Ialorixá diz que Pinto só sai do terreiro com ela

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SALVADOR

SALVADOR, SEXTA-FEIRA, 19/5/2006

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& região metropolitana

POLÊMICA ❚ O tratamento espiritual do ex-pároco da Lapinha no Ilê Axé Omi-Nidê, iniciado há três dias, tem

preocupado familiares e amigos, mas pode resultar numa conversão total ao candomblé, se depender dele

Ialorixá diz que Pinto só sai de terreiro com ela

fala povo

Você concorda com a decisão do padre Pinto? 4 pessoas ouvidas ❙ Ontem entre as 15h e 15h20 ❙ Na Avenida Tancredo Neves ❙

FOTOS FERNANDO AMORIM

entenda o caso

PEDRO FERNANDES E TATIANA MENDONÇA pfernandes@grupoatarde.com.br tmendonca@grupoatarde.com.br

Cinco meses de fama ❙ Padre Pinto está afastado da Paróquia da Lapinha desde janeiro, quando ganhou destaque na TV por celebrar a Festa de Reis paramentado de amarelo em homenagem a Nossa Senhora da Guia e ao orixá Oxum. Ele voltou aos holofotes no Festival de Verão, quando, maquiado e vestido de caubói, abençoou os fãs da banda Psirico e quase beijou Caetano Veloso na boca. Em abril, Pinto foi oficialmente suspenso de ordem pela Igreja Católica, depois de se recusar a seguir a determinação de sair de cena dada pelo superior da sua congregação, o padre italiano Ludovico Caputo. Ele não a seguiu, foi expulso da casa na Lapinha, fez uma exposição de seus quadros com motivos católicos e do candomblé e, agora, quer ser pai-de-santo ❚

Do primeiro andar da casa no bairro da Fazenda Grande do Retiro, com uma mão para fora da grade e um cigarro na outra, o padre José Pinto acena para o carro da reportagem. Ele está no terreiro Ilê Axé Omi-Nidê, desde a última terça-feira, para fazer limpeza espiritual e se iniciar no candomblé. Mãe Guerreiro, responsável pela casa e pelo tratamento de Pinto, diz que ele foi levado por uma filha-de-santo, por vontade própria. “Ele chegou muito nervoso, mas depois se acalmou. Ele agora está cuidando do santo dele. Fizeram um trabalho para ele virar um cachorro. Eu nunca vi nada parecido”, diz ela. Amigos do padre Pinto dizem que Mãe Guerreiro está “tomando o dinheiro do padre”. Ela nega. “Tenho mais de 50 anos de candomblé. Fiz uma caridade. Não tomei dinheiro de ninguém, eu só recebi R$ 200 para comprar o material para o trabalho”. A ialorixá afirma que Pinto demonstrou a vontade de continuar no candomblé e vai ser iniciado como filho-de-santo. “Tive que interromper os trabalhos porque ele está muito nervoso. A família está ligando para cá toda hora, dizendo que vão tirar ele daqui com a polícia. Ele tem medo de ter que ir embora, mas já falei que ele só sai daqui se me levarem junto”. A Arquidiocese de Salvador, segundo padre Manoel Filho, assessor de comunicação, não tomou nenhuma medida em relação ao caso. “Quando dom Geraldo (Majella) voltar de viagem, o conselho se reunirá para tomar uma decisão. A diocese encara com tristeza, como uma mãe que vê um filho sair de casa”. Questionado sobre a expulsão – que ainda não aconteceu, mas que o padre Pinto anuncia –, padre Ma-

noel explica que ele está suspenso de ordem, não tem autorização para exercer o ministério sacerdotal, mas ainda está ligado à Igreja. “Quando ele passa a professar outra religião, ele mesmo tem a iniciativa de deixá-la”. Monsenhor Gaspar Sadoc lamentou o fato e se mostrou surpreso com notícia. “Ele perdeu a cabeça e fez a opção dele. Nunca vi isso antes, não sei explicar. Coisa normal não é, mas não vou julgá-lo. Lamento muito que um irmão saia dessa forma do nosso convívio”. Raimundo Kommananjy, presidente da Acbantu (federação que reúne terreiros de candomblé de

CULTURA ❚

ATENDIMENTO ❚

Museu libera ingresso de estudantes

Pacientes reclamam de atraso em cirurgias no São Rafael

dade religiosa nos nossos dias. Serra discorda da possibilidade de o padre estar tentando “aparecer”. “Esse é um julgamento mesquinho. Prefiro supor que as pessoas têm boas intenções. Temos que ter mais tolerância”. ETNIA – Pinto diz que está “ótimo”. Muito maquiado e usando uma bata transparente, o padre explicou sua decisão. “Desde criança, me interessei pela nossa etnia. Estou aqui por imposição do meu orixá. Era uma luta triangular entre mim, os orixás e a morte. Quando vim me consultar, mãe Guerreiro disse que meu tempo era curto”.

Agitado, ele alternava momentos de calma e irritação, principalmente com a Igreja Católica, da qual diz coisas impublicáveis. Pinto afirma que a fé nos ensinamentos da Igreja se mantém, apesar de não acreditar mais na instituição. “Os ensinamentos são lindos, mas a aplicabilidade é negativa. Tenho fé em Deus, em Maria e nos orixás”. Sua intenção é seguir os preceitos do candomblé, ser pai-de-santo. Diz que quer continuar sendo chamado de padre Pinto, “porque padre significa pai”. Pinto se despediu com beijos e enumerou com satisfação as outras entrevistas de ontem à tarde.

EDUARDO MARTINS

3ª ORDEM Valdemar Marques dos Santos - 76 anos, viúvo, aposentado, natural de Salvador. Gisélia de Brito Requião - Faleceu no Hospital Salvador, aos 87 anos. Ela era viúva, aposentada, natural de Salvador. Ivoneide da Conceição Moraes Faleceu no Hospital Santa Izabel, 55 anos, solteira, natural de Maragojipe, interior da Bahia.

BOSQUE DA PAZ

sveronica@grupoatarde.com.br

José Luís de Jesus Almeida - Faleceu no Hospital Geral do Estado, aos 46 anos, casado, comerciante, natural de Salvador.

JARDIM DA SAUDADE

Grupo de pacientes espera internamento no hospital: vagas ocupadas por atendimentos em emergência

FELIPE BLANCO fblanco@grupoatarde.com.br

Sete pacientes se indispuseram com a direção do Hospital São Rafael na manhã de ontem, quando deveriam ser internados para realizar procedimentos cirúrgicos. Eles foram informados de última hora pelos atendentes do hospital de que não havia vagas para os quartos de internamento, mesmo tendo marcado previamente a data das operações. A técnica de enfermagem Iane Carvalho Tabita, 34 anos, saiu do hospital no final da tarde de an-

Cada um tem sua identidade e deve se encaixar naquilo que acredita. Temos que procurar o que é melhor para a gente.

Ele se escondia através do catolicismo. Hoje ele está se revelando. Acho isso negativo, as pessoas não vão gostar. Caroline Xavier, 26 anos, estudante ❙

Sepultamentos

SYLVIA VERÔNICA

No Dia Internacional do Museu, comemorado ontem, professores e estudantes de escolas públicas e privadas de Salvador tiveram uma boa notícia: o Carlos Costa Pinto agora abre gratuitamente as portas para jovens com menos de 18 anos. Esta é uma das soluções discutidas para aproximar escola, comunidade e museus. O ingresso é gratuito em quaisquer eventos e dias da semana, com o claro objetivo de estimular as visitas desse segmento de público. A partir da sensibilização de líderes estudantis e participantes de grêmios, os museólogos pretendem atingir os alunos. Entre as propostas discutidas, estão modificações na linguagem utilizada na divulgação da cultura dos museus e o desenvolvimento de atividades dirigidas aos jovens. “Já existe a preocupação de tornar os textos de apresentação das peças de arte curtos e acessíveis. Recebemos estudantes e turistas de outros Estados, mas ainda é preciso atrair a população de Salvador”, disse a coordenadora cultural do Carlos Costa Pinto, Lícia Greco.

Aurio Janiques, 25 anos, motorista ❙

Daniela Pinho, 20 anos, estudante ❙

A decisão do religioso divide opiniões: instalado num terreiro, ele segue maquiado e se sentindo “ótimo“

diferentes nações) também reagiu com surpresa à decisão de Pinto, mas de forma positiva. “Acho isso uma maravilha. Um padre da Igreja Católica, religião que sempre criticou o candomblé, reconhecer sua importância é maravilhoso. Ele é muito bem-vindo. O candomblé abraça a todos”. O antropólogo Ordep Serra, também iniciado na religião afro-brasileira, não vê problema na conversão de um sacerdote católico. “Essa é uma questão de foro íntimo e nenhuma instituição tem o direito de se opor à conversão”. Segundo ele, há muitos estudos que apontam uma grande mobili-

É um absurdo para nossa religião. Não tem nada a ver. Ele decepcionou muita gente na Igreja Católica. Não aprovo.

teontem informada de que estava tudo certo para realizar sua cirurgia de tireóide, marcada para ontem. Ela, que está com diagnóstico de um tumor de quatro centímetros de diâmetro, chegou cedo ao hospital. “Cheguei dentro do horário previsto e fui informada de que não tinha vaga. Isso porque tenho plano de saúde. Imagine se não tivesse”, declara. Outra que passou pelo mesmo problema foi a paciente Rosemeire Fonseca. Às 5h40 da manhã, ela já estava no hospital e achou estranho que pessoas que chegaram depois dela estivessem entrando pa-

ra o internamento em sua frente. Na mesma situação estavam a bancária Jandaraína Campelo, que faria uma cirurgia no pé, e outros quatro pacientes. “Não é comum que fatos como este aconteçam no hospital”, explicou o assistente da diretoria médica Cláudio Barbosa. Ele disse que as vagas haviam sido ocupadas por pacientes em situação de emergência e que, normalmente, quando ocorre de não haver vaga, o paciente é avisado por telefone antes. “Houve um imprevisto. Foram sete pacientes hoje (ontem) de manhã, e não pudemos avisá-los”.

Júlia Marcelina da Silva - Faleceu no Hospital Aristides Maltez, aos 86 anos. Era solteira, natural de Salvador. Margarete Moreira Passos - Faleceu no Hospital Português, aos 47 anos, solteira, funcionária pública, natural de Jacobina. Domingos Martins Santiago - Faleceu em sua própria residência, aos 73 anos. Era viúvo, mestre de obras, natural de Conceição do Almeida. Olga da Rin Mercuri - Faleceu no Hospital Português, aos 96 anos. Era viúva, natural da Itália. Antero Paulo Fernandes de Souza Faleceu no Hospital Português, aos 91

anos, casado, engenheiro, natural de Salvador.

CAMPO SANTO Raymundo Queiroz Lima - Faleceu no Hospital Geral de Salvador, aos 81 anos, natural de Salvador. Francisca da Rocha Passos - Faleceu em residência, aos 81 anos, natural de Minas Gerais. Maria Alves de Cerqueira - Faleceu aos 82 anos, era natural de Castro Alves.

QUINTA DOS LÁZAROS Mário Souza - Faleceu em residência aos 67 anos. Era viúvo, aposentado, natural de Maragojipe. Eraldo Conceição Junior - Faleceu no Hospital Otávio Mangabeira, aos 24 anos. Era solteiro, natural de Salvador. Francisca Lima Santos - Faleceu em residência, aos 62 anos, casada, natural de Tanquinho. Antônia dos Santos da Cruz - Faleceu em residência, aos 71 anos. Ela era solteira, aposentada, natural do município de Nazaré das Farinhas. Antônio Ramos- Faleceu no Hospital Agenor Paiva, aos 48 anos, viúvo, militar, natural do município de Amélia Rodrigues. Clarice Batista - Faleceu em residência, aos 68 anos, solteira, aposentada, natural da cidade de Amélia Rodrigues.

O QUE FAZER EM CASO DE MORTE Em caso de morte natural, o responsável deve procurar uma agência funerária, que é autorizada a obter a guia de sepultamento nos cartórios de Registro Civil das Pessoas Naturais em Salvador, com a declaração de óbito assinada por um médico e um documento de identificação da pessoa a ser sepultada. Se a morte tiver sido violenta, o atestado de óbito terá de ser assinado pelo médico legista do Instituto Médico-Legal (IML). Em caso de cremação, a pessoa deve ter manifestado o desejo em vida e o atestado de óbito terá de ser assinado por dois médicos, se a morte tiver sido natural. Se for morte violenta, são necessários autorização judicial e atestado assinados por médico legista do IML. Pessoas carentes podem obter auxílio para o sepultamento, devendo dirigir-se à da Secretaria de Desenvolvimento Social, na Praça da Sé. Tel.: 3176-8000. Em óbitos em finais de semana, deve-se procurar o Abrigo de Roma ou da Baixa dos Sapateiros.


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