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SALVADOR DOMINGO 2/1/2011
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A
s reações às roupas da Bokapiu são sempre muito parecidas quando se está pouco familarizado com elas. Chamam a atenção, primeiro pelas estampas vintage, pop, bem-humoradas, infantis, irônicas, presentes em seus tecidos nobres, como linho, cambraia de algodão, garimpados por horas a fio em lojas do interior da Bahia. “É a parte mais divertida. Quanto mais antiga a loja, melhor. Não porque vou achar tecidos comprados há 30 anos, mas porque a mentalidade de compra do dono ainda é de 30 anos”, conta o designer da marca, Marcos Gonçalves, 42, também conhecido como Marcos Bokapiu. Logo depois, o novato vai querer saber onde comprar as roupas e é aí que está outra diferença. Ele atende a cada um dos seus clientes pessoalmente. É só ligar e marcar um encontro em seu ateliê ou onde o interessado estiver. “Estou começando a pensar em criar um site. Mas as redes sociais, para mim, já são um ponto de venda”. Com o tempo, quando a relação se torna mais estreita e ele passa a conhecer os gostos da pessoa, começa a pensar roupas especialmente para ela. É assim que há dez anos ele vem vestindo atores, músicos e arquitetos.
JACOBINA
A bossa DO
Boka
Há dez anos, a marca de roupas Bokapiu tem trajetória singular no mercado de moda baiano, com atendimento personalizado do designer Marcos Gonçalves
CONTATO bokapiu@yahoo.com.br 71 8852-2560
Texto PEDRO FERNANDES pfernandes@grupoatarde.com.br Foto FERNANDO VIVAS fvivas@grupoatarde.com.br
A relação com a moda vem desde muito tempo, quando nos anos 1980 tocava junto com a mãe uma butique multimarcas, a Bokapiu, em Jacobina, interior da Bahia. A loja fechou quando ele se mudou para o Rio de Janeiro, aos 25 anos, onde começou a fazer o curso de história, que concluiu na Universidade Federal da Bahia. Ao retornar para Salvador, quis voltar a trabalhar com moda, mas pretendia evitar toda a dor de cabeça de manter uma loja. Começou então, em 2000, com a primeira série de camisetas estampadas pelo parceiro Marcelo do O, com quem trabalha até hoje. Depois, passou a se arriscar na modelagem de calças e camisas para o público masculino e, em menor proporção, para o feminino. “Não sei pegar numa agulha, mas conheço todo o processo”, diz. Marcos não precisou abandonar a sua vivência com a história para se dedicar à moda. Além de continuar seu trabalho como professor, deu um jeito de juntar as duas coisas na pesquisa Roupa de Ver Deus - Modernidade e Vestimenta em Salvador anos 1950 e 1960. Alguns desenhos de Lina Bo Bardi, que têm como tema a cidade do Salvador, viraram estampas para suas camisetas. É de olho na arte, na literatura, no cinema, e trazendo essas informações para cada umas de suas peças, que ele desperta a curiosidade dos seus clientes e faz cada um deles se sentir único. «