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O JORNAL QUE VOCÊ LÊ
ANO XXVII – N.º 8.667 – DOMINGO, 5 DE ABRIL DE 2015 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO
FOTOS: DIVULGAÇÃO
RENASCENDO PARA A VIDA
Jornalista Lenise Ipiranga venceu a luta contra o câncer
O empresário Walid Saleh “renasceu” após grave acidente
Rafael Rebello escapou do trágico acidente nos Alpes franceses
DIVULGAÇÃO
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EM ÉPOCA DE PÁSCOA, QUANDO CELEBRAMOS A RESSURREIÇÃO DE CRISTO, O EM TEMPO BUSCOU HISTÓRIAS DE SUPERAÇÃO - E POR QUE NÃO DIZER RENASCIMENTO? - QUE LEVAM À REFLEXÃO SOBRE OS VERDADEIROS VALORES DA VIDA. DIA A DIA C4 E C5
Graça Figueiredo está há nove meses à frente do TJAM
Graça não quer ser
‘a dama de ferro’
Christiane revela que não gasta com motorista porque ela mesma dirige o veículo
BOUTIQUE SOBRE RODAS DIVULGAÇÃO
Há nove meses à frente do Tribunal de Justiça do Amazonas, Graça Figueiredo fala sobre o trabalho para honrar a credibilidade do Judiciário e afirma que não há lugar para arrogância, falta de ética e desvio de conduta. Com a palavra A5
Disputa pelo poder vira cabo de guerra De olho nas próximas eleições, pelo menos 20 partidos estão prestes a ser criados. Com ou sem identidade ideológica, novas siglas podem se aproveitar do enfraquecimento de velhos grupos políticos e da crise econômica. Política A7
Ivald Granato relembra a época em que convidou o artista plástico Hélio Oiticica (foto) para um movimento vanguardista que fez história nos anos de 1970.
SE VOCÊ NÃO PODE IR À BOUTIQUE, A BOUTIQUE VAI ATÉ VOCÊ. PELO MENOS É ASSIM QUE TRABALHA CHRIS MODA MÓVEL, A PRIMEIRA LOJA DE ROUPAS SOBRE QUATRO RODAS, CRIADA PELA EMPRESÁRIA CHRISTIANE ANDRADE. ECONOMIA B1
CURUMIM Por que o coelhinho e o ovo de chocolate são símbolos da Páscoa? O significado desses e outros símbolos da festa cristã você vai encontrar no suplemento infantil.
Briga de pai e filho no Maraca
FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, IMÓVEIS&DECOR, ELENCO E CURUMIM.
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Flamengo e Fluminense jogam hoje, no Maracanã, a duas rodadas do fim da primeira fase. O RubroNegro precisa de apenas um ponto para garantir vaga nas semifinais. Pódio E7
Evento “Casa Nova Amazonas” 2015, que será realizado de 10 a 12 de abril, traz um cenário positivo de vendas do estoque de imóveis mesmo diante da crise econômica.
Combinação de exercícios que trabalham várias partes do corpo, o cross-training ganha adeptos em Manaus e, entre outros benefícios, também ajuda a emagrecer.
TEMPO EM MANAUS
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MANAUS, DOMINGO, 5 DE ABRIL DE 2015
Tubulações estouram e levam caos à Zona Leste
Em áreas distintas nos bairros Coroado e São José 1, casas ficaram alagadas e parte da alameda Cosme Ferreira afundou DIVULGAÇÃO
HELTON MATOS Equipe EM TEMPO
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a madrugada deste sábado, duas tubulações de abastecimento de água na Zona Leste romperam na rua Varre Vento, no São José 1 e na alameda Cosme Ferreira, no Coroado, no sentido bairro/Centro. Na rua Varre Vento, o rompimento da tubulação causou grande transtorno, com o alagamento de diversas residências, além de ter interromper o abastecimento de água em alguns bairros da Zona Leste. “Estávamos dormindo quando percebemos que nossas residências estavam inundadas. É uma falta de respeito com os moradores, sobretudo com quem tem criança em casa, passar por uma situação dessas. E o pior é que não tenho para onde ir”, comentou a moradora de uma das residências atingidas, Larissa Freitas. A moradora informou ainda que equipes dos bombeiros estiveram no local e isolaram a área, e somente muitas horas depois houve a chegada da Defesa Civil, que “nada fez”. Conforme nota da Defesa Civil, o Grupo Especial de Ações foi acionado durante a madrugada
para socorrer uma família e auxiliar na remoção dos móveis de um dos residentes locais. O grupo constatou que a casa é de madeira e apresenta risco de desabamento, devido ao rompimento da tubulação e ao alagamento da residência. Ainda segundo a Defesa Civil, a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh) foi acionada e avaliaria a situação social da família retirada do local. O segundo rompimento, ainda na madrugada de ontem, na alameda Cosme Ferreira, nas proximidades da feira do Coroado, alagou a pista, o que fez com que uma caminhonete modelo Strada, de placas NOW-0571, caísse na cratera que se formou no pavimento. O Instituto de Engenharia e Fiscalização de Trânsito (Manaustrans) auxiliou na retirada do veículo por meio de um guincho plataforma, além de montar um desvio no local, utilizando a pista do sentido contrário para fazer um contra-fluxo. Equipes da empresa Manaus Ambiental estavam no local efetuando a manutenção do sistema de abastecimento. Até o fechamento desta edição, não havia previsão para o fim dos trabalhos.
Veículo foi engolido pela cratera que se abriu na alameda Cosme Ferreira, em decorrência do rompimento da tubulação
SANTOS
GERMANWINGS PMESP/FOTOS PÚBLICAS
Avião faz pouso de emergência Um avião da companhia aérea alemã Germanwings, subsidiária de baixo custo da Luſthansa, realizou neste sábado uma aterrissagem de emergência em Stuttgart, no sul da Alemanha, devido a um defeito técnico. O voo 4U 814 decolou às 5h (horário de Brasília) de Colonia com direção à cidade italiana de Veneza, e o pouso ocorreu uma hora depois. Nenhum dos 123 passageiros ficou ferido.
A viagem era realizada em uma aeronave Airbus A319. De acordo com o site alemão “Focus”, houve vazamento de óleo em um dos motores, que precisou ser desligado. Os ocupantes do voo permaneceram no aeroporto de Stuttgart, enquanto técnicos vistoriavam o avião para decidir se o voo pode prosseguir para Veneza ou será preciso trocar de aeronave. O número de passageiros a bordo não foi revelado.
A Germanwings ofereceu a possibilidade dos passageiros retornarem para Colonia ou esperar para seguir viagem. Um avião da Germanwings se chocou com os Alpes franceses no dia 24 de março. O acidente matou todas as 150 pessoas a bordo. Investigações apontam que o copiloto, Andreas Lubitz, derrubou a aeronave propositalmente, pois acelerou o avião durante a queda.
MALHAÇÃO DE JUDAS ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
Para conter o incêndio, bombeiros adotaram a estratégia de resfriar as chamas do sinistro
Incêndio entra no terceiro dia O Corpo de Bombeiros de Santos, no litoral de São Paulo, entrou neste sábado (4) no terceiro dia de combate ao incêndio que atinge tanques de combustível próximos ao porto da cidade. As equipes mantêm a estratégia de tentar conter o avanço das chamas para outros reservatórios que armazenam etanol e gasolina. Também estão sendo usados jatos de espuma para resfriar os tanques vizinhos aos atingidos. De acordo com os bombeiros, um dos caminhões utilizados no combate está aplicando aproximadamente oito mil litros de espuma por minuto no local do fogo.
Na tarde de sexta-feira (3), o fogo voltou a se espalhar pela área que pertence à Ultracargo. Ao todo, a empresa tem 30 reservatórios no local, cada um deles com capacidade de seis mil metros cúbicos. A Ultracargo faz parte do grupo Ultra, que controla a Ultragaz, distribuidora de Gás LP, a distribuidora de combustíveis Ipiranga, a empresa química Oxiteno e a rede de drogarias Extrafarma. De acordo com o comandante das operações do Corpo de Bombeiros no incêndio, Wagner Bertolini Júnior, o resfriamento das chamas “é a única estratégia viável” para combater o incêndio e evi-
tar que ele tome proporções maiores, já que, devido à alta temperatura nos tanques, a água evapora e não consegue debelar as chamas. Os bombeiros não dão prazo para o término do incêndio e ainda não têm indícios das causas que podem ter provocado o acidente. Em torno de cem homens, entre bombeiros e brigadistas, trabalham desde a madrugada de quinta-feira (2) no incêndio, na região portuária de Santos, ocasião em que começou o sinistro. No final da tarde de quinta-feira, a navegação no porto de Santos chegou a ser suspensa, em virtude da dimensão do incêndio.
A tradicional malhação de Judas, realizada no Sábado de Aleluia, pela manhã, como não poderia deixar de ser, teve os políticos como personagens. Entretanto, no bairro Praça 14 de Janeiro, na Zona Sul, os bonecos confeccionados para a brincadeira deste sábado satirizavam os próprios moradores, como ocorreu na rua Japurá. Segundo eles, algumas dívidas não honradas, entre eles, teria inspirado a caracterização dos bonecos. No Eldorado, no bairro Parque 10 de Novembro, Zona Centro-Sul, a presidente Dilma Rousseff ganhou um boneco com direito à faixa, contendo a frase cunhada durante os protestos de 2013, #ForaDilma. O mesmo foi colocado em uma das vias mais movimentadas da cidade, a rotatória da avenida Mário Ypiranga.
Opinião
MANAUS, DOMINGO, 5 DE ABRIL DE 2015
Contexto 3090-1017/8115-1149
A3
Editorial
marioadolfo@emtempo.com.br
opiniao@emtempo.com.br
Aperte o cinto que o piloto sumiu Analistas do Conselho Regional de Economia (Corecon/AM) alertaram nesta semana que o melhor a fazer é apertar o cinto, se a “nova classe média” não quiser voltar ao seu status de pobreza. “A paralisia econômica de 2014 e o risco iminente de recessão em 2015 agrava a situação da classe média. Infelizmente, hoje, todo mundo conhece alguém que recebia em janeiro do ano passado um salário fixo de R$ 4 mil e, agora, vive de serviços esporádicos que não chegam a R$ 1,2 mil ao mês. E isso pode ser uma tendência”, pontuou o presidente do conselho, Marcus Evangelista, de olho nos índices que, agora, levam o governo a propor um “ajuste fiscal” ainda mais empobrecedor. Em 2011, a presidente Dilma Rousseff era toda entusiasmo: “Nesse momento de crise, o que nós temos de fazer não é nos atemorizar, parar de consumir, parar de produzir. Ao contrário, temos que avançar, melhorar a qualidade de serviço público do Brasil, garantir que o setor privado continue investindo e que o povo brasileiro continue consumindo”, disse a presidente, apostando que a crise europeia seria boa para o Brasil. Em 2013, a presidente criticou as pessoas que dizem que o consumo no Brasil já está maduro e que com isso não é possível continuar o processo anticíclico, que, segundo ela, era a marca no governo desde 2003. “A mim espanta os que falam que o momento de consumo já passou. Como, se ainda tem uma demanda grande reprimida?”, disse Dilma, durante evento de assinatura de um empréstimo de R$ 3,6 bilhões do Banco Central ao governo do Estado do Rio de Janeiro. Ela destacou que um empréstimo desse porte em um momento que o mundo passa por uma turbulência só era possível porque o Brasil conquistara autonomia em relação às crises internacionais. O governo já não quer mais “rolezinhos” nos shoppings. A fonte secou.
Devolvam nosso diploma! No Dia dos Jornalistas, 7 de abril, a categoria vai torcer para reverter uma situação de desrespeito para com os profissionais de imprensa. A revalidação de seu diploma, cassado de forma irracional, injusta e com total falta de respeito por uma decisão dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que votaram pelo fim da exigência do diploma, tornando ainda mais frágil as relações trabalhistas e aprofundando a desregulamentação da profissão no Brasil. 300 de Sparta Nessa data, mais de 300 votos de parlamentares, em votação de dois turnos em plenário, podem decidir pela aprovação da PEC 206/2009 (Proposta de Emenda Constitucional). Vamos torcer Se a votação se confirmar em plenário, corrigirá o lamentável erro cometido em 2009 pelos ministros do STF, liderados por Gilmar Mendes, o autor da proposta. Respeito E aí, os jornalistas brasileiros resgatam a exigência da formação em curso de nível superior em jornalismo para o exercício de profissionais que amam o que fazem. Sol com a peneira O senador Omar Aziz (PSDAM) não esconde de ninguém que não vai tapar o sol com a peneira e sair por aí defendendo a presidente Dilma cegamente. E muito menos fazer vista grossa para coisas graves que sacudiram a República e respingaram no Planalto. Sem papas Aliás, no primeiro encontro que teve com a presidente, logo que assumiu, Omar não escondeu isso nem da própria Dilma. Maior roubo No meio da reunião, ele interrompeu a presidente: — Eu queria prestar mi-
nha solidariedade à senhora, porque envolveram a senhora neste roubo na Petrobras, que é o maior roubo da história do Brasil. É uma vergonha fazerem isso com a senhora! Magoou Dilma não gostou muito: — Governador (na verdade, Aziz agora é senador), o senhor está equivocado. Desligue os aparelhos Uma proposta em análise na Câmara dos Deputados (PL 104/15) vai criar uma grande polêmica. Proíbe o uso de aparelhos eletrônicos portáteis, como celulares e tablets, nas salas de aula da educação básica e superior de todo o país. Só com autorização De autoria do deputado Alceu Moreira (PMDB-RS), o projeto prevê que os aparelhos só serão admitidos em sala se integrarem as atividades didático-pedagógicas e forem autorizados pelos professores. Chocolate salgado O valor abusivo dos ovos de Páscoa levou o consumidor a se afastar da tradição de presentear familiares e amigos com chocolate. Em um supermercado de Manaus, por exemplo, um ovo de Páscoa de 90 gramas estava sendo comercializado a R$ 39,90. Que barra! Diante do preço salgado, o jeito foi partir para outras
APLAUSOS
regi@emtempo.com.br
alternativas. No mesmo estabelecimento, uma barra de chocolate de 150 gramas pode ser adquirida por R$ 3,99. Criatividade Com criatividade, a tradição do chocolate foi mantida por um preço mais em conta. Teve gente que apelou até para o velho e bom Sonho de Valsa. Boiado Até a sexta-feira à noite, os ovos da Páscoa de marcas tradicionais não haviam decolado e estavam abaixo da expectativa do mercado. — Mas até o momento, as vendas estão abaixo do esperado –, admitiu uma gerente. Profanação A igreja Sagrado Coração de Jesus, no Centro, foi invadida e roubada. E justamente na madrugada desta Sexta-Feira Santa. Casa de Deus Os ladrões, que não estavam “muito preocupados” com o momento religioso, chegaram a levar vários pertences da paróquia, após terem arrombado as grades e janelas do local e quebrado uma das gavetas. No Lava-Pés O padre Zenildo Lima, que está à frente da igreja durante esses dias, disse que acredita que os bandidos tenham entrado durante a missa de Lava-Pés, na quintafeira, e tenham se escondido no banheiro.
VAIAS
Mais atenção na aula
Regi
Desrespeito à igreja DIEGO JANATÃ
DIEGO JANATÃ
Para projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados que, se aprovada, proibirá o uso de aparelhos eletrônicos portáteis, como celulares e tablets, nas salas de aula da educação básica e superior de todo o país.
Para os bandidos que não respeitam nem mesmo a Sexta-Feira da Paixão. Eles arrombaram, invadiram e assaltaram a igreja Sagrado Coração de Jesus, no Centro.
João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br
Os perigos desta vida Já dissera, lá atrás, o poeta Vinícius de Moraes: “São demais os perigos desta vida, para quem tem paixão...”. No caso, falou “paixão” no sentido bem popular e poético, de atração e sentimento extremamente fortes e arrebatadores, quase irresistíveis. Na pureza da sua significação, contudo, a paixão, tal como Aristóteles a inseriu entre as suas categorias do ser, tem o sentido estrito de ação sofrida. Por isso, falamos em Paixão de Cristo, como o conjunto das ações sofridas por Jesus, que o levaram à morte. Portanto, das quais foi ele o paciente. Não há, entretanto, exclusão absoluta e mútua entre as duas significações, uma vez que a pessoa apaixonada, no sentido popular, é, sem dúvida, alguém que está sofrendo a intensa ação e dominação de outrem, praticamente incapaz de reagir. Mas isso tudo serve apenas para afirmar que ninguém pode atravessar a vida impunemente e em segurança absoluta, sem se expor aos riscos a ela inerentes, tanto aos que se ligam aos sentimentos arrebatadores e geralmente causadores de sofrimentos, quanto aos que resultam das ações inevitáveis e incoercíveis da própria Existência a recair sobre cada um de nós, pacientes. Em números redondos, uma centena e meia de pessoas, a fazer uso do seu discernimento e da sua vontade autônoma, umas em busca de lazer, outras para concluir compromissos, outras por dever de ofício, decidiram embarcar num avião para se deslocarem de uma cidade a outra, em dois países diferentes e, para tal, escolheram uma empresa que lhes pareceu séria, cuidadosa e digna de confiança. Santa cautela, mas de eficácia relativa! Também lá atrás, muito atrás, Santo Thomas de Aquino já prevenira que o acaso não é tão fortuito
quanto parece, pois nele o que se dá é apenas o encontro imprevisto de duas séries, ou mais, de causas perfeitamente ordenadas. Então, eis que ali estava uma máquina de voar, planejada e construída meticulosamente para, sem problemas e dificuldades, obedecer aos comandos dos seres humanos que a assumissem e que, para tanto, oferecia seus mecanismos dóceis e eficazes que a fariam subir, dobrar, descer... Do outro lado, pessoas, seres humanos, selecionadas com muito cuidado e treinadas com esmero para se tornarem os senhores da máquina e também os depositários da confiança e das esperanças daquela centena e meia de criaturas. Essas, aliás, constituíam o terço do conjunto ao qual competia o papel de pura passividade: cabia-lhes apenas embarcar, sentar e esperar chegar. Quanto ao primeiro membro da situação, a máquina, tudo foi visto e revisto para que nada nela faltasse ou falhasse. E isso com a tradicional precisão alemã. Mas, se na construção e na manutenção da máquina não pôde faltar, entre outras coisas, a mão humana, sempre falível, na sua operação só e só o homem estaria presente e dele dependeria tudo. E aí, conquanto o cuidado na seleção e o esmero no treinamento tenham sido acurados, um micróbio se infiltrou sem ser percebido e sozinho foi capaz de pôr a perder todo o conjunto. Esse micróbio, como de costume, entrou escondido num ser humano, o que lhe permitiu, no momento trágico, assumir tudo e tudo decidir. Sua natureza, sua estirpe, ainda não sabemos qual terá sido. Veneno psicótico? Deformação mórbida do caráter? Quem sabe...? Revalida-se, contudo, a verdade de Sartre, de que o acaso comanda a Vida e de que o Inferno são os outros.
João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO
Na pureza da sua significação, contudo, a paixão, tal como Aristóteles a inseriu entre as suas categorias do ser, tem o sentido estrito de ação sofrida. Por isso, falamos em Paixão de Cristo, como o conjunto das ações sofridas por Jesus, que o levaram à morte”
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Opinião
MANAUS, DOMINGO, 5 DE ABRIL DE 2015
Frase
Painel VERA MAGALHÃES
Siga o dinheiro
O que eu disse correspondia ao meu pensamento: que as câmaras de gás são um detalhe na história da Segunda Guerra Mundial, a menos que alguém admita que a guerra é um detalhe das câmaras de gás. Eu mantenho porque acredito que é a verdade, e não deveria chocar a ninguém
A força-tarefa da Procuradoria Geral da República passou a tratar como prioridade na Lava Jato a busca por elementos que comprovem como o dinheiro supostamente entregue a João Vaccari Neto e Fernando Baiano chegou a políticos do PT e do PMDB. Procuradores consideram esse elo essencial para que a apuração avance, pois veem poucas chances de que o tesoureiro e o lobista colaborem com as investigações - assim como Alberto Youssef, que entregou todo o esquema do PP. Pronto-socorro Investigadores dizem que Youssef revelou tanto a anatomia (“o que era”) quanto a fisiologia (“como funcionava”) do esquema que irrigou o PP. No caso do PT e do PMDB, só a anatomia está clara - ou seja, que houve corrupção, mas não como o dinheiro fluiu. Nem aí Ministros do Supremo e procuradores que acompanham a Lava Jato apostam que Rodrigo Janot apresentará as denúncias contra políticos antes de setembro, quando pode disputar a recondução ao cargo de procurador-geral. Guerra fria Hoje, observadores classificam como “remota” a manutenção de Janot no cargo, uma vez que senadores que são alvo da operação precisariam aprová-lo. Artilharia O PSDB vai aproveitar as restrições orçamentárias do governo para atacar esta semana os cem primeiros dias do novo mandato de Dilma Rousseff. Levantamento encomendado por Aécio Neves (PSDBMG) à assessoria do partido mostrou que os investimentos da gestão petista caíram 55% em relação ao ano passado.
Quadro negro O estudo feito com dados do Siafi (sistema de acompanhamento de gastos federais) aponta uma queda de 85% nos investimentos em educação --de R$ 2,12 bilhões nos três primeiros meses de 2014 para R$ 317 milhões neste ano. Reabilitação Um dos maiores temores de caciques do PT é que a população sinta que o governo não está trabalhando. “A pior coisa que pode acontecer em um momento como esse é a máquina parar”, resume um ex-ministro. Melhor não Paulinho da Força (SD-SP) vai ficar longe dos microfones no protesto do próximo domingo. Em março, foi hostilizado pelos manifestantes ao subir em um caminhão e tentar falar. W.C. A frente evangélica se articula com a bancada católica contra resolução do governo federal que libera alunos transgêneros para escolherem o banheiro que preferirem na escola. A ideia é angariar apoio para um projeto de decreto legislativo de Marco Feliciano (PSC-SP) que derrubaria a norma. Viu só? O PT vai colocar em pauta a sucessão municipal no
encontro do diretório paulistano de 24 a 26 de abril. Para encorajar a campanha de Fernando Haddad, dirigentes lembram que, ao trocar PT por PSB, em 2000, Luiza Erundina perdeu a corrida para Marta Suplicy. Feliz ano velho Lula será o grande convidado da abertura, que homenageará os filiados mais antigos e os mais novos da sigla, numa tentativa de exibir tradição e frescor em tempos de crise.
Jean-Marie Le Pen, líder da extrema direita francesa e presidente de honra da Frente Nacional, liderada por sua filha Marine, disse em uma rádio da França, que “em nenhum momento” lamentou as declarações, formuladas pela primeira vez há quase 30 anos.
Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br DIEGO JANATÃ
É guerra? Em confronto com o Judiciário nos casos das ciclovias e do IPTU, Haddad comandará mesa de debates sobre o impacto da judicialização nos governos municipais durante encontro da Frente Nacional de Prefeitos, em Brasília, com 5.000 gestores, nesta semana. Abrigo Já há campanha no PSDB para emplacar José Aníbal na presidência do diretório paulista. Seria uma guarida para o suplente do senador José Serra, hoje sem mandato ou secretaria. E eu? A manobra furaria o revezamento no posto entre deputados estaduais, que perderiam sua vez, e federais - a trupe de Aníbal.
Tiroteio
Grave bem esta cena do que ainda vai acontecer. E quando acontecer tenha a certeza de que nada será como antes. Aí está o antes, o durante e o depois da Manaus Moderna. Sim, a cidade vai descobrir que o rio Negro não serve apenas para segurar o porto dos ingleses nem ser “sobrevoado” pela ponte que fechou as casas de forró do CacauPirêra. Não vai demorar nem doer muito
Dom Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br
Quem sabe o feitiço não vira contra o feiticeiro? Pelo jeito, o impeachment do qual tanto falam vai acontecer no Paraná”
Menores
DO DEPUTADO VICENTE CÂNDIDO (PT-SP), sobre a crise econômica que abala o segundo mandato de Beto Richa (PSDB) no Estado.
Era terça-feira da Semana Santa, neste ano coincidindo com a data fatídica do golpe que jogou o país num regime de exceção, que durou duas décadas. A liturgia da Palavra trazia o Evangelho que narra a decisão tomada por Judas de entregar Jesus. Quem pode saber o que se passou na sua mente? Podemos imaginar que ele pensava estar agindo corretamente, ou porque assim forçasse o Mestre a passar para uma ação mais efetiva, ou porque julgasse o profeta da Galileia um caso perdido e de qualquer forma ganharia alguma coisa entregando-o. O fato é que Jesus foi traído, experimentando assim a dor de ter sido usado por alguém em quem confiou. Só quem já foi traído sabe a dor que uma traição traz ao coração. Mas dor pior é a que sentimos ao perceber que entregamos alguém muitas vezes sem ter a intenção de fazêlo. Traídos e traidores, somos todos humanos necessitados de perdão e de misericórdia se não quisermos ter o fim do discípulo que, não suportando a dor da culpa e não tendo a coragem necessária para ser perdoado, decidiu por fim à própria vida. Nesse dia me senti traído enquanto cidadão que tem procurado participar da história deste país quando soube que na Câmara dos Deputados uma comissão havia declarado constitucional a redução da maioridade penal. Traído e traidor, pois estes deputados são meus representantes e meu voto deu legitimidade ao seu mandato. Lembrei-me da Pastoral do Menor e seus agentes, que teimam em acreditar que cada criança e cada adolescente tem a dignidade de filho de Deus e mesmo quando
Contraponto
Sambou Chico Alencar (PSOL-RJ) soltou uma “bomba” em reunião tensa com líderes na Câmara na semana passada: — Tenho uma denúncia a apresentar contra o presidente Eduardo Cunha! Fez-se um silêncio sepulcral. — Sua Excelência, ao dizer em entrevista que “o PMDB finge que está no governo e o governo finge que acredita”, não citou a fonte. São versos de Walter Alfaiate e Nelson Sargento no samba “Falso Amor Sincero”: “Nosso amor é tão bonito/ ela finge que me ama/ eu finjo que acredito”. Só o líder do governo, José Guimarães (PT-CE), não riu. — Tá certo, Chico, mas para nós isso não dá samba... Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”
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infratores guardam dentro de si a capacidade de recuperação. Lembrei-me de tantas crianças, adolescentes e jovens deste imenso país que vivem em situação de risco ou de vulnerabilidade social. Confesso que foi na convivência com estes grupos que encontrei humanidade, partilha, solidariedade, amizades verdadeiras porque são livres de interesses. Lembrei-me da elaboração do Estatuto da Criança e do Adolescente, que se deu com ampla participação popular e muita consulta às bases. Perguntei de novo por que não se consegue colocá-lo em prática, porque os conselhos tutelares não funcionam, porque as medidas socioeducativas dificilmente saem do papel? Se o Estado brasileiro reduzir a maioridade penal estará passando um atestado de incompetência e fracasso, ao se mostrar incapaz de resolver a questão juvenil. Se prender seres humanos resolvesse os problemas de segurança, as nossas prisões abarrotadas estariam garantindo a tranquilidade da população. Escolas de ensino fundamental de qualidade e de tempo integral, urbanização e moradia digna, qualidade de vida, áreas de lazer, combate à produção e ao consumo de drogas, controle rígido no comércio de armas, fim da corrupção são alguns fatores que podem evitar que o menor se torne infrator. Acredito na ressurreição de Jesus e na vida nova que ela trouxe. Não perco a esperança de que a nação impeça o Estado de entregar à sanha dos carrascos aqueles que por dever devem proteger. Criminalizar a juventude não resolverá nada e só aumentará a sede de vingança que nunca se sacia.
Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus
Lembrei-me de tantas crianças, adolescentes e jovens deste imenso país que vivem em situação de risco ou de vulnerabilidade social. Confesso que foi na convivência com estes grupos que encontrei humanidade, partilha, solidariedade, amizades verdadeiras porque são livres de interesses”
Com a palavra
MANAUS, DOMINGO, 5 DE ABRIL DE 2015
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GRAÇA FIGUEIREDO
‘Não QUERO ser A dama DE FERRO’ FOTOS: RAIMUNDO VALENTIM
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Não há como negar que o Conselho Nacional de Justiça veio para resgatar a imagem do Poder Judiciário, que vinha sendo arranhada por desmandos e pela falta de ética, abuso de poder, que comprometem a magistratura e os profissionais verdadeiramente comprometidos”
om nove meses na presidência do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), a desembargadora Graça Figueiredo tem tomado decisões que, acredita, colocam a Justiça no trilho da ética e da cidadania e do respeito ao ser humano. No primeiro mês de sua administração, honrou uma antiga dívida que tinha para com os servidores, decidindo pagar as datas-base de 2009, 2010, 2011 e 2012, que não foram repassadas naqueles anos. O pagamento vai beneficiar 1.463 servidores. A maioria aplaudiu mas, numa sessão do Pleno, ainda em março, a desembargadora enfrentou o protesto de um grupo de servidores quando colocou em pauta a discussão de uma resolução que pretende acabar com a correção salarial automática dos servidores do tribunal, que ocorre todo dia 1º de janeiro, passando o reajuste a ser vinculado a negociações com sindicatos. No momento em que o país parece afundar em um de mar de corrupção, impunidade, falcatruas e desmandos, a desembargadora adverte que já não há lugar, nem na Justiça e nem em qualquer outra instituição, para desmandos, arrogância, falta de ética e desvio de conduta. Nesta entrevista ao EM TEMPO, a presidente lembra que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) veio para resgatar a imagem do Poder Judiciário, que vinha sendo arranhada pelo abuso de poder, que compromete a carreira de profissionais sérios, verdadeiramente comprometidos com a Justiça e com a responsabilidade que pesa sobre sua caneta. Confira a entrevista:
EM TEMPO – No caso desses dois juízes, um deles do nosso Estado vizinho, Roraima, como foi o desenrolar dos fatos que levaram à punição? GF – Basta observar os resultados do julgamento, que não deixam dúvidas. A decisão pela punição a César Alves aconteceu pelo placar de 11 a 2, quer dizer, quase por unanimidade. Isso deixa claro que a maioria do colegiado entendeu haver provas da participação do magistrado na venda de sentenças. Como disse o ministro Ricardo Lewandowski: “Os fatos estão bastante evidenciados, se não tem prova robusta, há indícios veementes”.
EM TEMPO – Na semana passada, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu aposentar compulsoriamente os juízes César Henrique Alves, do Tribunal de Justiça de Roraima, e Ari Ferreira de Queiroz, do Tribunal de Justiça de Goiás, acusados de venda de sentença e quebra de imparcialidade. Como a senhora avalia essa decisão? Graça Figueiredo – Não há como negar que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) veio para resgatar a imagem do Poder Judiciário, que vinha sendo arranhada por desmandos e
EM TEMPO – E o caso da condenação à aposentadoria compulsória com provimentos proporcionais do juiz Ari Ferreira de Queiroz, como aconteceu? GF – Seguiu o mesmo trâmite. Também se deve a várias acusações. Entre elas, a de ter tomado decisões que beneficiaram o 1º Tabelião de Protesto e Oficial de Registro de Títulos e Documentos e Civil de Pessoa Jurídica de Goiânia que, de acordo com a imprensa, recebeu o título de “cartório mais rentável do Brasil no segundo semestre de 2012”, com arrecadação de R$ 35,4 milhões no período.
pela falta de ética, abuso de poder, que comprometem a magistratura e os profissionais verdadeiramente comprometidos com a Justiça e com a responsabilidade que pesa sobre sua caneta. Qualquer magistrado sério haverá de concordar que o CNJ se tornou o instrumento mais efetivo de modernização dos tribunais, apesar da resistência daqueles que estavam acostumados ao estilo “o juiz pode tudo”. No país de hoje, não pode. EM TEMPO – Antes do CNJ isso não seria possível? GF — Veja bem, sempre existiu e vai existir magistrado ético e magistrado com desvio de conduta. Não só no Judiciário, mas em qualquer outra profissão existem profissionais do bem e do mal. Mas é claro que uma das funções do CNJ é determinar os tribunais a funcionarem corretamente e não substituí-los na apuração de irregularidades cometidas pelos juízes que os integram.
EM TEMPO – Recentemente, em uma Sessão do Pleno, houve uma manifestação de servidores contrários à senhora. O que provocou essa reação? GF – A matéria trata da revisão anual de vencimentos dos servidores e serventuários do TJAM. O que seria apresentado naquele dia era apenas um processo administrativo para receber as emendas necessárias, sem a intenção de suprimi-lo do conhecimento público. Nada além disso. Quando se trata de uma proposta de resolução, ela segue todo um trâmite. Primeiramente é encaminhada para os desembargadores, por meio eletrônico. Em seguida, ela é posta em pauta dentro de uma sessão ordinária, nesse caso na Sessão do Tribunal Pleno para recebimento de emendas oferecidas com a necessária justificativa, em documento físico e dentro de um prazo. Quer dizer, não havia motivo para aplausos e nem para vaias, agressões ou qualquer atitude constrangedora. Nada havia sido decidido, se tratava apenas de uma pauta para discussão. Na democracia, as coisas não funcionam dessa maneira! Estávamos em um Tribunal Pleno, onde as discussões seriam travadas abertamente, por 19 magistrados com direito a voz e voto. Onde está a mão de ferro nisso? EM TEMPO – Então, a senhora acha que isso pode ter sido uma “armação” para desestabilizar sua administração? Ou que houve uma tentativa de “demonização” dos fatos? GF – Não tenho elementos para afirmar isso ou jogar suspeitas em alguém. Não seria correto nem ético. Mas sei, sim, que houve uma claque organizada, resultado de uma ação planejada, um desrespeito à Corte de Justiça pelo reprovável comportamento de servidores, uma minoria que não expressa e que não pode representar o corpo funcional do TJAM em sua totalidade. Como eu disse, apenas haveria uma discussão da matéria. Somente depois disso tudo é que a proposta seria colocada em votação. E mesmo com tudo isso, a votação poderia ser adiada para votação por duas semanas. Isso, claro, quando se tratasse de uma revisão ou modificação do Regimento Interno ou caso
aparecesse outra matéria relevante por decisão do Pleno. EM TEMPO – É de praxe a revisão anual salarial ser discutida diretamente com os servidores? GF – É bom deixar claro que não existe matéria sigilosa em minha gestão na presidência da Corte do Amazonas. EM TEMPO – Os servidores entraram no CNJ pedindo uma liminar para que o processo administrativo fosse suspenso por apresentar uma resolução sem que se tenha sido feita uma consulta ou oitiva às partes interessadas no assunto. Em que deu isso? GF – A liminar foi indeferida, pois o Conselho entendeu que tratava-se apenas de um anteprojeto de resolução para ser apresentado emendas, longe de ser objeto de deliberação no momento. EM TEMPO – Em toda administração há críticas e elogios. Como a senhora avalia as críticas e onde acha que merece ser reconhecida? GF – Sou uma magistrada de carreira, que construiu sua trajetória passo a passo. Passei por comarcas do interior, fui juíza de varas polêmicas e até ameaçadoras. Pela dedicação ao meu trabalho, não consegui integralmente acompanhar como queria o crescimento de meus filhos. Lutei e continuo lutando pela respeitabilidade do Poder Judiciário, o guardião da democracia, agora mais do que nunca na cadeira de presidente da corte. Então não seria agora que iria mudar minha trajetória profissional, lutei muito para manter a minha postura de independência. Não aceito pressão. As incompreensões e as críticas fazem parte da vida. Vou continuar trabalhando parafazer a coisa certa e não me afastar um milímetro que seja do meu objetivo de cumprir estritamente a lei. Não quero ser a dona da verdade e nem dama de ferro. Quando deixar a Presidência do Tribunal, estrei em paz com a minha consciência, com o sentimento do dever cumprido. “Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé”, como nas palavras do apóstolo Paulo.
Na democracia, as coisas não funcionam dessa maneira! Em um Tribunal Pleno as discussões são travadas abertamente por 19 magistrados com direito à voz e voto. Onde está a mão de ferro nisso?”
Não quero ser a dona da verdade e nem ‘dama de ferro’. Quando deixar a presidência do Tribunal, estrei em paz, com a minha consciência, com o sentimento do dever cumprido”
Política
MANAUS, DOMINGO, 5 DE ABRIL DE 2015
Governo estuda reduzir ministérios, afirma Levy
Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS
www.claudiohumberto.com.br
Quem dá ultimato aqui sou eu” EDUARDO PAES (PMDB), PREFEITO DO RIO, e a chantagem da empreiteira Queiroz Galvão
Brasil aplica ‘tombo’ de R$ 813,9 milhões na ONU O governo Dilma consolida para o Brasil a reputação de mau pagador, após aplicar o “tombo” de US$ 259 milhões (equivalentes a R$ 813,2 milhões) na Organização das Nações Unidas. Só este ano, o Brasil já deveria ter pago US$ 79,6 milhões (ou R$ 249,9 milhões) à entidade. Todos os paísesmembros assumem o compromisso de manter, além da própria ONU, o tribunal internacional e também as missões de paz. Honra zero A ONU mantém uma “Lista de Honra” com os nomes dos países em dia com obrigações junto à entidade. Nessa lista, “Brazil” não aparece. Pagando pelos outros Países como Cuba, Bolívia, Equador e República Dominicana, destinos comuns de investimentos do BNDES, estão em dia junto à ONU. Entre os top O Brasil é figurinha carimbada na lista de maiores devedores e até já foi citado pelo porta-voz da ONU como “exemplo a não ser seguido”. Chanceler de fato O Brasil passa vergonha também como “anão diplomático”, com sua política externa subjugada ao aspone Marco Aurélio Top-Top Garcia. Deputado não precisa explicar ‘gastos íntimos’ Decisão da mesa diretora da Câmara autoriza os deputados federais a omitirem comprovantes de despesas que revelam sua “intimidade”. Não está claro o que consideram despesas “íntimas”. Podem ser cirurgias
plásticas, estoque de viagra, viagens particulares, compra de vinhos e cachaça, gastos com motel ou com empresa de segurança das quais o parlamentar é dono etc. Para todos esses casos há precedentes. Precedente 1 O “cotão” mensal de R$ 37 mil dos deputados já pagou até contas de motel do deputado e ex-ministro do Turismo Pedro Novais (PMDB-MA). Precedente 2 Francisco Tenório (PMNAL) fez o contribuinte pagar 4 reais de uma dose de cachaça. O salário do deputado federal é de R$ 33.763,00. Precedente 3 Edmar Moreira (ex-DEMMG), o “deputado do castelo”, usou verba da Câmara para pagar R$ 15 mil às próprias empresas de segurança. Gastando sem piedade Em dois meses, a bancada do DEM na Câmara gastou R$ 528 mil com cota parlamentar, a “mesada” para custear a vida das excelências no mandato; combustível, telefonia e divulgação de atividade parlamentar. País rico é isso aí O recordista em gastos, na bancada do DEM, foi o deputado Marcelo Aguiar (SP): R$ 94 mil, bem mais que o segundo, Onyx Lorenzoni (RS), R$ 63 mil. O líder, Mendonça Filho, foi bem mais comedido: R$ 36 mil. Ficha por nossa conta O ex-deputado Camilo Cola (PMDB-ES) chegou a pedir à Câmara o ressarcimento de 62 centavos gastos com telefonia. Certamente por
Jornalista
isso é um dos homens mais ricos do Brasil, com fortuna de R$ 1 bilhão. Garantia de qualidade A senadora Lídice da Mata (PSB-BA) promoveu debate, na Comissão de Assuntos Econômicos, que foi uma delícia: estabelecer teor mínimo de 35% de cacau para que um produto seja considerado chocolate. Falta ação de despejo O ministro Vital do Rêgo, do Tribunal de Contas da União, ainda ocupa apartamento do Senado, sem pagar aluguel, enquanto o suplente Raimundo Lira (PMDB-PB) recebe R$ 4,3 mil de auxílio-moradia. Na nossa conta Em fevereiro, o plenário do TCU aprovou auxílio-moradia de R$ 4,3 mil para ministros e procuradores que atuam no tribunal. Quando o auxílio para o Judiciário começar a valer, a conta será de R$ 1,5 bilhão/mês. Sobrou para nós Em janeiro, em campanha para a presidência da Câmara, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) gastou R$ 10,3 mil só com telefonemas. Ele ganhou a eleição e o contribuinte a conta para pagá-los. Trabalho em Minas O PSDB de Minas marcou para 6 de junho a convenção estadual. Após perder para Dilma Rousseff no Estado, Aécio Neves quer intensificar presença nos 50 maiores municípios mineiros. Pensando bem... ...se continuar aparecendo um caso de corrupção por mês, Dilma terminará o mandato com número de escândalos maior do que o de ministros.
PODER SEM PUDOR
De cavalo e de sono Mão Santa (PMDB-PI) fazia mais um longo discurso no Senado, durante uma sessão modorrenta. Até citou Calígula, que indicou o cavalo Incitatus para o antigo Senado romano. Como tinha mania de exclamar o nome dos colegas presentes, como se os chamasse à discussão, ele gritou para um senador meio sonolento. Ao perceber que o homem tomou um susto, Mãe Santa sentenciou: - Acordou e concordou...
Recessão pelo crime pode ser menor Aplicados à Administração da Fundação Getulio Vargas (Eaesp/FGV), diz que as decisões tomadas pela equipe econômica podem amenizar os efeitos sobre o setor. “O cenário mais provável é uma recessão [com queda] de menos de 0,5% do PIB [Produto Interno Bruto - soma de todos os bens e serviços produzidos no país]”, disse. Segundo os dados iniciais, os economistas do Eaesp/FGV projetaram que a queda de investimentos da Petrobras, estimada em 20%, e a retração no setor da construção de quase 10% provocarão perdas
Ministro Joaquim Levy sinaliza que governo está disposto a discutir redução de cargos e ministérios
E
m meio às negociações em torno da votação do pacote de ajuste fiscal no Congresso, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, sinalizou que o governo está disposto a discutir a redução do número de ministérios e de cargos comissionados, ocupados por indicação política, na esfera do Executivo federal. A realização de uma reforma administrativa foi tema de uma reunião entre o ministro e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). O ministro saiu do encontro com o acordo de adiamento do projeto e com o discurso de que iria elaborar um levantamento que indicasse possíveis cortes. Ele, no entanto, não deu nenhuma data para apresentá-lo. A Casa Civil do governo Dilma já elabora um estudo sobre uma possível redução dos atuais 39 ministérios. A redução de cargos comissionados foi defendida publicamente dias antes por Renan, que vê na proposta uma forma de dar uma resposta a setores da sociedade descontentes com as medidas impopulares toma-
das pelo Executivo na área econômica. O pacote inclui a redução de benefícios trabalhistas e previdenciários, além de um reajuste menor na tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física. “A sociedade tem que ficar absolutamente convencida de que o poder pú-
REFORMA
A realização de uma reforma administrativa no governo Dilma foi tema de uma reunião entre o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) blico está fazendo a sua parte e que vai cortar”, afirmou Renan na ocasião. Posição pública A sinalização de Levy de fazer um levantamento das áreas do Executivo que poderiam passar por possíveis cortes no número de cargos de indicação política ocorre na mesma semana em que a presidente Dilma Rousseff
passou a se posicionar sobre o tema. “Não vamos reduzir a nossa política social, porque não é ela a responsável pela grande maioria dos gastos. O que vamos fazer é um enxugamento em todas as atividades administrativas do governo, um grande enxugamento. Vamos racionalizar e continuar fazendo o que a gente sempre faz”, disse a presidente em entrevista à agência Bloomberg, um dia depois do encontro entre Levy e Renan. Negociações De acordo com integrantes do PT que se reuniram com o ministro em meio às negociações do ajuste fiscal no Congresso, Levy demonstrou de fato a intenção de realizar ajustes na máquina federal. Uma possível redução dos ministérios, entretanto, deve sofrer forte resistência de setores do partido da presidente que veem tal medida como algo demagógico. Oficialmente, a Casa Civil do Palácio do Planalto afirma que o tema não tem sido alvo de discussões internas no âmbito do governo de Dilma Rousseff.
‘Mudanças são gestos simbólicos’
LAVA JATO
O Brasil pode viver uma recessão causada pela operação Lava Jato mais branda em 2015 do que a projetada por economistas que têm calculado os impactos econômicos das investigações. Parte dos dados de um estudo que será apresentado amanhã (6) em um seminário da Fundação Getulio Vargas (FGV) foi antecipada na sexta-feira (2) durante um debate em teleconferência para discutir os efeitos econômicos e sociais da Lava Jato. Gesner Oliveira, professor do Departamento de Planejamento e Análise Econômica
Titular da Fazenda avisa a partidos aliados que uma reforma administrativa, com cortes internos pontuais, pode acontecer DIVULGAÇÃO
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de produção equivalente a R$ 97 bilhões, o que representaria uma queda de 2% no PIB. “Para 2015, levamos em consideração outros fenômenos que estão ocorrendo”, disse Oliveira, ao citar o ajuste da taxa de câmbio, com menor artificialismo na política cambial, e os sinais de recuperação da credibilidade econômica. “A despeito de todas as dificuldades, a gente percebe a política econômica que sinaliza com mais clareza sobre o que se pretende fazer e o ajuste fiscal. São dois elementos que são relativamente positivos”.
Nas conversas com representantes do PT, Levy demonstrou que uma possível redução de cargos comissionados serviria mais como um gesto “simbólico” do que efetivo, uma vez que teria pouco impacto nos cofres federais. A preocupação maior do Palácio do Planalto, agora, é realizar um corte no Orçamento deste ano – que pode chegar a R$ 80 bilhões. De acordo com dados do Ministério do Planejamento, o governo federal abriga atualmente 22.926 cargos de Direção e Assessoramento Superiores, os
chamados DAS. Desse total, 74% são ocupados por servidores de carreira. Nos casos dos DAS de nível 1 a 3, em que os salários variam de R$ 2.227,85 a R$ 4.688,79, há 4.530 cargos ocupados por pessoas não concursadas. Nessa faixa, o porcentual daqueles que não têm vínculo é de 23,89%. Esse valor está dentro do limite estabelecido de até 25%. Já os cargos de DAS nível 4, em que os rendimentos mensais chegam a R$ 8.554,70, há 937 pessoas sem vínculo. Esse número representa 24,19% do total, também abaixo do
teto de 50% de ocupação, exigido para esse nível. No caso dos cargos de DAS de nível 5 e 6, em que os salários variam de R$ 11.235 a R$ 13.974,20, não há porcentual estabelecido para ocupação de servidores concursados. De acordo com o Planejamento, há 290 ocupantes sem vínculo e 761 concursados e, no DAS nível 6, são 64 sem vínculo e 140 concursados. A reportagem procurou Levy por meio da assessoria, mas até a conclusão desta edição não houve resposta às ligações e e-mail enviados.
Política
MANAUS, DOMINGO, 5 DE ABRIL DE 2015
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‘Criação de
partidos é só por interesse’ Para cientistas políticos, as siglas estão sendo criadas não por falta de identidade ideológica das que existem, mas pela continuação do poder e pelo enfraquecimento de grupos que o disputam
MOARA CABRAL Equipe EM TEMPO
A
pesar da discussão e pressão da sociedade civil organizada em torno da reforma política, ao que tudo indica, está longe de se chegar a uma conclusão que satisfaça a todos. Principalmente quando o interesse pelo poder está à frente do interesse da coletividade, de mudanças reais no sistema eleitoral brasileiro. A prova é tanta que poucos, ou os que podem fazer algo para o bem comum, estão mais interessados em criar novos partidos políticos, não pela falta de identidade ideológica das saturados siglas já existentes, mas pela continuação do poder e pelo enfraquecimento de grupos que disputam esse poder político. Mais de 20 partidos estão em andamento para criação, entre eles o Rede Solidariedade, da ex-ministra Marina Silva, que ganhou força por um momento, mas agora vive um decline e não consegue alcançar o número de assinaturas suficientes para o registro. Em Manaus, o Partido Liberal (PL) luta para ressurgir, tendo como cabeça o secretáriogeral do PSD, Paulo Radin, assim como o Partido da Segurança Pública e Cidadania (PSPC), que busca assinaturas por meio da internet e também começa colher assinaturas em Manaus e em todo o Estado para conseguir o registro. O PSPC tem como presidente no Amazonas Kervyn Lima; vicepresidente,
Cícero Leão Neto e como secretário-geral, Orisvaldo Santos de Carvalho. Surge ainda o Raíz – Movimento Cidadanista, um novo partido que surge da dissidência da Rede, de Marina Silva. A coleta de assinaturas ainda será lançada em São Paulo, provavalmente em maio deste ano. O organizador do PL, Paulo Radin, explica que não há políticos com mandato envolvido no processo de recriação da sigla. A medida, segundo ele, é para evitar especulações. “Nesse momento não temos nenhum político, porque o partido ainda não existe. O que temos é o apoio do senador Omar Aziz, que a pedido do ministro Gilberto Kassab está apoiando a criação do PL. Mas, no Amazonas, não temos nenhum político envolvido”, disse, acrescentando que seu sonho é ter o maior número de políticos com mandatos filiados ao novo partido. Contudo, é um desejo apenas. E esse desejo tem um preço: chegar a 50 mil assinaturas certificadas no Amazonas. Segundo Radin, se os cartórios obedecessem aos prazos legais de 15 dias, agora o PL teria mais de 16 mil assinaturas e facilmente se chagaria ou ultrapassaria as 50 mil desejadas. Com relação à fusão do PL ao PSD, Radin explica que existem três possibilidades legais: fusão, incorporação o u
bloco partidário – igual ao que os parlamentares novatos da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) estão solicitando na casa legislativa para garantir mais tempo de discurso no grande expediente. No entanto, Radin alegou ainda ser muito cedo para se falar em fusão, uma vez que o PL ainda está em processo de formação. “É muito cedo para se falar em fusão ou incorporação. O partido ainda não existe. Estamos em formação. Quando tiver o registro partidário no TRE, aí, sim, podemos falar em fusão”, justificou, ao lembrar que é provável, após o feriado da Semana Santa, a comissão dê entrada no Tribunal Regional com todos os documentos necessários para o registro do partido no Amazonas.
de fato, um interesse por identidade ideológica, mas interesses de determinadas siglas em se manter no poder. Para ele, o cenário está bastante complexo: “Por exemplo, há um grito das ruas pedindo reforma política, a uma coalizão democrática. E a reforma política vai implicar justamente, na questão da regulamentação dos partidos”. R a m o s acrescenta que o PMDB antecipou o grito d a s
ruas e está fazendo sua própria reforma. “A presidente da República, Dilma Rousseff (PT), por sua vez, em uma coligação diretamente com o Kassab (Gilberto/PSD), também está incentivando a criação de novos partidos, como o PL, está para enfraquecer e minimizar a força que hoje tem
o PMDB”, ressaltou. Por outro lado, acrescenta o cientista político, há outras forças políticas se mobilizando para a criação de partidos para tentar achar uma identidade partidária, porque os partidos estão rompidos. No entanto, essa vontade de ideologia fica aquém das vontades políticas. “Isso na verdade fica uma disputa de interesses entre eles e acaba perdendo a noção de discutir a reforma política que o Brasil tanto quer. Primeiro, o sistema eleitoral está podre. Nós temos que definir a questão dos partidos políticos, porque hoje eles perderam forças junto às coligações, mas o mandato é do partido”, ressaltou.
Poder dividido entre PT e PMDB
Críticas O cientista político e professor de ciência política da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Ademir Ramos, critica a forma com que os novos partidos estão surgindo. Segundo ele, não há,
Com mais dinheiro, mas força e capital não apenas de voto, mas financeiro, os partidos se tornam cada vez mais poderosos. Dessa forma, o querer do país que queremos fica de fora” Ademir Ramos cientista político
Ademir acredita que esta é uma disputa do poder hegemônico entre o PT e o PMDB e, nessa conjuntura, o povo é enrolado. Agora não é apenas cobrar da presidente Dilma, mas do Congresso. Para o cientista político, com essa disputa, a criação de novos partidos pela identidade ideológica fica enfraquecido. “Tudo fica enfraquecido porque o partido vai se tornar um toma lá, da cá. Você vai criar partido não por uma questão estatutária, ideológica, mas para tirar candidatos que estão no PMDB, por exemplo, para criar uma quinta força partidária”, pontuou Ramos. Ademir destacou que o PMDB já percebeu a estra-
tégia do Poder Executivo, por isso está se colocando contra, inclusive negociando. “Está negociando diretamente, quer dizer, negando as decisões do poder Executivo. Está devolvendo medidas provisórias para afrontar o poder mesmo, porque sabe desse jogo que está acontecendo”, explicou. O Fundo Partidário teve um aumento na aprovação da Lei Orçamentária, dando mais musculatura aos partidos. “Com mais dinheiro, mas força e capital não apenas de voto, mas financeiro, eles se tornam cada vez mais poderosos. Essa é uma disputa que está aí”, pontuou Ademir Ramos.
Como surge um partido no país Para se criar um partido é preciso obter a assinatura de 101 fundadores, distribuídos em pelo menos nove Estados. Em seguida, deve-se registrar a legenda no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Esse registro é provisório e se concretiza com o apoio formal da quantidade de eleitores correspondente a 0,5% dos
votos dados na última eleição a toda a Câmara dos Deputados, sem os brancos e os nulos. São necessários em torno de 430 mil eleitores para o registro. Cumpridas ainda outras formalidades, o partido participar de eleições, receber dinheiro do fundo partidário e ocupar o horário político no rádio e na TV.
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Política
MANAUS, DOMINGO, 5 DE ABRIL DE 2015
MANAUS, DOMINGO, 5 DE ABRIL DE 2015
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ALFREDO FERNANDES
Caderno B
Economia
Mudança reduz rotatividade nas empresas Economia B2
Manaus ganha primeira boutique de ‘quatro rodas’ N
a entrada do Café Priscila, numa manhã cinzenta de domingo, uma van envelopada com motivos diferentes chama a atenção. Portas escancaradas, uma mesinha com cadeira à entrada e, lá dentro, cabides com roupas penduradas. São vestidos, blusas, calças, saia, shorts e macacaquinhos. “O que será isso?”, pergunta uma mulher, intrigada com o movimento de entra e sai na van. “Acredite se quiser, mas é uma boutique móvel (risos)”, responde a vendedora. É isso mesmo que você ouviu, Manaus já tem a sua primeira boutique em quatro rodas – Chris Moda Móvel–, uma ideia genial que facilita a vida de consumidora que não tem tempo de ir à loja comprar roupa. Portanto, vale a regra de que se você não tem tempo de ir à boutique, a boutique vai até você. A comercialização é prática. Basta a loja ambulante parar numa esquina para, em poucos minutos, atrair a “mulherada” que é capaz de esquecer o café da manhã para experimentar uma, duas, três, quatro peças de roupas, que nada deixam a desejar aos últimos lançamentos do “Sul maravilha”. Na Chris Moda Móvel, a cliente paga barato e leva o que existe de mais moderno no mundo da moda. Pelo menos é o que garante Christiane Araújo de Souza Andrade, 38, a empresária que teve a grande sacada e colocar a loja na estrada. Buscar autonomia, tendo o próprio negócio, é o grande desafio de muitos lojistas, principalmente os do ramo das confecções, que cresce
significativamente em Manaus. A primeira boutique móvel da capital, Chris Moda Móvel, surgiu com a evolução das vendas do varejo porta a porta e está fazendo o maior sucesso com as clientes. Técnica em enfermagem, Christiane Andrade revelou ao EM TEMPO que teve de deixar a loja de roupas em que trabalhava em um shopping da capital porque não conseguia acompanhar o marido durante as viagens e também não podia dar atenção às clientes devido às ausências rotineiras da cidade. Um dia, parou para pensar se era aquela vida mesmo
INVESTIMENTO
A empresária disse que o investimento total na compra da van e em sua adaptação foi de R$ 120 mil. “Na van tem espelhos, dois provadores. É praticamente uma loja de shopping”, disse que queria para ela e para a sua família. Foi aí que ela teve a ideia de levar sua loja até às consumidoras e, ao mesmo tempo, acompanhar o marido durante suas viagens de trabalho. A empresária garante que o negócio está dando certo. “O bom e o diferencial de trabalhar dessa forma é que as mulheres entram no carro, boutique móvel, e já saem arrumadas. Lá tem o espelho, tem o provador. Não tem aquilo de escolher uma roupa e pegar se vai dá ou não vai dá. Não precisa perder tempo. A mulher já escolhe a roupa e sai arrumada”, disse a empresária.
Economia com o motorista Christiane também revelou que não gasta com motorista porque ela mesma dirige o veículo. “Por eu não ter esse custo tão alto, com motorista e aluguel, as minhas peças de roupa são peças de boutique e, mesmo assim, os preços são acessíveis. As peças não são caras como as das lojas dos shoppings”. Segundo a lojista, essa nova forma de vender a domicílio veio para facilitar a vida da mãe, que não tem tempo de se locomover porque tem tempo curto para cuidar dos filhos, e da mulher executiva, que vive presa ao trabalho. “Se está chovendo, ou se a cliente não quer enfrentar o trânsito, gastar combustível ou não pode sair por
causa do filho, a gente vai até ela. As clientes podem pagar com dinheiro ou cartão de crédito”. Christiane ainda deu uma bela sugestão: “Nossa boutique móvel também é ideal para o marido que quer presentear a esposa. Ele nos contata e negocia com a gente um valor “x”. A gente vai até o encontro da pessoa presenteada e ela escolhe tudo, de acordo com o valor acordado”, sugeriu. A empresária disse que o investimento total na compra da van e em sua adaptação foi de R$ 120 mil. “Na van tem espelhos, dois provadores. É praticamente uma loja de shopping, mas dentro de um carro”, afirmou.
Christiane Andrade largou a vida de técnica em enfermagem para se aventurar como empresária dentro de uma boutique-van
Boutique móvel atrai a atenção de quem não possui tempo para renovar o guarda-roupas
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LUANA DÁVILA Equipe EM TEMPO ONLINE
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Empresária investiu para montar sua loja de roupas femininas dentro de uma van, para comodidade da sua clientela
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Economia
MANAUS, DOMINGO, 5 DE ABRIL DE 2015
Mudanças na lei reduzem rotatividade no mercado A
pesar de ainda gerar bastante polêmica diante de trabalhadores e entidades representantes de classe, alguns especialistas defendem que a medida provisória que dificulta o acesso ao seguro-desemprego pode promover algumas mudanças positivas no vínculo empregatício. Entre elas, os analistas apontam o desestímulo à alta rotatividade de trabalhadores nas fábricas e no comércio, por exemplo. Desta forma, eles afirmam, favorece um dos princípios básicos da lei trabalhista, que é a continuidade no trabalho sem prejuízos a economia. Para a gerente de administração de pessoal da empresa Luandre, Sueli Silva, na prática, pouca coisa muda para quem já está no mercado de trabalho, uma vez que, a partir do terceiro requerimento do seguro, o procedimento é praticamente o mesmo de antes. Ou seja, de seis meses, e não mais 18 como rege a nova medida imposta pela presidente da República Dilma Rousseff. “Logo, quem sofrerá na pele o impacto da norma é quem
está iniciando a carreira no mercado de trabalho formal, principalmente os jovens”, comentou a gerente por meio da assessoria de imprensa. A especialista ressaltou que o período curto de seis meses apenas como era impacta negativamente no desenvolvimento das atividades profissionais. Já a es-
TENTATIVA
Centrais e sindicatos dos trabalhadores nacionais buscaram, sem sucesso, o diálogo com o governo Dilma para rever as perdas dos direitos da classe trabalhadora do país com a medida provisória tabilidade pode refletir, por consequência, no aumento da produtividade. “Antes de pensar em sair, o trabalhador e a empresa terão que protelar a decisão e criar maneiras de melhorar o fluxo de trabalho. Em longo prazo, as relações podem melhorar e resultar até em uma mudança de cargo”, frisou. Porém, esse fato é con-
testado pelos representantes dos trabalhadores, como explicou o secretário de relações institucionais da Força Sindical, Carlos Lacerda. “Acreditamos que as mudanças não refletirão na questão da rotatividade, uma vez que eles (governo) analisaram o fluxo em épocas como o Natal, mas não levaram em conta o que acontece no ano todo”, enfatizou ele, que também é secretário para assuntos parlamentares da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM). Regras Lacerda salientou que as lutas continuam na esperança de revogar as mudanças propostas pelo governo nas regras tanto do seguro-desemprego quanto de pensões por morte, abono salarial, seguro-defeso e auxílio-doença (MPs 664 e 665). “Estamos promovendo uma campanha regional com os deputados do Norte e Nordeste. No Amazonas o lema é ‘Deputados, sejam Caprichosos na derrubada das MPs 664 e 665 e mantenham os direitos Garantidos’. Fazendo referência aos bois de Parintins”, revelou Lacerda.
A partir do terceiro pedido de seguro-desemprego, o tempo de trabalho reduz para seis meses
Governo fecha porta do diálogo O secretário de relações institucionais da Força Sindical, Carlos Lacerda, declarou que já ocorreram quatro reuniões - duas em São Paulo e duas em Brasília - para debater o assunto com os representantes do governo federal, porém, nenhum ministro comparece aos encontros. Mesmo assim, as ações serão intensificadas dentro do Congresso Nacional. “Nossa preocupação maior é com a questão dos pescadores, que agora só têm direito a receber o seguro-defeso após três anos na
profissão. Isso é um absurdo, como o amazonense que vive da pesca vai ficar sem a sua renda”, acentuou. Preocupação A desempregada Izabel Cristina Cavalcante Bindá, 44, conta que recebeu pela primeira vez o seguro-desemprego no ano passado, quando foi demitida da empresa em que trabalhava. Mas ela revela que já tinha dois anos e cinco meses. Agora ela busca um novo emprego, mas sua maior preocupação é ser demitida
antes de 18 meses, já que não terá direito ao benefício. “Essa mudança prejudicará muita gente, ainda mais porque na maioria das vezes é a própria empresa que demite o funcionário e demite bem antes dele completar um ano”, evidencia. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com base nos números de 2014, estima que as novas regras para acesso ao seguro-desemprego devem reduzir em 26,5% o número de benefícios concedidos este ano em todo o país. DIVULGAÇÃO
SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO
ALFREDO FERNANDES
Novas regras no seguro-desemprego promovem o fim da alta rotatividade nas empresas, de acordo com analistas
Movimentos dos trabalhadores foram às ruas pelo país para cobrar direitos trabalhistas
Economia DIVULGAÇÃO
MANAUS, DOMINGO, 5 DE ABRIL DE 2015
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Aeroporto de Manaus é seguro para operações Terminal instalado na capital amazonense é um dos sete aeroportos brasileiros que possuem certificação operacional de acordo com padrões internacionais
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Brasil tem sete aeroportos com certificação operacional, registro que atesta que o terminal está em conformidade com os padrões internacionais de segurança.
Segurança é uma das características do aeroporto de Manaus
Estudo para novas certificações Os aeroportos que já receberam o certificado, no Brasil, são os de Guarulhos (SP), Manaus (AM), Maceió (AL), São Gonçalo do Amarante (RN), Galeão (RJ), Confins (MG) e Brasília (DF). Os que estão com análises em andamento são os de Curitiba (PR), Cuiabá (MT), Fortaleza (CE), Porto Alegre (RS), Recife
(PE), Santos Dumont (RJ), Congonhas (SP), Salvador (BA), Belém (PA), Campo Grande (MS), Foz do Iguaçu (PR), Florianópolis (SC), Goiânia (GO), Porto Seguro (BA), São Luís (MA), Vitória (ES), Aracaju (SE), João Pessoa (PB), Londrina (PR), Navegantes (SC), Ribeirão Preto (SP), Teresina (PI), Uberlândia (MG) e Cabo Frio (RJ).
Vistoria dos órgãos é rigorosa do operador do aeródromo, por ato oficial da Anac. Mundial Conforme dados da OACI, em todo o mundo, 11% dos aeroportos estão certificados. A meta é atingir os 20% até 2016. Segundo a entidade, as explicações para o baixo número de certificações é o fato de as infraestruturas terem sido construídas antes do estabelecimento das regras, além da falta de pessoal técnico capacitado e de regulamentação nacional adequada. Autorização Todos os aeródromos em operação no Brasil devem ser autorizados pela Anac. No caso dos privados, eles têm que ser cadastrados pela Agência. Já os públicos precisam ser homologados pelo órgão. DIVULGAÇÃO
A certificação é dada depois que vistorias verificam o planejamento do aeroporto, sua estrutura administrativa, além de instalações de infraestrutura, como as de abastecimento e movimentação de aeronaves, os procedimentos de prevenção, salvamento e combate à incêndio. O processo é conduzido pela GOPS (Gerência de Operações Aeronáuticas e Aeroportuárias) da Superintendência de Infraestrutura Aeroportuária e ocorre em quatro fases: solicitação formal realizada pelo aeroporto; avaliação do pedido – a partir da documentação entregue, das características do terminal, do cumprimento das normas e da capacidade técnico-operacional do aeroporto, inspeção inicial de certificação, e certificação, que é emitida em nome
Aeroporto de Manaus recebe voos internacionais também
Outros 25 estão com processos em andamento para obter o certificado. Os procedimentos para a concessão do certificado obedecem ao RBAC 139 (Regulamento Brasileiro da Aviação Civil).
Os critérios seguem orientação da OACI (Organização Internacional de Aviação Civil), que fixa critérios que devem ser atendidos por aeroportos de todo o mundo. A entidade tem cinco objetivos
a serem cumpridos até 2016: elevar a segurança operacional, a capacidade e a eficiência da navegação aérea, a segurança e a facilitação da aviação civil e o desenvolvimento econômico do transporte aéreo.
Mundo
MANAUS, SÁBADO, 4 DE ABRIL DE 2015
Caixa-preta mostra que copiloto acelerou avião DIVULGAÇÃO
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ão Paulo - A agência de investigação aérea da França informou, ontem, que os dados da segunda caixa-preta do Airbus A320 da Germanwings, que caiu nos Alpes em 24 de março, confirmam a ação deliberada do copiloto Andreas Lubitz, 27. A Promotoria afirma que Lubitz derrubou de propósito a aeronave, que seguia de Barcelona para Düsseldorf com 150 pessoas a bordo. Todos os passageiros e tripulantes morreram na queda. Segundo o Escritório de Investigações e Análises pela Segurança da Aviação Civil (BEA, sigla em francês), a primeira análise da caixa-preta de dados mostra que o copiloto usou o piloto automático para baixar
o avião de 38 mil pés para 100 pés. Enquanto o avião perdia altitude, Lubitz ajustou diversas vezes o aparelho para aumentar a velocidade da aeronave. Os dados da caixa-preta encontrada anteontem confirmam as informações obtidas nas gravações de voz do Airbus A320. A partir do áudio, revelado na semana passada, os investigadores determinaram que o piloto trancou a porta da cabine assim que o piloto titular foi ao banheiro. Em seguida, iniciou a operação de descida que levou à tragédia. A agência francesa informou que os técnicos continuarão a fazer análises dos dados do avião para incluí-los no inquérito sobre a queda,
que também usará informações da primeira caixa-preta encontrada e de informações recolhidas no local da queda. Pesquisa Na última quinta-feira, a Promotoria de Düsseldorf, que investiga as circunstâncias que levaram Lubitz a derrubar o avião, afirmou que o copiloto pesquisou na internet sobre formas de suicídio e mecanismos de segurança de portas de cabines de aeronaves. Segundo os investigadores, as buscas foram feitas entre 16 e 23 de março, véspera da queda do Airbus A320 da Germanwings. Nos últimos anos, o copiloto fez tratamento pelo menos uma vez contra a depressão.
HAL YEAGER/AP
Católicos celebram em Jerusalém
Ato aconteceu durante a queda da aeronave, em que Lubitz usou o piloto automático para baixar bruscamente o Airbus
Equipes de técnicos trabalham no local da queda do Airbus A320 da Germanwings, na França
CORREDOR DA MORTE
PAIXÃO
Jerusalém (Agência Lusa) - Centenas de católicos celebraram ontem, Sexta-Feira Santa, a Paixão de Cristo na cidade velha de Jerusalém. Eles repetiram os últimos passos de Jesus antes da crucificação. Alguns carregavam grandes cruzes nas costas. Fiéis do mundo inteiro subiram pelas ruelas que formam a Via Dolorosa e foram parando para orar em cada uma das estações do chamado caminho do sofrimento, até a igreja do Santo Sepulcro. É no interior dessa basílica que se encontra o local onde Jesus teria sido posto na cruz e depois enterrado. É lá também que teria ocorrido a Ressurreição, celebrada no domingo de Páscoa. “Esta celebração da Páscoa foi muito bonita. Há anos e anos que Jesus esteve aqui, mas era como se estivesse de novo”, comentou Laura Samoa, vinda da Costa do Marfim. Ao mesmo tempo em que ocorre a Páscoa cristã, os judeus celebram uma de suas festas mais importantes, a Pessach, ou Páscoa judaica.
Anthony Ray Hinton abraça um amigo ao deixar a prisão
Homem é libertado após
ficar 30 anos preso nos EUA
AGÊNCIA LUSA
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Cristãos carregam cruz
São Paulo - Após passar quase 30 anos no corredor da morte por um crime que não cometeu, Anthony Ray Hinton, 59, foi libertado nesta sexta-feira (3) no Alabama, nos EUA. Hinton havia sido condenado pelo assassinato de dois homens durante assaltos a dois restaurantes em 1985, em Birmingham. Uma juíza, no entanto, rejeitou recentemente as acusações depois que seus advogados mostraram não haver provas suficientes para incriminá-lo. A defesa tentou por mais de uma década refazer os exames sobre as balas usadas pelo assassino e provar que não eram compatíveis com a arma encontrada na casa de Hinton. Não havia testemunhas visuais nem impressões digitais do acusado nas cenas dos crimes, segundo os advogados. Hinton foi apontado como suspeito por uma testemunha de um terceiro assalto, em outro restaurante, ocorrido dias depois. Hinton, contudo, alega que estava trabalhando naquele horário, num local a 24 quilômetros de
distância. Justiça Ontem, ele foi recebido por amigos ao sair da prisão do condado de Jefferson. “Para todos vocês que estão tirando fotos de mim, quero que saibam que existe um Deus. Para todos aqueles que acreditam na Justiça, esse é um caso que prova
INOCENTE
Trinta anos depois, a defesa de Anthony Ray Hinton conseguiu provar sua inocência e ele foi libertado ontem, nos EUA. Suas primeiras palavras foram de louvor a Deus e à Justiça que ela existe”, disse Hinton, emocionado. A Suprema Corte já havia anulado sua condenação em 2014, e os promotores decidiram não julgá-lo de novo pelas mortes. Hinton tinha 29 anos na época do crime. Segundo seus advogados, ele passou a maior parte dessas três décadas em uma solitária.
Plateia
LITERATURA
ROCK
São Paulo, SP - Corria o dia 27 de março, quando um de seus casarões mais conhecidos do centro do Rio surgiu todo iluminado. Era dia de posse de mais um imortal, na sede da Academia Brasileira de Letras: o diplomata e historiador Evaldo Cabral de Mello, 79. Evaldo Cabral fez agradecimentos sintéticos; resvalou a praxe de biografar os antigos detentores da cadeira; defendeu o papel da historiografia como gênero literário; e advogou uma escrita narrativa e distante das ciências sociais. Diplomata de carreira, Evaldo Cabral é, paradoxalmente, mais afeito a uma polêmica intelectual do que à concórdia fácil. Sem negar sua origem pernambucana, local que jamais abriu mão da crítica e da vocação republicana, ele alimenta debate até debaixo d’água e sempre tomou o caminho da contramão. Optou pela historiografia inglesa quan-
do a moda era a francesa; marcou sua obra pela narrativa num momento em que o que parecia importante era a teoria; foi contra a interdisciplinaridade quando a voga era o diálogo entre disciplinas e, sobretudo, virou o eixo da análise da trajetória brasileira. Livros como “Olinda Restaurada” (1975), “Rubro Veio” (1986), “O Negócio do Brasil” (1998); “A Fronda dos Mazombos” (1995); “O Norte Agrário e o Império” (1984), “O Nome e o Sangue” (1989), “A Ferida de Narciso” (2001); “Nassau: Governador do Brasil Holandês” (2006) e “A Outra Independência” (2002), entre outros, são clássicos da nossa historiografia. As obras percorrem da Colônia ao Império brasileiros, e carregam um método próprio. Opondo-se a uma tendência que tem assimilado técnicas de outras ciências humanas, Evaldo Cabral lamenta a perda da dimensão narrativa da história.
Megadeth confirma brasileiro São Paulo, SP (Folhapress) - O guitarrista brasileiro Kiko Loureiro, integrante da banda paulistana Angra, é o novo guitarrista do Megadeth. A informação foi confirmada nesta quinta-feira (2) no site oficial do grupo americano, um dos grandes nomes do thrash metal mundial. Dave Mustaine, vocalista e líder da banda, destacou o “grande talento” do músico, substituto de Chris Broderick, que deixou o grupo no ano passado.
A Equipe Black Roots, com outros artistas, vai se apresentar na rua 27 do bairro Mutirão
Hip Hop Roots encerra o ‘Grito Rock Manaus’
Shows com grupos, cantores e DJs e o debate “O papel do hip hop no combate ao racismo” estão na programação
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Historiador Evaldo Cabral é o novo membro da ABL
O imortal pernambucano é também diplomata de carreira
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MANAUS, SÁBADO, 4 DE ABRIL DE 2015
Kiko Loureiro é o novo guitarrista da banda
oje, a programação do “Grito Rock Manaus” 2015 encerra na rua, de onde nunca saiu, com o projeto Hip Hop Roots. Os realizadores Coletivo Feminino Mariam, Projeto Casa Cultural e Crew Febre Urbana trazem como proposta uma apresentação de grupos do hip hop e do rap, além de debate sobre “O papel do hip hop no combate ao racismo” com os convidados KK Bonates, Ramon Batista, Cida Ariporia, Patricia Sampaio, Ivan Maia e Hipz. O debate acontece às 9h, na Escolinha Sonho Meu (rua 40B, número 2, bairro Mutirão). Haverá ainda, de forma conjunta, uma programação artística com os grupos DJ Daniel e Tina Roots, UBS Locker, Cria dos Barros, Reação MCs, Igor Muniz, Equipe Black Roots, American AM, Conexão Zona Norte, Denny Vira Lata e Nossas Raízes, além de uma batalha de MCs femininas. Os grupos vão se apresentar na
rua 27 do Mutirão, a partir das 14h. Realizado pelo coletivo Fora do Eixo, com apoio do Toque no Brasil e financiado pelo FDE Card, a cada ano o “Grito Rock” agrega dezenas de novos produtores. Com o intuito de democratizar o acesso à informação e facilitar a produção de um evento, o Fora do Eixo oferece cartilhas, tutoriais e campanhas na área de produção, comunicação, sustentabilidade e formação. Todo o conteúdo é disponibilizado para uso dos produtores e cria canais de diálogo entre esses possibilitando o fortalecimento de uma rede global de música. O “Grito Rock Manaus” 2015 contou com mais de 20 atividades num total de 80 horas e um mês inteiro de programações. Foram organizados festivais de rua, de cultura negra, debates transmitidos ao vivo e apresentações de artistas de várias vertentes. Feito em parceria com artistas, produ-
tores, empresários, ativistas e estudantes, o “Grito Rock” tem como objetivo levar para os espaços públicos e bairros de periferia arte e debate sobre assuntos importantes para a cidade. Em Manaus, o “Grito Rock” é articulado pelo Coletivo Difusão e, este ano, um de seus apoiadores é a prefeitura municipal. Circulação O projeto Hip Hop Roots nasceu a partir da necessidade de divulgar e propor a circulação da cultura hip hop. A disposição para o projeto surgiu como uma ação de desdobramento e continuidade de uma rede de circulação de cultura, com a realização de eventos uma vez por mês em espaços públicos de várias zonas e bairros da cidade. O evento terá sempre acesso gratuito e pretende também envolver a comunidade do entorno dos espaços que serão ocupados.
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País
MANAUS, DOMINGO, 5 DE ABRIL DE 2015
PLs visam isenção a igrejas e criação de ‘Dia de Deus’ Bancada religiosa ganha força na Câmara, mas ainda são poucos os projetos que tratam de interesses de católicos e evangélicos DIVULGAÇÃO
Fiéis evangélicos e católicos ganham, a cada eleição, representantes parlamentares, seja na Câmara dos Deputados, seja no Senado. Apesar disso, projetos ligados diretamente à religião são poucos
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rasília -Durante a atual legislatura, pelo menos sete projetos de lei com caráter cristão foram apresentados pela bancada religiosa da Câmara. São propostas que tratam desde a concessão de isenção fiscal para igrejas, passando por propostas que tentam incluir o nome de Deus na Constituição a até aqueles que tentam determinar “um dia de adoração a Deus”. O projeto de lei mais polêmico de todos foi o apresentado pelo deputado Cabo Daciolo (Psol-RJ). O parlamentar quer, por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), substituir a palavra “povo” por “Deus” no enunciado do primeiro artigo da Constituição. Caso a sugestão seja aprovada, a Carta Magna será aberta com a seguinte redação: “Todo o poder emana de Deus, que o exerce de forma direta e também por meio do povo e de seus representantes eleitos, nos termos desta Constituição”. Por conta deste projeto de lei, o Psol suspendeu o parlamentar. Do outro lado, o deputado Professor Victório Galli (PSCMT) apresentou projeto de lei com o intuito de isentar igrejas católicas e evangélicas ou outros templos religiosos do pagamento de impostos que incidem sobre as contas de luz, telefone e gastos de combustível. “As igrejas, além do objetivo a que se propõem de acordo com o credo e prática social de cada instituição, praticam um grande benefício à sociedade, uma vez que tiram das ruas pessoas que estão em
estado de completo abandono por parte da família, alcoólatras, drogados, e restituem o bem-estar, reintegram a comunidade, bem como ajudam as pessoas carentes através de ação social”, defende o parlamentar o projeto de lei. Uma outra proposição relacionada a isenções fiscais é uma que trata da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para “todo material de construção, obra
As religiões, em geral, buscam o bem-estar mútuo e uma convivência social pautada em harmonia e boa conduta Flávio Augusto, deputado federal
de arte ou objeto decorativo considerado sagrado e/ou de valor histórico cultural, importados para a reprodução de templos religiosos ou lugares sagrados, em razão do simbolismo religioso para seus fiéis, contribuindo para estimular o turismo religioso no país”. A proposta foi apresentada pelo deputado Fausto Pinato (PRBSP). Segundo o parlamentar, a Constituição Federal não somente assegura a liberdade à crença religiosa como também veda “que quaisquer dos entes da Federação criem impostos sobre os templos de qualquer culto”. “Logo, é
incontroverso que a importação de material de construção, obra de arte ou objeto decorativo, para ser utilizado na construção do próprio templo religioso ou do lugar sagrado ali reproduzido, é imune à incidência dos impostos sobre a importação e produtos industrializados, na medida em que irá se incorporar ao patrimônio do templo e, assim, se subsume perfeitamente na regra constitucional imunizante”, analisa o parlamentar na proposta. Mas os projetos de lei de caráter religioso não buscam apenas vantagens fiscais para templos e igrejas. Um Projeto de Lei apresentado pelo deputado Flávio Augusto da Silva (PSB-SP) determina a redução de pena para presidiários que estejam participando de alguma atividade religiosa. Pela proposta, o detento poderia reduzir um dia de pena a cada seis horas dedicadas à atividades religiosa. Hoje, a legislação penal autoriza a remissão de pena para presos que trabalhem ou estudem na prisão.“As religiões, em geral, buscam o bem-estar mútuo e uma convivência social pautada em harmonia e boa conduta, sempre relacionada às crenças particulares à cada. Sob tal aspecto, a remição da pena para o condenado que participa ativamente de atividades religiosas estimulará a reintegração social, incutindo princípios vetorialmente contrários às condutas delituosas que levaram o condenado ao cumprimento de pena privativa de liberdade”, defende o parlamentar no projeto.
Deputado fala em ordem ‘satânica’ Já o deputado Missionário José Olímpio (PP-SP) quer desarquivar projeto que proíbe a implantação em seres humanos de chips ou GPS, para impedir o rastreamento dos cidadãos, temendo que uma “satânica Nova Ordem Mundial” seja instaurada. “Tendo em conta que o fim dos tempos se aproxima, é preciso que o Parlamento brasileiro resguarde a liberdade constitucional de locomoção dos cidadãos”, explica o paulista. O integrante da Igreja Mundial do Poder de Deus se baseia em versículos do livro de Apocalipse da Bíblia para
justificar o projeto de lei. Os tais chips representariam, de acordo com Missionário, a “marca da besta”. O parlamentar afirma que “rastreadores pessoais” estão sendo desenvolvidos no Brasil sob a alegação de que a tecnologia vai permitir a rápida localização de pessoas em poder de sequestradores. Mas o objetivo não é este, segundo ele. “O povo brasileiro não deve se iludir com tais artifícios, que escondem uma verdade nua e cruel: há um grupo de pessoas que busca monitorar e rastrear cada passo de cada ser humano”, disse o deputado.
Em fevereiro do ano passado a proposta do Missionário foi rejeitada, mas ele pretende sustentá-la este ano. Além disso, o deputado propõe um novo projeto de lei que institui o Dia Nacional de Adoração a Deus. Este dia serviria para que as pessoas refletissem sobre seus atos e praticassem o respeito ao próximo. Segundo o congressista, apesar de o Estado brasileiro ser laico, há um reconhecimento da diversidade de crenças. “Até mesmo nossa Constituição Federal, em seu preâmbulo, invoca a proteção de Deus”, justifica o deputado. CAMARA/DIVULGAÇÃO
Deputado Missionário José Olímpio (PP-SP) usa o livro de Apocalipse para embasar PLs
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Plenário pode votar PL que regulamenta terceirização
Deputados devem colocar em pauta texto polêmico na terça-feira e sindicatos temem precarização da relação trabalhista
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rasília - A regulamentação da terceirização é o destaque do plenário da Câmara dos Deputados na próxima terçafeira (7). Um dos pontos mais polêmicos do texto em análise é possibilidade de terceirização em relação a qualquer das atividades das empresas privadas, públicas ou de economia mista. Os sindicatos temem a precarização da relação trabalhista. A medida consta do substitutivo da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania para o projeto de lei 4330/04. O substitutivo foi elaborado pelo deputado Arthur Oliveira Maia (SD-BA). O texto também não garante a filiação dos terceirizados no sindicato da atividade preponderante da empresa, o que, na visão dos sindicatos, fragilizará a organização dos trabalhadores terceirizados. Quanto às responsabilidades da empresa contratante do serviço terceirizado, o substitutivo prevê que ela somente responderá solidariamente com a contratada se não fiscalizar os pagamentos devidos aos contratados. Ex-territórios A pauta, entretanto, poderá estar trancada pela medida pro-
LUIS MACEDO/CÂMARA DOS DEPUTADOS
visória 660/14, que permite a servidores dos ex-territórios do Amapá e de Roraima (atuais Estados) optarem pelo quadro em extinção de pessoal da União, da mesma forma que os servidores e empregados de Rondônia. Se chegar a tempo à Câmara, o relatório da comissão mista que analisou a MP trancará a pauta a partir de terça-feira. De acordo com o parecer da comissão, o direito de opção será estendido a aposentados e pensionistas e valerá para os servidores e empregados de toda a administração indireta, não apenas à administração autárquica e fundacional. O relatório incluiu ainda correção das tabelas de vencimentos dos servidores da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Projetos de segurança Todos os projetos de lei sobre segurança pública pendentes de análise continuam na pauta. Entre eles, o projeto de lei 2505/00, do deputado Lincoln Portela (PR-MG), que permite o repasse de material apreendido pela Polícia Federal por ser fruto de contrabando às secretarias de Segurança Pública estaduais, se esse material puder ser usado no combate ao crime.
Plenário da Câmara dos Deputados deve votar projeto polêmico que trata da regulamentação da terceirização em empresas
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Mundo
MANAUS, DOMINGO, 5 DE ABRIL DE 2015
Guiana e Suriname punem jovens a partir dos 16 anos S
ão Paulo - A idade mínima para que um adolescente possa ser punido criminalmente é de 18 anos na maioria dos países da América do Sul. Caso a Proposta de Emenda à Constituição número 171, aprovada em primeira instância pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, no último dia 31, passe a valer no Brasil, o país - que já foi considerado vanguarda quanto à garantia de direitos das crianças e adolescentes na região - se tornará, ao lado de Guiana e Suriname, um dos mais rigorosos na punição de jovens. Isto porque permitirá que adolescentes maiores de 16 anos cumpram penas em prisões destinadas a adultos, algo que só ocorre nestes dois países sul-setentrionais. No Suriname e Guiana, os jovens de 16 podem ser julgados e presos como adultos pelo sistema judiciário. Outra particularidade destes dois países diz respeito à idade a partir da qual crianças passam a responder judicialmente por delitos e infrações. Em ambos, crianças de 10 anos estão sujeitas a punições. Nas demais nações da região, bem como no Brasil, a idade fixada a partir dos 12 anos. A ideia de reduzir a idade na qual jovens podem responder criminalmente como adultos vem sendo debatida na região devido ao aumento da violência, uma das maiores preocupações dos cidadãos latino-americanos. Dessa forma, discussão similar à brasileira foi realizada recentemente em países como Uruguai, Costa Rica, Panamá e Argentina. Na Argentina, maiores de 16 anos já são passíveis de julgamento penal, tal qual adultos. A diferenciação, no entanto, é que os jovens não podem cumprir penas em prisões comuns. Além disso, o país é o único em toda a região que aplica pena perpétua a menores de 18 anos. Por essa razão, a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) condenou a Argentina por violar o direito internacional dos direitos humanos de jovens. Mesmo com a legislação mais rigorosa com relação aos delitos cometidos por maiores de 16, o país vivenciou, durante o processo eleitoral de 2013, um debate para que a maioridade fosse reduzida para 14 anos, mas a ideia não prosperou. No Uruguai, ocorreu movimentação semelhante no ano
MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
Estes dois países são os únicos da América do Sul que tratam criminalmente adolescentes, como quer PEC 171 do Brasil passado, também durante a campanha eleitoral. Mesmo sendo considerado um dos mais seguros da região, o país viu a violência aumentar nos últimos anos. Como resposta, setores de oposição ao governo da esquerdista Frente Ampla, do ex-presidente José Pepe Mujica e do atual, Tabaré Vázquez, convocaram um referendo para debater uma reforma constitucional para que adolescentes maiores de 16 anos respondessem criminalmente com as mesmas penas e sentenças que os adultos. A proposta, no entanto, foi rechaçada pela maioria da população. Por outro lado, a Bolívia, onde até 2014 regeu uma lei penal que estabelecia 16 anos como idade limite a partir da qual uma pessoa poderia ser julgada como adulta, modificou a legislação e a adequou ao que indica a Convenção de Direito das Crianças (CDN), criando um sistema especial para julgar os adolescentes entre 14 e 18 anos. Responsabilidade penal A atual lei de responsabilidade penal juvenil do Chile, cuja maioridade é de 18 anos, estabelece que cidadãos entre 14 e 18 anos podem ser punidos, mas a reclusão é considerada o último recurso e somente para crimes graves e a reclusão, quando aplicada, é feita em centros de detenções separados dos adultos e que contemplem a continuidade dos estudos, pelo prazo máximo de 10 anos. Sistema semelhante é adotado pela Colômbia, que também considera penalmente responsáveis os jovens que tenham entre 14 e 18 anos. As penas previstas para tais adolescentes, cujas finalidades são “educativas e restauradoras” variam de repreensão, prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, internação em regime semifechado ou, em casos mais graves, privação de liberdade em centros de atendimento especializado, com prazo máximo de 8 anos. Com lei menos específica, o Equador define que menores de 18 anos são inimputáveis e não entra em detalhes, apenas ressalta que menores de 12 anos não poderão ser privados de liberdade. No Paraguai, onde são considerados adolescentes pessoas entre 12 e 17 anos, em caso de privação de liberdade, a pena não poderá ser superior a 4 anos e acontece em um sistema distinto do destinado a adultos.
Ativistas protestaram no último dia 31, durante reunião da CCJ da Câmara, que aprovou admissibilidade da PEC da redução penal
Grupo é o mais afetado pelo crime e violência Para a Unicef, a reforma constitucional em tramitação no Brasil não só abalaria a reputação do país como pioneiro nos direitos da infância, mas também poderia ter repercussões negativas na região em seu conjunto”, uma vez que “as disposições sobre os direitos das crianças que estão incluídas na Constituição brasileira inspiraram muitas das reformas constitucionais na América Latina”. Na mesma linha, o informe Regional de Desenvolvimento Humano realizado pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o De-
senvolvimento), mostra que os jovens são o grupo mais afetado pelo crime e violência e são também os responsáveis mais comuns por eles. As cinco maiores taxas de homicídios de jovens no mundo (por cem mil habitantes), estão na América Latina: El Salvador (92,3), Colômbia (73,4), Venezuela (64,2), Guatemala (55,4) e Brasil (51,6), segundo dados de 2011 da OMS (Organização Mundial de Saúde). O informe diz ainda que as políticas de linha dura que foram desenvolvidas em diversos países potencializaram a violência contra jovens
a partir de respostas reducionistas à problemática. Assim, em vez de investir em punições contra jovens e adolescentes, a orientação das Nações Unidas é que o tema seja tratado com políticas específicas que se centrem em atender as necessidades e vulnerabilidades próprias às que os jovens estão expostos, em uma realidade em que há baixa mobilidade social e precariedade de trabalho. O organismo também recomenda maior investimento em escolas para que assim seja reduzida a exposição dos jovens à violência e seja
promovida uma maior expectativa de vida. A recomendação da ONU é que se evite a redução da maioridade penal de menores e, ao invés disso, seja dada prioridade à Justiça alternativa e o investimento na reinserção social efetiva para crianças e jovens. A adoção de penas alternativas à privação de liberdade no que se referir ao direito de menores e que a prisão seja aplicada como último recurso e durante o mínimo tempo possível para garantir as condições de internação que possibilite a reabilitação.
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Dia a dia C2
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Caderno C
Dia a dia
Vagas para o ‘Clube da Ciência’
Dissabores renovam a esperança de vida nova Mudanças ocasionadas por eventos inesperados contribuem para que as pessoas deem um novo olhar à vida e sigam em frente o seu caminho
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uperação. De acordo com o dicionário, ação ou efeito de superar; sobrepujamento. Ação de conseguir vencer e/ou triunfar. O significado reflete histórias de algumas pessoas que diante de imprevistos não se abalaram e seguiram com resignação e espiritualidade o novo curso da vida. A suspeita de um câncer, observada durante uma troca de roupa para ir a uma festa, a perda
de movimento em um membro, e o risco de perder o equilíbrio, ou ainda desistência de última em embarcar em um voo, que se tornou uma grande tragédia. Esses são alguns pequenos relatos que ilustram histórias de pessoas que em algum momento da vida viram o seu cotidiano mudar, mas continuaram de alguma forma a seguir seus caminhos, mesmo em meio as adversidades. Dia a dia C4 e C5
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Dia a dia
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Parintins escolhida para ter faculdade de medicina A
Este edital permite ampliar a formação médica com a qualidade adequada para a população”, afirmou. Segundo o ministro da Educação, Luiz Cláudio Costa, “o novo edital dá seguimento à política de expansão de vagas de graduação por meio do Mais Médicos, corrigindo assimetrias regionais no
pios para abertura de cursos de medicina desde o lançamento do Mais Médicos. Na primeira, realizada em 2014, 39 cidades de 11 Estados tiveram cursos autorizados, com previsão de 2,4 mil novas vagas. Com o objetivo de focar em municípios com maior escassez de médicos, o governo federal definiu algumas regras inovadoras em compararão com a seleção anterior. Nesta chamada, só foram préselecionadas cidades que se localizam em estados com relação de vagas em curso de medicina por dez mil habitantes inferior a 1,34 e com índice de médicos a cada mil habitantes menor que 2,7. Também é necessário que o município esteja a pelo menos 75 quilômetros de qualquer curso de medicina existente. Além desses requisitos, foram utilizados também outros critérios objetivos para a pré-seleção: não ser capital de Estado; não ter curso de medicina; ter mais de 50 mil habitantes; e estar localizado em região com estrutura de saúde e de equipamentos públicos, cenários de atenção na rede e programas de saúde adequados para comportar a oferta de graduação em medicina.
SELEÇÃO
O governo federal selecionou mais 22 municípios para a criação de cursos de medicina em instituições particulares. A medida faz parte da estratégia do programa Mais Médicos que se refere à proporção de médicos por habitantes e selecionando cidades com condições de atender os critérios de qualidade”. O edital está no Diário Oficial da União. As prefeituras interessadas deverão confirmar participação entre os dias 13 e 24 de abril, por meio da página do Ministério da Educação (http://simec.mec.gov.br). Esta é a segunda seleção de municí-
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expansão da formação médica no país recebe novo impulso este ano. O governo federal selecionou mais 22 municípios para a criação de cursos de medicina em instituições particulares. Essas cidades estão em oito Estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, regiões com menor proporção de vagas de graduação e médicos por habitantes. No Amazonas, a cidade de Parintins está na lista. A medida faz parte da estratégia do programa Mais Médicos para ampliar a oferta deste curso superior nas regiões que mais precisam. “A criação de cursos de medicina é uma das medidas mais estruturantes do Mais Médicos, pois permite chegarmos à meta de 600 mil médicos em todo o país até 2026. Mas sabemos da importância de expandir as vagas invertendo a lógica que existia antes. Agora, vamos ampliar a formação médica conforme as necessidades identificadas pelo governo federal”, destacou o ministro da Saúde, Arthur Chioro. “Os municípios são chamados a aderir e a se comprometer com as condições para abrir os novos cursos.
O “Clube de Ciências” é aberto para estudantes de escolas
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Novo edital lançado pelo governo federal prioriza a criação de cursos para formar médicos em instituições particulares
O município amazonense de Parintins é um dos que pode participar do edital de educação
UFAM
Inscrição aberta para voluntários Até o próximo dia 10, o programa de extensão “Clube de Ciências”, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB), estará com inscrições abertas para estudantes voluntários dos cursos de licenciaturas em biologia, ciências, física, química e letras (com ênfase em Libras). Para tanto, os interessados deverão entregar Curriculum Lattes no Laboratório de Ciências, Bloco F, Setor Sul, em horário comercial (de 8h às 12h e de 14h as 17h). Os requisitos necessários para os voluntários são: ter cursado pelo menos dois semestres do curso de licenciatura em biologia, ciências, física, química e letras (com ênfase em Libras), ter disponibilidade de 12 horas semanais e ter afinidade com a docência. As atividades ocorrem somente aos sábados,
das 9h às 12h, exceto feriados, envolvendo estudantes da graduação, professores da Ufam interessados na pesquisa na área de ensino de ciências, professores da educação básica e estudantes de escolas públicas. Os estudantes desenvolverão estas atividades: pesquisa na área de ensino de ciências (química, física e biologia); planejamento e realização de atividades didáticas com estudantes do ensino da rede pública estadual e municipal; orientação de estudantes no âmbito da pesquisa na área de ensino de ciências e realização de atividades didáticas; e pesquisa, planejamento e atividades didáticas com estudantes surdos. Os interessados podem entrar em contato pelo emaill ufamclubedeciencia
s@gmail.com ou pelo telefone (92) 81590910. Sobre o programa O “Clube de Ciências” é um dos principais programas de extensão da Ufam, cujas atividades já ocorrem há 28 anos. O objetivo do “Clube” é promover o estudo e o ensino da ciência por meio de ações sinérgicas entre universidade, escola e comunidade local. Trata-se de um ambiente alternativo de ensino, popularização da ciência e aprimoramento da formação professores. A partir dela, estudantes da educação básica (sócios curumins) participam de atividades didático-pedagógicas com temas científicos infanto-juvenis sob a orientação de estudantes de licenciaturas (professores-estagiários), os quais,
por sua vez, são orientados por professores mestres e doutores do Instituto de Ciências Biológicas e do Instituto de Ciências Exatas da Ufam e da Secretaria de Educação do Estado. Ao longo desses 28 anos, o “Clube” tem contribuído positivamente para a educação científica de crianças e adolescentes da Amazônia, bem como para o desenvolvimento profissional de futuros professores de ciências da educação básica. Esses estudantes vivenciam a prática antecipada de docência de forma assistida por professores mais experientes, além de compartilharem essa experiência com seus colegas de equipe no próprio contexto de atuação onde desenvolverão suas atividades profissionais no futuro.
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Lista de espera do Bolsa Idiomas encerrará hoje O
prazo para remanejamento dos candidatos na lista de espera do programa Bolsa Idiomas 2015, da Prefeitura de Manaus, foi prorrogado até hoje. O remanejamento iniciou nesta terça-feira, 31, e seria encerrado às 23h59 da última quarta-feira, mas foi prorrogado para hoje. Os candidatos irão concorrer às 9.064 vagas remanescentes da primeira chamada do processo seletivo. As bolsas são para cursos de inglês e espanhol, em instituições particulares de Manaus. Para se candidatar às bolsas remanescentes basta acessar o site http://bolsaidiomas.manaus.am.gov.br. O resultado estará disponível no site do programa, amanhã, dia 6 de abril. O programa Bolsa Idiomas é coordenado pela Escola de Serviço Público Municipal (Espi), órgão vinculado à Secretaria Municipal de Administração, Planejamento e Gestão (Semad). Concorrência A diretora geral da Espi, Luiza Bessa Rebelo, explica que, para concorrer, é só entrar com login e senha no Portal do Candidato
e verificar uma nova opção de instituição de ensino e horário, conforme as vagas oferecidas. “No remanejamento são oferecidas apenas bolsas de 50%”, disse a diretora. Segundo a diretora, dos 7.215 candidatos contemplados na primeira chamada do programa, 2.995 entrega-
No remanejamento são oferecidas apenas bolsas de 50% para os cursos de inglês e espanhol em instituições de ensino particulares Luiza Bessa Rebelo, diretora geral da Espi
ram a documentação exigida no edital. Os que não apresentaram foram eliminados do processo. O período de entrega de documentos terminou na última sexta-feira, 27, às 17h. “Essa é uma nova oportunidade para quem ficou no cadastro de reserva”, destacou Luiza Rebelo.
Documentos Após o resultado do remanejamento, os candidatos que forem contemplados deverão entregar a documentação nos dias 8 e 9 de abril, de 8h às 17h, na sede da Espi, na avenida Professor Nilton Lins, 3259, Bloco D, Parque das Laranjeiras, Zona Centro-Sul. Os documentos exigidos são: cópia do RG e CPF dos familiares maiores de idade, que residem na mesma casa do candidato; certidão de nascimento do aluno e dos menores de idade que residem com ele; comprovante de residência, que seja do mesmo endereço informado no ato da inscrição e que tenha menos de três meses de expedição. Precisam entregar, ainda, a declaração de conclusão de ensino médio ou comprovante de que estão cursando. Devem apresentar a declaração de rendimento familiar, documento que pode ser impresso direto do site, no link Portal do Candidato. Os selecionados também devem ter em mãos o comprovante de renda de todos os que moram na residência do candidato.
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O prazo para remanejamento dos candidatos a bolsas em cursos de inglês e espanhol vai até a noite deste domingo
O resultado estará disponível no site a partir de hoje e as inscrições serão nos dias 8 e 9
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Superação dá um
FOTOS: DIVULGAÇÃO
Acidentes, doenças ou algum outro evento que de uma hora para a outra muda o cotidiano de uma pessoa, para alguns não são sinônimo de dissabor, mas para outros de resignação. A fé aliada à força interior e determinação ajudam a seguir o caminho
Ao superar algum imprevisto na vida, como doenças, acidentes ou mesmo por um simples contratempo acabar escapando de um desastre, as pessoas passam a encarar a vida de forma diferente DANIEL AMORIM Especial EM TEMPO
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Páscoa é o momento em que os cristãos celebram a ressurreição de Jesus Cristo. Independente da fé ou da religião, o simbolismo refletido pela data - o de renascer - também faz com muitas pessoas aproveitem para celebrar uma nova oportunidade na vida. Para aproveitar a ocasião, o EM TEMPO reuniu histórias de pessoas que vivenciaram experiências que lhes possibilitaram uma espécie de renascimento, um novo olhar sobre a vida. Faltava pouco mais de uma semana para o início das viagens de férias que o empresário Walid Saleh faria ao lado da esposa, Laila, e de seus três filhos para Miami (EUA). Na manhã do dia 18 de novembro de 2013, um domingo, os planos da família sofreram uma súbita alteração. Enquanto
dirigia sua moto pela estrada da Ponta Negra, Zona Oeste de Manaus, Walid foi atingido por um carro que avançou a faixa preferencial. Dois dias depois do acidente, Walid foi conduzido ao hospital Sírio Libanês, na capital paulistana, para realizar uma cirurgia de transplante do tendão da perna direita. Ele sofreu escoriações menos graves nas pernas e nos braços. O capacete que usava ao ser atropelado evitou um desfecho trágico. Lesões internas podem causar hemorragias, e para prevenir que a formação de coágulos atingissem os pulmões, Walid teve de tomar um anti-coagulante durante a viagem a São Paulo. Ele passou dois meses em casa, deitado na cama, sem poder se mexer. “O processo de recuperação foi muito lento e doloroso. O apoio da família e os ensinamentos da religião impediram que eu ficasse louco. O tempo de Deus não é o nosso tempo. É
preciso saber esperar, exercer a cautela em nossas ações”, acrescenta o empresário, que professa a fé islâmica. Equilíbrio A partir do terceiro mês de fisioterapia, iniciada trinta dias
RESILIÊNCIA
Na psicologia, a superação também é conhecida como resiliência, termpo emprestado da física para designar a capacidade que alguns materiais têm de absorver impactos e retornar à forma original após o acidente, Walid teve de reaprender a andar. Além disso, perdera o movimento do dedão do pé. “Naquela época, eu me perguntava se voltaria a caminhar, se conseguiria recuperar o equilíbrio. É uma
situação em que você se vê dependente de todas as pessoas ao seu redor”, lembra. Graças à hidroterapia, Walid conseguiu recobrar, aos poucos, a agilidade da perna. O tratamento permite ao terapeuta trabalhar os movimentos que o paciente não consegue realizar ao ar livre. “Contratei profissionais que me atendiam em casa e, para escapar da ociosidade, transferi meu escritório para casa”, explica. Atualmente, Walid conta com o auxílio de um personal trainer para restabelecer a massa muscular das pernas e das coxas, que tende a atrofiar em períodos de imobilidade extrema. “Ainda não posso fazer movimentos bruscos. A dor no tendão persiste até hoje”, afirma Walid. Apesar das limitações e da angústia que ela pode causar, sua atitude diante do problema é de resignação. “Somos predestinados, não devemos nos questionar sobre os planos que Deus tem para nós”.
Apoio de familiares foi fundamental na recuperação de Walid
Desistência de voar evitou morte de brasileiro
Correria evitou que Rafael estivesse no voo da Germanwings
Com uma reunião marcada para a tarde do último dia 24 de março, na Alemanha, o brasileiro Rafael Rebello, que mora em Barcelona, desistiu na última hora de comprar passagem para o voo 4U9525, da empresa Germanwings, que caiu no sul da França. O voo ia de Barcelona para a cidade alemã de Duesseldorf. A reunião de Rafael era em Colônia, a aproximadamente 40 quilômetros
de Duesseldorf. Ele preferiu adiantar o encontro para a segundafeira (23), ao entrar no site da empresa para comprar o bilhete e ver que os preços haviam subido. “Já estava tudo confirmado e essa era a única opção de voo. Mas quando entrei de novo no site para comprar a passagem, o preço estava mais alto e eu também percebi que ficaria corrido chegar à reunião no horário. Então
decidi mudar a data e ir por outra companhia”, conta. Rafael, que é gerente de exportação de uma empresa de chás, ficou sabendo do acidente ao receber o telefonema de um cliente, que sabia da reunião que ele teria na Alemanha. “Ele disse que queria saber se eu estava vivo. Não entendi nada, e então ele me contou do acidente. Deu uma tremedeira”, diz. O Airbus da companhia
Germanwings, empresa da Luſthansa, caiu no sul da França no último dia 24. A aeronave ia de Barcelona, na Espanha, para Düsseldorf, na Alemanha, segundo autoridades aéreas. O voo 4U9525 viajava com 150 pessoas a bordo – 144 passageiros, dois pilotos e quatro tripulantes. O acidente teria sido provocado pelo co-piloto Andreas Lubitz, 27, conforme vem revelando as investigações policiais sobre o caso.
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novo olhar à vida Suporte da fé auxiliou na luta contra o câncer
Numa tarde de maio de 2012, a jornalista Lenise Ipiranga se preparava para ir a uma festa quando se deu conta que, enfim, a dieta que vinha seguindo há meses dera resultado. A satisfação do dever cumprido, no entanto, durou pouco. Ao experimentar um vestido, ela percebeu uma leve saliência na mama esquerda. Em estado de alerta, Lenise realizou o procedimento que seguia ao final de cada período menstrual. O autoexame permite perceber alterações nas mamas, mas a
suspeita se confirmaria apenas no final de junho, quando o resultado da biópsia deu positivo para câncer. “Eu sabia que, dali em diante, eu deveria me preparar para receber uma boa ou má notícia”, lembra Lenise. Os exames eram divulgados após um longo período de espera, o que acabou se tornando motivo de angústia para a jornalista. Em agosto, Lenise passou por uma cirurgia para retirar um quadrante da mama e um linfonodo da axila. O protocolo estabelece que,
60 dias após a intervenção, o paciente deve iniciar o tratamento de quimioterapia e radioterapia. Segue-se mais cinco anos de tratamento para bloquear a produção hormonal. “De repente, havia um BI-RADS 4 no meio do meu caminho”, brinca Lenise, parafraseando o célebre poema de Drummond. A sigla se refere à classificação médica, cujos níveis vão de 0 a 6, usada para identificar a incidência e a evolução do câncer no organismo. Criada numa família católica e adepta
Felicidade a cada despertar
do espiritismo, ela buscou forças na religião para enfrentar o desafio que surgia a sua frente. “Ficar careca foi a parte mais indolor da quimioterapia, apesar de mexer muito com a vaidade. Mas eu senti que muitas pessoas ficam muito chocadas com o visual. Eu decidi que eu não queria usar peruca, nem tão pouco chocar as pessoas”, afirma. Depois da primeira sessão, Lenise pegou lenços que tinha guardados no guarda-roupa e começou a amarrá-los na cabeça.
Jornalista segue uma nova rotina após vencer o câncer
Com resultado positivo de um câncer de mama, Lenise buscou na fé forças para iniciar o longo caminho contra a doença
“Não senti revolta nem medo. No período que me submeti à quimioterapia, um procedimento bastante agressivo, eu fazia orações todos os dias”, diz Lenise. “A fé, o principal legado que nossa mãe nos deixou, foi o combustível da Lenise”, reforça o engenheiro florestal Jurimar Ipiranga, que revezou com a esposa a tarefa de cuidar da irmã doente. Em entrevista por telefone, Jurimar lembra do dia em que Lenise foi hospitalizada. O baixo nível de plaquetas no sangue, resultado das sessões, ocasionou uma drástica queda na imunidade. A situação exigia cuidados especiais. “Um médico nos chamou e disse que, se saísse do quarto, ela morreria”. Na época, a jornalista teve de encarar outra situação difícil: dois amigos de infância estavam seguindo a mesma rotina de tratamentos. Um sofria de câncer de pulmão e o outro, de medula. A foto em que os três apareceriam de cabeça raspada, no entanto, nunca chegou a ser tirada. Ambos não resistiram e vieram a falecer em 2013.
Em julho daquele ano, após a operação e uma série de exames preventivos, Lenise recebeu o parecer positivo do médico. “Ele me olhou e falou: ‘vida normal’. Mas até hoje não sei o que é a tal vida normal. A doença te obriga a reformular a tua vida, teu comportamento. Hoje eu raramente me aborreço. O fato de acordar com vida e me sentir saudável já é motivo de felicidade”. Aos 51 anos, ela segue uma agenda que inclui, a cada três meses, exames de sangue e mamografia e remédios para controle de colesterol, efeito do citrato de tomaxifeno. O medicamento, que previne a recidiva do câncer no organismo, deve ser administrado em doses diárias até 2023. Para a jornalista, o câncer torna possível vivenciar, de maneira bastante verossímil, o processo de morte e renascimento que ilustra as narrativas mitológicas e religiosas. “A doença reduz a produção de células a um nível quase nulo. É um sentimento de uma percepção nova da vida”, finaliza.
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Deficiências hormonais prejudicam o crescimento REPRODUCAO/COLEGIOAPICE
A baixa estatura das crianças pode estar relacionada à produção do hormônio do crescimento GH ou a outras doenças
Toda criança deve ir ao pediatra periodicamente para avaliação de desenvolvimento e crescimento, para evitar problemas na estatura e, em caso de positivo, iniciar o tratamento desde cedo
U
m dos problemas de saúde que deve ser observado pelos pais é a irregularidade no desenvolvimento e crescimento das crianças e dos adolescentes. A baixa estatura está entre as preocupações dos meninos e meninas e pode estar relacionada à predisposição genética familiar, deficiências nutricionais, doenças crônicas respiratórias, renais, gastrointestinais e hormonais, como a deficiência na produção do hormônio do crescimento GH. De acordo com informações da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, a média de crescimento de uma criança é de mais de 4 centímetros (cm) por ano.
Na adolescência, essa taxa aumenta para 12 cm ou 13 cm a cada ano e quando é menor que 4 cm ou 6 cm na puberdade pode ser sinal de que algo no organismo está errado. A consultora médica do Laboratório Sabin e clínica geral Dorothy de Aguiar explica que vários fatores podem influenciar a velocidade de crescimento da criança. “A origem da disfunção pode estar relacionada a diversos fatores de risco como complicações na gestação, hábitos alimentares, má qualidade do sono, anemia, asma e até o uso de corticoides na infância. O aspecto psicológico e o histórico genético familiar também influenciam o crescimento. Por
DOENÇAS
A baixa estatura pode estar relacionada à predisposição genética familiar, deficiências nutricionais, doenças crônicas respiratórias, renais, gastrointestinais e hormonais, entre outras doenças
isso, é importante que os pais levem os filhos ao pediatra para que ele avalie a curva da velocidade de crescimento pelo menos a cada seis meses”, esclarece Dorothy de Aguiar. Ela ressalta que o problema deve ter um diagnóstico
preciso e, quando há a suspeita da disfunção hormonal do crescimento, é necessário o acompanhamento especializado de um endocrinologista que solicitará os testes laboratoriais para medir a quantidade do hormônio GH no organismo. A médica também esclarece que além destes fatores, a carência ou o excesso do hormônio GH, que é produzido pela glândula hipófise, que fica localizada na base do crânio, pode prejudicar o desenvolvimento nos primeiros anos de vida. O hormônio é fundamental para a vida, pois é responsável pelo desenvolvimento de músculos, fígado e ossos.
Tratamento Já para diagnosticar a baixa estatura por deficiência do hormônio do crescimento, o Laboratório Sabin disponibiliza o teste de clonidina e o teste de tolerância à insulina. Os dois exames estimulam a liberação do GH no organismo dentro de um intervalo de tempo, conforme o protocolo médico, que resultará em um gráfico de curvas que possibilita uma análise clínica precisa sobre a deficiência do hormônio. “As crianças com idade a partir dos dois anos já podem realizar este tipo de exame e precisam estar em jejum há pelo menos oito horas. É importante explicar que o teste é contraindicado
para aquelas que possuem histórico de convulsão, doenças neurológicas ou estiveram doentes na semana anterior. Para que não haja nenhuma complicação durante o teste para avaliação da curva de crescimento, o laboratório conta com um médico que realiza o acompanhamento clínico e tira dúvidas relacionadas ao exame”, esclarece. As disfunções hormonais do crescimento são tratadas, na maioria dos casos, com medicação para repor o GH, quando há a carência do hormônio. O tratamento é injetável, com aplicações subcutâneas diárias que trazem bons resultados para a recuperação do crescimento.
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TARUMÃ
Rumo de lago em fase de estudo O destino das águas do Lago do Tarumã, Zona Oeste, será estudado pela Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) e pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas). Há alguns anos, o lago era um pequeno igarapé que foi represado pelos moradores com a construção de uma via. “O impacto desta repressão só foi percebido agora, com o rompimento da barragem, que cedeu após um grande volume de chuva”, informou o subsecretário de Serviços Básicos da Seminf, Antônio Peixoto. Segundo ele, inicialmente será necessário fazer um desvio para passagem das águas. “A Secretaria de Meio Ambiente apresentará um laudo para atestar se o lago deverá permanecer. Por se tratar de uma área de floresta, precisamos da anuência da pasta para realizar qualquer obra. Caso não seja permitida a permanência do lago, vamos reunir com os
moradores para apresentarmos e discutirmos qualquer mudança”, explicou. Drenagem Na semana passada, a Prefeitura de Manaus iniciou os serviços de infraestrutura na rua Arapapa, na comunidade Lago do Tarumã. A via e ca-
OBRAS
Na semana passada, foram iniciados os serviços de infraestrutura na rua Arapapa, na comunidade Lago do Tarumã. A via e casas da área foram afetadas com o rompimento da barragem do lago sas da área foram afetadas com o rompimento da barragem do lago do Tarumã, há duas semanas. Os trabalhos, executados pela Seminf, se concentram na drenagem profunda do local, que receberá, também, serviços de recomposição de
base, terraplanagem, pavimentação asfáltica e confecção de meio-fio e sarjeta. A obra deverá ser concluída em 45 dias. As equipes da Seminf seguem com os trabalhos de instalação de um desvio da água para em seguida iniciarem os serviços de recomposição de toda base atingida. Na próxima semana será iniciado também a drenagem profunda e, em seguida, virão os serviços de reconstrução da rua e construção de meiofio e sarjeta. O morador Jorge Nunes, que se mudou há quatro meses para a rua Ramiro Santos, no cruzamento com a rua Arapapa, conta que no dia do rompimento da barreira a situação na comunidade ficou complicada, pois várias casas ficaram alagadas. “Era noite e chovia forte quando fomos surpreendidos com essa situação. Mas, graças a Deus, as equipes da prefeitura chegaram para resolver os problemas”, destacou o morador da comunidade do Tarumã.
Os serviços de infraestrutura, iniciados semana passada na via, ocorrerão durante 45 dias
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Educação terá audiências públicas para definir plano A
Comissão Coordenadora do Fórum Estadual de Educação, responsável pela sistematização do documentobase que vai gerar o Plano Estadual de Educação do Amazonas, anunciou que o encaminhamento do documento final para votação do Poder Legislativo estadual será precedido de ao menos duas audiências públicas. A previsão é que elas sejam realizadas no próximo mês de maio, informou a Secretaria de Estado da Educação (Seduc). “O Plano Estadual de Educação trará benefícios significativos para o Amazonas e sua formulação tem como prerrogativa a participação da sociedade. Por esse motivo faremos questão de organizar audiências públicas para que a população tome conhecimento das propostas e contribua com a formulação do documento-base”, afirmou o secretário de Estado de Educação e presidente do Fórum Estadual de Educação, Rossieli Soares da Silva. Projeto de lei De acordo com o professor Brás Melgueiros, integrante do Fórum Estadual, a ela-
boração do Plano Estadual está avançada e após as audiências públicas, o documento-base será encaminhado, como projeto de lei
PLANO
O Plano Estadual de Educação trará benefícios para o Amazonas e sua formulação terá a participação da sociedade” Rossieli Soares, secretário da Seduc
para votação da Assembleia Legislativa do Estado. “Pretendemos realizar ao menos duas audiências públicas e acredito que elas serão bastante proveitosas pois favorecerá a participação popular”, apontou.
Melgueiros explicou que antes de ser votada pelo Legislativo e posteriormente promulgado pelo Executivo, a elaboração do Plano Estadual de Educação segue um cronograma de cinco etapas, das quais duas já foram finalizadas e a terceira será concluída nos próximos dias. “A primeira etapa é o estabelecimento da equipe técnica, a segunda a formulação de um diagnóstico da realidade educacional do Amazonas. Estas duas etapas já foram concluídas. A terceira, que está em curso, é a elaboração do documento-base do Plano e as seguintes são: a realização de audiências públicas e, por fim, a sistematização do projeto de lei”, citou. O secretário de Estado de Educação, Rossieli Soares da Silva, informou ainda que o governo do Estado disponibilizará os recursos tecnológicos do Centro de Mídias da Seduc para transmitir as audiências para todos os municípios do Amazonas. “Com isso pretendemos possibilitar, ao máximo, a participação popular, envolvendo alunos, professores, profissionais da educação e sociedade em geral”, concluiu.
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Participação da sociedade, que ocorrerá em encontros em maio, será para elaborar o Plano Estadual de Educação
A Comissão Coordenadora do Fórum Estadual de Educação é responsável pelo documento
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Vida nova para um velho museu
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Espelho, espelho meu
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Agitação e propaganda
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opiniao@emtempo.com.br
Tate Modern resurge, por Nathalia Lavigne. Pág. 2
O sistema financeiro paralelo chinês. Pág. 3
Os panfletos da Independência. Pág. 4
A universidade pós-apartheid
Entrevista com o sul-africano Jonathan Jansen. Pág. 5
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Desigualdade social na pauta das eleições
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Do arquivo de Ivald Granato
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Sei lá, eu sou ignorante, cabeça oca
Diário de Washington. Pág. 6
São Paulo, 1978. Pág. 7
A imaginação de Arthur Miller. Pág. 8
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1 Tate Modern, 15,
planeja expansão Galeria terá mais espaço em 2016 TATE PHOTOGRAPHY
também comitês de aquisição voltados para regiões como Rússia, Leste Europeu e sul da Ásia. Ampliar o alcance internacional é também um dos objetivos da nova fase.
RESUMO Em seu primeiro ano, a Tate Modern, que ocupa uma velha usina reformada pelos arquitetos Herzog & de Meuron, foi o museu de arte moderna e contemporânea mais visitado do mundo. A instituição ainda atrai multidões, mas conta com menos recursos públicos. Construir um novo prédio é um caminho para buscar receitas.
NATHALIA LAVIGNE
O prédio da antiga usina termoelétrica em Bankside ainda era um canteiro de obras quando Marcus Dickey-Horley, 51, entrou ali pela primeira vez, em janeiro de 2000. A quatro meses da inauguração da Tate Modern, tratores com cimento circulavam de um lado a outro pelo vão central, e o cheiro de óleo daquela antiga sala de turbinas ainda era forte. Responsável por coordenar o acesso dos visitantes, Marcus começou a trabalhar no novo museu seis semanas antes da inauguração. Ele recorda o primeiro fim de semana: “Nunca vi uma multidão como aquela. No sábado, a fila ia até a estação Blackfriars, no outro lado do rio. Tivemos que segurar até 400 pessoas no Turbine Hall pois era impossível entrar mais gente nas galerias”. A tal multidão – cerca de 45 mil pessoas – foi só o prelúdio. No primeiro ano de funcionamento, a Tate Modern se tornou o museu de arte moderna e contemporânea mais visitado do mundo, com um total de 5,25 milhões de pessoas – e segue na dianteira até hoje. Naquele ano, recebeu mais que o dobro de visitantes que o MoMA, em Nova York. E, principalmente, o dobro do que era esperado. Apesar de o número ter diminuído de 5,5 para 4,8 milhões de visitantes em 2014, o museu bateu outro recorde no ano passado: a mostra “Henri Matisse: The Cut-Outs” foi a temporária mais visitada da instituição, vista por 562.622 pessoas. A Tate Modern comemora seu 15º aniversário em plena expansão. O novo prédio, previsto para 2016, leva a assinatura dos arquitetos Herzog & de Meuron – a mesma dupla suíça que adaptou a antiga usina projetada nos anos 1940 por Giles Gilbert Scott (famoso por ter criado as cabines telefônicas vermelhas) para a instalação da Tate Modern. Projeto Os tijolos aparentes lembram a estrutura original, mas o complexo em construção, uma pirâmide assimétrica, de 11 andares e 21 mil metros quadrados, é mais monumental e deve aumentar a capacidade do museu em até 60%.
Antiga Turbine Hall, hoje entrada da Tate Modern, servirá de conexão como novo prédio (no alto)
A sala de turbinas da antiga usina, o Turbine Hall, ligará os prédios: “A ideia do novo complexo é ser também um ambiente que favoreça o encontro, um lugar de atividades”, ressalta o diretor da instituição, Chris Dercon. Se acomodar melhor o público e ter mais salas para a coleção e mostras temporárias justificam a ampliação, orçada em 215 milhões de libras, a Tate tem ainda outra razão central para investir nela. Desde que o financiamento que recebia do governo pelo Departamento de Cultura, Mídia e Esporte (DCMS, na sigla em inglês) foi reduzido em até 16% nos últimos cinco anos, diversificar as fontes de renda se tornou palavra de ordem na instituição. O novo prédio é fundamental para esse processo. “Como os investimentos públicos para museus vêm diminuindo, é preciso encontrar outras formas de se manter. Espaços para promover eventos são importantes para atrair patrocinadores. Restaurante, loja e livraria também são fontes de lucro. Para admi-
nistrar um museu hoje é preciso equilibrar todos esses componentes”, explica Andy Pratt, professor da City University of London e especialista em economia criativa. Caçula Idealizada em 1992 para abrigar a coleção de arte moderna internacional e contemporânea da antiga Tate Gallery, a Tate Modern é o terceiro ramo da instituição, que já tinha duas filiais no Reino Unido: a Tate Liverpool, aberta em 1988, e a Tate St. Ives, em 1993. Quando o novo museu em Bankside ficou pronto, o prédio original de Millbank, também no sul de Londres, passou a se chamar Tate Britain, abrigando só o acervo de arte britânica – base da coleção da instituição, fundada em 1889. A caçula é a mais bem-sucedida das galerias. O número de visitantes anual das outras três equivale a metade do total de visitação da Tate Modern. Ela é também uma das três atrações turísticas mais visitadas no Reino Unido e dá a Londres um retorno financeiro de 100
milhões de libras ao ano. Diretor da Tate desde 1988, Nicholas Serota é considerado principal responsável pelo sucesso do museu. No comando das quatro galerias, ele foi eleito em outubro passado a figura mais importante da arte contemporânea pela lista anual da “ArtReview”. O trabalho na Tate Modern, que definiu “um paradigma ocidental do sistema de artes, sendo exportado para o mundo inteiro”, nas palavras do editor da revista, Mark Rappolt, foi a principal justificativa. Serota tem um papel que vai além das funções administrativas. Costuma visitar ateliês de artistas e assina a curadoria de exposições, caso da mostra sobre Matisse. Ele também teve uma atuação importante na escolha do prédio onde nasceria a Tate Modern e no apoio do governo para que a galeria fosse gratuita – iniciativa que se estendeu a todos os museus nacionais de Londres, em 2001. Mas talvez seu principal mérito ao idealizar o museu tenha sido identificar a oportunidade.
“O que a Tate Modern estava propondo correspondia ao espírito daquele tempo. Dirigir o foco para uma perspectiva internacional e cosmopolita tinha muito a ver com Londres no fim dos anos 1990, quando o governo britânico começou a levar a sério a cultura contemporânea”, ressalta Andy Pratt. As mudanças que a Tate Modern levou ao Bankside também fizeram da instituição um modelo seguido por diversas outras cidades. A antiga região industrial era uma das áreas mais pobres da cidade – hoje é um polo turístico. A nova galeria foi planejada com o propósito de exibir e ampliar o acervo de arte moderna internacional e contemporânea, além de abrigar departamentos voltados a pesquisa e formação do público. E não aderiu à onda de construir filiais pelo mundo, contrapondo-se ao “efeito Guggenheim”, que teve início com a construção do museu em Bilbao. Preferiu investir em parcerias com instituições internacionais, como a firmada com a Pinacoteca em 2012. Nos últimos anos, lançou
Global Mesmo vendo com bons olhos a iniciativa do museu, T. J. Demos, professor da University College of London (UCL) e especialista em arte contemporânea e globalização, aponta algumas falhas na proposta da Tate Modern de representar uma produção global. “Há uma hierarquia clara na programação, que tende a priorizar artistas europeus e americanos em individuais, enquanto nomes do eixo não ocidental aparecem em mostras coletivas”, critica. Para Demos, o projeto de expansão se aproxima do modelo em que novos museus são criados como espaços de consumo e voltados para o turismo. “Infelizmente, esse formato não é desafiador estética ou politicamente. Não há uma programação ambiciosa e voltada para temas contemporâneos, como se vê no Reina Sofía, em Madri, por exemplo. A Tate atende cada vez mais a interesses privados, abrindo mão de sua função como instituição pública”, diz ele. A aproximação com o setor privado é uma das principais críticas feitas à instituição. Hoje, cerca de 30% de seu orçamento (30,4 milhões de libras, no último ano) vem do governo – os outros 70% são captados em diversas frentes. No ano passado, a Tate fechou uma acordo de 11 anos com a Hyundai para patrocinar as famosas instalações do Turbine Hall – artistas como Louise Bourgeois, Olafur Eliasson e Ai Weiwei já criaram obras para o espaço. “A maior parte do setor cultural no Reino Unido adotou esse sistema. O risco é ser patrocinado por uma empresa que comprometa sua reputação”, comenta Pratt. Desde 2010, o coletivo de arte Liberate Tate tem feito uma série de performances em protesto contra a parceria da Tate Britain com a empresa de petróleo BP, responsabilizada pelo desastre ambiental do Golfo do México, há cinco anos. Um dos objetivos era que a instituição revelasse publicamente as informações do contrato com a BP. Quando, no fim de janeiro, foi divulgado o valor recebido em 17 anos, a quantia de 3,8 milhões de libras foi considerada baixa pelo grupo: “Com esses dados, ficou claro que a motivação do acordo não é apenas financeira, pois o dinheiro envolvido é muito pequeno”, afirmou Jane Shellac, uma das integrantes do Liberate Tate. Apesar de a BP não ser patrocinadora direta da Tate Modern, é bem provável que o grupo planeje alguma performance para a inauguração do prédio anexo ano que vem. Se a ideia da nova Tate Modern é ser mesmo um espaço de ruptura e voltado para todo tipo de encontro, como definiu o diretor, atos como esses também devem ser bem-vindos.
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Economia CHINA
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CARLOS BARRIA - 7.DEZ.2014/REUTERS
controle, lembra Evandro Menezes de Carvalho, professor de Direito Global da FGV-Rio e professor visitante do Centro Brics da Universidade Fudan, em Xangai.
Cartaz gigante de uma loja de roupas no centro de Xangai
A teia do dragão Chineses criam mundo espelhado RESUMO Com visão e planejamento de longo prazo, Pequim vem tecendo sem alarde, mas sistematicamente, uma estrutura internacional paralela. Formada por uma série de organizações e mecanismos financeiros, ela começa a mudar a ordem mundial construída no pós-guerra, sob a liderança dos Estados Unidos.
MARCELO NINIO
Até uma década atrás, turistas chineses que viajavam pelo mundo eram alvo preferencial de ladrões. Sem possuir cartões de crédito, a maioria circulava com o bolso cheio de dinheiro vivo e eram presas altamente rentáveis para os gatunos. Isso começou a mudar em 2002, quando surgiu o cartão bancário UnionPay, a resposta chinesa para os gigantes americanos Visa e Mastercard. Desde então, a empresa já emitiu mais de 4,5 bilhões de cartões. Embora pouco conhecido fora da Ásia, o UnionPay já pode ser usado em 141 países, inclusive no Brasil (associado ao Itaú), e tornou-se o segundo cartão no mundo, só atrás do Visa. O desafio chinês ao domínio americano no mercado do “dinheiro de plástico” é apenas uma das pontas da teia global que Pequim vem tecendo sem alarde, mas sistematicamente. Uma estrutura internacional paralela, formada por uma série de organizações e mecanismos financeiros, que começa a mudar a ordem mundial construída no pós-
guerra, sob a liderança dos Estados Unidos. Os acordos de Bretton Woods (1944) fincaram os alicerces para o funcionamento da economia mundial, numa arquitetura financeira acertada entre 44 países que resultou, entre outras coisas, na criação das instituições multilaterais de socorro, o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial. Na época, Harry Dexter White, alto funcionário do Tesouro dos EUA que liderou as discussões ao lado do economista americano John Maynard Keynes, comentou os novos ares que colocavam Washington e Moscou como os dois polos de poder global, encerrando um ciclo de três séculos do império britânico. “A União Soviética é um país que está chegando, o Reino Unido é um país que está indo embora”, disse White. Sete décadas depois, o país que chega é a China. Envergadura Em um estudo recente, o Instituto de Estudos Chineses Mercator (Merics), sediado em Berlim, mapeou as iniciativas da China que delineiam um mundo paralelo ao atual arcabouço econômico global. A envergadura do repertório chinês impressiona. Algumas das iniciativas: Novas instituições multilaterais de crédito, como o Banco de Desenvolvimento dos Brics (criado em julho) e o Banco de Infraestrutura e Investimento da Ásia (BIIA, cujo lançamento foi assinado por 21 países em outubro); a internacionalização de sua moeda, o yuan, com acordos bilaterais de “swap” e a disseminação do cartão UnionPay; a nova Rota da Seda, o ambicioso plano de reviver a ligação comercial entre a China e a Europa, via Ásia Central; até projetos que vão muito além de seu entorno asiático, como o canal da Nicarágua – uma alternativa ao do Panamá que começa a ser construído em breve com
capital chinês. “Os desafios atuais ao arranjo pós-Guerra Fria dominado pelos EUA, da Ucrânia ao Oriente Médio, favorecem a expansão das estruturas paralelas como parte da política externa chinesa”, concluem os pesquisadores alemães. Além de manter os EUA ocupados, permitindo que a China mova suas peças geopolíticas com mais desenvoltura, a crise na Ucrânia aproxima Moscou de Pequim, como comprova o acordo multibilionário de energia entre os dois países assinado em maio. Mikko Huotari, chefe do Programa de Política Externa e Relações Econômicas do Merics e um dos autores do estudo, contesta a visão alarmista de que a China está tentando demolir a estrutura atual. Ao mesmo tempo em que mantem a participação e tenta aumentar sua voz nas instituições existentes, diz ele, o país promove outras que possam satisfazer de forma mais adequada os seus interesses. “Há uma insatisfação muito clara entre os formuladores de política externa da China com a forma como as coisas funcionam globalmente”, disse Huotari à Folha. “Se o sistema não está se adaptando às necessidades da China, a sensação entre eles é de que podem e devem fazer algo a respeito”. O governo chinês insiste em que as novas instituições não representam uma competição com a estrutura existente. “Nosso objetivo é contribuir com o potencial de construção de infraestrutura na Ásia e incentivar o investimento na região”, disse à Folha a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Hua Chunying. “O BIIA e o banco dos Brics terão um papel complementar aos mecanismos existentes.” Em Washington, certamente as ações chinesas são vistas como um desafio a sua hegemonia. O governo americano não fez nenhuma questão de
esconder a intensa campanha que realizou entre os aliados para que não entrassem no banco asiático encabeçado por Pequim. Deu certo, por enquanto, com Coreia do Sul, Austrália e Japão. Mas não com a Índia, um dos 21 países fundadores do BIIA. Um fato que não está em disputa e favorece a máquina de construção chinesa é o déficit de infraestrutura, na Ásia e no mundo em geral. O Banco de Desenvolvimento Asiático (BDA) estima que só o Leste da Ásia precisará de investimentos na ordem de US$ 8 trilhões em infraestrutura até 2020 para manter o crescimento econômico. “O consenso termina aí”, assegura Ely Ratner, do centro de estudos New American Security em artigo na revista “Foreign Policy”. Afinal, diz ele, ao oferecer uma instituição de crédito alternativa ao Banco Mundial e ao BDA a China claramente fortalece sua influência na Ásia e reduz a liderança regional dos Estados Unidos. Embora a ameaça pareça iminente aos olhos americanos, a engrenagem que Pequim está montando ainda está engatinhando. Para construir bancos internacionais é preciso ter uma capacidade de mão de obra que é limitada nos países emergentes, lembra o diplomata Marcos Caramuru de Paiva. Ex-cônsul do Brasil em Xangai, hoje sócio e gestor da KEMU Consultoria, com sede na cidade chinesa, ele vê o desenho de uma nova arquitetura mundial, mas que só a “longuíssimo prazo” poderá ter algum impacto. O diplomata percebe que, embora a China tenha amadurecido nos últimos anos em política externa, não está claro para os líderes em Pequim como suas ações moldarão o mundo. “Não é um projeto de poder, mas de influência econômica. Os EUA tinham um projeto político, de democracia casada com o capitalismo. A China
não tem um projeto político para exportar. Tem um projeto econômico, muito centrado na área de infraestrutura, na qual suas empresas brilharam nos últimos anos”, diz Caramuru, que também é colunista da Folha. Yuan A internacionalização da moeda chinesa tem um papel central na política externa econômica de Pequim de aumentar sua autonomia em relação às estruturas financeiras dominadas pelos EUA. Desde junho deste ano, o Banco Popular da China (o BC chinês), assinou acordos para a criação de bancos e compensação em Londres, Frankfurt, Seul, Paris, Luxemburgo, Doha, Toronto e Sydney. A marcha do yuan para se tornar uma das moedas globais de reserva é visível. O dólar americano permanece como a moeda dominante, mas em cinco anos o yuan saiu praticamente do zero para ser hoje usado em 15% do comércio mundial. “O progresso que o BC chinês obteve nos últimos cinco anos é incrível”, diz Mikko Huotari. Avançar com tal velocidade nesses processos altamente complexos de cooperação financeira é algo que ele considera “sem precedentes”. Os mecanismos financeiros promovidos por Pequim duplicam em parte o sistema de Bretton-Woods e outras estruturas existentes, mostra o estudo alemão: para o Banco Mundial, o Banco dos Brics; para o FMI, o fundo de reservas do Brics e a Iniciativa Chiang Mai, uma rede asiática multilateral de financiamento; para o Visa e Mastercard, o UnionPay, entre outros muitos exemplos. As organizações internacionais do pós-guerra refletiram e disseminaram os valores dos Estados Unidos, que protegeram seu interesse nacional por meio de uma arquitetura internacional favorável e sob o seu
Cópia O mundo mudou, mas as instituições internacionais mantiveram a mesma divisão de poder do pós-gerra. A reforma do FMI, acordada em 2010 e que dá aos emergentes mais poder de voto, está parada no Congresso americano. Para Carvalho, as incertezas sobre o futuro, potencializadas com a crise financeira de 2008, puseram os países em situação de alerta, “reativos e incapazes de pensar a longo prazo”. A exceção é a China. “É um dos poucos países que está planejando a sua política externa a longo prazo. E o faz por meio do método pelo qual a China tornou-se famosa no Ocidente: a cópia”, diz Carvalho. “A China cria instituições-espelho do sistema internacional, mais próximas da sua imagem, sem alterar os princípios basilares da sociedade de Estados, que são o respeito à soberania e a não ingerência em assuntos internos de governos estrangeiros”. Para ele, a emergência de “novos desenhos institucionais para o mundo” favorece o Brasil em sua demanda por maior participação em instituições internacionais. Já Marcos Caramuru acha que o Brasil sai perdendo. No banco dos Brics, por exemplo, as empresas do país não terão força para ganhar das chinesas em concorrências para os projetos, afirma. “Esses novos bancos de crédito vão consolidar a presença de muitas dessas empresas chinesas”, diz ele. “Temos que ter uma estratégia. A China é muito forte, tem recursos na mão, empresas que se fortaleceram muito, um sistema financeiro comandado pelo Estado. É um competidor pesado, nos tira de vários mercados”. No aspecto político, o que em princípio poderia ser considerado uma vantagem, a não ingerência em assuntos domésticos, tem outro lado, que é motivo de preocupação. Ao contrário do Banco Mundial e do FMI, que dita uma cartilha de exigências sobre temas como meio ambiente e condições trabalhistas, o presidente chinês, Xi Jinping, já disse que Pequim oferece assistência “sem amarras políticas”. Em alguns casos, essa política significa o envolvimento em práticas contestadas, que provocam resistência das populações locais. Um exemplo é a hidrelétrica de Myitsone, em Mianmar, um projeto de US$ 3,6 bilhões de uma empresa chinesa que está parado desde 2010 por oposição das comunidades que seriam deslocadas. Outro tiro pela culatra, mais recente, foi a revogação de uma licitação de US$ 3,7 bilhões para um projeto de trens de alta velocidade vencida no México pela estatal China Railway Construction Corp (CRCC). O governo mexicano justificou o cancelamento citando “dúvidas do público” sobre a lisura da concorrência, na qual o consórcio vencedor era o único na disputa. O enredo ganhou contornos de escândalo nacional quando uma reportagem revelou que a mansão de US$ 7 milhões da primeira-dama estava em nome de um dos parceiros mexicanos do consórcio liderado pela CRCC.
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História
Nos tempos do panfleto A propaganda política na Independência
RESUMO José Murilo de Carvalho, Lúcia Bastos e Marcello Basile lançam “Guerra Literária - Panfletos da Independência” (editora UFMG), que reúne 362 panfletos impressos. Editados em brochuras de fácil reprodução, esses escritos custavam pouco, defendiam causas e podiam chegar ao público antes de livros e jornais.
SYLVIA COLOMBO
Não havia Facebook, WhatsApp ou televisão no começo do século 19. Mas, como nos dias de hoje, a grande polarização política da sociedade daquela época também encontrou vias alternativas para o debate, que não passavam pela imprensa tradicional ou pela produção acadêmica. Tratava-se dos panfletos, ora pregados em postes ou muros das cidades, ora publicados em pequenas brochuras. “Os que eram manuscritos seriam como o Facebook ou o WhatsApp de hoje. Já os impressos, mais trabalhados e editados em gráficas, não possuem um equivalente na atualidade”, dizem José Murilo de Carvalho, Lúcia Bastos e Marcello Basile. Os três historiadores, que já haviam reunido e editado panfletos manuscritos do período independentista em “Às Armas, Cidadãos” (Companhia das Letras, 2012), agora lançam “Guerra Literária Panfletos da Independência” [Editora UFMG, 3256 págs., R$ 120], conjunto de 362 panfletos impressos, divididos em quatro volumes, publicados entre 1820 e 1823. Editados de forma ágil em brochuras de fácil reprodução, os panfletos chegavam ao público antes que os jornais ou livros impressos. Além disso, eram mais baratos, custavam em torno de 80 réis – à época, uma empada com recheio de ave era vendida nas ruas do Rio de Janeiro por 100, e uma garrafa de aguardente, por 80. “Os panfletos não surgem gratuitamente no Brasil, tinham um objetivo político. Por meio deles se observa como os conceitos de independência e de república vão
se incorporando ao debate e se desenvolvendo. Há registros de literatura panfletária no Brasil até a década de 40 [século 20]”, diz a professora Regina Wanderley, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, do Rio, em entrevista por telefone. O conceito, explicam os pesquisadores, tem origem com o “pamphlet” surgido na Inglaterra em 1580, de cunho satírico e político, e populariza-se na França, em meados do século 17. Foram, depois, comuns durante o período de Independência dos EUA (1775-83) e a Revolução Francesa (1789-99). “Muitos dos autores eram pessoas envolvidas na luta política. No caso brasileiro, o conteúdo dos panfletos altera-se claramente de acordo com o conteúdo das decisões vindas das Cortes. Eram sempre precedidas de amplo debate. Não temos dúvida de que os panfletos deram a nota democrática do processo da Independência”, dizem os historiadores, que responderam à entrevista por e-mail. O período tratado nos quatro volumes é o que abarca desde a Revolução Liberal do Porto, em 1820, até o momento posterior ao da Independência brasileira, em 1822. O movimento português pregava o fim do absolutismo e a constitucionalização da monarquia. Palpites Como os escritos foram publicados em Portugal, no Brasil e no hoje Uruguai (então Província Cisplatina) é ampla a gama de opiniões de funcionários públicos e profissionais liberais sobre que rumo deveriam tomar os membros da família real e o Brasil. Se D. João 6º deveria ou não viajar a Lisboa para lidar com a crise, ou se seu filho, Pedro, deveria ser enviado em seu lugar. Depois do dia do Fico (9 de janeiro de 1822), os panfletistas se dividiram sobre a forma de organização política que o Brasil deveria adotar, sendo a Independência uma entre várias alternativas. Uma clara disputa vai se desenhando, entre os que pediam um governo mais liberal, em que a soberania residisse nos representantes da nação, e a de um governo mais centralizador, que tinha como modelo as monarquias conservadoras da Europa daquele momento. Conceitos como absolutismo, anarquia, revolução, liberalismo e separatismo são discutidos com paixão. Os três estudiosos apontam, inclusive, para o uso de um tom mais emotivo e de uma linguagem mais espontânea como parte da explicação
do sucesso de leitura dos panfletos. “Os panfletos visavam e atingiam, além da elite letrada, o povo, pelo falar ‘de boca’. Muitas pessoas tomavam conhecimento das novidades políticas ouvindo leituras em voz alta e participando de conversas e discussões nas lojas e mesmo na praça pública”. Apenas 32% de seus autores possuíam diploma, muitos eram anônimos e alguns usavam pseudônimos. Dos 95 autores identificados, apenas 3 eram mulheres. Incomum Devido à espontaneidade da narrativa, não era incomum a aparição de “palavrões” ou insultos, como “besta”, “charlatão”, “desaforado” e outros. Os que defendiam a continuidade do jugo português eram chamados de “corcundas”. Para os historiadores, a produção panfletária mostrava um posicionamento intelectual de parte da sociedade educada que não havia ido a Coimbra, onde estudavam os filhos da elite portuguesa e brasileira. Eram pessoas formadas nos seminários, nas escolas militares, autodidatas e jornalistas. “Muitos dos autores também tinham passado por ou-
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tros países, Inglaterra, Alemanha, França. O período pombalino havia paralisado o pensamento luso-brasileiro, e os jovens que iam a esses outros países trouxeram muito para o debate político”, diz Wanderley. Para José Murilo de Carvalho, a publicação dos panfletos (divididos em “Cartas”, “Análises”, “Sermões, Diálogos, Manifestos” e “Poesia, Relatos, Cisplatina”) pode ainda ajudar a desconstruir alguns lugares-comuns da história nacional. “A Independência não foi arranjo de família nem complô de elites. Houve uma guerra literária em torno das opções que iam surgindo, uma guerra que se acoplou à guerra das ruas, como no caso do Fico, da guerra da Independência na Bahia, Pará, Pernambuco, Cisplatina. Embora limitada às principais províncias, o movimento da Independência foi o primeiro esboço, embora precário, de um movimento nacional”. Um dos episódios desmitificados, por exemplo, é o Grito do Ipiranga, que não surge com destaque nos panfletos e só foi mencionado pela imprensa uma vez (pelo jornal “O Espelho”, em 20 de setembro). “Para os contemporâneos do 7 de setembro, a data não teve significado especial, pois
já estava consumada com a convocação da Assembleia Constituinte, em junho de 1822 ou com os manifestos de agosto. A data mais importante era o dia 12 de outubro, dia da aclamação de D. Pedro 1”, dizem os historiadores. Documentos A historiadora Regina Wanderley acrescenta que o Grito, assim como o papel de Tiradentes na Inconfidência Mineira, foram construídos pela historiografia republicana no século 19. “Quando você vai aos documentos, vê que a história não foi bem assim. É importante que os historiadores não deixem de ir aos documentos. Nesse sentido, a edição desses panfletos é algo muito importante”, diz Wanderley. Os organizadores do livro concordam. “Existe entre os historiadores hoje uma excessiva ênfase no que se chama marco teórico, mas a necessidade de recorrer a fontes, escritas ou não, é reconhecida por todos”. O lançamento reforça, ainda, os panfletos como parte da tradição literária da época. As cartas possuem linguagem mais belicosa. Os poemas tendem ao laudatório. Os diálogos e catecismos são didáticos por excelência, enquanto os manifestos, pro-
clamações e representações buscam efeito mais mobilizador, convidando o povo ou as autoridades à ação. Um dos intelectuais mais produtivos do período, porém, ficou de fora da publicação. Trata-se do Visconde de Cairu (1756-1835), economista e jurista nascido na Bahia e formado em Coimbra. Foi um dos mais ativos na produção de panfletos durante o período da Corte portuguesa no Brasil e o processo de Independência. “Cairu não foi incluído porque escreveu muito, seus textos davam sozinhos um volume. Sem dúvida merece publicação à parte, se tivermos fôlego”. Os pesquisadores acrescentam que ainda há boa parte da produção espalhada pelos Estados, onde a conservação de documentos não é das melhores, como o Maranhão. “Muitos se perderam. Nossa pesquisa foi cuidadosa, mas outros panfletos continuam a aparecer, sobretudo em bibliotecas portuguesas. Já temos material para um novo volume. Com a publicação dos panfletos, que se encontram dispersos em várias instituições do Brasil e de Portugal, os pesquisadores terão seu trabalho enormemente facilitado”, acrescentam.
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Entrevista
Ensinar além da tolerância JONATHAN JANSEN
As lições de um reitor negro na África do Sul
JEROME DELAY - 5.MAR.10/ASSOCIATED PRESS
RESUMO Reitor da Universidade de Free State, Jonathan Jansen comanda há cinco anos o processo de inclusão de negros nos quadros de professores e alunos da instituição. O professor prega uma “pedagogia pósconflito” que revisite o apartheid de maneira crítica, mas vá além do moralismo fácil que demarca bons e maus.
IZABELA MOI
O professor Jonathan Jansen lembra-se exatamente do momento em que decidiu aceitar o convite para trabalhar na Universidade de Free State, em Bloemfontein, a capital judiciária da África do Sul. Em 2008, milhares de pessoas pelo mundo assistiram ao vídeo que mostrava quatro jovens estudantes brancos fazendo “brincadeiras” com cinco trabalhadores negros e mais velhos da universidade. A imagem da diversão racista era a prova de que o país não tinha ainda conseguido se reconciliar, pouco mais de 15 anos depois de ter conseguido eleger democraticamente Nelson Mandela presidente. Um ano depois, Jansen quis estar no centro do problema da integração racial na educação. Por uma decisão tripartite – da universidade, dos estudantes e dos próprios trabalhadores – a questão teria ainda de ser resolvida fora das cortes, em um jantar realizado a portas fechadas. Cerca de três anos de negociações após o episódio, o já então reitor Jansen, o primeiro negro a ocupar o posto na universidade, estava ali para conduzir o encontro a fim de que a conversa, se bem-sucedida, terminasse em um pedido público de desculpas no dia seguinte. Era a noite de 24 de fevereiro de 2011. Hoje também vice-cônsul da universidade que por muitos anos produziu os argumentos científicos que sustentaram o regime do apartheid, Jansen venceu pelo menos a barreira da integração visível. Após cinco anos no comando do processo de incluir a população negra tanto no quadro de professores da universidade como no corpo discente, os números já mostram alguma mudança. Os dados mais recentes, de 2013, apontam que cerca de 60% dos alunos formados na Free State são negros e 10% dos professores contratados e
o professor Jonathan Jansen, reitor da Universidade de Free State (África do Sul)
21% dos “horistas” (“lecturers”) também. Um avanço para a universidade mais simbólica do país, que passou os anos do apartheid sendo exclusivamente branca. Mas o mais importante, além da difícil transição dos números, é o que realmente acontece nos dormitórios, nas salas de aula, nas reuniões entre professores, nas atividades extracurriculares. Jansen afirma que essa é uma das razões que o fazem circular muito no campus e estar sempre perto e ao alcance do diálogo dos estudantes, principalmente. Também por esse motivo ele dá aulas sobre integração para o primeiro ano. O reitor acredita que não basta misturar estudantes e professores brancos e negros dentro da instituição. Para ele, as gerações que viveram sob o regime do apartheid precisam aprender sobre o outro, aprender a não temer, a confiar e que o outro é muito próximo. É esse tipo de aprendizado que ele chamará de “pedagogia pós-conflito”, e sobre a qual escreve o inesperadamente inquietante “Knowledge in the Blood: Confronting Race and the Apartheid Past” (Conhecimento pelo sangue: confrontando raça e o passado de apartheid). O livro foi publicado em 2009 pela editora de Stanford, universidade onde Jansen fez seu PhD em 1991 e com a qual mantém laços de pesquisa desde então. Também presidente do South African Institute of Race Relations (instituto sul-africano de relações raciais), o professor Jansen gosta de relembrar o final do episódio do vídeo como um sinal de esperança para seu país em (re)construção. Naquela noite de 2011, depois da conversa entre os diretamente envolvidos, foi servido o jantar com a presença das famílias de todas as partes. Entre música, lágrimas e intimi-
dade. “A reconciliação foi feita. A ferida permanece, mas agora ela vai cicatrizar mais rápido. ‘Nós entendemos que a questão não era apenas sobre nós, mas sobre o país inteiro’, disse um dos trabalhadores ao sair da sala em que conversaram privadamente com os estudantes”, conta Jansen. Folha - A questão que mais repete durante seu trabalho é “como podemos ensinar nossas crianças, brancas e negras, sobre nosso passado violento, se removermos as evidências de sua existência?”. Pode nos dizer como? Jonathan Jansen - É impossível. Temos de atravessar o passado para poder dar sentido ao presente e assim construir um futuro diferente. Entendo a vontade de negar ou esquecer o passado, porque ele realimenta a vergonha ou a culpa entre uns, e o desconforto e a dor em outros. Por isso a palavra-chave é ensinar. Precisamos de um tipo de educação que combine empatia crítica com abertura e honestidade. Em meu caso, por exemplo, devo aprender a me aproximar dos brancos sem prejulgamentos ou sentimentos de refração, mas com a generosidade que me torna disposto ao verdadeiro diálogo. Sentir empatia não significa concordar. Significa compreender e reconhecer que sobre determinadas circunstâncias, todos os seres humanos são capazes de atos terríveis. Não proponho um relativismo moral, mas também não aceito o moralismo fácil que atrai aplausos. Proponho que tomemos conhecimento de nossa mútua vulnerabilidade e que esse seja o primeiro passo para o exercício do diálogo crítico e real. Integração, reparação, reconciliação... Como ensinar tudo isso? A primeira coisa é que não po-
demos ensinar apenas palavras. Em sociedades profundamente divididas, os líderes têm de dar o exemplo de comportamentos que incluam a tolerância. E ensinar não é postar-se em frente a uma sala de aula cheia de estudantes. Nós precisamos de uma nova sala de aula em que possamos trazer para o ambiente o resultado de toda a preparação necessária aos educadores. E a sequência é importante. Não podemos ensinar reparação se não tivermos atingido reconciliação antes. E a reconciliação não pode ser feita sem a presença de grupos rivais no mesmo espaço físico (e emocional e espiritual, se possível) – ou seja, integração. A “pedagogia pós-conflito”, como proponho, é ir além do modelo de fácil demarcação que separa os bons dos maus. E como se faz para integrar as escolas com sucesso? É preciso, antes de mais nada, expor publicamente os argumentos para a integração em vez de apenas realizá-la, sem tornar ninguém parte da mudança de direção. Depois, é preciso deixar claras quais são as regras do mundo ideal e convocar os líderes da comunidade escolar a manterem seu compromisso com elas. Em seguida, trabalhar com aqueles que já estão prontos para seguir o movimento. É necessário criar incentivos para a integração, e desestimular a separação. E, por fim, mas antes de mais nada, é preciso que o modelo integrado funcione a partir das lideranças, para que sirva de exemplo a ser seguido. Que mudanças você implementou no currículo da Universidade de Free State? Criei o que chamamos de currículo mínimo obrigatório, uma inovação num país que não tem a tradição do ensino de “liberal arts”. De maneira geral, nosso ensino na universidade
privilegia a especialização, que, a meu ver, acontece muito cedo na vida estudantil. Esse currículo mínimo tem o objetivo de ampliar o espectro das investigações do mundo real e do pensamento dos alunos, e é presente durante todo o primeiro ano letivo. Esse currículo inclui atividades acadêmicas, leituras e reflexões em sala de aula sobre, por exemplo, o que significa ser justo, como lidar com nosso passado violento, por que a crise econômica global é considerada global, quão pequeno é pequeno no mundo da nanotecnologia. E essas questões são revisadas e atualizadas todos os anos. E o que está acontecendo na universidade que lidera e não acontece no resto do país? Nós investimos pesadamente no desenvolvimento dos estudantes. Primeiro, na integração entre brancos e negros, para aprendermos a viver juntos além da tolerância, para aceitar verdadeiramente o outro. Temos conseguido isso na maioria das vezes. E nossa prática inclui políticas claras e transparentes, líderes que mostram o exemplo a seguir, um planejamento meticuloso, várias oportunidades de aprendizado criadas especialmente para os estudantes, o design da própria residência estudantil [no campus] e muita dedicação. Depois da pedagogia pósconflito, então, qual é a próxima etapa? Meu novo livro é sobre como os estudantes, brancos e negros, de uma das universidades mais conservadoras do país em termos de integração racial acabaram se envolvendo em incidentes de violência racial. E eu tento explicar teoricamente como esse processo de “ver o outro em si mesmo” pode acontecer para estes estudantes e
que tipo de estrutura institucional permite essa transformação. É um livro cheio de esperança, e que dá voz a esses alunos, brancos e negros, que mudaram. O livro pode servir para qualquer outro lugar que viva a experiência do conflito, seja ele de origem racial, étnica ou religiosa. Falando assim, parece tudo muito claro. Mas sabemos que tem muitos críticos. Quem são seus opositores? Eles são uma minoria estranha. Porque não sou filiado ou mesmo a favor de nenhum dos partidos políticos em meu país, acabo tendo mais espaço para dizer o que penso e me colocar contrário a essa administração atrasada do sistema de educação. Ao mesmo tempo, sinto também que essa oposição não discorda das minhas principais batalhas contra a corrupção que dizima o sistema de produção e distribuiçãodematerialdidático, o poder extremo dos sindicatos e a falta de preparo (e de engajamento) dos professores. Sou comumente esquecido quando se organizam comissões, prêmios ou atividades de escopo mais amplo na área de educação. Espero ser julgado, no entanto, pelo menos na educação, como mais uma voz que faz parte do processo de fortalecimento da nossa democracia. Quando escreve sobre política educacional, fala sempre do desastre que é o desperdício de talentos na África do Sul. Como enfrentar isso? Nosso país tem uma taxa muito baixa para aprovação nas escolas: basta 30% de aprendizado em algumas disciplinas, 40% em outras. Quando o próprio sistema espera pouco das performances individuais, as pessoas vão se desenvolver em resposta a essa visão também. Somos um país de “baixas aspirações” que tem um nível alto de recursos. Sinto que ignoramos a capacidade de milhares de jovens simplesmente porque decidimos, como política educacional, tratá-los como estúpidos. E como estão os números atuais, ao menos em termos quantitativos, de estudantes que se formam? Apenas 50% das crianças matriculadas no primeiro ano do ensino fundamental terminam esse período escolar. Os estudantes que saem do sistema acabam caindo nas malhas do desemprego e mais tarde, muitas vezes, no sistema penitenciário. Nossos níveis de criminalidade estão diretamente ligados aos baixos números de educação. Vamos falar de outro lado polêmico de suas ideias, a participação que você acredita que os pais devem ter na vida escolar de seus filhos. Quer falar um pouco sobre isso? Acredito no direito de crianças e jovens escolherem o que acham importante, e nós, adultos, temos de confiar neles. Muitas vezes, pais e professores sufocam interesses dos alunos em nome do cuidado. Nós aprendemos por meio de nossos erros. Por que impedir a nova geração de aprender com os dela? Esse é meu conceito mais básico de educação. Quais são seus ideais de educação? Muito simples: quero educação de qualidade para todas as crianças. O resto virá a partir disso.
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Diário de Washington O MAPA DA CULTURA
Classe média na disputa As pautas das eleições e debates prediais
RAUL JUSTE LORES
Desigualdade social, quem diria, deve dominar parte da campanha republicana à sucessão de Barack Obama no ano que vem. É o que se conclui dos livros recém-lançados pelos presidenciáveis da oposição, conservadores que até há pouco diziam: “Basta trabalhar muito para ter sucesso neste país”. A classe média que teve de apertar o cinto é tema de “American Dreams: Restoring Economic Opportunity for Everyone” (Sonhos americanos: restaurando a oportunidade econômica para todos), do senador da Flórida Marco Rubio, e “Blue Collar Conservatives” (Conservadores de colarinho azul), de Rick Santorum. Autor de “Unintimidated” (Desintimidado), o governador do Wisconsin, Scott Walker, atual líder nas pesquisas, se vende como homem simples. Sem curso universitário, filho de pastor, diz que acabou com a contribuição sindical obrigatória em seu Estado – enfraquecendo sindicatos – para “sobrar mais dinheiro para escolas e hospitais”. Em “One Nation: What We Can All Do to Save America’s Future” (Uma nação: o que podemos fazer para salvar o futuro da América), Ben Carson, neurocirurgião super famoso também pelos livros e pela filantropia, culpa o “politicamente correto” e o “elitismo” pelo “declínio” dos Estados Unidos. O ex-governador da Flórida Jeb Bush, favorito pelo potencial bilionário de arrecadação de campanha, irmão e filho de ex-presidentes, deve lançar livro até maio.
Em discurso recente, falou que “a classe média não viu grandes melhorias na renda” após a retomada. Atacar a “gastança” de Obama com seu plano de saúde perdeu ibope entre a oposição. A popularidade de Obama subiu sete pontos nos últimos meses, auxiliada por um PIB que deve crescer 3,6% este ano e a maior geração de empregos desde 1999. O deficit público foi reduzido pela metade. O eleitor americano independente, que é quem decide as eleições, tipicamente escolhe quem deve ocupar a Casa Branca a partir das fortalezas e das fraquezas históricas associadas a cada partido. Quando se trata de segurança nacional ou de reduzir o deficit público, vota nos republicanos. Quando estes fracassam ou há clamor por programas sociais, vai nos democratas. Desta vez, os republicanos indicam que, para voltar à Casa Branca, terão de demonstrar compromisso em repartir o bolo. FBI no chão Até para os padrões de Washington, onde boa parte da arquitetura dos últimos 50 anos se encaixaria fácil no antigo bloco soviético, a sede do FBI se destaca pela feiura e impenetrabilidade – coerente com a função do serviço secreto. Graças a um boom imobiliário na área central da capital, que passou de muito violenta a segura e desejada nos últimos anos, o governo decidiu demolir o edifício brutalista J. Edgar Hoover, batizado em homenagem ao fundador da agência, inaugurado em 1974.
Para isso, criou-se um concurso: ganha o direito de uso do terreno de 28 mil m² do FBI (duas vezes o do Conjunto Nacional, em São Paulo) quem bancar a construção da nova sede, que abrigará 11 mil funcionários num subúrbio da capital. As incorporadoras candidatas devem ter pelo mínimo US$ 1 bilhão para começar a obra e ter experiência na construção de pelo menos três grandes prédios na última década. E paciência: a demolição só ocorrerá com a nova sede pronta, daqui a estimados oito anos. Trump de luxo Outra oportunidade imobiliária foi arrematada pelo magnata Donald Trump. Ele vai investir US$ 200 milhões para restaurar o antigo Palácio dos Correios de Washington e fazer dele hotel de luxo. Para sorte de quem gosta de arquitetura, Trump só poderá mudar os interiores, preservando a fachada de sua “assinatura” estética. Primeira mulher negra a comandar a prefeitura da capital, a democrata Muriel Bowser, 42, anda se estranhando com o Congresso americano, controlado pela oposição republicana. Coube a ela, que tomou posse em janeiro, implementar a descriminalização da maconha em Washington mês passado. Deputados republicanos a ameaçam de processo criminal por “desrespeitar leis federais”. Ela se defende, dizendo que o resultado do plebiscito sobre a maconha em novembro passado (71% dos votos), tem que ser respeitado.
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Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRARAM HISTÓRIA
6 Novelas e vanguardas São Paulo, 1978
FOTOS ACERVO PESSOAL
À dir, Lygia Pape e Ivald Granato (fantasiado de Ciccillo Matarazzo) e Helio Oiticica na ‘Mitos Vadios’
IVALD GRANATO
R. Henrique Schaumann, 81, quarto andar, esquina com Rebouças, Studio-house Granato. Nessa época havia muita atividade na cultura. O sistema político estava mais leve. Na área cultural, nos museus e na Bienal, de um lado estava Aracy Amaral, como a dona da verdade, e de outro o grande Walter Zanini (morto em 2013), com uma visão ampla e bem resolvida. Críticos como Carlos von Schmidt, Jacob Klintowitz e Casemiro Xavier de Mendonça abriam as ações contemporâneas. As coisas eram bem movimentadas no meu estúdio, junto ao Massao Ohno, editor inteligentíssimo. Vivíamos na produção de belos livros de poetas novos e alguns clássicos, como Hilda Hilst. Catálogos com novas concepções e Otávio Pereira acabando de chegar de Los Angeles, vindo da Tamarind, maior impressora da época, que imprimia Jaspers Johns, Andy Warhol, Lichtenstein. Resolvi fazer um trabalho aberto sem restrições por sentir o novo tempo e dar uma guinada, precisávamos disso! Comecei a fazer convites aos artistas para esse movimento, Aguilar, Tozzi e Oiticica, que morava no Rio, ficou encantado na hora e já foi me dizendo: “Me convide pra ficar na sua casa que te ajudo.” Pronto, aí começou!
Oiticica ficou hóspede em casa. A essa altura, os artistas já se produziam. O movimento no studio-house era intenso. Entra e sai, busca de apetrechos, músicos, atores, modelos e Lygia Pape chegou para dar uma força a Hélio, que estava um pouco doente e adorava novela. Ele se trancava no quarto com a minha mulher, Laís, e com a Lygia para que ninguém soubesse da sua paixão por “Dancing Days”. Era proibido intelectual ver novela. Minha mãe fez até uma bota de papel, estilo “Dancing Days”, para colocar na porta de seu apartamento no Rio, onde a gente dava festas com o tema da novela. O movimento, além das crianças e do nosso cachorro Phill, era uma loucura. Uma verdadeira produção rock’n’roll; 24 horas com muitas pessoas articulando diferentes assuntos, todos pertinentes ao happening que seria “Mitos Vadios”. Estamos falando de um alto fluxo de artistas de vários setores com ideias explodindo, e as excitações em alto volume ao som dos Stones, comandado por Guará, Guaracy Rodrigues, cineasta e ator ímpar dos anos 1970 e 80, morto em 2006. O estúdio era dividido em vários cômodos, como labirintos, cada um com seus acontecimentos a mil até o dia clarear. Muitos amigos jornalistas participavam, como o Marcelo Kahns. Podia encontrar Tozzi
na campainha, Tadeu Jungle e Walter Silveira com suas máquinas novas de vídeo, Lenira provando algumas roupas ou sem elas, DudiGuper, Raul Seixas e Ney Matogrosso, Jô Soares, enfim um mundo. Zé do Caixão esporadicamente era babá dos meus filhos. Tirávamos o sossego da rua Henrique Schaumann, 81, quarto andar, dentro e fora. Um momento de grande fluído. Esther Emilio Carlos, curadora e crítica de arte, chegando de peruca, Massao Ohno, Gerchman, Rui Pereira fazendo programação gráfica. Trocas de roupas. Decisões preciosas. Telefone tocando, criança, música, tudo ao mesmo tempo. Para “Mitos Vadios”, foram 30 os artistas convidados e mais umas 100 pessoas de grupos de dança e outras linguagens querendo maiores informações de como criar uma grande produção. A fotógrafa Loris Machado registrando tudo. E não é que no dia 5 de novembro pela manhã desabou a maior chuva de todos os tempos? E o bueiro em frente ao apartamento estourou, abrindo um buraco imenso. Todos entraram em pane e tivemos que transferir o evento para a semana seguinte. Sendo assim, foi mais uma semana dobrando o esquema, as coisas dobravam em confusão e alegria. E assim aconteceu “Mitos Vadios”, o dia todo, em um estacionamento na rua Augusta.
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Imaginação PROSA, POESIA E TRADUÇÃO
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Vislumbre de um jóquei
RESUMO O conto integra “Não Preciso Mais de Você e Outras Histórias”. O volume, que reúne três livros do autor, está nas livrarias desde janeiro, pela Companhia das Letras.
ARTHUR MILLER TRADUÇÃO JOSÉ RUBENS SIQUEIRA ILUSTRAÇÃO MARCELO COMPARINI
É como este saloon, é o melhor de Nova York, certo? Não dá nem para ir ao banheiro se não tiver uma nota de cem dólares enfiada em cada orelha, olhe só aquele vagabundo grisalho ali com aquela dona, enchendo a cara para tirar a esposa da cabeça e para quê? Pra mandar ver com aquela qualquer que ele pagou, claro. Eu amo todos. Eu me entrego a este mundo, a esta vida, à palhaçada toda. Estou gostando de estar aqui falando com você. Por que será? Quem sabe por que a gente se conecta com algumas pessoas e com outras não? Estou absolutamente feliz agora. Eles subestimam a própria natureza da lealdade entre homens, é diferente com uma mulher o tipo de desafio. Eu podia vencer às vezes, mas ficava com vergonha porque o desgraçado do cavalo me fazia ir sacudindo até a linha de chegada, em vez de montar estiloso. Eu era capaz de ficar mais grudado no cavalo do que qualquer filho da puta consegue, mas às vezes a gente pega um perna de pau de um cavalo e sacode feito um peixe amarrado num caminhão sem amortecedor. A gente monta é para os outros jóqueis, pela admiração deles, pelo estilo. Em minha última corrida, atravessei uma cerca na Argentina, me enrolei no arame, me ferrei, quebrei vinte e dois ossos e, depois de três meses no hospital, a dor passou. Um jóquei é que nem estrela de cinema, aquela confusão toda, noite e dia, as donas babando seu nome gravado na porra da testa. Nada. Só dois caras, principalmente o Virgil, aquele filho da puta é leal, eu morro pelo desgraçado.
Quem é que entende isso hoje? Fui ver esse tal de doutor Hapic, ano passado, um encanto de velho engomado, o melhor pelo que dizem. E deitei lá no sofá velho e quebrado, ele olhou lá nos escaninhos dele e vem com um placê! Acho que eu devo ser chegado em homossexualidade porque é isso que é se você sente muito afeto por homens, e ali está lá aquele velho me pedindo uma dica para o sexto páreo, me perguntando se eu sabia de algum bookmaker honesto e tal. Passei três horas com ele, ele cancelando uma consulta depois da outra, e quando fui embora me cobrou só meia hora! Mas como é que eu vou saber quem vai vencer? Mesmo quando eu montava eu não sabia. Minha nossa, nem o cavalo sabia! Por que não deixam a coisa correr por si, quer dizer, por que analisar tanto? Todo mundo que eu conheço que foi ao analista saiu mais sério que uma porra de um juiz. Eu concordo, o negócio é pistilo e estame, tudo bem, não nego. Mas, nossa! Me dá uma folga, me deixa morrer rindo se eu tenho de morrer. Eu estou pronto. Se escorrego na neve e vou parar debaixo de um táxi por aí, eu aceito a morte. Eu amo ela, a minha mulher, casado faz dezoito anos, e meus filhos, mas a gente bota um limite em algum lugar, em algum ponto, senão não sobra espaço para o papo na esquina. Os homens têm medo, você viu isso por onde andou? Ficam fazendo umas marquinhas, mas não bota uma linha, um limite. Ninguém sabe mais onde começa ou acaba, é como se tivessem mudado os mapas e botassem Chicago na Letônia. Não deixam mais ninguém morrer por lealdade, não tem nem o que roubar. Sei lá, eu sou ignorante, cabeça oca, mas eu sei ver estilo nas coisas. O negócio não é ganhar, é montar a porra do cavalo que ninguém mais consegue ficar em cima. Esse é o desgraçado que você quer montar. Quando os outros
jóqueis olham e sabem que o cavalo quer te matar. É aí que sobe a bandeira e seu sangue começa a dar risada. Uma vez eu fui ver o meu pai. Nunca contei isso para ninguém e você sabe o quanto eu falo. Sério mesmo, nunca contei isso. Eu fiz esse negócio na televisão, uma entrevista com uns escritores feios sobre os livros deles, o negócio era se um jóquei sabia ler de verdade e eu me dei bem até que subi no jaguar e me mandei para o México, não aguentava aquilo. Roubar, tudo bem, mas bater a carteira não, aqueles escritores não eram de nada, mas toda semana tinha de aguentar eles como se o cavalo Man O’War corresse uma milha sem parar pra mijar com um jóquei cego em cima. Aí, vai, a estação de televisão recebe uma carta de Duluth perguntando se eu nasci em Frankfurt, Kentucky, se o nome da minha mãe é tal e tal e, se aquilo tudo batesse, o cara provavelmente era o meu pai. Aquela letra toda torta, parecia que ele tinha escrito num trator. Então eu pego um avião e vou bater naquela porta, e na minha frente tem um pintor de parede. Eu só queria dar uma olhada, sabe? Bater os olhos nele. E lá estava ele, uns setenta anos, ou cem. Se mandou quando eu tinha um ano. Nunca tinha visto ele. Agora eu sempre sonhava com ele, que era da alta malandragem, algum ladrão elegante, quem sabe da família Rousseau de Kentucky, algum cara estiloso com as mulheres, e se mandou atrás da sua sorte. Alguma coisa interessante assim. Mas ali está ele, um pintor de parede. E morando no bairro dos negros. Eu sou dos últimos que resistem, não aguento eles. Mas tem um negro que mora vizinho, um cara legal de verdade, e a mulher dele é legal também. Dava para perceber que gostavam dele. E eu parado ali. Pra que é que eu fui? Quem é ele? Quem
sou eu se ele é meu pai? Mas o mais louco é que eu sabia que era filho dele. Como você disse, eu sou filho do meu pai. Eu sabia disso, mesmo ele sendo totalmente estranho. Eu só queria fazer alguma coisa por ele. Qualquer coisa. Estava pronto a dar a vida por ele. Afinal, quem sabe a situação qual era? Quem sabe minha mãe mandou ele embora. Quando sabe o de dentro vendo de fora? Então perguntei pra ele: “Do que você precisa?”. Faço qualquer coisa que você quiser, falei, que estiver no meu alcance, se bem que eu estava cheio da grana, foi depois do Derby. Ele era pequeno também, não tanto como eu. Eu sou tão pequeno que quase não sou americano, mas ele era pequeno também e falou assim: “A grama dos fundos fica tão alta e grossa que não consigo empurrar o cortador. Então se eu tivesse um daqueles cortadores com motor”. Eu peguei o telefone e eles mandaram um caminhão com todo tipo. E ele ficou a tarde inteira olhando cada um até que afinal escolheu um com um motor maior que uma porra de uma mesa e eu comprei pra ele. Eu tinha de ir embora para pegar o avião de volta porque tinha prometido para o Virgil que ia pra San Pedro pra vigiar uma dona que ele precisava deixar lá uma noite inteira, então entrei no quintal e me despedi. E ele não desligou o motor nem pra gente conversar sossegado. Deixei ele lá se divertindo, andando lá no quintal atrás da porra do cortador. Nossa, como eu bebi! Aquelas duas donas ali na frente estão olhando para nós faz tempo. O que me diz? O que interessa a cara delas, são todas a mesma coisa, eu gosto de todas.
Caderno D
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Joelma fala sobre 15 anos de Calypso (92) 3090-1042
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‘O Escaravelho do Diabo’ salta do livro para a tela Obra infantojuvenil de suspense escrita por Lúcia Machado de Almeida vira filme sob a direção de Carlo Milani
FOTOS: ALINE ARRUDA/DIVULGAÇÃO
Carlo Milani (à direita) orienta os atores Marcos Caruso (de camisa cinza) e Selma Egrei
LUIZ OTAVIO MARTINS Especial EM TEMPO
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eitura paradidática bastante recomendada nas escolas durante as décadas de 1970 e 1980, o livro “O Escaravelho do Diabo”, da escritora mineira Lúcia Machado de Almeida (1910-2005), ganhou uma adaptação para o cinema que estreia em dezembro deste ano. A produtora Sara Silveira, da Dezenove Som e Imagens, conta que o desejo de levar a trama literária às telas partiu do diretor de TV Carlo Milani, de novelas como “América” e minisséries como “Amazônia – De Galvez a Chico Mendes”. “Ele se interessou pela história quando viu a filha ler o livro e teve vontade de transformá-lo em filme. A família da autora mostrou simpatia pelo projeto e, depois que fui apresentada ao Carlo, em 2007, ele disse que um dia ainda iríamos trabalhar juntos”, lembra. Anos depois, quando a dupla se encontrou numa reunião da Rede Globo, a previsão do diretor se concretizou e parceria entre ele e a produtora foi firmada, com coprodução da Globo Filmes. Sara Silveira esclarece que prefere produzir filmes de autor – a empresa que mantém com o cineasta Carlo Reichenbach desde 1991 participou de obras como “Bicho de Sete Cabeças”, “Ó Paí Ó”, “Durval Discos”, “Alma Corsária” e “É Proibido Fumar” –, mas a presença de “O Escaravelho do Diabo” no imaginário de toda uma geração despertou seu interesse e ela resolveu encarar uma empreitada no cinema de público. “Quero fazer um filme de público, mas interessante,
sem ser bobo. A história é muito boa e o ‘Escaravelho’ me tocou por fazer parte do imaginário de muitas pessoas. Normalmente, os filmes de público têm pouco o que pensar, e eu quero estimular nos espectadores um pouco de raciocínio”, explica. Modificações A produtora revela que o filme é uma adaptação livre, porém, bem baseada no livro de Lúcia Machado de Almeida, publicado pela editora Ática, na série “VagaLume”, desde 1972. Assinam o roteiro Melanie Dimantas e Ronaldo Santos. “Há peque-
PROTAGONISTA
Alberto, o protagonista da trama, que no livro é um estudante de medicina, no filme será um menino de 13 anos, que ajudará o delegado Pimentel a desvendar uma série de assassinatos de pessoas ruivas
nas modificações”, diz Sara. Uma delas é a mudança na idade do protagonista, Alberto, que na trama original é um estudante de medicina. O seu irmão mais jovem, Hugo, é a primeira vítima de uma série de assassinatos de pessoas ruivas que, antes de serem mortas, recebem pelo correio um escaravelho. No longa-metragem de Carlo Milani essa situação é invertida e a missão de investigar esses crimes está nas mãos de um Alberto de 13 anos, vivido por Thiago Rosseti, que já atuou em produções como “Amor e Revolução”, do canal SBT. “É o heroizinho da trama”,
define Sara. Essa transformação do protagonista estimulou a produtora, a partir de uma experiência pessoal, a sugerir aos produtores uma nova característica ao investigador responsável pelo caso do escaravelho, o policial Pimentel, interpretado pelo ator Marcos Caruso. Pimentel sofre de Síndrome de Lewy, um tipo de demência com sintomas semelhantes ao Mal de Alzheimer. “O delegado tem momentos de esquecimento e a ideia é mostrar a relação de comunicação entre uma criança e um adulto com esse problema. O que o Pimentel esquece, o Alberto lembra e o complementa”, observa. Filmagens Sara Silveira diz que o filme é dedicado a crianças a partir de 14 anos e adultos com um imaginário jovem. A data de estreia do longa é a primeira quinta-feira de dezembro, “para coincidir com o período de férias escolares”. As filmagens duraram seis semanas e foram concluídas no início de março. Foram usadas como locações da fictícia Vale das Flores os municípios Amparo, Campinas, Holambra, Monte Alegre e Jaguariúna, todos no interior de São Paulo. Também estão no elenco Jonas Bloch, Celso Frateschi, Selma Egrei e Lourenço Mutarelli. O orçamento é de US$ 5 milhões. Um dos filmes produzidos pela Dezenove Som e Imagens, “Cinema, Aspirinas e Urubus”, recebeu o Prêmio Especial do Júri durante o Amazonas Film Festival, em 2005. Sara lembra que já marcou presença no evento e conta que tem interesse em produzir na região. “Um dia ainda farei um filme em Manaus”.
Thiago Rosseti dá vida ao heroizinho do longa-metragem
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>> Centro comercial conceito . O Parque 10 Mall ganha o primeiro restaurante Filé do Português. O local que também é o primeiro de Manaus, pertence aos mesmos donos do tradicional Calçada Alta, com endereço certo no centro da cidade. . Para os apaixonados por sanduíches rápidos e deliciosos, uma franquia do Subway inaugura no centro comercial. Outra franquia que entra para o time privilegiado de lojas é a Cacau Show. Com previsão de inauguração para a segunda quinzena de abril, o Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC) deve iniciar as atividades no Parque 10 Mall.
>> Internacional . Duas grandes bandas de renome internacional chegam a Manaus no mês de maio e o palco do Studio 5 Convencion Center vai receber um encontro inédito. O Rappa e Soja se apresentam dia 28 de maio na capital amazonense. A realização é da Fábrica de Eventos.
Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br
>> Congresso . Quatro médicas da Angola, na África, estão vindo para Manaus para participar do 10° Congresso Norte e Nordeste de Medicina Intensiva (Connemi), que será realizado nos dias 24 e 25 de abril, no Centro de Convenções Vasco Vasques. . O evento promete colocar o Amazonas na rota dos maiores congressos de medicina do Brasil, reunindo aproximadamente mil participantes.
>> Infraestrutura . A Prefeitura de Manaus iniciou semana passada os serviços de infraestrutura na rua Arapapa, comunidade Lago do Tarumã, zona Oeste. A via e casas da área foram afetadas com o rompimento da barragem do lago do Tarumã, há duas semanas.
. A música da banda Soja fala sobre encontrar a felicidade e a paz que todos nós merecemos, além de ajudar os outros a fazer o mesmo, algo entre o barulho e a pressa transmite adequadamente em suas canções. Originalmente formado por um grupo de amigos ainda no ensino médio, Soja construiu uma enorme base de fãs dedicados ao redor do mundo.
Carol Carvalho e a aniversariante da temporada Ana Simões
A jornalista Mazé Mourão deverá ser alvo de cumprimentos amanhã por conta de seu aniversário
. Os trabalhos, executados pela Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), se concentram na drenagem profunda do local, que receberá, também, serviços de recomposição de base, terraplanagem, pavimentação asfáltica e confecção de meio-fio e sarjeta. A obra deverá ser concluída em 45 dias.
A elegante Tânia Castro
>> Objeto de desejo . Depois do sucesso de bilheteria de sua estreia, não é de surpreender que várias marcas invistam em peças inspiradas no filme. Cinderella já serviu de mote para linhas de calçados, joias e cai agora mais uma vez nas graças da Swarovski. . Depois de criar um sapatinho decorativo de luxo para os fãs da franquia, a marca lança uma linha de joias super-romântica e jovem, para os admiradores do estilo da princesa.
DOCUMENTÁRIO
‘HOUSE OF CARDS’
Série ganhará quarta temporada SÃO PAULO, SP - As peripécias políticas do cínico Frank Underwood terão continuidade depois que o Netflix anunciou nesta quinta-feira (2) que haverá uma quarta temporada de “House of Cards”. A plataforma por streaming confirmou em sua conta do Twitter que a série voltará novas tramas em 2016. Este drama, baseado em uma minissérie da BBC de mesmo nome, conquistou grande popularidade gra-
Henrique Medina durante entrega do empreendimento Passeio do Mindú com a chancela da Capital Rossi
ças aos movimentos políticos de Underwood - interpretado por Kevin Spacey - para assumir o poder em Washington. Sua capacidade para chantagear os congressistas e seu conhecimento do lado obscuro da política ameaçam a estabilidade dos Estados Unidos e a relação com seus aliados estrangeiros. A seu lado está sua fiel esposa Claire, interpretada por Robin Wright, uma mulher tão calculista e inteli-
gente como ele. A gravação dos novos episódios começará nos próximos meses, segundo informaram veículos americanos especializados em entretenimento. O Netflix disponibilizou no dia 27 de fevereiro os 13 episódios da terceira temporada, que termina com um desfecho impactante. Os seguidores da série deverão ser pacientes para saber o que acontecerá com os Underwood.
Trailer de ‘Amy’ é sucesso na web SÃO PAULO, SP - A produtora Altitud Film divulgou nesta quinta-feira (2) o primeiro trailer do documentário “Amy”, que contará a trajetória da cantora Amy
Winehouse (1983-2011). Em apenas um dia no YouTube (https://www.youtube.com/ watch?v=A97-pQJD6Hw), o vídeo já acumula mais de 800 mil visualizações.
O documentário está sendo produzido na Inglaterra, onde deve ter sua estreia mundial no dia 3 de julho. O diretor, Asif Kapadia, é o mesmo de “Senna” (2010).
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Festival ‘Louvarei’ começa a montagem de estrutura Organização do evento cristão informa que erguimento do palco se dará a partir de quinta-feira (2), no sambódromo
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duas semanas do maior festival da música gospel do Norte brasileiro, o “Louvarei”, os organizadores do evento começam, na quinta-feira (9), a montar as estruturas do show que tem a expectativa de atrair um público de 60 mil pessoas. O festival acontece entre os dias 17 e 18 dividido em duas fases: shows (Sambódromo, abertura dia 17 e encerramento à noite, dia 18) e palestras (templo do Ministério Internacional da Restauração – MIR, na Ponta Negra, no dia 18, pela manhã e tarde). Pelos palcos do “Louvarei”, nesta edição de abril, passarão, além dos bem conhecidos do público — Diante do Trono, Fernandinho e Davi Sacer —, o carioca Leandro Davi e a atração internacional Jesus Culture, dos Estados Unidos. Os vocalistas Kristene Dimarco e Derek Johnson virão com banda completa. De acordo com a empresa responsável pela montagem do palco, a Eco Art, a estrutura tem dimensões e padrões internacionais, sendo que, de largura tem 20 metros por 20 metros de profundidade e
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15 metros de pé direito. Esse perfil de palco atende às solicitações da banda americana “Jesus Culture”. Isso sem falar do rider de luz que é completo para atender as necessidades dos americanos. Outro ponto onde o público se converge, a praça de alimentação, contará com aproximadamente 30 estandes e vai oferecer ao público diversos tipos de alimentos e lanches rápidos. Pelos cálculos dos organizadores do evento, só nesta edição do Louvarei, serão gerados cerca de 1,8 mil empregos diretos e indiretos, incluindo profissionais envolvidos entre estrutura de palco, sonorização, efeitos, LED, bebidas, alimentos e outros. Esgotados Os passaportes de pista já estão esgotados, mas o público ainda pode encontrar ingressos de pista individual (R$ 25); VIP individual (R$ 70); camarote individual (R$ 50) e a pulseira para a conferência “Voltando a Essência” (R$ 50) e estão disponíveis nas lojas Disco Laser (Barroso e Grande Circular) e em toda a rede da Salmo 91, nas zonas Leste e Norte de Manaus.
SERVIÇO LOUVAREI Quando 17 e 18 de abril Local Sambódromo
Dimensões do palco do festival “Louvarei” tem padrão internacional e atende às necessidades do grupo dos EUA “Jesus Culture”
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TRILOGIA
Viagem às origens dos jornais
Jornalista e historiador Matías Molina, propõe fazer a obra mais completa sobre o tema
São Paulo, SP - De vez em quando alguém surpreende o mundo editorial com uma obra de fôlego sobre tema que parecia esgotado. É o que começa a acontecer com o primeiro volume de “A História dos Jornais no Brasil”, de Matías M. Molina, jornalista e historiador que há alguns anos provoca a curiosidade de estudiosos ao antecipar partes do livro em artigos para a imprensa. O Brasil lê pouco e também pouco pesquisa a história de periódicos. Por isso, quando saírem os três volumes, Molina deve se sagrar como autor da maior obra sobre o tema. E possivelmente a mais completa: da leitura do primeiro volume, impressiona ver como o passado escondia tantas informações da bibliografia até então existente. Molina quer ir mais longe. A trilogia que se inicia compõe a primeira etapa da obra.
O primeiro volume, de 530 páginas, vai do descobrimento a meados do século 19 e inclui um ensaio sobre os problemas sociais e econômicos que determinaram a baixa penetração dos jornais no país. O segundo volume traçará a história dos diários do Rio do final do Império até nossos dias; o terceiro volume falará dos periódicos paulistas. O autor reservou para uma segunda fase grande variedade de temas: jornais dos outros Estados, de economia e esportes, de língua estrangeira, de partidos políticos. Nascido na Espanha, Molina estudou história e se tornou jornalista. O casamento das duas vocações nasceu no livro anterior, “Os Melhores Jornais do Mundo” (Globo, 2008), quando teve a ideia da obra que publica agora. Dizem que jornais são espelho do mundo. Também
a história dos empreendimentos jornalísticos reflete a vida de seu tempo. A inexistência de publicações do descobrimento até a chegada de d. João, em 1808, é sinal do absolutismo obscurantista que imperava em Portugal e manteve o Brasil longe das letras. Sobre esse ponto, eis uma das novidades do livro: ao contrário da crença repetida por historiadores, Molina mostra a inexistência de proibição a jornais e tipografias. “Se não foram instaladas, isso não se deveu a restrições impostas pela Coroa”. Mas o livro mostra que, quando iniciativa houve, foi reprimida. Para quem gosta de jornalismo e história, o livro é um prato cheio. Ajuda o leitor o índice remissivo ao final, que permite navegar de forma não linear, como ir e vir pelas histórias de jornais. Por Leão Serva
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DIVULGAÇÃO
Joelma comenta os 15 anos da Calypso Em entrevista, a cantora fala sobre a participação de David Assayag e Edilson Santana no novo DVD
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iderada por Joelma e Chimbinha, a banda Calypso estará em Manaus mais uma vez no dia 10, desta vez para comemorar 15 anos de carreira. O show dos artistas paraenses será realizado no palco do Studio 5 Convention Center. O cantor baiano Pablo também vai se apresentar no mesmo dia. Em entrevista, a cantora Joelma fala sobre a relação de amor da Calypso com o Estado do Amazonas. “Manaus é tão importante para a nossa história e um dos momentos mais importantes nestes 15 anos foi quando gravamos o nosso DVD em 2004. Milhares de pessoas foram nos prestigiar. Isso estará em nossa memória para sempre”, diz. Além disso, este amor pelo Amazonas é demonstrado com a escolha de dois artistas, conhecidos pelo público manauense, para participar da gravação do DVD comemorativo de 15 anos da banda. Os cantores David Assayag e Edilson Santana marcam presença no novo trabalho. “David e Edilson são grandes amigos meus e do Chimbinha. Esse DVD que gravamos em Belém para registrar os 15 anos de carreira é muito especial, então colocamos um pouco
SERVIÇO PABLO E BANDA CALYPSO Onde Pavilhão do Studio 5 Convention Center Quando dia 10 de abril Ingressos R$ 40 (pista, meia-entrada) e R$ 120 (área VIP Open Bar, meiaentrada)
A banda Calypso, de Joelma, já lançou 21 CDs e sete DVDs
Bruno Mazieri*
Lançada biografia de Castelinho
A difícil arte de lidar com a traição
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da falta de tato do traidor. No quesito traição no trabalho, acredito que isso se deve mais especificamente com o fato de alcançar um status dentro da empresa. De querer o lugar do próximo, a função do próximo. O traidor, por assim dizer, não pensa em ter seus méritos por meio do seu trabalho, ele quer o caminho mais fácil, aquele que não lhe custe muito tempo, mas sim o cargo do outro. Não quero nada que não possa ser meu. Quero somente aquilo que Deus me der, sem prejudicar, sem “puxar o tapete de ninguém”. A minha ética (e isso vem de berço, sorry) ninguém compra, ninguém questiona. Nunca fui de trair, nunca gostei de pensar em trair. Não sei, mas algo me diz que não estou sendo verdadeiro comigo caso venha a tomar essa atitude. Quando não quero mais a amizade de alguém, quando não me sinto disposto a conviver com aquela pessoa, eu simplesmente me afasto, me desligo, vou embora. Não preciso ficar falando do amigo(a) pelas costas, apenas decreto o fim. Nem acredito que necessite ter uma conversa na qual explico didaticamente que estou indo embora. Acredito na percepção de sinais e que a pessoa entenderá as indiretas. Mas não traio, nunca traí. Ainda ontem, minha mãe questionava a minha reação diante as traições. Disse que sou uma pessoa tão moderna, tão evoluída, mas que não aceito uma mulher ficar com um homem casado. Não aceito porque sei o que é ser traído, sei como o outro lado se sente, sei a dor que isso causa. E não desejo para ninguém. É por essas e outras que, até hoje, lidar com a traição é uma arte que não domino.
Repertório Joelma enfatiza que os fãs são os principais responsáveis por fazer com que a Calypso chegasse ao topo do sucesso. “Já fizemos muitos shows e todos eles são marcantes, mas um que eu posso destacar foi o de Angola, em 2011. Fomos eleitos pelo povo local para tocar no Dia da Amizade. Foi emocionante vê-los cantando e todo o amor com que nos receberam”. A preocupação com os fãs também se estende ao processo de composição e escolha das músicas dos repertórios dos shows. Em uma carreira de 15 anos, vários sucessos fazem parte desta trajetória e, por isso, para Joelma, mesmo as músicas antigas que estão na boca do povo não ficam de fora do set list. “O repertório atual nós sempre lançamos na internet para galera aprender”, comemora.
LITERATURA
E-mail: brunomazieri@gmail.com
esde que o mundo é mundo – e olha que faz tempo! – a traição é uma ação que permeia a história. E não falo somente das traições entre casais, mas também da traição no trabalho, entre amigos e familiares. Dentre as inúmeras traições famosas, está a de Judas, que traiu Jesus, e a de Joaquim Silvério dos Reis que, em 1798, delatou todos os inconfidentes, incluindo Tiradentes, que acabou sendo enforcado. No dicionário, o significado de traição é esse: ação de trair alguém; perda completa da lealdade que resulta de uma ação traiçoeira: perdeu o emprego por traição empresarial. P.analogia. A infidelidade em um relacionamento amoroso. Partindo desse pressuposto, quero dizer que já fui traído. E você, certamente, vai pensar: E aí? E aí que, até hoje, não consigo lidar com traições. Nem na vida pessoal, nem na vida de outras pessoas, nem em livros, novelas e afins. Simplesmente não consigo entender a atitude de trair o próximo. Talvez ter nascido sob a regência do signo de Aquário que é leal até o final. De certo que a traição me incomoda e muito. Sou da seguinte filosofia: se você não quer mais a pessoa, por que não termina o relacionamento? Por que sente a necessidade de machucar o outro? Sim, porque machuca. Machuca muito! Juntamente com isso, vários questionamentos surgem como “o que a outra pessoa tem que eu não tenho?”, “Quais são os meus graves defeitos?”, “Será que não sou tão bom assim?”, “Onde foi que eu errei?”. E vale ressaltar que, nem sempre, o traído tem culpa. Muitas vezes não tem culpa alguma
do Amazonas para mostrar como a cultura de vocês é maravilhosa e agradecer por tudo o que proporcionaram para a banda Calypso. A música ficou linda e tenho certeza que vocês vão amar”, garante a vocalista que, em 2012, foi eleita a segunda celebridade mais amada do Brasil, com mais de 300 mil votos populares.
Bruno Mazieiri *Jornalista e editor do caderno Imóveis & Decor
Não acredito que necessite ter uma conversa na qual explico didaticamente que estou indo embora. Acredito na percepção de sinais e que a pessoa entenderá as indiretas. Mas não traio”
Política, literatura e jornalismo são os três pilares que definem a vida de Carlos Castello Branco, o Castelinho. Por isso, a biografia “Todo aquele imenso mar de liberdade”, do jornalista Carlos Marchi, conta também um pouco da história da imprensa e do cenário político brasileiro da época em que ele viveu, entre as décadas de 1940 e 80. Prestigiado colunista político e membro da Academia Brasileira de Letras, Castelinho conviveu com os maiores personagens da história do país e atravessou períodos turbulentos na política, como a renúncia de Jânio Quadros, de quem foi secretário de Imprensa, e o golpe militar de 1964, quando o país mergulhou novamente numa ditadu-
ra que duraria até 1985. Castelinho começou sua carreira em Minas Gerais, para onde se mudou, vindo do Piauí. Formou-se em Direito mas logo começou a trabalhar nos Diários Associados. Foi em Minas que se aproximou dos quatro mineiros, Otto Lara Resende, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Hélio Pelegrino, e da literatura. O jornalista sempre sonhou em tornar-se romancista, mas a carreira no jornalismo impôs-se. Castelinho morou depois no Rio e em Brasília, cidade onde consolidou sua carreira. Nas colunas do Jornal do Brasil, pôs em prática seu talento com as letras e jornalístico, driblando a censura e desenhando o panorama polí-
tico do país num momento de exceção e de poucas notícias acessíveis ao grande público. Era o texto mais lido e influente do país. “Ter sido jornalista político durante duas ditaduras o obrigou a aprofundar as análises, definir as informações essenciais, escrever escondendo as informações proibidas mas de maneira a passar a informação ao leitor. O enfrentamento de duas ditaduras o fez amar, acima de tudo, a liberdade de informação e de expressão”, afirma Carlos Marchi. O autor ouviu jornalistas, políticos e amigos de Castelinho, além de ter pesquisado a correspondência pessoal do jornalista e as mais de 8 mil colunas que ele escreveu no JB para fazer o livro. REPRODUÇÃO
Jornalista Carlos Castello Branco conviveu com importantes nomes da história do Brasil
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Canal 1 plateia@emtempo.com.br
Bate-rebate
TV Tudo Mal na foto No dia 24 de fevereiro, naquela festa da Band, foi tirada uma foto com todos os seus contratados, por ocasião do lançamento da programação deste ano. Acontece que vários deles, pouca coisa depois de um mês, não estão mais na emissora. Mal na foto 2 Parece até um combinado, mas os poucos que sobraram juram, de pés juntos, que nunca mais tiram qualquer tipo de fotografia por lá em circunstância nenhuma. Nem para o passaporte. Convocação geral Os participantes eliminados do “BBB 15” já estão num hotel do Rio, esperando pela final de terça-feira. Está incluída no contrato a obrigação de estar presente e o compromisso de todos com a Globo e da Globo com todos vai até 30 de junho. Turbinada O diretor Dennis Carvalho e os autores Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga estão perfeitamente de acordo que alguma coisa precisa ser feita para “Babilônia” saltar na audiência. Já existe, inclusive, um trabalho entre eles
REGI
TATA BARRETO/GLOBO
Até que enfim Em cena prevista para ir ao ar no dia 11 de abril, Vinícius (Thiago Fragoso) e Regina (Camila Pitanga) finalmente se entendem. Os dois viajam juntos para a serra. É nesta viagem que eles começam a namorar oficialmente. para que isto possa acontecer a partir dos capítulos desta próxima semana. Pés no chão De qualquer forma, como ninguém é louco de rasgar dinheiro, a ordem no Projac é aproveitar tudo o que já foi gravado para “Babilônia”, incluindo as diversas “cenas de frente”, realizadas para otimizar uso de cenários. Nada será descartado por causa da baixa audiência observada nos últimos dias. As pesquisas para se detectar os problemas da novela também estão a todo vapor.
Nas pegadas Filha de Wolf Maya e Cininha de Paula, Maria Maya, dá toda a pinta que seguirá a carreira dos pais. Apesar dos muitos trabalhos como atriz, ela quer investir pesado na carreira de diretora, tanto no teatro quanto na televisão. Cara nova O Estúdio 2, da Band em São Paulo, já está sendo preparado para receber o novo cenário do programa “MasterChef”. As gravações devem começar dia 14 e a estreia, em maio.
• A HBO Latin America anuncia a estreia da quarta temporada da série de comédia Veep e da segunda temporada de Silicon Valley... • E as duas produções na mesma data, 17 de abril. • Ratinho passou a tratar com mais naturalidade essa disputa com Gugu no mesmo horário... • ... Toda pressão que a sua produção vinha sofrendo, diminuiu bastante nos últimos dias. • Dentre os vários profissionais atingidos pela onda de demissões na Bandeirantes, a repórter Taynah Espinoza... • ...Ela trabalhava na área de esportes da emissora. • O “Esporte Espetacular” deste domingo na Globo traz um trabalho do repórter Marcos Uchôa com o ex-nadador e comentarista, Gustavo Borges... • ...Que vai recontar a história da medalha de prata conquistada por ele nos Jogos Olímpicos de 1992.
Suzana Pires e seu lado autora Atriz e roteirista da Globo, Suzana Pires está em Los Angeles para fazer o curso de Showrunner de séries de televisão. A figura do Showrunner no mercado televisivo mundial é definida como quem decide a linguagem a ser utilizada pela produção e direção. Suzana, por sua vez, que também é uma excelente atriz, tem se dedicado cada vez mais a tarefa de escrever.
Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery
C’est fini Movimentando o repórter Gerson de Souza, o “Domingo Espetacular”, na Record, vai estrear neste fim de semana a série “Grandes Mistérios da Humanidade”. O primeiro episódio destaca as milenares Linhas de Nazca, no Peru, declaradas Patrimônio da Humanidade. Ficamos assim. Mas amanhã tem mais. Tchau!
Márcio Braz E-mail: mbrazsantana@gmail.com
O espírito que mata
GILMAL
MÁRIO ADOLFO
ELVIS
Em todas as profissões ao longo da história da humanidade temos indicativos e evidências da natureza humana em seu grau mais cruel e perverso. Muitas das vezes, a vaidade, o medo e a insegurança são as principais responsáveis por atos belicosos levando inclusive a assassinatos e mortes de todo o tipo. O ambiente artístico não fica livre dessa relação e, mais até do que outras áreas, o medo aqui assume um ar de culpa e como nunca o sujeito é o culpado, ou pelo menos este não quer dar margem à isto, a culpa recai sobre o outro, comumente chamado de adversário. Um exemplo capital desta assertiva podemos ver em “Macbeth”, a mais sanguinária peça de Shakespeare, onde o medo e a insegurança levam o general Macbeth a cometer diversos assassinatos. No final, ele próprio é morto, como assim tem nos mostrado o famoso ditado: aqui se faz aqui se paga. Manaus sempre viveu um dilema: sucesso no Amazonas é ofensa pessoal. Se você é daqui, come jaraqui, saboreia o delicioso açaí, surgiu das entranhas da floresta que é coração do Brasil, você está condenado ao primitivismo (o conceito mais vil e etnocêntrico do termo). No teatro, diante de tantas incompetências e ódio (que é o que parece mover o brio de muitos de seus partícipes) foi preciso que dois jovens cearenses viessem a Manaus e fossem os idealizadores dos principais festivais de teatro e dança da cidade com projeção e importância nacional, o Breves Cenas e o Mova-se. Até aí, para muitos artistas frustrados, foi um alívio porque não foi um amazonense. Se fosse, Geni estaria preparada para receber as pedras. Ninguém pensa que o sucesso do outro representa um engrandecimento da arte e das oportunidades
para todos. Pensar a arte é pensar o outro e desenvolver seu objeto para o outro numa tentativa de relacionar-se, criar um diálogo, estabelecer uma sincronia, uma reciprocidade. Há muitos artistas cansados, que deixaram a pesquisa de linguagem de lado, ou mesmo seu espírito de vanguarda para se aprisionarem em outras plagas. O despertar começa quando estas plagas são conquistadas (e não invadidas) por outros, ocasionando para este último um cerco, um conjunto de ações vis com vistas a transformar a “substância nobre” na pior “partícula de impureza”, no arauto da incompetência e a da mediocridade. E o que resta ao nobre, para não chegar a este extremo, é o sair de campo, deixar que a cobra morra com seu próprio veneno, afinal, tem coisas que não valem à pena e não são essenciais à sua vida. Por isso escolher as turmas certas para o trabalho e para o convívio, numa província como Manaus, é estratégia de sobrevivência e única forma de saborear com prazer o que a arte lhe proporciona. Por isso não vale à pena brigar por algo que os urubus estão se matando para conseguir e continuar vendendo um talento que não existe, continuar vendendo uma perspicácia que é só voz grossa e intimidação pelo olhar, mas se você se concentrar no discurso, este é vazio e cheio de erros e que no final chega até ser engraçado. Talvez seja isto o espírito que mata a arte amazonense. Mas vejo com esperança a nova geração que precisa provar para a anterior que esta está acabada em sua própria arrogância. Milton Hatoum disse em recente entrevista que na província se envelhece mais rápido. E tem toda a razão. O envelhecer é metáfora para muitas coisas. Para a arte e para a vida.
Márcio Braz ator, diretor, cientista social e membro do Conselho Municipal de Política Cultural
Pensar a arte é pensar o outro e desenvolver seu objeto para o outro numa tentativa de relacionarse, criar um diálogo, estabelecer uma sincronia, uma reciprocidade”
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Programação de TV
SBT
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4h45 Jornal Da Semana Sbt 6h Brasil Caminhoneiro 6h30 Planeta Turismo 7h30 Vrum
14h Eliana 18h Roda A Roda Jequiti 18h45 Sorteio Da Telesena 19h Programa Silvio Santos 23h Conexão Reporter 0h Série: Sobrenatural 1h Série: Rizzola & Isles 2h Série: Pessoa De Interesse 3h Big Bang
ÁRIES - 21/3 a 19/4 Você está em fase de se voltar para aspectos de sua interioridade. Suas próprias deficiências saltam aos seus olhos. Mas hoje, poderá saber o que fazer de bom com elas TOURO - 20/4 a 20/5 Uma certa agressividade se volta contra si mesmo, mas hoje você poderá entender melhor isso. Um dia para conceber o que pretende realizar em seu trabalho profissional. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Maior habilidade para as negociações e contatos ligados ao trabalho. Agitação para seus pensamentos, anseio por encontrar novos caminhos para a mente.
5h Power Rangers – Na Galáxia
6h31 Amazônia Rural
Perdida
7h Pequenas Empresas, Grandes
6h30 Santa Missa No Seu Lar
Negócios
7h30 Sabadão Do Baiano 8h Power Rangers + Jimmy Neutron
8h27 Auto Esporte
10h Domingo Legal
Horóscopo
5h30 Santa Missa
7h33 Globo Rural
8h Chaves
Stallone é novamente Johnny Rambo em sequência de ação
BAND
GLOBO
3h30 Igreja Universal
9h Esporte Espetacular
8h30 Record Kids – Pica Pau
10h45 Verdade E Vida
14h30 Hora Do Faro
11h05 Pé Na Estrada 11h30 Os Simpsons – Maratona
Kung Fu Panda 2
12h30 Band Esporte Clube
15h Futebol 2015: Campeonato
14h Gol: O Grande Momento Do
Carioca – Botafogo X Madureira
Futebol
17h Domingão Do Faustão
14h30 Futebol 2015 – Ao Vivo
20h Fantástico
17h50 3º Tempo
18h30 Domingo Espetacular 22h15 Repórter Em Ação 23h15 Roberto Justus + 0h15 Programação Iurd
19h Sabe Ou Não Sabe
22h20 Big Brother Brasil 23h10 Tuf – Em Busca De Campeões 1h36 Flash Big Brother Brasil
5h30 Desenhos Bíblicos
10h Domingo Show
13h04 Temperatura Máxima. Filme:
0h04 Domingo Maior - Rambo 4
5h Santo Culto Em Seu Lar
9h30 Palavra Cantada 11h Irmão Caminhoneiro – Boletim
12h05 Esquenta
RECORD
20h A Liga 21h30 Pânico Na Band 0h15 Canal Livre 1h15 Alex Deneriaz
1h42 Sessão De Gala - Confiar
1h50 Show Business – Reapresen-
3h08 Mentes Criminosas
tação
4h32 Série
2h40 Igreja Universal
Cruzadinhas
Cinema PRÉ-ESTREIA Cada Um Na Sua Casa: EUA. Livre. Quando a Terra é invadida pelos confiantes Boov todos os humanos são prontamente deslocados, enquanto os Boov se ocupam de organizar o planeta. Cinemark 1 – 14h15, 16h30 (dub/somente quarta-feira), Cinemark 5 – 13h10, 18h20 (dub/somente quarta); Cinépolis Millennium 2 – 15h15, 17h30 (dub/somente quarta), Cinépolis Millennium 3 – 14h30 (3D/dub/somente quarta), Cinépolis Millennium 4 – 13h15, 15h45 (3D/dub/somente quarta); Cinépolis Plaza 3 – 14h30 (3D/dub/somente quarta), Cinépolis Plaza 7 – 13h15, 15h30 (dub/somente quarta); Cinépolis Ponta Negra 2 – 13h10, 16h10 (dub/somente quarta), Cinépolis Ponta Negra 6 – 12h20, 14h40, 17h10 (dub/somente quarta), Cinépolis Ponta Negra 9 – 15h20, 17h50 (dub/somente quarta); Kinoplex 2 – 13h40 (dub/somente quarta); Playarte 9 – 13h40, 15h50 (dub/somente quarta).
ESTREIAS
CÂNCER - 22/6 a 22/7 Mercúrio em Peixes indica o interesse por estudos elevados e por filosofar sobre a vida. É tempo de procurar as soluções práticas para o futuro, de buscar o que lhe ser mesmo útil. LEÃO - 23/7 a 22/8 Novo impulso, neste dia, para os estudos elevados e atividades culturais e universitárias. Disposição para negociar e entabular as soluções possíveis em meio a dificuldades. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Marte e Mercúrio indicam que você se dispõe hoje aos desafios. Há um especial interesse em processos de regeneração, transformação e mesmo destruição em suas relações. LIBRA - 23/9 a 22/10 Atitude mais ríspida e intensa nas relações pessoais e íntimas. Cuidado para não afastar as pessoas. Procure preparar bem as condições concretas nas quais se dão as relações. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 Maior energia para empreender trabalhos árduos e exigentes. O principal agora é cuidar das condições para que seu trabalho possa dar um grande salto em breve. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Impulsividade e ânsia marcam sua atitude diante da pessoa amada. Atenção para não atropelar as pessoas e seus sentimentos. Habilidade para lidar com questões domésticas. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Os atritos podem surgir no ambiente familiar. Continue cuidando de aperfeiçoar o modo de você se comunicar. Há muito a fazer neste campo, e você não deve poupar esforços. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Marte e Mercúrio indicam urgência no campo da comunicação, assim como mais energia e ímpeto na lida e no trato com as pessoas e ambientes. Há novidades sendo preparadas. PEIXES - 19/2 a 20/3 Maior energia para tratar com a vida material e ambição para agir nos negócios. Maior estímulo para atividades intelectuais. Você se mostra mais comunicativo e atuante.
Velozes e Furiosos 7: EUA. 14 anos. Dando continuidade às aventuras globais da franquia construída à base de velocidade, Vin Diesel, Paul Walker e Dwayne Johnson lideram o elenco de “Velozes e Furiosos 7”. O novo capítulo da série de sucesso conta com direção de James Wan e ainda traz de volta os atores Michelle Rodriguez, Jordana Brewster, Tyrese Gibson, Chris Brigdes “Ludacris”, Elsa Pataky e Lucas Black. A franquia ainda traz novos astros internacionais ao elenco, dentre eles Jason Statham, Djimon Hounsou, Tony Jaa, Ronda Rousey e Kurt Russell. Neal H. Moritz, Vin Diesel e Michael Fottrell voltam a produzir o filme que conta com roteiro de Chris Morgan. Cinemark 1 – 19h, 22h (dub/diariamente), Cinemark 4 – 11h (3D/dub/somente sábado e domingo), 14h10, 17h05, 20h (3D/dub/diariamente), 23h (3D/dub/somente sábado), Cinemark 7 – 12h, 15h10, 18h10, 21h10 (3D/dub/diariamente), 0h10 (3D/dub/somente sábado); Cinépolis Millennium 1 – 12h (3D/dub/somente sábado e domingo), 15h, 18h, 21h (3D/dub/diariamente), Cinépolis Millennium 3 – 17h, 20h (3D/leg/diariamente), 23h (3D/leg/somente quinta-feira, sexta-feira e sábado), Cinépolis Millennium 8 – 13h, 16h, 19h, 22h (3D/leg/diariamente); Cinépolis Plaza 1 – 13h, 16h, 19h, 22h (3D/dub/diariamente), Cinépolis Plaza 2 – 12h (3D/dub/somente sexta-feira, sábado e domingo), 15h, 18h, 21h (3D/dub/diariamente), Cinépolis Plaza 3 – 17h, 20h (3D/dub/diariamente), 23h (3D/dub/somente quinta-feira, sexta-feira e sábado), Cinépolis Plaza 8 – 14h, 16h30 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 1 – 14h, 17h, 20h (3D/leg/diariamente), 23h (3D/leg/somente quintafeira, sexta-feira e sábado), Cinépolis Ponta Negra 4 – 12h (3D/dub/somente sexta-feira, sábado e domingo), 18h (3D/dub/diariamente), 15h, 18h, 21h (3D/ leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 5 – 13h (3D/dub/somente sexta-feira, sábado e domingo), 19h (3D/dub/diariamente), 16h, 22h (3D/leg/diariamente); Kinoplex 3 – 13h, 15h50, 18h470, 21h30 (3D/dub/diariamente), 15h20, 18h10, 21h (3D/dub/diariamente), Kinoplex 5 – 14h50, 17h40 (3D/dub/somente segunda-feira, terça-feira e quarta-feira), 20h30 (3D/leg/somente segunda-feira, terça-feira e quarta-feira), 13h30, 16h20, 19h10 (3D/dub/diariamente), 22h (3D/leg/diariamente); Playarte 1 – 12h30, 15h15, 18h, 20h45 (3D/dub/diariamente), 23h30 (3D/leg/somente quinta-feira, sexta-feira e sábado), Playarte 5 – 14h, 17h, 20h (dub/diariamente), 22h50 (dub/somente quinta-feira, sexta-feira e sábado), Playarte 6 – 12h50, 15h35, 18h20, 21h05 (leg/diariamente), 23h50 (leg/somente quinta-feira, sexta-feira e sábado).
CONTINUAÇÕES O Garoto da Casa ao Lado: EUA. 16 anos. Cinépolis Millennium 2 – 19h45, 22h15 (leg/ diariamente), Cinépolis Plaza 8 – 18h30 (leg/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 6 – 19h30 (leg/diariamente). Cinderela: EUA. Livre. Cinemark 2 – 14h, 16h20, 18h40, 21h (dub/diariamente), 23h20 (dub/somente sábado), Cinemark 8 – 12h30, 14h50, 17h30, 19h50, 22h10 (dub/ diariamente); Cinépolis Millennium 5 – 14h15, 19h25 (dub/diariamente), Cinépolis Millennium 6 – 15h45, 18h15 (dub/diariamente), 20h45, 22h30 (leg/diariamente), Cinépolis Millennium 7 – 13h45, 16h15, 18h45, 21h15 (dub/ diariamente); Cinépolis Plaza 5 – 13h50, 16h15, 18h45,
21h15 (dub/diariamente), Cinépolis Plaza 6 – 14h15, 16h45, 19h15, 21h45 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 3 – 15h10 (dub/diariamente), 18h10, 21h10 (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 8 – 13h40 (dub/somente sexta-feira, sábado e domingo), 16h20, 18h50, 21h50 (dub/ diariamente), Cinépolis Ponta Negra 10 – 14h10, 19h40 (dub/ diariamente), 16h50, 22h20 (leg/diariamente); Kinoplex 1 – 13h50, 16h20, 18h50, 21h20 (dub/diariamente), Kinoplex 2 – 15h50, 18h30, 20h50 (dub/diariamente); Playarte 3 – 12h50, 15h15, 17h40, 20h05 (dub/diariamente), 22h25 (dub/somente sexta-feira e sábado), Playarte 4 – 12h51, 15h16, 17h41, 20h06 (dub/ diariamente), 22h26 (dub/
somente quinta-feira, sextafeira e sábado); Playarte 7 – 13h50, 16h20, 18h50, 21h20 (leg/diariamente), 23h40 (leg/ somente quinta-feira, sextafeira e sábado). A Série Divergente - Insurgente: EUA. 14 anos. Cinemark 3 – 13h30 (3D/dub/exceto domingo), 18h50 (3D/dub/somente sábado), 16h, 21h30 (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 4 – 17h50, 20h30 (3D/leg/diariamente), Cinépolis Millennium 5 – 16h45, 21h45 (dub/diariamente); Cinépolis Plaza 4 – 13h45, 16h25, 19h30, 22h15 (3D/ dub/diariamente), Cinépolis Plaza 7 – 17h45, 20h30 (dub/ diariamente); Cinépolis Ponta Negra 2 – 19h10, 22h10 (leg/ diariamente), Cinépolis Ponta
Negra 7 – 14h50, 20h30 (dub/ diariamente), 17h40 (leg/diariamente); Kinoplex 4 – 13h35, 16h05, 18h35, 21h10 (dub/ diariamente). O Sétimo Filho: EUA. 12 anos. Cinépolis Ponta Negra 9 – 20h10, 22h30 (dub/diariamente). Golpe Duplo: EUA. 14 anos. Cinemark 5 – 15h40 (dub/diariamente), 20h40 (dub/exceto quarta-feira); Cinépolis Ponta Negra 6 – 21h40 (leg/diariamente); Playarte 10 – 13h15, 15h30, 17h45, 20h (dub/diariamente), 22h15 (leg/somente quinta-feira, sexta-feira e sábado). Kingsman – Serviço Secreto: RUS. 16 anos. Playarte 9 – 18h, 20h30 (dub/diariamente), 23h
(dub/somente quinta-feira, sexta-feira e sábado). Simplesmente Acontece: RUS/ALE. 14 anos. Playarte 2 – 13h30, 15h45, 18h, 20h15 (dub/diariamente), 22h30 (dub/somente quinta-feira, sexta-feira e sábado). Renascida do Inferno: EUA. 14 anos. Cinépolis Plaza 8 – 20h45 (dub/diariamente). Bob Esponja – Um Herói Fora D’água: EUA. 12 anos. Playarte 8 – 12h40, 14h40, 16h40 (dub/diariamente). Cinquenta Tons de Cinza: EUA. 18 anos. Playarte 8 – 18h40, 21h10 (dub/diariamente), 23h40 (dub/somente quinta-feira, sexta-feira e sábado).
Plateia FOTOS: SÍLVIA CASTRO
MANAUS,, DOMINGO, 5 DE ABRIL DE 2015
Presença da África Quatro médicas da Angola estão vindo para Manaus para participar do 10° Congresso Norte e Nordeste de Medicina Intensiva, que será realizado nos 24 e 25 de abril, no Centro de Convenções Vasco Vasques. O evento promete colocar o Amazonas na rota dos maiores congressos de medicina do Brasil, reunindo aproximadamente mil participantes.
Jander Vieira No concorrido Bazar Sport Bar, que movimentou o Vieiralves: os anfitriões Laila Bruna e Antônio Júnior
Mazé Mourão ganha sessão parabéns, amanhã, no bufê de Cândida Barbosa, na foto com DacyVenânio na noite de festa comandada pela coluna no Café &Chocolat
Amanhã, o Kinoplex do Amazonas Shopping terá uma sessão exclusiva do documentário “A Lei da Água – Novo Código Florestal”, de Fernando Meirelles. O longa alerta sobre as consequências da nova lei e o que ainda pode ser feito para evitar mais prejuízos ao meio ambiente. Os ingressos poderão ser adquiridos antecipadamente pelo www.agua.catarse.me.
Mal necessário
Aurélio Botelho, Ticiano Ribeiro, Vânia Figueiredo, Maurício Alves e Claudia Bertini estão trocando de idade de hoje. Os cumprimentos da coluna.
A Subway e o Cacau Show são as novas franquias inauguradas no Parque 10 Mall e nos próximos dias o centro comercial receberá uma unidade do Pronto Atendimento ao Cidadão. Bacanérrimo.
Showzaço
Água na telona
Sala de Espera
A Eletrobras Amazonas Energia tem novo diretor-presidente: Antonio Carlos Faria de Paiva.
Baby Rizzato conferindo a arte da camiseta-convite do aniversário deste editor, que acontecerá no próximo dia 18, no almoço regional no Le Rêve
jandervieira@uol.com.br - www.jandervieira.com
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O que seria uma alternativa prática e rápida para quem deseja a comodidade virou um aborrecimento geral. A coluna está falando de entregas delivery, seja da farmácia, da pizzaria ou daquele restaurante. O serviço em Manaus com suas taxas de entregas abusivas fica muito a desejar, além da demora na entrega, sendo que ao conversar com os atendentes, eles só sabem informar que o produto está em rota. Muitas das vezes o produto desejado chega com duas, três horas de atraso. Que tal?
Duas grandes bandas de renome internacional aterrissarão na cidade em maio. Onde? No Studio 5 Convencion Center assinado pela Fábrica de Eventos. A coluna está falando do um encontro inédito do Rappa e Soja, que se apresentarão dia 28 de maio. A noite promete ser das mais agitadas entre os antenados de plantão.
Agende, viu?
No próximo dia 18, às 12h33, no Le Rêve, acontece sessão parabéns do colunista com lançamento oficial do Blog jandervieira.com. Um almoço regionalíssimo e o Cordão de Marambaia servirão de atrações do auê que terá a ambientação do mago Júnior Carvalho. Portanto, capriche na customização da camiseta-convite.
O Colégio Martha Falcão pilotou a campanha solidária “Páscoa é Tempo de Vida Nova” com o objetivo de ajudar as crianças de creches e bairros carentes. As doações de ovos, doces e bombons fizeram a alegria das instituições beneficiadas. O Shopping Manaus ViaNorte montou uma Toca do Coelho onde as crianças vão se deliciar com o coelhinho da Páscoa, hoje. O centro de compras montou uma programação especial para receber a criançada com Oficina de Orelhinha e Pintura artística, além de histórias contadas como a do “Mistério dos Ovos de Chocolate”. A Associação Amazonense de Avicultura convida para conferir o almoço de lançamento do “Selo Ovos AM”, no próximo dia 7, às 11h30, no Restaurante Papagaio’s. “A minha mãe deixa! – a festa” com as atrações dos humoristas Eraldo Fontiny/Lili e DJs convidados Heliton Saraiva, Naty Veiga, Louis Santos e Marcelo Borges já tem data para acontecer. Será no próximo dia 10, na Estação Arte & Fato, na 10 de Julho, a partir das 22h. MC Guimê é uma das atrações do “Conexão Carioca”, que acontece no dia 2 de maio na piscina do Tropical Hotel. Na mesma noite se apresentam ainda Mr. Catra e MC Pikeno e Menor. A realização é da The Vikings e os ingressos para a noite dedicada ao funk nacional já estão à venda.
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Plateia
MANAUS, DOMINGO, 5 DE ABRIL DE 2015