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Corpo, escrita e fractal

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Dantas

“Diz-se que fractal é o modo de nomear a característica de uma diversidade de formas que, em suas partes, repetem a estrutura do todo. . . Bem, cara leitora, o livro que tens em mãos não somente toma o fractal como um de seus vetores como é, ele mesmo, um livro fractal; uma escrita que, fruto de uma operação sofisticada, performa o tema sobre o qual discorre. . . A pergunta fractal que costura estes ensaios se insurge da leitura da obra de Elena Ferrante: o que sua escrita pode nos ensinar sobre a potência de um corpo. . . quando este não é experienciado a partir da estabilidade…? Que corpo é produzido por uma escrita de si, sustentada no mínimo possível de eu, um mínimo que chega ao limite de sua desmarginação…? Que efeitos políticos – no que ressoa nesse termo a vida em comunidade – a localização. . . desse corpo pode implicar? É a esse ponto que a leitura deste livro nos leva; ponto em que o centro, como organizador da forma, tem sua função suspensa.” Excerto do Prefácio

Corpo, escrita e fractal

É psicanalista, pesquisadora e ensaísta. Nasceu em Aracaju (SE), atualmente mora em São Luís (MA). Desde a graduação em psicologia investiga a relação entre psicanálise e literatura, caminho que também percorreu no mestrado em Psicanálise: Clínica e Cultura pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e no doutorado em Letras pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) por meio da articulação da obra de Elena Ferrante com a psicanálise, a escrita e o corpo na literatura. Participou do Núcleo de Pesquisa em Psicanálise, Educação e Cultura (NUPPEC) da UFRGS e atualmente integra o grupo de pesquisa Práticas da letra: escrita, leitura, tradução, psicanálise da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e o Centro Internacional e Multidisciplinar de Estudos Épicos (CIMEEP) da UFS.

Tatianne Santos Dantas PSICANÁLISE

Tatianne Santos Dantas

Corpo, escrita e fractal Ensaios com Elena Ferrante

PSICANÁLISE

Encarar o vórtice e fazer parentesco com o abismo: é isso que penso quando retomo as notas sobre a pesquisa de Dantas com Ferrante. Articular linguagem é a nossa vingança. Usando o ensaio como método para fazer vingar, Dantas vai nos dando coordenadas longas e fragmentadas, metamorfoseando seu corpo de leitora com aquele, que é escrito, da autora sem rosto. O resultado é um mapa próprio, em que é possível se perder com confiança porque, justamente, não há solidão. Com a habilidade de quem se propôs a ler e articular aquelas que vieram antes e, também, as que estão entre nós, a autora mostra um manejo artesão em escrever com a crítica literária feminista e tudo que ela movimenta. Não tenha medo de se perder por esse labirinto. Emanuela Siqueira Tradutora e doutora em Letras pela Universidade Federal do Paraná (UFPR)


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Corpo, escrita e fractal by Editora Blucher - Issuu