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Sandy não arrisca

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SALVADOR 29/4/2010

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A cantora diz que cansou de gritar e que agora teve calma para trabalhar

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EDITOR-COORDENADOR: ADALBERTO MEIRELES / DOISMAIS@GRUPOATARDE.COM.BR

ENTREVISTA O ATOR VLADIMIR BRICHTA FALA SOBRE A PEÇA HAMELIN, QUE VEM A SALVADOR, E DOS TRABALHOS NO CINEMA E NA TELEVISÃO 4

CINEMA COBERTURA DAS MAIS RECENTES EXIBIÇÕES REALIZADAS NO FESTIVAL CINE PE

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Márcio de Souza / TV Globo / Divulgação

Sandy não arrisca MÚSICA Aguardado lançamento da carreira solo da cantora não traz mudanças marcantes no seu perfil

Paschoal Rodrigues / Divulgação

PEDRO FERNANDES

“Cansei de gritar”, anuncia Sandy na primeira entrevista coletiva concedida nos últimos três anos, na terça-feira passada, em São Paulo, por conta do lançamento do seu novo CD, Manuscrito. O trabalho, autoral, tem produção do marido Lucas Lima e do irmão Junior. “Me propus a cantar dessa vez sem artifícios vocais. Me despi desses recursos”, explica.

Lançado pela Universal Music, o disco chega às lojas no dia 7 de maio. Antes disso, as 13 canções serão lançadas uma a uma virtualmente ao longo dessa semana. Porém já há versões completas do álbum que estão circulando na rede.

Intimista

Aos 27 anos de idade e 20 de carreira, Sandy quer propor uma nova versão de si mesma, com o total domínio de sua pro-

dução. Ela teve dois anos inteiros para preparar o novo álbum e diz tê-lo feito pensando apenas na sua satisfação pessoal. “Já tinha tentado trabalhar dessa forma calma, mas nunca tínhamos tempo. Foi a primeira vez que fiz tudo do jeito que eu queria. A gente se sentiu à vontade para criar e deixar a cabeça e a alma trabalharem”. Com inspirações diversas, entre elas o pop inglês do JamieCullum, Demian Rice e Nerina

O disco ainda soa como de Sandy & Junior, mas sem as faixas animadinhas. Ela o define como intimista, com alguns momentos de melancolia

Pallot, que faz participação em Dias Iguais, as canções desse disco ainda soam como as de Sandy & Junior, mas sem as músicas animadinhas. Esse, segundo ela, é um disco intimista, composto todo em tons menores e na maioria das vezes em momentos de melancolia. O REPÓRTER VIAJOU A SÃO PAULO A CONVITE DA UNIVERSAL MUSIC LEIA MAIS NA PÁGINA 3


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SALVADOR QUINTA-FEIRA 29/4/2010

Paschoal Rodrigues / Divulgação

MÚSICA O CD Manuscrito, de Sandy, sai com a alta tiragem de 50 mil cópias

Ainda não foi desta vez que a maturidade chegou

“Não sei se vou agradar. Quero o público que me quiser” PEDRO FERNANDES

Na porta do restaurante no bairro de Moema, onde aconteceria a primeira entrevista coletiva de Sandy desde que dissolveu a dupla com o irmão Junior, em 2007, duas dúzias de fãs aguardavam algum vislumbre da cantora. Mesmo sem conhecer direito essa nova persona de cabelos cortados e supostamente mais madura, eles foram apoiá-la e deixar claro que não importa o que ela faça, eles estarão lá. É com esta certeza que Sandy – que se autodefine como “mais introspectiva, porém mais livre” –, volta à cena. Durante a tarde da última terça, ela passaria por uma maratona de entrevistas com emissoras de TV, veículos impressos e online, para apresentar seu novo CD, Manuscrito, e seu novo “eu”. “O objetivo desse trabalho é me satisfazer como artista. Não tenho que provar mais nada para ninguém. Não sei se vou fazer sucesso, se vou agradar e estou preparada para o que acontecer”, diz no documentário que será lançado junto com o álbum, em 7 de maio. Em contrapartida, chega à coletiva um tanto apreensiva e se corrige: “Digo isso na teoria. Não sei como lidarei na prática. Quero o público que me quiser”. De qualquer maneira, seu CD já chega com uma tiragem de 50 mil cópias, número baixo para quem está acostumada a vender milhões, porém mais que satisfatório para quem tem consciência do mercado que a recebe no momento. Há dez anos, no auge da carreira ao lado de Junior, a pirataria e a troca de músicas pela internet não eram problemas tão sérios quanto atualmente. Hoje, essa tiragem corresponde em vendas a Disco de Ouro.

Repertório

Com um nome consolidado que lhe permite lançar um álbum já com esse horizonte, também lhe foi dado tempo suficiente para gestar a obra que bem entendesse, sem a interferência da Universal, sua gravadora. Dessa vez, não se sentiu obrigada a gravar nada que ferisse suas convicções, como aos 12 anos, quando registrou Power Rangers (do álbumVocê é D +).

PEDRO FERNANDES

Desde o fim da dupla com o irmão, o público espera para saber que rumos a carreira de Sandy iria tomar. Especulou-se o caminho da MPB, bossa-nova e jazz. Esperava-se algo que rompesse com seu passado de canções infantis e românticas/sertanejas. O que ainda não aconteceu em Manuscrito. Apesar dos arranjos mais sofisticados, de abusar dos acordes menores que tornam o disco mais melancólico e de abrir mão da gritaria e da cafonice, o novo repertório não apresenta a maturidade tão apregoada em seu material de divulgação. Por se tratar de um disco todo composto por ela, pode-se perceber uma carga de sentimentos pessoais mais intensa, como a vontade de mudança ou a experiência de um amor realizado. Mas a expressão disso ainda é bastante pueril. Ainda assim, deve voltar em breve ao topo das paradas com a ajuda dos fãs. Sem arriscar, Sandy quase não mexeu no time que sempre ganhou. Reflexo de quem cresceu dentro da redoma. E, ao que parece, ainda não está pronta para sair.

“Naquela época eu já me sentia uma mocinha e achava o maior mico ter que cantar essa música. Mas a gravadora disse que seria bom e que meus fãs iriam gostar. Tem outras músicas que eu não queria fazer. Mas, claro, estava curtindo trabalhar e me orgulho muito”, ameniza. Por enquanto, não há previsão para uma turnê do novo trabalho, embora já tenha formada uma banda de cinco mú-

“Tem músicas que eu não queria fazer. Mas, claro, estava curtindo trabalhar e me orgulho muito”

MANUSCRITO / SANDY / UNIVERSAL / LANÇAMENTO DIA 7 DE MAIO / R$ 19,90

“Sou adulta e tenho segurança (para posar nua). Não tenho é vontade” SANDY, cantora

Nova Sandy: sair da casa dos pais foi fundamental para fazer o primeiro trabalho sem o irmão

sicos para acompanhá-la. O que há é uma intenção de que, a partir do final deste ano, ela já tenha um repertório de pelo menos 20 músicas para fechar uma apresentação. No momento, só há as 13 canções do disco atual, porém ela não nega a possibilidade de inserir duas ou três músicas da dupla Sandy & Junior no futuro show. “Não sei até que ponto seria bom trazer coisas do repertório antigo, especialmente para não confundir os fãs. Mas elas fazem parte da minha história. E algumas ainda gosto de cantar”, adianta.

mi tarde. Acordei tarde. Aprendi a administrar um lar. Não foi fácil sair da condição de filha para a de dona de casa. Gosto de dar atenção à minha vida pessoal. Isso foi fundamental para esse trabalho e para descobrir quem eu sou”. Assim, se enganou quem esperava que esta Sandy de cabelos moderninhos e rosto escondido na penumbra que estampa a capa do CD fosse transitar pelas sombras. É só esperar pela resposta quando lhe perguntam quando fará um ensaio fotográfico nua. “Não rejeito a sensualidade que pode haver em mim. Mas esse não é o foco do meu trabalho. Sou adulta e tenho segurança. Não tenho é vontade”, diz, para deixar claro que a namoradinha do Brasil cresceu e se tornou a esposa.

Dona de casa

O hiato entre o fim da dupla e o lançamento de Manuscrito serviu, segundo ela, para que tivesse tempo de descobrir quem era realmente: “Descansei. Dor-

TEATRO

Millôr Fernandes e a missão de fazer o público rir e refletir TATIANA MENDONÇA

Depois do judaísmo, do islamismo e do cristianismo, é chegada a era de uma nova crença, o humorismo. Para a plena libertação de culpas, deveres e aléns. A incitação é do diretor carioca Eduardo Wotzik. E se Wotzik viu mais longe, é porque estava sobre os ombros de um gigante – ninguém menos que o “papa“ da nova e profícua religião, Millôr Fernandes. Wotzik resolveu montar uma peça baseada na obra do genial humorista depois de passar semanas repetindo suas tiradas. “Com o passar dos tempos, sua palavra foi ficando tão especial, suas ideias tão extraordinariamente sintéticas, que alcançaram o sagrado“, conta. Criado em 2006, o espetáculo Millôr Impossível já percorreu diversas cidades do País e será apresentado de amanhã a domingo, na Caixa Cultural, em Salvador. Os ingressos podem ser trocados por 1 kg de alimento das 14 às 20 horas, nos dias dos espetáculos. O texto da peça foi atualizado

e reúne novas crônicas do humorista. “O homem está mais vivo do que nunca, produzindo sem parar. Por isso, me obriga a repensar e recriar o espetáculo sempre“, comenta o diretor. O elenco original tinha em cena Eduardo Wotzik, Henrique Pagnoncelli e Cristiana Oliveira. A atriz foi substituída por Carla Ribas (protagonista do longa A casa de Alice, de 2007), que pela primeira vez assume o papel.

Julgamentos

Em entrevista ao Jornal do Brasil, o diretor elegeu a plateia carioca como a pior que se pode ter num teatro. “O sujeito vai dar

A produção do humorista de novas crônicas é levada ao palco, numa constante atualização da peça

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uma força, prestigiar o artista, pagar meio ingresso, não tem a mínima ideia do que está indo ver. Senta – ou melhor, deita – na cadeira com os pés de havaianas em cima do encosto da frente e diz: ‘Agora me interesse aí‘“. Wotzik diz que trata-se de uma descrição, e não de uma reclamação. “Não há julgamento nisso, mas uma deliciosa e divertida pesquisa. Espero que os soteropolitanos reconheçam o gênio que é Millôr Fernandes, se divirtam com sua inteligência e reflitam sobre sua forma de ver o ser humano“. O diretor estava em cartaz no Rio com o drama O interrogatório, de Peter Weiss, que recria o Tribunal de Frankfurt, quando oficiais foram julgados por crimes praticados no campo de concentração de Auschwitz. MILLÔR IMPOSSÍVEL / ROTEIRO E DIREÇÃO: EDUARDO WOTZIK / COM EDUARDO WOTZIK, CARLA RIBAS E HENRI PAGNONCELLI / DE AMANHÃ A DOMINGO, 20H /CAIXA CULTURAL SALVADOR / RUA CARLOS GOMES, 57, CENTRO / INGRESSO: 1 KG DE ALIMENTO

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Sandy não arrisca by Pedro Fernandes - Issuu