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MODA 20ª edição do Fashion Rio apresenta tendências de vestuário para os dias de frio
Clima vintage predomina nas coleções do inverno 2012 PEDRO FERNANDES Rio de Janeiro
Com os pés no passado, o Fashion Rio Inverno 2012, que acabou no último sábado, deu seu recado e suas sugestões sobre o que vestir nos dias de frio. O próprio tema do evento “Sou Rio, Essa Bossa é Nossa”, já apontava para um clima retrô, com as paredes do evento plotadas com capas gigantes de discos de MPB criadas pelo designer Cesar Vilella, entre os anos 1960 e 1970. Em sua abertura, o estilista Alexandre Herchcovitch foi aos anos 1980 para buscar as referências para a sua coleção. Mas a grande referência foram mesmo os anos 1950 e 1960, confirmando a definitiva transformação do mundo em um grande episódio da série de TV Mad Men. A grife Acquastudio trouxe os tons pasteis, cortes retos e saias de comprimentos midi, em visuais um pouco senhora, mas com a atualíssima e um tanto irritante fofura das adoradoras de cupcakes. A pegada “assaltei o guarda-roupa da vovó” acabou se repetindo em outras coleções, especialmente na de Walter Rodrigues, que de uma maneira muito austera aprisionou os corpos em roupas e tacões dignos de religiosas Amish. O sumiço do decote, a gola abotoada até em cima, chamou bastante atenção em muitos outros desfiles, uma influência do estilo Marc Jacobs que tem sido adotada tanto aqui no Brasil, como lá fora.
Retrô
Mais voltada para o público jovem, a marca de jeans wear Coca-Cola Clothing também olhou para o passado, em uma coleção surpreendentemente boa, com cara de corrida espacial, cheia de peças e detalhes metalizados que mimetizam trajes de astronautas. Só faltaram as armas de raio laser. Apesar do produto parecer pouco comercial com seus exageros brilhantes, ele ativa uma memória infantil que provoca desejo instantâneo. Quem nunca quis viajar à Lua? A New Order também entrou no clima e colocou modelos vestidas de aeromoças da época do glamour da aviação para desfilar seus acessórios. A Printing também adotou o estilo sessentista, mas a parte mais psicodélica da década. Twiggy, Mary Quant, cortes retos e comprimentos mini, lembram o nascimento da cultura juvenil na Swinging London. O grande destaque da coleção são as excelentes estampas geométricas e a op art. Embora outros tenham feito
SALVADOR QUARTA-FEIRA 18/1/2012
Fotos Zé Takahashi / Ag. Fotosite / Divulgação
ACESSÓRIOS
A Printing entrou no clima retrô com estampas psicodélicas e cortes simples
A New Order entrou no clima da aviação nos anos 1960 e trouxe bolsas que jogam com as formas de elementos relacionados ao tema, como embalagens de lanches e travesseiros de pescoço
Cores
De acordo com essas marcas, este inverno vai ser menos colorido. Finalmente daremos adeus ao color blocking (combinações de cores fortes). Cores invernais como o preto e o cinza foram predominantes nas passarelas. Assim como cores neutras como o azul e os tons de terra, ocre e alaranjados. O barro, por exemplo, foi o tema que guiou as criações do pernambucano Melk Z-Da, que trouxe acessórios e aplicações feitos desse material. Assim como nos desfiles internacionais (o da Chanel Pré Outono 2012, por exemplo), o visual branco total apareceu com bastante força, como nas coleções das marcas Bianca Marques e Cantão.
SAPATOS A mulher no próximo inverno caminha nas alturas. Saltos agulha, plataformas e as confortáveis anabelas predominaram na maioria dos desfiles. Releituras do oxford continuam em alta
Formas
As formas podem aparecer fluidas, em tecidos como a seda, o crepe e com o uso de muita transparência, em detalhes ou em peças inteiras. Um pouco de estrutura se apresenta nos ombros ou nos quadris, como sugeriram Herchcovitch e Maria Bonita Extra. Em comum entre os desfiles, a cintura marcada. O fetiche do couro e da pele (sintéticos, por favor), que já se insinua a algumas temporadas, volta a dar as caras, até mesmo em marcas supostamente despojadas, a exemplo da 2nd Floor, segunda linha da Ellus, que trouxe uma grande quantidade de peles em casacos e minissaias e couro de crocodilo falso.
BELEZA A próxima estação deve primar pelo minimalismo, não apenas nas roupas. Cabelos e maquiagens pedem pouca intervenção, como se pode observar nos desfiles no Rio de Janeiro. Os fios se apresentaram, na maior parte das vezes, presos em coques altos ou baixos. Já a pele parece praticamente lavada, com maquiagem suficiente apenas para garantir um aspecto saudável. Se optar por maquiar o olho, deixe a boca ao natural. O inverso também é válido
O REPÓRTER VIAJOU AO RIO DE JANEIRO A CONVITE DA PRODUÇÃO DO EVENTO
A pegada “assaltei o guarda-roupa da vovó” se expressou em comprimentos midi e na falta de decotes
O próximo inverno dá adeus ao color blocking, com o abuso de cores como preto, cinza e branco
Ocre, alaranjados e tons de terra predominaram na Coven
A Agatha confirma o couro como hit do inverno
Look branco total da Cantão segue ditames internacionais
CURTAS O Artista lidera indicações para o Bafta O filme mudo francês O Artista dominou as indicações do Bafta, premiação britânica cinematográfica, com 12 indicações. Esta homenagem ao cinema mudo dos anos 1920, rodada em preto e branco, concorrerá na categoria de “melhor filme”, “melhor cenografia original”, “melhor música original”, “melhor figurino” e “melhor trilha sonora”, entre outras. Seu diretor, Michel Hazanavicius, conhecido pelos filmes de espionagem do agente OSS 117, também foi indicado na categoria de “melhor diretor” e os dois atores principais, Bérénice Bejo
e Jean Dujardin, vão concorrer como “melhor atriz” e “melhor ator”. O filme ganhou três Globos de Ouro, nos EUA.
O filme de espionagem O Espião Que Sabia Demais ficou em segundo lugar, com 11 indicações
CENA Fãs do Seu Aranha, da Escolinha do Professor Raimundo, têm somente hoje para conferir a montagem, no Teatro Jorge Amado
Volta do Encontro de Compositores no Vila A temporada de verão do projeto Encontro de Compositores começa amanhã, às 20 horas, no Cabaré dos Novos (Teatro Vila Velha). O evento acontece às quintas-feiras, trazendo sempre um convidado especial, que se unirá ao grupo fixo de compositores. Este é formado por Jarbas Bittencourt, Arnaldo de Almeida, Manuela Rodrigues, Sandra Simões, Ronei Jorge, Dão, Pietro Leal, Thiago Kalu, Carlinhos Cor das Águas e Deco Simões, que conversam sobre assuntos diversos. Ingresso, R$ 20 (inteira).
Thiago Lima/ Divulgação
A cantora Sandra Simões faz parte do grupo fixo de compositores
Espetáculo para bebês volta a cartaz O espetáculo teatral De Sol, de Céu e De Lua, direcionado a bebês, volta a cartaz neste sábado, seguindo em segunda temporada aos sábados e domingos, às 16h30, até o fim de março, no Teatro Sesi - Rio Vermelho. Idealizado pela atriz e produtora Mariana Moreno e pela Cia. Teca-Teatro, o espetáculo utiliza cenas e brincadeiras, priorizando o trabalho corporal no auxílio à narrativa dramática e estimulando outros sentidos, além da visão e da audição. Ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).
Divulgação
André Lucas apresenta o humor sem limites em A Mesma Coisa Diferente MARIANA PAIVA
uso de estampas de todos os tipos, como florais, animal print, digitais, parece que o que as grifes estão dispostas a vender é a monocromia.
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SALVADOR QUARTA-FEIRA 18/1/2012
Sérios, alegrai-vos. Acontece hoje, na cidade, a única apresentação do espetáculo A Mesma Coisa Diferente, estrelado pelo humorista André Lucas. Com participações em programas como A Praça é Nossa, Zorra Total e Show do Tom, o quarto filho de Chico Anysio se notabilizou de fato com o papel de Seu Aranha na Escolinha do Professor Raimundo. No sétimo show de sua carreira, André Lucas conta com participações especiais em áudio nos números que apresenta. Algumas das vozes são dos atores Antônio Fagundes, Marília Pêra e Flávia Alessandra. O humorista Carlos Alberto de Nóbrega também aparece, num número sobre uma velhinha prostituta. Em A Mesma Coisa Diferente, André usa situações cotidianas para criar momentos engraçados para a plateia. Para isso, vale de quase tudo, e sem o limite do politicamente correto, como o próprio humorista assume: “Não tem essa comigo, tem que contar a piada, eu conto. Sobre os gays, por exemplo. A palavra gay é moderna, mas o hábito é antigo. Basta pensar em Calígula, Aristóteles, Platão...”. Para construir seu show, André se inspirou bastante no Rio de Janeiro, criando diversas situações durante a apresentação em que aborda o modo de vida
Zé Renato / Divulgação
e os hábitos do carioca. “Se o cara toma caipirinha na Cinelândia e cospe no chão, já pode se considerar um carioca recém-nascido”, afirma. Também entram no espetáculo de humor situações que falam das ruas da cidade de Salvador e do descobrimento do Brasil, além de números que tratam do corpo humano. Vale ressaltar que André Lucas esclarece, durante o espetáculo, a diferença entre inteligência e pilantragem. Isso, ele avisa, só indo para descobrir.
Chico Anysio e o filho André Lucas, que entrou no elenco do programa global em 1994
Para os fãs do personagem Seu Aranha, da Escolinha do Professor Raimundo, o humorista fez questão de reservar a parte final do show. Nela, o personagem aparece em sua versão policial (ele também já foi bicheiro e taxista no decorrer do programa), com a qual cunhou a expressão “P-U-L–I-Ç-A”.
Trajetória
Aos 43 anos, André Lucas entrou no elenco do programa A Escolinha do Professor Raimundo em 1994, para interpretar Seu Aranha. Com mais de três décadas de atuação no humor nacional, André começou na TV Globo em 1984, no programa Chico Anysio Show, interpretando o assistente Simpson do Xerife Bronco Billy e o filho Ted do Pastor Tim Tones. Depois de vários anos trabalhando com o pai e ao lado de nomes como Cláudia Gimenez, Lúcio Mauro e Rogério Cardoso, André ficou famoso com o bordão “Para com Ilsso, deixa dilsso!”, de seu personagem Seu Aranha. É de seu pai, aliás, a direção do espetáculo A Mesma Coisa Diferente. Perguntado sobre o estado de saúde de Chico Anysio, ele diz que continua grave, mas com discreta melhora.
Na única sessão do espetáculo em Salvador, André Lucas promete riso e diversão com temas cotidianos
O humorista avisa logo que, em se tratando de piada, não leva a sério o que é politicamente correto
A MESMA COISA DIFERENTE, COM ANDRÉ LUCAS/ HOJE, ÀS 21H/ TEATRO JORGE AMADO (3525-9708)/ AVENIDA MANOEL
O ator André Lucas, 43 anos, interage com aúdio de famosos como Marília Pêra durante o espetáculo
DIAS DA SILVA, 2177, PITUBA/ R$ 60 (INTEIRA) E R$ 30 (MEIA)
Histórias da Bahia – Jeito baiano Elieser César Escritor e jornalista
Com a maneira despachada do povo da Bahia e o sabor do acarajé, o jornalista e escritor Jolivaldo Freitas lançou coletânea de histórias, contos e crônicas sobre a Cidade de Salvador; o livro, que chega hoje às livrarias da cidade, é um tabuleiro de histórias para todos os gostos. Com bom um humor, um texto claro e inspirado naquele gênero literário situado na fronteira entre o conto e a crônica de costume, popularmente denominado de "causo", o jornalista e escritor Jolivaldo Freitas vem se transformando no cronista satírico da cidade de Salvador. Não apenas da Salvador atual, imersa no caos urbano e maltratada pelo seu alcaide e boa parte de seus vereadores, mas também da velha Cidade de São Salvador da Bahia, submersa nas brumas do tempo e da saudade. Atento aos detalhes da cidade multifacetada, o cronista volta seu olhar esquadrinhador para a gente e os costumes da cidade, para o passado e o presente da primeira capital do Brasil, no livro História da Bahia – Jeito Baiano, publicado pela Editora Farol da Barra, com patrocínio do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de salvador (Setps). Ele reúne histórias, contos e crônicas sobre a cidade e personagens como Jorge Amado, a Mulher de Roxo, Caramuru, Irmã Dulce, Tomé de Souza, as morenas de Itapuã e de Amaralina e, principalmente, a gente do povo, os protagonistas anônimos das histórias de Salvador.
tórias da Bahia – Jeito Baiano. Nos idos dos anos 80, o jovem escritor Jolivaldo Freitas foi à casa de Jorge Amado, no Rio Vermelho, agradecer ao escritor por haver escrito o prefácio para um dos seus livros. Foi recebido com suco de cajá e boa conversa. Lá para as tantas, entabulou uma conversa fiada sobre as baleias do Rio Vermelho. O autor de Gabriela, Cravo e Canela não deixou por menos e contou que costumava ver as baleias, e que elas eram tantas que pareciam passar em procissão. Acrescentou ainda que não comera carne de baleia, mas que o compadre dele, Dorival Caymmi, comia e se regalava com o prato inabitual. Por último, previu que as baleias voltariam a passar pelo Rio Vermelho. O crível Jolivaldo comeu o agá de Jorge Amado e voltou, feliz, para casa. (Jorge Amado e as baleias do Rio Vermelho)
Origem de nomes
De quebra, o cronista explica a origem do nome de algumas ruas, becos e áreas da cidade: Chame-Chame – Por causa de uma feira em que os feirantes chamavam os clientes, mas não
Divulgação
A coletânea é um tabuleiro de histórias para todos os gostos. Confiram algumas delas e vejam porque vale a pena ler His-
é garantido. Bonocô – É Gunocô, corruptela de Igunnukô – deus africano. Ogunjá – É consequente da divindade Ogum. Beiru (hoje Tancredo Neves) – Vem de Gberu, rei do Oyo, deus nigeriano. Guindaste dos padres (Comércio) – Os padres jesuítas montaram um guindaste para levar carga das Cidade Baixa para a Cidade Alta e vice-versa. Calçada – Para ir do bairro de Roma até a zona do Comércio tinha de ser pela praia do Cantagalo. A Companhia de Obras do Porto fez o calçamento onde ficava um lamaçal. Ladeira da Preguiça – Os escravos tinham de levar mercadoria para a Cidade alta. Cansados, paravam no meio da ladeira. Largo da Mouraria (Centro) – Os ciganos que aportaram aqui no século 18 eram chamados de mouros. O governador da época restringiu o acampamento deles à área da Lapa e da Palma. Rua do Cabeça (Centro) – Os vendedores de miúdos (fato, bofe) deixavam a cabeça de boi em exposição. Rua do Mata-Maroto (Federação) – Maroto era como os baianos chamavam os portugueses durante as lutas pela Independência. Largo da Madragoa (Ribeira) – Madragoa era como os índios chamavam uma espécie de caranguejo da região. Pode ser também uma lembrança portuguesa ao Convento das Madres de Goa (uma região da Índia) e que deu nome ao bairro da Madragoa em Lisboa. (Encantos e mistérios das ruas, becos e vielas).
Aperitivo
Exemplos
Livro de Jolivaldo Freitas, que chega hoje às livrarias
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Bem, fiquemos por aqui, porque esta resenha é só um aperitivo. Quem quiser beber mais que procure a fonte original e vá conferir o jeito baiano de Jolivaldo Freitas de contar histórias.
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