NOTA EXECUTIVA Federação das Indústrias do Estado da Bahia
Medidas emergenciais específicas de proteção comercial e mitigação para o setor de pneumáticos, diante da tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos (Seção 302) e do avanço acelerado das importações no mercado interno. Salvador, julho de 2026
1. Síntese do pleito A indústria baiana está sob pressão nas duas pontas ao mesmo tempo. Na saída, a tarifa de 25% da Seção 302 fechou parcialmente o 4º maior mercado de destino do estado, alcançando US$ 273,1 milhões de exportações. Na entrada, importações em condições de concorrência desleal ocupam o mercado interno em velocidade sem precedentes — em pneus de passeio, a participação nacional na reposição caiu de 45% para 30% em doze meses. As atividades atingidas sustentam 83,4 mil vínculos formais de emprego na Bahia. Sem resposta coordenada das duas esferas de governo, o resultado previsível é a perda definitiva de capacidade produtiva instalada.
Assim, a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) submete ao Governo do Estado medidas emergenciais específicas e pleitos a serem reforçados junto ao Governo Federal:
Setor Pneumáticos A Bahia abriga três das dezenove fábricas de pneus do país — Bridgestone, Continental e Pirelli —, além de unidade de reforma da Vipal, concentradas em Camaçari e Feira de Santana, com 7.686 vínculos formais na atividade de borracha e plásticos. No plano nacional, o setor responde por 35 mil empregos diretos e cerca de 500 mil indiretos, faturamento líquido de R$ 25 bilhões (2024), R$ 4,5 bilhões em tributos pagos, R$ 8 bilhões investidos nos últimos cinco anos e R$ 5 bilhões previstos para os próximos cinco, com média salarial de R$ 5.070. É, portanto, uma indústria que continuou investindo no País — e que agora vê esse investimento ameaçado. A tarifa aplicada pelo Governo Norte-Americano atinge 51,2% das exportações de pneus de automóveis de passageiros produzidos na Bahia e 49,2% das exportações de pneus de ônibus e caminhões. Ou seja, metade de tudo que a Bahia exporta em pneus de passeio passou a ser tarifado em 25%, conforme se vê na tabela abaixo: Produto
SH6
Valor tarifado
% do setor
% das exp. do produto
Pneus de automóveis de passageiros
4011.10
US$ 72,4 mi
92,2%
51,2%
Pneus de ônibus e caminhões
4011.20
US$ 4,5 mi
5,8%
49,2%
Por outro lado, a indústria pneumática nacional atravessa um cenário de significativa perda de competitividade em virtude da concorrência desleal com produtos importados, notadamente oriundos da Ásia, comercializados a valores inferiores ao custo de produção nacional.