O banal sob um novo olhar

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SALVADOR 18/8/2011

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PEDRO FERNANDES

O nome da exposição do artista visual Nelson Leirner, que abre hoje, na Galeria Paulo Darzé, às 20 horas, é God Bless, mas bem que podia se chamar “I Love China”, como o próprio artista afirma. É com os cacarecos importados do país asiático que ele produz seus trabalhos bem-humorados, irônicos e provocativos. Sejam adesivos metalizados, bibelôs ou brinquedos de plástico, tudo é processado e ressignificado em novas peças de técnicas mistas, bidimensionais, como os mapas cobertos de Mickeys da série Assim É... Se Lhe Parece..., ou tridimensionais, como um skate lotado de estatuetas profanas e sagradas. Comandos em Ação estão no mesmo barco (literalmente) que versões baratas da Sagrada Família. É sobre esse excesso de signos que Leirner, nascido em 1932, trata. Em um flerte com o kitsch ele lança um olhar sobre o “bombardeiro” de informação que torna tudo, miséria, guerras e crises, em acontecimentos banais. Da mesma forma, ele toma emprestado obras também banalizadas, como a Monalisa, de Da Vinci, e a Roda de Bicicleta, de Duchamp, e propõe novas leituras. Sua ideia não é dessacralizar essas obras de arte, mas tornar o corriqueiro em extraordinário. “Ao lançar um novo olhar sobre o elemento banal você pode adquirir consciência. Por meio da ironia e do humor, quero colocar no meu trabalho muito mais a falta de visão das pessoas”, diz Leirner. O recorte da exposição God Bless privilegia trabalhos produzidos nos últimos dez anos. Difícil não associar parte desses trabalhos à reconfigu-

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Nelson Leirner / Reprodução

ARTES VISUAIS Na mostra God Bless, o artista Nelson Leirner usa elementos pop e bugingangas para chamar atenção para o extraordinário

O banal sob novo olhar

ração geopolítica pós 11 de Setembro. A fotografia Apertem os Cintos, na qual um avião atinge um boneco do Pateta, personagem da Disney, confirma a suspeita. Muitas vezes associado à arte pop, pela utilização de ícones desse universo, Nelson Leirner rejeita a classificação, por conta de questões geográficas, políticas e sociais. Seu olhar parte daqui. “Nos anos 1960 quiseram nos ligar à arte pop, mas socialmente nossa visão é outra. Se vivêssemos no Hemisfério Norte teríamos uma crítica social e política diferente. A arte pop sempre se baseou no consumo, eu me baseio no olhar. Há pontos em comum, mas a gente vive em outra realidade”, argumenta.

Trajetória

Nelson é filho da escultora Felícia Leirner e do empresário Isaí Leirner, que ajudaram a fundar o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), e desde cedo conviveu com parte da vanguarda brasileira. Com estudos não concluídos em engenharia têxtil nos Estados Unidos, ele começou a estudar pintura em 1956. Dali a dez anos seria premiado na Bienal de Tóquio e mais tarde obteve o reconhecimento de diversas entidades. Entre os prêmios mais recentes está o Trajetória do Artista, concedido pela Associação Brasileira, em 2007. CADERNO2MAIS.ATARDE.COM.BR

Veja galeria de imagens com outros trabalhos do artista visual no Blog 2+ NELSON LEIRNER – GOD BLESS / GALERIA PAULO DARZÉ (RUA CHRYSIPPO DE AGUIAR, 8, CORREDOR DA VITÓRIA) / HOJE, ÀS 20H / ATÉ 24/9, GRÁTIS

Trabalho da série Assim é ... Se Lhe Parece... tece crítica às relações culturais nas Américas


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