

ELE VIVE
A Páscoa gera mudanças
Para um mundo imperfeito a resposta é o amor
11 dicas para superar a tristeza
14, Número 3


C ONTATO PESSOAL
Até os 15 anos, minha experiência com religião ou espiritualidade havia sido quase nenhuma. Sem entender muito o convite, concordei em fazer uma oração para aceitar Jesus no meu coração. Curioso sobre esse personagem que, com pouquíssimos recursos, havia rachado a história em duas, mas sobre o qual eu praticamente nada sabia, passei a ler Sua biografia nos evangelhos.
Nem sempre entendia, mas gostava. Por isso, lia mais. Procurei compreender melhor o contexto em que se deu Sua breve passagem pela Terra. Eram dias difíceis para os moradores de Israel, reprimidos pelo poderoso Império Romano, e as lideranças religiosas da época não foram nada favoráveis à mensagem e à obra de Jesus.
Contudo, pareceu-me que Ele não dava muita importância às circunstâncias sociopolíticas de então nem às opiniões dos sacerdotes. O cerne de Sua missão era derrotar a origem e essência de todos os males: o pecado. Seu foco, contudo, não era a erradicação do pecado, mas o perdão. Ensinava que era preciso perdoar e aceitar o perdão.
Aos poucos (muito aos poucos), pelo relacionamento que aprendi a ter com Ele e pelo exercício de tentar praticar Seus ensinamentos, teceu-se em minha vida uma certeza serena, uma confiança íntima de que sou amado de forma incondicional. Sinto-me aceito como sou e isso me motiva a ser melhor. Melhorar não me faz ser mais amado, mas gera mais felicidade para os que me cercam e para mim. Essa felicidade não me cega para os problemas, fortalece-me para enfrentá-los.
Por isso, hoje não desejo nem temo a morte. Adoro aprender, sem me incomodar tanto por não entender a maioria das coisas. Hoje, parece-me natural crer em milagres, apostar que as pessoas podem mudar para melhor e não me decepcionar tanto com as fraquezas humanas, inclusive as minhas. E aprendi a ter prazer em me reinventar sempre que preciso.
Acho que esta é a incansável mensagem da Páscoa: o mal está derrotado, vire a página, comece outra história e ame melhor. Desejo que esta edição da Contato ajude a plantar no seu coração essa certeza.
Mário Sant’Ana
Pela Contato
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Editor Mário Sant'Ana dEsign Gentian Suçi diagramação Angela Hernandez
Produção Samuel Keating
© 2012 Aurora Production AG. www.auroraproduction.com
Todos os direitos reservados. Impresso no Brasil. Tradução: Mário Sant'Ana e Tiago Sant'Ana
A menos que esteja indicado o contrário, todas as referências às Escrituras na Contato foram extraídas da “Bíblia Sagrada” — Tradução de João Ferreira de Almeida — Edição Contemporânea, Copyright © 1990, por Editora Vida.
Esperança
Elena Sichrovsky
Esperança viva

Cresci em um lar cristão e desde a infância conheço a história da Páscoa. Foi recentemente, porém, que descobri o sentido que ela tem para mim. Nessa comemoração, no ano passado, meus pensamentos não se voltaram para a glória do ressurgimento de Jesus, o triunfo do bem sobre o mal, ou mesmo para a dourada manhã que de minha janela pude assistir despontar. Fazia uma semana que minha melhor amiga me telefonara para dizer que seu pai havia, repentinamente, falecido durante a noite. Minha mente ainda dava voltas com o choque e a dor. Como a vida podia escapar assim tão abruptamente, sem dar tempo para últimas palavras e despedidas? Pensei nos netos que cresceriam sem conhecer o avô, na minha amiga que ficaria sem
o apoio e o conselho do pai, na viúva que teria de conviver com a ausência de um marido amoroso.
Conforme lia um estudo que detalhava as últimas horas de Jesus, Sua crucificação e ressurreição, ocorreu-me que a morte do Salvador deve ter parecido aos Seus amigos e discípulos a pior coisa que poderia ter acontecido. Entretanto, transformou-se no mais maravilhoso milagre que se poderia esperar: o triunfo de Cristo sobre a morte. Seria possível encontrar hoje a esperança que emergiu daquele terrível evento? Pensei na minha amiga e na sua dor. Onde buscar esperança diante de uma morte trágica e não anunciada? Meus olhos recaíram no versículo bíblico: “Deus nos deu uma nova vida pela ressurreição de Jesus Cristo. Por isso o nosso coração está cheio de uma esperança viva.”1 Ao refletir nessas palavras, percebi que o milagre da Páscoa não terminara há dois mil
anos, com a ressurreição de Jesus. Ele continuava, na mensagem de esperança viva que desde então atravessa as eras e chega ao nosso século 21. Por mais escuras que pareçam as coisas hoje, aponta no horizonte uma gloriosa manhã. Quando Jesus fez os preparativos para partir, deixou com os discípulos a promessa de que porque Ele vive, eles e nós também viveremos.2
A Páscoa não é para ser uma lembrança anual, mas uma esperança viva e diária em nossos corações. Assim como o Sol surge cada manhã, podemos deixar para trás a dor e o sofrimento que nos tomam de golpe, para nos levantar e ressurgir com fé renovada e confiança no eterno amor de Deus.
Elena Sichrovsky é professora de inglês e missionária voluntária em Taiwan ■

vIVE! Ele

Fazia cerca de três anos que haviam atendido ao chamado para seguir Jesus. Como isso aconteceu para cada um eram histórias diferentes.
A Natanael foi dito que ele era “um verdadeiro israelita, em quem não havia nada falso”.1 Pedro e seu irmão, André, ouviram as palavras “Vinde após mim, e Eu vos farei pescadores de homens”2, quando lançavam suas redes ao mar. Mateus estava no guichê da coletoria.3 Aqueles anos desde então haviam sido os mais fascinantes e intensos de suas vidas. Jesus era a
pessoa mais incrível que conheciam e O amavam profundamente. Eles testemunharam coisas fantásticas: muitas curas milagrosas, pessoas sendo libertas de forças demoníacas,4 alguns pães e peixes se multiplicarem para alimentar cinco milhares de pessoas.5 Certo dia, encontram um cortejo fúnebre na rua e Jesus ficou tão sensibilizado pela dor da mulher que pranteava a morte do filho que parou a procissão, tocou o esquife, o jovem recobrou a vida e se sentou.6 Este não foi o único ressuscitado. Em outra ocasião, Jesus entrou no quarto onde estava o

1. João 1:47
2. Marcos 1:17
3. Ver Mateus 9:9.
4. Ver Mateus 4:23–24.
5. Ver Mateus 14:14–21; 15:32–38.
6. Ver Lucas 7:11–16.
7. Ver Marcos 5:35–42.
8. Ver João 11:38–44.
9. Ver Mateus 13:10–13.
10. Ver João 6:15.
11. Ver João 6:3.

12. Ver Lucas 20:20.
13. Ver Mateus 21:6–9.
14. Ver João 11:47–48.
15. Ver Lucas 23:55–56; 24:1–11; João 20:3–9.
Peter Amsterdam
corpo de uma menina e, quando saiu de lá, a criança estava viva outra vez.7 Também houve Lázaro, que estava morto fazia quarto dias quando Jesus o chamou para fora da tumba, e ele saiu.8
As histórias que Ele contava eram reveladoras, cheias de verdades profundas e entendidas apenas pelos que estavam abertos para a mensagem que traziam.9 Às vezes, ensinava às multidões que se reuniam para ouvir Suas palavras e houve uma ocasião em que as pessoas queriam, contra Sua vontade, coroá-lO rei.10 Volta e meia, Jesus levava Seus seguidores mais próximos para algum lugar afastado onde pudessem descansar e lhes ensinava de forma mais pessoal.11
Dias incomparáveis, com certeza. Mas nem todos eram repletos de aventuras positivas. Não faltavam opositores. Seus inimigos religiosos discordavam dos Seus ensinamentos e continuamente O contestavam, mas Suas respostas eram cheias de sabedoria, poder e, principalmente,
amor.12 Tudo nEle emanava do amor e da compaixão.
Com o tempo, a oposição se intensificou e Seus inimigos estavam mais resolutos que nunca a detê-lO, mas as multidões O receberam em Jerusalém trazendo nas mãos ramos de palmeiras e proclamando “Hosana ao Filho de Davi”.13 Seus opositores religiosos evitavam agir contra Ele por causa da Sua popularidade e por temerem uma intervenção das autoridades civis, o que poderia lhes custar seus cargos e prestígio.14
Aqueles foram dias extraordinários —cheios de fascínio, esperança, aventuras e aprendizados. Seus seguidores provavelmente imaginavam que aquilo continuaria por muitos anos.
Então, de repente, tudo mudou. Jesus foi preso e, menos de 24 horas depois, executado como criminoso. Os sonhos daqueles homens foram esmagados. Quem tanto amavam havia morrido e tudo que viveram nos últimos três anos havia, de uma hora para a outra, chegado ao fim. Parecia que o
futuro do qual Jesus falara não havia se concretizado como eles esperavam. Jesus estava morto.
Tristes, confusos e temerosos, esconderam-se atrás de portas trancadas. Quão repentino fora o fim de tudo —do trabalho em que participavam e do amor que conheceram tão bem. De uma hora para outra, tudo havia mudado e o futuro parecia sombrio.
Três dias após Sua execução, logo no início da manhã, algumas de Suas seguidoras foram à Sua tumba e a encontraram vazia. Quando contaram aos outros discípulos, não lhes deram ouvido, exceto Pedro e João, que correram até onde Ele fora sepultado e verificaram que o relato era verdadeiro! Não o encontraram. Não entendiam o que havia acontecido, mas Seu corpo não estava lá.15
De repente, Jesus surgiu na casa em que vários de Seus seguidores se escondiam, apesar de a porta estar trancada. O homem que eles tanto



amavam e seguiam com devoção, que fora brutalmente torturado e morto estava diante deles.16
Estava vivo!
Havia ressurgido dos mortos e voltara para eles. Sua presença mudou tudo. Apesar de ter sido executado como um criminoso, o fato de que estava ali, vivo, validava tudo que lhes dissera a Seu próprio respeito: que era “a ressurreição e a vida”17, que seria morto e que ressuscitaria ao terceiro dia.18 A verdade daquelas palavras havia se tornado evidente, porque Ele estava lá, vivo. Sua presença mudou totalmente o contexto dos dias anteriores e viram que não haviam depositado sua fé em um engano. O plano de Deus não havia sido frustrado.
Quarenta dias depois, Jesus subiu para o céu. Deixou-os fisicamente, mas enviou o Espírito Santo para ficar com eles —uma presença constante que os guiava na verdade, no amor e no partilhar de tudo que Ele lhes havia ensinado e que eles
16. Ver João 20:19–20.
17. João 11:25
18. Ver Marcos 8:31; João 2:19–21.
19. Ver Atos 2:1–4; Mateus 28:19.
20. 1 Coríntios 15:55

haviam testemunhado durante seu tempo juntos.19
Os dias maravilhosos que passaram vivendo e trabalhando com Ele haviam chegado ao fim, para dar início a um tempo de dispersão e disseminação da mensagem. O fato de Ele estar vivo lhes dava poder para avançar além do que estavam acostumados, a abrir mão dos seus costumes para se dedicarem a espalhar Seu amor e a mensagem da salvação.
Foi preciso tempo e ajustes, mas obedeceram às Suas instruções e percorreram várias cidades e países, conhecendo gente, fazendo amigos e guiando as pessoas para Ele. Construíram comunidades de fé, ensinaram aos outros o que com Ele haviam aprendido, dedicando-se à missão dia após dia, ano após ano, um coração de cada vez. Enfrentaram dificuldades, provas, tribulações e, alguns, o martírio. E tudo isso afetou profundamente o mundo de seus dias e desde então.
Apesar de as coisas haverem mudado e de Jesus não estar mais presente fisicamente, ainda realizava milagres, ressuscitava, dava respostas incríveis àqueles em necessidade, mostrava amor, compaixão, misericórdia, trazia as boas novas da salvação. A diferença é que em vez de agir pessoalmente, passou a ter Seus seguidores como intermediários. Ele passou a viver neles e trabalhar por intermédio deles. E é o que ainda faz com aqueles que O amam e seguem.
A Páscoa celebra a ressurreição de Jesus. Celebra Ele haver derrotado a morte, o inferno e Satanás. Livrounos dos nossos pecados. Jesus viveu, amou e morreu por nós —cada um de nós— e está conosco hoje da mesma forma que estava com aqueles com quem conviveu na Terra, há dois mil anos.
Houve um tempo em que Seus discípulos perderam a esperança, depois de Jesus ser crucificado, mas a crise durou pouco. A confusão, o medo e a incerteza passaram quando
entenderam que Ele vivia, que Seu amor, verdade, compaixão, palavras e poder ainda estavam com eles, apesar de sob outras circunstâncias físicas.
Independentemente da nossa situação, das mudanças e das dificuldades, Ele também vive em nós. Onde quer que estejamos, Seu poder e Espírito estão conosco. Sob quaisquer circunstâncias, em qualquer situação, na nossa cidade natal ou em algum país distante, Ele está conosco e agirá em nossas vidas tanto quanto Lhe deixarmos.
Mostremos aos demais que Ele vive, permitindo que ouçam Suas palavras nas nossas, que vivenciem-nO pelas nossas ações amorosas, pela nossa compaixão e pela nossa empatia. Vamos lhes mostrar que Ele está vivo, mesmo neste mundo confuso e desorientado, ajudando-Os a se conectarem a Ele.
Peter Amsterdam e sua esposa, Maria Fontaine, são diretores da Família Internacional, uma comunidade cristã . ■

PERDÃO CONCEDIDO
—Pensamentos sobre a Páscoa David Brandt Berg
Não temos um Jesus pregado a uma cruz. Ele deixou a cruz! Temos uma cruz vazia. “Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó morte, a tua vitória?”20 Não temos um Cristo sepultado, mas um Jesus vivo, que vive em nossos corações. Ressurgiu na vitória, alegria e liberdade, para nunca mais morrer, para que pudesse também nos remir, evitando que sofrêssemos a agonia da morte do espírito. Que dia de regozijo deve ter sido quando Ele ressuscitou e tudo estava consumado. Havia vencido e o mundo estava salvo! 2
Este é o milagre da Páscoa: Jesus não permaneceu no túmulo e será assim conosco também. Não temos de sofrer no Inferno para pagar pelos nossos pecados ou sentir a eterna separação de Deus. Ele fez o pagamento por nós e ressuscitou para uma nova vida. E esta pode estar dentro de nós, dando-nos esperança e paz, pois estamos cheios com o Seu amor. ■
“Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei”.1
ALEGRIA: O FRUTO DO SOL

Todos sabemos o que é conviver com problemas. Dificuldades financeiras, desconfortos trazidos pelo clima ou até o trânsito intenso podem afetar nossos espíritos.
Mas não tem de ser assim. O Espírito Santo pode nos ajudar a superar nossos problemas, grandes ou pequenos e nos fazer felizes e alegres apesar das circunstâncias.
O segredo para ter a alegria do Senhor está em se abastecer com a Palavra de Deus, e assim ter um reservatório do Seu Espírito para
1. Gálatas 5:22–23
2. João 15:11
3. Filipenses 4:8
4. Neemias 8:10
5. James Hudson Taylor (1832–1905), missionário britânico na China e fundador da China Inland Mission (missão para o interior da China.)
6. Théophane Vénard (1829–1861) foi um missionário católico nascido na França, que se dedicou à evangelização da Indochina, onde morreu, mártir pela sua fé.
os momentos estressantes. "Tenhovos dito isso", Jesus disse aos Seus discípulos, "para que o Meu gozo esteja em vós, e o vosso gozo seja completo".2
Então, caso se sinta desanimado ou até deprimido, provavelmente só precisa passar mais tempo com Jesus, lendo e estudando a Sua Palavra. Ficará surpreso com a diferença que isso fará! Algo que ajuda muito é contar as bênçãos e pensar em todas as coisas boas que o Senhor lhe tem dado e feito por você. "Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.”3 “A alegria do Senhor é a vossa força.”4
Rafael Holding é escritor e mora na Austrália. “Alegria: o fruto do sol” é um trecho do livro da série Faça Contato , intitulado Os Dons de Deus . Para adquiri-lo, escreva para revista@contato.org ■
Tu me farás ver a vereda da vida; na Tua presença me encherás de alegria, com delícias perpétuas à Tua direita. —Salmo 16:11
A consciência da tripla alegria do Senhor é a alegria por Ele nos haver remido, a alegria por Ele viver em nós como nosso Salvador enchendo-nos de poder para produzir frutos, e a alegria de Ele nos possuir como Sua noiva e Seu deleite. É a consciência da Sua alegria que é nossa força verdadeira. Nossa alegria nEle pode flutuar, mas Sua alegria em nós não muda. James Hudson Taylor5

Alegre-se! Mas alegre-se para valer. A vida de um verdadeiro cristão deveria ser um júbilo perpétuo, um prelúdio dos festivais da eternidade . Théophane Vénard 6
Rafael Holding


Era um dia de verão particularmente quente e úmido. Jeffrey e eu viajávamos havia algumas horas quando sentamos exaustos na abafada sala de espera de uma estação rodoviária no norte da Itália. Ele mal falava comigo. “Será que eu realmente tinha de vir?” —reclamou. Como é que fui ter esta ideia, afinal de contas? —perguntei-me. Arrastar um rapaz de 14 anos para longe de seus amigos para visitar os avós com sua mãe não é bem o que um adolescente considera diversão. Esperaríamos mais uma hora para pegar o ônibus para nosso destino final. Eu não sabia o que era pior: o ar viciado na sala de espera ou a atmosfera pesada entre nós dois. Estava começando a me incomodar. “Quer tomar um sorvete?” —perguntei.
Isso geralmente funcionava —ou pelo menos costumava funcionar. Não dessa vez. “Não!” veio a resposta seca. “Não preciso disso.” Meu menino estava crescendo.
Um alento de ar fresco
Anna Perlini
Minha paciência estava se esgotando. “Bom, vou comprar um para mim”. Peguei a bolsa e, a caminho da lanchonete, pedi a Jesus para restaurar a boa comunicação entre Jeffrey e eu.
Quando voltei, ele conversava com um rapaz um ou dois anos mais velho. “Emmanuel é romeno,” —explicou ao nos apresentar— “mas fala bem italiano. Vive em um trailer aqui perto com sua mãe e duas irmãs menores. Ele faz biscates para ajudar a sustentar a família, mas quer conseguir um visto de trabalho para arrumar um emprego estável.” Emmanuel era inteligente, tinha boas maneiras e se mostrava disposto a fazer quase qualquer tipo de trabalho.
Continuaram sua conversa animada que minha chegada havia interrompido. Falaram sobre escola, música e sobre a Romênia. Quando Jeffrey contou que fora a um acampamento de verão em Timisoara, Emmanuel ficou radiante. “Eu sou de lá!” —disse. Dava para notar que o rapaz estava feliz por encontrar
outro mais ou menos da sua idade com quem conversar e relaxar. Jeffrey também parecia muito interessado na vida daquele jovem e provavelmente ficou surpreso que alguém de sua idade sustentasse a mãe e as irmãs.
Quando chegou a hora de tomarmos o ônibus, Jeffrey orou por Emmanuel, sua família, deu-lhe um folheto cristão e algum dinheiro.
“Mãe” —sussurrou enquanto nos acomodávamos em nossos assentos no ônibus— “isso foi cem vezes melhor do que sorvete!”
Às vezes, quando estamos chateados ou desanimados, tudo que precisamos é dar um pouco de nós, para nos sentirmos melhor. É renovador como um alento de ar fresco.
Anna Perlini é cofundadora da organização humanitária Per un Mondo Migliore (http:// www.perunmondomigliore. org/), com atuação na região da antiga Iugoslávia, desde 1995. ■
Um Mundo Imperfeito
Chalsey Dooley

Foi só o sorriso de um bebê, uma coisinha de nada, mas mudou minha perspectiva de vida.
Acordou e olhou para mim. À sua frente, tinha o que havia de mais importante no mundo para ele: eu! Não se importava que as peças de pijama que eu estava vestindo não combinassem e que eu estivesse descabelada. Ele apenas me amava e gostava de ficar comigo. Ele não precisava de perfeição, pois o amor acertava todas as coisas. Aquele instante com ele nos braços em que sorvi aqueles raios de amor me trouxe a resposta para algo que estivera pensando antes.
A falta de perfeição na vida sempre me incomodou. Quando alguém dizia ou fazia algo que me contrariava, eu muitas vezes ficava remoendo: Por que tem de existir coisas como incompatibilidade de gênios, falta de consideração,
injustiça, pessimismo, humilhações? Essas coisas existem mesmo e são erradas! Gostaria que não existissem. Se todos, inclusive eu mesma, entrássemos nos eixos, minha vida seria uma perfeição maravilhosa. Na minha maneira de ver, a perfeição era a única coisa que poderia aliviar minhas irritações. Mas eu sabia que era impossível. A vida tem imperfeições e eu precisava de outra opção. Quanto mais pensava nisso, mais percebia que o que eu realmente queria era que o mundo girasse em torno de mim —dos meus desejos, sentimentos, preferências e prioridades. As coisas não podiam continuar como estavam e parecia que, dessa vez, era a minha vez de mudar, sem me importar com as culpas dos outros. Mas como? Já havia tentado antes.
E naquela manhã, com meu bebê no colo, um pensamento me veio: Você gostaria que seu bebê já tivesse nascido perfeito?
Depois de ponderar sobre isso, vi que nada poderia ser menos desejável. Se, ao nascer, meu filho já soubesse andar e correr, eu jamais teria visto a emoção e o senso de realização estampados em seu rostinho quando desse os primeiros passos nem teria conhecido aquela sensação especial de tê-lo nos meus braços, sabendo que ele dependia completamente de mim. Se ele tivesse nascido falando perfeitamente, eu não teria vivenciado a alegria de ouvi-lo dizer a primeira palavra. Se, ao nascer, meu bebê soubesse tanto quanto um adulto, eu não testemunharia a fascinação com que faz suas descobertas nem teria a realização de lhe ensinar algo. Eu perderia muito. Não... sua imperfeição o torna perfeito. Eu não gostaria que ele fosse nada diferente do que é!
O que, então, perguntei-me, faz a imperfeição dele diferente das outras que me cercam?

A resposta não demorou: O amor faz a diferença.
Claro! Era o que estava faltando, o que eu precisava para poder enfrentar com coragem e alegria os problemas que eu preferia que não existissem.
Entendi tudo que perderia se eu e todos ao meu redor tivéssemos nascido perfeitos. Faltaria a imprevisibilidade da vida que dá um senso de surpresa às coisas; a alegria de perdoar e ser perdoado; os laços fortes da amizade atados na adversidade e os traços de personalidade positivos formados da mesma maneira.
Aprendi que pensar negativamente sobre uma situação negativa jamais produz resultados positivos. Determinei-me, então, a procurar as oportunidades e as experiências positivas ocultas sob a máscara da imperfeição.
Quando meu bebê teve dificuldades para dormir naquele dia, decidi me esforçar ao máximo para pôr em
prática a lição que havia aprendido. Deixei um pouco de lado o que eu achava ser o melhor para ele e, com meu marido, cantei e brinquei com meu pequeno. Foi um momento perfeitamente feliz que todos teríamos perdido se tudo tivesse sido “perfeito” naquele dia.
As situações e as pessoas que encontramos podem encher nossas vidas com alegrias e surpresas, se conseguirmos enxergar além. As dificuldades, as perdas, os sofrimentos e as falhas podem ser vistos como as pistas de um jogo de caça ao tesouro, ou a porta de um cofre que guarda os lindos tesouros de Deus: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á.”1
Chalsey Dooley é escritora de literatura para inspiração infantil e para cuidadores de crianças. Mora na Austrália ■
Quando paramos de esperar que as pessoas sejam perfeitas, podemos gostar delas do jeito que são. —Donald Miller
Quem busca a perfeição jamais encontra contentamento. —Leo Tolstoy
Há dois tipos de perfeição: a que jamais é alcançada e a que encontramos quando somos nós mesmos. —Lauren King
Detesto a ideia de um mundo perfeito. É a coisa mais monótona em que posso pensar. —Shelby Foote
Ser feliz não significa que tudo é perfeito. Significa que você decidiu enxergar além das imperfeições. —Autor anônimo

A CIVILIZAÇÃO MAIA
Anna Wormus
Por conta do nosso trabalho voluntário, meu marido, Andrew, Angelina, minha filha, e eu nos mudamos da Europa para a América Central. Certa vez, tivemos a maravilhosa oportunidade de nos sentar à beira de um tranquilo lago na Guatemala, centro da rica cultura maia de tempos remotos. Em meio àquela serenidade, o principal acontecimento do dia para os moradores locais e turistas é assistir ao Sol se pôr atrás de três vulcões que se erguem à margem oeste do lago. Naquelas bandas, os prazeres da vida são simples, como nadar onde as fontes vulcânicas de águas quentes jorram no lago, criando uma curiosa mistura de água gelada, morna e quentíssima.
Não bebo café, mas fiquei fascinada por observar como seus grãos crescem, são secos, torrados, moídos para finalmente se converterem em uma deliciosa xícara de café quente. O aroma era inebriante e o sabor, garantiram Andrew e Angelina, divino: uma verdadeira xícara de café caseiro.
Era uma cena interessante — turistas dando um tempo em suas vidas

corridas, estressantes e supostamente “civilizadas”, ao lado de mulheres maias pacificamente produzindo seus lindos tecidos multicolores, algumas com um bebê, neto ou talvez bisneto dormindo tranquilamente preso às costas por uma faixa, ou brincando tranquilamente ali perto. Que contraste!
Apesar de hoje em dia os maias precisarem vender seus produtos aos estrangeiros para se manterem, não permitiram que o mundo moderno poluísse suas vidas. Habilidosos e pelejadores, trabalham em cadência, do nascer ao pôr do sol, produzindo encantadoras roupas tradicionais. Não se deixando levar pelos modismos, orgulhosamente usam o que fabricam. Tampouco dependem do sistema farmacêutico, pois encontram os medicamentos que precisam nas árvores e plantas que crescem na sua região. Até produzem seus próprios cosméticos. (Meu cabelo está bem melhor desde que comecei a usar o xampu à base de ervas que comprei deles, em comparação a quando usava os de fabricação industrial, quer de ervas ou outro, que alguma vez experimentei!)
Sentada sob as palmeiras que suavemente balançavam as folhas, ouvia as ondas suaves se revezarem na praia do lago, enquanto me encantava vendo o Sol se esconder do outro lado dos vulcões. Era como se fora levada para o reino celestial de Deus e descoberto uma das razões de eu ter sido criada: desfrutar tudo aquilo! Os adeptos da correria insana, da competição sem fim e outros do gênero consideram os maias atrasados. Discordo. A velocidade e o estresse roubam a nossa alegria de viver, mas ir mais devagar e alinhar nossa prioridades com as de Deus conserta todas as coisas.
Anna Wormus é cofundadora e diretora da organização Healing Hearts Balkans [curando corações nos Balcãs) (http:// healingheartsbalkans.org/).
Ela e o marido vivem atualmente na Sérvia e trabalham na região da antiga Iugoslávia, castigada pela guerra, desde 1995. ■
11 dicas
-Para acabar com a tristeza
Samuel Keating

1
Conte suas bênçãos. Expressar gratidão faz maravilhas para animar o seu espírito. Existe poder espiritual no louvor, o qual pode compensar o que lhe pesar no coração.
2
Faça contato com Jesus. Ele o ama e Se preocupa com você, além de ter a solução para todo problema. Conte para Ele como se sente; leia a Palavra; e ampare sua fé com Suas promessas.
4
Faça um intervalo. Pare tudo e faça uma pequena caminhada. Sente-se em um local onde vai relaxar, ou contemple uma foto da natureza que lhe agrade. Medite nas coisas lindas da vida.
8Passe tempo com os seus filhos. As crianças têm muito amor para dar, e sua alegria, flexibilidade e simplicidade podem ajudá-lo a lembrar o que é realmente importante.
9
Melhore o ambiente. Um quarto limpo, uma vista bonita, uma pequena melhoria no lar, ou até mesmo boa iluminação, podem deixá-lo mais “para cima”.
5
Cante ou ouça uma canção feliz. Pode alegrá-lo e deixá-lo mais animado. Uma canção de louvor a Jesus pode encher o seu coração de gratidão e paz.
3
Faça algo bom para alguém. Estender a mão a quem precisa não só ajuda a pessoa, mas também anima o seu próprio espírito.
6
Exercite-se. O exercício físico libera endorfina, que o faz se sentir bem, ajuda a acalmar e redirecionar os pensamentos, afastando suas energias das preocupações e pesares.
7
Ria alto. “O coração alegre serve de bom remédio”1. Não leve a vida ou a si mesmo a sério demais. Leia ou assista uma comédia, pense em algo engraçado, ou converse com alguém que normalmente o anime.
10
Durma o suficiente. É mais fácil enfrentar qualquer situação quando se está bem descansado. Um grande déficit de sono, além de aumentar os problemas, geralmente o deixa se sentindo muito mal.
11
Sorria. A alegria no seu sorriso não precisa ser sua própria. Basta ser um reflexo da alegria que Jesus dá. Vai fazê-lo se sentir melhor e ver o mundo sob um prisma mais positivo.
Samuel Keating é coordenador de produção da Activated ( Contato em inglês) e vive atualmente em Milão, na Itália . ■
Quando o bom é preferível ao melhor

Ensina o ditado popular que “o bom é inimigo do melhor”. Em outras palavras, acomodar-se a algo que seja meramente bom pode fazer que não alcancemos algo melhor. Parece ser um imperativo cultural dos nossos dias jamais nos contentarmos com nada inferior ao que acreditamos ser indiscutivelmente o melhor para nós. Mas estou chegando a outra conclusão.
Por causa da minha busca pessoal pelo melhor resultado possível em toda e qualquer situação, vi que deixava passar boas possibilidades, por imaginar que, ao virar da próxima esquina, encontraria o que eu realmente, mas realmente queria. Com isso, não aproveitava as oportunidades que tinha à mão. Foram casos em que parecia que “o melhor” tornou-se inimigo do “bom”. Na busca
1. Ver Atos 10:38.
2. Romanos 8:28, ênfase acrescentada.
3. Eclesiastes 5:18
do lendário pote de ouro no fim do arco-íris, não vi a beleza do arco-íris. Eu provavelmente ficaria mais feliz se desfrutasse a viagem em vez de ficar tão obcecado em chegar ao destino.
Enquanto pensava nisso, lembrei-me que Pedro disse que Jesus havia andado por toda a parte fazendo o bem.1 Jesus aproveitava para fazer o bem sempre que surgia uma oportunidade.
Existe também a passagem clássica da Carta de Paulo aos Romanos, em que escreve que “todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o Seu propósito.”2 Muitas vezes recorri a esse versículo quando não parecia que as coisas estivessem indo tão bem. Contudo, ultimamente, tenho pensado com mais profundidade sobre esse trecho das Escrituras e como as coisas cooperam para o bem, não necessariamente para o melhor. Não acho que esteja na melhor situação
agora mesmo, mas sei que estou bem e, em vez de me apoquentar pelo que não tenho, posso encontrar alegria e prazer nas coisas positivas das minhas atuais circunstâncias.
Salomão aparentemente chegou a uma conclusão semelhante, pois escreveu: “Então percebi uma boa e bela coisa: alguém comer e beber, e gozar cada um do bem de todo o seu trabalho, […] pois esta é sua porção.”3 Sendo assim, uma busca constante por algo melhor pode fazer com que deixemos de valorizar as coisas boas que já temos. O que acha então de nos contentarmos com o bom? Talvez não sempre, mas acho que seríamos mais felizes de uma maneira geral se fizéssemos isso com frequência. Afinal, algo bom não é ruim!
Phillip Lynch é romancista e comentador sobre assuntos espirituais e questões escatológicas. Mora em Atlantic, no Canadá. ■
Phillip Lynch
Gratidao dos cinco sentidos
—Um exercício espiritual
Abi May
Cada dia é repleto de momentos felizes pelos quais podemos dar graças a Deus, se fizermos uma pausa para reconhecê-los. Este exercício de gratidão se baseia no que percebemos com nossos cinco sentidos.
Muitas coisas são belas ao olhar, sejam paisagens naturais, árvores ou flores, criadas com grande arte e destreza arquitetônica, o reencontro com um amigo ou avistar nossa casa depois de um período de ausência. Que prazeres o esperam nesta jornada? Agradeça a Deus por eles.
Quando proveu alimento para os israelitas nos 40 anos que passaram no deserto, Deus deu a entender que não apenas se preocupava com o sustento das pessoas, mas queria lhes dar algo saboroso. Tempos depois, o rei Davi chamou o maná, essa comida misteriosa que surgia no solo a cada manhã de “pão dos anjos”.1 Em outra passagem, lemos que o maná “tinha gosto de pão assado com azeite”2 Pense no que você comeu e bebeu hoje. Que sabores e texturas você desfrutou? Agradeça a Deus por eles.
Enxergamos com os olhos, cheiramos com o nariz, sentimos sabores em nossas bocas e ouvimos com os ouvidos, mas o tato é transmitido por minúsculas terminações nervosas que nos cobrem da cabeça aos pés. Uma única ponta de dedo tem cerca de 2.500 receptores. Nossos dias são cheios de toques. Penteamos o cabelo de nossa filha e sentimos sua suavidade. Sentimos o calor de uma xícara de café ou chá. Jogamos água fria no rosto quando o dia está quente. Que experiências especiais você teve hoje graças ao sentido do tato? Agradeça a Deus por elas.
O gorjeio dos pássaros, o som da música, a voz da pessoa amada ao telefone têm o poder de nos fazer sorrir. Que sons lhe trouxeram prazer hoje? Agradeça a Deus por eles.
O olfato é provocador. O cheiro da grama recém-cortada nos lembra do verão. Um determinado perfume pode remeter à pessoa amada ou um amigo. O aroma de uma comida pode evocar a lembrança de lugares e experiências de um passado distante. Que bons odores você experimentou hoje? Que pensamentos felizes lhe trouxeram? Agradeça a Deus por eles.
Vá além com este exercício e, quem sabe, comece um caderno de gratidão sensorial. A cada noite, escreva as experiências daquele dia relacionadas a cada sentido. Basta uma palavra ou duas. É o momento de reflexão que torna o exercício valioso.
Abi F. May é educadora, escritora e articulista da Contato. Mora na Grã-Bretanha. ■
visão
audição
paladar
olfato
A habilidade de ver o lado positivo é um dom. Melhora os momentos felizes e torna os difíceis mais toleráveis. É o caminho para alegrias maiores, que é um dos tesouros que você encontrou ao Me conhecer. Amor, fé, paz, alegria —estes e muitos outros dons vêm das Minhas mãos para o enlevar e inspirar.
Quero que você partilhe da Minha completa alegria,1 mas há algo que você deve fazer antes que isso possa acontecer: aceitar quem ou o que você é, acreditar que foi criado para um propósito maravilhoso, com um conjunto ímpar de talentos, dons e atributos que o ajudarão a encontrar e ocupar um lugar no mundo que é especial e criado só para você.
Concedo-lhe o dom da alegria, para aliviar o sofrimento;2 felicidade, para secar suas lágrimas;3 amor, para lançar fora o temor.4 A perspectiva ilumina o momento para lembrar você que Meu amor e desvelo são constantes e posso gerar benefícios a partir de qualquer problema que ameaçar derrotar você.5

1. Ver João 15:11.
2. Ver Isaías 61:3.
3. Ver Salmo 30:5.
4. Ver 1 João 4:18.
5. Ver Romanos 8:28; 37–39.