Uma pesquisa sobre o sujeito estrangeiro, motivada por uma década vivendo no exterior, marcou, há dez anos, a estreia de Cláudia como autora na psicanálise. Nesse campo, o estran geiro é um conceito crucial: de um lado, representa a sedu ção infindável do inconsciente, do sexual, que nos constitui e se projeta em objetos e ambientes; de outro, ameaça nossa aconchegada familiaridade, evocando o terror da perda de limites de si e provocando expulsão, rechaço e abjeção. As sim, surgem os “refugiados” e “emigrantes” de nossas al mas, cujas manifestações encontram eco no social e político. Como ilustração, nessa década, entre a primeira e a segunda edições deste livro, a Europa ficou ameaçada pelos refugia dos sírios e, recentemente, os incentivou a retornarem ao país de origem, agora livre de seu ditador criminoso. Neste livro, a escuta de migrantes ou exilados, fora de processos psicanalíticos, revela tramas transgeracionais que iluminam os encontros entre o inconsciente do sujeito, suas buscas migratórias e as reações que enfrentam. Daniel Delouya PSICANÁLISE
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O Estrangeiro: eu e você
Psicanalista pela International Psycho analytical Association (IPA), Membro Efetivo da Sociedade Brasileira de Psi canálise de Campinas (SBPCamp), Mes tre em Psicologia Clínica pela PUC-SP e Doutora em Ciências pela Unicamp. Formada em línguas estrangeiras pela ONU de Genebra. Em 2015, lançou a primeira versão de O Estrangeiro – Eu e você: um olhar psicanalítico contemporâneo (NEA Editores); e em 2023 publi cou, com Carolina Scoz, No calor das coisas: crônicas psicanalíticas (TAO/Blu cher). É também Chair do Comitê de Cul tura da IPA. Costuma começar o dia com sua prática de yoga e gosta de exercitar a arte da Caligrafia Chinesa.
PSICANÁLISE
Antonelli
Cláudia Antonelli
Cláudia Cristina Antonelli
O Estrangeiro: eu e você
Estamos sempre em movimento. Que remos nos mudar. E cada vez que o fazemos, nos aventuramos para “fora”, mesmo que seja apenas em um lugar em frente de casa. Nunca sabemos o que e quem podemos encontrar: al guém nos olhando, reconhecendo o estranho que somos para ele e ele para nós – por um momento, ambos somos estranhos a nós mesmos. À medida que seguimos adiante, o que nos impressionou brevemente parece se dissolver. A excitação permanece, atinge as profundezas, desperta senti mentos de curiosidade ou ansiedade que se ligam secretamente às nossas próximas tarefas. Essa é a corrente subterrânea da vida que devemos ao “estranho lá fora”, bem como ao es tranho em nós. Movendo-nos inces santemente em direção a e para longe do que nos fascina e desconcerta, vi vemos em um país estrangeiro entre nossos pensamentos mais familiares. Cordelia Schmidt-Hellerau
Um olhar psicanalítico contemporâneo 2ª edição
08/11/2025 14:05