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VOLATIL (PT)

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Publicado por AKIARA books Plaça del Nord, 4, pral. 1.ª 08024 Barcelona (Espanha) www.akiarabooks.com info@akiarabooks.com

Depósito legal: B 3289-2026

ISBN: 978-84-18972-90-4

Impresso em Espanha @Agpograf_Impressors

Reservados todos os direitos

Nasci em Barcelona em 1976. Já lá vai meio século. O tempo voa. E eu também. Desde muito pequenino que sou capaz de voar com a minha imaginação. Por isso, sempre gostei de aves, histórias e poemas. E de olhar bem de perto para o musgo ou olhar de longe para as montanhas.

Talvez por isso me tenha tornado paleontólogo. E escritor. Para imaginar e descobrir outros mundos. E pela plenitude que me provoca adentrar-me no nosso, tão cheio de beleza e achados. Sou um divulgador obstinado da Natureza. Às vezes, transformo-a em palavras. Às vezes, as palavras juntam-se em poemas. E os poemas voam com asas de livro, até ti ou até às estrelas.

Nasci em Saragoça em 1991. Em miúda, gostava de desenhar e observar, e com o tempo percebi que essa forma atenta de olhar o mundo seria também a minha maneira de o habitar. Estudei design gráfico e ilustração, e durante onze anos vivi em Barcelona, onde trabalhei como ilustradora.

Com o nascimento do meu filho, regressei a Saragoça, em busca de um ritmo mais lento e uma vida mais ligada aos livros, ao papel, à pintura, à Natureza e ao processo criativo. Aqui, desenvolvo uma obra realizada principalmente com guache sobre papel, inspirada nas paisagens, nas viagens e nos pequenos gestos do quotidiano. Acredito na ilustração como uma forma de escutar, cuidar e contar o mundo partindo da calma e da sensibilidade.

Primeira edição: março de 2026

Coleção: Akipoeta, 11

Tradução: Catarina Sacramento

Direção editorial: Inês Castel-Branco

© 2026 Alex Nogués Otero, pelo texto

© 2026 Elena Mompó, pelas ilustrações, através da agência Ute Körner Literary Agent, www.uklitag.com

© 2026 AKIARA books, SLU, por esta edição

Na tipografia, usou-se a familia de fontes Futura Bk BT.

A AKIARA trabalha com critérios de ecoedição, otimizando os formatos, escolhendo papéis certificados e optando sempre por uma produção de proximidade, para minimizar o impacto ambiental.

Este livro foi impresso em papel Offset Arena Natural Rough de Fedrigoni, com uma gramagem de 200 g/m2 para o miolo e de 300 g/m2 para as capas dípticas, com costura exposta.

Este produto foi feito com material que provém de florestas certificadas FSC®, geridas de forma responsável, e de materiais reciclados.

Ao Max, o poeta. A. N.
Ao Pol, o meu raiozinho de sol. E. M.
Tradução
Catarina Sacramento

Eu não quero escrever um poema Quero… cheirar as flores. Perseguir as borboletas. Tornar-me aroma. Ser volátil. Abrir as asas e juntar-me ao bando de abelharucos que, para lá do vale, voam e dançam.

Eu quero ser, sei lá… Um abelhão, talvez…

Sussurrar palavras antigas a cardos e papoilas, e consagrar-lhes todas as horas.

Sim.

Quero ser tudo isso.

Um abelhão com o seu casaco bicolor e o seu voo letárgico.

De flor em flor.

De odor em odor.

E também, porque não?, de choro em choro quando chegar a escuridão do inverno.

Saí à procura da noite. Deixo que me cubra e me descubra. Que apague tudo e que acenda um grito intermitente, insistente, permanente, entre as estrelas. Faíscas do braseiro imenso que me abriga a milhões de anos-luz do meu olhar nebuloso.

Hoje os choupos aplaudiram-me. Não foi apenas um gesto amável. Puseram-se de pé, como só as árvores sabem fazer, e dirigiram-me uma ovação memorável.

Como se eu fosse um tenor no palco ou um cineasta octogenário a receber um prémio honorífico.

Foi magnífico sentir o repicar das folhas sem conhecer os motivos.

Agora é mar. Agora uma mão aberta que acaricia a praia. Agora não é nada. Grãos de areia, húmidos e cheios de histórias, de abismos, de cataclismos, de escuridão, de luz, de vida, de morte, de sal e de sol.

AKIPOETA A BELEZA DOS PORMENORES

Às vezes, um poema chega sem pedir licença. O poeta tropeça nele. Não sabe ou não quer contê-lo. Mergulha nele. Deixa que as palavras o encontrem. Usufrui da sorte de estar vivo. E voa.

VOLÁTIL é um conjunto de poemas em verso livre sobre uma natureza viva e cheia de encanto, em que os campos, as praias ou as noites se expressam com pinceladas únicas.

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