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Congresso Internacional Abit 2018

Page 1

Índice

24

sessão de abertura

06

26

Palestra especial

10

Palestra de abertura

28

Painel 5

12

painel 1

30

Painel 6

14

painel 2

16 18

Abertura Oficial

Sua empresa está preparada?

A importância da formação profissional na indústria 4.0

“Temos que abraçar a tecnologia”

“As mudanças são muito rápidas”, diz Google

Mudanças no ambiente corporativo podem ser feitas em diversas esferas

A indústria 4.0 no setor têxtil e de confecção avança no mundo

34

Palestra de encerramento

painel 3

36

balanço 2º dia

painel 4

39

social

com a palavra

Indústria e universidade em prol da inovação

O profissional feliz é mais produtivo

A transformação do mercado será digital

20

Balanço 1º dia

43

22

2º dia

46

Educar para enfrentar situações desafiadoras

study tour

Study Tour tem roteiro especial para congressistas


Abertura

Oficial


O evento é uma oportunidade para discutirmos o futuro que juntos estamos construindo para o setor têxtil e de confecção

Fernando Pimentel faz abertura do Congresso Abit 2018


O presidente Fernando Pimentel fez a abertura oficial do Congresso Internacional Abit 2018, que acontece nos dias 17 e 18 de outubro, em São Paulo. Durante discurso, o executivo ressaltou aspectos relacionados ao tema “Pessoas: transformando e sendo transformadas na era digital”. Pimentel destacou a importância de qualificar e requalificar os indivíduos. “O evento é uma oportunidade para discutirmos o futuro que juntos estamos construindo para o setor têxtil e de confecção”, enfatizou. “Entre outros pontos, vamos debater como a tecnologia pode ajudar no desenvolvimento das empresas e das pessoas”, complementou o presidente da Abit. O ministro Marcos Jorge de Lima, do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), ressaltou a necessidade de discutir as novas tecnologias e como as indústrias têm buscado se adaptar ao novo cenário. “O MDIC tem uma série de ações para escalar o nosso parque industrial para a indústria 4.0. Entre elas, o financiamento de projetos inovadores está no nosso foco. Também zeramos o imposto de importação para robôs industriais (sem similar nacional)”, apontou. “Desejo que o Congresso Abit traga contribuições para tornar a indústria cada vez mais moderna e competitiva”, finalizou. O prefeito de São Paulo, Bruno Covas,

também prestigiou a solenidade de abertura da 3ª edição do Congresso Internacional Abit. Reforçou a importância da indústria têxtil e de confecção para a economia do município. “Somos parceiros desse setor tão significativo para a cidade de São Paulo e para o Brasil”, destacou. Flavio Roscoe, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) afirmou que os dias atuais são desafiadores e merecem atenção. “Temos um grande desafio, pois estamos em uma fase muito importante na história recente do Brasil. Temos uma oportunidade de nos engajarmos na vida política brasileira e na transformação do nosso ambiente de negócios”, frisou. A cerimônia também contou com a presença de Juan Quirós, presidente da SP Negócios, do presidente emérito da Abit e vice-presidente do CIESP, Rafael Cervone, que representou a FIESP, entre outras autoridades. O Congresso Internacional Abit tem parceria institucional com o Texbrasil Programa de Internacionalização da Indústria Têxtil e de Moda Brasileira, desenvolvido em parceria com a ApexBrasil. Patrocínio: Senai-Cetiqt, ABDI e BNDES. Confira a relação completa no site do evento.


Palestra de Abertura

sua empresa está preparada? Em um mundo com 97% das pessoas conectadas à internet, 914 milhões de usuários de redes sociais e 429 milhões de viajantes internacionais, as relações mercadológicas e pessoais estão em mudança. Com essas informações relevantes, a sócia da consultoria McKinsey & Company, Ana Karina Dias, foi responsável pela palestra de abertura do Congresso Abit 2018, no dia 17, na capital paulista. O tema “Dogmas em risco: O futuro da força de trabalho em um ambiente de rápida mudança” foi abordado pela especialista que trouxe os resultados das pesquisas realizadas pela McKinsey. De acordo com a amostragem, se toda tecnologia existente for automatizada, a ação impactaria em $ 14,6 trilhões os salários e até 5% de profissões deixariam de existir. “Neste meio consideraremos que desde operadores de máquinas de costura até designers de moda podem ser automatizados, esses últimos com menor possibilidade”, afirma.


Outro ponto abordado por Ana girou em torno do perfil dos trabalhadores. “Existe um mito, por exemplo, sobre os Baby Boomers não serem adaptáveis. Mas na realidade, muitos deles estão no mercado para complementar a renda e querem flexibilidade para atuar”, desmistifica. O estudo ainda detectou o crescimento da Gig Economy – economia baseada em curtos ciclos de trabalho, utilizada principalmente por pequenas companhias. “Sabemos que até 2020, cerca de 40% dos colaboradores atuará desta forma, como freelancers ou intermitentemente”, alerta.

Dentro do cenário brasileiro, o levantamento aponta que as organizações terão de desenvolver ao menos 45% as novas habilidades para qualificar as pessoas até 2030. “A indústria tem uma contribuição muito importante. Que bom que contamos com esse tema discutido aqui no evento da Abit”, elogiou. Ela ainda conclui: “O impacto dessas mudanças é grande, porém virá em velocidades diferentes. Não acontecerá do dia para a noite. Porém é cada vez mais importante a nossa habilidade emocional e de lidar com as pessoas.”

VEJA A ENTREVISTA REALIZADA COM A PALESTRANTE DIRETAMENTE DO NOSSO ESTÚDIO NO CONGRESSO ABIT 2018.


Painel 1

A importância da formação profissional na indústria 4.0 Moderado pelo economista José Roberto Mendonça de Barros, o primeiro painel do Congresso Abit 2018 abordou aspectos relacionados à formação de pessoas e a preparação delas para o mercado de trabalho em tempos de indústria 4.0. Gustavo Leal, diretor de Operações SENAI (Departamento Nacional), afirmou que a educação de qualidade será determinante nesse cenário de mudanças. “A falta do trabalhador qualifica-

Gustavo Leal

do ainda é a principal dificuldade das empresas”. Segundo ele, o SENAI tem buscado ações imediatas para mostrar para as empresas que a indústria 4.0 é factível. “Ela ainda é incipiente no Brasil e isso tudo é muito pouco entendido pelas empresas: 42% delas desconhecem a importância das tecnologias digitais para a competitividade da indústria e 52% sequer utilizam tecnologia digital. Mas, no entanto, é preciso iniciar e o processo deve ser gradual”, argumentou Leal.

Priscilla Fialho


Já Priscilla Fialho, economista da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), enfatizou de que maneira as mudanças tecnológicas, a globalização e o envelhecimento da população poderão afetar as profissões futuramente. Nesse contexto, ela destaca a importância para a formação de adultos. “Aqui no Brasil, as instituições do Sistema S - SESI, SENAI, SENAC, SESC, SEBRAE, além do Pronatec, a Rede Certific e a Escola do Trabalhador (Ministério do Trabaho) atuam em diferentes plataformas”. De acordo com Fialho, as instituições de ensino também têm o desafio de alinhar a oferta de cursos com a demanda do mercado. “É preciso desenvolver um sistema capaz de identificar as necessidades de competências do país”.

apresentou dados que mostram que o Brasil está aberto a novas tecnologias. “Nossos estudos identificaram que Brasil e América Latina pensam que os robôs são um perigo para a humanidade. Mesmo assim, os brasileiros demonstram que estão abertos a novas tecnologias”, comenta. A educação surge como um ponto forte para os dias que virão. “Cerca de 60% dos brasileiros acreditam que a ela será responsável pelos empregos do futuro”.

VEJA A ENTREVISTA REALIZADA COM PRISCILLA FIALHO NO NOSSO ESTÚDIO NO CONGRESSO ABIT.

Encerramento o painel, a especialista de Integração do BID, Ana Inés Basco,

Ana Inés Basco

José Roberto Mendonça


Painel 2

indústria e universidade em prol da inovação A “Interação Academia Indústria no Desenvolvimento de Ecossistemas de Inovação” foi o tema do segundo painel do Congresso Abit, que trouxe para o evento a discussão sobre os estímulos mútuos para que companhias e universidades realizem progressos na ciência e tecnologia em busca de solução para problemas dos clientes e da sociedade. Naira Bonifácio, vice-presidente SCI-BR Foundation, explanou como a fundação quer criar um diálogo possível para que o ecossistema da inovação seja cada vez mais viável para o mercado

Gabriel GustavoGorescu Leal

e para a pesquisa. “Nós conectamos acadêmicos, cientistas e empreendedores. Além de levar a ciência e novas tecnologias para fora do Brasil”, relata. Ela ressalta que para que haja sinergia entre todas as partes desse processo é necessário que estejam envolvidas pessoas, organizações híbridas, cultura de confiança e colaboração. “As universidades estão se desenvolvendo para entregar a questão empreendedora de forma mais consistente. É algo que está mudando”, concluiu.

Anthony Knopp


Como modelo de universidade que incentiva estudos e negócios, Anthony Knopp, diretor do Programa de Relações Corporativas do MIT, contou como o instituto atua para a promoção da ciência por meio do mercado. “Temos mais de 150 laboratórios e centros de pesquisas que giram em torno de perguntas que não têm resposta”, revelou. De acordo com a apresentação, mais de 1.600 startups surgiram dentro do MIT e funcionam plenamente. “A relação entre academia e companhias faz com que haja interações com soluções para ambas as partes. Existe muito risco, mas isso faz parte do trabalho”, afirma Knopp. Para mostrar o vínculo entre empresas e academia na prática, Gabriel Gorescu, diretor de pesquisa e inovação na América Latina da Rhodia, mostra como a indústria pode contar com a

colaboração de pesquisadores. “Temos convênios em universidades estrangeiras e hoje no Brasil não temos isso, porém estamos trabalhando para isso. Um exemplo disso é o desenvolvimento do fio Amni Soul Eco, cujo contamos com apoios da academia”, disse. Gorescu ainda completa: “A interação com as universidades não precisa se dar apenas por bolsas de mestrado e doutorado, podemos fazer convergências diferentes. Algumas missões podem ter interesses em comum, como progresso cientifico e tecnológico. Uma dica: procurem nas universidades competências complementares ao que a sua organização tem”.

VEJA A ENTREVISTA REALIZADA COM Anthony Knopp NO NOSSO ESTÚDIO NO CONGRESSO ABIT.

Naira Bonifácio

José Roberto Mendonça


Painel 3

o profissional feliz é mais produtivo “Proporcionamos mais do que apenas um trabalho, realizamos os sonhos de vida dos colaboradores”. A declaração é de Grasiela Moretto, diretora Administrativa da Ufo Way Denim Brasil e que participou do painel 3 do Congresso Abit 2018. Durante apresentação para a plateia de quase 350 congressistas, a empresária de Criciúma (SC) enumerou ações desenvolvidas para fortalecer a relação com os trabalhadores. “As pessoas são o nosso maior patrimônio. Precisamos oferecer serviço de qualidade e excelência para os nossos clientes e

Grasiela Moretto

são os colaboradores que fazem esse trabalho”, reforçou. “Na Ufo Way, trabalhamos na valorização, no respeito ao colaborador, independentemente do cargo que ocupa. O colaborador precisa se sentir dono de parte do seu negócio para se sentir engajado com o produto”, complementou. “Como segurar os talentos na empresa? Proporcione um ambiente de trabalho inspirador e feliz. Assim eles não irão embora na primeira oportunidade que surgir”, aposta a executiva.

Hassam Callegari


A importância da felicidade no ambiente de trabalho também foi enfatizada por Hassan Callegari, gerente Comercial da Love Mondays. “Colaboradores infelizes produzem 40% menos. O profissional feliz é mais produtivo”, declarou. Segundo ele, hoje as pessoas escolhem as empresas em que elas querem trabalhar e a pesquisa por novas carreiras é feita pela internet. “Identificamos que 80% das pessoas confiam em avaliações online”, cita Callegari. Na Love Mondays, plataforma de informação sobre novas oportunidades de trabalho, os itens que os profissionais mais elogiam são ambiente de trabalho, reputação da empresa, benefícios corporativos, progressão na carreira e competência dos colegas. Já as maiores críticas são: salário, falta de reconhecimento e de plano de carreira,

Caio Infante

liderança da empresa e falta de qualidade de vida. Caio Infante, gerente Geral Latam/TMP Worldwide, esteve na discussão e também fez coro no quesito “felicidade no ambiente de trabalho”. De acordo com ele, “as pessoas felizes no trabalho vão replicar essa experiência para outros”. E dá um conselho aos empregadores: “tratar bem o colaborador é tão importante para seu negócio como tratar bem seu cliente. Competir por talentos não é diferente de competir por consumidores”. Entre os pontos que torna a empresa única, Infante atribui questões como a diversidade e inclusão, a avaliação se o site de carreira promove uma imersão na marca empregadora e se os líderes são capazes de fomentar a cultura da empresa, entre outros.

José Roberto Mendonça


Painel 4

a transformação do mercado será digital O painel de encerramento do primeiro dia do Congresso Abit 2018 tratou da transição do mercado de trabalho na era digital. Mario Conde, líder de Prática de Digital da Bain & Company, apresentou dados que reforçam como o perfil da cultura empresarial está sendo alterado. “Os três principais pilares atualmente são: mudança demográfica, modelo organizacional e automação. Dentro desse contexto, nos próximos 20 anos, o número de pessoas que vai entrar no mercado é de ¼ do que

Mario Conde

foi há duas décadas. Essa retração será compensada pela produtividade da automação”, alerta. O especialista expôs como as organizações que mais obtêm sucesso estão buscando um perfil de time “ágil”. Isso quer dizer que os departamentos não precisam mais esperar o feedback de outras áreas para prosseguir com uma determinada estratégia. “Essa definição traz muito mais resultado e em cinco anos, os colaboradores atuarão

Paula Pizzani


em missões críticas multidisplinarmente” ressalta.

Essa política nos fez passar pela crise de 2015 imunes”, salienta.

Com uma pergunta pragmática, a gerente de DHO da Cedro Têxtil, Paula Pizzani, iniciou seu painel: “Sabe por que o retrovisor é melhor que o parabrisa? Porque o caminho que vem à frente é mais importante do que o ficou para trás. 40% das empresas na lista da Future 500 Companies de 2011 não existirão mais em pouco tempo”, adverte Pizzani.

Pensando no contexto digital e como o consumidor impulsiona as mudanças também do mercado de trabalho, Paulo Correa, CEO da C&A Brasil, exibiu as ações realizadas pela varejista neste sentido. “Estamos em um novo contexto, onde quem comanda é o cliente, além da relevância e da velocidade. Para tanto, fizemos um experimento criando um verdadeiro squad com um time de várias áreas focado na criação de coleções semanais. Essa ação gerou um outro nível de rapidez e simplicidade na missão executada. Imagino que, em breve, as reuniões dessa equipe especial contarão com a participação online em vídeo de fornecedores e terceirizados para ajustar detalhes e facilitar ainda mais o processo”, disse.

A líder ainda afirma como a participação dos colabores é essencial para a existência e longevidade da tecelagem. “Na Cedro, desde 2010, temos um programa de ideias. Registramos mais de 19 mil sugestões vindas dos trabalhadores das mais diversas funções, principalmente da área operacional.

Paulo Correa

José Roberto Mendonça


Balanço

1 º dia

O presidente da Abit, Fernando Pimentel, fez um balanço ao vivo do primeiro dia de atividades do Congresso Internacional Abit 2018. Participaram do bate-papo o moderador dos painéis, o economista José Roberto Mendonça de Barros e a diretora Administrativa da empresa Ufo Way, Grasiela Moretto.

Assista à gravação:


2ยบ dia


Sessão de Abertura

“temos que abraçar a tecnologia”


Como a cadeia têxtil pode se manter em meio às transformações atuais? Estamos alinhados com as demandas dos consumidores? Assim, Denise Sakuma, vicepresidente da Abrafas, iniciou sua palestra no segundo dia (18/10) do Congresso Abit 2018. A resposta para a pergunta provocadora veio em vários desafios para o setor. “A preocupação vai além dessas questões, temos algumas tarefas para nos empenharmos”, afirmou. “Tradicionalmente, a cadeia têxtil usa todos os sentidos humanos. O que nos falta é dominar o sentido digital, como inteligência artificial, big data, social media, e-commerce. Mas nada disso faz diferença se nós lideres não abraçarmos esse movimento. Temos que dedicar esforço extra para continuar a encantar todo nosso entorno”, ressaltou Sakuma. A especialista ainda destacou alguns pontos, dos quais as empresas podem se debruçar para inovar e acompanhar as mudanças. “Nosso primeiro desafio é reduzir a defasagem tecnológica no setor. Outro quesito é a participação na economia colaborativa, também precisamos pensar em sustentabilidade, que é algo que se altera rápido. E, por fim, a tecnologia, temos que abraçá-la”, revela “As plataformas hoje conectam desconhecidos em interesses comuns e permitem fechar negócios. Um exem-

plo disso é a parceria entre LYCRA®, Emana® e Santaconstancia para criar um novo produto fitness para a marca Vestem. O vídeo de lançamento fez com que fosse um sucesso nas redes sociais e o artigo se esgotasse em poucos dias”, destaca. Denise finaliza o painel com uma verdadeira convocação à indústria. “Temos um mundo novo e precisamos nos comprometer a solucionar problemas. A matéria-prima não se faz sozinha, dependemos do sucesso da cadeia têxtil para existir”.

ASSISTA À ENTREVISTA REALIZADA AO VIVO EM NOSSO ESTÚDIO DIRETAMENTE DO EVENTO.


Palestra especial

“as mudanças são muito rápidas”, diz Google

“Em meio a tudo isso, como as empresas podem olhar para frente, uma vez que as mudanças que vêm por aí são muito rápidas? Que ajustes fazer para se manter relevante?” Fabio Coelho, presidente do Google Brasil


O presidente do Google Brasil, Fabio Coelho, realizou a palestra especial no segundo e último dia do Congresso Internacional Abit 2018, em São Paulo. Aos congressistas, o executivo da empresa que tem cerca de 20 anos no mercado e vale US$ 1 trilhão, comentou como a indústria têxtil e de confecção pode se beneficiar de ferramentas tecnológicas para ter êxito na era digital. Ele enfatiza que as mudanças ocorridas desde a explosão dos smartphones, em 2014, estão cada vez mais aceleradas. “Em meio a tudo isso, como as empresas podem olhar para frente, uma vez que as mudanças que vêm por aí são muito rápidas? Que ajustes fazer para se manter relevante?”, provoca o palestrante. “A revolução digital trouxe a democratização do acesso e o novo consumidor está conectado o tempo todo. Ele pensa no que é melhor, mais barato, rápido e conveniente para ele. Está sempre em busca de experiências melhores. Está cada vez mais curioso, exigente e impaciente”. Fabio Coelho comenta que o Google pode ser usado como platafor-

ma para acelerar negócios. “Hoje 40% dos consumidores vão à loja sabendo exatamente o produto que querem comprar. O online já influencia 35% das vendas da categoria. Consumidor exigente pesquisa mais antes de comprar; é imediatista e está conectado”, diz. “Sabemos que 92% gastam mais tempo pesquisando sobre marca ou produto online do que em loja física e 60% dos usurários de smartphones descobriram um novo produto fazendo buscas no Google”, reforça. “As empresas estão prontas para a transformação? Não. Porque as mudanças ocorrem o tempo todo. Nunca estaremos prontos no mundo de hoje”, declara. Fabio Coelho também aconselha os empresários a ficarem atentos para dar a assistência que os consumidores esperam. “Preparem-se para as expectativas crescentes dos clientes. Seja ‘all line’, relevante e rápido. É uma jornada complicada. O importante não é estar pronto e, sim, estar dentro. Temos que continuar perseguindo esse consumidor cada vez mais dinâmico”, observa.


Painel 5

mudanças no ambiente corporativo podem ser feitas em diversas esferas “A ética não está na tecnologia, está nas pessoas. O mesmo robô que pode monitorar a sua fábrica e melhorar resultados, pode destruir a mesma indústria. E isso somente as pessoas podem mensurar”, afirmou Marcos Panassol, sócio da PWC, durante o Painel 5 do Congresso Abit 2018. Abordando o tema “o novo ambiente de trabalho na sociedade do futuro”, Panassol demonstrou alguns dados das pesquisas recentes da consultoria. Ele conta que os millennials buscam o desenvolvimento e o propósito de vida

Sandra Barquilha

alinhado com os valores da organização em que atua. “Temos que dar feedbacks construtivos para essa geração e isso sempre funciona quando é feita no olho no olho. Assim, eles entendem as questões repassadas e podem crescer com a gente”. Já Hugo Silveira, gerente sênior da WeWork, apresentou o modelo de negócios da empresa em que atua. “Trata-se de uma startup de locação de espaço para trabalho para proporcionar uma experiência diferente de trabalho e

Hugo Silveira


tornar o trabalhar em algo agradável”, iniciou a conversa. A WeWork abre de oito a 10 espaços em todo o mundo por mês, além de figurar na lista das cinco startups mais valiosas e tem a pretensão de chegar a 1 milhão de usuários no mundo. “Para atingir essa meta temos três tendências que nos norteiam, que são: o fenômeno de robotização - que vai fazer com que as pessoas fiquem sem atividades, inteligência artificial - está cada vez mais próxima de todos os trabalhadores, até mesmo intelectuais. E a Cultura Millennial, as pessoas pensam mais no propósito do que o trabalho. As empresas devem pensar em como reter essa geração”, revelou. O desafio de ser inovadora na gestão de recursos humanos em uma manufatura foi o mote da apresentação de Sandra Barquilha, diretora de RH da 3M. “O sucesso da 3M veio da operação industrial. Portanto, a indústria não irá aca-

Marcos Panassol

bar, mas com a tecnologia, não vamos nos prender mais a determinados processos”, salienta a executiva. Pensando nisso, a fábrica decidiu revisitar a estratégia de RH, incluindo as pessoas nesse processo. O resultado disso foi a adaptação e fortalecimento da cultura, desenvolvimento de uma liderança inspiradora e empoderada, a promoção de um ambiente saudável, diverso e inclusivo, entre outros. “Não consigo ter a flexibilidade de uma startup, mas como adapto isso dentro da minha realidade. Mesmo sendo uma empresa manufatureira, mas implantamos coisas novas. Assim, temos feira, serviços de conveniência, entrega de supermercado, banco, lavanderia, salão de beleza e até mesmo açougue, política de home office. São coisas simples para fazer, como colocar as pessoas na sala para ouvi-las e traçar melhor as atividades. Não precisa de grandes recursos tecnológicos”, concluiu.

José Roberto Mendonça


Painel 6

A indústria 4.0 no setor têxtil e de confecção avança no mundo Brasil, Itália, Suíça, Alemanha. Em que cada um desses e outros países têm avançado quando o assunto é indústria 4.0? Esse foi o ponto principal do último painel do Congresso Internacional Abit 2018, que foi debatido por especialistas nacionais e estrangeiros. Bruno Jorge Soares, coordenador do Programa de Indústria 4.0 da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) destacou que a entidade tem a estratégia de transformar a indústria

Yves Gloy

de hoje e criar a do futuro. Com esse direcionamento, já desenvolveu em parceria com a Abit, em 2015, o projeto “Confecção do Futuro” e a empresa Sol Paragliders foi selecionada como “business case” para tecnologias e processos de produção. Ele também comentou como a ABDI tem atuado tem atuado diante os desafios para a indústria. “Temos hoje um projeto com investimento de R$ 3 milhões, incluindo 10 fábricas do futuro (testbeds), com processos de produção e validação de tecnologias”.

Bruno Jorge Soares


E já temos um novo processo para empresas, com inscrições abertas no nosso site”, anunciou. Os impactos da indústria 4.0 na educação foram considerados por Robson Wanka, gerente de Educação Profissional do Senai/Cetiqt, no Rio de Janeiro. Ele lembrou que a instituição lançou, em outubro de 2017, a primeira fábrica de confecção das Américas. Wanka e defendeu que automação deve ser vista como oportunidade. “Estudo recente do Fórum Econômico Mundial traz que a quantidade de empregos extintos pela automação será inferior aos criados por ela. Pensamento analítico e inteligência emocional são competências que ganharão protagonismo”, acredita ele. Entre iniciativas desenvolvidas pelo Senai/Cetiqt rumo à indústria 4.0, Robson Wanka destacou a realização do Mas-

Robson Wanka

ter Business Innovation (MBI) com a participação de 32 empresas e entidades do setor. “ Alem disso, temos no nosso site um curso gratuito à distância, com 20h, desvendando a indústria 4.0”. Na opinião do sócio da consultoria Gherzi, Laurent Aucouturier, a indústria 4.0 traz desafios e oportunidades. “Essas mudanças no nosso setor acontecem no aqui e agora”, complementou. O especialista da empresa dedicada à indústria têxtil e sediada na Suíça apresentou exemplos de projetos e programas já desenvolvidos em indústria 4.0 em países como Espanha, Suécia e Itália, entre outros. “Cada um desses países desenvolveu e lançou seus programas nacionais de pesquisa e aprendizado sobre o tema”, sublinhou. “As empresas Rieter, Benninger e Karl Mayer trarão soluções muito em breve. Elas já têm tecnologia

Laurent Aucouturier


avançada nesse assunto”, antecipou. Da Alemanha, Yves Gloy, diretor da Área Científica do Instituto de Pesquisa Têxtil da Saxônia disse que o instituto atua arduamente no tema. “Trazemos inovação para o nosso cliente. Fazemos pesquisa, transferência de conhecimento e traduzimos em prática”, conta. Ele observa que é importante preparar as pessoas para as mudanças tecnológicas que estão por vir. “A população alemã está envelhecendo e precisamos preparar os jovens.Temos que treinar as pessoas e, para isso, precisamos da tecnologia”, salienta. “Quais são as qualificações do futuro? Vai haver uma mudança no perfil das pessoas e surgirão atividades mais complexas. As tarefas mais monótonas serão extintas”, afirma Gloy. O especialista apresentou cases de empresas que já usam tecnologias avançadas nos processos produtivos, mas adverte que ainda há muito a ser feito. “Buscamos soluções para um melhor resultado com qualidade em todos os níveis”.

VEJA A ENTREVISTA REALIZADA COM ROBSON WANKA NO NOSSO ESTÚDIO NO CONGRESSO ABIT. Yves Gloy


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Palestra de Encerramento

educar para enfrentar situações desafiadoras Para encerrar o Congresso Abit 2018, a CEO da Minerva University, Robin Goldberg, trouxe possibilidades de capacitação da força de trabalho para o futuro. A executiva falou sobre o desafio de educar em um mundo que se transforma diariamente. “Em primeiro lugar, quero dizer que a tecnologia está mudando a força de trabalho e algumas funções estão acabando, mas novos empregos estão surgindo. Por isso, temos que treinar as pessoas para que estejam capacitadas a essas novas tarefas”, ressalta. A metodologia de ensino da instituição combina conhecimento prático com aptidões que os alunos já possuem para enfrentar novas ocorrências. O intuito é fazer com que os formandos saibam como unir informações para tomar decisões. “São

quatro competências-chave: pensamento crítico, pensamento criativo, comunicação efetiva, interação efetiva. Nós temos que saber se nossas equipes têm habilidades que podem ser adaptáveis”, revela. Uma das capacidades exploradas na Minerva University trata de fazer com que cada aluno aprenda 80 diferentes hábitos da mente. De acordo com Robin, isso fará com que “eles sejam pensadores críticos e bons comunicadores”. Ela ainda deixa um recado para as empresas. “Os RH’s devem implantar um feedback ativo para ter um processo formador verdadeiro. Se não preparamos a próxima geração, determinados problemas irão se perpetuar”, conclui.


“Os RH’s devem implantar um feedback ativo para ter um processo formador verdadeiro. Se não preparamos a próxima geração, determinados problemas irão se perpetuar”

Robin Goldberg conta como é importante o pensamento crítico para formar novos líderes


Balanço

2º dia

Após a maratona de debates sobre capital humano nas empresas da era digital, o terceiro Congresso Internacional da Abit encerra os trabalhos com um balanço desses dois dias. Acompanhe o bate-papo entre Fernando Pimentel, presidente da Abit, Rafael Cervone, diretor do Texbrasil e Marcel Imaizumi, diretor na Vicunha.

Assista à gravação:


social AlĂŠm de acompanhar os temas abordados nos oito painĂŠis e nas palestras especiais, os participantes do Congresso Internacional Abit 2018 tambĂŠm aproveitaram o evento para incrementar a rede de relacionamento (networking).


com a palavra

Durante os dois dias de evento, 24 palestrantes nacionais e internacionais mostraram para os mais de 350 congressistas os passos de como qualificar os profissionais para os desafios que estão por vir no mercado de trabalho. Confira, a seguir, as impressões de alguns participantes sobre o Congresso Internacional Abit 2018.

“Achei que muito do que foi dito aqui está ligado ao momento que a Santista está passando, que foi vendida a uma companhia estrangeira. Existem muitas coisas que são de cultura da empresa e que precisamos mudar para acompanhar as mudanças de mundo. Precisamos estar nesse processo de reestruturação e o que ouvimos aqui cabe muito com o que estamos vivemos. Temos que sair da zona de conforto até para saber como brigar com esse novo mercado”. Lilian Yukimi Kurosaki | Ger. de Marketing da Santista Jeanswear “Nesses dois dias de Congresso nós debatemos a importância do fator humano: as pessoas fazendo a diferença e se integrando ou não nesse processo de digitalização. Como a gente se prepara para o futuro e como essa mudança é necessária e disruptiva”. Rafael Cervone | Vice-presidente CIESP

“O evento foi excelente em todos os aspectos, tanto pelo ponto de vista das novidades apresentadas quanto pela primordial chamada para integração dos elos da cadeia”. Eduardo Cintra | Diretor Executivo da Abrafas


“O Congresso cumpriu, com louvor, seu papel que é reunir as empresas para discutir essa temática tão importante que são as pessoas. Máquinas e equipamentos são substituíveis e ficam ultrapassados. As pessoas são a base para o sucesso da sociedade”. Robson Wanka | Ger. Educação Profissional do Senai-Cetiqt

“Mostra a necessidade de olhar com importância rápida modificação da indústria. Aquilo que parece uma realidade distante, mas já existe muita gente no Brasil pensando nisso. A preocupação com a automação ao mesmo tempo que não se pode ser deixado de lado o fator humano, como um ponto-chave na modificação da indústria”. Nelson Trindade | Senai Francisco Matarazzo

“Um evento de muita qualidade, ótimo conteúdo, muita transmissão de conhecimento, e situando nossas empresas e empresários em uma visão de futuro, como podem se integrar às novas tecnologias e os impactos disso nas relações da pessoa com o trabalho”. Luiz Arthur Pacheco | Presidente do Sinditêxtil-SP

“Achei muito interessante essa questão de desenvolvimento de novas tecnologias, sustentabilidade e indústria 4.0. Inclusive, gostei muito da palestra da Denise Sakuma, vice-presidente da Abrafas, pois trouxe muitos fios e inovações que posso aplicar diretamente no meu cotidiano”. Juliana Fraccaro | diretora de marca homônima


Congresso Internacional Abit 2018

Study Tour tem roteiro especial para congressistas Profissionais do setor têxtil e de confecção inscritos no Congresso Internacional Abit 2018 tiveram a oportunidade de participar do Study Tour que foi realizado no dia 19 de outubro. A programação incluiu visita do grupo à fábrica da MercedesBenz, em São Bernardo do Campo (SP), uma das mais modernas linhas de montagem de caminhões do mundo, onde foi possível conhecer a produção de motores e a nova linha montagem final de caminhões (conceito de indústria 4.0 no Brasil). O roteiro também contou com visita especial dos congressistas à planta têxtil e de confecção 4.0 da faculdade de tecnologia SENAI Antoine Skaf, na capital paulista.


A gente vive para transformar

DESAFIO FUTURO Saiba mais em: vivaatransformacao.com.br


Revista eletrônica produzida pela Área de Comunicação Abit Supervisão: Fernando Valente Pimentel - Presidente Jornalista Responsável: Ligia Santos - Gerente de Comunicação – MTB 19.141/SP Jornalistas: Roberto Lima e Sirlene Farias Diagramação: Leandro Mira - Designer Fotos: Ricardo K

Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção Rua Marquês de Itú, 968 - São Paulo-SP CEP:01223-000 Tel.: 3823-6100 - www.abit.org.br


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