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Contato, Abril de 2026: O Reino de Deus

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O REINO DE DEUS

Seu governo eterno e soberano

A salvação de um trapaceiro

A história de Zaqueu

A transformação Tornando-se um seguidor de Jesus

Volume 27, Número 4

CONTATO PESSOAL a busca

O querer “pertencer” parece ser inerente a todos nós. Observe como, para satisfazer a essa necessidade de aceitação e pertencimento, muitos jovens buscam fazer parte de uma “tribo urbana”. Repare como tantos livros, filmes e músicas falam, de alguma forma, sobre “reconectar-se ao que é essencial”? Há em nós uma ânsia indefinível, uma busca constante — mas afinal, pelo quê? Hebreus 11 nos oferece uma visão panorâmica da vida dos patriarcas, os grandes homens de fé do Antigo Testamento. Todos partilhavam do mesmo anseio e declaravam ser “estrangeiros e peregrinos na terra [que] esperavam uma pátria melhor, isto é, a pátria celestial. Por essa razão Deus não se envergonha de ser chamado o Deus deles e lhes preparou uma cidade” (Hebreus 11:13–16).

Em seu famoso livro Cristianismo Puro e Simples, C. S. Lewis escreveu: “Se encontro em mim um desejo que nenhuma experiência deste mundo é capaz de satisfazer, a explicação mais provável é que fui feito para outro mundo”. Quando veio à Terra, Jesus anunciou esse “outro mundo”, o qual denominou “o Reino de Deus”.

Esse é o tema da edição deste mês da Revista Contato, que também celebra a Páscoa, a ocasião quando Jesus ressuscitou, saiu do túmulo e venceu a morte para sempre. Sua ressurreição inaugurou o Reino de Deus e tornou possível que todos os que nEle creem e O recebem vivam eternamente com Ele no céu. Portanto, reconecte-se ao que é essencial! Seja bem-vindo ao Reino de Deus, onde você realmente pode “pertencer” e encontrar a Sua paz e descanso.

Gabriel e Sally García

Equipe Editorial da Contato

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Diagramação por Gentian Suçi.

A menos que indicado o contrário, todas as referências às Escrituras na Contato foram extraídas da Bíblia Sagrada, Nova Versão Internacional®, NVI® Copyright © 1993, 2000 por Biblica, Inc.™

O QUE TORNA O “REINO DOS CÉUS” CELESTIAL?

Como seria o bairro — ou a cidade — perfeita? Talvez tivesse mansões ao longo das ruas e praças em cada esquina, livre de engarrafamentos, com restaurantes lindos e o clima ideal. Todos teriam bastante dinheiro.

Os serviços de atendimento à saúde não teriam restrições — ou melhor ainda, ninguém jamais ficaria doente.

Agora imagine esse lugar perfeito habitado por pessoas maldosas, mentirosas, desonestas e criminosas. Vivem com raiva, são violentas e reclamam sem parar. Apesar das excelentes condições materiais, um lugar assim estaria muito longe da perfeição, por causa dos moradores.

Nos tempos de Jesus, os fariseus buscavam o “mundo ideal”, o qual chamavam Reino de Deus. Sua materialização dependia da queda do Império Romano, de Israel se tornar uma potência e do aumento de poder e autoridade dos fariseus. Alguns membros dessa seita, perguntaram a Jesus quando o Reino de Deus viria, mas, para sua decepção, ouviram a resposta de que o Reino de Deus não era visível aos olhos naturais, nem tinha uma localização geográfica, mas, como Jesus explicou: “O Reino de Deus está dentro de vocês” (ver Lucas 17:20–21).

Jesus não veio construir um “mundo melhor”, mas tornar as pessoas melhores, a partir do novo nascimento, espiritual, e da transformação interior. Mostrou-nos quanto Deus nos ama, ensinou-nos a amar a Deus, aos

outros e nos reconciliou com o Pai ao pagar o preço máximo por todos os pecados que já cometemos e ainda viríamos a cometer.

Quando Seus discípulos saíram para expandir Seu reino, comportaram-se como servos, como fizera Jesus, priorizando as almas eternas e atraindo as pessoas a, como disse Paulo, reconciliarem-se com Deus” (2 Coríntios 5:20).

Enfim, o Reino de Deus se manifesta onde Seus filhos vivem em harmonia com Ele e uns com os outros. Seus cidadãos podem morar tanto em belas casas quanto em favelas; podem ser solteiros ou casados, jovens ou idosos, saudáveis ou enfermos. Independentemente das circunstâncias, fazem parte do Reino, Deus habita entre eles e os preenche com Sua presença. Além disso, Sua presença se manifesta no mundo sempre que um membro desse Reino oferece um sorriso, uma palavra gentil, ajuda alguém em necessidade, ou quando compartilha a verdade da Palavra de Deus e o Seu amor com o próximo. Que possamos viver e expandir o Seu Reino todos os dias.

Lori Lynch é escritora, educadora infantil e já trabalhou em três continentes. Atualmente, vive nos Estados Unidos, onde ensina em casa os próprios filhos. ■

O REINO DE DEUS

O tema do Reino de Deus era central nos ensinamentos de Jesus, como vemos em passagens-chave dos Evangelhos, como a Oração do Senhor, a Última Ceia e diversas parábolas. O Sermão do Monte — um dos ensinamentos mais conhecidos de Jesus — fala sobre a realidade do Reino de Deus e apresenta princípios essenciais de como viver como cristãos dentro desse Reino.

Mas afinal, o que é o Reino de Deus? Em termos gerais, a Bíblia se refere a ele como o governo eterno e soberano de Deus sobre todo o universo: “O Senhor estabeleceu o seu trono nos céus, e como rei domina sobre tudo o que existe” (Salmo 103:19). O Senhor é o único Soberano do universo e do Reino de Deus (1 Timóteo 6:15–16).

Embora a expressão “Reino de Deus” não apareça no Antigo Testamento, o conceito está presente em muitos versículos, como: “pois do Senhor é o reino; ele governa as nações” (Salmo 22:28). As Escrituras também predisseram a vinda dAquele que estabeleceria esse Reino — o Messias prometido:

“Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz. Ele estenderá o seu domínio, e haverá paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, estabelecido e mantido com justiça e retidão desde agora e para sempre” (Isaías 9:6–7).

Nos dias de Jesus, prevalecia o entendimento de que a vinda do tão esperado Messias estava ligada ao fim do domínio estrangeiro sobre o povo judeu. Por isso, criou-se

grande expectativa com as notícias de um homem que realizava milagres e falava sobre o Reino de Deus. Muitos interpretaram que chegara o momento da libertação da nação de Israel e da instauração do reino físico que tanto aguardavam. No entanto, o ensinamento de Jesus sobre o Reino ultrapassava a expectativa de um domínio político temporal ou de uma entidade geográfica. Jesus redefiniu completamente o significado do Reino de Deus.

Um reino presente ou futuro?

Ao longo dos Evangelhos, Jesus ensinou que o Reino de Deus é, ao mesmo tempo, uma realidade presente e futura. Em algumas ocasiões, afirmou que já havia chegado (Marcos 1:14–15); em outras, falou dele como algo ainda por vir. Os milagres de Jesus eram sinais de que o Reino de Deus havia chegado e estava presente — ainda que parcialmente — durante o Seu ministério (Lucas 7:20–22).

Quando os fariseus perguntaram a Jesus quando o Reino de Deus viria, Ele respondeu: “O Reino de Deus está entre vocês” (Lucas 17:20–21). Embora essa passagem mostre o Reino como algo presente, Jesus também falou sobre ele em outros momentos como uma realidade futura: “Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que foi preparado para vocês desde a criação do mundo’” (Mateus 25:34).

Vem, então a pergunta: O Reino de Deus é algo que está presente desde os dias de Jesus, ou é um reino futuro que se instalará após a Sua Segunda Vinda?

Quando o Reino é entendido como o governo dinâmico de Deus, pode-se compreender que ele é tanto presente quanto futuro: uma realidade iniciada no ministério de Jesus e que se consumará em Sua volta. A Bíblia ensina que a plenitude do Reino se dará quando Jesus retornar para estabelecer o Seu domínio na Terra: “O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre” (Apocalipse 11:15).

Vivendo no Reino

No Evangelho segundo João, lemos que nascer de novo é condição necessária para o ingresso no Reino de

Deus ( João 3:3). Alguém se torna parte do Seu Reino quando aceita Jesus como Senhor e Salvador, crê em Sua ressurreição e estabelece um relacionamento com Deus. Para os que nEle confiam e com Ele se relacionam no nível pessoal — uma possibilidade criada pela morte de Jesus na cruz —, o Reino de Deus se torna uma realidade presente.

Jesus demonstrou, por meio de Sua vida, morte e ressurreição, que o Reino de Deus não é uma esperança vaga e distante; com Sua vinda, tornou-se iminente e exige uma resposta imediata. No primeiro capítulo do Evangelho de Marcos, lemos que Jesus “foi ... proclamando as boas-novas de Deus: ‘O tempo é chegado’, dizia ele. ‘O Reino de Deus está próximo. Arrependam-se e creiam nas boas-novas!’” (Marcos 1:14–15).

Jesus comunicou o significado do Reino de Deus por meio de Suas ações e revelou sua natureza em Seus ensinamentos. Ao comer com os marginalizados da sociedade (os cobradores de impostos e pecadores), ter contato físico com os considerados intocáveis, perdoar pecados e curar no sábado, Jesus revelou de forma profunda a graça, o amor, o desvelo, a misericórdia do Pai, e a verdadeira natureza do Seu Reino. Ao ensinar aos discípulos a orar dizendo “Pai nosso, que estás nos céus”, Jesus os introduziu em um novo tipo de relacionamento com Deus — como Pai celestial —, tornando-os membros da Sua família (Mateus 6:9).

Além disso, Jesus deixou claro que a entrada no Reino de Deus não estava limitada a Israel, quando disse à samaritana junto ao poço: “Está chegando a hora, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. São estes os adoradores que o Pai procura” ( João 4:23). O convite para entrar no Reino de Deus é estendido a todas as pessoas, “de todas as nações, tribos, povos e línguas” (Apocalipse 7:9).

Entrar no Reino pela fé em Jesus nos concede vida eterna — mas ela não começa apenas após a morte. Assim

como o Reino de Deus, a vida eterna é uma realidade presente, que para nós, crentes, já começou. Embora nosso corpo físico um dia venha a morrer, o nosso espírito permanecerá eternamente com Deus. Nossa essência, nosso espírito, o que verdadeiramente somos, simplesmente atravessará o limiar da vida terrena, para entrar na eternidade.

Enquanto isso, somos chamados a viver dentro do Reino de Deus no presente. Quando nascemos de novo e nos tornamos parte desse Reino, o centro da nossa vida muda completamente. Jesus diz: “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça” confiando que todas as outras coisas nos serão acrescentadas conforme a Sua vontade (Mateus 6:33). Quando Deus reina em nossa vida, depositamos nEle nossa fé e confiança e buscamos alinhar nossas ações e decisões à Sua vontade (Mateus 6:10).

Entrar no Reino de Deus significa integrar o nosso “reino” — aquilo sobre o que temos domínio ou controle — ao Reino dEle. Devemos alinhar nossa vontade à de Deus e permitir que Sua Palavra, expressa nas Escrituras, oriente a nossa existência. Somos chamados a promover o Reino, convidando outros a fazerem parte dele e sendo um exemplo vivo do amor incondicional de Deus.

Viver hoje no Reino de Deus é permitir que Ele reine sobre nossa vida, reconhecendo-O e honrando-O como o Criador. Significa buscar viver de modo a trazer honra e glória a Ele. Orientamos nossa vida pelo exemplo de Jesus: amar a Deus e amar ao próximo (Mateus 22:37–39).

Viver no Reino de Deus é viver dia após dia em um relacionamento pessoal e constante com Ele — um relacionamento que abrange a vida terrena e se estende por toda a eternidade.

Peter Amsterdam é um autor cristão, professor de Bíblia e diretor aposentado da Família Internacional, uma rede cristã online. ■

A TRANSFORMAÇÃO

Romanos 12:2 diz: “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. A alternativa a nos amoldarmos ao padrão deste mundo é nos transformarmos naquilo que Deus designou. Em ambas as alternativas, algo está moldando. Começa nos pensamentos e, em seguida, se reflete nas ações.

Recentemente, assisti a um vídeo de uma mulher praticando escalada. Ela subia com facilidade uma parede de escalada indoor, quebrando recordes, e eu pensei: Uau, que incrível! Gostaria de ter essa habilidade.

Se eu quisesse me tornar uma escaladora, teria de mudar vários hábitos. Por exemplo, precisaria me matricular em uma academia para escalada, comprar sapatilhas e me dedicar aos exercícios — provavelmente passando vergonha já na parede para principiantes. Imagino que minhas primeiras tentativas seriam humilhantes, resultando em hematomas e músculos doloridos. Teria, então de adaptar meus treinos para fortalecer a musculatura e desenvolver as habilidades necessárias para essa nova paixão — e tudo isso exigiria renunciar a outras atividades.

Eu criaria vínculos com outros escaladores. Meu entusiasmo pela escalada certamente surgiria nas conversas e talvez até convencesse alguns também aderir ao esporte.

Se eu fizesse tudo isso, em um ano — partindo de alguém que mal conseguia fazer uma barra — provavelmente estaria num nível intermediário. Um dia, minha identidade poderia ser “escaladora”, mesmo ainda trabalhando em um escritório.

Ao pensar dessa forma, percebo o quanto alguém precisa reorientar toda sua vida para realmente se tornar um seguidor de Jesus. A pessoa não pode ficar passiva nem é algo que acontece automaticamente.

Tenho me feito perguntas que talvez também ajudem você: Será que a forma como gasto meu tempo todos os dias reflete minha paixão por seguir Jesus? O que está me influenciando neste momento? São questionamentos difíceis, mas que valem o esforço, se o que buscamos é uma transformação verdadeira.

Marie Alvero foi missionária na África e no México. Atualmente, vive com o marido e os filhos na região central do Texas, EUA.  ■

APLICANDO AS ESCRITURAS

A Bíblia está repleta de tesouros e as Escrituras podem ser comparadas a uma joia de muitas facetas, que revela diferentes belezas, dependendo do ângulo e da luz sob os quais as observamos. Os versículos bíblicos também podem se tornar mais claros e adquirir um significado mais profundo conforme os aplicamos à nossa vida.

Quando leio a Bíblia, algo que me ajuda muito é orar pedindo orientação e clareza, como diz o Salmo 119:18: “Abre os meus olhos para que eu contemple as maravilhas da tua lei.” O Espírito de Deus nos guia durante a leitura da Sua Palavra e nos ajuda a compreender e absorver melhor a verdade ( João 16:13).

Além disso, ao reivindicar uma promessa em oração ou ao buscar compreender e aplicar um versículo no dia a dia, é importante ler os versículos adjacentes para entender o contexto e evitar interpretações equivocadas. Paulo instruiu Timóteo: “Procure apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se

envergonhar e que maneja corretamente a palavra da verdade” (2 Timóteo 2:15).

A seguir, incluo dois exemplos de versículos bem conhecidos que ganham clareza e riqueza de significado quando lemos o texto que os cerca.

Muitos conhecem o versículo de Mateus que diz: “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas” (Mateus 6:33). Esse versículo é corretamente entendido como uma promessa de provisão de Deus. No entanto, alguns o usam para sugerir que Deus promete riquezas ou conceder todos os desejos aos que O seguirem, ou derem dízimos e ofertas. Mas, ao lermos a passagem completa, o verdadeiro sentido fica claro:

“Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida? E por que se preocupam com roupas? Vejam como crescem os lírios do campo. Eles não trabalham nem tecem. Contudo, eu lhes digo que nem Salomão, em todo o seu esplendor, vestiu-se como um deles.

usamos esse versículo ao enfrentar uma tarefa difícil, nos sentirmos sobrecarregados ou fisicamente fracos — o que é válido. Porém, ao examinarmos o contexto, percebemos que Paulo estava falando de algo bem diferente: “Não estou dizendo isso porque esteja necessitado, pois aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância. Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito ou passando necessidade. Tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4:11–13).

Aqui, a “força” a que Paulo se refere é a capacidade de aceitar e agradecer em qualquer situação e não permitir que as dificuldades abalem nossa fé no amor de Deus, mas buscar nEle a força para viver com alegria, independentemente das circunstâncias.

Portanto, não se preocupem, dizendo: ‘Que vamos comer?’ ou ‘Que vamos beber?’ ou ‘Que vamos vestir?’ Pois os pagãos é que correm atrás dessas coisas; mas o Pai celestial sabe que vocês precisam delas. Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas” (Mateus 6:27–29, 31–33).

Vemos que, em vez de prometer riquezas ou abundância material, Jesus estava ensinando aos Seus discípulos a não se preocuparem com as necessidades básicas, como comida e vestuário. Ele os convidava a concentrarem-se em obedecer e servir a Deus, confiando que o Pai supriria o que fosse necessário, conforme Sua vontade.

Outro versículo frequentemente citado é: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4:13). Às vezes,

É bom também consultar o versículo em diferentes traduções da Bíblia. Isso muitas vezes amplia a compreensão e revela nuances de significado por meio das variações de linguagem. (Há sites e aplicativos que permitem comparar diversas versões de um mesmo versículo.)

Por fim, é essencial aproximar-se da leitura bíblica com mente e coração abertos. Por exemplo, se tenho uma forte convicção sobre algo, não devo abrir a Bíblia apenas esperando encontrar uma confirmação do que já penso. Preciso estar disposto a permitir que a Palavra de Deus mude minhas opiniões e sentimentos. É importante lembrar que a Palavra de Deus, embora informativa e inspiradora, deve ser também transformadora. Em outras palavras, devo desejar ser transformado por ela, para que meus pensamentos e atitudes se tornem cada vez mais semelhantes aos de Jesus.

Simon Bishop dedica-se em tempo integral a trabalhos missionários e humanitários nas Filipinas. ■

ONDE ESTÁ O TÁXI?

Certa noite, minha esposa e eu estávamos na última etapa da viagem de volta para casa. Já era tarde demais para pegar ônibus, então a opção era pegar um táxi. Mas o ponto onde normalmente encontramos uma fila deles estava completamente vazio. O trânsito ainda fluía, mas nenhum táxi aparecia. Tentamos uma outra rua, mas a situação era a mesma.

Eu estava cansado e a medicação que tomara mais cedo, depois de um procedimento no dentista, começava a afetar meu humor e a me deixar abatido. Tive que admitir: eu estava desanimando. Era tarde, e uma tristeza começou a me invadir, o que me fez sentir ainda pior. “Por que estou desanimado?”, pensei. “As coisas não estão tão ruins assim.” Mas, naquele momento, pareciam estar.

Então ocorreu-me: Sou filho de Deus, creio em Jesus e Ele tem o melhor para mim. Isso é verdade ou não é? Como eu sabia que era verdade, orei em voz alta: “Em Nome de Jesus, pedimos agora um táxi para nos levar para casa”.

Você provavelmente já imagina o que aconteceu: um táxi apareceu imediatamente, vindo em nossa direção.

Quando entrei no carro, logo após minha esposa, disse a ela: “Essa foi uma resposta à oração!”

Não é um testemunho espetacular, mas é especial. Já vi incontáveis respostas de oração ao longo da minha vida, mas o que tornou essa diferente é que não foi apenas uma resposta ao pedido por um táxi. Havia algo

mais. Precisávamos do táxi, sim — mas também de paz e ânimo. Aquele peso negativo se dissipou no instante em que me lembrei Quem Deus é e quem eu sou para Ele. Deus cuida de nós e simplesmente pede que entreguemos nossas preocupações a Ele em oração e depositemos nEle a nossa confiança.

Marcus Vernier vive em Taiwan. Além de suas atividades missionárias, dedica-se à pintura em aquarela e à escrita.  ■

“E a paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus.” — Filipenses 4:7

“A paz não vem da ausência de problemas, mas da presença de Deus.” — Autor desconhecido

“Em meio ao estresse, à pressão e à confusão do dia a dia, podemos sempre fazer uma pausa. Basta um momento na presença de Deus, por meio da oração, para encontrarmos paz e sermos renovados.” — Maria Fontaine

DEUS Comunicação com DEUS

Você consegue imaginar se importar com alguém de verdade — seu cônjuge, seu filho, seu melhor amigo — e nunca conversar com essa pessoa?

Claro que não! O amor se constrói na comunicação, e isso vale para todos os relacionamentos mais significativos que recebemos como bênção.

Se Jesus é tanto nosso Salvador quanto nosso Amigo, como a Bíblia afirma, e se Deus é o nosso Pai celestial, então faz sentido concluir que Eles desejem se comunicar conosco.

Se o cristianismo fosse apenas uma filosofia, um código de ética ou simplesmente uma religião, talvez esses termos — Salvador, Amigo, Pai — não passariam de belas analogias para explicar nossa relação com Deus e Jesus de forma simbólica. O verdadeiro cristianismo, porém, é muito mais. Vai além da razão e das regras, da retórica, dos rituais, da moral e da ética. Estamos falando de um relacionamento vivo, amoroso e pessoal, que se torna cada vez mais rico, profundo e forte, na medida em que a nossa comunicação com o Criador é sincera e franca.

Nosso meio de comunicação com Deus é a oração e a Sua Palavra. Isso significa que não devemos apenas falar com Deus, mas também ouvir Sua voz suave falar ao nosso coração. Ele quer que compartilhemos com Ele nossas necessidades e desejos, problemas e medos, assim como

nossos pensamentos mais íntimos e sonhos mais profundos. E, como se trata de uma comunicação bidirecional, também deseja responder às nossas perguntas, ajudar a resolver nossos problemas, nos encorajar quando estamos abatidos, participar de nossas vitórias e das nossas alegrias. Acima de tudo, Deus quer nos ajudar a compreender e experimentar o Seu amor de forma real e pessoal: “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” ( João 3:16).

Se você ainda não recebeu Jesus como Salvador, pode fazê-lo agora mesmo com esta oração:

Querido Jesus, eu acredito que Você é o Filho de Deus e que morreu na cruz e ressuscitou para que eu possa viver para sempre com Você no céu. Peço que perdoe os meus pecados e abro a porta do meu coração para Você. Encha-me com o Seu Espírito Santo e ajude-me a viver de forma que Lhe glorifique. Guie a minha vida e ensine-me a seguir Você. Em Seu nome eu oro. Amém.

Keith Phillips foi editor-chefe da Revista Contato de 1999 a 2013. Atualmente, ele e sua esposa, Caryn, trabalham ajudando moradores de rua nos Estados Unidos. ■

Por Keith Phillips

A SALVAÇÃO DE UM TRAPACEIRO

Zaqueu, o personagem principal desta história, era um homem bastante bem conhecido — e não por motivos nobres — especialmente quando comparado às muitas autoridades religiosas que circulavam por Jericó, uma cidade considerada “a cidade dos sacerdotes”. Lemos sobre seu encontro com Jesus no Evangelho de Lucas.

Zaqueu não era apenas um publicano, ou cobrador de impostos, mas o chefe dos publicanos e um homem

muito rico (Lucas 19:1–2). Para os judeus, os integrantes dessa categoria estavam entre os piores pecadores, pois extorquiam valores abusivos, acima do que Roma exigia. Por isso, Zaqueu era visto como ladrão dos pobres. Além disso, tudo que coletava acima do tributo exigido ia direto para o seu próprio bolso.

Um dia, algo aconteceu que transformou completamente a vida e a visão de mundo daquele homem. Zaqueu ouvira falar de Jesus e dos muitos milagres que

realizava e que era amigo de publicanos e pecadores (Mateus 11:19). Na verdade, um de Seus seguidores mais próximos, Mateus, fora ele próprio cobrador de impostos (Mateus 9:9).

Havia algum tempo que Zaqueu queria conhecer o “carpinteiro que se tornara profeta”. Talvez se perguntasse: “Será que um homem supostamente tão santo poderia ser amigo de alguém como eu, quando os sacerdotes e tantos da minha cidade me desprezam? Será que Jesus seria meu amigo também?” O coletor de impostos não tinha amigos de verdade e já percebera que toda a sua riqueza não lhe trazia satisfação nem paz.

Então, certo dia, quando Zaqueu ouviu que Jesus estava em Jericó, largou tudo e correu para vê-lO. Entretanto, a grande multidão que O acompanhava pela estrada, impedia que Zaqueu, homem de baixa estatura, O visse.

Sem se importar com a opinião alheia, Zaqueu subiu em uma figueira um pouco à frente da multidão, na esperança que, de lá, pudesse ver passar e ouvir Jesus (Lucas 19:3–4). Quando o Filho de Deus passou perto da árvore, olhou para cima e disse: “Zaqueu, desça depressa. Quero ficar em sua casa hoje” (Lucas 19:5).

Zaqueu ficou atônito! Enquanto deslizava pelo tronco para descer da árvore, tentava lidar com a mistura de alegria e confusão que tomara sua mente. Como Jesus sabia seu nome? Então foi para casa, preparou-se e recebeu Jesus em casa com grande alegria (Lucas 19:6).

Ao verem isso, as pessoas que acompanhavam Jesus começaram a reclamar: “Ele se hospedou na casa de um pecador” (Lucas 19:7). Mas Jesus sabia exatamente o que estava fazendo. Ele havia enxergado, além das aparências, a fome pela verdade e o desejo pela salvação que existia no coração daquele homem.

Naquele único encontro com Jesus, Zaqueu descobriu o caminho para entrar no Reino de Deus. Recebeu Jesus

em seu coração, em sua vida e em seu lar, e decidiu seguir Seus ensinamentos e exemplo.

Transbordando de alegria, declarou: “Olha, Senhor! Estou dando a metade dos meus bens aos pobres; e se de alguém extorqui alguma coisa, devolverei quatro vezes mais” (Lucas 19:8). Que compromisso surpreendente — e custoso — de um homem que acabava de experimentar uma transformação radical após conhecer Jesus!

Então Jesus proclamou, diante da multidão: “Hoje houve salvação nesta casa! Porque este homem também é filho de Abraão. Pois o Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido” (Lucas 19:9–10).

Não importava o quanto Zaqueu tivesse errado: o amor do Senhor era grande o suficiente para perdoá-lo completamente. Em nenhum momento Jesus mencionou seus pecados, pois Zaqueu demonstrou o fruto genuíno do arrependimento por meio de suas ações.

O trecho que diz “ele desceu rapidamente e O recebeu com alegria” (Lucas 19:6) faz com que a história de Zaqueu ecoe pelos séculos como um exemplo de como Deus pode transformar a vida de qualquer pessoa — independentemente do seu passado, seus erros ou más escolhas — quando ela se entrega a Ele.

Na parábola da ovelha perdida, contada por Jesus em resposta às críticas por acolher publicanos e pecadores, Ele concluiu destacando que “haverá mais alegria no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não precisam arrepender-se” (Lucas 15:1–7).

Que possamos sempre nos alegrar no grande amor do Senhor por nós e em Seu desejo de buscar e salvar todo aquele que está perdido e precisa do Salvador.

Adaptado de um artigo do livro Tesouros, publicado por A Família Internacional. ■

AS PLANTAS DA RESSURREIÇÃO

Quase todos os dias fico maravilhado com algum aspecto extraordinário da criação de Deus. Hoje, o que me encantou foi a “rosa do deserto”, uma das várias “plantas da ressurreição” que, embora pareçam mortas na estiagem, estão apenas dormentes, à espera de água para voltar à vida.

Vivem em regiões áridas, quase desérticas e sobrevivem anos sem uma única gota de água, com apenas 5% de água em suas células. Mesmo depois de anos nessas condições, quando têm contato com umidade, acontece o “milagre”: em poucas horas, elas se abrem e florescem novamente.

Algumas famílias cristãs mantêm algum tipo de planta da ressurreição, como a rosa de Jericó, por gerações, como um símbolo da ressurreição de Jesus. É comum colocar a bela planta em uma tigela com água no Natal e na Páscoa, como um lembrete poderoso dos ciclos da vida e da morte, e da promessa de novos começos e renovação que vêm com a fé em Deus.

A planta também ilustra que, mesmo nas estações mais secas da vida, há esperança de renovação. A centelha da vida divina permanece dentro de nós, apesar das aparências. Como ela, precisamos nos adaptar aos tempos difíceis e ser resilientes.

A planta da ressurreição também nos lembra que, às vezes, leva tempo para encontrarmos soluções para nossos problemas — para buscarmos em Jesus, a água da vida, o sustento em meio à aridez que nos cerca. Podemos parecer dormentes durante as fases silenciosas da vida, mas, na época certa, Jesus nos conduzirá ao local ideal, onde floresceremos e daremos fruto.

Lembro-me do que o Senhor disse a Jeremias: “Mas bendito é o homem cuja confiança está no Senhor, cuja confiança nele está. Ele será como uma árvore plantada

junto às águas e que estende as suas raízes para o ribeiro. Ela não temerá quando chegar o calor, porque as suas folhas estão sempre verdes; não ficará ansiosa no ano da seca nem deixará de dar fruto” ( Jeremias 17:7–8).

A Páscoa é um tempo para refletir sobre essa transformação — da morte do que é velho para o nascimento de uma nova vida. É um tempo para celebrar o fato de que Jesus deu a Sua vida por nós, para que, por meio do Seu sacrifício, pudéssemos ter vida eterna.

Curtis Peter van Gorder é escritor freelancer e mímico. Dedicou-se por 47 anos a atividades missionárias em dez países diferentes.

Atualmente, ele e sua esposa, Pauline, vivem na Alemanha. ■

SACRIFÍCIO SUPREMO, AMOR SUPREMO

Quando penso no indescritível amor de Deus por nós, fico maravilhada!

Jesus deixou Seu lar celestial para vir à Terra sofrer e morrer em nosso lugar. Depois de ser traído por um de Seus próprios seguidores, foi condenado a uma morte brutal.

Antes de ser executado, foi açoitado, espancado, zombado, cuspiram-Lhe e O coroaram com espinhos. Depois, foi obrigado a seguir pela pedregosa e estreita Via Dolorosa — também chamada de Caminho do Sofrimento — carregando a cruz e acompanhado de uma grande multidão. Ao chegarem a um lugar chamado Gólgota, crucificaram-nO, juntamente com dois criminosos — um à Sua direita e outro à Sua esquerda. E foi então que aconteceu o seguinte:

Para nós, porém, não era o fim, apenas o começo, pois Ele abrira as portas do céu para todos os que creem.

“Um dos criminosos que ali estavam dependurados lançava-lhe insultos: ‘Você não é o Cristo? Salve-se a si mesmo e a nós!’ Mas o outro criminoso o repreendeu, dizendo: ‘Você não teme a Deus, nem estando sob a mesma sentença? Nós estamos sendo punidos com justiça, porque estamos recebendo o que os nossos atos merecem. Mas este homem não cometeu nenhum mal’. Então ele disse: ‘Jesus, lembra-te de mim quando entrares no teu Reino’. Jesus lhe respondeu: ‘Eu garanto: Hoje você estará comigo no paraíso’” (Lucas 23:39–43).

Mesmo prestes a morrer, Jesus teve amor e compaixão do ladrão arrependido ao Seu lado.

“Tendo-o provado, Jesus disse: “Está consumado!” Com isso, curvou a cabeça e entregou o espírito” ( João 19:30). Ao expirar, Jesus concluiu Sua missão na Terra.

“Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e sobre si levou as nossas doenças; contudo nós o consideramos castigado por Deus, por Deus atingido e afligido. Mas ele foi traspassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados” (Isaías 53:4–5).

No terceiro dia, Jesus ressuscitou triunfante, exatamente como havia anunciado. Pela Sua morte na cruz, Ele assegurou a nossa salvação com Seu próprio sangue.

Onde estaríamos se Jesus não tivesse feito esse sacrifício supremo? Por causa do pecado de Adão, o paraíso havia sido perdido para sempre. Mas, em Seu amor infinito por nós, Deus enviou Seu Filho unigênito, que morreu por nós para que pudéssemos ser salvos ( João 3:16).

Ruth Davidson (1939–2023) foi missionária no Oriente Médio, na Índia e na América do Sul por 25 anos. ■

Dividendos eternos

Quando você investe no Reino de Deus, está fazendo um investimento que durará por toda a eternidade. Todo aquele que dedica tempo, recursos e talentos para a expansão do Meu Reino será recompensado como o servo bom e fiel e participará da Minha alegria (Mateus 25:23). Todo aquele que, com fidelidade, se dispõe a compartilhar o Meu amor e a Minha verdade — não importa quão pequeno lhe pareça a sua contribuição — receberá uma recompensa pelo seu trabalho. Se você permanecer em Mim e na Minha Palavra, sua vida produzirá frutos que permanecerão ( João 15:4-7,16). As coisas efêmeras deste mundo, e os dividendos passageiros dos investimentos terrenos não duram nem oferecem segurança verdadeira. Por isso, acumule tesouros no céu, onde nem a ferrugem nem os ladrões podem destruir ou furtar (Mateus 6:19–20). Confie em Mim, e Eu o guiarei a investir sua vida com sabedoria, de modo a expandir o Meu Reino e colher dividendos eternos.

Jamais perca de vista o grande propósito do Meu Reino eterno, nem permita que as preocupações deste mundo e o apego aos bens materiais sufoquem a sua fidelidade a Mim. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração (Mateus 6:21). Invista no Meu Reino, repartindo generosamente o que receber de Mim. Seja fiel em compartilhar as Boas Novas do Evangelho, para que muitos outros também possam entrar no Meu Reino.

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