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Contato, agosto de 2026: Você nunca está sozinho

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NUNCA SOZINHO

Deus está sempre com você

Um Presente a Ser

Encontrado

A bênção do silêncio

Luz na Terceira Idade

Você é visto, amado e necessário

O Anelo dos Anjos

A alegria da salvação

Volume 27, Número 8

CONTATO PESSOAL

se você for, eu vou

Você já foi convidado para um evento pela primeira vez e sentiu um certo receio? E, nessa situação, talvez tenha dito ao seu melhor amigo: “Se você for, eu vou. Mas, se você não for, eu não vou.”

Foi isso que Moisés disse ao seu “amigo”, Deus, a caminho da Terra Prometida com os israelitas. Depois de várias rebeliões ao longo da jornada, o Senhor disse a Moisés que enviaria um anjo adiante deles para guiá-los, mas que Ele mesmo não iria com o povo. Moisés reafirmou seu compromisso de buscar os caminhos de Deus e o Senhor prometeu: “Eu mesmo o acompanharei, e lhe darei descanso”. Moisés respondeu: “Se não fores conosco não nos envies.” Ele não iria a lugar algum sem Deus! (Para a história completa, veja Êxodo 33.)

O que diferenciava o povo hebreu do restante do mundo em sua época? Eles caminhavam com Deus. E, até hoje, Deus permanece inabalável em Sua promessa aos que O seguem: “Nunca o deixarei, nunca o abandonarei” (Hebreus 13:5). Ele também declarou: “Habitarei com eles e entre eles andarei; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo” (2 Coríntios 6:16).

Deus prometeu caminhar com você todos os dias. Mais do que isso, Ele habita naqueles que seguem a Cristo e fez morada em sua vida (João 14:23).

Que melhor antídoto para a solidão poderia haver? Ele permanece com você nos momentos bons e nos difíceis. Pode Lhe contar seus desejos mais profundos e seus sonhos mais secretos, certo de que Ele compreende os anelos do seu coração.

Nesta edição, vemos que amizades podem ser cultivadas quando saímos de nossos mundos particulares e atentamos para as necessidades dos outros. Também aprendemos que Jesus deseja ser nosso melhor amigo, como fica claro no artigo de destaque, “Nunca Sozinho”, nas páginas 4 a 6. Os textos desta edição foram selecionados para fortalecer nosso relacionamento com Deus e, ao mesmo tempo, nos estimular a estender a mão a outras pessoas — aliviando nossa própria solidão enquanto fazemos o que está ao nosso alcance para tornar o mundo um lugar melhor. É uma situação em que todos ganham.

Que esta edição da Contato seja uma bênção para você!

Gabriel e Sally García

Equipe Editorial da Contato

Para mais informações sobre a Contato, visite nossa página ou escreva-nos.

www.activated.org/pt revistacontato.mail@gmail.com

© 2026 Contato. Todos os direitos reservados.

Diagramação por Gentian Suçi.

A menos que indicado o contrário, todas as referências às Escrituras na Contato foram extraídas da Bíblia Sagrada, Nova Versão Internacional®, NVI® Copyright © 1993, 2000 por Biblica, Inc.™

SEM LÁGRIMAS NO CÉU

Aprendi a valorizar cada dádiva, grande ou pequena, que recebo dAquele de quem procedem todas as bênçãos. A liberdade de encontrar nossa identidade em Jesus e saber que somos filhos e filhas do Rei faz com que todo o resto perca a importância.

Mas o mundo continua girando, e nem sempre é fácil lidar com os altos e baixos da vida. Sei, porém, que confiar no amor do nosso Criador, combinado com o consolo que recebemos de amigos e familiares, pode nos sustentar nesses momentos sombrios.

Lembro-me da angústia que senti na adolescência, quando meu namorado terminou comigo enquanto estávamos com nossos amigos. Como não queria que eles me vissem chorar, caminhei até um pequeno parque ali perto e, sozinha, chorei.

Então, instintivamente, comecei a cantar sobre amor e esperança para me consolar. Lembrei-me de outros momentos tristes da minha vida, como quando um grande amigo morreu em um acidente de carro. Após refletir sobre cada uma dessas lembranças, eu cantava uma canção — e senti como se minha alma estivesse sendo lavada pelas melodias. Logo, a paz encheu meu coração, a dor desapareceu e consegui voltar para junto dos meus amigos com um sorriso.

Eric Clapton, o famoso cantor e compositor, relata em sua autobiografia que, após a morte de seu filho de quatro anos em um acidente, viveu um período de tamanha dor e tristeza que passou um ano recluso, lamentando a perda e tocando guitarra. Por fim, decidiu que, para honrar a memória do filho, escreveria uma canção. Assim nasceu

“Tears in Heaven”, música que se tornou número um nas paradas de sucesso da época e que até hoje consola muitas pessoas em momentos de profundo sofrimento.

Pensar no céu — o lugar onde Deus enxugará toda lágrima — é um excelente antídoto contra a tristeza. E aqui na Terra, uma canção, um sorriso, um abraço, uma palavra de consolo e uma oração sincera podem ajudar a trazer um toque do céu para nós e para os outros, lembrando-nos de um Deus de amor que um dia tornará todas as coisas perfeitas.

Rosane Cordoba vive no Rio de Janeiro. É escritora freelancer, tradutora e produtora de material infantil com enfoque na fé e na formação de valores. ■

NUNCA SOZINHO

O autor do livro de Eclesiastes registrou estas palavras atemporais de sabedoria: “Para tudo há uma ocasião, e um tempo para cada propósito debaixo do céu” (Eclesiastes 3:1). Ao longo da vida, todos atravessamos diferentes estações — tempos de abundância e tempos de necessidade; períodos em que a vida transborda — quando podemos dizer: “o meu cálice transborda” (Salmo 23:5 ARA), e fases áridas, nas quais surgem vazios onde antes havia plenitude. Muitas vezes, é justamente nesses momentos que aprendemos a estar contentes em qualquer situação, nAquele que nos fortalece (Filipenses 4:11–13).

As provações, tribulações e perdas que enfrentamos produzem crescimento espiritual e bênçãos em nossas vidas quando depositamos nossa confiança no Senhor e permitimos que o Espírito Santo opere em nós. Naturalmente, é muito mais fácil confiar e estar satisfeito quando tudo vai bem — quando estamos cercados de familiares e amigos, gozamos de boa saúde e não enfrentamos privações. Porém, quando as circunstâncias não são favoráveis, aprendemos a depender do Senhor e a descobrir Sua alegria mesmo em meio às dificuldades (Neemias 8:10).

Atualmente, a vida apresenta fatores e desafios sem precedentes na experiência humana. O advento da tecnologia moderna facilitou a comunicação, mas também contribuiu para a perda do senso de comunidade e de relacionamentos presenciais. Em muitos casos, a substituição do local de trabalho tradicional por ambientes virtuais e a migração de aspectos da educação para plataformas online reduziram as oportunidades de cultivar amizades. Como resultado, diversas organizações de saúde têm alertado para uma “pandemia de solidão” no mundo contemporâneo.

Nós, cristãos, não estamos imunes aos desafios da solidão e do isolamento. Talvez estejamos passando por uma fase de menor conexão com outras pessoas devido a problemas de saúde, à perda de um ente querido, à aposentadoria ou às limitações de mobilidade decorrentes do envelhecimento. Em períodos assim, pode ser difícil encontrar significado e propósito no dia a dia, o que pode gerar desesperança e depressão.

Não fomos criados para viver sós. Lemos na Bíblia que, desde o início, Deus nos criou para viver em comunidade (Gênesis 1:27–28; 2:18). Nossas interações com outros, principalmente cristãos, nos encorajam, fortalecem a fé e trazem alegria e inspiração à nossa vida. Os relacionamentos com família, amigos, colegas de trabalho, igreja, comunidade ou vizinhança moldam o ritmo do cotidiano e acrescentam sentido às tarefas diárias. Quando essa

estrutura comunitária se perde ou se torna inacessível, essas ausências podem afetar profundamente nosso bem-estar emocional e espiritual.

Durante um período de solidão, é importante procurar apoio e oração junto a outros cristãos. Ao nos abrirmos sobre os desafios que enfrentamos, criamos o espaço para recebermos consolo, intercessão e cuidado. O consolo que recebemos de Deus e dos irmãos nos capacita a consolar outros. Ele “nos consola em todas as nossas tribulações, para que, com a consolação que recebemos de Deus, possamos consolar os que estão passando por tribulações” (2 Coríntios 1:4).

Alcançando outras pessoas

Os períodos de solidão nos tornam mais sensíveis à realidade de outros, especialmente daqueles que ainda não conhecem o Senhor. Ajudam-nos a ter empatia e a dar mais atenção às pessoas nas interações do dia a dia. Muitas vezes, desconhecemos as circunstâncias dos outros, mas a Bíblia nos ensina a olhar cada pessoa com bondade e compaixão — além das aparências.

Somos chamados a refletir o amor e a misericórdia de Cristo a todos que encontramos e, sempre que possível, fazer a diferença em suas vidas — mesmo que o contato seja breve. Por mais breves que sejam essas interações, o Espírito de Deus pode agir de maneira que sejam um testemunho do Seu amor e da Sua compaixão (Colossenses 3:12). Podemos semear palavras de fé e esperança na vida de alguém, até mesmo em um único contato.

Um gesto simples de bondade pode aliviar a solidão de alguém e ser uma demonstração de interesse sincero. Muitas vezes, nos surpreendemos com o impacto que pequenas atitudes têm, não apenas porque consolam e dão esperança a alguém, mas também porque nos proporcionam um senso de propósito e realização. Podem enriquecer a vida daqueles a quem ministramos e a nós mesmos, gerando a sensação de estarmos mais conectados e menos isolados.

Nosso relacionamento com Deus e com a Sua Palavra é uma âncora firme durante os períodos de solidão. Nunca estamos sozinhos. Independentemente das circunstâncias, Jesus está conosco a cada instante. “E Eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos” (Mateus 28:20).

Podemos aproveitar esses momentos para aprofundar nossa comunhão com o Senhor e desenvolver maior consciência de Sua presença constante, praticando aquilo que ficou conhecido como “a prática da presença de Cristo”, expressão atribuída ao irmão Lourenço, um monge francês do século XVII. Ele trabalhava na cozinha de um mosteiro, cozinhando e limpando, e decidiu manter um diálogo com Deus ao longo do dia, acreditando que a presença divina podia ser desfrutada continuamente.

Quando passamos por um período de solidão, a companhia constante do Senhor nos traz esperança, concede a Sua paz — que excede todo entendimento — e preenche os espaços vazios (Filipenses 4:7). Conforme cultivamos a consciência da presença de Cristo, vivenciamos Seu consolo, Sua amizade e um profundo senso de pertencimento. “Nunca o deixarei, nunca o abandonarei” (Hebreus 13:5).

Nesses períodos, talvez seja necessário ajustar a perspectiva e deliberadamente recordar a bondade e a fidelidade do Senhor ao longo da nossa vida. Entregue seus planos ao Senhor (Provérbios 16:3) e direcione seus

pensamentos para aquilo que tem valor eterno, “nas coisas do alto, e não nas coisas terrenas” (Colossenses 3:2).

Também é importante buscar novas formas de construir comunidade, conforme as possibilidades — por meio do voluntariado, da participação em ministérios religiosos ou igrejas, de comunidades online ou do contato com vizinhos. Use seu tempo e energia de maneira positiva, promovendo paz, saúde e crescimento espiritual. Procure maneiras de ajudar outras pessoas, ainda que de forma simples, como por meio de um e-mail, uma ligação, um sorriso ou uma palavra de encorajamento.

Como cristãos, temos a certeza de que, independentemente das fases difíceis, recebemos a graça de Deus e a promessa de esperança eterna (1 Pedro 5:10). Jesus é o nosso Bom Pastor (João 10:11). Quando estamos cansados, podemos descansar nEle e renovar nossa força, pois Ele está sempre conosco.

“Sei que a bondade e a fidelidade me acompanharão todos os dias da minha vida, e voltarei à casa do Senhor enquanto eu viver” (Salmo 23:6). Podemos confiar na promessa: o amor e a bondade de Deus são imutáveis — hoje, amanhã e por toda a eternidade.

Peter Amsterdam é um autor cristão, professor de Bíblia e diretor aposentado da Família Internacional, uma rede cristã online. ■

Sempre conosco

O ANELO DOS ANJOS

Muitas vezes me peguei pensando naquela passagem em que, depois de falar da pregação do Evangelho e da salvação dos crentes, a Bíblia fala de “coisas que até os anjos anseiam observar” (1 Pedro 1:12). O que existe na experiência humana que desperta o interesse dos anjos, seres de uma ordem de criação superior à humanidade (Hebreus 2:9), mais poderosos e mais fortes do que os seres humanos (2 Pedro 2:11)?

Um elemento essencial e próprio da humanidade que os anjos jamais poderão viver é a alegria da salvação — ser libertos da escravidão do pecado e passar das trevas para a maravilhosa luz (1 Pedro 2:9). Quando Adão e Eva se rebelaram no jardim do Éden, a humanidade caiu e perdeu aquela comunhão íntima com Deus. Desde então, vivemos presos ao pecado (João 8:34). Jesus deu a vida na cruz do Calvário para nos resgatar do poder do pecado e nos libertar (João 8:36). Deus não enviou o Seu Filho para morrer pelos anjos, mas por nós. Como diz o hino:

“Santo! Santo! Santo!

É o canto de anjos bons.

Eu hei de um dia unir

A voz a tais aclamações!

Mas quando eu lhes contar a história

Desta redenção: Mudez!

Não podem compreender

Tão grande salvação!

— Johnson Oatman Jr. (1856–1922)

Outro privilégio concedido à humanidade é o de viver pela fé e não pelo que se vê (2 Coríntios 5:7). Os anjos vivem na presença de Deus, em um lugar de luz e glória tão intensas que louvar e adorar a Ele é algo natural. Cremos em Deus e confiamos nEle pela fé, mesmo sem podermos percebê-lO com os sentidos físicos (1 Pedro 1:8).

Algumas experiências e provações desta vida também podem ferir o coração de um jeito que os anjos não conseguem assimilar. Ainda assim, Deus promete que tudo pelo que passamos, no fim, agirá para o nosso bem — porque O amamos (Romanos 8:28).

Jesus Cristo, o Filho de Deus, concedeu à humanidade o maior privilégio quando assumiu a forma humana e Se tornou um de nós. Fez isso para nos compreender melhor e tornar-Se nosso intercessor diante do Pai (Hebreus 2:16–17). Agora, exaltado à direita de Deus, concede livremente a Sua graça a todos os que O invocam (Romanos 10:12).

Uday Paul é escritor freelancer, voluntário e professor, radicado em Uganda.  ■

A pandemia de solidão

Muitas reportagens vêm alertando que uma praga pior do que a COVID está assolando países ao redor do mundo, com sintomas silenciosos e efeitos devastadores. Alguns a têm chamado de a “globalização da solidão”, um tipo de mal que se espalha pelo planeta com consequências alarmantes.

Muitos levam vidas marcadas pelo isolamento, pelo confinamento e pelo distanciamento. Vivemos em um mar de solidão, no qual a tecnologia das telas substituiu o toque humano.

“A solidão é uma ferida aberta do nosso tempo”, afirma o âncora e colunista chileno Cristián Warnken. Ele complementa: “Preocupamo-nos muito com as mudanças climáticas, mas falamos pouco — e fazemos

menos ainda — sobre o deserto crescente que avança nas relações humanas”.

“A solidão pode literalmente encurtar a vida”, declara Michel Poulain, demógrafo belga especializado em estudos sobre longevidade, que introduziu o conceito das “zonas azuis” — regiões do mundo onde as pessoas são mais longevas. Segundo ele, “nas zonas azuis, as pessoas priorizam as relações sociais: reúnem-se em praças, conversam em cafés, fazem atividades juntas. A socialização é essencial. Nessas comunidades, os relacionamentos interpessoais estão no centro da vida cotidiana”. Seu conselho é simples: “tente conversar com duas ou três pessoas ao longo do dia”.

Muitos jovens também são afetados por essa carência de convivência humana; crianças deixam de ter contatos significativos com outras pessoas e tornam-se vulneráveis à depressão ou até a pensamentos suicidas. Será que a solução é apenas médica? Medicalizar o problema seria simplista e ineficaz, pois trata-se também de uma questão social e espiritual.

Será que nós, cristãos, podemos fazer algo para aliviar esse mal? Sem dúvida, temos um verdadeiro tesouro de recursos! O Espírito de Deus pode nos capacitar e mostrar caminhos criativos para ajudar. Se soubermos de alguém solitário, um telefonema pode fazer a diferença. Se percebermos que quase ninguém visita um vizinho, podemos passar para cumprimentá-lo e perguntar se precisa de algo. Se alguém começa a contar uma história longa e detalhada — muitas vezes um sinal de que não tem com quem conversar —, podemos ouvi-lo com atenção. Podemos deixar claro às pessoas que parecem isoladas que estamos disponíveis. Esses sacrifícios agradam a Deus (Hebreus 13:16).

Como diz Rick Warren, fomos “criados para viver em comunidade”. Ao cuidarmos uns dos outros e amarmos o nosso próximo como a nós mesmos (Marcos 12:30–31), podemos ajudar a remediar esse mal — ainda que apenas em nosso próprio canto do mundo. E, ao estendermos a mão aos outros, também aliviamos a nossa própria solidão. Tornamo-nos, ao mesmo tempo, consoladores e consolados. O trabalho voluntário é uma forma de alcançar outras pessoas e, ao mesmo tempo, suprir nossa própria necessidade de socialização. Isso faz um bem enorme ao espírito e nos mantém conectados, atualizados e ativos.

Nós, cristãos, também podemos buscar socialização em uma igreja local, um grupo de estudo bíblico, de oração,

ou um grupo de WhatsApp, entre outros. Quando surgir a oportunidade, vale a pena fazer um esforço para vencer a timidez, aproximar-se de alguém e puxar conversa. Você se surpreenderá com quantas pessoas interessantes, acolhedoras e empáticas encontrará que ficarão felizes por conversar.

Dessa forma, o cristão ministra esperança para quem precisa e atende à sua própria necessidade de companhia, caso se sinta só.

Esse é o aspecto social. No aspecto espiritual, o essencial é lembrar do amor incondicional e pessoal de Deus por Seus preciosos filhos, e saber que Jesus Se importa e deseja ser nosso melhor amigo.

Portanto, se você estiver caminhando por vales escuros de solidão, anime-se. Lembre-se de que Deus estará com você e o consolará (Salmo 23:4), não o deixará nem o abandonará (Deuteronômio 31:6). “Ainda que me abandonem pai e mãe, o Senhor me acolherá” (Salmo 27:10). As Escrituras também garantem que Jesus não nos deixará órfãos (João 14:18). Àqueles que perderam o senso de pertencimento, que é uma das principais causas da solidão, ou talvez nunca o tenham tido, a Palavra afirma: “Deus é pai dos órfãos e defensor das viúvas; é Deus em sua santa habitação. Deus dá um lar aos solitários” (Salmo 68:5–6).

Você às vezes se identifica com as palavras do poeta francês Arthur Rimbaud? “E sigamos. Mas nenhuma mão amiga! e onde encontrar o socorro?” Clame ao Senhor e Ele lhe estenderá a mão. Você se sente só e abandonado, achando que ninguém o escuta? Deus ouvirá o seu clamor, mesmo quando você caminhar sem esperança pelo deserto da solidão, assim como ouviu o clamor de Agar (Gênesis 21:14–21) e o pedido angustiado do salmista (Salmo 18:6). Se não houver mais ninguém com quem desabafar dores e angústias, o Senhor é sempre um ombro amigo.

E o melhor de tudo é que podemos ter paz quanto ao nosso futuro, pois Jesus prometeu estar conosco todos os dias, até o fim. “Eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos” (Mateus 28:20).

Gabriel García Valdivieso integra a equipe editorial da Contato. É escritor, tradutor e podcaster. Vive no Chile com sua esposa, Sally. ■

LUZ NA TERCEIRA IDADE

Permanecendo conectado ao coração de Deus

Quando meus filhos se mudaram, fiquei com o “ninho vazio”. Aprendi, então, que o ocaso da vida traz uma quietude singular. A casa, antes cheia e movimentada, transformou-se em silêncio, e as vozes dos meus filhos hoje habitam apenas na memória. Em momentos assim, quando a solidão ameaça pesar como um fardo, lembro-me de que esta fase não representa, para o cristão, o caminho do isolamento, mas um convite a um relacionamento mais profundo e íntimo com Jesus. A verdade mais profunda à qual podemos nos apegar ao envelhecer é que o amor de Deus nunca muda. Ele não Se afasta porque nossas forças diminuem ou porque nosso valor exterior aos olhos do mundo parece encolher. Pelo contrário, Ele promete: “Mesmo na sua velhice, quando tiverem cabelos brancos, sou eu aquele, aquele que os susterá” (Isaías 46:4). Deus está presente em cada etapa da nossa vida, em cada mudança e em cada desafio, inclusive na transição para a velhice. Quando a casa está silenciosa demais, Ele é a “voz mansa e suave” à espera de ser ouvida. Quando as noites parecem longas, Ele é o Pastor que não dorme nem cochila. Habitar em Sua presença exige, sim, intencionalidade. Quando o mundo exterior

parece distante, podemos abrir as janelas da alma por meio de práticas espirituais. Não importa a nossa idade, a maneira de nos tornarmos mais conscientes da presença de Jesus é priorizar a Palavra de Deus, praticar a gratidão, a oração e o serviço ao próximo.

Música e louvor: Começar o dia com música e louvor a Jesus enche meu coração e me conduz à Sua presença. A música tem o poder único de despertar o espírito. Quer sejam os hinos clássicos, como os que prefiro, quer sejam as melodias do louvor contemporâneo, reservar um tempo para iniciar o dia com cânticos de adoração convida o Espírito Santo a ocupar o nosso espaço.

A Palavra de Deus: Em seguida, separo um tempo para ler a Bíblia, que é a principal forma pela qual Deus fala conosco. Ler um salmo ou um capítulo dos Evangelhos pode transformar uma manhã solitária em um diálogo vivo com Jesus.

Gratidão e oração: Mantenho um diário de gratidão que atualizo durante o café da manhã. Antes, era difícil listar cinco motivos de agradecimento; hoje, muitas vezes continuo escrevendo até chegar a quinze ou mais. Também aprendi a mudar minha perspectiva sobre a oração: em vez de um monólogo de pedidos e desejos, ela se tornou uma conversa íntima com Deus. A montanha de obstáculos que parece se erguer à minha frente se reduz ao seu tamanho real quando converso com Deus em oração. Quando entregamos a Ele os nossos caminhos, Ele nunca deixa de firmar nossos pensamentos e endireitar nossos passos (Provérbios 16:3).

Cultivando relacionamentos: Depois do meu tempo matinal de louvor e oração, também me preparo para investir nos relacionamentos com outras pessoas. Nosso relacionamento com Deus é o alicerce, mas Ele também nos criou para a convivência humana. Sentir-se incluído e útil é vital para a saúde da alma. Aprendi que não preciso me sentir inadequada ou descartada por ter 76 anos. Na verdade, nunca é tarde demais para Deus

nos usar. Basta nos colocarmos à disposição. Talvez hoje seja o dia de iniciar algo novo! Se você se sente deixado(a) de lado, aqui estão algumas formas práticas de se envolver:

Orar por outros: Mesmo quando a mobilidade física é limitada, a Bíblia ensina que “a oração de um justo é poderosa e eficaz” (Tiago 5:16). A intercessão diligente é um ministério essencial no Reino de Deus.

Ministério de encorajamento: A sabedoria e a perspectiva que acumulamos ao longo dos anos são tesouros de que as gerações mais jovens necessitam desesperadamente. Um simples bilhete escrito à mão, uma mensagem ou uma ligação para um neto em dificuldade pode ser uma verdadeira tábua de salvação.

Trabalho voluntário: Procure oportunidades de voluntariado em sua comunidade. Muitas vezes, há orfanatos, lares para idosos ou centros de atendimento infantil que acolhem com alegria a contribuição de quem deseja investir tempo e carinho, seja por meio de jogos, música, atividades educativas ou artesanato.

Lembre-se de que a velhice não é uma sala de espera para o fim; é a varanda da eternidade. Ainda que pessoas queridas tenham deixado nossa convivência, nunca estamos verdadeiramente sós. Deus está sempre conosco e promete renovar as nossas forças. “Mas aqueles que esperam no Senhor renovam as suas forças” (Isaías 40:31). Ao permanecermos na Palavra de Deus e estendermos a mão aos que precisam, descobrimos que o propósito da nossa vida não expira — ele apenas se transforma. Somos vistos, somos amados e, aos olhos do nosso Pai celestial, somos profundamente necessários.

G.L. Ellens trabalhou como missionária no Sudeste Asiático por quatro décadas. Dedica-se ao trabalho voluntário com crianças em situação de necessidade e ao seu interesse pela escrita. ■

O PODER DO SILÊNCIO

Henri Nouwen escreveu: “Quando nos perguntamos sinceramente quem são as pessoas mais importantes em nossa vida, muitas vezes descobrimos que são aqueles que, em vez de oferecer conselhos, soluções ou curas, escolheram compartilhar nossa dor e nos reconfortar com uma mão calorosa e delicada. O amigo que realmente se importa consegue permanecer em silêncio conosco em um momento de desespero ou confusão ou na hora do luto e da perda; ele é capaz de suportar o não saber, o não curar, o não resolver, e encarar conosco a realidade da nossa impotência”.

Confesso que, ao ler essa citação, fiquei confusa. Sempre pensei que a verdadeira amizade fosse muito mais do que isso — certamente algo mais ativo! Depois de tantos anos envolvida em trabalho humanitário, minha inclinação sempre foi intervir de forma prática diante de uma necessidade. Treinei inúmeros voluntários, ministrei seminários e enviei materiais destacando o valor de ajudar e agir. Amor em ação!

Demorei algum tempo para compreender, de fato, o que Henri Nouwen queria dizer. Então me lembrei da

minha primeira viagem à cidade de Mostar, na Bósnia, devastada pela guerra. Eu conhecia apenas algumas poucas palavras do idioma local e acompanhava voluntários mais experientes enquanto distribuíam alimentos. Entrar em muitos lares marcados pela dor me impactou profundamente, pois foi a primeira vez que visitava um lugar destruído pela guerra. Um amigo traduzia para mim as conversas.

Quase chorei ao ver uma idosa, com as pernas feridas por estilhaços. Segurou minhas mãos e começou a me contar seus sofrimentos. Falava sem parar. Eu apenas escutava. Não entendia nada, pois meu tradutor estava ocupado em outro lugar. Ao final, ela me agradeceu intensamente; nos abraçamos e ambas choramos.

Foi uma experiência inesquecível e não foi a única desse tipo.

Os jovens que hoje treino enfrentam o mesmo dilema que eu vivi naquela primeira visita a Mostar. Eles não falam a língua do país, sentem-se impotentes e desconfortáveis. E eu lhes digo: “Não se preocupem. Apenas estejam ali. Segurem a mão da pessoa, olhem-na com amor, compaixão e escutem. Escutem e chorem com ela.”

Hoje falo o idioma local e posso ajudar de muitas outras formas. Mas tudo começou daquela maneira simples — e que continua sendo eficaz até hoje. Na semana passada, quando a esposa de um amigo querido morreu repentinamente em um acidente de carro, eu lhe disse: “Não tenho palavras. Estou apenas chorando com você. Venha. Minha casa é a sua casa.”

Josephine Kind atua em projetos humanitários no sul da Europa há mais de três décadas. ■

UM PRESENTE A SER ENCONTRADO

A solidão é como um incêndio lento: avança e nos consome a cada dia em que vivemos sem as conexões e a intimidade necessárias para nos sentirmos plenamente vivos. As mudanças na sociedade nas últimas décadas fizeram com que mais pessoas do que nunca se sentissem desconectadas. Por exemplo, li que 30% dos adultos sentem solidão uma vez por semana ou até diariamente, que um em cada quatro adultos nunca se casará, e que pelo menos 12% das pessoas relatam não ter amizades significativas.

Há muitas teorias sobre como chegamos a esse ponto, mas a tecnologia e a desestruturação da família figuram entre as principais causas.

A solidão é diferente para quem tem um relacionamento com Jesus e para quem não o tem. Jesus prometeu que nunca nos deixaria nem nos abandonaria (Hebreus 13:5). Ele está conosco sempre e, se nos aproximarmos dEle, Ele se aproximará de nós (Tiago 4:8). Lembrar-se disso faz toda a diferença na maneira como lidamos com a solidão, mas ainda assim isso não a torna algo fácil.

O lugar para começar é reconhecer que você está sozinho e que isso dói. Em vez de lutar contra isso, entregue-se à experiência. Isaías 45:3 diz: “Darei a você os tesouros das trevas, riquezas armazenadas em locais

secretos, para que você saiba que eu sou o Senhor, o Deus de Israel, que o convoca pelo nome”.

Será que a solidão pode ser um convite precioso para conhecer melhor o Senhor? Deus nos fez para viver em comunidade, para nos conectarmos com outras pessoas. Às vezes, quando passamos por épocas de solidão, podemos descobrir uma proximidade com Jesus e a paz que vem de saber que Ele nunca nos abandonará.

Depois que você tiver abraçado a solidão e permitido que ela aprofunde o seu relacionamento com Jesus, pode ser útil procurar maneiras práticas de construir comunidade. Sim, isso demandará tempo e poderá tirá-lo da sua zona de conforto, mas vale a pena. E se você estiver firme no seu relacionamento com o Senhor, será capaz de lidar com gente entrando e saindo da sua vida até encontrar aquelas pessoas preciosas que permanecerão ao seu lado.

Essas poucas palavras não conseguem captar toda a amplitude dessa jornada, mas o que quero dizer é: se você está solitário, não entre em pânico. Se você tem Jesus, não está sozinho, e o silêncio lhe será muito proveitoso.

Marie Alvero atuou como missionária na África e no México. Atualmente vive uma vida feliz e movimentada com o marido e os filhos no centro do Texas, Estados Unidos. ■

Por Marie Alvero

UM AMIGO DE JESUS

Jesus disse: “Vocês serão meus amigos, se fizerem o que eu lhes ordeno” (João 15:14).

Nossas prioridades na vida devem ser amar a Deus de todo o coração, de toda a alma e de todo o entendimento, e amar o próximo como a nós mesmos (Mateus 22:37–39), e buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça (Mateus 6:33). Deus é o Criador do universo, e ainda assim deseja ter um relacionamento pessoal com cada um de nós. Ele quer que O adoremos em espírito e em verdade (João 4:24). Fazemos isso ao nos comunicarmos com Ele em oração, ao lermos e obedecermos à Sua Palavra e ao nos submetermos à Sua vontade.

Devemos ser gratos pelas muitas bênçãos que recebemos (Salmo 103) e louvá-lO por Seu amor fiel, por Seu cuidado e por Sua presença constante em nossa vida.

Cantar canções que glorificam a Deus é uma maneira maravilhosa de louvá-lO. Lembro-me do hino que diz:

Se você ainda não recebeu Jesus como Salvador, pode fazê-lo por meio da seguinte oração:

Querido Jesus, acredito que Você é o Filho de Deus e que morreu na cruz por mim para que, por meio da Sua morte e ressurreição, eu possa viver para sempre com Você no céu. Peço que perdoe os meus pecados. Abro a porta do meu coração e peço que me preencha com o Seu Espírito Santo. Ajude-me a viver de maneira que O glorifique; guie a minha vida e ajude-me a segui-lO. Em Seu nome, amém.

“Em Jesus amigo temos, mais chegado que um irmão. Ele implora que levemos, tudo a Deus em oração”. Quando eu era jovem, uma de minhas professoras me deu um cartão com a imagem de Jesus. No verso, escreveu: “Seja sempre um amigo de Jesus”. Mais tarde, aprendi uma canção que ainda me lembro até hoje, que diz: “Sou feliz, Senhor, porque estás comigo, caminhando lado a lado comigo, meu melhor amigo”.

Jesus disse: “Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo” (Apocalipse 3:20). Desde que pedi que Ele entrasse na minha vida, sempre procurei ser um amigo de Jesus. Ele veio para que tenhamos vida em abundância (João 10:10).

Samuel Ouvinte é escritor, tradutor e professor de inglês. Ele e sua esposa atuaram como voluntários em trabalhos missionários e humanitários em diversas cidades brasileiras. ■

RESPOSTAS

DE DEUS

Para todas as coisas negativas que dizemos a nós mesmos, Deus nos deu Suas respostas positivas na Bíblia.

Você diz: “É impossível.”

Deus diz: “Tudo é possível para Deus” (Mateus 19:26).

Você diz: “Estou cansado demais”.

Deus diz: “Eu lhe darei descanso” (Mateus 11:28–30).

Você diz: “Ninguém me ama de verdade”.

Deus diz: “Eu amo você” (João 3:16; 13:34).

Você diz: “Não aguento mais”.

Deus diz: “A Minha graça é suficiente para você e estarei com você na angústia” (2 Coríntios 12:9 e Salmo 91:15).

Você diz: “Não consigo entender o que está acontecendo”.

Deus diz: “Eu lhe mostrarei o caminho certo” (Provérbios 3:5–6 NTLH).

Você diz: “Não consigo fazer isto ou aquilo”.

Deus diz: “Não precisa. Deixe Comigo” (2 Crônicas 20:17).

Você diz: “Não vale a pena”.

Deus diz: “Valerá a pena” (Romanos 8:18).

Você diz: “Não consigo me perdoar”.

Deus diz: “Eu perdoo você” (1 João 1:9 e Romanos 8:1).

Você diz: “Não dou conta”.

Deus diz: “O meu Deus suprirá todas as suas necessidades” (Filipenses 4:19).

Você diz: “Eu não sou capaz”.

Deus diz: “Com Minha ajuda, você consegue” (Filipenses 4:13 e 2 Coríntios 3:5).

Você diz: “Tenho medo”.

Deus diz: “Não tenham medo... pois estou com vocês” (Jeremias 42:11).

Você diz: “Vivo preocupado(a) e frustrado(a)”.

Deus diz: “Lancem sobre Mim toda a sua ansiedade” (1 Pedro 5:7).

Você diz: “Não tenho fé suficiente”.

Deus diz: “Concedo a cada um uma medida de fé” (Romanos 12:3).

Você diz: “Não sou inteligente o bastante”.

Deus diz: “Eu lhe darei sabedoria” (Tiago 1:5 e 1 Coríntios 1:30).

Você diz: “Sinto-me completamente sozinho(a)”.

Deus diz: “Nunca o deixarei, nunca o abandonarei” (Hebreus 13:5). ■

Sempre com Você

Estou sempre com você. A Minha presença o cerca, vou à sua frente e nunca o deixo nem o abandono (Deuteronômio 31:8). Mesmo quando se sente sozinho no mundo ou não percebe a Minha presença, continuo tão perto quanto sempre estive, e você continua sendo igualmente precioso para Mim. Traga-Me todas as suas preocupações em oração e encontrará o descanso para a sua alma que Eu lhe prometi (Mateus 11:28–30).

Trabalho em sua vida por meio das dificuldades que você enfrenta, ajudando-o a se aproximar de Mim e a compreender o quanto precisa de Mim. Sem lutas e provações, você não cresceria na fé nem aprenderia a confiar em Mim e nas promessas da Minha Palavra. Nos tempos de aflição, você aprende a Me buscar de todo o coração, e então Me encontra (Jeremias 29:13).

Lembre-se de que estou sempre com você, até o fim dos tempos (Mateus 28:20). Sou o seu bom pastor, que caminha com você pelos vales mais escuros da vida, guiando-o e restaurando a sua alma (Salmo 23:1–4). Portanto, traga-Me todas as suas preocupações e deixe-Me afastar seus medos, dores e fardos, enquanto você descansa em Mim. Permita que a Minha Palavra lhe conceda a paz, a esperança e a sabedoria de que você precisa em cada fase da vida. Em Mim, você encontrará tudo o que precisa (Salmo 23:1).

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Contato, agosto de 2026: Você nunca está sozinho by Activated - Issuu