parceiro Matias Corvino, rei da Hungria. Vítima Emerge das anotações um nobre de refinada cultura, que cita filósofos gregos, dialoga com a obra de Dante e se corresponde com o papa Pio 2º (1405-1464), de quem foi herói --”atleta da cristandade”, era chamado pelo religioso--, e vítima.

Líder guerreiro, protetor dos valacos contra os turcos, Dracul se vê enredado em trapaças palacianas e familiares --não sem fazer também as suas traições. Vivendo como vítima, aquele que foi algoz medita sobre seu ser e a criação do mundo, embrenha-se pela metafísica e pela psicologia: “Não sou um monstro. Minhas histórias assustam somente porque aqueles que as leem sentem-se ligados à minha culpa”. Ele faz questão, porém, de contar sobre si histórias que são ainda mais assustadoras do que o folclore que envolve seu personagem. Espraia-se em sexo, meleca-se com sangue, sofre estupro, ordena empalamentos, queima multidões. Sua linguagem é, então, a um só tempo picaresca e lúbrica, prenhe de luxúria e violência. E se mostra também poeta sofredor. Ao olhar com languidez o céu noturno, Vlad, o Empalador, o Dracul em pessoa, encarnação do Demônio e de todas as suas denominações, se derrama: “Minha mente se ilumina (...) Vejo os corpos celestes com meu olhar interior e fico cheio de alegria”. Por Rodolfo Lucena

BOI INGRID ANNE/DIVULGAÇÃO

No romance de Mincu, o diário do príncipe da Valáquia (imagem) foi encontrado 500 anos depois de sua morte

Bruno Mazieri* E-mail: brunomazieri@gmail.com

Habemus Ed Motta

Itens do boi azul e branco fazem apresentação no palco da Ponta Negra, a partir das 17h

Caprichoso lança CD ‘Amazônia’ O Anfiteatro do Complexo Turístico Ponta Negra é palco do lançamento do CD do Boi Caprichoso 2015 hoje, a partir das 17h. Todo o evento que deve reunir mais de 18 mil pessoas conta com o apoio da Prefeitura de Manaus, por meio da Fundação Municipal de Turismo, Cultura e Eventos (Manauscult). Além de lançar oficialmente o CD “Amazônia” com 20 toadas inéditas deste ano, no evento também serão gravadas imagens para o DVD oficial, que será lançado posteriormente. “A festa é gratuita e também é uma homenagem do povo manauara ao Festival de Parintins, ao mesmo tempo em que o Boi Caprichoso prestigia nossa cidade incluindo-a em parte do trabalho que será apresentado pela agremiação neste ano”, destaca o diretor-presiden-

te da Manauscult, Bernardo Monteiro de Paula. “Somos muito gratos à parceria com a Prefeitura de Manaus, que está nos dando todo o suporte para que façamos

EFEITOS

No evento serão gravadas imagens para o DVD oficial, a ser lançado posteriormente. Também haverá queima de fogos durante o show que contará com a participação de diversos artistas

este show aqui em Manaus para toda a galera azul e branca que mora na capital”, afirmou o presidente do Boi Caprichoso, Joilto Azedo, durante entrevista coletiva. Além do Complexo Turístico

Ponta Negra, cedido pela Prefeitura de Manaus, a Manauscult também fornecerá toda a estrutura de sonorização, palco, banheiros químicos e suporte técnico para a apresentação dos artistas parintinenses e convidados. Uma queima de fogos também será apresentada ao público durante o show que contará com a participação de diversos artistas do boi azul, além da apresentação especial da cantora paraense Joelma, da banda Calypso, que interpretou juntamente com o levantador David Assayag uma das faixas do CD. A festa inicia às 17h com término previsto às 22h. Nas duas primeiras horas alguns artistas, como Prince do Boi, grupo Canto da Mata, Fabiano Neves, Paulinho Viana entre outros comandarão a festa. Às 19h iniciará o show que terá imagens captadas para compor o DVD.

Na última semana, o cantor Ed Motta proferiu um discurso um tanto quanto estranho em seu Facebook ao anunciar sua “turnê” pela Europa. Pediu aos brasileiros que se encontram por lá, para evitarem falar português ou pedirem a música “Manuel”, um de seus poucos sucessos. Conheço pouco da obra do artista. Na verdade, umas duas ou três composições que me reservo no direito de não saber se ele é autor. O fato é que, independentemente de fazer essa turnê para conseguir admiradores europeus, o “artista” deveria ter tido a sensibilidade de dar atenção aos turistas e moradores que se encontram no continente. Não acredito que cantar músicas em português possa, de alguma forma, prejudicar sua carreira internacional. Veja o caso da cantora Ivete Sangalo. Gravou DVD no Madson Square Garden (amo muito esse nome) e mais de 80% do seu repertório foi todo baseado nas canções em sua língua nativa. É claro que ela não deixou de lado o inglês e o espanhol, por exemplo, mas fez de tudo para mostrar o Brasil de uma forma diferente. Não apenas o lado político duvidoso ou os crimes graves cometidos. Ela mostrou que o Brasil tem cultura sim, tem artistas sim e que cantam no seu idioma. Ainda sobre Ivete, podemos destacar os shows no Rock in Rio Lisboa e sua participação no Rock in Rio Las Vegas, que será agora no mês maio. Mas aí terão aqueles que dirão que a música produzida pela baiana não é de qualidade, que não tem riqueza de composição... Para esses eu deixo uma coisa chamada licença poética. Gostaria de saber em que parte da Constituição a pessoa é obrigada a compor músicas apenas com conteúdo específico? Onde está escrito que o forró, o axé ou o sertanejo não é música boa? Aliás, nunca entendi esse negócio de música boa. Música é música e ponto.

Se aquela canção foi produzida e fez sucesso é porque é boa para uma determinada classe. E isso não obriga ninguém a escutar a “sofrência” do Pablo ou “Camaro Amarelo” da dupla Munhoz & Mariano. Ninguém é obrigado a ouvir/ver aquilo que não quer. Falo isso porque o mesmo Ed Motta teve a capacidade de segregar, em um dos comentários na sua página do Facebook, o forró. E por não explicar a coisa didaticamente, acabou generalizado o estilo musical. Como podemos esquecer da importância do mestre Dominguinhos? Como se pode ofender a memória de Gonzagão? De fato que nem tudo que é produzido agrada aos ouvidos deste que vos escreve, mas isso não me dá o direito de dizer o que é bom ou não para se ouvir. Não me sinto no direito de forçar o colega ao lado a ouvir algo que somente eu gosto. Não me dá o direito de achincalhar um gênero musical que representa a cultura de todo uma região como é o caso da Nordeste. Aliás, um salve para a cultura nordestina! E não me venha com a história de que ele é sobrinho de Tim Maia e por isso fala o que der na veneta. Não sou dessa filosofia. Se você não tem algo relevante para falar, é melhor ficar calado. O que o cantor fez, foi ser preconceituoso com seu povo, com a sua cultura, com a sua realidade. O jazz, o soul e o blues são incríveis, maravilhosos na verdade. Mas ter o pensamento que somente esses estilos são importantes é uma falta de tato e de senso que muito me surpreende, tendo em vista o alcance cultural do artista. A vida segue, o artista em questão continuará com a sua vida e “carreira”, e o forró continuará sendo patrimônio nacional. Graças a Deus! Do mais, habemus menos Ed Motta e mais artistas com relevância e algo de importante para acrescentar, seja da forma que for.

Bruno Mazieri *Jornalista e editor do caderno Imóveis & Decor

O jazz, o soul e o blues são incríveis, maravilhosos na verdade. Mas ter o pensamento que somente esses estilos são importantes é uma falta de tato que muito me surpreende”


Plateia

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Canal 1 plateia@emtempo.com.br

Bate-rebate

TV Tudo Ainda sobre isso O fato é que João Emanuel Carneiro já sentiu, pelo quadro atualmente em cartaz, a necessidade de oferecer um produto capaz de manter aceso o interesse do público, passando pelo próprio roteiro e escolha de elenco. Há um movimento diferente acontecendo na televisão, onde, constatase, não existe mais lugar para a mesmice. Insistir no erro pode significar o aumento constante do manuseio do seletor de canais. Eventos Com a presença dos autores Alcides Nogueira e Mário Teixeira e elenco, a Globo promove terça-feira, no Rio, a entrevista coletiva de “I Love Paraisópolis”, substituta de “Alto Astral”. Já a festa de lançamento será em São Paulo, no buffet França. Esforço inútil A Globo tem solicitado aos proprietários de casas noturnas em São Paulo discrição em relação às gravações da novela “Verdades Secretas”, próxima das 11, até para não vazar nada antes da hora. Teme-se principalmente a presença de equipes de programas de entretenimento da concorrência nos locais. Um esforço quase inútil por-

Mario Adolpho

GLOBO/JOÃO MIGUEL JÚNIOR

Equipe Rafa Brites, Sandy e Fernanda Lima estão no “SuperStar”, da Globo, que volta ao ar neste domingo. que a própria equipe entrega. É preciso combinar melhor. Torcida De oficial mesmo, a respeito do próximo “The Voice” na Globo, apenas a saída de Daniel – como já informado neste espaço. Uma outra importante baixa no júri ainda poderá ocorrer. Numa dessas, já tem até torcida organizada, entre os seguidores de Paula Fernandes, para que ela possa ocupar uma das cadeiras giratórias. E aí? Programa do bem Hoje, no programa “Além

do Mais”, da TV Gazeta e do Sergio Waib, Oscar Schmidt é o entrevistado, falando de tudo um pouco, mas especialmente da sua história de superação. No ar a partir das 21 horas.

• As filmagens de “Em Nome da Lei” estão agitando a cidade de Dourados, no Mato Grosso do Sul... • ....No elenco, Mateus Solano e Paolla Oliveira, entre outros.

Prestação de serviço Depois de espalhar placas pelas principais vias de São Paulo em protesto contra a indústria das multas, o “Encrenca”, da Rede TV!, vai retomar esse trabalho, mas, agora, identificando as crateras. Vai faltar aviso para tamanha quantidade de buracos.

• Sabrina Sato estará em Fortaleza nos dias 15 e 16 para uma série de gravações...

Não vai amarelar “Babilônia” está sofrendo uma série de mudanças, todas provocadas pelo recente grupo de discussão realizado em São Paulo. As alterações que já estão sendo colocadas em prática têm como principal objetivo dar à novela o ritmo que ela não apresentou no começo.

• Começa hoje a nova temporada do “SuperStar” na Globo, com Sandy, Thiaguinho e Paulo Ricardo na bancada.

Não vai amarelar 2 As alterações nas características e mesmo no rumo de algumas personagens, casos de Glória Pires e Sophie Charlotte, também começam a acontecer porque se entendeu que serão úteis no futuro da novela. Mas é isso. E só isso.

• ... O roteiro inclui uma entrevista exclusiva com o Ceará, Wellington Muniz...

Substituta de ‘Babilônia’ Responsável pela próxima das nove, “Favela chic”, João Emanuel Carneiro surpreendeu a equipe de produção ao informar que a sua novela ganharia mais dez personagens. O estranhamento se deve ao fato de que ele, gosta de trabalhar com um elenco bem reduzido. Isso comprova informações de que o seu trabalho ainda está passando por uma fase de ajustes.

Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery

• ...Em comum, o fato de ambos terem trabalhado no “Pânico”.

• A Band confirma para a próxima terça-feira o início de gravações da segunda edição do “MasterChef”, com Ana Paula Padrão e Cia.

C’est fini Até em função do barulho provocado por “Os Dez Mandamentos”, o diretor Alexandre Avancini já se credencia como principal candidato para tocar a próxima novela bíblica, “Josué e a Terra Prometida”. Ficamos assim. Mas amanhã tem mais. Tchau!

Márcio Braz mbrazsantana@gmail.com

Enilda Lins e o turismo

Elvis

Regi

Gilmal

Na última quarta feira, 8, o setor turístico perdeu uma de suas mais importantes entusiastas. Enilda Lins partiu para uma última viagem deixando saudades em todos aqueles que a admiravam. Mas sua partida, ao invés de representar o fim de um panorama reflexivo sobre o turismo, acaba por nos impulsionar a construir uma política que não se limite apenas a promoção turística, mas que busque a requalificação de produtos turísticos muitas vezes alijados do plano de ações ou mesmo de um pensamento político (em seu sentido latu) para a construção deste. O turismo é o meio pelo qual uma cidade apresenta suas características singulares, os elementos que a diferenciam das outras, se utilizando metodologicamente de elementos de apreensão reconhecíveis ao turista como limpeza, educação, transporte, hospedagem, informação etc. Manaus é uma cidade que tem difundido de modo muito desajeitado e intelectualmente descabido dois atrativos: o folclore, através dos “bois de Parintins”, e as belezas naturais de seu entorno, já que a própria cidade ainda não foi capaz de incorporar à sua identidade o rio e a floresta como parte imanente de sua verve. Uma política pública para o turismo precisa ser formatada - o que de certo modo, pelo menos no plano municipal, existe um esboço de implantação - de modo a criar uma relação de pertencimento entre a cidade e seus habitantes através de programas de educação patrimonial, museus (incorporando a nova museologia entre seus conceitos e ações), circuitos culturais, passeios etc. A vocação de Manaus para o turismo cultural é algo que tem sido debatido muito pouco e clandestinamente. O Festival Amazonas de Ópera já tem programas, pacotes e convênios exclusivos para atender

aos turistas dos navios de rota internacional. Segundo Greg Richards, a principal motivação dos turistas quando se deslocam para algum lugar é a combinação de três fatores: atmosfera, cultura local e história. A história local é desconhecida dos próprios nativos inclusive quanto às suas origens indígenas. Quem conhece a história dos índios Manaú, cujo principal líder, Ajuricaba, criou a maior confederação tribal das Américas para lutar contra os portugueses? E os Baré? Quem conhece a fundo nossos atores, cantores, artistas plásticos e visuais? Nossos prédios, entornos, praças, balneários? E quando falo de turismo, falo de um modo muito geral. Manaus precisa entender que sua cultura é o seu cartão de visitas. Temos todos os ingredientes para transformá-la numa Cidade Cultural aos moldes de outras como Mérida e Santiago do Chile. Para tanto, é louvável os esforços da Prefeitura de Manaus em atrair investimentos através da Copa do Mundo e agora das Olimpíadas. Como a cidade é vaidosa e receptiva, mesmo os mais preguiçosos fazem algum tipo de investimento em seus estabelecimentos, hotéis e restaurantes. Os artistas fazem parte da programação, afinal, citando novamente Greg Richards, “cultura e turismo necessitam, cada vez mais, um do outro”. O que nos alivia quanto ao caso local é que a atual administração tem a pretensão de dar uma nova cara, o que já vem sendo feito, ora garantindo suas autonomias, ora potencializando-as através de ações conjuntas. Manaus precisa, de fato, de um componente essencial: amor e respeito, tanto à sua história quanto a seus habitantes. Isto Enilda Lins nos deixou como legado, muito amor, sem dúvida, para continuar tentando e insistindo numa cidade cada vez melhor.

Márcio Braz ator, diretor, cientista social e membro do Conselho Municipal de Política Cultural

Manaus tem difundido de modo muito desajeitado e intelectualmente descabido dois atrativos: o folclore, por meio dos ‘bois de Parintins’, e as belezas naturais de seu entorno”


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Plateia

MANAUS, DOMINGO, 12 DE ABRIL DE 2015

Programação de TV

SBT

REPRODUÇÃO

4h45 Jornal da Semana SBT 6h Brasil Caminhoneiro 6h30 Planeta Turismo 7h30 Vrum 8h Chaves 10h Domingo Legal 14h Eliana 18h Roda a Roda Jequiti 18h45 Sorteio da Telesena 19h Programa Silvio Santos 23h Conexão Repórter 0h Série: Sobrenatural 1h Série: Rizzola & Isles 2h Série: Pessoa de Interesse 3h Big Bang 3h30 Igreja Universal

5h10 Santa Missa 6h11 Amazônia Rural 6h40 Pequenas Empresas, Grandes Negócios 7h15 Globo Rural 8h11 Auto Esporte 8h45 Esporte Espetacular (9h – Final da Superliga de Vôlei Masculino – Cruzeiro x Sesi – SP) 12h Esquenta 13h Temperatura Máxima. Filme: As Mil Palavras 15h Futebol 2015: Campeonato Carioca – Flamengo x Vasco da Gama 17h Domingão do Faustão 20h Fantástico 22h23 Superstar (Estreia) 23h32 TUF – Em Busca de Campeões 0h27 Domingo Maior. Filme: Guerreiro 1h54 Sessão de Gala. Filme: O Solteirão 3h02 Mentes Criminosas

O “Programa Silvio Santos” começa às 19h, no canal SBT

Horóscopo ÁRIES - 21/3 a 19/4 Hora de cuidar do físico, que tal marcar a academia, ou outra atividade física. Alimentação também deve ser mais equilibrada. Com familiares e amigos seja gentil. Evite confusão com vizinhos. Reserve tempo e carinho para a pessoa amada. TOURO - 20/4 a 20/5 Os medos pode ser seu maior inimigo, cuidado com o fantasma do passado que teimam e voltar. Falsas crenças podem atrapalhar suas verdades. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 A expectativa pode ser além da realização, conte com isso também. Evite atitudes preconceituosas, isso pode gerar muito mal estar. Comece a olhar a vida com os outros olhos e adote atitudes otimistas e bem humoradas. Cuide dos cabelos. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Mesmo que financeiramente o momento não seja dos melhores, convém manter o otimismo. Não deixe que critique abale sua autoconfiança.

BAND

GLOBO

RECORD

5h Power Rangers – Na Galáxia Perdida 6h30 Santa Missa no Seu Lar 7h30 Sabadão do Baiano 8h Power Rangers + Jimmy Neutron 9h30 Palavra Cantada 10h45 Verdade e Vida 11h Irmão Caminhoneiro – Boletim 11h05 Pé na Estrada 11h30 Band Esporte Clube – Parte 1 12h Fórmula Truck – Ao Vivo 13h30 Band Esporte Clube – Parte 2 14h Gol: O Grande Momento do Futebol 14h30 Futebol 2015 – Ao Vivo – Campeonato Carioca 17h50 3º Tempo 19h Sabe ou Não Sabe 20h A Liga 21h30 Pânico na Band 0h15 Canal Livre 1h15 Alex Deneriaz 1h50 Show Business – Reapresentação 2h40 Igreja Universal

5h Santo Culto Em Seu Lar 5h30 Desenhos Bíblicos 8h30 Record Kids - Pica Pau 10h Domingo Show 14h30 Hora do Faro 18h30 Domingo Espetacular 22h15 Repórter em Ação 23h15 Roberto Justus + 0h15 Programação IURD

Cruzadinhas

Cinema ESTREIAS Cada Um Na Sua Casa: EUA. Livre. Quando a Terra é invadida pelos confiantes Boov - uma raça alienígena em busca de um novo lar - todos os humanos são prontamente deslocados, enquanto os Boov se ocupam de organizar o planeta. Cinemark 1 – 11h10 (dub/somente sábado e domingo), 13h40, 16h10 (dub/diariamente), Cinemark 5 – 12h15, 14h40, 17h15, 19h40 (3D/dub/diariamente); Cinépolis Millennium 2 – 14h, 16h15, 18h30, 20h30 (dub/diariamente), Cinépolis Millennium 3 – 13h15, 15h30, 17h45 (3D/dub/diariamente), 19h50, 22h15 (3D/leg/diariamente), Cinépolis Millennium 4 – 12h30 (3D/dub/somente sexta-feira e sábado), 14h45 (3D/dub/diariamente); Cinépolis Plaza 3 – 12h30 (3D/dub/somente sábado e domingo), 14h45 (3D/dub/diariamente), Cinépolis Plaza 4 – 13h15, 15h30, 17h45, 20h15 (3D/dub/diariamente), Cinépolis Plaza 8 – 14h15, 19h15 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 2 – 13h (dub/somente sábado), 16h, 19h (dub/diariamente), 22h (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 5 – 14h50, 17h20, 19h30, 21h40 (3D/dub/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 8 – 14h10, 16h30, 18h40, 20h50 (dub/diariamente); Kinoplex 1 – 14h, 16h10, 18h20, 20h40 (dub/diariamente); Playarte 10 – 13h, 15h, 17h, 19h, 21h (dub/diariamente), 23h (dub/somente sexta-feira e sábado).

LEÃO - 23/7 a 22/8 O astral conspira a seu favor, não perca as boas oportunidades de colocar em pratica seus desejos. O espiritual deve ser equilibrado. Não se prenda a fatos passados. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Alguma crise pode surgir no relacionamento com amigos. Evite fazer grandes planos hoje, só deixe a vida acontecer. Com a pessoa do seu interesse evite forçar situações. LIBRA - 23/9 a 22/10 Sua casa merece mais atenção, principalmente a pintura, de uma renovada no astral com cores vibrantes. Amigos e colegas estarão presentes nas suas decisões. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 Paciência não é uma das suas maiores virtudes, portanto mantenha o equilíbrio e os pés no chão. Procure passar um tempo ao ar livre, abrace uma árvore, medite! SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Não se deixe abalar por falsas promessas, levante a cabeça e olhe para frente. Cuidado com dinheiro, não gaste demais em coisas supérfluas. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Evite entrar em confusão e desentendimentos, o astral não é dos melhores. Velho amigo pode voltar ao circuito. Procure focar nos seus objetivos, não é tempo de dispersar energias. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Controle a irritação e o nervosismo, não ofenda por qualquer coisa, o bom humor, pode fazer a diferença. O clima pode esquentar entre você e a pessoa amada. PEIXES - 19/2 a 20/3 Busque por mais qualidade de vida, saia do stress constante que vive. Hoje deve redobrar o cuidado nas ruas. A saúde deve ser mais bem avaliada. Não reclame demais no ouvido da pessoa amada, isso cansa.

Risco Imediato: EUA. 16 anos. Um jovem casal de americanos, Tom (James Franco) e Anna Reed (Kate Hudson), se endivida gravemente ao renovar a casa da família de Anna, em Londres. Cinépolis Plaza 6 – 17h30, 22h20 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 7 – 15h40, 20h10 (dub/diariamente), 17h50, 22h20 (leg/diariamente).

CONTINUAÇÕES Velozes e Furiosos 7: EUA. 14 anos. Cinemark 1 – 19h, 22h10 (dub/diariamente), Cinemark 4 – 11h30 (3D/dub/somente sábado e domingo), 14h50, 18h, 21h10 (3D/dub/diariamente), 0h15 (3D/dub/somente sábado), Cinemark 7 – 11h (3D/ dub/somente sábado e domingo), 13h50, 17h, 20h10 (3D/dub/diariamente), 23h15 (3D/dub/somente sábado); Cinépolis Millennium 1 – 12h (3D/dub/somente sexta-feira e sábado), 15h, 18h, 21h (3D/ dub/diariamente), Cinépolis Millennium 4 – 17h, 20h (3D/leg/diariamente), Cinépolis Millennium 8 – 13h, 16h, 19h, 22h (3D/leg/ diariamente); Cinépolis Plaza 1 – 13h, 16h, 19h, 22h (3D/dub/diariamente), Cinépolis Plaza 2 – 15h, 18h, 21h (3D/dub/diariamente), Cinépolis Plaza 3 – 17h, 20h (3D/dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 1 – 14h, 17h, 20h (3D/leg/diariamente), 23h (3D/leg/somente sábado), Cinépolis Ponta Negra 5 – 13h10 (3D/dub/somente sábado), 19h10 (3D/ dub/diariamente), 16h10, 22h10 (3D/leg/ diariamente), Cinépolis Ponta Negra 9 – 18h10 (dub/diariamente), 15h10, 21h10 (leg/diariamente); Kinoplex 3 – 14h50, 17h40, 20h30 (3D/dub/diariamente), 13h, 15h50, 18h40, 21h30 (3D/dub/somente sábado e domingo); Kinoplex 5 – 15h20, 21h (3D/dub/diariamente), 13h30, 16h20, 22h (3D/dub/somente sábado e domingo), 18h10 (3D/leg/diariamente), 19h10

(3D/leg/somente sábado e domingo); Playarte 1 – 12h30, 15h15, 18h, 20h45 (3D/dub/diariamente), 23h30 (3D/leg/ somente sexta-feira e sábado), Playarte 5 – 14h, 17h, 20h (dub/diariamente), 22h50 (dub/somente sexta-feira e sábado), Playarte 6 – 12h50, 15h35, 18h20, 21h05 (leg/diariamente), 23h50 (leg/somente sexta-feira e sábado). Cinderela: EUA. Livre. Cinemark 3 – 14h, 16h20, 18h50, 21h30 (dub/diariamente), Cinemark 8 – 12h40, 15h10, 17h50, 20h30 (dub/diariamente), 23h (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 6 – 14h30, 17h25, 20h15 (dub/diariamente), Cinépolis Millennium 7 – 14h15, 16h45, 19h15, 21h45 (leg/diariamente); Cinépolis Plaza 5 – 13h45, 16h15, 18h45, 21h15 (dub/diariamente), Cinépolis Plaza 6 – 14h30, 19h45 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 3 – 15h, 18h (dub/diariamente), 21h (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 10 – 14h20, 16h50, 19h40 (dub/diariamente), 22h30 (leg/diariamente); Kinoplex 2 – 13h50, 16h20, 18h50, 21h20 (dub/diariamente); Kinoplex 4 – 14h20 (dub/diariamente); Playarte 3 – 12h50, 15h15, 17h40, 20h05 (dub/diariamente), 22h25 (dub/somente sexta-feira e sábado), Playarte 4 – 12h51, 15h16, 17h41, 20h06 (dub/diariamente), 22h26 (dub/somente sexta-feira e sába-

do), Playarte 7 – 18h50, 21h20 (leg/diariamente), 23h40 (leg/somente sexta-feira e sábado). A Série Divergente - Insurgente: EUA. 14 anos. Cinemark 2 – 12h30 (dub/exceto domingo), 15h20, 18h10 (dub/diariamente), 20h50 (dub/exceto quarta-feira); Cinépolis Millennium 5 – 15h45, 21h30 (dub/diariamente), 12h45 (leg/somente sexta-feira e sábado), 18h45 (leg/diariamente); Cinépolis Plaza 7 – 12h45 (dub/somente sextafeira e sábado), 15h45, 18h30, 21h45 (dub/diariamente), Cinépolis Plaza 8 – 16h30, 21h30 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 6 – 18h30 (dub/ diariamente), 15h30, 21h30 (leg/diariamente); Kinoplex 4 – 16h30, 19h, 21h30 (dub/diariamente).

Golpe Duplo: EUA. 14 anos. Cinemark 5 – 22h (dub/diariamente); Playarte 8 – 13h15, 15h30, 17h45, 20h10 (dub/ diariamente), 22h20 (leg/somente sextafeira e sábado). Kingsman – Serviço Secreto: RUS. 16 anos. Playarte 2 – 13h, 15h30, 18h, 20h30 (dub/diariamente), 23h (dub/somente sexta-feira e sábado). Simplesmente Acontece: RUS/ALE. 14 anos. Playarte 9 – 13h40, 15h55, 18h10, 20h25 (dub/diariamente), 22h40 (dub/somente sexta-feira e sábado). Bob Esponja – Um Herói Fora D’água: EUA. 12 anos. Playarte 7 – 12h50, 14h50, 16h50 (dub/diariamente).


Plateia

MANAUS,, DOMINGO, 12 DE ABRIL DE 2015

Alto-astral

Em tempo: a Páscoa dos bambinos da Casa da Criança foi só alegria este ano. Orquestrado pela imortal Carmen Novoa Silva, a festa contou com festival de entrega de ovos de chocolate e um lanche divertido com a presença do coelhinho

O Parque Cidade da Criança, no Aleixo, hoje, tem programação dedicada ao universo das histórias infantis. O espaço, que está funcionando em novo horário desde o início deste mês, estará aberto das 15h às 20h, oferecendo uma série de atividades gratuitas às famílias. Vale conferir!

Agendável

As bandas O Rappa e Soja se apresentam juntas pela primeira vez em Manaus no dia 28 de maio, no Studio 5 (pavilhão), em um show inédito. O início das vendas está marcado para amanhã. Para o evento serão oferecidos dois setores: pista e área VIP. No setor mordomia haverá open bar de água, refrigerante, caipirinha, caipiroska e cerveja até as 2h da manhã. Os ingressos poderão ser adquiridos na Bilheteria do Studio 5, nos estandes da Fábrica de Eventos no Amazonas Shopping e no Shopping Cidade Leste ou pelo www.bilheteriavirtual.com.

FOTOS: JANDER VIEIRA

Os recém-casados Chris e Moisés Soares protagonizaram (ontem) um moderno enlace no Classic Buffet, reunindo a ala jovem interessante da cidade

No próximo fim de semana, nos dias 18 e 19, os pilotos mais velozes da Região Norte têm encontro marcado na pista Amazonas Dragway, em Iranduba, na disputa da primeira etapa do Campeonato Amazonense de Arrancada.

PAULO DE LIMA

A Susam arrecadou em 29 unidades de saúde da capital, alimentos não perecíveis e produtos de higiene para doar às vitimas da enchente no interior do Amazonas. Por meio da Campanha Governo Solidário, a presidente do Fundo de Promoção Social, Vânia Barbosa, entregou as doações na sede da Defesa Civil do Estado, no meio da semana. Organizado pelo FPS, Seas e UnaTI, a campanha já arrecadou mais de 27 toneladas de doações que ajudará as famílias afetadas pela anormalidade.

A linda sinhazinha do Caprichoso, Karyne Medeiros está trocando idade hoje. Amanhã, Carlysson Sena estará aniversariando. Os cumprimentos da coluna.

jandervieira@uol.com.br - www.jandervieira.com

Mundo de contos

União necessária

Sala de Espera

Jander Vieira

Dia 18, vai ter festa pilotada pela coluna, no Le Rêve, com almoço regionalíssimo. Trata-se da celebração do niver do editor com o lançamento do Blog jandervieira.com. O encontro será animado pelo Cordão do Marambaia seguido da apresentação do DJ Sidney Almada. Uma pista de dança será montada para os 301 convivas se esbaldarem. As camisetasconvites já estão circulando.

A Coca-Cola e suas incríveis promoções. A grife de bebidas acaba de lançar transadas minigarrafinhas com adesivos que brilham no escuro para personalizar seu estilo para usar como chaveiro. O mimo é item de colecionador. Dia 18, tem luau comandado pela M1 Eventos com show do Nando Reis e os Infernais, na piscina do Tropical Hotel. Hoje, a Morada do Peixe vai contar com show de humor do tipo indispensável “Turnê meio mundo 2015” pilotado pelo talentoso Titela do Ceará. A sessão risada está marcada para começar às 20h.

Casal de jornalistas Anwar Assi e Marcela Valente com o embaixador do Líbano, Joseph Sayah, e a embaixatriz, Sana Sayah, durante evento cultural, no Teatro Amazonas

Caprichosamente garantido

A temporada de ensaios oficiais dos bois de Parintins, em Manaus, começou ontem. Mais uma vez a Moto Honda da Amazônia, voltada para seu compromisso com a cultura amazonense, está apoiando o camarote da imprensa. Os formadores de opinião que forem ao evento para trabalhar ou para se divertir terão um espaço VIP, para trocar ideias, durante as promoções de Caprichoso e Garantido. Este é o sétimo ano que a empresa japonesa firma parceria com os Movimentos Marujada e Amigos do Garantido.

Fim de semana de festa para comemorar os 60 anos de Valdir Vasconcelos, o “Firmeza”, garçom oficial do gabinete do prefeito Arthur Virgílio Neto. Há 30 anos no serviço público, Firmeza tem um currículo de fazer inveja: já serviu prefeitos, governadores e até presidentes da República como Fernando Henrique, João Figueiredo e José Sarney. Aplausos

Juliana de Sá Fioretti, tabeliã do 7° Cartório de Notas, convida para o coquetel de inauguração da nova sede. Quando? No próximo dia 24, às 19h30, no Parque 10 de Novembro.

KARLA VIEIRA/SEMCOM

DIVULGAÇÃO

SHOW

Ingressos disponíveis amanhã

SERVIÇO SOJA E O RAPPA Quando 28 de maio Onde pavilhão do Studio 5 (av. Rodrigo Otávio, 3.555, Distrito Industrial) Ingressos Pista 1º lote R$ 60; área VIP 1º lote: R$ 180 (todos valores de meia-entrada) Postos de bilheteria do Studio Venda 5, estande da Fábrica de Eventos (Amazonas Shopping e Shopping Cidade Leste) e ww.bilheteriavirtual. com Informações (92) 3303-0100

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As bandas O Rappa e Soja se apresentam juntas pela primeira vez em Manaus no dia 28 de maio, no Studio 5 (pavilhão), em um show inédito. O início das vendas está marcado para amanhã. Para o evento serão oferecidos dois setores: pista e área VIP. Nesta última haverá open bar de água, refrigerante, caipirinha, caipiroska e cerveja até às 2h da manhã. Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria do Studio 5, nos estandes da Fábrica de Eventos (Amazonas Shopping e Shopping Cidade Leste) e no site www. bilheteriavirtual.com. A relação entre as bandas começou em meados de 2012, quando o Soja veio ao Brasil para uma série de shows. A amizade resultou na participação

de Marcelo Falcão no clipe da música “Everything Changes”, e no dia 28 de maio mais uma parceria de sucesso será firmada entre as bandas que se apresentarão em Manaus. Reggae Com quase 20 anos de carreira, o Soldiers of Jah Army, também conhecido como Soja, é um grupo de reggae norte-americano formada por Jacob Hemphill (vocal, guitarra), Bobby Lee (baixo, vocal), Ryan Berty (bateria), Kenny Bongos (percussão), Patrick O’Shea (teclados), Hellman Escorcia (saxofone), Rafael Rodriguez (trompete) e Trevor Young (guitarra). Seu som eclético conquistou fãs em toda a América e Europa, ga-

rantindo à banda sucesso em seus shows ao redor do mundo. Os integrantes estão na vanguarda de uma revolução com a esperança de trazer mudanças positivas no pensamento ambiental, político e social. Hip Hop A banda O Rappa esculpe melodias em dub, reggae, rock e hip hop para sonorizar a força que o brasileiro emprega nas batalhas de seu dia a dia. Conhecida por suas letras de forte impacto social, o grupo apresenta em seu repertório novas músicas que dividem o palco com os clássicos de 20 anos de estrada. Atualmente, a banda viaja pelo país com a turnê “Nunca Tem Fim”.


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Plateia

MANAUS, DOMINGO, 12 DE ABRIL DE 2015


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EM TEMPO - 12 de abril de 2015 by Amazonas Em Tempo - Issuu