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O bebê nasce pela boca

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Para que um discurso não seja só do semblante, para que tenha consequências, é necessário que o traço que materializa a presença do outro cumpra sua função significante. Ou seja, não somente que ele precipite um significado, mas que também se libidinize. É na medida em que o clínico perceba esse delicado cinzel que vai da voz do outro ao sujeito que logrará interpretar qual é o ponto de resistência, singular em cada autista, entre a voz e o significante. Qual a janela pulsional na qual cada autista poderá encontrar um traço para ensaiar uma identificação primordial com o Outro. Este livro, ora reeditado, tem um papel protagonista no empenho da psicanálise em devolver o autista ao campo da palavra, resgatando-o do lugar de transtorno mecânico de alguma função. Alfredo Jerusalinsky

Psicanalista, membro da Associação Lacaniana Internacional Doutor em Psicologia da Educação e Desenvolvimento Humano

PSICANÁLISE

O bebê nasce pela boca

Psicanalista, membro da Escola Letra Freudiana (RJ), médica psiquiatra da infância e adolescência da Secretaria de Estado da Saúde do Distrito Federal (SESDF), docente da Faculdade de Medicina da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS/DF), preceptora da residência médica em Pediatria da SESDF. Pós-doutora em Psicopatologia Clínica pela Universidade Côte d’Azur (Nice, França) e doutora pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (Portugal). Autora e coautora de livros e artigos publicados em revistas e livros especializados nacionais e internacionais (França e Argentina).

PSICANÁLISE

Catão

Inês Catão

Inês Catão

O bebê nasce pela boca Voz, sujeito e clínica do autismo 2ª edição revista e ampliada

A obra de Inês Catão nos brinda com uma singular forma de apresentar e discutir esse tema tão instigante. Para a autora, o autismo se apresenta como uma falha no circuito da invocação, impedindo a voz enquanto função psíquica de constituir-se como tal. Aponta o que um autista ouve não seria canto da sereia, mas sim uma voz que não o seduz para a subjetividade. O autista ouve, mas não escuta, já que o ruído do Outro não se transforma em voz, produzindo uma surdez seletiva para a voz do outro (Outro). E é justamente a voz que passa a ser moeda corrente e de valor na condução do trabalho do psicanalista, na medida em que sua escuta deve permitir que a prosa lhe retorne como poesia.

Rosa Maria Marini


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O bebê nasce pela boca by Editora Blucher - Issuu