Skip to main content

Eleições 2014 - 12 de outubro de 2014

Page 1

Especial

Eleições 2014 MANAUS, DOMINGO, 12 DE OUTUBRO DE 2014

politica@emtempo.com.br

(92) 3090-1019

Esq.-dir.: Felipe Souza, Pastor Carlos Alberto, Fabrício Lima e Bosco Saraiva

Esq.-dir.: Therezinha Ruiz, Wilker Barreto, Marcel Alexandre e Marcelo Serafim

Vereadores testam popularidade nas eleições Concorrendo a cargos estaduais e federais, pelo menos 26 vereadores testaram, nas urnas, o tamanho de suas popularidades CARLOS EDUARDO MATOS Equipe EM TEMPO

P

ara 26 vereadores de Manaus, ter participado destas eleições foi mais que uma disputa por vaga no parlamento estadual, no Congresso Nacional ou no Senado: foi o momento de avaliar a popularidade deles entre os eleitores da capital, com os olhos voltados para as eleições municipais de 2016. Nesta batalha, muitos saíram feridos. Mesmo tendo a vantagem de serem vereadores – alguns com forte apoio político do prefeito Athur Neto e com extenso trabalho social nos bairros – seis parlamentares receberam menos votos que nas eleições de 2012; nove tiveram um desempenho razoável, com aumento de mais de 2 mil votos, se comparado com o último pleito. Apenas dois vereadores mantiveram suas margens de votação. Em compensação, oito vereadores superaram as expectativas e tiveram aumento de mais de 5 mil votos nesta eleição. O faltoso Ironicamente, os três vereadores mais votados nas eleições de 2012 foram os que tiveram os piores resultados nesta eleição. Reizo Castelo Branco (PTB), que liderou a lista dos mais votados, com 18,1 mil votos, recebeu como candidato a de-

putado estadual 13,1 mil votos em Manaus, quase 5 mil a menos. Campeão de faltas na Câmara Municipal de Manaus (CMM), mas com extenso trabalho nas comunidades carentes, sempre com apoio do pai, deputado federal Sabino Castelo Branco, e da mãe, deputada estadual Vera Lúcia Castelo Branco, ambos do mesmo partido, Reizo sofreu uma forte rejeição e perdeu a disputa. No interior do Estado, ele também não foi bem, pois recebeu apenas 804 votos. Procurado pela reportagem, o vereador não foi localizado para dar declarações. O assíduo O segundo mais votado nas eleições de 2012, com 15,4 mil votos, o vereador Álvaro Campelo (PP) conquistou a confiança de 10,2 mil eleitores em Manaus, o que não foi suficiente para ele sair vitorioso na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). Parlamentar de primeiro mandato, Campelo é conhecido pelo trabalho em defesa dos direitos dos consumidores. Ele não soube explicar a razão dessa queda no número de votos, apenas disse que o “dinheiro prevaleceu sobre o trabalho”, referindo-se à cam-

panha política feita com pouco recurso. “Não faltei a nenhum dia de sessão na Câmara Municipal, realizei várias ações de fiscalização em supermercados e shoppings, exerci meu mandado com afinco, com apoio do povo. Em nossas pesquisas, meu nome estava entre os favoritos. Por alguma razão que desconheço, não fui eleito”, lamentou. O vereador Plínio Valério (PV), que ficou em terceiro colocado

INVESTIMENTO

Parlamentares com mais experiência e considerável apoio político investem pesado e buscam a vitória, mas uma boa parte dos vereadores entra na eleição somente para testar sua popularidade na lista dos mais votados em 2012, com pouco mais de 12 mil votos, este ano arrebatou 10,6 mil votos em Manaus. Juntando os votos no interior do Estado, o ex-deputado federal conseguiu 12,3 mil votos, quase o mesmo resultado da eleição para vereador. Os números bateram forte o parlamentar, que chegou a afirmar, na tribuna da CMM, que este resultado foi um fracasso. Em uma rede social, Plínio disse que está repensando

sua careira política, mas que não pretende encerrar. “Sequer repeti o resultado para vereador, que é a eleição mais difícil de todas. Eu fracassei em minha estratégia. Quando pessoas ligavam para saber meu número e ainda pensavam que eu era candidato a deputado federal me assustei um pouco, mas afinal, precisava de poucos votos. O certo é que não deu. Essa é a realidade com a qual tenho que conviver daqui pra frente”, escreveu o parlamentar. Os veteranos O vereador Isaac Tayah (PSD) também teve menos votos em Manaus: foram 7,9 mil em 2012 contra 7,2 mil neste pleito, uma diferença de 743 votos. Gilmar Nascimento (PDT) quase igualou o resultado de 2012 e de 2014, com diferença de apenas 272 votos. O veterano Mário Frota (PSDB), outro decepcionado nesta eleição, disse que não acreditou no resultado e ficou surpreso com os números. Em 2012, ele recebeu 6,5 mil votos, sendo que neste último pleito, caiu para 5 mil em Manaus. “Não consigo apontar o erro, não sei o que aconteceu. Estava entre os vereadores com grandes chances de vencer no voto, tinha uma boa aceitação entre o público. Quando saiu o resultado das eleições, fiquei chocado”, afirmou. Esq.-dir.: Mário Frota, Isaac Tayah, Álvaro Campelo, Gilmar Nascimento, Plínio Valério e Reizo Castelo Branco

Meta: multiplicação dos votos Enquanto uns tentam encontrar o erro que cometeram nesta eleição, outros comemoram o sucesso da estratégia. É o caso do vereador e presidente da CMM, Bosco Saraiva (PSDB), eleito deputado estadual. Sexto mais votado em 2012, com 9,7 mil votos, ele conseguiu quase duplicar os votos em Manaus. Ele atribuiu o bom resultado ao trabalho que vem desenvolvendo à frente da CMM, sem ter parado de ir às comunidades. A vereadora Professora Therezinha Ruiz (DEM) não foi eleita deputada estadual, porém, conseguiu duplicar os votos na capital. A experiência serviu de termômetro para uma possível reeleição, em 2016. Há dois anos, Therezinha recebeu 5,3 mil votos e chegou à CMM pelo quociente partidário. Neste pleito, ela conquistou 10,8 mil votos em Manaus. “Ganhei visibilidade como vereadora. Tenho participado ativamente na solução dos problemas da cidade. Todos os dias vou às comunidades, converso com o povo e os trabalhadores, principalmente

os educadores. Não tenho descansado”, disse. O ex-secretário municipal de esporte e lazer, vereador Fabrício Lima (SDD) também não venceu, mas conseguiu obter 6,1 mil votos a mais, em relação à votação dele em 2012. Evangélicos A bancada evangélica da CMM também teve bom resultado. O vereador Pastor Carlos Alberto (PRB), eleito deputado estadual, recebeu 9 mil votos a mais em relação ao pleito de 2012, enquanto o pastor Marcel Alexandre obteve aumento de 5 mil votos, embora tenha perdido a disputa para deputado estadual. Wilker Barreto (PHS) e Felipe Souza (PTN), ambos candidatos a deputado federal, não venceram, mas tiveram bom alcance de votação em Manaus, com crescimento de 16 mil e 18 mil votos, respectivamente. Marcelo Serafim, único vereador que disputou o cargo de senador, obteve 81,2 mil votos, só em Manaus. Na eleição para vereador, ele conquistou 6,7 mil eleitores.

Projeção publicitária era o foco O sociólogo e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Afrânio Soares, explicou que alguns vereadores entram nas eleições estaduais apenas para obter projeção publicitária que a campanha política proporciona, enquanto outros entram na disputa para ganhar. Parlamentares com mais experiência e considerável apoio político investem pesado e buscam a vitória, mas uma boa parte dos vereadores, por uma série de motivos, entra na eleição somente para testar sua popularidade e evitar o ostracismo que envolve o

mandato de vereador”, afirmou. De acordo com ele, a estratégia de campanha para deputado estadual, federal ou senador é diferente em relação à eleição para vereador, por questão de área geográfica. “Nas eleições estaduais, o candidato concentra-se demais no interior do Estado e perde um pouco seu foco na capital e isso pode afetar o resultado nas urnas. Na disputa para vereador, o candidato concentra sua campanha em uma determinada área da cidade, mas não deixa de ser uma campanha complicada e cansativa”, afirmou.


2

Eleições 2014

MANAUS, DOMINGO, 12 DE OUTUBRO DE 2014

Um olhar político sobre os direitos das crianças FOTOS: DIVULGAÇÃO

Amparados e com direitos assegurados pela Constituição Federal, as crianças necessitam de um olhar especial dos parlamentares JOELMA MUNIZ Equipe EM TEMPO

E

sperança de um futuro melhor, as crianças brasileiras são celebradas hoje, com um dia todo dedicado a elas. Amparados e com direitos assegurados pelo maior dos conjuntos de lei, a Constituição Federal, os pequenos e pequenas necessitam de um olhar especial dos entes legislativos, que carregam nos ombros a missão de formular leis que as assegurem educação, saúde, dignidade, lazer, boa alimentação, entre outros itens indispensáveis, para que cresçam e se tornem homens e mulheres conscientes de seu deveres e direitos. De olho nas necessidades das crianças manauenses, ao menos 20 vereadores da Câmara Municipal de Manaus (CMM) apresentaram projetos de lei, visando o público infantil. As propostas, que em boa parte estão ligadas ao sistema educacional, utilizado para a alfabetização das crianças, somaram até o dia de hoje 30 ações, que estão em tramitação pelas comissões da casa. Dentre os Projetos de Lei, estão o 74/2014, elaborado pela vereadora Therezinha Ruiz (DEM), que visa instituir campanha permanente de conscientização contra o ‘Cyberbullying’, no âmbito do município. Legislação que tenta se adequar às novas formas de violência contra as crianças matriculadas na rede municipal de ensino. Sem voz De acordo a parlamentar, para legislar em prol do público, cuja voz ainda não ecoa no parlamento, é preciso estar atento e sensível aos problemas e necessidades vividos no dia a dia deles. “Como muita coisa é plantada no âmbito escolar, é preciso perceber e oferecer a elas a oportunidade de modo indistinto. Temos que ter consciência para produzir projetos que atendam não só as crianças ricas, mas também e de modo especial, as crianças pobres”, comentou. Um dos projetos que devem beneficiar as crianças, já no próximo ano, é o que implementa o ensino de língua inglesa nas instituições municipais, que atendem crianças a partir de quatro anos de idade. “Essa foi uma das nossas conquistas dentro da Câmara Municipal de Manaus. Ano que vem esses meninos e meninas terão acesso à língua inglesa. Isso refletirá de maneira positiva em seus futuros”, ressalta. Uma indicação proposta à Prefeitura de Manaus, e que também está em tramitação na CMM, pretende ampliar a qualidade de ensino de crianças portadoras de deficiência, que estão matriculadas na rede pública na cidade. “Essas crianças precisam de atenção, elas merecem ter uma educação à altura da fornecida para qualquer outra. É necessário que elas tenham dentro da sala de aula o apoio de uma pessoa que chamamos de mediador. Esse profissional, junto com o professor, ajudará a inserir a criança no meio. Espero que nossa proposta seja entendida e que o Executivo possa abraçar a causa”, explicou.

De olho nas necessidades das crianças manauenses, ao menos 20 vereadores da Câmara Municipal de Manaus apresentaram projetos visando o público infantil

Cuidados começam na gestação Trabalhando com o público infanto-juvenil há 17 anos, o vereador Professor Bibiano (PT) ressalta que a preocupação precisa se estender às crianças ainda no ventre de suas mães, e que por isso propõe que as gestantes tenham o direito de utilizar o transporte coletivo de maneira gratuita. Liberando-as de se expor à catraca e ao empurraempurra dos ônibus, comumente lotados. “Passando por essa proposta, que resguarda as crianças ainda no ventre de suas mães, também nos preocupamos com a qualidade do ensino que elas vão receber ao longo

da vida. Estamos atentos à necessidade de oferecer segurança no ambiente escolar, e por isso também proponho que esses ambientes sejam regulamente avaliados”, frisou. O desenvolvimento de programa de saúde preventiva na escola e o desenvolvimento de política de acompanhamento especial para alunos portadores de doenças neurológicas estão na lista de projetos, encabeçados pelo petista. A criação de um ambiente escolar seguro, segundo a vereadora Professora Jacqueline (PPS), é essencial não só para o futuro intelectual das

crianças, como é um mantenedor de sua integridade física e moral. “Como educadora me sinto porta-voz dessas crianças, nossos projetos de lei precisam refletir esse mundo. Família, escola e sociedade precisam se unir por eles, que ainda não têm voz suficiente para lutar por si”, destacou. A socialista reúne projetos que visam campanha de conscientização sobre a Síndrome Alcoólica Fetal, pede a inserção de temas transversais de educação nas escolas e institui a semana municipal das meninas, a ser realizada anualmente na semana do dia 11 de setembro. DIVULGAÇÃO

Parlamentares estão priorizando as crianças em seus projetos

MAIS PROJETOS

Vereador propõe leis que assegurem os direitos das crianças ainda no ventre materno

O projeto 285/2014, do vereador Ednailson Rozenha (PSDB), dispõe sobre a obrigatoriedade dos hospitais públicos e privados e instituições congêneres a notificarem ocorrências de uso de bebidas alcoólicas e/ou entorpecentes por crianças e adolescentes. Já o vereador Massami Miki (PSL) pede a criação do programa educativo Pequeno Agricultor Sustentável nas escolas da zona rural de Manaus. Para resguardar a segurança de crianças em grandes estabelecimentos comerciais, o vereador

Roberto Sabino (Pros) sugere que sejam instaladas placas com informações de segurança próximo a escadas e esteiras rolantes. Luis Mitoso (PSD) apresentou projeto de lei pedindo a implantação de medidas de prevenção ao suicídio nas escolas. Junior Ribeiro (PTN), defende o passe-livre estudantil nos serviços de transporte coletivo de Manaus e o programa de bolsa creche às crianças que não obtenham vagas na rede municipal de ensino, por intermédio de convênio com escolas particulares.


Eleições 2014

MANAUS, DOMINGO, 12 DE OUTUBRO DE 2014

3

Marcelo RAMOS

‘Seria PATÉTICO TIRAR foto abraçado COM QUALQUER um dos CANDIDATOS’ FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

ISABELLA SIQUEIRA Equipe EM TEMPO

T

Passei a campanha inteira dizendo que Eduardo Braga e José Melo eram farinha do mesmo caso. Seria patético ao acabar as eleições eu, que estive na linha de frente com eles, subir no palanque e tirar foto abraçada com qualquer um desses candidatos”

erceiro lugar no ranking para cargo de governador do Amazonas no último pleito, o deputado estadual Marcelo Ramos (PSB) se tornou a “noiva mais cobiçada” nesta segunda etapa do pleito. Fiel depositário de cobiçados 179,7 mil votos, a maioria na capital, um dia após a abertura das urnas Marcelo foi procurado pelos dois candidatos que estão no segundo turno do pleito para conseguir seu apoio. Mas, o socialista preferiu manter firme a sua posição de que os dois candidatos “são farinha do mesmo saco” e apesar de declarar abertamente que irá votar em José Melo (Pros), destacou que não irá subir em palanque de ninguém. Natural de Manaus iniciou sua vida política atuando no movimento estudantil secundarista, Formou-se bacharel em Direito e intensificou sua atuação política. Entre os anos de 2005 e 2006, adquiriu experiência com administração pública nas esferas municipal – como subsecretário municipal de Esportes da cidade de Manaus (2005). Em março de 2007, assumiu mandato como suplente na Câmara Municipal de Manaus, sendo líder do Prefeito e presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Dois meses depois, se licenciou do cargo para se tornar presidente do Instituto Municipal de Transportes Urbanos (IMTU), onde permanecei até abril de 2008, quando reassumiu o cargo de vereador, para o qual foi reeleito vereador com 5 mil votos. No ano de 2010, sua atuação ganharia novo âmbito com a candidatura para o cargo de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Amazonas, onde exerce mandato até o fim deste ano. Este ano, Marcelo arriscou candidatura ao governo do Amazonas e foi apontado por especialista como a surpresa do pleito. Quatro dias após a abertura das urnas, Marcelo recebeu a equipe do EM TEMPO, para falar sobre seu futuro político, suas avaliações sobre o pleito e também sua situação dentro do PSB, após a sigla declarar apoio a José Melo sem a sua anuência. EM TEMPO – Após apresentar um potencial inesperado pelos seus adversários e até mesmo pelas pesquisas no primeiro turno da eleição, você se tornou cobiçado pelos candidatos José Melo e Eduardo Braga. Eles já te procuraram para pedir seu apoio? Marcelo Ramos – A nossa campanha ele teve um resul-

tado verdadeiramente surpreendente para a grande maioria do povo, não pra mim, que sempre acreditei no projeto. Minha candidatura foi responsável pela existência de um segundo turno nesta eleição, fato que ocorre pela primeira vez na história política do Amazonas. E o mais importante, nós tivemos a maior votação já vista de uma candidatura independente no Estado, isso demonstra que cresce o anseio da população por alternância de poder deste grupo que nos governa há 32 anos. Após abertura das urnas fomos sim procurados por vários emissários de ambos os candidatos, e todas as conversas que tivemos com esses grupos foram republicanadas, relacionadas ao plano de governo e pespectiva para 2016, e isso é natural. EM TEMPO – E por que decidiu não apoiar ninguém? MR – Eu passei a campanha inteira dizendo que Braga e Melo era farinha do mesmo saco e representavam o mesmo projeto, que eu combato a minha vida inteira. Seria patético acabar a eleição e tirar uma foto abraçado com qualquer um dos candidatos. Eu entendo que o voto é um direito e dever da democracia e não considero o voto nulo um ato democrático, portanto, decidi escolher entre um dos candidatos como cidadão sem a pretensão de induzir a votação dos meus 180 mil eleitores, até porque eles são homens e mulheres conscientes, responsáveis com o futuro do Amazonas que vão saber a sua melhor escolha. Agora, me senti na obrigação de escolher entre os dois e anunciar o meu voto em José Melo, apenas isso. EM TEMPO – O PSB, seu partido, declarou na semana passada apoio ao candidato José Melo, mas você não participou deste encontro. Por que? MR – A minha posição é diferente da posição do partido. O Marcelo Serafim, o Serafim Corrêa e o Elias Emanuel eles não tiveram o nível de enfrentamento que eu tive com esses dois candidatos que estão no segundo turno, porque eles não estavam na linha de frente da disputa com eles. Então, pode até ser razoável para eles a atitude de apoio, mas para mim não era. Até o ultimo domingo eu combatia essas duas candidaturas. Agora, isso é uma posição minha, não significa que tenha ocorrido racha dentro da legenda, pelo contrário, um dia antes do anuncio do partido eu estive conversando com o Serafim Corrêa e avisei que não iria para coletiva e dei os meus motivos. A diferença é que eles vão votar, apoiar,

fazer campanha e enganhando participar do governo. A minha será apenas de votar. EM TEMPO – E qual vai ser o seu futuro político para 2015, após finalizar seu mandato de deputado federal? MR – Eu tenho uma vida militante, eu não me tornei militante por causa de um mandato parlamentar. Fui presidente de grêmios estudantis, centro acadêmicos, concorri a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), entre outros. Portanto, eu vou retomar a minha militância cidadã. E acho que isso será muito bom pra mim porque o afastamento do ambiente parlamentar e das coisas que o parlamento te proporciona me fará resgatar o espírito militante que tenho. O meu projeto é continuar com atividades políticas, claro que sou um homem simples e preciso sustentar a minha família e ainda estou procurando um caminho para isso. Sou advogado, e voltar a advogar será um afastamento do ambiente político, mas estou vendo alguns projetos. EM TEMPO – E quais são esses projetos? MR – Por exemplo, quero transformar o meu site em um blog político de opinião e fiscalização. Estou também com a ideia de trabalhar um instituto ou uma fundação que auxilie a população a manusear os sites de contas públicas e acompanhar uma fiscalização maior no Estado. EM TEMPO – Você citou que agora almeja cargos do patamar majoritário e em 2016 teremos uma campanha para prefeito, onde o atual administrados, Arthur Neto (PSDB) já sinalizou interesse em concorrer à reeleição. Se ele te convidasse para ser vice dele, aceitarias? MR – Tive muito orgulho em ser vereador, pois foi lá que criei bases para atuação da minha vida política. Fui líder do governo e da população, agora é óbvio que o caminho natural não seria eu concorrer ao cargo de vereador em 2016, depois de participar deste processo e ter o resultado que tive é natural que almeje disputar a prefeitura. Tenho muito respeito pelo prefeito Arthur Neto, inclusive o meu partido compõe o governo dele, agora eu tenho a minha independência. Disputar a prefeitura seria um caminho natural, mas não quero discutir isso agora, não é o momento correto e não vou atropelar as coisas e criar instabilidade para o prefeito. Ele tem que ter tranquilidade para governar e cuidar da cidade. No momento correto irei decidir isso.

EM TEMPO – Com a saída da Marina Silva da disputa a presidência da República como vai ficar seu apoio para esse cargo? MR – Eu seguirei a Marina. Ele ficou de anunciar no dia desta entrevista o seu posicionamento, mas decidiu adiar e eu irei apoiar quem ela apoiar. E toda a minha energia de militante será canalizada para a campanha do presidenciável que Marina indicar. EM TEMPO – Mas você, Marcelo Ramos tem alguma preferência? MR – Eu penso que a alternância de poder é essencial para a democracia. O governo do PT está há 12 anos no poder e já vem algum tempo comprometendo as instituições republicanas e a perpetuação deste projeto poderá abalar os pilares da República. Eu acho que é preciso mudança, mas claro que essa mudança seria melhor com a Marina Silva. EM TEMPO – Se o futuro governador do Amazonas lhe convidar para assumir algum cargo na sua administração você aceitará? MR – Isso está totalmente descartado. Eu não concordo com a forma do Eduardo (Braga) governar e não concordo com a forma do José (Melo) governar. E o atual governador não terá tempo daqui até o fim do ano para me mostrar que vai fazer algo diferente do que fez até aqui. Portanto, não tenho elementos e segurança para aderir ao governo deles. Tudo o que faço na minha vida tem justificativas, eu posso até errar, mas sempre tenho uma justificativa para isso. E não teria fundamento aceitar um cargo no governo no futuro. Irei manter a minha independência. EM TEMPO – As pesquisas eleitorais do Estado te mostravam com índice baixo de aceitação, o que se mostrou contrário nas urnas. Qual a sua opinião sobre esses institutos? MR – Fui esmagado por esses institutos, mas costumo dizer que eles acertam algumas vezes e erram outras também, já as urnas sempre acertam. Agora, o que ficou claro neste pleito que houve uma orquestração desses institutos para me prejudicar. As pesquisas no Amazonas são inimigas da democracia porque são utilizadas para manipular a vontade popular. É absolutamente incoerente um instituto desse ser contratado de um candidato e divulgar dados como se fossem resultados imparciais. Fui esmagado por esses institutos. Lamentam que existam pessoas que coloquem seus lucros acima da democracia.

Aceitar qualquer cargo público na nova administração estadual está totalmente descartada. Eu não concordo com a forma do EduardoBraga e do José Melo de governar”

Fui esmagado pelos institutos de pesquisa do Amazonas. Nesta eleição ficou claro que houve uma orquestração destes setores para tentar me prejudicar”


Eleições 2014

PSOL prefere manter a neutralidade no 2º turno

Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

www.claudiohumberto.com.br

“Foi uma enorme fraude intelectual” Jornalista

CANDIDATO DO PSBD A PRESIDENTE, AÉCIO NEVES, sobre o programa eleitoral do PT

Petrolão: paraísos fiscais mudaram de endereço O propinoduto da Petrobras mostrou os novos destinos do dinheiro da corrupção. O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, por exemplo, tem contas em Hong Kong, distante paraíso fiscal, como revelou esta coluna em junho. O submundo da corrupção agora prefere países que não se submetem a regras internacionais de combate à lavagem de dinheiro: além da China, Rússia e Coréia do Norte.

ção no Diário Oficial, o deputado distrital reeleito Agaciel Maia (PTC) mandava tanto no Senado que distribuía “bondades” sem consultar a mesa diretora. Até emprestou apartamento do Senado ao ministro Joaquim Barbosa, após sua nomeação para o Supremo Tribunal Federal.

Quase democrático Fora do circuito Suíça e Cayman, paraísos “tradicionais”, ditaduras são os destinos mais procurados por quem deseja esconder dinheiro.

Registre-se O empréstimo dos imóveis não implicou em qualquer comprometimento de Joaquim Barbosa ou Massami Ueda, reconhecidos pela seriedade.

Melou o esquema Órgãos fiscalizadores e de controle do Brasil já têm acordos de cooperação com a Suíça, Belize, Ilhas Cayman, Jersey, Seychelles etc.

A punição Agaciel teve os direitos políticos suspensos por 8 anos e está proibido de receber benefícios fiscais por 5 anos e a pagar multa milionária.

Esconder é difícil Paraísos menos famosos como a Ilha de Man e a Ilha Jersey também já são conhecidos pelas autoridades e, portanto, menos procurados.

Calmantes na veia Até deputados aliados de Dilma ironizam: a grande ganhadora com as denúncias do doleiro Alberto Youssef foi a indústria farmacêutica, que deve ter multiplicado a venda de calmantes e remédios para dormir.

Quem avisa... Despreparado, com um único hospital especializado, o governo Dilma deveria impedir voos da África, após o ebola arrombar a porta. Condenado, Agaciel mandava muito no Senado Condenado na Justiça Federal pelo escândalo dos Atos Secretos, usados para nomear apadrinhados sem concurso e sem publica-

O resolvedor Ocuparam apartamentos funcionais do Senado, cedidos por Agaciel Maia, ministros como Joaquim Barbosa (STF) e Massami Ueda (STJ).

MANAUS, DOMINGO, 12 DE OUTUBRO DE 2014

Motivo para o posicionamento é, segundo a sigla, a ausência de planos de governo dos dois candidatos que disputam a vaga ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

4

Grande do Sul para pedir votos a Ivo Sartori (PMDB), enquanto Dilma participará do palanque do governador Tarso Genro (PT), candidato à reeleição. Calma lá Vaiado em uma roda de amigos em São Paulo após declarar voto a Dilma, o marqueteiro nacional do PMDB, Elsinho Mouco, amenizou discurso: “Sou Dilma, mas não necessariamente contra o Aécio...”. Adiamento O senador João Capiberibe pediu a Roberto Amaral o adiamento da escolha do presidente do PSB, para depois do 2º turno. “É para não prejudicar companheiros em campanha eleitoral”, justificou em carta. Números do pólo O polo de Manaus faturou R$ 54,6 bilhões nos oito primeiros meses do ano. Números da Suframa apontam crescimento de 5,6% em reais e queda de 2,9% em dólar, comparando com igual período de 2013. Pior que tá, fica Com a renovação de mais de 40% da Câmara e dos altos índices de abstenção, o líder do PRB, George Hilton (MG), defende a urgência na reforma política: “É recado nas urnas da crise de representatividade”.

Consideração A equipe de Michel Temer anotou: o candidato potiguar a governador Henrique Alves (PMDB) não o convidou para o seu palanque. Mas Alves reclama do apoio de Lula ao adversário Robinson Faria (PSD).

Muitos votos Para a revista inglesa The Economist: Aécio (PSDB), 2º colocado no 1º turno, precisa conquistar mais de 18 milhões de votos, além dos 34 milhões que teve, para ameaçar a liderança de Dilma Rousseff (PT).

Duas frentes Em agenda separada, o vice Michel Temer irá ao Rio

Pergunta no açougue Esse ovo mais barato que a carne é Friboi?

Ex-candidato ao governo do Estado, Abel Alves e cúpula do PSOL preferem a neutralidade CARLOS EDUARDO MATOS Equipe EM TEMPO

O

ex-candidato ao governo do Estado, Abel Alves, e o presidente do PSOL, Elson de Melo, anunciaram, ontem, que não irão apoiar nenhum dos dois candidatos que estão no segundo turno das eleições. Em nota, eles explicam que optaram pela neutralidade por discordarem da ausência de planos de governo para o desenvolvimento do interior do Estado, tanto na campanha de José Melo (Pros), quanto de Eduardo Braga (PMDB). Eles condenaram a atitude dos dois candidatos, que fizeram acusações recíprocas nos debates, sendo que ambos fazem parte do mesmo grupo político. “Nós somos contra o continuísmo. Esperamos que o

povo amazonense saiba reconhecer a vereda sombria dos próximos quatro anos, reafirmando nossa proposta de princípios socialistas”, diz a nota.

MOTIVAÇÃO

Em nota, o PSOL explicou que optaram pela neutralidade por discordarem da ausência de planos de governo para o desenvolvimento do interior do Estado, tanto na campanha de Melo, quanto na de Eduardo Abel fez uma avaliação positiva da participação do PSOL nesta campanha eleitoral. Ele recebeu 8,8 mil votos, sendo que 7 mil vieram da capital e o restante do interior. Na eleição para prefeito, o

candidato do PSOL c o nq u i s tou 2,4 mil votos. “Foram votos independentes, manifestações de pessoas que optam pela ética e querem a renovação na política. Mas infelizmente, os municípios do interior ainda são um curral eleitoral, onde os candidatos derramaram muito dinheiro”, disse. Abel também criticou a postura do deputado estadual Marcelo Ramos (PSB), ao declarar voto ao candidato José Melo. “Isso pareceu um ‘estelionato eleitoral’, onde ele defendeu uma postura e agora defende outra, justamente aquela que ele tanto combateu no primeiro turno”, analisou.

MERCADANTE

‘Não faremos política ortodoxa’

PODER SEM PUDOR

Conta de somar

AE

Homem sério, o líder mineiro Milton Campos nunca foi daqueles políticos que tentam explicar o inexplicável. Ele perdeu para João Goulart, em 1960, a eleição para vice-presidente da República, que na época não era “casada” com a de presidente. Na expectativa de obter uma avaliação profunda do seu próprio insucesso, um jornalista provocou: - Dr. Milton, por que o sr. perdeu?” - Perdi porque ele teve mais votos – disse, encerrando a conversa mole.

O ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante disse que a presidente Dilma Rousseff (PT) não fará uma política ortodoxa e recessiva se reeleita para o segundo mandato. A afirmação foi feita em entrevista ao jornal “Valor Econômico”. “Nós temos que fazer ajustes fiscais seletivos, inteligentes, que preservem os mais pobres e continuem o esforço de distribuição de

renda e inclusão social”, afirmou na publicação. De acordo com o ministro, que entrou de férias para atuar como porta-voz econômico da campanha da petista, será preciso melhorar o diálogo com o setor privado. Na entrevista, ele afirma que Dilma tem feito reuniões com setores da indústria e lideranças. Questionado sobre o crescimento do país nas gestões

de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e da candidata à reeleição, Mercadante afirmou que os índices são parecidos diante de cenários tão diferentes. “A média do crescimento da economia foi 2,3% nos anos FHC. A média de crescimento no período Dilma será de 2,1%. É muito próximo, mas num cenário econômico muito mais adverso”.

CASO PETROBRAS

Ex-diretor fez ‘delação eleitoral’

Líder do governo afirma que Costa está do lado de Aécio Neves

O líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), disse que Paulo Roberto Costa colabora com a campanha do candidato à Presidência no segundo turno, Aécio Neves (PSDB). Em comício realizado em Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, Fontana disse que Costa não faz delação premiada, mas “delação eleitoral”. “Este Paulo Roberto está participando da campanha de Aécio. É um apoiador da campanha de Aécio”, disse Fontana. As declarações de Fontana

acontecem um dia depois de a Justiça Federal divulgar do áudio de depoimentos de Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Yousseff. Nos depoimentos prestados à Justiça Federal do Paraná, Costa explicou como seria feito o rateio de recursos obtidos por meio de superfaturamento de contratos entre a Petrobras e empresas privadas. Segundo Costa, o dinheiro era dividido entre PT, PMDB e PP. Em Canoas, Fontana disse que foi Dilma quem ordenou as investigações na Petrobras.

“A presidenta Dilma é a chefe da Polícia Federal, porque quem comanda a polícia federal é a presidnta Dilma e ela é que esta mandando investiar a corrupção e ver o que esta acontecendo de errado pra punir qualquer ilegalidade”, disse. Fontana criticou ainda Aécio e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “Corrução tinha às pencas quando o Fernando Henrique foi presidente e até hoje não julgaram o mensalão do Aécio, do PSDB”, disse Fontana.

Prisão Costa foi preso em março durante a Operação Lava Jato. Por decisão do STF, Costa cumpre prisão domiciliar. Costa foi direitor de Abastecimento da Petrobras entre 2004 e 2012 e segundo depoimento do doleiro Alberto Yousseff, foi nomeado por Lula após pressão de políticos das bases aliados. As declarações de Fontana foram feitas minutos antes da chegada de Dilma ao comício em Canoas.


Eleições 2014

MANAUS, DOMINGO, 12 DE OUTUBRO DE 2014

5

Amazônia: prioridade do próximo governo, diz ONG Plataforma apresentada aos presidenciáveis diz que as riquezas da Amazônia têm gerado poucos benefícios aos seus habitantes

T

rês das principais ONGs que atuam na Amazônia decidiram se unir e apelar aos dois presidenciáveis que disputam o segundo turno nas eleições deste ano em nome do desenvolvimento sustentável da Amazônia. A plataforma Amazônia e as Eleições 2014: Oportunidades e Desafios para o Desenvolvimento Sustentável traz uma profunda análise da região e propõe recomendações que serão enviadas aos candidatos à presidência da República. O documento foi elaborado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e Amigos da Terra - Amazônia Brasileira. A plataforma ressalta que a região é superlativa em recursos naturais e importância ambiental. Abriga cerca de um terço das florestas tropicais, a maior bacia hidrográfica do planeta e é rica em recursos minerais e em potencial hidrelétrico. Suas florestas cumprem papel fundamental na conservação da biodiversidade, no ciclo do carbono e regulação do clima. Também prestam um serviço crucial para os brasileiros: a produção de cerca de 20 bilhões de toneladas de vapor d’água por dia, que são transportadas em nuvens e geram chuvas para o Centro-Sul do país. “Apesar desses atributos e do papel estratégico no cenário nacional, as riquezas da Amazônia têm gerado poucos benefí-

FOTOS: DIVULGAÇÃO

cios sociais e econômicos para a grande maioria dos seus mais de 24 milhões de habitantes”, ressalta Paulo Barreto, pesquisador do Imazon. Mesmo assim, a Amazônia passou ao largo dos debates no primeiro turno das eleições. Para as entidades signatárias da plataforma, o desafio de promover o desenvolvimento sustentável na região deve ser encarado, a partir de agora, como uma questão de Estado, assumida pelo governo e

PLATAFORMA A plataforma Amazônia e as Eleições 2014: Oportunidades e Desafios para o Desenvolvimento Sustentável traz uma profunda análise da região e propõe recomendações que aos presidenciáveis pela sociedade brasileira. Ao mesmo tempo, as ONGs afirmam que essa tarefa requer uma perspectiva e prioridades regionais considerando a população local e a diversidade socioeconômica da região. Uso predatório A ocupação da região, alertam as entidades, tem sido marcada pelo desmatamento e o uso predatório dos recursos naturais. O desmatamento acumulado atingiu em 2013 cerca de 760 mil quilômetros

quadrados. Apesar disso, o PIB da Amazônia Legal tem se mantido em torno de 6% a 8% do total nacional nas últimas duas décadas, e seu PIB per capita é cerca de metade da média brasileira. A região está atrás do Brasil no cumprimento das metas do milênio e no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Progresso? O documento lembra o Índice de Progresso Social da Amazônia revelou que 98,5% dos 772 municípios da região têm uma pontuação de progresso social inferior à média nacional, com saneamento precário, acesso limitado à internet, educação básica de baixa qualidade, educação superior insuficiente e insegurança. Alguns de seus municípios estão entre os mais violentos do Brasil, destacam as entidades na justificativa dos pleitos aos candidatos. “É hora de constatar que os atuais investimentos na Amazônia não promovem desenvolvimento, e que desmatamento é impeditivo do desenvolvimento. A partir disso, é preciso desenhar e implementar uma política de desenvolvimento regional baseada na diversidade do território” diz Roberto Smeraldi, diretor da Amigos da Terra - Amazônia Brasileira.

Propostas aos presidenciáveis

energia, óleo e gás, logística e telecomunicações devem atingir cerca de R$ 130 bilhões até 2020 na Amazônia, o licenciamento ambiental das respectivas obras não consegue induzir a mitigação dos efeitos colaterais negativos. Como alternativa, as ONGs propõem que os investidores contribuam para um fundo cujos recursos pagariam as análises de risco sem interferência de quem gera o impacto. Querem ainda que o novo governo priorize investimentos em infraestrutura para o desenvolvimento local, especialmente em saneamento básico, estradas vicinais e geração de energia

Agronegócio e as novas tecnologias

distribuída em comunidades rurais. É preciso combinar o planejamento das obras com investimentos sociais, recomendam as organizações.

Para que o setor se torne rentável e sustentável na Amazônia será necessário investir em tecnologia. Por exemplo, um investimento de cerca de R$ 1 bilhão por ano daria conta de suprir a demanda do aumento de consumo de carne até o ano 2022 melhorando a produtividade de um quarto da área de pasto mal utilizado. Isso geraria 39 mil novos empregos. O valor adicional na produção agropecuária seria de R$ 4,2 bilhões por ano, representando um aumento de 16% em relação a 2010. As ONGs lembram que irregularidade ambiental e fundiária e a baixa eficiência, no entanto, aprisionam muitos produtores num dilema: sem regularização eles não conseguem acesso a crédito. Porém, para custear a regularização, parte das fazendas devem tornar-se mais produtivas – e, para isso, é preciso

Prioridades O fato de a Amazônia ter quase dois terços de sua população nas áreas urbanas torna essencial priorizar a infraestrutura para a economia de serviços e interromper o tradicional processo de “exportação” dos benefícios que tem caracterizado os grandes empreendimentos de infraestrutura na região. Para isso, é necessário capacitar as micro e pequenas empresas com prioridade para as cidades médias no interior.

O agronegócio é outra plataforma que integra documento que será entregue aos candidatos

Novas políticas com ênfase ao meio ambiente é uma das propostas dos ambientalistas

Para reverter o dramático quadro socioambiental da Amazônia, as ONGs signatárias da plataforma pedem para que o novo governo reveja imediatamente a política energética atualmente imposta para a região e que tem como base em um ambicioso plano de expansão de geração de energia elétrica, que inclui a construção de 30 hidrelétricas (UHE) na Amazônia até 2023. Além de investir em eficiência energética, a plataforma reivindica priorizar fontes com menos impactos socioambientais, incluindo eólica e solar (fotovoltaica) e biomassa. Enquanto os investimentos públicos nas áreas de

Organizações brasileiras estão preocupadas com o destino e preservação da região amazônica

tomar crédito para investir. Para estimular o uso mais eficiente e sustentável das terras na região, as ONGs sugerem acelerar a regularização das posses, mas sem subsídios, e cobrar efetivamente o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural e alocar as terras públicas devolutas. Agricultura familiar O apoio à agricultura familiar na Amazônia também deve de ser revisto. Os 2.261 assentamentos federais somam mais de 30 milhões de hectares, com aproximadamente 400 mil famílias assentadas. Esse território ainda detém 15,8 milhões de hectares em floresta, dos quais 13,3 milhões (84%) concentram-se em apenas 600 assentamentos. No entanto, a grande maioria desses assentamentos tem sido implantada sem investimentos

adequados em infraestrutura, serviços sociais básicos e assistência técnica. O resultado tem sido a combinação de degradação ambiental, conflitos sociais, inviabilidade econômica das atividades agrícolas ou extrativistas e, consequente, o abandono ou venda ilegal dos lotes. Para estimular a conservação e a restauração florestal, a plataforma sugere que o governo federal institua pagamentos por serviços ambientais para os agricultores familiares, conforme já autorizado pelo novo Código Florestal e de outras fontes de financiamento. O pagamento deveria ser condicionado ao monitoramento da cobertura florestal por meio de imagens de satélite. Os indicadores de progresso social poderiam ser usados para identificar as áreas prioritárias para recebimento desses pagamentos.


6

Eleições 2014

MANAUS, DOMINGO, 12 DE OUTUBRO DE 2014

Como o Facebook é usado para conquistar seu voto Promover ou desconstruir reputações são apenas dois exemplos das redes sociais quis se identificar) afirma que seu trabalho é fazer com que marcas, sejam elas de empresas ou pessoas, tornem-se não apenas conhecidas, mas também respeitadas e admiradas. Em períodos eleitorais, campanhas políticas o contratam para fazer o mesmo por seus candidatos. Atua em duas frentes: na principal e visível, ele ergue o político contratado. E, secundariamente e com máxima discrição, desconstrói o discurso de seus adversários. Os dois grupos – de construção e desconstrução – atuam de forma independente e separados um do outro em uma campanha eleitoral. No primeiro, os perfis usados são reais, de pessoas da sua equipe. No segundo, um grupo de cinco pessoas controla meia dúzia de perfis cada – perfis criados especialmente para isso. Quem elogia não bate Quem bate não elogia As duas equipes são chamadas de “seeders’’ (semeadores, em inglês) e têm o objetivo de disseminar conteúdo sobre os candidatos como pessoas comuns fariam. Uma coisa é uma fanpage de um candidato distribuir notícia. A outra é uma

pessoa comum fazer isso circular, interagindo e debatendo com os outros internautas sobre aquele conteúdo, demonstrando dúvidas, avançando, retrocedendo, construindo junto. Essa relação humanizada é o que torna eficaz a conquista de votos. Mapeamento eamento O tal diretor realiza constantemente um mapeamento digital das páginas que tratam de política, sejam elas de veículos jornalísticos, pessoas ou instituições, e do comportamento delas. Os seus semeadores se conectam a essas páginas e a uma série de outras listas e grupos, cada perfil chega a participar, muitas vezes, de 100 ou 200 listas de discussão ao mesmo tempo.

Perfis ‘fakes’ para enganação

Comentários feitos por perfis na internet, verdadeiros ou fakes, possibilitam o alcance de um grande público

Ferramentas digitais possibilitam que comentários feitos por esses perfis, verdadeiros ou fakes, sejam publicados em todas essas listas ao mesmo tempo, disseminando informações positivas sobre o seu candidato ou negativas sobre o adversário. Nesse ponto, ele faz questão de ressaltar que não faz trolagem violenta ou mentirosa. “Não dissemino calúnia, nem invento histórias’’. Até porque, segundo ele, isso traz outro problema.

Rastreamento não é tão simples Antes, segundo ele, eram necessárias de 30 a 40 denúncias para derrubar um perfil falso. Hoje, com apenas duas o Facebook – a principal plataforma onde ocorre essa disputa digital – já solicita para o perfil alguma forma de comprovação de que ele realmente pertence a uma pessoa de carne e osso. O rastreamento de um perfil falso nem sempre é simples. Muitas vezes, os seeders atuam via acesso remoto – por meio de seus computadores, eles se conectam a uma máquina virtual que está em outro país (normalmente que não possui legislação para liberação de informações compatível com as leis brasileiras). Nada fica registrado no terminal por aqui, garantindo segurança e anonimato. Opta-se também por utilizar sistemas que interpõem dezenas de roteadores ao servidor de origem. Ou seja, mesmo que consigam descobrir o servidor de postagem, ele não é o que foi utilizado realmente pelo operador. Existe toda uma ciência por trás da criação e manutenção de perfis. Bons perfis não são criados da noite

para o dia e desativados após as eleições. Existem indefinidamente, com suas vidas próprias, sendo alimentados constantemente pelos profissionais contratados por essas empresas. Dessa forma, parecem ser pessoas reais, com gostos, medos, preferências, preconceitos, virtudes, enfim, como você e eu. À venda “Sim, alguns de seus amigos digitais, talvez algum daqueles que você nunca viu pessoalmente, podem existir apenas na rede social com o objetivo de te vender algo ou alguém”, diz o diretor. A criação desses perfis não é aleatória mas decorrente de análises de grupos sociais. Pode ter um Lineu, uma Nenê, um Tuco, uma Bebel, um Agostinho e até um Beiçola, com suas características e personalidades. De acordo com cada área de atuação, muda o grupo de perfis.

Criar perfis falsos ajudam na divulgação de personalidades

Sua empresa não é a única que presta esse serviço no mercado. Paulo explica que, durante a campanha, uma das empresas contratadas pela candidata adversária fazia a mesma coisa que ele. É possível, usando algumas ferramentas, detectar a repetição de postagens em perfis semelhantes e, através da checagem de IPs, perceber que se trata de perfis fakes. Quando isso acontece, esses perfis podem ser denunciados para a rede social.

Desconstruir uma imagem é muito fácil

FOTOS: DIVULGAÇÃO

C

omo diria Morpheus, o icônico personagem de Laurence Fishburne, da trilogia Matrix: O que é real? Como você define o real? Todo mundo já ouviu histórias de perfis em redes sociais que existem para promover ou desconstruir reputações e que são controlados por profissionais. Então, acredite, tudo o que vocês podem ter ouvido não é nada comparado com a realidade. Ao contrário do que se pensa, os trolls raivosos que babam e cometem ignomínias são uma parte pequena e boba desse processo. Os profissionais não ficam elogiando cegamente seu candidato ou atacando loucamente o adversário, mas são guiados por pesquisas comportamentais e pela análise da estratificação da população, desenvolvem equipes de “semeadores de ideias’’ para atingir os eleitores e usam soſtwares capazes de detectar a difusão de opinião na web, para agir imediatamente, barrando o que é ruim e promovendo o que é bom. O que uns chamam de “trolagem’’, na verdade, é uma ciência. O diretor de uma empresa especializada na construção de reputações na internet (que não

As táticas são as mais variadas no caso de desconstrução. Para entender até onde vai o nível de refinamento, há casos em que os seeders passam a campanha inteira, ou seja, meses, apoiando loucamente o candidato adversário e lutando por ele contra o seu próprio candidato. Um pouco antes da eleição, o perfil começa a refletir, junto às listas de discussão do qual faz parte, que aquela proposta de educação do adversário, por exemplo, é interessante. Aos poucos, vai alterando a sua opinião, expondo publicamente essa reflexão de mudança, até que se convence que o melhor é, na verdade, o próprio candidato contratado pela empresa. Vira a casaca publicamente e traz muitos votos consigo. As pessoas que se identificavam com ele e também estão cheias de dúvidas acreditam que ele passou por um processo genuíno de convencimento baseado em fatos e vão junto com ele. Se não acredita que esse comportamento de manada funcione, uma sugestão: vá para uma praça no centro de São Paulo com um grupo de uns dez amigos e comece a tirar fotos com um deles como se ele fosse uma celebridade.


Eleições 2014

MANAUS, DOMINGO, 12 DE OUTUBRO DE 2014

7

FHC diz que Lula mentiu: ‘não falei de nordestinos’ Ex-presidentes trocaram farpas nas redes sociais, após o tucano dizer que o PT só vence entre os “menos informados”

Lula criticou FHC por menosprezar as pessoas que moram no Nordeste brasileiro FOTOS: DIVULGAÇÃO

FHC diz que não ofendeu os nordestinos e que o PT quer fazer demagogia com a fala do expresidente

A

pós ser criticado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por ter afirmado em entrevista que o PT tem o voto dos “menos informados” dos “grotões” do país, o também ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) usou seu perfil na rede social Facebook para se defender, afirmando que o petista “mentiu”. “O PT fica querendo fazer demagogia, querendo nos jogar contra o povo, dizendo que o PSDB fez isso ou aquilo, que eu disse isso ou aquilo, o Lula mentiu, eu não falei de Nordeste ou de nordestinos, nada disso”, afirmou. O tucano também lamentou que a presidente e candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff, “tenha embarcado nessa, não é verdade”. “O povo não é bobo, o povo sabe que quem fez o Plano Real fomos nós, quando fui ministro da Fazenda, que melhorou a vida

de todo mundo, dos pobres, do trabalhador.” O petista havia dito na quarta-feira (8) que “é um absurdo que o Nordeste e os nordestinos sejam caracterizados como ignorantes ou desinformados por seus votos.” Preconceito A declaração de Fernando Henrique veio em meio a uma onda de preconceito contra nordestinos nas redes sociais. A região, onde Dilma obteve mais votos do que o rival Aécio Neves, foi alvo de ataques racistas. As discussões sobre as eleições fizeram aumentar em 84% o número de denúncias de crimes de ódio cometidos na web. As páginas incluem conteúdo relacionado a racismo, homofobia, xenofobia, neonazismo e intolerância religiosa. Os episódios tiveram início assim que a apuração de votos das eleições começou nas regiões Norte e

Nordeste. A partir daí surgiram nas redes sociais diversos comentários preconceituosos tendo como alvo nordestinos, associando-os ao bom desempenho de Dilma Rousseff (PT) na região e à performance mais tímida de Aécio Neves (PSDB), nas mesmas regiões. A hashtag #MenosODIOmaisNordeste, uma resposta às manifestações de preconceito, se tornou na terça-feira (7) um dos 10 trending topics no Twitter brasileiro. Pelas redes sociais, muitos acusaram a hashtag de ser manipuladora e de estar sendo impulsionada por militantes do PT. Mas ela chegou a ocupar a lista mundial dos dez temas mais tuitados na rede social, tendo sido mencionada mais de 41 mil vezes - chegando a ser tuitada 153 vezes por minuto. Em 24, horas a página de Facebook “Eu Digo Não ao Preconceito contra Nordestinos e Pobres”, ganhou 5.000 adesões.

Preconceito começou em 2010 De toda forma, os comentários voltados contra nordestinos feitos após o fechamento das urnas lembraram o que ocorreu em 2010, logo após a eleição de Dilma Rousseff (PT) à Presidência, quando a frase “Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado” rodou o mundo. O discurso de ódio, publicado no Twitter por uma estudante de direito, rendeu à jovem 1,5 anos de prisão, pena convertida em multa e serviços comunitários. Mas, desta vez, muitos nordestinos, também pelas redes sociais, decidiram dar o troco, muitas vezes também recorrendo a comentários preconceituosos, aproveitando os resultados nas urnas no Sudeste para atacar eleitores da região -

PRISÃO

Discurso de ódio, publicado no Twitter por uma estudante, rendeu à jovem 1,5 anos de prisão, pena convertida em multa e serviços comunitários por ter sugerido que nordestinos fossem mortos paulistas, principalmente. “Eu tô vendo que vai todo mundo morrer em grande estilo lá em São Paulo (jogados na sarjeta)”, escreveu um eleitor. “São Paulo elegendo Russomanno, Tiririca e Feliciano. Bora insultar os paulistas?”, tuitou outro. “Povo burro, ainda irão morrer de sede e fome: paulistas”, postou uma terceira. No outro extremo, co-

mentários preconceituosos alvejando nordestinos renderam a criação de um Tumblr: “Esses Nordestinos....”. A página mapeia frases como “Médicos do Nordeste, causem um holocausto por aí. Temos que mudar essa realidade” e “A prova de que nordestino é vagabundo é quando entraram em pânico com o boato de que o bolsa família ia acabar, hahaha, escórias”, todas postadas em redes sociais. Em contrapartida, também foi criado uma outra conta de Tumblr, o “Esses Paulistas”, que compila comentários ofensivos contra paulistas, como “Eu só consigo agradecer por o Nordeste ser gigante, porque os paulistas são uns idiotas” ou “Esses paulistas tem que morrer de sede mesmo”.


8

Eleições 2014

MANAUS, DOMINGO, 12 DE OUTUBRO DE 2014


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Eleições 2014 - 12 de outubro de 2014 by Amazonas Em Tempo - Issuu