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ARMARINHO
SALVADOR DOMINGO 6/2/2011
PEDRO FERNANDES
Confira os cinco melhores desfiles e looks da SPFW Inverno 2011 Nessa São Paulo Fashion Week ficou difícil falar de tendências. O que é bom, pois aponta que as marcas estão mais voltadas para a construção de suas próprias identidades. Ainda assim foi possivel pescar algumas coincidências entre as coleções, como as formas em trapézio, o comprimento dos vestidos, na altura dos joelhos, e o uso de muito couro, pele e lãs. Mas isso é o que deve importar menos em se tratando da maior semana de moda da América-Latina. Porque inovação, criatividade, design e reflexão são os critérios mais relevantes na análise das coleções apresentadas nas temporadas. Pensando nisso, a coluna elegeu os cinco melhores desfiles.
Andre Conti / Agência Fotosite
BOCAS VERMELHAS E UVA DOMINAM AS PASSARELAS Diferente do que normalmente acontece nas semanas de moda, os maquiadores dos desfiles da SPFW Inverno 2011 vieram com propostas pouco ousadas para as passarelas e muito próximas do que pode ser usado tranquilamente na rua. Algumas, como as da Osklen, Tufi Duek, Maria Bonita e Colcci, vieram com aspecto de cara lavada e a maioria investiu na boca e deixou os olhos naturais. O batom vermelho intenso foi o hit das passarelas e apareceu nos desfiles de Ronaldo Fraga, Cori, Ana Salazar, Ghetz e Do Estilista, ao lado dos tons de uva, usados nas apresentações da Neon, Juliana Jabour, André Lima e Reinaldo Lourenço.
Em primeiro lugar fica a Neon, com suas roupas bem humoradas, dramáticas e com doses fortes de surrealismo. Herchcovitch vem em seguida com uma coleção lúgubre, que joga bem com pesos e levezas dos materiais e das cores. Já Glória Coelho continua com estruturas fluidas e aerodinâmicas, mas dessa vez veio com um pé nos anos 1930 e 1960. O mineiro Ronaldo Fraga faz uma menção literal ao artista plástico Athos Bulcão usando seus desenhos como estampas, mas compensa nas linhas arrojadas de suas criações. Já João Pimenta afia o conceito sem esquecer da usabilidade com a sublimação do corpo masculino por meio de roupas litúrgicas.
Fotos Zé Takahashi / Agência Fotosite
Fotos Marcelo Soubhia / Agência Fotosite
CARTEIRAS E CLUTCHS SÃO TENDÊNCIAS NO INVERNO Apesar de aparecerem em diversos formatos, alguns modelos de bolsas se repetiram com muita frequência. Alguns mais divertidos, como as frutas da Amapô, e outros mais clássicos e refinados, como as carteiras de Tufi Duek, em couro com detalhe de madeira, e de Reinaldo Lourenço, bordada de pérolas. Mas must have mesmo é a carteira com cara de marmita de metal da Maria Bonita (foto), que homenageou os trabalhadores que construíram Brasília. As clutchs também estão em voga e foram usadas por Herchcovitch (foto) e Iódice.
SAPATOS ARROJADOS SÃO DESTAQUE NA SPFW Ao contrário das marcas do Fashion Rio, que praticamente fecharam na tendência dos modelos masculinos como oxford e desert boots em versões femininas, as grifes da São Paulo Fashion Week investiram em variedade e criatividade. Os sapatos com salto em vírgula e detalhe no bico apresentados por Glória Coelho em diferentes combinações de cores são, apesar de difíceis, o objeto de desejo da temporada de inverno. As mais discretas podem dar preferência ao sapatênis com bico transparente da Maria Bonita, que vem nas cores cinza, azul, marrom e branco.
Da esquerda: O bom humor da Neon, o luto de Herchcovicth, as linhas de Glória Coelho, as estampas de Ronaldo Fraga e a androginia de João Pimenta
Luta de classes
Danuza Leão Escritora e cronista
Há uns dois anos, tive uma diarista que começava a trabalhar muito cedo – por escolha dela; às 6 horas, ela já estava em minha casa. Uma morenona bem carioca, simpática, risonha, disposta, sempre de altíssimo astral. Gostei dela, e, como detesto fazer ares de patroa – e não sei –, tínhamos uma relação amistosa e legal, como devem ser todas as relações. Algum tempo depois, comecei a fazer aula de natação em um clube que fica a uns 500 metros de minha casa. A aula era às 7 horas, mas, e a preguiça? Preguiça de levantar da cama, e enfrentar a distância ficou difícil. Tive, então, uma ideia: levá-la comigo. Assim, teria companhia para ir e voltar, e seria mais fácil a caminhada. Vamos deixar bem claro: não foi
CURTAS nem um ato de gentileza de minha parte, nem pensei apenas em meu proveito. Achei que seria bom para as duas, e ela, que talvez nunca tivesse entrado numa piscina, ia adorar. Perguntei se gostaria, ela ficou toda feliz, e a partir daí todos os dias íamos juntas, conversando. Eu pagava minha aula e a dela, e, às 8h30, estávamos de volta, alegres, falando sobre nossos progressos. Já que não posso mudar o mundo, pensei, estou exercendo o socialismo – ou a democracia – pelo menos em meu território. Mas notei que, a cada vez que contava isso para os amigos, nenhum deles dizia uma só palavra; nem para achar que tinha sido uma boa solução, nem para ficar contra, nem ao menos para achar alguma graça. Silêncio geral e total. O tempo foi passando. Comecei a perceber pequenos desvios no troco, às vezes dava por falta de uma das três mangas compradas na feira, os picolés que guardava no freezer desapareciam, os refrigerantes
Comecei a perceber pequenos desvios no troco, às vezes dava por falta de uma das três mangas compradas na feira, e eu pensava: "Tem dó, Danuza, afinal, ela toma duas conduções para vir”
Sei que não sou um modelo de dona de casa, mas alguém conta todos os dias quantos lençóis tem?
e sabonetes também, e eu pensava: "tem dó, Danuza, afinal ela toma duas conduções para vir, duas para voltar, a grana é pouca, se ela fica com oito ou dez reais da feira, é distribuição de renda. E se comeu metade do Gruyère, dizer que o queijo francês é só seu, é um horror"; e assim fomos indo. Fomos indo até que um dia viajei por um mês, e quando voltei, houve problema com um cheque; coisa pouca, mas ficou claro, claríssimo, que tinha sido ela, e tive que demiti-la, o que aliás me custou bem caro, em dinheiro e pela deslealdade. Depois da demissão, fui descobrindo coisas mais graves – e nem vou contar todas, só uma delas: nos fins de semana, ela vinha com o marido, punha o carro na garagem do prédio e o casal passava o fim de semana na minha casa. Depois de recibos assinados, tudo liquidado, chegou a conta do telefone do mês em que eu estive fora: havia 68 ligações para um único celular. Liguei para o tal número e soube que
era de um funcionário do clube de natação, que ela paquerava. Quando entrou a substituta, tive que comprar lençóis, toalhas e um monte de coisas que ela havia levado. Sei que não sou um modelo de dona de casa, mas alguém conta todos os dias quantos lençóis tem? E tranca os armários? Não eu. Durante um bom tempo fiquei mal: pela confiança, pela traição, depois de quase dois anos de convivência. E agora? Agora, não sei. Afinal, somos ou não somos todos seres humanos iguais, como me ensinaram? Ou é preciso mesmo existir uma distância empregado/patrão, como dizem outros? Ou esse foi um caso singular? Aprendi que a luta de classes começa dentro de nossa casa, e mais especificamente, dentro da geladeira. E enquanto o mundo não muda, passei a comprar queijo de Minas, que além de tudo não engorda. PS: com seu bigodinho recém-aparado, e o cabelo recém-pintado, o senador Sarney está a cara do ator Dirk Bogarde em Morte em Veneza.
Fotos históricas da Associação Comercial Como parte das comemorações dos 200 anos da Associação Comercial da Bahia (ACB), o Salvador Shopping apresenta uma exposição com 14 fotografias que registram a história da instituição e do bairro do Comércio. Os flagrantes vão desde o século 19 até os dias atuais. A exposição, que está localizada no Espaço Gourmet – Piso L1, fica no local até hoje.
Pop-up bar na Praia do Forte até março Até a segunda semana de março, quatro praias badaladas do Brasil, inclusive a Praia do Forte (Tivoli Ecoresort), na Bahia, sediam um pop-up bar (bar que funciona por tempo limitado) promovido pelo espumante Chandon. O Chandon Bubble Bar é totalmente customizado e está presente também em Ilhabela, Búzios e Florianópolis.