Gigante de chumbo

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chumbo enferrujado

Quem frequenta o Estádio Pedro Pedrossian nos dias atuais conhece o tamanho de sua ociosidade. Até porque aquele que tem o costume de ir ao local faz parte de um grupo que dificilmente passa da casa da centena. Jogos com mais de mil espectadores no Morenão são raridades, pode-se contar nos dedos de uma das mãos aqueles que registram um número superior a este durante um ano. E não é por pura força de expressão. Em 2014, apenas cinco partidas superaram esta marca, em que quatro foram pelo Campeonato Estadual e uma pela Copa do Brasil. Não há como fugir do jargão popular “elefante branco” para classificar a arena. Desde a sua fundação, há 43 anos, se pode afirmar que o futebol campo-grandense só foi sustentável durante 15 deles, de um período que foi desde a primeira participação de um clube da cidade em um Campeonato Brasileiro, o Esporte Clube Comercial em 1973, até a última, em que o Operário Futebol Clube disputou a Série B em 1988. Destes 15 anos, 11 se passaram durante a ditadura militar que, juntamente com seus aliados e simpatizantes, foi o que propulsou o futebol local por intermédio da construção subsidiada do Morenão e das interferências no Campeonato Brasileiro de clubes, nascido durante o regime. Após rebuscar a história da construção do estádio universitário e a conjuntura política que culminou em seu surgimento, vê-se que o futebol campo-grandense e seu auge são crias do período em 81


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