Foi uma conversa breve, mas me deixou muito impressionada. Uma amiga me contou que havia ido a um churrasco informal num domingo à tarde, no bairro onde morava. Ela era nova na cidade e não conhecia ninguém. Saiu de lá triste e frustrada. Ninguém puxou conversa com ela, ela se sentiu sozinha e deslocada. Na semana seguinte, voltou e o resultado foi praticamente o mesmo.
Na terceira semana, porém, apareceu outra recém-chegada. Mas aquela mulher circulava sorridente entre as pessoas, conversando com todos. Minha amiga começou a observá-la. Ela não esperava que alguém se aproximasse; tomava a iniciativa de se apresentar, dedicava tempo a conhecer cada novo contato e, no fim, passou um momento muito agradável.
Talvez a expressão triste da minha amiga tivesse afastado as pessoas. Mas fico feliz em dizer que, naquele terceiro domingo, ela aprendeu a ser mais aberta e acolhedora. Em pouco tempo, passou a se sentir verdadeiramente em casa naquela nova comunidade.
Eu me identifiquei com essa história, pois também tenho dificuldade para conhecer pessoas, especialmente em ambientes desconhecidos. Mas, com a prática ao longo dos anos, foi ficando mais fácil — e conheci pessoas muito interessantes! Quase todo mundo tem uma história para contar, se eu estiver disposta a ouvir com atenção. E aprendo muito com isso.
Nesta edição, vamos explorar como construir comunidade, cultivar amizades, melhorar nossos relacionamentos e compreender os fardos que outros carregam. Também aprenderemos a enxergar nossos próprios fardos à luz do amor de Deus e do plano que Ele tem para nós. Os colaboradores desta edição compartilham experiências pessoais que enriquecem nossa compreensão do que significa viver o cristianismo de forma simples e prática.
Falando em cristianismo prático, o artigo “Cultivando novos hábitos”, nas páginas 8 e 9, com conselhos valiosos sobre um desafio muito atual: como controlar o uso da tecnologia para não sermos controlados por ela. Todo esse tesouro de conteúdo está ao seu alcance!
Que esta edição da Contato seja uma bênção em sua caminhada com o Senhor.
Gabriel e Sally García
Equipe Editorial da Contato
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A cultura contemporânea frequentemente promove o individualismo e a autossuficiência como virtudes a serem cultivadas. A Bíblia nos ensina que fomos criados para a vida em comunidade. O cristianismo não foi concebido para ser vivido no isolamento, mas para ser compartilhado em comunhão amorosa e união com os outros, expandindo-se além da nossa comunidade de fé. Deus não nos criou seres isolados, que enfrentam a vida sozinhos.
O próprio Deus Se revela nas Escrituras como uma comunidade trina perfeita — um único ser divino em três pessoas distintas (Pai, Filho e Espírito Santo) que
existem eternamente em um relacionamento de amor. Ele criou os seres humanos à Sua imagem e semelhança como seres relacionais (Gênesis 1:26). Depois de criar Adão, o primeiro ser humano, Deus declarou: “Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda” (Gênesis 2:18).
Desde o princípio, a intenção de Deus foi que os seres humanos vivessem em relacionamento uns com os outros e com Ele. A desobediência de Adão e Eva rompeu a comunhão que desfrutavam com Deus, resultando na queda da humanidade (ver Gênesis 3). Mas Deus providenciou um meio de restaurar essa comunhão por
meio do sacrifício de Jesus na cruz. Após Sua morte, ressurreição e ascensão, a igreja foi formada como uma comunidade de crentes, chamada na Bíblia de corpo de Cristo. “Ora, vocês são o corpo de Cristo, e cada um de vocês, individualmente, é membro desse corpo” (1 Coríntios 12:27).
Não fomos criados para viver sozinhos. Como expressou o autor Paul Tripp: “Não fomos criados para ser independentes, autônomos ou autossuficiente, mas para viver em uma dependência humilde, reverente e amorosa com Deus e interdependência amorosa e humilde com os outros. Nossas vidas foram planejadas para ser projetos comunitários”.
A própria dinâmica da vida em comunidade — trabalhar, interagir e colaborar com pessoas diferentes de nós, doar-nos e aprender a nos relacionar — nos impulsiona a exercitar as qualidades que Jesus deseja que desenvolvamos. Nossas interações nos ajudam a crescer na semelhança a Cristo e nos capacitam a alcançar pessoas, a compartilhar a fé de forma eficaz e a ser um reflexo vivo do Seu amor para a comunidade ao nosso redor.
Deus deseja que vivamos em relacionamento com outras pessoas; foi assim que Ele nos criou. Jesus ensinou que amar o próximo é o segundo maior mandamento, logo depois de amar a Deus (Mateus 22:39). Nossa família, amigos, colegas de trabalho, vizinhos e a comunidade em que vivemos foram colocados em nossa vida por Deus para que os amemos e demonstremos o cuidado dEle por eles. Como destaca John Ortberg:
Todos os dias, cada pessoa que você conhece enfrenta a vida com a eternidade em jogo — e a vida tem um jeito próprio de nos desgastar e abater. Toda vida precisa de alguém que torça por ela. Toda vida precisa, de vez em quando, de um ombro em que se apoiar. Toda vida precisa de uma oração que a eleve a Deus. Toda vida precisa de alguém que abrace e envolva com seus braços em alguns momentos. Toda vida precisa ouvir uma voz que diga: “Não desista.”
Comunhão cristã
Deus deseja que amemos toda a humanidade e sejamos exemplos de Seus atributos para aqueles com quem convivemos e interagimos diariamente. Ele também Se importa profundamente que demonstremos amor pelos irmãos na fé. É desse tipo de amor que Jesus falava quando disse: “Um novo mandamento lhes dou: amem-se uns aos outros. Assim como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros” ( João 13:34–35).
Poucas horas antes de ser preso, Jesus orou ao Pai para que os discípulos — tanto os que estavam com Ele naquele momento quanto todos os que viriam a crer depois — vivessem em união, assim como Ele e o Pai são um, “para que o mundo saiba que tu me enviaste e os amaste como igualmente me amaste” ( João 17:20–23). Jesus orou para que todos os Seus discípulos fossem um só: um corpo, unido pelo amor; um na fé, um na missão, um na mente de Cristo.
Quando estamos unidos e reunidos nEle, Ele está presente entre nós. “Pois onde se reunirem dois ou três em meu nome, ali eu estou no meio deles” (Mateus 18:20). Ter Cristo em nosso meio nos ajuda a vivenciar Sua presença. Sua alegria e amor nos aproximam tanto dEle quanto uns dos outros. Quando os cristãos se reúnem em comunhão, isso os fortalece. Orar juntos, adorar, celebrar a comunhão, ter conversas profundas e desfrutar da companhia uns dos outros cria um ambiente precioso que edifica e anima todos os que participam.
No Novo Testamento encontramos o termo grego koinonia, traduzido por palavras como comunhão, convivência, relacionamento próximo e participação. Como membros de Sua igreja, o corpo de Cristo (Colossenses 1:24), temos comunhão com Cristo e participamos de Sua vida e missão; da mesma forma, temos comunhão uns com os outros e participamos juntos da vida e da missão.
Não fomos feitos para viver como ilhas. Dependemos uns dos outros. Só Deus sabe quantas vezes, ao longo dos
O QUE É amor?
Por Rosane Cordoba
O amor é uma das primeiras palavras que aprendemos quando crianças, junto com mamãe, papai e tantas outras palavras cheias de afeto. Tenho certeza de que mais músicas foram escritas sobre o amor do que sobre qualquer outro tema. Mas, afinal, o que é o amor? A Bíblia nos diz que “Deus é amor” (1 João 4:8).
Quando eu tinha 19 anos, comecei a ler a Bíblia e me lembro de ter sido profundamente sensibilizada por um versículo em especial: “O que importa é a fé que age por meio do amor” (Gálatas 5:6 NTLH). Todos erramos, mas precisamos ter fé e paciência e não permitir que os erros dos outros nos impeçam de amá-los.
Como esposa, mãe e colega de trabalho, tive de aprender a perdoar pessoas pelas coisas erradas que fizeram comigo — até mesmo as que eu suspeitava terem sido intencionais. Isso me ajudou a compreender melhor
Se você ainda não recebeu Jesus como Salvador, pode fazê-lo agora mesmo, por meio da seguinte oração: Querido Jesus, acredito que Você é o Filho de Deus que morreu na cruz para que, por meio da Sua morte e ressurreição, eu viva para sempre com Você no céu. Peço que perdoe os meus pecados e abro a porta do meu coração para Você. Por favor, encha-me com o Seu Espírito Santo e ajude-me a viver de uma maneira que glorifique Você. Guie a minha vida e ajude-me a seguir Você. Em Seu nome eu oro. Amém.
o coração de Deus, que é o maior exemplo de perdão e a verdadeira expressão do amor. Ele sabia que nenhum de nós conseguiria ser bom por suas próprias forças, por isso entregou Seu único Filho para a nossa salvação.
Também aprendi que a oração é uma forma de amor. Quando sentia que não conseguia perdoar alguém, descobri que não era possível nutrir ressentimento pela pessoa por quem eu estava orando. Assim, eu orava por ela e confiava que Deus me daria a graça para perdoá-la.
Embora o amor humano seja limitado e falho muitas vezes, descobri que Deus pode me ajudar a amar até mesmo alguém que está me tirando a paciência. “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai” (Tiago 1:17).
O amor é ação, confiança, perdão e oração. É também bondade, compreensão, cuidado, paciência e tantas outras coisas maravilhosas. Jesus nos ensinou a amar o próximo como a nós mesmos e mostrou que o nosso próximo é qualquer pessoa que precise da nossa ajuda, independentemente de credo, cor, nacionalidade ou condição social.
Rosane Cordoba mora no Rio de Janeiro. É escritora freelancer, tradutora e produtora de materiais infantis com foco em fé e formação de caráter. ■
CULTIVANDO BONS
Por Marie Knight
Não há dúvida de que a tecnologia facilitou e acelerou a realização de muitas tarefas. Pesquisa, educação, comunicação, transações financeiras, compras, tutoriais para projetos do tipo “faça você mesmo”, dicas de saúde e muito mais podem ser acessadas com apenas alguns toques na tela do celular.
Nós, cristãos, dispomos de muitas maneiras de usar a tecnologia a nosso favor: no estudo da Palavra de Deus, na comunhão com outros irmãos na fé e como ferramenta para servir e encorajar pessoas.
No entanto, junto com as vantagens, vem também um perigo real e sutil: o de passar tempo demais no mundo virtual, negligenciando relacionamentos importantes da vida real e as responsabilidades do dia a dia.
Rolar o feed das redes sociais, assistir a vídeos e reels, ouvir podcasts ou audiolivros, mergulhar em jogos, ler um artigo atrás do outro — tudo isso pode consumir uma grande parte do nosso tempo e, no fim, deixar apenas a sensação de tempo desperdiçado. À noite, esse hábito ainda costuma invadir o horário de sono, causando cansaço, atrasos no trabalho ou em outras atividades, e menos disposição para dar o melhor de si durante o dia.
Sei bem, porque já passei por isso muitas vezes. É uma armadilha fácil de cair, pois a oportunidade está quase sempre literalmente ao alcance das nossas mãos. Com frequência, perdemos uma ou duas horas depois da simples intenção de “checar só uma coisinha”.
A sociedade, de modo geral, começa a se tornar mais consciente dos perigos e problemas que a dependência digital pode causar, como privação de sono, questões de saúde mental, sedentarismo e isolamento social, entre outros.
Então, como nos proteger ou quebrar esse ciclo? Aqui vão algumas dicas práticas que podem ajudar:
HÁBITOS
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Reconheça a necessidade de mudar. Independentemente do vício ou mau hábito, esse é o ponto de partida. Avalie onde estão suas fragilidades e quais ajustes precisam ser feitos.
Organize bem o seu tempo e limite o uso da internet.
Se você sabe que se distrai facilmente, tente seguir horários definidos para ficar na frente da tela.
3 Reserve um momento do seu dia para atividades offline.
Caminhe, comece um hobby (ou retome um antigo), visite um amigo, ou seja voluntário em uma iniciativa local. Dê a si mesmo momentos longe da tecnologia para vivenciar os benefícios de estar presente no ambiente ao seu redor.
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Se tem filhos, planeje atividades juntos, como jogos de tabuleiro, cozinhar, trabalhos manuais, andar de bicicleta ou praticar esportes.
Peça ajuda ou oração.
Muitas vezes, familiares ou amigos percebem nossos pontos fracos antes mesmo de nós. Eles podem nos apoiar na superação dos desafios, caminhando ao nosso lado enquanto lidamos com as mudanças necessárias.
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Faça da hora de dormir um tempo livre de tecnologia.
É nesse momento que geralmente exageramos, comprometendo o sono. Crie uma rotina que inclua ler um livro físico, tomar um chá, orar por amigos e familiares ou pelo dia seguinte, escrever em um diário — qualquer atividade que ajude a desacelerar e relaxar.
Comece a manhã com algo inspirador e edificante.
Ao adotar bons hábitos ou superar os prejudiciais, a constância é fundamental. No começo talvez seja difícil, mas, com prática, você voltará a assumir o controle do seu tempo e dos seus hábitos.
Aqui estão alguns versículos que podem ajudar você a manter os olhos no seu objetivo:
“Todos os que competem nos jogos se submetem a um treinamento rigoroso, para obter uma coroa que logo perece; mas nós o fazemos para ganhar uma coroa que dura para sempre” (1 Coríntios 9:25).
“Tenham cuidado para que vocês não destruam o fruto do nosso trabalho, antes sejam recompensados plenamente” (2 João 1:8).
“Porque a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens. Ela nos ensina a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver de maneira sensata, justa e piedosa nesta era presente” (Tito 2:11–12).
“Não sobreveio a vocês tentação que não fosse comum aos homens. E Deus é fiel; ele não permitirá que vocês sejam tentados além do que podem suportar. Mas, quando forem tentados, ele lhes providenciará um escape, para que o possam suportar” (1 Coríntios 10:13)
“Ele fortalece o cansado e dá grande vigor ao que está sem forças” (Isaías 40:29).
“O justo passa por muitas adversidades, mas o Senhor o livra de todas” (Salmo 34:19).
“Tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4:13).
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Ore antes de começar o dia.
Antes de pegar o celular logo ao acordar, reserve alguns minutos para ler um versículo ou orar.
Marie Knight é missionária voluntária nos Estados Unidos. ■
CAMINHANDO EM UMA NOVA IDENTIDADE
Por Uday Paul
Há alguns anos, convivo com um problema crônico na coluna, causado pelo hábito de manter uma postura inadequada. Eu mantinha os joelhos esticados e curvava as costas ao me abaixar, quando deveria fazer exatamente o contrário — manter a coluna reta e dobrar os joelhos. Recentemente, comecei a treinar para adotar a postura correta, o que tem me ajudado e contribuído significativamente para minha recuperação. Isso me fez lembrar do meu treinamento espiritual.
A Bíblia nos ensina que, quando recebemos Jesus, nos tornamos novas criaturas: “As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas!” (2 Coríntios 5:17). No entanto, a salvação não elimina automaticamente nossa tendência ao pecado. Os hábitos e padrões pecaminosos da vida antiga, muitas vezes nos acompanham na nova vida e é por isso que precisamos treinar nosso coração para uma nova direção, a da piedade (1 Timóteo 4:7–8).
Precisamos nos despir do velho homem e nos revestir do novo, criado segundo Deus, em justiça e santidade da verdade (Efésios 4:22–24).
Na sua bênção à igreja em Tessalônica, o apóstolo Paulo orou para que Deus os santificasse completamente, preservando espírito, alma e corpo irrepreensíveis na vinda de Jesus Cristo (1 Tessalonicenses 5:23). Assim como o tabernáculo do Antigo Testamento tinha três áreas principais — o Santo dos Santos, o Lugar Santo e o Átrio Exterior —, podemos compreender o ser humano em três dimensões: espírito, alma e corpo. O espírito corresponderia ao Santo dos Santos, a parte mais interior do templo; a alma e a mente seriam como o Lugar Santo; e o corpo, como o Átrio Exterior. Quando nascemos de novo, somos recriados à imagem de Deus em nosso espírito. Contudo, nossa alma e nossa mente precisam ser renovadas para que a piedade se manifeste também em nossa vida exterior (Romanos 12:2).
Nós, cristãos, somos chamados a viver conscientes da nossa nova identidade em Jesus. NEle, fomos feitos justiça de Deus (2 Coríntios 5:21).1 O Espírito Santo age em nós para que abandonemos antigos hábitos e formamos novos. “Aquele que começou boa obra em vocês vai completá-la até o dia de Cristo Jesus” (Filipenses 1:6). “Pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele” (Filipenses 2:13).
Uday Paul é escritor freelancer, voluntário e professor. Reside em Uganda. ■
P: Às vezes, a vida parece difícil ou até injusta. Não consigo deixar de me perguntar por que, se Deus me ama, Ele não intervém e muda minhas circunstâncias.
R: Deus ama cada um de nós, deseja que O amemos e vivamos próximos dEle. Ele também tem um plano para cada pessoa — um plano que Ele sabe que, no fim, fará aflorar o melhor em nós e será para o nosso bem.
Jesus nunca prometeu que a vida do cristão seria fácil ou livre de problemas. Pelo contrário, Ele disse para esperar desafios e dificuldades: “Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo” ( João 16:33). As lutas e provações têm o propósito de fortalecer nossa fé, à medida que permitimos que nos aproximem mais dEle (1 Pedro 1:6–7).
Deus age de maneira singular no coração e na vida de cada pessoa, porque somos todos diferentes e Ele sabe o que melhor cumprirá o Seu propósito em cada um. O objetivo final, porém, é o mesmo: que reconheçamos que não somos suficientes por nós mesmos e que precisamos dEle; assim, passamos a buscar a vontade de Deus acima da nossa.
Algumas pessoas enfrentam limitações físicas que Deus usa para atraí-las para mais perto dEle. Outras têm boa
saúde, mas sofrem algum tipo de perda, o que as leva a buscá-lO para preencher esse vazio. Há também quem experimente prosperidade, poder ou reconhecimento neste mundo e descubra que tudo isso pode se tornar um fardo pesado que não satisfaz a necessidade mais profunda do coração — e isso leva essas pessoas a se voltarem para Deus em oração e na leitura da Sua Palavra.
Deus age na vida dos cristãos por meio de tudo o que vivenciamos, mesmo quando as situações não parecem justas ou equilibradas. Mas, seja qual for a sua experiência, não se esqueça de que Jesus ama você. Se Deus se dá ao trabalho de contar os fios de cabelo da sua cabeça, como Jesus disse que Ele faz (Mateus 10:30), é evidente que você é importante para Ele.
Na próxima vez que passar por um momento especialmente difícil ou quando a vida parecer injusta, busque o Senhor na Sua Palavra. Declare a Ele o seu amor e confiança, mesmo que não entenda as circunstâncias, e que sabe que Ele agirá em todas as coisas para o seu bem, como Ele prometeu (Romanos 8:28). Deus jamais o deixará nem o abandonará. ■
REFLEXÕES SOBRE A AMIZADE
Nunca valorizei tanto as amizades quanto durante a recente crise de saúde que enfrentei. Após uma grande cirurgia cardíaca de oito horas e dois dias em coma induzido, ao acordar descobri que minha esposa e eu estávamos sendo amparados e cuidados por uma rede incrível de amigos queridos. Somando-se a isso, literalmente centenas de mensagens chegaram de todas as partes do mundo, por telefone e e-mail. O encorajamento e a empatia dos meus amigos me deram o impulso necessário para minha recuperação. Essa experiência me fez perceber, de forma muito clara, o verdadeiro valor da amizade. De repente, percebi que cada momento que eu havia dedicado a todas aquelas pessoas — cada ligação, cada
visita, cada mensagem— havia construído algo especial. Muitas vezes, fico tão envolvido com o trabalho que acabo adiando a resposta a uma mensagem pessoal ou deixando de parar para buscar o Senhor em oração por um pedido específico. No entanto, depois dessa provação, compreendi o valor de reservar tempo para um amigo ou de dar atenção a um colega que precisa de alguém disposto a ouvir.
Por outro lado, amizades sinceras nem sempre exigem um grande investimento de tempo. Tínhamos uma amiga que não víamos há anos e que apareceu na emergência do hospital pouco antes da minha cirurgia. Ela é uma médica bastante conhecida e, ao saber da minha situação, correu para o hospital para me encorajar. Sua reação foi tão imediata que ela chegou ao hospital antes mesmo da ambulância que me transportava! Não consigo descrever o quanto aquilo me fortaleceu naquele momento decisivo.
Enquanto estava deitado no leito do hospital, ler as mensagens de amigos e conhecidos foi crucial para minha recuperação. “Como é bom um conselho na hora certa!” (Provérbios 15:23).
Costumamos ouvir mais sobre amigos que traem ou desaparecem quando precisamos — e a Bíblia também fala disso, como Judas com Jesus e várias situações na vida de Davi. Mas também precisamos ouvir sobre aqueles que permanecem ao nosso lado e aparecem justamente nos momentos difíceis! Como constatei na minha própria adversidade, inúmeros amigos estavam ali para me fortalecer em minha fraqueza e dar apoio à nossa família.
Para construir essa lealdade, bastaram pequenos gestos: tempo e interesse genuíno, uma oração na dificuldade, uma palavra de confiança
Por Gabriel García V.
para alguém em meio à ansiedade, uma ligação no momento certo, um toque de humor, um elogio por um trabalho bem-feito. Como diz o provérbio: “Em todo tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão” (Provérbios 17:17 ARA).
Vale lembrar que Jesus, mesmo sendo o Filho de Deus, nos chamou de amigos (ver João 15:14–15). E, para leituras inspiradoras sobre amizades profundas, recomendo as histórias de Rute e Noemi (Rute 1:16–17) e de Davi e Jônatas (1 Samuel 18:1–4).
Há alguns anos, a palavra da moda era networking, com a ideia de criar uma lista de contatos que pudessem ser úteis no futuro. Mas o conceito bíblico é bem diferente. Jesus nos ensinou a fazer o bem e a dar livremente, sem esperar nada em troca (Lucas 6:35). Ele também disse: “Vocês receberam de graça; deem também de graça” (Mateus 10:8). Quando damos esperando retribuição, nos privamos da alegria que nasce do amor altruísta.
Há décadas, o famoso cantor brasileiro Roberto Carlos compôs uma canção que marcou a América
Latina e toca até hoje nas rádios do continente. A letra diz: “Eu quero ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar. Quero levar esse canto amigo a quem precisar.” De fato, no meu momento de aflição, senti como se tivesse um milhão de amigos.
Se você se sente sozinho, vive isolado ou tende a se fechar, quero encorajá-lo a se aproximar das pessoas.
Tome a iniciativa e comece uma conversa amigável. Ouça com empatia. Estenda a mão para ajudar. Como diz este curto poema:
Saí à procura de um amigo, mas não encontrei ninguém; saí para ser um amigo, e encontrei amigos por toda parte.
“É melhor ter companhia do que estar sozinho, porque maior é a recompensa do trabalho de duas pessoas. Se um cair, o amigo pode ajudá-lo a levantar-se. Mas pobre do homem que cai e não tem quem o ajude a levantar-se!” (Eclesiastes 4:9–10).
“Um homem desesperado deve receber a compaixão de seus amigos, muito embora ele tenha abandonado o temor do Todo-poderoso” ( Jó 6:14).
“Perfume e incenso trazem alegria ao coração; do conselho sincero do homem nasce uma bela amizade. Não abandone o seu amigo nem o amigo de seu pai[...] melhor é o vizinho próximo do que o irmão distante” (Provérbios 27:9–10).
Gabriel García Valdivieso integra a equipe editorial da Contato e é membro da Família Internacional. Ele é escritor, tradutor e podcaster, e vive no Chile com sua esposa, Sally. ■
QUEM SE LEMBRA DE VOCÊ?
Por Amy Joy Mizrany
Eu estava no fundo de um auditório, observando uma reunião de despedida que acontecia na frente da sala. Uma empresa se despedia de uma integrante da equipe. Quando a gerente pediu que os presentes compartilhassem algumas palavras gentis sobre ela, ninguém — exceto a colega que trabalhava diretamente com ela — tinha algo significativo a dizer. Alguns se levantaram e tentaram, de forma hesitante, improvisar uma despedida: “Ela sempre pareceu muito simpática.” “Mesmo sem termos conversado, o trabalho dela parecia bem-organizado.”
Ao sair dali, aquela cena me pareceu profundamente triste. Ela havia trabalhado com aquelas pessoas por anos, e apenas uma realmente a conhecia. A probabilidade de a equipe sentir sua ausência de uma forma única e insubstituível era mínima.
Isso me assustou. Pensei nas minhas próprias interações no trabalho e me perguntei: Seria assim comigo? Seria lembrada apenas como alguém que esteve ali, ou como a Amy — quem sou, o que penso, como fiz as pessoas se sentirem? Minha vida profissional envolve intensa interação pessoal — ensino, aconselhamento, organização, planejamento e prática. Comecei a me perguntar se eu estava fazendo um esforço consciente para melhorar a vida das pessoas. Como eu seria lembrada?
Essa pequena crise me levou a observar meus colegas mais atentamente. Refleti sobre quem eu poderia dizer
que realmente conhecia. E notei algo interessante: os mais “conhecidos” eram justamente os que se esforçavam para conhecer todos os outros. Conversavam com todos nos eventos, faziam questão de cumprimentar até o colega considerado “menos importante” e demonstravam interesse pelos projetos alheios. Em resumo, quem via os outros também era visto. Quem tinha o olhar voltado para fora inspirava naturalmente os outros a fazerem o mesmo. Os mais influentes o eram porque se importavam — e, em resposta, as pessoas se importavam com eles.
Percebi que causar impacto e construir comunidade se resumia, essencialmente, ao amor: amar a humanidade o suficiente para se envolver com cada pessoa; valorizar a conexão e cultivá-la.
Como Paulo afirmou, “ninguém de nós vive apenas para si, e ninguém morre apenas para si” (Romanos 14:7).
E Jesus disse que o maior amor consiste em dar a própria vida — renunciando à própria importância, individualidade ou independência — pelos outros ( João 15:13).
Nesta época em que tantos sofrem com isolamento e solidão, conectar-se e amar as pessoas ao seu redor é um dever essencial do cristão. É um objetivo que, acredito, deixaria Jesus orgulhoso.
Amy Joy Mizrany é missionária na África do Sul, atuando com a organização Helping Hand. Em seu tempo livre, ela ensina violino. ■
VENÇA O MAL COM O BEM
Por Marie Alvero
Romanos 12 é um daqueles capítulos que, toda vez que leio, faz algum trecho “saltar” da página. Quando sinto que minha caminhada de fé está um pouco desalinhada, ele mostra com clareza o caminho. O texto diz: Amem-se uns aos outros com amor fraternal e tenham prazer em honrar uns aos outros. Nunca lhes falte o zelo, sejam fervorosos no espírito, sirvam ao Senhor. Alegrem-se na esperança, sejam pacientes na tribulação, perseverem na oração. Compartilhem o que vocês têm com os santos em suas necessidades. Pratiquem a hospitalidade. Abençoem aqueles que os perseguem; abençoem e não amaldiçoem. Alegrem-se com os que se alegram; chorem com os que choram. Vivam em harmonia uns com os outros. Não sejam orgulhosos, mas estejam dispostos a associar-se a pessoas humildes. Não sejam sábios aos seus próprios olhos. Não retribuam a ninguém mal por mal. Procurem fazer o que é correto aos olhos de todos. Façam todo o possível para viver em paz com todos. Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem (Romanos 12:10–21).
Esse trecho oferece uma orientação muito clara sobre como enfrentar as dificuldades do mundo atual — da mesma forma que fazia nos dias do Império Romano. Muitas vezes lamentamos o quanto o mundo está
corrompido, e não estamos errados, mas a verdade é que sempre foi assim. Todos esses versículos calam fundo em mim, mas tenho um carinho especial pelo último: “Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem.”
Os versículos anteriores mostram, na prática, como é esse “bem”. Eles descrevem atitudes e comportamentos que vão na contramão da lógica do mundo: alegrar-se com esperança nas promessas de Deus, ser paciente no sofrimento, orar em vez de se render à ansiedade, cuidar dos outros e compartilhar o que se tem, não reagir com raiva, entender e aceitar a pessoa na sua situação atual, confiar a justiça a Deus, ir além para transformar o perdão em ação.
Quando começo a sentir desânimo ou a impressão de que meus esforços são inúteis, esse trecho me ajuda a realinhar o coração com aquilo que é verdadeiro. É simples, mas sempre me atinge em cheio. Ele me mostra como seguir Jesus, independentemente da notícia preocupante que pese sobre mim naquele momento.
Marie Alvero foi missionária na África e no México. Atualmente, vive uma vida feliz e movimentada com o marido e os filhos no Texas, nos Estados Unidos. ■
Com Amor, Jesus
AMOR EM AÇÃO
Eu os chamei de amigos e os incumbi de amar os outros assim como Eu os amei ( João 15:12–15). O amor que constrói amizades e comunidades é cultivado por meio das ações do dia a dia. Ele se manifesta no cuidado sincero, no se doar para ser amigo, um ombro amigo e companheiro. Significa caminhar ao lado de alguém que atravessa um período de solidão ou tristeza, encorajar quem está em necessidade e ajudar a aliviar seus fardos.
Vocês podem refletir o Meu amor por meio de atos concretos de bondade e cuidado: ajudando a carregar o peso dos outros, demonstrando consideração e atenção. Reserve tempo para perceber as pessoas ao seu redor e valorizá-las; ofereça palavras de ânimo e esperança. Procure maneiras de tornar o dia delas um pouco mais leve, mais esperançoso, menos estressante e menos pesado. Há uma alegria especial em colocar os outros e suas necessidades acima das próprias. Atos de bondade não beneficiam apenas quem os recebe. Eles também abençoam você. A alegria que nasce de ações generosas e cuidadosas produz um profundo senso de realização e propósito. Quando você faz algo bom e amoroso por alguém, é recompensado com bênçãos. Prometi que, quando você repartir o que recebeu, derramarei bênçãos sobre você em boa medida, sacudida e transbordante (Lucas 6:38).