Lokis é uma pérola gótica de Prosper Mérimée (1803-1870) que não pode ser esquecida. Sua história instigante nos transporta aos pântanos gelados da Lituânia, e vamos bem guiados pelas mãos do exímio linguista, professor Wittembach. O século dezenove foi marcado por descobertas científicas primorosas e debates filosóficos substanciosos, mas também pela presença dos devaneios românticos e por narrativas macabras que muito estimularam as mentes dos leitores – época em que um novo mundo se descortinava ante as tradições e as crendices do continente europeu. Neste livro você encontrará, para além das referências à linguística, o tom burlesco de uma estranha medicina e de uma não pior diagnose psiquiátrica. Além da novela original de Mérimée, traduzida diretamente do francês por Adriano Messias, você encontrará uma sua continuação – também de autoria de Messias: trata-se de uma segunda vida que o monstro meio homem, meio urso mereceu ganhar, vindo assim a habitar duplamente as páginas pelas quais o leitor viverá sua própria aventura.
Tradução de Adriano Messias
Prosper Mérimée
(Adriano Messias)
Prosper Mérimée
Lokis | O ursosomem Adriano Messias
“Um paredão não muito alto se erguia a coisa de alguns metros apenas à nossa frente e, em sua parte mais baixa, havia uma abertura grande o suficiente para que um homem adulto por ela entrasse caminhando em pé. Não era muito larga, mas certamente acolheria um farto urso se ele desejasse se abrigar ali. Deparamo-nos, por fim, com a mulher que tanto procurávamos. A infeliz estava esticada no chão e com os olhos opacos mirando o vazio. Balbuciava qualquer coisa, mas não estava ferida, apenas ligeiramente arranhada nas roupas.”
“De repente, uma mulher de elevada estatura, pálida, magra, com as vestes em desordem, os cabelos dispersos e todas as expressões contraídas pelo terror, apareceu no alto das escadas, sem que ninguém conseguisse saber de onde viera. – O urso! – ela gritava com uma voz aguda. – O urso! Fuzis!... Ele está levando embora uma mulher! Matem-no! Fogo! Fogo! Era a condessa. A chegada da noiva atraiu todos para as escadas, para o pátio ou para as janelas do castelo. As próprias mulheres que vigiavam a pobre louca tinham se esquecido de suas obrigações. Ela escapara e, sem ser vista por ninguém, conseguiu chegar até onde nos encontrávamos.” (Prosper Mérimée, tradução de Adriano Messias)
Adriano Messias
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Lokis - Ursosomem - Capa orelhas.indd 1,5
Ilustrações de Jack Azulita
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