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SALVADOR DOMINGO 5/9/2010
ARMARINHO Camelo na sombra
Mauricio Lima / AFP
PEDRO FERNANDES
No verão passado, o mantra de que dizia ser o nude o novo preto foi tão repetido que o tal bege metido a besta resolveu continuar em voga nas estações seguintes. Para ganhar uma cara nova, veio com tons mais puxados para o marrom e também para o dourado. Umas mudança sutil, mas o suficiente para chamarem a cor de “camelo” e brincar de novidade. A denominação vem dos clássicos mantôs de pelo de camelo. A tonalidade dos casacos se espalhou para outras peças de roupas, sapatos e acessórios depois que marcas como Chloé e Stella McCartney trouxeram os casacos de volta em seus desfiles no inverno 2010-11. Para o calor de Salvador, um casaco de camelo não é exatamente a pedida, mas os estilistas brasileiros propuseram para o verão 2011 versões bem mais fresquinhas, como o modelo ao lado da Maria Bonita. Glória Coelho também pesou a mão na tonalidade em sua última coleção. Reinaldo Lourenço sugeriu misturas com preto, pink e laranja. Já Carlos Tufvesson adicionou bilho aos seus microvestidos e tubinhos. Todos disponíveis na Martha Paiva. A dica para quem quiser apostar em um look “monocamelo”, sem parecer uma pessoa aborrecida, é apostar na sobreposição de tons.
ONDE ENCONTRAR Maria Bonita Salvador Shopping, piso L2 (Avenida Tancredo Neves) 71 3342-2173 Martha Paiva Avenida Paulo VI, 267, Pituba, 71 3248-2428
REINALDO LOURENÇO LANÇA NOVOS ESMALTES
TRICÔ Helio Tourinho
A coleção Pop 4 You, da Risqué, acaba de chegar às lojas. Assinada por Reinaldo Lourenço, a coleção traz oito tonalidades (foscas e brilhantes), que vão do clássico vermelho (Coque) ao azul (Cigarrete). A linha, de acordo com o estilista é inspirada nos anos 60, nos carros dessa época com suas cores e linhas futuristas
“A IDEIA É TRAZER CONTEÚDOS PARA SALVADOR” O gerente de marketing do Iguatemi fala sobre o Movimento Moda de Iguatemi, que acontecerá entre os dias 15 e 1º/10, com foco maior em discussão de moda do que em desfiles
Divulgação Iracema Chequer / Ag. A TARDE / 2.9.2010
AGENDA
LANVIN CRIA COLEÇÃO PARA A REDE H&M
15/9 a 22/10 O MAM-BA oferece o curso O Corpo, a Roupa e a Linguagem Plástica Contemporânea. Coordenado por Marijara Queiroz, tem 16 aulas (qua a sex, das 9h às 12h). Inscrições até o dia 10
A grife de luxo francesa Lanvin anunciou a parceria com a rede de fast-fashion H&M para a criação de uma coleção de outono. H&M by Lanvin será lançada em 23 de novembro deste ano
Cristiano Moura / Divulgação
O que motivou as mudanças que resultaram no Movimento de Moda Iguatemi? Em conversa com os lojistas, percebemos a necessidade de democratizar a moda dentro do shopping e trazer o público mais para perto desse evento. O MMI pretende, com as novidades,terdestaquenacional? A ideia é trazer conteúdos para Salvador. Mas, claro, se der certo, vamos querer prover conteúdos para o restante do País.
Maria Bonita investe na tonalidade camelo
Prévia do verão 2011 da IO
Robério Sampaio assina a arte da campanha da sua marca IO, clicada dia 1º, no apartamento do arquiteto Marlon Gama
De que maneira o evento pode ajudarafomentaraindústriaea criação? Os estudantes, criadores e lojistas vão ter a oportunidade de discutir com criadores das principaismarcasdoBrasil.
Viagens, países
Danuza Leão Escritora e cronista
Viajar não é simples, sobretudo quando se vai para um destino desconhecido – e às vezes por influência de outra pessoa; cuidado. Depois de passar pelas torturas normais – longas consultas pela internet para saber qual a companhia oferece o melhor preço para a passagem, reservar o hotel e tomar as providências para deixar a vida em ordem, sem esquecer da ração do gato –, chega, enfim, o dia da partida. Uma viagem começa muito antes de se entrar no avião. Vou repetir: viajar (bem) não é simples; aliás, é bem complicado. Mesmo com os cartões de crédito, saúde perfeita, o astral lá em cima, pode acontecer de não funcionar. São os riscos, e para evitar que isso aconteça, é preciso tomar muitas precauções. É fundamental ir para um lugar com o qual você já se identifica por alguma razão; a música, por exemplo. Quando entro num avião indo para Buenos Aires, já vou ouvindo (na memória, não no iPad) Gardel cantando Mi Buenos Aires Querido e outros tangos cujas letras sei de cor. Adoro Evita, adoro Maradona, adoro a elegância démodé dos argentinos, os jardins
de Palermo, adoro saber que não existe nenhum argentino analfabeto. Nenhuma coisa tem a ver com a outra, mas o conjunto me faz adorar a cidade. Às vezes, alguém me pergunta se já estive num determinado país, e eu tenho que fazer um esforço de memória para lembrar, olha que absurdo. É que passei por lá sem saber de nada antes, e não ter procurado me informar – naquelas viagens de pula-pula para depois dizer que sou viajada, que estive em 8 países e aí, claro, não me ficou uma só recordação. Adiantou ter ido? Claro que não. Se duas pessoas forem juntas visitar o Coliseu, uma conhecendo a história, a outra não tendo noção, para qual vai ser melhor? Não tenho a menor vontade de conhecer a Venezuela, mas se for, já sei que não vou achar nada, porque o país não me atrai; então, só para ter mais um carimbo no passaporte, fico na minha casa. É preciso falar com pessoas que já estiveram na cidade para
É preciso falar com pessoas que já estiveram na cidade para onde você vai, saber dos passeios, dos restaurantes, das coisas imperdíveis
onde você vai, saber dos passeios, dos restaurantes, das coisas imperdíveis, mas é fundamental que haja uma grande afinidade entre você e quem está dando essas informações. Aliás, mais do que afinidade: sensibilidade. Talvez seja necessário conversar com várias, pois o que é bom para um é péssimo para o outro, e afinidades existem em diferentes níveis: na arte, na gastronomia, nas lindas paisagens, nos lugares mais animados, e por aí vai. Eu não iria a um restaurante indicado por quem só gosta dos lugares da moda – onde tem gente bonita, como eles dizem; também não perguntaria a um grande amigo que só pensa em futebol, qual o melhor endereço para as compras, nada a ver. É preciso estar identificado com o lugar para onde se vai já antes de ir. Se um sueco for a Salvador tendo lido Jorge Amado, não vai aproveitar muito mais a viagem? Ninguém pode curtir Lisboa verdadeiramente sem ter lido Eça. Até pode, mas não deve, pois seria uma viagem mais pobre, da qual ficariam apenas algumas lembranças, todas superficiais; para isso, basta olhar uns cartões postais. Pergunte, se informe, procure saber de tudo, leia autores locais, ouça, para que tudo valha a pena e que a viagem se torne algo que você vai guardar para o resto da vida, bem dentro do coração. Só assim seus olhos vão ver coisas preciosas que nunca veriam, pois as cidades, como as pessoas, têm alma, e sem ela, é o nada.