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All Pet Food Magazine N°28_PTG

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Edição N° 28 | Julio2026 | Volume VIII

INTERNATIONAL MAGAZINE ABOUT THE PET FOOD INDUSTRY

EDIÇÃO ESPECIAL


Os resultados falam por si COM A WENGER, VOCÊ CRIA PRODUTOS QUE OS ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO VÃO ADORAR COMER. Por meio de testes cuidadosos e anos de pesquisa, nossa equipe de classe mundial ajuda a desenvolver alimentos e snacks de alta qualidade, além dos processos necessários para produzi-los em escala. Produtores de alimentos para animais de estimação em todo o mundo confiam na Wenger por seus processos e soluções, desenvolvidos para contribuir com a saúde dos animais em qualquer lugar do mundo. Descubra o que a Wenger pode fazer pelo seu negócio.

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Conteúdo

INTERNATIONAL MAGAZINE ABOUT THE PET FOOD INDUSTRY

Edição Nº28 | Volume VIII | Julho de 2026 All Pet Food Alvear 44, Chacabuco Provincia Buenos Aires–Argentina info@allpetfood.net Editorial Team Josefina Poy Maria Candelaria Carbajo Delfina Rojas Laureano Cane Ludmila Barbi Trindade Erika Stasieniuk Candela Bonaura Armando Enriquez de la Fuente Blanquet Juan Manuel Peralta Luis Miguel Gómez Osorio Josiane Volpato Juan Gómez-Basauri Iván Franco Felipe J. Martínez CEO Pablo Porcel de Peralta pablo.porcel@allpetfood.net Sales Manager Iván Marquetti ivan.marquetti@allpetfood.net Strategic Media Coordinator Julia Cruz Díaz julia.cruzdiaz@allpetfood.net Magazine Coordinator / Editorial Translator Delfina Rojas delfina.rojas@allpetfood.net Editorial Leader / Community Manager Josefina Poy josefina.poy@allpetfood.net Content Marketing Specialist María Candelaria Carbajo candelaria.carbajo@allpetfood.net Content Marketing Lumila Barbi Trindade ludmila.barbi@allpetfood.net Event Marketing Strategist Analía Gottig analia.gottig@allpetfood.net Event Leader Micaela Poltrone micaela.poltrone@allpetfood.net Brand Estrategist – UX UI Laureano Cane laureano.cane@allpetfood.net Multimedia Design Juliana Di Palma juliana.dipalma@allpetfood.net Graphic Designer Martina Venece martina.venece@allpetfood.net Administrative Assistant Pedro Porcel de Peralta pedro.porcel@allpetfood.net Business Development Brazil Nicole Monteiro Nicole.monteiro@allpetfood.net Our community Web: www.allpetfood.net Linkedin: bit.ly/3xOBkEt Youtube: bit.ly/3izL0Hn Instagram: bit.ly/3lUV6Z7 © Copyright 2020 ALL PET FOOD Todos los derechos reservados. Ninguna parte de esta publicación puede reproducirse de ninguna forma ni por ningún medio sin el permiso previo del propietario de los derechos de autor. Se puede encontrar más información en www.pcm-group.net ISSN 1464-0058

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EDITORIAL Palestrantes CIPAL 2026 Sinergia e o papel dos probióticos no bem-estar digestivo e no cuidado com animais de estimação Inovações e Tendências em Proteínas Funcionais para uma Nova Geração de Alimentos Secos e Úmidos para pets Além do antioxidante: por que a rancidez é apenas a ponta do iceberg Ômega-3 sustentáveis: o futuro da nutrição para animais de estimação Circularidade sem comprometer o desempenho: Engenharia aplicada ao desenvolvimento de embalagens flexíveis para pet food Saúde das Articulações dos Cães e Gatos: O Papel do Colágeno na Prevenção da Osteoartrite Proteínas hidrolisadas: o que são e como atuam no manejo de sensibilidades alimentares e enteropatias crônicas Impulsionando a inovação sustentável em ração para pets com ingredientes de fava Sabores esquecidos? A Ciência por Trás da Percepção Doce e Umami em Felinos Alimentação baseada em ingredientes vegetais para cães e gatos A ENTREVISTA: JUAN MANUEL PERALTA O futuro do pet food será mais eficiente Fosfatidilcolina Derivada de Plantas: uma Alternativa Natural ao uso do Cloreto de Colina em Alimentos para Cães e Gatos Do campo à tigela: uma análise para maximizar os impactos na sustentabilidade A pegada invisível do pet food: o custo ambiental das decisões tomadas sem inteligência de mercado Impacto da formulação de dietas para cães e gatos na sustentabilidade ambiental

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Repensando a sustentabilidade no pet food: ingredientes upcycled e renderizados como ferramentas estratégicas para as pessoas, os pets e o planeta

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Pensar Globalmente, Formular Regionalmente: o Futuro Sustentável da nutrição pet ALL PET FOOD NEWS Uma análise de novos desenvolvimentos sustentáveis de materiais de embalagem para VFFS O papel da levedura na construção de sabores para pets TECNOLOGIA EM DESTAQUE EMPRESAS COM HISTÓRIA: CALLIZO SABORES QUE NUTREM: AVANÇOS E TENDÊNCIAS

MARKETPLACE: FORNECEDORES DA INDÚSTRIA

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EDITORIAL

Queridos leitores, Esta edição da All Pet Food Magazine é especial por muitos motivos. Além de acompanhar uma nova edição do CIPAL 2026, um dos principais congressos de capacitação e networking da indústria de pet food na América Latina, ela reúne alguns dos temas que hoje estão moldando o futuro da nutrição e da produção de alimentos para animais de estimação. Ao longo dessas páginas, vocês encontrarão conteúdos técnicocientíficos que aprofundam as principais tendências e desafios do setor, como o desenvolvimento de proteínas funcionais, o crescimento do conceito pet care como parte integrante da nutrição, o papel do sabor umami na alimentação de felinos, o potencial das fontes vegetais como ingredientes de alto valor e os avanços em sustentabilidade, um tema que continua ganhando protagonismo em toda a cadeia produtiva. Além disso, temos a honra de compartilhar uma entrevista exclusiva com Juan Manuel Peralta, presidente do Comitê Científico do CIPAL, que analisa a importância da criação de espaços para o intercâmbio de conhecimento técnico e reflete sobre os principais desafios e oportunidades enfrentados atualmente pela indústria de pet food. Esperamos por todos vocês no CIPAL 2026, onde nos reencontraremos com profissionais, fabricantes, pesquisadores e fornecedores de toda a região para continuar compartilhando conhecimento, fortalecendo relacionamentos e construindo o futuro do setor. Obrigado por nos acompanhar nesta edição especial!

Equipe editorial

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PALESTRANTES

Joy Campbell APC

Niyired Orozco Giraldo Consultora autónoma

Cristian Costantini Tietjen

Alejandro Soraci Universidade Nacional do Centro

Natália A. Moraes DSM-Firmenich Pet Food | TTH

Giuseppe Bigliani AGI

Marcos Giordano Baires

Flávia Saad Universidade Federal de Lavras

Luciano Trevizan Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Pablo Pettinato Petropack

Maygane Ronsmans Beneo/ Lambabue

Manuel Loitegui Puppis

Marina Golowczyc Conicet

Gonzalo Vicente Adinnova

José Simeone KSE

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Eitel Peltzer Meschini Abiotec

Natalia Bosuel Nestle Purina

Carlos Vergara Robles Lallemand

Valeria De Marco Alican

Kami Grandeen Suizo Argentina Alltech

Juan Gomez Magellan LLC

Omar Barcellona Famsun

Gabriel Vinderola Universidade Nacional do Litoral

Betiana Colabianchi Universidade do Rosario

Isabel Farinha ITPSA - PETIFA

Miguel Ángel López Miguel Ángel López Consulting

Clement Hilaire Clextral

Thalia Cristina Putarov Biorigin

Jorge Chirife Consultor independente

Madeleine Maida Re Alican SA

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA DO CIPAL 2026 Magdalena Ferreira Mars

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SINERGIA E O PAPEL DOS PROBIÓTICOS NO BEM-ESTAR DIGESTIVO E NO CUIDADO COM ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO Compreender a microbiota está redefinindo a nutrição de cães e gatos, posicionando probióticos como componentes-chave da nutrição funcional. Este artigo discute o desenvolvimento do aditivo Sinergia by Adinnova e a importância da microbiologia aplicada como diferencial na indústria de alimentos para pets.

Por Mg. Ing. Gonzalo Vicente, Mestre em Engenharia e Diretor de P&D da Adinnova

Após anos focados exclusivamente em necessidades básicas, avanços em microbiologia e nutrição funcional posicionaram a saúde intestinal como um pilar fundamental do bem-estar animal. A microbiota deixou de ser um conceito exclusivamente científico para se tornar um fator estratégico para o desenvolvimento de alimentos diferenciados com alto valor agregado. Hoje, fabricantes de alimentos para pets, veterinários e consumidores reconhecem que o equilíbrio da microbiota intestinal influencia a digestão, o uso de nutrientes, a resposta imune e a qualidade de vida em cães e gatos. Isso impulsiona uma transformação na forma como os alimentos são formulados e os ingredientes funcionais são desenvolvidos.

Por que a microbiota se tornou um eixo chave no pet food? A microbiota intestinal é composta por bilhões de microrganismos que interagem permanentemente com o hospedeiro. Longe de desempenhar um papel passivo, eles estão ativamente envolvidos em funções digestivas, metabólicas e imunológicas fundamentais. Atualmente, reconhece-se que uma microbiota equilibrada contribui para a integridade da barreira intestinal, favorece o uso eficiente dos nutrientes e ajuda a manter os mecanismos fisiológicos associados à saúde geral; ou seja, alterações em sua composição podem impactar negativamente o bem-estar e o desempenho digestivo dos pets.

Qual o papel dos probióticos nessa nova abordagem nutricional? Os probióticos são uma das ferramentas mais importantes para acompanhar o equilíbrio da microbiota. Sua função vai muito além da incorporação de microrganismos vivos na ração: buscam gerar condições favoráveis para o ecossistema intestinal e contribuir para o bem-estar integral do animal.

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A tendência atual é entender não apenas quais microrganismos estão incorporados, mas também quais metabólitos eles produzem e como interagem com a microbiota residente. Essa mudança de foco está posicionando os probióticos como componenteschave da nutrição funcional moderna. Para os fabricantes, representa uma oportunidade concreta de desenvolver alimentos com atributos diferenciais respaldados pela ciência, alinhados com a crescente demanda por produtos voltados para o bemestar digestivo e a saúde integral.

Quais características um probiótico deve ter para proporcionar benefícios reais em pets?

severas de extrusão e secagem. Por essa razão, a tecnologia de microrganismos esporulados marcou um ponto de virada. Os endosporos atuam como um escudo protetor natural contra altas temperaturas, estresse mecânico (pressão e cisalhamento) e longos tempos de armazenamento (vida útil). Isso garante ao fabricante que a contagem de Unidade Formadoras de Colônias (UFC) declarada na embalagem chega intacta na tigela do pet.

“Sinergia é uma solução desenvolvida para acompanhar a nova geração de alimentos funcionais voltados para o bem-estar digestivo de cães e gatos”

Nem todos os probióticos oferecem o mesmo nível de funcionalidade. A eficácia depende de múltiplos fatores, incluindo seleção da cepa, estabilidade durante o processamento industrial e sua capacidade de alcançar o trato gastrointestinal de forma viável.

Da mesma forma, a seleção das cepas deve considerar seus benefícios individuais, os metabólitos que geram e as interações que se estabelecem no ecossistema intestinal.

Na ração para pets, o maior desafio tecnológico é garantir a viabilidade microbiana diante de condições

Como surgiu SINERGIA e qual necessidade do mercado ela busca resolver? Na Adinnova, observamos uma clara evolução nas necessidades da indústria de alimentos para pets. Os fabricantes buscam soluções que diferenciem seus produtos por meio de benefícios funcionais reais, respaldados por evidências científicas e compatíveis com processos industriais modernos. A partir de nossa experiência em microbiologia aplicada e no desenvolvimento de soluções biotecnológicas para nutrição animal, identificamos a necessidade de abordar a saúde intestinal de uma perspectiva mais ampla, considerando tanto os microrganismos quanto os metabólitos funcionais envolvidos no equilíbrio da microbiota.


Sob essa visão, nasceu Sinergia by Adinnova, uma solução desenvolvida para acompanhar a nova geração de alimentos funcionais voltados para o bem-estar digestivo de cães e gatos.

O que diferencia Sinergia de outras soluções atualmente disponíveis? A principal característica de Sinergia é seu design simbiótico de ecossistemas. Sua formulação não é uma simples soma de microrganismos, mas um consórcio estratégico selecionado por seus mecanismos complementares de ação: ∙ Consórcio Bacillus (termostabilidade e digestibilidade): Composto por Bacillus subtilis, Bacillus licheniformis e Bacillus coagulans. Além de sua robustez contra extrusão industrial, essas cepas atuam como biofábricas no intestino, produzindo enzimas extracelulares (proteases, amilases e lipases) que maximizam o uso de nutrientes na ração. Além disso, B. coagulans contribui para a produção de ácido lático, essencial para a modulação do pH intestinal e no controle competitivo dos patógenos.

Quais benefícios a Sinergia traz para os fabricantes de alimentos e para os pets que consomem esses produtos? Para os fabricantes, Sinergia representa uma ferramenta para incorporar inovação baseada na microbiologia aplicada, permitindo desenvolver propostas de valor alinhadas às tendências globais em nutrição funcional e saúde intestinal. Para cães e gatos, o objetivo é acompanhar o equilíbrio da microbiota por meio de microrganismos e metabólitos funcionais que contribuem para manter condições favoráveis para a saúde digestiva e o bem-estar geral.

O Futuro da Nutrição Funcional

“Mais do que um aditivo, Sinergia é um motor funcional de metabólitos projetado para impactar a saúde sistêmica do trato gastrointestinal” ∙ Clostridium butyricum (integridade da barreira intestinal): Destaca-se por ser um dos principais produtores de ácido butírico. Esse ácido graxo de cadeia curta (AGCC) é a principal fonte de energia para colonócitos, sendo essencial para manter as junções estreitas (tight junctions) no epitélio, prevenir a síndrome do intestino permeável e modular a resposta inflamatória local. ∙ Saccharomyces cerevisiae (probiótico imunomodulador): Como levedura probiótica viva e biologicamente ativa, ela oferece uma abordagem celular diferenciada em relação às bactérias presentes na fórmula. Sua presença promove o equilíbrio competitivo e a estabilidade do ecossistema digestivo, enquanto os componentes estruturais de sua parede celular, ricos em betaglucanos e manana-oligossacarídeos (MOS), atuam interceptando ativamente patógenos e estimulando a resposta imune associada à mucosa intestinal (GALT). Mais do que um aditivo nutricional, Sinergia é um mecanismo funcional de metabólitos projetado para impactar a saúde sistêmica do trato gastrointestinal.

Compreender a microbiota está redefinindo o futuro da nutrição animal. Nesse cenário, as soluções probióticas evoluem do conceito tradicional de microrganismos vivos para estratégias mais abrangentes, onde a interação entre microrganismos, metabólitos e hospedeiro assume um papel central. Na Adinnova, acreditamos que o futuro pet food estará cada vez mais ligado ao conhecimento aprofundado dos ecossistemas microbianos e à capacidade de transformar esse conhecimento em soluções inovadoras para a indústria. A Adinnova é uma empresa argentina com presença em mercados internacionais dedicada ao desenvolvimento de aditivos naturais para a nutrição animal. Cada biosolução integra ciência e inovação aplicadas ao bem-estar e à produtividade. Mais informações: adinnova.com.ar

23 de setembro / Auditório APC / 12h00

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INOVAÇÕES E TENDÊNCIAS EM PROTEÍNAS FUNCIONAIS PARA UMA NOVA GERAÇÃO DE ALIMENTOS SECOS E ÚMIDOS PARA PETS

O plasma spray dried (SDP) vem se consolidando como um dos ingredientes funcionais mais versáteis e estratégicos para a indústria de pet food, oferecendo benefícios que vão muito além do aporte nutricional. Utilizado há décadas em alimentos úmidos e, mais recentemente, ganhando espaço em alimentos secos, petiscos e suplementos, o plasma se destaca por combinar elevada concentração proteica, alta digestibilidade, funcionalidade tecnológica e compostos bioativos capazes de promover benefícios sistêmicos à saúde animal. Por Dra. Joy Campbell, Diretora Sênior Global de Serviços Técnicos para Pet Food, APC

Além de ser uma proteína de alta qualidade, o plasma apresenta propriedades tecnológicas extremamente relevantes para o processamento industrial. Em alimentos úmidos, por exemplo, atua como excelente agente ligante, emulsificante e formador de gel, contribuindo diretamente para textura, estabilidade e aparência do produto final. A indústria utiliza o plasma há mais de 30 anos em formulações úmidas justamente pela sua capacidade de melhorar a retenção de água, aumentar a consistência dos chunks, formar molhos mais espessos e ricos e proporcionar maior suculência e coesão ao alimento. Os estudos apresentados demonstram que a inclusão de plasma promove melhorias significativas na dureza, elasticidade, mastigabilidade e integridade estrutural dos pedaços em alimentos úmidos. Em aplicações com peixe e salmão, por exemplo, houve aumento linear da dureza e da consistência conforme o nível de inclusão de plasma aumentava, além de melhor absorção de molho (“cook in”) e maior estabilidade da formulação. Comparado a ingredientes tradicionalmente utilizados como glúten de trigo, albumina de ovo, carragenina e concentrado proteico de soja, o plasma apresentou excelente equilíbrio entre força de gel, emulsificação e retenção de água.

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Outro ponto importante é que os benefícios tecnológicos caminham lado a lado com ganhos nutricionais. Estudos de digestibilidade em gatos demonstraram melhora significativa na digestão de proteína, gordura, minerais e energia em dietas contendo plasma, além de aumento da palatabilidade. Em testes comparativos, alimentos contendo plasma foram preferidos em relação a formulações com glúten de trigo e outras fontes proteicas, reforçando sua contribuição para aceitação do alimento e experiência sensorial dos pets. Nos alimentos secos e extrusados, o plasma também apresenta resultados expressivos. Sua aplicação em kibble, petiscos e suplementos permite melhorar tanto a qualidade do processamento quanto os benefícios funcionais do alimento. Em processos de extrusão, o plasma contribui para maior durabilidade do kibble, redução de finos, melhora da estrutura física e maior estabilidade em fórmulas com altos níveis de carne fresca. Os estudos apresentados demonstraram que inclusões de 2,5% a 5% de plasma possibilitaram trabalhar com maiores níveis de carne mantendo excelente índice de durabilidade do pellet e adequado grau de gelatinização do amido.


COLORAÇÃO NATURAL E FONTE DE PROTEÍNA

DE ALTA QUALIDADE PARA PET FOOD

As hemácias spray dried, como o AP 301 da APC, oferecem uma nova abordagem para coloração em pet food. Elas proporcionam um tom natural, semelhante à carne, para kibbles, petiscos e fórmulas úmidas, além de fornecer proteína altamente digestível. Essa dupla funcionalidade, cor e nutrição, torna os ingredientes à base de hemácias uma solução atrativa para marcas que buscam elevar suas formulações. Derivadas de hemácias, oferecem tonalidade consistente, ajudando a reduzir ou eliminar o uso de corantes, ao mesmo tempo em que tornam o rótulo mais natural. Seja para melhorar a aceitação, a digestibilidade ou proporcionar propriedades colorantes de carne, as hemácias oferecem flexibilidade de formulação para todos os tipos de produtos.

EM ALIMENTOS SECOS As hemácias proporcionam uma cor natural que evolui com o aumento da inclusão, variando de uma leve coloração até um tom mais escuro de carne.

EM ALIMENTOS ÚMIDOS As hemácias permitem que a tonalidade evolua de um vermelho suave para uma tonalidade mais escura de carne em patês úmidos, possibilitando variações visuais naturais e aumentando a autenticidade das formulações à base de carne.

Save the date!

Dra. Joy Campbell na CIPAL 2026 “Inovações e tendências em proteínas funcionais para alimentos secos e úmidos para pets” 23 de Setembro de 2026 / 9:20 am (GMT-3)

APCpet.com


Além disso, o plasma apresenta elevada solubilidade e facilidade de incorporação em diferentes fórmulas, permitindo substituir parcialmente ingredientes como glúten, albumina de ovo e gomas, trazendo vantagens econômicas e tecnológicas para as formulações. Em alimentos secos para cães, os estudos também demonstraram melhora da digestibilidade de matéria seca e proteína, além de redução de 10 a 20% no volume fecal, indicando maior aproveitamento nutricional e melhora da qualidade das fezes. A palatabilidade é outro destaque importante. Em testes comparativos com fígado desidratado, dietas contendo plasma apresentaram maior preferência de consumo em gatos, inclusive em formulações extrusadas. Os resultados indicam que o plasma pode atuar como alternativa funcional altamente palatável, além de permitir redução nos níveis de palatantes utilizados nas formulações. Os benefícios do plasma, entretanto, vão além da nutrição e do processamento. O ingrediente contém proteínas funcionais bioativas capazes de modular positivamente a resposta imunológica e inflamatória. Diversos estudos apresentados demonstram que o plasma auxilia na manutenção da integridade intestinal, reduz a permeabilidade da mucosa e contribui para equilíbrio da resposta imune. Foi observada redução de citocinas pró-inflamatórias, como TNF-α, além do aumento de IL-10, uma importante citocina anti-inflamatória. Os resultados indicam melhora da função de barreira intestinal e suporte à saúde digestiva de forma sistêmica. Dentro desse contexto, os novos estudos relacionados ao microbioma intestinal reforçam ainda mais o posicionamento do plasma como ingrediente funcional de alto valor agregado. Em cães adultos alimentados com dietas extrusadas contendo plasma, observou-se aumento linear na produção de ácidos graxos de cadeia curta (SCFA), importantes marcadores de fermentação benéfica e atividade positiva da microbiota intestinal. Também houve aumento de bactérias benéficas como Lactobacillus, Streptococcus e Catenibacterium, além de redução de metabólitos relacionados à fermentação proteica indesejada, indicando ambiente intestinal mais saudável. Outro achado relevante foi o aumento da IgA fecal, sugerindo melhora da homeostase imunológica intestinal e fortalecimento da imunidade de mucosa. O estudo conclui que o plasma promove respostas positivas consistentes e dependentes do nível de inclusão, contribuindo para saúde intestinal, modulação do microbioma e eficiência do metabolismo proteico. Os estudos mais recentes também expandem o potencial de aplicação do plasma para formulações

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voltadas à saúde articular e mobilidade de cães idosos. Em cães com osteoartrite alimentados com dietas contendo 4% de plasma, foram observadas melhorias significativas na mobilidade e redução do escore de claudicação após 42 dias de avaliação. Além disso, o plasma reduziu marcadores inflamatórios como IL-1β e aumentou IL-10, demonstrando efeito positivo sobre a resposta inflamatória associada à osteoartrite. Os animais suplementados também apresentaram maior capacidade antioxidante, evidenciada pelo aumento da atividade de Superóxido dismutase (SOD) e redução de Malondialdeído (MDA), além de menores níveis de MMP-2 e MMP-13, enzimas relacionadas à degradação da cartilagem articular. Paralelamente, houve melhora da digestibilidade proteica sem impacto negativo no consumo alimentar ou escore fecal. Os resultados demonstram que o plasma pode atuar como ingrediente funcional estratégico em dietas para cães idosos, contribuindo para mobilidade, saúde articular, controle inflamatório e suporte antioxidante. Outro ingrediente de destaque é o uso de hemácias spray dried em pet food. As hemácias surgem como uma solução funcional que combina coloração natural e proteína de alta digestibilidade em um único ingrediente. Sua principal aplicação está relacionada à criação de tonalidade natural semelhante à carne em alimentos secos e úmidos, permitindo reduzir ou eliminar corantes artificiais e proporcionando aparência mais natural e premium às formulações. Nos alimentos secos, a intensidade da coloração aumenta progressivamente conforme o nível de inclusão das hemácias, conferindo aspecto mais cárneo ao kibble. Já em alimentos úmidos tipo patê, as hemácias intensificam a aparência natural da carne e aumentam a autenticidade visual do produto final. Além do apelo visual, o ingrediente oferece proteína altamente digestível e excelente perfil de aminoácidos, incluindo altos níveis de lisina, leucina e valina. De maneira geral, tanto o plasma quanto as hemácias spray dried representam uma nova geração de ingredientes funcionais para pet food, capazes de unir tecnologia de processamento, valor nutricional, saúde intestinal, funcionalidade sistêmica e apelo premium em um único componente. Os estudos apresentados reforçam que esses ingredientes oferecem soluções completas para a indústria, atendendo às demandas atuais por formulações mais funcionais, naturais, eficientes e alinhadas às tendências de saúde e bemestar animal.

23 de setembro / Auditório APC / 9h20


ALÉM DO ANTIOXIDANTE: POR QUE A RANCIDEZ É APENAS A PONTA DO ICEBERG A experiência na indústria de alimentos para pets demonstra que o gerenciamento da estabilidade requer uma análise sistêmica de todos os fatores que podem interferir ao longo da validade. Reclamações de produtos rançosos podem ser apenas a ponta do iceberg e ajudar a identificar deficiências no sistema de controle de processos, indicando que às vezes o problema não inicia somente na planta. Por Mariana Picenti, Engenheira e Consultor de Processos e Qualidade na BBR Industries

A reação mais común diante de aumento nas reclamações é reforçar a dosagem de antioxidante na formulação, porém o sistema de rastreabilidade torna-se de extrema importância como fonte de informação, conhecimento do processo de produção e do manuseio do produto até que ele alcance o cliente final.

Matérias-primas: o ponto de partida O controle das matérias-primas utilizadas é o ponto crítico do processo e de onde podemos evitar, com maior impacto, problemas de oxidação. Trabalhar com fornecedores confiáveis é fundamental, mas nem sempre o suficiente. Precisamos entender as condições sob as quais recebemos matérias-primas, e isso é alcançado por meio da análise. Em matérias-primas com maior teor de gordura, existem três análises principais que nos permitem entender onde elas estão no processo de oxidação: ∙ Índice de acidez: este é um dos primeiros testes geralmente disponíveis e mede a quantidade de ácidos graxos livres. Seu resultado fornece informações sobre o estado de degradação, principalmente associado a condições de conservação precárias.

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∙ Índice de peróxido: seu valor nos apresenta ao processo de oxidação, pois mede os peróxidos formados nos estágios iniciais e que indicam se a oxidação está começando. É fundamental entender que eles são compostos instáveis, então, dependendo da fase do processo em que estão, podem ser baixos ou altos. Por essa razão, o resultado deve estar relacionado ao valor de acidez. ∙ Valor de anisidina: indica os estágios avançados de oxidação quando os compostos secundários já estão presentes, associados ao cheiro e sabor característicos de rancidez. Os resultados obtidos pelas análises nos permitem tomar decisões baseadas em informações e valores de referência. O importante é entender que uma matériaprima que inicia o estado de oxidação já está em um processo irreversível.

O processo de produção: o maior consumidor de antioxidantes Cada etapa envolvendo temperatura, umidade, oxigênio, luz ou metais é um ponto onde a oxidação pode ser desencadeada e avançar, fazendo com que o antioxidante presente seja consumido. O objetivo dos antioxidantes,


ÍNDICES

CURVAS DE OXIDAÇÃO

TEMPO Índice de acidez

Índice de peróxidos

neste caso, é fornecer tempo e colaboração para que a mistura ocorra sem desencadear o processo de oxidação. Saber quais são esses pontos críticos em cada planta é essencial para elaborar uma estratégia de proteção eficaz. Todas as matérias-primas se unem na moagem e mistura, incluindo vitaminas e minerais. Algumas vitaminas podem atuar como pró-oxidantes e, no caso de minerais, como ferro ou cobre, são metais que atuam como catalisadores. Esse é um dos pontos importantes da aplicação de antioxidantes.

Cada etapa envolvendo temperatura, umidade, oxigênio, luz ou metais é um ponto onde a oxidação pode ser desencadeada e avançar, fazendo com que o antioxidante presente seja consumido. O objetivo dos antioxidantes, neste caso, é fornecer tempo e colaboração para que a mistura ocorra sem desencadear o processo de oxidação. Saber quais são esses pontos críticos em cada planta é essencial para elaborar uma estratégia de proteção eficaz. A extrusão é, sem dúvida, o ponto mais crítico: temperaturas acima de 120 °C, alta pressão e umidade fazem dela a etapa com maior consumo de antioxidantes no processo.

Valor de anisidina

No entanto, ainda existem etapas que submetem o produto a altas temperaturas, como secagem, e grandes fluxos de ar, como o resfriamento. Nesta última fase, embora a temperatura já não seja o fator determinante, a exposição prolongada e contínua ao ar gera condições favoráveis para a oxidação, tornando-a uma das etapas mais subestimadas do processo. No recobrimento está o segundo ponto de aplicação para reforçar o antioxidante. As gorduras adicionadas para proporcionar palatabilidade e/ou cobertura podem ser usadas como veículos para o antioxidante, que, em última análise, protegerá as partículas do alimento extrusado. Por fim, a embalagem deve garantir uma barreira contra umidade, ar e luz durante toda a vida útil do produto. No entanto, mesmo que você tenha um processo bem controlado, o produto pode ser comprometido se não for cuidado ao sair da fábrica.

Armazenamento e distribuição: o elo mais difícil de controlar Temperatura, umidade e exposição solar durante o armazenamento e transporte podem desencadear significativamente o processo de oxidação, especialmente em climas com grandes amplitudes térmicas ou temperaturas muito altas. O sistema FIFO (First In, First Out) torna-se então uma ferramenta essencial que deve ser aplicada em todos os elos da cadeia, desde a planta até os clientes finais. A rotatividade incorreta de estoques é uma causa frequente de reclamações que, a princípio, são consideradas problemas de formulação.

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O treinamento deve ser desenvolvido com distribuidores e pontos de venda, reconhecendo que isso também faz parte da estratégia de gestão da estabilidade. Por fim, há mais um ponto, que indica se políticas e controles são bem aplicados e isso é alcançado por meio de evidências.

Monitoramento do produto final: não apenas controlando, mas também validando O monitoramento do produto final tem uma função dupla: é usado não apenas como controle de qualidade, mas também como ferramenta de validação do sistema. Análises de acidez, peróxidos, anisidina, resíduos antioxidantes e avaliações sensoriais nos permitem acompanhar a evolução desses parâmetros ao longo do tempo. Estudos de estabilidade permitirão verificar se a estratégia antioxidante é eficaz e se o produto atingirá a vida útil esperada. Estudos em tempo real refletem condições reais de armazenamento e são os mais representativos, mas exigem toda a vida útil para obter resultados. Estudos acelerados, por outro lado, permitem obter uma projeção inicial submetendo o produto a condições controladas para acelerar sua degradação, o que é útil em estágios de desenvolvimento ou diante de mudanças na formulação. Esse tipo de estudo fortalece a validação do sistema e pode ser usado para apoiar qualquer decisão sobre dosagem, pontos de aplicação ou condições do processo. Se o sistema de monitoramento for bem projetado, permitirá que desvios sejam detectados precocemente e quaisquer ajustes necessários sejam feitos antes que cheguem ao consumidor.

Conclusão Problemas de rancidez não podem ser analisados isoladamente, pois são problemas multifatoriais que exigem uma visão de todo o sistema. Para isso, é importante conhecer nossas matérias-primas, controlar nosso processo e tomar decisões com informações que as sustentem. O objetivo é passa a ser de não reagir, e sim de antecipar e, então, o desafio não é mais escolher o melhor antioxidante, mas sim criar um sistema confiável que respalde a qualidade o tempo todo.


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ÔMEGA-3 SUSTENTÁVEL: O FUTURO DA NUTRIÇÃO PARA ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO A crescente demanda por ingredientes funcionais e sustentáveis está transformando a nutrição dos animais de companhia. Diante do desafio de garantir o acesso ao EPA e DHA sem aumentar a pressão sobre os recursos marinhos, as microalgas emergem como uma alternativa inovadora capaz de combinar benefícios nutricionais, segurança do abastecimento e sustentabilidade ambiental. Por Natália Alessandra M. Moraes, Especialista Técnica em Pet Food na América Latina - dsm-firmenich

A nutrição de cães e gatos está evoluindo em um ritmo sem precedentes. Impulsionados pela humanização dos pets e por consumidores cada vez mais atentos à saúde e bem-estar animal, os alimentos funcionais ganharam destaque no mercado global.

Demanda crescente versus oferta limitada A demanda por EPA e DHA supera a oferta

Entre os ingredientes mais valorizados estão os ácidos graxos ômega-3 de cadeia longa, especialmente EPA (ácido eicosapentaenoico) e DHA (ácido docosahexaenoico), reconhecidos por sua contribuição para o desenvolvimento cognitivo, saúde cardiovascular, suporte articular e manutenção da pele e da pelagem. A EPA também tem sido amplamente estudada por sua participação na modulação de processos inflamatórios, um aspecto fundamental para a saúde e o bem-estar dos pets. No entanto, o crescimento sustentado da demanda global por ômega-3 representa um desafio significativo para toda a cadeia de valor. Historicamente, a principal fonte comercial de EPA e DHA tem sido o óleo de peixe. No entanto, a disponibilidade desse recurso depende diretamente dos estoques de peixes selvagens, cuja capacidade de oferta permanece relativamente estável enquanto a demanda continua crescendo.

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Fonte: Bolsa GOED 2024


Nas últimas décadas, o interesse por ômega-3 cresceu significativamente em diversos setores, incluindo nutrição humana, aquicultura e alimentação para pets. Como resultado, a demanda global por EPA e DHA está crescendo em um ritmo mais rápido do que a oferta disponível. De acordo com uma análise de mercado publicada pelo GOED, a demanda global por EPA e DHA continua aumentando, enquanto a disponibilidade de fontes tradicionais permanece limitada. Ao mesmo tempo, uma parcela significativa dos ômega-3 marinhos produzidos globalmente está destinada à aquicultura, aumentando a competição por recursos compartilhados entre diferentes indústrias. De acordo com dados da FAO e da Organização de Ingredientes Marinhos (IFFO), a produção global de óleo de peixe tem permanecido relativamente estável nas últimas décadas, refletindo as limitações inerentes de uma matéria-prima dependente de recursos naturais finitos. Essa situação cria desafios relacionados à disponibilidade de matérias-primas, volatilidade de preços e segurança de fornecimento para os fabricantes de alimentos para pets.

Além dos peixes: a verdadeira origem dos ômega-3 Embora os ômega-3 sejam tradicionalmente associados aos peixes, os peixes não são sua fonte original.

Nos ecossistemas marinhos, as microalgas são as verdadeiras produtoras de EPA e DHA. Ao longo da cadeia alimentar, esses nutrientes são transferidos para organismos superiores, incluindo peixes, que são então usados para produzir óleo de peixe. Avanços na biotecnologia tornaram possível o acesso direto a essa fonte primária por meio do cultivo controlado de microalgas marinhas. Dessa forma, é possível produzir óleos ricos em EPA e DHA sem depender dos recursos pesqueiros, mantendo altos níveis de qualidade e consistência.

Sustentabilidade como requisito para o crescimento futuro A sustentabilidade tornou-se um dos principais critérios de decisão para consumidores, fabricantes e varejistas.

Além disso, várias avaliações do ciclo de vida (LCAs) mostraram que fontes derivadas de microalgas de ômega-3 podem ter vantagens ambientais em relação a certas fontes convencionais, reforçando seu potencial como ferramenta para avançar para sistemas alimentares mais sustentáveis.


No caso dos ômega-3, o desafio não é apenas reduzir a pegada ambiental, mas também garantir que o crescimento futuro do mercado não aumente a pressão sobre os ecossistemas marinhos. A preservação da biodiversidade marinha tornou-se uma preocupação crescente para governos, organizações internacionais e empresas ligadas à cadeia alimentar. Segundo estimativas da FAO, bilhões de peixes são capturados a cada ano para abastecer as diferentes cadeias de produção que dependem de ingredientes marinhos. Nesse contexto, fontes alternativas de EPA e DHA oferecem uma oportunidade de expandir o acesso a esses nutrientes essenciais sem aumentar a dependência de recursos pesqueiros limitados. Fontes à base de microalgas possibilitam desacoplar o crescimento da demanda por ômega-3 da extração de recursos marinhos. Por ser uma tecnologia escalável e controlada, eles oferecem uma alternativa capaz de acompanhar o crescimento futuro da indústria sem depender das flutuações da pesca. Além disso, várias avaliações do ciclo de vida (LCAs) mostraram que fontes derivadas de microalgas de ômega-3 podem ter vantagens ambientais em relação a certas fontes convencionais, reforçando seu potencial como ferramenta para avançar para sistemas alimentares mais sustentáveis.

Qualidade, segurança e consistência para a indústria de alimentos para pets Além dos benefícios ambientais, fontes derivadas de microalgas de ômega-3 apresentam vantagens relevantes para os fabricantes de alimentos para pets. A produção em sistemas fechados e controlados favorece a rastreabilidade e a consistência entre lotes, aspectos cada vez mais valorizados pela indústria.

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Também permite maior previsibilidade na oferta, independentemente dos fatores climáticos, geográficos ou sazonais que possam afetar a disponibilidade de matériasprimas marinhas. A estabilidade durante o armazenamento e processamento é outro fator chave para preservar o valor nutricional dos ômega-3 e garantir o desempenho esperado no produto final.

O Futuro dos Ômega-3 na Nutrição Animal A indústria de alimentos para pets enfrenta o desafio de responder simultaneamente a três demandas crescentes: melhorar a saúde e o bem-estar dos pets, garantir a segurança do fornecimento de ingredientes estratégicos e avançar para modelos de produção mais sustentáveis. Nesse contexto, as fontes de ômega-3 obtidas de microalgas representam uma das inovações mais promissoras para o futuro da nutrição animal. Ao fornecer acesso direto à EPA e DHA a partir de sua fonte original, essas tecnologias ampliam a disponibilidade de nutrientes essenciais enquanto contribuem para a preservação dos recursos marinhos. A evolução da nutrição dos pets não dependerá apenas de oferecer benefícios mais funcionais, mas também de como esses benefícios serão obtidos. Em um cenário em que a demanda por ômega-3 continua crescendo e a sustentabilidade se torna uma condição indispensável para o desenvolvimento da indústria, as microalgas representam uma oportunidade concreta para expandir o acesso à EPA e DHA sem comprometer o futuro dos oceanos.

23 de setembro / Auditório APC / 10 h


Mais de 35 anos de experiência em embalagens para pet food. Tecnologia avançada dedicada à proteção do seu produto.


CIRCULARIDADE SEM COMPROMETER O DESEMPENHO: ENGENHARIA APLICADA AO DESENVOLVIMENTO DE EMBALAGENS FLEXÍVEIS PARA PET FOOD A circularidade nas embalagens tornou-se um dos eixos centrais da agenda de sustentabilidade da indústria de alimentos para pets. Nesse contexto, uma pergunta surge nas equipes de desenvolvimento, compras e produção: é possível redesenhar embalagens sob princípios de economia circular sem comprometer seu desempenho técnico ou a proteção do produto? A resposta é sim, desde que o redesenho seja abordado sob uma perspectiva de engenharia e não como uma simples substituição de materiais. Por Pablo Pettinato, Petropack

Longe de serem objetivos concorrentes, circularidade e desempenho podem se reforçar mutuamente quando a embalagem é analisada como um sistema funcional integral, projetado para atender a requisitos técnicos específicos ao longo de toda a cadeia de valor, desde a embalagem até o consumo final.

sensibilidade à oxidação, absorção de umidade e perda de aromas, fatores que impactam diretamente a aceitação do produto pelo consumidor final.

Circularidade não é substituição: é redesenho

Todo redesenho eficaz começa com um entendimento profundo da função principal da embalagem. Nesse tipo de produto, a embalagem desempenha um papel central na preservação da qualidade, da vida útil e da experiência do usuário.

Ao falar sobre circularidade em embalagens flexíveis, diferentes ações possíveis geralmente são mencionadas: redução de espessura, redução de peso, incorporação de material reciclado, migração para estruturas de monomateriais, uso de processos mais eficientes ou menos desperdício. Todas essas são ferramentas válidas, mas insuficientes se aplicadas isoladamente. Cada elemento que compõe uma embalagem flexível cumpre uma ou mais funções técnicas específicas. Portanto, qualquer modificação estrutural gera consequências técnicas que devem ser analisadas e compensadas. O erro mais frequente é tentar simplificar um pacote sem entender por que ele foi projetado assim em primeiro lugar. No segmento pet food, onde o produto apresenta desafios particulares em termos de estabilidade, logística e uso, essa abordagem é especialmente crítica. O alimento para pets, especialmente o seco com alto teor de gordura, tem alta

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O ponto de partida: entender a função técnica da embalagem

Funções técnicas chave incluem: ∙ Barreira de oxigênio: essencial para prevenir a oxidação da gordura e a perda de palatabilidade. ∙ Barreira de vapor d’água: necessária para evitar formação de incrustações, degradação nutricional e desenvolvimento microbiano. ∙ Resistência mecânica: contra impactos, empilhamento e manuseio logístico intensivo. ∙ Integridade da selagem: essencial para assegurar a hermeticidade da embalagem e evitar entrada de ar durante toda a vida útil do produto.


∙ Funcionalidade de uso: contempla sistemas de abertura e fechamento que agregam praticidade ao consumidor e auxiliam na redução do desperdício do produto. O desempenho final da embalagem não depende de um único material, mas do equilíbrio entre essas funções. É justamente neste ponto que a inovação tecnológica desempenha um papel decisivo.

Proteção de Produto: Novas Arquiteturas para Desafios Antigos Em termos de barreiras e proteção de produtos, avanços nas tecnologias de coextrusão possibilitaram o desenvolvimento de estruturas à base de polietileno com características funcionais avançadas capazes de reduzir significativamente a migração de gordura, a passagem de oxigênio e a troca de aromas. Essas soluções são suportadas por arquiteturas multicamadas, onde diferentes resinas cumprem funções específicas dentro da estrutura. A incorporação de copolímeros barreira, como o EVOH, mesmo em pequenas proporções, possibilita alcançar níveis de proteção comparáveis aos das estruturas tradicionais multimateriais. Historicamente, materiais como BOPET ou BOPA eram usados para fornecer rigidez e barreira, mas precisam ser laminados com polietileno para obter selabilidade e resistência mecânica. Essas combinações, embora tecnicamente eficazes, apresentam limitações significativas do ponto de vista da reciclagem. Hoje, as estruturas de polietileno multicamada possibilitam integrar barreira, resistência mecânica, vedação, óptica e funções de processabilidade no mesmo sistema, avançando para configurações mono-material mais compatíveis com esquemas de reciclagem mecânica e com as diretrizes de projeto para circularidade promovidas por muitas marcas globalmente. Da mesma forma, o desenvolvimento de processos de orientação monoaxial (MDO- Machine Direction orientation) aplicados ao polietileno de alta densidade abriu caminho para a substituição de filmes tradicionalmente orientados, como o BOPP, mantendo níveis adequados de rigidez e favorecendo, mais uma vez, a circularidade da embalagem.

Resistência mecânica e integridade da selagem: além da espessura A redução de espessura é frequentemente uma das primeiras estratégias consideradas ao falar de sustentabilidade. No entanto, reduzir micrômetros sem redesenhar a estrutura é uma receita certa para o fracasso. Nas embalagens pet food, a resistência a rasgos, perfurações e deformações é fundamental para garantir a integridade da embalagem durante toda a sua vida útil. O fenômeno conhecido como dimpling, ou seja, a deformação do recipiente causada pela pressão da ração, especialmente nos sacos localizados no fundo do palete, requer estruturas capazes de absorver cargas sem comprometer a integridade do recipiente ou da vedação. Esses tipos de tensões nem sempre são reproduzidos em testes laboratoriais padrão, por isso é essencial considerar as condições reais de armazenamento e distribuição.

Isso significa não apenas filme robusto, mas também vedações confiáveis, capazes de suportar condições exigentes de empilhamento, transporte e manuseio. Por sua vez, durante o armazenamento e distribuição, o coeficiente de atrito da superfície externa torna-se relevante para garantir um armazenamento estável e seguro, evitando deslocamentos e colapsos de paletes. Arquiteturas de coextrusão multicamada permitem que funções sejam redistribuídas entre camadas, incorporando resinas de engenharia onde são necessárias, compensando reduções de espessura e otimizando custos sem sacrificar desempenho.

Funcionalidade de uso e redução de resíduos A circularidade não se limita ao material da embalagem, ela também envolve sua interação com o consumidor. Nesse sentido, sistemas de abertura controlada e fechamento reutilizável desempenham um papel fundamental na redução do desperdício de alimento, permitindo melhor conservação do produto após abertura e prolongando sua vida útil no ambiente doméstico. Hoje existem diferentes soluções de fechamento frontais, perimetral ou tradicionais, além de sistemas de fácil abertura, projetados para melhorar a experiência do consumidor sem comprometer a hermeticidade ou o upcycling da embalagem. Integrar essas funcionalidades desde o projeto inicial, e não como uma adição subsequente, é essencial para alcançar um equilíbrio entre usabilidade, desempenho técnico e sustentabilidade.

Conclusão: circularidade como disciplina de engenharia Nesse contexto, é fundamental que as decisões relacionadas ao redesenho das embalagens sejam tomadas de maneira interdisciplinar. A experiência industrial mostra que os melhores resultados surgem quando áreas como desenvolvimento, qualidade, produção, compras e comercialização trabalham de forma coordenada, alinhando objetivos técnicos, comerciais e ambientais desde as etapas iniciais do projeto. Também é essencial validar as mudanças propostas por meio de testes técnicos e testes em condições reais de uso. Testes de barreira, selagem, resistência mecânica, estabilidade de armazenamento e comportamento durante a distribuição permitem antecipar desvios e ajustar o projeto antes de sua implementação industrial. Essa abordagem preventiva reduz riscos operacionais e evita desvios de custos. Avançar para embalagens mais circulares na indústria pet food não é uma questão de moda ou marketing. É, acima de tudo, um desafio técnico que exige julgamento, conhecimento e uma compreensão sistêmica da embalagem. Quando o redesenho é abordado sob uma perspectiva de engenharia, analisando funções, interações e consequências, é possível alcançar soluções que protejam adequadamente o produto, acompanhem as demandas logísticas e, ao mesmo tempo, estejam alinhadas aos princípios da economia circular. A boa notícia é que as ferramentas tecnológicas já existem. A verdadeira diferença está em como eles são usados.

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SAÚDE DAS ARTICULAÇÕES DOS CÃES E GATOS: O PAPEL DO COLÁGENO NA PREVENÇÃO DA A saúde das articulações não depende apenas do envelhecimento. Fatores como genética, condição corporal, nutrição, microbiota intestinal e equilíbrio imunológico têm uma influência decisiva no início e progressão da osteoartrite, uma das doenças mais comuns em cães e gatos.

Por Prof. Alejandro L. Soraci, Médico Veterinário, Doutor em Ciências Veterinárias, Ph.D. e Pesquisador

A artrite ou osteoartrite é uma doença degenerativa, progressiva e irreversível da cartilagem articular, caracterizada por inflamação, dor e perda gradual da funcionalidade articular. Embora geralmente esteja associado ao envelhecimento, agora se reconhece que seu desenvolvimento é multifatorial e envolve fatores genéticos, nutricionais, metabólicos e mecânicos. Estima-se que aproximadamente 20% dos cães e mais de 60% dos gatos com mais de seis anos tenham algum grau de osteoartrite. Em animais geriátricos, a prevalência pode

ultrapassar 80–90%, tornando-se uma das principais causas da diminuição da qualidade de vida. A doença afeta principalmente as articulações sinoviais ou diartródiais, onde a cartilagem hialina cumpre a função de amortecer cargas mecânicas e permitir movimentos suaves e eficientes.

Colágeno: o principal componente estrutural da cartilagem O colágeno é a proteína mais abundante do corpo, representando aproximadamente 25% de todas as proteínas do corpo. Embora mais de 28 tipos de colágeno tenham sido descritos, os tipos I, II e III representam 80-90% do total no corpo. Na cartilagem articular, o colágeno tipo II representa 90-95% do total de colágeno. Sua função é fornecer resistência mecânica, elasticidade e suporte estrutural, além de manter os proteoglicanos imobilizados dentro da matriz extracelular.

Figura 1. Cartilagem articular normal (esquerda) versus cartilagem (direita) afetada pela osteoartrite.

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VOCÊ SABIA? A SAÚDE DO TRATO URINÁRIO É UM DOS MAIORES DESAFIOS DA NUTRIÇÃO DE GATOS.

CONTROLE DE PH NÃO É OPCIONAL, É ESTRATÉGICO!


A cartilagem saudável é composta principalmente por água, colágeno, proteoglicanos e glicosaminoglicanos, todos produzidos pelos condrócitos, as células especializadas responsáveis pela manutenção desse tecido. A saúde das articulações depende de um equilíbrio delicado entre a síntese e a degradação desses componentes. Quando esse equilíbrio é perdido, começa o processo degenerativo característico da osteoartrite.

Como a osteoartrite se desenvolve A osteoartrite não aparece de repente; É o resultado de um processo crônico onde múltiplos fatores intervêm. Sobrecarga mecânica, excesso de peso corporal, alterações na conformação, traumas e certas predisposições genéticas geram uma resposta inflamatória persistente. Essa inflamação estimula a produção de citocinas, como IL-1, IL-6 e TNF-α, além de enzimas degradativas, conhecidas como metaloproteases. Essas moléculas destroem progressivamente o colágeno e os proteoglicanos na cartilagem, causando apoptose dos condrócitos e perda da capacidade regenerativa dos tecidos. Como resultado, dor, rigidez, diminuição da mobilidade e formação de osteófitos aparecem, estabelecendo um verdadeiro círculo vicioso entre inflamação, dor e deterioração funcional.

Estar acima do peso agrava significativamente esse processo porque o tecido adiposo produz substâncias biologicamente ativas, como a leptina, capazes de manter um estado inflamatório crônico de baixo grau.

O intestino também está envolvido na saúde das articulações Nos últimos anos, surgiu um novo conceito que está mudando a compreensão de inúmeras doenças crônicas: o eixo intestino-articulação. A microbiota intestinal é um ecossistema complexo composto por bactérias, vírus e fungos que vivem em estreita relação com o hospedeiro. Quando há equilíbrio (eubiose), contribui para a manutenção da homeostase imunológica e metabólica. No entanto, situações como estresse, mudanças repentinas na dieta, obesidade ou o uso irracional de antibióticos orais e sistêmicos podem gerar desequilíbrios (disbiose), ou seja, uma alteração da composição normal da microbiota. A disbiose aumenta a permeabilidade intestinal e promove a liberação sistêmica de mediadores inflamatórios (citocinas pró-inflamatórias). Esses sinais inflamatórios podem alcançar tecidos distantes, incluindo articulações, ajudando a acelerar processos degenerativos.

Figura 2. Cachorro com mobilidade articular limitada.

Figura 4. Diagrama do mecanismo de ação do colágeno nativo tipo II (tolerância oral) no nível intestinal.

Atualmente, há evidências crescentes de que a saúde intestinal deve ser considerada um componente crítico de qualquer estratégia moderna de prevenção da osteoartrite. Figura 3. Diagrama do impacto negativo do excesso de peso, obesidade (tecido adiposo) e citocinas inflamatórias na articulação. Ativação de enzimas (síntase de óxido nítrico e metaloproteinases) e suas consequências na articulação e nos ossos.

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Colágeno O interesse científico pelo colágeno aumentou significativamente devido ao surgimento de novas formas


de suplementação com mecanismos de ação diferentes e complementares.

reduzindo a atividade das colagênases e metaloproteases responsáveis pela degradação dos tecidos.

O colágeno hidrolisado fornece aminoácidos bioativos e peptídeos que são usados pelos condrócitos para sintetizar novo colágeno e componentes da matriz extracelular. Em outras palavras, fornece os materiais necessários para apoiar os processos de reparo de tecidos.

Esse mecanismo torna o colágeno nativo uma ferramenta particularmente interessante do ponto de vista preventivo, pois age antes que o dano estrutural seja irreversível.

Por outro lado, o colágeno nativo não desnaturado do tipo II age por meio de um mecanismo completamente diferente.

Colágeno Nativo Tipo II: Uma Estratégia Imunológico Inovadora O colágeno nativo mantém sua estrutura tridimensional intacta e preserva regiões específicas conhecidas como epítopos. Quando ingeridos, esses epítopos são reconhecidos por células especializadas do tecido mucoso e do tecido linfoide associado ao intestino, especialmente no nível das manchas de Peyer. Esse reconhecimento induz um fenômeno chamado tolerância imune oral. Por meio desse mecanismo, células reguladoras capazes de produzir interleucina 10 (IL-10), uma citocina com atividade anti-inflamatória potente, são geradas. Como consequência, a resposta imune direcionada contra o colágeno presente na cartilagem articular diminui,

A osteoartrite continua sendo uma doença sem cura definitiva, tanto na medicina veterinária quanto na humana. No entanto, o conhecimento atual permite a implementação de estratégias preventivas cada vez mais eficazes. A combinação de colágeno nativo tipo II não desnaturado com colágeno hidrolisado representa uma alternativa particularmente promissora. Enquanto o primeiro ajuda a modular a resposta imune, o segundo fornece os componentes necessários para a síntese e reparo da matriz cartilaginosa. Quando essa estratégia nutricional é complementada com controle do peso corporal, exercícios adequados e manutenção de uma microbiota intestinal saudável, é possível atrasar significativamente o aparecimento dos sinais clínicos da osteoartrite e melhorar a qualidade de vida de cães e gatos ao longo de toda a vida.

23 de setembro / Auditório Lucta / 10h


PROTEÍNAS HIDROLISADAS: O QUE SÃO E COMO ATUAM NO MANEJO DE SENSIBILIDADES ALIMENTARESE ENTEROPATIAS CRÔNICAS As proteínas hidrolisadas representam uma estratégia nutricional baseada na redução do tamanho molecular das proteínas, diminuindo seu potencial de reconhecimento pelo sistema imunológico. Na nutrição de cães e gatos, essas dietas têm papel importante no manejo de sensibilidades alimentares e enteropatias crônicas, unindo digestibilidade, biodisponibilidade e suporte clínico. Por Paula K. Velho, Gustavo de A. Fusquine, Laura S. de Freitas, Eduarda B. F. de Oliveira y Luciano Trevizan

Da escolha de ingredientes à biodisponibilidade molecular Nos últimos anos, o padrão de qualidade dos alimentos destinados a cães e gatos vem passando por mudanças e redefinições. Se, por décadas, um dos aspectos mais atrativos das dietas comerciais era a utilização de carnes nobres ou de fontes de proteína exóticas, atualmente o foco recai sobre os nutrientes presentes em cada alimento e sua biodisponibilidade na dieta. Avanços nos estudos de nutrição animal têm motivado uma abordagem mais precisa e eficaz, baseada no princípio de que os animais não necessitam de ingredientes específicos, mas sim de nutrientes essenciais em quantidades adequadas. Essa redefinição na seleção de ingredientes representa um movimento em direção à maximização da eficiência nutricional, com foco na maior biodisponibilidade dos nutrientes, contribuindo para a saúde e o bem-estar dos animais de companhia.

por meio do reconhecimento de epítopos — mecanismos ainda não completamente compreendidos — formados por sequências específicas de aminoácidos presentes na superfície de grandes polipeptídeos. Em animais sensibilizados, essas proteínas podem se ligar à imunoglobulina E presente na superfície dos mastócitos, desencadeando uma cascata de mediadores inflamatórios que resulta nos sinais clínicos das reações adversas aos alimentos, como prurido intenso e alterações gastrointestinais. Durante muito tempo, a estratégia utilizada para contornar esse quadro foi a busca por proteínas diferentes, provenientes de fontes inéditas, às quais os animais ainda não tivessem sido expostos e, portanto, apresentassem menor probabilidade de sensibilização prévia. Contudo, a garantia dessa “novidade” e o constante risco de contaminação cruzada tornam essa abordagem cada vez mais difícil e menos segura, sendo eficaz apenas em alguns casos.

Por que o tamanho da proteína importa

Hidrólise: o “disfarce molecular” das proteínas

A estrutura molecular do alimento é importante, pois o sistema imunológico interage com as proteínas da dieta

Por isso, os avanços na nutrição animal passaram a priorizar o chamado “disfarce molecular” de proteínas

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convencionais, por meio da hidrólise enzimática parcial ou extensiva, que nada mais é que a modificação estrutural das proteínas através da hidrólise. O processo de hidrólise promove a quebra de proteínas intactas, geralmente com peso molecular entre 15 e 70 kDa, em pequenos peptídeos e aminoácidos livres, reduzindo seu peso molecular para valores inferiores ao limiar de reconhecimento imunológico. Dessa forma, minimiza-se o “alvo” antigênico das imunoglobulinas sem alterar significativamente o valor nutricional do alimento. Para que uma fonte proteica seja considerada hidrolisada e eficaz no manejo de alergias alimentares, a maior parte de seus peptídeos deve apresentar massa molecular inferior a 10 kDa, sendo comum a presença de frações proteicas bem menores, com peso molecular inferior a 500 Da. Caracterizações recentes ilustram a precisão e a eficiência dos processos modernos, demonstrando que diversos ingredientes proteicos, tanto de origem animal quanto vegetal, podem atingir perfis moleculares com baixa probabilidade de detecção pelo sistema imune.

Dietas hipoalergênicas e analergênicas Dessa forma, abriu-se a oportunidade para o desenvolvimento de dietas hipoalergênicas, caracterizadas por serem compostas por poucos ingredientes e, frequentemente, por uma única fonte proteica submetida à hidrólise parcial ou total antes de compor a formulação. Essas dietas caracterizam-se por apresentar adequada digestibilidade, reduzido potencial alergênico e bom balanço de aminoácidos, com elevada biodisponibilidade de aminoácidos essenciais. Além disso, existem as dietas purificadas, também conhecidas como dietas analergênicas, nas quais a proteína é fornecida em grau de hidrólise extremamente elevado, resultando em peptídeos muito pequenos e praticamente indetectáveis pelo sistema imune. As dietas hidrolisadas, portanto, oferecem vantagens para pacientes que apresentam deficiência nos mecanismos de digestão proteica ou para aqueles acometidos por enteropatias responsivas a proteínas intactas da dieta.

Enteropatias crônicas e suporte nutricional Pacientes com enteropatias crônicas apresentam um conjunto de condições gastrointestinais caracterizadas por sinais persistentes ou recorrentes, como diarreia, vômitos, perda de peso, alterações na qualidade fecal e redução da capacidade de absorção intestinal. Nesses quadros, a mucosa intestinal pode apresentar inflamação prolongada, alterações na barreira intestinal, disbiose e comprometimento das vilosidades, estruturas fundamentais para o adequado aproveitamento dos nutrientes. Esses pacientes frequentemente representam um grande desafio para seus tutores e para a equipe veterinária, podendo comprometer significativamente a qualidade de vida dos animais quando estratégias terapêuticas eficazes não são estabelecidas.

O advento das dietas contendo proteínas hidrolisadas ou extensivamente hidrolisadas representa um marco na nutrição de animais de companhia. Essas formulações são fundamentais para a recuperação e a qualidade de vida de pacientes acometidos por doença inflamatória intestinal ou por outros distúrbios digestivos relacionados às proteínas dietéticas, uma vez que permitem o restabelecimento da função digestiva, a adequada absorção de aminoácidos e a recuperação das condições teciduais, favorecendo o ganho de peso, a manutenção da massa muscular e a remissão dos sinais clínicos.

Aplicações clínicas e perspectivas Em cães com diarreia responsiva ao alimento, as dietas hidrolisadas frequentemente promovem rápida resolução dos sinais clínicos, funcionando tanto como ferramenta diagnóstica quanto terapêutica nos casos de alergia alimentar. Em cães com condições mais complexas, como a doença inflamatória intestinal, o uso de proteínas hidrolisadas é essencial para minimizar o desenvolvimento de sensibilizações a novos antígenos alimentares. O fornecimento de peptídeos “pré-digeridos” contribui para reduzir a carga antigênica da dieta, mantendo o suporte nutricional do animal e fornecendo a energia necessária para os processos de reparação tecidual. Estudos recentes têm explorado inclusive o uso de proteínas hidrolisadas derivadas de fígado de aves, penas, vísceras, peixes, carne bovina e insetos para melhorar a qualidade fecal e modular a fermentação intestinal em cães, destacando a versatilidade dessas fontes proteicas em ambientes clínicos.

Conclusão A transição de uma abordagem focada em ingredientes para outra centrada na biodisponibilidade molecular define a nutrição moderna dos animais de companhia. À medida que nossa compreensão sobre a patofisiologia das perturbações que afetam cães e gatos se aprofunda, a seleção de matérias-primas continuará sendo avaliada com base em sua contribuição efetiva para a saúde metabólica. Essa mudança não se limita à prevenção de alergias alimentares, mas busca otimizar o aproveitamento dos nutrientes pelos animais. Ao priorizar o peso molecular adequado, a alta digestibilidade e a modulação do ambiente intestinal, a indústria desenvolve soluções que se traduzem diretamente em melhor qualidade de vida para os pacientes. O verdadeiro indicador de qualidade está na capacidade de fornecer nutrientes de forma biodisponível, segura e consistente, que permitam a sobrevivência de pacientes que antes possuíam limitações quase incompatíveis com a vida. Patrocinado por Kemin Nutrisurance 23 de setembro / Auditório Lucta / 15h40

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IMPULSIONANDO A INOVAÇÃO SUSTENTÁVEL EM ALIMENTOS PARA PETS COM INGREDIENTES DE FAVA A sustentabilidade está se tornando um aspecto cada vez mais importante para os donos de pets, influenciando a forma como avaliam os produtos que compram para seus animais. No entanto, apenas atributos ambientais já não são suficientes; A qualidade nutricional é prioridade. Essa demanda crescente por produtos que combinem ambos os aspectos está levando os fabricantes a prestarem mais atenção à seleção dos ingredientes. Por Dra. Maygane Ronsmans, Gerente de Produto de Nutrição Animal, BENEO, Bélgica

Ingredientes à base de fava são uma oportunidade atraente, pois combinam benefícios nutricionais, técnicos e sustentáveis que podem contribuir tanto para a inovação de produtos quanto atender às expectativas dos consumidores.

impacto ambiental.iii Por outro lado, formulações sem grãos e alegações nutricionais chamam atenção, entre elas, “alto teor de proteína” está entre as mais atraentes e aumenta a probabilidade de compra entre donos de cães e gatos.

A Evolução nas Expectativas dos Tutotes de Pets

A crescente popularidade das proteínas vegetais

Uma demanda atual crescente dos consumidores impulsionou mudanças na formulação de alimentos para pets. Ao tomar decisões de compra, muitos “voltam ao básico” quando se trata dos ingredientes presentes na dieta. Muitos deles consideram qualidade (71%) e valor nutricional (72%) como fatores importantes na compra. Além disso, mais de um em cada três donos de cães e gatos escolhe produtos naturais ao procurar comida para atender às necessidades específicas de seus pets. iii Como resultado, o foco na composição e escolha dos ingredientes está se tornando cada vez mais relevante entre os fabricantes de alimentos para impulsionar as vendas.

Para responder a essas tendências, os fabricantes estão optando por fontes de origem vegetal para a formulação. Atualmente, dois em cada três donos de animais consideram as proteínas vegetais melhores para o meio ambiente, então aquelas de alta qualidade e fortes apelos de sustentabilidade, como as derivadas das favas, representam um recurso valioso. Essa cultura também é popular entre donos de cães e gatos; Atinge níveis de atratividade semelhantes aos de matériasprimas amplamente utilizadas, como trigo, cevada ou soja. Na verdade, 49% dos proprietários associam fortemente as favas a um ingrediente natural, enquanto 45% as relacionam à sustentabilidade.iv Além disso, seus benefícios os tornam uma alternativa atraente a ingredientes de origem animal ou outras fontes vegetais, como derivados de ervilhas.

Além da seleção de ingredientes, a sustentabilidade é um ponto-chave: sete em cada dez tutores esperam que as marcas de ração para pets reduzam ativamente seu

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Sucesso sustentável graças às favas Em termos de sustentabilidade, as favas reduzem as emissões de gases de efeito estufa na agricultura. Sua capacidade de fixar nitrogênio atmosférico para seu próprio consumo e para o das culturas subsequentes reduz a necessidade de fertilizantes e melhora a qualidade do solo. É uma cultura resiliente, com uma pegada de carbono muito menor do que as proteínas animais e pode ser facilmente cultivada no hemisfério norte. A BENEO cultiva seus grãos na Alemanha, próximos à sua planta de produção, e eles possuem certificação REDCert², equivalente à Farm Sustainability Assessment (FSA) da plataforma SAI em seu nível mais alto (Gold). Custos locais de transporte, a ausência de consumo de água durante a produção, os baixos pedidos energéticos em comparação com processos úmidos e a ausência de produtos químicos ou de processamento contribuem para um processo mais sustentável que, ao mesmo tempo, tem custos de produção mais baixos. Além disso, contratos de longo prazo com agricultores locais garantem a resiliência da produção e da cadeia de suprimentos, tanto para a BENEO quanto para fabricantes de alimentos para pets que utilizam seus ingredientes de fava, como fontes de proteína, amido e fibra.

Favas em pet food, seu poder nutricional e tecnológico O Concentrado de Proteína de Fava da BENEO oferece aos fabricantes uma fonte de proteína vegetal de alta qualidade, não transgênica, com rótulo limpo, que é uma excelente alternativa às proteínas animais e de soja para o desenvolvimento de alimentos vegetais para pets ou formulações híbridas. Com um teor mínimo de proteína (60%) na matéria seca, possui valores de digestibilidade ileal próximos a 90%. Também fornece um bom perfil de aminoácidos essenciais, relativamente rico em lisina, que, quando combinado com proteínas cereais, pode ser completado. Além disso, contém altos níveis de glutamina, um aminoácido que promove o crescimento e manutenção das células intestinais, além de arginina, considerada importante para a saúde cognitiva.

Redução de custos em alimentos úmidos As rações úmidas para pets mantêm forte aceitação entre os consumidores, pois muitas vezes são vistas como uma opção mais saudável. Essa percepção positiva impulsiona uma demanda entre os proprietários dispostos a investir mais em produtos considerados de maior qualidade e valor nutricional. Na verdade, o segmento de alimentos úmidos para pets deve registrar uma taxa composta anual de crescimento (CAGR) de 15,6% entre 2024 e 2029 em termos de valor de mercado.v Proteínas vegetais, como as derivadas de favas, desempenham um papel fundamental na formulação desses produtos, especialmente considerando que quase metade dos donos de cães e gatos deseja ver uma maior

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incorporação de proteínas vegetais.vi Um exemplo notável é o uso do concentrado de proteína de fava do BENEO como alternativa ao plasma animal spray dried (SDP). O SDP é usado em alimentos úmidos premium e super premium por suas propriedades emulsionantes e texturizantes. No entanto, esses benefícios geralmente têm um custo relativamente alto. A Passion4Food, prestadora especializada de serviços para a indústria de alimentos para pets, realizou uma série de testes que mostraram que o concentrado de proteína de fava da BENEO pode substituir total ou parcialmente o SDP como agente ligante e emulsionante em patês e produtos como pedaços ao molho, com uma possível redução de custos de até 47%. Com base nos resultados positivos, a BENEO entrou com um pedido internacional de patente para o uso de seu concentrado de proteína de fava como alternativa ao plasma spray dried em alimentos úmidos, publicado em agosto de 2025.

Amido de fava: uma nova solução para alimentos secos A fava também é ideal para fabricantes de ração para pets que querem aproveitar o uso em alimentos secos. A farinha de fava rica em amido da BENEO é uma alternativa aos amidos tradicionais de leguminosa e pode ser usada em produtos extrusados sem grãos, como alimentos secos. Em novos testes conduzidos pela Passion4Food, a farinha rica em amido da BENEO foi usada como substituta parcial e total do amido de ervilha em formulações sem grãos. Não foram observadas diferenças significativas no consumo de energia durante o processamento. Os resultados mostraram que é possível substituir completamente o amido de ervilha, por meio de inclusões de até 20% de farinha rica em amido de fava, sem afetar significativamente a qualidade da ração. Para os fabricantes, esses testes oferecem uma nova opção de amido à base de plantas para expandir seu portfólio de ingredientes de ração seca.

Fava: um futuro promissor Ingredientes derivados de fava são uma proposta vencedora para os fabricantes de alimentos para pets. Eles são uma solução natural respaldada por fortes credenciais de sustentabilidade, o que também nos permite responder à volatilidade na disponibilidade e nos preços associados aos subprodutos animais. Além de seus benefícios tecnológicos e nutricionais significativos, esses ingredientes oferecem novas oportunidades para responder às demandas atuais dos consumidores por alimentos mais saudáveis, nutritivos e sustentáveis.

23 de setembro / Auditório APC / 16h20


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SABORES ESQUECIDOS? A CIÊNCIA POR TRÁS DA PERCEPÇÃO DOCE E UMAMI EM FELINOS

A indústria global de alimentos para pets enfrenta o desafio de decifrar a palatabilidade felina sob uma perspectiva científica.

Por Niyired Orozco Giraldo

Sabor doce e umami em gatos: são aromas esquecidos? Estamos realmente seguros de quais são os sabores que nossos cães e gatos percebem? Historicamente, o desenvolvimento dos sabores na indústria de alimentos para pets tem sido tratado como uma “área cinzenta”, onde tudo parece possível. É comum imaginar a palatabilidade como um prato cheio de flores onde uma nota evoca carne, outra frango grelhado e, nesse cenário ideal, assumimos que todas as opções vão fascinar tanto cães quanto gatos. No entanto, diante da realidade do consumo de alimentos, a percepção do gosto humano e dos animais de estimação acaba sendo mundos completamente distantes. Essa lacuna sensorial explica a quantidade exagerada na oferta de aromatizantes, saborizantes e palatabilizantes e, ao mesmo tempo, tantas dúvidas sobre o impacto real das matérias-primas e do processamento térmico na palatabilidade final.

Vamos voltar à base evolutiva Todas as espécies animais dependem dos sentidos químicos (olfato e paladar) para sobreviver. Evolutivamente, essa dupla quimiossensorial permitiu que

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os ancestrais dos nossos pets detectassem quando um alimento estava se decompondo ou qual planta continha toxinas potencialmente letais, guiando uma escolha alimentar adequada. Embora a ciência geralmente considere os humanos como referência universal, as diferenças em relação aos carnívoros domésticos são esmagadoras. Um cachorro, por exemplo, possui uma capacidade olfativa tão desenvolvida que consegue detectar partículas de odor de uma pessoa enterrada a vários metros de profundidade na neve ou no solo, guiada por correntes térmicas sutis. Por sua vez, o gato é um detector químico de precisão, capaz de perceber notas de oxidação lipídica na comida em concentrações mínimas que escapam completamente do cheiro humano, reagindo negativamente a indícios sutis de rancificação. Todos os vertebrados compartilham uma estrutura neurobiológica básica para perceber as cinco qualidades do sabor: doce, umami, amargo, ácido e salgado. Respostas comportamentais, como a rejeição imediata da amargura, sugerem que mecanismos moleculares subjacentes são conservados entre espécies para prevenir envenenamentos. No entanto, variações genéticas e funcionalidades dos receptores foram forjadas sob a pressão da estratégia alimentar de cada animal. Como


Paul T. Young (1966) apontou, a seleção da dieta não é aleatória: ela é determinada pelas condições orgânicas do sujeito, sua experiência prévia, sua constituição corporal e, crucialmente, pela estimulação periférica dos receptores cefálicos.

A percepção do gosto doce no felino: um caminho fechado O gato é um carnívoro rigoroso. Em seu nicho ecológico natural, sua dieta consiste quase exclusivamente em tecido animal. Essa especialização extrema resultou em adaptações fisiológicas e metabólicas únicas: eles não possuem amilase salivar, e possuem uma dentição modificada exclusivamente para rasgar a carne e possuem a pseudogenização do gene que codifica o regulador da glicoquinase (GCKR), um elemento-chave no metabolismo dos carboidratos. Um pseudogene é, essencialmente, uma sequência de DNA que já foi um gene funcional, mas, devido a mutações acumuladas ao longo da evolução, perdeu a capacidade de codificar proteínas. Há mais de setenta anos, pesquisas pioneiras de Ronald Kare e Charles Carpenter mostraram que os gatos não conseguiam distinguir entre água pura e soluções de sacarose, glicose, frutose ou lactose. Foi em 2005 que a equipe de Xia Li descobriu a raiz molecular dessa indiferença: os felinos não possuem uma subunidade funcional no receptor de paladar doce chamado TAS1R2. A pressão evolutiva de uma dieta livre de açúcares vegetais tornou esse receptor desnecessário, transformando-o em um pseudogene não funcional. Assim, os gatos não “esqueceram” o gosto doce; simplesmente, sua história evolutiva anulou esse canal sensorial.

Gosto umami em gatos: A redefinição da carne Ao contrário do doce, o gosto umami é o eixo guia da palatabilidade felina. Nos humanos, está associado ao glutamato monossódico e sua principal característica é que é potenciado sinergicamente quando combinado com nucleotídeos purinos. Em 1975, White e Boudreau mostraram que certos compostos químicos eram capazes de ativar neurologicamente felinos em baixas concentrações, ditando sua preferência ou evitação. Essas respostas são ativadas principalmente por aminoácidos livres e bases púricas (5′-ribonucleotídeos), componentes abundantes nos tecidos animais que sinalizam a presença de proteínas e ácidos nucleicos de alta qualidade. No entanto, na nutrição felina, detalhes moleculares importam. Embora tanto cães quanto gatos possuam um receptor umami heterodimérico estruturalmente intacto, TAS1R1/TAS1R3, a especificidade dos ligantes (moléculas que se encaixam no receptor) varia drasticamente entre as espécies (Jiang & Beauchamp, 2025).

A Revolução dos Testes In Vitro: O Módulo de Venus Flytrap Devido à complexidade e aos altos custos dos testes in vivo com painéis para pets, avaliar a afinidade exata dos aromatizantes tornou-se desafiador. É aqui que ensaios funcionais baseados em células e a biotecnologia molecular estão transformando a indústria por meio de duas ferramentas-chave: ∙ Ensaios funcionais de células: culturas de células vivas modificadas para expressar os receptores do paladar do gato, permitindo que sua resposta biológica a diferentes estímulos seja medida com precisão. ∙ O módulo recombinante de Venus Flytrap (VFTM): é uma estrutura proteica presente na porção extracelular dos receptores da classe C. Ele recebe esse nome por sua semelhança com a planta carnívora Venus flytrap, já que possui dois lóbulos que se fecham e “aprisionam” o ligante (o aminoácido ou nucleótido). Esse fechamento molecular ativa o receptor e desencadeia o sinal nervoso de sabor. Por meio dessas tecnologias in vitro, pesquisadores como Toda (2021) demonstraram que o receptor TAS1R1/TAS1R3 em felinos responde diretamente aos 5′-ribonucleotídeos (como o IMP), mas, ao contrário dos humanos, não é ativado principalmente pelo isolamento de L-glutamato. Da mesma forma, McGrane (2023) identificou que onze aminoácidos L atuam como potentes coativos, se e somente se forem previamente combinados com um nucleotídeo purino. Curiosamente, L-glutamato e L-aspartato — os reis do umami humano — nem sequer funcionam como potenciadores para o receptor do gato. Isso confirma que o que é intensamente umami para um humano pode ser insípido para um gato. As evidências de Belloi (2017) usando VFTM recombinante confirmaram que a inosina (IMP) tem a capacidade única de se ligar ao receptor felino mesmo na ausência de aminoácidos livres.

Descobertas e Insights do Setor Embora registros eletrofisiológicos tradicionais em nervos gustativos (como a corda do tímpano) mostrem que certos estímulos são intensificados ao combinar nucleotídeos com aminoácidos específicos, como L-cisteína e L-prolina. A sintonia exata do receptor umami felino continua a revelar surpresas. Não podemos descartar que as metodologias in vitro atuais ainda não replicam 100% da fisiologia complexa do paladar nativo no animal vivo. No entanto, entender que o sabor doce é inexistente para o gato e que sua percepção do umami obedece a um código de barras molecular estritamente adaptado ao seu nicho carnívoro é a verdadeira chave para a formulação de palatabilizantes de última geração no mercado moderno de alimentos para pets. 23 de setembro / Aditório Lucta / 9h20

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ALIMENTAÇÃO BASEADA EM INGREDIENTES VEGETAIS PARA CÃES E GATOS Estima-se que até 2050 a população mundial se estabeleça em 9 a 9,5 bilhões de indivíduos, gerando inquietudes quanto a capacidade de sustentabilidade dos recursos alimentares. Medidas estão sendo avaliadas e estudadas e, entre elas, a diminuição da “pegada de carbono” (environmental paw print - EP), do gasto de água na geração de alimentos, obtenção de energias “limpas” e varias outras são foco de investigações cientificas em todo o planeta. Por Flavia Maria de Oliveira Borges Saad e Susana Mantuani Reis Alves

A obtenção de alimentos para humanos com alto valor nutricional, baixo gasto hídrico e energético, com sustentabilidade elevada e baixa pegada de carbono norteia as pesquisas neste sentido. O aumento do aproveitamento de todas as partes dos alimentos a partir de processos químicos, físicos e enzimáticos, por exemplo, visam reduzir desperdício. Em um outro ponto, a convivência de cães e gatos com humanos sempre foi uma constante na história da humanidade, a ponto destes animais se tornarem os principais parceiros interespécie do planeta, estabelecidos em pontos como proteção, trabalho, controle de pragas e, finalmente, em um vinculo emocional profundo estabelecido na sociedade atual. Hoje calcula-se 2,0 a 2,5 bilhões de cães e gatos no planeta, sendo cerca de 1,0 a 1,5 bilhões domiciliados, dependendo de cuidados humanos. O problema é que estes animais são carnívoros, portanto, potenciais competidores dos seres humanos por recursos alimentares do planeta. Atualmente esta competição não é visível, uma vez que a produção industrial de alimentos para cães e gatos se baseia em ingredientes não utilizados na alimentação humana; desde resíduos agriculturáveis até coprodutos de origem animal, inclusive os caracterizando como finalizadores de cadeia agropecuária, gerando renda extra para produtores destes insumos.

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A questão é; se ocorrer uma mudança de paradigma, com uma diminuição de produção de alimentos com alta pegada de carbono e alto gasto hídrico, como produtos de origem animal, para produções mais sustentáveis, a exemplo de alimentos de origem vegetal, algas, insetos etc., seria possível manter uma população de carnívoros coabitante aos humanos, como é estabelecida hoje? A análise do impacto socioambiental da alimentação de animais de companhia assume importância estratégica no contexto da sustentabilidade global, e de sua dependência de ingredientes de origem animal (Pedrinelli et al., 2021, 2022). Considerando que a produção de alimentos para o consumo humano já exerce pressão significativa sobre os recursos naturais a nutrição pet acrescenta complexidade a esse cenário. O sistema alimentar global é responsável por 34% das emissões antrópicas totais de gases de efeito estufa (GEEs) anualmente, além de ser o maior contribuinte para a eutrofização oceânica (cerca de 78%) e de água doce (cerca de 95%). Em 2013, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) estimou que o setor pecuário respondia por 14,5% das emissões globais de GEEs. Dados recentes indicam que a produção de alimentos de origem animal, base da indústria pet food, é


responsável por pelo menos 20% das emissões antrópicas globais. Nesse contexto de crescente preocupação com a sustentabilidade global, surge o conceito de “pegada de carbono, que adapta a ideia de pegada ecológica para medir o impacto do consumo de recursos (como terra, água e energia) por animais de companhia. A vasta população de cães e gatos torna o impacto de sua alimentação significativo (Knight et al., 2022). Assim, há um consenso de que o impacto da alimentação de animais de companhia não é negligenciável e deve ser considerado nas estratégias de diminuir as mudanças climáticas. A questão não é somente ideológica e não se pretende transformar carnívoros em herbívoros. A questão é; seria possível manter esta população atual de maneira saudável e sustentável após a redução de recursos alimentares de origem animal? Para responder esta pergunta é preciso avaliar as várias nuances relacionadas ao metabolismo e a fisiologia dos carnívoros, aos alimentos disponíveis hoje e futuramente, aos impactos de uma população atual de carnívoros nas metas de sustentabilidade, entre outros fatores.

A questão não é somente ideológica e não se pretende transformar carnívoros em herbívoros. A questão é; seria possível manter esta população atual de maneira saudável e sustentável após a redução de recursos alimentares de origem animal? Na ordem carnívora existem milhares de espécies com características totalmente diferentes. Somente como exemplo, embora a taxonomia seja estabelecida primariamente considerando a anatomia (Carnívoros anatômicos), o comportamento alimentar na natureza (Carnivoros preferenciais) e o metabolismo (carnívoros anatômicos, além de outras características, auxiliam para estabelecer os agrupamentos familiares. Por exemplo, embora pandas (Ailuropoda melanouleuca) sejam carnívoros anatômicos, suas preferencias e hábitos alimentares permitem que se mantenham com dietas estritamente vegetais, ao passo que cães (Canis lupus), devido suas imensas variações genéticas provocadas pela interferência humana e/ou geográfica possam ser classificados como “carnívoros preferenciais”, “carnívoros facultativos” ou ate “carnívoros oportunistas”. Isto significa que sempre terão preferencias por carne, mas que na ausência deste alimento, podem se alimentar e manter a saúde com alimentos de origem vegetal disponíveis na natureza, como frutos, folhas e raízes. De acordo com Axelsson et al. (2013) as 52 raças de cães avaliadas em um estudo de genoma apresentaram uma variação muto grande na capacidade digestória e amido, entretanto todas elas apresentaram muito mais genes (de 6 a 24 copias)

relacionados a esta digestão, quando comparadas às 12 espécies de lobos utilizadas neste estudo. A adaptação a uma dieta rica em amido, em contraste com a dieta carnívora dos lobos, constituiu um passo crucial na domesticação dos cães Já gatos domésticos (Felis catus) guardam uma semelhança metabólica grande com seus ancestrais selvagens, com modificações metabólicas que lhes permitiram, ao longo de milhões de anos, ter um aproveitamento máximo de suas presas, prioritariamente compostas por proteína e gorduras, suprimindo enzimas, como a amilase, que significavam um gasto metabólico desnecessário. Estas modificações o caracterizaram como “carnívoros restritos” ou “carnívoros metabólicos” significando que, em ambiente natural, dependem de vários nutrientes encontrados somente em alimentos de origem animal, a exemplo do ácido araquidônico e da taurina. Por outro lado, sabemos que é possível, a partir de adequações nutricionais, formular e produzir dietas para cães e gatos com ingredientes vegetais, desde que sejam feitas modificações para corrigir déficits e excessos de nutrientes presentes nestes. A compreensão dos nutrientes que compõem uma dieta vegetal é essencial para avaliar sua aplicabilidade na nutrição de cães e gatos. Embora seja possível atender às exigências nutricionais desses animais por meio de ingredientes de origem vegetal, a formulação requer atenção criteriosa para assegurar adequação, biodisponibilidade e equilíbrio entre os diferentes nutrientes (Roberts et al., 2023). A literatura científica contemporânea demonstra um crescimento expressivo no mercado e no interesse por alimentos plant-based para cães, impulsionado pelo desejo de tutores veganos em alinhar seus princípios de vida ao manejo alimentar de seus animais. Paralelamente, a sustentabilidade estabelece-se como um pilar central nessa discussão, evidências sólidas indicam que a transição para dietas vegetais nutricionalmente completas promove benefícios ambientais significativos, incluindo reduções drásticas no uso da terra, consumo de água missões de GEE quando comparadas à produção de dietas baseadas em produtos de origem animal. Finalmente, fornecimento de dietas vegetais para cães e gatos tem sido uma posição controversa devido às preocupações com a adequação nutricional de um carnívor. No entanto, evidências atuais e crescentes sugerem que dietas veganas bem formuladas podem ser nutricionalmente sólidas. Além da análise teórica dos nutrientes e da composição dos alimentos, é fundamental avaliar os efeitos de longo prazo das dietas veganas na saúde de cães.

23 de setembro / Auditório APC / 15h40 24 de setembro / Auditório APC / 14h40

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A ENTREVISTA

JUAN MANUEL PERALTA Presidente do Comitê Científico do CIPAL

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Diretor de Inovação da Alican, professor universitário de processos industriais na Argentina e Brasil e presidente do Comitê Científico do CIPAL, Juan Manuel Peralta combina três décadas de experiência na indústria de alimentos para pets com uma sólida formação técnica e uma visão estratégica do negócio. Nesta entrevista, e olhando para a edição de 2026 do CIPAL, ele analisa os três eixos temáticos que estruturam o programa – naturalidade, nutrição de precisão e sustentabilidade – as transformações que estão redefinindo o setor e as oportunidades que estão se abrindo para as empresas latino-americanas.

Além do seu papel na empresa, este ano você lidera o Comitê Científico do CIPAL. O que significa para você assumir essa responsabilidade e qual é o principal objetivo por trás da construção do programa acadêmico do congresso? Presidir o Comitê Científico do CIPAL é uma honra e, acima de tudo, uma responsabilidade para com toda a região. O CIPAL se estabeleceu como o principal congresso da indústria de alimentos para pets no Cone Sul. A próxima edição terá conferências simultâneas em três auditórios e uma área de inovação. Meu papel é projetar o programa, definir os eixos temáticos e interagir com os palestrantes para garantir tanto a qualidade científica do conteúdo quanto sua relevância para o público que nos visita a cada edição em busca de conhecimento aplicável. Para mim, o congresso cumpre uma função que vai além do evento: ele atua como uma ponte entre a academia e as operações industriais. Grande parte do conhecimento de ponta está em universidades, centros de pesquisa e publicações científicas que nem sempre alcançam, em tempo hábil, aqueles que tomam decisões sobre produtos e plantas. O objetivo central do programa é precisamente encurtar essa distância, ou seja, selecionar o conhecimento que a indústria regional precisa e apresentá-lo de forma que possa ser traduzido em decisões concretas de formulação, processo, qualidade e posicionamento. Este ano, estruturei o programa em torno de três eixos temáticos que, na minha opinião, condensam para onde a indústria está caminhando: naturalidade e o movimento Clean Label; nutrição de precisão – nutracêuticos, nutrigenômica, microbioma e nutrição clínica – e sustentabilidade entendida em um sentido amplo (planeta, negócios e indústria). Cada bloco deve atender a um duplo propósito: ser tecnicamente robusto o suficiente para suportar o olhar crítico de um pesquisador e, ao mesmo tempo, gerar insights práticos que permitam um gestor sair da sala com ações possíveis de implementar na semana seguinte. Isso exige trabalhar em estreita colaboração com os palestrantes, ajudá-los a ancorar suas apresentações em evidências sólidas e conectar suas descobertas aos desafios econômicos e operacionais do setor. Também percebo o evento como uma contribuição para o desenvolvimento de talentos regionais. Teremos

referências de alto nível da Argentina, Brasil, Estados Unidos, Colômbia, México, Espanha, Bélgica, Portugal e Chile. Sou particularmente entusiasmado com o diálogo entre ciência básica e aplicação industrial. Este ano, também terei o prazer de moderar um painel sobre saúde intestinal na prática, junto com pesquisadores da CONICET e empresas de biotecnologia da região, que é exatamente o tipo de conversa, rigorosa e aplicável, que o congresso busca promover. Do seu ponto de vista, quais são as questões, desafios ou tendências que você considera essenciais para a agenda da indústria de ração para pets e que serão refletidos nas conferências desta edição? Prefiro responder a partir do que realmente vamos debater no CIPAL, porque o programa é resultado de meses ouvindo a indústria. O primeiro eixo é a naturalidade e o movimento Clean Label. O consumidor está exercendo uma verdadeira auditoria moral na cadeia de suprimentos: ele rejeita aditivos químicos controversos e exige rótulos claros e honestos. Isso impulsiona uma onda de processos e ingredientes inovadores, mais naturais e simples. Aqui surge um conceito que me parece muito poderoso, o de bem-estar cruzado: a integração entre a saúde humana e animal sob a mesma lógica. O segundo eixo é nutrição de precisão: nutracêuticos, nutrigenômica, microbioma e nutrição clínica. A saúde tornou-se o novo prêmio. Estamos falando de prebióticos específicos para promover microrganismos benéficos, dietas prescritas bifuncionais e polifuncionais, ingredientes funcionais para o envelhecimento saudável – porque nossos pets vivem mais e essa nova fase da vida exige nutrição adequada – e um desafio de saúde pública que já é transversal para humanos e animais: a obesidade. O terceiro eixo é a sustentabilidade, entendida de forma abrangente: do planeta, do negócio e da indústria. Aqui, embalagens monomateriais ou recicláveis e plásticos biodegradáveis coexistem; sistemas de reabastecimento no ponto de venda; processamento híbrido que combina carne fresca, desidratada e liofilizada com kibbles; energias renováveis; E uma ideia que me parece central, reduzir aditivos e processamento desnecessário e permite, ao mesmo tempo, mais naturalidade e eficiência. Como especialista em inovação, quais transformações você considera ter o maior impacto na indústria de alimentos para pets em termos de

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tecnologia, processos de produção e desenvolvimento de novos produtos? A transformação mais visível está nos processos de produção e nos ingredientes funcionais, e está diretamente ligada à demanda por naturalidade. Estamos nos afastando da lógica de um formato dominante único de fórmulas e tecnologias de fabricação, em direção a uma variedade de opções de processamento e ingredientes mais suaves, com mais propósito e menos foco na relação custo-benefício. Não é coincidência que os formatos liofilizados, assados e frescos tenham crescido em taxas muito superiores à média do mercado. Isso eleva o padrão nos fundamentos da engenharia de processos, e o programa do CIPAL reflete isso de forma forte. A segunda grande transformação é a engenharia da funcionalidade biológica. Incorporar ingredientes bióticos vivos e mantê-los ativos durante processos industriais severos é um dos grandes desafios técnicos do momento. Isso é complementado pelo desenvolvimento de probióticos validados com ensaios controlados em pets e pelo avanço dos pós-bióticos, que nos últimos anos cresceram extraordinariamente justamente por sua estabilidade diante do processamento. Em termos de novos produtos, vemos um salto em proteínas alternativas e snacks funcionais com compostos bioativos. Quero ser honesto sobre inteligência artificial, porque hoje em dia ela tende a monopolizar a conversa. A IA é, sem dúvida, uma ferramenta com enorme potencial para análise e otimização de processos. Minha convicção, além disso, é que a IA amplifica nossa capacidade de inovar, mas não substitui a biologia: a verdadeira aceitação do animal de estimação em frente à tigela permanece como o juiz supremo e insubstituível. Como as novas demandas dos consumidores — como rastreabilidade, sustentabilidade, nutrição funcional e bem-estar animal — estão influenciando a agenda de inovação das empresas do setor? Hoje, essas demandas são o principal vetor que ordena a agenda de inovação e sua força nasce de um fenômeno de fundo: a humanização. Na verdade, a América Latina é a região com a maior porcentagem mundial de tutores que consideram seu animal de estimação um membro da família. Quando o pet é uma família, o tutor transfere seus próprios critérios de consumo para o alimento: ele quer saber o que ele contém, de onde vem, que benefício ele oferece e sob quais padrões éticos e ambientais foi produzido. Não é coincidência que os três eixos do congresso respondam, quase ponto a ponto, a essas demandas. A consequência estratégica de tudo isso é direta: o endosso científico e a ética profissional tornam-se diferenciadores competitivos de primeira linha. Em um mercado onde todos prometem, quem tentar vence. O desafio para as empresas não é abordar essas demandas como caixas de marketing a serem cumpridas, mas sim integrá-las genuinamente ao design, formulação e processo do produto. O

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consumidor de hoje é rápido em perceber a diferença entre uma afirmação cosmética e um benefício real; a inovação que perdura é aquela que começa da ciência e chega à prateleira, não o contrário. Quais oportunidades você identifica hoje para empresas latino-americanas que buscam crescer e competir em um mercado cada vez mais globalizado? A primeira oportunidade é estrutural e específica para a região. A América Latina é uma potência na produção de proteínas animais e vegetais, e isso a posiciona de forma privilegiada diante das três tendências que dominam a agenda global: naturalidade, que exige carne fresca e matérias-primas de qualidade; nutrição funcional, que requer ingredientes diferenciados; e sustentabilidade, que valoriza cadeias curtas e rastreáveis. Temos uma boa parte dos suprimentos que o mundo procura em casa. A segunda oportunidade está nos segmentos com maior crescimento. A premiumização está avançando fortemente e o segmento de alimentos úmidos, que na região começa com uma penetração muito baixa, está crescendo em um ritmo muito maior do que a ração seca. Ao mesmo tempo, os formatos frescos, cozidos, assados e liofilizados estão ganhando terreno em ritmo acelerado. Nos últimos anos, vimos a abertura contínua desse tipo de fábrica no Brasil, México e Argentina, um fenômeno que antes era reservado quase exclusivamente para multinacionais e que hoje também conta com atores locais. A terceira oportunidade, e pela qual sou mais apaixonado, é a do conhecimento. Competir em um mercado globalizado não depende mais apenas da escala industrial, mas da capacidade de inovar com respaldo científico. Aqui, a América Latina tem um ativo enorme e às vezes subestimado: seu talento. O próprio programa do CIPAL é evidenciado por representantes da região que dialogam em pé de igualdade com líderes globais. Uma empresa latino-americana que investe em formulação, alianças com universidades, sustentabilidade real e comunicação científica sólida pode competir em pé de igualdade com qualquer player global e até antecipar em nichos onde grandes corporações demoram mais a se mover ou têm interesse comercial. Minha convicção é que a região está em um ponto de virada. Temos as matérias-primas, temos um consumidor que valoriza seu animal de estimação como poucos no mundo e temos o talento técnico para sustentar uma proposta de valor diferenciada. O desafio é articular esses três elementos com uma visão estratégica de longo prazo. Espaços como o CIPAL existem, justamente, para acelerar essa articulação: para que o conhecimento circule, alianças sejam forjadas e a indústria latino-americana deixe de ser uma pioneira de tendências e comece a ser, cada vez mais, geradora deles. Espero por você em setembro. Conheça o programa completo do CIPAL 2026: cipal.com.ar Obrigado, Juan Manuel, por compartilhar sua visão e conhecimento com a comunidade All Pet Food!


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O FUTURO DO PET FOOD SERÁ MAIS EFICIENTE A indústria de alimentos para pets enfrenta um dos maiores desafios de sua história: alimentar melhor enquanto reduz seu impacto ambiental. O crescimento global do mercado de ração para pets aumentou a pressão sobre recursos naturais, proteínas animais, água, energia e sistemas logísticos. No entanto, a nova geração de inovação prova que sustentabilidade e lucratividade não são mais conceitos opostos. Por MVZ Armando Enriquez de la Fuente Blanquet

Hoje, as estratégias mais eficazes não dependem necessariamente de grandes mudanças, mas de melhorias inteligentes na formulação, eficiência nutricional e utilização de recursos. De ingredientes upcycled a micronutrientes altamente biodisponíveis, o futuro do pet food sustentável está sendo construído em pequenas soluções com grandes impactos.

necessária. Essa possibilidade levou as marcas a repensar a formulação a partir de uma lógica de precisão nutricional.

Tradicionalmente, a sustentabilidade na ração para pets estava associada apenas à embalagem reciclável ou à redução do plástico, mas o verdadeiro impacto ambiental começa muito antes, nos ingredientes, em sua origem e na eficiência com que o animal utiliza cada nutriente.

A questão não é mais quanto ingrediente um alimento contém, mas quanto valor funcional ele realmente oferece. Uma das estratégias mais importantes em sustentabilidade é o uso de ingredientes upcycled, o que significa, materias primas recuperados de outras cadeias alimentares que antes acabavam como resíduos. Esses ingredientes mantêm alto valor nutricional e podem ser reincorporados de forma eficiente em formulações para pets.

Uma fórmula nutricionalmente eficiente pode reduzir o uso de matérias-primas, resíduos metabólicos, emissões associadas à produção e a quantidade total de ração

Alguns exemplos incluem proteínas recuperadas de processos da indústria de alimentos, coprodutos da ricos em fibra e proteína, polpas vegetais com propriedades

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funcionais, leveduras provenientes de fermentação, óleos reaproveitados sob controle de qualidade e frutas ou vegetais descartados por padrões estéticos, mas passíveis de valorização como ingredientes para nutrição animal. O benefício ambiental é evidente: menos desperdício, menor pressão agrícola, redução de emissões e melhor uso dos recursos existentes. Além disso, há uma vantagem econômica importante. Ingredientes reciclados normalmente oferecem maior estabilidade de custo em comparação com matériasprimas tradicionais, sujeitas à volatilidade global. Isso faz da economia circular uma estratégia tanto ambiental quanto financeira. No entanto, a verdadeira revolução silenciosa ocorre nos microingredientes funcionais. Esses componentes atuam em pequenas concentrações, mas geram melhorias significativas na digestibilidade, saúde intestinal, absorção e desempenho metabólico. Graças a isso, permitem que dietas mais eficientes sejam formuladas usando menos recursos globais. Por exemplo, microalgas se tornaram uma alternativa estratégica ao óleo de peixe e fornecem DHA, antioxidantes, pigmentos naturais e proteínas funcionais. Além disso, sua produção exige menos terra e reduz a pressão sobre os ecossistemas marinhos. Outro exemplo são os minerais inorgânicos tradicionais, que apresentam perdas significativas porque grande parte deles não é devidamente absorvida. Nesse sentido, minerais quelados têm maior biodisponibilidade, o que permite o uso de doses menores, redução das excreções e diminuição da carga ambiental. É um exemplo claro de como a eficiência nutricional também é sustentável. Minerais quelados desempenham um papel central porque maximizam o rendimento sem aumentar proporcionalmente o uso de recursos. Dessa forma, uma formulação precisa permite que perfis proteicos sejam complementados por aminoácidos específicos e peptídeos bioativos. Isso reduz a necessidade de superformular a proteína total, diminuindo o impacto ambiental associado a ingredientes de alto custo ecológico. Em outras palavras, mais nutrição com menos proteína.

de proteína para otimizar o desempenho e reduzir o impacto estão crescendo. Entre os mais relevantes estão: ∙ Proteína de insetos por sua alta digestibilidade, baixo consumo de água e menores emissões. ∙ Produção de compostos funcionais sem a necessidade de pecuária intensiva. ∙ Otimização de proteínas vegetais. O objetivo não é eliminar proteína animal, mas sim construir sistemas mais resilientes e eficientes. Um termo que estará mais presente na fabricação de ração para pets é ter a LCA (do inglés Life Cycle Assessment) de cada uma de nossas matériasprimas. LCA é uma metodologia que avalia o impacto ambiental associado a todas ou algumas etapas do ciclo de vida de um produto, desde a extração da matériaprima até seu descarte ou um ponto final definido, como a fábrica. Por anos, muitas empresas viam a sustentabilidade como um custo adicional. Hoje, ela é entendida como uma ferramenta de competitividade. Marcas capazes de otimizar formulações, reduzir desperdício, melhorar a eficiência digestiva e utilizar ingredientes funcionais de alta precisão podem, ao mesmo tempo, reduzir custos e gerar diferenciação premium, estabilidade de oferta e aumento do valor da marca. A próxima geração pet food não será definida apenas pela porcentagem de proteína ou rótulos «naturais». A verdadeira liderança virá da capacidade de produzir nutrição funcional com a menor pegada de carbono possível. Nesse cenário, microingredientes, micronutrientes altamente biodisponíveis e ingredientes upcycled deixarão de ser tendências e se tornarão pilares estruturais da indústria. A inovação mais poderosa não será produzir mais alimentos, mas garantir que cada grama de nutrientes tenha o máximo impacto positivo com o mínimo impacto ambiental.

Uma das mudanças mais importantes do setor é o surgimento de novos indicadores de sustentabilidade. Não basta mais medir a pegada de carbono de um ingrediente; A digestibilidade, conversão nutricional, absorção real e eficiência metabólica também são agora avaliadas. Uma ração mais digestível requer menos volume para oferecer o mesmo benefício nutricional. Isso reduz o impacto do transporte, produção, desperdício e pressão sobre matérias-primas. A sustentabilidade futura será cada vez mais uma questão de eficiência biológica. Em especial, as proteínas, que continuam sendo o principal ingrediente para o dono do animal, são o principal foco ambiental da ração para pets. Por essa razão, soluções híbridas que combinam diferentes fontes

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FOSFATIDILCOLINA DERIVADA DE PLANTAS: UMA ALTERNATIVA NATURAL AO USO DO CLORETO DE COLINA EM ALIMENTOS PARA CÃES E GATOS A colina é um nutriente essencial para cães e gatos, desempenhando funções importantes relacionadas ao metabolismo de gorduras, à integridade das membranas celulares, à saúde hepática e ao funcionamento do sistema nervoso (BERTECHINI, 2013; FERREIRA; NETO,2003). Embora esteja naturalmente presente em diversos ingredientes utilizados na formulação de alimentos para cães e gatos, sua suplementação é frequentemente necessária para atender às recomendações nutricionais. Traducionalmente, essa suplementaçãoé realizada por meio do cloreto de colina, ingrediente amplamente conhecido e utilizado pela indústria. Por Erika Stasieniuk e Hebert Silveira

Fontes vegetais: uma alternativa em ascensão

ocasionando perdas nutricionais (LISBOA et al., 2014).

Apesar de sua eficiência nutricional, o cloreto de colina apresenta algumas limitações tecnológicas. Trata-se de uma substância química, altamente higroscópica, o que pode levar à perda de vitaminas hidrossolúveis nas prémisturas, uma vez que o aumento do teor de água livre eleva o potencial reativo (FARINA et al., 2017). Além disso, sua utilização pode favorecer a formação de grumos, comprometendo a homogeneidade das misturas e

Diante desses desafios, as fontes de colina derivadas de plantas têm despertado crescente interesse da indústria de nutrição de cães e gatos. A fosfatidilcolina é a principal forma de colina encontrada em matérias-primas vegetais (National Nutrient Database for Standard Reference, 2008) e pode atuar como uma alternativa ao cloreto de colina em formulações destinadas a cães e gatos.

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Fosfatidilcolina: diferenças na absorção e no metabolismo Além das vantagens tecnológicas, as diferenças na forma química da colina podem impactar sua absorção e utilização. Quando consumida na forma livre ou como sais, como o cloreto de colina, sua utilização pelo organismo pode ser limitada, uma vez que aproximadamente dois terços da colina ingerida podem ser convertidos em trimetilamina pela microbiota intestinal antes de serem aproveitados pelo organismo, reduzindo potencialmente sua disponibilidade biológica (LEESON; SUMMERS, 2001; COMBS JR., 2008; RUTZ, 2008). Por outro lado, a fosfatidilcolina apresenta um comportamento distinto no trato gastrointestinal. Embora possa sofrer digestão parcial por enzimas digestivas, parte dessa molécula também pode ser absorvida de forma intacta, reduzindo sua exposição ao metabolismo promovido pelos microrganismos intestinais (COMBS JR., 2008). Essa característica pode contribuir para um melhor aproveitamento da colina pelo organismo, tornando as fontes de colina derivadas de plantas uma alternativa interessante para a suplementação desse nutriente. Nos últimos anos, diversos estudos têm avaliado a viabilidade e segurança da substituição do cloreto de colina por fontes derivadas de plantas na nutrição de cães.

Evidências científicas em cães: segurança e eficácia da substituição Nascimento (2020) avaliou cães adultos saudáveis alimentados com dietas contendo 0,28% de cloreto de colina ou 0,14% de colina derivada de plantas. Os resultados demonstraram que a substituição não alterou a digestibilidade dos nutrientes, a palatabilidade nem as características fecais dos animais. Além disso, os cães que receberam a fonte de colina derivada de plantas apresentaram menores concentrações séricas de colesterol, triglicerídeos e enzimas associadas à atividade hepática, sugerindo benefícios adicionais relacionados ao metabolismo lipídico e à saúde do fígado. Mendoza-Martínez et al. (2021) também investigaram se a inclusão na dieta experimental de colina proveniente de fontes herbais, como a planta Azadirachta indica, conhecida pelo seu sabor amargo, poderia interferir na palatabilidade das dietas. Os resultados demonstraram que a inclusão de até 400 mg/kg de colina derivada de plantas não alterou a preferência alimentar dos cães, nem comprometeu a digestibilidade dos nutrientes ou as características fecais. Mendoza-Martínez et al. (2022) conduziram um estudo que demonstrou que a inclusão de fosfatidilcolina (1,6%) e outros metabólitos metilados pode substituir completamente o cloreto de colina nas dietas para cães. Os pesquisadores utilizaram a relação proposta por Mallo e Paolella (2017), segundo a qual uma unidade de colina derivada de plantas pode substituir aproximadamente cinco unidades de cloreto de colina.

Mais recentemente, FINARDI et al. (2026) avaliaram os efeitos da substituição total do cloreto de colina por colina derivada de plantas (CHOLMAX) em cães adultos saudáveis. O estudo comparou três dietas: uma dieta controle contendo cloreto de colina e duas dietas contendo colina derivada de plantas em diferentes níveis de inclusão. Os resultados demonstraram que a substituição do cloreto de colina não afetou a digestibilidade dos nutrientes nem a palatabilidade das dietas. Da mesma forma, não foram observadas alterações nos metabólitos de fermentação intestinal ou nos índices de diversidade da microbiota fecal. A microbiota intestinal variou entre dietas, com alterações em filos, famílias e gêneros, especialmente Firmicutes, ligados à produção de ácidos graxos e à saúde intestinal. Os autores concluíram que a colina derivada de plantas é uma alternativa segura e promissora para aplicação em alimentos para cães.

Novas perspectivas para a nutrição de gatos e para a indústria pet food Em um estudo inédito conduzido com gatos adultos saudáveis, Juarez (dados não publicados, 2026) avaliou três dietas experimentais: uma dieta controle contendo cloreto de colina, uma dieta com substituição total do cloreto de colina por colina derivada de plantas (CHOLMAX) e uma terceira dieta contendo 50% mais colina derivada de plantas (CHOLMAX) do que a dieta de substituição. Os resultados preliminares demonstraram que não houve diferenças na digestibilidade dos nutrientes, na palatabilidade das dietas ou nos metabólitos de fermentação intestinal. Por outro lado, foram observadas alterações na composição da microbiota intestinal entre os tratamentos, incluindo mudanças em filos, famílias e gêneros bacterianos. Entre as alterações observadas, destacou-se a redução do gênero Helicobacter nos grupos que receberam colina derivada de plantas. Segundo Cesar (2024), algumas espécies desse gênero estão associadas a processos inflamatórios no trato gastrointestinal de felinos. Embora estudos adicionais sejam necessários para confirmar os mecanismos envolvidos, os resultados sugerem um possível efeito benéfico da colina derivada de plantas sobre o equilíbrio da microbiota intestinal de gatos. Dessa forma, a colina derivada de plantas surge como uma alternativa interessante para a indústria de alimentos para cães e gatos, reunindo benefícios tecnológicos e nutricionais. Além de minimizar os desafios associados ao uso do cloreto de colina, as fontes vegetais demonstram potencial para manter o desempenho nutricional dos alimentos e contribuir para a saúde dos animais. Com a crescente demanda por ingredientes de origem natural e tecnologias que agreguem valor às formulações, a colina derivada de plantas desponta como uma alternativa promissora para a indústria, reunindo benefícios tecnológicos, nutricionais e potencialmente funcionais para alimentos destinados a cães e gatos.

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DO CAMPO À TIGELA: UMA ANÁLISE PARA MAXIMIZAR OS IMPACTOS NA SUSTENTABILIDADE No competitivo universo pet food, a colaboração entre diferentes áreas de uma empresa é fundamental para o sucesso. Hoje, não é mais medido apenas em termos de volume de vendas, participação de mercado ou retorno sobre investimento, mas também no impacto ambiental que geramos. Anos atrás, a sustentabilidade deixou de ser uma tendência passageira e se tornou um imperativo empresarial indiscutível. Por Felipe Martínez R.

As multinacionais que lideram o setor já estão traçando o caminho e estabelecendo o padrão. A Nestlé assumiu fortes compromissos públicos para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa e alcançar emissões líquidas zero, dando grande peso ao impulso pela agricultura regenerativa. A Mars Petcare busca uma redução de 50% em sua pegada de carbono em toda a sua cadeia e implementou metas agressivas para transformar suas embalagens em termos de economias circulares.

Por que os gigantes da categoria investem tantos recursos nisso? Como os consumidores exigem maior responsabilidade; os recursos naturais são finitos e a viabilidade financeira a longo prazo depende da capacidade de adaptação. Para entender como podemos maximizar nossos impactos, vamos explorar a cadeia de suprimentos sob uma perspectiva holística: do campo à tigela. Como já mencionei em outras ocasiões, a fábrica pode parecer um mundo mágico onde matérias-primas entram e produtos embalados com valor agregado nascem, mas cada etapa, dentro e fora dessa magia, deixa uma pegada

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ambiental que a área comercial, junto com outras operações, deve saber gerenciar e comunicar.

O campo: aquisição de matérias-primas e ingredientes O processo de fabricação de ração para pets é complexo. A qualidade do produto final depende, em grande parte, da qualidade dos ingredientes. No entanto, no ecossistema atual, essa “qualidade” também deve considerar a origem e o impacto no planeta. Agricultura e pecuária representam indiscutivelmente a maior parte da pegada de carbono do nosso setor. ∙ Agricultura regenerativa e pecuária: Devemos fazer a transição para fornecedores que apliquem práticas que melhorem a saúde do solo, otimizem o uso da água e capturem carbono atmosférico. ∙ Sustentabilidade nas proteínas: redesenhar a cadeia de suprimentos para evitar o risco de desmatamento em matérias-primas críticas e apostar em obter fontes 100% certificadas ou até mesmo avaliar o uso de proteínas alternativas com menor carga ambiental.


O Processo: Operações e Manufatura

A tigela: merchandising e marketing

Dentro da planta de produção, cada etapa apresenta grandes oportunidades. Muitas vezes, as melhores ideias surgem da observação cuidadosa e de um entendimento profundo do processo de produção. O melhor de tudo é que a inovação sustentável nem sempre exige orçamentos milionários.

As áreas comerciais devem ser embaixadoras honestas da sustentabilidade da marca. A escolha do material da embalagem e o design do rótulo são decisões estratégicas, pois representam o primeiro elemento de comunicação nas prateleiras antes de chegar à tigela do pet.

∙ Gestão de energia e água: a mudança progressiva para fontes de energia renovável nas usinas e a otimização radical no uso da água industrial são passos fundamentais para a descarbonização da produção.

∙ Marketing com substância: É vital que as áreas de negócio conheçam os detalhes sobre o impacto ambiental de certos ingredientes-chave e iniciativas operacionais da fábrica. Ao comunicar esses esforços com dados reais, a empresa fortalece sua posição no mercado.

∙ Inovação de baixo esforço e alto impacto: melhorar a digestibilidade da ração reduzirá o desperdício biológico dos pets. Da mesma forma, na ração seca, monitorar e criar parâmetros de pressão e temperatura mais eficientes durante a extrusão não é apenas vital para a qualidade do produto, mas também reduz drasticamente o consumo de energia.

∙ Transparência como vantagem competitiva: Compreender o processo “field to bowl” permite que a equipe de vendas responda com precisão a perguntas sobre métodos de fabricação, origens e controles de qualidade. Essa transparência constrói credibilidade, promove relacionamentos de longo prazo e nos afasta dos enormes riscos reputacionais do greenwashing.

A embalagem: o rosto do produto

Um chamado à ação através da cadeia

A embalagem protege o alimento da umidade, luz e oxigênio, e fornece informações vitais ao consumidor. No entanto, a dependência histórica de plásticos multicamada representa uma grande responsabilidade ambiental.

A inovação voltada para a sustentabilidade é uma estratégia vencedora de longo prazo na indústria de alimentos para pets. Ao compreender profundamente a cadeia de valor, a área comercial pode desencadear uma onda de ideias criativas que melhoram os produtos, otimizam custos e atendem a novas demandas do mercado.

∙ Economia circular dos materiais: o uso de materiais de embalagem mais sustentáveis, como embalagens monomateriais recicláveis ou compostáveis, reduz o impacto ambiental e atrai consumidores cada vez mais conscientes. Isso não exige modificar a fórmula do alimento, mas gera um impacto extremamente positivo na imagem da marca. ∙ Eficiência logística: Do ponto de vista logístico, melhorar a porcentagem de enchimento ou redimensionar as embalagens para torná-las mais eficientes pode trazer economias operacionais em grande escala. Caixas e paletes otimizados resultam em menos caminhões nas estradas, o que diminui o gasto e as emissões de combustíveis fósseis. Da mesma forma, aderir à revolução da eletromobilidade também contribuirá para o maior esforço de sustentabilidade.

No entanto, alcançar o objetivo de um modelo de negócios verdadeiramente responsável não é uma tarefa restrita ao departamento de qualidade ou meio ambiente; é um esforço sistêmico que vai desde compras agrícolas até a pet shop do bairro. Encerro este artigo com um convite genuíno a todos os atores do ecossistema (fabricantes, fornecedores de matérias-primas, veterinários e varejistas). Vamos parar um momento para examinar nossas próprias operações: onde podemos gerar menos desperdício? Que inovação silenciosa podemos implementar hoje? O sucesso sustentável da indústria dependerá da nossa capacidade de alimentasr os pets com a mesma dedicação com que preservamos o único planeta que temos para compartilhar com eles.

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A PEGADA INVISÍVEL DO PET FOOD: O CUSTO AMBIENTAL DAS TOMADAS DE DECISÕES SEM INTELIGÊNCIA DE MERCADO As maiores oportunidades de sustentabilidade podem não estar nas plantas ou embalagens, mas na capacidade das empresas de entender melhor o mercado antes de investir, produzir ou expandir. Por Iván Franco

A indústria de alimentos para pets avançou significativamente em sustentabilidade. Fabricantes, fornecedores e varejistas estão investindo cada vez mais recursos para melhorar a eficiência energética, reduzir desperdícios, otimizar rotas logísticas e desenvolver alternativas de embalagem com menor impacto ambiental. Essas são iniciativas necessárias e valiosas. No entanto, há uma questão que raramente surge nas conversas do setor. Qual o custo ambiental de uma decisão errada gera? A pergunta pode parecer estranha, mas se torna cada vez mais relevante em um setor que opera em ambientes de complexidade crescente, onde as decisões envolvem investimentos bilionários, cadeias de suprimentos internacionais, capacidades industriais de longo prazo e consumidores cujos hábitos estão em constante evolução. Quando falamos de sustentabilidade, tendemos a focar

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no que acontece depois que uma decisão é tomada, ou seja, o que acontece dentro da fábrica, durante a distribuição ou no ponto de venda. É muito menos comum analisar o que acontece primeiro.

Muitas das pegadas mais caras são geradas na sala de reuniões Há uma tendência natural de associar impacto ambiental à manufatura. No entanto, algumas das decisões com maiores consequências para a eficiência dos recursos são tomadas muito antes de uma fábrica produzir um único quilograma de ração. Um investimento superdimensionado, uma expansão baseada em expectativas irreais ou uma leitura incorreta do mercado podem levar a anos de ineficiências operacionais difíceis de corrigir depois. Quando isso acontece, o problema não é mais apenas financeiro. Isso


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também se traduz em recursos mobilizados, capacidade instalada, estoques e esforços comerciais que acabam buscando uma oportunidade diferente daquela que realmente existia. A sustentabilidade geralmente é medida após a produção. Talvez parte da conversa deva começar antes de investir. Vamos pensar em uma empresa que decide expandir a capacidade de produção para uma categoria que aparentemente crescerá nos próximos anos. A decisão parece lógica. No entanto, se o crescimento real estiver concentrado em segmentos específicos, se houver capacidade sobrante suficiente no mercado ou se a demanda evoluir de forma diferente do esperado, a consequência pode ser um investimento subutilizado por anos. Isso é muito comum. O mesmo vale para lançamentos. Diversos estudos sobre produtos de consumo em massa estimam que uma proporção significativa dos novos produtos não alcança os objetivos comerciais originalmente estabelecidos. Por trás de cada um desses projetos, havia matériasprimas, embalagens, capacidade industrial, transporte, armazenamento, tempo executivo e recursos financeiros que foram mobilizados para capturar uma oportunidade que acabou sendo menor do que o esperado. Normalmente, analisamos esses casos sob uma perspectiva financeira. No entanto, eles também representam um uso ineficiente dos recursos que poderia ter sido evitado com uma compreensão mais profunda do mercado.

A indústria tem dados, mas nem sempre tem arquitetura Nesse contexto, a maioria das empresas tem informações suficientes para entender seu próprio negócio: vendas, custos, clientes, estoques, margens, eficiência operacional e desempenho por canal. Embora isso geralmente não seja o problema central. O desafio surge quando a decisão exige entender todo o sistema, ou seja, quando uma empresa precisa saber se o crescimento de uma categoria vem de maior consumo real ou apenas da inflação; se o volume adicional está sendo concentrado em poucos players ou abre espaço para novos concorrentes; se uma expansão regional justifica seu próprio investimento ou pode ser resolvida pela capacidade existente; se o canal de crescimento também capta valor; Ou só movimenta volume com menos lucratividade. Respostas assim raramente permanecem em um único banco de dados. Geralmente, ele é fragmentado entre áreas comerciais, relatórios de mercado, distribuidores, fornecedores, plantas, clientes e conhecimento acumulado por equipes locais. Por essa razão, muitas decisões não falham por falta absoluta de informação, mas por falta de uma leitura integrada do mercado. A diferença é enorme. Uma empresa pode ter muitos dados e ainda assim não ter uma arquitetura clara para decidir.

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O Verdadeiro Custo da Incerteza Por anos, a indústria aprendeu a medir toneladas, participação de mercado, vendas e produtividade, indicadores fundamentais para gerenciar qualquer negócio. No entanto, há um custo que raramente aparece nos tabuleiros: a incerteza. A incerteza se manifesta quando uma organização desenvolve mais SKUs do que o mercado realmente precisa. Da mesma forma, quando investe em categorias cuja lucratividade futura foi superestimada; quando leva meses para identificar o parceiro industrial certo; quando desenvolve capacidades que acabam operando abaixo do seu potencial, ou quando lança produtos cuja proposta de valor nunca foi suficientemente validada. Cada um desses erros gera custos visíveis e invisíveis. Os visíveis aparecem nas demonstrações financeiras. Os invisíveis aparecem na forma de recursos, tempo, energia, transporte, materiais e esforços que poderiam ter sido alocados a oportunidades com maior probabilidade de sucesso.

A próxima vantagem competitiva será a qualidade das decisões Ao longo da história da indústria de alimentos para pets, vantagens competitivas estiveram associadas a melhores plantas, melhores fórmulas, melhores processos de produção e melhores redes de distribuição. Todos esses fatores continuarão a ser importantes. No entanto, a próxima vantagem competitiva da indústria provavelmente não virá de uma planta ou fórmula melhor, mas de uma melhor compreensão do sistema. Os mercados não operam em compartimentos isolados; Nem as decisões. Assim como um investimento industrial afeta a estrutura competitiva, uma mudança nos canais modifica a lucratividade. Por outro lado, a disponibilidade de capacidade produtiva altera barreiras à entrada, enquanto a evolução do consumidor redefine categorias inteiras. O desafio é entender como essas variáveis interagem antes de comprometer recursos. Em mercados cada vez mais complexos, os erros mais caros raramente vêm de uma má execução de uma estratégia; geralmente vêm de interpretar uma oportunidade ruim desde o início.

Otimizar decisões reduz a pegada de carbono e melhora nosso negócio A indústria continuará inovando em ingredientes, embalagens e processos. No entanto, algumas das maiores oportunidades de melhoria não estão dentro das fábricas, mas antes que um investimento, lançamento ou expansão seja aprovado. As empresas que enxergam além dos limites do próprio negócio e compreendem a dinâmica do mercado como um todo estarão melhor posicionadas para direcionar investimentos, reduzir riscos estratégicos e transformar oportunidades em crescimento sustentável.


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IMPACTO DA FORMULAÇÃO DE DIETAS PARA CÃES E GATOS NA SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL O crescimento do mercado pet e a maior preocupação com a saúde e o bem-estar dos animais têm ampliado a discussão sobre sustentabilidade na produção de alimentos para cães e gatos. Esse conceito envolve o equilíbrio entre aspectos ambientais, sociais e econômicos, considerando fatores como uso de água, ocupação do solo, emissões de gases de efeito estufa e geração de resíduos (Costa et al., 2024; FEDIAF, 2024). Por Laura Cicília Cassol da Silva, Bruna Cavalari Santello, Lorenna Nicole Araújo Santos, Gabriele Ancilotto Oliveira, Douglas Melo de Souza e Josiane Aparecida Volpato

Alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, a indústria pet busca estratégias que reduzam seus impactos ambientais, destacando a formulação de alimentos e a seleção eficiente de ingredientes como ferramentas importantes para esse processo.

Como os ingredientes de origem vegetal e animal impactam o meio ambiente Os ingredientes utilizados na formulação de alimentos para cães e gatos apresentam diferentes impactos ambientais ao longo da cadeia produtiva. Fatores como origem da matéria-prima, processamento, transporte e uso de recursos naturais influenciam a sustentabilidade desses produtos (Swanson et al., 2013).

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Ingredientes de origem animal são amplamente empregados devido ao seu elevado valor biológico e à presença de aminoácidos essenciais. Entretanto, sua produção está associada ao consumo de água, energia e áreas produtivas, contribuindo para emissões de gases de efeito estufa e ocupação do solo (Swanson et al., 2013; Pedrinelli et al., 2022). De modo geral, dietas com maior participação de ingredientes animais apresentam impactos ambientais mais elevados, especialmente aquelas contendo carne bovina, enquanto formulações predominantemente vegetais tendem a apresentar menores valores para indicadores ambientais, Figura 1 (Brociek; Gardner, 2025). Por sua vez, ingredientes vegetais, como milho, soja e trigo, geralmente demandam menos recursos que algumas


Economia circular e aproveitamento dos resíduos

fontes animais, embora seu cultivo também envolva uso de fertilizantes, defensivos agrícolas e água, além de limitações nutricionais que devem ser consideradas na formulação (Kim et al., 2024; Cao et al., 2026). Assim, a sustentabilidade das dietas depende do equilíbrio entre aspectos ambientais, nutricionais e econômicos, considerando a origem dos ingredientes, sua digestibilidade e o aproveitamento dos nutrientes (Swanson et al., 2013; Pedrinelli et al., 2022). Figura 1. Comparação dos impactos ambientais de diferentes tipos de dietas para cães, expressos por 1.000 kcal fornecidas.

A economia circular tem sido apontada como uma estratégia importante para aumentar a sustentabilidade dos sistemas produtivos, promovendo o uso mais eficiente dos recursos e reduzindo a geração de resíduos (Mullen et al., 2017; Alexander et al., 2020). Na indústria pet, esse conceito pode ser aplicado por meio do aproveitamento de coprodutos de outras cadeias agroindustriais, transformando materiais que poderiam ser descartados em ingredientes com valor nutricional para cães e gatos, como os coprodutos. Nas rações convencionais, ingredientes como farinha de vísceras, plasma sanguíneo e outros coprodutos proteicos são amplamente utilizados na formulação de alimentos pet (Magalhães, 2025). Além de reduzirem desperdícios, estes ingredientes permitem o reaproveitamento de nutrientes já inseridos na cadeia produtiva, podendo diminuir os impactos ambientais da produção de alimentos (Alexander et al., 2020). Diversos coprodutos agroindustriais podem ser incorporados à formulação de alimentos para cães e gatos (Quadro 1). O uso desses ingredientes reduz o desperdício de materiais com valor nutricional e favorece o melhor aproveitamento dos recursos já empregados nos processos produtivos (Alexander et al., 2020). Coprodutos gerados durante a produção de alimentos para consumo humano podem ser reaproveitados na fabricação de alimentos pet, reduzindo desperdícios e aumentando a eficiência do sistema (Figura 2). Segundo Alexander et al. (2020), essa prática também pode diminuir a competição por ingredientes destinados à alimentação humana. Além disso, o aproveitamento desses materiais permite que recursos que já foram produzidos continuem sendo utilizados dentro da cadeia produtiva. Quadro 1. Exemplos de coprodutos agroindustriais utilizados na formulação de alimentos para cães e gatos e suas principais aplicações nutricionais.

Origem

Farinha de vísceras

Abatedouros de aves

Fonte proteica

Aproveitamento de materiais não destinados ao consumo humano

Plasma sanguíneo

Processamento de animais de produção

Ingrediente funcional

Reutilização de nutrientes que poderiam ser descartados

Farinha de peixe

Processamento de pescado

Fonte proteica e de ácidos graxos

Valorização de coprodutos da indústria pesqueira

Polpa de beterraba

Indústria açucareira

Fonte de fibra

Reaproveitamento de resíduos agroindustriais

Beneficiamento de arroz

Fonte energética

Melhor aproveitamento da cadeia produtiva do arroz

Farelo de arroz

Aplicação em pet food

Potencial contribuiçã para a sustentabilidade

Coproduto

Fonte: Adaptado de Magalhães (2025), Mullen et al. (2017) e Alexander et al. (2020).

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Figura 2. Economia circular na alimentação de cães e gatos por meio do aproveitamento de coprodutos.

Além dos coprodutos convencionais, novas alternativas vêm sendo estudadas dentro dos princípios da economia circular, com destaque na utilização de proteínas obtidas a partir de insetos, capazes de converter resíduos orgânicos em biomassa de elevado valor nutricional (Lu et al., 2022; Valdés et al., 2022).

Relação entre digestibilidade, impacto ambiental e a formulação sustentável A digestibilidade dos ingredientes é um fator importante para a sustentabilidade das formulações, pois influencia diretamente a eficiência de utilização dos nutrientes pelos animais. Dietas com maior digestibilidade tendem a reduzir a quantidade de fezes e, consequentemente, os impactos ambientais associados à alimentação de cães e gatos (Swanson et al., 2013; Abd El-Wahab et al., 2021). Resultados como esse foi observado por Santos et al. (2025), que ao avaliarem uma dieta coadjuvante gastrointestinal de alta digestibilidade em relação a uma dieta de baixa digestibilidade, demonstraram que o coeficiente de digestibilidade da matéria seca de 82,6% e 70,7% das dietas, impactaram proporcionalmente na quantidade de produção de fezes produzida por animal por dia, resultando em 117,8 e 249,4 g/dia, respectivamente. Assim, a preocupação ambiental por fornecer dietas com baixa digestibilidade ocorre devido a produção fecal contribuir com uma parte do impacto ambiental. Isso porque as fezes podem potencializar processos de eutrofização e ecotoxicidade nos ambientes aquáticos

(Yavor et al., 2020). Além disso, a quantidade de nitrogênio e fósforo excretados por cães e gatos também contribui para o processo de contaminação (Cowan et al., 2024). Dessa forma, estratégias de formulação voltadas para o aumento da digestibilidade podem contribuir para sistemas alimentares mais eficientes, conciliando desempenho nutricional e sustentabilidade ambiental. Assim, a formulação sustentável busca atender às exigências nutricionais dos animais e reduzir os impactos ambientais associados à produção dos alimentos. Nesse contexto, diferentes estratégias vêm sendo estudadas pela indústria pet para aumentar a eficiência no uso dos recursos e promover sistemas mais sustentáveis (Swanson et al., 2013; FEDIAF, 2025). Entre essas estratégias destaca-se o balanceamento aminoacídico, que permite adequar de forma mais precisa os níveis de aminoácidos essenciais à dieta. Essa prática favorece o aproveitamento dos nutrientes, reduz excessos nutricionais e torna o uso das matérias-primas mais eficiente. Além disso, a escolha de ingredientes com bom valor biológico e qualidade nutricional contribui para formulações mais equilibradas (Swanson et al., 2013). O processamento dos ingredientes também influencia a qualidade dos alimentos. Etapas como moagem e extrusão podem aumentar a disponibilidade dos nutrientes. Da mesma forma, ingredientes funcionais, como o plasma sanguíneo, e coprodutos agroindustriais vêm ganhando espaço por agregarem valor nutricional e favorecerem o aproveitamento dos

Measuring what matters. The next generation of bulk density (g/L) in petfood production MAGAZINE is56driven by data, not assumptions.

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recursos disponíveis (Tran et al., 2008; Vasconcellos et al., 2023). Resultados obtidos por Abd El-Wahab et al. (2021) demonstraram que dietas contendo farinha de larvas de Hermetia illucens apresentaram coeficientes de digestibilidade semelhantes aos observados em dietas convencionais, além de manter uma adequada qualidade fecal. Esses resultados indicam que fontes proteicas alternativas podem ser utilizadas sem comprometer o desempenho nutricional dos animais. Além disso, apresenta bom valor nutricional e potencial para uso em sistemas mais sustentáveis. Sua produção pode estar associada ao aproveitamento de resíduos orgânicos, contribuindo para a economia circular.

Considerações finais O crescimento do mercado pet tem ampliado a importância da sustentabilidade na produção de alimentos para cães e gatos. Nesse cenário, estratégias como a seleção criteriosa de ingredientes, o aproveitamento de coprodutos, o aumento da digestibilidade das dietas e o uso de proteínas alternativas podem contribuir para a redução dos impactos ambientais da cadeia produtiva. Embora ainda existam desafios para a adoção dessas práticas em larga escala, diferentes soluções vêm sendo estudadas e implementadas pela indústria, visando o desenvolvimento de formulações que conciliem qualidade nutricional, uso eficiente dos recursos naturais e responsabilidade ambiental.

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REPENSANDO A SUSTENTABILIDADE NO PET FOOD: INGREDIENTES UPCYCLED E RENDERIZADOS COMO FERRAMENTAS ESTRATÉGICAS PARA PESSOAS, OS PETS E O PLANETA A sustentabilidade é frequentemente abordada sob a perspectiva de novos ingredientes, novas embalagens ou alegações de menor pegada de carbono. Essas são áreas importantes de inovação. No entanto, uma das estratégias com maior potencial de escalabilidade já poderia ser integrada à indústria: o uso de ingredientes upcycled e renderizados. A oportunidade atual está não apenas no uso desses materiais, mas em melhor compreender sua contribuição, formulá-los adequadamente, medir seu impacto e comunicar seu valor. Por Juan Gomez-Basauri, Ph.D. – MAGELLAN LLC

Para os fabricantes de alimentos para pets, os objetivos ambientais não podem ser abordados isoladamente da nutrição, custo, palatabilidade, segurança ou desempenho no processamento. Uma formulação pode parecer atraente do ponto de vista ambiental, mas se comprometer a digestibilidade, aceitação, eficiência de fabricação, confiabilidade do fornecimento ou acessibilidade do produto, ela terá dificuldades para competir no mercado. O desafio é reduzir o impacto ambiental mantendo o desempenho e a lucratividade.

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Em última análise, um alimento sustentável deve equilibrar as necessidades dos tutores, animais de estimação e do planeta, oferecendo dietas seguras e nutritivas, enquanto promove o uso responsável dos recursos naturais e apoia sistemas alimentares economicamente viáveis. Isso está alinhado com o conceito mais amplo de sustentabilidade nutricional, que considera a adequação nutricional junto com as dimensões ecológicas, sociais e econômicas do sistema alimentar (Swanson et al., 2013).


Ingredientes upcycled e renderizados merecem atenção renovada porque contribuem para a redução de resíduos, recuperação de nutrientes, eficiência de recursos e as realidades econômicas da produção de alimentos para pets.

Repensando o conceito de “subproduto” Uma das principais e mais amplas barreiras para a aceitação desse tipo de ingredientes não é apenas técnica, mas também linguística. Termos como “subproduto”, “farinha” ou “renderizado” podem ser mal interpretados pelos consumidores, mesmo quando os ingredientes são seguros, nutritivos e funcionais. Um subproduto não é, por definição, um material de baixa qualidade. A AAFCO define subprodutos como “subprodutos gerados além do produto principal” (AAFCO, s.d.). Na ração para pets, muitos subprodutos vêm do sistema alimentar humano. Elas podem incluir órgãos, ossos, gorduras, tecidos conjuntivos, aparas ou outras frações ricas em nutrientes que não são comumente consumidas em certos mercados, mas ainda contêm proteínas, gorduras, minerais e compostos funcionais valiosos. Essa distinção é importante. Cães e gatos não precisam de ingredientes porque são atraentes para humanos; Eles precisam de nutrientes. Proteínas, aminoácidos, ácidos graxos essenciais, minerais, vitaminas e energia podem vir de múltiplas fontes de ingredientes. O papel do formulador é avaliar esses materiais com base em sua contribuição nutricional, segurança, digestibilidade, consistência e adequação ao produto-alvo.

incluir fluxos secundários provenientes do processamento de alimentos, agricultura, fermentação, moagem de grãos, processamento de oleaginosas, produção de frutas e vegetais, processamento de frutas do mar, laticínios e produção de proteínas animais. Seu valor está em redirecionar nutrientes utilizáveis de resíduos ou aplicações de menor valor para produtos seguros e úteis. Os ingredientes renderizados são mais específicos. A renderização é o processo pelo qual materiais de origem animal, como carne, ossos e gorduras, são recuperados e transformados em gorduras e proteínas estáveis que podem ser usados para alimentos animais e de estimação, biocombustíveis e outras aplicações (North American Renderers Association, s.d.). Na ração para pets, esses ingredientes podem incluir farinha de aves, farinha de carne e osso, gordura animal, gordura de aves, palatabilizantes e farinhas proteícas especiais. Esses materiais geralmente são derivados de partes animais que não são consumidas em certos mercados, mas ainda assim são ricas em proteínas, gorduras, minerais e outros nutrientes. Portanto, os ingredientes renderizados podem fazer parte de uma estratégia nutricional circular ou upcycled , pois permitem a recuperação de nutrientes dos sistemas alimentares e pecuários. No entanto, nem todos os ingredientes upcycled são renderizados. Esses materiais também podem incluir bagaço de cervejaria, residuos de frutas, fibras vegetais, farinhas oleaginosas, coprodutos de fermentação, aparas de frutos do mar e outras fontes ricas em nutrientes.

Ao mesmo tempo, a percepção do consumidor é importante. Ingredientes renderizados ainda são usados em toda a indústria, mas nos segmentos premium e super premium, muitos consumidores associam carne fresca, carnes identificadas por espécie ou a presença de carne como o primeiro ingrediente de maior qualidade. Isso não torna os ingredientes renderizados menos valiosos, mas exige uma estratégia de posicionamento mais cuidadosa. A tarefa da indústria é comunicar como diferentes fluxos de ingredientes contribuem para nutrição, sustentabilidade, acessibilidade e desempenho, sem ignorar expectativas que influenciam as decisões de compra.

A nutrição circular é a estrutura que conecta as duas categorias. A economia circular baseia-se na eliminação de desperdícios, na manutenção de produtos e materiais circulando em seu valor máximo e na regeneração de sistemas naturais (Fundação Ellen MacArthur, s.d.). Aplicada à alimentação para pets, a nutrição circular pode ser entendida como o uso intencional de fontes seguras e nutritivas provenientes dos sistemas alimentares e agrícolas existentes para reduzir desperdícios, melhorar a eficiência dos recursos e entregar valor nutricional. Sob essa abordagem, ingredientes upcycled e renderizados não são alternativas de segunda linha, mas ferramentas estratégicas para projetar alimentos que beneficiem pessoas, pets e o planeta.

Ingredientes upcycled, derretidos e nutrição circular

A sustentabilidade deve andar lado a lado com o desempenho

Nas conversas sobre sustentabilidade, os termos upcycled, “renderizado” e “circular” às vezes são usados como sinônimos. Eles são relacionados, mas não idênticos. Ingredientes upcycled representam o conceito mais amplo. A Upcycled Food Association define alimentos upcycled como aqueles que utilizam ingredientes que, de outra forma, não seriam destinados ao consumo humano, produzidos por meio de cadeias de suprimentos verificáveis e com impacto ambiental positivo (Upcycled Food Association, s.d.). Na ração para pets, isso pode

O valor ambiental dos ingredientes upcycled e renderizados atinge seu máximo potencial quando combinado com forte desempenho nutricional e comercial. Um ingrediente responsável também deve demonstrar eficácia na formulação, processamento e alimentação. No caso de farinhas derretidas e fontes de proteína recicladas, envolve avaliar perfis de aminoácidos, digestibilidade, teor de cinzas, balanço mineral, qualidade da gordura, frescura, palatabilidade, compatibilidade de processamento, custo de uso e confiabilidade do fornecimento. Para gorduras e óleos, significa entender

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a densidade energética, o perfil de ácidos graxos, a estabilidade oxidativa e sua contribuição para a palatabilidade. Para hidrolisados e frações especiais, isso significa considerar o perfil peptídico, posicionamento funcional, solubilidade, sabor e suporte para alegações comerciais.

Proteínas renderizadas podem ser combinadas com carnes frescas ou congeladas, proteínas vegetais, proteínas de levedura, ingredientes marinhos, hidrolisados, proteínas de insetos ou proteínas unicelulares para otimizar o equilíbrio de aminoácidos, custo, palatabilidade, apelo no rótulo e perfil ambiental.

O objetivo não é substituir o desempenho pela sustentabilidade, mas identificar ingredientes onde os dois aspectos se reforçam mutuamente. Ingredientes renderizados e upcycled podem contribuir para esse equilíbrio porque fornecem nutrientes concentrados, cadeias de suprimentos consolidadas, estruturas de custo favoráveis e grande utilidade na formulação.

∙ Meça a qualidade com mais precisão. Proteína e gordura bruta são pontos úteis de partida, mas não o suficiente. Uma avaliação mais completa deve incluir perfil de aminoácidos, digestibilidade de proteínas, qualidade da gordura, índice de peróxido, valor de anisidina, ácidos graxos livres, equilíbrio de cinzas e minerais, qualidade microbiológica e resposta palatável. Isso é especialmente importante para ingredientes, onde a frescura, o controle do processo e o manuseio de matérias-primas podem influenciar significativamente o rendimento.

Isso também está relacionado à sustentabilidade nutricional. Um sistema alimentar sustentável para pets deve fornecer nutrição adequada, segura e eficaz, equilibrando considerações ambientais, sociais e econômicas. Na prática, a sustentabilidade é determinada pelos ingredientes selecionados, pela eficiência com que os nutrientes são fornecidos, pelo grau de digestibilidade da dieta e pela quantidade de alimento que o animal de estimação consome (Swanson et al., 2013).

Cinco Estratégias para Repensar a Sustentabilidade no Pet Food ∙ Formule para entrega eficiente de nutrientes sem perder de vista o posicionamento de mercado. Os ingredientes devem ser avaliados de acordo com o que eles fornecem, tanto do ponto de vista nutricional quanto funcional. Ao mesmo tempo, produtos premium e super premium também devem atender às expectativas dos consumidores em relação à identidade dos ingredientes, apresentação do rótulo e valor percebido. A oportunidade é combinar ambas disciplinas: uma formulação criteriosa e um posicionamento de mercado respaldado por evidências. ∙ Use uma variedade de fontes de proteína. Nenhuma fonte única de proteína precisa assumir toda a carga nutricional, ambiental e comercial de um produto.

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∙ Incorporar a sustentabilidade na cadeia de suprimentos. A seleção de ingredientes deve incluir documentação sobre rastreabilidade, sistemas de segurança alimentar, controles de renderização, programas de qualidade dos fornecedores, eficiência energética e relatórios ambientais. A sustentabilidade deve fazer parte da seleção de fornecedores, desenvolvimento de especificações e garantia de qualidade, e não apenas uma declaração de marketing após a conclusão da formulação. ∙ Comunique cuidadosamente a nutrição circular. Os consumidores podem se interessar por sustentabilidade, mas também são sensíveis à linguagem utilizada. Alegações falsas podem prejudicar a confiança. Uma abordagem melhor é explicar que ingredientes upcycled e renderizados ajudam a recuperar nutrientes dos sistemas alimentares existentes, reduzem o desperdício, apoiam o uso eficiente dos recursos e contribuem para uma nutrição completa e equilibrada.

Meça a pegada e o impacto da formulação A próxima etapa da sustentabilidade no pet food exigirá melhores sistemas de medição. Pegada de


carbono, uso de água e solo, escassez de ingredientes, distâncias de transporte, digestibilidade e densidade de nutrientes podem fazer parte de decisões de formulação cada vez mais avançadas. Ferramentas de análise do ciclo de vida e dados específicos de fornecedores podem ajudar as empresas a comparar alternativas com mais precisão.

Nesse sentido, repensar a proteína também significa repensar o valor. A questão não se baseia apenas em sua origem, mas em quão completamente, responsável e inteligentemente o utilizamos. Para a indústria pet food, essa pode ser uma das oportunidades de sustentabilidade mais importantes dos próximos anos.

No entanto, ingredientes renderizados e upcycled requerem uma avaliação cuidadosa porque muitos deles são co-produtos de sistemas já existentes. Seu valor ambiental está ligado à metodologia e ao fato de que recuperam nutrientes que poderiam ser descartados, compostados, enviados a aterros sanitários ou destinados a aplicações de menor valor. Reduzir a comparação a ingredientes de fontes “animais” e “vegetais” pode ocultar essas nuances. A indústria precisa de ferramentas que considerem não apenas o impacto ambiental por quilograma de ingrediente, mas também o impacto ambiental por unidade de nutriente digerível fornecido. Isso é especialmente relevante para proteínas, gorduras e ingredientes ricos em minerais. Um material que fornece baixa nutrição pode não ser tão sustentável quanto uma opção densa em nutrientes que apoia a formulação e a eficiência alimentar.

Repensando a proteína e repensando o valor O futuro sustentável do pet food não será construído apenas sobre ingredientes inovadores. A inovação não continuará apenas por meio de novas fontes de proteína, ingredientes derivados da fermentação, nutrição de precisão e melhores soluções de embalagem, mas também dependerá do uso mais inteligente dos fluxos de nutrientes já existentes. Ingredientes upcycled e renderizados oferecem uma ponte entre responsabilidade ambiental, nutrição dos pets, acessibilidade e desempenho industrial. Eles podem ajudar a reduzir o desperdício, apoiar a nutrição circular e manter a qualidade nutricional e a viabilidade econômica exigidas pelo mercado.

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PENSAR GLOBALMENTE, FORMULAR REGIONALMENTE: O FUTURO SUSTENTÁVEL DA NUTRIÇÃO PET Nos últimos anos, a sustentabilidade deixou de ser uma discussão restrita a fóruns ambientais e passou a ocupar espaço crescente nas estratégias das empresas que atuam na cadeia de alimentos. Conceitos como pegada de carbono, economia circular e uso eficiente de recursos naturais passaram a fazer parte do vocabulário de produtores, indústrias, investidores e órgãos reguladores em diferentes partes do mundo. Por Ludmila Bomcompagni – All Pet Food

No setor pet food, essa transformação também está em curso. Entretanto, diferentemente do que ocorre em alguns segmentos de alimentos para consumo humano, a demanda por práticas mais sustentáveis ainda é impulsionada principalmente pela própria cadeia produtiva. Grandes fabricantes, fornecedores de ingredientes e grupos multinacionais buscam formas de medir e reduzir impactos ambientais, antecipando exigências regulatórias e atendendo compromissos corporativos cada vez mais rigorosos.

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Nesse contexto, a pegada de carbono tornou-se uma das métricas mais utilizadas para avaliar a sustentabilidade dos sistemas produtivos. Embora sua importância seja inquestionável, limitar a discussão a uma única métrica pode levar a conclusões simplistas sobre um tema que é, por natureza, multifatorial. A experiência acumulada na produção animal demonstra que os sistemas mais sustentáveis são, em geral, aqueles capazes de utilizar recursos de forma mais eficiente.


Produzir mais com menos, reduzir perdas e maximizar o aproveitamento dos insumos disponíveis são estratégias que frequentemente geram benefícios econômicos e ambientais ao mesmo tempo. Aplicando esse conceito à nutrição pet, talvez a pergunta mais importante não seja quais ingredientes apresentam menor pegada de carbono, mas sim como formular alimentos capazes de entregar mais nutrição, mais qualidade e mais eficiência utilizando os recursos disponíveis da melhor forma possível.

O desafio das soluções universais O mercado pet é cada vez mais globalizado. Novos ingredientes, tecnologias e conceitos surgem em diferentes regiões do mundo e rapidamente passam a fazer parte das discussões técnicas em diversos países. Esse movimento é positivo e impulsiona a inovação. No entanto, também traz um risco: assumir que uma solução desenvolvida para uma determinada realidade será automaticamente sustentável em qualquer contexto. Uma tecnologia que gera excelentes resultados em uma região específica pode não apresentar os mesmos benefícios quando aplicada em mercados com diferentes características produtivas, logísticas ou econômicas. Da mesma forma, ingredientes considerados tendência em determinados países podem não representar a alternativa mais eficiente para todas as cadeias produtivas. Pensar globalmente significa acompanhar os avanços da ciência, compreender as tendências internacionais e conhecer as ferramentas disponíveis. Formular regionalmente significa aplicar esse conhecimento de maneira estratégica, considerando a realidade de cada operação, a disponibilidade de matérias-primas, a estrutura logística, a capacidade industrial e os objetivos nutricionais de cada produto.

A eficiência da formulação como indicador de sustentabilidade Por muitos anos, a sustentabilidade foi associada principalmente à origem dos ingredientes. Hoje, uma visão mais abrangente mostra que a eficiência da formulação pode ser um indicador igualmente relevante. Uma dieta sustentável não é apenas aquela composta por ingredientes de menor impacto ambiental teórico. É aquela capaz de transformar recursos em nutrição de forma eficiente. Quando um alimento entrega mais valor nutricional por unidade de recurso empregado, sua contribuição para a sustentabilidade do sistema tende a ser maior. Sob essa perspectiva, qualidade nutricional e sustentabilidade deixam de ser conceitos independentes e

passam a caminhar lado a lado.

O papel estratégico dos ingredientes O debate sobre sustentabilidade frequentemente gera discussões sobre ingredientes locais versus ingredientes importados. Na prática, porém, a questão é mais complexa. A origem geográfica de uma matéria-prima é apenas um dos fatores envolvidos na avaliação de sua contribuição para a sustentabilidade. Ingredientes produzidos localmente podem reduzir etapas logísticas e fortalecer cadeias regionais de suprimento. Por outro lado, ingredientes desenvolvidos em outras regiões podem oferecer ganhos significativos de desempenho, eficiência nutricional ou qualidade, compensando impactos associados ao transporte. O ponto central não está necessariamente em onde o ingrediente é produzido, mas no valor que ele entrega ao sistema. Uma formulação sustentável é construída a partir da avaliação criteriosa do custo-benefício técnico de cada ingrediente, considerando sua contribuição efetiva para a qualidade final do alimento, sua disponibilidade, sua consistência e seu impacto sobre a eficiência global da dieta.

Aditivos: da tendência ao resultado A mesma lógica se aplica aos aditivos nutricionais e tecnológicos. O mercado frequentemente acompanha tendências globais que impulsionam a adoção de determinados ingredientes ou soluções. Em muitos casos, essas tecnologias apresentam benefícios reais e representam avanços importantes para a indústria. No entanto, sustentabilidade não deve ser confundida com a simples incorporação de tendências. O uso estratégico de aditivos deve estar fundamentado em resultados mensuráveis. Aditivos que aumentam a digestibilidade, melhoram a estabilidade oxidativa, reduzem perdas durante o processamento, ampliam a vida útil dos produtos ou permitem melhor aproveitamento dos ingredientes disponíveis podem contribuir diretamente para a eficiência do sistema. Nesse cenário, o aditivo mais sustentável não é necessariamente o mais novo, o mais popular ou o que possui maior apelo de marketing. É aquele capaz de gerar ganhos reais de eficiência para a formulação e para o processo produtivo. A sustentabilidade construída sobre resultados concretos tende a ser mais duradoura do que aquela baseada apenas em tendências de mercado.

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O aprendizado da indústria pet latino-americana A própria história da indústria pet na América Latina oferece exemplos importantes dessa lógica. Diversas empresas que hoje ocupam posição de destaque no mercado tiveram origem em cadeias produtivas já estabelecidas, ligadas ao beneficiamento de grãos, processamento de proteínas animais, cooperativas agroindustriais ou indústrias alimentícias. Ao identificar oportunidades de valorização de recursos disponíveis, essas empresas transformaram excedentes, coprodutos e matérias-primas anteriormente subutilizadas em ingredientes de alto valor agregado para a alimentação de cães e gatos. Esse movimento não apenas contribuiu para a expansão do setor pet, como também criou exemplos concretos de economia circular aplicada à prática industrial. Mais do que uma estratégia de redução de custos, o aproveitamento inteligente de recursos demonstrou que inovação e sustentabilidade podem caminhar juntas quando existe conhecimento técnico e visão de longo prazo.

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O futuro será cada vez mais técnico A pressão por métricas ambientais continuará crescendo nos próximos anos. Indicadores relacionados à pegada de carbono, consumo de água, eficiência energética e rastreabilidade deverão ganhar espaço nas decisões corporativas e regulatórias. Entretanto, para formuladores, nutricionistas e profissionais da indústria pet, o principal desafio continuará sendo o mesmo: desenvolver alimentos capazes de gerar mais valor utilizando os recursos disponíveis da forma mais eficiente possível. Nesse cenário, a sustentabilidade deixará de ser apenas uma característica atribuída a determinados ingredientes e passará a ser resultado da qualidade das decisões técnicas tomadas ao longo de toda a cadeia. Pensar globalmente continuará sendo fundamental para acompanhar a evolução da ciência e da tecnologia. Formular regionalmente será essencial para transformar esse conhecimento em soluções viáveis, eficientes e alinhadas à realidade de cada mercado.


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ENTREVISTA A PRISCILA MANFRIM, DIRETORA ADMINISTRATIVA DA SPECIAL DOG COMPANY Com forte presença no mercado brasileiro e uma estratégia baseada em inovação, qualidade e crescimento sustentável, a Special Dog Company consolidou-se como uma das principais fabricantes de alimentos para animais de estimação do país. Nesta entrevista, sua diretora administrativa compartilha a visão da empresa sobre a evolução da indústria pet food, os desafios da produção e as oportunidades que irão moldar o futuro do setor.

As notícias mais relevantes da indústria

UTILIZANDO INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL PARA PREVER A PALATABILIDADE DE ALIMENTOS PARA ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO A palatabilidade é um dos principais fatores de sucesso de um produto na área de alimentos para animais de estimação. No entanto, prevê-la continua sendo um desafio. O desenvolvimento ainda depende muito de testes iterativos em animais, que são demorados, dispendiosos e, muitas vezes, identificam falhas tardiamente no processo. https://acortar.link/VKjrH4

https://acortar.link/TkMZxw

ALÉM DA FIBRA: O PAPEL DOS FRUTOOLIGOSSACARÍDEOS DE CADEIA CURTA NA NUTRIÇÃO FUNCIONAL EM PET FOOD O mercado de pet food passa por uma profunda transformação, impulsionada pela humanização dos animais de companhia e pela busca por alimentos que promovam benefícios além do atendimento às exigências nutricionais básicas. Nesse cenário, a indústria investe cada vez mais em ingredientes capazes de agregar funcionalidade, respaldo científico e viabilidade tecnológica às formulações. https://acortar.link/RX0MR7

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PROTEÍNA DE INSETOS NA ALIMENTAÇÃO PET: UMA NOVA FRONTEIRA NUTRICIONAL A farinha de larva de mosca soldado-negro, conhecida internacionalmente como BSF, avança no mercado pet food como um ingrediente funcional, sustentável e de alto valor nutricional. Mais do que uma alternativa proteica, ela representa uma resposta técnica a desafios atuais da indústria, como digestibilidade, saúde intestinal, formulações para animais sensíveis e uso mais eficiente de recursos naturais. https://acortar.link/nt2THj


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UMA ANÁLISE DOS NOVOS DESENVOLVIMENTOS DE MATERIAIS DE EMBALAGEM SUSTENTÁVEIS PARA VFFS Os materiais de embalagem protegem os alimentos contra influências ambientais e deterioração prematura. Facilitam o manuseio, são um componente central nas ações de marketing e têm impacto decisivo na eficiência logística. Por Clivio Solutions

Nos últimos anos, ocorreram inovações e novos desenvolvimentos no campo dos materiais de embalagem para aplicações em máquinas empacotadoras verticais do tipo VFFS (vertical form, fill, seal). Esses desenvolvimentos foram impulsionados pelos compromissos ambientais corporativos de grandes multinacionais e por requisitos de sustentabilidade e reciclagem específicos de cada país. Na América Latina, novas legislações sobre o tema vêm sendo implementadas. O Chile, por exemplo, tem estado na vanguarda da região com a Lei de Responsabilidade Estendida do Produtor, conhecida como “Lei REP”. Ela obriga empresas fabricantes e importadoras a organizar e financiar a gestão dos resíduos dos produtos que comercializam no país. Seu objetivo é incentivar a reciclagem, minimizar a geração de resíduos e promover a economia circular sob o princípio de que “quem polui,

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paga”. Nos demais países da região, seguem-se caminhos semelhantes, cada um com suas particularidades. Na Europa, a legislação avança, mas não sem contratempos, em grande parte relacionados à falta de conhecimento e de definições claras. Particularmente na Alemanha, há grande interesse por aplicações à base de papel. As embalagens que respeitam a proporção de 95% de papel podem aproveitar a infraestrutura existente de coleta e reciclagem. Nessa linha, foram desenvolvidos materiais com diversos tipos de barreiras de proteção contra umidade, gorduras etc. Essas soluções ficaram restritas a produtos secos, sem grande necessidade de proteção, como massas secas, farinhas, grãos e cereais. Nesse caso, propriedades inerentes ao papel, como sua capacidade isolante, sua tendência ao rasgo e sua falta de elasticidade, colocaram à prova a capacidade de adaptação dos fabricantes de máquinas e materiais.


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Caso de sucesso: Quanto às soluções à base de polímeros, estas são, em geral, as mais adequadas aos interesses da indústria mundial de pet food. Oferecem as melhores propriedades de proteção ao produto, com impacto limitado na aparência da embalagem. Além disso, para diferentes exigências de barreira, já existem soluções à base de polímeros capazes de substituir até mesmo o alumínio como barreira ao oxigênio. Nas soluções à base de polímeros, podemos distinguir duas correntes principais. Em primeiro lugar, estão aquelas que buscam utilizar monomateriais. Por exemplo, o uso de monofilmes ou laminados de um único tipo de polímero, como os à base de polietileno. Uma aplicação recente bemsucedida no Brasil buscou manter as propriedades de uma camada externa com maior ponto de fusão, utilizando MDOPE (polietileno orientado), combinada a uma camada interna de polietileno com aditivos para reduzir o ponto de fusão. Nesse caso, surgiram desafios decorrentes dos coeficientes de atrito interno e externo do filme, que limitavam sua maquinabilidade, além de uma janela operacional muito estreita em relação às temperaturas de selagem. Por meio de trabalho conjunto com o fornecedor do filme, chegou-se a uma formulação que modificou os coeficientes de atrito, permitindo que o material fosse tracionado de forma eficaz pelas correias de tração, as quais precisaram ser modificadas para minimizar deslizamentos. A selagem pôde ser viabilizada graças a pressões de selagem monitoradas eletronicamente, geometrias e materiais especiais para os mordentes, além de tempos de selagem precisos.

Claramente, estamos diante de uma evolução permanente de novos materiais, que evidencia a necessidade de colaboração entre fabricantes de filme, fornecedores de equipamentos e marcas interessadas em aplicar essas novas tecnologias em prol da sustentabilidade. Um capítulo à parte merece aquilo que, no fundo, é o maior obstáculo oculto do problema: a falta de infraestrutura em muitos países, especialmente na Ásia e na América Latina, para coletar e reciclar esses materiais. Isso transforma os esforços de governos e empresas em algo sem sentido. Apostamos que esse cenário mude e que consigamos colocar no mercado produtos sustentáveis que realmente contribuam para reduzir a pegada ambiental.

Em segundo lugar, estão as soluções que buscam manter o laminado composto por polímeros da mesma família, como é o caso das poliolefinas, que permitem sua reciclagem em conjunto. Uma aplicação típica é a utilização de camadas externas à base de polipropileno e camadas internas de polietileno. Aqui, as janelas de trabalho também se estreitam em comparação com um filme tradicional de PET/PE, mas geralmente são melhores do que nos monomateriais. O aspecto do filme também costuma ser melhor, com maior brilho, embora se deva considerar a maior tendência ao rasgo do polipropileno em comparação com o PET. Novamente, esses materiais exigem ajustes nas pressões, nos materiais dos mordentes e nos tempos de selagem, que não necessariamente são os mesmos utilizados em monomateriais.

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Princípio de funcionamento de uma empacotadora VFFS: 1. Desbobinamento, 2. Formação, 3. Correias de tração do filme, 4. Selagem longitudinal, 5. Selagem horizontal, 6. Dosagem do produto, 7. Movimento do filme, 8. Corte, 9. Entrega da embalagem pronta


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O PAPEL DA LEVEDURA NA CONSTRUÇÃO DE SABORES PARA PETS Leveduras são microrganismos amplamente utilizados há milhares de anos e, hoje, desempenham um papel importante na nutrição animal, especialmente com o crescimento da humanização dos pets. Elas são fontes ricas em proteínas, vitaminas, aminoácidos e compostos funcionais que contribuem para a saúde intestinal e imunológica. Por Thaila Putarov, Gerente Global de Negócios para Nutrição e Saúde Animal na Biorigin

Os benefícios da levedura

O que é palatabilidade na nutrição de pets

Com o avanço da biotecnologia, é possível produzir ingredientes seguros, sustentáveis e de alta qualidade a partir de leveduras, que também se destacam como alternativas proteicas diante da crescente demanda global. Além disso, atendem a tendências como produtos plantbased, naturais e sustentáveis.

Assim como ocorre com os seres humanos, a apreciação da comida desempenha um papel importante na alimentação dos animais, garantindo que consumam a quantidade necessária de nutrientes.

A eficácia desses ingredientes depende diretamente do processo produtivo, desde a seleção das cepas até as condições de fermentação. Nesse contexto, a Biorigin utiliza tecnologia baseada na fermentação de Saccharomyces cerevisiae para desenvolver soluções que garantem qualidade, funcionalidade e consistência à indústria de pet food.

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A palatabilidade de um alimento envolve a combinação de diversos fatores, como textura, formato, odor, sabor e mouthfeel. Ela desempenha um papel fundamental na melhoria do sabor de alimentos destinados a dietas especiais, equilibrando a composição de nutrientes e de vitaminas essenciais com um sabor agradável aos animais. Em outras palavras, a palatabilidade está relacionada ao quão apetitoso e desejável um alimento é. Afinal,


cães e gatos têm suas preferências e podem rejeitar alimentos que não atendam aos seus gostos individuais.

O papel do extrato de levedura na palatabilidade Entre os realçadores naturais de sabor utilizados na alimentação pet, os extratos de levedura destacam-se pelo papel na estimulação do paladar de cães e gatos. Sua inclusão nas formulações contribui para tornar os alimentos mais atrativos, especialmente ao intensificar o sabor umami, conhecido como o quinto gosto básico e associado à percepção de “saboroso”. Além disso, esses ingredientes favorecem a utilização de aminoácidos específicos e agregam notas de sabor que combinam nuances doces e salgadas.

Por isso, a escolha adequada de ingredientes e realçadores de sabor na produção de alimentos para pets desempenha um papel essencial na diferenciação das marcas no mercado, aumentando as chances de aceitação pelos animais e, consequentemente, o sucesso do produto.

Obtidos a partir do conteúdo intracelular solúvel das leveduras, os extratos de levedura constituem ingredientes funcionais ricos em peptídeos, aminoácidos, nucleotídeos e vitaminas do complexo B. Apresentam elevada digestibilidade, baixa alergenicidade e grande versatilidade de aplicação, podendo ser incorporados diretamente às formulações ou utilizados em revestimentos, em conjunto com palatabilizantes, em diferentes categorias de produtos, desde dietas secas extrusadas até soluções nutracêuticas. Na indústria de alimentos para humanos, esses extratos são amplamente reconhecidos por sua capacidade de

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Figura 1. O PalaUp foi adicionado a uma ração premium para cães e avaliado em um teste de duas tigelas. Os resultados indicaram maior consumo relativo da dieta que contém PalaUp em comparação à dieta controle.

Figura 2. O PalaUp foi adicionado a uma ração premium para gatos e avaliado em um teste de duas tigelas. Os resultados indicaram maior consumo relativo da dieta que contém PalaUp em comparação à dieta controle.

intensificar o sabor e mascarar notas indesejáveis, como amargor ou retrogostos metálicos. Esse mesmo princípio se aplica à nutrição pet, contribuindo para aprimorar o perfil sensorial dos alimentos, potencializar as características naturais dos ingredientes e suavizar sabores indesejados provenientes de componentes funcionais ou terapêuticos. Sob a ótica sensorial, são especialmente eficazes na valorização do umami, trazendo notas mais encorpadas, de caráter cárneo e maior persistência. Esse aspecto é fundamental na alimentação de animais de estimação, pois a palatabilidade influencia diretamente a ingestão de nutrientes e a aceitação do produto. Entre os mecanismos responsáveis por esse efeito, destacase a interação sinérgica entre aminoácidos livres e nucleotídeos. Enquanto o glutamato isolado promove uma percepção umami mais suave, sua combinação com nucleotídeos intensifica significativamente a resposta gustativa, resultando em maior atratividade alimentar. Pesquisa da Biorigin indica que cães e gatos demonstram preferência por alimentos com extrato de levedura em comparação aos que não o contêm. A taxa de consumo relativa para cães foi de 4:1 (ração testada vs. ração controle; Figura 1), enquanto para gatos foi de 2:1 (Figura 2), evidenciando a eficácia do ingrediente na aceitação alimentar. Esses ingredientes conferem ao alimento para animais de estimação notas carnudas, sem adição de carne à formulação. Seu uso como intensificador de sabor se deve ao perfil de aminoácidos livres, que o intensifica e prolonga na boca, conferindo uma nota umami. A palatabilidade é um fator essencial no desenvolvimento de alimentos para pets. No entanto, não se deve negligenciar os compostos bioativos e nutracêuticos. Ingredientes à base de levedura podem ser incorporados às formulações para promover a saúde intestinal e auxiliar no enfrentamento dos desafios do dia a dia, por meio de seus carboidratos funcionais.

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Experiência alimentar e conexão emocional A diversidade de sabores, texturas e formatos torna a alimentação dos pets mais atrativa e funcional, contribuindo para o prazer, o treinamento, o vínculo afetivo e a complementação nutricional. Esse movimento reflete a crescente humanização dos animais, com tutores em busca de qualidade, sabor e benefícios nos alimentos. Assim, produtos como snacks, toppers e alimentos úmidos vão além da nutrição, atuando também como formas de cuidado, afeto e conexão entre humanos e pets. Dados mostram que 76% dos norte-americanos que compram petiscos para pets afirmam que esses produtos fortalecem o vínculo com seus animais de estimação¹. Enquanto 50% dos tutores brasileiros demonstram interesse em petiscos que entretenham seus animais². O mercado de nutrição pet tem explorado diversas tendências para apoiar tutores na missão de manter seus animais entretidos, ativos e bem-comportados, sem renunciar à qualidade nutricional. A palatabilidade continua sendo um fator decisivo na escolha dos alimentos: para 37% dos tutores norte-americanos de gatos e cães, o sabor preferido do pet é o principal critério de compra³. Além do sabor, a saúde é um aspecto essencial no desenvolvimento de snacks para pets. Por isso, é fundamental que as fórmulas combinem ingredientes de alta qualidade com excelente palatabilidade. O alimento precisa agradar tanto ao paladar do pet quanto ao olhar e ao olfato do tutor, que busca opções saudáveis, saborosas e visualmente atraentes, reforçando o cuidado e o vínculo afetivo com seus animais de estimação.

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TECNOLOGIA DE PONTA

TECNOLOGIA EM DESTAQUE Nesta seção da revista All Pet Food, destacamos as inovações que otimizam a produção de alimentos para pets. Destacamos as soluções propostas por diferentes empresas fornecedoras e líderes de mercado.

GARANTA A CONTINUIDADE OPERACIONAL E AUMENTE A PRODUÇÃO DA SUA PLANTA EM ATÉ 15% Paradas não planejadas, rotatividade de pessoal e perda de conhecimento crítico podem impactar diretamente a rentabilidade de uma planta. Para enfrentar esses desafios da indústria atual, a ANDRITZ integra o Operator Training System (OTS) e o Industrial Copilot, uma combinação que fortalece a continuidade operacional e otimiza o desempenho das equipes. Com o OTS, os operadores são treinados em uma réplica digital da planta, aumentando suas competências operacionais entre 35% e 50% e se preparando para responder a falhas, mudanças de processo e situações críticas sem afetar a produção. O Industrial Copilot transforma os dados da planta em recomendações em tempo real, permitindo antecipar desvios, acelerar a tomada de decisões e reduzir o risco de paradas não planejadas. O resultado: maior disponibilidade da planta, menos interrupções e aumentos de produção de até 15%, garantindo operações mais estáveis, eficientes e confiáveis.

UVA DYNAMIC PURE

VSL Packaging é uma empresa Holandesa de máquinas VFFS com mais de 65 anos de experiência. Projetamos máquinas verticais de embalagens inovadoras, capazes de produzir embalagens sustentáveis e visualmente atrativas, ajudando nossos clientes a se destacarem no ponto de venda. Com uma trajetória consolidada na indústria de pet food, oferecemos uma ampla gama de modelos para a produção de embalagens de pequeno porte em altas velocidades, bem como de embalagens premium de até 25 kg. Nossas embalagens proporcionam qualidade equivalente à das embalagens pré-formadas, porém com menor custo, resultando em economia significativa e maior eficiência operacional. Um dos destaques do nosso portfólio é a UVA Dynamic Pure. Essa máquina vertical para fabricação de embalagens eleva sua linha de produção a um novo patamar. ∙ Velocidade de até 150 embalagens tipo pillow bag por minuto. ∙ Produção de 8 diferentes formatos de embalagens em uma única máquina, desde pillow bags até embalagens premium do tipo stand-up. ∙ Agregue valor ao seu produto com recursos como zíperes, rótulos e alças para transporte. ∙ Preparada para processar materiais monomateriais multicamadas recicláveis. ∙ Fácil de operar e de realizar a manutenção. Dê um toque especial à sua embalagem com a VDL Packaging. Visite http://www.vdlpackaging.com para mais informações.

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DENSITYMASTER™

Para os fabricantes de alimentos para pets, a densidade aparente é um indicador crítico do processo, influeciando diretamente a consistência do produto, a precisão de envase e a eficiência operacional da fábrica. No entanto, para a maioria das empresas, essa ainda é uma medição realizada manualmente, muitas vezes quando já é tarde para corrigir desvios. O DensityMaster™ da ATLINE realiza a medição contínua da densidade aparente diretamente na linha de produção, fornecendo resultados confiáveis a cada 40–60 segundos, sem necessidade de amostragem manual e sem pontos cegos no processo. Dessa forma, os operadores podem identificar variações precocemente, reduzir a variabilidade e tomar decisões mais rápidas antes que pequenas mudanças se transformem em problemas de maior impacto. Além da densidade, o sistema registra a temperatura do produto e captura uma imagem de cada análise realizada, gerando uma base de dados mais completa para o monitoramento do processo. Integrado aos sistemas de controle da planta, possibilitando orientações aos operadores, ajustes automáticos e futuras aplicações baseadas em aprendizado de máquina (machine learning). O resultado é um processo mais estável, maior consistência na qualidade do produto e redução do custo por tonelada produzida.

FLAVOR’SUP® Flavor’sUP® é o potenciador de palatabilidade da ICC Animal Nutrition desenvolvido para transformar sabor em preferência no alimento pet. Produzido com extrato de leveduras e tecnologia exclusiva da ICC, o Flavor’sUP® libera naturalmente peptídeos de cadeia curta e aminoácidos, especialmente glutâmico e aspártico, responsáveis por conferir um sabor umami altamente atrativo para cães e gatos. Sua ação intensifica as características sensoriais da formulação, estimula a ingestão e contribui para uma maior aceitação da ração. De origem natural, não animal e não vegetal, Flavor’sUP® é uma solução alinhada às demandas atuais por ingredientes seguros, sustentáveis e funcionais. Versátil e eficiente, pode ser aplicado a alimentos secos, úmidos, snacks, treats e suplementos, agregando tecnologia, consistência e alto impacto sensorial para marcas que buscam diferenciar seus produtos em um mercado pet cada vez mais exigente.

BALSURETM DRY

O mais recente lançamento da Kemin, o BALSURE TM DRY, é um aditivo regulador de acidez desenvolvido para alimentos completos e balanceados destinados a cães e gatos. A solução auxilia no controle do pH urinário e contribui para a saúde do trato urinário, especialmente dos felinos, uma das principais preocupações da nutrição pet. Seu mecanismo de ação baseia-se no equilíbrio cátion-aniônico das dietas, favorecendo a redução da formação de cristais e cálculos urinários sem elevar significativamente os níveis de fósforo da formulação. Entre seus diferenciais estão a alta eficácia, a flexibilidade de dosagem e o baixo aporte de fósforo, característica valorizada em alimentos para gatos. O produto pode ser utilizado em formulações Standard, Premium e Super Premium, oferecendo versatilidade para diferentes posicionamentos de mercado. Alinhado à demanda por ingredientes funcionais, o BALSURE™ DRY contribui para o desenvolvimento de dietas voltadas à saúde, ao bem-estar e à longevidade dos animais de companhia.

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EMPRESAS

CONECTADO AO MUNDO

COM HISTÓRIA

https://www.callizoaromaseng.com/pets https://www.linkedin.com/company/callizoaromas/

LET THEM CHOOSE

Callizo Aromas: mais de três décadas criando soluções sensoriais e funcionais para a indústria de alimentos para pets Fundada em 1993, a Callizo construiu um histórico de mais de três décadas marcado por inovação, expansão regional e desenvolvimento de soluções especializadas para o setor. O que começou como um projeto voltado para a criação de ingredientes aromáticos para produtos de consumo evoluiu para uma empresa com presença em diferentes países das Américas, com centros de fabricação e desenvolvimento que hoje permitem atender de forma próxima e eficiente às necessidades de um mercado em constante transformação. Ao longo desses anos, a Callizo diversificou seu portfólio e fortaleceu suas capacidades técnicas para acompanhar diferentes setores. Dentro dessa evolução, a Divisão de Produtos para Pets se estabeleceu como um espaço estratégico para desenvolvimento, impulsionado por uma visão clara: criar soluções funcionais e sensoriais que contribuam para melhorar a aceitação, o desempenho e a experiência de consumo com alimentos para cães e gatos.

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Sob o lema de sua divisão de pets, Let Them Choose, e fiel à sua filosofia de Alquimistas Sensoriais, a Callizo desenvolveu uma oferta especializada que responde aos desafios de formulação do setor pet food. Sua experiência regional, somada ao conhecimento técnico adquirido ao longo de mais de 30 anos, permitiu que projetasse soluções adaptadas às necessidades de seus clientes e às preferências de um consumidor cada vez mais atento ao bem-estar e ao prazer de seus pets.

Soluções para a indústria pet food Nesse caminho, uma das forças da Callizo tem sido o desenvolvimento de uma linha completa de sabores hidrolisados projetados para melhorar a palatabilidade da ração. Essas soluções permitem enriquecer o perfil sensorial das formulações, ajudando a criar produtos mais atraentes e consistentes para o animal, sem perder de vista os requisitos técnicos e comerciais de cada projeto. Além dessa proposta, melhoradores de textura, projetados para otimizar atributos físicos chave em diferentes aplicações, e uma linha variada de proteínas hidrolisadas, que proporcionam funcionalidade, valor nutricional e


Pesquisa e desenvolvimento A inovação tecnológica tem sido um componente essencial nesta história. A Callizo tem estado constantemente comprometida com a pesquisa, avaliação de novos ingredientes e a melhoria de seus processos de fabricação, com o objetivo de desenvolver produtos diferenciados, com excelente desempenho e adaptáveis a diversas bases produtivas. Como parte desse compromisso, a empresa testa constantemente seus desenvolvimentos em seus Centros de avaliação de palatabilidade, o que permite validar a aceitação de seus produtos e refinar suas propostas sensoriais de acordo com as preferências reais de cães e gatos. Essa visão tem sido fundamental para sustentar seu crescimento e continuar oferecendo respostas relevantes em um mercado altamente dinâmico.

Uma história que continua crescendo

versatilidade nas formulações. Juntas, essas soluções refletem a capacidade da Callizo de integrar ciência, conhecimento de mercado e sensibilidade sensorial em um portfólio que acompanha a evolução da indústria de alimentos para pets.

Após mais de 30 anos de crescimento sustentado na América Latina e sua expansão nos Estados Unidos, a Callizo continua fortalecendo sua posição como aliada estratégica para o setor. Sua história no segmento reflete uma empresa que conseguiu evoluir junto com o mercado pet, combinando experiência, proximidade regional e inovação para desenvolver produtos que oferecem valor real aos seus clientes e abrem novas oportunidades de negócio no mundo da alimentação para cães e gatos.

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SABORES QUE NUTREM

AVANÇOS E TENDÊNCIAS

A cada edição da revista All Pet Food, compartilhamos produtos reconhecidos e novos lançamentos de importantes empresas envolvidas na fabricação de pet food ao redor do mundo. Apresentamos formulações inovadoras, desenvolvidas com matérias-primas de alta qualidade, alinhadas às tendências do mercado, obtidas por meios de processos produtivos tecnológicos e capazes de ofrecer benefícios tanto para nutrição quanto para a saúde dos pets.

Feito no

Fawna Patagonic Taste é uma linha de alimentos super premium para cães e gatos inspirada na essência da Patagônia Argentina. Desenvolvida com proteínas de alta qualidade, como salmão do Pacífico e frango, e enriquecida com ingredientes naturais como abóbora e frutas vermelhas, oferece uma proposta nutricional baseada em um conceito simples: mais proteínas e menos carboidratos para uma alimentação mais saudável. Suas fórmulas incorporam prebióticos e probióticos naturais que favorecem a saúde digestiva e contribuem para o bem-estar geral dos pets. Cada receita combina nutrição avançada, ingredientes selecionados e sabores únicos para acompanhar uma vida ativa, saudável e cheia de aventuras. Fawna é o equilíbrio perfeito entre natureza, sabor e qualidade para cães e gatos.

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MARKETPLACE

FORNECEDORES DA INDÚSTRIA

Automatização

Máquinas para alimentos úmidos

NorthWind Technical Services LLC +1 7 852 840 080 kastorga@northwindts.com northwindts.com KSE +31 6 11820906 info@kse.nl ksegroup.com/es ATLINE +52 55 3712 3078 mm@atline.com https://atline.com/

EZMA +34 6 1664 1435 sarmendariz@ezma.com www.ezma.com

Nutrção I imunidade Biorigin +55 14 3269 9200 biorigin@biorigin.net www.biorigin.net

Nutrição I ingredientes APC +55 19 971492710 luciana.tognetti@apcproteins.com apcpet.com/la

Consultoria Clivio Solutions + 54 9 2352 449007 info@cliviosolutions.com cliviosolutions.com

Nutrição I palatabilizantes AFB International +54 11 4 894 8570

Consultoria de mercados Triple Three International +521 (552) 187 4357 ifranco@triplethreeinternational.com triplethreeinternational.com

Callizo Aromas +57 305 814 9448 info@callizoaromas.com callizoaromas.com

Equipamentos de envase Statec Binder +43 3112 38580 0 sales@statec-binder.com statec-binder.com

Kemin +55 19 3881-5700 guilherme.fray@kemin.com kemin.com

Payper +34 973216040 contact@payper.com payper.com

+55 19 99751 3565 pedro.bermudes@symrise.com symrise.com

Premier Tech + 55 11 4525 1151 (Brasil) +52 81 8008 1050 (México) reie2@premiertech.com ptchronos.com

Symrise Pet Food

Nutrição I saúde intestinal Biorigin +55 14 3269 9200 biorigin@biorigin.net biorigin.net

Nutrição I Aditivos Kemin +55 19 3881-5700 guilherme.fray@kemin.com kemin.com

Pesagem e dosagem PLP Systems SRL +39 0523 891629 info@plp-systems.com plp-systems.com

JRS +49 7967 152 663 sandra.kupfer@jrs.de jrspetfood.com 3A Biotech SL +34 968 839 004 info@tres-a.net tres-a.com BBR Industries +54 9 2314 475503 info@bbrindustries.com https://bbrindustries.com/ Adinnova +54 9 11 2586-2474 info@adinnova.com.ar https://adinnova.com.ar/

KSE +55 19 98340-0057 info@kse.nl ksegroup.com/es

Embalagens Petropack +54 343 4362502 info@petropack.com www.petropack.com

Processamento I Equipamentos Buhler Group + 52 722 262 05 12 info@buhlergroup.com buhlergroup.com CPM +55(11)93904-3217 idah@cpm.net petfood.sales@cpm.net Extru-Tech +1 785 284 2153 extru-techinc@extru-techinc.com extru-techinc.com Famsun +86 514 80689999 contact@famsun.com https://en.famsun.com Ferraz +55 16 3934 1055 vendas@ferrazmaquinas.com.br ferrazmaquinas.com.br Industrias Bartoli Hnos +54 0343 486 2707 info@bartolihnos.com.ar bartolihnos.com.ar Tietjen Verfahrenstechnik GmbH +49 4106 63 330 info@tietjen-verfahrenstechnik.com tietjen-original.com/en/ Wenger Manufacturing +55-19 3881 5060 wengerbr@wenger.com wenger.com Reading Bakery Systems +57 3166728560 info@readingbakery.com www.readingbakery.es TMI +34 973 25 70 98 info@tmipal.com http://www.tmipal.com/ Andritz +56 2 462 4600 contact.ACL@andritz.com http://www.andritz.com/ft Tekpro +44 0 1692 403403 sales@tekpro.com https://tekpro.com/ Simatek Bulk Sistems +56 9 92 89 34 19 paj@simatek-bulk.com https://simatek-bulk.com/es/ Zheng Chang +55 (19) 3761-3700 contato@calibras.com.br https://www.zhengchang.com.br


O NOVO DESIGN DA MÁQUINA

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Inteligência de mercado avançada para o setor de rações para animais de estimação.

Relatório disponível

Relatório Anual do Mercado, Tendências e Produção de Alimentos para Pets 2025 da América Latina e Espanha.

Estudos disponíveis

Estudo de Mercado da Argentina 2025

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Disponível em

Em parceria com

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Estudo do Shopper da Argentina 2025/2026

Mais informações: info@allpetfood.net


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