As contradições e ligações perigosas de Chanel

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SALVADOR TERÇA-FEIRA 18/10/2011

SALVADOR TERÇA-FEIRA 18/10/2011

POLÍTICAS PÚBLICAS Estado aumenta investimento na área de cultura e promete mudanças para editais em 2012

Contradições e ligações perigosas de Coco Chanel Associated Press

Pedro Fernandes Repórter do 2+ pfernandes@grupoatarde.com.br

Se na moda Chanel foi considerada uma revolucionária, na guerra pode ter sido uma traidora da França por ter colaborado com o inimigo durante a ocupação nazista de 1940 a 1944. Não apenas de modo “horizontal”, como se dizia das amantes dos oficiais alemães, mas de maneira ativa, cumprindo missões para uma agência de espionagem de Hitler. É essa a tese do livro Dormindo Com O Inimigo – A Guerra Secreta de Coco Chanel (Companhia das Letras), do americano Hal Vaughan. Apesar do tom documental que ele assume na escrita, o autor consegue criar um clima de thriller de espionagem que torna seu livro bastante dinâmico. Na publicação, o autor varre biografias da estilista em busca de referências às suas atividades durante a Segunda Guerra Mundial e apresenta documentos de diversos órgãos de inteligência franceses, alemães e ingleses que dão conta das suas ligações perigosas. No serviço de informação do exército alemão, o Abwehr, ela tinha número de registro e até codinome: Westminster, nome do nobre inglês Hugh Grosvenor, duque de Westminster, que foi seu amante. Hal Vaughan se mostra bastante equilibrado no reconhecimento da importância que Chanel teve em sua época e ainda tem em nossos dias. Porém, não a poupa das contradições em que ela cai, apresentando de modo até um pouco exaustivo evidências documentais de suas mentiras sobre seu envolvimento com o regime

Chanel posa em seu ateliê em Paris no ano de 1954, quando voltou ao mundo da moda, após exílio autoimposto na Suíça

O livro mostra que Coco Chanel se ligou aos alemães não por acreditar na ideologia nazista, mas para se beneficiar de modo pessoal (familiar e amoroso) e financeiro

nazista. A biografia começa por apresentar sua personalidade de menina criada em um orfanato sob a influência de freiras antissemitas. Sabe-se também seu amante, o duque Westminster, também era declaradamente a favor de Hitler. Essa aversão a judeus a acompanharia pelo resto de sua vida, embora os homens que a deixaram definitivamente rica, os irmãos Wertheimer, responsáveis por produzir o perfume Chanel nº 5 em larga escala, fossem judeus. Mlle. Chanel passou grande parte da vida acreditando ter sido roubada por eles. Tanto que tentou se beneficiar das leis anti-judaicas para reaver o contro-

le da Société des Parfums Chanel durante a guerra. Mas não conseguiu. Os Wertheimer fugiram do país e deixaram um laranja pró-nazista no controle da empresa.

Amor e dinheiro

Senso de oportunidade (ou oportunismo) sempre foi o forte de Coco Chanel, que subiu na vida ao se ligar aos homens certos. Foi com o dinheiro deles, e com a sua criatividade, que começou seu negócio. O que o livro mostra é que Chanel se ligou aos alemães não por acreditar na ideologia, mas para se beneficiar de modo pessoal (familiar e amoroso) e financeiro, como no caso dos irmãos Wertheimer.

Na época, com sessenta anos de idade, e sempre em busca de amor, começou uma relação com o barão Hans Günther Von Dincklage, classificado como “um agente perigoso do serviço secreto alemão”, que lhe conseguiu bons aposentos no luxuoso Hotel Ritz, reservado para o alto escalão nazista. Depois usou sua influência para libertar um sobrinho, preso nas linha inimigas. Para tanto, precisou participar de uma missão em Madri para obter informações políticas. Sua proximidade com os altos círculos ingleses também foi solicitada para negociar um tratado de paz na operação Modelhut, que fracassou. Depois da libertação da Fran-

ça, Chanel chegou a ser questionada por tribunais que buscavam punir colaboracionistas, mas até a morte fez questão de negar cada uma das suspeitas e acusações. Por ter fácil trânsito entre algumas autoridades, entre elas o próprio Primeiro-Ministro inglês Winston Churchill, de quem era amiga, conseguiu escapar ao destino de diversas “colaboradoras horizontais”. Essas mulheres eram arrastadas nuas de suas casas, tinham sua cabeça raspada e eram exibidas em público com uma suástica nazista, pintada na testa. Mesmo pondo o à luz o colaboracionismo de Coco Chanel, Dormindo Com o Inimigo não nega à estilista o fascínio que seu nome exerce ao usar as palavras do poeta Paul Reverdy, seu amante que lutou contra a ocupação: “Ao fim sombrio do caminho/ Condenada / Ou perdoada / Saiba que é amada”.

DORMINDO COM O INIMIGO - A GUERRA SECRETA DE COCO CHANEL / HAL VAUGHAN

Companhia das Letras / 368 páginas/ R$ 43

Secult anuncia resultado da seleção pública de projetos por demanda espontânea

Gildo Lima / Ag. A TARDE

DANIELA CASTRO

Até o primeiro semestre do ano que vem, pelo menos 216 novos projetos devem movimentar o calendário cultural de Salvador e do interior do Estado. Todos eles são fruto da seleção de projetos de Demanda Espontânea, cujo edital foi lançado em junho pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. O resultado foi divulgado pelo secretário Albino Rubim, ontem, durante coletiva no Palácio Rio Branco. “Durante este ano, não fizemos nenhum grande investimento porque resolvemos primeiro colocar em dia os editais que estavam pendentes. Mas a Demanda Espontânea acabou cobrindo todas as áreas que seriam contempladas pelos editais temáticos”, declarou. Música e teatro foram as áreas com o maior número de projetos aprovados entre os 838 inscritos – ambas terão 42 propostas financiadas pelo Fundo de Cultura. Cinema e Vídeo, Multilinguagens, Cultura Popular, Literatura, Artes Visuais, Dança, Circo e Patrimônio foram as outras áreas contempladas.

Orçamento dobrado

De acordo com Rubim, as pendências relacionadas a editais anteriores já foram “zeradas” pela Secult. “Existem ainda alguns projetos não pagos, mas por conta de alguma irregularidade da parte do proponente”, assegurou. A regularização das contas, garante Rubim, possibilitou até mesmo que o orçamento para a execução dos novos projetos aprovados ganhasse novo fôlego. Em vez dos cerca de R$ 3,5

CULTURA POPULAR 14 projetos aprovados, todos no interior do Estado. LITERATURA 12 projetos aprovados (9 na capital): edição de quadrinhos, livro e coleção, incentivo à leitura. ARTES VISUAIS 12 projetos aprovados (5 na capital): exposições, oficinas, encontros e edição de livro de fotografia. O superintendente Carlos Paiva apresenta resultados do edital de Demanda Espontânea, ao lado do secretário da Cultura Albino Rubim

“Os próximos editais não serão só para eventos, mas para projetos de formação” ALBINO RUBIM, Secretário de Cultura

milhões previstos inicialmente, serão aproximadamente R$ 14,8 milhões. “Fizemos um esforço e conseguimos ampliar. E como abrange projetos que vão até meados do ano que vem, resolvemos usar também parte do orçamento de 2012”, esclarece o secretário. Para Carlos Paiva, superinten-

LUCIANO AGUIAR

Magnífico. Adjetivo exato para o show dos 30 anos do Grupo Garagem no Teatro Castro Alves no domingoànoite.Salalotada,plateia em êxtase, muita emoção em jogo e uma música de altíssimo nível, pensada e produzida por baianos de grande quilate. A única tristeza é pensar que um espetáculo daquela grandeza se resumiu a uma noite apenas e quepraticamentenãohápolíticas para fazer com que artistas dessa qualidade possam presentear, com frequência, o público local. O encontro do trio formado por Rowney Scoot, Ivan Bastos e Ivan Huol com a Rumpilezz e a Orquestra Sinfônica Juvenil da Bahia contrariou a lógica imbecil mercadológica de que música instrumental e de qualidade não tem retorno de público nem é compreendida. Arranjos dignos dos melhores palcos do mundo foram executados com a força e a coletividade musical baianas e recebidos às lágrimas por alguns dos presentes. O Garagem, por tudo que é e que já fez, mostrou o seu poder aglutinador ao conseguir, no-

tadamente, empenho máximo e muito respeito da big band baiana e da orquestra juvenil para realizar arranjos intensos e de grande dificuldade dinâmica e harmônica, como os de Pedro Augusto Dias para Mar do Norte e Erê Alabê, ambas composições com a grife de Ivan Bastos.

Delírio

A Sinfônica Juvenil da Bahia, que faz parte do Neojibá, abriu a noite com Danzón nº 2, do mexicanoArturoMarquez,ecausou impacto. Logo após, um vídeo sobre o grupo anfitrião foi exibido, com importantes depoimentos. Subida a tela, entrou o Garagem, acompanhado de Mou Brasil, na guitarra semiacústica, e Luisinho Assis, no piano, para fazerem o samba Horizonte, de Bastos, em alto nível. Era só um aperitivo para o que viria adiante, com a belíssima composição Mar do Norte. Rowney, com a voz embargada, disse que o concerto era uma comemoração de todos os grupos que fizeram a música instrumental acontecer na Bahia, citando vários deles, e dedicou o show à memória do pai.

A Rumpilezz, como de costume, entrou pela plateia causando alvoroço e apresentou Adupé Fafá, de Leitieres. Rowney se misturou aos companheiros da Orkestra, da qual faz parte e com a qual partiu ontem para primeira turnê na Europa. Na sequência, entrou o maestro Alfredo Moura para reger a Rumpilezz no arranjo que ele fez para Plano de Voo (Bastos), explorando com perfeição os metais em simbiose com o Garagem. Floresta Azul (Leitieres), a música mais bonita do repertório da Rumpilezz, foi um presente para o público. Leitieres adaptou o arranjo para integrar o Garagem e a orquestra juvenil à força percussiva dos alabês. Depois, Donatiano (Huol) pôs molho afro-brasileiro-caribenhonoshow com o arranjo de Bira Marques e Erê Alabê (Bastos) fechou a apresentação com chave de ouro, com o público de pé e atônito com o que havia presenciado. O bis foi o BolerodeRavel,quecresceuainda mais com a mistura percussiva. Parabéns ao Grupo Garagem, pela dignidade com que se manteve. Salve a música de qualidade da Bahia.

dente de Promoção da Cultura, a ampliação do orçamento de justifica pela nível dos projetos inscritos. “A seleção levou em conta a alta qualidade das propostas e procurou dialogar com as diretrizes da política cultural do estado”. Os editais temáticos, garante a Secult, voltarão a ser publicados, porém com algumas ade-

quações. “Queremos simplificar e incluir inovações como a possibilidade de apoiar atividades permanentes e investir não apenas na produção, mas também na distribuição e circulação“, adianta Albino Rubim. Além de novos formatos, temas como design, moda e gastronomia também devem passar a ser contemplados.

CIRCO 6 projetos aprovados (4 na capital): oficinas, encontros e apresentações circenses. PATRIMÔNIO 5 projetos aprovados (4 na capital). BIBLIOTECA 4 projetos aprovados (3 na capital). MUSEUS 2 projetos aprovados (1 na capital). ÓPERA 1 projeto aprovado, na capital.

Reprodução

Prêmio Jabuti anuncia vencedores de 29 categorias, entre eles, Dalton Trevisan Dalton Trevisan, com Desgracida, na categoria Contos e Crônicas, De menino a homem, de Gilberto Freyre, na categoria Biografia, e Ruth Rocha e Anna Flora, com a coleção Pessoinhas (Didático e Paradidático) estão entre os ganhadores da 53ª Edição do Prêmio Jabuti, anunciados até o fechamento desta edição. Os resultados foram divulgados ontem, após apuração dos votos dos jurados. O anúncio dos vencedores das 29 categorias foi feito em tempo real, por meio do microblog Twitter no endereço da Câmara Brasileira do Livro (CBL) twitter.com/CBL_oficial. A apuração da segunda fase do prêmio teve início às 9 horas e transcorreu ao longo do dia. Ao contrário da primeira fase, em que os jurados puderam escolher livremente os dez melhores dentre os inscritos em cada categoria, nesta etapa, a votação teve por base uma lista fe-

TEATRO 42 projetos aprovados (21 na capital): montagem e circulação de espetáculo, festival, formação e manutenção de grupo.

DANÇA 15 projetos aprovados (10 na capital): oficina, mostra, festival, montagem de circulação de espetáculo, manutenção de grupo.

Grupo Garagem comemora 30 anos com um concerto para entrar na história

PATRÍCIA MOREIRA E AGÊNCIAS

MÚSICA 42 projetos aprovados (29 na capital): produção de CD, DVD, show, festival, pesquisa e formação orquestral.

MULTILINGUAGENS 28 projetos aprovados (14 na capital).

LETRAS

Márcio Lima / Divulgação

CONCENTRAÇÃO DE PROJETOS POR ÁREA

CINEMA E VÍDEO 33 projetos aprovados (20 na capital): produção de curta e longa-metragem, documentário, série de TV, websérie, mostras e festivais.

MÚSICA

Rowney Scott, Ivan Huol, Ivan Bastos e Mou Brasil, com a Sinfônica Juvenil da Bahia ao fundo

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chada dos finalistas de cada uma das categorias. No dia 30 de novembro serão conhecidos os vencedores das categorias Livro do Ano Ficção e Não Ficção, que no ano passado teve o cantor e compositor Chico Buarque como ganhador na categoria Ficção.

Concorrentes

Dalton Trevisan disputou a premiação com outros nomes de peso da literatura brasileira, a exemplo de Rubem Alves, que concorria com A Pedagogia dos

Confira no portal A ATARDE OnLine (atarde.com.br) o resultado final com os vencedores do Prêmio Jabuti 2011

Caracóis (Verus), Antonio Prata (Meio Intelectual, Meio de Esquerda – Editora 34), Ronaldo Correia de Brito (Retratos Imorais – Objetiva); Nuno Ramos (O Mau Vidraceiro – Globo) e Silviano Santiago (Anônimos – Rocco), de um total de 10. A biografia De Menino a Homem - De Mais de Trinta e de Quarenta, de Sessenta e Mais Anos, de Gilberto Freyre, é uma publicação póstuma que veio a público por meio da Global Editora. Na obra, Freyre rememora as principais passagens de sua vida e faz uma reflexão intimista sobre sua vida pessoal, acadêmica e política desde os anos 1930 até o início dos anos 1980. De menino a homem receberá homenagem póstuma, e segundo regulamento, o prêmio passa a ser do secundo colocado, no caso, para o autor de Alceu Penna e as garotas do Brasil , o jornalista baiano Gonçalo Júnior, que também escreveu A Guerra dos Gibis e Maria Erótica.

DESTAQUES DOS VENCEDORES DO 53º PRÊMIO JABUTI CONTOS E CRÔNICAS Desgracida, de Dalton Trevisan LIVRO INFANTIL OU JUVENIL Ilustração de Gildo, de Sivana Rando ARTES Os Satyros, de Germano Pereira BIOGRAFIA De menino a homem, de Gilberto Freyre DIDÁTICO E PARADIDÁTICO Ruth Rocha e Anna Flora, coleção Pessoinhas (Editora FTD) ECONOMIA, ADM. E NEG. Multinacionais Brasileiras: Internacionalização, Inovação e Estratégia Global, de Moacir M. Oliveira Jr. DIREITO Fundamentos Constitucionais do Direito Ambiental Brasileiro, de Norma Sueli Padilha

Capa de Desgracida, de Dalton Trevisan venceu na categoria Contos

COMUNICAÇÃO Impresso no Brasil, org. Anibal Bragança e Marcia Abreu

CURTAS Barnes é favorito ao Prêmio Man Booker O escritor inglês Julian Barnes, quatro vezes indicado ao prêmio Man Booker de ficção, mas que já chamou a premiação e um “bingo chique”, é visto como favorito para recebê-lo na terça-feira por seu romance The Sense of an Ending. O prêmio entregue anualmente a um escritor de língua inglesa de países da Comunidade Britânica, Irlanda ou Zimbábue é um dos grandes eventos do calendário editorial, assinalando um aumento importante de publicidade e vendas para os autores e as obras premiadas.

Fiac dá início hoje à venda de ingressos Começam a ser vendidos hoje os ingressos para os espetáculos do Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia. O valor é R$ 12 (inteira) e R$ 6 (meia), mas há espetáculos gratuitos na programação, para os quais serão distribuídas senhas uma hora antes do início de cada sessão. A Bilheteria Central do FIAC funcionará até o dia 29 no Teatro Castro Alves, sempre das 12 às 18 horas. Neste ponto de venda, os ingressos de cada espetáculo só poderão ser adquiridos até a véspera de suas respectivas apresentações. No dia da apresentação, a venda será

realizada exclusivamente no local onde a atração estará em cartaz. Mais informações: www.fiacbahia.com.br

Para os espetáculos no Centro Cultural Plataforma, o Fiac disponibilizará um ônibus para o trajeto, a R$ 5

Gigantes de Aço bate Footloose nos EUA Os robôs de Gigantes de Aço saíram-se melhor do que a garotada de Footloose, refilmagem do clássico dos anos 1980, mantendo-se na liderança das bilheterias norte-americanas pela segunda semana consecutiva. Gigantes de Aço obteve cerca de US$ 39,6 milhões em vendas de ingressos no mundo em três dias, disse no domingo a distribuidora Walt Disney Co. Footloose ficou atrás, com US$ 16,1 milhões, nos cinemas nos dois países. O fato de ser uma história que agrada à família toda ajudou Gigantes de Aço.

Divulgação

Cena do filme Footloose, que ganhou remake este ano

Livraria Leitura terá filial em Salvador O Shopping Bela Vista (Av. Antônio Carlos Magalhães - Acesso Norte), empreendimento cuja primeira fase deve estar pronta no 1º semestre de 2012, anuncia a vinda do Livraria Leitura, que inaugurará a primeira filial na Bahia. A rede de livrarias conta com 30 lojas distribuídas por seis estados, além do Distrito Federal. A Leitura segue o mesmo perfil de grandes redes do segmento, comercializando livros, produtos de papelaria, CDs, DVDs, itens de informática, games, eletro eletrônicos e brinquedos


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