Especial
Eleições 2014 MANAUS, DOMINGO, 26 DE OUTUBRO DE 2014
politica@emtempo.com.br
(92) 3090-1019
Governo do AM nas mãos de 2 milhões de eleitores RAIMUNDO VALENTIM
Hoje, eleitores vão definir quem será o responsável por comandar o Estado pelos próximos 4 anos
Eleições deste domingo (26) é um tempo reservado à democracia, onde dois candidatos disputam o comando do Estado do Amazonas por 4 anos JOELMA MUNIZ Equipe EM TEMPO
O
dia do segundo turno chegou e agora é hora do eleitor definir de fato que será o responsável por comandar o Estado nos próximos quatro anos. A disputa posta entre os candidatos José Melo (PROS), que concorre à reeleição e Eduardo Braga (PMDB), que briga por um terceiro mandato à frente do Executivo estadual, está nas mãos de mais de 2 milhões de eleitores aptos a votar. O resultado apertado nas urnas do primeiro turno, que registrou 670.067 dos votos (42,93%) destinados a José Melo e 665.800 (42,66%) para Eduardo Braga, tende a rumar pelos mesmos caminhos, já que os próprios candidatos já admitiram estar protagonizando o pleito mais difícil de suas vidas políticas. Em fase das campanhas marcadas por intensa rivalidade, o esquema de segurança montado para o bom andamento do processo, conta com um novo fator. Hoje, quem comanda todo o sistema de segurança pública do Amazonas, é a presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM), desembargadora Socorro Guedes. A decisão anunciada na última quarta-feira (22) visa resguarda as polícias civis e militares de suspeitas de participação indevida na campanha eleitoral. Com mais uma atribuição, Socorro Guedes comanda, hoje, um efetivo de 3,8 mil policiais, que foram destacados para
resguardar o pleito. Além, disso ela tem á disposição homens que atuam nas forças armadas, que têm a missão de acompanhar as urnas nos 62 municípios do Estado. ‘Cola eleitoral’ Mesmo tendo o número de candidatos reduzidos, após o termino do processo de escolha dos deputados estaduais, federais e senadores, os eleitores devem estar atentos para as determinações e normas impostas pela Justiça. Dentre as permissões dadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), está a manifestação de preferência por candidato, partido ou coligação com uso de broches, bandeiras e adesivos de forma silenciosa e individual; a famosa “cola eleitoral” usada pelo eleitor como lembrete em frente à urna também é liberada. Contudo, é vedada a manifestação de preferência coletiva por candidato, partido ou coligação, com uso de bandeira, vestuário padronizado; uso de alto-falantes e amplificadores de som ou a promoção de comício ou carreata; divulgação de qualquer espécie de propaganda de candidato, partido político ou coligação “boca de urna”, incluindo a distribuição de “santinhos”; fornecimento de alimentação e transporte a eleitores no dia da eleição por candidatos ou partidos políticos, seja na cidade ou no interior.
Documento só com fotografia Para consolidar os votos, em uma das 6,5 mil urnas espalhadas pela capital e interior, o eleitor terá que apresentar um documento oficial com foto (carteira de identidade ou identidade funcional, certificado de reservista, carteira de trabalho ou carteira nacional de habilitação). O uso do documento com foto é necessário até para os eleitores dos sete municípios do interior, que passaram pelo recadastramento biométrico. Na hora do cara a cara com a urna, ainda é proibido portar aparelho celular, câmeras fotográficas, filmadoras, aparelho de radiocomunicação ou qualquer outro instrumento que viole o sigilo do voto. No Amazonas os espaços de votação que abrirão das 8h às 17h, estão divididos por 165 escolas. O centro de ensino com o maior contingente de eleitores registrados é a escola estadual Eldah Bitton, localizada no bairro Compensa 3, Zona Oeste de Manaus. No local segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM), devem votar 10,9 mil eleitores. Manaus se firma como o maior colégio eleitoral do Estado, concentrado mais de 1 milhão de eleitores, 55,8% do eleitorado. Parin-
tins segue a lista, com 64 mil votantes, Itacoatiara com 55 mil, Manacapuru, 52 mil e Coari com 46 mil. Unidos a instituições como Polícia Federal (PF), Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE), Comissão de Fiscalização de Propaganda do TRE-AM, entre outros, os mesários figuram como os principais atores da organização do pleito. Eles somam hoje, uma frente de trabalho formada por 27 mil homens e mulheres, distribuídos por 6.883 secções eleitorais. Obrigatório Como o voto é obrigatório aos cidadãos brasileiros maiores de 18 anos e facultativo para analfabetos, jovens entre 16 e 18 anos e idosos com mais de 70, quem está fora de seu colégio eleitoral, precisa estar atento, para justificar a falta, que pode acarretar no cancelamento do título de eleitor, documento indispensável para quem deseja participar de concursos públicos, editais, emprestar dinheiro em bancos, emissão de passaportes entre outras sanções impostas. Leia mais: o eleitor pode encontrar a sua zona e a seção onde vai votar no portal do EM TEMPO (www. emtempo.com.br).
Eleições 2014
2
MANAUS, DOMINGO, 26 DE OUTUBRO DE 2014
Estrutura pronta para as eleições RAIMUNDO VALENTIM
Urnas e equipes, além de todo alicerce para realização do segundo turno do pleito estão prontos
epois de uma campanha eleitoral marcada por trocas de acusações, suspeita de compra de votos e apresentação de propostas, Manaus prepara-se para realizar hoje um inédito processo eleitoral no Estado. São esperados 2 milhões eleitores – na maior parte, com idades entre 45 a 59 anos. Nas engrenagens das votações, de um extremo ao outro da cidade, trabalharão perto de 3,5 mil de pessoas, entre mesários, servidores públicos, policiais e militares. Isso, sem contar os militantes e fiscais partidários. Para conduzir os eleitores aos seus locais de votação, a Prefeitura de Manaus colocou a disposição 1.407 ônibus, de 217 linhas. A gratuidade do transporte está garantida, por meio de acordo junto ao TRE-AM. O embarque gratuito será liberado de 4h à meia-noite de hoje, e não se aplica aos transportes executivo e alternativo, como explica o superintendente da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), Pedro Carvalho. “Como esses dois modais ainda estão sendo regulamentados, não há contrato assinado com a prefeitura. Somente com um contrato de permissão seria possível fazer o ressarcimento dos custos oriundos da
gratuidade”, disse. P a r a acessar os coletivos, os usuários devem passar normalmente pela catraca. Toda a operação de transporte está sendo coordenada pela SMTU, que manterá 40 fiscais nas garagens, terminais de bairro e de integração.
ESTRUTURA
Para conduzir os eleitores, a Prefeitura de Manaus colocou a disposição 1.407 coletivos. Na segurança, 1.018 homens da Polícia Civil e Militar também estarão nas ruas Será intensificada a fiscalização no horário de 12h às 14h quando se dá a troca de turno dos motoristas e cobradores para coibir atrasos na saída dos ônibus. No caso de descumprimento, a gratuidade e qualquer outra reclamação sobre o transporte, usuários poderão ligar para o SAC da SMTU, no número 118, ou procurar um dos fiscais de transportes. Na área de segurança, por
exemplo, a Polícia Militar do Estado do Amazonas (PMAM) fiscalizará 199 locais de votação na capital e 1.018 no interior. Um forte esquema de segurança, que consiste na revista de quem esteja carregando mochilas e bolsas, será montado no perímetro das escolas, a fim de evitar o que ocorreu no primeiro turno, quando foi encontrado um suposto artefato explosivo numa escola de Manaus. As Tropas Federais estarão nas escolas fazendo a segurança das urnas a partir das 7h30 de amanhã. Assim que chegarem, os soldados farão uma varredura nos locais, para que, no dia do pleito, a votação transcorra com tranquilidade. Por sua vez, a Polícia Federal, que atua como Polícia Judiciária Eleitoral, em apoio com as demais polícias, fará um trabalho preventivo, atuando, principalmente, nos portos e aeroportos do Estado, buscando, com isso, coibir o uso de recursos públicos para a captação ilícita de sufrágio. A Polícia Civil disponibilizará duas equipes para atuarem junto ao juizado que funciona no TRE - Nilton Lins, além de outras duas equipes do grupo Fera, que estarão a postos para garantir a ordem. No interior, 76 Delegados de Polícia assegurarão o clima de paz e segurança durante as eleições.
IONE MORENO
D
A concentração dos serviços para o segundo turno deste pleito acontecerá na sede provisória do TRE, que foi preparada dentro da universidade Nilton Lins
Serviço emergencial, como as ambulâncias, estarão de prontidão para atender aos eleitores
Venda de bebida será fiscalizada Está expressamente proibida a venda e o consumo de bebidas alcoólicas em lugares abertos ou públicos desde as 22h de ontem. O período de proibição se estenderá até as 18h de amanhã. A proibição, chamada popularmente de Lei Seca, está prevista na portaria conjunta 003/2014, assinada no dia 9 deste mês e publicada no Diário de Justiça Eletrônico (DJE).
O descumprimento da determinação caracterizará crime de desobediência, previsto no Código Eleitoral (lei 4.737/65), com punição que varia entre detenção de três meses a um ano e pagamento de 10 a 20 dias de multa. Os flagrados infringindo a legislação serão encaminhados para o auditório da Universidade Nilton Lins, bairro Parque das Laranjeiras, Zona Centro-Sul da cidade. O
local é o mesmo usado pela Justiça no primeiro turno. Saúde Para atender o público em geral estão em funcionamento 24 horas os hospitais e prontos-socorros da cidade, além dos Serviços de Pronto Atendimento, conhecidos como (SPAs) e maternidades. As policlínicas e Centros de Atenção Integral à Criança (Caics) funcionarão normalmente amanhã.
Agenda dos candidatos EDUARDO BRAGA Candidato deverá votar às 9h na escola estadual Hermes da Fonseca, no conjunto Cophasa, na Ponta Negra.
JOSÉ MELO Candidato votará pela manhã na escola estadual Ângelo Ramazzoti, no conjunto Adrianópolis.
Eleições 2014
MANAUS, DOMINGO, 26 DE OUTUBRO DE 2014
3
O perfil dos candidatos apresentado ao eleitor FOTOS: REPRODUÇÃO
José Melo e Eduardo Braga travam uma disputa ao governo do Amazonas histórica no pleito deste ano
Proposta dos candidatos Eduardo Braga -
60 mil bolsas universitárias Crédito para jovens empreendedores Adicional de R$ 50 no Bolsa Família Crédito para família
José Melo - Banco do Povo - 47 mil moradias - 30 escolas de tempo integral - Obra da avenida das Flores
No 2º turno, o candidato José Melo continuou alavancando suas proposta do “Banco do povo”
No próximo governo, pretendo introduzir educação ambiental, educação para o trânsito, além das escolas integrais. Quero melhorar ainda mais a vida da população do Amazonas”
RAPHAEL LOBATO Equipe EM TEMPO
O
segundo turno da histórica disputa pelo governo do Amazonas finaliza hoje, entre o senador Eduardo Braga (PMDB) e o governador José Melo (Pros). Durante as últimas três semanas, após o resultado apertado visto no primeiro turno, os adversários concentraram esforços em acenar para públicos estratégicos, reforçando a presença em zonas de baixo desempenho e buscando o voto dos indecisos. Eduardo Braga priorizou acenos para o eleitorado jovem. O senador peemedebista se desdobrou nas últimas semanas para fazer ecoar propostas como 60 mil bolsas universitárias em instituições particulares, a criação de uma versão local do programa do governo federal Ciência Sem Fronteiras, crédito de financiamento para jovens empreendedores e até uma secretaria estadual para cuidar da juventude. O pacote de propostas teve o objetivo de estancar a migração dos votos obtidos
Já Eduardo Braga priorizou acenos para o eleitoral jovem nesta etapa de reta final do pleito
pelo terceiro o \\srv-aet01\fotos$\ apoio do PSB de Ramos. lugar no priJosé Melo continuou alavanTRATADAS\DOMINGO\ meiro turno, cando a parceria com o PSDB deputado do prefeito Arthur Virgílio, ELEICAO_EDUARDO_ Marcelo Raque teve mais espaço para mos (PSB), divulgar a candidatura do 001.JPG para José presidenciável tucano, Aécio Melo. A moNeves, no programa de Melo. vimentação O ex-governador eleito senaenvolveu ainda propostas de dor, Omar Aziz (PSD), também poupança para jovens, am- continuou exposto. pliação do ensino técnico e integral e até o apoio aos movimentos que lutam pelo ATAQUES Passe Livre, proposta que Segundo turno da disfoi carro-chefe da campanha puta pelo governo foi do PSD da ex-presidenciável, marcada pelo aumenMarina Silva. to dos ataques entre Eduardo Braga e José Exposição Melo. Os adversários Já o candidato à reeleição, submeteram os eleitoJosé Melo, continuou alavanres a uma maratona de cando a exposição da propospeças publicitárias ta do “Banco do Povo”, para financiamento de empreendimentos. O governador repetiu no segundo turno a proposta Além dos intensos ataques de criar mais 30 escolas de vistos durante as últimas setempo integral e construir 47 manas, os candidatos se desmil moradias na capital e no dobraram para mostrar lados interior. Melo também explo- positivos. Braga se mostrou rou a recente iniciativa de mais humanizado, destacando promover a recuperação da o convívio com a família e a sua Santa Casa de Misericórdia. história pessoal. A estratégia O governador, no entanto, foi repetida na campanha de não levou para o seu progra- Melo, que continuou exploranma, nem para os palanques, do o seu passado no interior.
Ambas campanhas tentaram descontruir a imagem e o discurso dos adversários. Ataques pessoais O segundo turno da disputa pelo governo foi marcado pelo aumento dos ataques pessoais entre Eduardo Braga e José Melo. Os adversários submeteram os eleitores a uma maratona de peças publicitárias com acusações diversas. A guerra foi vista até no último debate entre eles, anteontem. Para eleitores ouvidos pela reportagem do EM TEMPO, no entanto, a postura não agradou e não ajudou na decisão. “Gostaria de ter visto mais propostas. O que vi foram agressões assustadoras. No final, ficamos com a sensação de que estamos votando no menor pior”, disse a estudante de jornalismo, Paula Cecília. Já o professor Jorge Medeiros declara que a democracia perde com os ataques entre os candidatos. “Ambos incentivaram o radicalismo e seja quem for que chegue ao poder terá que enfrentar as consequências do que plantou. A população foi deixada de lado”, disse.
Pretendemos elaborar o Plano Emergencial de Segurança Pública, incorporando metas estruturantes como combate ao tráfico e diminuição de homicídios”
Eleições 2014
4
MANAUS, SÁBADO, 25 DE OUTUBRO DE 2014
Resposta do PT é censura, afirma Aécio sobre a ‘Veja’ DIVULGAÇÃO
Tucano mencionou a reportagem de capa da revista ao afirmar que Dilma e Lula sabiam do esquema de corrupção na Petrobras
Militantes pró-Aécio e pró-Dilma fizeram campanha lado a lado no largo do Carioca, Rio de Janeiro, seguida de confronto, mas o embate entre as siglas terminou sem que houvesse pessoas feridas
O
candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, disse ontem (24) que a única resposta do PT às denúncias de corrupção na Petrobras é a “censura”. O tucano mencionou a reportagem de capa da edição desta semana da revista “Veja”, sobre o mais recente depoimento do doleiro Alberto Yousseff em que ele afirma que tanto a presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff (PT), quanto o ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sabiam de todo o esquema de corrupção na Petrobras. “Essa revelação, de que Dilma e Lula conheciam o esquema de corrupção, é extremamente grave. Sabemos que a delação premiada (instituto processual a que aderiu Alberto Youssef) só garante benefícios ao de-
nunciante se for comprovada suas afirmações. O Supremo Tribunal Federal já homologou as denúncias anteriores de Youssef e caminha para homologar mais esta denúncia”, disse Aécio, que informou também que já tomou medidas jurídicas em relação ao tema: “Eu determinei que hoje mesmo o PSDB ingresse na Procuradoria Geral da República, solicitando que essas investigações sejam aprofundadas em virtude da gravidade do tema”. O candidato criticou ainda a postura do PT e da candidatura adversária em relação às novas declarações do doleiro publicadas pela “Veja”. “O Brasil merece uma resposta. Infelizmente, a única resposta do PT até agora foi a censura, foi uma tentativa jurídica de impedir a distribuição da maior revista do país. Mas o
TSE (Tribunal Superior Eleitoral) rejeitou o pedido”.
Ministro nega pedido de Dilma
Desvios Por fim, Aécio comentou a denúncia, do mesmo doleiro, de que R$ 20 milhões, frutos de desvios e que estavam fora do país, teriam sido repatriados para serem utilizados na campanha de Dima. “Isso é extremamente grave, seria a comprovação de que houve caixa dois na atual campanha eleitoral”, finalizou o candidato, que deixou o hotel sem responder a nenhuma pergunta dos jornalistas. O evento ocorreu no hotel Sheraton, no Rio de Janeiro, onde o tucano se prepara para o debate na TV Globo.
O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Admar Gonzaga negou, ontem, o pedido feito pela campanha da presidente Dilma Rousseff (PT) de retirada da reportagem de “Veja”, publicada no site e no Facebook da revista, que informa que Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sabiam do esquema de corrupção na Petrobras. A informação é atribuída ao doleiro Alberto Youssef, preso desde março por envolvimento de um esquema milionário de lavagem de dinheiro. A campanha de Dilma pede
RETIRADA A informação é atribuída ao doleiro Alberto Youssef, preso desde março por envolvimento de um esquema milionário de lavagem de dinheiro. Dilma pede que sejam retirados do Facebook links da revista que sejam retirados do Facebook links e menções à reportagem da revista. Neste ano, denúncias sobre irregularidades na
Petrobras surgiram na imprensa. As investigações tomaram fôlego e pautaram as eleições presidenciais deste ano com a deflagração da operação Lava Jato, que chegou a prender um ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa, por suspeita de desvio de dinheiro público. Segundo Costa, que realizou delação premiada, o esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a petrolífera financiou PT, PMDB e PP. A presidente e o ex-presidente sempre negaram que soubessem do esquema.
EXPEDIENTE EDIÇÃO Isabella Siqueira de Castro e Costa e Náis Campos
REPORTAGEM Joelma Muniz, Raphael Lobato e Assessorias
REVISÃO Gracycleide Drumond e João Alves
DIAGRAMAÇÃO Adyel Vieira, Leonardo Cruz e Pablo Filard
TRATAMENTO DE FOTOS Adriano Lima
Eleições 2014
MANAUS, SEXTA-FEIRA, 24 DE OUTUBRO DE 2014
5
TUDO PRONTO PARA AS ELEIÇÕES Prefeitura de Manaus monta operação que garante o transporte coletivo de eleitores e limpeza das ruas no pós-eleição. Amazonas Energia vai montar um plantão para atender as emergências no dia da votação
A
Prefeitura de Manaus vai colocar nas ruas 1.407 ônibus, de 217 linhas, para atender gratuitamente a população no domingo (26), no 2° turno das Eleições 2014. A gratuidade do transporte foi acordada com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM) ainda no último mês de julho e publicada na forma da lei 1895, de 11 de agosto, no Diário Oficial do Município (DOM). O embarque gratuito será de 4h à meia-noite de domingo e não se aplica aos transportes Executivo e Alternativo, como explica o superintendente da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), Pedro Carvalho. “Como esses dois modais ainda estão sendo regulamentados, não há contrato assinado com a prefeitura. Somente com um contrato de permissão seria possível fazer o ressarcimento dos custos oriundos da gratuidade”, disse. Para acessar os coletivos, os usuários devem passar normalmente pela catraca. Toda a operação de trans-
KARLA VIEIRA/SEMCOM
porte será coordenada pela SMTU, que estará com 40 fiscais nas garagens, terminais de bairro e de integração. Será intensificada a fiscalização no horário de 12h às 14h, quando se dá a troca de turno dos motoristas e cobradores para coibir atrasos na saída dos ônibus. Lotação O superintendente acrescenta que apesar de toda a frota operacional estar em circulação, devido ao aumento considerável da demanda de passageiros nos dias das eleições por conta da gratuidade, alguns ônibus podem trafegar com lotação máxima em determinados horários. “É um dia atípico. No 1º turno tivemos um número de passageiros 20% superior ao de um dia útil normal. Muitas pessoas votam e depois aproveitam a gratuidade para fazer outras coisas utilizando o serviço de transporte público. Mas estaremos coordenando a operação para coibir qualquer irregularidade”, ressaltou.
O eleitor, em Manaus, vai contar com transporte coletivo gratuito no domingo (26), dia das eleições do 2º turno
Operação ruas sem sujeira KARLA VIEIRA/SEMCOM
Esquema vai intensificar a limpeza das ruas com aproximadamente 300 garis
Para manter a cidade limpa após a votação, a prefeitura montou um esquema de operação de limpeza similar ao adotado no 1º turno. O trabalho será realizado pela Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Públicos (Semulsp). A limpeza começa logo após o fechamento das urnas, a partir das 17h. Serão cerca de 300 garis da varrição noturna, que se dividirão para limpar,
inicialmente, as principais vias da cidade. A meta da prefeitura é concluir a limpeza dos 408 locais de votação, na zona urbana de Manaus, em menos tempo do que o que foi necessário no 1º turno, já que serão apenas quatro candidatos no pleito (dois para o governo do Amazonas e dois para a Presidência da República). A operação de limpeza do 1º turno retirou 73,5
toneladas (média de 180 Kg por local de votação) de lixo eleitoral, em quatro dias de trabalho em regime de plantão. Para esta ação, a Semulsp mobilizou 340 garis. O custo total da operação, no início do mês, alcançou o montante de R$ 207,4 mil, contabilizando gastos com coleta e disposição final de lixo no aterro, materiais, pessoal e aluguel de veículos de apoio.
Plano para garantir energia O plano de contingência da Eletrobras Amazonas Energia para o 2º turno das eleições, com a definição das medidas que serão adotadas pela empresa para garantir a confiabilidade e a segurança no fornecimento de energia elétrica durante a votação do próximo domingo (26), está pronto. Ao todo, serão 345 equipes (275 em picapes e lanchas e 70 em caminhões). A capital contará com 169 equipes de linha-viva, pesadas e leves, que estarão a postos, distribuídas por zona em pontos de fácil deslocamento, para atender qual-
quer tipo de ocorrência. Equipes extras também foram providenciadas para compor o contingente de atendimento emergencial. Os serviços nos sistemas de distribuição serão mantidos pelas equipes próprias e terceirizadas, com plantões das equipes de operação e manutenção. Plantão Uma equipe do plantão ficará de prontidão para atender a sede do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) das 6h até as 23h59 do dia 26. Para reforçar as ações de segurança do serviço de energia elétri-
ca, a Eletrobras Amazonas Energia suspendeu todos os serviços de interrupções programadas para o dia das eleições 2014. A exceção será apenas para serviços emergenciais. O interior do Estado também contará com um Plano de Contingência específico para os 62 municípios atendidos pela distribuidora. Para garantir a segurança das 103 usinas termoelétricas, 176 equipes irão atender as possíveis ocorrências. A Eletrobras Amazonas Energia atende atualmente cerca de 334 mil consumidores no interior do Estado. DIVULGAÇÃO
Amazonas Energia vai montar um plantão para garantir energia nas eleições
PREFEITOS/INTERIOR
Administração pública em discussão O enfrentamento de crises municipais, como a queda da arrecadação do Fundo de Participação dos Municípios, a melhor gestão e a utilização de novas tecnologias para a administração pública serão alguns dos temas tratados pelos prefeitos dos 62 municípios do Amazonas durante o “Diálogo
Municipalista 2014”, evento que a Associação Amazonense dos Municípios (AAM) vai realizar em parceria com a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) entre os dias 30 e 31 de outubro, no auditório do hotel Caesar Business, em Manaus. “Esse encontro é fundamental para a troca de ex-
periências entre os gestores, além de criar um vínculo dos prefeitos com a Associação Amazonense dos Municípios e membros da Confederação Brasileira dos Municípios. Juntas, essas entidades têm conseguido grandes vitórias para a gestão pública municipal”, afirmou o presidente da AAM e
prefeito de Boca do Acre, Iran Lima. O encontro vai contar com a presença de toda a diretoria da CNM, que dentre outras novidades apresentará aos gestores o URBEM, uma nova ferramenta tecnológica que está sendo oferecida gratuitamente aos municípios do Amazonas para que haja uma
otimização da gestão municipal. Por meio desse soſtware será possível a realização de diagnósticos, organização e dinamização dos processos internos, e os gestores municipais terão significativo auxílio no planejamento e na tomada de decisões, de maneira clara e objetiva.
Eleições 2014
6
Sigilo impede eleitor de levar os filhos à urna
Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS
www.claudiohumberto.com.br
Não tem eficácia”” MINISTRO ADMAR GONZAGA (TSE), ao rejeitar pedido do PT para censurar a revista “Veja”
Contratos fajutos OAS, Camargo Corrêa, Odebrecht etc. faziam depósitos de valores por “serviços” jamais prestados. Dinheiro vivo só em casos excepcionais. Paraísos fiscais Youssef também transferia o dinheiro roubado para contas controladas por políticos em paraísos fiscais, se eles assim o preferissem. Presentes caros O esquema subornava autoridades, oferecendolhes presentes caros, viagens em jatinhos, carros de luxo, imóveis no exterior, lanchas etc. Dinheiro comprado Havia casos também em que o esquema “internalizava” dinheiro vivo, em reais, comprado em bancos paraguaios, para distribuir em malas. Bolsa Família distribui R$ 17,7 bilhões em 2014 O governo Dilma distribuiu neste ano eleitoral, até setembro, quase R$ 18 bilhões a beneficiários do Bolsa Família, segundo dados do Portal Transparência. Em três meses foram injeta-
Jornalista
dos “na veia” dos assistidos R$ 2,5 bilhões ao mês, em média. A Bahia, onde o PT obteve sua mais importante vitória no 1º turno, é o Estado que mais recebeu verbas do programa: R$ 2,28 bilhões. São Paulo, o maior do país, R$ 1,5 bilhão.
Cenário Aécio Eliana Calmon e Carlos Veloso, ministros aposentados no STJ e no Supremo, são cotados para o Ministério da Justiça em eventual governo Aécio. Outro citado é o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP).
Lula x Dilma No último ano do governo Lula, o ex-presidente distribuiu R$ 14,3 bilhões com o Bolsa Família, bem menos que Dilma.
PDT dividido Assim como os deputados do PMDB na Câmara, os do PDT também ignoram solenemente a desmoralizada direção nacional e chegam divididos neste domingo: reeleger Dilma ou eleger Aécio, eis a questão.
Bolsa de valores Desde que assumiu a Presidência em 2011, os valores gastos com a Bolsa Família cresceram em média 17% ao ano. Em bilhões, claro. Previsão Em 2013, o governo distribuiu um total de R$ 24,9 bilhões. Se o ritmo deste ano continuar, o total de 2014 deve passar dos R$ 27 bilhões.
Conto do vigário A pedido de sindicalistas do PT, o Ministério do Planejamento aprovou um pacote de concursos ainda este ano, a fim de facilitar a tarefa de pedir votos para Dilma. Mas é tudo lorota: a Lei de Responsabilidade Fiscal proíbe aumentar despesas com pessoal em final de mandato.
Perspectivas sombrias Ferido de morte na era PT, o Itamaraty terá o tiro de misericórdia em 2015: continua sob domínio tacanho do aspone Marco Aurélio Top-Top Garcia ou do embaixador tucano Rubens Barbosa. Ninguém merece.
Enganação A “estupenda” valorização dos carteiros na era petista deveria explicar o engajamento dos Correios na campanha de reeleição de Dilma. Em 12 anos, os salários na ECT subiram raquíticos 0,4% acima do mínimo.
Mapa da mina Vice de Marina no 1º turno, Beto Albuquerque (PSB-RS) acredita que o tucano Aécio Neves tem chance de ganhar se mantiver 65% das intenções em São Paulo, e continuar crescendo em Minas e no Sul.
Que campanha? O site do PMDB ignora o segundo turno na medida em que seu maior representante, Michel Temer, vice-presidente da República e candidato à reeleição, é solenemente ignorado pela campanha de Dilma (PT).
Cenário Dilma O gaúcho Gilson Dipp, ministro aposentado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), é cotadíssimo para ocupar o cargo de ministro da Justiça, em eventual segundo governo Dilma.
Pergunta no Petrolão Assim como MEC, Receita e Ipea esconderam indicadores negativos, o PT queria que a revista “Veja” omitisse que Dilma e Lula sabiam do esquema de corrupção na Petrobras?
Norma eleitoral autoriza apenas que eleitores deficientes possam comparecer às urnas acompanhados de outros CRÉDITO DO FOTÓGRAFO
Eleitores costumam levar os filhos para as cabines de votação como forma de patriotismo
O
sigilo do voto é preceito constitucional, que acompanha o processo democrático de escolha dos representantes há séculos no Brasil. Discussão interessante, principalmente em períodos eleitorais, é a permissão ou proibição ao eleitor de ser acompanhado por crianças e adolescentes, normalmente filhos ou parentes próximos, sob o pretexto de incentivo à consciência democrática dos futuros eleitores. A ausência de um disciplinamento uniforme (pelos tribunais regionais eleitorais e pelo Tribunal Superior Eleitoral) tem gerado posturas diversas nas zonas eleitorais pelo país, causando questionamentos e incidentes, muitas vezes mal compreendidos pelos eleitores. O uso criminoso desse artifício, por candidatos e partidos políticos, para viabilizar a compra dissimulada de votos, deve gerar inúmeras restrições a essa prática. O ponto é controvertido, principalmente diante da inexistência de uma norma clara e uniforme a respeito do sigilo do voto, que tem gerado as mais diversas interpretações. O tema demanda uma reflexão atual em prol da democracia, de
forma a viabilizar a escolha livre, pelo eleitor, de seus representantes, com o objetivo de se preservar a lisura do processo eleitoral A Constituição Federal estabelece, no artigo 14, que o voto é direto e secreto, com valor igual para todos. O sigilo do voto é garantido pela Constituição para proporcionar ao eleitor a segurança
SIGILO É comum o eleitor levar o filho para a sessão eleitoral, para a cabine e até para apertar o teclado da urna eletrônica com número de candidato e confirmar o voto, mas essa prática não é autorizada necessária da livre escolha de seus candidatos e a lisura do processo eleitoral. Vedase aqui a possibilidade de influência, coação ou mesmo a vinculação do eleitor por quem quer que seja, no momento em que emite o voto, dentro do processo eleitoral. O momento do voto é único no exercício do direito do eleitor e da cidadania, já que é atra-
vés dele que o eleitor, individualmente, externa a sua opção na escolha de seus representantes, que irão dirigir o futuro da nação. Em última análise, definem as políticas que irão beneficiar ou prejudicar o eleitor e a própria sociedade como um todo. A manipulação desse processo democrático, por artifícios das mais variadas espécies, viola a livre escolha dos candidatos pelo eleitor, propicia a corrupção, a venda e compra de votos e compromete a base do sistema eleitoral. O sigilo do voto garante ao eleitor a prerrogativa de escolha, vinculando-o a interesses imediatos dele e da sociedade. A violação do voto pode favorecer grupos políticos sem compromissos com a sociedade, em afronta ao interesse público. O sigilo do voto constitui uma garantia ao eleitor para a escolha de seus representantes de forma livre e sem influências externas, longe de ser uma violação à liberdade de expressão. DIVULGAÇÃO
Petrolão: gangue pouco operou com dinheiro vivo Na CPMI da Petrobras, a quebra de sigilo bancário do ex-diretor Paulo Roberto Costa e do megadoleiro Alberto Youseff revela que os saques não eram muito expressivos considerando os R$ 10 bilhões que, diz a Polícia Federal, foram roubados da estatal pelo esquema do “petrolão”. Isso confirma uma tese do juiz Sergio Moro: a maior parte do desfalque era enviada ao exterior mediante contratos falsos de importação.
MANAUS, DOMINGO, 26 DE OUTUBRO DE 2014
PODER SEM PUDOR
Gazeteiros históricos Não é de hoje a falta de disposição dos deputados para o trabalho. Campos Salles, que presidiu o Brasil entre 1898 e 1902, enviou uma carta ao então presidente da Câmara, ex-deputado Xavier da Silveira, em que solicita sua “intervenção” para “obter o comparecimento dos deputados na sessão da Câmara”. Campos Salles se queixa em sua carta de 8 de abril de 1901 que “até hoje não temos um Orçamento sequer votado pela Câmara”. E adverte: “Nada pode ser mais grave do que isto”. Vai mais além: “É preciso não só que (os deputados) compareçam, mas que permaneçam durante a sessão, pois a praga é: entrar por uma porta e sair pela outra”. Mais de um século depois, continua tudo igual.
Alguns casos podem ter mudança
ATRASOS
Horário de verão muda apuração A diferença de fuso horário entre Brasília e o Estado do Acre e a implantação do horário de verão irão atrasar em cerca de meia hora a divulgação do nome do novo presidente da República na eleição deste domingo (26). Apesar de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estimar que a apuração se encerrará por volta das 19h30, o resultado final só será divulgado após as 20h, quando
Apenas cadeirantes e portadores de necessidades especiais podem votar acompanhado
terminar a votação no território acriano. A assessoria de imprensa do TSE informou que nenhum dos ministros da corte eleitoral terá acesso ao resultado da eleição presidencial. O Acre tem um fuso com duas horas de diferença a menos em relação ao horário de Brasília. Além disso, devido ao horário de verão, a diferença aumentou provisoriamente para
três horas. Em todo o país, os locais de votação ficarão abertos até as 17h (no horário local). Desta forma, quando os eleitores do Acre acabarem de votar, já serão 20h nos Estados que seguem o horário de Brasília. No primeiro turno das eleições, realizado em 5 de outubro, o horário de verão ainda não estava em vigor.
A norma eleitoral permite ao eleitor com deficiência ou mobilidade reduzida o acompanhamento de outrem, ao votar, e que ele “seja auxiliado por pessoa de sua confiança” (artigo 90, da Resolução 23.399 de 17 de dezembro de 2013). Seria a única hipótese de o eleitor levar companhia para o voto, por razões justificadas de viabilização física do próprio voto pelo eleitor portador de deficiência. Não existe previsão legal ou administrativa de voto acompanhado de outrem, exceto o deficiente ou de
mobilidade reduzida. Não há permissão de o eleitor ser acompanhado por criança e adolescente, mesmo que seja filho. Assim, em princípio o eleitor deve ir votar sozinho, sem companhia. Porém, é comum o eleitor levar filho para a sessão eleitoral, para a cabine e até para apertar o teclado da urna eletrônica com número de candidato e confirmar o voto, hipótese em que materialmente quem exercita imediatamente o voto é o filho e não o próprio eleitor. Como o voto é pessoal, a permissão ao
filho é irregular e ilícita. Embora pareça irrelevante à primeira vista, o fato se mostra importante, principalmente para se evitar condutas ilícitas, por exemplo, quando envolve a compra e venda de votos. Há relatos de que pessoas estariam usando crianças para acompanhar o eleitor no momento da votação e, depois, confirmarem para quem ele teria votado, viabilizando a obtenção de vantagens pelo próprio eleitor e por terceiros com interesses escusos.
Eleições 2014
MANAUS, DOMINGO, 26 DE OUTUBRO DE 2014
7
SXSXSX
Dias TOFFOLI
‘Houve tentativa DE SE FAZER UMA CAMPANHA do vote no menos pior’
N
Como cidadão, o que esperávamos é que nos debates os candidatos aos cargos executivos apresentassem suas opiniões, propostas, debatessem a sociedade, ao invés de ficarem dentro de um ‘modelito’ feito aos moldes dos marqueteiros
o dia das eleições, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (STF), ministro Dias Toffoli, diz que o marketing político foi supervalorizado nesta campanha, deixando de lado assuntos de interesse do país, como economia, segurança pública e política externa. O marketing começa a prevalecer cada vez mais sobre o conteúdo, entende o ministro. “Como cidadão, o que esperávamos, é que nos debates os candidatos apresentassem suas opiniões, propostas, debatessem a sociedade, ao invés de ficarem dentro de um ‘modelito’ feito pelos marqueteiros”, criticou. Para o ministro, ficou clara no segundo turno, uma tentativa de fazer uma campanha do “vote no menos pior”. Toffoli foi um dos defensores da adoção de uma postura mais rigorosa do TSE, para forçar os candidatos a deixarem os “ataques de baixo nível” de lado. “Qual vai ser a política externa do candidato A ou do candidato B? Eu não vi isso ser apresentado”, comentou. Em entrevista, o presidente do TSE defendeu o barateamento das campanhas eleitorais, a discussão da metodologia das pesquisas e afirmou que a corte pretende editar súmulas para fazer o entendimento destas eleições valer daqui para frente.
que prevaleceram ao longo das eleições. Com isso, dar maior segurança na interpretação das leis para toda a Justiça Eleitoral. Pode então virar uma súmula o entendimento de que não podem ser usadas matérias de jornais nas propagandas eleitorais para atacar? Toffoli - Vamos discutir isso na corte depois das eleições. Isso é o que eu falo de lavagem da notícia. Vem a notícia de um jornal e você coloca no seu horário eleitoral gratuito. Aí se diz: a responsabilidade não foi minha. O senhor diz que o eleitor tem discernimento para analisar as campanhas eleitorais. Por que então este novo entendimento do Tribubal Superior Eleitoral?
Toffoli - A disputa não estava naqueles que já têm a opinião formada. Estava em desconstruir a imagem do outro, para aqueles que ainda não tinham opinião. Isso é uma consequência do segundo turno. Parte-se do pressuposto de que quem votou em A continuará a votar em A. Quem votou em B, continuará a votar em B. Então, o que faz o marketing? Ao invés de continuar uma campanha propositiva, vai disputar o voto dos indecisos que não votaram naqueles candidatos. Eles têm duas opções: ou tentar conquistar os votos dos indecisos ou tentar fazer com que o indeciso não vote no adversário. Essa estratégia tem reflexos nos debates? Toffoli - Os debates foram dirigidos muito menos pelos candidatos e muito mais pelos marqueteiros. Como cidadão, o que esperamos, é que nos debates os candidatos apresentem suas opiniões, propostas, debatam a sociedade, ao invés de ficarem dentro de um “modelito” feito pelos marqueteiros. O modelo de marketing atual está supervalorizado. O debate tem de ser uma questão de convicção das ideologias e não algo que é feito só para o momento eleitoral.
O nível das propagandas políticas melhorou depois da postura mais rigorosa do TSE? Dias Toffoli - Os programas melhoraram qualitativamente do ponto de vista programático. É um bom motivo para repensar esse horário eleitoral gratuito. O que menos aparece, às vezes, é o candidato. Se fosse fazer uma análise de todas as campanhas, o marketing começa a prevalecer cada vez mais sobre o conteúdo.
Como resolver isso? Toffoli - Temos de baratear as campanhas. É preciso limitar os gastos de campanha, vedar financiamento de campanha por pessoas jurídicas e estabelecer um teto de doação em valores fixos, não em valores proporcionais. No Brasil, os limites são proporcionais. Então, uma grande empresa pode doar mais do que uma pequena empresa. Com um teto, teríamos uma participação mais equânime.
Mas o efeito disso ficou só para os programas do final da campanha. Por que a estratégia não foi adotada no primeiro turno? Toffoli - O tribunal historicamente sempre teve uma certa tolerância, quando o nível de ataque se dá em proporção muito pequena. Mas, o que ocorreu a partir do segundo turno foi uma tentativa de se fazer uma campanha do “vote no menos pior”, ao invés de fazer a campanha positiva, do vote no melhor. No primeiro turno não houve ataques como houve no segundo turno. Pelo menos, essa é a leitura que eu faço.
É necessário fazer mudanças nas pesquisas eleitorais? Toffoli prepara uma série de propostas Toffoli - Em muitos casos teve para mudar a propaganda eleitoral uma diferença muito grande (entre pesquisas e resultados). O ministro Toffoli - A questão é a proporção Gilmar Mendes e o ministro Henrique que isso assumiu. Uma coisa é uma Neves me provocaram para que após propaganda que tem 90% de atuação a eleição chamemos os principais programática e uma crítica mais ácida institutos para ouvir sobre a metode 10%, 5%. Outra coisa é candidaturas dologia. Existem pesquisas que têm abandonarem toda uma proposição de margens de erros diferenciadas. Será programa de governo. Qual vai ser a que isso é admissível? Uma pesquisa política externa do candidato A ou do tem o universo de 2 mil eleitores, candidato B? Eu não vi isso ser apre- outra tem universo de 4,6 mil. Será sentado. Deixa-se de dizer qual vai ser que dá para divulgar isso como sendo o seu programa social, qual vai ser o a mesma coisa? seu programa econômico, qual vai ser o seu programa de área de segurança, O resultado da pesquisa interfere de política internacional. no voto do eleitor? Toffoli - Se não fosse trazer Qual eleitor foi alvo das campa- algum benefício, o marqueteiro nhas no segundo turno? não colocaria.
O TSE está pensando em mudar as regras da propaganda eleitoral? Toffoli - Podemos editar súmulas. Estamos fazendo estudos para depois do segundo turno simularmos as teses
Quem votou em B, continuará a votar em B. Então, o que faz o marketing? Ao invés de continuar uma campanha propositiva, vai disputar o voto dos indecisos que não votaram naqueles candidatos
Podemos editar súmulas. Estamos fazendo estudos para depois do segundo turno simularmos as teses que prevaleceram ao longo das próximas eleições
Eleições 2014
8
MANAUS, DOMINGO, 26 DE OUTUBRO DE 2014
Internet: Aécio lidera, mas Dilma cresce na reta final
Presidenciáveis não se atacam só no “cara a cara”, mas utilizam as mídias sociais para duelarem a serviço do voto do internauta
Economia Com mensagens publicadas pela assessoria de imprensa em seu perfil pessoal, a presidente voltou a atacar o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, que foi apontado por Aécio como eventual futuro ministro da Fazenda e disse que ele “acha que o salário mínimo
do o seu discurso contra a economia e garantir que não acabará com programas sociais do PT. “Cada mês, a desconfiança é maior em relação à economia”, postou o tucano. “Reafirmo meu compromisso com os programas sociais, como o Bolsa Família, e o fortalecimento dos bancos públicos”.
REAÇÃO
O pico das declarações de voto ao candidato do PSDB aconteceu em dois momentos: logo após o 1º turno das eleições e no dia 12 de outubro, quando Marina Silva, do PSB, declarou apoio a Aécio
Compromissos O tucano aproveitou ainda para escrever sobre o que chamou de “compromisso pessoal” com os aposentados e voltou a dizer que se eleito vai rever o fator previdenciário. Ele destacou também que vai continuar lutando contra “as mentiras do PT”.
está alto demais”. “Nessa campanha é importante lembrar como foi o governo do PSDB. Eles desempregaram 11 milhões de brasileiros”, escreveu a petista. Já Aécio aproveitou o Twitter para continuar reforçan-
Intenção de votos nas redes sociais
No Facebook, a aposta dos candidatos foi desde vídeos próprios até exaltação de artistas que estão os apoiando. Aécio aparece em duas mensagens gravadas. Em uma delas, pede mobilização e repete que “falta muito pouco tempo para a libertação do Brasil”. Em outro vídeo, o tucano destaca que “o Brasil merece um governo decente, eficiente, qualificado”. No quesito artistas, Aécio destacou o depoimento da cantora Paula Toller e, logo na sua primeira postagem de hoje, colocou um vídeo do cantor Xandy, vocalista da banda Aviões do Forró, com uma paródia da música Festa, de Ivete Sangalo.
A força da campanha virtual Ao longo de toda campanha, as redes sociais tornaram-se importante ferramentas de comunicação. No pleito passado, a força dessas comunidades virtuais ainda não tinha relevância, mas nas eleições de 2014 definitivamente elas tiveram um papel muito importante.
Decisão voto a voto: PT X PSDB AIRSTRIP
no Estado tenta conter um possível avanço do tucano em um território considerado estratégico para ambos. Dilma tem explorado com frequência o fato de ter vencido Aécio em Minas Gerais no primeiro turno e argumenta que “quem conhece não vota nele”.
REDES SOCIAIS ANALISADAS FACEBOOK E TWITER
O
Airstrip, empresa especializada em pesquisa de mercado social analytics, realizou entre os dias 5 e 23 de outubro mais uma pesquisa sobre as intenções de voto declaradas pelos internautas nas redes sociais. De acordo com o novo levantamento, o candidato Aécio Neves (PSDB) lidera com 53%, enquanto a candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) possui 47% das intenções de voto declaradas. No total, o Airstrip analisou 85.050 posts no Facebook e no Twitter durante todo o período do 2º turno. O pico das declarações de voto ao candidato do PSDB aconteceu em dois momentos: logo após o 1º turno das eleições e no dia 12 de outubro, quando Marina Silva, do PSB, declarou apoio a Aécio neste 2º turno. Já a candidatura de Dilma vez passando por um crescimento nos últimos dias. Inclusive, no dia 23 de outubro – a quinta-feira anterior à eleição – Dima ficou com 52% dos votos declarados, contra 48% de Aécio. Em outro levantamento, da Broadcast Político, mostrou que, até as 17 da última quarta-feira (22), Dilma fez 11 postagens no Twitter e 12 no Facebook, incluindo as compartilhadas de outras páginas. O número é parecido com o do tucano, que, desde o início do dia, postou 14 mensagens no Twitter e dez no Facebook. Na batalha por seguidores, o tucano leva vantagem no Facebook, com 3.151.182 seguidores contra 1.764.480 que acompanham as postagens da presidente. Já no Twitter, Dilma lidera com folga: tem 2.901.805 seguidores contra 192.447 do tucano, que aderiu às mensagens instantâneas desta plataforma bem mais tarde do que a presidente. Dilma aproveitou, por exemplo, sua passagem por Uberaba (MG) para lançar a hashtag #DilmaPraMudarMinas. A investida da petista
Inovação Para o doutor em comunicação e professor de mídias sociais do Mackenzie Celso Figueiredo, ao longo do processo eleitoral, a campanha de Dilma tem sido mais consistente e com melhor nível técnico. No entanto, Aécio tem sido o mais inovador. “O Aécio foi o mais inovador ao usar o WhatsApp e incentivar a disseminação de seu vídeo, mas de uma maneira geral a distribuição de assuntos da campanha da Dilma é maiscompleta”, afirmou. Maior presença Para o professor, a petista tem um estrutura mais consistente por trás de sua candidatura, mas nesta reta final é o tucano que tem conseguido marcar uma presença maior nas redes. “Agora no final tenho visto Aécio mais presente, com apoios e vídeos que vão desde o depoimento de FHC até de Chitãozinho e Xororó”, disse.
EXPEDIENTE EDIÇÃO Isabella Siqueira de Castro e Costa e Náis Campos
REPORTAGEM Joelma Muniz, Raphael Lobato, Luana Dávila e Assessorias
REVISÃO Dernando Monteiro, Gracycleide Drumond e João Alves
DIAGRAMAÇÃO Adyel Vieira, Kleuton Silva, Klinger Santiago e Mário Henrique
TRATAMENTO DE FOTOS Adriano Lima